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Numero do processo: 10580.006455/90-84
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 202-00.161
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Primeiro Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: Antonio Carlos Bueno Ribeiro
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score : 1.0
Numero do processo: 13410.000116/2001-58
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2006
Ementa: ITR/1997. Auto de infração para lançamento suplementar de ITR.
Glosa de área de preservação permanente e de utilização limitada
por entrega a destempo do competente ato declaratório ambiental
(ADA) expedido pelo IBAMA. Para fins de isenção do ITR, relativa
a área de preservação permanente, não está sujeita à prévia
comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10,
parágrafo C, da Lei nº 9.393/96
Descabida a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área da
Reserva Legal da propriedade (preservação Permanente e de
Utilização Limitada) em função da não apresentação em tempo do
Ato Declaratório Ambiental, fatos estes que foram devidamente
sanados.
Numero da decisão: 303-31.751
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, poi unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão n° 303- 31.751 de 02/12/2004, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: SILVIO MARCOS BARCELO FIÚZA
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ementa_s : ITR/1997. Auto de infração para lançamento suplementar de ITR. Glosa de área de preservação permanente e de utilização limitada por entrega a destempo do competente ato declaratório ambiental (ADA) expedido pelo IBAMA. Para fins de isenção do ITR, relativa a área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo C, da Lei nº 9.393/96 Descabida a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área da Reserva Legal da propriedade (preservação Permanente e de Utilização Limitada) em função da não apresentação em tempo do Ato Declaratório Ambiental, fatos estes que foram devidamente sanados.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° 128.242 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Embargada TERCEIRA cÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ITR/1997. Auto de infração para lançamento suplementar de ITR. Glosa de área de preservação permanente e de utilização limitada por entrega a destempo do competente ato declaratório ambiental (ADA) expedido pelo IBAMA. Para fins de isenção do ITR, relativa a área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art. 10, parágrafo C, da Lei n.o 9.393/96 Descabida a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área da Reserva Legal da propriedade (preservação Permanente e de Utilização Limitada) em função da não apresentação em tempo do Ato Declaratório Ambiental, fatos estes que foram devidamente sanados. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, poi unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão n° 303- 31.751 de 02/12/2004, nos termos do voto do Relator . ANELIS ~RIETO presidenr AUDT P RZ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campelo Borges. Esteve presente o procurador da Fazenda Nancional Leandro Felipe Bueno Tiemo . • • Formalizado em: ~ SILVIOMARC Relator 1 4 MAR 2006 CELOS FlÚZA fri 2 3 • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 RELATÓRIO Contra o Contribuinte ora recorrente foi lavrado o Auto de Infração - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurando o crédito tributário de fls. 2/4, anexos, de fls. 5 e 7, relativamente ao período-base de 1997, no valor total de R$ 5.885,78 (cinco mil, oitocentos e oitenta e cinco reais e setenta e oito centavos), sob a alegação descrita à fls. 3/4 e apurado o imposto, cujo fato gerador é de 01 de janeiro de 1997, referente ao imóvel rural denominado "Sítio Novo", número do imóvel 1.675.193-0, com área declarada de 1.316,2 há, situado no muniCÍpio de Santa Maria da Boa vista - PE. O Contribuinte tendo tomado ciência do Auto de Infração apresenta a impugnação, de fls. 22/24, alegando, em síntese que: 1) - O Contribuinte diligenciou junto ao IBAMA tendo em vista a realização de vistoria por aquele instituto, para fIns de declaração da reserva legal do referido imóvel; 2) - O IBAMA orientou o contribuinte a procurar diretamente o cartório para a averbação daquelas áreas como descritas no ITR/97; 3) - Não pode prosperar a pretensão do fisco, face à boa fé do contribuinte, mesmo porque a cobrança do suposto crédito tributário está assentada em mera formalidade legal, que não altera a substância do ato de preservar área mínima de 20% do imóvel, se a área declarada existe no ano de 2001, como comprova o ADA, impossível que inexistisse em 1997; 4) - Toda lei tem wna função social, wna finalidade pública que não pode ser olvidada. Evidente está, com a legislação invocada pela autoridade fazendária que o objetivo perseguido pelo Poder Público é a formação de Reservas Legais, com áreas de preservação permanente e utilização limitada. Meras formalidades que não alteram a substância do ato não podem sobrepor-se, de modo a penalizar o Contribuinte, wna vez que o Fisco não comprovou a inexistência das áreas declaradas e não pode nega-las, face à apresentação do ADA, ainda que posteriormente. Não lhe assiste, pois, o direito de glosa-las, citando o ~ 7°, art. 10 da Lei nO9.393/1996, alterado pela Medida Provisória n° 2166-65, de 28/06/2001; 5) - Requer a anulação do auto de infração que lhe é imputado e do conseqüente lançamento de oficio, e modo a obstar a cobrança do pretenso crédito tributário, juntando cópia dos docwnentos, de fls. 25/29. A DRF de Julgamento em Recife-PE, julgou o lançamento procedente através do Acórdão nO2.151 de 23/08/2002, nos termos que a seguir se transcreve em parte: "O art. 10, ~ 1°, inciso lI, letra "a" da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que: "A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento administrativo tributário, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ~ 10_ Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I ~ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nO4. 771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nO7.803, de 18 dejulho de 1989; b) ....; c) .... O enunciado no ~ 1°, inciso 11, letra "a", do art. IO, da lei acima citada, trata de concessão de beneficio fiscal e como tal interpreta-se literalmente, de acordo com o art. 111, da Lei nO5.172/66 (CTN). Portanto, não requerido o Ato Declaratório dentro do prazo estipulado, a pretensa área de preservação permanente será tributável, sendo enquadrada como área aproveitável, não utilizada. O Manual para preenchimento da declaração do ITR, de 1997, à fi. 12, informou ao contribuinte, que: "As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para, para jins de apuração do ITR. O contribuinte terá o prazo de seis meses, contados da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento junto ao IBAMA solicitando o ato declaratório. Se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for . reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido ". o inciso I, ~ 4° do art. 10, da IN SRF nO43/67, com a redação dada pela IN SRF n° 67/97 dispõe que: "as áreas de reserva legal, parajins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nO 4.771, de 1965". Pela inteligência do mencionado dispositivo, depreende-se que a averbação deveria ser feita em data anterior ao preenchimento do ato declaratório ambiental- ADA. De acordo com a legislação em vigor, o ITR é um imposto cuja apuração e pagamento são efetuados pelo contribuinte, sujeitando-se a homologação posterior. Ora, para que a administração tributária proceda a sua homologação, no sentido de confirmar as informações contidas na declaração, íntima o contribuinte para a comprovação dos dados. No presente caso, foi efetuado pelo documento, de fi. 'O. O Contribuinte, conforme consta da descrição dos fatos à fis. 3, só requereu o Ato Declaratório Ambiental- ADA. em 03 de abril de 2001. seis meses após a entrega da declaracão do ITR/1997, que se deu em 30 de dezembro de 1997. A cópia da Certidão de Matrícula e Registro de Imóveis, juntada pelo Contribuinte, à fi. 13, não certifica também a existência de área de reserva legal determinada a sua inscrição no Cartório de Registro de Imóveis pela Lei nO4.771/1965. Desta forma, a fiscalização glosou aquela área informada como se de utilização limitada (reserva legal) por falta de comprovação, uma vez que a mesma deveria estar registrada. O ~ 7° do art. 10 da Lei nO9.393/1966, incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, dispõe4 que a declaração para fim de isenção do ITR relativas às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso 11, S 1°, do art. 10, não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante. Não é o caso presente, uma vez que não se exigiu do Contribuinte a comprovação das,âreas dewservação permanente e reserva I I I ! : ' • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 RecW'SoN° : 128.242 legal, quando foi entregue a declaração do ITR/1997, somente em 2001, é que o Contribuinte foi intimado para apresentar a comprovação das áreas informadas como isentas. Como já foi dito, anteriormente, as pretensas áreas de preservação permanente e utilização limitada informadas na declaração do ITR de 1997 são tributáveis, sendo enquadradas como áreas aproveitáveis, não utilizadas. Este foi o procedimento realizado pelo lançamento constante do auto de infração, conforme se verifica no demonstrativo de apuração do ITR, de fl. 7. O Ato Declaratório Ambiental - ADA é o instrumento comprobatório de que as áreas declaradas são de preservação permanente e utilização limitada. Foi concedido um prazo de 6 (seis) meses a partir da data da entrega da declaração do ITR, para que o Contribuinte protocolizasse o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA ou órgão delegado através de convênio. O mencionado Ato Declarante Ambiental - ADA não foi protocolizado pelo Contribuinte, dentro do prazo a que se refere a Instrução Normativa da SRF já referida, conforme consta da descrição dos fatos à fls. 3. Assim, as áreas acima mencionadas são enquadradas como áreas aproveitáveis, não utilizadas, recalculando-se o imposto sobre a propriedade territorial rural- ITR, referente ao período base de 1997. o Grau de Utilização passou de 80,5% (oitenta vírgula cinco por cento) para 48,2% (quarenta e oito vírcula dois por cento), modificando a alíquota do imposto de 0,30% (zero vírgula trinta por cento) para 6,00% (seis por cento), aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no anexo da Lei nO9.393, de 1996, de acordo com o art. 11, da mencionada lei. Assim, o imposto devido apurado é de R$ 2.384,40 (dois mil, trezentos e oitenta e quatro reais e quarenta centavos) menos o imposto devido declarado de R$ 71,53 (setenta e hum reais e cinqüenta e três centavos) resultando a diferença de imposto de R$ 2.312,87 (dois mil, trezentos e doze reais e oitenta e sete centavos). o art. 10, da Lei nO9.393/96, dispõe que a apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária e no art. 14, da mesma lei, está contido que nos casos de prestação de informações inexatas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto. E, no ~ 2° do art. 14, da citada lei, "as multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. " o art. 44, inciso I, da Lei nO 9.430/96 dispõe: "Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nosdedeclaraçãoinexata,excetuadaa h~tese do inc~inte. " • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751. Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 No caso, houve declaração inexata e falta de recolhimento do imposto no valor de R$ 2.312,87 (dois mil, trezentos e doze reais e oitenta e sete centavos). Desta forma, há de se manter o lançamento referente ao imposto sobre a propriedade territorial rural- ITR, por estar de acordo com a legislação em vigor. Por todo o exposto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE o lançamento relativo ao presente processo, para: 1 - Declarar devido o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR constante do auto de infração, no valor de R$ 2.312,87 (dois mil, trezentos e doze reais e oitenta e sete centavos); a que se refere o item anterior; 3 - Determinar a cobrança de juros de mora, consoante a legislação que rege a matéria." (O grifo não é do original). - Através do Acórdão N° 303-31.751 de 02 de dezembro de 2004, conduzido por este Conselheiro, a Câmara por unanimidade de votos, acordou em dar provimento ao Recurso voluntário do contribuinte, cuja Ementa transcrevo: "ITR/1997. AUTO DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO SUPLEMENTAR DE ITR. GLOSA DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA POR ENTREGA A DESTEMPO DO COMPETENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) EXPEDIDO PELOIBAMA. Descabida a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área da Reserva Legal da propriedade (preservação Permanente e de Utilização Limitada) em função da não apresentação em tempo do Ato Declaratório Ambiental pelo IBAMA, fatos estes que foram devidamente sanados" - Em cumprimento ao Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, a Douta Procuradora da Fazenda Nacional foi devidamente cientificado em 22/04/2005, do teor desse Acórdão; - Na data de 24/04/2005, a Dra. Procuradora apresentou Embargos de Declaração SIN° com pedido de "re-ratificação" do julgado, pelo motivo a seguir resumido: - afirma que o voto do i. Relator condutor do acórdão teria sido sucinto e não apresentado as razões que o levaram a dar provimento ao recurso, portanto, não estaria devidamente fundamentado. - Por fim, requereu que fosse reconhecida o pretendido EMBARGOS DECLARATÓRIOS com a :oalidad~ sanar a tida OMISSAO. • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 - Atendendo o despacho da emérita Conselheira .Presidente, acatei os Embargos, documento às fls. 64 a 67, e conclui conforme se segue: "Em visto de tudo o que se contém e de conformidade com o que aqui relatamos comprovadamente, em princípio acato os Embargos interpostos pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, e por não vislumbrar qualquer falta, vício, omissão ou obscuridade, concluo e voto no sentido de que seja rejeitado esses Embargos, para se manter irretocável o Acórdão N° 303-31.751 de 02 de dezembro de 2004.Brasília(DF), em de outubro de 2005." A Dra Presidente, em documento datado de 24 de novembro de 2005, anexado ao processo, divergiu das conclusões desse relator e concluiu que realmente existia obscuridade, pelo fato do voto condutor não teria demonstrado o porque de serem improcedentes os fundamentos trazidos pela autuação, designando nessa ocasião, este Conselheiro, como Relator, no sentido de ser submetido, novamente, o processo à apreciação dessa Câmara, na forma do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Portanto, acato em todos os seus termos a Decisão da Emérita Conselheira Presidente. É o relatório . 7 ______------.J 8 • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 VOTO Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Relator Em princípio, é de se manter, por ser de justiça, o Voto vencedor, complementando-o quanto ao aspecto da alegada Omissão, que a seguir passo a expressar, re-ratificando-o, conforme a seguir: O Recurso está revestido das formalidades legais para sua admissibilidade, é tempestivo e sendo matéria de apreciação no âmbito deste Terceiro Conselho, portanto, dele tomo conhecimento. Como pode ser aquilatada, a querela se prende exclusivamente ao Auto de Infração lavrado contra a recorrente por atraso de mais de seis meses na apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA ao IBAMA. É dever se ressaltar, outrossim, que consta no propno Acórdão DRJ/RECIFE 2.151 de 23/08/2002, que julgou em primeira instância o "Lançamento Procedente", afirmação categórica do Dr. AFRF Relator, em sua Ementa, que "A exclusão do ITR de áreas de preservação permanente e utilização limitada só será reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, requerido dentro do prazo estipulado. Caso contrário, as pretensas áreas de preservação permanente e utilização limitada serão tributáveis, como áreas aproveitáveis, não utilizada." (Conforme está escrito) Cumpre esclarecer, outrossim, que essa Colenda Corte Administrativa, têm reiteradas vezes julgado casos similares, de que não é motivo de infração o simples atraso ou mesmo a ausência do Ato Declaratório Ambiental - ADA, para comprovação das áreas de preservação e utilização limitada da propriedade rural . Verifica-se, outrossim, que a legislação que rege a matéria, no caso a Lei nO 9.393/1996, em seu artigo 10, parágrafo 7°, modificada que foi pela MP 2.166/67 de 2001, reza que para fins de isenção do ITR quanto às áreas isentas (preservação Permanente e Reserva Legal) ser bastante a mera declaração do contribuinte, que responderá pelo pagamento do imposto e cominações legais que lhe forem aplicáveis em caso de falsidade. Ademais, peço vênia ao i. Conselheiro Marciel Eder Costa, para transcrever enxertos e adotar seu sábio voto, em que resta demonstrada a não obrigatoriedade de prévia comprovação por parte do declarante, da ADA, para fins de exclusão das áreas de Reserva Legal no cálculo do ITR, conforme consta do Processo n° 10980.008219/2001-11, Recurso n° 128.486, da Empresa Recorrente PORCELANA SCHMIDT S/A, in verbis: "Para efeito do ITR e da legislação ambiental,. são consideradas áreas de interesse ambiental de utilização limitada, as seguintes: ~ 9 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 - As definidas no parágrafo 4° do artigo 225 da Constituição Federal; - De Reserva Legal, conforme art. 16 da Lei n.O4.771/65, com a redação dada pela MP n.O2.080-63/01; - De Reserva Particular do Patrimônio Natural, conforme art. 21 da Lei n.o 9.985/00 e Decreto n.O1.922/96; - Em Regime de Servidão Florestal, conforme art. 44A da Lei n.O 4.771/65, acrescido pela MP n.o 2.080-63/01; - de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nO 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; - Comprovadamente imprestáveis para atividade produtiva rural, desde que declaradas de interesse ecológico por ato do órgão competente federal ou estadual, conforme art. 10, ~ 1°, inciso 11,alínea "c", da Lei n.o9.393/96. Trata-se de uma área de interesse ecológico, assim definida no parágrafo 4° do art. 225 da Constituição Federal, incluída pelo mesmo artigo ao patrimônio nacional e, portanto, beneficiada com isenção do ITR, conforme dispõe o art. 10 da Lei n.o 9.393/96, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ~ 10Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I . II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4. 771. de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803. de 18 deju/ho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; ~ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola. pecuária. granjeira, aqüícola ou florestal. declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente. federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal. iLA declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso lI, 9 lº, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (NR) (Alteração introduzida pela M.P. 2.166/67/2001) Observa-se que o teor do artigo 10, parágrafo 7° da Lei 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166/67/2001, cuja a edição pretérita encontra respaldo no art. 106 do CTN, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. Neste sentido, parece-me de maior valor a efetiva comprovação da área de preservação permanente por laudo técnico e outras provas idôneas, do que o simples registro da mesma junto ao órgão ambiental, que nem sequer dispõe de estrutura para fms de fiscalização das quantidades fisicas alegadas pelo contribuinte. Ademais, se há de exigir o referido ADA, em obediência ao Princípio da Estrita Legalidade, que se faça a partir da publicação da Lei 10.165/2000, que adotou a utilização do ADA para efeitos de exclusão das áreas de preservação permanente, mas nunca em relação a fatos geradores de 1997." Por fim, considerando que a Lei n° 8.847/94, com as alterações da Lei nO 9.393/96, excluía e isentava de impostos, sem condicionamento de prévia declaração de órgão ambiental e/ou prévio averbamento em cartório imobiliário as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Bem como, sabendo-se que a Lei 9.393/96, ora vigente, não estabelece condicionantes para definição juridica das áreas de preservação permanente e de reserva legal para que haja a isenção de impostos, e que, da leitura do Manual para Preenchimento da Declaração do ITRl1997, não há cominação de qualquer espécie de pena ou sanção para quem venha a requerer o referido ADA, extemporaneamente, e em nome dos princípios da estrita legalidade, da verdade material, e principalmente, nos termos do artigo 147, ~ 2° do Código Tributário 10 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 303-31.751 Processo N° 13410.000116/2001-58 Recurso N° : 128.242 Nacional, verifica-se pois, que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA é mera formalidade administrativa sustentada por Instrução Normativa, não podendo ser considerada como de exigência obrigatória, em razão de não estar prevista na já mencionada Lei nO9.393/1996, e que foi entregue, mesmo a destempo. Assim, VOTO no sentido de dar provimento ao Recurso nos termos que ora se re-ratifica o Acórdão em referência. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2006 11 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002126/2004-41
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1999
PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos
autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia,
NULIDADE, IMPROCEDÊNCIA, Não procedem as argüições de nulidade
quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70,235/72.
SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. INSUFICIÊNCIA DE
PROVAS. Não demonstrado que o optante exerce atividade vedada, é
indevida a exclusão deste do SIMPLES.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1302-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: eduardo de andrade
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999 PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia, NULIDADE, IMPROCEDÊNCIA, Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70,235/72. SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Não demonstrado que o optante exerce atividade vedada, é indevida a exclusão deste do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido.
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'O'4:-;? CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS e PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13855,002126/2004-41 Recurso n" 341269 Voluntário Acórdão n" 1302-00.219 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2010 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Recorrente ELETROLUCAS COMÉRCIO E SERVIÇOS ELETRO ELETRÔNICOS LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999 PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia, NULIDADE, IMPROCEDÊNCIA, Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70,235/72. SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Não demonstrado que o optante exerce atividade vedada, é indevida a exclusão deste do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ,..._..,._.,_ MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente \ \ EDUARDO E ANDRADE - Relator i EDITADO EM: 12AG O 2010 Participaram do presente julgamento, os conselheiros: Wilson Fanardes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, hineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello, Relatório Relata a DRI/RPO: "Trata o presente de impugnação ao Ato Declaratório Executivo DRF/FCA n° 561,997, de 02/08.2004 (fL106), emitido pelo Delegado da Receita Federal em Franca para declarar excluída do Simples a interessada acima identificada, motivado pelo fato de que a empresa realiza atividade econômica vedada ao sistema: instalação, reparação e manutenção de transformadores, indutores, conversores, sincronizadores e semelhantes, com fundamento no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9317/1996. Cientificada em 11..10 2004 do indeferimento de sua Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples - SRS, em 10/11/2004 apresenta a interessada seu inconformismo por intermédio da impugnação de fls. 02/22, subscrita por seu advogado (procuração - fl. 23), na qual se alega, em síntese, que: 1) a empresa tem como atividade reparo e manutenção de disjuntores, a qual não guarda nenhuma relação com as atividades de reparo e manutenção de transfbrmadores, indutores e conversores (descreve o fenômeno eletrostático); acrescenta-se que se aquelas atividades envolvem conhecimentos específicos de engenheiros, não são autorizadas a tecnólogos (profissão do sócio da empresa e não regulamentada), sendo disjuntores elétricos equipamentos simples destinados a abrir ou fechar um circuito elétrico; 2) a citação na resposta da SRS da Resolução Confea n° 218/73 significa a inclusão de novos motivos para fundamentar a exclusão da empresa do Simples, devendo ser revogado o ato declaratório e expedido outro; 3) não existe qualquer indicação no objetivo social da empresa que aponte no sentido de que sua atividade deva ser adstrita ao exercício profissional de engenheiro; 4) aponta dificuldades para efetivo enquadramento de sua atividade no CNAE, pelo que pede indicação da autoridade fiscal para tanto; 5) requer o reconhecimento da exclusão indevida, bem como que as • intimações sejam dirigidas aos advogados constituídos, no endereço que indica." A DRI/RPO, ao analisar a questão, decidiu, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: 1) O CNAE adotado não mantém relação direta com os serviços prestados pelo recorrente; 2) Atividades relacionadas com o conhecimento técnico de Engenheiros n:ão,podern ser exercidas por Tecnólogos; 2 Processo n° 1.3855 002126/2004-41 SI-C3T2 Acórdão n " 1302-00.219 Fl. 166 3) A atividade de tecnólogo permite a realização de atos restritos aos engenheiros, o que afasta o inciso XIII, do art, 90, da Lei 9317/96; 4) O julgador a quo não efetuou a conversão do julgamento em diligência, nos termos do art. 16, IV, e 18, ambos do Decreto n° 70.235/72, para análise do fundamento técnico-científico embasador da pretensão; 5) As atividades de reparo de disjuntores não guardam relação com as atividades de reparo de conversores, transformadores e indutores, por se tratarem de equipamentos diversos e se destinarem a aplicações distintas; 6) Os disjuntores são equipamentos simples e podem ser manuseados por qualquer pessoa, conforme, inclusive, atestado por norma da ABNT; 7) O objeto social da pessoa jurídica, previsto em seu contrato social, é a exploração do comércio de produtos elétricos, eletrônicos, mecânicos e de instrumentação e prestação de serviços, as quais não são atividades restritas pela Lei 9„317/96; 8) A função de tecnólogo é diferente da função de engenheiro (sendo, em alguns casos, sujeita à supervisão e direção de engenheiro), e a profissão de tecnólogo não está regulamentada em lei, o que é bastante para se proceder ao desenquadramento legal feito no ADE de exclusão; 9) A dúvida quanto ao alcance das vedações é tão grande que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil editou portaria para regulamentar quais atividades são vedadas no regime do Simples Nacional. Assim, sobrevindo ulteriormente tal norma, deve ser concedido tratamento diferenciado aos casos anteriores a ela; Neste sentido, requer a manutenção no SIMPLES, e a improcedência da decisão que manteve o ADE de exclusão. É o relatório. /.> , 3 Voto Conselheiro EDUARDO DE ANDRADE O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre asseverar que o julgador, tendo formado seu convencimento, pode livremente prescindir da realização de perícias e diligências, posto que sua finalidade é, exatamente, a de possibilitar a formação de tal convicção. O art. 29 do Decreto n° 70,235/72 não permite outra interpretação que não seja a de que veicula urna faculdade do julgador. Demais disso, o terna não exige aprofundamento suplementar, sendo possível proceder ao julgamento com os elementos que se dispõe. Assim, indefiro o pedido de diligência e perícia e afasto a preliminar de nulidade. A defesa sustenta, ainda, que a Resolução CONFEA n° 218/73 foi substituída pela Resolução CONFEA n°313/86 (indevidamente citada corno de n° 131/86). Tal fato não se verifica, posto que a Resolução 313/86 disciplina o exercício da profissão de tecnólogo, enquanto a Resolução 218/73 discrimina as atividades do engenheiro. Nem ao menos pode se crer, por hipótese, que o artigo final da Resolução 313/86, tenha revogado tacitamente aquela outra norma, posto que tratam de temas distintos. Demais disso, não fez qualquer prova da possível revogação da norma que acusa não ter vigor à época dos fatos, por qualquer' outro meio possível de verificação, sendo certo que referida Resolução consta como vigente no sítio do CONFEA. Assim, rejeito também a preliminar de nulidade com base na invocação de utilização de norma revogada para dar supedâneo à exclusão, na análise da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS). A vedação contida no inciso XIII, do art. 9', da Lei tf 9.317/96 alberga as pessoas jurídicas que prestam serviços profissionais próprios daquelas profissões ali elencadas, de profissões assemelhadas a elas, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação exigida por lei. A exclusão se fundamentou na seguinte situação excludente: Situação exchtdente (evento 306): - Descrição: atividade econômica vedada 3112-7/02 Instalação, reparação e manutenção de transformadores indutores, COM,ersores, sincronizadores e. se.rnelhantes Foram juntadas às fis.34/43 notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de disjuntores. 4 Processo n°13855.002126/2004-41 SI-C3T2 Acórdi.io n." 1302-00.219 Fl 167 i A questão crucial a vencer é saber se a atividade de manutenção de disjuntores e de geradores é vedada para ingresso no Simples; ou seja, se é atividade de engenharia, assemelhada a engenharia, ou constante de profissão cujo exercício dependa de lei. O Ato declaratório de exclusão foi baseado em mera descrição do CNAE declarado para o cadastro no CNN, sem qualquer averiguação adicional, O CNAE que motivou a exclusão inclui as atividades de instalação, reparação e manutenção de transformadores, indutores, conversores, sincmnizadores e semelhantes_ Neste sentido, cumpre notar que a exclusão se deu com base na semelhança da semelhança, ou seja, o disjuntor como semelhante ao transformador, indutor; conversor e sincronizador, e o exercício da atividade de manutenção de disjuntor como semelhante a atividade de engenheiro. Tamanha analogia merecia aprofundamento. Nenhuma outra investigação ou averiguação suplementar foi Proferida pela unidade local da RFB, previamente à exclusão. O recorrente, por sua vez, juntou notas fiscais e normas técnicas que demonstram seu exercício da atividade de manutenção de disjuntor e que o manuseio de tais aparelhos não requer conhecimentos específicos. Desta forma, o enquadramento da atividade exercida pelo contribuinte no inciso XIII do art. 90, com base na singela investigação feita, não restou evidenciado. Isto posto, voto para \dar provimento ao recurso voluntário. . .,,‘ n\ , . 4 EDUARDO DE\ND ADE - Relator 5
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Numero do processo: 10730.001864/2007-32
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS – PRESUNÇÃO SIMPLES. A presunção simples é admitida para a exigência de tributos federais desde que seja feita a prova com indícios convergentes. A substituição do comprador dos produto, por si só, não comprova que os produtos foram entregues ao adquirente original. GLOSA DE DESPESA E IRRF POR PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO – Comprovando a empresa que os pagamentos foram feitos a empregados por remuneração por serviços prestados e a retenção do IRRF quando devido, descabe a glosa como despesa e a exigência de IRRF. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.666
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar as parcelas remanescentes da exigência, objeto do recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrente MARINE PRODUCTION SYSTEMS DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS – PRESUNÇÃO SIMPLES. A presunção simples é admitida para a exigência de tributos federais desde que seja feita a prova com indícios convergentes. A substituição do comprador dos produto, por si só, não comprova que os produtos foram entregues ao adquirente original. GLOSA DE DESPESA E IRRF POR PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO – Comprovando a empresa que os pagamentos foram feitos a empregados por remuneração por serviços prestados e a retenção do IRRF quando devido, descabe a glosa como despesa e a exigência de IRRF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar as parcelas remanescentes da exigência, objeto do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório MARINE PRODUCTION SYSTEMS DO BRASIL LTDA, , com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida, prolatada pela 7a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro I RJ (verbis): Tratase do lançamento de oficio de fls. 05/20, com ciência em 16/03/2007, através do qual é exigido da interessada o Imposto de Renda IRPJ, no valor de R$ 15.332.432,40, com juros de mora e multa de oficio de 75%, relativo ao ano calendário de 2002. Com base no Termo de Constatação Fiscal, foram apuradas as seguintes infrações: a. Omissão de Receitas — Receitas não declaradas A omissão de declaração de Receita foi originada devido à falta de emissão de notas fiscais de venda, relativas aos produtos denominados UMBILICAIS, fabricados pela autuada, em cumprimento ao Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais em Termos de "chaves de mão" (Turkney) assinado com a empresa HALLIBURTON Produtos Limitada em 20/03/2001. A base de cálculo desta autuação é de R$ 61.137.292,23, correspondente ao montante de pagamentos recebidos nos anos calendário de 2001 e 2002. A autuada foi construindo os Umbilicais durante o período de março/2001 a dezembro/2002, com recebimentos de recursos financeiros, em pagamentos progressivos, das etapas cumpridas de produção, que foram contabilizados na conta Receitas Diferidas, em virtude da prerrogativa legal de tributação dos impostos federais quando do término do Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais. Em 23/12/2002, foi celebrado uma Alteração Contratual de Aditamento ao Subcontrato de Fornecimento de Umbilicais, passando a constar como contratante a empresa estrangeira denominada KBR Kellogg Brown & Root, Inc. com a saída da contratante original Halliburton. No mesmo dia 23/12/2002, a autuada transferiu, através de lançamento contábil, o valor total dos adiantamentos recebidos (contabilizados na conta de Receitas Diferidas) para a conta contábil denominada Contas a Pagar constante do Passivo Circulante da empresa, sem efetuar as emissões de Notas Fiscais de Vendas dos Produtos — Umbilicais, evitando a tributação dos impostos federais. Ficou constatado que a empresa KBR (Kellog Brow & Root), a partir de novembro/2002, começou a transferir recursos financeiros para a autuada, em pagamento para fabricação de novos Umbilicais, já ocorrendo a tributação desde então, com a efetiva entrega dos produtos com emissão de Notas Fiscais. Ficou também constatado que a empresa KBR efetuou um depósito bancário em 20 de fevereiro de 2003, no valor de R$ 67.895.471,46, na conta corrente da autuada. No mesmo dia, a autuada usou os recursos para efetuar o pagamento a Halliburton, em quitação do valor de R$ 76.404.060,98, referente à exigibilidade provisionada Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 3 3 "irregularmente" a crédito da própria Halliburton, na conta contábil denominada Contas a Pagar. Entretanto, a autuada não emitiu qualquer Nota Fiscal de Venda no valor de R$ 67.895.471,46 e/ou qualquer outro valor aproximado, em fevereiro de 2003, que pudesse comprovar a tributação dos impostos federais relativos aos recursos recebidos entre maio/2001 a dezembro/2002 para construção dos Umbilicais. Enquadramento Legal : art. 283 do RIR199; Regulamento do IPI — Decreto 2637, de 25/06/1998 e Lei n° 4.502/64. b. Despesas indedutiveis — Despesas Financeiras. A empresa não adicionou ao lucro real do anocalendário de 2002 a parcela do seguro fmanceiro, no valor de R$ 293.020,00, referente as operações de HEDGE (garantia sobre oscilações significativas de câmbio, sobre seus ativos financeiros constituídos em moeda estrangeira) para o período de 01/01/2003 a 01/04/2003 (anocalendário seguinte). Enquadramento Legal: art. 247 §2°, 273, 324 do RIR199. c. Despesas não comprovadas — pagamento a beneficiário não identificado A empresa não apresentou os comprovantes que serviram de base para os lançamentos contábeis das despesas, sem identificação (nos históricos contábeis) dos reais beneficiários dos recursos financeiros aplicados, no valor de R$ 167.679,77. Enquadramento Legal: art. 304 do RIR/99. d. Despesas au comprovadas — pagamentos a beneficiários identificados. A empresa não apresentou os comprovantes que serviram de base para os lançamentos contábeis, com identificação (nos históricos contábeis) dos reais beneficiários dos recursos financeiros aplicados, no valor total de R$ 38.953,00. Enquadramento Legal: art. 264 do RIR199 e. Despesas não necessárias — Remessas de Recursos Financeiros ao exterior Não houve a comprovação da real necessidade operacional da remessa ao exterior para pagamento de hospedagem, no valor de R$ 2.096,64, tratandose de mera liberalidade da autuada. Enquadramento Legal: 299 do RIR199 Em decorrência das infrações apuradas, foi lavrado auto de infração de CSLL, fls. 31/37, no valor de R$ 5.521.637,25, com multa de oficio e juros de mora. Em decorrência apenas da infração de Omissão de Receita (a), foram lavrados autos de infração de PIS (fls. 21/25), no valor de R$ 1.008.765,32, e COFINS (fls. 26/30), no valor de R$ 1.834.118,76, todos com multa de oficio e juros de mora. Em decorrência da infração (c) Despesa não comprovada — beneficiário não identificado, foi lavrado auto de infração de IRRF (fls. 38/42), no valor de R$ 59.581,63, com multa de oficio e juros de mora. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou impugnação em 17/04/2007 (fl. 515/536), na qual alega: 1. A interessada requer a conexão de todos os lançamentos decorrentes do MPF n° 0710200/00179/2006, conforme preceitua o §1°, do art. 9° do Decreto n° 70.235/72. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 4 4 2. Do direito — Nulidade e improcedência do Auto de Infração. a. Omissão de declaração de receitas operacionais — falta de emissão de notas fiscais de venda de produtos. A interessada é pessoa jurídica de direito privado, regularmente constituída, cujo objetivo social 6, dentre outros, a fabricação e comercialização de umbilicais, e foi contratada pela empresa Halliburton Produtos LTDA, em 20 de março de 2001, para fornecer umbilicais. Considerando o porte do umbilical, durante o período compreendido entre março de 2001 e dezembro de 2002, tal produto estava em pleno processo fabril. Por conta disso, neste lapso de tempo, a interessada recebeu diversos adiantamentos de valores do subcontratante e, com base na legislação pertinente, escriturou ditos numéricos na conta "receitas diferidas". Tratase de um pacto atípico (artigo 425 do Código Civil), não formal, de duração ou execução continuada, porque o tempo constitui elemento substancial de determinação. No contrato de fornecimento, ao tempo de sua celebração, o acordo entre as partes não necessita preencher todos os seus requisitos, pois, ern muitos casos, somente com a superveniência da realização da prestação é que saberseá realmente o seu montante, as condições de sua entrega e seu preço, não podendo ser comparado a um contrato de "compra e venda". Dai o adiantamento de "recursos financeiros, em pagamentos progressivos, das etapas cumpridas de produção" e da escrituração em receitas diferidas. Em 23 de dezembro de 2002, o subcontrato de fornecimento de umbilicais sofreu uma alteração, sendo uma modalidade de transmissão de obrigação por cessão, qual seja, a cessão da posição contratual ou cessão de contrato ou alienação de contrato. Constitui este tipo de transmissão obrigacional o meio dirigido á. circulação da relação contratual, isto 6, a transferência ex negotio por uma das partes contratuais (CEDENTE—Halliburton), com ou sem consentimento do outro contraente (CESSIONÁRIO — a interessada), para um terceiro (CESSIONARIO — KBR Kellog Brown & Root Inc), do complexo de posições ativas e passivas criadas por um contrato. Operase, assim, o ingresso negocial de um terceiro na posição de parte contratual do cedente, isto 6, na titularidade, antes encabeçada neste, da relação contratual. E esta modalidade de transmissão obrigacional entre Halliburton e KBR foi viável porque inexistiu o do di des (dar alguma coisa contra o dar o pagamento do preço), característico do contrato de compra e venda. Em face desta expromissão liberatória, da atipicidade do contrato de fornecimento e, conseqüentemente, da inevitável devolução dos recursos fmanceiros que foram adiantados pela Halliburton, não restou a interessada o dever contábil de redirecionar os valores recebidos como adiantamento pela Halliburton da conta "receitas diferidas" para a conta "passivo circulante". Quando o contrato de fornecimento alcançou a fase do di des (dar alguma coisa contra o dar o pagamento do preço), ocorreram pagamentos dos tributos federais incidentes. A transferência dos recursos financeiros da KBR, a partir de dezembro/2002 não se destinou nem se constituiu em "pagamento pela fabricação de novos umbilicais", Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 5 5 mas sim pela fabricação, que já vinha sendo feito antes, e entrega, que se verificou depois, dos mesmíssimos umbilicais objeto do subcontrato entre a Halliburton e a interessada. Eis por que se fez uma cessão de posição contratual: os mesmos umbilicais que vinham sendo fabricados pela interessada para entrega a Halliburton, e pelos quais esta última fizera pagamentos àquela, teriam que ser doravante entregues a KBR. Ademais, a KBR depositou o saldo remanescente relativo ao fornecimento de umbilicais, e a interessada fez retornar a Halliburton o valor integral que the havia sido adiantado, para que não recebesse duas vezes o mesmo valor. Alega também o cerceamento de defesa, pois não logrou entender a razão que levou o agente fiscal concluir que a interessada deveria emitir Notas Fiscais de venda de umbilicais em favor da Halliburton, uma vez que o próprio autuante constatou que: a interessada recebeu adiantamentos para fabricação dos umbilicais; que houve a cessão do subcontrato a KBR antes da entrega dos umbilicais; a interessada passara a ser devedora dos recursos financeiros, que lhe foram adiantados, para a Halliburton. 0 agente fiscal entendeu ser matéria determinável (artigo 142 do CTN) o redirecionamento dos recursos da conta "receitas tributáveis" para a conta "passivo circulante", apesar dele mesmo esclarecer que o total dos montantes adiantados foi efetivamente restituído para a Halliburton. Mais, como poderia concluir que a interessada deveria ter tributado os umbilicais em processo de fabricação como se produtos acabados e vendidos fossem, ferindo a razoabilidade e tipicidade. Eis o motivo pelo qual a interessada insiste no cerceamento de defesa: esta, simplesmente, não pode começar a entender qual é a matéria determinável. A única explicação seria que se trata de uma presunção que não teve respaldo legal. Apesar de explicitar que se trata de uma mera suposição (artificio contábil para a não tributação), o agente fiscal fundamenta sua exigência no art. 283 do RIR/99, o qual se relaciona com a venda de produtos sem notafiscal (omissão de receitas). Ora, caso a KBR tivesse reembolsado diretamente à das quantias adiantadas, a interessada jamais teria transferido esses valores da conta "receitas diferidas" para a conta de "passivo circulante", mas sim mantida a escrituração contábil até o momento da venda dos umbilicais para a nova titular do subcontrato de fornecimento de umbilicais. As Notas Fiscais só podem ser emitidas quando da saída dos bens do estabelecimento fornecedor, até porque, de acordo com a legislação que rege os tributos indiretos (IPI, ICMS, etc.), deve acompanhar o percurso entre tal saída e a entrada no estabelecimento do destinatário. A presunção de que os valores oriundos da KBR fmanciariam a fabricação de novos umbilicais não tem qualquer respaldo no Termo de Verificação, que: (i) durante o período em que a figurou no subcontrato de fornecimento de umbilicais, estes estavam em fase de fabricação; (ii) não se tratou de "novos umbilicais", mas os mesmos umbilicais; e, (iii) os valores adiantados pela Halliburton foram totalmente restituidos mesma, como no próprio Termo de Verificação reconhece. Para comprovação, anexa "Boletim de Medição", referente ao percentual de execução dos produtos fabricados com os adiantamentos feitos pela contratante original, venda destes umbilicais em nome da KBR, as quais, nos termos da própria fiscalização, começaram a partir dai (novembro/2002) a serem tributados pelos impostos federais. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 6 6 b. Despesas não dedutiveis Despesas financeiras Houve a glosa de despesa financeira decorrente de operações de "hedge", as quais, segundo entendimento da fiscalização, somente poderia ser apropriada pró rata temporis. Ocorre que, independentemente da discussão sobre a possibilidade de a interessada poder se apropriar da despesa no anocalendário no qual o contrato fmanceiro foi firmado, a bem da verdade, este item do auto de infração está maculado por vicio insanável. Tratase de postergação de imposto, somente podendo ser adicionadas na apuração do lucro real as despesas antecipadas, desde que as mesmas sejam excluídas do lucro liquido do periodobase de competência, conforme entendimento do Parecer Normativo n° 2, de 28 de agosto de 1996. Logo, o lançamento deve ser considerado nulo por vicio formal. Cabe ressaltar que a cobrança da multa de oficio não possui qualquer amparo legal, posto que, na postergação de imposto, o § 7° do artigo 6° do Decretolei n° 1.598/77 determina a cobrança, exclusiva, da correção monetária e dos juros de mora. Por fim, anexa a DIPJ do ano seguinte para comprovação que não apurou prejuízo fiscal. c. Despesas não comprovadas — pagamento a beneficiário não identificado. Relativo ao valor de R$ 156.045,45 (cento cinqüenta e seis mil, quarenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos), a interessada traz A. colação documentos que comprovam que o valor questionado se refere A. folha de pagamento, cujo montante se reflete na DIRF do Ines outubro de 2002 (documento n° 5), devendo ser considerada como dedutivel para fins de apuração do lucro real, bem como não considerada para o lançamento do IRRF. Para os demais valores, traz comprovante de quitação com redução de 50% da multa de oficio. d. Despesas não comprovadas — pagamento a beneficiário identificado. Foi efetuado um estorno bancário de R$ 33.000,00 pela empresa Moriall Assessoria Global Serviços de Assessoria Aduaneira, então prestadora de serviços à interessada. Para os demais valores, traz comprovante de quitação com redução de 50% da multa de oficio. e. Despesas não necessárias — Remessas de recursos ao exterior. A interessada não pretende contestar esta infração, apresentando o comprovante de quitação com redução de 50% da multa de oficio. a fiscalizada celebrou, em 20/03/2001, subcontrato com a empresa Halliburton Produtos Ltda. para fornecimento de cabos umbilicais em termos “chaves em mão” (turnkey), conforme instrumento de fls. 79/270 dos anexos 1 e 2; a fiscalizada foi construindo os cabos umbilicais durante o período de março de 2001 a dezembro de 2002, com recebimento de recursos financeiros em pagamentos progressivos, das etapas cumpridas da produção, com entrega (sem emissão de notas fiscais) dos produtos à Halliburton em seu estabelecimento, mesmo local em que a fiscalizada encontrase domiciliada; foi constatado que a fiscalizada foi (acertadamente) contabilizando estes recebimentos de recursos financeiros na conta Receitas Diferidas, em virtude da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 7 7 prerrogativa legal de tributação dos impostos federais quando do término do citado subcontrato; em 23/12/2002 foi celebrada uma alteração contratual de aditamento ao referido subcontrato, passando a constar como contratante a empresa estrangeira KBR Kellog Brown & Root Inc., com saída da Halliburton. Nessa mesma data a fiscalizada simplesmente transferiu, através de lançamento contábil, o valor total dos adiantamentos recebidos da Halliburton e registrados na conta Receitas Diferidas para a conta Contas a Pagar constante do passivo circulante, sem efetuar as emissões das notas fiscais de venda dos produtos, para fins de tributação dos impostos federais; restou constatado que a fabricação dos cabos umbilicais pela fiscalizada, em cumprimento ao subcontrato assinado com a Halliburton em 20/03/2001 não foi tributada dos impostos federais; restou constatado que o lançamento contábil de transferência dos recursos recebidos da conta Receitas Diferidas para a conta Contas a Pagar foi um artifício contábil para a não tributação dos impostos federais; ficou constatado que a empresa KBR, a partir de novembro de 2002, começou a transferir recursos financeiros para a fiscalizada em pagamento pela fabricação de novos cabos umbilicais, que começaram a partir de então a ser tributados dos impostos federais, com a efetiva entrega dos produtos e emissão das respectivas notas fiscais destinadas ao exterior (exportação); em razão do acima exposto, foi lavrado o auto de infração de fls. 5/20, já que, intimada para tanto, a fiscalizada não conseguiu comprovar a tributação dos recursos financeiros recebidos da Halliburton para construção dos cabos umbilicais; Cientificada da autuação, a interessada impugnou a exigência (fls. 324/339), pedindo ao final seja julgado nulo ou improcedente o lançamento, sob as seguintes alegações, em síntese: a impugnante é pessoa jurídica cujo objetivo social é “a fabricação e comercialização de cabos, umbilicais, tubos e oleodutos flexíveis e outros e outros produtos afins ou conexos, destinados a aplicação em campo submarino de exploração de petróleo ou transporte de fluidos em geral (...)” (fls. 348/355); em virtude de sua especialização, em 20/03/2001 foi subcontratada pela empresa Halliburton Produtos Ltda. para fornecer cabos umbilicais, conforme relatado pela autoridade fiscal; considerando o porte do umbilical, durante o período compreendido entre março de 2001 e dezembro de 2002, em que produto estava em pleno processo fabril, recebeu diversos adiantamentos da Halliburton e, com base na legislação pertinente, escriturou dito numerário na conta Receitas Diferidas, como também atestado pelo agente fiscal. Não se trata, portanto, de um contrato de compra e venda simples, mas pacto atípico (art. 425 do Código Civil de 2002), não formal, de duração ou execução continuada; em 23 de dezembro de 2002 o subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais sofreu uma alteração, qual seja, a cessão de posição contratual da Halliburton em favor da empresa americana KBR Kellog Brown & Root Inc. (fls. 357/368), fato esse também constatado pelo auditor; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 8 8 em face da dita cessão de posição contratual, à impugnante coube o dever de devolver à Halliburton os recursos financeiros que lhe foram adiantados, razão pela qual debitou o valor escriturado na conta Receitas Diferidas contra a conta Contas a Pagar; tenhase em mente que quando o subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais alcançou a fase do di des (dar alguma coisa contra dar o pagamento do preço), ocorreram os pagamentos dos tributos federais incidentes. Aliás, quase exato verdadeiro é o relato feito pelo auditor, a saber: Ficou constatado, que a empresa KBR (Kellog Brown & Root), a partir de novembro de 2002, começou a transferir recursos financeiros para a Marine (em pagamento pela fabricação de novos Umbilicais), que começaram a partir daí (novembro de 2002), a serem tributados dos impostos federais, com as efetivas entregas dos mesmos com emissões de notas fiscais de vendas destinadas ao exterior (exportação); dizse que o relato do fiscal foi quase exato e perfeito porque por que a transferência de recursos financeiros pela KBR à impugnante, a partir de dezembro de 2002, não se destinou nem se constituiu em pagamento pela fabricação de novos umbilicais, mas sim pagamento pela fabricação (que já vinha sendo feita antes) e entrega (que se verificou depois) dos mesmíssimos umbilicais objeto do subcontrato celebrado inicialmente entre a Halliburton e a impugnante; eis porque se fez uma cessão de posição contratual. Porque os mesmos umbilicais que vinham sendo fabricados pela impugnante para entrega à Halliburton teriam que ser doravante entregue à KBR; além da improcedência do lançamento, é de se arguir também a sua nulidade, por cerceamento do direito de defesa. De fato, quem quer que examine o termo de constatação fiscal não logrará entender a razão que levou o auditor a concluir que a impugnante deveria emitir notas fiscais de venda em favor da Halliburton; Pede ainda a impugnante a conexão de todos os lançamentos decorrentes do MPF nº 0710200/00179/2006, conforme preceitua o § 1º do art. 9º do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 113 da Lei nº 11.196/2005. Em razão de este relator ter considerado que a autoridade fiscal, no caso, não apontou claramente a ocorrência do fato gerador do IPI (arts. 32 e 33 do RIPI98), foi solicitada realização de diligência para que fosse esclarecida a questão (fls. 511/513). Em seu relatório de diligência (fls. 515/516), a autoridade repete, agora um pouco mais detalhadamente, o que já havia informado no termo de constatação fiscal. Intimada a se manifestar sobre o relatório de diligência, a interessada limitouse a dizer que a autoridade apenas repetiu o que havia dito no termo de constatação fiscal, e que portanto não respondeu aos quesitos formulados no pedido de diligência (fls. 517/519). A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 9 9 NULIDADE Inocorrência O lançamento com base nos preceitos legais, bem como a observância do amplo direito de defesa afasta a hipótese de nulidade do lançamento. IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Caracteriza omissão de receita a entrega de produtos sem a emissão da Nota Fiscal (Lei n° 8.846, de 1994, art. 2°) IRPJ DESPESA FINANCEIRA Incabível o lançamento quando a infração constatada tratase de postergação de imposto, tendo como fundamento a inobservância do regime de competência. Deveria ter sido observado, na formalização do lançamento, as orientações do Parecer Normativa COSIT N° 2/96. IRPJ DESPESA NÃO COMPROVADA BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Não são dedutiveis as despesas quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei n° 3.470, de 1958, art. 2°). IRPJ DESPESA NÃO COMPROVADA BENEFICIÁRIO IDENTIFICADO Incabível o lançamento quando a interessada comprova que o valor foi estornado, além de que o pagamento foi contabilizado em conta do ativo, não configurando despesa. DECORRÊNCIA CSLL Por ser lançamento decorrente das infrações apuradas, consideradas parcialmente procedentes, o mesmo tratamento deverá ter a contribuição social, exonerandose a parcela excluída. DECORRÊNCIA PIS COFINS IRRF Por serem lançamentos decorrentes das infrações consideradas procedentes, o mesmo tratamento deverão ter, sendo mantida a cobrança dos créditos tributários apurados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Estão definitivamente constituídos, não cabendo recurso, os créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRRF pagos, decorrentes d infração despesas não comprovadas e despesas não necessárias. Lançamento procedente em parte. Inconformada a empresa através de seu procurador, apresentou o recurso voluntário de folhas 915 a 933, argumentando em síntese o seguinte: DO IRPJ que pelo mesmo fato “falta de emissão de notas fiscais de venda de produtos para a empresa nacional Halliburton Produtos Ltda, em cumprimento do sub contrato de fornecimento de cabos umbilicais em termos chaves de mão (turnkey)” foram exigidos além dos tributos lançados neste processo o IPI objeto do processo nº 10730.001860/200754, julgado pela DRJ em Juiz de Fora MG, objeto do acórdão nº 09 19.027 proferido pela 2ª Turma, tendo aquela Turma afastado a exigência mesmo depois de convertido o julgamento em diligência, (DOC 02 fls. 956 a 964); afirma não ser possível um mesmo fato ser verdadeiro para fins de exigência do IRPJ e falso para efeito de IPI; pede a nulidade da decisão em relação ao item “a” omissão de receitas por incompetência territorial e material, uma vez que a Turma Julgadora deveria ter sustado o Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 10 10 julgamento e aguardado a solução dada pela DRJ em Juiz de Fora quanto ao IPI, para aproveitála para efeito de IRPJ e reflexos, isto porque a decisão da DRJ Juiz de Fora é verdadeira questão prejudicial do item “a” da decisão de folhas 886 a 888 dos presentes autos; diz que se a Decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora concluiu pela inexistência da entrega (“saída” de produtos industriais (UMBILICAIS) vendidos pela Recorrente sob contrato cedido antes dela, e, conseqüentemente, pela inexistência de fato gerador do IPI, então não há o que se falar em omissão de receita tributável por IRPJ, CSLL, PIS E COFINS; traz jurisprudência judicial sobre a invalidade de lançamentos reflexos ou decorrentes de outros enquanto o principal não tem decisão definitiva na esfera administrativa; a segunda solução entende o recorrente seria julgarse improcedente o lançamento realizado com base em omissão de receitas. diz ser o processo administrativo tributário uma espécie de que é o gênero o processo, em geral, e, por isso, se rege pelos mesmos princípios processuais estampados na Constituição e, subsidiariamente, no Código de Processo Civil (CPC). Traz como exemplo jurisprudência administrativa contida no acórdão 10243.125 de relatoria do exConselheiro José Clóvis Alves; afirma que quando for possível decidir o mérito a favor do recorrente a quem aproveitaria a decretação de nulidade o juiz não pronunciará e nem mandará repetir o ato, ou suprir a falta. Cita diversas decisões do Conselho de Contribuintes, entre elas o acórdão 20305.125 de relatoria do saudoso Conselheiro Renato Scalco Isquierdo; afirma ser indevida a acusação de omissão de receitas pois houve presunção de que os “umbilicais” tivessem saído e sido entregues à empresa Halliburton em 2002; passa a transcrever trechos da decisão da DRJ em Juiz de fora, e conclui que a decisão recorrida tenta inverter o ônus da prova que seria da fiscalização e não dela, e conclui que pela decisão citada dá para concluir que a DRJ no Rio de Janeiro não fez o “dever de casa” que lhes fora proposto através da impugnação ofertada pela recorrente e dos documentos acostados aos autos. Se tivessem examinado os contratos não rotulariam de “contrato de substituição” o que é contrato de cessão de posição contratual, instituto de direito civil (art. 110 do CTN) plenamente reconhecido pelos membros da 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora; diz não ter validade a presunção do homem no direito tributário quando isolada e única. Diz que a incidência tributária é aquela prevista na lei como bastante para ocorrência do fato gerador não podendo existir ou ser declarada existente e efetivada por presunção humana. Cita decisão do TRF; cita doutrina de Moacyr Amaral Santos na obra “Comentários ao Código de Processo Civl”, segundo a qual “ presunção legal dispensa o ônus da prova àquela que tem a seu favor, deve ser assim entendida: a) quem invoca a presunção legal não deve provar o fato presumido pela lei mas, b) deverá provar os fatos nos quais se funda a presunção; aponta também doutrina de Gilberto Ulhoa Canto, para concluir ser completamente vã a tentativa perpetrada pela decisão recorrida, de inverter o ônus da prova Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 11 11 quanto ao fato (indício) – no caso, a entrega dos UMBILICAIS à Halliburton em 2002 – do qual se extraiu a presunção de omissão de receitas; discorre sobre o fato da DRJ Juiz de Fora ter baixado o processo em diligência para dar mais uma chance ao Auditor Fiscal de provar a ocorrência de omissão de receitas, que poderia ser feita através de uma auditoria de produção e circularização para coleta de informações junto aos adquirentes finais, mas nada foi feito o Auditor simplesmente reafirmou o que já tinha dito no lançamento. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO EM RELAÇÃO AO ITEM “C” DESPESAS NÃO COMPROVADAS – E IRRF. Afirma que trouxe aos autos as provas de que os pagamentos foram feitos a funcionários inclusive as DIRFs, e que a planilha objetivou apenas facilitar a comprovação da despesa no montante de R$ 156.045,45 perante os julgadores. Diz que não houve um exame mais cuidadoso dos documentos e por isso mantevese o lançamento em relação a este item e valor. IRPJ E CSLL – VALORES NÃO IMPUGNADOS Afirma que recolheu corretamente os valores pois sobre as despesas glosadas com as quais concordou, abateu 30% no IRPJ e CSLL relativos a prejuízos e bases negativas de CSLL e diz que nem mesmo isso os membros da Turma recorrida foi capaz de aviguar. REQUER O sobrestamento dos autos até o julgamento do recurso de ofício relativo ao IPI, Seja julgado improcedente os lançamentos nas partes impugnadas e se assim não for seja declarado nulo o item “a” da decisão recorrida por ser distinta a decisão daquela tomada pela DRJ Juiz de Fora que na realidade detém a competência para o julgamento. Seja julgado improcedente o lançamento relativo ao item “c”, em virtude da comprovação eis que a despesa fora comprovada bem como seus beneficiários. Finalmente que sejam considerados os recolhimentos feitos com o abatimento de 30% nas suas bases de cálculo. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 12 12 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Passo a apreciar as alegações de mérito. Inicio pelo item (“A”)do Auto de Infração: omissão de receitas. A lide se resume em saber se os “UMBILICAIS”, que vinham sendo fabricados pela Marine para a empresa Halliburton, foram ou não entregues a essa e não tributados, ou se não houve a entrega à antiga contratante e sim à Kelloogg Brawn e Rott. Analisando os autos verificase que a prova existente é a transferência do contrato de fornecimento da Halliburton para a Kellogg, para daí a fiscalização presumir que os UMBILICAIS foram entregues para Hallibuton. O Fisco não realizou auditoria de produção ou estoque, não circularizou junto aos compradores dos produtos para verificar se foram ou não entregues, não juntou cópia de conhecimentos de transportes ou quaisquer outros documentos que pudessem no conjunto validar uma presunção simples. É certo que a presunção é aceita no direito tributário, porém ou ela é legal, na qual basta a autoridade provar o fato indiciário ou se presunção simples deve a autoridade lançadora buscar diversos indícios convergente que possam induzir a mente humana à conclusão de que determinado fato no mundo fenomênico tenha ocorrido; de nada disso se incumbiu a autoridade lançadora, deixando de cumprir a previsão contida no artigo 142 do CTN. A decisão contida no acórdão 0919.027 de 10 de março de 2008, fl. 956, tratou do mesmo tema aplicado à mesma empresa fruto da mesma fiscalização e concluiu pela improcedência do lançamento, por falta de prova quanto à ocorrência do fato gerador objeto da acusação, saída de produto sem nota fiscal. Bom ressaltar que o caso é típico de reflexo do IPI no IRPJ, pois foi a acusação de omissão de receitas que levou à exigência do IPI, fato esse tipificado na legislação do IRPJ. A decisão de 1a. instancia proferida no auto de infração do IPI, 10730.001864/200732, exonerou a exigência. Vejamos o fundamentos do voto condutor da lavra do ilustre julgador Marcelo Cuba Neto, atualmente conselheiro da 2a Câmara deste Seção do CARF (verbis): “[...] De acordo com o descrito à fl. 6, foi a seguinte a infração apurada pela autoridade tributária: PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 13 13 VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL APURADA EM DECORRÊNCIA DE RECEITA NÃO COMPROVADA Falta de lançamento do IPI caracterizada pela saída do estabelecimento, de produtos denominados UMBILICAIS, sem emissão de notas fiscais de venda, contra a empresa contratante (nacional) denominada HALLIBURTON PRODUTOS LTDA., tendo em vista o cumprimento do Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais em Termos “chaves de mão” (Turnkey), assinado com a empresa contratante (Halliburton) em 20/03/2001; com recebimentos de recursos financeiros, em pagamentos progressivos, desde maio de 2001, das etapas cumpridas da produção e entrega dos Umbilicais à Petrobrás S.A. (contratante original dos produtos). É de se indagar, primeiramente, qual o fato que levou o auditor a concluir que houve saída de produtos do estabelecimento industrial (fato gerador do IPI) sem emissão de nota fiscal. E a resposta está no trecho acima transcrito, especialmente quando afirmou que houve o cumprimento do subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais assinado entre a fiscalizada e a empresa Halliburton Produtos Ltda. (vide cópia do subcontrato às fls. 79/270 dos anexos 1 e 2). Em outras palavras, segundo a sua descrição, é exatamente por ter constatado que houve o cumprimento do referido subcontrato que o auditor concluiu que houve saída dos cabos umbilicais do estabelecimento da contribuinte. E como a fiscalizada, intimada para tanto, não apresentou as notas fiscais relativas a esta saída, concluiu também o auditor que aqueles produtos saíram do estabelecimento da empresa sem emissão das competentes notas fiscais de venda. É importante ressaltar, então, que a conclusão de que os produtos saíram sem emissão de nota fiscal não está fundamentada em auditoria de estoque, em auditoria de produção ou em uma das hipóteses de presunção legal de omissão de receitas previstas na legislação do IRPJ, ou ainda, em informações que poderiam ter sido prestadas pelo adquirente dos produtos. O auditor inferiu que houve saída de produto sem emissão de nota fiscal através das seguintes presunções simples: (i) se foi constatado o cumprimento do subcontrato, então os produtos saíram do estabelecimento do fabricante; (ii) se, intimada para tanto, a contribuinte não apresentou as notas fiscais que deveriam acobertar a saída daqueles produtos, então os produtos saíram sem emissão de nota fiscal. Não há qualquer objeção legal a que o lançamento tributário esteja fundado em presunção simples. Mas o que quisemos enfatizar no parágrafo anterior é que a conclusão do auditor sobre a entrega dos cabos umbilicais à Halliburton em 23/12/2002, sem emissão de nota fiscal, está calcada única e exclusivamente na sua constatação de que naquela data ocorreu o cumprimento do subcontrato. Ou seja, como a autoridade não se utilizou de outros métodos de auditoria que poderiam vir a confirmar (ou refutar) a saída de produtos sem emissão de nota fiscal, restanos apenas examinar a validade daquela presunção, especialmente no que diz respeito à sua premissa fática (cumprimento do subcontrato em 23/12/2002). É de se dizer, no entanto, que não há qualquer elemento nos autos que conduza a constatação de que em 23/12/2002 deuse o cumprimento (encerramento) do subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais celebrado entre a impugnante e a Halliburton. O que ocorreu em 23/12/2002 foi a celebração de um contrato de cessão de posição contratual entre a Halliburton (contratada original), a KBR (nova contratada) e a impugnante (subcontratada), através do qual esta última se obriga a continuar a cumprir o subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais. É o que Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 14 14 dispõem as cláusulas 1.1 e 1.2 do referido contrato de cessão de posição contratual (vide cópia deste contrato às fls. 370/376 do anexo 2), verbis: 1.1 Em consideração às disposições do presente Contrato, as partes acordam da seguinte forma: (a) que, pelo presente instrumento, a CONTRATADA ORIGINAL cede à NOVA CONTRATADA todos os direitos, obrigações e responsabilidades da CONTRATADA ORIGINAL com relação ao SUBCONTRATO (incluindo todas as reclamações e demandas das quais a CONTRATADA ORIGINAL fica desonerada consoante a cláusula 2 abaixo), e (b) que a NOVA CONTRATADA executará o subcontrato e estará vinculada a todos os termos, e (c) que a SUBCONTRATADA aceita a responsabilidade da NOVA CONTRATADA no lugar da CONTRATADA ORIGINAL e a SUBCONTRATADA continuará a executar o SUBCONTRATO e estará vinculada a seus termos. (grifouse) 1.2 Conformemente, o SUBCONTRATO aplicarseá em todos os aspectos como se a NOVA CONTRATADA tivesse sempre sido designada no SUBCONTRATO como uma parte no lugar da CONTRATADA ORIGINAL. A autoridade verificou que, na mesma data da celebração do mencionado contrato de cessão de posição contratual, a fiscalizada, que até então vinha registrando os adiantamentos pagos pela Halliburton na conta Receitas Diferidas (conta de resultado de exercícios futuros, conforme art. 181 da Lei nº 6.404/76), promoveu um lançamento contábil transferindo para a conta Contas a Pagar (passivo circulante) o total dos valores recebidos da Halliburton (R$ 76.404.060,98). Verificou também que 20/02/2003 a KBR efetuou um depósito bancário no valor de R$ 67.895.471,46 na conta corrente da fiscalizada, e que esta utilizou tais recursos no pagamento, à Halliburton, do valor de R$ 76.404.060,98. Assim sendo, não há nada que indique que houve cumprimento do subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais em 23/12/2002. Não só a existência do contrato de cessão de posição contratual, mas também os livros e demais registros contábeis da autuada, indicam que houve continuidade, e não cumprimento, daquele subcontrato. Então, o que teria levado o auditor a concluir que a transferência do valor de R$ 76.404.060,98 da conta Receitas Diferidas para a conta Contas a Pagar “tratouse da montagem de um artifício contábil para a não tributação dos impostos federais”, e que portanto naquele momento houve cumprimento do subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais? Não há, no termo de constatação fiscal, qualquer resposta clara a essa questão. No entanto, por tudo o que ali está afirmado, seria possível inferir que o auditor: (i) ao constatar que até a data da celebração do contrato de cessão de posição contratual os adiantamentos pagos pela Halliburton à contribuinte ainda não haviam sido oferecidos à tributação, e; (ii) ao constatar que a partir daquela data alguns impostos e contribuições não mais incidiriam sobre aqueles adiantamentos, já que os cabos umbilicais passaram a ser destinados à exportação, e; (iii) por entender que os adiantamentos até então recebidos pela contribuinte deveriam ter sido, naquela data, oferecidos à tributação; (iv) simplesmente presumiu (e não constatou) que em 23/12/2002 deuse o cumprimento do subcontrato. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 15 15 Mas toda presunção deve estar ampara em uma premissa fática devidamente comprovada. Ou seja, é a partir de um fato conhecido e provado que se torna possível presumir a ocorrência de um outro fato conhecido mas não provado. Assim, provado o cumprimento do subcontrato, seria possível presumir que houve saída dos cabos umbilicais. Mas se o próprio cumprimento do subcontrato não está provado, então a citada presunção não se sustenta. Apresar de tudo, como forma de esclarecer a situação, o presidente da DRJ/JFA, a pedido deste relator (fls. 511/512), encaminhou os autos ao órgão de origem para que, em síntese, o auditor esclarecesse como chegou à conclusão de que em 23/12/2002 houve ocorrência do fato gerador do IPI (arts. 32 e 33 do PIPI/98). Em sua resposta (fls. 515/516), a autoridade remetese em geral ao que já havia sido dito termo de constatação fiscal, mas também faz três afirmações que, por sua importância, devem ser agora abordadas. A primeira é a seguinte: A fiscalização informa que os cabos umbilicais foram fabricados por metro, com entregas parceladas e para entrada em operação imediata nos campos de petróleo de Barracuda e Caratinga, já à partir do início do contrato de 20/03/2001 (vide ilustrações as fls. 346 e 347 do volume 2 do processo); A afirmação de que os cabos deveriam ser entregues parceladamente, à medida que fossem sendo construídos, não encontra ampara em nenhum documento presente nos autos. Infelizmente não foram carreados ao processo os anexos ao subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais, especialmente aquele que trata do cronograma de atividades, o qual poderia definitivamente confirmar (ou não) a afirmação de que os cabos deveriam ser entregues à medida que fossem sendo construídos. A segunda afirmação é a seguinte: A fiscalização constatou, que os cabos umbilicais fabricados pela Marine à partir de março de 2001 e até meados de 2002, foram entregues a Halliburton (dentro deste período de tempo) no estabelecimento da Halliburton situado na Praça Alcides Pereira, nº 01 –Ilha da Conceição – Niterói (mesmo local da Marine); (...) A fiscalização reafirma também, que os cabos umbilicais fabricados à partir de março de 2001 e até meados de 2002, não são os mesmos cabos umbilicais exportados para Kellog Brow & Root Inc. a partir de novembro de 2002; É de se perguntar, mais uma vez, em que se fundamentou a autoridade tributária para afirmar que os cabos foram entregues à Halliburton. Pois se não houve auditoria de produção, se não foram encontrados fatos que ensejassem presunção legal de omissão de receitas, se não foi realizada circularização junto aos adquirentes finais dos cabos umbilicais (Barracuda & Caratinga Leasing BV, proprietária e arrendadora, e Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás, arrendatária), e se não foi provado o cumprimento do subcontrato, não seria possível para o auditor, em 2007, afirmar que houve entrega dos produtos em 2002. Pela mesma razão, não seria possível ao auditor afirmar que os cabos umbilicais fabricados à partir de março de 2001 até meados de março de 2002 são cabos distintos daqueles exportados para a KBR. A terceira afirmação é a seguinte: A fiscalização informa finalmente, que o Aditivo Contratual de mudança de contratante (saindo a Halliburton com sede no Brasil e entrando a KBR – Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 16 16 Kellog Brow & Root sem sede no Brasil) fls. 341 a 380 do anexo 2 do processo; teve como principal objetivo (talvez o único), o de eximir a empresa autuada do pagamento dos tributos IPI, COFINS e PIS que não incidem sobre as exportações de mercadorias e produtos. Esse parece ter sido o fato que realmente motivou o auditor a realizar o lançamento, e não o alegado cumprimento do subcontrato de fornecimento de cabos umbilicais em 23/12/2002. A celebração do contrato de cessão de posição contratual possibilitou que a contribuinte deixasse de oferecer à tributação do IPI as receitas relativas à futura saída dos cabos umbilicais. Tratase, no entanto, de fato elisivo, já que a cessão de posição contratual foi efetivamente implementada, ainda que apenas para excluir a tributação. E a elisão fiscal, como se sabe, enquanto não for regulamentado o procedimento previsto no parágrafo único do art. 116, do CTN, não pode ser objeto de tributação. [...] Pois bem. Analisei todos os elementos dos autos e estou convencido de que a decisão da DRJ não merece reparos. Isso porque, a fiscalização deixou de fazer prova elementar para a incidência dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI), qual seja, a saída de produtos do estabelecimento industrial sem o devido destaque do tributo. Pelo exposto, tal qual no processo 10730.001860/200754, no qual propus a confirmação do julgado pela DRJ Juiz de fora, cabe aqui cancelar as exigência dos IRPJ e Reflexos. Glosa de despesas não comprovadas (item “C” do auto de infração) Tratase de autuação sob o argumento de despesas não comprovadas, em face de pagamento a beneficiário não identificado. A decisão recorrida não acolheu a comprovação feita pela empresa decidindo na realidade na dúvida conforme fl. 889, verbis: “Compulsando os documentos apresentados em sua defesa, na é possível concluir que o valor de R$ 156.045,45 referese aos valores pagos aos beneficiários a título de valor líquido. Não há nos autos qualquer documento que comprova que a ordem de pagamento no valor de R$ 156.045,45, efetuada em 09/10/2002 teria como objetivo o pagamento dos valores líquidos relativos aos salários dos beneficiários, e de meses diversos, tais como agosto, setembro e outubro de 2.002.” Analisando as provas contidas na folhas 818 a 847, verifico a coincidência entre os valores da planilha e aqueles contidos nas DIRFs, não podendo como fez a autoridade recorrida colocar dúvida eis que as DIRFs tem data e o numero de inscrição do declarante e sobre elas nenhum questionamento foi colocado, tendoas portanto como verdadeiras. Por outro lado a ordem de pagamento de folha 845 no valor de R$ 156.045,45, por si só, não é suficiente para a acusação de pagamento a beneficiário não identificado, mormente diante das provas trazidas na impugnação. Concluindo entendo estar provada a despesa e os beneficiários dos pagamentos, pelo que afasto também esse item da autuação na parte e valor em discussão. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 17 17 No que tange a dedução de prejuízo e base negativa da CSLL, limitada a 30% do lucro real e da base positiva da CSLL é um direito assegurado ao contribuinte e deveria ter sido conferida no momento da autuação, em assim não agindo a fiscalização, entendo correta a atitude do contribuinte em fazer a dedução da base de cálculo no momento do recolhimento da parte não contestada. Quanto as preliminares, com fulcro no art. 59, §3o. do PAF, deixo de apreciá las em face do provimento no mérito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de superar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as parcelas remanescentes da exigência. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 18 18 Declaração de Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza Conforme registrado na decisão de 1a. instância do processo de IPI, que exonerou o credito tributário, e cujos fundamentos foram adotados pelo nobre conselheiro Relator: não há prova cabal nos autos da saída de produtos sem o devido destaque de IPI, ou seja, sem emissão de notas fiscais. Também não há prova indiciária nesse sentido que autorize uma das presunções de omissão legal por venda de mercadorias sem emissão de nota fiscal ou auditoria de estoques, de que tratam os artigos 283 e 286 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR99), que dispõe: Art. 283. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação (Lei nº 8.846, de 1994, art. 2º). (...) Art. 286. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41). § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 1º). § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 2º). § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 3º). Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 19 19 De fato, a fiscalização utilizase do art. 283 do RIR/99 como fundamentação legal, porém, todas as saídas de produtos em 2002 ocorreram com emissão de nota fiscal de simples remessa, conforme registra a própria fiscalização, “...Foi constatado, que a Marine foi (acertadamente) contabilizando estes recebimentos de recursos financeiros na conta Receitas Diferidas, em virtude da prerrogativa legal de tributação dos impostos federais quando do término do Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais” (Vide Termo de Verificação Fiscal). No entendimento do Fisco, em 23 de dezembro de 2002, quanto foi celebrado uma Alteração Contratual de Aditamento ao Subcontrato de Fornecimento de Umbilicais, passando a constar como contratante a empresa estrangeira (Americana) denominada KBR Kellogg Brown & Root, Inc. com a saída da contratante original Halliburton; a contribuinte deveria ter reconhecido as receitas ou resultados obtidos com a empresa anterior, mas ao invés disso “ No mesmo dia 23 de dezembro de 2002, a Marine (simplesmente) transferiu, através de lançamento contábil, o valor total dos adiantamentos recebidos. para a conta contabil denominada Contas a Pagar constante do Passivo Circulante da empresa, sem efetuar as emissões das notas fiscais de Vendas dos Produtos Umbilicais, para tributação dos Impostos Federais... em cumprimento ao Subcontrato de Fornecimento assinado em 20/03/2001, com a contratante original (empresa nacional) denominada Halliburton Produtos Limitada, não foi tributada dos Impostos Federais.” Verificase, outrossim, que no ano seguinte, ao término do contrato, a Marine emitiu notas fiscais de venda que seriam referentes a todos os umbilicais fabricados, no montante de R$ 101.781.618,60. Logo, ainda que acertado fosse o entendimento da Fiscalização quanto a necessidade reconhecimento do resultado das operações com a Halliburton no momento da transferência do Contrato para a KBR, o procedimento correto seria apurar a POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTO EM FACE DO RECONHECIMENTO DA RECEITA NO PERÍODO POSTERIOR. Mais a mais, a própria fiscalização atestou que os adiantamentos da Halliburton foram devolvidos pela Marine, portanto, também não ocorreu a hipótese de omissão de receitas por pagamento não contabilizados. Ocorre que a decisão de 1a. instância manteve a exigência do IRPJ por outros fundamentos. Vejamos a transcrição integral do voto condutor do acórdão nessa parte (fls. 887 e seguintes). (...) Ademais, segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, ficou constatado que a empresa KBR (Kellog Brow 8z Root), a partir de novembro/2002, começou a transferir recursos financeiros para a autuada, para fabricação de novos Umbilicais, já ocorrendo a tributação desde então, com a efetiva entrega dos produtos com emissão de Notas Fiscais. Ou seja, concluise que, para estas Notas Fiscais emitidas, e relacionadas no Boletim de Medição, fl. 566, foram efetuados pagamentos para estes produtos, no valor total de R$ 101.781.618,60, segundo planilha apresentada durante ação fiscal, fl. 425. Posteriormente, a empresa KBR efetuou um depósito bancário em 20 de fevereiro de 2003, no valor de R$ 67.895.471,46, na conta corrente da autuada. Entretanto, segundo o Termo de Verificação Fiscal, não consta qualquer emissão de Nota Fiscal de Venda no valor de R$ 67.895.471,46 e/ou qualquer outro valor aproximado, em fevereiro de 2003, comprovando a tributação dos impostos Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 20 20 federais. Apenas verificase que, no mesmo dia, a autuada usou os recursos para efetuar o pagamento a Halliburton. Contabilizando os valores envolvidos nesta lide, temos: Valores recebidos da Halliburton durante os anos de 2001 a 2002: (+) R$ 67.895.471,45 Valores recebidos da Kellog Brow & Root, com notas fiscais emitidas: (+) R$ 101.781.618,60. Valor recebido da Kellog Brow & Root sem nota fiscal: (+) R$ 67.895.471,46 Valor devolvido para Halliburton : () R$ 67.895.471,46 Assim, o total de recursos recebidos, descontado o valor devolvido, é de R$ 169.677.090,05, No entanto, o montante de notas fiscais emitidas é de R$ 101.781.618,60. Logo, verificase uma omissão de receita no valor de R$ 67.895.471,45. Destes pagamentos, a fiscalização considerou os recebidos em 2001 e 2002, totalizando R$ 61.137.292,23, como base de cálculo para a autuação. (...) Grifei Segundo afirma a decisão recorrida, a KRB teria feito pagamentos à Marine no valor total de R$ 169.677.090,05, enquanto as notas fiscais de venda (reconhecimento de receitas), totalizaram, repito, R$ 101.781.618,60. CASO CONFIRMADO QUE OS PAGAMENTOS DA KRB FORAM SUPERIORES ÀS NOTAS FISCAIS, NÃO TENHO DÚVIDAS DE QUE ESTARIA CONFIGURADA A OMISSÃO DE RECEITAS. TODAVIA, A DECISÃO RECORRIDA NÃO APONTA EM QUE FOLHAS DO PROCESSOS ENCONTRAMSE AS PROVAS OU REGISTROS CONTÁBEIS DE QUE OS PAGAMENTO DA KRB A MARINE TOTALIZARAM R$ 169.677.090,05. Compulsei os autos folhas por folha, até o encerramento da ação fiscal e nada encontrei que pudesse corroborar essa afirmação. Alem disso, no Termo de Verificação Fiscal não há qualquer registro nesse sentido, conforme a seguir, transcrito (fls. 9 e 10). DESCRIÇÃO DA CONSTATAÇÃO A omissão de declaração de Receita, foi originada devido a falta de emissão de notas fiscais de Vendas, relativas aos produtos (denominados UMBILICAIS) fabricados pela Marine (empresa fiscalizada), em cumprimento ao Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais em Termos "chaves de mão" (Turnkey) assinado com a empresa HALLIBURTON Produtos Limitada em 20/03/2001; A Marine (empresa fiscalizada) foi construindo os Umbilicais durante o período de março de 2001 a dezembro de 2002, com recebimentos de recursos financeiros, em pagamentos progressivos, das etapas cumpridas de produção; com entrega dos Umbilicais a Halliburton (sem emissão de notas fiscais) no seu estabelecimento situado na Praça Alcides Pereira n o 01 parte Ilha da Conceição Niterói RJ, mesmo local onde a Marine (empresa fiscalizada) está instalada; Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 21 21 Foi constatado, que a Marine foi (acertadamente) contabilizando estes recebimentos de recursos financeiros na conta Receitas Diferidas, em virtude da prerrogativa legal de tributação dos impostos federais quando do término do Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais; Em 23 de dezembro de 2002, foi celebrado uma Alteração Contratual de Aditamento ao Subcontrato de Fornecimento de Umbilicais, passando a constar como contratante a empresa estrangeira (Americana) denominada KBR Kellogg Brown & Root, Inc. com a saída da contratante original Halliburton; No mesmo dia 23 de dezembro de 2002, a Marine (simplesmente) transferiu, através de lançamento contábil, o valor total dos adiantamentos recebidos (contabilizados na conta de Receitas Diferidas), para a conta contabil denominada Contas a Pagar constante do Passivo Circulante da empresa, sem efetuar as emissões das notas fiscais de Vendas dos Produtos Umbilicais, para tributação dos Impostos Federais; Marine) em cumprimento ao Subcontrato de Fornecimento assinado em 20/03/2001, com a contratante original (empresa nacional) denominada Halliburton Produtos Limitada, não foi tributada dos Impostos Federais. A fiscalização constatou que a mudança de contratante, ocorrida em 23/12/2002 (saindo Halliburton e entrando a KBR Kellog Brown & Root), tratouse de uma alteração contratual isolada, que não envolveu a Marine diretamente; A fiscalização constatou, que o lançamento contábil de transferência dos recursos de valor contratual total de R$ 76.404.060,98, da conta de Receitas Diferidas (ainda não tributada) para a conta denominada Contas a Pagar constante do Passivo Circulante (já tributada), tratouse da montagem de um artificio contábil para a não tributação dos impostos federais; Ficou constatado, que a empresa KBR (Kellog Brow & Root), A. partir de novembro de 2002, começou a transferir recursos financeiros para a Marine (em pagamento pela fabricação de novos Umbilicais), que começaram à partir dai (novembro de 2002), a serem tributados dos impostos federais, com as efetivas entregas dos mesmos com emissões de notas fiscais de vendas destinadas ao exterior (exportação); Ficou também constatado que a empresa KBR (Kellog Brow & Root) efetuou um depósito bancário em 20 de fevereiro de 2003, no valor de R$ 67.895.471,46, na conta corrente da Marine do HSBC Bank; a Marine (no mesmo dia) usou os recursos para efetuar o pagamento a Halliburton, em quitação do valor de R$ 76.404.060,98 (com os devidos ajustes de movimentação), referente a exigibilidade provisionada "irregularmente" a crédito da própria Halliburton, na conta contábil denominada Contas a Pagar, constante do seu Passivo Circulante de 31 de dezembro de 2002. Entretanto foi verificado, que a empresa Marine não emitiu qualquer nota fiscal de venda no valor de R$ 67.895.471,46 e/ou qualquer valor aproximado, em fevereiro de 2003, que pudesse comprovar a tributação dos impostos federais relativos aos recursos recebidos entre maio de 2001 e dezembro de 2002 para construção dos Umbilicais. A fiscalização intimou A empresa, através de diversos Termos, para que comprovasse a efetiva tributação dos impostos federais, referente aos recursos financeiros recebidos, para construção dos Umbilicais. A empresa fiscalizada não conseguiu comprovar esta tributação ate a presente data. DOCUMENTOS QUE SERVIRAM DE BASE PARA AUTUAÇÃO CONSTANTES DOS ANEXOS AO PROCESSO Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10730.001864/200732 Acórdão n.º 140200.666 S1C4T2 Fl. 22 22 • Livro Razão diversas folhas (cópias heliográficas) Anexo 2/3 fls. 381 a 399 e Anexo 3/3 fls. 402 a 411; • Extratos bancários (originais) do HSBC Bank Anexo 1/3 fls. 9 a 78; •Tradução juramentada do Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais em Termos "chave em mãos (turnkey)" Anexo 1/3 fls. 79 a 199 e Anexo 2/3 fls. 202 a 267; • Tradução juramentada do Aditamento ao Subcontrato de Fornecimento de Cabos Umbilicais em Termos "Chaves em mãos (turnkey)" Anexo 2/3 fls. 341 a 376; • Composição da conta contábil denominada Contas a Pagar em 31/12/2002 Saldo a Pagar a empresa Halliburton Anexo 3 fi. 421; • NF n° 2578 de emissão da Marine contra a Haliburton que comprova que as duas empresas estão instaladas no mesmo endereço Anexo 3 fl. 432. (...) A transcrição integral das verificações e conclusões da Auditoria Fiscal não deixa dúvidas de que inexiste qualquer menção que os pagamentos ou transferências da KRB à Marine atingiram o montante de R$ 169.677.090,05 (o que foi afirmado na decisão de 1a. instância). A meu ver, não se faz necessária a realização de diligência para verificar isso. A bem da verdade, não alcancei os motivos que levaram os ilustres julgadores de 1a. instância a concluírem nesse sentido. Aliás, a eles caberia, diante de fundada dúvida, determinar a realização de diligência para esse fim, com fulcro no art. 29 do PAF, inclusive determinando a lavratura de auto de infração complementar, e reabertura do prazo de impugnação, para prevenir eventual alegação de que o lançamento fiscal estaria sendo aperfeiçoado (inovação). Registrese que esses fundamentos aplicamse também ao auto de infração de IPI, pois foi lavrado com fulcro no art. 396 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), vigente a época: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais (...) (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). (...) § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) Enfim, formei convencimento de que todas as exigências devam mesmo ser canceladas. (Assinado Digitalmente) Antonio Jose Praga de Souza – Conselheiro. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 10932.000185/2008-51
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. CSLL.
A contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I do CTN, quando o sujeito passivo não tiver efetuado a apuração e o pagamento, ainda que parcial do imposto ou contribuição.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, é correta a aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora, incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil.
LANÇAMENTO. ERRO NA APURAÇÃO. O simples preenchimento da
DIPJ, sem a sua transmissão à Receita Federal, não importa a opção do contribuinte por uma forma de apuração do lucro.
Numero da decisão: 1401-00.590
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Designada a conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. CSLL. A contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I do CTN, quando o sujeito passivo não tiver efetuado a apuração e o pagamento, ainda que parcial do imposto ou contribuição. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, é correta a aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora, incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil. LANÇAMENTO. ERRO NA APURAÇÃO. O simples preenchimento da DIPJ, sem a sua transmissão à Receita Federal, não importa a opção do contribuinte por uma forma de apuração do lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Designada a conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 488DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Fl. 489DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000185/200851 Acórdão n.º 140100.590 S1C4T1 Fl. 473 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 402403): Tratase de Auto de Infração, cientificado em 02/08/2008, relativo à exigência de CSLL do anocalendário de 2003 e da CSLL do 3° trimestre de 2004, que formalizou o crédito tributário no valor total de R$ 1.451.828,60. 0 presente lançamento de oficio corresponde aos valores declarados pela empresa no curso da ação fiscal, pelo que foi excluída a espontaneidade de que trata o art. 7°, §1°, do Decreto n.° 70.235, de 1972. 0 Termo de Verificação Fiscal às fls. 285/288, esclarece o seguinte: Analisando os documentos contábeis / fiscais, constatamos que o contribuinte deixou de entregar a devida declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, correspondendo aos exercícios de 2004, 2005 e 2006, períodos estes determinados no Mandado de Procedimento Fiscal para verificação. Intimado em 25/0212008, para a apresentação das DIPJ, o contribuinte não logrou em fazêlo, sendo reintimado em 25/05/2008, o contribuinte transmitiu as referidas declarações, apresentando cópia para a nálise e apuração dos débitos. Conforme Nota Conjunta Cofis/Cosar 2001/00003, de 30 de julho de 2001, a formalização da exigência do crédito tributário apurado deve abranger os tributos devidos, inclusive os valores constantes da declaração entregue sob procedimento de oficio, acrescidos de juros e multa de oficio. Recepcionadas as Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, constatamos os seguintes débitos tributários: Anocalendário 2003: Contribuição Social s/ Lucro Liquido R$ 282.440,69 Anocalendário 2004: Contribuição Social s/ Lucro Liquido 3° trimestre R$ 5.621,58 4° trimestre R$18.339,79 Inconformada com a autuação, cuja ciência foi dada em 02/08/2008, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. Fl. 490DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 300/321, em 01/09/2008. Em síntese, aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: 1. No curso do referido procedimento foi solicitado a Proema que apresentasse as DIPJ dos anos em questão, o que efetivamente foi feito em 01/08/2008. No mesmo dia, portanto antes da ciência do auto de infração, a empresa solicitou parcelamento no qual foi considerada a multa de mora de 20%. Posteriormente, a contribuinte foi surpreendida com o lançamento de oficio; 2. A impugnante apresentou suas declarações com fatos geradores trimestrais. Apesar disso, o auto de infração foi realizado como se a empresa tivesse optado pela apuração anual no ano de 2003, contrariando inclusive toda a legislação que prevê como regra geral o lucro trimestral para as pessoas jurídicas que tempestivamente não recolheram estimativas. Certamente, o agente fiscal agiu desta forma porque os dois primeiros trimestres do ano de 2003 já estavam atingidos pela decadência estabelecida no artigo 150, §4°, do CTN; 3. 0 procedimento de fiscalização foi interrompido em 25/05/2008 com a reintimação noticiada no Termo de Verificação Fiscal. A partir desse ato, nenhum outro ato da fiscalização existiu até a ciência do auto de infração em 04/08/2008. Sendo assim, conforme previsto no art. 7°, §§1° e 2° do Decreto 70.235/72, em 25/07/2008, a Proema readquiriu a espontaneidade e providenciou a protocolização do pedido de parcelamento, com o respectivo pagamento da primeira parcela; 4. Desta forma, tendo sido o auto de infração cientificado após a protocolização do parcelamento, impõese a improcedência do lançamento de oficio, uma vez que a contribuinte já havia efetuado a confissão irretratável de sua divida; 5. Ainda que o lançamento não seja considerado improcedente, a multa de oficio não pode prosperar, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes; 6. A multa de oficio no percentual de 75% constitui confisco do patrimônio da impugnante; 7. A mudança da sistemática eleita na DIPJ constitui erro no lançamento de IRPJ e CSLL, maculando toda a apuração do resultado nos respectivos períodos; 8. A fiscalização equivocouse no total da CSLL do ano calendário de 2003. Conforme DIPJ/2004, é devida um CSLL no valor de R$ 282.440,09, e não R$ 601.560,96 como lançado; 9. A aplicação da taxa Selic é ilegal e inconstitucional. A 2ª Turma da DRJ Campinas, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão 0524.653, assim ementado (fls. 402): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 491DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000185/200851 Acórdão n.º 140100.590 S1C4T1 Fl. 474 5 IMPUGNAÇÃO. FALTA DE PROVAS. PARCELAMENTO. A contribuinte em sua impugnação tem o ônus de comprovar as alegações que se oponham ao lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE FATO. Constada a existência de erro de calculo no lançamento efetuado de oficio, cumpre realizar as retificações devidas. DECADÊNCIA. CSLL. Apesar de o CSLL ser um tributo sujeito a lançamento por homologação, não basta que a legislação ordinária tenha atribuído ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o imposto devido, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco. Ê necessário que o sujeito passivo tenha efetuado a apuração e o pagamento, ainda que parcial do imposto para que a norma de contagem do prazo decadencial possa ser antecipada da regra geral prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional CTN para a regra especial prevista no art. 150, §4° do mesmo diploma legal. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. Estando o julgamento administrativo estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade, não poderia negar os efeitos de lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte A retificação procedida pelo colegiado julgador a quo referiuse a erros de totalização da CSLL devida. A CSLL relativa ao anocalendário de 2003 foi reduzida de R$ 601.560,96 para R$ 282.440,69 e a CSLL relativa ao 3° trimestre de 2004 foi reduzida de R$ 11.243,15 para R$ 5.621,58. Cientificada do Acórdão em 26/02/2009 (fls. 408), a contribuinte, em 23/03/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 412435, reiterando os argumentos e os apresentados em sua impugnação. Ao final de sua peça recursal, fls. 435, a contribuinte requereu que seja reconhecida: 1. A decadência do direito do fisco lançar em relação aos fatos geradores trimestrais anteriores a 03/08/2003; Fl. 492DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 2. A total improcedência do lançamento de oficio em relação à CSLL por ter havido erro no período de apuração do IRPJ e CSLL; 3. A improcedência do lançamento por existir parcelamento protocolizado em data na qual o contribuinte já havia readquirido a espontaneidade; 4. A improcedência da aplicação da multa de oficio uma vez que a multa de mora de 20% foi aplicada no parcelamento protocolizado em data na qual o contribuinte já havia readquirido a espontaneidade; 5. A improcedência da aplicação da multa de oficio no patamar de 75% por ter caráter confiscatório e, subsidiariamente, a aplicação do percentual de 20%; 6. A aplicação dos juros de mora de 1%, considerando a ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como juros de mora em débitos tributários; É o relatório. Fl. 493DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000185/200851 Acórdão n.º 140100.590 S1C4T1 Fl. 475 7 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de decadência A recorrente, repetindo o que já fizera na fase impugnatória, arguiu a decadência do direito do fisco lançar em relação aos fatos geradores trimestrais anteriores a 03/08/2003. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, foi bastante didático o voto condutor do acórdão recorrido, fls. 404 (grifado): Ressaltese, ainda, que a contribuinte não recolheu qualquer valor a titulo de lRPJ trimestral ou apresentou escrituração durante o procedimento fiscal demonstrando a apuração trimestral. Pelo contrário, como já explanado, a empresa entregou à fiscalização DIPJ com a opção pela sistemática do Lucro Real Anual. Oportuno frisar, face à argumentação apresentada pela defesa, que o fato de a fiscalização ter constituído o auto de infração com o fato gerador anual em 2003, em nada se relaciona com o instituto da decadência. Isso porque, mesmo aceitandose que no §4º do art. 150 do CTN estipula prazo decadencial para a constituição da obrigação tributária, o direito da Fazenda efetuar a constituição do crédito tributário referente aos dois primeiros trimestres de 2003 ocorreria de acordo com o art. 173 do Código Tributário Nacional, "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". [...]Isso porque, verificase que, na constituição do crédito tributário na modalidade de lançamento por homologação, o legislador pressupôs a existência de pagamento prévio, o qual daria ao Fisco conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte. Assim, a antecipação do pagamento é condição essencial para haver homologação. Esse é o fato positivo que, uma vez conhecido, moveria a autoridade a iniciar os procedimentos a fim de aferir a regularidade da satisfação da obrigação principal. Ou seja, sujeitarseiam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação somente os créditos Fl. 494DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. Não havendo o que homologar, o procedimento exigível é o do lançamento de oficio, a teor do art. 149, inc. V, do CTN. Neste caso, cabe à autoridade administrativa executar os procedimentos correspondentes e efetuar o lançamento a tempo, isto é, antes do prazo decadencial de cinco anos, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, a teor do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Concluise assim que a exigência da CSLL anual em 2003 foi corretamente constituída pela fiscalização, a qual somente observou a sistemática eleita pela contribuinte e que o referido crédito tributário não foi atingido pelo instituto da decadência. Considerandose que o presente auto de infração foi cientifiado ao contribuinte em 02/08/2008, facilmente se constata que os fatos geradores mais antigos (ocorridos em 2003) não haviam sido alcançados pela decadência, na data da formalização do lançamento. Consequentemete, rejeito a presente preliminar de decadência. Alegação de erro no período de apuração do IRPJ e da CSLL Em relação a este tema, a recorrente requereu a declaração da total improcedência do lançamento de oficio em relação à CSLL por ter havido suposto erro no período de apuração do IRPJ e CSLL. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Esta alegaçãoda contribuinte também foi devidamente analisada pelo acórdão recorrido, fls. 404: Sobre o mérito do lançamento, a contribuinte alega que o auto de infração foi elaborado como se a empresa tivesse optado pelo fato gerador anual em 2003, quando na verdade apresentou suas declarações na forma de apuração trimestral. Como relatado, a contribuinte até o inicio da ação fiscal não havia optado pela sistemática de apuração trimestral ou anual. Desta forma, foi intimada, em 23/01/2007; em 25/02/2008; e em 25/05/2008, a apresentar cópia das DIPJ referentes aos anos calendário de 2003 a 2005. Em resposta as intimações, a contribuinte apresentou à fiscalização DIPJ 2004 — anocalendário 2003 — no Lucro Real Anual (fls. 41/101), na qual foi apurado saldo de CSLL a pagar no valor de R$ 282.440,69 (fl. 56). Posteriormente, em 31/07/2008, a contribuinte transmitiu via internet DIPJ 2004 optando pelo Lucro Real Trimestral, na qual apurou os seguintes débitos: 1° Trimestre — R$ 272.527,94; 2° Trimestre — R$ 3.655,46; 3° Trimestre — R$ 3.460,09; 4° Trimestre — R$ 2.797,20 (fls. 344/347). Fl. 495DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000185/200851 Acórdão n.º 140100.590 S1C4T1 Fl. 476 9 De fato, o valor de CSLL exigido por intermédio do presente auto de infração se baseou no valor apurado na sistemática do Lucro Real Anual. Contudo, não é verdade que o fisco desconsiderou a sistemática eleita pela contribuinte. Como visto, a autuante respeitou a sistemática de apuração inicialmente informada pela contribuinte na cópia da DIPJ entregue em resposta as intimações fiscais. 0 fato de a contribuinte ter alterado sua Declaração de Rendimentos antes de transmitila para os computadores da Receita Federal não torna inválida a opção feita na DlPJ/2004 entregue à fiscalização. E cabe ressaltar que a escolha da sistemática realizada pela empresa é irretratável, nos termos do art. 3° da Lei n.° 9.430, de 1996. Como facilmente se percebe, não ocorreu o alegado erro no período de apuração do IRPJ e CSLL. A contribuinte, no curso da fiscalização, expressamente optou pela sistemática de apuração do lucro real anual. Esta opção, que é irretratável (Lei 9.430/96, art. 3º), foi respeitada pela autoridade autuante. Consequentemente, não merece prosperar esta alegação da recorrente. Alegação de parcelamento em data anterior ao lançamento A recorrente arguiu a improcedência do lançamento, pela suposta existência de um parcelamento protocolizado antes do lançamento, numa ocasião a contribuinte havia readquirido a espontaneidade. Esta alegação também foi devidamente refutada pelo acórdão recorrido, razão pela qual adoto e transcrevo as suas razões de decidir (fls. 403404, grifado): A contribuinte, a fim de afastar a pretensão da Administração Pública, alega que os valores lançados já haviam sido parcelados anteriormente ao procedimento fiscal por intermédio de solicitação realizada em 01/08/2008, motivo pelo qual a exigência não poderia subsistir. Sobre a questão suscitada, antes de se averiguar se a contribuinte readquiriu a espontaneidade, ou qual o efeito do suposto parcelamento sobre o auto de infração, cabe ressaltar que pesquisa realizada nos sistemas da RFB não mostra que a contribuinte tenha solicitado pedido de parcelamento da CSLL lançada de oficio. Com efeito, de acordo com os extratos de fls. 396/401, há somente um processo de parcelamento em nome da impugnante em 2008, processo n.° 13819.002866/200848, que somente foi formalizado somente em 18/08/2008, ou seja, após a ciência da autuação. Além disso, somente a CSLL referente ao 4° trimestre de 2004, no valor de R$ 18.339,79, foi incluída no parcelamento, nada havendo sobre a CSLL relativa ao ano calendário de 2003 ou sobre a CSLL apurada no 3° trimestre de 2004, os débitos que foram constituídos neste auto de infração. Fl. 496DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Ora, velho brocardo já sentenciava "Alegar e não comprovar é o mesmo que não alegar". Do mesmo modo que o Decreto n.° 70.235, de 1972, estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade de a autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o onus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Desta forma, se não houve o parcelamento, ou se este procedimento ocorreu posteriormente ao lançamento, não cabe discutir sobre seus efeitos sobre o auto de infração. Em sua peça recursal, mais uma vez a contribuinte se absteve de trazer aos autos qualquer elemento capaz de comprovar a efetiva existência do alegado parcelamento. Diante do exposto, é forçoso reconhecer que em relação a este tema o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Multa de ofício A recorrente apresentou duas alegações relativas à multa de ofício: a) defendeu a improcedência da aplicação da multa de oficio uma vez que a multa de mora de 20% foi aplicada no parcelamento protocolizado em data na qual o impugnante já havia readquirido a espontaneidade; b) defendeu a improcedência da aplicação da multa de oficio no patamar de 75% por ter caráter confiscatório e, subsidiariamente, a aplicação do percentual de 20%. Nenhuma dessas alegações merece prosperar. Em relação á primeira alegação, é suficiente observar que não existem provas acerca de eventual pedido de parcelamento, supostamente protocolizado pela contribuinte, antes da data da lavratura do presente auto de infração. No tocante à alegação de caráter confiscatório da multa de ofício de 75%, é suficiente transcrever o enunciado da Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A norma legal que estabelece a multa de ofício de 75% encontrase em pleno vigor. Enquanto a referida norma não tiver sua ilegalidade/inconstitucionalidade declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, a sua aplicação é vinculante para a administração pública. Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis exorbitam a competência das autoridades administrativas. Taxa SELIC Em relação a este tema, a recorrente pleiteou a A aplicação dos juros de mora de 1%, considerando a alegada ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como juros de mora em débitos tributários. Fl. 497DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10932.000185/200851 Acórdão n.º 140100.590 S1C4T1 Fl. 477 11 Em relação a este tema, é suficiente trasncrever o enunciado da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 498DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Voto Vencedor Conselheira Karem Jureidini Dias, Redatora do Voto Vencedor. Inicialmente, cumpre salientar que o voto vencedor diz respeito tão somente ao anocalendário de 2003, no qual entendeu a Câmara que houve erro na apuração do IRPJ e da CSLL. Isto porque, conforme se verifica do relatório, a fiscalização apurou para o respectivo anocalendário o IRPJ e a CSLL pelo lucro real anual. Ocorre que o contribuinte não havia entregue a DIPJ para o respectivo anocalendário, na forma legal, até julho de 2008. Também como consta do relatório que, em 31/07/2008, o contribuinte transmitiu, via internet, DIPJ de 2003/2004, optando pelo lucro real trimestral. O lançamento foi notificado ao contribuinte em 02/08/2008. Seja a opção formalizada na única modalidade possível pelo contribuinte, seja o fato de não haver durante todo o curso da fiscalização qualquer declaração regular, deveria o fisco ter observado a sistemática do lucro real trimestral. O lucro real trimestral foi a opção do contribuinte e, ainda que sua opção possa ser desconsiderada, porquanto efetuada quando já praticamente encerrado o procedimento fiscal, a regra que deveria ter observado a fiscalização, em face da inexistência de declaração pelo contribuinte e de opção formal pelo lucro real anual, é o lucro real trimestral. Ora, o simples preenchimento da DIPJ, sem a sua transmissão à Receita Federal, não importa em opção por uma ou outra forma de apuração. Apenas é válida, para todos os fins, o documento devidamente transmitido à Receita Federal, antes disso, não é prova válida a declaração simplesmente preenchida. Pelo exposto, fui designada para redigir o voto vencedor, fundamentando a decisão da maioria da Câmara julgadora para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, cancelando o lançamento de IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 2003, tendo em vista a metodologia equivocada adotada no lançamento. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias, Redatora Designada. Fl. 499DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0218.15154.1U71. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por KAREM JUREIDINI DIAS em 14/10/2011 13:36:56. Documento autenticado digitalmente por KAREM JUREIDINI DIAS em 14/10/2011. Documento assinado digitalmente por: VIVIANE VIDAL WAGNER em 31/10/2011, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS em 30/10/2011 e KAREM JUREIDINI DIAS em 14/10/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0218.15154.1U71 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 8DD07FEF07CC9895367829EA7027055EAC0DBB5A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10932.000185/2008-51. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13896.003095/2003-89
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ementa: OPÇÃO.. SIMPLES, REPOSIÇÃO DE VÁLVULAS, TORNEIRAS
E REGISTROS. A atividade de prestação de serviços de Reposição de
Válvulas,Torneiras e Registros, no é privativa do profissional de engenharia, portanto, inexiste impedimento à opção pelo SIMPLES.
Numero da decisão: 1802-000.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o conselheiro João Francisco Bianco.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ementa: OPÇÃO.. SIMPLES, REPOSIÇÃO DE VÁLVULAS, TORNEIRAS E REGISTROS. A atividade de prestação de serviços de Reposição de Válvulas,Torneiras e Registros, no é privativa do profissional de engenharia, portanto, inexiste impedimento à opção pelo SIMPLES.
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SIMPLES, REPOSIÇÃO DE VÁLVULAS, TORNEIRAS E REGISTROS. A atividade de prestação de serviços de Reposição de Válvulas,Torneiras e Registros, no é privativa do profissional de engenhai ia, portanto, inexiste impedimento t opção pelo SIMPLES. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, day provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o conselheir0 oão-Francisco Bianco. arq es-Lit s e Sousa Prest s rrfge Relatora. stet EDITADO EM: tj b NOV 20 Participaran da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Jose De Oliveira , Ferraz Con 6a, Nelso Kichel, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior, Alfredo Henrique Rebell° Brandão e Gilberto Baptista. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorvida (f1.14) que transcrevo a seguir: Tram o processo de exclusão da sistemática do Simples, poi meio do Ato Declaratário Executivo n2 465,666, de 7 de agosto de 2003, fundamentado no lato de que a contribuinte exereei ia atividade econômica não permitida (CNAE 4543-8/01 Instalações liitháulicas, sanitói ias e de gas). 2 Cientificada do indeferimento de sua Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples, em 12/11/2003 (II 11), a interessada apresentou manifestação de inconfiirmidade, eni 26/11/2003 (11s. 1/2), na qual alega I, A empresa, constituída con/brine registro Jucesp 35217.016862 datado de 11/07/2001, tem por objetivo a prestação de serviços ear instalações hidtciulicas, sanitárias, ele gás e de sistema de prevenção contra incêndio (reposições de válvulas, torneb as e i egistros), e ainda, o comércio varejista de peças nas prestações dos serviços identificados, conforme se extiai da kin', a da Cláusula Quarta do Contrato Social, que possibilitou o seu iegistro no &ere) representativo das entidades comet-dais. a Junta Comercial (doc 01 a 05) 2 A empresa, desde à sua constituição e até à presente data, sempre realizou serviços e vendas a consuniidoi final, não ultrapassando, sua receita bruta anual, o limite legal de R$ 120,000,00 (Cento e vinte mil reais), que permite o seu enquadramento como Micro- Empresa, 3,Pretende a Receita Federal desenquadrá-la como Micro- Empresa em vb tude do CNAL 45,43-8/01 — Inst. Hidráulicas, sanitárias, gás, ser incompatível ao regime das Micro-Empresas (Atividade Vedada). 4, No entanto o porte da empresa e as atividades por ela desenvolvidas, são típicas de micro-empresa 5 Ocoi re, entretanto, que, pot inn lapso do Escritólio Contábil, houve incorreta qualificação do CNAE, na inscrição da Pessoa Jurídica, junto á Receita Federal. A empresa não tem como atividade principal, o CNAE 45.43-8/01, e sim o CNAE 52 79- 5/99 Reparação de outros objetos pessoais e domésticos e a empresa tem como atividade secundária, o CNAE 52,44-2/06 Coniércio varejista de niateriais hidrátdicos. Vende, incipalmente, serviços e peps de metais sanitários (válvulas de descargas, torneiras, registros, aquecedores e chuveiros) 6. Requer, por conseguinte, a sua manutenção como Micro- Empresa, e ainda, a alteração da sua atividade p incipal pala o CNAE 52.79-5/99, com efeitos desde à sua constituição, como medida da mais lídima jus liça 2 Pi ucesso n" 13896 00309512003-89 SI E02 Acón n " 1802-00.639 I 168 A empresa foi cientificada, em 10/12/2008, da decisão de primeiro grau proferida mediante o Acórdão n" 05-13.058, de 26 de abril de 2006, DRJ/Campinas/SP, fis.140/144, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fi,18, e, interpôs o recurso ao Conselho Recursos Fiscais, em 09/01/2010, fis.21/2.3, que em síntese, repete os mesmos argumentos expendidos na impugnação e, junta cópias de Notas Fiscais de Serviços e de Venda de Mercadorias, dizendo evidenciar as atividades desenvolvidas pela empresa desde a sua constituição em 11/07/2001. Finalmente ratifica o pedido de que seja mantido no Simples. É o relatório. 3 Voto Conselheira Relatora, Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisites de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235/72, dele conheço. A Lei n°9317/96 que rege a opção pelo Simples, 'assim dispõe: Art. 9° Não poderá opal- pelo SIMPLES, a pessoa jurídica ( • ) V- que se dedique er compra e à venda, ao loteamento, incorporação ou ci construção de imóveis; Xlii - que peste servips profissionais de corretor, representante comercial, despachante, aim; empresário, diretor ou ptodutor de espetáculos, cantor, másico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor; estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, proléssor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer antra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; ( • Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a C011Sirilç'CiO, demolição, refOrma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei ir" 9528, de 10.12.1997) ( ) Conforme relatado, a recorrente fbi excluída do SIMPLES em razão de exciter atividade econômica vedada, qual seja, a de Instalações hidráulicas, sanitárias e de gás, de acordo corn o objeto social descrito em seu contrato social (ff. 3). A decisão de primeira instância sustenta o indeferimento do pleito da recorrente corn fundamento no art,. 9 0 , inciso XIII, da Lei n° 9317, de 1996, afirmando que a mencionada atividade se assemelha à prestação de serviços profissionais de engenheiro. A recorrente alega que apesar de constar no contrato social o objeto social Instalações Hidraulicas, sanitárias, de gas e de Sistema de pi-el/erica° contra incêndio (Reposição de Válvulas, torneiras e Registros), na verdade sua atividade é de: a) Prestação de serviços de reparação de objetos pessoais e domésticos b) Comércio varejista de materiais hidráulicos. 4 Process() n" 13896 003095/2003-89 1 -TE02 Ac6rdile o " 1802 -00439 1'1 169 Na tentativa de provar o alegado fez juntada de varias notas fiscais, bem como aditivo ao contrato social corn a alteração do objeto social acima para: "a " e "b". Verifico que a exclusão do Simples, no presente caso, sustentou-se apenas na prova constituída pelo contrato social (11.3). certo que o objeto social descrito no contrato social (11. 3), é de Instalações Hidráulicas, sanitárias, de gás e de Sistema de prevenção contra incêndio mas a mesma cláusula contratual explica a dimensão desta atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, na medida em que coloca entre parêntesis (Reposição de Válvulas, torneiras e Registros), ou seja, resta claro que a atividade da pessoa jurídica, nessa parte, se restringe a reposição de material (válvulas, torneiras e registros) que indubitavelmente não caracteriza atividade privativa do profissional de engenharia. Inegável que os serviços de instalação hidráulica e elétrica são tipicamente serviços que alteram edificações, sendo que os materiais agregados incorporam li ela, edificação. Essa posição é bem interpretada pelo Ato Deelaratório (Normativo) COSIT no 30, de 14.10.99 ao orientar sobre o impedimento de que trata a Lei n°9317/96, art.9", inciso V e § 4", porém, não foi esta a fundamentação legal adotada para a exclusão da recoil ente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mieroempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES. Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame refere-se li exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, com fundamento no inciso XIII do artigo 9 0 da Lei n° 9..317/96, que especifica e veda a opção à pessoa jurídica que se dedica a prestação de serviços profissionais, dentre estes os serviços de engenharia. Para melhor clarificar o que denota o serviço profissional de engenharia, vale aqui repetir a transcrição da Resolução n°218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, vejamos: O Conselho Federal c/c Engenharia, Arquiteltu a e Agi onomia, usando das atribuições que lhe conferem as tetras "d" e parcigralb Lillie° do artiga 27 da Lei n2I 5 194, de 24 dezembro 1966, CONSIDERANDO que o art. 7° da Lei n°5194166 refere- se às atividades profissionais do engenheiro, do arquiteto e cio engenheiro agrônomo, em lermos genéricos; RESOLVE • art 12 Para efeito de .fiscalizaglio do exercício correspondente às (lifer -ewes modalidcrder da engenharia, ai quitettriv e agronomia em uivei supei lar e em nivel médio, ficcun designadas as reguintes atividades: Atividade 15— Condução de equipe c/c instalação, montagem, operação,reparo ou manutenção, Atividade 16 Execução de Instalação, montagem, e i epar o, Art 12° — Compete ao ENGENHEIRO MECANICO ou ao ENGENHEIRO MECÁNICO E DE AUTOMÓVEIS ou ao ENGENHEIRO MECA'NICO E DE ARMAMENTO ou ao ster rquesiins- e So ENGENHEIRO DE A Li TOM) VE/S ou ao ENGENHEIRO INDUSTRIAL MODALIDADE MECÂNICA: — o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 10 desta Resolução, refit, entes a processos meccinicos, nuiquinas em geral; instalaçães industrials e mecânicas; equipamentos mecrinicos e Metro mecânicos, veiculo auto»iolore3; sistemas de produção de transmissão e de utilização do cedar; sistemas de refrigeragiio e de utilização do color; sistetnas de refrigeração c de ar condicionado, setts serviços (fins e correia/os Corn efeito, dos dispositivos acima transcritos é forçoso concluir que a simples atividade de Reposição de Válvulas, torneiras e Registros não faz parte da profissão de engenheiro e de técnicos que dependem de habilitação profissional legalmente exigida, razão pela qual entendo não ser vedada a opção pelo Simples. Diante do expostoyoterno sentido de dar provimento ao recurs o . 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13896,003095/2003-89 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. SI, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009.. Brasilia, 09 de novembro de 2010., (e. Maria Cone Sousa Rodrigues Secretaria da C8mara Ciacia Data: Nome: Procurador (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas corn ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] corn Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001310/2002-61
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 07/06/2002
MERCADORIA EXTRAVIADA. TRIBUTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE ECONÔMICA POR AUTARQUIA ESTADUAL. CABIMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Descaracterizada, para fins tributários, a condição de entidade de direito público em razão do exercício de atividade econômica, nos termos do art. 173 da Constituição Federal, será devida a exigência tributária. Inaplicável a imunidade tributária prevista no § 2º do artigo 150 da CF, por caracterizar-se como atividade prevista no § 3º do mesmo artigo. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE DA SANÇÃO NOS CASOS EM QUE NÃO SE EVIDENCIA INTUITO DE FRAUDE PELA RECORRENTE.
Não se aplica à recorrente a multa agravada prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, por não ter infringido quaisquer dos dispostos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, uma vez que não se evidenciou, no caso ora vergastado, o intuito de fraude nem tampouco, ação ou omissão dolosa.Aplica-se entretanto, o disposto no mesmo artigo, inciso Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso Voluntário Desprovido.
Numero da decisão: 9303-001.175
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes Armando
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 07/06/2002 MERCADORIA EXTRAVIADA. TRIBUTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE ECONÔMICA POR AUTARQUIA ESTADUAL. CABIMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Descaracterizada, para fins tributários, a condição de entidade de direito público em razão do exercício de atividade econômica, nos termos do art. 173 da Constituição Federal, será devida a exigência tributária. Inaplicável a imunidade tributária prevista no § 2º do artigo 150 da CF, por caracterizar-se como atividade prevista no § 3º do mesmo artigo. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE DA SANÇÃO NOS CASOS EM QUE NÃO SE EVIDENCIA INTUITO DE FRAUDE PELA RECORRENTE. Não se aplica à recorrente a multa agravada prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, por não ter infringido quaisquer dos dispostos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, uma vez que não se evidenciou, no caso ora vergastado, o intuito de fraude nem tampouco, ação ou omissão dolosa.Aplica-se entretanto, o disposto no mesmo artigo, inciso Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso Voluntário Desprovido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 203 1 202 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10907.001310/200261 Recurso nº 228.626 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 930301.175 – 3ª Turma Sessão de 29 de setembro de 2010 Matéria FRAUDEIMPORTAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL e ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA Recorrida FAZENDA NACIONAL e ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 07/06/2002 MERCADORIA EXTRAVIADA. TRIBUTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE ECONÔMICA POR AUTARQUIA ESTADUAL. CABIMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Descaracterizada, para fins tributários, a condição de entidade de direito público em razão do exercício de atividade econômica, nos termos do art. 173 da Constituição Federal, será devida a exigência tributária. Inaplicável a imunidade tributária prevista no § 2º do artigo 150 da CF, por caracterizarse como atividade prevista no § 3º do mesmo artigo. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE DA SANÇÃO NOS CASOS EM QUE NÃO SE EVIDENCIA INTUITO DE FRAUDE PELA RECORRENTE. Não se aplica à recorrente a multa agravada prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, por não ter infringido quaisquer dos dispostos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, uma vez que não se evidenciou, no caso ora vergastado, o intuito de fraude nem tampouco, ação ou omissão dolosa.Aplicase entretanto, o disposto no mesmo artigo, inciso I. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso Voluntário Desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora Editado em: 15 de dezembro de 2010. Participaram do presente julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Através do Auto de Infração de fls. 4 a 6, integrado pelos demonstrativos de fls. 2 e 3, exigiase do recorrente a quantia de R$ 11.921,62, a título de Imposto de Importação, acrescida de multa de ofício agravada de 150% e juros de mora devidos à época do pagamento. Como se encontra fielmente retratado, adoto nesta parte o Relatório proferido pela AFRF Relatora do Acórdão recorrido. “Consta dos autos, que a autoridade aduaneira, em ação fiscal, verificou a falta de mercadoria estrangeira que deveria estar depositada em recinto alfandegado. Relata, referida autoridade, que em razão do retardamento do despacho, e considerando a possibilidade de ocorrência de fraudes na importação, compareceu ao Terminal de Contêineres, visando proceder à verificação física das mercadorias amparadas pelo BL MIA 1839, e contidas no contêiner AMFU 836.0820. No entanto, foi informada de que o contêiner havia sido removido para a APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), onde também não foi localizado. A autoridade lançadora constatou, ainda, a existência de documentos comprobatórios de que o contêiner teria saído irregularmente destes recintos, sem a anuência da Receita Federal. No Relatório de Ocorrências, de fls. 8 a 10, consta a informação de que o Documento de Movimentação de Contêiners da TCP para a APPA contém fortes indícios de falsificação, sendo que tais indícios restaram confirmados, pois a autorização de desova foi instruída com carimbo cujo número de matrícula e a assinatura não correspondem aos do AFRF Sérgio Luis dos Santos. Tendo em vista que a mercadoria da unidade de carga extraviada não foi identificada, pois o B.L. e a fatura não a qualificam, a autoridade lançadora aplicou a alíquota de 35% para o Imposto de Importação, conforme dispõe o § 2º do art. 26 da MP nº 38, de 14 de maio de 2002. Considerando que também o contêiner foi extraviado, foi o seu valor apurado através do valor médio do quilo do gênero, obtido a partir das estatísticas de comércio exterior dos últimos doze meses, e aplicada a alíquota TEC, que para contêineres é de 14%. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001310/200261 Acórdão n.º 930301.175 CSRFT3 Fl. 204 3 A Polícia Federal de Paranaguá abriu inquérito policial, em 26/03/2002, para as averiguações de âmbito penal. Consta, também, do Relatório de fls. 26 e 27, a informação de que a autoridade autuante providenciou representação fiscal para fins penais, na forma da Portaria SRF nº 2.752, de 11 de outubro de 2001. Instruem, o feito fiscal, cópia de diversas correspondências trocadas entre a Alfândega do Porto de ParanaguáPR e a autuada, Relatório de Ocorrências, Relatório de Apuração do Valor da Mercadoria, documentos relativos à movimentação do contêiner, conhecimento de embarque e fatura (fls. 08 a 28). Cientificada da exigência fiscal, a interessada apresentou a impugnação de fls. 30 a 39, acompanhada da procuração de fl. 40, argumentando que não concorda com a responsabilidade tributária a ela atribuída, pelas seguintes razões: a análise dos documentos que envolveram a operação de nacionalização e/ou liberação das mercadorias extraviadas revela, efetivamente, a existência de fraude, a qual foi praticada não só contra o Fisco, como também, contra a Administração dos Portos; a impugnante é autarquia estadual, vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes, sendo responsável pela prestação de serviço público portuário nos Portos de Paranaguá e Antonina; o serviço público por ela prestado diz respeito a administração das instalações portuárias, regulação das atividades do Porto e exercício do poder de polícia, de modo a permitir a integração harmônica de todos os usuários do Porto, conforme dispõe o art. 3º da Lei 8.630/93; assim, caracterizase como ente da Administração Pública indireta, que exerce, por descentralização do Estado do Paraná, serviço público federal, conforme determina o art. 21, inc. XII, alínea “f”, da Constituição Federal, e a Lei nº 9.277/96, na condição de Autoridade Portuária; não se pode, pois, exigir da APPA a fiscalização e vigilância além do dever de diligência que lhe é exigido; o legislador limita a responsabilidade tributária do depositário em casos que extrapolam o dever comum de diligência, dispondo no art. 480 do Regulamento Aduaneiro que o caso fortuito e a força maior são excludentes de responsabilidade; segundo entendimento do jurista J.M.Antunes Varela, não só os fatos da natureza podem enquadrarse como caso fortuito e força maior, mas também os eventos causados por fatos humanos, sendo fundamental, para a caracterização destas situações, o fator de imprevisibilidade, e a impossibilidade de evitálos com a diligência exigível do obrigado; fazemse presentes, no caso em apreço, as excludentes de responsabilidade caso fortuito e força maior, afastando, assim, a obrigação do pagamento do Imposto incidente e devido sobre as mercadorias extraviadas; é indevida a cobrança de imposto relativamente ao contêiner, pois este não constitui embalagem das mercadorias, mas parte integrante do todo, conforme art. 24 da Lei nº 9.611/98; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 4 não cabe a aplicação de multa de 150%, por indício de fraude, pois a interpretação do art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96 e dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, indica que tal penalidade somente se aplica aos casos em que a fraude beneficiou o próprio contribuinte, contra o qual pesam as suspeitas de atuação fraudulenta. Ao final, a impugnante requer seja desconstituído o Auto de Infração, em virtude do reconhecimento da presença das excludentes de responsabilidade, quais sejam, o caso fortuito e a força maior. Em assim não entendendo a autoridade julgadora, requer seja o presente procedimento fiscal suspenso, para o fim de aguardar a conclusão do inquérito instaurado junto a Policia Federal, visando elucidar o caso, identificar os responsáveis e recuperar as mercadorias. Requer, também, a retificação do débito fiscal, no que tange à alíquota sobre a unidade de carga e à multa aplicada.” A DRF de Julgamento em Florianópolis/SC, através do Acórdão Nº 2.231 de 21/02/2003, julgou o lançamento procedente nos seguintes termos, que a seguir se transcreve em parte, omitindose as transcrições de algumas normas legais, e por vir de encontro ao que julgo ser a expressão da verdade, passo a adotar fielmente: “Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade da impugnação apresentada, dela se toma conhecimento. A interessada suscita, com profusão de argumentos, aspectos variados que obstariam a exigência fiscal, mormente no tocante à sua real condição de ente autárquico, do Estado do Paraná, que administra os portos de Paranaguá e Antonina. Dispõe o Código Tributário Nacional (C.T.N.) – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 in verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifos acrescidos) Usando dessa faculdade e da competência delegada pelo parágrafo único do art. 60 do Decretolei nº 37/1966, o art. 81 do Regulamento Aduaneiro estatuiu, in verbis: Art. 81 – São responsáveis pelo imposto e multas cabíveis: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001310/200261 Acórdão n.º 930301.175 CSRFT3 Fl. 205 5 I – o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II – o depositário, como tal designado todo aquele incumbido da custódia de mercadoria sob o controle aduaneiro; III – outras pessoas expressamente indicadas na legislação vigente. (grifos acrescidos) A Lei nº 8.630/1993, ao dispor sobre o regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações portuárias, reconheceu, expressamente, em seu art. 36, inc. VI, o seguinte: Art. 36 – Compete ao Ministério da Fazenda, por intermédio das repartições aduaneiras: [...] VI – apurar responsabilidade tributária decorrente da avaria, quebra ou falta de mercadorias, em volumes sujeitos a controle aduaneiro; [...] Já no art. 13 daquela lei foi dito que: Art. 13. Quando as mercadorias a que se referem o inciso II do art. 11 e o artigo anterior desta Lei estiverem em área controlada pela Administração do Porto e após o seu recebimento, conforme definido pelo regulamento de exploração do porto, a responsabilidade cabe à Administração do Porto. A nova redação dada ao § 1º do art. 173 da Constituição Federal de 1988, pela Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, manteve a condição de que somente por entidades paraestatais poderá o Estado explorar atividade econômica, a qual deve respeito aos princípios consagrados no art. 170 da Constituição Federal de 1988, mormente o da livre concorrência, que obstam privilégios estatais de qualquer espécie. A exploração de atividade econômica pelo Estado incompatibilizase com prerrogativas que a ele seriam inerentes, máxime no campo de imunidades tributárias, conforme princípio implicitamente abarcado pelo § 3º do art. 150, abaixo transcrito: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI – instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros (...) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 6 § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.” (Grifouse) Sob essa ótica, concluise que a autuada, pela prestação de serviço de conteúdo econômico e com o recebimento de tarifas, é sujeito passivo da obrigação fiscal que lhe é imputada. A partir dessas ponderações, depreendese que, havendo a personificação jurídica de direito privado, a autuada submetese às obrigações tributárias principais e acessórias em relação a tributos e contribuições federais. A interessada invoca, em sua defesa, a ocorrência de excludentes de responsabilidade, alegando haver ocorrido caso fortuito ou de força maior. Conceitua o Código Civil, nestes termos, tais excludentes (sublinhouse): Art. 1. 058 ....... omissis ....... Parágrafo único – O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. Mais claramente, o Parecer Normativo CST nº 39/1978, publicado no D.O.U. de 04/05/1978, ao abordar assunto análogo, defineos como segue (destacouse): 3 ....omissis .... Fortuito é, no sentido exato de seu significado (acaso, imprevisão, acidente), o evento que não se pode prever e que, quando ocorre, se mostra superior às forças ou vontade do homem, para que seja evitado. Caso de força maior é o fato que se prevê ou é previsível, mas que não se pode, igualmente, evitar, visto que é mais forte que a vontade ou ação do homem. Assim, ambos se caracterizam pela irresistibilidade e se distinguem pela previsibilidade ou imprevisibilidade. .... omissis ...., ao passo que os casos de outras espécies mostram ação de quem os praticou ou se converteram em efeito, em função das causas de imprevidência, negligência, imprudência, imperícia, complacência, conivência, inércia, omissão, etc. Entre outros, se consideram casos fortuitos e de força maior os seguintes: tempestade, borrasca, inundação, terremoto, granizo, maremoto, naufrágio, incêndio, geada, nevasca, tufão, furacão, etc., ou quaisquer outros acontecimentos dessa ordem, imprevisíveis ou previsíveis, mas inevitáveis. 4. Por princípio, ninguém responde pelos casos fortuitos ou de força maior, pois que inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinham que acontecer, sem que sejam imputáveis a algo ou alguém Por conseguinte, somente se atribuirá uma situação a caso fortuito, ou de força maior, se cumpridas duas condições indissociáveis, a saber: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001310/200261 Acórdão n.º 930301.175 CSRFT3 Fl. 206 7 a) ausência de imputabilidade o evento não pode decorrer da ação humana. Se o acontecimento originouse da atuação de terceiros, a lei dá a quem for nomeado responsável, o direito regressivo contra o agente. b) inevitabilidade ou irresistibilidade o sujeito passivo não pode concorrer, sob qualquer forma – negligência, imperícia, imprudência, inércia, omissão, etc. , para o episódio lamentado. Se a sua postura facilitou ou permitiu o evento danoso, não se pode falar em fortuito, mas se deve debitar, a esse comportamento, a origem parcial ou total do ocorrido. Basicamente, poderia se afirmar que o caso fortuito, ou de força maior, ocorre inexoravelmente, sem que o homem tenha, de alguma forma, interferido, e sem que possa, de qualquer modo, impedilo. Defendendo o seu ponto de vista (fls. 143), a autuada cita o magistério de J. M. Antunes Varela, na obra “Direito das Obrigações”, Ed. Forense, vol. II, pg. 70, na qual consta o seguinte: Podese dizer, entretanto, que, na designação genérica de casos fortuitos e de força maior cabem os fatos naturais (inundações, abalos sísmicos, tempestades, pragas de insetos, epidemias, ataques de animais selvagens, etc), os fatos humanos de autor indeterminado ou indeterminável (as guerras, as revoluções, as greves, os motins, os assaltos à mão armada, etc.) e os fatos do príncipe, cuja verificação seja imprevisível em concreto ou cujos efeitos não possam ser impedidos, ainda que os fatos sejam previstos. Segundo entendimento acima transcrito, os fatos humanos considerados como casos fortuitos e de força maior limitamse a atos nos quais há o emprego da força bruta para a obtenção do pretendido, tais como os assaltos à mão armada, os motins, e outros. Ainda que, por hipótese, esta autoridade julgadora adotasse tal entendimento, não está o caso concreto por ele alcançado, uma vez que a ocorrência verificada trata do extravio de mercadorias, supostamente retiradas do recinto alfandegado através de documentos falsificados. O furto sem emprego de violência ou ameaça que impeça ou diminua a capacidade de resistência da vítima, não pode, de forma nenhuma, tipificar a ocorrência de caso fortuito ou força maior. Nem se pretenda, por outro lado, considerar como imprevisível e inevitável o lamentado episódio, em virtude da astúcia empregada pelo agente, ou agentes, na consecução do fato, pois estaria a impugnante tentando alegar, em seu favor, a própria falta de cuidado e diligência. Tanto o furto como o roubo são riscos previsíveis, inerentes à própria atividade exercida pela depositária de mercadorias estrangeiras, para os quais deve ela estar permanentemente acautelada e aparelhada, tomandoos evitáveis. O furto, mesmo qualificado, como evento previsível a quem explora comercialmente qualquer armazém ou depósito, comporta medidas preventivas visando evitá lo. Tendo a interessada apenas alegado que cumpriu o dever de diligência que lhe é exigido, sem, no entanto, apresentar qualquer comprovação relativamente aos cuidados adotados, conduz ao completo afastamento das excludentes de responsabilidade argüidas. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 8 A esse respeito, transcrevese o entendimento unânime do Terceiro Conselho de Contribuintes exarado nos Acórdãos nº's 30233.727, de 1998, e 30232.442, de 1992, respectivamente: A primeira alegação trazida pela recorrente versa sobre tese de que a ocorrência de roubo do “container” onde se encontravam os veículos importados, o qual, por sua vez, encontravase sob sua guarda, consiste num caso fortuito ou de força maior que, como tal, constituise uma excludente de sua responsabilidade sobre o extravio das mercadorias em questão. A esse respeito dispõe o Regulamento Aduaneiro, em primeiro, lugar, que o depositário responde por avaria ou falta de mercadoria sob sua custódia (art. 479), ressalvando, de fato, a hipótese de caso fortuito ou força maior, desde que comprovada tal circunstância pelo responsável tributário. No presente caso, temse que a ocorrência verificada traduzse no furto, e não roubo, das mercadorias mantidas sob custódia da autuada, sendo que até mesmo esta concorda que as mesmas foram sorrateiramente retiradas das dependências portuárias, revelando autêntica culpa da depositária, devido à ausência da necessária vigilância. A esse respeito cuidou bem a decisão singular ao reportarse ao Parecer Normativo CST nº 39/78, cujo teor foi reproduzido naquela oportunidade, sem deixar dúvidas quanto ao fato de que a tese sustentada pela impugnante em nada lhe aproveita. (...) Nenhuma dúvida paira nos autos com relação ao furto da mercadoria envolvida do interior das dependências portuárias, sob a responsabilidade da Recorrente, na condição de Fiel Depositária da carga. Configurada a ocorrência de furto, como reconheceu a própria Suplicante em sua Apelação de fls., encontrase completamente afastada a hipótese de caso fortuito ou força maior que serviria como excludente da responsabilidade da Depositária É certo, portanto, que a culpa, no caso “in vigilando” é exclusivamente da Recorrente, uma vez que a mercadoria foi furtada quando se encontrava sob sua custódia A impugnante insurgese, ainda, com a cobrança de Imposto de Importação referente ao extravio do contêiner. Analisando os dispositivos legais que tratam da matéria, temos: a) A Lei nº 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre o transporte multimodal de mercadorias, ao tratar das unidades de carga, assim estabelece em seu artigo 24 e parágrafo único: Art. 24. Para os efeitos desta Lei, considerase unidade de carga qualquer equipamento adequado à unitização de mercadorias a serem transportadas, sujeitas a movimentação de forma indivisível em todas as modalidades de transporte utilizadas no percurso. Parágrafo único. A unidade de carga, seus acessórios e equipamentos não constituem embalagem e são partes integrantes do todo. b) Instrução Normativa nº 97/93, que regula o Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária de Unidade de Carga traz, no seu artigo 1º: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001310/200261 Acórdão n.º 930301.175 CSRFT3 Fl. 207 9 Art. 1º Consideramse sob regime aduaneiro especial de admissão temporária, independentemente de procedimentos administrativos, as unidades de carga estrangeira, seus equipamentos e acessórios, que ingressarem no território aduaneiro (...) c) O artigo 481 do RA/85 (Decreto 91030/85) tem a seguinte redação: Art. 481. Observado o disposto no artigo 107, o valor dos tributos referentes a mercadoria avariado ou extraviada será calculado à vista do manifesto ou dos documentos de importação. (grifos acrescidos) Verificase que tanto o art 481 do Regulamento Aduaneiro, acima transcrito, como os demais artigos do mesmo Regulamento que tratam do extravio ou falta (artigos 86, 107, 478 e 481), estabelecem que a mercadoria faltante ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar o fato. Ora, no contexto de toda a legislação referida acima, depreendese que o contêiner, quando utilizado no transporte de mercadorias, não é considerado mercadoria, e não está sujeito ao mesmo tratamento tributário dado à mercadoria. Concluise, do exposto, que a exigência de tributos em virtude de falta ou extravio de mercadoria deve alcançar apenas a mercadoria extraviada, e não o valor do contêiner, uma vez que este é considerado um equipamento ou acessório do veículo transportador, e encontrase no país sob regime de admissão temporária. Assim sendo, do crédito lançado deve ser expurgado o Imposto de Importação calculado sobre o contêiner, no montante de RS 6.055,37. No que se refere a imposição da multa agravada, de 150%, assim dispõe a Lei nº 9.430/1996: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – omissis....; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, assim dispõe a Lei nº 4.502/1964, artigos 72 e 73, in verbis: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 10 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. A própria autuada, em sua impugnação, reconhece que os documentos que envolveram a liberação da mercadoria importada demonstram, efetivamente, a existência de fraude, da qual se diz também vítima. No entanto, como já abordado neste decisório, ainda que a interessada não tenha concorrido para a elaboração dos documentos fraudulentos, cometeu infração quando liberou a mercadoria sem atentar para a legitimidade da documentação que amparou referida saída. Estando presentes os requisitos estabelecidos para caracterização da fraude, quais sejam, a ação ou a omissão dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador, fica a autuada sujeita a multa agravada prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inc. II. Com relação ao pedido final formulado pela impugnante, requerendo que o presente procedimento fiscal seja suspenso até a conclusão do inquérito instaurado pela Polícia Federal, o qual tem por objetivo identificar os responsáveis e recuperar as mercadorias contrabandeadas, também não é de ser aceito. É que o procedimento criminal não interfere no fiscal, e viceversa, seguindo ambos o seu curso normal, de forma independente, até o desfecho final. Nada obstante, se identificado o autor, ou autores, do procedimento fraudulento que resultou em saída irregular de mercadorias depositadas, do qual a impugnante foi considerada responsável, para efeitos fiscais, terá, ela, por lei, direito regressivo contra esse, ou esses agentes, visando ressarcirse de todos os prejuízos sofridos e gastos despendidos. Pelo exposto, voto no sentido de considerar procedente em parte o Auto de Infração de fls. 4 a 6, mantendo a exigência do Imposto de Importação no valor de R$ 5.866,25, acrescido da multa de ofício de 150% e juros de mora devidos à época do pagamento, e eximindo a interessada da exigência de imposto e multa relativamente ao contêiner no qual estavam acondicionadas as mercadorias extraviadas. Roseli Fabrin Relatora” A recorrente intimada para tomar ciência da decisão, protocolou através do seu Sistema Integrado de Documentos APPA sob o n° 5.510.4760 em data de 27/05/2003 a Intimação com os anexos correspondentes, apresentado em 26/06/2003, portanto tempestivamente, o seu arrazoado de razões como Recurso Voluntário a este Conselho de Contribuintes. Consta desse arrazoado, todos os argumentos apresentados em primeira instância, alem dos que a seguir se resume: Alega o recorrente que exerce o Serviço Público, diferente da atividade econômica em sentido estrito, elencadas na CF em seus arts. 21 e 173. Outrossim, declina após diversas considerações e transcrições, que “a realidade mostra que há um verdadeiro ‘convênioconcessão’ entre o Estado do Paraná e a União Federal, delegandose a competência federal para a Administração Pública estadual, tendo em vista atingir a correta prestação do serviço público. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001310/200261 Acórdão n.º 930301.175 CSRFT3 Fl. 208 11 E que, portanto, foi formalizado por meio do CONVÊNIO DE DELEGAÇÃO Nº 037/2001, firmado em 11/12/2001 entre o Estado do Paraná e o Ministério dos Transportes, com interveniência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, que prorroga a atividade de exploração portuária por mais 25 anos. Concluindo por afirmar que, também, pela forma de sua prestação, é de todo impossível considerarse a recorrente como pessoa jurídica sujeita ao regime público de direito privado. E ainda, sobre o assunto, referente a natureza jurídica da recorrente, conclui por demonstrar como a recorrente foi criada e que portanto, estaria sujeita exclusivamente ao regime jurídico de direito público. Quanto a aplicação da multa agravada de 150%, afirma que é abusiva, e que jamais poderia ser aplicada contra a recorrente que não participou ou perpetrou da fraude, e sim foi vítima. Alega também, que na época dos fatos, os documentos de liberação que eram fornecidos pela Receita Federal ainda não eram informatizados, não continham nenhum elemento de segurança que distinguisse sua autenticidade de modo inconfundível e, que fora também ludibriada e, que, o próprio sistema utilizado pela Receita Federal foi que contribuiu para a ocorrência da fraude, e que a recorrente não teve qualquer intuito de fraude, razão pela qual não pode ser penalizada por esta razão tão seria. A seguir, reitera o fato de que o ocorrido não se assemelha ao de furto, afirmando que no caso em espécie, não houve caracterização de caso fortuito, sendo a recorrente induzida ao erro por flagrante fragilidade da documentação emitida pela Receita Federal. Por fim, solicita que seja afastada qualquer responsabilidade tributária da recorrente, e que no caso de entendimento diverso, que ao menos seja reconhecido o não cabimento da multa agravada. A Decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes ficou assim ementada: MERCADORIA EXTRAVIADA. TRIBUTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE ECONÔMICA POR AUTARQUIA ESTADUAL. CABIMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE DA SANÇÃO NOS CASOS EM QUE NÃO SE EVIDENCIA INTUITO DE FRAUDE PELA RECORRENTE. Descaracterizada, para fins tributários, a condição de entidade de direito público em razão do exercício de atividade econômica, nos termos do art. 173 da Constituição Federal, será devida a exigência tributária. Inaplicável a imunidade tributária prevista no § 2º do artigo 150 da CF, por caracterizarse como atividade prevista no § 3º do mesmo artigo. Não se aplica à recorrente a multa agravada prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por não ter infringido quaisquer dos dispostos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, uma vez que não se evidenciou, no caso ora vergastado, o intuito de fraude nem tampouco, ação ou omissão dolosa. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO 12 Irresignada a PGFN interpôs Recurso de Divergência e a contribuinte também apresentou recurso que foi admitido tãosomente quanto a parte da alegada imunidade do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio os Recursos interpostos em nome da Fazenda Nacional e do Contribuinte admitidos conforme despachos de fls 121 e 194. Conforme despachado, o Procurador pede a reforma do acórdão no que tange à multa de ofício, e o contribuinte a parte relativa à imunidade que lhe deve ser reconhecida por ser ente vinculado a atividades próprias de Estado, não relacionáveis ao exercício de atividade econômica. Primeiramente, quanto ao recurso da Fazenda Nacional, é meu entendimento que ao desgravar a multa por inocorrência de fraude deve restar a aplicação da parte devida ao pagamento dos impostos com atraso, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato é essa a jurisprudência que vigora entre meus pares da Segunda Câmara da Terceira Sessão. Assim sendo, voto por prover o Recurso da Fazenda quanto à multa restabelecendo os 75% cabíveis. Quanto ao Recurso do contribuinte, adoto o voto proferido pela instância a quo, com o qual concordo No sentido de que conforme ficou devidamente comprovado, a recorrente fica formalmente descaracterizada, para fins tributários, da condição de imunidade como entidade de direito público em razão do exercício de atividade econômica, nos termos do art. 173 da Constituição Federal, portanto, será devido a exigência tributária aplicada pela ação fiscal, por total inaplicabilidade da imunidade tributária prevista no § 2º do artigo 150 da CF, por caracterizarse como atividade prevista no § 3º do mesmo artigo. Por outro lado, não se pode atribuir a recorrente o agravamento da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, por não ter infringido qualquer dos dispostos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, uma vez que não se evidenciou no caso vergastado o intuito de fraude pela recorrente, nem tão pouco ação ou omissão dolosa. Portanto, Voto no sentido de conceder parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que seja mantida a exigência fiscal imputada a recorrente para recolher aos cofres públicos os tributos e contribuições incidentes sobre bens e atividades objetos da execução que lhe foi delegada, conforme previsto no Fl. 12DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.001310/200261 Acórdão n.º 930301.175 CSRFT3 Fl. 209 13 lançamento do crédito tributário, entretanto, não se aplicando a multa agravada por não ter infringido qualquer disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 1964, nem tão pouco, se verificou ação ou omissão dolosa. Digo,de passagem, que ao ler o voto a quo meu entendimento foi de que a multa apenas foi desagravada. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso do Contribuinte. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 13DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 09/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por CARLOS AL BERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13808.002507/00-73
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.291
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento em favor da 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 1ªSeção de Julgamento do CARF
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento em favor da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Tratam-se de embargos de declaração opostos pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Primeira Seção do CARF assim ementado, verbis: “Ementa: NULIDADE - Comprovado, nos autos, que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, afastam-se as alegações de nulidade processual ou nulidade da decisão recorrida. " V Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 13808.002507/00-73 Resolução nº 1102-000.291 S1-C1T2 Fl. 2 2 BASE DE CÁLCULO DO IRPJ - CSLL - DEDUTIBILIDADE - PERÍODO ANTERIOR À LEI N° 9.316/96: No período-base em que a CSLL se apresenta dedutível na formação da base de cálculo do IRPJ, tal condição deve ser respeitada no lançamento de ofício do IRPJ, sempre que houver o lançamento decorrente da CSLL. IRPJ - DEDUÇÃO DE PAT e VALE-TRANSPORTE - Apurado o IRPJ por lançamento de ofício, devem ser deduzidas as despesas com Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e com Vale Transporte compensáveis no respectivo ano- calendário, dentro dos limites legais. IRPJ - DESPESAS - COMPROVAÇÃO - Devidamente comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetiva despesa, necessária e essencial à atividade exercida pela contribuinte, impõe-se o restabelecimento da dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Referido acórdão foi objeto de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, os quais foram acolhidos com efeitos modificativos, para supressão de erro material da decisão, conforme a ementa que segue: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ e reflexo Ano-calendário:1997 ERRO MATERIAL NA DECISÃO - NECESSIDADE DE ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS - Se, não obstante o Acórdão embargado descrever de forma clara o julgado, ter incorrido em erro de cálculo que altera o resultado final do julgado, devem os Embargos Embargos de Declaração serem acolhidos e retificado o erro de cálculo no acórdão embargado.” Regularmente intimada, a Contribuinte interpõe embargos de declaração, por meio do qual alega omissão e contradição do acórdão por alegada inovação nos fundamentos do lançamento, bem como pela falta de apreciação de todos os documentos colacionados nos autos. É a síntese do necessário. Conforme se depreende do relato supra, os embargos de declaração foram apresentados contra acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF. Portanto, nos termos do RI/CARF, incumbe àquele Colegiado o exame sobre a existência (ou não) dos defeitos alegados pela Contribuinte em seu ato decisório. Por tais fundamentos, declina-se da competência para exame destes embargos e orienta-se voto no sentido de determinar a remessa dos autos à 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF para as providências de praxe. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO – Relator Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 13603.901353/2010-61
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1803-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, devolver o processo em razão da impossibilidade de julgamento tomando em conta a necessidade de que seja julgado em conjunto com processo nº 16004.000130/2009-99 que se encontra pendente de sorteio, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Arthur José André Neto Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, devolver o processo em razão da impossibilidade de julgamento tomando em conta a necessidade de que seja julgado em conjunto com processo nº 16004.000130/200999 que se encontra pendente de sorteio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Arthur José André Neto – Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ de Belo Horizonte, que considerou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente e reconheceu parcialmente o direito creditório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 01 35 3/ 20 10 -6 1 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Resolução nº 1803000.104 S1TE03 Fl. 3 2 Na origem, a recorrente apresentou a Declaração de Compensação (PEDCOMP) nº 15962.47391.111006.1.3.032046, requerendo a compensação de valores de crédito decorrente de base negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL). O despacho decisório não homologou a DCOMP sob o argumento que não existiria saldo negativo disponível, nos seguintes termos: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 262.472,43 Valor na DIPJ: R$ 262.472,43 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 615.140,96 CSLL devida: R$ 352.668,53 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Irresignada com a não homologação da compensação, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando o seguinte: A decadência do saldo negativo do anocalendário de 2002, uma vez que apenas em 14/06/2010 procedeuse o questionamento do tributo. A nulidade do procedimento por cerceamento de defesa, uma vez que o Auditor teria descrevido a “conduta supostamente irregular” redundando na indicação genérica do art. 74, da lei 9.430/96, sem apontar especificamente qual das regras integrantes do dispositivo foram afrontadas. Que demonstrou a existência do direito creditório, sendo imperioso e reconhecimento e a homologação das compensações declaradas. Que o “O Fisco deve proceder à análise do crédito declarado via DCOMP, pautandose no princípio da verdade material.” Ressalta que, a não observância do referido princípio coloca em “xeque” a legalidade da existência do direito creditório. Subsidiariamente, foi requerido que, se o direito à compensação não fosse reconhecido, em honra ao princípio da eventualidade, que não fosse aplicada multa e juros por atraso no pagamento, já que o débito teria sido quitado, tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, os débitos de PIS e COFINS de setembro/2005, que estavam em aberto. Que fosse realizada diligência. A DJR de Belo Horizonte, MG, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para indeferir ao pedido de diligências, rejeitar a preliminar de nulidade e reconhecer saldo negativo da CSLL no exercício de 2003, anocalendário 2002, no valor original de R$ 49.703,47. O acórdão restou ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo decorrente do ajuste anual. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Resolução nº 1803000.104 S1TE03 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Ainda no mérito, o acórdão recorrido dispôs que: “Os débitos não pagos nem confessados em DCTF do processo n.º 10680.013544/200687 são os que o manifestante ora pretende que se considere como parcela integrante do saldo negativo utilizado na compensação não homologada. No PER/DCOMP, a origem do crédito utilizado é exclusivamente recolhimentos com DARF de estimativas mensais. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte pleiteia o reconhecimento de outras parcelas de composição do crédito não informadas no PER/DCOMP. Além de pagamentos com DARF, invocamse, também, supostas compensações de débitos de CSLL mensal referentes a fevereiro, março, maio e agosto de 2002 com saldo negativo de períodos anteriores. No presente processo, não cabe discutir as invocadas compensações, uma vez que a falta de quitação dos valores supostamente compensados é objeto da lide de que trata o processo n.º 10680.013544/200687. O impedimento decorre de um dos pressupostos processuais. Para que a lide seja considerada válida, exigese originalidade. Constatada litispendência, haverá quebra de originalidade. Portanto, aqui só cabe adotar a solução da lide que ora prevalece naquele processo.” Intimada do acórdão da instância a quo em 28/06/2012, não se conformando com o acórdão prolatado, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no dia 27/07/2012, repetindo a mesma petição apresentada na manifestação de inconformidade, cujos fundamentos são os seguintes: A decadência do saldo negativo do anocalendário de 2002, uma vez que apenas em 14/06/2010 procedeuse o questionamento do tributo. A nulidade do procedimento por cerceamento de defesa, uma vez que o Auditor teria descrevido a “conduta supostamente irregular” redundando na indicação genérica do art. 74, da lei 9.430/96, sem apontar especificamente qual das regras integrantes do dispositivo foram afrontadas. Que demonstrou a existência do direito creditório, sendo imperioso e reconhecimento e a homologação das compensações declaradas. Que o “O Fisco deve proceder à análise do crédito declarado via DCOMP, pautandose no princípio da verdade material.” Ressalta que, a não observância do referido princípio coloca em “xeque” a legalidade da existência do direito creditório. Subsidiariamente, foi requerido que, se o direito à compensação não fosse reconhecido, em honra ao princípio da eventualidade, que não fosse aplicada multa e juros por atraso no pagamento, já que o débito teria sido quitado, tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, os débitos de PIS e COFINS de setembro/2005, que estavam em aberto. A Fazenda Pública não apresentou contrarrazões. É o relatório VOTO. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Resolução nº 1803000.104 S1TE03 Fl. 5 4 Conselheiro Artur José André Neto, Relator DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo, bem como preenche os demais requisitos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço e passo à análise do mérito. DO MÉRITO RECURSAL O acórdão guerreado entendeu que na manifestação de inconformidade a contribuinte pleiteia o reconhecimento de outras parcelas de composição do crédito não informadas no PER/COMP, uma vez que a falta de quitação dos valores supostamente compensados é objeto da lide de que trata o processo de nº 10680.013544/200687. Refutando o entendimento da instância inicial, a recorrente alegou que “o processo administrativo nº 10680.013544/200687 versa sobre a possibilidade de exigir multa isolada após o encerramento do ano fiscal por suposta falta de recolhimento de estimativa, enquanto o presente processo trata da comprovação/existência de créditos declarados em compensação.” Às fls. 107/114, foi juntado o acórdão referente ao processo 10680.013544/200687, cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, e o contribuinte, no exercício pleno de sua defesa, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 MULTA ISOLADA ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA É legítima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do Imposto de Renda determinado sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impôs penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 MULTA ISOLADA ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA” Ora, da leitura do acórdão supracitado é possível inferir que objeto dos processos é o mesmo. O presente processo tem como objeto a existência do crédito e a possibilidade de compensação, ao passo que o outro processo, cuja ementa foi acima colacionada, diz Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13603.901353/201061 Resolução nº 1803000.104 S1TE03 Fl. 6 5 respeito à aplicação da multa isolada quanto à falta de recolhimento de estimativas referente aos mesmos períodos em debate nesses autos. Diante disso, entendo que há conexão entre os processos, de forma que o julgamento de um irá influenciar diretamente no outro. Certo é que, a verdade real ou material é princípio informador do processo administrativo tributário, que se vincula ao princípio da oficialidade, sendo um direito dever da administração perseguir as informações, para que possa prolatar uma decisão equitativa. Ao abordar o tema em tela, o autor Celso Antônio Bandeira de Mello assim dispôs: “A administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e aprovado... Sendo assim, quando o julgador se depara com uma questão duvidosa que pode influenciar diretamente em seu convencimento, é imperioso que o feito seja apensado ao processo nº 10680.013544/200687, que se encontra pendente de sorteio, para que a decisão seja prolatada de forma equânime, refletindo assim imparcialidade e verdade dos fatos. CONCLUSÃO Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de devolver o processo em razão da impossibilidade de julgamento tomando em conta a necessidade de que seja julgado em conjunto com processo nº 16004.000130/200999 que se encontra pendente de sorteio. (assinado digitalmente) Artur José André Neto Fl. 230DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.003033/2004-48
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - SÓCIO DE MAIS DE UMA EMPRESA - Não pode prosperar a exclusão de pessoa jurídica do Simples, determinada a partir do segundo ano da opção, com enquadramento no inciso IX do art. 9º da Lei n° 9.317/96, fundamentada na combinação de fatores -sócio com mais de 10% do capital em outra empresa e somatório da receita bruta global superior ao limite - verificados no ano anterior à opção das duas empresas, ainda mais quando a participação excedente é desfeita no primeiro ano da opção, antes de atingido o limite da receita bruta global.
Numero da decisão: 1103-000.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recktenvald
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - SÓCIO DE MAIS DE UMA EMPRESA - Não pode prosperar a exclusão de pessoa jurídica do Simples, determinada a partir do segundo ano da opção, com enquadramento no inciso IX do art. 9º da Lei n° 9.317/96, fundamentada na combinação de fatores -sócio com mais de 10% do capital em outra empresa e somatório da receita bruta global superior ao limite - verificados no ano anterior à opção das duas empresas, ainda mais quando a participação excedente é desfeita no primeiro ano da opção, antes de atingido o limite da receita bruta global.
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