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Numero do processo: 10730.721802/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA.
Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Numero da decisão: 2401-004.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
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AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 18 02 /2 01 1- 27 Fl. 38DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, relativos ao ano calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10730.721802/201127 Acórdão n.º 2401004.967 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase os presentes autos de Notificação de Lançamento (fls. 4/7) lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, anocalendário 2008, onde se constatou a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação na Justiça Federal no valor de R$ 28.296,82. Na apuração do imposto devido não foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os rendimentos omitidos. De conformidade com a Descrição dos Fatos e enquadramento legal, fl. 5, a apuração teve como base informação da Caixa Econômica Federal. Após a revisão, foi apurado o imposto suplementar de R$ 730,38 em detrimento do imposto a restituir de R$ 848, 82, declarado pelo sujeito passivo. O contribuinte foi cientificado do lançamento por aviso de recebimento postal, em 18/05/2011 (fl. 14), e apresentou impugnação em 31/05/2011 (fl. 02), com as seguintes considerações: a) Expõe que no ano 2002 propôs uma ação na Justiça Federal para revisar o benefício de sua aposentadoria sendo efetivado o pagamento em 31/01/2008; b) Aponta que por se tratar de aposentadoria e ter mais de 65 anos, teria direito a parcela de isenção a ser diluída pelo período o que acarretaria diferença nos valores a serem cobrados; c) Apresenta planilha de conta de liquidação. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a impugnação (Acórdão 1251.584 – fls. 16/21), nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ¬ IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Os rendimentos recebidos em decorrência de decisão judicial devem ser oferecidos à tributação cumulativamente com os outros rendimentos tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual, excluindo¬se as verbas de natureza indenizatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 40DF CARF MF 4 Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fl. 29), nos seguintes termos: “I – Os fatos Em 17/02/2002 ingressou na Justiça Federal com ação de revisão de benefício da aposentadoria e que em 31/01/2008 foi efetivado esse pagamento. II.1 – Preliminar Por se tratar de diferença de aposentadoria e contribuinte com mais de 65 anos, a legislação permite valor a maior de isenção, como pode ser observado pela planilha em anexo os valores diluído o valor atribuído de imposto seria totalmente diferente do apresentado. II – Mérito Como pode ser observado na preliminar por se tratar de diferença de aposentadoria o mesmo teria que ser observado os limites de isenção para declarantes com mais de 65 anos, onde pode ser observado pela planilha de cálculo que foi objeto de sentença judicial em anexo. III – Conclusão À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado (...)” É o relatório. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10730.721802/201127 Acórdão n.º 2401004.967 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 21/01/2013, conforme fl. 25, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 04/02/2013 (fl.29). Do mérito DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O Recorrente foi notificado por omitir rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal que objetivou reajuste de benefícios previdenciários. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Nessa linha de entendimento, será utilizada “tabela progressiva resultante da multiplicação de quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”, com o propósito de compatibilizar o regime ao entendimento pacificado pela Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS. Confirase: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao Fl. 42DF CARF MF 6 seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 8o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Art. 12B. Os rendimentos recebidos acumuladamente, quando correspondentes ao anocalendário em curso, serão tributados, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Assim, por todo o exposto, e, em atenção a nova redação do artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 , do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10730.721802/201127 Acórdão n.º 2401004.967 S2C4T1 Fl. 5 7 recebido de forma acumulada pela Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acórdão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324 , rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002451/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula Carf nº 103).
Numero da decisão: 2401-005.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 51 /2 00 8- 66 Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.133 2 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pela Presidente da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 1235.732, cujo dispositivo considerou a impugnação procedente em parte, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 1.084/1.100): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA.CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inciso I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. REMESSA A DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. A aplicação da alíquota zero de IRRF sobre receitas de fretes, auferidos por empresa domiciliada no exterior, provenientes de fontes situadas no País, depende da comprovação da natureza e motivação dos valores remetidos. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. INGRESSOS COMPUTADOS COMO REMESSAS DE VALORES. Incabível a tributação de transferências recebidas do exterior como se fossem remessas de valores para o exterior. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 2. Extraise do Auto de Infração, acostado às fls. 388/411, que o lançamento referese a crédito tributário apurado em decorrência da falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda na Fonte, relativo a fatos geradores do anocalendário 2003, incidente sobre remessas de valores ao exterior. 3. A ciência da autuação se deu em 15/10/2008, por meio do procurador da pessoa jurídica, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 431/448). 4. O colegiado de primeira instância decidiu pela procedência parcial do lançamento fiscal, afastando a incidência da tributação sobre as transferências caracterizadas como recebidas pela pessoa jurídica, e não remetidas ao exterior. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.134 3 5. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 6. A empresa autuada foi cientificada da decisão de piso por edital em 13/04/2012, tendo em conta que infrutífera a intimação via postal (fls. 1.106/1.114). 7. Com relação à parte mantida na decisão de primeira instância, não consta manifestação do sujeito passivo, tendo sido transferido o respectivo crédito tributário para o Processo nº 12448.734699/201287 (fls. 1.124) É o relatório. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.135 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Diante da não apresentação de recurso voluntário, foi devolvido à apreciação deste órgão "ad quem" tão somente o recurso de ofício. 8.1 Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 9. Recentemente, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 9.1 Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 10. Sobre a aplicação do limite de alçada no tempo, por tratarse de norma processual, consolidouse o entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) da sua aplicação imediata aos processos em curso, em detrimento ao regramento vigente à época da interposição do recurso de ofício. Tal posição consta do enunciado da Súmula nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 11. Compulsando os autos, verifico a seguinte configuração para o tributo lançado mais a multa de ofício proporcional, no percentual de 75%: Crédito Tributário Valor Original (R$) (fls. 388) Valor Mantido (R$) (fls. 1.096/1.097) Valor Desonerado (R$) Imposto 2.949.794,17 1.668.358,96 1.281.435,21 Multa Proporcional 2.212.345,43 1.251.268,96 961.076,47 Total 5.152.094,60 2.909.582,92 2.242.511,68 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.136 5 12. Como se observa, o valor desonerado pela decisão de piso, para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, foi inferior ao patamar mínimo de R$ 2.500.000,00. 13. Logo, não conheço do recurso de ofício, por falta de previsão legal, tendo em conta o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000174/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009
INFORMAÇÃO FISCAL PARA CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Após as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornou-se despicienda a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário por perda de objeto.
Numero da decisão: 2401-004.996
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2009 INFORMAÇÃO FISCAL PARA CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Após as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornou-se despicienda a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário por perda de objeto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Após as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornouse despicienda a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário por perda de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 74 /2 00 9- 67 Fl. 780DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 14120.000174/200967 Acórdão n.º 2401004.996 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Despacho Decisório (fl. 680), exarado pela DRF/CGEMS, com a publicação do Ato Declaratório Executivo nº 44 de 2009 (fls.681 e 683), que decidiu pelo "Cancelamento de Isenção de Contribuições Sociais" de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei no 8.212/1991, concedida à Recorrente. No presente processo, conforme narrado na Informação Fiscal de fls.02 a 08, foi proposto o Cancelamento da Isenção de Contribuições Previdenciárias em virtude de a Recorrente não ter atendido ao disposto nos incisos III a V do artigo 55, da Lei n° 8.212/1991 e nem ao requisito do Decreto 2.536/98 (aplicação de 20% da receita bruta em gratuidade). Ato contínuo foi emitida uma Representação Administrativa RA para o CNAS Conselho Nacional de Assistência Social por descumprimento das condições e dos requisitos previstos nos artigos 2° e 3° do Decreto n° 2.536, de 06/04/1998, que dispunha sobre a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, alterado pelo Decreto n° 3.504, de 13/06/2000 e, posteriormente, revogado pelo Decreto nº 7.237/2010. A Recorrente, cientificada em 07/07/2009 (fl. 143) da Informação Fiscal que propôs o cancelamento da isenção de contribuições previdenciárias, e em 22/07/2009 protocolou sua Impugnação de fls. 144 a 192 dirigida à DRF/CGEMS. A Seção de Fiscalização SAFIS da DRF/CGEMS emitiu Despacho Decisório (fl. 680) decidindo pelo "Cancelamento de Isenção de Contribuições Sociais", com publicação do Ato Declaratório Executivo nº 44/2009 (fl. 681) no Diário Oficial da União em 14/09/2009 (fl. 682). A Recorrente tomou ciência da Decisão em 22/09/2009 através do TERMO DE CIÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO enviado via Correio (AR fl. 684) e, em 21/10/2009 e, tempestivamente, apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 685/749) dirigido ao CARF, onde se insurge contra o cancelamento da isenção e pleiteia a anulação do ato administrativo que culminou com o Ato Declaratório Executivo n° 44/2009. No CARF, o Relator proferiu despacho (fls.763/764) devolvendo o processo à origem para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, conforme previsto no art. 45 do Decreto nº 7.237/2010. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT da DRF/CGE MS recebeu os Autos e emitiu a Informação Fiscal nº 0234/2013 (fls.759/760), no sentido de que no âmbito da referida DRF todos os procedimentos pertinentes ao cumprimento do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, foram adotados. Os Autos foram encaminhados a DRJ/CGEMS para a continuidade do trâmite administrativo. Fl. 782DF CARF MF 4 Em 10/07/2014 a DRJ emitiu Despacho de Devolução (fls. 763/764) onde: diz que a matéria tratada nos presentes Autos foge à sua competência, uma vez que os trâmites seguem rito específico previsto no Decreto nº 3.048/1999, combinado com o art. 29, da Lei nº 11.457/2007; e sugeriu o retorno dos Autos à SACAT da DRF/CGEMS a fim de que este seja encaminhado ao presente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 14120.000174/200967 Acórdão n.º 2401004.996 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade A contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Ato Declaratório Executivo n° 44/2009 que cancelou a isenção conforme publicação do Diário Oficial e Termo de Ciência (fls. 685/749). Conforme se destaca no Relatório, trata o presente processo de cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias, de acordo com o narrado na informação fiscal de fls. 02 a 08. Após ciência da Informação Fiscal, o sujeito passivo protocolou impugnação (fls.144 a 192), tendo sido emitido despacho decisório pela DRF/CGEMS pelo cancelamento da isenção (fls.674/680), com a publicação do ADE nº 44/09 (fls.681 e 682). Por ocasião do despacho nº 2401030, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 753/754), foi determinado o encaminhamento do presente processo à unidade de origem para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção. A Sacat da DRF/CGE recebeu os autos e emitiu a informação de fl.759, no sentido de que no âmbito da referida DRF todos os procedimentos pertinentes ao cumprimento do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, já teriam sido adotados, e remeteu os autos a esta DRJ para procedimentos da alçada desta. Em Despacho adunado às fls. 763/764, a DRJ/CGE entendeu que a matéria tratada nos presentes autos foge da competência da DRJ, tendo em vista o rito específico previsto no Decreto nº 3.048/1999. Após informação de fls. 766 o processo foi encaminhado ao CARF. Com efeito, a admissibilidade do Recurso Voluntário passa pela análise da mudança superveniente da legislação através de um breve levantamento cronológico dos fatos: · A Informação Fiscal IF propondo o cancelamento da isenção foi lavrada em 26/06/2009, sendo cientificada à Contribuinte em 07/07/2009 (fl. 143). · Foi apresentada impugnação à IF em 22/07/2009 (fls.144 a 192); · O cancelamento da isenção através do ADE nº 44/09 foi publicado no Diário Oficial em 14/09/2009; · O Recurso Voluntário foi protocolado em 21/10/2009; Fl. 784DF CARF MF 6 · Em 30/11/2009 foi publicada a Lei nº 12.101/2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, e estabeleceu o seguinte: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. · Em 21/11/2010 foi publicado o Decreto nº 7.237/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/2009, e foi posteriormente revogado pelo Decreto nº 8.242/2014 que assim dispõe: Art. 47. O direito à isenção das contribuições sociais somente poderá ser exercido pela entidade a partir da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da União, desde que atendidos cumulativamente os requisitos previstos na Lei no 12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 48. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 46, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, com o relato dos fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contado de sua intimação. § 3o O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 1972. (...) Art. 50. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados a sua unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 14120.000174/200967 Acórdão n.º 2401004.996 S2C4T1 Fl. 5 7 Juntamente com a Informação Fiscal a autoridade fiscalizadora ainda lavrou os autos de infração de números 35.193.1622, 35.193.1630, 35.193.1649, 35.193.1657, através dos quais estão sendo discutidos a efetiva existência dos créditos tributários. O processo ora sob julgamento versa sobre a Informação Fiscal relacionada ao cancelamento da isenção da Contribuinte. No entanto, conquanto sua lavratura tenha sido adequada à época, com a mudança da legislação, e tendo em vista a regra insculpida no art. 144, §1º, do CTN, tornouse despicienda a sua propositura, tendo em vista que todos os fatos que justificam a constituição do crédito tributário deverão ser discutidos no bojo dos Autos de Infração correspondentes à exigência dos respectivos créditos, com amplo direito à defesa. Assim, tendo em vista o acima exposto, entendo que a Informação Fiscal perdeu seu objeto, uma vez que a análise do cancelamento da isenção deve ser perfectibilizada nos autos dos Processos Administrativos relacionados aos Autos de Infração, o que tem como consequência a perda de objeto do Recurso Voluntário que busca combatêla. Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por perda do objeto. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 786DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.906579/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 06 57 9/ 20 14 -9 7 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Foi exarado despacho decisório indeferindo o pedido de restituição do contribuinte, do exercício de 2013, no valor de R$ 1.777,44 conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 02. A autoridade fiscal indeferiu o pedido de restituição em face do pagamento objeto do pedido de restituição estar alocado aos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade (fl.10 e fl.19), alegando, em síntese, que é portador de moléstia grave do período de 11.04.2006 a 11.04.2011, além do período de novembro de 2012 a novembro de 2017, e, consequentemente, isento do imposto de renda, tendo retificado sua declaração dos exercícios de 2009 a 2012, tornando o pagamento objeto do pedido de restituição indevido. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade (Acórdão 0437.815 – fls. 27/28), nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A falta de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte impede seu reconhecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 54/55), no qual o contribuinte Informa que no decorrer de 11/04/2006 a 11/04/2011 e novembro de 2012 foi acometido por doença grave conforme laudos anexados ao presente processo. Nesses períodos, recolheu através de DARF, código 0211, IRPF indevidamente, pois já estava isento de acordo com a Lei nº 7.713/88. Conforme consta do acórdão recorrido, restou evidenciado que somente uma parte do imposto seria isento, quais sejam, novembro e dezembro de 2012. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 4 3 Informa que até a data da interposição do recurso ainda não havia sido ressarcido dos valores. Nesses termos, requer a revisão do acordão hostilizado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 15/06/2015, conforme fl. 51, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 16/06/2015 (fl.54). 2. DO MÉRITO Tratase de pedido de restituição interposto com vistas a reaver o valor do Imposto de Renda de Pessoa Física referente ao exercício 2013, Ano Calendário 2012, no valor total de R$ 1.777,44 (hum mil setecentos e setenta e sete reais e quarenta e quatro reais). A isenção do imposto de renda sobre proventos da aposentadora está prevista na Lei nº 7.713, de 1998, artigo 6º, inciso XIV, com redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004, a saber: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”; Ainda em relação à isenção acima referida, a Lei nº 9.250, de 1995, no artigo 30 e §§ estabeleceu a forma do seu reconhecimento. Recordese: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 6 5 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)”. Portanto, a isenção dos rendimentos dependem da comprovação que eles sejam decorrentes de aposentadoria ou reforma; que a doença esteja arrolada no inciso XIV, artigo 6º da Lei nº 7.713/88 e que o interessado apresente laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, fixando o prazo de validade e a data de início da incapacidade provocada pela doença. No caso presente, o interessado comprovou a moléstia grave, bem como a sua condição de aposentado. Assim, resta nos autos a discussão de qual o período a isenção é devida. Compulsando os autos, verificase que o Contribuinte foi considerado, inicialmente, mediante laudo médico pericial, emitido em 16/01/2013, portador de carcinoma de próstata, CID C 61, 150, 125.5, neoplasia maligna, desde 11/04/2006. O mesmo laudo, todavia, considerou a moléstia como passível de controle, determinando a sua validade até 11/04/2011 (fl.21). Por outro lado, consta um segundo laudo médico, datado de 03/09/2013, no qual se observa que o contribuinte foi acometido por câncer de pele (CID C44.2 e C44.6) desde novembro de 2012, sendo a doença passível de controle e a validade do laudo até 08/11/2017. A DRJ em Campo Grande entendeu que não assiste razão ao contribuinte tendo vista que o apenas os rendimentos recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro de 2012 são tributáveis. Recordese: “Não assiste razão ao contribuinte que apresentou o laudo médico oficial do INSS caracterizando a moléstia a que foi acometido o contribuinte no período de 11.04.2006 a 11.04.2011, e novembro de 2012 a novembro de 2017 fls. 10. Considerando que o ano calendário relativo aos recolhimentos referemse a 2012 e a isenção a partir de novembro de 2012, somente uma parte dos rendimentos recebidos em 2012, quais sejam os recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro/2012 tributáveis. Considerando ainda que não há elementos nos autos para que se identifique os rendimentos tributáveis e isentos no período de 2012, não há como se deferir o pedido de restituição por falta de liquidez e certeza, pois, o pedido de restituição foi do recolhimento do imposto sobre a renda do ano todo de 2011, cuja declaração original considerou os rendimentos tributáveis, que ocasionou os recolhimentos. Pelos motivos acima, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado”. Ocorre que, conforme se observa da Manifestação de Inconformidade (fl.10), o contribuinte informa que confeccionou declaração retificadora (nº 2264179196), relativa aos Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.603 S2C4T1 Fl. 7 6 exercícios 2010; 2011; 2012 e 2013, anoscalendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, requerendo a restituição dos valores que estaria isento nesse período. Entendo que, para que se possa ter certeza dos limites da lide e não remanesçam dúvidas acerca do tema, devese realizar diligência, solicitando à Secretaria da Receita Federal do Brasil junte aos autos cópias das declarações do imposto de renda do contribuinte durante o período questionado, ou seja, relativa aos exercícios 2010; 2011; 2012 e 2013, anos calendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, bem como das declarações retificadoras. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726965/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas.
ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis.
Numero da decisão: 2401-005.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 65 /2 01 0- 86 Fl. 321DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10580.726965/201086 Acórdão n.º 2401005.081 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1449.852/2014, às efls. 231/239, que julgou procedente o lançamento fiscal, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações incorretas, deixando de declarar a totalidade dos pagamentos feitos a segurados contribuintes individuais, além do valor dos serviços a ela prestados por cooperados através de cooperativa de trabalho, em relação ao período de 01/2006 a 04/2006, conforme Relatório Fiscal, às efls. 29/38, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: DEBCAD n° 37.058.2578 Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n° 8.212/91, inciso IV e § 3°, acrescentados pela Lei n° 9.528/97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, Código de Fundamentação Legal CFL 68. Informa a fiscalização em seu relatório que a empresa não incluiu em suas GFIP, na sua totalidade, os pagamentos feitos aos contribuintes individuais registrados nas contas 4.1.01.03.006 Serviços Prestados Pessoa Física, 4.1.01.03.018 Serviço Manutenção Geral, 4.1.01.03.020 Serviço Manutenção Equipamentos Hospitalares, 4.1.1.03.022 Serviço de Manutenção de Equipamentos não Médicos Hospitalares, 4.2.01.02.025 Despesas de Complementarização, 4.2.01.12.999 Outras Despesas não Dedutíveis, 4.2.01.04.007 Honorários Advocatícios e 4.2.01.03.007 Representação Diretoria Técnica. Também não foi incluído em GFIP as remunerações pagas às cooperativas através de suas notas fiscais de prestação de serviços, contabilizadas nas contas 4.1.01.03.012 Serviços Hospitalares, 4.1.01.03.010 Serviços Médicos, 2.1.01.02.023 – COOPRO, entre outras. Para as competências até 11/2008, deve a fiscalização proceder à comparação de multas a serem aplicadas, levandose em consideração a legislação anterior e a introduzida pela edição da Medida Provisória MP 449/2008, transformada em Lei 11.941/2009, em atendimento ao contido no art. 106, II, “c”, do CTN, que trata da retroatividade benigna em termos de penalidade a ser aplicada. Diante disso, concluiu a fiscalização, conforme tópico específico do Relatório Fiscal da Multa Aplicada do RF, que, para as competências 01/2006 e 04/2006, objeto deste AIOA, é mais benéfico ao contribuinte a aplicação da multa calculada com base na legislação anterior à MP, conforme planilha constante no citado tópico do RF, e lavrase o presente AIOA. Toda a sistemática de comparação, critérios, legislação e planilhas estão demonstradas no item Relatório Fiscal da Multa Aplicada. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 243/249, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugnando inicialmente pelo enviou das notificações e/ou intimações ao endereço dos patronos, sob pena de nulidade. Fl. 323DF CARF MF 4 Insurgese quanto a exigência de depósito prévio de 30% do valor discutido em débito para conhecimento do recurso, visto que tal exigência já foi devidamente considerada inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, aduz que visa impedir a cobrança da multa por suposto descumprimento de obrigações acessórias dispondo sobre o art. 442 da CLT que autoriza a relação contratual com cooperativas. Faz um histórico da legislação que trata de cooperativas desde a Lei Complementar nº 84/96 até sua revogação pela Lei nº 9.876/99 que modificou a Lei nº 8.212/91, aduzindo que é inconstitucional a contribuição em discussão, já que há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, a lei ordinária em comento usurpou competência prevista no art. 146, inciso III, alínea “c”, da CF, eis que, em se tratando de matéria envolvendo atividade cooperativa, o instrumento normativo é lei complementar, e, a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode criada mediante Lei Complementar. Afirma ter o STF no julgamento do RE 595838 declarada inconstitucional a contribuição sobre serviços de cooperativas de trabalho, anexando tal decisão. Explicita não haver qualquer renúncia ou desistência ao litígio na esfera administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.726965/201086 Acórdão n.º 2401005.081 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. A apresentação de GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias é obrigação da empresa, determinada por dispositivo legal art. 32, inc. IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, c/c art. 225, inciso IV e § 4º do RPS, na redação vigente à época da lavratura, e ao deixar de proceder em consonância com o estabelecido, estará cometendo infração à legislação previdenciária. O foco das alegações da recorrente, em suma, consiste no que se sintetizou no Relatório que precede a este Voto, ou seja, asseverando que a Lei nº 9.876/99 revogou a Lei Complementar nº 84/96, aduz que é inconstitucional a contribuição disposta no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, já que i) há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, e, ii) a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, c/c 154, I, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode ser criada mediante Lei Complementar. Neste contexto, necessário trazer à pauta os limites deste julgamento administrativo. Há que se destacar que um dos princípios basilares da administração pública é o da legalidade, princípio que obsta a aplicação da discricionariedade pelo gestor público, ou seja, existe a obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Assim, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, surtirá efeito enquanto vigente e será obrigatoriamente cumprida pela administração por força do ato administrativo vinculado. Não é possível, em sede administrativa, afastar a aplicação de legislação em vigor, conforme estabelece o art. 18 da Portaria RFB nº 10.875, de 16/08/2007 (DOU de 24/08/2007) e art. 26A do Decreto n° 70.235/1972, acrescentado pela MP 449, de 03/12/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, este transcrito abaixo: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Fl. 325DF CARF MF 6 Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da legislação aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por fim, a interessada requer que sejam notificados/intimados os advogados constituídos da impugnante, no endereço destes. Observase que, na presente fase do processo administrativo fiscal, no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB), aplicamse as seguintes determinações constantes no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, este abaixo: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113); ou IV por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 25): a) no endereço da administração tributária na Internet; b) em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação;ou c) uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. §1° A utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). §2° Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.726965/201086 Acórdão n.º 2401005.081 S2C4T1 Fl. 5 7 II o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, inciso II, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113). § 3° O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2° somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 5º, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113) Conforme parágrafo 1º do art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, entre as formas de cientificação do sujeito passivo constantes nos incisos I a III não há ordem de preferência e a RFB utilizase, nesta fase do julgamento administrativo, a via postal ou via eletrônica. Neste contexto, verificase que o local legalmente determinado para o recebimento de intimações, é aquele eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio tributário (endereço, postal fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado). Portanto, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome e no endereço do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal ou eletrônica, endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, II e III, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97 e pelos dispositivos elencados acima. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 327DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000248/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 42.
Não está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que possui imóvel alcançado por desapropriação pelo poder público, Súmula 42 do CARF.
Numero da decisão: 2401-005.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 42. Não está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que possui imóvel alcançado por desapropriação pelo poder público, Súmula 42 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 02 48 /2 01 1- 43 Fl. 380DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11060.000248/201143 Acórdão n.º 2401005.052 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório RAUL HENRIQUE SOUTHALL ESPÓLIO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado o Auto de Infração abaixo declinado, concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao ano calendário 2008, conforme Relatório Fiscal às efls. 263/268, e demais documentos que instruem o processo, consubstanciados no AI às efls. 260/262. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/05/2011, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL. Falta de recolhimento do imposto incidente sobre os ganhos de capital, conforme Relatório da Fiscalização. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 348/365, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo que a desapropriação do imóvel rural deuse com o fim exclusivo de promover a reforma agrária. Tal operação está abrangida pelo disposto no artigo 184, § 5°, o qual prevê a não incidência de impostos, entre eles o Imposto de Renda de Ganho de Capital, sobre as transferências de imóvel desapropriado para fins de reforma agrária. Junta a cópia do processo administrativo de desapropriação aos autos a fls. 27/217 trazendo inúmeros elementos que apontam, de forma incontroversa, a finalidade da desapropriação do imóvel rural do contribuinte, qual seja, implementar a reforma agrária. Insurgese quanto ao posicionamento da Autoridade Tributária que concluiu como o decreto de desapropriação foi embasado no artigo 5°, inciso XXIV, da Constituição, não seria possível considerar a desapropriação sub examine efetuada para fins de reforma agrária. Por conseguinte, em se tratando de suposta desapropriação por interesse social genérica, entende o Fisco Federal que haveria a incidência do IRPF sobre o ganho de capital oriundo da indenização recebida pelo Recorrente. Afirma constar do próprio decreto de desapropriação, Decreto de 04 de novembro de 2008, que foi declarado sobre o bem interesse social "para fins de estabelecimento e manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola" (artigo 1°), bem como que restou atribuída ao INCRA a tarefa de promover e executar a desapropriação do imóvel rural em questão (artigo 3°). Fl. 382DF CARF MF 4 Esclarece que o imóvel transmitido ao INCRA em virtude da desapropriação consiste nas frações de terra de 2.098,1664ha. e de 1.467,48ha., que fazem parte do imóvel denominado "Estância do Céu" e encontramse registradas no Ofício de Registro de Imóveis de São Gabriel (RS) sob matrículas 6.363 e 11.975. Examinando as matrículas, constatase que a desapropriação em comento foi averbada no Ofício de Registro de Imóveis nos seguintes termos: O imóvel objeto da presente matrícula foi declarado como sendo de interesse social ou utilidade pública para fins de Reforma Agrária. Aduz restar incontestável que a desapropriação do imóvel rural, registrado no Ofício de Imóveis de São Gabriel (RS) sob matrículas 6.363 e 11.975, se deu por interesse social para fins de reforma agrária. A maior prova disso é a menção expressa nesse sentido na averbação realizada nas matrículas dos bens a requerimento do INCRA. Pugna também, em atenção ao princípio da eventualidade, isto é, na remotíssima hipótese de se considerar que a desapropriação em comento não se deu com a finalidade de promover a reforma agrária, mas sim com base em interesse social genérico, cumpre evidenciar que, ainda assim, não se vislumbraria hipótese de incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital. Explicita sobre o Imposto de Renda, o signo presuntivo de riqueza alvo de tributação consiste no acréscimo patrimonial decorrente da obtenção de renda e proventos de qualquer natureza, conforme disposto no artigo 43 do CTN. Somente nas situações em que a verba recebida pela pessoa aumentar o seu patrimônio haverá a incidência do Imposto de Renda. Afigurase indispensável perquirir acerca da natureza jurídica da verba percebida pelo proprietário nos casos de desapropriação por necessidade ou utilizada pública, ou por interesse social. Transcreve o artigo 5o, inciso XXIV, da Constituição, o qual disciplina o instituto da desapropriação genérica. Desse modo, considerando que tal verba possui caráter indenizatório, ou seja, consiste em mera recomposição do valor do bem desapropriado, infirmar não haver que se falar em incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital, porquanto não se verifica acréscimo patrimonial. Este, aliás, o sentido da expressão "justa indenização" constante do texto constitucional, a qual não pode ser reduzida pela incidência do IRPF. Relata sobre a suposta ausência de desapropriação ventilada na decisão recorrida, sendo uma manifesta afronta aos fatos que embasaram o próprio lançamento tributário e às provas produzidas nos autos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a nulidade do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11060.000248/201143 Acórdão n.º 2401005.052 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. Conforme já relatado, contra o contribuinte em epígrafe, foi lavrado o Auto de Infração às fls. 260/262 concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao anocalendário 2008, conforme Relatório Fiscal às efls. 263/268, e demais documentos que instruem o processo. Por sua vez o contribuinte esclarece que a desapropriação do imóvel rural deuse com o fim exclusivo de promover a reforma agrária. Tal operação está abrangida pelo disposto no artigo 184, § 5°, o qual prevê a não incidência de impostos, entre eles o Imposto de Renda de Ganho de Capital, sobre as transferências de imóvel desapropriado para fins de reforma agrária. Junta a cópia do processo administrativo de desapropriação aos autos a fls. 27/217 trazendo inúmeros elementos que apontam, de forma incontroversa, a finalidade da desapropriação do imóvel rural do contribuinte, qual seja, implementar a reforma agrária. Afirma constar do próprio decreto de desapropriação, Decreto de 04 de novembro de 2008, que foi declarado sobre o bem interesse social "para fins de estabelecimento e manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola" (artigo 1°), bem como que restou atribuída ao INCRA a tarefa de promover e executar a desapropriação do imóvel rural em questão (artigo 3°). Aduz restar incontestável que a desapropriação do imóvel rural, registrado no Ofício de Imóveis de São Gabriel (RS) sob matrículas 6.363 e 11.975, se deu por interesse social para fins de reforma agrária. A maior prova disso é a menção expressa nesse sentido na averbação realizada nas matrículas dos bens a requerimento do INCRA. Pugna também, em atenção ao princípio da eventualidade, isto é, na remotíssima hipótese de se considerar que a desapropriação em comento não se deu com a finalidade de promover a reforma agrária, mas sim com base em interesse social genérico, cumpre evidenciar que, ainda assim, não se vislumbraria hipótese de incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital. Explicita sobre o Imposto de Renda, o signo presuntivo de riqueza alvo de tributação consiste no acréscimo patrimonial decorrente da obtenção de renda e proventos de qualquer natureza, conforme disposto no artigo 43 do CTN. Somente nas situações em que a verba recebida pela pessoa aumentar o seu patrimônio haverá a incidência do Imposto de Renda. Afigurase indispensável perquirir acerca da natureza jurídica da verba percebida pelo proprietário nos casos de desapropriação por necessidade ou utilizada pública, ou por interesse social. Transcreve o artigo 5°, inciso XXIV, da Constituição, o qual disciplina o instituto da desapropriação genérica. Fl. 384DF CARF MF 6 Desse modo, considerando que tal verba possui caráter indenizatório, ou seja, consiste em mera recomposição do valor do bem desapropriado, infirmar não haver que se falar em incidência do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital, porquanto não se verifica acréscimo patrimonial. Este, aliás, o sentido da expressão "justa indenização" constante do texto constitucional, a qual não pode ser reduzida pela incidência do IRPF. Como se verifica do documento de efl. 303, área de propriedade do recorrente foi declarada de interesse social, para fins de estabelecimento e manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola. Consta também averbação na matrícula do imóvel, a requerimento do INCRA, a declaração da gleba como sendo de interesse social ou utilidade pública para fins de Reforma Agrária, efl. 310. Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, o contribuinte trouxe à colação, desde a ocasião da impugnação, o decreto e a escritura acima mencionados, bem como diversos outros documentos complementares que atestam a veracidade de suas alegações e argumentos. Neste diapasão, não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. Conforme entendimento doutrinário, a desapropriação é instituto que deve ser enxergado pela ótica constitucional, desprezandose qualquer outra norma, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. Pois é a própria Constituição Federal, portanto, que, no artigo 5º, inciso XXIV, assegura aos expropriados a justa e prévia indenização em função da desapropriação de bem imóvel por necessidade pública ou interesse social. Em outras palavras, os valores recebidos em razão de desapropriações são indenizações que têm por objetivo não somente ressarcir o expropriado pela perda do bem, mas também indenizálo pelos lucros cessantes e pelo atraso do poder público em ressarcilo. A justa indenização é expressão que só admite ampla interpretação, sob pena de desvirtuar os desígnios do legislador constituinte. Para a indenização ser justa, é preciso que nela também estejam compreendidos todos os valores que efetivamente repõem a perda suportada pelo beneficiário dos rendimentos. É precisamente por este motivo que a exigência do imposto de renda, na espécie, não pode ser analisada sob o enfoque das isenções. O que se deve ter em mente é a hipótese de não incidência do imposto, visto que as indenizações apenas recompõem o patrimônio, em nada o acrescem. Quanto a matéria, peço vênia, para adotar como razões de decidir o voto da lavra da Ilma. Conselheira Dra. Ana Paula Fernandes, condutor do Acórdão 9202003.772, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual transcrevo: De fato, o imposto sobre a renda, como o próprio nome está a indicar, incide sobre a renda ou proventos de qualquer natureza assim entendidos os acréscimos patrimoniais que decorrem de algo preexistente: a fonte produtora (art. 43, I e II do CTN). Todavia, na desapropriação não há ato de alienação que possa dar margem ao ganho de capital. Na desapropriação surge a justa e prévia indenização em dinheiro (art. 5°, XXIV, da CF) para recompor o patrimônio desfalcado pelo poder público. Observo atentamente que o acórdão recorrido explicita que deixou de aplicar a isenção prevista no diploma constitucional, pelo fato de que o decreto de Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11060.000248/201143 Acórdão n.º 2401005.052 S2C4T1 Fl. 5 7 desapropriação anexado aos autos, não tinha como objeto Reforma Agrária, mas sim para fins de utilidade pública, como melhoramento de vias e logradouros públicos, execução de planos de urbanização, e/ou ampliação do campo de pouso para aeronaves. A jurisprudência acerca da matéria também é farta, tanto que no RESP 111.6460 em sede de repetitivo de controvérsia, o ministro Fux exacerba que o STJ já firmou jurisprudência no sentido da nãoincidência da cobrança sobre as verbas auferidas a título de indenização oriunda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, por não representar acréscimo patrimonial. Ou seja, ele deixa claro que o que importa é que se trate de desapropriação, não importando a qual título. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Argüição de Inconstitucionalidade parcial do inciso II, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão só, forma de reposição, Fl. 386DF CARF MF 8 em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso II, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da não incidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Independentemente da finalidade da desapropriação, importante firmar que ela se dá por ato do Poder Público, portanto, por ato de vontade externa ao contribuinte no intuito de atender ao interesse de toda coletividade. Se o contribuinte opta por fazêla de modo amigável ou não, o que importa é que o tenha feito com base em decreto de desapropriação, a fim de formalizar o ato em si, e diferenciálo de uma simples negociação de compra e venda. Insta aqui salientar que o § 2º, do art. 27 da lei básica da desapropriação, Decreto lei n.° 3.365/41, não está derrogado pela lei de imposto de renda e dispõe que: "na transmissão de propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, não ficará sujeita ao imposto de lucro imobiliário”. Além das razões encimadas, a jurisprudência uníssona é no posicionamento pela não incidência do imposto de renda em casos de desapropriação, tendo tais posicionamentos, inclusive, motivado a elaboração da Súmula CARF n° 42, de aplicação obrigatória por parte dos Conselheiros deste Tribunal, in verbis: CARF Súmula n° 42: Não incide imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Desse modo, observados os dispositivos legais aplicáveis ao caso, corroborados pelas provas dos autos, afasto a aplicação de imposto de renda por ganho de capital sobre os valores advindos da desapropriação. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11060.000248/201143 Acórdão n.º 2401005.052 S2C4T1 Fl. 6 9 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720227/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009
RECURSO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. DUPLICIDADE. EQUÍVOCO.
Confirma-se, em sede de recurso de ofício, a exclusão de valores incluídos na base de cálculo do tributo, quando comprovado o lançamento em duplicidade.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL.
Na hipótese de pagamento de remuneração variável com base na Participação nos Lucros ou Resultados, o fato gerador das contribuições previdenciárias é mensal e aperfeiçoa-se no último átimo do respectivo mês em que ocorreu a prestação de serviços pelos trabalhadores. A partir daí, conta-se o prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício, quando há antecipação de pagamento.
NULIDADE. DEFICIÊNCIA DA CAPITULAÇÃO LEGAL.
Descabe cogitar de nulidade do lançamento tributário quando os requisitos legais para a lavratura do auto de infração foram devidamente observados pela autoridade fiscal.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS DESLIGADOS. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS.
Nas situações de desligamento de segurado empregado, decorrentes de rescisão do contrato de trabalho, a parcela paga na rescisão a título de Participação nos Lucros ou Resultados não entra no cômputo da vedação ao pagamento em mais de duas vezes no ano civil ou em periodicidade inferior ao previsto na lei de regência. Em todos os casos comprovados nos autos, por meio de documentação hábil, afasta-se a incidência da tributação por desrespeito à periodicidade.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. MAIS DE UM INSTRUMENTO COLETIVO DE NEGOCIAÇÃO. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. COMPATIBILIZAÇÃO.
Não há óbice na lei de regência ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados mediante dois planos distintos, tais como convenção e acordo coletivo. Nada obstante, é obrigatória a compatibilização, na origem, entre os instrumentos coletivos de negociação para a realização dos pagamentos a um mesmo segurado em frequência igual ou superior ao prazo legalmente estipulado e, no máximo, duas vezes no mesmo ano civil, sob pena de incidência da tributação sobre os valores pagos.
TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA (INCRA). INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula Carf nº 2)
Numero da decisão: 2401-004.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria, não reconhecer a decadência da competência 03/2009, vencido o relator. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores lançados referentes à empregada Elizabeth Piovezan Benamor. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR que, dentro de cada semestre civil, não excederam a periodicidade semestral. Os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa também votaram pela exclusão dos valores relativos à empregada Elizabeth Piovezan Benamor. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Julgamento iniciado na reunião de junho, quando o relator proferiu o seu voto. Julgamento realizado em julho, sem a presença do relator, pois faltou à sessão de julgamento do dia 3/7/2017.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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BASE DE CÁLCULO. DUPLICIDADE. EQUÍVOCO. Confirmase, em sede de recurso de ofício, a exclusão de valores incluídos na base de cálculo do tributo, quando comprovado o lançamento em duplicidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. TERMO INICIAL DO PRAZO QUINQUENAL. Na hipótese de pagamento de remuneração variável com base na Participação nos Lucros ou Resultados, o fato gerador das contribuições previdenciárias é mensal e aperfeiçoase no último átimo do respectivo mês em que ocorreu a prestação de serviços pelos trabalhadores. A partir daí, contase o prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício, quando há antecipação de pagamento. NULIDADE. DEFICIÊNCIA DA CAPITULAÇÃO LEGAL. Descabe cogitar de nulidade do lançamento tributário quando os requisitos legais para a lavratura do auto de infração foram devidamente observados pela autoridade fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS DESLIGADOS. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. Nas situações de desligamento de segurado empregado, decorrentes de rescisão do contrato de trabalho, a parcela paga na rescisão a título de Participação nos Lucros ou Resultados não entra no cômputo da vedação ao pagamento em mais de duas vezes no ano civil ou em periodicidade inferior ao previsto na lei de regência. Em todos os casos comprovados nos autos, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 27 /2 01 4- 97 Fl. 4285DF CARF MF 2 meio de documentação hábil, afastase a incidência da tributação por desrespeito à periodicidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. MAIS DE UM INSTRUMENTO COLETIVO DE NEGOCIAÇÃO. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. COMPATIBILIZAÇÃO. Não há óbice na lei de regência ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados mediante dois planos distintos, tais como convenção e acordo coletivo. Nada obstante, é obrigatória a compatibilização, na origem, entre os instrumentos coletivos de negociação para a realização dos pagamentos a um mesmo segurado em frequência igual ou superior ao prazo legalmente estipulado e, no máximo, duas vezes no mesmo ano civil, sob pena de incidência da tributação sobre os valores pagos. TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA (INCRA). INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4286DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.285 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria, não reconhecer a decadência da competência 03/2009, vencido o relator. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores lançados referentes à empregada Elizabeth Piovezan Benamor. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores pagos a título de PLR que, dentro de cada semestre civil, não excederam a periodicidade semestral. Os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa também votaram pela exclusão dos valores relativos à empregada Elizabeth Piovezan Benamor. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Julgamento iniciado na reunião de junho, quando o relator proferiu o seu voto. Julgamento realizado em julho, sem a presença do relator, pois faltou à sessão de julgamento do dia 3/7/2017. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 4287DF CARF MF 4 Relatório Tratamse de recurso voluntário (fls. 4187/4242) e de ofício interpostos em face do acórdão nº. 0738.318 (fls. 4077/4109) proferido pela DRJ Florianópolis/SC, cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. A contribuição para o INCRA, mesmo após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. A decadência das contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 4288DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.286 5 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os Autos de Infração (AI DEBCAD n° 51.059.2902, AI DEBCAD n° 51.059.2910 e AI DEBCAD n° 51.059.2929) do presente processo originamse da exigência de contribuições não recolhidas à Seguridade Social e a Terceiros, em razão de ter a fiscalização considerado que os pagamentos à título de Participação nos Lucros ou Resultados teriam sido realizados em desacordo com a Lei 10.101, de 2000, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 122/163. O processo foi constituído dos seguintes autos de infração: a) AI DEBCAD n° 51.059.2902, no valor de R$ 10.183.300,80, que apura as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR; b) AI DEBCAD n° 51.059.2910, no valor de R$ 1.461.082,35, que apura as contribuições devidas às Terceiras Entidades e Fundos (Terceiros): FNDE (Fundo Nacional) de Desenvolvimento da Educação), INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), incidentes sobre valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR; c) AI DEBCAD n° 51.059.2929, no valor de R$ 1.106.880,54, que apura as contribuições devidas às Terceiras Entidades e Fundos (Terceiros): SESI (Serviço Social da Indústria) e SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), incidentes sobre valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. Cabe ressaltar que, no período fiscalizado, a autuada mantinha convênio regular com estas duas entidades, razão por que as contribuições foram levantadas em Auto de Infração em separado A ora recorrente tomou ciência dos referidos AI em 31/03/2014 (fl. 5). Segundo a Autoridade fiscal, foram apuradas as seguintes irregularidades: a) SOUZA CRUZ efetuou o pagamento de verbas a título de PLR, em diversas competências do ano de 2009, com base em Acordos Coletivos pactuados com entidades sindicais, conforme o nível salarial a que pertencem seus empregados, dividindoos nas seguintes categorias: Grupos Salariais 34, 35, 36, 37, 38, 39 e acima aplicáveis aos empregados de nível gerencial; e Profissionais e Operacionais aplicáveis aos demais empregados da Empresa, nãogerentes, de acordo com a característica funcional de cada um. Fl. 4289DF CARF MF 6 Explica que ao longo do procedimento fiscal a Empresa apresentou os Acordos de PLR pagos em 2009, relativos a diversos exercícios, aos empregados de nível Gerencial (Anexo III Acordos de PLR Nível Gerencial) e de níveis Profissional e Operacional (Anexo IV Acordos de PLR Níveis Profissional e Operacional). Discorre a respeito do procedimento adotado para apuração dos valores pagos indevidamente a título de PLR, conforme segue: Esclarece, ainda, que efetuou os cálculos dos valores pagos a título de PLR aos empregados da Empresa e constatou que, embora o cálculo estivesse correto, o pagamento foi feito em desacordo com a lei de regência. Desta forma, somente os beneficiários relacionados na planilha do Anexo I – “Pagamentos Irregulares a Título de PLR” fazem parte do presente levantamento. Os códigos de rubricas de folha de pagamento 9177, 9178 e 9179, vistos no item 4.4 do REFISC, dizem respeito a tipos de PLR concedidos pela Fiscalizada que não foram considerados irregulares no presente levantamento. Frisa que nenhum dos diversos Acordos relacionados nos itens 4.2 e 4.3 do relatório fiscal faz referência expressa a mais de dois pagamentos por ano, seja a que exercício se referir. Porém, a combinação de regras de distribuição de parcelas de mais de um Acordo referente à mesma categoria de empregados, seja por liquidação do PLR do biênio Fl. 4290DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.287 7 2008/2009 ou antecipação do biênio 2009/2010, cria a situação onde diversos empregados recebem pagamentos a título de PLR por mais vezes ao ano do que a lei permite. Alega que a despeito de a Fiscalizada possuir diversas categorias de PLR, cabendo a alguns integrantes de nível Gerencial, por exemplo, o enquadramento em mais de uma categoria, há que se concluir que todos os valores pagos em 2009 têm exatamente a mesma natureza, qual seja "pagamento de Participação nos Lucros e Resultados", independente da denominação que venha a ser dada pela Empresa ou a que biênio se refira. Por fim, diz que a Lei n° 10.101/2000 não exige que a distribuição de Lucros deva, necessariamente, ser feita em pagamento único, com a lavratura de apenas um Acordo entre empregados e entidade sindical, e com uma só denominação. Tampouco obsta a celebração de acordo com regras distintas por categoria funcional de trabalhadores, decorrência natural do fato de que não é necessário estender à totalidade dos empregados o programa da PLR. Desta forma, se assim quisesse, a empresa poderia ter criado todas as categorias de PLR que possui no momento, acordando com a entidade sindical ou comissão de empregados o pagamento de antecipação em determinada competência e a consolidação final em competência diversa, com mais de seis meses de intervalo, totalizando no máximo dois pagamentos ao ano. Após a apresentação de sua peça impugnatória (fls. 3328/3371), foi inicialmente o julgamento da mesma na instância a quo convertido em diligência, nos seguintes termos (fls. 3690/3692): Pelo que se extrai dos dados acima, ao que tudo indica, algumas parcelas de PLR foram realmente lançadas em duplicidade. Diante disso, entendo que se faz necessária a realização de diligência à autoridade lançadora, a fim de que esta apresente os esclarecimentos pertinentes em relação à insurgência da Autuada, uma vez que inexistem nos autos elementos suficientes que possibilitem formar convicção. Outrossim, caso se reconheça pela procedência da alegação, cumpre a autoridade fiscal elaborar uma planilha complementar demonstrando a inconsistência apurada, por DEBCAD`s, estabelecimentos e competências, bem como os valores anteriores e os novos (DE/PARA), nas quais as contribuições lançadas deverão sofrer retificação em razão da situação exposta. Dessa forma, com base no disposto nos arts. 18 a 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, PROPONHO o encaminhamento dos autos à autoridade lançadora para esclarecimentos/revisão do lançamento quanto à situação acima relatada. Por fim, dêse ciência ao sujeito passivo sobre o resultado da diligência, fornecendolhe também cópia deste despacho, bem como sobre as novas informações trazidas aos autos pela autoridade lançadora, para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Às fls. 3715/3720, foi realizado o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, onde a autoridade lançadora informa que, de fato, as bases de cálculo originalmente Fl. 4291DF CARF MF 8 apuradas estavam em duplicidade. Cientificada do resultado, a ora recorrente não apresentou contrarrazões. A peça impugnatória da contribuinte foi julgada parcialmente procedente, mantendose, em parte, os créditos tributários apurados nos AI DEBCAD n° 51.059.2902, AI DEBCAD n° 51.059.2910 e AI DEBCAD n° 51.059.2929, nos seguintes termos: Em face do referido acórdão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 4187/4242, alegando, em síntese: • Que o dispositivo legal que embasou a exigência tributária (art. 22, inciso I da Lei nº 8.212/91) traz uma redação genérica, não determina matéria tributável ou penalidade cominada ao Contribuinte nem faz menção à suposta violação a Lei n° 10.101/00. Prossegue afirmando que a inobservância da exigência da correta capitulação legal possui o condão de viciar, de forma insanável, o respectivo auto de infração, uma vez que impossibilitando o conhecimento dos elementos o seu direito de defesa resta cerceado. • Que o presente Auto de Infração foi lançado em 31.03.14, por entender o Fiscal que a recorrente deixou de recolher as contribuições a terceiros incidentes sobre fatos geradores ocorridos no período de 03/2009 a 12/2009. Assim, aduz que o débito em debate encontrase parcialmente fulminado pela decadência, posto que lançado quando já transcorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional • No que concerne às questões de mérito, alega que o descumprimento de uma simples formalidade legal nos Fl. 4292DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.288 9 pagamentos das participações nos lucros não possui o condão de autorizar que tais parcelas sejam integradas à base de cálculo das contribuições previdenciárias. • Requer, caso o pedido de anulação integral da autuação não seja acolhido, que sejam excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias os pagamentos das primeira e segunda parcelas aos segurados, realizados com intervalo semestral, bem como aqueles pagamentos ocorridos na mesma data de PLR, já que sobre esses pagamentos não há que se cogitar qualquer descumprimento da periodicidade prevista na Lei n° 10.101/00; a impossibilidade de a participação nos lucros integrar o conceito de “saláriodecontribuição”; a exclusão das parcelas lançadas em duplicidade; e a inexigibilidade da contribuição ao INCRA. • Reforça que, em que pese a Lei nº 7.787/89 ter sido expressa no sentido de que a contribuição ao INCRA teria sido extinta, cabe ressaltar que as leis nºs 8.212/91 e 8.213/91, que tratam do custeio e do plano de benefício da Previdência Social, respectivamente, também não contemplaram a referida contribuição. • Destaca a impossibilidade de caracterização da contribuição ao INCRA como Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, sendo evidente que a cobrança da mesma não mais encontra respaldo no ordenamento jurídico pátrio. • Afirma que, sendo firmado posicionamento no sentido que há amparo legal para a cobrança da contribuição ao INCRA, cumpre determinar a sua base de cálculo para que seja analisada a possibilidade da sua incidência sobre a participação nos lucros. • Afirma que tais parcelas não são enquadradas como salário. Evoca o que dispõe o artigo 7º, inciso XI da Constituição Federal, pela qual o constituinte originário optou por deixar expressa a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. • Suscita que das dezenas de negociações que estipulavam que a recorrente distribuiria seus lucros sempre foi previsto o pagamento em um mês específico, com o adiantamento parcial em outro mês, sempre respeitado o intervalo de seis meses, conforme regras previstas nos programas próprios. • Alega que somente efetuou o pagamento da participação nos lucros em periodicidade superior à definida em lei em razão da única possibilidade fática e jurídica possível de coadunar dois instrumentos válidos e de observância cogente. • Afirma que, além da hipótese supracitada de mudança de categoria sindical, outra situação ensejou esporádicos pagamentos em mais de duas datas no mesmo semestre civil pela recorrente, pagamentos estes que, da mesma forma, encontram Fl. 4293DF CARF MF 10 se amparados pela legislação trabalhista, visto que foram todos feitos a funcionários que tiveram seu contrato de trabalho extinto. • Suscita que a interpretação dada à legislação infraconstitucional, no sentido de que o desrespeito a alguma formalidade no pagamento da participação nos lucros ensejaria a sua integração ao saláriodecontribuição dos empregados, frustra a efetividade do texto constitucional, o que não pode prevalecer. • Conclui que a rígida interpretação da Lei nº 10.101/00 a ponto de ensejar a cobrança de contribuições previdenciárias sobre a PLR em razão de descumprimento de simples formalidade, também viola o art. 218, §4º da Constituição Federal. • Pede, subsidiariamente a exclusão das parcelas pagas com o intervalo semestral de que trata a Lei 10.101. /2000. Destaca que o entendimento que determina a exclusão das parcelas pagas em respeito à periodicidade de 6 (seis) meses é pacífico tanto no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como no âmbito do Poder Judiciário. • Busca esclarecer, por fim, que a autuação incluiu indevidamente parcelas pagas no mesmo período a título de PLR, mas que apenas por um controle contábil interno são divididas em duas rubricas. É o relatório. Fl. 4294DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.289 11 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Do recurso de ofício O presente recurso de ofício decorre da exclusão da base de cálculo do lançamento originariamente realizado, dos valores lançados em duplicidade, em decorrência de equívoco do AFRFB que fora induzido a erro pelos próprios documentos fornecidos pela contribuinte. Assim, discorro as razões apontadas no próprio acórdão recorrido, as quais são suficientemente claras para entender que se tratou, de fato, de um equívoco que fora sanado e não maculou o lançamento: Em análise preliminar, uma vez que não há nos autos elementos suficientes que possibilitem formar convicção, essa autoridade julgadora propôs a realização de diligência, através o despacho da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, de 16 de setembro de 2014, a fim de que o auditor notificante apresentasse os esclarecimentos pertinentes à insurgência da Autuada. E caso se reconhecesse a procedência da alegação, que fosse elaborada uma planilha complementar demonstrando a inconsistência apurada, por DEBCAD´s, estabelecimentos e competências, bem como os valores anteriores e os novos (DE/PARA), nas quais as contribuições lançadas deverão sofrer retificação em razão da situação exposta. Em cumprimento à solicitação de diligência, foi emitido o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, anexo às folhas 3715/3714, onde a autoridade lançadora, com base na nova documentação apresentada pela Empresa, assim concluiu: Fl. 4295DF CARF MF 12 Pelo que se observa do supracitado termo, as bases de cálculo originalmente apuradas, no valor total de R$ 20.492.829,45, foram revisadas e as eventuais impropriedades identificadas foram retificadas, consoante Anexos elaborados pela autoridade lançadora. Assim sendo, considerando que a Fiscalizada, cientificada do resultado da diligência, não apresentou suas contrarazões, entendo que devese manter as novas bases de cálculo apuradas no valor total de R$ 10.731.101,48. Assim, mantenho o entendimento da instância a quo e nego provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário 1) Preliminarmente 1.1) Da Decadência Pleiteia a recorrente a decadência do lançamento correspondente ao pagamento da PLR na competência 03/2009. O presente lançamento foi cientificado à recorrente em 31/03/2014 (fl. 5), razão pela qual os lançamentos que contemplam o período até 31/03/2009 estariam decaídos por força da contagem do prazo decadencial pelo art. 150, § 4º do CTN. Trata o presente lançamento de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários da recorrente, sendo que, se verificado o recolhimento parcial do referido tributo na determinada competência, a contagem do prazo decadencial se dá a partir da ocorrência do fato gerador (pagamento), por força da Súmula CARF nº. 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na Fl. 4296DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.290 13 competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nos termos da decisão da DRJ, que ao que parece, compulsou os sistemas informatizados da RFB, temos que: Compulsando os autos e analisando as competências compreendidas no presente lançamento (03/2009 a 07/2009 e 09/2009 a 12/2009), verificase que, para o fato gerador do lançamento, ocorreu recolhimento parcial anterior ao início do procedimento de fiscalização em todas as referidas competências, conforme registrado nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. E, conforme o entendimento manifestado no Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, devese aplicar a regra contida no § 4º, art. 150 do CTN para todas as competências abrangidas no presente Auto de Infração. Assim, consubstanciada a existência de pagamento parcial, voto por reconhecer a decadência da incidência da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos de PLR na competência 03/2009. 1.2) Nulidade por Deficiência da Capitulação Legal Alega a recorrente que seria nulo o auto de infração por insuficiência de capitulação legal apta a ensejar o lançamento. Aponta que haveria afronta ao artigo 11, III, do Decreto 70.235/72 e, assim, seria nulo o auto de infração por infringência ao art. 142 do CTN, ao passo que somente o Art. 22, I, da Lei nº. 8.212/91 não seria suficiente para a lavratura do auto de infração em atendimento aos requisitos legais. Ora, ao discorrer sobre todos os pagamentos de PLR da recorrente, analisar seus programas, características etc e desqualificálos como tal (PLR), e fazer incidir a contribuição previdenciária prevista no art. 22, I, da Lei nº. 8.212/91, não configura qualquer nulidade do Auto de Infração. Assim, afasto a preliminar aventada, posto que os requisitos legais para a lavratura do auto de infração foram devidamente observados pela autoridade fiscal, em especial o art. 10 do Decreto 70.235/72 e 142 do CTN. 2) Do Mérito 2.1) Do Programa de Participação nos Lucros Diz a Carta Política de 1988: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 4297DF CARF MF 14 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (grifouse) (...) Como se percebe da leitura do trecho destacado, a PLR desvinculada da remuneração é um direito social previsto expressamente no texto constitucional. Entretanto, tratase de preceito de eficácia limitada, pois submetido ao regramento definido em lei, o qual lhe dá capacidade de produzir os efeitos visados pelo legislador constituinte. Ainda que a lei admita certa flexibilidade na negociação e elaboração do instrumento de ajuste entre empresas e empregados, prevendo formalidades, critérios e parâmetros mínimos ou mesmo indutivos, em alguns casos, a PLR desvinculada da remuneração está condicionada, necessariamente, à observância do estabelecido pela lei ordinária. No âmbito das contribuições previdenciárias, a Lei nº 8.212, de 1991, contém previsão de não incidência tributária para a participação nos lucros ou resultados da empresa, desde que paga ou creditada de acordo com a lei específica: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) A lei específica a que alude a lei previdenciária é a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, a qual disciplinou a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, nos termos da regulamentação exigida pelo inciso IX do art. 7º da Constituição da República de 1988. Reproduzo, abaixo, alguns dos seus artigos: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.291 15 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Primeiramente, entendo que deve ser afastada a alegação da recorrente de que a previsão constitucional do art. 7º, XI, por si só, configura imunidade à participação nos lucros e resultados percebidos pelos trabalhadores e, consequentemente, seria ilegal as estipulações impostas para fins de evitar a incidência tributária (entendase Lei nº. 10.101/00). Como se vê do próprio texto constitucional, este atribuiu à legislação infraconstitucional a regulação sobre a definição do pagamento sobre lucros ou resultados. Esta é, inclusive, a própria conclusão de acórdão mencionado pela recorrente em sede de recurso voluntário (Acórdão nº. 2401003.112): A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trab alho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000. (grifo nosso) Assim, entendo que a interpretação a ser empregada deve conjugar os dispositivos acima elencados, entendendose o comando constitucional que, é, sim, imunidade, como pacificamente reconhecido pela doutrina, o que todavia não significa deixar de reconhecer e atender aos requisitos da legislação infraconstitucional, que o regulam, interpretandoos em conjunto com a disposição e a intenção do constituinte. Fl. 4299DF CARF MF 16 Assim, sob estas disposições, passamos a analisar cada um dos fundamentos que levaram a fiscalização à descaracterizar o plano de Participação nos Lucros ou Resultados da recorrente. 2.2) Dos pagamentos que excedem a periodicidade 2.2.1) Das parcelas pagas na mesma data com registro contábil em separado Conforme demonstrado acima, o fundamento da autoridade fiscal que desqualifica o PLR da recorrente é a infringência ao § 2º do art. 3º da Lei nº. 10.101/2000, com redação vigente à época dos fatos, que vedava o pagamento em mais de duas parcelas no ano, respeitada a periodicidade semestral: Art. 3º. [...] § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Segundo a recorrente, tal fato decorreria da existência de pagamentos que, ainda que realizados num mesmo mês, por questão de controle contábil interno eram dividos em duas rubricas. Traz como exemplo: Em que pese a alegação da recorrente, quanto a esta fundamentação específica, entendo que esta não merece prosperar. Percebase que, ainda que os referidos pagamentos em março se tratassem de uma única parcela que tivesse simplesmente sido desmembrada para fins contábeis, a periodicidade estaria violada ante a existência de 3 pagamentos no mesmo ano civil. Neste caso, ante a ausência de pertinência da alegação da recorrente, afasto o argumento de mero equívoco contábil a fim de afastar a infração à periodicidade do pagamento da PLR. 2.2.2) Dos pagamentos a beneficiários desligados Art. 477, § 6º CLT Alega a recorrente que, alguns dos pagamentos que desobedeceram a regra da periodicidade decorrem da rescisão de contratos de trabalho que, por força da lei trabalhista, Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.292 17 exigem o pagamento da totalidade das verbas devidas aos empregados, por força do art. 477, § 6º da CLT: Art. 477 – É assegurado a todo empregado, não existindo prazo estipulado para a terminação do respectivo contrato, e quando não haja ele dado motivo para cessação das relações de trabalho, o direito de haver do empregador uma indenização, paga na base da maior remuneração que tenha percebido na mesma empresa. § 6º O pagamento das parcelas constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverá ser efetuado nos seguintes prazos: a) até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato; ou b) até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando da ausência do aviso prévio, indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento.” Colaciona o exemplo da Sra. Elizabeth Piovezan Benamor que, desligada em dezembro de 2009, recebeu naquele mês o valor da PLR a que teria direito em abril do ano seguinte, ferindo assim a periodicidade pois já havia recebido pagamento a título de PLR em outubro de 2009. Comprova, por meio de documentação hábil, o desligamento da referida empregada, o que, todavia, não tem o condão de estender a referida conclusão aos demais pagamentos colacionados pela fiscalização. Em que pese o hercúleo trabalho a que estaria submetida, deveria a recorrente juntar pormenorizadamente todos os termos de rescisão e respectivos comprovantes de pagamentos dos empregados que teriam recebido PLR fora da regra de periodicidade em razão do desligamento da empresa. Assim, ante a mera alegação por meio de um exemplo específico, entendo por insuficiente para afastar as razões do lançamento. 2.2.3) Do pedido de manutenção do lançamento somente sobre os pagamentos excedentes Pleiteia a recorrente, subsidiariamente, que o lançamento seja mantido somente sobre os valores que excedem a regra tida por violada pela autoridade fiscal, qual seja, a periodicidade do pagamento. Ou seja, pugna a contribuinte que não sejam os planos de PLR descaracterizados em sua totalidade e, assim, todos os pagamentos a este título sejam enquadrados como salário de contribuição, mas somente aqueles que excedam a regra prevista de dois pagamentos anuais respeitada a semestralidade. Colaciona jurisprudência neste sentido. Quanto ao pedido específico da recorrente, primeiramente temos que trazer a realidade fática em que a mesma se encontra e os planos de PLR analisados pela fiscalização. Fl. 4301DF CARF MF 18 Extraise do Relatório Fiscal que foram analisadas as dezenas de planos de PLR mantidas pela recorrente com os mais diversos sindicatos aos quais seus empregados estão vinculados, em diversas regiões. Nos termos da própria fiscalização, foi apurado o presente lançamento para fins de exigência somente em face daqueles empregados onde se constatou irregularidade no pagamento (ou seja, mais de duas parcelas), sem se desconsiderar os pagamentos feitos aos demais empregados onde não se apurou qualquer irregularidade. Dessa forma, visa a recorrente que, nesses levantamentos objeto da autuação, seja afastado o lançamento sobre a totalidade dos valores pagos (por exemplo, 3 parcelas) e mantido somente sobre o que se excede o permissivo legal (duas parcelas anuais). Neste sentido, entendo pertinente o pleito da recorrente. Ora, os planos foram analisados e se atestou que estes são válidos, foram devidamente elaborados e, portanto, os pagamentos realizados são sim decorrentes de programas de PLR. Se, como de fato percebido, para alguns funcionários, em determinados meses, independente de qual tenha sido o motivo, foram verificadas incorreções no pagamento da PLR que não tenham respeitado o dispositivo legal, por qual motivo deveriam todos os pagamentos perderem a natureza de PLR? Pensemos. Se desrespeitada a periodicidade, aqueles valores pagos (a título de exemplo, o primeiro de cada semestre), com base no programa aprovado, nas métricas estipuladas, de acordo com as regras dos programas, atendendo todos os seus requisitos, deveriam deixar de ser PLR? Ao que nos parece, não. Bem enfrentada esta matéria, o presente colegiado já a enfrentou e, em voto sob a relatoria do então i. presidente Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, assim decidiu no Acórdão nº. 2401004.218 PAF nº. 16327.001625/201026: Especificamente quanto ao desrespeito à periodicidade legal, temos que o vício pode se reportar à formulação do plano, que prevê pagamentos, por exemplo, em três parcelas no mesmo ano civil, ou pode se referir à execução do plano, ou seja, a formulação atende à periodicidade legal, mas quando foi efetuado o pagamento, ele transgride o pacto e, consequentemente, a legislação. Pelo critério que temos utilizado na análise do PLR, imperioso esta distinção entre os vícios relativos à formulação do plano e os vícios referentes à sua execução, fazem total diferença. Vejamos. A legislação estabelece um conjunto de regras para que determinada rubrica seja considerada como participação nos lucros ou resultados para fins de não incidência de contribuição previdenciária. Somente em caso de cumprimento de todos os pressupostos legais é que se pode afirmar que a rubrica tem natureza jurídica de participação nos lucros (senão vira prêmio ou, trivialmente, salário). Repisese, a regra é o pagamento integrar a remuneração e somente quando pertencente a um plano de participação nos lucros e resultados, inteiramente de acordo com a lei, nos termos do artigo 7°, XI, da CF, é que se pode atribuir a natureza excepcional de pagamento não integrante da remuneração. Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.293 19 Assim, se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reportase ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. No caso em comento, não consta que o PLR (conveção) ou o PR previram pagamentos em mais de duas parcelas ou em periodicidade inferiror a um semestre, de sorte que a formulação nos planos não foi o problema, mas sim a sua execução. Portanto, não devese desconsiderar integralmente o plano, formulado sob o enfoque da periodicidade, em respeito à legislação, mas apenas os pagamentos que transbordem as limitações legais. Assim, como constatado pelo próprio AFRFB que os planos de PLR da recorrente não ostentam quaisquer ilegalidades, voto no sentido de excluir do presente lançamento o primeiro pagamento a título de PLR em cada semestre dos meses não atingidos pela decadência (abril a dezembro de 2009), mantendo o presente lançamento somente sobre aqueles que ferem a referida regra de periodicidade, ou seja, pagos em desacordo com o § 2º do art. 3º da Lei nº. 10.101/2000. Melhor explicitando, deverão ser excluídos do presente lançamento sempre do segundo pagamento em diante de cada semestre do anocalendário de 2009, posto que pagos em desacordo com os Planos de PLR da recorrente. 2.3) Da Inexigibilidade das contribuições ao INCRA Pleiteia a recorrente a inexigibilidade das contribuições exigidas, incidentes sobre a base de cálculo apurada em decorrência da descaracterização dos pagamentos a título de PLR, destinadas ao INCRA. Apresenta uma série de argumentos a fim de afastar a referida exigência. Em que pesem as alegações da recorrente, entendo que estas possuem, ao final, nítido caráter constitucional e, adentrar na análise das mesmas, implicaria em violação à Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, corroborase tal entendimento com o próprio reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da Repercussão Geral da matéria, por meio do RE nº. 630.898. Assim, por entender devida a referida contribuição, posto que consubstanciada em legislação (ainda) vigente, afasto as alegações da recorrente neste ponto específico. CONCLUSÃO Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário e de ofício para, no mérito: Fl. 4303DF CARF MF 20 a) negar provimento ao recurso de ofício; b) dar parcial provimento ao recurso voluntário, para o fim de: b.1) reconhecer a decadência para o lançamento da competência 03/2009; b.2) afastar o lançamento sobre os valores pagos a título de PLR que, dentro de cada semestre civil do anocalendário de 2009, excedam a periodicidade semestral. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.294 21 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia para divergir do I. Relator, no que tange ao reconhecimento da decadência na competência 03/2009, à incidência de tributação sobre os valores pagos à segurada desligada Elizabeth Piovezan Benamor e ao afastamento do lançamento sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados, com base na falta de extrapolação da periodicidade dos pagamentos. Decadência Na hipótese dos autos, que trata de pagamento de remuneração variável com base na Participação nos Lucros ou Resultados, o fato gerador das contribuições previdenciárias é mensal e aperfeiçoase na competência em que realizada a prestação de serviços pelos trabalhadores. Mais especificamente, o critério temporal que delimita a hipótese de incidência para o nascimento da obrigação tributária concretizase no último átimo do respectivo mês. Tendo em conta a contagem do prazo decadencial quinquenal na forma do §4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), pela existência de antecipação de pagamento, seria possível o lançamento do crédito tributário relativo à competência 03/2009 até o dia 31/03/2014. Dado que a ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse exatamente nesse mesmo dia, 31/03/2014 (fls. 5), não há que se falar em decadência da competência 03/2009. Pagamentos a beneficiários desligados Art. 477, § 6º, CLT Nesse ponto do recurso voluntário, concordo com todas as ponderações do I. Relator, no sentido de que os casos de desligamento de segurado empregado, decorrentes de rescisão do contrato de trabalho, devem ser excluídos da regra geral da vedação do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados em mais de duas vezes no ano civil ou em periodicidade inferior ao previsto na lei de regência (art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000). A toda a evidência, ao pagamento na rescisão do contrato de trabalho, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, não se cogita, em princípio, de forma disfarçada de substituição ou complementação da remuneração devida ao trabalhador. Fl. 4305DF CARF MF 22 Embora comprovado, por meio de documentação hábil, o desligamento de um dos trabalhadores da empresa, trazidos como exemplo, a Srª Elizabeth Piovezan Benamor, o conjunto fáticoprobatório pontual carreado aos autos não possui o condão de estender a referida conclusão aos demais pagamentos colacionados pela fiscalização. Contudo, em relação a Sra. Elizabeth Piovezan Benamor, que, desligada em dezembro de 2009, recebeu naquele mês o valor da Participação nos Lucros ou Resultados a que teria direito em abril do ano seguinte, as provas estão juntadas aos autos. Ao menos nesse exemplo, a recorrente desincumbiuse do seu ônus probatório. Logo, cabe excluir os valores lançados referentes à empregada Elizabeth Piovezan Benamor. Manutenção do lançamento fiscal somente sobre os pagamentos excedentes A existência de pagamentos em desacordo com o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, não acarreta, indistintamente, a incidência da contribuição previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados. A tributação do somatório dos pagamentos efetuados é medida necessária apenas quando existe vício na formulação do plano de Participação nos Lucros ou Resultados, em que o próprio instrumento de negociação transgride a disciplina prevista na Lei nº 10.101, de 2000. Ao revés, quando a mácula está circunscrita à execução do plano, devem integrar a remuneração do trabalhador tão somente os pagamentos extras que extrapolem às limitações legais. Nessa hipótese, os pagamentos realizados conforme a sistemática de desoneração operaram efeitos plenos, não sendo contaminados pelas irregularidades posteriores. Por sua vez, com base na disciplina estabelecida pela Lei nº 10.101, de 2000, não vislumbro obstáculo à coexistência simultânea de diferentes instrumentos de negociação coletiva para regulamentar o pagamento pela empresa da Participação nos Lucros ou Resultados aos segurados empregados, tais como convenção e acordo coletivo, como forma de adequação às peculiaridades empresariais e aos interesses específicos das partes envolvidas. De igual maneira, inexiste vedação no texto legal de regência à fixação de uma parcela de antecipação a título de Participação nos Lucros ou Resultados. Porém, em qualquer caso de mais de um instrumento de negociação válido no período de aferição é obrigatório o respeito ao critério de periodicidade dos pagamentos disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, avaliado no conjunto, uma vez que o legislador ordinário elegeu, como regra cogente, para afastar a incidência da norma tributária, o cumprimento de determinado parâmetro objetivo no que diz respeito à Participação nos Lucros ou Resultados. Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 16682.720227/201497 Acórdão n.º 2401004.913 S2C4T1 Fl. 4.295 23 Com essa linha de pensamento, verifico que o Relatório Fiscal que integra a autuação fiscal, acostado às fls. 122/162, é bastante claro que, no caso do processo em apreço, a extrapolação da regra de periodicidade contida no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, não é reflexo da simples falha da execução do programa de Participação nos Lucros ou Resultados da empresa autuada, mas sim da ausência de compatibilização, na origem, entre os diferentes instrumentos coletivos de negociação. Para melhor compreensão dos fatos, transcrevo a parte correspondente da acusação fiscal (fls. 156): (...) 4.9 Analisando os termos dos diversos Acordos relacionados nos itens 4.2 e 4.3 e constantes dos Anexos III e IV, percebese que nenhum deles faz referência expressa a mais de dois pagamentos por ano, seja a que exercício se referir. Porém, a combinação de regras de distribuição de parcelas de mais de um Acordo referente à mesma categoria de empregados, seja por liquidação do PLR do biênio 2008/2009 ou antecipação do biênio 2009/2010, cria esta situação em que diversos empregados recebem pagamentos a título de PLR por mais vezes ao ano do que a Lei permite. 4.10 Considerando isto, e a despeito de a empresa possuir diversas categorias de PLR, cabendo a alguns integrantes de nível Gerencial, por exemplo, o enquadramento em mais de uma categoria, há que se concluir que todos os valores pagos em 2009 têm exatamente a mesma natureza, qual seja "pagamento de Participação nos Lucros e Resultados", independente da denominação que venha a ser dada pela empresa ou a que biênio se refira. Desta forma, ficam vinculados estritamente aos preceitos exarados pela Lei nº 10.101/2000, a lei específica que definiu os requisitos para concessão da PLR atribuídos pela Constituição Federal. 4.11 A Lei nº 10.101, de 2000 não exige que a distribuição de Lucros deva, necessariamente, ser feita em pagamento único, com a lavratura de apenas um Acordo entre empregados e entidade sindical, e com uma só denominação. Tampouco obsta a celebração de acordo com regras distintas por categoria funcional de trabalhadores, decorrência natural do fato de que não é necessário estender à totalidade dos empregados o programa da PLR. Desta forma, se assim quisesse, a empresa poderia ter criado todas as categorias de PLR que possui no momento, acordando com a entidade sindical ou comissão de empregados o pagamento de antecipação em determinada competência e a consolidação final em competência diversa, com mais de seis meses de intervalo, totalizando no máximo dois pagamentos ao ano. No entanto, não o fez. (...) Fl. 4307DF CARF MF 24 O defeito reside na própria concepção dos planos, sem a necessária harmonização entre os acordos e convenções sindicais. Logo, todos os pagamentos apurados pela autoridade fiscal estão submetidos à incidência da contribuição previdenciária, assim como à tributação reflexa pelas contribuições devidas a terceiros. Por fim, cabe ressaltar que a autuada menciona em seu recurso voluntário situações de mudança da categoria do empregado dentro da empresa e/ou de mudança do sindicato a que estava subordinado, o que teria implicado o pagamento da participação nos lucros em periodicidade superior à definida em lei em razão da tentativa de coadunar dois instrumentos válidos e de observância cogente para o mesmo trabalhador. No entanto, tal discurso vem despedido de dados concretos, que permitam o julgador avaliar com segurança a ocorrência, bem como o alcance dessas situações excepcionais, as quais levariam à perturbação na execução do programa de Participação nos Lucros ou Resultados. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir os valores lançados referentes à empregada Elizabeth Piovezan Benamor. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 4308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.724620/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LAUDO TÉCNICO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
In casu, constando do laudo de avaliação técnica referida área, deve ser levado em consideração para comprovação.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXIGÊNCIA.
Para fins de dedução das áreas cobertas por florestas nativas da base de cálculo do ITR é exigível a informação tempestiva em Ato Declaratório Ambiental, a cada exercício, no prazo estabelecido na legislação infralegal.
VTN. LAUDO TÉCNICO. PREVALÊNCIA.
O Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, prevalece sobre o valor arbitrado para o Valor da Terra Nua - VTN.
Numero da decisão: 2401-004.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para: a) restabelecer a área de preservação permanente (1.659,44 ha) para fins de isenção; e b) determinar a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencida, em primeira votação, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que dava provimento parcial em menor extensão, apenas para adotar o VTN no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LAUDO TÉCNICO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. In casu, constando do laudo de avaliação técnica referida área, deve ser levado em consideração para comprovação. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXIGÊNCIA. Para fins de dedução das áreas cobertas por florestas nativas da base de cálculo do ITR é exigível a informação tempestiva em Ato Declaratório Ambiental, a cada exercício, no prazo estabelecido na legislação infralegal. VTN. LAUDO TÉCNICO. PREVALÊNCIA. O Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, prevalece sobre o valor arbitrado para o Valor da Terra Nua VTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 46 20 /2 01 1- 89 Fl. 916DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para: a) restabelecer a área de preservação permanente (1.659,44 ha) para fins de isenção; e b) determinar a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencida, em primeira votação, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que dava provimento parcial em menor extensão, apenas para adotar o VTN no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 917 3 Relatório COMPANHIA MELHORAMENTOS DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0352.573/2013, às efls. 795/815, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2007, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 04/11, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 21/11/2011 (AR. fl. 257), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Área de Floresta Nativa não comprovada Descrição dos Fatos: Fl. 918DF CARF MF 4 Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de área coberta de florestas nativas no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas de preservação permanente, de reserva legal e coberta por florestas nativas declaradas, respectivamente de, 2.432,7 ha, 1.772,9 ha e 719,0 ha, além de rejeitar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$1.067.882,00 (R$124,85/ha), arbitrando o valor de R$21.383.500,00 (R$2.500,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$2.563.98l,S3, conforme demonstrado às fls. 10. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 822/859, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, suscitando a improcedência do lançamento posto que faz jus à isenção do ITR/2007 de acordo com documentação comprobatória. Explica ter comprovada, de maneira inequívoca, por meio de laudo técnico devidamente documentado, que as áreas alegadas como sendo de reserva legal, preservação permanente e cobertas com vegetação nativa efetivamente existem e, que apenas não havia apresentado o ADA porque, embora requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA, os trabalhos em parte ainda não puderam ser concluídos por dificuldades práticas de adequação e de levantamento de georeferenciamento. Afirma que, diante da obtenção do ADA, ainda que este somente tenha sido obtido a partir do ano calendário de 2011, o fato é que este comprova existência das áreas de Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 918 5 preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, além da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel; Considera existir no imóvel áreas inaproveitáveis, as quais devem ser excluídas da incidência do ITR, tais como as áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por floresta nativa, que não podem ser tributadas, tendo em vista o que estabelece o art. 10, §l°, da Lei n° 9.393/96 e o art. 104 da Lei n° 8.171/91, que dispõe sobre a Política Agrícola Nacional. Salienta não restar dúvida quanto à isenção das referidas áreas, inclusive porque a própria fiscalização a reconhece, entretanto não a considera em razão da ausência do ADA e de que as datas das averbações das áreas de reserva legal terem sido intempestivas para o exercício de 2007. Ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Aponta existir diferenças entre as dimensões apresentadas nos laudos técnicos e as contidas no ADA/2011 e que isso pode ser justificado pelas alterações decorrentes de mudanças na área e no levantamento topográfico realizado e apresenta quadro demonstrativo, requerendo sejam consideradas as áreas contidas no ADA/2011. Salienta ter apresentado Laudo Técnico comprovando a área de reserva legal e averbou nas matrículas 7.130 e 7.697, em 20.02.2008, a área de reserva legal, por regime de compensação do imóvel. Informa que as citadas matrículas se referem às áreas das Fazendas Levantina e Nova do Selado, em que foram averbadas as áreas de reserva legal de 1.923,0203 ha e 396,223 ha, respectivamente, para obter um mínimo de 20% estabelecido pela Lei n° 4.771/65; Aduz, ainda, além da averbação, houve a ratificação feita pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, em anexo, cumprindo, assim, a exigência da Lei n° 4.771/65. Insurgese, mesmo com a averbação e a ratificação do IEF, ter a fiscalização desconsiderado a existência dessas áreas pela alegação de que a averbação deveria ser feita até a data do fato gerador e que essa formalidade não pode prevalecer sobre a comprovação de sua existência, por respeito ao citado princípio da verdade material e cita jurisprudência Judicial e Administrativa para referendar seus argumentos. Destaca a sua atividade contida no Estatuto Social, que é a atividade de indústria de papel, celulose e pasta de madeira, bem como a silvicultura à base de florestas e Fl. 920DF CARF MF 6 reflorestamento, indagando se as áreas de reserva legal e preservação permanente não existissem seria até melhor, pois nelas poderia fazer o reflorestamento tão útil a sua atividade. Entende ser imprescindível que se considere, além das áreas de preservação permanente e de reserva legal, as áreas cobertas por florestas nativas, com previsão no art. 10, § 1°, II, “e”, da Lei n° 9.393/96, conforme consta do Laudo Técnico. Esclarece constar no Laudo Técnico uma área de 1.376,14 ha, relativa a vegetação nativa ou em estágio de regeneração avançada e que, portanto, essas áreas devem ser excluídas da área tributável para fins de ITR. Explicita que houve mais um equívoco por parte da fiscalização no que tange à fixação do grau de utilização do imóvel, por ter glosado as áreas de reserva legal, preservação permanente e floresta nativa, reduzindo o GU e, por conseqüência, aumentando a alíquota aplicada para 12%. Assim deve ser considerado o VTN apresentado no Laudo, bem como as áreas isentas (preservação permanente, reserva legal e floresta nativa) comprovadas pelo Laudo, aplicando a alíquota de 0,45%, posto que o GU é de quase 100%. Aduz ter a fiscalização equivocadose com a avaliação do hectare adotada com base no SIPT de R$2.500,00, desconsiderando aquele constante do Laudo apresentado de R$1.175,00/ha, que deve ser o considerado pela DRJ. Informar que o Laudo atende as normas da NBR 14.653 da ABNT, posto que foi elaborado com base em dados de preços de terras publicados anualmente pela Revista Agrianual, especializada na área, observando que o que valoriza o imóvel em tela são as plantações feitas nele. Assevera não haver a comprovação pela fiscalização de que não existem as áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, nem a comprovação de que a área não foi utilizada na proporção declarada, bem como que o VTN, nas condições específicas da terra em questão, é superior ao constante do laudo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 919 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas de preservação permanente, de reserva legal e coberta por florestas nativas declaradas, respectivamente de, 2.432,7 ha, 1.772,9 ha e 719,0 ha, além de rejeitar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$1.067.882,00 (R$124,85/ha), arbitrando o valor de R$21.383.500,00 (R$2.500,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$2.563.98l,S3, conforme demonstrado às fls. 10. Em outro viés, a contribuinte explica ter comprovada, de maneira inequívoca, por meio de laudo técnico devidamente documentado, que as áreas alegadas como sendo de reserva legal, preservação permanente e cobertas com vegetação nativa efetivamente existem e, que apenas não havia apresentado o ADA porque, embora requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA, os trabalhos em parte ainda não puderam ser concluídos por dificuldades práticas de adequação e de levantamento de georeferenciamento. Afirma que, diante da obtenção do ADA, ainda que este somente tenha sido obtido a partir do ano calendário de 2011, o fato é que este comprova mais uma vez que, apesar do erro da Recorrente em não declarar parte das áreas ambientais, o fato é que elas existem, estão devidamente comprovadas e sobre elas não pode haver a incidência do referido tributo, como pretende a decisão recorrida, sob pena de afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, colacionando jurisprudência administrativa a respeito. Considera existir no imóvel áreas inaproveitáveis, as quais devem ser excluídas da incidência do ITR, tais como as áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por floresta nativa, que não podem ser tributadas, tendo em vista o que estabelece o art. 10, §l°, da Lei n° 9.393/96 e o art. 104 da Lei n° 8.171/91, que dispõe sobre a Política Agrícola Nacional. Salienta não restar dúvida quanto à isenção das referidas áreas, inclusive porque a própria fiscalização a reconhece, entretanto não a considera em razão da ausência do ADA e de que as datas das averbações das áreas de reserva legal terem sido intempestivas para o exercício de 2007. Ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Fl. 922DF CARF MF 8 Afirma que as áreas de preservação permanente totalizam l.659,4 ha do imóvel e representam 19,35% da área total da propriedade que é de 8.573,82 ha, sendo que 340,72 ha são áreas com nascentes e 1.318,72 ha de curso d´água e que a fiscalização desconsiderou essas áreas, não se manifestando a esse respeito no auto de infração. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Salienta ter apresentado Laudo Técnico comprovando a área de reserva legal e averbou nas matrículas 7.130 e 7.697, em 20.02.2008, a área de reserva legal, por regime de compensação do imóvel. Informa que as citadas matrículas se referem às áreas das Fazendas Levantina e Nova do Selado, em que foram averbadas as áreas de reserva legal de 1.923,0203 ha e 396,223 ha, respectivamente, para obter um mínimo de 20% estabelecido pela Lei n° 4.771/65; Aduz, ainda, além da averbação, houve a ratificação feita pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, em anexo, cumprindo, assim, a exigência da Lei n° 4.771/65. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, bem como a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, de acordo a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido merece reforma, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 920 9 d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou mesmo a averbação procedida antes do fato gerador, não são, em si, exclusivas condições eleitas pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Fl. 924DF CARF MF 10 Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DE EQUÍVOCO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e conseqüente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 921 11 possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. É preciso deixar registrado que neste processo a lide diz respeito exclusivamente à glosa da área de reserva legal de 1.923,0 ha e da rejeição do VTN declarado e arbitramento de novo VTN, com base em valor apontado no SIPT, conforme consta da “Descrição dos Fatos”, às fls. 04/05. Quanto a área de preservação permanente e coberta por floresta nativa, a recorrente não declarou em sua DITR, não podendo retificála após início do procedimento fiscal, conforme muito bem fundamentado pela decisão de piso. ÁREA RESERVA LEGAL In casu, relativamente à Área de Reserva Legal, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante ao deslinde da controvérsia, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica nas matrículas da Averbação procedida à margem da matrícula do imóvel, datada de 20/02/2008, posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, às fls. 12, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesta mesma lógica, melhor sorte não está reservada à fiscalização e decisão de primeira instância quanto à exigência tempestiva do ADA. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Tribunal já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no Fl. 926DF CARF MF 12 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA referente a exercício posterior, como é o caso dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. O TRF da 4° Região editou em setembro de 2016 Súmula a respeito da matéria que assim dispõe, in verbis: Súmula nº 86 É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção de Imposto Territorial Rural ITR. Todavia, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de "reserva legal", é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel. Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada e mesmo a apresentação de ADA de período posterior, apresentados pela contribuinte se prestam a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Para corroborar ainda mais seus argumentos, a contribuinte anexou aos autos Laudo Técnico, comprovando a existência de área de reserva legal, às efls. 365/395 Se não bastasse todo o exposto, a 1° Turma da 1° Câmara deste Tribunal, em julgamento em face da mesma contribuinte, referente ao exercício 2006, entendeu válida a averbação antes de iniciada a ação fiscal, reconhecendo a isenção da área de reserva legal, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 922 13 APP. ADA TEMPESTIVO. Por disposição legal, a isenção de ITR para áreas de preservação permanente depende da apresentação de ADA tempestivo, conforme art. 17O da Lei nº 6.938/81. ARL. AVERBAÇÃO. Reconhecida exoneração de ITR para área de reserva legal cuja averbação na matrícula do imóvel ocorreu antes do início da ação fiscal. Caso dos autos. VTN. REVISÃO. A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14653/2004. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT. Recurso Voluntário Provido em Parte. Partindo dessas premissas, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte (laudo técnico), ainda que procedida à averbação intempestivamente (antes da ação fiscal), impõese o restabelecimento de referida área (1.932,02 ha), glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTA NATIVA A recorrente ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Entende ser imprescindível que se considere, além das áreas de preservação permanente e de reserva legal, as áreas cobertas por florestas nativas, com previsão no art. 10, § 1°, II, “e”, da Lei n° 9.393/96, conforme consta do Laudo Técnico. Esclarece constar no Laudo Técnico uma área de 1.376,14 ha, relativa a vegetação nativa ou em estágio de regeneração avançada e que, portanto, essas áreas devem ser excluídas da área tributável para fins de ITR. Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou mesmo a averbação procedida antes do fato gerador, não são, em si, exclusivas condições eleitas pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e de floresta nativa. Fl. 928DF CARF MF 14 Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de floresta nativa e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de floresta nativa e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 923 15 preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVOCO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e conseqüente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Para aclarar ainda mais esse Principio, a contribuinte apresentou ADA para o exercício de 2011. Fl. 930DF CARF MF 16 Nesse diapasão, constando do Laudo Técnico de Avaliação as áreas de preservação permanente e de floresta nativa, reconheço a existência das referidas áreas, devendo ser excluído do lançamento a incidência do ITR sobre 1.376,14 hectare (Floresta Nativa) e 1.659,44 hectare (Área de Preservação Permanente). DO VTN A contribuinte aduz ter a fiscalização equivocadose com a avaliação do hectare adotada com base no SIPT de R$2.500,00, desconsiderando aquele constante do Laudo apresentado de R$1.175,00/ha, que deve ser o considerado pela DRJ. Informar que o Laudo atende as normas da NBR 14.653 da ABNT, posto que foi elaborado com base em dados de preços de terras publicados anualmente pela Revista Agrianual, especializada na área, observando que o que valoriza o imóvel em tela são as plantações feitas nele. Assevera não haver a comprovação pela fiscalização de que não existem as áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, nem a comprovação de que a área não foi utilizada na proporção declarada, bem como que o VTN, nas condições específicas da terra em questão, é superior ao constante do laudo. Muito embora a recorrente tenha contestado o VTN arbitrado pela autoridade fiscal e mantido pela decisão a quo, não apresentou laudo técnico conforme a NBR 14.653 da ABNT, que possibilitasse à autoridade administrativa rever o valor lançado. Pois bem, da análise do laudo técnico de avaliação, efls. 359/390, penso que o mesmo fornece elementos que devem ser considerados para a finalidade a que se propõe, pois individualiza as áreas do imóvel, quantificandoas e classificandoas, bem como demonstrando as benfeitorias existentes no imóvel, além de fazer referência, também, ao processo avaliatório empregado métodos e critérios utilizados e nível de precisão, tendo apurado para o imóvel um VTN de R$ 1.175,00 por hectare. Portanto, o documento de prova além de ter sido emitido por profissional habilitado (Engº Agrônomo), devidamente acompanhado de ART’s, anotadas no CREA – MG, atende aos principais requisitos da norma da ABNT, a NBR 14.6533 e NBR 14.6531, em vigência desde 30/06/2004, indicando o método e apresentando os tratamentos estatísticos pertinentes. Observase que o laudo adotou a publicação da "renomada" revista Agrianual, por esta fazer uma média/levantamento sobre o Valor da Terra Nua de cada região do território nacional. Saliento que a publicação não se dá por contra prestação específica, tornandose documento hábil e idôneo. Assim sendo, devese adotar para o imóvel denominado “Fazenda Levantina" o VTN de R$ 1.175,00 por hectare, em substituição ao VTN arbitrado pela fiscalização. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, especialmente no que diz respeito ao pacto federativo. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 924 17 DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, DARLHE PROVIMENTO, a, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 932DF CARF MF 18 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu ponto de vista quanto ao restabelecimento das áreas de reserva legal e cobertas por florestas nativas. Área de Florestas Nativas As áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração não são tributáveis pelo Imposto Territorial Rural (ITR), segundo previsto na alínea "e" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente no ano de 2007: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...) Nada obstante, para fins de exclusão da tributação no tocante às áreas não tributáveis, entre elas as áreas de florestas nativas, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área no Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal (art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR). Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 925 19 Art. 10 (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) Em nível de lei, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. Cabe realçar que, segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981. Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua Fl. 934DF CARF MF 20 declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis Em verdade, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensado, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. Acontece que o Poder Judiciário tem inúmeras decisões no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, utilizando da interpretação do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Nesse sentido, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal. Por essa razão, acompanhei as conclusões do I. Relator para exclusão somente da área de preservação permanente, de modo a manter coerência com a conduta que seria adotada pela PFN, caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. Todavia, não há orientação em tal grau quanto às áreas de florestas nativas, previstas na alínea "e" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. À vista disso, ainda que o contribuinte tenha apresentado ADA para o exercício de 2011, como o lançamento referese ao exercício 2007, cabe respeitar o lançamento tributário sobre as áreas cobertas por florestas nativas, pela ausência de comprovação da informação tempestiva no ADA, no prazo estabelecido na legislação infralegal. Área de Reserva Legal Tratase de ITR, em relação ao exercício 2007. O fato gerador, portanto, deu se em 1º/01/2007. De acordo com os elementos que instruem os autos, a fiscalização glosou integralmente a área de reserva legal declarada. A área de reserva legal foi averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural em 20/02/2008. Para fins de apuração do ITR, o art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, afasta a tributação sobre a área de reserva legal. Reproduzo, novamente, a redação do dispositivo de lei na redação vigente no ano de 2007: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 926 21 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Porém, a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, reportase expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro. Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal. Transcrevo o § 8º desse artigo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...) (GRIFEI) Como se observa, a legislação traz a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, a fim de comprovar a área preservada destinada à reserva legal. O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva. Para escapar à incidência tributária é indispensável a prévia averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Exigese, portanto, a averbação anterior à data de ocorrência do fato gerador do imposto como prova da existência da área de reserva legal (art. 10, § 3º, inciso II, do Decreto nº 4.382, de 2002). Nesse passo, divergindo do I. Relator, a averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, ou mesmo a elaboração de Laudo Técnico, não têm o condão de suprir o requisito legal constitutivo da referida área, para fins de apuração do ITR. Fl. 936DF CARF MF 22 Conclusão Ante o exposto, relativamente às áreas cobertas por florestas nativas e à area de reserva legal, mantenho a glosa efetuada pela fiscalização, negando provimento ao recurso voluntário. Acompanho o I. Relator nos demais pontos do seu voto, quanto a restabelecer a área de preservação permanente e a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721021/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE.
É compatível com a Lei nº 10.101, de 2000, a existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO.
Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, é inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação fique restrita ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa.
Não há imposição na lei no sentido de que a disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados deva figurar no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, podendo o detalhamento pormenorizado, desde que mantida a harmonia com as regras gerais, estar estipulado em documentos apartados ou mesmo em outros canais de comunicação, sempre acessíveis ao trabalhador.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.
É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados.
No caso em apreço, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL.
A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS.
Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, desde que não acarrete, se efetivamente implementada, mudanças de conteúdo a ponto de corromper efetivamente o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. SEGURADOS EMPREGADOS.
O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias.
PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA.
O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-004.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidas em primeira votação as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencido em primeira votação o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, que negava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. É compatível com a Lei nº 10.101, de 2000, a existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, é inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação fique restrita ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição na lei no sentido de que a disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados deva figurar no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, podendo o detalhamento pormenorizado, desde que mantida a harmonia com as regras gerais, estar estipulado em documentos apartados ou mesmo em outros canais de comunicação, sempre acessíveis ao trabalhador. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso em apreço, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, desde que não acarrete, se efetivamente implementada, mudanças de conteúdo a ponto de corromper efetivamente o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. SEGURADOS EMPREGADOS. O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o salário-de-contribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
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PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. É compatível com a Lei nº 10.101, de 2000, a existência de pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos ao mesmo período de apuração, com base em convenção e acordo coletivo, ainda que não prevista a compensação de valores entre os instrumentos de negociação coletiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinamse, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, é inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação fique restrita ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundarse no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição na lei no sentido de que a disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados deva figurar no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, podendo o detalhamento pormenorizado, desde que mantida a harmonia com as regras gerais, estar estipulado em documentos apartados ou mesmo em outros canais de comunicação, sempre acessíveis ao trabalhador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 21 /2 01 4- 23 Fl. 3027DF CARF MF 2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso em apreço, os acordos coletivos foram assinados no mês de julho do anocalendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PREVISÃO DE REVISÃO DOS ACORDOS CELEBRADOS. Não há óbice que o acordo coletivo estabeleça, em caráter excepcional, devido a fatos supervenientes expressivos para as partes, a possibilidade de revisão de cláusulas ou a regulamentação de cláusulas antes não previstas, desde que não acarrete, se efetivamente implementada, mudanças de conteúdo a ponto de corromper efetivamente o instrumento original de negociação firmado, para fins da Lei nº 10.101, de 2000. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. SEGURADOS EMPREGADOS. O diretor estatutário, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção na sociedade por ações, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.028 3 qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriode contribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. PRÊMIO. PARCELA REMUNERATÓRIA. O pagamento de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do segurado empregado, integrando a remuneração e o salário decontribuição. Salvo as hipóteses de isenções, estão no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em pecúnia destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3029DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores referentes à participação nos lucros ou resultados pagos aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio de 2010; e b) excluir os valores da participação nos lucros ou resultados a diretores empregados (levantamento "PA"). Vencidas em primeira votação as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir apenas os valores descritos no item 'a'. Vencido em primeira votação o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, que negava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.029 5 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2822/2910) interposto em face do Acórdão nº. 1669.858 (fls. 2768/2810), cuja ementa restou assim redigida: SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9º, X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, que trata de direitos dos trabalhadores empregados. Integra a remuneração, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, a parcela a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada a administradores não empregados. PRÊMIOS. Os prêmios tem natureza salarial e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão previstas no art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Sobre a multa por lançamento de ofício, não paga no vencimento, incidem juros de mora. O presente processo administrativo é constituído pelos seguintes Autos de Infração: Fl. 3031DF CARF MF 6 a) DEBCAD nº 51.032.9217: AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais .O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 138.302.683,71 (cento e trinta e oito milhões, trezentos e dois reais mil, seiscentos e oitenta e três reais e setenta e um centavos), consolidado em 19/11/2014 b) DEBCAD nº 51.032.9225 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 13.782.464,54 (treze milhões , setecentos e oitenta e dois mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e cinqüenta e quatro centavos), consolidado em 19/11/2014. Os lançamentos incidem sobre valores pagos pela ora recorrente a título de "Participação nos Lucros ou Resultados" que, segundo a autoridade fiscal, não estariam de acordo com as disposições da Lei nº. 10.101/2000. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 1728/1784), a Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Citibank foi regida pelos seguintes documentos: a) Convenções Coletivas de Trabalho sobre PLR dos Bancos em 2009, 2010, 2011 e 2012 e b) Programa de Participação nos Resultados firmado entre o banco e seus empregados em 2010, 2011 e 2012 (fls. 1410/1510). Sobre o Programa de Participação nos Resultados celebrado entre o banco autuado e seus empregados, a Autoridade Fiscal apontou: a) Acordo para o Programa de Participação nos Resultados 2010, celebrado em 07 de dezembro de 2009, entre o banco e seus empregados, representados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro Contraí e pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência a partir de 01 de janeiro de 2010, por um ano; b) Acordo para o Programa de Participação nos Resultados 2011, celebrado em 07 de julho de 2011, entre o banco e seus empregados, representados pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2011, por um ano; e c) Acordo para o Programa de Participação nos Resultados 2012, celebrado em 05 de julho de 2012, entre o banco e seus empregados, representados pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2012, por um ano. Segundo a fiscalização, dois dos acordos de PLR (2011 e 2012) foram assinados retroativamente ao início de seus ano base e, portanto, não houve a negociação prévia prevista no art. 2º da Lei nº. 10.101/00. Ainda, menciona que dos instrumentos decorrentes das negociações não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e regras objetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.030 7 Concluiu a fiscalização que os acordos próprios apresentados pela empresa não se coadunam com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal benefício, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. Afirma, ainda, que o contribuinte, apesar de utilizar dois acordos, a PLR definida na Convenção Coletiva de Trabalho da Categoria Bancária não é compensada do programa próprio e PLR do banco, sendo o pagamento efetuado em folha de rubrica distinta. Assim, restaria claro que a empresa utiliza os dois planos, Acordos e Convenções Coletivas, os quais contemplam os mesmos empregados, sendo extensivos a todos estes, não obstante a legislação exigir que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Alega que a Lei nº. 10.101/00 é clara e o pagamento de PLR com base em dois acordos concomitantemente encontrase em desacordo com seus preceitos, devendo incidir, desta feita, Contribuição Previdenciária sobre a totalidade dos pagamentos realizados. Em relação aos pagamentos ocorridos durante o ano de 2010 verificase que a porcentagem de PLR em relação ao salário anual vai de 0,85% a 315,45%. Para o exercício de 2011 há uma variação entre 0,82% a 410,77%. No que tange aos pagamentos efetivados no ano de 2012 a porcentagem de PLR em relação ao salário anual estendese de 1,33% a 334,80% (planilha de fls. 1516/1532). Observa a Fiscalização que o montante altíssimo pago a determinados beneficiários correspondem a mais de 300% de seus salários anuais, o que caracteriza a substituição da remuneração dos empregados pela PLR, fenômeno proibido pela Lei 10.101/00. Depois de fazer várias considerações sobre a natureza dos valores pagos a título de PLR, tanto aos empregados quanto aos administradores, a autoridade fiscal registra que a fiscalizada é sociedade por ações regida pela Lei nº 6.404, de 1976, que tem por objeto social “a prática de todas as operações permitidas nas disposições legais e regulamentares, próprias aos Bancos Comerciais, às Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, aos Bancos de Investimento e às Sociedades de Crédito Imobiliário, atuando por carteiras, podendo, ainda, praticar operações compromissadas e atuar no mercado de câmbio, consoante o estabelecido pelo art. 2° do seu Estatuto Social.” Conforme previsto em seu Estatuto Social, com as alterações aprovadas conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 22 de novembro de 2010, a administração sociedade compete à Diretoria. Abaixo são reproduzidos excertos do estatuto social transcritos pelo AuditorFiscal e por ele sublinhados: Artigo 8ºA sociedade será administrada por uma Diretoria composta de dois a vinte membros, um deles com a designação de Diretor Presidente, podendo ser designado de 1 (um) a 3 (três) Diretores VicePresidentes, e os demais com a designação de Diretores Executivos, sendo um deles designado para assuntos legais corporativos, acionistas ou não, residentes no País, eleitos anualmente pela Assembléia Geral, permitida a Fl. 3033DF CARF MF 8 reeleição. Vencido o mandato, os Diretores continuarão no exercício dos seus cargos, até a posse dos novos eleitos. Parágrafo Único Os Diretores ficam dispensados de caução e seus honorários serão fixados pela Assembléia Geral que os eleger, sendo os mesmos levados à conta de despesas gerais Artigo 9º A investidura no cargo de Diretor farseá por termo lavrado no Livro de Atas de Reuniões da Diretoria, depois de aprovada sua eleição pelo Banco Central do Brasil. (...) Artigo 11 A Diretoria terá amplos poderes de administração e gestão dos negócios sociais, podendo deliberar sobre: (a) qualquer matéria relacionada com o objeto social ou sobre novas atividades, bem como: (b) adquirir, alienar e gravar bens imóveis, contrair empréstimos, dar caução, independentemente de autorização da Assembléia Geral. Parágrafo Primeiro Serão decididas pela maioria dos Diretores, em reunião, as matérias da alínea (a) supra. (... ) Parágrafo Quarto Todos os atos que criem obrigações para com a Sociedade, inclusive notas promissórias, letras de câmbio ou títulos equivalentes, bem como os atos que exonerem terceiros de obrigações para com a Sociedade, ou de movimentação ou extinção de contas de depósito bancário, serão assinados conjuntamente: (a) por dois membros da Diretoria; (b) por um deles e um procurador especial; ou (c) por dois procuradores especiais. Parágrafo Quinto Nos casos especiais que demandem o deslocamento de Diretores ou procuradores para outros Estados, que não o da sede da Sociedade, por determinação da Diretoria, em reunião, poderão se outorgados poderes específicos em nome de somente um procurador. Artigo 12 A Sociedade poderá, por dois de seus Diretores, ou isoladamente pelo diretor indicado para assuntos legais corporativos, nomear procuradores para representála nos limites dos poderes conferidos nos respectivos instrumentos de mandatos que, com exceção daqueles para fins judiciais, bem como para fins de representação em processos administrativos e procedimentos arbitrais, terão um período de validade limitado. Artigo 13 Compete ao Diretor Presidente: (a) representar a Sociedade isoladamente, ativa e passivamente, em Juízo ou fora dele, desde que em atos não compreendidos nas restrições estatutárias de assinatura dupla; (b) representar a Sociedade isoladamente em quaisquer atos, mesmo os compreendidos nas restrições estatutárias de assinatura dupla, desde que previamente autorizado pela Diretoria, em reunião, a praticar o ato; (c) dar voto de qualidade em caso de empate nas deliberações da Diretoria; (d) escolher, dentre os Vice Presidentes, o que deva substituílo nos impedimentos ou ausências temporárias Artigo 14 Compete aos demais Diretores: (a) superintender o andamento dos serviços da Sociedade em vários setores; (b) colaborar com o Diretor Presidente em tudo que se referir à Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.031 9 superintendência geral e administrativa da Sociedade, e, ao Diretor designado para assuntos corporativos; (c) a supervisão e formalização dos atos societários e demais assuntos corporativos. (gn) Alega também que nas Atas de Assembleia Geral que deliberam sobre a eleição e/ou reeleição dos membros da Diretoria, encontrase disposto: (...) Os Diretores poderão receber honorários pelo desempenho de suas funções em montantes a serem fixados, na ocasião, em Assembléia Geral Extraordinária. Os Diretores reeleitos declaram não estar inclusos em nenhum dos crimes que os impeçam de exercer atividades mercantis. (...) Declarar que os diretores ora eleitos preenchem todas as condições previstas na Resolução 3.041, de 28 de novembro de 2002 e que têm amplo conhecimento dos preceitos contidos na mesma e no artigo 147 da Lei 6.404/76. (gn) Após transcrever os artigos 147 e 138 da Lei nº. 6.404/76, a autoridade fiscal conclui que embora os diretores tenham sido remunerados e declarados como empregados (GFIP e DIRF), na realidade, conforme o Estatuto Social da recorrente, seriam administradores sem vínculo empregatício. Salienta, ainda, que em contraste com as declarações feitas nas GFIP e DIRF, o banco informa seus diretores em DIPJ como Diretores Sem Vínculo. Com isso, o contribuinte não poderia ter usufrído da hipótese de não incidência prevista no art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei nº. 8.212/91, a qual se aplica somente à PLR paga a empregados. Por conseguinte, os valores recebidos pelos Diretores, no entender da fiscalização, deveriam sofrer incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, da Lei nº. 8.212/91. Quanto aos pagamentos feitos aos empregados a título de prêmio, a Fiscalização afirma que estão relacionados a fatores de ordem pessoal e totalmente vinculados ao desempenho laboral dos empregados, constituindose, consequentemente, em elemento remuneratório do trabalho, evidenciando sua natureza jurídica salarial. Assim, conclui acerca da incidência das contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a esse título, vez que se originaram em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, não estando entre as hipóteses legais de isenção. Por fim, informa ainda que foram encontrados pagamentos a título de Prêmio nas Folhas de Pagamentos da recorrente, nas rubricas nº. 1078 Prêmio Incentivo e 1081 Premiação, os quais foram contabilizados na conta Cosif nº. 81733004. Os valores referentes a tais verbas não foram informados em GFIP e sobre elas não foram recolhidas as respectivas contribuições previdenciárias, caracterizandose assim o descumprimento da legislação vigente. Após a apresentação da peça impugnatória (fls. 1802/1858), foi proferido o Acórdão nº. 1669.858 (fls. 2768/2810), cuja ementa foi reproduzida acima. Intimado eletronicamente do referido acórdão em 11/09/2015 (fl. 2820), foi apresentado o recurso voluntário (fls. 2822/2910), tempestivamente, em 08/10/2015, onde alega, em síntese: a) imunidade dos pagamentos a título de PLR, posto que o pagamento destas verbas encontra fundamento no art. 7º, XI, da Constituição Federal, desvinculandoos da Fl. 3035DF CARF MF 10 remuneração dos empregados e, portanto, não sofreriam incidência da contribuição previdenciária; b) a Lei nº. 10.101/00 não impõe como condição a assinatura do Acordo ou Convenção Coletiva em data prévia ao início da vigência do período, sendo que os acordos relativos aos programas de 2011 e 2012, assinados respectivamente em 07/07/2011 e 05/07/2012, não representam qualquer ilegalidade. Ainda, destaca que o fato dos planos serem "muito parecidos", conforme indicado pelo próprio AFRFB, os funcionários da recorrente tinham exata noção dos critérios para os quais seriam avaliados; c) inexistência de "parcela" mínima de PLR a ser paga a seus empregados, sendo que o que os planos preveem são um valor mínimo, não podendo ser caracterizado o pagamento de parcela mínima àqueles funcionários que receberam o valor variável, sendo que este não se trata de um acréscimo ao mínimo previamente garantido; d) quanto à possibilidade de revisão dos acordos celebrados, alega que não há qualquer vedação na Lei nº. 10.101/00 que impeça procedimentos desta natureza e a Cláusula Sexta dos acordos celebrados entre a Recorrente e o Sindicato tem por objetivo garantir que os termos do acordo só possam ser revistos ou alterados conjuntamente pela Recorrente e a entidade sindical que representa seus empregados, sendo uma exceção à regra e que a autoridade fiscal não comprou qualquer alterações no decorrer da vigência dos acordos; e) quanto à possibilidade de pagamento de PLR por meio de dois planos distintos (da categoria e da empresa), afirma que a própria Lei nº. 10.101/00, no 3§ do art. 3º já prevê essa possibilidade, f) quanto ao pagamento de PLR em montantes superiores aos salários, aponta uma série de distorções nos resultados dos cálculos apresentados pela fiscalização nas planilhas de fls. 1516/1532, de forma a demonstrar a inexistência de pagamento de PLR como forma de salário disfarçado, bem como de vultosos pagamentos de PLR em comparação aos salários dos empregados beneficiados; g) quanto à suposta inexistência de regras claras e objetivas, traz explicações acerca de cada um dos seus planos, da forma de apuração das referidas regras, trazendo de forma detalhada o funcionamento e aplicação dos mesmos, rebatendo os argumentos do AFRFB acerca da inexistência de clareza e objetividade das referidas regras nos planos; h) improcedência do lançamento quanto a descaracterização dos valores de PLR pagos no âmbito da Convenção Coletiva de Trabalho da Categoria Bancária, eventuais "problemas gerais" observados pela fiscalização não poderiam descaracterizar tais Convenções Coletivas e exigir a contribuição previdenciária, ao passo que deveria apontar qual dos dois planos (acordo coletivo ou programa próprio) deveria ser desconsiderado em detrimento do outro; i) quanto ao PLR pago aos administradores na condição de diretores empregados, defende a legalidade do pagamento a estes e requer a nulidade da decisão da DRJ por inovar no fundamento para manutenção do lançamento quanto a este ponto específico; j) quanto aos pagamentos efetuados a título de prêmios, o mesmo se realizou dentro da previsão do art. 28, § 9º, "e", 7, da Lei nº. 8.212/91, como se observa das próprias planilhas elaboradas pelo AFRFB (fls. 1643/1685), onde entre janeiro de 2010 a dezembro de 2012 não há um único beneficiário que tenha recebido mais de uma vez o referido pagamento; h) requer a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.032 11 Apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional às fls. 2989/3026. É o relatório. Fl. 3037DF CARF MF 12 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Mérito a) Da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) Diz a Carta Política de 1988: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (grifouse) (...) Como se percebe da leitura do trecho destacado, a PLR desvinculada da remuneração é um direito social previsto expressamente no texto constitucional. Entretanto, tratase de preceito de eficácia limitada, pois submetido ao regramento definido em lei, o qual lhe dá capacidade de produzir os efeitos visados pelo legislador constituinte. Ainda que a lei admita certa flexibilidade na negociação e elaboração do instrumento de ajuste entre empresas e empregados, prevendo formalidades, critérios e parâmetros mínimos ou mesmo indutivos, em alguns casos, a PLR desvinculada da remuneração está condicionada, necessariamente, à observância do estabelecido pela lei ordinária. No âmbito das contribuições previdenciárias, a Lei nº 8.212, de 1991, contém previsão de não incidência tributária para a participação nos lucros ou resultados da empresa, desde que paga ou creditada de acordo com a lei específica: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.033 13 (...) A lei específica a que alude a lei previdenciária é a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, a qual disciplinou a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, nos termos da regulamentação exigida pelo inciso IX do art. 7º da Constituição da República de 1988. Reproduzo, abaixo, alguns dos seus artigos: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Fl. 3039DF CARF MF 14 Primeiramente, entendo que deve ser afastada a alegação da recorrente de que a previsão constitucional do art. 7º, XI, por si só, configura imunidade à participação nos lucros e resultados percebidos pelos trabalhadores e, consequentemente, seria ilegal as estipulações impostas para fins de evitar a incidência tributária (entendase Lei nº. 10.101/00). Como se vê do próprio texto constitucional, este atribuiu à legislação infraconstitucional a regulação sobre a definição do pagamento sobre lucros ou resultados. Esta é, inclusive, a própria conclusão de acórdão mencionado pela recorrente em sede de recurso voluntário (Acórdão nº. 2401003.112): A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000.(grifo nosso) Assim, entendo que a interpretação a ser empregada deve conjugar os dispositivos acima elencados, entendendose o comando constitucional que, é, sim, imunidade, como pacificamente reconhecido pela doutrina, o que todavia não significa deixar de reconhecer e atender aos requisitos da legislação infraconstitucional, que o regulam, interpretandoos em conjunto com a disposição e a intenção do constituinte. Quanto à alegação de que os pagamentos a título de PLR, somente por conter esta natureza, não poderiam sofrer a incidência das contribuições previdenciárias por força da imunidade prevista no texto constitucional, rechaço tal argumento com base nas razões introdutórias apresentadas no presente tópico. Assim, sob estas disposições, passamos a analisar cada um dos fundamentos que levaram a fiscalização à descaracterizar o plano de Participação nos Lucros ou Resultados da recorrente. Ainda, destaco que esta turma se debruçou recentemente, em sessão de julgamento do mês de maio do corrente ano, sobre Acordos Coletivos e Programas de Participação nos Lucros ou Resultados de empresa pertencente ao mesmo grupo empresarial da ora recorrente (Banco Itaucard S.A.), onde Acordos Coletivos e Programas de PLR muito semelhantes, senão idênticos, foram apreciados e descaracterizados pela autoridade fiscal sob os mesmos fundamentos. As conclusões contidas no Acórdão nº. 2401004.795 (PAF nº. 16327.721150/201411), de Relatoria do i. Conselheiro Cleberson Alex Fries, serão em parte reproduzidas no presente voto, nas partes em que sejam idênticas as análises de fato e de direito. a.1) Pagamentos com base em mais de um instrumento de negociação Eis o que dispôs a Autoridade Fiscal (fl. 1758): Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.034 15 De acordo com a Cláusula Segunda dos Planos Próprios da Recorrente, os valores pagos no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (CCT´s) não poderiam ser compensados com os montantes devidos a título de PLR (item 5.81 e 5.82 do REFISC). E, conforme as conclusões reproduzidas acima, no entender do AFRFB, somente poderiam prevalecer um dos dois modos de pagamento de PLR o Acordo Coletivo ou o Plano Próprio, ante a inexistência de previsão de compensação dos valores pagos entre cada um dos planos. Na ocasião do julgamento do Acórdão nº. 2401004.795, aderi aos fundamentos do r. Relator, os quais reproduzo para fundamentar o entendimento a novamente ser adotado: Segundo o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a participação nos lucros ou resultados deverá decorrer de negociação coletiva entre o empregador e os seus empregados, nesses termos: 1 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 1 A redação transcrita do art. 2º é aquela original, vigente na época dos fatos geradores. Fl. 3041DF CARF MF 16 (...) O art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, em seus incisos I e II, autoriza três hipóteses de procedimento para elaboração de Participação nos Lucros ou Resultados: (i) comissão eleita pelo empregador e seus empregados, integrada também por um representante da categoria sindical; (ii) convenção coletiva; e (iii) acordo coletivo. Por sua vez, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, antes reproduzido pela autoridade lançadora, menciona a possibilidade de compensação de valores na hipótese de um programa de Participação nos Lucros ou Resultados mantido espontaneamente pela empresa. Para melhor clareza, copio novamente o preceptivo legal: Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. É de se convir, com apoio na redação transcrita, que o legislador ordinário ao fazer alusão a planos mantidos espontaneamente pela empresa pretendeu referirse à participação oriunda da comissão escolhida entre as partes (inciso I) em contraposição às obrigações surgidas das convenções ou acordos coletivos de trabalho firmados pelas partes (inciso II). Em outros dizeres, a opção pela comissão paritária eleita pelo empregador e seus empregados, integrada por um representante da categoria sindical, não tem o condão de inviabilizar a utilização simultânea pelos interessados da via da convenção ou do acordo coletivo. Inclusive, nessa situação, o legislador ordinário expressamente admitiu a possibilidade de compensação entre valores pagos em decorrência de planos espontâneos mantidos pela empresa, constituindo, no entanto, tal procedimento uma faculdade do empregador, na medida em que o dispositivo de lei utilizou a expressão "poderão ser compensados". Ocorre, com a devida vênia, que é distinta a hipótese trazida nos autos. A despeito da denominação "Planos Próprios", os ajustes não foram objeto de negociação mediante comissão paritária escolhida pela empresa e seus empregados. A natureza jurídica dos instrumentos é de acordo coletivo de trabalho para participação nos resultados, dado que negociados diretamente entre o sindicato dos empregados e as instituições financeiras (fls. 370/434). Mesmo assim, não vislumbro obstáculo à coexistência de convenção coletiva e acordo coletivo para disciplinar o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, em face do prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.035 17 É verdade que o inciso II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, adotou a expressão "convenção ou acordo coletivo". Nada obstante, o viés interpretativo da norma jurídica não pode ignorar a realidade brasileira das negociações, nem acarretar o desprezo ingênuo das finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, as quais destinamse, entre outros aspectos, à proteção dos interesses dos trabalhadores. As convenções coletivas, usualmente celebradas entre sindicato de empregados e sindicato de empregadores, não consideram necessariamente as peculiaridades de cada empresa da categoria econômica representada. Ao revés, os acordos coletivos têm o propósito de estabelecer metas ou resultados de interesse específico das partes, inclusive mais benéficos aos empregados, contribuindo para incentivar a concepção de integração entre capital e trabalho. A compensação de valores entre planos, na linha do prescrito no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, pressupõe, em primeiro lugar, a coexistência válida de dois ou mais acordos, produzindo efeitos que lhe são próprios. Em qualquer caso, a compensação tão somente pode representar uma faculdade, afastado o caráter de obrigatoriedade na negociação. É impensável que o intérprete, extrapolando a lei, conduza sua exegese no sentido contrário à obtenção de benefícios pelos empregados. Logo, a interpretação sistemática da Lei nº 10.101, de 2000, possibilita a convivência, dentro da mesma empresa, para os mesmos empregados e mesmo período de aferição, de distintos programas de Participação nos Lucros ou Resultados, desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência. Em resumo, a tese desenvolvida pela acusação fiscal é desprovida de amparo no texto legal. a.2) Existência de pagamentos desiguais entre os trabalhadores e, em alguns casos, em valores superiores ao respectivo salário anual Para fundamentar a desconsideração dos Planos de Participação nos Lucros ou Resultados, a Autoridade Fiscal alega a distribuição desigual de valores entre os empregados da recorrente, apurando desproporções entre o salário anual e os valores pagos a título de PLR. Afirma que algumas das disparidades apontadas demonstram a existência de diferentes "castas" de empregados, com variações na porcentagem de PLR em relação ao salário anual de 0,82% a 410,77% nos três anos calendários da presente apuração. Tais alegações baseiamse nas planilhas de fls. 1516/1532 e serviram como fundamento para concluir que os pagamentos realizados a título de PLR são utilizados como substituição da parcela salarial. Fl. 3043DF CARF MF 18 Em suas razões recursais, sustenta a recorrente que as próprias conclusões do AFRFB demonstram a impropriedade da acusação, bem como alega inexistir qualquer vedação legal ao pagamento de PLR em montante superior aos salários. Apenas para mencionar os casos mais chamativos nas disparidades apontadas pela fiscalização, demonstra a recorrente que: a) o funcionário José Affonso Ottoni Cândido Junior, que recebeu a título de PPR 0,85% do seu salário, ganhou como salário anual o valor de R$ 152.057,17 e recebeu 1.288,61, enquanto que a funcionária Eudóxia Fagundes da Silva Gomes, que segundo o AFRFB recebeu PPR equivalente a 315,45% do salário, recebeu no ano apenas R$ 1.179,92 a título de salário e R$ 3.722 de PPR. b) dos dez funcionários constantes das referidas planilhas que menos receberam PPR em comparação ao salário, somente um deles recebeu menos de cem mil reais no ano, e o funcionário Aecto Antonio de Campos Pinto, a quem foi atribuído o maior salário anual na lista relativa a 2010, no valor de R$ 710.031,22, recebeu apenas R$ 8.876,42 de PPR, ou seja, 1,25% do salário, ficando em quarto lugar na lista do que proporcionalmente menos receberam PPR comparativamente ao salário anual; c) entre os 21 "marajás" que receberam PPR maior que o salário anual na planilha de 2010, quem teve o maior salário foi Valeska Michele da Silva, que no ano recebeu R$ 4.512,10 de salário e R$ 5.333,57 de PPR, não se podendo vislumbrar nesse grupo uma "casta" privilegiada de "profissionais d mercado financeiro (...) remunerados pelo sucesso nas operações que realizam". De fato, os exemplos citados pela recorrente, aliados a outros bem claros nas referidas planilhas, atestam que o AFRFB cometeu algum erro formal na validação das planilhas que foram acostadas ao presente processo, ou simplesmente fez análise absolutamente rasa, simplória e descabida dos dados obtidos na contabilidade da recorrente. Situação idêntica foi verificada no mencionado Acórdão 2401004.795, onde reproduzo o seguinte trecho da fundamentação lá acostada: Nem mesmo de maneira implícita a Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. Haja vista que a Lei nº 10.101, de 2000, não instituiu um percentual limitador para a relação entre participação e salário, o recebimento de valores a título de PLR superiores ao valor da remuneração só estará em descompasso com a legislação de regência quando comprovada pela fiscalização a utilização dos pagamentos como forma de substituição ou complementação da salário do trabalhador. Para o fim comprovar que as parcelas pagas estão em desacordo com a lei específica, passando a integrar o saláriode contribuição, é tarefa da fiscalização certificar que os próprios instrumentos de negociação foram originalmente formulados em desarmonia com a legislação de regência, no que tange à metodologia prevista para o cálculo dos valores devidos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados, caracterizando pagamentos de natureza remuneratória. Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.036 19 Outra possibilidade para dar relevância tributária à participação em montante superior ao salário anual do trabalhador, seria o agente fazendário evidenciar que as quantias pagas aos empregados não guardavam correspondência com os valores previamente estipulados no Programa de Participação de Lucros ou Resultados, representando o montante excedente aos limites acordados pelas partes remuneração submetida à incidência da tributação. (...) Ao contrário do raciocínio simplista da autoridade fiscal, a conclusão no sentido da utilização da participação como substituto ou complemento da remuneração do empregado não deve estar baseada unicamente no aspecto matemático da relação participação/salário anual. É necessário comprovar que o pagamento, na forma efetuada, transformou o valor em parcela salarial. Em resumo, na minha avaliação o agente lançador priorizou uma análise subjetiva dos dados obtidos na documentação da empresa e deixou de aprofundar a auditoria fiscal para efetivamente demonstrar, por meio de linguagem de provas, a existência de pagamentos camuflados de remuneração, se fosse o caso. O só fato de existir desproporção entre os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados para o conjunto de empregados, tendo em conta o comparativo com o respectivo salário anual, não tem o condão de fazer incidir sobre os valores pagos as contribuições previdenciárias. Para fins de incidência da tributação, é vital a fiscalização convencer o julgador administrativo que os valores estão sendo disponibilizados pela empresa aos segurados empregados a título salarial, razão pela qual possui natureza remuneratória. Os idênticos fundamentos lá lançados, aos quais me filiei, se aplicam ao presente caso, idêntico nas razões de fato e de direito, razão pelas quais aqui os utilizo para afastar a conclusão fiscal de desnaturar os pagamentos a título de PLR em virtude de desproporções apuradas em comparação aos salários dos empregados. a.3) Da revisão dos acordos celebrados Segundo a Autoridade Fiscal, o fato dos Planos Próprios poderem ser reajustados, devido a fatos supervenientes, o que seria ilegal (fl. 1751): Fl. 3045DF CARF MF 20 A acusação fiscal se dá com base na Cláusula Sexta dos acordos celebrados, que possui a seguinte redação (exemplo: Acordo ref. ano 2010 fls. 1411/1412): CLÁUSULA SEXTA REVISÃO A revisão do presente acordo darseá por meio de negociação entre as partes signatárias. PARÁGRAFO PRIMEIRO Eventuais alterações somente poderão ser feitas por mútuo acordo, sendo vedada qualquer modificação unilateral. PARÁGRAFO SEGUNDO Os valores, critérios e formas de distribuir a participação aos empregados, não regulamentados no presente instrumento, deverão ser acordados entre as partes, na ocorrência dos seguintes fatos relevantes: prejuízo, venda ou transferência do controle acionário, por qualquer motivo, e ampliação do capital social. Para a recorrente, não há qualquer impedimento legal para que os acordos celebrados possam ser posteriormente revistos. Em que pese a acusação fiscal, vejase que esta se encontra calcada única e exclusivamente na possibilidade de revisão prevista no Acordo Coletivo. Ora, alguma revisão foi realizada em qualquer dos acordos? Tratase, evidentemente, de uma previsão excepcional, dando guarida, inclusive, ao direito dos trabalhadores de que toda e qualquer mudança deverá contar com a participação destes, impedindo arbitrariedades unilaterais. Dessa forma, estando a acusação fiscal absolutamente genérica, consubstanciada na mera possibilidade de revisão prevista no Acordo Coletivo, deve a mesma ser afastada quanto ao ponto específico. a.4) Existência de valor mínimo a ser pago Eis o teor da acusação fiscal (fls. 1746/1747): Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.037 21 Eis o que estipula a Cláusula Segunda dos referidos acordos (fl. 1433): CLÁUSULA SEGUNDA DA ESTRUTURA DO SISTEMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS As partes estabelecem sistema de participação nos lucros ou resultados, nos termos do anexo que integra o presente acordo para todos os efeitos. PARÁGRAFO PRIMEIRO Fica estabelecido pelas partes o montante de R$ 120,00 (cento e vinte reais) como valor mínimo a ser pago através do presente acordo, o qual deverá ser acrescido à PLR definida na convenção coletiva da categoria bancária. PARÁGRAFO SEGUNDO Nenhum empregado receberá valor inferior a este mínimo, que não será compensado da PLR prevista na convenção coletiva, muito menos será aplicada a proporcionalidade pelo tempo de trabalho. PARÁGRAFO TERCEIRO Acordam as partes que a PLR definida na Convenção Coletiva de Trabalho da Categoria Bancária não será compensada do programa próprio de PLR dos Bancos, sendo o pagamento efetuado em folha com rubrica distinta. Segundo a recorrente, não há vedação na Lei nº. 10.101/2000 quanto ao pagamento de valores mínimo a título de PLR. Ainda, alega que os Planos Próprios não estabelecem uma parcela mínima a ser paga, mas sim um valor mínimo de participação aos empregados, sendo incabível a alegação de "valores prédeterminados a todos". Analisando a cláusula em questão, nos parece bastante óbvia a interpretação a ser dada a mesma, de acordo com o que alega a recorrente: não está sendo assegurado a todos os empregados o valor de uma parcela mínima a título de PLR, mas sim, está sendo estabelecido que o valor mínimo de PLR a ser pago (SE FOR PAGO) de acordo com o Plano de Metas será de R$ 120,00. São duas situações bastante distintas e, ao que parece, o AFRFB ficou com a primeira interpretação: a de que está garantido, independente de qualquer fato/evento/meta, o pagamento de R$ 120,00 a título de PLR. Já a segunda interpretação, que nos parece a correta e Fl. 3047DF CARF MF 22 condizendo com o arcabouço fático e de direito aqui apresentado, é de que está sendo estabelecido um valor mínimo para o pagamento. Vejase que há referência expressa ao "sistema de participação nos lucros ou resultados, nos termos do anexo que integra o presente acordo para todos os efeitos". Se, dentro das regras estabelecidas no Anexo do referido Acordo, resultar no pagamento de PLR, ainda que determinadas variações de índice, regras, metas, estipulem uma quantia menor que R$ 120,00, este mínimo deverá ser respeitado. Ora, continuam os empregados sujeitos as metas do programa, continuam incentivados à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho. Não há qualquer desvirtuamento da essência da PLR e tampouco do Acordo celebrado, razão pela qual afasto a acusação fiscal de que haveria a previsão de pagamento mínimo assegurado aos empregados da recorrente. a.5) Inexistência de regras claras e objetivas Segundo o AFRFB, no decorrer dos itens 5.52 a 5.76 (fls. 1747/1753), restou demonstrada a inexistência de regras claras e objetivas nos planos da recorrente, restando infringido o disposto no art. 2º, § 1º, I e II, da Lei nº. 10.101/00: Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Para sintetizar os argumentos da fiscalização, reproduzo, in verbis, os itens 5.67 e 5.75 do Relatório Fiscal (fl. 1751): 5.67 Ante o exposto, vemos que no Acordo de PLR em apreço as definições dos elegíveis não são claras e a falta de definição das metas a serem atingidas, bem como a inclusão de parcelas não individuais nos critérios utilizados, impossibilitam entrever o valor a ser auferido pelos beneficiários. A falta dessas informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. Igualmente, a existência de critérios subjetivos de avaliação afasta a objetividade da aferição. Desta feita, não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. (...) Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.038 23 5.75 No caso em tela, chama a atenção que os acordos apresentados não se coadunam com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal benefício, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. Alega a recorrente desde a peça impugnatória e seus anexos demonstra de forma minuciosa e exaustiva as regras claras e objetivas relacionadas às quatro formas de aplicação dos Planos Próprios. Ressalta, nesse ponto, que o Relatório Fiscal discorreu a respeito de inúmeras questões "sem resposta" que respaldaram o lançamento de ofício devido à ausência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação. Porém, em nenhum momento do procedimento de auditoria, o agente fiscal tomou a iniciativa de solicitar quaisquer esclarecimentos e/ou explicações da empresa sobre as alegações apresentadas por ocasião da lavratura do auto de infração quanto à fixação dos direitos substantivos de participação e das regras adjetivas. Pois bem. O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, estipula requisitos a serem observados nos acordos para pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, a fim de que produzam os efeitos tributários que a lei estabelece. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Os instrumentos de negociação deverão conter regras inequívocas e de fácil compreensão para os trabalhadores no que tange à aquisição do direito ao pagamento das parcelas, inclusive quanto aos critérios de aferição do cumprimento das metas acordadas, de modo a que se possa atestar com segurança que os valores pagos equivalem à participação prevista no acordo. É de assinalar, no entanto, que a Lei nº 10.101, de 2000, previu apenas os contornos básicos dos instrumentos de negociação, deixando de fixar normas rígidas e pré definidas para a elaboração dos documentos. Acredito que não poderia ser diferente, dado que a participação é um direito social exercido com base na autonomia de vontade de atores que, muitas vezes, possuem interesses antagônicos, empresários e trabalhadores, aliado às diversidades de realidade empresarial quanto à necessidade de integração capital e trabalho. Somase a tal característica própria, a presença dos sindicatos representativos das categorias dos trabalhadores, outro agente social dotado de suas peculiaridades, cuja presença nos acordos não só é conveniente, como também desejável para a proteção dos direitos dos empregados. Fl. 3049DF CARF MF 24 Nesse sentido, parece bem evidente que a exigência de regras claras e objetivas não se destina, precipuamente, à compreensão do Fisco. Embora importante para a garantia do interesse público, é nítido o papel secundário exercido pela fiscalização tributária neste processo, a qual não lhe foi concedida a função de avaliação do mérito das regras aprovadas na negociação entre as partes. Por essa razão, a interferência na autonomia privada é medida excepcional, exigindose a certeza da autoridade fiscal, apoiada em elementos objetivos, quanto à desconformidade do acordado frente aos preceitos legais da Participação nos Lucros ou Resultados. O agente fiscal não participa do dia a dia da vida laboral da empresa e de seus empregados, de maneira que as questões que lhe configuram obscuras podem estar perfeitamente claras para o empresário e os trabalhadores. De maneira análoga, um critério e/ou informação que lhe pareça omisso no instrumento de negociação, podem estar univocamente delimitados pelos atores sociais principais, tendo em conta a proximidade com os fatos. Desse modo, inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação fique restrita ao plano abstrato dos acordos celebrados. É inerente ao processo, dadas as suas características, o avanço da fiscalização no conhecimento da execução dos programas de Participação nos Lucros ou Resultados. Caso contrário, não é exagero afirmar, haverá sérios riscos de cometimento de equívocos pelo agente fiscal. As dificuldades de compreensão do agente fiscal não significam, necessariamente, obstáculos à cognição dos segurados empregados e dos sindicatos que os representam, pois podem acompanhar, obter esclarecimentos e questionar as regras e os critérios vinculados à aquisição do direito ao pagamento da participação, bem como os mecanismos de aferição do pactuado. Na linha das ponderações trazidas no recurso voluntário, a lei de regência não é impositiva no sentido de que a disciplina integral do programa de participação deve figurar, necessariamente, no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, podendo o detalhamento pormenorizado, desde que mantida a harmonia com as regras gerais, estar estipulado em documentos apartados ou mesmo em outros canais de comunicação, sempre, em independentemente da opção escolhida pela partes, com pleno acesso e conhecimento dos trabalhadores. Especialmente em empresas estruturadas, como aparenta enquadrarse a recorrente, é comum a disponibilização de mecanismos internos de divulgação e esclarecimentos a respeito do programa de participação mantido pela empresa, inclusive com o uso de plataformas digitais para avaliações de desempenho dos trabalhadores. Nesse sentido, a recorrente apresentou, na fase de impugnação, vários documentos relativos à divulgação interna, incluindo comunicados sobre alterações efetuadas no programa, disseminação de resultados, informações sobre valores a serem pagos, além de cópias de avaliações individuais (fls. 1876/2752). Segundo a documentação que instruem o processo administrativo, em especial os termos de intimação às fls. 06/25, o agente fiscal não procurou na fase do procedimento investigatório esclarecer, junto à recorrente, as questões suscitadas no Relatório Fiscal, as quais levaram à caracterização da inexistência de regras claras e objetivas Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.039 25 concernentes aos quatro níveis dos Programas Próprios: "Nível Citi R/C10 e abaixo", "Nível Citi S/ C11 e acima", "Funcionários de Vendas Elegíveis ao Programa Exceed" e "Funcionários de Remuneração Variável não Elegíveis ao Programa Exceed". Para melhor clareza da acusação fiscal, transcrevo os itens 5.45, 5.48, 5.49, 5.54, 5.55, 5.56, 5.61, 5.62, 5.64 e 5.66 do Relatório Fiscal, os quais justificam as razões pelas quais os instrumentos de negociação não se coadunam com as exigências legais (fls. 1746/1751): 5.45 Em nenhum momento, seja no texto do Acordo de PLR, seja em seu anexo, são evidenciados claramente os níveis de enquadramento dos empregados, nem quais deles são elegíveis ao programa Exceed ou a outros programas de remuneração variável existentes no banco. Não sabemos, portanto, se empregados, por exemplo, da área administrativa ou outros não especificados estão aqui abrangidos, indo de encontro ao incentivo à produtividade e à integração entre o capital e o trabalho, ambos prescritos pelo art. 1ª da Lei nº 10.101/00. (...) 5.48 Observase que, para os empregados "Nível Citi R/C10 e Abaixo", o Acordo de PLR de 2010 não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho da área e do desempenho individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não traz o modelo do formulário interno de avaliação. Não fixa os parâmetros para o enquadramento do desempenho em: não atendeu aos objetivos, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não aponta quais são as metas as serem alcançadas na área e individualmente para que os empregados fazer jus ao benefício. 5.49 Percebese nitidamente que a avaliação de desempenho individual é fator primordial na determinação do valor de PLR a ser distribuído a cada empregado. No entanto, em nenhum momento são apresentados: as regras que permeiam essa avaliação, as metas a serem atingidas, o mecanismo de aferição de seu alcance ou não, os parâmetros utilizados na avaliação dos funcionários, a forma como são avaliados, o modelo básico dessa avaliação individual. São apenas citadas a existência dessas metas e da avaliação, sem que nenhuma dessas duas integre o acordo firmado ou seu anexo, inviabilizando, dessa forma, o conhecimento prévio do esforço que o empregado deverá dispender para receber a participação, em total confronto com as determinações legais. (...) 5.54 Mais uma vez, notase que o Acordo de PLR de 2010, para os empregados "Nível Citi S/C11 e Acima", não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho do país, da área e individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, Fl. 3051DF CARF MF 26 da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não determina as metas a serem alcançadas para que cada empregado obtenha as faixas de pontos estabelecidas e que determinarão os fatores multiplicadores de "país" e "área". Não fixa os critérios para o enquadramento do desempenho individual em: não avaliado, não eficaz, parcialmente eficaz, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não traz previamente o "Valor de Referência" que será utilizado, o qual, de acordo com o texto, será elaborado por uma consultoria externa. 5.55 De mais a mais, a Nota Explicativa define que o desempenho "país", isto é, o "Resultado Brasil", corresponde ao mesmo valor, critério e definição, utilizados para pagamento de PLR prevista na Convenção Coletiva. Entretanto, não existe na citada Convenção Coletiva de PLR dos Bancos qualquer menção a valor, critérios ou definição do "Resultado Brasil". 5.56 Outrossim, ainda em Nota Explicativa, o Anexo ao Acordo de PLR de 2010 determina que o desempenho da "área" será obtido conforme "scorecard" específico para cada área, de acordo com uma tabela de exemplo trazido pela citada Nota. Nesta vemos a utilização de critérios tais como: retenção de cliente, crescimento do negócio, qualidade da carteira negócio, custos do serviço e qualidade do serviço. Ora, o que vemos aqui é instituição de critérios que são normalmente utilizados para o pagamento de comissões e não de Participação nos Lucros. (...) 5.61 Em relação à aplicação do plano em comento aos "Funcionários de Vendas Elegíveis ao Programa de Remuneração Variável Exceed", notamos inicialmente que apesar do Anexo estabelecer a utilização de um grupo de indicadores, chamado "Scorecard", para cada área de negócio e determinar a aplicação de três diferentes modelos de "Socrecard", não existe no instrumento de negociação a definição das diferentes áreas de negócios nas quais serão utilizados os diversos modelos trazidos pelo Acordo de PLR. Não é possível, desta forma, definir as regras cabíveis a cada beneficiário, em desacordo frontal à legislação específica, a qual exige a presença de regras claras e objetivas pactuadas previamente. 5.62 Além disto, o Anexo em questão não traz claramente as metas a serem alcançadas, mas somente os indicadores que serão utilizados na avaliação. E, em relação a estes, verificase que o texto não apresenta a definição específica e os pesos de cada um dos indicadores que compõem o "Scorecard", nem determina como serão aferidos tais critérios, distanciandose, dessa forma, dos preceitos legais sobre a matéria. Ademais, os indicadores apontados nos três modelos acima descritos são parâmetros não muito afeitos a uma Participação nos Lucros, mas relacionados mais proximamente ao pagamento de comissões. (...) Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.040 27 5.64 O Anexo prevê, ainda, que tais indicadores, pesos e metas podem ser reajustados em virtude do momento econômico (local ou internacional), bem como em função da estratégia de negócios do banco. Todavia, como comentado anteriormente, a legislação específica estabelece que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes e integrada por representante do sindicato ou por convenção/acordo coletivo, ou seja, não é possível que, devido a fatos supervenientes, indicadores, pesos e metas possam ser reajustados fora do instrumento original de negociação entre as partes. (...) 5.66 Fazse mister salientar que, para os "Demais Funcionários Elegíveis a Programas de Remuneração Variável Não Incluídos no Exceed Independentemente do Nível Citi", o Acordo de PLR de 2010 não estabelece os objetivos e metas a serem atingidos, nem os critérios utilizados para a avaliação do desempenho da área e do desempenho individual. O Anexo somente cita as avaliações possíveis, da área e individual, sem contudo traçar os critérios em que serão baseadas. Não traz o modelo do formulário interno de avaliação. Não fixa os parâmetros para o enquadramento do desempenho em: não atendeu aos objetivos, eficaz, altamente eficaz e excepcional. Não aponta quais são as metas a serem alcançadas na área e individualmente para que os empregados possam fazer jus ao benefício. Percebese que o agente lançador mantém uma posição rigorosa no que diz respeito à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas no instrumento de negociação, incluindo os mecanismos de aferição ao cumprimento do acordado, exigindo a sua regulação integral e detalhada, ao que me pareceu, no corpo do próprio instrumento de negociação. A preocupação em coibir a utilização de parâmetros subjetivos para a concessão da Participação nos Lucros ou Resultados, bem como a criação de regras unilaterais pelo empregador, não pode chegar ao nível de inviabilizar o instituto da negociação coletiva, com desprezo a realidade do mundo real e extrapolando os limites estabelecidos pela lei de regência. Como dito alhures, é possível o detalhamento, por intermédio de documentos apartados e/ou sistema de controle e acompanhamento interno, quanto às metas e aos critérios aplicáveis aos diferentes empregados, áreas e funções da empresa, ainda mais quando o modelo adotado para a Participação nos Lucros ou Resultados envolve parâmetros e avaliações de desempenho individual. Tenho para mim, portanto, equivocado o procedimento fiscal, o qual, sem buscar esclarecimentos e/ou explicações adicionais da empresa, trabalhadores e/ou sindicato, fez a opção singela de analisar solitariamente, no âmbito do Fisco, os instrumentos de negociação coletiva. Fl. 3053DF CARF MF 28 A toda a evidência, os esclarecimentos e/ou explicações seriam dispensáveis, por óbvia desnecessidade, naqueles casos de "fratura exposta", em que é explícito o descompasso com a Lei nº 10.101, de 2000. Contudo, não é a hipótese dos Programas de Próprios da recorrente, conforme se pode verificar da leitura atenta dos documentos acostados às fls. 1410/1464. Em seu recurso voluntário, a recorrente esclareceu com detalhes a estrutura dos Planos Próprios, inclusive com abordagem específica a respeito das objeções formuladas pela autoridade fiscal, demonstrando satisfatoriamente, a meu ver, que o "Programa de Participação nos Resultados Citibank" não é despedido de regras claras e objetivas em nível que demanda a Lei nº 10.101, de 2000 (fls. 2846/2865). À vista do exposto, concluo que os elementos de prova colhidos pela fiscalização são insuficientes para demonstrar a falta de clareza e objetividade nos instrumentos de negociação vinculados aos Planos Próprios. a.6) Da falta de negociação prévia A acusação fiscal é no sentido de que os Planos Próprios 2011 e 2012 não foram objeto de negociação prévia, eis que a formalização dos instrumentos ocorreu após o início do período a que se referem os lucros ou resultados. A recorrente defende que são legítimos os pagamentos realizados a título de participação com fundamento em negociações coletivas realizadas antes do fim do período de apuração e do pagamento das respectivas parcelas, situação plenamente atendida nos acordos coletivos. Salienta, em complemento, que os acordos relativos aos períodos de 2011 e 2012, em que pese assinado no início do mês de julho de cada ano, não trouxeram prejuízo aos empregados. Os acordos de 2011 e 2012, além de "muito parecidos" entre si, possuem regras semelhantes ao ano de 2010, cujo acordo foi assinado em 7/12/2009, de modo que os funcionários da sociedade incorporada pela recorrente tinham noção exata dos critérios pelos quais seriam avaliados. Pois bem. No caso em apreço, o acordo coletivo que rege o ano de 2011 foi assinado em 7/7/2011, ao passo que o acordo para o exercício de 2012 foi celebrado em 5/7/2012 (fls. 1433/1453 e 1454/1474, respectivamente. A participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, constituindose em ferramenta à disposição da empresa para motivar e integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado futuro. Quero dizer que o acordo entre as partes deve incentivar, via de regra, o alcance de resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição dos empregados, delimitadas individual ou coletivamente, com mecanismos de aferição do acordado, requisitos os quais, se cumpridos, darão direito à retribuição financeira ao trabalhador. A questão a se analisar no presente caso, portanto, é: os Acordos assinados em julho ferem a natureza e os princípios a que se destinam os programas de PLR? Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.041 29 Ainda, o fato de terem sido assinados em julho do ano a que se referiam, fez com que os funcionários não tivessem conhecimento das metas a serem alcançadas? Ainda, fez com que sequer tivessem conhecimento a estas ou mesmo aos dados da apuração daquelas até o mês de julho? Ademais, destaco que a alegação da recorrente acerca da semelhança dos planos é, inclusive, corroborada por afirmação contida no Relatório Fiscal (fl. 1739: Ora, restando evidente que os programas se repetem ano a ano, não sofrem a contribuinte alterações bruscas no seu objeto social que ensejem mudança da sua atuação, não é razoável considerar que os profissionais ali envolvidos tinham plena consciência das regras a que estavam submetidos para o recebimento ou não de PLR? Também, vale ressaltar, a ausência de previsão específica na Lei nº. 10.101/00 pode subverter a intenção do legislador constitucional? Será que o fato de um Acordo Coletivo, firmado com uma das categorias profissionais com maior força sindical, a dos bancários, ser celebrado em julho, impede a consecução dos objetivos e a verificação das regras nele contidas para o seu respectivo anocalendário? Ao que nos parece, não. Tratase, sim, de necessária relativização da situação em apreço, de modo a evitar que a simples demora na assinatura (e não na negociação, discussão, elaboração) do Acordo Coletivo desnature e desqualifique, para os devidos fins legais, os pagamentos realizados a título de PLR. Por essas razões, entendo que deve ser afastada a acusação fiscal acerca da falta de negociação prévia para os Acordos Coletivos de 2011 e 2012. a.7) Da PLR paga aos Administradores Com o propósito de compreender a motivação da autoridade lançadora no tocante à constituição do crédito tributário relativamente à Participação nos Lucros ou Resultados paga a administradores da sociedade fiscalizada, é indispensável a transcrição de excertos do Relatório Fiscal (fls. 644/661): 6.16 (...) não resta dúvida de que a intenção do legislador, seguindo a determinação constitucional, foi desvincular da remuneração a Participação nos Lucros ou Resultados recebida tãosomente pelo segurados empregados. A "contrario sensu", a participação paga ao contribuinte individual ou a outra espécie de segurado será considerada como base de incidência das Contribuições Previdenciárias pro falta de previsão legal de nãoincidência. (...) 6.31 Apesar da previsão estatutária de que a administração da sociedade compete à Diretoria, conforme Fl. 3055DF CARF MF 30 apresentado nos itens anteriores, o banco considera seus diretores como empregados, conforme se verifica pelas informações declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na GFIP os diretores são declarados na Categoria 1 Empregado e, na DIRF, no Código de Retenção 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado. 6.32 Em contraste com as declarações descritas no item anterior, o banco informa seus diretores em DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica como Diretores Sem Vínculos Empregatício. 6.33 Além disso, em CartaProtocolo, de 18 de novembro de 2013, o banco esclarece considerar seus Administradores, os diretores, como empregados e pagar a participação dos primeiros juntamente com a dos últimos. Na CartaProtocolo, de 24 de abril de 2014, afirma ainda que os diretores desta empresa tem contrato de trabalho com vínculo empregatício e para fins tributários e previdenciários são considerados como empregados. E, em CartaProtocolo, de 19 de setembro de 2014, mais uma vez assevera "que todos os diretores da empresa possuem vínculo empregatício, devidamente registrados como funcionários em concordância com as regras da CLT." 6.34 Entretanto, independentemente da classificação atribuída pelo banco a seus diretores, eles são de fato os Administradores da Sociedade, conforme se verifica pelo Estatuto Social acima transcrito, o qual prevê que (i) a administração da companhia será exercida por uma Diretoria; (ii) os honorários de tais diretores serão fixados pela Assembleia Geral; (iii) a eleição da Diretoria deverá ser aprovada pelo Banco Central; (iv) a Diretoria terá amplos poderes de administração e festão dos negócios sociais, podendo deliberar sobre qualquer matéria relacionada com o objeto social ou sobre novas atividades, bem como adquirir, alienar e gravar bens imóveis, contrair empréstimos, dar caução, independentemente de autorização da Assembleia Geral; (v) a representação da sociedade será feita por Diretores ou por procuradores sempre nomeados pelos Diretores. (...) 6.40 (...) é sabido que o simples fato do contribuinte remunerar seus diretores como empregados e declarálos em GFIP na Categoria 1 Empregado e, na DIRF, no Código de Retenção 0561 Rendimentos do Trabalho Assalariado, quando de fato e de direito são Administradores, isto é, não possuem vínculo empregatício, não lhe concede o direito de usufruir da dedução permitida pela Lei nº 10.101/00, exclusiva para a Participação nos Lucros dos empregados. Tamanha é a contradição que o próprio banco declara seus diretores em DIPJ como "Diretores Sem Vínculo Empregatício", indo de encontro às declarações feitas em GFIP e DIRF. (...) Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.042 31 6.50 Foram encontrados, no período auditado, pagamentos de Participação nos Lucros aos Administradores aos seguintes diretores estatutários: · Alberto Rodrigues Pinto Ferreira · André Franco de Moraes · Angelim Curiel · Armando Wolfrid · Ennio Ferreira de Moraes Júnior diretor entre abril de 2011 e dezembro de 2012, portanto, os pagamentos de 10/2011 (AC 2011), 02/2012 (AC 2011) e 10/2012 (AC 2012) foram considerados como Participação nos Lucros dos Administradores e os valores recebidos em 01/2010 (AC 2009), 10/2010 (AC 2010) e 02/2011 (AC 2010) foram considerados como Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados; · Jan Gunnar Karsten; · Luis Alfredo Barcellos Martins de Oliveira diretor entre janeiro de 2010 e abril de 2012, portanto, seus pagamentos de 01/2010 (AC 2009), 10/2010 (AC 2010), 02/2011 (AC 2010), 10/2011 (AC 2011) e 02/2012 (AC 2011) foram considerados como Participação nos Lucros dos Administradores e o valor recebido em 10/2012 (AC 2012) foi considerado como Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados; · Marcio Veronese Alves; · Paula Magalhães Cardoso Flores Chaves · Pedro Luiz Guerra; · Pedro Paulo Giubbina Lorenzini; · Robin Andrew Liddle; · Stella Maura Montiani Pons diretora entre março de 2011 e abril de 2012, portanto, os pagamentos de 10/2011 (AC 2011) e 02/2012 (AC 2011) foram considerados como Participação nos Lucros dos Administradores e os valores recebidos em 01/2010 (AC 2009), 10/2010 (AC 2010), 02/2011 (AC 2010) e 10/2012 (AC 2012) foram considerados como Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados; · Victor Hugo Maranhão Loyola diretor entre setembro de 2011 e dezembro de 2012, portanto, os pagamentos de 10/2011 (AC 2011), 02/2012 (AC 2011) e 10/2012 (AC 2012) foram considerados como Participação nos Lucros dos Administradores e os valores recebidos em Fl. 3057DF CARF MF 32 01/2010 (AC 2009), 10/2010 (AC 2010) e 02/2011 (AC 2010) foram considerados como Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados; e · WIlliam Baynard Meissner. Na ótica do agente fiscal, corroborada pela decisão de piso, o diretor estatutário, nos termos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, é considerado contribuinte individual, independentemente da existência de contrato de trabalho como diretor empregado, não lhes sendo aplicáveis as normas de Participação nos Lucros ou Resultados previstas na Lei nº 10.101, de 2000. Essa é, pois, a delimitação da acusação fiscal. E, na ótica do AFRFB, a Lei nº 10.101, de 2000 é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. O inciso X do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, explicita a não incidência tributária sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, que rege a matéria: Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) A concepção tradicional do diretor eleito na forma do estatuto social nas sociedades por ações é como órgão da companhia, exercendo os poderes estatutários sem vínculo de emprego. No âmbito da legislação previdenciária, são qualificados como contribuintes individuais. Ocorre que a sofisticação da atividade empresarial no mundo contemporâneo comporta, no âmbito das sociedades por ações, a figura do diretor empregado. A existência ou não de relação de emprego entre sociedade e seus diretores não pode ser conferida tão somente pela forma de escolha destes, ou pelo simples fato de exercerem cargos de administração da companhia. Mais importante, com absoluta certeza, é verificar as características da relação mantida entre os diretores e o Conselho de Administração. Havendo traços de subordinação jurídica, existirá provavelmente relação de trabalho na condição de empregado, nos termos da CLT. No tocante à legislação previdenciária, o art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, qualifica, expressamente, o diretor empregado como segurado empregado: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.043 33 a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) (GRIFEI) Nesse passo, conforme atesta o Relatório Fiscal, a recorrente sempre apontou a existência de subordinação dos dois diretores da sociedade incorporada, mesmo que estatutários, mantendo as características inerentes à relação de emprego, com preenchimento do vínculo de segurado empregado na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e nas demais declarações fiscais, além do cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias inerentes à relação empregatícia. Na fase de impugnação, inclusive, trouxe aos autos cópias das fichas financeiras, em que se verifica o pagamento de ordenados, gratificações e descontos dos encargos inerentes à relação de emprego, no período da autuação (fls. 2310/2536). A Lei nº 10.101, de 2000, tampouco a legislação previdenciária, faz distinção entre o empregado tradicional e diretor empregado. Configurada a condição de diretor empregado, os beneficiários podem receber pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados sob a égide das disposições da Lei nº 10.101, de 2000, os quais escapam à tributação das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições reflexas devidas a terceiros. Como cediço, a prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato jurídico afirmado. Em outras palavras, caberia à autoridade lançadora, mediante a linguagem de provas, refutar a relação de emprego afirmada pela recorrente, mediante demonstração da inexistência de um ou mais requisitos do vínculo empregatício do art. 3º da CLT. Contudo, a fiscalização não se desincumbiu do seu dever probatório. É bom ressaltar que a decisão recorrida, para não acatar os argumentos da impugnação, mantendo a autuação fiscal, desenvolveu um raciocínio meramente teórico no sentido de que a ligação entre a companhia e os diretores estatutários não apresentava todos os elementos típicos da relação de emprego, tais como a subordinação jurídica e o recebimento de salários. Por fim, esclareço que a linha de entendimento aqui perfilhada está em consonância com a própria interpretação da legislação tributária realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta nº 368, de 18 de dezembro de 2014, cuja ementa está reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DIRETOR DE SOCIEDADE ANÔNIMA. CONDIÇÃO DE SEGURADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101, DE 2000. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Fl. 3059DF CARF MF 34 O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para o cargo de direção de sociedade anônima, que não mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de contribuinte individual, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, integra o saláriodecontribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. SEGURADO EMPREGADO. O diretor estatutário, que participe ou não do risco econômico do empreendimento, eleito por assembleia geral de acionistas para cargo de direção de sociedade anônima, que mantenha as características inerentes à relação de emprego, é segurado obrigatório da previdência social na qualidade de empregado, e a sua participação nos lucros e resultados da empresa de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, não integra o saláriode contribuição, para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. Dispositivos Legais: Lei nº 8.212, de 1991, art. 12, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, art. 22, incisos I e III, § 2º, e art. 28, incisos I e III, e § 9º, alínea “f”; Lei nº 10.101, de 2000, arts. 1º a 3º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 9º, incisos I, alínea “a”, e V, alínea “f”, e §§ 2º e 3º. Exposto assim, cabe decotar do lançamento fiscal o crédito tributário relacionado aos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados aos administradores (Levantamento Fiscal "PA"). b) Prêmios Segundo a Autoridade Fiscal, foram identificados pagamentos a título de prêmios aos empregados da recorrente, sob as rubricas nº. 1078 Prêmio Incentivo e 1081 Premiação, cuja natureza da parcela está vinculada ao desempenho laboral dos segurados empregados. Traz o AFRFB uma série de argumentos de ordem geral, conceitual, acerca da natureza salarial da verba paga a título de prêmio. Os pagamentos que ensejaram o presente lançamento estão delimitados nas planilhas de fls. 1643/1685. A recorrente, utilizandose das planilhas elaboradas pelo próprio AFRFB, afirma que os pagamentos ali listados não se repetem, demonstrando que "no período de TRÊS ANOS os beneficiários receberam apenas UMA ÚNICA VEZ os aludidos prêmios". A Lei nº. 8.212/91, em seu art. 28, § 9º, "e", 7, assim dispõe: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.044 35 e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Em que pese a afirmação da recorrente de que não há qualquer repetição de empregados no período abrangido pela fiscalização (janeiro/2010 a dezembro/2012), esta afirmação não é de todo correta. Em que pese alguns poucos nomes ser possível verificar a ocorrência de mais de um pagamento no período analisado (ex.: Aline Hardt Lucio, Marcia Rufino Mansur e Renato Klink Borgarelli), o fato é que a quase totalidade dos empregados não tem repetição de pagamento. Assim, devese analisar a incidência ou não da tributação sob o prisma da isenção prevista às "importâncias recebidas a título de ganhos eventuais", onde se enquadraria o presente prêmio, segundo a recorrente. A eventualidade do ganho, de fato, está demonstrada, pela análise das planilhas elaboradas, em que pese as poucas exceções acima e que não indicam, na média, mais de um pagamento ao ano, por exemplo. A análise que se faz necessária, então, é a de vinculação ou não desses pagamentos ao salário de contribuição. Nas referidas planilhas, temos que os pagamentos são, em sua grande maioria, em valores ínfimos perto do que seria uma média salarial para uma instituição financeira. Os pagamentos giram, em sua grande maioria, em valores baixos, relacionadas à rubrica "Prêmio Incentivo". Ora, a acusação fiscal se dá pela interpretação direta de que, qualquer importância paga aos empregados, deve ser incluída na base de cálculo do saláriode contribuição. Vejamos (fl. 1781): No presente caso, ante os próprios dados levantados pelo próprio AFRFB, entendo que esta não é a melhor interpretação a ser aplicada. Fl. 3061DF CARF MF 36 Resta caracterizada a não habitualidade dos prêmios pagos aos beneficiários da recorrente, no intervalo analisado (três anos), assim fazendo jus a recorrente a não incidência da contribuição previdenciária sobre tais verbas. Neste sentido: GRATIFICAÇÃO EMPRESA DO ANO 2008 Somente nos casos de gratificações concedidas continuamente, ou seja, pagas de forma habitual, perdem o caráter "eventual" e, por isso, devem ser consideradas como parcelas remuneratórias integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. No caso em tela, comprovadamente, a “Gratificação empresa do ano 2008” foi paga de forma eventual, não remuneratória. (CARF, Acórdão nº. 2301003.762, PAF nº. 13603.723497/2011 51. Sessão de 15/10/2013. Red. Marcelo Oliveira). Assim, entendo que devem ser excluídas do lançamento as verbas pagas a título de prêmios. c) Dos juros sobre a multa de ofício A Recorrente pleiteia a exclusão da incidência dos juros de mora (TAXA SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a Recorrente tem razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. O fundamento legal que supostamente dá abrigo à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O caput do referido artigo é bastante claro: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, temse que entender ser esta “decorrente de tributos e contribuições”. Ora, as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, pois são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.045 37 dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e b) falta de declaração e declaração inexata. Incorridas alguma dessas condutas, surge o direito da fiscalização de imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação atual): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Ainda, destacase que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional é frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o referido dispositivo legal não autoriza esta incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Portanto, afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, quanto o art. 161, do CTN, não são fundamento legal apto a permitir tal incidência. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 3063DF CARF MF 38 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao I. Relator para divergir em parte de seu ponto de vista dissertado acima. Por causa da semelhança da matéria fática e das questões de direito controvertidas, adoto nestes autos a mesma linha de pensamento contida no voto que proferi no Acórdão nº 2401004.795, de 10 de maio de 2017, relativo ao julgamento do recurso voluntário no Processo nº 16327.721150/201411. a) Participação nos Lucros ou Resultados: Falta de Negociação Prévia É da essência do instituto da Participação nos Lucros ou Resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, extraído da própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico, a partir do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988, que instituiu a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em conjunto com a regulamentação dada à matéria pela via da Lei nº 10.101, de 2000. É verdade que a lei não impõe de modo expresso qualquer momento para a assinatura do instrumento de negociação. Porém, tal característica da legislação não tem o condão de levar o intérprete à conclusão extrema de que é suficiente tão somente a formalização do acordo, devido ao término das negociações, não suceder ao pagamento da parcela da participação nos lucros ou resultados. A exigência de formalização do instrumento antes do pagamento, tal como defende a recorrente, é até mesmo óbvia, porquanto devese garantir ao trabalhador a possibilidade de examinar se o montante recebido está conforme as metas e critérios pré estabelecidos entre as partes para o respectivo pagamento. A prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, para autorizar a fruição do benefício fiscal é uma situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, é limitada pelo mundo real brasileiro, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. Daí porque é inevitável certa flexibilidade, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto que visa à melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Essa possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração. Nesse raciocínio finalístico, é possível, portanto, aceitar a assinatura depois de iniciado o período de aferição, sem que implique um desvirtuamento integral em face da legislação de regência, desde que evidenciada, considerando o tipo de metas e/ou resultados estabelecidos, a negociação em curso e o amplo conhecimento pelos empregados das regras Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.046 39 discutidas, de maneira que os trabalhadores pudessem desde já adotar medidas práticas para atingir as metas ou os resultados que adiante restarão acordados entre as partes. Tendo em conta os propósitos da Lei nº 10.101, de 2000, penso inviável, contudo, legitimar a situação identificada pela fiscalização nos autos, mesmo que se adote a flexibilidade de prazo para assinatura do ajuste a que fiz menção há pouco. Com efeito, no tocante aos anos de 2011 e 2012, não há prova documental nos autos a respeito do início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade. Tais aspectos, sem prejuízo da avaliação conjunta com outros fatores relevantes, são fundamentais para a decisão de validar a data da assinatura do acordo. Realço, novamente, que instruem os autos diversos documentos relativos à divulgação interna no âmbito da empresa do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, incluindo comunicados sobre alterações efetuadas nos Planos Próprios, disseminação de resultados, informações sobre valores a serem pagos, além de cópias de avaliações individuais (fls. 1.876/2.192 e 2.538/2.752). Todavia, nenhum desses expedientes ganha contornos bastantes para convencer o julgador no que diz respeito a realidade da prova documental mencionada no parágrafo precedente. Do ponto de vista pessoal, acredito que a existência de ajuste anterior, com características semelhantes, segundo enfatizado pela recorrente, pode até gerar expectativa do trabalhador, de forma a contribuir para o incentivo da sua produtividade. Porém, essa circunstância não é suficiente, por si só, para considerar o instrumento coletivo formalizado ao longo do período de avaliação em consonância com os preceitos legais. Caso contrário, se estaria admitindo uma presunção indevida, em desfavor do interesse do trabalhador protegido pela lei, consistente na possibilidade de definição das regras para aquisição do direito de receber a participação por meio dos costumes ou verbalmente, em detrimento da sua implementação mediante instrumentos normativos previamente negociados para o período de avaliação, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, conforme prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. Além do que, não custa lembrar, apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos que lhe são próprios para o respectivo período a que se refere. Concluo, portanto, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000, que a autoridade fiscal procedeu de modo escorreito ao considerar os valores pagos com base nos Planos Próprios 2011 e 2012, relativos ao período de avaliação de 1º/1/2011 a 31/12/2012, como integrantes da remuneração e do saláriodecontribuição dos segurados empregados. Atento aos limites impostos pela acusação fiscal, na medida em que não cabe ao julgador administrativo extrapolar as infrações apontadas pela autoridade lançadora, apenas os pagamentos efetuados aos segurados empregados com base nos Planos Próprios 2011 e 2012 estão em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, e devem ser mantidos no lançamento fiscal. Fl. 3065DF CARF MF 40 De modo que, com fundamento no exposto pelo I. Relator, é improcedente a inclusão, na base de cálculo das contribuições lançadas, dos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados efetuados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio 2010. (fls. 202/1.409). b) Prêmios Na definição de Maurício Godinho Delgado2, os prêmios consistem em: "parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstâncias tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa." Não há como negar que, via de regra, a parcela denominada de prêmio tem nítida feição salarial, vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado, a exemplo da produção. No que tange à instituição das contribuições previdenciárias, cuidou a lei ordinária federal. Transcrevo, nessa prescrição, a redação do inciso I do art. 22 e do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) (GRIFEI) 2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 4a ed. São Paulo: LTR, 2005, p. 747. Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.047 41 A meu sentir, a habitualidade restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". Não há menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, sejam eles habituais ou não, por liberalidade ou ajustados contratualmente. Diferentemente da nomenclatura da legislação trabalhista, a legislação previdenciária utiliza a expressão "destinados a retribuir o trabalho", em detrimento de "contraprestação do serviço", o que evidencia nitidamente, no âmbito previdenciário, o caráter da remuneração avaliado em função do conjunto do relação laboral, e não simplesmente prestação "versus" contraprestação. Quanto a tais parcelas pagas aos empregados, a recorrente não contesta o caráter de retribuição pelo trabalho. A linha argumentativa é que apenas o prêmio concedido ao segurado empregado, de forma habitual, integra a remuneração do trabalho. E, na hipótese dos autos, cuidase de ganho eventual, expressamente excluídos do saláriodecontribuição pelo § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Penso, contudo, que a eventualidade da remuneração na legislação previdenciária está associada a incerteza, a imprevisão do seu pagamento. Nas folhas de pagamento e na contabilidade, a empresa classificou a verba paga ao trabalhador como prêmio, sendo que, no recurso voluntário, não há o mínimo esclarecimento e/ou detalhamento a respeito das circunstâncias e sobre quais fatores de ordem pessoal os pagamentos foram efetuados. Os dados da Planilha de fls. 1.643/1.685, elaborada pela autoridade fiscal, revelam a existência de pagamentos a título de prêmio aos segurados empregados em diversas competências ao longo dos anos de 2010, 2011 e 2012, , em montantes variáveis, o que sinaliza uma aparente estrutura organizada na sociedade para o cálculo dos valores devidos e recebimento das parcelas pelos beneficiários. Assim como há beneficiários que receberam o pagamento apenas uma vez, existem outros tantos segurados empregados que foram agraciados com dois pagamentos no mesmo ano, ou até três pagamentos, em alguns casos específicos, relacionados ao período de 2010 a 2012. Inviável, no estágio de instrução dos autos, a avaliação da existência da eventualidade nos pagamentos aos segurados empregados. Com base no tradicional critério de distribuição do ônus da prova, cabe ao sujeito passivo, ora recorrente, comprovar que o fato jurídico amoldase à previsão em lei que exclui a tributação sobre o pagamento. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, aplicado em caráter subsidiário ao processo tributário federal, contém previsão expressa sobre a distribuição do ônus probatório: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 3067DF CARF MF 42 De todo modo, registro, segundo minha convicção, que o ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário por força de lei, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado. Com efeito, por meio da alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, o Poder Executivo não repetiu a redação original da Lei nº 8.212, de 1991. Além de suprimir o artigo "os" que antecede "abonos", explicitou que a desvinculação do salário deverá decorrer da lei: "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". Segundo a redação da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador não separou os ganhos eventuais e os abonos em alíneas distintas. Com mais evidência, o regulamento também não o quis fazer, porquanto poderiam, ambos os diplomas, dar tratamento distinto a cada uma das espécies, como se infere do rol de parcelas não integrantes do saláriodecontribuição detalhado no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e no § 9º do art. 214 do RPS. Quanto ao termo "expressamente", a contribuição previdenciária é espécie de tributo. Mais que razoável, portanto, que estejam definidas em lei as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração, assim como as respectivas situações e condições, por ser inconcebível deixar, ao alvedrio do sujeito passivo, a exclusão da tributação. Logo, por todo o exposto, sem razão a recorrente. c) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 do CTN, a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 16327.721021/201423 Acórdão n.º 2401004.987 S2C4T1 Fl. 3.048 43 os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Completo a avaliação destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período Fl. 3069DF CARF MF 44 de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Observado o voto do I. Relator, que acompanho de forma parcial, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) excluir da base de cálculo das contribuições lançadas os pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados efetuados aos segurados empregados no âmbito das Convenções Coletivas de Trabalho (2009 a 2012) e do Plano Próprio 2010; e (ii) excluir do lançamento fiscal o crédito tributário relacionado aos pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados aos administradores com vínculo de emprego (Levantamento Fiscal "PA"). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 3070DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000285/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/09/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. EMPRESA ENCERRADA. GFIP SEM MOVIMENTO. MULTA INCABÍVEL.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
In casu, conforme determinado na legislação, apenas no primeiro mês de cada ano subseqüente foram entregues novas GFIP´s, quais sejam, em 01/2006 e 01/2007. Não necessitando a entrega das guias de 08 a 13/2005, de 02 a 13/2006 e 02 a 08/2007, uma vez que a empresa não possuía movimento, por já restar encerrada.
Numero da decisão: 2401-004.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 11/01 e, no mérito, dar-lhe provimento. Processo julgado em 05/07/2017, às 08:30.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. EMPRESA ENCERRADA. GFIP SEM MOVIMENTO. MULTA INCABÍVEL. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. In casu, conforme determinado na legislação, apenas no primeiro mês de cada ano subseqüente foram entregues novas GFIP´s, quais sejam, em 01/2006 e 01/2007. Não necessitando a entrega das guias de 08 a 13/2005, de 02 a 13/2006 e 02 a 08/2007, uma vez que a empresa não possuía movimento, por já restar encerrada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 02 85 /2 00 8- 25 Fl. 200DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, reconhecer a decadência até a competência 11/01 e, no mérito, darlhe provimento. Processo julgado em 05/07/2017, às 08:30. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.000285/200825 Acórdão n.º 2401004.929 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório LENS SERVICE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0521.585/2008, às efls. 142/148, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, por ter apresentado GFIP com dados incorretos, ou seja, multa de obrigação acessória, em relação ao período de 10/2000 a 06/2007, conforme Relatório Fiscal, às efls. 22/24 e Auto de Infração, às efls. 07/18, consubstanciado na seguinte infração: DEBCAD n° 37.107.1410 Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3°, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 6., também acrescido pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Ainda conforme o relatório fiscal da infração, fl. 04 a empresa foi autuada por apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação Previdência Social GFIP, relativas ao período de 10/2000 a 06/2007, com dados inexatos, ou seja, alíquota de RAT incorreta (52.49399), haja vista não se tratar de comércio varejista e sim de comércio atacadista. A incorreção corresponde somente a erro de código CNAE e não a alíquota que é a mesma para os dois códigos (2,0%) em todo o período, o que constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória conforme disposto na Lei 8.212/91, de 24/07/91, artigo 32, inciso IV e § 6 0 , acrescido pela Lei no 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 40 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. A empresa possui em média 20 empregados estando enquadrada na faixa de 16 a 50 empregados. Ante o exposto no Relatório Fiscal da Infração, aplicou a multa prevista na Lei 8.212, de 24/07/91, artigo 32, § 6°, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97 e Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99, artigo 284, inciso III e artigo 373, atualizada pela Portaria no 142, de 11/04/2007, no valor de R$ 4.959,25 (quatro mil, novecentos e cinqüenta e nove reais e vinte e cinco centavos) considerando que a multa a ser aplicada por cada campo informado incorretamente corresponde a 5% do valor mínima previsto no artigo 283, do RPS, equivalente nesta data a R$ 1.195,13, resultando em R$ 59,75. Portanto o valor da multa corresponde a 83 campos incorretos x R$ 59,75 = R$ 4.959,25. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 154/168, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, suscitando preliminarmente a decadência dos períodos levantados. Fl. 202DF CARF MF 4 Afirmar que, após a sua abertura, sua primeira folha de pagamento ocorreu apenas em 04/2001 e posteriormente teve como sua última folha de pagamento a competência 06/2005 portanto, durante esse período houve a entrega correspondente de GFIP a cada mês. Estando as GFIP retificadas à disposição da fiscalização no endereço por ela fornecido. Esclarece não esta mais em funcionamento a partir da competência 07/2005 novamente foi entregue a GFIP sem movimento, conseqüentemente, como determina a lei, apenas no primeiro mês de cada ano subseqüente foram entregues novas GFIP's, quais sejam, em 01/2006 e 01/2007. Não necessitando a entrega das GFIPS de 08 a 13/2005, 02 a 13/2006 e 02 a 06/2007, uma vez que a empresa não possuía movimento, por já estar encerrada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Regular processamento do feito, o processo foi pautado para julgamento no dia 06 de novembro de 2014 pela Nobre Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, antiga integrante desta Colenda Turma, onde naquela oportunidade o Colegiado, por unanimidade, decidiu por transformar o julgamento em diligência nos termos da Resolução n° 2401000.430, in verbis: " DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão que deve ser melhor esclarecida antes da continuidade do presente julgamento. Vejamos, trecho das alegações do recorrente: No caso da empresa contribuinte, após a sua abertura, sua primeira folha de pagamento ocorreu apenas em 04/2001 e posteriormente teve como sua última folha de pagamento a competência 06/2005 portanto, durante esse período houve a entrega correspondente de GFIP a cada mês. Todavia, como a empresa não mais funcionava, a partir da competência, 07/2005 novamente foi entregue a GFIP sem movimento, conseqüentemente, como determina a lei, apenas no primeiro mês de cada ano subseqüente foram entregues novas GFIP's, quais sejam, em 01/2006 e 01/2007. Não necessitando a entrega das GFIPS de 08 a 13/2005, 02 a 13/2006 e 02 a 06/2007, uma vez que a empresa não possuía movimento, por já estar encerrada. Assim, com vistas a esclarecer a veracidade das alegações do recorrente, entendo deva o processo ser baixado em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste acerca das alegações quanto a paralisação das atividades da empresa no período por ela informado."(grifamos) Em resposta a diligência encimada, foi anexado ao processo a Informação Fiscal de efl. 194, relatando o seguinte: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10830.000285/200825 Acórdão n.º 2401004.929 S2C4T1 Fl. 4 5 Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme o relatório fiscal da infração, fl. 04 a empresa foi autuada por apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação Previdência Social GFIP, relativas ao período de 10/2000 a 06/2007, com dados inexatos, ou seja, alíquota de RAT incorreta (52.49399), haja vista não se tratar de comércio varejista e sim de comércio atacadista. A incorreção corresponde somente a erro de código CNAE e não a alíquota que é a mesma para os dois códigos (2,0%) em todo o período, o que constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória conforme disposto na Lei 8.212/91, de 24/07/91, artigo 32, inciso IV e § 6 0 , acrescido pela Lei no 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 40 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. A empresa possui em média 20 empregados estando enquadrada na faixa de 16 a 50 empregados. DELIMITAÇÃO DA LIDE Conforme se depreende da decisão de piso, houve relevação da multa relativa as competência retificadas pela contribuinte, estando em discussão apenas as competências que serão abarcadas pela decadência e as "sem movimento", conforme passaremos a demonstrar: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Suscita preliminarmente a decretação da decadência em observância ao prazo qüinqüenal, de acordo com o que dispõe o artigo 173, I do CTN. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10830.000285/200825 Acórdão n.º 2401004.929 S2C4T1 Fl. 5 7 I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 206DF CARF MF 8 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10830.000285/200825 Acórdão n.º 2401004.929 S2C4T1 Fl. 6 9 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 208DF CARF MF 10 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, o que torna digno de realce é que a presente autuação decorre do descumprimento de obrigações acessórias, caracterizando, portanto, lançamento de Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10830.000285/200825 Acórdão n.º 2401004.929 S2C4T1 Fl. 7 11 ofício, não se cogitando em antecipação de pagamentos, o que faz florescer, via de regra, a adoção do prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN, na linha inclusive que a jurisprudência dominante no Judiciário e neste Colegiado vem firmando entendimento. Ou seja, o simples fato de se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias, na maioria absoluta dos casos, impede a aplicação do prazo decadencial contemplado no artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, uma vez não haver se falar em lançamento por homologação, inexistindo, em verdade, qualquer atividade do contribuinte a ser homologada, razão do próprio lançamento. Assim, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário, decorrente da multa aplicada, relativas as competências 10/2000 a 06/2007, com a devida ciência da contribuinte constante da Folha de Rosto da Autuação à efl. 02, em 02/10/2007, a exigência fiscal encontrase parcialmente lançada dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, insculpido no artigo 173, inciso I, do CTN, aplicável no caso de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. Nessa toada, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, devendo ser acolhida a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte declarando decadente o período de apuração até a competência NOV/2001. GFIP ENTREGUE "SEM MOVIMENTO" Antes mesmo de adentrar ao mérito da questão, cabe trazer á baila a legislação de regência acerca da matéria, vejamos: A Constituição Federal de 1988 fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento e crédito tributários, a teor do art. 146, III, ‘b’ da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Atendendo ao comando constitucional, estatuindo normas gerais sobre obrigações tributárias, o 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discernimento entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 210DF CARF MF 12 §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ainda o artigo 32, inciso IV e § 6° da Lei 8.212/91, que regulamenta a matéria, vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 62 A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor nil/limo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 42. ('Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) A contribuinte, por sua vez, afirmar que, após a sua abertura, sua primeira folha de pagamento ocorreu apenas em 04/2001 e posteriormente teve como sua última folha de pagamento a competência 06/2005 portanto, durante esse período houve a entrega correspondente de GFIP a cada mês. Estando as GFIP retificadas à disposição da fiscalização no endereço por ela fornecido. Esclarece não esta mais em funcionamento a partir da competência 07/2005 novamente foi entregue a GFIP sem movimento, conseqüentemente, como determina a lei, apenas no primeiro mês de cada ano subseqüente foram entregues novas GFIP's, quais sejam, em 01/2006 e 01/2007. Não necessitando a entrega das GFIPS de 08 a 13/2005, 02 a 13/2006 e 02 a 06/2007, uma vez que a empresa não possuía movimento, por já estar encerrada. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10830.000285/200825 Acórdão n.º 2401004.929 S2C4T1 Fl. 8 13 Pois bem, cabe inicialmente salientar, como já mencionado no relatório, as alegações da contribuinte levaram a antiga Relatora a baixar os autos em diligência para que a autoridade fiscal se manifestase acerca das alegações recursais. Dessa diligência, foi juntado a demanda a seguinte informação fiscal: Observase da resposta encimada, que a autoridade fiscal confirmou as alegações de que a empresa não mais funcionava a partir da competência 07/2005, motivo pelo qual foram entregues GFIP´s "sem movimentação". Conforme determinado na legislação, apenas no primeiro mês de cada ano subseqüente foram entregues novas GFIP´s, quais sejam, em 01/2006 e 01/2007. Não necessitando a entrega das guias de 08 a 13/2005, de 02 a 13/2006 e 02 a 08/2007, uma vez que a empresa não possuía movimento, por já restar encerrada. Assim dispõe a IN n° 70/2002, em seu artigo 314, §3°, in verbis: Art. 314. Nas infrações abaixo, considerase cada competência em que tenha ocorrido o descumprimento da obrigação como uma ocorrência, independentemente do número de documentos não entregues: II GF1P não entregue na rede bancária, a partir da competência janeiro de 1999; § 3° Não ocorrerá a infração prevista no inciso II, quando a empresa sem movimento ou sem fato gerador de contribuições tiver entregue a GF1P com o código de recolhimento 906, na primeira competência em que ocorreu uma destas situações. Nessa toada, por toda a fundamentação exposto e principalmente quanto a afirmação pela autoridade fiscal das alegações da recorrente, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher excluir aplicação da penalidade acessória. Fl. 212DF CARF MF 14 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para decretar a decadência dos fatos geradores até nov/2001, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 213DF CARF MF
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