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Numero do processo: 13603.904311/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
Numero da decisão: 1401-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 11 /2 01 1- 63 Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13603.904311/201163 Acórdão n.º 1401002.476 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que manteve o crédito tributário decorrente da não homologação de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte. 2. Foi emitido despacho decisório, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP objeto do presente lançamento. 3. O crédito transmitido pela via da compensação foi reconhecido como insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual se homologou o débito parcialmente. 4. O interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: · Que "houve um equívoco, por parte da RFB, na apuração dos valores relativos aos créditos compensados, já que foi considerado indevidamente como valor original utilizado na Declaração de Compensação"; · Diz que, “com as devidas correções, o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação, ora parcialmente homologada, se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme atestam as tabelas anexas. As tabelas que seguem anexas trazem a discriminação de todas as notas fiscais e respectivas retenções efetuadas O total de retenções é superior aos valores compensados. O valor do crédito informado se fazia suficiente para compensação dos débitos relacionados na declaração parcialmente homologada”; · Requereu o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade para homologar a compensação declarada no PER/DCOMP, com o reconhecimento da extinção do crédito tributário objeto da compensação. Protestando, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, destacando que não juntou cópia de cada nota fiscal em virtude do volume de documentos. 5. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13603.904311/201163 Acórdão n.º 1401002.476 S1C4T1 Fl. 4 3 5. Isto porque, segundo entendimento da Turma, no Despacho Decisório considerouse confirmado o IRRF em valor inferior ao declarado, não tendo sido considerada a totalidade das retenções informadas no PER/DCOMP em virtude da não confirmação em DIRF. 6. Por isso, “na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº. 119, de 2000”. 7. Considerou, que “não há crédito de saldo negativo de IRPJ do trimestre objeto de compensação, além do já reconhecido no despacho decisório”. 8. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a manifestação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões: · DO INDEFERIMENTO DE PROVAS: alega que “destacou em sua Manifestação de Inconformidade que não juntou cópia de cada nota fiscal objeto do pedido de compensação, pois o volume de documentos inviabilizaria o manuseio da mesma”. Mas, os livros de Notas Fiscais estariam à disposição; · NO MÉRITO, destaca que houve equívoco por parte da RFB na apuração dos valores relativos aos créditos compensados; · Argumenta que “o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme as tabelas anexadas”, destacando, que o total de retenções é superior aos valores compensados pela Recorrente. · Afirma que conforme os documentos e tabelas anexas ao presente recurso voluntário, demonstra a insubsistência e improcedência da homologação parcial da compensação declarada, com isso, requereu a extinção do crédito tributário com a consequente homologação da compensação declarada no PER/DCOMP em sua integralidade. 9. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13603.904311/201163 Acórdão n.º 1401002.476 S1C4T1 Fl. 5 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.331, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904309/201194, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/04/2006 a 30/06/2006, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.331): "Sendo tempestivo, passo a analisar o Recurso Voluntário. No que se refere à preliminar de nulidade em razão do indeferimento da produção de provas entendo que a mesma não merece ser acolhida. Em regra geral, o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). A impugnação, deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, constituindose ônus do contribuinte apresentar as provas de suas alegações. No caso concreto, até o presente momento, o contribuinte não traz aos autos, nem exemplificativamente ou por amostragem, parte das provas que amparam seu direito, simplesmente aduz que em razão do grande volume as mesmas encontramse à disposição. Tratamse de documentos que deveriam estar em posse do contribuinte e, mesmo tendo a sua manifestação de inconformidade indeferida, permanece sem fazer prova do que alega. Daí que não se admite que o pedido de realização de diligência seja usado como instrumento de coleta de provas que cabiam à parte interessada produzir, e muito menos transferir esse ônus à autoridade administrativa. Outrossim, o deferimento de diligência cabe à análise do julgador, de acordo com as razões e fundamentos apresentados nos autos. No caso concreto, diante da inexistência de contexto probatório hábil a dar suporte às razões do contribuinte, o julgador optou por indeferir a diligência, decisão com a qual me coaduno. Assim, não há o que se falar em desrespeito ao princípio da verdade material quando a parte interessada não demonstra, nem de forma exemplificativa, que há alguma verdade, diferente da dos autos, que deva ser alcançada. Face o exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13603.904311/201163 Acórdão n.º 1401002.476 S1C4T1 Fl. 6 5 Como visto, o crédito utilizado na compensação é de saldo negativo de IRPJ, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Portanto, o crédito utilizado nas compensações analisadas tem origem na dedução efetuada, de cuja confirmação depende a homologação pretendida. Na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 119, de 2000. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Assim, diante da inexistência de comprovação do saldo negativo, não dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 488DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36252.000377/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2003
Ementa:PPRA E PCMCO QUE NÃO REFLETE A REALIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA AUDITORIA FISCAL NÃO REFUTADA.
Não havendo prova em contrário capaz e ilidir as afirmações recursais opostas ao lançamento quanto a falta de informações adequadas e compatíveis com realidade da operação, o lançamento deve ser mantido.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA QUANTO A SITUAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL DA EMPRESA. PROVA ESTEMPORANIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADO.
Não configura cerceamento de defesa a negativa de perícia a ser realizada de modo extemporâneo eis que tendo por objeto a verificação das condições ambientais não seria apta a produção de provas eis que tais condições se alteram com o tempo.
CONCESÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS LEGAIS. INOSBERVÂNCIA POR PARTE DA EMPRESA.
Cabe à empresa informar, perante o INSS, as condições especiais que prejudiquem à saúde ou a integridade física dos trabalhadores a fim de que consigam perceber o benefício especial. Inobservância por parte da empresa recorrente. Crédito tributário mantido.
Numero da decisão: 2402-006.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram Da Sessão De Julgamento Os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior, Maurício Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2003 Ementa:PPRA E PCMCO QUE NÃO REFLETE A REALIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA AUDITORIA FISCAL NÃO REFUTADA. Não havendo prova em contrário capaz e ilidir as afirmações recursais opostas ao lançamento quanto a falta de informações adequadas e compatíveis com realidade da operação, o lançamento deve ser mantido. REQUERIMENTO DE PERÍCIA QUANTO A SITUAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL DA EMPRESA. PROVA ESTEMPORANIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. Não configura cerceamento de defesa a negativa de perícia a ser realizada de modo extemporâneo eis que tendo por objeto a verificação das condições ambientais não seria apta a produção de provas eis que tais condições se alteram com o tempo. CONCESÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS LEGAIS. INOSBERVÂNCIA POR PARTE DA EMPRESA. Cabe à empresa informar, perante o INSS, as condições especiais que prejudiquem à saúde ou a integridade física dos trabalhadores a fim de que consigam perceber o benefício especial. Inobservância por parte da empresa recorrente. Crédito tributário mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram Da Sessão De Julgamento Os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior, Maurício Nogueira Righetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 180 1 179 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36252.000377/200648 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.080 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente PAMPILI PRODUTOS PARA MENINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2003 Ementa:PPRA E PCMCO QUE NÃO REFLETE A REALIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA AUDITORIA FISCAL NÃO REFUTADA. Não havendo prova em contrário capaz e ilidir as afirmações recursais opostas ao lançamento quanto a falta de informações adequadas e compatíveis com realidade da operação, o lançamento deve ser mantido. REQUERIMENTO DE PERÍCIA QUANTO A SITUAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL DA EMPRESA. PROVA ESTEMPORANIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. Não configura cerceamento de defesa a negativa de perícia a ser realizada de modo extemporâneo eis que tendo por objeto a verificação das condições ambientais não seria apta a produção de provas eis que tais condições se alteram com o tempo. CONCESÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS LEGAIS. INOSBERVÂNCIA POR PARTE DA EMPRESA. Cabe à empresa informar, perante o INSS, as condições especiais que prejudiquem à saúde ou a integridade física dos trabalhadores a fim de que consigam perceber o benefício especial. Inobservância por parte da empresa recorrente. Crédito tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 25 2. 00 03 77 /2 00 6- 48 Fl. 195DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram Da Sessão De Julgamento Os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregório Rechmann Júnior, Maurício Nogueira Righetti. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 36252.000377/200648 Acórdão n.º 2402006.080 S2C4T2 Fl. 181 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 58/74, lançado contra Decisão de fls. 42/49, da Delegacia da Receita Previdenciária em Araçatuba/SP que julgou improcedente a Impugnação e confirmou a multa aplicada, prevista no artigo 284, inc. II do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, bem como declarou a empresa contribuinte, ora recorrente, como devedora de R$ 69.557,21. A decisão está assim ementada: "AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. JUNTADA DE DOCUMENTOS. Apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações 5 Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91. Os atos administrativos, incluindose o ato de lançamento de tributos, nascem com a presunção de legalidade, legitimidade e veracidade. A juntada de documentos deverá ser realizada no prazo para impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, nos termos do artigo 8° e artigo 9° parágrafos 1° e 2° da Portaria MPS 520/2004. AUTUAÇÃO PROCEDENTE." Por bem transcrever os fatos ocorridos, traslado o relatório da r. decisão recorrida, in verbis 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração a empresa apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com omissão da contribuição previdenciária adicional de SAT destinada ao financiamento da aposentadoria especial ao segurado que tiver trabalhado 25 (vinte e cinco) anos com exposição a agentes nocivos físicos, químicos ou biológicos, ou associação de agentes, prejudiciais â saúde ou a integridade física, arrolados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/19999, pois os trabalhadores sujeitos aos agentes nocivos não forma informados na GFIP com código "4". DA PENALIDADE 3. Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada a multa, no valor de R$ 69.557,21 Fl. 197DF CARF MF 4 (sessenta e nove mil, quinhentos e cinqüenta e sete reais e vinte e um centavos), com valor mínimo atualizado pela PORTARIA N° 822, DE 11 DE MAIO DE 2005. 4. Não foi indicada existência de circunstâncias agravantes no Relatório Fiscal da Infração. Não foi indicada, também, existência de circunstâncias atenuantes durante a ação fiscal. DA IMPUGNAÇÃO 5. A empresa apresentou impugnação tempestiva. DA PRELIMINAR 6. Destaca que o julgamento da presente autuação está ligado ao julgamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD Debcad 35.709.2333. Pleiteia a suspensão da tramitação desta autuação por conexão com a referida NFLD. Argumenta, ainda, que se deve aguardar a produção probatória realizada na Notificação Fiscal. DO MÉRITO 7. Alega que a conclusão fiscal no sentido de que o PPRA e PCMSO não atendem às exigências legais está errada e pretende provar tal argumento através da juntada, no curso desta corrente instrução processual, de laudos que estão fase de confecção. 8. Afirma que a fiscalização não trouxe aos autos provas quanto a precariedade dos PPRAs e PCMSOs da empresa. 9. Contesta os critérios de aferição indireta utilizados pela fiscalização, pois houve generalização na apuração dos salários decontribuição sendo que nem todos os empregados dos setores produtivos do contribuinte estão expostos em similares situações especiais. 10. Por fim, requer a improcedência da autuação." Em seu recurso, reprisa a recorrente os argumentos lançados em sua peça de defesa, em que postula a completa nulidade do lançamento fiscal, bem como a iliquidez da NFLD que dá pé ao presente processo administrativo fiscal. Inicialmente, propugna pelo apensamento dos presentes autos ao processo nº 36252000375200659, uma vez que haveria conexão entre as duas causas. Em defesa de sua tese, argui que não pode haver, como no presente caso, "presunção fiscal" mas, sim, patente "constatação" da necessidade da aposentadoria especial. Assim, cita que a circular 1002/2005 mF/SRB teria reconhecido que o método utilizado pela fiscalização para a constituição da NFLD é inadequado, porquanto o comportamento fiscal careceria de exatidão. Registra, às fls. 61, que: "Reconheceu a citada Circular que não bastam as conclusões extraídas da análise dos documentos citados nos incisos do § 01°, «do art. 03°, acima transcrito, para se concluir pelo direito à aposentadoria especial dos segurados então envolvidos, sendo' Fl. 198DF CARF MF Processo nº 36252.000377/200648 Acórdão n.º 2402006.080 S2C4T2 Fl. 182 5 necessário ao fisco previdenciário verificar o histórico de concessões de. benefícios acidentários ou especiais aos seguradosempregados do contribuinte, para complementar e validar o debelado critério de presunção fiscal e legitimar a cobrança dos adicionais/SAT". Acrescenta a seus argumentos a jurisprudência emanada das instâncias administrativas, bem como alega o descompasso do presente processo com a legislação, a saber, o disposto no art. 239, da ININSS/DC no 70/02, contemplado pela ININSS/DC no 100/03 em seu art. 410. Apara, às fls. 67, que a lavratura da NFLD que lastreia o presente PAF se encontra em flagrante violação do art. 57, caput, e §6º, bem como o que reza o §3º, do art. 58, todos da Lei 8.213/91. Colacionando o art. 57, §6º, e 58, §3º, constata que "a verificação de ser o segurado merecedor do benefício da aposentadoria especial, decorre da CONSTATAÇÃO de que tenha ele trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a sua saúde, e, o correspondente custeio a cargo da empresa, dependerá da atividade por ele exercida, observandose o respectivo período de carência para a concessão da aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição". (fl. 68) Completa que o procedimento fiscal "ofende o texto legal que contempla não a `burocracia documental como fator caracterizador do direito a aposentadoria especial, mas sim, a realidade fática inerente atividade laboral exercida por tais seguradosempregados, diante do correspondente ambiente de trabalho". Assim, propõe, uma vez mais, que há que se relevar a primazia da realidade, e não a mera presunção, como ocorrido quando da elaboração da NFLD. Assim, assenta, em suma, que: 1. No presente caso não se verifica nenhuma das hipóteses elencadas no art. 410, da INDC/INSS 100/03, nem o que exposto no art. 387 da IN/SRP 03/05 para que a contribuição seja lançada por arbitramento, portanto, os argumentos fiscais estariam sem qualquer respaldo normativo, sendo, portanto, desprovido de validade; 2. O indeferimento da perícia caracterizaria patente cerceamento de defesa, uma vez que, a seu ver, o trabalho técnico seria de extrema valia para afastar o "infundado e genérico" trabalho fiscal; 3. Houve importante precedente, da lavra do i. Presidente da 4ª CaJ/CRPS, o acórdão 04/504/2005, que, em sua visão, dá escorreita solução à controvérsia aqui apresentada, afastando a possibilidade da presunção do labor fiscal. Desse modo, ao asserto que há completa inconsistência no RF, bem como na decisão guerreada, reitera o pedido pela conexão dos presentes aos ao processo nº 36252.000375/200659, para melhor análise do caso, bem como que pelo conhecimento e provimento do recurso. Fl. 199DF CARF MF 6 Por derradeiro, requer o conhecimento e provimento do recurso, bem como faz pedido para sustentação oral na sessão de julgamento. Tendo em vista a conexão de ambos os processos, tanto nos presentes autos, como no processo nº 36252.000375/200659, foram juntados a determinação de diligência fiscal, bem como seu resultado. Com o retorno da diligência (fls. 78/83), a fiscalização entendeu que a empresa apresentou laudo apartado de sua realidade fática, que foi analisada pelos auditores, fazendo inculcar, através de documentos, que sua prática estava correta e seguia as Normas Regulamentadoras. Bem como que os documentos apresentados estão incompletos e inadequados, uma vez que não demonstrariam "com clareza" as ocorrências e os fatores de risco da empresa de forma pormenorizada, apresentando irregularidades. Desse modo, alega a o Auditor Fiscal, resumidamente, que: 1. Presumidamente foi o termo utilizado, porquanto não se pôde averiguar com certeza que os trabalhadores não estavam expostos aos agentes nocivos, uma vez que os documentos não relataram tais fatos, ou se relataram foram minguados; 2. Com a ausência de medições de muitos agentes químicos, não se pode saber se já não houve prejuízo à saúde de seus trabalhadores. A verdade é que a empresa não se preocupou em fazer todas as medições exigidas pelas Normas Regulamentadoras, e nem mesmo comprovou a realização de todos exames médicos, pois até mesmo o seu relatório anual era deficiente, não demonstrando sequer se houve exames anormais ou não; 3. O Livro de inspeção do Trabalho, demonstra irregularidades no ambiente de trabalho, preconizada pelo Médico do Trabalho, visto que faz solicitação de avaliação de riscos químicos; 4. Seria evidente a necessidade de verificação in loco (ponto 8, fls. 80); 5. Há incompatibilidade entre os documentos, uma vez que as informações de uso de produtos não estão devidamente detalhadas; 6. Determinados documentos, como os do Setor Aviamento e Injetora estão defeituosos, uma vez que sequer fazem referência ao uso dos produtos de proteção adequados; e 7. Quanto às normas vigentes, todas elas foram seguidas para a elaboração do RF. Às fls. 85, ofereceu o Ministério da Previdência Social, contrarrazões ao recurso do contribuinte, alegando que todos os dados e informações que serviram de base para o lançamento em testilha encontramse expressos nos documentos emitidos pela própria empresa, bem como em notas fiscais de aquisição de produtos químicos. Desse modo, portanto, a d. Fiscalização apenas teria analisado os documentos já existentes e analisado suas incorreções. Dessa forma, estaria totalmente regular a Notificação Fiscal, uma vez que estaria comprovado que a empresa não gerenciaria adequadamente seus riscos ocupacionais, acarretando a exposição de seus empregados a agentes nocivos. Ressalta, às fls. 89: "Registrese, à título de esclarecimento, que o parágrafo 3° do artigo 57 da Lei n° 8.213/91 estabelece que a concessão da Fl. 200DF CARF MF Processo nº 36252.000377/200648 Acórdão n.º 2402006.080 S2C4T2 Fl. 183 7 aposentadoria depende de comprovação pelo segurado, perante o INSS, do tempo trabalhado permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. O próprio parágrafo 1° do artigo 58 da citada Lei estatui que a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. A propósito, na presente ação fiscal, a empresa em causa foi autuada 5 (cinco) vezes, pelos seguintes motivos: não fornecer cópia autenticada do Perfil Profissiográfico Previdenciário ou documentos equivalentes a empregados, deixar de comunicar acidente de trabalho, PPRA e PCMSO sem as formalidades legais exigidas e GFIP com informações inexatas e com omissão de fato gerador de contribuição previdenciária." Assim, aventa, às fls. 90, para o afastamento da alegação de cerceamento de defesa, pois "quanto à exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos, tal fato já foi amplamente demonstrado acima, e confirmado pelos Auditores Fiscais na Informação Fiscal de fls. 577/582 juntada aos autos". Entremostra que a perícia não seria necessária para a conclusão do presente feito, uma vez que não seria exigida capacidade técnica para a análise dos documentos e informações prestadas pela empresa. Sendo assim, pleiteia para que se negue provimento ao Recurso da empresa contribuinte, em vista do total descabimento de suas alegações. Às fls. 94, o julgamento do recurso foi convertido em diligência para a ciência e pronunciamento da Contribuinte quanto à juntada de documento nos autos, bem como para que os presentes autos fossem apensados ao processo nº 36252.000375/200659. A suplicante, às fls. 105/110, reprisou os mesmos argumentos pautados em sua peça recursal, assentandose nos aspectos da realidade da atividade laboral e da legislação anteriormente trazida aos autos. Às fls. 125, os membros da e. 1ª Turma Ordinária, resolvem, por unanimidade de votos, converter novamente o julgamento em diligência para que o Médico Perito da Previdência Social elucidasse as questões elencadas no recurso, bem como que esclarecesse os seguintes pontos para a Câmara: "1. Existem condições especiais que prejudiquem a saúde ou integridade física, no ambiente de trabalho, capazes de implicar no direito a aposentadoria especial aos segurados da Notificação? 2. Em caso de resposta positiva, quais são? 3. Em quais condições foram observados? Fl. 201DF CARF MF 8 4. Em que fundamento legal se encaixa tal condição, se existente? 5. Há histórico de concessão de aposentadoria especial aos segurados da notificada? 6. Em caso positivo, em função de qual agente nocivo? 7. Há utilização de equipamentos de proteção coletiva ou individual capazes, por si só, de afastarem a concessão do beneficio? 8. Os equipamentos de minimização dos riscos ambientais do trabalho atendem as especificações técnicas e são concedidos a todos os trabalhadores? 9. Os argumentos da Recorrente quanto ao controle das condições do ambiente do trabalho procedem? 10. As condições do ambiente do trabalho podem ser consideradas as mesmas para todo o período pretérito abrangido pela Fiscalização? 11. O perito pode prestar quaisquer outros esclarecimentos que possam elucidar a questão controvertida." O perito, às fls. 135, se pronunciou acerca da diligência ordenada nos seguintes termos: "Em resposta aos quesitos formulados cm fls 1.26, após análise do presente processo apresentamos as seguintes respostas: 1Conforme auto de infração de fl; 15/16/17 os setores: Pesponto, Montagem, Planchamento, Injetora, Aviamento e Manutenção Mecânica foram encontrados agentes nocivos capazes de prejudicar a sal:1de ou. integridade física dos trabalhadores, capazes de implicar no direito à aposentadoria especial; 2 Tolueno, nhexano, xileno e acetato de etila; 3Solventes utilizados para limpeza e colagem de peças; 4Decreto .3048/99, Anexo IV código 1.0.19; 5Desconheço; 6Prejudicado; 7Não há no processo menção a equipamentos de proteção coletiva e são citados equipamentos de proteção individual (mascaras, cremes protetores e luvas) em fls 81; 8Nada consta no processo sobre as características técnicas dos EPIs, tais como Certificado de Aprovação e níveis de atenuação, nem tampouco há referência concentração ambiental dos agentes nocivos e a monitoração biológica dos mesmos, dados esses imprescindíveis para se analisar a eficácia das medidas de proteção; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 36252.000377/200648 Acórdão n.º 2402006.080 S2C4T2 Fl. 184 9 9Não consta no processo nenhuma informação técnica sobre o controle das condições do ambiente de trabalho. tais como a concentração ambiental dos agentes nocivos e a monitoração biológica através da dosagem semestral na urina dos metabólitos destes agentes químicos, conforme determina a NR•7 e NR•9 e relatório anual do PCMS 0; 10Dificilmente as condições ambientais de trabalho se mantém estáveis no decorrer do tempo. Mudanças ocorrem no layout da empresa, troca de fornecedores em virtude das condições do mercado, etc. Em conseqüência destas alterações os documentos hábeis (NR7, NR9 e PPP) devem ser atualizados anualmente; 11Nada mais tenho a acrescentar." Às fls. 144, a Delegacia da Receita se pronuncia no sentido de que não caberia à Auditoria a descaracterização ou desconsideração dos parâmetros e procedimentos técnicos arguidos pelo perito, bem como que já teria sido amplamente demonstrado que há exposição dos trabalhadores a agentes nocivos, às fls. 6 e 7 (RF) e fls. 9 a 21 (Caracterização das Condições Especiais de Trabalho). Cientificada, a recorrente não se manifestou acerca dos novos documentos acostados. Em retorno a este e. Conselho, os Conselheiros desta e. 2ª Turma, resolveram converter o julgamento em diligência, uma vez mais a fim de que o presente processo seguisse o relativo à obrigação principal (processo nº 36252.000375/200659) na medida diligencial nele imposta. Os autos principais e estes, referentes a obrigação acessória volveram ao Conselho de Recursos Fiscais para Julgamento conjunto. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade Analisando os autos verificamos a existência de manifestação quanto a conexão dos presentes autos ao o processo 36252.000375/200659 trata da obrigação principal consubstanciada no DEBCAD nº 35.709.2333, razão pela qual ambos os processos foram distribuídos a este relator e indicados para compor a presente pauta de forma conjunta, dada sua conexão. (Fl. 159) Em que pese a exigência de depósito ou arrolamento de bens como condição para interposição de Recurso Voluntário, ser matéria superada em nosso ordenamento jurídico por força da Súmula Vinculante nº 21 do STF1, cabe registrar que consta dos autos comprovante de recolhimento de valores relativos a depósito recursal. (Fl. 56) Com relação a regularidade do representação do patrono Theodoro Vicente Agostinho que firma a manifestação de fls. 106 a 110, objeto de Intimação SCAT nº 419/2008 verificamos que a mesma foi suprida. (Fls. 117 a 122) Consta dos autos 4 Resoluções tratando de diligências, tendo sido o Recorrente instado a se manifestar em todas, apresentando manifestação quanto a algumas e deixando de fazêlo quanto a outras. Sendo estas as únicas possíveis celeumas que vislumbramos no que concerne a admissibilidade, entendemos estarem presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passamos a sua análise. 2. Preliminarmente Embora a peça recursal não nos permita extrair de modo claro aquilo que o recorrente considera como preliminar, os termos do Art. 59 do RICARF2, os temas prejudiciais ao mérito devem ser julgados antes dos demais e nesse sentido alegação de cerceamento de defesa possui tal natureza. O recorre reprisa seus argumentos quanto a ocorrência de cerceamento de defesa decorrente do indeferimento de pedido de prova pericial entendida pelo mesmo como passível de revelar a verdade material da situação fática relacionada a exposição de riscos dos empregados relacionados ao presente lançamento. 1 "Súmula Vinculante nº 21 do STF, "é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo". 2 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 36252.000377/200648 Acórdão n.º 2402006.080 S2C4T2 Fl. 185 11 Ocorre que artigo 183 do Decreto 70.235/71 condiciona a produção deste tipo de prova a um juízo de admissibilidade a ser empregado pela autoridade julgadora com base na necessidade ou praticabilidade de sua produção. E no caso em questão, o relator da decisão recorrida fundamentou o indeferimento da perícia requerida na desnecessidade, pois os registros contidos no instrumento de lançamento são passiveis de se obter por mera comparação entre o descrito nos documentos de verificação de riscos ambientais de trabalho elaborados por técnicos da empresa e a realidade da operação. Além disso, o i. Agente fiscal tomou por base uma série de documentos que indicam riscos tidos por não refletidos pelos registros contidos no PCMSO, como é o caso das Fichas de Informação de Segurança de Produtos Químicos. Outrossim, apesar de não ter sido deferida a perícia solicitada, os julgadores que nos precederam foram criteriosos e buscaram de modo exaustivo clarificar pontos relacionados as alegações do Recorrente, determinando a realização de diversas diligencias que atendem parcialmente os objetivos probatórios articulados pelo Recorrente e, na quilo que não atende, como verificações in locum com análise de processo produtivo por exemplo, entendemos ser prova impraticável. No presente caso, a produção de prova pericial pretendida pelo Recorrente seria impraticável, eis que a contraprova a ser produzida deveria ter sido elaborado tão logo o contribuinte tomou ciência do lançamento, já que as situações fáticas verificadas à época dos fatos poderiam ter se alterado, sendo prova de difícil produção tempos depois. Percebam que o lançamento ocorreu em 29/07/2003 e o julgamento a quo ocorreu somente em 22/07/2005, portanto, tempo suficiente para que a prova pretendida se perca em razão de adoção de outras medidas de gerenciamento que alterem o risco identificado pelo i. Agente fiscal a época da fiscalização. Embora a Manifestação do patrono Theodoro Vicente Agostinho (Fls. 106 a 110) tenha sido de excelente lavra e com argumentos bem construídos, com a devida vênia, não tocam nosso convencimento quanto a praticabilidade ou necessidade da prova pericial. Isso posto, não há como acolher tal alegação prejudicial ao mérito. 3. Mérito Tratase de auto de infração lavrado devido à recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, parágrafo 5º, combinado com o art. 225, IV, parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, ocorridos nas competências 06/2003 a 10/2003. Nas competências 06/2003 a 10/2003 a empresa informou erroneamente em GFIP os trabalhadores relacionados abaixo com código de ocorrência 02 (aposentadoria especial aos 15 3 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 205DF CARF MF 12 anos de contribuição), sendo que os trabalhadores do setor bordado e corte deveriam estar informados com o código " em branco" e os trabalhadores do pesponto, planchamento e montagem com o código "4" , o que significa dizer: "(...) Para os trabalhadores com apenas um vinculo empregaticio, informar os códigos a seguir, conforme o caso: (em branco) Sem exposição a agente nocivo. Trabalhador nunca esteve exposto. 01 Não exposição a agente nocivo. Trabalhador já esteve exposto. 2 Exposição a agente nocivo (aposentadoria especial aos 15 anos de serviço); 3 Exposição a agente nocivo (aposentadoria especial aos 20 anos de serviço); 4 Exposição agente nocivo (aposentadoria especial aos 25 anos de serviço)." Em que pese o presente processo versar sobre penalidade aplicada em decorrência da infração ao dispositivo legal já referido4, no valor de R$ 69.557,21 (sessenta e nove mil, quinhentos e cinqüenta e sete reais e vinte e um centavos), o recorrente direciona suas razões no sentido de contrapor os argumentos fiscais condutores do lançamento realizado por meio do DEBCAD nº 35.709.2333, eis que tratase de principal ao qual o presente lançamento estaria conectado. Não constam argumentos preliminares, tão pouco outros diretamente relacionados a multa em si, mas apenas a sua causa essencial. Com tal premissa registrase que o lançamento da obrigação principal relacionase a contribuições destinadas à Seguridade Social referentes ao adicional de SAT para financiamento da aposentadoria especial ao segurado que tiver trabalhado 25 (vinte e cinco) anos com exposição a agentes nocivos físicos, químicos ou biológicos, ou associação de agentes, prejudiciais à saúde ou a integridade física, arrolados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Nos termos do § 6° do artigo 57 da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.732/98, é financiado pelo acréscimo de 6% (seis por cento), 9% (nove por cento) ou 12% (doze por cento) na alíquota da contribuição de que trata o artigo 22, II, da Lei 8.212/91, conforme o agente nocivo a que se expõe o trabalhador permita a concessão de aposentadoria especial aos 25, 20 ou 15 anos de contribuição, respectivamente. O Agente fiscal asseverou ter a recorrente apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições previdenciárias, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, parágrafo 5º, combinado com o art. 225, IV, parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, conforme demonstrado no RF. Segundo registra, o erro de informação é decorrência de descompasso entre o declarado e a realidade da empresa no que aponta para o gerenciamento de risco ambiental laboral. Segundo demonstram os documentos acostados aos autos pela fiscalização, tais declarações estariam sendo realizadas pela empresa com fragilidade e precariedade, restando 4 Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 36252.000377/200648 Acórdão n.º 2402006.080 S2C4T2 Fl. 186 13 dúvidas quanto a sua eficácia, uma vez que o PPRA não antecipa e reconhece todos os riscos ambientais como previsto na NR 09, item 9.1.1. Para o agente fiscal, no anexo "Caracterização das Condições Especiais de Trabalho na Calçados Kollis Indústria e Comércio Ltda”, a empresa não demonstrou que gerencia adequadamente os riscos ambientais do trabalho, de modo a assegurar que seus empregados não estejam expostos a agentes nocivos físicos, químicos ou biológicos que possam comprometer a saúde ou a integridade física dos mesmos. Por tais motivos efetuou o lançamento arbitrado das contribuições devidas. com fundamento no artigo 33, § 3°, da Lei 8.212/91. "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida." Postas as bases em que ocorreu o lançamento, passaremos a analisar a regularidade do mesmo. É sabido que a Norma Regulamentadora NR impõe a obrigação de elaborar e implementar, abrangendo a totalidade do quadro funcional e estabelecimentos da empresa, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA. O PPRA identifica, avalia e antecipa os riscos e o conjunto de medidas orientadas à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores através do controle de possíveis ocorrências de riscos ambientais existentes ou potenciais no ambiente de trabalho (109.0011 /12), o que, segundo as avaliações descritas no relatório fiscal, não ocorreu de forma plena. Além do PPRA, no que concerne ao PCMSO os indicativos da autoria fiscal revelam que o mesmo não atende ao disposto na NR 07 que estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. O Relatório Fiscal e a documentação acostada deixam claro que: " o relatório anual do PCMSO não informa o número de exames alterados; Fl. 207DF CARF MF 14 Apresar que trabalhadores estavam expostos ao agente químico Toluenom Metriletilcetona, NHexano e Xileno, cuja obrigatoriedade do exame de urina é semestral de acordo com a NR 07 o PCMSO não informa a realização de exame especifico para detectar agravos a saúde decorrentes desta exposição; PPRA não apresenta o reconhecimento sistemático dos agentes de risco existentes no ambiente de trabalho, impossibilitando verificar se todos os agentes em todos os setores foram avaliados ; não faz avaliação anual do PPRA, a partir do monitoramento sistemático de todos os agentes nocivos e verificação das medias de controle adotadas, tendo em vista que no ano de 1999 não houve nenhuma medição; e só foi monitorado no setor de lançamento no ano de 2000, repetindo neste setor nos anos seguintes a mesma avaliação. ANEXO Ill. Não discute na C1PA os resultados dos monitoramentos dos exames periódicos e do Relatório Anual do PCMSO, pois, entre as atas apresentadas, não abordado estes assuntos; Não elabora perfil profissiográfico das atividades desenvolvidas pelos trabalhadores não comunica através do CAT — Comunicação de Acidente de Trabalhado todos os acidentes de trabalho ocorridos na empresa." Os documentos coligidos ao autos pela Recorrente não foram suficientes para desconstruir a presunção gerada com o lançamento. O parecer técnico sobre o relatório da notificação fiscal de lançamento de debito n° 35.709.2333, juntado por ocasião do Recurso, não evidencia com segurança a ausência de exposição dos empregados indicados pelo i. Agente Fiscal. Apresenta alegações genéricas que, apesar de coerência lógica, não são suficientes para provar que os empregados relacionados ao presente lançamento de fato não estiveram expostos aos agentes químicos, o que ter poderia ser comprovado por meio dos exames médicos não apresentados por exemplo. Ante ao exposto, não merecem prosperar os argumentos da recorrente quanto ao possível descompasso entre a realidade e o disposto no lançamento combatido. Quanto a alegação de que o fato de seus empregados terem recebido negativa de aposentadoria especial por falta de prova da condição de trabalhador exposto aos agentes nocivos, tal situação é apenas uma conseqüência da forma com que a empresa apresentou tais informações ao INSS. O §3° do Art. 57 da Lei 8.213/91 exige, para concessão de aposentadoria especial, a comprovação, perante o INSS, do tempo trabalhado de modo permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado em lei. Já o §1° do Art. 58 da mesma norma, registra que cabe a empresa o dever de informar tal condição, sendo elemento de prova de que seus trabalhadores estão expostos a tais condições ambientais de risco, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 36252.000377/200648 Acórdão n.º 2402006.080 S2C4T2 Fl. 187 15 Ora, se a empresa não forneceu adequadamente tais informações ao INSS, o fato de seus empregados terem recebido negativa de aposentadoria especial é uma consequência de sua conduta irregular e não prova de regularidade de suas informações. A propósito da técnica de lançamento adotada, a aferição indireta se impõe como via adequada, pois além das informações serem claramente deficientes, o processo comprova que "a presente ação fiscal, a empresa em causa foi autuada 5 (cinco) vezes, pelos seguintes motivos: não fornecer cópia autenticada do Perfil Profissiográfico Previdenciário ou documentos equivalentes a empregados, deixar de comunicar acidente de trabalho, PPRA e PCMSO sem as formalidades legais exigidas e GFIP com informações inexatas e com omissão de fato gerador de contribuição previdenciária". Tal medida vai ao encontro do disposto no Art. 33, §3° da Lei 8.212/1991 combinado com o artigo 233 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048199 e o artigo 410 da Instrução Normativa INSS/DC n°100/2003. Conclusão Ante ao exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.910485/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
Numero da decisão: 1302-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. Recorrente BIORAD LABORATÓRIOS BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 04 85 /2 00 9- 17 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 15374.910485/200917 Acórdão n.º 1302002.356 S1C3T2 Fl. 3 2 Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase da Resolução nº 110200.072, da extinta 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, determinada face ao Acórdão nº 1238.749, de 15 de julho de 2011, proferido pela 9ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro. A DRJ relatou que o processo versava sobre o PER/DCOMP de fls. 2/7, transmitido em 13/05/2005, por meio do qual a Recorrente pretendia aproveitar crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, arrecadado em 23/02/2001, no valor de R$20.185,67, na data de transmissão. O Despacho Decisório (fl. 8) não homologou a compensação declarada. Concluiuse que, o pagamento indicado no PER/DCOMP teria sido integralmente utilizado. A recorrente manifestou seu inconformismo alegando, em síntese, que: 3.1 Conforme DIPJ 2002 (fl. 36), transmitida em 28/06/2002, teve prejuízo fiscal no anocalendário de 20ÓJ; 3.2 "... não havendo fato gerador para incidência do IRPJ o pagamento constante do DARF enquadrase na condição de pagamento a maior reclamando sua disponibilidade para ulterior compensação", fl. 12; 3.3 "... não existiu base de cálculo para apuração do IRPJ mensal, pois essa, por estimativa, foi negativa", fl. 12, (Base de cálculo da estimativa de janeiro, fl. 37); 3.4 O art. 43 do CTN preceitua que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; 3.5. "... inexistindo acréscimo patrimonial, a imposição de um desembolso imediato sobre um acréscimo que não ocorreu é ilegítimo", fl. 12. 3.6 Não existia imposto algum a ser recolhido ao erário; 3.7 A DCTF retiflcadora, transmitida em 10/03/2009 (fl. 141), desfaz o equivoco da vinculação do DARF ao suposto débito de IRPJ referente a janeiro de 2001; No recurso voluntário, suscitou preliminar de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de que este não estaria fundamentado e teria violado seu direito à ampla defesa e contraditório (por violar a prova dos autos quanto à comprovação do alegado erro praticado em DCTF originária e por deixar de provar que os créditos alegados em declaração de compensação já teriam sido utilizados para quitação de outros débitos. No mérito, reitera suas razões de impugnação, segundo as quais: (i) a Contribuinte teria comprovado a efetiva existência do crédito informado em PER/DCOMP, mediante juntada de DARF/2001, DIPJ 2002 e DCTF retificadora; e (ii) caberia à autoridade julgadora, de ofício, converter o julgamento em diligência em caso de dúvida sobre a existência do crédito alegado, jamais “presumir pela inexistência do crédito, logo, de forma desfavorável e prejudicial ao contribuinte”. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15374.910485/200917 Acórdão n.º 1302002.356 S1C3T2 Fl. 4 3 Segundo a Recorrente, em síntese, caso fossem devidamente apreciados pelo acórdão recorrido os documentos acima citados, a única conclusão possível desta análise seria o reconhecimento do direito creditório e a homologação da respectiva declaração de compensação. Diante de tais alegações, o pedido de diligência foi acolhido, concluindose que havia a necessidade de instrução do processo para adequado julgamento. Assim, propôsse a conversão do julgamento em diligência para que a DRF adotasse as seguintes providências: (i) atestar a autenticidade da DCTF retificadora trazida aos autos em face das vias originais e da documentação fiscal e contábil da Contribuinte; (ii) atestar, de forma conclusiva e justificada, mediante consulta a documentos e livros fiscais e contábeis da Contribuinte, a correção (ou não) das informações prestadas na DCTF retificadora referida nestes autos, especialmente, mas sem se limitar, à existência (ou não) de saldo de IRPJ a pagar nos meses do ano calendário de 2001 que estariam sendo apontados pela RFB como impeditivos do reconhecimento do direito creditório alegado e consequente homologação da declaração de compensação; (iii) das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Em cumprimento, a DRF apresentou o seguinte Despacho de Diligência: Tratase de relatório de Relatório de Diligência requerido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Primeira Seção de Julgamento), nas Resoluções nº 110200.072 e 110200.073 da 1a Câmara/2a Turma Ordinária, de 10/abr/2012. Basicamente, o CARF solicita as seguintes providências: (...) Constatamos nos sistemas da RFB que a DIPJ/2002, original/liberada, no 107942487, transmitida em 28/jun/2002, que a forma de apuração do IRPJ e da CSLL é o Lucro Real Anual. Em todos os meses de apuração das estimativas, quer sejam de IRPJ ou CSLL, a interessada utilizouse de balanços ou balancetes de suspensão ou redução que lhe permite, como o próprio nome sugere, suspender ou reduzir o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda devido por estimativa, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal no 48/2014, cuja ciência deuse em 24/jun/2014, a informar/fornecer o(a)(s) seguinte(s) documento(s)/justificativa(s): “ Fotocópias autenticadas de escrituração contábil, mês a mês, do ano calendário 2011 que justifique as divergências encontradas entre o informado em DIPJ/2012 e as DCTFs transmitidas, relativamente a apuração dos tributos IRPJ (cód. receita 2362) e CSLL (cód. receita 2484). Comprovação definitiva de que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (mês a mês) foi negativa, a qual originou prejuízo fiscal em suas principais Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15374.910485/200917 Acórdão n.º 1302002.356 S1C3T2 Fl. 5 4 atividades (receita de revenda de mercadorias e receita de prestação de serviços) por todos os meses do AC de 2001. Haja visto a interessada possuir 3 filiais ATIVAS e exercer a atividade: CNAE: 4645101 Comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios. Solicitase, então, como exposto acima: 1. fotocópia do Razão Analítico, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que detalhe MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas; e, 2. fotocópia do Balancete de Verificação, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que demonstre MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas.” A interessada atendeu à intimação acima citada trazendo a esta SAORT/DRF/STL/MG 12 (doze) encadernações de livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. Sobre a estimativa a que se refere este relatório de diligência, IRPJ PA: jan/2001, no Balancete Analítico não há referência de IRPJ a pagar referente ao período, assim como informado na Ficha 11 da DIPJ/2002. Também o contribuinte não se utilizou desta estimativa (nem de outra que porventura pudesse advir no decorrer do anocalendário: meses de fev a dez/2001) para compor o ajuste anual em Saldo Negativo de IRPJ ao final do fato gerador em 31/dez/2001, conforme Linha 16, da Ficha 12A. TABELA 1 As DCTFs transmitidas pela Recorrente, do 1º e 2ºTrim/2001 são: Com relação às DCTFs transmitidas acima, a que contém informação do débito em comento (IRPJ PA jan/2001): 1oTrim/2001, na declaração original (item 01) havia informação de débito de estimativa IRPJ (cód. receita 2362). Esta foi retificada primeiramente em 15/ago/2001 (item 02), antes da ciência dos Despachos Decisórios eletrônicos exarados pelo Sistema de Controle de Crédito – SCC relativos às DComps 00103.28925.150405.1.3.040344 e 06056.95020.130505.1.3.040214, cujas ciências deramse em 04/mar/2009 e 02/abr/2009, respectivamente. A segunda DCTF retificadora (item 03), Liberada/Recebida sem Erro, foi transmitida em 10/mar/2009, ou seja, entre a ciência dos 02 (dois) despachos decisórios. Tanto na primeira quanto na segunda DCTF Retificadora não há menção à apuração de débito de estimativa de IRPJ. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15374.910485/200917 Acórdão n.º 1302002.356 S1C3T2 Fl. 6 5 Diante do exposto, cumprida a determinação do CARF, em razão da documentação trazida aos autos pelo contribuinte e face as DCTFs registradas nos sistemas da RFB: Dêse ciência deste Relatório de Diligência ao contribuinte, intimandoo a buscar a documentação apresentada por meio do TIF no 48. O interessado tem o prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência deste Relatório para se manifestar. Após, encaminhemse os autos novamente ao CARF/MF/DF. A Recorrente foi devidamente intimada sobre o resultado da diligência, porém, não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma registrada na primeira oportunidade em que o caso veio a julgamento, o recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está devidamente representada. Conheceuse do recurso. Preliminar de Nulidade A Recorrente alega que o despacho decisório que não homologou a DCOMP em questão seria nulo, por falta de fundamentação legal, bem assim pela falta de análise de DARF, DIPJ e DCTF. Verificase que, em realidade a recorrente não atendeu às intimações da DRF para a apresentação escritas contábeis, comerciais e fiscais. Limitouse a apresentar declarações acessórias, sobre as quais a DRF concluiu que não seriam suficientes para comprovar que o erro estaria na DCTF que, inicialmente, confessou débito de IRPJ e CSLL de estimativa mensal. Observase, ainda que o referido Despacho Decisório consignou os dispositivos legais e regulamentares, com base nos quais concluiu por não homologar a DCOMP em questão. Não haveria, portanto, a alegada nulidade. De qualquer forma, entendese que a conversão do julgamento inicial em diligência, concedeu à recorrente a oportunidade de demonstrar a subsistência de seu crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ e CSLL por estimativa mensal. Nesse sentido, cabe rejeitar a preliminar de nulidade e adentrarse ao mérito para a apreciação do resultado da diligência, conforme segue. Mérito Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15374.910485/200917 Acórdão n.º 1302002.356 S1C3T2 Fl. 7 6 Em conformidade com o Despacho de Diligência retro transcrito, a recorrente apresentou Livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. A DRF analisou o respectivo Balancete Analítico e concluiu que não havia IRPJ a pagar, referente janeiro de 2001. Certificouse, portanto, que estava correto o registro na Ficha 11 da DIPJ/2002, quanto à inexistência de imposto a pagar. No entanto, verificouse que não houve registro na Linha 16, da Ficha 12A da DIPJ, quanto ao referido valor pago indevidamente a título de estimativa mensal. Não obstante tal omissão no preenchimento da DIPJ, certificouse, também que a Recorrente não se utilizou desse pagamento nos meses subsequentes de 2001. Com relação às referidas DCTFs, a DRF verificou que, a indicada no item 1, declaração original (IRPJ PA jan/200; 1oTrim/2001), continha informação de débito de estimativa IRPJ (cód. receita 2362). A primeira retificadora da DCTF original, deuse em 15/08/2001 (item 02 do quadro acima), antes da ciência dos Despachos Decisórios eletrônicos exarados pelo Sistema de Controle de Crédito (SCC), relativos às DComps 00103.28925.150405.1.3.040344 e 06056.95020.130505.1.3.040214, cujas ciências deramse em 04/mar/2009 e 02/abr/2009, respectivamente. A segunda DCTF retificadora (item 03), Liberada/Recebida sem Erro, foi transmitida, em 10/03/2009, ou seja, entre a ciência dos dois despachos decisórios. Sobre as retificadoras, a DRF concluiu que, tanto na primeira quanto na segunda DCTF retificadoras, não mais havia registro sobre o referido débito de estimativa de IRPJ de 01/2001 que constava da DCTF original. Nesse sentido, confirmouse que: a) a recorrente apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2001, conforme balancete analítico e DIPJ 2002 (fl. 30), transmitida em 28/06/2002; b) não houve fato gerador do IRPJ; e c) o pagamento do DARF de R$20.185,67, posição em 23/02/2001, constituise em pagamento indevido, passível de utilização em compensação (fl. 13). Na forma certificada pela DRF, após diligência, é devida a homologação da PER/DCOMP em questão para o reconhecimento do direito creditório da recorrente. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15374.910485/200917 Acórdão n.º 1302002.356 S1C3T2 Fl. 8 7 Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000038/2007-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por
intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1802-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
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Recorrida 2ª.Turma/DRJ/Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco. Relatório A T S CONSULTORIA CONTÁBIL S/C LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedente o Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 lançamento constante dos Autos de Infração, lavrados em 17/01/2007, por irregularidades relativas aos anos calendário de 2002 e 2003, e manteve o seguinte crédito tributário, : Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 28 946 64, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.232/235); Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 60.534,78, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.245/250); Contribuição Social CSLL no valor de R$ 17.367,33, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls. 267/270); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 24.532,72, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls. 257/260); Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF no valor de R$ 139.338;18, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.275/277). De acordo com o Relatório Fiscal, de fls.228/230, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1 Falta de oferecimento à tributação do recebimento das faturas discriminadas à fl.229; 2 Abatimentos sobre Vendas/Serviços: lançados na conta 3.2.1.01.001 (cancelamento de serviços), que foram glosados uma vez que a fiscalizada foi intimada a apresentar os necessários comprovantes e nada apresentou, alegando não possuir nota fiscal tampouco Livro de ISS; 3. Foram efetuados os lançamentos dos débitos de PIS e COFINS do período sob fiscalização — muito embora a empresa tenha informado em DCTF, as entregas das mesmas só ocorreram em 12/06 e 20/11/2006, durante o curso da fiscalização, portanto, sem que a espontaneidade tenha sido adquirida. 4. A fiscalizada também foi intimada (fls. 23/24), a apresentar planilhas de apuração dos cálculos, bem como dos bens utilizados como insumos, serviços e energia elétrica, onde constasse as respectivas bases de calculo PIS não cumulativo, nada apresentou. 5. Imposto de Renda na Fonte sobre Benefícios Indiretos "fingebenefits"— A fiscalizada pagou ao seu sócio majoritário Aloísio Romeu Thiele, alugueis e respectivos encargos, nos anos de 2002 e 2003, (conta 4.3.2.03.001), sem que oferecesse à tributação. A alíquota da tributação é exclusiva na fonte, e deve ser aplicada sobre a base de calculo reajustada (10035) = 100 : 65 = 1,538461. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Campinas/SP) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida mediante o venerando Acórdão nº 0527.856, de 16 de dezembro de 2009 (fls.466/474) cientificado ao interessado em 08/02/2010 (segunda feira), fl.482. A empresa interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 11/03/2010, quinta feira, fls.483/487, no qual afirma sua tempestividade. Inconformada com a decisão de primeira instância a recorrente alega no essencial que os valores imputados nos Auto de Infração não são devidos na sua totalidade, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16045.000038/200781 Acórdão n.º 180200.785 S1TE02 Fl. 502 3 requerendose para tanto a correção da base de cálculo com a exclusão das faturas não recebidas por custos decorrentes (penalidades fiscais, etc) que eram debitados de seus honorários, em conta corrente por motivos de imperícia com seus clientes. Aduz que os recebimentos da empresa transitavam pela conta corrente bancária. Ao final requer o provimento integral do recurso. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins De Sousa Conforme relatado acima, a interessada foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 0527.856, de 16 de dezembro de 2009 (fls.466/474), conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.482, em 08/02/2010, (segunda feira), e, interpôs Recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, (fls.483/487), somente em 11/03/2010, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo fatal o dia 10/03/2010 (quarta feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecêlo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000194/2005-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002
PREJUÍZO FISCAL. ATIVIDADE GERAL E RURAL. CONTROLE INDIVIDUALIZADO NO LALUR.
Não possuindo a empresa escrituração do Lalur das atividades gerais e rurais em separado e o controle dos prejuízos fiscais/lucros reais apurados em diversos anos e a sua compensação, de forma a possibilitar a verificação dos
valores pela autoridade fiscal, somado a supostos erros de preenchimento da declaração não comprovados satisfatoriamente, mantém-se o lançamento tributário.
Numero da decisão: 1801-000.393
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 PREJUÍZO FISCAL. ATIVIDADE GERAL E RURAL. CONTROLE INDIVIDUALIZADO NO LALUR. Não possuindo a empresa escrituração do Lalur das atividades gerais e rurais em separado e o controle dos prejuízos fiscais/lucros reais apurados em diversos anos e a sua compensação, de forma a possibilitar a verificação dos valores pela autoridade fiscal, somado a supostos erros de preenchimento da declaração não comprovados satisfatoriamente, mantém-se o lançamento tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 PREJUÍZO FISCAL. ATIVIDADE GERAL E RURAL. CONTROLE INDIVIDUALIZADO NO LALUR. Não possuindo a empresa escrituração do Lalur das atividades gerais e rurais em separado e o controle dos prejuízos fiscais/lucros reais apurados em diversos anos e a sua compensação, de forma a possibilitar a verificação dos valores pela autoridade fiscal, somado a supostos erros de preenchimento da declaração não comprovados satisfatoriamente, mantém-se o lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe foi submetida à revisão dos valores informados na DIPJ/02, relativa ao ano-calendário de 2001. No procedimento fiscal verificou-se, em confronto com os valores registrados no sistema de acompanhamento dos prejuízos fiscais, bases de cálculo negativas e lucro inflacionário declarados pelos contribuintes – Sapli, que a fiscalizada compensou a maior o IRPJ e a CSLL com os saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa acumulados nos anos anteriores. O referido sistema não acusa os saldos a compensar informados na DIPJ pertinente. Também foi exigido da contribuinte parcela relativa a IRPJ a pagar em virtude de pequena diferença constatada entre o valor informado como devido em DCTF (R$68,13) e aquele informado na DIPJ/02 (R$ 185,78). Tudo conforme consta dos autos: Termo de Intimação à contribuinte – fls. 38 (não atendida); Auto de Infração e demonstrativos – fls. 40 a 44; Sapli – fls. 45 a 52; planilha demonstrativa dos valores declarados e apurados ex officio – fls. 53. Inconformada com a autuação, a empresa interpôs a Impugnação de fls. 60 a 62. Aproveito o relatório do acórdão ora questionado, por oportuno: “Intimada em 27/01/2005 (AR, fls. 56), a contribuinte apresentou impugnação em 23/02/2005 (fls. 60/62), descrevendo sucintamente os fatos e alegando mais o seguinte: a) a atividade da empresa em tela é de Representações comerciais, comercialização de produtos consignados e exploração agrícola. Atividade última que originou no ano calendário de 2000 uma agregação de despesas para compensação em receitas futuras, ou seja, foi constituído o custeio agrícola no preparo do solo, a aquisição de sementes, adubos, conetivos, terraplanagem e outras despesas concernentes, e em seguida o plantio. Todos esses gastos com manejo e recuperação da terra para que tornasse apta para plantação, no período de setembro a dezembro de 2000, para o período de safra em abril de 2001 (sic); b) fato narrado no anterior originou na DIPJ de 2001/2000, o lançamento das despesas operacionais com total não dedutível no exercício, gerando o valor de R$ 512.173,79, na ficha 9, item 01 sub item 03 adicionado originando ao invés de prejuízo lucro de R$ 1.822,87, item 38, caracterizando no item 44 atividade rural período de 2000, ficando no LALUR um prejuízo de R$ 510.350,92 para ser compensado. c) na DIRPJ 2002/2001, este valor especificado no item b foi transferido para a ficha 09, item 42 onde totalizou prejuízos na apuração de 2001 R$ 510.350,92, dando origem a insuficiência de saldos apurados e informados na respectiva Declaração do período anterior. d) segue cópia das demonstrações contábeis de 2001, ano base 2000, e 2002, ano base 2001, para efetiva comprovação; e) com referência ao valor de recolhimento de R$ 185,78 do IRPJ, desde mesmo período foi devidamente recolhido de forma trimestral, apresentado na DIPJ e DCTF, foi apresentado o demonstrativo e protocolado requerimento junto a este órgão, conforme segue cópia anexa. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.000194/2005-15 Acórdão n.º 1801-00.393 S1-TE01 Fl. 173 3 Por fim solicita a impugnação total do auto de infração do IRPJ de 2001.” A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande/MS exarou o Acórdão de nº 04-13.740/08, mantendo integralmente o lançamento tributário – fls. 111 a 119. Assim fundamentou o aresto: “A primeira alegação foi de que a empresa, além de outras atividades, também exerce a exploração agrícola e que houve prejuízo desta atividade no ano 2000 que foi registrada na DIPJ de 2001/2000, o lançamento das despesas operacionais com total não dedutível no exercício, gerando o valor de R$ 512.173,79, na ficha 9, item 01 sub item 03 adicionado originando ao invés de prejuízo lucro de R$ 1.822,87, item 38, caracterizando no item 44 atividade rural período de 2000, ficando no LALUR um prejuízo de R$ 510.350,92 para ser compensado. Esta atividade não está prevista no seu Contrato de Constituição (fl. 82), cujo objetivo social está previsto na cláusula 3° que se transcreve: Cláusula 3" - O objetivo da sociedade será a exploração, por conta própria, do ramo comercial de Comércio e Representações de Fertilizantes, Sementes, Defensivos Agrícolas Sacaria e Implementas Agrícolas. Logo se não está prevista a atividade rural em seu contrato de constituição e, nas suas Declarações, não está destacado o que é desta atividade e demais atividades, inclusive o prejuízo fiscal, não se pode acatar a alegação. Da análise do SAPLI relativo ao ano-calendário de 2001 (fl. 52), verifica-se que o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores a compensar era de apenas R$ 13.583,26, relativos à demais atividades e não havia nenhum registro de prejuízos da atividade rural. Do saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Os prejuízos apuráveis pela pessoa jurídica são de duas modalidades: [...] 2°) o apurado na Demonstração do Lucro Real e registrado no Livro de Apuração do Lucro Real - Lalur (que parte do lucro líquido contábil do período mais adições menos exclusões e compensações, também conhecido como prejuízo fiscal ou compensável para fins da legislação do imposto de renda). O parágrafo único do art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995, transcrito abaixo, determina que a compensação do prejuízo fiscal de períodos anteriores somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. [...] No presente caso, tendo em vista que a impugnante apresentou as declarações de rendimentos dos exercícios anteriores, para comprovar a existência de prejuízos da atividade rural acumulados ou das atividades em geral compensáveis deveria ter apresentado o Lalur. Note-se que a fiscalização solicitou esclarecimentos sobre a Compensação a maior de Prejuízos Fiscais, no Termo de Intimação — Revisão de DIPJ (fls. 36/37) durante os procedimentos de revisão interna da DIPJ/2002. Também, na fase impugnatória não apresentou os registros do referido livro. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O controle do valor dos prejuízos fiscais compensáveis, na forma da legislação vigente, deve ser feito na parte B do Lalur, em folhas individualizadas, por período de apuração. A compensação de prejuízo se constitui em uma faculdade que poderá ou não ser utilizada pela pessoa jurídica a seu livro critério. [...] Fica evidenciado que não há nos autos a comprovação da existência de prejuízos fiscais compensáveis por parte da impugnante, tendo em vista, que a mesma não anexou documentos capazes de comprová-los de acordo com a legislação de regência da matéria. Das informações da DIPJ/2002, observa-se, que: na Ficha 01 da DIPJ (fl. 30) foi informado não se tratar de Atividade Rural. O PGD com a informação acima inibe, automática, as fichas, linhas e colunas que sejam da atividade rural. Como conseqüência estas fichas, linhas e colunas não foram preenchidas e o SAPLI não foi alimentado com as informações desta atividade fato também ocorreu na DIPJ/2001 (ano anterior ao da autuação) e DIPJ/2003 (ano posterior à autuação) e nenhuma prova foi apresentada que possa modificar o entendimento da fiscalização. A Ficha 5A — Despesas Operacionais, segundo as orientações do manual de preenchimento da DIPJ/2002, as empresas que operarem somente com atividades em geral preencherão as Linhas 05/01 a 05/31 desta Ficha, enquanto que as empresas que tenham por objeto apenas a atividade rural preencherão as Linhas 06/32 a 06/50. A recorrente preencheu somente as informações das linhas 05/01 a 05/31 (l. 05), ou seja, como empresa com atividades em geral. E, ainda, a pessoa jurídica que explorar outras atividades, além da atividade rural, deverá observar as instruções contidas no manual ao efetuar o rateio das despesas e no que diz respeito à sua respectiva dedutibilidade. Como a contribuinte não preencheu as linhas 05/32 a 05/50 da Ficha 5A antes mencionada nem a coluna da atividade rural das Fichas 6A e 9A (fls. 06/07), transcreve-se parte do Manual de Preenchimento da DIPJ / 2002, no que interessa para esclarecer a presente lide: [...] Como visto, a autuada não procedeu a apuração em separado das bases de cálculo do imposto de renda da atividade incentivada e das atividades em geral, condição necessária para fruição dos incentivos fiscais da atividade rural. Poder-se-ia alegar erro de preenchimento das declarações de rendimentos, como fez a autuada. No entanto, os incentivos fiscais, como é da sua natureza, não são compulsórios, é uma faculdade, um beneficio, que o favorecido usufrui ou não, conforme sua conveniência, devendo, no caso do exercício da faculdade, se sujeitar às exigências da lei. Nesse contexto, o não exercício de uma faculdade no momento apropriado não caracteriza erro de preenchimento da declaração de rendimentos, mas erro de direito, na medida que implica na alteração da forma de apuração do lucro real, principalmente se é praticada também nas demais declarações. [...] Como a impugnante não apresentou os livros e documentos solicitados pela fiscalização, esta se baseou na DIPJ/2000 entregue pela autuada a SRF, e nela não constam as informações provenientes da atividade rural. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.000194/2005-15 Acórdão n.º 1801-00.393 S1-TE01 Fl. 174 5 Verifica-se, portanto, que a empresa optou por apurar Lucro Real da Atividade em Geral dessa forma se sujeita a esta legislação de imposto de renda, ou seja, para efeito do IRPJ, o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...] Insuficiência de recolhimento ou de declaração. [...] A contribuinte alega que foi devidamente recolhido de forma trimestral na DIPJ e DCTF, mas não junta nenhuma prova disto, razão pela qual deve ser mantido o lançamento.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 127 a 129, argumentando sinteticamente que: 1 – A atividade da empresa é representação comercial, comercialização de produtos consignados e exploração agrícola, a qual originou em 2000 despesas para compensação com receitas futuras; este custeio foi transcrito no Diário e na Demonstração de Resultados, no valor de R$ 512.173,79; 2 – o total geral de despesas é R$ 777.031,57, contra um lucro bruto de R$ 266.680,65, advindo de outras atividades, já que a rural não tinha sido realizada a colheita; daí que a empresa apurou o lucro somente da parte comercial e deixou as despesas de custeio para o outro ano, da colheita, apurando um lucro de R$ 1.822,87, como de fato o fez; 3 – houve erro na ficha 09A, item 03, que ao invés de excluir para o próximo período, este adicionou; o valor deveria ser 0,00, e o Lucro Real apurado R$ 1.822,87; 4 – segue cópia do Diário das fls. referentes às demonstrações contábeis, bem como cópias de DARF dos pagamentos realizados em 2001 e 2002, a título de IRPJ e CSLL. Propugna pela insubsistência do lançamento tributário, dizendo que pede que a DIPJ seja retificada no item 03 da ficha 09, donde se verificará que não é caso de glosa de compensação de prejuízo fiscal, mas sim prejuízo verificado. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora. Conheço do recurso voluntário por tempestivo. Analisadas as razões de recurso, verifico que a recorrente não refutou frontalmente os fundamentos do acórdão que pretende ver reformado. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Embora seja inteligível a linha de raciocínio da recorrente, não pode ser acatada, visto que limita-se a apresentar folhas do Diário que demonstram, ao final, um prejuízo contábil. Mas esta prova é insuficiente para ilidir o lançamento tributário em virtude dos vários erros cometidos no preenchimento da DIPJ, segundo alega, salientando-se que, após a autuação fiscal, não pode mais ser retificada. Na verdade, o acórdão vergastado foi muito esclarecedor quanto à forma da recorrente, optante pelo Lucro Real, proceder para a apuração deste lucro. É cediço que o lucro real “...é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas...” pelo Decreto-lei nº 1.598/77, conforme preceitua o art. 6º (art. 247 do RIR/99). A forma de realizar as adições e exclusões somente é possível no Lalur, que longe está de ser um livro facultativo para aqueles que optam ou estão obrigados a apurar o Lucro Real. A seguir transcrevo todos os artigos que regem a obrigação da empresa em manter a escrituração do Lalur, ressaltando que provêm de atos legais e não atos normativos complementares: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Livros Fiscais Art. 260. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48, e Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, arts. 8º e 27): [...] III - de Apuração do Lucro Real - LALUR; [...] Livro de Apuração do Lucro Real Art. 262. No LALUR, a pessoa jurídica deverá (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 8º, inciso I): I - lançar os ajustes do lucro líquido do período de apuração; II - transcrever a demonstração do lucro real; Fl. 181DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.000194/2005-15 Acórdão n.º 1801-00.393 S1-TE01 Fl. 175 7 III - manter os registros de controle de prejuízos fiscais a compensar em períodos de apuração subseqüentes, do lucro inflacionário a realizar, da depreciação acelerada incentivada, da exaustão mineral, com base na receita bruta, bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial; IV - manter os registros de controle dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subseqüentes, dos dispêndios com programa de alimentação ao trabalhador, vale-transporte e outros previstos neste Decreto. (grifos não pertencem ao original) Destarte, o próprio Decreto-lei nº 1.598/77, em seu artigo 8º, inciso I, exige que os contribuintes escriturem o Lalur e, por óbvio, escriturem de forma que cada operação seja aferível pelo fisco para checar se foi ou não corretamente oferecido o lucro real à tributação. E, no presente caso, a empresa não escriturou devidamente o Lalur, o que impossibilita de checar e acompanhar os prejuízos acumulados. Como o acórdão combatido expôs, não se trata de como a empresa entende que deveria ter procedido, ao arrepio das normas procedimentais, e agora solicitar que seja lhe facultado compensar o prejuízo ocorrido em ano anterior à percepção das receitas agrícolas, sem comprovar qual a origem das despesas, das alegadas receitas de colheita, enfim todas as operações comerciais e agrícolas e resultados provenientes de vários anos, que, por força da norma tributária, deveriam estar contabilmente registrados e ter sido apurado o lucro/prejuízo em separado – das atividades gerais e da agrícola – no livro hábil para a apuração do lucro ou prejuízo fiscal, já tendo lhe sido esclarecido que o lucro/prejuízo contábil com este não se confunde. O dever de escriturar o Lalur é legal, indiscutivelmente. A forma de escriturar é aquela em que se possibilite verificar individualmente as despesas de custeio, no caso, excluídas e depois a serem computadas à medida que as receitas também agrícolas fossem sendo auferidas. Isto se a empresa apura os resultados pelo regime de competência e não de caixa. A contribuinte autuada não logrou escriturar o Lalur conforme as normas e legislação tributária exigem e, por isso, perdeu o direito, facultativo, de diferir as despesas, aliás que nunca conseguiu demonstrar como foi realizado, de fato, tais diferimentos e proporções entre custeio/receita. O direito, certamente, os contribuintes possuem, mas para exercê-lo há uma condição sine qua non – desde que escriturado corretamente o livro correspondente à apuração do lucro real, mediante o registro dos ajustes – exclusões, adições – e compensações devidos, por período de apuração. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A verdade material, princípio que norteia o processo administrativo fiscal, neste caso está denotada na ausência dos controles da empresa. Correta, pois, a autuação realizada. Os supostos erros cometidos pela recorrente no preenchimento da DIPJ/02, a meu ver, não foram satisfatoriamente comprovados com documentação hábil e idônea e, concordando com a decisão de primeiro grau, a ausência de escrituração do Lalur – em especial a parte B – consoante determinado pelas normas de regência para a apuração do Lucro Real/Prejuízo Fiscal, com os controles das atividades gerais e rurais em separado, é fundamental para dirimir o litígio. A alegação de que no ano calendário em questão houve prejuízo porque as despesas incorridas no ano anterior só foram computadas no ano em que se obteve as receitas das colheitas, também não pode ser admitida, pois a contabilização destas deveria ter sido realizada no ano pertinente e, como explicado, ser controlada no Lalur, se fosse diferível para o ano seguinte. Sequer pelos documentos acostados nos autos é possível ser verificado se a proporção das tais despesas de custeio corresponde às receitas agrícolas auferidas. E é exatamente para estas verificações, acompanhadas dos documentos pertinentes ressalto, que servem os registros efetuados no Lalur. Uma vez não sendo possível, por ausência de provas, averiguar-se a efetiva realização de despesas, supostamente de custeio, a proporção entre custeio/receita agrícola, a percepção da receita agrícola, a lisura do regime de competências (se é que este foi usado pela empresa para as atividades gerais e rurais), tudo em valores separados das atividades gerais e devidamente controlados no Lalur, livro cuja escrituração é obrigatória para a empresa, também torna-se inviável acolher as razões de defesa da recorrente. Acresço a estas razões todas as demais aventadas pela turma julgadora de primeira instância, as quais adoto por seus próprios fundamentos. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Relatora Fl. 183DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10865.720068/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CHARLES PEREIRA NUNES
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Recorrente ITAIQUARA ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Prado. Relatório Por ser suficiente para descrever os fatos adoto o relatório da decisão de piso, transcrita na integra: "1. ITAIQUARA ALIMENTOS S.A., empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 2 2 2. Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal constatou os seguintes fatos, relativos aos anos calendário de 2008 e 2009, narrados no Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 30/41: - o contribuinte apurou de forma indevida créditos não cumulativos de PIS e de COFINS calculados sobre: aquisição de óleo lubrificante e combustíveis utilizados em veículos ou implementos agrícolas, serviços de construção, transporte de cana e, partes e peças de veículos. Foram desconsiderados os seguintes créditos: - receitas oriundas da venda de álcool deixaram de ser oferecidas à tributação, conforme a seguinte planilha, neste período houve também a dedução indevida de créditos não cumulativos: - com relação ao período de apuração de 09/2008, foi apurado montante devido de PIS e de COFINS superior ao confessado em DCTF. Assim, restou um montante devido de COFINS equivalente a R$ 132.236,03 e um valor devido de PIS igual a R$ 29.004,41, no regime cumulativo. - o ICMS foi excluído de forma indevida da base de cálculo da COFINS e do PIS. Tendo em vista que este procedimento foi calcado em decisão judicial foi constituído crédito tributário com a exigibilidade suspensa. 3. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados os seguintes autos de infração cientificados ao contribuinte em 23/01/2013: 3.1.Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social- COFINS (fls. 03/04): Total do crédito tributário, R$ 1.866.126,45, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 01/2013. Fundamento legal citado nas fls. 05/09; 3.2.Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 16/17): Total do crédito tributário, R$ Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 3 3 409.494,70, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 01/2013. Fundamento legal citado nas fls. 18/21. 4. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 445/452 em 19/02/2013, alegando em síntese: a- Quanto às operações com álcool, não teria ocorrido omissão de receitas, mas declaração a menor, pois os valores estão corretamente escriturados. No auto de infração de COFINS não estaria anotada a legislação correspondente, quanto ao auto de infração de PIS não haveria a apuração da base de cálculo; b- O conceito de insumo adotado pela fiscalização foi afastado pelo CARF que entendeu abranger todos os produtos e serviços inerentes à produção; c- De qualquer forma, não há razão para a manutenção da glosa dos créditos, tendo em vista que a cana de açúcar é utilizada na produção de açúcar cristal e do açúcar VHP, além de mel residual para ser utilizado como matéria prima na fabricação de fermento biológico; d- Desta forma, seria indiscutível que os gastos com a plantação e colheita dariam origem a matéria prima utilizada na produção e industrialização dos principais produtos comercializados pela Impugnante, assim assumiriam a natureza de insumo passível de geração de crédito; e- Destaca que não vende a cana de açúcar plantada, pois a utiliza como matéria prima na produção do açúcar. Dessa forma, não caberia fazer referência às regras de venda com suspensão e muito menos ao caso de crédito presumido, pois a cana é plantada pela própria Impugnante; 5. É o relatório." O Acórdão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário em sua totalidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008, 2009 INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideram-se insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. Cientificado daquela decisão em 18/02/2014, fl. 482, a autuada apresentou Recurso Voluntário em 20/02/2014, onde repisa com outras palavras os principais argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Pereira Nunes O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 4 4 DA GLOSA DE CRÉDITOS - UTILIZAÇÃO INDIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO A Recorrente é uma empresa agro-industrial dedicada ao cultivo de cana-de- açúcar, seu transporte para utilização como matéria prima na fabricação própria de açúcar, álcool e outros produtos que serão finalmente vendidos. Foram glosados e quantificados Glosas créditos relativos a aquisição de óleo lubrificante e combustíveis utilizados em veículos ou implementos agrícolas, serviços de construção, transporte de cana e, partes e peças de veículos. Entende a RFB que tais gastos não têm vinculação direta com a industrialização mas, apenas, com a produção da própria cana-de-açúcar. Na visão daquele órgão tais dispêndios seriam admitidos como créditos se a cana-de-açúcar tivesse sido vendida, pois aí haveria a perfeita vinculação com o produto gerado e comercializado. Argumenta a Recorrente que o crédito apropriado corresponde aos elementos/insumos aplicados na geração da cana-de-açúcar e já foram tributados no PIS e na COFINS pelos terceiros vendedores, assim não se postula crédito de elementos internos e sim de elementos externos tributados na cadeia de comercialização. Esta turma entende que o insumo aplicado no processo produtivo, que confere o direito de crédito de PIS/COFINS não cumulativo, não se restringe ao conceituado como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal qual traçado pela legislação do IPI, nem é tão amplo quanto o conceito de custos operacionais de que trata o IRPJ. Como axioma temos que o processo produtivo objeto dos créditos descontados nestas contribuições admite desdobramento de etapas mais abrangentes do que as da fabricação, em si, do produto, assim, não é obrigatório que o insumo adquirido tenha aplicação direta e imediata na fabricação, podendo sua participação ocorrer de forma indireta. Uma consequência deste entendimento é que a interpretação da expressão "produtos destinados à venda" constante na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inc. II 1 , pode ser mitigada no sentido de que o insumo utilizado em produto acabado não destinado à venda possa gerar crédito, desde que este produto seja utilizado como insumo na fabricação própria de outro produto a ser vendido e tributado (insumo do insumo). No caso em análise admite-se, preliminarmente, que o processo produtivo do da mercadoria vendida tenha início desde a aplicação do insumo no cultivo da cana de açúcar, passando pela sua colheita, transporte para fábrica/usina e aplicação direta na fabricação destes produtos, encerrando o processo com a embalagem de apresentação do produto. O artigo 3º prevê as seguintes hipóteses que geram créditos vinculados à produção dos bens destinados à venda: (II) combustíveis, lubrificantes e outros insumos, (VI) máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Outras hipóteses tem natureza mais ampla e exigem vinculação apenas com a utilização dos bens nas atividades da empresa, é o caso de (VII) edificações e benfeitorias em 1 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 5 5 imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (não inclui valor do terreno), (IV) aluguel de prédios, inclusive rústico2, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica. (V) contraprestação de arrendamento mercantil, (IX) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Despesas com armazenagem do estoque ou sua transposição antes da venda não geram crédito, tampouco as despesas com embalagem para armazenamento e transporte. Importa observar que não há previsão legal de créditos (i) por qualquer despesas em veículo próprio ou alugado quando este não for utilizado diretamente no transporte de insumos (exceto a contraprestação de leasing e frete de produtos vendidos), a exemplo do veículo utilizado em outros serviços, inclusive transporte de pessoal em geral (ii) por mera manutenção predial, salvo quando considerados insumos. As partes e peças utilizadas em veículos, máquinas e equipamento utilizados no processo produtivo podem gerar créditos como insumo, desde que as referidas importâncias não devam ser contabilizadas no ativo imobilizado, caso contrário somente poderão gerar crédito pelas regras do imobilizado. O § 2º do mesmo art. 3º veda o direito a crédito do valor, (i) de mão-de-obra paga a pessoa física, e (ii) da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. A utilização pertinente, necessária e essencial do insumo no processo produtivo, assim como as demais hipóteses legais geradoras de crédito, exigem demonstração por parte da Recorrente. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito pela fiscalização que deve fazer as intimações visando obter tal demonstrativo. Imperioso acrescentar que o caso em análise se refere a créditos de custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas, razão pela qual, para seu reconhecimento, deve ser observado um dos métodos de vinculação às receitas não- cumulativas previsto na Lei 10.833, de 2002, art. 3º, § 7º e seguintes 3 . Idênticas disposições 2 Lei 4.504/1964 Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem-se: I - "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agro-industrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; 3 Lei nº 10.833, 2003 art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 6 6 constam também da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, §§ 7º a 9º, em relação à Contribuição ao PIS/Pasep. Os custos, despesas e encargos não serão rateados quando forem exclusivos de cada regime. Da Proposta de Resolução 4 Pois bem, considerando que as glosas ocorreram basicamente por não ser a cana-de-açúcar vendida e sim destinada como matéria prima para a fabricação própria de outros produtos, e também por não terem sido considerados outros insumos, custos, despesas e encargos no processo produtivo, resta evidente que a fiscalização, seguindo as diretrizes da RFB, não se preocupou em verificar o demonstrativo dos créditos com base na ótica desta turma, ou seja, considerando a cultura, colheita e transporte da cana como parte do processo produtivo e amplitude do conceito de insumos e possibilidade de créditos autônomos. Também é evidente que diante de outra verificação fiscal com esse novo enfoque alguns créditos, dentre os já apontados na autuação, ainda poderão ter a glosa mantida como por exemplo, despesas com veículos sem relação com o processo produtivo ou despesas com mera manutenção predial, etc. Pelo exposto e para que não pairem dúvidas quanto ao correto reconhecimento dos créditos pleiteados, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA remetendo o processo à unidade de origem para: 1. considerando o enfoque desta turma, acima esclarecido, identificar dentre os créditos glosados a natureza e participação de cada bem/serviço nas atividades da empresa e/ou no seu processo produtivo cuja glosa de créditos remanescer. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. 4 Nos termos do “Manual de elaboração de atos administrativos” do CARF, 1a Ed., Brasília: 2012, temse que: “Resolução é o ato decisório, interlocutório, expedido por colegiado, que não conclui o julgamento. É adotado quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso em momento posterior, como nos casos de sobrestamento ou de conversão do julgamento do litígio em diligência. Como a resolução não conclui o exame da matéria, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas são reapreciadas quando do julgamento do recurso”. (Sem grifo no original). Bem como, de acordo com o “Manual do Conselheiro”, Versão 1.0, Brasília: 2016, dispõe tal documento que: “O voto proferido com vistas à realização de diligência ou perícia, seja pelo relator ou por redator designado, deve conter os motivos que fundamentam a solicitação e que demonstram que o processo não esta em condições de ser julgado sem que as providências sejam atendidas. Além disso, deve conter de forma clara e precisa as providências requeridas e quem as executará, se a unidade de origem, a Câmara a quo, a Secretaria de Câmara etc. No caso de diligência a ser cumprida pela unidade de origem, a resolução deve inclusive especificar os elementos que devam ser solicitados ao interessado no processo, com vistas à obtenção das informações necessárias ao deslinde do feito, ou mesmo especificar o que precisa ser esclarecido nos autos. Recomendase que seja determinada à unidade de origem a elaboração de relatório fiscal conclusivo sobre as apurações, novos documentos juntados aos autos e levantamentos realizados. O parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574, de 2011, determina que o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 7 7 2. identificar qual método foi aplicado na vinculação dos créditos às receitas não-cumulativas, previstos na Lei 10.833, de 2002, art. 3º, § 7º e seguintes. 3. elaborar os demonstrativos qualitativos e quantitativos das eventuais glosas remanescentes nos termos dos incisos acima (o total dos créditos aceitos deve ser encontrado por exclusão das eventuais glosas remanescentes). Finalmente, cientificar a Recorrente do resultado desta diligência para, se desejar, manifestar-se sobre matéria objeto da diligência, no prazo de até trinta dias nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011 5 , com posterior retorno a esta turma de julgamento. Charles Pereira Nunes - Relator 5 DECRETO Nº 7.574, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011. Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendê-las necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720088/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplica-se o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-000.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Marcelo Baeta Ippolito e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720088/200814 Acórdão n.º 1802000.953 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório VITÓRIA VEÍCULOS LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedentes os lançamentos constantes dos Autos de Infração, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo ao ano calendário de 2004: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Presumido) no valor principal de R$ 8.759,04, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008; Contribuição Social CSLL no valor principal de R$ 39.875,87, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração, os lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL decorrem da constatação de apuração a menor das bases de cálculo presumidas por haver a pessoa jurídica utilizado o percentual de 8% (oito por cento) em vez de 32% sobre a receita bruta (diferença entre o valor de alienação e valor de aquisição de veículos usados), tendo o autuante considerado as parcelas recolhidas ou confessadas em DCTF pela contribuinte, para apurar o IRPJ e a CSLL a pagar. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedentes os lançamentos conforme decisão proferida no Acórdão nº 0335.992, de 19 de março de 2010. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 12/04/2010 conforme o Aviso de Recebimento (AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 12/05/2010, insurgindose, essencialmente, contra o percentual a ser aplicado para compor a base de cálculo na apuração do IRPJ e da CSLL por entender que o mesmo corresponde a 8% e não 32%. A decisão recorrida relata às fls.55/56 as razões apresentadas pela autuada na impugnação que por serem as mesmas trazidas no presente recurso, por economia processual, adoto e transcrevo a parte do relatório com os argumentos a seguir: A atividade exercida pela empresa é de compra e venda de veículos, assim sendo, não houve intermediação de negócios. O contribuinte não intermediou negócios, como corretor ou consignador, mas sim adquiriu mercadorias, imobilizou seu capital até a respectiva venda do produto. Por sua vez, em operações no qual a empresa eventualmente atuou como consignante de veículos, caberia se considerar a intermediação de negócios. É afirmado no próprio Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte exerce atividade de comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários, sob o código CNAE 4511 101, contudo, caso a empresa fosse intermediadora de negócios, seu código CNAE seria 4512901 ou 4512902, que descreve Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 intermediários na venda de veículos automotores como sendo “representantes comerciais e agentes do comércio de veículos automotores” ou “comércio sob consignação de veículos automotores”, respectivamente. A Lei nº 9.716/98, em seu artigo 5º, ao dispor sobre a equiparação das operações de compra e venda de veículos automotores com operação de consignação de venda de veículos usados, utiliza a expressão “poderão”, ou seja, não existe obrigatoriedade de tal equiparação, o que, inclusive, seria inconstitucional, vez que acarretaria a majoração de um imposto, em desacordo com o artigo 150, inciso I da Lei Maior, além de dar tratamento igual a dois tipos de negócios jurídicos totalmente diferentes. A IN SRF nº 152/1998 em seu artigo 2º não obececeu os ditames da Lei, tendo em vista que a Lei facultou a equiparação das operações de compra e venda de veículos automotores com operação de consignação de venda de veículos usados à contribuinte, sendo uma opção a ser exercida pela pessoa jurídica, e não pelos órgãos de fiscalização. Caso não sejam acolhidos os argumentos, o contribuinte impugna os valores cobrados como imposto pago a menor, tendo em vista que houve retenção de imposto na fonte, fato que foi desconsiderado pela autoridade fiscal, nos valores de R$860,54, R$664,25, R$743,83 e R$1.021,57, respectivamente referentes ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de Por fim, a recorrente requer a improcedência do auto de infração e o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720088/200814 Acórdão n.º 1802000.953 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. A discussão gira em torno da aplicação do artigo 5º da Lei nº 9.716/98 que assim dispõe: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. (...) Como se vê, a Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação É certo que a Lei permite a equiparação como operação de consignação às operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, e não deixou nessa expresso qual o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido. O objetivo desses dispositivos foi possibilitar às empresas revendedoras de veículos usados computar, na determinação da base de cálculo, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Ou seja, a base de cálculo tributável será somente essa "diferença", nos moldes aplicáveis às operações de consignação. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Desse modo há de se buscar uma interpretação sistemática para concluir que tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Destarte, o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, é o que está previsto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, para as atividades de prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares, ou seja, 32% (trinta e dois por cento) sobre a mencionada diferença/comissão nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998. A respeito do percentual de 8% a que alude a recorrente, o mesmo seria aplicado sobre o total da receita bruta (valor da venda) quando a pessoa jurídica não utilizar a faculdade disposta na lei em comento (artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998), o que significa tributação mais elevada para o contribuinte. Entretanto, não é o caso dos presente autos, pois, em nenhum momento a recorrente demonstra haver adotado como receita bruta o valor total da venda e não, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição, porquanto somente assim comprovaria não haver utilizado a faculdade disposta no mencionado dispositivo legal. No que diz respeito a afirmação da recorrente que o autuante não teria considerado retenções na fonte, dedutíveis para a apuração dos tributos a pagar; apesar da alegação a recorrente não acosta aos autos os documentos probatórios de tais retenções não deduzidas, em consonância com o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Ademais, de acordo com o artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985: “ O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Portanto, meras alegações não substituem as provas necessárias para instrução do processo e elidir a autuação. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720088/200814 Acórdão n.º 1802000.953 S1TE02 Fl. 4 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13856.000248/2004-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2004
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de cana-de-açúcar.
Numero da decisão: 9303-005.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 48 /2 00 4- 93 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.283, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 07/2004 Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANA DE AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de cana de açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana de açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 4 3 Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Também devem ser computados como insumos os adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, pois devem ser consideradas como processo produtivo todas as etapas desenvolvidas pelo contribuinte para a obtenção do produto final. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão proferido pela Eg. 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, requerendo a não admissão do creditamento de PIS e Cofins pertinente aos produtos indicados no aresto desafiado. Ou seja, requerendo o restabelecimento da glosa do “transporte de funcionários” e, em relação aos bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos. Em Despacho às fls. 195 a 197, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · Os insumos utilizados na lavoura de cana de açúcar foram incorporados à cana de açúcar que, por sua vez, foi utilizada como matériaprima na produção do açúcar e álcool, de tal forma que tais insumos acabaram por ser consumidos ao longo do processo de industrialização; · Os gastos com transporte de cortadores de cana até a lavoura são essenciais à atividade. É o relatório. Voto Vencido Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 6 5 Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 7 6 É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/03, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 8 7 recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/02 e 10.833/03 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 9 8 Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 10 9 · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 11 10 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 12 11 Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 13 12 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 14 13 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 15 14 Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, é de se recordar que o sujeito passivo exerce atividade agroindustrial, tendo como objeto social a fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível para o exercício dessa atividade a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, que abrange o plantio, o Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 16 15 corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto. Notase que, para tanto, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção, tornando necessária a verificação de todos os dispêndios efetivamente incorridos na produção, para se entender tais custos serem essenciais à atividade/produção do sujeito passivo. Sendo assim, considerando que as etapas de corte, carregamento e transporte da cana até o estabelecimento industrial são representativas e envolvem grande parte dos custos operacionais necessários para o exercício da atividade de produção, é de se constatar que, nessa etapa, se faz essencial o transporte de trabalhadores rurais para o corte de canade açúcar, eis o acesso restrito a essas áreas de produção. Diferentemente de mero transporte de funcionários da residência para o “trabalho” – local da prestação de serviço. Dessa forma, concordo com o acórdão recorrido que considerou que na atividade de usinagem de cana de açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana de açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Quanto às aquisições de “adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas”, entendo correto o entendimento dado pelo acórdão recorrido, eis que, consta dos autos do processo as etapas de produção do sujeito passivo: “Após a colheita, a cana de açúcar passa pela pesagem e pela análise no laboratório “PCTS”, onde se verifica a qualidade do produto recebido; Na sequência a cana é lavada com água e cal e, após ser picada, passa por um eletroímã para a retirada de metais eventualmente existentes; Depois de moída, a cana passa por seis termos de moenda, onde é extraído o caldo ao qual é adicionado o biocida para inibição de bactérias; Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 17 16 O caldo passa por peneiras rotativas para retirada de excesso de bagaço; Para a produção do álcool: · O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, passa por um regenerador de calor, que altera sua temperatura para 35 ou 40º C; · Após é aquecido até 115ºC para eliminação de bactéria; · Na sequência é levado para decantação, onde é adicionado polímero para retenção do Iodo, melhorando assim a qualidade do caldo; · Após a decantação, o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço e é enviado para um tanque pulmão (que gerencia a troca de calor); · Finalmente é preparado o Mosto (caldo), que passa por um processo de resfriamento para fermentação, dando origem ao produto final – álcool. Para produção do açúcar: · O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, é adicionado ácido fosfórico (que ajuda a decantação desse caldo, melhorando a sua transparência); · Na sequência o calado para o regenerador, onde ocorre uma troca de calor; · Após o caldo passar por um tratamento de sulfitação e caleação, recebendo o enxofre, cal e clarificante; · Aquecimento do caldo, aquecimento do caldo até 110ºC para concentração do caldo (retirada de água) · No decantador é adicionado polímero para retenção do iodo, melhorando assim a qualidade do caldo; · Após a decantação o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço; · Préevaporação e Evaporação – é um processo de concentração do caldo até obtenção de xarope com alta concentração, neste processo utilizase antiescustrante e amônia. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 18 17 · Após a obtenção do xarope este é aquecido e passa por um processo de flotação, que é a retirada de impurezas (utilizase ácido fosfórico e polímero), dando origem ao produto final – açúcar. Obs.: o vapor utilizado como energia é obtifo através do processo de geração de vapor, nesta etapa a água é tratada com os seguintes produtos: hipoclorito de sódio (cloro), sal grosso e optisperse (fosfato).” Nesse ínterim, vêse claro que os insumos utilizados na lavoura de cana de açúcar adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas – foram incorporados à cana de açúcar que, por sua vez, foram utilizados como matériaprima na produção do açúcar e álcool – eis que acabaram por ser consumidos ao longo do processo de industrialização/produção. Inegável que tais itens são essenciais à atividade do sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 19 18 tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 20 19 importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 21 20 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que os gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar não foram utilizados diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar e não com a fabricação do bens industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços são necessários à produção dos produtos fabricados e vendidos pelo contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 22 21 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905760/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 60 /2 01 2- 18 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 27.911,51. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.472, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13603.905760/201218 Acórdão n.º 3401003.923 S3C4T1 Fl. 294 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 307DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13603.905760/201218 Acórdão n.º 3401003.923 S3C4T1 Fl. 295 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 309DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13603.905760/201218 Acórdão n.º 3401003.923 S3C4T1 Fl. 296 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721590/2009-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 90 /2 00 9- 15 Fl. 959DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 956, este processo encontravase apenso ao Processo 10166.721589/200991, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 960 3 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 961DF CARF MF 4 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 961 5 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 963DF CARF MF 6 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 962 7 do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 965DF CARF MF 8 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 963 9 Fl. 967DF CARF MF
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