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Numero do processo: 10880.029396/98-11
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.008
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do relator. Albertin Silva Santos d Lima - Presidente s Peld - Relator ,EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Al bertina Silva Santos de Lima, Carl's Pelú, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carmen Ferreira Saraiva, Marcelo de Assis Gu&ra e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n" 10880.029396/9841 S1-C412 Resoluelio ri 0 1402-00.008 Fl 2 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da zr" TURMA/DRI- SÀO PAULO/SP I, de fls.1068/1078, que julgou parcialmente procedente o pedido de restituição/compensação. Com a finalidade de privilegiar o principio da celeridade processual, adoto o relatório proferido pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 1069/1076): "Relatório A contribuinte acima identificada, ati avés do Pedido de Restituição de fi 0 1 e do Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros constante dos autos processuais le 10880 029397/98-76 (fl 01), apenso, solicitou o reconhecimento de créditos tributários ali declmados, anexando CIS planilhas de fls 3 e 5 do pi esente. Os pedidos ,foram indeferidos, conforme Despacho Decisório de ,fls 184 a 187, por não ter sido encontrado na análise das declarações da contribuinte nenhum motivo para acolher os pedidos nela contidos, sendo que a Interessada dele tomou ciência em 26/09/2003 (sexta-feira — .17 188 - verso) e apresentou Manifestagão de Inconformidade em 28/10/2003 (fls. 189 a 196), por meio de seu procurador (As. 197/198), alegando cm síntese que: I) 0 Despacho Decisório foi desnzotivado. É de se ressaltar que a peticionaria juntou a documentação necesseii ia à verificação do pagamento indevido ele IRF. em razão do prejuízo fiscal apurado nos exercícios respectivos, que silo os informes de rendimentos e as respectivas DIRP.Is 2) Os inlbrines de Imposto de Renda Retido na Fonte e as declai ações de IREi dos períodos em que se pleiteia a devolução do Wino .° são documentos que permitem a plena verificação do pagamento indevido. 3) As cópias das declarações estão sendo juntadas para comp, ovação das alegações. Nem se diga que, conz relação aos anos-calendário de 1993 e 1994, a ausência da declaração do IRF, nas DIRP.Is respectivas, seria óbice devolução desse saldo, negativo maior de Imposto de Renda, já que só deveriam preencher o Anexo 3 as pessoas jut idicas que estivessem solicitando a compensação do IRRF. 5) Do mesmo modo, coin me/ação aos anos de 1995, 1996 e 1997, a ausência de declaração não seria impedimenta à devolução do In buto pago indevidamente, já que cada cola, ibuinte deve recolher o tributo evisto na legislação, vale dizer, a ausência (la declaração dos antecipações não pode se tornar causa de enriquecimento ilícito do fisco. 6) Coin relação ao ano-calendário de 1997, a empresa aputou lucro real e efetuou o recolhimento das antecipações de IRPJ por DARF, 2 Processo n" 10880 029396/98-11 SI-C4T2 Rcsolugrio n " 1402-00,008 Fl 3 restando apenas um complemento de R$ 666,2.5 devido na D1RPJ de ajuste, que foi compensado com o IRRF. Portanto, somente para esse complemento a peticionária utilizou 1RRF, conforme se observa na DIRPJ e pelos DARFs day antecipações de 1RPJ recolhidas no per iodo 7) Observa-se, contudo, que, para a adequada verificaçiio acima deve ser observado que houve equivoco no preenchimento da ficha de ajuste, pois foi informado, a titulo de antecipações, o valor de R$; 148 061,22, CIO hives. de R$ 156_009,59, e o valor de R$ 8.614,6.2 a titulo de IRRF, ou seja, não foi declarado o valor do Il?RF recolhido no ano e não compensado. 8) Por es-say razdes, O pedido de restituição e o pedido de compensação de débitos próprios e de terceiros devem ser fulgados procedentes Esta 4 Turma de Julgamento, em 28/0712004, baixou o processo em diligencia (fis. .344/350), tendo sido fOrmidados quesitos que foram respondidas pela Diort por meio do documento de fls. 926/937 Os quesitos formulados Ibram os seguintes, - 13. I. Houve erros de preenchimento nas DIRPJ/1994 a 1998, não havendo inserção do valor das retenções realizadas a titulo de imposto de renda sobre aplicações financeiras, conforme considerações tecidas no item 10, e subitens, do presente? Indicar campos, quadros, linhas e anexas, que demonstrem o fundament° da resposta 13 2. As- receitas financeiras que deram origem ao IRRF, consoante fls. 03 a 53, foram efetivamente contabilizadas pela interessada em sua escrituração contábil, integrando, conseqüentemente, o lucro real dos anos-calendário de 199.3 a 1997? Apontar e juntar copias dos documentos contábeis e fiscais que demonstrem o fundamento da resposta 13.3 Or pedidos de compensação de fls. 54, 99, 101, 105, 328 e 329, reúne»; condições Ibrinais (inclusive com o devido registro dos débitos nos sistemas próprios, como o PROFISC) e materiais, em face c/a legislação regente da matéria, para seu atendimento? Indicar os .fimdamentos da resposta Por sua vez, a resposta da DIORT deu-se nos seguintes termos, cm síntese: - Quanto aos erros de preenchimento nay DIRP,I, não se h7S01117C10 o valor das retenções realizadas a título de IRRF: a,) Conforme se verifica nas cópias day respectivas DIRR1 1993/94, linhas 18 do quadro 04 do anexo 3, fls. .202/203; 1994/95, linhas 14 também do quadro 04 do alleY0 .3, fly. 208/209, - não houve IRPJ - mensal apurado que pudesse ser compensado coin 1RRF retido, o que comprova que a interessada não aproveitou o IRRF naqueles documentos; b) Nos apurações mensais do ano 1995/96, linhas 25 da ficha 29, ,fis. 213/2.24, embora tenha o contribuinte preenchido os valores relativos ao IRI?F, restaram saldos negativos, de farina a demonstrarem que não foram também z aproveitadas naquele período, 3 Processo n" 10880.029396/98-1 I SI-C4 T2 Resoluctio n " 1402 -00.008 Fl 4 c) No ano de 1996/97, linhas 05 da ficha 09 da respectiva DIRPJ, fls 228/234, embora tenhamos encontrado a inconsistente informação da Mitt 06 da .ficha 09, referente ao mé.s de janeiro/96, .11 228, de saldo de IR a compensar apurado ent periodos anteriores, no montante de R$ 11 144,16 e também o preenchimento da linha 05 da mesma ficha 09 (1R1?F), nos meses de fevereiro, fl.. 228; nzarp,11., 229; agosto, fl. 231 e setembro, ,fl. 232, os mestizos não influenciaram o resultado do periodo, co forme se verifica nas cópias das fichas 07 e 08 da respectiva D1RPJ, de fls. 400/401, lido tendo sido apurado saldo negativo de IRPJ; portanto, embora preenchidas as linhas 05 (1RRF), os valores não .fOrani aproveitados/compensadas naquelas demonstrações; Finalmente, no ano de 1997/98, ideidificantos erro no preenchimento das linhas 06 da ficha 09, nas/is 237/248, pois enzbora havendo IRRF retido no período e tendo sido apurado IRPJ a pagar, não foram hi compensados; entretanto, na apuração anual, na ficha 08 de fis 236, na linha 15, a interessada compensou o montante de R. 8,614,62, relativo ao IRRF II - Quanto aos pedidos de compensação de fls. 54, 99, 101, 10.5, 328 e 329, velamos o que segue: a) Aqueles de ,fls. 54 e 105, referem-se a pedido de compensação de crédito de terceiros, os quais tiveram suporte na legislação que o instituiu, IN/SRF no 21/97, até amvogagão, conforme transcrevemos Portanto, os pedidos de compensação de créditos de terceiros, fbrinalizados no até (sic) dia 07 de abril de 2.,000, encontram guarida na legislação, antes transcrita b) Outros, de 17s, 99, 101, 328 e 329, refer em-se a pedido de compensação de débitos do próprio interessado, portanto respaldados por compensação em t plena vigor, "ex vi" das disposições da IN/SRF 210/2000, coin as alterações da 1N/SRF 323/2003, em seguida também transcritas. ( ) c) As foimalidades de cadastiamento dos débitos no sistema PROFISC, depreende-se do despacho de ,fl, 323, que os débitos tiveram destinos diferentes e em processos próprios, haja vista as cal acteristicas peculiar-es de cada um. Destinando-se ao processo tt` 13807.010417/2003-06 - extrato de 11, 467, os débitos do próprio contribuinte e no processo n" 13807 029397/98-76, extrato na .11. 468, os débitos do terceiro envolvido; conseqiientemente, o extrato de IT 466 demonstra que o presente s feito não está cadastrado no sistema PROFISC. Para averiguar os I egistros contábeis das receitas financeiras que deram origem ao IRRF, conforme ilustram ás ils 03 a 53, fizemos uso das informações declaradas pela interessada, em cada unia das respectivas DIRP J/D1P .1, elaborando os demonstrativos, conforme passal'eMOS a expor. - 4 Processo n" 10880 029396/98-11 Resolug.iio n " 1402-00,008 S1-C412 Fl 5 a) Ano-calenchirio de 1993/94 foi possível concluirmos pela possibilidade de reconhecimento do direito crediterrio em conformidade também com o quadro de 357, no montante de CR$ 1,645.182,4.5 (cruzeiros reais - moeda cm vigw) com o termo inicial em 31/12/1993 b) Ano-calendário 1994/95. Ay . fiS. 358/367 reunimos os extratos parciais da DIRPJ 1994/95 juntamente com os estratos do sistema SRF DIRE, entregues e processadas pelos respectivos declarantes naquele period°, de cuja D1RPJ foram coletadas as infoimações das linhas 38 do quadro 04 do aneso IA (f/s. 358/360), relativamente às receitas oferecidas tributação do IRPJ, naquele ano, levando-as á consolidação no quadro elaborado nail, 371, também na coluna "receita financeira Foram transcritos-, os extratos das respectivas DIRE processadas, de 36.5/367, ei coluna "rendimento bruto DIRF sistema SRF", também naquele quadro de 11 371. Dele, é possivel se extrair que, embora declarada em DIRE processada no sistema SRF, o contribuinte não ofereceu à tributação no 1176S c/c agosto/94, a receita ,financeira obtida a titulo de participação societária veja coluna em destaque no quadro dc /i. 371, a receita obtida no montante de .12$ 5.5 856,74, coluna "rendimento bruto informe consolidação" extraídas dos infbrmes copiados nas fls. 272 e 286, contra unia receita tributada no montante de R$ 8.555,00; coluna "receita financeira tributada" (ambos os valores em reais) tornando, evidentemente aquele IRRF retido definitivo. Nov demais meses daquele ano, a simples comparação da coluna "rendimento bruto informe-consolidaceio" com aquela da "receita financeira tributada", in/brine ci tributação de receita financeira, CM montantes equivalentes àqueles consolidados, em cada um dos- meses. Detectamos também que, o documento apresentado pela interessada nas fis 14 e posteriormente copiado na It 275, não é um in/brine de rendimentos, tanto que não foi confirmado naquelas DIRE processadas, de fls. 365/367 Estas circunstâncias nos levaram a excluir os respectivos valores do cálculo do valor potencial que merece reconhecimento do direito creditório concluindo, portanto pelo montante de R$ 2 1 665,21 (valores em teals), co/it termo inicial em 31/12/94. Ressalte-se que, com base naquelas informações ,j6 anteriolmente narradas, verificadas nas cópias das respectivas DIRPJ 1994/95, linhas 14 do quadro 04 do anexo 311s. 208/208 verso, não tendo havido no ano de 1994, 1RPJ - mensal apurado que pudesse ser compensado com o IRRF retido, foi possível concluirmos que a interessada não aproveitou o IRRF nos demais meses On a fui e set a dez/94). 5 Proccsso n" 10880.029396/98-11 Reso1uc5o " 1402-00.008 S1-C4 1 2 F1 6 o quadro de fl. 372 tem a finalidade de corroborar as infbi mações acima, demonstrando que não houve cipmação de ZR? 1, tampouco pagamento e estimativa. c) Ano-calendário de 1995/96 é possível concluirmos pela possibilidade de reconhecimento do direito creditõrio de confarmidade com o quadro de /1 395, no montante de R$ 46 020,24 (valores em reais) corn o termo inicial cm 31/12/1995, d) Ano-calendário de 1996/97. Estas razões nos possibilitaram concluir pela possibilidade de reconhecimento do direito creditório de conformidade com o quadro de /I. 411, no montante de R$ 38 730,76 (valores em reeds) com o termo inicial em 31/12/1996 e,) Ano-calendário de 1997/98 Fina/mente, nas Jis 413/431, reunimos os extratos parciais da DIRPJ 97/98, juntamente com os extratos do sistema SRF - DIRF, entregues e processadas pelos respectivos declarantes naquele period°, donde daquela D1RPJ, foram coletadas as informações das linhas 07 e 08 de ,ficha 06 (/7 414), relativamente dc receitas financeiras/resultados positivos em participação societária, oferecidas à tributação do IR.P.1 naquele ano, levando-as à consolidação no quadro elaborado na ii. 464, também na coluna "receita financeira tributada ", lá existente, Foram transcritos, daqueles extratos das respectivas DIRE processadas, de (Is. 429/431, na coluna "rendimento bruto DIRE sistema SRF", ainda naquele quadro deft. 464, Do quadro, é passivel depreender-se que, a soma receita financeira com o resultado positivo em participação societária oferecidos tributação, veja-se coluna "receita financeira tributada" (R$ 609 101,50), .foi superior ti consolidação das infannações, tanto da coluna "rendimento bruto informe consolidação" (R$ 484 200,21), dados extraídos dos informes de rendimentos de fl.s 316/322, quanta da coluna "rendimento hi uto DIR.? sistema SR?" (R$ 409,561,60), extraldos das DIRE de,fls 429/431. Entretanto, primeiramente, ao verificarmos a regularidade dos pagamentos das parcelas mensais do IRPJ estimative apurado para aquele ano - vide fls. 417/428 (billies 08 da ficha 09), corroboradas pelas declarações do contribuinte - DCTF, anexadas nas ils 436/452, realizando as imputações dos pagamentos listados nas ,fls. 432/433' coin os respectivos débitos, através dos relatórios de ,fls 453/459 apuramos um débito remanescente relativo ao mis de junho/97, no valor de R$ 107,60, conforme demonstrativo à fl.45. Depois, ao verificarmos o relatório de inconsistências cone ibuinte no sistema SAPLI, que controla a compensação de prejuízos, declarada e Processo n" 10880 029396/98-11 S1-C4T2 Resoluciio n " 1402-00.008 Fl 7 pelo próprio contribuinte, de 'Is 460/462, constatamos quo o contribuinte realizou compensação de prejuízos .fiscais excedendo o saldo disponível (fl, 460) nos anos de 1997 a 2001, corroborada no caso do ano de 1997 pela informação da linha 34 da ficha 07, na 11. 415, extrato da DIP.1 De ,forma que se fez necessaria a recomposição do calculo, tanto do lucro real, quanto do 1RPJ, apurados nas respectivas fichas 07 e 08, nos 415/416. Para isso, elaboramos o quadro de fl. 463, realizando a recomposição da .ficha 07, apurando-se um lucro real, no montante de 12$ 1.020.467,94 qtte, levado ao cálculo da ficha 08, acarretou um IR a pagar no valor de R$ 66.215,72. E, por fim, identificamos que o contribuinte optou por aproveitar 1RR.17 retido naquele ano, na apuração do IRPJ antral, no montante de R$ 8.614,62 (linha 15 da .ficha 08, na/i. 416), valor que ele não segregou do seu calculo de [Is 03 e 44 Reunidas odds as constatações, acima narradas, no quadro de fl. 464 constatamos que, ao contrário do que pretende o contribuinte ('restituição naquele ano), tern débilos de IRPJ apagai; no monlante de P$ 2.323,54, conforme lá demonstrado. (- Dê-se ciência do presente despacho ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, conforme art. 44 da Lei it O. 9.784/99 e, após, à DRJ/SÃO PA ULO -SP 1 - Turma, conforme proposto 938, ha Termo de Informação, coin data anterior ao despacho acima, dizendo que, em razão do indeferimento do pedido de restituição con ytante do presente processo encontrar- 5e indefericlo, o processo devedor n° 13807 010417/200.3-06, cities débitos estão vinculados ao crédito negado, s foi encaminhado a PFN para inscrição em Dívida Ativa da União. fl. 946, a DERAT/SPOIDICAT/E0AMJ infOrma que a FAZENDA PARAÍSO LTDA e a ALANA 1HT LTDA. impetraram o Mandado de Segurança n° 2003.61.00 031493-8 solicitando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão e a suspensão da inscrição em Divida Ativa. Em 28/11/2003, o Juiz deferiu o pedido do contribuinte informando que os processos administrativos em questão estavam suspensos pelo recurso administrativo interposto e que por esta razão também não deveria ocorrer a inscrição enz Divida Ativa. Os autos encontrariam-se, à época "conclusos ao Juiz para sentença" (pag 944), tendo o presente processo enviado à esta DRJ, para julgamento, tendo o processo sido remetido em 0.5/12/2006. Posteriormente (14/1.2/2006), a Proeza adoria da Fazenda Nacional 951) solicitou o encaminhamento do process° n° 10880.029397/98-76 eni nome de ALANA IHT LTDA, 7 Process() n" 10880,029396/98-11 81-C412 Reso1u0o n° 1402-00.0118 Fl Elll atendimento ao pedido ocuradoria, foi informado que o Processo n" 10880 029397/98-76 estava sendo enviado DERAT/SPO/DIORT/ECRER, para, con forme despacho dessa 4" Turma (lis, 957/959), que fosse dada a ciência do despacho abaixo transcrito o que ainda não havia sido feito, conforme determinação do ali. 44 da Lei n" 9.784/1999, a qual se deu, cohformell 960. /1. 964/972, foi juntado o MEMO/E0AMJ/SP N° 866/06 (de 06 de novembro de 2006), para a DIDAU/PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL/SP, informando que, conforme constariam dos documentos anexos, a inscrição do processo 10880.029397/98- 76 deveria ser cancelada em virtude de ordem judicial, A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional solicitou (24/02/2007), em função do exposto à IL 974, que fosse juntada ao processo tela do PROFISC ou SIEF que demonstrasse a baixa do débito no sistema, de modo que fosse perm' lisle à Procuradoria efetivo cancelamento do débito. Em 23/08/2007, foi enviado a Manifestação de Inconformidade para ser/untada aos autos (fl. 981). Assim, a empresa, cientificada em 24/01/2007, apresentou suas razões de delesa em 02/0212007 (Hs 984/986) A Defendente reiterou a manifestação de inconformidade apresentada anteriormente e acrescentou o seguinte, corn, relação às conclusões oriundas das verificações realizadas pela DERAT/DIORT/SP, em função da diligência solicitada por essa Turma de Julgamento.' DO ANO-CALENDÁRIO DE 1994 1) A fiscalização glosou parte do crédito pleiteado nesse period° (a receita financeira de R$ 55.856,74, relativa ao mds de agosto de 1994), por entender 'que, embora processada em DIRE, a receita não : foi oferecida à tributação. 2) Tal afirmação, no entanto, está equivocada, isso porque, apesar de a retenção do IRRF sobre as partes beneficiárias não ter sido efetuado no momento do pagamento do rendimento, é evidente que sobre o pagamento referido houve retenção do imposto. 3) A responsabilidade pela retenção do IRRF sobre partes beneficiárias era da pessoa jurídica obrigada ao pagamento do rendimento (no caso, a empresa DURATEX). No entanto, o descasanzento, entre a data do pagamento do rendimento peticionante e o recolhimento do IRRF incidente, ocorreu em virtude do processo de consulta n° 10880.024964/90-50. Ou seja, a empresa responsável pela retenção e o mecolhimento do IRRF incidente discutia época do pagamento, por meio de processo de consulta. Com a decisão definitiva desse processo, efetuou o recolhimento do IRRF incidente, em :julho de 1994. 4) Portanto, não procede a argumentação :fiscal de que a receita não foi oferecida à tributação, Comprovam essa alegação, a resposta 8 PrOCCSSO 11" 10880.029396/98-II S1-C4T2 Resoluyilo ri 1402-00.008 Fl 9 Consulta, o Demonstrativo do IRRF não retido corrigido e recolhido em 18/07/94 e o DARE de recolhimento do IRRF (does. 03, 04 e 05) DO ANO-CALENDÁRIO DE 1997 5) Com relação a es-se período, alegou a fiscalização, para glosar o crédito pleiteado pela pet icionante, que teria havido compensação de preittizo fiscal excedente ao estoque (en; R$ 296 656,32), por conseqüência, restou aumentado o lucro real (apurando a fiscalização débito de IR no período). 6) No entanto, não assiste a razão ao fisco, pois, conforme se observa da cópia da parte B do LALUR, com a composição e movimentação do estoque de prejuízos fiscais desde o ano-calendário de 1986, após' as baixas dos créditos prescritos, verifica-se a compensação utilizada em fevereiro de 1994, no valor de 53.662,23 UFIRs (doc 06). 7) Portanto, considerando somente o saldo do prejuízo fiscal de 1991 (R$ 1.367.85.1,80), percebe-se a -suficiência de estoque para a compensação de R$ 310 204,97, no ano-calendário de 997. Não houve, pois, compensação evcedente 8.) Além disso, deve-se observar que não ,foi disponibilizado peticionante o relatório do sistema SAPLI contendo as inconsistências que embasaram a refer ida glosa, ficando, portanto, prejudicada a análise mais detalhada." Após o parecer da diligência, a 4" Turina de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o Saldo Negativo de IRPJ do AC 1994 não foi totalmente homologado pois a Recorrente não havia comprovado com livros contdbeis o oferecimento das receitas que geraram o Imposto de Renda Retido na Fonte no mês de julho de 1994. Com relação ao AC 1997, o motivo da homologação parcial foi de que o sistema SAM não apresentava o prejuizo fiscal do AC 1991, visto que a DIP! daquele ano ainda não havia sido processada. Inconformado corn a decisão da DR.j, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: (i) no AC 1994 o IRRF não homologado tem origem na retenção de IR efetuada pela empresa Duratex e que o recolhimento do referido imposto foi efetuado em atraso. Desta forma, a receita financeira atrelada ao IRRF não foi contabilizada no mesmo período do recolhimento, mas sim ern períodos anteriores, gerando assim um descasamento entre contabilização da receita e o efetivo recolhimento do imposto. Para a comprovação deste fato, a Recorrente anexou carta emitida pela Duratex, bem corno guia de recolhimento do imposto; (ii) quanto ao Saldo Negativo de IRPJ do AC 1997, a Recorrente apresentou a composição de seu estoque de prejuízo fiscal desde o AC 1986, demonstrando sua suficiência, bem como que o objeto de divergência encontra-se na existência de prejuízo fiscal decorrente da atividade rural no AC 1991 que, por sua vez foi compensado no AC 1997. Para tanto, Recorrente apresentou cópia da DIPJdo AC 1991, o relatório. 9 Processo n" 10880.029396 198-11 81-C41 2 Resolução n." 1402-00,008 Fl 10 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator Tendo em vista a necessidade de comprovação das alegações da Recorrente coinfonnações e documentos que, em tese, estão de posso da autoridade fiscal, voto para converter o julgamento em diligancia, para que a DU' se pronuncie quanto ir entrega e ao processamento da declaração juntado por cópia pelo contribuinte junto con -i o teem so voluntário, bem se o prejuízo fiscal decorre ou não da atividade rural e se pode ou não ser compensado com o resultado do exercício de 1998. 10
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Numero do processo: 10280.720217/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.100
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam o presente julgado.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes Da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.720217/200779 Resolução n.º 140200.100 S1C1T1 Fl. 2 2 Relatório Por sintetizar a realidade dos autos, adoto o relatório de fl. 106, do acórdão recorrido, na parte em que segue transcrito: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 90101, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 1.427.921,27, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 29/06/2007. Também integra o auto de Infração o Relatório de Fiscalização de folhas 102104. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Insuficiência de recolhimento ou declaração de tributos. A infração é decorrente dos valores de IRPJ e CSLL, apurados na DIPJ, que não foram recolhidos, nem declarados em DCTF, na sua integralidade. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 31/07/2007 (fls. 90 e 96) e apresentou sua impugnação em 30/08/2007 (fls. 109112), na qual alegou em síntese que: 1. Os débitos declarados em DIPJ convertemse em créditos tributários definitivamente constituídos a partir do momento de entrega da declaração, podendo ser inscrito em dívida ativa, em caso de inadimplemento, pois se equipara a confissão de dívida; 2. Ao optar pelo PAEX estes débitos foram automaticamente incluídos no programa de parcelamento; 3. Em caso de improcedência dos argumentos acima, pede que a DIPJ seja considerada como instrumento hábil para a confissão de dívida, suprindo a necessidade de apresentação da DCTF, em razão do Principio da Fungibilidade. A DRJ julgou procedente o lançamento por entender que os débitos escriturados na DIPJ não foram pagos e nem declarados por de DCTF e que neste caso a exigência deve darse por meio de lançamento de ofício, com as penalidades cabíveis. Quanto à alegação de que os referidos débitos foram incluídos no PAEX, a decisão “a quo” aponta que a recorrente não fez prova neste sentido. O AR de fl. 144, conjugado com a informação de fl. 142, comprova que a parte interessada foi intimada do acórdão recorrido em 20/04/2011, quartafeira que antecedeu aos feriados de 21 e 22 de abril, quais sejam, Tiradentes e Sextafeira Santa. Assim, o início do prazo recursal começou a fluir em 26 de abril. O recurso foi protocolizado em 24/05/2005 (segundafeira). Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.720217/200779 Resolução n.º 140200.100 S1C1T1 Fl. 3 3 Em suas razões recursais a recorrente alega que o referido débito foi objeto de parcelamento, antes de 30/11/2009, nos termos da Lei nº 11.941, de 2009. Assim, “requer a improcedência do auto de infração, tendo em vista que o referido crédito deve ser suspenso.” O recurso foi instruído com os demonstrativos de débitos de fls. 158 a 161 e 172 a 173. É o relatório, passo ao exame da matéria. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoos e passo a examinálo. O documento de fls. 115 indica que em 16 de setembro de 2006 a recorrente aderiu ao PAEX. Todavia, tal documento, não relaciona os débitos objeto de adesão. Quando do julgamento do acórdão de fls. 145, que se deu em 23 de dezembro de 2010, não existiam nos autos cópias dos documentos de fl. 167 e seguintes que relacionam os débitos e pendências junto à Receita Federal. Examinando as informações constantes no extrato de fls. 158 têmse os débitos junto à Receita Federal. À fl. 160 identificase a seguinte informação: “Optante pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009 no âmbito da RFB. Indicou a inclusão da totalidade dos débitos nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 003/2010. Logo abaixo à informação antes referida consta relacionado o processo ora em julgamento, acompanhado das expressões “suspensojulgamento da impugnação”. Em linha subsequente consta o CNPJ da recorrente e a informação de que o referido parcelamento encontravase, à época, em consolidação. À fl. 163 identificase o pagamento das primeiras parcelas do parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009. As informações contidas nos documentos de fls. 158 e seguintes, apesar de mencionarem a inclusão do processo em questão não permitem afirmar, com segurança, se o débito de que trata este processo foi consolidado junto ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009. ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para: a) a autoridade preparadora informar se o débito de que trata este processo, de forma parcial ou integral, encontrase consolidado no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009; b) na hipótese de somente parte do débito estar incluído no parcelamento informar quais as parcelas ou competências não incluídas e c) após tais procedimentos, intimar o contribuinte para, no prazo de 20 (vinte) dias, dizer o que entender necessário acerca das informações da autoridade preparadora e demais questões que digam respeito à matéria. É o voto. (assinado digitalmente) Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 13807.005187/00-22
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.031
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO C) Processo n" 13807,005187/00-22\\ , d. Recurso n" 163,90.3 Resolução n" 1401-00.031 — 4" Câmara / I" Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TINSL,EY 84 FILHOS S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida 2' TURMA/DRJ-S.ÃO PAULO/SP I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente momentânea e justifreadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias » \ --- -'''IME IVfAL, _Q._.U.]A___,,S PESSOA MONTEIRO - Presidente .J' ANTONIVEZERRA NETO - Relatar ri1 2 (1EDITADO EM '' 1"' 1 - i 0. Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Allcmim Teixeira, Nelso Kichel (Suplente Convocado), João Francisco Bianco (Suplente Convocado) E Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente). 1 Processo n" 13807_005187/00-22 S1-C4T1 Resoluç5o n." 1401-00.031 Fl 2 RELATÓRIO •Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n" 16-10,758, da 5" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 1-SP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "O contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 262,702,82, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRP.J, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, multas e acréscimos legais. 2.. Termo de Verificação e Constatação (fis. 51 a 53) apresenta, em síntese, o seguinte: 2.1 Quanto à conta contábil n" 4 11.15.01..01 — "Honorários Profissionais" — relativamente aos pagamentos efetuados a Dagmar Gilberto Belo, não foi apresentado qualquer elemento de comprovação da prestação dos serviços, ficando caracterizada a ocorrência de pagamentos de despesas desnecessárias no montante de RS 54428,57, 2.2 Quanto à conta contábil n" 4.11.15.01,02 — "Serviços -Técnicos Profissionais" — relativamente aos pagamentos efetuados a L.A Mattos Adm. Neg imp, Exp.. Ltda e Dagmar Gilberto Belo, a empresa não apresentou qualquer' documento comprobatório da prestação dos serviços, caracterizando, mais uma vez, a ocorrência de pagamentos de despesas desnecessárias no valor de R$ 15 279,87. 2..3 Com relação à conta contábil n° 4,13.15.0113 — "Propaganda" — a empresa foi intimada a apresentar elementos, tais como, contratos, propostas, pedidos, autorizações, mapas demonstrativos e outros que pudessem demonstrar a efetiva prestação dos serviços lançados na referida conta contábil. Em resposta por escrito, o contribuinte declara que tais dispêndios dizem respeito a verbas negociadas com clientes para viabilizar vendas, em forma de descontos especiais ou pagamentos em espécie, e que é impossível comprovar a veiculação da propaganda, caracterizando mais uma ocorrência de pagamentos de despesas desnecessárias, no valor de R$ 310,964,97. 3. Foram lavrados, em 30/05/2000, os seguintes autos de infração: 3.1 do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fls. 59 e 60), com fundamento nos arts.. 193; 195, inciso I; 197, parágrafo único e 242 do R1R/1994; 3.2 da CSLL (fis, 63 e 64) com fundamento no art. 2" e seus parágrafos da Lei 7,689 de 15/12/1988 e art. 19 da Lei n°9.249/1995. 4_ Em 29/06/2000 a empresa apresentou, por seu procurador, impugnação (fis. 68 a 91), alegando, basicamente: DAS PRELIMINARES 4.1 Da nulidade do Auto de Infração em função do cerceamento ao direito de defesa: a) que o Sr. AME ao informar o enquadramento legal das disposições VI ,infringidas que motivaram a autuação, bem corno das penalidades aplicáveis, não o 2 Processo n" 13807.005187/00-22 s i-C4T I Resolução 10 1401-00,031 El. .3 fez de maneira satisfatória, ou seja, informou dispositivos completamente alheios ao caso concreto apresentado; b) que, nesse sentido, vale citar no caso da CSL o art. 2' e parágrafos da Lei n° 7..689/1988, que não fazem qualquer menção a adição de despesas desnecessárias à sua base de cálculo, ou ainda, no caso dos juros de mora aplicáveis, o art. 61, § 3', da Lei n" 9.430/1996, o qual se refere aos fatos geradores ocorridos somente a partir de janeiro de 1997, os quais sequer foram objeto de verificação pela fiscalização e, por conseguinte não estão compreendidos no AI em questão; c) que o Decreto n° 70_235/1972 dispõe no inciso lide seu art. 59, que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição ao direito de defesa que, conforme já demonstrado, foi o que ocorreu no caso do AI em tela; d) que o AI apresenta a disposição legal infringida de forma imprecisa ou apenas parcialmente e, portanto, não há como dizer que este atendeu a exigência do inciso IV do art. 10 do Decreto n°70.235/1972. 4.2 Da nulidade do Auto de Infração em função da incompetência do agente fiscal: a) que a realização de exames nos livros de escrituração e documentos de contabilidade dos contribuintes é uma atividade privativa de contadores legalmente habilitados, assim entendidos os devidamente registrados no respectivo conselho da profissão, e que o servidor só será competente para proceder à fiscalização e, conseqüentemente, lavrar o AI, quando provar essa condição, fato que não ocorreu; b) que o Decreto n" 70,235/1972 dispõe no inciso 1 de seu art. 59 que são nulos os despachos e decisões proferidos por pessoa incompetente. DO MÉRITO 4,3 Da compensação do prejuízo fiscal existente com as "supostas" despesas desnecessárias glosadas: a) que a fiscalização ao proceder ao cálculo do IRPJ "supostamente" devido, aplicou a alíquota cabível sobre o montante das despesas glosadas deixando, no entanto, de compensar o prejuízo fiscal existente; b) que casso fosse procedida tal compensação, ocorreria tão somente a diminuição do saldo de prejuízo fiscal a compensar e não uma "suposta" diferença de IRPI a recolher, isto porque o saldo de prejuízo fiscal a compensar é maior que o montante das despesas glosadas; c) que o Conselho de Contribuintes, por vezes, manifestou o entendimento de que o prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores deve ser compensado com os "supostos" valores tributáveis para só a partir de então tributar o valor excedente, que no caso em questão sequer existe; d) que há quem poderia cogitar que essa compensação poderia ser apenas parcial, o que sequer chegou a ocorrer', tendo em vista que essas decisões referem-se a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n° 8,981/1995, que em seu art. 42, teria supostamente limitado essa compensação em 30% do lucro real; e) que mesmo nessa eventual argüição, tal entendimento não poderia prevalecer, isto porque, as autoridades tributárias entendem que a compensação de prejuízos é um benefício concedido ao contribuinte, e têm afirmado que o regime ((.1 73 Processo n" 13807.005187/00-22 81-C4 -1 1 Resolução n " 1401-00.031 F 1 4 tributário dos prejuízos a compensar é determinado pela lei em vigor na data em que estes foram gerados; I) que até a edição da Lei n" 8..981/1995, coexistiam normas especificas para compensação de prejuízos, conforme a legislação vigente à época em que cada um foi gerado; que, se a lei que rege a compensação dos prejuízos fiscais é aquela vigente à época em que estes foram gerados, não há o que se falar em limitação de 30%, pois os prejuízos fiscais que possui foram gerados antes da vigência da Lei n" 8.981/1995; h) que, do contrário, admitindo que o entendimento das autoridades tributárias não seja esse, estar-se-á configurando que o entendimento da administração é modificado de acordo com os interesses de conveniência do momento, não se pautando pelos princípios da legalidade e moralidade; i) que não poderia a Lei n" 8.981/1995 atingir de forma restritiva, qual seja, limitando o exercício do direito à compensação em 30% os prejuízos gerados antes de sua vigência sob pena de violar o direito adquirido; que se tal limitação vier a ser aplicada, estar-se-á configurando empréstimo compulsório disfarçado, sem obediência às disposições constitucionais previstas no art, 148 da CF, violando, também, os conceitos de renda previstos no art. 44 do CIN e os princípios da capacidade contributiva e da isonomia tributária, este segundo em decorrência do fato das empresas que exerçam atividade rural não estarem sujeitas a essa limitação. 4..4 Da dedutibilidade da CSL "supostamente" devida na determinação do lucro real: a) que não se pode admitir a não dedutibilidade da CSL na determinação do lucro real, ainda que em procedimento de oficio; que o agente fiscal não fez qualquer alegação no AI em tela, quer na descrição dos fatos quer nos enquadramentos legais, a respeito do porque ele procedeu à dedução da CSL em seu próprio cálculo, mas não o fez na cálculo do IRPJ, logo, em decorrência desse cerceamento ao direito de defesa, sequer podemos argumentar contrariamente com mais proiírndidade. 4.5 Da dedutibilidade das "supostas" despesas desnecessárias glosadas na base de cálculo da CSL: a) que o Sr. AFRF alega que as despesas objeto da glosa devem ser oferecidas à tributação em virtude se serem elas desnecessárias e, a exemplo do 'RN, tais despesas foram também consideradas não dedutíveis na determinação da CSL; que o dispositivo que fundamenta a não dedutibilidade das despesas desnecessárias, qual seja a Lei n" 4.506/1964, art, 47, §§ 1" e 2 0, refere-se tão somente a dedutibilidade para fins de determinação do lucro real, não havendo qualquer. disposição nesse ou em qualquer outro diploma legal que determine que as despesas que não atendam aos requisitos de necessidade sejam adicionadas à base de cálculo da CSL; c) que em nenhum momento o Sr. AERF. questionou a inexistência do desembolso, corroborando que as despesas efetivamente ocorreram e, portanto, N\.\ 4 \ Processo n" 13807 005 I 87/00-22 SI-C4TI Resolocrio n." 1401-00.031 Fi 5 reduziram o lucro líquido apurado na escrituração contábil da empresa, restringindo- se a questionar tão somente a não comprovação da necessidade de tais despesas; d) que se tais despesas efetivamente reduziram o lucro líquido da empresa e não havendo disposição legal que determine sua adição à base de cálculo da CSL„ não há que se falar em tributação de tais valores. 4.6 Da compensação da base de cálculo negativa da CSL com as "supostas" despesas desnecessárias glosadas: a) que do mesmo modo ocorrido com o 1RPL o Sr. AFRF ao proceder ao cálculo da CSL "supostamente" devida, aplicou simplesmente a alíquota cabível sobre o montante das despesas glosadas deixando, no entanto, de compensar a base de cálculo negativa existente; b) que, caso fosse procedida tal compensação, ocorreria tão somente a diminuição do saldo de base negativa de CSL a compensar e não uma "suposta" diferença de CSL a recolher, isto porque o saldo de base negativa de CR., a compensar é maior que o montante das despesas glosadas; c) que há quem poderia cogitar que essa compensação poderia ser apenas parcial, o que sequer chegou a ocorrer ., tendo em vista que essas decisões referem-se a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei ri° 8,981/1995, que em seu art. 58, teria supostamente limitado essa compensação em 30% do lucro real; d) que valem aqui os mesmos argumentos utilizados no caso do IRP1; 4.7 Da inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros moratórios: a) que a utilização da taxa Selic como índice de juros moratórias não pode ser aplicada aos débitos tributários; b) que é inadmissível a aplicação da taxa Selic a título de juros moratórios sob a pena de violação dos princípios da legalidade e da tipicidade; c) por- fim, cita decisão proferida pela 2" Turma do ST.1 em Recurso Especial n°215.881 — PR.." A DR.T, por unanimidade de votos, MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA Ano-calendário .• 1996 COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS FISCAIS DE PERIODOS DE APURA ÇA-0 ANTERIORES Á A UTUAÇÃO - LIMITE. O 1,1017talliC de imposto exigido deve ser reduzido pela compensação com prejuízos .fiscais de períodos anteriores, pleiteada pelo sujeito passivo, levando em conta o limite de 30% do lucro Líquido ajustado, previsto na legislação, ASSUNTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL 5 Processo n" 13807 005187/00-22 51-C4I1 Resolução n." 1401-00.031 P1 O Ano-calendário 1996 DESPESAS INDEDUTIPEIS PARA EFEITO DE IMPOSTO DE RENDA - ADIÇÃO AO LUCRO LIQUIDO PARA A APURAçÁo DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL - FALTA DE PREVISÃO LEGAL Na apuração da base de cálculo da CSLL, lia() há previsão legal para que sejam adicionadas ao lucro liquido as despesas consideradas indedutivers para efeito de imposto de renda." Regularmente cientificada da decisão de primeira instância, lis, 182, a interessada apresentou Recurso Voluntário a este Conselho. Às fls. 186/187 o contribuinte foi intimado e reintimado para, no prazo de cinco dias, proceder a regularização processual: comprovação do responsável pelo processo de massa falida, Estatuto Social atualizado e vigente, A documentação de regularidade processual não tbi trazida, É o relatório VOTO Conselheira ANTONIO BEZERRA NETO - Relator O recurso voluntário não preenche integralmente os pressupostos de admissibilidade. Conforme relatado, o aludido recurso foi apresentado tempestivamente, mas sem atender o requisito de demonstração da capacidade postulatória. Diante deste quadro caberia, a princípio, o não conhecimento do recurso, declarando-se de plano a ilegitimidade postulatória. Não obstante, tendo em vista o princípio da informalidade, combinado com o dever de cautela, visando garantir a legitimidade postulatória do recurso, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que seja dada urna última e definitiva oportunidade para a regularização processual conforme já foi proposto pela DRF, apresentando os seguintes documentos: a) Estatuto social consolidado e atualizado vigente atualmente, bem como as atas das assembléias/reuniões ordinárias e/ou extraordinárias registradas na JUCESP; b) Extrato da JUCESP com todas as alterações societárias; c) Comprovação da capacidade postulatória do Sr, Jorge T. Awada, signatário do recurso de fls. 185. ANTONI I IIEZERRA NETO 6
score : 1.0
Numero do processo: 16041.000149/2007-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2006
DECADÊNCIA.LANÇAMENTO FISCAL CONTRIBUIÇÕES. INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS SAT.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, avulsos e contribuintes individuais.
A contribuição destinada ao financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Seguro de Acidente do Trabalho) é devida nos termos da Lei no 8.212/91, de acordo com a atividade preponderante da empresa.
Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.379
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a
decadência até a competência 05/2001, com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora de acordo com o no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais
benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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REG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2006 DECADÊNCIA.LANÇAMENTO FISCAL CONTRIBUIÇÕES. INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS SAT . Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, avulsos e contribuintes individuais. A contribuição destinada ao financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Seguro de Acidente do Trabalho) é devida nos termos da Lei no 8.212/91, de acordo com a atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 decadência até a competência 05/2001, com base nos termos do Art. 150, § 4º, CTN.Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora de acordo com o no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 143 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra o contribuinte identificado em epígrafe, no montante de R$ 31.991,96 (trinta e um mil novecentos e noventa e um reais e noventa e seis centavos) relativos ao período de 03/2000 a 04/2006, compreendendo as contribuições da empresa (cota patronal), contribuições da parte dos segurados, contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e contribuições destinadas a terceiros. A empresa ciente da notificação em 19/06/2006 apresentou defesa, fls. 77/80, juntando documentos, fls. 81/100, alegando em síntese: que os funcionários da transportadora não estão expostos ao grau de risco 3, como apurado pela fiscalização, uma vez que trabalham exclusivamente no escritório, sem exposição a agentes nocivos, ainda que seja cooperativa no ramo de transportes; requereu a modificação do grau de risco com a exclusão dos cálculos relativos ao SAT, e o parcelamento do débito após o reenquadramento requerido, pleiteando a produção de provas, em especial a juntada de documentos, prova pericial e testemunhas. Ás fls. 103, a unidade de atendimento da extinta SRP em Lorena, informou que foi concedido parcelamento para a parte não contestada, não havendo necessidade de desmembramento. Á fl. 107, a Seção de Orientação e recuperação de Créditos informa que foi concedido o parcelamento processo n° 60.360.0379, contudo com a inclusão de todas as rubricas, inclusive quanto ao SAT. Ás fls.108/109, juntado cópia do protocolo n° 35410.001627/200634, de 21/11112006, original constante do processo TPDF n° 60.360.0379, em que o contribuinte requer a exclusão da parte controversa do parcelamento concedido, uma vez que está tendo prejuízos e dificuldades para realizar o pagamento, já que a guia para pagamento foi gerada para a integralidade do débito, requerendo ainda a expedição de Certidão Negativa de Débitos, por não ser possível gerar a certidão junto ao site da Previdência Social. À fl. 114, despacho da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário/SACAT, informando que o sistema de cobrança não permite o desmembramento do débito parcelado, solicitando o julgamento da parte controversa do débito para posterior solução do parcelamento. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas (SP) DRJ/CPS , emitiu o Acórdão n° 0520.594, fls. 115, mantendo procedente o lançamento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário fls. 134 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 144 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 ” A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2°, § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Assume grande importância saber que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 Então, somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 145 7 Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Apresentado tal contexto, inserido nele é que estarei conduzindo minha análise. É muito relevante notar que, isto posto, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações . O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto aplicandose forma menos severa tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 146 9 Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN , a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput , se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite , sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 147 11 Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado , por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório , termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Aduz que às fls. 05 a 25 constam recolhimentos/pagamentos antecipados. Assim, consoante a tudo que foi exposto, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 03/2000 A 04/2006 conforme Relatório Fiscal de folhas 70 e ainda que a empresa fora notificada em 14/06/2006, segundo o mesmo Relatório, na forma do artigo 150, §4° do CTN, encontramse fulminadas pelo instituto da decadência a competência 05/2001 e anteriores. DO MÉRITO Classificação do CNAE pela Comissão Nacional de Classificação: No sitio do Ministério da Fazenda consta no CNPJ da empresa que a mesma opera sob o CNAE 49.30202 atividade econômica esta classificada segundo a Comissão Nacional de Classificação do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão conforme abaixo: “Divisã 49 TRANSPORTE TERRESTRE Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 148 13 Grupo: 493 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA Classe: TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA Subclasse 493 TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA, EXCETO PRODUTOS PERIGOSOS E MUDANÇAS, INTERMUNICIPAL , INTERESTADUAL E INTERNACIONAL. ” Classificação do CNAE pelos Decretos 2.173/97 , ANEXO V do RPS Aprovado pelo Decreto 3.048/099: Já a classificação nacional de atividades econômicas – CNAE, ANEXO I do ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e ANEXO V do RPS Aprovado pelo Decreto 3.048/099, prevê para empresas que têm como atividade preponderante o transporte rodoviário de cargas em geral, o CNAE 60.267 cujo grau de risco é 03. Desse modo, baseado na norma legal, há que preponderar o CNAE 60.267 definido para o transporte de cargas em geral que vem a ser o objeto da empresa cuja denominação social em si revela o objeto : “Cooperativa de Transportadores de Carga em Geral de Lorena e Região”. Às fls, 86, o artigo 1° do Estatuto comprova a assertiva: “Art. 1° A COOPERLOR Cooperativa dos Transportadores de Cargas em Geral de Lorena e Região, regese por este Estatuto Social e suas disposições legais... ” No recurso a empresa alega que os seus funcionários são administrativos e que os cooperados não são funcionários e estes sim trabalham em atividade de risco. Por óbvio, a atividade fim da empresa é o transporte de cargas. Sendo assim é impossível que aos empregados administrativos sejam determinadas tal incumbência cabendo exclusivamente aos cooperados que na forma do artigo § 2° do artigo 2 do referido Estatuto, por ocasião dos contratos com os tomadores de seus serviços, se farão representar pela cooperativa: Capitulo II Dos Objetivos Sociais “Art. 2° ( ... ) § 2° Nos contratos celebrados, a cooperativa representará os cooperados, coletivamente, agindo como mandatária.” SERVIÇO AVULSO: A Lei nº 8.212/91, art. 12, V, considera avulso : "quem presta, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviços de natureza urbana ou rural definidos no regulamento". TRABALHADOR AVULSO É o que presta serviços com a intermediação da entidade de classe, que tem o seu pagamento feito sob a forma de rateio. Aquele que presta serviços a vários tomadores e que executa serviços de curta. duração Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 14 Desse modo, conforme o pacto entre os cooperados e a cooperativa de se fazerem representar por esta na contratação da prestação de serviço, resta caracterizada a condição de trabalhador avulso dos cooperados quando atuam segundo a intermediação da empresa. Como visto, o contribuinte não contesta integralmente o débito, somente se insurge contra a contribuição relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho pleiteando a modificação do grau de risco pois entende que os seus empregados laboram em escritório entretanto admitiu que os cooperados prestam serviços sob tal condição. Alegou ainda que : “ A contribuição da cooperativa seria devida em relação a segurados a seu serviço, como se observa da parte final do artigo 31 da Lei n° 8.212/91. Folha de pagamento só se refere a empregado, pois o avulso não é empregado da empresa; ” Ao eleger o artigo 31 da Lei n 8.212/91 como base de seu recurso, cometeu equívoco posto que o referido artigo diz respeito a cessão de mão de obra que não é o caso da cooperativa de transporte de cargas uma vez que seus cooperados são classificados como trabalhadores avulsos: “ Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). “ Tudo isto apresentado, impele a concluir que as atividades desenvolvidas pela empresa transcorrem sob condição de risco 3 em razão de : a atividade econômica preponderante desenvolvida pela empresa ser o transporte de cargas em geral, cujo risco definido por decreto é 3; e do preceituado no artigo 22 da lei 8.212/91 no que concerne ao emprego de trabalhadores avulsos e da atividade preponderante : “Art. 22 A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ( ... ) II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 149 15 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. ” Em consonância com o disposto na Lei n°8.212/91, o artigo 202 do Decreto n°3.048/99 assim disciplina a respeito da atividade preponderante da empresa: “ Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: 1 um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave.( ... ) §3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V.” Com efeito, não assiste razão à recorrente. DA MULTA Às folhas 59, no relatório de fundamentos legais do débito, consta demonstrado que a multa foi sustentada nos argumentos da Lei 8.212/91 , artigo 35, I, II e III : “ ACRESCIMOS LEGAIS MULTA Competências : 03/2000 a 04/2006 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Providencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, 111, a , b e C, Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 16 parágrafos 2. ao 6. e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99).” Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” DA MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16041.000149/200727 Acórdão n.º 240300.379 S2C4T3 Fl. 150 17 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e em PRELIMINAR reconhecer decadência das competência 05/2001(inclusive) e anteriores, com base no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional CTN e , no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 10245.720176/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.161
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10245.720176/201123 Resolução n.º 1401000.161 S1C4T1 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tendo em vista a sua clareza e objetividade, adoto e transcrevo o relatório lavrado pela decisão proferida pela DRJ de Belém, a saber: Trata o presente processo de auto de infração, nos montantes de IRPJ, R$ 6.646.287,12; CSLL, R$ 2.366.395,97; COFINS, R$2.786.063,68; PIS, R$ 604.843,45; e MULTAS REGULAMENTARES, R$ 544.696,76, concernentes às seguintes infrações: IRPJRECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA; FALTA (INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS); INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP; INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS; MULTA REGULAMENTAR – ARQUIVOS DIGITAIS; MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DA DACON As razões da autuação apresentamse demonstradas conforme textos extraídos do termo de verificação fiscal: A) IRPJ RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA/FALTA (INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS; “...Conforme demonstrada, a contribuinte fiscalizada, apesar de ter auferida receitas em elevado montante nos anos 2007 e 2008, apresentou as DIPJ(s) respectivas com todas as campos zerados, não efetuou recolhimentos a título. de Imposta de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), e informou em DCTF débitos muito inferiores ao efetivamente devidos, ensejando o lançamento. de ofício. das diferenças apuradas, de acordo com o quadro abaixo...” O quadro descrito, acima, encontrase demonstrado no “Termo de Verificação Fiscal” B) MULTA REGULAMENTAR ARQUIVOS DIGITAIS Acerca da infração, a fiscalização apontou: “...O art. 11 da Lei nº 8.218/91 estabelece a obrigatoriedade de manutenção dos arquivos digitais contendo a escrituração da empresa, incumbindo à Receita Federal, conforme §3° da mesma artigo., definir Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10245.720176/201123 Resolução n.º 1401000.161 S1C4T1 Fl. 3 3 a forma e os prazos em que os referidos arquivos deverão. ser apresentadas, o que foi feito por meio da INSRF nº 86/01 e de ADECOFIS nº 15/01 (e alterações). Já o art. 12 da mesma lei, fixa as penalidades pelo não cumprimento das exigências do art. 11. No caso em pauta, a contribuinte deixou de apresentar os arquivos magnéticos, mesmo após um extenso prazo. (mais de 365 dias). O último pedido de prazo da fiscalizada ocorreu em 08/04/2011, sendo este dilatado até 09/04/2011, isto é, há cerca de 150 dias. Sua última manifestação no procedimento data de 19/04/2011, com a entrega das arquivos digitais contendo apenas a folha de pagamento. Mediante o exposto, será imposta a multa prevista no inciso II da art. 12 da Lei nº 8.218/91, a qual corresponde a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período., até o máximo de um por cento dessa, em razão do descumprimento do prazo estabelecido. para apresentação dos arquivos magnéticas....” C) MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DA DACON Acerca da infração, a fiscalização apontou: “...De acordo com o art. 7°, inciso III, da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, o sujeito passivo que deixar de apresentar o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, nos prazos fixados, sujeitarseá à seguinte multa: "II! de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da COFINS, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/PASEP, informado no DACON, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitado a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3° deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004. Como pode ser observado, a multa é cabível ainda que os tributos sejam integralmente pagos, e é aplicável no caso de falta de entrega da DACON ou entrega após o prazo, limitandose a vinte por cento do montante da COFINS, observado o valor mínimo de R$500,00 (quinhentos reais). A Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, dispõe sobre o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) relativo a fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 2006. Da leitura dos arts. 20 e 30 da IN/SRF nO 590/2005, podese concluir que o sujeito passivo fiscalizado estava obrigado ao DACON semestral. 05 prazos para apresentação estabelecidos nessa Instrução Normativa foram (art. 8º, III): Até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de DACON relativo ao primeiro semestre; e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de DACON relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10245.720176/201123 Resolução n.º 1401000.161 S1C4T1 Fl. 4 4 Podemos concluir então que o contribuinte estava obrigado a apresentar o DACON relativa ao 1º semestre de 2007 até o dia 08/10/2007, e o referente ao 20 semestre de 2007 até o dia 06/04/2008. Considerando que a multa incide sobre o montante da COFINS, e somente na sua falta sobre o PIS, o que não é o caso, concluímos, com base nas informações acima, que os valores das multas para cada DACON, são os discriminados nas tabelas abaixo...” D) QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O fundamento da qualificação apresentase descrito no texto abaixo: “...Observase que o comportamento do contribuinte não foi esporádico ou ocorreu em períodos esparsos, mas relativamente a todos os períodos analisados (jan/2007 a dez/200B). A escrituração da fiscalizada demonstra que se tinha consciência dos valores efetivamente devidos, tanto que foram provisionados, em grande parte, no seu Passivo os tributos federais a recolher (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS). Contudo, não eram efetuados os recolhimentos, sendo informados em DCTF quantias bem inferiores às devidas (somente cerca de 25%). A conduta reiterada do contribuinte, a qual se mantém no decorrer de diversos períodos, demonstra de forma inequívoca sua intenção de não pagar os tributos devidos. Em relação a DCTF, importante salientar que as originais, referentes aos 10 e 20 semestres de 2007 e 2008, foram entregues zeradas, todas numa mesma data (30/11/2009). Somente sete meses depois, em 3010612010, foram apresentadas DCTF{s} retificadoras, informando os débitos, ainda assim, muito inferiores aos devidos. Diante dos fatos, restou configurada a conduta tipificada no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, devendo ser duplicada a multa aplicada sobre os tributos apurados, de acordo com o art. 44, inciso I, e §10, da lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488{07. Em conseqüência, a multa de 75% prevista no inciso I do caput do art. 44, após duplicada, resultou em 150%. Em razão dos fatos identificados neste procedimento fiscal, será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, com base na Portaria RFB nO 2.439, de 21 de dezembro de 2010...” E) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Acerca da sujeição passiva, além do contribuinte, foram responsabilizadas as pessoas físicas, conforme texto abaixo: Acerca da sujeição passiva, além do contribuinte, foram responsabilizadas as pessoas físicas, conforme texto abaixo: “...E para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo' em 04 ( quatro) vias, de igual forma e teor, assinado pelo(s} Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil, e pelo representante legal da fiscalizada e responsável solidário, Sra. MICHELINE DE OLIVEIRA BARBOSA, CPF nº 027.181.40470, que neste ato recebe uma das vias, cuja ciência e cópia dos responsáveis solidários NADSON PADILHA PINHEIRO, CPF nº 601.707.19200, e Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10245.720176/201123 Resolução n.º 1401000.161 S1C4T1 Fl. 5 5 ALESSANDRO SILVA MAGALHAES, CPF nº 382.938.70249, se dará via postal, mediante Aviso de Recebimento dos Correios...” DEFESA A argumentação da impugnante apresentou: DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇAO POR INOBSERVANCIA DAS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS: Inobservância ao Princípio da Legalidade; Inobservância dos Princípios da Tipicidade, do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa; que se percebe através da análise do Auto de Infração um emaranhado de leis citadas na fundamentação legal do suposto débito, as quais em momento algum podem ter sido todas infringidas pelo impugnante; na descrição sumária da infração, não consta a fundamentação legal que deu origem a lavratura do auto. A fundamentação do Auto de Infração é genérica e lacunosa, pois não fornece elementos suficientes para a identificação correta da origem da cobrança realizada. Através do Auto de Infração apresentado não é permitido, ao contribuinte saber exatamente o que lhe está sendo imputado, tornando inviável o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório, infringindo claramente toda a "principiologia” constitucional; Remanescendo infindáveis dúvidas acerca da legislação infringida que deu origem à autuação, aos juros aplicáveis e à natureza da multa cobrada, impossível se faz o exercício do direito de Ampla Defesa e do Contraditório, tornando nulo este Auto de Infração. uma vez que não contém os elementos indispensáveis à sua validade. DA INEXISTÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA NULIDADE DE EVENTUAL CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA O presente tópico encontrase fundamentado no excerto abaixo: “...Supondo o prosseguimento do presente processo, o que se admite apenas a título de mera argumentação, verificase que, ainda assim, não há como prosperar, pois uma eventual Certidão de Dívida Ativa que dele resulte deverá estar cercada da necessária certeza e liquidez que deve exarar, o que será impossível, vez que parte dos valores cobrados estão sendo pagos através do parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009 (REFIS IV)...” DAS ILEGALIDADES COMETIDAS NO LEVANTAMENTO DA SUPOSTA RECEITA OMITIDA. A argumentação da impugnante apresentasse: “...Por outro lado, como exposto, a Receita Federal concluiu pela autuação da Impugnante, efetuando lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) dos anos calendário de 2007 e 2008, em razão da suposta omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de movimentação financeira com origem não comprovada....” .... Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10245.720176/201123 Resolução n.º 1401000.161 S1C4T1 Fl. 6 6 “...E como se não bastasse, os Auditores Fiscais apuraram a receita omitida através da soma dos valores depositados nas contas da Impugnante, desconsiderando o fato de que depósito bancário não constitui renda tributável, nem representa, por si só, sem específica vinculação com recebimento omitido de receita, faturamento. No Auto de Infração também não foi observado que o artigo 153, inciso III, da CF/1988, autoriza a União a instituir imposto sobre a renda e preventos de qualquer natureza, mas não a tributar o somatório de toda a receita bruta auferida pela empresa. como se para auferiIa não tivesse havido nenhum dispêndio de despesa ou custo. Como se observa, não existe renda tributável em decorrência da alegada omissão de receita, já que o imposto de renda exigido apenas foi apurado porque o Fisco utilizou como base de cálculo o somatório dos valores encontrados em contas bancárias, como se todos esses valores fosse renda tributável. o que se constata é que a fiscalização não apurou, na forma da legislação pertinente, a efetiva renda tributável e, portanto o efetivo imposto de renda a pagar, já que desconsiderou as despesas da Impugnante, passando a tributar as receitas auferidas (receita bruta), o que não é autorizado constitucionalmente. Logo, resta demonstrado que a fiscalização não observou que toda receita, sempre e necessariamente, implica no sacrifício de dispêndios em custos ou despesas. Inadmissível, destarte, a não ser que se prove o contrário, a possibilidade de obtenção, em atividades empresariais, de receitas sem o sacrifício em custo/ despesas...” DA IMPOSSIBILIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL O auto impugnado teria decorrido de informações obtidas pelo Fisco mediante quebra de sigilo bancário, que na espécie só poderia ser realizado mediante ordem judicial; DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO PODE SER UTILIZADO COMO BASE PARA TRIBUTAÇÃO POR OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção estabelecida pela Receita Federal de que a Impugnante omitiu receitas em razão da realização de depósitos bancários é inadequada, visto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação, pois a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, já que depósito bancário é estoque (patrimônio) e não fluxo (renda); O débito imputado à Impugnante é improcedente, visto que for originado através de lançamento efetuado com base exclusivamente em depósitos bancários, devendo deste modo ser cancelado; a presunção efetuada pelo fisco federal é inadequada, visto que depósito bancário não é fato gerador de obrigação tributária, não podendo presumirse que se constitui em renda. DA FALSA IDENTIDADE ENTRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA E AQUISIÇÃO DE DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10245.720176/201123 Resolução n.º 1401000.161 S1C4T1 Fl. 7 7 DO PEDIDO Ao final a impugnante requereu:tempestividade da impugnação; Nulidade do auto de infração, em face das preliminares argüidas; Caso ultrapassadas as preliminares, sejam acatadas as razões de mérito da Impugnação, reconhecendo que a Impugnante não deve qualquer valor para a Receita Federal, visto que não omitiu receitas nos anos calendários de 2007 e 2008, por ser medida de direito. Posto o feito em julgamento, a DRJ de Belém do Pará entendeu por bem rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento à impugnação, registrando não terem sido objeto de impugnação (i) a sujeição passiva solidária e (ii) a qualificação da multa de ofício. Devidamente cientificadas as partes, foi apresentado recurso voluntário pela contribuinte RS Construções Ltda., assim como petição pela responsável solidária Micheline de Oliveira Barbosa, requerendo a suspensão de exigibilidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10245.720176/201123 Resolução n.º 1401000.161 S1C4T1 Fl. 8 8 Conselheiro Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Antes de conhecer do recurso voluntário interposto pela Recorrente, impõe consignar que o presente processo está fundado em cinco autuações fiscais, relacionados a débitos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, acrescidos de multa qualificada; e multa por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, não entrega de DACON e de arquivos digitais. Contra referidas exigências fiscais, a Recorrente apresentou, tempestivamente, cinco impugnações, uma para cada, sendo as impugnações de IRPJ (fls. 1252/1282, CSLL (1301/1331), PIS (1350/1380) e COFINS (fls. 1399/1429) iguais em forma e teor. Identificando a decisão recorrida, não encontrei qualquer referência à impugnação acostada às fls. 1448/1456, em que a Recorrente impugna a aplicação das multas por descumprimento de obrigação acessória. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos à DRJ de origem, para que se pronuncie acerca da impugnação de fls. 1448/1456. Após a cientificação do teor da decisão, retornem os autos para este Conselho dar sequência ao julgamento do feito em sua completude. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Relator Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000029/2008-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
JUROS SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
VALE-TRANSPORTE PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. PARCELA INTEGRANTE.
O vale-transporte quando concedido em desacordo com a legislação que rege sua concessão, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO DESTINADO A RETRIBUIR O TRABALHO.
Integra o salário de contribuição previdenciário o abono pago por
liberalidade do empregador, mesmo que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Inc. I do art. 22 e inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, em suas redações originais e redação dada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97,
convertida na Lei nº 9.528/97, e alterada pela Lei nº 9.876/99, art. 457, § 1º, da CLT, e por não se enquadrar na hipótese de exclusão prevista no item “7” da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela MP nº 1.5869, de 21/05/98, reeditada e posteriormente convertida na Lei n° 9.711/98.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa. A autoridade julgadora decidirá pela realização de diligências ou perícias, quando entendê-las
necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Numero da decisão: 2403-000.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros do Colegiado,
por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso acatando a preliminar de decadência até a competência 10/2002 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. O valetransporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege sua concessão, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO DESTINADO A RETRIBUIR O TRABALHO. Integra o saláriodecontribuição previdenciário o abono pago por liberalidade do empregador, mesmo que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Inc. I do art. 22 e inc. I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, em Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 suas redações originais e redação dada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528/97, e alterada pela Lei nº 9.876/99, art. 457, § 1º, da CLT, e por não se enquadrar na hipótese de exclusão prevista no item “7” da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela MP nº 1.5869, de 21/05/98, reeditada e posteriormente convertida na Lei n° 9.711/98. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa. A autoridade julgadora decidirá pela realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso acatando a preliminar de decadência até a competência 10/2002 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto E Renato Coelho Borelli Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.696 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0523.709, 8ª Turma, que julgou, em razão de decadência, procedente em parte o lançamento da obrigação principal. Foram excluídas do lançamento as competências 01/1999 à 12/2001 e 13/2001. O lançamento totalizava R$ 3.773.469,84, sendo que foi exonerado R$ 856.076,11, mantendo o crédito tributário remanescente no valor de R$ 2.917.393,73. A ciência do lançamento ocorreu em 30/11/2007. Segundo o Relatório Fiscal, o lançamento referese a contribuições previdenciárias devidas e não pagas pelo contribuinte para a previdência social e a Terceiros, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (tanto administrativos, como temporários) e contribuintes individuais (remuneração dos sócios prólabore), tanto declaradas, como não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, em descumprimento à legislação correlata. O lançamento é apresentado no relatório do acórdão como contendo os seguintes levantamentos: • DAL Diferença de Acréscimos Legais • FGA Remuneração declarada em GFIP , segurados empregados administrativos, FPAS 515; • FGT Remuneração declarada em GFIP , segurados empregados temporários, FPAS 655; • RAG Remuneração NÃO declarada em GFIP , segurados empregados temporários, FPAS 655. • OUT Remuneração NÃO declarada em GFIP ,segurados empregados administrativos,FPAS 515; • VTG Vale Transporte pago em espécie, NÃO declarada em GFIP, aos segurados empregados administrativos; Sem GFIP; FPAS 515. • VTT Vale Transporte pago em espécie, NÃO declarada em GFIP, aos segurados empregados temporários; Sem GFIP: FPAS 655. Segundo a fiscalização, os procedimentos adotados pela empresa caracterizam, em tese, crime de sonegação, o que motivou a Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 38. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais — RFFP, por ter sido constatada a ocorrência, em tese, de fatos relacionados a crimes previdenciários, presentes neste e em outros levantamentos lavrados nesta mesma ação fiscal. Conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, existem várias guias de recolhimento apropriadas ao lançamento. O Relatório Fiscal também menciona a apropriação de recolhimentos. 33. Os recolhimentos efetuados pela empresa, relacionados no anexo RDA — Relação de Documentos Apresentados — foram prioritária e integralmente apropriados para as contribuições devidas sobre a folha de pagamento. Os valores destacados a título de retenção, nas notas fiscais emitidas pela Casa do Emprego Temporário para suas respectivas tomadoras de serviço foram integralmente creditados para o contribuinte, sendo inseridos manualmente como GPS com código 2631. As GPSs que eventualmente não tiveram os valores de retenção recolhidos pelos tomadores de serviço serão objeto de lavratura de subsídio fiscal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Cerceamento de defesa pelo indeferimento do requerimento de perícia e apresentação de documentos. • Princípio da verdade material. • Decadência. • Entregou todas as GFIPs. • Desconsideração de pagamentos efetuados com o código 2100 de 04/2002 à 06/2005 e divergência de valores. • Não incidência de contribuição sobre vale transporte. • Os abonos estão acobertados pelo Acordo Coletivo, o que garante a não incidência do tributo. • Inconstitucionalidade da taxa SELIC. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.697 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. PRELIMINARES INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE COMPETÊNCIA A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. PERÍCIA E APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos e neste caso, a prova documental carreada aos autos era suficiente para o esclarecimento da questão. A juntada de documentos e provas, segundo o Decreto 70.235/72, deve ser feita na impugnação. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Só há perícia, portanto, se o fato depender de conhecimento especial o que não é o caso do presente processo. Entendo que o julgamento pode prescindir da perícia solicitada. DECADÊNCIA Entendo que decidiu corretamente a DRJ pela aplicação da regra do artigo 173 do CTN para definir a decadência, uma vez que ficou caracterizado que parte da remuneração era declarada em GFIP e parte não era. Em que pese o Parecer PGFN/CAT/1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18.08.2008 que vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil, como também esta Delegacia de Julgamento, dispor que o pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial como no caso presente, suscita a aplicação da regra especial, do § 40 do art. 150, ocorre, que na situação discutida nos autos, aplicase o Inciso I do art. 173 do CTN, em virtude da ressalva contida no § 4° do mesmo artigo, uma vez que a autoridade lançadora caracterizou "em tese" a ocorrência de sonegação de contribuição previdenciária, na forma do art. 337A DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, artigo acrescentado pela Lei 9.983, de 14.07.2000. (grifei) Foram excluídas do lançamento as competências 01/1999 à 12/2001 e 13/2001. Esclarecemos que a competência 12/2001 não foi excluída, pois a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 03/01/2002, quando poderia ter sido efetuado o lançamento. MÉRITO GFIP Recorrente afirma que entregou todas as GFIP e anexa documentos. Ocorre que o lançamento tem por base valores declarados e não recolhidos e valores integrantes da remuneração não declarados, e as remunerações registradas nos levantamentos foram apuradas com base no batimento entre as remunerações constantes em folha de pagamento, RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e GFIP Guia de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.698 7 Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, conforme verificase no texto do Relatório Fiscal. 3. O presente relatório, integrante da NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito acima, referese a contribuições devidas e não recolhidas integralmente ao INSS e destinadas à Seguridade Social e a Terceiros, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (tanto administrativos, como temporários) e contribuintes individuais (remuneração dos sócios prólabore), tanto declaradas, como não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, em descumprimento à legislação correlata. 4. Os débitos levantados nesta NFLD foram lançados em seis levantamentos distintos: "OUT", "RAG", "FGA", "FGT", "VTG" e "VTT". As remunerações registradas nesses seis levantamentos foram apuradas com base no batimento realizado pelo sistema informatizado Audig (programa de auditoria fiscal homologado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB), que realiza o batimento entre as remunerações constantes em folha de pagamento, RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência.... Concluise que todas as informações que serviram de fundamento para o lançamento foram declaradas pelo contribuinte e aproveitadas pela autoridade lançadora. RECOLHIMENTOS Afirma a recorrente que recolhimentos não foram considerados pelo Fisco. Acompanho o posicionamento da DRJ que além de analisar os documentos presentes nos autos, também analisou os presentes nos sistemas da RFB. Após essa análise, selecionou uma competência citada pela recorrente e concluiu que todos recolhimentos foram considerados. Perquirindo os autos e o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal se conclui que todos os recolhimentos efetuados pela Impugnante foram devidamente aproveitados como créditos é o que se depreende do RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, desta forma se demonstra, por amostragem a competência escolhida pelo contribuinte, qual seja, outubro de 2004. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 Vê se que os créditos aproveitados pela fiscalização são maiores que aqueles efetivamente pagos pelo contribuinte e constantes do Conta Corrente da empresa, matriz e filiais. A explicação para tal fato se encontra registrada no Relatório Fiscal, item 33 que se reproduz: 33. Os recolhimentos efetuados pela empresa, relacionados no RADA — Relação de Documentos Apresentados — foram prioritária e integralmente apropriados para as contribuições devidas sobre a folha de pagamento. Os valores destacados a titulo de retenção, nas notas fiscais emitidas pela Casa de Emprego Temporário para as suas respectivas tomadoras de serviço foram integralmente creditadas para o contribuinte, sendo inseridos manualmente como GPS com código 2631. As GPS que eventualmente não tiveram seus valores de retenção recolhidos pelos tomadores de serviço será o objeto de lavratura de subsidio fiscal." (G.N.) Do exposto concluise que a fiscalização não só aproveitou todos os recolhimentos, tanto aqueles pagos pelo contribuinte no código 2100, como aqueles pagos pelas tomadoras no código 2631, como também reconheceu como crédito os valores destacados nas notas fiscais como retenção, mesmo que estes valores não estejam consignados no Conta Corrente da empresa, em obediência ao que disciplina a legislação previdenciária. Insustentável, portanto o argumento do Impugnante em face da demonstração da correta apropriação dos recolhimentos. VALE TRANSPORTE No que tange aos auxílios, entendeu a fiscalização que foram pagos aos segurados em desacordo com os ditames legais, uma vez que foram pagos em pecúnia. Veremos que o lançamento está conforme o ordenamento legal. Esclarecemos à recorrente que o transporte é utilidade que, em determinadas situações, integra o salário. Em regra, constitui benefício social, instituído pela Lei 7.418/85, custeado, preponderantemente, pelo empregador. Lei 7.418/1985: Art. 1º Fica instituído o valetransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, antecipará ao empregado para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais. Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.699 9 a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. ... Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Claro está, portanto, que a lei determina que o benefício do valetransporte será efetuado por valetransportes adquiridos pelo empregador e que o pagamento em desacordo com a legislação não possibilitam a não integração desses valores no Saláriode Contribuição (SC), como determina a legislação. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Para tornar a questão ainda mais clara, o Decreto Nº 95.247/1987 que regulamenta o ValeTransporte, estabelece no artigo 5° que é vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Portanto, fica evidenciado que a legislação não permite ao empregador a faculdade de pagar em espécie “ValeTransporte” e que disso resulta sua tributação. ABONOS A recorrente não nega o pagamento do Abono, apenas afirma que o mesmo estava "acobertado pelo acordo coletivo (ACT) firmado, que garante a percepção dessa rubrica, sem a incidência do /NSS". Sendo assim, entende que os valores pagos não têm natureza salarial e, portanto, não estão submetidos à incidência da contribuição previdenciária. Abaixo ficará demonstrado o acerto da fiscalização em tributar esses abonos. Os abonos pagos objetivavam o auxilio no custeio das despesas com alimentação mais substanciosa durante as festividades natalinas e o custeio das despesas indispensáveis para a educação própria e dos seus familiares. A Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] A Lei Orgânica da Seguridade Social, Lei nº 8.212/91, em consonância com a norma constitucional supratranscrita, assim define saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições à seguridade social: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (sem grifos no original) [...] Frente à disciplina legal supra, denotase que o fato gerador do tributo em tela está presente no conceito de remuneração, ou seja, todo o plexo de contraprestações efetivadas pelo empregador ao empregado, com o intuito de retribuir o serviço prestado, não Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.700 11 sendo relevante o título jurídico utilizado para realizar o pagamento, isto é, o nome da verba não possui relevância, mas sim se, no caso concreto, o montante despendido tem intuito de retribuir o trabalho. De outra parte, a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os benefícios da Previdência Social, em seu art. 29 toma o saláriodecontribuição como base para o cálculo do valor do salário de benefício. Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriodecontribuição. Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de nãoincidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Nesse contexto, os denominados abonos são verbas passíveis de incidência previdenciária. Como bem ressaltado na doutrina retro, o próprio Diploma Celetista elenca como integrante da remuneração os abonos, in verbis: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.§ 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. (sem grifos no original) De outro giro, cumpre salientar que o fato de a negociação coletiva mencionar que os abonos concedidos possuem natureza indenizatória, isso não tem o condão de alterar a natureza jurídica da verba, tendo em vista que o art. 457 da CLT e o art. 22, I, da Lei de Custeio (nº 8.212/91) são normas cogentes não sendo possível afastar a sua aplicação em razão de um acordo ou convenção coletiva, principalmente em razão da nulidade prévia delineada pelo art. 9º a CLT. Outro não é o entendimento do Colendo TST acerca da indisponibilidade do art. 457 da CLT, vejamos: TST mantém natureza salarial de produtividade na Brasil Telecom Embora a Constituição Federal assegure a validade dos acordos coletivos, estes são limitados nas normas de ordem pública, onde não há margem para livre manifestação das partes. Com este entendimento, a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a recurso de revista da Brasil Telecom contra decisão que a condenou à integração da “verba produtividade” ao salário, com pagamento de diferenças nas verbas rescisórias. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 A condenação foi definida em primeiro grau e mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul). O Regional entendeu que o adicional deve incidir sobre a remuneração do empregado por ter “nítida natureza salarial’, embora a “verba produtividade” tenha sido instituída no acordo coletivo com natureza indenizatória. O ministro José Simpliciano Fernandes, relator do processo, ressaltou que o objeto da controvérsia estava em definir se é possível que as partes, por meio de acordo coletivo, atribuam natureza indenizatória a uma parcela que, por suas características, ostente naturalmente caráter salarial. "No caso, o TRT considerou demonstrada a natureza salarial”, afirmou o relator. “Assim, em que pese o acordo coletivo que a institui ter determinado sua não incorporação ao salário, conforme o artigo 457, § 1º, da CLT, temse por devida sua integração”. Ao proferir seu voto durante a sessão de julgamento, o ministro afirmou que as partes não podem, ainda que por acordo coletivo, definir natureza diversa à verba, porque com isso estariam burlando preceito de ordem pública, uma vez que implicaria isenção das contribuições fiscais e previdenciárias às quais as partes estariam obrigadas, por força de lei." (RR 44809/20029000400.5) Vale ressaltar ainda que, mesmo que porventura se ventile a hipótese de validação trabalhista de negociação coletiva que atribua natureza jurídica diversa aos abonos, como as contribuições previdenciárias são tributos, portanto, sujeitas à regência do CTN, cabe mencionar o art. 123: Art.123 Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante da normatividade susoelencada, inferese que os contratos firmados entre as partes, inclusive os coletivos, não possuem força vinculante para o Fisco, pois os mesmos só criam regras válidas para os convenentes, não para um terceiro, in casu, Previdência Social, principalmente em face do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A Medida Provisória nº 1.5869, de 21/05/1998, publicada no D.O.U. de 22/05/1998, reeditada até a MP nº 1.66315, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/1998, acrescentou o item "7" à alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, assim dispondo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição: (...) e) as importâncias: (...) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.701 13 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (sem grifos no original) Da leitura deste dispositivo, verificase que a partir de 22/05/1998 os abonos expressamente desvinculados do salário, isto é, apenas quando uma lei que cria algum abono específico e o desvincule expressamente do salário é que realmente pode se considerar alterada a natureza jurídica da parcela em cheque. O Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto nº 3.265/99 à alínea "j" do inciso V do § 9º do art. 214, explicita e ratifica esta interpretação ao reportarse aos "abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". Destarte, como restou firmado pelo Egrégio TST, na decisão acima ventilada, e na regulamentação feita pelo art. 214, § 9º, inciso V, alínea “j”, do Dec. 3.048/99, bem como em face da regra de interpretação restritiva prevista no art. 111, inciso II, do CTN, apenas Lei pode conceder isenção previdenciária a algum abono. Os abonos pagos por liberalidade do empregador não estão dentre as parcelas excluídas do saláriodecontribuição previdenciário definidas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, de modo que desde a edição da Lei nº 8.212/91 os abonos pagos pelo empregador aos seus empregados, seja por sua liberalidade ou por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho sofrem incidência de contribuições à seguridade social. Juros SELIC Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 14 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.702 15 Voto Vencedor Ivacir Julio de Souza, Redator Designado DECADÊNCIA Ao decidir sobre a decadência, às fls.2.697, o Ilustre ConselheiroRelator assim definiu seu Voto: “Entendo que decidiu corretamente a DRJ pela aplicação da regra do artigo 173 do CTN para definir a decadência, uma vez que ficou caracterizado que parte da remuneração era declarada em GFIP e parte não era” A busca de definição da capitulação para o reconhecimento do instituto da decadência nos fez deparar com os registros às fls 2.698 : Perquirindo os autos e o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal se conclui que todos os recolhimentos efetuados pela Impugnante foram devidamente aproveitados como créditos é o que se depreende do RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, desta forma se demonstra, por amostragem a competência escolhida pelo contribuinte, qual seja, outubro de 2004. Vê se que os créditos aproveitados pela fiscalização são maiores que aqueles efetivamente pagos pelo contribuinte e constantes do Conta Corrente da empresa, matriz e filiais. A explicação para tal fato se encontra registrada no Relatório Fiscal, item 33 que se reproduz: 33. Os recolhimentos efetuados pela empresa, relacionados no RADA — Relação de Documentos Apresentados — foram prioritária e integralmente apropriados para as contribuições devidas sobre a folha de pagamento. Os valores destacados a titulo de retenção, nas notas fiscais emitidas pela Casa de Emprego Temporário para as suas respectivas tomadoras de serviço foram integralmente creditadas para o contribuinte, sendo inseridos manualmente como GPS com código 2631. As GPS que eventualmente não tiveram seus valores de retenção recolhidos pelos tomadores de serviço será o objeto de lavratura de subsidio fiscal." (G.N.) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 16 Entretanto, às fls. 2.697 se registra afirmado pelo Relator do Voto que : “ Em que pese o Parecer PGFN/CAT/1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18.08.2008 que vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil, como também esta Delegacia de Julgamento, dispor que o pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial como no caso presente, suscita a aplicação da regra especial, do § 4° do art. 150, ocorre, que na situação discutida nos autos, aplicase o Inciso I do art. 173 do CTN, em virtude da ressalva contida no § 4° do mesmo artigo, uma vez que a autoridade lançadora caracterizou "em tese" a ocorrência de sonegação de contribuição previdenciária, na forma do art. 337A DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, artigo acrescentado pela Lei 9.983, de 14.07.2000.(grifei) ” Como se observa na parte grifada pelo Relator do Voto, muito embora tenha reconhecido presente as circunstâncias da aplicação do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional CTN, o que norteou sua decisão no sentido de aplicar o artigo 173 do mesmo Códex, foi o fato , por ele destacado entre aspas, de ter havido : "em tese" a ocorrência de sonegação de contribuição previdenciária, na forma do art. 337A DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, artigo acrescentado pela Lei 9.983, de 14.07.2000.(grifei)” Reproduzindose a íntegra do § 4º do referido artigo 150 do CTN sua aplicação será excetuada salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação : “ § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” ( grifei) No Relatório do Voto, às fls.2.696 consta que : 38. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais — RFFP, por ter sido constatada a ocorrência, em tese, de fatos relacionados a crimes previdenciários, presentes neste e em outros levantamentos lavrados nesta mesma ação fiscal. Em razão de todo o exposto é que ouso discordar do elaborado voto do Conselheiro Relator na medida em que o artigo 150, § 4°, parte final sob o qual se abrigou, é determinante no sentido de exigir que seja “comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ”. A Representação Fiscal Para Fins Penais é uma exigência que se faz ao Auditor autuante que, entretanto, será ainda submetida ao Poder Judiciário para ser analisada e julgada sob os preceitos do Direito Penal e do Processo Penal. Até se ter COMPROVADA o ocorrência, face a exigência de o processo administrativo ter que sucumbir ao princípio da verdade material, entendo, não se pode julgar “em tese” por ferir de morte o principio basilar aludido. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 16095.000029/200885 Acórdão n.º 2403000.477 S2C4T3 Fl. 2.703 17 Assim, julgamentos do gênero, me ocorre, tem algo de precipitado posto que dependem, na verdade daquela decisão. Isto não ocorrendo, face a dúvida suscitada, beneficia se o contribuinte. O benefício da dúvida é um princípio geral do direito. Em juridiquês, “in dúbio pro reo”, que significa, em português claro, que na dúvida a decisão deve ser sempre favorável a o réu. Desse modo, considerando tratarse de tributo de lançamento por homologação, cuja autuação, como se extrai da ementa, compreendeu o período 01/01/1999 a 28/02/2007 e a notificação ocorreu em 30/11/2007, observado o preceituado no artigo 62A do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN, encontramse decadentes as competências 10/2002 e anteriores. CONCLUSÃO Assim, por tudo que foi exposto, na forma do artigo 150, § 4°, cumpre determinar a decadência do crédito lançado no período 01/99 a 10/2002 em face da Recorrente. Ivacir Júlio de Souza Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 14/05/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 13976.000480/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/07/2007
INTEMPESTIVIDADE.
Recurso apresentado fora do prazo legal é intempestivo.
Numero da decisão: 2403-000.382
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, recurso
não conhecido por intempestividade.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/07/2007 INTEMPESTIVIDADE. Recurso apresentado fora do prazo legal é intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, recurso não conhecido por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 169.661,29 (cento e sessenta e nove mil, seiscentos e sessenta e um reais e vinte e nove centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social pela empresa, às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho GILRAT e as destinadas a outras Entidades e FundosTerceiros, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes de Folha de Pagamento e declaradas em GFIP, conforme o Relatório Fiscal (fls. 22/23) e o relatório DAD Discriminativo Analítico de Débito (fls. 04/08). A empresa, regularmente intimada (fl. 01), apresentou impugnação (fls. 29/64), na qual, em breve síntese, alega: a) nulidade do auto pela inobservância ao princípio da formalidade: que a NFLD não discrimina com exatidão a base legal da imputação; que inexiste clareza na indicação da fundamentação legal; b) denúncia espontânea multa de mora e juros nela taxa SELIC: que há denúncia espontânea, uma vez que a empresa informou seus débitos em GFIP, o que afasta a cobrança da multa de mora ou qualquer outra penalidade; que a multa moratória é punitiva; que é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa SELIC, que tem natureza remuneratória; que os juros devem ser de no máximo 1% ao mês, conforme o art. 161, § 1°. do CTN; que somente por lei complementar se poderia exceder a este limite; que a CF/88 dita que os juros reais não podem exceder a 12% ao ano; a estipulação de tal taxa somente pode ser mutável por alteração legislativa; c) inconstitucionalidade da cobrança do INCRA: que é incabível a cobrança da exação de empresa estritamente urbana; que é indevida após o advento da Lei 8.212/91. Requereu a nulidade da Notificação; caso contrário, que seja considerada ilegal a inclusão da multa e da taxa SELIC e inconstitucional a contribuição destinada ao INCRA. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Florianópolis – (S/C) DRJ/FNS, emitiu o Acórdão n ° 0711.493 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 112/148 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 13976.000480/200716 Acórdão n.º 240300.382 S2C4T3 Fl. 156 3 É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Cumpre reproduzir o registro de fls.154: Processo: 13976.000480/200716 Interessado: MPR INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA. CNPJ : 81.557.720/000154 NFLD N° : 37.103.449.3 O interessado tomou ciência do acórdão 0711.493 6ª Turma da DRJ/FNS em 30/01/2008 fls. 110. Foilhe facultado o prazo de 30 dias para apresentação de recurso voluntário prazo este que se expirou em 29/02/2008. Apresentou recurso voluntário intempestivo, em 04/03/2008.( gn) Desse modo, em razão da intempestividade observada, NÃO TOMO CONHECIMENTO do Recurso. Ivacir Júlio de Souza Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 13855.003056/2010-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR
Integra o salário de contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.
Numero da decisão: 2403-000.591
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos em negar
provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação da cesta básica
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o saláriodecontribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto na questão da tributação da cesta básica CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 160DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1431.966 9ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação referese à tributação destinada a terceiros incidente sobre salário utilidade – PAT e contribuinte individual, tem valor de R$ 13.835,62, referente ao período de 8/2005 a 12/2009 e foi assim apresentada no Relatório Fiscal do Auto de Infração: 3.3 Após analisar os documentos apresentados e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência SocialGFIP constantes do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (DATAPREVPLENUS), ficou constatado que o contribuinte autuado deixou de recolher as contribuições devidas is Outras Entidades e Fundos, citadas no subitem 2.1.1, incidentes sobre: a) As remunerações pagas e/ou creditadas a seus empregados na forma de salário utilidade "cestas básicas" fornecidas aos segurados empregados sem a comprovação de sua inscrição no PATPrograma de Alimentação do Trabalhador, o que caracteriza "salário utilidade alimentação", b) As remunerações pagas ao prestador de serviços senhor Joao Cintra de Andrade (contribuinte individualfretista). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, questionando exclusivamente a tributação da cesta básica, onde alega, em síntese, que: • A contribuinte fornecia, mensalmente, cestas básicas, contendo produtos alimentícios in natura, aos seus empregados e que sobre o custo dessas cestas básicas não foram recolhidas contribuições previdenciárias," embora a contribuinte não estivesse regularmente inscrita no PAT. • As cestas básicas, fornecidas in natura, não integram o salário de contribuição, razão pela qual, a obrigação tributária imposta pelo AI é indevida. • Embora a lei determine que a. não incidência da contribuição previdenciária sobre o auxilio alimentação depende da inscrição no PAT, certo é que os tribunais adotaram, interpretação mais ampla, superando a exigência referida • A única condição necessária para que o auxilio alimentação não integre o salário de contribuição é que o mesmo seja fornecido in natura, ou seja, por meio do fornecimento direto de gêneros alimentícios, sendo irrelevante a inscrição no PAT. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.003056/201097 Acórdão n.º 2403000.591 S2C4T3 Fl. 153 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Inicialmente farei registro que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela PORTARIA Nº 256/209 do Ministério da Fazenda, estabelece que o CARF tem por finalidade julgar recursos de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) Quanto ao auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 162DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento está correto. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 163DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15374.904405/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.145
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 28.01.2004, fls. 0106, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$270.351,20 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2362, efetuado em 30.04.2003, cujo DARF consigna o valor de R$330.834,47 para compensação dos débitos ali discriminados. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.904405/200811 Resolução n.º 180100.145 S1C1T1 Fl. 164 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 26.05.2008, fl. 95, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0810, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que o crédito utilizado nessa compensação se refere ao DARF recolhido em 30.04.2003 no valor de R$330.834,47, que contém o pagamento a maior que o devido no valor de R$270.351,20, em conformidade com registro no Livro Diário, na DCTF do 1º trimestre de 2003 apresentada em 01.12.2007 e na DIPJ transmitida em 30.11.2007. Alega que o valor de R$270.351,20 referente ao direito creditório pleiteado é suficiente para extinção dos débitos constantes nas seguintes Per/DComp: 09903.16169.280104.1.3.048330 no valor de R$49.494,27; 38245.80495.280104.1.3.044210 no valor de R$52.033,61; 21601.61838.280104.1.3.044218 no valor de R$99.485,85; 09959.03381.300104.1.3.044453 no valor de R$69.337,47. Argui que não houve prejuízo para a Fazenda Nacional, uma vez que na data da entrega da Per/DComp possuía o direito creditório atualizado no valor R$273.054,71, suficiente para compensar os débitos declarados. Conclui Face aos argumentos expostos, requer a manifestante: a) sejam acolhidos os argumentos de mérito acima expostos declarandose a insubsistência do presente Despacho Decisório; b) seja reconhecido o Direito Creditório relativo ao pagamento indevido de que tratam o PERDCOMP objeto da presente manifestação de inconformidade; c) seja homologada a compensação efetuada pelo Contribuinte; e d) abstenhase a D. Autoridade Fiscal de cobrar o débito quitado através do [Per/DComp objeto de análise]. Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 28.244, de 28.01.2010, fls. 103106:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.904405/200811 Resolução n.º 180100.145 S1C1T1 Fl. 165 3 Anocalendário: 2003 Ementa: DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação não será admitida quando constatada a inexistência de saldo de pagamento a maior que tenha sido utilizado para tal. Notificada em 13.02.2010 (sábado), fl. 107, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.03.2010, fls. 109118, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Esclarece que possuía débito IRPJ, código 2362, referente ao mês de março de 2003 no valor de R$434.641,35, que foi extinto utilizandose: (a) a parcela de R$60.483,27 do DARF recolhido em 30.04.2003 no valor R$330.834,47, fato do qual decorre o reclamado pagamento a maior de R$270.351,20; e (b) o valor de R$374.158,48 decorrente da compensação com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 formalizado no processo nº 13706.001264/200336. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto e considerando a legalidade da compensação efetuada, espera e confia a Recorrente que o acórdão recorrido será integralmente reformado, com provimento integral ao presente recurso e, em conseqüência, a homologação da Declaração de Compensação apresentada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. O pedido inicial da Recorrente referese ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor da IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, que deve compor o saldo negativo de IRPJ no encerramento do anocalendário. E isto porque, em verdade, há Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.904405/200811 Resolução n.º 180100.145 S1C1T1 Fl. 166 4 possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual da IRPJ. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada1. A autoridade julgadora de primeira instância de julgamento defende que [...] o pagamento de R$330.834,47 foi alocado integralmente ao débito de IRPJ, do PA 31/03/2003, de R$434.641,75, informado na DCTF retificadora do 1º trimestre de 2003, transmitida em 14/03/2006. Por sua vez, a Recorrente esclarece que o mencionado débito IRPJ, código 2362, referente ao mês de março de 2003 no valor de R$434.641,35, foi extinto utilizandose: (a) da parcela de R$60.483,27 do DARF recolhido em 30.04.2003 no valor $330.834,47, e (b) R$374.158,48 decorrente da compensação com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 formalizado por ela no processo nº 13706.001264/200336. Nos processos administrativos serão observadas, dentre outras, a adequação entre meios e fins, a adoção de formalidades essenciais suficientes para garantir e propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Por esta razão, os litígios instaurados em relação ao Pedido de Restituição e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, em relação ao mesmo sujeito passivo, devem ser juntados por anexação, uma vez que a comprovação dos pleitos depende dos mesmos elementos de prova2. No presente caso, verificase a obrigatoriedade da reunião dos autos pela continência entre a Per/DComp, fls. 0106, referente à homologação da compensação do valor de R$374.158,48 com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e a Per/DComp formalizada no processo principal de nº 13706.001264/200336 que trata especificamente do reconhecimento do referido direito creditório do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, uma vez que há identidade das partes e à causa de pedir, e o objeto de desta é mais amplo que daquela3. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que os presentes autos sejam encaminhados à Unidade da Secretaria Receita Federal do Brasil (RFB) de origem para que sejam juntados por anexação ao processo principal de nº 13706.001264/200336, tendo em vista a continência entre ambos. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. 2 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 3 Fundamentação legal: art. 104 do Código de Processo Civil. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10380.005864/2007-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXOU DE EXIGIR A CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO À EMPRESA CONTRATADA COM O PODER PÚBLICO. VIOLAÇÃO LEGAL. MULTA. RESPONSABILIDADE. DIRIGENTE. REVOGAÇÃO PELA LEI 11.941/2009.
Uma das exigências para contratar com o poder público é a regularidade fiscal da empresa a ser contratada, que se faz mediante a apresentação da Certidão Negativa de Débitos. Caso não haja a exigência dessa formalidade pela pessoa responsável, haverá violação legal, que, se constatada, autorizará a autoridade fiscal à lavratura de Auto de Infração. Todavia, a
responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público com relação às infrações da Lei n 8.212/91 foi revogada pela Lei n.11.941/2009, razão pela qual este dirigente não será responsabilizado pela autuação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar
provimento ao recurso
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DEIXOU DE EXIGIR A CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO À EMPRESA CONTRATADA COM O PODER PÚBLICO. VIOLAÇÃO LEGAL. MULTA. RESPONSABILIDADE. DIRIGENTE. REVOGAÇÃO PELA LEI 11.941/2009. Uma das exigências para contratar com o poder público é a regularidade fiscal da empresa a ser contratada, que se faz mediante a apresentação da Certidão Negativa de Débitos. Caso não haja a exigência dessa formalidade pela pessoa responsável, haverá violação legal, que, se constatada, autorizará a autoridade fiscal à lavratura de Auto de Infração. Todavia, a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público com relação às infrações da Lei n 8.212/91 foi revogada pela Lei n.11.941/2009, razão pela qual este dirigente não será responsabilizado pela autuação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10380.005864/200729 Acórdão n.º 2403000.530 S2C4T3 Fl. 118 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 44 a 52 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (fls.33 a 36) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante do Auto de Infração n° 37.043.8531 no valor de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Segundo o relatório fiscal às 06 a 08, a cobrança referese ao descumprimento de obrigação acessória devida ao Presidente da Câmara Municipal de Cascavel/CE, ora recorrente. A fiscalização solicitou, através de TIAD (fls.10 a 12), a apresentação de contratos de compras e de serviços com as respectivas Certidões Negativas de Débito – CND das empresas contratadas para a execução de serviços a serem prestados ao Poder Público, exigência esta que encontrase amparada no art.47, I, “a” da Lei n 8.212/91 combinado com o art.257, I, “a” do Regulamento da Previdência Social. Foi verificado, através de pagamentos, que o Município de Cascavel contratou com a pessoa jurídica FABIO AGUIAR LIMA (CNPJ n 01.697.752/000116) a locação de um veículo GOL (placa KJI2248) entre os meses de 04/2002 a 12/2002, deixando de exigir da contratada a Certidão Negativa de Débito Fiscal. A autuação foi lavrada com base no art.47, I, “a” – Lei n 8.212/91 c/c art.257, I, “a” – RPS, na pessoa do Presidente da Câmara Municipal de Cascavel no período de 01/2001 a 12/2002, o Sr. Antônio Batista Filho, tendo em vista a inexistência de previsão legal que permita a delegação de atribuição à outra pessoa que não seja o dirigente da Câmara Municipal, não tendo sido verificadas circunstâncias atenuantes e agravantes. Desta autuação, o recorrente foi notificado em 29/12/2006 e apresentou impugnação, alegando: Ser o relatório fiscal desfundamentado, o que dificultaria o exercício do direito de defesa;; A necessidade da multa aplicada ser relevada, destacando a realização do pleito dentro do prazo de defesa, bem como a correção de falha nesse lapso e primariedade do defendente. No pedido, requereu que o auto fosse declarado insubsistente em decorrência da falta de fundamentação. Alternativamente, requereu que fosse aplicado o art.291, parágrafo 1 do RPS, de modo que a multa fosse relevada. Por fim, requereu a ampla produção de provas no decorrer do trâmite processual, bem como formulou quesitos a serem respondidos pela auditoria de 1 instância. Instada a manifestarse acerca da impugnação apresentada, a 5 turma da DRJFortaleza/CE proferiu acórdão (n 0811.429) nos seguintes termos: Fl. 119DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2006 AUTODEINFRAÇÃO. A EMPRESA DEIXOU DE EXIGIR A CND. DESCUMPRIMENTO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à legislação previdenciária a não exigência da CND, no caso previsto no art. 47, 1, "a" da Lei n° 8.212/91, c/c art. 257, 1, "a" do Regulamento da Previdência Social. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, o recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 44 a 52, alegando: Ter havido confusão por parte do auditor entre os conceitos de licitação e contratação com execução de contrato; Que a responsabilidade do presente caso só é oponível a servidor e não a agente político, classificação que se encontra o presidente da câmara, em respeito ao art.283, parágrafo 1 do Decreto n 3.048/99; Ter ocorrido confusão no levantamento, tendo em vista que a contratada possui certidão negativa na licitação; O enriquecimento ilícito por parte da fiscalização. No pedido, reiterou o pleito de tornar o Auto de Infração insubsistente pela falta de clareza e aduziu requerendo a sua exclusão do pólo passivo do processo administrativo, por não estar enquadrado como servidor, que é a parte legítima para responder por tais infrações, bem como a produção de provas. Juntou ainda documentos que entendeu serem relevantes para a resolução da lide em comento. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10380.005864/200729 Acórdão n.º 2403000.530 S2C4T3 Fl. 119 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAR A CERTIDÃO NEGATIVA DE TRIBUTOS QUANDO DA CONTRATAÇÃO COM O PODER PÚBLICO: Destaco que toda a controvérsia existente no caso em tela reside no fato de ter o recorrente apresentado ou não à fiscalização a certidão negativa de débito – CND de uma pessoa jurídica contratada pelo Município de Cascavel, alegando inclusive que estava de posse de tal documento quando o fisco a requereu. Compulsando atentamente os autos, verifiquei que a recorrente apresentou as certidões negativas de débitos no âmbito municipal, estadual e federal. Entretanto, para o caso em tela, deve ser feita uma análise mais perfunctória, a qual terá sua conclusão nas linhas abaixo: No processo administrativo tributário federal, via de regra, há dois momentos para o contribuinte autuado apresentar suas manifestações, as quais são externadas através da impugnação e, posteriormente à decisão de 1 instância, havendo algo a ser questionado, via recurso voluntário, tendo em vista que as outras oportunidades de defesa são especificadas na lei (recurso especial, embargos declaratórios etc). O recorrente alegou tanto na impugnação como em seu recurso voluntário que não houve nenhuma infração legal, tendo em vista que a pessoa jurídica por ele contratada estava quite com os tributos e havia apresentado a certidão negativa desses encargos. Ora, se o recorrente estivesse com a prova de que exigiu a CND da pessoa jurídica FABIO AGUIAR LIMA no momento de sua contratação, teria apresentadoa na impugnação ou em seu recurso voluntário, o que não foi feito. Verificouse realmente a juntada de certidões negativas (fls.110 a 113) em nome da pessoa contratada. Ocorre que deve ser deixado claro que a infração não é a pessoa jurídica está irregular com o Poder Público, a infração é: o responsável pelo órgão público deixar de exigir CND de empresa que seja contratada pela Administração Pública, senão vejamos: Lei n 8.212/91 Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). I da empresa: Fl. 121DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele; Regulamento da Previdência Social Art.257. Deverá ser exigido documento comprobatório de inexistência de débito relativo às contribuições a que se referem os incisos I, III, IV, V, VI e VII do parágrafo único do art. 195, destinadas à manutenção da seguridade social, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I da empresa: a) na licitação, na contratação com o poder público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedidos por ele; Desse modo, a fiscalização lavrou o Auto de Infração n 37.043.8531 de modo correto, haja vista ter verificado o descumprimento à lei tributária/previdenciária de só ser possível a contratação com o poder público se a situação perante o fisco estiver regular. Ademais, reitero ainda que é totalmente descabido o argumento do recorrente em querer diferenciar contratação/licitação de execução de contrato. A Administração Pública contrata com os particulares através de licitação, a qual só não será exigida em situações previstas na Lei n 8.666/93 (licitação dispensável e licitação inexigível), o que não ocorreu na presente demanda, motivo pelo qual o descumprimento de obrigação acessória realmente ocorreu. II – DA RESPONSABILIDADE EM EXIGIR A CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO: Pacificado o entendimento de que a lavratura do Auto foi devida, passemos a analisar de quem realmente é a responsabilidade para exigir a CND. Sobre esse assunto, o recorrente alega que em 25 de fevereiro de 2002, através da Portaria 001/2002 (fls.61 e 62), criou a Comissão de Licitação do Município de Cascavel, a qual teria algumas responsabilidades ligadas à licitação, inclusive o exame de documentos dispensáveis à contratação, vejamos: Portaria 001/2002 III A comissão de licitação proporá ao Presidente da Câmara Municipal as medidas cabíveis e legais em acordo com a Lei 8.666/93, ficando inteiramente responsável pelo recebimento, exame, e julgamento dos documentos relativos às licitações e cadastramentos dos licitantes. Destacouse. Pelo exposto, percebese que caberia supostamente à comissão de licitação a análise dos documentos relativos à licitação, dentre os quais a exigência da Certidão Negativa de Débito para a contratação com o Poder Público. Ademais, mesmo que se entendesse que a autuação deveria recair sobre a pessoa do Presidente da Câmara Municipal, ainda assim a exigência fiscal não poderia ser mantida, tendo em vista que a disposição legal que determinava ao dirigente de órgão público a ter certas condutas, como, por exemplo, requerer de um particular contratado para prestar serviços à Administração Publica a CND, ter sido revogada pela Lei n 11.941/2009, excluindo, portanto a responsabilidade pessoal desse dirigente., vejamos: Fl. 122DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10380.005864/200729 Acórdão n.º 2403000.530 S2C4T3 Fl. 120 7 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Ressaltase que a lei revogadora não acrescentou nenhum dispositivo que fizesse a previsão do dirigente de órgão da administração responder pessoalmente em caso de multa, abolindo totalmente a responsabilidade pessoal do dirigente público. Sendo assim, como é o caso de lei nova que foi responsável pela redução da penalidade praticada à época por uma menos severa (nenhuma penalidade) que a prevista na Lei nº 8.212/91, deverá haver a observância ao art.106, inciso II, alínea c do Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO, tendo em vista que a responsabilidade, por infração a Lei n 8.212/91, que era pessoal do dirigente de órgão da administração, desapareceu com o advento da Lei n 11.941/2009, sendo este o caso de aplicação de lei nova a fatos e/ou atos pretéritos, em observância ao art.106, II, “c” do Código Tributário Nacional. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Fl. 124DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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