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Numero do processo: 35339.000273/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/07/2005
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
CONTRIBUIÇÃO AO SESI/SENAI.
As contribuições destinadas a terceiros (SESI, SENAI) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos. A legalidade de tais contribuições já está assentada na jurisprudência.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na
atividade preponderante da empresa. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE.
A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as contribuições destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA
LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-002.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/07/2005 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO AO SESI/SENAI. As contribuições destinadas a terceiros (SESI, SENAI) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos. A legalidade de tais contribuições já está assentada na jurisprudência. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as contribuições destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 357 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.802.5044, lavrada em 13/10/2005, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais (levantamento CIN); a diferença de acréscimos legais (levantamento DAL); a contribuições previdenciárias, bem como o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT) e contribuições de terceiros incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais e empregados relativas a diferenças entre GFIP e folha de pagamento (levantamento FPG); a contribuição prevbidenciária incidentes sobre pagamentos a cooperativas (levantamento UNI), no período de 01/08/2003 a 31/07/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 3.879.619,71, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 13/10/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 80/111, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do Recurso Voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 168/175, a DRP/Blumenau concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/12/2005, fls. 177. O recurso voluntário, apresentado em 27/01/2006, fls. 179/212, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Quanto ao SAT, argumenta ainda que a definição de grau de risco não poderia ser feita por Decreto, o que caracteriza sua inconstitucionalidade. Argumenta com a ilegalidade do SAT, pois somente a lei poderia fixar os aspectos essenciais da hipótese de incidência, mas isso não foi feito no caso de tal exação, de modo tal que o contribuinte não tem como saber, com o conteúdo da lei, a qual alíquota está submetido. Haveria, portanto, afronta clara ao princípio da reserva legal. Os Decretos que trataram da matéria não explicitaram os critérios utilizados na diferenciação das alíquotas do SAT. Aponta inconstitucionalidade no Salário Educação, bem como, em seguida, indica a inconstitucionalidade e a ilegalidade da cobrança da Contribuição ao SESI/SENAI e ao SEBRAE, e defende a não incidência da contribuição ao INCRA. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer, pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 358 5 Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Da inconstitucionalidade da cobrança de contribuição do SALÁRIOEDUCAÇÃO Com relação à contribuição social ao salárioeducação, sua constitucionalidade foi reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação: “Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96.” Razão pela qual não vejo como excluir do lançamento esta rubrica, eis que devida pela recorrente nos termos da legislação alinhavada no relatório de fundamentos legais, trazidos pelo auditor notificante. Contribuição ao SESI/SENAI As contribuições para o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial foram instituídas pelo DecretoLei nº 4.048, de 22/01/42, sendo regido ainda pelas seguintes alterações: Decretolei nº 4.936, de 07/11/42; Decretolei nº 6.246, de 05/02/44; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. O SESI – Serviço Social da Indústria foi instituído através do Decretolei nº 9.403, de 25/06/46, sendo ainda regido pela seguinte legislação: Lei nº 4.863, de 29/11/65; Decreto nº 60.486, de 14/03/67; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 A recorrente, por ser indústria, está vinculada ao FPAS 507, se constituindo em sujeito passivo das contribuições para o SESI e SENAI, de acordo com a legislação que os instituiu: SENAI – DecretoLei n.º 6.246, de 05 de fevereiro de 1944: “Art. 2º. São estabelecimentos contribuintes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial: a – as empresas industriais (grifamos), as de transportes, as de comunicações e as de pesca.” SESI – DecretoLei n.º 9.403, de 25 de junho de 1946: “Art. 3º Os estabelecimentos comerciais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (art. 577 do DecretoLei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins.” Além de estarem previstas nas leis acima indicadas, nossa jurisprudência há muito já se posicionou acerca de sua legalidade e constitucionalidade, como facilmente se depreende nos julgados abaixo, literris: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS GERAIS SESC E SENAC SESCOOP COOPERATIVA DE TRABALHO MISTA ENQUADRAMENTO SINDICAL ART. 557 DA CLT PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE CONSTITUCIONALIDADE DAS EXAÇÕES EXIGIBILIDADE NÃO REFERIBILIDADE DECRETOS LEIS 9.853/46 E 8.621/46 MP 1.89813/99 APELAÇÃO DESPROVIDA 1 Verificado o enquadramento da Apelante, mediante a análise de seus fins, dispostos no estatuto às fls. 32/55 dos autos, nº 2º Grupo do quadro anexo ao art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho E que foi recepcionado pela Carta Magna de 1988 Sujeitase a mesma ao recolhimento de contribuições sociais gerais ao SESC e SENAC. Confirase a jurisprudência deste eg. Tribunal: AMS 2000.33.00.000789 8/BA, 8ª Turma, Rel.: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 2512008, p. 319) e AMS 1999.38.00.0410304/MG, 7ª Turma, Rel.: Desembargador Federal Catão Alves, DJ de 1342007, p. 76). 2 A exigência do recolhimento das contribuições sociais para o SESC e o SENAC, de natureza jurídica social, encontrase amparada em lei, devidamente recepcionada pela Carta Magna de 1988 (cf. Lei 9504, art. 240), notadamente em face da eleição da valorização do trabalho e o progresso social do trabalhador como princípios pétreos da ordem econômica e social (cf. art. 170, CF/88). Relativamente às cooperativas, a própria Medida Provisória nº 1.89813/99, criadora do SESCOOP, faz referência, em seu art. 9º, ao fato de que as contribuições anteriormente arrecadadas pelas cooperativas e destinadas ao SESC/SENAC, passaram a ser canalizadas para a nova entidade. 3 Desnecessária a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 359 7 referibilidade, relação e vinculação entre a exação e o contribuinte, que prescinde ser beneficiado diretamente pelas exações em comento, porquanto contribuições de intervenção no domínio econômico, cujo objetivo é efetivar, sob todos os aspectos, o apoio e desenvolvimento das empresas, em sua generalidade e independentemente do fato de praticarem atos de comércio Ou não Ou de serem prestadoras de serviços Ou não. 4 Neste sentido: "As contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema (S) sindical (SESC/SENAC, SESI/SENAI, SEST/SENAT, SEBRAE) são definidas pela jurisprudência como contribuições sociais de intervenção no domínio econômico, inseridas no contexto da concretização da cláusula pétrea da valorização do trabalho e dignificação do trabalhador, a serem suportadas por todas as empresas, ex vi da relação jurídica direta entre o capital e o trabalho, independentemente da natureza e objeto social delas." (In AC 2000.01.00.026011 8/MG, 7ª Turma do TRF/1ª Região, Rel.: Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 1952008, p. 124). 5 Recurso de apelação ao qual se nega provimento. (TRF1ª R. AC 2003.38.00.0398970/MG 7ª T. Rel. Itelmar Raydan Evangelista DJe 23.01.2009 p. 202) Contribuição ao SEBRAE Sobre a alegação de ilegalidade na imputação de contribuição ao SEBRAE, esclarecemos a recorrente que todas as empresas vinculadas ao SESI/SENAI, ao SESC/SENAC e ao SEST/SENAT são contribuintes do SEBRAE. A contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) foi criada pela Lei nº 8.029, de 12/04/90, que autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública Federal o antigo CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo, consoante disposto no artigo 8º: Art. 8º É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. ................................................................................................ § 3º As contribuições relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até 0,3% (três décimos por cento), com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. § 4º O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. O artigo 1º do DecretoLei nº 2.318/86 dispõe sobre a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades das contribuições para o SENAI, SENAC, SESI e SESC. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 O Poder Executivo, fazendo uso da autorização legal, editou o Decreto nº 99.570, de 09/10/90, transformando o CEBRAE no atual SEBRAE, conforme o artigo 1º: Art. 1º Fica desvinculado da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE e transformado em serviço social autônomo. Parágrafo único. O Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE, passa a denominarse Serviço Brasileiro de Apoio às Microempresas – SEBRAE. Do mesmo modo que a Lei nº 8.029/90, o Decreto nº 99.570/90 manteve a autorização para o INSS arrecadar o adicional da contribuição, com o repasse ao SEBRAE, nos termos do artigo 6º, que assim dispõe: Art. 6º O adicional de que trata o parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, será arrecadado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS e repassado ao SEBRAE no prazo de trinta dias após a sua arrecadação. Já em 28/12/1990, foi editada a Lei nº 8.154, que em seu artigo 8º, definiu os percentuais devidos a título do adicional da contribuição, da seguinte forma: Art. 8º (...) § 3º Para atender à execução da política de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do Decreto Lei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: a. 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b. 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c. 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. Desta forma, podemos perceber que a questionada contribuição destinada ao custeio do Serviço de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas, foi criada como uma majoração das contribuições devidas ao SESI/SENAI, SESC/SENAC e, posteriormente, ao SEST/SENAT, criado após o acima mencionado decretolei, por meio do art. 7º da Lei nº 8.706, de 14/09/1993. Conseqüentemente, todas as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento da contribuição devida às referidas entidades, por força dos dispositivos legais retro transcritos, passaram a ser obrigadas ao recolhimento do adicional devido ao SEBRAE. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 360 9 nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE não podem ser exigidas. Da contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) II O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tensões nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Fl. 10DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 361 11 Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ...” Vale enfatizar, porque importante, que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. “ Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: “PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as Fl. 12DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 362 13 razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original).” A seu turno, destaquese ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.” Desta forma, não vislumbro reparos na decisão recorrida neste ponto. Contribuição para financiamento do SAT e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei no. 8.212/1991, alterada pela Lei no. 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... Fl. 13DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigente à época dos fatos, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1° As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 363 15 § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). ... Quanto ao argumento de ilegalidade de o Decreto definir os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repelese tal argüição na medida em que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido manifestouse o STF no Recurso Extraordinário 343.4462 de 20/03/2003: “Ementa CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, Fl. 15DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I.“ Em adição, o Superior Tribunal de Justiça já assentou jurisprudência no sentido da legalidade da fixação da alíquota por meio de Decreto. Transcrevemos um Acórdão nesse sentido: “REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." Estabelecida a legalidade da definição dos graus de risco por meio de Decreto, restanos definir outro ponto que é suscitado sobre o assunto: o grau de risco deve ser aferido por estabelecimento ou na totalidade da empresa? A controvérsia, a despeito da explícita referência do art. 22, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c”, bem do art. 202 do Decreto 3.048/99 a atividade preponderante da empresa – e não do estabelecimento , é alimentada pela existência da Súmula 351 do STJ que tem o seguinte conteúdo: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Fl. 16DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 364 17 Para compreendermos os fundamentos do surgimento de tal súmula, pesquisamos os precedentes que ensejaram a sua origem. Notamos que em todos eles há uma cadeia de citações de decisões que acabam por ter como origem comum Acórdãos do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) que se referiam ao regime jurídico da referida exação antes da edição da Lei 8.212/91, especialmente a Lei 6.367/76 e o Decreto 83.081/79. Verificamos que o art. 15 da Lei 6.367/76 transferiu para o poder regulamentar a competência de classificar os três graus de risco segundo “ a atual experiência de risco”, in verbis: Art. 15. O custeio dos encargos decorrentes desta lei será atendido pelas atuais contribuições previdenciárias a cargo da União, da empresa e do segurado, com um acréscimo, a cargo exclusivo da empresa, das seguintes percentagens do valor da folha de salário de contribuição dos segurados de que trata o Art. 1º: I 0,4% (quatro décimos por cento) para a empresa em cuja atividade o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II 1,2% (um e dois décimos por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado médio; III 2,5% (dois e meio por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado grave. § 1º O acréscimo de que trata este artigo será recolhido juntamente com as demais contribuições arrecadadas pelo INPS. § 2º O Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) classificará os três graus de risco em tabela própria organizada de acordo com a atual experiência de risco, na qual as empresas serão automaticamente enquadradas, segundo a natureza da respectiva atividade Exercendo sua função regulamentadora, o Decreto 83.081/79 trazia textualmente como parâmetro para a definição do grau de risco a separação por CGC, conforme pode ser observado em seu art. 40, a seguir reproduzido: Art. 40. Para os efeitos do artigo 38, a empresa se enquadrará na tabela do Anexo I em relação a cada estabelecimento como tal caracterizado pelo Cadastro Geral de Contribuintes CGC do Ministério da Fazenda. § 1º Quando a empresa ou o estabelecimento com CGC próprio, que a ela se equipara, exercer mais de uma atividade, o enquadramento se fará em função da atividade preponderante. § 2º Para os efeitos do § 1º, considerase atividade preponderante a que ocupa o maior número de segurados. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA 18 Seguindo tais dispositivos, o TFR assentou entendimento de que era o CGC de cada estabelecimento que determinava o grau de risco das empresas, sendo que, existindo um único CGC, deverseia apurar a atividade preponderante. Fácil notar que nenhum esforço hermenêutico foi necessário para tanto, pois o então Decreto regulamentador já previa que a classificação seria feita por estabelecimento com CGC próprio. Ocorre que o regime jurídico da contribuição para financiamento do Seguro de Acidente do Trabalho foi modificado com a entrada em vigor da Lei 8.212/91. A nova lei, além de ampliar a destinação dos recursos da contribuição para o financiamento de todos os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, faz referência à atividade preponderante em seu art. 22. Por seu turno, o Decreto 3.048/99, ao exercer a função regulamentadora, não trouxe mais como critério a separação por CGC ou CNPJ, tendo preferido explicitar seu conceito de atividade preponderante em toda a empresa. Logo, com a mudança do regime jurídico, restaram superados os fundamentos da jurisprudência do antigo TFR e, por conseqüência, os fundamentos jurídicos que ensejaram o surgimento da Súmula 351 do STJ, posto que toda a argumentação dos Ministros do STJ nos precedentes da referida súmula amparamse nas superadas decisões do TFR. Mesmo reconhecendo a necessidade de ser preservada a segurança jurídica que as súmulas ajudam a concretizar, não podemos assumir que as decisões judiciais prevaleçam sobre as leis que lhe são posteriores. Modificada a lei que dava fundamento à Súmula, e não tendo esta força vinculante, desaparece sua força como instrumento que viabiliza a segurança jurídica. Por mais que entendamos que o grau de risco a que os trabalhadores estão expostos é melhor avaliado por atividade ou por estabelecimento, com o atual regime jurídico aplicável ao assunto, estaríamos decidindo em ofensa à legislação e, portanto, com desprestígio da segurança jurídica, se tomássemos como critério o estabelecimento ou a atividade dentro de um mesmo estabelecimento. Se o Decreto 3.048/99 regulamentou o grau de risco sem extrapolar os limites do poder regulamentar, como entendemos ser o caso, suas determinações sobre o assunto devem ser acatadas. Assim, a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Definida a atividade preponderante, a alíquota aplicável na incidência da contribuição será definida pela consulta à tabela do Anexo V do mesmo Decreto. Apresentadas nossas ponderações sobre o assunto, passamos à análise da situação da recorrente. Como a maioria dos empregados da recorrente exerce a atividade industrial, correta a aplicação da alíquota mínima para esse tipo de atividade que é de 2%. Multa de mora confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de Fl. 18DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35339.000273/200700 Acórdão n.º 230102.135 S2C3T1 Fl. 365 19 confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 19DF CARF MF Impresso em 08/08/2011 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 01/07/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 35166.000158/2006-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/09/2005
Ementa: ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99.
CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
PORTARIA. ATUALIZAÇÃO DE VALORES. MULTA.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. POSSIBILIDADE.
A penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória está também prevista em lei, conforme dispõe o art. 92 da Lei n ° 8.212/1991.
Na forma do art. 102 da Lei n° 8.212/1991, os valores previstos
originariamente nesta lei são reajustados sempre que houver alteração no valor dos benefícios pagos pela Previdência Social.
Quando lavrado o presente auto, o valor correspondia a R$ 11.017,50, conforme previsto na Portaria MPS n° 822, DOU de 12/05/2005.
A Portaria é meio hábil para realizar a correção de valores, pois conforme prevê o art. 373 do RPS, os valores devem ser reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamentos dos benefícios. A Portaria MPS n ° 822 reajustou os benefícios pagos pela previdência social e
da mesma forma, conforme previsão regulamentar, reajustou os valores dos autos de infração.
Destaca-se que não houve majoração de valores de multa, tais valores sofreram apenas correção monetária, de modo a preservar-lhes o valor. Por esse fato, não é necessário o instrumento normativo da lei para atualização de tais valores.
Numero da decisão: 2302-001.236
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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GERAIS LTDA E OUTROS Recorrida DRJ BELEM PA Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/09/2005 Ementa: ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. PORTARIA. ATUALIZAÇÃO DE VALORES. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. POSSIBILIDADE. A penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória está também prevista em lei, conforme dispõe o art. 92 da Lei n ° 8.212/1991. Na forma do art. 102 da Lei n ° 8.212/1991, os valores previstos originariamente nesta lei são reajustados sempre que houver alteração no valor dos benefícios pagos pela Previdência Social. Quando lavrado o presente auto, o valor correspondia a R$ 11.017,50, conforme previsto na Portaria MPS n ° 822, DOU de 12/05/2005. A Portaria é meio hábil para realizar a correção de valores, pois conforme prevê o art. 373 do RPS, os valores devem ser reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamentos dos benefícios. A Portaria MPS n ° 822 reajustou os benefícios pagos pela previdência social e da mesma forma, conforme previsão regulamentar, reajustou os valores dos autosdeinfração. Destacase que não houve majoração de valores de multa, tais valores sofreram apenas correção monetária, de modo a preservarlhes o valor. Por Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 esse fato, não é necessário o instrumento normativo da lei para atualização de tais valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Ausente momentaneamente os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35166.000158/200675 Acórdão n.º 230201.236 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Segundo a fiscalização tributária, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, do montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme relatório às fls. 04 a 05. Inconformada com a autuação, a sociedade empresária apresentou impugnação na forma das fls. 32 a 37. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu a decisão de fls. 47 a 51 mantendo a autuação em sua integralidade. Não concordando com a decisão, houve interposição de recuso voluntário conforme fls. 56 a 65. Alega em síntese: a) O valor da multa não está previsto em lei; b) A multa aplicada é inconstitucional e ilegal; c) A lei não prevê as hipóteses de gradação da multa; d) Requerendo a reforma da decisão recorrida. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 53 e 55. Pressuposto superado, passo ao exame das questões de mérito. DO MÉRITO: Não se confundem as obrigações principal e acessória. Enquanto a primeira referese ao recolhimento do tributo; as últimas são deveres instrumentais auxiliares do órgão fiscalizador. Pelo descumprimento da obrigação principal será aplicada a multa decorrente do atraso no pagamento. Pelo descumprimento de obrigações acessórias será imposta multa isolada. In casu, está sendo aplicada multa por descumprimento de obrigação acessória. O valor do tributo não recolhido está sendo cobrando na NFLD correspondente e a multa moratória aplicada em tal lançamento não elide a aplicação da presente autuação, pois são condutas distintas. O pagamento de remuneração aos empregados é fato gerador de contribuições, e logicamente acarretará a necessidade de cumprimento de obrigações acessórias. Tais obrigações acessórias incluem a necessidade de informar em GFIP, contabilizar em títulos próprios e preparar folhas de pagamento. O presente auto de infração teve como fundamento o não registro em títulos próprios da contabilidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35166.000158/200675 Acórdão n.º 230201.236 S2C3T2 Fl. 3 5 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Desse modo, a Lei n 8.212 não conceitua títulos próprios, pois tal expressão não precisa de conceituação legal, por traduzir um conceito contábil. Os títulos próprios são as rubricas das contas utilizadas na contabilidade da empresa, sendo a denominação da conta. O que a Lei n o. 8212 impõe é que todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias devem ser contabilizados em títulos próprios. Assim, se todos os fatos geradores forem lançados em títulos próprios, somente analisando os lançamentos contábeis a fiscalização conseguirá verificar se todos os valores devidos pela empresa foram recolhidos. A contabilização em títulos próprios deve traduzir a forma de incidência de contribuição previdenciária, devendo estar compatibilizada com as folhas de pagamento. A fiscalização demonstrou que havia inconsistências entre os registros constantes em folhas de pagamento e aqueles efetuados na contabilidade. A penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória está também prevista em lei, conforme dispõe o art. 92 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Valores atualizados, a partir de 1º de junho 2005, pela Portaria MPS nº 822, DOU de 12/5/2005, para R$ 1.101,75 a R$ 110.174,67. Na forma do art. 102 da Lei n ° 8.212/1991, os valores previstos originariamente nesta lei são reajustados sempre que houver alteração no valor dos benefícios pagos pela Previdência Social. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme disciplinado na lei acima transcrita, o valor da pena será definido de acordo com o disposto no Regulamento da Previdência Social. No presente caso, o RPS em seu artigo 283, II, “a” prevê a aplicação da penalidade. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Quando lavrado o presente auto, o valor correspondia a R$ 11.017,50, conforme previsto na Portaria MPS n ° 822, DOU de 12/05/2005. A Portaria é meio hábil para realizar a correção de valores, pois conforme prevê o art. 373 do RPS, os valores devem ser reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamentos dos benefícios. A Portaria MPS n ° 822 reajustou os benefícios pagos pela previdência social e da mesma forma, conforme previsão regulamentar, reajustou os valores dos autosdeinfração. Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Destacase que não houve majoração de valores de multa, tais valores sofreram apenas correção monetária, de modo a preservarlhes o valor. Por esse fato, não é necessário o instrumento normativo da lei para atualização de tais valores. Dessa forma, não houve violação ao princípio da legalidade como alega a recorrente. De acordo com o previsto no inciso IV do art. 292 do Regulamento da Previdência Social, a agravante da reincidência eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração (específica), e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes (genérica). Conforme indicado no relatório fiscal à fl. 06, a autuada é reincidente. O que caracteriza a reincidência, na forma do parágrafo único do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, é a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgamento administrativo a decisão condenatória ou homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o Fisco não possui obrigação de apreciar inconstitucionalidade. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35166.000158/200675 Acórdão n.º 230201.236 S2C3T2 Fl. 4 7 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 19515.002946/2005-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa
incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade
incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.
Por presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Subsistindo o
lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (COFINS e PIS).
Numero da decisão: 1103-000.470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Recorrida 1ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJI EM SÃO PAULO SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (COFINS e PIS). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 642DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 7.65 2 documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. +EDITADO EM: 01/06/2011 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), Eric Moraes de Castro e Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJI em São PauloSP que julgou procedentes os lançamentos efetuados em 25/10/2005 pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) Relata a Fiscalização que a contribuinte fora intimada em 11/08/2004 a apresentar documentos e livros afetos à Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do anocalendário de 2002, inclusive extratos bancários das contascorrentes movimentadas, do que se seguiu nova intimação para comprovação da origem dos créditos dessas contas, dos valores acima de R$ 1.000,00 (mil reais). Registrou a Fiscalização que não houve a devida comprovação da origem de parte desses créditos e/ou que os documentos apresentados não são hábeis ou idôneos a tanto, daí imputou a existência de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e lavrou autos de infração para fins de tributação dos valores destes depósitos, antes deduzindo as quantias referentes a transferências de mesma titularidade, empréstimos, liberações de contratos, estornos e devoluções de cheques. Para fins do IRPJ e CSLL a apuração e tributação do lucro da empresa no anocalendário de 2002 se deu pelo regime do lucro real anual, enquanto na seara das contribuições ao PIS e COFINS a tributação incidiu sobre as receitas mensais (junho a dezembro). Impugnando os lançamentos a contribuinte alegou preliminar de nulidade dos autos de infração em razão de terem sido realizados por agente de órgão inexistente, eis que a Medida Provisória nº 258/05, criadora da Receita Federal do Brasil, não foi convertida em lei. Também pugnou pela nulidade dos autos de infração por faltar norma dispondo que depósitos bancários constituem fato gerador do imposto de renda, na esteira do entendimento firmado na Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, bem assim, por Fl. 643DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 8.65 3 afrontarem a Constituição na parte que garante a privacidade do cidadão em vista de constar da informação fiscal que os valores da movimentação financeira foram obtidos com base em informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras as quais deveriam, quando muito, se prestarem à cobrança da CPMF. Ainda em preliminar aduziu a nulidade dos lançamentos por afronta aos princípios constitucionais da verdade material, legalidade e tipicidade. Quanto ao mérito disse que depósitos bancários não dão suporte fático para a tributação do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, os quais possuem como base de cálculo e fato gerador o lucro e não os ingressos, sem contar que, no caso destes, haveriam de ser consideradas as deduções, custos, despesas e exclusões, bem assim, que a omissão de receita deve ser verificada e provada, descabendo a autuação com base em presunção. Também asseverou que a atividade da advocacia sujeitalhe observar sigilo profissional, daí não ser possível indicar de quem recebeu os honorários. Com referência aos processos reflexos reiterou a aplicação das preliminares deduzidas e argüiu a inexistência de lucro a ensejar a exigência da CSLL, nos moldes já apresentados, enquanto para o PIS e a COFINS há de se ter em conta que são contribuições incidentes sobre o faturamento e não outros valores, como os depósitos bancários, e também que sendo uma sociedade civil prestadora de serviços é isenta da COFINS, consoante previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91. Por fim, que a grande maioria dos depósitos correspondem a empréstimos, transferências entre contas, ressarcimentos de custas judiciais, despesas de viagens, de locomoção e de estadia no desenvolvimento da atividade da advocacia, valores devidos a terceiros, valores referentes a aquisições de máquinas e equipamentos recebidos do adquirente e transferidos ao vendedor e serviços prestados, como ainda, que descaberia a cobrança de multa por inexistente qualquer infração, nem tampouco juros de mora, afora a impossibilidade de exigência destes em taxa superior a 12% (doze por cento) ao ano. Aquele Colegiado (1ª Turma de Julgamento) admitiu a impugnação, refutou as preliminares de nulidade e, no mérito, entendeu procedentes os lançamentos, consoante Acórdão nº 1616.226 tomado à unanimidade de votos, fls. 485/504. Consignou o decisório que os atos praticados sob a vigência da Medida Provisória nº 258, de 21 de julho de 2005, a qual alterou a denominação da antiga Secretaria da Receita Federal para Receita Federal do Brasil, são válidos em razão dos §§ 3º e 11 do artigo 62 da Constituição, além do fato de que aquele instrumento em nada alterou o caráter privativo do lançamento do crédito tributário, incumbido a agente detentor do cargo de AuditorFiscal da Receia Federal, então alterado para AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. E mesmo que se considerasse a perda de eficácia com efeitos ex tunc haveria o retorno à situação anterior a sua vigência, que atribui ao órgão Secretaria da Receita Federal a função de fiscalizar e, se necessário, autuar. Pontuou que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de afronta a princípios constitucionais, razão pela qual afastou as demais preliminares de nulidade. Ainda, que a Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, bem assim o Decreto nº 3.714, de 10 de janeiro de 2001, possibilitam o lançamento calcado em informações de instituições financeiras e que estes instrumentos encontramse em sintonia com a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. Fl. 644DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 9.65 4 Quanto ao mérito firmou entendimento que a presunção de omissão de receita deriva da não comprovação da origem dos valores creditados em conta corrente bancária, na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e que a receita mantida à margem da contabilidade não permite acatar deduções de valores correspondentes a custos, despesas e exclusões na medida em que pressupõe já declarados e aproveitados. Relativamente aos documentos juntados com a impugnação asseverou que não se prestam a comprovar a origem dos recursos. Ainda, refutou a possibilidade do alegado sigilo profissional sobrepor à obrigação legal de comprovação da origem dos recursos levados a depósitos, como também o entendimento de que receita omitida não poderia compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Quanto a esta, exteriorizou que o artigo 56 da Lei nº 9.430/96 expressamente prevê a obrigação das sociedades civis de prestação de serviços em recolhêla. Por fim, consignou a pertinência da exigência da multa de ofício e dos juros de mora à taxa SELIC. Consta dos autos que a contribuinte foi intimada do decisório em 28 de julho de 2008, fls. 535/536. Antes disso encontrase encartado o recurso voluntário de fls. 505/532, com carimbo de protocolo do Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) – Paulista datado de 23 de abril de 2008, no qual a Recorrente fustiga o entendimento da r. decisão recorrida argüindo que os atos administrativos são imperfeitos e inexistentes, pois derivados de fiscalização incompetente ante o fato da SUPER RECEITA criada pela Medida Provisória nº 258 não ter se consumado e que causa espanto a fundamentação da decisão recorrida em afirmar que dito instrumento legislativo fora convalidado pela Portaria nº 6.088, de 2005. Afirma também que o Decreto nº 3.724/2001 e a Lei nº 10.174/2001 são ilegítimos diante da Lei Complementar nº 105/2001, a qual autoriza o exame nas contas de depósitos e aplicações financeiras somente quando houver processo administrativo instaurado, com procedimento fiscal em curso. No tocante ao mérito argumenta que não pode prosperar exigência amparada em pura presunção, ilação ou indícios de suprimento de numerário sem origem, nem tampouco existe base de cálculo para incidência da CSLL, PIS e COFINS. Deduz, também, que em seu caso ocorre dúvida quanto a natureza ou circunstâncias do fatos porque a exigência incide em dinheiro de terceiros como salários, pagamentos de custos operacionais advocatícios, preparos judiciais, acordos judiciais, etc, de sorte que é perfeitamente aplicável o preceito insculpido no artigo 112 do CTN (interpretação benéfica em caso de infrações e penalidades) Após dissertar sobre o fato gerador da CPMF aduz que o Supremo Tribunal Federal (STF) discute no Recurso Extraordinário nº 377.477 a constitucionalidade da exigência da COFINS junto as sociedades civis de prestação de serviços, cuja Súmula nº 276 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já norteou em sentido do incabimento, independentemente do regime tributário adotado por elas e que, mesmo seja declarada constitucional, será vedada a cobrança retroativa. Ao final, requer o provimento do recurso e a anulação dos atos. Em 06 de agosto de 2008 um outro recurso foi aviado no qual a Recorrente manifesta sua indignação com a intimação que lhe deu ciência do Acórdão de primeiro grau e fez a cobrança do débito, qualificandoa de retaliadora, e registra que não ratifica o recurso Fl. 645DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 10.65 5 anterior mas sim assevera que estas outras razões subam independentemente das anteriores. Nestas, reprisouse o inconformismo anteriormente deduzido. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. A intimação de ciência da decisão de primeiro grau, mediante envio de cópia do acórdão prolatado por Turma de Julgamento, concomitante à exigência de pagamento de crédito tributário porventura mantido, deve ser levada a efeito por autoridade fiscal preparadora com o que cumpre, inclusive, expressa ordem exarada no próprio decisório. No caso dos autos o que se depreende é que a autoridade preparadora fez a intimação sabendo da existência de recurso aviado sem qualquer intimação. Assim, de duas uma: já teria havido uma intimação anterior, mas extraviada porque aos autos não foi juntada, ou a contribuinte havia tomado ciência do decisório por via indireta. Qualquer que seja impera o fato que de abuso não se trata, mesmo porque a autoridade preparadora levou ao conhecimento da Recorrente acerca da existência de anterior inconformismo, tanto que oportunizoulhe a ratificação. Importa, sobremaneira, que não houve prejuízo à Recorrente, pois salvaguardado seu pleno exercício ao direito de defesa. Por sua vez, não vejo como prosperar os aventados vícios do ato administrativo do lançamento. Com efeito, os autos de infração foram assinados pela AuditoraFiscal Beatriz Valentim Barboza, matrícula nº 19.168, e a legislação de regência (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, artigo 10) exige que os mesmos sejam assinados por servidor competente. A seu turno, o fato da mudança estrutural da então Secretaria da Receita Federal, absorvendo a área de tributação, fiscalização, administração e cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, intentada pela Medida Provisória nº 258, não implica qualquer nulidade dos atos praticados, mesmo porque os tributos lançados sempre foram da competência originária da Receita Federal. A fundamentação de que uma Portaria Ministerial não serve à convalidação de uma Medida Provisória não foi inserta pela decisão recorrida, daí as razões recursais não merecerem maiores digressões, no particular Enfim, encontrandose os autos de infração, como efetivamente se encontram, lavrados e assinados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil regularmente Fl. 646DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 11.65 6 investido na competência legal atribuída pelo artigo 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002 (com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16/03/2007), descaber cogitar a aventada irregularidade. Relativamente às apontadas ilegitimidades de legislação (Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, artigo 1º, e Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001) cumpre registrar, inicialmente, que este Conselho não detém competência para discutir a constitucionalidade ou legalidade de normas vigente no ordenamento. Por outro lado, observo que ao contrário do articulado pela Recorrente nos primórdios da defesa (peça de impugnação), não consta na informação fiscal que os valores da movimentação financeira foram obtidos com base em informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras. A propósito, observo que ao contrário do articulado pela Recorrente nos primórdios da defesa (peça de impugnação), não consta na informação fiscal que os valores da movimentação financeira foram obtidos com base em informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras. De qualquer sorte, verifico que a necessidade de instauração de processo fiscal para exames em contas bancárias, assim exigida pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, se fez atendida. Com efeito, consta que a contribuinte foi cientificada do procedimento fiscal através do Termo de Início de Fiscalização de fl. 05, entreguelhe em data de 11/08/2004, com o que lhe foi exigida a apresentação dos atos constitutivos, livros e papéis correspondentes ao período de 2002, inclusive extratos bancários e de aplicações financeiras. Aqui, portanto, a regularidade do procedimento, pois obediente ao artigo 7º do Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. “Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal.” “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (........................) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (........................)” Consigno que o PAF tem status de Lei, uma vez que derivado da delegação atribuída pelo artigo 2º do Decretolei nº 822, de 05 de setembro de 1969, a ver: “DECRETOLEI N.º 822/1969: Fl. 647DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 12.65 7 Os Ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica Militar, usando das atribuições que lhe confere o art. 1.º do Ato Institucional n.º 12, de 31 de agosto de 1969, combinado com o § 1.º do art. 2.º do Ato Institucional n.º 5, de 13 de dezembro de 1968, decretam: [...] Art. 2.º. O Poder Executivo regulará o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais, penalidades, empréstimos compulsórios e o de consulta. Art. 3.º. Ficará revogada, a partir da publicação do Ato do Poder Executivo que regular o assunto, a legislação referente à matéria mencionada no art. 2.º deste Decretolei.” Ao longo do procedimento fiscalizatório houve, ainda, os Termos de Intimação Fiscal, ReIntimação Fiscal e Verificação Fiscal de fls. 60, 64, 68 e 203/205, enquanto o término da fiscalização operouse com o Termo de Encerramento de fl. 225, todos devidamente encaminhados e/ou entregues à contribuinte, consoante comprovantes próprios. Além disso, precedidos do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de fl. 01, subscrito pela autoridade administrativa titular da unidade fiscalizadora, também entregue à contribuinte em 11/08/2004. Rejeito, pois, as preliminares. Quanto ao mérito, importa à questão o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata de presunção relativa quando a pessoa jurídica não logra comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos ou de investimentos em conta mantida junto a instituição financeira. Assim dispõe o citado dispositivo legal: “Art. 42 – Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Art. 88. Revogamse : (...) XVIII – o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990” Assim, o Fisco, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes tal previsão não existia e com isso precisava, nos estritos termos do parágrafo 5.º e do caput do artigo 6.º da Lei n.º 8.021 de 1990, não apenas constatar a Fl. 648DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 13.65 8 existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Neste sentido, aliás, os precedentes do então Conselho de Contribuintes colacionados pela Recorrente. Como visto, atualmente a regra é bem outra, é dizer, não se tributa o depósito bancário nem tampouco se interpreta que ele seja o fato gerador dos tributos. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da Recorrente que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. O contribuinte, de sua parte, afasta a presunção iuris tantum produzindo a prova em contrário, no caso apresentando os documentos que comprovem a origem dos valores depositados em sua conta bancária. Não o fazendo, como ao longo da pesquisa fiscal efetivamente não o fez, nem tampouco os remédios recursais aviados (impugnação e recurso voluntário) se fizeram acompanhados desses comprovantes, lícito concluir que se tratam de receitas tributáveis não incorporadas àquelas registradas na escrituração. Sem espaço para a aplicação, portanto, do artigo 112 do Código Tributário Nacional. No que toca à apontada inconstitucionalidade ou ilegalidade desta presunção legal observo que a norma vige regularmente no ordenamento jurídico. Assim, o pedido encontrase fora da alçada de julgamento por força do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o qual prevê que as súmulas são de observância obrigatória por seus membros. Registro, pois, o teor da Súmula nº 2 desta Corte administrativa: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Essa ordem de juízos aplicase aos lançamentos reflexos, ante a existência de relação de causa e efeito que os vinculam ao IRPJ, assim compreendida a existência de fatos do mundo real, e jurídico, que são, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, independentes entre si. Noutras palavras: a exigibilidade de um tributo não é decorrência da exigibilidade de outro tributo, mas da ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de ambos, é dizer, lucro no caso da CSLL e faturamento/receita no PIS e COFINS. Especificamente no que diz respeito à exigência da COFINS sobre a receita das sociedades civis prestadoras de serviços trazida pelo artigo 56 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, anteriormente isentas por força da Lei Complementar n. 70, de 1991, observo que dita matéria já foi discutida no seio do Supremo Tribunal Federal (STF) no Recurso Extraordinário nº 575.093, inclusive em sede de repercussão geral, no qual foi decidida a pertinência da cobrança. Fl. 649DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 19515.002946/200551 Acórdão n.º 110300.470 S1C1T3 Fl. 14.65 9 Já a tese de irretroatividade desta exigência sucumbe diante dos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional, segundo os quais o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. Com tais razões, voto pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 650DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 15/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA
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Numero do processo: 10640.002958/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve-se restabelecer as despesas médicas quando os documentos
apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.069
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Devese restabelecer as despesas médicas quando os documentos apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Odmir Fernandes, José Evande Carvalho Araujo, Walter Reinaldo Falcão Lima e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 136DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0920.585, proferido pela 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fl. 76), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: O auto de infração de fls. 2/6 exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 3.819,95, assim discriminado: R$ 1.386,00 de imposto; R$ 2.079,00 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 354,95 de juros de mora (calculados até 30/06/2008). Na descrição dos fatos, à fl. 4, complementada pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 7/11, a Fiscalização apontou que o interessado pleiteou indevidamente deduções a título de despesas médicas no valor de R$ 5.040,00, para o anocalendário 2005. O detalhamento da ação desenvolvida consta do referido Termo, sendo que nesse, à fl. 8, a autoridade lançadora expressou que: "O contribuinte utilizou despesa médica por meio de valor declarado, sem a efetiva comprovação de pagamento e prestação de serviços psicológicos, dito como pago a FLA VIA AMÉLIA RIBEIRO, via emissão de recibos no final de cada mês de março a dezembro de 2005. O valor utilizado na DIRPF totalizou R$ 5.040,00 de valor incompatível, acima demonstrado, o qual está sendo glosado, conforme consta do relatório que abaixo reproduzimos e que faz parte integrante do presente Termo de Verificação Fiscal: ..." (negritos e sublinhado do original) Na espécie, fora desenvolvida ação fiscal direcionada a diversos contribuintes que deduziram despesas médicas pretensamente realizadas com a indigitada profissional. Do citado relatório (fl.9), podese extrair: "Consideramos o Relatório comum a todos os contribuintes detentores de documentos e que apresentaram recibos, que em resumo, configura irregularidade para utilização do imposto apurado ou restituições indevidas, que será objeto de glosa, com aplicação de multa qualificada, artigo 959, inciso I do RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99, art. 44, inciso 11, da Lei 9.430/96, e de acordo COM a redação da MP n. 303/2006, cujo procedimento em tese configura crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1° e 2° da Lei 8.137/1990, com a conseqüente formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do Decreto n. 2.730/1998 e Portaria SRF 326/2005." A par disso, ocorreram a aplicação da multa de 150% e a representação fiscal para fins penais, constante da peça exordial do processo n. 10640.002959/200863. O interessado apresentou a impugnação de fls. 42/63, na qual, em resumo, aduziu: 1 — em sede preliminar, suscitando a nulidade do lançamento: Fl. 137DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10640.002958/200819 Acórdão n.º 210101.069 S2C1T1 Fl. 130 3 1.1 — fl. 49, "Considerando que não há norma legal que obrigue os contribuintes a efetuarem os pagamentos em espécie (moeda corrente nacional), que os obrigue a arquivar laudos médicos, radiografias diagnósticos, ou que determine aos contribuintes a guarda do memorial de número de consultas ou sessões que foram realizadas em determinado tratamento (geralmente tratamentos médicos ocorridos em períodos bem pretéritos), fica claro e evidente a violação do princípio da legalidade estampado no auto de infração emitido contra o impugnante." 1.2 — as limitações contidas no art. 80 do RIR/1999 não se aplicam ao caso presente, salientando que os pagamentos efetuados pelo impugnante são relativos a tratamento de dependente, devidamente comprovados conforme os recibos apresentados, não havendo, daí, como identificar a capitulação da infringência; 1.3 — a elaboração e apresentação do trabalho do Fisco deve ser levada a efeito de tal forma que o contribuinte, mesmo que leigo no assunto, seja capaz de discernir e entender o que se quer demonstrar; qual a irregularidade cometida; quais as provas juntadas pelo Fisco; como foi calculado o montante do imposto e multas; e o que ele deverá pagar; 2 — no mérito: 2.1 — o RIR/1999, a IN SRF n. 15/2001, bem como o Manual de Preenchimento do Imposto de Renda prevêem que as despesas médicas serão comprovadas mediante documentos que contenham os requisitos estabelecidos; dessa forma, ao apresentar os recibos de pagamentos aos profissionais autônomos, no caso específico, os da profissional psicóloga Flávia Amélia Ribeiro, o impugnante comprovou os pagamentos realizados, referentes aos serviços prestados, nos termos da legislação vigente; 2.2 — não reza a legislação sobre a forma de pagamento, sendo várias as opções, optando o contribuinte pelo pagamento em dinheiro e este fato não pode ser simplesmente desqualificado, como fez a autoridade fiscal; 2.3 — está bem claro, tanto no § 30 do art. 11 do DecretoLei n. 5.844/1943, quanto no art. 73 do RIR/1999, a comprovação do pagamento, uma vez que essa diz respeito ao contribuinte possuir os recibos ou notas fiscais pelos pagamentos efetuados a beneficiários, lançandoos em sua DIRPF; o termo justificação, expresso nos citados dispositivos, referese ao caso de o contribuinte não possuir a comprovação das despesas dedutiveis e se utilizar de outra forma para fazêlo, ou seja, só tem que justificar aquilo que não está comprovado; 2.4 — não consta do RIR a obrigatoriedade, por parte do contribuinte, na guarda de laudos médicos, exames diagnósticos, radiografias da época do tratamento e nem de anotar número de consultas/sessões por mês, ou mesmo que os serviços prestados por profissionais liberais devam ser pagos obrigatoriamente por cheques, DOC's ou outros serviços bancários; 2.5 — o Conselho de Contribuintes vem constantemente proferindo Acórdãos que amparam o arrazoado passivo, conforme ementas transcritas às fls. 56 e 58/61; 2.6 — para que não paire dúvida sobre a indicação, importa observar que o acompanhamento psicológico de seu filho iniciouse em março/2005, em Juiz de Fora, mas, anteriormente, em Ubá/MG, já ocorria essa espécie de acompanhamento, conforme declaração da profissional assistente (fls. 64), e que se deu a sua continuidade por outra psicóloga, a partir de fevereiro/2006 (fl. 65); Fl. 138DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 2.7 — quanto aos prováveis valores incompatíveis, o autuado demonstra (fl. 57) que o valor médio de cada sessão era compatível com as tabelas de referência (fls. 66/74); 2.8 — vislumbrase da própria Lei n. 9.250/1995, em seu art. 8°, § 2°, que os pagamentos serão especificados e comprovados com indicação de nome, endereço e CPF de quem os recebeu, ou, na falta da documentação, com indicação de cheque nominativo, sendo que esse é entendido como prova alternativa, de caráter supletivo, quando não de dispõe dos recibos, os quais foram apresentados pelo contribuinte; 2.9 — necessário mencionar que a indigitada beneficiária dos pagamentos, prestou, em termo, declaração relativa à percepção dos valores, inclusive de outros contribuintes, sem fazer constar em sua DIRPF; dessa forma, o contribuinte não pode ser penalizado pelas supostas faltas cometidas pela profissional psicóloga, sendo esse fato análogo ao tratado no Acórdão n. 10417.358 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Em seu apelo ao CARF, às fls. 89/110, o recorrente repisa as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Vejamos a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Fl. 139DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10640.002958/200819 Acórdão n.º 210101.069 S2C1T1 Fl. 131 5 Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Do exame das peças processuais, podese constatar que a dedução pleiteada pelo recorrente referese a despesa médica expressamente prevista na legislação tributária como apta a reduzir os rendimentos tributáveis, já que efetuado para tratamento psicológico do seu filho e dependente Ariel Victor Duarte e Cruz, conforme indicado na DIPF à fl. 16, que nasceu com lábio leporino e fenda palatina. Com isso, cresceu com baixa autoestima, devido às críticas que sofria na escola. Iniciou o tratamento em Ubá, cidade em que nasceu, porém devido à mudança de cidade, continuou o tratamento em Juiz de Fora. A psicóloga responsável pelo seu tratamento em Ubá recomendou a manutenção do acompanhamento psicológico, para que a criança tenha chances de levar uma vida saudável, conforme Laudo Psicológico à fl. 64. Ainda em sua defesa o recorrente apresenta a Tabela de Referência Nacional dos Honorários de Psicologia, mostrando que os valores por ele comprovado não são inventados ou distorcidos, consoante tabela à fl. 104, em consonância com os recibos apresentados, que informa quanto custou cada sessão e quantas sessões ocorreram durante o mês. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 140DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 35384.000076/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL
Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pela autarquia previdenciária após a impugnação e antes de da decisão recorrida, como também deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do
Contraditório e Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão Notificação para a correta formalização do lançamento.
Numero da decisão: 2301-002.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pela autarquia previdenciária após a impugnação e antes de da decisão recorrida, como também deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão Notificação para a correta formalização do lançamento.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pela autarquia previdenciária após a impugnação e antes de da decisão recorrida, como também deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão Notificação para a correta formalização do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração o qual impõe ao contribuinte multa pelo fato de não ter efetuado o destaque de 11% nas notas fiscais de prestação de serviço. A ora recorrente apresentou impugnação intempestiva alegando que enviou aos tomadores dos serviços cartas de correção de nota fiscal. A Fiscalização elaborou Informação Fiscal de fls. 200 por meio da qual afirma apenas que as empresas Lélio Gomes Imóveis, Sind. Dos Cemitérios Partic do Estado de S. Paulo, Fabema Ind e Com Ltda. Tencoflat Adm, e Hotelaria S/C Ltda, e Tecnohat Adm, e Hotelaria SC Ltda, registram o recebimento das cartas de correção das notas fiscais. Ato seguinte foi proferida decisão a DECISÃONOTIFICAÇÃO N°21.437.4/328/2006, a qual, manteve integralmente a autuação pelo fato de tratarse de impugnação intempestiva e o contribuinte não ter demonstrado a correção integral da falta. Diante dessa decisão a empresa apresentou recurso juntando avisos de recebimento no intuito de comprovar que os tomadores de serviço receberam as cartas de correção das notas fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Como relatado acima a autuada apresentou sua impugnação intempestivamente, eis que devidamente intimada da autuação em 28 de março de 200, protocolou defesa apenas em 15 de abril de 2005, após portanto ao prazo de 15 (quinze) dias que lhe era concedido pela legislação então vigente. Sendo a impugnação intempestiva verificase que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo regularmente, acarretando a preclusão processual, o que impede, a meu ver, o conhecimento do presente recurso. Nesse sentido destaco jurisprudência dessa Corte Administrativa: Ementa: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS: A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35384.000076/200737 Acórdão n.º 230102.068 S2C3T1 Fl. 234 3 não se toma conhecimento. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Processo nº 10325.001778/200388, Relator Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A impugnação apresentada fora do prazo, além de não instaurar a fase litigiosa do processo, acarreta a preclusão processual, impedindo o conhecimento não só da impugnação mas também do recurso voluntário. Recurso não conhecido (Processo nº 13964.000297/9906, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) Pelo exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13706.004274/2004-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. Mero erro de preenchimento
da declaração de ajuste anual não é fato gerador do imposto de renda. Não se sustenta o lançamento de ofício, a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, quando comprovado que houve, tão somente, erro no preenchimento da declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimento no ano-calendário 2000 no valor de R$ 28.432,80. Vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira
Barbosa e Eduardo Tadeu Farah.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ALUGUÉIS. Mero erro de preenchimento da declaração de ajuste anual não é fato gerador do imposto de renda. Não se sustenta o lançamento de ofício, a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, quando comprovado que houve, tão somente, erro no preenchimento da declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimento no anocalendário 2000 no valor de R$ 28.432,80. Vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Eduardo Tadeu Farah. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 05/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls. 07/13), para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 2001, no montante de R$10.995,52, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 08/2004, originado da constatação de omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos da pessoa jurídica LUMIGROUP COMÉRCIO E PROMOÇÕES, no valor de R$29.594,40. Inconformada com o lançamento, em 20/12/2004, a contribuinte apresentou impugnação (fls.01/05), argumentando em síntese que os rendimentos da LUMIGROUP COMÉRCIO E PROMOÇÕES, foram erroneamente incluídos na sua declaração, exercício 2001, nos "rendimentos recebidos de pessoas físicas". Apresenta tabela (fls.03), incluindo mensalmente os alugueis recebidos em um total anual de R$56.732,80, onde consta um montante recebido da LUMIGROUP de R$28.432,80 e um valor de carnêleão recolhido de R$11.265.54, como prova acosta DARFs às fls.44/55. Afirma ainda, que os valores do imposto de renda já foram devidamente recolhidos através de carnêleão, havendo apenas uma diferença de R$232,32, no mês de maio de 2000. Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n°0918.097 de 21 de dezembro de 2007, fls. 82/84. Na decisão de primeira instância ficou confirmado que a LUMIGROUP Comércio e Promoções Ltda realmente não efetuou, no anocalendário de 2000, a retenção do imposto de renda incidente sobre os aluguéis mensais pagos à autuada, bem como que o Contrato de Locação Não Residencial e o Termo Aditivo ao referido documento, apensados, por cópia, às fls.56/63 e fls.64/65, respectivamente, demonstram os valores mensais de aluguel da LUMIGROUP e, informados na DIRF/Anoretenção 2000. Entretanto, ficou decidido que como a contribuinte não apresentou os Contratos de Locação firmados com as pessoas físicas Carlos Armando Ribeiro Santos Júnior e Erik Lazare François Rosenthal, mencionados em sua defesa não conseguiu comprovar seus argumentos. Por fim, ficou ressaltado que além dos imóveis citados na peça impugnatória e, do apartamento 301, situado na Rua General Artigas 419 Bairro Leblon Rio de Janeiro, informado como sendo a sua residência, a contribuinte é proprietária de vários outros imóveis (casas e terrenos,) sobre a destinação dos quais — pessoal ou comercial locados a pessoas físicas ou a pessoas jurídicas — ela se manteve silente. Cientificada da decisão da DRJ em 22/01/2008 (fls. 85verso), a interessada apresentou tempestivamente, através de seu procurador (fls. 102/103), em 19/02/2008, Recurso Voluntário de fls. 90/99, acompanhado dos contratos de Locação firmados com Eric Lazare François Rosenthal (Fls.104/112) e recibos de pagamento de Locação por temporada em favor de Carlos Armando Ribeiro Santos Junior (fls.113/122). No seu Recurso Voluntário alega em síntese: Fl. 135DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13706.004274/200412 Acórdão n.º 220101.038 S2C2T1 Fl. 2 3 1. Preliminar de nulidade por falta de prova pericial, pois decisão recorrida concluiu, sem uma profunda análise, que os documentos apresentados na impugnação, notadamente os recibos, não seriam hábeis a comprovar, perante o Fisco, a efetividade dos recebimentos de tais rendimentos. Assim impossibilidade do direito de defesa da Recorrente pela falta de análise da documentação apresentada com a impugnação, contraria, pois, o principio constitucional da ampla defesa. 2. Entende que a autoridade administrativa julgadora nega a prova trazida aos autos, sustentando apenas que não é documento "hábil", "idôneo", etc, sem qualquer justificativa, o que não pode ser admitido e tolerado. 3. No mérito, conforme demonstrado na impugnação a Recorrente não omitiu quaisquer rendimentos em sua Declaração Anual de Ajuste, tendo sido os valores recebidos, a título de alugueres, incluídos no item RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS, juntamente com aluguéis de outros imóveis de sua propriedade. 4. Assim procedeu, em razão da locatária, LUMEGROUP COMÉRCIO E PROMOÇÕES não ter efetuado, mensalmente, as devidas retenções a titulo de imposto retido na fonte, conforme estava obrigada a fazêlo. 5. Portanto, o comportamento adotado pela Recorrente foi correto, inclusive, ao incluir esses valores no cálculo da antecipação do imposto devido. 6. Com relação ao locatário Armando Ribeiro Santos Junior, por tratarse de LOCAÇÃO POR TEMPORADA, não existe Contrato de Locação, em que o pagamento é feito antecipadamente, os próprios RECIBOS DE PAGAMENTOS (Doc. 05), da forma como estão redigidos suprem a exigência de qualquer outro tipo de ajuste formal, já que atendem requisitos da Lei n°. 8.245, de 18/10/1991, que dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos, precisamente na SEÇÃO II — Das Locações para temporadas, artigos 48, parágrafo único, e 49. 7. Por fim requer a nulidade da decisão de primeira instância e que seja reconhecido o erro de fato ocorrido na DAA, relativamente aos alugueis recebidos da LUMIGROUP e ratifica os termos os termos das peças de defesa apresentadas O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 123 (última). Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço A questão posta a análise desse colegiado é se efetivamente a contribuinte omitiu rendimentos de alugueis pagos pela pessoa jurídica LUMIGROUP COMÉRCIO E PROMOÇÕES, no valor de R$29.594,40, ou se como alega, por erro de fato e por não ter essa pessoa jurídica feito a devida retenção, como foi comprovado durante a fase fiscalizatória, incluiu esses valores recebidos nos RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS e se assim procedendo fica afasta a exigência ora recorrida. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Na sua impugnação, às fls.03, apresenta a planilha abaixo reproduzida, com os valores incluídos nos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Física da sua DAA/2001: LUMIGROUP ERIK LAZARE ROSENTHAL CARLOS ARMANDO Total Mensal Carnê‐ Leão recolhido JAN 2.200,00 1.350,00 ‐ 3.550,00 616,25 FEV 2.200,00 1.350,00 ‐ 3.550,00 616,25 MAR 2.200,00 1.350,00 ‐ 3.550,00 616,25 ABR 2.200,00 1.790,00 1.100,00 5.090,00 1039,75 MAI 2.200,00 1.570,00 1.100,00 4.870,00 979,25 JUN 2.490,40 1.570,00 1.100,00 5.160,40 1043,13 JUL 2.490,40 1.570,00 1.100,00 5.160,40 1059,11 AGO 2.490,40 1.570,00 1.100,00 5.160,40 1059,11 SET 2.490,40 1.570,00 1.100,00 5.160,40 1059,11 OUT 2.490,40 1.570,00 1.100,00 5.160,40 1059,11 NOV 2.490,40 1.570,00 1.100,00 5.160,40 1059,11 DEZ 2.490,40 1.570,00 1.100,00 5.160,40 1059,11 Totais 28.432,80 18.400,00 9.900,00 56.732,80 11.265,54 O total informado na sua DAA/2001, nos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Física (fls.16) foi de R$56.674,72. A contribuinte afirma que essa pequena diferença ocorreu nos recebimentos da LUMIGROUP no mês de maio. Ressaltese que totalidade dos rendimentos tributáveis da contribuinte advém de referidos alugueis. Pode se ainda concluir pela sua DAA que a mesma recebe pensão ou aposentadoria. O valor do recibo de aluguel do mês de maio é de R$2.432.32, faz referência ao reajuste do IGPM. Conforme se verifica no contrato de aluguel firmado com o Locatário Renato Andre Schaimberg, o valor é de R$2.200,00 e o prazo de locação do imóvel é de 36 meses, com início em 06/05/1999 e termino impreterivelmente em 05/05/2002, podendo ser prorrogado por contrato, desde que o valor será reajusta de acordo com o preço de mercado (fls.56/63). Em 21/05/1999 foi firmado aditivo para transferência da locação de Renato Andre Schaimberg para LUMIGROUP COMÉRCIO E PROMOÇÕES LTDA. (fls.64) O Relatório da Receita intitulado Resumo do Beneficiário – Detalhamento de Malha acostados aos autos às fls.81, demonstra que a LUMIGROUP pagou a contribuinte 29.594,40, sem que houvesse qualquer retenção e/ou recolhimento de IR. O Contrato de Locação firmado com Eric Lazare François Rosenthal, o valor é de R$1.300,00, reajustado anualmente pelo IGPM, e o prazo de locação do imóvel é de 30 meses, com início em 01/02/98 e termino 31/07/2000, (fls.104/112) Os recibos de Locação por Temporada (113/122), também coincidem com os valores apresentados na tabela acima. Conforme bem ressaltado pela decisão de primeira infância, a contribuinte é proprietária de vários outros imóveis, mas não há nos autos quaisquer indícios de renda desses imóveis. Assim, sobre essa questão não há conjecturações a fazer. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13706.004274/200412 Acórdão n.º 220101.038 S2C2T1 Fl. 3 5 Pelo conjunto probatório dos autos apresentando pela contribuinte e a falta de qualquer indício que afastasse as suas alegações, entendo que efetivamente houve erro de fato e que os valores recebidos da LUMIGROUP foram incluídos nos rendimentos recebidos de pessoas físicas, tanto pela coincidência de valores, bem como porque inicialmente o contrato de locação desse imóvel foi firmado com uma pessoa física e posteriormente aditado para pessoa jurídica LUMIGROUP COMÉRCIO E PROMOÇÕES LTDA. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o erro de fato e excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimentos no valor de R$28.432,80 recebidos da LUMIGROUP COMÉRCIO E PROMOÇÕES LTDA. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 138DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 05/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 139DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 05/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 06/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001126/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - ERRO NO
CRUZAMENTO DE DIRF - PROVAS JUNTADAS NA FASE RECURSAL
- POSSIBILIDADE.
Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos
na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário.
Regularmente detectado, através da confrontação da DIRF Retificadora e demais documentos, com a DIRF original, erro no valor da omissão de rendimentos, cabível o cancelamento da exigência tributária até o montante comprovado de rendimentos efetivamente recebidos.
Numero da decisão: 2202-000.023
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 90.455,65.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - ERRO NO CRUZAMENTO DE DIRF - PROVAS JUNTADAS NA FASE RECURSAL - POSSIBILIDADE. Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário. Regularmente detectado, através da confrontação da DIRF Retificadora e demais documentos, com a DIRF original, erro no valor da omissão de rendimentos, cabível o cancelamento da exigência tributária até o montante comprovado de rendimentos efetivamente recebidos.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 90.455,65.
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Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário. Regularmente detectado, através da confrontação da DIRF Retificadora e demais documentos, com a DIRF original, erro no valor da omissão de rendimentos, cabível o cancelamento da exigência tributária até o montante comprovado de rendimentos efetivamente recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 90.455,65. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 86DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 26/04/2011 por NELSON MALLMANN 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Ewan Teles Aguiar e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório Versa o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 06 a 09), relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, de insurgência contra procedimento de revisão de declaração de ajuste anual do exercício de 2004 (anocalendário 2003), no qual se exige crédito tributário no montante de R$54.595,31 (cinqüenta e quatro mil, quinhentos e noventa e cinco reais e trinta e um centavos), cujo ciente ao sujeito passivo deuse em 05 de março de 2007 (fl. 24). As infrações (fl. 07) decorrem do cruzamento de informações com o lançamento de ofício relativo a omissão de rendimentos auferido junto às fontes pagadoras Globoaves Agroavícola Ltda. e Globoaves Agro Pecuária Ltda. DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou tempestivamente impugnação administrativa, na qual fundamentou, resumidamente, que: Não houve omissão de rendimentos de forma intencional; bem como, ainda que declarados os valores relativos à fonte pagadora GLOBOAVES AGROAVÍCOLA LTDA. tal declaração não se daria no montante de R$113.090,00 (centro e treze mil e noventa reais) apontado pela autoridade lançadora, e sim no valor de R$22.634,35 (vinte e dois mil, seiscentos e trinta e quatro reais e trinta e cinco centavos). Anexou à impugnação comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, datado de 19 de março de 2007. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS), decidiu pela procedência do lançamento, proferindo Acórdão n° 0417.504 (fls. 53 a 56), de 06/05/2009, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Deve ser mantido o lançamento por omissão de rendimentos quando os documentos apresentados são insuficientes para contraporse as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora. Lançamento Procedente. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 26/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.001126/200739 Acórdão n.º 220200.123 S2C2T2 Fl. 7 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS), portanto, entendeu que a documentação trazida pelo contribuinte (Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fl. 12), não foi suficiente para informar a presunção de legitimidade que emana da DIRF apresentada pelas fontes pagadoras, pelo que decidiu pela procedência do lançamento. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 10/06/2009 (vide AR de fl. 37), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 08/07/2009, o recurso de fls. 41 e 42, no qual alega que a autuação imposta ao recorrente engloba montante que supera, em muito, os rendimentos auferidos junto à fonte pagadora, relativo ao anocalendário 2003. Foram apresentados novos documentos em sede de recurso, tais como o extrato bancário do contribuinterecorrente comprovando os depósitos que constituem os rendimentos em discussão, bem como o recibo de entrega da DIRF. Anexa, ainda, o Quadro de Rendimentos relacionado ao contribuinte que fora apresentado pela empresa GLOBOAVES AGRO AVÍCOLA LTDA. à própria Receita Federal, documento este onde consta o valor auferido no exercício 2003 a título de rendimento, quer seja a quantia de R$22.634,35 (vinte e dois mil seiscentos e trinta e quatro reais e trinta e cinco centavos). No que tange a produção destas novas provas, alega que as mesmas não se encontravam à sua disposição, posto dependerem da própria empresa e do Banco do Brasil, motivo pelo qual não as juntou quando da impugnação administrativa, requerendo, assim, sua apreciação em busca do princípio da verdade material. Ao fim requer o provimento do Recurso Voluntário, buscando invalidar o lançamento do crédito tributário em discussão. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, contendo 81 (oitenta e uma) folhas, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS CASSULI JR., Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, dele a Turma de julgamento conhecer. A controvérsia gira em torno da revisão da Declaração de Ajuste Anual do recorrente, relativo ao ano calendário de 2003, na qual foi constatado pela autoridade lançadora, que o contribuinte omitira rendimentos provenientes de duas fontes pagadoras, no Fl. 88DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 26/04/2011 por NELSON MALLMANN 4 montante total de R$114.806,75 (cento e quatorze mil oitocentos e seis reais e setenta e cinco centavos), assim divididos: Globoaves Agroavícola Ltda., no valor de R$ 113.090,00 (cento e treze mil e noventa reais), e Globoaves Agro Pecuária Ltda., no valor de R$ 1.716,75 (um mil, setecentos e dezesseis reais e setenta e cinco centavos). No entanto, o contribuinte, a par de não ter contestado a omissão de rendimentos quanto a fonte pagadora e Globoaves Agro Pecuária Ltda., no valor de R$ 1.716,75 (um mil, setecentos e dezesseis reais e setenta e cinco centavos), restando então como matéria incontroversa, insiste desde o primeiro momento em que inaugurou sua insatisfação nos presentes autos, de que os valores por ele auferidos da fonte pagadora Globoaves Agroavícola Ltda., não eram no valor apontado pela autoridade lançadora (R$ 113.090,00), e sim no valor de R$22.634,35 (vinte e dois mil seiscentos e trinta e quatro reais e trinta e cinco centavos). Portanto, é igualmente incontroverso que houve omissão de rendimentos de ambas as fontes pagadoras, restringindose a contenda ao valor dos rendimentos omitidos provenientes da fonte Globoaves Agroavícula Ltda., trazendo o recorrente, em sede recursal, novos documentos pelos quais pretende comprovar que o valor de seus rendimentos era de R$ 22.634,35, e não de R$ 113.090,00, como apontado pela Fiscalização. Pois bem, analisando os documentos trazidos pelo recorrente na fase da impugnação (Comprovante de Rendimentos, fl. 12), e os demais apenas na fase recursal (extratos bancários dos rendimentos mensais creditados, DIRF Retificadora – fls. 77, e Quadro de Rendimentos anexo à DIRF – fl. 78), é possível concluir com nitidez que realmente houve um erro nas informações repassadas pela fonte pagadora Globoaves Agroavícula Ltda., quando da transmissão, presumese, da primeira DIRF destinada à Receita Federal. Esse erro, está evidenciado pelos documentos supra, especialmente a DIRF Retificadora, a qual, consultada junto ao site da Receita Federal do Brasil em 02 de março último, dá conta de que é coincidente em termos de Código de Acesso e Número do Recibo. Assim, restaria demonstrado que efetivamente o cruzamento da DIRF com os rendimentos auferidos pelo recorrente não coincidiram com a realidade dos rendimentos por este último percebidos ao longo de 2003, restando apenas perquirir se é viável efetuar juntada de provas na fase recursal. Tenho, nesse sentido, que em sede administrativa é viável a juntada, a qualquer tempo e desde que antes do julgamento, e que, ainda, constitua matéria objeto da insurgência desde a impugnação, de documentos que demonstrem a ocorrência de circunstâncias materiais que interfiram na correta mensuração ou na própria consumação do fato gerador do tributo, já que a exigência tributária está adstrita a legalidade plena, não se podendo exigir tributo sem que tenha ocorrido o respectivo fato gerador (art. 14, do CTN). Além disso, a atividade administrativa inerente a fiscalização tributária, deve levar em consideração os princípios da oficialidade, da moralidade pública e do não confisco, de modo que, para se evitar que se exija tributo sem a ocorrência do fato gerador, ou então, em valor maior ao que legalmente é determinado, é plenamente aceitável que se avaliem documentos mesmo na fase recursal do processo administrativo tributário. Referida postura do órgão julgador igualmente realiza os princípios da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material, ambos também orientadores do processo administrativo tributário. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 26/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10183.001126/200739 Acórdão n.º 220200.123 S2C2T2 Fl. 8 5 No mesmo sentido, colhese da jurisprudência administrativa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. ‘No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. ‘.(Ac. 1031 8789 — 3' Câmara 1° C.C.) [...].” (Ac CSRF/0304.371, j. 16.05.2005). Outras diversas decisões poderiam ser carreadas, porém, entendese desnecessário diante de tratarse de matéria já pacificada pela Turma de julgamento. Finalmente, cumpre deixar expresso que mantémse a exigência tributária no que se refere a omissão de rendimentos quanto a fonte pagadora Globoaves Agro Pecuária Ltda., no valor de R$ 1.716,75 (um mil, setecentos e dezesseis reais e setenta e cinco centavos), e quanto a fonte pagadora Globoaves Agroavícola Ltda., no valor de R$22.634,35 (vinte e dois mil seiscentos e trinta e quatro reais e trinta e cinco centavos), de modo que os rendimentos omitidos totalizam R$ 24.351,10 (vinte e quatro mil, trezentos e cinqüenta e um reais e dez centavos). Esse, aliás, é o objeto do recurso, já que o recorrente expressa ou tacitamente admite referidas omissões. Assim, na esteira das considerações acima expostas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 90.455,65 (noventa mil, quatrocentos e cinqüenta e cinco reais e sessenta e cinco centavos). (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Fl. 90DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 26/04/2011 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001150/2001-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido
de compensação convertido em declaração de compensação que não seja
objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da
data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do
montante do crédito.
DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de
declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho
decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos,
contado da data de seu protocolo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.126
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José
Antonio Francisco.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. Recurso Voluntário Provido.
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REFINADORA DE AÇÚCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco. Walber José da Silva Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 26/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedidos de compensação de créditos relacionados a crédito premio de IPI pertencentes à empresa Refinadora Catarinense com de débitos de terceiros, no caso, pertencentes à empresa Usati S/A Refinadora de Açúcar. Os créditos utilizados estavam sendo controlados nos processos 13706.000714/200110 e 13706.000745/200243. No presente processo estão sob análise as seguintes compensações: Período de Cód. Valor Data do Processo Apuração Tributo Compensado Pedido Controle Crédito mai/01 8109 1.229,23 18/6/2001 13706.000714/200110 mai/01 2172 3.782,24 18/6/2001 13706.000714/200110 jun/01 8109 1.456,64 6/8/2001 13706.000714/200110 jun/01 2172 4.481,96 6/8/2001 13706.000714/200110 jul/01 2172 3.948,13 23/8/2001 13706.000714/200110 ago/01 2172 3747,25 20/9/2001 13706.000714/200110 dez/01 2172 6.316,80 2/4/2002 13706.000745/200243 dez/01 8109 2.052,96 2/4/2002 13706.000745/200244 mar/02 2172 29.768,67 15/5/2002 13706.000745/200245 mar/02 8109 6.449,88 15/5/2002 13706.000745/200246 mar/02 2484 4.170,52 15/5/2002 13706.000745/200247 Junto com os pedidos foram juntadas diversas peças processuais, bem como decisão judicial que garantia a empresa Refinadora Catarinense o direito ao crédito prêmio de IPI bem como garantia sua utilização de acordo com as hipóteses prescritas nas IN/SRF 21/97, 37/97 e 73/97, amparadas pelos artigos 1º e 5º do DecretoLei nº 491/69. O processo foi encaminhado à DRF de Florianópolis em 22/06/2001, que após análise de tudo que constava no processo, proferiu despacho decisório (fls. 408) indeferindo os pedidos de compensação em 19/05/2008. O Recorrente foi cientificado do despacho em 16/06/2008, conforme se constata do AR Juntado às fls. 438. Do despacho decisório proferido pela DRF de Florianópolis destaco: Em cumprimento da ordem judicial, a Fazenda Nacional permaneceu aguardando o exame da admissibilidade dos recursos interpostos pelo contribuinte para proceder à cobrança Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11516.001150/200136 Acórdão n.º 330201.126 S3C3T2 Fl. 511 3 do crédito tributário. Em 21/02/2008 foram publicadas no Diário da Justiça decisões não admitindo os recursos especial e extraordinário. Com isso, nova decisão foi proferida na Medida Cautelar Inominada n° 2006.02.01.0148472, julgando prejudicada aquela ação. Em 01/10/2002, a Medida Provisória n° 66, de 29 de setembro de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, alterou a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, instituindo nova sistemática de compensação e criando a Declaração de Compensação (DCOMP). Os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros que se encontravam pendentes de análise quando da entrada em vigor das alterações promovidas pela Lei n° 10.637/2002, no entanto, não estão sujeitos à nova disciplina da compensação, visto que não atendem a um dos requisitos inerentes à Declaração de Compensação compensação com créditos próprios, vedada a cessão a terceiros. Os pedidos de compensação de créditos de um contribuinte com débitos de terceiros de que tratam este processo, todos protocolados entre 18/06/2001 e 15/05/2002, antes, portanto, das inovações legislativas acerca da matéria, não se converteram em DCOMP. Tal entendimento é o mesmo adotado em Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (PARECER PGFN/CDA/CAT nº 1499/05). Contra referido despacho foi apresentada manifestação de inconformidade cujos pedidos foram assim resumidos: Pelo exposto, a Defendente requer a V. Sa. seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade reformandose o despacho decisório em referência, a fim de ser reconhecida a homologação tácita dos pedidos de compensação realizados às fls. 01 e 383/388, ou caso assim não entenda, a decadência do direito de lançar os supostos débitos indevidamente compensados. Por outro lado, não sendo acolhidos os supracitados fundamentos de reforma, requer seja anulado o Despacho Decisório ora recorrido, por conter vícios insanáveis. Por fim, ultrapassadas todas as razões preliminares, requer seja reformado o Despacho Decisório ora recorrido, sendo homologados os pedidos de compensação de fls. 01 e 383/388.. Após análise dos argumentos produzidos pelo Recorrente, a DRJ de Ribeirão Preto manteve o indeferimento dos pedidos em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/05/2001 a 31/03/2002 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA. A Administração tem o dever de anular seus próprios atos, quando estes estiverem eivados de vicio de legalidade. Solicitação Indeferida. Contra a decisão exarada foi interposto Recurso Voluntário que em síntese requereu: Ex positis, a Recorrente requer aos E. Conselheiros que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, a fim de ser conhecido e provido, para anular o Acórdão lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Sendo outro o entendimento de Vossas Excelências, pugnase pela reforma do decisum recorrido, para julgar improcedente o despacho decisório Que determinou a não homoloqacão das compensações realizadas assegurando à Recorrente a manutenção das mesmas até o advento do trânsito em julgado do processo judicial de onde originamse os créditos utilizados nas compensações em tela. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito foram apresentados pedidos de compensação com créditos de terceiros no período de 18/06/2001 e 15/05/2002. Os créditos utilizados nas compensações efetuadas eram decorrentes de decisão judicial que reconhecia o direito a utilização de créditos prêmio de IPI bem como a possibilidade de cessão a terceiros. Somente em 19/05/2008 os pedidos de compensação foram analisados pela DRF de Florianópolis, que, diante das decisões contrárias proferidas nos processos judiciais da empresa Refinadora Catarinense, os indeferiu. Em relação à alegação de homologação tácita das compensações efetuadas citou o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1.499/05. A Recorrente foi cientificada do despacho decisório que indeferiu a restituição e as compensações no dia 16/06/2008. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11516.001150/200136 Acórdão n.º 330201.126 S3C3T2 Fl. 512 5 Em se tratando de pedidos de compensação protocolados no ano de 2001 e 2002, convém analisar o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº. 10.637/2002 e nº. 10.833/03, assim determinou: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nos termos do §§ 4ºe 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da SRF em 01/10/2002, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação desde o seu protocolo, passando, a partir disto, a estarem sujeitos à homologação tácita quando não analisados dentro do prazo de 5 anos a contar do seu protocolo. A Instrução Normativa SRF n° 460, de 18/10/2004, primeira a regular a matéria tratada nos parágrafos 2° e 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, após a edição da MP n° 66/2002, basicamente repete os dispositivos contidos naquela Lei, vejase a seguir: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput,o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º. prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. (...) Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º. do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização o do pedido na SRF. A Secretaria da Receita Federal, por meio da sua CoordenaçãoGeral de Tributação, editou a Solicitação de Consulta Interna n° 01, de 04 de Janeiro de 2006, em que restou esclarecido: ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11516.001150/200136 Acórdão n.º 330201.126 S3C3T2 Fl. 513 7 compensação. obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Ou seja, não existe, na legislação de regência, qualquer determinação ou exigência relacionada à procedência ou não dos pedidos de ressarcimento/restituição, nem a eventuais requisitos a serem cumpridos por estes. A homologação tácita ocorre somente em relação aos pedidos de compensação que foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação e não em relação aos pedidos de ressarcimento/restituição, que em alguns casos não precisam sequer ser analisados, como no caso de os créditos requeridos estarem sendo totalmente utilizados nas compensações informadas. A interrupção do prazo disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, somente ocorre com a regular intimação da decisão ao sujeito passivo. Esta é a determinação contida na Instrução Normativa SRF nº 460/2004, senão vejamos: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (grifos nossos) No presente caso isto somente ocorreu em 16/06/2008, ou seja, seis anos ou mais após o protocolo dos Pedidos de Compensação que foram posteriormente convertidos em Declaração de Compensação. Tendo sido homologadas tacitamente todas as compensações requeridas, as outras questões levantadas no Recurso Voluntário perdem força, motivo pelo qual deixo de examinálas. Neste sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, em acórdão de lavra do eminente conselheiro Antônio Zomer, cuja ementa assim ficou assentada: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/0712000 a 31/10/2000 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO. O reconhecimento da ocorrência de homologação tácita da compensação, conforme disposto nos §4 e 52 do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte e resolve processo administrativo, extinguindo o correspondente litígio. (Acórdão nº20219304 – Relator Antônio Zomer. Data Julgamento 04/09/2008) Por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a homologação tácita das compensações protocoladas, cancelandose por inteiro a exigência fiscal. Alexandre Gomes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13643.000019/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO. PRODUTORA DE VÍDEO. EQUIPARAÇÃO A PRODUÇÃO DE ESPETÁCULO. INEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE DE INGRESSO.
A atividade de roteirista de filmes técnicos, direção e produção de
filme para televisão não se enquadra na vedação do inc. XIII do
art. 9º da Lei 9.317/1996 que trata das profissões regulamentadas
nem pode ser presuntivamente equiparada à atividade vedada de
diretor ou produtor de espetáculos regulada pela Lei 6.533/78.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1201-000.558
Decisão: CORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros João Bellini Júnior e Rafael Correia Fuso que negavam provimento.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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EQUIPARAÇÃO A PRODUÇÃO DE ESPETÁCULO. INEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE DE INGRESSO. A atividade de roteirista de filmes técnicos, direção e produção de filme para televisão não se enquadra na vedação do inc. XIII do art. 9º da Lei 9.317/1996 que trata das profissões regulamentadas nem pode ser presuntivamente equiparada à atividade vedada de diretor ou produtor de espetáculos regulada pela Lei 6.533/78. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros João Bellini Júnior e Rafael Correia Fuso que negavam provimento. (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, João Bellini Junior e Regis Magalhaes Soares De Queiroz (Relator). Fl. 61DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 13643.000019/200555 Acórdão n.º 1201000.558 S1C2T1 Fl. 2 2 Relatório Adoto o relatório da r. decisão a quo, verbis: “Tratase de impugnação apresentada pela contribuinte acima identificada, em razão de sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições SIMPLES procedida através do ADE DRF/JFA n° 432314, de 07/08/2004, em função do exercício de atividade vedada Outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeo, em conformidade com o inciso XIII do artigo 90; artigo 12; inciso I do artigo 14 e inciso II, do art. 15 da Lei 9.317/1996 e art. 73 da MP 2.15834, de 27/07/2001, à fl. 19. Apresentada SRS, a autoridade preparadora manteve a exclusão. A contribuinte entregou impugnação, onde alega, em resumo, que: 1 Suas atividades estão voltadas exclusivamente para edição de imagens para vídeo, filmagens e gravação para vídeo que não a impedem de exercer opção pelo Simples; 2 A SRRF 6ª RF se posicionou favoravelmente a inclusão, como consultas publicadas no DOU; 3 Na época do ingresso no Simples a RFB não se opôs; 4 As atividades relacionadas no CNAE não apresentavam opção que melhor se adequasse aos seus objetivos.” A DRJ indeferiu a impugnação, em v. acórdão assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2002 OPÇÃO. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incidir em vedação expressa em lei. O recurso voluntário relata a alteração do Requerimento de Empresário, datada de 10 de janeiro de 2005, na qual o recorrente alterou o objeto social para o que, segundo afirma, seria a sua verdadeira atividade: edição de livros, manuais e periódicos. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 13643.000019/200555 Acórdão n.º 1201000.558 S1C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: 1. Do conhecimento. O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Do fundamento. Na Declaração de Firma Mercantil Individual de fls. 16 constatase que o objeto social do recorrente é a "prestação de serviços de roteirista de filmes técnicos de curta e longa metragem, direção e produção de filmes p/ TV, produção e impressão de livros, manuais e CD ROMs”. O Ato Declaratório de 07/08/2003, à fl. 19, excluiu o interessado do SIMPLES pela prática de “outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeo” que se enquadrariam no inc. XIII, do art. 9º da Lei 9.317/1996, especificamente enquadrado como diretor ou produtor de espetáculos, atividade regulamentada pela Lei 6.533/78. No recurso voluntário, o recorrente afirma que o seu objeto social realmente seria o de edição de livros, manuais e periódicos. Informa, ainda, que alterou o anterior objeto social em seu Requerimento de Empresário, bem como adotou novo código CNAE próprio a esta atividade. Juntou cópia do Requerimento de Empresário retificado, bem como de notas fiscais de produção de CDs, cursos em mídias, sistema multimídia para gestão de contabilidade e finalização de curso. Juntou também cópia de diversos contratos firmados com clientes. Sobre a extemporânea juntada de documentos, dispõe o Decreto 70.235 que eles devem ser apresentados com a impugnação. Ressalva, entretanto, que podem ser apresentados posteriormente quando refiramse a fato superveniente ou contraponham razões posteriormente trazidas aos autos. Como os documentos em questão referemse à alteração do objeto social ou ao atendimento à exigência da r. decisão recorrida, sobre competir à recorrente provar que não realiza as atividades vedadas, constantes de seu objeto social, eu conheço dos documentos. A recorrente afirma no recurso voluntário, e tenta provar, que não pratica nem jamais praticou atividade de produção de vídeo. Sucede que em suas anteriores manifestações nestes autos afirmou peremptoriamente o oposto, vejamos: Fl. 63DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 13643.000019/200555 Acórdão n.º 1201000.558 S1C2T1 Fl. 4 4 Petição da recorrente de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples de fls. 01, trecho de fls. 02: “Minha microempresa tem suas atividades voltadas exclusivamente para: EDIÇÃO DE IMAGENS PARA VIDEO, FILMAGENS E GRAVAÇÃO PARA VIDEO. Porque não aceitar a inclusão já que seus objetivos não a impedem. Porque impedem a inclusão se a própria SUPERINTENDÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DA 6° FISCAL, posicionou favoravelmente a inclusão conforme "Consultas publicadas no Diário oficial da União", que abaixo transcrevemos: CONSULTA N. 757 DIARIO OFICIAL DA UNIÃO DE 07/11/97. Filmagens para vídeo, produção, gravações e fotografias. PERMITIDA A INCLUSÃO. CONSULTA N. 104 DIARIO OFICIAL DA UNIÃO DE 16/06/98 Editoração e computação gráfica PERMITIDA A INCLUSÃO. CONSULTA N. 67 DIARIO OFICIAL DA UNIÃO DE 04/06/99 Edição de Imagens, e comercio de Fitas de vídeo. PERMITIDA A INCLUSÃO. Os objetivos da minha empresa são estes e com estes objetivos senhores é que procuro ganhar o meu pão de cada dia.” Petição da recorrente de impugnação de fls. 08, trecho de fls. 02: “Pelo Ato Declaratório n. 432,314 de 07/08/2003, nossa empresa foi excluída do Sistema Integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas (SIMPLES). Em 17/09/2003, fizemos a defesa junto a Delegacia da Receita Federal, manifestando nossa inconformidade com o Ato, e, provando que nossa empresa não pratica atos que a Impossibilite de optar pelo referido regime. No entanto senhores julgadores, novamente fomos surpreendidos pela negativa da não aceitação do pedido. Senhores: Minha microempresa tem suas atividades voltadas exclusivamente para: EDIÇÃO DE IMAGENS PARA VIDEO, FILMAGENS E GRAVAÇÃO PARA VIDEO.” Assim, não me convenceu a guinada adotada pela recorrente, no sentido de negar em recurso voluntário a afirmação que até então vinha fazendo neste processo administrativo fiscal. A insinceridade da recorrente, aliás, fica patente quando analisamos dois dos contratos juntados por ela própria no recurso voluntário. Em especial, releva destacar o Contrato Particular de Cooperação Técnica que entre si celebram o CPT Centro De Produções Técnicas, a recorrente e Pedro Moreira, Fl. 64DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 13643.000019/200555 Acórdão n.º 1201000.558 S1C2T1 Fl. 5 5 juntado a fls. 42 e datado de 11/12/2000. Pelo disposto claramente em sua Cláusula Primeira, o objeto contratual é “a integração de esforços entre as partes para a produção e comercialização de um videocurso, constituído de um filme técnico e um manual”. Já a sua Cláusula Segunda, item II estabelece as seguintes obrigações do ora recorrente: “a) Responsabilizarse pelas informações e tecnologias a serem veiculadas no filme; b) Dirigir as gravações, a edição de áudio e vídeo, elaborar o roteiro, a computação gráfica e o manual de tal forma que o produto final esteja dentro dos padrões de qualidade estabelecidos pelo CPT. O Produto final não aprovado deverá ser refeito, em parte ou totalmente. c) Indicar e interceder junto aos responsáveis para permitirem as gravações nos diversos locais; d) Participar das gravações, criando condições para demonstração dos diversos processos exigidos no conteúdo do filme; e) Auxiliar no Apoio Técnico para clientes que adquiriram o videocurso e tenham dúvidas sobre os assuntos abordados, que o pessoal técnico do CPT não tenha condições de responder; f) Comercializar o videocurso praticando preços de mesmo valor do CPT.” Ainda em reforço vale citar também que o contrato por ela juntada a fls. 54, datado de 30.11.2004, faz referência, em sua Cláusula Quarta, à sua obrigação de direção e produção do filme técnico, sugerindo que esta atividade ainda seja corriqueira em sua atividade empresarial, verbis: CLÁUSULA QUARTA DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA A CONTRATADA visando atingir o objetivo do contrato, compromete se a, bem e fielmente, realizar os trabalhos de direção e produção dos filmes citados na Cláusula Primeira, arcando, ainda, com a administração de pessoal e execução dos trabalhos, obedecendo o seguinte: Desta forma, considero não provado que a recorrente não pratica nem praticava a atividades de produção de vídeos, ainda que técnicos, descritas em sua primeira Declaração de Firma Mercantil Individual. Resta saber se esta atividade é ou não vedada, ou seja, se ela se enquadra ou não no conceito de diretor ou produtor de espetáculos, contido no inc. XIII, do art. 9º da Lei n° 9.317/1996. A jurisprudência deste Conselho é reticente em relação a esta atividade, havendo decisões em ambos os sentidos. A vedação invocada no caso é a do inc. XIII do art. 9º da Lei 9.317/1996, exatamente a que trata das profissões regulamentadas e dispõe o seguinte: Fl. 65DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 13643.000019/200555 Acórdão n.º 1201000.558 S1C2T1 Fl. 6 6 "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" (negritei). Mas a atividade praticada pelo contribuinte não se encaixa perfeitamente em nenhum dos serviços profissionais mencionados nem exige habilitação profissional legal, uma vez que é de livre exploração por qualquer empreendedor. Vejamos novamente o objeto social do recorrente: "prestação de serviços de roteirista de filmes técnicos de curta e longa metragem, direção e produção de filmes p/ TV, produção e impressão de livros, manuais e CD ROMs” Pretendeu a autoridade fiscal enquadrar este objeto social no serviço “diretor ou produtor de espetáculos”, regulado pela Lei 6.533/78, que “Dispõe sobre a regulamentação das profissões de Artistas e de técnico em Espetáculos de Diversões, e dá outras providências”, o que convenhamos, exige certo esforço interpretativo. Se enquadram nas atividades regulamentadas pela Lei 6.533/78: Art . 2º Para os efeitos desta lei, é considerado: I Artista, o profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública; II Técnico em Espetáculos de Diversões, o profissional que, mesmo em caráter auxiliar, participa, individualmente ou em grupo, de atividade profissional ligada diretamente à elaboração, registro, apresentação ou conservação de programas, espetáculos e produções. Parágrafo único As denominações e descrições das funções em que se desdobram as atividades de Artista e de Técnico em Espetáculos de Diversões constarão do regulamento desta lei. Entendo que as profissões regulamentadas pela referida lei, que exigem registro profissional, não se equivalem às praticadas pelo recorrente. Como um filme técnico ensinando sobre o cultivo de cogumelos pode ser considerado um espetáculo, um evento grandioso que atrai a atenção? O que dizer, então, de um videocurso sobre práticas financeiras? O conceito de espetáculo contido na norma em questão voltase àquele evento grandioso, no qual artistas e performáticos desempenham um papel diante do público para atrair sua atenção, para entretêlos pela beleza, maestria, grandiosidade ou vibração (Houaiss). Fl. 66DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 13643.000019/200555 Acórdão n.º 1201000.558 S1C2T1 Fl. 7 7 Há decisões deste Conselho que entendem que a atividade de produção de vídeo não se enquadra no conceito de direção de espetáculo, que exigiria a contratação de atores, artistas e palestrantes (p.ex. Acórdão nº 380300.019). Há, ainda, quem entenda que espetáculo se restringe a exibições presenciais e ao vivo, não sendo sequer passíveis de reprodução em vídeo. Antonio Houaiss explica o que vem a ser um espetáculo nos seguintes termos: 1 “Espetáculo s.m. 1 aquilo que chama e prende a atenção 2 encenação para ser apresentada diante de um público; peça <estão ensaiando um novo e.> 3 qualquer apresentação pública de teatro, canto ou dança, num palco, numa arena, em praça pública etc.; show 4 p.ext. algo que atrai atenção pela beleza, maestria, grandiosidade, vibração etc. <muitos vão ao estádio de futebol mais pelo e. do que pelo esporte mesmo> 4.1 visão, quadro, panorama <deparouse com o belo e. das jovens índias banhandose no rio> <olhava o e. dos picos nevados> 5 p.ext. B infrm. Alguém ou algo excepcionalmente interessante, bom, bonito e/ou vistoso <este carro é um e. faz 15km por litro> < a aula dele é um e.> 6 p.ext. (da acp 2 ou 3) iron. discussão, briga, ou cena escandalosa, inconveniente, ridícula <não se envergonham de fazer esse e. na porta do prédio?>” (...). Um filme educativo ou comercial tem esta função de entretenimento? Tem aquela grandiosidade que atrai a atenção do público? Tem, enfim, algum conteúdo de espetáculo ou, ao revés, sua função seria outra: vender, explicar, orientar etc.? Para mim está claro que produção e direção de filmes técnicos, vídeos e filme para a TV não se enquadram automaticamente na noção de espetáculo que foi adotada no dispositivo legal. Indagar sobre se tais serviços de produção e direção de vídeo poderiam ou não ser eventualmente enquadrados na noção de espetáculo é algo que só se poderia perquirir no caso concreto e à luz de exame dos fatos e do contexto probatório que, entretanto, não está presente nestes autos. Aqui neste processo não se produziu uma linha sequer buscando provar que a atividade realizada pela recorrente – que é uma pequena empresa individual que faz manuais técnicos e vídeos educativos – se encaixa nos quadrantes de produções, shows e eventos espetaculares com foco no entretenimento. Lembrando que o tipo legal não se encaixa com firmeza na atividade descrita no objeto social da recorrente e era dever da fiscalização empenharse em buscar provas acerca das atividades para aferir se realmente elas se enquadrariam na vedação. Não basta simplesmente tirar da manga uma vedação e estampála numa página de processo administrativo. É preciso investir mais esforço quando o objetivo é limitar o pleno exercício do direito ao tratamento fiscal mais benéfico, constitucionalmente garantido às pequenas empresas. Nessa linha vale mencionar o decidido pelo 3º Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 30334.661, que julgou pela manutenção de uma produtora de vídeo no SIMPLES com seguintes fundamentos: 1 Instituto Antônio Houaiss, Grande dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2008, Rio de Janeiro: Objetiva, verbete espetáculo, p. 1.229. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 13643.000019/200555 Acórdão n.º 1201000.558 S1C2T1 Fl. 8 8 “Não assiste razão ao fisco, por entender que as atividades exercidas pela recorrente impedem sua opção pelo SIMPLES. De plano, observamos, que não existe qualquer exigência ou prérequisito legal algum para que sejam prestados os serviços que exerceu e vem sendo exercidos pela recorrente, através de profissionais de nível médio com conhecimentos específicos num ramo de atividade que independe de profissionais cujo exercício necessite de profissionais com habilitação legalmente estatuída, nem tão pouco se confunde com o ramo específico de "publicitário" ou assemelhados, vedada pela legislação vigente naquela ocasião, e sim, o exercício da atividade de "produção de filmes publicitários para cinema e televisão e produção gráfica e de áudio visual”. Verificamos ademais, que essa pequena sociedade empresária, tanto como os seus dirigentes, como dito seus auxiliares, se enquadram no que manifestou a COSIT no Boletim Central — Simples n° 55 /1997, na resposta à pergunta n° 26, de que se enquadram nas vedações do art. 9°, inciso XII, alínea "c" da Lei 9.317/ 1996, apenas (conforme está escrito o grifo é nosso) as empresas de "criação da propaganda e/ou publicidade." (o destaque foi acrescido), que são executadas pelas empresas de Propaganda e Publicidade, desta maneira, não alcançando às empresas que se dedicam "a produção" do que foi criado para aquelas agências de Propaganda e Publicidade, e os veículos de comunicação.” Desta forma, não vislumbro como pode a vedação alcançar a atividade da recorrente e, desta forma, entendo que ele tem o direito de permanecer no SIMPLES. 3 Do dispositivo. Isso posto, dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 68DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI
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Numero do processo: 14485.000193/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2003
Ementa:
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA RETENÇÃO DE 11%
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços.
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma,
conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 REINCIDÊNCIA
Caracteriza-se reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver decisão administrativa definitiva condenatória ou homologatória referente à infração anterior.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 REINCIDÊNCIA Caracterizase reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver decisão administrativa definitiva condenatória ou homologatória referente à infração anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14485.000193/200792 Acórdão n.º 230201.190 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, por ter deixado de reter 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra, descumprindo a Lei n. 8.212/91, artigo 31, caput, com a redação dada pela Lei nº. 9.711/98, combinada com o artigo 219, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, no período de 08/2000 a 03/2003. O relatório fiscal de aplicação da multa à fl. 22, traz que a autuada é reincidente por ter tido contra si lavrado auto de infração em 18/12/1997, com decisão administrativa definitiva em 30/04/1998, e por isso a multa foi elevada em duas vezes, nos moldes do artigo 292, incido IV, do Regulamento da Previdência Social. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 61/70, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) a anulação do crédito face à decadência, posto que a reincidência foi apurada em período decadente; b) a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n.º 8.212/91; que deve ser aplicada a Súmula Vinculante n.º 08;• c) que há vícios na autuação porque não há menção ao dispositivo legal do fato gerador da multa; d) que houve cerceamento de defesa, na medida em que não há prova da reincidência, posto que o auto de infração que a originou não foi juntado aos autos. Requer o provimento do recurso para reformar a decisão e decretar a improcedência do auto de infração. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme protocolo de fl.75. Assim, cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do mesmo e passo ao seu exame. A autuação se deu por ter deixado a autuada, enquanto contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento à Secretaria da Receita Previdenciária, à época da autuação, até o dia 02 (dois) do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, conforme prescreve o caput do artigo 31, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 9.711/98, vigente à época da autuação: Art. 31 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) A recorrente não questiona o mérito da autuação, mas alega a nulidade da autuação porque o relatório fiscal não menciona o dispositivo legal que capitula a infração. Entretanto, não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização da mesma. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14485.000193/200792 Acórdão n.º 230201.190 S2C3T2 Fl. 3 5 II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ademais, do exame do autos se pode vislumbrar às fls.21 e.22, no relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, o dispositivo legal infringido com a conduta da autuada, artigo 31, caput da Lei n.º 8.212/91 e os dispositivos legais que suportam a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de não reter os 11%, nas notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra, artigos 92 e 102 da lei n.º 8212/91 e artigos 283, caput e §3º e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99. Quanto à argüição de decadência para fins de apuração de reincidência também não assiste razão à recorrente, uma vez que por reincidência se entende a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou seu sucessor, dentro de cinco anos, da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória referente a autuação anterior, conforme disposto pelo parágrafo único do artigo 290, do já citado Regulamento da Previdência Social: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único.Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) No caso em tela, pelos dados constantes no processo, temos que a recorrente foi autuada em ação fiscal anterior em 18/12/1997, com decisão transitada em julgado administrativamente em 30/04/1998. Assim, resta configurada a reincidência para as competências até 03/2003, ou seja, ao não reter os 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra até a competência 03/2003, a autuada praticou nova infração dentro de cinco anos da data em que se tornou irrecorrível aquela decisão administrativa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14485.000193/200792 Acórdão n.º 230201.190 S2C3T2 Fl. 4 7 A reincidência foi genérica já que a infração praticada foi diversa da incorrida anteriormente e a penalidade foi elevada em duas vezes, conforme disposto pelo artigo, 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99,com a redação vigente à época da autuação: Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; É de se notar, entretanto, que o auto de infração contempla as competências de 08/2000 a 03/2003 e foi lavrado em 30/07/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 31/07/2007, devendo ser considerada a decadência. exposta no Código Tributário Nacional, já que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo, artigo 173, inciso I, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2001, inclusive. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas uma retenção que não houvesse sido efetuada na nota fiscal de prestação de serviço, o valor da multa se manteria íntegro. Por derradeiro, não procede a argüição de cerceamento de defesa pela falta de juntada do auto de infração lavrado na fiscalização anterior, que comprovou a origem da reincidência, posto que o relatório fiscal descreve o fato, caracteriza a reincidência, traz o número DEBCAD do auto de infração anteriormente lavrado, anexa o Termo de Verificação de Antecedentes e a tela do sistema informatizado da Previdência Social, DATAPREV, fls. 23 e 24, onde consta o referido auto de infração e todas as informações pertinentes ao mesmo, sendo totalmente dispensável juntar a este processo o auto anterior, para caracterizar a reincidência, o que foi plenamente satisfeito com as informações constantes do processo. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14485.000193/200792 Acórdão n.º 230201.190 S2C3T2 Fl. 5 9 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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