Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10865.000917/99-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões
definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
“Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados”
Numero da decisão: 9303-001.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso do contribuinte para afastar a ocorrência da prescrição e determinar o retorno à unidade preparadora para exame do mérito.
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados”
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10865.000917/99-56
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4879363
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.829
nome_arquivo_s : 930301829_108650009179956_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Julio Cesar Alves Ramos
nome_arquivo_pdf_s : 108650009179956_4879363.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso do contribuinte para afastar a ocorrência da prescrição e determinar o retorno à unidade preparadora para exame do mérito.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
id : 4749542
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359706836992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.000917/9956 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303001.829 – 3ª Turma Sessão de 02 de fevereiro de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente AVIATEC AVIAMENTOS TECIDOS E CONFECÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso do contribuinte para afastar a ocorrência da prescrição e determinar o retorno à unidade preparadora para exame do mérito OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 12/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Relatório Analisase recurso do contribuinte contra decisão da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes parcialmente favorável quanto a pleito de restituição cumulada com compensação de indébitos tributários decorrentes de recolhimentos de PIS efetuados com observância das disposições posteriormente declaradas inconstitucionais dos decretosleis 2.445 e 2.449, entre os meses de janeiro de 1990 (competência julho de 1989) e junho de 1995 (competência dezembro de 1994). . O pedido, formalizado em junho de 1999, lhe fora integralmente indeferido pela SRF em face da alegada ocorrência de decadência do direito atinente aos recolhimentos efetuados até a data de 10 de junho de 1994 em aplicação dos arts. 165, I e 168, I do CTN. Com respeito aos recolhimentos não atingidos, entendeu a SRF não terem sido eles indevidos, porque não reconhecida a chamada semestralidade. Na Câmara recorrida, procedeuse à revisão daquele decisum nos dois pontos. Em primeiro lugar, reafirmando que a base de cálculo da contribuição, na vigência da Lei Complementar 7/70, era mesmo o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária. Do que resultava a necessidade de recálculo dos recolhimentos não decaídos. Quanto à decadência, porém, mudandose, embora, a fundamentação, restou ela mantida. É que, no entender do relator a quo a decadência do direito à repetição efetivamente se rege pela declaração de inconstitucionalidade promovida pela Resolução nº 49 do Senado Federal, porém o contribuinte só tem direito a repetir os últimos cinco anos até ela. Disso resulta que os períodos fulminados ficam os mesmos: julho de 1989 a junho de 1994. O contribuinte se insurge exatamente contra essa última parte do voto, demonstrando a divergência jurisprudencial com a juntada de acórdão que, dando o mesmo entendimento quanto à aplicação da Resolução do Senado, não impôs, porém, limitação com respeito aos períodos que podiam ser objeto de pedido. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarazões em que requer a manutenção do julgado. É o Relatório. Voto Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.000917/9956 Acórdão n.º 9303001.829 CSRFT3 Fl. 2 3 Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621 RS. Naquele julgamento, discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, que a pretendiam expressamente interpretativa de modo a poder ser aplicada mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. E declarando tal inconstitucionalidade, determinou o excelso Pretório que ela somente se poderia aplicar às ações judiciais ingressadas após 09 de junho de 2005, data em que entrou em vigor o referido diploma legal. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão do recorrente é apenas desconstituir a limitação aplicada na decisão recorrida, mantendose, porém, o entendimento de que o direito à repetição só poderia ser exercido com a publicação da Resolução do Senado, pois o CTN não teria tratado dos casos em que a exação somente se torna indevida por força de declaração de inconstitucionalidade da lei que a instituiu ou majorou. Apesar disso, no entanto, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN, porém, tal extinção só ocorre após esgotado o qüinqüênio de que dispõe a Fazenda para homologar o recolhimento (caso esta não tenha sido feita de forma expressa). No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que nenhum dos valores postulados se encontrava afetado pela prescrição. Isso porque, válida a sistemática da semestralidade – como já é reconhecido pela própria representação fazendária – o primeiro fato gerador postulado teria se encerrado em 31 de janeiro de 1990. Detinha, pois, o contribuinte direito a postulálo até 31 de janeiro de 2000. Ele o fez em 10 de junho de 1999. Voto, assim, pelo provimento do recurso de modo a afastar a decadência apontada e determinar que a instância recorrida proceda ao exame do mérito. É como voto. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012341/2004-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO.
A presente discussão restringe-se a verificação da ocorrência ou não da decadência do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com fundamento no artigo 674, § 1°, do RIR/99, quanto a fatos ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
De acordo com as provas contidas nos autos, a compensação realizada, referente aos fatos geradores ocorridos em 05/05/1999, deve ser considerada como antecipação de pagamento para averiguação da regra decadencial a ser aplicada, no caso o art. 150, § 4°, do CTN.
que diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 14/05/1999, constata-se que não houve antecipação de pagamento.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa ao fato gerador de 14/05, com retorno à câmara "a quo" para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. A presente discussão restringe-se a verificação da ocorrência ou não da decadência do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com fundamento no artigo 674, § 1°, do RIR/99, quanto a fatos ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). De acordo com as provas contidas nos autos, a compensação realizada, referente aos fatos geradores ocorridos em 05/05/1999, deve ser considerada como antecipação de pagamento para averiguação da regra decadencial a ser aplicada, no caso o art. 150, § 4°, do CTN. que diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 14/05/1999, constata-se que não houve antecipação de pagamento. Recurso especial provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10380.012341/2004-96
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4876308
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.971
nome_arquivo_s : 920201971_10380012341200496_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : GONCALO BONET ALLAGE
nome_arquivo_pdf_s : 10380012341200496_4876308.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa ao fato gerador de 14/05, com retorno à câmara "a quo" para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4749907
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359727808512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2398; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 943 1 942 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.012341/200496 Recurso nº 147.877 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.971 – 2ª Turma Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VICUNHA TÊXTIL S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. A presente discussão restringese a verificação da ocorrência ou não da decadência do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com fundamento no artigo 674, § 1°, do RIR/99, quanto a fatos ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). De acordo com as provas contidas nos autos, a compensação realizada, referente aos fatos geradores ocorridos em 05/05/1999, deve ser considerada como antecipação de pagamento para averiguação da regra decadencial a ser aplicada, no caso o art. 150, § 4°, do CTN. No que diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 14/05/1999, constatase que não houve antecipação de pagamento. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa ao fato gerador de 14/05, com retorno à câmara "a quo" para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 944 2 Allage (Relator) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 07/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 945 3 Relatório Em face de Vicunha Têxtil S.A., CNPJ n° 07.332.190/000193, foi lavrado o auto de infração de fls. 0413, para a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com fundamento no artigo 674, § 1°, do RIR/99, quanto a fatos ocorridos em 22/09/1998, em 23/09/1998, em 29/09/1998, em 01/10/1998, em 02/10/1998, em 05/10/1998, em 07/10/1998, em 14/10/1998, em 16/10/1998, em 19/10/1998, em 26/10/1998, em 28/10/1998, em 30/10/1998, em 05/05/1999 e em 14/05/1999, com multa de ofício qualificada para o patamar de 150%. A ciência do lançamento se deu em 29/12/2004 (fls. 13). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) considerou o lançamento procedente em parte, reconhecendo a decadência para os fatos ocorridos em 22/09/1998, em 23/09/1998 e em 29/09/1998 (fls. 658693). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso de ofício apresentado pela DRJ e o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, proferiu o acórdão n° 10248.270, que se encontra às fls. 849881, cuja ementa é a seguinte: NULIDADE DO LANÇAMENTO — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INOCORRÊNCIA — O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou a falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA O artigo 44 inciso II da Lei 9.430, de 1996, ao dispor sobre a aplicação da multa qualificada determina a caracterização do evidente intuito de fraude. DECADÊNCIA Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldase à sistemática de lançamento denominada homologação, onde a contagem do prazo decadencial dáse da ocorrência do fato gerador, na forma disciplinada pelo § 4° do artigo 150 do CTN. Recurso de ofício negado. Preliminar de nulidade rejeitada. Preliminar de decadência acolhida. Como anotação do resultado do julgamento está consignado que “ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos: REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento; (II) ACOLHER a preliminar de decadência em relação Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 946 4 aos fatos geradores ocorridos no mês de outubro de 1998. No mérito, por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa e ACOLHER a preliminar de decadência; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Antônio José Praga de Souza que apresenta declaração de voto.” (fls. 849). Em face deste julgado a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração às fls. 885886, os quais restaram acolhidos, sem alteração do resultado do julgamento, através do acórdão n° 10249.295 (fls. 889894), que tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1998 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.— Confirmado o equívoco apontado nos embargos de declaração, deve a matéria ser analisada em nova sessão de julgamento, para o fim de se esclarecer o decisum. DECADÊNCIA — TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE — REMESSA AO EXTERIOR— Encontrase decaído o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento em 29/12/2004, para os fatos geradores ocorridos no mês de outubro de . 1998, ainda que se considere como termo inicial do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN. Embargos acolhidos. Intimada da decisão em 12/02/2009 (fls. 895), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 899906, por divergência jurisprudencial e por contrariedade à lei, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O v. acórdão ora recorrido, proferido pela Colenda Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, acolheu a preliminar de decadência para o lançamento do IRF, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 1998 (pagamentos efetuados entre 01/10/98 e 30/10/98); b) Diversamente, a Terceira Câmara deste mesmo Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu paradigma (acórdão n° 10321.025), no qual ficou expresso o entendimento segundo o qual o prazo decadencial para os casos em que não haja pagamento do tributo vem disposto no art. 173, I, CTN; c) Tal entendimento encontrase também refletido no voto condutor do acórdão CSRF/0103.103, proferido pelo r. conselheiro Cândido Rodrigues Neuber; d) O Acórdão n° 20401.182 também segue esse mesmo raciocínio; e) Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada, encontrase presente o requisito de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto no artigo 7°, II do RICSRF; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 947 5 f) A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, data venia, contrariou frontalmente os arts. 149, V, 150, §4° e 173, I, do CTN ao julgar, por maioria de votos, que o lançamento referente aos fatos geradores ocorridos em 05/05/1999 e 14/05/1999 estaria alcançado pela decadência; g) Quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4° do CTN; h) Por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN; i) No caso em tela, como o contribuinte não efetuou nenhum pagamento de tributo, ocorreu o lançamento de ofício. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial não deve ser aplicado o art. 150, § 4°, CTN, e sim, o art. 173, I do CTN; j) Está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa; k) Ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e opera se o lançamento de ofício (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V); l) Sendo lançamento de ofício, para fins de contagem de prazo decadencial não se aplica o art. 150, § 4, CTN e sim, o art. 173, I; m) Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça; n) Não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN; o) Assim, para os fatos geradores ocorridos em outubro de 1998, o lançamento somente poderia ser efetuado em 03/02/1999 data da entrega da DCTF estabelecida na Instrução Normativa n° 73/96 da Secretaria da Receita Federal, após o que o lançamento de ofício poderia ser efetuado, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1° de janeiro de 2000. Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2004. Como a ciência do auto se deu em 29/12/2004 (fls. 05), o lançamento não aconteceu a destempo; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 948 6 p) O mesmo raciocínio acima exposto leva à conclusão de que, de igual modo, os fatos geradores ocorridos em maio de 1999 não foram alcançados pela decadência; q) Requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja afastada a decadência do lançamento apontado pela e. Câmara a quo, vez que efetuado dentro do prazo legal e seja determinado o retorno dos autos à Câmara a quo, para apreciação do mérito. Por intermédio do despacho n° 210000.210/2011 (fls. 939940), confirmado pelo despacho n° 210000.210R/2011 (fls. 941942), o recurso restou admitido unicamente com relação à decadência para os fatos geradores ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999. Em sede de contrarrazões, apresentadas às fls. 900921, a contribuinte, devidamente representada, defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida, destacando que “ademais, em relação às competências de 1999, como houve pagamento de tributo pela modalidade de compensação, conforme confirma o v. acórdão n° 10248.270 ora recorrido vide folhas 877/879, cairia por terra o absurdo argumento recursal da aplicação do artigo 173, I, do CTN.” (fls. 920). Na seqüência, a interessada protocolou nova petição, denominada razões aditivas às contrarrazões, onde suscitou a impossibilidade de conhecimento do recurso, tanto no aspecto relativo à contrariedade à lei como na questão referente à divergência jurisprudencial, pois não estariam atendidos os dispositivos regimentais que regem a matéria. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, mas apenas em parte (no que se refere à alegada contrariedade à lei), nos exatos termos dos despachos nos 210000.210/2011 e 2100 00.210R/2011 (fls. 939940 e 941942). Na visão deste julgador, a preliminar de não conhecimento do recurso argüida pela contribuinte não pode prosperar, já que, contra decisão não unânime, a Fazenda Nacional apontou contrariedade aos artigos 149, inciso V, 150, § 4° e 173, inciso I, todos do CTN, sob o fundamento de que, com relação aos fatos geradores ocorridos em 05/05/1999 e 14/05/1999, inexistiu pagamento antecipado. Conseqüentemente, como a ciência do lançamento se deu em 29/12/2004 não haveria decadência, de acordo com a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Segundo penso, agindo assim a recorrente atendeu à regra regimental. Saber se houve ou não contrariedade a tais dispositivos legais é matéria a ser enfrentada no mérito do julgamento, o que passo a fazer a partir de agora. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 949 7 Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício, rejeitou a preliminar de nulidade suscitada pelo sujeito passivo e reconheceu a decadência em relação aos fatos ocorridos em 10/1998. Além disso, por maioria de votos, desqualificou a multa de ofício e acolheu a decadência para os fatos ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999. A matéria que chega à apreciação deste Colegiado envolve apenas a decadência dos fatos ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999. Segundo a recorrente, como não houve pagamento parcial, aplicase ao caso a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que a decadência não atingiu tais exigências, pois a ciência do lançamento só ocorreu em 29/12/2004. Eis a matéria em litígio. O imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos sem causa comprovada tem matriz legal no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 (reproduzida no artigo 674 do RIR/99), nos seguintes termos: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1°. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2°. Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3°. O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De acordo com este dispositivo legal, surge o fato gerador do imposto de renda na fonte com relação a pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa comprovada no dia dos referidos pagamentos, sendo que o tributo é devido pela fonte pagadora, de forma exclusiva e definitiva. Segundo penso, o imposto de renda retido na fonte, inclusive este previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe às fontes pagadoras a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, a título de antecipação ou em caráter definitivo, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A natureza de tributo sujeito ao lançamento por homologação, do imposto de renda retido na fonte previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, é indicada, inclusive, pela Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 950 8 existência de código de receita específico, qual seja, “5217 IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO”. A homologação expressa, para tais tributos, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que os fatos geradores do imposto de renda retido na fonte ocorreram, no caso em julgamento, em 05/05/1999 e em 14/05/1999 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 29/12/2004, concluo que a manifestação da Fazenda Nacional não merece prosperar, pois, efetivamente, a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como houve a desqualificação da penalidade pelo acórdão recorrido, que restou reduzida de 150% para 75% (matéria que sequer foi objeto de recurso), não se está diante de dolo, fraude ou simulação e, portanto, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 951 9 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 952 10 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, de imposto de renda na fonte, que tem como uma de suas espécies a exigência prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, para aplicação ao caso da regra prevista no artigo 150, § 4° (tal qual fez o acórdão recorrido) ou no artigo 173, inciso I, ambos do CTN (da forma defendida pela recorrente). Desde a ação fiscal o contribuinte informou (fls. 470471), com relação ao fato verificado em 05/05/1999, que se trata de pagamento de juros à empresa Vicunha International Ltd. Inc., com recolhimento do respectivo imposto de renda na fonte e contabilização da operação. Já no que se refere ao fato ocorrido em 14/05/1999, sustentou que envolve aplicação financeira no exterior, que foi devidamente contabilizada, sendo que tais direitos foram transferidos para a empresa denominada “Textilia S.A.” a título de dação em pagamento pela compra de títulos mobiliários de sociedades têxteis brasileiras por esta controlada, com a devida contabilização da baixa do investimento. Salvo melhor juízo, a alegação de pagamento de imposto de renda jamais foi contestada pela fiscalização. Relevante trazer à colação, ainda, às seguintes passagens do voto condutor do acórdão recorrido (fls. 877878): Ademais, os documentos às fls. 577/581 comprovam que houve a escrituração contábil da retenção na fonte de R$ 681.835,19 sobre o pagamento de juros à Vicunha Internacional no montante de R$ 3.863.745,60, a qual a recorrente alega ter compensado (fls. 750/751). Se não houve o recolhimento ou compensação, a infração é diversa da tributada no lançamento em exame. Por sua vez, não se pode caracterizar como ato simulado, diante dos elementos de prova às fls. 582/620 e 779/785, a aplicação financeira no BBA Creditanstal Bank Ltd., em 14/05/99, no valor de R$ 67.980.800,00. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 953 11 Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento e acolho a preliminar de decadência, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. O argumento contido no voto condutor do acórdão recorrido, no sentido de que houve a escrituração contábil da retenção na fonte de R$ 681.835,19, que se refere a um dos fatos geradores em apreço (ocorrido em 05/05/1999), com alegação de extinção do crédito tributário por compensação, não foi sequer impugnada pela recorrente. Especificamente às fls. 581, onde consta cópia de folha do Livro Razão da empresa Vicunha Nordeste S.A. Indústria Têxtil, é preciso destacar que estão contabilizados diversos valores de imposto de renda na fonte sobre remessas para o exterior. Entendo que não se pode presumir a inexistência de pagamentos antecipados de imposto de renda na fonte, mormente diante de tais registros contábeis e das alegações do contribuinte, que não foram refutadas. Plenamente aplicável ao caso a regra do artigo 845, § 1°, do RIR/99, segundo a qual: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive: (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 79) (...) § 1°. Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ademais, devo ressaltar que apreciando matéria idêntica a esta, na sessão de 13/04/2010, a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o acórdão n° 920200.770, Relator o Conselheiro Elias Sampaio Freire, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, de acordo com o disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Do voto proferido pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire no referido julgamento, cumpre trazer à colação as seguintes passagens: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 954 12 O deslinde desta controvérsia passa pela fixação do termo inicial do prazo decadencial. Inicialmente há de se salientar que, há quem entenda que exigência do IRFonte com base no art. 61 da Lei 8.981 de 2005 não se subsume à hipótese de lançamento por homologação de que trata o art. 150 do CTN. Por considerar que não há atividade anterior do contribuinte, no sentido de apurar tributos a recolher. Concluindo tratase de lançamento exclusivamente de ofício, cujo prazo decadencial obedece a regra geral estabelecido no art. 173 do CTN. Discordo, porém, desse entendimento. De acordo com o art. 150 do CTN, o lançamento por homologação é o lançamento tipo de todos aqueles tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de, ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. No caso, insta estabelecer a data da ocorrência do fato gerador, termo inicial da contagem do prazo decadencial. (...) Por certo, em apreciando a matéria de forma concreta, ante a ausência de provas nos autos, não se pode presumir pela inexistência de antecipação de pagamento. Situação esta que deve estar configurada. Até mesmo porque a regra do art. 150, § 4°, do CTN tratase de regra especifica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Muito pelo contrário, no caso dos autos, ao analisar as cópias de algumas folhas do Livro Diário constante nos autos (fls. 10 a 13), constatase a efetivação de recolhimentos de imposto de renda retido na fonte. Destarte, há de se aplicar a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do fato gerador. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Concordo inteiramente com tais colocações. Também no caso em apreço, ante a ausência de provas nos autos, não se pode presumir pela inexistência de antecipação de pagamento. Assim, ainda que direcionado pelo artigo 62A do RICARF, mas seguindo a orientação acima descrita, entendo que se aplica ao caso a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4°, do CTN, de modo que a decadência fulminou os fatos geradores ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999, pois a ciência do lançamento se deu em 29/12/2004. A decisão recorrida merece ser confirmada. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 955 13 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet Allage Fl. 13DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 956 14 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado A presente discussão restringese a verificação da ocorrência ou não da decadência do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, com fundamento no artigo 674, § 1°, do RIR/99, quanto a fatos ocorridos em 05/05/1999 e em 14/05/1999. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 957 15 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Da mesma forma que o ilustre Conselheiro Relator, entendo que, de acordo com as provas contidas nos autos, a compensação realizada, referente aos fatos geradores ocorridos em 05/05/1999, deve ser considerada como antecipação de pagamento para averiguação da regra decadencial a ser aplicada, no caso o art. 150, § 4°, do CTN. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10380.012341/200496 Acórdão n.º 920201.971 CSRFT2 Fl. 958 16 Entretanto, no que diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 14/05/1999, constatase que não houve antecipação de pagamento. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 29/12/2004, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativa ao fato gerador de 14/05/1999, devendo os presentes autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 16DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 08/03/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720078/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PEDIDO DE PERÍCIA.
A Declaração de ITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Não se concebe o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório, cuja comprovação é ônus do contribuinte.
ADA INTEMPESTIVO.
O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. VALOR FIXADO PELO MUNICÍPIO.
Acolhe-se VTN fixado em Decreto da Prefeitura Municipal, dado que
estabelecido para as diferentes micro regiões do município ao passo que no SIPT a informação ali contida é de VTN médio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a alegação de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer 641,1 ha de área de preservação permanente e 451,4 ha de área de reserva
legal e retificar o arbitramento do VTN do imóvel para R$ 5.362.632,00.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PEDIDO DE PERÍCIA. A Declaração de ITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Não se concebe o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório, cuja comprovação é ônus do contribuinte. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. VALOR FIXADO PELO MUNICÍPIO. Acolhe-se VTN fixado em Decreto da Prefeitura Municipal, dado que estabelecido para as diferentes micro regiões do município ao passo que no SIPT a informação ali contida é de VTN médio. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10140.720078/2007-88
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5037056
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.871
nome_arquivo_s : 210201871_10140720078200788_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10140720078200788_5037056.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a alegação de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer 641,1 ha de área de preservação permanente e 451,4 ha de área de reserva legal e retificar o arbitramento do VTN do imóvel para R$ 5.362.632,00.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4750410
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359739342848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720078/200788 Recurso nº 509.663 Voluntário Acórdão nº 210201.871 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria ITR Área de preservação permanente, área de reserva legal e VTN Recorrente PEDRO GALVÃO PRATA TEODORO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PEDIDO DE PERÍCIA. A Declaração de ITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. Não se concebe o uso da prova pericial para fins de suprir material probatório, cuja comprovação é ônus do contribuinte. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. VALOR FIXADO PELO MUNICÍPIO. Acolhese VTN fixado em Decreto da Prefeitura Municipal, dado que estabelecido para as diferentes micro regiões do município ao passo que no SIPT a informação ali contida é de VTN médio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a alegação de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer 641,1 ha de área de preservação permanente e 451,4 ha de área de reserva legal e retificar o arbitramento do VTN do imóvel para R$ 5.362.632,00. Assinado digitalmente Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 210201.871 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra PEDRO GALVÃO PRATA TEODORO foi lavrado Auto de Infração, fls. 74/79, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2005, relativo ao imóvel denominado Fazenda Mangueirão, com área total de 2.257,0 ha (NIRF 2.270.2547), no valor de R$ 731.636,37, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2007. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do ITR, conforme quadro a seguir: ITR 2005 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de preservação permanente 641,1 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 451,4 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 455.925,00 R$ 10.579.496,40 A glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada ocorreu em razão da apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) deuse mediante utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), visto que o Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte não atendeu aos requisitos estabelecidos na NBR 146533:2004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 84/95, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/CGE n° 0418.655, de 18/09/2009, fls. 150/161. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 06/10/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 165, o contribuinte apresentou, em 05/11/2000, recurso voluntário, fls. 167/178, trazendo as seguintes alegações: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 210201.871 S2C1T2 Fl. 3 3 Nulidade da decisão de primeira instância – a decisão recorrida incorreu em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando indeferiu o pedido de perícia formulado na impugnação. Dizer sobre a existência ou não das áreas de preservação permanente e de reserva legal é condição sine qua non para a validade do Auto de Infração. Artigo 17O, § 1º da Lei nº 6.938/81 Revogado pela Medida Provisória n° 2.16667/2001 O artigo 3º da Medida Provisória nº 2.16697/2001, acrescentou ao artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, o § 7º, que disciplina a desnecessidade de comprovação prévia das áreas de preservação permanente e reserva legal, como anteriormente exigido por meio do ADA. A partir da edição da MP 2.166/01 a entrega do ADA deixou de ser condição necessária para o gozo da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Da impossibilidade de se considerar como aproveitável as áreas de reserva legal e de preservação permanente Ainda que se admita a validade e legitimidade do § 1° do artigo 17O da Lei nº 6.938/81 e § 3º do artigo 90 da Instrução Normativa SRF nº 256/2002, não se pode deduzir da norma por eles veiculada, que o suposto atraso na entrega do ADA implique no cômputo das áreas de preservação permanente e de utilização limitada como área aproveitável, seja porque área aproveitável e área tributável são realidades distintas, seja porque não há nos respectivos mandamentos menção à desqualificação dessas áreas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada. Do preço da terra nua – A decisão recorrida limitase a afirmar que o preço coletado com base no Decreto do Município de Maracaju na data de 2005, somente poderia ser considerado para o exercício de 2006. Ocorre que, não se está a falar aqui em majoração, mas sim em Decreto que estipulou um preço de referência no qual se abastece o SIPT, sendo possível a aplicação desse instrumento normativo aos cálculos do ano de 2005. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 210201.871 S2C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte argúi a nulidade da decisão recorrida, em razão do indeferimento do pedido de perícia, formulado na impugnação, cujos quesitos encontramse assim formulados: 1 Qual a área total do imóvel? Como o solo está sendo utilizado (detalhar a dimensão das áreas cultivadas, aproveitáveis, de reserva legal e de preservação permanente)? 2 Quais as características do solo, do relevo, dos recursos hídricos, do clima e da vegetação dominantes? 3 Quais os valores das culturas e pastagens existentes no imóvel? Quais os valores das benfeitorias? 4 Qual o valor total da área analisada? Qual o valor da Terra Nua? Os referidos quesitos estão voltados, em síntese, para a verificação da existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com a determinação de suas dimensões e aferição do VTN. Tal perícia é desnecessária para o deslinde da questão, já que a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal se deu tãosomente em razão da apresentação intempestiva do ADA. Logo, temse que a autoridade fiscal em nenhum momento colocou em dúvida a existência de tais áreas. Já no que diz respeito ao arbitramento do VTN, verificase que cabe ao contribuinte, quando solicitado, comprovar o VTN declarado, sendo certo que a ausência de tal comprovação autoriza o arbitramento do VTN, mediante utilização dos dados extraídos do SIPT. Logo, não pode prosperar a alegação de nulidade da decisão recorrida em virtude do indeferimento da pedido de perícia. No mérito, o contribuinte afirma que o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981 foi revogado pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, ou seja, o contribuinte se pauta no disposto no parágrafo 7º do artigo 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001, abaixo transcrito, para afirmar que o art. 17O, §1º, estaria revogado, estando, pois, dispensado de comprovar as informações prestadas na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 210201.871 S2C1T2 Fl. 5 5 ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) É bem verdade, que o Código Tributário Nacional (CTN), visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu hipóteses em que o sujeito passivo presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Está claro que o parágrafo 7º apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, como necessários à fruição da isenção do ITR. Contudo, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitála, posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. Logo, não pode prevalecer a tese do recorrente de que a Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, teria revogado o art. 17O, § 1º da Lei nº 6.938, de 1981. Contudo, devese observar que a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal se deu tãosomente em razão da apresentação intempestiva do ADA. Notese que tratase do exercício 2005 e nos autos constam dois ADA, fls. 15/16, apresentados em 29/09/2006 e 26/09/2007, nos quais estão informados 641,1 ha de área de preservação permanente e 451,4 ha de área de reserva legal. A área de reserva legal foi averbada junto a matrícula do imóvel em 20/10/1992. Esta Turma vem consolidando o entendimento de que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Nesse sentido, temse voto proferido no Acórdão nº 210200.528, de 14/04/2010, do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que fez brilhante estudo da questão, cuja conclusão abaixo se transcreve: Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. De fato, o prazo de até seis meses para a apresentação do ADA, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR, somente veio a ser fixado na Instrução Normativa SRF nº 43, de 7 de maio de 1997, com a redação dada pela Instrução Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 210201.871 S2C1T2 Fl. 6 6 Normativa SRF nº 67, de 1 de setembro de 1997. Tal prazo permanece nas redações das Instruções SRF nºs 73, de 18 de junho de 2000, 60, de 6 de junho de 2001 e 256, de 11 de dezembro de 2002, que posteriormente foi alterada pela Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008, de sorte que o referido prazo deixou de existir, conforme se infere da atual redação do parágrafo 3º do art. 9º da IN SRF nº 256, de 2002: § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) observada a legislação pertinente; (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VIII do caput em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR, observado o disposto nos arts. 10 a 14A. (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) Nessa conformidade, devese reconhecer para fins de cálculo do imposto devido 641,1 ha de área de preservação permanente e 451,4 ha de área de reserva legal. No que concerne ao arbitramento do VTN temse que durante o procedimento fiscal o contribuinte apresentou Laudo de Avaliação, fls. 39/47, que não foi acolhido pela autoridade fiscal por não atender o disposto na NBR/ABNT 14653 – parte 3. Ou seja, o laudo não trouxe nenhum dado de mercado efetivamente utilizado. Notese que na DITR o contribuinte havia informado VTN de R$ 445.925,00 (R$ 197,57/ha) e no laudo o VTN foi estimado em R$ 1.379.496,40 (R$ 611,20/ha). Por seu turno, a autoridade fiscal arbitrou o VTN em R$ 10.579.496,40 (R$ 4.687,00/ha), adotando o valor extraído do SIPT, conforme previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 e na Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 (extrato SIPT, fls. 72). Na impugnação, assim como no recurso, o contribuinte solicita que seja adotado o VTN estabelecido no Decreto do Município de Maracaju nº 088, de 20/06/2005, fls. 142/144. De pronto, devese observar que o art. 1º de tal decreto está assim redigido: Art. 10 Os valores fixados através da Planta de Valores, compreendendo as diversas Micro Regiões que compõem o Município de MaracajuMS, para efeito de valor venal das áreas rurais, para incidência sobre transmissão de ato oneroso inter vivos de Bens Imóveis e Cessão de Direitos a eles relativos, passam a vigorar de acordo com o Anexo I deste Decreto. O anexo I estabelece valores para 4 micro regiões, a saber: R$ 5.040,00, R$ 4.256,00, R$ 3.327,00 e R$ 2.376,00. De pronto devese afirmar que o mencionado Decreto não especifica se os valores ali estabelecidos se referem ao valor da terra nua, tampouco resta claro que os valores ali fixados sejam por hectare. Contudo, o contribuinte afirma em sua impugnação que tais valores correspondem ao preço por hectare e também afirma que seu imóvel está inserido na micro região 4, cujo valor é de R$ 2.376,00. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720078/200788 Acórdão n.º 210201.871 S2C1T2 Fl. 7 7 A autoridade julgadora de primeira instância rechaçou os valores contidos no referido decreto municipal sob a seguinte fundamentação: Estas alegações não procedem, pois, além de não ser de competência do Fisco federal questionar dados fornecidos pelo município para alimentar o SIPT de acordo com a lei, o decreto juntado pelo impugnante diz respeito ao ano 2005, ou seja, se fosse o caso, serviria para o exercício 2006 e não aos que estão sendo fiscalizados, 2003, 2004 e 2005. De fato, o decreto municipal é de 20/06/2005, contudo, é razoável admitir que o VTN de 01/01/2005 não deve ser muito diferente do VTN de 20/06/2005. Ressaltese que a média aritmética dos valores indicados no referido decreto municipal é de R$ 3.749,75. Por outro lado, observase do extrato SPIT, que o VTN médio indicado pela Prefeitura foi de R$ 4.687,00 e que a média das DITR foi de R$ 1.286,01. Ora, a decisão mais acertada para o caso é adotarse o valor que consta do Decreto Municipal, pois que mais específico, dado que considera as micro regiões do município. Destaquese que o valor adotado pela autoridade fiscal corresponde ao VTN médio do município. Assim, devese retificar o arbitramento do VTN do imóvel para R$ 5.362.632,00 (R$ 2.376,00/ha x 2.257,0 ha). Ante o exposto, voto por afastar a alegação de nulidade da decisão recorrida e, no mérito DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer 641,1 ha de área de preservação permanente e 451,4 ha de área de reserva legal e retificar o arbitramento do VTN do imóvel para R$ 5.362.632,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004816/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001, 2002
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E
JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº 1:
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade
processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
INCONSTITUCIONALIDADE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando devam ser reconhecidas de ofício.
PRESCRIÇÃO. DÉBITO FISCAL. PARCELAMENTO
O parcelamento de débito fiscal declarado pelo sujeito, antes de decorrido o prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para sua cobrança, interrompe a prescrição.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto do
Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001, 2002 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando devam ser reconhecidas de ofício. PRESCRIÇÃO. DÉBITO FISCAL. PARCELAMENTO O parcelamento de débito fiscal declarado pelo sujeito, antes de decorrido o prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para sua cobrança, interrompe a prescrição. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11610.004816/2002-11
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4826608
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 02 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3301-001.258
nome_arquivo_s : 330101258_11610004816200211_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 11610004816200211_4826608.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4749219
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359741440000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2071; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 230 1 229 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.004816/200211 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330101.258 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2012 Matéria MULTA MORATÓRIA Recorrente PALAZZO DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. ANHEMBI DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA. (SUCESSORA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando devam ser reconhecidas de ofício. PRESCRIÇÃO. DÉBITO FISCAL. PARCELAMENTO O parcelamento de débito fiscal declarado pelo sujeito, antes de decorrido o prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para sua cobrança, interrompe a prescrição. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram do presente de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ São Paulo I que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição/compensação de valores pagos a título de multa moratória referente ao parcelamento, objeto do processo nº 10880.013717/9422. Por meio do Despacho Decisório às fls. 139/144, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo indeferiu o pedido de restituição/compensação e não admitiu as declarações de compensações (Dcomps) anexadas a este processo sob os fundamentos de que são vedados a restituição/compensação de créditos em discussão judicial e que os pedidos de compensação com créditos em discussão judicial não foram convertidos em Dcomp. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 147/155), insistindo no deferimento de seu pedido de restituição e nas compensações, alegando razões que foram assim sintetizadas por aquela DRJ: “4.1. tratase de pedido de restituição de crédito indevidamente recolhido, em face de parcelamento de divida confessado espontaneamente; 4.2. segundo o artigo 138 do CTN o recolhimento da multa punitiva é indevido; 4.3. o artigo 138 do CTN exclui tanto a multa moratória quanto a fiscal.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1620.682, datado de 11/03/2009, às fls. 187/192, sob a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. 0 parcelamento de débitos deve incluir necessariamente a multa moratória.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 198/225), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito à repetição dos valores reclamados, pagos a título de multa moratório sobre os débitos, objetos do parcelamento referente ao processo administrativo nº 10880.013717/9442, e defira o pedido de restituição e as compensações dos débitos informados nos pedidos anexados a este processo, alegando, em síntese, que os valores pagos a título de multa no parcelamento dos débitos eram indevidos porque o requerimento e o deferimento do parcelamento constituíram Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.004816/200211 Acórdão n.º 330101.258 S3C3T1 Fl. 231 3 denúncia espontânea nos termos do CTN, art. 138, o que exclui a exigência daquela penalidade. Além disto, nesta fase recursal, inovou suas razões de mérito, contra a decisão de primeira instância, alegando decadência do direito de a Fazenda Pública, em relação aos débitos parcelados e respectivos acréscimos legais, pelo decurso do prazo qüinqüenal, contado entre as datas de sua constituição e a do parcelamento, bem como a inconstitucionalidade da exigência de juros de mora sobre débitos tributários, à taxa Selic. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I) Da Denúncia Espontânea – Impossibilidade de Aplicação de Multa de Mora; II) Da Decadência das Contribuições Sociais; e, III) Da Inconstitucional Taxa Selic, concluindo, ao final, que tem direito à repetição/compensação dos valores reclamados. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Nesta fase recursal, a recorrente, além de contestar a incidência de multa moratória no parcelamento dos débitos fiscais, objeto do processo administrativo nº 10880.013717/9442, sob o fundamento de que o parcelamento proposto por ela implicou denúncia espontânea nos termos do CTN, art. 138, bem como a repetição/compensação dos valores pagos àquele título, inovou as razões de mérito, suscitando a prescrição do direito de a Fazenda Pública exigir os débitos parcelados e, conseqüentemente, a respectiva multa moratória incidente sobre eles e, ainda, a cobrança de juros de mora à taxa Selic. Quanto à nãoincidência de multa moratório sobre débitos parcelados e pagos, bem como a repetição/compensação dos valores pagos a este título, além de ser objeto deste processo administrativo, foi também objeto de processo judicial. Do exame dos autos, verificase que a recorrente interpôs mandado de segurança, processo nº 1999.61.00.0508697, visando entre outros objetivos, garantirlhe o direito de compensar os valores recolhidos a título de multa de mora incidente nos pagamentos dos débitos parcelados, em face da denúncia espontânea. Ora, a sua opção pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser aplicada ao presente caso a Súmula nº 01 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Em ambos os processos, judicial e administrativo, a recorrente discute as mesmas matérias, ou seja, a não incidência de multa de mora sobre débitos parcelados e a compensação dos valores pagos a este título. Dessa forma, em relação a estas matérias, não incidência de multa moratória nos débitos parcelados e a compensação dos valores pagos a título desta penalidade, não se toma conhecimento, cabendo a autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial transitada em julgado. A título esclarecimento, cabe ressaltar que a decisão judicial transitada em julgado, em 20/10/2003 (fls. 117), foi desfavorável à recorrente, conforme se verifica do Relatório, Voto e Acórdão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª, às fls. 112/116. Remanescem, as matérias inovadas na fase recursal, não opostas na esfera judicial, inconstitucionalidade da taxa Selic e decadência/prescrição dos débitos parcelados. Quanto à inconstitucionalidade da taxa Selic e a exigência de juros de mora sobre os débitos parcelados, calculados a esta taxa, ambas constituem matérias preclusas, não questionadas na impugnação, ou seja, matérias nãoopostas à autoridade julgadora de primeira instância. A fase litigiosa do procedimento se instaura com a interposição da impugnação, quando aquelas matérias deveriam ter sido contestadas, conforme estabelece o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 15. Também, o art. 17, deste mesmo diploma legal, estabelece que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Cabe, ainda, destacar que ambas as matérias já foram sumuladas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) por meio das súmulas nº 02 e nº 04 que assim dispõem: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Assim, ainda, que não constituíssem matérias preclusas, deveria ser aplicadas as súmulas citadas e transcritas acima. Já a suscitada decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, objeto dos débitos parcelados, na realidade, prescrição do direito de cobrálos, inclusive, a multa moratória, não procede. Embora não tenham sido demonstrados nos autos, da leitura do Relatório no mandado de segurança nº 1999.61.00.0508697, às fls. 6, concluise com segurança que os Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11610.004816/200211 Acórdão n.º 330101.258 S3C3T1 Fl. 232 5 débitos parcelados e cujos valores da multa moratória são reclamados se referem a débitos de Cofins cuja exigência fora questionada pela recorrente perante a Justiça Federal e cujas parcelas foram inicialmente depositadas em Juízo e, posteriormente, levantadas por ela própria, sob a alegação de que passava por dificuldades financeiras. Dessa forma, também, concluise com segurança que os débitos foram declarados nas DCTFs e se referem a fatos geradores ocorridos, no máximo, a partir de março de 1992 até competências do anocalendário de 1994, cujos vencimentos ocorreram entre as datas de 20/04/1992 e, no máximo, até o final daquele ano, tendo em vista que o parcelamento proposto pela recorrente foi formalizado em 1994 por meio do processo nº 10880.013717/94 42. Portanto, na data em que o parcelamento foi proposto, ao contrário do entendimento da recorrente, nenhum débito se encontrava extinto pela prescrição. A prescrição do débito mais antigo, com vencimento em 20/04/1992, nos termos do CTN, art. 174, somente ocorreria em 20/04/1997, caso não tivesse sido parcelado. Como os débitos foram parcelados dentro prazo qüinqüenal previsto naquele dispositivo legal, não há que se falar em prescrição. O deferimento do parcelamento interrompeu a prescrição, nos termos dos incisos III e IV daquele Código. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, não conheço do recurso voluntário, quanto às matérias opostas concomitantemente nas esferas, administrativa e judicial, ou seja, a não incidência de multa moratória nos débitos parcelados e a compensação dos valores pagos a título desta penalidade e, na parte conhecida, negolhe provimento. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000252/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar todas as despesas declaradas.
Numero da decisão: 2101-001.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 9.803,16.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar todas as despesas declaradas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13841.000252/2006-82
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5028236
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.532
nome_arquivo_s : 210101532_13841000252200682_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 13841000252200682_5028236.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 9.803,16.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4750237
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359771848704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 84 1 83 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13841.000252/200682 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.532 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Maria Helena Souza Lima de Oliveira Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar todas as despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 9.803,16. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de MARIA HELENA SOUZA LIMA DE OLIVEIRA foi emitido o Auto de Infração às fls. 2 a 8 (eprocesso), no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 5.580,62 (cinco mil, quinhentos e oitenta reais e sessenta e dois centavos), que, acrescido de multa de lançamento de ofício e juros de mora calculados até setembro de 2006 perfaz um valor total exigido de R$ 12.968,23 (doze mil, novecentos e sessenta e oito reais e vinte e três centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4) a Fiscalização informa ter apurado dedução indevida a titulo de despesas médicas, em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos. Inconformada, a contribuinte apresentou, às fls. 9 a 11, Impugnação, na qual alega que atendeu à legislação em vigor ao apresentar a declaração de 1RPF/2003. Anexando cópias de recibos, solicita seja revisto o valor das despesas médicas lançada na sua declaração de ajuste, na qual os valores apresentados conferem com os valores declarados. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou o lançamento procedente, mediante o Acórdão n.º 0326.291, de 20 de agosto de 2008, cuja ementa a seguir transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual/IRPF despesas médicas incorridas no respectivo ano calendário. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 20 de outubro de 2008 (fls. 51), a contribuinte interpôs, em 10 de novembro do mesmo ano, Recurso Voluntário (fls. 52 a 54), no qual alega, em síntese, que, equivocadamente, anexou aos autos cópias dos recibos de despesas médicas correspondentes ao anocalendário de 2003, e que apresenta, com o recurso voluntário, os recibos de despesas médicas do ano calendário de 2002. Pede, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o Relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13841.000252/200682 Acórdão n.º 210101.532 S2C1T1 Fl. 85 3 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Auto de Infração de que trata o presente processo teve origem na revisão da declaração de ajuste correspondente ao exercício de 2003, anocalendário 2002. A Fiscalização procedeu à glosa do valor de R$ 20.293,16, deduzido pela contribuinte, a título de despesas médicas. Tendo em vista que os recibos de despesas médicas juntados em sede de impugnação correspondem ao anocalendário de 2003, a contribuinte acosta, agora com o Recurso Voluntário, os recibos às fls. 56 a 81. No Processo Administrativo Fiscal, o fiscalizado pode apresentar provas documentais durante a ação fiscal, quando para tal regularmente intimado, e no momento da apresentação da Impugnação, tal como prescreve o parágrafo 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Excepcionalmente, o próprio Decreto n.º 70.235, de 1972, admite a apresentação de provas em momento posterior ao da Impugnação, desde que ocorridas determinadas circunstâncias, que são aquelas previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo 4.º do artigo 16 do referido diploma legal, na forma estipulada em seu parágrafo 5.º. Isto significa dizer que é possível a juntada de provas após a Impugnação, mas somente em circunstâncias excepcionais, nele previstas, e desde que requerida à autoridade julgadora Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 mediante petição na qual se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo 4.º. Em sua peça recursal, a interessada requer a juntada e a apreciação dos recibos de despesas médicas correspondentes ao anocalendário de 2002, tendo em vista ter apresentado, em sede de impugnação, por equívoco, os recibos correspondentes ao ano calendário de 2003. Tal fato, constatado pela DRJ em Brasília, autoriza, a meu ver, a apresentação dos referidos documentos em sede de recurso voluntário, ante o previsto na alínea “c” do § 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, tendo como conseqüência que a apreciação das provas, nessas circunstâncias, não caracteriza supressão de instância. Por essa razão, admito a apresentação das provas, que aprecio no presente voto. O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifouse) Depreendese, do dispositivo acima transcrito, que os comprovantes de despesas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem demonstrar tanto o efetivo Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13841.000252/200682 Acórdão n.º 210101.532 S2C1T1 Fl. 86 5 pagamento feito pelo contribuinte quanto o recebimento do valor correspondente pelo prestador do serviço, em decorrência da referida prestação, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, tudo de forma especificada. A Recorrente faz prova das despesas médicas utilizadas como deduções em sua declaração de ajuste correspondente ao anocalendário de 2002 por meio dos recibos anexados às fls. 56 a 81. Dos recibos apresentados, preenchem os requisitos do artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, acima transcrito, os recibos emitidos por: a) João Batista C. de Noronha R$ 760,00 (fls. 81) b) Maria José de O. Andrade Guena R$ 500,00 (fls. 80) c) J. Gutemberg Splettstoser R$ 70,00 (fls. 79) d) Unimed Leste Paulista Cooperativa de Trabalho Médico R$ 3.473,16 (fls. 78) e) Maria Imaculada F. de O. Nistal R$ 5.000,00 (fls. 75 a 77) Os demais recibos, emitidos por Elaine Gitte Sargiani Infante (fls. 68 a 73, sendo dois deles apresentados em duplicidade, às fls. 74); Maria Ignez Mendes Sodré (fls. 56 a 61); e Izabel Cristina Gomes Gabriel (fls. 62 a 67) não atendem aos requisitos legais, estampados no artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, regulamentado pelo artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999, anteriormente transcrito. Por não se enquadrarem nas exigências estipuladas em lei, os recibos são, isoladamente, insuficientes para comprovar as despesas médicas deduzidas. Para reforçar o conjunto probatório, teria sido de todo conveniente, no caso, a apresentação de outros elementos de prova, tais como cópias de exames médicos, cheques nominais, extratos bancários nos quais se constatasse a existência de transferências bancárias ou saques em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados, ou qualquer outro documento hábil e idôneo. No entanto, a contribuinte nada apresentou além dos recibos. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções de despesas médicas no valor de R$ 9.803,16. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.022601/99-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de aptuação: 01/10/1988 a 31/03/1996
PIS/PASEP REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
0 dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 9303-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de aptuação: 01/10/1988 a 31/03/1996 PIS/PASEP REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 0 dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10380.022601/99-11
anomes_publicacao_s : 201009
conteudo_id_s : 4897644
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-001.115
nome_arquivo_s : 930301115_103800226019911_201009.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Henrique Pinheiro Torres
nome_arquivo_pdf_s : 103800226019911_4897644.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
id : 4751807
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359787577344
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-13T11:25:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-13T11:25:25Z; Last-Modified: 2011-10-13T11:25:25Z; dcterms:modified: 2011-10-13T11:25:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d2b8cb75-ff80-4055-b12e-079f5f580eb1; Last-Save-Date: 2011-10-13T11:25:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-13T11:25:25Z; meta:save-date: 2011-10-13T11:25:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-13T11:25:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-13T11:25:25Z; created: 2011-10-13T11:25:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; Creation-Date: 2011-10-13T11:25:25Z; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-13T11:25:25Z | Conteúdo => CSI2F-T3 Fl 140 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo a' 10380.022601/99-11 Recurso n" 228.267 Especial do Procurador Acórdão n" 930.3 -01.115 — 3" Turma Sessão de 27 de setembro de 2010 Matéria PIS/Pasep - Prazo para repetição de indébito Recorrente Fazenda Nacional Interessado th ganização Edmilson Pinheiro Ltda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de aptuação: 01/10/1988 a 31/03/1996 PIS/PASEP REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 0 dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial_ Vencidos os conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Hem ique Pinheiro Torres — Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 09/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Jose Adão Vitorino, Maria Teresa Martinez LOpez, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres Relatório •-•.!" I Os fatos foram assim descritos pela decisiic) de primeira instancia: Trata o presente processo de pedido de restituição da contribuição polo o Programa de Integração Social - PIS, no valor de R$ 36.506,72, referente ao per iodo de apuragão de outubro de 1988 a março de 1996, sob fundamento de que a base de cálculo seria faturamento do sexto mês anterior, cumulado com pedido de compensação corn o práprio PIS e com a Cofins, nos termos do Decreto n°2.138/97 e _hiving& Normativa SRF n" 21/97. O Circle da Seca() de Análise e Orientação Tributária da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (CE) proferiu a Decisão n" 622/2000 (fis 47/48), indeferindo o Pedido do contribuinte sob o argumento de que a base de cálculo do PIS é o fatwomento do mês de 00017 acia do fato gerador, conforme entendimento troduzido no Par ecer PGFN/CAT n" 437/1998. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, op escutou o contribuinte manifestação de inconformidade contra a Decisão Seort/DRF/FOR n" 622/2000, na gaol Andamento sua defesa com os argumentos a seguir desci ilas • - o impugnante é pessoa jurídica de direito pi ivado, que tem por objetivo social a prestação de serviços, e como tal vinha contribuindo para o PIS et aliquota de 0,75% incidente sobre o four, amen to ; - os Decretos-lei n"s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sua eficácia suspensa pelo Senado Federal, através da Resolução n°49, de 10 de outubro de 1995, - a discussão acerca da compensação do valor pogo indevidamente a titulo de PIS, corn débitos vencidos e/ou vincendos de contribuições e impostos devidos, encontra-se pacificada pelos Tribunais Regionais Federais, bem como pelo Super ior Tribunal de Justiça. o Presidente da Republica sancionou o Decreto n" 2 138/97, que em seu artigo 1" pós fim as controvérsias acerca da possibilidade dessa compensação; - a Decisão SESIT/DRF/FOR n" 622/2000 mostra-se eivada de total inconsistência, uma vez que pretende desconstituir o direito que reconhece a semestralidade da base de cálculo do PIS, alegando para tanto que a Lei n" 7.691, de 15/12/1988 alterou substancialmente seu conteúdo ao proclamar o faturamento do mês de ocorrência do fato gerador como base pare a contribrikao,. - constata-se que, sob o regime da Lei Complementar n" 7/70 (artigo 6"), o faturamento do sexto Wes anterior constitui a base de cálculo do PIS; - as alterações introduzidas no PIS no ano de 1988 - Decretos- lei n" 2.445 e 2.449 e Lei n" 7.681, não vingaram, conforme comprova o julgamento do Recurso Extraordinário n" 2 Processo if' 10380 022601 199-11 CSRF-T3 Ae6rdão n 9303-01.115 Fl 141 148.754/1U, cujo Acórdão lavrado pelo Ministro Francisco Resek declai ou a inconstinicionalidade das aludidos decretos, - ate mesmo a Administr ação Fazendái ia (Conselho de Contribuintes), seguindo a linha traçada pelo STF, entendeu pela obrigatoriedade de o cálculo set realizado coin base no faturaniento do sexto mês anterior; - esta claro que o impugnante possui o direito de compensar cis quantias pagas indevidamente relcuivas ao PIS com as parcelas vencidas e/ou vincendas c/c quaisquer nibutos no âmbito c/a Secr etai ia da Receita Federal. Diante do exposto, requer o contribuinte que a Decisão Sesit/DRF/FOR n" 62.2/2000 seja julgada improcedente, par a que seja leconhecido o dileito de a empresa procedei - a compensação do que . foi pago a titulo de PIS nos moldes mgumentados no pi escute pi oce.sso A autoridade julgadora de primeira instancia manifestou-se no sentido de indeferir a solicitação interposta pela contribuinte mantendo a decisão proferida pela DRF de origem. O acórdão foi assim ementado: A Y.Sunto, Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 31/03/1996 Ementa: Reslituição/Compensação. Decadência O prazo para o contribuinte pleitear a Jestiluição e a compensação de tributo ou conuibuição pogo indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente deck,' ado inconstilucional pelo Supremo Tribunal Federal on ação declaratória ou em t recurso extraordinário, extingue-se após o ti anscurso do prazo de .5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito ti ibutálio — arts 165. I, e 168, I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Prazo de Recolhimento da Contribuição pal a o PIS/Pasep Os atos legais relacionados coin o PIS/Pasep e não dean, ac/os inconstitucionais, intopretados em consonância corn a Lei Complementar n" 07, de 1970, independentemente da data em que tenham sido expedidos, continuam plenamente em n vigor. sendo incabível a intopretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior a °con ência do lato go ador. Com a edição da Lei n" 7.691, de 1.5/12/1988, o plow para pagamento da contribuição para o PIS/Pasep deixou c/c ser o de seis meses, contado a porn; do fato go ador, sendo devida a correção monetár ia desde a ocorrencia cio fato gerador ate a data do efetivo pagamento, conforme entendimento traduzido no Parecer PGFN/CAT n" 437/1998. P .! ! 3 Solicitação indefe, kin A contribuinte cientificada do teor do referido Acórdão, e, inconformada corn o julgamento proferido interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes no qual reitera suas razões apresentadas na inicial. A Camara recorrida deu provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição/decadência e reconhecer a semestralidade da base de cálculo da contribuição, e, também, reconhecer a atualização dos indébitos com base na Nota de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar a' 8, de 27/06/1997. devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art 39, § 4, da Lei n° 9,250/95. Inconformada, a PGFN apresentou recurso especial, fls 117 a 126, postulando o reconhecimento da prescrição/decadência, nos termos do art, 168 do CTN. O recurso foi admitido, conforme despacho de fls. 127 a 129 Sem contrarrazões do sujeito passivo, apesar de intimado para tal . o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator. O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no' Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cinge-se a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior que o devido. A Camara recorrida entendeu que, no caso dos indébitos pertinentes aos Decretos-Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, o prazo prescrição/decadência é de 5 anos contados da data da publicação da Resolução IV 49 do Senado Federal que suspendeu a execução dos indigitados decretos. A POFN, ao seu turno, defende que referido prazo seja contado da data da extinção do credito tributário, pelo pagamento. De imediato, passemos a. controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado . Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário if 133.010, na Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes. de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinarias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito — se decadencial ou prescricional — paia o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não sera aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar a' 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos "cinco mais cinco anos" . Como é de 4 I Processo n" 11)380 022601/99-11 csizr-r3 AcOrdao o 0 931)3-01.115 Fl 142 todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário so se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o "maze para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art, 150, § 4", do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar n° 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3", assim dispôs: Art. 3" Para eftito c/c interpretação do inciso I cio art. 168 da Lei 0 5,172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do cr édito tributário ocon e, no caso c/c tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pavilion.° antecipado de que trata o § Iv do ar t 150 da refer ida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso Pais a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras criticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, ate então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das criticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se as funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia juridica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu alt. 3". Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o ST.1 e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 40 da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Ar Esta lei entra cur vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao cm, t 3 11, o disposto no an. 106, inciso I. da Lei n".5 172, de 25 c/c outubro c/c 1966— Código Tributário Nacional A seu turno, es se dispositivo do CTN tern a seguinte dicção; t106. A lei (plica-se ao ato ou fato pi eté, Ito 5 . 1 . I - em qualquer caso, quando seja expressamente inter p, et ativa, excluída a aplicação de penalidade a infração dos dispositivos interpretados,- (. ) De outro lado, os críticos da Lei Complementar n° 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraido, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a "interpretação" dada ao art. 168 do CIN pelo art, 3" da novel lei complementar não poderia retwagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas criticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o SIP decidiu: Sc, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da inter pretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe norms inexistentes. .E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art 4° dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1' Seção, que a Lei Complementar no 118/2005, no tocante ao art. 3 0, somente entraria em vigor, em sua integralidade, a. partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF., Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4° dessa lei complementar . Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DI VERSOS ALEGADAMENTE EXTRAIDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO, ART 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3" E 4" CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART, 106, I R.ETROAÇÃO DE NORMA AUTO-INTITULADA INTERPRETATIVA "Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob c, itér ios diversos alegadamente extraídos da Constituição" (RE 240.096, rel SepUlveda Per tence, Pr brief; a Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por &giro fivcioricirio ern que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por órgão Especial ou Plenário 6 Processo n° 10380 022601/99-11 C5121' 213 AcOrdho n 9303411.115 Fl 143 Recurso extra°, dinario conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Orgão Fi acionár ia do Superior Ti ibunal de Justiça. Brasilia, 18 de junho de 2008. V 0 TO O SENHOR MINISTRO JOAQU1M BARBOSA - (Relator): Iniciahnente, enfatizo que a discussão travada ne.ste i ecurso extraordinário se limita ir argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art 4", segunda parte, da LC 118/200.5 ao Orgclo Especial do Superior Tr ibunal de Justiça, nos termos do mt. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da nor ma que fivou a validade de tuna única interpretação para a contagem do prazo prescricional porn a restituição do indébito tributár ia Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em muro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao embedment° e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Orgiio Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Seprilveda Pertence, nos autos do RE 486.888 (DJ de 31.08 .2006). 0 referido precedente, fumado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergéncia no Recurso Especial 644,736 (rel. min. Tea ii Zavascki, DJ de 27 08..2007), foi assim ementado. "CONSTITUCIONAL. TRIBUTARIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005 NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3". INCONST1TUCIONALID4DE DO SEU ART. 4", NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado corn a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (la Seção) é no sentido de que, em se notando de tributo sujeito a langamento par homologa cão, o plazo de cinco anos,j» evisto no art. 168 cio CTN, tern inicio, iiào na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data c/a homologagio - expresso ou tácita - do langamento.Segundo entende o Ti ibunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento . indispenscivel a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo cut. 1.56, VII, do CTN. Assim, somente a par til dessa homologação é que teria inicio o pr azo pm evisto no t. 168, 1. E, não havendo homologação expresso, aprazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a cantor do fato gel ador • 1 • r;•-•-:::: ).• 1:11 , f:•) 7 vi I 2 Esse entendimento, emboi a não tenha a adesão unit°, me da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conte/ido e o sentido das nonnas que disciplinam a matéria, já que se ti ata do entendimento emanado do ór gão do Poder Judicicir ia que tem a atribuição constitucional de imerpretá-las 3 0 al t. 3" da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, ion sentido e um alcance difer ente daquele dado pelo Judiciáno, Ainda que defensável a inter pi etação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano nonnativo, pois leu, ms das disposiçães interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como co meto pelo STJ, intérpete e gum dião da legislação federal. 4 Assim, tratando-se de pm eceito nonnativo modificativo, e nil° simplesmente inter pi curtly°, o art. 3" da LC 118/200.5 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sabre situaçães que venham a ocorrer a partir da sua vigência .5. 0 am tigo 4' segunda pm te, da LC 118/2005, que cl etc,' a aplicação retroativa cio seu art. 3", paw alcançar inclusive . fatos passados, ofende o pm incipio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF', am t, 2') e o da garantia do direito adquirido, do ato juridic° perfeito e da coisa julgada (CF, t 5", )XXN), 6, Argiiição de inconstitucionalidade acolhida " Passo ao emote do teC11130 Esta é a redação dada aos al Is. 3" e 4o da Lei Complemental 118/200.5: "Ai t 3- Para efeito de interpelação do inciso I do ar t 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributáno Nacional, a extinção do el édito tributal ia ocorre, no caso de sujeito a lançamento pm homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § I" do art. 150 da i efer ida Lei. Art. 4 0 Esta Lei entry ens vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanta ao alt. 3-, o disposto no art 106, inciso I, c/a Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 - Código ibutário Nacional " Pot sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tern a seguinteledação . "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou Poo pm etérito.. I - em qualquer caso, quando seja expessamente interpreativa, excluida a aplicação de penalidade à ioliação dos dispositivos interpetados;" Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recoil ido violou a reserva de Plenário para declamação de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicen u etroatimmente o art, 3" da LC 8 Yi P.F N. IF Processo n" 10380 022001/99-11 CSRF-T3 Acórdão n° 9303-01.115 FL 14-1 118/200.5, como detelminam o at E. 4" da mesma lei e o ai!. 106, I, do Código ibutár io Nacional. Passo a examinar; então, a questão de fundo Os arts. 3" e 4" da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, corn eficácia retroativa, que a prescricdo do chreito do contribuinte à restituição do indébito ti ibruário pertinente às exaçãe.s sujeitas ao lançamento poi homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Ti ibutário Nacional, intopretado literalmente, a ten oatividade de normas me; amente inter etativas é iri est, Eta e, por tanto, o disposto 00 art. 30 da LC 118/200.5 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar; independentemente da claw de ajuizamento espectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3"e o art, 106, I, do Código tributcirio Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da nonna que estabelece como o prazo prescricional deverd ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/200.5, o Superior Dibunal de Justiça firma; a orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a pariu l da homologação do lançamento (art, 1.56, VII, do CTN), que podei ia ser expresso ou tácita Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ I" e 4", do CTN), a prescrição do direito restituição do indébito 17ihuttil io poderia chegar a dez anos, contados do momenta em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3" da LC 118/200.5, oil um pi inteiro exame busca superar o entendimento e ulna (mica possibilidade interpretativa para a contagem do plaza de pi e,scrição de indébito relatim a tributo .sujeito ao lançamento por homologação (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos al Is. 3" e 4" da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação its ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complententar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327 043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança juridica, conto se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão ecorrido. Ministro Luiz Fur "0 acói dão embargado assentou que a Prime/ia Seção reconsolidou a jurisprudência desta Col te acerca da cognominada tese do.s cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Minisao Joao Otávio de Noronha, julgado em 27.04, 2005) '' 9 A Lei Complemental 118/2005 não foi decimada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência as demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao principio da segurança jus idica, consoante pes Ill/lad° no voto- vista desta claim la: "a Lei Complemental 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos gerados es pretés ((os ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo i cgs aumento rub é retroativo mercê de interpretativo. E que toda lei interpretatim, como toda lei, não pode r etroagis Outrossim, as liçães de Manna coadunam-se corn as novas conquistas constitucionais, notadamente a segui anca juridica da qual é cos olár io a vedação à denominada "surpresa fiscal". Na lácida percepção dos douttinadores., "Em sodas essas nos mas, a Constituição Federal chi uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constitu idas e que, poi isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercido da atividade estatal " (Humbes to Avila in Sistema Constitucional Ti ibutário, 2 0 04, pcig 295 a 300) (. ) A mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis intespretativas como decidiii em i ecentissimo pronunciamento o Pretós io Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume 0 jurisp, udência do Ti ibunal ao lingulo da máxima tempts regit action, per mite o prosseguimento do ,julgamento dos feitos de acordo com a jus ispi udência reinante, seus invalidar a vontade do legislado s .. através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de lesultado mor oso e duvidoso a *ontor a efetividade da pm estação jurisdicional, mantendo higida a nom tua com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à op, eciacdo Judicial, máxime porque o as tigo 106 do CTN é de constimcionalidade inchtvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionahnente imune de vicios". Ao deixas de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequivoco que o acórdão recorrido decks, ou-lhes implicita e incidentahnente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Tio ma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (sei. min. Sepálveda Pei tence, Di de 21.05 1999), "reputa-se declaratósio de inco»stitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma omdincíiia pertinente it lide para decidi-la sob critérios divessos alegadamente extraidos da Constituição", Portanto, ao invocas precedente da Seção, e não do órgão Especial, par-a decidir pela inaplicabilidade de nos ma os &rub ia jedesal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recos ido deixou de observes a necessária reserva de Plenário, »os tem mos do art, 97 da Constituição. Ens sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto prolerido pelo eminente Ministro Sepálveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei Mill Sepri(veda Pei fence, Prinzeira Tus ma, Di de 08,06 2007): H ; 10 F." ! 1 ! ; Processo n° 10380 022001/99-11 Acórd5o n" 9303.4)1.115 CSRF-13 Fl 145 "A inaplicagão dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclarnava, pois, a declar ação de sua inconstitucionalidade, ainda que pm cial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido Não importa que o precedente invocado da Primeir a Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigéncia O distinguo - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts 3" e 4" da LC 118/0.5 importou na declaração c/c inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo — com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da "reserm de plerrório", cio art 97 cia Lei Fundamental." conto voto. Do exposto, conheço do .1 ecurso awl aordinario e dou-lhe provimento, pal a que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, par a que -seja observado o ar t 97 cia Constituição Da leitura do acórdão, dúvida não ha que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, par sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4" da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3' da citada lei somente produz efeitos sabre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3 0 da Lei Complementar n° 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação . Agora, se o art, 40, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3 0, padece de vicio de inconstitucionalidacle, não cabe a este Colegiado isto declarar, como sera demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos uni breve passeio na história do controle de constitucionalidade. 0 mundo conhece hoje, no dizer 'Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: I M CAPPELLETTI, 0 canticle Judicial de Constitucionaliclade das Leis no Direito Comparado, ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. 11 1:1.1 • O "sistema difitso", isto é, aquele en; que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciarios de mu dado ordenamento juridic°, que os exer citam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O "sistema concern; ado", em que o poder de contt ole se concentra, ao contrát ia, em um único órgão judicicir ia. 0 primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. 0 segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda corno sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Austria de 1° de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Juridica de Viena, o grande Hans Kelsen No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade, Por influéncia do jacobinismo parlamentar fiancés e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspende-las e revogá- las, bem como velar na guarda da Constituição (art, 15, itens 8" e 9"). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento, Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2juridico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário, A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe urna figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional IV 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito As pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente corn os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, corno dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por urn lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juizes negarem aplicação As leis contrárias à constituição. Para se chegar aquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que corn ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária.. Não há meio termo, asseverou o Chefe da 2 0 Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e_por provocação da parte. ' I; 3I i 12 ifY I \:1 Processo n" 10380 022601/99-1 I CSI1F-13 Acórdilo n" 9303-01.115 Ft 146 Suprema Corte, ou a constituição é urna lei fundamental superior e não mutável poi dispositivos ordinários, ou seja, 6 rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinarios, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo, Todavia, se é coneto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrario à constituição não é lei, e nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juizes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu corn o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flex iveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juizes é a de interpretar as leis e aplicá-las ao caso concreto submetido a seu julgamento; - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Sc ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex spec jails derogat legi genera ii, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste da-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, ai, o critério é o da /ex superior derogat leg-i inferioj i. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso urna lei ordinária que contrasta corn a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, Ill, do Regimento Interno da Camara Federal e art 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1°, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da 1:11',111":1 - 1 , .1, 11.1 1: 11:1'11 111 11-:1,11 1, 1 .1 13 ;Ht. ,i1:1 1 1; 1'1 -11 11 • 1 1 . 1 11 , 1'.1;;; Presidência da Republica, por força do estatuído no art, 2' da Lei if 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Ai 1. 2`! Casa civil da Presidência da República compete assistir &I -eta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integra cão das ações do govei no, na verificação prévia da cmatitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos . Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei flue entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta ir primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, corno bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts, 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, "a" e "b"), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasilia, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (n° 13) da Presidência da Republica, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamai &lea, realism - e ainda acompanhando o pensamento do maim jurista do século XX, pode-se clizei igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma nonna será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que,.finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - hula lei á simplesmente constitucional„ (grifo nosso) Por tais razões, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuida pela Constituição. t 14 0; Processo n" 10380 022601/99-11 CSRF- 53 Acerd5o n" 9303-01.115 Fl 147 • No mesmo sentido, é a HO° de Lúcio Bittencourt 3 a respeito da incompeténcia dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: principio assente mitre os autores, reproduzindo a oi ientaciio pacifica da jurisywuclência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de cons-titucionalidade. E que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando ulna lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Politico foi objeto cia exame e apieciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. ( Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é pi ivativo do Judiciário, porque, se êste cabe, poi fórça de pi eceito ex-pi asso, a função em api ego, nenhum dos outros poderes- tem competência pai a exerce-la 'sob pena de se confundnem as an ibuições déstes, o que a nossa Constituição veda, ao pi escrever a sua sepmação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido juliscousulto, que se choca, aliás, coin a opinião unânime dos dawdles. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua hzconstitucionalidade. E que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte urn dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o principio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação h lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo urna presunção »iris Ian him, só ao orgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunçao. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declamada pelos ti ibunais incompatível coin a Constituição, é lei - não se plesunze lei - é polo todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas cis relações jurídicas a que Bittencourt, Lúcio - O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2° edição, pags.91 a 96. 15 visa disciplinar e conseiva plena e integra aquela fcirça formal que a torna ii refiageivel, segundo a expt essão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, OC011e ainda situação diversa da que se manifesto no tocante nos atos juridicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional E que, em t relaçiio a ela, existe o principio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito ptiblico, a garantia e a segurança da ordain jurídica. Sendo a lei obi igatót ia, pot natureza e por definição, não seria possível facilitai a quem quer que fôsse fiu tar-se a obedecei-lhes os preceitos sob o pi etexto de que a considera contrái ia à Carta Politico. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigató, ia. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constrtucionalista Luis Roberto Batroso 4 : A pi esunção de C011Stitucionalidade dos leis encerra, naturalmente, uma presunção Mr is tannin?, que pode ser ,nada pela declaiação em sentido contrário do órgão jut isdicional competente O principio desempenha uma função plagmática indispensável na manutenção da impel atividade das nor mas juridica,s e, por via de conseqüência. na hat monja do sistema O descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vicio haja sido proclamado pelo Urgão competente, sujeita a vontade insubmissu Us sun cães prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se a lei o fará par sua conta e risco. (gr ifo nosso), A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga °nines no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente sera declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capitulo III - Do Poder Judiciário - do Titulo IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ()cone nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não ha a previsão para tal.. Alias, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. Sao Paulo: ed Saraiva, 3" edição, pp 170e 171. f 16 • 1,1,1 Dr Processo n" 10380022601/99-fl CSRF-T3 AcOrdilo n " 9303-01..115 Fl 148 Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitueionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. F. o que dizer, então, cIa impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocone quando o controle é feito no .Judiciário, Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, A exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos Vide art. 26-A do Decreto IV 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11_941/2009.. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARE. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1 0, 20 e 30 Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vicio de ineonstitucionaliclacle. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos esta amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autentica trazida pelo art. 3" da Lei complementar n° 118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n" 11 941/2009.. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1", 2" e 3" Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade.. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de par te da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos • 17 1 - 1. :Lt." ) i1 :)• autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autentica trazida pelo art. 3" da Lei Complementar n" 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art, 4° da Lei Complementar n" 118/2005, passa-se A análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. 0 direito repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 165 5 do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da Republica, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea "b" do inciso III do art 146. Ar t. 146, Cabe á lei complementar I- . - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tribuiária, especialmente sobre. a). ...... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer pala a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei IV 5,172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar . Para o caso aqui em debate inter essa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art_ 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I - da data de extinção do crédito ti ibutár io nas hipóteses.' a) de cob] onça ou pagamento espontâneo de tr ibuto indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstancias in do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II - da data em que se tornm definitiva a decisão administrativa ou passa, em julgado a decisão judicial que tenha refor ,,,ado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatéria nas hipóteses: 5 Art 165 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, it restituie5o total oil parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no * 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislaçâo tributária aplicável, ou da natureza ou cireunstâncias materiais do fato gerador efetiyamente ocorrido; ]; t 18 1 -1 Processo n 10380.022601/99-11 CSRF-13 AcórdAo " 9303-01.115 PI 149 a) c/c eforma, anulação, revogação ou rescisão c/c decisdo condenatór ia, A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescrieional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 168 , fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário — aplica-se aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda — data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, as hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não node extrair aquilo que não esta na norma. 0 exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se ern legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus elausus, os eventos que servem corno data do termo de inicio da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito — a extincito do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado. anulado. revogado ou rescindido a decisão condenatória afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito_ Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço juridic° nacional. Alias, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de inicio alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, "b", e o Código Tributário Nacional que detem o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria.. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Cast' o 7 : Nessa linha, penso, portanto, que a inevistência de Lei em sentido formal ou material que apoie a jurisprudacia administrativa da qual ora se diverge, fa:: corn quo a mesma entre ern confirm corn o principio (la legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, urna vez afastada a regra jurídica fbrmalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concr etude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o porno de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente esta inserida este Colegiado, dito principio assume feições diversas 6 Art. 168 0 direito de pleitear a restituiçito extingue-se corn o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 - nas hipóteses dos incisos 1 e lido artigo 165, da data da extinçao do crédito tributário 7 • julgamento do recurso voluntai io IV 133 010, na Terceira Câmara do do Terceho Conselho de Conti ibuintes. "Art 37 A achninistrac5o pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uniao, dos Estados, do Distrito Federal e dos Ivlunicipios obedecerá aosptincipios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiEncia ." ..(:: : 19 c/api evista no al t So, II da CF. de 1988 9, denominado Autonomia da Vontade Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra juridica) prevê. Sobie esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilhom, que assim esquadrinha os difeientes ângulos de atuação do pr incipio em discussão, "0 principio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o principio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o principio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes) Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democrático-constitucional a lei parlamentar 6, ainda, a expressão privilegiada do principio democrático (dai a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (dai a reserva de lei). De uma forma genérica, o principio da supremacia da lei e o principio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra fontes de direito e estruturas normativas)" (grifei) Ou seja, como é cediço, o principio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valoi es defendidos no plano constitucional, inclusive sabre a Segui ono Jut idica, invocado coma fundamento para a decisão em debate, Nesse aspecto. recorro à lição de Sacha Oilman Navarro - membi o de col ;ewe doutrinária contra, ia àquela que inspirou a pra/ação dos votos vencedor es - que, baseado na doutrina • pwitifica. "0 conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, as vezes, injustas. No entanto, se tais intervençães tem base em lei e visam o bem-estar ptiblico, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado 'principio da proporcionalidade'. ." (grifei). Poder-se-ia então argumentai que a solução oia discutida se, ia então residindo cio sopesameirto owe os principias constitucionais aparentemente conigitantes, mediante a leduccio "• foi 0" do pr incipio da legalidade. 9 "II - ninguém sera obrigado a fazer ou deixar de fhzer alguma coisa senão em virtude de lei;" Joaquim Jose Gomes Direito Commucional e Teoria da Consumição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7' Edição, p. 256 II ST EIN Torstein, A Segutano na Ordem Legal da Reptiblica Fedei al da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calinom Reflexões Sobre o Artigo 3' da Lei Complementar 118 Segurança Jurídica e a Boa-Fe como Valores Constitucionais. As Leis Intcrpretativas no Direito Tributario Brasileiro. Disponível ern hum.(Avww.sacha.ady bil.admin/arq_publica/bc7f6214.51b4(5'430848e098112185d pd( 'i•i, ";: :;• • ij 20 "C Processo e 10380 022601/99-11 CSRF JF. -1T503 AcOrdfio n 9303-01.115 Ocorre que essa solugdo só SD ia possível, penso, se os principios constitucionais invocados possuissem o mesmo grail de concretude das normas cuja aplicação tern sido afastada Ou seja, se as princípios em conflito pudessent ser traduzidos em legs-as jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas pale-m-(7s de Paulo de Barros Carvalhol:, informar e iluminar a compreens2o de segmentos normativos, os princípios invocados, a bon da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, pater quem os primeiros, enquanto "mandatos de otimização "13, (lSSi se distinguem das últimas.' "El punt° decisivo para la distinción entre regias y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de ias posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmizaciOn, que estan caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no kilo depende de las posibilidades reales sino tambien de ias jurídicas. El ambito de Ias posibilidades jurídicas es determinado por los princípios y regias opuestos En cambio, ias regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no Si una regia es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni mas ni menos. Por lo tanto, las regias contienen determinaciones en el ambito de lo factica y ,juridicamente posible. Esto significa que la diferencia cane regias y principios es cualitativa y no de grado Toda norma es o bien una regla o un principio" (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva 1 , apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não retinem todos os elementos necessários pm(' sua incidência direta As vezes, fidta-lhes o que Alex) , definiu como "possibilidade juridica". Dal porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, con tida e limitada "Quando essa regulamentaciio normativa é tal que se pode saber, com preciso, qual a conduta positiva ou negativa a segui r. relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar- se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia" 12 Curso de direito tributal to 3' edigéo, p72 13 Teoria cie los Dei echos Fundamentales, aped Inocencio Mártires Coelho. Intopretaccio Consatucional Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85 'Aplicabilidade das Normas Coustaucionnis cl „Sao Paulo, Malheiros, 1998, p 99: „ r r2,1- l".; - '.•• ' c.'1 1 0? 11 ..: ■ .:'i.) L'j ' : ' 1 1 1 6' '1'n1 11 ..Y. 1;1...1:);11.::, 21 Ainda sob o pi isma da cone; etude, esclat ecent Manuel Atienza e Juan Ruiz Mal:era's que as rep as "constituem concreções relativas As circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Ern tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fiacassa e o ordenado ou permitido por elas alcança s6 um valor prima facie que se vê finalmente, urna vez consideradas todas as circunstancias, afastado" Assim sendo, um pi incipio constitucional que não reline os elementos condicionamés para sua eficcicia plena não pode substituir a I agia jurídica insculpida no CM no nuiximo, afastat sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de cow, ale da constitucionalidade, medida que foge it competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da no; tira, o resultado set la igualmente a imp; ocedência do pedida, pois essa medida não faria surgir uma nova on seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relent!), e-se, o Decieto n" 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tribitkiria 2. Interpretação conforme a Constituição Dolt!, inodoras de peso, como Paulo Bonavides 16, defendem a inlet pm etação conforme a Constituição, coma método de harmonização da manta infraconstimcional aos pancipios constitucionais, pretendendo. ao que parece. conferir a essa técnica canto, nos de mera busca pelo verdadebo sentido do testa da not ma hierarquicamente ui/em ior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que palace, tem sido seguida majoritaliamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo S11.12161110 Tribunal Federal, que firmou ;wile no sentido de que a bitelpietação conj.°, me a Constituição, cm veidade, corresponde a um nu:todo de controle da constitucionalidade, sentido igualmente ibuido por Celso Ribeiro BastosI 7 e Jorge Mirandam, 15 atipicos apud Decadencia e Pt eseticiio do Direito do Conttibuinte e a LC 118 Lane Regras e PI incipios, in Temas de Dimito Publico — Estudos eia Hontenagent ao Minima knit Auguste) Delgado Coordenack Cristiano Carvalho e Marcelo Magalinies Peixoto Curitiba, 2005 kink pp 149 a 178 IS Curso de direito constitucional, p 518. 17 Hermenclutica e interpretacilo constitucional, spud Sérgio Augusto Zampol Pavani, 4 lateroretaolo Confornie e Constinlicao e o Controle Difitso de Constinicionalidade listudos ern llontenagem ao lilinistrolosé Augusto Delgado Coordena95o Cristiano Carvalho e Marcelo Magalluies Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá pp 581 a 599 c;ri: • i) 22 Processo n" 10380 022601/99-11 CSRF-1 3 Acárdtio n ° 9303-01.115 11 151 Tal convicção ganha força ern Jimção da leitura do parágrafo único, do art 28, da Lei n" 9 868, de 10 (le novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de lnconstitzrcionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conform a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, tam eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, ti ago ei colação manifestação do Minisno Carlos Ayres Britto, em voto vista proftrido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF nQ 54: "38. Ern remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício dc hermenêutica se di é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo principio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta." Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiada para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação cm hipóteses que, sem a pretensa co/irão corn os princípios constitucionais invocados nos votas vencedor es, se subsumiriam perfeitamente ao seu text() Aliás, ainda que tivéssemos competência Fria tanto, a técnica da interpretagdo conforme, na lição de Gornes Canotilhol9, não ac/mite alteração do texto normativo Leciona o autor. "...daqui se conclui que a interpretação conforme so permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo, A interpretação conforme a constituição tern, assim, os seus limites na `letra e na clara vontade do legislador', devendo 'respeitar a economia da lei' e não podendo traduzir-se na 'reconstrução' de urna norma que não esteja devidamente explicita no texto".(grifei) IS Manual de direito constitucional, torno 11, p 267. (1 Interprewilo Conforme e Constiuticiio co Connole Difuso de Constirucionaliclade Estudos em flontenagem ao klinistro lo.sè. August° Delgado Coordenactio Cristiano Carvalho e Marcelo Magallf5es Peixoto Curitiba, 2005 .1urua pp 581 a 599. 1 0p., cit., p. 1265/1266, 1.. , i I: -"- :r 23 Nesse mestizo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP 2" "III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição" Importa ponderar, now, o git o, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérptete Move em relação CIO texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão profe, ida nos autos da Representação n5 I 417-721 : "0 princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é principio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse principio sofre, porem, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STP - em sua função de Corte Constitucional - atua corno legislador negativo, mas não tern o poder de agir corno legislador positivo para criar norma julidica diversa da instituída pelo Poder . Legislativo Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma corn a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o principio da interpretação con forme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. ( ) - No caso, não se pode aplicar' a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica" (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, Ito Regime Constitucional vigente, o emédio" contra a omissão do legislado, que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não ó a et iação ou aliciação do texto legal, pot - qualquet dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do alt. 50, caput, inciso faX1 e §1 022 . Nem a A ção de Inconsiitucionalidade Omisstio, definida no § 2 0 do art 103, tent o deito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se disco, da. 2(1 Relator Min Septilveda Pertence (reap. pelo acórdão), DJ 28 05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DI 15.04.1988 22 LXX1 - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a fella de norma regulamentadora torne inviável o exercicio dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1" - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais tern aplicação imediata i 24 DI . 1:1 Processo n" 10380 022601/99-11 Am:V(15o n" 9303-01.115 CSRF-T3 Fl 152 Não se vê, portanto, como, em sede (le recurso voluntário, conciliar a pretensão do inter e,s-sado e a aplicação da legisla cão como Se encontra vigente Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo lega1 23, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por ai vai.. Entretanto, corn a edição da Lei Complementar a' 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3 0 deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributtitio Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art.. 150, § 1 0, da Lei IV 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve set obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, pot força do disposto no art. 106, I, do CTN. Alias, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ.. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurelio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO M.4RCO AURE110 - Pm esidente, diria memo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de cifastanrento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, opi incipio segundo o qual a pr es CI ice-kJ tern como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar n" 118/200.5, mais precisamente o artigo esclarecedor, figo 4", no que remeteu ao al figo 106, inciso 1, do Código Tributório Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pi etérito, em qualquer hipótese, quando seja ay, e.ssamente - para mim, ela foi simple.smente interpretativa - interpretativa, ex .chricla a aplicação de penalidade no caso de infração Aqui estamas diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo ir prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem diivida alguma, mas que, a meu 1 ,em, de Mich), não se coaduna corn a que se contém no Código Tributória Nacional 23 Pacificou-se, noutio giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de contiole da constitucionalidade, conside ra-se como inicio da contagem do prazo prescricional a data da publicag5o da lei que dispense os agentes públicos de adotar providencias tendentes 6 cobrança dos nibutos cleclaiados inconstitucionais. pr., • HEi •• • 25 1::)1 Ii -20 Acompanho, integraltnente, o relator no voto proferido, em situação que vii ia a ser apanhada pelo nosso 1'0 bete, Em outro giro, embora não concorde corn a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tern efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagern it data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tern sua lógica, posto que, assim corno o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas pata refutar o disposto no art, 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributdrio. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do SIT, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de inicio, sem qualquer pertinência coin o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje ern dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse corno marco temporal da prescrição a data da extinção do credito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STT ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influencia sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: E'REsp na 43.5.835 / SC SC 24: CONSTITUCIONAL. TRIBUTA RIO, EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PRE VIDENCIARIA. LEI N° 7 787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA, TERMO INICIAL DO PRAZO, PRECEDENTES I. Está nu/foi me no Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento ti ibutário por homologa cão e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial sO se inicia após deem., idos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato go odor, ao escidos de nzais um qiiinquiênio, a pal tit da homologação tácita do lançamento Estando o ti ibuto em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a preset ição nos moldes acima delineados 2 Não há que se falar em prazo preso icional a contar da declara cão de inconstimcionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pz etensão foi formulada no prazo concebido pela . jurispiudência desta Casa Julgadora COMO admissivel, visto que a ação não está alcançado pela preso kiio, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assinz, o prazo pi eso icional nos molde sem que pacificado pelo SLI, id est, a col tente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / R125 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO 24 Relator (para o acórdão): Ministro Josê Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no Di de 04/06/2007; _ 25 Relator: Ministro Castro Mena, julgado em 17/05/2007, publicado no Di de 29.05.2007 j..t.-: 26 • Processo tV 10380 022601 199-1i CSRF-T3 AcOr(150 o ° 9303-01.115 FL 153 I - Nos it ibutos -sujeitos a lançamento por homologação, o pra:o prescricional para se pleitear a compensação ou a i estituição do cr édito tributório somente se opera quando decor, idos cinco allOS da ocorr éncia do faro gel odor, acr e_scidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, can nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, _seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em .24/03/2004. REsp 841652 /PR 26 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS PRESCR1VO. SOCIEDADE CIVIL. ISENCAO. ACORD/r0 VERGASTADO,ENFOOUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL- COMPETÊNCIA DO STF Nos tributos lançados par homologação, o prow porn a proposintra da ação de repetição de indébito se; á de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tricita (tese dos "cinco mais cinco '9, e de cinco anos a contar da homologação, se expresso. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pi etensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo 7 eexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido am par te e imp; ovido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do credito tributario para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, corn o art, 146 da Constituição da Republica. Impõe-se ressaltar que o interprete não pode dar ir norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, corn exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de inicio ser deslocado da extinção do credito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra-se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode Ver a seguir, Regina Maria Macedo Nery Ferrari 27 , apoiada na doutrina de Oswald() Aranha Bandeira de Melo 28 , leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos ergo mires er decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. 26 Relator: Ministro Castro Melia, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29 05 2007 22 Efeitos da Detka accio de Inconstaucionalidade So Paulo, Revista dos 'Tribunais, 2004, 5 ad , p 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, spud Efeitos dci Dalai açiio de Ineonsatiaionalidade Stio Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed 1-.,2;t : • ir■ 27 :\ F t O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Camara do Terceiro Conselho, aduz que urn dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia, perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partis dai, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a pullr dessa suspensão é que a lei perde ci eficácia, o que nos leva a admiti, seu caráter constitutivo, A lei até tat momento existiu e, poi tanto, obrigou, criou direitos, devei es, com toda sua caiga de oln igato, iedade, e só a pai/ir do ato do Senado é que ela vai passar a não obi igar mais, já que, enquanto tal ovidência não se conc, carat, pode o pióprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios minist, os do Supremo, em voto profe, ido na decisão do Mandado de Seguiança 16512, de maio de 1966. 'Wi m sendo, não estão com a razão agitates que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o carcitel normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a ievogaçao, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Sup, emo Tribunal Federal José Afonso da Silva29, apoiado em doutrinadores da envergadura de Ponies de Miranda, Alfredo Buzaid e Themistocles Brando Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considelando-se dais aspectos No que tange ao caso concreto, a declaração sisi te efeitos ex tune, isto é, fulinina a relação juridica fundada na lei inconstinicional desde o seu naschnento, No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifesta cão do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe !cilia a eficácia, só tem efeitos, dal poi diante, ex mine Pois, até então, a lei existiu Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos 0 Ministro Teori Albino Zavascki 30 , em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolucao Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente poster ior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tune, desde a edição da no, ma; aquele só é vinculante a paitii do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento 11011e0U o acórdão do Supremo Tribunal Federal no ReCUTS0 em Mandado de Segurança 17,976, 20 CuLso de Direito Constitucional Positivo São Paulo Mallieiros, 1994, 10' ed , p 57. 3t) Eficácia das Sentenças na Jul isrliato Consanicional São Paulo Revista dos Tribunais, 2001, pp. 1l-I01 i 26 Processo if 10380022601/99-U CSRF-T3 Acárdrio n.° 9303-01.115 Fl 154 Relator Min Amaral Santos (fidgamento de 13.09 68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem *no os atos praticados sob o império da lei inconstitucional, contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na opor tunic/ode, que suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex motel A jurisprudência do Superior Tribunal de Justica 31 , sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: REsp no 547.744/MG 32 : Como a ADIN é impre,scritivel, todas as ações que tiverem poi objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas reaber lura do prazo de pi eSCIA:C70, por tempo indefinido. Assinr, disseminatia-se a imprescritibilidade no davit°, tor nando os- direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF, ()colic que, se a decadência e a prescação perdessem o .sell efeito operante diante do co:mole direto de constitucionalidade, então todos us direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritiveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de itlterior cant, ole de constitucionalidade c/a lei (grifei) 0 acórdão em ADIN que declaim a inconstitucionalidade da lei ti ibutária se, ye de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente CM face dos prows de decadência e prescrição - a decisão ent controle direto não tem o efeito de reabrir os plazas de decadência e prescrição: Descabe, portanto, justificar que, corn o transit° em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão clop, incipio da actio nata. Trata-se de petição de principio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir nopo direito de avtio ainda !trio desconstituido pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle c/a constitueionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que cons!, ulmos a pain) dos dispo,sitivo.s do CTN (grifei) 31 jurisprudência trazida à colaçao no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntdrio IV 133 010, da Terceira Cdmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, 32 Publicado no D1 de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux i 1 " 29 O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG 33 , entendeu que: Em suma, não há como (Omar que a declar ação de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie acoite no plano das I elações ju, idicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as par tes di, etantente vinculadas à ação individual proposta) Alas, mesmo havendo sentença de inconstinrcionalidade profer ida eat ação de controle concennado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (coma, v. g , o pagamento de um it ibuto inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito metros desfeitas de modo automática A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes 34 , sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de principio constitucional ao incipto da nulidade da lei inconstitucional Entende-se, porém, que tal principio não poderá ser aplicado nos casos am que se revelat absoltuamente Inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão: exclusão de beneficio incompatível com o principio da igualdade), bem como nas hipóteses em que cr sua aplicação pudesse hazer danos para o pi*, ia sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança,»Il(dica) ) Acentue-se, desde logo, que, no chi eito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei impor tar la na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados Entbora a ordem t jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgoicht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com.fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expresso sabre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado am lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede-se proteção ao ato singular, em homenagem ao pm incipto c/a seguranga fui íclica. procedendo-se diftrenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de precluslio. De qualquer sorte, os atos p.aticados coin base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ludo silo afetados pelt: declaração de inconstitucionalidade. (os gi ifos não constant do ai 33 Publicado no Di de 05/0412004 34 din isrlicrio Constilucional. Brasilia Forense. 2005, 5' edição, pp 333 e 334 I r .; • 30 t Processo ti" 10380 022601/99-11 CS1217-1- 3 AcOrdijo n." 9303-01.115 Fl 155 Nesse mesmo sentido é a doutiina de J.1 Canotilho 35 : Pode também entender-se que os limites à yeti oactividade se encontram na definitiva consolida cão de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional Sc as questões de facto ou de die eito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encen arias' porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, poi que se perdeu um direito poi pi esci ição ou caducidade, porque o acto se toe non inimpugnável, porque relação se evringuirt corn o cumpr imento da obrigação, triad° a dedução de ii icon CO!)? a conseqüente nulidade ipso fur e, não per turba, através da sua eficácia renoactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: ) um exemplo clan) da aplicação das chamadas 7101 mas de preclusão pode ser exti (lido da decisão pi ofei ida nos autos do Rev n" 686 0.58 36 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL, RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL (-) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em connote difitso de coastitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante as partes envolvidas no litígio. Não *tam, por isso, de forma automática, como decorréncia de sua simples pro/ação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contra, io, para cuja desconstituição á indispensável o ajuizamento de ação rescisória .5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confine a decisão in concreto efeitos cega 011111e 5, turiversalizando o reconhecimento estatal da 35 Canotilho, Jose Joaquim Gomes DO elm Constitucional, spud lea iertiçâo Constitucional Brasilia Forense 2005, 5" edieito, p 388 36 Relqtor designadot Ministro T eori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006, 31 I 11 d;:, inconstitucionalidade do preceito no; inativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vine ulante da coisa julgada, submetida, nas relações juridicas de trato sucessivo, 21 cláusula rebus sie stantibus. 6 No cos° conereto, tem-se ação o, &mil ia por meio da qual se busca desconstituir os efeitos preté, itos da aplicação do al t. 3", I, da Lei 7 787/89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a poste, ioi declai ação de sua inconstitucionalidade pelo STF em conuole difuso. Uma vez esgotado, porelm, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento invitivel (grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (..) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionahdade, toi nou-se pacific° na lit/ isprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda enema, a condições de ser revisto, o que não ocorre, vg. co,;; aquele atingido pela prescrigão. Como prova de tais conchesões, o i econhecido constuucioncdista, cita voto pi ofendo pelo Minim o Roch igues »os autos do RE 86,05637 : New contendo a ordem jurídica bi asileil a disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afiguia-se dificil alb mm; com segurança, o clever do Poder Páblico de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. ce, to que, pot analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria achnissivel o devei de a Administração procedei à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423..994/MG 38 : O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas mientações do ST,I, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se most, am incompativeis, expondo a fragilidade dos fimdamentos que cis sustentam Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstáncia de te, em, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um principio universal em matéria de prescrição: o principio da actio nata, segundo o qual a presc, kilo se inicia com o nascimento cla pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, 13 atado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2 000, p, 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, niio estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo (g, hei) 37 DI 01/07/1977 38 Julgado em 08/ { 0/2003, publieedo no p) de 05/94/2004. ;:;.. 32 Process° n" 10380 022601199-11 CSI1F-1 3 Acórdão a" 9303-01.115 Fl 156 Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente repetição de tributos inconstitucionais, o azo prescricional .somente con e a partir da data da decisão do STF que dechn a a sua inconstitucionalidade. Isso significai ia, conforme já se disse, atribuil• eficácia constitutiva aquela declaração. Significaria, também, atielar o inicio do prazo prescricional não a um te; mo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato ,futuro e incerto). Não haveria teirno a quo do prazo, e sim condição ,suspensiva Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto »o art, 168 do CTN, já que, Sem termo "a quo", o lei mo "ad quem" sei indeterminado. O pi azo prescricional sera MCC) to, aleatdrio e eventual, ;la que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em cillSO prazo pre.scricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha oco; lido há cinco, dez ou vinte anos. Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, corn a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento . Corn a palavra o mestre de Santi: 3 Desafios da interpretaciio I, "o inicio do coos"; a origem da tese dor 10 anos IR, IN, ICMS, ISS, IPVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tivelam suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do principio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra rle pi esci kilo do direito a repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de .5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim fbi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN "O direito de pleitear a restituição extingue-se coin o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (..) I — nas hipóteses do inciso I ("pagamento espontâneo de tributo indevido ou maim que o devido em face da legislação tiibutária aplicável") e 11 do t. 165, da data da extinção cio ci édito ti ibutário". Sendo que, quase trinta anos, domino e jurispr udência foram unissonas no entendimento de que o dies a quo deste pi azo é o momento cio pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia leio clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em "tese"), passavam-se .5 anos e, .simplesmente, "ocorria" a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e presciição sequer pi ecisavam de par adigmas, no recurso especial). () ...1. rk,'. rl'f...1 1 . ■ 33 DI A lp: .;\ I- 1.1 Tudo começou com o reconhecimento, pelo ST.F. , da inconstruicionalidade do Art 10, primeira parte, do Decreto-lei n" 2,288/86, que illS final( o connovertido empréstimo compulsól io sobre consumo de combristiveis, justamente, depois de esgotado o prazo paia propositura da ação de iepetição do indébito deste tributo — já, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Aut 168, I, do CIN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Au. 168 do CTN. É poi isso .que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo e um fator objetivo e indiscutível: todos tendon a concordat com os dias do calendar ia e com os ponteiros do relcigio assim, pela legalidade da pi escrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jw idica em detrimento da própr ia legalidade do 1, ibuto Alen? disso, convenhamos, tratava-se de um tributo irrelevante, contingente e provistirio o empiéstimo compulsório sob, e combustíveis. Que, alias, enquanto empréstinio, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, simplesmente, a exigência do cumpi imento de sua claiisula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora. novamente, bastava aplicar a lei. 4 Ruptura da legalidade a sede de fazer justiça! Mas a sede de "justiça" fai maim'. Asim, em nome da luta pela l'eptnação da ilegalidade do empréstimo compidsói lo, co, rompeu-se sistemicamente, a legalidade da regra de prescriçiio, disciplinada na própria Constituição ex vi do Ai I. 146, III, "c". A partir daí, os paws de decadência e prescrição, que tem na segui onça juridic(' sua única razão de existir - servindo como técnicas de limitação do próprio principio da legalidade - enconuarani-se modificados pot mera tese ASSi111, sem a devida lei complemental e mediante mera e contingente inteipretação, alterou-se o maw de prescrição de praticamente todos. 110S.SOS tributos fedelais, estaduais e municipais ludo, deco, réncia de Jana criativa e sedutora tese que clamava poi "Justiça". E o STJ fez sua justiça salománica: tese de 10 pain ca, tese de 10 para 10. E todos ncis ficamos no meio! Ate hoje incertos do prazo, mas sempre cei tos que somos sempre nós, coin' ibuintes, que pagamos a conta mio lutamos contra gigantes abstratos, o Estado 6. um moinho conci eto que se alimenta do nosso trabalho: nosso dinheiro que entra, e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai pain prover o numei áiio para as lestitukaes de indébito pleiteadas. E se a carga ti ibutciria aumenta, 6, também, porque alguém tem que pagar mais, pal a que out) os, ou os mesmos, possam restituir mais Assim, corrompendo-se a legalidade em nome da legalidade, liras em absui do desrespeito a segui (alga juridica, o termo inicial do prazo deixou de ser o "pagamento antecipado" e passou a ser o moment° da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do ci édito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do f , 34 Processo n" 10380 022601/99-11 CSRF-T3 Ad/I-drip " 9303-1/1.115 Fl 157 Art. 1.56, VII do CTN Firmou-se, assim, a denominada tese dos dez anos, confOrnie o seguinte acc'n dão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial n" 43 995-.5/RS Relator: Min Cesar As/or Rocha EMENTA: Tributário — Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis — Decr cio-Lei !I" 2.288/86 — Restituição - Decadência — Prescrição — Inocorracia. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o emprêstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento par homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso c/c cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologa cão tácita cio lançamento. Por sua vez, o prazo prescr icional tem COMO termo inicial a data da declaração de inconstitucionalickrde da Lei em que se fundamentou o gravaine."(DJ: 24/04/199.5) .5. Reslattrando a legalidade: dura lev, lex .sed A efetivação do pi incípio da legalidade exige o r espeito a sua triplice dimensão: hi e& oatividade, i eserva legal e tipicidade. A !CSC dos dez arras- fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, pi ojetarido e introduzindo, no passado, novo critério legal c/c prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mechanic lei), (ii) des, e.speitou, flagrantemente, a revery(' legal, arrostando malária de lei parr, a discrionariedade cio Poder Judiciário, ignorando o principio da separação dos Poderes; e (iii) afi ontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clam eza objetiva do critério da reg.' a posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade -se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve hi, da mesma for ma, e a LC 118 em nada o alterou. Opiazo legal sempre foi, e continua sendo, de .5 anos a contar cio pagamento antecipado primeiro, porque pagamento antecipada não .significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o "sob condição resolutória da triter ior homologação do lançamento" de for ma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento par a a data da homologação39 L.UCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homo/ovrylio corno condição resolutiva: "Ora, os sinais ai estão trocados. Ou se deveria prever, corno condição resolutéria, a negativa dc homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação).DiTeito tributinio brasileiro, 35 Ocori e que o A.'t. 150 § I" r efere-se a condição resoluuva" que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, pm-a todos os efeitos d data da extinção do crádito tributário, no caso dos ti ibutos sujeitos ao Art, 150 do CTN Desta forma, é a data efetiva em que o corm ibuinte recolhe o valor, a titulo de t,ibuto, que haverá c/c funcionar como dies a quo cio prazo c/c prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos paw pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6 Concli uindo.. legalidade e as decisões judiciais HERBERT HART rn, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante analogia com os jogos em que, num pi hneiro momenta, não há a figura cio juiz, mas que, quando instituido, fitncionar á como marcador oficial dos pontos e cujas decisões ser fio definitivas Explica que nesse tipo de sistema passa a ocor, er um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam c/c opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do . jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: Não Were dessa situação as julgados do ST] ("marcador oficial') corn relação às regras do termo inicial do prazo de pm escrição do dir eito ao indébito. é co to que a autoridade e a definitividade das decisões do ST 1 são inquestionáveis. Contudo, como ensina HERBERT HART". — 0 resultado é o que marcador diz que 6 não é uma rep a de marcação e: uma regra que au ibui auto; idade e definitividade à aplicação par ele em casos colic, elos do regra de pontuação". Não é a legalidade, é o simples efeito concreto da coisa julgada Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendár io titular da Cadeira de fur isprudência da Universidade c/c Oxford: "o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo c/c cm iquete ou de basebol já não esteja a jogar-se, por outro lado, se estas dish-A .0es forem fieqüentes ou se o juiz repudiar a iegra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as deter minagões destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alter ar-se; já não é cr (queue ou basebol que se joga, mas "o jogo cio Juiz" 42 . Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como alicis vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos - nem antes, nern depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Ent sumo, o prazo c/c pm esc; ição no CTN e o direito continuant os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos rids, acordados, podemos nos dcir '") O conceito de direito, p 155 -6 ./1 O conceito de direito, p. 156 -9. 42 - • I radueao livre do original: The concept of law, Oxford univelsity Press, 1961 ---- -- -- ---- -- ' ` 36 1 • Process° n*10380.022601/99-1 i CSRF-T3 Acórdrio n” 9303-01.115 Fl 158 conta deste simples fato: os tribunals interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei .. Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extrativo do direito de ação, oriundo do direito civil, tern por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de urna geração para outra A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombiar a geração presente ou futura . Tome-se, por exemplo, o caso da Lei n" 4.502/1964 — lei básica do IPI — que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias graficas. . O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal.. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois . Tal fato acarretaria 'onus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decon ente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por urna geração, que, alias, dele se beneficiou. Por denadeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro porno da matéria sob creme que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato govemamental que, a taw do artigo 18 da Lei 10..522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida ovisói ia 1.110, de 1995,. que dispensa a adoção de medidas tendentes colnanga mbninistrativa ou judicial dos ti annoy declarados inconstitucionais. Confol me já foi dito, este colegiado tem equiparado asses atos confissão de indébito, cap= de into romper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, 'Whim ia eta favor da Fazenda Pública. Mais tuna vez, peço yam a meta pm es parer disco; dar de mais mu dos pontos em que se baseia a tese vencedora or a contestada Em primeiro lugar, penso, estribado na ((marina de Pontes de tint/a43 , que é impossível estendei, por analogia, as hipóteses de interrupção da pm escrição taxativamente espi essas na legislaciio tributária. 13 Dowd° de direito pi ivado, alma+ Eurico Marcos Diniz de Santi Decadência e Pt etc, We, do Di, eau do Conn ibuinte e a LC 118 Lane Begins e Pt incipios. in knial de Direito Público Emdo5 ant Homenagem ao ituini,t, o Josè ilugavto Delgado Coordena0o Cristiano Caryalho e Marcelo Magalydes Peixoto. Curitiba Juniii, 2005, pp 149 a 178 I, z • 37 I ti e. • I:" m Por Quito lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas Fria argumentar, que os interesses on testilha fosse;;: pi ivados, é cediço que, nos to mos da Lei n" 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de en line! a" deve so !mop etado rest; itivamente e que a renuncia tácita à pi eso ição somente se opera pela pratica de atos incompativeis com esse fato preclusive. Dessa farina, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos voiced°, es Ao meu vet, no caso da medida provisória 11" 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n ° 10522, de 19 de julho de 2002, esse raciochrio ganha ainda mais força dada a ressalva expresso contida no yç' 3" do seu art 1846. Nesse aspecto, tr (-merely trecho do voto vencedor do Recurso Especial 1,5 747.09147 "Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o incipio da indisponibilidade dos bens piiblicos, está assentado o entendiniento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode se, simplesmente tácita, dal porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, "incensurável a tese de que a renúncia da pi escrigão em favor da Fazenda Pública só possa . fazer -se por lei " (RE 80.153/SP, Segunda Twiner, Min. Leitão de Abreu, 13,10.1976) doutrincr posiciona-se em igual sentido. "0 Poder Público pode renunciar a di, eito préplio, Plati esse ato de libo alidade não pode so pi aticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize, A renúncia tem car titer abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira Prescrição, decretação de oficio em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345/35). "A administração, uma vez consumado o prazo presoicional, não pode satisfazei o eito prescrito, salvo autorização vez que isso importaria em libel alidade com o patrinidnio público, que o executor c/a lei só pode platicar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Drunzond Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Juridic() Consulex, Volume 14, n" 40, página 11) Na presente caso, o art 18 da Lei 10.522/2002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inso ição como Divida Ativa da Unido e o afirizamento da respectiva execução fiscal" relativamente a quota de "Art 114 Os negocios juridicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente 15 Art 191 A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e so valerá, sendo feita, sem prejuizo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompativeis com a prescrição. 46 § 3" 0 disposto neste artigo não implicara restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavasciti, publicado no Di de 06/02/24306 .:.:f • ;Z; 38 •;, 1 ,2,1 Processo n" 10380 022601/99-11 CSRF-T3 Acórdilo n*9303-01.115 II 159 contribuição paw exportação para o café Nada dispels sabre remincia apt escrição. Pelo corm ário, em seu §3" ex-jot essamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restinação ex officio de quantias já pagas Follow°, alèm de nilo faze, menciio algurna à remincia à pi escrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serer), exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renáncia alguma, nem expressa e nem Mena, mas, ao contrário, houve a clout e expresso manifestação no sentido de não aluir mão dos valores já i eceb idas- Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinçrlo do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecer-se que o direito à repetiçá-o de indébito, objeto do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, foi alcançado pela preset ic5o. Corn essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres • r r 39 t ;S1
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004012/2005-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE
PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2002
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO
VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO
Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Numero da decisão: 1803-001.277
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10950.004012/2005-41
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5011240
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.277
nome_arquivo_s : 180301277_10950004012200541_201204.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Sergio Luiz Bezerra Presta
nome_arquivo_pdf_s : 10950004012200541_5011240.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4750779
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359817986048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 102 1 101 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004012/200541 Recurso nº 503.842 Voluntário Acórdão nº 1803001.277 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente TERRA FAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, não se conhece, por intempestivo, de Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão proferida pela primeira instância. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10950.004012/200541 Acórdão n.º 1803001.277 S1TE03 Fl. 103 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0622.890 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 73 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o processo da exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/MGA n° 40 de 13 de dezembro de 2005, fl. 42, porque a empresa exerceu atividade prestação de serviço de terraplanagem, vedado ao Simples pelo art. 9', V, XIII e § 4' da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com as alterações da Lei n" 9.528, de 10 de dezembro de 1997. 2. A empresa foi cientificada do ADE em 07/04/2006. 3. Consta às fls. 46/52, Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples — SRS, datada de 24/04/2006, e cópias de notas fiscais, analisadas pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário — Sacat da DRF em Maringá/PR, fls. 54/57, que manteve a exclusão, pelos mesmos motivos. 4. Cientificada em 30/08/2006, a interessada apresentou manifestação de inconformidade tempestiva de fl. 60, acompanhada dos documentos de fls. 61/70, alegando que exerce a atividade de comércio de areia, pedra e locação de máquinas para terraplanagem (não para construção civil), conforme a cláusula terceira da 2' alteração contratual, registrada em 17/03/2004 na Junta Comercial do Paraná — Jucepar; afirma colocar à disposição da fiscalização toda a documentação caso haja necessidade de verificação se a litigante desenvolveu atividades na área de construção civil.”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 30/06/2009, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0622.890 entendendo “por unanimidade de votos, indeferir a solicitação”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2002 TERRAPLANAGEM E SERVIÇOS AUXILIARES. CONSTRUÇÃO CIVIL. SIMPLES. VEDAÇÃO. Serviços de terraplanagem estão contidos no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, vedados aos Simples. Solicitação Indeferida”. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10950.004012/200541 Acórdão n.º 1803001.277 S1TE03 Fl. 104 3 Cientificada da decisão de primeira instância em 29/07/2009, (AR constante das fls. 76) a TERRA FAIS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0622.890, recorre em 31/08/2009 (fls. 77 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 vejo, smj, que o recurso foi protocolado fora do prazo legal de 30 (trinta dias), conforme pode ser visto abaixo: A legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972), que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada pela Lei n°. 9.532, de 1997, diz: “Art. 23 Farseá a intimação:(...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(...) § 2°. – Considera se feita à intimação:(...) II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10950.004012/200541 Acórdão n.º 1803001.277 S1TE03 Fl. 105 4 § 4°. – Considera – se domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal”. Ora o auto de infração foi encaminhado, por via postal, para o endereço da Recorrente e observando das informações constantes do AR esta foi cientificada da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR em 29/07/2009 (quartafeira), conforme se pode depreender de fls. 76 dos autos. E, o Recurso Voluntário em análise, por sua vez, foi protocolado, segundo observado à fls. 77, em 31/08/2009 (segundafeira), portanto, após o prazo fatal de 30 (trinta) dias estipulado no art. 33 do Decreto nº. 70.235/1972. Observando a legislação em vigor, observase que a contagem dos prazos administrativos iniciase no primeiro dia útil subsequente à intimação do contribuinte, encerrandose o prazo para recurso voluntário em 30 (trinta) dias a contar dessa data. Ora, no caso presente, iniciouse o prazo de 30 (trinta) dias para que a Recorrente apresentasse seu recurso em 29/07/2009 (quartafeira), encenandose em 28/08/2009 (sextafeira). E, como o Recurso Voluntário foi protocolado em 31/08/2009 (segundafeira). Assim, conhecer o Recurso, intempestivamente protocolado, implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, já que a validade da intimação via postal é matéria com jurisprudência mansa e pacífica neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Além do mais a Súmula CARF nº 9 não deixa qualquer dúvida sobre o assunto quando assim determina: “Súmula Carf nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Desta forma, entendo que o Recurso Voluntário sob análise é inquestionavelmente intempestivo, com o que não deve ser conhecido, mantendose a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR. E, assim, considerando tudo o que consta dos autos, voto por NÃO CONHECER do recurso, por perempto, uma vez que restou comprovada sua extemporaneidade. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10950.004012/200541 Acórdão n.º 1803001.277 S1TE03 Fl. 106 5 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001332/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
JUROS DE MORA PAGOS EM AÇÃO JUDICIAL. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC.
Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial.
Matéria decidida na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça.
Reprodução obrigatória pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62-A do RICARF.
INCLUSÃO DE DEDUÇÕES NÃO PLEITEADAS NO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
A base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas compreende tanto os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário quanto as deduções permitidas pela legislação, e o lançamento desse tributo envolve a mensuração de sua base de cálculo.
Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado.
Assim, é possível se analisar a dedução de valores não pleiteados na declaração original em sede de julgamento administrativo, sendo ônus do contribuinte comprovar seu direito com a apresentação de documentação hábil e idônea.
Hipótese em que o recorrente comprova o direito à dedução de algumas despesas médicas não pleiteadas originalmente na declaração de ajuste.
DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. SEM COMPROVAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao
próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação.
Hipótese em que o recorrente pretendia deduzir despesas médicas relativas a beneficiários não dependentes, bem como despesas médicas comprovadas em declaração por ele emitida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a) o valor de R$21.605,67, correspondente aos juros de mora recebidos em ação trabalhista e b) o valor de R$2.176,00 a título de despesas médicas.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 JUROS DE MORA PAGOS EM AÇÃO JUDICIAL. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Matéria decidida na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça. Reprodução obrigatória pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62-A do RICARF. INCLUSÃO DE DEDUÇÕES NÃO PLEITEADAS NO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas compreende tanto os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário quanto as deduções permitidas pela legislação, e o lançamento desse tributo envolve a mensuração de sua base de cálculo. Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado. Assim, é possível se analisar a dedução de valores não pleiteados na declaração original em sede de julgamento administrativo, sendo ônus do contribuinte comprovar seu direito com a apresentação de documentação hábil e idônea. Hipótese em que o recorrente comprova o direito à dedução de algumas despesas médicas não pleiteadas originalmente na declaração de ajuste. DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. SEM COMPROVAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o recorrente pretendia deduzir despesas médicas relativas a beneficiários não dependentes, bem como despesas médicas comprovadas em declaração por ele emitida. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10730.001332/2003-71
anomes_publicacao_s : 201204
conteudo_id_s : 5035937
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.600
nome_arquivo_s : 210101600_10730001332200371_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Jose Evande Carvalho Araújo
nome_arquivo_pdf_s : 10730001332200371_5035937.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a) o valor de R$21.605,67, correspondente aos juros de mora recebidos em ação trabalhista e b) o valor de R$2.176,00 a título de despesas médicas.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4750958
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359819034624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 96 1 95 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.001332/200371 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.600 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO EUGENIO DE CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 JUROS DE MORA PAGOS EM AÇÃO JUDICIAL. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Matéria decidida na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça. Reprodução obrigatória pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. INCLUSÃO DE DEDUÇÕES NÃO PLEITEADAS NO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas compreende tanto os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário quanto as deduções permitidas pela legislação, e o lançamento desse tributo envolve a mensuração de sua base de cálculo. Como o art. 145, inciso I, do CTN permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do sujeito passivo, o julgador administrativo pode analisar todos os aspectos da base de cálculo, em especial porque é vedado ao contribuinte retificar declaração de exercício fiscalizado. Assim, é possível se analisar a dedução de valores não pleiteados na declaração original em sede de julgamento administrativo, sendo ônus do contribuinte comprovar seu direito com a apresentação de documentação hábil e idônea. Hipótese em que o recorrente comprova o direito à dedução de algumas despesas médicas não pleiteadas originalmente na declaração de ajuste. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001332/200371 Acórdão n.º 2101001.600 S2C1T1 Fl. 97 2 DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIO NÃO DEPENDENTE. SEM COMPROVAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o recorrente pretendia deduzir despesas médicas relativas a beneficiários não dependentes, bem como despesas médicas comprovadas em declaração por ele emitida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a) o valor de R$21.605,67, correspondente aos juros de mora recebidos em ação trabalhista e b) o valor de R$2.176,00 a título de despesas médicas. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Jose Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 41 a 44, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, para lançar infrações de omissão de rendimentos e de dedução indevida de contribuição de previdência privada e FAPI, de dependentes, e de despesas com instrução e médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$23.313,49, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001332/200371 Acórdão n.º 2101001.600 S2C1T1 Fl. 98 3 IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 5), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 53 a 54), que: 1) o valor considerado pela Fiscalização como omissão de rendimentos, R$71.858,05, embora informado pela CERJ, não representa o valor efetivamente recebido; na realidade auferiu rendimentos dessa empresa decorrentes de uma indenização trabalhista no valor de R$48.280,40, referente ao principal da ação, e R$21.605,67, referente a crédito de juros; o primeiro valor é que deveria ser objeto de tributação, deduzidos os pagamentos efetuados a perito e advogado, conforme legislação vigente; já o segundo valor é dispensado de tributação de acordo com a Lei nº 8541/1992, art. 46, §1º, inciso I; 2) os pagamentos efetuados ao perito e ao advogado foram informados no quadro correspondente da DIRPF/2000 revisada e montam em: R$1.448,41 (pagos a Luiz Mousinho de Oliveira Filho, CPF nº 444.264.37768) e R$12.070,10 (pagos a Luiz Miguel Pinaud Neto, CPF nº 031.983.67700), tais pagamentos estão comprovados consoante recibos de fls. 11/12; 3) foram desconsideradas pela autoridade fiscal despesas médicas no total de R$7.299,44, também devidamente relacionadas no quadro correspondente de sua DIRPF/2000, tudo conforme documentos ora anexados; 4) reconhece como IRPF/2000 devido o valor de R$8.640,12, consoante demonstrado à fl. 4, tendo levado em consideração, ainda, para fins de dedução da base de cálculo do imposto apurado como devido, os valores de: R$5.748,64, descontados a títulos de contribuição à previdência oficial dos rendimentos percebidos da CERJ, segundo consta do comprovante de fl. 8; e R$3.213,51, descontados dos rendimentos percebidos da Brasiletros a título de contribuição à previdência privada, conforme comprovante de fl. 9. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 51 a 59): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS MORATÓRIOS. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos ou funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001332/200371 Acórdão n.º 2101001.600 S2C1T1 Fl. 99 4 aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, poderá ser diminuído, para fins de se apurar o quantum tributável, o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Há de ser considerado como dedução a título de “Contribuição à Previdência Oficial” os valores descontados a esse título dos rendimentos considerados omitidos. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. No ajuste anual do IRPF somente são consideradas como dedução da base de cálculo desse imposto as despesas permitidas pela legislação tributária, efetuadas pelo contribuinte com ele próprio e seus dependentes, desde que pleiteadas na declaração correspondente e efetivamente comprovadas, quando exigido, com documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 3/8/2007 (fl. 68), o contribuinte apresentou, em 4/9/2007, o recurso de fls. 74 a 90, onde defende, em resumo: a) que a tributação dos juros da mora recebidas em ação trabalhista, no valor de R$ 21.605,67, é dispensada pelo artigo 46, § 1°, I, da Lei n° 8.541/92; b) que as despesas médicas devem ser admitidas pelo princípio da verdade material, reformandose o entendimento do julgador a quo de considerar preclusa as provas apresentadas de fls. 9 e 14, que demonstram efetivamente a ocorrência de despesas dedutíveis do lançamento em questão, e admitindose a dependência econômica de seu neto, Vinícius de Carvalho Siqueira, diante do documento que comprova que o recorrente efetivamente se responsabiliza pelas expensas. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 95, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001332/200371 Acórdão n.º 2101001.600 S2C1T1 Fl. 100 5 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. No momento, permanecem em litígio apenas parte da infração de omissão de rendimentos e a glosa de despesas médicas. Juros de Mora Recebido em Ação Trabalhista: O contribuinte recebeu da Cia. de Eletricidade do Rio de Janeiro – CERJ, CNPJ 33.050.071/000158, no ano de 1999, rendimento bruto de R$71.858,05, com deduções de R$5.748,64, sem retenção na fonte (fl. 50). Como esse valor não foi informado em sua declaração de ajuste do exercício de 2000 (fls. 31 a 32v), procedeuse ao lançamento a título de omissão de rendimentos (fl. 43). Em sua impugnação, o recorrente explicou que tal valor se referia a uma indenização trabalhista no valor de R$48.280,40, referente ao principal da ação, e R$21.605,67 relativo ao crédito dos juros da mora apurados, tudo compreendido entre 18/06/1994 a 13/01/1999, conforme comprovado no documento de fl. 07. Observese que o contribuinte reconheceu a omissão do principal, e que o julgador a quo concedeu as deduções dos honorários advocatícios e da contribuição à Previdência Oficial pleiteadas, permanecendo em discussão apenas a tributação dos juros de mora. De início, há que se esclarecer que penso não ser necessário se sobrestar o julgamento deste processo em virtude do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, que discute sobre a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial. Isso porque, apesar do lançamento envolver a tributação de rendimentos que envolvem verbas referentes a diversos anos, o contribuinte desistiu da discussão quanto ao principal, valor inclusive já parcelado. Quanto aos juros de mora, apesar de também se referirem a rendimentos acumulados, sua tributação será afastada por outros argumentos, não havendo sentido em se suspender a apreciação do mérito quando é possível se chegar à conclusão favorável ao recorrente de outra forma. Neste CARF, sempre se entendeu que os juros de mora calculados em ação judicial seguem a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, entendimento decorrente do inciso XIV, do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda, que determina a tributação dos juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001332/200371 Acórdão n.º 2101001.600 S2C1T1 Fl. 101 6 quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento em sentido contrário. Vejase a ementa dos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS (2010/02302098), julgado em 23 de novembro de 2011, com trânsito em julgado em 23 de março de 2012, sendo relator o Ministro Cesar Asfor Rocha: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. – Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543C do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Desta forma, ressalvado meu entendimento pessoal no sentido da natureza tributável dessas verbas, excluo da base de cálculo do lançamento o valor de R$21.605,67, correspondente aos juros da mora recebidos em ação trabalhista. Despesas Médicas Em sua declaração de ajuste do exercício de 2000 (fls. 31 a 32v), o contribuinte pleiteou a dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.692,00, assim discriminadas: • Unimed R$3.892,00; • Dr. Ewerton Ribeiro W. Pinciara R$2.700,00; • Dra. Wanda Maria P. C. Borges R$500,00; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001332/200371 Acórdão n.º 2101001.600 S2C1T1 Fl. 102 7 • Sensorium R$600,00. Na impugnação, o sujeito passivo traz documentos relativos às seguintes despesas médicas: • Despesas Médico Hospitalares Brasiletros Fundação CERJ R$1.876,00 (fl. 9); • Unimed São Gonçalo e Niterói R$1.923,44 (fl. 13); • Dra. Rita Vieira Gomes de Almeida R$300,00 (fl. 14); • Dra. Wanda Maria P. C. Borges R$500,00 (fls. 15 a 17); • Dr. Ewerton Ribeiro W. Pinciara R$2.700,00 (fl. 18). O julgador de 1a instância não admitiu as deduções pelos seguintes motivos: • para as despesas com a Dra. Rita Almeida e com a Brasiletros, por não terem sido pleiteadas na época devida, sendo vedada a retificação de declaração; • para as despesas com a Dra. Wanda Borges e com a Unimed, por terem como beneficiários dependentes glosados, sem contestação da glosa; • para a despesas com o Dr. Ewerton Pinciara, por constarem de documento de emissão do próprio contribuinte. Discordo do julgador de 1a instância quanto à possibilidade de se pleitear novas deduções em sede de impugnação. Se o imposto de renda das pessoas físicas é um tributo de fato gerador complexivo, composto por uma série de atos de aquisição de rendas que se aperfeiçoam no dia 31 de dezembro do ano calendário, o lançamento desse tributo engloba todos esses atos considerados na apuração da sua base de cálculo. E a base de cálculo do imposto de renda da pessoas físicas é diferença entre a soma dos rendimentos tributáveis recebidos durante o ano calendário e as deduções permitidas pela legislação, nos termos do art. 8o da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Ora, como o art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN, permite a alteração do lançamento em virtude de impugnação do lançamento, pareceme claro a possibilidade do julgador administrativo admitir exclusões da base de cálculo do tributo não consideradas até aquele momento. Além disso, após o lançamento o contribuinte está impossibilitado de efetuar a retificação da declaração de ajuste do exercício autuado, mesmo para as matérias não inclusas na autuação. Mas a comprovação de despesas não pleiteadas na declaração de ajuste deve se dar de forma clara, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Não se pode perder de vista que as deduções da base de cálculo do imposto de renda são permitidas pela Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.001332/200371 Acórdão n.º 2101001.600 S2C1T1 Fl. 103 8 legislação, sendo optativas aos contribuintes. Se o sujeito passivo não as pleiteou no momento de apuração do tributo, para fazêlo extemporaneamente deve proceder de forma a não deixar dúvidas sobre seu direito, não se admitindo dilação probatória. Tudo sem perder de vista que cabe ao réu o ônus da prova de fato modificativo do direito de autor, nos termos do art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil. No caso, a prova apresentada é boa. O comprovante de rendimentos de fl. 9 atesta a realização de despesas médicoodontohospitalares de R$1.876,00 e o recibo de fl. 14 comprova despesa médica de R$300,00 com a Dra. Rita Vieira Gomes de Almeida, CPF no 550.219.21720, no ano de 1999. Já as despesas com Unimed São Gonçalo e Niterói, no valor de R$1.923,44 (fl. 13), e com a Dra. Wanda Maria P. C. Borges, no valor de R$500,00 (fls. 15 a 17), tiveram com beneficiário Vinícius de Carvalho Siqueira e Victor de Carvalho Siqueira, que haviam sido declarados como dependentes (fl. 32), mas que foram excluídos dessa condição pelo lançamento, sem contestação pelo recorrente. Apesar do contribuinte comprovar que é o responsável pelas despesas de um de seus netos (fls. 88 a 90), o art. 8o, §2o, inciso II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, somente permite a dedução de despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Desta forma, há que se manter a glosa. Do mesmo modo, impossível se admitir a comprovação de despesas com o Dr. Ewerton Ribeiro W. Pinciara, no valor de R$2.700,00, por meio de simples transcrição dos cheques utilizados para o pagamento em lista elaborada pelo próprio sujeito passivo (fl. 18). Desta forma, admito a dedução de R$2.176,00 a título de despesas médicas. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento a) o valor de R$21.605,67, correspondente aos juros de mora recebidos em ação trabalhista e b) o valor de R$2.176,00 a título de despesas médicas. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000548/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 30/09/2005 a 30/11/2005
MULTAS ISOLADAS.
Com o advento da Lei 11.051/04, de 30/12/2004, a multa isolada passou a ser
aplicável somente nos casos de (i) não homologação com pratica de
sonegação, fraude ou conluío, sendo aplicável somente com o percentual de
150%; e, (ii) compensação considerada não declarada nas hipóteses em que
ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no
4.502/64, ou seja, com sonegação, fraude ou conluío, também sendo aplicável
somente com o percentual de 150%. Após a entrada em vigor da Lei
11.196/05, de 14/10/2005, passou a ser aplicada nos casos de (i) não
homologação com prática de sonegação, fraude ou conluio (150%); (ii)
compensação considerada não declarada sem fraude (75%); e (iii) ou
compensação considerada não declarada com fraude (150%).
Numero da decisão: 3302-001.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, que negava provimento.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/09/2005 a 30/11/2005 MULTAS ISOLADAS. Com o advento da Lei 11.051/04, de 30/12/2004, a multa isolada passou a ser aplicável somente nos casos de (i) não homologação com pratica de sonegação, fraude ou conluío, sendo aplicável somente com o percentual de 150%; e, (ii) compensação considerada não declarada nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/64, ou seja, com sonegação, fraude ou conluío, também sendo aplicável somente com o percentual de 150%. Após a entrada em vigor da Lei 11.196/05, de 14/10/2005, passou a ser aplicada nos casos de (i) não homologação com prática de sonegação, fraude ou conluio (150%); (ii) compensação considerada não declarada sem fraude (75%); e (iii) ou compensação considerada não declarada com fraude (150%).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 16403.000548/2008-12
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 5172408
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.640
nome_arquivo_s : 3302001640_16403000548200812_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ALEXANDRE GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 16403000548200812_5172408.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, que negava provimento.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4752694
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359822180352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 241 1 240 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16403.000548/200812 Recurso nº 891.835 Voluntário Acórdão nº 330201.640 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente INDÚSTRIAS NOVACKI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/09/2005 a 30/11/2005 MULTAS ISOLADAS. Com o advento da Lei 11.051/04, de 30/12/2004, a multa isolada passou a ser aplicável somente nos casos de (i) não homologação com pratica de sonegação, fraude ou conluío, sendo aplicável somente com o percentual de 150%; e, (ii) compensação considerada não declarada nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/64, ou seja, com sonegação, fraude ou conluío, também sendo aplicável somente com o percentual de 150%. Após a entrada em vigor da Lei 11.196/05, de 14/10/2005, passou a ser aplicada nos casos de (i) não homologação com prática de sonegação, fraude ou conluio (150%); (ii) compensação considerada não declarada sem fraude (75%); e (iii) ou compensação considerada não declarada com fraude (150%). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, que negava provimento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 22/06/2012 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Belo Horizonte: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida em face da contribuinte qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 38/39, cientificado em 02/06/2008 (fl. 42), que exige o recolhimento de R$ 1.472.056,53 a titulo de multa isolada, em decorrência da compensação indevida efetuada em declarações de compensação (processos administrativos n"s 19679.010386/200536, 19679.009815/200522, 19679.012908/200534 c 19679.012906/200545) tidas como não declaradas. A fundamentação legal do lançamento está disposta à fl. 39. 0 Termo de Verificação Fiscal — TVF de fls. 35/37, detalha o procedimento adotado. Em 27/06/2008, a interessada apresentou, por intermédio de procurador, a impugnação de fls. 43/71, instruída com os documentos de fls. 72/109 (cópia de procuração, cópia de documentos pessoais do procurador, cópia de documentos societários, cópia do TVF e do auto de infração), cujo teor será sintetizado a seguir. Primeiramente, após breve relato dos fatos, alega ter havido "vicio de intimação" já que a entrega da intimação não foi feita pessoalmente aos representantes legais da empresa. Diz que tal ato deve ser considerado inválido. A seguir, discorre sobre a compensação, sobre o excesso da multa aplicada, sobre as espécies de multas fiscais, sobre a violação a vários princípios constitucionais (capacidade contributiva, isonomia, não confisco) e sobre a inaplicabilidade da taxa Selic. Ao final, pede o reconhecimento das nulidades apontadas, com o conseqüente cancelamento do lançamento. Superadas as preliminares, pede o acolhimento das razões apresentadas e o cancelamento do lançamento. É o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir à solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 30/09/2005, 30/11/2005 COMPENSAÇÃO NÃODECLARADA. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000548/200812 Acórdão n.º 330201.640 S3C3T2 Fl. 242 3 Tratandose de compensação nãodeclarada em que o crédito utilizado se refira a títulos públicos e, portanto, não se refira a tributos c contribuições administrados pela Receita Federal é cabível a aplicação de multa isolada de 75% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. AUTO DE INFRAÇÃO. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a intimação para pagamento, integrante do auto de infração, encaminhada (e recebida) por via postal ao domicilio tributário indicado pela contribuinte, mormente quando se constata que a impugnação respectiva foi tempestivamente apresentada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde, em síntese, alega: a) a nulidade da decisão recorrida ante o cerceamento de do direito de defesa por conta da recusa na apreciação dos argumentos relativos a legalidade dos créditos utilizados nas compensações efetuadas; b) a nulidade da intimação efetuada uma vez que o auto de infração foi encaminhado por correio com aviso de recebimento – AR, tendo sido recebido por pessoa que não se enquadrava na categoria de representante legal da Recorrente; c) que a compensação realizada foi legal e que possui direito aos créditos decorrentes de títulos públicos; e d) a natureza confiscátoria da multa aplicada e a ilegalidade da aplicação de juros sobre ela. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. São três os temas a serem tratados no presente processo: (i) a nulidade da intimação efetuada, (ii) a possibilidade de imposição de multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada e (iii) incidência dos juros SELIC sobre o valor da multa aplicada. A insurgência da recorrente reside no fato de a intimação relacionada ao auto de infração ter sido encaminhada por correio e não ter sido recebida por representante legal Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 desta, o que teria causado prejuízo para a defesa que acabou por perder mais da metade do prazo para a apresentação da impugnação. A matéria já foi exaustivamente analisada por este órgão colegiado, que inclusive editou súmula a respeito do tema, senão vejamos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Nunca é demais lembrar que tais súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, in verbis. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A outra questão a ser analisada, diz respeito à aplicação da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. No presente caso, a Recorrente teria apresentado diversas declarações de compensação, controladas através dos processos 19679.010386/200536, 19679.009815/200522, 19679.012908/200534 e 19679.012906/200545. Tais compensações teriam sido consideradas não declaradas em virtude de o crédito informado se referir à “obrigações do reaparelhamento econômico” decorrentes de apólices de dívida publica Brasileira emitidos em 1910 e, portanto, considerados títulos públicos. Neste sentido assim determina a Lei 9.430/96: Art. 74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses (...) II em que o crédito:(...) c) refirase a título público; e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Os processos acima relacionados foram alvos de análise por parte da Receita Federal e julgados nos termos do art. 74, § 13º da Lei 9.430/96. A aplicação das multas isoladas sofreu inúmeras alterações no decorrer dos anos e na época em que as compensações foram apresentadas sofreu modificação que deve ser observada. A partir da redação dada pela Lei nº 11.051/04, de 30/12/2004, o dispositivo sob análise assim previa: Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000548/200812 Acórdão n.º 330201.640 S3C3T2 Fl. 243 5 "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Assim, a multa isolada passou a somente ser aplicada nos casos de: (i) não homologação com pratica de sonegação, fraude ou conluio sendo aplicável somente com o percentual de 150%; e, (ii) compensação considerada não declarada nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/64, ou seja, com sonegação, fraude ou conluio, também sendo aplicável somente com o percentual de 150%. Posteriormente, com o advento da Lei 11.196/05 que entrou em vigor em 14/10/2005, a aplicação das multas isoladas sofreu nova alteração: "Art. 18. ........................................................... § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo." (NR) Neste momento, a multa isolada passa a ser aplicada nos casos de: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 (i) não homologação com prática de sonegação, fraude ou conluio (150%); (ii) compensação considerada não declarada sem fraude (75%); e (iii) ou compensação considerada não declarada com fraude (150%). As declarações de compensação vinculadas a este processo foram apresentadas nas seguintes datas: Processo n° Total de débitos Compensados(RS) Data da Compensação 19679.010386/200536 526.833,49 16/09/2005 19679.009815/200522 426.717,69 06/09/2005 19679.012908/200534 536.673,23 23/11/2005 19679.012906/200545 472.517,63 23/11/2005 Neste contexto, para as compensações apresentadas 06/09/2005 e 16/09/2005 deve ser aplicada a redação dada pela Lei n. 11.051/04, que somente previa a imposição de multas para os casos de compensação considerada não declarada com pratica de sonegação, fraude ou conluio. No caso destas declarações é indevida a multa aplicada uma vez que não houve a pratica de fraude ou sonegação por parte da contribuinte, tanto que a multa aplicada foi calculada com o percentual de 75%. Já em relação às compensações apresentadas em 23/11/2005 deve ser aplicada a redação imposta pela Lei 11.196/05 que passou a prever a possibilidade de aplicação da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada sem fraude (75%), sendo, portanto, correta a multa aplicada. Ressaltase ainda que nas datas de apresentação das compensações que originaram a aplicação da multa isolada aqui analisada, já estava em vigor o disposto no § 12, inciso II, letras “c” e “e” do art. 74 da Lei 9.430/96. No tocante as demais alegações, relacionadas à ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos analisados, importa destacar que ao julgador administrativo é defeso afastar a aplicação de norma legal vigente sob alegação de inconstitucionalidade. Inclusive é de se destacar que o CARF já possui sumula sobre o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, em relação a incidência de juros sobre a multa isolada aplicada transcrevo da Lei 9.430/96, o seguinte dispositivo: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16403.000548/200812 Acórdão n.º 330201.640 S3C3T2 Fl. 244 7 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, somente após o vencimento da multa, ou seja, 30 dias após a lavratura do auto de infração, é que será possível a aplicação dos juros sobre a multa isolada lançada. No auto de infração lavrado, ao contrario do que alega a Recorrente, não foi aplicada a SELIC para atualização das multas isoladas aplicadas. Ademais, em relação a possibilidade de utilização da SELIC para a atualização de créditos tributários , necessária a citação da Súmula CARF nº 4, que assim dispõe: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste contexto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar as multas isoladas aplicadas sobre as declarações de compensação apresentadas em 06/09/2005 e 16/09/2005, mantendo o lançamento em relação demais compensações nos termos do voto acima exposto, em complemento aos argumentos já lançados na decisão recorrida que cito no termos do art. 501, § 1º da Lei 9.784/99. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720964/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
INTIMAÇÃO EDITALÍCIA EM LOCALIDADE DIVERSA DAQUELA QUE CONSTAVA COMO DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO NA RFB. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO ESTATUÍDA NO DECRETO Nº 3.724/2001 PARA TRANSFERIR COMPULSORIAMENTE PARA O FISCO O SIGILO BANCÁRIO DO CONTRIBUINTE.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA DO SUJEITO PASSIVO A COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE SUBSTANCIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo intimação editalícia em localidade diversa daquela do domicílio do sujeito passivo, quer para exigir a apresentação dos extratos bancários, o que implicou, com o não atendimento,
com a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, quer para a comprovação da origem dos depósitos bancários, vê-se claramente que procedimento fiscal incorreu em patente nulidade substancial, notadamente porque a autoridade fiscal teve acesso ao endereço efetivo do fiscalizado, e mesmo assim insistiu em intimá-lo de forma irregular, o que é
causa de nulidade do lançamento.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2102-001.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 INTIMAÇÃO EDITALÍCIA EM LOCALIDADE DIVERSA DAQUELA QUE CONSTAVA COMO DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO NA RFB. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO ESTATUÍDA NO DECRETO Nº 3.724/2001 PARA TRANSFERIR COMPULSORIAMENTE PARA O FISCO O SIGILO BANCÁRIO DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA DO SUJEITO PASSIVO A COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE SUBSTANCIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo intimação editalícia em localidade diversa daquela do domicílio do sujeito passivo, quer para exigir a apresentação dos extratos bancários, o que implicou, com o não atendimento, com a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, quer para a comprovação da origem dos depósitos bancários, vê-se claramente que procedimento fiscal incorreu em patente nulidade substancial, notadamente porque a autoridade fiscal teve acesso ao endereço efetivo do fiscalizado, e mesmo assim insistiu em intimá-lo de forma irregular, o que é causa de nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10283.720964/2008-68
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 5029860
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.809
nome_arquivo_s : 210201809_10283720964200868_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10283720964200868_5029860.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4749704
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359828471808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720964/200868 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 210201.809 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF NULIDADE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MANOEL RODRIGUES DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 INTIMAÇÃO EDITALÍCIA EM LOCALIDADE DIVERSA DAQUELA QUE CONSTAVA COMO DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO NA RFB. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO ESTATUÍDA NO DECRETO Nº 3.724/2001 PARA TRANSFERIR COMPULSORIAMENTE PARA O FISCO O SIGILO BANCÁRIO DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA DO SUJEITO PASSIVO A COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE SUBSTANCIAL. OCORRÊNCIA. Ocorrendo intimação editalícia em localidade diversa daquela do domicílio do sujeito passivo, quer para exigir a apresentação dos extratos bancários, o que implicou, com o não atendimento, com a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, quer para a comprovação da origem dos depósitos bancários, vêse claramente que procedimento fiscal incorreu em patente nulidade substancial, notadamente porque a autoridade fiscal teve acesso ao endereço efetivo do fiscalizado, e mesmo assim insistiu em intimálo de forma irregular, o que é causa de nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MANOEL RODRIGUES DA SILVA, CPF/MF nº 239.957.00225, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 03/10/2008, auto de infração (fls. 78 e seguintes), com ciência pessoal em 14/04/2009. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 751.163,98 MULTA DE OFÍCIO R$ 563.372,98 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 2.751.811,59), no anocalendário 2005, conduta essa apenada com multa de oficio de 75% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fls. 80 e 81): Por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n° 02.2.01.00 2008002638 foi determinada fiscalização no contribuinte acima identificado, referente ao anocalendário 2005, fazendo parte do caso especial ENAF omissão de rendimentos. Respaldada no MPF, emiti o Termo de Inicio de Fiscalização, datado de 06/03/2008, que foi remetido para o endereço do contribuinte registrado nos Sistemas informatizados da Receita Federal Cadastro das Pessoas Físicas (rua General Osório n°484, centro, Benjamin Constant/AM, sendo devolvido pelos correios com a observação "rua inexistente", conforme Aviso de Recepção AR. A fim de confirmar se havia erro no endereço do contribuinte, enviei outro Termo de início por via postal, mas novamente foi devolvido pelos correios com a mesma observação "rua inexistente". Não conseguindo localizar o sujeito passivo no endereço constante na base CPF, foi publicado , o Edital n° 081/2008, conforme dispõe o art. 23 do Decreto n°70.235/72, para cientificálo do Termo de Início da ação fiscal, pelo qual foi intimado a apresentar os extratos bancários da movimentação financeira mantida no Banco do Brasil e Bradesco, referentes a todos os meses do anocalendário 2005. Transcorrido o prazo estabelecido na intimação e não havendo manifestação do contribuinte foram emitidas as Requisições de Movimentação Financeira RMF n° 02.2.01.002008000694 e Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 210201.809 S2C1T2 Fl. 2 3 02.2.01.002008000708, destinadas ao Bradesco e Banco do Brasil S/A, respectivamente. Atendendo a RMF o Bradesco enviou, em papel e meio magnético, os extratos bancários da conta n° 680.2583, referente ao período de janeiro a dezembro/2005, e da conta n° 681.5251, referente ao período de janeiro a outubro/2005, ambas da agência 0736. Da mesma forma, atendendo a RMF, o Banco do Brasil encaminhou, em papel e meio magnético, os extratos bancários da conta 7.1226, agência 07749, relativos ao período de janeiro a dezembro/2005. Com base nos extratos bancários, em 11/08/2008 emiti o Termo de Intimação Fiscal, pelo qual o contribuinte foi intimado a comprovar, no prazo de 20 (dias), a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, conforme relação anexa ao Termo. A ciência ocorreu por meio do Edital n°159/2008, afixado na repartição em 12/08/2008 e desafixado em 27/08/2008. Nos dados cadastrais fornecidos pelo Banco do Brasil e Bradesco consta o endereço do contribuinte como sendo na rua Duque de Caxias n°703, bairro Comunicações, Tabatinga/AM. Na tentativa de localizar o sujeito passivo, emiti Termo de Intimação Fiscal intimandoo a comparecer, no prazo de 05 (cinco) dias, no Serviço de Fiscalização da Receita Federal, a fim de tratar de assunto do interesse dele, e encaminhei, via postal, para o endereço registrado na ficha cadastral daquelas instituições financeiras. O documento foi recepcionado em 16/08/08, conforme Aviso de Recebimento. Diante dos fatos e decorrido o prazo legal sem que o contribuinte se manifestasse, lavrei o Auto de Infração para exigir o imposto de renda devido sobre a omissão de rendimentos, caracterizada por valores creditados nas contas de depósitos mantidas no Banco do Brasil e Bradesco, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0120.174, de 13 de dezembro de 2010 (fls. 104 e seguintes). A decisão acima declarou a nulidade do lançamento, pelas seguintes razões (fls. 108 e 109): Verificase que o contribuinte se encontrava omisso de declaração de imposto de renda e a ciência postal não ocorreu Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 em razão de endereço inexistente e que nenhuma providência foi adotada pela fiscalização para tentar localizar o contribuinte, tendo em vista a incorreção de endereço, o que poderia acarretar a eleição de ofício do domicílio tributário do contribuinte. A fragilidade da ciência ocorrida por meio de Edital desde o início do procedimento foi reconhecida pela própria fiscalização ao cientificar o contribuinte pessoalmente de todos os Termos expedidos até a data de 14/04/2009, mesma data de ciência do auto de infração. Por esta razão, entendo que deveria a fiscalização ter oportunizado ao contribuinte prazo para exercício do direito de defesa ainda na fase inquisitória, em razão da autuação se firmar justamente na falta de comprovação da origem de depósitos bancários. Como o contribuinte foi cientificado novamente a comprovar a origem dos depósitos na mesma data que foi exigido a pagar o tributo apurado pelo Fisco, entendo que lhe assiste razão quanto à sua alegação de nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa. Ademais, a ciência por Edital também contém vícios, uma vez que o endereço que a Receita Federal do Brasil possuía em seu cadastro era no município de Benjamin Constant e a afixação dos Editais n° 81/2008, 102/2008 e 159/2008 ocorreu na Delegacia de Manaus. Em relação ao Edital n° 159/2008, verificase que ele visava dar ciência do Termo de Intimação de 11/08/2008, às fls. 66/75, único documento onde consta a relação individualizada dos depósitos. Constatouse também a ausência no Auto de Infração de descrição individualizada dos depósitos não comprovados e a ciência por meio de Edital, que ficou afixado no período de 06/10/2008 a 21/10/2008, às fls. 90. Ressaltese que não consta nos autos a tentativa de ciência pessoal ou postal do Termo de Intimação lavrado em 11/08/2008 e do Auto de Infração lavrado em 03/10/2008, sendo inválida a ciência por meio de Edital em razão de não atender ao requisito legal estabelecido pelo artigo 23, § I o do Decreto n° 70.235/72. Verificase ainda que a fiscalização somente se encerrou em 14/04/2009, com a ciência pessoal do interessado, que alega em sua defesa ter sabido da ação fiscal por meio de recado recebido em sua residência para comparecer à Receita Federal, o que fez de imediato. Assim é que se conclui que a ciência válida só ocorreu em 14/04/2009, com a assinatura do contribuinte de todos os Atos e Termos lavrados no curso da ação fiscal. Por essa razão, resta claro que não foi oportunizado ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa para apresentação de documentos ou esclarecimentos em relação aos depósitos bancários efetuados em suas contas, em desrespeito ao que disciplina o Decreto n° 70.235/72. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 210201.809 S2C1T2 Fl. 3 5 E certo que a presunção legal contida no art. 42 da Lei n.° 9.430/1996 tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, no entanto, no caso concreto, o contribuinte tem o direito de saber, por meio de regular intimação, sobre quais os depósitos, durante o anocalendário de 2005. deva produzir as provas. • A ausência de prazo para atendimento da intimação e a não descrição dos créditos de forma individualizada no auto de infração, dificultam sobremaneira a defesa do sujeito passivo, que teria que justificar todos os depósitos realizados em 2005. Destarte, não há outra solução a ser adotada que não seja declarar a nulidade do lançamento, por vício formal, por preterição do direito de defesa uma vez que o auto de infração foi lavrado sem respeito às normas reguladoras do processo administrativo fiscal Decreto n° 70.235/72. Considerando que o crédito exonerado ultrapassou o limite de alçada das Turmas de Julgamento da DRJ, houve a interposição do competente recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Não há qualquer dúvida de que a autuação fiscal em foco incorreu em grave nulidade, com cerceamento do direito de defesa do contribuinte, como descrita na decisão recorrida, porque a autoridade não poderia afixar os editais em localidade diversa daquele que constava nos cadastros da RFB como domicílio do contribuinte (DRFManaus versus ARF Tabatinga Benjamin Constant – AM, conforme Portaria RFB 10.622/2007), o que implicou na ausência de intimação regular do contribuinte a comprovar a origem dos depósitos das contas auditadas. Ademais, quando as intimações primitivas retornaram com a informação de endereço inexistente, caberia a autoridade efetuar visita in loco, investigando que o que ocorria. Há mais um agravante, até em momento prévio ao edital que exigiu a comprovação dos depósitos bancários. Considerando o vício editalício, por afixação em localidade diversa daquela que constava nos cadastros da RFB, não estava sequer a autoridade competente autorizada a transferir compulsoriamente o sigilo bancário do contribuinte para o fisco, via Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, pois o sujeito passivo não havia sido válido e previamente intimado a apresentar as informações de suas contas bancárias, como exigido pelo art. 4º, § 2º, do Decreto nº 3.724/2001 (A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF). Ademais, mesmo que se considerassem válidos os editais iniciais, no momento em que a autoridade fiscal se assenhoreou das informações bancárias, inclusive as fichas cadastrais do contribuinte, nas quais havia o endereço efetivo do fiscalizado (Rua Duque de Caxias nº 703, bairro Comunicações – Tabatinga – AM), desde julho de 2008 (fls. 16 e 42), Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 não poderia voltar a utilizar a via editalícia para intimálo a comprovar a origem dos depósitos bancários, como se viu com o Edital nº 159/2008, afixado em 12/08/2008 (fl. 76), ou mesmo, insistindo no equívoco, cientificálo do auto de infração, pelo Edital nº 185/2008, afixado em 06/10/2008 (fl. 90). Deveria têlo intimado no endereço de Tabatinga, não apenas para que comparecesse na repartição a fim de tratar de assunto de interesse dele, como de fato ocorreu, mas para comprovar a origem dos depósitos bancários e, posteriormente, para ciência do auto de infração, o que só terminou ocorrendo em 14/04/2009, quando houve a ciência concomitantemente de todos os atos do processo, inclusive do próprio auto de infração. Por tudo, percebese, primeiramente, que o sigilo bancário do contribuinte foi transferido irregularmente dos bancos para o fisco, por inobservância dos requisitos do Decreto nº 3.724/2001. Mesmo que se supere essa nulidade, vêse ainda que o contribuinte não foi intimado validamente a comprovar a origem dos depósitos bancários, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações), não podendo se asseverar que se aperfeiçoou a presunção de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Obviamente que as nulidades acima atingiram o lançamento em sua materialidade, em sua substância, não se podendo aceitar a tese da decisão de primeira instância de que se tratou de um vício formal. Ora, se a nulidade decorrente da ausência de intimação de cotitular, estampada na Súmula CARF nº 29 (Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento), é encarada como nulidade substancial, por ausência de aperfeiçoamento da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que dizer de um procedimento em que o sigilo bancário do recorrente foi vulnerado indevidamente e em que o contribuinte não foi validamente intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários? Claramente se trata de nulidade substancial, que não autoriza o fisco a utilizar a dilatação do prazo decadencial na forma do art. 173, II, do CTN. Ante tudo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício, com a fundamentação acima. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.720964/200868 Acórdão n.º 210201.809 S2C1T2 Fl. 4 7 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
