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Numero do processo: 14474.000318/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2005 a 30/12/2006
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A não correção da falta até a decisão de primeira instância administrativa impede a concessão do benefício de relevação da multa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.160
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
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materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2005 a 30/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A não correção da falta até a decisão de primeira instância administrativa impede a concessão do benefício de relevação da multa. Recurso Voluntário Negado
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A não correção da falta até a decisão de primeira instância administrativa impede a concessão do benefício de relevação da multa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14474.000318/200711 Acórdão n.º 2301002.160 S2C3T1 Fl. 108 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 15/10/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a empresa deixou de lançar, em títulos próprios de sua contabilidade, remunerações pagas à segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 12/2005 à 12/2006, lançandoas impropriamente na conta 310200900174 "Propaganda, Assinatura, Publicidade", infringindo assim o inciso II, artigo 32 da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0617707, da 5a Turma da DRJ/CTA, (fls. 46), julgou o lançamento procedente, indeferindo o pedido de relevação da multa aplicada, tendo em vista a não correção da falta até a data de decisão de primeira instância. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 54 ), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, insurgese contra o indeferimento do pedido de relevação da multa, argumentando que, se a falta imputável referiase à ausência de lançamento na contabilidade dos fatos geradores de todas as contribuições, a correção da irregularidade apontada revelarseia mediante a apresentação das páginas, extraídas dos livros contábeis, onde se procedeu à regularização dos lançamentos. Informa que, em que pese os documentos comprobatórios da retificação das irregularidades já terem sido acostados ao processo no momento da apresentação da defesa, a recorrente junta ao recurso a cópia integral do livro Diário, de onde foram extraídas as páginas através das quais se procedeu ao lançamento de correção. Afirma que as páginas do livro Diário, contendo os lançamentos que incorporaram à escrita contábil as diferenças de contribuições previdenciárias apontadas pela Fiscalização haviam sido apresentadas com a defesa, acompanhadas da declaração prestada pelo profissional contabilista responsável legal. No mérito, alega que, compulsandose a descrição sumária da infração, constante do auto de infração em questão, percebese que a multa foi imposta em razão da constatação de uma suposta irregularidade no preenchimento da Guia GFIP, porquanto não teriam sido incluídos nos salários de contribuição de alguns funcionários valores recebidos a título de premiação, sendo que a norma aplicável, ao contrario do entendimento adotado pelo julgador a quo, encontrase prevista no art. 32, II, da Lei n° 8.212/91, e a multa deveria ter sido aplicada no seu patamar mínimo, tal como determina o art. 292 do Regulamento da Previdência Social, haja vista a inexistência de qualquer agravante. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Requer, por fim, que este Colendo Conselho reconheça a improcedência da capitulação legal, determinandose o cancelamento do auto de infração, a fim de que outro seja lavrado, expurgandose os excessos constantes do documento objeto desta impugnação. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14474.000318/200711 Acórdão n.º 2301002.160 S2C3T1 Fl. 109 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Inicialmente, a recorrente requer a relevação da multa aplicada, ao argumento que procedeu a correção da falta. Contudo, ao contrário do que afirma, até a decisão de primeira instância a recorrente não havia apresentado os Livros Diários devidamente corrigidos e registrados no órgão competente, vindo a fazêlo somente em sede recursal. Conforme bem observado pelo Relator do Acórdão combatido, o documento juntado aos autos tratase de três folhas impressas, que diz se referir ao Diário do mês 10, com a data de 31/10/2007, onde consta apenas a Declaração de Habilitação Profissional do Contador. Ademais, verificase das cópias apresentadas, que o registro dos Livros Diários se deu apenas em 30/04/2008 (fls. 69), o que demonstra que eles não poderiam ter sido apresentados antes da decisão de primeira instância, já que o Acórdão recorrido é de 18/04/2008, ou seja, de data anterior à da correção da falta. O art. 291, do Decreto 3.048/99, referido pela recorrente, estabelece que Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. No presente caso, o pedido foi formulado dentro do prazo de defesa, não houve circunstância agravante e o infrator é primário. Contudo, o recorrente não faz jus à relevação da multa por não ter corrigido a falta até a decisão de primeira instância. Tudo isso consta com muita clareza no item 2.7, do relatório IPC, parte integrante do AI: 2.7 A multa de ofício poderá ser atenuada ou relevada: a) a multa de ofício aplicada será atenuada em 50% se o contribuinte infrator corrigir a falta até o prazo final para impugnação; b) a multa de ofício aplicada será relevada desde que os requisitos seguintes estejam presentes, cumulativamente: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 * correção da falta até o prazo final para impugnação; * pedido do autuado dentro do prazo de impugnação, impugnada ou não a infração;* ser o contribuinte infrator primário; * inexistência de circunstâncias agravantes. Assim, a decisão dos julgadores de primeira instância não merece reparos. A autuada se equivocou ao afirmar que a multa foi imposta em razão da constatação de uma suposta irregularidade no preenchimento da Guia GFIP, porquanto não teriam sido incluídos nos salários de contribuição de alguns funcionários valores recebidos a título de premiação. Todavia, a fiscalização deixou claro, nos relatórios que integram o AI em discussão, que o auto foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, consoante determinação contida no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a I – (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Portanto, o AI não foi lavrado por supostas irregularidades no preenchimento da GFIP, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente, e a autoridade julgadora indicou, corretamente, a norma aplicável ao caso. Assim, houve infração à legislação previdenciária. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Verificase que a aplicação da multa está muito bem fundamentada no Relatório da Multa Aplicada, que descreve com clareza as circunstâncias constatadas e transcreve os dispositivos legais aplicados. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14474.000318/200711 Acórdão n.º 2301002.160 S2C3T1 Fl. 110 7 poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser atenuada ou relevada, tendo em vista a não ocorrência das circunstâncias atenuantes previstas no art. 291, do Decreto 3.048/99. Dessa forma, constatase que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto do sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003403/2005-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria.
AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO
A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
Numero da decisão: 1103-000.441
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
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materia_s : IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Fl. 111DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003403/200588 Acórdão n.º 110300.441 S1‐C1T3 Fl. 112 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003403/200588 Acórdão n.º 110300.441 S1‐C1T3 Fl. 113 3 Relatório DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo, protocolado em 22/07/2005, de compensação de tributos, declarada pela recorrente através do PER/DCOMP nº 15254.86865.110204.1.3.04 2751 (fls. 2 a 6), retificado, após o Termo de Intimação nº 203, através do PER/DCOMP nº 41181.19419.210906.1.7.042066 (fls. 12 a 16). A recorrente alega crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 585,00 de IRF, originado através de um DARF no valor de R$ 23.308,80 (fl. 14), e declara a compensação do referido crédito com o débito de IRF, no código 1708, período de apuração 1ª semana de fevereiro de 2004, no valor de R$ 585,00. DO DESPACHO DECISÓRIO A DRF de Belém/PA, por meio do despacho decisório (fls. 25 a 29), acatou o pedido de retificação da PER/DCOMP nº 41181.19419.210906.1.7.042066 e indeferiu a solicitação da recorrente, visto que o DARF informado, apesar de devidamente localizado e confirmado, foi totalmente utilizado para quitar o débito de IRF, código 1708, período de apuração 4ª semana de janeiro de 2004. A vinculação e utilização do pagamento para a quitação do débito de IRF foram feitas pela própria recorrente na DCTF trimestral referente ao 1º trimestre de 2004 (fls. 18 a 21). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 31 a 35) em 4/12/2006, requerendo à DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição e a compensação de débitos de IRF, alegando, em síntese, que: a) Houve recolhimento a maior na apuração do IRF referente à 4ª semana de janeiro de 2004; e b) Constatado este recolhimento a maior foi feita a devida PER/DCOMP que compensou tais valores na apuração do IRF da 1ª semana de fevereiro de 2004 e que, portanto, não houve duplicidade no aproveitamento deste crédito. Solicita a prova pericial, considerandose a incompatibilidade entre a sua escrita contábil e as razões de glosa suscitadas pela fiscalização e indicando assistente técnico. Juntou cópia de parte da DCTF retificadora (fls. 82 e 83), entregue em 30/11/2006. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003403/200588 Acórdão n.º 110300.441 S1‐C1T3 Fl. 114 4 DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 21/06/2007, acordaram os membros da 1ª Turma da DRJ/Belém, por unanimidade de votos, julgar a restituição indeferida e a compensação não homologada, pelos motivos abaixo sintetizados: a) A recorrente fundamentou sua argumentação no fato de que houve recolhimento a maior, limitandose a informar qual o DARF, código e valor recolhido e qual a DCOMP utilizada, mas em nenhum momento demonstrou seja argumentando ou com documentos que o débito por ele declarado na DCTF original referente ao IRF da 4ª semana de janeiro de 2004, conforme documentos (fls. 17 a 24), e que foi informado com valor diferente em DCTF retificadora, somente entregue em 30/11/2006 (após a ciência da decisão que não homologou a compensação), conforme documentos (fls. 82 e 83), estivesse errado, visto que este DARF foi utilizado integralmente para este pagamento, até porque todos os dados informados o vinculam ao débito de janeiro de 2004; b) A simples entrega da DCTF retificadora após a ciência da decisão que não homologou a compensação não pode ser considerada como prova do erro da recorrente; c) Ficou claro na decisão da DRF, que a DCOMP não foi homologada, não pela inexistência do valor recolhido e sim pela inexistência de valor disponível do valor recolhido, pois o DARF foi alocado ao débito correspondente ao seu valor, imposto e período de apuração. A recorrente teria que comprovar que o débito ao qual foi alocado o DARF em questão e que foi por ele confessado em DCTF, foi declarado erroneamente com os respectivos documentos e livros contábeis comprobatórios, mas não o fez; d) No que tange ao pedido de perícia, este restou inepto, visto que a recorrente não motivou seu pedido e nem formulou quesitos, regras estas estabelecidas no art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72 com redação dada pela Lei 8.748/93, em seu art. 1º. Cientificada do acórdão em 19/07/2007 e inconformada com a decisão, a recorrente, em 17/08/2007 apresentou seu recurso voluntário (fls. 94 a 100) na qual basicamente reitera o alegado em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003403/200588 Acórdão n.º 110300.441 S1‐C1T3 Fl. 115 5 Voto Conselheiro Marcos Takata, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o pedido de perícia da recorrente. Rejeito o pedido de perícia. Primeiro, porque carece de formulação de quesitos aos exames desejados, indispensável ao pedido, conforme o art. 16, IV, do PAF (Decreto 70.235/72). Segundo, porque, no âmbito da distribuição dos ônus das provas no presente feito, entendo ser desnecessária. A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. A perícia, tal como a diligência, tem cabimento quando, a par dos elementos probatórios colacionados aos autos, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte, conforme a pretensão em jogo seja de um ou de outro e as alegações deduzidas, restem dúvidas saneáveis com a determinação daquela. Isso tudo ficará esclarecido adiante. Como se viu do relatório, a controvérsia se fixa na não homologação da compensação do pretenso crédito de IRF de R$ 585,00 sob o código 1708, com débito de IRF, sob o mesmo código. O débito de IRF objetivado na compensação é referente à 1ª semana de fevereiro de 2004, sendo o pretendido crédito de IRF apurado na 4ª semana de janeiro de 2004, ambos sob o código 1708, conforme a DCOMP retificadora e a DCTF original (fls. 12 a 16, 18 a 24). Na peça inaugural, a recorrente informa a apresentação de DCTF retificadora, para especificar que o débito de IRF sob o código 1708 referente à 4ª semana de janeiro de 2004 é de R$ 22.723,80 (e não de R$ 23.308,80 como figurava na DCTF original), gerando o crédito de R$ 585,00, objetivado à compensação conforme a DCOMP. Na peça recursiva, a recorrente fundamentalmente reitera o alegado na inaugural. Compulsando os autos, vejo que na DCTF original do 1º trimestre de 2004 é declarado débito de R$ 23.308,80, sob o código 1708, relativo à 4ª semana de janeiro de 2004 com vinculação a crédito tributário do mesmo valor, resultando num saldo a pagar igual a zero (fls. 18 e 75). Nessa DCTF é indicado o pagamento desse crédito com DARF (código 1708), Fl. 115DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003403/200588 Acórdão n.º 110300.441 S1‐C1T3 Fl. 116 6 com o pleno adimplemento do débito declarado, não havendo saldo nem positivo nem negativo (fls. 18, 20, 21 e 75). Apesar disso, na mesma DCTF é declarado débito de R$ 18.155,71 de IRF sob o código 1708 referente à 1ª semana de fevereiro de 2004, com adimplemento por compensação de R$ 585,00, indicandose como origem desse crédito o pagamento feito sob o código 1708 correspondente à 4ª semana de janeiro de 2004 (vide parágrafo anterior) e o nº da DCOMP original (e não da DCOMP retificadora) – fls. 22 a 24. Como já dito, na DCTF retificadora, apresentada após o despacho de não homologação da DCOMP, é declarado que o débito de IRF sob o código 1708 relativo à 4ª semana de janeiro de 2004 é de R$ 22.723,80 (ao invés de R$ 23.308,80) – fls. 84 e 85. Posto isso, a mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. A recorrente não carreou aos autos nenhuma documentação que comprove ou no mínimo indicie o erro perpetrado na DCTF original do 1º trimestre de 2004, vale dizer, que o débito de IRF, sob o código 1708, relativo à 4ª semana de janeiro de 2004 não é de R$ 23.308,80, mas de R$ 22.723,80. E, sobremais por se ter apresentado a retificadora da DCTF do 1º trimestre de 2004 só após a não homologação da compensação (a qual se deu justamente com apoio na alocação do débito feito conforme declarado pela recorrente em sua DCTF), à recorrente competiria trazer aos autos os documentos que denunciassem o erro da DCTF original. Estando em jogo a pretensão do contribuinte, deste é o onus probandi. Outrossim, padece de precariedade, de insuficiência, de carência de certeza o crédito postulado pela recorrente. A certeza do crédito é mister para a compensação, além da liquidez daquele, como predica o art. 170 do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011. (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 116DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003403/200588 Acórdão n.º 110300.441 S1‐C1T3 Fl. 117 7 Fl. 117DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001748/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESTAQUE DE 11%
NA NOTA FISCAL CESSÃO DE MÃO DE OBRA Nos termos do §1º do art. 31 da Lei 8212, o valor de 11% deverá ser destacado na nota .fiscal ou .fatura de prestação de serviços e será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra,
quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade
Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
RELEVAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE
Não havendo como a falta ser corrigida, não há possibilidade de relevação da multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.777
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESTAQUE DE 11% NA NOTA FISCAL CESSÃO DE MÃO DE OBRA Nos termos do §1º do art. 31 da Lei 8212, o valor de 11% deverá ser destacado na nota .fiscal ou .fatura de prestação de serviços e será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãode obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. RELEVAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE Não havendo como a falta ser corrigida, não há possibilidade de relevação da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001748/200829 Acórdão n.º 240101.777 S2C4T1 Fl. 119 3 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, com fulcro no art. 31, § 1° da Lei n°8.212/91, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004 De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 79, a o AI foi lavrado por ter deixado a empresa de destacar na nota fiscal de serviços, 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. Ainda de acordo com o RF, a empresa realizou prestação de serviços mediante cessão de mão de obra e não efetuou os destaques de 11%, conforme notas fiscais de fls. 84; 85 e 86, discriminadas na planilha constante do anexo I às fls. 83. Inconformada com a Decisão de fls. 106/109 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: “ (...)que a Nota Fiscal de n.º 87 deixou de informar a retenção e o valor retido a título de contribuição previdenciária. Sendo que as Notas Fiscais nºs. 149 e 232 deixaram de informar tãosomente o valor retido. Verificase, portanto, que a falha foi mínima, tendo em vista que nas duas notas fiscais constou a expressão "retenção INSS de 11%" faltando constar tão somente o valor retido. Urge salientar desde já que apesar de não constar nas Notas Fiscais o valor da retenção da contribuição previdenciária, foi efetivado tempestivamente seu recolhimento, conforme verificado pela fiscalização. Assim, a Recorrente pautandose no art. 291, § 12 do Regulamento de Previdência Social corrigiu a falta, ou seja, fez constar a expressão "retenção INSS de 11% e o valor retido", enviando ainda uma Carta Retificadora para a tomadora do serviço em casos específicos de cessão de mãodeobra, caso diverso da situação fática dos autos. (...) Dessa forma, a retificação atingiu seu objetivo, ao deixar claro aos Agentes Fiscais e a Tomadora de Serviço que houve a retenção das contribuições previdenciárias em questão. Verificase que, ainda que a retificação não tenha se realizado sob a ótica da Delegacia, pelo meio mais adequado, a mesma cumpriu seu objetivo, devendo ser observado o princípio pas de nullité sans grief, bem como a instrumentalidade das formas.” Conclui que “apesar da autoridade julgadora considerar que a retificação da informação de "retenção de 11% ao INSS e o valor da retenção" não foi realizada com a melhor técnica (sem informar qual seria o meio adequado), atingiu os objetivos perseguidos, pois atualmente as notas fiscais constam a informação de retenção e o valor retido, sabendo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 se que tendo em vista a recolhimento dos tributos e contabilização das mesmas, não houve qualquer prejuízo para a fiscalização.” Requer por fim, seja relevada a multa, em face da retificação efetivada pela recorrente. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001748/200829 Acórdão n.º 240101.777 S2C4T1 Fl. 120 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese o inconformismo da recorrente, seus argumentos são desprovidos de suporte fático e jurídico capazes de macular o lançamento. A presente autuação tem como fato gerador o não destaque da retenção de 11% sobre as Notas Fiscais de prestação de serviços, conforme estabelece o art. 31, § 1° da Lei n°8.212/91, in verbis: Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota .fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5ºdo art. 33. (Redação dada pela Lei n" 9.711, de 1998). §1º0 valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota .fiscal ou .fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei n"9.711, de 1998). No presente caso, conforme se observa das Notas Fiscais de fls. 84; 85 e 86, a recorrente realizou prestação de serviço mediante cessão de mão de obra e não efetuou o destaque dos 11% nas Notas Fiscais. Em nenhum momento a recorrente negou ter havido a referida infração, limitandose a tentar a relevação da multa através de pedido realizado por carta de correção. Embora entenda o inconformismo da recorrente, não vejo como em situações como a que ora se examina, haja a possibilidade de correção deste tipo de falta, já que, não pode haver rasura em Notas Fiscais, e tampouco há como se utilizar de uma emenda para que se possa retroceder ao ponto do tomador de serviços efetuar a retenção e o recolhimento à época correta. A relevação somente poderá ocorrer nos casos previstos pelo art. 291 do Decreto 3048: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) § 1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto n2 6.032, de 2007) Desta forma, temos que, referente a falta de destaque na nota fiscal e a retenção por parte da empresa tomadora no momento oportuno, somente a carta de correção não corrigiria a falta, conforme ato do CONFAZ anexado, posto que não se admite alteração do valor do tributo. O Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, na sua 125ª reunião ordinária, realizada em Natal, RN, no dia 30 de março de 2007, tendo em vista o disposto no art. 199 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), resolve celebrar o seguinte A J U S T E Cláusula primeira Fica acrescentado o § 1ºA ao art. 7º do Convênio S/N, de 15 de dezembro de 1970: "§ 1ºA Fica permitida a utilização de carta de correção, para regularização de erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado com: I as variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou da prestação; II a correção de dados cadastrais que implique mudança do remetente ou do destinatário; III a data de emissão ou de saída.". A única forma de corrigir seria o cancelamento da nota fiscal e emissão de novo documento com destaque da retenção, o que não restou demonstrado. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001748/200829 Acórdão n.º 240101.777 S2C4T1 Fl. 121 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15586.000025/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. O procedimento de “verificações obrigatórias” determinado no MPF abrange todos os tributos e contribuições administrados pela Receita Federal e tem como objeto a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal nos últimos cinco anos, além do período de execução do MP.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO TRIBUTO NÃO RECOLHIDO NEM DECLARADO OU COMPENSADO. PROCEDÊNCIA. A pretensa “notificação de compensação” da autuada, lastreada em crédito prescrito de apólice da dívida pública, não se equivale a um dos instrumentos previstos na
legislação tributária para representar uma confissão de dívida e constituir um crédito tributário da União, como, por exemplo, a DCTF, ou mesmo para solicitar uma compensação, como a DCOMP. Assim, frustrada a “compensação” intentada pelo sujeito passivo e não tendo havido o recolhimento por DARF ou a declaração em DCTF do apurado na escrita contábil/fiscal e valor declarado na DCTF original, não retificada, deve o montante de tal diferença ser lançado de ofício com os acréscimos legais correspondentes (multa de ofício proporcional e juros de mora).
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As argüições que, direta
ou indiretamente, versem sobre matéria de inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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VERIFICACOES OBRIGATORIAS Recorrente VERYCOM COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. O procedimento de “verificações obrigatórias” determinado no MPF abrange todos os tributos e contribuições administrados pela Receita Federal e tem como objeto a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal nos últimos cinco anos, além do período de execução do MP. LANÇAMENTO DE OFÍCIO TRIBUTO NÃO RECOLHIDO NEM DECLARADO OU COMPENSADO. PROCEDÊNCIA. A pretensa “notificação de compensação” da autuada, lastreada em crédito prescrito de apólice da dívida pública, não se equivale a um dos instrumentos previstos na legislação tributária para representar uma confissão de dívida e constituir um crédito tributário da União, como, por exemplo, a DCTF, ou mesmo para solicitar uma compensação, como a DCOMP. Assim, frustrada a “compensação” intentada pelo sujeito passivo e não tendo havido o recolhimento por DARF ou a declaração em DCTF do apurado na escrita contábil/fiscal e valor declarado na DCTF original, não retificada, deve o montante de tal diferença ser lançado de ofício com os acréscimos legais correspondentes (multa de ofício proporcional e juros de mora). INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria de inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Viviani Aparecida Bacchmi. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório VERYCOM COMERCIAL LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de crédito tributário consubstanciado no auto de infração lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe às fls. 51/52 com base no relatório e encerramento da ação fiscal de fls. 44/50 e demonstrativos de fls. 53/55, referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI) no montante de R$693.225,88, acrescido de multa de ofício proporcional, passível de redução, no valor total de R$519.919,41, além dos juros de mora que, até a data de 31/01/2006, perfaziam R$110.638,85. Na descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 52, a Fiscalização assim dispôs sobre a infração apurada: “001 – IPI DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados em DCTF (fl. 29/32) e os valores escriturados no livro Registro de Apuração de IPI (fl. 33/34) conforme relatado no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal ( fl 44/50).” Enquadramento legal (fl. 52): “Art. 77, inciso III, do Decretolei nº 5.844/43; art. 149 da Lei nº 5. 172/66; Arts. 34, inciso II, 122, 124, 125, inciso III, 127, 130, ( )199, ( ) 199 e parágrafo único, 200, inciso ( )III, ( )IV, 202, inciso ( )III, ( )V, do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 3 Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)”. Os enquadramentos legais atinentes à multa de ofício e aos juros de mora estão na fl. 55: “MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 01/01/1997. 75,00% Art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/ Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96”. No relatório de encerramento de ação fiscal de fls. 44/50 foram detalhados os procedimentos, constatações, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação, conforme a síntese abaixo: “a ação fiscal restringiuse ao confronto entre os valores dos tributos e contribuições declarados pelo contribuinte e os valores apurados por esta fiscalização, com base nos registros da escrituração contábil e fiscal, referentes ao período de janeiro/2004 a junho/2005”; apesar de funcionar regularmente desde a sua constituição, a autuada não vinha recolhendo todos os tributos devidos, tendo apresentado seguidas notificações extrajudiciais ao Delegado da Receita Federal em VitóriaES desde junho/2003, requerendo a compensação de débitos de tributos com títulos da dívida pública prescritos; foi efetuado lançamento de ofício em processo à parte para cobrança da multa isolada decorrente das indevidas compensações mencionadas acima; no tocante ao IPI, a DCTF referente ao período de apuração 01/2005 (fl. 30verso) informava apenas 1% do montante total do saldo devedor apurado no livro fiscal registro de apuração do IPI (RAIPI); foi constatada, então, a insuficiência de recolhimento do IPI, pela fiscalizada, relativamente aos fatos geradores ocorridos no mês de janeiro do anocalendário de 2005; o lançamento de ofício visava à cobrança do IPI não declarado e não pago, apurado conforme a tabela I, de fl. 48 (transcrita abaixo): Tributo referente Período 01/2005 Valor Apurado 2 Valor Declarado* (DCTF) e pago 3 Valor a Tributar 4 IPI** 693.919,79 693,91 693.225,88 * Extrato do sistema SINAL de recuperação de pagamentos às fls. 38 e v./ 39 e v. ** Cópia do Livro Registro de Apuração do IPI fl. 33/34. Cientificada pela via postal em 10/02/2006 (conforme o “AR” de cópia à fl. 58), a autuada apresentou em 14/03/2006, por meio de procuradores constituídos pelos instrumentos de fls. 71/72, a impugnação de fls. 59/70, na qual argumentou, em síntese, que: o mandado de procedimento fiscal (MPF) encontravase eivado de vício material a implicar a nulidade do auto de infração, porquanto a Portaria nº 6.087, de 2005, determinava, entre outros requisitos, que o MPF indicasse o tributo ou contribuição Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 4 objeto da ação fiscal, sendo que, no termo de encerramento da ação fiscal, constava indicado a fiscalização feita apenas sobe o IRPJ e não sobre o IPI; houve um equívoco na DCTF relativamente à informação do valor de R$693,91 referente ao IPI, porém, foi apresentada à Receita Federal notificação de compensação que informava o valor realmente devido, R$693.919,79, e requeria a compensação do mesmo, o que descaracterizava qualquer intenção da contribuinte de ocultar valores devidos, representando tal notificação envidada confissão de dívida “no correto valor do imposto que foi carreado aos cofres públicos, mediante compensação com créditos de que era possuidora, demonstrando dessa forma que sua declaração equivocada foi feita de boafé. Portanto, não há de se falar no caso em tributo devido, mas tão somente em erro de preenchimento de DCTF”; “Cumpre ressaltar, que para se retificar a DCTF, a IMPUGNANTE deveria estar munida do número do processo administrativo de compensação do débito. Ocorre, que no período de início da fiscalização a IMPUGNADA não havia fornecido à IMPUGNANTE número de processo administrativo para que fosse apresentada a DCTF Retificadora”; tribunais administrativos pátrios entendiam que, tendo havido tãosomente erro material de preenchimento da DCTF, não poderia prosperar os fundamentos que embasavam o lançamento de ofício (trouxe ementas de julgados administrativos que entendeu corroborar sua alegação); não era devida a incidência da multa de 75%, haja vista que, pela via da compensação, não ocorrera descumprimento da obrigação principal de pagar tributo, e que, apesar do erro material, agira de boafé, devendo ter sido observada a penalidade de 2% prevista no inciso I do art. 10 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 583, de 2005; o percentual da multa aplicada era confiscatório, ferindo a disposição do art. 150, inciso IV, da Constituição da República, pelo que era inconstitucional a previsão da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação de multa de 75% do valor principal que foi objeto de compensação; a multa devida pela falta de recolhimento encontravase na categoria das sanções punitivas tributárias, somente sendo devida se tal falta ficasse constatada. Além disso, não devia incidir tal sanção quando a contribuinte agira de boafé (transcreveu ementas de julgados administrativos e judiciais que considerou amparar suas assertivas); Por tudo que argumentou, requereu, ao final, a nulidade do auto de infração, ou, então, sua improcedência. A decisão recorrida está assim ementada: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. O procedimento de “verificações obrigatórias” determinado no MPF abrange todos os tributos e contribuições administrados pela Receita Federal e tem como objeto a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal nos últimos cinco anos, além do período de execução do MP. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 5 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE VALOR DO IPI NÃO RECOLHIDO NEM DECLARADO OU COMPENSADO. PROCEDÊNCIA. A pretensa “notificação de compensação” da autuada, lastreada em crédito prescrito de apólice da dívida pública, não se equivale a um dos instrumentos previstos na legislação tributária para representar uma confissão de dívida e constituir um crédito tributário da União, como, por exemplo, a DCTF, ou mesmo para solicitar uma compensação, como a DCOMP. Assim, frustrada a “compensação” intentada pelo sujeito passivo e não tendo havido o recolhimento por DARF ou a declaração em DCTF do débito de IPI correspondente à diferença entre o saldo devedor apurado no RAIPI e valor declarado na DCTF original, não retificada, deve o montante de tal diferença ser lançado de ofício com os acréscimos legais correspondentes (multa de ofício proporcional e juros de mora). INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria de inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Conforme relatado, na peça recursal que apresentada tempestivamente, logo merece ser conhecida, a contribuinte repisa as alegações de sua impugnação, sem qualquer contraargumento à decisão recorrida. Tratase procedimento de auditoria do IRPJ (fl.1) e verificações obrigatórias, a fiscalização apurou, dentre outras infrações, que o contribuinte deixou de declarar em DCTF, bem como recolher parte do IPI devido (a maior parte), registrando na contabilidade que se trata de compensação com direitos creditórios oriundos de títulos da dívida pública federal. O contribuinte alegou erro no preenchimento da DCTF. A meu ver, não merecer reparo os fundamentos da decisão recorrida, haja vista que a legislação em vigor veda expressamente esse tipo de compensação, além de o contribuinte não estar acobertado por qualquer medida judicial, conforme exertos do voto condutor do acórdão recorrido, a seguir transcritos: Acerca das abordagens impugnativas que versaram sobre questões de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária, não cabem ser apreciadas na esfera administrativa, fugindo, pois, da alçada de apreciação deste julgador, já que, por força do próprio texto constitucional, o Poder Judiciário é o foro exclusivamente competente para análise desse tipo de matéria. Deveras, pela estrita subordinação ao princípio da legalidade a que se submetem as autoridades administrativas, devem elas, incluindose este julgador, em matéria tributária, pautar suas ações segundo os ditames da legislação tributária, porquanto esta, devido à natureza jurídica obrigacional de caráter público que encerra, uma vez publicada, integra o ordenamento jurídico revestida da presunção tanto de constitucionalidade quanto de legalidade (a não ser nas hipóteses previstas no art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, o que não é o caso). Nesse sentido, há, inclusive, posicionamento expresso da Administração Pública Federal, emanado do Parecer Normativo CST nº 329, de 1970 – cuja ementa dispõe: “Não cabimento da apreciação sobre inconstitucionalidade argüida na esfera administrativa. Incompetência dos agentes da administração para apreciação de ato ministerial” –, bem como da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006 – cujo art. 7º estabelece: “O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos”. E o citado art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, no inciso III, preceitua: “São deveres do servidor: (...) III observar as normas legais e regulamentares”. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 7 A título de informação, temse que o entendimento pacificado no Conselho de Contribuintes (atualmente abrangido pelo CARF) aponta na direção acima, a exemplo do acórdão nº 20306409, de 14/03/2000, com a ementa: “NORMAS PROCESSUAIS ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE ESFERA ADMINISTRATIVA IMPOSSIBILIDADE O processo administrativo não é sede adequada para as discussões sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma ou de exigência tributária, posto que as declarações em tal sentido, mesmo em caráter incidental, são de competência exclusiva do Poder Judiciário. Preliminar rejeitada.” Assim sendo, não cabe a este julgador administrativo apreciar argumentação impugnativa que levante questões de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma tributária válida e eficaz, competindolhe tãosomente as aplicar. Quanto à alegação da impugnante de que o auto de infração estaria eivado de nulidade em razão da existência de vício no mandado de procedimento fiscal (MPF) relativo à nãoindicação do tributo IPI, mas apenas do IRPJ, não merece acato. Isso porque, no MPF de fl. 01, consta a informação expressa de que o procedimento fiscal tratava de fiscalização do tributo IRPJ como também de procedimentos referente às “verificações obrigatórias”. Tais “verificações obrigatórias” têm como objeto, conforme textualmente indicado no próprio MPF de fl. 01, a “correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal”. Apesar de abrangerem todos os tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, as “verificações obrigatórias” se restringem ao cotejo entre os valores que foram declarados – em “declarações de débitos e créditos tributários federais” (DCTF) ou “declarações de informações econômico fiscais da pessoa jurídica” (DIPJ), por exemplo – e os valores que foram apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal. Nessa linha, o “relatório de encerramento da ação fiscal – falta de recolhimento de tributos 01/2005” explana claramente que: “Em decorrência do programa de fiscalização ‘VERIFICAÇÕES PRELIMINARES’, a empresa foi selecionada para verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias relativas aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. A ação fiscal restringiuse ao confronto entre os valores dos tributos e contribuições declarados pelo contribuinte e os valores apurados por esta fiscalização, com base nos registros da escrituração contábil e fiscal, referentes ao período de janeiro/2004 a junho/2005.”(negritos acrescidos) Com efeito, não resta dúvida de que o IPI, como um dos tributos da União administrados pela Receita Federal, estava submetido às “verificações obrigatórias” do MPFF de fl. 01. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 8 Nesse contexto, a Fiscalização intimou o sujeito passivo às fls. 03/05 e 40/41 para apresentar, dentre outros documentos, os livros fiscais do IPI – como o registro de apuração do IPI (RAIPI) – e as DCTFs e DIPJs, tendo havido a resposta pela apresentação, dentre outros, dos termos de atendimento de fls. 06 e 42; da DCTF de cópia à fl. 30verso e do RAIPI de cópia às fls. 33/34. Do confronto entre os documentos supra, a Fiscalização verificou, conforme expendido às fls. 47/48, que a contribuinte havia declarado em DCTF original, não retificada, para o mês de janeiro/2005, o débito do IPI no valor de R$693,91, enquanto o saldo devedor desse imposto apurado pela contribuinte no seu RAIPI naquele mesmo mês era de R$693.919,79. Daí resultou a diferença de IPI no montante de R$693.225,88, que, não tendo sido declarada em DCTF retificadora nem recolhida por meio de DARF ou depositada nem declarada em DCOMP, foi exigida no lançamento de ofício ora em apreço com os acréscimos legais correspondentes (multa de ofício proporcional e juros de mora). Isso posto, temse como totalmente inapropriada a preliminar de nulidade alegada pela impugnante para o presente auto de infração do IPI sob a tese de que o objeto de fiscalização autorizado pelo MPFF poderia ser exclusivamente o IRPJ. Para encerrar o ponto, é de bom alvitre mencionar, somente a título de esclarecimento, que as Portarias SRF que regulamentam o MPF (dentre elas a de nº 6.087, de 2005, mencionada pela impugnante) não tiveram o condão de alterar a competência legal atribuída ao AuditorFiscal da Receita Federal, não o desonerando, portanto, da atividade obrigatória e vinculada do lançamento, uma vez que é o Código Tributário Nacional, ato normativo dotado de status de lei complementar, no seu art. 142, quem expressamente confere à autoridade administrativa (no caso, o AuditorFiscal) a competência indelegável e privativa (e, repitase, obrigatória e vinculada) de formalizar o lançamento, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional. Logo, verificando, dentre outros, o descumprimento de uma obrigação tributária por parte do fiscalizado (o sujeito passivo), tem o AuditorFiscal o dever legal e indeclinável de promover o lançamento de ofício respectivo. Deveras, ainda que se cogitasse existir algum problema no MPF (o que, conforme o exposto alhures, terminantemente não ocorreu), o lançamento de ofício do IPI não seria afetado, dado que a competência legal para o Auditor Fiscal formalizar a exigência tributária permaneceu inalterada. Nesse sentido há, inclusive, entendimentos de longa data emanados dos Conselhos de Contribuintes (atualmente abrangidos pelo CARF), a exemplo das seguintes ementas: “NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento.” (Acórdão 20176170 de 19/06/2002) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 9 “NULIDADE MPF É de se rejeitar a nulidade do lançamento por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária não influindo na legitimidade do lançamento tributário.” (Acórdão 10612.941 de 16/02/2002) “PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento.” (Acórdão 20177049 de 02/07/2003) “NULIDADE DO LANÇAMENTO – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. A não observância na instauração, amplitude ou prorrogação do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou.” (Acórdão 10248796 de 07/11/2007) “NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO DO MPF A falta de renovação do MPF não gera a nulidade do lançamento; consiste em mero instrumento de controle administrativo, portanto, não maculando o lançamento efetuado com observância do artigo 142 do Código Tributário Nacional.” (Acórdão 10249344de 09/10/2008) Enfim, rejeitase taxativamente a arguição de nulidade do auto de infração suscitada pela impugnante. MÉRITO: No mérito, como já assinalado, a autuação decorreu da constatação fiscal, apurada em procedimento fiscal atinente às “verificações obrigatórias”, de que, relativamente ao período de apuração mensal janeiro/2005, não havia sido, pela fiscalizada, recolhida por DARF nem declarada em DCTF a diferença (R$693.225,88) existente entre o saldo devedor de IPI consignado no RAIPI (R$693.919,79) e o montante declarado em DCTF original e recolhido em DARF (R$693,91), implicando ao Fisco o dever de ofício de constituir e exigir o crédito tributário relativo àquela diferença de IPI, com os acréscimos legais (multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora), por meio do lançamento de ofício de fls. 51/52. Por sua vez, a impugnante, em sua defesa, argumentou que cometera apenas um engano, totalmente destituído de máfé, no preenchimento do valor do débito de IPI declarado na DCTF de fl. 30verso, sendo que tal falha havia sido saneada pela apresentação à Receita Federal do requerimento de cópia às fls. 94/101 (instruído pelos elementos de fls. 102/154), por ela denominado de “notificação de compensação” e também por ela considerado como sendo uma confissão de dívida. Além disso, refutou a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sob os argumentos sintetizados no relatório deste voto. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 10 Da análise dos autos e conforme os fundamentos expendidos abaixo, este julgador considera integralmente procedente o lançamento de ofício de fls. 51/52. Da exação de ofício do IPI: Não tendo a autuada efetuado o recolhimento por DARF do valor de R$693.225,88, equivalente à diferença entre o montante do débito do imposto declarado em DCTF original e o valor do saldo devedor consignado no RAIPI, restou caracterizada a insuficiência de recolhimento do IPI no período de apuração mensal janeiro/2005. E como, segundo informado pela própria impugnante (ao final da fl. 64), não houve, antes do início do procedimento fiscal relativo às “verificações obrigatórias”, retificação da DCTF original (de cópia à fl. 30verso) para incluir o débito de IPI de R$693.225,88, correspondente à supracitada diferença, tal débito não foi constituído, segundo a legislação tributária, em instrumento (título) hábil e suficiente de confissão de dívida para exigência do crédito tributário respectivo pela União. Assim, coube à Fiscalização cumprir o seu dever legal de promover o lançamento de ofício para formalização e cobrança do devido crédito tributário da União. Quanto à “notificação de compensação” denominada pela impugnante, da análise dos elementos de fls. 94/154, depreendese o seguinte: a fiscalizada, por meio de procurador constituído pelo instrumento de fl. 103, elaborara petição dirigida à Delegacia da Receita Federal (DRF) em VitóriaES, na qual alegou ser detentora de crédito proveniente de apólices da dívida pública nos 069.390 e 005.240, cujos valores atualizados, conforme laudos apresentados, eram de R$757.326,77 e R$5.269.937,77 respectivamente; na cópia da petição apresentada pela impugnante, consta a informação de que se trata de microfilme de documento registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Apesar de dirigirse ao Delegado da DRFVitória, não se percebe a aposição do carimbo de recepção/protocolo naquele órgão ou em qualquer outro da Receita Federal; observandose o conteúdo da petição, depreendese que, utilizando parcela do crédito decorrente de uma das apólices da dívida pública supracitadas, visava extinguir, via compensação, o débito de IPI do período janeiro/2005 correspondente àquela exata diferença de R$693.225,88 entre valor declarado em DCTF e o saldo devedor apurado no RAIPI. Visava também a suspensão da exigibilidade do crédito tributário da União enquanto não fosse “homologada” pela Receita Federal a “compensação” objeto da petição. Ocorre que tal “notificação de compensação”, assim denominada pela impugnante, conformase em nada mais do que uma mera pretensão desta, sequer havendo evidência de que tenha sido protocolada na Receita Federal. E, mesmo que tivesse sido protocolada, jamais poderia ser considerada como Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 11 equivalente a um dos instrumentos previstos na legislação tributária para representar uma confissão de dívida e constituir um crédito tributário da União, como, por exemplo, a DCTF, ou mesmo para solicitar uma compensação, como a DCOMP. Ademais, esclareçase que somente a compensação declarada em DCOMP, cuja previsão legal consta do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com regulamentação dada pela Instrução normativa (IN) SRF nº 460, de 2004 – vigente à época em que a impugnante elaborou a aludida “notificação de compensação”: 01/03/2005 –, posteriormente sucedida pela IN SRF nº, pela IN SRF 600, de 2005, e, atualmente, pela IN SRF nº 900, de 2008, é capaz de produzir o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, exigindo para tanto que os créditos compensados sejam exclusivamente os relativos a tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal. Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (grifos acrescidos) IN SRF nº 460, de 2004 (a redação dos artigos abaixo transcritos foi mantida na IN SRF nº 600, de 2005): “Art. 1º. A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas da União (...) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. (...) COMPENSAÇÃO Compensação Efetuada pelo Sujeito Passivo Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 12 partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VI, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º. A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento.” (grifos acrescidos) IN RFB nº 900, de 2008: “Art. 1º. A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a restituição e a compensação de outras receitas da União (...)serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. (...) CAPÍTULO V DA COMPENSAÇÃO SEÇÃO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE A COMPENSAÇÃO EFETUADA MEDIANTE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias(...). § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento.”(grifos acrescidos) Logo, se o contribuinte não efetuar a compensação por meio da DCOMP, descumprindo a legislação de regência, não há que se cogitar de algum efeito extintivo do crédito tributário da União. E exatamente nessa situação é que se encontra a autuada. Ressaltese que a realização da compensação por meio da DCOMP não se restringe ao campo meramente formal, pois é por meio deste instrumento que a Fazenda Pública controla e operacionaliza materialmente as compensações, evitandose, por exemplo, a utilização de compensações em duplicidade. Além disso, como já exposto, a DCOMP representa instrumento hábil de confissão e cobrança dos débitos nelas declarados, possibilita a ocorrência da homologação tácita e permite que haja discussão de eventual não homologação da compensação sob a trilha processual prevista pelo Decreto nº 70.235, de 1972 (que regulamenta o processo administrativo fiscal). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 13 Em suma, não tendo sido realizada a “compensação” alegada pela autuada nem tendo havido o recolhimento por DARF ou a declaração em DCTF do débito de IPI do período janeiro/2005 correspondente à diferença de R$693.225,88 entre o saldo devedor apurado no RAIPI e valor declarado na DCTF original, não retificada, de cópia à fl. 30verso, deve tal valor ser lançado de ofício, exatamente como feito no auto de infração em tela. Por fim, é de bom alvitre destacar que a Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado do Espírito Santo (PFNES) já foi instada a manifestarse, em processo da própria Verycom, acerca do procedimento de compensação que esta adotou com base em apólices da dívida pública, tendo prolatado parecer cujas conclusões foram assim sintetizadas abaixo: • A notificação extrajudicial não era o procedimento adequado para que se efetivasse a compensação tributária, cujo pleito devia ocorrer na forma preceituada pela legislação; • O procedimento adotado não teve como efeito a suspensão da exigibilidade dos débitos que a interessada pretendera compensar; • Os créditos pleiteados tinham como origem título público emitido no início do século, já prescrito, sem cotação em bolsa e sem valor econômico. Era, portanto, crédito ilíquido, incerto e inexigível. Da exação da multa de ofício no percentual de 75% do imposto não recolhido: Conforme expendido na análise do tópico acima, houve constatação de insuficiência de recolhimento, no valor de R$693.225,88, do IPI devido no período de apuração mensal janeiro/2005, o que, evidentemente, caracteriza descumprimento de obrigação tributária principal nos termos do § 1º do art. 113 do Código Tributário Nacional (CTN), infração tributária sujeita à multa de ofício prevista no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada à época pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996. “Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 80. (...) a falta de recolhimento do imposto lançado (...) sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser (...) recolhido.” Sobre o argumento da impugnante de que o percentual de 75% da multa aplicada seria inconstitucional por caracterizar confisco, foge da alçada do julgamento administrativo por transbordar os limites de sua competência legal, já que as argumentações nessa linha têm o seu reconhecimento dependente, em suma, da confrontação do texto legal que estabeleceu a imposição da multa com o texto constitucional e demais princípios que regem a atividade legislativa. Com isso, segundo já assinalado preliminarmente neste voto, tal argumento deve ser suscitadas perante o Poder Judiciário, cujo foro é o adequado para análise e decisão a respeito. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15586.000025/200641 Acórdão n.º 140200.466 S1C4T2 Fl. 0 14 No tocante à refutação da impugnante à multa prevista na Lei nº 10.833, de 2003, não guarda pertinência com o presente processo, pois tal sanção foi exigida em lançamento de ofício diverso, objeto de outro processo administrativo, conforme claramente informou o relatório de encerramento da ação fiscal (fl. 47): “foram lavrados Autos de Infração distintos para a cobrança de Multa isolada em virtude de Compensação indevida de tributos e contribuições sociais com títulos da divida pública e em virtude da diferença de recolhimento de tributos referentes ao período de apuração Janeiro/2005. [negrito e grifo acrescido] Por fim, não há como acatar o pleito da impugnante para aplicação da multa de 2% cominada no inciso Ido art. 10 da IN SRF nº 583, de 2005, pois ela tem como pressuposto, dentre outros, o descumprimento de obrigação acessória relativa à falta de apresentação da DCTF ou de sua apresentação com incorreções ou omissões, devendo incidir ainda que o tributo ou contribuição tivesse sido integralmente pago. Isso, terminantemente, não se confunde com a multa de ofício objeto do presente processo, aplicada pelo descumprimento de obrigação tributária principal, qual seja, o valor do IPI que foi apurado, porém, não pago nem confessado. Conclusão: voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16707.003210/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do
Simples sujeitar se á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro
não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%.
ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como
sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal.
JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios
incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
(Sumula 4 do CARF)
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar se á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Sumula 4 do CARF) Recurso Voluntário Negado Provimento.
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Recorrente JOSE AURINO ASEVEDO LOPESME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é penalidade sim modalidade de apuração do resultado tributável do IRPJ e CSLL, quando o contribuinte não apresenta os livros e documentos de sua escrituração, dentre outras hipóteses. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Sumula 4 do CARF) Recurso Voluntário Negado Provimento. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório JOSE AURINO ASEVEDO LOPESME recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RecifePE em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Foi instaurado contra a contribuinte acima qualificada um procedimento fiscal no qual apurou a fiscalização o seguinte: 1) Nos anos calendários de 2003 a 2005, a empresa superou o limite de Empresa de Pequeno Porte para permanência no Simples e não efetuou comunicação de exclusão do Sistema simplificado; 2) Apresentou declaração anual Simplificada referentes aos anos calendários de 2003 a 2005 com valores inferiores ao devido, o que caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária. Diante da constatação acima a Delegacia da Receita Federal em NatalRN expediu Ato Declaratório Executivo n.º 21 de 26/06/2007, à fl. 120, declarando a empresa excluída do SIMPLES com os efeitos a partir de 01/01/2003. Conforme AR, à fl. 125, a contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório Executivo nº 21 no dia 10/07/2007. No dia 28/08/2007 a DRF/NatalRN informou no presente processo que a empresa não havia apresentado qualquer manifestação contra o ato de exclusão. Assim, foi procedida a exclusão em definitivo da empresa do sistema simplificado, conforme se pode verificar da consulta da fl. 123. Fl. 470DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 3 3 Excluída do SIMPLES a empresa ficou sujeita a tributação das demais pessoas jurídicas. Foram apurados os autos de infração do IRPJ e CSLL considerando a empresa na sistemática do Lucro arbitrado, tendo em vista que intimada a apresentar os livros e documentos necessários à apuração pelo lucro real, deixou de apresentá los. Também foram apurados os autos de infração da COFINS e do PIS fora do sistema simplificado para os fatos geradores de 31/01/2005 a 31/12/2005. Conforme demonstrativos das fls. 131 a 145 restou apenas diferenças de valores no Ano Calendário 2005. Grande parte dos produtos comercializados pela empresa são oriundos de tributação com alíquota ZERO da COFINS e da Contribuição para o PIS. Cabe destacar que para apuração dos valores devidos foram considerados os valores recolhidos espontaneamente pela contribuinte no Simples (código de arrecadação 6106). Foram consideradas como bases de cálculo dos tributos para os fatos geradores dos anos calendários de 2003/2005, os valores extraídos do livro de apuração do ICMS da empresa. Foram lavrados os Autos de Infração às fls. 04 a 51 para exigência de crédito tributário, adiante especificado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS TRIBUTO FLS Imposto/ Contrib. Juros de Mora Multa TOTAL Imposto de Renda Pessoa Jurídica 331 62.083,57 30.064,97 92.125,33 185.273,87 Contribuição para o PIS 343 109.58 35.62 164,34 309,54 Contribuição para a Seguridade Social 361 505,78 164,57 758,64 1.428,99 Contribuição Social sobre o Lucro 350 55.514,83 22.618,50 83.272,22 161.405,55 TOTAL 348.417,95 No Termo de Encerramento, à fl. 370, o autuante narra que foi aplicada multa de ofício qualificada no percentual de 150%, tendo em vista que a empresa de forma sistemática declarou a menor os valores devidos dos tributos. Também pelo mesmo motivo foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais anexada no processo nº 16707.007418/200713. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 375 a 380, na qual questiona integralmente os autos de infração, alegando em síntese o seguinte: Nas fls. 375 a 378 a contribuinte contesta a multa de ofício aplicada por considerá la confisco e reclama da utilização da Taxa SELIC como juros de mora em matéria tributária. Fl. 471DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 4 4 Em seguida a contribuinte passa a contestar a exclusão da empresa do Simples e seu efeito. Afirma que com a modificação da legislação o efeito da exclusão seria a partir do mês subseqüente àquele em que se verificou o efeito da exclusão, ou seja, no presente caso o efeito seria a partir de 01/02/2007. Alega que estando excluída como microempresa poderia continuar no sistema como Empresa de Pequeno Porte. Por fim, afirma que possuí livros com a escrituração seguindo o regime de Caixa. Requer que seja considerada, para o Ano Calendário 2005, a opção efetuada pela empresa, através do pagamento com o código de arrecadação 2089, pelo lucro presumido. Ainda, que seja considerada a forma de tributação do lucro presumido com o reconhecimento de receitas pelo regime de caixa. A decisão recorrida está assim ementada: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO.A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO. LIVRO CAIXA.A falta de apresentação do livro Caixa por empresa optante pelo lucro presumido é motivo de arbitramento do seu lucro. JUROS DE MORA(TAXA SELIC). INCONSTITUCIONALIDADE. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, conclui e requer (verbis):. Do quanto ficou aqui exposto, é de admitirse que a ação fiscal movida contra JOSE AURINO ASEVEDO LOPES, não tem como prosperar, malferido que foi, consoante demonstrado o princípio do DEVIDO PROCESSO LEGAL, a partir de quando as autoridades administrativas inobservaram os ditames meritórios e processuais que regem a espécie, nos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o lucro Líquido —CSLL, COFINS E PIS, conforme aqui demonstrados. Concluise que, empresa segundo o levantamento pelo lucro presumido corno a mesma optou, conforme comprovantes de pagamentos, chega ao valor de nos últimos 03 (três) anos ref ao IRPJ e CSSL, foi de R$ 137.886,21 (Cento e trinta e sete mil oitocentos e oitenta e seis reais, vinte e um centavos), deduzido os valores pagos pela empresa durante os três anos e não o montante apurado pela autoridade fiscal. REQUERIMENTO De todo o exposto, requer a Impugnante a decretação de nulidade dos autos de infração em epígrafe, especificamente: 1) Seja excluído do crédito tributário em questão, a multa confiscatória de 150%, assim como os juros de mora calculados pela SELIC; Fl. 472DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 5 5 2) Sejam considerados os valores registrados à título de LUCRO PRESUMIDO, no período de 01.01.2003 até 31.12.2005, consoante legislação vigente até aquela data, pertinente ao regime do Lucro PRESUMIDO, pois a empresa recolheu os tributos referente ao ano de 2005 com base no lucro presumido, conf.Comprovantes em anexo; 3) Sejam eventuais valores não recolhidos à época, com base no regime de apuração do Lucro Presumido, porque atendidos os pressupostos de que tratam as Instruções Normativas SRF n2 104/98 e 34/01; 4) Sejam procedidas todas as correções necessárias à vinculação da atividade fiscal ao princípio da legalidade. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Consoante relatado, tratase de exclusão do Simples, por excesso de receitas, com a exigência do IRPJ e CSLL com base no lucro arbitrado, em face da falta de escrituração para o Lucro Real ou Presumido. Compulsando os autos verificase que a decisão de 1a. instância já enfrentou adequadamente todos os pontos do litígio,conforme fundamentos do voto condutor, a seguir transcritos: Durante o procedimento fiscal apurou a fiscalização que a empresa superou o limite de receita bruta para permanecer no Simples como Empresa de Pequeno Porte e praticou reiteradamente infração à legislação quando deixou de confessar, através das declarações anuais simplificadas, os valores corretos devidos no Simples. Foi efetuada a Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, constante deste processo, e em seguida emitido o Ato Declaratório Executivo nº 21 de 26/06/2007, foi excluindo a empresa do SIMPLES com efeito a partir de 01/01/2003. Primeiramente cabe destacar que a contribuinte foi cientificada do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples no dia 10/07/2008 (AR à fl. 121) e no prazo de trinta dias da ciência não apresentou manifestação de inconformidade contra este ato. Assim, a exclusão da empresa do Simples tornouse definitiva. Porém, como a contribuinte efetua, em sua impugnação, apresentada em 31/01/2008, aos autos de infração do presente processo, alegações acerca da exclusão da empresa do Simples, vamos responder a estas para que não reste dúvidas acerca da exclusão do Simples. O efeito da exclusão seguiu a legislação, em especial o artigo 15 inciso V, abaixo transcrito, junto com o inciso V do art. 14, ambos da Lei nº 9.317/1996: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária;(...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. (...) Conforme legislação acima citada, enquadramento legal do Ato Declaratório Executivo de exclusão, a contribuinte não foi excluída por excesso de receita na condição de microempresa e nem por exercício de atividade vedada. Assim, a alegação da contribuinte quanto ao efeito da exclusão estão equivocadas, pois cita legislação aplicável a outras hipóteses de exclusão. Fl. 474DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 7 7 Na verdade, como o efeito da exclusão por prática reiterada de infração à legislação é mais retroativo do que o excesso de receita no Ano Calendário 2003, este prevaleceu como fato motivador. Neste ponto a contribuinte não alega que não tenha, em três anos consecutivos, informado em suas declarações valores a menor do que os escriturados em seu livro de Apuração do ICMS, ou seja, o fato motivador da exclusão não foi contestada. E como o efeito da exclusão, neste caso, sempre, desde a edição da Lei nº 9.317/1996, foi a partir, inclusive, do mês de ocorrência, não existe dúvidas de que o Ato Declaratório Executivo está plenamente de acordo com as determinações legais, inclusive quanto ao efeito da exclusão a partir de 01/01/2003. Quanto à alegação de que em seus livros contábeis escritura seguindo o regime de caixa, temos a ressaltar que esta não pode ser verificada, pois em nenhum momento, seja, durante o procedimento fiscal, ou mesmo na fase de impugnação, a contribuinte apresentou seu livro Caixa que poderia comprovar sua alegação. Diante da exclusão do SIMPLES da empresa autuada e de acordo com o art. 16 da Lei nº 9.317/96, aplicamse às empresas excluídas as regras para tributação como demais pessoas jurídicas: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sujeita à tributação, nos anos calendários de 2003 a 2005, como demais pessoas jurídicas a contribuinte foi intimada a apresentar sua escrita contábil. Porém, conforme relata o autuante, a contribuinte não apresentou estes livros. Foi procedida a tributação considerando a empresa no lucro arbitrado, conforme determina o inciso III do Art. 530 do RIR/1999, abaixo citado: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Em sua impugnação reclama que no Ano Calendário 2005 efetuou espontaneamente recolhimentos no código de arrecadação 2089 referente ao lucro presumido, assim teria efetuado opção por esta sistemática de tributação. Realmente, temos que concordar com a contribuinte de que o recolhimento do IRPJ, com o código de arrecadação do lucro presumido, determina sua opção por esta forma de tributação. Porém, também no lucro presumido, as pessoas jurídicas estão obrigadas a proceder à escrituração contábil completa ou pelo menos o livro Caixa e o Inventário, de acordo com o art 527 e parágrafo único do RIR/1999. Conforme descrito, no Termo de Encerramento, a contribuinte não apresentou qualquer livro contábil, nem mesmo o livro Caixa e o Inventário, ficando, conforme artigo 530, inciso III do RIR/1999, acima, sujeito à tributação pelo lucro arbitrado: Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; Fl. 475DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 8 8 III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Cabe destacar que os valores recolhidos espontaneamente pela contribuinte referentes ao IRPJ (lucro presumido – código de arrecadação 2089) foram considerados pela fiscalização para cálculo dos valores devidos de ofício. Por fim, a contribuinte reclama da aplicação da taxa SELIC como juros de mora e da inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada. Porém, os enquadramentos legais da multa de ofício e dos juros de mora estão descritos nos demonstrativos destes valores no auto de infração do presente processo. Para a multa de ofício vigora a partir de 1997 o art. 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996 que determina a aplicação do percentual de 150%. Para os juros de mora vigora a partir de 1997 o art. 61, §3º da Lei nº 9.430/1996 que determina a aplicação do percentual equivalente à taxa SELIC. Contesta a contribuinte multa de ofício aplicada, por considerála confiscatória e julga ilegal a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC, contestando assim, determinações legais plenamente em vigor. A este respeito, cabe esclarecer que a atividade administrativa é plenamente vinculada. Com efeito, o julgador administrativo deve limitar seu pronunciamento à legalidade dos atos administrativos trazidos à sua apreciação. A nossa tarefa esgotase em declarar se o ato administrativo questionado encontra – ou não – fundamento de validade na legislação de regência. Por essa razão, encontramonos vinculados à letra da lei e não nos é lícito desviar o foco da análise do ato administrativo para a legislação que lhe confere supedâneo. Como é sabido, todas as leis vêm ao mundo jurídico gozando da presunção de constitucionalidade. Existe, todavia, a possibilidade de arrostarem à Constituição. Prevendo essa hipótese, foram instituídos controles de tal constitucionalidade (difuso e concentrado), missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Ao julgador administrativo determinouse, apenas, o afastamento daquelas leis já declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, não foi facultado àquele servidor a tarefa de decidir, ele próprio, acerca de eventuais vícios dos textos legais e, por força de seu convencimento, deixar de aplicálos. (os grifos não são do original) Resta patente, pelos fundamentos acima transcritos, que a contribuinte não poderia mesmo permanecer no Simples nos calendário de 2003 a 2005, haja vista que nos 3 anos anteriores o contribuinte já havia incorrido em excesso de receitas e não poderia mesmo continuar no Simples. E mais, não possuindo escrituração elementar, cabível o arbitramento dos lucros, isso para exigência do IRPJ e CSLL, pois as demais exigências estão sendo feitas com base nas receitas. Fl. 476DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 9 9 O arbitramento do lucro é um procedimento expressamente previsto pela legislação tributária (art. 44 do CTN) para a determinação da base tributável quando restar comprovada a falta, extravio ou descrédito da escrituração contábil e dos documentos que a embasaram, idealizada pelo legislador como medida de salvaguarda da Fazenda Pública, desde que se mostre incabível a apuração do resultado mediante as sistemáticas do lucro real ou do lucro presumido. Ilustrando o posicionamento ora adotado, transcrevemse, a seguir, ementas de acórdãos proferidos, nesse mesmo sentido, pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional. 1º CC. / 8a Câmara / ACÓRDÃO 10806.053 em 16.03.2000. Publicação DOU: 22.08.2000. LUCRO ARBITRADO APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS É inócua a posterior apresentação de livros e documentos com o intuito de apresentar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. 1º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 10322.980 em 25.04.2007. Publicado no DOU em: 07.01.2008. No que tange ao questionamento do percentual da multa de oficio e juros de mora à taxa Selic, registrese que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 150%, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Fl. 477DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16707.003210/200717 Acórdão n.º 140200.511 S1C4T2 Fl. 10 10 Frisese que o contribuinte não contesta as razões ou motivação fiscal para aplicar a multa qualificada, que a meu ver estão corretas haja vista a conduta dolosa da empresa que sistematicamente apresentou declarações e efetuou recolhimentos de valores a menor das receitas efetivamente auferidas. Essa pratica reiterada de pagamento e confissão de tributos devidos a menor, premeditada, revela, indubitavelmente de ocultar ao fisco o conhecimento da obrigação tributária em sua inteireza. Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 478DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.018369/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica
Ano calendário:2003, 2004, 2005
Ementa:
DECADÊNCIA.
Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial inicia-se no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Nas hipóteses em que não há pagamento, o prazo decadencial conta-se na forma do artigo 173, I, do CTN, situação em que o primeiro dia do exercício
seguinte, na esteira do entendimento do STJ, em recurso repetitivo, conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível.
No caso dos autos, não houve pagamento antecipado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no decorrer do ano calendário de 2003, o prazo decadencial iniciou em 01 de janeiro de 2004. Assim, quando do lançamento realizado em 07/11/2008, não havia créditos extintos pela decadência.
ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA INDIVIDUAL À PESSOA JURÍDICA. NULIDADE INEXISTENTE.
Salvo as exceções previstas no § 2º, do artigo 150, do Regulamento do Imposto de Renda, à luz do § 1º, II, deste artigo, devem ser consideradas pessoas jurídicas e tributada como tal as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços.
O auto de infração seria nulo se a autoridade fiscal, em tendo constatado que o contribuinte exercia, de modo habitual, atividade de troca de cheques, não o tivesse equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda.
ERRO NA APURAÇÃO DO PERCENTUAL DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE INEXISTENTE.
O erro na base de cálculo da exigência do imposto não causa nulidade do lançamento. Nos casos em que a autoridade fiscal aplica base de cálculo diversa daquela prevista em lei, não cabe à segunda instância decretar a nulidade do lançamento, mas sim corrigir a base de cálculo, não podendo, contudo, agravar a situação da exigência fiscal.
ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES “PRÉ DATADOS”. ATIVIDADE INFORMAL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. BASE DE CÁLCULO DE 32%.
Para efeitos do artigo 17, da Lei nº 4.595, de 1964, deve ser compreendida por instituição financeira aquela que tem atribuições para captar dinheiro no mercado para fins de depósitos, remunerados ou não, fazer aplicações, conceder empréstimos, ou realizar intermediação ou aplicação de recursos
financeiros próprios ou de terceiros, sendo que, no caso de recursos de terceiros, deve, na data aprazada para o resgate, proceder a devolução.
Não se pode confundir a captação e a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, que são atividades privativas das instituições financeiras, com a troca de cheques “pré datados” realizada, de forma informal, por pessoas físicas e jurídicas.
O ato de trocar cheques “pré datados”, por pessoa física ou jurídica, que exerce esta atividade de maneira informal, não importa em coletar dinheiro no mercado, intermediar aplicação de recursos e, tampouco, na custódia de valor de propriedade de outrem.
Quando uma instituição financeira capta e aplica recursos de terceiros, ela fica obrigada a restituir. Nos casos em que a pessoa física ou jurídica troca cheques “pré datados”, com deságio, não se está diante de atividade equiparada à instituição financeira, até porque estas não recebem cheques “pré datados”.
A lei, os costumes e a jurisprudência são fontes do direito. No momento em que os costumes e a jurisprudência passam a admitir fatos não definidos em lei, desde que lícitos, ao intérprete cabe analisar a norma com os olhos do homem do seu tempo, e não com a visão da época em que a lei foi elaborada para ser aplicada em realidade não imaginada pelo legislador de então.
Na Lei nº 7.357, de 1985, não está previsto a figura do cheque “pré datado”.
O recebimento de cheque por instituição financeira, importa na sua imediata apresentação para compensação. Em sendo ordem de pagamento à vista, o cheque “pré datado” sequer poderia ser admitido por empresas de factoring, para desconto futuro.
Admitida como prática normal a troca de cheques “pré datados”
por pessoas que exercem tais atividades de maneira informal, a base de cálculo nestas atividades, por se assemelharem às atividades de factoring, é de 32%, não havendo razões para aplicação de base de cálculo de 45%, cabível somente às
instituições financeiras
MULTA QUALIFICADA. TROCA DE CHEQUES DE MANEIRA HABITUAL E CONTÍNUA EM NOME PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 14 DO CARF.
A omissão de receita pela não declaração de rendimentos justifica o lançamento com multa de 75%. O sujeito passivo que, de maneira informal, realiza troca de cheques, usando para tal suas próprias contas bancárias, não está agindo, de forma dolosa, com a intenção de sonegar tributo.
Nos casos em que o sujeito passivo exerce de forma profissional a troca de cheques, o fato de tal atividade ter se estendido por mais de um ano, sem ser declarada, não caracteriza situação que justifique a qualificadora da multa.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 1402-000.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os preliminares de nulidade e de decadência, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da base de cálculo de 45% para 32% e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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ementa_s : Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Ano calendário:2003, 2004, 2005 Ementa: DECADÊNCIA. Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial inicia-se no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Nas hipóteses em que não há pagamento, o prazo decadencial conta-se na forma do artigo 173, I, do CTN, situação em que o primeiro dia do exercício seguinte, na esteira do entendimento do STJ, em recurso repetitivo, conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. No caso dos autos, não houve pagamento antecipado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no decorrer do ano calendário de 2003, o prazo decadencial iniciou em 01 de janeiro de 2004. Assim, quando do lançamento realizado em 07/11/2008, não havia créditos extintos pela decadência. ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA INDIVIDUAL À PESSOA JURÍDICA. NULIDADE INEXISTENTE. Salvo as exceções previstas no § 2º, do artigo 150, do Regulamento do Imposto de Renda, à luz do § 1º, II, deste artigo, devem ser consideradas pessoas jurídicas e tributada como tal as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. O auto de infração seria nulo se a autoridade fiscal, em tendo constatado que o contribuinte exercia, de modo habitual, atividade de troca de cheques, não o tivesse equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda. ERRO NA APURAÇÃO DO PERCENTUAL DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE INEXISTENTE. O erro na base de cálculo da exigência do imposto não causa nulidade do lançamento. Nos casos em que a autoridade fiscal aplica base de cálculo diversa daquela prevista em lei, não cabe à segunda instância decretar a nulidade do lançamento, mas sim corrigir a base de cálculo, não podendo, contudo, agravar a situação da exigência fiscal. ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES “PRÉ DATADOS”. ATIVIDADE INFORMAL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. BASE DE CÁLCULO DE 32%. Para efeitos do artigo 17, da Lei nº 4.595, de 1964, deve ser compreendida por instituição financeira aquela que tem atribuições para captar dinheiro no mercado para fins de depósitos, remunerados ou não, fazer aplicações, conceder empréstimos, ou realizar intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, sendo que, no caso de recursos de terceiros, deve, na data aprazada para o resgate, proceder a devolução. Não se pode confundir a captação e a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, que são atividades privativas das instituições financeiras, com a troca de cheques “pré datados” realizada, de forma informal, por pessoas físicas e jurídicas. O ato de trocar cheques “pré datados”, por pessoa física ou jurídica, que exerce esta atividade de maneira informal, não importa em coletar dinheiro no mercado, intermediar aplicação de recursos e, tampouco, na custódia de valor de propriedade de outrem. Quando uma instituição financeira capta e aplica recursos de terceiros, ela fica obrigada a restituir. Nos casos em que a pessoa física ou jurídica troca cheques “pré datados”, com deságio, não se está diante de atividade equiparada à instituição financeira, até porque estas não recebem cheques “pré datados”. A lei, os costumes e a jurisprudência são fontes do direito. No momento em que os costumes e a jurisprudência passam a admitir fatos não definidos em lei, desde que lícitos, ao intérprete cabe analisar a norma com os olhos do homem do seu tempo, e não com a visão da época em que a lei foi elaborada para ser aplicada em realidade não imaginada pelo legislador de então. Na Lei nº 7.357, de 1985, não está previsto a figura do cheque “pré datado”. O recebimento de cheque por instituição financeira, importa na sua imediata apresentação para compensação. Em sendo ordem de pagamento à vista, o cheque “pré datado” sequer poderia ser admitido por empresas de factoring, para desconto futuro. Admitida como prática normal a troca de cheques “pré datados” por pessoas que exercem tais atividades de maneira informal, a base de cálculo nestas atividades, por se assemelharem às atividades de factoring, é de 32%, não havendo razões para aplicação de base de cálculo de 45%, cabível somente às instituições financeiras MULTA QUALIFICADA. TROCA DE CHEQUES DE MANEIRA HABITUAL E CONTÍNUA EM NOME PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 14 DO CARF. A omissão de receita pela não declaração de rendimentos justifica o lançamento com multa de 75%. O sujeito passivo que, de maneira informal, realiza troca de cheques, usando para tal suas próprias contas bancárias, não está agindo, de forma dolosa, com a intenção de sonegar tributo. Nos casos em que o sujeito passivo exerce de forma profissional a troca de cheques, o fato de tal atividade ter se estendido por mais de um ano, sem ser declarada, não caracteriza situação que justifique a qualificadora da multa. Recurso provido em parte.
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Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial iniciase no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Nas hipóteses em que não há pagamento, o prazo decadencial contase na forma do artigo 173, I, do CTN, situação em que o primeiro dia do exercício seguinte, na esteira do entendimento do STJ, em recurso repetitivo, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. No caso dos autos, não houve pagamento antecipado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no decorrer do anocalendário de 2003, o prazo decadencial iniciou em 01 de janeiro de 2004. Assim, quando do lançamento realizado em 07/11/2008, não havia créditos extintos pela decadência. ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA INDIVIDUAL À PESSOA JURÍDICA. NULIDADE INEXISTENTE. Salvo as exceções previstas no § 2º, do artigo 150, do Regulamento do Imposto de Renda, à luz do § 1º, II, deste artigo, devem ser consideradas pessoas jurídicas e tributada como tal as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. O auto de infração seria nulo se a autoridade fiscal, em tendo constatado que o contribuinte exercia, de modo habitual, atividade de troca de cheques, não o tivesse equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 2363DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 2 2 ERRO NA APURAÇÃO DO PERCENTUAL DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE INEXISTENTE. O erro na base de cálculo da exigência do imposto não causa nulidade do lançamento. Nos casos em que a autoridade fiscal aplica base de cálculo diversa daquela prevista em lei, não cabe à segunda instância decretar a nulidade do lançamento, mas sim corrigir a base de cálculo, não podendo, contudo, agravar a situação da exigência fiscal. ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES “PRÉDATADOS”. ATIVIDADE INFORMAL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. BASE DE CÁLCULO DE 32%. Para efeitos do artigo 17, da Lei nº 4.595, de 1964, deve ser compreendida por instituição financeira aquela que tem atribuições para captar dinheiro no mercado para fins de depósitos, remunerados ou não, fazer aplicações, conceder empréstimos, ou realizar intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, sendo que, no caso de recursos de terceiros, deve, na data aprazada para o resgate, proceder a devolução. Não se pode confundir a captação e a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, que são atividades privativas das instituições financeiras, com a troca de cheques “prédatados” realizada, de forma informal, por pessoas físicas e jurídicas. O ato de trocar cheques “prédatados”, por pessoa física ou jurídica, que exerce esta atividade de maneira informal, não importa em coletar dinheiro no mercado, intermediar aplicação de recursos e, tampouco, na custódia de valor de propriedade de outrem. Quando uma instituição financeira capta e aplica recursos de terceiros, ela fica obrigada a restituir. Nos casos em que a pessoa física ou jurídica troca cheques “prédatados”, com deságio, não se está diante de atividade equiparada à instituição financeira, até porque estas não recebem cheques “prédatados”. A lei, os costumes e a jurisprudência são fontes do direito. No momento em que os costumes e a jurisprudência passam a admitir fatos não definidos em lei, desde que lícitos, ao intérprete cabe analisar a norma com os olhos do homem do seu tempo, e não com a visão da época em que a lei foi elaborada para ser aplicada em realidade não imaginada pelo legislador de então. Na Lei nº 7.357, de 1985, não está previsto a figura do cheque “prédatado”. O recebimento de cheque por instituição financeira, importa na sua imediata apresentação para compensação. Em sendo ordem de pagamento à vista, o cheque “prédatado” sequer poderia ser admitido por empresas de factoring, para desconto futuro. Admitida como prática normal a troca de cheques “prédatados” por pessoas que exercem tais atividades de maneira informal, a base de cálculo nestas atividades, por se assemelharem às atividades de factoring, é de 32%, não havendo razões para aplicação de base de cálculo de 45%, cabível somente às instituições financeiras. Fl. 2364DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 3 3 MULTA QUALIFICADA. TROCA DE CHEQUES DE MANEIRA HABITUAL E CONTÍNUA EM NOME PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 14 DO CARF. A omissão de receita pela não declaração de rendimentos justifica o lançamento com multa de 75%. O sujeito passivo que, de maneira informal, realiza troca de cheques, usando para tal suas próprias contas bancárias, não está agindo, de forma dolosa, com a intenção de sonegar tributo. Nos casos em que o sujeito passivo exerce de forma profissional a troca de cheques, o fato de tal atividade ter se estendido por mais de um ano, sem ser declarada, não caracteriza situação que justifique a qualificadora da multa. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da base de cálculo de 45% para 32% e reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 2365DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 4 4 Relatório Tratase de autos de infração de fls. 02/53 para a cobrança do IRPJ e reflexos de PIS, COFINS e CSLL, com multa de 150% (cento e cinquenta por cento), referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, com ciência em 07/11/2008 (fls. 03, 15, 28 e 42), em razão da apuração das seguintes irregularidades: “001 Receitas Operacionais (Atividade NãoImobiliária) Receita de Atividade Financeira. No procedimento de fiscalização foi verificado que os créditos líquidos efetuados nas contas bancarias da autuada, durante os anoscalendário 2003, 2004 e 2005, constituíam receitas de atividade de desconto de títulos de crédito, cuja natureza jurídicotributária a equipara uma pessoa jurídica financeira.” Na composição do crédito tributário, a Fiscalização utilizou os critérios do lucro arbitrado, pois a autuada, sujeita à tributação pelo Lucro Real, não apresentou os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal. Conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal de fls. 54 e seguintes, a autoridade fiscal concluiu que a atividade econômica da contribuinte não seria de factoring, pelos seguintes motivos: a) as características da movimentação bancária indicam que os recursos que nela circularam estavam empregados em atividade econômica de natureza comercial ou financeira, considerandose: o elevadíssimo numero de débitos e créditos registrados no período fiscalizado; a significativa quantidade de devoluções de cheques devolvidos e; os reduzidos gastos em consumo pessoal da fiscalizada; b) foram utilizados os valores sacados das contas bancárias para pagar dívidas de terceiros; c) foram empregados valores sacados das contas bancárias na permuta, com deságio, por cheques “prédatados”; d) foram utilizados valores sacados das contas bancárias para financiar o consumo de terceiros; e) foram empregados os valores sacados das contas bancárias na permuta, com deságio, por cheques emitidos pelo próprio cedente do título; f) foram utilizados valores sacados contas bancárias para financiar a atividade de aquisição de títulos de crédito praticada por terceiros; g) nas permutas de numerário por cheques “prédatados”, a interessada exigiu do cedente dos títulos à assunção da responsabilidade pelo pagamento dos valores eventualmente não honrados pelos devedoressacados; Fl. 2366DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 5 5 h) nas permutas de numerário por cheques “prédatados”, a fiscalizada, habitualmente, descontou, do valor que entregou ao cedente do título, os valores constantes de títulos anteriormente permutados, que não foram honrados pelos devedoressacados; i) nas permutas de numerário por cheques “prédatados”, a fiscalizada não fez distinção entre os cheques provenientes de vendas a prazo, ou da prestação de serviços realizados pelos clientes, e os cheques emitidos por estes, admitindo que permutava títulos de ambos os tipos. Às fls. 1760/1797 a contribuinte apresentou impugnação onde, além da decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 04/11/20031, alega: a) que na data de ciência do lançamento já havia decaído o direito de o fisco constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 04/11/2003, pelo transcurso do prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4°, do CTN; b) que houve erro na identificação do sujeito passivo e apuração indevida da base de cálculo, quando do enquadramento da autuada como instituição financeira, alegando que a atividade desenvolvida seria de factoring; c) que é necessária a realização de perícia, com a finalidade de que sejam respondidos os quesitos indicados às fls. 1796/1797, apontando, nesse sentido, como seu perito, o Sr. Ricardo Fidelis Cunha, Contador; d) que o auto de infração lavrado utilizou base de cálculo diversa da indicada por ocasião da resposta à diligência pelo Fisco; e) que os cheques são endossados pelo cliente no verso, e que a responsabilidade do pagamento dos cheques é do cliente, e não do emitente, e que a referida afirmativa não inibiria qualquer caracterização da atividade de factoring, em razão do que determina a Lei n° 7.357, de 1985 em seu artigo 21, e, segundo o STJ (REsp n° 820.672), quem endossa garante o pagamento do cheque, seja endossatário quem for; f) que instituição financeira deve ser registrada no Banco Central, e a impugnante não tem qualquer relação com o BACEN. g) que não poderia o Fisco arbitrar o lucro mediante a aplicação do percentual de arbitramento de 45% (quarenta e cinco por cento) sobre a soma dos "Totais Líquidos" mensais, apurados nos demonstrativos; h) que houve erro na aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) alegando que o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, estabelece apenas um percentual de 50% (cinquenta por cento), o que constitui um grave erro no lançamento. A DRJ de origem, em decisão unânime (fls. 1800 a 1822), julgou o lançamento procedente em parte, acolhendo a alegação de erro na indicação do fator de desconto para aplicação da receita bruta, referente ao mês de agosto de 2005, em que, o fator de desconto a ser aplicado, conforme indicado à fl. 1772, devia ser de 2,8% (dois vírgula oito por cento) e não 3% (três por cento), conforme aplicado pela autoridade fiscal. 1 Esta data de 04112003 é apontada pelo requerente. Fl. 2367DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 6 6 Consequentemente, o valor tributável relativo ao terceiro trimestre de 2005, passou a ser de R$ 14.384,76. A decisão pode ser sintetizada a partir da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizaria, exigência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. A capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO LANÇAMENTO. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 FACTORING. CARACTERIZAÇÃO. 1. A atividade de factoring requer a continuidade e a conjugação das seguintes subatividades: assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber; e compras de direito creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. 2. A simples operação de compra de cheques não é suficiente para caracterizar o contrato de fomento mercantil. 3. A atividade de fomento mercantil não se confunde com o contrato de mútuo celebrado pelas instituições financeiras, pois os pressupostos básicos da operação de factoring são a prestação de serviços e a compra a vista de créditos mercantis, não ocorrendo desconto, nem antecipação de recursos. BASE DE CÁLCULO. VALORES FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. Fl. 2368DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 7 7 Tendo o lançamento se baseado em valores fornecidos pelo próprio contribuinte, e não tendo a defesa apontado elementos que inquinassem sua veracidade, insubsistentes se tornam as alegações de desrespeito ao princípio da verdade material. ERRO NA APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL. Constatado erro na indicação do fator de desconto para aplicação da receita bruta, deve ser retificado o valor lançado correspondente. LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADE FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da pessoa jurídica que exerce atividade privativa de instituição financeira, sujeita ao lucro arbitrado, é 45% sobre o total da receita declarada ou omitida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em acórdãos do Conselho de Contribuintes ou de decisões do Poder Judiciário não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido para realização de perícia quando estão presentes nos autos os elementos necessários para formação da convicção do julgador. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003, 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Lançamento Procedente em Parte” Regularmente cientificada (fl. 1831), a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 1833 a 1871), alegando, em síntese: a) a nulidade do lançamento por não ser observado os preceitos do artigo 142, do CTN, visto que a autoridade fiscal lhe equiparou à instituição financeira, quando o certo é atividade de factoring; Fl. 2369DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 8 8 b) que a base de cálculo correta para a atividade que desenvolve é de 32% (trinta e dois por cento) e não de 45% (quarenta e cinco por cento); c) que não existe justificativa para qualificação da multa; d) a decadência dos fatos anteriores a 04/11/2003. É o relatório. Fl. 2370DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 9 9 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto nº. 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Da preliminar de nulidade Não subsiste a preliminar de nulidade do sujeito passivo por não observância do artigo 142, do CTN, e por erro na identificação do sujeito passivo. O auto de infração seria nulo se a autoridade fiscal, em tendo constatado que a contribuinte exercia, de modo habitual, atividade de troca de cheques, não o tivesse equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda. A vasta jurisprudência que a parte recorrente colaciona em seu recurso diz respeito aos casos em que, tendo constatado que o sujeito passivo exercia, de forma habitual, atividade de troca de cheques, a autoridade fiscal não lhe equiparava à pessoa jurídica, tributando como se pessoa física fosse. O fato do Fisco ter equiparado o sujeito passivo à instituição financeira, está relacionado apenas ao aspecto da base de cálculo a ser aplicada, situação que não causa nulidade e será analisada em item especifico. Das atividades desenvolvidas pelo recorrente e da base de cálculo Em que pese o artigo 1º, II, da Lei nº 7.357, de 1985, prever que o cheque é ordem de pagamento à vista e incondicional, sua facilidade de circulação decorrente do endosso de que trata o artigo 21, da mencionada lei, agregado a outros fatores mercadológicos relacionados à política de concessão de crédito, este título passou a ser admitido no mercado e reconhecido pela jurisprudência como promessa de pagamento a prazo, surgindo o denominado cheque “prédatado.” Os estabelecimentos, normalmente de menor porte, criaram sua própria política de financiamento de suas vendas por meio dos “cheques prédatados”, cujas características e conceito de todos é conhecida. Por meio deste procedimento, em vez de fazer um contrato de concessão de crédito, o comerciante recebe vários cheques e se compromete a ir descontando nas datas préajustadas, daí a expressão “cheques prédatados”. Por necessitar de recursos para repor seus estoques, nem sempre o comerciante que recebeu os cheques “prédatados” pode aguardar “o vencimento” destes títulos, sendo obrigado a repassar, por endosso, para pagamento de seus próprios fornecedores Fl. 2371DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 10 10 ou, em não conseguindo, a descontar no mercado. Nestas circunstâncias, o comerciante põe endosso no cheque, nos termos do artigo 21, da Lei nº 7.757, de 1985, e repassa a terceiro, com deságio, que assume o compromisso de somente apresentar para compensação na data que foi ajustada com o emitente do título. Este terceiro, normalmente pessoa física ou jurídica, ao fazer desta atividade seu negócio habitual, deve ser tributado como pessoa jurídica, cabendo identificar se tal atividade está mais próxima dos serviços de factoring, cuja base de cálculo é de 32% (trinta e dois por cento) ou de instituição financeira, com base de cálculo de 45% (quarenta e cinco por cento). A rigor, se ignorássemos a realidade da vida e nos ativéssemos somente ao texto da lei, diríamos que as instituições bancárias não recebem cheques “prédatados” e que, pelo conceito de atividade da factoring, o factorizador, em caso de inadimplência do emitente do título, não poderia voltarse contra o factorizado. No entanto, se ficássemos limitados aos conceitos e tivéssemos a real de que o cheque é ordem de pagamento à vista, conforme previsto no artigo 1º, II, da Lei nº 7.357, de 1985, teríamos que afirmar que tal título, por não existir, na lei, a figura do “cheque prédatado”, não se prestaria para desconto futuro com deságio, como ocorre, por exemplo, com as duplicatas a vencer. Para os efeitos do artigo 17, da Lei nº 4.595, de 1964, deve ser compreendida por instituição financeira aquela que tem atribuições para captar dinheiro no mercado, para fins de depósitos, remunerados ou não, em conta do titular, fazer aplicações, conceder empréstimos, realizar intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, sendo que, no caso de recursos de terceiros, deve, na data aprazada para o resgate, proceder a devolução. O ato de trocar cheques “prédatados”, por pessoa física ou jurídica, que exerce esta atividade de maneira informal ou não, não importa em coletar dinheiro no mercado, intermediar aplicação de recursos próprios ou de terceiros e, tampouco, na custódia de valor de propriedade de outrem, atividades estas privativas das instituições financeiras. Além das instituições financeiras e das empresas de factoring, cujo objeto social tem em sua essência elemento relacionado à concessão de crédito, existem as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP`s, de que trata a Lei nº 9.790, de 1999, cujo artigo 3º, IX, prevê a possibilidade de funcionarem com sistemas alternativos de concessão de crédito, onde vislumbro a possibilidade de descontos de cheques “prédatados” e, nem por isto, podem ser equiparadas às instituições financeiras, conforme expressamente previsto na lei que as regulamenta. Não se pode confundir a captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, que são atividades privativas das instituições financeiras, com a troca de cheques “prédatados”, realizados por pessoas físicas e jurídicas. Quando uma instituição financeira recebe e aplica recursos de terceiros, ela está captando dinheiro no mercado, com a obrigação de restituir. Nos casos em que a pessoa física ou jurídica troca cheques “prédatados”, com deságio, sua atividade equiparase a de factoring, e como tal, deve ser tributada. Em assim sendo, procede o recurso na parte em que requer a redução da base de cálculo para 32% (trinta e dois por cento). Fl. 2372DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 11 11 Da questão relacionada à qualificação da multa O caso concreto revela situação daquela pessoa física que, dispondo de alguns recursos, passa a realizar como atividade profissional troca de cheques, em nome próprio, utilizando contas bancárias de que é titular, sem constituir pessoa jurídica para tal e sem apresentar declaração de imposto de renda. Diz o relatório fiscal, em relação ao ano de 2004, que a recorrente apresentou Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, sem informar rendimentos. No entanto, não localizei a referida declaração nos autos, fato que não altera a conclusão sobre a multa qualificada, adiante analisada. O argumento, para qualificar a multa, de que o sujeito passivo não apresentou DIPJ e DCTF, não subsiste, pois agindo como pessoa física, como efetivamente agia, não se podia esperar que apresentasse DIPJ e DCTF. O fato da recorrente não ter entregue DIRPF, ou por têla entregue zerada, no ano de 2004, também não é motivo para qualificação da multa. Por fim, a alegação de que, em 1998, a recorrente havia sido autuada em face da movimentação financeira, igualmente não é causa para afirmar que tenha praticado atividade criminosa. Se tinha como profissão a troca de cheques, atividade desenvolvida de maneira informal, por evidente que os recursos iriam aparecer em suas contas bancárias. Situação bem diferente seria se tivesse movimentado os recursos que utilizava na troca de cheques, por meio de interposta pessoa. O fato da fiscalização ter se estendido por três anos, no caso concreto, não afasta a incidência da Súmula 14, que assim dispõe: “A simples apuração de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A multa de 75% (setenta e cinco por cento), já é para os casos de omissão de rendimentos, sejam eles durante um, dois ou três anos. A qualificadora está reservada, no caso de movimentação financeira, às situações em que o titular dos recursos utilizase de interpostas pessoas. Com tais considerações, afasto a qualificadora da multa. Da decadência e da aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF No caso dos autos, tanto o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL, caracterizamse como tributos sujeitos a lançamento por homologação, sendo os primeiros, com período de apuração mensal, e os dois últimos, no caso da recorrente tributada com base no lucro arbitrado, com apuração trimestral. Ao apreciar a decadência no REsp 973.733/SC, submetido ao regime dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543 do CPC, assim decidiu a corte: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 2373DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 12 12 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não Fl. 2374DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 13 13 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Rel MIN LUIZ FUX. Jul. 12/08/2009. DJE 19/09/2009).” O REsp 973.333/SC tinha por controvérsia a possibilidade ou não de somar o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, com o prazo do artigo 173, I, ambos do CTN, situação em que prazo decadencial passaria a ser decenal e não quinquenal. Entendeu o Tribunal que não subsiste a tese do prazo decenal. Nos fatos geradores com aspecto temporal mensal, e nos fatos geradores instantâneos, o prazo decadencial, pela regra do artigo 173, I, do CTN, no entendimento do STJ, tem como marco inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato imponível. A crítica que faço a tal entendimento, é que, nas situações em que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro, o primeiro dia seguinte ao do fato imponível é 1º de janeiro, isto é, o dia seguinte ao do fato gerador. Em face ao disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, que determina que seus colegiados devem aplicar o mesmo entendimento adotado pelo STJ nos processos submetidos ao regime dos recursos repetitivos, previstos no artigo 543C, do CPC, para melhor elucidar a questão, adentrei aos fundamentos do acórdão proferido no REsp 973.733/SC, de onde transcrevo: “ A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente a contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. ... Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Com a finalidade de sustentar seu entendimento, o Ministro relator invocou dois precedentes da Corte, sendo que um deles, que tenho como o mais abrangente, segue transcrito: “No mesmo diapasão, destacamse as ementas dos seguintes julgados oriundos da Primeira Seção: Fl. 2375DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 14 14 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. (...) 8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Fl. 2376DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 15 15 Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). Fl. 2377DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 16 16 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido." (Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008). Ao ler o acórdão, em análise preliminar, tive a impressão de que as expressões "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, poderiam decorrer de erro material. Fl. 2378DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 17 17 No entanto, o mesmo assunto, com o mesmo relator, voltou a ser apreciado pela Primeira Turma, quando do julgamento do AgRg no REsp 1203986/MG, em julgamento realizado em 09/11/2010 e publicado em 24/11/2010, com fato gerador compreendido a partir de 1995, em que se entendeu que o prazo decadencial iniciou em 01/01/1996, com término em 01/01/2001. Eis a ementa do julgado: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; Fl. 2379DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 18 18 (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior. 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que "o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal....” 4. (....) 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (omiss....)” Dos fundamentos ora analisados, trago as seguintes passagens: “...A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de junho de 1995. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II ..... Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 2380DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 19 19 poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.” Do que se extrai do acórdão acima, mesmo para os casos de fato gerador mensal, como é o caso das contribuições previdenciárias, do PIS e da COFINS, em não havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial iniciase no dia 1º de janeiro do ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Nas hipóteses em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial iniciase no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Nas hipóteses em que não há pagamento, ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial contase na forma do artigo 173, I, do CTN, situação que o primeiro dia do exercício seguinte, na esteira do entendimento do STJ, em recurso repetitivo, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do dato imponível. No caso dos autos, não houve pagamento antecipado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no decorrer do anocalendário de 2003, o prazo decadencial iniciou em 1º de janeiro de 2004, sendo que, quando do lançamento realizado em 07/11/2008, não havia créditos extintos pela decadência. Fl. 2381DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.018369/200861 Acórdão n.º 140200.442 S1C4T2 Fl. 20 20 ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, dar parcial provimento para afastar a multa qualificada e reduzir a base de cálculo de 45% (quarenta e cinco por cento) para 32% (trinta e dois por cento). É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 2382DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 13971.000945/2004-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE Os
comprovantes carreados não comprovam efetivamente as despesas médicas.
Numero da decisão: 2201-001.077
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Fl. 21DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 02/04), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, no qual se apurou restituição indevida de imposto de renda no valor de R$ 1.249,95. A fiscalização apurou que o contribuinte reduziu para R$ 1.370,63 o valor do Imposto a Restituir pleiteado anteriormente, por meio de uma DIRPF/2000 retificadora, entregue em 22/04/2004. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou Impugnação, alegando, verbis: 1. Quando da declaração retificadora realizada foi esquecido de registrar o lançamento da despesa médica: código três, Moacir José Bertoli — CPF003.359.24972, valor R$ 4.321,00 (quatro mil trezentos e vinte hum Reais); 2. A comprovação desta despesa é realizada através do pagamento destes serviços médicos através de cheques do Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) (...) A 4ª Turma da DRJ – Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se extrai da íntegra do voto condutor do aresto proferido: Como se infere dos autos, o interessado pugna para que se deduza dos rendimentos tributáveis valores pagos a Moacir José Bertoli (CPF nº 003.359.24972), a título de despesas medicas, no montante de R$ 4.321,00. Com efeito, a legislação concernente ao IRPF concede ao contribuinte a possibilidade de deduzir dos rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual os pagamentos efetuados, durante o anocalendário, a título de despesas médicas. No entanto, também impõe a comprovação da efetividade do dispêndio e, além disso, que esse se enquadra no conceito de despesa médica ou de hospitalização, sob pena de a dedução pleiteada ser considerada indevida. Nesse sentido, a Lei nº 9.250, de 1995, assim dispõe em seu art. 8º, inciso II, alínea “a” e §§ 2º e 3º: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea "a" do inciso II: Fl. 22DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13971.000945/200428 Acórdão n.º 220101.077 S2C2T1 Fl. 2 3 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. No caso presente, o contribuinte sequer comprova a realização dos pagamentos, limitase apenas a relacionar, em sua impugnação, os números dos cheques e o valor de cada um, sem, entretanto, trazer elementos, como, por exemplo, cópia dos referidos cheques, para dar sustentação ao seu intento. De se ressaltar que o vocábulo “indicação”, no inciso III, foi utilizado no sentido de demonstração, identificação. Além do mais, não se pode olvidar dos termos do art. 73 do RIR/1999, in verbis: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Ante o exposto, voto no sentido de julgar PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração de fl. 2. Intimado da decisão de primeira instância, Oscar José Graf apresenta Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo que está juntando ao recurso cópia dos cheques demonstrando os valores pagos a Moacir José Bertoli (CPF nº 003.359.24972), a título de despesas médicas. É o relatório. Voto Fl. 23DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos requer o contribuinte reconhecimento dos valores pagos a título de despesa médica ao profissional Moacir José Bertoli, CPF nº 003.359.24972, no montante de R$ 4.321,00. Por sua vez, a autoridade recorrida negou provimento a Impugnação, posto que o recorrente não comprovou os pagamentos efetuados. Fundamentalmente, concluiu a autoridade julgadora a quo que “... o contribuinte sequer comprova a realização dos pagamentos, limitase apenas a relacionar, em sua impugnação, os números dos cheques e o valor de cada um, sem, entretanto, trazer elementos, como, por exemplo, cópia dos referidos cheques, para dar sustentação ao seu intento.” Por outro lado, em seu instrumento recursal, informa o contribuinte que está juntando aos autos cópia dos cheques demonstrando os valores pagos a Moacir José Bertoli a título de despesas médicas. Pois bem, compulsandose as cópias de cheques carreadas aos autos, fls. 14/16, verifico, pois, que através das mesmas não é possível identificar, com precisão, se foram de fato utilizadas para pagamento de despesa médica ao profissional Moacir José Bertoli. Em verdade, a prova acostada aos autos encontrase ilegível e não se presta a finalidade que se propõe, qual seja, a comprovação da despesa médica no valor de R$ 4.321,00. Destarte, com as presentes considerações e diante da insuficiência da prova documental trazida aos autos, encaminho meu voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 24DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002416/2002-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVA DE REGULARIDADE FISCAL.
A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60).
Não se desincumbindo o contribuinte, no curso do processo de revisão de beneficios fiscais, de comprovar sua regularidade fiscal, é de ser indeferido o pleito.
Numero da decisão: 1103-000.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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EXIGÊNCIA DE REGULARIDADE FISCAL. INDEFERIMENTO DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60). Não se desincumbindo o contribuinte, no curso do processo de revisão de beneficios fiscais, de comprovar sua regularidade fiscal, é de ser indeferido o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO- 1O'S$PERCII\110 DA SILVA - Presidente. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (Vice Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Cristiane Silva Costa, Jose Sergio Gomes (Suplente Convocado). Processo n" 16327.002416/2002-90 SI-CIT1 Acórclao n.° 1103-00.493 Fl. 165 Relatório A Recorrente formulou Pedido de Revisão de Ordem de Beneficio Fiscal — PERC referente ao ano-calendário de 1998, pedido este indeferido pela Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo em face da ausência de comprovação de regularidade fiscal, bem assim pela existência de débito inscrito no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal — CADIN, e de pendências em relação A Procuradoria da Fazenda Nacional. A decisão de indeferimento do pedido foi vertida nos seguintes termos (fls. 69-70): "7 — Antes de apreciar o pleito do interessado quanta ao seu mérito convém verificar, em caráter preliminar, se o mesmo poderia usufruir o incentivo .fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria. Nesse intuito foram consultados o CA DIN e os registros de regularidade niantidos pela SRF, PGF1V, INSS e CEF/FGTS (fis.60/67). 8 — A aludida consulta indica que no momento o interessado: - está inscrito no Catlin ([1.66); - não possui Certificado de Regularidade junto ao FGTS válido nem está em condições de obtê-lo (f1.65); - a mais recente certidão dequitação de tributos e contribuições federais foi emitida em 18/10/2005 é do tipo "positiva", estando irregular sua situação junto a PGFN (lls.61;64;67); - impedindo-o de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições . federais, com o que ficam materializadas as vedações previstas na legislação transcrita.." Inconformada, apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade (fis. 95-99), pleiteando a reforma da decisão administrativa com base nos seguintes fundamentos, verbis: "Coin efeito, a suscitada inscrição no CA DIN decorrente da suposta situação irregular do recorrente junto ã Procuradoria Geral, trata-se de equivoco realizado pela Procuradoria que inscreveu em divida ativa um suposto e inexistente crédito tributário do recorrente. Nota-se que a inscrição em divida ativa advém de um Processo Administrativo (Proc. N° 16327.500502/2005-14) no qual o crédito tributário estava extinto pela compensação de PIS regularmente efetuada. Neste contexto ainda, e sem adentrar ao mérito do processo administrativo, tem-se que o contribuinte, ora recorrente, não foi notificado anteriormente a inscrição em divida ativa, o que evitaria esta, sendo certo ainda, que a mera notificctção informando já a inscrição em divida ativa torna o procedimento ?5/ 3 completamente nulo diante da ausência do principio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Desta estreita exposição day . fatos, tem-se que a inscrição em divida ativa é nula, seja pelos motivos já expostos, seja porque a discussão acerca da extinção pela compensação do PIS não encontra-se findada, encontrando-se até os dias atuais em anchtmento o processo achninistrativo que foi envelopado, em que se comprova a extinção do crédito tributário pela compensagtio. Mais tuna vez, observa-se um equivoco na decisão, tendo em vista que, conforme a certidão anexa, o contribuinte encontra-se com sua situação regularizada perante o FGTS. Desta 'bona, ao revés do argumentado na decisão ora recorrida, constata-se que o recorrente encontra-se com sua situação regular perante os órgãos federais, não existindo quaisquer impedimentos para o pedido meia/mente I -eau:y(1o." A manifestação de inconformidade foi improvida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo, assim: "INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A não comprovação c/c quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos Solicitação Inclekrida." Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 112-116, reproduzindo as razões da manifestação de inconformidade, acrescentando que a regularidade fiscal deveria ser apurada no momento da opção pelo beneficio. É o relatório. 4 sequer, à data de interposição do recurso voluntário. Ressalte-se que, durante todo o curso do processo, discutiu a Recorrente a validade da inscrição de débito em divida ativa, buscando desconstituir a restrição e obter o deferimento do pedido corn a simples apresentação de petição ao Juizo onde tramita a correspondente ação de execução fiscal. Sendo cediço que os procedimentos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, não comportam discussões acerca da situação de regularidade fiscal dos requerentes, fazia-se obrigatório que a Recorrente trouxesse aos autos certidão de regularidade, o que não fez. Assim, h mingua de comprovação da regularidade fiscal da Recorrente, conheço do recurso para negar-lhe provimento. 6
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001649/2004-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — MÉTODO PRL — De acordo com o art. 18 da Lei 9.430/96, serão dedutiveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes Comparados-PIC, Preço de Revenda menos Lucro-PRL e Custo de Produção mais Lucro-CPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que sofrem alguma manipulação no pais antes de serem revendidos, não pode, simples Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário, cuja normatividade está diretamente subordinada a lei, vedar o uso do referido método.
CSLL – Lançamento Decorrente - O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se a tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1102-000.501
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, Manoel Mota Fonseca e Leonardo de Andrade Couto, que negavam provimento.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327001649/2004-37 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1102-00.501 – la Camara / 2a Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria PREÇO TRANSFERENCIA Recorrente NOVARTIS BIOCIENCIAS SA Recorrida 5A. TURMA DRJ SÃO PAULO/SPI Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — MÉTODO PRL — De acordo com o art. 18 da Lei 9.430/96, serão dedutiveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes Comparados-PIC, Preço de Revenda menos Lucro-PRL e Custo de Produção mais Lucro-CPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que sofrem alguma manipulação no pais antes de serem revendidos, não pode, simples Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário, cuja normatividade está diretamente subordinada a lei, vedar o uso do referido método CSLL – Lançamento Decorrente - O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se a tributação dele decorrente. vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado,vencidos os Conselheiros Joao Otávio Oppermann Thomé, Manoel Mota Fonseca e Leonardo de Andrade Couto, que negavam provimento. 1 ) W-E E MA AQUIAS PESSOA MONTEIRO – Presidente e Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto , Manoel Mota Fonseca(Suplente Convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). Editado em: 09/08/201(1 Processo i? 16327001649/2004-37 SI-CIT2 Acórclao n.° 1102-00.501 Fl. 2 Relatório Trata-se de lançamentos para o IRPJ e a CSLL, formalizada em 28/12/2004, referentes aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1999. Tenno de Verificação Fiscal de fls. 688 a 837, aponta que a empresa adotou, para todos os bens importados de vinculadas, o Método do Preço de Revenda menos Lucro — PRL, determinado pelo artigo 12, da Instrução Normativa SRF O 38/97. Verificou, também, que dentre os bens importados, havia inúmeras mercadorias que eram matérias primas: princípios ativos (farina) e ingredientes ativos (agro). Termo de Constatação e Intimação n° 001/2004 (fls. 185/190), ao tempo em que informava â contribuinte a impossibilidade de utilização do método PRL para valoração dos custos das matérias primas importadas de vinculadas, a intimava a apresentar, através de outro método para apuração do preço parâmetro (PIC ou CPL) dos princípios e ingredientes ativos que relacionou As fls. 187. Documentos de fls. 196 a 228 respondem A intimação e a partir desta, com base no artigo 39 da IN SRF n° 38/97, o autuante adotou o Método dos Preços Independentes Comparados — PIC para determinação dos preços de transferência das matérias-primas importadas de pessoas vinculadas, na forma do Termo de Constatação e Intimação IV 002/2004 (fls. 229/235). As memórias de cálculo apresentadas em atendimento ao item 7 do Termo de Inicio da Ação fiscal (tl. 116), apontaram para o fato de que a metodologia empregada para apuração, por produto, do preço parâmetro não seguiu as normas determinadas pelo artigo 12, da IN SRF n° 38/97. Faltaram discriminar itens corno : saldo inicial em estoque do período de apuração; n° da nota fiscal de saída; descrição detalhada do item conforme constante do documento fiscal; adquirente; quantidade em unidade de medida comercial; unidade de medida comercial; valor total do item; descontos incondicionais concedidos; impostos e contribuições incidentes sobre a venda; comissões e corretagens pagas. (conforme Termo de Constatação e Intimação n° 002/2004, que também a intimou a apresentar para cada um dos produtos relacionados As fls. 231 e 232, planilhas que contivessem os dados necessários para apuração do preço-parâmetro com base no método PRL.) A partir desses eventos (conforme Termo de Verificação de fls. 688 a 837) há adição ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL do ano-calendário de 1999, da diferença apurada neste cálculo, conforme tabelas constantes do item 10 da decisão combatida. As operações de importação efetuadas no ano-calendário de 1998, foram objeto de verificações que culminaram com o lançamento de oficio de IRPJ e CSLL constantes do processo n° 16327.002133/2003-29, No citado processo foi apurada a necessidade de ajustes, decorrente de preços de transferência, para as importações das mercadorias Ametrina Técnico Granel, Atrazina Técnico, Simazina Técnico e Thiabendazole Microfine pelo método PRL, e dos princípios ativos, Clortalidona, Cloridrato de Clomipramina, Cloridrato de Terbinafina e Cloridrato de Tioridazina e ingredientes ativos, Abamectina e DDVP pelo método PIC. Processo n° 16327001649/2004-37 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.501 Fl. 3 É apontado que no ano-calendário de 1998, das quantidades de cada produto importado naquele ano, foram segregadas as quantidades dos produtos que ficaram em estoque, em 31/12/1998, bem como as matérias-primas que ficaram na composição dos produtos semi- elaborados e na composição dos produtos finais em estoque, também em 31/12/1998. A partir desses ajustes foram apuradas as quantidades exatas que geraram excesso de custo, computado no resultado da empresa no ano-calendário de 1998. De outro lado, as quantidades segregadas, geraram no ano-calendário de 1999, um valor resultante do excesso do custo computado no resultado da empresa. No item 15 é apontado o resumo dos cálculos constantes dos demonstrativos de fls. 723 a 728 e 821 a 833, que resultaram em ajustes (adição) ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL do ano-calendário de 1999. Ciente do lançamento em 28/12/2004, apresentou a Contribuinte, em 27/01/2005 a impugnação de fls. 862 a 872, acompanhada dos documentos às fls. 873 a 876, na qual alega, em síntese, que a Lei 9430/1996 não estabelece restrição a utilização dos três métodos pelos quais se possa apurar o preço de transferência dos produtos importados de pessoa jurídica vinculada. Portanto, uma instrução normativa não poderia dispor em sentido contrário. Mesmo que se considerasse legal a restrição imposta pelo § 1°, do artigo 40 da IN SRF n° 38/97, esta não se aplicaria aos produtos que motivaram o lançamento , tendo em vista que os bens fiscalizados não são bens diferentes daqueles importados, mas, sim, os próprios bens meramente beneficiados e embalados. E ainda, a Instrução Normativa como ato regulamentador para a fiel execução da lei, não pode criar, alterar ou extinguir direitos e obrigações: estas são funções da lei. É o que determina o artigo 99, do CTN, ao dispor que "o conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação..." Desta foram o excesso contido na IN, em relação à lei, constitui vicio que a torna inválida, já que seu fundamento de validade deve ser buscado, precisamente na lei de regência, ou seja, a Lei IV 9.430/96. Quando muito e em tese, a norma contida no § 1", do artigo 4°, da IN SRF n° 38/97, para ter assegurada a sua validade, s6 poderia ser interpretada como aplicável unicamente aos casos em que os bens fiscalizados são bens diferentes daqueles que foram importados, o que não ocon-eu na espécie. Além do mais, a OCDE admite a utilização do Método PRL, sendo oportuno ressaltar que no item 12, da Exposição de Motivos da Lei n° 9.430/96, o Governo Brasileiro admite que o modelo de controle de preços adotado procurou acompanhar e estar em consonância corn as normas e orientações tragadas por aquele organismo internacional (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico). Reclama , igualmente, da aplicação dos juros corn base na SELIC.para fins tributários, por falta de previsão legal e por se tratar de urna taxa remuneratória de capital. Aduz, ainda, que o poder judiciário tem acolhido a argüição de inconstitucionalidade da SELIC para fins tributários. D. 3 Processo n" 16327001649/2004-37 SI-C1T2 Acórdão II.' 1102-00.501 Fl. 4 Sobrevem a decisão de fls.879/894, assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 1999 Ementa: NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vincula ção ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINACA - O. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Prego de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do prego de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bent. Correta a aplicação, pela . fiscalização, do método PIC (Preços Independentes Comparados), em estrito cumprimento a legislação vigente. JUROS DEMORA. SELIC. A faltct de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratários, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança coin base na taxa SELIC, sendo que à esfera adniinistrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: DECORRÊNCIA. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica- se a tributação dele decorrente. Ciente da decisão em 09/06/2005, fls.899, oferece o recurso voluntário em 06/07/2005, fls.902/914,onde inicia reclamando da decisão por não ter apreciado a lei e os fatos com exatidão. Também, de forma equivocada, mantivera o entendimento de que a produção de medicamentos para consumo final corn utilização de princípios ativos importados se enquadra no conceito de "produção de outro bem", impossibilitando a aplicação do Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), corn margem de lucro de vinte por cento; e, b) que na esfera administrativa inafastável a exigência da taxa SELIC sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Utilizar o parágrafo 1 ° .do artigo 4°, da IN SRF n° 38/97, o qual veda a utilização do método PRL nos casos de utilização de princípios ativos importados aplicados na produção de medicamentos, se mostra em total discordância com o comando normativo .da Lei 9430/1996. E a Lei n° 9.430/96 não estabelece esta restrição nem qualquer outra a utilização dos três métodos pelos quais se possa apurar o prego de transferência dos produtos 10, 4 Processo n° 16327001649/2004-37 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.501 Fl. 5 importados de pessoa jurídica vinculada. Corn efeito, o parágrafo 1°, do artigo 4 0, da Instrução Normativa SRF n° 38/97, ao proibir a utilização do PRL nos casos de princípios ativos importados, os quais, no Brasil, são dosados, isto e, repartidos uniformemente em quantidades usadas para fins terapêuticos, sem, contudo, serem alterados em sua essência, reveste-se de flagrante ilegalidade, impondo restrições não previstas na Lei. Além do que a Instrução Normativa SRF n° 38/97 jamais poderia ter instituído vedação absoluta à utilização do método PRL; principalmente nos casos em que os princípios ativos importados, apesar de repartidos unifonnemente em quantidades usadas para fins terapêuticos, não modificarem sua essência; pois, estaria, então, referida Instrução Normativa, introduzindo verdadeira inovação em relação a lei de regência da matéria. Transcreve doutrina de LUÍS EDUARDO SCHOUERI que observa : "7.6.1 — Idêntica restrição não se encontra no texto da lei, que se limita a descrever os metidos para a apuração do prego 'arm's length'. Importante que se mencione, outrossim, que sequer a norma administrativa cogitou de estender a restrição aos casos de aplicação do método de revenda para as exportações ('P VA e PVV). 7.6.2 — Da inexistência de previsão legal da restrição a aplicação do PRL no caso de produção no pais, parece licito concluir-se que esta somente pode ser aceita se compatível com o principio 'arm's length'. Ora, já se mostrou acima que o principio 'arm's length', CI71 foros internacionais, se atinge por qualquer dos três metidos apresentados. Mais ainda, ficou claro que a própria OCDE não restringe a aplicação do método do preço de revenda para os casos ern que haja manufatura local. 0 que importa é o contribuinte ter condições de desdobrar sua contabilidade, demonstrando o quanto o processo produtivo local pode vir a influenciar ci margem de revenda e o preço final. A questão é, assim, da maior ou menor dificuhlade na aplicação do metido, nunca de sua inaplicabilidade. Ao contrário, em casos de processos produtivos locais de menor importância, chega a OCDE a considerar até mesmo mais apropriado este método. 7.6.3 — Não encontra guarida em lei, portanto, a proibição imposta pela referida Instrução Normativa..Ao contrário, na medida que se tent o principio 'Cl1"111'S length' C01110 condutor da legislação brasileira de preços de transferência, devem ser oferecidos ao contribuinte todos os meios para demonstrar que setts preços atendem àquele principio, não sendo aceitável tuna restrição, por parte das autoridades administrativas, a um método previsto pela lei. 7.6.4 — Poder-se-ia argumentar que a restrição viria da própria lei, já que esta, referindo-se ao preço de revenda, pressupôs uma operação comercial, pela qual o contribuinte vende aquilo que comprou da empresa associada. Tampouco se defende, aqui, outro entendimento: o PRL exige tuna operação de venda e é esse o aspecto objetivo do metido. Também é certo que se deve vender algo que se adquiriu. O que não disse o legislador — nem Processo n° 16327001649/2004-37 SI-Cl T2 Acórao n.° 1102-00.501 Fl. 6 a prática internacional é que o bem revendido não pode, antes da revenda, sofrer qualquer modificação. 7.6.5 — Finalmente, importa esclarecer que o ato normativo em questão não empregou o termo rindustrializaçãor, mas sim 'produção'. 7.6.5.1 — 0 primeiro termo é conhecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, compreendendo cinco processos distintos: transformação, montagem, beneficiamento, acondicionamento e recondicionamento. 7.6.5.2 — 0 termo 'produção' não está definido e não hó razão para se imaginar seja ele tão amplo quanto o primeiro. Pressupondo que o ato normativo em questão baseou-se na expressão 'revenda' para vedar o emprego do PRL quando houvesse 'produção' no Pais, esta só pode ser compreendida como aquela depois da qual o produto sofi -e tamanha mudança, que já não é 111CliS possível dizer que se trata daquele mesmo produto. 7.6.5.3 — Este não é o caso nos processos de beneficiamento, acondicionamento e reC017CliCiOnal77ellt0. Na montagem, pode ser possível fazer referência a um todo, sem que se mencionem as partes. Estas, entretanto, são plelialliente localizáveis e individualizáveis, caracterizando, ci toda prova, twit, revenda. 7.6.5.4 — Neste sentido, o termo 'produção' deve restringir-se aos casos de 'transformação' e, ainda assim, nem sempre. Com efeito, nos termos da legislação do IN basta que um produto obtenha nova classificação fiscal, para que se tenha uma transformação. Ocorre que, muitas vezes, dão-se classificações sfiscais diversas a urn tilde° produto, conforme a quantidade em7 que se apresente. Isso é muito C011711111 para os produtos químicos. Ora esta 'transformação' não implica se perm 0 produto, que continua plenamente loccilizável e, portanto, sujeito a ser revendido, tal como entende a fiscalização. 7.6.5.5 — Assim, a restrição da IN 38197 somente pode ser aplicada aos processos de 'produção' que impliquem desnaturação do produto, que impeça constatação da revenda" ("Pregos de Transferência no Direito Tributário Brasileiro", p. 95, Editora Dialética, 1999). E logo a seguir, este mesmo autor, citando FORTUNA TO BASSANI CAMPOS, ob.verva que: "7.6.6 — 0 tema . foi enfrentado, no Brasil, por Fortunato Bassani Campos que, em palestra a convite da Delegacia Regional de Julgamento de Sao Paulo, assim argumentava: 'Se eu importar um barril de azeitonas em salmoura e revender essas azeitonas CM vidro, depois de devidamente beneficiadas e ninguém vai negar que cis azeitonas importadas no barril 6 Processo n° 16327001649/2004-37 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.501 Fl. 7 coin salmoura são as mesmas azeitonas que eu pus no vidrinho e estou revendendo. 0 que vai ter que se ,feito é apenas um ajuste para ver se há adaptação ao prego de revenda, ajuste este que não está na instrução normativa, ina.s decorre da natureza das coisas e do bom senso. Outro exemplo: se eu importar um pozinho para alergia na pele, que dependa, para sua fixação na pele, da agregação de outro produto, que não altera em nada a essência d pozinho, destinando-se apenas a torná-lo uni creme ou uma pomada, cie maneira que o medicamento atinja os seus objetivos? Eu posso também importar casulas, importar o pozinho e depois encapsular e vender. Isso é prego de revenda? E se eu solidificar o pó numa pílula? Também será preço de revenda? Seria outro produto e, par efeito de IPI, ate é uma industrialização, mas (lo ponto de vista estritamente lógico e prático, não e. 0 medicamento final que estou vendendo é o mesmo. O fato de eu encapsular ou transformar o pozinho numa pílula embalá-la para venda não altera basicamente o medicamento que cii comprei. remédio, o efeito e o objetivo não sofreram alteração. E os agregados, os aditivos, enfim os diluentes, o que for necessário para transformar o medicamento que eu importei em medicamento passível (le digestão geram uni custo mínimo e não aumentam o preço, na maior parte dos casos, mais que 5%; excepcionalmente, podem chegar no máximo a 10%, se .forma considerada a embalagem. De toda forma, é o mesmo produto, que é importado e revendido'. 7.6.6.1 0 exemplo proposto por Bassani Campos, concernente ci indústria farmacêutica, e que pode ser estendido a diversos produtos nos quais, conquanto ocorra 11111a transformação (no sentido da legislação do IN), continua plenamente identificável o produto importado, demonstra que extensão da expressão 'revenda' vai além da industrialização. C0171 efeitos, na indústria farmacêutica, encontra-se a importação de elementos denominadosrprincipios ativos'. Estas substcincias decorem de pesquisas oferecidas em determinadas dosagens, podem produzir 11171 efeito desejado pelo consumidor (a cura). As indústrias locais, de regra, adquirem os princípios ativos cai grim.' ides quantidades, cabendo-lhes dividi-los nas quantidades recomendadas peldfarmacologia. Ocorre que assim divididos, não há possibilidade de se venderem os princípios ativos, já que se estaria tratando, no mais dcis vezes, de substâncias microscópicas. Dai que o iniportador flies acrescenta outras substancias, como água, açúcar ou outro excipiente, cle modo a possibilitar o seu consumo. Note-se: o principio ativo é 0 mesmo. Também são os mesmos os seus efeitos. 7 Processo n 0 16327001649/2004-37 S 1-CI T2 AcOrcido n.° 1102-00.501 Fl. S Nada se modifica senão a possibilidade de sua comercialização e consumo. 7.6.6.2 — Do mesmo modo, no campo dos defensivos agrícolas, verifica-se que as indústrias important princípios ativos em embalagens que, depois de abertas, devem ser C017,S11171idas em poucos dias. Tendo em vista as grandes quantidades importadas, os importadores efetuant o processo denominado 'formulação', que nada mais é clue agregar ao produto estabilizantes, que em nada modificam a atuação do principio ativo, mas que permitem que os produtos fiquem expostos por mais tempo, sem deterioração. Nota-se, tuna vez mais, que o defensivo agrícola coincide com o revendido, seja em sua composição, seja em seu efeito. estabilizante apenas lhe dá maior durabilidade, para permitir a sua comercialização" ("Pregos de Transferência no Direito Tributário Brasileiro", p. 97, Editora Dialética, 1999). No mesmo sentido, PAULO DE BARROS CARVALHO, discorrendo sobre a utilização do método PRL à luz do Direito Tributário Brasileiro, assinala que: "0 fato do revendedor agregar algum valor ao produto, aprimorando-o para o C011S111110, não é empecilho ao emprego desse método, especialmente quando o valor agregado quantificável e configure a razão preponderante da aquisição pelo consumidor. (..). Em conseqüência, inexiste incompatibilidade entre o meto do prego de revenda e a circunstáncia de haver produção quando esta não altera as particularidades do bem importado. conceito de 'revendla' não exclui o de 'industrialização'. (..) Por todo o exposto, ainda que fosse legal a restrição constante da IN n° 38/97, apenas quando o revendedor submeter o bem importado a operação modificadora de sua natureza, criando nova espécie de bem, diverso do printeiro, sera vedado utilizar o método preço de revenda menos lucros. Em quaisquer outras hipóteses, mesmo havendo processo industrial, inexistindo transformação na essência do bem importado, ter-se-á por licito o emprego do referido método" ("Preços de Transferência do direito Tributário Brasileiro", in UCKMAR, Victor; ALTAMIRANO, Alejandro e TORRES, Heleno Taveim (coords.) "Impuestos sobre el Comercio Internacional", Buenos Aires, Abaco, 2003, p. 704-6. Acresce, "ad argumentandum", conquanto se considerasse legal a restrição imposta pelo § 1 ° o do artigo 4°., da Instrução Normativa n° 38/97, no seu caso não se aplicaria pois os bens fiscalizados não são bens diferentes daqueles importados.São os mesmos, meramente beneficiados e embalados. A Instrução Normativa como ato regulamentador para a fiel execução da lei, IAA() pode criar, alterar ou extinguir direitos e obrigações: estas sac funções da lei. É o que determina o artigo 99, do CTN, ao dispor que "o conteúdo e o alcance dos decretos Processo IV 16327001649/2004-37 S1-C1T2 AcOrcl5o n.° 1102-00.501 Fl. 9 restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados corn observância das regras de interpretação ..." Aponta que o excesso contido na Instrução Normativa, em relação a lei, constitui vicio que a torna inválida, já que o seu fundamento de validade deve ser buscado, precisamente, na lei de regência, ou seja, a Lei no 9.430/96. Dessa forma, para atender o principio da legalidade, há que se buscar nos artigos 18 a 24 e 28, da Lei no 9.430/96 as fronteiras que delimitam o alcance do § 1 0 , do artigo 4°, da Instrução Normativa n° 38/97. Comenta as palavras de Vitorio Cassone que, citando o eminente Ministro Carlos Velloso, do STF assinala: "Se a lei . fixa, por exemplo, exigências taxativas, é exorbitante o regulamento que estabelece outras, C01170 é exorbitante o regulamento que faz exigência que não se contém nas condições da lei, podendo esta estabelecer que o regulamento poderá fixar condições além z das que ela estatuir. Ai, teríamos ulna flexibiliza cão na fixação de padrões jurídicos, o que seria possível, tal como lecionou, no Supremo Tribunal, o Ministro Alionzar Baleeiro (RE 17. 76.629-RS, RTI 711477. E continua o Ministro Carlos Velloso em seu voto: 'Em outro trabalho que escrevi sobre o tema — 'Do Poder Regulamentar', em 'Temas de Direito Público', citado , p. 419 ss. — registrei que esse tipo de regulamento, o regulamento delegado ou autorizado, é o que a Suprema Corte americana tem permitido, sent embargo de consagrar a Constituição dos EUA de 1787, a separação dos Poderes e estabelecer, expressamente, no seu art. I°, Séc. I, que 'Todos os poderes legislativos conferidos por esta Constituição serão confiados a um Congresso dos EUA, composto de um Senado e de uma Câmara de Representantes'. Por isso, de regra, as leis civis, comerciais, trabalhistas, penais, processuctis não são regulamentadas, não sõ por serem ato aplicáveis, C01710 também por dizer pertinência ao cidadão ern geral, tendo, por isso ntesmo, a característica de 'autoaplicáveis" (in "Direito Tributário", p. 49, Ed. Atlas, 1997, cit. Por ANTONIO CALOR RODRIGUES DO AMARAL in "Comentários ao Código Tributário Nacional", coord. IVES GRANDA DA SILVA MARTINS, Ed. Saraiva, 2003). Acresce que Vitorio Cassone observa que: "Os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas: como atos normativos devem-se entender as circulares, as ordens de serviços, as instruções, assim como os chamados pareceres normativos, que são fiteis, ci medida que orientam o servidor público sobre qual o entendimento fazendario a respeito de determinada questão — e fazem coin que o contribuinte tenha conhecimento do entendimento do Fisco. Quanto a natureza jurídica da Instrução Normativa do Processo n° 16327001649/2004-37 SI-CIT2 Acórdão ri.° 1102-00.501 Fl. 10 art. 100, I, do CTN, o STF-Pleno, na ADIN 31I-9-DF, dec. Um. De 8-8-90, decidiu que 'os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas fiscais tem por finalidade interpretar a lei ou o regulamento no âmbito das repartições fiscais'. E. no Ag Rg em ADIn 365-8/600-DF, v.u. de 7-11-90 (in RPIOB, 14082) ementou: 'As Instruções Normativas, editadas por órgão competente da Administração Tributária, constituent espécies juridicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrito ob,s'emincia dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir 1101717aS complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração juridico- formal do que provimento executivos cuja norrnatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, C01710 as leis e as medidas provisórias, a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de depenclAneica. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do CTN, vem a positivar em seu texto, em decorrência de 771á interpretação da lei ou medida provisória, uma exegese que pass romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade e não de con.stitucionalidade ...', E, em seguida, lembra: "0 Código Tributário Nacional interpretado pelo Tribunal Regional Federal da la Região (Saraiva, 1995), dispõe acerca da jurisprudência derivada do art.100 do CTN. 'EMENTA: ... As instruções normativas editadas por Orgão competente da administração resultam, imediatamente, de sua estrita observáncia dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares" (in "Direito Tributário", p. 49, Ed. Atlas, 1997, cit. Por ANTONIO CALOR RODRIGUES DO AMARAL in "Comentários ao Código Tributário Nacional", coord.1VES GRANDA DA SILVA MARTINS, Ed. Saraiva, 2003). Comenta que, quando muito e em tese, a norma contida no § 1°, do artigo 4°, da Instrução Normativa no 38/97, para ter assegurada a sua validade, só poderia ser interpretada como aplicável unicamente aos casos em que os bens fiscalizados são bens diferentes daqueles que foram importados, o que, como se viu, não ocorreu na espécie. Cumpriria ressaltar que a OCDE expressamente admite a utilização do método PRL, corno pode ser observado pelo item 2.22 da obra "Transfer Pricing Guidelines For Multinational Enterprises And Tax Administrations", abaixo reproduzido mediante tradução livre: Processo n° 16327001649/2004-37 SI-C1T2 Acórdilo n.° 1102-00.501 Fl. 11 "2.22 É mais ,fácil de se determinar urna apropriada margem de revenda quando o revendedor não adiciona nada substancial ao valor do produto. Em contraste, pode ser mais dificil de usar o método do preço de revenda para atingir um preço arm's lengh quando, antes da revenda, os bens são profundamente firocessados ou incorporados em um produto mais complicado, de ta forma que sua identidade é perdida ou transformada (e.g. quando componentes são agregados em produtos acabados ou semi-acabados). Outro exemplo em que a margem de revenda requer um cuidado particular é quando o revendedor contribui substancictlmente para a criação ou manutenção de propriedade intangível associada com o produto (e.g. marcas ou nomes comerciais) que é de propriedade da empresa associada. Em tais casos na .fácil avaliar a contribuição ao valor final do produto, dada pelos bens transferidos originahnelite" ("OCDE Transfer Pricing Guidelines for Multinational Enterprises and Tax Administrations", p. 11-7, item 2.22). E mais, oportuno ressaltar que no item 12, da Exposição de Motivos da Lei no 9.430/96, 0 Governo Brasileiro deixou claro que CI modelo de controle de preços adotado pelo nosso Pais procurou acompanhar e estar em consonância corn as normas e orientações traçadas pela OCDE. Se contrapõe a aplicação dos juros corn a taxa SELIC, linha na qual expende vasto arrazoado, por fim transcreve a conclusão do trabalho do Ministro Dr. Franciulli Netto denominado "DA INCONSTITUCIONALIDADE DA TAXA SELIC PARA FINS TRIBUTÁRIOS", publicado na Revista Tributária e de Finanças Públicas - Ano 8 - n° 33 - julhoagosto de 2000, que demonstra com toda clareza a ilegalidade da aplicação dessa taxa, a titulo de juros moratórios, em créditos tributários : 15. Conclusão Pelo que precede, poder-se-ia assim resumir o que foi neste modesto trabalho exposto : 1. Não criada a taxa Selic para fins tributários, são inconstitucionais as leis que determinant a sua cobrança em impostos e contribuições previdencidrias. Em matéria de tributação, nesta incluídas as contribuições previdenciárias, os critérios para aferição da correção monetária e dos juros devem ser definidos com clareza pela lei. 13. Diante do exposto, restando absolutamente comprovado que a razão está com a Recorrente e não C0111 o Fisco, reafirma a Recorrente todas as razões de fato e de direito expendidas em sua Impugnação e espera que seja REFORMADA a decisão recorrida na parte que lhe é contrária, para ser julgado totalmente IMPROCEDENTE o Auto de Infração objeto deste processo. Assim decidindo, esse Egrégio Conselho fará prevalecer, mais 11171a vez, o Direito e a Justiça. Processo a' 16327001649/2004-37 SI-CIT2 Acórdao n.° 1102-00.501 Fl. 12 0 despacho de fls.932 redistribui o processo para minha relatoria. Este o Relatório. 12 Processo n' 16327001649/2004-37 SI-Cl 12 Ac6rcl3o n.° 1102-00.501 Fl. 13 Voto Trata-se de lançamentos para o IRPJ e a CSLL, formalizada em 28/12/2004, referentes aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1999. No entender da autoridade fiscal, a empresa adotara para todos os bens importados de vinculadas o Método do Preço de Revenda menos Lucro — PRL, indevidamente, ante restrição imposta pelo § 1 0, do artigo 4° da IN SRF n38/97, para utilização deste método, no caso de insumos. O litígio se faz para esclarecer se é legitima a limitação de utilização do método PLR (para fins do disposto nos artigos 18 e seguintes da Lei n. 9.430/96) por contribuintes que importam produtos/insumos sujeitos à industrialização no pais para posterior comercialização de produto final industrializado. A matéria já foi objeto de conhecimento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e ali o entendimento assente é no sentido de que a limitação à utilização do método PLR imposta pela IN 38/97 para apuração do preço parâmetro, para fins do disposto na Lei n. 9.430/97, afronta a estrita legalidade tributária, o que acarreta a insubsistência do lançamento que nela se respalde. 0 entendimento firmado pelo Colegiado é no sentido de que o art. 18 da Lei no. 9.430, de 1996, não veda a utilização do método do Prego de Revenda menos Lucro - PRL - na avaliação de eventuais ajustes a titulo de "Preços de Transferência" relativamente aos custos de bens importados de empresas ligadas estabelecidas no exterior, o que retira base legal da IN SRF n. 38, de 1997. como se vê nas transcrições seguintes: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA - Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operaçães efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao prey, determinado por uni dos métodos descritos 110 artigo 18 da Lei n" 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos, pois tal imposição vai de encontro a previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e a alternativa dada no § 4", do mesmo artigo. AJUSTE NA IMPORTAÇÃO - É correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Ouando a empresa efetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que Hies del-an? origem, cabe a ,fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados. O período de apuração dos preços médios deve ser o de ocorrência do .fato gerador (trimestral ou anual). (Lei 9.430/96 art. 18 § 10,,) . Recurso especial negado. (Acórdão n° 40105782 do Processo 16327004321200219- Camara Superior de Recursos Fiscais, 1" T111'1110 - Data 04/12/2007) O. — 13 Processo n° 16327001649/2004-37 S 1-CI T2 AcOrdiao n.° 1102-00.501 Fl. 14 No mesmo sentido: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aqulsição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos descritos no artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e alternativa dada no ,sç 40, do mesmo artigo. AJUSTE NA IMPORTAÇÃO. _E correta a utilização, pela fiscalização, de qualquer um dos três métodos de ajuste somente quando a empresa não utilizou qualquer método de ajuste previsto na legislação. Quando a empresa ejetua o ajuste e intimada, apresenta as planilhas e os documentos que lhes deram origem, cabe a.fiscalização tão somente conferir a veracidade dos dados. O período de apuração dos preços médios deve ser o de ocorrência do .fato gerador (trimestral on anual). Recurso especial negado. (Acórdão n" 9101-00.487 do Processo 16327.003186/2003-67 - Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF Ia. Turma da Ia. Câmara — Data 25.01.2010) Este último acórdão citado também se refere a mesma matéria objeto deste processo, no ano de 1998. Nesta ordem de juizos deixo de analisar os demais argumentos por restarem prejudicados e voto no sentido de DAR provimento ao recurso. alaac'essoa Monteiro 14 Processo no 16327001649/2004-37 Si -Cl T2 Acórdão n.° 1102-00.501 FL 15 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 09/08/2011 JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1° Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ 15
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900485/2006-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DESPACHO NÃO HOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Encontrando-se o decisório fiscal devidamente motivado e fundamentado, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1103-000.491
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Encontrandose o decisório fiscal devidamente motivado e fundamentado, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.900485/200694 Acórdão n.º 110300.491 S1C1T3 Fl. 49 2 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 8ª Turma de Julgamento da DRJI em São PauloSP que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São PauloSP, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito de antecipação (estimativa) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) do mês de janeiro de 2003, recolhida em 28/02/2003 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na declaração de compensação (Dcomp) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 28 de julho de 2003 visando extinguir débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apurada no mês de maio de 2003. Analisandoa, concluiu a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São PauloSP que seria improcedente o apontado crédito em razão do aventado pagamento realizado a maior que o devido ter sido integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, nada restando para a compensação pretendida. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade assim se expressando: (0 crédito objeto de compensação da PER/DCOMP N° 12685.25387.280703.1.7.040060, não foi encontrado, pois a devida retificação da DCTF do período em referencia (Janeiro de 2003) não havia sido efetuada. Salientamos que, diante da verificação da situação acima descrita foram efetuados os procedimentos retificatórios para reiterar o pedido de compensação anteriormente solicitado, conforme comprova a documentação suporte que ora segue anexa (DCTFRetificada, PER/DCOMP, DARF's e comprovantes de recolhimentos). Aquela 8ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto do decisório da autoridade fiscal, consignando que a documentação alegadamente juntada não fora trazida ao processo e assim remanesceu descaracterizada a ocorrência de pagamento indevido ou a maior que o devido. Em decorrência, indeferiu a solicitação. Ciente do decisório em 11 de fevereiro de 2009, fl. 25, a contribuinte apresentou em 13 do mês seguinte o recurso voluntário de fls. 26/36 trazendo preliminar de nulidade do despacho decisório em vista da ausência de adequada e necessária motivação para a não homologação da compensação efetuada, assim compreendida na falta de razões pelos quais a autoridade administrativa acredita não existir o crédito, em afronta à garantia da ampla defesa inserta no artigo 5º, LV, da Constituição. Quanto ao mérito pugna pela efetiva existência do crédito almejado, esclarecendo que no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) equivocouse na indicação do valor da CSLL apurada e recolhida no primeiro trimestre de 2003, fazendo constar o montante de R$ 583.512,14 ao invés de R$ 582.146,38, do que seguiu a apresentação de declaração retificadora para reduzir a quantia originariamente Fl. 53DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.900485/200694 Acórdão n.º 110300.491 S1C1T3 Fl. 50 3 informada, daí a origem do recolhimento a maior que o devido no valor de R$ 1.365,76, exatamente aquele inserto na Declaração de Compensação. Aduz que um simples vício formal (equívoco no preenchimento da DCTF) não tem o condão de extinguir seu direito e que é dever da Administração Pública a busca pela verdade material, cabendolhe intimar a contribuinte para apresentação dos documentos comprobatórios da existência do crédito, tais como os livros contábeis e fiscais, ao invés de não homologar de plano a compensação. Ao final, requer a procedência do recurso e o reconhecimento do direito creditório, bem assim a homologação da compensação efetuada. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Analisando o despacho da Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São PauloSP à fl. 15 convençome que a mesma não padece do alegado vício de nulidade. Com efeito, verifico que, a par de proferido por quem detém a competência legal, apresenta todos os elementos formais (fundamentação, decisão, enquadramento legal, ordem de intimação e identificação do agente fiscal) requisitados pelo processo administrativo. A motivação do indeferimento do direito creditório postulado, em específico, encontrase perfeitamente registrada no quadro 3 do despacho decisório: ausência de crédito disponível para a compensação do débito informado no PER/DCOMP. Assim, a resposta ao Administrado fora regularmente entregue, sendo válida e eficaz, apta a desafiar inconformismo na esfera do mérito. Quanto ao mérito, é cediço que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Em resumo: a verificação da liquidez e certeza do crédito é operação que exige provas e contas. Nesse diapasão, a certeza e liquidez de crédito a título de recolhimento a maior que o devido de CSLL ou saldo negativo de CSLL, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do lucro, do prejuízo fiscal ou do tributo declarado no ano calendário ou do tributo confessado em DCTF, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e Fl. 54DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.900485/200694 Acórdão n.º 110300.491 S1C1T3 Fl. 51 4 a DCTF meros elementos da composição. Noutras palavras: por si só, não exprimem a figura do indébito fiscal, pois, atos unilaterais, não têm o condão de formatar crédito contra a Fazenda Nacional. A declaração encontrase provada, não assim os fatos nela consignados. Daí porque é necessário que aos autos venham provas contábeis, mesmo porque se trata de contribuinte sujeita ao regime do lucro real, para o qual exige a lei contabilidade regular, a ver pelo artigo 7º e seu § 4º, e também o artigo 8º, inciso I, “b”, ambos do Decretolei nº 1.598, de 1977, dispondo que a pessoa jurídica deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do imposto a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, a demonstração do resultado do exercício, a contabilização das receitas que ensejaram as antecipações e/ou retenções, os lançamentos de eventuais compensações, etc, além dos registros pertinentes do livro “LALUR”. No caso dos autos a contribuinte busca reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional calcada em mera alegação de erro no dimensionamento da quantia devida em janeiro de 2003, lastreandoa na DCTF retificadora, nada ofertando quando do inconformismo à autoridade julgadora de primeira instância ou mesmo com o recurso voluntário endereçado a esta Corte. Rogando venia e levandose em conta a regra basilar extraída do artigo 333, inciso I, do estatuto processual civil pátrio, tenho que a certeza e liquidez de um crédito não se realiza num universo dessa simplicidade. Quanto à alegada obrigação que teria a Administração de colacionar ditos requisitos entendo que em tema de repetição tributária o ônus da prova incumbe à contribuinte e o princípio da verdade material que governa o processo administrativo não vai a ponto de obrigar o Fisco na produção de provas a favor da Requerente, salvo aquelas que for do conhecimento da Administração e conste de seus registros. Com tais razões, VOTO pela rejeição da preliminar e, no mérito, pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 55DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.900485/200694 Acórdão n.º 110300.491 S1C1T3 Fl. 52 5 Fl. 56DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 25/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA
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