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Numero do processo: 10425.001879/2002-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. CSLL.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. 0 resultado dos atos
cooperado estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido.
Recurso Especial do Procurador negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 9101-001.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio Dantas Cartaxo.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. 0 resultado dos atos cooperado estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio Dantas Cartaxo. Otacilio Dat\t.; " • Antonio Carlos me om ilho - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. residente. Relatório Com base no Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial contra acórdão proferido pela extinta 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 ATO COOPERATIVO. ISEN010 DO IRPJ. Somente são alcançados pela isenção do IRPJ os resultados apurados pelas cooperativas com a realização de atos com cooperados. VENDA DE PLANOS DE SAÚDE. Não são considerados atos com cooperados aqueles decorrentes de relação jurídica negocia/ advinda da venda de planos de saúde a terceiros. ATO COOPERATIVO. CSLL. Em razão do peculiar regime jurídico aplicável as cooperativas, a CSLL não incide sobre as sobras liquidas apuradas por elas, mas incide sobre os resultados apurados com a realização de atos não cooperativos. Recurso Voluntário provido em parte." 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: "Tratam os presentes autos de exigência fiscal relativa ao IRPJ e a CSLL (fls. 5) devidos em função da falta de oferecimento et tributação de receitas que a fiscalização considerou como tributadas. 0 Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 13) esclarece que a recorrente é pessoa é jurídica constituída soh a forma de cooperativa de trabalhos médicos e aufere dois tipos de receitas: com a comercialização de planos de saúde junto ao público em geral; e da Camara de Compensação Regional, como acerto de contas entre as várias Unimeds do pais, pela prestação de serviços dos médicos de uma cooperativa aos clientes de outra cooperativa e vice-versa. A fiscalização considerou as receitas recebidas da Camara de Compensação Regional como tendo natureza de receitas advindas de opera cães com cooperados, isentas portanto de tributação pelo IRPJ As demais receitas, provenientes da comercialização de planos de saúde, foram consideradas receitas não cooperativas e, consequentemente, tributadas pelo IRPJ. Já no que diz respeito et CSLL, a fiscalização exigiu a tributação de todas as receitas auferidas pela recorrente, sem exceção, por falta de base legal que preveja a exclusão das receitas decorrentes de atos com cooperados da base de cálculo da contribuição. 2 Processo n° 10425.001879/2002-40 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.266 Fl. 2 Cientificada, a recorrente apresentou impugnação (lis. 194) sustentando enquadrar-se como sociedade cooperativa e, corm) tal, os seus próprios atos não se confundem com os atos dos profissionais que a integram. E que todos os atos praticados para possibilitar aos sócios a concretização do objeto econômico da sociedade são considerados como instrumentais e não lhe proporcionam qualquer disponibilidade financeira, lucro, receita ou arrecadação. Os valores recebidos pela recorrente, portanto, transitam exclusivamente pela conta do patrimônio liquido, afim de serem distribuídos aos cooperados, inexistindo receita da cooperativa no sentido jurídico e econômico do termo. A DRJ manteve o trabalho fiscal (lls. 228). Sustentou a DRJ que, do ponto de vista do IRPJ, as cooperativas podem praticar três tipos de atos: os cooperativos, que são isentos de tributação por força do disposto no artigo 182 do RIR/99; os não cooperativos legalmente permitidos, que são tributados normalmente; e os não cooperativos que não são legalmente permitidos, que também são tributados normalmente. A questão enz discussão nestes autos, portanto, seria a exata demarcação dos atos que podem ser considerados cooperados. No casos dos planos de saúde, contratados por preço global não discriminativo, assegurando aos contratantes os serviços de hospitais, exames, atendimento por médicos não associados, não estaríamos diante de ato cooperativo mas sim de pura operação comercial. Esse entendimento foi sustentado inclusive pelo Parecer Normativo CST n. 38, de 1980. Dai a sua tributação normal pelo IRP1 E no que diz respeito a CSLL, a mesma conclusão se impunha, tendo em vista que referida contribuição incide sobre todo o resultado da cooperativa, independentemente de ser ou não ato cooperativo. Inconformada a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 247) reiterando os termos de sua manifestaçã o anterior e insistindo no fato de a cooperativa não auferir renda ou lucro, sujeito a incidência de tributos. É o relatório.' No que interessa particularmente a essa instancia recursal, por unanimidade de votos, o acórdão acima ementado deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da incidência da CSLL os "resultados auferidos nas operações realizadas por meio da Câmara de Compensação Regional", tidos pelo acórdão como atos cooperativos praticados pela Contribuinte. Entendeu o acórdão, em síntese, que não há incidência de CSLL sobre sobras ou perdas das cooperativas, entendidas estas como resultado da prática de atos estritamente cooperados, por ausência de previsão legal. Verbis: "Com efeito, dispiie o artigo 2° da Lei 11. 7689, de 15.12.1988, que a base de calculo da CSLL é o resultado do exercício, antes 3 da provisão para o imposto de renda. Ora, o exame dos dispositivos legais que integram a legislação reguladora da incidência da CSLL evidenciam que a contribuição incide sobre o lucro, ou seja, sobre o resultado positivo apurado pelas pessoas jurídicas que têm objetivo de lucro. Vimos acima que, a despeito de as cooperativas serem pessoas jurídicas, não auferem lucro pois os resultados por elas apurados não têm natureza de lucro e sim de sobras que serão distribuídas aos seus cooperados. Isso no que diz respeito aos atos cooperativos. Em função do acima exposto, é licito concluir que a CSLL não deve incidir sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, por não terem natureza de lucro. Mas deve a CSLL incidir sobre os resultados decorrentes da prática dos atos não cooperativos, por terem natureza de lucros, enquanto resultado da prática de atos de comércio. É por isso que, a meu ver, os resultados com a comercialização de planos de saúde devem ser tributados pela CSLL, por não terem natureza de atos cooperativos. Mas os resultados derivados das operações com a Câmara de Compensação Regional, a titulo de acerto de contas entre as várias Unimeds do país, não devem ser tributados pela CSLL pois, conforme reconhecido pela própria fiscalização, têm natureza de atos cooperativos." Em sede de recurso especial, sustenta a Fazenda Nacional dissenso entre o acórdão recorrido e o Aresto n. 105-13.855, o qual assenta o entendimento de que "os resultados positivos apurados por cooperativas em decorrência de operações com seus associados integram a base de cálculo para apuração da contribuição social sobre o lucro". Segundo a Fazenda Nacional, a divergência jurisprudencial estaria demonstrada pelos fato de l que: "a decisão paradigma, proferida pela Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, acolhe a tese de que a CSLL incide sobre o resultado obtido em atos cooperados. Por outro lado, o julgado recorrido entende que as sobras liquidas apuradas em atos cooperativos, por não terem natureza de lucro, não podem ser tributadas pela CSLL". 0 recurso especial foi admitido pela Presidente do Colegiado a quo por meio, do Despacho n. 1200 - 0.454/2009 (347/347v), ante a configuração do alegado dissenso jurisprudencial. 0 contribuinte apresentou contra-razbes. o relatório. Processo n° 10425.001879/2002-40 CSRF-TI Acórdão n.° 9101-001.266 Fl. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Preliminarmente, releva destacar ser fato incontroverso nos autos o de que a matéria em exame cinge-se A incidência de CSLL sobre resultados auferidos pela cooperativa exclusivamente pela prática de seus associados (atos cooperativos), ordinariamente denominados de sobras. Sobre o ponto, não bastasse a afirmação inatacada (pela Fazenda Nacional) do acórdão recorrido nesse sentido, diga-se que a própria Recorrente atesta expressamente que a divergência jurisprudencial estaria demonstrada pois: "a decisão paradigma, proferida pela Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, acolhe a tese de que a CSLL incide sobre o resultado obtido em atos cooperados. Por outro lado, o julgado recorrido entende que as sobras liquidas apuradas em atos cooperativos, por não terem natureza de lucro, não podem ser tributadas pela CSLL". Em síntese, entende a Fazenda Nacional que "independentemente do alcance da definição do ato cooperativo, prevista no art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971, ou das características peculiares das sociedades cooperativas a CSLL incide sobre a totalidade dos seus resultados positivos", não havendo dispositivo legal que afaste a incidência da CSLL sobre o resultado das cooperativas. Em que pesem seus fundamentos, parece-me que a distinção entre atos cooperativos e atos não-cooperativos é condição para a incidência da CSLL sobre os resultados líquidos das cooperativas, uma vez que somente aqueles provenientes de atos não-cooperativos devem submeter-se A. referida tributação, conforme arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. 0 ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados a conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Tal assertiva assenta-se no fato de que as cooperativas não têm finalidade lucrativa e não apuram lucro ao final de apuração respectivo. A lei de regência das cooperativas define o resultado positivo obtido pelas cooperativas como "sobras liquidas", que devem ser distribuídas aos cooperados na proporção da participação de cada qual nos atos s cooperativos, ao contrário do lucro, que é distribuído via de regra na proporção do capital investido. Nesse sentido, se dos atos cooperativos não resulta lucro, não se realiza o fato jurídico do qual decorre a obrigação de pagar a CSLL, visto que a materialidade desse tributo é justamente a percepção de lucro (CF, art. 195, I, c, e Lei n. 7.689/88, art. 1°). Este é o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, conforme precedentes abaixo transcritos, verbis: "DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO - ATO COOPERATIVO — LEI N° — ISENÇÃO. I. A não-incidência da CSLL, nos termos da jurisprudência dominante do STJ, em casos de cooperativas, restringe-se a atos cooperados praticados exclusivamente entre a cooperativa e seus associados. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1190066 / SP (2010/0072796-0), STJ, 2" Turma, Relatora Ministra ELIANA CALMON, j. 08/06/2010, Die 28/06/2010). No mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO TÍPICO. CSLL. NÃO-INCIDÊNCIA. ART. 79, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 5.764/1971. PRECEDENTES DO STJ. I. Nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, atos cooperativos são aqueles praticados entre a cooperativa e seus cooperados ou entre cooperativas associadas. 0 ato cooperativo, assim definido, não implica operação de mercado. 2. As cooperativas podem realizar negócios com terceiros não- cooperados, desde que observados seus objetivos sociais e disposições legais. Nessa hipótese, contudo, a própria Lei 5.764/1971 dispõe expressamente que os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados (arts. 86 e 87). 3. In casu, o Tribunal a quo acolheu os Embargos ei Execução, sob o fundamento de que a Autoridade Fazenchiria, ao proceder ao lançamento fiscal, não fez distinção entre os atos cooperativos próprios e os não-cooperativos da cooperativa de eletrificação rural. 4. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de ser indevida a cobrança da CSLL sobre atos vinculados et atividade básica da sociedade cooperativa. 5. Agravo Regimental não provido". (AgRg no REsp 499581 / SC (2003/00150844, STJ, 2" Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, j. 22/09/2009, Die 30/09/2009). No mesmo sentido: "SOCIEDADE COOPERATIVA DE CRÉDITO. CSLL. ISENÇÃO SOBRE OS ATOS TIPICAMENTE COOPERATIVOS. LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N° 10/STF. INAPLICABILIDADE. I - Os atos tipicamente cooperativos por não implicarem em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, conforme a Lei das Sociedades Cooperativas (Lei n° 5.764/71), não geram faturamento, bem assim não produzem lucro para a sociedade, porquanto o resultado positivo decorrente dos seus atos pertence exclusivamente a cada um dos cooperados. Em face de tais peculiaridades, os atos das cooperativas de crédito, ressalvado o Processo n° 10425.001879/2002-40 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.266 Fl. 4 disposto nos artigos 86 e 87 da Lei n° 5.5764/71, não sofrem incidência tributária, inclusive de CSLL. Precedentes: AgRg no REsp n° 749.345/RS, Rel. MM. JOSÉ DELGADO, DJ de 08/08/2005; AgRg no REsp n° 650.656/RJ, Rel. Mill. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; REsp n° 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004 e AgRg nos EDcl no Ag n° 980.095/SP, Rel. MM. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008. II - Na hipótese dos autos não se cogita de incidência da súmula vinculante n° 10 do STF, porquanto não se está afastando a aplicação do parágrafo I° do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, que determina para a cooperativa de crédito a contribuição de acordo com o faturamento ou lucro. A norma, ao imputar it sociedade cooperativa a contribuição sobre o faturamento e o lucro (art. 23 da Lei n° 8.2 12/9 I), criou hipótese de incidência tributária irrealizável, uma vez que os atos tipicamente cooperativos não produzem qualquer vantagem ou lucro para a cooperativa, não implicando ainda suas atividades em fat uramento conforme definido na Lei das sociedades cooperativas (Lei n° 5.764/71). III - Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1057481/CE (2008/0104852-0, STJ, 1 0 Turma, Relator Ministro FRANCISCO FALCAO, j. 21/10/2008, Die 19/11/2008). No mesmo sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO-COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. 0 ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A opera cão de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. 0 resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submete-se it incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido." (AgRg no REsp 653489/RS (2004/0058309-8), STJ, 2" Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, I 15/09/2009, DJe 24/09/2009). Por sua clareza, pede-se vênia para citar trecho do voto proferido pelo Ministro Herman Benjamim no julgamento do AgRg no REsp 653.489/RS, supracitado, em que marca a divisa entre atos cooperativos e não-cooperativos para os fins dos arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764/71 e da incidência da CSLL, verbis: "Prosseguindo, descreveu os vários tipos de atos cooperativos, nos seguintes termos (fl. 181): 1 — ato cooperativo (ou negócio-fim, negócio cooperativo, ou ainda negócios internos) que retratam as relações estabelecidas entre a cooperativa e os cooperados. São os atos cooperativos básicos, fundamentais, que caracterizam a sociedade; 7 2. — aios chamados negócios externos ou negócios de meio, necessários a realização do ato cooperativo, também chamados de negócios de contra-partida, que são em última análise as vendas dos produtos para terceiros; 3 — negócios acessórios ou auxiliares para a consecução dos fins da empresa, como por exemplo a contratação de empregados, o aluguel da sede, etc; 4 — atos vinculados à finalidade básica, negócios entabulados com não associados, previstos na Lei das Cooperativas nos artigos 85, 86 e 88. Caracterizam-se pelas relações estabelecidas com os não- associados ou dizem respeito aos investimentos em sociedades cooperativas, corn o intuito de melhor capacitar ou aumentar as potencialidades da sociedade. Assim, por exemplo, a lei autoriza a aplicação da sobra de caixa em investimentos que tragam retorno mais efetivo à cooperativa, de forma que possa atuar com mais eficácia na persecução de seus objetivos. 5 — por fim, existem os atos que não podem ser praticados pelas cooperativas, porquanto são vedados por lei. Por derradeiro, concluiu que, do rol apresentado, apenas os atos descritos no item 4, por sua natureza mercantil, sofrem a incidência da tributação. Contudo, consoante a pacifica jurisprudência do STJ, as disposições previstas no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971 aplicam-se apenas aos negócios jurídicos diretamente vinculados à atividade fim das cooperativas, isto 6, aos atos cooperativos próprios, de sorte que não só o resultado da aplicação de recursos no mercado financeiro, mas também os valores advindos dos negócios jurídicos descritos nos itens 2 e 3, por envolverem operação com não associados, sujeitam-se a incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro, conforme prevê o art. 87 do referido diploma legal, in verbis Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados el conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Dessa forma, por ser legitima a cobrança da CSLL sobre os valores decorrentes dos denominados 'negócios externos ou negócios de meio', bem como dos 'negócios acessórios ou auxiliares', praticados pelas sociedades cooperativas, impõe-se a reforma parcial do acórdão recorrido nesse ponto." Tal entendimento encontra respaldo também em precedentes deste Colegiado e das extintas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - A proteção assegurada pelo art. 146, inciso III, alínea "c" da Constituição Federal impede a imposição de exação tributária 8 Processo n 0 10425.001879/2002-40 Acórdão n.° 9101-001.266 ao amparo de legislação ordinária (Lei 8.212/91, art. 22„ . 1°) sobre as cooperativas de crédito." (Acórdão n. CSRF/01-04.910, Sessão de 12/4/2004, Relator Conselheiro Victor Luis de Salles Freire) No mesmo sentido: "COOPERATIVA - SOBRAS - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO - As sobras apuradas pelas cooperativas, resultado de atos exclusivamente cooperativos, não podem ser confundidas com o lucro. Os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 não ensejam o entendimento de que a CSL deva incidir sobre as denominadas "sobras", mas somente sobre a renda derivada de atos não cooperativos" (Acórdão CSRF /01-04.445, Sessão de 24/02/2003, Relator Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior) No mesmo sentido: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL - COOPERATIVA DE CRÉDITO - ATOS COOPERATIVOS - A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO NÃO INCIDE SOBRE 0 RESULTADO POSITIVO OBTIDO PELA SOCIEDADE NAS OPERAÇÕES QUE CONSTITUEM ATOS COOPERATIVOS. O ATO COOPERATIVO NÃO CONFIGURA OPERAÇÃO DE MERCADO, SEU RESULTADO NÃO É LUCRO E ESTA' FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI N° 7.689, DE 1988. SOMENTE OS RESULTADOS DECORRENTES DA PRÁTICA DE ATOS COM NÃO ASSOCIADOS ESTÃO SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO." (Acórdão n. 107-08.906, Sessão de 28/02/2007, Relator Conselheiro Hugo Correia Sotero) No mesmo sentido: CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO - REGIME DE TRIBUTAÇÃO DOS ATOS COOPERADOS - O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas, negam as decididas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Somente os resultados decorrentes da prática de atos corn não associados estão sujeitos à tributação. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso de oficio negado. (Acórdão n. 105-15.882, Sessão de 27/07/2006, Relator Conselheiro EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT) No mesmo sentido: "(.)Assunto:Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa :COOPERATIVA. RESULTADO DO ATO COOPERADO - As sobras, entendendo-se como tal o resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se CSRF-T Fl. 5 9 enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição." (Acórdão n. 103-22.735, Sessão de 09/11/2006, Relator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto) No mesmo sentido: "BASE DE CALCULO - COOPERATIVAS - 0 pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades cooperativas não apuram lucros ou prejuízos, mas sobras que têm destinação específica. A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7.689/1988 e alterações posteriores, não alcança a sobra obtida pelas entidades cooperativas nas operações com cooperados. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado decorrentes das operações realizadas com não cooperados." (Acórdão 17. 101-95.004, Sessão de 20/05/2005, Relator Conselheiro Caio Marcos Candido) No mesmo sentido: "CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS - NÃO INCIDÊNCIA - A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro liquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c coin os arts 79 e 111 da Lei n°5.764/71." (Acórdão n. 108-08.130, Sessão de 02/12/2004, Relatora Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO) Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso , especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Se sitM 23 novembro de 2011. r Antonio Ca os uid i Filho 10
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001151/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL REDUZIDO DE 16%.
CONDIÇÃO ESSENCIAL. LIMITE DE RECEITA BRUTA ANUAL.
É condição essencial para o gozo do percentual reduzido de 16% (dezesseis por cento), na determinação do lucro presumido, que a receita bruta anual da pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviços em geral (excetuados serviços hospitalares e de transporte e serviços de profissões legalmente regulamentadas) não ultrapasse o limite de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil
reais).
Numero da decisão: 1803-001.126
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL REDUZIDO DE 16%. CONDIÇÃO ESSENCIAL. LIMITE DE RECEITA BRUTA ANUAL. É condição essencial para o gozo do percentual reduzido de 16% (dezesseis por cento), na determinação do lucro presumido, que a receita bruta anual da pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviços em geral (excetuados serviços hospitalares e de transporte e serviços de profissões legalmente regulamentadas) não ultrapasse o limite de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). Fl. 267DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10640.001151/200940 Acórdão n.º 180301.126 S1TE03 Fl. 270 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10640.001151/200940 Acórdão n.º 180301.126 S1TE03 Fl. 271 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 236 a 238): Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ), lavrado contra a interessada em 22/04/2009, do qual resulta a constituição do crédito tributário de R$ 32.259,33 (fls. 02/07). O lançamento reportase a infração relativa ao anocalendário de 2004, período em que a contribuinte formalizou declaração de renda com base no lucro presumido. O auto registra a seguinte infração: “IRPJ apurado a menor em DIPJ, em decorrência da aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro, de 16% sobre as receitas da atividade abaixo descritas, quando o correto seria 32%.” Contra a autuação, a contribuinte, por meio de seu procurador (instrumento de procuração às fls. 53), apresentou impugnação às fls. 48/52, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argui a preliminar de nulidade do lançamento fiscal por ofensa ao disposto no inciso II do art. 50, da Lei n° 9.784/99, uma vez que não se vislumbra, no referido auto de infração, qualquer fundamentação, limitandose o mesmo a conter tão somente a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”; b) ainda em preliminar, suscita a violação à garantia do devido processo legal (judicial ou administrativo), tendo em vista que a auditorafiscal estabeleceu, antes mesmo do desfecho do processo, a multa sobre o imposto supostamente devido, à razão de 75%. Segundo a impugnante, a multa somente pode ser aplicada após a formação do contraditório e com o exercício da ampla defesa; c) no mérito, alega que as atividades efetivamente exercidas pela impugnante encontramse demonstradas nas cópias das Notas Fiscais em anexo, referindose principalmente à atividade publicitária e que não está inserida no rol das “profissões legalmente regulamentadas”; d) a principal atividade econômica da impugnante é exatamente a rubricada pelo código 73.114.00 (Agências de publicidade), e não aquela identificada pelo CNAE 7290700 (outras atividades de informática, não especificadas anteriormente); e) como se extrai do comprovante de situação cadastral da impugnante, obtido na página virtual da Receita Federal do Brasil, a atividade econômica da autuada está devidamente informada, uma vez que, quando da constituição da entidade empresarial e alterações posteriores, a autuada remeteu à RFB os documentos pertinentes, não sendo tais circunstâncias, portanto, desconhecidas da Fazenda Nacional; f) na dicção do art. 519, § 3°, do Decreto 3.000/99: “No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade.” Das atividades previstas e exercidas pela impugnante, somente o jornalismo está inserido Fl. 269DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10640.001151/200940 Acórdão n.º 180301.126 S1TE03 Fl. 272 4 no elenco de “profissões legalmente regulamentadas” e que corresponde a menos de 50% da receita bruta da impugnante. Sendo assim, a apuração verificada no auto de infração apresentase equivocada, uma vez que não levou em consideração a segregação da receita que, ultimada, pode até mesmo redundar em crédito tributário a favor da autuada; g) além disso, a multa fixada tem feição nitidamente confiscatória (75%), máxime em não ocorrendo fraude, dolo, simulação, etc., conforme doutrina e jurisprudência trazida aos autos. h) Por fim, a autuada pede o cancelamento do auto de infração, protestando e requerendo desde já a produção das seguintes provas: * juntada de documentos ora acostados e documentos que oportunamente serão juntados, haja vista que, considerandose que os fatos geradores datam de cinco anos, inviável é a apresentação imediata de todos os documentos comprobatórios (autorizações de produção – ordens de serviço); * realização de perícia técnica, a fim de demonstrar a segregação das receitas, para os fins do art. 519, § 3°, do Decreto n° 3.000/99, para a qual apresenta quesitos. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 235 e 236): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS E PERÍCIA. Não tendo a contribuinte cumprido a incumbência de juntar aos autos, na fase impugnatória, documentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, embora tivesse ampla oportunidade de fazêlo, nem tendo sido cumpridos integralmente os requisitos para pedido de perícia, por omitir o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, descabe o protesto genérico, no desfecho da peça impugnatória, pela juntada de novos documentos e perícia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. VIOLAÇÃO DE AMPLA DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo as exceções previstas legalmente. Os fatos ocorridos e os fundamentos legais do débito, discriminados de forma clara e sistematizada no Termo de Verificação Fiscal, consubstanciamse em pressupostos jurídicos suficientes para a exigência fiscal, inocorrendo violação da ampla defesa e do contraditório. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10640.001151/200940 Acórdão n.º 180301.126 S1TE03 Fl. 273 5 A base de cálculo mensal do imposto de renda das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral, cuja receita bruta anual seja superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) impede a aplicação do percentual de 16% (dezesseis por cento) para apuração da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 10/06/2011, sextafeira [fls. 250 numeração digital (ND)], a tempo, em 11/07/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 251 a 257 (ND), instruído com os documentos de fls. 258 a 265 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10640.001151/200940 Acórdão n.º 180301.126 S1TE03 Fl. 274 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminares de nulidade do auto de infração 4. Argui a Recorrente, preliminarmente, a nulidade do auto de infração, por suposta falta de fundamentação legal e por violação à garantia do devido processo legal, pela aplicação da multa de ofício antes do desfecho do processo. 5. De início, cabe aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não veio a ocorrer na situação presente. 6. No presente caso, constou do Termo de Verificação Fiscal parte integrante e indissociável do auto de infração, conforme declaração de fls. 12 o seguinte: 7. Como se verifica, foi numericamente demonstrada a causa da autuação: “Total da Receita Bruta anual foi maior que R$ 120.000,00”, com a indicação expressa das receitas auferidas pela Recorrente em cada trimestre do ano e o seu somatório anual excedente do limite legal. 8. Com relação à aplicação da multa de ofício antes do desfecho do processo, está legalmente prevista essa aplicação no caput do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de Fl. 272DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10640.001151/200940 Acórdão n.º 180301.126 S1TE03 Fl. 275 7 dezembro de 1996 (fls. 7), não sendo, pois, essa matéria passível de qualquer questionamento nesta instância administrativa (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Mérito 9. No mérito, alega a Recorrente que as atividades por ela efetivamente exercidas encontramse demonstradas nas cópias das Notas Fiscais em anexo, referindose principalmente à atividade publicitária; que não está inserida no rol das “profissões legalmente regulamentadas”; e que deve haver a segregação das receitas, na forma do art. 519, § 3º, do Decreto nº 3.000, de 1999. 10. Dispõe o art. 519 § 4º, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art. 519. [...]. § 4º A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual seja de até cento e vinte mil reais, será determinada mediante a aplicação do percentual de dezesseis por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração (Lei nº 9.250, de 1995, art. 40, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). 11. Conforme se verifica acima, é condição essencial para o gozo do percentual reduzido de 16% (dezesseis por cento), na determinação do lucro presumido, que a receita bruta anual da pessoa jurídica exclusivamente prestadora de serviços em geral (excetuados serviços hospitalares e de transporte e serviços de profissões legalmente regulamentadas § 5º do art. 519 da Lei nº 9.430, de 1996) não ultrapasse o limite de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). 12. Do contrário, ficará ela sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido (conforme § 6º do mesmo artigo). 13. No presente caso, verificase que a receita bruta anual da Recorrente foi de R$ 566.798,75, conforme Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (fls. 20 a 23). 14. Assim, configurase inócua a discussão sobre se a Recorrente é ou não prestadora de serviços de profissões legalmente regulamentadas, pois, ainda que não o seja, não teria direito àquele percentual reduzido, por ter ultrapassado o limite previsto na legislação, o que, por si só, já é suficiente para demandar a aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento). Fl. 273DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10640.001151/200940 Acórdão n.º 180301.126 S1TE03 Fl. 276 8 15. Nesse sentido, constou do Termo de Verificação Fiscal o seguinte (fls. 11): De qualquer forma, tendo a Receita Bruta anual da empresa sido superior a R$ 120.000,00, fls. 20 a 23 e 08, a interessada encontrase obrigada, no anocalendário sob análise, ao percentual de 32% na determinação da base de cálculo do imposto apurado com base no lucro presumido. 16. Há que se ressaltar, por fim, que somente poderá ser aplicado o percentual reduzido, na determinação do lucro presumido, se a pessoa jurídica for exclusivamente prestadora de serviços em geral (excetuados serviços hospitalares e de transporte e serviços de profissões legalmente regulamentadas) já que a lei se refere à pessoa jurídica como um todo, e não a determinadas receitas (art. 36, § 3º, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997), motivo pelo qual é impertinente a referência feita pela Recorrente ao contido no § 3º do art. 519 do RIR/1999, que trata de atividades diversificadas, sujeitas a diferentes percentuais, e desnecessário o exame de provas, diligência ou perícia a respeito. Multa de ofício 17. Com relação à alegação da Recorrente sobre o suposto caráter confiscatório da multa de ofício, tratandose de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 274DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11516.004545/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO.
Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05.
PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO EM UM EXERCÍCIO COM SALDO DE RESTITUIÇÃO DO IRPF APURADO EM OUTROS EXERCÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE.
Diante da falta de previsão legal para tanto, não merece acolhida o pedido de compensação entre o crédito tributário apurado em nome de um contribuinte com o saldo do imposto a restituir que o mesmo tenha direito em relação a outro Exercício. Da mesma forma, também não há obrigatoriedade de que os processos decorrentes de um mesmo procedimento fiscal sejam reunidos em um só, sendo que a apreciação de ambos em apartado não traz qualquer prejuízo a este contribuinte.
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Cabe ao contribuinte comprovar que a despesa por ele declarada se refere a curso universitário ou de especialização, sob pena de não poder deduzir a despesa pretendida, em razão da falta de previsão legal para a dedução pretendida.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado.
Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-001.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO EM UM EXERCÍCIO COM SALDO DE RESTITUIÇÃO DO IRPF APURADO EM OUTROS EXERCÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE. Diante da falta de previsão legal para tanto, não merece acolhida o pedido de compensação entre o crédito tributário apurado em nome de um contribuinte com o saldo do imposto a restituir que o mesmo tenha direito em relação a outro Exercício. Da mesma forma, também não há obrigatoriedade de que os processos decorrentes de um mesmo procedimento fiscal sejam reunidos em um só, sendo que a apreciação de ambos em apartado não traz qualquer prejuízo a este contribuinte. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Cabe ao contribuinte comprovar que a despesa por ele declarada se refere a curso universitário ou de especialização, sob pena de não poder deduzir a despesa pretendida, em razão da falta de previsão legal para a dedução pretendida. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 19/01/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração e de fls. 366/374 para redução do saldo do imposto a restituir de IRPF, em favor dele, relativamente aos Exercícios de 2003 e 2004. O lançamento ocorreu em razão da glosa das seguintes despesas: a) com dependente, no Exercício 2003; b) médicas, nos Exercícios 2002 e 2005; e c) com instrução, no Exercício 2002, e ainda em razão da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em razão da glosa da dedução de pensão alimentícia declarada para o Exercício 2003. Com relação a esta última infração, eis os esclarecimentos prestados no Termo de Verificação Fiscal: 0 contribuinte pagou em 2002, a titulo de pensão alimentícia judicial, o valor de R$ 5.366,31 (fls. 21). Analisandose a sentença que estabeleceu esta pensão (fls. 115 a 129) verifica se que este valor foi pago na proporção de dez por cento dos rendimentos brutos do contribuinte para cada um dos alimentandos, ou seja, para a Sra. Rosangêla Martins e para seus filhos menores, Thiago Luiz Martins e Douglas Luiz Fl. 495DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 210201.741 S2C1T2 Fl. 495 3 Martins (fls. 128).Posteriormente, o contribuinte incluiu este valor como dedução na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003, anocalendário 2002 (fls. 05). De acordo com o contribuinte e com o documento de fls. 131, o casal se reconciliou, e na sentença que extinguiu a separação judicial litigiosa, foi cancelado o desconto da pensão alimentícia. Na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003, ano calendário 2002 (fls. 05), como já exposto, o contribuinte incluiu o valor total da pensão alimentícia descontada em sua folha de pagamento (fls. 21). Incluiu também seus dois filhos menores, Thiago Luiz Martins e Douglas Luiz Martins, como dependentes (fls. 06). Assim, do total da pensão alimentícia paga, R$ 5.366,31, dois terços correspondem ao valor referente aos seus filhos menores, ou seja, R$ 3.577,54. Como estes foram incluidos como seus dependentes, estamos incluindo no presente lançamento, como omissão de rendimentos, o citado valor. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 383/417. Alegou, em preliminar, a nulidade do lançamento em razão de vício na emissão do MPF (que teria sido assinado por autoridade incompetente), e ainda requereu que o processo fosse apreciado em conjunto com o outro processo administrativo decorrente do mesmo procedimento fiscal, em razão da necessidade de compensação entre os valores constantes de ambos. Quanto ao mérito, o relatório da decisão recorrida bem resumiu os extensos argumentos trazidos pelo contribuinte, como se depreende do seguinte trecho: No mérito o impugnante alega, no item (c) — Da glosa da despesa com dependente, que apesar de ter afirmado que seu filho Diogo não era universitário em 2002, essa não era a realidade fática; conforme declaração da universidade cursada por Diogo, este só deixou de ser universitário com a colação de grau ocorrida em 2002. Assim, em não havendo dedução parcial com dependente, a dedução glosada pela fiscalização deve ser restabelecida. No item (d) — Da Glosa da despesa com instrução no ano calendário 2002, alega: que a dedução das despesas com instrução de seu filho Diogo foi glosada indevidamente, pois este atendia as condições para o vinculo de dependência em 2002, já que ficou comprovado que era universitário. No item (e) — Da Omissão de rendimentos de dependentes alega: que o ano de 2002 foi um período de transição, onde parte do período pagou pensão alimentícia aos filhos menores e em outra parte os declarou como dependentes; que "a declaração de imposto de renda não determina, ou sequer permite, dedução proporcional a alguns meses"; que "no caso de Fl. 496DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 transição aplicase a forma de apuração mais favorável aos contribuintes"; que a teor da pergunta n° 321 contida no "Perguntas e Respostas Sumário" publicado pela Receita Federal em seu site, "era facultado a ele, além de deduzir as despesas com dependentes, deduzir despesas com pensão alimentícia no ano de transição"; quanto a tributação dos valores recebidos pelos seus filhos, traz a pergunta n° 323 do mencionado "Perguntas e Respostas Sumário", para no fim concluir que esses valores deveriam ser "oferecidos A tributação pelos próprios beneficiários ou pela mãe que detinha sua guarda". Por fim no item (f) — Das glosas relativas en despesas Médicas, o impugnante inicialmente informa que somente parte das glosas esta sendo contestada, conforme consta do doc. 02. Assevera que no caso específicos das despesas médicas, cumpridos os requisitos do art. 11 da Lei n° 8.383/91, surge a presunção em favor do contribuinte da dedutibilidade das despesas pleiteadas, devendo o fiscal comprovar a invalidade das deduções. Alega que, no caso dos autos, cabe a fiscalização demonstrar a impossibilidade da utilização dos recibos apresentados e das respostas As intimações firmadas por cada um dos profissionais confirmando a prestação dos serviços e o recebimento dos valores informados; ao desconsiderar tais documentos e declarações está se dando "peso diferente A mesma prova no momento em que se aceita como verdadeira a afirmação de um profissional que não prestou serviço ao contribuinte e ignorase quando outro confirma a realização do trabalho". Para corroborar sua tese, traz acórdão do Conselho de Contribuintes. Na seqüência o impugnante passa a abordar especificamente as glosas que contesta. Em relação aos valores declarados como pagos a Wilson Guilherme Nunes Rosa (item f.1), alega que o auditor abandona os fatos e passa ao campo das conjecturas ao afirmar, sem conhecimento odontológico, que a freqüência de determinado tratamento "6 estranho e pouco usual". Aduz que a prova de pagamento, além do recibo, não encontra respaldo da legislação fiscal, ainda mais quando o próprio profissional afirma que recebeu o montante em moeda corrente, o que torna a prova impossível. Quanto As provas (folhas 49, 50, 288, 234 229, 230 a 232, 233, 236, 237, 238 a 243 e 244), afirma que "graças a diligência e paciência profissional intimado, o conjunto de provas é vasto e não deixa dúvidas sobre a possibilidade de dedução da despesa materializada pelos recibos de folhas 49 e 50 frente as comprovações apresentadas e a determinação contida no art. 924 do RIR199, deve ser restabelecida a dedução". Quanto as deduções das despesas com Marcelo Heidemann Perin em 2002, recibos As folhas 54 e 55, o impugnante inicialmente alerta que "os motivos da glosa devem estar individualizados, razão pela qual será desprezada a referência do fiscal aos 'outros [fatos] já expostos neste Termo'. Aduz que a mesma providência deve ser tomada pela autoridade julgadora, visto que de forma diversa haveria cerceamento do direito de defesa do contribuinte". Argumenta ainda que as considerações relativas aos profissionais Antenor Pedro Nunes Junior, Fl. 497DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 210201.741 S2C1T2 Fl. 496 5 Emerson Waldir Veronez e Werynto BoneIli não devem influenciar a dedução das despesas ora em comento, haja vista não fazerem parte da presente impugnação. Na seqüência, o impugnante argumenta que a prova de pagamento através do sistema bancário não encontra respaldo da legislação fiscal e reafirma a impossibilidade da produção desse tipo de prova quando o próprio profissional afirma que recebeu o montante em moeda corrente. Aduz que a prestação de serviços odontológico juntamente com outro profissional (Dra. Adriana D. G. Perin) não implica na inexistência de nenhum dos dois tratamentos, estes que são diversos e coexistem sem problemas, e que, além disso, como os dois profissionais mencionados são cônjuges, é natural o trabalho em conjunto e a indicação de pacientes entre eles, considerando a especialidade de cada um. Aqui também o contribuinte alega que devido a presteza do profissional o conjunto de provas carreado aos autos (folhas 168, 174, 171, 182, 183, 181, 184 a 194) é suficiente a comprovar a dedutibilidade das despesas. Os argumentos trazidos pelo impugnante, em favor da dedutibilidade das despesas declaradas com Adriana Dela Giustina Perin em 2002, são praticamente os mesmos trazidos quanto as despesas supostamente pagas a Marcelo Heidemann Perin. Quanto as despesas supostamente pagas ao fisioterapeuta Juliano Cargnin o impugnante novamente traz o argumento de que a comprovação do pagamento através do sistema bancário não encontra respaldo da legislação fiscal e reafirma a impossibilidade da produção desse tipo de prova quando o próprio profissional informa que recebeu o montante em moeda corrente. Argumenta ainda: que a inexistência da anotação do nome do médico que indicou a realização do tratamento é irrelevante; que o argumento de que o prazo de duração de três anos para o tratamento ser estranho não justifica a glosa da dedução, pois o tratamento de dores crônicas é necessário para manter a qualidade de vida do paciente; que o serviço foi prestado em Tubarão/SC e Braço do Norte/SC, pois apesar de seu domicilio fiscal ser Florianópolis/SC, trabalha a semana inteira em Tubarão, conforme faz prova o documento A folha 120 e 121; que apesar de seu plano de saúde cobrir o tratamento em tela, a escolha do profissional é de cunho subjetivo e não meramente econômico; não houve reembolso, pois somente há previsão em contrato para tal em não havendo nenhum outro profissional da Area credenciado. Por fim insurgese contra o agravamento da multa de oficio, considerando que não há prova da ocorrência da hipótese legal para tanto. A última glosa de deduções contestada referese As despesas supostamente pagas ao profissional Danilo Roberto de Dom Braga (item f.5). A esse respeito o impugnante aponta que os motivos da glosa das deduções são as mesmas das utilizadas para glosa das deduções das despesas com Juliano Cargnin, pelo que os argumentos são os mesmos acima expostos. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Aqui também se insurge contra o agravamento da multa de oficio, considerando que não há prova da ocorrência da hipótese legal para tanto. Por fim, o impugnante contesta a legalidade da inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da Taxa SELIC. Na análise destas alegações, os membros da DRJ em Florianópolis decidiram pela manutenção parcial do lançamento, rejeitando as preliminares de nulidade do MPF e necessidade de reunião de processos conexos. Foi restabelecida a glosa da dedução com um dos dependentes do Recorrente (seu filho Diogo), mas mantida a glosa das despesas com instrução do mesmo. Foi igualmente cancelada a infração relativa à omissão de rendimentos de seus dependentes. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 442/473, por meio do qual reiterou os argumentos expostos em sua Impugnação e requereu o recebimento e processamento do seu recurso para: anular o processo a partir do MPF, visto que assinado por agente incompetente para tanto, nos termos do art. 6° da Portaria SRF n° 6.087/2005, combinado com o art. 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 (item "a"). Caso assim não se entenda, aular o lançamento fiscal embasado em provas ilícitas, decorrentes da inobservância do art. 7°, inciso VII da Portaria n° 6.087/2005 (item "a"); que fosse deferida a reunião dos processos 11516.4653/200759 e 11516.4545/200786, ao entendimento de que a segregação realizada pela autoridade fiscal implicou na majoração do montante devido em virtude da ausência de compensação do saldo credor do segundo com o montante apurado no primeiro, nos termos do art. 156, inciso II do CTN (item "b"); anular a glosa relativa à instrução realizada com Diogo Luiz Martins, já que o mesmo possuía a condição de dependente no anocalendário de 2002 (item "c"); que fossem analisadas individualmente as deduções pleiteadas, baseando a decisão nos argumentos, fatos e provas relativos a cada um dos profissionais, nos termos exigidos pelo art. 31 do Decreto n° 70/235/72; que fosse restabelecidas as despesas médicas glosadas, visto que as ilações apresentadas pela fiscalização para a glosa não estão embasadas em comprovações documentais acostadas aos autos e não refutam a presunção de veracidade atribuída pelo art. 80, §1°, do RIR/99 (item "d"); e caso não fosse possível "decidir do mérito a favor do sujeito passivo" (art. 59, § 3 0, do Decreto n° 70.235/72) no tocante às despesas médicas, que fosse cancelada a decisão da DRJ e determinado que a mesma analisasse as questões individualizadamente, como determina o art. 31 do Decreto n° 70/235/72. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 210201.741 S2C1T2 Fl. 497 7 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.08.2008, como atesta o AR de fls. 441. O Recurso Voluntário foi interposto em 15.09.2008, segundafeira (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da glosa de diversas despesas pleiteadas pelo Recorrente em suas Declarações de Ajuste Anual apresentadas para os Exercícios 2003 e 2004. A fiscalização que gerou este lançamento, porém, abrangera também os fatos geradores dos anos de 2001 e 2004 (Exercícios 2002 e 2005 – objeto de lançamento diverso), o que levou o Recorrente a pleitear uma espécie de compensação entre os lançamentos. Por isso, antes de analisar o mérito da discussão travada nestes autos (repita se, relacionada aos Exercícios de 2003 e 2004), é preciso delimitar a controvérsia aqui posta. Delimitação do Litígio No Recurso Voluntário, ao tratar da matéria impugnada e não impugnada, o Recorrente afirma: 7. Sao objeto do Recurso Voluntário os seguintes itens do auto de infração: as glosas com os profissionais de saúde elencados no documento 02 da impugnação (anocalendário 2002); as glosas com instrução (anocalendário 2002). Assim, estas serão as questões a serem analisadas por esta turma julgadora, levando ainda em consideração que somente parte das despesas médicas glosadas foi objeto do recurso, como se verá adiante. Delimitado o litígio, passase à análise das alegações do Recorrente. Da preliminar de nulidade por vícios no MPF Alega o Recorrente que seria nulo o lançamento pelo fato de o MPF ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, o qual, segundo ele, não estaria “no rol de pessoas competentes para tanto”, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. Quanto a esta parte da defesa, a despeito dos esclarecimentos já prestados pela relatora da decisão recorrida, o Recorrente insiste em afirmar que não há nos autos o ato através do qual teria havido a “delegação de competência” ao Delegado Substituto para assinar o referido MPF. Entretanto, a decisão recorrida é irretocável neste particular, e merece ser mantida por seus próprios fundamentos, como se depreende do trecho a seguir transcrito: Salientese que a competência para a emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal não é privativa de determinada pessoa natural, mas dos ocupantes dos cargos mencionados no inciso IV Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 do art. 6° da Portaria SRF n° 6.087/2005; a competência, portanto é conferida pela legislação ao cargo e não a uma pessoa especificamente. Assim é que, aos ocupantes dos mencionados cargos, sejam eles os titulares ou seus substitutos, cabe a competência para emissão do MPF. Logo, na ausência, por qualquer motivo, do Delegado da Receita Federal, o Delegado da Receita Federal Substituto, nomeado por portaria especifica, assume automaticamente o cargo, sendo investido, também automaticamente, com todas as competências do titular, inclusive a competência para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Com efeito, afastandose ou ficando impedido o Delegado da Receita Federal titular, todas as atribuições inerentes ao cargo passam automaticamente a serem exercidas por seu substituto. Portanto, não há que se falar em delegação de competência, cuja transferência de poderes independe de afastamento temporário do titular dos mesmos. No mais das vezes, a delegação de competência é motivada para dar maior desenvoltura à execução das atividades administrativas, eximindo o titular a quem incumbe a prática dos atos, possibilitando a este maior disponibilidade para dedicarse a execução de outras atividades inerentes ao cargo. Como claramente se vê, não é este o caso que aqui se apresenta. Assim, não merece acolhida a preliminar de nulidade suscitada. Do pedido de reunião dos processos e de compensação Neste item do seu Recurso, o Recorrente sustenta que por serem decorrentes de uma mesma fiscalização (e de um mesmo MPF), deveriam estar reunidos os lançamentos efetuados em relação aos Exercícios de 2003 e 2004 (sobre os quais versa o presente processo) com aqueles efetuados para os Exercícios de 2002 e 2005 (objeto do processo nº 11516.4653/200759). Seu raciocínio é o de que se os processos estivessem reunidos em um só, ele poderia efetuar a compensação entre os créditos a que faz jus neste processo, e os débitos apurados naquele outro processo. Entretanto, esta não é a sede própria para que seja analisado tal pedido de “compensação”, sendo certo que não há sequer previsão legal para tanto. Aliás, o raciocínio esposado pelo Recorrente implicaria em que o período de apuração do IRPF fosse um só para os quatro anos objeto da fiscalização em exame. Somente assim é que o raciocínio dele estaria correto, e somente assim poderseia viabilizar a compensação por ele pretendida. Como se trata de Exercícios distintos, ainda que o Auto de Infração lavrado fosse um só para os quatro anos fiscalizados, haveria a incidência de multa e juros sobre os Exercícios de 2002 e 2005, enquanto que o saldo em favor do Recorrente apurado para os anos de 2003 e 2004 seria corrigido com base na variação da taxa Selic – exatamente como foi feito em ambos os lançamentos. A divisão dos processos em dois se deu apenas a fim de facilitar a execução dos lançamentos. Neste sentido, é pertinente transcrever mais um trecho da decisão recorrida, verbis: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 210201.741 S2C1T2 Fl. 498 9 Já o fato de os valores a restituir referentes aos anoscalendário 2002 e 2003 terem sido apurados (corrigidos) através de outro auto de infração, efetivamente em nada prejudicou o contribuinte. Isso porque, a apuração do valor do imposto, devido ou a restituir, realizado pelo próprio contribuinte ou por autoridade fiscal, é realizado considerando somente o ano de ocorrência dos fatos geradores, desconsiderando anos anteriores ou posteriores; assim é que mesmo que todo o período (anoscalendário 2001 a 2004) tivesse sido objeto de um s6 auto de infração, o imposto devido (ou a restituir) teria sido apurado separadamente por anocalendário, não havendo qualquer possibilidade de o contribuinte poder "compensar" os impostos devidos, relativos aos anos 2001 e 2004, com o valor a restituir, relativo a 2002 e 2003, conforme demonstra ser sua pretensão. Salientese, por oportuno, que eventuais compensações entre valores devidos e a restituir, referentes a anos distintos, somente podem ocorrer no momento da cobrança dos débitos, portanto em momento posterior a apuração destes momento este em que há a aplicação da multa e juros cabíveis, incidentes sobre o imposto devido em cada ano. Por tudo isso, diante da absoluta falta de previsão legal para o pedido de reunião dos processos, não merece acolhida a preliminar suscitada. No mérito Conforme relatado, através do lançamento que aqui se examina foram glosadas despesas declaradas pelo Recorrente com dependentes, instrução e médicos. A glosa relativa ao dependente já foi restabelecida através da decisão recorrida, tendo restado agora somente a análise da glosa de despesa com instrução deste dependente, e ainda a glosa das despesas médicas. Despesas com instrução Através do Auto de Infração que ora se examina, foi feita a glosa das despesas declaradas pelo Recorrente com a instrução de seu filho Diogo – que fora declarado como seu dependente, gerando também a glosa desta dependência. A decisão recorrida, porém, reconheceu a relação de dependência entre o Recorrente e seu filho Diogo (para o ano de 2002), mas manteve a glosa das despesas com instrução do mesmo. Tal manutenção se deu pelo fato de que a despesa cuja dedução o Recorrente pretendia se referia a curso de magistratura, e não a curso universitário ou de especialização, não havendo por isso previsão legal para a dedução pretendida. Eis o que motivou a decisão recorrida neste ponto: No entanto, não obstante no anocalendário 2002 Diogo Luiz Martins possa ser considerado dependente do contribuinte, não há nos autos documentos hábeis a comprovar a dedutibilidade das despesas com instrução deste. Isso porque os únicos comprovantes de despesas com instrução, trazidos pelo contribuinte (fls. 28 a 31), referemse ao curso prestado pela Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Escola Superior da Magistratura do Estado de Santa Catarina, que Diogo iniciou em agosto de 2002, quando já estava graduado, não havendo nos autos qualquer comprovação de que este curso consista de curso de especialização, nos termos postos no caput do art. 81 do RI R/99 . O Recorrente alega que a decisão recorrida inovou ao argüir tal fundamento como razão para negar a dedutibilidade da despesa com instrução, já que no lançamento o único motivo para a glosa desta despesa fora o fato de a autoridade lançadora ter entendido que seu filho Diogo não poderia ser considerado seu dependente. Segundo ele, reconhecida a dependência, deve necessariamente ser reconhecida a dedutibilidade da despesa. Na insistência de que a decisão recorrida seria nula por este motivo, deixa de trazer quaisquer argumentos que refutem as razões de decidir tomadas na decisão recorrida. De fato, uma leitura do Termo de Verificação Fiscal demonstra que o que motivou a glosa das despesas com instrução foi realmente o fato de ter sido glosada a própria relação de dependência. Isto não significa, porém, que a natureza desta despesa tenha sido analisada e acolhida pela autoridade lançadora. A relação de dependência é, por si só, um pressuposto para a dedução das despesas de instrução com o dependente, razão pela qual, não sendo acolhida a relação de dependência, naturalmente será negada a dedução de despesas havidas com este mesmo dependente. Para deixar claro o entendimento esposado pela autoridade fiscal, cumpre, por amor ao debate, transcrever o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: Foram apresentados comprovantes de pagamento para a Escola Superior de Magistratura em 2002 (fls. 28 a 31), em nome de Diogo Luiz Martins que, como já exposto neste Termo, não pode ser considerado dependente do contribuinte. Como se vê, a autoridade fiscal não analisou a possibilidade de dedução das despesas com a Escola da Magistratura, apenas afirmou que os comprovantes de tais pagamentos foi apresentado, mas não foi acolhido em razão da glosa da relação de dependência. Isto não significa, como pretende o Recorrente, que a autoridade fiscal tenha reconhecido a possibilidade de dedução das referidas despesas. Assim, nenhuma nulidade há na decisão recorrida. Por outro lado, deve ser mantida tal decisão no que diz respeito à manutenção da glosa das despesas com instrução, já que o curso preparatório para a magistratura não é verdadeira especialização, mas sim (como o próprio nome já diz) um curso que prepara o aluno – bacharel em Direito – para o ingresso na carreira de magistrado, ingresso este que ainda depende da realização de um concurso. Ressaltese ainda que o Recorrente deixou de carrear aos autos documentos que demonstrassem que tal curso represente verdadeira especialização, razão pela qual realmente não há previsão legal para sua dedução. Deve, por todos estes motivos, ser mantida a glosa de despesas com instrução. Despesas médicas Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas efetuadas pelo Recorrente ao longo dos anoscalendário 2002 e 2003. Instruindo o lançamento, o Termo de Verificação Fiscal descreve minuciosamente o trabalho Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 210201.741 S2C1T2 Fl. 499 11 realizado pela autoridade fiscal, e esclarece todos os motivos que levaram à glosa das despesas médicas e à qualificação da multa sobre esta parte do lançamento. Os profissionais cujos recibos foram objeto de glosa foram os seguintes: Anocalendário 2002 Roberto David Bernardo da Silva – R$ 2.500,00 Berenice Helena de Oliveira – R$500,00 Werynton Boneli R$ 3.280,00 Emerson Waldir Veronez – R$ 1.400,00 Antenor Pedro Nunes Junior – R$ 2.500,00 Wilson Guilherme Nunes Rosa R$ 1.000,00 Marcelo Heidemann Perin – R$ 1.900,00 Adriana Della Giustina Perin – R$ 1.500,00 Juliano Cargnin – R$ 2.200,00 Eduardo Paiva Godinho – R$ 3.180,00 Danilo Roberto de Don Braga – R$ 550,00 VALOR TOTAL GLOSADO EM 2002: 20.510,00 Anocalendário 2003 Berenice Helena de Oliveira – R$ 650,00 Ruth Patricia Koenning Pires – R$ 1.430,00 Rogério Tagliari Hoffmann – R$ 10.922,00 Juliano Cargnin – R$ 1.470,00 VALOR TOTAL GLOSADO EM 2003: 5.690,00 De todos estes profissionais (cujas despesas foram incluídas em suas respectivas DIRPF dos Exercícios 2003 e 2004), o Recorrente acabou reconhecendo que a maior parte das despesas originalmente declaradas realmente não estava correta. Impugnou apenas R$ 7.150,00 das despesas médicas glosadas para o ano de 2002 e não impugnou qualquer despesa médica glosada em relação ao anocalendário 2004. Assim, percebese que o Recorrente concordou, tão logo foi cientificado do lançamento, com o fato de que a maior parte das despesas médicas por ele declaradas como Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 dedutíveis, na verdade não o eram. Vale ressaltar que não há, na Impugnação ou no Recurso, esclarecimentos sobre o que motivou esta concordância parcial com o lançamento. À época da fiscalização, o Recorrente não apresentou quaisquer recibos médicos ao atender à primeira intimação recebida. Apenas trouxe alguns deles aos autos depois de uma intimação específica para tanto. O Termo de Verificação Fiscal esclarece – profissional por profissional as razões que levaram à glosa das referidas despesas (cf. fls. 347 a 360 dos autos). Esclarecendo ainda mais os fatos envolvidos no lançamento, e as razões para a sua manutenção, cumpre transcrever aqui o seguinte trecho, extraído da decisão recorrida: Destarte, ante o expressivo valor das despesas médicas, compete à autoridade fiscal, por imposição legal, verificar a regularidade das deduções pleiteadas nas Declarações de Ajuste Anual. 0 sujeito passivo tem o ônus de comprovar e justificar as deduções e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais. Destacando que, quando a autoridade fiscal apura indícios, tantos e tão fortes, de que os pagamentos consignados nos recibos apresentados não ocorreram, neste caso, o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem dúvida quanto ao fato questionado. As alegações de defesa, analisadas em conjunto com os documentos acostados pelos supostos prestadores dos serviços médicos, até poderiam vir a ser consideradas plausíveis e procedentes, se consideradas isoladamente fora do contexto no qual se inserem. Todavia, ao contrário do que pretende o contribuinte, a bem do correto e justo julgamento do lançamento, todos os fatos trazidos pela fiscalização, devem ser considerados em conjunto em busca da verdade que se afigura nos autos em relação à conduta do contribuinte. Assim é que, muito embora os fatos acima descritos não sejam suficientes, quando olhados cada um deles de forma isolada, para evidenciar conclusivamente a existência de recibos fornecidos de forma graciosa, verdade é que quando olhados de modo conjunto, formam um quadro indiciário que, aliado a conduta reiterada do contribuinte em informar valores significativos de despesas médicas para as quais não tinha comprovação idônea, evidencia a conduta fraudulenta do contribuinte, tendente a beneficiarse de deduções indevidas. Neste ponto, o lançamento e a decisão recorrida merecem ser prestigiados. A legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 210201.741 S2C1T2 Fl. 500 13 (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) No caso dos autos, o Recorrente pleiteou em suas Declarações de Ajuste Anual a dedução de despesas efetuadas com um total de 11 profissionais no ano de 2002 e outros 4 profissionais no ano de 2003. Após uma fiscalização bastante minuciosa e bem conduzida, o Recorrente acabou por concordar que deste 15 profissionais que lhe haviam prestado serviços (ou assim ele o declarou), apenas 5 correspondiam à realidade (5 profissionais em 2002 e nenhum em 2003). Decorre daí que o contribuinte apresentou em suas DIRPF 2003 e 2004 despesas médicas com (em média) o triplo dos profissionais que efetivamente “contratara”. Este fato demonstra que não se tratou de mero equívoco do Recorrente ao preencher suas Declarações de Ajuste Anual. Ao contrário, este fato leva a crer que a intenção do mesmo ao majorar de forma tão grave as despesas efetivamente incorridas não tinha outra intenção senão a de se beneficiar com um menor pagamento do imposto (de Renda). Por isso, ao contrário do afirmado por ele, os indícios sugerem que a fiscalização realmente agiu corretamente, e que a prova da efetiva prestação dos serviços cuja dedução ele pleiteia deve ser feita de forma convincente e cabal. Pelo fato de todos os seus tratamentos médicos e odontológicos terem sido pagos em moeda corrente (de forma que o pagamento dos serviços não pode ser comprovado), caberia ao Recorrente ter trazidos aos autos outras provas conclusivas no sentido de que o serviço fora prestado. No entanto, as provas trazidas por ele para complementar suas alegações e os recibos trazidos, não são suficientes para tanto. Tomando como exemplo o profissional Wilson Guilherme Nunes Rosa, constam dos autos declarações por meio das quais o mesmo reconhece a efetividade do serviço prestado. Às fls. 233/234 foram anexadas as fichas demonstrativas dos serviços prestados. Tais Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 documentos foram considerados como insuficientes pela autoridade lançadora considerando que o Recorrente contratara cinco profissionais diferentes ao longo de um mesmo ano para realizar os mesmos tratamentos dentários. Este fato, somado aos outros levantados pela autoridade fiscal, são sim suficientes a fragilizar as provas trazidas aos autos pelo Recorrente, o que implica em que caberia a ele ter trazido mais provas acerca da efetividade dos serviços prestados. Não cabe a esta Turma – pela falta de conhecimento técnico para tal – indicar que outros documentos seriam estes; porém, ciente o Recorrente de que seu pleito vem sendo negado desde a época da fiscalização, caberia a ele ter diligenciado perante o profissional emitente dos recibos para que este fizesse o que estivesse ao seu alcance no intuito de comprovar que os serviços foram prestados. Tal prova não foi feita. No que diz respeito ao profissional Marcelo Perin, consta dos autos (fls. 171) um “odontograma” do tratamento por ele efetuado no Recorrente. Este odontograma, porém, era um “Orçamento” do qual consta a situação dos dentes do Recorrente, e dos “proc realizados em 2001, 2002 e 2004”. Tal documento não tem data ou a assinatura do profissional emitente e teve sua autenticidade reconhecida em Cartório no ano de 2007, passados 6 anos do início do tratamento. O mesmo se diga em relação ao odontograma emitido pela Dr. Adriana Perin, às fls. 251, que não tem data de emissão. Não fossem suficientes estes argumentos, releva ainda destacar que o Recorrente poderia ter trazido aos autos as fichas de paciente emitidas pelo referido profissional. Tais fichas são comumente encontradas em consultórios médicos e odontológicos, servindo sempre como um parâmetro e um histórico dos procedimentos realizados em cada paciente e contém, inclusive, outros comentários que o profissional entenda pertinentes. Por isso, a documentação colacionada aos autos não pode ser considerada como suficiente para comprovar a efetiva prestação dos serviços em tela. As despesas efetuadas com o profissional Juliano Cargnin (fisioterapeuta) são “comprovadas” com recibos e pela justificativa de que o Recorrente sofria de “dores e desconforto musculares” (cf. fls 289), sem qualquer outro esclarecimento acerca da justificativa médica para a prestação de tais serviços. Já as despesas com o profissional Danilo Roberto Bolzoni de Don Braga, constam dos autos a declaração de fls. 309, por meio da qual o profissional reafirma ter prestado serviços ao Recorrente e ter emitido os recibos das despesas pleiteadas. Às fls. 90 dos autos consta também uma declaração do mesmo profissional, por meio da qual afirma que “0 paciente se submeteu a consultas rotineiras, no acompanhamento de nódulos na região mamaria”. Não trouxe, porém, quaisquer exames que demonstrassem o alegado, de forma que, considerando o conjunto probatório constante dos autos, fica frágil a prova trazida, não sendo considerada apta e suficiente a demonstrar a efetividade da despesa alegadamente incorrida. Pelos motivos expostos, estão corretas as conclusões tomadas pela autoridade fiscal e também pela decisão recorrida, ambas acima transcritas, e que devem ser privilegiadas. De fato, os argumentos e documentos trazidos pelo Recorrente não são suficientes a refutar as motivações da autoridade fiscal para efetuar o lançamento, que deve permanecer da forma como foi efetuado, mantendose as glosas em questão – inclusive com a qualificação da multa de ofício. Ressaltese, mais uma vez, que desde que teve ciência da lavratura do Auto o Recorrente esteve ciente das razões que motivaram as glosas, razão pela qual teria ele a Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 210201.741 S2C1T2 Fl. 501 15 obrigação de trazer aos autos documentos que comprovassem as referidas despesas, como já lhe foi exaustivamente alertado. Por isso mesmo não lhe assiste razão ao afirmar que a decisão recorrida deixou de analisar um a um os casos de cada profissional emitente dos recibos. Além da decisão ter sido bastante esclarecedora dos motivos que ensejariam a manutenção do lançamento, certo é que caberia a ele demonstrar – para cada profissional alegadamente contratado – quais as provas (além daquelas já refutadas pela autoridade lançadora) demonstrariam a efetividade da prestação do serviço. O Recorrente, porém, além de não demonstrar tais razões, limitase a reiterar em sede de Recurso Voluntário tudo aquilo que já fora dito em sede de Impugnação e também ao longo da fiscalização. Todas estas razões são suficientes a justificar a manutenção das glosas em questão. Em outras oportunidades, ao apreciar casos semelhantes, esta Turma julgadora vem assim decidindo, como se depreende do julgado a seguir transcrito, no qual são expostas, de maneira clara e precisa, as razões para a manutenção de lançamentos semelhantes ao que ora se analisa, inclusive com a qualificação da multa, verbis: DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; ou houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Recurso negado. (Acórdão nº 210201632, julgado em 26.10.2011) Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 16 Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005168/2001-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997
PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à CPMF é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de
antecipação de pagamento.
Numero da decisão: 9303-001.644
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à CPMF é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Relatório Examinase recurso especial interposto pelo sujeito passivo contra acórdão proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A matéria a ser discutida cingese ao prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituir crédito tributário de COFINS. A decisão recorrida entendeu ser ele de dez anos na forma definida no art. 45 da Lei nº 8.212/91. A recorrente sustenta aplicaremse à contribuição as normas estatuídas no Código Tributário Nacional. Mais especificamente, pugna pela aplicação exclusiva do art. 150, § 4º. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 472/473, visto que o acórdão 10808.928 do então Primeiro Conselho de Contribuintes concluíra do mesmo modo que a recorrente. Importa frisar não ter sido este o único acórdão divergente transcrito e que, em todos, apenas se faz referência à norma inserta no art. 150, § 4º do CTN, como pretendido. Por importante, é de se registrar que a autuação decorreu de ato declaratório suspensivo da imunidade ao IRPJ de que gozava a recorrente, uma instituição de ensino. A suspensão alcançou os anos de 1995 a 1997 e dela resultou a lavratura de autos daquele tributo e das contribuições COFINS, PIS e CSLL (autuações reflexas) por omissão de receitas. Este auto, porém, não é reflexo ou decorrente do IRPJ, motivo pelo qual o recurso voluntário do contribuinte foi regularmente julgado pela Terceira Câmara do Segundo Conselho. A autuação foi cientificada ao contribuinte em 29/6/2001 e engloba períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1995 e dezembro de 1997. Embora não conste expressamente dos autos, é de se depreender não ter havido recolhimentos da contribuição no período. Há nos autos notícia (fl. 483) de que a PFN foi regularmente cientificada do acatamento do recurso do contribuinte e não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A divergência jurisprudencial foi amplamente demonstrada e o recurso deve, por isso, ser admitido. E provido em parte. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.005168/200125 Acórdão n.º 930301.644 CSRFT3 Fl. 486 3 É que a inaplicabilidade das disposições dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 não é mais discutível. Com efeito, ela é objeto da Súmula Vinculante do STF nº assim redigida: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Em conseqüência dela, resta obrigatória a observância das disposições sobre decadência expressas no Código Tributário Nacional como inicialmente pretendido pela recorrente. No entanto, não se lhe pode dar inteira razão na medida em que postula a aplicação exclusiva do art. 150, § 4º. Isso porque, ao contrário já decidiu o e. Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, o que torna a sua reprodução neste julgado obrigatória por força do que dispõe o art. 62A recentemente introduzido no Regimento Interno desta Casa. Com efeito, o acórdão prolatado no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, em que se discutia a possibilidade de aplicação cumulativa dos artigos 150 e 173 do CTN, restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O voto condutor do acórdão, da lavra do exmo. Ministro Luiz Fux, assim se pronuncia (os destaques são meus): “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.005168/200125 Acórdão n.º 930301.644 CSRFT3 Fl. 487 5 O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Esta passagem do voto elucida também, a meu sentir, o alcance da expressão “inexistindo declaração prévia do débito” constante da ementa e que tem gerado alguma controvérsia em julgados recentes desta Câmara Superior. Com efeito, pretendese que a existência de DCTF ou DIPJ bastaria a afastar a aplicação do art. 173. Não me parece que seja assim. De fato, a expressão apenas é usada para efeito de definição do dies a quo do prazo definido pelo art. 173, depois, portanto, que já se tenha afastado o 150 pela ausência de pagamento. Concluise, por isso, que o exmo. Ministro estava a se referir à hipótese versada no parágrafo único do art. 173, que antecipa o início da contagem do prazo, ainda que seja forçoso reconhecer a impropriedade do vocábulo “declaração” nesse sentido. Ainda assim, não vejo como se possa ler a passagem acima de forma diferente. Por outro lado, para a definição que se busca, isto é, se é aplicável o art. 150 ou o 173, tudo o que é requerido é a verificação quanto à existência de pagamento. No presente caso, por se tratar de instituição que se considerava imune, não há qualquer informação quanto à existência de recolhimentos, nem isso é por ela alegado em seu recurso especial. De aplicarse, portanto, a regra do art. 173, o prazo decadencial para os períodos mais antigos (1995) teve início em 1996, findandose em 31 de dezembro de 2000. Como o lançamento somente foi cientificado ao contribuinte em 29/6/2001, todos os meses do ano de 1995 (inclusive dezembro) já se encontravam inatingíveis pelo lançamento intentado. A conclusão quanto ao mês de dezembro decorre desta outra passagem da decisão a aplicar: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 “Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199)”. De outra banda, porém, todos os demais períodos, com relevo para os ocorridos entre janeiro e maio de 1996 que seriam fulminados pela decadência na forma do art. 150, não estão por ela alcançados. Com essas considerações, é o meu voto pelo provimento parcial do recurso especial, de modo a afastar a tributação dos meses do ano de 1995 (inclusive dezembro) por aplicação cumulativa da Súmula Vinculante nº 08 do STF e do art. 62A do Regimento Interno desta Casa. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator designado A Câmara recorrida entendeu que o prazo para a Fazenda constituir os créditos das contribuições para a seguridade social seria o previsto no art. 45 da Lei 8.212/1991, 10 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. O sujeito passivo defende que o prazo é de 5 anos, contados a partir do fato gerador, independentemente de antecipação de pagamento. O relator afastou, com a costumeira competência, a aplicação desse dispositivo legal, deslocando para o CTN a forma de contagem e o prazo aplicável. Dele divergi, tãosomente, no tocante à decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1995, sendo então designado para redigir o voto vencedor, apenas dessa parte, o que passo a fazer de imediato. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.005168/200125 Acórdão n.º 930301.644 CSRFT3 Fl. 488 7 a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. Esclareçase que, muito embora o acórdão referente ao recurso repetitivo do STJ que versa sobre o prazo e a forma de contagem da decadência faça alusão ao primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível, entendo que tal referência, feita a título de explicação, contradiz a essência do voto condutor do citado acórdão, devendo ser relevada, posto que sua função, como dito linhas acima, foi para aclarar o que havia sido dito antes, mas que teve efeito contrário, obscureceu o que estava claro. De outro lado, se se emprestar validade a essa indigita explicação, estarseia criando regra de contagem do prazo decadencial, não prevista em qualquer dispositivo legal, o que afrontaria o Disposto no art. 146 da Carta Política de 1988, que exige lei complementar para tal mister. Assim, a meu sentir, a interpretação mais consentânea com o direito, a ser dada ao acórdão prolatado no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, em que se discutia a possibilidade de aplicação cumulativa dos artigos 150 e 173 do CTN, é a de que a inexistência de antecipação de pagamento desloca o termo de início da contagem do prazo decadência, da data de ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Aliás, como explicitado no inciso I do art. 173 do CTN. Voltemos aos autos. No caso ora em exame, não houve antecipação de pagamento do tributo, fato que desloca o termo de início da decadência para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. De outro lado, o crédito tributário lançado abrange os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1995 e dezembro de 1997. Para fatos geradores referentes a períodos de apuração anteriores a dezembro de 1995, na data da ciência do auto de infração – 29 de junho de 2001 – os créditos encontravamse alcançados pela decadência, posto que a contribuição devida em novembro de 1995, o vencimento deuse em dezembro desse ano, e, por conseguinte, o termo de início da decadência era primeiro de janeiro de 1996, e o final, 31 de dezembro de 2000. Todavia, para a contribuição correspondente a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1995, o vencimento ocorreu em janeiro de 1996, por conseguinte, o termo de início deuse janeiro de 1997, e o final em 31 de dezembro de 2001. Como a ciência do auto de infração deuse em 29 de junho de desse ano, o crédito lançado ainda não fora alcançado pela decadência. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo para reconhecer a decadência do direito à constituição de crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 1995. Henrique Pinheiro Torres Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, A ssinado digitalmente em 02/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.010715/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 27/06/2008
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 EXIGÊNCIA DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO FUNDAMENTO
ART. 8º DA LEI 10.666/2003 C//C ART. 225, III DO DECRETO 3048/99.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez
anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03. ver art. 8º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03)
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA
CONFISCATÓRIA PREVISÃO LEGAL PARA MULTA.
O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.030
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03. ver art. 8º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA CONFISCATÓRIA PREVISÃO LEGAL PARA MULTA. O Auto de Infração ao ser aplicado não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza Fl. 100DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010715/200832 Acórdão n.º 240102.030 S2C4T1 Fl. 101 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.170.7854 em desfavor da recorrente, pela inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03. ver art. 8º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de apresentar as informações em meio digital, solicitadas pelo Termo de Intimação para Apresentação de documentos datado de 12 de março de 2.008. Empresa não apresentou documentação em meio digital de acordo com leiaute previsto no Manual Normativo de Aquivos Digitais da Secretaria da Receita Previdenciária em vigor à época de ocorrência dos fatos geradores, o que constitui infração ao artigo 32, inciso III da Lei 8.212 de 24 de julho de 1.991 e artigo 225, inciso III do Regulamento da Previdência Social, que foi aprovado pelo Decreto 3.048 de 06 de maio de 1.999. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 27/06/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/07/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 26 a 34. O processo foi baixado em diligência, fls. 77, com vistas a esclarecer quais os arquivos não foram apresentados, bem como para que se apure a multa aplicada de acordo com as novas especificações. Foi emitida informação fiscal, fl. 79, indicando que a empresa não apresentou qualquer arquivo e que a multa aplicada na época do auto de infração e mais benefíca do que a atualmente estabelecida. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 81 a 88. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 93 a 100. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: 1. A insubsistência da autuação, já que o fisco não discriminou detalhadamente quais seriam as informações digitais necessárias à fiscalização, além de exigir que a Fl. 102DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 documentação fosse apresentada conforme leiaute previsto em Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD), que afirma inexistir à época dos fatos geradores. 2. Entende a Recorrente que a multa aplicada é fundamentalmente confiscatória, além de não atender ao princípio da Capacidade Contributiva. 3. Conforme demonstrado, a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória possui caráter meramente sancionatório. Logo, é injustificável a pretensão fiscal em receber a integralidade do crédito apurado a título de sanção. 4. Note bem: não se está aqui a discutir a incidência de multa em sede de tributos recolhidos a destempo. Isto, se aplicável, já foi feito e exigido na via própria. O que se discute é a desarrazoada incidência de multa decorrente de obrigação acessória (não elaboração de folhas de pagamentos), multa esta quantificada em R$ 1.254,89 (mil duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). 5. Se a multa sancionatória há de servir para fins de induzir comportamentos, não se pode olvidar que sua quantificação deve se dar na exata medida do comportamento almejado, e nunca arruinando a propriedade de sociedade. 6. Por fim, a multa aplicada fere também o princípio da capacidade contributiva, eis que o montante aplicado vai muito além da simples tentativa de coibir a infração de obrigação acessória, importando, na verdade, em majoração de tributo para além da capacidade econômica adquirida pela empresa, além de majorar a própria alíquota, de forma indireta. 7. Requer seja a multa alterada, levandose em consideração os princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e do NãoConfisco. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010715/200832 Acórdão n.º 240102.030 S2C4T1 Fl. 102 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 80 e 81. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade da autuação, posto que à época dos fatos inexistia previsão legal para a apresentação de arquivos no layout solicitado, bem como questiona a validade da multa aplicada, destacando ferir princípios constitucionais, sem apresentar qualquer prova que demonstrasse o atendimento do Termo de Intimação. Dessa forma, em relação as faltas que lhe foram imputadas, objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Quanto à ocorrência da infração, há de se fazer uma ressalva acerca da aplicação da legislação no tempo. A obrigação da apresentação de informações em arquivos digitais apareceu no ordenamento com a edição da Medida Provisória n.º 83, de 12/12/2002, posteriormente convertida na Lei n.º 10.666, de 08/05/2003. Em seu art. 8.º está previsto: Art.8ºA empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Tal dispositivo foi regulamentado, pelo Decreto n.º 4.729, de 09/06/2003, que incluiu o § 22 no art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, nos seguintes termos: Art. 225. A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Fl. 104DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 §22A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. A publicação do Decreto n.º 4.729/2003 é o marco a partir do qual se pode efetuar autuações quando o contribuinte deixa de exibir os arquivos digitais. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ao contrário do que afirma a empresa existe sim previsão legal para a exigência de informações em meio magnético , conforme descrito acima. Bem já apreciou a autoridade julgadora a alegação de que não foram discriminadas as informações não entregues. Primeiramente, conforme descrito na informação fiscal, fl.71, o recorrente durante o procedimento fiscal não apresentou qualquer arquivo magnético. Vejamos trecho da Decisão Notificação: Nesse ponto, embora contestado pela empresa, não existem dúvidas quanto à natureza da infração ou circunstâncias materiais da sua ocorrência: as empresas que se utilizam de sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de seus negócios, nos termos da legislação transcrita, estão obrigadas, quando devidamente solicitadas, a apresentar os arquivos magnéticos correspondentes à fiscalização, os quais contêm informações cadastrais, fmanceiras e contábeis de interesse do trabalho de auditoria a ser realizado. Ressaltese que o referido exame é imprescindível para a verificação da condição de regularidade da empresa perante a Receita Federal do Brasil e a Seguridade Social. O crescente volume de dados a serem analisados pelo auditor fiscal demanda a utilização de ferramentas de auditoria digital, de modo a otimizar os resultados da ação fiscal em termos de tempo, eficiência e qualidade. Quando não são apresentados os arquivos magnéticos devidamente certificados, contendo os dados inerentes à atividade econômica desenvolvida, obviamente fica dificultada a apuração exata do montante de possíveis contribuições previdenciárias devidas, em prejuízo para o trabalho de fiscalização, ficando dificultada também a verificação da regularidade da situação dos diversos segurados a serviço da empresa em relação à Previdência Social. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010715/200832 Acórdão n.º 240102.030 S2C4T1 Fl. 103 7 Portanto, é descabida a alegação de ilegitimidade da autuação, à luz da fundamentação legal transcrita. Da mesma forma, não procedem as alegações de que não houve o detalhamento de quais seriam as informações digitais necessárias à fiscalização ou de que inexistia Manual Normativo a respeito. De fato, até 30/06/2003 não existia o referido manual, ficando facultada ao sujeito passivo a entrega de arquivos em qualquer leiaute. Porém, de 01 de julho de 2003 até 31 de dezembro de 2004, fica facultada ao sujeito passivo a entrega de arquivos no leiaute das versões 1.0.0.1 ou 1.0.0.2 do MANAD, de acordo com definição expressa da Portaria INSS/DIREP n.° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria 1NSS/DIREP n.° 07, de 20 de janeiro de 2004. Cumpre esclarecer que a exigibilidade dos arquivos digitais está condicionada à comprovação de que a empresa é usuária de sistemas eletrônicos de processamento de dados. Se a empresa informou à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em sua Dirpj/DIPJ, que realizava sua escrituração em meio magnético, fica legalmente obrigada a manter os arquivos digitais relativos às informações dos segurados e às informações contábeis durante o prazo decadencial previsto na legislação tributária federal para as contribuições sociais, conforme Lei n.° 8.212/91, artigo 11, alínea d; artigo 32, § 11, artigo 33; artigo 46. E, quando solicitada, deverá gerar os respectivos arquivos no momento da fiscalização, para entregar à fiscalização em arquivo à parte. Não é necessário que a fiscalização discrimine quais são os dados específicos a serem informados em meio digital pois, com base no artigo 8.° da Lei n.° 10.666/2003, poderão ser exigidas Quaisquer informações de natureza contábil, fiscal, trabalhista ou previdenciária, ainda que não expressamente previstas no MANAD, desde que se comprove que a empresa dispõe das mesmas, devendo ser entregues à fiscalização, durante os trabalhos de auditoria, em arquivo à parte. (...) A seguir, transcrevemos dispositivo da referida Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/06/2003, fundamentando a exigência fiscal: Art. 1° As pessoas jurídicas de que trata o art. 22 da Instrução Normativa n.° 87, de 27 de março de 2003, a partir de 1° de julho de 2003, quando intimadas por AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), deverão apresentar documentação técnica completa e atualizada dos sistemas e os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 ANEXO ÚNICO 1. Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos Os arquivos digitais solicitados por AFPS deverão obedecer às regras de armazenamento e formatação estabelecidas neste Ato. Ou seja, conforme a referida Portaria, publicada no D.O.U. de 04 de abril de 2003, a forma de apresentação dos arquivos digitais está detalhada e especificada para todas as informações cuja apresentação é obrigatória, no momento da fiscalização, na forma da legislação citada. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido, não tendo o recorrente demonstrado o cumprimento da exigência ou mesmo que encontravase dispensado da mesma. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). A autuada não trouxe aos autos quaisquer elementos probatórios que viessem em seu socorro. Na verdade, limitouse a fazer negativa geral da imputação do fisco e até se utilizar de argumentos que não guardam correlação com a autuação em destaque, tais como a alegada entrega de documentos e a ocorrência de arbitramento. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.010715/200832 Acórdão n.º 240102.030 S2C4T1 Fl. 104 9 Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria Interministerial MPSMF n. 77 de 11/03/2008 reajustou os valores da multa: Conforme descrito pela autoridade julgadora de primeira instância podese verificar a correção da penalidade aplicada que tomou o valor mínimo atualizado (R$ 1.254,89). Conforme já destacado na Decisão Notificação, a autoridade fiscal, verificou inclusive a adequação da multa aos termos da Lei 11.941/09, no intuito de apurar se a atual sistemática seria mais benéfica, contudo, observou que a mesma agravaria e multa a penalidade imposta, razão porque determinou a manutenção da mesma. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais, posto inclusive a possibilidade de relevação. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 108DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 109DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000765/2005-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000765/200591 Acórdão n.º 920201.713 CSRFT2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Maria da Conceição Paz Costa foi lavrado o auto de infração de fls. 3644, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 89100). Por sua vez, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10422.303, que se encontra às fls. 132158, cuja ementa é a seguinte: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO ISENÇÃO ALCANCE A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categoriais determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do Fl. 257DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000765/200591 Acórdão n.º 920201.713 CSRFT2 Fl. 3 3 imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 18/09/2007 (fls. 159), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 161169, acompanhado dos documentos de fls. 170188, para pleitear o restabelecimento da multa isolada, invocando como paradigma o acórdão n° 10194.858. Através do Despacho n° 104415/2007 (fls. 190192), a então Presidente da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs agravo às fls. 193199, mas por intermédio do Despacho n° DAG104154467_076 (fls. 203205), restou confirmada a decisão que negou seguimento ao recurso especial. Já a contribuinte, quando cientificada do acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes, interpôs recurso especial de divergência às fls. 214233, acompanhado dos documentos de fls. 234242, no qual alegou, fundamentalmente, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigma o acórdão n° CSRF/0104.135. Este recurso foi admitido (fls. 247) e em sede de contrarrazões (fls. 249258) a Fazenda Nacional pugnou, basicamente, pela manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000765/200591 Acórdão n.º 920201.713 CSRFT2 Fl. 4 4 A recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. A questão que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura UNESCO). Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pela recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 259DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10930.004035/2005-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000 a 2004
DECADÊNCIA. EXAME EX OFFICIO. GRAU DE JURISDIÇÃO.
As matérias tratadas pelos incisos IV, V e VI do art. 267 do Código de Processo Civil (CPC) são de ordem pública e podem ser examinadas ex officio e a qualquer tempo ou grau de jurisdição.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 a 2004 DECADÊNCIA. EXAME EX OFFICIO. GRAU DE JURISDIÇÃO. As matérias tratadas pelos incisos IV, V e VI do art. 267 do Código de Processo Civil (CPC) são de ordem pública e podem ser examinadas ex officio e a qualquer tempo ou grau de jurisdição. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10930.004035/200593 Recurso nº 152.192 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.395 – 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO DA SANTA CASA DE IBIPORÁ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 a 2004 DECADÊNCIA. EXAME EX OFFICIO. GRAU DE JURISDIÇÃO. As matérias tratadas pelos incisos IV, V e VI do art. 267 do Código de Processo Civil (CPC) são de ordem pública e podem ser examinadas ex officio e a qualquer tempo ou grau de jurisdição. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EDITADO EM: 18/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual se decidiu por maioria de votos acolher a preliminar de decadência de parte do período e no mérito manter os demais valores lançados. Reconheceuse a decadência para o período de janeiro a outubro de 2000 e a recorrente sustentou que a decisão contraria o disposto no Art. 17, do Decreto 70.235/1972. Seguem transcrições da ementa do acórdão recorrido e do recurso especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 2000, 20014002, 2003, 2004 — IRF DECADÊNCIA A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de lançar o tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldase à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial dáse na forma disciplinada no §4° do artigo 150 do CTN. Hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRF, se dá mensalmente, porque esta modalidade não está sujeita a ajuste posterior. Decadência acolhida." (Acórdão 106 14314, de 11.11.2004). MULTA DE OFICIO E JUROS CONFORME TAXA SELIC. A multa de oficio de 75% e a imposição do juros conforme variação da taxa SELIC decorrem da legislação vigente e não podem ser afastados. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a preliminar de decadência, suscitada pela Relatora, em relação ao período de janeiro a outubro de 2000, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho (Suplente Convocado) e Eduardo Tadeu Farah. Recurso Especial Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10930.004035/200593 Acórdão n.º 920201.395 CSRFT2 Fl. 2 3 6. Ao revés, a demanda cingese, quanto ao valor principal de IRRF, aos valores lançados pela fiscalização e o valor que a contribuinte afirmou ter recolhido. É dizer, a própria contribuinte reconheceu que ela ainda deveria recolher a importância de RS 69.258,81, conforme se depreende do documento de fis. 97 por ela acostado aos autos Dessa forma, inexistindo qualquer impugnação em face da suposta decadência suscitada pela e. Câmara a que, cujo débito restou confessado pela contribuinte, inferese que o julgamento do presente processo somente poderia ter fixado como premissas estas ora destacadas, que, deste modo, não se insurgiram em relação a qualquer decadência. 7. Pois bem, devese destacar que o acórdão violou o art. 17 do Decreto 70.235/72, data vênia. Isto porque não obstante o referido dispositivo legal dispor que "Considerarseá não impugnada” a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o acórdão tomou a iniciativa de julgar matéria que não foi objeto de insurgência do contribuinte, seja na impugnação, seja no recurso voluntário. O contribuinte recorreu quanto ao mérito, mas ao seu recurso especial por divergência não foi dado seguimento, com decisão em reexame no mesmo sentido. Portanto, a matéria submetida à turma da CSRF cingese à aplicação da regra decadencial, pois para a Procuradoria haveria impedimento, por tratarse de matéria preclusa. Em contrarazões, o interessado sustentou que se tratando de matéria de ordem pública, em qualquer instância deve ser conhecida e reexaminada: Decadência e prescrição são matérias de ordem pública e podem ser requeridas a qualquer tempo e ainda até de oficio, ainda mais em instâncias administrativas, cujos atos poderão ser revistos a qualquer tempo no Poder Judiciário. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo o recurso especial tempestivo e comprovados os demais pressupostos para seu seguimento, dele conheço e passo a seu exame. De fato, é jurisprudência consolidada neste CARF que a matéria de ordem pública deve ser conhecida de ofício, que é o caso da decadência para a constituição do crédito tributário: Contribuinte TECHBLAST LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário Provimento Parcial Por UnanimidadeData da Sessão 18/12/2008 Relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos Nº Acórdão 10617218 Tributo / Matéria IRF ação fiscal outros Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar o lançamento do fato gerador fev/04 e reduzir os seguintes valores lançados para: i) ago/04, R$ 2.761,69; set/04, R$ 2453, 30; e dez/04, R$ 3.572,26. Os Conselheiros Carlos Nogueira Nicácio (suplente convocado) e Gonçalo Bonet Allage votaram pelas conclusões quanto à manutenção da multa isolada. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Janaina Mesquita Lourenço de Souza. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA EM DECORRÊNCIA DAS OMISSÕES E ALTERAÇÕES NA DCTF PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO AGITADA NA IMPUGNAÇÃO QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA INEXISTÊNCIA CONSUMAÇÃO Não sendo matéria de ordem pública, a qual a autoridade julgadora poderia apreciála até de ofício, a ausência da instauração de controvérsia na impugnação tem o condão de fazer incidir os efeitos da preclusão administrativa sobre a matéria somente agitada no recurso voluntário, tornando o ponto incontroverso. NULIDADE FATOS GERADORES INFORMADOS EM DIRF RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO INFORMAÇÃO SUFICIENTE PARA COMPROVAR OS FATOS GERADORES LANÇADOS AUSÊNCIA DE NULIDADE As informações constantes nas DIRF são suficientes para definir a matéria tributável, devendo a instância julgadora efetuar as reduções no imposto lançado, adaptandoo às informações da DIRF. Dessa forma, não há qualquer nulidade no feito administrativo. JUROS DE MORA TAXA SELIC CABIMENTO Na espécie, aplicase a Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10930.004035/200593 Acórdão n.º 920201.395 CSRFT2 Fl. 3 5 Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso voluntário provido parcialmente. ... Nº Recurso 249125 Número do Processo 37316.003833/2006 82 Turma 6ª Câmara Contribuinte COSAN S/A INDUSTRIA E COMERCIO Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dado Provimento Por MaioriaData da Sessão 09/10/2008 Relator(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Nº Acórdão 20601461 Tributo / Matéria Decisão Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA. Tratandose de matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado. Recurso Voluntário Provido. Alegou a d. procuradora que a decisão embargada deu provimento ao recurso voluntário interposto, analisando matéria que não fora tratada em sede de impugnação e, conseqüentemente, não analisada pela primeira instância, tornandose a matéria preclusa a teor do art. 17 do Dec. N° 70.235/72, com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97. Por ocasião da apreciação dos elementos contidos nos autos, preliminarmente, analisouse a questão da ilegitimidade passiva, com base no art. 267 inciso VI c/c § 30 do Código Processo Civil, que autoriza a extinção do processo sem julgamento do mérito quando houver ilegitimidade de parte. Por esta razão firmouse o escólio com base no art. 267, inciso VI c/c § 30, abaixo transcrito: "Art. 267. Extinguese o processo, sem julgamento do mérito: I — (.); VI — quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual. § 3° O juiz conhecerá de oficio, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos ns. IV, V e VI; todavia, o réu que a não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 alegar, na primeira oportunidade em que lhe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento." Ensina a melhor doutrina atual na voz de Fredie Didier Jr.: "As matérias tratadas pelos incisos IV, V e VI do art. 267 do CPC consideramse como de ordem pública. Assim, podem ser examinadas ex officio e a qualquer tempo ou grau de jurisdição. São questões relativas à admissibilidade do processo, pois, uma vez verificadas, impedem o seu exame." No presente caso, a recorrente não sustenta o mérito do acórdão que é o início da contagem do prazo decadencial, mas tão somente a preclusão com fundamento no artigo 17 do Decreto 70.235/72: C) DO PEDIDO. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja dado provimento ao presente Recurso para anular o acórdão recorrido em face da apreciação de matéria preclusa, restabelecendose o lançamento na sua integralidade, vale dizer, incluindo o período considerado caducado pelo acórdão recorrido; Assim, por entender que a matéria deve ser conhecida de ofício, voto por negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto. Marcelo Oliveira (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 25/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002977/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2006
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.449
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também foi reconhecida a fluência parcial da decadência.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Recorrente LABORATÓRIO CATARINENSE S/A Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 433DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também foi reconhecida a fluência parcial da decadência. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Adriana Sato. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002977/200718 Acórdão n.º 230201.449 S2C3T2 Fl. 102 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências fevereiro de 1999 a dezembro de 2005, conforme fls. 10 a 13. Não teriam sido informados os valores relativos ao cartão premiação. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 51 a 58. A Delegacia da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 68 a 70, mantendo a autuação na integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 75 a 84. Alega em síntese que: a) É possível a interposição de recurso sem o depósito; b) Parte do crédito foi atingida pela decadência; c) não poderiam ser imputadas conjuntamente as infrações por deixar de recolher e de informar em GFIP; d) há excesso na aplicação da multa, por não ter observado os limites legais; e) o limite não pode ser observado mês a mês; f) deve ser aplicado o princípio da imputação do crime continuado; Não foram apresentadas contrarrazões. É o relato suficiente. Fl. 435DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso é tempestivo, conforme fl. 98; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 31 de outubro de 2006, fl. 01, pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2002, a qual findaria em 1o de janeiro de 2007. Fl. 436DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002977/200718 Acórdão n.º 230201.449 S2C3T2 Fl. 103 5 Corroborando a forma dessa contagem segue entendimento exarado pelo STJ nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que não poderiam ser imputadas conjuntamente as infrações por deixar de recolher o tributo e deixar de informar em GFIP. Não NFLD estão sendo cobradas multa pelo atraso no recolhimento do tributo, obrigação principal. Por sua vez, no presente caso estão sendo cobradas multas por descumprimento de obrigação acessória, não preenchimento adequado da GFIP. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 437DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Não procede o argumento recursal de que haveria excesso na aplicação da multa, por não ter observado os limites legais. Conforme relatório fiscal às fls. 14 a 27, o limite previsto no art. 32 da Lei n 8.212 foi corretamente observado pela fiscalização e deve ser observado mês a mês, pois caso contrário o contribuinte que praticou uma infração seria penalizado da mesma maneira que um outro que infringiu durante trinta meses. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que os autos de infração guardam relação entre si, sendo o caso de infração continuada, deveria ser aplicada uma única multa, observandose os artigos do Código Penal relativos ao crime continuado. De fato ocorreram diversos descumprimentos de obrigações acessórias, e cada obrigação descumprida enseja a lavratura de um auto de infração. Ao contrário do que afirma a recorrente, os diversos autos de infração lavrados não possuem o mesmo fundamento jurídico. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Fl. 438DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002977/200718 Acórdão n.º 230201.449 S2C3T2 Fl. 104 7 Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Fl. 439DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Fl. 440DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.002977/200718 Acórdão n.º 230201.449 S2C3T2 Fl. 105 9 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também deve ser reconhecida a fluência em parte do prazo decadencial, na forma do art. 173, inciso I do CTN. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 441DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000501/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
RETENÇÃO DE 11%.
Não se encontram obrigados os órgãos Públicos a efetuar a retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, sobre obras e serviços de construção civil, executadas sob o regime de empreitada total, sobre a prestação de serviços feita por empresas optantes
pelo SIMPLES no período de 01/2000 a 08/2002 e sobre serviços técnicos de engenharia para elaboração de projetos, fiscalização, consultoria e supervisão de Obras.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-001.417
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4º do CTN.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. Não se encontram obrigados os órgãos Públicos a efetuar a retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, sobre obras e serviços de construção civil, executadas sob o regime de empreitada total, sobre a prestação de serviços feita por empresas optantes pelo SIMPLES no período de 01/2000 a 08/2002 e sobre serviços técnicos de engenharia para elaboração de projetos, fiscalização, consultoria e supervisão de Obras. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4º do CTN. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2005. Data da lavratura da NFLD: 30/09/2005. Data da Ciência do NFLD: 14/10/2005. Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG em face de decisão aviada no acórdão 02 21.242 – 9ª Turma da DRJ/BHE, de 18 de fevereiro de 2009, que julgou procedente em parte o presente lançamento, excluindo por improcedência os levantamentos discriminados nos quadros 1 e 2 a fls. 521/522, e por nulidade os levantamentos indicados no quadro 03, a fl. 523. Informa a Autoridade Lançadora que o crédito tributário objeto do presente lançamento decorre de substituição tributária consistente na retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Relata o auditor fiscal notificante que, analisando as Notas de Empenhos apresentadas pelo Município foi constatado que este não efetuou a retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviço, ou quando o fez, deixou de recolher os valores retidos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 188/196. A Delegacia da Receita Previdenciária em Governador Valadares/MG baixou o feito em diligência para que a fiscalização elaborasse Relatório Fiscal complementar apresentando as circunstâncias caracterizadoras da cessão de mão de obra, conforme despacho a fls. 199 e 441. Relatório Fiscal complementar a fls. 482/499. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10670.000501/200812 Acórdão n.º 230201.417 S2C3T2 Fl. 545 3 Dada ciência ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 503/508, mediante o oferecimento de nova impugnação ao lançamento. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 512/523, julgando procedente em parte a Notificação Fiscal e retificando o crédito tributário na forma do FORCED a fl. 524/528 e Discriminativo Sintético de Débito a fls. 529/537, recorrendo de ofício da decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de março de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 539, deixando transcorrer in albis o prazo recursal, não interpondo recurso voluntário, conforme consignado no documento a fl. 541. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG em face de decisão aviada no acórdão 02 21.242 – 9ª Turma da DRJ/BHE, de 18 de fevereiro de 2009, que julgou procedente em parte o presente lançamento, excluindo por improcedência os levantamentos discriminados nos quadros 1 e 2 a fls. 521/522, e por nulidade os levantamentos indicados no quadro 03, a fl. 523. A decisão não demanda reparos. A análise da decadência foi exemplarmente conduzida pelo órgão judicante administrativo de 1ª instância. Com efeito, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 552DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 30 de setembro de 2005, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1999, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Quanto ao mérito, a decisão atacada enfrentou com desenvoltura todas as questões meritórias alegadas pelo Recorrente, não havendo arestas a serem reparadas. Quanto ao punctum dolens do inconformismo do Recorrente, andou bem o julgador a quo ao promover a exclusão dos levantamentos referentes a retenção sobre obras e serviços de construção civil, executadas sob o regime de empreitada total, sobre a prestação de serviços feita por empresas optantes pelo SIMPLES no período de 01/2000 a 08/2002 e sobre atividades não sujeitas à retenção, como serviços técnicos de engenharia para elaboração de projetos, fiscalização, consultoria e supervisão de Obras, com fundamento na Ordem de Serviço nº 209/1999, Instrução Normativa nº 71/2002, Instrução Normativa nº 100/2003 e Instrução Normativa SRP nº 03/2005, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. 5. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Oficio para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 553DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10680.015441/2004-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa: CSLL - INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA - INCIDÊNCIA
0 pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar,
segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regência. 0 superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o
lucro liquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. 0 fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º da Lei n° 8.212/91, não
implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes da CSRF.
Recurso Especial do Procurador improvido.
Numero da decisão: 9101-000.915
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10680.015441/2004-90 Recurso n° 153.677 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.915 — V Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria CSLL - ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAIXA VICENTE DE ARAÚJO DE ASSISTÊNCIA AOS FUNCIONÁRIOS DO GRUPO FINANCEIROS MERCANTIL DO BRASIL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CSLL - INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA - INCIDÊNCIA 0 pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superivits ou deficits técnicos, que têm destinação especifica prevista na lei de regência. 0 superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro liquido do exercicio apurado segundo a legislação comercial. 0 fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluidas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1 0 da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes da CSRF. Recurso Especial do Procurador improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. -• ■ Antonio Call° Caio Marco Relator. Editado em: 2 5 Vi ir"\ 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto , Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudernir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente o Conselheiro. Relat6rio Com base no Regimento Interno desta. Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 5 3 Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 CSLL. PESSOAS JURÍDICAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro liquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. Ainda que as entidades de previdência privada estejam sujeitas a incidência da CSLL, para que o langamento fosse mantido, o superávit da entidade deveria ser ajustado para resultado comercial." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "I — DA AUTUAÇÃO Trata-se de lançamento da CSLL dos anos-calendário de 1998 a 2001. Consta no auto de infração que sendo a fiscalizada uma entidade fechada de previdência privada, citada no §10 do art. 22 da Lei 8.212/91, não efetuou o recolhimento da CSLL. A ciência do lançamento se deu em 15.12.2004. Como enquadramento legal foram citados os arts. 2° e §§, da Lei 7.689/88, art. 22, §1° e art. 23 da Lei 8.212/91, EC de Revisão 1/94; EC 10/96, art. 72, III do Ato das Disposições 2 Processo if 10680.01544112004-90 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.915 Fl. 2 Constitucionais Transitórias - CF/88, art. 57 da Lei 8.981/95, com a redação do art. 1° da Lei 9.06595 e art. 16 da Lei 9.065/95. - Consta no Termo de Verificação Fiscal que a fiscalizada é uma entidade fechada de previdência privada, que por normas estatutárias é mantida por contribuições recebidas de sociedades patrocinadoras, Banco. Mercantil do Brasil S/A e as empresas por ela controladas e que lhe são coligadas, e dos participantes (vinculados its patrocinadoras), conforme Estatuto e Regulamento da entidade 07s. 24/36), Além de ter a finalidade de concessão de beneficios complementares aos da previdência social aos associados que preenchem as condições estabelecidas no art. 46 de seu Estatuto, a entidade destina-se ainda a prestação de serviços de assistência médica a todos o seus associados, custeados pelas patrocinadoras. Por determinação legal, as entidades de previdência privada, fechada ou aberta, por estarem compreendidas no rol das empresas citadas no §10 do art. 22 da Lei 8.212/91, e no § 6° do art. 201 Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048 de 06.05.99, estão sujeitas à CSLL. As EFPP somente passaram a ser isentas da contribuição para os fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.2002, por força do art. 5° da MP 16 de 27.12.2001, convertida na Lei 10.426, de 24.04.2002. As entidades de previdência privada fechadas devem ser organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos, e a elas não se aplica o sistema contábil próprio das sociedades comerciais. A planificação contábil padrão que adotam é a aprovada pela Secretaria de Previdência Complementar do MPAS, definida na Portaria 4.858 de 26.11.98, em vigor até 31.12.2001, conforme cópia dells. 75/99. A CSLL é calculada sobre o lucro liquido apurado no período- base, antes da provisão, para o imposto de renda (art. 23, II, da Lei 8.212/91 e art. 204, II, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048, de 06.05.99). No plano contábil obedecido pelas empresas de fins lucrativos é chamado de lucro, o resultado liquido apurado na Demonstração de Resultado do Exercício. Nada mais natural do que a denominação "lucro", para identificar o resultado por ela perseguido. As normas seguidas pelas EFPP também detenninam que sejam elaborados Demonstrativos Contábeis ao final de cada exercício. No item 3 do Anexo C aprovado pela Portaria MPAS 4.858/98 está definido que anualmente, em 31 de dezembro, a entidade fará a Demonstração do Resultado do Exercício, onde o resultado final apurado em cada um dos quatro programas nos quais sua contabilidade se agrupa, ou seja, Previdencial, Assistencial, Administrativo e de Investimentos, não teril o nome 3 de lucro, por razões óbvias, e sim de "SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES" Sendo uma entidade sem fins lucrativos, o excedente apurado entre as receitas e despesas, sera usado para constituir reservas e fundos que devem garantir o seu objetivo estatutário. diferença sigmficativa para as empresas coin fins lucrativos é que estas últimas podem se quiserem, distribuir o resultado obtido aos sócios. Para restar ainda mais claro que se trata de um só objeto com denominações diferentes, destacou a fiscalização a definição da base de cálculo da CS estabelecida pelo art. .2° da Lei 7.689/88. Conclui que a alegação de que por falta de fato gerador, a EFPP não está sujeita à CSLL, não poderia prosperar, pois o fato gerador da contribuição é formado pelo resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda, denominado no caso destas entidades de "saldo disponível para constituições" e denominado de "lucro" para as demais pessoas jurídicas que rem objetivo comercial. Acrescenta que a SRF por intermédio da CST, com o Parecer COSIT n° I de 28.01 2002, referendou o entendimento sobre a composição da base de cálculo da Contribuição no caso das EFPP. O resultado evidenciado na DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCICIO elaborada seguindo o modelo definido pelo item 3 do Anexo C da Portaria MPAS 4.858/98 adotado para aferição da base de cálculo da CSLL, entendendo- se como tal o SALDO DISPON1VEL PARA CONSTITUIÇÕES ern cada um dos programas. Transcreve o art. 13, I, da Lei 9.249/95, para concluir que as provisães a serem deduzidas do SALDO DISPONÍVEL PARA CONSTITUIÇÕES, são apenas as provisões técnicas, compostas pela RESERVA MA TEMA E RESERVA D CONTINGÊNCIA, as quais, após serem deduzidas, fornecem o resultado (superavitario base para a incidência da CSLL, observadas as demais hipóteses de adições e exclusões base de cálculo previstas na legislação da CSLL. Assim, são consideradas técnicas a reserva matemática necessária para garantir os compromissos atuariais dos planos de beneficios, e a reserva de contingência constituída na forma do Decreto 606/92 e da LC 109 de 2001. Não são consideradas técnicas, tomando-se por base o Balanço Patrimonial exposto no item I do Anexo C da Portaria MPAS 4.858/98, a Reserva para Ajuste do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos do Decreto 606/92. Além das contas patrimoniais (ativo, grupo 1 e Passivo, grupo 2), os lançamentos contábeis das EFPP são registrados em quatro programas: Previdencial, Assistencial, Administrativo e de Investimentos. Ao final de cada período anual é feita a Demonstração de Resultado do Exercício, para cada urn destes programas, 4 Processo n° 10680.015441/2004-90 CS RF-TI. AcOrddo n.° 9101-090.915 FL 3 apurando-se o Superávit Disponível para a forma cão de reservas/fundos ou déficit técnico que gera reversão de reservas) fundos. No plano contábil seguido pelas EFPP, no período em quest/iv, as reservas técnicas que legalmente podem ser excluídas da base de cálculo da CS classificam-se, no passivo, no grupo de contas 2.3.0. Dentro deste grupo, estão as reservas matemática registradas no sub-grupo 23.1, e a reserva de contingência registrada na conta 2.3.2.2.01.01, formada a partir do resultado superavitcirio do exercício atual. 0 montante desta iiltima, por norma descrita no item H do Anexo E aprovado pela Portaria MAPAS 4.858-98, e no art. 20 da LC 109/2001, está limitado a 25% do valor das reservas matemáticas constituídas, para garantia de beneficios. Atendendo ao Termo de Intimação de 01.09.2004, fl& 37, a fiscalizada apresentou os demonstrativos dos saldos para formação de reservas/fundos apurados na Demonstração de Resultado de -Exercícios encerrados em 31.12.98, 31.12.99, 31.12.2000 e 31.112.2001, para os 4 Programas. Informou que não possui DARF relativos a CSIL porque a entidade leve base para cálculo negativa, e fez compensações dos deficits apresentados nos anos anteriores, não gerando tributo a recolher como CSLL. Junto com esta resposta e as cópias das Demonstrações de Resultado, entregou planilha intitulada "Contribuição Social sobre o Lucro — CSL", contendo demonstração e identificação dos valores utilizados para a constituição de reservas e fundos, por ela considerados exclusão da base de cálculo da contribuição (fis. 39). No Termo de Intimação datado de 12.11.2004 (fs.52 e 53) foi intimada a apresentar as Demonstrações de Resultado dos exercícios encerrados a partir de 1995, que conprovam a ocorrência dos alegados deficits compensáveis corn os resultados dos anos subseqüentes. Também para identificar e demonstrar o registro contitbil dos valores correspondentes formação anual de reservas e fundos que constam da mencionada planilha de fls. 39, hem como a finalidade da formação de cada uma destas reservas e fundos. A resposta corresponde aos docs. defls. 54/74. O resultado acumulado negativo que consta do passivo em 31.12.95, foi contabilmente absorvido pelos resultados positivos apurados nos anos de 1996 e 1997, e pela reversão de reservas matemáticas. Tão ficou demonstrado que a base de cálculo da CSLL, no ano de 1995 tenha sido negativa. Nos anos de 1996 e 1997, os supercivits foram integralmente utilizados na fonnação de reservas matemáticas, não sendo apurados portanto, base de cálculo da contribuição. De acordo com a característica dos valores considerados como exclusão da base de cálculo da CSLL na planilha elaborada pela 5 entidade (fi. 39), e a luz da identifica cão contábil dos mesmos, por ela fornecida, considerou: - constituem exclusão da base de cálculo da contribuição os valores relativos à formação de Reserva Matemática e Reserva de Contingência, .contabilizadas no grupo de contas das Reservas Técnicas (2.3.0.0.00.00), respectivamente no subgrupo 2.3.1 e conta 2.3.2.2.01.01; - não constituem exclusão da base de cálculo da contribuição, por falta de previsão legal para tanto, as demais exclusões apontadas pela fiscalizada. A conta "Contingência de Imposto de Renda — Saldo Antenor", código 2.2.0.0.00.00, registra os valores oriundos de imposto de renda sobre rendimentos de aplicações .financeiras. Este tributo não é legalmente dedutivel na apuração do resultado do exercício, para nenhum tipo de pessoa jurídica. Respondeu a _fiscalizada que a conta Fundos — Programa Assistencial, código 2.4.2.0.01.00, tem por finalidade suprir as eventuais insuficiências de cobertura para a manutenção dos serviços assistenciais. A Formação de Fundos — Programa Administrativo, composto pelos Fundos Administrativos Previdencial e Assistencial, são constituídos coin a diferença entre as receitas e despesas administrativas dos programas previdencial e assistencial e contabilizados nas contas 5.4.2.0.01.00 e 5.4.2.0.02.00, respectivamente. Nenhuma dessas contas faz parte das reservas técnicas do grupo contábil 2.3.0.0.00.00 prevalecendo, portanto, a regra geral estabelecida no inciso I, do ar. 13 da Lei 9.249/95, transcrito no item 5 do Termo de Verificação, que veda a dedução de qualquer espécie de provisão para efeito de apuração da CSLL, com exceção daquelas textualmente mencionadas naquele dispositivo. Dessa forma, por falta de previsão legal, a formação de fundos nos Programas Assistencial e Administrativo, e a formação de Contingências de Imposto de Renda, não podem ser deduzidas da base de cálculo da apuração da CSLL. Não há norma legal, para as EFPP, que tenha por objetivo adequar o superávit apurado no ano a um resultado equivalente ao lucro real, nem mesmo em se tratando da apuração da CSLL. O ponto de inicio da apuração da contribuição é o resultado positivo (superávit) apurado no encerramento do período de apuração, constante da respectiva Demonstração de Resultado. Assim, no caso da planilha de cálculo apresentada pela entidade fiscalizada, não são cabíveis as adições apontadas e as exclusões correspondentes a dividendos e reavaliação positiva de imóveis, dispensando maiores comentários. Aplicando-se a empresa fiscalizada as normas descritas e considerando que o item 3 do Anexo C aprovado pela Portaria MPAS 4.858/98 define que os resultados apurados pelas EFPP devem ser levantados anualmente, em 31.12, com base nas Demonstrações de Resultado anexas as fls. 57/70, a partir do 6 Processo n° 10680.035441/2004-90 Acórdão n.° 9101-000.915 saldo disponível para constituições para os programas Previdencial, Assistencial, Administrativo e de Investimentos, ajustados pela exclusão das reservas técnicas, foram apurados os valores devidos da CSLL, conforme demonstrativos clefts_ 20 a21. Concluiu pela falta de recolhimento da CSLL devida. consignou que os balanços de encerramento e as demonstrações de resultados dos exercícios sob ação fiscal que dão base aos valores tributáveis, estão nas cópias de fls. 62/70 e refletem os valores escriturados nos livros Diário da empresa_ II— DA IMPUGNAÇÃO E DA DECISÃO DE PRAIEIRA INSTÂNCIA A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de decadência. Manteve o lançamento. A Turma Julgadora levou em conta que a interessada contribuinte da CSLL, por força do inciso 1 do art. 22 da Lei 8.212/91 e que a partir da edição da EC de Revisão n°1/94 e da EC n° 10/96, deve prevalecer o entendimento de que todas as pessoas jurídicas, inclusive entidade fechada de previdência complementar são contribuintes da CSLL. Em relação aos alegados erros no cálculo da CSLL, considerou que no caso da entidade fechada de previdência complementar são permitidas as exclusões das provisões técnicas, compostas pela reserva matemática e reserva de contingência, da base de cálculo da CSLL. Assim, a Formação de Fundos Administrativos nos Programas Assistencial e Previdencial, a Reserva Pam Ajuste do Plano e o Fundo de Oscilação de Riscos não podem ser excluídas, por falta de previsão legal. Em relação Contingência de Imposto de Renda, ressalta que esta parcela não é dedutivel da base de cálculo da CSLL por expressa previsão Destaca que no que se refere às adições e exclusões correspondentes a dividendos e reavaliação positiva de imóveis, ao contrário do entendimento da impugnante, estas quantias não têm o condão de alterar a base de/calculo da CSLL, porfalta de previsão legal. 111—DO RECURSO VOLUNTÁRIO A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 08.06.2006 e o recurso foi apresentado em 10.07.2006. A recorrente argumenta que são fatos incontroversos que é uma entidade fechada de previdência privada e assistência social, legalmente proibida de ter ou gerar lucros e que como entidade fechada de previdência privada sem fins lucrativos adota sistema contábil peculiar, por força da legislação de regência, segundo o qual desenvolve um programa previdencial, que desencadeia, tecnicamente, apenas superávit CSR F-111 F.4 7 ou déficit, e outros programas, inclusive assistencial, que também não acarretam resultados positivos ou negativos, mas tão somente a formação de fundos ou sua reversão; e que os valores do superavit técnico e do deficit técnico ou formação/reversão de fundos foram equiparados pelo auto de infração as rubricas lucro liquido do exercício e prejuízo liquido. do exercício, embora nenhuma lei tenha, expressamente, consagrado a referida presunção. Argumenta que as entidades fechadas de previdência privada são proibidas por lei de perseguir lucros, conforme LC 109/2001, art. 31, inciso II, ‘sS' I° e que seguem os planos contábeis e as normas impostas pelo MPAS. Por estar legalmente proibida de ter lucro, submete-se a regime contábil particular, em que evidentemente não se cogita de lucros ou prejuízos, mas sim, de superetvits (não distribuíveis e necessariamente reversíveis à melhoria dos planos de beneficios ou à redução das contribuições da patrocinadora e dos beneficiários) e déficits (que têm de ser imediatamente e solidariamente equacionados por uma e outros, a bem da sobrevivência da entidade). Nesse sentido, os arts. 20 e 21 da LC 109/2001, caracterizam que a recorrente como/entidade de previdência juridicamente impedida de gerar lucros e que os superávits se houver, serão absorvidos pelos beneficios ou serão reduzidas as contribuições dos participantes. Dessa forma, os superetvits da recorrente são empregados na complementação previdenciá ria e assistencial, e jamais apropriados como lucros e reservas a distribuir. Cita doutrina de Sérgio Luiz Machado, em parecer publicado pela ABRAPP em 1995. Considera ser fato incontroverso que no caso das entidades fechadas de previdência privada "todas as contribuições dos segurados, dos patrocinadores, bem como as receitas derivadas da aplicação desses recursos, são direcionados a duas finalidades: constituição de provisões e reservas, e pagamento de beneficios. Não há lucro contábil, seja do ponto de vista contábil ou do jurídico. Argumenta que não ocorreu o fato gerador da CSLL porque a Lei 7.689/88, ern seu art. 2°, ssg 1°, letra "c" determina que a CS incidirá sobre o resultado do período-base, apurado com observância da legislação comercial e que "resultado do período-base" é gênero que se subdivide em lucro ou prejuízo, não se confundindo com o superavit e o déficit característicos do regime contábil das entidades fechadas de previdência privada. Afirma que essa conclusão não se altera diante da referência feita pelo art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95, as entidades de previdência privada, pois ao reafirmar que a base de cálculo da CSLL é o lucro liquido, o caput do dispositivo afasta qualquer possibilidade de remissão as entidades fechadas de previdência privada, legahnente proibidas de persegui-lo, assim, o inciso I dirige-se apenas as entidades abertas. Aduz que o Ato Declaratório Normativo CST 17/90 é b7ante claro quanto ao entendimento da SRF no sentido de não ser 8 Processo n° 10680.015441/2004-90 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.915 FL 5 devida a CSLL sobre os superávits das EFPP. Cita acórdão relativo ao recurso 135677 da la Camara do 1° CC, o recurso 136980 da 3' Camara, o recurso 129361 da 7" Camara. Também argüi a decadência de parte do crédito tributário. Defende que o prazo decadencial é de 5 anos, conforme previsto no § 4° do art. 150 do CTN e não de 10 anos de que trata a Lei 8.212/91. Cita jurisprudência judicial e administrativa. Argumenta ainda erros de cálculo promovidos pelo agente fiscal. Explicou que em resposta a consulta formulada pelo Sindicato Nacional das EFPP n° 7 de 26.12.2001, estabeleceu a SRF que a base de cálculo da CSLL das EFPP deve leva em consideração a demonstração de Resultado do Exercício constante no Anexo C, item 3, da Portaria MPAS 4.858/98, sendo formada pelo SALDO DISPONIVEL PARA CONSTITUIÇÕES com a dedução da FORMAÇÃO DE RESERVAS TEMÁTICAS DE FORMAÇÃO DE CONTINGÊNCIAS, observadas as demais hipóteses de adições e exclusões previstas na legislação da CSLL. Transcreve o modelo para a elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício. Destaca que verifica-se que apenas o programa previdencial possui a- conta "superávit/déficit técnico". Assim, somente o resultado deste programa poderia ser tributado pela CSLL, e não também o dos programas assistencial, administrativo e de investimentos, como o fez a fiscalização, porque não há superávit nesses programas, o resultado destes não deve se submeter a incidência da CSLL. Entende que foi fartamente demonstrado que se não há superavit nos programas assistencial, administrativo ou de investimento, o .resultado destes não deve se-submeter à incidência da CSLL, não • havendo, pois, a necessidade de previsão legal de dedução para aquilo que não é tributado. Além disso, se o resultado destes programas for submetido tributação, deve ser perrnitida a dedução das cantos que possuem a natureza de reserva técnica, a saber: "Formação/reversão de fundos" e "Formação/reversão de contingências", contudo, o agente fiscal glosou tais deduções feitas pela recorrente, permitindo apenas a das constantes nas contas 2.3.1 (reservas matemáticas) e 2.3.2.2.01.01 (reservas de contingência). Entretanto, todas as contas possuem a mesma natureza de reserva técnica, não havendo motivo para permitir a dedução da base da CSLL apenas destas últimas. Ressalta que o agente fiscal incorreu em arbitrariedade ao glosar as adições e exclusões correspondentes a dividendos e reavaliação positiva de imóveis. Em primeiro lugar, porque na resposta dada pela SRF à consulta n° 7/01 foi expressamente determinado que na apuração da base de calculo da CSLL das EFPP devem ser "observadas ainda as demais hipóteses de adições e exclusões/ previstas na legislação da CSLL"; ern segundo lugar, porque se as referidas adições/exclusões são permitidas aos contribuintes optantes pelo lucro real, que visam 9 lucro, não ha porque serem vedadas para a recorrente, que é entidade sem fins lucrativos. o Relatório." O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento da exigência de CSLL sobre os resultados positivos da Contribuinte. Segundo o acórdão, (i) não é razoável equiparar as rubricas superávit técnico e déficit técnico ou formação/reversão de fundos das entidades de previdência fechada a lucro liquido do exercício das empresas, apurado segundo a Lei 6.404/76, pois as regras contábeis e fiscais aplicáveis seriam diferentes; (ii) ainda que se entenda que as entidades de previdência privada fechadas são contribuintes da CSLL, o lançamento não poderia ter por base de cálculo o superávit técnico em cada um dos programas, que não se identifica com o lucro liquido do exercício apurado segundo a legislação comercial; (iii) para poder exigir a contribuição, deveria a autoridade determinar a base de cálculo de acordo com a lei, o que s6 seria possível se apurasse de oficio o lucro liquido da entidade na forma da legislação comercial e fizesse os ajustes previstos na lei (entre eles a exclusão das provisões técnicas obrigatórias e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita); (iv) a possibilidade de utilizar como base de cálculo da receita, conforme previsto no § 2° do art. 2° da Lei n° 7.689/88, não se aplica As entidades de previdência privada, eis que não são elas desobrigadas de escrituração contábil (submetem-se a planificação contábil /diferente da comercial, mas estão obrigadas a mante-la); (v) a base de cálculo sob forma de lucro arbitrado também é inaplicável, pois a lei só o prevê quando for essa a base de cálculo do imposto de renda; (vi) qualquer que fosse a conclusão quanto a submissão, das entidades em questão, As normas da Lei n° 7.689/88, o lançamento estaria errado; (vii) ainda que as entidades de previdência privada estejam sujeitas A incidência da CSLL, o lançamento não prospera, uma vez que para tanto, o superavit da entidade deveria ser ajustado para o resultado comercial. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional divergência entre o acórdão recorrido e aresto da extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual assenta o entendimento de que "a máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando form normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional Lei n° 7.689/88, denota a inversão do princípio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei le 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a lei indigitada impõe que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit". O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 1400-156 (fls.415/416)), ante a configuração em tese da alegada divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contra-razões. E o relatório. 10 Processo n° 10680.015441/2C34-90 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.915 Fl. 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial 6. tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Cinge-se a controvérsia em saber se é legitima a incidência de CSLL sobre os resultados ("superávit") de entidades fechadas de previdência privada. Ern julgamentos realizados por este Colegiado e pela extinta V Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferi votos no sentido de que seria legitima a incidência de CSLL sobre o superávit apurado pelas entidades de previdência privada, sob pena de negativa de vigência à Constituição Federal e ao art. 23 da Lei n. 8.212/91. Veja-se, nesse sentido, ementa de acórdão proferido no Recurso n. 161.178 (Processo n. 10680.011108/2006- 73) de minha relatoria, verbis: "DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qiiinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, §. 4° do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial não provido. CSLL. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. As disposições legal e constitucional que estabelecem a incidência da CSLL sobre os resultados auferidos por entidades de previdência privada impedem esta Corte Administrativa de afastar a exigência tributária. Precedentes. Aplicação da Súmula 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes. MATÉRIA DE FATO. É de se reconhecer a improcedência da exigência fiscal na parte em que o contribuinte colaciona aos autos elementos que ratificam as alegações recursais. Recurso voluntário a que se (la parcial provimento." Contudo, mais recentemente, este Colegiado modificou o entendimento supra para reconhecer que o pressuposto básico para a incidência da CSLL é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. Como as entidades de previdência privada fechadas não apuram lucro tal como definido na Lei n. 7.689188, mas, ao contrario, obedecem a normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superdvits ou deficits técnicos, entendeu-se que não haveria afronta à legislação vigente, em especial a Lei n. 8.212/91. Esse entendimento é prestigiado pelos demais Colegiados desta Corte Administrativa, verbis: I° Conselho de Contribuintes / la. Camara / ACÓRDÃO 101-94.668 en2 12.08.2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO - Ex(s): 1998 a 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Anos-calendário de 1997 a 2001 BASE DE CÁLCULO - ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS - 0 pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro e a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades fechadas de previdência privada obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas supercivits ou deficits técnicos, que tern destinagiio específica prevista na lei de regência. A rega matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7.689/1988 e alterações posteriores, não alcança o superávit obtido pelas entidades fechadas de previdência privada. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado de tais entidades se fosse descaracterizada a finalidade não lucrativa das mesmas, apurando-se o lucro, base imponivel da CSLL, na forma da legislação comercial e fiscal. 0 fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluidas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, sç' 1°, da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurado. Recurso voluntário provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias - PRESIDENTE Publicado no DOU em: 29.10.2004 Relator: Caio Marcos Cândido Recorrente: INSTITUTO GE1PREV DE SEGURIDADE SOCIAL Recorrida: 4 0 TURMA/DRJ-BRASÍLIAIDF No mesmo sentido: I° Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103-21.639 em 16.06.2004 CSLL Ex(s): 1998 a 2000 IRPJ E CSLL - PERÍODO DE APURAÇÃO LANÇAMENTO EX OFFICIO - Com o advento da Lei 9.430/96, o IRPJ e a CSLL passaram a ser apurados em períodos trimestrais. Alternativamente a apuração trimestral, a pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pelo pagamento mensal do imposto e da contribuição social, determinados sobre base de cálculo estimada, obrigando-se a apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano-calendário. No lançamento ex officio realizado após o término do ano-calendário, e inexistindo op cão do contribuinte pelo pagamento mensal, a autoridade lançadora deverá apurar o inzposto e a contribuição social com base na regra geral, qual seja, a apuração em períodos trimestrais. 12 Processo n°10680.015441/2004-90 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.915 Fl. 7 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA - O superavit apurado pelas eilaidades fechadas de previdência complementar não sofre incidência da CSLL por não se enquadrar no conceito de lucro conforme definido pela Lei 7.689/88. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, os Conselheiros Antonio José Praga de Souza (Suplente Convocado) e Cándido Rodrigues Neuber acompanharam o Relator pelas conclusões. CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER PRESIDENTE Publicado no DOU em: 28.12.2004 Relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA - RELATOR Recorrente: POSTALIS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL DOS CORREIOS E TELEGRA'FOS Recorrida: 20 TUR1I/L4/DRI-BRASILL4/DF No mesmo sentido: 1° Conselho de Contribuintes / 5a. Camara / ACÓRDÃO 105-15.117 em 15.06.2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL EXS.: 1998 e 2000 a 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS - pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades fechadas de previdência privada obedecem a uma planifica cão e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas supercivits ou deficits técnicos, que tern destinagdo especifica prevista na lei de regência. A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7.689/1988 e alterações posteriores, não alcança o superávit obtido pelas entidades fechadas de previdência privada. Somente poderia incidir a CSLL sobre o resultado de tais entidades se fosse descaracterizada a finalidade não lucrativa das mesmas, apurando-se o lucro, base imponivel da CSLL, na forma da legislação comercial e fiscal. 0 fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluidas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurado, eis que o art. 175, RIR/99, dispõe que são isentas do recolhimento do IRPJ as entidades de previdência sem fins lucrativos. For serem isentas do IRPJ, são elas isentas, também, do recolhimento da CSLL. Tal isenção que vinha sendo reconhecida pela jurisprudência administrativa, foi, afinal, 13 confirmada explicitamente pelo art. 5° da Lei 10426/2002. Recurso provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Nadja Rodrigues Romero, Adriana Gomes Régo e Cláudia Lúcia Pimentel Martins da Silva. JOSÉ CLÓ VIS ALVES - PRESIDENTE Publicado no DOU em: 04.10.2005 Relator: DANIEL SAHAGOFF Recorrente: REGI US - SOCIEDADE CIVIL DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Recorrida: 4a TURMA/DRI em BRASÍLIA/D No mesmo sentido: 1° Conselho de Contribuintes / .7a. Câmara / ACÓRDÃO 107-09.522 em 15.10.2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL - Ex(s): 1998 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL - Exercício: 1998 CSLL. INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADAS. CONCOMITANCL4 DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS QUESTÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA - Súmula FCC n° 1: Importa renúncia eis instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CSLL. BASE DE CÁLCULO. SUPERÁVIT. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO - Não obstante a exclusão das reservas matemáticas e das reservas de contingências estarem limitadas a 25%, não há no que se falar em lucro tributável, pois o contribuinte destina a totalidade do superávit restante para garantir os benefícios pagos no futuro. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima - Presidente. Publicado no DOU em: 24.03.2009 Relator: Hugo Correia Sotero Recorrente: PRECE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Recorrida: 3' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I 14 Processo n° 10680.015441/2004-90 CSRF-T1. Acórdão n.° 9101-000.915 Fl. 8 Curvo-me h. novel orientação do Colegiado e das extintas Câmaras do Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para negar-lhe provimento. Sala das Sessões -de 2011. Antonio Chirl s ido ilho - Relator 15
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