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Numero do processo: 11020.003361/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003
CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO JUROS E MULTA MORATÓRIA EM CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CUJA EXIGIBILIDADE ENCONTRA-SE SUSPENSA.
Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito.
A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003
CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO SALÁRIO MATERNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.704
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I)
conhecer parcialmente do recurso; e II) Na parte conhecida, dar provimento parcial para excluir juros e multa.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO JUROS E MULTA MORATÓRIA EM CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CUJA EXIGIBILIDADE ENCONTRA-SE SUSPENSA. Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito. A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO SALÁRIO MATERNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito. A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO SALÁRIO MATERNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) Na parte conhecida, dar provimento parcial para excluir juros e multa. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003361/200771 Acórdão n.º 240101.704 S2C4T1 Fl. 81 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.115.7382, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa destinadas a outras entidades e fundos – TERCEIROS. O lançamento compreende as competências entre 09/2002, 10/2002, 13/2002, 01/2003 a 11/2003 e 13/2003, e tem por objetivo evitar a decadência dos valores A empresa ingressou em 12/07/2002 com ação judicial processo n°. 2002.71.07.0052397 solicitando exclusão do pagamento das contribuições, incidentes sobre os valores pagos pela previdência social a título de salário maternidade no período em que a segurada manteve vinculo empregatício com a empresa. A partir do mês 09/2002 passou a efetuar depósito judicial das contribuições previdenciárias e as destinadas a terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/09/2007. Não conformado com a notificação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 33 a 38. Foi emitida a DecisãoNotificação DN que não conheceu do recurso, por considerar que a matéria está sendo questionada em juízo, fls. 52 a 56. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 60 a , onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. No entanto, além de desconsiderar o impedimento da cobrança dos créditos tributários, a Fiscalização lançou valores a título de multa e juros pela taxa Selic, com fundamento nos artigos 34 e 35 da Lei n°8.212/91. No entanto, consta em tais artigos que a multa de mora somente incidirá no caso de atraso do recolhimento das contribuições previdenciárias, o que não se evidencia no caso em questão, posto que existe regular depósito judicial das exações em discussão. 2. Argumenta que a decisão que não conheceu a impugnação restringiuse basicamente ao argumento de que a NFLD foi lavrada a fim de se evitar a decadência caso houvesse o levantamento dos valores depositados antes do trânsito em julgado pela Recorrente. Ocorre que, tal argumento não procede, considerando que o STF já firmou entendimento no sentido de que o levantamento dos valores depositados só é possível após o trânsito em julgado da sentença: 3. Também não prospera a alegação de que o ajuizamento da ação judicial importa em renúncia aos recursos na esfera administrativa, considerando que a ação judicial foi interposta antes da lavratura da NFLD e que isso seria uma afronta ao princípio da ampla defesa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 4. Resta evidente a necessidade de reforma da decisão, sob pena de afronta a dispositivos constitucionais e à jurisprudência dos tribunais superiores, requerendo a integral reforma da decisão recorrida, para cancelar a Notificação Fiscal de Lançamento de débito. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003361/200771 Acórdão n.º 240101.704 S2C4T1 Fl. 82 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro eSilva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 95. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar, entendo que os pontos trazidos pelo recorrente em seu recurso dizem respeito a impossibilidade de cobrança das contribuições lançadas na presente NFLD face a exigibilidade encontrarse suspensa, bem como serem indevidos os juros e multa aplicados, tendo em vista a realização do montante integral do tributo lançado. Nos termos do art. 19, Parágrafo Único da Lei 8870/94, c/c como art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, não cabe apresentação de defesa à presente NFLD para discussão de matéria objeto de ação judicial , cabendo porém discussão administrativa , nos termos do art. 37, § 1º da Lei 8212/91, relativamente aos demais aspectos não contemplados pelo litígio judicial, sob pena revelia. Destacase de pronto, que não será conhecido o recurso acerca da incidência de contribuições sobre a verba salário maternidade, tendo em vista o recorrente encontrarse em processo judicial a respeito da mesma matéria. Nesse sentido dispõe a súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais :SÚMULA Nº 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” No entanto, será objeto de julgamento os argumentos recursais de assunto diverso do disposto na referida ação judicial. Quanto ao não conhecimento do recurso, entendo que não foi acertada a decisão de 1. Instância, uma vez que deveria ter como resultado do julgamento o conhecimento parcial, uma vez que pelos argumentos trazidos na referida decisão, entendeu o julgador manter juros e multa, considerando que o contribuinte poderia, antes da decisão final, obter medida judicial para levantar os depósito realizados. Dessa forma, entendo que a impossibilidade de conhecimento por parte da autoridade julgadora, diz respeito ao mérito do lançamento Da incidência de contribuições sobre “salário maternidade”, não devendo ser apreciada matéria relacionada a ser indevida a contribuição. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Todavia, não vislumbro que o recorrente esteja questionando em juízo serem indevidos juros e multa, até porque é possível identificar pelo relatório fiscal e pelo relatório de lançamentos a existência de depósitos mensais. O ponto controverso reside na cobrança de juros e de multa moratória sobre os valores depositados judicialmente. Quanto ao mérito de serem devidas ou não as contribuições sobre a verba SALÁRIO MATERNIDADE, entendo que não há o que ser apreciado face o questionamento em juízo, restando apenas o questionamento acerca da impossibilidade de cobrança das contribuições objeto da presente NFLD. Já quanto a aplicação de juros e multa entendo que a partir do depósito judicial na época oportuna, não são devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância e não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição do INSS. Sendo assim, após o depósito judicial ter sido realizado não há que se cobrar multa moratória, desde que o valor depositado fique à disposição do credor. Também há que ser observado, que a multa moratória é devida até que ocorra o implemento da obrigação. Dessa forma, somente poderá ser cobrada multa caso tenha o depósito sido realizado em momento posterior ao vencimento da obrigação, o que pelos termos trazidos pela autoridade fiscal em seu relatório não é o caso. Peço licença ao ilustre conselheiro Rycardo Oliveira para transcrever parte do voto proferido no recurso 148215, onde o mesmo aborda de forma fundamentada dita questão. (...) Por sua vez, o fisco previdenciário achou por bem manter a aplicação dos juros e multa, sob a alegação de que referida exigência não pode ser relevada por decorrer de lei, mais precisamente, artigos 34 e 35, da Lei nº 8.212/91, não sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea insculpido no artigo 138 do CTN. Não obstante o esforço da autoridade fiscal, o pleito da contribuinte merece acolhimento. Com efeito, a realização do depósito do montante integral, na forma procedida pela recorrente, ao cumprir a função da garantia do crédito, rechaça os efeitos da mora em relação ao montante depositado, desde que tempestivamente e/ou integralmente efetuado. Nessa linha de raciocínio, Geraldo Brinckmann, em sua obra “Depósito Judicial e Lançamento de Ofício para Prevenir a Decadência”, em Revista de Estudos Tributários nº 8, p.22, j/ago99, não deixa dúvida quanto a matéria, senão vejamos: “CONCLUSÕES 1) Não cabe o lançamento da multa de ofício quando a exigibilidade do crédito a ser constituído estiver previamente suspensa por via do depósito do seu montante integral; 2) O depósito do montante não integral do crédito tributário não opera a suspensão, fazendose cabível o lançamento da multa de ofício sobre a integralidade do crédito, antes do advento da Lei nº 9.703/1998, e apenas sobre a parcela faltante após o surgimento da lei nova.” A corroborar este entendimento, mister trazer a baila os preceitos contidos na MP nº 1.721/98, convertida na Lei nº 9.703/1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003361/200771 Acórdão n.º 240101.704 S2C4T1 Fl. 83 7 extrajudiciais de tributos e contribuições federais. Referido diploma legal alterou a sistemática operacional dos depósitos judiciais, ao determinar que não ficariam mais à disposição do juízo em conta aberta na Caixa Econômica Federal vinculada ao processo, na forma que estabelecia o artigo 11 da Lei nº 9.289/96, mas, sim, repassados pela CEF à Conta Única do Tesouro Nacional junto ao Banco Central do Brasil, nos termos do artigo 370 do RPS, sujeitos à devolução ao final da lide na hipótese de o contribuinte obter êxito. Destarte, o artigo 1º, § 3º, e incisos, da Lei nº 9.703/98, é claro ao determinar que no caso de a decisão final ser favorável ao INSS, o valor depositado será transformado em pagamento definitivo. Em outra via, se a contribuinte lograr êxito na demanda judicial, o montante a ser devolvido será acrescido de juros, na forma do § 4º, do artigo 39, da Lei nº 9.250/1995, como segue: “§ 3º Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I – devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º, do art. 39, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II – transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional.” Não bastasse isso, a própria Lei nº 8.212/91, em seus artigos 34 e 35, impõe a cobrança de juros e multa somente quando o pagamento for promovido em atraso, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte efetuou os depósitos tempestivamente/integralmente, estando presentes, portanto, os requisitos inscritos no artigo 370 do RPS. Assim, inobstante a procedência do lançamento em comento, não há que se falar em cobrança de juros e multa, tendo em vista a realização do depósito judicial no montante integral do crédito discutido. Notese que no concerne aos juros e multa, ressaltese que a exclusão do mesmo está condicionada ao fato de que os depósitos não tenham sido levantados até o transito em julgado do processo. Importante destacar que em se tratando de NFLD lavrada para evitar a decadência, de contribuições discutidas em juízo, a cobrança de dita NFLD só poderá ser realizada após o trânsito em julgado do processo judicial. CONCLUSÃO Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso para na parte conhecida, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir juros e multa. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000074/2005-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-001.968
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente FLEURY S.A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes e Mauro Jose Silva. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Sul / SP, fls. 0121 a 0142, que julgou procedente o lançamento, efetuado por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 034 a 037, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos nas notas fiscais de prestação de serviços, limpeza, devido à recorrente não ter apresentado a documentação para se elidir da responsabilidade solidária determinada pela legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 22/12/2004 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 058 a 067, acompanhada de anexos, onde alegou, em síntese, que: 1. A fiscalização deveria verificar se a prestadora de serviço recolheu o valor devido; 2. Foram apresentados todos os documentos para a elisão de sua responsabilidade; 3. A eleição do tomador como responsável solidário afronta o Código Tributário Nacional (CTN) e a Constituição Federal (CF/88); 4. Os diretores não devem constar da lista de co responsáveis; 5. Por tudo exposto, requer o cancelamento do lançamento. A solidária apresentou impugnação intempestiva, fls. 0110 e 0111. A DRP analisou o lançamento e as impugnações, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0152 a 0161, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, os mesmos argumentos presentes em sua defesa e argumento sobre a possibilidade de instância administrativa analisar a constitucionalidade de legislação. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.000074/200596 Acórdão n.º 230111.968 S2C3T1 Fl. 403 3 A prestadora de serviços também não se conformou com a decisão e apresentou impugnação, fls. 0164 a 0168, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Não há débito a ser lançado; 2. Anexa documentos para provar o alegado; 3. Requer a reforma da decisão, a fim de cancelar o lançamento. Ressaltese, pois importante para o deslinde futuro da questão, que há comprovante de recolhimento da competência 12/1998, fls. 0189. Com as novas alegações da recorrente, a Delegacia solicitou pronunciamento da fiscalização, fls. 0191 a 0194. A fiscalização respondeu aos questionamentos da Delegacia, fl. 0196. Posteriormente, sem cientificar as recorrentes, a Delegacia emitiu contrarazões, fls. 0296 a 0313, onde, em síntese, mantém a decisão proferida, enviando o processo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Quarta Câmara de Julgamento (CAJ), do CRPS, emitiu despacho para que as recorrentes tivessem ciência da diligência e de seu resultado e pudessem, caso desejassem, apresentar novos argumentos, a fim de evitar alegações futuras de cerceamento de defesa, fls. 0316. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (São Paulo I) elaborou despacho, afirmando que não há a necessidade das ciências, pois as recorrentes já foram comunicadas, em fase processual anterior, sobre a realização da diligência, fls. 0319 a 0323. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF reiterou a solicitação de diligência efetuada, a partir das fls. 0326. A recorrente apresentou manifestação, onde, em síntese, requer sua elisão da responsabilidade, devido a documentos e recolhimentos apresentados. Os autos regressaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, devemos analisar a questão sobre a decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. No período do lançamento há considerados recolhimentos a homologar, fls. 0182 a 0189. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse pagamento, compete à Administração homologálo ou recusar a homologação. No caso de Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.000074/200596 Acórdão n.º 230111.968 S2C3T1 Fl. 404 5 recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regara decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período compreendido entre as competências 09/1998 a 12/1998, e o lançamento foi efetuado em 12/2004. Portanto, devem ser excluídas do lançamento todas as contribuições apuradas, pois os recolhimentos que ocorreram nessas competências já estão homologados, segundo a legislação citada acima. Por todo o exposto, acato a preliminar, para, devido a regra decadencial aplicada, excluir do lançamento todas as contribuições apuradas, na forma do voto. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35464.000074/200596 Acórdão n.º 230111.968 S2C3T1 Fl. 405 7 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003764/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS
OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRÓPRIA. MÚTUO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O pagamento de obrigação própria não representa mútuo, mesmo que
empresa coligada, por determinação do controlador, venha a ser instada a efetuar a restituição do valor pago.
RECEBIMENTO DE RECURSOS DO INSS PARA PAGAMENTO DE BENEFÍCIOS. RECURSOS E PAGAMENTO FEITO POR EMPRESA COLIGADA. MÚTUO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Os valores recebidos do INSS para pagamento de benefícios previdenciários por empresa coligada não representa mútuo à mingua de prova de que a recorrente arcou, com recursos próprios, o pagamento dos correspondentes benefícios previdenciários.
FATURAMENTO DA RECORRENTE RECEBIDO POR EMPRESA COLIGADA. DESPESA DE EMPRESA COLIGADA PAGA PELA EMPRESA RECORRENTE. MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO.
O recebimento, por empresa coligada, de faturamento da recorrente e a realização de pagamento, pela recorrente, de obrigações de terceiros representam entrega de recursos e, conseqüentemente, tais operação estão sujeitas à incidência do IOF, por serem mútuo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.046
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Ano-calendário: 2002 PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRÓPRIA. MÚTUO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O pagamento de obrigação própria não representa mútuo, mesmo que empresa coligada, por determinação do controlador, venha a ser instada a efetuar a restituição do valor pago. RECEBIMENTO DE RECURSOS DO INSS PARA PAGAMENTO DE BENEFÍCIOS. RECURSOS E PAGAMENTO FEITO POR EMPRESA COLIGADA. MÚTUO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os valores recebidos do INSS para pagamento de benefícios previdenciários por empresa coligada não representa mútuo à mingua de prova de que a recorrente arcou, com recursos próprios, o pagamento dos correspondentes benefícios previdenciários. FATURAMENTO DA RECORRENTE RECEBIDO POR EMPRESA COLIGADA. DESPESA DE EMPRESA COLIGADA PAGA PELA EMPRESA RECORRENTE. MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO. O recebimento, por empresa coligada, de faturamento da recorrente e a realização de pagamento, pela recorrente, de obrigações de terceiros representam entrega de recursos e, conseqüentemente, tais operação estão sujeitas à incidência do IOF, por serem mútuo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MÚTUO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O pagamento de obrigação própria não representa mútuo, mesmo que empresa coligada, por determinação do controlador, venha a ser instada a efetuar a restituição do valor pago. RECEBIMENTO DE RECURSOS DO INSS PARA PAGAMENTO DE BENEFÍCIOS. RECURSOS E PAGAMENTO FEITO POR EMPRESA COLIGADA. MÚTUO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os valores recebidos do INSS para pagamento de benefícios previdenciários por empresa coligada não representa mútuo à mingua de prova de que a recorrente arcou, com recursos próprios, o pagamento dos correspondentes benefícios previdenciários. FATURAMENTO DA RECORRENTE RECEBIDO POR EMPRESA COLIGADA. DESPESA DE EMPRESA COLIGADA PAGA PELA EMPRESA RECORRENTE. MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO. O recebimento, por empresa coligada, de faturamento da recorrente e a realização de pagamento, pela recorrente, de obrigações de terceiros representam entrega de recursos e, conseqüentemente, tais operação estão sujeitas à incidência do IOF, por serem mútuo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.003764/200707 Acórdão n.º 330201.046 S3C3T2 Fl. 374 2 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da Silva.. Relatório Contra a empresa Copel Transmissão S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IOF, relativo a fatos geradores ocorridos no ano de 2002, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a recorrente detinha créditos perante coligadas. Os créditos decorrem, em geral, de valores da interessada recebidos por empresas coligadas, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 144/151. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0615.529, de 20/09/2007 – fls. 316/329. Ciente desta decisão em 11/10/2007 (AR de fl. 333), a interessada ingressou, no dia 12/11/2007, com o recurso voluntário de fls. 334/344, no qual alega, em síntese, que o fato gerador do IOF é a operação de crédito, ou seja, a entrega de recursos ou a sua colocação à disposição e os saldos das contas do ativo, representado operações com coligadas, não é operação de crédito. Descreve as operações com a COPELHOLD e com a COPELDIS. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva – Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.003764/200707 Acórdão n.º 330201.046 S3C3T2 Fl. 375 3 Conheço do recurso voluntário posto que tempestivo e de conformidade com as demais exigências legais. Como relatado, a recorrente mantém direitos sobre empresas coligadas decorrente, principalmente, de valores seus recebidos por essas empresa e por pagamento de despesas de responsabilidade de coligadas. A Fiscalização, com fulcro no art. 13 da Lei nº 9.779/99 e no RIOF (Decretos nº 2.219/97 e nº 4.494/02), apurou o valor que a interessada colocou à disposição de empresas coligadas, confrontando as contas 121.41.6 e 221.71.6, exigindo o pagamento do IOF sobre a diferença positiva diária dessas contas. No recurso voluntário a recorrente alega, em apertada síntese, que não ocorreu o fato gerador do IOF porque as operações entre as coligadas não representam mutuo, posto que não houve a entrega de recurso da recorrente para as coligadas. Com razão, em parte, a recorrente. De princípio, nem todas os valores lançados na conta 121.41.6 representa, efetivamente, entrega de recursos da recorrente para as coligadas, como abaixo se verá. Analisaremos os lançamentos na conta 121.41.6, relacionado nas fls. 74/140, para cada uma das empresas coligadas. 1 Créditos com a Copel Geração S/A Com esta coligada existe apenas um único lançamento no dia 31.01.02, cujo histórico é o seguinte: “9933 11 Regularização de Saldo entre Sis”. Entendo que não há evidência, pelo histórico, que a recorrente tenha disponibilizado recursos financeiros para a Copel Geração (direta ou indiretamente), condição para ocorrência do Fato Gerador do IOF. Deve estar evidente, em cada lançamento, que se trata de recursos financeiros da recorrente em poder da Copel Geração. O fato da conta contábil está no Ativo Realizável a Longo Prazo (Credores, Valores e Bens – Devedores Diversos) não é condição suficiente para se afirmar que ocorreu o Fato Gerador do IOF. É necessário provar que houve a entrega (direta ou indiretamente) de recursos financeiros. Pelo histórico do lançamento, nesta conta pode está registrado a entrega de qualquer bem ou direito e não necessariamente de recurso financeiros. Na falta de prova de que houve a entrega (direta ou indiretamente) de recursos financeiros, não há como manter o lançamento, nesta transação. 2 Créditos com a Copel Distribuição S/A Os documentos de fls. 131/186, especialmente o Despacho de fl. 133, do Anexo I, não deixam dúvida de que a ANEEL e a Eletrobrás estão exigindo da recorrente o pagamento do Adicional de RGR, em 12 parcelas de R$ 126.706,42. Esta, portanto, é uma obrigação da recorrente e ela efetuou o pagamento em seu nome e não em nome da Copel Distribuição. O fato de a Copel Holding decidir que o débito deve ser assumido pela Copel Distribuição não exime a recorrente de efetuar o seu pagamento à Eletrobrás. Portanto, nesta operação não há entrega ou disponibilidade de recursos para a Copel Distribuição. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.003764/200707 Acórdão n.º 330201.046 S3C3T2 Fl. 376 4 Consequentemente, as parcelas do Adicional de RGR deve ser excluído da base de cálculo do IOF. Quanto aos demais valores (tanto os direitos da recorrente recebidos pela Copel Distribuição como as despesas da Copel Distribuição pagas pela recorrente) são, efetivamente, recursos da recorrente colocados à disposição da coligada, com efetiva fruição, da Copel Distribuição, enquadrandose no fato gerador do IOF, posto que é mutuo, como descrito no Termo de Verificação Fiscal e no acórdão recorrido. O valor tributável pelo IOF nas operações com a Copel Distribuição é o demonstrado abaixo, após as exclusões acima referidas. Período Conta 121.41.6 1 Conta 221.71.6 1 Créditos DIAS BC 01 a 29/01 1.660.328,82 1.717.562,05 57.233,23 30/01 1.660.328,82 4.017.562,05 2.357.233,23 31/01 1.659.884,89 4.018.441,75 2.358.556,86 01 a 28/02 1.659.884,89 1.717.562,25 57.677,36 01 a 31/03 1.659.884,89 1.717.562,25 57.677,36 01 a 30/04 1.659.884,89 1.717.562,25 57.677,36 01 a 31/05 1.659.884,89 1.717.562,25 57.677,36 01 a 30/06 1.671.969,50 1.717.562,25 45.592,75 01 a 31/07 1.671.969,50 1.717.562,25 45.592,75 01 a 30/08 1.671.969,50 1.717.562,25 45.592,75 31/08 2.068.223,61 1.717.562,25 350.661,36 1 350.661,36 01 a 29/09 2.068.223,61 1.717.562,25 350.661,36 29 10.516.323,47 30/09 2.064.706,28 1.717.562,25 347.144,03 1 01 a 31/10 2.064.706,28 1.717.562,25 347.144,03 31 10.761.464,93 01 a 29/11 2.064.706,28 1.717.562,25 347.144,03 29 10.381.165,40 30/11 2.031.550,78 1.717.562,25 313.988,53 1 01 a 30/12 2.031.550,78 1.717.562,25 313.988,53 30 9.733.644,43 31/12 313.988,63 0,10 313.988,53 1 3 Créditos com a Copel Holding Pelos documentos acostados nos Anexos I e II entendo que os valores repassados pelo INSS para pagamento de benefícios previdenciários de empregados da recorrente, mesmo tendo sido entregue à Copel Holding não pode ser caracterizado como mutuo pelo simples fato de que a Copel Holding não ficou com esses recursos e sim os repassou aos segurados do INSS. Não há evidências de que a recorrente tenha pago os benefícios previdenciários com recursos próprios, única hipótese em que os recursos entregues pelo INSS poderiam ser usufruídos pela Copel Holding. Portanto, os recursos do INSS, que deveriam ser entregues à recorrente e foram entregues à Copel Holding, não representam mutuo e sobre eles não incide IOF, inclusive os recebidos no ano de 2001, que deve ser excluído do saldo em 01/01/2002, no valor de R$ 34.258,87. Quanto aos recurso financeiros de titularidade da recorrente recebidos diretamente pela Copel Holding e não repassados à titular em prazo razoável de diversas origens (fatura de venda de serviços, indenização de seguros, depósitos judiciais, etc.) são, efetivamente, operações de mutuo, ou seja, são recursos da recorrente posto à disposição da Copel Holding. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.003764/200707 Acórdão n.º 330201.046 S3C3T2 Fl. 377 5 O valor tributável pelo IOF nas operações com a Copel Holding é o demonstrado abaixo, após a exclusão acima referida. Período Conta 121.41.6 1 Conta 221.71.6 1 Créditos DIAS BC 01 a 31/01 14.537.199,53 4.651.775,60 9.885.423,93 31 306.448.141,83 01 a 27/02 14.537.199,53 4.651.775,60 9.885.423,93 27 274.732.415,94 28/02 14.778.624,93 6.952.655,10 7.825.969,83 1 01 a 12/03 14.778.624,93 6.952.655,10 7.825.969,83 12 242.363.500,51 13 a 26/03 14.778.624,93 6.958.231,12 7.820.393,81 14 27 a30/03 14.778.624,93 6.968.365,32 7.810.259,61 4 31/03 14.782.289,48 7.056.978,71 7.725.310,77 1 01 a 25/04 14.782.289,48 7.056.978,71 7.725.310,77 25 231.756.902,50 26 a 29/04 14.782.289,48 7.057.462,83 7.724.826,65 4 30/04 14.782.289,48 7.057.462,83 7.724.826,65 1 01 a 31/05 14.782.289,48 7.057.462,83 7.724.826,65 31 239.469.626,15 01 a 29/06 14.782.289,48 7.057.462,83 7.724.826,65 29 245.045.230,15 30/06 28.249.237,06 7.223.979,76 21.025.257,30 1 01 a 30/07 28.249.237,06 7.223.979,76 21.025.257,30 30 651.772.552,30 31/07 28.288.813,06 7.273.979,76 21.014.833,30 1 01 a 30/08 28.288.813,06 7.273.979,76 21.014.833,30 30 650.924.386,30 31/08 28.288.813,06 7.809.425,76 20.479.387,30 1 01 a 29/09 28.288.813,06 7.809.425,76 20.479.387,30 29 613.396.233,63 30/09 28.291.123,29 8.797.121,36 19.494.001,93 1 01 a30/10 28.291.123,29 8.797.121,36 19.494.001,93 30 603.777.651,63 31/10 28.291.123,29 9.333.529,56 18.957.593,73 1 01 a 29/11 28.291.123,29 9.333.529,56 18.957.593,73 29 565.152.924,20 30/11 28.294.946,22 12.912.240,19 15.382.706,03 1 01 a 30/12 28.294.946,22 12.912.240,19 15.382.706,03 30 475.642.566,59 31/12 14.463.212,01 301.826,32 14.161.385,69 1 4 Copel Telecomunicações S/A O pagamento, pela recorrente, de despesas de aluguel de responsabilidade da Copel Telecomunicações representa, sim, operação de mútuo, posto que a Copel Telecomunicações usufruiu dos recursos financeiros da recorrente, usandoos para liquidar dívidas de sua responsabilidade. Portanto, deve a operação ser tributada pelo IOF. 5 Copel Participações S/A Também aqui a recorrente efetuou pagamento de dívidas (prêmio de seguro) de responsabilidade da Copel Participações, caracterizando a fruição de recursos da recorrente e, portanto, ocorreu a operação de mútuo. Correta a tributação dessa operação. Em resumo, o IOF devido, após a exclusões acima referidas, é o demonstrado abaixo: PA COPEL Geração COPEL Distribuição COPEL HOLDING COPEL Telecomu COPEL Particip TOTAL IOF JAN 306.448.141,83 306.448.141,83 12.564,37 FEV 274.732.415,94 274.732.415,94 11.264.02 MAR 242.363.500,51 24,43 242.363.524,94 9.936,90 ABR 231.756.902,50 732,90 231.757.635,40 9.502,06 MAI 239.469.626,15 635,18 239.470.261,33 9.818,28 JUN 245.045.230,15 245.045.230,15 10.046,85 JUL 651.772.552,30 651.772.552,30 26.722,67 AGO 350.661,36 650.924.386,30 651.275.047,66 26.702,27 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.003764/200707 Acórdão n.º 330201.046 S3C3T2 Fl. 378 6 SET 10.516.323,47 613.396.233,63 623.912.557,10 25.580,41 OUT 10.761.464,93 603.777.651,63 614.539.116,56 25.196,10 NOV 10.381.165,40 565.152.924,20 575.534.089,60 23.596,89 DEZ 9.733.644,43 475.642.566,59 152.068,21 485.528.279,23 19.906,65 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar devido o IOF acima apurado, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. Sala das Sessões, em (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000050/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA - IRPF
Exercício: 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. Conforme dispõe o artigo 11 da Portaria SRF n° 3.007, de 26/11/2001, o procedimento de malha fiscal prescinde da emissão de MPF.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Alegações
atinentes a tal ocorrência não se aplicam ao caso em exame. Também não se constata qualquer alteração no fundamento jurídico da autuação.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade
lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.036
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. Conforme dispõe o artigo 11 da Portaria SRF n° 3.007, de 26/11/2001, o procedimento de malha fiscal prescinde da emissão de MPF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Alegações atinentes a tal ocorrência não se aplicam ao caso em exame. Também não se constata qualquer alteração no fundamento jurídico da autuação. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provijiito ao recurso, nos termos do voto do Relator. A10 MARCOS CÂNDI 0 - Presidente TOSTA SANTOS - Relator Editado em: 10.11.2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes, Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Caio Marcos Cândido. Relatório 0 recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 06-20.071, proferido pela 6 Turma da DRJ Curitiba (fls. 66/72), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento (fls. 32/37), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2004, ano-calendário de 2003, que exige R$3.190,00 de imposto de renda, em decorrência de glosa de dedução indevida de despesas médicas. Com a impugnação parcial do contribuinte, permaneceu em litígio a glosa da despesa médica efetuada com o Dr. Eduardo Murta, cujo recibo não tem assinatura nem identifica quem efetuou o pagamento. Foi apresentado declaração desse profissional, demonstrando que o Impugnante esteve em tratamento odontológico no período em questão. Quanto â. glosa do recibo do Dr. Edison M. Camargo, foi instruída a defesa com os respectivos recibos de pagamento dos serviços de fisioterapia prestados, além de declaração emitida por este profissional, atestando a prestação do tratamento fisioterápico e o recebimento do valor de R$ 11.500,00. Ao apreciar o litígio, o Orgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MEDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos, sobretudo quando restar dúvida quanto a idoneidade do documento. Lançamento Procedente. Em seu apelo ao CARP, As fls. 78/100, o recorrente repisa e aprofunda as mesmas questões suscitadas perante o Orgão julgador a quo, e acresce pedido pela nulidade do feito, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal e cerceamento do direito de defesa, conforme preceitua o art. 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator 0 recurso atende os requisitos de admissibilidade. 4\ 2 Processo n° 10980.00005012006-58 S2-CIT1 Acórdão rt.° 2101-001.036 Fl. 116 Inicialmente, rejeito as preliminares argüidas, tendo em vista que o procedimento de malha fiscal prescinde da emissão de MPF, conforme dispõe o artigo 11 da Portaria SRF n° 3.007, de 26/11/2001, e a inexistência do alegado cerceamento do direito de defesa. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O parágrafo único do artigo 142 do CTN ainda acrescenta: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Ainda que para o procedimento em exame fosse necessário a emissão de MPF, a jurisprudência pacifica desta Turma é que o Auditor Fiscal encontrava-se no exercício de suas funções de acordo com a lei, que lhe outorgou competência para as atividades de fiscalização e lançamento, sob pena de responsabilidade funcional (Decreto-lei n° 2225/85 e artigo 142 do CTN), e que Portaria da SRF não tem o condão de alterar tal competência, por sua posição hierarquia de norma complementar e ern face da reserva legal sobre a matéria. Eventuais falhas, portanto, decorrente do MPF, em procedimento de fiscalização diverso do trabalho de malha fiscal, poderá caracterizar uma irregularidade administrativa, a ensejar apuração de falha funcional do autuante, mas jamais irá macular de nulidade o lançamento, regido estritamente por norma jurídica de base legislativa. Neste sentido, filio-me ao entendimento majoritário, expresso em diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes que nem mesmo a falta do MPF acarreta a nulidade do procedimento, mas tão-somente urna irregularidade administrativa. Confira-se: Ementa: MPF — FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR — NULIDADE — 1NOCORRÊNCIA — desrespeito ez renovação do MP)? no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (CSRF/01-05.189, Sessão de 14/03/2005). Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF N° 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo .fiscal. A Portaria SRF n" 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CDT, nem nos arts. 70, 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. (ACÓRDÃO 203-08483, Sessão de 16/10/2002) 3 Ementa: NULIDADE - INOCORRENCIA - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Acórdão 108-08091, Sessão de 01/12/2004). Ementa : recurso "ex officio" — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituido pela Port. SRF n° 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão- de-obra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial a validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que estabelecida em lei (art. 70 do Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos artigos 950, 951 e 960 do R1R194. 142 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 107-07756, Sessão de12/08/2004) 0 recorrente defende que os recibos e as declarações apresentados comprovam suficientemente seu direito A dedução em questão. Contudo, verifica-se que os elementos de prova nos autos dão suporte A glosa efetuada pela fiscalização. Vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a tem interpretado. Confira-se o estabelecido na Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8" A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiálogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias,- (.). sf 2 0 disposto na alínea " " do inciso II: (-)- II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e ntimero de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foiefetuado o pagamento; 4 Processo n° 10980.000050/2006-58 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-001.036 Fl. 117 Por sua vez, o Decreto n° 3.000, de 26 de mat-go de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR 1 1999, art. 73, dispõe: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas et comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n0 5.844, de 1943, art. 11, §3°). §10 Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto- lei n°5.844, de 1943, art. 11, No que tange à despesa incorrida com o fisioterapeuta Edison M. de Camargo, no valor de R$11.500,00, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos/nota fiscal, como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1 0, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verifica-se, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da realização das despesas (os serviços médicos demandados), quando não o fazia em relação ao efetivo pagamento. Conforme DIPF à fl. 29, as despesas médicas deduzidas alcançam um montante significativo em relação aos rendimentos auferidos pelo contribuinte, que possui diversos planos de assistência médica (CEFET e IPMC), mas não os utilizada para realização da fisioterapia. Nenhuma justificativa foi apresentada para a utilização de um serviço que tem cobertura pelo plano de saúde. 0 Autuado recebe a integralidade dos rendimentos através de conta bancária, mas não consegue comprovar o pagamento de R$11.500,00 de pagamento ao fisioterapeuta Edison Luiz M. de Camargo, cuja Declaração à fl. 53, não se presta ao propósito de comprovar o efetivo desembolso do valores. 0 ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários desses são orientados a aceitá-los. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocon-eriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores para os pagamentos realizados. De fato, quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos ou declarações que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumem-se verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de afirmar que "a presunção juris tantun de veracidade do conteúdo do instrumento particular 6 invocável 5 tão-somente em relação aos seus subscritores (STJ, Ac. Unfin. 4a T. Resp. 33.200-3/SP, rel. Min. Salvio de Figueiredo Teixeira, in RSTJ 78:269). E também o entendimento da doutrina abalizada de Washington de Barros Monteiro: "Saliente-se, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao ato". (Curso de Direito Civil", 10 vol., 34a Edição, p. 257 e 258). E certo que o sistema protege o documento que se reveste de presunção de veracidade, permitindo redução do seu valor probatório somente diante de prova em contrário. Contudo, o documento que não se reveste de presunção de veracidade, como recibos e declarações particulares, são passíveis de serem rejeitados como prova, desde que haja outros motivos, pois a estes documentos atribui-se valor probatório ordinário. Assim, o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte interessado na prova da sua veracidade, sendo legitima a exigência pelo fisco de elementos complementares a estes documentos, com a finalidade de formar juizo de verossimilhança dos fatos declarados. Despesa fisioterápica desta monta requer a realização de centenas de sessões, resultado de forte traumatismo ou enfermidade grave, para o qual o interessado não apresentou nenhum elemento de prova relacionado à necessidade de tal despesa e a razão de não ter utilizado um de seus planos de saúde. Conforme noticia o documento it fl. 08, o contribuinte nos anos-calenddrios de 1999 a 2002, deduziu com o mesmo Dr. Edison M. de Camargo, respectivamente, os montantes de R$12.520,00, R$12.300,00, R$12.300,00 e R$11.500,00. Estas considerações objetiva analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. Diferentemente do que aduz o recorrente não objetiva dar nova interpretação aos fatos ou estabelecer novo critério jurídico, a cercear o exercício do seu direito de defesa. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos declinados na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, a fl. 33, permanece incólume. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou inversão indevida do ônus da prova, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação. Em que pese a jurisprudência colacionada no recurso em tela, filio-me aos julgados administrativos que acolhem as despesas expressas em recibos, quitados em dinheiro, quando houver prova efetiva da realização dos serviços médicos ou vinculação dos pagamentos indicados nos recibos. Para a situação revelada no caso ern exame, ha que se comungar com o entendimento manifestado pela fiscalização, que encontra suporte na jurisprudência majoritária deste Conselho, expresso nas ementas abaixo colacionadas, dentre muitas outras, no mesmo diapasão: IRPF - DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vincula ção do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanta à idoneidade do documento. (Ac. 1° CC 102-43935/1999 e Ac. CSRF 01-1.458) DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. (Acórdão 104-22781, Sessão de 18/10/2007) DESPESAS MEDICAS - GLOSA - Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 102-48922, Sessão de 25/01/2008). do, 6
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000356/2007-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
DEDUTIBILIDADE DESPESAS – QUESTÃO DA COMPROVAÇÃO
A indedutibilidade de despesas motivada por carência na comprovação de sua efetividade deve levar em conta, na avaliação daquele juízo (indedutibilidade), os contornos e tonalidades que o caso concreto revela nos autos. Dependendo do desenho que se apresente nos autos, a avaliação da indedutibilidade pautada naquele motivo deve ser iluminada pelo critério da
razoabilidade.
Diante do cenário em que se põe a questão da comprovação das despesas, no caso vertente, impõe-se a razoabilidade sobre a matéria contendida, com graduação menos rigorosa, nomeadamente por não ter havido maior aprofundamento da fiscalização, em face da documentação apresentada pela recorrente em atendimento às intimações. Nesse contexto, e à vista dos documentos constantes nos autos, devem ser afastadas as glosas de custos e de despesas, exceto as de aluguel de imóvel.
Numero da decisão: 1103-000.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial para excluir as glosas de custos e de despesas com Algather do Brasil, MKM Assessoria Empresarial, Armazéns Gerais Trianon, Elite Vigilância e Segurança e Rangers de Segurança.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: DEDUTIBILIDADE DESPESAS – QUESTÃO DA COMPROVAÇÃO A indedutibilidade de despesas motivada por carência na comprovação de sua efetividade deve levar em conta, na avaliação daquele juízo (indedutibilidade), os contornos e tonalidades que o caso concreto revela nos autos. Dependendo do desenho que se apresente nos autos, a avaliação da indedutibilidade pautada naquele motivo deve ser iluminada pelo critério da razoabilidade. Diante do cenário em que se põe a questão da comprovação das despesas, no caso vertente, impõese a razoabilidade sobre a matéria contendida, com graduação menos rigorosa, nomeadamente por não ter havido maior aprofundamento da fiscalização, em face da documentação apresentada pela recorrente em atendimento às intimações. Nesse contexto, e à vista dos documentos constantes nos autos, devem ser afastadas as glosas de custos e de despesas, exceto as de aluguel de imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para excluir as glosas de custos e de despesas com Algather do Brasil, MKM Assessoria Empresarial, Armazéns Gerais Trianon, Elite Vigilância e Segurança e Rangers de Segurança. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Fl. 1017DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.018 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Cristiane Silva Costa. Fl. 1018DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.019 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ (fls. 437 a 439), no valor de R$ 952.538,78; e CSL (fls. 450 453), no valor de R$ 391.201,27, lavrados em 19/09/2007, acrescidas multa de ofício de 75% e juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta irregularidades apuradas do 1º trimestre de 2002 ao 4º trimestre de 2005. Como consta no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 412 a 418), na fiscalização do IRPJ, analisando os principais custos declarados pela empresa, verificouse que os maiores valores concentravamse nos itens “Serviços Prestados por Pessoa Jurídica” e “Outros Custos” do custo dos serviços vendidos; “Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica”, “Aluguéis” e “Outras Despesas Operacionais” das despesas operacionais. A recorrente foi intimada a apresentar as notas fiscais e outros documentos comprobatórios das contabilizações do período referentes aos custos e despesas declarados para o período fiscalizado. A documentação foi entregue e foi elaborada planilha com os valores comprovados e planilha cotejando os valores declarados, os comprovados e o saldo sem comprovação. Foi dada ciência à recorrente e esta foi reintimada a apresentar documentação comprobatória suplementar. Em 31/07/2007 foram apresentadas à recorrente planilhas relacionando as contas de despesas constantes dos livros Razão para as quais deveria apresentar a documentação justificando os lançamentos. A recorrente apresentou cópias de notas fiscais e de documentos de pagamento, sem relacionálas aos lançamentos contábeis ou indicar a que título os pagamentos foram efetuados. Da documentação apresentada, foi constatado que alguns lançamentos não foram comprovados por documentação hábil, ou por falta de apresentação de notas fiscais ou por falta de prova do efetivo pagamento. Foram glosadas as despesas de aluguel, pois a entrega de uma cópia simples do contrato de aluguel não constitui documentação hábil comprobatória, uma vez que não foi apresentada prova da propriedade do imóvel, comprovantes de pagamento ou prova de que o signatário do contrato representava na época o locador. A empresa Gunber (locadora) apresentou declaração de inatividade desde o anocalendário 2003. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 26/09/2007, a recorrente apresentou impugnação em 25/10/2007, de fls. 486 a 506, alegando, em síntese, o que segue. Contesta a glosa dos custos e despesas não comprovadas, na medida em que tais recursos foram destinados às operações contabilizadas, atendendo às exigências de usualidade, normalidade e necessidade para a manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Fl. 1019DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.020 4 Reitera que as notas fiscais apresentadas, ainda que com descrição genérica dos serviços, representariam a prova dos serviços tomados pela recorrente e conexos com sua atividadefim. Afirma não ter se eximido da responsabilidade de atender às solicitações da fiscalização, e relaciona em planilhas de fls. 489 a 495, os comprovantes dos pagamentos efetivados devidamente anexados aos autos (cópias de extratos bancários, controles internos de emissão de cheques e recibos), pretendendo demonstrar a lisura e a transparência de seus atos. Requer a nulidade do feito, porque comprovou os pagamentos dos custos e despesas, objeto de glosa. Assevera que o formalismo excessivo do fisco não poderia ensejar a cobrança de tributo indevido, o que poderia configurar excesso de poder. No seu entender, as notas fiscais, recibos e cópias de cheques seriam provas suficientes dos custos e despesas glosados. Requer a nulidade dos lançamentos, baseados em meros indícios e presunções e contra a verdade material consubstanciada nas provas apresentadas. Defende que bastaria a apresentação de provas que comprovassem a prestação dos serviços para que se restabelecesse a validade das despesas glosadas. Requer a desconstituição dos lançamentos e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, enquanto pendente de decisão definitiva e irrecorrível. Juntou documentos de fls. 507 a 916, dentre eles alteração contratual, relação de comprovantes de pagamentos com notas fiscais, cópias de cheques e extratos bancários; separados por trimestre. DA DECISÃO DA DRJ Em 20/05/2009 acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Campinas, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte os lançamentos. Segue, em síntese, os fundamentos. No que diz respeito aos serviços prestados pelas empresas MKM Assessoria Empresarial e Algather do Brasil, acatase a quase totalidade da documentação apresentada para comprovar os custos/despesas vinculados às notas fiscais emitidas (cópias de notas fiscais, controles internos de cheques emitidos nominais aos favorecidos e/ou recibos e extratos bancários), ale, da coincidência em datas e valores, dão conta da natureza das operações e da efetividade dos pagamentos. Todavia, como não há coincidência de valores entre a nota fiscal nº 112, de 1º/04/2003, emitida pela Algather do Brasil (fl. 700), de R$ 13.632,11, não foi possível validar o pagamento correspondente. Ainda que excluído o valor da retenção de IR (1,5%) do total da nota fiscal, chegarseia ao valor de R$ 13.428,29, diferente do valor do cheque emitido. Permanecem sem comprovação também, os custos/despesas contabilizados com a empresa Rangers de Segurança, por falta de comprovação dos pagamentos, na medida Fl. 1020DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.021 5 não há coincidência de datas e valores na documentação apresentada. São as notas fiscais de nº 704, 705, 706, 707, 708, 709 e 711. Poderseia ainda acrescentar que nem a recorrente teve êxito em tentar relacionar as operações registradas nas notas fiscais e os cheques emitidos em favor da Rangers de Segurança, tendo se limitado a relacionar as notas fiscais (fl. 806) e os cheques (fls. 831 e 832), sem estabelecer qualquer relação entre eles. Salientese que os extratos bancários isoladamente não fazem prova de pagamento. É necessário que seja estabelecido, não apenas um vínculo documental entre a operação registrada nas notas fiscais e os valores debitados na conta corrente, mas principalmente a identificação dos beneficiários dos pagamentos, o que não é possível apenas com as informações constantes dos extratos bancários. Com relação às operações supostamente realizadas com Armazéns Gerais Trianon deve ser mantida a glosa, por não terem sido apresentadas as notas fiscais correspondentes, documentos hábeis à comprovação da natureza das operações. No que diz respeito às operações realizadas com a Elite Vigilância e Segurança S/C Ltda., cumpre assinalar primeiramente que se trata de empresa declarada inapta no CNPJ, por inexistência de fato, desde 4/10/2006. Todavia, continuam não comprovados os pagamentos dos serviços de manutenção geral, descritos nas notas fiscais. Mantémse também a glosa das despesas de aluguel, tendo em conta que foi apenas apresentada uma cópia simples de um contrato com a empresa Gunber Administração e Participação Ltda. Ademais, ausentes os comprovantes dos pagamentos, fato relevante na medida em que a empresa locadora Gunber teria apresentado declaração de inatividade durante todo o período de vigência do contrato. Ainda, não há correspondência entre o valor contratado e o valor contabilizado das despesas. Não havia uniformidade dos valores pagos, característica dos contratos de aluguel de imóveis. Concluise que não houve qualquer formalismo excessivo do fisco. O que se questionou foi a comprovação dos custos/despesas contabilizadas, requisito de dedutibilidade que se não adequadamente preenchido impede qualquer análise acerca dos demais requisitos, quais sejam: necessidade, usualidade e normalidade. Nesse contexto, infundada a firmação de cobrança de tributo indevido ou de excesso de poder. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão em 9/06/2009, e inconformada com a decisão, a recorrente apresentou, em 8/07/2009, recurso voluntário de fls. 970 a 985, alegando, em síntese, o que segue. Fl. 1021DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.022 6 Alega a recorrente que há nulidades existentes no processo fiscal. Com relação à base de cálculo, os auditores fiscais optaram por glosar os custos e as despesas que entenderam não provados, apurando o tributo trimestralmente para a consolidação do crédito supostamente devido, calculando a base equivocada e que, portanto, não goza de liquidez. Houve incorreção dos valores apurados, em especial das operações registradas em favor da empresa Rangers de Segurança. Pois não há dúvida de que tais valores restavam comprovados documentalmente através das notas fiscais, bem assim seu pagamento. A recorrente fez questão de elencar os comprovantes dos pagamentos efetivados, comparandoos com uma planilha explicativa e com os demais documentos comprobatórios de cada operação, a contemplar todos os valores questionados pelos auditores fiscais. Assim, da nota fiscal nº 699 até 733 (bem assim os pagamentos efetivados à Armazéns Gerais Trianon e à Elite Vigilância), estão devidamente comprovados por vasta documentação, hábil e idônea, consubstanciada em cheques e extratos bancários. No caso da Trianon, ainda que a recorrente não juntou nota fiscal comprobatória do serviço, não há dúvida de que esta operação se realizou. Com relação à nota fiscal nº 112, emitida pela Algather do Brasil, fica evidente que a diferença é muito pequena, sendo menos de R$ 400,00, o que não pode ser considerado para fins de apuração fiscal. Sobre às despesas de aluguel, o contrato de locação é válido e que os aluguéis eram pagos diretamente em conta bancária da locadora, não havendo exigência quanto à entrega de recibos, dada a relação de confiança entre as partes. Quanto ao fato de não haver correspondência entre os valores apurados e o locativo contrato, tal discrepância de deve ao fato de aluguéis e encargos em atraso. Entendendo o fisco que a diferença dependia de comprovação, deveria abater os R$ 90.000,00 auferidos mensalmente, para aí sim determinar a matéria tributável e não lançar seu montante integral. Demonstrada a retirada da liquidez e certeza em relação ao valor integralmente lançado pela autoridade fiscal, devia o auto de infração ter sido declarado nulo. A recorrente aduz que o lançamento tributário fora realizado sem observância do art. 142, do CTN, o qual determina a verificação da “ocorrência do fato gerador” e o cálculo do “montante do tributo devido”. Disse que se existia a obrigação de individualizar valores, esta era da autoridade fiscal e não da recorrente, que não pode ser penalizada por um não fazer do fisco. Sob pena de insegurança jurídica, não pode a autoridade fiscal exigir a multa de ofício de 75%, pois boa parte das deduções efetivadas pela recorrente a título de custos e despesas, encontravam guarida documental, fiscal e financeira. Fl. 1022DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.023 7 Como a recorrente reiterou que as notas fiscais apresentaras, ainda que contivessem a descrição genérica dos serviços, representavam verdadeira prova dos serviços, cabia ao fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário, no sentido de realizar o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa, o que negligenciou. Deve ser garantido à recorrente que o formalismo excessivo do fisco em relação à documentação apresentada, não seva ensejar a cobrança se tributo indevido. Requer seja julgado insubsistente o auto de infração, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo que originou o lançamento de ofício. Alternativamente, requer seja reconhecido o evidente erro de lançamento havido, posto que a matéria tributável foi determinada em razão de uma base de cálculo completamente imprópria, determinandose a anulação do autos de infração. É o relatório. Fl. 1023DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.024 8 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a questão controvertida se fixa na glosa de custos e despesas da recorrente sob fundamento de falta de comprovação de sua efetividade. No acórdão de origem, reconheceuse a comprovação da quase totalidade das despesas incorridas com as empresas MKM Assessoria Empresarial e com a Algather do Brasil, diante das cópias das notas fiscais, de cheques emitidos nominais aos favorecidos, recibos e extratos bancários, com coincidência de datas e valores. Entretanto, tevese como incomprovada a despesa incorrida com a Algather do Brasil, correspondente à nota fiscal nº 112, de 1º/04/03, no valor de R$ 13.632,78, vez que a cópia do cheque emitido a favor daquela é de R$ 13.264,11. Também o acórdão a quo considerou incomprovadas as despesas incorridas com a empresa Rangers de Segurança, sob fundamento de falta de comprovação dos pagamentos, por não coincidência de datas e valores entre os das notas fiscais e os dos cheques emitidos a favor da prestadora de serviços. Conforme contrato social da recorrente, seu objeto é a exploração de transporte rodoviário de cargas, a operação multimodal de cargas, logística e o ramo de armazéns gerais, nos termos do Decreto federal 1.102/1903 (fls. 10, 16 e 510). Compulsando os autos, noto o seguinte. De início, acentuo que a indedutibilidade de despesas motivada por carência na comprovação de sua efetividade deve levar em conta, na avaliação daquele juízo (indedutibilidade), os contornos e tonalidades que o caso concreto revela nos autos. Dependendo do desenho que se apresente nos autos, a avaliação da indedutibilidade pautada naquele motivo deve ser iluminada pelo critério da razoabilidade, a meu ver. Se o caso concreto se colocar no quadro que imponha o uso do critério da razoabilidade, entendo que esta deve ser graduada, merecendo exigência mais rigorosa quanto mais embotado se revelar o desenho da comprovação, e menos rigorosa quanto mais nítido se apresentar tal desenho. Diante do cenário em que se põe a questão da comprovação das despesas, no caso vertente, impõese, a meu ver, a razoabilidade sobre a matéria contendida, com graduação menos rigorosa, nomeadamente por não ter havido maior aprofundamento da fiscalização, em face da documentação apresentada pela recorrente em atendimento às intimações. Fl. 1024DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.025 9 Assim, colhese do Termo de Verificação Fiscal que “o contribuinte apresentou cópias de notas fiscais e de documentos de pagamento, sem entretanto relacionálas aos lançamentos contábeis ou indicar a que título os pagamentos foram efetuados”. Ora, diante do teor das intimações, é evidente que os documentos de pagamentos apresentados se deram, supostamente, a título de adimplemento pelos serviços contratados. E, vez que se está diante de pretensão fiscal, e não do contribuinte, a instrução primária que orienta a relação jurídicoformal do lançamento deve ser feita pelo fisco. No caso, o relacionamento mencionado pelo autuante entre as notas fiscais, os documentos de pagamento e os lançamentos contábeis a ele compete, ainda que mediante intimação para esclarecimentos ao contribuinte. Havendo dúvidas, ao autuante cabe o aprofundamento da análise, ainda que mediante o dever de colaboração do contribuinte. O que não se pode, a meu ver, é simplesmente se fazer tabula rasa de documentação apresentada em prestação à intimação, sem maior detalhamento investigatório. Feitas essas ponderações, discordo do órgão julgador de origem ao extrair o juízo de não comprovação das despesas com a Algather do Brasil e com a MKM Assessoria Empresarial, por não haver coincidência em datas e valores entre as notas fiscais e os cheques emitidos. Vejo que a diferença entre os valores dos cheques emitidos e o das notas fiscais da Algather do Brasil é muito pequena. Além da diferença que não chega a R$ 400,00, há também seis outras notas fiscais por ela emitidas e cuja diferença com o valor dos cheques emitidos não totaliza R$ 500,00 (fls. 527 a 531, 554 a 556). Já em relação às despesas com a MKM Assessoria Empresarial, quase todas reconhecidas pelo acórdão de origem, constato que há as notas fiscais 45 e 46 (fls. 526 e 786), não havendo o cheque. Diante das considerações que fiz e do cenário colocado, não atino com a glosa das despesas por carência na comprovação. As diferenças de valores no caso da Algather são insignificantes, e podem ter sido pagas em dinheiro. No caso da MKM, em que houve coincidência entre valores de cheques e das notas fiscais em quase sua totalidade, é mais que razoável reconhecer a efetividade das despesas – incorridas e deduzidas por regime de competência – diante da apresentação das notas fiscais 45 e 46. Também, em que pese não haver notas fiscais da Armazéns Gerais Trianon, há comprovação dos pagamentos a ela feitos, de modo que, pelas ponderações feitas, reputo irrazoável a manutenção da glosa das despesas. No que toca às despesas com a empresa Elite Vigilância e Segurança, há a emissão de nota fiscal nº 2068, embora não haja a comprovação do pagamento, mas igualmente não vejo certeza para manutenção da glosa, no quadro das considerações acima. Por ex., como há discriminação da retenção de IRF e de INSS na nota fiscal, um caminho percorrível pela fiscalização seria verificar se houve a declaração ou pagamento dessas retenções. Bem verdade que o fato de terem sido declarados e pagos o IRF e o INSS, por si, pode ser insuficiente para se concluir pela idoneidade das despesas. Fl. 1025DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.026 10 Mas daí em diante caberia ser aprofundado o exame, seja com pedidos de esclarecimento, seja verificando o conjunto documental que ela ostenta (sobre os negócios e despesas em geral), seja intimando o prestador dos serviços. O fato de a Elite Vigilância ter sido declarada inapta não intefere no caso vertente, pois a despesa glosada é de 2002 e a inaptidão declarada é de 2006. Quanto às despesas com a empresa Rangers de Segurança, diversamente do deduzido no acórdão a quo, sequer há as diferenças de valores de cheques e das notas fiscais para manutenção da glosa integral de tais despesas. As notas fiscais discriminam a retenção de IRF e de INSS e seu valor líquido corresponde ao dos cheques emitidos pela recorrente (fls. 557, 560, 567, 599, 605, 610, 646 – notas relacionadas no acórdão a quo). Diverso é meu senso quanto à dedução das despesas de aluguel de imóvel com a locadora Gunber. Aqui, a recorrente se limitou à apresentação do instrumento particular de locação, sem atendimento da intimação, no correto caminho da fiscalização, quanto à comprovação da propriedade do imóvel do locador ou de outro título jurídico (por ex., usufruto) que o legitime à locação do imóvel. Além disso, a suposta locadora havia apresentado declaração de inatividade por todo o período da locação (fls. 406 a 411). E os valores reconhecidos como despesa, segundo o regime de competência, são totalmente desproporcionais ao preço do aluguel constante no instrumento de locação. Este prevê aluguel mensal de R$ 90.000,00 e as despesas reconhecidas nos trimestres de 2004 e de 2005 são, respectivamente, de R$ 22.005,90, R$ 206.000,00, R$ 307.000,00, R$ 305.244,13, R$ 270.000,00, R$ 270.000,00, R$ 245.025,00 e R$ 245.025,00. À vista desses elementos documentais, reputo correta a glosa das despesas com aluguel de imóvel. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para excluir as glosas de custos e despesas com a Algather do Brasil, com a MKM Assessoria Empresarial, com a Armazéns Gerais Trianon, com a Elite Vigilância e Segurança e com a Rangers de Segurança. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) MARCOS TAKATA Relator Fl. 1026DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16095.000356/200756 Acórdão n.º 110300.521 S1C1T3 Fl. 1.027 11 Fl. 1027DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/10/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10830.007041/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2008
VEDAÇÕES À OPÇÃO. cEssAo OU LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA.
Não pode recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mão-de-obra.
Numero da decisão: 1102-000.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: João Otávio Opperman Thomé
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Recorrente ALT TEC SERVIÇOS TECNICOS EM GERAL LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2008 VEDAÇÕES À OPÇÃO. cEssAo OU LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. Não pode recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mão-de-obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. / lvete Malaquias Pessoa Monteiro - Presidente. ( Joao Otávio /// ppermann Thorne - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thorne, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Jose Sergio Gomes, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Processo n° 10830.007041/2008-73 sl-c1T2 Acórdão n.° 1102-00.429 Fl. 78 Trata o presente processo de exclusão da empresa acima identificada do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Nacional, promovida pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/PCA IV 24, de 12 de agosto de 2008, sob o fundamento de exercer ela atividade vedada à permanência no referido regime (cessão ou locação de mão-de- obra). A contribuinte venceu procedimento licitatório e foi contratada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP para a prestação de serviços continuados de atendimento telefônico (Contrato as fls. 4 a 16). Em atendimento a representação feita pelo Serviço de Programação e Logística — Sepol, daquela Delegacia, foi emitido o Despacho Decisório DRF/PCA IV 931, de 12 de agosto de 2008 (fls. 20 a 24), o qual fundamentou a expedição do ADE de exclusão da empresa do Simples Nacional (fls. 25), com efeitos a partir del° de abril de 2008. Cientificada de sua exclusão, a empresa apresentou manifestação de inconformidade quanto ao referido ADE (fls. 28 a 34), argumentando que, conforme a Clausula Segunda do Contrato Social da empresa, que reproduz, não há dentre os seus serviços prestados a locação ou mesmo a cessão de mão de obra. Que a empresa não loca mão de obra, mas sim e antes de tudo, presta os serviços determinados nos objetos das licitações que participa, a exemplo daquela em que participou para a prestação de serviço continuado de atendimento telefônico. Que a prestação de serviços de atendimento telefônico não requer mão de obra especializada e nem tampouco qualificação profissional, requer apenas a prestação dos serviços e nada mais. Que o trabalhador fica sob as suas ordens e subordinação, sendo ela responsável por todos os encargos trabalhistas e sociais, ao contrario da locação ou cessão de mão de obra, em que o trabalhador fica sob o comando do contratante. Argumenta também que, ainda que realizasse a cessão ou locação de mão de obra, atividade a principio vedada para a opção ao Simples Nacional, a Lei Complementar n" 123, de 2006, no seu artigo 18, parágrafo 5', inciso V, determina que, no caso das atividades de prestação de serviços previstas nos incisos XIX a XXVIII do §1 0 do art. 17 desta Lei Complementar, estas devem ser tributadas na forma do seu Anexo V. Que o referido §1° do art. 17 justamente estabelece que as vedações relativas ao exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente as atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo, e que a sua atividade estaria prevista no inciso XXVII do mencionado parágrafo, qual seja, a vigilância, limpeza ou conservação. A 6' Tumaa de Julgamento da DRJ em Ribeirao Preto/SP indeferiu o pleito da empresa, ao entendimento de que, muito embora a empresa exerça outras atividades não vedadas a opção pelo Simples Nacional, como observou em sua impugnação, o contrato de prestação de serviços firmado com a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas caracteriza locação de mão-de-obra (Acórdão 14-24.517 as fls. 56 a 62). 62 Processo IV 10830.007041/2008-73 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.429 Fl. 79 Cientificada desta decisão em 31.08.2009, conforme AR de fls. 64, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 02.10.2009, fls. 65 a 71, no qual reprisa todos os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o que segue (fato novo superveniente). Que em 14 de outubro de 2008, urn mês, portanto, após a data do protocolo da sua defesa inicial, recebeu o Comunicado/DRF/Campinas/Sepol 183/2008 (fls. 72/73), datado de 09 de outubro de 2008, através do qual foi cientificada da decisão de tornar nulo o Pregão Eletrônico n° 02/2008 e, por via de conseqüência, tornar nulo o contrato celebrado com a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas. Em suas razões de decidir, alegou a autoridade administrativa que a empresa, aqui Requerente, por ocasião do pagamento do contrato então celebrado, encaminhou DRF/Campinas documentação onde se verificava ser ela optante pelo regime vedado no Edital, e que diante disso, a DRF/Campinas providenciou a PSFN/Campinas que se manifestou pela anulação do processo licitatório. Mesmo tendo recorrido de dita decisão que anulou o procedimento licitatório, foi a resp. decisão mantida, mantendo-se, de igual sorte, o entendimento de que a empresa ALT-TEC estaria enquadrada no regime Simples Nacional, impondo-se, dessarte, a anulação do certame e da sua contratação. Obviamente, no confronto de situações há urna dupla interpretação da situação da empresa pela mesma Delegacia da Receita Federal, pois a anulação do contrato se deu justamente por .estar a empresa enquadrada no Simples Nacional, ao passo que a mesma Delegacia a desenquadrou do Simples Nacional, por não poder se-1o. Assim, depreende-se, sem muito esforço de raciocínio, que o fato gerador do seu desenquadramento desapareceu, ou seja, a sua condição de participante do regime Simples Nacional não pode mais ser atingida porque a causa do seu desenquadramento foi declarada nula com efeitos ex tune, isto 6, desde a sua contratação, desde o inicio, como declarada nula foi a licitação feita, e operando-se a nulidade do ato principal, nulos são todos os atos praticados depois dele. Dessarte, sob pena de se cometer urna flagrante ilegalidade, ou dupla interpretação sobre a situação da empresa, não pode prosperar a manutenção do seu desenquadramento do Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Joao Otávio Oppennann Thomé, Relator. A recorrente foi cientificada em 31.08.2009, conforme AR de fls. 64, e no seu recurso apresentado foi carimbada pela repartição competente a data de 02.10.2009, tls. 65. Entretanto, a empresa não está localizada na mesma cidade da Delegacia da Receita Federal que a jurisdiciona. A empresa está localizada no município de Rio Claro/SP, 3 Processo n° 1 0830.007041 /2008-73 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.429 Fl. SO onde há uma agência da Receita Federal, subordinada à Delegacia de Piracicaba/SP, município este que dista cerca de 40 km do primeiro. Na sua peça recursal, a recorrente a datou da seguinte forma: "De Rio Claro p/ Piracicaba, 30 de setembro de 2009." 0 carimbo constante às fls. 65 é o da Delegacia da Receita Federal de Piracicaba, e não da agência de Rio Claro. Assim, em que pese não estar juntado aos autos o envelope dentro do qual teria sido encaminhado o recurso, entendendo-se ter ele sido enviado pelo correio, é razoável o prazo de dois dias que teria transcorrido entre a postagem, pela recorrente, e o recebimento, pela Delegacia em questão, do referido recurso. Tal fato, aliado à circunstância de que nenhuma observação foi feita pela Delegacia de origem, por ocasião do encaminhamento do recurso a este Conselho, quanto a uma eventual intempestividade do recurso — que se faria presente caso se tomasse como a efetiva data de sua apresentação o dia 02.10.2009, visto que o trintidio legal ter-se-ia encerrado em 30.09.2009 — levam-me à conclusão de que o recurso deve ser tomado por tempestivo. Observo que semelhante situação de disparidade de datas ocorreu também por ocasião do envio da sua peça inicial de defesa, embora naquela situação não estivesse em risco de forma alguma a questão da tempestividade, o que reforça meu convencimento acima exposto, na medida em que, portanto, naquela ocasião, nenhum motivo haveria para a recorrente fazer constar na sua defesa aquela mesma observação "De Rio Claro p/ Piracicaba..." que não fosse efetivamente o fato de que a defesa estava sendo encaminhada por via postal (e o envelope, mais uma vez, não se encontra anexo aos autos). Isto posto, sendo tempestivo o recurso, e preenchidos os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Sustenta a recorrente que ela não pratica a locação ou cessão de mão de obra, mas tão somente presta os serviços previstos no seu Contrato Social, quais sejam: serviços de instalação de acessórios de rastreamento, controle através de microchip ou qualquer outra tecnologia, serviços técnicos de monitoramento eletrônico simples ou integrado, com ou sem o fornecimento de equipamentos, limpeza, técnica e conservação de estabelecimentos, automóveis, aeronaves, embarcações, ônibus e outras instalações, de qualquer natureza, inclusive limpeza técnica hospitalar, jardinagem roçadas, podas de árvores, lavagem e caixa d'água, saneamento, desinsetização, desinfecção, manutenção predial, pinturas e demais serviços relativos à construção civil, serviços de controle, operação e fiscalização de portaria. Segundo a recorrente, os serviços de atendimento telefônico, que motivaram a exclusão ora contestada, estão inseridos dentro dos serviços de controle, operação e fiscalização de portaria, pois são a eles inerentes. Além disto, são serviços que não requerem mão de obra especializada e nem tampouco qualificação profissional. E que o trabalhador fica sob as suas ordens e subordinação, sendo ela responsável por todos os encargos trabalhistas e sociais, o que descaracteriza a locação ou cessão de mão de obra, pois nesta o trabalhador fica sob o comando do contratante, o que não é o caso. 4 Processo n 10830.007041/2008-73 Sl-C1T2 Acórd5o n." 1102-00.429 Fl. 81 Analisando-se o referido Contrato para a Prestação de Serviços Continuados de Atendimento Telefônico, celebrado entre a recorrente e a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, destaca-se a seguinte cláusula: "CLAUSULA SEXTA — DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA Além das obrigações resultantes da aplicação da Lei IV 8.666, de 1993 e demais normas pertinentes, são obrigações da contratada: 1) Implantar em até 03 (três) dias úteis após o recebimento da autorização de inicio dos serviços, a mão-de-obra na DRF/Campinas nos horários fixados na escala de • serviço elaborada pela Administração, informando, em tempo hábil, qualquer motivo impeditivo ou que a impossibilite de assumir o posto, conforme o estabelecido, inclusive em relação ao posto temporário; 2) Fornecer uniformes, crachás corn foto e complementos à mão-de-obra envolvida, conforme descrito a seguir: calça/saia, 5) Prever toda a mão-de-obra necessária, adequada e capacitada, para garantir a operação dos postos, nos regimes contratados, obedecidas as disposições da legislação trabalhista vigente; 6) Submeter à CONTRATANTE, antes do inicio da execução do contrato, a relação de empregados e sua respectiva distribuição nos postos de trabalho; 7) Efetuar a reposição de mão-de-obra no posto, em caráter imediato, em eventual ausência do funcionário que regularmente o ocupa; 8) Manter disponibilidade de efetivo dentro dos padrões desejados para atender eventuais acréscimos solicitados pela Administração (posto adicional, temporário), nos casos de ausência do servidor da DRF/Campinas que desempenha as tarefas de atendimento telefônico (férias, faltas legais e outros), garantindo a continuidade dos serviços durante todo o horário de atendimento ao contribuinte da unidade, não sendo permitida a prorrogação da jornada de trabalho (dobra). 10) Atender de imediato as solicitações quanto a substituições de mão-de- obra, qualificada ou entendida corno inadequada para prestação de serviços; 11) Instruir seu preposto quanto à necessidade de acatar as orientações da Administração, inclusive quanto ao cumprimento das Normas Internas de Segurança e Medicina do Trabalho; 18)Treinar e promover treinamentos, as suas custas, para os seus empregados, que executarão os serviços contratados segundo conteúdo programático e carga horária aprovados pelo CONTRATANTE; (...) PARÁGRAFO ÚNICO Os serviços de Telefonistas serão executados pela Contratada, em jornada de trabalho de 6 (seis) horas diárias, de acordo com as seguintes especificações: A) Atribuições • Atender polidamente chamados telefônicos internos e externos, operando central telefônica; 62 5 Processo n° 10830.007041/2008-73 SI-Cl T2 Acórcliio n.° 1102-00.429 Fl. 82 • Comunicar os defeitos verificados na central telefônica, ramais e mesas ao responsável pela fiscalização do Contrato de manutenção; • Prestar informações de direcionamento relacionadas à repartição; • Receber e executar ligações telefônicas; • Anotar pedidos de ligações telefônicas e registrar duração, no caso de ligações particulares, para cobrança e controle; • Apresentar relatório de atividades; • Cumprir determinações e normas estabelecidas pela chefia responsável; • Zelar pela segurança, limpeza e manutenção dos equipamentos; • Prestar informações aos usuários relativamente a: a) Horário de atendimento do Centro de Atendimento ao Contribuinte; (...) • Executar as demais atividades inerentes ao cargo. (--)" Das cláusulas acima reproduzidas, resta claro que os serviços contratados nada tern a ver corn serviços de controle, operação e fiscalização de portaria, mas sim com a prestação de serviços continuados de atendimento telefônico, que é o objeto do referido contrato. Igualmente claro também que é a Contratante quem estabelece as normas e regras para a execução do trabalho. A Contratada compete manter disponibilidade de efetivo suficiente não somente para cumprir o contrato, corn reposição em caráter imediato na ocorrência de qualquer ausência de funcionário, corno também para atender a eventuais acréscimos temporários solicitados pela Contratante, e para substituir ainda, se for o caso, qualquer mão-de-obra que seja considerada pela Contratante corno não quali ficada ou inadequada para a prestação de serviços. Portanto, inequivocamente caracterizada a locação ou cessão de mão de obra, que pode ser definida corno o contrato pelo qual a locadora ou cedente assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico, o que inclui o vinculo empregaticio com todos os seus encargos trabalhistas e sociais, e pelo qual os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária ou cessionária), que é quem detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Tem razão a recorrente quando observa que a Lei Complementar n" 123, de 2006, expressamente prevê que as vedações relacionadas no caput deste artigo, entre elas a vedação do inciso XII (empresa que realize cessão ou locação de mão-de-obra), não são aplicáveis as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente as atividades relacionadas no §1° do art. 17, entre as quais encontram-se os serviços de vigilância, limpeza ou conservação (atividade da recorrente), desde que as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. 42 6 Processo n° 10830.007041/2008-73 SI-CIT2 Acárcliio n.° 1102-00.429 Fl. 83 Assim dispunha o artigo 17 da Lei Complementar if 123, de 14 de dezembro de 2006, em sua redação original e vigente à época dos fatos, no tocante à matéria em litígio: "Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: 1...1 XII — que realize cessão ou locação de mão-de-obra; § 1 "As vedações relativas a exercício de atividades previstas ito cupid deste artigo lido se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: I —.creche, pré-escola e estabelecimento de ensino fundamental; — agência terceirizada de correios; III— agência de viagem e turismo; IV— centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; V— agência lotérica; VI — serviços c/c manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ónibus, outros veículos pesados, tratores, máquinas e equipamentos agrícolas; VII — serviços de instcdação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; VIII — serviços c/c manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IX — serviços c/c instalação, manutenção e reparação de máquinas c/c escritório e de informática; X — serviços de reparos hidráulicos, elétricos, pintura e carpintaria em residências ou estabelecimentos civis ou empresariais, bem conto manutenção e reparação de opal-ethos eletrodomésticos; XI — serviços de instalação e manutenção de aparelhos sistemas de ar condicionado, refrigeração, ventilação, aquecimento e tratamento de ar em ambientes controlados; XII — veículos de comunicação, de radiodifusão sonora e c/c sons e imagens, e midict externa; XIII — construção c/c imóveis e obras c/c engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada; XIV— transporte municipal de passageiros; 7 Processo n° 10830.007041/2008-73 S 1-C 112 Acórdão n.° 1102-00.429 Fl. 84 XV — empresas nrontadoras de estandes para feiras; XVI — escolas livres, de línguas estrangeiras, artes, cursos técnicos e gerenciais; XVII — produção cultural e artística; X1 711I — produção cinematográfica e de artes cénicas; XIX — cumulativamente administração e locação de imóveis de terceiros; XX - — academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes 111C11"CiallS7 XXI — academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; XXII— (VETADO); XXIII— elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; XXIV — licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação; XXV — planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados CM estabelecimento do optante; XXVI — escritórios de serviços contábeis; XXVII — serviço de vigilância, limpeza ou conservação; XXVIII— (VETADO)." Ocorre que, conforme ao norte exposto, a atividade contratada, mediante cessão ou locação de mão-de-obra, corn a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP (prestação de serviços continuados de atendimento telefônico), não consiste em serviço de vigilância, limpeza ou conservação, de sorte a que pudesse fazer gozo da previsão de exclusão da cláusula restritiva antes mencionada. Assim, verificado que a empresa incorreu em hipótese de vedação prevista pela Lei Complementar n" 123, de 2006, e que a empresa não comunicou a sua obrigatória exclusão deste regime, cabe â. Administração Pública efetuá-la de oficio, mediante termo de exclusão do Simples Nacional expedido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de oficio, conforme dispõe o § 3" do art. 29, assegurado ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa. É o que foi feito no caso presente. Neste quesito, irrelevantes são os argumentos da recorrente no sentido de que o seu Contrato Social não prevê, entre os serviços prestados, a locação ou mesmo a cessão de mão de obra, posto que é a efetiva prática da atividade vedada que determina a sua exclusão, e não a simples previsão de sua realização. 8 Processo n° 10330.007041/2008-73 SI-C1T2 Acórcliio n.° 1102-00.429 $5 Coin relação aos efeitos do ato de exclusão, o artigo 31, inciso II, da Lei Complementar IV 123, de 2006 é claro ao dispor que a exclusão produzirá efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, e depreende-se dos autos que os serviços prestados à DRF/Campinas tiveram inicio em 26 de março de 2008, o que justifica a exclusão da recorrente corn efeitos a partir do dia 1° de abril de 2008, conforme foi feito. Por fim, argumenta a recorrente que, tendo sido tornado nulo o Pregão Eletrônico n° 02/2008 e, por via de conseqüência, o contrato celebrado corn a DRF/Campinas, teria desaparecido o fato gerador do seu desenquadramento. Não lhe assiste razão quanto ao argumento manejado. A nulidade do certame (embora este ponto não esteja em litígio no presente processo) foi determinada porque a empresa vencedora (a recorrente) encaminhou Planilha de Custos e Formação de Preços discriminando todos os custos previstos para não optantes pelo Simples, sendo que somente por ocasião do primeiro pagamento é que a DRF/Campinas constatou que a empresa vencedora do Pregão era optante pelo referido regime, sendo de se salientar que o Edital do processo licitatório expressamente vedava a participação de empresas optantes pelo Simples Nacional, justamente em virtude da vedação constante no inciso XII do artigo 17 da Lei Complementar n° 123/06. E o que consta na Informação (fis. 74) que acompanha a declaração de nulidade do contrato celebrado com a DRF/Campinas (tls. 73). Contudo, nem a nulidade do Pregão, nem a consequente nulidade do contrato celebrado com a DRF/Campinas, desfazem o que já ocorrido no mundo fenomênico. Alias, importa ressaltar que a própria Declaração de Nulidade do Contrato ressalva o dever da Administração de indenizar o contratado pelo serviços executados até a data de sua expedição, que se deu somente em 09 de outubro de 2008, ou seja, após meses de efetiva prestação dos serviços mediante cessão ou locação de mão de obra. Portanto, nenhuma ilegalidade houve quanto à exclusão da empresa do Simples Nacional, ao contrário, esta era providência que se impunha ante as circunstancias. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. E como voto. Joao Otd to Oppermann Thom& - Relator 9
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001892/2005-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DISCREPÂNCIA ENTRE OS VALORES
INFORMADOS PELAS FONTES PAGADORAS (DIRFS) E DECLARADAS PELO BENEFICIÁRIO DOS RENDIMENTOS. MERA ALEGAÇÃO DO DEFENDENTE DE QUE SE TRATAVA DE VALORES ISENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. Imputada uma omissão de rendimentos oriunda de informação de fontes pagadoras, a partir de informação de DIRFs, não basta a mera defesa de que se tratava de parcela isenta, sem qualquer prova documental.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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DISCREPÂNCIA ENTRE OS VALORES INFORMADOS PELAS FONTES PAGADORAS (DIRFS) E DECLARADAS PELO BENEFICIÁRIO DOS RENDIMENTOS. MERA ALEGAÇÃO DO DEFENDENTE DE QUE SE TRATAVA DE VALORES ISENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. Imputada uma omissão de rendimentos oriunda de informação de fontes pagadoras, a partir de informação de DIRFs, não basta a mera defesa de que se tratava de parcela isenta, sem qualquer prova documental. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 04/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte ARNO CUNHA, CPF/MF nº 001.755.36953, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 09/05/2005, auto de infração (fls. 08 a 13). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 3.091,17 MULTA DE OFÍCIO R$ 2.318,37 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no anocalendário 2002, conduta essa apenada com multa de ofício de 75%. Na espécie, o contribuinte declarou como rendimentos tributáveis, recebidos da Fundação Sistel, o valor de R$ 29.822,33, porém o valor constante da DIRF apresentada pela fonte pagadora foi de R$ 44.737,97. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo os seguintes argumentos (transcritos da decisão de 1º grau – fl. 27v): a) a omissão apurada se refere a valores auferidos a título de complementação de aposentadoria, recebidos de entidade de previdência privada, correspondentes as contribuições recolhidas pelo autor sob a égide da Lei n° 7.713/88; b) excluise da incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos, por força do disposto no artigo 7° da MP n° 2.15970/2001, "o valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995”; c) obteve decisão judicial garantindo a inexigibilidade do imposto de renda sobre os valores auferidos a título de complementação de aposentadoria, recebidos de entidade de previdência privada, correspondentes às contribuições recolhidas pelo autor sob a égide da Lei n° 7.713/1988; d) existe tutela antecipada obtida no âmbito de "ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária cumulada com ação de repetição de indébito" que suspende a exigibilidade dos créditos lançados na presente autuação. (...) A 5ª Turma da DRJFlorianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0715.274, de 20 de fevereiro de 2009 (fls. 27 e 28). A decisão ora recorrida manteve o lançamento, com os seguintes fundamentos, verbis: Fl. 58DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.001892/200595 Acórdão n.º 210201.167 S2C1T2 Fl. 2 3 Ocorre que não foi apresentada nenhuma prova de que os valores apurados como omissão de rendimentos tributáveis pela autoridade lançadora (R$ 14.915,64), recebidos da Fundação Sistel, correspondem a contribuições (a plano de previdência privada) suportadas pelo contribuinte sob a égide da lei n° 7.713/1988, ou seja, no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Destarte, deve ser considerada procedente a omissão de rendimentos tributáveis apurada. Cabe ressaltar, por fim, que o contribuinte também não apresentou nenhuma prova da existência da decisão interlocutória (tutela antecipada) que alega ter suspendido a exigibilidade dos créditos lançados na presente autuação. (...) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 20/03/2009 (fl. 31). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 17/04/2009 (fl. 32). No voluntário, o recorrente repisa as argumentações da impugnação, em síntese afirmando que a omissão de rendimentos decorreria das contribuições feitas sob a égide da Lei nº 7.713/88, no período de 1988 a 1995, reconhecidas como isentas por decisão judicial que outrora favorecera o contribuinte. Ainda, o recorrente ataca a multa de ofício, discorrendo sobre a impossibilidade de tal pena no tocante aos débitos declarados em DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 20/03/2009 (fl. 31), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 17/04/2009 (fl. 32), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 20/04/2009, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Não assiste razão ao recorrente. Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos, decorrente de uma discrepância entre os rendimentos declarados e os constantes na DIRF da fonte pagadora (fundo de pensão Sistel). Alega o contribuinte que tal discrepância decorreria da parcela isenta referente aos aportes do período 19891995, conforme reconhecido por decisão judicial juntada aos autos, e não considerada na DIRF da fonte pagadora. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 A defesa do contribuinte está estribada em uma mera alegação, destituída de qualquer prova. Observese que aqui não se questiona a impertinência da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos oriundos dos aportes em fundo de pensão do período de 1989 1995, cujo ônus tenha sido suportado pelo contribuinte, em linha com remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, cristalizada no REsp 1.012.903/RJ, relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção do STJ, unânime, sessão de 08 de outubro de 20081, mas que o contribuinte deveria ter comprovado que o rendimento omitido tinha origem nos aportes do período citado, como inclusive asseverado na decisão recorrida. Para comprovar o seu direito, poderia, simplesmente, ter trazido uma declaração da Sistel, informando que a parcela dos rendimentos omitidos estavam acobertados pela decisão judicial. Disso não se desincumbiu o recorrente. Quanto às alegações deferidas em desfavor da multa de ofício, vêse que são impertinentes, já que dirigidas a débitos informados em DCTF, o que não se amolda ao presente caso, que se trata de imposto apurado a partir de omissão de rendimentos, rendimentos estes que não se encontravam informados na declaração de ajuste anual do fiscalizado. Claramente se percebe que todo o arrazoado sobre a multa de ofício tem origem em outra autuação, diversa da que aqui ora se debate. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos 1 EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEI 7.713/88 (ART. 6º, VII, B), LEI 9.250/95 (ART. 33). 1. Pacificouse a jurisprudência da 1ª Seção do STJ no sentido de que, por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995 (EREsp 643691/DF, DJ 20.03.2006; EREsp 662.414/SC, DJ 13.08.2007; (EREsp 500.148/SE, DJ 01.10.2007; EREsp 501.163/SC, DJe 07.04.2008). 2. Na repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, a saber: (a) a ORTN de 1964 a fevereiro/86; (b) a OTN de março/86 a dezembro/88; (c) pelo IPC, nos períodos de janeiro e fevereiro/1989 e março/1990 a fevereiro/1991; (d) o INPC de março a novembro/1991; (e) o IPCA – série especial – em dezembro/1991; (f) a UFIR de janeiro/1992 a dezembro/1995; (g) a Taxa SELIC a partir de janeiro/1996 (ERESP 912.359/MG, 1ª Seção, DJ de 03.12.07). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11516.001892/200595 Acórdão n.º 210201.167 S2C1T2 Fl. 3 5 Fl. 61DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 11831.006416/2002-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NA DIPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Os artigos 150 e 173 do CTN estabelecem o prazo decadencial aplicável às hipóteses de constituição do crédito tributário pelo lançamento, mas não implicam a homologação tácita dos saldos negativos de IRPJ e CSLL informados nas declarações apresentadas, os quais são passíveis de verificação, quanto à sua certeza e liquidez, no âmbito da análise dos pedidos de restituição ou das declarações de compensação apresentadas.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
Nos termos da legislação, o fisco dispõe do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRPJ. SALDO NEGATIVO.
O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, a apresentação do comprovante de retenção do IRRF emitido pela fonte pagadora, a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção e, ainda, a apresentação dos elementos indicadores dos resultados contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur), de sorte a aferir a plena identidade entre estes e o teor informado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ).
RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo imposto de renda ao final do respectivo período de apuração, e a efetiva retenção do imposto na fonte, circunstância esta que não invalida a plena dedução do imposto de renda retido no período de apuração em que ocorrer a retenção, entretanto, é necessário que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da requerente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores.
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DIPJ. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO.
A alegação de erro de fato no preenchimento de Declaração de Informações Econômico-Fiscais deve ser acompanhada dos elementos de prova convincentes de sua ocorrência, não surtindo tal efeito a apresentação de simples planilhas de controle interno da requerente.
Numero da decisão: 1102-000.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto, Manoel Mota Fonseca, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, que davam provimento parcial para admitir a compensação do valor correspondente ao saldo oriundo do IRPJ correspondente ao ano de 1997.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente ACCOR PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NA DIPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Os artigos 150 e 173 do CTN estabelecem o prazo decadencial aplicável às hipóteses de constituição do crédito tributário pelo lançamento, mas não implicam a homologação tácita dos saldos negativos de IRPJ e CSLL informados nas declarações apresentadas, os quais são passíveis de verificação, quanto à sua certeza e liquidez, no âmbito da análise dos pedidos de restituição ou das declarações de compensação apresentadas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da legislação, o fisco dispõe do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRPJ. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, a apresentação do comprovante de retenção do IRRF emitido pela fonte pagadora, a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 634 2 retenção e, ainda, a apresentação dos elementos indicadores dos resultados contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur), de sorte a aferir a plena identidade entre estes e o teor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo imposto de renda ao final do respectivo período de apuração, e a efetiva retenção do imposto na fonte, circunstância esta que não invalida a plena dedução do imposto de renda retido no período de apuração em que ocorrer a retenção, entretanto, é necessário que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da requerente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores. DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DIPJ. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação de erro de fato no preenchimento de Declaração de Informações EconômicoFiscais deve ser acompanhada dos elementos de prova convincentes de sua ocorrência, não surtindo tal efeito a apresentação de simples planilhas de controle interno da requerente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto, Manoel Mota Fonseca, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, que davam provimento parcial para admitir a compensação do valor correspondente ao saldo oriundo do IRPJ correspondente ao ano de 1997. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Manoel Mota Fonseca, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 635 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ACCOR PARTICIPAÇÕES LTDA, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 1618.244, revisado pelo Acórdão n° 16 19.861, da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo I, que indeferiu a solicitação de reforma do Despacho Decisório da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP, que por sua vez não reconheceu o direito creditório do contribuinte e não homologou as compensações de tributos de que tratam as Declarações de Compensação listadas às fls. 104. Ao analisar o crédito pleiteado, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, no valor de R$ 1.302.176,35, com as informações e documentos apresentados pela contribuinte em atendimento a intimação, o Auditor Fiscal fez as seguintes constatações: (i) O contribuinte informou na DIPJ/2000 que o imposto de renda retido na fonte – IRRF foi de R$ 6.676.143,90, e apresentou informes de rendimentos correspondentes a rendimentos de aplicações de renda fixa e de operações de swap. O IRRF sobre rendimentos financeiros de aplicação de renda fixa totalizou R$ 2.701.274,80 e os rendimentos correspondentes foram oferecidos a tributação, na linha 24 “Outras Receitas Financeiras”, da ficha 07A da DIPJ/2000 (fls. 103). Já os rendimentos auferidos nas operações de swap não foram informados na linha 21 “Ganhos auferidos no mercado de renda variavel, exceto day trade” da mesma ficha 07A, motivo pelo qual o IRRF retido nessas operações não poderia ser computado no referido saldo negativo. (ii) O contribuinte informou na DIPJ/2000 pagamentos de estimativas totalizando R$ 45.125,74, os quais alegou ter compensado com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 (fls. 100). Questionada a respeito da composição do saldo negativo de 1997, o qual fora gerado inteiramente por um suposto saldo negativo de períodos anteriores, no valor de R$ 251.632,01, a empresa não forneceu elementos que pudessem identificar a que período se referia esse saldo negativo e tampouco informou os pagamentos e/ou créditos dos quais esse valor se originaria, motivo pelo qual não foi aceita essa compensação de estimativa. Feitos esses ajustes, o Auditor Fiscal apurou que, ao invés de imposto a restituir no ano calendário de 1999, a empresa teria, na realidade, imposto a pagar no valor de R$ 2.717.818,49, de sorte que não foi reconhecido o crédito pleiteado no Pedido de Restituição de fls. 1, e nem foram homologadas as compensações declaradas com o suposto crédito (fls. 104). A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 137 a 146), na qual alegou, em síntese, o seguinte: Que o prazo de cinco anos da apresentação da Declaração de Compensação já expirou, motivo pelo qual alega que ocorreu a homologação tácita. Isto porque apresentou sua “Declaração de Compensação/Pedido de Compensação” no dia 18 de outubro de 2002, com cláusula expressa no sentido de que “o presente pedido será objeto de compensação com débitos de tributos federais vencidos e vincendos” constante da ficha 04 do referido pedido, sendo que o Despacho ora impugnado foi proferido somente no dia 15/04/2008, aprovado pelo Chefe da DIORT em 17/04/2008, e postado à Requerente no dia 22/04/2008, portanto, é nítida Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 636 4 a fluência de prazo superior a cinco anos, que, no caso concreto, se expiraria no dia 18 de outubro de 2007. Que houve mero equívoco de preenchimento na DIPJ/2000, ao não informar corretamente os valores correspondentes às receitas financeiras, tendo informado erroneamente na linha 24 “Outras Receitas Financeiras” o valor de R$ 22.779.201,13, mas que tal fato não gera a desconsideração das receitas financeiras de fato levadas à tributação. Diz que o correto preenchimento da Ficha 07A deveria ter sido realizado da seguinte forma: Linha 21 – Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável R$ 41.526.767,44 Linha 24 – Outras Receitas Financeiras R$ 19.411.084,96 Linha 32 – Perdas Incorr. Mercado de Renda Variável R$(38.158.651,27) Assim, por simples operação algébrica, adicionandose os valores que deveriam constar nas linhas 21 e 24 e subtraindose os valores da linha 32, obtémse o resultado que foi erroneamente informado na linha 24 da ficha 07 da DIPJ entregue, ou seja R$ 22.779.201,13. Que o montante de R$ 6.673,866,10 relativo ao IRRF sobre aplicações financeiras referiase a grande maioria dos casos a aplicações financeiras com prazo superior a doze meses, e que, em razão da adoção do regime de competência, o valor de R$ 7.566.617,34 já havia sido tributado anteriormente ao anocalendário de 1999, e a receita financeira de R$ 26.067.363,22 foi oferecida no próprio ano de 1999. Anexa planilha, acompanhada de informes de rendimentos e extratos analíticos, que não deixam dúvidas da liquidez e certeza dos valores retidos a título de IRRF. Que a documentação já entregue à autoridade fiscal demonstra a origem do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 e, ao mesmo tempo, demonstrou a origem do saldo negativo relativo a períodos anteriores (anocalendário de 1997) bem como a compensação do valor de R$ 45.125,74. Entretanto, para comproválos mais uma vez, anexa aos autos a Ficha 09 da DIPJ relativa ao anocalendário de 1997, bem como planilha de controle interno da Requerente, referente ao valor do saldo negativo do IRPJ deste ano e sua atualização pela taxa SELIC, e planilha de controle interno da Requerente, referente ao valor do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999 e sua atualização pela SELIC. Por fim, requer seja reconhecida a homologação tácita da compensação relacionada ao presente processo ou, se assim não for, seja reconhecido o direito alegado à vista dos documentos apresentados, em qualquer caso cancelandose integralmente a pretendida cobrança dos supostos débitos relacionados nos correspondentes PER/DCOMPs. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo I não reconheceu a homologação tácita, esclarecendo que o que o contribuinte apresentou em 18 de outubro de 2002 foi somente o Pedido de Restituição; já as Declarações de Compensação vinculadas ao crédito foram apresentadas a partir de 30/05/2003, pelo que nenhuma delas havia ainda sido tacitamente homologada. No mérito, também não acolheu os argumentos de defesa, uma vez que não houve qualquer comprovação de que os rendimentos de swap do período de apuração de 1999 teriam sido oferecidos à tributação, bem como não houve comprovação da origem do valor declarado como saldo negativo de períodos anteriores, na DIPJ/1998, relativa ao ano calendário 1997. Disse ainda que as operações de swap seguem normas legais bastante específicas, e que as perdas em operação de swap só podem ser consideradas dedutíveis se Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 637 5 constituírem operações necessárias à manutenção da fonte produtora, e que para isto, seria necessário que existissem Ativos e Passivos a serem protegidos por essas operações, e que não tivessem elas caráter meramente especulativo, além do que deveriam as mesmas ser registradas, conforme normas regulamentadoras emanadas pelo Banco Central do Brasil, em Câmaras de Registro, Custódia e Liquidação ou nas Bolsas de Valores, o que inclui as Bolsas de Mercadorias e Futuros. A decisão está assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA No cálculo do IRPJ devido, somente tem direito ao aproveitamento do IRRF retido sobre rendimentos financeiros, se esses rendimentos integraram a base de cálculo do Imposto de Renda. RENDIMENTOS DE SWAP COM HEDGE O não oferecimento dos rendimentos de SWAP impede o aproveitamento do IRF retido na operação. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Somente são passiveis de homologação tácita os Pedidos de Compensação transformados em DCOMP, relativos a compensações com débitos próprios e protocolizados há mais de cinco anos da data do julgamento.” Cientificada desta decisão em 05.02.2009, conforme AR de fls. 473, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04.03.2009, fls. 477 a 502, fundado nas seguintes razões: Alega a decadência do direito do fisco revisar, em 2008, a DIPJ 2000, relativa ao ano calendário 1999, tempestivamente apresentada; Sustenta a dedutibilidade das perdas com swap. Diz que o entendimento da DRJ não pode prosperar, pois o parágrafo 6º do artigo 756 do RIR/99, citado pela decisão recorrida, no que toca à impossibilidade de compensação com os ganhos auferidos em outras operações, trata apenas das regras aplicáveis à incidência do IR Fonte e do tratamento para fins de cálculo do valor das antecipações (estimativas) de imposto de renda. Já para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, a limitação à compensação das perdas é dada pelo parágrafo 4° do artigo 76 da Lei nº 8.981, de 1995, que estatui que as perdas apuradas nas operações de swap somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos nas mesmas operações. Afirma que o documento hábil a comprovar o imposto retido, para fins de compensação, é o informe de rendimentos, fornecido pela instituição financeira, e que não há justificativa plausível, muito menos jurídica, para a completa desconsideração das declarações e dos documentos entregues, até porque o nosso direito confere eficácia constitutiva à declaração de imposto de renda na fonte, o que implica a sua presunção de veracidade, e que Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 638 6 esta somente poderá ser desconstituida por prova contrária da administração, consoante a remansosa jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que transcreve. Alega que, se fosse procedente a acusação fiscal de que não teria sido oferecida à tributação a receita que deu origem ao IRRF a ser deduzido do imposto devido no final do período, razão pela qual indeferiu o pedido de restituição, então por óbvio que essa motivação, por si só, deveria ser acompanhada do respectivo lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, visando à exigibilidade dos impostos incidentes sobre essa suposta receita. Sustenta que, segundo o disposto no art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, vigente à época dos fatos, e que regulava os procedimentos de restituição e compensação de tributos federais, conforme autorização dada pelo art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, é a DIPJ o documento necessário para provar o saldo a restituir apurado nela própria. Alega desrespeito aos princípios constitucionais da Legalidade, da Moralidade e da Publicidade, cujo corolário é o Princípio da Motivação dos atos administrativos, todos convergindo para o sobreprincípio da Segurança Jurídica. Alega também desrespeito ao princípio da verdade material, pois uma vez demonstrado o mero erro formal no preenchimento da declaração, tanto a jurisprudência administrativa quanto a judicial reconhecem a prevalência do conteúdo sobre a forma. Requer seja admitido e provido o presente Recurso, para determinar a reforma da decisão que indeferiu a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, declarandose, por conseqüência a extinção do crédito tributário liquidado por meio das compensações realizadas. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de documentos complementares, corroborando a improcedência das exigências formuladas, além de diligências suplementares, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Entende a recorrente que o fisco não poderia ter deixado de reconhecer o seu crédito, legítima e tempestivamente declarado, por estar este tacitamente homologados, em razão do decurso do prazo de mais de cinco anos entre o encerramento do ano calendário cujo crédito a fiscalização pretendeu rever (1999) e a ciência do Despacho Decisório, que se deu em 23.04.2008. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 639 7 Não lhe assiste razão neste ponto. No presente processo não está em litígio qualquer forma de lançamento, assim entendido como o procedimento pelo qual se constitui o crédito tributário, nos termos do CTN. Não houve qualquer contestação fiscal quanto à base de cálculo do IRPJ declarada pela contribuinte. As glosas efetuadas pela fiscalização, conforme se constata no Despacho Decisório de fls. 107 a 111, dizem respeito ao imposto retido na fonte cujos rendimentos não foram oferecidos à tributação, e a estimativas que não tiveram a sua compensação reconhecida. Assim, não se aplica nem o artigo 173 do CTN, que trata do direito do fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento, nem o artigo 150, § 4º, que trata da homologação tácita do lançamento e consequente extinção do crédito tributário correspondente por este motivo. Não há como inferir que, a partir do transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, nos termos dos artigos acima citados, estariam tacitamente homologados também quaisquer outros fatos jurídicos tributários capazes de repercutir em períodos de apuração futuros, como quer fazer crer a recorrente. Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lançamento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, o prazo decadencial apropriado à espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96). No caso concreto, a declaração de compensação mais antiga foi apresentada em 30.05.2003, e a ciência do Despacho Decisório se deu em 23.04.2008, portanto dentro do prazo previsto na lei para a apreciação do direito invocado, de sorte que não há que se alegar a decadência do direito do fisco nem a homologação tácita de qualquer crédito. Importante ressaltar, mais uma vez, que o ato praticado pela autoridade administrativa competente foi de nãohomologação da compensação declarada, por falta de comprovação da existência do direito creditório, e não de constituição de ofício de crédito tributário. Ainda, importante ressaltar, também, que a lei é expressa no sentido de que o que está sujeito a ser homologado tacitamente, com o decurso do prazo quinquenal, são as compensações declaradas pelo sujeito passivo e fundadas em certo crédito, e não o crédito propriamente dito, o que apenas reforça a assertiva de que a liquidez e certeza do crédito há Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 640 8 sempre de ser aferida pela autoridade administrativa ante a presença de pleito repetitório/compensatório. A recorrente afirma que o documento hábil a comprovar o imposto retido, para fins de compensação, é o informe de rendimentos, fornecido pela instituição financeira, no que lhe assiste razão, e sustenta que este não poderia ter sido simplesmente desconsiderado pela autoridade fiscal. Ocorre que não houve desconsideração de nenhum informe de rendimentos apresentado pela recorrente. Todos foram devidamente reconhecidos pela autoridade fiscal como comprovação da retenção do imposto de renda sofrida. O que não restou comprovado foi o oferecimento à tributação dos rendimentos que originaram as referidas retenções, e foi por este motivo que o respectivo imposto de renda retido não foi aceito como parte integrante do saldo negativo declarado. A respeito da necessidade de comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, a legislação fiscal é clara, a teor do art 37 da Lei 8.981/95, que assim dispõe: “Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. § 3º Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) c) do Imposto de Renda pago ou retido na fonte, incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...)” Por certo que, em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo imposto de renda ao final do respectivo período de apuração, e a efetiva retenção do imposto na fonte. A este respeito, desde que devidamente demonstrado que as receitas foram oferecidas à tributação em outros períodos de apuração, plenamente aceitável a dedução do imposto de renda retido no período de apuração em que ocorreu a retenção. Entretanto, tal prova há de ser feita pela parte interessada, i.e., aquela que alega o crédito. E esta prova há de ser feita pela apresentação dos lançamentos contábeis efetuados e elementos indicadores dos resultados contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur), de sorte a aferir a plena identidade entre estes e o teor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 641 9 No presente caso, verificase que foram acostados pela recorrente tão somente planilhas de controle interno, por meio das quais busca comprovar que receitas financeiras no valor de R$ 7.566.617,34, correspondentes aos comprovantes de retenção anexos aos autos, já haviam sido tributadas anteriormente ao anocalendário de 1999. Noutro giro, alega também a recorrente erro no preenchimento de sua DIPJ, no tocante às receitas financeiras oferecidas à tributação, desdobrando o valor informado na linha 24 da Ficha 07A em três, de sorte a fazer aflorar a existência de ganhos e de perdas auferidas no mercado de renda variável. Por certo que de meros erros de fato não se originam direitos, e neste sentido é sólida e farta a jurisprudência do CARF, como bem observou a recorrente. Entretanto, a comprovação de que se trata de simples engano ou falha humana deve ser feita de forma absolutamente convincente, com base em prova segura, ou pelo menos indícios veementes de sua ocorrência. Tal prova, neste caso, mais uma vez, poderia ser feita mediante a apresentação das respectivas páginas da sua escrituração comercial (Diário, Razão) em que ficasse demonstrada a existência do registro contábil dos referidos ganhos e perdas no mercado de renda variável, de sorte a comprovar que a soma algébrica dos resultados alegados pela recorrente efetivamente resultasse no montante de receitas financeiras que foi informado na linha 24 da Ficha 07A da DIPJ. Sem tal demonstração, impossível reconhecerse a ocorrência de erro de fato, posto que calcado em mera alegação da parte interessada a quem incumbe a prova. Portanto, no contexto do até aqui exposto, irrelevante a discussão a respeito da possibilidade ou impossibilidade de dedução das perdas ocorridas nas operações de swap na apuração do lucro real, a qual ocupou boa parcela da decisão recorrida, bem como do recurso apresentado. Neste quesito, a despeito de se reconhecer assistir razão à recorrente quanto ao fato de que a legislação fiscal prevê a dedutibilidade das perdas ocorridas nas operações de swap e outras de renda variável até o limite dos ganhos auferidos nessas mesmas operações, a questão, mais uma vez, é que a prova da ocorrência dessas perdas e ganhos, nos montantes alegados, foi feita somente com planilhas de controle interno da recorrente, o que invalida a demonstração algébrica intentada pela empresa. Alega ainda a recorrente que, se fosse procedente a acusação fiscal de que não teria sido oferecida à tributação a receita que deu origem ao IRRF contestado, então o lançamento de ofício para exigir os impostos incidentes sobre essa suposta receita era providência que se impunha, sob pena de responsabilidade funcional. Ocorre que a análise de tal circunstância transborda dos limites da lide, uma vez que não se discute aqui eventual lançamento que tenha ou não sido feito pela autoridade fiscal, lançamento o qual, este sim, estaria sujeito aos limites impostos pelo transcurso do prazo decadencial, mas se discute apenas o não reconhecimento de alegado direito creditório e a decorrente não homologação de compensações com este crédito efetuadas. No tocante ao não reconhecimento da compensação de estimativas devidas em 1999 com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, que, por sua vez, tinha origem em saldo(s) negativo(s) de períodos anteriores, também não merecem acolhida os argumentos da recorrente. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11831.006416/200245 Acórdão n.º 110200.438 S1C1T2 Fl. 642 10 Isto porque, conforme já relatado, em nenhum momento a recorrente logrou demonstrar sequer a que período(s) se referia(m) esse(s) saldo(s) negativo(s), quanto mais informar os pagamentos e/ou créditos dos quais se originaria(m), apesar de especificamente intimada a respeito. Conforme se verifica na sua peça de defesa, ainda em sede de impugnação, juntou aos autos tão somente cópia da Ficha 09 da DIPJ relativa ao anocalendário de 1997, e planilhas de controle interno demonstrando a atualização dos supostos valores de saldo negativo pela taxa SELIC. Para finalizar, devem ser rejeitadas de plano as alegações de desrespeito a diversos princípios constitucionais, uma vez que todo o procedimento fiscal, bem como o contencioso administrativo, seguiu estritamente a legislação aplicável. Do mesmo modo, também não merecem acolhida os protestos da recorrente pela produção de outras provas e pela juntada de documentos complementares, mesmo porque não se fez acompanhar de nenhum novo documento o recurso apresentado, e também não há de se determinar a realização de diligências suplementares, como requereu a recorrente, com a finalidade de suprir eventual deficiência na prova que lhe incumbia produzir. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000011/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. - É nula a decisão de turma julgadora que não enfrenta
argumento de defesa que põe em cheque o lançamento efetuado.
Numero da decisão: 1101-000.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a
decisão recorrid, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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SI-CIT1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11065.000011/2009-06 Recurso n" 513093 Voluntário Acórdão n° 1101-00.569 — la Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 04 de agosto de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO - SIMPLES Recorrente DIMAFER MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NULIDADE. - É nula a decisão de turma julgadora que não enfrenta argumento de defesa que põe em cheque o lançamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão recorrid, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. CAR DUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, Jose Ricardo da Silva (Vice-Presidente), e Sergio Luiz Bezerra Presta. Processo n° 11065.000011/2009-06 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.569 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação em razão de auto de infração. Em 08/01/2009, é lavrado auto de infração (proc. fls. 497 a 566). 0 relatório da ação fiscal descreve a auditoria (proc. fls. 483 a 496). Diz que foi constatado que o fornecedor da empresa indicava na sua DIPJ ter efetuado vendas para a empresa de mais de R$ 2.000.000,00, enquanto ela declarava urna receita bruta de R$ 142.300,09. Explica que, em razão disso, buscou junto ao fornecedor, Cimento Rio Branco — Votoran, detalhamento das vendas efetuadas para a ora autuada. Esclarece que a fornecedora listou todas as notas fiscais de venda, indicando data da venda, valor e data de pagamento. Afirma que a solicitou e o fornecedor apresentou algumas dessas notas fiscais e também esclareceu que os pagamento eram feitos via boleto no Banco do Brasil. 0 fiscal também diz que o livro razão da autuada indicava apenas 66 notas ficais de compras no ano de 2005, sendo 58 da Cimento Rio Branco. 0 auditor apresenta planilha indicando o total mensal de compras da Cimento Rio Branco, conforme a contabilidade da autuada. Informa que intimou a empresa a comprovar a origem dos recursos utilizados na aquisição dos produtos, tendo obtido a seguinte resposta: Venho por meio desta dizer que a origem dos recursos utilizados para aquisição dos produtos é da própria Cimento Rio Branco. Meu cunhado Dirceu Rosa Flores, CPF 133 562 400-72, compra cimento direto da fabrica em Esteio e sai vendendo para diversas pessoas. Ele .faz isto porque é muito conhecido na Votaram. Ele sempre trabalhou com cimento quase 24 anos. Ele tinha um comércio que só vendia cimento e quebrou por isto ele usa o CGC da minha .firma. Ele compra o cimento com prazo de 7 dias. Então ele as vezes se obriga a vender coin preço muito baixo para pagar a fiibrica. Ele paga em dinheiro as duplicatas direto no Banco, inclusive o irmão dele Ge/son Rosa Flores é meu sócio A fiscalização explica que efetuou diligência em alguns clientes da autuada. Apresenta tabela comparando valores e quantidades das notas fiscais existentes nestes clientes e as vias dessas notas contabilizadas pelo contribuinte. Diz que constatou que as vias dos clientes apresentavam maiores quantidades de produtos vendidos, caracterizando que o contribuinte calçava as notas. Após comparar as vias do cliente corn as vias do contribuinte, para dezenas de notas, constata que as vias do contribuinte registravam sempre 10% das quantidades e valores vendidos (salvo urna que registrava 5%). Em razão desses fato o fiscal diz que considerou como receita omitida a diferença entre as vendas informadas pela Cimento Rio Branco SA e os valores constantes dos livros de entrada da autuada referente a este fornecedor. Diz que a multa cabível é a de 150%, pelo evidente intuito de fraude demonstrado pela constatação de calçamento de nota na totalidade da amostra examinada. Também, diz que em razão do novo faturamento da empresa, 2 Processo n° 11065.000011/2009-06 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.569 Fl. 3 constatou que que os recolhimentos da empresa no que tange às receitas declaradas precisava ser recalculado, sendo que neste caso a multa aplicável é de 75%. 0 fiscal explica a aplicação da multa por sonegação corn as seguintes palavras: a) a empresa adquiriu de Cimento Rio Branco S.A grande quantidade de produtos (cimento), cujas notas .fiscais não foram registradas en/ sua contabilidade; b) em um momento posterior, para ocultar o cimento não contabilizado, efetuou a venda destes a terceiros, pessoas JIsicas e jurídicas, o qual comprovamos, através de diligências, que a Dintafer utilizou o expediente de "notas calçadas" — onde o valor declarado na 3' via da nota fiscal representa, no máximo, 10% (dez por cento) do constante da 1° via da nota fiscal (em poder dos clientes). Considerando que a infração descrita no item 5.1 foi prática arquitetada visando impedir que o Fisco tomasse conhecimento dos fatos geradores ocorridos, revelando-se tal fato em EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, consideramos t . ipificada a hipótese do incisoc"H", do artigo 44 da Lei 9430/96, já citado, e aplicamos a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Em 12/01/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 566). Em 09/02/2009, apresenta sua impugnação (proc. fls. 568 a 578). Resume a autuação corn as seguintes palavras: "Coin base em notas de venda de mercadorias efetuadas pela empresa CIMENTO RIO BRANCO S.A. a Fiscalizada, cuja origem dos recursos para aquisição foi considerada "não- declarada", a Fiscalização Fazendaria reconheceu a existência de receita bruta (faturamento) não declarada no valor de R$ 2.614.400,26 ao longo do exercício de 2005". Adiciona que, depois de quantificada a omissão de receitas, o fiscal calculou os tributos com base na sistemática do Simples. Afirma que, mesmo sem entrar no mérito da infração imputada, existe erro do fiscal, pois conforme o inciso V, do art. 14 da Lei IV 9.317, de 1996, deveria ter sido excluído do Simples a partir do momento em que fosse constatada a prática reiterada de infração à legislação tributária. Explica que se as infrações iniciaram em janeiro de 2005, o fiscal deveria ter apurado os tributos fora da sistemática do Simples desde o inicio de 2005. Sustenta que a autoridade fiscal deveria ter feito a exclusão e cobrado os tributos conforme as regras nommis de tributação, que no caso aponta para o regime do lucro arbitrado, no que tange a receita omitida, e lucro presumido, no que tange a receita declarada. Conclui quo em razão destes erro o lançamento é nulo. Em 09/09/2009, a 4 ' Turma da DRJ em Porto Alegre indefere a preliminar de nulidade e nega provimento a impugnação (proc. fls. 609 a 617). Diz que, de acordo com a legislação, o auto não é nulo. Defende que é razoável que a fiscalização entenda que não é o caso de considerar haver prática reiterada de infração a legislação, já que a fiscalização limitou-se ao ano de 2005. Afirma que não cabe a DRJ determinar em que momento haveria a prática reiterada. Alega que a exclusão por excesso de receita opera seus efeitos a partir do ano seguinte Aquele em que o limite foi ultrapassado e, portanto, no caso presente, a exclusão só oconeria em 2006. Informa que o contribuinte não questionou na sua defesa a ocorrência de omissão de receitas. Diz que a apuração feita pelo fiscal da insuficiência de recolhimentos, 3 Processo IV 11065.000011/2009-06 Acórdão n.° 1101-00.569 Fl. 4 referentes As receitas declaradas, em razão da mudança de aliquota está correta. Diz que a impugnação não questiona a multa de 150%. Em 24/09/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 625). Em 20/10/2009, apresenta seu recurso voluntário (proc. fls. 626 a 638). Alega cerceamento de defesa e negativa de jurisdição. Diz que a DRJ não poderia se furtar a analisar o conceito de prática reiterada de infração, a fim de poder decidir se a argumentação da impugnação era ou não procedente. Retrata a posição da DRJ corn a seguinte transcrição do voto condutor do acórdão: "0 fato de a contribuinte ter-se utilizado do expediente de "nota calçada", ensejou o lançamento da multa qualificada de 150% e a formalização do Processo n° 11065.000012/2009-42 de Representação Fiscal para Fins Penais, a fiscalização ndo entendeu que caberia a exclusão do Simples por prática reheat por somente um período, o do ano de 2005. Não havendo Ato Declaratório de Exclusão, não existe litígio ser solucionado, nao cabe a Delegacia de Julgamento inovar, nem analisar qual o período que se aplicaria a "prática reitera" se não for em litígio, amparado pelo Processo Administrativo regulado pelo Decreto n.° 70.235/1972, e suas alterações, definindo qual o mês de ocorrência cla 'prática reiterada de infração à legislação tributária', inciso V, do art. 14 da Lei 9.317/1996, para definir os seus efeitos conforme o inciso V do art. 15 da mesma Lei, Portanto, no nosso entendimento, imprópria esta análise e alegação da contribuinte." 0 contribuinte argumenta que "como se pode verificar, a Autoridade Julgadora furtou-se A. análise da alegação de nulidade do lançamento por inobservância da exclusão legalmente determinada. 0 fundamento para a negativa de apreciação desafia a própria natureza do instituto da impugnação, pois esta se presta justamente para trazer o litígio ao PAF, nos ternos do artigo 14 do Decreto n.° 70.235/1972...". 0 contribuinte segue argumentando que "da mesma forma, sustentar a necessidade de Ato Declaratório de Exclusão para excluir seu dever de julgamento não se coaduna corn a lógica do procedimento. Se a exclusão é devida, como defende a contribuinte, deveria o Agente Fiscal, antes do lançamento, ter tornado todas as medidas administrativas necessária para a exclusão do SIMPLES, para só então efetuar o lançamento. Portanto, a correção ou a incorreção doprocedimento adotado pode e deve ser objeto de análise pela Delegacia de Julgamento". Conclui que "considerações, resta claro que não poderia a Delegacia de Julgamento de Porto Alegre ter deixado de julgar o ato apontado como indevido nas razões de impugnação, pois configurou negativa de jurisdição administrativa". No mais, o contribuinte repete os argumentos já apresentados na impugnação. 4 Processo 11065.000011/2009-06 si-ciTi Ac6rdao n.° 1101-00.569 Fl. 5 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO, 0 recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Cabe, inicialmente, definir os contornos da lide. Como bem destacado pela turma julgadora, o contribuinte não discute a acusação de omissão de receitas e muito menos a aplicação da multa por sonegação. De fato, desde a impugnação, sua defesa concentra-se em afirmar que, conforme o inciso V, do art. 14 da lei n° 9.317, de 1996, ele deveria ter sido excluído do Simples, ao invés de ter sido lançado com base no Simples. Complementarmente, a defesa alega que, caso fosse excluído, a quantificação deveria seguir as regras do lucro arbitrado e do lucro presumido. Assim, há pouca matéria submetida ao julgamento administrativo e os limites da lide são claros. Por outro lado, no recurso voluntário o contribuinte apresenta um novo argumento. Diz que a decisão da turma julgadora da DRJ é nula porque não examinou a procedência de seu argumento de defesa. Sendo esta uma questão preliminar, é preciso o seu exame. Conforme consta do voto condutor do acórdão da DRJ, na passagem transcrita pelo contribuinte, a DRJ presumiu que o fiscal teria achado que não era o caso de excluir do Simples por prática reiterada de infração, pois ele teria considerado que a existência da infração ao longo de 1 ano não era o suficiente para qualificá-la como reiterada. Também, fica claro que a DRJ se escusa de examinar o conceito de "prática reiterada de infração", chegando a afirmar que s6 o faria se tal matéria constasse de litígio. Quanto à especulação feita pela DRJ sobre as razões pelas quais supunha que o fiscal tivesse deixado de excluir do Simples, cabe frisar que ela s6 teria alguma pertinência na medida em que fosse apresentada para ilustrar que o fiscal tinha liberdade de interpretação do dispositivo e que poderia aplicá-lo ou não, conforme seu juizo, ou mesmo para concordar com o acerto da suposição. De modo algum a DRJ poderia pretender substituir o fiscal na sua fundamentação e se o fizesse isso não produziria efeitos, e não parece que o tenha pretendido e nem o tenha feito. Enfim, a especulação feita pela DRJ apenas teria razão de ser se fosse para confirmar a possibilidade do fiscal não aplicar a exclusão. No entanto, a DRJ não desenvolveu tal argumento e chegou a se negar a analisar tal possibilidade. De outra banda, é importante destacar que não seria necessário que o fiscal tivesse se manifestado sobre a pertinência ou não da aplicação do inciso V do art. 14 da Lei n° 9.317, de 1996. Afinal, o fato de não ter se manifestado sobre o dispositivo deixa implícito que entendeu não ser aplicável e isso é suficiente. Quanto a este ponto, vale lembrar que não é preciso que a autoridade administrativa manifeste-se sobre a legislação que deixa de aplicar. 0 que se exige é que se manifeste sobre a legislação que aplica. Deste modo, não lid vicio no lançamento pelo fato do fiscal não ter analisado e não ter se manifestado expressamente sobre a possibilidade de exclusão do Simples por prática reiterada de infração. 5 Processo n° 11065.000011/2009-06 SI-CIT1 Acórd5o n.° 1101-00.569 Fl. 6 Assim, o ponto crucial na decisão da DRJ é que ela não poderia se escusar de examinar a alegação da defesa e deveria ter expresso o seu entendimento sobre o conceito de "prática reiterada de infração", ou sobre a liberdade de interpretação do fiscal autuante, ou sobre a aplicação ou não da exclusão. Ao deixar de se manifestar sobre esta questão, sem qualquer justificativa razoável, a DRJ deixou de enfrentar argumento de defesa que é fundamental para avaliar a pertinência do lançamento. Isso porque, caso se entenda que o dispositivo de exclusão devesse incidir, não caberia a apuração dos tributos corn base no Simples, mas sim em outro regime de tributação. Portanto, no caso em concreto, não se trata de simples argumentação de defesa que se pudesse passar ao largo, por exitir outras razões de decidir. Esse argumento da defesa precisava e precisa ser enfrentado. Nem que seja por meio de simples afirmação do conceito de "prática reiterada de infração", ou sobre a liberdade do fiscal em determinar a aplicação ou não deste dispositivo, ou de expressa manifestação do julgador sobre a incidêni a ou não do dispositivo aventado ou qualquer outra manifestação que enfrente o argumento de defesa e explique o posicionamento da DRJ a respeito deste ponto da lide. Ao não se posicionar sobre esta questão, a DRJ deixou de fundamentar a sua decisão. Deixou de dizer a razão pela qual entendia que as alegações do contribuinte não tinham o condão de infirmar os fundamentos da autuação. Com isso, torna impossível o recurso do contribuinte, que não pode contraditar o que não foi posto, e limita o direito de defesa. 0 art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabelece que: Art. 59. Sao intros: I- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ,sç A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3" Quando puder decidir do mérito a favor do si jeito passivo a quern aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a ,falta Dessarte, conforme o inciso II, a decisão da turma julgadora da DRJ é nula. Por estas razões, voto por dar provimento à preliminar de nulidade da decisão da turma julgadora, para que ela refaça o julgamento. CARLOS UARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 6
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Numero do processo: 19515.000221/2002-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos.
Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.043
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos. Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000221/200286 Acórdão n.º 210101.043 S2C1T1 Fl. 131 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 119/121) interposto em 11 de novembro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 108/114), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de outubro de 2008 (fl. 116 verso), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 87/89, lavrado em 10 de julho de 2002, em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, verificadas no anocalendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430, de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Lançamento Procedente” (fl. 108). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 119/121), insurgindose contra o acórdão, no que tange à recusa dos recibos dos prêmios de loteria como comprovantes da origem dos depósitos bancários. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000221/200286 Acórdão n.º 210101.043 S2C1T1 Fl. 132 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, cumpre tecer breves esclarecimentos acerca do tema que motivou a lavratura do auto de infração, qual seja, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Como é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Nesse sentido, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n.º 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual esta 1ª Turma Ordinária teve origem, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.º 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000221/200286 Acórdão n.º 210101.043 S2C1T1 Fl. 133 4 desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Nesse sentido, verificase, a partir de um breve compulsar dos autos, que o presente caso cingese à análise de depósitos realizados nas contascorrentes do Recorrente, ao longo de 1998. Em que pesem às alegações ventiladas pelo Recorrente, fato é que, muito embora tenha apresentado, às fls. 105/106, recibos de pagamentos de prêmios das loterias, emitidos pela Caixa Econômica Federal, esses não são documentos suficientes para comprovar a origem dos depósitos feitos em suas contas, pelo que deixou de acostar aos autos provas contundentes que comprovassem a origem dos valores depositados. Ora, no presente caso, notase que o contribuinte, durante a fiscalização, aduziu, à fl. 76, que relativamente à movimentação financeira dos bancos Itaú e Banespa eram referentes a cheques de terceiros, uma vez que fazia documentação de veículos, tais como licenciamento, transferência etc., motivo pelo qual referidos valores, os quais transitavam na sua conta, não lhe pertenciam. Tanto era assim que, ao final do exercício de 1998, o saldo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.000221/200286 Acórdão n.º 210101.043 S2C1T1 Fl. 134 5 bancário estava quase “zerado”. No mais, os documentos que comprovariam o alegado foram extraviados. Além disso, não foi possível destacar dos extratos bancários quaisquer depósitos cujas informações coincidissem com os valores ou as datas dos prêmios percebidos pelo Recorrente. Impende salientar que poderia o Recorrente ter apresentado documentos que comprovassem que parte da movimentação bancária era correlata aos prêmios por ele percebidos, consoante alegou em seu recurso voluntário, não tendo sido juntados aos autos quaisquer comprovantes de depósitos feitos por ele dos valores relativos aos prêmios ou qualquer parte deles. Diante desse panorama, não há elementos probatórios aptos e suficientes a amparar a pretensão do Recorrente, haja vista a inexistência de documentos hábeis a comprovar a origem dos depósitos bancários. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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