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Numero do processo: 16327.000058/2006-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3803-000.085
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos teimes do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -Ati4dV:. TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 16327.000058/2006-12 Items° n" 501 873 Despacho n" 3803.000.085 — 3' Turma Especial Data 8 de dezembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente EPSON PAULISTA LTDA, Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos teimes do voto do relator. (assinado digitaldente) Alexandre Kern - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Heicio Lai -eta Reis, Daniel Mauricio Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Range] Perrucci Florin RELATÓRIO EPSON PAULISTA LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração de lis 30 a 75, para formalizar a cobrança de Contribuição para o Plano de Integração Social - PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofias incidentes na importação, corn acréscimo de multas de oficio e juros de mora, no valor total de R$ 8.225,28, em face da constatação de que, ao decimal os valores aduaneiros das mercadorias submetidas a despacho de importação através das DI .s do period() de 2001 a dezembro de 2004, o importador não incluiu con etamente os valor es pagos a titulo de seguro de transporte inteinacional. Sobreveio impugnação na qual o interessado reconhece que, em algumas importações o valor indicado nas Declarações não correspondia ao seguro contratado, mas que, conforme demonstrado em planilha anexa à peça de impugnação, para algumas Declarações de Importação, os valores do seguro considerados pela autoridade administrativa, para fins de recálculo das contribuições exigidas, não representavam o valor do prêmio devidamente pago pelo impugnante.. Ademais, na constituição do crédito tributário, teriam sido desconsiderados os valores já incluidos nas bases de cálculo das exações, de modo que se estar ia exigindo contribuição ja efetivamente pagas quando da internalização das mercadorias, em bis in iclem. • ; f-1 Processo n" I 6327 000058/2006-12 S3- I E03 Despacho n " 3803.009 985 Fl 949 Aduziu que recalculou o PIS e a COFINS devidos na importação das mercadorias descritas; nas D.I..s indicadas em tabela anexa, considerando a diferença entre o valor do seguro declarado (constante da DI) e o valor efetivamente pago (declinado na Fatura Mensal da seguradora contratada) para fins de efetivar o pagamento do Crédito tributário que entende devido, computados os juros e a multa de mom. Pede recálculo, O processo foi então baixado à repartição de origem, em diligência, para que fossem apreciadas as refutações do autuado, o que foi feito nos termos do despacho de fls. 885/887 da DEAIN-São Paulo/SP. A DRJ/SPO-11-2 Turma julgou o lançamento procedente, apenas para chancelar o recálculo procedido pela DEMN-SP. O Acórdão n2 17-32,520, de 10 de junho de 2009, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNT 0 IMPOSTO SOBRE A IMPORT:IC:TO-II Per iodo de aput ação 01/0112004 a 3T/12/2004 PIS E CORNS NA IMPORTA(.40 I3ASE DE C-ILCULO VALOR ADUANEIRO SEGURO O valor aduaneho abrange o cusio cio segur o de transpot te. par a fins de base de cálculo das ttibutos incidentes nas opervçães de hum» tação de mercador ias estrangehas Lançamerno P, acedente em Par te Cuida-se agora de recurso voluntário inter posto contra a decisão da 2a 'Turma da DRJ/SPO-II. 0 arrazoado de fls. 921 a 934, após resumos dos fatos relacionados com a lide, in firma a decisão recorrida, porque o cálculo procedido o foi de forma equivocada, (i) seja porque não considerou os valores já pagos pela Recorrente; (ii) seja, principalmente, porque procedeu à mera dedução dos valores reconhecidos corno devidos peia Recorrente, quando na verdade deveria ter abatido a diferença ente o que valor remanescente em discussão e o valor do cálculo da Recorrente, tendo em vista o reconhecimentb da procedência dos cálculos do contribuinte pela autoridade autuante, nos termos do relatório da diligência empreendida. Informa que concordou corn a autuação no que diz respeito As Dls não mencionadas na planilha de fls. 874 e 875. 'Todavia, quanto as Dls mencionadas na planilha, considerou que os valores apontados pela Fiscalização não representavam os valores efetivamente pagos a titulo de seguro, pugnando pela adoção dos valores consignados na referida planilha. Destaca que, de acordo com o relatório da diligência fiscal, a autoridade autuante concordou corn os ajustes da planilha de fls. 874 e 875. Nada obstante, ao invés de declarar que o crédito tributário remanescente era aquele apurado na referida planilha, a decisão recorrida, incoerentemente, procedeu à meta dedução dos valores constantes da planilha do valor do principal do auto de infração. Sintetiza seus argumentos corn os seguintes demonstrativos, fls. 932 e 933: 2 Processo n" 16327 000058/2006-12 S3-11:03 Despacho o " 3801000.085 Fl 950 COFINS • ' jfáii- '-''!.-:''' Momento Processual '• - • .. -." ,.i.:•.•:' :. . .•:. • • ••••• • :.;.:!.,, •-:.: • • .. ,::,.1., Valor .: PrinCipa a) Auto de Infração R$ 3.442,08 b) Valor reconhecido ..e - pago vela Recorrente, segundo cálculos . ',da autoridade administrativa • R$ 1,666,57 c) ... Credito em DisCussão (a - b) .. Valor . deviclá 'do credito cm discussão segundo a decisão Administrativa, cujo entendimento • acaton a planilha da Recorrente - Doc. 04 da ImpugnagãO . R$ 1.775,51 R$. 383,04 d) Valor devido (a - b - Cc - cj...)) * R$ 383,04 ......, PIS Iteni....... lokii.6hto'Pic,&sii'a ''• ., Talór.,........ . .-i'iqiie'iii-a- 1.':::: Auto de Infração ! R$ 747,32 b) Valor reconhecido e pago. pela RS 361 91 : Recorrente, ' segundo cálculos da autoridade administrativa • c) Credito em Discussão (a - b) R$ 385,41 d) Valor devido do crédito em discussão segundo a decisão. Administrativa, cujo entendimento acatou a planilha da Recorrente - Doc. 04 da Impugnação R$ 83,18: • Valor devido (a - b - (c - d)) R$ 83,18 ' Conclui, pedindo provimento com vistas a que haja o reconhecimento do crio no cálculo do credito tributário remanescente da decisão de primeira instância, seja cm razão de no terem sido reconhecidos os valores já recolhidos, referentes à parte incontroversa da autuação; seja em virtude de terem sido deduzidos os valores reconhecidos como devidos, quando na verdade deveria ter sido cancelada a diferença entre o valor em discussão e o valor mantido pela decisão administrativa, o que resulta em uma divida em aberto perante a Receita Federal do Brasil no valor principal de R$ 38.3,04 a titulo da COFINS e de R$ 83,18, referente contribuição ao PIS. É o Relatório. VOTO Conselheiro Alexandre Kern, Relator 3 Process() n" 16327 000058/2006-12 53-1 E113 Despacho n 3803.000.085 II 931 Presentes os pressupostos recursais, a petição de Os 921 a 934 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-SPO-I1-2 Turma 112 17-32.520, de 10 de junho de 2009. Matéria litigiosa Circunscreva-se o litigio à exigência de diferenças de Contribuição para o PIS e Cofins relativamente As DIs expressamente mencionadas na planilha de fls. 874 e 875. Quanta As Dis não mencionadas na referida planilha, o recorrente anuncia expressamente a sua concordância e informa que, em dezembro de 2006, procedeu ao recolhimento das parcelas incontroversas. Nesse sentido, os DAM; s que a fi rma ter anexado aos autos &veld° ser localizados e utilizados para a extinção do crédito tributário referente As Dls não mencionadas na planilha de Os. 874 e 875, na medida de sua suficiência. Mérito Discute-se tão-somente a obscuridade da decisão recorrida, que, não obstante ter meramente chancelado os cálculos apresentados pela autoridade autuante, em resposta diligência requerida, discorre sobre um sem nUmero de questões que sequer foram cogitadas na pep de impugnação (a decisão recorrida esta tão alheia aos fatos do processo que, em sua ementa, consigna tratar-se de Imposto de Importaçãol). O recorrente afirma que a autoridade autuante, no relatório da diligência 885 a 887) "„.infbrmou que o valor da divida da Recorrente deveria ser • reduzida, porquanto tal planilha espelhava as quantias a titulo de Contribuição ao PIS e de CORNS que deveriam ser recalculadas, em detriment° dos valores constantes do lançamento tribulcirio em questão, (0, 929). Compulsando o relatório, não cheguei a essa mesma conclusão, Em momento algum, o agente autuante declinou tal concordância. Alias, parece-me que o diligente operou exatamente como descrito na peça recursal: apenas subtraiu do valor do principal dos Ais o somatório das colunas "PIS a recolher valor con igido" e "Cofins a recolher valor corrigido" da planilha das fls. 874 e 875. Todavia, tal operação não atesta, cabalmente, a concordância da autoridade autuante com o contido nessa planilha, na medida em que, ao que parece, ele supôs tratar-se de valores com a exigência dos quais o autuado assentia. A concordância, ou não, da autoridade auttrante com os novos cálculos do sujeito passivo é o busilis do litígio. O deslinde dessa questão demanda nova diligência unidade de origem, para que a autoridade autuante. categoricamente, chancele os cálculos apresentados pelo recorrente, na planilha de fls, 874 e 875 (dita doc. 04 da impugnação), em refutação á apuração promovida nos autos de infração, declarando expressamente o crédito tributário remanescente e lembrando que remanesce litigiosa somente a matéria tributável referente As DIs ali mencionadas . Caso não a chancele, mesmo que parcialmente, deverá submeter suas conclusões, em despacho fundamentado, A oitiva do recorrente, abrindo-se-lhe para tanto o prazo regulamentar. Sala das Sessões, em 8 de dezembro de 2010 Alexandre Kern
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Numero do processo: 10580.722488/2008-65
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.253
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
CONVERTER o presente julgado em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Carlos Alberto nassolo - Presidente. Assuuto Recurso n° Recorrente Recorrida Data Processo n° (\ FI. 2 ~54__ MINISTÉRIO DA FAZENDA '':'ví.::J\0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECU~Q's FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ~í.::J' Ç5 ~~' "í.::JOy O I0932,00030~/~008-97 <::"SS Voluntano OG Resoluçãon" 1202-000.253 - 2' Câma~~2' Turma Ordinária 27 de agosto de 20 14 «;.~. Solicitação de Diligê~ia FERGALPM\~;~DÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, MARCELO ALAYOI~~1AURICIO ALAYON FAZ~A NACIONAL 9~ (~~stos, relatados e discutidos os presentes autos. "Ot ~ RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, 0eONVERTER o presente julgado em diligência, nos termos do voto do relator. 'vcO <ç.'Vv') ~ '1I.i!J; ~dO' alentim Jéto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires (suplente Convocado), Marcelo Baeta Ippolito (suplente Convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata-se de recursos de oficio e voluntário, interpostos, respectivamente, pela 3' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Ribeirão Preto e pela empresa Fergalplast Indústria e Comércio LIda. e dois de seus sócios (Sr. Maurício Alayon - fls. 2239/2282 e Marcelo Alayon - 2328/2371) Processo n" 10932.000300/2008.97 Resolução nO 1202-000.253 SI-C2T2 FI. 3 o recurso de ofício interposto em face do Acórdão nO14-23.075, proferido em 08 de abril de 2009, pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, acostado aos autos às fls. 2181/2216, foi motivado por ter o julgamento singular exonerado a então impugnante do agravamento da multa de ofício e acatado a comprovação da origem de alguns depósitos bancários tributados como omissão de receitas, conforme consignado às fls. 2210/2212. Diante dessa decisão, apresentaram os julgadores, no resguardo do principio do duplo grau de jurisdição, o competente recurso ex officio de fls. 2184. Os recursos voluntários interpostos pela empresa Fergalplast Indústria e Comércio Ltda. e dois de seus sócios (Sr. Maurício Alayon - fls. 2239/2282 e Marcelo Alayon - 2328/2371) dizem respeito ao remanescente do lançamento, autos de infração do IRPJ, fls. 189611904, PIS, fls. 190511912, COFINS, fls. 1913/1920, e CSLL, fls. 192111928, por ter a fiscalização constatado irregularidades no ano-calendário de 2003. Assim, por facilitar o entendimento da controvérsia adoto o Relatório do v. Acórdão de primeira instância: "Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls.188611928, relativos ao ano calendário de 2003, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, apurado pelo lucro arbitrado, no valor de 1.324.811,66 (fl. 1896); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, no valor de 642.020,76 (fi. 1921), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins, no valor de 767.018,13 (fI.1913) e Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, no valor de 166.187,21 (fi. 1905 , acrescidos de juros de R$ 11.515.747,18 (fi. 5). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário acha-se descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1886/1895, foram lançados IRPJ e CSLL pelo lucro arbitrado, bem como demais tributos reflexos, em relação às receitas conhecidas, declaradas pelo contribuinte em DlPJ e por ter sido apurada omissão de receitas referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação fiscal teve origem em documentos encaminhados pela COFIS, recebidos de autoridades judiciárias e policiais, decorrentes da CPI do Banestado, aos quais demonstraram movimentação de valores no exterior à margem do mercado financeiro formal. No início da ação fiscal, o AFRFB constatou que a empresa havia mudado de endereço, sem, contudo, informar tal fato à Receita Federal, situação esta corroborada por informação fiscal decorrente de diligência fiscal anterior - MPFD 08119002006007574 em que foi constatada a iminente mudança de endereço do contribuinte (fls. 85/86). A fiscalização constatou representante da empresa, constante no MPFD citado, que manifestou não mais representar a empresa, informando à fiscalização o novo representante (procuração de fl.90/91), que teve ciência do início da ação fiscal (19/01/07) no serviço de fiscalização da DRF (fl. 88 a 99), sendo intimado a apresentar escrituração e comprovar recursos financeiros movimentados no exterior. Processo n° 10932.000300/2008-97 Resolução nO 1202-000.253 St-C2T2 FI. 4 Tendo em vista que o contribuinte não se encontrava no exercício regular de suas atividades no endereço informado à Receita Federal, este foi cientificado da constatação e intimado a regularizar seu endereço no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), não sendo esta atendida pela fiscalizada. Diante do não atendimento das intimações pela fiscalizada e de não se encontrar no exercício regular de suas atividades no endereço informado à Receita Federal, a Autoridade Fiscal intimou e reintimou os sócios da empresa, nos respectivos domicílios fiscais eleitos pelos contribuintes no cadastro de pessoas físicas (CPF). Não obtendo respostas às intimações, foram solicitados Requisições de Movimentação Financeira - RMF, junto às instituições financeiras em que o contribuinte mantinha vínculos. Da análise dos extratos bancários recebidos, foi confeccionado relatório contendo a movimentação financeira do contribuinte e novamente intimados os sócios que haviam recebido as intimações anteriores. Destaca a fiscalização que, em relação ao sócio João José de Sousa, a intimação foi encaminhada para seu novo domicílio fiscal, conforme constatado em pesquisa ao cadastro de pessoas físicas (CPF). As intimações foram infrutíferas, sendo informado aos correios que o sócio João José de Sousa "mudou-se" e o sócio Maurício Alayon "recusou-se a receber a intimação". Destarte, foi expedida intimação por edital, solicítando o comparecimento do contribuinte para comprovar a origem dos créditos e depósitos efetuados nas diversas contas- correntes bancárias por ele mantidas. Recebendo novos extratos bancários, foi a fiscalizada reintimada por edital a prestar esclarecimentos, nada apresentando à Autoridade Fiscal. Diante do relato acima e da não apresentação da escrituração contábil e fiscal, ficou a contribuinte sujeita à tributação pelo lucro arbitrado. Através da declaração de informações econômico-fiscais da pessoa jurídica, foi levantada a receita bruta conhecida do contribuinte, tributando pela alíquota de 9,6% no lucro arbitrado. Do levantamento dos valores creditados e depositados nas contas-correntes do contribuinte, foram subtraídos os valores da receita conhecida (DIPJ) e apurada a omissão de receita, sendo esta, da mesma forma, tributada pelo lucro arbitrado. Discorre a Autoridade Fiscal quanto aos levantamentos de IRRF e IPI, entretanto, por não serem objetos do presente processo, deixo de relatá-los. Entendendo o Auditor que a conduta do contribuinte de efetuar remessa ao exterior sem o conhecimento do Banco Central e ainda sem registro em sua movimentação financeira, bem como, por todo demonstrado na apuração da omissão de receita evitou que a autoridade fiscal tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador e desta firma deixou de pagar os tributos devidos, configurando fraude nos termos do art. 72 da Lei n° 4.502/64 e crime contra ordem trib7lf' .~ previsto nos artigos I° e 2° da Lei nO8.137/90. !J::J _ t7J 3 Processo n" 10932.000300/2008-97 Resolução n" 1202-000.253 SI-C2T2 FI. 5 Destarte, aplicou multa qualificada de 150% e agravada pela não prestação de esclarecimentos, nos termos do art. 959 do RIRl99, computando alíquota de 225%. o Auditor caracterizou a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 do CTN em relação aos sócios da fiscalizada, tendo em vista a constatação de que o sujeito passivo registrou perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo, Distrato Social datado de 24/11/2006, no dia 01/12/2006, durante a ação fiscal e que o mesmo deixou de atender reiteradas intimações. o termo de sUJelçao passiva solidária e autos de infração lavrados foram encaminhados para os contribuintes via correio, sendo recebidos nos domicílios tributário dos sócios João José de Sousa e Maurício Alayon, bem como, cientificados por edital afixado em 15/0912008. Cientificada do lançamento em 30/09/2008, através de clencia por edital, a interessada, por seu advogado e procurador, ingressou, em 22/10/2008, com peça impugnatória de fls. 207312124 e documentação anexa de fls. 2125/2141, sendo esta referente a demonstrativos em forma de planilhas, relativos a créditos decorrentes de empréstimos e transferências (fls. 2125/2137), documentação pessoal do advogado (fi. 2138), cópia de balancetes (fls.2139/2141). Consta nos autos processuais, na fi. 1942, procuração da impugnante ao advogado signatário da impugnação, alegando e pedindo, em suma: I - Cerceamento de defesa. Falta de intimação de procurador regularmente constituído nos autos e intimação de pessoa diversa do contribuinte, de seus representantes legais ou de seu procurador. Nulidade do auto de infração. Requer anulação por vício formal do lançamento, por entender não cumpridas a formalidades aplicadas ao ato. Houve erro na constatação de que a empresa estava em situação irregular, pois mantinha procurador nos autos (fls. 89,90 e 100). Houve cerceamento de defesa do contribuinte, seja pelo fato de o Auditor Fiscal não respeitar os poderes de que estavam investidos os mandatários e por ter intimado o contribuinte em endereço diverso daquele eleito como domicílio fiscal e em pessoas diversas e estranhas a seu quadro social. 2- Descompasso entre lançamento e motivação do MPF. Alega que o lançamento foi em descompasso com a autorização obtida pelo MPF, pois o próprio Auditor informa que a fiscalização se deu para verificar remessas de valores ao exterior sendo ampliada a fiscalização para outros motivos. Questiona a ciência por edital do MPF emitido em agosto e 2008, sendo conhecido pelo AFRFB o endereço do procurador do contribuinte. 3 - Há decadência no período anterior a outubro de 2003, por entender nã caracterizado o dolo. /D}. 4 Processo n" 10932.000300/2008-97 Resolução nO 1202-000.253 4-- Vício de legalidade da quebra do sigilo bancário. St-C2T2 FI. 6 A quebra do sigilo bancário se faz inconstitucional porque o art. 6° da C 105/0 I não foi recepcionado pela Constituição Federal. A quebra do sigilo bancário se faz ilegal, porque não há Lei Ordinária. Há ilegalidade no procedimento de quebra do sigilo bancário, porque a Autoridade Fiscal não observou os requisitos regulamentares, especialmente pelo fato de não haver intimação precedente ao contribuinte para que o mesmo apresentasse sua movimentação financeira. 5 - Inexistência de receita omitida. Há erro na determinação da base de cálculo da receita bruta, pois créditos decorrentes de empréstimos e decorrentes de transferências do mesmo titular foram lançados como receita operacional e na verdade representam recursos de terceiros. 6 - Não era possível o arbitramento do lucro, vez que não se verificam, in casu, as hipóteses legais autorizadoras (incisos do art. 530 do RIR). A base de cálculo do IRPJ e CSLL deve ser apurada excluindo-se da receita bruta o montante de IPI lançado. Deve ser excluído o ICMS pago por substituição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL porque não constituído para os tributos decorrentes da autuação. 7- Base de cálculo das contribuições - PIS e Cofins A base de cálculo do PIS e da COFINS não é receita bruta, mas sim o faturamento, entendido como o resultado da venda de mercadorias e prestação de serviços, consoante entendimento já exarado pelo STF. Deve ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não é receita própria da impugnante, mas de terceiros. 8 - Inexistência de transferência ao exterior. Não há provas nos autos de remessa de recursos ao exterior por parte da impugnante. 9 - Inexistência de débito do IPI. 10 - Inexistência de fraude e a multa não poderia ter sido aplicada no percentual de 225% sobre o valor do tributo, eis que não se verifica o dolo, tampouco o intuito de fraude na conduta da impugnante e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é no sentido de que a mera omissão de receita é falta simples e não enseja a aplicação da multa qualificada. Não há prova nos autos de prátíca de qualquer ato fraudulento pelo contribuinte, tão pouco de que tenha retardado a fiscalização, portanto a multa punitiva fora fixada em excesso diante da ausência dos requisitos do agravamento da multa. 11 Requer a produção de prova pericial, apresentando quesitos e indicando perito. j::}, 11)' Processo n' 10932.000300/2008-97 Resolução n' 1202-000.253 SI-C2T2 FI. 7 12 Requer que as intimações dos presentes autos sejam realizadas na pessoa dos procuradores constituídos nos autos. o sócio Marcelo Alayon, ingressou, em 23/10/2008, com peça impugnatória de fls. 1949/1999 e 2002/2009 e documentação anexa de fls.20 I0/20 11, sendo esta referente a procuração e documentação pessoal do advogado, alegando e pedindo, em suma: 13 Que é ilegal a atribuição de responsabilidade aos sócios da Fergalplast, pois não há fato provado nos autos que demonstre o beneficio auferido pelos sócios, tão pouco há acusação formal da hipótese legal em que se funda a acusação. Discorre que o registro de distrato social na junta comercial não é suficiente para atribuir responsabilidade solidária aos sócios. Solicita a exclusão dos sócios, Marcelo Alayon, Maurício Alayon, João José Sousa, Carlos Henrique Mendes da Silva, do pólo passivo do presente processo administrativo, dada a inexistência para fundamento fático para a responsabilização solidária dos sócios. 14 Inexistência de transferência ao exterior. Não há provas nos autos de remessa de recursos ao exterior por parte da impugnante, e mesmo se aceito a hipótese de remessas para o exterior, a responsabilidade pelo recolhimento do imposto ficaria a cargo do beneficiário que poderia ser conhecido nos documentos apresentados em inglês nos autos. 15 - Todas demais alegações são idênticas ao já relatado em relação à impugnação apresentada pela fiscalizada. o sócio Mauricio Alayon, ingressou, em 23/10/2008, com peça impugnatória de fls. 2012/2070 e documentação anexa de fls. 2071/2072, sendo esta referente à procuração e documentação pessoal do advogado, apresentando alegações idênticas às já relatadas em relação impugnação apresentada pelo sócio Marcelo Alayon." Em 08/04/09 foi prolatado o Acórdão nO1423.075, da 3" Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, fls. 2181/2216, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPo.STO So.BRE A RENDA DE PESSo.A JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 DEPÓSITO. BANCÁRIO.. o.MISSÃo. DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO. LEGAL. ÔNUS DA PRo.VA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. Transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DEPÓSITO BANCÁRIO. o.MISSÃo. DE RECEITA. EXCLUSÃO. DO. IPI RELA TIVo. A RECEITAS o.MITIDAS. DESCABIMENTo. , Processo nO 10932.000300/2008-97 Resolução n° 1202-000.253 Não deve o IPI calculado sobre a receita omitida ser excluído da base de cálculo do IRPJ e reflexos, se o lançamento é fundado em omissão de receitas por falta de comprovação da origem de depósitos bancários. ARBITRAMENTO. DE LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO.' Co.NTRIBUIÇÃo. PARA a FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE So.CIAL Co.FINS Ano-calendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. DO.ICMS IMPaSSIBILIDADE. a ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Cofins. SI-C2T2 FI. 8 ASSUNTO: Co.NTRIBUIÇÃo. PARA 2003 BASE DE CÁLCULO. IMPaSSIBILIDADE. o. PIS/PASEP Ano-calendário: EXCLUSÃO. DO. ICMS a ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS ASSUNTO.: PRo.CESSo. ADMINISTRATIVa FISCAL Ano-calendário: 2003 NULIDADE. IMPRo.CEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nO 70.235/72. CERCEAMENTO. Da DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele.. PEDIDa DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Existindo no processo os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador e constatando-se a inexistência de matéria que necessite da opinião de perito para ser decidida, indefere-se, por prescindível, o pedido deperícia. Processo nO 10932.000300/2008-97 Resolução n° 1202-000.253 SI-C2T2 FI. 9 ASSUNTO' No.RMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano- calendário: 2003 INCo.NSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGOIÇÃO A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. So.LIDARIEDADE PASSIVA. INTERESSE Co.MUM DESIGNAÇÃO. LEGAL. Nos termos do art. 124 do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente designadas por lei. So.LIDARIEDADE PASSIVA. PRo.CEDIMENTo. Co.BRANÇA E EXECUÇÃO A qualificação dos responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, caracterizando-se como questão subsidiária no julgamento administrativo, cujo foco é a constituição do crédito tributário. DECADÊNCIA. Do.Lo. Co.MPRo.VADO IRPJ CSLL. PIS. Co.FINS. o. direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantém-se a multa por infração qualificada. MULTA AGRAVADA. o. agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio somente se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado TRIBUTAÇÃO. REFLEXA. CSLL. PIs. Co.FINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Lançamento Procedente em Parte ". Cientificados, a empresa e dois de seus sócios (Maurício e Marcelo Alayon), ainda irresignados com a decisão, apresentaram seus competentes recursos voluntários protocolados conjuntamente em 03/07/09 (fls. 2238/2282, fls. 2286/2324 e fls. 2328/2371), em cujo arrazoado reprisam os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória, além de postular pela devolução do prazo em decorrência de lhes terem sido negado acesso aos autos por conta de suposta irregularidade no instrumento de procuração (no caso substabelecimento). Processo n' 10932.000300/2008-97 Resolução n' 1202-000.253 SI-C2T2 FI. 10 - I Em sessão de julgamento datada de 03/1012012, restou determinado o sobrestamento do presente recurso nos moldes do Artigo 62 - A do RICARF, uma vez que a matéria relativa à constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial encontrava-se em análise pelo Supremo Tribunal Federal- STF, nos autos do Recurso Extraordinário nO601.314, com repercussão geral devidamente reconhecida. Todavia, com o advento da Portaria do Ministério da Fazenda nO545, que revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62-A do Anexo II do RICARF, os presentes autos deixaram de ser sobrestados e, oportunamente, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como os recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Passo à análise dos argumentos trazidos pelas Recorrentes. I - Do Suposto Erro na Identificação do Sujeito Passivo - Matéria de Ordem Pública Preliminarmente, ponto de primordial importãncia à análise do caso em tela refere-se à sujeição passiva indicada pela D. Autoridade Fiscal. Conforme se observa dos autos, o presente Auto de Infração de tIs. I896/1928 foi lavrado em face da empresa Fergalplast, com solidariedade passiva dos Senhores Maurício Alayon, Marcelo Alayon, João José de Souza e Carlos Henrique Mendes da Silva (tIs. 1930/1939). A despeito de tal fato, alerta o contribuinte em seus Memoriais de Julgamento para uma suposta irregularidade que deveria ser conhecida por tratar-se de matéria de ordem pública. Segundo o contribuinte, a fiscalização que deu origem ao Processo Administrativo ora em discussão iniciou-se em 17.01.2007. Entretanto, neste período, o Contribuinte já não mais operava, uma vez que teria encerrado suas atividades por meio de Distrato Social datado de 24.11.2006 e registrado na JUCESP em 01.12.2006. Como se sabe, a questão de erro na sujeição passiva é, de fato, matéria de ordem pública, que implica, inclusive, em questão de nulidade. Por tal razão, tal matéria pode ser alegada pelas partes a qualquer tempo ou, até mesmo, reconhecida pelo julgador de ofício. Assim, não vislumbro qualquer prejuízo no fato de o contribuinte apenas neste momento alegar tal tópico como base de sua defesa, mesmo não o tendo feito em suas peças anteriores. Com base no exposto, aprofundo-me na questão. Conforme se verifica às tIs. 2164, o Contribuinte apresentou em 01.12.2006 DIPJ relativa ao ano-calendário de 2006 (DIPJ/2006), com a devida notificacão de evento de extinção de atividades. 9 Processo n' 10932.000300/2008-97 Resolução n' 1202-000.253 SI-C2T2 FI. II Entretanto, não localizei nos autos o mencionado distrato social datado de 24.11.2006 e supostamente registrado na JUCESP em 01.12.2006. Há, contudo, indícios de sua veracidade, uma vez que a própria Autoridade Fiscal o cita às fls. 2194. Vejamos: "Acrescente-se que o sujeito passivo registrou, perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo, o Distrato Social datado de 24/11/2006, no dia 01/12/2006, sob o número de documento 320.899/06-8, deixando claro o encerramento de atividade da fiscalizada quando do comparecimento pelo Auditor no domicílio fiscal do contribuinte. " Entenda-se que a falta deste documento acostado aos autos não implica na impossibilidade deste ser requerido ou oferecido para análise, uma vez que aparenta essencial importância ao deslinde da presente controvérsia. Há que se entender que o Processo Administrativo Fiscal Federal é, por sua natureza, regido pelo princípio da verdade material, no sentido de que se busca descobrir se o fato gerador realmente ocorreu e as situações reais envolvidas. Este, inclusive, já é posicionamento pacífico deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: "PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTARIO - PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO - PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. - A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material. que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o (ato gerador. pois o que está em jogo é a legalidade da tributacão. O importante é saber se o (ato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento ". (Ac. 103-18789 - 3~Câmara - I" C.C.). Recurso negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3" Turma, Acórdão n° 40304194 do Processo 103200017059835, Data: 09/Il/2004.) Por tais razões, é imperioso compreender a verdadeira situação da empresa ora indicada no polo passivo. Se comprovada sua normal e regular dissolução, constata-se uma verdadeira nulidade no lançamento, razão pela qual não poderia prosperar o presente Auto de infração. Neste sentido: "Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Exercício: 2007. Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICA CÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURíDICA EXTINTA. Tendo a empresa dado baixa na junta comercial, através de ata de assembleia que a declarava como pessoa jurídica extinta, deve ser anulado o lançamento efetuado em face de referida empresa extinta". (Acórdão nO.1202-000.807. Proc. nO.11052.000661/2010-26) fj. Processo n" 10932.000300/2008-97 Resolução nO 1202-000.253 SI-C2T2 FI. 12 Entretanto, caso se verifique que o encerramento da empresa não ocorreu nos moldes legais (OU apenas posteriormente ao início do procedimento fiscal) então não há que se falar na alegada nulidade. Considerando que não dispomos nos autos de documentos suficientes para comprovar o alegado de forma inequívoca, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que sejam apuradas pela unidade de origem as alegações trazidas pelo contribuinte em sede de Memoriais, respondendo-se aos presentes quesitos: A empresa indicada no pala passivo do presente Processo Administrativo encontra-se extinta e sem atividades desde O1.12.2006? Em caso afirmativo, esta extinção se deu nos moldes legais e com o devido registro e comunicação à Junta Comercial do Estado e à Receita Federal do Brasil? Quaisquer outras questões que a D. Autoridade Fiscal entenda por bem esclarecer. Após a realização da mencionada diligência com a apresentação de esclarecimentos em face dos quesitos levantados, deverá a unidade de origem apresentar relatório conclusivo ao sujeito passivo, que terá o prazo de 30 dias para se manifestar acerca do referido relatório, apresentando, inclusive, cópia do alegado Distrato Social datado de 24.11.2006 e registrado na JUCESP em 01.12.2006. Ato contínuo, retornem os autos conclusos a este E. Conselho para o julgamento do caso. É como voto. Geraldo Valentim Neto 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
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Numero do processo: 10660.905816/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Então, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
COMBUSTÍVEIS. FROTA PRÓPRIA. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
O combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da PIS, por subsunção ao conceito de frete na operação de venda, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003.
INSUMO. FRETE DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE.
Os fretes de aquisição de matérias-primas são essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-011.456
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.454, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.905814/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques dOliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Então, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. COMBUSTÍVEIS. FROTA PRÓPRIA. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da PIS, por subsunção ao conceito de frete na operação de venda, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. INSUMO. FRETE DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE. Os fretes de aquisição de matérias-primas são essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.454, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.905814/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques dOliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Então, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. COMBUSTÍVEIS. FROTA PRÓPRIA. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da PIS, por subsunção ao conceito de “frete na operação de venda”, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. INSUMO. FRETE DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE. Os fretes de aquisição de matérias-primas são essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.454, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.905814/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 16 /2 01 2- 53 Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d’Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de PIS. Para análise do feito, a fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Varginha (MG) foi solicitado a contribuinte apresentar livros, documentos e memórias de cálculo que possibilitassem aferir o montante dos créditos requeridos, sendo constatadas glosas, conforme Termo de Verificação Fiscal, em síntese: (...) Da Glosa dos Créditos Presumidos PIS - Agroindústria Por consequência dessa verificação preliminar, constatamos que o contribuinte solicitou no PER em questão parte dos Créditos Presumidos de PIS referentes à agroindústria vinculados à Receita não tributada no mercado interno. No entanto, esse Crédito Presumido apurado conforme a Lei 10.925/2004 não é passível de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, somente podendo ser utilizado no desconto/dedução da PIS Apurada no próprio DACON, portanto, efetuamos a GLOSA TOTAL desses créditos pleiteados pela empresa (...) Cabe destacar, que embora essa parte dos créditos relativa ao Crédito Presumido PIS-Agroindústria tenha sido integralmente glosada no PER PIS-Mercado Interno, foi considerada como saldo de meses anteriores desses créditos no Recálculo do Dacon da empresa constante do Anexo I que é parte integrante desse Termo de Verificação Fiscal. (...) Da Glosa dos Créditos Básicos PIS – Art.3º da Lei 10.637/2002 (...) Em relação aos créditos Básicos de PIS apurados pela empresa, ocorreram três tipos de glosa: Glosa em relação ao incorreto rateio das receitas vinculadas demonstrada no Anexo II, resultando na reapuração dos valores de Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 créditos a descontar de PIS Aquisição Mercado Interno retificados no Anexo I nas linhas 15 das colunas D e E, uma vez que os créditos auferidos com base na receita obtida no mercado interno devem ser proporcionalizados a partir dos tipos de receita que compõem a Receita Bruta total. Glosa proporcional às notas fiscais glosadas discriminadas no Anexo III que sofreram também rateio na proporção das receitas vinculadas – receitas tributadas no mercado interno e receitas não tributadas no mercado interno. Glosa Crédito Básico correspondente ao Frete do Leite in Natura, uma vez que esse tipo de crédito corresponde a um Crédito Presumido. (...) Dos Motivos de Glosa dos Créditos Básicos referentes às linhas 01,02 e 12 do Dacon (...) Combustível Não Enquadrado como Insumo A despesa com combustível utilizado em frota própria ou utilizado indiretamente na produção, não se enquadra no conceito de insumo, levando em consideração o inciso II do Art.3º da Lei 10.637/2002 c/c a alínea “b” do inciso I e o parágrafo 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, uma vez que não são diretamente consumidos ou aplicados no processo produtivo, mesmo que constituam uma necessidade operacional da empresa. Assim sobre tais dispêndios não é permitida a apuração de crédito a ser descontado da PIS no regime não cumulativo. (...) Serviço Não Enquadrado Conceito Insumo O serviço de contratação de contabilidade junto a terceiros, ainda que de pessoa jurídica, por se destinar a atividade-meio da empresa e não se enquadrar no conceito de Insumo, nos termos do inciso II do Art.3º da Lei 10.637/2002 e na alínea “b” do inciso I e o parágrafo 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, e ainda por não estar expressamente previsto na legislação, não dá direito a crédito da(o) PIS. (...) Dos Motivos de Glosa dos Créditos Básicos correspondentes ao Frete do Leite in Natura O crédito relativo ao frete acompanha o tipo de crédito a ele vinculado, como o tipo de crédito em relação à aquisição do Leite in Natura é o Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 presumido, o frete acompanha o crédito principal, sendo, portanto, também crédito presumido e não básico como calculado pela empresa. Por isso, esse crédito relativo ao frete do Leite in Natura calculado como básico, pela alíquota 7,6%, nas planilhas apresentadas pela empresa foi glosado integralmente do PER em análise. No entanto, foi incluído como crédito presumido na linha 25 do Dacon, recalculado pela alíquota correta de 4,56%, ou seja, refletindo em um aumento de valor do crédito Presumido, conforme discriminado na reapuração do Crédito Presumido na retificação da Ficha 24 no Anexo I. Diante do contido na Informação Fiscal, fora expedido o Despacho Decisório deferindo parcialmente o crédito solicitado, assim como homologando parcialmente as DComp apresentadas. Cientificada do referido Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, tecendo seus argumentos. Inicialmente, a interessada faz breve relato dos acontecimentos, resumindo seu pleito e as razões da redução do valor inicialmente solicitado. Em seguida, expõe seu entendimento, em síntese: DIREITO (...)Glosa de créditos básicos referentes à aquisição de insumos – Combustível não enquadrado como insumo pela RFB. Conforme se depreende dos autos administrativos, o entendimento que fundamentou a glosa de créditos na aquisição de combustível se deve ao fato de que este foi adquirido para utilização em frota própria além de não ser diretamente consumido ou aplicado no processo produtivo, ainda que constitua necessidade operacional da empresa. (...) Sobre a aquisição de combustível para ser utilizado na frota própria, a questão merece algumas considerações. Nesse aspecto, cumpre salientar que os combustíveis, que geram crédito passível de compensação, são utilizados no abastecimento dos veículos transportadores das mercadorias fabricadas. (...) Assim, é possível concluir que, em se tratando de transporte próprio os custos da operação não são reconhecidos como passíveis de creditamento, por sua vez, caso a empresa optasse por contratar empresa interposta para realização da operação poderia descontar os créditos relativos ao custo da operação (frete) realizada. (...) Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 Desta forma, o direito ao credito gerado pelos custos do frete devem ser estendidos, também, à aquisição de combustíveis para abastecimento de veículos próprios utilizados no transporte dos produtos. De outro norte, também para fins de creditamento dos custos de aquisição de combustível pela contribuinte, importante se faz o reconhecimento deste combustível como insumo, na cadeia de produção da contribuinte. (...) Destarte, tem-se pacificado que o restritivo conceito de insumo, presente nas Instruções Normativas n° 267/02 e 404/04, não deve ser considerado na sistemática de creditamento do PIS e da COFINS, devendo ser considerado a essencialidade dos produtos no processo produtivo. Diante disso, é notório que o combustível utilizado no abastecimento da frota própria destinada ao transporte dos produtos é insumo essencial na cadeia de produção da contribuinte. A distribuição faz parte, efetivamente, da cadeia de produção e se a contribuinte não transportasse os produtos por si mesma com certeza deveria contratar uma transportadora terceirizada para o fazer. Nesse aspecto, tornaria a questão de que, se a transportadora fosse terceirizada esses custos seriam creditados. Conforme demonstrado é direito da contribuinte a apuração dos créditos referentes à despesa com combustível, seja pelo princípio da isonomia em relação aos custos da terceirização do transporte, seja pelo fato do combustível da frota dos veículos destinados à distribuição dos produtos consistir em insumo essencial na cadeia de produção da contribuinte, não devendo o crédito apurado em relação a esse custo sofrer qualquer tipo de glosa. (...) Glosa dos créditos correspondentes ao frete do leite in natura – correta classificação efetuada pela contribuinte Em relação ao crédito do frete do leite in natura apurado pela contribuinte entendeu a RFB que "o crédito relativo ao frete acompanha o tipo de crédito a ele vinculado, como o tipo de crédito em relação à aquisição do leite in natura é o presumido, o frete acompanha o crédito principal, sendo, portanto, também crédito presumido e não básico como calculado pela empresa." Diante disso, a RFB procedeu com a glosa do crédito em questão, calculado como básico pela alíquota 7,6% e incluído como presumido, recalculado pela alíquota de 4,56%. Contudo, a apuração do crédito da maneira como procedeu a contribuinte encontra-se correta. Isto porque no caso sob análise, o valor do frete relativo ao transporte dos insumos do fornecedor para Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 indústria não foi deduzido na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no artigo 3o, inciso IX, das Leis 10.637 e 10.833 - que, de fato, não abarca tal hipótese. (...) Desse modo, considerando a interpretação extensiva que o CARF vem conferindo ao artigo 3°, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, verifica-se o desacerto do despacho decisório, na parte em que deixou de homologar os créditos relativos ao frete na aquisição de leite in natura, mormente por se tratar de serviço essencial à fabricação dos produtos comercializados. Entendimento contrário acabará por, mais uma vez, afrontar diretamente o princípio da não cumulatividade, sendo imperioso considerar-se que o frete foi inclusive tributado pelo PIS e COFINS. Desta forma, assim como já argumentado supra, tendo havido recolhimento, exsurge o inegável direito ao crédito, sob pena de afronta ao consagrado princípio em apreço. Desta forma, imperioso seja acatada a classificação dos créditos na forma como apresentada pelo contribuinte, restando reformada a decisão no que tange à sua classificação como crédito presumido. Por fim, a Interessada solicita que a presente manifestação de inconformidade seja procedente. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada, em síntese: AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. CRÉDITO PRESUMIDO. Não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse é permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento, já que o frete compõe o custo de aquisição devidamente comprovado, integra o valor de aquisição dos insumos e deve seguir o regime de crédito desses, que é o crédito presumido passível de ser deduzido das contribuições devidas em cada período de apuração. Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior, sustenta o conceito de insumo como aquele essencial e relevante ao processo produtivo, para requerer o crédito a esse título dos combustíveis utilizados em frota própria para transporte de produtos acabados e fretes de leite in natura. Ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia dos autos é o aproveitamento de créditos, no regime não cumulativo da COFINS, dos combustíveis utilizados em frota própria para transporte de produtos acabados e do frete de aquisição do leite in natura. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não- cumulatividade do PIS e da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, logo são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa que, no caso, é a fabricação de produtos lácteos. Créditos de combustíveis utilizados em frota própria para transporte de produtos acabados A autoridade fiscal motivou a glosa nos seguintes termos: Combustível Não Enquadrado como Insumo 19. A despesa com combustível utilizado em frota própria ou utilizado indiretamente na produção, não se enquadra no conceito de insumo, levando em consideração o inciso II do Art.3º da Lei 10.833/2003 c/c a alínea “b” do inciso I e o parágrafo 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF 404/2004, uma vez que não são diretamente consumidos ou aplicados no processo produtivo, mesmo que constituam uma necessidade operacional da empresa. Assim sobre tais dispêndios não é permitida a apuração de crédito a ser descontado da COFINS no regime não cumulativo A Recorrente aduz que o combustível adquirido é para o transporte em frota própria de produtos acabados. O crédito pleiteado tem suporte no IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Nesse sentido, o acórdão n° 3201-008.745, j. 24/06/2021, Relator Conselheiro Hélcio Lafetá Reis: CRÉDITO. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. OPERAÇÕES DE VENDA. POSSIBILIDADE. Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 Considerando que o transporte de produtos acabados tem como destino final a venda, já contratada ou a contratar, ainda que dependente de passagem por estabelecimento comercial da pessoa jurídica, os gastos de manutenção e funcionamento da frota própria do Recorrente, incluindo combustíveis e lubrificantes, revestem-se da natureza de despesas de transporte na venda, equiparando-se, portanto, aos dispêndios com frete. Assim, o combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da COFINS, por subsunção ao conceito de “frete na operação de venda”, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. Frete na aquisição do leite in natura Apontou a fiscalização que: II.2.2 – Dos Motivos de Glosa dos Créditos Básicos correspondentes ao Frete do Leite in Natura 23. O crédito relativo ao frete acompanha o tipo de crédito a ele vinculado, como o tipo de crédito em relação à aquisição do Leite in Natura é o presumido, o frete acompanha o crédito principal, sendo, portanto, também crédito presumido e não básico como calculado pela empresa. 24. Por isso, esse crédito relativo ao frete do Leite in Natura calculado como básico, pela alíquota 7,6%, nas planilhas apresentadas pela empresa foi glosado integralmente do PER em análise. No entanto, foi incluído como crédito presumido na linha 25 do Dacon, recalculado pela alíquota correta de 4,56%, ou seja, refletindo em um aumento de valor do crédito Presumido, conforme discriminado na reapuração do Crédito Presumido na retificação da Ficha 24 no Anexo I. Sustenta a Recorrente que esse dispêndio é insumo, pois “sem que haja o deslocamento do leite in natura para a fábrica, a produção simplesmente não ocorrerá; ou seja, trata-se de serviço necessário à consecução da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte”. São passíveis de creditamento os fretes nas aquisições de leite in natura, mas desde que tenham sido tributados pela COFINS, suportados pelo adquirente e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País. No caso em comento, observa-se nos autos que os fretes foram contratados de pessoas jurídicas que não se confundem com os fornecedores do leite in natura. Além disso, (i) é incontroverso que o leite in natura é matéria-prima dos produtos lácteos produzidos pela Recorrente; (ii) os fretes foram prestados por empresas de transporte e (iii) os CFOP das operações são 1352 e 2352, referentes à aquisição de transporte por estabelecimento industrial. Por isso, a essencialidade e relevância estão comprovadas, bem como cumpridos os requisitos legais, logo se admite o crédito a título de insumo com suporte no inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.833/2003. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura e para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.456 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905816/2012-53 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas: dos fretes de leite in natura e referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13731.000369/98-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1301-000.003
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10700.000003/2007-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/01/2005
Decadência dos períodos de 04/97, 05/98, 08/98, 10/98, 12/98, 02/00 por força da Súmula Vinculante IV 08 do STF .
Não há cerceamento do direito de defesa quando o procedimento observou completamente o devido processo legal e gerou oportunidades para a parte se manifestar e de realizar as provas necessárias. Exclusão da co-responsabilidade dos diretores e presidentes pela falta de demonstração de atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III do CTN. O CARF não é competente
para se pronunciar sobre matéria constitucional em lei tributária, logo não pode se pronunciar acerca da inconstitucionalidade da contribuição ao
INCRA. Cabível a aplicação da taxa SELIC em juros moratórias por
inteligência das Súmulas 3 e 4 do CARF. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106,11, "c" do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.213
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência das competências até 02/2000, inclusive, com base no Art, 150, § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro
Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. NO MÉRITO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009
prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencidos na questão de multa de mora os conselheiros Paulo Mauricio Pi o Monteiro e Núbia Moreira Barros Mazza,
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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Não ha cerceamento do direito de defesa quando o procedimento observou completamente o devido processo legal e gerou oportunidades para a parte se manifestar e de realizar as provas necessárias. Exclusão da co- responsabilidade dos diretores e presidentes pela falta de demonstração de atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III do CTN. O CARF não é competente para se pronunciar sobre matéria constitucional em lei tributária, logo não pode se pronunciar acerca da inconstitucionalidade da contribuição ao INCRAÇabivel a aplicação da taxa SELIC em juros moratórias por inteligência das Súmulas 3 e 4 do CARF. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106,11, "c" do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do colegiada, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência das competências até 02/2000, inclusive, com base no Art, 150, § 40 do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. NO MÉRITO, pot maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencidos na questão de multa de mora os conselheiros Paulo Mauricio Pi o Monteiro e Núbia Moreira Barros Mazza, MARCEUYMTGA EIXOTO - Relator C CARLOS ALI4RTO E MARI - Presidente Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Ntabia Moreira Barros Mazza (Suplente), Ausente o Conselheiro Ivacir Júlio de Souza.. 2 Processo n" 10700.000003/2007-94 S2-C4T3 Acórdão n." 2403-00.213 Fl. 273 Relatório 1. Trata-se de crédito para a Seguridade Social, relativo ao período de 04/1997 a 02/2005, consolidado em NFLD na data de 21/12/2005, conforme fls. 02/15 decorrente de contribuições devidas a cargo da empresa, conforme Relatório Fiscal, de fls. 46/50. 0 valor do presente lançamento é de R$ 96.508,54 (noventa e seis mil, quinhentos e oito reais e cinqüenta e quatro centavos). 2, 0 Discriminativo Analítico do Débito - DAD demonstra os valores apurados, os valores recolhidos e as diferenças devidas, O Discriminativo Sintético do Débito DSD apresenta, para cada competência, os valores devidos originários, o valor da multa, os juros aplicados e os valores finais devidos.. O Relatório de Lançamentos apresenta os valores apropriados dos lançamentos considerados pela fiscalização, organizados por levantamento, estabelecimento, competência e item.. 3, Dentro do prazo regulamentar, a notificada contestou o lançamento através do instrumento de tis. 95/127, anexando os documentos de fls. 95 a 127. 4. Preliminarmente, a empresa refuta o ato administrativo de constituição do crédito tributário, alegando razões de ordem formal que supostamente impedem o seguimento normal do contencioso administrativo fiscal e cobrança do Crédito Tributário, requerendo a nulidade por cerceamento de defesa e a exclusão dos diretores da entidade como co- responsáveis. 5. Quanto ao mérito, o contribuinte impugnou o lançamento alegando, em síntese os seguintes pontos: (i) a decadência do direito à cobrança das contribuições previdenciárias relativas as competências anteriores a Dezembro de 2000; (ii) da inexistência de valor a pagar compensação de valores recolhidos a maior; (iii) ilegitimidade da contribuição ao INCRA; (iv) inaplicabilidade da taxa SELIC; (v) inaplicabilidade da multa aplicada. 6. Desta forma, verificada a tempestividade da defesa apresentada, foram os autos remetidos ao fiscal notificante para apreciação, fls. 152, 7, Em relatório elaborado sobre a defesa apresentada, fl, 158, o Auditor notificante manifestou-se CONCLUINDO pela seguinte retificação: COMPETÊNCIA DE PARA 10/1998 24.799,84 19.239,98 12/1998 25 384,32 25,206,85 3 8, 0 contribuinte foi intimado e reaberto o prazo para que o mesmo se manifestasse, nos termos do art. 44 da Lei 9784/99. 9. Em 30/10/2006, o contribuinte anexou, as fls.162/189, autorizações de pagamento, copia de cálculos, cópia de folhas de pagamentos, cópia do DAD, de correspondências e mensagens eletrônicas internas, 10. Desta forma, os autos foram novamente remetidos para apreciação. 11. Em 18/12/2006, o notificante reiterou a manifestação anterior e, após analise da nova documentação apresentada, concluiu que não ha nenhuma providência adicional a ser tornada, visto que a documentação trazida trata-se de documentos internos da empresa, sem qualquer relação com débito. 12. Em julgamento, a DIU deu pela procedência parcial do presente lançamento, reconhecendo a compensação dos períodos de 10/98 e 12/98, consoante fis, 193 a 210, 13. Inconformada, o Notificante interpôs Recurso Voluntário sob as mesmas alegações, fls. 218 a 246. o relatório. 4 Processo n" 10700 000003 12007-94 S2-C4T3 Accird n." 2403-00113 FL 274 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, em observância à Súmula Vinculante n" 08 do Supremo Tribunal Federal: São inconstitucionais o paragrqfb único do artigo .5" do Decreto- Lei n°1569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8 212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário Reconheço a decadência dos débitos dos períodos de 04/97, 05/98, 08/98, 10/98, 12/98 e 02/2000 nos termos do art, 150, § 4" do CTN, in verbis: Art. 1.50 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a is autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa ) § 4" Se a lei não . fiXar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prao sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto a nulidade do lançamento pelo cerceamento do direito de defesa, esta merece ser rejeitada, uma vez que todo o procedimento fiscalizatório respeitou o devido processo legal e não restringiu as oportunidades da Recorrente se manifestar e de produzir as provas que possui, Já quanto a exclusão dos diretores como co-responsáveis do pretenso debito tributário, deve-se esclarecer que nos termos do art. 135 do CTN, abaixo transcrito, diretores, gerentes e representantes de empresas somente podem ser pessoalmente responsabilizados pelo crédito tributário quando provados atos praticados com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social e estatutos. Art. 13.5 São pessoahnente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigaçães tributárias resullantes de atos praticados com excesso de poderes ou infracão de lei, contrato social ou estatutos. 5 Ill - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas c/c direito privado Ocorre que não há nos autos quaisquer indícios da prática de tais atos pelos presidentes e diretores listados na NFLD, assim, não se pode cogitar de co-responsabilidade pelo respectivo debito tributário. Quanto a ilegitimidade da contribuição ao INCRA, por força da Súmula n" 2 deste mesmo órgão, o CARE não é competente para se manifestar acerca de matéria constitucional em lei tributária. quanto a aplicação de taxa SELIC em juros moratórios, este órgão já sumulou o seguinte: "Súmula n" 3 do CARE: A partir de 1" de abril de 1995, os faros moratórios incidentes sobre débitos tribtatirios administrados pela Secretaria da Receita Federal, são devidos, no período de inadimplacia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SEL1C para títulos. fedet a is "Súmula n" 4 do CARE: Sao devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existit depósito do montante integral" Portanto, é devida a aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios. Quanto ao exame da multa de oficio aplicada, vale explicar que à Recoil ente foi aplicada a multa escalonada do rNss de 15% (quinze por cento) prevista no art 35 da Lei 9876/99, Referido dispositivo foi alterado pela Lei 11,941/09, que introduziu o art. 32-A na Lei 8.212/91: Art. 32-A, 0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á cis seguintes multas: (Incluido pela Lei n" 11.941, de 2009). I — de R$ 20,00 (vinte teals) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas,. e (Incluido pela Lei n" 11.941, de 2009) II — de 2% (dais por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limilada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo (incluido pela Lei n°11,941, de 2009). Ocorre que o artigo 106 do Código Tributário Nacional dispõe que ao contribuinte infrator poderá haver a aplicação de multa de lei pretérita, se esta prever penalidade menos severa, consoante o abaixo transcrito: Art 106. A lei aplica-se ci ato ou fato pr. Sala das Sessões, em 20 de 2010 Processo n° 10700 000003/2007-94 S2-C4T3 Acórdilo n." 2403-00.213 Fl 275 Ii - tratando-se de ato não definitivamente julgado ( quando Ihe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessa forma, faz-se mister o recAlculo das multas para se verificar qual a menos severa e assim, haver a aplicação da multa mais benéfica ao Recorrente, consoante art. 106 do CTN. Por fim, alega a Recorrente que os valores constantes da NFLD foram objeto de compensação de valores recolhidos indevidamente e até então as respectivas compensações não foram devidamente comprovadas. Ante o exposto, manifesto-me por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 02/2000, inclusive, com base no art.150, § 0 4 do CTN, excluir a responsabilidade dos diretores e presidentes pela falta de demonstração de atos praticados com excesso de poder ou infração A lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN e determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art, 35, caput, da Lei 8,212/91 na redação dada pela Lei 1L941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. como voto. MARCELO MAO E OTO - Relator 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS F SCA1S QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10700.000003/2007-94 Recurso n°: l54610 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado .junto à Quarta Câmara da Segunda Seca), a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00.213 Brasilia, 09 de fevereiro de 2011 MARIA MADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial Corn Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10909.000254/2006-51
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3803-000.066
Decisão: Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1.823 1 1.822 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.000254/200651 Recurso nº Resolução nº 3803000.066 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 08 de dezembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TECONVI S/A TERMINAL DE CONTÊINERES DO VALE DO ITAJAÍ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) BELCHIOR MELO DE SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.747, 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 1.772 a 1.779, que não homologou a compensação declarada, pelo nãoreconhecimento do direito creditório relativo a créditos de PIS não cumulativo apurado no quarto trimestre de 2005. Tais créditos referemse, pretensamente, a inaproveitamentos decorrentes de operações de exportação. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC alegou que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Aduziu que o fato de haver destaque do ISS nas notas fiscais é o atestado de que as operações são caracterizadas como de mercado interno. Assim, não restaria configurada a exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte, à luz do inciso II do artigo 5.o da Lei n.o 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.o da Lei n.o 10.833/2003, Fl. 459DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.000254/200651 Resolução n.º 3803000.066 S3TE03 Fl. 1.824 2 que exigem, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior. Em sua manifestação de inconformidade, fls. 170 a 189, a impugnante explicita a sistemática de suas operações e afirma o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado, mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alegou que a seus procedimentos estão em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil. Afirmou que, na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen. Assim, assegura a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Serviuse das regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de enfatizar não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também o fato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Em seguida, citou a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.o da Lei n.o 10.637/2002 e artigo 6.o da Lei n.o 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.o 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos certamente representam ingressos de divisas. Fez referência, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. A DRJFlorianópolis, discordando do entendimento da DRFItajaí, acolhe os argumentos da impugnante quanto à regularidade da intermediação de suas operações com os armadores internacionais por meio de agência de serviços marítimos, nos termos a seguir: “Como se vê, a figura do representante do transportador estrangeiro no território nacional está devidamente integrada à nossa ordem jurídica, consubstanciandose em ente que atua em nome e por conta daquele transportador estrangeiro. Não se pode afirmar, assim, que a atuação deste representante sirva à descaracterização de uma operação como de exportação (operação esta envolvendo, por exemplo, um prestador de serviços nacional e um tomador estrangeiro representado por um agente marítimo).” Fl. 460DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.000254/200651 Resolução n.º 3803000.066 S3TE03 Fl. 1.825 3 Quanto à notas fiscais trazidas aos autos, reconhece que várias das notas fiscais tem como tomador empresas estrangeiras: “evidenciam a possibilidade de atuação do representante sem a descaracterização da exportação e a possibilidade que as operações possam ter ocorrido na forma como a contribuinte alega, mas não atestam de forma conclusiva a existência do crédito, tanto seja porque a prova está associada, em regra, a apenas uma ou algumas poucas das milhares de operações constantes de cada processo, como seja porque a prova em si não estabelece um nexo entre notas fiscais específicas e operações concretas e também específicas de exportação.” Porém, indefere a solicitação por considerar, conforme refere nos termos abaixo, que a mera emissão de tais notas não são prova da conclusividade das operações e sua correspondência com ingressos de divisas, cabendolhe o ônus de comprovar por meio de outros documentos a liquidez e certeza do seu crédito, conforme rege o art. 170 do CTN: Diante deste quadro, há que se dizer que as notas fiscais emitidas para entes domiciliados ou residentes no Brasil, isoladamente, não comprovam os vínculos que a operação deve ter com uma operação de exportação para que possa gerar o direito pretendido pela contribuinte; é que com base apenas nelas não apenas não há prova de que os tomadores dos serviços constantes das notas tenham atuado, naquelas operações específicas, como representantes de entes residentes ou domiciliados no exterior, como também não há comprovação de que tais operações tenham resultado em ingresso de divisas. Cientificada da decisão em 19 de maio de 2009, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 1.781 a 1.804, em 17 de junho de 2009, em que reitera os mesmos argumentos da impugnação, e na veemência de sua defesa compromete sua compostura e abusa de qualificações pouco respeitosas atribuídas aos Auditores que regularmente atuaram nas decisões. É o relatório. Conselheiro Relator BELCHIOR MELO DE SOUSA O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Com razão a Delegacia de Julgamento em Florianópolis quando afirma que é do contribuintepleiteante o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito que utiliza na compensação. No entanto, esta afirmação não é suficiente para fulminar as razões do recurso voluntário, cabendo para o deslinde deste caso análise de algumas nuanças que passaram ao largo do julgamento de piso, a despeito da firmeza e percuciência com que o nobre julgador se houve na prospecção da especificidade da matéria que cobriu, na condução do seu voto. No transporte internacional executado por armador estrangeiro, a sistemática no terminal de cargas portuárias operase como segue: Fl. 461DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.000254/200651 Resolução n.º 3803000.066 S3TE03 Fl. 1.826 4 É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A TECONVI foi intimada para apresentar alguns documentos; atendeu, e, entre esses, anexou uns poucos milhares de notas fiscais. Não há relato no despacho decisório de que tenha faltado algo da documentação solicitada, e a decisão de nãohomologação das compensações fundouse no nãoreconhecendo da legitimidade da intermediação ocorrida e sobre o argumento de que os serviços foram prestados para tomador residente e domiciliado no Brasil, atestandoo, inclusive, com as observações de que sobre os serviços prestados foram efetuados recolhimentos de ISS, à alíquota de 3%, e de que estes foram pagos em reais. A documentação, portanto, não passou da análise perfunctória de identificação do tomador do serviço. Conforme relatado, a DRJFlorianópolis, na linha de entendimento oposto ao da Delegacia em Itajaí, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade do pagamento ser efetuado em reais. Reconhece também a possibilidade de existência que estão sendo utilizados na compensação, porém, sobre outro fundamento – de que os documentos são insuficientes para comprovar que houve ingresso de divisas para o País – não se inclinou para apurar a verossimilhança do crédito apontado pela interessada e não homologou as compensações . Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo “observações”destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos. Desse modo, ao invés de modificar o fundamento do despacho decisório a Delegacia de Julgamento poderia ter convertido o julgamento em diligência para que a Delegacia em Itajaí solicitasse documentos suplementares para a efetiva comprovação das transações realizadas com armadores estrangeiros, das quais, inafastavelmente, haveria de se Fl. 462DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.000254/200651 Resolução n.º 3803000.066 S3TE03 Fl. 1.827 5 constatar ingressos de divisas no País, subsumindose ao disposto no artigo 5.o, II, da Lei n.o 10.637/2002 e artigo 6.o, II, da Lei n.o 10.833/2003. As importâncias de que o armador seja credor no País, e que lhe são remetidas pelo agente representante, segundo reza a Carta Circular nº 3.249/2004 do Banco Central, delas são feitas remessas parciais, ficando o que não é transferido para cobertura das despesas com taxas e prestações de serviços de atracamento, embarque/desembarque etc., obviamente pagos em reais. Complementando o comando inserto na dita cartacircular, ainda que feita remessa parcial, o contrato de câmbio é feito no valor integral da receita do armador. E no prazo de 90 (noventa) dias da contratação deste câmbio, devem ser firmados novos contratos de câmbio correspondentes à efetivação dos pagamentos das despesas, quando efetuados. No âmbito desta mecânica, não há como se dizer que não houve ingressos de divisas para o País, a despeito de os pagamentos terem sido efetuados pelo agente representante do tomador estrangeiro e em nome deste, ainda que em reais. Pelo exposto, voto por converter o processo em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Itajaí: a) intime a TECONVI para que apresente: a.1.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contêineres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. É como voto. Sala das sessões, 08 de dezembro de 2010 BELCHIOR MELO DE SOUSA Fl. 463DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/02/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 19/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 19647.012715/2005-51
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 103-01.871
Decisão: RESOLVEM os membros da TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento
em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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MINISTÉRIO DA FAZENDA •°"'P 4t- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 19647.012715/2005-51 Recurso n° 159.464 Assunto Solicitação de Diligência Resolução n° 103-01.871 Data 22 de janeiro de 2008 Recorrente J. B. DISTRIBUIDORA DE ESTVAS E CEREAIS LTDA. Recorrida 4a TURMA/DRJ-RECIFE/PE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostos por J.B. DISTRIBUIDORA DE ESTIVAS E CEREAIS LTDA. RESOLVEM os membros da TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBU 1 TES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos de *to do a or. • LUCIANO DE OLIVEIRA ALENÇA Presidente GUILRIvl E ADOLFOIDO(12ANTOS MENDESl"P Relato FORMALIZADO EM: 06 MAR 2008 gr Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Leonardo deAndrade Couto, Márcio Machado Caldeira, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antônio Bezerra Neto e Paulo Jacinto do Nascimento. / • 1 _ Processo n.• 19647.012715/2005-51 CCOI/CO3 Resolução n°103-01.871 Fls. 2 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro, Pis e Cofins, às fls. 06 a 43, relativamente ao ano-calendário de 2000, no montante total de R$16.321.450,68, onde estão incluídos a multa proporcional e juros até 30/11/2005. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 678 a 715. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 06 a 43, para exigência de crédito tributário referente ao ano calendário de 2002, adiante especificado: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, cujos enquadramentos legais encontram-se discriminados no auto de infração, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. A irregularidade constatada e suas conseqüências podem ser assim resumidas: 1— OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Omissão de caracterizada pela não comprovação da origem e da efetiva entrega dos valores referentes ao aumento de capital efetuado pela empresa. 2 — OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários. A fiscalização confrontou os valores escriturados pela contribuinte em seus livros contábeis (Diário e Razão) e os extratos bancários da conta 01-00302131, agência 0012, do Banco 0641, apresentados pela própria pessoa jurídica. 3 — RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS. Valor correspondente ao lucro operacional informado na Declaração de Informação da Pessoa Jurídica , porém não confessados em DCTF. Decorrente da apuração da omissão de receita, itens 1 e 2, foram apurados os autos de infração da COFINS e da Contribuição para o PIS. Da mesma forma decorrente da apuração da omissão de receita, itens 1 e 2, e da falta de declaração dos valores devidos foi apurado o auto de infração da CSLL. 2 Processo n.• 19647.012715/2005-51 CCOI/CO3 Resoluçio o? 103-01.871 Fls. 3 Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls.678 a 715, na qual questiona os autos de infração, alegando em síntese o seguinte: - Requer a contribuinte a nulidade dos autos de infração do presente processo, tendo em vista que, não procede a afirmativa da fiscalização de que a empresa foi excluída do Simples em 01/04/1999, pois jamais recebeu qualquer comunicação dando conta do ato de exclusão. De acordo com a legislação a exclusão apenas poderá ocorrer se respeitado os direitos do contribuinte, quais sejam: ser cientificado e apresentar defesa. Assim, requer a nulidade do ato de exclusão, pois não foram cumpridos os princípios basilares para a consecução de tal ato. - Em seguida a contribuinte afirma que esta sendo cobrada de valores já recolhidos no Simples (código de arrecadação 6106). - A impugnante citando o art. 43 do CIN discorre a respeito do fato gerador do imposto de renda, trazendo o entendimento doutrinário de Hugo de Brito Machado e Geraldo Ataliba às fis. 687/688. Conclui a impugnante que a movimentação bancária constitui apenas indício, mas não efetiva comprovação de renda ou lucro, e desta forma não poderia ser considerado como fato gerador do imposto de renda e da CSLL. A impugnante cita ainda as decisões administrativas emanadas pelo Conselho de Contribuintes às fis.689/691. Alega a impugnante que "no caso em foco não houve pelo limo AFRF qualquer diligência ou demonstração de que as supostas receitas omitidas seguiram a destinação de renda consumida. Não há a mais mínima correlação entre depósitos (supostas receitas) e destinações caracterizadas como renda da Impugnante. É dizer, os depósitos existem por si só, sem qualquer outra prova que justifique a autuação, o que inclusive corrobora com a verdade de que tais depósitos nada mais representam do que meras transferências bancárias e nada mais. "(sic) Acerca da impossibilidade de autuação com base puramente em depósitos bancários, cita às fls. 691/692 a Súmula 182 do Poder Judiciário, transcrevendo às fls. 326/327 e 377/378 o julgado do Tribunal Regional Federal da 1° Região, Processos 1998010000622456, ReL Des. Olindo Menezes, DJU de 29/06/2001. - Passa a contribuinte a reclamar da base de cálculo do PIS e da COFINS alegando que deve ser deduzido, não apenas o ICMS substituto, como todo ICMS incidente. Cita a respeito da matéria opinião de Roque António Carrara, Geraldo Ataliba e Cléber Giardino. - Também em relação a base de cálculo a impugnante alega que a adotada pela fiscalização está em descompasso com o entendimento jurisprudencial acerca da Lei n.° 9.718/98. 3 Processo n.° 19647.012715/2005-51 CCOI/CO3 Resolução n.° 103-01.871 Fls. 4 Transcrevendo o art. 3° da Lei n.° 9.718/98, bem como o art. 110 do CTN e ementa do TRF da 3° Região, às fls. 280/281, requer a improcedência dos lançamentos do PIS e COFINS alegando que a base de cálculo adotada viola o disposto no art. 110 do CIN. Assevera a impugnante que a Emenda Constitucional n.° 20 não teve o condão de validar a Lei n.°9.718/98, "posto que é regra primária que a Constituição Federal(também suas ementas) não pode recepcionar Lei infraconstitucional que, à época de sua promulgação, era inconstitucional". Destarte, mesmo após a EC20, seria indispensável a edição de nova Lei versando sobre a matéria."(sic) Sobre o assunto cita julgados do Tribunal Regional Federal da 3° Região, às fls. 698/699 e do Superior Tribunal de Justiça, às fls. 699/703. Nas fls. 703 a 710 a contribuinte reclama da aplicação da Taxa Selic como juros de mora em matéria tributária. Nas fls. 710 a 714 reclama da multa de oficio aplicada no percentual de 75% considerando confiscatória. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 439 a 445) deu provimento parcial à defesa, segundo os fundamentos que se seguem. Preliminarmente A ciência da exclusão do simples foi realizada por meio de edital, segundo sistemática que atende os requisitos previstos no Decreto n° 70.235/72, conforme pode ser atestado por consulta ao sistema SIVEX à fl. 752. Ademais, durante o procedimento de fiscalização, foi instada (fl. 51) a apresentar a declaração de rendas pelo lucro real, em razão de ter apresentado equivocadamente a declaração simplificada. Em atenção à intimação, apresentou a referida declaração e respondeu à intimação, sem ressalvas. Assim, não há como acatar a preliminar de nulidade do lançamento. Mérito Destaca que a impugnante não contestou as apurações de omissão de receita relativas a (i) presunção calcada em suprimento de numerário e (ii) valores informados em DIPJ, mas não declarados em DCIT. Mantém a autuação no que se refere à omissão apurada por meio de depósitos bancários, uma vez que a presunção tem amparo legal e que o impugnante não logrou infirmá- la por meio da comprovação da origem dos depósitos. No que se refere à alegação de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, considera que o referido imposto municipal compõe o conceito de faturamento. 4 Processo n.° 19647.012715/2005-51 CCOI/CO3 Resol uno n.° 103-01.871 Fls. 5 Considera todos os pagamentos a titulo de SIMPLES, na proporção relativa a cada um dos tributos, para fins de reduzir o valor lançado. Por fim, não toma conhecimento das alegações relativas à aplicação da taxa SEL1C de juros, bem como à inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como do percentual de multa, por considerar não ter competência para apreciar a questão. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 769 a 808, no qual, alega o que se segue. Preliminarmente Requer a nulidade do auto de infração em razão da nulidade do ato que a excluiu do Simples. A autoridade julgadora de primeiro grau, em relação a esse ponto, rejeitou os argumentos apresentados na impugnação sob o fundamento de que a notificação teria sido realizada por meio de edital. Nada obstante, o edital só pode ser empregado, uma vez frustradas as tentativas de notificação pessoal, nos termos do Decreto n° 70.235/72 e da Lei 9.317/96, o que jamais ocorreu. Mérito Reitera razões já apresentadas na defesa inaugural relativamente à (i) indevida presunção de omissão de receita calcada em depósitos bancários, (ii) à dedução do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, (iii) à inconstitucionalidade das bases de cálculo do PIS e da COFINS estipuladas na Lei n° 9.718/98, (iv) à inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa SELIC de juros e (v) ao caráter confiscatório da multa. É o Relatório. 5 Processo n.° 19647.012715/2005-51 CCOI/CO3 Resolução n.• 103-01.871 As. 6 Voto Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Relator O sujeito passivo argüiu que não teve ciência do ato de exclusão do Simples. Evidentemente, a exclusão do regime simplificado é questão prejudicial do lançamento. A autoridade julgadora de primeiro grau considerou essa questão superada, uma vez que o sujeito passivo já teria sido intimado mediante edital, conforme informação do sistema de dados à fl. 752, o qual, pela sistemática de processamento informatizado, só é expedido quando resta infrutífera a intimação postal. Pois bem, é entendimento pacífico do Conselho de Contribuintes que a intimação por meio de edital do ato de exclusão do Simples só é legítima, quando não proficua as demais modalidades (pessoal ou postal). Abaixo transcrevo acórdão exemplificativo: Número do Recurso: 127627 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 13882.000327/2002-15 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: SIMPLES - EXCLUSÃO Recorrida/Interessado: DRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão: 11/05/2004 14:00:00 Relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO Decisão: Acórdão 302-36083 Resultado: APU -ANULADO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, acolheu-se a preliminar de nulidade do procedimento de exclusão do Simples, argüida pela recorrente, nos termos do voto da Conselheira relatora. Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÃO DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES.EXCLUSÃOA exclusão do Simples deve ser operada por meio da emissão do Ato Declaratório, assegurado o contraditório e a ampla defesa, aplicando-se o rito do processo administrativo tributário (art. 15,§ 3°, da Lei n° 9.317/96),INTIMAÇÃO POR EDITAL.A intimação por edital, prevista no inciso III do art. 23, do Decreto n° 70235/72, só pode ser utilizada quando resultarem improficuos os os meios elencados no inciso I e II do mesmo dispositivo legal.ACOLHIDA, POR UNANIMIDADE A PRELIMINAR DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Tal entendimento está embasado na Lei e se coaduna inclusive com ato normativo da Secretaria da Receita Federal. O parágrafo 3°, art. 15, da Lei n°9.317/96 assim estipula: § 3. A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 11.12.1998) 6 Processo n.° 19647.012715/2005-51 CCOI/CO3 Resolução n.° 103-01.871 Fls. 7 As próprias instruções normativas, que veiculavam a interpretação da SRF acerca do referido dispositivo legal, estipulavam que a legislação aplicável corresponde ao Decreto n° 70.235/72. Segue uma das instruções: Instrução Normativa SRF n°355. de 29 de agosto de 2003 Art 23. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (.) Parágrafo único. A exclusão de oficio dar-se-á mediante ADE da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União, de que trata o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. O referido decreto, em seu artigo 23, disciplina a forma por meio da qual devem ser realizadas as intimações. Abaixo, transcrevo a redação vigente na época dos fatos: Decreto n° 70.235/72 An'. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) 11-por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) - por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e Il. Em suma, a notificação do ato de exclusão é inválida se realizada por meio de edital sem que antes não tenha a autoridade tentado o meio postal ou pessoal. Diante da afirmação do sujeito passivo de que não tomou ciência, a informação do sistema da SRF de que ela foi realizada por meio de edital e que o referido ato só é expedido no caso de a tentativa postal não ter sido profícua não pode ser tomada a favor da Administração. Compete ao Fisco comprovar que houve tentativa de intimação postal, vale dizer, que efetivamente a correspondência foi postada e levada ao domicilio do recorrente. Isso não pode ser inferido e adotado como verdade dentro do processo apenas por meio de uma informação do sistema de controle da SRF. É necessário trazer aos autos cópia do aviso de recebimento. O fato de o sujeito passivo no curso da fiscalização ter apresentado declaração de rendas pelo lucro real não supre essa deficiência. Não pode ser adotada como confissão de ter recebido o ato de exclusão em razão das circunstâncias de sua entrega: a declaração original 7 Processo n. 19647.012715/2005-51 OCO I /CO3 Resolução n.° 103-01.871 Fls. 8 foi promovida pelo modelo simplificado e a retificadora só foi apresentada no curso da ação fiscal após ter sido intimado especificamente para tal sob o alerta de que o descumprimento ensejaria o arbitramento. Não posso, por outro lado, neste momento processual, afirmar que a Administração deixou de promover o procedimento correto. Para tal, considero essencial baixar os autos em diligência a fim de a autoridade local se digne juntar ao processo cópia do aviso de recebimento ou de qualquer outro documento que considere apto a provar a realização de notificação postal ou pessoal do ato de exclusão do Simples. Por fim, cumpre-me esclarecer que não é aplicável o disposto no § 3°, art. 59, do Decreto n° 70.235/72, o qual abaixo transcrevo: Art. 59. (...) § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluldo pela Lei n° 8.748, de 1993) Isso, porque o recurso não abrangeu todos os pontos da autuação relativamente ao mérito. Voto, pois, por baixar o feito em diligência nos termos acima destacados. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de 2008 lEtfRGUIL Mr , E ADOL O ft SANTOS MENDES 8 Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.000723/2006-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.310
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a DRF/Araçatuba informe se a publicidade que a Contribuinte veicula encontra-se no corpo dos jornais ou em suplemento à parte.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a DRF/Araçatuba informe se a publicidade que a Contribuinte veicula encontrase no corpo dos jornais ou em suplemento à parte. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Trata o presente de retorno de diligência, por meio da qual requereuse à Delegacia da Receita Federal em Araçatuba que anexasse os documentos da Contribuinte, constituídos por cópias de jornais, que integraram a sua defesa, na forma do voto vencedor no acórdão nos Embargos de Declaração; voto que abaixo se transcreve: Tratase de embargos de declaração para afastar omissão relativa à análise dos documentos de fls. 06 a 12 dos autos, os quais, no entender da Embargante, se prestariam como prova de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 00 72 3/ 20 06 -1 1 Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.16023.UOBN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820.000723/200611 Resolução nº 3803000.310 S3TE03 Fl. 223 2 que o jornal que produz está sujeito à alíquota zero e, consequentemente, do direito ao ressarcimento pleiteado. Com efeito, como bem reconhecido pelo relator, caso o jornal “seja composto de encarte destinado excepcionalmente a publicidade comercial, (...), e não de a publicidade por ele veiculada, inserida no próprio corpo da publicação, na linha do já exposto no RE 213.094, de relatoria do Min. Ilmar Galvão”, cabe a reclassificação pretendida. Neste contexto, não resta dúvida que referidos documentos, os quais, reafirmese, não se encontram no processo digital, são essenciais para o deslinde da presente controvérsia. Por conta disso e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que providencie a juntada ao processo digital das imagens dos documentos referidos pela Embargante. A DRF/Araçatuba atendeu a diligência requisitada consignando no Despacho que se transcreve, mediante o qual indicou o amparo normativo para que a Autoridade Preparadora dispense a digitalização de jornais e publicações, entre outros documentos: DESPACHO Em atenção à Resolução n° 3803000.139, da 3a Turma Especial do CARF, pela qual se decidiu converter o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência, para que esta DRF providenciasse juntada ao processo digital das imagens dos documentos referidos pela Embargante (exemplares de jornais), informo que, muito embora o processo tenha sido diqitalizado, o mesmo não foi transformado em digital, encontrandose no e Processo na situação "Excluido Processo", permanecendo, portanto, na situação "em papel". Justificase a não transformação em digital na Nota eProcesso n° 011/2011, datada de 21/06/2011, que dispõe: Na movimentação de processo do tipo "em papel" entre as Unidades da RFB, CARF e PGFN, não ha obrigatoriedade na digitalização e conversão em e Processo daqueles que contiverem qualquer um dos empecilhos abaixo listados, podendo permanecer em seu estado primitivo até o arquivamento: a) folhas numeradas em tamanho superior ao modelo A4 (laudos Técnicos, Jornais e Publicações, Plantas Baixas de Imóveis, Envelopes, Separadores/ Marcadores de Pagina); (g.n.) Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.16023.UOBN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820.000723/200611 Resolução nº 3803000.310 S3TE03 Fl. 224 3 Por fim, verificase que os documentos 06 a 12 referidos pela Embargante (exemplares de jornais) encontramse acostados como folhas 140 a 146 deste processo. Devolvase ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, Terceira Turma Especial. Reprisese que o acórdão proferido por esta Turma, de relatoria deste Conselheiro, negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos, ementado nos termos abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20. Contra ele foram opostos Embargos de Declaração opostos pela Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda., tendo por fim sanear erro material e omissão incorridos no dito acórdão. A apreciação das imagens dos jornais, cópias anexadas à defesa da Contribuinte, mas inexistente na imagem digitalizada do processo, teria a possibilidade – segundo entendimento da Embargante – de encaminhar a decisão no rumo do seu favorecimento. Os embargos foram admitidos e o julgamento foi convertido em diligência, por maioria, para que a Repartição de origem anexasse as cópias dos jornais trazidos aos autos pela Recorrente, com a Resolução vazada nos seguintes termos: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento dos Embargos de Declaração em diligência, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos o Relator e o Conselheiro Alexandre Kern (presidente) que negaram provimento ao recurso. Entendo que uma diligência solicitada deve retornar com os elementos hábeis a firmar a convicção do julgador. A diligência de que aqui se trata não alcançou este desiderato, não sendo satisfativa a informação prestada, no sentido de permitir a elucidação que fora buscada. Uma vez que a Turma assim resolvera, ampliando a garantia de defesa da Contribuinte, a insuficiência da informação prestada não permite dar conseqüência ao fim a que se destinara a Resolução, de sorte que se há pugnar por meio alternativo de alcançar o pretendido, sob pena de se esvaziála de sua eficácia. Os documentos estão no processo em papel, às fls. 140/146, segundo atestou a DRF/Araçatuba. Uma vez impossibilitada a sua digitalização e considerando que o foco da Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.16023.UOBN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820.000723/200611 Resolução nº 3803000.310 S3TE03 Fl. 225 4 diligência é um dado pontual resultante de simples verificação, é possível a realização de nova diligência. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Araçatuba informe se a publicidade que a Contribuinte veicula encontrase no corpo dos jornais ou em suplemento à parte. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, conforme art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 2011. Sala das sessões, 26 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.16023.UOBN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por BELCHIOR MELO DE SOUSA em 11/07/2013 14:03:02. Documento autenticado digitalmente por BELCHIOR MELO DE SOUSA em 11/07/2013. Documento assinado digitalmente por: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO em 16/07/2013 e BELCHIOR MELO DE SOUSA em 11/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/12/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.1220.16023.UOBN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1ACB26C456C69D6A6B15601C735B603F81E1A18A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10820.000723/2006-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10845.007458/88-16
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 1989
Ementa: Conferência final de manifesto. Acréscimo de mercadoria.
1. Caracterizada a denúncia espontânea urna vez satisfeitos os pressupostos do Art. 138 do Código Tributário Nacional.
2. Recurso provido.
Numero da decisão: 301-26.021
Decisão: ACORDAM os membros da primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros: João Holanda Costa, José Maria de Melo e Wlademir Clovis Moreira. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30126021_108450074588816 (1; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2022-04-25T18:18:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30126021_108450074588816 (1; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30126021_108450074588816 (1; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2022-04-25T18:18:09Z; created: 2022-04-25T18:18:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2022-04-25T18:18:09Z; pdf:charsPerPage: 1057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2022-04-25T18:18:09Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Sessão de 24 de agosto. de 19~.9.... Recurso n.O Recorrente Recorrid 110.746 Processo n~ 10.845-007.458/88-16. CIA DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO., Representada por NAUTILUS AG~NCIA MARíTIMA LTDA. DRF - SANTOS - SP. Conferência final de manifesto. Acréscimo de mercadoria. 1. Caracterizada a denúncia espontânea urna vez satisfei tos os pressupostos do Art. 138 do Código Tributário Nacional. 2. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da primeira Câmara do Terceiro Cons~ lho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao r~ curso, vencidos os Conselheiros: João Holanda Costa, José Maria de Melo e Wlademir Clovis Moreira. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e voto que passam a integrar o p esente julgado. VISTO EM SESSÃO DE: 4 de agosto de 1989. TA - Presidente e Relator designado. A - Proc. da Fazenda Nacional. Participaram, ain a, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA, MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO e FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO. Ausente, justificadamente, lheiro HAMILTON DE SÁ DANTAS. o Conse- -2- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO OE CONTRIBUINTES. RECURSO Nº 110.746 ACÓROÃO Nº 301-26.0~1 RECORRENTE: CIA. OE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO, Repres. por NAQTILUS AGÊNCIA MARITIMA LTDA. RECORRIOA DRF - SANTOS - SP. RELATOR JOÃO HOLANDA COSTA. RELATOR DESIGNADO: ITAMAR VIEIRA OA COSTA R E L A T Ó R I O Em conferencia final de manifesto do naVIO CHRISTINA ISABEL, entrado em 12.06.88, foi responsabilizada Cia. de Naveg£ ção Lloyd Brasileiro (repres. por Nautilus AgenCIa Marítima Ltda) pelo acréscimo de 08 volumes na descarga. Foi lavrado auto de infração para cobrar a multa prevista no art. 522, inciso III,do Regulamento Aduaneiro (baixado com o Decreto nº 91.030/85). Tempestivamente, a firma impugnou a autuação para alegar haver feito ela mesma denúncia espontanea da infração através da petição nº 202.708, datado de 13.07.88, antes, por- tanto, do auto de infração (de 03.11.88) e do início de qual quer outro procedimento administrativo ou medida de fiscalização diretamente relacionados com tal ocorrência. Tendo-se caracteri- zado a denúncia espontânea, requer a aplicação do art.138 do CTN. A autoridade de primeira instância julgou proceden- te a açao fiscal no sentido de que não se tem por espontânea a denúncia formalizada após a entrada do veículo procedente do eK terior, relativo à carga nele transportada (ADN-CST nº 04/86 c/c art. 138, ~ único, do CTN). Inconformada, a agência marítima recorre agora a e~ te Conselho, reeditando suas razões de impugnação. Pede o provi- mento do apelo. t O RELATÓRIO. SERViÇO PÚBLICO fEDERAL v O T O -3- Rec. 1l0.746 Ac 301-26.021 Trata este processo de matéria já muito debatida nes te Colegiado: denúncia espontânea de infração cometida. A autoridade de la. Instância julgou a ação fiscal procedente adotando a seguinte ementa para sua decisão nQ 32/89 (fls. 22): "Não se tem por espontânea a denúncia formaliza- da após a entrada do veículo procedente do ex- terior, relativo à carga nele transportada.(ADN- CST-nQ 04/86 c/c art. 138, !l único, do CTN)." A denúncia espontânea para exclusão de responsabili- dade por infrações é prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional que tem a seguinte redação: "Art. 138. A responsabilidade e excluída pela de núncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de màra, ou do depósito da importância ar bitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fisca- lização, relacionados com a infração." Necessário, portanto, que o fato objeto de análise es teja configurado na hipótese acima descrita. Dever existir (a) uma denúncia da infração, (b) acompanhada, se for o caso do pa- gamento do tributo devido e (c) apresentada antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relaciona dos com a infração. Em relação ao assunto assim escreveu o tributarista Bernardo Ribeiro de Moraes: "Para caracterizar a denúncia ~to mister se faz a presença, ~SegUintes elementos: espontânea, portan em conjunto, dos SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -4- Rec. 110.746 Ac 301-26.021 a) o interessado deve comunicar à autoridade ad ministrativa a existência da infração. A denún- cia espontânea se refere à infracão; b) essa comunicação deve ser espontânea, isto e, deve ser apresentada antes de qualquer procedi- mento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a respectiva infração. Eis o co!!. cei to de espon tane idade, ligado não à vontade do contribuinte:mas à ação. (procedimento) da auto- ridade administrativa relativamente à determina da infração. E o que dispõe o parágrafo un1CO do art. 138 do Código Tributário Nacional. O i- nício de uma fiscalização geral não impede a es pontaneidade da denúncia; cJ essa comunicação deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e demais ônus decorrentes do tempo (juros de mora e cor- reção monetária); ou de depósito da importância pela autoridade administrativa, quando o montan te do tributo dependa de apuração. A exclusão da responsabilidade, pela denúncia es pontânea, se prende ã infração. (Compêndido de Direito Tributário, Rio de Janeiro, Forense,1987, Pãg. 72 7)" Ainda, sobre a matéria, diz Aliomar Baleeiro: "EXCLUSAO DA RESPONSABILIDADE PELA CONFISSAO. - Libera-se o contribuinte ou responsável e, a1n- da mais, representante de qualquer deles, pela denúncia espontânea da infração acompanhada, se couber no caso, do pagamento do tributo e juros moratórios, devendo segurar o Fisco com depósi- to arbitrado pela autoridade se o quantum da o- brigação fiscal ainda depender de apuração. Há nessa hipótese, confissão e, ao mesmo tempo, desistência do provei to da infração. (Direi to ~~ributário Brasileiro, Rio de Janeiro, Forense, Q{a. Edição, 1974, pág. 438)." SERViÇO PÚBLICO fEDERAL Rec. 110.746 Ac 301-26.021 -5- Ora, a empresa fez a comunicação;ao Fisco, da infr~ ção cometida, antes do procedimento fiscal da apuração da exi~ tência dos volumes em acréscimo ( confronto entre a informação da descarga, faltas e acréscimos - IDFA da Cia. Docas do Esta- do de São Paulo - CODESP)e o manifesto de carga no ato de con- ferência final de manifesto (art. 39, ~ 19 do Decreto-lei n9 37/6b). Não foi feito pagamento de tributo já que não houve c~ brança deste mas, apenas, da multa do art. 522, 111 do Regula- mento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n9 91030/85. Por todo o exposto, entendo que a empresa apresen- tou denúncia espontânea representada pela confissão da infra- çao nos termos do art. 138 do CTN. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recur- Itamar Vi ira da Costa Relator designada so. Sala das sessoes de agosto de 1.989 I I I I I I I I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000827/2007-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007
Ementa:
COMPENSAÇÃO
Impossível compensar crédito inexistente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS.
Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento
Numero da decisão: 2403-001.196
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007 Ementa: COMPENSAÇÃO Impossível compensar crédito inexistente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007 Ementa: COMPENSAÇÃO Impossível compensar crédito inexistente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 486 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0110.130 da 4ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n°37.064.1205, contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 49/56, referese às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros, tendo como fato gerador o exercício de atividade remunerada, prestada por segurados empregados e contribuintes individuais, no valor consolidado em 25/04/2007 com juros e multa à época do lançamento de R$638.733,77 (seiscentos e trinta e oito mil, setecentos e trinta e três reais e setenta e sete centavos), correspondente ao período 11/2006 a 01/2007. Diz repeito aos seguintes estabelecimentos: matriz e as filiais 000219, 000308, 000480, 000561, 000642, 000723, 001100 e 001290. 2. Narra o Relatório Fiscal que o não recolhimento ou a recolhimento a menor das contribuições previdenciárias, originouse de compensações realizadas pelo Sujeito Passivo com direitos creditórios adquirido da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda, CNPJ no 42.361.972/000151. Tal crédito foi adquirido por meio da Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Serviço Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito de São João Novo, no município de São Roque (SP). 3. O presente crédito é constituído dos seguintes levantamentos: • FPG (Folha de Pagamento Declarada em GFIP): referemse às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes das folhas de pagamento e declaradas pelo Sujeito Passivo em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP; Fl. 494DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • FLG ( Folha de Pagamento Declarada em GFIP — Filial Transportadora) referemse às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e declaradas pelo Sujeito Passivo em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. 4. Às fls. 57/155, o Auditor Fiscal notificante junta o "Demonstrativo das Remunerações e Descontos dos Segurados", que discrimina mensalmente os valores da remuneração total e da remuneração declarada em GFIP dos respectivos segurados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde aborda, em síntese, os seguintes pontos: • Compensação; • Multa; • SELIC; • Imprecisão e divergência nos levantamento; • Representação Fiscal para Fins Penais. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 487 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. COMPENSAÇÃO Esse é o cerne da questão. O não recolhimento ou a recolhimento a menor das contribuições previdenciárias, originouse de compensações realizadas pelo Sujeito Passivo com direitos creditórios adquirido da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda, CNPJ no 42.361.972/000151. Tal crédito foi adquirido por meio da Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Serviço Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito de São João Novo, no município de São Roque (SP). A recorrente afirma que tudo está regular, tanto a aquisição do direito creditório quanto a compensação. Consta do Relatório Fiscal que efetivamente a empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda logrou êxito na ação ordinária n.° 94.00493690, que tramitou perante a 24ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, no que diz respeito ao valores indevidamente recolhidos ao INSS, na sistemática da Lei 7.787/89 e da Lei 8,212/91. Registro que existiam condições restritivas à livre negociação dos direitos creditórios. 6.1. A Servport ingressou com Ação Ordinária junto à 24' Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, sob o n° 94.00493690, com o objetivo de declarar nula a exigência da contribuição previdenciária sobre a remuneração de administradores, autônomos e avulsos instituída pela Lei n°7.787/1989, em seu art. 3°, e mantida pela Lei n°8.212/1991, em seu art. 22, inciso!. Este Processo transitou em julgado em 01/04/2002, e possui decisão proferida pelo M.M. Juiz Federal Washington Juarez de Brito Filho, em 12104/2004, com o seguinte conteúdo, in verbis: "De todo o exposto, DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os Fl. 496DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 direitos crediticios expressos no acórdão de fls. 4815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidos aos autos, dispensandolhe de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios, assim como a existência e liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação, assim considerados aqueles cuja data de vencimento seja posterior à de prolação do referido acórdão, não havendo que se respeitarem os direitos de terceiros sub judice mencionados na findamentação." (grifo nosso) Como a decisão acima remete ao Novo Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), reproduzimos os dois artigos citados: Art 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. (grifamos) Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. Transcrevemos, a seguir, mais um trecho da decisão proferida em 12/04/2004, acima citada: "[...] Não é necessária a liquidação do julgado em sede judicial, uma vez que demandaria apenas cálculos, que poderiam ser trazidos junto à peça inicial da execução. Em havendo a opção pela esfera administrativa, caberá à autoridade fiscal realizálos, ratificando a compensação efetivada pelo cessionário, ou, caso contrário, lançando de oficio a diferença a maior de imposto apurado." (grifo nosso) Também consta a cessão e transferência dos direitos creditórios entre as duas empresas. Ocorre que o acórdão recorrido é claro em demonstrar que o Direito Creditório adquirido pela recorrente não existe e isso põe por terra a tese da recorrente. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 488 7 14. Depreendese, então, que cedente e cessionária não atentaram que a decisão proferida na ação ordinária n.° 94.00493690 enumera várias condições para que a compensação pretendida pela defendente com os créditos negociados com a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA fosse realizada. A decisão remete ao disposto no art. 286, do Novo Código Civil, segundo o qual a cessão de crédito é possível, se a isto não se opuser a natureza do crédito e a lei ou a convenção com o devedor. Determina também que Autoridade Fiscal confira a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios para a apuração efetiva do quantum a ser compensado. 15. Toda a sistemática dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, da compensação e restituição de valores indevidos ou recolhidos a maior, foi disciplinada na Lei n° 8.212/91 e na Instrução Nomiativa/SRP n° 03, de 14/07/2005, vigente à época do lançamento, de forma a possibilitar à Administração Pública, a fiscalização do cumprimento da obrigação pelos contribuintes e controle da arrecadação. Como a compensação é feita automaticamente pela empresa, sem prévia autorização, sempre será conferida pela auditoria fiscal para compulsar sua legalidade e correção dos valores compensados. 16. Como e sabido, somente é permitida a compensação se o contribuinte estiver em situação regular junto à Previdência Social, de acordo com o art. 193,11 e III da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n° 03, de 14/07/2005, que transcrevo: ... 17. Utilizando os sistemas informatizados desta Instituição, realizei consultas aos resultados da ação fiscal n° 09151936 procedida na empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA pela Delegacia da Receita Previdenciária — Rio de JaneiroNorte. Os relatórios da fiscalização revelam que desde 03/2000 a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARIT1MOS LTDA já não possuía saldo credor que lhe autorizasse qualquer compensação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 49/56) consta também contra àquela empresa o processo de execução administrativa de n° 37367.000855/200423, que visou cobrar os valores oriundos da ação fiscal que apurou a insuficiência de créditos para compensação. Para este processo, a SERVPORT alega que impetrou recurso ao CRPS (fls. 328/333). 18. Há no Juizo Estadual do Rio de Janeiro discussão acerca da regularidade do quadro social da empresa SERVPORT, processo n° 2005.001.1207104, Quarta Vara Empresarial da Capital, que determinou: "Oficiese ao INSS, em razão disso, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 para que suspenda as operações compensatórias que envolvam a sociedade SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA." 19. Em consulta ao EXTRATO DO DEVEDOR do sistema DIVIDA ATIVA, verifiquei que constam inscritos na Procuradoria contra a empresa SERVPORT inúmeros débitos, tais como Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, Lançamento de Débito Confessado — LDC, Auto de Infração — AI e Confissão de Divida Fiscal — CDF, todos ajuizados na Justiça Federal (fase 535). 20. Isto posto, verificase então que não havia saldo a compensar na data da celebração do contrato de cessão de crédito, que autorizasse a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA efetuar tal cessão. Por conseqüência a empresa cessionária não dispunha de saldo a compensar que lhe autorizasse a efetuar compensações nas competências 11/2006 a 01/2007. 21. E ainda que fosse liquido e certo o crédito da SERVPORT, para se compensar ou para livremente negociar tais valores, obrigatoriamente, deve apresentar situação regular no que respeita às contribuições objeto de NFLD, AI, LDC, CDF, lavradas em seu desfavor, fato que não se verifica já que esses débitos encontramse ajuizados na Justiça Federal, afrontando, assim, o art. 193, II e III da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n°03/2005. 22. Por todo o exposto, a Autoridade Fiscal logrou êxito em comprovar a inexistência de créditos a serem transferidos, o que encerraria a discussão, sendo este o motivo para demonstrar a procedência do lançamento. Por fim, registro que o CTN estabelece que salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 489 9 “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. IMPRECISÃO E DIVERGÊNCIA NOS LEVANTAMENTO A afirmação de imprecisões e divergências nos levantamentos é genérica. Entendo que a falta de especificação por parte da recorrente impede a análise desse ponto. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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