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Numero do processo: 10980.010713/2006-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Asstitil CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PISTASEP
Período de apuração: 15/03/1999 a 15/02/2001
DIREITO CREDIT6R10. RESTITUIÇÃO. PRAZO,
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga
indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso
do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário,
assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por
homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança
jurídica
Recurso Voluntat io Negado
Numero da decisão: 3302-000.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Asstitil CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PISTASEP Período de apuração: 15/03/1999 a 15/02/2001 DIREITO CREDIT6R10. RESTITUIÇÃO. PRAZO, O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica Recurso Voluntat io Negado
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RESTITUIÇÃO. PRAZO, O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica Recurso Voluntat io Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente e Relator EDITADO EM: 11/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan HA° Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurpo Barreto, Relatório No dia 26/09/2006 a firma OSMAR L1EBL, já qualificada , ingressou com o pedido de restituição de PIS. relativo a pagamentos efetuados no período de 15/03/1999 a 15/02/2001, alegando inconstitucionalidade do § la do art, 3a da Lei na 9.71 8/98, que ampliou a base de cálculo da exação. A DM: em Joinville - Sc indeferiu o pedido da recorrente, alegando a extinção do direito de a recorrente pleitear a restituição, conforme Despacho Decisório de H. 14. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou corn a manifestação de inconformidade de Hs. 17/33, na qual alega, resumidamente, que o direito de pedir a restituição extingue-se em cinco anos contados após a homologação do pagamento antecipado, data em que se considera extinto o crédito tributário. Cita jurisprudência judicial e administrativa. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis - SC indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão na 07-9.176, de 15/12/2006. cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO NORMAS GERAIS DE D1RE1101 R1131.17.-IR10 Pe.) iodo de op», fled° 15/03/1999 a 15/02/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO DECADENCIAL O di) eito de pleitecn a iestilidetio extingue -se coin o dam so do pram clecade»cicd de cinco anos. comado da data do pagamento indevido Saicitaetio Inclefin ido A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instáncia no dia 16/01/2007, conforme AR de fl. 40, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 23/01/2007, o recurso voluntário de fls. 41/60, no qual teptisa os argumentos da manifestação de inconformidade., Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece, A recorrente está pleiteando a restituição de PIS cujos pagamentos, que entende indevidos ou maiores que os devidos, foram realizados no período de 15/03/1999 a 15/02/2001. O pedido de restituição foi apresentado no dia 26/09/2006. 2 O citado art. 106, inciso I, do UN regulamenta a aplicação da lei tributaria no tempo, a saber: 3 Processo n" 10980 011)713/2006-42 S3-C312 Actirt15() n 3302-011.717 1-1 63 A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio das suas DRF e DRJ, entendeu extinto o direito de a recorrente pleitear a restituição em tela em face do decurso do prazo, que entende ser de 5 (cinco) anos a contar do pagamento tido como indevido e objeto do pedido de restituição. Concordo e ratifico o entendimento da RFB e julgo improcedentes os mgumentos da recoi rente quanto ao nanscurso do prazo para pleitear restituição de eventual pagamento indevido ou a maim de PIS. A administração pública lege-se pelo principio da estrita legalidade (CF, mt. 37, capul), especialmente em matéria de administiação tributária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, art, 3 g e 142, parágrafo único). Desta forma, o agente público encontra-se preso aos termos da Lei, não se lhe cabendo inovar ou suptimir as normas vigentes, o que significa, em última análise, introduzii discricionar iedade onde não lhe é permitida. Sobre o plazo e o termo a quo do mesmo para pedir restituição de tributos e contribuições pagos indevidamente, leza o art, 168 do CTN: "/Irt, 168. 0 &rein) de pleitear a restitukcio extingue-se cons o decal so do pi azo de 5 (cinco) anos, contados I - tuts hipóteses dos inCilOS e 11 do ri/ligo 16.5, da data da extinvilo do crédito tributário; - na hipótese do inciso Ill do artigo 165, da data em que se Minor definitive, a decislio administrativa ou passar em julgado a decisCio judicial que lenha id-ma:ado, anulado, revogado ou rescindido a decislio condenatória" (negritei) Para terminar de vez a querela sobre o termo a quo da contagem do referido prazo, pro os tributos lançados por homologação (se a data do pagamento ou a data da homologação do pagamento), a Lei Complementar ri 2 118, de 09/02/2005, determinou que a extinção do crédito tributário moire no momenta do pagamento antecipado . Reza o artigo 3 ° da referida lei: Art. Pata efeito de intoprelavao do inciso do at t 168 da Lei it° 5 172. de 25 de °amino de 1966 - Código Tributário Aft:clonal a evincilo do crddito tributdrio ocort e, no caso de ti ibuto sitjeito a lancamento por homologaciio, no momento do pagamento antecipado de que train o .f 1Q. do at t 150 da ida le! Mais ainda, o alt. 4° da mesma lei determina que o disposto no alt. 3° aplica- se a ato ou fato pictérito, in verb's: Art. 4 Esta Lei eta, a em vigoi 120 (ce»to e vinte) dias após sua publicaceio. observado, quanta ao art, 3Q, o disposto no art, 106, inciso .4 da Lei nQ 5.172, de 25 de artful), o de 1966 - Código ibutát iv Nacional (g, ifei) Ail 106 A lei aplica-se a ato ou falo pi eléi i/o 1 - em gaalquer caso, quando seja al:passim:elite Interprefativo excluida a aplicaglio de penalidade ã inftação dos dispositivos Wei pi dodos . Portanto. no há corno a administração deixar de aplicar os referidos dispositivos e, consequentemente, indeferir o pleito da recor rente. No mais, com fulcro no art, 50, § da Lei IV 9.784/1999 1 . adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Poi tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, (assinado digitalmente) Walber José da Silva ' An. 50 Os atos administrativos deverrio ser motivados, com indicaefio dos fatos c dos tundamemos juridicos, quando. I —1 ro A motivaçõo dove ser explicita, clara e congruente, podendo consistir cm declaracõo de concordfmcia coin fundamentos de anteriores pareceres, informaçÕes, decisões ou propostas, que, neste caso, sertio pane integrante do ato 4
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001802/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - 1RPF
Exercício: 2003
IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - TRATAMENTOS NÃO ACOBERTADOS PELA LEI
Somente são admitidos como dedução, os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses
ortopédicas e dentárias.
RECIBOS — NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE
DOS TRATAMENTOS
A apresentação de documentos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços médicos, capazes de respaldar' a efetividade dos valores declarados, são suficientes para ratificar as informações constantes dos recibos que
justificaram as deduções com despesas médicas, sendo aptos a afastar a glosa
empreendida pelo fisco.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2101-000.820
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer as deduções com despesa médica no montante de R$ 8.100,00, nos ternos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - 1RPF Exercício: 2003 IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - TRATAMENTOS NÃO ACOBERTADOS PELA LEI Somente são admitidos como dedução, os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. RECIBOS — NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS TRATAMENTOS A apresentação de documentos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços médicos, capazes de respaldar' a efetividade dos valores declarados, são suficientes para ratificar as informações constantes dos recibos que justificaram as deduções com despesas médicas, sendo aptos a afastar a glosa empreendida pelo fisco. Recurso Parcialmente Provido.
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RECIBOS — NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS TRATAMENTOS A apresentação de documentos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços médicos, capazes de respaldar' a efetividade dos valores declarados, são suficientes para ratificar as informações constantes dos recibos que justificaram as deduções com despesas médicas, sendo aptos a afastar a glosa empreendida pelo fisco. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecr -a\deduções com despesa médica no montante de R$ 8.100,00, nos tennos do voto da Relatora. -% Caio arcos Cândido - Presidente p---- NU (/"Ar ibc;Oca Maiii-Manda — Re atora EDITADO EM: 03 DEZ 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório 0 auto de inflação de fls. 04 a 09 exige do sujeito passivo acima identificado, crédito tributário relativo ao imposto sobre a renda das pessoas fisicas (IRPF), referente ao ano-calendário 2002, exercício 2003, no montante de R$ 2.447,50, acrescido de juros de mora e multa de oficio, por ter sido detectada dedução indevida de despesas médicas, com a aplicação de multa de oficio ã aliquota de 75% e enquadramento legal no artigo 8', II, a, e §§ 2° e 30, da Lei n° 9,250, de 26/12/1995, e artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06/02/2001. A autuação motivou-se na ausência de previsão legal para a dedução de despesas com Terapia Reiki, como também que o sujeito passivo não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas medicas seja mediante comprovação do pagamento ou apresentação de exames/radiografias, com os profissionais Luiz Renato dos Santos e Cristina Lelis da Silva, sendo que os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços. 3. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls, 01 a03. 4. Submetida a lide a julgamento, os membros da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo seu entendimento na ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício. 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firma-se plena convicção de que restam indevidas as deduções de despesas médicas pleiteadas pela contribuinte, quando não demonstra os efetivos pagamentos ou se aquelas não se amoldam legislação regente da matéria. Langamento Procedente 5. Cientificado aos 01/07/2009, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 67 a 71. 6, Na petição recursal o sujeito passivo aduz, em apertada síntese, os seguintes argumentos em sua defesa: 2 Processo e 10675 001802/2006-51 S2-CITI AcOrdzIo n 2101-00,820 Fl 169 I - todos os documentos comprobatórios dos gastos médicos questionados foram apresentados ao fisco, acompanhados das jtistificativas; II — no tocante à glosa dos gastos com terapia Reiki não devem persistir, vez que se trata de tratamento reconhecido Organização Mundial de Saúde, servindo-se a tratar vária moléstias, tendo sido urna tentativa de complementar a psicoterapia a que necessitou ser submetida, por se encontrar em estado depressivo; III — quanto aos recibos medicos não aceitos, considerações de fatos e detalhes além daqueles claramente definidos em lei, tratam-se de mero entendimento pessoal, na interpretação da matéria, na espécie, os documentos apresentados estão todos adequados As determinações legais, pois, os recibos trazem claramente a identificação dos profissionais prestadores dos serviços, havendo ainda que atentar que os cheques somente são contemplados pelo artigo nos casos de ausência dos recibos, o que não ocorreu; IV — deixou de ser apreciada a declaração apresentada pela psicóloga, confirmando o tratamento, por quadro depressivo; ✓ - o estado depressivo, ao que tudo indica , ocorreu em função de distúrbios na sua cútis, o que levou também ao tratamento junto ao dermatologista Dr. Luiz Renato Santos, cujo laudo esclarece a forma como foi tratada. '7. Ao final, pugna sejam acolhidas as razões do recurso, cancelando-se o débito fiscal reclamado. o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisites para sua admissibilidade, dele torno conhecimento. A lide que chega a este colegiado trata de lançamento ern virtude de ter sido apurada dedução indevida corn despesas médicas, na ausência de previsão legal para a dedução de despesas com Terapia Reiki, como também que o sujeito passivo não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas seja mediante comprovação do pagamento ou apresentação de exames/radiografias, com os profissionais Luiz Renato dos Santos e Cristina Leis da Silva, sendo que os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços . No que toca As despesas com Terapia Reike, não se encontra tal tratamento entre aqueles elencados na lei, capazes de reduzir a base de calculo do IRPF, O rol das despesas com profissionais de saúde que podem ser tratadas como deduções está determinado no artigo 8°, § 2°, II, da Lei n° 9.250, de 1995, nos seguintes termos: - )11-- 3 Art, 8 0. °minis, II - das deduções relativas: a.) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiálogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos- e próteses ortopédicas e dentárias; Com efeito, por falta de previsão legal para sua permissão, deve ser mantida a glosa das despesas corn Terapia Heilci. Quanto as despesas em nome da profissional Cristina Lelis Silva, observa-se que os recibos apresentados veiculam atendimento psicológico. Afirma a recorrente que aquele tratamento se fizera necessário em decorrência de quadro depressivo. No sentido de provar a efetividade da despesa, a recorrente trouxa aos autos, fl. 15, declaração da profissional, indicando o tratamento psicológico, no ano de 2002, durante o qual foram realizadas sessões de psicoterapia individual e familiar, a firn de tratar episódio depressivo moderado. No tocante aos pagamentos em nome de Luiz Renato Santos, afirma a recorrente que se referiam a tratamento dermatológico, em função de distúrbios na sua cútis, o que desencadeara o processo depressivo. Para comprovar a efetividade da despesas, a autuada aduziu ao caderno processual, fl 14, declaração do profissional, que confirma o tratamento para um quadro de moléstia dermatológica, manifestada em determinadas partes do corpo e a terapia utilizada, estando demarcadas recidivas da doença. As declarações dos profissionais se complementam, vez que, como argumenta a recorrente, a persistência da doença de pele houvera gerado um quadro depressivo. Neste sentido, privilegiando-se o principio da verdade material e na esteira dos princípios da razoabilidade e finalidade, que regem o processo administrativo, entendo que a recorrente logrou comprovar, por meio de documentos idôneos, a efetividade dos serviços médicos antes não admitidos pelo fisco. Forte no exposto, somos por dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para restabelecer as despesas médicas no montante de R$ 8.100,00 . o voto. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 '-)"ktsr7f\tyie'gniii-rorViga\i2a(."' 4
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001415/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, tratando-se de descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DA TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
A penalidade prevista no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar o contribuinte.
Numero da decisão: 2301-001.837
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa devido à aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN – os fatos até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para realizar o cálculo da multa da forma prevista no art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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Fatos Geradores Recorrente DPC DISTRIBUIDOR ATACADISTA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicase o disposto no artigo 173, I. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DA TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa devido à aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN – os fatos até 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para realizar o cálculo da multa da forma prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 206 2 mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros, Marcelo Oliveira (Presidente), Edgar Silva Vidal, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 11/05/2007, em desfavor de DPC Distribuidor Atacadista S/A, por ter a empresa deixado de informar em GFIP os segurados obrigatórios na qualidade de empregados, incorrendo na infração ao art. 32, IV e §5º da Lei n. 8.212/91, combinado com o art. 225 inc. IV e §4º do Regulamento da Previdência Social, uma vez que descumpriu a obrigação acessória consistente em informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls. 24/36, tendo a DRJ de Belo Horizonte encaminhado o processo para diligência à fl.159, com intuito de verificar a correção da falta a que se refere a presente autuação. Em Informação Fiscal às fls. 166/167, a fiscalização aponta não ter sido reenviada nenhuma das GFIPs referente às competências compreendidas na presente autuação, tendo tão somente verificado que alguns segurados haviam sido incluídos de forma indevida na planilha do AI em vergaste, devendose, portanto, minorar o valor da multa atribuída à empresa. Diante das novas informações trazidas à baila, bem como tendo apreciado a defesa apresentada pelo contribuinte, o Acórdão de fls. 174/178 julgou parcialmente procedente o lançamento, consoante se pode observar da ementa a seguir transcrita: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 02/05/2007 Ementa: GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA APLICADA A MAIOR. RELEVAÇÃO. A empresa é obrigada a apresentar a GFIP/GRFP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 207 3 A multa aplicada a maior é corrigida no acórdão. É relevada a multa somente quando presentes os requisitos normativos. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, interpôs Recurso Voluntário de fls. 184/197, alegando, em síntese: a) Que, por terem as contribuições previdenciárias caráter de tributo, aplica selhe o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, §4º do CTN; b) Que, contrariamente ao que narrou a auditoria fiscal, todos os segurados obrigatórios vinculados à Recorrente foram devidamente informados nas GFIPs; c) Que, devido à ocorrência de enchentes no Município de Caratinga entre os anos de 2003 e 2004, a Recorrente não apresentou as guias de GFIP, tendo, contudo, apresentado extratos comprobatórios da regularidade dos recolhimentos relativos aos segurados; d) Que, tendo sido efetuados os devidos recolhimentos, restaria evidente que os segurados obrigatórios teriam sido informados nas competentes GFIPs. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da Decadência Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 208 4 No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Pois bem. O AI em apreço fora cientificado ao contribuinte em 11.05.2007, abrangendo as competências de 01/1999 a 12/2002. Logo, foram atingidas pela decadência as competências anteriores a 01/2002, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 209 5 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. No caso em apreço, a Recorrente descumpriu obrigação acessória, não havendo que se falar na aplicação do art. 150, § 4º do CTN, mas sim no seu art. 173, I, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 11/05/2007, envolvendo as competências de 01/1999 a 05/2002, encontramse decaídos os períodos de 01/1999 a 12/2001, porquanto este último poderia ter sido lançado a partir de 01/2002, findandose o prazo decadencial em 12/2006. Mérito A presente autuação decorre de omissões em GFIP de fatos geradores de todas as contribuições, haja vista a empresa ora autuada não ter declarado nas referidas guias segurados empregados a seu serviço, nas competências de 01/1999 a 12/2002. Em suas razões recursais, o contribuinte argumenta que, não obstante o que narrou a auditoria fiscal, teria devidamente informado nas GFIPs os segurados obrigatórios vinculados à Recorrente. Ocorre que, apesar de suas alegações, a empresa não se desincumbiu da obrigação de provar o adimplemento da obrigação entelada. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 210 6 Não tendo sido comprovada a apresentação das guias com os devidos segurados obrigatórios a serviço da Recorrente, tampouco tendo sido provada a correção da falta atribuída ao contribuinte, quando da efetuação de diligência, resta configurada a procedência do lançamento referente aos exercícios não atingidos pela decadência. Quanto à alegação de que, devido a enchente ocorrida no Município de Caratinga, o contribuinte não teria apresentada as mencionadas GFIPs, tendo, no entanto, procedido aos recolhimentos dos segurados, fazendo prova do fato através de extratos comprobatórios, irrelevante aludido argumento à apreciação do presente recurso. Isto porque, a autuação em apreço referese ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a omissão em GFIP de fatos geradores de todas as contribuições, não se prestando a comprovação do recolhimento das citadas contribuições a conduzir ao entendimento de que todos os segurados vinculados à Recorrente haviam sido devidamente informados nas aludidas guias. Portanto, não tendo sido apresentada as GFIPs objeto do presente lançamento, irrefutável a procedência da autuação em apreço, devendo ser mantida a multa concernente as competências não decaídas. Da Aplicação de Penalidade Mais Benéfica No tocante à multa, esta foi aplicada com perfeição à época, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada, legalmente embasada no art. 32, § 6º da Lei 8.212/91. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o parágrafo 6º acima suscitado fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o disposto em seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Nesse aspecto, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 211 7 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Corroborando com entendimento suso aludido, segue abaixo a jurisprudência dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL MULTA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, "C", DO CTN 1 A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN. Precedentes do STJ. 2 Agravo Regimental não provido. (STJ AgRgREsp 922.984 (2007/00234572) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 11.03.2009 p. 309) *** TRIBUTÁRIO MULTA ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR 1 A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2 A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedandose, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3 In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei nº 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplicase a legislação vigente no momento da infração. 4 O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei nº 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. 5 A redução da multa aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado no art. 106 do CTN. 6 Agravo regimental desprovido. (STJ AgRgAI 902.697 (2007/01371341) Rel. Min. Luiz Fux DJe 19.06.2008 p. 153) *** Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 212 8 TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA FISCAL ART. 35 DA LEI 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR ACÓRDÃO CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA CDA REQUISITOS APRECIAÇÃO SÚMULA 7/STJ 1 Inexiste contradição em acórdão que fixa o entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresto segue no mesmo diapasão. 2 Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de dívida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3 Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4 No confronto entre duas normas, aplicase a regra do art. 106, II "c" do CTN, por ser a dívida previdenciária de natureza tributária. 5 Recurso especial parcialmente provido. (STJ REsp 1.053.735 (2008/00952390) 2ª T. Relª Eliana Calmon DJe 26.11.2008 p. 1032) *** PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA 1 "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional." (REsp 624.536/RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2007, DJ 06.03.2007 p. 248). 2 Recurso Especial não provido. (STJ REsp 628.077 (2004/00130990) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 17.10.2008 p. 637) Notase, portanto, que de acordo com as jurisprudências colacionadas, é pacífico o entendimento da aplicação da penalidade da Lei mais benéfica a fatos pretéritos. Portanto, no meu entendimento, caso se constate no recálculo da multa com a observância no disposto no art. 32A, inciso I, da lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento os períodos que sofreram a decadência (anteriores a janeiro/2002), bem como para determinar a aplicação da penalidade com base na novel legislação, art. 32A, inciso I, da lei 8.212./91, caso mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10630.001415/200712 Acórdão n.º 230101.837 S2C3T1 Fl. 213 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 4/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10865.002283/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2007
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.507
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por
unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO - Relator Participaram, do presente julgamento, o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Trata o presente processo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD n.º 37.071.380-0, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho e lavrada contra a contribuinte já qualificada. O crédito diz respeito às contribuições da empresa, incluindo aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT e as destinadas a outras entidades e fundos. O valor consolidado em 06/08/2007 assumiu o montante de R$ 1.374.230,98(um milhão, trezentos e setenta e quatro mil, duzentos e trinta reais e noventa e oito centavos.l). De acordo como relato do fisco, fls. 29/31, os fatos geradores que deram ensejo à presente notificação foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais (empresários). A apuração do crédito deu-se mediante a verificação de folhas de pagamento de salários, rescisões contratuais, recibos de férias, GFIP - Guias de recolhimento do FGTS e Informações á Previdência Social, guias de recolhimentos previdenciárias e demais elementos subsidiários fornecidos à fiscalização pela própria empresa. A empresa apresentou impugnação, fls. 34/48, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que declarou procedente o lançamento, fls. 64/68. Eis a ementa do referido decisum: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2007 TAXA SELIC. As contribuições previdenciárias quando não pagas, pagas com atraso ou a menor, devem ser atualizadas com base na taxa SELIC, e juros de mora, ex vi do art. 34 da Lei n° 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao Colegiado de Primeira Instância negar aplicação a texto legal vigente sob o manto de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade. GRAU DE RISCO. É exigível a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, fixada em alíquotas distintas (1, 2 e 3%), de acordo com o grau de risco e a atividade preponderante da empresa. INCRA. A contribuição devida ao INCRA foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 como uma contribuição social de intervenção no domínio econômico, com fulcro no seu artigo 149, não possui Fl. 99DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10865.002283/2007-92 Acórdão n.º 2401-01.507 S2-C4T1 Fl. 95 3 natureza previdenciária, pois não se destina a financiar a Seguridade Social e pode ser cobrada de empresa urbana. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em síntese alegou que: a) a Lei n° 8.212/1991, afrontando a Constituição Federal, não definiu exaustivamente os elementos necessários à cobrança da contribuição ao RAT, posto que, deixando ao Regulamento a definição do risco leve, médio e grave, introduziu tipo aberto, ferindo assim o princípio da tipicidade serrada; b) tendo em vista que o INCRA não exerce nenhuma atividade relacionada às empresas urbanas e, ainda, que não possui a referida exação base em nenhuma lei complementar, não há que se falar na sua exigência, por configurar verdadeira afronta ao texto constitucional; c) a aplicação da Taxa Selic provoca aumento de tributo sem lei específica, ferindo o artigo 150, inciso I, da nossa Carta Magna, bem como os princípios da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica; d) os Julgadores Administrativos, quando apreciam a aplicação de determinada norma ao caso concreto, devem interpretá-la com base em toda a legislação, inclusive e, primordialmente, com base na Constituição Federal de seu Pais, a qual corresponde ao fundamento de validade de todas as demais normas do sistema. Ao final, propugna que seja cancelada a presente NFLD. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Verifica-se na espécie que não há contestação em relação à ocorrência dos fatos geradores, tendo o inconformismo da recorrente se resumido a atacar a suposta inconstitucionalidade das exigências de: a) contribuição ao RAT; b) contribuição ao INCRA; c) taxa de juros SELIC. Para enfrentar essas questões é necessário uma análise da conformação com a Constituição Federal de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, note-se que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 101DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10865.002283/2007-92 Acórdão n.º 2401-01.507 S2-C4T1 Fl. 96 5 c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observe-se que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF 1 . Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa, além da contribuição ao seguro de acidente de trabalho – RAT. Nesse, sentido, carecendo esse Tribunal Administrativo de competência para afastar a aplicação por inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente, voto pelo conhecimento do recurso para, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 102DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Fl. 103DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10660.002284/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2003
Ementa:
“CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO - O resultado
positivo obtido pelas sociedades cooperativas de produção não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c com os arts. 79 e 111 da Lei n° 5.764/71, mesmo antes da edição da Lei n. 10.865/2004. Recurso
provido.”
Numero da decisão: 1201-000.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), que mantinha o lançamento. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Cuba Netto. Sustentação oral: Flávio Machado Vilhena Dias – OAB-MG 99.110.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida 2ª TURMA/DRJ/JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2003 Ementa: “CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO - O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas de produção não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c com os arts. 79 e 111 da Lei n° 5.764/71, mesmo antes da edição da Lei n. 10.865/2004. Recurso provido.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), que mantinha o lançamento. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Cuba Netto. Sustentação oral: Flávio Machado Vilhena Dias – OAB-MG 99.110. CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO - Relator. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, REGIS MAGALHÃES SOARES QUEIROZ, RAFAEL CORREIA FUSO E EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal em face da Cooperativa de Cafeicultores da Zona de Três Pontas Ltda., em 23/08/2006, em que cobra a ausência de pagamento de Contribuição Social sobre o Lucro, decorrente do período-base de 31/12/2002, ano-calendário de 2002, aplicando-se multa de ofício no valor de 75%, acrescido de juros de mora (Selic). Nesse sentido, constou do lançamento fiscal a seguinte descrição e valores: “001 - TRANSPORTE INCORRETO DO LUCRO LIQUIDO ANTES DA CSLL Em revisão interna, foi apurado, conforme análise da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do Ano Calendário 2002, falta de transporte do valor constante da Ficha 6A, Linha 51, para a Ficha 17, Linha 1, ocasionando falta de apuração e recolhimento da CSLL devida. Base de Cálculo da CSLL 2.600.197,97 Aliquota da CSLL (%) 9,00 CSLL a Pagar 234.017,82 CSLL Declarada na DIPJ 0,00 CSLL a Lançar 234.017,82” O procedimento de fiscalização iniciou-se em razão de erro no transporte a menor do valor do Lucro Líquido antes da CSLL apurado na Linha 51 da Ficha 06 A (Demonstração de Resultado) para a Linha 01 da Ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). O valor declarado na linha 51 da Ficha 06A pelo contribuinte foi de R$ 2.600.197,97, conforme de depreende da DIPJ de 2003, ano-calendário de 2002. Em resposta inicial ao questionamento feito pela fiscalização quanto transporte a menor do valor, a contribuinte que a DIPJ relativa ao ano-calendário de 2002, apresenta erro de preenchimento. O valor do Lucro Líquido antes da CSLL, apurado na linha 51da Ficha 06A (Demonstração de Resultado), que totaliza R$1.063.204,00, não foi transportado para a linha 51 da Ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). E este mesmo valor deveria ser excluído logo abaixo, na linha 26 desta ficha 17, pois 100% dos atos são praticados com os cooperados, não incidindo, portanto, a CSLL. Aponta-se erro na informação trazida pela contribuinte quanto ao valor a ser considerado como base de cálculo da CSLL, haja vista que o valor de R$1.063.204,00, declarado na linha 51 da Ficha 06A refere-se à DIPJ de 2002, ano-calendário de 2001, conforme se constata à fl. 105 dos autos, e não o valor declarado na DIPJ de 2003, ano-calendário de 2002, na qual refere-se o lançamento tributário em análise. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10660.002284/2006-52 Acórdão n.º 1201-00.340 S1-C2T1 Fl. 162 3 Em 22 de setembro de 2006, a contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese que: a) há nulidade do AIIM haja vista que a base de cálculo da CSLL do ano-calendário de 2002, é de R$ 2.600.197,97 (dois milhões seiscentos mil cento e noventa e sete reais e noventa e sete centavos); b) ocorre que o valor ora informado é muito maior que o valor anteriormente indicado no Termo de Intimação Fiscal n° 0610600.2006.00079, lavrado em 15/02/06, que informa o valor de R$ 1.063.204,00 (um milhão sessenta e três mil duzentos e quatro reais) como base de cálculo; c) desta forma, não há embasamento para o valor do débito em tela, calculado pela Receita Federal, tendo em vista a gritante diferença entre a base de cálculo informada no citado Termo de Intimação e a informada no presente Auto de Infração; d) alega que requereu em sua defesa orientação para proceder a retificação da DIPJ de 2002, sendo que até o presente momento não recebeu qualquer resposta, tendo apenas sido intimada da lavratura do AIIM; e) aponta que as sociedades cooperativas são um tipo societário de natureza jurídica própria, disciplinadas pela Lei n. 5.764/1971, cujo objetivo-fim é a prestação não lucrativa de serviços aos seus próprios cooperados, nos termos do artigo 79 da referida regra f) alega que todos os seus atos praticados, cujos resultados foram apurados, decorrem de ato cooperativo; g) afirma que o artigo 79, da Lei n° 5.764/71 deve ser compreendido dentro do contexto em que foi criado, atendendo aos princípios cooperativistas. As necessidades inerentes à cooperativa, que darão sentido à sua existência, quais sejam, a integração dos cooperados na vida social e econômica, a promoção de seus interesses, consoante dispõem os artigos 3° e 4°, caput, da Lei n° 5.764/71, terão como conseqüência natural a relação com um sujeito que não integra o binômio cooperativa e cooperado; h) para que uma cooperativa de cafeicultores exista, ela necessariamente precisará vender o seu produto para um terceiro adquirente; i) desta forma, o ato cooperativo deverá, em muitos casos, ter a participação de um terceiro, o que é aceito inclusive pelo Fisco; j) descreve que a sociedade cooperativa, funciona como uma longa manus de seus cooperados, possibilitando que estes, simples pessoas físicas, consigam colocar os seus produtos no mercado, em condições competitivas. No exercício de suas atividades, obviamente que não deseja ser deficitária, o que desnaturaria sua própria razão de existir; k) argumenta ainda que não há lucro nas sociedades cooperativas o que justifica a não incidência da CSLL; l) que as sobras não são disponibilizadas, sendo destinadas aos associados e às reservas técnicas; m) conclui que as sociedades cooperativas não detêm capacidade contributiva para efeito de sujeição de seus resultados à tributação pela CSLL, justamente porque não auferem lucro. O resultado de seus atos cooperativos simplesmente não está inserido no campo de incidência da CSLL. Ademais, auferido o resultado, este não pertence à sociedade cooperativa, mas a seus associados; n) que tendo em vista as diversas inconformidades detectadas e apresentadas, requereu a realização de perícia para que sejam respondidos os seguintes quesitos: 1°) A base de cálculo utilizada neste auto de infração está correta? 2°) Caso a resposta ao 1° quesito, for negativa, qual seria a correta base de cálculo a ser usada pelo Fisco? 3°) os valores Fl. 163DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 que constituem a base de cálculo correta correspondem a valores obtidos através de atos cooperativos? 4°) No caso de retificação da DIPJ do período em referência, nos termos requeridos pela Impugnante, ainda existiria algum valor a ser tributado pela CSLL? o) questiona ainda a ausência de razoabilidade e proporcionalidade da multa aplicada de 75%, alegando ainda que tal penalidade é excessiva e confiscatória; p) impugna também os juros de mora aplicados ao se utilizar a Selic, considerando como fator inidôneo para o cálculo dos juros devidos por atraso no recolhimento de tributos, apresentando tese sobre sua inconstitucionalidade; q) em seu pedido requereu o cancelamento do Auto de Infração. Juntou nos autos cópia do Estatuto Social da Cooperativa e a Ata da Assembléia Geral Ordinária. O objetivo social da Cooperativa está abaixo transcrito: a) - efetuar ou facilitar todas as operações referentes à produção, beneficiamento, transformação, conservação, armazenagem, industrialização e comercialização dos produtos agrícolas e pecuários de seus associados; b) - adquirir, preparar ou fabricar, por conta dos seus associadas, as utilidades necessárias às suas próprias atividades agropecuárias e as de uso pessoal ou doméstico; c) - manter uma seção de compra e venda em comum para fornecimento aos associados de plantas vivas, sementes, fertilizantes e corretivos, inseticidas, fungicidas, herbicidas, máquinas e implementos agrícolas, enfim, artigos em geral que interessem à atividade agropecuária e outros de uso pessoal ou doméstico; d) - fazer adiantamentos, em dinheiro, sobre o valor dos produtos recebidos dos associados, ou que estejam em fase de produção, a critério do Conselho de Administração.” Em decisão proferida pela Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora, foi mantido o lançamento fiscal, adotando-se a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 NULIDADE. NORMAS PROCESSUAIS. Não se cogita de nulidade processual, tampouco de nulidade do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. A contribuição social sobre o lucro líquido incide sobre a totalidade do resultado apurado pela • cooperativa no período-base, incluindo tanto os atos não-cooperativos quanto os cooperativos. A isenção da CSLL aplicável aos ingressos provenientes de atos cooperativos, prevista na Lei 10.865/2004, só tem vigência a partir de 1° de janeiro de 2005. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. Escorreita a exigência decorrente da descabida falta de transporte para campos próprios da DIPJ, da base de cálculo da CSLL, implicando, via de consequência, a falta de sua apuração e do recolhimento da contribuição devida. Lançamento Procedente” Fl. 164DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10660.002284/2006-52 Acórdão n.º 1201-00.340 S1-C2T1 Fl. 163 5 Participaram do julgamento os ilustres julgadores, Alexandre de Oliveira Terra, Luiz Venâncio Guida, Marcelo Cuba Netto e Robson Marcos Schreider. A contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância em 20/03/2009. Irresignada com a decisão administrativa da Delegacia de Julgamento, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em 16 de abril de 2009, alegando em síntese: a) a autuação não pode persistir, já que motivada por um erro da Recorrente no preenchimento da DIPJ de 2003. Erro esse que não representa nenhum prejuízo para o fisco, configurando-se apenas como erro material que, como tal, não é suficiente para ensejar autuação; b) os fatos geradores do tributo cobrado da Recorrente jamais ocorreram, uma vez que a Recorrente é sociedade cooperativa que promove a circulação econômica de café procedente unicamente de seus cooperados, diante do quê, todos seus atos são cooperativos e os resultados financeiros destes atos não se confundem com o lucro, fato gerador da CSLL; c) o máximo que a Recorrente apura são sobras, que se configuram como resíduo da produção dos cooperados distribuída durante o ano. As sobras não estão sujeitas ao imposto de renda e, conseqüentemente, à CSLL; d) Deve-se destacar que a realização da perícia é essencial para comprovar as alegações consignadas na impugnação. Pretendia, a Recorrente, com a perícia, demonstrar que, de fato, a base de cálculo informada no Auto de Infração não está correta. Por outro lado, a prova técnica , se prestaria a esclarecer que base de cálculo correta corresponde a valores obtidos através de atos cooperativos e, por isso, não passíveis de incidência da CSLL; e) O indeferimento da perícia cerceou sobremaneira o direito de defesa da Recorrente. É que esta, ao contrário do entendimento da decisão recorrida, não poderia comprovar a plenitude de suas argumentação tão-somente com a apresentação de documentos. A eleição correta ou não da base de cálculo só poderá ser comprovada por um especialista e nunca por documentos. Por outro lado, só um expert poderá auferir se os valores são relativos a atos cooperativos ou não; f) O fato de não ter indicado o nome e qualificação do perito não é suficiente para considerar como não formulado o pedido de prova técnica. Com esse entendimento, fica patente o cerceamento de direito (ampla defesa) previsto expressamente na constituição; g) Deve-se ressaltar, ainda, que o julgador deve pautar suas decisões na verdade material. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento; h) quanto ao erro de preenchimento da DIPJ, informa que se trata de mero equívoco que em nada altera o quantum de CSLL que supostamente seria devido, pois os resultados equivocadamente informados decorrem de atos cooperativos, pelo quê não se sujeitam à incidência da CSLL; i) O que ocorreu é que, o montante de R$2.600.197,97 (dois milhões, seiscentos mil cento e noventa e sete reais e noventa e sete centavos) correspondente ao valor líquido antes da CSLL (ficha 6A — Demonstração do Resultado — Linha 51) não foi transportado para a ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — Linha 1). Desta forma, a linha 17 não foi preenchida, ficando todos os valores com saldo zero; Fl. 165DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 j) Entretanto, esse equívoco não faria, como não faz; ,qualquer diferença no montante de CSLL final. Mesmo que o valor do Lucro Líquido antes da CSLL apurado na Linha 51 da Ficha 06A tivesse sido transportado para a Linha 01 da Ficha 17, não seria apurada base de cálculo positiva para a CSLL, uma vez que tal valor seria excluído na Linha 26 da respectiva ficha, por tratar-se de resultado decorrente da prática de atos cooperativos. Ou seja, resultantes das operações realizadas entre a Cooperativa e seus Cooperados, não incidindo, portanto, a CSLL; k) Ressalte-se que o equívoco no preenchimento da DIPJ, que não implique prejuízo para o fisco, caracteriza-se mero erro material, insuscetível de enseja autuação; l) A Recorrente adquire o café, produto objeto de sua atividade econômica, exclusivamente de seus cooperados. O resultado obtido por uma sociedade cooperativa em decorrência de operações com cooperados não pode ser equiparado ao resultado apurado por sociedades empresárias comuns; m) Nas sociedades cooperativas, as operações com cooperados são atos eminentemente cooperativos, os quais não têm finalidade lucrativa. Cita os artigos 79 e 4° da Lei n. 5.764/71; n) afirmar que só a partir da vigência da Lei n. 10.865/04 é que as cooperativas são isentas de CSLL, é contrariar todo o ordenamento jurídico, sendo o mesmo que dizer que, até a Lei 10.865/04, as sociedade cooperativas se equiparavam às sociedades comuns, esvaziando de sentido a razão de ser das sociedades cooperativas cuja lei principal é de 1971; o) Embora não tenha sido abordado na decisão de primeira instância, a Recorrente deixa consignado, a fim de afastar qualquer alegação nesse sentido, que, ainda que se considere que ela mantém contato com terceiros (não cooperados), o que se admite apenas para argumentar, isso não tem o condão de desconfigurar seus atos de modo que eles percam a qualidade de "atos cooperativos". p) Com efeito, não há como imaginar uma cooperativa isolada da sociedade, atuando como uma instituição completamente autônoma e auto-suficiente em produção, consumo e prestação de serviços. Para que uma cooperativa de cafeicultores exista, ela necessariamente precisará vender o seu produto para um terceiro adquirente. q) Frise-se, por fim, que os contratos com terceiros, que não são cooperados, não pode ser confundido com a realização de operações com terceiros. A relação com o terceiro, objeto de análise por ora, é aquela necessária à realização, pela cooperativa, das operações que irão servir seus cooperados. r) alega a ilegitimidade da multa, afirmando que sua aplicação não atende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, s) por fim, alega ainda a inconstitucionalidade e ilegalidade dos juros moratórios (Selic), com pedido alternativo de aplicação dos juros de mora em 1%, nos termos do artigo 161, parágrafo 1° do CTN. Juntou no Recurso Voluntário a Ata da assembléia Geral Ordinária e Extraordinária. Este é o relatório! Fl. 166DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10660.002284/2006-52 Acórdão n.º 1201-00.340 S1-C2T1 Fl. 164 7 Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao pedido de perícia, entendo que os documentos juntados nos autos, a tese defendida pela Fazenda Nacional e aquilo que foi decidido pela Delegacia de Julgamento deixa claro que a cobrança da CSLL se dá em relação às sobras dos atos cooperativos, sendo que a relação apontada pela Recorrente com terceiros decorre da venda da produção. Portanto entendo pela desnecessidade da baixa dos Autos em diligência para a realização de perícia, visto que as provas trazidas nos autos são hábeis a prosseguir com o julgamento do Recurso Voluntário. Nesse sentido, não vislumbro também qualquer cerceamento do direito de defesa, haja vista que tanto a Receita Federal quanto o contribuinte descrevem valores idênticos e relativos ao mesmo fato gerador, sendo que a matéria a ser decidida se resume no fato de haver ou não a incidência da CSLL sobre as sobras decorrentes de atos cooperativos. Quanto à questão das cooperativas de crédito somente passaram a serem isentas da CSLL a partir de a partir de 1° de janeiro de 2005, com a edição da Lei n. 10.685/04, artigos 39 e 46, discordamos do entendimento da fiscalização e dos ilustres julgadores de primeira instância administrativa. Isso porque, o artigo 111, combinado com os artigos 79, 85, 86 e 88 da Lei n. 5.764/71, conjugado com o artigo 195, inciso I, alíneas “b”e “c”e artigo 2° da Lei n. 7.689/88, que instituiu em nosso ordenamento jurídico a contribuição social sobre o lucro, permite considerarmos que as sobras dos atos cooperativos não se confundem com os conceitos de receita ou lucro apontados nos atos não cooperativos, descaracterizando a incidência da contribuição social (caso de não incidência), em total respeito ao artigo 110 do Código Tributário Nacional, visto que lucro e receita e sobras apresentarem conceitos de direito privado distintos. Vejamos os dispositivos ora mencionados: “Lei n. 5.764/71 Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” “Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” “Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para Fl. 167DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 8 completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem.” “Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei.” “Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar.” “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: b) a receita ou o faturamento; c) o lucro;” “Lei n. 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do período-base encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do período-base, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1. exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2. exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita; 4. adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior.” Esse entendimento está consolidado também no próprio artigo 182 do Regulamento do IR, que prevê: Fl. 168DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10660.002284/2006-52 Acórdão n.º 1201-00.340 S1-C2T1 Fl. 165 9 "Art. 182. As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 69)". No sentido de considerar a não incidência da CSL sobre os atos cooperativos, cumpre trazer o entendimento do E. Conselho Superior de Recursos Fiscais do extinto E. Conselho de Contribuintes, hipótese que enfrentou fatos geradores antes mesmo da edição da Lei n. 10.685/2005: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - RESULTADO POSITIVO OBTIDO EM ATOS COOPERATIVOS - SOCIEDADES COOPERATIVAS - BASE DE CÁLCULO - NÃO INTEGRAÇÃO. O resultado positivo obtido pelas Sociedades Cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperativos; não integra a base de_cálculo da Contribuição Social Exegese do artigo 111 da Lei n.° 5.764/71 e artigos 1° e 2° da Lei n.° 7.689/88. Negando provimento ao recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional." (Acórdão unânime do Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 01-1.734 — Rel. Cândido Rodrigues Neuber, DOU de 13.09.96, p. 18.144) (destacamos). Algumas Câmaras do extinto Conselho de Contribuintes apresenta o mesmo entendimento com o que fora acima colacionado: "CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - OPERAÇÕES COM COOPERADOS - SOBRAS LIQUIDAS – NÃO INCIDÊNCIA - A base de cálculo 'da contribuição social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c com os arts. 79 e 111 da Lei n° 5.764/71" (Número do Recurso: 124284; Câmara: SÉTIMA CÂMARA; Número do Processo: 10983.005624/98-56; Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO; Matéria: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO; Recorrente: COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL DE GRAVATAI; Recorrida/Interessado: DRJ- FLORIANÓPOLIS/SC; Data da Sessão: 07/12/2000 01;.00:00; Relator: Luiz Martins Valero; Decisão: Acórdão 107- 06149). “ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO - DEMONSTRAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAR FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO - DIREITO À AMPLA DEFESA - Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da Declaração, não pode o julgador administrativo alterar o fundamento do lançamento, ainda que tenha restado demonstrado na diligência falta do contribuinte de outra natureza, sob pena de infringir o direito à ampla defesa. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - O resultado positivo obtido pelas Sociedades Cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperativos, não integra a Fl. 169DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 10 base de cálculo da Contribuição Social. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.” (DORIVAL PADOVAN - PRESIDENTE, ACÓRDÃO 108-09.072 , 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 108-09.072 em 20.10.2006, Publicado no DOU em: 11.01.2007, Relator: JOSÉ HENRIQUE LONGO, Recorrida: 2ª TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG) Da mesma forma é o entendimento de nossos Tribunais Regionais Federais sobre a matéria: "DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LEI N.° 7.689/88. SOCIEDADE COOPERATIVA. LEI N.° 5.764/71, ' ART. 79, 86 E 87. SOMENTE OS ATOS NÃO-COOPERATIVOS SÃO PASSÍVEIS DE TRIBUTAÇÃO. INCIDÊNCIA INDEVIDA. CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. 1 — Verifica-se que a parte autora, ora Apelada, é sociedade cooperativa e, portanto, merece tratamento especial, à luz da Lei n.° 5.764/71. Consoante o disposto no artigo 79, da referida lei, os atos cooperativos, restritos às operações realizadas entre os associados e a cooperativa, e vice-versa, não são passíveis de tributação. Quanto à prestação de serviços a não associados, o resultado dessas operações é destinado a um "Fundo" e será contabilizado em separado, permitindo cálculo para incidência de tributos (artigos 86 e 87). 2 — No caso em tela, conforme demonstram os documentos acostados aos autos, relativos à declaração do IRPJ e à contabilidade da cooperativa referentes ao exercício de 1991, a dívida foi apurado sobre o valor líquido obtido em função dos resultados globais da cooperativa, sendo certo que, quanto aos atos não-cooperativos ou acessórios, foi registrado valor negativo, caracterizando a existência de prejuízo e não lucro. 3 — Desse modo, bem apreciou a questão o Juízo a quo ao determinar o cancelamento da inscrição em dívida ativa, tendo em vista a inocorrência de fato gerador capaz de ensejar a incidência da CSLL. 4 — Apelação e remessa necessária conhecidas e improvidas, para manter a r. sentença recorrida." (Acórdão Origem: TRIBUNAL – SEGUNDA REGIÃO. Classe: AC - APELAÇÃO CÍVEL — 111946; Processo: 9602217170 UF: RJ Órgão Julgador: QUINTA TURMA; Data da decisão: 14/05/2003. Documento: TRF200103016; Fonte DJU DATA:01/09/2003 PÁGINA: 256 Relator(a) JUIZ GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA). Quanto ao fato de existir relação com terceiros, no qual a cooperativa vende a produção dos cooperados, entendo que a venda não descaracteriza o ato cooperativo, haja vista que o propósito dessas sociedades é justamente reunir a produção de cafeicultores com o intuito de ganhar força na hora da negociação de preços e venda da produção. Nesse sentido, segue decisão do extinto Conselho de Contribuintes sobre a matéria, mantendo a tese da não incidência da CSL sobre os atos cooperativos: “CSLL - BASE DE CÁLCULO - SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO E CONSUMO - O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas de produção e consumo não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.”( Manoel Antônio Gadelha Dias, 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 108-07.590 em Fl. 170DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10660.002284/2006-52 Acórdão n.º 1201-00.340 S1-C2T1 Fl. 166 11 05/11/2003, Publicado no DOU em: 06.02.2004, Relator: Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto, Recorrida: 2ª TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG). “PAF - REVISÃO DE LANÇAMENTO - ERRO DE FATO - Presentes as condições disciplinadas no artigo 145 do CTN para correção de erro de fato, é admitida a revisão do lançamento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - O resultado positivo obtido pelas Sociedades Cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integra a base de cálculo da Contribuição Social. Exegese do artigo 111 da Lei n° 5.764/71 e artigos 1º e 2º da Lei n° 7.689/88 (CSRF/01-1.734). Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 108-06.885 em 19.03.2002, Publicado no DOU em: 03.05.2002, Relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Recorrente: COOPERATIVA CENTRAL DE CAFEICULTORES AGROPECUÁRIA DE MINAS GERAIS LTDA., Recorrida: DRJ-JUIZ DE FORA/MG” Quanto à multa de ofício, se não subsiste a cobrança do tributo, não há que se falar na cobrança da multa, bem como dos juros de mora aplicados pela fiscalização. Diante do exposto e por tudo que consta nos autos, CONHEÇO DO RECURSO, para no MÉRITO DAR-LHE PROVIMENTO, cancelando o Auto de Infração ora julgado. Rafael Correia Fuso - Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 171DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002360/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
PRELIMINAR - INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL
Não há que se falar em depósito recursal pois a norma que o exigia foi revogada.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
IMUNIDADE
A imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, "c" da Constituição Federal está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições previdenciárias.
ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR-FISCAL PARA AVERIGUAR O CORRETO ENQUADRAMENTO DA RELAÇÃO EMPRESA-TRABALHADOR.
Cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação.
ENQUADRAMENTO DE PROFESSORES COMO SEGURADOS EMPREGADOS
Havendo provas no sentido de que os professores reúnem as características de relação de emprego, cabe à fiscalização proceder o correto enquadramento, a despeito de a empresa qualificá-los como contribuintes individuais.
BOLSAS DE ESTUDO
De acordo com a previsão legal o valor relativo a plano educacional deve visar a educação básica prevista no artigo 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estando preenchidos os requisitos previstos no item "t" do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991.
Em 19 de junho de 2001, a Lei n° 10.243 incluiu o inciso II ao § 2° do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho para excluir do conceito de salário, e portanto de remuneração, a utilidade fornecida pelo empregador em relação à educação, seja em estabelecimento próprio ou de terceiro, razão pela qual, no caso concreto, não são consideradas como remuneração a partir
de junho de 2001.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do
artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.760
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência parcial com base no artigo 173, I do CTN e, no mérito: por maioria de votos, dar provimento parcial para
adequar a multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, e; por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para excluir parte dos valores lançados relativos à educação superior, conforme voto do relator, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e
Mauro José da Silva; e quanto cação oferecida aos dependentes dos segurados, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PRELIMINAR - INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal pois a norma que o exigia foi revogada. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. IMUNIDADE A imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, "c" da Constituição Federal está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições previdenciárias. ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR-FISCAL PARA AVERIGUAR O CORRETO ENQUADRAMENTO DA RELAÇÃO EMPRESA-TRABALHADOR. Cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação. ENQUADRAMENTO DE PROFESSORES COMO SEGURADOS EMPREGADOS Havendo provas no sentido de que os professores reúnem as características de relação de emprego, cabe à fiscalização proceder o correto enquadramento, a despeito de a empresa qualificá-los como contribuintes individuais. BOLSAS DE ESTUDO De acordo com a previsão legal o valor relativo a plano educacional deve visar a educação básica prevista no artigo 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estando preenchidos os requisitos previstos no item "t" do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Em 19 de junho de 2001, a Lei n° 10.243 incluiu o inciso II ao § 2° do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho para excluir do conceito de salário, e portanto de remuneração, a utilidade fornecida pelo empregador em relação à educação, seja em estabelecimento próprio ou de terceiro, razão pela qual, no caso concreto, não são consideradas como remuneração a partir de junho de 2001. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-27T18:47:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-27T18:47:13Z; Last-Modified: 2011-08-27T18:47:13Z; dcterms:modified: 2011-08-27T18:47:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:973d225e-708a-4e92-9cb1-7a41597e2b71; Last-Save-Date: 2011-08-27T18:47:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-27T18:47:13Z; meta:save-date: 2011-08-27T18:47:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-27T18:47:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-27T18:47:13Z; created: 2011-08-27T18:47:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2011-08-27T18:47:13Z; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-27T18:47:13Z | Conteúdo => S2-C3T1 FL 273 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11020.002360/2007-17 Recurso n° 256.157 Voluntário Acórdão n° 2301-01.760 — 3' Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: °BMW/ES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PRELIMINAR - INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal pois a norma que o exigia foi revogada. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. IMUNIDADE A imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, "c" da Constituição Federal está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições previdenciárias. ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR-FISCAL PARA AVERIGUAR 0 CORRETO ENQUADRAMENTO DA RELAÇÃO EMPRESA- TRABALHADOR. Cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação. ENQUADRAMENTO DE PROFESSORES COMO SEGURADOS EMPREGADOS Havendo provas no sentido de que os professores reúnem as características de relação de emprego, cabe à fiscalização proceder o correto enquadramento, a despeito de a empresa qualificá-los como contribuintes individuais. JULIO CE IEIRA GOMES — Presidente BOLSAS DE ESTUDO De acordo com a previsão legal o valor relativo a plano educacional deve visar a educação básica prevista no artigo 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estando preenchidos os requisitos previstos no item "t" do § 90 do artigo 28 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Em 19 de junho de 2001, a Lei n° 10.243 incluiu o inciso II ao § 2° do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho para excluir do conceito de salário, e portanto de remuneração, a utilidade fornecida pelo empregador em relação à educação, seja em estabelecimento próprio ou de terceiro, razão pela qual, no caso concreto, não são consideradas como remuneração a partir de junho de 2001. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 1a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência parcial com base no artigo 173, I do CTN e, no mérito: por maioria de votos, dar provimento parcial para adequar a multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, e; por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir parte dos valores lançados relativos à educação superior, conforme voto do relator, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José da Silva; e quanto cação oferecida aos dependentes dos segurados, vencida a conselheira Bernadete de Oli It .rros. ' —ADRIANO GON ALES SILVÉRIO - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriana Gonzales Silvério, Damido Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). 2 Processo n° 11020.002360/2007-17 Acerclao n.° 2301-01.760 S2-C3T1 FL 274 Relatório Trata-se de Auto de Infração n° 37.045.966-0, a qual exige multa uma vez que a ora recorrente deixou de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP os valores relativos As remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes Assim consta do Relatório Fiscal: "1 - A FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL deixou de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações ã Previdência Social - GFIP os valores relativos as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, conforme demonstrado nas planilhas anexas ao relatório fiscal da aplicação da multa. 2 - A omissão de fatos geradores das contribuições previdenciárias é infração ao art. 32, inciso IV, ,yr 32 e sç 52 da lei 8.212191 e alterações posteriores, combinado com artigo 225, inciso IV, ,§ 42 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99." Em sede de impugnação sustentou a ora recorrente que a (i) fiscalização enquadrou professores, contribuintes individuais, como segurados empregados; (ii) que está amparada pela imunidade (art. 150, inciso VI, "c" da Constituição Federal); (iii) a fiscalização não tem competência para atribuir à relação empresa — trabalhador a relação empregaticia; (iv) que não há provas para qualificar a relação da recorrente corno seus professores como sendo empregaticia; (v) que as bolsas concedidas a seus funcionários não tern natureza remuneratória; e vi) que há decadência no lançamento. A Secretaria da Receita Previdencidria, por meio da DN n° 19.422.4/0120/2007 manteve o Auto de Infração na sua integralidade. Irresignada com a decisão de primeira instancia, a recorrente interpôs recurso voluntário repisando os argumentos arrolados na impugnação, bem como suscitando a inconstitucionalidade do depósito prévio. Voto o relatório. Conselheiro ADRIANO GONZALES SILVÉRIO, Relator 0 recurso atende aos requisitos processuais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Depósito Prévio 3 Em relação A. preliminar de desnecessidade de deposito prévio como condição para o processamento e conhecimento do presente recurso, destaco que o art. 19, inciso I, da Medida Provisória n° 413, de 03 de janeiro de 2008, publicada no DOU de 04/01/2008, revogou os §§ 1° e 2° do art. 126 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de1991, que determinavam a realização de deposito prévio, correspondente ao valor de 30% da exigência, como requisito de admissibilidade do recurso voluntário: "Art. 19. Ficam revogados: 1 - a partir da data da publicação desta Medida Provisória, os ,sç 1' e 2° do art. 126 da Lei n2 8.213, de 24 de julho de 1991;" A mencionada Medida Provisória, por sua vez, foi convertida na Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, cujo artigo 42, inciso I, manteve a citada revogação. Destarte, não é mais cabível o deposito recursal para o seguimento de recurso interposto em processo administrativo referente a créditos previdencidrios. Decadência Preliminarmente alega a decadência do direito do Fisco utilizar o prazo decenal, previsto no artigo 45 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, cabendo, no caso, ser aplicado o prazo previsto no artigo 150 parágrafo quarto da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. De acordo corn a Súmula Vinculante no 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange A. decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verifica-se que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, 'b' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários ii° 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n°8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n° 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de 4 Processo n° 11020.002360/2007-17 Acórdão n.° 2301-01.760 S2-C3T1 FL 275 aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; au" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadeneial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional no 45/2004, in verbis: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e it administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1 0 A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2" Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a sumula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida corn ou sem a aplicação da sumula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação sumula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. 5 Ademais, nos termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4° ou 173, inciso I, ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4°. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial 989.421/RS, publicado no Diário da Justiça de 10 de dezembro de 2008: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OCORRÊNCIA. ARTIGO 150, § 4°, DO CTN. (.) 5. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitanternente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad pág. 170)." Ocorre que no caso dos autos a situação é distinta, pois não está se tratando de exigência de tributos não recolhidos integralmente ou parcialmente, mas de descumprimento de obrigação acessória por parte do sujeito passivo. Nessa situação, não há que se cogitar em lançamento por homologação no qual há pagamento antecipado sujeito a posterior homologação pelo Fisco, mas tão somente o cumprimento ou não, pelo sujeito passivo, do dever instrumental que lhe é exigido por lei. 6 Processo n0 11020.002360/2007-17 Acórdão n.° 2301-01.760 S2-C3T1 Fl. 276 Figure-se, portanto, o lançamento de oficio embasado nas hipóteses do artigo 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual se submete ao prazo previsto no artigo 173, inciso I desse mesmo diploma legal. Isto e, ao prazo qüinqüenal cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido levado a efeito. Sabendo-se que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1999 a dezembro de 2001 e que a ora recorrente foi intimada do AI em 21 de dezembro de 2006, verifica-se que esta decaído o período de agosto de 1998 a dezembro de 2000. Imunidade Alega a recorrente que o INSS teria partido de premissa equivocada ao exigir a presente multa, uma vez que a recorrente é imune por conta do artigo 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal. Contudo, essa imunidade, como textualmente prevista na Carta Magna está restrita aos impostos e não as contribuições previdencidrias, cuja isenção está prevista no § 7" do artigo 195 e, para se concedida, a entidade beneficiária está sujeita ao atendimento dos requisitos previstos em lei. Assim, a fiscalização diante do cancelamento da isenção por meio de decisão administrativa definitiva, a qual foi devidamente comunicada a recorrente, e esta, ante o fato de não foi lavrado o presente Auto de Infração lançando multa pelo de não ter informado nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações A. Previdência Social - GFIP os valores relativos as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais. Competência para verificar existência de vinculo empregaticio Repisa a recorrente os mesmos argumentos já analisados nos autos do processo administrativo n° 11020.002340/2007-38, no qual se concluiu pela possibilidade de o auditor fiscal, diante dos fatos encontrados, enquadrar corretamente a relação estabelecida entre empresa e trabalhador. Transcrevo meu voto proferido naquele processo: No mérito, alega a recorrente que o INSS não teria competência para verificar a existência de vinculo empregaticio entre a empresa e seus funcionários, cabendo essa atividade a Justiça do Trabalho. I Esse tema já está sufragado no âmbito de nossos Tribunais, os 1 1 quais reconhecem a possibilidade de a autarquia previdenciária averiguar a existência ou não de vinculo empregaticio no exercício de sua atividade fiscalizadora. Nesse sentido o julgado abaixo do Colendo Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535 DO CPC. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. AÇA -0 ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO TÍTULO EXECUTIVO. PREQUESTIONAMENTO DOS ARTS. 333 do CPC, 142 DO CTN, 82, 115, 129 E 131 do CC/16 E 3 0 DA CL T. AUSÊNCIA. SÚMULA 21I/STJ. DIVERGÊNCIA -) JURISPRUDENCIAL COMPROVADA EM PARTE. 1. 0 Tribunal a quo, ainda que de modo conciso, decidiu a questão ao afirmar que o documento apresentado pela recorrida, no sentido de provar a existência de serviço eventual, foi o mesmo utilizado pela autarquia para efetuar o lançamento do débito tributário. Não caracteriza, pois, insuficiência de fundamentação, a circunstancia do acórdão atacado ter solvido a lide contrariamente a pretensão da parte, hipótese presente nesta demanda. 2. A instância a quo não emitiu juizo de valor acerca dos arts. 333, incisos I e II do CPC, 142 do CTN, 82, 115, 129 e 131 do CCB de 1916. Malgrado a recorrente tenha aviado embargos de declaração, não requereu naquela oportunidade o prequestionamento dos dispositivos acima elencados. Quanto ao art. 3" da CLT, ressalta-se que o mero afastamento de sua aplicação ao caso não satisfaz a necessidade de existir efetiva enzissão de juízo de valor sobre a matéria a luz do dispositivo federal que se pretende apontar como violado. Aplica-se, in casu, o disposto na Súmula 211/STJ. 3. A divergência jurisprudencial no que se refere a verificaçao da existência de vinculo empregaticio esbarra no óbice da Súmula 7 desta Corte. Precedentes. 4. 0 dissídio pretoriano suscitado quanto a competência do INSS para constar a presença da relação de emprego restou devidamente comprovado. Cabe ao INSS investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Se verificar, portanto, que a empresa, de alguma maneira, usa artificio quanto a relação de emprego, para descaracterizá-la, deve autuá-la com o objetivo de zelar pela efetiva arrecadação. 5. Recurso especial conhecido, em parte, e improvido.(RESP 200101559367, CASTRO MEIRA, STJ - SEGUNDA TURMA, 13/03/2006 — grifos nossos)" Além disso, dispõe o ,sS' 20 do artigo 229 do Decreto n°3.048, de 6 de maio de 1999, Regulamento da Previdência Social: "Art.229. 0 Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: §22-Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999)" Logo, cabe a.fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação." Da qualificação dos professores como segurados empregados A mesma situação acima descrita ocorre aqui. Reproduzo, do mesmo modo, voto proferido nos autos daquele processo administrativo: A fiscalização empreendeu no sentido de demonstrar que os professores que prestam serviços a recorrente enquadram-se nas características de segurados empregados e não como 8 • Processo n° 11020.002360/2007-17 Acórdão n.° 2301-01.760 S2-C3T1 FL 277 contribuintes individuais, tal corno era declarado pela recorrente. Nesse sentido, trouxe aos autos diversos documentos que revelam a relação empregaticia desses profissionais, tais como conteúdos programáticos desenvolvidos nos respectivos períodos letivos, relatórios de freqüência dos alunos, controlados por esses profissionais, comprovantes de orientações em cursos de pós-graduação e o que se extrai é que esses profissionais prestavam seus serviços de forma continuada à recorrente. Há, pelos elementos produzidos nos autos, como se verificar a relação de emprego entre a recorrente e os professores, pois esses deveriam aplicar os conteúdos programáticos desenvolvidos, controlar a presença dos respectivos alunos, avaliá-los, o que demonstra nítida pessoa/idade, não- eventualidade e subordinação. Ademais, tais professores recebiam pelas aulas ministradas. Não dá para se cogitar, diante desses documentos, que cada um desses professores estavam livres para ministrar ou não as aulas ou mesmo poderiam comparecer a instituição ou enviar substituto. 0 fato suscitado pela recorrente de que alguns de seus professores prestam serviços a outras instituições ou órgãos, sejam nessa atividade ou em outra, tais como membros da magistratura ou ministério público não impede o reconhecimento do vinculo empregaticio, como bem observou a decisão recorrida. Veja-se: "12.3. Quanto et alegação de os profissionais possuem outros vínculos corn outras empresas, universidades ou empregos públicos, temos a dizer que tais atividades não são excludentes, não havendo qualquer impedimenta em que o profissional seja empregado de uma ou mais empresas. Não é a quantidade de empregos que define a situação do trabalhador perante a Previdência Social, mas sim, a condição em que os serviços são prestados frente a legislação vigente é que vai determinar se o mesmo se enquadra como empregado ou contribuinte individual. Da mesma forma, não é a quantidade de aulas ministradas, como arg6i a defendente, que vai caracterizar a prestação de serviço autônomo, já que para a legislação importa que o tipo de serviço prestado se traduz numa necessidade permanente da tomadora dos mesmos, motivo pelo qual não há como se falar em professor autônomo numa universidade, cujo fim inerente é, a prestação de serviços de ensino" Bolsas de estudo Em relação às bolsas de estudo, analisei a questão da recorrente nos autos do processo administrativo n° 11020.002359/2007-84. Peco vénia para transcrever o voto que çá proferi: 9 "No mérito está em discussão, em apertada síntese, se as bolsas escolares, concedidas sob a forma de descontos nas mensalidades constituem-se como remuneração dos segurados da recorrente e, portanto, sujeitas a incidência de contribuição previdenciária. No curso do Relatório Fiscal, principalmente a fl. 61, a fiscalização entendeu que essas bolsas não poderiam ser enquadradas na alínea "t" do 5S 9" do artigo 28 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, uma vez que no plano de educação básica não está inserido o curso superior, um dos quais é concedido bolsa pela recorrente. Assim dispõe o supra citado dispositivo: "Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (.) sss' 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: t) o valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacita cão e qualificação profissionais vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo" De acordo com a previsão legal o valor relativo a plano educacional deve visar a educação básica prevista no artigo 21 da Lei n" 9.394, de 20 de dezembro de 1996, cuja redação é a seguinte: "Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio: If - educação superior" Em que pese o mencionado artigo 21 também arrolar a educação superior, uma analise um pouco mais detida a Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, verifica-se que a educação básica, toda ela versada no seu Capitulo li compreende apenas o ensino infantil, fundamental e médio, não contemplando, dessa forma o ensino superior. Registre-se, ainda, que esses descontos, conforme afirmado no mencionado Relatório Fiscal, eram concedidos indistintamente a todos os docentes e demais funcionários, independentemente do curso escolhido 1. 61). Tenho para mim que nesse ponto a NFLD não pode prosperar, pois há que se considerar que com relação a educação básica, a recorrente preencheu os requisitos legais ao conceder citados descontos a todos os docentes e demais funcionários conforme apontado no relatório fiscal. 10 Processo n° I I 020.002360/2007-17 Acórd5o n.° 2301-01.760 S2-C3T1 FL 278 Não 116 na lei qualquer restrição a concessão, em relação educação básica, a dependente do segurado empregado que preste serviço à empresa. Por outro lado, restrição surge em relação a cursos de capacita cão profissional, o qual é destinado a qualificação do profissional que presta seu serviço em atividade desenvolvida pela empresa, o que não é o caso dos autos. Em relação aos descontos concedidos para a educação no ensino superior outras considerações merecem ser feitas. Com efeito, a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 utiliza-se do termo "remuneração" que ela própria não define e nem poderia por força do artigo 110 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual determina que legislação tributária é vedada alterar o conteúdo, a definição e o alcance dos termos de direito privado. Dessa forma, surge a obrigação de recorrermos ao direito do trabalho para buscarmos o conceito de remuneração. Dispõe o artigo 457 do Decreto-Lei n°5.452, de 1° de maio de 1943, na redação conferida pela Lei n°1.999, de 1" de outubro cie 1953: "Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei n" 1.999, de 1. 10.1953) § 1° - Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei n°1.999, de 1.10.1953) § 2" - Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei n°1.999, de 1.10.1953) § 3° - Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que fôr cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer titulo, e destinada a distribuição aos empregados." Extrai-se do dispositivo supra transcrito que remuneração é a soma de salário (valor pago diretamente pelo empregador em decorrência da contraprestação do serviço, estipulada no contrato de trabalho) mais as gorjetas que o empregado receber. Importante aqui transcrever a nota dedicada a esse artigo por Eduardo Gabriel Saad na obra CLT Comentada, revista e atualizada por Jose Eduardo Duarte Soada e Ana Maria Soada C. Branco, Editora LTr, 42" edição, 2009, prig. 563: 1 1 "I) 0 caput do artigo acima transcrito faz distinção entre remuneração e salário. Este é contraprestação devida e paga diretamente ao empregado; a remuneração compreende o salário e mais o que o empregado recebe de terceiros (gorjetas, por exemplo), em virtude do contrato de trabalho." (grifamos) A remuneração, desse modo, resultado de salário mais gorjeta, decorrente do contrato de trabalho firmado entre empregado e empregador. No caso das gorjetas, além do salário o empregado espera recebe-las, em decorrência da práxis da atividade exercida, sejam aquelas espontaneamente dadas pelo cliente, sejam aquelas cobradas pelo empregador nas contas e distribuídas aos empregados. Het, a nosso ver, nítida caracterização da habitualidade decorrente da própria atividade exercida pelo empregado, tornando-se a gorjeta elemento seguro do seu orçamento. Além disso, não esquecendo do disposto no retro citado § 1° do artigo 457, integram o salário e, portanto, o conceito de remuneração, as comissões, percentagens e gratificações ajustadas. Aqui também podemos entender que se tratam de verbas pagas com habitualidade, em decorrência da natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustadas no contrato de trabalho. Ern 19 de junho de 2001, a Lei n° 10.243 incluiu o inciso II ao ,5S 20 do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho para excluir do conceito de salário, e portanto de remuneração, a utilidade fornecida pelo empregador em relação á educação, seja em estabelecimento próprio ou de terceiro. A previsão da lei trabalhista, nessa ótica, é mais ampla pois exclui do conceito de salário a educação lato sensu, não se limitando a qualificá-la, isto é, emprestar atributos, tais como "básica", "fimdamental", utilizadas pelas leis acima citadas. Coin isso, a Lei n" 10.243 de 19 de junho de 2001 excluiu do conceito de salário qualquer benesse concedida pelo empregador seja no âmbito da educação básica, seja no âmbito do ensino superior. No caso concreto, como foi acolhida a preliminar de decadência, restando a discussão no tocante ao ano de 2001, entendo que a partir de junho daquele ano não devem ser computados na base de cálculo da contribuição previdenciária as bolsas concedidas também ern relação ao ensino superior." Multa — Retroatividade benigna A multa aplicada ao caso era a prevista no § 5° do artigo 32 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual previa multa de 100% (cem por cento) sobre o valor não declarado pela empresa, limitada pelo número de segurados. E certo que o artigo acima citado foi, no curso desse processo, revogado pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a qual instituiu uma nova multa para casos como esse ora analisado, previsto no novel artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou não da aplicação do que dispõe a alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. 12 Processo n° 11020.002360/2007-17 S2-C3T1 AcOrd5o n.° 2301-01.760 Fl. 279 Segundo as novas disposições legais, a multa prevista no recente dispositivo legal prevê multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) infonnações omitidas e 2% (dois por cento) ao mês, limitada a 20% (vinte por cento). A meu ver houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluido pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário para no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de acolher a preliminar de decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional e excluir do lançamento o período de agosto de 1998 a dezembro de 2000, bem como para excluir do lançamento a multa correspondente a ausência de declaração em relação aos valores relativos às bolsas de estudo concedidas no âmbito da educação básica e, com relação ao ensino superior, apenas os valores posteriores a junho de 2001, devendo no período restante ser recalculada a multa aplicada nos termos do artigo 32-A da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2010 —ADRIANO GONZALES SILVÉRIO 13
score : 1.0
Numero do processo: 13808.002903/2001-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispendios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo
patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, MATÉRIA DE DEFESA.
O processo administrativo fiscal é um procedimento vinculado, que deve obedecer aos ditames legais aplicáveis. A matéria de defesa a ser alegada deve ter pertinência com o seu objeto, devendo ser afastadas quaisquer matérias a ele impertinentes.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.748
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR proVimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispendios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva., PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, MATÉRIA DE DEFESA. O processo administrativo fiscal é um procedimento vinculado, que deve obedecer aos ditames legais aplicáveis. A matéria de defesa a ser alegada deve ter pertinência com o seu objeto, devendo ser afastadas quaisquer matérias a ele impertinentes. Recurso negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR proVimento ao recurso, nos termos do vot o Relator. CAI MARCOS CANI- IDO - Presidente ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator FORMALIZADO EM: 2 E OUT 2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 55/58) interposto, em 26 de dezembro de 2007, contra o acórdão de fls. 44/50, do qual o Recorrente teve ciência em 12 de dezembro de 2007 (fl: 51, verso), proferido pela 21 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 21/22, lavrado em 16 de julho de 2001, em decorrência da apuração de variação patrimonial a descoberto, verificada no ano-calendário de 1997. A Recorrida julgou integralmente procedente o lançamento, por meio de acórdão que não teve ementa (fls. 44/50). 0 relatório contido no aresto recorrido resume a inflação apontada e as alegações do Recorrente da seguinte forma: "0 contribuinte acima identificado foi autuado, exigindo-lhe o imposto de R$ 16,739,51, mais juros de mora e multa de oficio, em decorrência da apuração de variação patrimonial a descoberto, referente ao ano-calendário 1997, 0 interessado, mediante representante legal, apresenta a impugnação de fls. 30 a 32. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. 1. A Auditora-Fiscal apurou os fatos e autuou o contribuinte sem nenhuma prova legal. 2. Lendo o termo de verificação fiscal e documentos anexos, constata-se que a Sra Auditora-Fiscal autuou o contribuinte com base em uma única xerox simples. Esta, sem nenhuma autenticação legal, confirmação oficial ou qualquer Lazar) para sua validade. 3. 0 contribuinte foi autuado, mesmo demonstrando que jamais fez aquela remessa de valores, nem mesmo seu CPF consta ali, 4. Certamente alguém de má-fé, usando apenas o nome de sua mulher, preencheu a guia daquela remessa. 5. Observa-se que, naquela guia, consta que a remessa foi feita em cheques, no valor de R$ 55.025,00, no dial]. de julho de 1997. Nesta data, o contribuinte e sua mulher estavam na cidade de Los Angeles, EUA, e depois foram para Taiwan/China, momentos em que o próprio contribuinte estava muito doente, iniciando lá seu tratamento. 2 Process o if 13808.002903/2001-71 S2-CIT1 Fl 69 Acedo n 2101-00.748 6. Poderia e deveria aquela divisão de fiscalização, para a confirmação daquela remessa, oficiar os bancos remetentes (ex. Caixa Ec Federal) e o banco recebedor, não identificado na remessa. Nada foi feito neste sentido. 7. 0 contribuinte, pessoa física, certamente não poderia fazer estas investigaçêes. Ao contrário daquela fiscalização que, via Receita Federal, usando dos meios legais, poderia ter feito isso. 8. É Obvio que qualquer pessoa fisica ou jw Mica poderia ter ido naquele banco e feito a mencionada remessa, usando o nome do contribuinte (esposa). 9. Comprovadamente, o interessado não fez aquela remessa. Nem mesmo tinha aquele dinheiro na época. Conforme seus extratos bancários anexos, o movimento bancário jamais chegou aos mencionados valores. Por esses motivos, impugna o auto de infração e espera que o mesmo seja anulado. Em decorrência da transferência da coilipetencia definida na Portaria SU n° 1515, de 23 de outubro de 2003, veio o processo para julgamento nesta DRJ.." A Recorrida afastou a alegação trazida pelo Recorrente de que a prova utilizada para autuá-lo seria ilegal e manteve integralmente o lançamento, em acórdão de cujo voto se extrai a parte final, a seguir transcrita: "No caso em epígrafe, a prova questionada pelo impugnante é a guia de remessa de valores, com cópia à if 35. 0 mencionado documento, em que consta a esposa do contribuinte como remetente do valor de R$ 55.025,00, é cópia da if. 129 do processo que tramita junto ao Departamento de Policia Federal (DPF) e foi autenticada por um Auditor Fiscal da Receita Federal, não se configurando qualquer violação a lei material que pudesse caracterizar ilicitude. Por conseguinte, é perfeitamente válida a prova utilizada pela fiscalização, no presente caso . Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e manter integralmente o lançamento," Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para anular a autuação, mantendo a alegação de que a única prova usada para autuar o Recorrente é ilegal, visto que se trata de uma fotocópia simples de um comprovante de remessa de valores feito no nome da esposa do contribuinte. o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 3 O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presunção legal de omissão de receita que fundamentou a autuação, como cediço, não decorre de arbítrio da autoridade fazendária, mas da própria lei, Trata-se, portanto, de presunção legal instituída pelo legislador ordinário, na Lei Federal n.° 7.713/88. Confira-se: "Art 3 0 , 0 imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei § 1'. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados." Em consonância com o preceito legal citado, o Regulamento do Imposto sobre a Renda, editado pelo Decreto n.° 3.000/99, assim dispõe: "Art. 55 Sao também tributáveis (..): XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for iustificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto, de tributação definitiva; )." Nesse sentido, note-se que a fiscalização, por meio da aplicação do método do fluxo de caixa, verificou, como se vê do demonstrativo de fls. 19/20, um excesso de dispêndios em confronto com as origens de recursos do contribuinte. Tal constatação, pois, luz dos dispositivos legais colacionados, permite que a autoridade fazendária presuma ter havido omissão de receitas, invertendo, assim, para o contribuinte o ânus de desconstituir tal Ressalte-se, ainda, que a apuração no presente caso levou em conta, no primeiro Ines do exercício, os valores apontados pelo contribuinte como saldo do ano- calendário anterior e, nos meses subseqüentes, os saldos referentes à diferença encontrada entre os recursos e dispêndios do contribuinte levantados nos respectivos meses.. Escorreito, portanto, o procedimento da autoridade fazenddria, não merecendo, pois, quaisquer reparos, conforme iterativa jurisprudência deste tribunal: "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Sujeita-se A tributação, por caracterizar omissão de rendimentos, o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em Análise da Evolução Patrimonial Mensal, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva." (1° Conselho de Contribuintes, 2" Câmara, Recurso Voluntário n..° 139 458, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 25/01/2007) "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - APURAÇÃO MENSAL - Tendo o imposto de renda tributação à medida em que os rendimentos vão sendo percebidos deve o fisco, em seu trabalho de análise da atividade do contribuinte, voltar-se para o exato momento da ocorrência dos fatos a fim de imputar obediência ao principio constitucional tributário da isonomia, 4 Processo n° 13808.002903/2001-7 I S2-C1 TI Acórcitio n° 2101-00:748 Fl. 70 Destarte, necessária a análise mensal da evolução patrimonial, sem a qual restaria, também, maculada a determinação legal da formação do fato gerador." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Câmara, Recurso Voluntário n.° 127.683, relator designado Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 22/02/2002). Assim, tendo o Recorrente se limitado a repetir os fundamentos levantados em sua impugnação, não tendo sequer questionado a origem dos recursos ou dispêndios efetuados, não há o que se modificar na decisão recorrida. Repise-se que a Lei n.° 7.713/88 estatui, com clareza, que a diferença a maior apurada entre os dispéndios do contribuinte a as origens de recursos cria uma presunção de omissão de receita, cabendo ao próprio contribuinte o dever de comprovar que o referido acréscimo patrimonial encontra-se justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação de finitiva. Mas não é só„ Verifica-se que o contribuinte insurge-se sobre a guia de remessa juntada na fl. 35 destes autos, argumentando que a assinatura de sua esposa foi falsificada e que não poderia a fiscalização ter efetuado o lançamento com base em tal documento, por ser inidôneo. A esse respeito, convém salientar que aludido documento em nenhum momenta foi utilizado pela fiscalização para efetuar o lançamento ora em discussão. Realmente, conforme se depreende do demonstrativo de fl. 19/20, utilizado como fundamento para o cálculo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto - APD no montante de R$ 71.518,04, não há, na planilha referente ao contribuinte autuado, qualquer referência ao valor de R$ 55.025,00 — valor este que apenas constou das planilhas de calculo do APD de sua esposa, Chen Huang Mei Shu (if 20) —, de tal sorte que o documento impugnado efetivamente não foi utilizado no cálculo do presente lançamento. Sendo assim, restando demonstrado que o Recorrente não afastou a presunção legal de omissão de receita e tampouco trouxe quaisquer provas adicionais que pudessem contrariá-la, de rigor a manutenção do auto de infração tal corno lavrado . Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 23 de setembro de 2010 n1,, ea ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 5
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002668/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Periodo de apuração: 10/01/2001 a 15/03/2007
DECADÊNCIA.
Considera-se decaído o direito da Fazenda constituir o crédito tributário quando transcorridos mais do que cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador do imposto pago, nos casos de lançamento por homologação.
PROCESSO JUDICIAL E. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia as instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente.
CALCULO DO IMPOSTO, METODOLOGIA.
No valor do Imposto exigido serão considerados os valores devidos no período de apuração a que se referir o auto de infração, deduzidos os créditos do mesmo período.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE.
Cabe exigência de multa de oficio no auto de infração quando a exigibilidade do crédito tributário deixa de estar suspensa em decorrência da revogação da medida liminar até então vigente
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. BASE LEGAL. INOCORRÊNCIA.
Não constitui preterição do direito de defesa a indicação, como base legal no auto de infração, das leis em lugar do Regulamento do Imposto.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal.
CONEXÃO DE PROCESSOS. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
Não pode ser atendido o pedido de conexão de processos administrativos desacompanhado de sua motivação. Sao autônomas as decisões proferidas em cada processo administrativo fiscal, ainda que versando sobre questões congêneres.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.800
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Rosa
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MI" S3-CIT2 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n10830,002668/2007-57 Recurso n° 140.357 Voluntário Acórdão n° 3102-00.800 — 1° Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria Imposto sobre Produtos Industrializados -11)1 Recorrente UNILEVER BRASIL LIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIAL IZADOS - IPT Period° de apuração: 10/01/2001 a 15/03/2007 DECADÊNCIA. Considera-se decaído o direito da Fazenda constituir o crédito tributário quando transcorridos mais do que cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador do imposto pago, nos casos de lançamento por homologação, PROCESSO JUDICIAL E. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ik ESFERA ADMINISTRATIVA, A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia as instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente. CALCULO DO IMPOSTO, METODOLOGIA. No valor do Imposto exigido sea() considerados os valores devidos no período de apuração a que se refer ir o auto de infração, deduzidos os créditos do mesmo período. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. Cabe exigência de multa de oficio no auto de infração quando a exigibilidade do crédito tributário deixa de estar suspensa em decorrência da revogação da medida liminar até então vigente PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. BASE LEGAL. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição do direito de defesa a indicação, como base legal no auto de infração, das leis em lugar do Regulamento do Imposto. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE, Ao cigit..,11mGrita m 0?)1212610 por LIJS MARCELO GUERRA DE CASTRO, (L1'1212010 poi i'ZICARIJO ISOLO ROSA ,:rn (21ji -2;2010 pc ,r- RICARDO PAULO ROSA Ern lid .ztin 20, 1 212010 DF CAR!' NV 1'1 2 Processo 10830 002668/2007-57 S3-C112 MórdSo n ° 3102-00 800 Fl 2 Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal. CONEXÃO DE PROCESSOS. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não pode ser atendido o pedido de conexão de processos administrativos desacompanhado de sua motivação. Sao autônomas as decisões proferidas em cada processo administrativo fiscal, ainda que versando sobre questões congêneres. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente Ricardo Rosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo de Guerra e Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Leonardo Mussi c Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instancia, que passo a transcrever. Trata-se de auto de infração (fls. 04/39) lavrado para exigir R$538.445,439,90 relativos ao IPI, muita de oficio e juros de mora, decorrentes da glosa de créditos ficticios do IPI, que a empresa escriturou indevidamente, relativos a entradas de insumos isentos, imunes ou tributados à alfquota zero, para os quais não há previsão legal para o creditamento, utilizando estes créditos para o abatimento de débitos do imposto. Conforme consta do relatório fiscal de fls. 05/10, o contribuinte ingressou com o Mandado de Segurança n° 2000.61.05.000390-3 pleiteando o direito: ".„ de se creditar, de forma presumida e outorgada, do WI incidente sobre os insumos adquiridos, a partir de janeiro de 2.000, beneficiados com isenção, não incidência ou redução de aliquota, apurado em valor proporcional e equivalente ao IPI devido na saida de seus produtos finais, aos quais foram agregados os citados insumos. Ademais, deve esse Juizo determiner ao Sr, Agente Coator que se abstenha de exigir, glosar ou de qualquer forma cobrar o credito do supra informado". A liminar foi indeferida em 25/0212000 e a empresa intervis, cai 13/03/2000, Agravo de Instrumento junto ao TRF da 3° região, processo n 2000.03.00 ,011365 -5, no qual foi concedida a ordem para o creditamento, na forma acima citada Em 18/01/2002 foi proferia a sentença de primeira instancia que julgou o ;.02/20 to por ulii-npro.c.e.dente.,),(pipedidue; -neonseqUenternentelcdenegouuaoordem de segurança, do ir ?ta ern r.liff.2.- 20 I O :or RiCARDO PAULO ROSA 2 en 251120310 iv1 , 1)U60r on Enz,:=r.cli DF (2 A 1:1' . 1\1 l 3 Processo n°10830.002668/2007-57 S3-CIT2 Acórdão n°3102-00,80 Fl 3 contudo, em 19106/2002 a empresa apresentou Apelação ao TRF da 3' região, logrando obter que os efeitos cia decisão proferida no Agravo de Instrumento n° 2000 03 00.011365-5, fossem mantidos até a ulterior decisão do Egrégio Tribunal Regional Federal Assim, o estabelecimento em epfgrafe passou a escriturar e utilizar os indigitados créditos, até que, em 23/08/2006, foi prolatado, pela Sexta Turma do TRF da 3' região, o acórdão que, por unanimidade, negou provimento à apelação, tomando sem efeito a liminar obtida, o que possibilitou o presente lançamento e exigência do crédito tributário, embora o processo judicial ainda não tenha transitado em julgado. Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em síntese, o seguinte: PREIAMINARES 1' Nos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do CIN, bem como de acordo com a doutrina e jurisprudência que cita, teria ocorrido a decadência do direito de a Fazenda pUblica constituir o crédito tributário do IN, por este ser um tributo sujeito homologação, sendo que s6 se poderia glosar créditos apropriados após 24/05/2002. 2° Houve erro na apuração do credito tributário, pois a autuação deveria se basear nas glosas dos créditos, mediante a constituição do crédito fiscal ao tempo e em valor equivalente ao credito glosado, e não na reconstituição da escrita efetuada pela fiscalização. 3' Teria ocorrido o cerceamento ao direito de defesa pois o Auto de Infração capitulou a multa e os juros moratórios em artigos das Lei 4.502/64 e 9.4.30/96, respectivamente, não se valendo do regulamento reservado ao IN, o qua impediria a impugnante de conhecer, em sua plenitude, os argumentos e raciocfnio da autuação.. 4° Foi cobrada uma multa punitiva, o que seria vedado pelo artigo 63 da Lei n° 9430/96, pois, a época do lançamento fiscal, a impugnante estava amparada por ordem judicial e o crédito tributário estava com a exigibilidade suspensa 5' Argumenta que, com base nas disposições do artigo 63 da lei n° 9,430/96, não se poderia agravar o crédito tributário com exigibilidade suspensa com juros moratorios calculados de acordo com a taxa SEL1C. MÉRITO Nan poderia prevalecer um Auto de Infração lavrado antes da decisão judicial definitiva, pois, como, no presente caso, o Silf já teria consolidado o entendimento de que o contribuinte pode lançar; para compensações futuras, o crédito do IN gerado na aquisição de insumos isentos e o novo entendimento (citado pela fiscalização), de que não haveria crédito na aquisição de insamos sujeitos á alfquota zero, não poderia retroagir à época em que o contribuinte ingressou com o processo judicial em discussão, sob pena de total insegurança juridica. Justificando sua tese, de que o 1P1 se limita a incidência sobre o valor agregado em cada operação, reitera os argumentos apresentados no Poder Judiciário. Alega que, por estar pendente de decisão final o processo judicial 2000.61.05.000390-3, o presente processo administrativo deveria ser sobrestado ao meamo,,atd o,ttfinsitosmjulgado. 0/112f2610 or ivi/v-;LL-A.0 fzutit rIA (»AS LD/ 212010 pr RICARDO PAULO ROSA ALI:1;r1 ■ d0 ii rinte;:lili11.5(12;20 Ii por RICARDO PAL11.0 ROSA 3 e 2ç;i12i2C1C) ri.:?x,nOn DI' CAM' NW Fl=I Processo n° 10830 002668/2007-57 S3-C1T2 Accra° n '3102 -00.800 Fl 4 Entende que a fiscalização, embora isso mencione, teria deixado de considerar que parte dos créditos deram origem a pedidos de compensação, que está em fase de discussão administrativa Portanto o presente deveria ser juntado Aquele para julgamento único. Subsidiariamente, argumento sobre a inaplicabilidade da taxa SEL1C ser usada na apuração do credito tributário Encerrou requerendo a desconstituição, de pleno direito, do presente processo administrativo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - !PI Período de apuração: 10/01/2001 a 15/03/2007 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se (id quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendo-se o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, SUSPENSÃO DO PRAZO DECADENCIAL. Inadmissível o transcurso do prazo cm desfavor do Fisco no período em que sua atuação esteve vedada por ordem judicial. JULGAMENTO DE MERITO. DECISÕES JUDICIAIS. PREVALÊNCIA SOBRE A ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisães do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não 116 porque ser discutida na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial. CONCESSÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA Tão somente o depósito do montante integral impede a fluência dos juros moratários incidentes a partir do vencimento do crédito tributário em discussão judicial. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. A recorrente requer anulação da decisão de primeira instância. Considera-a em dissonância com os argumentos que lhe sustentam, na medida em que, ao aplicar o artigo 17.3 do Código Tributário Nacional, considerou o primeiro dia do exercicio seguinte aquele em que efetivamente poderia ser efetuado o lançamento, ou seja, depois de reformada a decisão judicial que impedia a Secretaria da Receita Federal do Brasil de constituir o credito tributário. Considera tratar-se de suspensão da contagem do prazo decadenciaL A:joa ,i imitO em 07/12f20 Ií por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. (;¡:;112/21,.110 pot RICARDO PAULO R 0 Cf ;.!;c1ILIffnente -Zail CO; 120,0 10 For R I CAR no PAULO nos, 4 Eol 12;2010 LI. me o d; Ioencl;r 1)E CART: NII: Fl 5 Processo n" 10830 002668/2007-57 S3-CIT2 Acórd3o n*3102-00 NO 11 5 Caso não seja anulada a decisão a quo, que seja reconsiderado o critério para definição da data de inicio do prazo decadencial. Também sustenta que, tendo havido o pagamento do crédito tributário, mensalmente, configura-se o lançamento por homologação e que é falsa a afirmação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de que nunca houve nenhum pagamento. A terceira preliminar diz respeito à técnica adotada pela fiscalização de reconstituição da escrita fiscal, em lugar da utilização dos créditos glosados que, segundo entende, seria a metodologia correta A quarta preliminar é pelo fato de ter sido indicada como base legal as leis e não o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, não permitindo, com isso, que a recorrente conhecesse adequadamente os fatos. A quinta está relacionada à exigência de multa. Considera caso de prevenção da decadência, quando a legislação é clara no sentido de que o crédito deve ser constituído sem o lançamento da multa de oficio. Assevera que, a época dos lançamentos, havia liminar válida. A sexta dirige-se A, utilização da taxa Selic. No mérito, sustenta que a causa está pendente de decisão judicial definitiva e apresenta a tese de sua autoria que está sendo discutida junto ao poder judiciário. Mais uma vez requer a conexão de processos. Voto Conselheiro Ricardo Rosa, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário na parte ern que não há concomitância de processos administrativo e judicial, como será a seguir esclarecido. Examina-se a alegada suspensão da contagem do prazo decadencial, ou erro no critério adotado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento na indicação da data inicial correspondente, A decisão a quo é didática em demonstrar que, conforme reza a legislação de regência do Imposto, não se considera ocorrido o lançamento por homologação quando efetuado ao arrepio das normas regulamentares . Transcrevo mais urna vez o texto legal correspondente, mas agora, segundo consta no RI P1/02. Art 124 Os alas de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoam-se com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos 'winos dos arts 207 e 208 e efetuados antas de qualquer procedimento de oficio da autoridade administrativa (Lei n9 5 172, de 1966, art 150 e t- cc 0 ./.1 12/20 I) or LlIf$ MARCELO GUERRA DF. CASTRO. U3/12121:1 por RICARDO PNJLID ROSA c.111 CE; 122010 r;;;; - OR..;ARDO PAULO ROSA 5 or 5g/ 12/2( MO c. vI ii0 dn DC' c- ' 1l MI' V' 1. 6 Processo n" 10830 002668/2007-57 S3-C1T2 Acôrd4o n ° 3102-00,800 Fl 6 Lei n5 9 430, de 1996, arts 73 e 74, e Medida Provisória n2 66, de 2002, art 49) (grifos meus) Art 125. Considerar-se-ão não efetuados os atos de iniciativa do sujeito passivo, para o lançamento. 1 - quando o documento for tepraado rem valor por lei ou por este Regulamento (Lei n 9 4 .502, de 1964, art 23, inciso II); 11 - quando o produto ti ibutado não se identificar com o descrito no documento (Lei n9 4 50.2, de 1964, art 23, inciso III), ou III %gyando estiver em desacordo com as normas deste Capítulo pi n0 4 502, de 1964, art 23, liras° 1) (grigos meus) Parágrafo único Nos casos dos incisos I e III, não será novamente exigido o imposto já efetivamente recolhido, e, no caso do inciso 11, se a falta resultar de presunção legal e o imposto estiver tambám comprovadamente pogo Lançamento de Oficio Art 127 Se o sujeito passivo não tomar as iniciativas para o lançamento ou as tomar nas condições do art. 125, o imposto sera lançado de oficio (Lei n2 4 502, de 1964, art 21) Parágrafo ánico O documento hábil, para a sua realização, será o auto de infração ou a notificação de lançamento, conforme a infração seja constatada, respectivamente, no serviço externo ou no serviço inferno da repartição Segundo se depreende do voto condutor da decisão recorrida, o fato de a contribuinte ter intentado a extinção do crédito tributário pela compensação com créditos seus não admitidos em lei, recepcionados no mundo jurídico exclusivamente por força de medida judicial e que, uma vez extinta, fez retroagir as condições relacionais ao status original, levou conclusão de que o lançamento foi executado em desacordo corn as normas regulamentares e, por conseguinte, considerado não efetuado, remanescendo as definições legais próprias do lançamento de oficio como regra de aplicação do direito ao caso concreto. De fato, penso ainda que se deve acrescentar neste ponto que não se pode esperar que as normas legais se ajustem perfeitamente a fatos juridicos acontecidos ao abrigo de decisões judiciais, Deliberações emanadas do Poder Judiciário se operam com independência, freqüentemente alheias aos critérios, definições, condições e regras definidas no direito positivo e aplicadas pela administração. A decorrência disso são situações imprevistas, para as quais não há como encontrar normas próprias. Nestas condições, nada que se possa fazer, se não aplicar a norma tal como ela dispõe a partir do momento em que a contribuinte deixa de contar com o abrigo jurisprudencial, mas a luz de circunstâncias especiais, que freqüentemente impedem que as partes adotem os procedimentos acauteladores esperados, Contudo, admitido isso, entendo que a aplicação do direito leva a uma decisão distinta da que foi adotada em primeira instância . Explico, ciol;',I.11111(miC i:51 0/11212010 por 1_I.115 MARCELO GUERRA DE cAsTno. o6i 2/2010 pcg RICARDO PAULO ROSA RICARDO pAuLo ROSA 6 2:»1'222 010 pit) ri,zericia DI CA k N,11: I 7 Prot:esso n' 10830 002668[2007 -57 S3-C112. AcOrdao n .3102 -00.800 Fl 7 É que, se por um lado o comando normativo ao qual se atribui o efeito de descaracterizar a ocorrência do lançamento por homologação, considerada corno "ncio efetuados os atos de iniciativa do szdeito passivo, para o lançamento" quando estes estiverem "em desacordo com as normas deste Capitulo", por outro, tem-se no Código Tributário Nacional disposição expressa de que, urna vez efetuado o pagamento pelo sujeito passivo, o prazo para revisão do lançamento por homologação será de cinco anos contados da data de ocorrência dos respectivos fatos geradores, regra da qual se excluem apenas os lançamentos realizados corn dolo, fraude ou simulação. Art. 150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores A homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando h extinção total ou parcial do crédito § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédi to, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nestes termos, o dispositivo legal contido art. 23, inciso 1, da Lei n 0 4.502, de 1964, que considera como não efetuados os atos de iniciativa do sujeito passivo para o lançamento nos casos em que estes estiverem em desacordo com as normas legais, poderá ter outros efeitos, que não pretendido pelo Fisco, já que, não tendo sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, resta o termo inicial para contagem do prazo para homologação do lançamento enquadrado na regra geral do artigo 150 do CTN, ou seja, identificado na data da ocorrência dos respectivos fatos geradores . Outrossim, observa-se que a medida liminar cujos efeitos aqui se discute foi obtida pela recorrente apenas quando da interposição de agravo de instrumento tal como relatado pelo i. Julgador da decisão recorrida, se não vejamos: A liminar foi indeferida em 25/02/2000 e a empresa interpôs, em 13/03/2000, Agravo de Instrumento junto ao TRF da 3' região, processo n ° 2000.03.00.011.365-5, no qual foi concedida a ordem para o creditamento, na forma acima citada. Ocorre que, tal corno consta do processo, o pedido contido na petição dirigida ao TRF 3 0 região não foi idêntico ao pedido inicial, não havendo nenhum tipo de obstáculo constituição do crédito par parte da autoridade autuante. Disso decorre que o lançamento já poderia ter sido realizado na data da ocorrência dos fatos geradores respectivos, motivo por que o prazo decadencial, por força da disposição contida no artigo 150 do Código Tributário Nacional, deva ter sua contagem iniciada naquela data. far ,JI:innimelltn ern 011/12i2010 porLI.11:3 MARCELO) GUERRA DE CASTRO, 00/1212010 ror1RICARDO PAULI) ROSA :,1;11:11ineAtI ern 00/10/200 por RICARDO RAL1Lo ROSA 7 111; 'vw 20! 2,2010 ;:e10 MiAM10 (in 1-1,V.r(.10. CARI N,11 7 Prows° n° 10830 00266B/2C07-51 S3-CIT2 Acnrdao n ° 3102-00.800 Ft 8 Já no que concerne à metodologia de cálculo utilizada, uma vez identificadas incorreeões no lançamento efetuado pela contribuinte e realizado o lançamento de oficio, conforme reza a legislação, tal deve obedecer aos critérios de apuração do Imposto, mediante reconstituição da escrita fiscal, de tal sorte a considerarem-se os créditos e os débitos admitidos, obtendo-se disto a saldo a pagar. Não faz sentido a reclamação de que deveriam ter sido considerados exclusivamente os créditos glosados no auto de infração. Alt 200 A importância a recolher será (lei n2 4 502, de 1964, cut 25, e Decreto-lei n2 34, de 1966, art 2e, alteração 1 - na importação, a resultante do cálculo do imposto constante do registro da declai ação da importação no SLYCOMEX; II - no depósito para fins comerciais, na venda ou na exposição a venda de produtos tra:idas do exterior e desembaraçados coin a qualificação de bagagem, o valor integral do imposto dispensado, no caso de desembaraço com isenção, ou o que incidir sabre a diftrença apurada entre o valor que serviu de bare de cálculo do imposto pogo na importação e o prof() de venda, no caso de produtos desembaraçados coin o tratamento de importa yap comum nas condições previstas na legislação aduaneira, Ill - nas operações reali.:adas por firmas ou pessoas não sujeitas habitualmente ao pagamento do imposto, a diferença elm e o tributo devido e o consignado no documento fiscal de aquisição do produto; e IV - nos denials coos, a resultante do cálculo do imposto relativo ao período de apuração a que se referir o recolhimento. deduriclos os créditos do mesmo período. (grifos Incas) Noutro giro, observa-se inexistir afirmação no voto condutor da decisão recorrida dando conta de que a recorrente não teria efetuado nenhum pagamento, tal como sugerido no recurso voluntário,. O relator trata exclusivamente da utilização indevida de créditos por força de decisão judicial e nos efeitos destes sobre o valor a recolher. Em nenhum momento afirma que a contribuinte não efetuou os recolhimentos periódicos. Tampouco constitui preterição do direito de defesa ou qualquer tipo de irregularidade o fato de a fiscalização ter indicado as leis e não do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados como base legal no auto de infração. Fosse indicado o Regulamento e, seguindo no mesmo diapasão, haveria de se esperar o mesmo tipo protesto, sob o argumento de que apenas a lei é capaz de oferecer ao recorrente todas as particularidades do direito aplicado. 0 fato é que tanto a Lei, quanto o Regulamento são acessíveis e sempre estiveram a disposição do administrado para o exercício da defesa. Além do mais, o mesmo não parece ter sofrido qualquer prejuízo em relação a isso. Correta a aplicação da multa de oficio no auto de infração. A previsão legal de lançamento do crédito tributário para prevenção da decadência sem imposição de multa de oficio restringe -se as situações ern que há ação judicial favorável ao contribuinte ainda não transitada em julgado. No caso concreto, o crédito apenas foi constituído em auto de infração depois de negada providência judicial. As :..inoc,o Siielrree1e em 01/120010 per LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. CO 120010 per RICARDO PAULO RC/SA A;:z:tic);3 ■ grilhrolt ,2, ,7,1-11 00i 1212010 per RICARDO PAULO ROSA 8 Erfl t ■ rio 60% 20112:2010 pri!r.) F f 9 Processo a° 10830 002668/2307-57 S3-C1T2 Acárd8o n *3102-00,800 Fl 9 No que diz respeito aos juros de mora exigidos, há que se observar, liminarmente, que a legislação não exclui em nenhum momenta a exigência de juros do auto de infração, se não vejamos. Art 63 Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos iVe V do art 151 da Lei n2 5 172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de 'India de oficio. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 -35, de 20011 sç 1° 0 disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mom, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo on contribuição Por outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1°, dispije que o crêdito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, Se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.° 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de I° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art 14 da Lei n° 8 847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°8 8.50, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL IC para títulos federais, acumulada mensalmente Lei 8_981, cie 20 de Janeiro de 1995, CAPITULO vill Das Penalidades e dos Acréscimos Moralórios Art 84. Os tributos e coneritneklies sociais ourecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nas pra:os previstos na legislação tributária serão acrescidos de - jut os de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa a Divida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei n°9 065, de 1995 II - multa de mora aplicada da seguinte forma a) de; por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento, Ent 0?/12/26 I pcn LI.JIC MARCELO Cur.z,P,RA DE CASIRO 0302/2010 por RICARDO PAULO ROSA 2 1 :!0 TO pot FiCARDO PAW! R0:3p, o Ec/c.iIC. on 29i12;2010 Dr; CA RI' Mt' F 1 10 Processo II' 10830 002668/2007-57 S3 -C112 Acõrtiao n ° 3102-00.80U Fl 10 b) vinte por cento, quando o pagamento oco, ter no /7185 seguinte ao do vencimento, c) ti into por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento § 1° Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a mite de more, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2° 0 percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3 0 Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso 1, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art 161, § 1°, da Lei n° 5172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei n°8.383, de 1991, e no ad 3° da Lei n° 8 620, de 5 de janeiro de 1993. § 40 OS PITOS de mom de que trata o inciso 1, deste artigo, serão aplicados também as contribuições socials arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o pat, inteinio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação especifica § 5° Ern relação aos débitos referidos no at: 5° desta lei incidirão, a partir de 1° de janeiro de 199.5, juros de more de um por cento ao mês-calendário ou fração § 6 0 0 disposto no § 2 ° aplica-se, inclusive, Its hipóteses de pagamento parceled() de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei § 7°A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso 1 deste artigo. § 8° 0 disposto neste artigo aplica-se aos denials créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divide Ativa da União seja de competência da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (incluldo pela Lai c° 10 522, de 2002) Ainda mais, trata-se de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula 3°CC n° 4 - A partir de 1"de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal Quanto às questões de mer ito suscitadas, na medida em que o assunto esta., como assevera a própria recorrente, pendente de decisão judicial definitiva, encontra-se caracterizada a concomitância de processos, razão pela qual, nesta parte, o recurso não deve ser conhecido. A recorrente reitera pedido de conexão de processos negado pela autoridade administrativa de primeira instancia, alegando que o processo administrativo n° 610-.0206j,0/2.00238czoferes,eaipatteidos:,.créditos.:dyp1PLiap.urados,l(informado contida na 00112010 rsr RiCAR DO PAULO ROSA 10 Eirrtrri: err- 2/2610 pcild tvl vsméiemL Dr CA1;17 N.111 FL 1 I Processo if 10830 002668/2007-57 S3-CIT2 AcógiAn n °3102-011.800 Fl 11 impugnação ao lançamento). Embora MU) esteja clara no processo a razão de pedir da recorrente, na medida em que ausentes os fundamentos do entendimento de que os dois processos são conexos, o que ensejaria até mesmo considerar-se o pedido como não formulado, da leitura do relatório de auditoria-fiscal, entende-se que parte dos créditos de IPI, cuja utilização foi possível por determinação judicial, foram objeto de pedido de restituição, não integrando o auto de infração em epígrafe, 10. Os créditos escriturados foram integralmente utilizados pelo estabelecimento industrial para dedução do devido nas saidas tributadas, exceto a parcela de R$ 28.856.169,73 (escriturada no terceiro deandio de julho de 2002) que foi objeto de pedido de ressarcimento de IPI sendo que parte deste montante foi utilizado para compensação de outros tributos e contribuições federais Uma vez que não há, segundo informações trazidas aos autos pelas partes, valores utilizados em duplicidade no cálculo do quantum devido, tratando-se de fatos geradores distintos cujos créditos/débitos foram objeto de pedidos distintos, não vejo por que os processos deveriam ser juntados, já que a solução de um não interfere na de outro, Ademais, é cediço que os processos e as decisões neles veiculadas são autônomos e independentes entre si. Por todo o exposto, voto por ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA do credito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos contados da data de ciência do auto de infração, POR AFASTAR NA INTEGRA AS DEMAIS PRELIMINARES ARGÜIDAS, e, no mérito, NAG CONHECER do recurso voluntário, haja vista a coincidência de objeto entre este e o processo que tramita perante o Poder Judiciário. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2010, Ricardo Rosa drr1,, om /12/d 10 r,of LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. 0;.',:t 1212010 o RICA.RDO rAuLo RosA iii coifi itoIm:- sin 00/12;2/3 1 1:1 po: RICARDO PAULO ROSA 11 Cri.1E.:.: ens 201'12,%?.(110 W.:10 MiOlrKi do MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção la Camara Processo 10830.002668/2007-57 Interessado(a) :UNILEVER BRASIL LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARP, a tomar ciência do Despacho. Brasilia, 18 de janeiro de 2011. /1 ),, Chefe da Prirneira Câmara da Terceira Seção Ciente, com a observação abaixo: ) Apenas corn Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacion al
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Numero do processo: 11020.000886/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA.
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a titulo de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEP6S1TOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9 A 30, de 1996.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RENDIMENTOS DECLARADOS - ABATIMENTO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA LIMITES.
Os rendimentos declarados pelo contribuinte e co-titulares, se o caso, são hábeis para comprovar a origem dos depósitos bancários, devendo ser observado o limite de titularidade das contas correntes, inclusive quanto aos rendimentos do contribuinte, para se evitar abatimento desproporcional ou em duplicidade de valores,
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 11000,00 - LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00.
No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n°
9.481, de 1997).
Preliminar rejeitada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.732
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Maria Dacia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que proviam parcialmente o recurso para afastar a exigência relativo ao ano-calendário de 2002. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a titulo de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEP6S1TOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.ARTIGO 42, DA LEI N°. 9A30, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS DECLARADOS - ABATIMENTO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA LIMITES. Os rendimentos declarados pelo contribuinte e co-titulares, se o caso, são hábeis para comprovar a origem dos depósitos bancários, devendo ser observado o limite de titularidade das contas correntes, inclusive quanto aos rendimentos do contribuinte, para se evitar abatimento desproporcional ou em duplicidade de valores, DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 11000,00 - LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. No caso de pessoa fisica, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ — Presidente NE TINEZ — Relator JOÃO IOR — Redator designado 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997). Preliminar rejeitada, Recur so provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Maria Dacia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que proviam parcialmente o recurso para afhstar a exigência relativo ao ano-calendário de 2002. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior (Suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Edgar Silva Vidal (Suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Nelson Matlmann (Presidente), Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Gustavo Lian Haddad. EDITADO EM: DEZ :MO 2 Processo n° 11020.000886/2007-54 S2-C212 Acórdão n.° 2202-00.732 Fl 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARI IVETE SCHVANTES FURLANETTO, foi lavrado o Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Física de fls. 342/351, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 35.3/364, exigindo o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 222.118,77 incluindo multa de oficio de 75% e juros de mora. Da ação fiscal restou a constatação da seguinte irregularidade: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCARIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação as quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como as contas bancárias no Banco do Brasil (n° 011032-9) e Banrisul foram mantidas em conjunto com o Sr. Deolino Furlanetto e a conta-corrente no Banco do Brasil (n° 13.649-2) foi em conjunto com seu filho Patric Furlanetto e as declarações de ajuste dos titulares foram apresentadas separadamente, corn tributação proporcional dos rendimentos, na forma preconizada pelo art. 6°, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, foi imputado a cada titular 50% dos valores não comprovados, conforme disposto na IN-SRF n° 246/2002 e Lei n° 10.637/2002. Cientificada ern 03/04/2007, não se conformando com a exigência, a contribuinte apresenta impugnação tempestivamente, alegando, em resumo: - que por forger do artigo 153, III, da Lei Magna, a União tem competência para tributar, por meio de imposto, a renda e proventos de qualquo- natureza. Assim, segundo a impugnante, a Unido deve respeitar a regra-matriz constitucional deste tributo, inclusive pela razão de que o dispositivo em exame não deu, ao legislador ordinário federal, plena liberdade para assestar o imposto contra tudo o que considere renda ou proventos de qualquer natureza. Na verdade, o dispositivo em comento limita a faculdade de, observados os principias constitucionais, fazer incidir a axe cão apenas sobre o que, ao lume da ciência jurídica, realmente tipifique um destesfatos. - Destaca, ainda, que os conceitos de "renda" e "proventos de qualquer natureza", para .fins de tributação, são aqueles utilizados pelo constituinte e, desta forma, inseridos no texto constitucional, de sorte que uma norma hierarquicamente inferior não lhes poderá modificar o conceito e alcance. - Afirma que ao Fisco, cabe provar a ocorrência do fato gerador (no caso dos autos, acréscimo patrimonial), ou da infração que quer imputar ao sujeito passivo, conforme expressamente determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional 3 Doter forma, segundo resta clarificado que depósitos bancários não se configuram como ,fato imponível do Imposto de Renda, por não repesentarem acréscimo patrimonial e/ou riqueza nova, impondo-se, assim, a declaração de nulidade do auto de infração e correspondente lançamento de oficio, objeto da presente impugnação. - Destaca que os valores de rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da impagnante e nas elaboradas por seu esposo e seu , filho, não foram considerados, pelos autuantes, como depósitos comprovados, ou seja, a autoridade lançadora considerou que os rendimentos declarados pelo impugnante e sua mãe, não circularam nas contas bancárias mantidas pelos Ines/nos; de forma contrarta - Aponta que, da descrição dos linos deparar-se-ia com a situação inusitada de que a totalidade dos rendimentos auferidos pela impugnante e seu esposo e constante das declarações de ajuste anual do imposto de renda, conforme presunções da autoridade lançadora, foram recebidos em moeda coi rente nacional e não circularam nas contas bancárias mantidas junto ao Banco do Brasil SIA e Bantisid SIA - Sustenta que a presunção do Fisco encontra-se embasada tão- somente nos valores de depósitos em contas bancárias e constantes nos extratos de movimentação, sem qualquer outro elemento que de stporte à presumida omissão de renda, tais como 7 crescimento patrimonial à descoberto, gastos incompativeis com os rendimentos declarados, sinais exteriores de riqueza, entre ouhvs - AA ma que a situação narrada pelos fiscais autuantes é totalmente fantasiosa e não corresponde com a verdade dos fatos, ainda mais se considerada a circunstância de que a autoridade administrativa presumiu que os valores dos rendimentos de aluguéis, indenizações e venda de hens do patrimônio da impugnante não transitaram nas contas bancárias examinadas, desconsiderando, por inteiro, os esclarecimentos prestados, em especial, quanto a justificativa de que vários valores depositados temporariamente na conta bancária eram originados de recursos próprios (saldo em moeda corrente nacional), mantidos pela impugnante e perfeitamente identificados nas declarações de ajuste anual. - Entende que, não poderiam os fiscais autuantes, desconsiderar os rendimentos constantes nas declarações de ajuste anual que, necessariamente, deveriam ser abatidos e, desta forma, se passive! fosse, ser tributada somente a diferença existente entre os valores de receita declarados pelo impugnante e sua mãe e os mimes dos depósitos bancários, tidos presumidamente como receita omitida à tributação - Assim, segundo a impugnante, deveriam set excluídos os rendimentos declarados por ela e a receita da venda de bens de seu patrimônio. Por igual, par se tratar de contas conjuntas, deve ser abatido o total das receitas de locação declarada pelo cônjuge - Cita que realizou depósitos em dinheiro em i sua conta corrente, bemi como efetuou empréstimo para seu ,filho (no montante de RI 40 000,00) e trocou cheques pós-datados para alguns amigos, coin base na reserva de numerário que mantinha em espécie, conforme expressamente informado em declarações de rendimentos 4 Processo n° 11020.000886/2007-54 AcórdAo n ° 2202-00..732 S2-C2T2 Fl 3 - Refere que a lei é a (mica fonte aceitável e válida para a instituição de presunções no direito tributário. Entretanto, o emprego da presunção encontra limites no principio da estrita reserva legal, constante no artigo 150, I, da Constituição Federal, que impede a exigência ou o aumento do tributo sem lei que o estabelega. Significa dizer que é vedado o emprego da presunção pare o fin de criar exigência ou hipótese tributária não prevista em lei, - Comenta que a autoridade lançadora justificou a exigência tributária ora combatida, como base na presungdo. A prevista no caput do artigo 42, da Lei 9,430/96, sem contudo restar autorizada, pelo dispositivo legal invocado, a utilização da presunção para o fato concreto, objeto do auto de infração e lançamento de oficio ora impugnado. - Argumenta que a utilização da presunção para equiparar valores representadas por depósito bancários à renda auferida pelo titular da conta corrente bancária, é inconstitucional por char fato imponivel Igo previsto no inciso III, do artigo 153 e malferir o principio da estrita reserva legal, constante no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal - A presunção da ocon-éncia do fato gerador do IRPF, corn base nos valores consignados enz extratos bancários seria possível se (e somente se) o Fisco utilizasse asses elementos como base de cálculo do imposto após a realização de robusta prova de acréscimo patrimonial exteriotizado por sinais de riqueza, tais como: crescimento patrimonial a descoberto, gastos incompativeis com os rendimentos declarados, entre outros, Destaca que o Fisco tem a seu dispor todas as ferramentas e condições para apurar as receitas e/ou rendimentos omitidos, em tese, através de depósitos bancários não declarados, razão pela qual, desde a vigência da Lei Complementar n° 105/01, o Fisco tern o dever de provar a ocorrência dosfatos juridicos tributários e niio simples ônus da prom - Solicita a nulidade do Auto de Infração e Lançamento de Oficio, objeto da presente impugnação, uma vez que os fiscais autuantes não lograram demonstrar a ocorrência do lato imponivel do Imposto de Renda Pessoa Física, nos termos expressamente exigidos através da Lei Complementar 105/2001 (art. 5°, § 4°)- - Comenta que a prof:1.51-10 de lançamentos inconsistentes de IR com base em dados extraídos de extratos bancários deu ensejo à edição do Decreto-lei n°2 471, de 01 de setembro de 1988, que em seu artigo 9° determinou o cancelamento de débitos constituídos através de arbitramento com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Por Jim, na eventual hipótese de ser mantido o auto de infração e lançamento de oficio, solicita alternativamente, que seja abatido dos valore,s levantados pelo Fisco, nas contas bancárias mantidas pela ora (Vendome e seu esposo, os montantes de rendimentos declarados e a receita proveniente de alienação de bens, constantes nas declarações de ajuste coma/ da impugnante e de seu esposo, conforme razões anteriormoite (*old!' das. Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, trechos de obras de caráter doutrinário e ementas de decisões administrativas e judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve Em 23 de abril de 2007, os membros da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém proferiram Acórddo que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares, e considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. Assunto • Imposto sobre a Renda de Pessoa Fisica - IRPF Exercício. 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE - IMPROCEDÊNCIA, Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n" 70.235/72. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular; pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida, ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONÁLIDADE Argiiições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese eta que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. "Súmula 1" CC n" 0 Primeiro Conselho de Contribuintes não competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias." Lançamento Procedente Cientificado em 03/04/2007, o contribuinte, se mostrando irresignada, apresentou em 27/04/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 208/257, onde reitera os pontos apresentados na impugnação. 6 Processo n 11020.00088612007-54 S2-C2T2 Acórdão n.' 2202-00.732 Fl 4 Em 04/02/2009, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidiram converter em diligência, para que fosse demonstrada a prévia intimação do cônjuge da recorrente e de seu filho que apresentaram declaração em separado, e mantém contas • conjuntas corn a recorrente A autoridade fiscal apresenta documentos onde demonstra ter intimado os Sr.Deolino Fumalleto e Sr. Patrick Fumalleto, tal como se constata as fls, 572 a 664, indicando, adicionalmente que se foi efetuado eai desfavor do Cônjuge da recorrente e de seu filho um processo administrativo fiscal, comprovando que a Sra. Sandra SA. Andrade foi intimada a apresentar os extratos bancários. o relatório. 7 Voto Vencido Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator 0 recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido . Da Nulidade do Auto de Infração Formula a contribuinte preliminar de nulidade alegando que a autoridade administrativa promoveu ato ilegal no seus atos administrativos, eivando de vicio de nulidade o auto de infração. Ocorre que, nos presentes autos, não ocorreu nenhum vicio para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade reconida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuizo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diplorna legal. Acrescente-se que os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, A medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual), sujeitos ao art. 3°., parágrafo 4°. , da Lei No. 7.713, de 1988. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamenta-se em depósitos bancarios. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tern-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a neceSsidade do fisco juntar qualquer outra Prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão-somente o fato indiciario (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributdiio (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), Jose Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova' invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar; no caso concreto, que ao negócio jurídico com as caracteristicas descritas na lei corresponde, efetivamente, o fat() econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar 8 Processo 00 11020 000886/2007-54 S2-C2T2 Acórao n ° 2202-00 332 • Fl 5 presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso_ Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9430/1996 cuida de presunção relativa (jur -is tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza não-tributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indicidrio (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), morrnente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.° 9.430/1996). Dos Limites previstos no Art. 42 da Lei. 9.430/96 No que toca aos limites percebe-se da analise dos autos que os valores movimentados na conta bancária da recorrente, e que embasaram o lançamento, foi respectivamente de R$ 79.398,01, R$ 120.102,31, R$ 10.3,232,28 e R$85.075,15, nos anos calendários de 2002, 2003, 2004 e 2005. Desta forma, resta verificar se o procedimento fiscal atentou ao limites disposto na legislação vigente. Para uma correta elucidação acerca deste ponto cabe transcrever os excertos legais pertinentes: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição .financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou furidica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. s •<, s 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no més do crédito efetuado pela instituição financeira ,§ 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente época em que auferidos ou recebidos 9 § 3" Para efeito de deteiminação da receita omitida, os créditos Sera() analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decor.' entes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80 000,00 (oitenta mil reais). (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.8.97) (grifos pastas) Depreende-se do excerto transcrito que não se pode considerar, para efeitos de determinação da receita omitida, os depósitos individuais inferiores a quantia de R$ 12.000,00, desde que o somatório destes não ultrapassem o valor de R$ 80.000,00. Com base no quadro de fls. 319 a 341, apura-se os valores lançados como omissão depósitos bancários por ano, segregando entre aqueles quais são iguais ou inferiores a R$ 12 000,00 e os que são superiores, posteriormente aplicando-se o percentual de 50%, constata-se o seguinte: Ano Dep. <= R$12.000 Dep. > R$12.000 Total de Depósitos 2002 79.398,01 - 79.398,01 2003 120.102,31 - 120.102,31 2004 103.232,28 - 103.232,28 2005 85.075,15 85.075,15 Pelo que se nota, apenas no ano calendário de 2002, o montante de depósitos de origem não comprovada com valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (50% do depósito), totalizaram R$ 79.398,01. Deste modo é de se dar provimento a essa parte do recurso, afastardo o lançamento para o ano calendário 2002, Da Renda Declarada No que toca ao aproveitamento da renda declarada no valor de R$115.281,17, entendo que cada um dos depósitos individualmente considerados, como fato de natureza econômica, deve ser embasado em documentos, pois assim está expressamente preceituado no própriO art. 42 da Lei IV 9.430/96, em seu parágrafo 3°: "os créditos serão analisados individualizadamente", 0 dever de comprovação é por operação em termos qualitativos (a que se refere a operação), mas também quantitativos (qual o valor de cada operação). Em suma, para perfeita comprovação deve haver coincidência de valor entre a documentação apresentada pela defesa e o depósito que pretende justificar. Não é, porém, o que ocorre. A contribuinte declarou como rendimento tributáveis no ano calendários os seguintes valores: Rendi lmentos Tribut6veis Declarados 2002 2003 2004 2005 Mari Ivete Fu rIanetto R$ 27.418,91 R$ 32.439,77 R$ 26.238,52 R$ 29.183,97 Deolino Furlanetto R$ 38.103,53 R$ 39.706,40 R$ 43.542,45 R$ 50.874,91 Patric Fulanetto R$ 14.357,00 R$ 13.251,50 R$ 25.917,81 R$ 28.562,32 Total I R$ 79.879,44 R$ 85.397,67 R$ 95.698,78 R$ 108.621,20 10 Processo n° 11020 000886/2007-54 S2-C2T2 AcOrdzio " 2202 -00,732 Fl 6 Inobstante os rendimentos declarados, entendo incabível que os depósitos bancários possam ser comprovados com rendimentos declarados, uma vez que no sentido prescrito na norma, os referidos depósitos devem ser demonstrados individualizadamente. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parci,lrao rec rso ra afastar da exigibilidade o ano calendário de 2002. /11j-rv L]) MARTINEZ 11 Voto Vencedor Conselheiro JOÃO CARLOS CASSULI IR., Relator designado para lavrar o Acórdão. Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, Dr. Antonio Lopo Matinez, no caso em análise, no entanto e com sua venia, a convicção deste Relator não permite acompanhá-lo em todas as suas conclusões, entendendo que no caso, devem ser considerados como justificativas pan, os depósitos, os rendimentos declarados pelo próprio contribuinte em sua DIPF. Portanto, a divergência deste Relator designado e o voto do Relator, Dr. Antonio Lopo Martinez, focaliza-se em um único aspecto, a saber: poderem ser, os valores declarados pelo contribuinte e demais correntistas, considerados para abatimento dos valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. Isto porque, a contribuinte em questão, assim como os correntistas que com ela mantinham conta conjunta, auferiu rendimentos, declarando-os em suas declarações de ajuste anual do IRPF, submetendo-os, portanto, ao regime jurídico pertinente a cada um deles (tais como: tributáveis, isentos, sujeitos a tributação exclusiva, definitiva, etc...). de se esperar que os rendimentos auferidos pelas pessoas transitem por suas contas correntes, contas poupança ou contas de investimento, pena de se admitir apenas que os recursos tenham movimentação em moeda corrente. Entendo que não se deve, por urn lado, nem exigir que as pessoas movimentem seus rendimentos apenas através das contas bancárias, e, por Ciutro, nem se lhes impor que portem seus recursos exclusivamente em espécie. Deve ser garantida a liberdade de escolha. Discorrendo acerca do tema, no artigo intitulado Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada a Luz da Jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda), o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos nos leciona que: "Ora, é razoável compreender que os rendimentos declarados e omitidos dansitaram, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os rendimentos declarados ser excluidos em bloco do montante da omissão, já que foram ofertados a tributação, Como exemplo desse entendimento, vejam os Acórdãos Vs 102-48,761 (Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, sessão de 17/10/2007, relatora a Conselheira Silvana Mancini Karam, unânime no ponto em discussão; 10647,117 (Sexta Câmara do Primeho Conselho de Contribuintes), sessão de 09/10/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por maioria," (Imposto de Renda Pessoa Física: a luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Coord, Peixoto, Marcelo Magalhães; Anan Jr, Pedro. São Paulo: MP Editora, 2010, p. 102/3) 12 Processo nO 11020 000886/2007-54 S2 -C2T2 AcórdElo n '2202-00.7.32 Fl 7 Em assim sendo, forçoso concluir que se alguém mantém conta em estabelecimento bancário, esta destina-se aos depósitos de seus valores, dentre os quais se encontram, por excelência, os rendimentos auferidos pelo cidadão, de modo que é crivei que tais rendimentos declarados (sejam ou não tributáveis), circularam nas contas bancárias, e, corno tal, devem abater dos depósitos bancários de origem não comprovada, já que sua origem está justamente nos rendimentos declarados. Reportando esses entendimentos ao caso dos autos, é de se aceitar como justificadores dos depósitos bancários, os rendimentos da contribuinte e daqueles com quem ela manteve relação de co-titularidade de contas. Considerando que tais contas são de titularidade de duas pessoas, os rendimentos declarados igualmente devem observar essa proporcionalidade, ou seja, apenas se deve aceitar como comprovantes de origem de depósitos bancários, metade dos rendimentos declarados por cada contribuinte. Assim sendo, pedindo vênia ao Relator, Dr. Antonio Lopo Martinez, e excluindo o ano de 2002 (já exonerado), verificamos como ficaria essa situação a partir da planilha por ele idealizada, abaixo transcrita: Rendimentos Tributáveis Declarados 2003 2004 2005 Mari i vete Furlanetto 32.439,77 26.238,52 29.183,97 Deo lino Furlanetto 39.706,40 43.542,45 50.874,91 Patric Furianetto 13.251,50 25.917,81 28.562,32 Total 87.400,67 97.702,78 110.626,20 Rendimentos Tributáveis Abatidos (50%) 43.700,34 48.851,39 55.313,10 Destaca-se que o mesmo critério de consideração dos rendimentos declarados pelos correntistas foi igualmente aplicado para a contribuinte fiscalizada, a despeito de ela ter sido efetivamente a autuada, no caso dos autos. Isso diante do fato de que, do mesmo modo que os rendimentos dos co-correntistas estão sendo aceitos para justificar a movimentação bancária da contribuinte, o mesmo poderia estar sendo reconhecido aos co-correntistas em relação aos seus próprios depósitos bancários, de modo a poderem estar abatendo os valores movimentados pela contribuinte em eventuais autuaçües contra eles lavradas. Assim, aceitar os rendimentos tributários na mesma proporção da titularidade dos depósitos bancários, se presta a evitar o abatimento ern duplicidade ou desproporcional dos rendimentos declarados, perante os depósitos bancários. Aplicando, assim, essa conclusão de se considerar os rendimentos declarados corno aptos para comprovarem a origem dos depósitos bancários, e usando, uma vez mais, a planilha elaborada pelo douto Relator, Dr. Lopo Martinez, a partir da qual insere-se as colunas pertinentes aos fundamentos aqui expendidos, teremos a seguinte conseqüência: Ano Dep. < .-,-- R$12.000 Dep. > R$ 12.000 Dep. Justificado Total de Depósitos Não Comprovado 2002 79.398,01 - - 79.398,01 79.398,01 2003 120.102,31 - 43.700 120.102 31 76.401 98 2004 103.232,28 - 48.851 103.232,28 54.380,89 2005 85.075,15 - 55.313 85.075,15 29.762,05 13 endo, nos s da fundamentação exposta, VOTO no sentido de onerar o crédito tributário. R Considerando, então, que o ano de 2002 foi exonerado pelo próprio voto proferido pelo Ilustre Relator, mediante a aplicação do inciso II, do §3 0, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, deve-se aplicar, agora, aquela mesma premissa. Em assim procedendo, conclui-se que devem igualmente ser exonerados os anos-calendArios de 2003, 2004 e 2005, eis que aceitando como justificados os depósitos no limite dos rendimentos declarados pelo contribuinte e seus co-correntistas (para todos na proporção de 50%), os valores não comprovados ficam aquém do limite legal de R$ 80.000,00 no ano' 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2' CAMARA/2" SEÇA. 0 DE JULGAMENTO Process° n°: 11020000886200754 /"--- Recurso no: 160668 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.732.,/ Brasilia/DF, 03DEt, aks.) EVELINE COELHO DE MELO HOMAR Chefe da Secreta lria Segunda Camara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Corn Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 11080.007396/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa: AÇÃO JUDICIAL DE ALIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO SIMULTÂNEA DA DESPESA DE DEPENDENTE COM A DESPESA COM PENSÃO JUDICIAL. CONTRIBUINTE OBRIGADO A PENSIONAR A DESPESA DE INSTRUÇÃO DO DEPENDENTE ALIMENTADO. HIGIDEZ DA DEDUTIBILIDADE DA DESPESA DE INSTRUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF.
Inviável a dedução simultânea da despesa do dependente com a pensão alimentícia judicial na declaração de ajuste anual-do obrigado à pensão. De outra banda, se houve determinação judicial que obrigue o alimentante a pagar a pensão ao alimentado, adicionado das despesas com instrução deste, viável a dedução de ambas as despesas da base de cálculo do imposto de renda.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-000.889
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento para restabelecer a despesa com instrução de R$ 1.700,00 da base de cálculo do imposto lançado, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO SIMULTÂNEA DA DESPESA DE DEPENDENTE COM A DESPESA COM PENSÃO JUDICIAL. CONTRIBUINTE OBRIGADO A PENSIONAR A DESPESA DE INSTRUÇÃO DO DEPENDENTE ALIMENTADO. HIGIDEZ DA DEDUTIBILIDADE DA DESPESA DE INSTRUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Inviável a dedução simultânea da despesa do dependente com a pensão alimentícia judicial na declaração de ajuste anual-do obrigado à pensão. De outra banda, se houve determinação judicial que obrigue o alimentante a pagar a pensão ao alimentado, adicionado das despesas com instrução deste, viável a dedução de ambas as despesas da base de cálculo do imposto de renda. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos presen s autos. Acordam os membros/do Col pado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento para restabelece a despe a com/instrução de R$ 1.700,00 da base de cálculo do imposto lançado, nos tep los do vo , )4,0 ¥6r. GIOVANNI CHRISTIAIWPWONFS CAMPOS - Relator e Presidente R$ 7.190,63IMPOSTO MULTA DE OFÍCIO R$ 5.392,97 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Ewan Teles Aguiar, Acácia Saymi Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte JORGE OSCAR CRESPO GAY DA FONSECA, CPF/MF n" 154.156,430-87, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 22/07/2004, auto de infração, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do exercício 2001. Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: O contribuinte foi intimado pela fiscalização a comprovar as despesas informadas em sua declaração de ajuste, porém não atendeu à fiscalização, sofrendo a imputação das seguintes infrações: o Dedução indevida a título de contribuição à previdência privada/fapi; o Dedução indevida com dependentes; o Dedução indevida com despesas com instrução; o Dedução indevida a título de pensão alimentícia; o Glosa do IRRF informado, de R$ 6,506,68 para R$ 3.432,33,. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4" Turma de Julgamento da DRJ-Porto Alegre (RS), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão ri° 10-14,232, de 07 de novembro de 2007 (fls. 91 a 93). A decisão acima considerou comprovados os valores de R$ 4.941,45, a título de contribuição à previdência privada, e R$ 17,156,25, a título de pensão alimentícia judicial. Quanto aos dois dependentes, considerando que esses eram beneficiários da pensão alimentícia, entendeu a decisão que seria incabível a dedução da pensão alimentícia e dos dependentes, concomitantemente, bem como seriam indedutíveis as despesas com instrução e médicas dos alimentados, urna vez que não restou comprovado nos autos que tais despesas tinham ficado a cargo do impugnante por determinação judicial. Por último, ratificou-se o montante de R$ 3,432,33 -a título de IRRF, conforme DIRF-exercício 2000 do empregador do autuado, a Caixa Econômica Federal, O contribuinte foi intimado da decisão a Tio em 05/08/2008 (fL 96). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 04/09/2008 (fl. 97). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que "a documentação agora acostada já faz parte de elementos constantes nessa Delegacia da Receita Federal, que comprovam que seus filhos sempre foram como o são seus dependentes por decisão judicial 2 Processo n' 11080.007.396/2004-21 S2-C1T2 Acórdão n *2102-00.889 R 2 transitada em julgada, como se constata nos documentos agora juntados, onde ficou estabelecido judicialmente, o pagamento de um percentual de sua remuneração, vínculos nos sistemas previdenciários oficiais e particulares, bem como o pagamento de todas as despesas referentes à saúde, educação etc,, conforme se verifica nas cópias, em anexo" (fl. 97). Por fim, acostou aos autos a decisão judicial que deferiu alimentos ao dependente Bruno Sittoni Gay da Fonseca e Lavínia Goulart Gay da Fonseca. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni anistiai] Nunes Campos, Relator Declara-se a tetnpestividade do apelo, já que interposto dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciá-lo. Corno se pode ver no demonstrativo do auto de infração de fl. 14, houve glosa da despesa com contribuição previdenciária/fapi, dependentes (02), despesa com instrução, despesa com pensão alimentícia e glosa parcial do IRRF informado na declaração de ajuste. A decisão recorrida restabeleceu a contribuição previdenciária/fapi e despesa com pensão alimentícia. Assim, do trabalho da autoridade autuante, remanesceram a glosa dos dois dependentes, a despesa com instrução e a glosa do IRRF declarado. Em grau de recurso, o contribuinte somente se insurgiu contra o tratamento dado aos dependentes, defendendo o restabelecimento das despesas deles, bem como aquelas oriundas do vínculo de dependência com instrução e despesas médicas., De plano, registre-se, não houve glosa de despesas médicas, sendo, assim, assunto estranho à lide. Dessa forma, nesta instância somente se -apreciará a glosa dos dois dependentes (R$ 2.160,00) e a glosa com despesa com instrução (R$ 1.700,00), pois o recurso se restringe a defender a dedução dos dependentes, de forma ampla, a partir das decisões judiciais proferidas nas ações de alimentos dos dependentes Bruno Sittoni Gay da Fonseca e Lavínia Goulart Gay da Fonseca. Inicialmente, para aclarar a legislação reitora da matéria, aqui se colaciona o art. 78 do Decreto n° .3.000/99, verbis: Art.78, Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n2 9.250, de 1995, art., O, incisoll). 3 /2A atiitq dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §220 valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes, áç32Caberá ao prestador da pensão fornecei .' o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não . for responsável pelo respectivo desconto sç42Não são dedutiveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei n2 9..250, de 1995, art. 82, §32), 52As despesas referidas no parárra 'o anterior poderão ser deduzidas elo alimentatzte na determinacão da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a titulo de despesa irt. 80)ou despesa com de 1995, uri. 82, 02). (grifou-se) Primeiramente, rejeita-se que o recorrente possa fruir da dedução da despesa com pensão alimentícia dos dependentes e, ao mesmo tempo, deduzir a despesa oriunda da relação de dependência de R$ 2,160,00, A partir do momento em que o contribuinte passa a fruir da dedução da pensão alimentícia deferida em prol dos dependentes alimentandos, cessa a dedução da despesa oriunda da relação de dependência, como se pode ver no art, 78, § 1", do Decreto n° 3.000/99. O outro ponto de irresignação tem a ver com a possibilidade de dedução da despesa com instrução dos alimentados. Compulsando as decisões judiciais proferidas nas ações de alimentos proferidas em desfavor do recorrente, vê-se que o recorrente estaria obrigado a suportar as despesas com instrução do dependente Bruno Sittoni Gay da Fonseca (fl. 103), não havendo a mesma obrigação em relação à dependente Lavínia Goulart Gay da Fonseca (fl. 110). Observe-se que somente as despesas com instrução (e médicas) deferidas judicialmente aos dependentes podem ser consideradas como despesas dedutíveis, na forma do art. 78, § 5°, do Decreto n° 3,000/99, grifado acima. Em relação ao ponto acima, o contribuinte traz uma despesa com instrução no montante de R$ 1,840,00, paga à Universidade Luterana do Brasil, não ficando claro a qual dependente beneficiou, pois a transferência bancária não identifica o estudante e na declaração de ajuste anual do exercício 2001 apenas se registrou o pagamento dessa despesa, Porém, a decisão recorrida asseverou que o recorrente havia juntado essa despesa como vinculado ao filho (f 1. 92). Dessa forma, partindo do pressuposto que a despesa com instrução acima beneficiou o filho Bruno Sittoni Gay da Fonseca, como informado no relato da decisão recorrida, pertinente a dedução dela da base de cálculo do imposto lançado, pois o recorrente estava obrigado a pensionar as despesas com instrução desse dependente. Com as considerações acima, deve-se restabelecer a despesa com instrução no montante de R$ 1.700,00, este o teto de dedutibilidade de tal despesa no exercício 2001. 4 / / /,,, Giovanni Chrisii / /i/ /j, Tipos Processo na 11080 007396/2004-21 S2-C1T2 Acórdão n 2102-00.889 Fl. 3 Ante o exposto,'pto no sentido de DAR parcial provimento para restabelecer a despesa com instrução de RS2!700,00 da bas/é de cálculo do imposto lançado. 5
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