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Numero do processo: 13710.000259/2003-47
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1993
IRPF - VERBAS INDENIZATÓRIAS - PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA.
O marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.914
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionadas ao pleito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Numero do processo: 11030.000285/2005-61
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01.06.2000 a 30.09.200
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES ENCARGOS FINANCEIROS LÍQUIDOS.
Os encargos financeiros líquidos não compõem o custo agregado ao produto agropecuário e não podem ser excluídos da base de cálculo da COFINS.
PIS e COFINS. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. 9.718/98. Deve ser reconhecida e aplicada de oficio por qualquer autoridade administrativa a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3° da Lei n°9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-00.256
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir as receitas financeiras da base de cálculo do PIS.
Nome do relator: Alexandre Gomes
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Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01.06.2000 a 30.09.200 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES ENCARGOS FINANCEIROS LÍQUIDOS. Os encargos financeiros líquidos não compõem o custo agregado ao produto agropecuário e não podem ser excluídos da base de cálculo da COFINS. PIS e COFINS. ALARGAMENTO BASE DE CÁLCULO. 9.718/98. Deve ser reconhecida e aplicada de oficio por qualquer autoridade administrativa a declaração de inconstitucionalidade do § I' do artigo 3° da Lei n°9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, rplatados e discutidos os presentes autos. ACOI(DAM os • embros da 3 a Câmara 1 r Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULG4MENT e , por una Idade de votos, em dar provimento parcial ao I recurso para excluir as receitas, anceir. da base de cálculo do PIS. 1 ; • W L 0 111 111 IIi -.B ' DA SI A - Presidente"E K XANfL) ;GOME. --Relator itPa iciparam do presente julgamento, os Conselheiros José Antonio Francisco, Fabiola Úassiano Keramidas, Tânia Mara Paschoalin (Suplente) e Gileno Guijão Ban-eto. 1 Relatório Trata-se de Auto de Infração para a cobrança de valores não recolhidos da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Pasep em relação aos fatos geradores ocorridos entre 01/06/2000 e 31/03/2002 e por ter apresentado Declaração de Compensação considerada irregular por Despacho Decisório da DRF em Passo Fundo — RS. Em sua impugnação apresentou os seguintes argumentos, bem resumidos pelo acórdão sob análise: - O auto de infração é nulo, por ter a fiscalização feito constar no Termo de Verificação Fiscal que lhe deu origem, ao justificar a exclusão da base de cálculo dos encargos financeiros líquidos, a tipificação como sendo da Instrução Normativa SRF n° 247/2003, a qual constata-se ser do ano de 2002 e não constar o referido dispositivo legal citado, o que viola o amplo direito de defesa previsto no art. 5°, inciso LV da atual Constituição Federal (CF). - Outra causa de nulidade do auto de infração decorre de ter a fiscalização referido no Termo de Verificação Fiscal, na sua folha 4, que os valores informados pela contribuinte em suas DCTFs foram considerados e informados na apuração dos valores devidos e não recolhidos/declarados por seus valores originais. - Ocorre que a contribuinte, em virtude da edição das Leis n° 10.684 e n°10.676, ambas de 2003, as quais ampliaram o leque das exclusões previstas na Medida Provisória n° 1.858-10, de 26 de outubro de 1999 e reedições, pretendeu retificar suas DCTFs, o que não aceito pela Receita Federal, fazendo com que a cobrança, promovida pela Fazenda Nacional, em relação aos débitos originalmente declarados em DCTF fosse embargaria pela contribuinte, conforme processos judiciais que mencionou. - No mérito, mencionou a impugnante doutrina a respeito da tributação das atividades das Sociedades Cooperativas, no sentido de que somente as atividades com terceiros poderiam ser tributadas, não podendo ser tributado o ato cooperativo previsto no art. 79, da Lei n° 5.764, de 1971, assim como os negócios- meio, ou negócios externos, necessários ou imprescindíveis para a consecução dos negócios-fim (ato cooperativo), praticados com não associados. - Os índices de rateio das atividades com não associados apurados pela fiscalização, que foram utilizados para a determinação dos custos agregados a serem excluídos da base de cálculo, não podem ser aceitos, porque para o seu cálculo foram considerados como operações tributáveis as realizadas com terceiros que representam negócios-meio, necessárias ou imprescindíveis para a realização do ato cooperativo, com. a compra de carne mecanicamente separada e condimen utilizados como insumos para a elaboração de produtos • • unidade de frigorífico, assim como os insumos das demais , CS21 2 1, Processo n° 1030.000285/2005 .61 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.256 Fl. 429 unidades produtoras de ração, laticínios, moagem de trigo e de fabricação de doces e conservas. - Os encargos financeiros líquidos não podem ser excluídos dos custos agregados, porque representam operações-meio, para a consecução das atividades-fim da impugnante, que não podem estar sujeitas a tributação, visto que fazem parte dos custos agregados aos produtos dos associados, por força do contido nos artigos 80, c/c 3°, 4°, inciso VII e 7°, da Lei n° 5.764, de 1971, não podendo prevalecer sobre a lei os dispositivos de uma Instrução Normativa SRF, que não é lei. - Não pode ser aplicada a multa de oficio de 75%, porque a contribuinte declarou e recolheu regulamente os valores que entendeu devidos à Fazenda Nacional, não havendo qualquer deslealdade ou delito a ser punido com tal penalidade, devendo ser acatado o pagamento de eventual valor considerado ainda devido sem a imposição de multa, em virtude da aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). - Não concordou, também, com a aplicação da multa de oficio de 75% pela compensação considerada indevida, urna vez que ainda discute essa decisão administrativa. Requereu a impugnante que seja julgada procedente a impugnação e anulado ou tornado sem efeito o auto de infração, ou que seja desconsiderada a multa de 75% aplicada em relação ao período de janeiro de 1996 a maio de 2000. A Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS, após análise dos argumentos apresentados julgou parcialmente procedente o lançamento em decisão que assim ficou ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2000 a 30/09/2004 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A perfeita descrição dos fatos e a demonstração por parte do contribuinte de ter conhecimento da infração que lhe foi imputada, de forma a permitir sua ampla defesa, afasta a nulidade do lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE. VALORES CONFESSADOS EM DC7F É correta a utilização dos valores constantes da DCTF corno dedução dos valores apurados para fins de lançame Ito de oficio, em virtude de não terem sido aceitas as DCIF retificadoras. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. MATÉRIAS-PRI ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. V(- 3 As matérias-primas adquiridas de terceiros e utilizadas na industrialização dos produtos recebidos dos associados, que são comercializados, pode ser deduzida como custo agregado ao produto agropecuário. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ENCARGOS FINÁIVCEIROS LÍQUIDOS. Os encargos financeiros líquidos não podem ser deduzidos da base de cálculo. Intimado da decisão a Recorrente apresenta recurso onde em apertada síntese questiona apenas a exclusão dos encargos financeiros líquidos dos custos agregados dos produtos agropecuários, requerendo que estes possam ser deduzidos. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Convém destacar que da fiscalização que originou o presente auto de infração de PIS, foi também lavrado auto de infração de COFINS sob n° 11030.000284/2005-16 que foi recentemente julgado por esta Turma, tendo por Relator o conselheiro Walber José da Silva. A matéria tratada naquele processo é idêntica a aqui tratada e a Turma, naquela oportunidade, entendeu por bem julgar parcialmente procedente o recurso voluntário para tão somente, de oficio, afastar da base calculo da COFINS as receitas financeiras nos termos da declaração de inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n°9.718. Esta decisão ficou assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2000 a 31/05/2004 Ementa: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ENCARGOS FINANCEIROS LÍQUIDOS. Os encargos financeiros líquidos não compõem o custo agregado ao produto agropecuário e não podem ser excluídos da base 2i cálculo da Cotins. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO" STF. APLICAÇÃO. Éri 4 Processo n° 11030.000285/2005-61 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.256 Fl. 430 Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 12 do art. 32 da Lei n2 9.718/98, deve o GARE aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre receitas financeiras. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento ex-officio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes a época de constituição do respectivo crédito tributário. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Conforme destacado no relatório o Recurso Voluntário proposto insurge-se apenas contra a exclusão das parcelas relativas aos encargos financeiros dos custos agregados dos produtos agropecuários. Neste aspecto não merece prosperar o Recurso do Contribuinte. Com o advento da Lei 10.684/03 as sociedades cooperativas de produção agrícola puderam excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os custos agregados ao produto agropecuário de seus associados, tudo conforme disposto no art. 17 que transcrevemos: Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1° da Medida Provisória n` 101, de 30 de dezembro de 2002 as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único, O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n" 1.858-10, de 26 de outubro de 1999. A Instrução Normativa n° 247/02, com a redação dada pela Instrução Normativa 358/03 ao dispor sobre a contribuição para o PIS e a COFINS das empresas em geral assim dispôs: An. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração • base de cálculo das contribuições, podem excluir da recez í bnita o valor: (-) 5 7° As sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) 1 - de que tratam os incisos I a VI do caput; (Incluído pela IN SI?? 358, de 09/09/2003) II - dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando de sua comercialização. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 8' As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SI?? 358, de 09/09/2003) I - das sobras e dos fundos de que trata o inciso 97 do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) 11 - dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IiV SRF 358, de 09/09/2003) 9° Considera-se custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima mão-de- obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. (incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) sç 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN Si?? 358, de 09/09/2003) § 11. A exclusão permitida às demais sociedades cooperativas limita-se aos valores destinados a formação dos fundos previstos no inciso VI do capta'. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 12. O disposto nos àijss 7°, 8° e II aplica-se a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de novembro de 1999. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Conforme se verifica da leitura dos dispositivos legais acima transcritos poderão ser excluídos da base de cálculo os custos agregados aos produtos agropecuários, ai não incluídas as despesas financeiras uma vez que não se agregam ao produto e não estão relacionadas diretamente a produção dos mesmos. Estes custos, para poderem se excluídos, devem estar relacionados aos insumos utilizados na produção ou comercialização dos produtos de natureza agropecuária. Por outro lado, como bem observado pelo Relator no julgamento relativ : o Auto de Infração da COFINS, foram incluídas na base de cálculo do PIS as rec ita r\s financeiras, conforme facilmente se depreende das planilhas de fls. 221 a 242. . Assim, no período de vigência da Lei 9.718/98, o presente auto de infraç. e utilizou a base alargada para o cálculo das contribuições lançadas. eifl‘. 6 \ Processo n°11030.000285/2005-61 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.256 Fl. 431 Em relação à questão do alargamento da base de calculo a questão encontra- 1 se pacificada no E. STF, que decidiu no seguinte sentido: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIE1VTE - ARTIGO 3°, ás' 1°, DA LEI N° 9.718; DE 17 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1'3 do artigo 3° da Lei n°9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346.084/PR. Relator(a): Mia ILMAR GALVÁ0. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno) Do voto do Relator do Acórdão Ministro Marco Aurélio, destaca-se: "Vale dizer que se está diante de diploma normativo cujo § I do art. 3 veio à luz sob o signo da inconstitucionalidade parcial, ao fazer compreender no conceito de receita bruta do contribuintes entradas outras diversas do produto da venda de mercadorias e serviços, instituindo, por conseqüência, nova fonte destinada a garantir a manutenção da seguridade social, o que somente por lei complementar poderia se feito validamente, como previsto no § 4 do referido art. 195 da Carta". Importante ressaltar que, embora o julgador administrativo faleça de competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, o Regimento Interno deste Conselho, em seu art. 62, parágrafo único, inciso 1, assim prescreve: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, so fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 0,71. 7 I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Neste sentido o antigo Conselho de Contribuintes já vinha afastando a incidência das contribuições sobre as receitas que não sejam decorrentes do faturamento da empresa, senão vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COF1NS Período de apuração: 31/08/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS. É preciso que o contribuinte comprove os fatos alegados, ou ao menos traga aos autos provas circunstanciais ou indícios suficientes para que se requisite a perícia contábiL A não apresentação de documentos suficientes ou fatos objetivos neste sentido tornam verdadeiras as alegações da Fiscalização. COF1NS. LEI At` 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DA SELIC O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorada pelo tribunal administrativo devendo, inclusive, ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Acertada a aplicação da taxa Selic. Recurso provido em parte (Acórdão . 201-81.031. Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINAIVCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Data do fato gerador.- 31/08/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICA ÇÃO.Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § I° do art. 3° da Lei n" 9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS e da COF1NS sobre receita de deságio. Recurso provido (Acórdão. 201-80.899. Relator ifalber José da Silva) Assim, a receitas estranhas ao faturamento, assim considerado a receita de venda, de prestação de serviços de vendas c prestação de serviços, da Recorrente devem ser excluídas do presente Içõçame o. Per Ldo o ex losto, veto o sentido de dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntária t7 ome t- para e chi as receitas financeiras da Bsc de calculo do PIS, mantidos no mais o. çame lis efetu. o,. ^-) • N 14 RE GOM S CS4 8
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Numero do processo: 16327.003849/2002-62
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002
RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL POR CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DAS PROVAS. AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE.
Os requisitos de admissibilidade do então recurso especial privativo da Fazenda Nacional, por contrariedade à lei ou à evidência das provas, tinha por requisitos necessários além da tempestividade, a demonstração de que a decisão recorrida seria contrária à lei ou a provas dos autos, e que o escore da votação, no tocante à matéria recorrida, fosse não unânime. Comprovado que na matéria objeto do recurso, a decisão vergastada foi tomada por unanimidade de votos, não se pode conhecer do recurso especial fazendário.
Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, não conhecer do recurso ofertado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para redigir o acórdão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, , Júlio César Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
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MULTA POR NÃO ENTREGA DE DECLARAÇÕES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANKBOSTON BANCO MÚLTIPLO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL POR CONTRARIEDADE À LEI OU À EVIDÊNCIA DAS PROVAS. AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. Os requisitos de admissibilidade do então recurso especial privativo da Fazenda Nacional, por contrariedade à lei ou à evidência das provas, tinha por requisitos necessários além da tempestividade, a demonstração de que a decisão recorrida seria contrária à lei ou a provas dos autos, e que o escore da votação, no tocante à matéria recorrida, fosse não unânime. Comprovado que na matéria objeto do recurso, a decisão vergastada foi tomada por unanimidade de votos, não se pode conhecer do recurso especial fazendário. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, não conhecer do recurso ofertado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres para redigir o acórdão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, , Júlio César AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 38 49 /2 00 2- 62 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Alves Ramos, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional visando à reforma da decisão estampada no acórdão nº 20217.588 proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em sessão de julgamento realizada em 06 de dezembro de 2006. Naquele julgamento deuse parcial provimento a recurso voluntário da instituição financeira acima identificada que havia sido autuada para exigência da CPMF não recolhida e da multa sobre as declarações trimestrais de informações instituída pelo art. 11 da Lei 9.311/96. Entendera a fiscalização (Termo de Verificação fiscal nº 02, fls. 237 e ss.) que a instituição entregara em atraso as declarações relativas aos fatos geradores ocorridos no ano de 1998, e que isso a sujeitava à penalidade prevista no decretolei nº 1.968/82 com a redação que lhe deu o decretolei 2.065/83, por força do que dispõe o art. 5º do decretolei nº 2.124/85. Além da multa pelo simples atraso na prestação das informações, que foi mantida pela decisão de que recorre a Fazenda, exigiu o auto também multa pelos erros cometidos nas declarações retificadoras cuja entrega a empresa, espontaneamente, providenciou. Essa multa é que foi afastada pela decisão recorrida e é o objeto do recurso fazendário, conforme se infere do seguinte item do voto vencedor, da lavra do e. ex conselheiro Antonio Zomer: 3 — Da forma de apuração da multa por inexatidões existentes nas declarações trimestrais Esta infração referese às declarações trimestrais referentes aos quatro trimestres de 1998, em relação aos quais o Banco entregou as declarações originais e urna retificadora espontaneamente e mais duas retificadoras mediante intimação. A Fiscalização denominou a declaração original de Or1 e a primeira retificação de R2 e as demais de R3 e R4, para consignar que eram a 2ª, 3ª e 4ª declarações para os mesmos períodos. A partir destas denominações, comparou as declarações da seguinte forma: R2 x Or1; R3 x R2 e R4 x R3. Em cada comparação contou os campos com informações diferentes e somou tudo ao final. 0 resumo de cada comparação, inclusive com os erros discriminados por campo comparado, encontrase a fl. 242v. Da 1ª retificadora — R2 (espontânea) para a original foram apontados 50.173 incorreções; da 2ª retificadora — R3 para a 1ª , 724.358 incorreções; e da 3ª retificadora — R4 para a 2ª, 69 erros. Examinando a forma de apuração desta multa, principalmente o demonstrativo de fl. 242v, constatase que a apuração dos erros não foi cumulativa corno alega a defesa. A forma de apuração utilizada pela fiscalização impede que erros já contabilizados Fl. 552DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.003849/200262 Acórdão n.º 9303002.093 CSRFT3 Fl. 529 3 sejam contados na comparação seguinte. Assim, não há reparos a fazer quanto a esta parte. As informações inexatas totalizaram 774.602, correspondendo a 154.916 grupos de 5 erros. A Fiscalização determinou o valor da multa multiplicando a quantidade de grupos assim determinado pelo valor de R$ 5,00, previsto na MP nº 2.15835/2001, pela aplicação, no caso, da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN. Entretanto, embora a penalidade por atraso na entrega da declaração deve ser aplicada em qualquer caso, entendo que a multa devida por inexatidões existentes na declaração só é cabível quando a retificação for efetuada após o inicio do procedimento fiscal. Esta é, sem dúvida, a exegese a ser dada ao § 4° do art. 11 do DL n2 1.968/82 e ao inciso II do art. 46 da MP n2 2.158 35/2001, pois é a que melhor se coaduna com o procedimento espontâneo de retificação da declaração, conforme dispõe o art. 21 do Decreto.Lei n2 1.967/82, ao referirse à declaração de rendimentos da pessoa jurídica, e o art. 6° do DecretoLei n2 1.968/82, ao tratar da declaração do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, verbis: "Art 21. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento ex officio. " "Art. 6º A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos da pessoa física, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento ex officio." Devese excluir, portanto, do cálculo da multa, os erros decorrentes da comparação da 1ª retificadora (R2) para a declaração original (Or1 ), no total de 50.173. Desta forma, a infração fica reduzida para 724.427, que corresponde a 144.885 grupos de 5 erros. Multiplicandose por R$ 5,00, a multa integral seria de R$ 724.425,00. Entretanto, como as retificadoras foram apresentadas no prazo dado (ou prorrogado) pela Fiscalização, deve ser aplicado ao caso o disposto no § 42 do art. 11 do DL nº 1.968/82, que determina a redução da multa em 50%. Conclusão Ante todo o exposto, voto pela manutenção da multa pela falta de entrega das declarações mensais, da forma de apuração da multa pela falta ou atraso na entrega das declarações mensais e Fl. 553DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 trimestrais e pela redução da multa decorrente de inexatidões existentes nas declarações trimestrais do ano de 1998 em 50%. Quanto ao ponto, o decisum restou assim ementado: INEXATIDÃO OU FALTA DE INFORMAÇÃO. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. FORMA DE APURAÇÃO DA MULTA. Excluemse do cálculo os erros constantes da declaração retificadora apresentada antes do inicio do procedimento fiscal, apurandose a multa com base na somatória das inexatidões cometidas nas retificações apresentadas mediante intimação." O recurso especial se insurge exatamente contra essa parte do voto vencedor, que segundo ele “merece reforma por conferir interpretação analógica aos artigos citados, em afronta ao principio da legalidade”. Tendo sido manejado por contrariedade à lei, aponta a representação fazendária como contrariados os mesmos atos legais embasadores da decisão, quais sejam os decretosleis nºs 1.967, 1.968, 2.065 e 2.124 e fundamenta sua insurgência: (...) Nessa vertente, o Voto Vencedor justifica que o teor do art. 21 do DecretoLei n° 1.967/82 e o art. 60 do DecretoLei n° 1.968/82, ambos com a mesma redação, permitem excluir do cálculo da multa os erros decorrentes da comparação da 1ª retificadora para declaração original, pois é a melhor interpretação que se coaduna com o procedimento espontâneo de retificação da declaração. Os referidos diplomas legais afirmam que "A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, quando comprovado erro nela contido,desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento ex officio." Conforme o dispositivo transcrito destaca, somente a autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração. Tratase, portanto, de ato discricionário da autoridade administrativa que permite à pessoa jurídica retificar sua declaração antes de iniciado o processo de lançamento ex officio. Os atos administrativos discricionários de autorização não se presumem. Devem ser expressos. Não consta dos autos nenhum documento comprovando volição da autoridade administrativa no sentido de autorizar a prática do ato em questão, logo não há de se cogitar interpretação lato sensu a fim de dar ao contribuinte um direito que nem a lei nem a autoridade competente lhe deram. Além disso, o § 3° do art. 11 do DecretoLei n° 1.968/88 fala sobre formulário padronizado apresentado após o período determinado, nada informando se antes ou após o inicio do procedimento legal. Eis sua redação: "Se o formulário padronizado (§ 1°) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN (R$ Fl. 554DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.003849/200262 Acórdão n.º 9303002.093 CSRFT3 Fl. 530 5 57,34), ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior". Dessa forma, a Administração não poder atuar contra a lei ou além da lei, somente pode agir segundo a lei (a atividade administrativa não pode ser contra legem nem praeter legem, mas apenas secundum legem). Os atos eventualmente praticados em desobediência a tais parâmetros são atos inválidos e podem ter sua invalidade decretada pela própria Administração que o haja editado ou pelo Poder Judiciário. (Alexandrino, Marcelo/Paulo, Vicente. Direito Administrativo. 1i ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2006. p. 119) . É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi apresentado tendo por base o permissivo regimental que falava em “contrariedade à lei ou à evidência da prova” e, embora não seja deixado claro por que teriam os próprios dispositivos legais que embasaram a decisão sido por ela contrariados, sua expressa menção basta ao conhecimento do recurso na esteira da consolidada jurisprudência desta casa. Com essas considerações, conheço do recurso apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo, mas com o devido respeito ao nobre relator que votou pelo conhecimento do apelo fazendário, não atende a um dos requisitos de admissibilidade, como demonstrarseá linhas abaixo. Os requisitos de admissibilidade do então recurso especial privativo da Fazenda Nacional, por contrariedade à lei ou às provas dos autos, tinha por requisitos necessários além da tempestividade, a demonstração de que a decisão recorrida seria contrária à lei ou a provas dos autos, e que o escore da votação, no tocante à matéria recorrida, não fosse unânime. Justamente, nesse ponto, é que o apelo fazendário não preenche as condições para sua admissibilidade, haja vista que, na matéria objeto do recurso, a decisão vergastada foi tomada por unanimidade de votos. A divergência de entendimento deuse apenas em relação à Fl. 555DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 parte do lançamento que foi mantida, o que, por óbvio, não foi objeto do recurso especial manejado pela Fazenda Nacional. Para que não paire qualquer dúvida, transcrevese excerto da decisão recorrida. ACORDAM os Membros da 3ª TURMA do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos: a) para cancelar a multa devida pela entrega de arquivos digitais com incorreções (Lei nº 8.218, art. 12, II); b) para aplicar a redução da multa prevista no parágrafo único do art. 47 da MP nº 2.037 21/2000 às declarações entregues, mediante intimação durante o procedimento fiscal, redução que também alcança as multas aplicadas, com base em erros nas declarações trimestrais; e c) negar provimento quanto à taxa Selic; II) pelo voto de qualidade: a) em negar provimento quanto à multa devida pela falta de entrega das declarações mensais e quanto à forma de cálculo da multa por atraso ou falta de entrega das declarações; e b) em dar provimento parcial para excluir do cálculo da multa o número de erros em relação à apresentação da primeira declaração retificadora, que foi apresentada espontaneamente pela contribuinte. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Gustavo Kelly Alencar, Simone Dias Musa (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que deram provimento total quanto a esta parte. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. Esteve presente ao julgamento o Dr. Ricardo Krakoviak, OABSP nº 138.192, advogado do recorrente. Destaque não constante do original. De fato, ao examinarmos o item II, alínea “b” transcrita acima, vêse que a decisão foi tomada por unanimidade de votos na parte que exonerou a multa em comento, posto que os conselheiros vencidos davam provimento total para excluir a multa, enquanto que a maioria (voto de qualidade) foi para manter a exação parcialmente. Assim, dúvida não há que só houve divergência de entendimento, no tocante à manutenção da penalidade, na parcela exonerada, que é objeto do recurso especial em análise, houve consenso do Colegiado. Tal fato, a unanimidade de votos, constitui óbice instransponível para o conhecimento do recurso fazendário fundado em suposta contrariedade à lei ou à prova dos autos. Com essas considerações, voto por não se conhecer do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres – Redator Designado Fl. 556DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11020.003424/2005-27
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001
Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) EXTEMPORÂNEO. NECESSIDADE DE INÍCIO DE PROVA MATERIAL QUE COMPROVE A EXISTÊNCIA DA ÁREA NÃO EXPLORADA E CONTEMPORÂNEA AO EXERCÍCIO FISCALIZADO
Não se pode deferir a isenção do ITR sobre a área de preservação permanente a partir de ADA protocolizado diversos anos após o fato gerador do imposto lançado, quando não há nos autos qualquer início de prova material que demonstre a existência da área de interesse ambiental preservada e não explorada no exercício fiscalizado, sob pena de haver uma completa dissociação entre os requisitos formais e substanciais para fruição da isenção legal. O contribuinte somente faz jus à isenção sobre a área de preservação permanente se houver prova da existência de tais áreas no exercício fiscalizado, tudo secundado por ADA, que, neste caso, pode até ser extemporâneo.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL E SERVIDÃO FLORESTAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DESSAS ÁREAS À MARGEM DA MATRÍCULA DA PROPRIEDADE NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS E DE APRESENTAÇÃO DO ADA. REQUISITOS FORMAIS (ADA E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA) EXTEMPORÂNEOS CUMPRIDOS DIVERSOS ANOS APÓS O FATO GERADOR DO IMPOSTO LANÇADO. NECESSIDADE DA JUNTADA DE INÍCIO DE PROVA MATERIAL QUE DEMONSTRE A EXISTÊNCIA DESSAS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL NO EXERCÍCIO FISCALIZADO PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO LEGAL.
Para fruição da isenção sobre as áreas de utilização limitada, são necessárias a averbação cartorária dessas áreas e a apresentação do ADA, requisitos que podem ser cumpridos até extemporaneamente, desde que haja nos autos
início de prova material que comprove a existência da área de utilização limitada no exercício fiscalizado. Não havendo qualquer início de prova material da existência das áreas de utilização limitada no exercício autuado, deve-se indeferir a benesse legal.
Numero da decisão: 2102-000.529
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) EXTEMPORÂNEO. NECESSIDADE DE INÍCIO DE PROVA MATERIAL QUE COMPROVE A EXISTÊNCIA DA ÁREA NÃO EXPLORADA E CONTEMPORÂNEA AO EXERCÍCIO FISCALIZADO Não se pode deferir a isenção do ITR sobre a área de preservação permanente a partir de ADA protocolizado diversos anos após o fato gerador do imposto lançado, quando não há nos autos qualquer início de prova material que demonstre a existência da área de interesse ambiental preservada e não explorada no exercício fiscalizado, sob pena de haver uma completa dissociação entre os requisitos formais e substanciais para fruição da isenção legal. O contribuinte somente faz jus à isenção sobre a área de preservação permanente se houver prova da existência de tais áreas no exercício fiscalizado, tudo secundado por ADA, que, neste caso, pode até ser extemporâneo. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL E SERVIDÃO FLORESTAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DESSAS ÁREAS À MARGEM DA MATRÍCULA DA PROPRIEDADE NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS E DE APRESENTAÇÃO DO ADA. REQUISITOS FORMAIS (ADA E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA) EXTEMPORÂNEOS CUMPRIDOS DIVERSOS ANOS APÓS O FATO GERADOR DO IMPOSTO LANÇADO. NECESSIDADE DA JUNTADA DE INÍCIO DE PROVA MATERIAL QUE DEMONSTRE A EXISTÊNCIA DESSAS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL NO EXERCÍCIO FISCALIZADO PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO LEGAL. Para fruição da isenção sobre as áreas de utilização limitada, são necessárias a averbação cartorária dessas áreas e a apresentação do ADA, requisitos que podem ser cumpridos até extemporaneamente, desde que haja nos autos início de prova material que comprove a existência da área de utilização limitada no exercício fiscalizado. Não havendo qualquer início de prova material da existência das áreas de utilização limitada no exercício autuado, deve-se indeferir a benesse legal.
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Numero do processo: 10120.001318/2006-07
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre A Propriedade Territorial Rural-ITR
Exercício: 2002
ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
A regra expressa no artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico.
Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso, o contribuinte apresentou laudo e a materialidade da área sequer foi questionada pela recorrente.
Ainda de acordo com tal orientação, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal e a própria averbação são formas de comprovação da existência desta área, sendo que, no caso em apreço, ambos os documentos são incontroversos. A verdade formal não pode se sobrepor à verdade material.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto Sobre A Propriedade Territorial RuralITR Exercício: 2002 ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A regra expressa no artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. Extraise do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso, o contribuinte apresentou laudo e a materialidade da área sequer foi questionada pela recorrente. Ainda de acordo com tal orientação, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal e a própria averbação são formas de comprovação da existência desta área, sendo que, no caso em apreço, ambos os documentos são incontroversos. A verdade formal não pode se sobrepor à verdade material. Recurso especial provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 10.12.2008, a então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 30240.049 [fls.155/168] que, por voto de qualidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário: ÁREA DE RESERVA LEGAL.ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a utilização do Ato Declaratório Ambiental — ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial' Rural, pelo reconhecimento da isenção tributária prevista para as áreas de reserva legal declaradas pelo contribuinte. Recurso voluntário negado. Intimada do acórdão em 19/05/2009 (fls. 172), a Contribuinte interpôs recurso especial às fls. 173/185, tendo apresentado os seguintes paradigmas para fundamentar a divergência suscitada: 30335546 ITR EXERCÍCIO: 2002 ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL / APRESENTAÇÃO OBRIGATÓRIA DO ADA. A comprovação da existência de área de preservação permanente e reserva legal, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende do seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA. Recurso voluntário provido. 30334621 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.001318/200607 Acórdão n.º 920202.015 CSRFT2 Fl. 2 3 NÃOINCIDÊNCIA. RESERVA LEGAL. Carece de fundamento legal a glosa da área de reserva legal declarada, motivada na mera ausência de averbação tempestiva junto à matrícula do imóvel e de requerimento tempestivo de ADA. A existência dessa área isenta por força de lei não foi contestada. Recurso voluntário provido em parte. Da análise dos paradigmas apresentados verificase que a divergência apontada reside na obrigatoriedade de apresentação de ADA para exclusão de área de reserva legal da tributação do ITR. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 22010096/2009 (fls. 193/195), a PFN foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 196/204, tendo pugnado pelo não provimento do recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O Recurso Especial da Contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Segundo consta dos autos do processo, no procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, glosando integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, com 181,5 ha e 678,6 ha, com conseqüentes aumentos das áreas tributável e aproveitável do imóvel, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, apurando imposto suplementar de R$ 45.181,68, conforme demonstrativo de fls. 34. A recorrente insurgiuse contra a obrigatoriedade de apresentação de ADA para exclusão de área de reserva legal da tributação do ITR, tendo invocado como paradigmas os acórdãos nos 30335546 e 30334621. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.001318/200607 Acórdão n.º 920202.015 CSRFT2 Fl. 3 5 f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.001318/200607 Acórdão n.º 920202.015 CSRFT2 Fl. 4 7 I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Inicio a análise do recurso pela área de preservação permanente, cuja glosa decorre da falta de apresentação tempestiva do ADA. Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2001. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolotempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.001318/200607 Acórdão n.º 920202.015 CSRFT2 Fl. 5 9 Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. Com o objetivo de comprovar a existência da área de preservação permanente, a Contribuinte afirmou deste a impugnação que: a existência da área de preservação permanente e de reserva legal pode ser observada no Laudo Técnico, em anexo, e que essa última área, encontrase averbada em Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 cartório desde 4.1.1993, conforme cópia anexa da Certidão de Matrícula, e destaca que apresentou, em 24.3.2005, o ADA, cumprindo com sua obrigação fiscal. A tese defendida pela acórdão recorrido não pode prosperar. A posição defendida por este julgador está se consolidando no âmbito da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustra a ementa do seguinte julgado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudos Periciais e Averbações à margem da matrícula do imóvel, formalizadas antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial provido. (CSRF, 2ª Turma, Processo n° 10384.001360/200538, Acórdão n° 920201.511, Relator Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, julgado em 13/04/2011) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo Contribuinte. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 10DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10120.001318/200607 Acórdão n.º 920202.015 CSRFT2 Fl. 6 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720137/2007-04
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001.
REGULARIDADE.
É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar tf 105 e Decreto n°3.724, ambos de 2001.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia.
APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. PRAZO. CONDIÇÕES.
A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação. Precluso o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções previstas na lei.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de
transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997,o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
MULTA QUALIFICADA.
Para a qualificação da multa de oficio deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei.
JUROS MORATÓRIOS - SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26,27 e 28/06/2006).
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-000.128
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR provimento PARCIAL para afastar a qualificação da multa, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar tf 105 e Decreto n°3.724, ambos de 2001. PEDIDO DE PERÍCIA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. PRAZO. CONDIÇÕES. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação. Precluso o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções previstas na lei. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997,o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA. Para a qualificação da multa de oficio deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. JUROS MORATÓRIOS - SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26,27 e 28/06/2006). Recurso parcialmente provido.
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LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar tf 105 e Decreto n°3.724, ambos de 2001. PEDIDO DE PERÍCIA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. PRAZO. CONDIÇÕES. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação. Precluso o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, salvo se comprovadas as exceções previstas na lei. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa tisica é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997,o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. 10P i Processo n° 10630.720137/2007-04 S3-C3TI Acórdão n.°3301-00-128 Fl. 387 ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA. Para a qualificação da multa de oficio deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. JUROS MORATÓRIOS - SELIC. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n" 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26,27 e 28/06/2006). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR provimento PARCIAL para afastar a qualificação da multa, nos termos do voto da relatora. a MOISES •1 ELLI A SILVA. Presidente em exercício. liaatift NUBIA MATOS MOURA Relatora 30 JUL 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam e Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Rubens Mauricio Carvalho (Suplente convocado). Relatório MARIA CRISTINA NUNES MAFRA, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da l a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, mediante Acórdão 4p 2 Processo n0 10630.720137/2007-04 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-0O-128 Fl. 388 DRJ/JFA n° 09-17.246, de 20/07/2007, fls. 294/313, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 319/379. Mediante ,Auto de Infração, fls. 04/10, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor total de R$ 474.729,01, incluindo multa de oficio qualificada e juros de mora, estes últimos calculados até 31/05/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 11/17, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Do Termo de Verificação Fiscal infere-se que a autoridade fiscal qualificou a multa de oficio em razão de a contribuinte ter omitido, em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA), deliberada e reiteradamente, por meses e anos consecutivos, os rendimentos creditados em suas contas bancárias, como também a própria conta bancária no Banco Mercantil do Brasil S/A. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, tls. 178/245, devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 05/10/2007, Aviso de Recebimento — AR, fls. 316, a contribuinte apresentou, em 06/11/2007, Recurso Voluntário, fls. 319/379, trazendo as seguintes alegações: Decadência — Os créditos referentes aos meses de janeiro a maio do ano- calendário de 2002 se encontravam alcançados pela decadência na data do lançamento, dado que o IRPF é tributo sujeito ao regime denominado por homologação, cujo prazo decadencial é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Sigilo Bancário — A quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da autoridade administrativa não encontra respaldo na Constituição Federal. Presunção — Lançamento com base em extratos bancários — Não restou demonstrado nos autos qualquer vestígio ou suposição de sinais exteriores de riqueza da recorrente. Não ocorreu nenhum fato gerador de Imposto de Renda, pois depósitos por si só, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O Auto de Infração fere a legislação e a Constituição Federal, pois desconsidera os princípios da capacidade contributiva e da proibição de confisco e da obrigação tributária/fato gerador. Multa aplicada de 150% - A multa qualificada não pode prosperar por absoluta ausência de omissão de rendimentos e por inexistir as situações descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 20 de novembro de 1964. Fraude não se presume, deve ser provada por aquele que alega através de meios legais e materiais. fOlg 3 Processo n° 10630.720137/2007-04 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00-128 Fl. 389 • Juros de mora — Taxa Selic — É incontestável o direito da recorrente à utilização de juros de mora de 1% ao mês para atualização de deus débitos, pois a taxa Selic possui natureza remuneratória e a sua utilização desobedece a regra contida nos arts. 161, § 1° do CTN e 192, § 3° da Constituição Federal. Pedido de perícia e apresentação de documentos — O pedido de perícia formulado na impugnação visa demonstrar a ilegalidade do lançamento, sendo de fundamental importância, a fim de promover o esclarecimento dos fatos. O indeferimento do pedido de juntada de outros documentos e a produção de novas provas fere o principio da ampla defesa e do contraditório. É o Relatório. Voto Conselheira NUBIA MATOS MOURA, Relatora Das preliminares Da tempestividade O recurso é tempestiv,p e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do sigilo bancário Em seu recurso a recorrente alega que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da autoridade administrativa não encontra respaldo na Constituição Federal. Contudo, impõe-se registrar que a utilização dos dados da Contribuição Provisória da Movimentação Financeira (CPMF), bem como a requisição e utilização de seus extratos bancários, obtidos junto às instituições financeiras, nas quais a contribuinte possuía movimentação financeira, nos exercícios sob fiscalização, se fez com supedâneo no § 3° do art. 11 da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996, alterado pela Lei n° 10.174, de 9 de janeiro de 2001 e no art. 6' da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, da mesma data. Não se vislumbra, portanto, qualquer irregularidade no ato administrativo adotado, mas em um procedimento legal que objetivou viabilizar o ato fiscalizatório, estando devidamente amparado pela legislação em vigor. Por outro lado, importa dizer que não há previsão expressa na Constituição Federal quanto ao sigilo bancário, advindo tal tese da interpretação doutrinária e jurisprudencial dada à matéria. Uma vez existente o comando expresso, em lei ordinária e complementar, autorizando o exame de informações bancárias, deve ser acatado e utilizado pelo Fisco, pois não cabe aos agentes públicos, questionarem a constitucionalidade da ei 4 Processo n° 10630.720137/2007-04 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00-128 Fl. 390 vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Nesse sentido, traz-se, por oportuno, Súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuinte: Súmula .1"CC n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Nessa conformidade, afasta-se a preliminar que quebra ilegal de sigilo bancário suscitada pela defesa. Do pedido de perícia e apresentação de documentos A autoridade julgadora de primeira instância em sua decisão negou o pedido de perícia formulado pela defesa em sua impugnação, assim como se pronunciou contrária à apresentação de novos documentos a posteriori. Tal decisão foi combatida pela recorrente, sob o argumento de preterição de seu direito de defesa. Da decisão recorrida, verifica-se que o pedido de perícia foi negado por entender a autoridade julgadora que nos autos se encontravam presentes todos os elementos necessários para o julgamento da lide. Já no que tange à apresentação de provas argumentou-se que a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que somente se admite a apresentação de provas a posteriori no caso de restar comprovado nos autos a ocorrência de uma das hipóteses previstas no § 4' do art. 16 do Decreto n°70.235, de 06 de março de 19721. De pronto, vale destacar que a infração imputada à contribuinte no Auto de Infração foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, fundamentada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos. Ou seja, autoriza-se o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. ' Art. 16. (...) § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(Acrescido pelo art. 67 da Le . n.° 9.532/1997) 5 Processo n° 10630.72013712007-04 S3-C3TI Acórdão n.° 3301-00-128 Fl. 391 Nessa conformidade, há de se concluir que cabia à contribuinte juntar aos autos a prova da origem dos recursos depositados em sua conta-corrente, sendo dispiciendo a realização da perícia formulada na impugnação. Do mesmo modo, a apresentação dos documentos comprobatórios da origem dos recursos depositados na conta-corrente de titularidade da contribuinte deveria ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo se comprovadas as hipóteses previstas no § 40 do art. 16 do Decreto n°70.235, de 1972, o que não é o caso. Nestes termos, há de se concluir que a decisão recorrida não merece reparos, no que diz respeito aos pedidos de perícia e de apresentação de provas a posteriori. Da Multa qualificada e da decadência O crédito tributário exigido no Auto de Infração refere-se aos fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2002 e 2003 e em sua defesa a recorrente traz a preliminar de decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos de janeiro a maio de 2002, sob o argumento de que o lançamento do 1RPF é mensal. Ocorre que o crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos no período em que a contribuinte questiona a decadência foi exigido com multa de oficio qualificada, cuja aplicação também é contestada pela defesa. Assim, considerando que a manutenção ou não da multa qualificada interfere na contagem do prazo decadencial, analisar- se-a, de pronto, as razões aduzidas pela defesa no que diz respeito à qualificação da multa de oficio para, em seguida, se verificar a aplicação do instituto da decadência relativamente aos créditos tributários correspondentes aos fatos geradores ocorridos de janeiro a maio de 2002. Quanto à qualificação da multa a recorrente afirma que não houve omissão de rendimentos, tampouco as situações descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 20 de novembro de 1964. Para a análise da questão, transcreve-se a seguir os dispositivos legais que tratam da matéria, na forma como se encontram atualmente redigidos: Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata: (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) § 1 2 O percentual de multa de que trata o inciso 1 do capta deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n2 4.50Z de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) (.) 6 Processo n° 10630.720137/2007-04 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00-128 Fl, 392 Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 11— das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Como se vê, para a aplicação da multa qualificada, exige-se que reste provada presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de fonna a demonstrar que este quis os resultados elencados nos arts. 71, 72 e 73 ou mesmo que assumiu o risco de produzi-los. Para a aplicação da multa de oficio qualificada exige-se que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Portanto, a qualificação da multa de oficio é inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. No presente caso, a autoridade fiscal utilizou de presunção legal na autuação para concluir pela omissão de rendimentos. Ora, a presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pela presença de dolo, fraude ou simulação, a que se reporta o art. 44 da Lei n°9.430, de 1996. E mais, a simples omissão da existência da conta-corrente em questão na DAA também não é fato suficiente para a qualificação da multa de oficio. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho de Contribuintes, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio: Súmula 1°CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Nestes termos, o percentual da multa de oficio exigido na autuação c! e ser reduzido para 75%. 7 Processo n° 10630.720137/2007-04 83-C3T1 Acórdão n.° 3301-00-128 Fl. 393 No que se refere à decadência, oportuno que se observe o Parecer PGFN/CAT/n° 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional — PGFN, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal — STF da Súmula Vinculante n° 8. O Parecer acima referido versa sobre a decadência e a prescrição das contribuições previdenciárias, contudo, suas conclusões, que se encontram a seguir transcritas, importam para o exame que se pretende: 49. Lembrando que nem toda a Lei ll° 6.830, de 22 de setembro de 1980, cuida somente de créditos tributários, e que, portanto, para efeitos daquela norma deve-se atentar à especificidade dos créditos, as observações aqui elencadas promovem síntese pontual, da forma que segue: a) A Súmula Vinculante n" 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar - - efetivamente - - o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de oficio, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplica-se o prazo decadencial dos arts. 150, § 4°, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, conta-se da constituição definitiva do crédito tributário; ' d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e)para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4' do art. 150 do CTN; j) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve- se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; g) Para fins de cômputo do prazo de prescrição, nas declarações entregues antes do vencimento do prazo para pagamento deve-se contar o prazo prescricional justamente a partir do dia seguinte ao dia do vencimento da obrigação; quando a entrega se faz após o vencimento do prazo para pagamento , o prazo 4, 8 Processo n° 10630.720137/2007-04 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00-128 Fl. 394 prescricional é contado a partir do dia seguinte ao da entrega da declaração; h) A súmula em apreço, em principio, qualificada interpretação literal: todo o art. 45 da Lei n°8.212, de 1991, estaria alcançado pela inconstitucionalidade. Porém, por tratar-se de matéria do mais amplo alcance público, o intérprete deve buscar resposta conciliatória, que não menoscabe expectativas de alcance de beneficios; principalmente, e do ponto de vista mais analítico, deve-se observar que há excertos do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que não seriam substancialmente alcançados pela decisão do Supremo Tribunal Federal. • A principal conclusão exarada no Parecer acima citado é que, no que se refere aos prazos decadenciais e prescricionais das contribuições previdencárias aplica-se o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Ao concluir que o disposto no crN, quanto à decadência, aplica-se às contribuições previdenciárias e sabendo-se que as disposições do CTN aplicam-se integralmente ao IRPF, tem-se que tais conclusões, relativas à decadência, aplicam-se ao IRPF. Pois muito bem. É pacífico, com o advento das Leis n"s 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que o IRPF é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, dado que se atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento. Deste modo, considerando-se as orientações contidas no Parecer PGFN/CAT/n°1617/2008, há de se concluir que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma. (i) ocorrido o pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4" do art. 150 do CTN; (ii) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve-se aplicar o disposto no inciso! do art. 173, do CTN; Cumpre, ainda, esclarecer que o IRPF, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Trata-se, pois, de fato gerador complexivo anual. No presente caso, a multa de oficio qualificada foi afastada, dado que não restaram comprovadas nos autos as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Contudo, do exame da DAA/2003, fls. 154/156, verifica-se que não ocorreu a antecipação do pagamento, de modo que a contagem do prazo decadencial se dá conforme disposto no inciso I do art. 173 do CTN. Entretanto, ainda que se admitisse que a antecipação houvesse ocorrido e que o prazo decadencial aplicável ao caso fosse aquele previsto no § 4° do art. 150 do CTN, hipótese mais favorável à contribuinte, não prevaleceria a argüição de decadência dos fatos geradores ocorridos de janeiro a maio de 2002. Conforme já mencionado, o fato gerador do IRPF é complexivo anual, de modo que para o ano-calendário de 2002 o termo inicial a ser considerado para a contagem do 4/2 9 Processo n°10630.720137/2007-04 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00-128 Fl. 395 prazo decadencial seria 31/12/2002 e 31/12/2007, o prazo final. Considerando-se que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 15/06/2007, fls. 05, não haveria que se falar em decadência, ainda, que houvesse ocorrido a antecipação do pagamento. Nessa conformidade, afasta-se a argüição de decadência suscitada pela defesa. Do mérito Da presunção legal No mérito, a contribuinte nega a existência de omissão de rendimentos e de sinais exteriores de riqueza e afirma que depósitos bancários, por si só, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. A alegação de que os depósitos bancários não são fatos geradores do imposto de renda carece de sustentação, já que o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas posteriormente. Tal dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A própria lei define que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Não há, portanto, obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos (empréstimos, transferências interbancários, etc). Trata-se, portanto, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Observe-se que a existência de depósitos bancários em nome do contribuinte representa, inicialmente, um indicio de que tais depósitos se realizaram a partir de rendimentos deste mesmo contribuinte, merecendo investigação mais apurada. E nesse ponto, o contribuinte deve ser ouvido, para indicar a origem desses depósitos. Contudo, a não-comprovação da origem dos recursos creditados, tem o poder de transformar os depósitos, que eram meros indícios, em meios de prova em favor do Fisco. Ressalta-se que quando o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, determina que o depósito bancário não comprovado caracterize omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o artigo 43 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN. Dessa forma, a autoridade fiscal atuou em plena conformidade com os ditames legais, ao considerar como renda omitida os valores depositados nas contas-correntes da contribuinte, sem justificação de origem, de modo que argüições que versam sobre princípios constitucionais e legais, tais como: capacidade contributiva, proibição de coi isco e obrigação tributária/fato gerador, não podem prosperar. 10 Processo n°10630.720137/2007-04 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00-128 Fl. 396 Aliás, tais argüições levam à conclusão de que a recorrente estaria suscitando a própria legitimidade do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996. Ao optar por essa linha de argumento, a recorrente subtrai a discussão do âmbito da competência deste Conselho. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de consentaneidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. À autoridade julgadora administrativa compete apenas investigar se o fato concreto se subsume à previsão hipotética da lei, ou seja, se existiram os depósitos bancários, se o contribuinte foi notificado a comprovar a origem dos recursos respectivos e se essa comprovação foi produzida. No caso concreto, é incontroversa a existência dos depósitos bancários, assim como a falta de comprovação, mesmo tendo sido a contribuinte e seu cônjuge, titulares em conjunto da conta-corrente em questão, instados a produzi-la. Nestes termos, a infração de omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, deve ser mantida, nos moldes em que consubstanciada no Auto de Infração. Dos juros de mora Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste Conselho de Contribuintes que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que é legitima a aplicação dessa taxa, a saber: Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. (publicadas no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Da conclusão Ante o exposto, voto por indeferir as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio. Sala das Sessões, em 02 de junho de 2009 NLIBI TOS MOURA II Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10167.001340/2007-93
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 30/12/2004 Ementa: : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4 o, do CTN. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O Órgão Público é obrigado a recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2301-002.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos: b) acolhidos os embargos para dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O Órgão Público é obrigado a recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos: b) acolhidos os embargos para dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10167.001340/200793 Acórdão n.º 2301002.883 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por esta Conselheira, Bernadete de Oliveira Barros, contra o Acórdão nº 2301002.329, da Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, do CARF. A embargante alega, em apertada síntese, que houve contradição entre o dispositivo do acórdão proferido pela i. Câmara e o voto da Relatora, que culminou no Acórdão embargado, em relação ao prazo decadencial. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Esta Relatora opôs Embargos de Declaração contra o Acórdão 2301002.329, por entender que houve contradição entre o dispositivo do acórdão e a fundamentação e conclusão do voto. De fato, verificase a contradição alegada pela embargante, uma vez que no fundamento e na conclusão do voto, esta Conselheira aplicou o disposto no art. 150, § 4o, do CTN, e afirmou que ocorrera a decadência dos fatos geradores lançados até 09/2001, inclusive, já que a ciência da NFLD (fl. 01) pelo sujeito passivo se deu em 30/10/2006. Ou seja, o voto proferido por esta Conselheira foi no sentido de “CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido acatar parcialmente a preliminar de decadência, para excluir do débito os valores lançados nas competências compreendidas entre 02/2001 a 09/2001, inclusive, nos termos do art.150, § 4o, do CTN. Contudo, o dispositivo do acórdão proferido pela i. Câmara está consignado nos seguintes termos: “I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).”. Portanto, a decadência alcançou as competências até 09/2001, e não até 11/2000, como consta do Acórdão 2301002.329. Assim, por serem procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos embargos opostos por esta Conselheira, para suprir a omissão/contradição apontada, e fazer constar, no dispositivo do Acórdão, o que se segue: “I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).”. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher os embargos opostos, para fazer constar, no dispositivo do acórdão, o provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10167.001340/200793 Acórdão n.º 2301002.883 S2C3T1 Fl. 3 5 contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.001679/2006-77
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N°9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
CONTA-CORRENTE MANTIDA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE.
Arquivos magnéticos e cópias de documentos, tais como cartão de
autógrafo e outros, encaminhados ao governo brasileiro por autoridades dos Estados Unidos do Brasil, acompanhados de Laudos conclusivos produzidos pelo Departamento de Policia Federal são provas incontestes da titularidade da conta mantida no exterior e de sua respectiva movimentação.
PROVA. EXTRATO BANCÁRIO ENCAMINHADO À RFB PELA JUSTIÇA FEDERAL. Ainda que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não tenha solicitado, os extratos bancários a ela encaminhados pela Justiça Federal são provas licitas.
APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO.
Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa fisica é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano- calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do
contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3301-000.005
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DESQUALIFICAR a multa, ACOLHER a decadência referente ao ano calendário de 2000 e AFASTAR as demais preliminares.
No mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso.
Vencidos os Conselheiros Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka (que apresenta declaração de voto), Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N°9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. CONTA-CORRENTE MANTIDA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE. Arquivos magnéticos e cópias de documentos, tais como cartão de autógrafo e outros, encaminhados ao governo brasileiro por autoridades dos Estados Unidos do Brasil, acompanhados de Laudos conclusivos produzidos pelo Departamento de Policia Federal são provas incontestes da titularidade da conta mantida no exterior e de sua respectiva movimentação. PROVA. EXTRATO BANCÁRIO ENCAMINHADO À RFB PELA JUSTIÇA FEDERAL. Ainda que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não tenha solicitado, os extratos bancários a ela encaminhados pela Justiça Federal são provas licitas. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa fisica é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano- calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T13:50:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T13:50:29Z; Last-Modified: 2009-09-09T13:50:29Z; dcterms:modified: 2009-09-09T13:50:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T13:50:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T13:50:29Z; meta:save-date: 2009-09-09T13:50:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T13:50:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T13:50:29Z; created: 2009-09-09T13:50:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2009-09-09T13:50:29Z; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T13:50:29Z | Conteúdo => S3-C3T1 Fl. 811 \....7 , sz- MINISTÉRIO DA FAZENDA. :/' • .e.- ir CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS It.) .t*;1• I '' 17' - ..t."‘CiArM;k TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.001679/2006-77 Recurso n° 165.640 Voluntário Acórdão n° 3301-00.005 — 3' Câmara / I° Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2009 Matéria IRPF Recorrente GUSTAVO HENRIQUE CORREA PUGA Recorrida r TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N°9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. CONTA-CORRENTE MANTIDA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE. Arquivos magnéticos e cópias de documentos, tais como cartão de autógrafo e outros, encaminhados ao governo brasileiro por autoridades dos Estados Unidos do Brasil, acompanhados de Laudos conclusivos produzidos pelo Departamento de Policia Federal são provas incontestes da titularidade da conta mantida no exterior e de sua respectiva movimentação. PROVA. EXTRATO BANCÁRIO ENCAMINHADO À RFB PELA JUSTIÇA FEDERAL. Ainda que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não tenha solicitado, os extratos bancários a ela encaminhados pela Justiça Federal são provas licitas. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. /44, i Processo n° 18471.001679/2006-77 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.005 Fl. 812 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa fisica é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da V Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DESQUALIFICAR a multa, ACOLHER a decadência referente ao ano calendário de 2000 e AFASTAR as demais preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Silvana Mancini Karam, • Alexandre Naoki Nishioka (que apresenta declaração de voto), Vanessa Pereira Rodrigues i, Domene e Moisés Gi . . elli Nunes da Silva. 9/ ' " ire UIAS PESSOA MONTEIRO P - sidente 411a4 — NUBIA MATOS MOURA Relatora FORMALIZADO EM: 28 AGO 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Eduardo Tadeu Farah 2 Processo n° 18471.001679/2006-77 53-C3T1 Acórdão n.°3301-00.005 Fl. 813 Relatório GUSTAVO HENRIQUE CORREA PUGA, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da r Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ II, mediante Acórdão DRJ/RJOII n° 13-17.227, de 24/09/2007, fls. 732/736, recorre a este Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 740/766. Mediante Auto de Infração, fls. 247/256, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor total de R$40.490.935,99, incluindo multa de oficio qualificada e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada e da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 249/250, parte integrante do Auto de Infração, destacam-se as seguintes informações: - O Sr. Gustavo Henrique Correa Puga foi identificado junto com o Sr. Piedade Pedro de Almeida como responsável pela conta n° 8200875, denominada Piedade Pedro Almeida - PPA, mantida junto ao Merchants Bank of New York. - Apesar de o contribuinte negar ter possuído qualquer conta-corrente no exterior, os documentos recebidos juntamente com o Relatório da Equipe de Fiscalização comprovam que o contribuinte e o Sr. Piedade Pedro Almeida são titulares da conta-corrente em questão. - O fiscalizado omitiu da Secretaria da Receita Federal do Brasil ser o possuidor de conta-corrente em instituição bancária no exterior, que utilizou para movimentar recursos de origem desconhecida em quantidade incompatível com seus rendimentos declarados no país, com o intuito de impedir o conhecimento pelo Fisco de operações tributáveis realizadas nos anos de 2000 a 2002, razão porque se qualificou a multa aplicada, bem como pelos fatos descritos na denúncia do MPF/PR, fls. 633/665, recebida pelo Juízo da r VFC (processo n° 2005.7000034207-5). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 700/715, que se encontra assim resumida no Acórdão recorrido: O Contribuinte jamais teria sido titular, beneficiário, responsável ou detentor de direito de qualquer conta bancária no exterior; Não teria sido acostado à ação fiscal qualquer documento que remeta à titularidade e/ou responsabilidade da conta corrente mantida no Merchants Bank of New York; Não teria sido produzida nenhuma prova de que o Autuado teria remetido por meio de sua agência de turismo, grandes somas em dólares americanos, sem a observância de normas legais reguladoras de tal atividade; 41 3 Processo n° 18471.001679/2006-77 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.005 19. 814 A empresa da qual o Contribuinte é sócio seria credenciada junto ao Banco Central do Brasil para realização de operações de câmbio, estando todas as transações desta natureza realizadas, devidamente registradas e informadas àquela instituição; Antes de elaborar-se apenas um cálculo aritmético das operações supostamente realizadas e/ou intermediadas pelo Impugnante deveria se identificar uma possível comissão ou lucro percebido por este, e, sobre tais valores, calcular-se a contribuição supostamente devida e não efetuar o cálculo sobre a totalidade dos bens e direitos de terceiros conforme reportado nos autos da presente ação fiscal. A DRJ Rio de Janeiro/RJ II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento e os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DE CONTA BANCÁRIA MANTIDA NO EXTERIOR. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA O BRASIL. Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, objeto de perícia e laudo conclusivo da Polícia Federal, fielmente reproduzidos no processo, constituem-se em elementos de prova da movimentação financeira da conta que o sujeito passivo mantinha no exterior em instituição bancária norte-americana. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n" 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 21/01/2008, Aviso de Recebimento — AR, fls. 738-v, o contribuinte apresentou, em 20/02/2008, Recurso Voluntário, fls. 740/766, trazendo as alegações a seguir elencadas: Da ilegitimidade passiva sobre a conta-corrente mantida no exterior — Nos autos do processo fiscal, bem como do processo penal que alimentou a fiscalização, nada há de concreto que indique ser o recorrente titular da conta-corrente. O recorrente agia como procurador de seu sócio Ainda que fosse gestor da conta e a movimentasse, isso não seria justificativa para lhe imputar a titularidade e, conseqüentemente, dele exigir tributos por presunção legal na forma do art. 42 da Lei n° 9.450, de 1996. 4 Processo n° 18471.001679/2006-77 S3-C3TI Acórdão n.° 3301-00.005 Fl. 815 Os indícios trazidos do processo penal são provas emprestadas que não se admitem no processo administrativo fiscal. Não basta que a fiscalização colha informações e indícios do processo criminal para daí concluir que o contribuinte seria o titular da conta- corrente mantida no exterior. Teria que diligenciar e provar a titularidade, e não apenas presumi-la, como de fato ocorreu. Não há provas nos autos que indiquem ser o contribuinte o real proprietário dos recursos depositados na conta-corrente do exterior (ainda que ele fosse o titular, o que não é o caso), mas sim terceiros contribuintes que desejavam trocar recursos em moeda estrangeira mantidos no exterior por Reais no país e vice-versa. Ou seja, se houvesse ganho e se esse pudesse ser a ele imputado, tal lucro corresponderia ao saldo final da respectiva conta. Os parágrafos 5° e 6° do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996 não se aplicam, aos fatos geradores incluídos no Auto de Infração, dado que somente tem vigência a partir de 01/01/2003. Da multa qualificada e da decadência — A fiscalização aplicou a multa qualificada pelo fato de a conta-corrente em tela ser no exterior, quando o fato de relevância é a existência de conta-corrente não declarada. O local onde a conta-corrente foi aberta é indiferente, o que deflagra a possibilidade de qualificação da multa de oficio é a atitude dolosa. A ausência de comunicação ao Fisco sobre a existência de conta-corrente cujos depósitos não tiveram a origem comprovada basta para criar a presunção legal de omissão de rendimentos, mas não é sustentáculo suficiente para a aplicação de multa • qualificada. A multa qualificada, por exceder ao valor do tributo principal viola princípios constitucionais do não-confisco e da proporcionalidade. Já que se mostrou patentemente rechaçada a possibilidade de aplicação da multa qualificada e uma vez que os fatos geradores imputados ao contribuinte ocorrem mensalmente, o crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2001, encontra-se fulminado pela decadência, nos termos dos arts. 150, § 40 e 156, V, ambos do CTN. Da nulidade do lançamento amparado em prova obtida por meios ilícitos — De conformidade com o art. 30 da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, o direito ao sigilo bancário continuou em pleno vigor, sendo possível a sua quebra somente quando observadas as seguintes restrições: (a) de acesso às informações bancárias, exceto às partes envolvidas no processo judicial; e (b) de uso das informações bancárias, exceto para fins específicos do processo judicial que lhe deu causa. Nesse contexto os extratos das contas-correntes constituem prova ilícita uma vez que não decorreram da abertura espontânea do sigilo bancário pelo recorrente (ainda que na qualidade de procurador), nem de determinação judicial em processo no qual a Receita Federal (ou ainda a Fazenda Nacional) figurasse como parte. 114fi Processo n°18471.001679/2006-77 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.005 Fl. 816 Em 24/07/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional, mediante petição, fls. 781/810, apresenta suas contra-razões ao recurso voluntário, ao tempo que requer a manutenção integral do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheira NUBIA MATOS MOURA, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, deve-se analisar a argüição do recorrente de que não é titular da conta-corrente n° 8200875, denominada Piedade Pedro Almeida — PPA, mantida junto ao Merchants Bank of New York. Dos autos constam dois Laudos de Exame Econômico-Financeiro, n°s. 629/05-INC, fls. 305/309 e 891/05-INC, fls. 310/381, realizados pelo Departamento de Polícia Federal, que tinham por objetivo: (I) consolidar a movimentação financeira da conta 8200875, mantida no Merchants Bank of New York e (II) identificar os titulares da referida conta. Cumpre destacar que os materiais examinados foram encaminhados às autoridades brasileiras por autoridades americanas no decorrer das investigações de remessas monetárias para o exterior no conhecido "Caso Banestado". O Laudo n° 891/05-INC é categórico em seu item III, deixando claro que os titulares da conta n° 8200875, mantida no Merchants Bank of New York, são os Srs. Piedade Pedro de Almeida e Gustavo Henrique Correa Puga. Tal conclusão foi extraída de vários documentos, cujas cópias se encontram acostadas aos autos, fls. 269/304, destacando-se em especial formulários bancários (cartão de autógrafos e Password/Wainer Forni for Wire & Cable Funds Transfer), fls. 272, 279, 280 e 294 a 297, dos quais constam as assinaturas de ambos titulares (Piedade Pedro de Almeida e Gustavo Henrique Correa Puga). E mais, conforme salientado pela autoridade julgadora de primeira instância, o próprio contribuinte, em seu depoimento prestado a Justiça Federal, fls. 719/726, reconhece como sua as assinaturas apostas nos documentos mencionados no parágrafo anterior. Vê-se, portanto, que é farta a documentação acostada aos autos que evidenciam de forma inconteste ser o recorrente, juntamente com Piedade Pedro de Almeida, titular da conta n° 8200875, mantida no Merchants Bank of New York. Não pode, portanto, prevalecer a alegação da defesa de que o contribuinte agia somente como procurador de seu sócio, Piedade Pedro de Almeida. Importa, ainda, esclarecer que a comprovação de que o recorrente é titular da conta bancária, que serviu de base para o lançamento, que ora se discute, se faz mediante o Laudo n° 891/05-1NC da lavra do Departamento de Polícia Federal e nos documentos, fls. 269/304, e não em indícios trazidos do processo penal, como afirma a defesa. Nessa conformidade, não há que se falar em prova emprestada. /4, 6 Processo n° 18471.001679/2006-77 53-C3T1 Acórdão n.°3301-00.005 Fl. 817 Outra preliminar argüida pela defesa diz respeito à nulidade do lançamento. Entende o contribuinte que os extratos bancários, que embaçaram o lançamento seriam provas ilícitas e afirma que mesmo depois de publicada a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, o direito ao sigilo bancário continuou em pleno vigor, de modo que o acesso aos dados bancários somente é possível mediante anuência do contribuinte ou por determinação judicial em processo no qual a Secretaria da Receita Federal do Brasil seja parte. De pronto, importa dizer que no presente caso o acesso da autoridade fiscal aos dados bancários do contribuinte se deu em razão de autorização judicial, formulada mediante transferência do sigilo bancário que se deu no processo n° 2003.7000030333-4, fls. 263/266. Vale, ainda, destacar que é equivocada a interpretação que a defesa faz do art. 3° da Lei Complementar n° 105, de 2001. Tal dispositivo determina que as instituições financeiras devem prestar as informações ordenadas pela Poder Judiciário e que recebida, a informação deve ser mantida em sigilo, não podendo ser utilizada para outras fins, senão aqueles a que se destinam. Tem-se, portanto, que o Poder Judiciário pode, sim, sempre que entender necessário, transferir informações bancárias de contribuintes para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, que as utilizará para verificar o fiel cumprimento das obrigações tributárias e, se for o caso, lavrar o competente Auto de Infração. Para nenhum outro fim pode a autoridade fiscal fazer uso das informações bancárias do contribuinte. Essa é a determinação contida no art. 30 da Lei Complementar n° 105, de 2001. Tem-se, portanto, que lícitas são as informações bancárias que serviram de base para o lançamento, de modo que se afasta a preliminar de nulidade do lançamento argüida pela defesa. Cabe, ainda preliminarmente, analisar a alegação do recorrente de que os parágrafos 50 e 6° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, somente se aplicam aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2003, dado que a publicação de tais dispositivos. somente se deu em 31/12/2002. Na verdade, os dispositivos acima referidos foram acrescentados ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que posteriormente foi convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, os citados parágrafos já se encontravam em vigor desde 29/08/2002. Vale, ainda, observar que os referidos parágrafos não criam nova incidência do imposto de renda. Limitam-se a interpretar o caput e elucidá-lo, de modo a orientar o procedimento da autoridade fiscal quando da apuração do imposto devido sobre omissão de rendimentos calcado em depósitos bancários, propiciando, desta forma, a uniformidade dos lançamentos. Assim, considerando o disposto no § 1° do art. 144 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN) .05 parágrafos 5° e 6° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, aplicam-se aos fatos geradores ocorridos antes de sua publicação. Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 7 Processo n° 18471.00167912006-77 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.005 Fl. 818 Dando continuidade à análise das alegações trazidas pela defesa, dever-se-ia neste ponto examinar a preliminar de decadência, entretanto, considerando que o lançamento foi exigido com multa de oficio qualificada, que também foi contestada, e que a sua manutenção ou não interfere na contagem do prazo decadencial, analisar-se-á, de pronto, as razões aduzidas pela defesa no que diz respeito à qualificação da multa de oficio para, em seguida, examinar-se as alegações relativas à decadência trazidas pela defesa. Afirma o recorrente que não incorreu nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 19642 e que o fato de o contribuinte deixar de comunicar ao Fisco sobre a existência de conta-corrente no exterior não é suficiente para a aplicação de multa qualificada. Como é sabido, o dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artificio tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artificio empregado e o beneficio por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável, portanto, a multa qualificada nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. Considerando que a autuação utilizou presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos, verifica-se que fica ainda mais distante a caracterização do dolo. A § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posterionnente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 2 Lei n° 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidade administrativas ou criminais cabíveis. Lei n°4.502, de 1964 Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fumaria: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Processo rr 18471.001679/2006-77 S3-C3T1 Acórdão re.° 3301-00.005 Fl. 819 presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pelo "evidente intuito de fraude", a que se reporta o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Para o lançamento com a multa qualificada, a autoridade fiscalizadora deve provar outros fatos além daqueles que são requisitos da presunção legal, o que não ocorreu no presente caso. Poder-se-ia cogitar que este outro fato fosse a realização de remessa de recursos ao exterior, sem a devida comunicação ao Banco Central do Brasil, conforme exige a legislação. Entretanto, tal ilegalidade seria de ordem econômica e não tributária. Remeter recursos ao exterior, sem a devida comunicação às autoridade econômicas do Pais, não é fato suficiente para garantir que a intenção do contribuinte, ao assim proceder, fosse a de reduzir ou suprimir tributo. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de oficio ser reduzido para 75%. No que se refere à decadência, oportuno que se observe o Parecer PGFN/CAT/n° 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional — PGFN, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal — STF da Súmula Vinculante n° 8. O Parecer acima referido versa sobre a decadência e a prescrição das contribuições previdenciárias, contudo, suas conclusões, que se encontram a seguir transcritas, importam para o exame que se pretende: 49.Lembrando que nem toda a Lei n" 6.830, de 22 de setembro de 1980, cuida somente de créditos tributários, e que, portanto, para efeitos daquela norma deve-se atentar à especificidade dos créditos, as observações aqui elencadas promovem síntese pontual, da forma que segue: a)A Súmula Vincula nte n° 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar - efetivamente - o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GF1P ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de oficio, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplica-se o prazo decadencial dos arts. 150, 4", ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, conta-se da constituição definitiva do crédito tributário; 9 Processo n°18471.00167912006-77 53-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.005 E. 820 d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art.. 173, inc. 1 do C77V, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do C do art. 150 do C77V; .1) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve- se aplicar o modelo do inciso 1, do art. 173, do CTN; g) Para fins de cômputo do prazo de prescrição, nas declarações entregues antes do vencimento do prazo para pagamento deve-se contar o prazo prescricional justamente a partir do dia seguinte ao dia do vencimento da obrigação; quando a entrega se faz após o vencimento do prazo para pagamento , o prazo prescricional é contado a partir do dia seguinte ao da entrega da declaração; h) A súmula em apreço, em princípio, qualificaria interpretação literal: todo o art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, estaria alcançado pela inconstitucionalidade. Porém, por tratar-se de matéria do mais amplo alcance público, o intérprete deve buscar resposta conciliatória, que não menoscabe expectativas de alcance de benefícios; principalmente, e do ponto de vista mais analítico, deve-se observar que há acertos do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que não seriam substancialmente alcançados pela decisão do Supremo Tribunal Federal. A principal conclusão exarada no Parecer acima citado é que o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), no que se refere aos prazos decadenciais e prescricionais aplica-se às contribuições previdenciárias. Via de conseqüência, pode-se concluir que o disposto no Parecer também se aplica ao Imposto de Renda Pessoa Física, assim como aos demais tributos. Pois muito bem. É pacifico, com o advento das Leis ifs 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que o Imposto sobre a Renda Pessoa Física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, dado que se atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento. Deste modo, considerando-se as orientações contidas no Parecer PGFN/CAT/n°1617/2008, há de se concluir que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda Pessoa Física deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4° do art. 150 do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve-se aplicar o disposto no inciso Ido art. 173, do CTN; 4/17° lo Processo n° 18471.001679/2006-77 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.005 Fl. 821 Cumpre, ainda, esclarecer que o imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Trata-se, pois, de fato gerador complexivo anual. No presente caso, a multa de oficio qualificada foi afastada, dado que não restaram comprovadas nos autos as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, verifica-se que o contribuinte apresentou tempestivamente sua Declaração de Ajuste Anual, exercício 2001, ano-calendário 2000, fls. 04/05, e que apurou saldo de imposto a pagar, depois de compensar o imposto de renda retido na fonte. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que deve-se aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no §4° do art. 150 do CTN. Assim, conclui-se que os fatos geradores ocorridos durante o ano-calendário de 2000 somente se completaram em 31/12/2000, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2005. Como o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 15/12/2006, Aviso de Recebimento — AR, fls. 693, tem-se que o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2000, exigido no Auto de Infração, encontrava-se fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Por fim, o recorrente afirma que não há provas nos autos que indiquem ser o contribuinte o real proprietário dos recursos depositados na conta-corrente mantida no exterior. Afirma que os valores em questão pertencem a terceiros, para os quais efetuou troca de recursos em moeda estrangeira, mantidos no exterior, por Reais no pais e vice-versa. Desta forma, entende que a tributação deveria incidir apenas sobre o lucro obtido nas operações de câmbio. Conforme já mencionado, o Auto de Infração imputa ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996. Tal dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Quando a origem dos depósitos não é justificada, tal circunstância permite inferir ter havido aquisição de renda omitida à tributação. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. No presente caso, o contribuinte, afirma que a conta-corrente em questão era utilizada para movimentar recursos de terceiros, para os quais realizava operações de câmbio. Entretanto, tal alegação carece de comprovação. 447° i 1 Processo n° 18471.001679/2006-77 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.005 Fl. 822 _ É bem verdade que o contribuinte figura como réu em processo penal, em razão de denúncia formulada pelo Ministério Público, fls. 633/659, na qual é acusado de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional - SFN e lavagem de dinheiro. Ainda segundo a denúncia, o contribuinte teria operado no mercado negro instituição financeira, por meio da casa de câmbio Gadi Viagens e Turismo Ltda, da qual é sócio, mantendo para tal depósitos clandestinos na conta n° 8200875 do Merchants Bank of New York. Contudo, a autoridade fiscal, tampouco esta autoridade julgadora, pode tomar como certas tais denúncias até que o processo penal transite em julgado. Em fim, conforme já mencionado, no caso da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, recai sobre o contribuinte o ónus da prova da origem dos recursos movimentados em suas contas-correntes. E quando alguém de fato pode, e legalmente está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se sujeita à aplicação do principio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. É inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário. Deste modo, cabendo ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários efetivados em suas contas-correntes e não o tendo feito no curso da ação fiscal e nem nas fases de impugnação e recurso, conclui-se pela manutenção da infração de omissão de rendimentos, conforme consubstanciada no presente lançamento. Ante o exposto, voto por desqualificar a multa de oficio, acolher a preliminar de decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2000, afastar as demais preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 04 de março de 2009 a--- NUBLA MATOS MOURA Declaração de Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA No julgamento do Recurso n. 159.999, realizado em 10 de setembro de 2008, em que se discutiu hipótese praticamente idêntica à presente, relatei acórdão que teve a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física 12 Processo n°18471.001679/2006-77 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.005 Fl. 823 Exercícios: 2001, 2002 e 2003 Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Comprovada a origem dos depósitos através de minucioso laudo de exame econômico-financeiro produzido por órgão da Administração Pública, que identificou todas as ordens recebidas e remetidas, inclusive os respectivos ordenantes e beneficiários, caberia à fiscalização observar o disposto no §5° do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, segundo o qual "quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento." Recurso Voluntário provido." O voto que proferi foi redigido nos seguintes termos: "O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão que se coloca, no presente caso, diz respeito à ocorrência ou não de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". Segundo a fiscalização, teria havido sim tal omissão, em virtude de movimentações verificadas na conta corrente n. 9008308, mantida no The Merchants Bank of New York, de titularidade da Capital World Inc., empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e controlada e administrada pelo Recorrente e seu irmão. As movimentações financeiras foram minuciosamente identificadas no "Laudo de Exame Econômico-Financeiro" n. 894/05 — INC (fls. 41/178), elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, em virtude da seguinte solicitação: "No interesse do IPL 1026/03 — SR/DPF/PR solicito os bons préstimos de Vossa Senhoria para a confecção de Laudo Pericial para a conta CAPITAL WORLD INC, n. 9008308, mantida junto ao Merchants Bank de Nova lorque/NY, visando a identificar os titulares, procuradores e responsáveis pela movimentação financeira e pastas operacionais de tal conta. Ainda, solicito que sejam informados os valores totais e por período movimentados (ordens recebidas e emitidas) e a identificação de eventuais relacionamentos com correntistas do BANESTADO/NY e BHSC, bem como outros dados julgados úteis." Constam dos anexos II e III do referido laudo, respectivamente, todas as ordens recebidas (fls. 51/101) e remetidas (fls. 102/136). As ordens recebidas foram ainda agrupadas por ordenante, compondo o Anexo IV do laudo (fls. 137/140), enquanto que as ordens remetidas foram consolidadas por beneficiário, integrando o Mexo V (fls. 141/147) O anexo II do laudo ("ordens recebidas") embasou o demonstrativo de fls. 260/264, cujos valores integraram a base de cálculo do tributo exigido do Recorrente (50% do valor das "ordens recebidas", sendo que os outros 50% foram cobrados de seu irmão). , 13 Processo ne 18471.001679/2006-77 53-C3TI Acórdão n.°3301-00.005 Fl. 824 Como já se antecipou, atribui-se ao Recorrente a omissão de rendimento de que trata o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que tem a seguinte redação: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos Quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuia origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributado específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei n°9481, de 1997) § 4° Tratando-se de pessoa física os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado nue os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro evidenciando interposição de pessoa s a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002)" Conforme se depreende do capuz do referido dispositivo, caracteriza-se a omissão de rendimento quando a origem dos valores creditados na conta de depósito não for comprovada, caso em que a tributação da pessoa física será feita com base na tabela progressiva (4"). Se a origem dos depósitos for demonstrada, os respectivos valores deverão observar as regras de tributação especificas, nos termos do §2°. Estabelece ainda o §5°. que "quando provado que os valores creditados na conta de depósito ... pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na %çcondição de efetivo titular da conta de depósito ...". , 14 Processo n°18471.001679/2006-77 53-C3T 1 Acórdão n.° 3301-00.005 Fl. 825 É o caso dos autos, como passo a evidenciar. De fato, extrai-se da decisão proferida pela 2.. Vara Criminal de Curitiba que afastou o sigilo bancário e fiscal do Recorrente (fls. 206/209) que: "Através da conta CAPITAL WORLD foram movimentados aproximadamente US$ 11 milhões, no período de 11 de abril de 2000 a 8 de julho de 2002, conforme Laudos Periciais 658/05 e 894/2005-1NC. Atualmente há na conta um saldo de US$ 70.348,45, bloqueado pelas autoridades norte-americanas. Os valores mantidos no exterior não foram declarados à Receita Federal pelos acusados, conforme se verifica nas Declarações de Imposto de Renda do período de 2000 a 2003 (fls. 67-127 Apenso I, v. 1/2). Os acusados seriam ainda os proprietários da Rio Exchange Turismo Ltda. e Relevo Câmbio e Turismo Ltda., empresa que operava no Brasil no ramo de câmbio e turismo e gue segundo o Ministério Público Federal serviria de fachada para A captação de clientes e capitais para lavagem de dinheiro. A conta seria utilizada em operações no mercado paralelo de câmbio, especialmente na modalidade 'dólar-cabo' — depósito de moeda nacional dentro do pás em contrapartida a recebimento de moeda estrangeira no exterior à margem do sistema financeiro oficial. Trata-se de operações em mu há ocultação tanto de sua natureza Quanto dos envolvidos, pj não há qualquer registro ¡unto ao Banco Central ou à Receita Federal acerca do recebimento ou transferência de recursos no exterior. ..." (destacou-se) Sem entrar no mérito se houve ou não crimes contra o sistema financeiro nacional ou de lavagem de dinheiro, tipificados nas Leis 7.492/86 e 9.613/98, até porque falece a este Primeiro Conselho de Contribuintes competência para tanto, o fato é que, no presente caso, todos os depósitos foram identificados, conforme minucioso laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Polícia Federal (fls. 41/178). Ora, se todos os depósitos foram minuciosamente identificados, a fiscalização deveria ter observado o disposto nos §§ 2°. e 5°. do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, o que não foi feito. É por esses motivos que dou provimento ao recurso para, reformando o acórdão recorrido, julgar improcedente o auto de infração de fls. 265/268, deixando de apreciar as preliminares em virtude do disposto no artigo 59, §3°., do Decreto 70.235/72." Eis os motivos pelos quais dava provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF .31 de março de 2009 n),.. g) 1,, 9). ALEXANL-ORE NAOKI NISHIOKA 15 z. Je „— MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 18471.001679/2006-77 Recurso n° 165.640 Voluntário TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 61 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a tomar ciência do Acórdão n°3301-00.005. Brasília, HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente da Terceira Seção do CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com ciência [ 1 Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência Procurador(a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Data da sessão: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA - Sujeitando-se o rendimento das pessoas fisicas
à incidência na declarãção de ajuste anual e independente de
exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por
homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo
decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de
dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para
efetuar o lançamento
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9304-00.018
Decisão: Acordam os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar sente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA - Sujeitando-se o rendimento das pessoas fisicas à incidência na declarãção de ajuste anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento Recurso especial negado.
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I " MINISTÉRIO DA FAZENDAss, CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ';.Xtrz?..› QUARTA TURMA Processou' 11618.001390/2005-16 Recurso e 106-149.314 Especial do Procurador Matéria Decadência Acórdão n° 9304-00.018 Sessão de 02 de março de 2009 Recorrente Fazenda Nacional Interessado Fabricio Montenegro de Morais AssuNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA - Sujeitando-se o rendimento das pessoas fisicas à incidência na declarãção de ajuste anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento Recurso especial negado. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar sente julgado. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO Vice-Presidente no exercício da Presidência • wor E Mrjrig, IAS PESSOA MONTEIRO : elator FORMALIZADO EM: 15 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Gustavo Lian Haddad e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Antonio Praga. Processo n°11618.001390/2005-16 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.018 Fls. 2 Relatório Inconformada com o decidido através do Acórdão N° 106-15.728,fls. 110/127, a Fazenda Nacional apresenta o Recurso Especial de fls.129/141, admitido através do despacho de fls. 142/145. O acórdão está assim ementado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Após o advento do Decreto — lei n° 1.968/1982 (art. 7, que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa e, considerando que a entrega da declaração de rendimentos, por si só não configura lançamento, ato administrativo obrigatório e vinculado que deve ser praticado pela autoridade administrativa, o lançamento do imposto de renda das pessoas fisicas é do tipo estatuído no artigo 150 do C77V; sendo o prazo decadencial fixado no § 40 do referido dispositivo legal. Reconhece-se a extinção do crédito tributário pertinente ao ano - calendário de 1997, por decadência. A falta de provas de que o contribuinte praticou as ações •definidas nos artigos 70, 71 e 72 da Lei n° 5.502/64 e art. I° da Lei n° 4.729/65, exclui a norma de contagem do prazo fixada pelo parágrafo único do art. 173 do CTIV. Recurso provido. Na peça recursal a Fazenda Nacional, em síntese, fundamenta que o julgado, ao adotar como regra para contagem da decadência aquela constante no artigo 150, 4°, do Código Tributário Nacional, concluíra de forma diversa à tese que estaria se consolidando, no sentido de que a homologação só ocorreria nos casos onde houvesse antecipação de pagamento. Como tal pressuposto não se confirmara nos autos, a contagem do prazo seria regida pelo inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Ainda comprova divergência entre julgados da Quarta e Sexta Câmara. É aceito como paradigma o acórdão 104-21.399. • Ausente contra-razões. É o Relatório. Ft. 2 Processo n° 11618.001390/2005-16 CS RFITO4 Acórdão n.° 9304-00.018 Fls. 3 Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatora - O recurso preenche os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em litígio o posicionamento, à maioria dos pares da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de julgar decadente o lançamento de exigência constituída em 16/02/2005, para fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro,fevereiro e março do ano calendário de 1999, apurados através de acréscimo patrimonial a descoberto. - Tal raciocínio aplica-se, à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e à presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto, bem como os valores correspondentes aos depósitos bancários de origem não comprovada, haja vista que os rendimentos omitidos ou presumidamente omitidos pelo contribuinte, quando submetidos a lançamento de oficio, embora apurados mês a mês, sujeitam-se à tributação apenas na declaração de ajuste anual. Os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas • bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste • anual, aí sim se apurando o total de imposto devido no ano-calendário, de acordo com a previsão do artigo 2° da Lei n° 7.713/88 e dos artigos 9° e seguintes da Lei n° 8.134/1990, especialmente do artigo 10, inciso I, do referido texto normativo. O artigo 150 do Código Tributário Nacional estabelece: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Nesse tipo de lançamento a legislação tributária atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa que ao tomar conhecimento da atividade expressamente a homologa. De forma tácita tem o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador do tributo, para realizar tempestivamente o lançamento. O parágrafo 4°. deste artigo 150, determina: (..4 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude'ou simulação. Ou seja, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Transcorrido esse prazo sem que a Fazenda Pública se pronuncie, se considera homologado o lançamento e extinto definitivamente o crédito e o direito da Fazenda de promover o lançamento de oficio. 0) 3 • Processo e 11618.001390/2005-16 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.018 Fls. 4 A exigência tributária formalizada pelo Auto de Infração de 16/02/2005 ,para fatos geradores ocorridos em janeiro,fevereiro e março do ano calendário de 1999. Do confronto entre a data do fato gerador e do lançamento, verifica-se a decadência, uma vez que o prazo para que o Fisco promovesse o lançamento tributário começou a fluir a partir de 31/12/1999, expirando-se em 31/12/2004, ficando evidente que em 16/02/2005 a Fazenda Pública não poderia mais constituir o crédito tributário. Como não merece reforma o julgado recorrido , NEGO provimento ao recurso especial. Sal. • • s Sessões, em 02 de março de 2009isW /"INIfilwr, ete Mala , oa Monteiro • 4 • Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1
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Numero do processo: 14120.000517/2005-60
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PROVENTOS DE PENSÃO. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA. SUMULA 63 DO CARF.
Comprovada por laudo médico expedido por serviço oficial de saúde a condição do contribuinte de portador de moléstia isentiva, indicada a data de acometimento e sendo comprovadamente beneficiário de pensão, é de ser reconhecida a isenção. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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PROVENTOS DE PENSÃO. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA. SUMULA 63 DO CARF. Comprovada por laudo médico expedido por serviço oficial de saúde a condição do contribuinte de portador de moléstia isentiva, indicada a data de acometimento e sendo comprovadamente beneficiário de pensão, é de ser reconhecida a isenção. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 05 17 /2 00 5- 60 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), German Alejandro San Martín Fernández , Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 02), o qual apurou supostas irregularidades (fl. 03) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2003, anocalendário 2002, por omissão de rendimentos do trabalho e de rendimentos sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, bem como dedução indevida de despesa com instrução . Resta consignado no auto de infração, a título de fundamentação que os rendimentos percebidos da Prefeitura de Campo Grande, declarados como isentos e não tributáveis, são tributáveis, uma vez que a aposentadoria do contribuinte por invalidez por moléstia grave data de 21/10/2004 e o laudo médico oficial de 28/05/2004; que a pensão percebida da Marinha do Brasil segue o mesmo raciocínio, uma vez que o laudo médico não aponta data de acometimento e é datado de 28/05/2004, e, por fim, que as deduções com despesas de instrução, segundo o recibo apresentado, foram pagas pelo cônjuge do contribuinte, que apresentou declaração em separado. O Contribuinte foi cientificado (fl.84). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 88, juntando cópia de documentos, alegando, em breve síntese, que no ano de 2002 já se encontrava acometido de neoplasia maligna, conforme laudos anexados aos autos, e que, quanto às deduções com despesas de instrução, embora o recibo esteja em nome de seu cônjuge, são despesas com dependente que não constou da declaração em separado apresentada pelo mesmo, mas apenas da declaração do contribuinte, ora alvo da presente autuação. Em julgamento, a 2ª Turma da DRJ/CGE, em sessão realizada no dia 16/03/2007, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão n.º 0411.594, restabelecendo a dedução com despesas de instrução, pelos mesmos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação, mantendose quanto ao mais a autuação, em razão de sua aposentadoria ser datada de 20/10/2004. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 114, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 124, atacando a decisão exarada pela DRJ, ao fundamento que no anocalendário em questão era pensionista da Marinha do Brasil e já encontravase acometido de moléstia isentivo, nos termos do laudo junto aos autos. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 14120.000517/200560 Acórdão n.º 2802001.494 S2TE02 Fl. 134 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no particular em que impugna a exigência concernente à omissão de rendimentos sem vínculo empregatício, percebidos da Marinha do Brasil. De fato, a pensão percebida da Marinha do Brasil no anocalendário em questão, nos termos do comprovante de fl.25, não guarda qualquer relação com sua aposentadoria no ano de 2004, diferentemente do que decidiu a DRJ. O documento de fl.25 é prova suficiente de que no anocalendário em tela o contribuinte já ostentava a qualidade de pensionista. Demais disso, o laudo médico expedido pelo Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, de fl.90, atesta que a moléstia CID 10: C 50, qual seja, neoplasia maligna da mama, foi constatada através de exame datado de 19/11/01, sendo esta, portanto, a data de acometimento a ser levada em consideração; anterior, como se pode ver, ao anocalendário 2002. Assim, assiste razão ao recorrente de ver reconhecida a isenção de sua pensão, uma vez que comprovada a condição de pensionista e a moléstia isentiva, por laudo médico oficial, incidindo a Súmula CARF nº.63, verbis: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” É de ser provido o recurso, para reconhecer a isenção sobre a pensão percebida da Marinha do Brasil pelo contribuinte, nos termos dos documentos de fls.25 e 90, restando desconstituindo o lançamento quanto a este aspecto. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 14120.000517/200560 Acórdão n.º 2802001.494 S2TE02 Fl. 135 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 21 de dezembro de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 01/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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