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Numero do processo: 13984.000894/2002-23
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, podendo o sujeito passivo excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR relacionado a fatos geradores subseqüentes ao registro público.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.414
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que davam provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, podendo o sujeito passivo excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR relacionado a fatos geradores subseqüentes ao registro público. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T18:51:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T18:51:38Z; Last-Modified: 2010-11-18T18:51:39Z; dcterms:modified: 2010-11-18T18:51:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d0887d94-3ac0-41df-815e-636b09e4f8bd; Last-Save-Date: 2010-11-18T18:51:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T18:51:39Z; meta:save-date: 2010-11-18T18:51:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T18:51:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T18:51:38Z; created: 2010-11-18T18:51:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-11-18T18:51:38Z; pdf:charsPerPage: 1198; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T18:51:38Z | Conteúdo => C4.I0 MARCO JOSÉ RA NDIDO - Presidente TOSTA SANTOS - Relator FORMALIZADO EM: 2 SE 2010 S2-C1T1 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13984.000894/2002-23 Recurso n" 3.33.411 Voluntário Acórdão n° 2101-00.414 — 1" Câmara / 111 Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2010 Matéria 1TR Recorrente FLORESTAL BATTISTELLA S/A - FLOBASA Recorrida ia TURMA/DIU-CAMPO GRANDE/MS Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, podendo o sujeito passivo excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR relacionado a fatos geradores subseqüentes ao registro público. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que davam provimento ao recurso. 1/ Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Silva e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 5361, proferido pela l a Turma da DRJ Campo Grande (fls. 51/54), em 11/03/2005, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração às fls. 20/28, por meio do qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto Territorial Rural — ITR do Exercício 1998, acrescido de juros moratórias e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de RS 1L157,28, relativo ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob if L981.093-8, localizado no município de Bom Retiro- SC. Na descrição dos fatos (fls. 27/28) consta que foi apurada a falta de recolhimento do 1TR decorrente da glosa total das áreas originalmente informadas como de utilização limitada (reserva legal), 384,0 ha, em virtude de não haver sido providenciada a averbação anterior junto à Matrícula do Imóvel. Em conseqüência, as áreas foram consideradas tributáveis, modificando a base de cálculo e o valor devido do tributo. Intimada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 32/34, em que aduz, em síntese, que a averbação não é determinante para o reconhecimento da isenção, Afirma que mantém a área de reserva legal, atendendo o disposto no Código Florestal. Anexa, à f, 35, solicitação de averbação da área, assinada em agosto de 2002, endereçada à Fundação do Meio Ambiente (FATMA), em Lages/SC. O recurso voluntário de fls. 58/75 repisa as mesmas questões declinadas perante o órgão julgador de primeiro grau. Submetidos os autos a julgamento na Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, os membros do colegiado decidiram por converter o julgamento em diligência, para manifestação do IBAMA sobre a real situação da reserva legal do imóvel. Após as providências adotadas, vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3 0, III, É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A matéria em litígio neste processo foi objeto de intenso debate na 2 Tun-na da CSRF, sendo pacificado o entendimento de que a área do imóvel rural destinada à reserva legal deve ser averbada no registro imobiliário antes da ocorrência do fato gerador do ITR do + 2 Processo n° 13984.000894/2002-23 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.414 Fl. 2 exercício de 1998. No caso em exame, conforme manifestação do IBAMA à fl. 171, corroborado pelos documentos às fis. 172/174, a averbação somente ocorreu em 13/12/2002. Adoto, portanto, os fundamentos declinados pelo i. Conselheiro Caio Marcos Cândido, no voto condutor do Acórdão n° 9202-00.006, sessão de 17/08/2009, que adoto como razões de decidir: Em relação à obrigatoriedade, para fins de não incidência do 1TR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei if 4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei if 7803, de 1989. A 3" Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do 1TR, poderia dar-se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR, ÁREA DE RESERVA LEGAL - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data da fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do 1TR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso 11 do § 1' do art. 10 da lei if 9393/1996, supra transcrito. Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2' do art. 16 da lei n" 4 771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: áç 2"A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do inióvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser exchdda da 3 área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (, ) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel.. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve.. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2" do art. 16 da lei n°4. 771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n0 9393, de 1996 e do § 20 do art. 16 da lei n° 4371, de 1965, com redação incluída pelo art. 1' da lei n" 7,803, de 1989 Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei IV 9393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do 1TR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória, 2" A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela 4 Processo n° 13984.000894/2002-23 S2-C1T1 Acórdão n ° 2101-00414 Fl. 3 previstas no interesse da arrecadação ou da .fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada„ Tendo em vista que a ausência de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador, tais área deverão compor a base de cálculo para tributação do ITR. Por fim, sem razão o Recorrente no tocante à multa de oficio de 75% , que encontra suporte no artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Art. 44.. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nas casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Desta feita, na esteira da jurisprudência uníssona do CARF, materializada na Súmula n.° 2, não compete a este Conselho pronunciar-se acerca da inconstitucionalidade de leis. Isto porque, tendo tais normas obedecido o trâmite previsto na Lei Maior para ingressar no ordenamento jurídico, tornam-se cogentes, sendo prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, julgar a relação de pertinencialidade das normas com o ordenamento. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Seüssei s - em 02 de fevereiro de 2010 7 JOSÉ RAIM D r OSTA SANTOSJOSÉ RAIIIDSiOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.002093/88-33
Data da sessão: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: CSRF/01-00.060
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos propostos pelo Relator.
Nome do relator: Lourierdes Fiuza dos Santos
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Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: JOSE EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, JOÃO DIAS NETO, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, MARCIO MACHADO CALDEIRA, CARLOS WALBERTO CHA- VES ROSAS, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS, BENEDICTO ONOFRE EVANGE- LISTA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente justificadamente os Conselheiros AQUILES RODRIGUES DE OLIVEIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MA CEIRA. DAMEFP/DF- SEC,01_ - ir4/90 Processo ne 10945/002.093/88-33 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Recurso n2 106-0.142 Resolução n 2 CSRF/01-0.060 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Recorrida: Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Sujeito passivo: ANTONIO CARLOS DA ROCHA DUARTE CPF n2 338.369.907-25 RELATÓRIO Com as razes de recurso expostas a fls. 75a 78, a FAZENDA NACIONAL, por seu representante junto ã C. Sexta Cama- ra do Primeiro Conselho de Contribuintes, dirige-se ã. Câmara Su- perior de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão con substanciada no AcOrdão n2 106-2.279, de 14.09.89, e sintetizada na seguinte ementa: "IRPF - CÉDULA 'C' - DIÁRIAS DE VIAGEM - Tendo constado destacadamente do comprovante de rendi- mentos pagos emitido pela fonte pagadora e devi- damente justificada a efetividade das despesas de viagem, deve ser restabelecida a dedução cedu- lar. Recurso provido." 2. Trata-se de glosa de deduçaes da cedula "C", nas declaragaes de rendimentos dos exercícios de 1986 e 1987, pleite adas como indenização de gastos de viagem e instalação (ajudas de custo, di'arias etc.). A autoridade administrativa, conside- rando que o contribuinte não trouxera aos autos qualquer compro- vante das despesas alegadamente efetuadas e fundamentando-se no contido nos artigos 42 e 43 do regulamento do imposto (RIR/80), manteve a tributação. Dessa forma não acolheu como comprovação válida os documentos acostados a fls. 30 a 43, que consistem em demonstrativos da diárias recebidas da empresa ITAIPU NACIONAL e formulários para "prestação de contas de despesas de viagem". 3. A Câmara recorrida, como visto na ementa do acOr dão, entendeu que, embora não comprovada a realização da despesa, a efetividade das viagens, evidenciada pelas prestagaes de con- tas ã empregadora, ensejava que fossem justificadas nos termos do artigo 43 do RIR/80. Em declaração de voto, o ConselheiroOSI RIS DE AZEVEDO LOPES FILHO, um dos vencidos, votou pelo provimen to parcial no sentido de aceitar, como dedução, o valor de Cz$.. 50.658,98, referente a viagem feita para a Alemanha. Processo n 2 10945/002.093/88-33 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Resolugão n 2 CSRF/01-0.060 4. Invocando precedente do Primeiro Conselho de Con tribuintes, o D. Representante da FAZENDA NACIONAL op -Os-se fron- talmente decisão colegiada, visto que na decisão em causa, a C. Segunda Câmara (Ac. 102-19.721/83) afirmou que "Todas as deduções cedulares pleiteadas pelo con- tribuinte sujeitam-se a comprovação ou justifica gão, a juizo da Autoridade Lançadora, inclusive os gastos com viagens indenizadas mediante diã- rias e ajudas de custos." 5. A seguir, transcreveu o voto vencido que adotou como razões de recurso. 6. Manifestando-se em contra-razões, a fls. 85 a 87, o sujeito passivo reeditou suas alegações de defesa no sentido de que "o Manual de Imposto de Renda Pessoa Física vem INDUZINDO,a- no apOs ano, o contribuinte a DEDUZIR AS DESPESAS com viagens a serviço, sem necessidade de comprovação, desde que as tenha in- cluido como rendimento na cedula 'C' e constem destacadamente do documento fornecido pela fonte pagadora. Argumenta, ainda, com a atual impossiblidade de recomposição e comprovação das despe- sas apôs passados tantos anos (os anos-base sio 1985 e 1986 e a notificação de lançamento e de 1988). E o relatOrio. Processo n 2 10945/002.093/88-33 3. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Resolução n 2 CSRF/01-0.060 VOTO Conselheiro LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS, relator. Atendidas as condigaes de admissibilidade previs tas no Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, tomo conhecimento do apelo. No mérito. 2. No voto condutor da decisão recorrida, o ilustre relator expendeu as seguintes considerações: "Sobre a matéria, determina o art. 43 do RIR/80 que todas as deduções estarão sujeitas a com- provagão ou justificação a juizo da autoridade lançadora. A autoridade lançadora, no presente caso, examinou com excessivo rigor as razões do contribuinte, considerando que a comprova- ção foi efetivamente efetuada pelo contribuin te perante a empresa que pagou as diárias (fl. 30 a 43). A norma regulamentar vigente e apli- cável a matéria permite que a autoridade lança dora, alem da simples comprovação, aceite, tail bem, a justificação. Os esclarecimentos pres- tados, juntamente com os documentos apresenta- dos, ensejam a adoção de tal decisão, jã que as diárias foram destacadas nos comprovantes de rendimentos pagos (fls. 31 e 37), bem como nas de prestação de contas (fls. 32/35) e 38/ 43). 3. Do voto vencido, extraio: "A regra geral está mencionada no art. 43 do RIR, quando estabelece que 'todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificagão, a juilzo da autoridade lançadora", com exceção das hipóteses que relaciona. Vale dizer, pode, nos casos abrangidos pela regra geral, haver a prova cabal das despesas realizadas, ou,em não as havendo, aceitarem-se os motivos justifica- dores. 4. No caso ora sob exame, o contribuinte não apre- sentou, quando solicitado, a documentação que comprovasse a 4efe ,----. Processo n 2 10945/002.093/88-33 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Resolução n 2 CSRF/01-0.060 efetiva realização das despesas deduzidas. Ao impugnar a exigen cia perante a autoridade administrativa, disse, textualmente: "0 informe de rendimentos e a prestação de contas, documentos I e II, emitidos pela fonte pagadora, ITAIPU BINACIONAL, comprovam que os referidos va lores correspondem, exclusivamente, aidi;irias de viagens a serviço da ITAIPU'. Referidas despesas são sem dilvida dedutiveis,sem necessidade de comprovação, conforme ORIENTA00 do manual IRPF, página 8, que ensina textualmen te. Fica claro, portanto, que as condições estabele- cidas no manual, para os casos em que tais gas- tos são custeados pelo empregador, quais sejam, a inclusão do valor como rendimento na cedula 'C' e o seu destaque no documento emitido pela fonte pagadora, foram (estão) plenamente atendi- das." 5. 0 Conselheiro vencido, ao apreciar a argumenta- ção de defesa, disse que ela seria ponderável, se não houvesse ocorrido equivoco por parte do contribuinte. E acrescenta que o manual ao descrever o procedimento necessrio à "fruição da dedu cão em exame, não dispensa o contribuinte da obrigatoriedade de comprovar as despesas realizadas. A conclusão a que chegou o con tribuinte deveu-se e interpretação inadequada do texto." 6. No tocante à atenuação preconizada no voto venci do, transcrevo as razões apresentadas: entretanto, apenas um ponto em que ocorreu, por parte da autoridade lançadora e da julgadora, um rigor que me parece em demasia, ao não acei- tar a justificação. Trata-seda justificativa apresentada com relação es diárias referentes a uma viagem de serviço e Alemanha, havendo, inclusive, nos autos, cOpia da resolução da diretoria executiva, autorizando a sua realização (fls. 62 a 63), efetuada no ano -base de 1986." 07. Pelo exame do conteGdo dos presentes autos, con- cluo que 0 contribuinte nada comprovou em relação, não a e e - e. Pnxmssons! 10945/002.093/88-33 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Resolução n 2 CSRF/01-0.060 realização das viagens, mas á realização das despesas. A diver- gência instalada entre os membros da Câmara recorrida diz respei- to .6 possibilidade de as mesmas serem justificadas. 8. Entretanto, antes de prosseguir no exame do meri- to, parece-me haver necessidade de que sejam obtidos esclarecimen tos quanto ao alcance do recurso. Esse inicia-se com a seguinte proposição: "A decisão de primeira instancia merece ser manti- da por seus prOprios fundamentos.". 9. Dessa forma, a recorrente evidencia pretender o restabelecimento da decisão de primeiro grau, em toda a sua inte- gridade. Ocorre, porem, que, ao final do apelo, apOs a transcri gão do inteiro teor do voto do Conselheiro OSIRIS DE AZEVEDO LO- PES FILHO, pronunciou-se assim: "Isto posto, adotando como razes de recursoos fun damentos antes transcritos, espera a Fazenda NacT onal que esta Egregia Camara Superior conheça do recurso para,provendo-o, reformar a decisão recor rida." 10. 0 voto do Conselheiro OSIRIS não concluiu pela re forma total da decisão de primeiro grau, mas pelo provimento par- cial do recurso voluntário. No sentido da rejeição integral, foi o voto do Conselheiro MARIO ALBERTINO NUNES. Tendo em vista a contradição que se insinua en- tre as proposigOes inicial e final enunciadas no recurso, voto pela conversão do julgamento em diligencia a fim de que, junto "à representação da recorrente na Câmara de origem, seja esclareci- da a diivida. Brasiilia, DF, em 28 de j de 1991 LOURIERDES \FID'ZA DOS SA ÇT OS - RELATOR
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000411/99-00
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O recurso extraordinário visa a uniformização da jurisprudência entre as Turmas da CSRF. Sendo os fatos distintos nos arestos postos em confronto, não há divergência de interpretação da legislação a ser solucionada. No recorrido o pedido restituição foi feito dentro de cinco anos a contai do ato que reconheceu indevido o tributo (FINSOCIAL) (MP 1.110 publicada em 31.08.95), já no paradigma o pedido foi feito depois do ato que reconheceu indevido o tributo (PIS) (Resolução 49 do Senado Federal publicada em 10.10.95)..
Há entre os acórdãos CSRF703-05.4S0 (combatido) e CSRF/02-02.088 (paradigma), convergência, pelo fato do voto condutor ter citado a tese de cinco anos a contar do evento que considerou o tributo indevido e não tê-la contraditado; ao contrário, a referendou, explicando que mesmo considerando como termo inicial a data publicação da Resolução n° 49 do Senado Federal, o pedido de restituição era perempto.
Recurso Extraordinário Não Conhecido
Numero da decisão: 9900-000.145
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não conhecer do recurso extraordinário, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo de Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Moraes, que conheciam e enfrentavam o mérito.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valmir Sandri
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Numero do processo: 11634.000185/2009-69
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007
CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VIA POSTAL.
É valida a ciência postal do lançamento tributário, uma vez que, conforme disposto no § 3° o art. 23 do Decreto n° 70.235, os meios de intimação previstos nos incisos do seu caput não estão sujeitos à ordem de preferência.
COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO.
É atribuição do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito Tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração, sendo válido o procedimento ainda que realizado por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RFB - Consoante decisão do STF em 24/02/2016, a Lei Complementar 105/2001, que permite à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros.
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO INDEVIDO DE CRÉDITOS. GLOSA.
Provado pelo Fisco que as empresas emitentes das notas fiscais que deram azo ao creditamento não existiam de fato, por óbvio devem os créditos serem glosados.
MULTA DE OFÍCIO - NATUREZA CONFISCATÓRIA
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os arts. 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada, nos termos do art. 44, § 1°, da lei nº 9.430/96.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VIA POSTAL. É valida a ciência postal do lançamento tributário, uma vez que, conforme disposto no § 3° o art. 23 do Decreto n° 70.235, os meios de intimação previstos nos incisos do seu caput não estão sujeitos à ordem de preferência. COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito Tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração, sendo válido o procedimento ainda que realizado por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RFB - Consoante decisão do STF em 24/02/2016, a Lei Complementar 105/2001, que permite à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO INDEVIDO DE CRÉDITOS. GLOSA. Provado pelo Fisco que as empresas emitentes das notas fiscais que deram azo ao creditamento não existiam de fato, por óbvio devem os créditos serem glosados. MULTA DE OFÍCIO - NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os arts. 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada, nos termos do art. 44, § 1°, da lei nº 9.430/96. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.300 1 2.299 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000185/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.675 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS Recorrente SOMOPAR SOCIEDADE MOVELEIRA PARANAENSE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VIA POSTAL. É valida a ciência postal do lançamento tributário, uma vez que, conforme disposto no § 3° o art. 23 do Decreto n° 70.235, os meios de intimação previstos nos incisos do seu caput não estão sujeitos à ordem de preferência. COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito Tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração, sendo válido o procedimento ainda que realizado por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RFB Consoante decisão do STF em 24/02/2016, a Lei Complementar 105/2001, que permite à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO INDEVIDO DE CRÉDITOS. GLOSA. Provado pelo Fisco que as empresas emitentes das notas fiscais que deram azo ao creditamento não existiam de fato, por óbvio devem os créditos serem glosados. MULTA DE OFÍCIO NATUREZA CONFISCATÓRIA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 85 /2 00 9- 69 Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.301 2 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os arts. 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada, nos termos do art. 44, § 1°, da lei nº 9.430/96. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 2078/2087, que exige o recolhimento de R$ 478.659,21 a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e R$ 717.988,74 de multa de ofício (de 150%), nos termos da fundamentação legal listada à fl. 2083, além dos encargos legais. A autuação ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição devida a título de PIS (conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal — TVF, de fls. 2064/2090). Segundo o TVF, os valores informados como receita nas DIPJ de 2004 a 2007 não coincidem com os informados na GIA/ICMS, sendo incompatíveis com a Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.302 3 movimentação financeira apurada. No TVF consta, ainda, que foram apuradas inconsistências no preenchimento do Dacon e que inúmeras notas fiscais, tidas como eivadas de falsidade, foram glosadas, resultando em aproveitamento indevido de créditos. Quanto às aquisições representadas pelas notas fiscais, consta que a contribuinte, intimada a comprovar os respectivos pagamentos, limitouse a afirmar que estes teriam sido feitos em espécie (a planilha de fls. 2067/2068 indica as aquisições desconsideradas no procedimento). Noutro subitem, há a informação de que teria havido aproveitamento indevido de créditos por parte da contribuinte quando da indicação das "outras operações" na linha 13 da ficha 06 A do Dacon, implicando, com isso, a reconstituição da apuração das bases de cálculo do PIS nos anoscalendário analisados (a planilha de fls. 2074/2075 indica os valores a pagar remanescentes após a reconstituição). À fl. 2075, consta que houve a aplicação da multa de 150% em virtude da apuração da prática dos atos previstos nos art. 71 e 72 da Lei no 4.502, de 1964. Impugnado o lançamento (fls. 2106/2161), a DRJ/CTA, em 10/03/2010, julgou improcedente a impugnação (fls. 2195/2220). Não resignada com a r. decisão, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 2234/2285), no qual, em suma, alega: que a decisão do lançamento destes autos depende do julgamento do processo 11634.000182/200925, que, à época, se encontraria aguardando julgamento; que o domicílio fiscal é o da sede da matriz, em São Paulo, e que somente a fiscalização que a jurisdiciona poderia efetuar o lançamento, pelo que seria nulo o lançamento "elaborado por auditores da cidade de Londrina/PR"; que as declarações retificadoras foram entregues após 60 dias de inércia da fiscalização, o que deu direito à espontaneidade, pelo que, entende, deveria ser determinada a exclusão das penalidades, e na "falta de lançamento fiscal, descabe aplicação de multa 75% e 150%". Acresce que por tal deveria ser anulado o lançamento; que o lançamento é nulo porque houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; quanto à glosa dos créditos de produtos adquiridos de empresas consideradas inidôneas e que não foi comprovada a aquisição das mercadorias, pugna pela sua boafé, uma vez não comprovado o "consilium fraudis" nas operações comerciais levadas a efeito pela recorrente". Acresce que a glosa só poderia ter sido levada a efeito se houvesse ato administrativo declaratório da inidoneidade das empresa supostamente fornecedoras, Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira, o que não teria acontecido à época do lançamento; alega que o auditor, a pretexto de suposta irregularidade praticada por empresas fornecedoras não pode transferir a recorrente a responsabilidade por tal fato, "ao menos que comprove fraude, que não pode ser presumida", alegando que "ficou amplamente provado que a operação foi efetivamente realizada sendo observado (sic) toda a legislação tributária e comercial, não havendo nenhuma razão plausível para que se possa impedir o direito ao crédito da recorrente...". Repisa o argumento de impugnação de que as operações comerciais existiram e todos pagamento foram feito em dinheiro através de seu caixa, sendo que as empresa encontravamse ativas junto à RFB na data do negócio jurídico realizado entre as partes e que não há qualquer proibição que o pagamento seja feito nessas condições Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.303 4 na sequência alega que "é nula a intimação por via postal", pois a seu juízo tal meio de ciência "somente pode ser feita quando a parte se recusar a receber a intimação"; ao serem feita diligências "sem que as torne públicas ou sem que informe a recorrente o auditor impede que ela possa ser acompanhada e contraditada". Aduz que não teve acesso ao teor das diligência no curso do procedimento fiscal; é confiscatória a multa no patamar de 150%; a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios é ilegal e inconstitucional; por fim, quanto às glosas de "outros créditos", em síntese, assentou que faltou à fiscalização verificar as notas para poder glosálas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Emerge do relatado que o lançamento em voga resultou em cobrança de PIS tendo em vista as glosas dos créditos de mercadorias adquiridas das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. (CNPJ 06.140.046/000192) e Pedro Carmo Madeira (CNPJ 07.839.999/000169), em face do entendimento da fiscalização que essas empresas não existem e não existiram de fato, e glosa de créditos indevidos, constantes da linha 13 da Ficha 16A ( Outras Operações com Direito a Crédito) da DACON. Tais despesas referemse a material de consumo, consumo de água (SANEPAR), equipamento de segurança, comissão s/vendas, serasa, Alg. Sistema, despesas diversas de produção e vale transporte, de acordo com o informado pela empresa no demonstrativo de fl. 2059. I PRELIMINARES A peça recursal é prolixa sobre as preliminares. Passo a analisálas. Primeiramente rechaço a preliminar postulando que o presente processo seja apensado ao processo 11634.000182/200925, pois ele se refere a lançamento de IRPJ sobre omissão de receita, restando explicitado na peça fiscal (item "g" do TVF) que as diferenças de Cofins serão cobradas em processo reflexo ao de IRPJ em relação aos anoscalendários 2004 e 2005, em razão de nestes períodos o contribuinte ter optado pela tributação sobre o lucro presumido. Contudo, nos períodos objeto destes autos (2006 e 2007), não houve tributação reflexa uma vez a tributação darse com base no lucro real, sendo que "as contribuições ao PIS e COFINS não cumulativos serão reconstituídos observando a correta base de cálculo", explicita o Fisco. Portanto, não trata a presente exação de tributação reflexa, pelo que afasto o pleito para que o presente processo seja apensado aquele. Da mesma forma, espancase o pedido de nulidade do lançamento por ter sido efetuado por auditores de Londrina/PR, uma vez sua sede ser São Paulo, o que a faz Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.304 5 pugnar que somente auditores com lotação nessa cidade teriam competência para lavratura do auto de infração. A competência para constituição do crédito tributário foi conferida aos AFRFB nos termos do art. 6º da Lei 10.953/2002. Vejase: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; C.) executar procedimentos de fiscalização praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art 1.193 do mesmo diploma legal; (...)" O Decreto n° 70.235, de 1972, em seus arts. 7º e 9º, também dá amparo ao procedimento fiscal consubstanciado no presente processo, nos seguintes termos: Art. 7°. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de oficio, escrito. praticado por servidor competente,cientificado o si jeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os e efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias prorrogável, sucessivamente por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (...) Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.305 6 distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7°, serão válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A, formalização da exigência nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Portanto, o procedimento fiscal é válido mesmo quando formalizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme dispõe o § 2° do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Consequentemente, não há vício desse naipe na exação em tela. Igualmente descabida a alegação de nulidade do lançamento por ter transcorrido mais de 60 dias entre um ato e outro da fiscalização. O esgotamento do prazo previsto no § 2° do art. 7° do Decreto 70.235, de 1972, não acarreta a nulidade do auto de infração. Apenas proporciona ao sujeito passivo a condição de ter restabelecida a espontaneidade que lhe dá o direito de liquidar o crédito tributário sem o acréscimo da multa de ofício. As DCTF retificadoras em nada atingem o lançamento, eis que, como informa o Fisco no item "b" do TVF, "as DCTF relativas aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 foram retificadas no dia 13/09/2009, nas quais os pequenos débitos anteriormente declarados, foram zerados" (fl. 2067). Não há que se falar em espontaneidade se os valores declarados estão desacompanhados de pagamento. Mais uma alegação de caráter notadamente procrastinatório. Igualmente, deve ser afastada a questão acerca da indevida quebra do sigilo fiscal, pois esta foi feita dentro dos estritos termos da LC 105/2001 e normas que a regulam. A esse respeito, em recente decisão plenária de 24/02/2016, quando do julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da LC 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, o Supremo Tribunal Federal, por ampla maioria (9 x 2), fez prevalecer o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não havendo ofensa à Constituição Federal. No que diz respeito à alegação de nulidade em decorrência da ciência do lançamento fiscal ter sida veiculada por via postal sem antes ter sido feita pela via pessoal, mais um argumento vazio, pois está explícito na lei que não existe preferência entre elas. O art. 23 do Decreto 70.235, de 1972, com as alterações da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, não deixa margem a qualquer dúvida. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.306 7 I pessoal pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou, fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, tona declaração escrita de quem o intimar; II por via postal. telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio Tributário eleito pelo sujeito passivo, III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. ... § 3° Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Portanto, a ciência do lançamento pode ser feita por via postal ou pessoal sem ordem de preferência entre uma e outra forma. Em resumo, rechaço todas as preliminares pugnadas. II MÉRITO GLOSA DE CRÉDITOS COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA O maior montante de glosa de créditos referese a produtos (madeira) comprovados com a documentação inidônea, listadas às fls. 1267/1309 e cujas cópias de cada nota fiscal estão anexada na sequência (fls. 1310/1876), emitida em nome das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. (CNPJ n° 06.140.046/000192) e Pedro do Carmo Madeira (CNPJ n° 07.839.099/000169). No Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, item III (Aproveitamento indevido de créditos em virtude de utilização de notas fiscais inidôneas "frias" fls. 2070 e segs.), a fiscalização assim descreveu os indícios de irregularidades e verificações efetuadas junto aos supostos emitentes dos documentos inidôneos: 2) DOCUMENTOS FISCAIS Vários detalhes, relativos às notas fiscais emitidas pelas empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira, despertaram suspeitas na fiscalização de que se tratavam de notas fiscais inidôneas, quais sejam: 1. Praticamente toda a seqüência de notas fiscais (aproximadamente 850 no período) emitidas pelas empresas Construmotta (iniciandose com a NF n° 01) e Pedro do Carmo o foram para as filiais da empresa fiscalizada, o que configura situação muito difícil de ocorrer. Aquelas empresas teriam como cliente apenas a empresa Somopar? Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.307 8 2. Estranhamente a última nota fiscal escriturada de aquisição da empresa Construmotta foi a de n° 1608 (fls. 1550), filial 02.234.1571/000298, em 30.01.2006 e em 01.02.2006 foi escriturada a nota fiscal n° 1609 (fls 1551) da empresa Pedro do Carmo da filial 02.234.1571/000379; 3. Considerando que a empresa Pedro do Carmo Madeira foi aberta em 14.02.2006, conforme cadastro de fls. 1920 e 1923, como é que poderia ter emitido nota fiscal em 01.02.2006 e com aquela numeração, 1609? 4. Ainda, considerando que são empresas distintas, quadro societário diferente, apesar do mesmo endereço, desperta atenção as informações adicionais idênticas, impressas nas notas fiscais, inclusive com o mesmo erro de português a respeito das mercadorias/produtos que seriam vendidos pelas empresas, (...). 5. Algumas notas fiscais da empresa Pedro do Carmo Madeira, de numeração bem inferior, foram emitidas vários meses após a emissão de notas fiscais com numeração bem superior: à guisa de exemplo, e para ilustrar a situação, a NF 1646 (fls. 1313) foi emitida em 04.04.2006 e as NF 149, 441, 442, 729, 753, 755, 756 e 801 (fls. 1794/1803) foram emitidas em março de 2007. 6. O produto (madeira) e a quantidade vendidos (conforme pode ser verificado nas notas fiscais) indicam que seria necessário fazer o transporte em veículos de grande porte (carretas), no entanto conforme indicado nas notas fiscais o transporte foi feito pelo próprio emitente, que não possui veículos (aliás, como ficou constatado, nem as empresas existem) e não foi feita indicação naqueles documentos de quem teria transportado as cargas; 7. As informações constantes das notas fiscais, relativas às autorizações de impressão de documentos fiscais AIDF, da empresa Pedro do Carmo Madeira, indicam pedidos feitos em 2004 e 2005, no entanto, conforme cadastros da.Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná e também da Receita Federal (fls. 1920 e 1923) referida empresa só foi constituída em 2006; 8. Finalmente, e para se ter uma idéia do grau de irregularidade existente naquela documentação, até notas fiscais frias paralelas' foram encontradas dentre os documentos apresentados pela empresa fiscalizada, conforme cópias de fls. 1859/1864. Em razão das anormalidades acima, as notas fiscais foram apreendidas, conforme termo de fls. ..., cujas cópias estão anexadas às fls.... e feitas varias diligências, nas quais, conforme os elementos relacionados a seguir, concluiuse de forma inequívoca que as referidas empresas e, por conseguinte, os documentos fiscais que teriam sido por elas emitidos são inidôneos. 3)DILIGÊNCIAS FISCAIS Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.308 9 CONSTRUMOTTA CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA: a) A empresa teria iniciado suas atividades em 08.03.2004, na Rua Dom Aquino, 16 (esquina com a Avenida Harry Prochet), Recanto Colonial, Londrina, Paraná, e sua atividade econômica CNAE, foi registrada como construção de rodovias e ferrovias, conforme cópia de cadastro da RFB e da Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná fls. 1865/1870; b) Referido endereço é ocupado atualmente pela empresa Ciclo Real Comércio de Madeiras Ltda ME (coincidentemente também atuante no ramo de madeiras), nome de fantasia Desmanchão da Construção, cuja sede situase à Avenida Ilarry Prochet, 280, Jardim lgapó, Londrina, próxima à Rua Dom Aquino (cópia de cadastro da RFB fl.1871); c) Em diligência efetuada no local, confirmouse que o terreno da Rua Dom Aquino, n° 16, é ocupado com restos de materiais de demolição, inclusive madeira, conforme demonstram as fotos de fls. 1886/1888; d) Confirmouse também (e isto pode ser verificado nas fotografias do local) que naquele local não existem vestígios de ter havido algum tipo de edificação em que pudesse funcionar alguma instalação comercial de grande porte, que seriam das empresas Construmotta a Pedro do Carmo Madeira; e) Na mesma diligência foi coletado depoimento da Sra. Eliane Silva de Lima, titular de floricultura instalada na Rua Dom Aquino, 15, desde 2005, (fls. 1877/1880), vizinha portanto do n° 16 que afirmou nunca ter funcionado estabelecimento comercial na Rua Dom Aquino, 16. Quando da instalação da floricultura os terrenos (n° 15 e 16) eram baldios e a limpeza e terraplanagem foi feita pelos responsáveis da floricultura; f) A empresa Ciclo Real Comércio de Madeiras Lida ME, cujo nome de fantasia é Desmanchão da Construção, também foi intimada (na pessoa de seu responsável Vicente Taveira de Souza fls. 1872, 1881/1883) a prestar diversas informações que ajudassem a confirmar, ou não, a real existência daquelas empresas, e mesmo reintimada não atendeu às intimações; g) Foi verificado no sítio da Secretaria de Estado da Fazenda SEFA Paraná, na rede mundial de computadores, que as autorizações para impressão de documentos fiscais AIDF, constantes das notas fiscais utilizadas pela empresa fiscalizada não existem (fls. 1887/1890); h) É importante destacar ainda que a empresa detinha AIDF válidas na SEFA do Estado do Paraná (fls. 1891), no entanto aquelas constantes das notas fiscais apreendidas não são válidas; i) Diante da situação constante do item anterior a empresa que teria sido responsável pela impressão daqueles documentos foi intimada (fls. 1892/1898) a apresentar cópia das AIDF tendo Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.309 10 apresentado as que são válidas e alegado que em relação as que não foram apresentadas se deve ao fato de desconhecer a sua procedência (fls. 1889/1905); j) A Sra. Ezilaine Pereira Barros, que seria uma das sócias da empresa Construmotta Construção Civil Lida (fls. 1907), compareceu em 18.02.2009 nesta Delegacia e afirmou (fls. 1906): desconhecer a referida empresa e o outro sócio Markson Flávio Campos Motcz; ter perdido seus documentos em 2002, que foram utilizados na abertura da empresa acima; ter solicitado em 13.10.2008 à Receita Federal (processo 10930.0053901/200822) a anulação da inscrição do CNPJ tendo em vista o que foi mencionado acima (fls. 1909/1915); É de se ressaltar que comparecemos também ao domicilio fiscal da Sra. Ezilaine, na Rua Rezek Andety, 440, Jardim Santiago II, Londrina, Paraná, tendo constatado que se trata de residência muito humilde, totalmente incompatível com alguém que seria sócio de empresa com a movimentação comercial mencionada no inicio deste item; k) Comparecemos ao domicilio fiscal do outro sócio (fls. 1916) Markson Flavio Campos Motta (da mesma firma que da outra sócia, também muito humilde), na Rua Silvio Lourenço Leite, 23, Conjunto Cafezal II, Londrina, Paraná, no qual fomos atendidos pelo atual morador, Sr. Cláudio da Silva, que informou não saber do paradeiro do antigo morador. Conforme pesquisa no cadastro da Empresa de Energia Elétrica Copel, confirmouse que aquele domicilio é atualmente ocupado pelo Sr. Cláudio da Silva (fls. 1917); l) O contabilista responsável pela abertura da empresa, Eduardo Milan Teixeira, compareceu a este órgão e prestou, resumidamente as seguintes informações (fls. 1918/1919): Não teve contato pessoal com os sócios da empresa; Os documentos necessários à abertura da empresa foram entregues diretamente no escritório pelo Sr. Vicente Taveira (sócio da empresa Ciclo Real Comercio de Madeiras Ltda ME); Desconhece o local onde teria funcionado a empresa; Após algum tempo cessou a entrega de documentos fiscais/contábeis assim como o pagamento dos honorários. PEDRO DO CARMO MADEIRA m) A empresa teria iniciado suas atividades em 14.02.2006, na Rua Dom Aquino, 16 (esquina com a Avenida Harry Prochet), Recanto Colonial, Londrina, Paraná, (cópia de cadastro da RFB Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.310 11 e da Secretaria da Fazendo do Estado do Paraná fls. 1920 a 1923); n) Referido endereço é ocupado atualmente pela empresa Ciclo Real Comércio de Madeiras Ltda ME, (coincidentemente também atuante no ramo de madeiras), nome de fantasia Desmanchão da Construção, cuja sede situase à Avenida Harry Prochet, 280, Jardim Igapó, Londrina, próxima á Rua Dom Aquino (cópia de cadastro da RFB fls. 1871); o) Em diligência efetuada no local, confirmouse que o terreno da Rua Dom Aquino é ocupado com restos de materiais de demolição, inclusive madeira, conforme demonstram as fotos de fls. 1886/1888; p) Na mesma diligência foi coletado depoimento da Sra. Eliane Silva de Lima, titular de floricultura instalada na Rua Dom Aquino, 15, desde 2005 ( fls 1877/1880), vizinha portanto do n° 16, que afirmou nunca ter funcionado estabelecimento comercial na .Rua Dom Aquino, 16. Quando da instalação da floricultura os terrenos (n° 15 e 16) eram baldios e a limpeza e terraplanagem foi feita pelos responsáveis da floricultura; q) A empresa Ciclo Real Comércio de Madeiras Ltda ME, cujo nome de fantasia é Desmanchão da Construção, também foi intimada (na pessoa de seu responsável Vicente Taveira de Souza fls. 1872, 1881/1883) a prestar diversas informações que ajudassem a confirmar, ou não, a real existência daquelas empresas, e, mesmo reintimada, não atendeu as intimações; r) Foi verificado no sítio da Secretaria de Estado da Fazenda SEFA Paraná, na rede mundial de computadores, que as autorizações para impressão de documentos fiscais AIDF, constantes das notas fiscais utilizadas pela empresa fiscalizada não existem (fls. 1924/1929); s) É importante destacar ainda que a empresa detinha AIDF válidas na SEFA do Estado do Paraná (fl. 1930), no entanto aquelas constantes das notas fiscais apreendidas não são válidas. t) Diante da situação constante do item anterior a empresa que teria sido responsável pela impressão daqueles documentos foi intimada (fls. 1892/1898) a apresentar cópia das AIDF tendo apresentado as que são válidas e alegado que em relação às que não foram apresentadas se deve ao fato de desconhecer a sua procedência (fls. 1899/1905); u) O titular da empresa, Pedro do Carmo, não foi localizado, tendo em vista que o domicilio constante nos cadastros da SRF é Rua Dom Aquino, 16 (mesmo da empresa fl. 1931); V) O contabilista responsável pela abertura da empresa Sr. Julio Alves Batista afirmou (fls. 1932/1934) ter prestado serviços para a empresa durante somente 2 meses, suspensos em razão de falta Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.311 12 de pagamento e que após este período não houve mais contato coam a empresa ou seu representante. Em razão dos fatos expostos concluiuse de forma inequívoca que referidas empresas são inidôneas, nunca tendo existência real e, por conseqüência, os documentos fiscais por elas emitidos não têm validade para efeitos tributários (crédito de PIS, por exemplo). Em sequência, a interessada foi intimada (fls. 1935/1936) a apresentar diversos elementos que pudessem comprovar a efetividade da aquisição das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas em nome das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira. Em seu recurso, a autuada defende a efetividade das transações e argúi que não cabia a ela examinar a regularidade fiscal de seus fornecedores; que, de qualquer forma, a idoneidade ou inidoneidade dos fornecedores dos bens não pode, pura e simplesmente, redundar em glosas de créditos na escrita fiscal dos adquirentes dos bens se estes ignoravam tal situação, mesmo porque não houve publicação formal (oficial) do respectivo ato fazendário de bloqueio de inscrição fiscal; que a responsabilização do comprador pelo tributo que a outra parte não pagou só pode ocorrer se ficar demonstrada a existência de conluio ou máfé, o que não ficou em nenhum momento comprovado nos autos; que os pagamentos efetuados através do caixa, com valores coincidentes em data e valor, não foram objeto de análise pelo auditor e que o contrato foi firmado em moeda nacional, a operação envolveu o pagamento em dinheiro, não podendo o auditor lançar dúvidas ou mesmo considerar as operações inválidas. No caso dos autos, a inidoneidade da documentação emitida em nome das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira foi fartamente comprovada pela fiscalização, conforme excertos do TVF acima transcritos. Nada do que foi articulado pela fiscalização, em proficiente trabalho, foi contestado, restando a recorrente delongarse em questões preliminares e formais, mas sem negar os fatos descritos, que à toda evidência provam a inexistência dessas duas empresas. Ou seja, é farto e inconteste a fraude perpetrada com o fito, no caso, de "gerar" créditos de PIS. A fiscalização, frente às inúmeras notas fiscais envolvendo grande quantidade de mercadorias (chapa compensada e madeira), movimentadas do município de Londrina/PR para Arapongas/PR, sem as especificações do transporte, realizou as verificações relatadas no item III do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal (fls. 2064/2090). Ressaltese que intimada (fls. 1935/1936) a apresentar diversos elementos que pudessem comprovar que realmente tivesse adquirido, recebido, registrado em seus livros de controle de produção e estoque e, principalmente, pago os insumos das empresas Construmotta e Pedro do Carmo, alegou, em resumo: i) que os pagamentos foram feitos em espécie, por meio do caixa, conforme demonstra a conta do razão contábil (fornecedores); ii) que os únicos documentos que comprovam o recebimento das mercadorias são as notas fiscais de aquisição; iii) que o transporte era feito pelas empresas emitentes das notas fiscais. Em relação a essas respostas absolutamente evasivas, o Fisco teceu os seguintes comentários: Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.312 13 Diante da constatação de que as empresas Construmotta Construção Civil Ltda, e Pedro do Carmo — Madeira inexistiam de fato, caberia à interessada comprovar documentalmente as operações que oneraram os resultados dos anoscalendário de 2006 e 2007. A escrituração contábil não constitui prova, por si mesma, dos fatos nela registrados, mas tãosomente quando lastreada em documentação hábil e idônea que comprove de forma inquestionável os fatos registrados. Cabe à contribuinte manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das operações que alteraram sua situação patrimonial. Inequívoca é, portanto, sua obrigação em comprovar a aquisição dos insumos utilizados no processo produtivo, assim como os pagamento correspondentes para comprovar a efetividade da operação. Ao identificar vícios na documentação apresentada pela contribuinte como suporte dos custos por ela contabilizados, a autoridade fiscal não admitiu tais notas fiscais como prova e concedeu à contribuinte a oportunidade de apresentar novos elementos. Porém, desprezando tais circunstâncias, a contribuinte não envidou qualquer esforço para apresentação da comprovação dos pagamentos ou do efetivo ingresso das mercadorias constantes das notas fiscais, elementos estes que militariam em favor de sua boafé. A contribuinte alegou desconhecer as irregularidades fiscais das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo — Madeira, especialmente ante a ausência de declaração de nulidade da inscrição no CNPJ, invocando que teria agido de boafé. No entanto, em momento algum, a autoridade fiscal vinculou os créditos de PIS não cumulativo à regularidade fiscal dos fornecedores, pois os mesmos sempre estiveram condicionada à comprovação documental regular, como todas as demais operações que afetam o patrimônio do contribuinte. A questão sob análise cingese à existência ou não de comprovação das aquisições dos insumos descritos nas notas fiscais emitidas pela Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo — Madeira. Nesse sentido, não se está imputando à contribuinte a obrigação de conhecer a regularidade fiscal de seus fornecedores, mas exclusivamente o ônus de provar que as transações comerciais de fato ocorreram. Reiterese que inexiste qualquer inversão do ônus da prova, mas sim omissão do contribuinte em comprovar a efetiva aquisição dos insumos constantes das notas fiscais em análise. Desconstituída a eficácia do documento, resta não provada a operação se outros elementos não são apresentados pela interessada. Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.313 14 Com relação à declaração de inaptidão, assim dispõe o art. 82 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Mesmo que as empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo — Madeira ainda não tivessem à época sido consideradas ou declaradas inaptas, os indícios que evidenciam a inidoneidade dos documentos fiscais embasaram o posterior registro dessa condição no cadastro do CNPJ. Dessa forma, como a interessada deixou de comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, deve subsistir a glosa promovida pela fiscalização. GLOSA DE OUTROS CRÉDITOS A glosa dos demais créditos também é de ser mantida, uma vez que os insumos a que eles se referem não dão direito ao creditamento de acordo com a legislação de regência do PIS não cumulativo. MULTA AGRAVADA Primeiramente, não há dúvida que a multa foi devidamente aplicada, consoante os termos do art. 44, I, c/c seu § 1º, da Lei 9.430/96, pois evidente a fraude perpetrada com o fito de sonegar tributo e, in casu, "fabricar" crédito ilegítimo, em grave afronta ao erário federal. Portanto, evidenciado o dolo específico da sonegação pela recorrente ao se utilizar de documentação inidônea, falsa, forjada, para comprovação de custos e deixar de declarar reiteradamente quase a totalidade das receitas escrituradas em seus livros fiscais, deve ser mantida a multa agravada. De outro turno, se o percentual fixado pelo legislador em lei hoje válida, vigente e eficaz, seria ou não confiscatório, descabe ao julgador administrativo adentrar no mérito de sua constitucionalidade, o que teria que se feito para definirmos se a mesma teria ou não natureza confiscatória. Aliás, matéria já sumulada por este colegiados, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 11634.000185/200969 Acórdão n.º 3402003.675 S3C4T2 Fl. 2.314 15 Por fim, quanto à postulada ilegalidade da taxa SELIC como juros de mora, igualmente questão superada no âmbito deste tribunal administrativo, nos termos da súmula abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com efeito, sem reparos ao lançamento e à r. decisão. Forte em todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 2314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002584/2003-10
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1997
AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS VINCULADOS
AO DÉBITO DECLARADO.
Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (IN SRF no. 77, de 1998).
Numero da decisão: 1801-000.344
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Sergio Gomes.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS VINCULADOS AO DÉBITO DECLARADO. Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (IN SRF no. 77, de 1998). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Sergio Gomes. (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA 2 Editado em 31/08/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes, André Almeida Blanco, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Carmem Ferreira Saraiva. Justificada a ausência dos Conselheiros Ana de Barros Fernandes e Rogério Garcia Peres. Relatório Trata-se de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido- CSLL (fls. 12 a 14), que exige da contribuinte acima qualificada o crédito tributário no valor total de R$ 492.024,16, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até 30/06/2003. Em procedimento de auditoria interna de DCTF constatou-se que a empresa, na DCTF relativa ao 3 o . Trimestre de 1997, vinculou ao débito declarado de CSLL relativo ao período de apuração 09/1997, compensação com créditos oriundos de decisão judicial transitada em julgado (fls. 15 a 17). Tais créditos, contudo, foram considerados incomprovados pois, a interessada, ingressara, por meio do processo administrativo no. 10855.002169/97-01, com pedido de compensação (fls 19 a 42) do débito de CSLL – PA 09/1997, com créditos oriundos da ação judicial de repetição de indébito – processo no. 92.0074662-4 - que teria conferido à contribuinte o direito à restituição de valores de PIS pagos a maior com base em legislação considerada inconstitucional pelo STF – Decretos-lei 2445 e 2447 de 1998, pedido esse negado em todas as instâncias administrativas e que, atualmente aguarda julgamento de recurso especial pela CSRF. Notificada do lançamento, por via postal, a contribuinte protocolizou, em 02/07/2003, a impugnação de fls. 01/02 alegando que o débito objeto do lançamento se encontraria pendente de compensação. Pelo Acórdão no. 14-14.185, de 10/11/2006 (fls. 47 a 51), a 5 a . Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento parcialmente procedente. Aquela autoridade consignou que o pedido de compensação, discutido no processo no. 10855.002169/97-01, não teria sido objeto de conversão em declaração de compensação pois, teria sido decidido em 19/02/1999, e não se encontraria pendente de decisão administrativa quando o novo regime jurídico de compensação tributária foi introduzido pelas modificações legislativas perpetradas pelas Leis no.s 10.637, de 30/12/2002, 10.833, de 29/12/2003 e 11.051, de 29/12/2004, que alteraram o disposto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Esclareceu que haveria necessidade de constituir o crédito tributário relativo ao débito indevidamente compensado, in casu, a CSLL relativa ao mês de setembro de 1997, uma vez que o pedido de compensação, não convertido, restara desprovido dos atributos de Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA Processo nº 10855.002584/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.344 S1-TE01 Fl. 163 3 declaração de compensação, dentre eles a confissão de dívida e suspensão de exigibilidade dos débitos compensados. Ressaltou, contudo, que em face das alterações legislativas introduzidas pela Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, agora em razão de seu artigo 18, cuja redação veio a ser alterada pelo artigo 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, a aplicação do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, ficou limitada à imposição de multa isolada, calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, motivo pelo qual a multa de ofício lançada foi reduzida ao patamar da multa moratória. Cientificada, em 14/01/2007, do Acórdão da DRJ em Ribeirão Preto/SP (conforme comprova o AR de fl. 54), a contribuinte interpôs, em 12/02/2007, Recurso Voluntário em face deste Colegiado no qual sustenta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da pendência de julgamento, pela CSRF, do agravo em recurso especial interposto no processo no. 10855.002169/97-01, o que caracterizaria inconformismo contra a decisão administrativa que indeferiu a compensação após a data de 30/10/2003, conforme inovação trazida pelo parágrafo 11 da Medida Provisória 135, de 2003 (Lei 10.833/2003). Ao final pugna pelo provimento do recurso com reforma da decisão de primeira instancia. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A fim de tornar mais compreensível a lide tratada neste processo cumpre, inicialmente, historiar os fatos, de acordo com as informações extraídas dos autos: Em sede de processo administrativo no. 10855.002169/97-01, a contribuinte interessada protocolizou, em outubro de 1997, pedido de restituição, cumulado com compensação, pleiteando a compensação, dentre outros, de débito de CSLL referente ao período de apuração 09/1997, no valor de R$ 169.686,91, indicando, como direito creditório a fazer frente a essa compensação, crédito de PIS pago a maior ou indevidamente, no valor de R$ 1.261.734,72 (fls. 19 e 20). Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA 4 O direito creditório indicado no pedido de compensação teria origem na ação ordinária de repetição de indébito no. 92.0074662-4, pela qual foi reconhecido à contribuinte o direito a restituição de PIS pago com base nos Decretos-lei 2445 e 2449, de 1998, julgados inconstitucionais pelo STF. A Ação Judicial teria sido remetida em 11/04/95 ao Egrégio Tribunal Regional Federal, 3° Região, com o n° 95.03.036495-7, e em 11/12/1995 teria sido proferida sentença condenando a União a restituir a quantia indevidamente recolhida de PIS. Referida sentença teria transitado em julgado em16/05/96. À época do protocolo do pedido de compensação vigoravam as disposições originais dos artigo 73 e 74 da Lei no. 9.430, de 1996, e IN SRF no. 21, de 10 de março de 1997, que ora transcrevo: Lei no. 9.430, de 1996: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decreto-lei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I - o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II - a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração IN SRF no. 21, de 1997: Art. 1º Os pedidos de restituição, de ressarcimento e de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, serão efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º Poderão ser objeto de pedido de restituição os créditos decorrentes de qualquer tributo ou contribuição, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II - erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ... Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA Processo nº 10855.002584/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.344 S1-TE01 Fl. 164 5 Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º , nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º ... Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. ... § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17º ... Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1º No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. § 2º Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. Enquanto tramitava administrativamente o pedido de restituição/compensação a contribuinte apresentou, em 19/05/1998, a DCTF relativa ao 3 o . trimestre do ano-calendário 1997 (fls. 15 a 17) e nela declarou a quitação do débito de CSLL referente ao período de apuração 09/1997, no valor de R$ 169.786,91, vinculando a tal debito o pagamento com DARF, de R$ 100,00, e a compensação com vários DARF no total de R$ 169.686,90, todos eles referentes à medida judicial. Em 19/02/1999 foi proferido, no processo no. 10855.002169/97-01, o Despacho Decisório no. 160/99 (fl. 30), pelo qual foi indeferido o pedido de restituição/compensação ao argumento de que a contribuinte não fez prova de haver desistido Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA 6 da execução do título judicial e de ter arcado com as respectivas custas judiciais, condições impostas pela IN SRF no. 21, de 1997. A interessada recorreu da decisão. Entretanto, em todas as esferas administrativas seu pedido foi negado, inclusive neste Colegiado, conforme informações às fls. 31 a 42. Em pesquisas realizadas junto ao sistema COMPROT, no site da Receita Federal, consta a informação de que o referido processo foi arquivado. Em procedimento de auditoria interna constatou-se, relativamente à DCTF do 3 o . trimestre do ano-calendário 1997, que os créditos de compensação com DARF – medida judicial - vinculados ao débito de CSLL referente ao período de apuração 09/1997, no total de R$ 169.686,90, não foram confirmados, em virtude, justamente, de não haver prova do deferimento da compensação na esfera administrativa. Como resultado da auditoria interna foi lavrado o auto de infração de fls 10 a 14, exigindo da contribuinte o crédito tributário referente à CSLL do período de apuração 09/1997, no valor de R$ 169.686,90, acrescida da multa de ofício de 75% e de juros de mora calculados até 16/06/2003, data da lavratura. O lançamento foi impugnado e na decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP restou esclarecido que o pedido de restituição/compensação, veiculado no processo no. 10855.002169/97-01, não fora convertido em “Declaração de Compensação”, nos termos das alterações legislativas perpetradas, a partir de outubro de 2002, no artigo 74 da Lei no. 9.430, de 1996 e na IN SRF no. 21, de 1997 (esta revogada), pois fora decidido em fevereiro de 1999, antes, portanto, das alterações. Não tendo sido convertido em “Declaração de Compensação”, nenhum dos efeitos a ela pertinentes poderiam ser estendidos ao pedido de restituição/compensação veiculado no processo no. 10855.002169/97-01, dentre eles o atributo de confissão de dívida e de suspensão da exigibilidade do débito declarado para compensação. Assim, se não havia constituição de crédito tributário por meio de confissão de dívida do débito de CSLL relativa ao período de apuração 09/1997, o lançamento para exigência do débito indevidamente compensado seria pertinente, desde que ajustado pelas novas alterações legislativas, estas agora concernentes ao lançamento propriamente dito, à exigência do crédito tributário discutido nos autos. A autoridade julgadora de 1 a . instância administrativa exonerou, então, do total do crédito tributário exigido nos presentes autos, a parcela relativa ao principal, ou seja, o débito de CSLL do período de apuração 09/1997, no valor de R$ 169.686,90, tomando por fundamento as disposições do artigo 90 da Medida Provisória no. 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, como se verifica do seguinte trecho extraído do referido julgado (fl. 51): Portanto, os créditos que a recorrente julga possuir não foram comprovados, de sorte que pertine a exigência fiscal, uma vez que o lançamento se fez obediente aos ditames impostos pelo artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, que versa: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" (ênfase acrescida) Contudo, por força dessa mesma Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, agora em razão de seu artigo 18, cuja redação veio a ser alterada pelo artigo 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, a Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA Processo nº 10855.002584/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.344 S1-TE01 Fl. 165 7 aplicação do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, ficou limitada à imposição de multa isolada, calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nas hipóteses em que a compensação declarada pelo sujeito passivo não foi homologada por caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964 (sonegação, fraude e conluio), como também, quando a compensação for considerada não declarada em razão do crédito: a) ser de terceiros, b) referir-se a "crédito-prêmio" instituído pelo Decreto-lei n° 491, de 1969, c) referir-se a titulo público, d) decorra de decisão judicial não transitada em julgado e, por ultimo, e) não se referir a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Assim, no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base naquele preceptivo legal, e desde que a penalidade aplicada não tenha por fundamento as hipóteses versadas no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, cabe a exoneração da penalidade em face do princípio da retroatividade benigna a que alude o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional (C1N), de sorte a incidir sobre o tributo apenas os acréscimos moratórias (multa de mora e juros de mora). Ocorre, porém, que o lançamento sob apreciação não “se fez obediente aos ditames impostos pelo artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001”, pois não teve por fundamento legal o artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. A descrição dos fatos e o enquadramento legal do auto de infração constantes do auto de infração são os seguintes: O presente Auto de Infração originou-se da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme IN-SRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF (Anexo 1a ou lb), e/ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos 1a ou 1b), e/ou no 'Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar - Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV) . Para efetuar o pagamento da(s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as Instruções de Pagamento" (Anexo V). O Código de Capitulação, Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal são os seguintes; 1) relativamente ao principal: ARTS. 1 e 4 L 7689/88; ART 25 COMB C/ART 57 L 8981/95; ART 1 e 19 L 9249/95, ARTS 2 e 6 (COMB C/ART 28) E ARTS 30, 55 E 60 L 9.430/96 2) relativamente aos acréscimos - Multa e Juros: MULTA VINCULADA: ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ART 44 E INC 1 E PAR 1 INC I L 9430/96. JUROS DE MORA: ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ART 43 PAR UN L 9430/96 Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA 8 Verifica-se assim, que não consta do lançamento o artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001 e/ou suas alterações. A seu turno, as IN SRF no. 45, de 5 de maio e 77, de 24 de julho, ambas de 1998, utilizadas como fundamento legal para a lavratura do auto de infração, tem a seguinte redação: IN SRF 45, de 05/05/1998: Art. 1º As Declarações de Contribuições e Tributos Federais - DCTF relativas aos trimestres do ano-calendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na Instrução Normativa SRF nº 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Tratamento dos Dados Informados Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. IN SRF no. 77, de 24/07/1998 Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA Processo nº 10855.002584/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.344 S1-TE01 Fl. 166 9 Art. 2º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF nºs 94, de 24 de dezembro de 1997, e 45, de 1998. ... À época do lançamento, em 2003, a IN SRF 77, de 1998, já havia sido alterada pela IN SRF 14, de 14 de fevereiro de 2000: IN SRF no. 14, de 14/02/2000: Art. 1º O art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Mas foi mantida a redação do art. 2 o .: Art. 2º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF nºs 94, de 24 de dezembro de 1997, e 45, de 1998. A IN SRF no. 45, de 1997, foi revogada pelo art. 11 da IN SRF no. 255, de 11/12/2002. Assim, por ocasião da lavratura do auto de infração, em 2003, já não poderia ter sido utilizada como fundamento da autuação. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA 10 IN SRF no. 255, de 2002 Art. 11. Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal nº 073/96, de 19 de dezembro de 1996, nº 45/98, de 05 de maio de 1998, nº 126/98, de 30 de outubro de 1998; nº 15/99, de 12 de fevereiro de 1999; nº 083/99, de 12 de julho de 1999; nº 018/00, de 23 de fevereiro de 2000. À época do lançamento subsistiam, entretanto, as disposições do art. 2 o . da IN SRF 77, de 1998, que determinava o lançamento de ofício dos débitos apurados em auditoria de DCTF. E o artigo 2 o . determina que a multa a ser exigida nesse tipo de lançamento é aquela prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430, de 1996. Cumpre transcrever, neste momento, o embasamento legal utilizado no auto de infração, para exigência da multa: Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, art. 160: Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Lei no. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1 o .: Art. 1º As bases de cálculo e o valor dos tributos e contribuições federais serão expressos em Reais. Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44 e inciso I e parágrafo 1 o ., inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; E aqui reside o erro da autoridade julgadora “a quo” pois, como se constata, a auditoria fiscal cumpriu as determinações do artigo 2 o . da IN SRF no. 77, de 1998 e fundamentou a exigência da multa no artigo 44 da Lei no. 9.430, de 1996, e não no artigo 90 da MP 2.158-35, de 2001, como consignou aquela autoridade. A penalidade prevista no artigo 90 da MP 2.158-35, de 2001 sofreu, também, inúmeras alterações, como ressaltou a DRJ em Ribeirão Preto/SP e foi transformada, Fl. 25DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA Processo nº 10855.002584/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.344 S1-TE01 Fl. 167 11 basicamente, em penalidade a ser aplicada em casos de não homologação de “Declaração de Compensação”, como se verifica a seguir: MP no. 2.158-35, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. O artigo 18 da lei no. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, alterou a redação do artigo 90 da MP no. 2.158-35, de 2001: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. E a partir de dezembro de 2004, passou a ser exigível apenas nos casos de não homologação de compensação declarada, como se verifica da transcrição, a seguir, da redação do artigo 18, alterada pelo artigo 25 da Lei no. 11.051, de 29 de dezembro de 2004: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não-homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. E só pode haver não homologação em sede de Declaração de Compensação, e não em pedido de compensação não convertido em Declaração de Compensação. Com as diversas alterações legislativas perpetradas no artigo 90 da MP no. 2.158-35, de 2001, a penalidade encontra-se restrita a um único fato, conforme as disposições do artigo 18 da Lei no. 11.488, de 15 de junho de 2007, que alterou a redação do artigo 18 da Lei no. 10.833, de 2003: Artigo 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão de não- homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A extensa transcrição dos dispositivos legais que se fez acima é necessária para que não reste dúvida a respeito do fundamento legal da exigência sob apreciação. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA 12 Foi, portanto, equivocada a exoneração da multa de ofício exigida no presente lançamento, exoneração essa motivada nas alterações sofridas pelo artigo 90 da MP 2.158-35, de 2001, já que a multa lançada teve por fundamento legal o artigo 44 da Lei no. 9.430, de 1996 e não o artigo 90 da MP 2.158-35, de 2001, que, a bem da verdade, trata de punir situação totalmente distinta daquela sob apreciação. A multa de que trata o artigo 90 da MP 2.158-35, de 2001, se refere a multa aplicável no âmbito de procedimentos de compensação. A multa exigida nestes autos trata da multa por lançamento de ofício por falta de pagamento de tributo. Desnecessário, neste contexto, analisar as inúmeras alterações normativas sofridas pelo artigo 44 da Lei no. 9.430, de 1996, já que a multa de ofício imposta foi cancelada pela autoridade “a quo”. Quanto à exigência do valor principal, o débito de CSLL do período de apuração 09/1997, no valor de R$ 169.686,90, cumpre registrar, uma vez mais, a sua procedência. O artigo 2 o . da IN SRF no. 77, de 1998 não foi revogado ou modificado, tampouco o próprio instrumento normativo o foi. Assim, sob o aspecto da legalidade, o fundamento legal da exigência encontra-se íntegro. A recorrente, na DCTF do 3 o . trimestre de 1997, vinculou ao débito de CSLL do período de apuração 09/1997, no valor de R$ 169.686,90, quitação via compensação com DARFs com valores oriundos de medida judicial de repetição de indébito de PIS, transitada em julgado. O pedido de restituição/compensação formulado pela interessada no processo no. 10855.002169/97-01, cujo pleito foi justamente a compensação do débito de CSLL do período de apuração 09/1997, no valor de R$ 169.686,90, não foi acolhido em nenhuma instância administrativa e, como consignado, referidos autos encontram-se arquivados. Assim, uma vez que a compensação informada na DCTF não foi confirmada, os créditos vinculados ao débito de CSLL restaram incomprovados. Diante da inconsistência e, nos termos da legislação já exaustivamente citada nestes autos, foi lavrado o auto de infração para exigência do débito de CSLL. O lançamento se fez necessário porque, à época dos fatos, o pedido de compensação não tinha o condão de constituir crédito tributário, ou seja, se indeferido o pedido, a administração tributária não dispunha de meios para cobrar, via pedido de compensação, o débito indevidamente compensado. Registre-se, uma vez mais, que o pedido de compensação inserto nos autos do processo no.10855.002169/97-01 não transmudou-se em Declaração de Compensação, pois foi objeto de decisão em 1999, antes, portanto, da existência da figura da Declaração de Compensação. E aqui não cabe a aplicação do artigo 106, do Código Tributário Nacional, como quer a recorrente, pois as modificações legislativas introduzidas no artigo 74 da Lei no. 9.430, de 1996, a partir de 2002, trouxeram figura nova, inexistente até então no ordenamento jurídico; a figura da Declaração de Compensação. Não se trata, pois, de legislação interpretativa, ou que tenha o condão de retroagir seus efeitos para alcançar o pedido de compensação , frise-se, já julgado, formulado pela recorrente. Não tendo sido o débito de CSLL, indevidamente compensado, constituído pela forma de confissão de dívida, procedente é o lançamento que o constituiu. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA Processo nº 10855.002584/2003-10 Acórdão n.º 1801-00.344 S1-TE01 Fl. 168 13 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 31 de agosto de 2010. (assinado digitalmente) ___________________________ MARIA DE LOURDES RAMIREZ Relatora Fl. 28DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 23/09/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SAR AIVA
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Numero do processo: 14041.000635/2007-10
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração, cujo termo de descrição dos fatos, bem o como os demonstrativos de apuração das bases de cálculo, atendem plenamente ao comando do art. 142 do CTN e do Art. 10 do PAF (Decreto 70.235/1972). OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas de aluguel, mediante prova direta, mantém-se a exigência dos tributos devidos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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AÇÃO FISCAL Recorrente LUMIERE EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração, cujo termo de descrição dos fatos, bem o como os demonstrativos de apuração das bases de cálculo, atendem plenamente ao comando do art. 142 do CTN e do Art. 10 do PAF (Decreto 70.235/1972). OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas de aluguel, mediante prova direta, mantémse a exigência dos tributos devidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 813DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório LUMIERE EMPREENDIMENTOS LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: No dia 22/08/2007, por ocasião do encerramento do procedimento de fiscalização, foram lavrados Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), atinentes ao anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 87.796,90, assim discriminado por exação fiscal: (...) Obs: contribuinte com opção pela apuração do lucro presumido trimestral. Infração imputada: OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA OPERACIONAL. OMITIDA. RECEITAS DA ATIVIDADE SEM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR AUDITADO E O DECLARADO/PAGO. A propósito, convém transcrever a descrição dos fatos consoante do Termo de Verificação Fiscal na fl. 41, verbis: 11)Analisando os livros e documentos disponíveis, verificouse que existem valores recebidos a título de aluguéis, que não foram contabilizados, nem declarados como receitas auferidas, relativamente aos locatários mencionados no item 10 deste Termo, em conformidade com os contratos e recibos de aluguéis obtidos pela fiscalização, oriundos do Ministério Público Federal, e dos processos de circularização por amostragem, junto aos estabelecimentos comerciais localizados no espaço de conveniência no Centro de Ensino Unificado de Brasília, alguns recibos assinados inclusive pela Dra. Magda Aragão Souza Lopes, que apesar de não ser empregada da fiscalizada, apenas prestava favor, conforme itens 5 deste Termo._ 12)Em relação à locatária Riwa Padaria e confeitaria Lida, foram acostados aos autos recibos, contratos e relatórios que fazem menção ao acordo mantido entre as partes envolvidas, inclusive com demonstrativos explicando os valores recebidos em atraso, de acordo com • z os documentos anexos... Demonstrativo dc cálculo da infração imputada OMISSÃO DE RECEITAS bem como a fundamentação legal constam das fls. 07/44. Integra o lançamento fiscal, ainda, o Termo de Verificação Fiscal e anexos (fls. 45/56). O sujeito passivo tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal cm 24/08/2007 (sextafeira), pessoalmente, por intermédio de seu Fl. 814DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 3 representante legal (fls. 07, 19, 26, 33 e 45 ); apresentou impugnação em 24/09/2007 (fls.7191728). • Em sua impugnação, o sujeito passivo alegou, em síntese: I) Preliminar de •decadência parcial: que o lançamento de diferença de exação fiscal, tem como termo inicial do prazo de decadência de cinco anos a data de ocorrência do fato gerador.— tributos sujeitos a lançamento por homologação (CTN, art. 150, § • 4"); que — considerandose que a impugnante tomou ciência do lançamento fiscal em 24/08/2007 — estão decaídos os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos até 30/07/2002, quanto ao 1RPJ e reflexos (CSLL, PIS c COFINS). 2) Da ausência de omissão de receitas: que a fiscalização aponta supostos valores recebidos pela impugnante e não declarados na apuração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL dos anoscalendário 2002 a 2005; que os valores da omissão de receitas foram apurados pelo fisco através dc contratos dc locação e recibos de aluguéis obtidos pela fiscalização e dos processos de circularização por amostragem; que o lançamento fiscal deve ser imediatamente cancelado, pois não houve a percepção dos valores das receitas tidas como "omissão de 'receitas"; que não há que se falar em omissão de receitas; que à luz dos arts. 43 e 44 do CTN o fato gerador do IRPJ é a real aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda; que se entende por renda o produto do capital, do trabalho e da combinação de ambos, e que tal produto deve representar um acréscimo patrimonial; que — em não havendo a percepção dos valores apontados pela fiscalização — perguntase: podem os mesmos ser considerados acréscimo patrimonial? É evidente que não; que a fiscalização baseouse em contratos de • aluguéis mantidos com terceiros, não se atendo a valores não recebidos, contratos não implementados e outras situações que implicaram no não recebimento de tais valores; que não houve acréscimo patrimonial; que — assim é evidente que esses valores imputados pela fiscalização não podem integrar a base de cálculo do IRPJ e reflexos; que não restou demonstrada a percepção dos valores de receitas imputados pela fiscalização à impugnante; que a fiscalização supôs o recebimento dos valores a título de aluguéis e, com base nessa suposição, lavrou o presente o Auto de Infração do IRPJ e reflexos; que a omissão de receitas imputada não está contemplada nas hipóteses do art. 281 do RIR199. Ou seja: que não houve expressa indicação de quais valores teriam sido recebidos pela impugnante ou dos valores não escriturados; que não é legítimo o lançamento de oficio que não está respaldado em provas consistentes dos fatos alegados pelo Fisco; que, nesse sentido, a impugnante transcreveu ementas de decisões do 1° CC; que a fiscalização fixouse tãosomente em informações de terceiros, não envidando comprovar a percepção dos ditos valores pelo impugnante; que o simples indício de recebimento dos valores não pode servir, isoladamente, de prova de omissão de receitas; que a fiscalização, ao concluir pela percepção dos aluguéis e lançálos na apuração da base de cálculo do IRPJ e reflexos relativos aos anoscalendário 2002 a 2005, em última análise, está afirmando que houve um acréscimo patrimonial que, na verdade, inexistiu. Em resumo, a impugnante pediu: a) preliminarmente, o reconhecimento da decadência parcial; h) no mérito, a improcedência do lançamento fiscal; c) ulterior aditamento e juntada dc documentos que entender pertinentes. Fl. 815DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 4 A decisão recorrida está assim ementada: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DE IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). CADUCIDADE PARCIAL RECONHECIDA. . REVISÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. A contagem do termo inicial do prazo de caducidade dáse da seguinte forma: a) no caso de inexistência completa de pagamento e de falta confissão da completa de confissão de débito em DCTF em relação a determinado período de apuração de exação fiscal sujeita a lançamento por homologação, o termo a guo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I); b) na hipótese de lançamento de diferença de exação fiscal atinente a determinado período de apuração (em face da existência de anterior pagamento parcial ou de confissão parcial de débito em DCTF desse período de apuração), o termo de início da contagem do prazo. de decadência é a data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 4"). PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA FISCAL. PEDIDO REJEITADO. Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1" artigo 16 do Decreto n" 70.235/72. IRPJ E REFLEXOS (CSLL, PIS E COFINS). RECEITAS OPERACIONAIS EM PARTE NÃO ESCRITURADAS E NÃO INFORMADAS AO FISCO (RECEITAS DE ALUGUÉIS). INFRAÇÃO IMPUTADA OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. Revisase, ainda, o lançamento fiscal, para afastar parte da infração imputada omissão de receitas, pois restou comprovado nos autos que, por equívoco da fiscalização, foi atribuída à autuada auferimento de receitas de aluguéis em determinada relação contratual de locação de imóvel comercial, quando, na verdade, a autuada é locatária. De modo que na indigitada relação contratual de locação a impugnante é devedora de aluguéis e não credora de aluguéis. Assim, naturalmente, a autuada não poderia ter escriturado receitas de aluguéis, mas tãosomente despesas. Lançamento Procedente em Parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto a parte mantida, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (fl. 776): (...) V. DOS PEDIDOS • 45. Por todo o exposto, o Recorrente requer seja conhecido o presente recurso para, preliminarmente, diante do evidente cerceamento ao seu direito de defesa, declarar a nulidade do lançamento formalizado. Fl. 816DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 5 46. Caso seja ultrapassada a r. preliminar, requer seja conhecido o presente recurso para que seja julgada inteiramente improcedente a omissão de rendimentos, para, por conseqüência, reconhecer, a insubsistência dos lançamentos relativos aos fatos geradores do período de 2002 a 2005. 47. Por fim, diante da insubsistência do lançamento efetuado por meio do auto de infração ora recorrido, requer seja determinado o cancelamento das cobranças do Imposto sobre Renda de Pessoa Jurídica, CSLL, PIS e PASEP, multas de lançamento de ofício de 75% (setenta e cinco por cento); juros de mora SELIC, bem como quaisquer outras exigências fiscais decorrentes do lançamento principal. É o relatório. Fl. 817DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos, em face de omissão de diferenças entre as receitas escrituradas e declaradas (tributadas). Frise que a fiscalização apenas confrontou as receitas escrituradas com os valores objeto de tributação pelo contribuinte, ou seja, um procedimento sumaríssimo. A Decisão recorrida já reconheceu a preliminar de decadência, tendo cancelado as exigência dos fatos geradores ocorridos até 31/07/2002, haja vista que o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 24/08/2007, bem como afastado parte da exigência por insuficiência de provas da omissão de receitas. Há que se afastar, de plano, a alegação de nulidade do auto de infração, isso porque a minuciosa descrição das infrações no Termo de Verificação Fiscal, fls. 45 a 49, bem como o demonstrativo de apuração das bases de cálculo, às fls. 5056, são de clareza solar. Desnecessário fazer qualquer transcrição desses termos ou demonstrativo, basta verificar que o contribuinte teve plenas condições de fazer sua defesa administrativa, pelo que a preliminar chega ser até incoerente. No mérito, recorrente repisa as alegações no sentido de que o fisco não teria comprovado a existência de omissão de receitas de aluguel. Todavia, tais alegações já foram sobejamente enfrentadas nos fundamentos da decisão de 1a. instancia, fls. 736 a 752, que a seguir transcrevo em parte: (...) OMISSÃO DE RECEITAS • No mérito, a impugnante contesta, veementemente, a imputação da infração "omissão de receitas". Na verdade, a impugnante entende que a fiscalização não teria comprovado a existência de omissão de receitas/ingresso das receitas de aluguel. Ou seja: que a fiscalização aponta supostos valores recebidos pela impugnante e não declarados na apuração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL dos anoscalendário 2002 a 2005; que os valores da omissão de receitas foram apurados pelo fisco através de contratos de locação e recibos de aluguéis obtidos pela fiscalização e dos processos de circularização por amostragem; que o lançamento fiscal deve ser imediatamente cancelado, pois não houve a percepção dos valores das receitas tidas como "omissão de receitas"; que não há que se falar em omissão de receitas; que —à luz dos arts. 43 e 44 do CTN o fato gerador do IRPJ é á real aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda; que se entende por renda o produto do capital, do Fl. 818DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 7 trabalho c da combinação de ambos, e que tal produto deve representar um acréscimo patrimonial; que a fiscalização baseouse em contratos de aluguéis mantidos com terceiros, não se atendo a valores não recebidos, contratos não implementados e outras situações que implicaram no não recebimento de tais valores; que não houve acréscimo patrimonial; que — assim é evidente que esses valores imputados pela fiscalização não podem integrar a base de cálculo do 1RPJ e reflexos; que não restou demonstrada a percepção dos valores de receitas imputados pela fiscalização à impugnante; que a fiscalização supôs o recebimento dos valores a título de aluguéis e, com base nessa suposição, lavrou os presentes Autos de Infração do IRPJ e reflexos; que a omissão de receitas imputada não está contemplada nas hipóteses do art. 281 do RIR/99. Vale dizer: que não houve expressa indicação de quais valores teriam sido recebidos pela impugnante ou dos valores não escriturados; que não é legítimo o lançamento de oficio que não está respaldado em provas consistentes dos fatos alegados pelo Fisco; . que, nesse sentido, a impugnante transcreveu ementas de decisões do 1" CC; que a fiscalização fixouse tãosomente em informações de terceiros, não envidando comprovar a percepção dos ditos valores pelo impugnante; que o simples indício de recebimento dos valores não.pode servir, isoladamente, de prova de omissão de receitas; que a fiscalização, ao concluir pela percepção dos aluguéis c lançálos na apuração da base de cálculo do IRPJ e reflexos relativos aos anoscalendário 2002 a 2005, em última análise, está afirmando que houve um acréscimo patrimonial que, na verdade, inexistiu. As alegações do sujeito passivo, uma a uma, não merecem guarida. Antes de tudo, convém lembrar ou registrar que o crédito tributário objeto destes autos foi apurado de oficio, em face de anterior requisição do Ministério Público Federal de abertura de procedimento fiscal para fiscalização do Centro Unificado de Brasília — CEUB, seus sócios e dirigentes, fornecedores c empresas ligadas. Nesse sentido, inclusive o Parquet federal forneceu cópias de peças do Inquérito Civil Público, o qual já revelava, de plano, uma gama de indícios de que os dirigentes do Centro Unificado de Brasília — CEUB, os sócios dc empresas contratadas pela entidade, e empresas ligadas praticaram ilícitos fiscais, a partir de 2002, com objetivo de manter a condição artifiosa, em tese, de "Sociedade de Ensino Sem Fins Lucrativos" e de distribuição de lucros e/ou parcelas do patrimônio a diretores e pessoas ligadas de forma disfarçada, por triangulação de negócios, conforme Oficio da Procuradoria da República no Distrito Federal (fls. 292/293), c demais documentos dessa Procuradoria (fis.294/316, e 547/55). A instituição CEUB, inclusive, foi autuada, cujo crédito tributário lançado consta dos autos de processo específico, já julgado, em primeira instância, por esta Turma da DM/Brasília. Nesse contexto, a interessada, também, foi objeto de fiscalização pela Receita Federal do Brasil, cuja ação fiscal terminou com a exigência de crédito tributário via Auto de Infração do 1R.PJ c reflexos (CSLL, PIS e COFINS), como já foi relatado alhures. • A impugnante é uma empresa ligada ao CEUB, pois pertence a sócio do CEUB; foi utilizada, também, para a prática de ilícitos fiscais, em detrimento da Fazenda Pública Federal, no período objeto destes autos. • No caso, é flagrante, salta aos olhos, e os elementos de prova constantes dos autos confirmam, a relação de favorecimento do CEUB à impugnante, abrindo mão de receitas. Fl. 819DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 8 • Na verdade, a interessada no período de 2002 a 2005 manteve com o CEUB (locador) uma relação contratual privilegiada de locação, dentre outras, onde a impugnante recebeu em locação como locatária todas as áreas do Centro de Convivência do CEUB, que envolve pelo menos 23 (vinte e três) pontos comerciais, por um aluguel total mensal de R$ 2.300,00, conforme cópia do instrumento contratual nas fls. 424/428, 442/443, 461/462, 477/479, e consoante Termo de Verificação Fiscal (fl. 45). Tratase de uma relação contratual locatícia onde o CEUB, de forma insofismável, transferiu seus lucros e, , por conseguinte, parcela de seu patrimônio para a impugnante, cujo titular é, também, sócio do CEUB. • A impugnante — locatária —, por sua vez, sublocou os citados espaços do Centro de Convivência do CEUB a terceiros percebendo receitas mensais muitas dezenas de vezes superior ao valor contratado junto ao CEUB. Se isso não bastassse, as receitas de aluguel auferidas desses pontos comerciais sublocados pela impugnante (sublocação dos espaços do Centro de Convivência a terceiros), em sua maioria, não foram escrituradas e não foram declaradas ao fisco federal. Logo, as receitas omitidas pela impugnante objeto destes autos são decorrentes de sublocação dos espaços do Centro de Convivência do CEUB a terceiros, como será demonstrado mais adiante: A imputação da infração omissão de receitas, diversamente do que alegou o sujeito passivo, está devidamente comprovada nos autos. Vale dizer: ás receitas omitidas foram apuradas pela fiscalização com base nos recebimentos mensais de aluguéis dos anoscalendário 2002 a 2005, cujas cópias dos instrumentos contratuais de locação (sublocação), e respectivos recibos foram emitidas pela própria impugnante c os quais constam dos autos. Se não vejamos: (...) Logo, não procede a alegação da impugnante que a fiscalização não teria comprovado a existência efetiva da omissão de receitas. • Os recibos são provas irrefutáveis do recebimento das receitas de aluguéis pela autuada. Além disso, a omissão de receitas está devidamente demonstrada, conforme demonstrativo elaborado pela fiscalização na fl.55, o qual integra o lançamento fiscal. PROTESTO PELA JUNTADA E PRODUÇÃO DE OUTRAS PROVAS Quanto à juntada dc outros documentos, o art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, estabelece que as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação. Caso as provas não sejam apresentadas nessa ocasião, essa faculdade processual fica preclusa. Entretanto, não se verifica a preclusão, caso o contribuinte demonstre a impossibilidade de apresentação das provas por ocasião da impugnação, ou seja, comprove o motivo de força maior. • No caso, o sujeito passivo não comprovou o motivo de força maior que impedira . a apresentação de outras provas, quando da apresentação da peça impugnatória do lançamento fiscal. Fl. 820DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 14041.000635/200710 Acórdão n.º 140200.721 S1C4T2 Fl. 0 9 Ainda, em relação ao pedido de perícia ou diligência fiscal, também, foi formulado em desacordo com § 1" do art. 16 do PAF, pois não identificou as matérias que teria pretensão de comprovar, c não justificou tal necessidade. Na verdade, o pedido de produção de outras provas é totalmente desnecessário para a resolução da lide, pois restou comprovado nos autos a infração imputada omissão de receitas. Além disso, o pedido do sujeito passivo tem fim procastinatório. Protesto de produção e juntada de outras provas indeferido, nesta fase processual. (...) CONCLUSÃO Isto posto, VOTO pela procedência em parte do lançamento fiscal do IRPJ e reflexos (CSLL,PIS c COFINS) para: a) quanto ao Auto dc Infração do IRPJ, reduzir o principal de R$ 17.424,19 para R$ 11.865,60, bem assim a multa de oficio e respectivos juros de mora; b) no que concerne ao Auto de Infração da CSLL, reduzir o principal de R$ 6.314,51 para R$ 4.439,16, bem como a multa de oficio e os juros de mora correspondentes; c) no que tange à Contribuição para o PIS, reduzir o principal de R$ 2.359,52 para R$ 1.580,81, bem assim a multa de oficio e os juros de mora respectivos; d) cm relação ao Auto de Infração da COFINS, reduzir o principal de R$ R$ 10.890,12 para R$ 7.266,00, bem como a multa de oficio e os juros respectivos. (...) É de se registrar que a recorrente não apresentou uma única prova para refutar os fundamentos acima transcrito, bem como os demonstrativos da decisão de 1a. instancia, muito menos infirmou as robustas conclusões do Termo de Verificação Fiscal. Em verdade, as alegações de defesa são mesmo procrastinatórias, conforme já enfatizado na decisão recorrida. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 821DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10783.904028/2008-77
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2002
IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ E DCOMP.
COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade
administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração os erro no preenchimento das DCOMP e DIPJ, adentrando ao mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2002 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ E DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ E DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração os erro no preenchimento das DCOMP e DIPJ, adentrando ao mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10783.904028/200877 Acórdão n.º 140200.703 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório VIACAO PRETTI LTDA recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo de pedido de compensação (fls. 31/35) de saldo a restituir do IRPJ, apurado no 4º trimestre de 2002, no valor de R$ 3.667,12, com débitos da Cofins. 2 A DRF Vitória (ES) indeferiu o pedido (fl. 5), visto que no período indicado não havia saldo a restituir, mas a pagar de R$ 784,87. 3 Irresignado com o indeferimento, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fls. 1/ (documentos às fls. 6/25), alegando, em síntese, que: no ano de 2002 solicitou compensação por meio do PER/DCOMP nº 15873.33785.311003.1.3.021200; apresentou pedido de retificação por meio da declaração de retificação nº 19859.87088.250906.1.7.025740; posteriormente requereu o cancelamento da compensação por meio do PER/DCOMP nº 15873.33785.311003.1.3.021200, por ter interesse em aderir ao PAES; em 2/9/2008 tomou ciência do despacho decisório, no qual não homologou o pedido de retificação nº 19859.87088.250906.1.7.025740; o despacho decisório deve ser cancelado, por se referir a pedido objeto de cancelamento. A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE CANCELAMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE APÓS INTIMAÇÃO. Nos termos do parágrafo único, do art. 62, da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a formalização da desistência do pedido de compensação deverá ser formalizado antes da intimação para regularização de pendências. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10783.904028/200877 Acórdão n.º 140200.703 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte pleiteia o cancelamento da DCOMP nº 15873.33785.311003.1.3.021200 e, por conseguinte, homologada a retificadora de nº 19859.87088.250906.1.7.025740. O cerne do litígio, a meu ver, é a existência ou não de erro no preenchimento da DCOMP original. O entendimento que tem prevalecido neste colegiado e no sentido de que não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de DCOMP. De fato, a Instrução Normativa No. 900/2008, artigos 76 e seguintes, vedaria a retificação de erros dessa natureza, mas repito, não há vedação legal nesse sentido. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). No caso do autos aduz a recorrente que incorreu em erro no preenchimento da DIPJ/2003, anocalendário 2002, que teria sido corrigido e, a seguir, apresentado a DCOMP retificadora 19859.87088.250906.1.7.025740 em 25/09/2006 (fl. 15), ou seja, antes de Fl. 62DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10783.904028/200877 Acórdão n.º 140200.703 S1C4T2 Fl. 0 4 transcurso do prazo para retificação da DIPJ original, bem como antes da apreciação da DCOMP original que ocorreu em 2008 (fl. 5). Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual seja o erro no preenchimento das declarações, levandose em conta eventuais compensações posteriores com o mesmo crédito pleiteado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração os erro no preenchimento das DCOMP e DIPJ, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 63DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 19/08/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 13411.000611/2004-08
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
OPÇÃO PELO SIMPLES, ATOS INEQUÍVOCOS. O Ato Declaratório
Interpretativo SRF n° 16/02 tem como atos inequívocos da opção realizada pelo contribuinte pelo Simples, a entrega de DIPJS e os recolhimentos de tributos efetuados pelo Darf - Simples, atribuindo à administração tributária adequar a realidade fática ao enquadramento legal devido, de oficio.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 OPÇÃO PELO SIMPLES, ATOS INEQUÍVOCOS. O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16/02 tem como atos inequívocos da opção realizada pelo contribuinte pelo Simples, a entrega de DIPJS e os recolhimentos de tributos efetuados pelo Darf - Simples, atribuindo à administração tributária adequar a realidade fática ao enquadramento legal devido, de oficio. Recurso Voluntário Provido.
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O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16/02 tem como atos inequívocos da opção realizada pelo contribuinte pelo Simples, a entrega de DIPJS e os recolhimentos de tributos efetuados pelo Darf - Simples, atribuindo à administração tributária adequar a realidade fática ao enquadramento legal devido, de oficio, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes, Relatório Iniciada a fiscalização na empresa, esta foi intimada a apresentar os livros contábeis — Diário, Razão e Lalur — e fiscais, balancetes mensais e/ou trimestrais, dentre outros documentos. A empresa esclareceu que era optante do Simples e, por esta razão, não escriturava os livros Diário e Razão, nem apurava o lucro pelos regimes Real ou de forma Presumida — fls. 77. Verificado que a empresa entregou as DIPJS relativas aos anos-calendários de 1999, 2000, 2001 e 2002 (fls. 166 a 179), mas somente fez a opção perante ao fisco pelo Simples em 01/01/2003, a fiscalização arbitrou o lucro relativamente àqueles anos e exigiu o pagamento de IRPJ e CSLL — fls. 180, ressalvando que a contribuinte poderia pleitear a restituição dos pagamentos efetuados a título de Simples durante o período fiscalizado. A desconsideração do regime do Simples pela auditoria foi pautada no artigo 80, §§ 1° e 2° da Lei n° 9.317/96, norma que rege a sistemática do Simples. O arbitramento pautou-se pela receita bruta conhecida espelhada nas planilhas preenchidas pela fiscalizada de informações sobre as receitas mensais, Livros de Saída e Apuração de ICMS, consoante art. 16 da Lei n° 9.249/95. A empresa exerce o comércio varejista de produtos alimentícios e outras atividades secundárias, como o comércio varejista de gás liquefeito. Tudo conforme explicita o Termo de Encerramento da fiscalização de fls. 40 a 43, culminando na lavratura dos Autos de Infração de fls. 12 a 39 para a exigência de IRPJ e CSLL, relativos aos exercícios financeiros de 2000 (3' e 4' trimestres de 1999), 2001, 2002 e 2003. Inconformada com a autuação a empresa apresentou a impugnação de fls. 184 e 185 contestando a desconsideração do regime de tributação optado — Simples, desde a sua constituição, havendo procedido a entrega das declarações por este regime e efetuado todos os pagamentos no período, nunca tendo ultrapassado os limites impostos pela norma do Simples. A impugnante assevera que contra si foram lavrados ainda Autos de Infração para as exigências de PIS e Cofins, formalizadas em outro processo n° 13411.000613/2004-99. A Sétima Turma de Julgamento da DRI Rio de Janeiro/RJ — I, ao apreciar a lide, manteve o lançamento tributário exarando o Acórdão n° 12-15.589/07, assim ementado — fls. 246 a250: SIMPLES OPÇÃO ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS Para regularizar a opção pelo Simples não bastam as Declarações Simplificadas e o pagamento em DARF Simples como demonstração da intenção do contribuinte em aderir ao Regime, Era necessário solicitar em tempo a inclusão retroativa 2 Processo n° 13411000611/2004-08 Si-TE01 Acórdão n ° 1801-00.278 Fl. 2 de oficio, caracterizando o erro de fato, bem como comprovar que atendia a todos os requisitos legais para inclusão no SIMPLES. LUCRO ARBITRADO FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e .fiscais autoriza o arbitramento do lucro, DECORRÊNCIA. Subsistindo a exigência fiscal principal, igual sorte colhe, no caso, a relativa à formulada por mera decorrência daquela. Tempestivamente, a empresa apresentou o Recurso Voluntário de fls. 258 solicitando que a autuação objeto deste processo seja cancelada, de igual forma que restaram improcedentes as exigências de PIS e Coflns correlatas, já julgadas. É o relatório. Passo a apreciar as razões recursais, 3 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. A empresa é sucinta ao recorrer do acórdão vergastado, restringindo-se a solicitar a insubsistência da autuação, tal como ocorrida em outro processo administrativo que diz ter tido a mesma matéria fática do presente. Todavia não faz prova das razões de insubsistência daquelas autuações — PIS e Cofins — deixando de colacionar ao presente cópia das decisões. Esta falta da recorrente, no entanto, não prejudica o julgamento do litígio ora posto, porque, além das alegações serem verossimilhantes, inclino-me a invocar o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro de 2002, para dar-lhe interpretação justamente em sentido contrário àquele dado pela turma julgadora a quo. Assim orienta o referido ADI SRF n° 16/02: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf- Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Ora, a recorrente comprova que a sua intenção inequívoca sempre foi de optar pelo Simples, procedendo à entrega das DIRTS e efetuando os recolhimentos através de DARF'-Simples. Caberia à administração tributária, pois, retificar, de oficio, a situação da contribuinte e incluí-la no Simples. Esta é a razão da norma complementar acima ter se referido ao reconhecimento realizado 'de oficio' e não a pedido da contribuinte, pelo que discordo frontalmente do esposado no acórdão quando atribui o dever à contribuinte de solicitar a inclusão retroativa à administração tributária, A lógica da norma, entendo, foi exatamente sanear as situações como estas em que pessoas jurídicas aderem de fato, mas não de direito ao Simples, por pura negligência quanto à observação das foinialidades do ato. Saliento que a atividade da empresa, que a própria autoridade fiscal identificou, não se encontra nas vedações para optar ao Simples, preceituadas na norma de regência — artigo 9", inciso XIII, nem se tem notícia nos autos de que a empresa incorreu em outra hipótese de vedação — demais incisos do art, 9' da Lei n°9.317/96. Destarte, não há necessidade em verificar-se, efetivamente, qual o exato teor da decisão do processo administrativo relativo à exigência do PIS e Cofins em virtude da Processo n° 13411.000611/2004-08 S1-TE01 Acórdão ri.° 1801-00278 F1. 3 desconsideração pela autoridade fiscal do regime optado pela contribuinte, evidenciado pela entrega das declarações Simples e pagamentos realizados segundo este regime (art. 59, §3°, do Decreto n" 70.235/72 — PAF'). Voto, pelo exposto, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. ANA DEDE BARROS FERNANDES Relatora 5
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Numero do processo: 18471.000483/2006-65
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendario: 2003, 2004
GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CABIMENTO.
E cabível a glosa de despesas relativas a serviços cuja efetividade não foi comprovada, tanto na base de cálculo do IRPJ como na da CSLL
Numero da decisão: 1803-001.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendario: 2003, 2004 GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CABIMENTO. E cabível a glosa de despesas relativas a serviços cuja efetividade não foi comprovada, tanto na base de cálculo do IRPJ como na da CSLL
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Numero do processo: 16327.001685/2005-81
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa: LUCRO REAL. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Para fins de apuração do lucro real, as despesas com manutenção de software devem ser deduzidas no mesmo período em que forem incorridas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se retroativamente a lei
que deixou de prever a imposição de multa isolada por pagamento de tributo após o prazo de vencimento desacompanhado de multa de mora.
Numero da decisão: 1103-000.383
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso de ofício e NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão da desistência da contribuinte. Ausente temporariamente o Conselheiro Hugo Correa Sotero.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA
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DESPESAS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Para fins de apuração do lucro real, as despesas com manutenção de software devem ser deduzidas no mesmo período em que forem incorridas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase retroativamente a lei que deixou de prever a imposição de multa isolada por pagamento de tributo após o prazo de vencimento desacompanhado de multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso de ofício e NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão da desistência da contribuinte. Ausente temporariamente o Conselheiro Hugo Correa Sotero. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (suplente) e Aloysio José Percínio da Silva (presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001685/200581 Acórdão n.º 110300.383 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Os autos tratam de recursos de ofício e voluntário contra acórdão da 8ª Turma da DRJ de São Paulo I (nº 1616.746/2008). O contexto do lançamento recebeu a seguinte descrição na decisão contestada: “Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário de IRPJ no valor de R$ 1.556.188,72 e de CSLL no valor de R$ 565.846,31, incluindo multa e juros isolados (fls. 231 e 240). No termo de verificação fiscal de fls. 225/229 foram apontados, em síntese, os seguintes fatos e infrações: Solicitada a documentação relativa à subconta 8.1.7.39.00.939.02 – Desenvolvimento e Manutenção de Sistemas, ficou evidenciada a ocorrência de alguns lançamentos contábeis a título de despesas operacionais, sendo que deveriam ter sido registrados no ativo permanente, grupo diferido. IBM Brasil – Indústria de Máquinas e Serviços – Contrato nº 3626 : como a vigência do contrato é de 36 meses, contados de sua assinatura, o contrato expira em junho de 2002, portanto as despesas de 2000 devem ser amortizadas no prazo restante do contrato, no caso 30 meses. CSC Brasil Com. e Serviços Ltda – Contrato nº 3826: tratase de contrato de licenciamento, conforme cláusula 1.1 do contrato, e sua vigência estendese até 23 de março. Amortização até esse período. Nonus do Brasil Ltda. – Contrato 4670: O objeto do contrato é a prestação de serviços de instalação, suporte técnico e atendimento de produto denominado GC Win – Sudameris que é composto por um conjunto de software e hardware. O prazo para amortização, nesse caso, é de 5 anos, conforme IN SRF nº 4/1985. Tools Software Ltda. – Contrato nº 3389: objeto – licenciamento de uso, implantação e assistência técnica a programas de computador desenvolvidos e pertencentes à contratada. O prazo para amortização, nesse caso, é de 5 anos, conforme IN SRF nº 4/1985. TCS Softwares – Contrato 3389: objeto desenvolvimento da execução das tarefas de conversão de sistemas, convivência dos sistemas, otimização, customização e teste geral dos sistemas. O prazo para amortização, nesse caso, é de 5 anos, conforme IN SRF nº 4/1985. Vermont Serviços de Retaguarda – Contrato 3584: objeto – prestação de serviços de outsourcing do suporte administrativo em informática. Na NFS consta a descrição”serviço de consultoria e desenvolvimento de projetos em informática – projeto fechado”. O prazo para amortização, nesse caso, é de 5 anos, conforme IN SRF nº 4/1985. Ogeda Consultoria Associados S/A Ltda. – Contrato 3596: objeto – desenvolver o projeto de integração dos sistemas BAS/BSB, incorporando as informações relativas ao Banco América do Sul no sistema da contabilidade do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001685/200581 Acórdão n.º 110300.383 S1C1T3 Fl. 3 3 Sudameris. O prazo para amortização, nesse caso, é de 5 anos, conforme IN SRF nº 4/1985. Axioma Informática e Tecnologia Ltdal. Contrato 3231: objeto – prestação de serviços de consultoria em processamento de fundos e carteiras administradas, levantamento de rotinas de trabalho, apontamentos das deficiências dos processos, propor e implantar soluções visando oferecer eficiência às rotinas de trabalho. O prazo para amortização, nesse caso, é de 5 anos, conforme IN SRF nº 4/1985. As despesas amortizáveis no período 20012004 foram consideradas como postergação de imposto de renda, ao passo que o valor da despesa amortizável em 2005 recebeu o tratamento de despesa indedutível.” A autuada apresentou tempestiva impugnação (fls. 271). A exigência foi julgada procedente em parte, conforme decisão colhida por unanimidade, assim resumida: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. COMPETÊNCIA. SRF. Compete à Secretaria da Receita Federal, por meio de seus auditores fiscais, interpretar e aplicar a legislação tributária, e executar procedimentos de fiscalização para verificar o seu cumprimento. PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE GERALMENTE ACEITOS. Os princípios de contabilidade geralmente aceitos não podem prevalecer sobre as disposições da lei tributária que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes. GLOSA DE GASTOS ATIVÁVEIS. PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). Por revelarem natureza de gastos que devem contribuir para a formação do resultado de mais de um exercício, os dispêndios de aquisição e desenvolvimento de software devem ser ativados para amortização no prazo de cinco anos, ou no prazo de vigência do contrato. GLOSA DE GASTOS COM MANUTENÇÃO DE SISTEMAS. DESCABIMENTO. Não é cabível a glosa de valores despendidos com manutenção de programas de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001685/200581 Acórdão n.º 110300.383 S1C1T3 Fl. 4 4 computador, os quais podem ser deduzidos integralmente como despesa do período. MULTA DE MORA. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO CABIMENTO. A multa de mora não pode ser afastada com fundamento na figura da denúncia espontânea ou no § 7º do art. 6º do DecretoLei nº 1.598/77, pelo fato de ser exigida automaticamente do contribuinte a partir do momento em que este incorre no atraso de suas obrigações fiscais, por força de expressa disposição legal. ILEGALIDADE. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É vedado à Administração Pública deixar de aplicar lei ordinária em face de argüição de ilegalidade ou antinomia. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado erro na apuração da base de cálculo deve ser exonerado o lançamento.” A parcela exonerada foi submetida a recurso de ofício. Tomando ciência do lançamento em 14/04/2008 (fls. 491), a autuada interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês seguinte (fls. 492), suscitando preliminares de nulidade dos autos de infração e da decisão recorrida e contestando o mérito do lançamento. Na sua visão, os autos de infração seriam nulos em razão de a autoridade fiscal não ter trazido ao processo parte das notas fiscais e contratos relativos às despesas rejeitadas, o que teria resultado em cerceamento do seu direito de defesa e violação do contraditório. No tocante ao acórdão de primeira instância, a Turma recorrida teria introduzido alteração de critério jurídico. No mérito, alegou: a) incompetência da RFB – Receita Federal do Brasil para questionar procedimento contábil adotado pelo contribuinte em obediência às regras e princípios contábeis geralmente aceitos. As operações não poderiam ser registradas no imobilizado; b) denúncia espontânea com o recolhimento do tributo devido antes da iniciativa da fiscalização, tendo em vista a suposta postergação de pagamento; c) postergação de pagamento também em relação ao anocalendário 2005; d) inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001685/200581 Acórdão n.º 110300.383 S1C1T3 Fl. 5 5 Também refutou os motivos da glosa em relação a cada um dos 8 (oito) contratos referidos nos autos de infração. Posteriormente, a contribuinte desistiu do recurso voluntário (fls. 629/633). É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator No que pertine ao recurso de ofício, constatase que a DRJ determinou a exclusão de R$ 239.183,47, relativos ao contrato nº 3826, da CSC Brasil Com. e Serviços Ltda, por se tratar de despesa de manutenção de software, dedutível no próprio período em que foi incorrida. Com efeito, as despesas com manutenção de software devem ser deduzidas no mesmo período em que forem incorridas, conforme entendimento consolidado na doutrina contábil e na jurisprudência administrativa. A decisão recorrida deve ser prestigiada nesse aspecto. O auto de infração também conteve imposição de multa isolada por pagamento do tributo após o prazo de vencimento desacompanhado de multa de mora, com base no art. 44, § 1º, II, da Lei 9.430/1996 (fls. 239). A turma recorrida determinou a exclusão da exigência, em razão de a nova redação do art. 44 do referido ato legal, introduzida pela Lei 11.488/2007 (resultante da conversão da MP 351/2007), não mais contemplar tal hipótese de aplicação de multa isolada. Fundamentou a decisão no art. 106, II, “c”, do CTN, segundo o qual, a lei tributária deve ser aplicada a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando “comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. Com efeito, após a alteração no texto do art. 44 da Lei 9.430/1996, restou prevista apenas a multa moratória para os casos de pagamentos espontâneos de tributos após o vencimento. Penso que a decisão deve ser ratificada, em que pese o meu entendimento de que o suporte legal seria o item “a” do dispositivo citado (art. 106, II). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001685/200581 Acórdão n.º 110300.383 S1C1T3 Fl. 6 6 A respeito do recurso voluntário, a autuada apresentou desistência (fls. 629/633), conforme relatado, em razão da opção pelo pagamento do crédito tributário com os benefícios previstos na Lei 11.941/2009. Assim, não deve ser conhecido o recurso voluntário. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício e não conheço do recurso voluntário, tendo em vista a desistência da contribuinte em face da opção pelo pagamento do crédito tributário com os benefícios previstos na Lei 11.941/2009 (fls. 629/633). Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2010. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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