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Numero do processo: 10580.003348/2004-61
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RECOLHIMENTO DE EXIGÊNCIA LANÇADA EM AUTO DE INFRAÇÃO. DESISTÊNCIA DO LITÍGIO. PERDA DE OBJETO DO RECURSO.
O parcelamento de débitos fiscais exigidos em auto de infração tem como conseqüência a extinção do litígio e o não conhecido do recurso voluntário por este Conselho, em virtude de sua perda de objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1202-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECOLHIMENTO DE EXIGÊNCIA LANÇADA EM AUTO DE INFRAÇÃO. DESISTÊNCIA DO LITÍGIO. PERDA DE OBJETO DO RECURSO. O parcelamento de débitos fiscais exigidos em auto de infração tem como conseqüência a extinção do litígio e o não conhecido do recurso voluntário por este Conselho, em virtude de sua perda de objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 441 1 440 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.003348/200461 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.897 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2012 Matéria Perda de objeto do recurso Recorrente SERVIÇOS DE EMERGÊNCIA MÉDICOCIRÚRGICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECOLHIMENTO DE EXIGÊNCIA LANÇADA EM AUTO DE INFRAÇÃO. DESISTÊNCIA DO LITÍGIO. PERDA DE OBJETO DO RECURSO. O parcelamento de débitos fiscais exigidos em auto de infração tem como conseqüência a extinção do litígio e o não conhecido do recurso voluntário por este Conselho, em virtude de sua perda de objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 33 48 /2 00 4- 61 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.003348/200461 Acórdão n.º 1202000.897 S1C2T2 Fl. 442 2 Relatório Retorna o recurso a julgamento nesta E. Turma, após cumprimento de diligência determinada na sessão de 04/12/2009, por meio da Resolução nº 120200.024, fls. 418/419. A diligência foi solicitada para a constatação do IR Fonte que alega a recorrente ter direito. Por pertinente, para tornar mais compreensíveis as matérias em julgamento, a seguir reproduzo o relatório e voto apresentados naquela oportunidade: “Relatório. Contra a empresa Serviços de Emergência MédicoCirúrgicas Ltda., foi lavrado auto de infração do IRPJ, fls. 04/19, por ter a fiscalização constatado as seguintes irregularidades nos trimestres dos anoscalendário de 1999 a 2003, descritas às fls. 05/07: “001 Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Receitas da Atividade Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago (Verificações Obrigatórias). Valor apurado conforme planilhas ‘Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada’ e ‘Base de Cálculo para o IRPJ e CSLL’ elaborada pelo contribuinte. Para efeito de cálculo do imposto a lançar, quando o valor declarado, em DCTF, foi maior que a soma do valor pago com o retido, tomamos o valor declarado como pago. 002 Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Demais Receitas Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago – Demais Receitas (Verificações Obrigatórias) Valor apurado conforme Planilha ‘Base de Cálculo para o IRPJ e CSLL’ elaborada pelo contribuinte.” Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 17 de maio de 2004, em cujo arrazoado de fls. 92/94 contesta o lançamento. Às fls. 130/132 consta solicitação de diligência, Despacho nº 069, de 20 de junho de 2007, da 1ª Turma da DRJ em Salvador, para verificar as alegações da impugnante quanto à efetividade do valor do imposto de renda retido e recolhido e se as receitas oriundas das retenções foram oferecidas à tributação. Às fls. 133/135, 371/373 e 374/376 estão juntados os Relatório de Diligência Fiscal nº 001 e 002 e o Termo de Diligência Fiscal Fl. 442DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.003348/200461 Acórdão n.º 1202000.897 S1C2T2 Fl. 443 3 nº 001, onde o auditor demonstra os montantes do IR retido e as receitas tributadas pela autuada. Em 31 de janeiro de 2008 foi prolatado o Acórdão nº 1515.036, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, fls. 380/390, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IMPOSTO. DCTF. LANÇAMENTO. Incabível a realização de lançamento dos valores do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) devidamente declarados em DCTF. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre receitas auferidas somente poderá ser deduzido na apuração do IRPJ a pagar com a prova de sua retenção mediante a apresentação do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Lançamento Procedente em Parte” Cientificada em 13 de março de 2008, AR de fls. 393, e novamente irresignada com o Acórdão de Primeira Instância, apresenta seu recurso voluntário protocolado em 14 de abril de 2008, em cujo arrazoado de fls. 394/403 alega, em apertada síntese, o seguinte: 1 tendo havido o próprio recolhimento do imposto, ou a retenção do IR promovida pelas fontes pagadoras do rendimento, tais valores se computam como dedutíveis do saldo do imposto a pagar; 2 não é o envio do informe do imposto retido na fonte que intitula o beneficiário à dedução do montante correspondente do imposto apurado na declaração de ajuste, mas sim a própria retenção; 3 não pode o Fisco condicionar ao cumprimento, pela fonte pagadora, de tal dever instrumental para autorizar a dedução de imposto já retido do beneficiário do rendimento; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.003348/200461 Acórdão n.º 1202000.897 S1C2T2 Fl. 444 4 4 sendo a retenção per se o fato que implica o surgimento do direito à dedução, e tendo a retenção sido efetuada consoante prova nos autos, é de ser julgada improcedente a autuação; 5 o envio ou não do informe de retenção da IN SRF nº 119/2000, ou da Declaração do Imposto Retido na Fonte, pela fonte pagadora, que determinará o direito do beneficiário do rendimento de deduzir o imposto cujo ônus já suportou por ocasião da retenção na fonte, mas sim a própria realização da retenção; 6 irrelevante o recolhimento pela fonte pagadora, sendo enfática a legislação em especificar que a dedução é justificada pelo pagamento ou pela retenção, conforme artigo 526 do RIR/99; 7 não pode subsistir a multa de 75% aplicada para os lançamentos de ofício, na medida em que foi revogada pela Lei nº 11.488/2007, devendo ser observada a retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, ‘c’ do CTN. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. As matérias em litígio dizem respeito à compensação de IR Fonte com o montante do IRPJ lançado e a inaplicabilidade da multa de ofício de 75%, ante a revogação processada pela Lei nº 11.488/2007. Sustenta a recorrente que tem direito à compensação do IR Fonte com o IRPJ lançado no auto de infração, não concordando com a conclusão constante do relatório de diligência, acolhido pelo acórdão de primeira instância, para que seja admitida a retenção na fonte é preciso a apresentação pelo beneficiário do informe emitido pela fonte pagadora. Não compartilho do posicionamento expresso pelo acórdão de primeira instância, entendendo que a falta de apresentação do Comprovante de Rendimentos e Retenção de Tributos na Fonte por si só não inviabiliza a compensação pretendida, podendo ser ele substituído pela prova do recebimento da receita líquida vinculada à fonte, o registro do IR Fonte no ativo da empresa como imposto a recuperar e o reconhecimento da receita bruta que sofreu a retenção na fonte. Entretanto, os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso voluntário, visto ser necessária a confirmação das condições para a compensação do IR Fonte. Assim, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência, com o retorno do processo à repartição de origem, para que seja proferido parecer conclusivo a respeito do direito à Fl. 444DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.003348/200461 Acórdão n.º 1202000.897 S1C2T2 Fl. 445 5 compensação do IR Fonte pleiteado pela recorrente, não acatado pelo acórdão de primeira instância, com a comprovação do seguinte: 1 o efetivo recebimento da receita que sofreu a retenção do IR Fonte; 2 o registro do IR Fonte na contabilidade da pessoa jurídica como ativo recuperável; 3 o reconhecimento contábil da receita bruta ou o lançamento desta no auto de infração, base para retenção do imposto; 4 o não aproveitamento do IR Fonte a compensar; 5 a confirmação da efetividade da retenção realizada, por meio das DIRFs apresentadas à Receita Federal do Brasil ou de pesquisa junto aos tomadores dos serviços; 6 demais informações que o auditor julgar necessárias para esclarecer o solicitado. Após a conclusão da diligência, deve ser cientificada a recorrente do seu resultado, abrindose prazo para sua manifestação.” Sobreveio o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 422, dando conta da desistência do litígio pela autuada, com o parcelamento do débito tributário. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Após o cumprimento da diligência, com a produção do relatório de fls. 422, verifico a perda de objeto deste julgamento, em virtude da inexistência de litígio, ante o parcelamento do débito e a concordância da exigência pela autuada. A seguir transcrevo o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 422: “Dáse por encerrada a presente diligência, aberta em função de demanda do CARF, em processo relativo a Auto de Infração de IRPJ. Durante o procedimento, veiose a saber que a empresa já havia parcelado o débito controlado pelo processo em tela, conforme demonstra a documentação anexada. Destarte, o processo perde seu objeto, salvo melhor entendimento. Em vista disso, deixase de atender as solicitações do ilustre julgador. Toda a documentação entregue à Fiscalização para exame, incluindo os livros Razão dos anos de 1999 a 2003, extratos bancários do mesmo período, notas fiscais e demais documentos e demonstrativos, são devolvidos ao contribuinte no estado em que foram recebidos, pelos quais e dada total quitação aqui. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.003348/200461 Acórdão n.º 1202000.897 S1C2T2 Fl. 446 6 Para surtir seus efeitos legais, o presente termo é lavrado em duas vias de igual teor, uma das quais é entregue ao contribuinte, para seu conhecimento e providencias que julgar necessárias.” Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em virtude da sua perda de objeto. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 446DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 13973.000060/2002-47
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 00 60 /2 00 2- 47 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Florianópolis que julgou procedente, em parte, a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos mensais de competência de janeiro a março de 1997. O lançamento decorreu da glosa das compensações informadas em DCTFs, efetuadas com amparo em processo judicial não comprovado. Nas DCTFs, foi informado processo judicial de nº 96.01.005560. Cientificada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Em relação aos créditos informados com exigibilidade suspensa (parcelas de R$ 84,14, R$ 101,04 e R$ 119,93 referentes a janeiro, fevereiro e março de 1997, respectivamente), afirma que em 26/03/1996 protocolizou sob o n° 96.01.005560, junto Segunda Vara Federal de Joinville, uma ação de repetição de indébito, de PIS e COFINS na venda de combustíveis e lubrificantes, e a partir de então passou a efetuar mensalmente depósitos judiciais vinculados ao processo, conforme Guias de Depósito que anexa. Requer, assim, o cancelamento do Auto de Infração, na parte que se refere a esses débitos. Quanto à compensação de créditos sem DARF (parcelas de R$ 56,39, R$ 47,62 e R$ 169,41, referentes a janeiro, fevereiro e março de 1997, respectivamente) argúi, em síntese, que, declarada a inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, apurou o total do seu crédito e passou a compensar mensalmente nas guias de recolhimento do PIS. Reclama que a Fazenda Nacional deveria primeiro ter conferido o montante compensado e só notificar o contribuinte se verificada a compensação a maior. Afirma que, conforme planilhas e guias de recolhimento do PIS que anexa, restringiuse a compensar os valores efetivamente recolhidos a maior, nada tendo o fisco federal a notificar contra si. Argumenta, ainda, que o equivoco ao informar na DCTF que os valores compensados teriam sua origem em um processo judicial de forma alguma impossibilitou o esclarecimento dos fatos. Conclui que foi notificada por débitos inexistentes. Requer, assim o cancelamento do débito fiscal e ainda, que “lhe seja permitido comprovar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos e, neste sentido, propõese a fornecer qualquer informação adicional necessária”. Em face das alegações da recorrente, aquela DRJ baixou os autos em diligência a fim que fosse intimada a apresentar os demonstrativos dos créditos que alega ter contra a Fazenda Nacional, acompanhados dos pagamentos a maior que teria efetuado. Esgotado o prazo para atendimento à intimação, a interessada apresentou desistência da impugnação em relação aos débitos vinculados aos créditos compensados sem DARF, os quais foram transferidos para o processo n° 13973.000552/200747, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário à fl. 55. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, excluindo a multa de ofício e mantendo a exigência dos valores ainda em litígio, conforme Acórdão nº 715.156, datado de 13 de fevereiro de 2009, às fls. 59/64. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13973.000060/200247 Acórdão n.º 3301001.762 S3C3T1 Fl. 99 3 Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 67/69), requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, que os valores exigidos foram depositados judicialmente, pelos seus montantes integrais, e convertidos em renda da União Federal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O lançamento em discussão decorreu de falta de pagamento dos valores informados em DCTF referentes aos fatos geradores mensais do 1º trimestre de 1997, assim discriminados (fls. 10): 31/01/1997 – déb. c/exig. suspensa: R$ 84,14 31/01/1997 – déb. comp. s/darfPJ: R$ 56,39 – R$ 140,53 28/02/1997 – déb. c/exig. suspensa: R$ 101,04 28/02/1997 – déb. comp. s/darfPJ: R$ 47,62 – R$ 148,66 31/03/1997 – déb. c/exig. suspensa: R$ 119,93 31/03/1997 – déb. comp. s/darfPJ: R$ 169,41 – R$ 289,34 – R$ 578,53 De acordo com estes valores, os débitos com exigibilidade suspensa totalizam R$ 305,11 e os compensados sem darf, com amparo em processo judicial R$ 273,42. Segundo a recorrente, os débitos com exigibilidade suspensa, no valor total de R$305,11, decorrem da ação judicial nº 96.01.005560 (2001.7209.0017984/SC) na qual discutia a legalidade da exigência de PIS e Cofins nas vendas de combustíveis e lubrificantes cujos valores foram depositados judicialmente; já os débitos compensados sem darf, no valor de R$273,42, decorrem de compensações realizadas com índébitos do PIS cujas contribuições foram pagas a maior, nos termos dos Decretos Leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988. Às fls. 19/21 (fls. 17/19) constam as cópias das guias de depósitos judiciais daqueles valores nas datas de 14 de fevereiro, 14 de março e 15 de abril de 1997. Ainda na fase impugnatória, a recorrente desistiu expressamente da impugnação quanto aos débitos compensados sem darf, no valor total de R$273,42, que foram então transferidos para o processo administrativo nº 13973.000552/200747, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário às fls. 57 (fls. 55). Quanto à conversão em renda da União dos depósitos judiciais efetuados, foram carreados aos autos às fls. 92/96 (fls. 86/90) cópia de vários documentos, despachos, certidão e ofício, todos da Justiça Federal Seção Judiciária de Santa Catarina, solicitando a conversão daqueles valores. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Dessa forma, levandose em conta que a matéria em litígio, nesta fase recursal, foi também objeto da ação judicial nº 96.01.005560 (2001.72.09.0017984/SC), inclusive com decisão judicial transitada em julgado, contrária à recorrente, não tomo conhecimento do recurso voluntário em face da sua opção pela via judicial. Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio da Súmula nº 01, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Assim, por força no disposto no § 4º do art. 72, do Regimento Interno do CARF (RICARF), obrigatoriamente, aplicase esta súmula ao presente caso. Em face do exposto, não conheço do recurso voluntário, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial transitada em julgado e extinguir o crédito tributário em discussão, mediante a alocação dos depósitos judiciais convertidos em renda da União aos respectivos débitos, exigindose possível saldo devedor remanescente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10880.006670/99-75
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. EXCLUSÃO.
Tendo sido comprovado por diligência que a contribuinte atuava exclusivamente com ensino infantil e fundamental I no período da exclusão, esta deve ser revista.
EMBARGOS REJEITADOS
Numero da decisão: 302-39.275
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, conhecer e rejeitar os Embargos Declaratórios, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999 SIMPLES. EXCLUSÃO. Tendo sido comprovado por diligência que a contribuinte atuava exclusivamente com ensino infantil e fundamental I no período da exclusão, esta deve ser revista. EMBARGOS REJEITADOS
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Numero do processo: 17546.000881/2007-89
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Considera-se lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
Numero da decisão: 2301-002.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Considera-se lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
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SEF DE S.J.DOS CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Considerase lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.000881/200789 Acórdão n.º 2301002.747 S2C3T1 Fl. 308 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à Contribuição Adicional para Aposentadoria Especial ( 6%). Conforme Relatório Fiscal (fls. 47), o fato gerador da contribuição lançada é a exposição do trabalhador a agentes nocivos que enseja a concessão do benefício da aposentadoria especial, prevista nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91. A autoridade autuante expõe, a seguir, os motivos pelos quais entende que há formação de grupo econômico entre a recorrente e as demais empresas ali listadas, e fundamenta a solidariedade entre as empresas do grupo no art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. A empresa notificada e as demais solidárias apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0519.992, da 7a Turma da DRJ/CPS, (fls. 230), julgou o lançamento procedente, excluindo, porém, do pólo passivo da NFLD, a empresa Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda, sob a alegação de que não restaram evidenciados, nos autos, os elementos caracterizadores da constituição de grupo econômico de fato entre esse frigorífico e as demais empresas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 286), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega que os julgadores deixaram de considerar que a incidência do adicional em tela somente é devido nos casos das sociedades cooperativa, ou seja, sociedades rurais sem fins lucrativos, o que não é o caso, por ser a Recorrente sociedade limitada e, evidentemente, com fins lucrativos, devendo ser considerado que, para as sociedades limitadas, diversas das cooperativas, o adicional para aposentadoria especial já é devidamente indenizado e recolhido com base na remuneração do adicional de insalubridade, pago aos empregados pela exposição a agentes nocivos. Observa que o valor a ser recolhido incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços emitida pela cooperativa de trabalho, situação que não ocorre no presente caso, tendo em vista que a Recorrente não teria como emitir nota de cooperativa de trabalho por enquadrarse como sociedade Ltda, o que torna impossível a aplicação dessa regra sob pena de violação do princípio da legalidade. Em relação à caracterização do grupo econômico, alega que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior; ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007. Entende que as disposições da Lei 6404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n ° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Aponta como sendo outra ilegalidade da decisão o embasamento da formação de grupo econômico em norma reguladora trabalhista, uma vez que a presente discussão versa Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 sobre débitos tidos como fiscais e não trabalhista, não podendo, portanto, requerer aplicação de dispositivo da CLT a questão fiscal. Qualifica de equivocada a interpretação do art. 30, IX, da Lei 8112/91 c/c art. 124 do CTN e c/c art. 50 C.C, uma vez que o art. 124 do CTN trata de solidariedade e não de formação de grupo econômico, exigindo alguns requisitos para aplicação da solidariedade, o que no caso não ocorre. Lista algumas contradições que, no seu entendimento, ocorreram no Relatório Fiscal e reitera que jamais manteve qualquer relação comercial com as citadas empresas, até mesmo pela sua inatividade quando do inicio das atividades das empresas relacionadas pela fiscalização. Requer, por fim, que seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente reforma da decisão recorrida. As empresas consideradas integrantes do Grupo Econômico e solidárias pelo débito, FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR, apresentaram recurso tempestivo, alegando, em síntese, desnecessidade de efetuar o depósito prévio e inexistência de formação de grupo econômico. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.000881/200789 Acórdão n.º 2301002.747 S2C3T1 Fl. 309 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” No caso em tela, tratase de contribuição decorrente de fato gerador que a notificada não considerava como tal e, portanto, não houve antecipação do tributo, ou seja, lançamento de ofício, aplicandose, dessa forma, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.000881/200789 Acórdão n.º 2301002.747 S2C3T1 Fl. 310 7 Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A NFLD foi lavrada em 30/09/2006, com a cientificação do sujeito passivo em 06/10/2006, conforme AR de fls. 106, e se refere a fatos geradores ocorridos no período de 04/99 a 03/03. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências anteriores a 11/2000, inclusive Para a competência 12/2000, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito. Verificase, dos autos, que somente a autuada FRIGOSEF FRIGOR. SEF DE S.J.DOS CAMPOS, e as empresas consideradas como integrantes do Grupo Econômico, FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR ME, apresentaram recursos, sendo que as três insurgiramse contra a caracterização do Grupo Econômico, motivo pelo qual, no que se refere a essa matéria, seus recursos serão analisados em conjunto. Passo, a seguir, à análise dos argumentos expendidos pela recorrente para afastar a contribuição destinada ao financiamento das aposentadorias especiais. A notificada alega que os julgadores deixaram de considerar que a incidência do adicional em tela somente é devido nos casos das sociedades cooperativa, ou seja, sociedades rurais sem fins lucrativos, e que, no caso da recorrente, o adicional para aposentadoria especial já é devidamente indenizado e recolhido com base na remuneração do adicional de insalubridade, pago aos empregados pela exposição a agentes nocivos. Afirma que o valor a ser recolhido incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços emitida pela cooperativa de trabalho, situação que não ocorre no presente caso, tendo em vista que a Recorrente não teria como emitir nota de cooperativa de trabalho por enquadrarse como sociedade Ltda, o que torna impossível a aplicação dessa regra sob pena de violação do princípio da legalidade. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Contudo, a contribuição lançada por meio da presente NFLD é aquela destinada a financiar as aposentadorias especiais de que trata o art. 57 da Lei n.° 8.213/91, e a alíquota aplicada encontra amparo no §6o do referido dispositivo legal. Nesse sentido, é totalmente desprovido de fundamento legal a afirmação de que o adicional em tela somente é devido nos casos das sociedades cooperativas. Conforme o citado art. 57, a aposentadoria especial será devida ao segurado que trabalhar sujeito a condições que prejudiquem a sua saúde ou integridade física durante os prazos estipulados em lei e tal benefício será financiado por todas as empresas que expuserem seus trabalhadores a agentes nocivos, sejam elas cooperativas ou não. O § 6o , do art. 57, da Lei 8.213/91, estabelece que: §6ºO benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (Vide Lei nº 9.732, de 11.12.98) Assim, como a própria notificada reconhece que possui empregados trabalhando em ambientes insalubres, já que concede o adicional insalubridade, e como não apresentou os documentos relacionados a riscos ambientais do trabalho a que está obrigada, por lei, a elaborar, para comprovar se houve a neutralização desses agentes nocivos, ela deverá recolher o adicional de que trata a lei 8.213/91 para o financiamento da aposentadoria especial desses funcionários. Portanto, o agente fiscal, cuja atividade é vinculada às disposições legais, ao constatar a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial, agiu em conformidade com os ditames da lei, lançando os valores relativos ao adicional de seis por cento sobre a remuneração paga aos empregados expostos. Quanto ao questionamento de a empresa notificada e as duas empresas solidárias que apresentaram recursos não participarem de grupo econômico, passase, agora, à análise dos fatos trazidos aos autos. O Relatório Fiscal, no item "Caracterização do Grupo Econômico de Fato", bem como toda a documentação contida nos autos, trazem as seguintes informações relevantes: O Sr José Luiz Nogueira é sócio da Frigosef e da empresa Frigorífico Campos de São Jose Ltda, sucessora do Frigorífico Mantiqueira A empresa FRIGOSEF foi aberta com um capital social de R$ 950,00, para fazer funcionar um frigorífico que nasceu falido, diante de um arrendamento de R$ 15.000,00 e aquisição de matériaprima paga normalmente à vista , e somente a conta de energia elétrica deveria consumir todo o capital investido no primeiro mês de funcionamento. O Sr: Andre Luiz Nogueira, sócio gerente da FRIGOSEF desde 20/03/98 e do Frigorífico Campos de São Jose, assina documento pelas 2 empresas, como verificado no processo de beneficio de Hélio Soares de Lima (FRIGOSEF) e Processo Trabalhista nr. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.000881/200789 Acórdão n.º 2301002.747 S2C3T1 Fl. 311 9 82/2005 de Francisco das Chagas (FRIGOSEF) e recibos de férias, rescisões, cheques e outros pelo Frigorífico Mantiqueira Ltda. Verificouse, ainda, nos locais desses estabelecimentos, que o Sr. André Luiz Nogueira faz a verificação da falta de carnes bovinas e suínas, que somente o Frigorífico Campos de São Jose fornece. O Sr. André Luiz Nogueira Júnior é empregado do Frigorífico Campos de São José Ltda, e o Sr. André Luiz Nogueira assina documentos da empresa André Luiz Nogueira Junior ME Portanto, constatase que as empresas citadas têm, em comum, o fato de desenvolverem atividades vinculadas e complementares, evidenciandose, a partir do exame de seu quadro societário, uma estreita ligação entre todas elas. É importante destacar que essas participações societárias, no ensinamento de Verçosa (2006, p. 262/266), [..] podem ter o caráter de mero investimento e até mesmo ser acidentais, como ocorre nas hipóteses em que uma sociedade credora recebe ações ou quotas de outra sociedade devedora como resultado de um acordo. Mas tais participações podem compor um quadro mais amplo e profundo. [..] Do ponto de vista jurídico, a união de sociedades fundada em relações de controle baseadas em participações de capital apresentase sob a forma de dois tipos de grupos: (t) de direito ou (ii) de fato. Os primeiros organizamse formalmente por meio da celebração de um contrato denominado convenção de grupo.Os segundos são aqueles assim considerados em vista do puro e simples fato da existência de uma ou mais sociedades que, individualmente ou em conjunto, pode(m) determinar os destinos das sociedades que abaixo dela(s) s coloca(m) na cadeia de comando. (g.n.). De todo o conjunto probatório examinado, o meu convencimento caminha na direção da existência de inúmeros elementos indicativos de um poder de controle de certo modo centralizado, ou, pelo menos, harmonizado com os interesses comuns das empresas. É patente, no caso em tela, a configuração de empresas atuando com objetivos correlatos, constatandose várias operações a demonstrar, no mínimo, uma coordenação entre as empresas; fato reforçado em razão de que, basicamente, as mesmas pessoas exercem, direta ou indiretamente, a administração dos negócios do grupo. Cumpre observar que não é o mero fato da relação de parentesco que vai indicar a existência de um grupo econômico, mas , no caso específico sob exame, a forma peculiar como estão dispostos, societariamente, o controlador principal (Sr. André Luiz Nogueira), e as outras empresas citadas pela fiscalização. Vale esclarecer que o sentido de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2o, § 2o, da CLT, no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindose também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO – CARACTERIZAÇÃO. O § 2o, do art. 2o da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15a REGIÃO – Nº 00902200108315000RO 922352/2002RO9) Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois existe interesses comuns entre as mesmas pessoas, indicadas pela fiscalização, que comandam e dirigem o empreendimento. A fiscalização fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta aos integrantes do grupo econômico de qualquer natureza de responder pelas obrigações previdenciárias, isoladamente ou em conjunto, consoante art. 30, IX, da Lei 8.212/91. Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91. As recorrentes alegam que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior, ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007. Entende que as disposições da Lei 6.404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Contudo, a responsabilidade solidária pelo débito foi fundamentada no artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 e no art. 222, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, normas legais que devem ser observadas pela autoridade fiscal, tendo em vista sua atividade vinculante. E a menção da IN 03/2005 pela autoridade julgadora não se trata de retroação da norma, conforme entenderam de forma equivocada as recorrentes, uma vez que o referido normativo legal é de 2005 e, portanto, se encontrava em vigor quando da lavratura do AI, e o julgador apenas citou, para reforçar sua argumentação e se contrapor aos argumentos das recorrentes, o artigo com redação vigente à época da emissão do Acórdão recorrido, o que não invalida a decisão combatida. A IN 03/05 foi trazida pela autoridade julgadora por ser o normativo vigente quando da emissão do Acórdão, e a IN 20/2007, que deu nova redação ao inciso I, do citado artigo 179, do referido normativo legal, apenas acrescentou a expressão “conforme previsto no inciso IX do art.30, da Lei 8.212 de 1991” Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.000881/200789 Acórdão n.º 2301002.747 S2C3T1 Fl. 312 11 Assim, a IN 03/05, em sua redação original e vigente quando da lavratura do AI, já estabelecia, no inciso I, do seu art. 179, que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, são responsáveis solidárias, entre si, pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal. Nesse sentido, não merece reparos o Acórdão recorrido. Dessa forma, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, excluindo do débito, por decadência, os valores lançados até 11/00, inclusive. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10909.003793/2005-61
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3301-000.154
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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MARINE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolução nº 3301000.154 RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Ribeirão PretoSP, que julgou procedente o auto de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, dos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004, em razão de terem sido constatadas as seguintes irregularidades na apuração do referido tributo: Fl. 985DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10909.003793/200561 Resolução n.º 3301000.154 S3C3T1 Fl. 986 2 1.Falta de lançamento do imposto, caracterizada pela saída do estabelecimento de produto, sem emissão de nota fiscal, apurada através de receita de origem não comprovada; 2. Falta de lançamento do imposto na saída de produto tributado do estabelecimento, por não considerar sua atividade como de industrialização, conforme declarações entregues pelo SIMPLES como não contribuinte do IPI, ressaltandose que a empresa foi excluída do SIMPLES; De acordo com a decisão recorrida, a fiscalização constatou falta de lançamento do IPI, caracterizada pela saída do estabelecimento de produto sem emissão de nota fiscal. Tal fato foi apurado através de receita de origem não comprovada, pela verificação de movimentação financeira em instituições bancárias incompatível com os valores de receitas registrados na escrita fiscal. A impugnante contestou a utilização da movimentação financeira para a apuração do IPI devido. A omissão de receitas no presente caso já foi objeto de julgamento pela DRJ/Florianópolis no processo n° 10909.003790/200528, relativo ao auto de infração de IRPJ e contribuições, Acórdão n° 078148,de 14/07/2006, que concluiu que ficou caracterizada a omissão de receitas. Assim, se em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (parágrafo 2°), deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no parágrafo 1º da norma regulamentar em comentário. Portanto, caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), é inelidível a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal. CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO A fiscalização constatou que nas declarações entregues pelo SIMPLES (do qual a empresa foi excluída), a contribuinte informou que não é contribuinte do IPI. Verificouse então, que a empresa é fabricante de cascos e embarcações, com marca registrada FIBRAFORT, o que a enquadra no conceito de estabelecimento industrial, ficando caracterizada a falta de lançamento do imposto na saída de produtos tributados do estabelecimento. A auditoria aplicou sobre a base de cálculo a alíquota de 10% relativa a cascos e embarcações de recreio ou de esporte, código 8903.9900 da TIPI Através do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal de fls. 1313/1314, o auditor informou que de todas as saídas de produtos no período objeto do auto de infração, apenas as notas fiscais n° 1805, n° 1806, n° 1851 e n° 1852, emitidas em 24/06/2004, referemse a saídas de ambulanchas, sujeitas à alíquota de 5% de IPI. As demais saídas destinamse a embarcações de recreio e esporte, com alíquota de 10%. Intimada a se manifestar (fl. 1314), a contribuinte nada apresentou. Consta, todavia, nas próprias notas fiscais, que estas saídas foram para o mercado externo, e já foram excluídas da apuração do IPI a ser lançado. Conseqüentemente, não há qualquer reparo a fazer nos cálculos realizados pela fiscalização, mantendose integralmente o lançamento efetuado. MULTA DE OFÍCIO DE 75% Fl. 986DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10909.003793/200561 Resolução n.º 3301000.154 S3C3T1 Fl. 987 3 Em relação à multa de ofício a recorrente contesta o que entendeu ser a aplicação de dupla penalidade pecuniária, uma a título de multa proporcional e outra a titulo de multa de IPI nãolançado com cobertura de crédito, chegandose, no caso concreto, à aplicação de uma multa de oficio de 150% do valor do imposto que deixou de ser lançado. No entanto, não é isto que se verifica nos autos. O autuante aplicou somente uma multa de oficio de 75%. Tal multa está fundamentada no art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, considerando que os produtos fabricados pela contribuinte classificamse nas posições 8903.99.00 e 8901.90.00 da TIPI, ambas de alíquota de 10%, o autuante lançou as saídas de produtos (Anexos VII e IX) considerando esta alíquota de IPI, reconstituindo a escrita fiscal, com a concessão dos créditos pelas entradas de insumos, a decisão recorrida julgou procedente o auto de infração, conforme sintetiza a ementa do acórdão recorrido, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/2002 a 31/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Os depósitos em contascorrentes mantidas em nome da pessoa jurídica e de terceiros, cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas, presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de salda de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, ou a única, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. INDUSTRIALIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A fabricação de cascos e/ou embarcações caracterizase como industrialização, sujeitando as operações à incidência do IPI. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10909.003793/200561 Resolução n.º 3301000.154 S3C3T1 Fl. 988 4 Havendo conhecimento prévio da natureza das embarcações para os quais se destinam os cascos fabricados, afastase a aplicação da Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI, devendo o produto ser classificado no mesmo código das embarcações de destino. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É licita a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. Lançamento Procedente. Cientificada em 20/11/2008 (AR – fl. 871, do processo digitalizado), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 872 e seguintes, em síntese, reiterando os argumentos constantes da impugnação (fls. 1163/1187), aduzindo, em síntese, o seguinte: 1.A base de cálculo possível para o IPI é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, base econômica esta a ser apurada com espeque nas receitas tributáveis escrituradas nos Livros Registros de Saída, razão pela qual a movimentação financeira, não pode servir de suporte fático de incidência do IPI. 2. A empresa fabrica cascos de embarcação, e não embarcações, como equivocadamente afirma o autuante, produto este que se classifica na posição 8906.90.00 da TIPI, alíquota de 5%, com amparo na Nota 1 do Capítulo 89 da TIPI; os cascos fabricados não propiciam a aferição da natureza específica das embarcações que irão se formar, pois somente com a montagem final da embarcação é que se torna possível determinar a natureza da embarcação. 3.O lançamento ocorreu de forma discricionária, não tendo sido acompanhado de catálogos e laudos técnicos. 4.A empresa não fabrica somente cascos para embarcações de recreio ou de esporte, como presume a fiscalização, pois os cascos são adaptáveis para a utilização na busca e salvamento, policiamento, fiscalização e como ambulância; o autuante classifica erroneamente estes cascos na posição 8901.90.00. Nesse sentido sustenta que os "cascos" fabricados pela empresaautuada, por configurar uma simples parte de um todo composto de várias partes e diversos acessórios, tecnicamente denominada "embarcação", não tem o condão de revelar a natureza específica desta, conforme já teve a oportunidade de decidir a 3° Câmara do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: "IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL As partes e peças que não preencham os requisitos de uma máquina completa 'são partes e peças separadas', classificáveis segundo regime próprio, independentemente da classificação do produto final. (Acórdão 20300893, Rel. Osvaldo José de Souza, Sessão de 09.12.1993). Logo, não há como prosperar a insubsistente alegação lançada às fls. 15 do acórdão recorrido, de que "para efeitos de caracterização da industrialização, e da classificação fiscal dos produtos, é indiferente se a fabricação é somente de cascos, ou também de embarcações." Fl. 988DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10909.003793/200561 Resolução n.º 3301000.154 S3C3T1 Fl. 989 5 5.A autoridade aplicou dupla penalidade pecuniária, uma a título de multa proporcional e outra a título de multa de IPI nãolançado com cobertura de crédito, chegandose, no caso concreto, à aplicação de uma desautorizada multa de oficio não qualificada de 150% do valor do imposto que deixou de ser lançado. Por fim, requer o cancelamento dos autos de infração, ou, alternativamente, que a base de cálculo se restrinja às receitas escrituradas no Livro de Saída, com aplicação de alíquota de 5%, com multa de 75% do imposto que deixou de ser lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. A exigência do crédito tributário de IPI dos anoscalendários 2002, 2003 e 2004, é decorrente do fato da contribuinte ter sido excluída do SIMPLES, em razão de ter sido constatada movimentação financeira superior aos limites estabelecidos pelo aludido sistema de tributação, através do Processo n° 10909.003743/200584. A omissão de receita de IPI, objeto do presente processo, é decorrente da omissão apurada através do processo n° 10909.003790/200528, relativo ao auto de infração de IRPJ e contribuições, mantido pelo Acórdão n° 078148,de 14/07/2006 (DRJ), do qual o presente processo é reflexo. Ocorre, porém, que consultando o andamento do referido processo, através do sitio eletrônico deste colendo CARF, constatase que o referido processo ainda encontrase pendente de julgamento, tendo o processo sido distribuído ao Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, da 3ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em 20/09/2006. Desta forma, como o presente processo é decorrente do processo nº 10909.003790/200528, visto que a base de cálculo do IPI foi reconstituída com base na movimentação financeira da contribuinte, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência, para que se aguarde a conclusão do julgamento referido processo, para só então prosseguir no julgamento do processo de IPI, cujo andamento é a seguir reproduzido: .: Informações Processuais Detalhe do Processo :. Processo Principal : 10909.003790/200528 Nº Recurso : 153583 Data Entrada : 01/09/2006 Contribuinte Principal : F MARINE INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTO Tributo : Imposto de Renda Pessoa Juridica Situação do(s) Recurso(s) Tramitação DATA Recurso Ocorrência Recurso/Incidente Decisão Nº Decisão Despacho Data Decisão Despacho ORDINÁRIA 30/08/2006 Recurso Voluntário Andamentos do Processo Data Tramitação Fase Ocorrência Anexos Fl. 989DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10909.003793/200561 Resolução n.º 3301000.154 S3C3T1 Fl. 990 6 Situação do(s) Recurso(s) Tramitação DATA Recurso Ocorrência Recurso/Incidente Decisão Nº Decisão Despacho Data Decisão Despacho 22/11/2006 ORDINÁRIA FINALIZAÇÃO EXPEDIDO PARA OUTRO ÓRGÃO 16/11/2006 ORDINÁRIA FINALIZAÇÃO SAÍDA COM DESPACHO Orgao: Secretaria Geral 20/09/2006 ORDINÁRIA DISTRIBUIÇÃO PARA RELATO Unidade: 1º Conselho Orgao Julgador: 3ª Câmara 20/09/2006 ORDINÁRIA DISTRIBUIÇÃO SORTEADO PARA RELATOR Unidade: 1º Conselho Orgao Julgador: 3ª Câmara Relator: Paulo Jacinto do Nascimento 12/09/2006 ORDINÁRIA DISTRIBUIÇÃO AGUARDANDO SORTEIO PARA RELATOR Unidade: 1º Conselho Orgao Julgador: 3ª Câmara 12/09/2006 ORDINÁRIA DISTRIBUIÇÃO DISTRIBUÍDO OU SORTEADO PARA CÂMARA OU TURMA Unidade: 1º Conselho Orgao Julgador: 3ª Câmara 30/08/2006 ORDINÁRIA RECEPÇÃO AGUARDANDO DISTRIBUIÇÃO NA SECRETARIA Orgao: SECOJ SERVIÇO DE CONTROLE DE JULGAMENTO 30/08/2006 ORDINÁRIA RECEPÇÃO ENTRADA NO CONSELHO 3 últimos Andamentos É pacífica a jurisprudência deste colendo CARF no sentido de ser aplicado ao processo reflexo, no caso relativo ao IPI, o mesmo resultado apurado no processo matriz de IPRJ, in verbis: IPI. ESTORNO DE CRÉDITOS. Estornados os créditos de produtos obsoletos destruídos em conformidade com o art. 100, inciso VII, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, é de se declarar improcedente o lançamento. LANÇAMENTO FISCAL REFLEXO DO LANÇAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. Sendo o lançamento do IPI decorrente da fiscalização do IRPJ, resta claro o nexo de causa e efeito existente entre os lançamentos do IRPJ e IPI, devendose dar a ambos a mesma solução. Recurso de ofício negado. (Ac. 20400.544, julgado em 12/09/2005, processo nº 15374.001691/9956). No mesmo sentido: IPI. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento de IPI o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz de IRPJ , por terem suporte fático comum. Recurso de ofício negado. (Ac. 20176301, julgado em 20/08/2002, processo nº 15374.001882/9954) Desta forma, considerando que o presente lançamento de IPI é mero reflexo do lançamento do IRPJ, o que for decidido em um deve ser aplicado no outro, razão pela qual o presente julgamento deve ser convertido em diligência, para que se aguarde o resultado do julgamento do recurso no qual se discute a base de cálculo do IRPJ. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10909.003793/200561 Resolução n.º 3301000.154 S3C3T1 Fl. 991 7 Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que o processo seja encaminhado à DRF respectiva, para que esta aguarde o resultado do julgamento do processo nº 10909.003790/200528 (IRPJ), juntando ao final, cópia da decisão final do processo, devendo o presente processo retornar a este colegiado para dar prosseguimento no julgamento. Sala das Sessões, em 19 de julho de 2012 [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Fl. 991DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/10/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10930.001055/00-27
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato Gerador: 27/08/1999. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MP N 303/06. PERDA DO OBJETO DO PROCESSO.
A formalização de parcelamento do crédito tributário em discussão, nos moldes da MP nº 303/06, implica perda de objeto do recurso.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-02.948
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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Numero do processo: 19515.001745/2006-18
Data da sessão: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMINIO ECONÔMICO - CIDE
Data do fato gerador: 31/01/2002 a 30/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula nº 5 do 3ºCC).
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3202-000.052
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ( Exigência de crédito tributário )
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
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Numero do processo: 10245.001032/2005-26
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2004 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula CARF n° 12). RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE GABINETE E/OU AJUDA DE CUSTO/DIÁRIAS PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL. COMPROVAÇÃO DOS GASTOS. TRIBUTAÇÃO. ISENÇÃO. Ajuda de gabinete, ajuda de custo e diárias pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinam-se a atender despesas de gabinete, transporte, alimentação, estadia, frete e locomoção do contribuinte e/ou sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. RECEITA ORÇAMENTÁRIA DOS ESTADOS. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. IMPLANTAÇÃO DE NORMAS A RESPEITO DE FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA. O fato de o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte pelos Estados e Municípios, integrar sua receita orçamentária por força de disposições constitucionais, não implica na atribuição de competência às unidades da Federação para ditar normas a respeito de sua fiscalização e cobrança. MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA
FONTE PAGADORA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam integralmente o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Nelson Mallmann
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FALTA DE RETENÇÃO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção (Súmula CARF n° 12). RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE GABINETE E/OU AJUDA DE CUSTO/DIÁRIAS PAGAS COM HABITUALIDADE A MEMBROS DO PODER LEGISLATIVO ESTADUAL. COMPROVAÇÃO DOS GASTOS. TRIBUTAÇÃO. ISENÇÃO. Ajuda de gabinete, ajuda de custo e diárias pagas com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual estão contidas no âmbito da incidência tributária e, portanto, devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração Ajuste Anual, quando não comprovado que ditas verbas destinamse a atender despesas de gabinete, transporte, alimentação, estadia, frete e locomoção do contribuinte e/ou sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. RECEITA ORÇAMENTÁRIA DOS ESTADOS. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. IMPLANTAÇÃO DE NORMAS A RESPEITO DE FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA. O fato de o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte pelos Estados e Municípios, integrar sua receita orçamentária por força de disposições constitucionais, não implica na atribuição de competência às unidades da Federação para ditar normas a respeito de sua fiscalização e cobrança. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 2 MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA. NÃO INCIDÊNCIA. Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam integralmente o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator Ad Hoc Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Antonio Lopo Martinez, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório SEBASTIÃO PORTELA, contribuinte inscrito CPF/MF sob o n° 021.410.27934 com domicílio fiscal na cidade de Boa Vista – Estado de Roraima, na Rua Coronel Mota, nº 1096 – Bairro Centro, jurisdicionado à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Boa Vista RR, inconformado com a decisão de Primeira Instância (fls. 104/118), prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 125/148. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 11/08/2005, o Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 47/55), com ciência através de AR, em 26/08/2005 (fls. 60), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 63.801,06 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda de Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2001 e 2004, correspondente aos anoscalendário de 2001 e 2003, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS: Omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. Vide termo de verificação fiscal que integra este Auto de Infração. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990 e artigo 1° da Lei n° 9.987, de 1999. 2 – CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF: Rendimentos classificados indevidamente na DIRPF. Vide termo de verificação fiscal que integra este auto de infração. Infração capitulada nos artigos 1° a 3° e 55, da Lei n°7.713, de 1988; artigos 1° ao 3°, da Lei nº 8.134, de 1990 e artigo 10 da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002. Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal, entre outros, os seguintes aspectos: que recebemos a resposta do contribuinte no dia 22 de mar/2005. Nesta, o contribuinte afirma não ter declarado os rendimentos recebidos de Pessoa jurídica por esquecimento e por não ter recebido o devido comprovante da fonte pagadora. E, em busca de comprovar as diárias recebidas e sua isenção, apresentou o controle financeiro mantido pela Assembléia Legislativa do Estado de Roraima ALERR (fls. 17 a 19); que lavramos nova intimação, onde, mais uma vez, intimamos o contribuinte a apresentar os documentos que comprovem os valores recebidos a título de Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 4 diárias e, ainda, citamos as disposições legais que devem ser consideradas para a isenção destes valores (fls. 20 e 21); que mediante solicitação, por escrito, de prazo adicional para o atendimento à nossa intimação ((l 22), lavramos termo especifico concedendo 10 dias para tal (fls. 23 e 24); que em resposta protocolada nesta Delegacia no dia 5 de mai/2005, e mediante procuração outorgada ao Sr. Erick Franklin (fls. 26), o contribuinte alega que os documentos solicitados nesta fiscalização quanto as diárias recebidas estão em poder da ALERR, devido a necessidade de apresentação àquele órgão para o recebimento de tal (fls. 25); que adicionalmente, recebemos um resumo da fiscalização elaborado pelo contribuinte, onde requer, sem acostar documentos comprobatórios, que as diárias recebidas sejam consideradas como rendimento isento e nãotributável, visto os constantes deslocamentos acidentais e transitórios para demais Municípios fora da sede da Assembléia Legislativa de Roraima (fls. 27 e 28); que adicionalmente a fiscalização corrente, iniciamos o procedimento de diligência na ALERR justamente para apurar os valores referentes as diárias pagas pela entidade ao longo dos AC 2002 a 2004 (fls. 29 a 31); que recebemos o Oficio 81/Gab Pres/Ale/05, datado de 11 de mai/2005 e protocolado nesta Delegacia na mesma data. Neste oficio, há a negativa de resposta a nossa diligência, visto sinistro ocorrido no setor de arquivos daquela Casa, sito à Av. Presidente Vargas, 466A, Bairro Aparecida, no dia 7 de abril/05 (fls. 32 e 33); que dando prosseguimento ao procedimento de fiscalização, o Intimamos a apresentar as resoluções, emitidas pela presidência da ALERR, que corroborem a defesa da isenção das diárias pagas por aquele casa e recebidas no AC 2003 (fls. 37 a 40); que em documento escrito protocolado nesta Delegacia da Receita Federal no dia 13 de jun/2005, o contribuinte solicita novo prazo adicional para o atendimento ao termo lavrado em 21 de mai/2005 (fls. 41). Prontamente atendemos o pleito, lavrando termo específico e prorrogando o prazo em 10 dias (fls. 42 e 43); que passados exatamente 1 mês, em 13 de julho/2005, o contribuinte solicita mais prazo, novamente atendido nesta fiscalização mediante termo lavrado em 14 de jul; 2005 (fls. 44 a 46); que mediante informações contidas nos sistemas internos da Receita Federal (fls. 35 e 36) e corroboradas pelo próprio contribuinte vide parágrafo 40 constatamos que houve Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de PJ no AC 2000, e no montante total de R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais), com retenção do Imposto de renda na Fonte no valor de R$ 5.580,00 (cinco mil e quinhentos e oitenta reais); que o contribuinte, tampouco a casa à qual é vinculado, não apresentou os documentos necessários para a comprovação ' da isenção dos valores recebidos a titulo de diárias. Adicionalmente a falta de documentos comprobatórios, temos que analisar os elementos que cercam o tema. Em sua peça impugnatória de fls. 62/74, instruída pelos documentos de fls. 75/103, apresentada, tempestivamente, em 21/09/2005, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, sem síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 3 5 que é improcedente, todavia, a presente Autuação, pois, o Impugnante jamais foi questionado quando de sua declaração pela SRF e jamais caiu na Malha referente ao ano do fato gerador, o que causou surpresa ao mesmo tal atitude dessa r. Delegacia; que ao se proceder uma análise do presente AI, verificase que a Autoridade Autuante solicitou Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, diversas informações e documentos, que foram plenamente respondidos e informados, cuja solicitação visava tão somente, a verificação dos valores recebidos a titulo de diárias, o que ficou devidamente comprovado, não satisfazendo, porém a Autoridade Autuante, que mesmo assim, lavrou o presente AI; que vale salientar, que a responsabilidade da tal retenção na Fonte é estritamente da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima como Pessoa Jurídica, que em caso de discordância, poderia ter notificado todos os Deputados visando o recolhimento ou elaboração de Declaração Retificadora; que, nesse sentido, o Parecer Normativo SRF 01/02, estabelece que, ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros mora, devendo o contribuinte que sofreu a retenção oferecer à tributação e compensar o imposto retido; que mesmo que se quisesse advir outra interpretação visando alargar a incidência de tal imposto, poderseia dizer taxativamente que o IR somente poderia incidir sobre um acréscimo patrimonial, o que não foi demonstrado pela Autoridade Autuante, conforme se faz prova os documentos anexados ao Auto de Infração, os quais foram solicitados apenas a Fonte Pagadora, já que o impugnante é apenas o beneficiário da renda creditada; que no que tange à documentação hábil e idônea que comprova os deslocamentos e diárias do impugnante, temse que as provas documentais referentes as diárias não guardam relação com a prestação de conta, como bem informou a Secretária da Receita Federal em resposta à consulta; que a par da discussão acerca da isenção ou não das diárias pagas aos parlamentares, temse que o IR foi retido na fonte durante todos os anos calendários sobre as diárias recebidas. Tal retenção encontrase discriminada no AI e nos documentos fornecidos pela ALER, fonte pagadora, E DESCONSIDERADOS PELO AFRF, haja vista contrariar diversos dispositivos constantes no Processo Administrativo Fiscal e no RIR/99, não merecendo respaldo as alegações descabidas do AFRF que desconsiderou todos os documentos e alegações do Impugnante, que não foram contrariadas pelo Fisco, merecendo o Impugnante a INTERPRETAÇÃO BENIGNA, pois, em caso de dúvida quanto à correta identificação das circunstâncias e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN; que ao realizar a Denuncia Espontânea o Impugnante é beneficiária da exclusão da Multa Punitiva (de oficio), em virtude de ter havido tal denuncia antes de realizado qualquer procedimento fiscalizatório, conforme exclusão prevista no artigo acima citado e já pacificado na nossa Jurisprudência Pátria. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Segunda Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 6 Federal de Julgamento em Belém PA concluiu pela procedência da ação fiscal e manutenção do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, primeiramente, cabe examinar a alegação de ilegitimidade do impugnante para figurar no pólo passivo deste processo administrativo fiscal, vez que a responsabilidade pela retenção e/ou recolhimento do tributo exigido seria da fonte pagadora; que de plano, esclareço que a presente relação jurídica tributária, objeto das infrações omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e rendimentos classificados indevidamente na DIRF, versa sobre o Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) devido pelo contribuinte nos exercícios de 2001 e 2004, anos calendário de 2000 e 2003, cuja hipótese de incidência é anual. Não trata a presente lide sobre Imposto de Renda Retido na Fonte (ERRE) de responsabilidade da fonte pagadora, com hipótese de incidência mensal; que tal regra conduz à necessária conclusão de que a obrigação do contribuinte em pagar o Imposto de Renda das Pessoas Físicas, com hipótese de incidência anual (e base de cálculo englobando "todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte') não é excluída pela obrigação da fonte pagadora cm pagar o Imposto de Renda Retido na Fonte; que o titular do rendimento tributado na fonte sujeitase à apresentação de declaração anual de ajuste, mediante a qual será apurado o quantum de imposto ainda devido ou da restituição do que foi pago a maior. Havendo esta obrigação, não procede a tese da concentração de responsabilidade tributária exclusivamente na fonte pagadora. Nesse sentido, dispõe o art. 13, parágrafo único da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991 e o art. 12, I, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; que quanto ao litígio sobre a procedência da tributação de verbas denominadas DIÁRIAS" pela fonte pagadora (ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE RORAIMA), sobre o pagamento de tais verbas não houve retenção de imposto de renda na fonte e o sujeito passivo as classificou como rendimentos isentos nas declarações de IRPF respectivas; que, inicialmente, cabe aqui explanar acerca da expressão renda e proventos de qualquer natureza que surgiu em nosso ordenamento jurídico com a Constituição de 1934 e foi repetida nos demais textos supremos. Na verdade, procurouse conceituar de forma distinta duas expressões que são sinônimos imperfeitos. Acrescentouse à expressão referida o complemento "de qualquer natureza" para gizar que qualquer ingresso de riqueza nova no patrimônio de alguém, independentemente de sua origem, é passível de incidência deste tributo. O vocábulo "renda" ligado ao acréscimo patrimonial dela decorrente já abrangeria todas as situações de incidência, mas, visando evitar interpretações restritivas, foi acrescentada a expressão "proventos de qualquer natureza"; que a responsabilização do agente por infração à legislação tributária independe de o mesmo ter contribuído, cooperado, colaborado ou não para o cometimento do incito tipificado em lei. Basta que se verifique a ocorrência da violação à norma para que se responsabilize o seu infrator. Portanto, é inócua a alegação do sujeito passivo de que agiu de maneira contraria à legislação tributária em razão de informações errôneas prestadas pela fonte pagadora; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 4 7 que a apresentação da declaração de rendimentos é uma obrigação tributária acessória e como tal, nos termos dos artigos 113, § 2º e 115 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), decorre da legislação tributária; que, não pode, portanto, o sujeito passivo transferir quer para a autoridade lançadora, quer para o julgador os problemas relativos a documentação fornecida pelas fontes pagadoras, no caso a ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE RORAIMA. Já o art. 136 do CTN esclarece de vez a questão; que ao constatar divergência entre as informações contidas nos seus contracheques (e extratos bancários) e aquelas fornecidas pela fonte pagadora, nos comprovantes de rendimentos fornecidos, o litigante deveria ter sido zeloso em apresentar Declaração de Ajuste Anual Retificadora, e efetuar o pagamento da diferença de tributo apurado caso houvesse, o que in casu não aconteceu. Poderia, também, dirigirse à Receita Federal em busca de orientação de corno deveria proceder, caso a fonte pagadora não encaminhasse a DIRF Retificadora; que, assim, fui fatal para o sujeito passivo deixar de adotar as medidas cabíveis, ou seja, a apresentação da Declaração Retificadora, o que o eximiria de qualquer responsabilidade; que, desta forma, compete à autoridade administrativa tributária constituir o credito tributário pelo lançamento sob pena de responsabilidade funcional. Mantémse, portanto, o lançamento; que nos termos do disposto no artigo 138 do CTN, para a exclusão da responsabilidade (no caso a aplicação de multa de oficio), a denúncia espontânea somente é excluída se acompanhada do pagamento do débito confessado. Nesse particular, o impugnante só fez argumentar, no logrando comprovar ter efetuado os pagamentos dos créditos vinculados não confirmados, como relacionado no auto de infração. As ementas que, resumidamente, consubstanciam os fundamentos da decisão de Primeira Instância são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE À RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2003 EMENTA: IMPOSTO DE RENDA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. REPASSE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O art. 43 do Código Tributário Nacional determina que o acréscimo patrimonial deve ser alvo de tributação do imposto de renda (hipótese de incidência). No caso de disponibilidade econômica decorrente do recebimento de recursos financeiros, o contribuinte possui o ônus de demonstrar o imediato repasse ou a natureza não tributável de tais recursos. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 8 comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa ao possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Nesse passo, o Fisco deve comprovar regularmente seu direito ao crédito tributário provando o acréscimo patrimonial. Já o contribuinte deve apresentar qualquer fato extintivo, modificativo ou impeditivo ao referido acréscimo. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 28/06/2007, conforme Termo de Intimação de fls. 121/123 e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, dentro do prazo hábil (23/07/2007), o recurso voluntário de fls. 125/148, sem instrução de documentos adicionais, no qual demonstra total irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 220200.576 de 16 de junho de 2010, processo atualmente de competência da 2ª Seção de Julgamento, e tendo em vista que o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção resolveu me designar, como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A matéria de que trata estes autos se restringe tãosomente aos valores recebidos a título de “diárias” da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima e consignada pela fonte pagadora como rendimentos isentos ou não tributáveis. De fato, analisandose os documentos acostados aos autos, relativos à fonte pagadora Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, bem como o Termo de Verificação Fiscal, constatase que a apuração de omissão de rendimentos tributáveis, nos anoscalendário 2000 e 2003, referemse as verbas recebidas pelo contribuinte, na condição de parlamentar, a título de “diárias”, verbas essas, consideradas pela mencionada fonte pagadora como não tributáveis. Observase, ainda, que em correspondência encaminhada pela Secretaria Geral de Administração da Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, em decorrência de procedimento fiscal instaurado junto aquela Casa Legislativa, que a Secretaria da Receita Federal foi informada que os Srs. Deputados, no exercício de seus mandatos, passaram a contar com verbas denominadas “Diárias”, num determinado valor mensal. Em sua defesa o contribuinte noticia que as verbas apontadas pelo Fisco, como omitidas, referemse a valores mensais pagos pela Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, para cobrir gastos necessários ao deslocamento dos Deputados, no legítimo exercício do cargo para o qual foram eleitos, tendo, assim, essas verbas, caráter indenizatório, não havendo, outrossim, base para a pretensão deduzida no lançamento, já que inexistiram, no caso, acréscimo patrimonial, bem como riqueza consumida. Desta forma, para que haja melhor compreensão no julgamento deste feito, será adotada uma metodologia didática para a apreciação das múltiplas contestações interpostas pelo Recorrente, cuja abordagem será desenvolvida em função dos prismas a seguir descritos: Quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 10 Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem / Ajuda de Custo / Diárias – Incidência Tributária; O poder de tributar da União, Estados e Municípios; Multa e responsabilidade de fonte pagadora. Quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente, temse que de uma leitura atenta da peça recursal logo evidencia que o suplicante entende que o imposto de renda na fonte em discussão é típico de imposto por antecipação do devido na declaração e só poderia ser exigido da fonte pagadora. A jurisprudência firmada neste Tribunal Administrativo quanto à matéria, após longo estudo e debate, se desenvolveu no sentido da legalidade de tais lançamentos quando a ação fiscal ocorrer depois de encerrado o anocalendário. Assim, após a análise da questão em julgamento só posso acompanhar a decisão de Primeira Instância, já que o meu entendimento, acompanhado pelos dos demais pares desta Turma de Julgamento, sobre o caso é convergente, pelas razões alinhadas na seqüência: Indiscutivelmente, estamos diante de um imposto com característica de imposto, que poderia ter sido exigido na fonte, conhecido como antecipação do devido na declaração. O Código Tributário Nacional – CTN reconhece a existência de duas possíveis entidades pessoais no pólo passivo de qualquer relação jurídica tributária, quais sejam: o contribuinte e o responsável (art. 121, parágrafo único). Desta forma, somente pode ser sujeito passivo a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador – hipótese em que a pessoa é contribuinte , ou a pessoa que não seja o contribuinte, mas tenha necessariamente algum tipo de vínculo com o fato gerador – hipótese prescrita no art. 128 do CTN para a figura do responsável. O art. 45 do Código Tributário Nacional CTN conceitua o contribuinte do imposto de renda como a pessoa que seja titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento tributável. Como, também, no parágrafo único do mesmo artigo estatui que “a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam”. Assim, aquele que aufere a renda ou o provento é o contribuinte do imposto de renda, por ter relação direta e pessoal com a situação que configura o fato gerador desse tributo, que é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento. Por outro lado, a fonte pode ser responsabilizada legalmente pelo cumprimento da obrigação de recolher o imposto de renda porque possui um vínculo com o fato gerador, eis que efetua o pagamento ou crédito que decorre da renda ou do provento tributável, embora não tenha relação natural com o fato sujeito à tributação, já que não é a pessoa titular da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento tributável. Nesta Turma de Julgamento que tem origem na antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que quando a fonte tenha efetuado a retenção e fornecido o respectivo comprovante ao beneficiário da renda ou do provento, e caso o imposto seja considerado antecipação do imposto devido pelo Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 6 11 beneficiário na declaração de ajuste anual, este tem o direito de compensar o imposto retido, ainda que a fonte não o tenha recolhido, já que a responsabilidade passa a ser exclusiva da fonte pagadora. Da mesma forma, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o anobase da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. Em síntese, a fonte tem o direito de descontar o imposto de renda na fonte quando paga a renda ou provento e por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da fonte o informe de rendimento e retenção, para que possa exercer os efeitos de direito daí eventualmente derivados, inclusive o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto que tiver que pagar na declaração de ajuste anual. Assim, é conclusivo que, segundo a lei tributária, para que o contribuinte possa exercer o direito de compensar o imposto pago na fonte com o imposto a pagar sobre os rendimentos na declaração anual de ajuste, é necessário que a fonte lhe forneça o comprovante de retenção. No caso em análise, é fato inegável que o valor pago para o suplicante tem origem em rendimentos tributáveis sujeitos à retenção na fonte como antecipação do imposto devido na declaração. Por outro lado, temse como regra básica que a percepção de rendimentos pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária. Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em que se considera ocorrida à disponibilidade da renda ou dos proventos e, conseqüentemente, em que nasce a obrigação tributária correspondente. A responsabilidade pela retenção do imposto, no caso dos autos, nos termos da lei que a instituiu, se dá a título de antecipação daquele que o contribuinte, pessoa física, tem o dever de apurar em sua declaração de ajuste anual. A pessoa física beneficiária é o titular da disponibilidade econômica, ou seja, é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte não efetuar a retenção, a título de antecipação do devido na declaração, não exime o contribuinte pessoa física de incluir os rendimentos recebidos em sua declaração de ajuste anual. Logo, considerando que a pessoa física beneficiária dos rendimentos pagos, sobre o qual se poderia, na época oportuna, terse exigido o imposto de renda da fonte pagadora a titulo de antecipação (antes do encerramento do anocalendário), encontrase relacionada nominalmente na listagem. Assim, cabe a constituição do lançamento de ofício junto àquele contribuinte, uma vez comprovado que o mesmo deixou de oferecer estes valores à tributação em suas declarações de ajuste anual (declaração indevida de IRF – redução indevida do imposto apurado). Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 12 No caso de imposto incidente na fonte, a título de redução na declaração, a ausência da retenção não exime o beneficiário de declarar todos os rendimentos recebidos no anobase, pois a pessoa jurídica ou física beneficiária é efetivamente o sujeito passivo contribuinte, nos exatos termos da lei. Em face de julgamentos levados a efeito neste Colegiado, constatouse, ainda, que o Fisco, em lançamento de ofício, ora exigia o imposto de renda junto à fonte pagadora, ora exigia o imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, seja lançando os rendimentos omitidos na declaração, seja deslocando rendimentos declarados como isentos/não tributáveis para rendimentos tributáveis. A legislação regente não dá guarida a essa opção, quanto ao mesmo fato (rendimento). Por ocasião do lançamento, só há um sujeito passivo. A lei não dá guarida ao fisco de eleger, conforme as circunstâncias, ora um, ora outro. Tendose a identificação do beneficiário, sobre ele deve recair o imposto, visto ser sujeito passivo contribuinte da relação jurídica. Dandose a ação fiscal dentro do anobase, a exigência há de ser na fonte pagadora, nos exatos preceitos da lei. Qualquer outro procedimento poderseia chegar à situação de se exigir o mesmo imposto tanto da fonte pagadora como do contribuinte pessoa física ou jurídica, tipificando bis in iden. Há possibilidades para tanto, por exemplo: fonte pagadora em determinada Região Fiscal e pessoa física ou jurídica em outra; pessoa física ou jurídica não mais com vínculo com a fonte pagadora, sem que essa possa informar ao beneficiário do rendimento ter sofrido a ação fiscal para recolher o imposto não retido e a pessoa física ou jurídica beneficiária também sofrer ação fiscal. Em outra situação, poderseia exigir o imposto na fonte quando o beneficiário sequer estaria sujeito à apresentação da declaração, quando, então, a exigência do imposto na fonte, após o prazo da entrega da declaração, seria improcedente, visto que a incidência, nos termos legais, é tãosomente a título de antecipação. Antecipar o quê se, nesse caso, sequer o beneficiário encontrava obrigado a apresentar a DIRPF. Assim, é que o legislador, nos casos de incidência na fonte, quanto a rendimentos pagos e não sujeitos a ajuste anual, previu ser de inteira responsabilidade da fonte pagadora o recolhimento de imposto não retido. Falase, aqui, do Decretolei n° 5.844, de 1943, com ênfase aos seus artigos 99, 100 e 103. Referidos artigos encontramse consolidados nos arts. 574 e parágrafo único, 576 e 576 do RIR/80; 791, 795 e 919 do RIR/94; e 717, 721 e 722 do RIR/99, citando os dois primeiros a título de ilustração e, o último, em vigência. Apesar de os três Regulamentos acima citados considerarem os dispositivos legais previstos no Decretolei n° 5.844, de 1943, como também aplicáveis à obrigação da fonte de reter o imposto quando do pagamento de rendimento sujeitos à incidência na fonte a título de antecipação, não é este o ordenamento jurídico previsto naquele diploma legal. Na sistemática do Decretolei n° 5.844, de 1943, no “Título I Da Arrecadação por Lançamento Parte Primeira Tributação das Pessoas Físicas” (arts. 1° a 26) previase a incidência de imposto de renda anual, por cédulas, deduções cedulares e abatimentos) e ainda não contemplava a incidência de imposto na fonte sobre os rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual. Na “Parte Segunda Tributação das Pessoas Jurídicas” do art. 27 a 44. Os artigos 45 a 94 referemse a casos especiais de incidência de imposto (espólio, liquidação, extinção e sucessão de pessoas jurídicas, empreitadas de construção, atividade rural, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 7 13 transferência de residência para o País, administração do imposto pela entrega da declaração, pagamento do imposto em quotas, meios, local e prazo de pagamento). O Título II Da Arrecadação das Fontes que interessa à formação de convicção para julgamento do lançamento em questão, desdobrase em III Capítulos, que são: O Capítulo I envolve os seguintes rendimentos: quotaspartes de multas (art. 95), títulos ao portador e taxas (art. 96), rendimentos de residentes ou domiciliados no estrangeiro (art. 97) e de exploração de películas cinematográficas estrangeiras (art.98). Esses rendimentos sujeitavamse ao imposto de renda na fonte a alíquotas específicas. O Capítulo II Da retenção do Imposto determina, no art. 99, o momento em que compete à fonte reter o imposto referente aos rendimentos especificados nos arts. 95 e 96. E, no art. 100, o momento da retenção quanto aos rendimentos tratados nos arts. 97 e 98. O Capítulo III Do Recolhimento do Imposto disciplina a obrigatoriedade de recolher aos cofres públicos o imposto retido e o prazo desse recolhimento (arts. 101 e 102, respectivamente). E, em seu art. 103, espelha o seguinte ditame legal: Art. 103. Se a fonte ou o procurador não tiver efetuado a retenção do imposto, responderá pelo recolhimento deste, como se o houvesse retido. Dos dispositivos legais acima, podese constatar os seguintes fatos: 1 No Decretolei n° 5.844, de 1943, ainda não havia sido instituído o regime de tributação de imposto na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado e não assalariado, que eram tributados tãosomente na declaração anual; 2 Os artigos 95 a 98 do referido Decretolei contemplam quatro tipos de rendimentos que se sujeitavam ao imposto na fonte e não eram incluídos na declaração anual. Ou seja, embora não expressamente na lei, a incidência era de exclusividade de fonte; 3 Na seqüência, tratandose de rendimentos que sofriam a incidência de imposto de renda na fonte quando do pagamento ao beneficiário, sem que aqueles rendimentos se sujeitassem à tributação na declaração anual, sabiamente o legislador, no art. 103, instituiu a figura típica do responsável pelo imposto, caso não tivesse efetuado a retenção a que estava obrigado. Assim, em casos que tais, instituiuse a figura do substituto, conforme defendido na doutrina. É de notório conhecimento o disciplinamento do inciso III, do art. 97, do CTN, através do qual somente a lei pode estabelecer a definição de sujeito passivo. Ocorre que, ao longo dos anos, o artigo 103 do Decretolei n° 5.844, de 1943, equivocadamente, vem constituindo matriz legal de artigo de Regulamento do Imposto de Renda, baixado por Decretos, os quais têm a função de tãosomente consolidar e regulamentar a legislação do imposto de renda. Assim, nos termos do art. 99 do CTN, “O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, ...”. Logo, não pode dispositivo regulamentar, baixado por Decreto, estender o conceito de sujeito passivo, no caso de responsável, onde a lei não o fez. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 14 A responsabilidade, no caso da fonte pagadora obrigada a reter o imposto de renda, a título de redução daquele a ser apurado na Declaração de Ajuste Anual, se dá tão somente dentro do próprio anobase. Cabível, sem, contudo, pretender firmar posição, o entendimento de ser o ato de reter o imposto, na sistemática de antecipação, mera obrigação acessória. Isto porque o fato de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto na fonte, a título de antecipação, por mero equívoco ou mesmo omissão, não significa que o beneficiário do rendimento esteja desobrigado de incluir esses rendimentos entre aqueles sujeitos na declaração, pois, efetivamente, é ele o contribuinte. Nesse sentido, vasta é a jurisprudência deste Colegiado e também a das demais Câmaras deste Conselho, competentes para julgar a matéria, podendose citar os seguintes Acórdãos 10243.925, 10412.238 e 10611.335. Podese, pois concluir, o equívoco quanto à eleição da fonte, como sujeito passivo (responsávelsubstituto), quando a retenção é, por lei, mera antecipação do devido na declaração, e a exigência se dá após o correspondente anobase. Até porque, perante o órgão fiscalizador e julgador administrativo, em primeiro ou segundo grau, a pessoa física ou jurídica são os beneficiários dos rendimentos e, portanto, sujeito passivo/contribuinte na declaração de rendimentos. Daí a firme jurisprudência administrativa no sentido de se manter a exigência do imposto de renda apurado na declaração anual, decorrente da inclusão dos rendimentos que não sofreram a incidência na fonte. A este respeito à própria Secretaria da Receita Federal fez publicar o Parecer Normativo SRF nº 01, de 24 de setembro de 2002, onde se aborda o tema, na mesma linha de pensamento deste Tribunal Administrativo. Qual seja: em se tratando de imposto retido na fonte no regime de antecipação, a responsabilidade do contribuinte é supletiva à do substituto tributário, que passa a ser excluído do pólo da sujeição passiva a partir da data para a entrega da declaração de rendimentos do beneficiário pessoa física, ou, após a data prevista para encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, conforme se depreende dos excertos abaixo transcritos: Sujeição Passiva tributária em geral 2. Dispõe o art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: (...). 4. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributário. 5. Nos termos do art. 128 do CTN, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 8 15 6. A fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto. Pode ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação). (...). Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Responsabilidade tributária na hipótese de nãoretenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tãosomente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. (...). 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 16 que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou não pagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999, conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: (...). 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9ª da Lei nº 10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. As decisões prolatadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, temse manifestado, sistematicamente, no mesmo sentido, conforme se constata nas decisões abaixo: Acórdão CSRF 0103.661 – DOU 22/04/03: IRF – ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – FALTA DE RETENÇÃO – RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA – Constatada pelo Fisco a ausência de retenção do Imposto de Renda na Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, após o término do anocalendário, incabível a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de Imposto de Renda na Fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, o beneficiário do rendimento. Acórdão CSRF 0104.565 – DOU 12/08/03: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 9 17 IRF – RESPONSABILIDADE – Nas hipóteses de falta de retenção e recolhimento do IR Fonte como antecipação do devido no ajuste anual da pessoa jurídica, o tributo só pode ser exigido da fonte até o fim do ano base, cabendo a partir daí a exigência na pessoa física beneficiária, eleita pela lei como contribuinte e que deveria incluir os rendimentos em sua declaração, (Dec. Lei 5.844/43 arts. 76, 77 e 103, Lei n 8.383/91 arts. 8º, 11, 13, § único e 15 inc. II). Acórdão CSRF 0103.775 – DOU 04/07/03: IRF – ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – FALTA DE RETENÇÃO – RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA – Constatada pelo Fisco a ausência de retenção do Imposto de Renda na Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, após o término do anocalendário, incabível a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de Imposto de Renda na Fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda se for o caso, deverá ser efetuado em nome dos contribuintes, beneficiários, sobretudo se, sendo estes diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, os benefícios resultaram de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (CTN, artigos 135, 137, I e II, e 14). Assim sendo, não tem sentido a argumentação do suplicante para que se exija da fonte pagadora o imposto em questão, já que o mesmo representa simples antecipação do tributo devido pelo suplicante envolvido e o lançamento ocorreu depois de encerrado o período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Para o caso dos autos (falta de retenção de IRRF) aplicase a Súmula 1º CC nº 12: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos ä incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ä respectiva retenção”. Atualmente transformada em Súmula CARF nº 12. Sustenta, ainda, o suplicante a tese de que a União é incompetente para atuar como pólo ativo no presente procedimento administrativo fiscal. Com a todas as vênias necessária, a tese merece alguns reparos. Preliminarmente, é de se destacar que nossa Carta Magna no Título VI – DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO – Capítulo I – DO SISTEMA TRIBUTÁRIA Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 18 NACIONAL, dita as normas que devem ser observadas pela União, Estados e Municípios. Os art.’s 145 a 162 disciplinam os princípios gerais, o poder e a limitação de tributar e da repartição das receitas tributárias. Reza o inciso III do art. 153 da Constituição Federal: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...). III – renda e proventos de qualquer natureza;” O art. 43 do Código Tributário Nacional – Seção IV – Imposto de Renda e Proventos de qualquer Natureza, dispõe: “Art. 43 – O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos não compreendidos no inciso anterior. O ilustre mestre Prof. Dr. CELSO RIBEIRO BASTOS, “in” Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário – 5ª Edição – Editora Saraiva – ao abordar em seu Capítulo II – a Competência Tributária, preleciona: 2. DISTRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIAS É um dos suportes fundamentais da Federação o poder instituir e arrecadar tributos próprios. Não poderia haver uma efetiva autonomia dos diversos entes que compõem a Federação se estes dependessem tãosomente das receitas que lhes fossem doadas. Não. Sem a independência econômica e financeira não pode haver qualquer forma de autonomia na gestão da coisa pública. Daí porque a nossa Constituição Federativa esmerarse em conferir tributos próprios às diversas entidades que a compõem (à União, aos EstadosMembros, ao Distrito Federal e aos Municípios). Análise do acima exposto nos leva a concluir indubitavelmente que a competência de instituir e arrecadar o Imposto sobre Renda e Proventos de qualquer Natureza é da União que, portanto, tem o poder de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito o passivo. Isto é o que está prescrito no art. 194 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito, “in verbis”: Art. 194 – A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Assim, não há como prosperar a tese do Recorrente quanto a União atuar como pólo ativo nos autos deste procedimento administrativo fiscal. A competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre Renda e Proventos de qualquer Natureza” é da União conforme disciplina as disposições constitucionais e legais acima descritas. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 10 19 O que não se pode confundir é o poder e a competência de tributar com a repartição das receitas tributárias, estas com indiscutível e inatacável objetivo de promover a gestão orçamentária e financeira do Poder Público. De fato a Seção VI, do Capítulo I, do Título VI da Constituição Federal trata da repartição da receitas tributárias e, o art. 157, prescreve: Art. 157 – Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I – o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda e proventos de qualquer natureza, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem (...). Ora, o dispositivo constitucional acima em hipótese alguma autoriza interpretar que pelo simples fato de pertencer aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem, tenha sido outorgado aos Estados Membros da Federação competência para ditar normas quanto a instituição, arrecadação e fiscalização do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Notese que aqui se faz referência a imposto da União e não dos Estados, Municípios e Distrito Federal. Portanto, o objetivo do disposto no artigo retromencionado é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União e, neste particular, o artigo 159 estabelece as normas para sua distribuição disciplinado em seu § 1° que para efeito de cálculo a entrega a ser efetuada de conformidade com o previsto em seu inciso I, excluirá a parcela da arrecadação do imposto de renda e proventos de qualquer natureza pertencente aos Estados e ao Distrito Federal nos exatos termos do disposto no inciso I do art. 157. Neste particular, adverte HUGO DE BRITO MACHADO, “in” Curso de Direito Tributário, 19a Edição Atlas: Não se há de confundir a condição de sujeito ativo com a de destinatário do produto da arrecadação ou fiscalização de tributos, ou da execução de leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária. Essas atribuições podem ser conferidas por uma pessoa jurídica de direito público a outra, mas isto não implica transferência da condição de sujeito ativo. Ademais, se o Estado deixar de promover a retenção do imposto de renda devido, renunciando, portanto, a arrecadação que lhe pertence, o sujeito passivo da obrigação tributária na qualidade de titular da disponibilidade econômica e jurídica do rendimento (Art. 45, do CTN), terá que oferecêlo à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual. Por derradeiro, frisese que nos autos deste procedimento administrativo fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte, mas, sim, o fato de o Recorrente não ter incluído no conjunto dos rendimentos tributáveis a parcela à ele atribuído a título de “Ajuda de Custo” (Auxílio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem, Diárias). Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN 20 Quanto ar a questão relativa a legalidade da exigência da multa de ofício de 75% sobre o valor do imposto, entendo que a razão esta com o suplicante, pelos motivos abaixo expostos. Quanto ao mérito da discussão, os autos dão provas de que, o suplicante é realmente o sujeito passivo do tributo reclamado nestes autos, independentemente de ter havido ou não a retenção na fonte. Outrossim, por força do protesto interposto pelo suplicante, é indiscutível e inatacável que o contribuinte, utilizandose das informações prestadas pela Assembléia Legislativa do Estado de Roraima, considerou, nos anoscalendário 2000 e 2003, os valores recebidos na condição de parlamentar, como nãotributáveis, sendo induzido a erro escusável no preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual. É de se admitir que o suplicante agiu de boa fé ao utilizarse das informações prestadas pela fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima), motivo porque, invocando os princípios da legalidade e da justiça fiscal, entendo que não lhe deve ser imputada a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo esta Corte de Julgamento, a exemplo das decisões prolatadas nos Acórdãos n.° s 10417.289, 10416.923, 10416.925, 104.17.270, 104.17.126, 10417.135, 10417.255, 10417.084, 10245.588 e 10417.256 da lavra de ilustres e dignos Conselheiros deste Conselho, dos quais transcrevo, de forma exemplificativa, a ementa do Acórdão 10245.588. MULTA DE OFÍCIO – COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS EXPEDIDO PELA FONTE PAGADORA – DADOS CADASTRAIS – EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE – Tendo a fonte pagadora informado no Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados que os rendimentos decorrentes de passivos trabalhistas deferidos em sentença judicial são isentos e não tributáveis e considerando que o lançamento foi efetuado com base nos dados cadastrais espontaneamente declarados pelo sujeito passivo da obrigação tributária que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável e involuntário no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, incabível a imputação da multa de ofício, sendo de se excluir sua responsabilidade pela falta cometida. Os autos não deixam dúvidas de que, o contribuinte foi induzido a erro pela fonte pagadora, a qual informou serem isentos ou não tributáveis, os valores pagos ao contribuinte a título de “Diárias” o que levou a não declarálos em suas Declarações de Ajuste Anual dos respectivos exercícios. Assim, entendo que deve ser exigido do contribuinte tão somente o imposto e os encargos de mora, dispensandoo do recolhimento da multa de ofício, tendo em vista não ter ele agido de forma dolosa ou mesmo culposa na presente omissão. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10245.001032/200526 Acórdão n.º 220200.576 S2C2T2 Fl. 11 21 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 35043.003291/2005-99
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2005 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o recurso de ofício quando a exoneração do pagamento do tributo possuir valor inferior ao determinado pela legislação.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
GFIP.
Informações prestadas em GFIP constituem-se em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento.
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO E RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.152
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria dos votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, pela aplicação do I, Art. 173 do CTN, com exceção das contribuições apuradas nos seguintes levantamentos e competências, em que houve recolhimento parcial e os lançamentos serão extintos pela regra do § 4º, Art. 150 do CTN: levantamento CT, competência 05/2000; levantamento CTG, competências 12/1999, 08/2000, 09/2000 e 11/2000; levantamento DFG, competências 01/2000, 02/2000, 03/2000, 06/2000, 07/2000, 08/2000, 09/2000 e 10/2000; levantamento GFI/ todas as competências até 11/2000, anteriores a 12/2000, conforme o voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Cleusa Vieira de Souza, que votaram pela integral aplicação do Art. 150, § 4º do CTN. As demais preliminares de nulidades foram rejeitadas por unanimidade. Quanto ao mérito, em negar provimento por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2005 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso de ofício quando a exoneração do pagamento do tributo possuir valor inferior ao determinado pela legislação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. GFIP. Informações prestadas em GFIP constituem-se em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO E RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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Numero do processo: 10680.003155/2004-81
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO.
Aplica-se a penalidade prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, entre outras situações, quando se apura de oficio recolhimentos a menor do imposto de renda pessoa física, em razão do aproveitamento de despesas médicas inexistentes. Além disso, se estão coligidos aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo insere-se nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da
Lei n° 4.502/64, merece ser mantida a penalidade qualificada de 150%.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que desqualificavam a multa de ofício para 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO. Aplica-se a penalidade prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, entre outras situações, quando se apura de oficio recolhimentos a menor do imposto de renda pessoa física, em razão do aproveitamento de despesas médicas inexistentes. Além disso, se estão coligidos aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo insere-se nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, merece ser mantida a penalidade qualificada de 150%. Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-14T19:47:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-14T19:47:45Z; Last-Modified: 2009-10-14T19:47:45Z; dcterms:modified: 2009-10-14T19:47:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-14T19:47:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-14T19:47:45Z; meta:save-date: 2009-10-14T19:47:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-14T19:47:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-14T19:47:45Z; created: 2009-10-14T19:47:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-10-14T19:47:45Z; pdf:charsPerPage: 1377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-14T19:47:45Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 150 :Sf MINISTÉRIO DA FAZENDA ,74 «4-,:; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAISN-Wz51 Processo n° 10680.003155/2004-81 Recurso n° 147.630 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.220 — 2 Turma Sessão de 21 de setembro de 2009 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARCELO DOS SANTOS MORAES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO. Aplica-se a penalidade prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, entre outras situações, quando se apura de oficio recolhimentos a menor do imposto de renda pessoa fisica, em razão do aproveitamento de despesas médicas inexistentes. Além disso, se estão coligidos aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo insere-se nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, merece ser mantida a penalidade qualificada de 150%. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli unes da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que desqualificara a multa de of io para 75%. I 4 4A tO CARLOS ALBER In R ITAS BA ' ETO — Presidente , I GONÇALO BONET A LAGE — Relator Processo n° 10680.003155/2004-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.220 Fl. 151 EDITADO EM: 28 SEI 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Marcelo dos Santos Moraes foi lavrado o auto de infração de fls. 03-09, para a exigência de imposto de renda pessoa fisica, exercícios 2001, 2002 e 2003, em razão da glosa de despesas médicas, sendo que penalidade restou qualificada para o patamar de 150%, com relação aos anos-calendário 2001 e 2002. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontra-se sintetizado no próprio auto de infração, às fls. 04, onde está expresso o seguinte: Foi o contribuinte intimado em 09/01/2004 a apresentar recibos de despesas médicas em nome de Valdete Maria Pedro — CPF 609.066.346-87 deduzidas em 2000 no valor de R$ 4.464,00; 2001 no valor de R$ 6.240,00; e de 2002 no valor de R$ 6.480,00. De acordo com Termo de Retenção Fiscal de 13/01/2004 não foi comprovada a dedução do ano-base 2000 e foram retidos supostos recibos de prestação de serviços psicológicos no ano- base 2001 no valor total de R$ 6.240,00 emitido em 05/12/2001 e no ano-base 2002 no total de R$ 6.480,00 emitido em 30/12/2002. Quando intimada, a profissional acima declarou não ter prestado qualquer serviço ao contribuinte e/ou seus dependentes no período de 01/01/1999 a 31/12/2002 e que, a seu pedido, emitiu graciosamente recibos no valor total de R$ 4.464,00 no ano-base 2000, R$ 6.240,00 no ano-base 2001 e R$ 6.480,00 no ano-base 2002, não havendo qualquer contrapartida de prestação de atendimento psicológico. No referido Termo de Declaração (fls. 15), a Sra. Valdete Maria Pedro declarou que: No período de 01/01/1999 a 31/12/2002 não prestei qualquer serviço profissional a(o) sr(a). MARCELO DOS SANTOS MORAES — CPF 763.416.157-87 e/ou seus dependentes. A seu pedido, emiti graciosamente recibos no valor total de R$ 4.464,00 no ano-base 2000, R$ 6.240,00 no ano-base 2001 e R$ 6.480,00 no ano-base 2002, não havendo qualquer contrapartida 2 Processo n° 10680.003155/2004-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.220 Fl. 152 de prestação de atendimento psicológico relacionado com esse(a) contribuinte e/ou seus dependentes.. • L: L . 4:. . S A 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento em Belo Horizonte (MG) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 55-59). A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução n° 102-02.311 (fls. 78-83). No Termo de Diligência Fiscal de fls. 98-99, a autoridade administrativa responsável por este trabalho informou que: 2. Em 11/04/2007 enviamos intimação fiscal a Valdete Maria Pedro — CPF 609.066.346-87 no endereço constante do cadastro CPF para manifestar-se sobre a declaração de 16/12/2003 (fls. 15) e, com relação aos anos-calendário 2000, 2001 e 2002, informar o(s) local(is) onde se davam os atendimentos psicológicos e desde quando, e apresentar relação nominal de pacientes atendidos. Após 3 (três) tentativas, o expediente permaneceu na agência dos correios de 19/04 a 16/05/2007 aguardando retirada, sendo então devolvido a esta DRF (lls. 90 a 92). 3. Em análise das declarações de Valdete Maria Pedro dos exercícios 2001, 2002 e 2003, constatamos que consta no ano- calendário 2000 a declaração de R$ 14.985,00 a título de rendimentos tributáveis; no ano-calendário 2001 a declaração de 9.810,00 de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física. Nos sistemas informatizados da SRFB, para o ano- calendário 2000 os registros foram expurgados; para o ano- calendário 2001 consta que 34 (trinta e quatro) contribuintes deduziram pagamentos à profissional no valor total de R$ 188.480,00; para o ano-calendário 2002 consta que 34 (trinta e quatro) contribuintes deduziram o total de R$ 169.260,00. Também constatamos que a DIRPF/2003 foi a última declaração entregue de Valdete Maria Pedro e que após este exercício riem mesmo Declaração de Isento fora informado (lls. 93 a 95). 4. Em 11/04/2007 enviamos intimação fiscal a Marcelo dos Santos Moraes — CPF 763.416.157-87 no endereço constante do cadastro CPF para prestar maiores esclarecimentos sobre o suposto atendimento psicológico nos anos-calendário 2000, 2001 e 2002, inclusive local de atendimento, horário, forma de pagamento e outros documentos que julgasse pertinentes com o fim de comprovar a efetiva prestação de serviços. Como observação, no 'AR' consta o recebimento por Patrícia Moraes, a mesma que recebeu outros 'AR 's às fls. 11, 63 e 74 deste processo. Na seqüência e após nova manifestação do contribuinte, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 102-49.004, que se encontra às fls. 109-118, cuja ementa é a seguinte: 6_ 3 Processo n° 10680.003155/2004-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.220 Fl. 153 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPF. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS — RECURSO DESPROVIDO. Em conformidade com o artigo 11, ,f 3°, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. Nos casos em que inexistem elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, com a apresentação de provas de pagamento e da efetiva prestação de serviço, indevidas as despesas deduzidas a título de despesas médicas. MULTA QUALIFICADA. DESCARACTERIZAÇÃO. Para a qualificação da multa não bastam suspeitas de que os serviços não foram prestados. A boa fé se presume e a má-fé se prova. Assim, se do conjunto das provas dos autos resultar o julgador convencido de que o agente não agiu de forma intencional para obter o resultado desejado, no caso, a redução do imposto de renda a pagar, descaracterizados estão os requisitos necessários à qualificação da multa. Multa de oficio desqualificada. A decisão recorrida, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para desqualificar a multa de oficio, sob o fundamento de que a documentação trazida aos autos não comprova de forma eficaz e contundente o dolo do sujeito passivo. Intimada do acórdão em 27/08/2008 (fls. 1119), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, recurso especial às fls. 122-133, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Ao julgar que a multa deveria ser reduzida para 75%, a Câmara a quo contrariou o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 (atual artigo 44, inciso I, § 1 0, da Lei n° 9.430/96), bem como a prova constante dos autos; b)No caso, o contribuinte praticou atividade ilícita comprovada, consistente na utilização, por anos-calendário sucessivos, de recibos médicos inidôneo com vistas à redução da base de cálculo do imposto devido, o que confirma o intuito de fraude, motivo pelo qual foi devidamente aplicada pela fiscalização a multa de 150%;& 4 Processo n° 10680.003155/2004-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.220 Fl. 154 c) Como resultado de sua conduta dolosa, objetivando modificar a extensão do fato gerador da obrigação tributária principal, para fins de redução do tributo, houve evidente prejuízo ao erário; d) A conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, demonstrando desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo; e) Por todos esses motivos, deve ser mantida a qualificação da multa. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 571 (fls. 134-135), o contribuinte foi intimado e apresentou contra-razões às fls. 139-147, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido, pois "... as declarações prestadas pela profissional de psicologia não podem invalidar um DOCUMENTO ESCRITO POR ELA E ASSINADO, considerando ainda que nenhuma prova superior em validade foi oferecida para ilidir a que de maior hierarquia tem como força probante." (fls. 147). É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para desqualificar a penalidade de oficio, reduzindo-a de 150% para 75%. A recorrente alegou, basicamente, que a conduta do sujeito passivo está inserida no conceito de dolo, de modo que deve ser restabelecida a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 (atual artigo 44, inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96). Segundo penso, a pretensão da Fazenda Nacional merece prosperar. No caso, a glosa de despesas médicas envolve os anos-calendário 2000, 2001 e 2002, relativamente à psicóloga Valdete Maria Pedro, nos valores de R$ 4.464,00, de R$ 6.240,00 e de R$ 6.480,00, respectivamente. O contribuinte declarou ter perdido os recibos médicos referentes ao ano- calendário 2000, sendo que para este período a penalidade aplicada pela autoridade lançadora foi de 75%. Para comprovar as despesas dos nos-calendário 2001 e 2002, foram apresentadas, apenas, as declarações de fls. 13-14. I Processo n° 10680.003155/2004-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.220 Fl. 155 1 Com relação a tais exercícios, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo dos fatos em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (.) II— 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo esta norma legal, as hipóteses de evidente intuito de fraude estão dispostas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais prevêem que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A decisão de primeira instância confirmou a penalidade de 150% em razão da fraude consistente na utilização de documentos que não retratam a efetiva prestação de serviços. O acórdão recorrido, por sua vez, concluiu que a documentação trazida aos autos não comprova de forma eficaz e contundente o dolo do sujeito passivo. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, tornou-se incontroverso, inclusive pela não interposição de recurso especial por parte do contribuinte, que ele não incorreu nas despesas médicas com a psicóloga Valdete Maria Pedro. w 6 I Processo n° 10680.003155/2004-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.220 Fl. 156 Esta profissional foi categórica ao afirmar que não prestou serviços em favor do sujeito passivo ou a seus dependentes no período compreendido entre 01/01/1999 e 31/12/2002. Trago novamente à colação a declaração prestada pela Sra. Valdete Maria Pedro (fls. 15): No período de 01/01/1999 a 31/12/2002 não prestei qualquer serviço profissional a(o) sr(a). MARCELO DOS SANTOS MORAES — CPF 763.416.157-87 e/ou seus dependentes. A seu pedido, emiti graciosamente recibos no valor total de R$ 4.464,00 no ano-base 2000, R$ 6.240,00 no ano-base 2001 e R$ 6.480,00 no ano-base 2002, não havendo qualquer contrapartida de prestação de atendimento psicológico relacionado com esse(a) contribuinte e/ou seus dependentes. Dessa forma e considerando que o contribuinte não troüxe nenhum elemento de prova das despesas informadas em suas declarações de ajuste anual, além das frágeis declarações de fls. 13-14, as quais, isoladamente, neste contexto, não têm força nenhuma, resta-me concluir que houve a redução proposital da base de cálculo do imposto devido com despesas médicas inexistentes. Na visão deste julgador, a situação em apreço se enquadra no conceito do evidente intuito de fraude e a penalidade a ser aplicada sobre o imposto 1ãnpd0 de +Ade es efetivamente, de 150%, conforme artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430196 (redação ao tempo dos fatos ora analisados), devendo, portanto, ser restabelecido o lançamento. Cumpre lembrar, apenas, que a autoridade lançadora qualificou a penalidade tão somente com relação aos anos-calendário 2001 e 2002. Nessa ordem de juízos, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a multa qualificada de 150% no que se refere aos exercícios 2002 e 2003. ,1 1,41!"17 "1 Gonçalo Bonet A lage - Relator 7 Processo n° 10680.003155/2004-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.220 Fl. 157 1 8
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