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Numero do processo: 15504.019801/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA.
A norma constitucional que exclui a participação nos lucros da incidência de contribuições é de eficácia limitada.
Caso a parcela seja paga em desacordo com a lei específica, incidirá contribuição sobre os valores pagos.
VERIFICAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS PARA ENQUADRAMENTO COMO SEGURADOS EMPREGADOS É COMPETÊNCIA DO INSS.
A fiscalização previdenciária pode verificar a existência dos pressupostos para enquadramento dos segurados como empregados, cobrando as contribuições previdenciárias surgidas de tal relação.
Numero da decisão: 2302-001.219
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Vera Kempers de Moraes Abreu que entendeu que parcela alimentação
não integra o salário de contribuição.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. A norma constitucional que exclui a participação nos lucros da incidência de contribuições é de eficácia limitada. Caso a parcela seja paga em desacordo com a lei específica, incidirá contribuição sobre os valores pagos. VERIFICAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS PARA ENQUADRAMENTO COMO SEGURADOS EMPREGADOS É COMPETÊNCIA DO INSS. A fiscalização previdenciária pode verificar a existência dos pressupostos para enquadramento dos segurados como empregados, cobrando as contribuições previdenciárias surgidas de tal relação.
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Recorrente CONSULTBRASIL TECNOLOGIA E NEGÓCIOS LTDA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. A norma constitucional que exclui a participação nos lucros da incidência de contribuições é de eficácia limitada. Caso a parcela seja paga em desacordo com a lei específica, incidirá contribuição sobre os valores pagos. VERIFICAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS PARA ENQUADRAMENTO COMO SEGURADOS EMPREGADOS É COMPETÊNCIA DO INSS. A fiscalização previdenciária pode verificar a existência dos pressupostos para enquadramento dos segurados como empregados, cobrando as contribuições previdenciárias surgidas de tal relação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Vera Kempers de Moraes Abreu que entendeu que parcela alimentação não integra o saláriodecontribuição. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Ausente momentaneamente os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15504.019801/200819 Acórdão n.º 230201.219 S2C3T2 Fl. 249 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinadas aos Terceiros. Os fatos geradores incluem participação nos lucros e resultados (levantamento PLR); fornecimento de alimentação (ALI); pagamentos a contribuintes individuais (levantamento BEC e CIC); planos de saúde (PSC); despesas pessoais de contribuintes individuais (FRA); enquadramento de segurado como empregado (CLA); diferenças de acréscimos legais (DAL); conforme relatório fiscal às fls. 54 a 76. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pelo contribuinte, fls. 148 a 176. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento confirmou a procedência do lançamento, fls. 192 a 211. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 218 a 244. Em síntese o recorrente alega o seguinte: • O PLR foi pago de acordo com a legislação; • O pagamento de alimentação in natura prescinde da inscrição no PAT; • Os pagamentos foram realizados à cooperativa e não aos cooperados; • Deveria ser considerado o valor já pago na forma do art. 22, inciso IV da Lei 8.212 de 1991; • Não há impedimento de extensão do plano de saúde a terceiros; • A Recorrente efetuou o ressarcimento de despesas de aluguel, condomínio, conta de luz, bem como a locação de veiculo, ao Sr. Francisco Chiabi, o que caracteriza a hipótese de isenção de contribuição previdenciária disposta no art. 28, § 9, letra "m", da Lei n2 8.212/91: • Não há vínculo empregatício com o segurado enquadrado como tal pela fiscalização; • Somente a Justiça do Trabalho pode reconhecer tal vínculo; • Devem ser afastados os juros e a multa. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 215 e 218. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Ao contrário do que afirma a recorrente, a Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo o seguinte teor, verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15504.019801/200819 Acórdão n.º 230201.219 S2C3T2 Fl. 250 5 participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Nesse sentido já se pronunciou a Segunda Turma do STF no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n ° 505597, cuja ementa foi divulgada no DJe em 17 de dezembro de 2009, nestas palavras: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15504.019801/200819 Acórdão n.º 230201.219 S2C3T2 Fl. 251 7 (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Quanto à participação nos lucros previstas nas convenções coletivas, as mesmas não atendem ao comando legal previsto no art. 2º da Lei 10.101. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. Apesar de terem sido objeto de convenção coletiva, não há disciplina quanto à forma de recebimento, os requisitos que devem ser atendidos pelos empregados. Não há programa de metas e resultados pactuados previamente. Conforme expressamente consignado na decisão a quo, fl. 203, a empresa CONSULTBRASIL TECNOLOGIA E NEGÓCIOS LTDA. vem concedendo a seus empregados, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, 1/12 (um doze avos) de 20% (vinte por cento) do valor do salário reajustado no mês de setembro (...), sem quaisquer critérios relacionados ao trabalho, tais como produtividade, qualidade, programas de metas, resultados e outros, a teor do disposto no § 10 do artigo 2° da Lei n° 10.101, de 2000: "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto A fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado." Desse modo, a parcela tem eminentemente cunho salarial, pois para ter acesso basta ter trabalhado na empresa, independentemente de ter atuado ou colaborado para geração de lucros. Conforme previsto no art. 3º da Lei 10.101 a participação nos lucros não pode ser utilizada como substituição ou complemento da remuneração. Apenas uma parcela fixa não caracteriza uma participação dos trabalhadores nos lucros, pois se a empresa obtiver Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15504.019801/200819 Acórdão n.º 230201.219 S2C3T2 Fl. 252 9 um lucro de um milhão de reais ou de um bilhão de reais, os trabalhadores receberão os mesmos valores. Assim, não é possível afirmar que participaram dos lucros, mas sim que ganharam um abono anual. Para ser considerada participação nos resultados, o trabalhador tem que obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial. As regras adjetivas referemse não somente à previsão de recursos e discussão pelos empregados quanto às dúvidas ou divergências relativas ao cumprimento do Acordo; mas também como serão demonstrados os mecanismos de aferição, inclusive formulários internos de avaliações, e sobretudo as qualidades do desempenho do empregado, como este será avaliado. No presente caso não há fixação para recebimento da verba de nenhum índice ligado ao desempenho do trabalhador, basta ter o vínculo empregatício para ter direito à verba. Desse modo, os instrumentos coletivos foram omissos quanto às regras adjetivas para o recebimento da verba, o que afronta o disposto no parágrafo único do art. 2º da Lei 10.101. Se não há previsão no instrumento de negociação, tanto os valores, como a forma de avaliação dos trabalhadores serão definidos por ato unilateral do empregador, o que vai de encontro ao objetivo instituído pelo legislador. No instrumento de negociação, por exigência legal, o trabalhador tem que conhecer quanto irá receber, o que terá que fazer para receber, como irá receber, quanto receberá. Em resumo, essas seriam as regras subjetivas e objetivas, devendo os trabalhadores participarem da fixação dos critérios. Esse Colegiado não pode se furtar à aplicação de lei, e não reconhecer que as regras subjetivas e adjetivas têm que ser observadas, é tornar sem efeito uma exigência legal. As regras são fixadas justamente para que a participação nos lucros seja caracterizada, pois se não há tais regras, não se tratará de participação nos lucros, mas sim de um abono. Toda a norma jurídica possui um sentido, cabendo ao intérprete retirar o alcance do ato normativo. O sentido pode ser procurado nas intenções do legislador (mens legislatoris), bem como o que a par das intenções restou consignado expressamente na literalidade do texto (mens legis). Como já analisado tanto no critério da mens legislatoris, quanto na mens legis deve ser observada a negociação conjunta entre empregadores e trabalhadores na fixação das regras subjetivas e adjetivas. Afinal, toda a norma jurídica necessita de um mínimo de eficácia, caso contrário é como se nunca tivesse entrado em vigor. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, as verbas salariais. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. O trabalhador tem que obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Outra questão controversa reside no ponto de as verbas pagas a título de alimentação in natura sem inscrição no PAT integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15504.019801/200819 Acórdão n.º 230201.219 S2C3T2 Fl. 253 11 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Como se verifica, a única previsão expressa em lei para exclusão da verba alimentação paga in natura da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. No presente caso, a recorrente não fez prova de estar inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Não sendo uma mera formalidade como alegado pela recorrente. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15504.019801/200819 Acórdão n.º 230201.219 S2C3T2 Fl. 254 13 A verba alimentação paga in natura possui natureza remuneratória. Ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento para o período não decadente. O entendimento firmado pelo STJ não vincula as decisões administrativas, tendo efeitos somente inter partes. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que os pagamentos foram realizados à cooperativa e não aos cooperados. As provas contidas nos autos, e apuradas pela fiscalização demonstra que a autuada depositou diretamente nas contas dos segurados o pagamento pelos serviços prestados. Assim, não pode ser considerado que a recorrente efetuou pagamento por intermédio das cooperativas de trabalho. Como bem afirmado na decisão recorrida, a controvérsia não envolve questão de direito, qual seja, se houve a desqualificação de intermediação do serviço pela Cooperativa,. No caso, houve verificação, pela fiscalização, de que a impugnante não oferece à tributação todo o valor de mãodeobra dos contribuintes individuais a seu serviço, pelo fato de não constar das notas fiscais emitidas pela Cooperativa as remunerações pagas diretamente aos segurados. Também não procede a alegação de não terem sido consideradas as contribuições recolhidas sobre os valores já faturados pela INFORCOOP, porque, conforme escrito no item "45" do Relatório Fiscal, foram excluídos do levantamento os pagamentos efetuados a Cooperativa de Trabalho, apresentados na relação entregue pela empresa, cujos valores foram lançados em sua contabilidade. Quanto ao pagamento de planos de saúde aos segurados contribuintes individuais, os mesmos integram o saláriodecontribuição. Na contratação de um trabalhador autônomo (contribuinte individual), o risco da atividade é todo deste, e na remuneração ajustada já se encontram as despesas para realização do serviço. Havendo a prestação de serviços de um profissional autônomo (contribuinte individual) a uma empresa, há subsunção de tal fato à norma jurídica prevista no art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991. Os gastos pessoais dos contribuintes individuais, deveriam ser arcados pelo próprio segurado; ao serem efetivados pela empresa, há que se reconhecer como um ganho em virtude do vínculo que a pessoa física possui com a pessoa jurídica. No presente caso, o vínculo é originado pelo serviço que o segurado presta à empresa, sendo portanto uma remuneração indireta pelo trabalho prestado. Como se verifica, a única hipótese para exclusão das verbas referente à moradia ocorre quando a habitação é fornecida pela própria empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, o que não foi o presente caso. Ao contrário do que afirma a recorrente, a alínea “m” acima transcrita não se subsume à hipótese dos autos. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Em tendo a fiscalização previdenciária constatado a existência da relação de emprego entre o segurado e a recorrente, possui a Autarquia o direitodever de desconsiderar este negócio jurídico simulado e proceder à notificação dos valores devidos. Nesse sentido já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça, nestas palavras: “PREVIDENCIÁRIO – INSS – FISCALIZAÇÃO – AUTUAÇÃO – POSSIBILIDADE – VÍNCULO EMPREGATÍCIO. A fiscalização do INSS pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação às pessoas que ele julgue com vínculo empregatício. Caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho, a fim de questionar a existência do vínculo. Recurso provido. REsp n.º 236.279/RJ; Rel. Ministro Garcia Vieira; julgado em 08/02/2000; publicado em 20/03/2000” Para nascimento do fato gerador o que importa é a situação fática e não o nome jurídico dado à contratação. Desse modo, de fato houve uma prestação de serviços entre pessoas físicas e a notificada em que se encontravam presentes a pessoalidade, a onerosidade, a nãoeventualidade, a subordinação, senão veja. A pessoalidade fica demonstrada pelo contrato com a Sr. Nelson dos Santos Jr., o que interessa para a notificada são as características daquela pessoa contratada em particular. A onerosidade, remuneração, ficou demonstrada em virtude de nas relações jurídicas haver o pressuposto da retribuição pecuniária pelos serviços prestados, em valores praticamente fixos. A nãoeventualidade é cristalina, uma vez que as atividades exercidas pelos contratados relacionamse diretamente com as atividades normais da empresa. A empresa Clave Informática, teve como único cliente a empresa auditada, e que a prestação de serviços se deu de forma habitual e ininterrupta, com notas sequenciais mensais ao longo de todo o ano de 2004 (NF 047 a 058), com valores praticamente constantes, na ordem de R$ 3.500,00. Um dos critérios para análise do enquadramento do segurado como empregado é a verificação da assunção do risco econômico. O risco econômico da atividade era suportado pela recorrente, que inclusive arcou com despesas da pessoa jurídica contratada. Conforme verificado pela fiscalização federal, a empresa auditada incluiu o nome de Nelson dos Santos Jr entre os beneficiários do Seguro Grupal de Saúde firmado com a Sul América Companhia Nacional de Seguros. Além do mais, efetuava reembolsos a ele pelas despesas com combustíveis e estacionamentos em visitas a clientes da auditada, contabilizadas, respectivamente, nas contas contábeis resumidas 4401 e 4647. Quanto à subordinação jurídica, restou evidenciada pelo risco da atividade econômica, bem como pela determinação da atividades que seriam realizadas. Pelo exposto, uma vez sendo devidos os valores das contribuições previdenciárias, a autuada tem que arcar com os consectários: juros e multas pelo atraso. CONCLUSÃO: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15504.019801/200819 Acórdão n.º 230201.219 S2C3T2 Fl. 255 15 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marco André Ramos Vieira Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 36624.003044/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/12/2003
MATÉRIA SUB JUDICE A
existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial.
A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança.
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal
relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplica-se, ao caso, o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, já que restou comprovada a antecipação do pagamento da contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.950
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer do recurso somente em relação às matérias que não estão subjudice, nos termos do voto da Relatora; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela
Recorrente, nos termos do voto da Relatora; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento às contribuições apuradas até a competência 04/1999, anteriores a 05/1999, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que
votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/12/2003 MATÉRIA SUB JUDICE A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplica-se, ao caso, o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, já que restou comprovada a antecipação do pagamento da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/12/2003 MATÉRIA SUB JUDICE A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase, ao caso, o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, já que restou comprovada a antecipação do pagamento da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 374DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer do recurso somente em relação às matérias que não estão subjudice, nos termos do voto da Relatora; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento às contribuições apuradas até a competência 04/1999, anteriores a 05/1999, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Edgar Silva Vidal. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 230101.950 S2C3T1 Fl. 367 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições arrecadadas pelo INSS e destinadas ao Terceiro, SESC. Conforme Relatório Fiscal (fls. 32/33), o objeto da NFLD é a contribuição destinada ao SESC, tendo como fato gerador o pagamento da remuneração aos segurados empregados, e que o lançamento foi efetuado para evitar a decadência, uma vez que as contribuições lançadas estão sendo objeto de discussão judicial. A autoridade lançadora informa que os valores apurados, abrangendo as competências de 11/1998 a 12/2003, foram depositados em juízo, na Ação Ordinária 98.00498222 de 24/11/1998, da 20.a Vara Cível Federal de São Paulo. A notificada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 21.003.0/0041/2005, fls. 247 a 253, julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 123 a 134), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega obrigatoriedade de recebimento do recurso interposto independentemente do depósito prévio de 30%. Aponta a falta de interesse processual do INSS no prosseguimento da satisfação do crédito constituído pelo lançamento em tela, face à suspensão do crédito tributário por meio do depósito judicial integral das quantias lançadas, bem como da litigiosidade do objeto do lançamento, tendo em vista a citação da entidade lançadora em Ação Ordinária de Declaração de Inexistência de Relação Jurídica Fiscal. Sustenta que a recorrente não pode ser sujeita à exigência de exação fiscal que tem por objeto créditos tributários que se encontram com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial que deferiu o deposito de seu montante integral. Entende que há de ser reconhecida a insubsistência da pretensão do fisco face à circunstância da matéria objeto da presente NFLD se encontrar em discussão na esfera judicial, sendo considerada para todos os efeitos como "coisa litigiosa", visto que a entidade lançadora foi regularmente citada na referida demanda, pelo que qualquer eventual decisão resultante do presente processo administrativo haverá, de se submeter ao resultado do processo judicial ora em tramitação. No mérito, tenta demonstrar que a recorrente não pode ser considerada sujeito passivo de contribuição ao SESC e a impossibilidade de exigência de duas contribuições sobre a mesma base de cálculo, sendo inconstitucional a exigência da referida contribuição. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Em contrarazões, a então Receita Federal do Brasil manteve a decisão recorrida e a 2a CAJ do CRPS, por meio do decisório nº 000126(fls. 327 a 329), converteu o julgamento em diligência, oportunizando à recorrente efetuar o depósito prévio. É o relatório. Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela recorrente em seus recurso, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. A fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 377DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 230101.950 S2C3T1 Fl. 368 5 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º Fl. 378DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Verificase, dos autos, que houve o depósito integral judicial do valor lançado, caso em que se aplica o dispositivo legal citado acima. Dessa forma, considerando que a ciência da NFLD pelo sujeito passivo se deu em 27/05/2004, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências 11/98 a 04/99, inclusive. Da análise dos autos, verificase que a recorrente ingressou com Ação Judicial contra o INSS questionando a legalidade da cobrança da contribuição ao SESC. Em seu recurso, a recorrente tenta demonstrar a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança de contribuição à referida Terceira Entidade. Porém, essa matéria é objeto de discussão judicial, o que implica em renúncia ao contencioso administrativo, acarretando o não conhecimento dessa parte do recurso. Contudo, as outras matérias trazidas pela recorrente, quais sejam, obrigatoriedade de recebimento do recurso interposto independentemente do depósito prévio de 30% e suspensão da exigibilidade do crédito, difere da levada à apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual conheço do recurso em relação a tal matéria. A renúncia ao contencioso administrativo somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto "idêntico pedido" sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3º, da Lei 8.213/91), o que não é o caso presente. Preliminarmente, a recorrente alega que o recurso deva ser conhecido independente de ter sido efetuado o depósito prévio. De fato, o plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. E, a exemplo do que ocorreu com a decadência, com amparo no artigo 62, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. A notificada entende que não pode ser sujeita à exigência de exação fiscal que tem por objeto créditos tributários que se encontram com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial que deferiu o deposito de seu montante integral, devendo ser reconhecida a insubsistência da pretensão do fisco face à circunstância da matéria objeto da presente NFLD se encontrar em discussão na esfera judicial. Fl. 379DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 230101.950 S2C3T1 Fl. 369 7 Contudo, cumpre esclarecer que o presente lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário, já que não é possível a sua constituição após o término do prazo de decadência, mesmo com decisão judicial favorável ao fisco, uma vez que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Assim, tendo constatada a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal lançou corretamente o débito, em consonância com o disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, protegendoo da decadência. Ressaltese, ainda, que a ação judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os atos executórios de cobrança. Ao contrário do que entende a notificada, a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, e nem deve ser suspenso o trâmite do presente processo administrativo, pois a suspensão referese à exigência do crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento ou de as autoridades julgadoras administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal. No mérito, a recorrente tece um extenso arrazoado tentando comprovar a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança de contribuição ao SESC. Porém, tal matéria encontrase sub judice, não cabendo, por meio do presente processo administrativo de lançamento de débito, a discussão sobre exigibilidade de contribuição ao SESC, objeto de discussão judicial. O art. 126, da Lei 8.213/91, dispõe que: Art.126 (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." Dessa forma, entendo que houve renúncia ao direito de recorrer, na esfera administrativa, sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade da exigência da contribuição ao SESC, motivo pelo qual, não conheço de tais argumentos. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos conta, Voto do sentido de CONHECER do recurso apenas em relação às matérias que não estão subjudice e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores lançados no período entre 11/98 a 04/99, inclusive. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 380DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 Fl. 381DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 31/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003204/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. COMISSÃO DE EMPREGADOS SEM REPRESENTANTE DO SINDICATO. DESCUMPRIMENTO DA LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A comissão de empregados eleita para negociar com o empregador o
pagamento de PLR deve necessariamente contar com a presença de
representante do sindicato, sem a qual resta desatendida a lei de regência, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba.
PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Está sujeita a incidência de contribuição previdenciária os valores pagos pela empresa para custeio de plano de previdência privada, quando este não abrange todos os seus empregados e dirigentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.758
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões, quanto a incidência de contribuições previdenciárias sobre a previdência complementar, os conselheiros Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que entendem não haver descumprimento da norma legal quando a previdência complementar é concedida somente aos trabalhadores que tenham remuneração superior ao teto do RGPS.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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COMISSÃO DE EMPREGADOS SEM REPRESENTANTE DO SINDICATO. DESCUMPRIMENTO DA LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A comissão de empregados eleita para negociar com o empregador o pagamento de PLR deve necessariamente contar com a presença de representante do sindicato, sem a qual resta desatendida a lei de regência, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba. PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Está sujeita a incidência de contribuição previdenciária os valores pagos pela empresa para custeio de plano de previdência privada, quando este não abrange todos os seus empregados e dirigentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões, quanto a incidência de contribuições previdenciárias sobre a previdência complementar, os conselheiros Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que entendem não haver descumprimento da norma legal quando a previdência complementar é concedida somente aos trabalhadores que tenham remuneração superior ao teto do RGPS. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 240101.758 S2C4T1 Fl. 441 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 409/437, interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ São Paulo I, fls. 373/402, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 37.129.8105, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 01/2002 a 12/2004 e contém a as contribuições patronais, inclusive a destina a outras entidades e fundos. O valor do crédito, com data de consolidação em 17/12/2007, assumiu o montante de R$ 25.809.574,29 (vinte e cinco milhões, oitocentos e nove mil, quinhentos e setenta e quatro reais e vinte e nove centavos). Nos termos do Relatório da Auditoria, fls. 43/51, lançamento decorreu da suposta falta de recolhimento das contribuições patronais, inclusive as destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Informase que os fatos geradores considerados na apuração foram os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados a título de participação nos lucros ou resultados e sobre as despesas com plano de previdência privada, ambos oferecidos a seus segurados empregados e contribuintes individuais em desacordo com a legislação vigente. Acerca do pagamento da verba PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS – PPR, o Fisco assevera que a empresa o fez sem respeitar a legislação de regência, o que acarreta em tributação sobre a mesma. São citados vários pontos que levaram a Auditoria a chegar a tal conclusão, os quais posso mencionar resumidamente: a) falta de participação do Sindicato na estipulação das metas e indicadores, que, uma vez atingidos, dariam direito ao benefício; b) falta de eleição dos representantes dos empregados para discutir com a empresa os termos do acordo para pagamento da verba; c) inexistência de regras claras no regulamento de concessão da PPR; d) falta de isonomia para pagamento da verba entre os diversos níveis hierárquicos da empresa; e) existência de regras subjetivas e sem mecanismo de aferição para pagamento do benefício; f) ocorrência de pagamentos em desacordo com o próprio instrumento de PPR; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Quanto ao plano de previdência privada, a Auditoria afirma que o mesmo não seria disponibilizado à totalidade dos empregados, pelo que a rubrica deve sofrer incidência de contribuições. O Fisco explicita também a forma de apuração da base de cálculo do lançamento, tendo juntado inclusive tabelas demonstrativas dos valores apurados. Foram anexados documentos para comprovar as afirmações lançadas no Relatório da NFLD. Apresentada a defesa, foi, então, realizada diligência para que a fiscalização especificasse o enquadramento dado ao segurado Laércio de Oliveira. Asseverou o Fisco que o segurado teria sido enquadrado como empregado, com rescisão em 01/07/04, recebendo verbas a título de PLR, além de ter sido considerado contribuinte individual em conseqüência da sua eleição como diretor estatutário. Após a manifestação da empresa, a DRJ declarou procedente o lançamento e contra essa decisão foi aviado o já mencionado recurso voluntário. A recorrente argumenta, em apertada síntese, que: a) houve sim a participação dos empregados nas negociações que redundaram na fixação dos critérios para pagamento da participação nos lucros. Esses foram representados pelos “Prefeitos”, pessoas eleitas por seus pares para representar os diversos setores da empresa, com atribuições que lhes dava poderes para negociar as regras da PLR; b) todos os acordos foram efetivamente apresentados ao sindicato da categoria que os homologou expressamente, ratificando os termos da negociação firmada entre a Recorrente e os trabalhadores, conforme documentação juntada; c) a participação dos trabalhadores nos lucros da empresa foi amplamente discutida pelas partes interessadas, conforme se demonstra pelas atas anexadas; d) todos os acordos firmados no período auditado detalham a forma de pagamento da PLR, sendo que a avaliação de resultados é feita de forma detalhada e justificada, contendo as metas a serem alcançadas pelos empregados, o prazo estabelecido e a pontuação obtida; e) inexiste subjetividade na distribuição dos resultados como aponta o Fisco, ao contrário, o que se percebe é o pagamento conforme critérios previamente instituídos; f) não há, como se afirma na decisão recorrida, norma legal que restrinja a distribuição da PLR de forma diferenciada para trabalhadores alocados em diferentes funções; g) o lançamento é, portanto, nulo, posto que confeccionado em total desrespeito às regras constitucionais e legais e também à toda orientação jurisprudencial concernentes à incidência de contribuições sociais sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados; h) não há norma prevendo que o pagamento de plano de previdência privada deva se dar de forma igualitária para todos os empregados, de modo que a justificativa do Fisco para tributar essa verba não encontra respaldo na legislação; É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 240101.758 S2C4T1 Fl. 442 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece ser conhecido, haja vista que preenche os requisitos de legitimidade e tempestividade. Com vistas ao deslinde da contenda, inicialmente é de bom alvitre que façamos um breve comentário sobre as normas que regem a incidência das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pelo empregador aos trabalhadores a seu serviço. Tal exação encontra fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. É importante que se diga que o propósito do legislador foi de explicitar na lei todas as hipóteses de isenção de contribuição, em lista exaustiva. Vejase que a Medida Provisória nº 1.59614, de 10/11/1997, posteriormente convertida na Lei nº 9.528/97, introduziu o termo “exclusivamente” ao citado dispositivo, ficando claro que, no preceptivo em questão (§ 9.º do art. 28), estão dispostas regras isentivas em lista numerus clausus. A não incidência de contribuições sobre as verbas participação nos lucros e resultados e sobre os valores destinados ao custeio de previdência privada são tratados em dois dispositivos específicos do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/19911, sobre os quais faremos a análise em separado. Participação nos Lucros ou Resultados Pois bem, a não incidência de contribuições sobre a participação dos trabalhadores nos lucros/resultados da empresa somente se concretiza quando o pagamento é efetuado em conformidade com a lei específica. 1 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (...) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 240101.758 S2C4T1 Fl. 443 7 Sobre esse tema, é de bom alvitre que façamos um breve passeio pela legislação de regência. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n. 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1. desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, estabelecimento de metas para aquisição do direito, periodicidade de pagamento, isenção tributária, etc. A primeira manifestação do contribuinte contra as conclusões do Fisco diz respeito à negociação para fixação dos critérios de pagamento do PPR. Alega a auditoria que a comissão que subscreveu os acordos não tinha legitimidade, haja vista que não foi escolhida pelos trabalhadores, mas por um grupo de empregados, denominados de “Prefeitos”, que embora tenham sido eleitos pelos seus pares, não o foram para indicar os negociadores para compor a comissão responsável pela elaboração do acordo de participação nos lucros. Além de que, afirma o Fisco, o sindicato da categoria profissional foi chamado apenas para arquivar o acordo, não tendo participado das negociações. A recorrente alega, por seu turno, que, os “Prefeitos” haviam sido escolhidos por seus pares e, assim, teriam legitimidade para indicar a comissão de negociação do PPR. Em adição a isso, afirma que o Sindicato homologou os acordos, assim, participou do processo, tendo anuído favoravelmente às regras fixadas. Vejamos o que diz a Lei a esse respeito: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 (...) §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Não encontro desvio da norma pelo fato da escolha da comissão ter se dado por um grupo pertencente aos quadros da empresa e eleito pelos seus pares, para servir de canal de comunicação entre o empregador e os seus empregados. Verifico que a Lei não menciona de que maneira deva ser formada a comissão, se por voto direto ou através de indicação de representantes dos trabalhadores. Assim, não pode o Fisco, mero intérprete da legislação, arvorarse na prerrogativa de criar requisitos não estabelecidos pelo legislador. Porém, quando me deparo com a falta de participação de representante do Sindicato no processo de negociação, vejo que a Lei n. 10.101/2000 deixou de ser atendida. Esse é um requisito objetivo estabelecido pelo legislador e que não pode ser atropelado, sob pena de desnaturar os pagamentos de PLR efetuados sob o manto de acordo que não contou com a participação sindical. Verifico que, embora o ente sindical tenha arquivado o acordo, atendendo ao disposto no § 2. do art. 2. da Lei de regência, a norma inserta no “caput” do mesmo artigo exige a participação efetiva do mesmo nas negociações, seja na elaboração de acordo ou convenção coletiva de trabalho, seja tendo assento na comissão de empregados responsável pela participação nos lucros e resultados. Nesse sentido, tendo a PPR sido paga em desacordo com a lei específica, deixa a empresa de se beneficiar da não incidência prevista na alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, sendo lícito ao Fisco, portanto, exigir as contribuições incidentes sobre a rubrica em comento. Essa exegese está em perfeita consonância com o Código Tributário Nacional, que em seu art. 111, II2, determina que a interpretação de normas tributárias que tratam de isenção deve ser literal. Alega a empresa que todos os acordos firmados para pagamento da referida verba, ao contrário do que afirma o fisco, contempla os requisitos legais, sendo os resultados avaliados de forma detalhada em razão das metas fixadas, procedimento esse que teve sua aplicação estendida a todos os empregados, que eram também avaliados por seu desempenho individual. O Fisco para descaracterizar o pagamento alega que haveria critérios diferenciados para pagamento da verba aos trabalhadores menos graduados e aqueles de maior hierarquia. Assevera também que as metas fixadas para esses últimos não eram de conhecimento de todo o quadro funcional. 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção;(...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 240101.758 S2C4T1 Fl. 444 9 Ressaltase ainda que havia trabalhadores em funções idênticas percebendo valores diferenciados de PPR, o que caracteriza utilização de critérios subjetivos para o pagamento da verba. Por outro lado, afirmase que alguns empregados foram contemplados com pagamentos sem que se levasse em conta o atingimento de qualquer meta. Alega também a Auditoria que embora os acordos previssem o pagamento de 2 a 2,5 salários anuais, há casos de empregados, alocados em funções gerenciais, que receberam quantias superiores a 10 salários ao ano. Voltemos ao que dispõe a Lei n. 10.101/2000: Art. 1º. (...) §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Da análise dos documentos colacionados pelo fisco e também pela empresa é possível concluir que a empresa negociava com os seus empregados durante o ano de percepção do benefício as regras para pagamento da verba, o qual previa uma antecipação do Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 pagamento para o mês de agosto e, quando do fechamento da anual dos resultados, era paga a parcela restante. Vêse que estão explicitadas nos acordos as metas que levavam em conta os parâmetros de lucro líquido, faturamento, gestão orçamentária, execução de projetos e desempenho individual. Diante dessas constatações, não tenho dúvida de que os requisitos legais quanto aos termos do acordo e a periodicidade do pagamento foram observados. Não enxergo no texto legal qualquer determinação para que os pagamentos tenham que se dar na mesma proporção para todos os empregados e diretores, não se podendo exigir esse requisito não previsto na norma específica. De outra banda, mesmo para os ocupantes de iguais funções, não há de se exigir que a verba tenha idêntico valor, posto que um dos parâmetros de aferição do quantum a ser repassado leva em conta o desempenho individual do trabalhador. Diante das evidências coletadas do processo, verifico que a empresa fixou as metas e os critérios de aferição previstos na norma e que algumas exceções assinaladas pelo Fisco não seriam suficientes para desnaturar todo o programa, mesmo porque a apuração foi efetuada de forma conjunta, tributandose todo o montante pago a título de PPR. Concluindo, entendo que os valores pagos de participação nos lucros/resultados devem ser tributados pelo fato da comissão de negociação não contar com a participação de representante sindical. Previdência Privada Afirma o Fisco que a empresa possuía dois planos de previdência complementar: o básico que contemplava os segurados que percebiam remuneração entre R$ 2.470,00 e R$ 8.500,00 e outro, denominado complementar, abrangendo os segurados com remuneração superior a esse valor. Asseverase ainda que os planos excluiriam os empregados em salários mais baixos, os menores de 18 anos e os que não tinham cumprido o período de experiência (90 dias), além de que os maiores de 50 anos deveriam se submeter a avaliação da direção da empresa para poderem ser incluídos no plano. Concluiu o Fisco que a não disponibilização do plano a todos os empregados seria motivo para que os valores pagos a esse título fossem considerados saláriode contribuição. Analisandose a alínea “p" do § 9.º, do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 impõe como condição para não incidência de contribuições sobre os valores pagos pelo empregador para custeio de plano de previdência complementar é que o mesmo seja estendido a todos os empregados e dirigentes da empresa. Verificase assim que não há exigência legal para que todos sejam cobertos por um mesmo plano, mas que todos tenham acesso à previdência complementar para que a verba não seja tributada. Nesse sentido, verifico que as exclusões constantes no programa de previdência privada disponibilizada pela recorrente contrariam a norma de não incidência acima comentada. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 240101.758 S2C4T1 Fl. 445 11 A expressão “disponível à totalidade dos seus empregados e dirigentes”, não dá margem interpretativa para que se justifique a exclusão de segurados com menor remuneração, de segurados com menos de dezoito ou mais de cinquenta anos. Embora a empresa se esforce para justificar a não disponibilização do plano para esses segurados, estou convencido de que suas ponderações não são suficientes para afastar a tributação previdenciária sobre essa verba. Se é certo que as partes, empregador e empregado, podem decidir sobre a forma de contratação que melhor lhes convier, também não está errado dizer que essas convenções privadas não podem contrariar as normas tributárias para afastar a exigência de contribuições. Uma vez que a norma fixou condicionante para não incidência sobre os valores relativos à previdência privada, cabe aos particulares a sua observância, sob pena de arcar com o ônus de pagar o tributo. Não se admite assim a exclusão dos trabalhadores menores de idade, daqueles com menor remuneração e também dos que contavam com idade superior a cinquenta anos. A esses efetivamente estaria fechada a porte de acesso a previdência privada, o que representa afronta a norma isentiva, devendo por isso ser tributada a verba previdência complementar. Fui vencido, todavia, pelos que entendem ser cabível a justificativa de que a regra de isenção não estaria ferida se fossem excluídos do plano de previdência complementar os trabalhadores que percebiam remuneração inferior ao teto do Regime Geral de Previdência Social, posto que uma interpretação da Lei n. 8.212/1991 à luz do art. 202 da Constituição Federal conduz à conclusão de que não está a empresa obrigada a estender o plano previdenciário complementar àqueles que têm remuneração inferior ao teto do RGPS, posto que a razão de existir da previdência complementar é prover aos segurados a manutenção de sua renda na parte que exceder ao valor pago pelo Regime Geral. Prevaleceu, portanto, após os debates na Turma de Julgamento, a tese de que na espécie deve haver a incidência de contribuição sobre a rubrica, em razão da exclusão do plano de previdência complementar dos trabalhadores menores de 18 e dos maiores de 50 anos. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/04/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10845.002147/97-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996
LANÇAMENTO COM BASE EM DISPOSITIVO LEGAL REVOGADO.
Cancela-se a exigência formalizada com base na Portaria MF 264/81 quando a mesma já se encontrava revogada pelo art. 48 da Lei 8.981/91.
Numero da decisão: 1302-000.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, cancelando o lançamento em relação ao exercício de 1995.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 550 1 549 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.002147/9761 Recurso nº 136.112 Voluntário Acórdão nº 130200.557 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria IRPJ Recorrente CLÍNICA DE CIRURGIA PLÁSTICA DR. APARECIDO P. NASCIMENTO S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996 LANÇAMENTO COM BASE EM DISPOSITIVO LEGAL REVOGADO. Cancelase a exigência formalizada com base na Portaria MF 264/81 quando a mesma já se encontrava revogada pelo art. 48 da Lei 8.981/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, cancelando o lançamento em relação ao exercício de 1995. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), André Ricardo Lemes da Silva, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Relatório Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Processo nº 10845.002147/9761 Acórdão n.º 130200.557 S1C3T2 Fl. 551 2 CLÍNICA DE CIRURGIA PLÁSTICA DR. APARECIDO P. NASCIMENTO S/C LTDA., foi submetida a procedimento fiscal, do qual resultou o arbitramento de seu lucro, face às seguintes irregularidades narradas na descrição dos fatos de fls. 4 : a) autenticação do livro Diário em data posterior ao prazo de entrega da declaração de Imposto de Renda; b) não possui livro próprio de códigos e contas; c) contabilização da receita por partidas mensais, sem existência de livros auxiliares; d) movimentação bancária à margem da escrituração contábil; e) ausência de livro Registro de Inventário; f) os sócios não estavam legalmente capacitados para atender às exigências dos serviços prestados pela empresa, conforme Termo de Verificação nº 01, sendo incabível o regime de tributação previsto no DL 2397/87, art. 1º ; g) registro de gastos ativáveis em contas de despesas, aquisição de material em final de exercício sem figurar em almoxarifado e contabilização de despesas particulares de sócio como despesa. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados autos de infração, para a exigência: a) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fl. 03), num total de R$ 84.481,60, incluídos o imposto, a multa de ofício e os juros de mora; b) PIS/Repique (fl. 60), num total de R$ 4.224,20, incluídos o tributo, a multa de ofício e os juros de mora; c) FINSOCIAL FATURAMENTO (fl. 72), num total de R$ 492,23, incluídos o tributo, a multa de ofício e os juros de mora; d) COFINS (fl. 77), num total de 8.626,41, incluídos o tributo, a multa de ofício e os juros de mora; e) IRFON (fl. 89): Total do crédito tributário, R$ 44.418,86, incluídos o tributo, a multa de ofício e os juros de mora e; f) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fl. 109), num total de R$ 4.562,75, incluídos o tributo, a multa de ofício e os juros de mora. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 248/281) alegando em síntese: a) impossibilidade legal de arbitramento do lucro da pessoa jurídica, por inexistência de base de cálculo fixada em lei, nos termos do art. 97 do CTN, sendo inconstitucional a delegação de competência, para a fixação da base de cálculo do imposto de renda no caso de arbitramento, estabelecida pelo Decretolei nº 1.648/1978; b) o arbitramento do lucro não encontra amparo no art. 399 do RIR/1980, porquanto não houve falta de escrituração, nem tampouco a escrituração continha vícios, assim como não foi apontada omissão de receitas ou despesas inexistentes. A contabilidade da empresa possibilita a apuração do lucro real, tanto é assim que a receita bruta utilizada no arbitramento foi a escriturada pelo contribuinte; c) o fato de os livros Diário terem sido autenticados após a entrega das DIRPJ não invalida a escrituração, sendo mera irregularidade formal; d) a inexistência de livro contendo os códigos das contas seria óbice à fiscalização caso os lançamentos no Diário não contemplassem os nomes das contas, além dos respectivos códigos; e) a escrita da impugnante foi feita em partidas mensais, porém, não há dificuldades em se apurar a receita bruta auferida pela empresa, que corresponde ao total das notas fiscais de prestação de serviços; Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Processo nº 10845.002147/9761 Acórdão n.º 130200.557 S1C3T2 Fl. 552 3 f) a contribuinte admite que deixou de contabilizar valores que transitaram em sua conta corrente, porém este fato não é motivo para o arbitramento, já que os depósitos efetuados eram de pequena monta, sempre menores que a receita contabilizada que serviu de base ao arbitramento; g) a escrituração do Livro de Inventários só seria obrigatória se existissem no estoque bens no final do períodobase, fato que não se verificou; h) mesmo que existissem materiais estocados em 31/12/1994, estes seriam consumidos nos primeiros dias do exercício seguinte, com o que teria ocorrido apenas postergação do pagamento do tributo. Qualquer material adquirido, desde que pago deveria ser considerado despesa, segundo o regime de caixa; i) a empresa não fazia jus à tributação nos termos do Decretolei nº 2.397/1987, o que não justifica a desclassificação da escrita; j) a fiscalização entende que diversos bens adquiridos deveriam ser ativados. Estas mercadorias totalizam R$ 500,00, assim nos termos do art. 193 do RIR/1980, elas poderiam ser deduzidas como despesas; k) os materiais de construção adquiridos destinaramse a reparos no imóvel em que se localiza a sociedade, o que não caracteriza aumento na vida útil do bem; l) se fosse constatada a contabilização de despesas referentes a gastos relacionados aos sócios da empresa, caberia a glosa destes valores, jamais a desclassificação da escrita; m) a impugnante mantém seu livro Razão, com o objetivo de resumir e totalizar por conta ou subconta os lançamentos efetuados do Diário. A lei não exige que a escrituração deste livro seja diária; n) a falta de controle individualizado de bens do ativo, a ausência de livro razão auxiliar em UFIR e a falta de registro contábil individualizado de contas a pagar e contas correntes de sócios são meras irregularidades formais incapazes de levar à desclassificação da escrita; Requereu o cancelamento do lançamento do crédito tributário. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ recorrida, por unanimidade de seus componentes, manteve o lançamento, consoante o Acórdão nº 2.815 (fls. 305/325), estando assim ementado: IRPJ – DESCARACTERIZAÇÃO DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO – A Sociedade Civil de Prestação de Serviços de Profissão Legalmente Regulamentada que não cumpre os requisitos legais exigidos para a tributação, nos termos do Decretolei nº 2.397/1987, deve se ajustar à tributação imposta às demais pessoas jurídicas ARBITRAMENTO – A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, que servirá de base de cálculo do imposto, Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Processo nº 10845.002147/9761 Acórdão n.º 130200.557 S1C3T2 Fl. 553 4 quando o contribuinte mantiver escrituração fora das leis comerciais e fiscais. Ao manter a desclassificação da escrita da interessada, a decisão recorrida acolheu os motivos invocados na denúncia fiscal, com exceção dos seguintes: a) registro de gastos ativáveis em contas de despesa; b) contabilização de despesas particulares de sócios como despesa; c) a falta de livro próprio, com a indicação das contas. Cientificada da decisão (fls. 335) a interessada interpôs em tempo hábil o recurso voluntário de fls. 338/373, focado nos seguintes itens: a impossibilidade legal do arbitramento do lucro, em face da revogação da delegação de competência, ao Ministro da Fazenda, para estabelecer base de cálculo do tributo; a nulidade da autuação dos anoscalendário de 1992, 1993 e 1994, por estar fundamentada em capitulação e coeficientes de arbitramento referentes à sociedade civil de prestação de serviços, quando esta condição foi negada à recorrente; a nulidade da autuação referente ao anocalendário de 1995, visto estar fundamentada em capitulação e coeficientes revogados pela Lei nº 8.981/95; a ilegalidade do agravamento dos percentuais, ainda que válido fosse o arbitramento do lucro; e a inexistência das irregularidades apontadas pela fiscalização para justificar o arbitramento. A Quinta Turma do antigo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão n° 10514.475 (fls. 385/398) deu parcial provimento ao recurso voluntário, cujos fundamentos achamse consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: ARBITRAMENTO: A autoridade tributária arbitrará o lucro da pessoa jurídica, que servirá de base de cálculo do imposto, quando o contribuinte não mantiver escrituração capaz de determinar o lucro real, na forma das leis comerciais e fiscais. COMPETÊNCIA DELEGADA – CONSTITUCIONALIDADE O artigo 25 dos ADCT da Constituição Federal de 1988, revogou tão somente a delegação de competência contida no ato legal para estabelecer novos coeficientes; não revogou dispositivos legalmente inseridos na legislação na vigência da delegação. IRPJ – ARBITRAMENTO DE LUCROS – BASE DE CÁLCULO – O art. 25 do ADCT da CF/88 revogou, ao cabo do prazo ali previsto, a delegação de competência concedida pelo art. 8º do DL nº 1.648/78, para determinar a base de cálculo do arbitramento de lucros, não assim a Portaria MF nº 22/79. Todavia, o agravamento dos coeficientes de arbitramento de lucros, estabelecido na alínea “d” do item II, da mencionada portaria, não pode prosperar, uma vez que o ato ministerial extrapolou os limites da delegação de competência concedida pelo referido decretolei (1ª CSRF, Ac. RP/1030.181). Fl. 21DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Processo nº 10845.002147/9761 Acórdão n.º 130200.557 S1C3T2 Fl. 554 5 SOCIEDADE CIVIL – REGIME DE TRIBUTAÇÃO – Tratando se de sociedade civil constituída para prestação de serviços profissionais de médico, em cuja composição societária figura um advogado, não faz jus ao regime tributário previsto no DL 2.397/87, sujeitandose à tributação das demais pessoas jurídicas, caso em que, a determinação do lucro é arbitrada em 50% da receita conhecida (DL 1.648/78, art. 8º, c/c inc. III, letra “d”, da Portaria MF 22/79). Foram interpostos Embargos Declaratórios (fls. 464/472), que resultaram rejeitados segundo o despacho de fls. 476/478. Na sequencia, a contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 483/521), cujo seguimento foi autorizado apenas parcialmente, conforme se vê do Despacho PRES Nº 1050 0138/2007 (fls. 525/527). Através do Acórdão nº 910100.525 (fls. 541/5430, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso especial “para determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das questões de mérito por este não conhecidas sob o fundamento de preclusão”. É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI Quando do julgamento do recurso voluntário restou assentado: Inicialmente devese deixar fixado que as questões não agitadas na fase impugnatória já não podem vir à tona na fase recursal, face à preclusão. Como anotado no relatório, os autos retornam para análise das matérias suscitadas em grau de recurso e não apreciadas naquele momento processual. Conforme restou delimitado no Despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial, a única matéria não apreciada no julgamento anterior diz respeito à nulidade da autuação referente ao anocalendário de 1995, visto estar fundamentada em capitulação e coeficientes revogados pela Lei nº 8.981/95. Em suma, diz a recorrente que o percentual de apuração do lucro arbitrado utilizado pela fiscalização foi de 80%, previsto na Portaria nº 264/81, quando o correto seria 30%, nos termos do artigo 48, § único, b, da Lei nº 8.981/95. Segundo alega, a Medida Provisória nº 812/94, convertida na Lei nº 8.981/95, em seus artigos 47 a 55, veio a regular inteiramente a matéria, com o que restou revogada toda a legislação tributária que lhe era anterior. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Processo nº 10845.002147/9761 Acórdão n.º 130200.557 S1C3T2 Fl. 555 6 Em face disto suscitou a nulidade do Auto de Infração relativamente ao ano calendário de 1995. Assiste razão à recorrente. Com efeito, embora o enquadramento legal para o arbitramento faça referência à Lei nº 8.981/91, como quer a recorrente, também alude à Portaria MF 264/81. É o que se vê da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. A legislação que estava em vigor à época dos fatos, mais precisamente a Lei nº 8.981/91, dizia: Art. 48. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do percentual de quinze por cento sobre a receita bruta auferida. Parágrafo único. Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: b) trinta por cento sobre a receita bruta decorrente da prestação de serviços em geral, inclusive serviços de transporte. No entanto, do Demonstrativo de Apuração do IRPJ (fls. 43 e seguintes), se infere que o percentual aplicado foi de 80%, justamente aquele previsto pela legislação revogada. É evidente que a utilização do percentual de 80% não decorre de simples equívoco do Auditor Fiscal. Tal circunstância se deve à previsão contida na Portaria nº 264/81, convicção esta que fica reforçada pela citação da mesma no enquadramento legal da infração detectada. E para casos assemelhados, já se decidiu: LANÇAMENTO COM BASE EM DISPOSITIVO LEGAL REVOGADO. Cancelase a exigência formalizada com base no art. 8° do DL 2.065/83 quando esse dispositivo já se encontrava revogado pelo art. 35 da Lei 7.713/88. Mudando o que deve ser muda, é o caso dos autos. ISTO POSTO, conheço do recurso na matéria não apreciada no Acórdão nº 10514.475 e voto no sentido de DARLHE PROVIMENTO, cancelando as exigências relativas ao anocalendário de 1995 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Sala das Sessões, “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI – Relator Fl. 23DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Processo nº 10845.002147/9761 Acórdão n.º 130200.557 S1C3T2 Fl. 556 7 Fl. 24DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, 16/06/2011 por IRINEU BIANCHI
score : 1.0
Numero do processo: 16175.000415/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
Ementa:
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — OPERAÇÕES BANCARIAS NO EXTERIOR - ILEGITIMIDADE PASSIVA — PROVA INDICIARIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador.
Numero da decisão: 2202-001.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Margareth Valentini, que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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I DE CARE ME MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n' 16175.000415/2005-34 Recurs() n° Voluntário Acór4ão n° 2202-01.189 — r Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 06 de Junho de 2011 Matéria IRPF Recorrente THOMAS FISCHER Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — OPERAÇÕES BANCARIAS NO EXTERIOR - ILEGITIMIDADE PASSIVA — PROVA INDICIARIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Margareth Valentini, que negava provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Nelson Mailman - Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Assinado digitalmente ern 08/00/20 1 por N6LSON MAz..1 MANN, 06/08/2011 perl , !-Ok0 ANAN JuNnr. Autenticado digita:menle cm 05I08/2 0 11por T'EDRO ;AMA JUNIOR Impresso cm 1E/0812011 per 1 RANOOOO JC)3E VIEIRA DF CARE' MF FL 238 Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragdo Calomino Astorga Assinado digitalmente em G8/08/2011 por NELSON MAI..1.1v14NN. n5:qx2o1 1 por PEDRO ANN RiNIOR Autenticado dicitalrnente em 05/0312011 pr PCORO ANAN JUNIOR 2 Impresso em 10/0812011 por FRANCISCO JOSE VIEli ;A .DF CARF MF FL 239 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 2 Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em face do contribuinte THOMAS FISCIIER, originado de procedimento fiscal instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF de n.° 08.1.13.00-2005-00269-9 anexado à fl. 01, relativo ao imposto de renda pessoa fisica dos anos-calendários de 2000, 2001 e 2002, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 666.932,54 (seiscentos e sessenta e seis mil, novecentos e trinta e dois reais e cinqüenta e quatro centavos), sendo o imposto devido no valor de R$ 278.623,78, juros de mora (calculados até 30/11/2005) no valor de R$ 179.340,94 e multa proporcional no valor de R$ 208.967,82. A autoridade lançadora através do "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 326 a 329 informa que a ação fiscal objetivou a verificação da origem dos recursos utilizados nas movimentações de divisas através da conta "SINKEL FINANCIAL S.A." no 311197, com a intermediação da empresa "Beacon Hill Service Corporation", sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América. 0 montante total movimentado foi de US$ 512,531.00 nos três anos, sendo que o contribuinte aparece como ordenante na movimentação levada a efeito. No curso dos trabalhos realizados pela Equipe Especial de Fiscalização - Portaria SRF no 463/04, que originou a Representação Fiscal n° 2652/05, de 25/02/2005, foram identificadas operações nas quais o contribuinte aparece como ordenante nas movimentações de divisas em instituição financeira sediada no exterior, utilizando-se da conta "SINKEL FINANCIAL S.A.", mantida/administrada no "JP Morgan Chase Bank" pela "Beacon Hill Service Corporation". 0 procedimento fiscal está instruido com a seguinte documentação: • Representação Fiscal n° 2652/05 (fls. 206 a 216); • Ordens de pagamento relacionadas ao contribuinte (fls. 217); • Oficio n° 120/03 - PF/FT/SR/DPF/PR, de 04/08/2003, do Delegado da Policia Federal ao MM. Juiz da Vara Criminal Federal de Curitiba - PR, versando sobre o pedido de quebra de sigilo bancário no exterior, via "Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal - MLAT" (fls. 218 a 220); • Decisão do MM. Juiz Federal da Vara Criminal de Curitiba no processo n° 2003.70000030333-4, definindo extensão e compartilhamento das quebras de sigilos bancários via MLAT — IPL 207/98 (fls. 221 a 226); • Oficio n° 01/03 — PF/FT/NY/DPF/PR, de 27/08/2003, do Delegado da Policia Federal ao Dr. Robert Morgenthau, "District Attorney's Office of the County of New York" solicitando o afastamento de sigilos bancários e pedindo investigação criminal nos EUA (fls. 227 a 232); Assinado digitalineme e1 08/08/20 II rk,r rAt .MANN, 05,98/2011 por Puit,10 .ANAN JUNIO; Autenticado digita:menle em 0510812011 por pEoRo ANN ,: JUNIOR Imprenso ern 16108/2011 por FT-ANCISCÚ JOSE VIEINA DF CARE MF Fl. 240 • "Order to Disclose" emitida pela Justiça da Suprema Corte, Judge Renee' White (fls. 233 a 235); • Expediente da Sra. Roberta Roiphe, "Assistant District Attorney of the County of New York", de 09/09/2003, permitindo o acesso aos dados que discrimina (fls. 236); • Decisão do MM. Juiz Federal da 2 Vara Criminal de Curitiba - PR, de 28/05/2004, transferindo os dados da quebra de sigilo bancário para a Receita Federal (fls. 237 a 238); ." Memorandos do Delegado da Policia Federal aos Peritos Federais Criminais FT/CC5, ara t:inissão de Laudo Pericial referente aos elementos existentes nos arquivos , magnéticos de cada conta corrente ou subconta (fls. 239/240); • Laudo de Exame Econômico-Financeiro n° 1412/04-INC, de 28/05/04, demonstrando a consolidação da movimentação financeira de todas as contas e subcontas administradas pela empresa "Beacon Hill" (Laudo Global) (fls. 241 a 251); • Oficio n° 146/2004 da 2 8 Vara Federal Criminal de Curitiba informando sobre as decisões proferidas em 20/04/2007 e em 27/04/2004 no processo n° 2003.7000030333-4 e decisão proferida em 29/04/2004 no processo n° 2004.7000008267-0, autorizando que a Força Tarefa Policial CC5 compartilhe com a Receita Federal o material e documentos relativos a contas mantidas no exterior (fls. 252); • Decisões do MM. Juiz Federal da Vara Federal Criminal de Curitiba - processos n°2003.7000030333-4 e n° 2004.7000008267-0 (fls. 253a 261); 0 contribuinte foi regularmente intimado a tomar conhecimento do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Inicio de Fiscalização, ocasião em que foi solicitado ao mesmo que apresentasse a origem dos recursos transferidos ao exterior no montante de US$ 512,531.00 nos anos de 2000, 2001 e 2002. Não havendo o interessado apresentado qualquer documentação hábil e idônea capaz de demonstrar a origem dos recursos encaminhados para o exterior, tendo o mesmo figurado na condição de ordenante destas remessas e, diante da sua negativa quanto autoria destas remessas, procedeu-se à análise da evolução patrimonial do contribuinte. A fiscalização teve prosseguimento, uma vez que na documentação carreada aos autos o nome do fiscalizado figura como ordenante dos valores movimentados no exterior. Considerando que a movimentação de divisas pelo contribuinte através da remessa de numerário para o exterior na condição de ordenante representa dispêndio/aplicação de recursos, foram elaboradas Planilhas demonstrando a Evolução Patrimonial Mensal de Origem e Aplicação de Recursos para os anos-calendário de 2000, 2001 e 2002. Os dados para o preenchimento destas planilhas foram obtidos das Declarações de Ajuste Anual IRPF, bem como através de informações prestadas pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, dados internos obtidos na repartição fiscal e extratos bancários apresentados pelo contribuinte. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 343 a 386 - argumentação as fls. 343 a 358) na qual alegou, em síntese, que: Ass nado digitalmen?e em 08108120 11 or NH.SON MAL I...MANN, C5/08/2011 par PE; JR0 ANAN JO Autenticado diqita!menle em 05103/2C11 por PEDwu ANAN JUNIOR 4 imptesso em 161080011 per ITRANC ■ SCO JOSE VIEIRA DF CARF MF Fl. 241 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 3 Não há prova nos autos de que uma pessoa chamada "Tomas Fischer" seria ordenante de operações financeiras em sub-contas da "Beacon Hill". Consta dos autos apenas uma folha de papel no idioma inglês indicando uma transação financeira no valor de US$ 3,341.00, supostamente na chamada sub-conta SINKEL, constando o nome "Tomas Fischer" como orclenante ou beneficiário (fls. 217). Não é possível saber quem produziu essa folha de papel , qual sua origem ou mesmo qual efetivamente é o seu significado. A própria referência SINKEL foi feita de forma manuscrita, sobre o documento, riscando-se um outro nome originalmente contido nessa folha. Como é possível, com base nisso, afirmar que estaria provada uma movimentação financeira pelo Recorrente? Simplesmente não é possível. Afora esse "documento", no valor de US$ 3,341.00, há apenas uma relay -do de outros valores, relevantes, de uma série de supostas transações financeiras na sub-conta S 1NKEL, que teriam como ordenante alguém de nome "Tomas Fischer". Tal relação, produzida pela Equipe Especial de Fiscalização, foi elaborada não se sabe com base em quais documentos. Ou seja, o que se tem é uma mera afirmação vazia de um órgão da própria Receita afirmando que ocorreram movimentações financeiras por um "Tomas Fischer". Todavia, a prova desse fato - as movimentações feitas nesse nome - não consta dos autos, se é que existem. Caso se aceitasse a relação preparada internamente pela Receita, ou seja, de que teriam ocorrido movimentações financeiras na chamada sub-conta Sinkel da Beacon-Hill em nome de uma pessoa chamada "Tomas Fischer", a Fiscalização deveria ter procurado verificar se tais alegadas movimentações teriam sido feitas pelo Recorrente e se os recursos seriam próprios dele. Inversamente, porém, a Fiscalização simplesmente adotou esse dado como certo, ou seja, entendeu demonstrado que teria sido o Recorrente o responsável pela remessa de recursos ao exterior. A acusação de envio repetitivo de recursos ao exterior por meio de contas de não-residentes surgiu de uma informação contida em uma folha, na qual uma pessoa de nome "Tomas Fischer" teria ordenado a transferência (fls. 217). Ou seja, não se trata da demonstração de depósito ou investimento de titularidade do Recorrente, efetivamente reconhecido, mas da acusação de que ele seria o "Tomas Fischer" indicado no documento. Mais, que, em razão de ele supostamente ter ordenado uma transferência no valor de US$ 3,341.00, estaria comprovado que teria determinado diversos outros créditos nessa mesma conta, totalizando US$ 512,513.00. Ocorre que, primeiramente, impõe-se esclarecer que o ora Recorrente nasceu "Thomas Fischer", com a letra "h" aposta em seu primeiro nome, conforme atestado pela sua certidão de nascimento e da respectiva tradução juramentada (fls. 361/362) e não "Tomas", sem a mencionada letra, como consta do documento de transferência de recursos, muito embora também atualmente assine como "Tomas". Ademais, o Recorrente não é o único "Thomas Fischer" residente e domiciliado em São Paulo. Como se vê da cópia de página com a informação de médicos cadastrados junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado (CREMESP), há um "Thomaz Fischer" - só que com a letra "z" ao invés de "s" no final do nome — fls. 363. Portanto, é equivocado o raciocínio ligeiro e superficial da Fiscalização de que, como não existiriam outros contribuintes brasileiros com o nome "Tomas Fischer", só poderia ser o Recorrente a pessoa indicada na relação interna da Receita Federal. As5inado digq:-11 08/2011 por NaSON MAL LHANN, 0510812011 por PE i )PO ANAN JuNlog Autenticada digitairnente cm 05103/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Impress() ern 10/08/2011 por FRANCC00 JOSE VIEIRA, DF CARF MF FL 242 Além disso, há ao menos duas pessoas de nome "Tomas Fischer" — com a mesma grafia do indicado nos documentos acostados aos autos — que têm residência em Nova Iorque, local onde foi aberta a conta da SINKEL e diversas outras de titularidade ou administradas pela "Beacon Hill", como atesta cópia de página de sistema de busca de pessoas disponibilizado na intern (fls. 364). Ademais, como se vê do mesmo sistema de busca pela internet, compreendendo todos os estados que compõem os Estados Unidos da América, há uma dezena de pessoas de nome "Tomas Fischer" — mesma grafia dos documentos dos autos em outras regtoes daquele pais. Os fatos citados em especial a existência de pelo menos duas outras pessoas com o nome "Tomas Fischer" em Nova Iorque revelam que qualquer uma dessas pessoas pode ser o "ordenante" mencionado na transferência financeira de US$ 3,341.00, que motivou a investigação e deu origem ao Auto de Infração ora impugnado, e nas outras supostas movimentações contidas na relação interna da Receita. Ora, a possibilidade de qualquer uma dessas pessoas ter realizado a transferência financeira demonstra a falta de precisão no elemento que, ao ver da Fiscalização, se qualificaria como prova. Como se vê, a simples obtenção da informação de que um certo "Tomas Fischer" teria sido ordenante de movimentações financeiras aponta ao mesmo tempo para diversas possíveis situações. O ordenante poderia ser qualquer um de nome "Tomas Fischer" residente nos E.U.A., poderia ser qualquer "Tomas Fische?' residente em Nova Iorque — o que seria o mais provável, uma vez que a conta que recebeu os recursos é vinculada a uma agência bancária em Nova Iorque — ou, ainda, a pessoa citada poderia ser um "Tomas Fischer" localizado no Brasil ou em outro pais. Todavia, o que se deixa consignado é que, simplesmente a partir da folha em lingua inglesa constante dos autos, é impossível ter o convencimento de que o ora Recorrente foi o ordenante da remessa de recursos para a conta SINKEL. transferência dos recursos, deve a Autuação ser cancelada. A verificação dos demais documentos que formam o processo e foram encaminhados juntamente com a Representação Fiscal no 2652/05 demonstra que eles não se prestam para provar a transferência do Recorrente para a SINKEL. Deve-se recordar que a acusação feita é de que o Recorrente seria o ordenante de movimentações financeiras na chamada conta SINKEL. Entretanto, impõe-se esclarecer que a conta da SINKEL, que se alega ser uma sub-conta da "Beacon Hill", não foi objeto dos pedidos: a) de quebra de sigilo, endereçado ao Juiz Federal da r Vara Criminal de Curitiba (fls. 218 a 220); b) de afastamento de sigilo e investigação criminal encaminhada ao Dr. Robert Morgenthau, Promotor do Distrito de Nova Iorque (fls. 227 a 232); A lista encaminhada pela policia a ambos contempla uma série de nomes, diversos deles como sub-contas da "Beacon Hill". No entanto, nenhum deles tem o nome S1NKEL constante da página avulsa de fls. 217. Dessa maneira, não há nos autos qualquer elemento que demonstre que as autoridades responsáveis pela investigação tenham solicitado informações da conta SINKEL por entenderem que ela seria uma sub-conta da "Beacon Hill". Tal fato evidencia ainda mais a falta de condições de se concluir que o Recorrente teria movimentado recursos na referida sub-conta. Assinado digitalmen, em 03103/2011 For S ON MALL MANN, 0510812011 rg,r FT: ORO ANAN JUNICM Autenticado digitalmente em 05I03/2011 por r'Ef)t - 0 ANAN JUNIOR Impresso cm 16/08/2011 por FRANO:SCO JOSE VIE NA 6 DF CARFr1F FL 243 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 4 De outro lado, consta dos autos um laudo preparado pelo Instituto de Criminalistica, examinando as movimentações da conta da "Sinkel Financial S.A.", de n° 311197, mantida no "JP Morgan Chase Bank". Tal trabalho tinha por objetivo "identificar o(s) titular(es). - procurador(es) ou representante(s) da sub-conta SINKEL (...) assim corno verificar os relacionamentos existentes e consolidar a movimentação financeira, a fim de trazer elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução e esclarecer os fatos" (fls. 242 dos autos). Todavia, antes mesmo de passar ao exame dos dados apurados, o laudo já assinala que poderia não estar completo ou apenas conter informações parciais, uma vez que: "os exames Ora desenvolvidos restringiam-se aos documentos cadastrais, ent meio fisico, e às mid/as de movimentação financeira, em meio computacional. Quanto as cópias das ordens de pagamento existentes nos volumes do respectivo dossiê dessa subconta, devem ser objeto de posterior, trabalho, em razão de ainda estarem sendo remetidas pelo consulado e ern fase de organização processual" (grifos e destaques do Recorrente — fls. 243). Assim, o próprio laudo ressalva que suas conclusões não são definitivas, pois justamente as ordens de pagamento não eram objeto de exame. 0 laudo refere-se ainda a certos anexos que conteriam relação de movimentos na referida conta. Entretanto, tais anexos não foram juntados aos autos do processo administrativo (fls. 246). 0 que se tem, portanto, é apenas um laudo afirmando a ocorrência de depósitos de recursos na conta SINKEL, sem qualquer demonstração de quem seriam os depositantes e, ainda mais, de que seria o Recorrente o ordenante de depósitos feitos. Mais urna vez conclui-se que, não existindo provas, deve a Autuação ser cancelada por ausência de comprovação do alegado acréscimo patrimonial a descoberto. Os únicos dados que se pode retirar do laudo juntado é a existência da conta "Sinkel", titulada por empresa com o mesmo nome, a identificação dos sócios e diretores da empresa os sócios seriam os Srs. Samuel Semtob Sequeira e Jan Sidney Murachovsky -, a entrada e saída de recursos nela e a afirmação de que seria administrada pela "Beacon Hill". Tais elementos poderiam servir como um inicio de fiscalização pelo Sr. Fiscal, como um ponto de partida, mas jamais como elementos suficientes para concluir que haveria uma variação patrimonial a descoberto. Assim, como se alega que o Recorrente teria efetuado depósito em conta de não-residente ("CC-5"), posteriormente repassado à SINKEL, uma medida de fiscalização indispensável para chegar a qualquer conclusão seria partir dos extratos bancários da SINKEL e das pessoas físicas operadoras dessa conta para verificar se há algum depósito realizado pelo Recorrente ou por qualquer pessoa ligada a ele com datas e valores próximos dos depositados na conta da SINKEL. A respeito desse aspecto, registre-se que a Circular BACEN n° 2677/1996, que regulamentava as contas tituladas por não-residentes a. época dos fatos (conhecidas como "CC-5") estabelecia a obrigatoriedade de, nas transferências superiores a R$ 10.000,00 ser feita "a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nestas contas, bem como das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação" (art. 8°). Segundo essa mesma norma, as movimentações dessa natureza devem conter comprovação documental, prestada ao banco que é titular da conta de domiciliado no exterior e, além disso, as contas dos não residentes devem ser registradas no SISBACEN. Assinado digitillmento em O8i:)8120 -, 1 por NEI SON MALLLIANN 051081201 por PEI )RO ANAN JUNI0i Aulenticado digitaimente cm 05/03/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Impresso em 1G:08/2011 per Fiti\NC:SCO JOSE V;; DF CA RF F FL 244 Assim, se o Recorrente houvesse efetuado depósito em conta de não- residente, como alega a Fiscalização, haveria prova documental registrando essas operações em propriedade de instituições responsáveis (pelo prazo mínimo de 5 anos) e o registro dos lançamentos na conta "CC-5" no SISBACEN. Portanto, poderia a Fiscalização ter solicitado tais documentos para demonstrar a alegação que faz, de que o Recorrente teria efetuado tais depósitos, o que não foi feito. A Fiscalização até chegou a fazer outra verificação, indispensável, na tentativa de localizar algum outro elemento que amparasse a conclusão de que o Recorrente seria o ordenante. Assim, ela solicitou e examinou as movimentações das contas bancárias de titularidade do Recorrente, não identificando nelas qualquer remessa de recursos para a SINKEL ou' para os Srs. Samuel Semtob Sequeira e Jan Sidney Murachovsky, operadores da conta da empreaa, ou qualquer saída de recursos para outras pessoas ligadas A. SINKEL (fls. 310 a 325e' 330 a 332). Portanto, ao contrário de representarem indícios de que o Recorrente teria remetido recursos ao exterior, os documentos juntados aos autos afastam esse indicio, demonstrando de forma irreparável que ele não possui. Assim, o que se tem no caso concreto é um conjunto de alegações vazias de fundamentos. Dessa maneira, não havendo comprovação do envio dos recursos que teriam sido omitidos para o exterior e tampouco que o autor dessa remessa seria o Recorrente, deve a autuação ser cancelada. Nem se alegue que os elementos trazidos aos autos, embora não representassem provas diretas de urna variação patrimonial, poderiam ser tidos como indícios que autorizariam presumir que o Recorrente teria remetido recursos não declarados ao exterior. Como se sabe, o indicio não é uma prova diretamente relacionada ao fato que se deseja provar. Simplificadamente, pode-se dizer que ele representa um outro fato que, por intermédio de um raciocínio amparado no que acontece na maior parte dos casos, indicaria a ocorrência do fato que se deseja provar. Dai que, quando se tem presente um indicio e não uma prova direta, o procedimento de comprovação dos fatos divide-se em duas partes: a comprovação da existência do indicio e a demonstração da presunção de que ele efetivamente indicaria o fato que se pretende provar. Ambas as partes são de igual importância. Para que se tenha consistência e possa efetivamente gerar convicção de que um fato que se deseja provar efetivamente ocorreu — a despeito de não provado diretamente e que se supõe ocorrido baseado tão-só em uma probabilidade (ainda que elevada) -, a presunção deverá reunir os requisitos de gravidade, precisão e concordância. Assim, deve ela ser: a) grave a ponto de causar a eficácia lógica de seguro convencimento, de tal forma que a conclusão sobre ela, de um homem razoável, não seja diversa da afirmada e que se devia provar; b) precisa na medida em que não comporta mais de uma conseqüência possível, não se prestando a dúvidas ou contradições; e c) concordante a ponto de culminarem todas no mesmo resultado, convergindo para o mesmo objetivo; Portanto, para que seja admitida a presunção de que tenha ocorrido determinado fato, os indícios a ele relacionados devem ser inequívocos, não comportando dúvidas razoáveis. A utilização de indícios e presunções não é porta aberta para arbitrariedades e para contornar a obrigatoriedade da busca da verdade material. No caso concreto, os precários documentos juntados aos autos não podem nem mesmo ser considerados como indícios, sendo frutos de falta de análise dos documentos Assmado digitalmen: em 08/0812011 po: - NELS()N f'ALt MANN, 05:0F, 32011 poc PEDRO ANAN .11.1NON Autenticado dig8aner0e 0m 0100/20 1 por PED:0 ANAN JUNK); ImprE::;so cm 1G/08/2011 por FRANCISCO JOSE VIEIRA DF CARF MF Fl. 245 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 5 ou confusão por parte da Fiscalização. E, de forma alguma, se pode considerar que eles seriam dotados de gravidade e precisão, pois não indicam — com um grau médio de convencimento, próprio do homem comum — que o Recorrente foi o responsável pela remessa sucessiva dos recursos ao exterior, como alegara a Fiscalização. Igualmente, não há nem mesmo concordância, dado que os fatos não levam a concluir que o Recorrente teria remetido os recursos via "CC, - " 1 . Ao contrário, os dados juntados aos autos só reforçam a idéia de que o Recorrente Pa) fez qualquer dos envios apontados. Por isso e não só pela fragilidade de cada indício individualmente, nem mesmo o conjunto dos documentos juntados permite a presunção de clue a Fiscalização intentou realizar. Em conclusão, não demonstrada a validade dos supostos indícios que serviram para a presunção, deve o lançamento ser cancelado. Mesmo se fosse possível aventar a possibilidade de ser procedente a acusação fiscal, o que não 6, na data de realização de cada uma das transferências dos recursos teriam ocorrido os alegados fatos geradores. Tanto é verdade que o Auto de Infração relaciona eventuais obrigações tributárias ocorridas nos meses de março, abril, junho, setembro, outubro e novembro de 2000, enquanto o Recorrente só foi intimado da autuação em 13/12/2005, portanto mais de 5 anos após o surgimento dos referidos fatos geradores. O inicio de contagem do prazo decadencial de cada tributo tem inicio em diferentes momentos em função da modalidade de lançamento a que o tributo está submetido. Assim, se o tributo está sujeito à modalidade de lançamento por declaração, é aplicável o artigo 173, I, do CTN e o prazo decadencial tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Já se o tributo submete-se ao lançamento por homologação, é aplicável o § 40 do artigo 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. O IRPF está submetido à modalidade de lançamento por homologação, pois cabe ao contribuinte verificar a eventual ocorrência do fato gerador e calcular o tributo devido, recolhendo-o ao Erário. A Administração compete homologar o procedimento do contribuinte ou, discordando dele, efetuar o lançamento, desde que no prazo contido no § 40 do artigo 150 pois, findo ele, de acordo com seus expressos termos, há a homologação e o crédito está definitivamente extinto. Em síntese, a conclusão é a de que houve a decadência do direito constituição de parte do crédito, eis que decorridos mais de 5 anos entre a ocorrência desses alegados fatos geradores (março, abril, junho, setembro, outubro e novembro) e a intimação do Recorrente em relação ao lançamento realizado.acrésc.imo patrimonial a descoberto ou injustificado, pois não foi o ordenante das movimentações financeiras na conta referida. Por fim, ainda quanto A. fragilidade dos documentos juntados aos autos, vale fazer referência ao depoimento do promotor responsável pela condução da quebra de sigilo bancário em Nova Iorque nas contas e sub-contas da "Beacon Hill", Dr. Robert Morgenthau (depoimento prestado a Comissão de Finanças do Senado Norte-Americano em 21 de julho de 2004 — depoimento e tradução as fls. 366 a 386). 0 promotor afirmou que, em razão de a "Beacon Hill" não manter registros de suas transações e ter como maior parte de seus clientes empresas "offshores" de prateleiras e casas de câmbio do Brasil e do Uruguai, seria "Praticamente impossível identificar as verdadeiras partes interessadas por trás das transações da Beacon Hill ou rastrear o dinheiro por suas contas Ora, se as autoridades responsáveis pela quebra do sigilo bancário e pela investigação nos E.U.A. afirmam não ter tido êxito em apurar a origem do dinheiro depositado nas contas "Beacon Hill", não poderia a Fiscalização, sem qualquer outra investigação e sem Assinedo digitalrnente am 08/0812011 por Ni I SON MAL 1..MANN, 05/08/2011 por PORRO ANAN JUNIOR 9 Aulenticado digitalmente ctm 01;/08/2011 por PEDRO ANAN jUNIOR Impresso :rri 10/08/2011 port HANC,I1X.;0 000E: VIEIRA DF CARF MP Fl. 246 nenhuma outra prova, supor que o Recorrente seria o ordenante de algumas das movimentações financeiras feitas. Enfim, não poderia a Administração relacionar os depósitos ao ora Recorrente sem qualquer base documental e sem fiscalização. Proceder dessa maneira é desprezar a busca da "verdade material", mandamento que a Administração Fiscal deve obrigatoriamente observar na realização de um lançamento. Em casos como esse o Conselho de Contribuintes tem manifestado posição reiterada de que são necessárias a existência e comprovação do rendimento omitido para se exigir o imposto sobre o acréscimo a descoberto. Sem isso, a autuação deve ser julgada improcedente. 9' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo — DRESPOII, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, kravés do acórdão DRJ/SPOII n° 17-28.748, de 18 de novembro de 2008 (fls. 391/405), cuja ementa segue abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o autor de transferências bancárias ao exterior, não há como prosperar a alegação de falta de identificação do sujeito passivo. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO — CONTA MANTIDA NO EXTERIOR— AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A quebra de sigilo bancário no exterior da empresa Beacon Hill Service Corporation, sediada em Nova York, EUA, feito com base no Acordo de Mútua Assistência em Matéria Penal - MLA T, foi autorizada pelo Juizo Federal da 2a Vara Federal Criminal de Curitiba, não havendo, portanto, nenhuma ilegalidade na obtenção das provas. DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente Devidamente intimado em 05 de janeiro de 2009, a recorrente apresenta tempestivamente recurso em 03 de fevereiro de 2009, de fls. 411 a 432, onde reitera os argumentos da impugnação, em síntese expõe os seguintes argumentos: (a) A acusação da Fiscalização é improcedente, pois: (a) o laudo do INC não !eve por objetivo identificar os ordenantes de depósitos na conta bancária da Sinkel, até porque isso seria impossível segundo as autoridades norte americanas; Assmado digitalinenie Gi3/03/2011 por t\lit.SON MA: [JOANN. C5/08!2011 por FED' Autenticado digitalmente cm 05iO3/2.:,11 par 1'EDP,0 ANN j'JNIOR Impresso urn 161,3f2() 1 por FRANCiSCO JOSE VIE.litA ANAN JUN10ii 1 0 DF CARF Fl. 247 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 6 (b) não há nos autos dados que mostrem o fato alegado pela Fiscalização — remessa de recursos para a Sinkel — o que é pressuposto para a imputação da exação; (c) a autorização judicial concedida e o Oficio da Policia Federal com a solicitação de informações não contemplam a chamada conta Sinkel e (d) os elementos coletados pela Fiscalização não autorizam a presunção de que o Recorrente seria o titular dos recursos que se alega terem sido depositados na conta Sinkel. (h) Decaiu o direito de a Administração Fiscal proceder ao lançamento de oficio em relação ao supostos fatos geradores ocorridos nos meses de março, abril, junho, setembro, outubro e novembro de 2000, uma vez que o Recorrente foi intimado do AI em dezembro de 2000 (iii) Não é possível haver a cobrança de juros sobre a multa de oficio que acompanha a exigência de tributos, por falta de previsão legal que clê fundamento a tal procedimento. o relatório Assinado digitalmente oro 08/C30)11 por NELSON MA: Ltv NN. n5/0612011 por AuCentiaado digitaimente em gi,VC1,12311 por PEDRO ANAN UNQR Impress° em 16198/2011 por HIANOOC;O ,O91 V: A -)F:0 ;-i%:AN JUN 01-; 11 DF CARE MF FL 248 Voto Conselheird Pedro Anan Junior Relator 0 recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. , Conforme se depreende da descrição dos fatos que justificaram a presente autuação, uma parte do acréscimo patrimonial a descoberto foi apurado a partir de supostas remessas ordenadas pelo Recorrente, a partir de conta corrente no exterior para beneficiário no exterior. As fls. 207 a 217 está a relação das operações que serviram de fundamento para a exigência. Além desse documento, registre-se que a fiscalização trouxe aos autos, como elementos de fundamentação do trabalho fiscal, os documentos de fls. 218/251, relativos a: a) Oficio n° 120/03 — PF/FT/SR/DPF/PR; b) Oficio n° 01/03 — PF/FT/NY/SR/DPF/PR; c) Laudos de Exame Econômico Financeiro preparado pelo Instituto Nacional de Criminalistica; Verifica-se que em nenhum desses elementos aparece o nome do contribuinte, ora recorrente. 0 seu nome aparece, exclusivamente, no já citado relatório de operações da conta Merchants e Hudson Bank/SINKEL, de fls. 218/251. Também se destaque, desde logo, que além dessas provas e das intimações feita ao contribuinte, não houve mais qualquer aprofundamento da ação fiscal que se restringiu, portanto, ao comparar as informações constantes no relatório de fls. 207/217 — cujos dados teriam sido extraídos de um CD que conteria todas as informações conforme depreende dos laudos de fls. 241/251 que menciona dôssie que teria copia dos documentos que evidenciaram as remessas efetuadas pelo contribuinte, laudo técnico preparado pelo Instituto Nacional de Criminalistica — INC, bem como outros documentos que comprovariam as remessas. Ocorre todavia que não resta nem claro nem evidenciado, que o Recorrente é titular as contas bancárias no exterior. Por outro lado, o contribuinte, desde a primeira vez que compareceu aos autos, nega veementemente a prática de tais operações, comprovando, a partir de sua declaração de ajuste anual que não dispõe de capacidade econômica e financeira para ter realizado essas remessas. Frente ao conjunto probatório dos autos, entendo que a autuação não tem condições de prosperar, por estar calcada em bases frágeis, duvidosas e incomprovadas. Observo que nem mesmo uma assinatura sequer consta, nem mesmo um nome que vincule concretamente tais elementos ao recorrente. Vale dizer, está fundamentada exclusivamente em AS sinado digitalmertie em 081=2, por PH?RC, AN.s.N ,1'j; ■110 ,1 Aulenlicado digitahr,enle em 0510;3/2011 por ANAN JUNIOR 12 improsso em 10/08/2011 por . RANCISCO JOSE %/Eli ;A CARF MF Fl. 249 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 7 presunção fiscal, ou em prova indiciaria, sem que tenha havido o mínimo aprofundamento da fiscalização para a comprovação dos indícios verificados. Alias, nem mesmo se trata de uma presunção legalmente autorizada. Na presunção legal, a lei prevê um fato que, se não provado pelo contribuinte, implica no reconhecimento de uma omissão de receitas. Mas, tal hipótese é expressa, justamente como garantia do principio da legalidade tributária e da segurança jurídica. É o que acontece, por exemplo, com as situações de passivo fictício, suprimento de caixa e saldo credor de caixa, nas pessoas jurídicas. Porém, não é essa a hipótese disciplinada no artigo 55, inciso XIII, do RIR199, fundamento legal da exigência, ao tratar do acréscimo patrimonial. Não se pode, pois, por presunção, sem a prova material, concluir que o contribuinte teve determinado consumo/despesa/dispêndio ou aplicação, como considerado no caso concreto. A propósito do tema "presunções", colho as lições do professor Luis EDUARDO SCHOUEIRI: "A razão porque não cabe o emprego de presunções simples em lugar das provas é imediata: estando o sistema tributário brasileiro submetido el rigidez do principio da legalidade, a subsungão dos fatos a hipótese de incidência tributária é mandatória para que se dê o nascimento da obrigação do contribuinte. Admitir que o mero raciocínio de probabilidade por parte do aplicador da lei substitua a prova conceber a possibilidade - ainda que remota diante de altíssima probabilidade que motivou a ação fiscal - de que se possa exigir um tributo sem que necessariamente tenha ocorrido o fato gerador." ("Presunções Simples e Indícios no Procedimento Administrativo Fiscal", in "Processo Administrativo Fiscal - 2° Volume", Editora Dialética, págs. 85 e 86 — grifei) RICARDO MARTZ DE OLIVEIRA expõe: "Sobre as provas é preciso dizer duas coisas fundamentais. A primeira é que a autoridade fiscal não pode presumir a ocorrência de fatos, não lhe sendo permitido fazer exigências baseadas em meras suspeitas, suposições ou conjecturas. Cabe ao agente fiscal comprovar inequivocamente todos os fatos que afirma terem ocorrido e que dão origem cobrança fiscal. Mesmo nos casos em que a lei preveja presunções, que são sempre Vitt-is tantum", cabe ao agente lançador comprovar a efetiva ocorrência dos fatos sobre os quais repousam tais presunções. A segunda coisa a dizer sobre as provas é. que o contribuinte está protegido por um escudo no qual se encontram dois preceitos básicos: I) A obrigatoriedade do auditor fiscal provar os fatos que alega, e 2) o valor probante da contabilidade." ("Processo Administrativo Fiscal" vol. 4, Dialética, pág. 152 — grifei) Assinado digitalmente m 08,"08/)11 por NU SON MA. l.. MANN, r6i08!2011 por PEr ■ -,:0 ANAN JUNIOR Autenticado digitahente em 0510C12011 por i'LDRO ANAN JUNIOR impre.640 ern 16108n11 por FRANC:SCO JOSE ViElkA 13 DF CARE' IMF FL 250 Da jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, destaco o acórdão n° 203-09.180, de 11.09.2003, que bem evidencia que a prova indiciária que autoriza a presunção deve estar calcada em um conjunto de indícios veementes. Veja-se: "PRESUNÇÃO. PROVA INDICIARIA. A "presunção" consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóia-se em um conjunto de indicios veementes, graves„ precisos e converkentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infracclo e fundamentar o convencimento do julgador." (Relatora Cons. LUCIANA PATO PECANHA MARTINS - grifei) Ora, no caso concreto, não se tem um "conjunto" de indícios veementes; tern- se, tão somente, uma relação, obtida presumivelmente, a partir de um CD — posto que nem essa informação está confirmada e comprovada nos autos — que aponta o nome do contribuinte como remetente de recursos para o exterior. Situação em tudo idêntica ã presente já foi examinada pela Colenda Sétima Camara deste Conselho de Contribuintes que concluiu pela impossibilidade do lançamento subsistir, na hipótese, em relação a uma pessoa jurídica. Entendo que essa conclusão é em tudo aplicável ao caso em julgamento. Trata-se do acórdão n° 107-08.592, de 25.05.2006, unânime, que teve como Relatora a CONSELHEIRA ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA e cuja ementa consigna: "LANÇAMENTO — ILEGITIMIDADE PASSIVA — PROVA INDICIARIA. A prova indiciaria para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido." Do voto, extraio os seguintes excertos, em tudo aplicáveis aqui: "A empresa nega desde o inicio da ação fiscal, que tenha efetuado as remessas e argumenta que não foi identificada nas planilhas produzidas pelo Laudo. Alega que a representação fiscal em que consta seu nome, como titular das remessas, foi elaborada pela Secretaria da Receita Federal, por meio da Equipe Especial de Fiscalização, mas, que não há nos autos, de onde a SRF obteve, os dados: nome completo, endereço e CNPJ, para redigir a Representação Fiscal, dentre centenas de outras "Vancox", no mundo. E que não pode pairar dúvidas com relação à pessoa que praticou a situação descrita como o ;video do fato gerador. Conforme o laudo n° 1613/04, mencionado no relatório, a Beacon Hill Service Corporation, sediada em Nova Iorque, atuava como preposto bancário financeiro de pessoas fisicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas especificas, entre as quais a subconta LONTON Assinado digitalmente em C8/C3.2,; ;1 pr N!?.1..SON MALLMANN, CF/0612011 001 AW\N JUNIOR Autenticado digitd:mente em 05:30/2'311 per PFD:U,) Ak JUNIOR Impress° ern 16;08/2011 per FRANCISCO JOSE VIEIRA 14 ' DF CARF MF FL 251 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 8 TRADING LTD, n° 310113. No referido laudo, consta que o perito utilizou-se de facilidades de consulta, agregação, compara cão e relacionamento oferecidos por software de banco de dados, e que foram realizadas validações e cruzamentos afim de extrair os registros relativos a subconta LONTON TRADING n° 310113, consolidando-se as transações eletrônicas a débito e a crédito, obtidas de mídias computacionais. No Anexo a representação n° 167/94, da Equipe Especial de Fiscalização (Ils. 65/66), estão relacionadas diversas operações em relação à conta da Lonton, n°310113, cujo cliente é descrito em cada operação com parte dos termos: "VANCOX, VANCOX Ltda, B/O VANCOX, Belo Horizonte, MG, Brazil". Ou seja, 116 indícios de que a contribuinte possa ser a empresa responsável por essas remessas, pelos termos mencionados no parágrafo anterior, entretanto, a evidencia que se infere a partir de um indicio deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indicio é apenas o ponto inicial para o prosseguimento e aprofundamento das investigações. A fiscalização nos autos, não demonstrou como chegou a conclusão de que a contribuinte autuada é a que realizou as operações de remessas ao exterior. Ressalte-se que embora no doc. de fls. 64 (Representação fiscal n° 167/04), esteja assinalado com um "x" à mão, na quadrícula relativa a "cópias de ordens de pagamentos relacionados aos contribuintes elencados quando coletadas/disponibilizadas, referentes as operações acima transcritas", que esses documentos poderiam estar anexados, constato que essas cópias de ordens de pagamento não constam nos autos. Sobre prova indiciária transcrevo ementa relativa ao acórdão n° 107-08326, da sessão de 09.11.2005, que teve como relator o Conselheiro Luiz Martins Valero: PAF - PROVA INDICIARIA - A prova indiciaria é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Não consta nos autos documento que faça a prova de que as remessas foram efetuadas pela autuada. Ainda que não fosse prova direta, mas, se a investigação tivesse colhido fortes indícios, veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados ern conjunto pudessem levar a constatação de que as remessas foram realizadas pela autuada, permitiria que o julgador tivesse mais elementos de convicção para que pudesse concluir de forma segura pela titzdaridade das remessas ao exterior, não confirmadas no Livro Caixa da autuada. A obrigação principal de acordo corn o parágrafo primeiro do art. 113 do CTN surge com a ocorrência do fato Ass ado dig112tImenle em 08;0812011 por NELSON Mi=',1..1.. ■,,,IANN. 052Z;12311 v; -:1- PEDRO ANAN RIN10; Autenticado digita!rnente cm C5/M2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Impresso em 10/08/2011 per FrANCiSCX.) ViEIRA 15 DF CARF N4F Fl. 252 gerador, e segundo o art. 114 do mesmo Código, o fato gerador da obrigação tributária é a situação definida ern lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. 0 art. 121 do CTN dispõe que o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Pelo art. 142 do mesmo Código, compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lança:neJ Ito, assim entendido o procedimento administrativo tenderde t verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação „ correspondente e entre outros requisitos, identificar o sujeito Passivo. Assim, se a fiscalização considerou ter sido a autuada a titular das remessas ao exterior, deveria ter trazido aos autos, a prova de que as remessas foram efetuadas efetivamente por esse sujeito passivo, e a partir dal; verificar com os demais elementos, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, os elementos constantes nos autos, não provam que as operações indicadas tenham sido praticadas pela recorrente. Ressalte-se que o art. 112 do CTN determina que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto a: "autoria, imputabilidade, ou punibilidade" (inciso 111). Concluo que não há prova nos autos que indique ser a autuada, o sujeito passivo que tenha efetuado as operações de remessas ao exterior." Desta forma, como não ficou evidenciado de maneira clara e inequívoca que o Recorrente efetuou as remessas para o exterior, entendo que esses valores devem ser excluídos do acréscimo patrimonial a descoberto. Deixo de apreciar as preliminares tendo em vista a apreciação do mérito. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, e no mérito, dar-lhe provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator A$sinacto dig:tairnente om 08/08/2011 por NiLON MALlivIANN, 0810812811 por PE -) 0 ANAN N IOí Autenticado digiWnieole em 05/00/2011 por PEDRO ANAN jUNIOTt 16 Impresso cm 16/08/2011 pc;i - FRANCISCO JOSE VIEIRA .DF CARF MF Fl. 253 Processo n° 16175.000415/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-01.189 Fl. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 16175.000415/2005-34 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto h Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-01.189. Brasilia/DF, 06 de junho de 2011. (Assinado Digitalmente) NELSON MALLMANN Presidente da 2a Turma Ordinária Segunda Camara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ) Apenas com ciência ) Com Recurso Especial ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional AsSinadc gitamenLe em 08/03/2011 por NOt SON MAL I. MANN, 05108/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Autenticado fligi'amente em 05/03/20:1 pc PEL)R0 AN ,N OUNIOR 17 Impress° em 10108/2011 per Ft ZANCSCO
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Numero do processo: 13736.002957/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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Presi nte provimento ao recurso, nos term • Acordam os Me Acácia,Sa hristian N 'nes uri Wa asugt 40 lato EDITAD EM: 09/11/2011 S2-C1T2 11. 40 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13736.002957/2008-01 Recurso n° 505.429 Voluntário Acórdão n° 2102-01.062 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO DE FRANÇA ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e d' cutidos os prese tes autos. Participaram da sessão de ju • amento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues omene, Nabia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Assim, contra ANTONIO DE FRANÇA ALVES foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/06, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2005, exercício 2006, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos A tabela progressiva, no valor de R$ 9.006,30, percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Em síntese, o presente processo fiscal de lançamento, fora lavrado após o processamento da declaração de ajuste e resultado da solicitação de retificação de lançamento - SRL, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 07/24. A DRJ em acordão tombado sob o n°. 13-24.467, la. Turma da DRJ/RJOII, em sessão de julgamento datado de 30/04//2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 29/33, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributaria, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificada, em 15/06/2009, fls. 35, o contribuinte apresentou, em 06/07/2009, recurso voluntário, fls. 36/38, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É 0 RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Processo ri° 13736.002957/2008-01 S2-CIT2 Acórdão n.°2102-01.062 Fl. 41 Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3 0 da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § I°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo I°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Corn efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alit-leas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. (...)" Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Desta merecendo reparos a rma, estan ao de prim o correto o lançamento e, por conseguinte, não a instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Acià ayu akasugi - Relatora v Processo n°. : 13701.00038412006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas fisicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, A. mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências—, 4
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000150/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse
o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Thiago d’Avila Melo Fernandes. Relatório Período de apuração: Janeiro/1996 a Março/2006. Data da lavratura da NFLD: 29/06/2006. Data da Ciência do NFLD : 04/12/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, tendo por objeto as contribuições previdenciárias a cargo dos seus segurados empregados e segurados contribuintes individuais, descontadas de suas respectivas remunerações e não recolhidas aos cofres da autarquia previdenciária em suas épocas próprias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 110/111. Registrese ser a empresa em destaque optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 127/133. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em São José dos Campos/SP baixou o feito em diligência visando a esclarecer pontos controvertidos no lançamento, conforme Despacho a fl. 145. Informação fiscal a fls. 147/154. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 174/177. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 179/182, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21 de fevereiro de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 184. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 188/191, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que não poderia corrigir aquilo que está correto. Aduz que, se está nos autos que a agente fiscal retirou os documentos emitindo os respectivos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 16045.000150/200711 Acórdão n.º 230200.991 S2C3T2 Fl. 207 3 recibos, então, qual fato justificaria a redundância na apresentação dos documentos no prazo de defesa; • Que o Acórdão nº 05.19.237 corrobora as divergências apontadas em varias fases da ação fiscal, aduzindo não serem admissíveis decisões e fundamentações diferentes nos julgados, “sob pena de instauração do inaceitável e repudiável dois pesos e duas medidas”. Ao fim, requer que seja anulado o presente lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21 de fevereiro de 2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 29 de junho de 2006, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2000, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 16045.000150/200711 Acórdão n.º 230200.991 S2C3T2 Fl. 208 5 Vencidas as preliminares, passamos à análise de mérito. 3. DO MÉRITO Em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 2.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima referido. Dessarte, o exame do mérito se cingirá aos fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro de 2000, inclusive. Em relação aos demais, consideraremos ter havido perda do interesse processual, razão pela qual não serão mais objeto de deliberação. Outrossim, cumpre assentar que também não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DAS RAZÕES DO RECURSO. O Recorrente concentra seu inconformismo na alegação de que não poderia corrigir aquilo que está correto. Aduz que, se está nos autos que a agente fiscal retirou aos documentos emitindo os respectivos recibos, então, qual fato justificaria a redundância na apresentação dos documentos no prazo de defesa. Pondera, ainda, na mesma toada, que o Acórdão nº 05.19.237 corrobora as divergências apontadas em várias fases da ação fiscal, argumentando não serem admissíveis decisões e fundamentações diferentes nos julgados, “sob pena de instauração do inaceitável e repudiável dois pesos e duas medidas”. Se nos antolha haverem sido as alegações acima expendidas postadas neste Recurso Voluntário por mero engano, uma vez que não guardam qualquer relação de pertinência com os lançamentos aviados na NFLD sobre a qual ora nos debruçamos. A vertente Notificação Fiscal trata do lançamento tributário de contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais, apuradas diretamente a partir dos registros assentados nas folhas de pagamento e GFIP da empresa, tendo o Recorrente a obrigação de retêlas das remunerações dos respectivos segurados e a responsabilidade, por substituição tributária, de recolher as contribuições assim arrecadas aos cofres da autarquia previdenciária, não sendo lícito ao substituto tributário alegar qualquer omissão para se eximir de tal recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei, eis que tal retenção ostenta presunção juris et de jure de haver sido feita. A vertente notificação não guarda vinculação, nem mesmo indireta, a qualquer obrigação adjetiva de apresentação de documentos. Não se trata de auto de infração Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 decorrente descumprimento de obrigação acessória, mas, sim, de notificação fiscal operando lançamento tributário de obrigação principal, devida pela empresa e não recolhida tempestivamente. Só. Fazse mister também acrescentar que o acórdão nº 05.19.237, referido pelo Recorrente, faz menção a um Auto de Infração, cuja penalidade imposta ao Recorrente foi relevada diretamente pela autoridade fazendária, em razão de ele ser primário, de não haver incorrido em nenhuma circunstância agravante, de ter efetivamente comprovado a correção ensejadora da atuação no prazo normativo e neste, ter formulado pedido para o agraciamento de tal beneficio. As matérias aventadas pelo Recorrente em seu instrumento recursal versam sobre matérias que não integram o litígio instaurado, neste processo, pela impugnação específica, tampouco se prestam à solução da presente contestação. Conforme já destacado nos parágrafos precedentes, o lançamento em debate limitase à apuração de contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais, descontadas da remuneração dos respectivos segurados e não recolhidas tempestivamente ao fisco, contribuições essas que foram apuradas diretamente a partir das folhas de pagamento e GFIP apresentadas pela empresa. Quanto a esses fatos, o Recorrente não ofereceu, em seu bloqueio recursal, qualquer alegação apta a desconstituir, modificar ou extinguir o direito do fisco, limitandose a gravitar em torno de argumentações absolutamente distantes e distintas dos elementos que compõe o cerne da NFLD em apreço, não logrando, por conseguinte, a afastar a presunção de legalidade, legitimidade e veracidade do ato administrativo que ora se discute e, assim, estancar os efeitos jurídicos do presente lançamento. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos do presente lançamento todos os fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2000, exclusive. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001003/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NULIDADE. DESNECESSIDADE DA AUTORIDADE JULGADORA APRECIAR TODOS OS ARGUMENTOS DO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE APENAS DE FUNDAMENTAR SUA DECISÃO.
A autoridade julgadora não está obrigada a apreciar todas as argumentações do contribuinte, mas deve fundamentar sua decisão. E, no caso em debate nestes autos, a autoridade julgadora a quo lançou os motivos jurídicos que levaram a indeferir a dedução das despesas médicas a partir de serviços prestados ao fiscalizado por seu cônjuge.
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao
primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de
desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência
e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇO PRESTADO PELO CÔNJUGE DO TOMADOR FISCALIZADO. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO DA DESPESA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DO TOMADOR. Causa perplexidade ao espírito mediano que um contribuinte possa efetuar pagamentos profissionais a sua esposa, dedutíveis do imposto de renda,
notadamente quando os cônjuges são casados em regime de comunhão
universal de bens, pois se trata de uma sociedade conjugal que tem a capacidade de comunicar e transformar em comum o patrimônio e rendas adquiridos antes e depois do enlace, havendo específicas hipóteses de não comunicabilidade na lei civil, não parecendo razoável imaginar que os rendimentos do trabalho auferidos pelos cônjuges possam ser livremente movimentados por eles, gerando pagamentos entre si, como se cada um fosse uma individualidade econômica específica e não uma comunhão econômico jurídica.
Por óbvio, se os rendimentos são comuns, inviável qualquer
transferência entre os cônjuges, com surgimento de despesa dedutível no âmbito do imposto de renda. É bem verdade que o art. 1668, V, do Código Civil exclui da comunhão os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge.
Porém, essa exclusão da comunhão não pode ser entendida como pugnado pelo recorrente, que tenciona transformar os rendimentos do trabalho em bem não comunicável, passível de extinguir obrigação tomada em face do seu cônjuge, pois é difícil compreender, aqui apenas considerando os rendimentos do trabalho pessoal de cada cônjuge casado em comunhão universal de bens, que tais rendimentos não sejam bens comuns, pois, registre-se, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com tais
proventos são bens comuns. Se assim não fosse, o cônjuge ou
companheira(o) supérstite, que não percebia rendimentos, não teria direito à meação dos bens do casal auferidos pelo contribuinte falecido e adquiridos com o rendimento do trabalho do de cujus. Ora, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com os proventos do trabalho de um ou ambos os
cônjuges são bens comuns, passível de meação. Assim, desarrazoado
imaginar que os rendimentos do trabalho, quando percebidos, possam ser bens particulares. Na verdade, somente alguém que desconheça como funciona uma sociedade conjugal (comunhão total de bens, parcial de bens ou união estável) pode defender a tese de que os rendimentos provenientes do trabalho dos cônjuges são bens particulares, incomunicáveis, quando é cediço
que tais rendimentos são comuns, utilizados para extinguir as obrigações comuns (e, muitas vezes, até as obrigações particulares). A única interpretação plausível da norma citada é compreender que a incomunicabilidade refere-se apenas ao direito à percepção dos proventos do trabalho pessoal, não aos proventos em si mesmos. Percebidos os rendimentos do labor pelos cônjuges, passam a ser bem comum do casal, sendo inviável extinguir obrigação em face do outro comunheiro, pois se trata de uma comunhão, universal, não passível de geração de obrigação dentro
dela mesmo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado do ano-calendário 2000.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇO PRESTADO PELO CÔNJUGE DO TOMADOR FISCALIZADO. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO DA DESPESA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DO TOMADOR. Causa perplexidade ao espírito mediano que um contribuinte possa efetuar pagamentos profissionais a sua esposa, dedutíveis do imposto de renda, notadamente quando os cônjuges são casados em regime de comunhão universal de bens, pois se trata de uma sociedade conjugal que tem a capacidade de comunicar e transformar em comum o patrimônio e rendas adquiridos antes e depois do enlace, havendo específicas hipóteses de não comunicabilidade na lei civil, não parecendo razoável imaginar que os rendimentos do trabalho auferidos pelos cônjuges possam ser livremente movimentados por eles, gerando pagamentos entre si, como se cada um fosse uma individualidade econômica específica e não uma comunhão econômico jurídica. Por óbvio, se os rendimentos são comuns, inviável qualquer transferência entre os cônjuges, com surgimento de despesa dedutível no âmbito do imposto de renda. É bem verdade que o art. 1668, V, do Código Civil exclui da comunhão os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. Porém, essa exclusão da comunhão não pode ser entendida como pugnado pelo recorrente, que tenciona transformar os rendimentos do trabalho em bem não comunicável, passível de extinguir obrigação tomada em face do seu cônjuge, pois é difícil compreender, aqui apenas considerando os rendimentos do trabalho pessoal de cada cônjuge casado em comunhão universal de bens, que tais rendimentos não sejam bens comuns, pois, registre-se, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com tais proventos são bens comuns. Se assim não fosse, o cônjuge ou companheira(o) supérstite, que não percebia rendimentos, não teria direito à meação dos bens do casal auferidos pelo contribuinte falecido e adquiridos com o rendimento do trabalho do de cujus. Ora, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com os proventos do trabalho de um ou ambos os cônjuges são bens comuns, passível de meação. Assim, desarrazoado imaginar que os rendimentos do trabalho, quando percebidos, possam ser bens particulares. Na verdade, somente alguém que desconheça como funciona uma sociedade conjugal (comunhão total de bens, parcial de bens ou união estável) pode defender a tese de que os rendimentos provenientes do trabalho dos cônjuges são bens particulares, incomunicáveis, quando é cediço que tais rendimentos são comuns, utilizados para extinguir as obrigações comuns (e, muitas vezes, até as obrigações particulares). A única interpretação plausível da norma citada é compreender que a incomunicabilidade refere-se apenas ao direito à percepção dos proventos do trabalho pessoal, não aos proventos em si mesmos. Percebidos os rendimentos do labor pelos cônjuges, passam a ser bem comum do casal, sendo inviável extinguir obrigação em face do outro comunheiro, pois se trata de uma comunhão, universal, não passível de geração de obrigação dentro dela mesmo. Recurso parcialmente provido.
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DESNECESSIDADE DA AUTORIDADE JULGADORA APRECIAR TODOS OS ARGUMENTOS DO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE APENAS DE FUNDAMENTAR SUA DECISÃO. A autoridade julgadora não está obrigada a apreciar todas as argumentações do contribuinte, mas deve fundamentar sua decisão. E, no caso em debate nestes autos, a autoridade julgadora a quo lançou os motivos jurídicos que levaram a indeferir a dedução das despesas médicas a partir de serviços prestados ao fiscalizado por seu cônjuge. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que Fl. 107DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). DESPESAS MÉDICAS. SERVIÇO PRESTADO PELO CÔNJUGE DO TOMADOR FISCALIZADO. REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO DA DESPESA DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DO TOMADOR. Causa perplexidade ao espírito mediano que um contribuinte possa efetuar pagamentos profissionais a sua esposa, dedutíveis do imposto de renda, notadamente quando os cônjuges são casados em regime de comunhão universal de bens, pois se trata de uma sociedade conjugal que tem a capacidade de comunicar e transformar em comum o patrimônio e rendas adquiridos antes e depois do enlace, havendo específicas hipóteses de não comunicabilidade na lei civil, não parecendo razoável imaginar que os rendimentos do trabalho auferidos pelos cônjuges possam ser livremente movimentados por eles, gerando pagamentos entre si, como se cada um fosse uma individualidade econômica específica e não uma comunhão econômico jurídica. Por óbvio, se os rendimentos são comuns, inviável qualquer transferência entre os cônjuges, com surgimento de despesa dedutível no âmbito do imposto de renda. É bem verdade que o art. 1668, V, do Código Civil exclui da comunhão os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. Porém, essa exclusão da comunhão não pode ser entendida como pugnado pelo recorrente, que tenciona transformar os rendimentos do trabalho em bem não comunicável, passível de extinguir obrigação tomada em face do seu cônjuge, pois é difícil compreender, aqui apenas considerando os rendimentos do trabalho pessoal de cada cônjuge casado em comunhão universal de bens, que tais rendimentos não sejam bens comuns, pois, registrese, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com tais proventos são bens comuns. Se assim não fosse, o cônjuge ou companheira(o) supérstite, que não percebia rendimentos, não teria direito à meação dos bens do casal auferidos pelo contribuinte falecido e adquiridos com o rendimento do trabalho do de cujus. Ora, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com os proventos do trabalho de um ou ambos os cônjuges são bens comuns, passível de meação. Assim, desarrazoado imaginar que os rendimentos do trabalho, quando percebidos, possam ser bens particulares. Na verdade, somente alguém que desconheça como funciona uma sociedade conjugal (comunhão total de bens, parcial de bens ou união estável) pode defender a tese de que os rendimentos provenientes do trabalho dos cônjuges são bens particulares, incomunicáveis, quando é cediço que tais rendimentos são comuns, utilizados para extinguir as obrigações comuns (e, muitas vezes, até as obrigações particulares). A única interpretação plausível da norma citada é compreender que a incomunicabilidade referese apenas ao direito à percepção dos proventos do Fl. 108DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10907.001003/200612 Acórdão n.º 210201.214 S2C1T2 Fl. 2 3 trabalho pessoal, não aos proventos em si mesmos. Percebidos os rendimentos do labor pelos cônjuges, passam a ser bem comum do casal, sendo inviável extinguir obrigação em face do outro comunheiro, pois se trata de uma comunhão, universal, não passível de geração de obrigação dentro dela mesmo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado do anocalendário 2000. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte AGNALDO CASSAROTT, CPF/MF nº 685.015.87915, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 20/04/2006, auto de infração (fls. 49 a 57), com ciência postal em 03/05/2006 (fl. 58), a partir de ação fiscal iniciada em 10/03/2006 (fl. 3). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 16.755,31 MULTA DE OFÍCIO R$ 12.566,47 Ao contribuinte foram imputadas duas infrações, uma glosa de despesa médica e uma omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício, ambas apenadas com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 A 4ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, não acatou a preliminar de decadência do exercício de 2001 e, no mérito, considerou não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concordara, que resulta em R$ 3.517,36 e R$ 6,55 de imposto suplementar, relativos aos exercícios de 2002 e 2003, respectivamente, com multa de oficio de 75% e encargos legais, observado o Processo n° 10907.001224/200682 (fl. 72), e procedente a parte impugnada do lançamento, mantendo R$ 13.231,40 de imposto suplementar, R$ 9.923,53 de multa de ofício de 75% e encargos legais, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0619.827, de 04 de novembro de 2008 (fls. 74 a 81), que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS E PARTE DA GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Considerase não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de oficio o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem desse prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, mormente se as decisões administrativas, suscitadas na petição, não possuírem leis que lhes atribuam eficácia, ou se o ato legal contestado não tiver sido declarado inconstitucional pelo Poder Judiciário. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS FORNECIDOS PELO CÔNJUGE. Em se tratando de regime de casamento com comunhão de bens, não há que se falar em independência patrimonial e, portanto, incabível a dedução de despesas médicas referentes a pagamentos supostamente efetuados ao cônjuge. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 18/11/2008 (fl. 84). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 12/12/2008 (fl. 85). No voluntário, o recorrente pede (fls. 100 e 101), in verbis: a) Na preliminar, a exclusão do crédito tributário relativo ao anocalendário de 2000, porque extinto em razão da decadência; b) Nulidade da decisão porque esta deixou de se pronunciar sobre matéria levantada na impugnação, consistente na exclusão dos salários do regime de comunhão universal de bens, consoante artigo 1668, V, do CC, fato que viola o disposto no artigo 99, IX da Constituição Federal; Fl. 110DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10907.001003/200612 Acórdão n.º 210201.214 S2C1T2 Fl. 3 5 c) caso não acolhida a preliminar de decadência, que sejam restabelecidos os dispêndios deduzidos a titulo de despesas médicas pagas à Dra. Edenize Aparecida Brenaz Cassarott nos anoscalendários de 2000 a 2002, por carecer de amparo legal a decisão recorrida. Além da matéria decadencial, o contribuinte pugnou pela dedução da despesa médica do item “c”, acima, da profissional Edenize Aparecida Brenaz Casserott, fisioterapeuta e esposa do fiscalizado, ao argumento de que o art. 1668, V, do Código Civil exclui da comunhão os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge, não havendo razão, assim, para negar a dedução da despesa, na forma da legislação de regência do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 18/11/2008 (fl. 84), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 12/12/2008 (fl. 85), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 18/12/2008, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. No tocante a preliminar de nulidade, não assiste razão ao contribuinte. Como é cediço, a autoridade julgadora não está obrigada a apreciar todas as argumentações do contribuinte, mas deve fundamentar sua decisão. E como se vê nas fls. 80 e 81, a autoridade julgadora a quo lá lançou os motivos jurídicos que levaram a indeferir a dedução das despesas médicas a partir de serviços prestados ao fiscalizado por seu cônjuge. Superado a nulidade acima, passase a apreciar o pleito decadencial no tocante ao crédito tributário do anocalendário 2000. Aqui se faz breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao Fl. 111DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessa uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, tivemos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 112DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10907.001003/200612 Acórdão n.º 210201.214 S2C1T2 Fl. 4 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, para o anocalendário 2000, há pagamento antecipado, como se vê pelo IRRF informado na declaração de ajuste anual de fl. 7, com aplicação de multa de oficio ordinária de 75%, já que não se imputou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo forçoso aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, como o Fl. 113DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2000, a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2005. Ocorre que o lançamento somente foi cientificado ao contribuinte em 03/05/2006 (fl. 58), implicando que o crédito tributário do anocalendário 2000 foi extinto pela decadência. Por último, passase a debater a glosa de despesas médicas da profissional Edenize Aparecida Brenaz Casserott, fisioterapeuta e esposa do fiscalizado (casamento em comunhão universal de bens – fl. 4), que o recorrente pede para que seja restabelecida ao argumento de que o art. 1668, V, do Código Civil exclui da comunhão os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge, não havendo razão, assim, para negar a dedução da despesa, na forma da legislação de regência do imposto de renda. Vêse que a despesa acima foi comprovada com declarações e recibos da fisioterapeuta (R$ 15.430,00 – exercício 2002 –fls. 27 a 33 e R$ 16.200,00 – exercício 2003 – fls. 41 a 47). Sem quaisquer considerações jurídicas, causa perplexidade ao espírito mediano que um contribuinte possa efetuar pagamentos profissionais a sua esposa, dedutíveis do imposto de renda, notadamente quando os cônjuges são casados em regime de comunhão universal de bens, como ocorre na espécie, pois se trata de uma sociedade conjugal que tem a capacidade de comunicar e transformar em comum o patrimônio e rendas adquiridos antes e depois do enlace, havendo específicas hipóteses de não comunicabilidade, não parecendo razoável imaginar que os rendimentos do trabalho auferidos pelos cônjuges possam ser livremente movimentados por eles, gerando pagamentos entre si, como se cada um fosse uma individualidade econômica específica e não uma comunhão econômicojurídica. Por óbvio, se os rendimentos são comuns, inviável qualquer transferência entre os cônjuges, com surgimento de despesa dedutível no imposto de renda. Abaixo, a motivação jurídica da autoridade autuante para perpetrar a glosa (fl. 51): O contribuinte apresentou recibos referentes a serviços de fisioterapia prestados por Edenize Aparecida Brenaz Cassarott, cujo valor representa entre 28 a 35% dos rendimentos disponíveis do contribuinte no período de 2000 a 2002. Outro fato que chama atenção é a indicação, através das informações disponíveis em nossos sistemas, que a fisioterapeuta tenha atendido nestes três anos somente três pessoas, sendo que nos anos de 2000 e 2002 somente o sr. Agnaldo. Porém o fato determinante na não aceitação da dedução pleiteada é que a fisioterapeuta em questão é esposa do contribuinte, casados, inclusive, sob o regime de comunhão universal de bens. Na constância do casamento não há que se falar na existência de pagamento entre cônjuges, haja vista que os recursos do casal são utilizados para manutenção do lar e da família. As despesas efetuadas por um dos cônjuges incidem sobre o patrimônio comum de ambos, assim como as rendas auferidas por um dos cônjuges revertem sobre o patrimônio comum de ambos. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10907.001003/200612 Acórdão n.º 210201.214 S2C1T2 Fl. 5 9 Os pagamentos alegados destinamse a transferência de "renda tributável" entre os cônjuges com o fim de reduzir o valor do imposto devido, o que não é permitido pela legislação em vigor. Para fins de complementação, citamos: Art. 8 da Lei 9250/95: "Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;" Código Civil: Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, com as exceções do artigo seguinte." Acima, se vê que a autoridade lançadora fiouse no regime legal que consta no Código Civil para obstar a dedução da despesa em debate, decorrente da comunicação dos bens presentes e futuros dos cônjuges casados em comunhão universal de bens. Para contraditar a motivação acima, o recorrente busca se socorrer do art. 1668, V, do Código Civil, que exclui da comunhão, entre outros rendimentos, os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge, não havendo razão, assim, para negar a dedução da despesa, na forma da legislação de regência do imposto de renda. Para aclarar a controvérsia, colacionamse as normas civilistas em foco: Art. 1.659. Excluemse da comunhão: I os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os subrogados em seu lugar; II os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em subrogação dos bens particulares; III as obrigações anteriores ao casamento; IV as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; Fl. 115DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 V os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; VI os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge; VII as pensões, meiossoldos, montepios e outras rendas semelhantes. Art. 1.660. Entram na comunhão: I os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior; III os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges; IV as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge; V os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. (...) CAPÍTULO IV Do Regime de Comunhão Universal Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas, com as exceções do artigo seguinte. Art. 1.668. São excluídos da comunhão: I os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os subrogados em seu lugar; II os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; III as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum; IV as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade; V Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659. (grifouse) De fato, o art. 1668, V, do Código Civil exclui da comunhão os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão; os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge e as pensões, meiossoldos, montepios e outras rendas semelhantes. Porém, essa exclusão da comunhão não pode ser entendida como pugnada pelo recorrente, mas de forma diversa, como abaixo se explica. É difícil compreender, aqui apenas considerando os rendimentos do trabalho pessoal de cada cônjuge casado em comunhão universal de bens, que tais rendimentos não sejam bens comuns, pois, registrese, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos Fl. 116DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10907.001003/200612 Acórdão n.º 210201.214 S2C1T2 Fl. 6 11 com tais proventos são bens comuns. Se assim não fosse, o cônjuge ou companheira(o) supérstite, que não percebia rendimentos, não teria direito à meação dos bens do casal auferidos pelo contribuinte falecido e adquiridos com o rendimento do trabalho do de cujus. Ora, não há qualquer controvérsia de que os bens adquiridos com os proventos do trabalho de um ou ambos os cônjuges são bens comuns, passível de meação. Assim, desarrazoado imaginar que os rendimentos do trabalho, quando percebidos, possam ser bens particulares. Na verdade, somente alguém que desconheça como funciona uma sociedade conjugal (comunhão total de bens, parcial de bens ou união estável) pode defender a tese de que os rendimentos provenientes dos trabalhos dos cônjuges são bens particulares, incomunicáveis, quando é cediço que tais rendimentos são comuns, utilizados para extinguir as obrigações comuns (e, muitas vezes, até as obrigações particulares dos cônjuges ou conviventes). A única interpretação plausível dos artigos acima grifados é compreender que a incomunicabilidade referese apenas ao direito à percepção dos proventos, não aos proventos em si mesmos. Percebidos, passam a ser bem comum do casal. Aqui, ressaltese, esse entendimento é perfilhado por Maria Helena Diniz (in Curso de Direito Civil Brasileiro – 5. Direito de Família, Ed. Saraiva, 23ª edição, revista, ampliada e atualizada, São Paulo, 2008, p. 167), verbis: Entretanto, entendemos que a incomunicabilidade seria só do direito à percepção dos proventos, que, uma vez percebidos, integrarão o patrimônio do casal, passando a ser coisa comum, pois, na atualidade, marido e mulher vivem de seus proventos, contribuindo, proporcionalmente, para a mantença da família, e, conseqüentemente, usam dos seus rendimentos. Parecenos que há comunicabilidade dos bens adquiridos onerosamente com os frutos civis do trabalho (CC, art. 1660, V) e com os proventos, ainda que em nome de um deles. Logo, o art. 1.659, VI, deve ser interpretado em consonância com o art. 1660, V, prestigiando o esforço comum na aquisição de bens na constância do casamento (grifouse). Assim, entendendo os rendimentos do trabalho assalariado percebidos pelo recorrente como bem comum do casal, impossível acatar um pagamento ao outro cônjuge, a gerar despesas dedutíveis do imposto de renda. No ponto, os rendimentos são comuns, não podendo a comunhão gerar despesas dentro de si mesma. O entendimento acima de que os rendimentos percebidos do trabalho por um ou ambos os cônjuges, em benefício da sociedade conjugal, é bem comum do casal, já foi confessado por este relator, no Acórdão nº 10617.231, sessão de 04 de fevereiro de 2009, unânime. Tratavase de um casal convivente em união estável, no qual somente um dos conviventes auferia rendimentos do trabalho, com a companheira informada como dependente na declaração do companheiro autuado. Pugnava o contribuinte autuado, na oportunidade, que sua sogra (mãe de sua companheira) fosse considerada como dependente para fins do imposto de renda. O fisco havia obstado tal pretensão alicerçado na afirmação de que a companheira do fiscalizado não auferia rendimentos, o que inviabilizaria a assunção das despesas da mãe, implicando que esta também não poderia ser informada como dependente na declaração do companheiro de sua filha (somente cônjuges ou conviventes com rendimentos individuais, declarantes em conjunto, poderiam deduzir os sogros na declaração). Ora, a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu que os rendimentos do autuado eram bens comuns do casal convivente e, como tal, a companheira tinha rendimentos, o que Fl. 117DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 autorizava a dedução da despesa de sua mãe (sogra do fiscalizado) na declaração do companheiro fiscalizado. Com a motivação acima, rejeitase a pretensão do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 118DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004184/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2002
PRELIMINAR DE NULIDADE. NÃO ACOLHIMENTO
Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/72, sem prejuízo do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal.
PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO
CONTRADITÓRIO. NULIDADE NÃO RECONHECIDAOs procedimentos da autoridade fiscalizadora não tem natureza inquisitória,
não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE
DEFESA. INEXISTÊNCIA
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA. IRRELEVÂNCIA.
O termo que notifica o início da ação fiscal não é condição para a validade do lançamento, prestando-se apenas para demarcar a exclusão da espontaneidade do contribuinte.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
Apenas são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2102-001.443
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte para restabelecer a dedução de despesa de R$ 193,03, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. NÃO ACOLHIMENTO Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/72, sem prejuízo do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE NÃO RECONHECIDAOs procedimentos da autoridade fiscalizadora não tem natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA. IRRELEVÂNCIA. O termo que notifica o início da ação fiscal não é condição para a validade do lançamento, prestando-se apenas para demarcar a exclusão da espontaneidade do contribuinte. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO Apenas são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
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NÃO ACOLHIMENTO Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/72, sem prejuízo do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. NULIDADE NÃO RECONHECIDA Os procedimentos da autoridade fiscalizadora não tem natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA. IRRELEVÂNCIA. Fl. 113DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 106 2 O termo que notifica o início da ação fiscal não é condição para a validade do lançamento, prestandose apenas para demarcar a exclusão da espontaneidade do contribuinte. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO Apenas são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte para restabelecer a dedução de despesa de R$ 193,03, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 4a. Turma da DRJ/REC, de 14 de agosto de 2009 (fls. 45/54), que por unanimidade de votos, deu parcial provimento à defesa apresentada, mantendo assim, parte da exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 16/03/2006, quando foi intimado a recolher o valor total de R$ 7.016,51 (sete mil, dezesseis reais e cinqüenta e um centavos), sendo R$ 3.118,59 a título de imposto suplementar , R$ 2.338,94 de multa de ofício e R$ 1.558,98 de juros de mora. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 107 3 De acordo com o Auto de Infração (fls. 29/34), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre do complemento do valor do imposto decorrente do abatimento na declaração de ajuste anual de despesas médicas e pensão alimentícia, tidas pela autoridade fiscal autuante como indevidas. No lançamento fiscal, consta como indevidas as despesas médicas atribuídas com os seguintes profissionais: a) Berevilda Rodrigues dos Santos, no valor de R$ 7.500,00, sendo que ela se declara como isenta, e figurando em outros processos como beneficiária de pagamentos, negase a atender às intimações para comparecer à repartição; b) Unimed Maceió, no valor de R$ 2.023,76, sobre o qual não foi apresentado documento comprobatório; c) Alberto Marinho Paes Pinto, no valor de R$ 7.500,00, sobre o qual um Ato Declaratório de n 38, de 09/08/2005, declarando a inidoneidade dos documentos por ele emitidos, e que o Recorrente não apresentou documentos que comprovassem a efetividade dos pagamentos por supostos serviços; d) Tânia Lucia Wanderley de Holanda, no valor de R$ 5.000,00, que também se declara como isenta, não obstante elevado valor a ela atribuído como pagamento e que se nega ao atendimento de intimações, e não apresentado o Recorrente, quando intimado, comprovação dos pagamentos declarados a ela, e a) Clinica de Imagens e Ultrasonografia Ltda., no valor de R$ 2.000,00, para a qual não foi apresentada a respectiva nota fiscal que comprovasse a prestação dos serviços. No tocante ao abatimento do valor a título de pensão alimentícia, não apresentou o Recorrente, sentença judicial ou documento que comprovasse a natureza e efetivação desta despesa. Tempestivamente o Recorrente apresentou impugnação (fls. 01 a 19), onde resumidamente alegou que: a) preliminarmente, que o lançamento fiscal é nulo, face ao vício nas intimações que foram enviadas ao seu antigo endereço, uma vez que mudou se em outubro de 2.005, cuja alteração foi formalmente comunicada ao fisco quando da apresentação da declaração de ajuste anual por ele apresentada em 28 de abril de 2.006 (o auto de infração foi lavrado em 16/03/2006), sendo posteriormente realizada por edital afixado na repartição pública, sobre o qual teve conhecimento oficiosamente, pois também não houve publicação no Diário Oficial, o que considera flagrante desrespeito aos princípios da publicidade e razoabilidade; Fl. 115DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 108 4 b) também houve cerceamento ao seu direito de defesa, pois foi negado acesso aos documentos que compõe este processo administrativo, sob a alegação verbal que o mesmo está totalmente virtualizado (fls. 20), sendo a ele apresentado apenas cópia do auto de infração, bem ainda, que não houve termo de abertura e de encerramento do trabalho fiscal; c) Quanto ao mérito, que supostas irregularidades cometidas pelos prestadores dos serviços médicos, não podem prejudicar seu direito de abater tais despesas, uma vez apresentados os recibos dos pagamentos efetuados, e contra aqueles, meras suposições de fraudes ou delitos são incapazes de fazer subsistir a motivação da autuação (fls. 15); d) No tocante à pensão alimentícia, juntou cópia da decisão judicial, bem como do ofício expedido ao Governo do Estado de Alagoas, determinando o pagamento à beneficiária. Face aos documentos apresentados com a impugnação, a 4a Turma da DRJ/REC deu a ela provimento parcial, afastando a cobrança sobre os valores relativos à pensão alimentícia e despesas médicas pagas à Unimed – Maceió e Clínica de Imagens Ultrassonografia Ltda., reduzindo com isto, o valor do imposto suplementar de R$ 3.118,59 para R$ 965,18. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado (fls. 61/87), o Recorrente reitera as argumentações apresentadas na impugnação, que estão acima enumeradas, inclusive, sobre aquelas despesas acolhidas na decisão recorrida, acrescentando: a) que não foram apreciadas as questões de nulidade do lançamento fiscal, decorrentes da falta de ciência de atos que o precederam, bem como, da sua própria lavratura, não apreciando ainda, argüição do cerceamento ao direito de defesa pela restrição ao acesso aos documentos que o integram, dentre eles, intimações fiscais, comprovação de envio das mesmas, edital de convocação, prejudicando com isto, seu direito ao contraditório e ampla defesa., requerendo assim, a nulidade da decisão proferida; b) reitera preliminares de invalidação do lançamento em função das intimações que o precederam terem sido enviadas ao que alega ser do antigo endereço, uma vez que mudouse no mês de outubro de 2.005, e comunicou tal fato na declaração de ajuste anual em 28/04/2006, tendo dela tomado conhecimento por edital afixado na repartição federal, onde lá compareceu para tratar de outros assuntos, no mês de agosto de 2.006, repetindo estes argumentos para protestar pela nulidade do lançamento, também em função da ciência da sua lavratura; c) requer também a nulidade em função da restrição ao acesso dos documentos que integram o processo administrativo fiscal, mesmo formalmente requeridos, sob alegação de que os mesmos estão “na Fl. 116DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 109 5 seara da virtualidade da informática” ou sendo apreciados por outros setores da Fazenda Nacional, tendo ciência apenas da lavratura em 18/09/2006, o que fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; d) também reitera argüição de nulidade face a inexistência dos termos de início e encerramento de fiscalização, citando o art. 196 do CTN; e) Quanto ao mérito, antes de tecer considerações sobre a manutenção da glosa de alguns recibos ou valores, alega que sofre de uma doença diagnosticada como espondiloartropatia, que se caracteriza pela predominância de fortes dores em várias articulações, o que o leva a procurar profissionais qualificados, independentemente de atenderem ou não pelos planos de convênios médicos; e) que a glosa não pode ser mantida tomando por base indícios de fraudes ou inadimplência por parte do prestador dos serviços médicos, face aos recibos apresentados, bem como, não pode prevalecer a alegação da falta de atendimento às intimações precedentes ao auto de infração, uma vez exposta as razões do seu não recebimento, em função da alteração do endereço; f) a glosa parcial do pagamento efetuado à Unimed Maceió não está motivada, o que a torna nula, sem considerar, que faz parte de um mesmo recibo, no valor de R$ 386,06, não sendo aceita a quantia de R$ 193,03; g) quanto aos valores de R$ 7.500,00 pagos à Sra. Berevilda Rodrigues dos Santos, R$ 7.500,00 pagos ao Sr. Alberto Marinho Paes Pinto e R$ 5.000,00 à Sra. Tânia Lúcia Wanderley de Holanda, que foram mantidos em função da não comprovação da origem dos pagamentos, não exigindo a legislação, que os pagamentos sejam feitos em cheques ou outro instrumento bancário, desprestigiando o uso da moeda corrente; É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 110 6 Das argumentações apresentadas pelo Recorrente, inicialmente, merecem apreciação as preliminares de nulidade, tanto das alegadas intimações que envolvem o lançamento fiscal, aquelas dos atos que supostamente o precederam, quanto a do seu recebimento, assim como, da decisão proferida pela 4a Turma da DRJ/REC, proferida em 14 de agosto de 2.009. Não vislumbro qualquer vício no presente processo administrativo, seja no tocante ao lançamento fiscal e menos ainda, na decisão proferida em primeira instância. Com efeito, no tocante às preliminares, a decisão recorrida está satisfatoriamente motivada, com a transcrição de precedentes deste colegiado e dispositivo da legislação que trata do processo administrativo fiscal, mais especificamente, o art. 10 do decreto 70.235/72, que dispõe sobre a lavratura do auto de infração, com as formalidades indispensáveis para a sua validade. O Recorrente, exaustivamente, faz referencia a intimações que teriam precedido o lançamento fiscal, que não teriam chegado até ele em função da alteração do seu domicílio fiscal, razão pela qual, somente teve conhecimento através de afixação de edital na repartição federal. Tal fato em nada vicia o trabalho fiscal, pois o seu direito ao devido processo legal, com ampla possibilidade do contraditório foi assegurado a partir do recebimento do auto de infração, onde pode exercer o seu direito de defesa, a ponto de lhe ser assegurado oportunidade de apresentar os documentos que quisesse, para afastar a pretensão fiscal. E assim o fez, obtendo parcial provimento. A respeito das intimações fiscais, especificamente no tocante à da lavratura do auto de infração, do qual alega ter tomado ciência no dia 06/09/2006, em função da afixação do edital na repartição pública federal, oportuna a lembrança do art. 23 do decreto 70.235/72, dos seus parágrafos 1o e 3o, que respectivamente, assim dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 118DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 111 7 II Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Citado por 1 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Citado por 1 § 2° Considerase feita a intimação: Citado por 29 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Citado por ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifamos) Assim, a intimação foi válida, o Recorrente recebeu o auto de infração e dele se defendeu através da impugnação, inaugurando assim a fase litigiosa. Também não pode prosperar a alegação de nulidade do trabalho fiscal em decorrência da falta dos termos de Abertura e de Encerramento. Com efeito, como bem colocado na decisão recorrida, na legislação federal, o inciso I do art. 7o do decreto 70.235/72 estabelece que “o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto”, tal com o ocorreu no presente processo, sem exigir qualquer outra formalidade. Atende também plenamente os requisitos do art. 142 do CTN, na identificação do contribuinte e descrição da natureza do imposto que está sendo exigido. Destarte, considero formalmente válido o trabalho fiscal, assim como devidamente motivada a decisão recorrida, não podendo ser atribuída a ela qualquer vício que redunde na sua nulidade. Por essas mesmas razões, afasto as argüições de nulidade por atos que supostamente precederam o lançamento fiscal, pois como já mencionado, não houve qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, uma vez que no auto de infração estão devidamente descritos os fatos e enquadramento legal da imputação, com ampla defesa, sem poder com isto, falar em restrição a documentos ou expedientes “virtualizados”, como alegou o Recorrente. Quanto ao mérito, não obstante precluso o direito ao recurso no tocante às despesas médicas efetuadas com a Sra. Tânia Lúcia Wanderley de Holanda, uma vez que não foi mencionada na impugnação, como observado na decisão recorrida, a ela também aplicáveis as considerações abaixo, no sentido de manter a glosa no tocante às despesas alegadas com os Srs. Alberto Marinho Paes Pinto e Berevilda Rodrigues dos Santos. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 112 8 As deduções da base de cálculo do imposto de renda dos valores pagos a profissionais da medicina encontram previsão legal no inciso II alínea “a” e par. 2o da Lei 9.250/95 , que assim estabelecem: Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2° O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifos Nossos). Por sua vez, o artigo 73 e § 1° do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) e o artigo 46 da IN SRF n° 15/2001 estabelecem: Regulamento do Imposto de Renda RIR199 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (grifamos) Vários são os precedentes deste colegiado a respeito, todos, como não poderia deixar de ser, no sentido do que estabelece a legislação acima transcrita, dos quais destacamos as seguintes ementas: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em t despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto _à idoneidade do documento (Ac. 1° CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 01 1.458). IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação Fl. 120DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 113 9 de serviços profissionais, nem comprovados os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legitima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1° CC 10416647/1998). IRPF DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DOCUMENTOS INIDÕNEOS Ent condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante das evidências de que o profissional praticava fraude na emissão de recibos, tendo sido formalmente declarada a inidone idade dos documentos por ele emitidos, é licito o Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e do pagamento realizado (Ac. 10421838, sessão de 17/8/2006). IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Se o contribuinte não logra comprovar por outros meios as despesas médicas relacionadas em recibos declarados inidôneos, apresentase correta a glosa de despesas, conforme preceitua o art. 73 do Decreto n° 3.000/99 (Ac.10615484, sessão de 26/4/2006). Por essas razões, entendo que deva ser mantida a glosa da deduções pertinentes aos pagamentos efetuados aos Srs. Alberto Marinho Paes Pinto, no valor de R$ 7.500,00; Berevilda Rodrigues dos Santos, no valor de R$ 7.500,00 e Tânia Lúcia Wanderlei de Holanda, no valor de R$ 5.000,00, esta, objeto apenas do Recurso Voluntário. Relativamente aos recibos apresentados pelo Recorrente, de despesas pagas à Unimed Maceió, de R$ 386,06, dos quais remanesceram R$ 193,03, entendo que lhe assiste razão, pois a decisão recorrida efetivamente não apresentou qualquer motivação a respeito, e não vislumbrando razões para não aceitálo como suficiente para comprovação do pagamento. Destarte, com relação a este valor de R$ 193,03, que representa 50% do valor pago à Unimed Maceió, objeto do Doc. 07 (fls. 26), afasto a exigência dele decorrente. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 121DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10410.004184/200611 Acórdão n.º 2102001.443 S2C1T2 Fl. 114 10 Fl. 122DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10680.011647/2007-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Aplica-se a norma de decadência do art. 173, I, do CTN nos casos de tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação quanto o sujeito passivo não realizar os pagamentos ditos antecipados, contando-se o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado.
Numero da decisão: 1103-000.520
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado NEGAR provimento por
unanimidade.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Aplicase a norma de decadência do art. 173, I, do CTN nos casos de tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação quanto o sujeito passivo não realizar os pagamentos ditos antecipados, contandose o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado NEGAR provimento por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.011647/200793 Acórdão n.º 110300.520 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0216.487/2007 (fls. 124), da 3ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG, relativo a autos de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 03) e, como tributação reflexa, de CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 09), PIS – programa de integração social (fls. 18) e Cofins – contribuição para financiamento da seguridade social (fls. 14), com imposição de multa de ofício no percentual de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. O lançamento tributário abrangeu os anoscalendário 2004 a 2007. A fiscalização identificou omissão de receitas com base em suprimento de numerário sem comprovação da origem e da efetividade da entrega dos recursos financeiros, relativamente a empréstimo de sócio, e no cotejo dos livros Diário e Razão e a sua declaração simplificada apresentada na condição de inativa, conforme descrito no relatório fiscal (fls. 22). A turma de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA CASO EM QUE NÃO HÁ PAGAMENTO A HOMOLOGAR. Nos casos em que não houver pagamento, a contagem do prazo decadencial, para fins de lançamento do IRPJ, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo às contribuições instituídas para custear a previdência social extinguese em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. JUROS DE MORA SELIC. Sobre os débitos de tributos com fatos geradores ocorridos nos anos da lide, incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. DECORRÊNCIA. O decidido para o lançamento de IRPJ se estende aos demais lançamentos com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, ressalvados os casos em que outras razões de ordem jurídica lhes determinem tratamento diverso.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.011647/200793 Acórdão n.º 110300.520 S1C1T3 Fl. 3 3 Cientificada da decisão em 17/12/2007 (fls. 139), a contribuinte interpôs o recurso no dia 14 do mês seguinte (fls. 140), alegando a ocorrência de decadência do direito de constituir o crédito tributário. Na hipótese de rejeição da alegação de decadência, citou jurisprudência que “leva a matéria para prescrição”. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. A recorrente alegou decadência, tendo em vista o comando do art. 150, §4º, do CTN – Código Tributário Nacional, contando o prazo de cinco anos a partir da data do fato gerador. Sobre decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais submetidas ao regime de lançamento por homologação, como no caso destes autos, penso que é regulado pelo comando do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do Código. Este foi o entendimento dominante até há pouco na jurisprudência administrativa, a exemplo dos acórdãos abaixo: “DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, COFINS E FINSOCIAL. Até o anobase 1991, o IRPJ e a CSLL se enquadravam na modalidade de lançamento por declaração, sendo regidos pela norma de decadência do art. 173, I, do CTN. Com o advento da Lei 8.383/91, passaram a ser classificados na modalidade de lançamento por homologação, sujeitando se à norma de decadência do art. 150, § 4º, do Código. Finsocial/faturamento e Cofins são igualmente submetidas à disciplina do lançamento por homologação. (Ac. nº 103 22.631/2006) CSLL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 1) A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que tem a natureza de tributo, antes do advento da Lei nº 8.383, de 30/12/91, a exemplo do Imposto de Renda, estava sujeita a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.011647/200793 Acórdão n.º 110300.520 S1C1T3 Fl. 4 4 prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. A partir do anocalendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto e a contribuição, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendolhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150). 2) CSLL – As contribuições de seguridade social, dada sua natureza tributária, estão sujeitas ao prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional, lei complementar competente para, nos termos do artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, dispor sobre a decadência tributária. 3) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado, em 05/04/2001, após a fluência do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador referente ao ano calendário de 1995, ocorrido em 31/12/1995, operouse a caducidade do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição. (Ac. CSRF/0105.137/2004) CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, 'b', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que amoldase à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, 'b', da Constituição Federal. (Ac. CSRF/0104.988/2004) CSLL. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. INAPLICABILIDADE. Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.011647/200793 Acórdão n.º 110300.520 S1C1T3 Fl. 5 5 4º, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. (Ac. CSRF/0105.479/2006) LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. (Ac. 110300.326/2010).” Entretanto, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), seguindo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), adotou nova interpretação no âmbito administrativo por ocasião do julgamento dos recursos contidos nos processos nº 13603.001910/200313 e 10805.000649/200451, definindo o início da contagem do prazo quinquenal a partir do “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, conforme determina o art. 173, I, do CTN. Assim, tendo em vista a nova interpretação adotada pela CSRF, passarei a aplicar a norma do art. 173, I, do CTN no julgamento das questões relativas a decadência de tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação, previstos no art. 150 do CTN, em que pese o meu entendimento pessoal acima exposto. No caso concreto, constatase que a recorrente não realizou pagamentos, tendo em vista que apresentou declaração simplificada da pessoa jurídica como inativa, conforme informado no relatório fiscal – item 2 – “IRPJ e CSLL DEVIDOS/LANÇAMENTO” (Fls. 23). Como os fatos geradores mais antigos são de 28/02/2002 (PIS e Cofins), vê se que o lançamento poderia ser realizado ainda em 2002. Aplicandose o comando do art. 173, I, do CTN, o qüinqüênio legal para a realização do lançamento iria do primeiro dia do exercício seguinte, 1º de janeiro de 2003, até cinco anos a partir dessa data, portanto até 31 de dezembro de 2007. Como o lançamento se completou com a ciência do sujeito passivo no dia 21/08/2007, conforme consignado nos autos de infração, antes, portanto, do transcurso do prazo legal de cinco anos, não ocorreu a decadência alegada no recurso. A alegação de prescrição deve ser igualmente rejeitada. Observese que a impugnação e o recurso suspendem a exigibilidade do crédito tributário, segundo disposição expressa do art. 151, III, do CTN, impedindo a propositura de ação de cobrança pela Fazenda Nacional. Muito embora a recorrente não tenha aludido a prescrição intercorrente, esclareço que tal hipótese não é considerada no processo administrativo tributário, conforme entendimento dominante neste colegiado, objeto de súmula com o seguinte enunciado: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.011647/200793 Acórdão n.º 110300.520 S1C1T3 Fl. 6 6 Súmula Carf nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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