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Numero do processo: 16327.001801/99-62
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2000
Ementa: INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE COMPETÊNCIA. Não prevalece o lançamento quando, em sua feitura, a autoridade lançadora não atendeu as regras impostas pelos §§ 4o e 6o do art. 6o do Decreto-lei 1.598/77.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS- Os encargos (juros e correção monetária) assumidos na aquisição de direito ao exercício de atividade financeira constituem despesa dedutível para efeito de apuração do lucro real.
PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA-INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS- EXERCÍCIO 1989- De acordo com as regras então vigentes para as instituições financeiras, poderiam ser debitados à provisão os créditos que estivessem registrados, há mais de 60 dias, como Créditos em Liquidação, como tais considerados os assim definidos pelo Banco Central do Brasil , em ato normativo (Portarias MF 450/76, item III, 296/78, item II, 565/78, item II, 630/78, item III)
PROVISÃO PARA AJUSTE DO ATIVO AO VALOR DE MERCADO- A decretação da liquidação extrajudicial da entidade emissora do CDI não implica em considerar como de valor zero o título. É de ser glosada a provisão se não foram apresentadas provas quanto aos valores de mercado que serviram de base à sua constituição.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 101-93080
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação os itens 1 e 3 do auto de infração.
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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Processo h. 16327.001801/99-62 Recurso n". : 120.860 Matéria: : IRPJ é OUTROS- EX: 1989 Recorrente : BANCO BMC S/A Recorrida : DR.I em SÃO PAULO - SP Sessão de : -07 de junho de 2000 Acórdão n°. : 101-93.080 INOBSERVANCIA DO PERIODO DE COMPETÊNCIA. Não prevalece o lançamento quando, em sua feitura, a autoridade lançadora, não atendeu-as regras impostas pelos §§ 4° e 60 do art. 6° do Decreto-lei 1.598/77. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS- Os encargo& Ouros e correção monetária) assumidos na aquisição de direito ao exercício de atividade financeira constituem despesa dedutível para efeito de apuração do lucro real. PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA- INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS- EXERCÍCIO 1989- De acordo com as regras então vigentes para as instituições financeiras, poderiam ser debitados à provisão os créditos que estivessem registrados, há mais de 60 dias, como Créditos em Liquidação, como tais considerados os assim definidos pelo Banco Central -do Brásii, erri ató riorMativo (Portarias ME 450/76, item III, 296/78, itetii. II, 565/78, item II, 630/78, item ni) PkÕVISÀO isAia AftiSiÊ, 150 ATIVO AO VÀtõk 15Ë MÉküÀ21j0.. decretação da liquidação extrajudicial da entidade emissora do CM não implica em considerar como de valor zero o título. É de ser glosada a provisão se não foram apresentadas provas quanto aos valores de mercado que serviram de base à sua constituição. ReeurSo voluntárió Próvido érii Parte Vistos-, relatados e discutidos às P.róètittà autos dó róeuràó iütettpótó pôr BANCO BMC S/A ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação os itens t e 3 do auto de infração„. nos -termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 2 jr1 Processo n". : 16327.001801/99-62 2 Acórdão O : 101-93,080 SONP - • •DRIGUES PRESID • S ANDkA_ MARTA FARONI. RELATOR FORMALIZADO EM: 99„_. 'rtfl fl Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: : SEZIR DË OLIVÉ -IRA éikeN-DiDÕ, KAZUKI SHIOBARA, SEBASTIAO RODRIGUES CABRAL, CELSO ALVES FEITOSA e RUBENS MALTA DE SOUZA CAMPOS FILHO. Ausentes, justificadamente os Conselheiros FRANCISCO DE ASSIS -MIRANDA e RAUL P1MENTEL. Processo n. : 16327.001801/99-62 3 Acórdão O : 101-93.080 Recurso n°. : 120.860 Recorrente : BANCO BMC S/A RELATÓRIO O presente proeeSSo foi Constituído à partir de dipiaS de eleirientoS eonStaiiteS do proCeSso 13-805.002827/94-70 (que -tramita com o recurso de oficio); e do qual foi -transferido o crédito tributário mantido pela decisão de primeira instância. São os seguintes os fatos : Autos de Infração Contra Banco BMC S/A foram lavrados autos de infração para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido relativos ao am-calendátio de 1988, totalizando 3„075.822,99 UTIR, nesse montante compreendidos,. -também, multa por lançamento de oficio e juros de mora. As irregularidades que deram origem às exigências eraisiStirain ein dedução indevida Corno deSpeSà à título de: à) aniortizaçõeS relativas aO direito ào eXereicio de atividades financeiras; b) créditos incobráveis e c) provisões para ajuste de bens do ativo.° Termo de Verificação de fls. 99/102 do processo original registra que : Item I) Tendo necessidade de expandir sua rede de agências e interesse em atuar como Barieó dê iiivéüilriétitó é DTVM, aderiu à. regrars éStabelééidaS isébá BACEN (Reá. 1060/85) Para esse fim; que consistiam em adquirir "pontos"; através de operações conduzidas pelo BACEN, realizadas com ou_ tendo como intervenientes instituições financeiras em fase de liquidnâce" . Por esse mecanismo, o BMC recebia os "pontos" e, em contra partida, adquiria dessas instituições éditoS de diikil liquidação, que na realidade Seriain entregues pró forma, unia vez que Se porventtira fossem saldados pelo credor os mesmos seriam substituídos por outros créditos incobráveis. O BMC entendeu que a promulgação da nova Constituição , tornou extintos referidos "pontos" que se encontravam registrados como "Direito ao Exercício de Atividades Financeiras", e Sein levar ciii éoriSideração o Período de ConipetênCia é ó efetivo Pagattieritá deSSeS direitoS, promoveu a baixa do saldo; o que -afetou o lucro tributável: No transcorrer do ano-base -de 1988, ã, título de encargos de variação monetária e juros tendo como contrapartida a conta de despesa com cartas patentes, foram lançados os valores decorrentes das dívidas assumidas pela aquisição dos "Poritoà" jã referidos. A legislação tributável relativa à Matéria vedava à dedutibilidade dás valores pagoS pelos adquirentes de direitos ao exerci-cio de atividades financeiras; certificados por cartas patentes ou quaisquer outros títulos de autorização expedidos pelo Banco Central do Brasil. Tal \.1( Processo n5. 16327 .001801/99-62 4 Acórdão no . ; 101-93.080 dispositivo encontra-se expresso no art. 4°, inc. II, do Decreto-lei 2.075/83, sendo que o art. 5° do mesmo Decreto-lei revogou os artigos 211 e 252 do RIR/80, que reproduziram os dispositivos do Decreto-lei 1.337/74 Os valores glosados foram a) direitos ao exercício de atividades financeiras CZ$929.759.583,72; b) cartas-patentes CZ$ 2.119.678,-86. ítem 2) Foram baixados contra a conta de "provisão para devedores duvidosos" valores tidos como incobráveis, esposando o- entendimento de que- a simples ação de cobrança e/ou execução judicial da dívida seria condição suficiente para caracterizá-la como tal O total glosado foi CZ$ 605.459.178,12 ItMil 3) Constituiu provisão para fazei frente à perda é desvalorizações éfi depósitos interfmanceiros; -títulos vinculados a operações compromissadas e perdas por desvalorizações; e tendo sido intimada, não logrou demonstrar a composição desses valores. Impugnação A empresa impugnou as exigências alegando, em síntese: a) Quanto ao item 1; que a exigência se desdobra em amortização de-direito ao exercício de atividade financeira (CZ$929.759.581,72) e despesas financeiras (CZ$2_119 678,86) A amortização do direito (C/$929.759.583,72) estava amparada pelo art. 3 0, I, do Decreto-lei 2.075, e.è oS voto CM 041/81 è CrviN 043/8 77, é quando o dispositivo legal em questão foi revogado pelo Decreto:lei 2.397/87 já estava concedido e sacramentado o tratamento -fiscal a que o BMC tinha direito. E a dedução integral do saldo no encerramento_do_ano-base de 1988 deveu-seao_fato_ de ter o direito perdido seu valor econômico em razão de haver o I3ACEN, pela Resolução 1 524/88, psããíisilitádo á ifigitákm dé bariéoS múltiplós áérri qualquer ônus é iridépéridéritériiérité do sistema de pontuação. Além disso; o direito à dedução existiria independentemente dó D1; 2..075/83, com base no art., 208 do RIR/80, cláusula geral que permite considerar prejuízo o saldo não amortizado se a existência ou exercício do direito ou a utilização do bem terminar antes de sua amortização integral. A parcela de despesas financeiras glosada (CZ$ 2.119.678,86) refere-se a cunhal-os celebrados, através dos quais o Banco assumiu obrigações affrespondentes a encargos financeiros, que constituem despesas financeiras dedutíveis, já que guardam os requisitos de necessidade, razoabilidade e efetividade. b) Quanto ao item 2, não é correto afirmar que o Banco devesse esgotar os meios de cobrança, pois esse requisito resulta de construção jurisprudencial, só passando a constar de lei a partis datei 8118/91, Além_ disso, as instituições financeiras _nunca:foram_ r_egiclas pelo art. § 6° do RIR/80, sujeitando-se às normas do Banco Central, circunstância sempre reconhecida pelo MiniStério dá Fazenda CM diverSaS PorrariàS 4uè di4náiháit é diàpõèfià àiuè sàménté¡)àdèiãè ãèf debitadaS à provisão para créditos de liquidação duvidosa os créditos que entram sido piotestakk)s; çJ Processo 16327.001801/99-62 5 Acórdão n°. 101-93.080 iiiniadoS Ou que eStejani regiStradOS há Maià de 60 dias càmô CréditÕS em Liquidação e que ó Banco Central definirá; em ato normativo; os créditos a serem inscritos na conta créditos em liquidação, O Banco Central expediu a Resolução 1.423/87, em vigor à época, a qual foi estritamente cumprida pelo Banco BMC. c) A glosa a título de provisão para fazer frente a perdas com desvalorização do ativo compreende duas parcelas, A primeira foi constituída sobre CDI de emissão do Banco de Alagoas S/A, adquirido em 11111/88 e vencido em 14/11/88,. não honrado pelo Banco do Estado de Alagó2s. Além disso, em 16/11/88 o BACEN decretou a liquidação extrajudicial daquele Banco. A segunda Se refere a dedirçãó dõvídaffieüte auunizada, pelo RER/80 COnSOante Seu art. 221. Aüèxà, praiiilhaS dos títulos de Tenda -fixa atualizadas até 31/12/88 em que figuram os títulos existentes naquela data e as provisões constituídas e esclarece que os títulos de renda fixa eram utilizados para lastrear as. operações de "over night" ou de "open market" remunerando o aplicador às taxas de mercado, Sofrendo éléá atuálizaçõeS de aeordó Corri á taxa de iriéreadó„ d) Por fim, observa que está sendo exigida a TRD como se fosse taxa de juros; que esses devem observas o percentual de 1%, e, ainda que mantida a exigência, deve ser excluída a TRD de 1991. o A firiptignação. -4 Gnitfibuk4.à SèèiaI se tepóità às àleÈaõeà feitas quanto ab IRN è„ acrescenta que a cobrança; em relação ao ano-base de 1988; foi declarada inconstitucional pelo - STF. Decisão de primeira instância O julgador singular excluiu de exigência a os encargos' de TRD- no período de 04102/91 a 29/07/91, remanescendo, nesse período, a taxa de 1%, bem como toda a Contribuição Social, mantendo as demais exigências, pelas razões a seguir sintetizadas: a) Como encargos de depreciação foram glosadas duas parcelas A primeira referente a despesas com direitos ao exercício de atividade financeira e a segunda referente a cartas patentes. A indedutibilidade dos valores oriundos de aquisição de cartas patentes (CZ$ 2.119„443.687,72) está expressa no art. 4° inc. II, do DL 2075/83. O valor compreende o principal e variação monetária e juros, que como acessórios, seguem o principal. A dedtrtibilidade da parecia de Ca 929.795.-583;72 poderia estar amparada pelo art, 3°, I„,„ do mesmo DL, porém a negociação com o BACEN relativa ao beneficio tratado no Voto CMN 041/87 condiciona a utilização do beneficio após o período de carência, verieèfido-Se à In-h:fieira preStaç'ão SenieStral ein 01/12/89. Assim, ainda quê fosse dedutível tal valor, ele só o seria a punir do período de carência; nada podendo ser deduzido em 1988. Processo nG. : 16327.001801/99-62 6 Acórdão n°. : 101-93.080 b) A glosa relativa aos créditos incobráveis se fundamenta no art. 221 6° e -rdo RIR/80, e a empresa 11ãO demonstrou que as ações impetradas contra seus devedores se tomaram inexeqüíveis. c) Quanto ao ajuste do custo de ativos ao valor de mercado, -0 procedimento do BMC não encontra amparo legal, pois considerou, para o CDI, valor de mercado zero pelo simples fato da decretação da liquidação extrajudicial do Banco do Estado de Alagoas; e quanto aos demais títulos, não trouxe prova do seu valor de mercado, Recurso Iliço_nfo ,M1-04., a eMPre.Sa_ reçoiTe a este Conselho gg1.1P?Pinan4Q, ern sÁR.t-ÇSe, que: 1) Quanto aos encargos de depreciação, -reitera as razões da impugnação e acrescenta que a autoridade recorrida não questiona o direito da Recorrente de registrar como despesas o valor dos "pontos" adquiridos, porém _esse direito foi condicionado _ao término da carência do contrato, ou Seja, á ReCOrrente_ efetuou á baixa pela totalidade do Saldo ardeis_ do término dó prazo, Posteriormente; findo-o prazo; a Recotrente não efetuou a baixa; Assim; o caso não pode ser tratado como falta de recolhimento de impostomas no máximo como postergação. Disso decorre que os valores considerados devidos deverão ser recalculados, por não expressarem o montante que eventuainierite 41à. àldó teeólltidõ. Deve-Se óbàetv4t,àíndá, 4tleà àózó dó benetkló previsto TIO DL 1075/83 estava condicionado ao término do período de carência do contrato firmado entre o Banco Central e o BMC. Porém a Resolução 1.527/88 estipulou o prazo de 180 dias a contar de 4/11/88 para sua utilização, -após o que deveriam ser cancelados. Uma vez que _ao término do Petiódõ de_ Carêndia étSé. Praz_o já teria Sé éÁdóadó, verifidou,Se á iiiiPOSSibilidade de eurriPrirrientó de urna das cláusulas do contrato (o interregno de dois anos pare) para gozo do beneficia Trata-se; nolição de Hely Lopes Meirelles, de _Fato da Admittistr~,_ que se equipara à força maior e produz os mesmos efeitos excludentes de responsabilidade. Claro está que a conduta da Recorrente eneimitia arriPãO irá ReSèluçãO 1.527/88, que deterininOu àCarreelarrientà dós referidOS POMOS ãpõã o prazo de 180 dias. 2)Quanto às despesas financeiras, entendeu a autoridade recorrida que, por serem acessórios dos contratos firmados, e sendo esses indedutíveis, devem ter o mesmo tratamento. Todavia, a COrreção iribrietárià e os jurOS, itã) obstante à relaçãO de fato exiSterite Corri à principal, ieveStern-Se, -no caso em teia; de natureza distinta; Enquanto os contratos em questão consistem em aquisição de direitos consubstanciados em créditos ou fundo de comércio, as despesas decorrentes constituem prejuízos deles dissociáveis, is quais o RIR, nos artigos 253 e 254 dispensa tratamento específico. 3) Quanto aos créditos incobráveis, reitera as razões da impugnação, quais sejam, insiste em que -dão há -base legal para exigir o esgotamento dos meios de cobrança e; principalmente, as Processo ri'. : 16327„001801/99-62 7 Acórdão TIO. : 101-93,080 noiniàs atilieaveià às iffstituiçõeS financeiras, revistàsèüi póitàfiàã dõ miiiiáttõ dá Fazenda, não exigem o esgotamento dos meios de cobrança. 4) Quanto ao ajuste dos bens do ativo, reafirma que o CDI emitido pelo Banco do Estado de Alagoas, além de não ter sido comprado em seu vencimento em 14/11/88, o BACEN decretou a liquidação éxfrájudiéiál dá inãtitukaõ ém 16/11/88, é ria hipótese inipróvável dó Crédito vir á ãéÉ recebido pela recorrente, será feita a reversão da provisão, e o tratamento deve ser, pois, de postergação. Quanto à desvalorização dos títulos e valores mobiliados, repona-se às razões aduzidas na impugnação, no sentido de que a oscilação do custo dos títulos implica o ajustamento de Seu valor àquele correspondente à Sua realização, pátá o que áüèxõu Wkiilhãà dos titulas renda fixa atualizados até 13/12/88, informando os títulos existentes naquela data e as provisões constituídas. É o relatório. Processo tf. 16327.001801/99-62 8 Acórdão n°. . 101=93,080 VOTO Cõiiãèlhèii'ã SANDRA MARIA FARONI, Rèlãtõffi O recurso é tempestivo e, conforme dá notícia o MEMO 193/00, da DEINF/SP/DISAR, foi efetuado depósito instituído pelo art 32 da MP 1.699-40. Dele tomo conhecimento. A exigérw forinalizada no auto de infração e mantida pela autoridade singular compreende três itens, dois deles ( o primeiro e o terceiro) podendo ser subdivididos -em-dois subitens cada. •Passo a analisá-los: Item 1- O primeiro item do auto de infração se relaciona a valores pagos pela Recorrente para adquirir direito de atuar como DTVM e expandir sua rede de agências. Conforme consta do Termo de Verificação que integra o auto de infração, a sistemática utilizada pelo Banco Central era de pontuação; e obedecia aos interesses e conveniências em função do desenvolvimento que as autoridades financeiras desejassem imprimir às expansão cias empresas que atuavam no mercado financeiro. Dentro desse sistema, o BMC adquiriu créditos de difícil liquidação de instituições em liquidação extrajudiCial, reeeberido pôr tranSferêneia oS "pontos" dessas ~lições; os quais eram-registradusno seu ativo como "Direito ao Exercício de Atividades Financeiras"_ De acordo com o art. 3 0, inc. I do Decreto-lei 2.075/83, o Conselho Monetário Nacional poderia "autorizar a dedução, como despesa, de valores atribuídos pelo Banco Central do Brasil como encargos de instituições _por este autorizadas a funcionar, correspondentes a ônus de outras empresas, inclusive das quantias relativas à aquisição de créditos de difícil liquidação, cobertos com réCurSos de késérva Móriótária, ôófisóárite próÉraniaS específicos áprovádoS por aquele Corítéllio". A glosa referente ao item 1 compreende duas parcelas; a primeira no valor de CZ$ 929195,583,72 da Conta de Despesa 8.1.8.1_0.04-4 "Direitos ao Exercício de -Atividades Financeiras", e a segunda no valor de CZ$ 2.119.443.672,86, da Conta de Despesa 8.1.9.99.02-0 "Cartas Patentes". Conforme demonstrativos de fis. 29 e 30, a primeira parcela corresponde ao valor original de CZ$ 101.499678;00 (instituição vendedora BACEN) atualizado monetariamente até 31/12/88, e a segunda parcela corresponde aos encargos de vafação monetária e juros correspondentes ao 1° e 2° semestres de 1988, incidentes sobre os valores de CZ$ 104.030.856,31 (instituição vendedora BACEN) e CZ$103.191.453,60 (instituição vendedora Meridional). Processo r 16327.001801/99-62 9 Acórdão n°. : 101-93.080 Quanto à parcela de CZ$ 929.795.583,72, da análise dos autos verifica-se que pelo Voto DIFIS/87/005 (fls 133/145 do processo original), o Conselho Monetário aprovou a cessação do regime especial a que estavam submetidas as empresas do Grupo Maisonnave. O item 7 do Voto prevê que o preenchimento do espaço deixado pela cessação de atividades das empresas financeiras do Grupo seria &Culta& a tereeirtá intertáSadoS, aoS quais Sé outorgariam riováS faculdades para funcionar, mediante a aquisição de créditos de dificü liquidação das empresas liquidandas e que, na forma do art. 3° do DL 2075„ seria pedido ao Conselho Monetário Nacional a concessão dos beneficias ali previstos, o que, conforme documento de fls 160/164, foi feito pelo Voto CMN 041/87. EÉSe iiieSnio &Curti -dito deniõriátrà que à Ré -é -oriente adquiriu éréditõS ào áfflpátõ dó benefício, no valor de Ca 101.499.6/8 500, cujo valor atualizado, conforme doci de fls. 30-5 corresponde aos CZ$ 929/95.583,72 . Trata-se, pois, de valor dedutível corno despesa. Porém, como registra a decisão singular, pelo contrato firmado entre o BMC e o BACEN, o beneficio Concedido pelo CMN (aniortização) Éo poderia Éer utilizado após á datêikiá ë após õ iiiiCio pagamento, que deveria ocorrer em 01/12/895 e por isso o julgador de primeiro grau considerou legítima a glosa do valor deduzido em 31112188. Inicialmente, é de se registrar que não -está correto o entendimento da Recorrente de que o direito de aniortizaçãO exi giria iiidepdidenteniente do DL 2075/83, COM. base nó -art. 208 dó RIRMO. É que apenas são amortizáveis os 'valores aplicados na aquisição de direitos cuja existência ou exercício seja limitada, o que não é o caso do direito ao exercício de atividades financeiras (cartas patentes). Assim, a amortização de que se trata só era permitida como incentivo fiscal previsto tio DL 2.075/83. Poderia o fato sé Cará- eterizar Corno pétàã de Capital, ria %trila de baixa por extinção do direito integrante do Ativo Permanente da empresa, que com a nova legislação do BACEN, teria perdido seu conteúdo econômico (art. 317 do RIR/80). Isso desde que efetivamente provada a perda do conteúdo econômico do direito registrado. Entretanto, não há -qualquer dúvida quantõ ao fato de que, à pà±tit de 01/12/89, à Re-Corrente teria direito de iniciar a amortização do valor de que se trata, 0 que ocorreu, -portanto, foi urna antecipação de despesa. Nos termos dos parágrafos 4° e 6° do art. 6° do Decreto-lei 1.598/77, os valores glosados e adicionados ao lucro líquido por serem indedutíveis no período-base de 1988 deveriam ser excluídos dó lucro líquido doS periodoS-baSe à que Conipetiani , fazendo-Sé ó lançamento da diferença de imposto depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período-base a que o contribuinte tinha direito . Não tendo sido observada essa regra no lançamento, não pode ele prosperar. A parcela de CZS 2.481.981.592,06, conforme documento de fls. 29, refere-se a variação mondaria e juros incidentes sobre valores de aquisição de cartas patentes, conforme contratos de . „ Processo d. : 16327..001801/99-62 10 Acórdão n°. : 101-93.080 cessão firmados com o BACEN e coin õ Baile() Meridional (relacionados à liquidação dó Maismtnave). Nesse caso, equivocou-se a decisão singular, pois não se trata de despesa decorrente de incentivo. O valor deduzido não corresponde a amortização, autorizada por incentivo fiscal do DL .2.075/83, _de 'Direito _ao Exercício _de Atividades Financeiras" registrado, rio Ativo.- Trata-se de encargos financeiros incorridos sobre a obrigação assumida na aquisição de direitos, os quais se caracterizam -como despesa -dedutivel. Assim, conforme 'documento de fis 1601164, ao -adquirir os créditos do BACEN o Recorrente se obrigou ao pagamento de correção monetária e juros de 6% a.a. (Cláusula terceira). Da mesma forma, conforme contrato de fls. 165/168, o valor os direitos adquiridóS Sé Sujeita á 'Correção tuurietátiã pela OTN é jures de 6% ãõ àfie (eláugulã quáttã) . Tais encargos financeiros são dedutiveis com base nos artigos 253, § 1° e 254, inc. II do RIR/80.. Deve, pois, ser provido o recurso em relação ao item 1 do auto de infração.. Item 2 Diz respeito a valores baixados da Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa antes de esgotados os recursos para seu recebimento.. Segundo o Teimo de Verificação, o banco fiscalizado entendeu que a simples ação de cobrança. e ou de execução judicial da divida era condição suficiente pata caracterizá-la como incobrável. De ator& Coin as regitá então vigentes pãtã as instituições ritiatiéeítáS, pOderiain Ser debitados *provisão os ié-ditos que tivessem sido protestados, ajuizados ou estivessem registrados, -há mais de 60 dias, como Créditos em Liquidação, como tais considerados os assim definidos pelo Banco _Central-do Brasil , _enlato _normativo (Portarias _ME 450/76, item III, .296/78, item II, 565/78, itein II, 630/78, item III), . Em sua impugnaç'ào, a eitipreSa diz ter Cumprido áÉ itóritiat dó BACEN que disciplinavam a inscrição dos valores nas contas -de créditos em liquidação (Res. 1,423/87) e junta documentação relativa às providências, inclusive judiciais, para a cobrança dos créditos. A decisão singular manteve -a glosa apenas sob o fundamento de que o Banco não provou que ãÉ ações inipetradaã tõiitra seus devedores estão tóin Sentenças judiciais consideradas inexeqüfveis_,-não podendo ser -considerados como esgotados os leVUTSOS de c-obrança, Urna vez que essa condição não se aplicava, à época, às instituições financeiras, deve ser provido esse item do recurso. Item 3 Relaciona-se à glosa da provisão para ajuste do -ativo ao valor de mercado. -Quanto -a -esse item,. não merece reparos a decisão -sin-gular„ eis que a decretação da liquidação extrajudicial da entidade emissora do CDI não implica em considerar como de valor zero o titulo e, ainda, que não foram apreseritadM próváS quanto aoS valores de inereado que Servitaiti de base à COnStituiçãO da provisão, A invocação do tratamento de po-stergação em fase recamai sé pode ser considerada se o Processo n°, 16327.001801/99-62 11 Acórdão n", : 101-93,080 fato independer de prova ( como, por exemplo, em caso de glosa integral da diferença 1PC/13TNF em lançamento de oficio procedido em 1994, sem que o fiscal considerasse que 25% do respectivo valor constituía despesa do ano-calendário de 1993) ou se provado nos autos que a despesa/custo antecipado já teria afetado o resultado de período-base posterior, porém anterior à lavratura do auto de infração Portanto, para merecer a apreciação do fato sob a ótica de postergação, deveria o contribuinte ter provado que o imposto pago a menor no exercício de 1989, correspondente à despesa antecipada relativa ao CDT ajustado para valor zero (ou seja, considerado perda) foi pago em exercício posterior e antes da lavratura o auto de infração, o que não OCOITell na hipótese. Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso para excluir da filatelia tributável os itens 1 e 3 do auto de infração ( correspondentes aos itens 1 e 2 do Termo de Verificação). Sala das Sessões - DF, em 07 de junho de 2000 A --- SANDRA MARIA FARONI Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.002075/2002-52
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999
Ementa: AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO QUANTO À HORA E AO LOCAL DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. A previsão contida nos artigos 19 e 21, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes não se estende às delegacias de julgamento, razão por que é descabida a alegação de nulidade da decisão recorrida, ao argumento de que a instância a quo não notificou a fiscalizada quanto à hora e ao local da sessão na qual se deliberou sobre as questões impugnadas.
Ementa: INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. O Constituinte de 1988, ao explicitar, na Carta Magna, a competência privativa do Presidente da República, consoante a dicção do inciso VI do artigo 84 em sua feição original, antes, portanto, das mudanças provocadas pela Emenda Constitucional nº 32/2001, reservou ao legislador ordinário o poder de delimitar a atuação presidencial, no tocante à organização e ao funcionamento da administração federal. Imerso nesse ambiente normativo, quando da reestruturação da Secretaria da Receita Federal, o legislador atribuiu competência originária ao Ministro da Fazenda para aprovar o regimento interno daquela Secretaria, segundo o mandamento inscrito no artigo 8º da Lei nº 9.003, de 16 de março de 1995. Uma vez fixada sua competência originária, o Ministro da Fazenda delegou ao Secretário da Receita Federal a atribuição de alterar a área geográfica e as matérias sob a administração judicante das repartições julgadoras de primeira instância. Nesses termos, a Portaria SRF nº 1.515/2003, editada sob delegação, decorreu da necessidade de redistribuir os feitos pendentes acumulados nas delegacias do Rio de Janeiro e São Paulo, onde se registra volumosa litigiosidade, para outras unidades localizadas no território nacional, em cumprimento às diretrizes impostas pela eficiência administrativa.
Ementa: DESRESPEITO À PREVALÊNCIA DA INTIMAÇÃO PESSOAL SOBRE A VIA POSTAL. Não havendo comprovação de prejuízo à defesa, não prospera a nulidade suscitada da decisão recorrida ao argumento de que, ao intimar-se a impugnante para cumprimento do acórdão recorrido por via postal, repudiou-se a preferência legal pela intimação pessoal, tendo em vista o disposto no artigo 23, § 3º, do Decreto nº 70.235/72.
Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF nº 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedando-se ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes-deveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto nº 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuir-se nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo.
Ementa: CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não procede a alegação de que a decisão recorrida carece de fundamentação, se restar inequívoco que o julgador apreciou as questões fundamentais ao deslinde da controvérsia posta, não lhe sendo exigido exaurir os argumentos expendidos pela impugnante.
Ementa: PROVAS. SISTEMA DE TARIFAÇÃO. RECIBOS EMITIDOS PELO PRÓPRIO FISCALIZADO. Pela suspeita de que o interessado declare o que lhe convém, o documento redigido pelo fiscalizado não é instrumento apto a comprovar despesas, contas do passivo ou a elidir as presunções de omissão de receitas, assim como a simples escrituração da pessoa jurídica não conserva idêntica aptidão, pelas mesmas razões. A interpretação do artigo 9º, § 1º, do Decreto – Lei nº 1.598/77, à luz da razoabilidade, não pode desprender-se do sistema de tarifação de provas, devendo-se compreender, nesse contexto, entre as atribuições do sujeito passivo, o ônus da apresentação de documentos emitidos com o lastro de terceiros para corroborar os fatos lançados em sua contabilidade.
EMENTA: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ARGÜIÇÃO. Se o Constituinte concedeu legitimação ao Chefe Supremo do Executivo Federal para a propositura de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, não há amparo à tese de que as instâncias administrativas poderiam determinar o descumprimento de atos com força de lei, sob pena de esvaziar o conteúdo do art. 103, I, da Constituição da República.
Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
Ementa: PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITAS. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não se comprova caracteriza não só a omissão de receitas, mas a omissão de receitas tributáveis, a teor da conjunção entre os artigos 40 da Lei nº 9.430/96 e 24, caput e parágrafo 2º, da Lei nº 9.249/95, não estando o julgador e o autuante obrigados a indicar a qualificação da receita omitida ou a considerar custos e despesas não informados pela recorrente.
Ementa: PASSIVO NÃO COMPROVADO. ARBITRAMENTO. A falta de comprovação de conta do passivo não torna, por si só, a escrita imprestável. Somente as deficiências que maculam o conjunto da escrituração ensejam a desclassificação da escrituração, por obstruir a apuração do lucro real.
Ementa: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. Não é ilegítima a opção pela sistemática de apuração com base no lucro presumido se a autoridade lançadora, em procedimento de ofício, verifica que todo o resultado operacional do sujeito passivo é fruto da equivalência patrimonial, cuja natureza é a de mero ajuste contábil imposto às pessoas jurídicas que mantêm investimento relevante em coligada ou controlada e, além disso, rejeita a comprovação da origem de conta do passivo na qual a autuada registrou a contrapartida da injeção de recursos estrangeiros no caixa. Desse modo, não há a obrigatoriedade de apuração do lucro real com o suposto supedâneo no artigo 1º da Lei nº 9.532/97, pois o argumento do autuante de que há rendimentos oriundos de fontes externas não se sustenta, tendo-se em conta que o agente do Fisco, repudiando a procedência desses recursos financeiros, vislumbrou a existência de receitas omitidas à tributação, com base na presunção que se construiu a partir desse passivo não comprovado.
Normas Gerais de Direito Tributário.
Ementa: MULTA DE 150%. PASSIVO NÃO COMPROVADO. A constatação da prática de omissão de receitas, com base em conta de passivo não comprovado, cujos valores são lançados em contrapartida ao caixa, apenas decorre da conversão da situação duvidosa em torno da obrigação em certeza legal de que os recursos injetados são originários de receitas sonegadas à tributação, o que não basta para evidenciar o elemento subjetivo do tipo qualificado, uma vez que a infração descrita é efeito de um juízo do legislador.
Ementa: PIS. COFINS. Na vigência da Lei nº 9.715, de 1998 (originária da MP nº 1.212, de 1995), e da Lei Complementar nº 70, de 1991, a base de cálculo das precitadas contribuições era o faturamento, sem a elasticidade que a Lei nº 9.718, de 1998 conferiu ao conceito deste instituto. Considerando que o objeto social da interessada não se coaduna com a venda de bens ou serviços, ou com a prestação de serviços, não pode prosperar a tese de que a fiscalizada, ao longo do tempo em que o conceito de faturamento era restrito, deixou de recolher o Pis e a Cofins calculados sobre o montante de receitas somente detectado mediante presunção legal. Conclusão diversa é admitida para o período sob a vigência da Lei nº 9.718/98, uma vez que a norma legal, desde então, incorporou às respectivas bases de cálculo a totalidade das receitas, sendo irrelevante, para tal desiderato, o tipo de atividade exercida pela fiscalizada e a classificação contábil adotada para os referidos ingressos.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios sobre o tributo não pago integralmente no vencimento, mesmo durante o período em que a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa, por decisão administrativa ou judicial.
EMENTA: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora, na exigência de débitos tributários não pagos no vencimento legal, diante da existência de lei ordinária que determina a sua adoção.
Numero da decisão: 103-22.886
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as exigências de IRPJ e CSLL integralmente; excluir as exigências das contribuições ao PIS e à COFINS, relativos aos fatos geradores anteriores a 1°/02/1999 e reduzir a multa de lançamento ex officio majorada de
150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Machado Caldeira, Alexandre Barbosa Jaguaribe e Paulo Jacinto do Nascimento, que davam provimento integral.
Nome do relator: Flávio Franco Corrêa
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Imerso nesse ambiente normativo, quando da reestruturação da Secretaria da Receita Federal, o legislador atribuiu competência originária ao Ministro da Fazenda para aprovar o regimento interno daquela Secretaria, segundo o mandamento inscrito no artigo 8º da Lei nº 9.003, de 16 de março de 1995. Uma vez fixada sua competência originária, o Ministro da Fazenda delegou ao Secretário da Receita Federal a atribuição de alterar a área geográfica e as matérias sob a administração judicante das repartições julgadoras de primeira instância. Nesses termos, a Portaria SRF nº 1.515/2003, editada sob delegação, decorreu da necessidade de redistribuir os feitos pendentes acumulados nas delegacias do Rio de Janeiro e São Paulo, onde se registra volumosa litigiosidade, para outras unidades localizadas no território nacional, em cumprimento às diretrizes impostas pela eficiência administrativa. Ementa: DESRESPEITO À PREVALÊNCIA DA INTIMAÇÃO PESSOAL SOBRE A VIA POSTAL. Não havendo comprovação de prejuízo à defesa, não prospera a nulidade suscitada da decisão recorrida ao argumento de que, ao intimar-se a impugnante para cumprimento do acórdão recorrido por via postal, repudiou-se a preferência legal pela intimação pessoal, tendo em vista o disposto no artigo 23, § 3º, do Decreto nº 70.235/72. Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF nº 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedando-se ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes-deveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto nº 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuir-se nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo. Ementa: CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não procede a alegação de que a decisão recorrida carece de fundamentação, se restar inequívoco que o julgador apreciou as questões fundamentais ao deslinde da controvérsia posta, não lhe sendo exigido exaurir os argumentos expendidos pela impugnante. Ementa: PROVAS. SISTEMA DE TARIFAÇÃO. RECIBOS EMITIDOS PELO PRÓPRIO FISCALIZADO. Pela suspeita de que o interessado declare o que lhe convém, o documento redigido pelo fiscalizado não é instrumento apto a comprovar despesas, contas do passivo ou a elidir as presunções de omissão de receitas, assim como a simples escrituração da pessoa jurídica não conserva idêntica aptidão, pelas mesmas razões. A interpretação do artigo 9º, § 1º, do Decreto – Lei nº 1.598/77, à luz da razoabilidade, não pode desprender-se do sistema de tarifação de provas, devendo-se compreender, nesse contexto, entre as atribuições do sujeito passivo, o ônus da apresentação de documentos emitidos com o lastro de terceiros para corroborar os fatos lançados em sua contabilidade. EMENTA: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ARGÜIÇÃO. Se o Constituinte concedeu legitimação ao Chefe Supremo do Executivo Federal para a propositura de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, não há amparo à tese de que as instâncias administrativas poderiam determinar o descumprimento de atos com força de lei, sob pena de esvaziar o conteúdo do art. 103, I, da Constituição da República. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 Ementa: PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITAS. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não se comprova caracteriza não só a omissão de receitas, mas a omissão de receitas tributáveis, a teor da conjunção entre os artigos 40 da Lei nº 9.430/96 e 24, caput e parágrafo 2º, da Lei nº 9.249/95, não estando o julgador e o autuante obrigados a indicar a qualificação da receita omitida ou a considerar custos e despesas não informados pela recorrente. Ementa: PASSIVO NÃO COMPROVADO. ARBITRAMENTO. A falta de comprovação de conta do passivo não torna, por si só, a escrita imprestável. Somente as deficiências que maculam o conjunto da escrituração ensejam a desclassificação da escrituração, por obstruir a apuração do lucro real. Ementa: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. Não é ilegítima a opção pela sistemática de apuração com base no lucro presumido se a autoridade lançadora, em procedimento de ofício, verifica que todo o resultado operacional do sujeito passivo é fruto da equivalência patrimonial, cuja natureza é a de mero ajuste contábil imposto às pessoas jurídicas que mantêm investimento relevante em coligada ou controlada e, além disso, rejeita a comprovação da origem de conta do passivo na qual a autuada registrou a contrapartida da injeção de recursos estrangeiros no caixa. Desse modo, não há a obrigatoriedade de apuração do lucro real com o suposto supedâneo no artigo 1º da Lei nº 9.532/97, pois o argumento do autuante de que há rendimentos oriundos de fontes externas não se sustenta, tendo-se em conta que o agente do Fisco, repudiando a procedência desses recursos financeiros, vislumbrou a existência de receitas omitidas à tributação, com base na presunção que se construiu a partir desse passivo não comprovado. Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: MULTA DE 150%. PASSIVO NÃO COMPROVADO. A constatação da prática de omissão de receitas, com base em conta de passivo não comprovado, cujos valores são lançados em contrapartida ao caixa, apenas decorre da conversão da situação duvidosa em torno da obrigação em certeza legal de que os recursos injetados são originários de receitas sonegadas à tributação, o que não basta para evidenciar o elemento subjetivo do tipo qualificado, uma vez que a infração descrita é efeito de um juízo do legislador. Ementa: PIS. COFINS. Na vigência da Lei nº 9.715, de 1998 (originária da MP nº 1.212, de 1995), e da Lei Complementar nº 70, de 1991, a base de cálculo das precitadas contribuições era o faturamento, sem a elasticidade que a Lei nº 9.718, de 1998 conferiu ao conceito deste instituto. Considerando que o objeto social da interessada não se coaduna com a venda de bens ou serviços, ou com a prestação de serviços, não pode prosperar a tese de que a fiscalizada, ao longo do tempo em que o conceito de faturamento era restrito, deixou de recolher o Pis e a Cofins calculados sobre o montante de receitas somente detectado mediante presunção legal. Conclusão diversa é admitida para o período sob a vigência da Lei nº 9.718/98, uma vez que a norma legal, desde então, incorporou às respectivas bases de cálculo a totalidade das receitas, sendo irrelevante, para tal desiderato, o tipo de atividade exercida pela fiscalizada e a classificação contábil adotada para os referidos ingressos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios sobre o tributo não pago integralmente no vencimento, mesmo durante o período em que a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa, por decisão administrativa ou judicial. EMENTA: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora, na exigência de débitos tributários não pagos no vencimento legal, diante da existência de lei ordinária que determina a sua adoção.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES (70:0' TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Recurso n° :141.354 Matéria : IRPJ e REFLEXOS Recorrente : RLJ CONTROLADORA LTDA. Recorrida : r TURMA/DRJ-BRASFLIA/DF Sessão de : 28 de fevereiro de 2007 Acórdão n° :103-22.886 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999 Ementa: AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO QUANTO À HORA E AO LOCAL DO JULGAMENTO EM • PRIMEIRA INSTÂNCIA. A previsão contida nos artigos 19 e 21, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes não se estende às delegacias de julgamento, razão por que é descabida a alegação de nulidade da decisão recorrida, ao argumento de que a instância a quo não notificou a fiscalizada quanto à hora e ao local da sessão na qual se deliberou sobre as questões impugnadas. Ementa: INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. O Constituinte de 1988, ao explicitar, na Carta Magna, a competência privativa do Presidente da República, consoante a dicção do inciso VI do artigo 84 em sua feição original, antes, portanto, das mudanças provocadas pela Emenda Constitucional n° 32/2001, reservou ao legislador ordinário o poder de delimitar a atuação presidencial, no tocante à organização e ao funcionamento da administração federal. Imerso nesse ambiente normativo, quando da reestruturação da Secretaria da Receita Federal, o legislador atribuiu competência originária ao Ministro da Fazenda para aprovar o regimento interno daquela Secretaria, segundo o mandamento inscrit o artigo 8° da Lei n°9.003, de 16 • • , • ,is•k*Z4 MINISTÉRIO DA FAZENDA '''P .11!? PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.00207512002-52 Acórdão n° :103-22.886 de março de 1995. Uma vez fixada sua competência originária, o Ministro da Fazenda delegou ao Secretário da Receita Federal a atribuição de alterar a área geográfica e as matérias sob a administração judicante das repartições julgadoras de primeira instância. Nesses termos, a Portaria SRF n° 1.515/2003, editada sob delegação, decorreu da necessidade de redistribuir os feitos pendentes acumulados nas delegacias do Rio de Janeiro e São Paulo, onde se registra volumosa litigiosidade, para outras unidades localizadas no território nacional, em cumprimento às diretrizes impostas pela eficiência administrativa. Ementa: DESRESPEITO À PREVALÊNCIA DA INTIMAÇÃO PESSOAL SOBRE A VIA POSTAL. Não havendo comprovação de prejuízo à defesa, não prospera a nulidade suscitada da decisão recorrida ao argumento de que, ao intimar-se a impugnante para cumprimento do acórdão recorrido por via postal, repudiou-se a preferência legal pela intimação pessoal, tendo em vista o disposto no artigo 23, § 3°, do Decreto n°70.235/72. Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF n° 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedando-se ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes-deveres conferidos pelo 2 • • • • :, • e Is 44 • - s MINISTÉRIO DA FAZENDA ,.....4 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto n° 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei n" 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuir-se nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o Órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo. Ementa: CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não procede a alegação de que a decisão recorrida carece de fundamentação, se ; restar inequívoco que o julgador apreciou as questões fundamentais ao deslinde da controvérsia posta, não lhe sendo exigido exaurir os argumentos expendidos pela impugnante. Ementa: PROVAS. SISTEMA DE TARIFAÇÃO. RECIBOS EMITIDOS PELO PROPRIO FISCALIZADO. Pela suspeita de que o interessado declare o que lhe convém, o documento redigido pelo fiscalizado não é instrumento apto a comprovar despesas, contas do pas " o ou a elidir as presunções de 3 47- . ' • .11.1. " .9# MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 omissão de receitas, assim como a simples escrituração da pessoa jurídica não conserva idêntica aptidão, pelas • mesmas razões. A interpretação do artigo 9°, I°, do Decreto — Lei n° 1.598/77, à luz da razoabilidade, não pode desprender-se do sistema de tarifação de provas, devendo-se compreender, nesse contexto, entre as atribuições do sujeito passivo, o ónus da apresentação de documentos emitidos com o lastro de terceiros para corroborar os fatos lançados em sua contabilidade. EMENTA: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ARGÜIÇÃO. Se o Constituinte concedeu legitimação ao Chefe Supremo do Executivo Federal para a propositura de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, não há amparo à tese de que as instâncias administrativas • poderiam determinar o descumprimento de atos com força de lei, sob pena de esvaziar o conteúdo do art. 103, I, da Constituição da República. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 Ementa: PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITAS. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não se comprova caracteriza não só a omissão de receitas, mas a omissão de receitas tributáveis, a teor da conjunção entre os artigos 40 da Lei n° 9.430/96 e 24, caput e parágrafo 2°, • da Lei n° 9.249/95, não estando o julgador e o autuante obrigados a indicar a qu ficação da receita omitida ou a 4 , si 1.. ti4 • "". • MINISTÉRIO DA FAZENDA• •• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 considerar custos e despesas não informados pela recorrente. Ementa: PASSIVO NÃO COMPROVADO. ARBITRAMENTO. A falta de comprovação de conta do passivo não toma, por si só, a escrita imprestável. Somente as deficiências que maculam o conjunto da escrituração ensejam a desclassificação da escrituração, por obstruir a apuração do lucro real. Ementa: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. PASSIVO NÃO COMPROVADO. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. Não é ilegítima a opção pela sistemática de apuração com base no lucro presumido se a autoridade lançadora, em procedimento de oficio, verifica que todo o resultado operacional do sujeito passivo é fruto da equivalência patrimonial, cuja natureza é a de mero ajuste contábil imposto às pessoas jurídicas que mantêm investimento relevante em coligada ou controlada e, além disso, rejeita a comprovação da origem de conta do passivo na qual a autuada registrou a contrapartida da injeção de recursos estrangeiros no caixa. Desse modo, não há a obrigatoriedade de apuração do lucro real com o suposto supedâneo no artigo 1° da Lei n° 9.532/97, pois o argumento do autuante de que há rendimentos oriundos de fontes externas não se sustenta, tendo-se em conta que o agente do Fisco, repudiando a procedência desses recursos financeiros, vislumbrou a existência de receitas omitidas à tributação, com base na presunção que se construiu a partir desse passivo não comprovado. 5 • ,_er t • - MINISTÉRIO DA FAZENDA • ;!..n PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: MULTA DE 150%. PASSIVO NÃO COMPROVADO. A constatação da prática de omissão de receitas, com base em conta de passivo não comprovado, cujos valores são lançados em contrapartida ao caixa, apenas decorre da conversão da situação duvidosa em tomo da obrigação em certeza legal de que os recursos injetados são originários de receitas sonegadas à tributação, o que não basta para • evidenciar o elemento subjetivo do tipo qualificado, uma vez que a infração descrita é efeito de um juízo do legislador. Ementa: PIS. COFINS. Na vigência da Lei n° 9.715, de 1998 (originária da MP n° 1.212, de 1995), e da Lei Complementar n° 70, de 1991, a base de cálculo das precitadas contribuições era o faturamento, sem a elasticidade que a Lei n° 9.718, de 1998 conferiu ao conceito deste instituto. Considerando que o objeto social da interessada não se coaduna com a venda de bens ou serviços, ou com a prestação de serviços, não pode prosperar a tese de que a fiscalizada, ao longo do tempo em que o conceito de faturamento era restrito, deixou de recolher o Pis e a Cotins calculados sobre o montante de receitas somente detectado mediante presunção legal. Conclusão diversa é admitida para o período sob a vigência da Lei n°9.718/98, uma vez que a norma legal, desde então, incorporou às respectivas bases de cálculo a totalidade das receitas, sendo irrelevante, para tal desiderato, o tipo de atividade exercida pela fiscalizada e a classificação contábil adotada para os referidos ingressos. 6 . . . , • • ' —. 1, ie . ; ;.-.; MINISTÉRIO DA FAZENDA '''? * PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .4>5,1:7-)- TERCE IRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATORIOS. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios sobre o tributo não pago integralmente no vencimento, mesmo durante o período em que a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa, por decisão administrativa ou judicial. EMENTA: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legitima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora, na exigência de débitos tributários não pagos no vencimento legal, diante da existência de lei ordinária que determina a sua adoção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RLJ CONTROLADORA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as exigências de IRPJ e CSLL integralmente; excluir as exigências das contribuições ao PIS e à COFINS, relativos aos / fatos geradores anteriores a 1°/02/1999 e reduzir a multa de lançamento ex officio majorada de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Machado Caldeird, Alexandre Barbosa Jaguaribe e Paulo Jacinto do Nascimento, que davam provimento integral. O4',ÁIO2rfat.int,"—.. ::~ O RODJJQUENEUBER . Presidente Vfid ç r,,,,G t2 ,-., FLÁ O FlicrA‘)N6CORICA Relator 7 .._ . ., 0 • • ..* t: 44 . • =4.'4 .:-.;.; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - ,1i1 TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 FORMALIZADO EM: 25 JAN 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE e LEONARDO DE ANDRADE COUTO. Ausente, momentaneamente, por motivo justificado o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. \ 8 r , • ,,,e1A...."4 • - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.00207512002-52 Acórdão n° :103-22.886 Recurso n° : 141.354 Recorrente : RLJ CONTROLADORA LTDA. RELATÓRIO E VOTO Conselheiro FLÁVIO FRANCO CORRÊA, Relator. Retornam os autos deste processo para julgamento, depois de realizado o juízo de seguimento da autoridade preparadora, cumprindo a Resolução n° 103-01.830. Na interposição deste recurso, foram observados os pressupostos de recorribilidade. Dele conheço. Preliminarmente, a recorrente alega que o seu direito de defesa foi cerceado quando da apreciação de sua impugnação pela autoridade a quo, porque deixou de notificá-la quanto à hora e ao local da realização do julgamento da impugnação, o que a impediu de assistir pessoalmente à sessão, por seus advogados, para apresentar memoriais ou sustentação oral. Entretanto, as disposições normativas que regulam o funcionamento das delegacias de julgamento repelem a pretensão da interessada, manifestada no pedido de anulação da decisão hostilizada. O parágrafo 5° do artigo 25 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo artigo 64 da Medida Provisória n° 2.113-30, de 26 de abril de 2001, atualmente gravado no texto na Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, rebaixando o grau hierárquico da norma, remeteu ao Ministro da Fazenda a disciplina sobre a adequação do julgamento em primeira instância à forma colegiada, então introduzida no ordenamento por força do inciso I do precitado artigo 25 do Decreto n° 70.235/72, fruto, também, das inovações do aludido artigo 64 da MP n°2.113-30. Com base nesta autorização legalmente conferida, o Senhor Ministro da Fazenda editou a Portaria MF n°258, de 24 de agosto de 2001, estabelecendo as regras para a constituição das turmas das delegacias de julgamento e o seu funcionamento. O que a recorrente deseja é a concessão de oportunidades processuais, em primeira instância, somente previstas nos artigos 19 e 21, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, com supedâneo no artigo 37 do Decreto n° 70.235/72. Não há, pois, base normativa que autorize o pleito da fiscalizada. 9 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.002075/2002-52 Acórdão n° : 103-22.886 No mais, não há qualquer referência a fato imputável à Administração que houvesse impedido a recorrente de apresentar os fundamentos de defesa em peça escrita, conforme a regra prescrita no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72, diploma que tem status de lei, em sentido material, como reconheceu o extinto Tribunal Federal de Recursos, no julgamento da AMS n" 106.747-DF. Além da obediência à tipicidade da reclamação apresentada perante a delegacia de julgamento, nada comprova que a regularidade formal não possibilitou o cumprimento de sua finalidade instrumental. Ao contrário, a longa exposição de seus argumentos confirma que a autuada pôde defender-se. Diante disso, rejeito a nulidade suscitada. No que se refere à argüição de incompetência da DRJ em Brasília para apreciar o inconformismo da recorrente, este Colegiado deve observar, em primeiro plano, que o Secretário da Receita Federal, com fulcro no artigo 237 do antigo Regimento da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259/2001, transferiu a atribuição do julgamento da impugnação do feito ao órgão de primeira instância localizado na Capital Federal, consoante o disposto no artigo 1°, 111, da Portaria SRF n° 1.515, de 2003. Ilumine-se, agora, o dispositivo por meio do qual o superior hierárquico delegou competência ao Secretário da Receita Federal para proceder alterações nas matérias constantes nos anexos ao referido Regimento, in verbis: "Art. 237. Fica delegada competência ao Secretario da Receita Federal para proceder a alterações nas matérias constantes dos anexos deste Regimento Interno" Integrando o aludido Regimento, o Anexo V tratava da área geográfica e das matérias sob a administração judicante dos órgãos de primeira instância. Para prosseguir na exposição dos fundamentos que servirão ao deslinde da questão ora debatida, é imprescindível o encadeamento das fontes normativas, desde a matriz constitucional de onde dimana a validade dos atos legais e infralegais que merecerão as lembranças deste relator, além daqueles já indicados em parágrafos anteriores. De início, assinalo que o Constituinte de 1988, ao explicitar na Carta Magna a competência privativa do Presidente da República, consoante a dicção do inciso VI do artigo 84 em sua feição original, antes, portanto, das mudanças provocadas pela Emenda Constitucional n° 32, de 11 de setembro de 2001, reservou ao legislador ordinário poder de delimitar a atuação 10 t' MINISTÉRIO DA FAZENDA wg- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 presidencial, no tocante à organização e ao funcionamento da administração federal. Imerso nesse • ambiente normativo, quando da reestruturação da Secretaria da Receita Federal, o legislador atribuiu competência originária ao Ministro da Fazenda para aprovar o regimento interno daquela Secretaria, segundo o mandamento inscrito no artigo 8° da Lei n° 9.003, de 16 de março de 1995. Tal medida revelou-se orientada pelos princípios da razoabilidade e da eficiência, levando-se em conta os elevados encargos constitucionais do Presidente da República, como chefe de governo e chefe de estado. Uma vez fixada sua competência originária, o Ministro da Fazenda, convenientemente, delegou ao subordinado direto e responsável imediato pela direção do órgão fiscal, o Secretário da Receita Federal, a atribuição de alterar a área geográfica e as matérias sob a administração judicante das repartições de primeira instância. Claro que essas modificações só poderiam justificar-se desde que dirigidas à satisfação das exigências impostas pela eficiência e pelo interesse público. A Portaria SRF n° 1.515, de 2003, publicada no Diário Oficial da União no dia 24 de outubro de 2003, decorreu da necessidade de redistribuir os feitos acumulados nas delegacias do Rio de Janeiro e São Paulo, as maiores capitais e onde se registra volumosa litigiosidade, para outras unidades localizadas no território nacional. O administrador público pretendeu apressar o julgamento de processos estancados, determinando a adoção da medida necessária, possível e compatível com a realidade. Nada disso obstruiu a ampla defesa da interessada. Seu ponto de contato com o órgão julgador é a repartição preparadora do local de seu domicilio, a mais próxima possível, por conseguinte, conforme a previsão do legislador, a teor do artigo 24 do Decreto n° 70.235/72. Esse é o canal disponível à recorrente, a via pela qual a Administração lhe faculta o exercício do direito de peticionar, para a interposição dos recursos cabíveis, a apresentação de requerimentos de vista e cópia dos autos e ajuntada de provas, afora os pedidos de fornecimento de certidões, o deferimento de parcelamento de débitos tributários, a regularização de sua situação fiscal etc. Advirta-se, pois, e com ênfase, depois dos esclarecimentos aqui reunidos, que a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo — Derat/SPO - é o órgão incumbido de cumprir o acórdão prolatado pelas instâncias julgadoras administrativas, de acordo com o comando do citado artigo 24 do Decreto n° 70.235/72, o que ilustra a perfeição do ato à fl. 944. Assim, o julgamento deste processo pela DRJ — Brasília - que passou a abarcar, por força da Portaria SRF n° 1.515/2003, os processos pendentes de julgamento nas delegacias de São Paulo, como o presente - é reflexo de provi "ncia razoável que não incidiu 11 . , . • ,,41”k 44 - t MINISTÉRIO DA FAZENDA "fl: •-•"1?" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° : 103-22.886 em violação à norma atributiva de competência, pois a autoridade que expediu o ato recebeu delegação ministerial para fazê-lo. No que tange à alegação de desrespeito à prevalência da intimação pessoal, cumpre registrar o equívoco da recorrente ao erigir tal argumento para afirmar a nulidade dos lançamentos de oficio, em razão do descompasso entre a tese esposada e o enunciado expresso no parágrafo 3° do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, com a redação da Lei n° 9.532/97. A regra que afasta a ordem de preferência preconizada pela interessada conduz o julgador à recusa do pleito formulado, conclusão que não seria possível se a recorrente lograsse êxito nas evidências de que o seu direito de defesa foi cerceado pela adoção da forma utilizada, malgrado sua tipicidade, em reverência à supremacia do preceito constitucional que impõe ao Estado a firme observância ao princípio da ampla defesa. Entretanto, a recorrente não comprova o prejuízo gerado, o que só desautoriza o atendimento ao pedido. Quanto às irregularidades formais do mandado de procedimento fiscal, reproduzo e adoto a mesma opinião já estampada no voto que proferi, ao julgar o recurso interposto no processo n° 13819.001388/2001-82: "De início, a preliminar de nulidade suscitada, situada na carência de autorização do agente fiscal para o exercício da fiscalização do IRPJ, tema que. em sede administrativa, já se consolidou na convicção de que o mandado de procedimento fiscal — MPF é mero instrumento de controle administrativo, de reconhecida ineficácia sobre a atuação fiscalizadora, a exemplo do que se consignou nas seguintes ementas: "LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF, principalmente, presta-se como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Asco- contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal, mas, de nada adianta estar habilitado pel MPF, se não forem lavrados os • 12 - . • ;.' n.*:•-• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 'Acórdão n° :103-22.886 termos que indiquem o início ou o prosseguimento do procedimento fiscaL E, mesmo mediante um MPF, o procedimento de fiscalização apenas estará formalizado após notificação por escrito do sujeito passivo, exarada por servidor competente. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que força o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização; isto importa em que, se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Preliminar rejeitada." (Ac. n" 202-14.693, Relatora Ana Neyle Olimpo Holanda, Sessão de 15.04.2003) "MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVA-NCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF )fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita FederaL Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não-observância - na instauração ou na amplitude do MPF - poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou." c. n` 107-06.797, Relator Neicyr de Almeida, Sessão de 18.09.2002) 13 • . • • .•MINISTÉRIO DA FAZENDA P .21/4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075l2002-52 Acórdão n° :103-22.886 "PRELIMINAR - NULIDADE - MPF - É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. "(Ac. n" 106-12.941, Relator Luiz Antonio de Paula, Sessão de 16.10.2002) "FALTA DE MPF-COMPLEMENTAR - INOCORRÉNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A falta do MPF -Complementar para ampliar o período de apuração previsto no MPF-F, bem assim sua ciência ao contribuinte, não acarreta a nulidade do lançamento relativamente aos períodos não alcançados pelo MPF-F, tendo em vista que o MPF-F é documento de uso interno da SRF." (Ac. n°105-14.859, Relator Daniel Sahagoff Sessão de 01.12.2004) "MPF — DESCUMPRIME1V7'0 DA PORTARIA SRF 1265/99 — NULIDADE — O desrespeito ao prazo previsto na Portaria SRF 1265/99, não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o art. 13 dessa Portaria não traz como conseqüência a nulidade do ato." (Ac. n" 108-01523, Relator José Henrique Longo, Sessão de 10.09.2003) "NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa, prazo estipulado no MPF, a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz." (Ac. n" 106-13.440, Relator Orlando José Gonçalves Bueno, Sessão de 13.08.2003) "NULIDADE - INOCORRÊNCL4 - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui elemento de controle da administração tributária, disciplinado por • . administrativo. A eventual 14 . . • ' efbe:t4 4=f, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 419.:1> TERCEIRA CÂMARA Processo n0 :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 inobservância da norma infra-legal relativa ao MPF não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, que é regido pelo Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972." (Ac. n°102-46.662, Relator José Oleskovicz, Sessão de 25.02.2005) "NULIDADE - INOCORRÊNCIA - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal." (Ac. n° 108-08.101, Relator Nelson Lósso Filho, Sessão de 01.12.2004) "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE - A inobservância de normas administrativas relativas ao MPF é insuficiente para caracterizar o alegado vicio formal do lançamento de oficio, efetuado em consonância com o artigo 142 do CT1V e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. Por conseguinte, também não há que se falar em nulidade quanto ao Acórdão de primeira instância, proferido sem violação das normas do artigo .59 do Decreto n° 70.235/72." (Ac. n° 108-07953, Relator Margil Mourão Gil Nunes, DOU de 16.09.2004). De minha lavra, assim deixei consignada a seguinte ementa, no corpo • do indigitado processo: "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF n°3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na, afirmação de que somente a lei pode definir o circulo de atribuições dos órgãos e. dos agentes públicos, vedando-se ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes-deveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedime a pois, como é cediço, o 15 . . ' • MINISTÉRIO DA FAZENDA •=z0 fr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• ..,,,i-arktr:„. TERCEIRA CÂMARA Processo n0 :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 procedimento de fiscalização se curva ao Decreto n° 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei n° 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuir-se nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa. seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a norma ção dessa mesma matéria ao Poder Executivo." (Acórdão n° 103-22.060, Relator Conselheiro Flavio Franco Corrêa) Quanto à alegação de que o órgão a quo não fundamentou a. denegação ao arrazoado resumido nos itens 4.1 e 4.2, às fls. 1.254/1.255, assinalo a total improcedência da tese da defesa, pois, ao contrário, observo motivos bem delineados na decisão guerreada, às fls. 937/939. Ademais, aproveito as luminosas orientações recolhidas da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, quando assentam que o julgador não é obrigado a manifestar-se acerca de todos os argumentos apontados pelas partes, se já tiver motivos suficientes para embasar sua decisão (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 5261451RJ, Relator Ministro Hélio Quaglia Barbosa, DJ de 21.11.2005). De tudo o que reuni, manifesto completa rejeição às preliminares argüidas. No mérito, percebo que a recorrente não comprovou o passivo relativo a Ventilur. Nesse ponto, valho-me das conclusões do órgão a quo, à fl. 938, verbis: "Do Termo de Verificação Fiscal de folhas 584 a 592 se conclui que a fiscalizada manteve no passivo obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada, fato este que se demonstra pelos seguintes motivos: (I) a entrada dos recursos foi feita a débito da conta "Caixa" e a crédito da conta "Ventilur Internacional Corporation" com histórico "Empréstimo da Ventilur International". O crédito da conta "Caixa" foi feito com a contrapartida a débito da conta "Adiantamento (ou Distribuição) de Dividendos ao Sr. Roberto Luiz Justus", sócio majoritário: 16 e b; MINISTÉRIO DA FAZENDA tf M1* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • ‘,,;11Ptii TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 (2) a própria contribuinte afirma que não tem como comprovar o recebimento dos valores a título de empréstimo, nem os pagamentos realizados ao sócio, visto que concentra os recebimentos e pagamentos na conta Caixa, Sistema de Caixa Flutuante; (3) os Recibos emitidos pela fiscalizada aos provedores dos recursos (Totalcom, Eduardo Fischer, Fischer América e Upgrade) são iniclôneos, já que a contabilidade dos provedores e os cheques respectivos são, invariavelmente, destinados ao sócio majoritário Roberto Luiz Justus e nunca à fiscalizada, além de outros que nem foram contabilizados no provedor e quando o foram não são compatíveis, quer em data e valor, quer no teor e no beneficiário dos Recibos; (3) os Recibos a Eduardo Fischer também são iniclemeos, pois não constam pagamentos/recebimentos à fiscalizada em sua declaração de renda, nem ao Sr. Roberto Luiz Justus, além disso o Sr. Eduardo Fischer declara que não efetuou pagamentos quer ao Sr. Roberto, quer à RLJ Controladora Ltda." Divido da decisão hostilizada, no entanto, em relação à mencionada "inidoneidade", ao menos com o significado de falsidade, conforme se pode concluir pela aplicação da multa majorada. Para ser mais preciso, prefiro afirmar, à vista dos recibos, que estes não se prestam aos fins almejados, como explicarei adiante. A validade do alegados contratos epistolares de mandato e de mútuo, citados na peça da defesa, não basta para afastar a acusação formulada — passivo não comprovado. A pessoa jurídica pode ter celebrado contratos válidos, o que, por si só, não confirma a respectiva execução. Também a suposta liquidação por confusão, nos termos do artigo 381 do Código Civil vigente, segundo a informação da defesa à fl. 1.001, em nada socorre a recorrente. -O documento às fls. 850/851 explicita que a Compaffla Gratinel assumira dívida da RLJ em face da Ventilur, de R$ 7.718.676,63, enquanto a Gratinel lhe devia R$ 14.881.665,00. O confronto de tais valores, como insinua a autuada para desejar comprovar a extinção de sua dívida com a controlada, não demonstra a formação do saldo credor de R$ 7.718.676,73. Ou seja, o ponto crucial da questão em debate se situa nas evidências da geração deste montante registrado em conta do passivõ, lançado, em contrapartida, a débito da conta caixa, conforme o relato da acusação. É dizer, a recorrente não juntou qualquer comprovante a tal respeito, pois os recibos aludidos merecem 17 °)\ • .. . • ' • ' .4.%";.; MINISTÉRIO DA FAZENDA p PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 inteiro repúdio pela inaptidão que conservam como elementos de prova acerca da gênese do saldo da conta credora. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não se comprova caracteriza não só a omissão de receitas, mas a omissão de receitas tributáveis. Essa afirmativa resulta da conjunção entre os artigos 40 da Lei n° 9.430/96 e 24, capuz e parágrafo 2°, da Lei n" 9.249/95. O julgador e o autuante não estão obrigados a indicar a qualificação da receita omitida, nem a imputar custos e despesas não informados pela recorrente. O trabalho fiscal de coleta de provas é digno de elogios. A autoridade fazendária não circunscreveu sua atuação à mera repulsa à eficácia probatória dos recibos entregues pela fiscalizada para demonstrar a veracidade dos ingressos. Indo adiante com o intuito de alcançar a verdade material, o agente fiscal procurou as supostas fontes provedoras para examinar os respectivos registros contábeis e os cheques porventura emitidos à fiscalizada. Nesse momento, importa anotar que Roberto Luiz Justus integralizou capital na RLJ Controladora Ltda com quotas da Totalcom Comunicação e Participações e da Fischer, JUStUS Comunicação Total (antigo nome da Fischer América Comunicação Total), às fls. 114/115; que Eduardo Fischer e Roberto Luiz Justus foram sócios no capital de Fischer, Justus Comunicação Total, às fls. 532/533, e de Totalcom Comunicação e Participação Ltda, às fls. 237/238; e, finalmente, que Fischer, Justus Comunicação era sócia no capital de F,J Comunicações (nome antigo de Upgrade Comunicação Total). Essas interligações societárias reforçam a idéia de que as pessoas jurídicas cujos nomes aparecem nos recibos poderiam atestar a saída de numerário para o ingresso na mutuária. Assim também Eduardo Fischer, que afirmou não ter efetuado pagamentos à recorrente. Os recibos não são meios eficazes à comprovação da entrada de dinheiro no caixa da fiscalizada. No ponto, reúno os mesmos fundamentos de que me servi para proferir meu voto no julgamento do processo n° 10235.000727/2002-67, verbis: "Feitos os devidos destaques da doutrina no que concerne aos sistemas de valoração de provas, vale realçar, neste ponto, o que se depreende do art. 9", I° a 3°, do Decreto-Lei n° 1.598/77, quando o legislador, ao instituir provas tarifadas, também direcionou a condução da Fiscalização. Eis os dispositivos em referência: 18 • . . •• (o MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 "Art 9°- A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1 0 - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2° - Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1°. § 3° - O disposto no § 2° não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração". Diante do texto legal, estas são as referidas regras acerca do sistema de provas do procedimento fiscal e, por linha reflexa, sobre a conduta do agente: a) em primeiro lugar, a escrituração, elaborada com observância das disposições legais, é prova documental tarifada e preconstituída (Alberto Xavier, ob. cit. pág. 135), tal a imposição de mantê-la, no que se refere à determinação do lucro real (art. 9°, § 1', 1° parte); b) sendo justificável a suspeita de que a pessoa que afirma ou nega um fato, ainda que contra a realidade, queira favorecer um interesse próprio, Aurélio Pitanga Seixas Filho (in Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário — A Função Fiscal, 2° edição, Editora Forense, págs. 56/57), repetindo as lições de Teixeira de Freitas e de Miranda Valverde, anuncia, conforme orienta o primeiro, a regra universal pela qual "todo instrumento particular faz prova contra quem o escreveu", e, renovando o entendimento acerca do tema, tomando os proveitosos pronunciamentos do segundo autor em que se baseia, ensina que • "os registros feitos na escrituração comercial (co bilidade) por ordem do 19 _ . . • ...e, 1.44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES );>, TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 comerciante fazem prova contra o mesmo". Sendo assim, não há outro motivo por que a lei não se restringiu à escrituração para a comprovação dos fatos em favor do contribuinte. Para a produção de efeitos favoráveis àquele que promove a escrituração, indo mais além, o preceito legal reclama, ainda, outras provas documentais hábeis, obviamente !astreadas por terceiros, ou definidos em preceitos legais (art. 9°, § 1°, 2 ° parte), o que confirma a natureza das provas legais, então estipuladas; c) cumpridas as regras precedentes, isto é, a manutenção de escrita regular e a existência de documentos hábeis, o conjunto probatório reunido faz prova a favor do investigado, ou seja, configura-se uma presunção relativa de veracidade em beneficio deste (art. 9°, § 19; d) se o sujeito passivo cumprir os requisitos das afincas "a" e b", supra (escrita regular e documentos hábeis relativos aos fatos escriturados), caberá ao Estado a comprovação da inveracidade dos fatos registrados pelo contribuinte (art. 9", § 29, socorrendo-se de outros meios para impugnar a veracidade dos fatos registrados, mediante exames em livros e documentos da escrituração do contribuinte, na escrituração de outros contribuintes, em informações e esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova (art. 9°, caput); e) a contrario sensu da alínea "c", a ausência de escrituração regular ou de documentos hábeis não faz prova a favor do contribuinte." É óbvio que os recibos emitidos pela própria recorrente não podem ser acolhidos. Pela suspeita de que o interessado declare o que lhe convém, o documento redigido pelo fiscalizado não se presta ao fim almejado, da mesma forma que a simples escrituração da pessoa jurídica não é o bastante para o mesmo intento. Desse modo, procede a omissão de receitas, como decorrência da presunção legal. A falta de comprovação de conta do passivo não toma, por si só, a escrita imprestável. Somente as deficiências que maculam o conjunto da escrituração ensejam a desclassificação da escrituração. Isoladamente, portanto, a inexistencia de provas cabais das 20 . • te. 1. e •' • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 exigibilidades lançadas na contabilidade não obstrui a determinação do imposto de renda e da CSSL, a não ser que tenha por inútil a presunção construída no artigo 40 da Lei n°9.430/96. Entretanto, a pessoa jurídica autuada não auferiu lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior, consoante a anotação do auditor, à fl. 584. Conforme o apurado, todo o resultado operacional dos anos-calendário de 1998 e 1999 foi fruto da equivalência patrimonial, que não passa de um ajuste contábil imposto às pessoas jurídicas que mantêm investimento relevante em coligada ou controlada, nos termos do artigo 22 do Decreto-lei n" 1.598/77. Todavia, há que se recordar o artigo 1° da Lei n° 9.532, de 1997, realçando-se, particularmente, o que consta nos parágrafos 1°, b, e 2°, em sua redação original, verbis: "Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2° Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considera- se: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b)pago o lucro, quando ocorrer: I. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante a beneficiária; 21 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior." Perceba-se que a norma em comento estabeleceu a tributação dos lucros recebidos de coligada ou controlada no exterior, desde que disponibilizados através de pagamentos ou créditos à pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Na hipótese ora aventada, é obrigatória a tributação dos resultados pela sistemática do lucro real, tendo-se em conta o disposto nos artigo 27 da Lei n°9.249, de 1995, e 14,111, da Lei n°9.718, de 1998. Entretanto, a omissão de receitas em discussão está ancorada em passivo não comprovado. Significa dizer que as autoridades fiscal e julgadora não acolheram a explicação da recorrente, quanto à origem dos recursos injetados no caixa, provenientes do exterior. Sendo assim, não se pode admitir que o numerário tenha como origem a Ventilur, para determinado fim, qual seja, submeter à fiscalizada à obrigatoriedade do lucro real, tomando-se como comprovado justamente o que não se abrigou com o fito de manter a omissão de receitas. Ou se admite a comprovação da origem do numerário ou não se admite. Por tudo o que foi dito até agora, está nítido o repúdio ao argumento de que os documentos exibidos pela recorrente bastam para assegurar que tais recursos derivavam-se de receitas espontânea e anteriormente tributadas. Diante disso e na ausência de outra causa impeditiva à opção pelo lucro presumido, entendo que o autuante deveria ter respeitado a escolha legítima da recorrente pelo regime de tributação adotado. E, diversamente, malgrado a escolha pelo lucro presumido, conforme fls. 642/655, o agente fiscal formulou a exigência do IRPJ com base no lucro real, como se vê às fls. 593/602. Contudo, se a autuada estivesse sujeita à obrigatoriedade da apuração do lucro real, ainda assim os lançamentos de oficio do IRPJ e da CSSL não poderiam prosperar. Explico- me: a fiscalizada não escriturou o Livro de Apuração do Lucro Real, a teor da narrativa à fl. 584. Nessas circunstâncias, a existência de assentamentos contábeis regulares remeteria o agente ao caminho da determinação, de oficio, do lucro real ou, se impossível tal procedimento em razão de quaisquer dos obstáculos efetivos, inscritos no artigo 47 da Lei n° 8.981, de 1985, à submissão ao lucro arbitrado. No caso concreto, o agente fiscal incorreu emerro, ao lcular, de modo simplista, 22 • . . . . •. . .• . • ett:L.4; * " i.......I., MINISTÉRIO DA FAZENDA t. fr r; > PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.'9! .''''9?-: ..:-• TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 o lucro real apenas sobre a receita omitida, deixando de incluir, no cômputo da base de cálculo, os valores contabilizados referentes aos custos, às despesas e às demais receitas, e de proceder aos devidos ajustes de adição, exclusão e compensação previstos e autorizados em lei, em obediênciá ao artigo 6° do Decreto-lei n° 1598/77, que prefixou a definição de lucro real. Quero dizer, portanto, que a irregularidade da apuração da base de cálculo enseja a anulação dos lançamentos. . Aplicável, na espécie, as Súmulas 346 e 473 do STF. Quanto ao Pis e à Cofins, sabe-se que, na vigência da Lei ordinária n° 9.715, de 1998 (originária da MP n° 1.212, de 1995), e da Lei Complementar n° 70, de 1991, a base de cálculo das precitadas contribuições era o faturamento, sem a elasticidade que a Lei n° 9.718, de 1995 conferiu ao conceito deste instituto. Pelos autos, considerando o objeto social da interessada, à fi. 827, não me convenci de que a fiscalizada, ao tempo em que a definiçãa de faturamento era restrita, tivesse auferido receitas com a venda de mercadorias ou de serviços,-ou com a prestação de serviços. Porém, ao adentrar no período sob a vigência da Lei n° 9.718, de 1998, os aspectos a que me referi, relativos à restrição da base de cálculo das contribuições destacadas, perderam completamente a importância, pois a ampliação do conceito legal de faturamento, introduzido pela nova lei, incorporou a totalidade das receitas, sendo irrelevante, para tal desiderato, o tipo de atividade exercida pela fiscalizada e a classificação contábil adotada para as receitas. Em suma, no que tange ao Pis e à Cofins, excluo do lançamento os valores referentes a fatos geradores ocorridos V até janeiro de 1999. No que afeta à multa, creio que houve exagero do autuante. A omissão de receitas é fruto de uma certeza construída pelo legislador mediante a presunção legal já anunciada. Os recibos não são hábeis à comprovação do passivo, porque se tratam de documentos elaborados pela própria autuada. Contudo, assim como não se pode afirmar que os fatos neles registrados são verdadeiros, também não se pode afirmar que são fictícios. Note-se, a propósito, que a acusação não tratou da hipótese de passivo fictício, segundo os contornos dados pelo art. 12, § 2°, do Decreto-lei n° 1.598/77, e sim de passivo não comprovado, nos termos do art. 40 da Lei n° 9.430/96. Nesse caso, a constatação da prática de omissão de receitas apenas decorreu da conversão da situação duvidosa em tomo da obrigação em certeza legal de que os recursos injetados são originários de receitas sonegadas à tributação, o que não basta para evidenciar o elemento subjetivo do tipo qualificado, uma vez que a infração descrita é efeito de um juízo do legislador. Firmada tal premissa, inverteu-se o ônus da prova a res 'to de um fato que, à luz das 23. V- . „• •• •-24 MINISTÉRIO DA FAZENDA nittE PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 regras do direito probatório, considera-se comprovado, após o fracasso da interessada em reunir as evidências de sua inocorrência. O autuante asseverou que os recibos em tela não são idôneos', qualidade inerente ao que não é próprio ou adequado ao fim a que se destina. Não só em razão da imprecisão da qualidade, que não tem o sentido que justifica a majoração da multa, mas, substancialmente, na dificuldade de vislumbrar o dolo na infração que só se tem por provada com o auxilio de uma presunção legal, divido da decisão recorrida, julgando excessiva a sanção para reduzi-Ia ao percentual normal de 75%. Quanto à incidência dos juros moratórios, valho-me das mesmas diretrizes que me guiaram no julgamento do processo n° 13838.009574/00-06, verbis: "A decisão guerreada é precisa na diferenciação entre vencimento e exigibilidade, aproveitando as lições de Bernardo Ribeiro de Moraes 2, que também reproduzo, in verbis: "[..] na aplicação dos juros de mora mister se faz lembrar a distinção entre vencimento da dívida e exigibilidade da mesma. O vencimento do crédito tributário tem seu momento certo e dele se devem os juros de mora. Há hipótese em que o crédito tributário, mesmo vencido, apresenta-se ainda inexigível (v.g., casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário), que não tem o condão de suprimir o pagamento do crédito tributário com os seus acréscimos legais, inclusive com o valor dos juros de mora. Em outras palavras, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança (exigibilidade) esteja suspensa ..." (os grifos não estão no original) Sacha Calmon Navarro Coelho i , ao seu turno, bem delineou as funções dos juros de mora e da multa, assim manifestando: lj Próprio ou adequado para alguma coisa. 2. Que tem condições de rea certos cargos ou realizar certas obras. Aurélio Buanme Peneira de Holanda, in Minidicionário da língua portugu Editora Nova Fronteira, 3' edição, 1999, pág. 292 2 Compêndio de direito tributário, vol. II, 3' edição, pág. 583. 3 Curso de direito tributário brasileiro, 6' edição, Forense, Págs. 696/697 24 # . • 1:r %.;L MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 "O artigo 161, depois de falar nos juros pela mora, refere-se às penalidades cabíveis, distinguindo os institutos. Está claro que a mora compensa o pagamento a destempo, e que a multa o pune. Os juros de mora em Direito Tributário possuem natureza compensatória (se a Fazenda tivesse o dinheiro em mãos já poderia tê-lo aplicado com ganho ou quitado seus débitos em atraso, livrando-se, agora ela, da mora e de suas conseqüências). Por isso os juros moratórios devem ser conformados ao mercado, compensando a indisponibilidade do numerário. A multa, sim, tem caráter estritamente punitivo, e por isso é elevada em todas as legislações fiscais, exatamente para coibir a inadimplência fiscal ou ao menos para fazer o sujeito passivo sentir o peso do descumprimento da obrigação no seu termo. Cumulação de penalidades? Os juros não possuem caráter punitivo, somente a multa." Perfeita a expressão dos autores, aos quais presto homenagens, trazendo à colação suas judiciosas opiniões sobre o tema. Do que se destacou, fica cristalino que a finalidade dos juros moratórios é a de compensar o Estado-credor, quando suas expectativas são frustradas na hipótese em que o sujeito passivo, por qualquer razão, deixa de cumprir a obrigação principal até o momento do vencimento. Tal é o entendimento que deflui do artigo 161 do CTN, verbis: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Seguindo a linha já assinalada pelo Código, o artigo 5° do Decreto-lei n° 1.736/79 ainda é mais claro aos fins que nos interessam, porque se ajusta diretamente ao caso em análise, como se lê, abaixo: 25 - — • MINISTÉRIO DA FAZENDA -'1P -1 .:: tirt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 "Art. 5°. A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial" Este Conselho conserva posição compatível com a descrição literal dos textos legais ora mencionados, como exemplificam as seguintes ementas: "JUROS DE MORA — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Conforme determina o artigo 5° do Decreto-lei n° 1736/79, os juros de mora são devidos inclusive no período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial. Recurso não provido. 1° Conselho de Contribuintes. P Câmara. Acórdão n° 101.93102. DJ de 12.09.2000". "CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORA TÓRIOS. INCIDÊNCIA. Sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, incidem juros moratários, mesmo durante o período em que o mesmo estiver com sua exigibilidade suspensa por decisão administrativa ou judicial. 1° Conselho de Contribuintes. 3' Câmara. Acórdão n° 103- 20555, DJ 05.06.2001." Por fim, no que toca à taxa Selic, a jurisprudência do STJ nos oferece substancial "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. MULTA FISCAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO CDC I. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. • 2. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em comp nsação de tributos e mutatis 26 jk. , . . • ' -- • t- MINISTÉRIO DA FAZENDAii- " k,; Z•ik PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 3. Raciocínio diverso importaria tratamento anti-isonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerar-se-iam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias" (AgrRg no RESP n° 671.494, D1 de 28.03.2005) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. INOVAÇÃO DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. ATUALIZAÇÃO DO DÉBITO PELA TAXA SELIC. LEGALIDADE. I. Não é possível em sede de agravo regimental inovar a lide, invocando questão até então não suscitada. 2. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de lei que determina a sua adoção. 3. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido." (AgRG no AG 602.384, DJ de 14.02.2005) Afora a posição jurisprudencial supramencionada, cabe aduzir que os percentuais aplicados estão de acordo com o que estabelece o art. 61, § 3°, da Lei n°9.430/1996, ressaltando-se que o Código Tributário Nacional, em seu art. 161, §1°, assim regula a cobrança dos juros de mora: "Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § JO.. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados taxa de 1% (um por cento) ao mês." (os grifos não tão no original) 27 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 A lei ordinária, por conseguinte, pode estabelecer taxa de juros de mora superior a 1% ao mês. No que importa à argüição de inconstitucionalidade, reitero a opinião já sedimentada a respeito da incompetência deste Colegiado, articulando, mais uma vez, os fundamentos jurídicos expressos no voto que proferi, quando da apreciação do processo n° 10768.032525/97-29, verbis: "Em primeiro lugar, os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar a argüição sobre a constitucionalidade de lei. Revela a doutrina do Direito Constitucional que nosso sistema abriga duas espécies de controle de constitucionalidade: o político e o judiciaL O primeiro deles é essencialmente preventivo, enquanto o segundo é repressivo. A preventividade do controle político requer, como é óbvio, um controle prévio. Em nosso País, na esfera federal, exercem o controle preventivo, apenas, o Congresso Nacional — por intermédio da Comissão de Constituição e Justiça — e o Presidente da República, este último dotado de poderes conferidos pela Carta Magna para vetar o projeto de lei, por razão de interesse público ou por considerá-lo inconstitucional (art. 66, ,55' I", CR188) (os grifos não estão no original) Não há outro preceito pelo qual a Constituição tenha atribuído ao Poder Executivo a competência para o exercício do controle de constitucionalidade de uma lei, assim compreendido o ato do Poder Legislativo que percorreu as fases precedentes do processo legislativo, na forma dos artigos 64 a 66 da Carta Política, antes da sanção do Presidente da República, que poderia, ao contrário, se visível a inconstitucionalidade, consignar o seu veto na ocasião oportuna, quando o que havia, até então, não era nada além de um simples projeto de lei. Ora, se houve a sanção presidencial, a lei nasceu, depois de submetido o respectivo projeto ao controle preventivo do Chefe Supremo do Poder Executivo. O que pretende a defesa é o exercício de um controle a posteriori, de cunho repressivo, tipicamente judicial, embora em sede administrativa. A recorrente quer valer-se, pelo exposto, e meio de controle que não 28 n - 4..1 .• • • a/. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 se coaduna com os modelos constitucionais, clamando ao Poder Executivo pelo reconhecimento da inconstitucionalidade de uma lei, cuja aplicação lhe desagrada. Nesse desejo, todavia, alberga-se um risco não dimensionado no momento e na ânsia de defender-se, tais as implicações para a coletividade, porque, se houvesse a possibilidade jurídica de concedê-lo, a lei, por outro lado, poderia ser descumprida a todo instante pelo Poder Executivo, sempre com o apoio do argumento de que, em vez de infringi-la, estar-se-ia, tão-somente, prestigiando a Constituição, mediante a prática de um controle repressivo. A imperatividade da lei vigente é decorrência da presunção relativa de sua constitucionalidade. Se assim não se presumisse, a lei não seria imperativa. Entretanto, adentrando-se puramente no campo das hipóteses, é de se admitir que uma lei, sancionada por um Presidente da República, possa aparentar vícios de inconstitucionalidade somente observados por outro Presidente da República, posterior àquele que a sancionou. Na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Moreira Alves, em liminar deferida na AD1N n° 221 — DF, explicitou que "os Poderes Executivo e Legislativo, por sua Chefia — e isso mesmo tem sido questionado com o alargamento da legitimação ativa na ação direta de inconstitucionalidade -, podem tão-só determinar aos seus órgãos subordinados que deixem de aplicar administrativamente as leis ou atos com força de lei que considerem inconstitucionais" (RTJ 151/331) (grifos nossos). Duas conclusões se sobressaem, de imediato, das palavras do festejado Ministro: a primeira delas se refere à necessária existência de uma ordem emanada do próprio Presidente da República aos órgãos subordinados, no sentido de determinar o afastamento da lei que lhe pareça inconstitucional. Essa conclusão, como já se adiantou, traz o risco de fazer do Poder Legislativo um Poder sem expressão, afora a geração de um Poder Administrativo hipertrofiado, porquanto o entendimento presidencial em sentido divergente bastaria para derrubar a teoria da presunção de constitucionalidade das leis, ao menos daquelas que o Executivo quisesse descumprir. Ressalte-se, porém, que não houve qualquer ordem de des rimento das normas ora 29 • . - • . - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 questionadas, por parte dos Presidentes da República que assumiram o comando do Executivo Federal. No rumo desse raciocínio explanado pelo Ministro do STF e, dessa feita, com a previdente reorientação de suas palavras, no curso de uma interpretação compatível com a idéia nuclear de que não cabe a invasão de competências• constitucionais, o Poder Executivo baixou o Decreto n°2.346/97, estabelecendo que o Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado- Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos de decisão proferida pelo STF em caso concreto. O que se vê no ato referido é a cautela do Chefe do Executivo, que cuidou de resguardar os demais Poderes constituídos, impondo aos órgãos subordinados a obediência aos atos com força de lei, expedidos pelo Poder Legislativo, enquanto o Supremo Pretório, guardião máximo da Constituição, não declarar a inconstitucionalidade do ato. Também para reforçar a preocupação com a eventualidade do exercício ilegítimo dos poderes alheios, vale recordar que o Decreto supramencionado, a teor de seu art. 4°, parágrafo único, determinou aos órgãos julgadores, coletivos ou singulares, da Administração Fazendária, o afastamento de lei, tratado ou ato normativo federal, desde que considerado inconstitucional pelo STF, quando houver impugnação ou recurso, ainda não definitivamente julgado, contra a constituição de crédito tributário. Outra conclusão que se obtém das palavras do Ministro realça o caminho constitucionalmente previsto ao Chefe do Executivo, que detém legitimação ativa para o ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade, em face de ato normativo que lhe pareça contrário à vontade do Legislador Constituinte (art. 103, I, CR/88). É cristalino: se o dispositivo constitucional oferece ao Chefe Supremo do Executivo Federal a legitimação para a propositura de ADLV, não há amparo, com base na Constituição, à tese de que o Executivo poderia, ao seu alvedrio, descumprir atos com força de lei, por sua livre convicção. Se assim o fosse, o art. 103, I, da onstituição da República, não teria o menor sentido. 30 a • vt - - t • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.002075/2002-52 Acórdão n° :103-22.886 O órgão a quo simplesmente aplicou a lei vigente no tempo da ocorrência do fato gerador, sem adentrar no exame de sua inconstitucionalidade. Se o fizesse, estaria invadindo a competência alheia, realizando a função de legislador negativo. Acrescente-se, ademais, a sólida jurisprudência administrativa, no repúdio ao pretendido exame de inconstitucionalidade de ato com força de lei, a exemplo do decidido nos acórdãos 106-11.421, em 15 de agosto de 2000 — 1° Conselho/6° Câmara, publicado no DOU 22.12.2000, e 203-05792, em 17.08.99 — 2° Conselho/3° Câmara, publicado no DOU em 18.10.2000. Diante dos fundamentos reunidos na apreciação do caso concreto, REJEITO as preliminares suscitadas e, no mérito, DOU provimento parcial ao recurso voluntário para anular os lançamentos do IRPJ e da CSSL, excluir as exigências de Pis e Cofins correspondentes a fatos geradores anteriores a 1° de fevereiro de 1999 e redázir a multa ex officio ao percentual nonnal de 75%. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2007 trivatk 2cri FaVIO FRANCO CORRÊA 31 Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.003300/2002-78
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/03/1999
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Inexistente no presente procedimento hipótese de nulidade de que trata o art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 201-80404
Decisão: Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator-Designado. Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques (Relatora), Maurício Taveira e Silva e José Antonio Francisco. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente, Dr. Renato Freire.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Walber José da Silva
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' - • • . _. .• __. • • • : ' --;,::• n--,-..,•,----...,:s .. , r, • ^ ?..;::. 75":" ' - • " . .- • • ' . • :- :. . 1 C.:Dn: inr.)--• vi_ CCOVCO I g.:.:z..i't 1. 1_47-5 : .1-5p_q______I-0-Et52----, Fls 416 -! 1 ! ; • ' 'Cai}, 1112NISITIRIO DA -ÉA~--- A - • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , e •: ',--#.3? 'n• b PRIMEIRA CÂMARA . •. ' - . Processou' 16327.003300/2002-78 • Recurso n• 126.331 Embargos - ' Matéria Cofins Acórdão n° 201-80.404 Sessão de 17 de julho de 2007 . .. Embargante DEUTSHCE BANK S/A - BANCO ALEMÃO Interessado DEUTSHCE BANK S/A - BANCO ALEMÃO • Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - . Cofins P Período de apuração: 28/02/1999 a 31/03/1999 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Inexistente no presente procedimento hipótese de nulidade de que . • trata o art. 59 do Decreto n2 70.235, de 1972. Embargos de declaração acolhidos. s 1 i e .. • 1 - • . " . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • 4 fr ACORDAM os Membros da PRIMEIRA •CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de e declaração para re-ratificar o Acórdão n° .201-79.002. Esteve presente ao julgamento a • 1 advogada da recorrente, Dra. Júlia Marques Carneiro; OAB-DF 6953-E. • i. I •fr EF •-•2-Nkel-mtiCe-o_..% c-k._ n-‘.1.A,IOCX,IC:N„,,,,..z. -0 ,. *, • S COELHO MARQUES 1 é - • Presidente (\, . • 1 i, e ; 4 IS. ...", . WALBEICIJOSE DA ILVA • Relator ..; e Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly • . • Campos. .. ' •. • Ausentes os Conselheiros Gileno Gurjão. Barreto e. ocasionalmente, Roberto • ' • Venoso (Suplente convocado). . . . • • . . . . e e . • • . • . . •• ' e ,. .• 4. • . •• . e . . • • • . • •• .• . • 4. • • • • . • .. • . . . . .. . .. . - • . • . . • .. • " 4 . Processo u.° 16327.003300/2002-78 i ••••';‘:ES' C- r- 1-:•••• :5 eç'ioa5."--. l CCO2/C01 • .1Acárdâo a.° 20140.404 :,i.. „RS . . _:/..2- q,co 7; Fls. 417.. i ; 1 S ravo _S-,Tts gl t.&3‘.• Stage szns i . . - - . • .. Relatório . • .. • I - e . b . . 0. DEUTSCHE BANK S/A - BANCO ALEMÃO aPresentou embargos de • declaração, alegando omissão no Acórdão n2 201-79.002 quanto aos argumentos sobre a nulidade da autuação, o pedido de perícia e a impossibilidade de imputação de multa e juros sobre o crédito tributário. - Acatando o parecer de fls. 410/411, a Senhora Presidente desta Câmara admitiu os embargos pano reexame única e exclusivamente dos fundamentos da decisão recorrida que indeferiu o pedido para anular o auto de infração. • Na forma regimental, os autos foram a mim remetidos para inclusão em pauta de julgamento. É O Relatório. Qii, . . • . . . • • . .• . - ,• ., • . . . ,. • . . . . .. . . •• - • • . . .. • • . . . . . . . •. . . .. .. • .. • . • •. • . . . .. , .. • 4 e . .. • . .. . • . • - • . . . . • 4 e . • • . 4 . . .•. . . Ó . • • . . l . . o • ...— ...... . ' - -- . — --... — ..-- — —n—o. _ . e — . ... ...• •. .. . . ' j '•• • .Processo n.°16327.003300!2002-78 • ; CCO2t01 Acórdão n.°201-80.404 • Fls. 418d. O `7-7-1 •*¡ :. _.. • . _„,25_ 001 • - t . ç, . , I. :•:-_:-.--. n' . 4 - ..: n•n•n••n• . . . n. ......-^.--.".."-""'".- . . , Voto • . • : • 1 •. . • • Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator . Como relatado, os embargos de declaração foram admitidos para esta Câmara se pronunciar sobre os argumentos do recurso de oficio a respeito das alegações de nulidade do auto de infração, suscitadas na impugnação. e não apreciadas no voto condutor do Acórdão n 2 • - 201-79.002. Os argumentos da impugnação sobre a nulidade do auto de infração foram combatidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: .. . , "Assim, a solução da lide pressupõe e limita-se à pesquisa acerca da natureza das operações de iswap s e de sua correta contabilização. • • Antes que adentre essa trilha porém é oportuno dizer que o auto de infração não traz nenhum vicio que importe em sua nulidade, como • alegado pela cohtribuinte. A argumentação tecida com o intuito de evidenciar a vislumbrada nulidade do ato fiscal, pfunclamenta-se na • imprecisão dos valores utilizados pela autoridade autuante na determinação do crédito tributário. . Vale dizer que, nos termos do art. 59 do Decreto n 2 70.235, de 6 de março de 1972, a nulidade dos atos processuais somente se materializa . nos casos de incompetência do agente ou de decisões proferidas com . • cerceamento do direito de defesa, situações não configuradas na peça atacada Eventuais erros ou imprecisões que não essas referidas no • citado part. 59 do Decreto n2 70.235/1972, nos termos do art. 60 do • mesmo diploma, deverão ser sanadas' quando resultarem em' prejuízo . . • ao sujeito passivo e não importarão em nulidade. Nesse caso se • incluem as divergência referidas pela impugnante, relacionadas mais propriamente ao procedimento fiscal de fixação do montante tributável • passíveis, como se viu, de reforma administrativa sem que se considere - •• . - nulo o auto de infração.': .• . + Os argumentos acima, da DRJ recorrente, são irrefutáveis e, portanto, não merecem reforma. Adoto-os integralmente. . • . Em face do exposto, voto no sentido de admitir os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n2 201-79.002. . Sala das Sessões, em 17 de julho de 2007. WALBER JOSÉ .,1/4„....4 n 1 VVivs C:iL I/ , • . DA ELVA . . • .e • . . •. . . . .. • •. • . .. . • . . . •• . • . . ' . - . e ' . •• ' . .• . e .. • ... • . .. . . .. . • .• . • . . . ' . . . . • • • . • . '• . .• . • .•. .. . Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 15374.005217/2001-24
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPJ. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. Compõem a base de cálculo do lucro arbitrado a receita bruta conhecida e a receita omitida, compensado o imposto apurado na declaração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia no qual não se nomeia o perito, a teor do art. 16, IV e § 1º, do Decreto nº 70.235/72.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos tributos reflexos o decidido quanto ao IRPJ.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 103-22.051
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Flávio Franco Corrêa que dava provimento parcial para excluir da tributação a verba autuada a título de "omissão de receita", nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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Recorrida : 2 TURMA/DRJ-BRASFLIA/DF Sessão de :10 de agosto de 2005 Acórdão :103-22.051 IRPJ. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. Compõem a base de cálculo do lucro arbitrado a receita bruta conhecida e a receita omitida, compensado o imposto apurado na declaração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia no qual não se nomeia o perito, a teor do art. 16, IV e § 1°, do Decreto n° 70.235/72. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos tributos reflexos o decidido quanto ao IRPJ. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WES BIER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA., ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Flávio Franco Corrêa que dava provimento parcial para excluir da tributação a verba autuada a título de "omissão de receita", nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - - À __Dl le -0D-IGUES V- PAULO JACINT DO NASCIMENTO RELATOR 44 FORMALIZADO EM: 14 SET 2005 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCFNIO DA SILVA, MARCIO MACHADO CALDEIRA, MAURÍCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE E V TOR LUIS DE SALLES FREIRE. Jm.- 12/09/05 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '4'74g' TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 15374.005217/2001-24 Acórdão : 103-22.051 Recurso n° : 140.478 Recorrente : VVES BIER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA RELATÓRIO Contra a constituinte acima identificada foram lançados débitos tributários relativos a IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, referentes aos anos calendários de 1997 e 1998. Os lançamentos decorreram do arbitramento do lucro, motivado pela imprestabilidade da escrituração para a determinação do lucro real, em virtude da falta de contabilização do movimento bancário e da existência de pagamento de compras de mercadoria com recursos à margem da contabilidade. Compuseram a base de cálculo do lucro arbitrado a receita bruta declarada e a receita omitida, enquanto os lançamentos de COF1NS e PIS levaram em consideração apenas as receitas omitidas. Impugnando as exigências, a contribuinte, em preliminar, afirma que, segundo auditoria por ela mesma processada, os lançamentos constantes dos Livros Diário n's 3 e 4 mostraram-se equivocados, tendo sido refeitos como comprovam as cópias dos diários retificativos que anexa, solicitando a realização de perícia contraditória, para que se apure seu verdadeiro movimento econômico. No mérito, argüi que o arbitramento só poderia tomar por base a maior das receitas apuradas pela fiscalização, diminuída do valor contabilizado e já oferecido à tributação, e não como foi feito, considerar conjuntamente a movimentação bancária e as compras. Defende, ainda, a não aplicação da multa agravada, dizendo-a somente cabível quando o contribuinte deixa de atender,as intimações para presr l‘‘ Jms - 12/09/05 2 )(1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ijf TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 15374.005217/2001-24 Acórdão :103-22.051 esclarecimento ou fornecer a documentação necessária à apuração do tributo, o que, no caso não ocorreu. Os lançamentos foram parcialmente mantidos pela primeira instância julgadora em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-Calendário: 1997, 1998 Ementa: ARBITRAMENTO O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação de escrituração, uma vez que inexiste arbitramento condicional. Imprestabilidade da escrituração para a apuração do lucro real comprovada e reconhecida pelo sujeito passivo. Compõem a base de cálculo do lucro arbitrado a receita bruta conhecida (no caso declarada) e a receita omitida. Devida a compensação do IRPJ e da CSLL apurados na declaração. PERÍCIA A solicitação de perícia foi indeferida nos termos do art.18 do Decreto n° 70.235/72, haja vista que os livros Diários retificadores foram apresentados apenas quando da impugnação. Descumprimento do disposto no inciso IV do art.16 do Decreto n° 70.235/72. MULTA AGRAVADA O sujeito passivo deixou de apresentar por diversas vezes os esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal. Agravamento devido. Lançamento Procedente em Parte" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, renovando o pedido de realização da prova pericial que implicaria na demonstração da inexistência de diferença nas compras e por conseguinte na inexistência de receita omitida, ao tempo em que ataca a base de cálculo do IRPJ e de CSLL, •or considerar a receita e não lucro. Jms - 12/09/05 3 , . , ),',,•'.:N, , '-‘i. , .,->, MINISTÉRIO DA FAZENDA,,,i.,, ..2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '•g4L-,'" TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 15374.005217/2001-24 Acórdão :103-22.051 Cumprida a exigência de arrolamento de bens, o recurso foi encaminhado à apreciação deste Conselho. É o relatório. /.\\ 1 ‘ , 1 1 fp 1 / I W\)] , , , \\/: ‘‘ .1ms - 12/09/05 4 1 ) .• ,'•;1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4•;iT--(4:;Z> TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 15374.005217/2001-24 Acórdão :103-22.051 VOTO Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, Relator A meu sentir, não merece acolhida o pedido de perícia. Minha convicção nesse sentido se funda em que a perícia teria por objeto o exame das operações registradas em livros diários não apresentados à fiscalização e cuja data de registro é desconhecida, com a finalidade de demonstrar a suposta regularização da escrita, cuja imprestabilidade adveio da ausência de escrituração do movimento bancário e da existência de pagamentos de compras de mercadorias com recursos marginais à contabilidade, com vistas a afastar o arbitramento. Deferir a perícia equivaleria a aceitar a possibilidade de arbitramento condicional e de modificação do ato administrativo de lançamento sob a alegação de regularização de contabilidade após o encerramento da ação fiscal. Além do que, não havendo a contribuinte nomeado o perito, descumpriu o disposto no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, considerando-se não formulado o pedido de perícia, a teor do § 1 0 do citado artigo. No que pertine à determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, defende a recorrente que ela não pode corresponder ao total da receita bruta conhecida, mas sim ao percentual de 9,6%, precisamente a base de cálculo considerada no lançamento que, desse modo, neste ponto, não merece reparos. Sem razão a recorrente quando afirma que o lançamento adicionou ao rendimento tributável os valores das contas bancárias não escrituradas e dos pagamentos de compras de mercadorias efetuados à margem da contabilidade. Jms - 12/09/05 5 s„ -4; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 15374.005217/2001-24 Acórdão : 103-22.051 Na verdade o que foi tributado foi a receita informada pela recorrente e os pagamentos feitos, segundo informado pelas empresas vendedoras, deles deduzidos os pagamentos escriturados. Igualmente sem razão a recorrente quando dá a entender que os tributos estão sendo exigidos, cumulativamente, sobre o movimento bancário e sobre as compras não contabilizadas, uma vez que não houve qualquer lançamento sobre depósitos bancários. Por tais fundamentos, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, 10 de osto de 2005 PAULO JA TO De N SCIMENTO / 111 1 I I/ V Ans - 12/09/05 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001311/2002-13
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Ementa: DECADÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo,fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.- MENÇÃO A ARTIGO DO REGULAMENTO POSTERIOR AOS FATOS- Não é o artigo do Regulamento que constitui enquadramento legal, mas o dispositivo de lei que se encontra consolidado no artigo regulamentar. Equívocos na indicação do enquadramento legal, ainda que existissem, não configurariam cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos for precisa e dela o contribuinte se defendeu.
JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – De acordo com as normas previstas no § 1º do art. 9º da Lei 9.430/96, a perda é dedutível desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento.
Acolhida em parte a preliminar de decadência e negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 101-95.184
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ e da CSL em relação ao ano de 1996, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que rejeitaram essa preliminar no que se refere à CSL e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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ementa_s : DECADÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo,fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.- MENÇÃO A ARTIGO DO REGULAMENTO POSTERIOR AOS FATOS- Não é o artigo do Regulamento que constitui enquadramento legal, mas o dispositivo de lei que se encontra consolidado no artigo regulamentar. Equívocos na indicação do enquadramento legal, ainda que existissem, não configurariam cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos for precisa e dela o contribuinte se defendeu. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – De acordo com as normas previstas no § 1º do art. 9º da Lei 9.430/96, a perda é dedutível desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento. Acolhida em parte a preliminar de decadência e negado provimento ao recurso.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA _-* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°. : 16327.001311/2002-13 Recurso n°. : 140.947 Matéria: : IRPJ e CSLL— anos-calendário: 1996, 1997 e 1998 Recorrente : BANCO BBA CREDITANSTALT S/a Recorrida : 4a Turma/DRJ em São Paulo- SP. I Sessão de : 13 de setembro de 2005 Acórdão n°. : 101-95.184 DECADÊNCIA Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.- MENÇÃO A ARTIGO DO REGULAMENTO POSTERIOR AOS FATOS- Não é o artigo do Regulamento que constitui enquadramento legal, mas o dispositivo de lei que se encontra consolidado no artigo regulamentar. Equívocos na indicação do enquadramento legal, ainda que existissem, não configurariam cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos for precisa e dela o contribuinte se defendeu. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS — De acordo com as normas previstas no § 1° do art. 9° da Lei 9.430/96, a perda é dedutível desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento Acolhida em parte a preliminar de decadência e negado provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO BBA CREDITANSTALD S/A. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ e da \eCL) Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 CSL em relação ao ano de 1996, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que rejeitaram essa preliminar no que se refere à CSL e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 6---27)4 MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 2 5 OUT 2.005 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, VALMIR SANDRI, PAULO ROBERTO CORTEZ e ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO. 2 Processo n°16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 Recurso n°. : 140.947 Recorrente : BANCO BBA CREDITANSTALT S/a RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário interposto pela empresa Banco BBA Creditanstalt S/A contra decisão da 4' Turma de Julgamento da DRJ São Paulo- SP1, que julgou inteiramente procedentes os lançamentos consubstanciados em auto de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e CSLL relativas aos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998, cientificados ao contribuinte em 11/04/2002. As exigências decorreram da não adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL de valores indedutiveis debitados à conta "Outras Despesas Operacionais", originados de juros sobre tributos e contribuições cujas exigibilidades estavam suspensas por força de medidas judiciais, que deveriam ter sido provisionados, nos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998 (Termo Fiscal n.° 1) e perdas decorrentes de perdão de dívida, por liberalidade, o que caracterizaria despesa não necessária, no ano-calendário de 1998 (Termo Fiscal n.° 2). Os Termos de Verificação Fiscal, que descrevem as irregularidades, estão assim sintetizados no relatório que integra a decisão recorrida: Termo de Verificação Fiscal n° 1 "3.1 nas instituições financeiras, as obrigações fiscais com valores fixados e vencimentos em datas determinadas, e que não dependam de eventos futuros, são registradas, contabilmente, no Passivo Circulante, nas contas: a) 4.9.1.10.00-9 — "IOF a Recolher"; b) 4.9.4.10.00-8 — "Imposto e Contribuição s/ Lucros a Pagar"; e, c) 4.9.4.20.00-5 — "Impostos e Contribuições a Recolher". 3.2 já as obrigações fiscais que não têm data definida de pagamento, ou que não têm definição exata de seus valores, ou ainda que apresentam certo grau de incerteza quanto à sua ocorrência, enfim, que dependem da ocorrência de um evento futuro que poderá resultar em perda, devem ser registradas em conta de provisão; (jr- 3 Processo n°16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 3.3 essa contingência passiva inclui os respectivos juros moratórios e deve ser registrada contabilmente a crédito da conta 4.9.4.50.00-6 - "Provisão para Riscos Fiscais"; 3.4 a Fipecafl e a Arthur Andersen apresentam o conceito de contingências, no livro "Normas e Práticas Contábeis no Brasil", Ed. Atlas, 1991, fl. 285, em cujo excerto transcrito consta "disputas com autoridades tributárias" como um dos exemplos de perdas contingentes; 3.5 assim, os valores dos tributos, contribuições e respectivos juros de mora, com exigibilidade suspensa por medida judicial, representam contingências em virtude da incerteza quanto à ocorrência do pagamento; 3.6 e, portanto, tais valores de juros de mora, por sua natureza de provisão, deveriam ter sido contabilizados a crédito da conta 4.9.4.50.00-6 - "Provisão para Riscos Fiscais", ao invés das contas 4.9.1.10.00.0.00-3 - "IOF a Recolher", 4.9.4.10.00.0.00-9 - "Impostos e Contribuições sobre Lucros a Pagar", e 4.9.4.20.00.0.00-1 - "Impostos e Contribuições a Recolher", cujas contrapartidas foram débitos à conta "Outras Despesas Operacionais", subconta "Juros Selic sobre Imposto e Contribuição"; 3.7 a legislação tributária federal, a saber, art. 2°, § 1°, alínea "c", inciso 3, da Lei n.° 7.689/88, c/c art. 13, inciso I, da Lei n.° 9.249/95, admite apenas a dedução das provisões para pagamento de férias e de 13° salário, além das provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; 3.8 conclui-se, portanto, que o valor da provisão que deveria ter sido formada para pagamento de juros sobre tributos e contribuições com exigibilidade suspensa não é dedutível pelo regime de competência, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ou seja, tais valores somente serão dedutíveis quando pagos (regime de caixa)." Termo de Verificação Fiscal n°2 "4.1 na apuração do lucro líquido, para determinação do lucro real, foi deduzido o valor de R$ 9.612.170,58 sob a rubrica "Outras Despesas Operacionais", conta 8.1.9.99.10.1.06-5; 4.2 a análise da documentação apresentada permitiu concluir que o saldo da conta "Outras Despesas Operacionais", em 31/12/1998, era decorrente do prejuízo de R$ 9.785.349,53, apurado na seguinte operação: a) em 09/09/1997, para solucionar o débito da empresa "Exportadora Princesa do Sul Ltda." ("Exprinsul"), decorrente de Adiantamentos sobre Contratos de Exportação realizados em 1995, no montante de, aproximadamente, US$ 9.000.000,00, o "BBA" solicitou ao Banco Central autorização para realizar uma operação, com o objetivo de liquidar os Adiantamentos sobre Contratos de 4 'Processo n°16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 Câmbio (ACC) "em aberto", cuja estrutura é a seguinte: o "BBA" concederia um novo empréstimo, em moeda corrente nacional, à "Exprinsul", que utilizaria esses recursos para a aquisição de mercadorias destinadas à exportação junto a terceiros; os respectivos documentos de exportação seriam aplicados na liquidação das operações de ACC "em aberto"; em seguida, o "BBA" venderia seu crédito decorrente desse empréstimo em reais a uma empresa não financeira ligada à "Exprinsul" por, aproximadamente, 10% de seu valor, alegadamente o máximo possível de ser pago dentro das possibilidades da devedora; b) em 17/03/1998, o Banco Central comunicou que nada tinha a opor à operação, desde que observados os termos da Resolução n.° 2,412 e da Circular n.° 2.772, ambas de 1997; c) em 02/04/1998, o "BBA", conforme Contrato de Empréstimo para Financiamento de Capital de Giro, creditou à "Exprinsul" o valor de R$ 10.838.985,81, tendo sido emitida uma nota promissória, com vencimento à vista, pelo valor de R$ 11.030.549,53, não tendo sido exigida qualquer garantia; d) na mesma data, por força do Contrato de Cessão de Crédito n.° BD8.02/01, o "BBA" cedeu seu crédito à empresa "Armazéns Gerais Agrícola Ltda ", pelo valor de R$ 1.245.200,00; e) na mesma data, o "BBA" apropriou em "Outras Despesas Operacionais" o valor de R$ 9.785.349,53, como sendo proveniente de deságio pela cessão do crédito; 4.3 embora o "BBA" tenha comunicado ao Banco Central que a empresa "Armazéns Gerais Agrícola Ltda." era ligada à "Exprinsul", a fiscalização constatou que a mesma pessoa representou ambas as empresas, tanto no Contrato de Empréstimo para Financiamento de Capital de Giro como no Contrato de Cessão de Crédito n.° BD8.02/01; 4.4 nos termos do art. 999, inciso I, do Código Civil, e conforme doutrina transcrita, com a nova dívida deu-se a novação, extinguindo a dívida anterior, não tendo, este novo crédito, qualquer vínculo com os ACC, extintos por novação; 4.5 constata-se, então, que o contribuinte pretendeu caracterizar uma despesa decorrente de "perdão de dívida" como sendo decorrente de perdas originárias de uma pretensa cessão de crédito, pois desde 09/09/1997 já era intenção do "BBA" conceder, no futuro, um empréstimo para a "Exprinsul" e, imediatamente após, liquidar o respectivo crédito através de um "perdão de dívida", sendo que, para descaracterizar este ato, foi engendrada uma suposta "cessão de crédito" a uma terceira empresa, a qual, na verdade, seria a própria devedora, pois ambas as empresas, apesar do CNPJ diferente, se confundem em uma só, qual seja, a "Exprinsul"; 5 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 4.6 assim, foi violada a legislação tributária que rege as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, a saber, art. 299 do RIR/99 e art. 90, da Lei n.° 9.430/96, pois: a) as perdas no recebimento de créditos inerentes às atividades somente podem ser deduzidas como despesas depois de um ano do vencimento de tais créditos e se o processo judicial para o recebimento tiver sido iniciado; b) o perdão da dívida é mera liberalidade, sendo ato completamente desnecessário à atividade. Em impugnação tempestiva a empresa suscitou decadência. Alegou que, quanto aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos em 31/12/1996, somente poderia ser formalizada a exigência até 31/12/2001, e quanto aos fatos geradores ocorridos de janeiro a abril de 1997 (inclusive), também não mais poderiam ser exigidos, pois um dos Acórdãos transcritos menciona que os respectivos fatos geradores ocorrem mensalmente, visto que o contribuinte apura mensalmente o IRPJ e a CSLL devidos. Suscitou, ainda, nulidade do lançamento pelos seguintes motivos: 1- No tocante aos juros sobre tributos e contribuições cujas exigibilidades estavam suspensas por força de medidas judiciais, por erro na descrição dos fatos e na base legal infringida, uma vez que: (a) a fiscalização alterou a natureza jurídica dos lançamentos contábeis, chamando as despesas de provisões, que não estão registradas na contabilidade; (b) o art. 13, inciso I, da Lei n.° 9.249/95, base legal da autuação, trata de provisões, e não de despesas com juros. 2- No tocante ao crédito contra a "Exprinsul", por erro na capitulação legal - art. 299 e §§ 1° e 2°, do RIR/99 - pois o Decreto n.° 3.000, de 26/03/1999, não estava em vigor na data do fato gerador mencionado, qual seja, 31/12/1998, nos termos do art. 144 do CTN combinado com o art. 10, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (fls. 78 e 79). Quanto ao mérito, suas alegações de defesa são em síntese as seguintes: Em relação aos juros sobre tributos e contribuições cujas exigibilidades estavam suspensas por força de medidas judiciais, diz que seguiu o regime de competência, conforme determina a Lei das S/A e a própria legislação do IRPJ (PN 6 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 CST n.° 86/78, item 8) e da CSLL., ao passo que a fiscalização pretende que deva ser seguido o regime de caixa. Pondera que, embora o art. 70 da Lei n.° 8.541/92 tenha estabelecido para tais despesas o regime de caixa, o art. 41 da Lei n.° 8.981/95 regulou a questão da dedutibilidade dos tributos e contribuições de forma completa e singular, revogando o art. 8° da Lei n.° 8.541/92 e trazendo três alterações a respeito da dedutibilidade dos tributos e contribuições, a saber: (a) o restabelecimento do regime de competência para a dedutibilidade dos tributos e contribuições em geral; (b) a exclusão da moratória como hipótese que impedia a dedutibilidade dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa; e (c) a restrição da regra que impede a dedução apenas aos tributos e contribuições, excluindo as multas, juros e demais encargos, como deixa claro a simples leitura do § 1°, do art. 41, da Lei n,° 8.981/95. No que se refere ao crédito contra a "Exprinsul", diz que a perda foi uma despesa necessária para minimizar os prejuízos. Informa que em 1995 efetuou com aquela empresa operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) para exportação de café, com algum tipo de garantia, em sua maioria notas promissórias emitidas pela própria "Exprinsul" e avalizadas pelo Sr. Adauto Marques de Paiva, sócio e diretor da "Exprinsul" .Suas operações eram garantidas por certificados de "warrants" e conhecimentos de depósito de sacas de café, sendo que parte desses títulos foi emitida pela empresa "Armazéns Gerais Agrícola Ltda.", pertencente ao mesmo grupo "Exprinsul" . Esclarece que a "Exprinsul" não era empresa vinculada à "BBA", e a concessão de crédito seguiu todas as formalidades de praxe, mas a "Exprinsul" utilizou o crédito em outras atividades, a exportação de café não foi realizada, os valores devidos não foram pagos, e os ACC permaneceram "em aberto". Com a intenção de fazer cumprir os compromissos de exportação e receber os valores devidos, o "BBA" decidiu, em 31/08/1995, ingressar em juízo tendo movido uma ação de execução contra o avalista, devedor solidário, e uma ação de depósito contra "Armazéns Gerais Agrícola Ltda." No curso dessas ações, descobriu-se que o café dado em garantia nunca fora depositado, de forma que os "warrants " e conhecimentos de depósito )7LX' 7 Processo n°16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 eram baseados em mercadoria inexistente, e que a situação patrimonial do avalista e da "Exprinsul" não permitia o pagamento devido, pois a "Exprinsul" tinha diversas dívidas em aberto, estava em débito com o fisco e não possuía bens imóveis em seu nome, além do quê outras empresas do grupo também estavam em dificuldades, como a "Café Bom Dia", uma grande torrefadora, que entrou em concordata. O avalista também não possuía bens imóveis ou ativos de grande valor em seu nome. Assim, mesmo que ganhasse as causas, os valores devidos, que já somavam US$ 9.000.000,00, não seriam recebidos. Além disso, não havia garantias de que a "Exprinsul" cumpriria seus compromissos de exportação, o que tinha sérias implicações, pois o Banco Central poderia impor pesadas multas às partes contratantes. Nesse cenário, a "Exprinsul" propôs um acordo - que o "BBA" entendeu permitir o encerramento dos ACC "em aberto" e reduzir suas perdas financeiras - que foi submetido a Consulta Formal ao Banco Central, em 09/09/1997 (fls. 24 a 26). Em resposta em 17/03/1998 (fl. 27), o BACEN nada opôs, exceto o cumprimento da Resolução n.° 2.412 e da Circular n.° 2.772, ambas de 06/08/1997. Tal acordo tinha a seguinte estrutura, sendo que todos os eventos ocorreriam simultaneamente: a) a "BBA" concederia um novo empréstimo à "Exprinsul", em moeda corrente nacional; b) a "Exprinsul" utilizaria os recursos obtidos para a aquisição de café junto a terceiros, destinando a mercadoria a exportação, para evitar questionamento do Banco Central e regularizar a questão do ponto de vista cambial e bancário; c) os ACC seriam liquidados com os documentos de exportação; d) o "BBA" venderia seu crédito relativo ao novo empréstimo a uma empresa não financeira ligada à "Exprinsul" por, aproximadamente, 10% de seu valor de face, que era, comprovadamente, o máximo que poderia ser pago dentro das possibilidades da devedora; O acordo foi cumprido em 02/04/1998 (fls. 28 a 35), e como parte dele, o "BBA" comunicou ao Poder Judiciário a respeito da transação efetuada, afirmando ))C 8 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 que as partes deram-se recíproca quitação, e requerendo que fosse homologada a desistência das ações, e a sentença, homologando a transação, foi publicada em 28/04/1999. Assim, ao contrário do que afirma a fiscalização, não houve novação e nem uma nova contratação de uma operação de empréstimo, e como as partes contratantes não eram vinculadas, não ocorreu ato de liberalidade, mas, sim, a execução de um acordo, homologado por sentença, cujo objetivo era liquidar uma operação de crédito que estava sendo cobrada em juízo. No contexto desse acordo, deram-se os seguintes fatos: o "BBA" firmou com a "Exprinsul" um Contrato de Empréstimo para Financiamento de capital de Giro, creditando em seu favor o valor de R$ 10.838.985,81, tendo sido emitida uma nota promissória, com vencimento à vista, no valor de R$ 11.030.549,53, cedendo seu crédito junto à "Exprinsul" para a empresa "Armazéns Gerais Agrícola Ltda.", que lhe pagou R$ 1.245.200,00, incorrendo, assim, em uma perda de R$ 9.785.349,53, valor que corresponde exatamente à diferença entre o montante adiantado à "Exprinsul", em 1995, acrescido de juros e deduzido o montante pago pela "Armazéns Gerais Agrícola Ltda.", tendo sido o referido prejuízo contabilizado como despesa operacional, no ano-base de 1998. Diante do cenário de inadimplência e cobrança já descrito - inclusive em relação aos avalistas e fiadores - após quase três anos desde o início da ação judicial de execução, o crédito em aberto poderia ter sido integralmente deduzido no ano-calendário de 1998, a teor do art. 9 0, da Lei n.° 9.430/96. O "BBA" não era vinculado à "Exprinsul" e não tinha qualquer motivo para ajudá-la ou aos seus devedores solidários: o único interesse do "BBA" era minimizar seu prejuízo e, por isso, não foi ato de liberalidade aceitar o acordo proposto. A intenção era liquidar o empréstimo em aberto desde 1995, assim como evitar a imposição de penalidades pelo Banco Central. O "BBA" não queria conceder um novo empréstimo e essa segunda disponibilização de recursos não era uma nova operação de empréstimo, mas, apenas, uma forma de viabilizar o acordo judicial realizado entre as partes, e assim, não se pode segregar as operações de ACC da segunda disponibilização de recursos financeiros realizada dentro de um acordo firmado em meio a uma disputa judicial. sC:4?j 9 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 Dessa forma, não houve novação, pois, a teor do art. 1.000 do Código Civil, o ânimo de novar é condição essencial da novação. É premissa básica que a segunda disponibilização de recursos não foi, nem tinha a intenção de ser, uma nova operação de crédito, livre e independente da operação de ACC, tendo nascido e sido regida pelo acordo, uma simples etapa para solucionar o conflito resultante do não pagamento do empréstimo original. Uma vez que apenas partes dos créditos possuíam garantias reais que, ao final, estas se mostraram inexistentes, seria lícito tratar o valor integral do crédito como sem garantia. Nesse caso, a alínea "c", do item II, do § 1°, do art. 90 , da Lei n.° 9.430/96, assegurava, no ano de 1998, que o crédito era integralmente dedutível, desde que iniciados e mantidos os procedimentos para a cobrança judicial. Por outro lado, se for entendido que uma parcela dos créditos possuía garantia real (conhecimentos de depósito e certificados de "warrants "), é certo que tais perdas também poderiam ser integralmente deduzidas em 1998, a teor do inciso III, do § 1°, do art. 9°, da Lei n.° 9.430/96, que autorizava expressamente a dedução dos créditos com garantias reais, cujos procedimentos de cobrança judicial tivessem sido iniciados e mantidos há mais de dois anos. Portanto, com ou sem garantias reais, a Lei n.° 9.430/96 autorizava a dedução dessas perdas, no ano de 1998, independentemente de qualquer acordo firmado no bojo do processo judicial de execução. O acordo tinha duas premissas : (1) resolver o problema cambial, tendo em vista que as obrigações de exportação sobre as quais foram concedidos os ACC continuavam em aberto, podendo ter implicações (inclusive a aplicação de multas pelo Banco Central); e (2) liquidar os créditos em aberto, recebendo os valores que, à época, a "Exprinsul" (e demais empresas do grupo) demonstrava ter condições de pagar. Na apuração do valor registrado como perda, o "BBA" seguiu o que preconiza o § 3°, do art. 10, da Lei n.° 9.430/96, e, portanto, a perda em questão é dedutível. 10 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 Além disso, não faz sentido a argumentação da fiscalização, pois se o "BBA" podia deduzir integralmente o valor dos créditos em aberto antes do acordo, não seria lógico que, após o acordo, tal direito fosse perdido. Outro argumento que autoriza a dedutibilidade decore da análise sistemática das regras trazidas pela Lei n.° 9.430/96, que demonstra que o legislador quis estabelecer critérios menos rígidos para a dedutibilidade das perdas nos créditos contra devedores insolventes, falidos ou concordatários, em face da posição desfavorável do credor em tais situações, em que a perda é quase certa. Nesse contexto, a dedutibilidade da perda de um crédito contra devedor insolvente não pode ser obstada pela ausência de uma mera formalidade. Presentes todas as provas da insolvência, a perda poderia ser deduzida, e o art. 9 0 , § 1°, inciso I, da Lei n.° 9.430/96 assegura a dedutibilidade das perdas dos créditos em relação aos quais tenha havido declaração de insolvência do devedor, em sentença. Embora não haja nenhuma declaração formal do Poder Judiciário atestando a insolvência dos devedores, a dificuldade financeira do grupo "Exprinsul" era notória, conforme já foi descrito. Portanto, uma interpretação sistemática do citado art. 9° também poderia sustentar a dedutibilidade das perdas de tais créditos. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo — SPO I julgou procedentes os lançamentos, conforme Acórdão 3.890, de 04 de setembro de 2003, cuja ementa tem a seguinte dicção: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 Ementa:: DECADÊNCIA É por declaração a modalidade de lançamento do IRPJ e de tal modo que o marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data da entrega da declaração, Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA„ Supostos erros na descrição dos fatos e da base legal infringida não configuram cerceamento do direito de defesa, especialmente se a impugnação demonstra que houve pleno entendimento da causa da autuação. 11 Processo n°16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 NULIDADE ERRO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS E NA BASE LEGAL.. A discordância em relação aos fatos descritos e à capitulação legal não é causa de nulidade, pois salvo vício formal, são nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 Ementa: DESPESA COM JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. PROVISÃO NÃO CONTABILIZADA. INDEDUTIBILIDADE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA.. Os juros de mora sobretributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais devem ser debitados à conta de despesa financeira do exercício em contrapartida à conta de provisão para riscos fiscais, sendo dedutíveis somente os valores efetivamente pagos, em decorrência de sentença judicial desfavorável à empresa, transitada em julgado, e após a devida reversão contábil. O registro em outras exigibilidades não descaracteriza a natureza de provisão do fato contábil condicionado a evento futuro OPERAÇÃO DE CRÉDITO COM ACC AÇÃO DE EXECUÇÃO. NOVO CRÉDITO. CESSÃO DE CRÉDITO PERDA. NOVAÇÃO. TRANSAÇÃO HOMOLOGADA POR SENTENÇA NÃO COMPROVADA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. CONFIRMAÇÃO. DESISTÊNCIA. DESPESA NÃO NECESSÁRIA. INDEDUTIBILIDADE. Sob a ótica da novação, a perda é indedutível. Sob a ótica da transação, não foi comprovado que os termos e valores da transação homologada por sentença são os mesmos que foram objeto da autuação e, portanto, a perda é indedutível. Sob a ótica da confirmação da primeira obrigação, a perda é indedutível, seja em virtude de ter sido alcançada pela desistência da ação de execução, seja em virtude de que a premeditada cessão do crédito por baixo valor constituiu despesa desnecessária, mera liberalidade, sem motivos claros, em vista das evidências de recuperação econômico- financeira dos devedores.. Lançamento Procedente A empresa ingressou com o recurso em 10 de dezembro de 2003, conforme carimbo aposto à fl 270, oferecendo arrolamento de bens. r 12 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 Na peça recursal demonstra a tempestividade, mediante juntada dos documentos de fls. 414/415 e reedita as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, reedita as razões declinadas na impugnação, acrescentando o seguinte: Juros de Mora A autoridade julgadora distinguiu despesas e provisões pelo grau de sua incerteza. Havendo pequena incerteza quanto à realização da obrigação, essa grandeza deveria ser considerada provisão, e não despesa. Entendeu a autoridade que sobre os juros haveria duas incertezas: quanto ao momento do pagamento, por estar a exigibilidade suspensa, e quanto ao valor, porque a taxa Selic poderia estar em discussão nas várias ações da Recorrente. Quanto à primeira incerteza, o argumento não é razoável. Se uma empresa contrai um empréstimo de dois anos com pagamento dos juros previstos para o final do contrato, os juros são incorridos e deduzidos ao longo do prazo do contrato, não obstante poder haver dúvida quanto ao pagamento dos juros acordados. Da mesma forma, se uma empresa decide discutir a validade de um contrato, os juros já foram incorridos e, até que haja sentença definitiva, são devidos. Portanto, a incerteza quanto à data de pagamento não pode descaracterizar uma despesa incorrida. Esse caso hipotético não difere do caso destes autos, porque a lei determina que os juros de mora são devidos mesmo que o tributo esteja com sua exigibilidade suspensa. Quanto à taxa Selic, em razão da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis, o simples fato de eventualmente existir discussão judicial não afastaria sua aplicação. Assim, nos termos da legislação vigente, a Taxa Selic corresponde ao valor dos juros de mora devidos pela Recorrente. Assim, os argumentos da decisão (incerteza de data de pagamento e incerteza de valor) não podem prosperar e o caso em análise refere-se a dedução de despesa financeira incorrida (mas não paga) e não a uma mera provisão. Ao contrário do que propugnou o julgador, para que um determinado valor seja considerado provisão, seu grau de incerteza deve ser muito elevado. As 13 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 provisões são lançamentos que visam proteger o patrimônio da sociedade de uma eventual e incerta obrigação de pagar. Se o valor da obrigação é conhecido e se a obrigação decorre de lei, não há provisão, mas sim despesa. Colaciona doutrina sobre o conceito de despesa incorrida para demonstrar que os juros são despesa financeira incorrida, e não provisão, mesmo que estejam com a exigibilidade suspensa, e assim, não se aplica, ao caso, ao artigo 13 da Lei 9.249/95. Perda relativa ao crédito contra Exprinsul. O fato de a Exprinsul, hoje, ter se reerguido, se deve, em parte, à "renegociação" das dívidas ocorridas, quando a empresa chegou à concordata. E essa "renegociação" nada mais representou senão o calote em parte de suas dívidas, entre as quais estava a mantida pela Recorrente. Reafirma ser evidente que a Recorrente só abriu mão de parte de seus créditos por não haver outras formas de cobrar os respectivos valores, e que é instituição financeira não vinculada à Exprinsul, não tendo qualquer razão para ter um ato de benevolência ou liberalidade para com ela. Diz, ainda, que a carta enviada ao Banco Central demonstra sua seriedade, e que não agiu com negligência na cobrança dos seus créditos. E que o acordo foi a única saída possível em vista da impossibilidade prática de recebimento e do risco iminente de sofrer pesadas multas administrativas pelo não fechamento da posição dos contratos de ACC. Destaca que na decisão de primeira instância, em sua página 44, está explicado que se as exportações que lastreiam os contratos de câmbio não ocorrerem, os bancos podem sofrer multas de 25% do valor do contrato, além de sofrerem a exigência do IOF (que não era cobrado sobre os ACCs). Ou seja, a Recorrente poderia ampliar suas perdas em mais 30% do total, e sobre esse ponto o julgador não teceu qualquer comentário. Em seguida, reafirma as alegações já declinadas na impugnação para demonstrar que : (a) a perda é dedutível, (b) não houve uma nova operação; (c) a empresa demonstrou ter iniciado os processos judiciais de cobrança dos ACCs devidos pela Exprinsul, os quais somam próximo dos US$9,000,000.00, (d) esse cenário já permitira a dedução integral da perda no próprio ano-calendário de 1998, observado ao rt. 9° da Lei 9.430/96; (e) como acordo judicial, a perda também era é/44 14 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 dedutível com base no art. 10 da Lei 9.430/96, (f) houve uma venda de crédito, e não um perdão de dívida. Acrescenta que os argumentos expostos se aplicam ao litígio relativo à CSLL, que em relação ã compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativa da CSLL, a improcedência da exigência decorre da improcedência do lançamento relativo às demais infrações, que a multa de 75% representa verdadeiro confisco, que a SELIC não é aplicável os juros de mora. É o relatório.),d_-_-. 15 Processo n°16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Preliminar de decadência: Quanto à natureza do lançamento do IRPJ ( e, consequentemente, da CSLL, que segue as mesmas normas), a Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou a jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei 8.981/91, sua modalidade é a de lançamento por homologação. Tenho, também, em conta que o entendimento desta Câmara e da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais tem sido no sentido de que a decadência da CSLL se rege pelas normas do CTN. Assim, o termo inicial para a contagem da decadência, conforme artigo 150 do CTN, é a data da ocorrência do fato gerador. Considero, ainda, a jurisprudência deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à qual me rendo, no sentido de que, para as empresas que optaram por pagar o imposto com base no lucro real anual, o termo inicial do prazo de decadência é a data do encerramento do balanço anual. Tendo o lançamento se consumado em 11/04/2002, estão alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996. Preliminar de nulidade do lançamento. A preliminar de nulidade do lançamento não merece acolhida. Primeiro, porque a alegação de que a fiscalização alterou a natureza jurídica dos lançamentos contábeis, chamando as despesas de provisões, e que o art. 13, inciso I, da Lei n.° 9.249/95, base legal da autuação, trata de provisões, e não de despesas com juros, é questão de mérito, e como tal deve ser apreciada. Segundo, porque não é o artigo do Regulamento que constitui enquadramento legal, mas o dispositivo de lei que se encontra consolidado no artigo regulamentar. Além disso, ainda que tivesse ocorrido erro na indicação do dispositivo legal infringido, tal não 16 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 implicaria nulidade do lançamento se a descrição dos fatos fosse suficiente para a compreensão da acusação a apresentação da defesa. Mérito Preambularmente, consigno que os fatos litigiosos atingem da mesma forma o IRPJ e a CSLL, e as razões de defesa são comuns. Logo, o que for decidido aplica-se a ambas as exações. A primeira acusação que pesa contra a interessada é de não ter adicionado ao lucro líquido valores que deduziu indevidamente como despesas, relativos a juros sobre tributos cuja exigibilidade se encontrava suspensa por estarem sendo discutidos judicialmente. De acordo com a acusação fiscal, os juros de que se trata, por sua natureza de provisão, deveriam ter sido contabilizados a crédito da conta provisão para riscos fiscais, e seriam incledutíveis, porque não incluídos entre as provisões cuja dedutibilidade é admitida pela legislação tributária federal (art. 2°, § 1 0, alínea "c", inciso 3, da Lei n.° 7.689/88, c/c art. 13, inciso I, da Lei n.° 9.249/95). A Recorrente situa suas razões de defesa no artigo 41 da Lei 8.981/95, e alega que em razão de seu procedimento estar amparado pela lei, a autoridade fiscal, seguida depois pelo julgador, mudou o foco da discussão, afirmando tratar-se de provisão, e não de despesas. Segundo a Recorrente, a questão se centra nas normas sobre a dedutibilidade de tributos, e a norma aplicável determina o regime de caixa apenas para os tributos, e não para os juros. A legislação tributária tem regras específicas sobre a dedutibilidade de obrigações referentes a tributos. Para os períodos em questão, a regra específica é a prevista no § 1° do art. 41 da Lei 8.961/95, verbis: "Art 41, Os tributos e contribuições são dedutiveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.. 151 da Lei n° 5172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial Argumenta a Recorrente que essa regra não é aplicável aos juros de mora incidentes sobre os tributos. Todavia, como é curial, o acessório segue principal. Por conseguinte, os juros de mora, objeto do lançamento, têm a mesma 17 jrj ï(3"C' Processo n° 16327..001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 natureza dos tributos questionados judicialmente, sobre os quais incidem. Dessa forma, a norma que comanda a dedutibilidade dos tributos deve comandar a dedutibilidade dos juros de mora sobre eles incidentes. O fato de a lei anterior tratar expressamente da dedutibilidade dos juros de mora e a nova lei não o fazer em nada altera essa decorrência lógica. Portanto, não tem razão a alegação de que a autoridade fiscal alterou o foco da discussão, formalizando a exigência a título de provisão indedutível porque, sob o enfoque de despesa a pagar, os valores questionados seriam dedutíveis. Alega ainda a Interessada que a legislação utilizada para embasar a exigência é inaplicável ao caso, uma vez que os juros de mora constituem despesa financeira, e não mera provisão. Traz doutrina que trata da confusão generalizada em utilizar o título de "Provisão" no lugar de " Contas a Pagar" para o registro de despesas incorridas. Diz que a própria lei determina que os juros de mora são devidos inclusive nos períodos em que a cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial, tratando-se, assim, de despesa incorrida, e não de provisão. "Provisões" é o nomem juris genérico que o Direito Contábil dá a contas retificadoras de ativo ou de registro de responsabilidades por despesas incorridas definidas e estimadas'. As provisões propriamente ditas são as contas criadas no Passivo Circulante e no Exigível a Longo Prazo para o reconhecimento de despesas incorridas, efetivamente quantificadas e de exigibilidade futura. As provisões, sejam do ativo, sejam do passivo, são determinadas por estimativas que envolvam incertezas de grau variáve1.2 No "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações" do FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras ) 3 , Sérgio de ludicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke esclarecem que: "17.1.8.2 PROVISÕES DEDUTIVEIS NO FUTURO ...determinados custos ou despesas deverão ser adicionados ao lucro líquido do exercício para determinar o lucro real,uma vez que somente 1 Conforme Alceu de C Romeu, Celso Mendes, Paulo B Carneiro, Roberto B Piscitelli, in Contabilidade Tributária . Doutrina e Direito Contábeis, São Paulo, Atlas, 1985. 2 Conforme Ed Luiz Ferrari, in "Contabilidade Geral"„ 3 SP, Editora Atlas, 2000, 5' ed , adaptada à legislação societária e fiscal até 31/12/99, págs. 240 e 246 a 248 18 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 serão dedutíveis no cálculo do imposto de renda quando atenderem "as condições" da legislação fiscal para serem considerados como tal Alguns exemplos são: (..-) 4. Provisão para riscos fiscais e outros passivos contingentes. (...-) !8.1.5.Provisão para Riscos Fiscais e Outros Passivos Contingentes. Em contabilidade, uma contingência é uma situação de risco já existente e que envolve um grau de incerteza quanto à efetiva ocorrência e que, em função de um evento futuro, poderá resultar em ganho ou perda para a empresa. A preocupação maior deve ser com as contingências que possam resultar em perda para a empresa. A preocupação maior deve ser com as contingências que possam resultar em perda para a empresa, pois, pelo conservadorismo, aquelas que, em decorrência de infrações de terceiros, reclamações, pedidos de reembolso, etc. posam tornar-se ganhos da empresa, só ser'ao contabilizadas quando efetivamente ganhas. Não obstante, a técnica contábil recomenda a menção das contingências ativas nas notas explicativas das demonstrações financeiras. Por outro lado, para que a contingência passiva julgada provável em exercício futuro seja registrada contabilmente por meio da formação da provisão para riscos fiscais e outros passivos contingentes , deverá ser possível estimar seu valor; caso contrário, apenas deverá ser mencionada nas notas explicativas, descrevendo —se o tipo de contingência e explicando-se a impossibilidade de determinar seu montante. A empresa poderá, ainda, ter processos fiscais e outros que envolvem uma contingência cujos valores sejam calculáveis; mas não serão provisionados quando forem remotas as possibilidades de perdas, após análise detida pela administração e por seus advogados. Todavia, ainda assim, o fato deve ser descrito em nota explicativa. Alguns exemplos de contingências são: (...) b) autuações fiscais que possam resultar em obrigação para a empresa; (--) g) ações judiciais em andamento contra a companhia; (...) O lançamento contábil será a débito de despesa do exercício no qual se registra a receita, que acabará por ser a origem da perda (como no caso de garantias concedidas, acordo de recompra, etc.) ou, quando isso não for possível, no exercício em que a empresa se apercebeu da existência da contingência (...). Essa provisão é indedutível para efeitos fiscais. Todavia, no exercício social (período fiscal) em que a perda se efetivar, a parcela da provisão utilizada para absorvê-la poderá ser excluída do lucro real (art. 247, § 2°, do RIR/99)." Vê-se que a acusação fiscal encontra respaldo na doutrina referenciada. Os tributos discutidos judicialmente representam obrigações fiscais que não têm 19 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 data definida de pagamento e que apresentam certo grau de incerteza quanto à sua ocorrência, dependendo da decisão judicial final. Da mesma forma os juros sobre eles incidentes, que como acessório, acompanham o principal, e serão ou não devidos, conforme a decisão judicial julgue devidos ou não os tributos. Por conseguinte, os respectivos valores têm a natureza de provisão para riscos fiscais, e têm sua dedutibilidade condicionada ao pagamento. Aliás, a questão da natureza dos juros (se provisão, se despesa incorrida a pagar) não tem relevância, posto que a indedutibilidade é conseqüência da condição acessória dos juros: não se desvincula a acessório do principal. A segunda acusação lançada contra a Recorrente é de ter deduzido indevidamente perdas com o perdão de dívida, que constitui liberalidade e, como tal, indedutível. A Recorrente contesta a acusação, e diz que a perda foi uma despesa necessária para minimizar os prejuízos. Em 1995 o BBA realizou, com a Exprinsul, 10 operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) para exportação de café, duas delas garantidas por certificados de "warrants" e conhecimentos de depósito de sacas de café. Informa a Recorrente que "parte desses títulos foi emitida pela empresa "Armazéns Gerais Agrícola Ltda.", pertencente ao mesmo grupo "Exprinsul" Tendo esses ACC permanecido em aberto desde 1955 (as exportações não foram efetivadas), em 1998 foi realizada uma operação de crédito entre o Recorrente e a Exprinsul, com o objetivo de liquidar os ACC, seguida de uma operação de cessão do respectivo crédito por, aproximadamente, 10% do valor, à empresa ligada ao devedor, Armazéns Gerais Agrícola Ltda., tendo sido a perda, de R$ 9.785.349,53, debitada em conta de despesa operacional, não adicionada ao lucro líquido, nem para a determinação do lucro real, nem para a apuração da base de cálculo da CSLL. A fiscalização entendeu que a segunda operação de crédito configurou novação dos ACC, e considerou que foi violada a legislação tributária que rege as perdas no recebimento de créditos, as quais somente poderiam ser deduzidas como despesas depois de um ano do vencimento, se o processo judicial para o recebimento tivesse sido iniciado. £.0 20 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 A Recorrente refuta o entendimento da fiscalização, dizendo não ter ocorrido novação, mas sim, transação. Os fatos ocorreram em 1998, e a legislação regente é o artigo 9° da Lei 9..430/96, a seguir transcrito: Perdas no Recebimento de Créditos Dedução Art. 9° As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1° Poderão ser registrados como perda os créditos: I - em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II - sem garantia, de valor: a) até R$ 5 000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5 000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III - com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV - contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5°. § 2° No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. § 3° Para os fins desta Lei, considera-se crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais.. § 4° No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito § 5° A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatãria poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. § 6° Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. É incontroverso que, se a operação se caracterizar como novação, a perda é indedutivel. Isso porque que a cessão foi imediata, e quer para débitos sem garantia, quer para débitos com garantia, a dedutibilidade somente é admitida depois de um ano ou dois anos, respectivamente, do vencimento e desde que )ty- 21 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 iniciado o procedimento judicial para seu recebimento (art. 9°, § 1°, inciso II, alínea "c" e inciso III , da Lei 9.430/96). Embora a decisão de primeira instância conteste a caracterização da operação como transação, os elementos constantes dos autos apontam muito mais nessa direção do que, propriamente, na de novação. É incontestável que os adiantamentos de contratos de câmbio firmados em 1995 se encontravam em aberto em 1998 e que o BBA tentava, em juízo, se ressarcir dos valores relativos aos ACC inadimplidos. Os documentos acostados provam que o BBA estava litigando em juízo contra a empresa ligada à Exprinsul e emitente dos certificados de depósito que garantia dois dos ACC e contra o avalista das notas promissórias garantidoras dos demais ACCs (sócio-gerente da Exprinsul). Há, ainda, correspondência dirigida ao Banco Central solicitando autorização para efetuar a operação tal como foi realizada (concessão de empréstimo e, ato contínuo, venda do crédito a empresa ligada à Exprinsul por 10% do seu valor, "dentro do espírito da Resolução 2.412/97 e Circular 2.772/97") e da anuência do BACEN (fls. 415 a 419). Há, ainda, cópia de petições de desistência das ações judiciais, tendo em vista a composição amigável, de solicitação de homologação do acordo, e da publicação dando notícia de homologação por sentença de transação celebrada entre as partes, com extinção da execução. Impõe-se examinar os efeitos tributários da transação noticiada. Nesse mister, a análise a ser feita tem como premissa o fato de que as perdas dizem respeito aos ACC, e não ao empréstimo concedido em 1998. Ou seja, cuida-se de perdas , verificadas em 1998, no recebimento de créditos vencidos em 1995. A dedução da perda em questão se subordina ao previsto no inciso II, alínea c, e no inciso III, ambos do § 1° do artigo 9° da Lei 9.430/96. Ou seja, a perda é dedutível desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento. Ocorre que a própria transação e desistência dos procedimentos judiciais já constituem a negação do implemento da condição para dedução das perdas. Alega o Recorrente que a perda também era dedutível com base no artigo 10, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Todavia, as normas do artigo 9° e do art. 10 não re--) çf) 22 Processo n° 16327.001311/2002-13 Acórdão n° 101-95.184 têm o mesmo âmbito de validade. O artigo 90 trata da dedução das perdas e antecede, no tempo, o artigo 10, que trata do registro contábil das perdas admitidas pelo artigo 9°. Assim, a aplicação do § 3° do artigo 10 pressupõe que num momento anterior tenha havido a dedução da perda de acordo com as normas do artigo 9°. Não ultrapassado o artigo 9°, não há como aplicar o § 3° do art. 10. Tendo em vista as razões declinadas, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, acolho em parte a preliminar de decadência suscitada, declarando alcançados os fatos geradores ocorridos em 1996 e nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, DF, em 13 de setembro de 2005 SANDRA MARIA FARONI 23 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.001408/2005-31
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
Ementa: PERÍCIA - A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos.
PERDAS COM FRAUDES - Não havendo prova, com documentação fiscal, de que ocorreram as perdas, correta a glosa da despesa. Ao apenas listar os valores de perdas por cliente, sem demonstrar documentalmente tais valores, o contribuinte descumpre os requisitos legais para permissão da dedutibilidade da despesa.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS - Além da prova das perdas no recebimento de créditos, o contribuinte deve se submeter às regras previstas no art. 9o. da Lei 9.430/96, ou seja, para valores superiores a R$5.000,00, teriam de ser vencidos há mais de um ano, mantida a cobrança administrativa. A simples alegação de que os valores superiores a R$5.000,00 se devem a lançamentos globais, sem demonstração pelo contribuinte deste fato com prova documental, não autoriza a dedução destes valores como despesa.
DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA - A demonstração da efetiva prestação dos serviços é condição de dedutibilidade. O registro no INPI, embora seja condição necessária para dedutibilidade não é suficiente quando isolado.
Numero da decisão: 105-17.386
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001 Ementa: PERÍCIA - A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos. PERDAS COM FRAUDES - Não havendo prova, com documentação fiscal, de que ocorreram as perdas, correta a glosa da despesa. Ao apenas listar os valores de perdas por cliente, sem demonstrar documentalmente tais valores, o contribuinte descumpre os requisitos legais para permissão da dedutibilidade da despesa. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS - Além da prova das perdas no recebimento de créditos, o contribuinte deve se submeter às regras previstas no art. 9o. da Lei 9.430/96, ou seja, para valores superiores a R$5.000,00, teriam de ser vencidos há mais de um ano, mantida a cobrança administrativa. A simples alegação de que os valores superiores a R$5.000,00 se devem a lançamentos globais, sem demonstração pelo contribuinte deste fato com prova documental, não autoriza a dedução destes valores como despesa. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA - A demonstração da efetiva prestação dos serviços é condição de dedutibilidade. O registro no INPI, embora seja condição necessária para dedutibilidade não é suficiente quando isolado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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PERDAS COM FRAUDES - Não havendo prova, com documentação fiscal, de que ocorreram as perdas, correta a glosa da despesa. Ao apenas listar os valores de perdas por cliente, sem demonstrar documentalmente tais valores, o contribuinte descumpre os requisitos legais para permissão da dedutibilidade da despesa. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS - Além da prova das perdas no recebimento de créditos, o contribuinte deve se submeter às regras previstas no art. 9°. da Lei 9.430/96, ou seja, para valores superiores a R55.000,00, teriam de ser vencidos há mais de um ano, mantida a cobrança administrativa. A simples alegação de que os valores superiores a R55.000,00 se devem a lançamentos globais, sem demonstração pelo contribuinte deste fato com prova documental, não autoriza a dedução destes valores como despesa. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA - A demonstração da efetiva prestação dos serviços é condição de dedutibilidade. O registro no INPI, embora seja condição necessária para dedutibilidade não é suficiente quando isolado. • Processo n ° 18471.001408/2005-31 CCO2/C01 Acórdão n.° 105-17.386 Fls. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -Pf. • (5VIS A ES residente MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Formalizado em: 1 3 tgEN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, WALDIR VEIGA ROCHA, ALEXANDRE ANTONIO ALICMIM TEIXEIRA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. • Processo n.° 18471.001408/2005-31 CCO2/C01 Acórdão n.° 105-17.386 Fls. 3 Relatório Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 31/47, lavrado pela DEFIC/RJO, com ciência do interessado em 20/10/2005 (fls. 35 e 42), sendo retificados o Prejuízo Fiscal e a Base Negativa da CSLL. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, terem sido constatadas as infrações abaixo: I. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA DE CUSTOS. Não foram comprovadas despesas contabilizadas nas contas 312.89.120 (Fraude) e 312.29.140 (Contas Baixadas Faturamento). 2. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA DE DESPESAS. Não foram comprovadas despesas contabilizadas na conta 312.89.150 (Perda Por Não Pagamento de Assinantes). 3. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTIFICA OU TECNOLÓGICA. BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. Despesas glosadas por falta de avaliação e averbação do contrato pelo INPI e por falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados. 4. DESPESAS INDEDUTIVEIS. Contabilização indevida de despesa de doação com cartão celular, conta 312.89.820, por falta de previsão legal para a dedução. O enquadramento legal encontra-se nos Autos de Infração. No Anexo aos Autos de Infração, à fl. 33, a fiscalização informa que, em função das irregularidades apuradas, lavrou os Autos de Infração que discrimina, sendo que "com relação ao IRPJ consta um período de apuração de 01/01/2000 a 30/11/2000 e outro de 01/12/2000 a 31/12/2000". O presente lançamento refere-se, apenas, ao período de 01/12/2000 a 31/12/2000. O interessado apresentou, em 21/11/2005, a impugnação de fls. 63/71. Na referida peça de defesa, alega, em síntese, que: - glosa de custos: não obstante tenha apresentado os arquivos magnéticos solicitados, a fiscalização glosou os valores lançados por não ter sido comprovada a operação individualizada por cliente; como mantém milhares de clientes, necessitava de maior prazo para entrega das informações, o que não lhe foi concedido, caracterizando preterição do direito de defesa; os créditos até o valor de R$5.000,00, vencidos a mais de 6 meses, podem ser registrados como perdas; embora o Razão registre valores superiores a R$5.000,00, na verdade trata-se de lançamento que engloba diversos clientes na mesma situação; o lançamento, além de contaminado pelo vício da nulidade, não pode prevalecer, porque a perda efetivamente ocorreu, em decorrência do cancelamento de faturas emitidas em duplicidade ou com inconsistência de dados do cliente; - glosa de despesas: considerando a complexidade do sistema e o exíguo prazo para cumprimento da inião, solicitou prorrogação de prazo, que lhe foi negada, sendo 5:2 • Processo n.° 18471.001408/2005-31 CCO2/C01 Acórdão n.* 105-17.386 Fls. 4 flagrante a nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa; reitera os argumentos do item anterior; - beneficiários no exterior: o fato de o INPI noticiar que os itens referentes à reestruturação não seriam passíveis de averbação não implica na invalidação do contrato; a fiscalização questionou a efetividade dos serviços, que envolvem uma série de estudos técnicos, projetos e treinamento; solicitou os relatórios, mas ainda não os obteve; - despesas com doações de cartão celular: a conta registra, na verdade, custo dos cartões Packs, que constitui redução da receita bruta, cabendo a reclassificação contábil; pela Solução' de Consulta que cita, a cessão gratuita de aparelhos por empresas de telefonia é despesa operacional; o mesmo se aplica aos cartões Packs, por se tratar de cortesia a clientes. Encerra solicitando perícia e protestando pela juntada posterior de documentos. O acórdão DRF foi ementado como abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. GLOSA DE CUSTOS. A não comprovação de custos autoriza a glosa. GLOSA DE DESPESAS. A não comprovação de despesas autoriza a glosa. DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA. A demonstração da efetiva prestação dos serviços é condição de dedutibilidade. DESPESAS INDEDUTIVEIS. São vedadas as deduções decorrentes de quaisquer doações e contribuições, exceto as autorizadas na legislação. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. A recorrente foi cientificada em 14/08/1006 e apresentou recurso em 12/09/2006. Em seu recurso alega a nulidade da decisão de instância por não ter determinado a realização de perícia, argüi a possibilidade de entrega de documentos a qualquer tempo em face do princípio da verdade material e no mérito que apresentou documentação (arquivos magnéticos) que demonstram as despesas referentes às contas 312.89.120 (fraude)) e 312.89.140 (contas baixadas faturamento); também em relação à conta 312.89.150 (perda por não pagamento de assinantet,ia apresentado CD que contém a descrição detalhada de toda a rçe Processo n.° 18471.001408/2005-31 CCO2/C01 Acórdão n.° 105-17.386 Fls. 5 receita, bem como a composição das perdas e que os valores seriam inferiores a R$5.000,00; que as despesas com assistência técnica, a recorrente teria formalizado junto ao INPI processo de consulta e posterior averbação de contrato de prestação de serviço celebrado com a Telefônica Internacional. Quanto à despesa com ddação de cartão celular, a conta 312.89.820 registra custo dos cartões de packs sendo custo operacional não há de se falar em discriminação individual dos beneficiários. Em 28 de fevereiro de 2007 este colegiado converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização analisasse documentos em meio magnético juntados pela recorrente e afastou a preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte. Foi elaborado relatório de diligência de fls. 377, onde, em apertada síntese afirma-se: - os arquivos apresentados, dissociados dos registros contábeis e da documentação suporte, não atendem aos requisitos legais para comprovação de custos e despesas, além de não serem conclusivos, já que se limitam a relacionar dados detalhados de receitas e perdas, individualizadas por cliente; - quanto às notas fiscais, teriam o condão de refutar o item 4 do referido auto de infração, qual seja a indedutibilidade de doações de cartões telefônicos por falta de previsão legal. Os documentos acostados são notas de compra (fls. 315/330) e venda (fls. 258/314) de aparelhos celulares, emitidas respectivamente pela interessada e por seu fornecedor. A descrição das notas de venda deixa claro que os mencionados cartões são efetivamente oferecidos como bônus, mas isso não teria o condão de modificar o lançamento; - quanto ao certificado de averbação da fatura dos serviços que teriam sido prestados pela sua sócia estrangeira, tal documento não encerra os requisitos legais exigidos para a dedução de despesas, como a falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços. Em16 de abril de 2008 o julgamento foi novamente convertido em diligência com a finalidade de dar ciência do relatório de diligência ao recorrente. Refutando o relatório de diligência a recorrente afirma: - quanto aos CD's apresentados seriam aptos para desconstituir a fundamentação fiscal, uma vez que foram detalhados os dados das receitas e perdas, sem contestação da autoridade sobre a veracidade do seu conteúdo; - quanto às notas fiscais de compra e venda de cartões telefônicos, fica evidente que foram oferecidos a título gratuito, sendo habitual e necessário à manutenção da fonte produtora, conforme art. 299 do RIR/99 - que quanto ao item 003 do AI, a apresentação do certificado de averbação no INPI é suficiente à comprovação dos serviços prestados. É o Relatório. Processo n.° 18471.001408/2005-31 CO32/On Acórdão n.° 105-17.386 Fls. 6 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Analiso inicialmente a argüição de nulidade da decisão de P. instância por não ter deferido o pedido de perícia. Entendo que não cabe razão à recorrente tendo em vista que a decisão de 1 a. instância justificou a recusa em determinar a perícia: Quanto à solicitação de perícia e ao protesto pela juntada posterior de documentos, cabe observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do artigo 1°, da Lei 8.748/1993, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos. É do interessado o ônus de juntar aos Autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante solicitação de perícia ou protesto pela juntada posterior de documentos. Deste modo, indefiro a perícia solicitada." Plenamente justificada a recusa da perícia, afasto a nulidade suscitada pela recorrente. Passo, então a análise do mérito. Em relação aos itens 1 e 2 do auto de infração (glosa de custos — fraude e glosa de despesas — perda por não pagamento de assinantes) o contribuinte apresentou em seu recurso CD's que foram submetidos á diligência fiscal citada no relatório. A diligência, em relação aos arquivos constantes nos CD's concluiu: "Nesse aspecto, os arquivos apresentados, dissociados dos registros contábeis e da documentação de suporte, não atendem aos requisitos legais para comprovação de custos e despesas, além de não serem conclusivos, já que se limitam a relacionar dados detalhados de receitas e perdas, indiviedos por cliente" Processo n.° 18471.001408/2005-31 CCO2A:01 Acórdão n.° 105-17.386 Fls. 7 Em ambos os casos entendo que não assiste razão ao recorrente. Em relação às perdas com fraude, não houve a prova, com documentação fiscal de que ocorreram as perdas. Ao apenas listar os valores de perdas por cliente, sem demonstrar documentalmente tais valores, o contribuinte descumpre os requisitos legais para permissão da dedutibilidade da despesa. A alegação do grande volume de informações não exime o contribuinte de fazer prova da despesa para permitir sua dedutibilidade. Essa prova poderia, inclusive, ser feita por amostragem ,em um primeiro momento, permitindo que a fiscalização demonstrasse sua aplicação aos demais casos. Entendo, portanto, não demonstradas as despesas com fraudes e voto por manter o lançamento em relação a essa matéria. Em relação ao item 2 não merece melhor sorte a recorrente. Como trata-se de perdas no recebimento de créditos, além dos argumentos utilizados em relação ao item 1, aplicam-se também os requisitos do art. 9°. da Lei 9.430/96, ou seja, para valores superiores a R$5.000,00, teriam de ser vencidos há mais de um ano , mantida a cobrança administrativa. A simples alegação de que os valores superiores a R$5.000,00 se devem a lançamentos globais, sem demonstração pelo contribuinte deste fato com prova documental, não autoriza a dedução destes valores como despesa. Diante do exposto, voto pela manutenção do lançamento pela falta de prova documental da despesa e também pela indedutibilidade das mesmas pela não comprovação de atendimento dos requisitos do art. 9°. da Lei 9.430/96. Em relação ao item 3, também não merece acolhida a argumentação da recorrente. A apresentação do certificado do INPI, embora seja uma condição necessária para a dedutibildade da despesa, não é condição suficiente, sendo necessário demonstrar a ocorrência da prestação dos serviços pela sua controladora indireta. A prova da prestação dos serviços, insistentemente requerida pela fiscalização, não foi apresentada, apesar de ser de simples produção pela recorrente. A alegação de que a recorrente teria solicitado a documentação comprobatória não pode ser aceita, até mesmo pelos vínculos societários existentes entre a recorrente e a suposta prestadora dos serviços. A documentação que a recorrente apresentou (fatura e contrato) apenas demonstra que houve a remessa de divisas, mas não prova a motivação de tal remessa. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto. Por último analiso o item 4 do lançamento. Este item relaciona-se à dedutibilidade de doação de cartões telefônicos. Na impugnação e no recurso a recorrente apresenta notas fiscais que demonstram que os cartões foram oferecidos como bônus. I • Processo n.° 18471001408/2005-31 cco2/col Acórdão n°105-17.386 Fls. 8 Fica evidente nos autos que a doação dos cartões constitui liberalidade da recorrente sendo, portanto indedutivel da base de cálculo do IRPJ, tendo em vista o que consta do inciso VIII do art. 249 do RIR199. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Page 1 _0045900.PDF Page 1 _0046000.PDF Page 1 _0046100.PDF Page 1 _0046200.PDF Page 1 _0046300.PDF Page 1 _0046400.PDF Page 1 _0046500.PDF Page 1
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Numero do processo: 35304.001066/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 23/07/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. DIRIGENTE DE
ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41. LEI 8.212/91. MP 449/08. REVOGAÇÃO.
RETROATIVIDADE BENIGNA.APLICAÇÃO.
I - o art. 65, I da MP 449/08, revogou o art 41 da Lei n° 8.212/91, não havendo mais fundamento legal para a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelas infrações a obrigações previdenciárias acessórias, revogação essa, que por conceder ao contribuinte, tratamento mais benéfico
em relação a multa, deve ser aplicado de forma retroativa, no termos do art 106 do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-000.007
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Rogério de Lellis Pinto
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/07/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41. LEI 8.212/91. MP 449/08. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.APLICAÇÃO. I - o art. 65, I da MP 449/08, revogou o art 41 da Lei n° 8.212/91, não havendo mais fundamento legal para a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelas infrações a obrigações previdenciárias acessórias, revogação essa, que por conceder ao contribuinte, tratamento mais benéfico em relação a multa, deve ser aplicado de forma retroativa, no termos do art 106 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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Ft 235 . Legik=s, • " .4-....r7; MINISTÉRIO DA FAZENDA Isr.* • . ;:''-fr CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (•% SI/. ''' SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo n° 35304.001066/2006-81 Recurso n° 142.684 Voluntário Acórdão n° 2401-00.007 — 4' Câmara I 1' Turma Ordinária Sessão de 3 de março de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ADEMIR ALVES DE MELO - DIRIGENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE BARRA MANSA Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREViDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/07/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41. LEI 8.212/91. MP 449/08. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.APLICAÇÃO. I - o art. 65, I da MP 449/08, revogou o art 41 da Lei n° 8.212/91, não havendo mais fundamento legal para a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelas infrações a obrigações previdenciárias acessórias, revogação essa, que por conceder ao contribuinte, tratamento mais benéfico em relação a multa, deve ser aplicado de forma retroativa, no termos do art 106 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORD os membros da 4' Câmara / l' Turma Ordinária da Segunda??1,\ Seção de Julgamento, por anunidade de votos, em dar provimento ao recurso. ELIAS 5AMnI0 FREIRE - Presidente , ROGERI tELLIS PINTO - Relator 157--ilf—t)---- ... oki dalo,2 o Qtiv 1 7op GM/4L .4 Processo e 35304.001066/200641 S2-C4T1 Acórdão n.• 2401-00.007 Fl. 236 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, deusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. - nt" SO, • r 0 I • 2 14 Processo n°35304.001066/2006-81 52-C4T1 Acórdão n. 2401-00.007 Fl. 237 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela SR. ADEMIR ALVES DE MELO contra decisão notificação exarada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a qual julgou procedente com relevação total da multa imposta através do presente Auto-de- Infração, por ter, na qualidade de dirigente de órgão Público, apresentado GFIPs com dados não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias. Na peça recursal o contribuinte, ainda que de forma veementemente, questiona apenas a sua responsabilização pessoal pela infração, alegando inicialmente que haveria junto a Câmara Municipal, funcionário com responsabilidade pela elaboração das citadas GFLPS. Citando precedentes dos Tribunais Pátrios aduz que não há viabilidade legal para impor a Dirigente de Órgão Público, penalidade por descumprimento de apresentação de GFIPS, para encerrar requerendo o provimento do seu recurso. A extinta SRP apresentou suas contra-razões, onde pugna pela manutenção . do débito. É o relatório./ CO, • Pit. Co, 0§5nk., Lor O 44( to et foy 3 Processo n°35304.001066/2006-81 S2-C4TI Acórdão n? 2401-00.007 Fl. 238 Voto Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O contribuinte alega em sua defesa apenas que não poderia recair sobre si a responsabilidade por eventuais infrações as obrigações tributárias acessórias previstas na legislação previdenciária, o que, no entanto, contraria o art 41 da Lei n° 8.212/91, que imputa aos dirigentes máximos do órgão, essa responsabilidade. Contudo, e em embora ao tempo da autuação existisse fundamento legal para responsabilização pessoal do autuado, não podemos ignorar o advento da MP 449/08, que entre outras alterações, revogou, o art. 41 da Lei 8.212/91, de forma que não é mais licito penalizar os dirigentes do órgão público pelas infrações a obrigações acessórias capituladas em seus respectivos órgãos. Vejamos o artigo 65, I da referida MP: Ar:. 65. Ficam revogados: 1-os §§1° e 3°a 8° do art. 32, o art. 34, os §§ 1°a 4° do art. 35, os §§ 1° e 2° do art. 37, os arts. 38 e a o § 8° do art. 47, o § 4° do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso 11 do art. 80, o art. 81, os §51°, 2°, 3", 5°, 6°e 7° do art. 89, e o parágrafo único do art. 93 da Lei n' 8.212, de 24 de julho de 1991 É certo que o ato do lançamento deve-se reportar sempre a lei vigente à época da sua produção. Contudo, há situações em que o próprio CTN, especificamente em seu art. 106, autoriza excepcionalmente que fatos passados sejam regulados pela legislação futura. Vale trazer a baila as disposições do art 106 do Códex: Art 106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1 - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 11- tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua Prática.fr • CONagzitsom o __ 4 UR/GiNAL Processo n°35304.001066/2006-81 S2-C4T1 Acórdão n.• 2401-00.007 Fl. 239 Comentando os dispositivos legais encimados o saudoso Professor Aliomar Baleeiro, in Direito Tributário Brasileiro, 11 Edição, págs. 669/670, nos lembra que a retroatividade da norma tributária aplica-se em três hipóteses: "quando o dispositivo dá interpretação autêntica a outro ou outros de lei anterior, exclui penalidade desta, e ainda, quando assume característica de ler mitior". Sem embargos, em se tratando de norma introdutora que imponha um grave menor à multa por infração legal descumprida, o CTN consagra a regra da retroatividade da Lei mais favorável, autorizando assim que a penalidade seja readequada para seguir o tratamento mais benéfico ao contribuinte. Desta feita, como a MP 449/08 revogou o dispositivo legal que amparava a responsabilização pessoal aqui discutida, sem dúvidas que é norma mais benéfica ao contribuinte, devendo, por isso, ser aplicada ao caso em concreto. Diante dessas razões, conheço do recurso da empresa, pelas modificações introduzidas pela MP 449/08, reconheço a ilegitimidade pessoal do autuado. Sala das Sessões em 3 de março de 2009 RO É pt LLIS PINTO - Relator • • t. ir? A. C om CeiSE L, • O 0,:f •kiliv 4 L42/02,09 5•
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000050/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO IMPUGNAÇÃO DA EXIGÊNCIA.
NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO.
O contencioso administrativo fiscal somente será instaurado mediante a impugnação expressa da exigência, apresentada de forma tempestiva.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2401-000.592
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Nome do relator: Cleusa Vieira de Souza
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO IMPUGNAÇÃO DA EXIGÊNCIA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. O contencioso administrativo fiscal somente será instaurado mediante a impugnação expressa da exigência, apresentada de forma tempestiva. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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NÃO IMPUGNAÇÃO DA EXIGÊNCIA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. O contencioso administrativo fiscal somente será instaurado mediante a impugnação expressa da exigência, apresentada de forma tempestiva. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, rela : a o e discutidos os presentes autos. ACORD • M os membros da 4' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, po , unanim dade de votos, em não conhecer do recurso. orr. ELIAS SAMP • O FREIRE - Presidente CLEUSA VI IR( A 19'( )UZA — Relatora'Ç‘ Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 1 , ,, J, Processo n° 14489.000050/2007-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.592 Fl. 150 Relatório Trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 37.021.772-5 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 33/58, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, retidas pela empresa, descontadas das remunerações, no período compreendido entre 05/2000 a 13/2001; 09/2003 a 01/2004; 05/2004 a 09/2004. Segundo o referido relatório fiscal, constituem os fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, as diferenças apuradas com base nos valores , apurados em folhas de pagamento menos aqueles declarados pela empresa em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdências Social -GFIP. Dos valores totais devidos pela empresa, apurados com base na folhas de pagamento, após deduzidos todos os créditos da empresa (GPS e Retenções destacadas em notas fiscais), restaram diferenças devidas à Previdência Social, diferenças essas integrantes de valores não informados em GFIP, conforme constou dos somatórios das bases de cálculo, das contribuições retidas dos segurados empregados e das deduções (SF e SM) nas GFIP apresentadas. Tempestivamente o contribuinte apresentou manifestação, fls. 76, em que comunica que, embora discorde totalmente da autuação, neste caso concreto, por tratar-se de imposto fonte e do mesmo gerar representação fiscal para fins penais, decide a ora Requerente pelo pagamento imediato do valor lançado, pelo que requer seja determinada a expedição de guia para efetivação do recolhimento pertinente. A Secretaria da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro —Norte, por meio da Decisão Notificação n° 17.402.4/4/0102/2007 , julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO É legítimo o lançamento que se encontra revestido de todas as formalidades legais, e foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Inconformada com a Decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, conforme razões expendidas às fls. 115/117, em que aduz que "não contestou o lançamento. A rigor, a posição da recorrente foi de renúncia expressa ao seu direito de recorrer, porquanto tratando-se de lançamento atinente a valores retidos na fonte, com perfil de apropriação indébita e conseqüente risco de representação fiscal para fins penais, optou então pela renúncia expressa à impugnação, inclusive para efeito de pagar a multa com redução de 50% do seu valor, o que justifica e explica ter requerido, então emissão de guia para recolhimento do devido." (os grifos são do original). Requer a reforma da decisão de primeira instância , tão-somente para que seja considerado o requerimento inicial como pedido de emissão de guia para pagamento do valor autuado, e não como impugnação, assentando-se ainda o direito ao pagamento com redução de ' 50% do valor da multa 2 , • • • Processo n° 14489.000050/2007-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.592 Fl. 151 Não houve depósito prévio de 30 % por se encontrar a empresa amparada por Medida Liminar, deferida em Mandado de Segurança n° 2007.51.01.022398-1, dispensando-a do referido depósito. É o relatório. j9 3 Processo n° 14489.000050/2007-41 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.592 Fl. 152 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza, Relatora No presente recurso não se vislumbra os pressupostos de admissibilidade, porquanto apresentado tempestivamente, não foi instaurada a fase litigiosa do procedimento, por falta de impugnação da exigência. Conforme relatado a recorrente alega que "não contestou o lançamento. A rigor, a posição da recorrente foi de renúncia expressa ao seu direito de recorrer, porquanto tratando-se de lançamento atinente a valores retidos na fonte, com perfil de apropriação indébita e conseqüente risco de representação fiscal para fins penais, optou então pela renúncia expressa à impugnação, inclusive para efeito de pagar a multa com redução de 50% do seu valor, (...)" Nos termos do artigo 14 do Decreto n° 70235/1972, somente por meio da Impugnação da Exigência é que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Em outras palavras, somente mediante apresentação de Defesa Tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas, o contencioso administrativo fiscal é instaurado. Diante do exposto e, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 CLEUSA VIEIRA DE OUZA — Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000800/00-70
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PEDIDO DE BAIXA DE DÉBITO - Inexistindo matéria a ser apreciada em sede de recurso voluntário regularmente interposto, a referida peça recursal não deve ser conhecida. No caso vertente, cabe, tão-somente, à unidade administrativa responsável pelo controle da extinção do crédito tributário, prosseguir, se assim entender, na cobrança dos valores regularmente constituídos.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 105-15.940
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do apelo por falta de litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,' tftoj> QUINTA CÂMARA Processo n°. : 16327.000800/00-70 Recurso n°. : 149.634 Matéria : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL- EXS.: 1995 a 1998 Recorrente : ITAL.; BANCO DE INVESTIMENTO S/A Recorrida : 8a TURMA/DRJ em SÃO PAULO/SP I Sessão de : 17 DE AGOSTO DE 2006 Acórdão n°. : 105-15.940 PEDIDO DE BAIXA DE DÉBITO - lnexistindo matéria a ser apreciada em sede de recurso voluntário regularmente interposto, a referida peça recursal não deve ser conhecida. No caso vertente, cabe, tão-somente, à unidade administrativa responsável pelo controle da extinção do crédito tributário, prosseguir, se assim entender, na cobrança dos valores regularmente constituídos. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por ITACJ BANCO DE INVESTIMENTO S/A ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de ‘ Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do apelo por falta de litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ) ' o CLOVIS ALVES PRESIDENTE s \\ q\'WILSON -'\;::-,\' • ,-\ e ES G ARÃES RELATO' FORMALIZAD• M: i 9 2.006 MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :16327.000800/00-70 Acórdão n°. :105-15.940 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUÍS ALBERTO BACELAR VIDAL, DANIEL SAHAGOFF, FERNANDO AMÉRICO WALTHER (Suplente Convocado), EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, IRINEU BIANCHI e ROBERTO BEKIERMAN (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente os Conselheiros CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada) e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :16327.000800/00-70 Acórdão n°. :105-15.940 Recurso n°. : 149.634 Recorrente : ITAl) BANCO DE INVESTIMENTO S/A RELATÓRIO ITAU BANCO DE INVESTIMENTO S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a Decisão n° 7.667, de 09 de agosto de 2005, da 8a Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo (I), São Paulo, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (Deinf/SP), interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de baixa de débitos, amparado nas disposições do art. 10 da MP n° 1.858-6/99 (29 de junho de 1999), verbis: Art. 10. O art. 17 da Lei nQ 9.779, de 19 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos: 1Q O disposto neste artigo estende-se: 1- aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; II- a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; III - aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Divida Ativa da União. § 2Q O pagamento na forma do caput deste artigo aplica-se à exação relativa a fato gerador: I - ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do parágrafo anterior; II - ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do parágrafo anterior; III - alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do parágrafo anterior. Ir sor 3 , MINISTÉRIO FAZENDA O D Fl. 0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES„„.(..;,.... QUINTA CÂMARA Processo n°. :16327.000800100-70 • Acórdão n°. : 105-15.940 § 39- O pagamento referido neste artigo: 1- importa em confissão irretratável da dívida; II- constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil; III - poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendo-se a primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes; IV - relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderá ser efetuado em quota única, até o último dia útil do mês de julho de 1999. § 4Q As prestações do parcelamento referido no inciso III do parágrafo anterior serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 52 Na hipótese do inciso IV do § 3 Q, os juros a que se refere o parágrafo anterior serão calculados a partir do mês de fevereiro de 1999. § 6' O pagamento nas condições deste artigo poderá ser parcial, referente apenas a determinado objeto da ação judicial, quando esta envolver mais de um objeto. §r No caso de pagamento parcial, o disposto nos incisos I e II do § 3Q alcança exclusivamente os valores pagos. § 8Q Aplica-se o disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS." (NR) O artigo 17 da Lei n° 9.779, de 1999, por sua vez, estabeleceu, verbis: Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.je ellall" MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. -•• w,'•_::4.„11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :16327.000800/00-70 Acórdão n°. :105-15.940 O pedido se refere a débitos de CSLL, do período de 1994 a 1997. O indeferimento do pedido da recorrente por parte da Deinf/SP teve por base os seguintes argumentos: - que a contribuinte se enquadraria nas condições para concessão da anistia previstas no inciso III do parágrafo 1° do artigo 17 da Lei n° 9.779, de 1999, visto que tinha ação judicial impetrada antes de 31 de dezembro de 1998, porém, a ação judicial impetrada por ela contestava a Lei n° 7.689, de 1988, instituidora da CSLL, enquanto que os fatos geradores objeto de pagamento por parte dela estariam sob a égide das Emendas Constitucionais n°s 01, de 1994, 10, de 1996 e 17, de 1997. Assim, no entendimento da autoridade administrativa responsável pela apreciação inicial do pedido formulado pela recorrente, tratando-se de novo ordenamento jurídico, que teria provocado significativas mudanças na base de cálculo da contribuição, seria necessária uma outra ação judicial para questioná-lo. Concluiu a referida autoridade administrativa que a ação judicial referenciada pela requerente não afastaria a exigência dos créditos tributários em questão. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (1), fls. 226/227, através da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que as alegações constantes do despacho proferido pela Deinf/SP não poderiam prosperar, pois, diferentemente do alegado, as Emendas Constitucionais n°s 01/94 e 10/96 apenas teriam majorado a alíquota da CSLL para 30%, sem alterar a base de cálculo; - que, no que tange à Emenda Constitucional n° 17/97, também não haveria como se alegar alteração da base de cálculo da contribuição, uma vez que ela sequer teria tratado da CSLL; - ao final, ressalta que, ainda que por hipótese o seu pedido fosse indeferido, os valores decorrentes do desenquadramento da anistia não poderiam ser cobrados, uma . (.2 5 ,--1111400" MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,74t4> , QUINTA CÂMARA Processo n°. :16327.000800/00-70 Acórdão n°. : 105-15.940 vez que a exigibilidade do crédito estaria suspensa, nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional, em razão da ausência do levantamento dos depósitos judiciais realizados nos autos MC n° 89.0014978-4. A 8a Turma da DRJ em São Paulo (I) — São Paulo, analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, através do Acórdão n° 7.667, de 09 de agosto de 2005, indeferiu a solicitação, conforme ementa que ora transcrevemos. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997 LIQUIDAÇÃO DE DÉBITOS. BENEFÍCIO FISCAL. ANISTIA. LEI N° 9.779/99. Há de ser considerado irrepreensível o Despacho Decisório que indeferiu a anistia fiscal, nos termos das normas que regem o benefício pleiteado, quando os recolhimentos efetuados pelo contribuinte correspondem a CSLL não discutida nas ações judiciais intentadas pelo contribuinte. Solicitação Indeferida Ciente da Decisão de Primeira Instância em 20 de outubro de 2005, conforme aviso de recebimento de folha 264, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18 de novembro de 2005, conforme carimbo de recepção de folha 267, através do qual traz os seguintes argumentos: - que, posteriormente à apresentação da manifestação de inconformidade, mais precisamente em 22 de fevereiro de 2005, apresentou petição nos autos da MC n° 89.0014978-4, em que concordou com a conversão dos depósitos efetuados em renda da União; - que, em conformidade com planilha a qual anexa, houve conciliação entre os valores exigidos e os valores depositados judicialmente, devendo ser observado que os valores são suficientes para suspender a exigibilidade do crédito tributário; - que, relativamente ao ano de 1994, os depósitos foram feitos em sua integralidade, devendo-se ressaltar que houve compensação entre depósitos efetuados a 6 04/ 11 I PP • MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :16327.000800/00-70 Acórdão n°. :105-15.940 menor com valores depositados a mais no ano de 1991, remanescendo depósito em valor maior que o devido no montante de 19.766,70 UFIR, passível de compensação com depósito menor realizado em 1997; - que, em 1995, houve depósito de antecipações do montante de R$ 140.779,82, mas que, em razão da apuração na DIRPJ de ajuste no valor de R$ 121.335,82 a titulo de CSLL, remanesceu um depósito em valor maior que o devido no valor de R$ 19.444,00, do qual R$ 2.257,31 foi utilizado para compensar depósitos menores ocorridos em 1996; - que, para o ano de 1997, a CSLL devida a título de antecipação dos meses de fevereiro, julho e agosto, apurada no montante de R$ 45.064,56, foi totalmente compensada com os valores depositados em valor maior que o devido nos anos anteriores. Ao final, requer, com base nas razões apresentadas, o cancelamento da exigência. Recurso lido na integra em plenário. Como garantia arrolou bens. É o relatório. 04r10" 7 „?)4 MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . QUINTA CÂMARA Processo n°. :16327.000800/00-70 Acórdão n°. :105-15.940 VOTO Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, Relator O recurso é tempestivo, a empresa apresentou garantia através de arrolamento de bens, portanto conheço do apelo. Tratam os autos de pedido de baixa de débitos, amparado nas disposições do art. 10 da MP n° 1.858-6/99 (29 de junho de 1999), isto é, com isenção de multa e juros de mora, nos termos e condições preconizados pelo referido diploma legal. Tanto a autoridade administrativa que inicialmente apreciou pedido formulado pela empresa (Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo), como a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, indeferiram a solicitação formalizada com base no argumento de que o débito objeto do pedido de baixa não tinha relação com a ação judicial impetrada pela requerente. Observa-se, contudo, que em sede de recurso voluntário a empresa não renova as razões trazidas por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade, restringindo-se, tão-somente, a informar que concordou com a conversão dos depósitos judiciais em renda da União, e que os referidos valores seriam suficientes para extinguir o crédito tributário correspondente. Conclui-se, portanto, que não existe matéria a ser apreciada no âmbito deste colegiado administrativo, cabendo, tão-somente, à unidade administrativa responsável pelo controle do crédito tributário referenciado nos autos, promover as adequadas 1 verificações acerca da sua extinção. 2' MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA • Processo n°. :16327.000800/00-70 Acórdão n°. :105-15.940 Assim, por absoluta ausência de matéria controversa, deixo de tomar conhecimento do recurso voluntário interposto. Sala das Sessões - DF, em 17 de agosto de 2006. WILSO FER • kn 1 l'ARÃE tor 9 Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1
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Numero do processo: 35464.005009/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1994
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 40 do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-000.292
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Ana Maria Bandeira
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Processo n° 35464.005009/2006-38 Recurso n° 148.516 Voluntário Acórdão n° 2401-00.292 — 4a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2009 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CONSTRUÇÃO CIVIL Recorrente SYMRISE AROMAS E FRAGÂNCIAS LTDA Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1994 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 40 do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA , : membros da 4a Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por idade de votos, em declarar a decadência das contribuições 1apuradas. i ELIAS SAMPAIO REIRE - Presidente \)( 1 Processo n° 35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 648 PIAle&IA BA:19ND RA - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Rogério de Lellis Pinto, Cleusa Vieira de Souza, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 649 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, a da empresa e a destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O Relatório Fiscal (fls. 30/34) informa que constituem fatos geradores das contribuições incidentes sobre a mão de obra contida em notas fiscais de prestação de serviços de construção civil, lançadas por solidariedade e apuradas por aferição indireta, em razão da empresa não haver apresentados os documentos necessários à elisão de tal responsabilidade. A notificada apresentou impugnação (fls. 104/128) onde alega que teria se consumado a decadência quanto ao presente lançamento. Considera que não se caracteriza como responsável solidária no caso presente. Alega a ilegalidade do SAT, bem como a impossibilidade de aplicação da taxa de juros SELIC como juros moratórios. Os autos foram encaminhados em diligência onde foi constatada a necessidade de retificação do lançamento. Ciente do resultado da diligência, a notificada apresentou nova defesa, repetindo as mesmas alegações anteriores, porém, inovando na alegação de que a multa seria confiscatória. Pela Decisão-Notificação n° 21.404.4/0013/2005(fls. 285/308), o lançamento foi considerado procedente em parte para a retificação proposta pela auditoria fiscal. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 317/355) repetindo as alegações de defesa e inovando na alegação de que seria ilegal a cobrança de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a trabalhadores temporários e avulsos. A SRP apresentou contra-razões (fls. 410/424) manifestando-se pela manutenção da decisão recorrida. Os autos foram encaminhados à 2' Câmara de Julgamentos do CRPS — Conselho de Recursos da Previdência Social que pelo Acórdão n° 641/2006 (fls. 425/428) anulou a decisão de primeira instância para que fosse apurado o quantum debeatur junto ao prestador de serviços. A SRP apresentou pedido de revisão (fls. 429/433) que em virtude da transferência de competência para a apreciação do CRPS para o Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e deste para a Quarta Câmara da Segunda Seção do recém criado Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, foi a mim distribuído por 3 Processo n° 35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 650 meio do Despacho n° 2400-033/2009 (fls. 644/646), o qual contém o entendimento de que o acórdão deve ser revisto em razão da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal que considerou os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, inconstitucionais. É o relatório. 4 Processo n°35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 651 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Independente da análise das alegações apresentadas no pedido de revisão formulado, é necessário observar a questão da decadência à luz da Súmula Vinculante n° 8, do STF. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata da decadência das contribuições previdenciárias da seguinte forma: "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada." A constitucionalidade do dispositivo encimado sempre foi objeto de questionamento, seja no âmbito administrativo, como no caso em tela, seja no âmbito judicial. Em sede do contencioso administrativo fiscal, em obediência ao princípio da legalidade e, considerando que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 encontra-se vigente no ordenamento jurídico pátrio, as alegações a respeito da constitucionalidade do citado artigo não eram acolhidas. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Em decisão unânime, o entendimento dos ministros foi no sentido de que o artigo 146, III, `1D' da Constituição Federal, afirma que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Vale lembrar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, em caráter excepcional, autoriza s Processo n° 35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 652 no inciso I do § único, a não aplicação de dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, que é o caso. O dispositivo citado encontra-se transcrito abaixo: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g. n.)" Apenas o contido no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes já autorizaria, nos julgados ocorridos a partir das decisões da Egrégia Corte, declarar a extinção dos créditos, cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo de cinco anos previsto no art. 173 e incisos ou do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, conforme o caso, os quais passam a ser aplicados em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991. Não obstante, ainda é necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1 0 A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n)." 6 Processo n° 35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 653 Da leitura do dispositivo constitucional, pode-se concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. E mais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" Da análise do caso concreto, verifica-se que o lançamento em tela refere-se a período compreendido entre 07/1994 a 12/1994 e foi efetuado em 22/11/2004, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: "Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notcação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 40 o seguinte: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 40 - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto 7 Processo n° 35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 654 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 40 do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplica-se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4 0, DO CTN 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CT7V; segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CT1V, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 40 do art. 150 do CI7V. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CT7V. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 2I6.758/SP, I° Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 8 Processo n° 35464.005009/2006-38 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.292 Fl. 655 DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exaçães cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CIN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1" Seção, Re1 Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, trata-se do lançamento qualquer que seja a tese utilizada, verifica-se que operou-se a decadência da totalidade do lançamento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de ANULAR O ACÓRDÃO N° 641/2006, CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO em razão da decadência verificada. É como voto. Sala das Sessões, em 3 de junho de 2009 pA 'IA BANDE - Relatora 9 Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1
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