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Numero do processo: 11065.101098/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS.
As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não-cumulativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.373
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS Redator designado. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 EDITADO EM: 23/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Porto AlegreRS, assim ementado (fls. 138/139): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Ementa: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” A recorrente foi cientificada do acórdão em 20/07/2010 (AR fl. 141), protocolizando o recurso de fls. 142/154, em 11/08/2010, alegando, em síntese, que a cessão de créditos de ICMS não devem compor a base de cálculo do PIS/PASEP, por não se caracterizar receita decorrente da atividade própria da empresa, citando alguns acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, unificados e transformados no atual CARF, in verbis: "PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de Pis e Co fins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial." (Ac. 20179.962). Dentre outros, cita ainda acórdão da CSRF, que igualmente, que o valor do ICMS transferido para terceiros não integra a base de cálculo da COFINS (Processo Administrativo nº13. 005.000684/200564). Cita, ainda, o processo nº 11065.100352/200719, julgado pela 4ª Câmara da 3ª Seção deste E. CARF. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 330101.373 S3C3T1 Fl. 158 3 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Não deve haver incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar de operação de mera mutação patrimonial, não devendo por isto, compor a base de cálculo das referidas contribuições. O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintídio e respeitados os demais requisitos legalmente estabelecidos. O objeto discutido no presente processo, incidência ou não do PIS/COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, é por demais conhecido no âmbito deste colegiado. A despeito de a lei dispor sobre base de cálculo do PIS e Cofins não cumulativa, como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e da superveniência legislativa que resultou na exclusão da base de cálculo da referida contribuição as transferências onerosas de créditos de ICMS originados de operações de exportação, a que se referem a Lei Complementar nº 87, de 1996, tudo indica que os referidos créditos não devem integrar a base de cálculo da Cofins, vez que na referida sistemática, por definição da própria Lei nº 10.833, de 2003, os créditos nela previstos não constituem receita bruta da pessoa jurídica. O art. 155, § 2º, inciso X, da Constituição Federal, dispõe que o mesmo não incidirá sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior, sendo assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores. Nesse sentido a Lei Complementar nº 87, 13 de setembro de 1996 (Lei Kandir), ao dispor sobre o ICMS, possibilitou às empresas exportadoras a possibilidade de transferências dos créditos excedentes de ICMS para outros contribuintes, nos seguintes termos: “Art. 24. A legislação tributária estadual disporá sobre o período de apuração do imposto. As obrigações consideramse vencidas na data em que termina o período de apuração e são liquidadas por compensação ou mediante pagamento em dinheiro como disposto neste artigo: I as obrigações consideramse liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de período ou períodos anteriores, se for o caso; II se o montante dos débitos do período superar o dos créditos, a diferença será liquidada dentro do prazo fixado pelo Estado; III se o montante dos créditos superar os dos débitos, a diferença será transportada para o período seguinte. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, permitir que: I sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado.” Portanto, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos não se caracterizam como receita, por expressa disposição legal (art. 3º, § 10, da Lei nº 10.833, de 2003), que ao definir a natureza dos créditos apurados de acordo com o estabeleceu que os mesmos não constituem receita da pessoa jurídica: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição.” Ainda no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, citado pela Recorrente, conforme se depreende do trecho do acórdão nº 20179.962, julgado na sessão de 24/01/2007, quando por unanimidade de votos, deuse provimento quanto à exclusão da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS, razão pela qual peço vênia para transcrever o seguinte trecho do voto do Conselheiro Gileno Gurjão Barreto (esta parte foi provida por unanimidade dos julgadores da Primeira Câmara), com a qual estou de pleno acordo, in verbis: “Superada esta primeira questão, passamos ao dos créditos do ICMS. Quanto a este tocante, vêse que se trata de operação Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 330101.373 S3C3T1 Fl. 159 5 meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, 6ª edição, página 334, “o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pelas diferenças entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas.” Prossegue, “por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador”. Exemplifica os respectivos cálculos e arremata afirmando que, apesar de não haver recolhimento do ICMS (em casos de apuração de saldo credor), em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa. Traduzindo, na apuração do resultado do exercício, o valor que constará do demonstrativo contábil será sempre o valor do “débito” do ICMS, sem que seja cotizado com os “créditos” decorrentes das aquisições. Aqueles créditos já foram “débitos” de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem, o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemente, jurídico. Previu o legislador hipótese de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica em especial quando o própria contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos , desde que atendidas as condições constantes no Regulamento do ICMS do EstadoMembro em questão. Assim, até por ser o ICMS um tributo estadual, inexistindo previsão legal para compensação deste com tributos federais, a contribuinte ora recorrente transferiu créditos de ICMS para seus fornecedores, em operação denominada cessão de créditos. Assim, em verdade, tal operação não transitou, nem deveria, em contas de resultado e tampouco representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 patrimonial, utilizandose de créditos de ICMS registrados em seu Ativo como meio de pagamento para liquidar operações com seus fornecedores, em virtude do princípio da livre convenção entre as partes, basilar do Direito Comercial, para satisfazer sua obrigação para com seus fornecedores, mediante dação em pagamento, na figura de cessão de créditos. Ora, apenas se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS. Apenas a título ilustrativo, a operação em si de cessão de tais créditos poderia redundar em ganho, caso com ágio, tributável, sim, pelo Imposto de Renda e pela contribuição social sobre o lucro, quando poderíamos discutir sua tributação pela contribuição ao PIS. Caso haja deságio, será uma despesa dedutível dos primeiros tributos e nada significaria na apuração da contribuição ao PIS. Ou seja, o que pretendeu a autoridade não encontra respaldo jurídico, tampouco dos princípios fundamentais de contabilidade.” A propósito, transcrevo, por pertinente, o seguinte excerto extraído do voto proferido pelo Juiz Federal Leandro Paulsen, do TRF/4ª Região, por ocasião do julgamento do Agravo de Instrumento n.º 2006.04.00.0146112/RS, em 29082006: "Efetivamente, o entendimento do Fisco, no sentido de que o crédito de ICMS seria passível de tributação a título de PIS e COFINS restringe indevidamente o alcance da imunidade expressamente assegurado aos exportadores pelo art. 155, § 2º, X , "a", da CRFB/88. Mas não é só este óbice à incidência. Nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. Isso porque a receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza. É preciso considerar a receita sob a perspectiva do princípio da capacidade contributiva. Vejase a lição de JOSÉ ANTÔNIO MINATEL: "... há equívoco nessa tentativa generalizada de tomar o registro contábil como o elemento definidor da natureza dos eventos registrados. O conteúdo dos fatos revela a natureza pela qual esperase sejam retratados, não o contrário. [...] Equivocase a administração pública na tentativa de tributar a receita segundo os mesmos critérios que determinam o seu registro contábil para a tributação do lucro." (MINATEL, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP, 2005, p. 244 e 258). Os créditos de ICMS ou mesmo os valores correspondentes à sua transferência a terceiros não constituem receita tributável, reveladora de riqueza e, portanto, de capacidade contributiva. Cuidase de mero ressarcimento ou compensação por custo tributário suportado pelo exportador enquanto contribuinte de fato. O direito à manutenção do crédito vem minimizar os efeitos econômicos da sua incidência, fazendo com que o exportador que suportou o ônus tributário seja ressarcido quanto a tal custo. Não se cuida, pois, de receita no sentido a que se possa Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 330101.373 S3C3T1 Fl. 160 7 atribuir ao art. 195, I, a, da CF. Neste sentido, aliás, cabe transcrever novamente a obra já referida: "Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial... [...] A recuperação de um valor anteriormente registrado como encargo tributário não tem o condão de transformálo automaticamente de despesa em receita, ainda que a forma adotada para sua escrituração em conta credora possa contribuir para a configuração de aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação, efeito que, de concreto, traduz o retorno ao status quo ante, não reunindo condições de materializar ingresso de elemento novo que se qualifique no conceito de receita. [...] ... se o tributo a ser ressarcido incidiu em etapa econômica do processo produtivo e foi suportado como parte integrante do preço de insumos adquiridos pela empresa, o crédito assim concedido tem função de minimizar os custos de fabricação de produtos em razão de determinada política governamental. Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos..., pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia a sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais de conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração. [...] 32. Não se qualifica como receita o ingresso financeiro que tem como causa o ressarcimento, ou recuperação de despesas e de custo anteriormente suportado pela pessoa jurídica, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial. Equiparase aos efeitos da indenização e, portanto, não ostenta qualidade para que possa ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o animus para obtenção de disponibilidade de nova riqueza. 33. A recuperação de tributo, anteriormente registrado como encargo, não tem o condão de transformálo automaticamente de despesa em receita." (MINATEL, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP, 2005, p. 218/219, 222, 224 e 259). Impende que se atende, ainda, para o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos concedidos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada e violadora da forma federativa de estado, bem como contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos." Ademais disto, tributar cessão de créditos de ICMS originados de operações de exportação, seria o mesmo que tributar as receitas decorrentes de exportações, o que é vedado pelo ordenamento constitucional e infraconstitucional, conforme concluiu a Segunda Turma do colendo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do benefício fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 de cálculo das contribuições PIS e COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2º, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1º e 2º, da Lei Complementar n.º 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença mantida. (TRF4, APELREEX 000866676.2008.404.7108, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 02/06/2010)”. Em relação ao alcance do § 10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que define a natureza dos créditos de ICMS, os quais como visto, não devem compor a base de cálculo do PIS e Cofins, todavia, isso não quer dizer que tais créditos estão imunes à tributação, ao contrário, comporão a base de cálculo do IPRJ e da CSLL, conforme teve ocasião de decidir o colendo TRF da 4ª Região, nos seguintes termos: “EMENTA: PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS APURADOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A nova sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. 2. O sistema de não cumulatividade das contribuições não é o mesmo aplicado aos tributos indiretos, como o ICMS e o IPI. A nãocumulatividade das contribuições permite uma apropriação "semidireta" das contribuições incidentes em fase anterior, por meio da admissão de créditos decorrentes de insumos utilizados na produção, os quais são deduzidos das contribuições a recolher. 3. A impetrante busca modificar a forma de utilização dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativa a fim de deduzilos do lucro líquido, com reflexos na apuração do IRPJ e CSLL. 4. O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/03 limitase ao âmbito de tributação da COFINS, não refletindo na base de cálculo do IRPJ e CSLL. A interpretação extensiva adotada pela impetrante subverte a lógica do sistema concebido, já que ao pagar menos tributo, terá menos despesa, arcando com o IRPJ e CSLL calculados sobre o lucro líquido então apurado. 5. Se tal sistema de não cumulatividade implica aumento da carga tributária, refoge ao âmbito de atuação do Poder Judiciário qualquer ingerência nos motivos levaram a adoção dessa política fiscal, ao menos na estreita via do mandamus. 6. As hipóteses de exclusão do lucro líquido vêm expressamente dispostas em lei (art. 97, CTN), sendo inviável instituir nova forma exclusão do lucro líquido, sob pena de ofensa ao princípio da separação de poderes. (TRF4, AC 000286378.2009.404.7205, Segunda Turma, Relatora Vânia Hack de Almeida, D.E. 02/06/2010)” O voto condutor do acórdão acima citado, entendeu ainda que a mesma sistemática aplicada à Cofins, por expressa previsão no §10, do art. 3º da lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado extensivamente ao PIS, tendo em vista a paridade dos regimes da não cumulatividade, nos seguintes termos: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 330101.373 S3C3T1 Fl. 161 9 “Em relação ao PIS, não obstante a ausência de disposição semelhante ao § 10 do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, os argumentos ora expostos são plenamente aplicáveis, tendo em vista a paridade dos regimes de nãocumulatividade instituídos.” No mesmo sentido, em caso similar, merece ser destacado ainda, o seguinte fundamento adotado pelo voto condutor do REsp nº 1.025.833, de relatoria do Exmo. Sr. Ministro Francisco Falcão, julgado pela 1º Turma do E. STJ, na sessão de 6/11/2008 (DJ: 17/11/2008), nos seguintes termos: “Destaco, ainda, trecho do voto proferido no acórdão recorrido, cujo fundamento adoto como razão de decidir, litteris: "Mesmo a redação das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não produz o efeito de transmutar em receita aquilo que seja mero ressarcimento de despesa anterior (tributo pago), concedida na forma de crédito fiscal escriturável. O oposto resultaria no total desprezo pela própria natureza das verbas constantes na escrituração contábil, e a desvinculação da realidade não é opção conferida ao legislador. Este raciocínio não é desconhecido da própria lei tributária, que o acolhe ao estabelecer a necessidade de respeito a definições, conteúdo e alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizadas pelo legislador tributário" (grifos acrescidos). Portanto, tributar cessão de créditos de ICMS originados de operações de exportação, seria o mesmo que tributar as receitas decorrentes de exportações, o que é vedado pelo ordenamento constitucional e infraconstitucional, conforme concluíram os arestos acima citados. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, RelatorDesignado Discordo do Ilustre Relator, quanto ao direito de a recorrente excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS, com incidência não cumulativa, as receitas decorrentes de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para o PIS, assim dispõe: “Art. 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...). § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; (...). III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...). V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...).” Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101098/200849 Acórdão n.º 330101.373 S3C3T1 Fl. 162 11 Do exame desse dispositivo, concluise que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência do PIS nãocumulativo, excluindo de sua base de cálculo apenas as receitas e ingressos expressamente elencados no parágrafo 3º acima transcrito. As receitas e/ ou os ingressos decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros, mediante dinheiro e/ ou pagamento na aquisição de matérias primaS e insumos empregados no processo produtivo de mercadorias, não foram contempladas. A cessão de crédito de ICMS a terceiros constitui um negócio jurídico entre o cedente, no caso a requerente, e o cessionário, neste caso, o fornecedor/vendedor de matérias prima adquiridas por aquele. Tanto é que foi efetuada mediante a emissão de nota fiscal, salvo prova em contrário com pagamento à vista. O fato de a operação, por opção da recorrente, transitar ou não por conta de resultado não significa nem prova que não houve ingresso no patrimônio da pessoa jurídica. Independentemente da forma de escrituração, sempre haverá ingresso em dinheiro, título e/ ou mercadorias. Na aquisição de mercadorias, matérias primas, insumos, etc, tributados com o ICMS, na realidade ocorre duas operações: a compra de mercadorias, matériasprima e insumos, propriamente dita; e a compra do crédito do ICMS embutido naqueles produtos. Assim, ao realizar a venda dos produtos, vendese também o crédito referente àquele imposto neles embutidos. Isto ocorre sem que, necessariamente, se escriturem contas de resultados. Dessa forma, a apuração de saldo credor trimestral da contribuição para o PIS, nãocumulativa, deve ser efetuada levandose em conta que esta contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A título de informação, cabe destacar que com a edição da Lei nº 11.945, de 04/06/2009, art. 17, que deu nova redação ao art. 1º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que incluiu no § 3º deste artigo o inciso VI, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar a base de cálculo do PIS nãocumulativo. Assim, até aquela data, inexistia amparo legal para excluir tais receitas da base de cálculo desta contribuição ou para isentálas. No presente caso, como o ressarcimento complementar pleiteado decorre exclusivamente do fato de a recorrente não ter incluído na base de cálculo da contribuição as receitas de cessão onerosa de ICMS para terceiro, no período de competência de abril a junho de 2008, correta a glosa efetuada pela autoridade administradora competente. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 19740.000672/2003-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. EXISTÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR - MPF-C.
Comprovada a expedição de MPF-C para extensão da autorização de fiscalização inicial ao IOF e sendo o MPF um mero instrumento de controle administrativo, é improcedente a alegação de nulidade do auto de infração fundada na inexistência desta ordem.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
As instâncias administrativas não têm competência para apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
IOF. APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM TÍTULOS.
Constatado o artificialismo de uma “coligação de negócios”, sob a perspectiva do negócio ostensivo adotado (operações relativas a títulos e valores mobiliários), cabível a exigência do imposto que deixou de ser recolhido em face do negócio efetivamente praticado.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
A prática de operações compostas de compra e venda de ouro e fechamento de contrato de swap, no mesmo dia, para simular a realização de operações de renda variável, mas que produzem rendimentos predeterminados, com a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador do IOF com alíquota diferente de 0%, configura ação dolosa tendente a impedir a exigência de tributo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-17.274
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Acélio Jacob Roehrs, OAB/RJ nº 114.104, advogado da recorrente
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Antonio Zomer
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O. u Fl. . 2.(2 "51--/ CP( I"Processo n2 : 19740.000672/2003-31 C 40Recurso n2 127.396 C Rubrica Acórdão n2 : 202-17.274 Recorrente : BB ADMINISTRAÇÃO DE ATIVOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A - BB-DTVM Recorrida : DRJ em São Paulo - SP PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. EXISTÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR - MPF-C. Comprovada a expedição de MPF-C para extensão da MINISTÉRIO DA FAZENDA autorização de fiscalização inicial ao IOF e sendo o MPF umSegundo Conselho de Contribuintes CONFERE COR.() ORIGINAL, mero instrumento de controle administrativo, é improcedente a BresIlid-DE em ó i alegação de nulidade do auto de infração fundada na inexistência desta ordem. dli4Árátaf u j NORMAS PROCESSUAIS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITU-Secretária da Segunda Cimara CIONALIDADE. As instâncias administrativas não têm competência para apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. • I0F. APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM TÍTULOS. Constatado o artificialismo de uma "coligação de negócios", sob a perspectiva do negócio ostensivo adotado (operações relativas a títulos e valores mobiliários), cabível a exigência do imposto • que deixou de ser recolhido em face do negócio efetivamente praticado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. SIMULAÇÃO. A prática de operações compostas de compra e venda de ouro e fechamento de contrato de swap, no mesmo dia, para simular a realização de operações de renda variável, mas que produzem rendimentos predeterminados, com a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador do IOF com alíquota diferente de 0%, configura ação dolosa tendente a impedir a exigência de tributo. Recurso negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BB ADMINISTRAÇÃO DE ATIVOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A - BB-DTVM. 1 „ . MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE C01.5 O ORIGINAI./ Fl. Segundo Conselho de Contribuintes BreSilia-DF. em O I /e2 Processo n2 : 19740.000672/2003-31 (die.7-jleuza Taka” fuji Recurso n2 : 127.396 Secretária da Segunda Câmara Acórdão n2 : 202-17.274 ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Acélio Jacob Ro- e OAB/RJ n2 114.104, advogado da recorrente. Sala e • s Sessões, e 23 de agosto de 2006. f/ An onio Carlos Atu im Presidente ri AI '1"ir .ni • e r er Relator • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Ivan Allegretti (Suplente), Simone Dias Musa (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. 2 , ., . . , MINISTÉRIO DA FAZWA, Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Conkibulntes 22 CC-MF CONFERE CO O ORIGINALr• Segundo Conselho de Contribuintes Bresilia-DF, em WI/Z422 Fl. Processo n-2 : 19740.000672/2003-31 le usa ata fuji Recurso n2- : 127.396 Seennina da Segunde Câmara Acórdão 112 : 202-17.274 Recorrente : BB ADMINISTRAÇÃO DE ATIVOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A - BB-DTVM RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado para exigência de I0F, que deixou de ser recolhido sobre aplicações financeiras de renda fixa. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 10/12/2003. Segundo a Fiscalização, a BB-DTVM teria idealizado um produto para seus clientes, que buscavam remuneração sem risco, travestido em aplicação de renda variável. • O Auditor-Fiscal concluiu que os clientes dirigiam-se à BB-DTVM para realizar uma aplicação financeira de renda fixa, sem risco, ou com baixíssimo risco, porém, a instituição realizava um contrato de compra e venda à vista de ouro, do Banco do Brasil Investimentos S/A, conjugada com operação de recompra a prazo pela DTVM, de forma concatenada e no mesmo momento. Esta prática demonstrou ser mera simulação para esconder o real objetivo de efetuar operações de captação de recursos junto aos clientes, típicas de renda fixa, com remuneração pós-fixada (variação do CDI no período). A título de exemplo, a Fiscalização descreve uma operação realizada no dia 12 de maio de 1999, data em que a BB-DTVM teria simulado a venda de ouro para o BB Investimentos, por R$ 4.998.950,00. No mesmo dia o BB Investimentos vendeu à vista a mesma quantidade de ouro para o cliente da BB-DTVM, pelo mesmo valor. Ainda neste mesmo dia a BB-DTVM recomprou do cliente o ouro a prazo, com vencimento para 08 de novembro de 1999. Por fim, ainda no mesmo dia, celebrou um contrato de swap, com o cliente, ficando este com uma posição ativa em CDI e passiva em ouro, conforme demonstram os esquemas de fls. 202/203. . Antes do vencimento previsto inicialmente, o cliente liquidou a operação, tendo resgatado, em 31 de maio de 1999, o valor inicialmente aplicado de R$ 4.998.950,00, mais a remuneração do CDI pactuada, de R$ 41.513,19. Neste caso, o autuante lançou de ofício o IOF calculando-o à alíquota de 0,38%, incidente sobre as aplicações financeiras de renda fixa, tendo como .base de cálculo o valor da aplicação, de R$ 4.998.950,00. A Fiscalização exigiu o tributo acrescido da multa de ofício qualificada, de 150%, porque considerou a conduta adotada fraudulenta, nos termos do art. 72 da Lei n2 4.502/64, tendo em vista que as simulações visaram ocultar a tipicidade dos negócios de aplicações financeiras de renda fixa e, assim, burlar a legislação do I0F. Em decorrência, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (Processo n 2 19740.000669/2003-17), em virtude da ocorrência de fatos que, em tese, configuram o crime contra a ordem tributária, previsto no art. 1 2, I, da Lei n2 8.137/90. li-resignada a autuada aduz inicialmente que, pelo fato de ter sua sede no Rio de Janeiro, está subordinada à jurisdição da Delegacia da Receita Federal daquela cidade, pelo que, de acordo com o disposto no art. 25, I, "a", do Decreto n 2 70.235/72, o titular da referida Delegacia é quem deveria conduzir o julgamento e proferir a decisão de primeira instância. • . : MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MF= e2- Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINN,/' -. em 1.á./ ‘er./.0Segundo Conselho de Contribuintes ,Gresilie DF Fl. • dink a afujiProcesso n2 : 19740.000672/2003-31 Sectelina da Segunda Câmara Recurso n2 : 127.396 Acórdão n2 : 202-17.274 Prosseguindo em sua defesa alega, em síntese, que: - o auto de infração é nulo, pois, ao autuar a BB-DTVM pelo não recolhimento de IRRF e I0F, a autoridade fiscal exorbitou da competência que lhe fora outorgada pelo MPF relativo ao IRPJ; - as referidas operações não se enquadram na regra do art. 22 da Instrução Normativa n2 87/99, pois não têm como objeto o metal ouro. Por sua vez, o contrato de SWAP tem como objeto a troca de resultados financeiros decorrentes da aplicação de taxas ou índices sobre ativos ou passivos utilizados como referenciais (§ 1 2, art. 12, item III, da Resolução n2 2.138, de 29/12/94); - as referidas operações não são de tftulos e valores mobiliários, pois os contratos questionados não se subsumem no conceito de valor mobiliário, de modo que, relativamente ao I0F, não constituem o fato gerador contemplado no art. 25 do Decreto n2. 2.219/97. O ouro, ademais, tem tributação própria no art. 31 do referido decreto, com incidência apenas na operação de origem; - quer se trate de renda variável ou fixa, o certo é que as operações envolvem ouro e o Fisco, de rigor, está sujeitando esse ativo ao I0F, utilizando normas outras que não a que disciplina tal modalidade de negócio, exorbitando sobretudo o disposto no art. 153, § 5 2, da CF; - as referidas operações são legítimas e desvinculadas, de modo que os efeitos tributários dos contratos (compra/venda/swap de ouro) devem ser examinados isoladamente em obediência aos princípios, conceitos e formas do direito privado, conforme autorizam os arts. 109 e 110 do CTN. Entre estes princípios estão os da liberdade de contratar das partes, da vedação à interpretação econômica dos fatos jurídicos para fins tributários e da segurança jurídica dos administrados; - o valor da contratação das referidas operações - e não o valor de resgate (vide planilhas apresentadas no auto de infração) - é que deve compor a base de cálculo. Não obstante, também devem ser excluídos da base de cálculo os valores de lançamentos tributários decorrentes de operações celebradas com clientes/contribuintes considerados imunes como a União, Estados, Distrito Federal e Municípios, etc., conforme preceitua o art. 150, VI, "a" e "c", da CF/88; e - a multa de 150% é inaplicável pela falta de comprovação da existência de dolo ou má-fé por parte da BB-DTVM, posto que não houve a intenção deliberada de fraudar a legislação tributária, havendo, no máximo, interpretação divergente desta legislação. A 8! Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo - SP manteve integralmente o lançamento em Acórdão assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - 10F Período de apuração: 25/01/1999 a 16/06/1999 Ementa: 10F. PRELIMINAR DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. A DRJ/SPO L é competente para o julgamento em primeira instância dos processos de exigência do 10F, oriundos de todas as unidades da SRF. y\\5 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA - Segundo Conselho de Contribilintet 2 CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL/ . 7619.6Segundo Conselho de Contribuintes Brasllia-DF em //O I Fl. • Processo n2 : 19740.000672/2003-31 afuji Saerstárta da Segunda Camara Recurso ns! : 127.396 Acórdão n2 : 202-17.274 • NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADE. A falta ou irregularidade do MPF, mero instrumento de controle administrativo, não é causa de nulidade do lançamento. FRAUDE TRIBUTÁRIA. SIMULAÇÃO. INCIDÊNCIA DO 10F. A prática de operações compostas. de compra e venda de ouro e fechamento de contrato de swap, no mesmo dia, para simular a realização de operações de renda variável, mas que produzem rendimentos predeterminados, com a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador do 10F com aliquota diferente de 0%, configura ação dolosa tendente a impedir a exigência de tributo. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CABIMENTO. A realização habitual de operações simuladas cujo único objetivo é ocultar a ocorrência do fato gerador do IOF com alíquota majorada constitui evidente intuito defraude. Lançamento Procedente". No recurso voluntário a autuada ratifica a alegação de nulidade formal do auto de infração, porquanto o MPF somente permitia ao auditor fiscalizar e apurar crédito tributário decorrente de IRPJ e, no tocante ao mérito, primeiramente contesta a assertiva, contida na decisão recorrida, de que as operações de compra e venda de ouro continham declaração da intenção de transferir a propriedade do ouro, pois a verdadeira intenção da BB-DTVM era fornecer aos seus clientes remuneração típica dos ativos de renda fixa (variação do CDI). Alega a recorrente que, apoiada na Resolução n 2 2.138/94 do Conselho Monetário Nacional, idealizou um novo produto no mercado, que consistia num contrato de proteção contra riscos financeiros (swap) denominado como "Swap DI x Ouro", cujo objetivo era a troca do índice correspondente à variação do preço do metal (ouro) no período de vigência da operação • 'por um percentual da taxa média de remuneração dos depósitos interfinanceiros (DD de um dia, acumulado no período. Assevera que os contratos que celebrou com seus clientes não tinham como objeto o ouro (ativo fmanceiro), mas sim a troca de resultados financeiros, operações lícitas e amplamente praticadas no mercado, não havendo qualquer intenção de burlar as normas tributárias, o que desautoriza a ilação empreendida pelo Fisco de que havia deliberado propósito de sonegação. Analisando a legislação do IOF aplicável aos títulos e valores mobiliários, afirma que seu produto não pode ser considerado como uma aplicação dessa natureza, pois os contratos de compra e venda de ouro têm natureza real, não se submetendo à tributação do IRRF nem do 'OF. Neste pormenor, acrescenta que o fato de não ter havido a tradição real do ouro não desnatura o contrato de compra e venda, haja vista a lei civil admitir a tradição ficta. Aduz que as operações praticadas - compra/venda/swap de ouro - devem ser consideradas individualmente e não pelo seu resultado global, como consta da decisão recorrida, sendo assim tipicamente de renda variável, da mesma forma que a operação de swap com um dos índices em ouro. Conseqüentemente, os efeitos tributários desses contratos, tomados individualmente, são aqueles próprios de renda variável, que se submetem â alíquota zero de I0F, conforme disposto no art. 42, § 22, III, da Portaria MF n2 348/98. Com respeito a esta Portaria Ministerial, acrescenta que a mesma é ilegal e inconstitucional na parte em que elevou a alíquota do IOF sobre operações relativas a títulos ou 5 \.j • MINISTÉRIO DA FAZENDA -MF - Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C04.0 ORIGWALz Fl. Bresiha-DF. em c1.2.121a2.0.; Processo n2 : 19740.000672/2003-31 Aut a fuji Recurso n2 : 127.396 Secretária da Segunda Cionjera Acórdão n 202-17.274 valores mobiliários para 0,38%, uma vez que a alíquota zero, que vinha sendo aplicada, foi definida por lei (art. 76, § 62, da Lei n2 8.981/95). De acordo com a recorrente, o vício de inconstitucionalidade contamina o próprio IOF/tftulos, pois a legislação que instituiu o tributo (Decreto-Lei n2 1.783/80 e Lei n2 8.894/94) não definiu o aspecto temporal da hipótese legal de incidência do imposto, ou seja, o momento de ocorrência do fato gerador. Com relação à multa qualificada, alega que nunca teve intenção de ocultar qualquer operação da Fiscalização, à qual atendeu prontamente, fornecendo todos os documentos solicitados, não havendo em sua contabilidade qualquer maquiagem, ardil ou subterfúgio para fugir da tributação. Por conseguinte, pode até ter havido falha ou irregularidade, sob o aspecto tributário, na estruturação da operação in casu, porém, a mesma foi idealizada para atingir uma finalidade diversa da que o Fisco pretende enquadrar. Toda a operação foi estruturada de forma lícita e legal, sem que fosse necessário driblar qualquer obstáculo ou impedimento à sua operacionalização, ao menos até agosto de 1999, quando, atendendo à solicitação do Banco Central do Brasil, conforme expediente Defis/Refis-99/0306, de 06/08/99 (Anexo 1), a recorrente suspendeu a realização de operações dessa natureza. Por estas razões, entende a recorrente que sua conduta pode ser classificada, quando muito, como irregular, mas nunca como ilícita. Assim, não havendo o dolo requerido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei n2 4.502/64, não pode ser aplicada a ela a respectiva sanção administrativa. Em reforço à esta tese, transcreve a ementa de alguns julgados do Conselho de Contribuintes, nos quais teria sido afastada a acusação de simulação ou fraude à legislação tributária. Ao final, requer o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida, com o fito de, sucessivamente: 1) anular integralmente a autuação fiscal, quer pela inobservância do Mandado de Procedimento Fiscal, quer por ser absolutamente indevida a tributação pretendida; ou 2) fixar a incidência do tributo apenas sobre o resultado do swap e não sobre seu valor base, tampouco sobre a compra e venda de ouro; e 3) retirar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a para 75%. À fl. 386 a autoridade preparadora informa que foi providenciada a garantia recursal sob a forma de depósito equivalente a 30% do crédito tributário mantido na decisão recorrida. É o relatório. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA • Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MFMinistério da Fazenda CONFERE C0154 O CIBIGINAL/ Z4,"fr,-.,X' Segundo Conselho de Contribuintes Bresllia-DF, em b. tu 17090 Fl. -- Processo n2 : 19740.000672/2003-31 áza a fuji Seemlána da Uganda CamaraRecurso n2 : 127.396 Acórdão n2 : 202-17.274 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO ZOMER O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, pelo que dele conheço. Primeiramente, analiso a preliminar de nulidade do auto de infração por suposta falta de MPF específico para o lançamento do 'OF. Os elementos constantes dos autos dão conta de que o procedimento foi iniciado para a fiscalização do IRPJ (MPF de fl. 01), mas foi estendido para o TRRF .e IOF pelos MPF-C (Complementares) de fls. 02 e 06, respectivamente. • O MPF-C relativo ao IOF foi expedido em 21/08/99 e enviado à BB-DTVM por fax em 29/08/99, conforme informa o documento de fl. 40. Como a ciência do auto de infração só se deu em 10/12/2003, não procede a alegação de que o lançamento do IOF . não estaria acobertado por MPF. Além disto, é certo que o Mandado de Procedimento Fiscal advém de uma norma administrativa cujo objetivo é o gerenciamento da ação fiscal. Sendo assim, eventuais vícios em relação ao mesmo, caso existentes, só ensejam a nulidade do lançamento se restar evidenciado que houve alguma afronta aos direitos do administrado. Entretanto, este não é o caso, pelo que rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração por suposta falta de MPF. No tocante ao mérito, não vejo como dar razão à recorrente, no que se refere à caracterização da ocorrência do fato gerador do 'OF. A descrição dos fatos demonstra que as operações foram realizadas de forma concatenada e na mesma data foi feita de forma cristalina pela Fiscalização, disto não discordando a contribuinte, que a reproduziu no recurso voluntário da seguinte maneira: - o cliente compra ouro à vista (do BB-BI); • - o cliente vende ouro (à BB-DTVM), com transmissão da propriedade imediata, forma de pagamento a prazo, pelo preço de bolsa na véspera da liquidação (final do prazo); e - o cliente e a BB-DTVM celebram contrato de swap, cujo valor nocional é equivalente ao da compra do ouro, sendo: o cliente devedor da variação do ouro e a BB-DTVM devedora do índice CDI. A discordância da recorrente reside apenas no fato de que o Fisco juntou as três operações para delas extrair uma só, correspondente ao resultado alcançado pelo cliente, que correspondeu ao de uma aplicação financeira de renda fixa, sujeita à incidência do I0F, à alíquota de 0,38%, como preceitua a legislação tributária. Desta forma, originou-se o lançamento tributário. A recorrente entende que a tributação deveria recair sobre cada uma das operações, resultando daí a submissão delas à alíquota zero de I0F. Este foi, de fato, o objetivo da contribuinte ao criar e oferecer aos clientes o produto. No entanto, a sua pretensão não tem fundamento jurídico, tratando-se de simulação, "maquiagem" de operações financeiras. O Banco Central, assim que tomou 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA 2. CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes • Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL, Fl. Brasilia-DF, em Processó n : 19740.000672/2003-31 • Recursó n2 • 127.396 uz aka- fuji Seeredna da Snunda Camara Acórdão n-2 : 202-17.274 conhecimento da forma como eram realizadas tais operações, determinou a sua retirada imediata do mercado, como se observa no Of. Defis/Refis-99/0306. No que respeita às demais alegações sobre a qualificação de cada operação, se realizada individualmente, não as considero relevantes para a solução do presente litígio, porque não há discordância no tocante à validade dos atos praticados e quanto à sua exteriorização formal. O que a Fiscalização assinalou, e o Banco Central constatou, foi que a recorrente, nas operações em tela, valeu-se de formas jurídicas indiretas, distintas das que seriam aplicáveis no negócio objetivado, com o fito exclusivo de fugir à tributação. O pressuposto da autuação é, portanto, o abuso de forma, tratado por Marco Aurélio Greco da seguinte forma: "os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e como tal assumem caráter abusivo; neste caso, o fisco a eles pode opor-se, • desqualificando-os fiscalmente para requalificá-los segundo a descrição normativo- tributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato".1 Neste passo, por pertinente, incorporo ao meu voto a manifestação do Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro, proferida no Acórdão n2 202-14.843, de 10/06/2003: "Abrindo parênteses, é comum o mercado financeiro conformar operações de uma espécie de sorte a obter resultado de outra, notadamente de financiamento, valendo-se de distintos ativos, sejam títulos de crédito, de renda fixa ou mesmo de renda variável. Exemplo disso é a operação a termo coberta com ações, na qual o comitente que pretende se financiar junto ao mercado acionário vende no mercado à vista uma posição acionária de que é detentor (v.g. por 100) e, concomitantemente, a recompra no mercado a termo (30, 60 ou 90 dias) por um valor no qual está agregada a taxa de financiamento correspondente ao período a transcorrer até a data da liquidação do termo (v.g. por 110). Temos o que Alberto Xavie? denomina de 'Coligação de negócios e procedimento negocial': 'Outras vezes o efeito indireto de concretização de resultado economicamente equivalente • não se obtém pela prática de um só ato ou negócio jurídico isolado (ainda que indireto ou fiduciário), mas por uma pluralidade de atos autônomos, realizados numa seqüência lógica e cronológica adequada ao efeito pretendido. Ocorre então a figura da coligação ou união de contratos, na sua modalidade de união com dependência, que se verifica quando as partes querem a pluralidade de contratos como um todo, como um conjunto econômico3. Quando esta pluralidade de atos ou negócios coligados se insere numa série lógica e cronológica (como sucede com as step-by-step transactions ou com as single composite transactions do direito anglo-saxônico) fala-se em procedimento negociai ou negócios de formação sucessiva. Tais negócios encontram-se unidos por um nexo de continuidade, "Planejamento Fiscal e Abuso de Direito" in "Imposto de Renda - Conceitos, Princípios e Comentários", obra coletiva, Atlas, p. 92 2 Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva, DIALÉTICA, 2002, pg. 66167. 3 Cfr. Galvão Telles, Manual dos contratos em geral, cit., 397. )1 8 „. MINISTÉRIO DA FAZENDA - Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2' CC-MF CONFERE CO O ORIGINAL, Segundo Conselho de Contribuintes Brunia-DF, em o Fl. Processo n2 : 19740.000672/2003-31 le za akafuji Recurso n2 : 127.396 Sferetána da Segunda Câmara Acórdão : 202-17.274 produzem efeitos em cadeia, um sucedendo ao outro, de tal forma que a finalidade última só pode ser alcançada com a prática seriada de todos4'.” Mais adiante, no mesmo voto, o referido Conselheiro prossegue a sua análise nos • 'seguintes termos: "Vejo aqui situação que se depreende dos ensinamentos abaixo da lavra do Prof. Ricardo Mariz de Oliveira e que, mesmo no entendimento daqueles que rejeitam as teorias do abuso de direito, apontam para a desvalia em produzir o resultado fiscal pretendido de "arranjos" que tais: 'No cotidiano dos nossos tempos, muitas vezes são praticados atos válidos e reais com o único fito de evitar incidências fiscais onerosas. Esses atos são eficientes à produção legítima desse resultado quando eles, tendo atendido aos três requisitos da elisão fiscais, efetivamente mudam algo na vida privada das pessoas envolvidas, e essa mudança é conseqüência da efetividade dos atos ocorridos, e de não haver mera simulação nas ações opostas ao fisco. Proximamente a essas situações, outras vezes há a prática de atos que, individualmente considerados, são válidos e aparentam ser reais, ou mesmo o são, e cuja prática também visa evitar incidências fiscais onerosas. Contudo, esses outros atos não serão eficientes a produzir legitimamente o resultado fiscal perseguido quando eles efetivamente não produzirem uma mutação na vida privada das pessoas, ou produzirem uma mutação diferente daquela que aparentarem à primeira vista, porque a primitiva mutação, que deveria atuar permanentemente, é contrabalançada ou cancelada por outra mutação posterior, geralmente quase que imediata, sendo que esta segunda alteração, verdadeira reposição patrimonial e neutralização da primeira, desde antes do primeiro ato ser praticado já estava na intenção das pessoas envolvidas.' (g,/n) Pois então, um indivíduo que num fugaz momento passou a ser titular de um ativo financeiro, adquirido em tantas prestações, imediatamente dele dispõe, com prejuízo, de sorte a dispor de pronto de um principal que é imediatamente canalizado para a aquisição de um veículo que, por sua vez, se presta (ou) para a garantia da aquisição daquele ativo financeiro, restando, no fechar do círculo, para aquele indivíduo uma obrigação a ser paga em tantas prestações àquele que lhe possibilitou a disposição daquele principal utilizado na aquisição do veículo oferecido em garantia dessa obrigação, o que, à evidência, se engata no tipo previsto para operação de crédito efetivamente praticada." Com relação à base de cálculo e à alíquota, o autuante arrolou, tanto no enquadramento do auto de infração, à fl. 250, como no "Relatório da Atividade Fiscal", à fl. 229, a Portaria MF n2 348/98, que, em seu art. 42, § 12, assim estabeleceu: "Art. 4° Fica alterada para 0,38% a alíquota do IOF incidente sobre as operações relativas a títulos ou valores mobiliários. 4 Cfr. Orlando Gomes, Introdução..., cit., 359-360; TULIO ROSEMBUJ, El fraud de ley y el abuso de las formas, cit., 140 ss. E 205 ss. 5 (1) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões conformes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 22 CC-MF - CONFERE CO54 O QIRIGINAl./ Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Brasília-DF. em u /lu / Leuv • Processo n : 19740.000672/2003-31 cad, a fuji Recurso n(2- : 127.396 Secretária da Segunda Camara Acórdão n2 : 202-17.274 § 1° O 10F de que trata este artigo incidirá sobre o valor de aquisição do título ou valor mobiliário, inclusive quota de fundo de investimento ou de clube de investimento." Na "Planilha de Cálculo do IOF', às fls. 163/174, o autuante atribuiu à coluna dos valores sobre os quais aplicou à alíquota de 0,38% o título de "valor de resgate", embora ali estivessem reproduzidos os valores das aplicações, que correspondem à base de cálculo definida pela legislação. Assim, como restou assinalado na decisão recorrida, o único reparo a ser feito na apuração do crédito tributário diz respeito à retificação do título da referida coluna para "valor de aquisição", restando, assim, saneado o equívoco do autuante, que, destaque-se, nenhum prejuízo acarretou à contribuinte. A recorrente alega que a Portaria MF n2 348/98 e a própria incidência do IOF sobre os títulos é ilegal e inconstitucional. Esta argumentação não lhe pode socorrer neste momento, haja vista os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis serem regulados pela própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, o qual detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Desta forma, as instâncias administrativas não podem negar aplicação a dispositivos da legislação tributária, em decorrência de alegados vícios de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Neste sentido é vasta a jurisprudência administrativa dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bastando aqui citar o Acórdão n2 202- 15.431, de 16/02/2004, cuja ementa tem o seguinte teor: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONAL1- DADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente." Analisando a questão, o professor Hugo de Brito Machado, no livro Temas de Direito Tributário (Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 1994, p. 134), assim se posicionou: "Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumpri-la sujeita-se à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratando-se de inconstitucionalidade já declarada." Demonstrada e comprovada a ocorrência do fato gerador do IOF e estando a apuração do imposto apurado segundo as normas de regência, resta apenas examinar se a qualificação da multa de ofício encontra guarida na legislação tributária federal. A recorrente alega que não houve a intenção deliberada de fraudar a legislação tributária, tendo havido, no máximo, interpretação divergente dessa legislação, o que não está de acordo com a descrição e provas coligidas pela Fiscalização. As operações estão perfeitamente configuradas e foram realizadas pela BB-DTVM com seus clientes, com o envolvimento do Banco do Brasil Investimentos S/A, consistindo na simulação de venda seguida de compra de ouro no mesmo dia, sem a devida contabilização da venda na BB-DTVM e tampouco sem a tradição do objeto da venda. Além disto, as provas coletadas pelo autuante demonstram que a seqüência de operações engendrada pela BB-DTVM incluiu, além das seguidas vendas e compras de ouro, o fechamento, no mesmo dia, de um contrato de swap, de forma que o resultado financeiro 10 • MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes • 252 CC-MF =tr. Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAI,/ Braallia-DF, em /e7 c' Fl.Segundo Conselho de Contribuintes J. Processo n2 : 19740.000672/2003-31 Ca a afuji Surraria da Segunda Uru,. Recurso n : 127.396 Acórdão n2 : 202-17.274 operado fosse o seguinte: o cliente efetuou um desembolso inicial equivalente ao valor nominal da compra do ouro e a BB-DTVM, na liquidação do contrato de swap, que ocorreu após ter decorrido um determinado período de tempo, pagou a remuneração da aplicação com base no CDI pré-pactuado. Todas essas constatações constituem elementos de convicção suficientes para se concluir que a BB-DTVM, assim procedendo, viabilizou para o cliente remuneração dimensionada no momento da aplicação, que é a principal característica do ativo de renda fixa, para a qual a incidência do IOF teve a alíquota fixada em 0,38% para o período, valendo-se da simulação da realização de várias operações intermediárias, que, individualmente, estariam enquadradas na alíquota ZERO. No caso em tela, de acordo com a documentação acostada aos autos, as operações • de compra e venda de ouro, fls. 27/28, continham declaração da intenção de transferir a propriedade do ouro, porém, como ficou fartamente comprovado, nenhuma transferência de propriedade ocorreu no término de cada operação de venda a prazo, conjugada com recompra à vista. Ao contrário disto, como também foi robustamente demonstrado, a intenção verdadeira da BB-DTVM era a de fornecer a seus clientes a possibilidade de aplicações financeiras cuja remuneração ou retorno de capital estava adstrita à variação do CDI, ou seja, uma remuneração típica de ativo de renda fixa. Não se tratou de enquadrar cada compra e venda na hipótese de incidência do I0F, e sim cada operação que incluiu três alienações do mesmo lote de ouro, no mesmo dia e pelo mesmo valor, retornando ao domínio do proprietário original e restando somente uma obrigação, que nesse momento era a de pagar determinada quantia certa, correspondente à variação do CDI, de uma das partes em relação a outra. Estas operações constituíram, sem dúvida, ação dolosa da recorrente, capaz de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, concernente ao IOF incidente sobre as operações de aplicação financeira em renda fixa, enquadrando-se perfeitamente na definição de fraude tributária descrita no art. 72 da Lei n 2 4.502, de 30/11/1964, verbis: "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do • imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Conseqüentemente, a multa de ofício cabível é a do art. 44, II, da Lei n 2 9.430/97, qualificada pelo evidente intuito de fraude, uma vez que restou comprovado que as operações estavam camufladas como se fossem de renda variável, quando na realidade eram de renda fixa, e foram constituídas de forma a ocultar, da autoridade tributária, a ocorrência do fato gerador do IOF com alíquota de 0,38%. Foi precisamente a dificuldade de a Administração Tributária identificar o fato gerador nesses casos que levou o legislador a prever a sua penalização com a multa qualificada, sensivelmente maior do que aquela aplicada aos casos de falta de pagamento, exatamente para desestimular essa forma de evasão fiscal. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacífica quanto ao cabimento da multa qualificada diante da configuração de simulação, como comprovam as seguintes ementas: • 11 ‘1. • • ,5 1» . • MINISTÉRIO DA FAZENDA 2.2 CC-MF • •"..›,-f-..jpe- Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ÇONfERE CO O Oft„ I G I M-% ' Segundo Conselho de Contribuintes Fl. tirisitie-DF. em &C../ Processo ns-' : 19740.000672/2003-31 jaza atafuji ,Recurso nst : 127.396 ~na da Segunda Camara Acórdão tr2 : 202-17.274 "[...1 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE TRIBUTÁRIA. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE TÍTULOS. DISSIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES DE MÚTUO. INCIDÊNCIA DO !OF. A prática de operações compostas de compra a prazo e recompra à vista de títulos realizadas no mesmo dict, nas mesmas quantidades e pelo mesmo valor, com a finalidade de contornar vedação legal à concessão de financiamento a clientes, configura ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do 10F. A realização habitual de operações simuladas cujo único objetivo é impedir a ocorrência do fato gerador do IOF constitui evidente intuito de fraude. [...]." Acórdão n2 204-00.084, de 17/05/2005). "CUSTOS 1NDEDUTIVEIS - SIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES - Reputam-se indedutíveis os custos não efetivamente arcados pelo contribuinte, sujeitando-se ele ao procedimento do lançamento de ofício com a multa agravada pela prática simulatória de redução artificial do lucro operacional." (Acórdão n2 103-20.134, de 09/11/1999). "(...) PENALIDADE - MULTA AGRAVADA - Aplica-se, no lançamento de ofício, a multa de 150% sobre a totalidade do imposto de renda e contribuições devidos nos casos de evidente intuito de fraude, enquadrando-se na tipificação a ocorrência de simulação de participação societária a fim de ocultar do Fisco a verdadeira identidade do titular da empresa autuada e a apresentação de declaração de rendimentos sem movimento, mesmo e só após intimação fiscal, quando então já se apurava a efetiva movimentação de recursos no período objeto da mesma declaração, que deixa inconteste a prestação de falsa informação. (...)." (Acórdão risl 105-13.069, de 26/01/2000). Ante todo o exposto, restando evidenciado que o presente caso em momento algum teve traços de planejamento tributário (elisão), prática esta permitida em lei, nego provimento ao recurso, mantendo, inclusive, a multa qualificada de 150%. Sala das Se sões, em 23 de agosto de 2006. 'ONIO 10 MER • 12 Page 1 _0053700.PDF Page 1 _0053800.PDF Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1 _0054200.PDF Page 1 _0054300.PDF Page 1 _0054400.PDF Page 1 _0054500.PDF Page 1 _0054600.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.003486/2005-89
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: RECURSO DE OFÍCIO – Tendo o julgamento realizado em primeira instância analisado corretamente a lide e aplicado a legislação na linha da jurisprudência deste Conselho, mantém-se a decisão proferida.
Numero da decisão: 105-16.930
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Clóvis Alves
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • C ÓVI ES "residente e Relator FORMALIZADO EM: 3 0 MA I 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, WALDIR VEIGA ROCHA, ALEXANDRE ANTÔNIO ALICMIM TEIXEIRA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. t i 1 Processo n° 19515.003486/2005-89 CCO I/CO5 Acórdão n.° 105-18.930 Fls. 2 Relatório Tratam os autos de recurso de oficio apresentado pela 5' Turma da DRJ no Rio de RJ-I . A empresa foi autuada e intimada a recolher o crédito tributário constante dos lançamentos de folhas 815/829. IRPJ. A empresa foi autuada em virtude de cálculo a menor do adicional do Imposto de renda, conforme relatada folha 1.357. Dedução Indevida na apuração do IRPJ a PAGAR, do IRRF sobre aplicações financeiras de renda variável por falta de comprovação conforme fl. 1.357 item 2.2. Inconformada a empresa apresentou impugnação na qual contesta a autuação. Faz uma análise da legislação e diz que mesmo após a entrada em vigor da Lei n° 9.249/95, foram editados atos normativos e orientações aos contribuintes pela SRFB que indicam ser permitida a exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras existentes em 31.12.94 do lucro real para fins de cálculo do adicional do IRPJ. Enumera esses atos. Afirma que os investimentos que originaram as deduções na base de cálculo do adicional do IRRF sobre aplicações financeiras de renda variável na apuração do IRPJ a pagar, a interessada admite que por um equívoco, considerou em seus cálculos o IRRF relativo à pessoa jurídica Mineração Morro Agudo, sociedade que deveria ter sido por ela incorporada, fato que acabou não acontecendo. Contudo, alega que, a despeito do equívoco cometido, o valor por ela comprovado do IRRF sobre os investimentos de renda variável é maior que o apurado pela fiscalização e menor que o deduzido na DIPJ/2001. Recolhe a diferença. A 5' Turma da DRJ no Rio de Janeiro RJ-I julgou procedente em parte o lançamento, entendendo que o § 5° doa rt. 67 e § 7° do art. 73 ambos da Lei n° 8.981/95, na revogou os dispositivos invocados pela fiscalização. Quanto à parte não comprovada acolhe parcialmente as alegações de acordo com as comprovações efetivadas. De sua decisão a Turma recorre a este Conselho. Intimada a empresa providenciou o recolhimento da parte mantida na Decisão de P Instância e solicitou através da petição de folhas 1374/1376, a manutenção do acórdão objeto de recurso de oficio. É o relatório. (tC:2 2 Processo n° 19515.003486/2005-89 CCOl/CO5 Acórdão n.° 105-18.930 Fls. 3 Voto Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Relator. RECURSO DE OFÍCIO. O recurso é cabível, pois o limite de alçada fora ultrapassado, dele tomo conhecimento. Trataremos das matérias afastadas uma a urna. A primeira parte do auto de infração diz respeito à glosa da exclusão realizada pela empresa na base de cálculo do lucro real para efeito de cálculo do adicional do imposto de renda. Entende a fiscalização que o § 5° do artigo 67 e o § 7° do artigo 73 da Lei n° 8.981/95, que autorizaram a exclusão dos rendimentos de aplicação financeira da base de cálculo do lucro para determinação do lucro real para incidência do adicional do imposto de renda, por entender terem sido tais dispositivos revogados pelo artigo 11 da lei n° 9.065, artigo 3° § 1° da Lei n°9.249/95 e art. 4° da Lei n°9.430/96. A decisão recorrida entendeu que tais dispositivos não foram revogados, expressa ou tacitamente. Entendeu a Turma julgadora que a legislação posterior não revogou a permissão para exclusão eis que não regulou inteiramente a matéria, apenas tratou apenas das alíquotas e valores limites acima dos quais deveria ser calculado o adicional. Transcrevamos a legislação Esta é a legislação que a fiscalização considerou revogada Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 67 - As aplicações financeiras de que tratam os arts. 65, 66 e 70, existentes em 31 de dezembro de 1994, terão os respectivos rendimentos apropriados "pro rata tempore" até aquela data e tributados nos termos da legislação à época vigente. § 5° - Os rendimentos das aplicações fmanceiras de que trata este artigo, produzidos a partir de 1° de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do imposto de renda de que trata o art. 39. Art. 73 - O rendimento auferido no resgate de quota de fundo de ações, de "commodities", de investimento no exterior, clube de investimento e outros fundos da espécie, 3 , .. . Processo n° 19515.003486/2005-89 CC01/CO5 . Acórdão n.° 105-16.930 Fls. 4 por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeita-se à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de dez por cento. § 7° - Os rendimentos produzidos a partir de 1° de janeiro de 1995, referentes a aplicações existentes em 31 de dezembro de 1994 nos fundos e clubes de que trata este artigo, poderão ser excluídos do lucro real para efeito de incidência do adicional do imposto de renda de que trata o art. 39. Os rendimentos de que trata o artigo 67 são: renda fixa, fundos de renda fixa e FAF e mútuo ouro. Os dois parágrafos negritados vinculam norma de direito material possibilitando a alteração da base de cálculo do IRPJ — lucro real, pela exclusão dos rendimentos das aplicações financeiras neles referidas somente em relação ao adicional do imposto de renda dele cuida o artigo 39 referido no final de cada parágrafo. Para melhor visualização da lide transcrevamos o artigo 39 referido no dois parágrafos que a fiscalização entendera revogados. Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 39 - O lucro real ou arbitrado da pessoa jurídica estará sujeito a um adicional do imposto de renda à alíquota de: I - doze por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 180.000,00 até R$ 780.000,00; II - dezoito por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 780.000,00; III - doze por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 15.000,00 até R$ 65.000,00; IV - dezoito por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 65.000,00. § 1° - Os limites previstos nos incisos I e II serão proporcionais ao número de meses transcorridos do ano-calendário, quando o período de apuração for inferior a doze meses. § 2° - O valor do adicional será recolhido integralmente, não sendo permitidas quaisquer deduções. 4 . . . . Processo n°19515.003486/2005-89 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-16.930 Fls. 5 Analisando o artigo supra transcrito podemos notar que cuidou de três questões, a) as alíquotas para o lucro real ou arbitrado de acordo com determinados limites de valores; b) da proporcionalidade no caso de período inferior a doze meses e; c) vedação de quaisquer deduções do imposto apurado a título de adicional. De eventuais ajuste da base de cálculo do adicional não cuidou o referido artigo. Entendeu a fiscalização que a legislação revogadora seria a seguinte: Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. Art. 11 - O lucro real ou arbitrado da pessoa jurídica estará sujeito a um adicional do imposto de renda à aliquota de: I - dez por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 180.000,00 até R$ 780.000,00; II - quinze por cento sobre a parcela do lucro real que ultrapassar R$ 780.000,00; III - dez por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 15.000,00 até R$ 65.000,00; IV - quinze por cento sobre a parcela do lucro arbitrado que ultrapassar R$ 65.000,00. § 1° - Os limites previstos nos incisos I e II serão proporcionais ao número de meses transcorridos do ano-calendário, quando o período de apuração for inferior a doze meses. § 2° - O valor do adicional será recolhido integralmente, não sendo permitidas quaisquer deduções. O artigo 11 da Lei 9.065, da mesma forma do artigo 39 da Lei 8.981/95, não cuidou de eventuais alterações na base de cálculo do IRPJ, regulou a mesmas três matérias. Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Art. 30 - A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de quinze por cento. § 1° A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeita-se à incidência de adicional de imposto de renda à fri2 alíquota de dez por cento. s . • . s Processo n°19515.003486/2005-89 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-16.930 Fls. 6 § 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se, inclusive, nos casos de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação. {§§ 1° e 2°, com redação dada pela Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996.} {*0125100002* Duplo dique aqui para ver as antigas redações.) Da mesma forma a legislação superveniente citada pela fiscalização cuidou apenas de limites, aliquotas e vedação a dedução de quaisquer rubricas do valor apurado a titulo de IR adicional. De base de cálculo não cuidou a legislação. Assim na mesma linha da decisão recorrida entendo que diferentemente do entendimento da fiscalização, a matéria não foi totalmente tratada na legislação por ele citada, pelo contrário como vimos não se referiu a alterações na base de cálculo para efeito de aplicação dos percentuais do adicional do IR. A interpretação correta é a de que os § 5° do artigo 67 e 7° do artigo 73 da Lei n° 8.981/95, continuaram em vigor não podendo a indicação de um artigo da mesma lei que fora revogado por legislação superveniente, levar ao entendimento de vedar um direito que não estava previsto na norma revogada. Confirmo, portanto a decisão recorrida em relação este item. DIFERENÇAS DO IRRF DEDUZIDOS NA APURAÇÃO DO IRPJ A PAGAR. A parte afastada pela DRJ trata-se de matéria de prova constante dos autos, que inclusive corrigiu divergências existentes nos demonstrativos apresentados pela empresa excluindo comprovantes que não atendem nas instruções normativas SRF 138/99 e 121/2000, com as quais concordou a empresa que recolheu a parte mantida. Considerando que a decisão recorrida fundou-se na correta apreciação da matéria de direito e das provas colacionadas nos autos, ratifico o acórdão proferido. Assim conheço do recurso de oficio e no mérito voto para negar-lhe provimento. Sala das - ssões DF, em 16 de abril de 2008. J S ' LOVI _ ES 6 Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13896.002788/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura através de convênio com restaurantes e entrega de cesta básica assim como as modalidades previstas em lei, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
AJUDA DE CUSTO.
A indenização ajuda de custo visa ressarcir ao segurado das despesas com instalação em localidade diversa à de seu domicílio. Sobre as despesas antecipadas pelos segurados quando a serviço da empresa e por esta reembolsadas também não incidem contribuição previdenciária desde que comprovadas.
JUROS(SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
Nos termos do enunciado nº 04 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento da parcela relativa ao auxílio-alimentação pago in natura.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura através de convênio com restaurantes e entrega de cesta básica assim como as modalidades previstas em lei, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN. AJUDA DE CUSTO. A indenização ajuda de custo visa ressarcir ao segurado das despesas com instalação em localidade diversa à de seu domicílio. Sobre as despesas antecipadas pelos segurados quando a serviço da empresa e por esta reembolsadas também não incidem contribuição previdenciária desde que comprovadas. JUROS(SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. Nos termos do enunciado nº 04 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento da parcela relativa ao auxílio-alimentação pago in natura. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2.045 1 2.044 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.002788/201083 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.507 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria SALÁRIO INDIRETO: AUXÍLIOALIMENTAÇÃO SEM PAT Recorrente MEVA DO BRASIL SISTEMAS DE FORMAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura através de convênio com restaurantes e entrega de cesta básica assim como as modalidades previstas em lei, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. AJUDA DE CUSTO. A indenização ajuda de custo visa ressarcir ao segurado das despesas com instalação em localidade diversa à de seu domicílio. Sobre as despesas antecipadas pelos segurados quando a serviço da empresa e por esta reembolsadas também não incidem contribuição previdenciária desde que comprovadas. JUROS/SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. Nos termos do enunciado nº 04 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 27 88 /2 01 0- 83 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento da parcela relativa ao auxílioalimentação pago in natura. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002788/201083 Acórdão n.º 2402003.507 S2C4T2 Fl. 2.046 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 02/12/2010 com base nos valores de auxílioalimentação in natura sem inscrição no PAT através de convênio com restaurantes e valesrefeição bem como outros pagamentos a segurados empregados. Foram lançadas as contribuições devidas a outras entidades e fundos. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não há que se falar em cerceamento de defesa, se, ao contrário do que alega a impugnante, a descrição dos fatos e dos fundamentos legais foi feita com clareza e precisão. ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA. O valor despendido por empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador a titulo de despesas com a alimentação dos segurados a seu serviço integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe as autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... 4.8. No exame da contabilidade da empresa constatamos valores de remunerações indiretas pagas aos segurados empregados nas contas: Ajuda de Custo, Alimentação de Funcionários, Cestas Básicas, Vale Refeições, todas pagas em desacordo com a legislação. Considerando que a empresa não prestou os esclarecimentos sobre os pagamentos das verbas constantes nas citadas contas e não apresentou os valores devidos individualizados por segurado, foi aplicada a alíquota de 8% Fl. 209DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 (oito por cento) nos termos da Lei 8212/91, artigo 33, parágrafo 30. ... 4.15. Foi constatado que a empresa efetua, também, pagamento de despesas com veículos dos segurados empregados como sistema de reembolso (conforme o histórico dos lançamentos). A empresa foi intimada a prestar os esclarecimentos sobre este procedimento e não respondeu a intimação nem prestou informações ou apresentou quaisquer comprovantes destes pagamentos, razão pela qual os valores lançados a este titulo foram considerados como remuneração dos empregados e, consequentemente serviram de base para a apuração dos valores devidos. ... 4.18. Na análise da conta contábil "Ajuda de Custo" verificado no período fiscalizado, de 01/2006 a 12/2006, constatamos que este procedimento não se caracteriza a ajuda de custo prevista no art. 470 da CLT, paga em decorrência da transferência de empregado para outro local de trabalho e, portanto, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 4.19. Nos Termos de Intimação Fiscal, os quais foram recebidos pela empresa, foram juntados planilhas e extratos das contas do Razão para que fossem esclarecidos os lançamentos da ajuda de custo paga aos segurados empregados. Os esclarecimentos solicitados não foram prestados tendo sido emitido o auto de infração competente. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: • foram emitidos, na mesma data, vários autos de infração descrevendo os mesmos fatos e capitulações legais, muitos deles já revogados, variando somente quanto ao enfoque emprestado, comprovando existência de total irracionalidade no trabalho fiscal o que não somente confunde e cerceia a defesa, que é obrigada a produzir pegas diferentes para contestar a mesma infração, como contraria o item 3 da Ordem de Serviço INSS/DAF 117/94 que expressamente determina que em uma mesma ação fiscal, será lavrado apenas um AI por tipo de infração; • em face das omissões na especificação e no fornecimento à requerente de elementos da acusação que eram essenciais à produção de defesa hábil, a ação fiscal se mostra ilegal e nula de pleno direito, por ter sido instaurada com preterição aos direitos da defesa e ao principio do contraditório que a Constituição e as leis vigentes asseguram a todo acusado em processo administrativofiscal; ... Fl. 210DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002788/201083 Acórdão n.º 2402003.507 S2C4T2 Fl. 2.047 5 • aderiu As disposições da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, motivo pelo qual o lançamento efetuado pela fiscalização para contribuição da empresa incidente sobre a folha de pagamento do período fiscalizado, intitulada no auto como FM — FOLHA DE PGTO MATRIZ, não encontra suporte técnico legal. Uma vez que a contribuição incidente sobre a folha de pagamento do período fiscalizado já foi informada por ocasião da entrega das obrigações acessórias e, nos termos do art. 151, inciso VI, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), encontrase suspensa a exigibilidade do débito e resta comprovada a nulidade do auto de infração, devendo, pois, ser cancelado; ... Portanto, não resta dúvida de que ao contrário do que entendeu a fiscalização, os valores pagos a titulo de alimentação e cestas básicas, conforme comprovam notas anexas, bem como o fornecimento de alimentação pagos a restaurantes para refeição de seus empregados, a exemplo das Notas Fiscais de prestação de Serviços de Alimentação anexas, foram concedidas pela obrigação imposta na convenção coletiva e, por consubstanciarem direitos dai advindos, não podem sofrer a incidência de contribuição previdenciária, nos expressos termos do art. 28, § 9 0, letras c e m, da Lei n° 8.212, de 1991, e art. 144 da CLT; ... • os valores constantes do Anexo V referemse As despesas efetuadas por seus empregados, cujos gastos são adiantados por eles e posteriormente reembolsados. Deve ser esclarecido que a rubrica contábil "Ajuda de Custo" abarca todos os pagamentos com as despesas realizadas, inclusive sob o titulo de "Reembolso de Despesas", "Reembolso a Funcionários" e "Pagamentos a Terceiros", cuja divisão por tipo de denominação tem a finalidade de proporcionar A administração da empresa um gerenciamento sobre tais gastos. Uma vez que a nomenclatura da conta "Ajuda de Custo" demonstra os gastos que a impugnante reembolsou a seus empregados para o desenvolvimento de suas atividades, conforme comprovam os documentos anexados, não devem incidir a contribuição previdenciária, pois são valores pagos a titulo de ressarcimento de despesas, pelo que fica evidenciada a ilegalidade do referido lançamento, por manifesta violação ao disposto no art. 28, § 9°, da Lei n°8.212, de 1991; ... • além dos tributos supostamente devidos e das respectivas multas punitivas, corrigidos monetariamente, a fiscalização pretende exigir da autuada, simultânea e cumulativamente, os juros moratórios de um por cento ao mês (art. 161 do CTN), multa de mora e taxa SELIC, todos sobre o valor corrigido do suposto débito. A jurisprudência do • Supremo Tribunal Federal já consagrou definitivamente o entendimento de que a cobrança Fl. 211DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 simultânea e cumulativa de verbas de caráter moratório é inconstitucional por ser confiscatória, de nítido abuso de poder, caracterizando também ilegal bis in idem. Da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça proclamou recentemente a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC para débitos fiscais. Desse modo, a cumulação dos juros moratórios de um por cento ao mês, com a multa de mora e ainda juros equivalente A taxa SELIC, todos sobre o valor corrigido do suposto débito, se traduz em cobrança arbitrária e ilegal, configurando nítido abuso do poder fiscal e ilegal bis in idem, atentando ainda contra o disposto nos arts. 150, inciso IV, e 192, § 3°, da Constituição, que expressamente proíbem a usura e a utilização de tributo com efeito confiscatório. É o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002788/201083 Acórdão n.º 2402003.507 S2C4T2 Fl. 2.048 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à inclusão em parcelamento especial de parte das contribuições previdenciárias lançadas, o documento de formalização juntado aos autos comprova que somente forem parceladas diferenças de contribuições já apuradas antes da fiscalização e, portanto, não procede a alegação. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002788/201083 Acórdão n.º 2402003.507 S2C4T2 Fl. 2.049 9 No mérito AuxílioAlimentação Segundo o relatório fiscal são fatos geradores os benefícios de alimentação fornecida aos segurados empregados in natura ou através de reembolso da despesa pelo fato de que a recorrente não se inscreveu no programa de alimentação do trabalhador – PAT. Sobre esse matéria, através do Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". O fornecimento de refeições, ou seja, alimentação in natura não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Assim, inclinome à jurisprudência do STJ acolhida pela PGFN para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílioalimentação que não tenha sido oferecido em dinheiro, mas através das modalidades previstas pela legislação, como alimentação in natura e valesrefeição ou congêneres. Ajuda de Custo A recorrente sustenta que as despesas foram por ela ressarcidas por terem sido incorridas a seu serviço; no entanto, de fato, pelos documentos juntados não há como vincular os comprovantes de despesas com os segurados e o deslocamento. A contribuição previdenciária não incide sobre as despesas comprovadamente incorridas quando em deslocamento a serviço da empresa; do que se espera naturalmente que a recorrente mantenha registros hábeis à demonstração dessas despesas e não só do ressarcimento. O mínimo que se espera é a comprovação de três fatos: a) a realização da despesa pelo empregado; b) seja essa despesa decorrência do serviço realizado pelo empregado; e Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 c) o ressarcimento ao empregado dos valores por ele antecipados. No caso, alguns documentos comprovam, no máximo, que alguns empregados realizaram despesas com combustíveis, pedágio, restaurantes e outras próprias de deslocamentos. Embora tenha sido comprovado o pagamento a título de ressarcimento, sendo justamente esses valores que constituem fato gerador e base de cálculo da contribuição previdenciária, não há ordem de serviço, relatório de atividade ou qualquer outro documento que demonstre terem sido as despesas relacionados ao serviço e não despesas particulares apresentadas à empresa com finalidade de remuneração indireta. Por essas razões, entendo que deva ser mantida a incidência sobre os valores lançados. Taxa SELIC e encargos moratórios A recorrente alega inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002788/201083 Acórdão n.º 2402003.507 S2C4T2 Fl. 2.050 11 Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 04 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. LEI nº 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) Por tudo, voto pelo provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores correspondes ao auxílioalimentação pagos in natura, ou seja, que não tenham sido pagos em dinheiro. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 218DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18186.000179/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.228
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.580.4530, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado, para a exigência de diferenças de contribuições patronais para a Seguridade Social e para Outras Entidades e Fundos. Afirma o fisco que os fatos geradores são diferenças de remunerações pagas a segurados empregados, apuradas mediante a análise de folhas de pagamento, recibos de férias, rescisões de contrato de trabalho. Foi juntada planilha discriminando as bases de cálculo e as contribuições lançadas. A empresa ofertou impugnação, alegando, em apertada síntese, que: a) a Administração tem o dever de promover a anulação dos seus atos que tenham sido exarados em descompasso com o ordenamento jurídico, neste compasso, merece nulificação ou reforma a presente ação fiscal, posto que não contém os requisitos de exatidão, certeza e liquidez; b) não deve prevalecer a aferição de valores inexigíveis, posto que calcados em métodos unilaterais utilizados pelo fisco, os quais constam em ordens de serviço e instruções normativas que não encontram respaldo na lei; c) quando se observa tutelas judiciais já obtidas pelo sujeito passivo, fica claro que caem por terra os levantamentos edificados pela Fiscalização; d) a aferição da base de cálculo provoca o seu alargamento numa proporção que onera sobremaneira o contribuinte, tornando o crédito aleatório e inexigível; e) o lançamento não resiste a uma apreciação sob o ângulo dos princípios da legalidade, da verdade material, da investigação e da oficialidade; f) a própria cúpula da Administração Tributária foi alertada sobre as dificuldades que as empresas filiadas a Federação de Serviços estavam tendo para cumprir a obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, considerando os provimentos judiciais obtidos; g) é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários; h) não podem ser cobradas das empresas prestadoras de serviços as contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE; i) a multa aplicada possui caráter de confisco. O processo foi baixado em diligência, fls. 187/189, para que a Auditoria se pronunciasse sobre as alegações e documentos surgidos com a defesa. Em resposta, fls. 206/207, o fisco afirmou que foram apresentados pela empresa os contratos de prestação de serviço, as notas fiscais, todas as folhas de pagamento e as respectivas GFIP, além dos demais documentos solicitados. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18186.000179/200714 Resolução n.º 2401000.228 S2C4T1 Fl. 367 3 Afirmou o Auditor responsável pelo cumprimento da diligência que o lançamento mereceria reparos, inclusive sugerindo a realização de nova apuração fiscal. Nova diligência foi determinada, fls. 210/212, para que, a luz da documentação exibida, fosse verificada a necessidade de retificação dos valores apurados ou emissão de lançamento complementar. Ao ser intimada a novamente apresentar a documentação, a empresa atravessou petição, na qual pede o reconhecimento da decadência para a integralidade do lançamento. Não logrando examinar a documentação, o fisco encerrou a diligência, fl. 236, tendo logo em seguida a empresa mais uma vez se manifestado pela inexigibilidade de documentos cujos fatos geradores foram alcançados pela decadência. Mais uma vez o processo foi baixado em diligência e, como a empresa insistiu em não apresentar os documentos, ver fls. 248/251, foi lavrado Auto de Infração pela não exibição dos documentos. Sobre esses fatos a empresa não mais se manifestou. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito. Naquele decisum, fls. 259/280, o crédito, apurado com base em documentos comprobatórios do pagamento de remuneração, foi considerado procedente, posto que a empresa não teria conseguido se contrapor satisfatoriamente às mesmas, além de haver se recusado a apresentar a documentação, quando da realização das diligências. Os inconformismos da contribuinte quanto às contribuições para os terceiros, os juros e a multa foram afastados pela DRJ. Inconformada a empresa apresentou recurso, fls. 279/319, no qual, argumenta que: a) o lançamento é nulo por cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que da forma como foi demonstrada a apuração, o sujeito passivo não tem como verificar a origem das diferenças supostamente existentes; b) o fato narrado pelo fisco não se amolda a hipótese de incidência tributária, nesse sentido o lançamento está eivado de nulidade; c) a autuação foi edificada com base em presunção do fato gerador, o que não é admitido no direito pátrio; d) o princípio da verdade material não foi respeitado, posto que não se perquiriu a exaustão se efetivamente o fato gerador se configurou; e) a própria Administração Tributária reconheceu que as bases de cálculo constantes da notificação estão incorretas; f) na apuração foram incluídas parcelas não integrantes do saláriode contribuição; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 g) podese ver do cotejo dos valores apurados para as competências 11/1991 e 10/2002 que as quantias recolhidas suplantam os valores devidos, fato que deve ter se repetido para as demais competências; h) a jurisprudência tem entendido que somente é cabível o arbitramento em situações de extrema gravidade, quando o fisco se veja totalmente impossibilitado de verificar a ocorrência dos fatos geradores ou quantificar a base de cálculo; i) não sendo devidas as contribuições para a Seguridade Social, também são improcedentes aquelas devidas ao terceiros e a multa aplicada; j) a taxa SELIC não pode ser utilizada para fins tributários; k) as lavraturas que guardam conexão coma presente NFLD devem ser afastadas pelas mesmas razões. Ao final, requer a declaração de nulidade ou improcedência da notificação e dos lançamentos com a mesma relacionados e a exclusão dos juros SELIC. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18186.000179/200714 Resolução n.º 2401000.228 S2C4T1 Fl. 368 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo Relator. Verifico que na defesa não houve contestação direta aos valores lançados. Ali o sujeito passivo preferiu centrar suas argumentações na impossibilidade do arbitramento e na ilegalidade da fixação da base tributável num percentual do seu faturamento. Quanto aos números apontados seja em relação às contribuições devidas ou às guias de pagamento apropriadas. No recurso, todavia, a empresa exemplifica duas competências em que teria havido erro na apuração, afirmando que as quantias recolhidas não foram integralmente apropriadas pelo fisco. Regra geral, essa turma tem se manifestado contrariamente ao conhecimento, na fase recursal, de alegações que não tenham sido apresentadas no momento propício, ou seja, no prazo de impugnação. Porém, nesse caso concreto, vou preferir fazer uma análise do procedimento de apuração, dando inclusive enfoque especial às competências tomadas pela recorrente para demonstrar o desacerto do fisco na sua tarefa de quantificar o lançamento. No Discriminativo Analítico do Débito – DAD, fls. 04/15, não foram apresentadas as bases de cálculo, mas apenas as diferenças de contribuição encontradas. A memória de cálculo dos valores lançados foi melhor detalhada na planilha de fls. 37/62. No discriminativo, constam os diversos tomadores de serviço da recorrente, as remunerações correspondentes aos serviços prestados e as contribuições apuradas. Noto, todavia, que não há em nenhum dos discriminativos apresentados pelo fisco uma demonstração de como as guias de pagamento recolhidas pela empresa foram apropriadas. Ocorre que os dois relatórios que poderiam apresentar os recolhimentos efetuados e a apropriação dos valores recolhidos, o RDA – Relatório de Documentos Apresentados e o RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados, não foram acostados pelo fisco. Assim, não são de um todo sem razão as alegações da empresa. Tomemos a competência 11/2001, citada no recurso. Verifico que no conta corrente da empresa, fl. 192, há o registro de 39 documentos de arrecadação, os quais totalizaram o montante recolhido de R$ 202.322,90, todavia, na planilha demonstrativa da apuração foram considerados apenas R$ 58.795,31. Impossível de saber, com base nos dados constantes dos autos, onde foram alocados todos os recolhimento efetuados, mormente nessa ação fiscal, em que foram lavradas quinze NFLD. E nem se diga que as guias não teriam sido apropriadas por falta de indicação da nota fiscal a que se referiam, posto que, embora as folhas de pagamento e GFIP devam ser elaboradas por tomador de serviço, não há necessidade para a apropriação das guias, que as mesmas sejam identificadas por tomador de serviço, até porque, na grande parte dos casos, os recolhimentos decorreram de retenções. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A meu ver, como os fatos geradores estão descritos pelo Fisco e a empresa recusouse sistematicamente a apresentar a documentação, entendo que devamos converter em diligência o julgamento, de modo que seja apresentado relatório demonstrativo do aproveitamento das guias na totalidade das notificações lavradas. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, de modo que o fisco apresente discriminativo de apropriação de todas as guias recolhidas em nome do sujeito passivo. Facultese a este a possibilidade de se manifestar, no prazo legal, sobre o resultado da diligência. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 371DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16327.000617/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO.
Consoante o disposto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC).
De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.
TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DA EXAÇÃO APÓS A DATA DE VENCIMENTO, MAS ANTES DA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138 DO CTN
Igualmente, configura o benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, o fato do contribuinte pagar a exação, mesmo que após o vencimento, mas antes da entrega da DCTF.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento a advogada Alessandra Cher, OAB/SP nº 127.566.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Consoante o disposto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). De acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DA EXAÇÃO APÓS A DATA DE VENCIMENTO, MAS ANTES DA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138 DO CTN Igualmente, configura o benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, o fato do contribuinte pagar a exação, mesmo que após o vencimento, mas antes da entrega da DCTF. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 17 /2 00 7- 67 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento a advogada Alessandra Cher, OAB/SP nº 127.566. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ em São Paulo (I) que manteve a exigência do Auto de Infração emitido eletronicamente contendo exigência de multa de mora de débito confessado em DCTF, mas pago a destempo, não configurando o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138, do CTN, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Embora conste da ementa tratarse de IRRF, todavia o AI se refere à exigência de PIS/entidades financeiras (cód. 4574), conforme consta dos demonstrativos do AI e da própria DCTF de fl. 39/40. Cientificada em 22/03/2011 (fl. 54), foi interposto recurso voluntário em 25/04/2011 (fl. 61/75), aduzindo em síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional, em favor de sua tese cita decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferidas em conformidade com a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Ricarf. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.000617/200767 Acórdão n.º 3301001.793 S3C3T1 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo, porquanto a Recorrente foi cientificada do teor do acórdão em 22/03/2011 (fl. 54), tendo protocolizado o recurso voluntário de fls. 61/75 em 25/04/2011, tendo em vista que nos dias 21 e 22 de abril de 2011, são respectivamente feriados nacionais (Tiradentes e 6ª Feira Santa). Conforme relatado, a decisão recorrida considerou o presente caso como se tratando de valor declarado e pago em atraso e, portanto, de mero adimplemento intempestivo da obrigação, pelo que não se aplicaria os efeitos da espontaneidade referida no art. 138, que se dirige apenas à confissão espontânea de infrações à legislação tributária desconhecidas do Fisco. Entretanto, compulsando os autos, a situação é a seguinte, o Contribuinte transmitiu a DCTF (fl. 39/40) em 14/11/2002, informando débitos de PIS/PASEP (código 4574) do período de apuração de 30/09/2002, com vencimento em 15/10/2002, mas apresentou os respectivos DARF´s (fl. 41), constando recolhimento exatamente em 15/10/2002, ou seja, dentro do prazo de vencimento. Desta forma, não há como afastar o benefício da denúncia espontânea tipificada no art. 138, do CTN, pois, embora a declaração tenha sido apresentada a destempo, os recolhimentos foram manifestamente tempestivos, de acordo, inclusive, com a jurisprudência do colendo STJ, inclusive em sede de recursos repetitivos, de reprodução obrigatória por este colendo CARF, in verbis: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte pacificou orientação, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n. 1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco". Por outro lado, "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". Sobre o tema, esta Corte editou a Súmula n. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 360, a qual dispõe que: "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Por fim, "a regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea" (REsp 908.086/RS, 2ª Turma, Rel.Min. Castro Meira, DJe de 16.6.2008). 2. Recurso especial não provido. (REsp 1210167/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 09/12/2011) Peço vênia ainda para transcrever o seguinte julgado do STJ, onde foi discutida exatamente a mesma situação dos presentes autos, qual seja, pagamento da exação após a data do vencimento, mas antes da entrega da DCTF, sendo confirmada a denúncia espontânea, in verbis: TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DA EXAÇÃO APÓS A DATA DE VENCIMENTO, MAS ANTES DA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138 DO CTN. 1. Controvertese nos autos a respeito da configuração da denúncia espontânea na hipótese em que o tributo declarado é pago depois do vencimento. A peculiaridade é que o pagamento intempestivo ocorreu quando presentes simultaneamente as seguintes circunstâncias: a) a quitação se deu em data anterior à da entrega da DCTF, e b) inexiste qualquer outra medida de fiscalização. 2. De acordo com a disciplina conferida pelo legislador (art. 138 do CTN), não se diferencia se o tributo é sujeito ao lançamento direto (ex officio) ou por homologação. Em ambas as hipóteses, o fim social da lei – que serve de norte para a sua interpretação e aplicação – é estimular o contribuinte a se antecipar à autoridade fiscal e, assim, efetuar o recolhimento da exação mediante dispensa do pagamento da multa. 3. Dito de outro modo, concedeuse benefício em favor do contribuinte, por meio do qual este deixará de ser punido (não incidência da multa moratória) quando efetuar o pagamento do crédito tributário que poderia ter sido constituído, mas não o foi e não se encontra em fase de constituição. 4. A técnica arrecadatória consistente na previsão para que o cumprimento da obrigação acessória ocorra em data posterior ao da obrigação principal não tem força jurídica para revogar ou anular o instituto da denúncia espontânea. 5. Recurso Especial não provido. (REsp 1025951/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/08/2010, DJe 24/09/2010) Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de março de 2013 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.000617/200767 Acórdão n.º 3301001.793 S3C3T1 Fl. 81 5 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 15983.000812/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.244
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, concernentes às contribuições previdenciárias não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, e não recolhidas aos cofres públicos, para as competências 02/2005 a 12/2005. O Relatório Fiscal (fls. 21/30) informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios gerentes). Os valores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: 1. NDG REM SEGURADOS NÃO DECLARADO à créditos lançados a partir da constatação de divergências entre os valores declarados em RAIS e em GFIP, divergências estas que estariam evidenciadas pelos dados extraídos do sistema informatizado da Previdência Social, denominado “CNIS/DATAPREV”, conforme extrato que junta aos autos (fl. 36). Valores não declarados em GFIP; 2. PND PROLABORE NÃO DECLARADO à contribuições de contribuintes individuais (sócios, no caso), incidentes sobre prólabore, cuja arrecadação cabe à fonte pagadora. Lançamento motivado pela constatação da existência de sócios do Contribuinte, para os quais não constam pagamentos de pro labore. Valores não declarados em GFIP. Esse Relatório Fiscal informa ainda que, em face das alterações determinadas na Lei 8.212/1991, pela Medida Provisória 449/2008, foram comparadas as sistemáticas da determinação e do cálculo da multa, aplicandose a menos onerosa ao Contribuinte, em obediência às disposições do artigo 106 do CTN (princípio da retroatividade benigna), do que resultou a aplicação da multa de ofício (introduzida pela MP 449/2008) apenas sobre o crédito tributário relativo à competência de março de 2005. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 06/10/2009 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 44/46) – acompanhada de anexos de fls. 47/93 –, alegando, em síntese, que: “[...] 2.1.3 Diante do que precede, constatase que a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da imparcialidade, que seja ela dirigida uniformemente aos administrados. Sendo assim, e para que não fiquem resumidos a meras palavras, há que cumprir rigorosamente o programa de fiscalização traçado, sob pena de, revelando perseguição ou favorecimento, nele incluir contribuintes que não se enquadram nos parâmetros escolhidos, ou dele excluir pessoas que neles se enquadram, respectivamente. 2.1.4 Com outras palavras, em nenhum momento foi indicado, pelo I. AFRFB autuante, nos termos que lavrou, as razões, ou a origem, da fiscalização procedida com relação aos negócios do IMPUGNANTE, isto é, em qual programa de fiscalização, elaborado pela COFIS, nos termos dos atos normativos acima referidos, havia sido ela incluído, de modo que pudesse avaliar se os critérios estabelecidos pelas autoridades superiores estavam sendo devidamente observados, sob Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000812/200952 Resolução n.º 2402000.244 S2C4T2 Fl. 2 3 pena de restarem caracterizados, de parte da administração local, o mero capricho, a perseguição, a animosidade ou puro interesse político. 2.1.5 De fato, há que se considerar que, no caso, ocorreu a completa inobservância das disposições constantes da PORTARIA N° 3.007/02, do Sr. SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, acima transcrita, cujo artigo 1o exige seleção prévia do contribuinte a ser fiscalizado ("planejamento de atividades"), exceto em situações especiais, previstas no § 4° desse mesmo artigo, que demandam, entretanto, autorização específica do COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO. [...]” Nesta mesma ordem de argumentação, segue: “[...] 2.1.8 Assim, o controle da atividade fiscal não cabe exclusivamente à autoridade administrativa, mas também ao administrado, que tem o direito de saber se "... as atividades de fiscalização sejam realizadas com observância dos princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade e da justiça fiscal". 2.1.9 Vale dizer, para aferir tal comportamento, há a necessidade de que seja o contribuinte informado dos parâmetros estabelecidos pelo programa de fiscalização a ser executado, assim como se está dirigido uniformemente a lodos os administrados, sob pena de, revelando perseguição ou favorecimento, nele incluir contribuintes que não se enquadram nos requisitos estabelecidos, ou dele excluir pessoas que nele se enquadram.[...]” Concluindo a argumentação, defende que estaria caracterizado “desvio de poder”, do que resultaria a nulidade do lançamento fiscal. Sustenta, também, que estaria caracterizada a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, pois teria recebido “(...) tão somente, a cópia do "AUTO DE INFRAÇÃO" referentes eis contribuições relacionadas no preâmbulo desta petição, e respectivos anexos e demonstrativos de cálculos, acompanhados do "RELATÓRIO FISCAL DO AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 37.192.4391", datado de 04/12/2008 (...)”e que: “[...] 2.2.2 Vale dizer, nenhum daqueles elementos outros, constantes do processo administrativo fiscal, foi entregue, ou mesmo exibido ao IMPUGNANTE, que se viu, assim, completamente cerceado no seu direito de defesa, já que não tem a menor idéia em que está baseada a autoridade administrativa para tributálo. Com outras palavras, nenhuma cópia das "provas" em que diz estar apoiada a autuação lhe foi fornecida. (...) 2.2.7 Assim sendo, a sonegação das provas que o i. AFRFB autuante diz ter, e que carreou ao processo, mas não encaminhou ao IMPUGNANTE, impede o conhecimento, deste, dos pretensos elementos contra si existentes, caracterizando, induvidosamente, o cerceamento do seu direito de defesa, com a conseqüente nulidade do auto de infração lavrado, que deve ser cancelado. [...]” Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Quanto à cobrança de crédito tributário sobre a remuneração de sócios do Contribuinte, argumenta basicamente que: “[...] 3.1.3 Como se observa na legislação transcrita, a incidência da contribuição previdenciária, no caso de sócio de empresa, incide, apenas e tão somente, sobre o valor da remuneração a ele efetivamente papa ou creditada, e nunca sobre valores que a D. Fiscalização considera que deva receber. É dizer, o I. AFRFB, partindo de conceitos puramente subjetivos (e inusitados), ... (...) 3.19. Em suma, na medida em que inexiste legislação impondo a obrigatoriedade de os sócios da pessoa jurídica efetuarem retiradas prolabore (ainda que lhe preste serviços), e considerando que os sócios relacionados no auto de infração não as realizaram no ano calendário de 2005, resta evidente a invalidade da tributação de que se trata, razão pela qual cumpre seja cancelada a exigência tributária correspondente. [...]” Quanto às diferenças entre os valores pagos a cooperativas de prestação de serviços, resultantes das comparações entre os dados constantes de DIRF e GFIP, não há necessidade de abordar no presente lançamento, pois os respectivos créditos tributários não constituem objeto deste lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0532.618 da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 97/103) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que o levantamento “PND PROLABORE NÃO DECLARADO” foi julgado improcedente, nos seguintes termos (fl.103): “[...] Assim, o pagamento de prólabore não poderia ser presumido e sua constatação deveria necessariamente estar acompanhada de fatos e elementos que o corroborassem: constatação de motivos que justificassem a desconsideração da contabilidade; ocorrência de inconsistências entre informações prestadas em GFIP, em folhas de pagamento e em DIRF. Não há, entretanto, absolutamente nada concretamente relatado neste sentido. O lançamento fiscal deverá, pois, ser retificado, para exclusão do levantamento "PND PROLABORE NÃO DECLARADO", o que será demonstrado no anexo Discriminativo Analítico de Débito Retificado, ora juntado aos autos. [...]” A Notificada apresentou recurso (fls. 110/119), acompanhado de Anexos de fls. 120/126, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Santos/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000812/200952 Resolução n.º 2402000.244 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Analisandose as peças que compõem os autos, verifiquei a existência de óbice ao julgamento do recurso apresentado. A presente autuação remanescente referese à constituição do crédito tributário decorrente das contribuições sociais previdenciárias, correspondentes à parcela dos segurados empregados não descontada e não recolhida em época própria. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que objeto do lançamento fiscal seria o seguinte (Relatório Fiscal, fls. 21/30): “[...] 9.1 Levantamento NDG (Remunerações Não Declaradas em GFIPs). Em ação fiscal na empresa, ao serem analisadas as informações do Relatório Anual de Informação Social RAIS, foi constatado que havia divergências de valores, na competência 03/2005, entre o que aí a empresa informou e o que foi informado por ela nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIPs). Assim, procedemos à , apuração e lançamentos dessas diferenças, conforme descrito no relatório de lançamentos e CNISA em anexo. Ressaltase que um dos instrumentos utilizados por nós para a averiguação dos dados apresentados pela empresa em suas folhas de pagamento e GFIPs foi a RAIS. Os valores declarados nessa última devem ser condizentes com os totais das folhas e GFIPs. Para este batimento utilizamos dos arquivos digitais (GFIP) e comparamos as bases de cálculo de todos os trabalhadores. Que para nossa surpresa, a competência 03/2005 apresentou divergência, o que nos obrigou a efetuar o devido lançamento, tomandose por parâmetro a RAIS (arbitramento com fulcro no art. 33, parágrafo 3o da Lei n° 8.212/91). [...], fl. 26” A DRJ em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0532.618 da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 97/103) – assentou em seu bojo o seguinte teor: “[...] Diferenças de remuneração de segurados O levantamento correspondente ao código "NDG REM SEGURADOS NÃO DECLARADO" foi incluído em três lançamentos lavrados na auditoria FISCAL: DEBCAD 37.234.3295, que compreende crédito tributário relativo às contribuições do empregador; DEBCAD 37.234.3309, que compreende crédito tributário a cargo dos segurados empregados, cuja responsabilidade pela arrecadação e recolhimento é do empregador; e DEBCAD 37.234.3317, que compreende contribuições para terceiros/outras entidades. Estas contribuições foram lançadas com base na constatação de divergências entre as massas salariais determinadas a partir dos valores declarados pelo Contribuinte em GFIP e RAIS. Tais Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 divergências resultaram de consulta ao sistema informatizado da Previdência Social/DATAPREV, denominado "CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Totais de Vínculos e Massa Salarial RAIS GFIP", de cujo extrato uma cópia foi juntada aos autos do lançamento fiscal DEBCAD 37.234.3295, já mencionado. Neste caso, há que se manter o crédito fiscal, pois a impugnação não apresentou quaisquer objeções específicas, tendo o Contribuinte promovido, inclusive, o recolhimento do crédito tributário relativo ao processo DEBCAD 37.234.3317 (contribuições para terceiros/outras entidades), que, como se viu, foi lavrado sob os mesmos fundamentos de fato.[...]” Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal que: “[...] 2. DO EFETIVO PAGAMENTO DA QUANTIA DE R$ 1.788,28. RELACIONADO NO ITEM 1 DO DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO. 2.1 Como mencionado no SUBITEM 1.1, supra, a diferença desse valor foi apurada sob o argumento de que, "ao serem analisadas as informações do Relatório Anual de Informação Social RAIS, foi constatado que havia divergências de valores, na competência 03/2005, entre o que aí a empresa informou e o que foi informado por ela nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIPs). Assim, procedemos à apuração e lançamentos dessas diferenças, conforme descrito no relatório de lançamentos e CNISA em anexo". 2.2 Data vênia, não procede a afirmativa, ainda que o RECORRENTE reconheça a existência da divergência de valores na competência 03/2005, entre o que foi informado na RAIS e o que constou da GFIP desse mês. Com efeito, como se observa no doc. n° 01, anexo, que corresponde à GUIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL GPS referente à COMPETÊNCIA 03/2005, foi recolhida a quantia de R$ 182.718.94, enquanto que, na GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES A PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP, também correspondente a essa mesma competência (v. doc. n° 02), foi indicado, como "VALOR DEVIDO À PREVIDÊNCIA SOCIAL", o importe de R$ 176.408.49, sendo que, em 11/07/2005, foi apresentada GFIP complementar (v. doc. n° 03), na quantia de R$ 6.310.38. perfazendo aquele total recolhido de R$ 182.718.94. 3. PEDIDO. 3.1 Diante do exposto, e considerando que, na realidade, inexistem diferenças a recolher, visto que aquele valor lançado, de R$ 1.788.28, foi recolhido em 04/04/2005, pede e espera o RECORRENTE, por ser de justiça, e para que seja evitada a propositura de ação de execução desnecessária, que seja dado provimento ao presente recurso, com o conseqüente cancelamento da exigência impugnada. [...]” Os elementos probatórios juntados aos autos pela Recorrente – que noticiam o recolhimento das contribuições sociais apuradas, por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS’s), juntadas às fls. 120, 121 e 124, assim como as respectivas GFIP’s, acompanhados dos protocolos de entrega desses documentos, fls. 122/126 – são cópias de documentos que deverão ser analisados pela AuditoriaFiscal (Fisco). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000812/200952 Resolução n.º 2402000.244 S2C4T2 Fl. 4 7 Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal – inclusive deverá verificar se efetivamente foram realizados os recolhimentos das contribuições sociais noticiados pela Recorrente, por meio de cópias de GPS acostadas aos autos, acompanhados de cópias de entrega das GFIP’s –, para o levantamento “NDG REM SEGURADOS NÃO DECLARADO”, submetido à controvérsia instaurada no presente processo. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10480.721782/2009-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. NOTIFICAÇÃO. CAIXA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ART. 23, III, § 2º, III, § 4º, II, E § 5º, DO PAF.
Quando o contribuinte adere à Caixa Postal, pelo Módulo e-CAC do site da Receita Federal, seu domicílio tributário passa a ser o endereço eletrônico, de modo que a notificação passa a acontecer na forma do art. 23, III, do Decreto nº 70.235/72.
Depois de disponibilizada na Caixa Postal, a notificação considera-se realizada 15 dias depois, caso o contribuinte não a acesse antes. É indiferente, no entanto, o fato de o contribuinte ter acessado a Caixa Postal depois de esgotado este prazo ou ter dado ciência pessoal ou tomado ciência por outra forma.
Esgotado o prazo de 15 dias para tomar conhecimento, começou o prazo de 30 dias para a interposição de recurso voluntário. O recurso interposto depois desta data é intempestivo.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar conhecimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Mário Luiz Oliveira da Costa, OAB/SP nº117.622.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. NOTIFICAÇÃO. CAIXA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ART. 23, III, § 2º, III, § 4º, II, E § 5º, DO PAF. Quando o contribuinte adere à Caixa Postal, pelo Módulo eCAC do site da Receita Federal, seu domicílio tributário passa a ser o endereço eletrônico, de modo que a notificação passa a acontecer na forma do art. 23, III, do Decreto nº 70.235/72. Depois de disponibilizada na Caixa Postal, a notificação considerase realizada 15 dias depois, caso o contribuinte não a acesse antes. É indiferente, no entanto, o fato de o contribuinte ter acessado a Caixa Postal depois de esgotado este prazo ou ter dado ciência pessoal ou tomado ciência por outra forma. Esgotado o prazo de 15 dias para tomar conhecimento, começou o prazo de 30 dias para a interposição de recurso voluntário. O recurso interposto depois desta data é intempestivo. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar conhecimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 17 82 /2 00 9- 69 Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente o Dr. Mário Luiz Oliveira da Costa, OAB/SP nº117.622. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 3/72 eprocesso) lavrado para a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os fatos geradores ocorridos no período entre 20/02/2004 a 20/05/2008. A notificação do contribuinte aconteceu em 25/02/2009 (fl. 113e). O Termo de Verificação Fiscal (fls. 93/108e) explicita que a autuação é baseada em três motivos – (a) que houve erro do contribuinte em relação à classe de tributação aplicável às bebidas que produz; (b) que as operações de devolução de produtos exigem o estorno dos créditos da entrada; e (c) que o contribuinte realizou aproveitamento indevido de crédito em relação a operações de recebimento de produtos de outro estabelecimento e a aquisições de determinados insumos – que são melhor detalhados abaixo:. a) ERRO DE CLASSE DE VALOR DE IPI A Fiscalização explica inicialmente que “Os produtos vodca, uísque, caipirosca e batida, acondicionados em recipientes para venda ao consumidor (recipiente de capacidade máxima de um litro exceção feita ao uísque, que pode ser vendido ao consumidor em recipiente de capacidade superior a um litro), estão sujeitos ao regime de tributação previsto no artigo 139 do RIPI/2002. Nesse regime de tributação, os produtos sujeitamse ao imposto, por unidade, de acordo com as classes de valores de IPI, em Reais, constantes da Nota Complementar NC (223)” e que, “De acordo com o artigo 143 do RIPI/2002, os produtos sujeito ao regime pagarão o IPI uma única vez (os nacionais, na saída do estabelecimento industrial, ou do estabelecimento equiparado a industrial; os estrangeiros, por ocasião do desembaraço aduaneiro), ressalvado o caso de industrialização por encomenda, quando o imposto será devido na saída do estabelecimento que os industrializar e na saída do estabelecimento encomendante. Neste caso, o estabelecimento encomendante poderá creditarse do imposto cobrado na saída do estabelecimento executor da encomenda (art. 143, §2º)” (fl. 93). Verificou que a contribuinte havia iniciado sua atividade em 2004 mas que não industrializa diretamente nenhum de seus produtos, fazendoo na forma de industrialização por encomenda, sendo que “O primeiro estabelecimento executor de suas encomendas foi a matriz da empresa PERNOD RICARD BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que foi substituído a partir de 2006 pelo estabelecimento filial 02 da empresa VITI VINICOLA CERESER LTDA” (fl. 93). Relata que em 2004 a contribuinte apresentou requerimentos de enquadramento de produtos, tendo ocorrido o seguinte: Não obstante os pedidos de enquadramento formulados, as informações a respeito da composição, da fermentação, da destilação, do teor alcoólico, da quantidade de açúcar e do preço de venda não foram fornecidas, exceção feita às referentes a SMIRNOFF MARACUJÁ TWIST (batida). Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.721782/200969 Acórdão n.º 3403002.141 S3C4T3 Fl. 1.758 3 Mesmo sem estas informações, os produtos SMIRNOFF CITRUS TWIST (batida), SMIRNOFF ORANGE TWIST (batida) e SMIRNOFF RED FRUIT TWIST (batida) foram enquadrados na maior classe de valor para a capacidade do recipiente em que são comercializados, ou seja, a classe “P” (R$ 1,84), por meio do ADE (Ato Declaratório Executivo) SRF no 25/2004. O mesmo procedimento não ocorreu com relação à VODCA SMIRNOFF e ao UÍSQUE BELL’S. Nesta situação, enquanto não publicado o ADE de enquadramento, a DIAGEO deveria enquadrar os produtos na tabela constante do artigo 149 na maior classe de valores, observadas as classes por capacidade do recipiente, conforme previsto no artigo 150, §6º, do RIPI/2002. § 6º Após a formulação do pedido de enquadramento de que trata o caput e enquanto não editado o ato pelo Ministro da Fazenda, o contribuinte deverá enquadrar o seu produto na tabela constante do Artigo 149 na maior classe de valores, observadas as classes por capacidade do recipiente. (...) Se a DIAGEO tivesse observado as regras de enquadramento teria enquadrado a VODCA SMIRNOFF na classe “S” (R$ 3,34) e o UÍSQUE BELL’S na classe “U” (R$ 4,97). No entanto, ela enquadrou a vodca na classe “O” (R$ 1,50) e o uísque na classe “S”. A classe “O” é inclusive menor do que as classes de valores concedidas ao próprio estabelecimento industrializador da vodca: PERNOD RICARD, classe “Q” (R$ 2,23); VITI VINICOLA, classe “R” (R$ 2,74). Este procedimento resultou em lançamento de IPI menor que o devido. (...) Intimado por via postal em 15/05/2009 (Termo de Intimação Fiscal 02) a informar o número do ato administrativo que concedeu o enquadramento de seus produtos, a DIAGEO apresentou como prova o documento identificado como “Anexo 6”. Neste anexo estão relacionados o (...) o Ato Declaratório SRF nº 17/99 (que divulgou o enquadramento da VODCA SMIRNOFF para o estabelecimento matriz da UDV, CNPJ 62.261.391/000155, atualmente CAMPARI DO BRASIL LTDA) e o Ato Declaratório SRF nº 12/99 (que divulgou o enquadramento do UÍSQUE BELL’S para o estabelecimento matriz da BACARDI MARTINI DO BRASIL IND. COM. LTDA., CNPJ 50.706.019/00126). Constatase, portanto, que a DIAGEO adotou nas saídas de VODCA SMIRNOFF e UÍSQUE BELL’S os mesmos enquadramentos concedidos, respectivamente, à CAMPARI e à BACARDI para esses mesmos produtos. Segundo o artigo 518, inciso IV, do RIPI/2002, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa jurídica, são Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 considerados autônomos. Assim, nenhum estabelecimento poderá adotar nas suas saídas o enquadramento em classe de valor de IPI concedido a outro estabelecimento, mesmo que este estabelecimento pertença à mesma pessoa jurídica. Se o enquadramento adotado foi concedido à empresa distinta, aí é que não pode mesmo. As classes de valores de IPI adotadas pela DIAGEO para a VODCA SMIRNOFF, para o UÍSQUE BELL’S, para a SMIRNOFF MARACUJÁ TWIST (batida) e para a CAIPIROSKA estão em desacordo com a legislação do IPI, razão pela qual estes produtos foram enquadrados de ofício, conforme determina o artigo 150, §4º, do RIPI/2002. § 4º O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais (Lei nº 7.798, de 1989, Artigo 2º, § 3º). (...) Certificado de que as classes de valores de IPI adotadas pela DIAGEO nas saídas dos produtos VODCA SMIRNOFF, UÍSQUE BELL’S, SMIRNOFF MARACUJÁ TWIST (batida) e CAIPIROSKA não têm amparo em atos administrativos, procedemos ao levantamos do preço med́io praticado na venda destes produtos e solicitamos à autoridade administrativa da DRF/RECIFE o enquadramento de ofício. (...) O enquadramento de ofício está no anexo ADE nº 67, de 28/07/2009, emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Recife (publicado no DOU de 29/07/2009). O IPI não lançado em decorrência do erro de enquadramento está demonstrado no anexo “SAID́AS COM IPI LANÇADO A MENOR”. (fls. 93/98e) Portanto, houve o lançamento do IPI em relação aos fatos geradores ocorridos nos cinco anos anteriores, com fundamento no reenquadramento de classes contido no ADE nº 67/2009. b) FALTA DE ESTORNO DE CRÉDITO Assim relata a Fiscalização (fl. 99e): Conforme mostra a documentação anexa, em 2007 e 2008 a DIAGEO devolveu ao executor da encomenda VITI VINICOLA CERESER parte da produção de vodca recebida porque estava fora dos padrões de qualidade e imprópria para o consumo. Por esta ocasião, ao invés de estornar o IPI incidente sobre o produto, ela simplesmente tributou a saída à razão de R$ 1,50 por unidade (classe “O”). O produto, como já mencionado anteriormente, foi tributado na saída do estabelecimento executor da encomenda a R$ 2,74 por unidade (classe “R”), valor que foi apropriado como cred́ito. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.721782/200969 Acórdão n.º 3403002.141 S3C4T3 Fl. 1.759 5 No anexo GLOSA DE CRÉDITO RETORNO AO INDUSTRIALIZADOR DE PRODUTOS FORA DOS PADRÕES DE QUALIDADE estão demonstrados os valores glosados em decorrência desta irregularidade. A glosa ficou limitada à diferença entre o IPI cobrado pelo executor da encomenda e o valor destacado pelo encomendante no retorno do produto, pois consideramos recuperável o IPI incidente sobre os insumos utilizados na industrialização da vodca: álcool hidratado, garrafas, tampas, caixas etc. c) APROVEITAMENTO DE CRÉDITO INDEVIDO A Fiscalização entendeu que não haveria direito de crédito em relação às seguintes situações, em relação às quais procedeu a glosa dos créditos na escrituração: • Os produtos vodca, uísque, caipirosca e batida pagam o imposto uma única vez, na saída do estabelecimento. Desta forma, o creditamento do IPI destacado nas transferências de produtos do estabelecimento filial 06 e ́indevido pois os produtos não são utilizados em nova industrialização e não podem ser novamente tributados na saída do estabelecimento que os recebeu. • O creditamento não tem amparo no artigo 164, os produtos não são utilizados na industrialização de vodca, uísque, caipirosca e batida. • Por último, e ́indevido o creditamento decorrente de estorno de débito de lançamento a maior, porque, ao contrário, constatamos que o IPI lançado pela DIAGEO sempre foi igual ou menor do que o devido. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 1430/1463e) alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por falta de motivação, deficiência de sua fundamentação fática e impossibilidade de se identificar com precisão a origem do crédito tributário. Alega ainda, que os fatos geradores anteriores à 03/08/2004 teriam sido atingidos pela decadência, em razão de a contagem do prazo contarse na forma do art. 150, § 4º do CTN, por se tratar de lançamento por homologação. Quanto ao mérito, afirma ter realizado a apuração correta do IPI em relação à Vodca Smirnoff e ao Uísque Bells, pois foram utilizadas as classes nas quais estas marcas de produtos já estavam regularmente enquadradas anteriormente. Alega, em síntese, que “o fato de ter havido a aquisição da marca ou mesmo a alteraçào de local de fabricação ou de comercialização das bebidas não implicava a necessidade de serem formulados ou expedidos, de ofício, novos atos de enquadramento” (fl. 1442e). Defende que a autonomia dos estabelecimentos prevista no art. 518, IV, do RIPI não tem a implicação pretendida pela Fiscalização, pois “está ligado ao dever de cada unidade apurar, declarar e recolher autonomamente seus tributos. Tal obrigação em nada se confunde ou influi na aplicação do regime de classes aplicável ao setor de bebidas. A classe, Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 como já referido, aplicase ao produto, sendo irrelevante, para esse fim, o estabelecimento produtor” (fl. 1442/1443e). Defende que o enquadramento em nova classe não pode ter efeito retroativo, mas apenas a partir de sua publicação, conforme previsto no art. 5º da IN nº 249/02 e reafirmado pelo Ato Declaratório Normativo nº 23/03. Combate a alegação da Fiscalização de que faltariam informações nos requerimentos apresentados ou que as informações seriam incorretas, alegando que tal afirmação é equivocada e não corresponde à realidade dos fatos, pois os formulários apontados pela fiscalização referemse a documentos internos da própria Receita, e não os requerimentos efetivamente entregues pelo contribuinte, que tinham todos os seus campos preenchidos (fls. 1448/1449e) No que se refere ao item (b) da autuação, alega o contribuinte que “no caso em exame não houve, propriamente, devolução de mercardorias, que implicaria o dever de estorno do crédito, com fundamento no art. 193, VI, do RIPI. A devolução pressupõe o retorno definitivo da mercadoria ao remetente original, encerrando nele o ciclo de comercialização do bem” (fl. 1453e), pois teria havido apenas o reenvio das mercadorias para aprimoramento. Quanto ao item (c), alega que seria legítimo o direito de crédito pela transferência de produtos da filial para o estabelecimento autuado, visto que, conforme entendimento manifestado em consulta fiscal pela 8ª Região Fiscal entendeuse pela impossibilidade de haver a suspensão do IPI na transferência de bebidas entre estabelecimentos da mesma empresa, de modo que estaria obrigada a destacar o imposto em tal operação. Em relação à outra parte dos créditos glosados, explica que “diz respeito a caixas (embalagens) e copos que foram adquiridos para a venda promocional de produtos, os denominados “packs” , em que uma ou mais unidades são embaladas em caixas promocionais, com copos e outros acessórios” (fl. 1458), de maneira que, por se configurarem como produto intermediário e material de embalagem, geram crédito nos termos do art. 164 do RIPI. Em relação à aplicação da multa, alega que haveria duplicidade, defendendo que a multa aplicada nas situações de cobertura de crédito apenas seria cabível quando não houvesse lançamento de imposto no mesmo período, pois quando há o lançamento do imposto a multa já seria aplicada sobre este valor. Por fim, protesta o contribuinte em relação à determinação de estorno imediato do saldo credor final de IPI, argumentando que “até que a questão seja decidida no foro adequado, nenhuma exigência a respeito pode ser formulada, sob pena de violação ao art. 151, III do CTN” (fl. 1461e). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ), por meio do Acórdão nº 1135.239, de 20 de outubro de 2011 (fls. 1662/1686 eprocesso), por unanimidade de votos, considerou a impugnação improcedente, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.721782/200969 Acórdão n.º 3403002.141 S3C4T3 Fl. 1.760 7 A falta ou insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Não prestadas as informações para o enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores, ou prestadas de maneira incompleta ou incorreta, haverá enquadramento ou reenquadramento de ofício das bebidas, com a exigência da diferença de imposto e dos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões de órgãos singulares ou colegiados de jurisdição administrativa possuem efeito inter partes. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, não proferidas pelo STF, sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008 AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. Quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, de forma alguma, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos, bem como a afronta a princípios constitucionais, está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O voto proferido pelo relator combate as alegações de nulidade com base nos art. 142 do CTN, art. 10 do Decreto nº 70.235 e art. 59 do PAF, concluindo que encontramse presentes os requisitos formais indispensáveis e nenhuma hipótese de nulidade, “posto que o auto foi lavrado por autoridade competente e não restou caracterizado cerceamento do direito de defesa, tendo sido o autuado devidamente cientificado do lançamento e apresentado todas as razões de defesa que entendeu pertinente, através das quais inclusive demonstrou ter entendido com clareza todo o procedimento fiscal realizado, não há que se cogitar da nulidade do auto d infração, que foi devidamente fundamentado, não havendo qualquer mácula a princípios, a exemplo do da verdade material e o da tipicidade” (fl. 1672 eprocesso). No referente à argüição de decadência, entendeu que, pelo fato de a modalidade de lançamento do IPI ser por homologação, é necessário que haja um pagamento anterior para que esse tipo de lançamento fique consumado. E, “caso concreto, conforme Reconstituição da Escrita Fiscal, não houve pagamento antecipado em nenhum dos períodos de apuração, e não há o que se falar em homologação tácita ou expressa, e a análise da decadência deve ser feita como no lançamento de ofício, que é regido pelo art. 173, I, do CTN”. Deste modo, “para os períodos de apuração anteriores a 03/08/2004, em que não houve pagamento antecipado, a contagem do prazo da decadência iniciasse a partir de 1º de janeiro de 2005, encerrandose em 31 de dezembro de 2009. Como a impugnante tomou ciência do lançamento em 03/08/2009, não ocorreu a decadência, como erroneamente alegado pela contribuinte.” (fl. 1673 eprocesso). Quanto às decisões judiciais e administrativas juntadas, lembrou que “quanto à referência a entendimentos exarados em decisões prolatadas pelo Judiciário, vale lembrar que o entendimento nelas expresso sobre a matéria fica restrito às partes integrantes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso” e “no que concerne aos julgados da Jurisprudência Administrativa, a que se reporta a defesa, cumpre esclarecer que os acórdãos trazidos ao processo não têm o condão de vincular esta instância de julgamento. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, as decisões administrativas necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei, como determina o art. 100, inciso II, do CTN” (fl. 1674 eprocesso). A respeito do enquadramento fiscal de bebidas, foram rejeitadas as questões suscitadas pela impugnante sob os seguintes argumentos: Depreendese, de tudo que foi expendido, que o estabelecimento industrial que atua na área de bebidas sujeitas ao sistema tributário de classes de valores, munido de registro especial regularmente concedido, podia começar a comercializar uma bebida nova com um enquadramento fiscal provisório (de caráter genérico, sem levar em conta a marca comercial, fixado Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.721782/200969 Acórdão n.º 3403002.141 S3C4T3 Fl. 1.761 9 em Ato Declaratório de acordo com a capacidade de recipiente), enquanto não fosse editado Ato Declaratório em função da marca comercial, resultante do pedido de enquadramento efetuado simultaneamente ao início da comercialização do produto. Atualmente, sob a égide do RIPI/2002, o enquadramento fiscal provisório das bebidas é feito de acordo com o art. 150, § 6º (maior classe de valores da tabela do art. 149, correspondente à capacidade do recipiente da bebida), respeitadas as disposições interpretativas do ADI SRF nº 1, de 2003. O enquadramento “definitivo”, específico para a marca comercial, isto é, aquele efetuado conforme o que for definido em Ato Declaratório Executivo em conseqüência de solicitação de enquadramento, sempre é passível de alteração (reenquadramento) consoante as modificações das condições de comercialização da bebida, notadamente o preço de venda, a pedido do sujeito passivo, sendo cobradas as diferenças de imposto porventura existentes no intervalo entre a data de solicitação de enquadramento ou reenquadramento e a edição de ADE, ou concedido o crédito ao sujeito passivo. Por outro lado, o enquadramento ou reenquadramento de ofício ocorre quando o sujeito passivo deixar de prestar informações, ou prestálas de forma incompleta ou incorreta, com a cobrança da diferença de imposto, incluídos consectários legais. Cumpre, então, nos próximos parágrafos, examinar as bebidas incluídas na peça impositiva Ressaltase que os produtos vodca, uísque, caipirosca e batida, acondicionados em recipientes para venda ao consumidor (recipiente de capacidade máxima de um litro exceção feita ao uísque, que pode ser vendido ao consumidor em recipiente de capacidade superior a um litro), estão sujeitos ao regime de tributação previsto no artigo 139 do RIPI/2002. Nesse regime de tributação, os produtos sujeitamse ao imposto, por unidade, de acordo com as classes de valores de IPI, em Reais, constantes da Nota Complementar NC (223). (...) Portanto, restaram comprovadas irregularidades quanto ao enquadramento da VODCA SMIRNOFF e do UÍSQUE BELL'S. No tocante ao produto SMIRNOFF MARACUJÁ TWIST (batida), como visto, seu pedido de enquadramento foi indeferido. (...) De acordo com os autos, a Interessada promoveu o enquadramento, erroneamente, dos produtos VODCA SMIRNOFF e UÍSQUE BELL'S. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Se a DIAGEO tivesse observado as regras de enquadramento teria enquadrado a VODCA SMIRNOFF na classe "S" (R$ 3,34) e o UÍSQUE BELL'S na classe "U" (R$ 4,97). No entanto, ela enquadrou a vodca na classe "O" (R$ 1,50) e o uísque na classe "S". A classe "O" é inclusive menor do que as classes de valores concedidas ao próprio estabelecimento industrializador da vodca: PERNOD RICARD, classe "Q" (R$ 2,23); VITI VINICOLA, classe "R" (R$ 2,74). Este procedimento resultou em lançamento de IPI menor que o devido. (...) Segundo o artigo 518, inciso IV, do RIPI/2002, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa jurídica são considerados autônomos. Assim, nenhum estabelecimento poderá adotar nas suas saídas o enquadramento em classe de valor de IPI concedido a outro estabelecimento, mesmo que este estabelecimento pertença à mesma pessoa jurídica. Se o enquadramento adotado foi concedido à empresa distinta, aí é que não pode mesmo. As classes de valores de IPI adotadas pela DIAGEO para a VODCA SMIRNOFF e para o UÍSQUE BELL'S estão em desacordo com a legislação do IPI, razão pela qual estes produtos foram enquadrados de ofício, conforme determina o artigo 150, §4°, do RIPI/2002. (...) Ora, diante de todas essas considerações a respeito dos pedidos de enquadramento, não há como acatar a alegação de que a RFB teria homologado tacitamente enquadramentos de bebidas. (...) Conforme exaustivamente explanado nas linhas anteriores, com fundamento estritamente legal (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 3º), a falta de prestação de informações concernentes às bebidas ou a prestação incompleta ou incorreta destas dá azo ao enquadramento ou reenquadramento de ofício, com a cobrança da diferença de imposto acrescida de encargos legais. Também, a adoção de enquadramento provisório, não impede a cobrança da diferença do imposto que deixou de ser recolhido, caso haja diferenças entre o enquadramento adotado pela empresa e o definitivo, estipulado pela RFB em Ato Declaratório. (...) Em virtude das infrações apuradas, fezse necessário reconstituir a escrita fiscal do IPI, porque a DIAGEO apurou saldo credor no período fiscalizado. Portanto, para adequar a escrita fiscal do IPI à realidade apurada pela fiscalização até maio, foi a DIAGEO intimada a promover ao estorno do crédito de R$ 2.378.129,91 (dois milhões, trezentos e setenta e oito mil, cento e vinte e nove reais Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.721782/200969 Acórdão n.º 3403002.141 S3C4T3 Fl. 1.762 11 e noventa e um centavos), mediante lançamento no RAIPI, no período de apuração correspondente à data da ciência do presente auto de infração, tendo em vista que o saldo reconstituído apurado no último decêndio de maio é devedor, conforme mostra a anexa planilha "RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DO IPI". Desta forma, independentemente da apresentação da impugnação relacionada ao presente AI, é devido o estorno imediato do crédito, em questão. A impugnação, no caso, não implica na suspensão da exigibilidade do crédito tributário (estorno), tendo em vista que a reconstituição da escrita fiscal do IPI já foi realizada, de forma irreparável. Quanto à compensação, vale, apenas, repisar: esclarecem as Autoridades Fiscais que, no período fiscalizado, o estabelecimento matriz da DIAGEO apresentou pedidos de ressarcimento/compensação de IPI, tendo como detentor dos créditos o estabelecimento sob fiscalização. Diante de tal situação, os referidos pedidos foram analisados, sendo o resultado da análise submetido à apreciação pela autoridade administrativa da DRF (Delegacia da Receita Federal do Brasil) de RECIFE. Concordando com a análise, se for o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil) de RECIFE emitirá Despacho Decisório, do qual o contribuinte posteriormente tomará ciência, ocasião em que, não concordando com a decisão, poderá apresentar manifestação de inconformidade perante à DRJ (Delegacia Regional de Julgamento) em RECIFE. Com base no relato fiscal, também foi rejeitada a alegação defensória de que não procede a acusação de suposto creditamento indevido, pois “a) os produtos vodca, uísque, caipirosca e batida pagam o imposto uma única vez, na saída do estabelecimento. Desta forma, o creditamento do IPI destacado nas transferências de produtos do estabelecimento filial 06 é indevido, pois os produtos não são utilizados em nova industrialização e não podem ser novamente tributados na saída do estabelecimento que os recebeu. Não basta o destaque na saída da filial. O creditamento não tem amparo no artigo 164. b) é indevido o creditamento decorrente de estorno de débito de lançamento a maior, porque, ao contrário, constatouse que o IPI lançado pela DIAGEO sempre foi igual ou menor do que o devido” (fl. 1684 e processo). No que toca à multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, a DRJ entendeu não se verificou nos autos a alegação de que esteja sendo aplicada a penalidade em duplicidade. Com efeito, a multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito tem amparo legal no art. 80, caput, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007, in verbis: Art. 13. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.” Conforme se observa, a teor do dispositivo acima transcrito, a multa deve ser imposta nas hipóteses de falta de lançamento ou falta de recolhimento. No presente caso, a conduta a ser penalizada é a falta de lançamento do imposto nas saídas de produtos tributados. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1708/1733 e), por meio do qual reafirma os argumentos de sua impugnação e pede o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso foi protocolado depois de ultrapassado o prazo para a sua interposição. O contribuinte optou pelo recebimento de notificações por meio de Caixa Postal Eletrônica, pelo Módulo eCAC do site da Receita Federal, de modo que a ciência do acórdão da DRJ aconteceu por meio de “TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO”, havendo prova nos autos do seguinte (fl. 1690e): Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.721782/200969 Acórdão n.º 3403002.141 S3C4T3 Fl. 1.763 13 Tendo sido disponibilizada no dia 15/02/2012, como não houve a ciência expressa do contribuinte (por meio de acesso à Caixa Postal) antes do dia 01/03/2012, considerouse o contribuinte intimado nesta última data, quando então começou a correr o prazo para a interposição do recurso voluntário, de 30 dias, com dies ad quem em 01/04/2012. O recurso voluntário, no entanto, apenas foi interposto em 24/07/2012 (fl. 1708e), depois de ultrapassado o prazo para sua interposição. Existe nos autos um termo de ciência pessoal (fl. 1703e), datado de 27/06/2012. Ocorre que este segundo ato de ciência não afasta o efeito das normas regulamentares que certificam a ciência do contribuinte no dia 30/03/2012. E isto se dá não apenas por força da legislação aplicável como também pelo fato de que o contribuinte concordou expressamente com as regras desta modalidade de domicílio fiscal. Esta sistemática de notificação amparase nos seguintes dispositivos do Processo Administrativo Fiscal (PAF Decreto nº 70.235/72): SEÇÃO IV Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: ............. III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) ............. § 2° Considerase feita a intimação: ............. III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) ............. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Assim, por adesão expressa do contribuinte, sua Caixa Postal passou a ser o seu domicílio tributário, de maneira que se considera feita a intimação depois de transcorridos 15 dias da entrega da mensagem em sua Caixa Postal. Depois de consumado este prazo, considerase feita a intimação, passando a fluir o prazo para a interposição do recurso voluntário, que se esgotou, neste caso, sem a interposição tempestiva do recurso. Em razão da intempestividade, nego conhecimento ao recurso voluntário. Ivan Allegretti Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11610.004786/2003-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Anos calendário: 1995, 1996 e 1997 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 em face de que o direito de pleitear restituição ou utilizar indébito em compensação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005, se apresentadas anteriormente a esta data, aplica-se, no caso, 10 (dez) anos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. As antecipações convertem-se em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1301-000.903
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 em face de que o direito de pleitear restituição ou utilizar indébito em compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005, se apresentadas anteriormente a esta data, aplicase, no caso, 10 (dez) anos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro Fl. 0DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11610.004786/200323 Acórdão n.º 1301000.903 S1C3T1 Fl. 2 3 Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 128/132, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (fl. 01), protocolizada em 08/04/2003, mediante a qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito no valor de R$ 2.005.364,08, relativo ao Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica dos anos calendários de 1995 a 1997e ao Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do anocalendário de 1995 (fl. 02). Da decisão recorrida, transcrevo a constatação na qual se fundou a conclusão e os termos do dispositivo: "Assim, tendo em vista que os recolhimentos dos valores objetos da presente solicitação ocorreram de 1995 a 1997 e, considerando ainda que o presente processo foi protocolizado em 08/04/2003, a presente solicitação ficou prejudicada (ocorrência de decadência do direito à restituição do indébito). No uso da competência delegada pela Portaria n° 54/2001, art. 2°, da DERAT/SPO, de acordo com o parecer retro, que aprovo, NÃO HOMOLOGO as compensações de débitos declaradas, por inexistir créditos líquidos e certos." A contribuinte foi cientificada a respeito do teor do despacho supracitado em 21/06/2004, conforme AR à fl. 141, verso. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 143/154), protocolizada em 05/07/2004, a recorrente apresenta as argumentações a seguir sintetizadas: • Embora concorde plenamente com o fundamento utilizado no despacho decisório, no sentido de que "o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo recolhido a maior se extingue após 5(cinco) anos contados da extinção do crédito tributário", discorda no tocante à determinação do termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal. • Sustenta que, sendo o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional, a "data da extinção do crédito tributário", termo inicial da contagem do referido prazo decadencial, não coincide com a data dos pagamentos indevidos, ocorrendo cinco anos contados a partir do fato gerador do tributo que ensejou o pagamento indevido. • A interpretação do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, combinado com o art. 150 do mesmo diploma, leva à inevitável conclusão de que o prazo para se pleitear a restituição de tributos recolhidos indevidamente é de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador; Invoca decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida e julgados do Conselho de Contribuintes de 1999, 2001, 2002 e 2003 entendimentos doutrinários e entendimento do Superior Tribunal de Justiça consolidado em julgados de 2004, em consonância com o critério de contagem de prazo decadencial pretendido. • O direito creditório pretendido deve ser reconhecido e, ato continuo, homologada a compensação pretendida, eis que o prazo para pleitear o reconhecimento do mais antigo de seus créditos — saldo negativo de tributo relativo ao anocalendário de 1995 — viria a se extinguir apenas em 30.12.2007, conforme demonstrado no quadro a fl. 153; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 • Requer, ainda, a suspensão do crédito tributário cuja compensação foi pleiteada, nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, do Decreto n° 70.235/72, e do art. 35, § 2°, da Instrução Normativa n° 210/2002; • Por fim, requer que as intimações e notificações relativas ao processo sejam encaminhadas não só à recorrente, mas também a seus advogados, a endereço informado. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão 1612.175, de 16/01/2007, julgando os lançamentos procedentes, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DOS DÉBITOS DECLARADOS. A apresentação de manifestação de inconformidade em face de decisão que não homologa a compensação declarada suspende os débitos no valor que não exceder o crédito informado na Declaração de Compensação. DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear o reconhecimento do crédito de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados anualmente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Incabível a homologação de compensação de débitos declarados à Secretaria da Receita Federal, quando o direito ao crédito utilizado para tal fim encontrase fulminado pela decadência. Compensação não homologada. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11610.004786/200323 Acórdão n.º 1301000.903 S1C3T1 Fl. 3 5 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Cingese a demanda em analisar as conclusões e o pedido do recurso voluntário, a saber: “DA CONCLUSÃO E DO PEDIDO Pelo exposto, considerando em suma que: (i) o prazo para restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, conforme entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e por esse E. Conselho de Contribuintes; (ii) a LC n° 118/05 não é aplicável ao presente caso, tendo em vista que esta não possui efeitos retroativos e deve ser aplicada apenas a fatos ocorridos a partir do inicio de sua vigência, isto é, 09 de junho de 2005; Requerse que o presente recurso seja integralmente provido para o fim desse Egrégio Conselho de Contribuintes reformar o Acórdão DRJ/SPOI n.°1612.175, homologandose, consequentemente, a compensação pleiteada pela Recorrente.” A recorrente fundamenta a sua inconformidade na denominada "tese dos dez anos de decadência", também conhecida por tese dos "cinco mais cinco , em alusão aos cinco anos que seriam necessários para que o "autolançamento" restasse tacitamente homologado e mais cinco anos contados a partir de então. Invoca jurisprudência do STJ a seu favor. Entendo proceder a afirmativa de que o pagamento antecipado extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo para pleitear a restituição. No caso, os pagamentos ocorreram nos anos base de 1995, 1996 e 1997, enquanto o pedido de restituição, data da declaração de compensação deuse em 08/04/2003. Necessário, portanto, definir a forma de contagem do prazo para que a contribuinte fizesse uso do indébito formado com a apuração de saldos negativos nos anos calendário de 1995, 1996 e 1997. Dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, representada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, pela data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trata de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. Vejase que, desde a edição do Ato Declaratório SRF nº 03/2000, também as Instruções Normativas/SRF nºs 600/2005 e 900/2008, a Receita Federal normatizando dispositivos da Lei 9.430/1996, admite a utilização do indébito correspondente a saldo negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Assim, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento é possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. Portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, deflagrandose, neste momento, o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. Importante observar ainda o que dispõe o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11610.004786/200323 Acórdão n.º 1301000.903 S1C3T1 Fl. 4 7 Nos termos da lei, o pagamento antecipado – e, por equivalência, as antecipações convertidas em pagamento no encerramento do período de apuração – extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operando se, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. A previsão da homologação, expressa ou tácita, como condição resolutiva confirma a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado. Observese que esta interpretação está corroborada pelo art. 3º Lei Complementar nº 118/2005, nos seguintes termos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por sua vez, aos órgãos administrativos de julgamento cumpre, apenas, apreciar a validade dos atos administrativos, mas não das normas gerais e abstratas, que lhes conferem fundamento de validade, editadas pelo Poder Legislativo, no exercício de sua competência precípua. Apenas o Poder Judiciário tem a competência de apreciação da validade formal e material dos preceitos normativos veiculados em normas jurídicas editadas pelo Poder Legislativo. É certo que o Regimento Interno do CARF determina a observância de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Todavia, a tese defendida pela interessada, foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinária nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 o acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Declarado o trânsito em julgado desta decisão, impõese a sua reprodução nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF, consoante dispõe o art. 62A do RICARF, antes citado. Embora a decisão reportese a prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal nada mais fez do que definir o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial, e portanto, no meu entender, aplicase ao caso em análise. Em suma, contrariamente ao que vinha decidido o Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a Lei Complementar nº 118/2005 somente seria aplicável aos pagamentos indevidos verificados após sua vigência, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado em 18/04/2003, direito creditório apurado em 31/12/1995 a 31/12/1997. Ou seja, avaliase conduta da contribuinte em data anterior à entrada em vigor da Lei Complementar nº Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11610.004786/200323 Acórdão n.º 1301000.903 S1C3T1 Fl. 5 9 118/2005, momento no qual o Supremo Tribunal Federal declarou válida a aplicação do novo prazo. Assim, observandose o que decidiu definitivamente o Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, concluise que em 18/04/2003 data anterior à entrada em vigor do novo prazo (cinco anos) estipulado na LC 118/2005, contase, no caso em apreço, o prazo de 10 (dez) anos, iniciado em 01/01/1996 e encerrandose em 01/01/2006, para a contribuinte valerse, em compensação, de créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração anual, encerrado em 31/12/1995 (mais antigo). Destarte, forçoso concluir que o presente processo deverá retornar à DRF de origem (DERAT/SP) para verificação da documentação comprobatória da legitimidade de tais créditos, que possam assegurar certeza e liquidez, pois, cabe ao órgão local da SRF verificar a legitimidade dos mesmos e proceder a conferência dos valores envolvidos. Tendo em vista o acima exposto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para afastar a prescrição do direito de repetir o indébito e, restituir os autos do presente processo à DERAT/SP para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 12268.000143/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2006 RELEVAÇÃO - MULTA Para haver a relevação da multa é necessário que o contribuinte corrija a falta de modo adequado, entregando a GFIP retificadora apta a substituir a anterior. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35-A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringe-se a declaração inexata de GFIP, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.398
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja recalculada, caso seja mais benéfica, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1999. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles
Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no
mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A,
da Lei 8.212/91, caso este seja mais
benéfico à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao
cálculo da multa de ofício mais benéfica a comparação entre a penalidade do inciso I do art. 44
da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91, nos
termos do voto do(a) Redator(a) designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira
Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para
determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como
determina o Art. 35A
da Lei 8.212/1991, deduzindose
as multas aplicadas nos lançamentos
correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por
unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da
Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva.
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LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. Quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringese a declaração inexata de GFIP, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja recalculada, caso seja mais benéfica, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 8.212/1999. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa de ofício mais benéfica a comparação entre a penalidade do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12268.000143/200744 Acórdão n.º 230102.398 S2C3T1 Fl. 134 3 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.125.0196, o qual exige multa pelo fato de a empresa não ter declarado os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias decorrentes de remuneração paga aos sócios da empresa no período de 07/2005 a 09/2006, por intermédio da empresa Spirit Marketing Promocional Ltda. A empresa autuada apresentou sua impugnação as fl, 24 dos autos requerendo o cancelamento da multa, haja vista apresentar as GFIPs correspondentes ao período fiscalizado. A DRJ de Curitiba manteve integralmente o presente AI pois entendeu que não houve a correção da falta na medida em que “a planilha de fl. 17 indica que em todas as competências a que se refere a autuação a empresa possuía um mínimo de 523 e um máximo de 788 empregados.” E “consultandose as GFIP's anexadas aos autos e também as constantes do sistema GFIP WEB verificase com clareza que delas não constam nenhum dos empregados acima, mas apenas os dois contribuintes individuais arrolados pela Fiscalização na autuação.” A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário renovando os argumentos traçados na impugnação. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso é tempestivo, uma vez que o dia 22 de maio de 2008, encerramento do trintídio legal foi feriado nacional (Corpus Christi), prorrogandose, dessa forma para o primeiro dia útil subseqüente, qual seja, 23 de maio daquele ano. Assim não há óbice para seu conhecimento. Tal como sustentado pela decisão recorrida entendo que o sujeito passivo não corrigiu a falta de modo adequado, já que a suposta GFIP retificadora contemplou apenas os dois segurados que teriam recebido os prêmios, quando de fato a GFIP deve relacionar todos os trabalhadores, inclusive aqueles constantes na GFIP a ser retificada, de modo a demonstrar a real situação dos fatos geradores. Na pratica, se fosse considerada essa retificação por parte do sujeito passivo estaria consignado que a empresa teria apenas dois segurados contribuintes individuais, o que não contemplaria os segurados empregados os quais, como apontado nesses autos variam, no período fiscalizado entre 523 a 788. Deveria a empresa ter transmitido GFIP que além de considerar os fatos geradores relacionados aos empregados já informados na anterior, deveria contemplar também os sócios contribuintes individuais. Em relação à aplicação da tabela de segurados para o cálculo da multa, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. A penalidade aplicada ao caso era a prevista no § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual previa multa de 100% (cem por cento) sobre o valor devido da contribuição não declarada, limitada pelo número de segurados. É certo que o artigo acima citado foi, no curso desse processo, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a qual instituiu uma nova multa para casos como esse ora analisado, previsto no novel artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou não da aplicação do que dispõe a alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Segundo as novas disposições legais, a multa prevista no recente dispositivo legal prevê multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, tal como ocorre no caso. Entendo que não se aplica ao caso a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91 uma vez que esse referese apenas ao lançamento de contribuições previdenciárias, não cabendo interpretação extensiva para incluir nesse dispositivo a “declaração inexata” do artigo 44 ao qual ele faz referência. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12268.000143/200744 Acórdão n.º 230102.398 S2C3T1 Fl. 135 5 A meu ver houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para limitar a multa aplicada nos termos do inciso I do artigo 32 A da Lei 8.212/91, se mais benéfico à Recorrente, sendo que no mais, fica mantido, na íntegra, o presente Auto de Infração. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009 Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de três situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta. 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12268.000143/200744 Acórdão n.º 230102.398 S2C3T1 Fl. 136 7 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP: o art. 32A e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Para tanto, nossa análise percorre o seguinte caminho: primeiro verificamos a existência de diferença de contribuição constada no mesmo procedimento de ofício, depois determinamos a multa de ofício aplicável e, por último, na ausência de diferença de tributo, verificamos a multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Logo, apurada diferença de contribuição, a falta de apresentação da GFIP e a declaração inexata da GFIP, hipótese antes punidas pelos §§4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212/981, são puníveis pela multa de 75% sobre a diferença do tributo, com base no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Por fim, se não foi apurada diferença de contribuição, hipótese antes punida pelo §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a MP 449 previu a aplicação da multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida em na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. No tocante às penalidades que se relacionam com a GFIP, o novo regime das infrações relativas às contribuições previdenciárias prevê que separemos duas situações: quando houver diferença de tributo e quando não houver tal diferença. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12268.000143/200744 Acórdão n.º 230102.398 S2C3T1 Fl. 137 9 Nas competências em que houver tal diferença, ou seja, quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringese a declaração inexata de GFIP, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Nas competências em que não houver tal diferença, ou seja, quando a multa for fundamentada no §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a comparação há de ser feita com o art. 32 A da Lei 8.212/91, prevalecendo a multa mais benéfica. Portanto, votamos em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa mais benéfica a comparação entre a penalidade do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das penalidades dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/9 (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 24/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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