Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.006785/2006-17
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
Ano-calendário: 2004
Ementa: MULTA ISOLADA
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - Declarar informação falsa em PER/DCOMP, objetivando dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos decorrentes de natureza não tributária e de terceiros, demonstra o evidente
intuito de fraude que deve ser penalizado com o lançamento de
multa de oficio qualificada no percentual de 150%.
CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO - Súmula 1° CC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1101-000.103
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o esente julgado.
Nome do relator: Valmir Sandri
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 2004 Ementa: MULTA ISOLADA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - Declarar informação falsa em PER/DCOMP, objetivando dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos decorrentes de natureza não tributária e de terceiros, demonstra o evidente intuito de fraude que deve ser penalizado com o lançamento de multa de oficio qualificada no percentual de 150%. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO - Súmula 1° CC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10830.006785/2006-17
anomes_publicacao_s : 200906
conteudo_id_s : 5273182
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.103
nome_arquivo_s : 110100103_164831_10830006785200617_027.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Valmir Sandri
nome_arquivo_pdf_s : 10830006785200617_5273182.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o esente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
id : 4613316
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932613218304
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:12:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:12:12Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:12:14Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:12:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:12:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:12:14Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:12:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:12:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:12:12Z; created: 2009-09-30T11:12:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2009-09-30T11:12:12Z; pdf:charsPerPage: 1256; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:12:12Z | Conteúdo => CCO I /CO I Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10830.006785/2006-17 Recurso n" 164.831 Voluntário Matéria IRPJ - Exercícios 2005 Acórdão n" 1101-00.103 Sessão de 17 de junho de 2009 Recorrente SÃO PAULO SERVIÇOS TELEMATICAS LTDA. Recorrida 5" TURMA/DRJ - CAMPINAS - SP ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 2004 Ementa: MULTA ISOLADA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - Declarar informação falsa em PER/DCOMP, objetivando dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos decorrentes de natureza não tributária e de terceiros, demonstra o evidente intuito de fraude que deve ser penalizado com o lançamento de multa de oficio qualificada no percentual de 150%. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO - Súmula 1 °CC tf 2: 'O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos voluntário, nos termos do relatório e voto c . passam a integrar o esente julgado. AN •N,PRA P SIDENTE Ilk _ DRI RELATOR Processo n" 1 0830.006785/2006- I 7 CCO 11C0 Acórdão n." 1101-00.103 Fls. 2 Formalizado em: O 8 SEI 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri (Relator), João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Antonio Praga (Presidente). • 2 Processo tf I 0830.006785/2006-17 CCOI/C0 1 Acórdào n." 1101-00.103 Fls. 3 Relatório SÃO PAULO SERVIÇOS TELEMATICAS LTDA., já qualificada nos autos, recorre a este Egrégio Conselho de Contribuinte da decisão proferida pela 5' Turma DRJ/Campinas — SP que INDEFERIU a manifestação de inconformidade apresentada nos autos do Processo Administrativo n" 10830.003652/2005-08 e JULGOU PROCEDENTE o auto de infração lavrado para exigir a multa isolada formalizada nos autos do Processo Administrativo ri° 10830.006785/2006-17, que ora se analisa. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização lavrou contra a contribuinte auto de infração para exigir a multa isolada no valor de R$ 1.027.212,98, fls. 05/09, em função da compensação efetuada indevidamente nos autos do Processo Administrativo n° 10830.003652/2005-08, urna vez que segunda a autoridade administrativa que não homologou a compensação pleiteada, os créditos não tem origem tributária além de ser de terceiros. Destaque-se, ainda, que consta apenso ao presente processo Representação Fiscal para Fins Penais — 10830.006786/2006-53. Inconformada com o lançamento efetuado, do qual foi cientificada em 20.12.2006, tls. 05, a contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação, em 19.01.2007, às fls. 284/343, juntando, ainda, os documentos de fls. 344/409, alegando em síntese que: (i) Preliminarmente, requer seja recebida à impugnação com efeito suspensivo, urna vez que esta foi apresentada tempestivamente. Requer, ainda, à conexão entre o presente processo (multa isolada) e o processo administrativo n" 10830.003852/2005-08 (Declaração de Compensação não homologada). (ii) Prossegue afirmando que o auto de infração padece de nulidade insanável, tendo em vista que aplicou a penalidade de 150% sobre os tributos que ela entende compensados indevidamente, com um 3 Processo n° 10830.006785/2006-17 CCOI/C0 I Acórdão o.° 1101-00.103 Fls. 4 enquadramento legal que não dá lastro a sua pretensão, qual seja o art. 18 da Lei n" 10.833/2003. (iii) Nesse sentido, esclarece que a previsão de aplicação de multa no caso de compensação declarada não homologada somente passou a ser exigida a partir da edição da Lei n" 11.051/2004, e, no caso tendo as compensações se realizado em data anterior, resta evidente a inaplicabilidade da referida penalidade. (iv) Insurge-se face à aplicação da multa, afirmando que não há impedimento para a apresentação da PER/DCOMP por meio eletrônico. A esse respeito, destaca que as Instruções Normativas não podem extrapolar os dispositivos legais, servindo as mesmas apenas para disciplinar a aplicação da lei e não para criar óbices onde à lei não criou, como é o caso do art. 26, §3°, I e IV da IN n° 460/2004. (v) Salienta que ao contrário do que entendeu a autoridade administrativa, não houve o evidente intuito de fraude, sobremodo quando a contribuinte encontra-se sub-rogada aos direitos creditórios utilizados, conforme autoriza o art. 78 do ADCT. (vi) Ademais, afirma que a fiscalização nem mesmo destacou em qual dos incisos do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 estaria enquadrada a conduta adotada pela contribuinte. Ressalta, ainda, que a definição e delimitação dos valores das multas encontram-se no art. 44 da Lei ri° 9.430/96. (vii) Entende que a multa regulamentar não pode ser exigida enquanto a compensação estiver sendo discutida administrativamente, sob pena de violar os princípios da ampla defesa e do contraditório. (viii) No mérito, assevera que pleiteou a compensação, mediante DCOMPs transmitidas em 05/12/2004, com crédito oriundo do RESP 37056-STJ já transitado em julgado. Tais valores segundo a contribuinte originaram-se de ação ordinária de reivindicação de terras, e foram adquiridos mediante escritura pública declaratória de cessão de direitos creditícios de Gilson Pinto, com conseqüente sub-rogação da contribuinte em tais direitos, o que lhe conferiu a possibilidade de valer-se do disposto no art. 50 do Decreto n° 1.647/95, na medida em que os demais atos antes mencionados tornaram a União devedora da dívida consolidada naquela ação judicial. Cita, ainda, a Medida Provisória n° 2.179/2001, que autorizou o Banco Central do Brasil a adquirir créditos até 31 de dezembro de 2002: créditos contratuais com os Estados da Federação; (que é o caso). (ix) Nesse sentido, aduz que com base nas premissas constitucionais e legais acima elencadas, foi apresentada DCOMP antes da Lei tf 4 Processo n" 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdào n." 1101-00.103 Fls. 5 11.029/2004 e nos termos da IN SRF n° 414/2004, discriminando os dados dos débitos compensados, que foi glosado pela autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em Campinas, quando da não declaração de compensação. (x) Aduz que o art. 74, I e II da Lei n" 9.430/96, alterado pela Medida Provisória n° 303/2006, passou a não mais imputar a penalidade face à compensação não homologada. Dessa forma, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, art, 106 CTN, entende que não deve prevalecer à exigência da multa. (xi) Ressalta que aplicação da multa de 1 50% tem caráter confiscatório, e desrespeita, ainda, os princípios da proporcionalidade, da equidade, da razoabilidade e da capacidade contributiva. Além não ter havido no presente caso o evidente intuito de fraude, sobremodo quando a contribuinte declarou os tributos devidos antes de qualquer procedimento de fiscalização. Nesse sentido, menciona os arts. 138 e 112 do CTN e transcreve lições doutrinárias e jurisprudência. (xii) Reafirma que a Lei n" 11.051/2004 não pode ter efeitos retroativos, para considerar não declaradas as compensações, com fundamento em interpretação do Superior Tribunal de Justiça que aquiesceu pela não-aplicação retroativa de sucessivos regimes legais de compensação tributária, consagrando, inclusive, "regra geral segundo a qual a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre débitos e créditos", e por se caracterizar ofensa aos princípios da garantia ao direito adquirido e da segurança jurídica. (xiii) Alega que com fundamento na EC n° 30/2000, a qual admitiu a compensação tributária com créditos oriundos de precatórios judiciais, utilizou-se de créditos já com trânsito em julgado, eis que não restam dúvidas de que o crédito que passou a ter titularidade foi decorrente de ação cuja decisão transitou em julgado. (xiv) Entende, também, que não se trata de créditos de terceiros, eis que não foi requerida a transferência de titularidade dos referidos créditos através de processo administrativo de compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal, mas sim houve declaração de compensação de créditos que havia adquirido com fundamento no disposto na Emenda Constitucional ri° 30/2000 que permite expressamente a "cessão dos direitos", esta regularmente processada no âmbito civil. (xv) Reconhece que por engano quando da transmissão da PER/DCOMP, parte dos débitos declarados compensados foi liquidada posteriormente através de pagamento em DARF, não Processo n" 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdão n." 1101-00.103 Fls. 6 podendo, portanto, se constituir na base de cálculo para nova cobrança e muito menos para a aplicação de multa regulamentar. (xvi) Afirma que todo o procedimento adotado pela empresa observou a legislação pertinente (art. 26 da IN SRF n" 460/2004, anterior à Lei n" 11.051/2004) que autorizava a compensação com crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, mediante DCOMP transmitida de forma eletrônica. (xvii) Ressalta que é possível a compensação sem prévia autorização judicial, nos termos de julgado do Superior Tribunal de Justiça que menciona. Entende vulnerado seu direito à compensação e alega afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa. (xviii) Distingue, nos termos do art. 170 do CTN, créditos de qualquer natureza, e créditos decorrentes de pagamento indevido, para ressaltar que apenas estes podem ser compensados com tributos da mesma espécie e destinação constitucional, na forma da doutrina que reproduz. (xix) Nesse sentido, conclui que as normas mais rígidas da compensação, no sentido do que o Código Civil empresta, e que exigiriam prévia liquidez e acertamento dos créditos aplicar-se- iam, em matéria tributária, apenas àquelas hipóteses em que a compensação se desse com créditos do sujeito passivo de qualquer natureza (inclusive não tributários) ou para obrigações tributárias vencidas e já apuradas/lançadas. (xx) Observa que o STF deixa muito claro que o principio da proporcionalidade deve funcionar como limite constitucional para o excesso cometido pelo legislador ao fixar as penalidades tributárias. Somente sendo aplicável a multa qualificada quando ocorrer à prática criminosa. (xxi) Ao final, requer seja julgado nulo o auto de infração lavrado. À vista da Impugnação apresentada, a 5 a . Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas - SP, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade e JULGOU procedente o lançamento efetuado a título de multa isolada pela compensação efetuada indevidamente, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÀO. 6 Processo o' I 0830.006785/2006-17 CCO 1/CO I Acórdão 1101-00.103 Fls. 7 CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a compensação de crédito de natureza não-tributária, supostamente cedido por terceiros, com tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto a ausência de qualquer permissivo legal nesse sentido. FALSIDADE EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos decorrentes de natureza não tributária e de terceiros, mormente se a cessão destes créditos é formalizada após a transmissão das DCOMP, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de considerações acerca da graduação da penalidade, definida objetivamente em lei, não compete à autoridade administrativa, mas sim ao Poder Judiciário. EQÜIDADE. Estando provada a infração, e inexistindo dúvida quanto à sua caracterização ou autoria, aplicável é a penalidade prevista em lei." Inicialmente registraram que ausente ato específico de transferência de competência de julgamento, cabe a DRJ-Campinas-SP a apreciação dos feitos, na medida em que o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n" 95/2007, e a Portaria RFB n" 10.238/2007, incluem na circunscrição territorial da DRJ Campinas a Unidade da RFB situada em Campinas, na qual os atos recorridos foram praticados e onde a contribuinte encontra-se domiciliado. Em relação à conexão argüida entre os processos administrativos n" 10830.006785/2006-17 e 10830.003652/2005-08, registraram que ela foi atendida mediante juntada dos autos para apreciação conjunta, promovida pela DRJ, em atenção ao que dispõe o art. 18, §3° da Lei n" 10.833/2003. Entretanto, não há qualquer justificativa para intimação da contribuinte para se manifestar nos prazos legais, dado que já ofertou sua defesa contra os atos que serão apreciados no julgamento, e não houve a inclusão de qualquer elemento novo nesta fase processual. Quanto ao efeito suspensivo dos recursos apresentados, relativamente aos débitos compensados e os resultantes da penalidade aplicada, consignaram que a DRJ não tem ‘. 7 Processo n" 10830.006785/2006-17 CCOI/COI Acórdão n." 1101-00.103 Fls. 8 competência para apreciar esta matéria, a qual se restringe, no presente caso, ao julgamento, em primeira instância, dos processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à compensação, nos termos do art. 174 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após estruturar os fundamentos do alegado direito da contribuinte à compensação, concluíram os julgadores que não está demonstrado nos autos a condição de credora da contribuinte, ou mesmo do cedente do suposto crédito, em razão da ação judicial referida (Recurso Especial n" 37.056), bem como não se verifica a sujeição do Estado do Paraná, quanto menos da União, à alegada dívida. Logo, infirma-se a assertiva de que não restam dúvidas de que o crédito que passou a ter titularidade foi decorrente de ação cuja decisão transitou em julgado. Apesar disso, prosseguiram afirmando que ainda que a contribuinte provasse ser credora da União, o alegado art. 5' do Decreto if 1.647/95 (e disposições posteriores contidas no Decreto n" 1.785/96 e no art. 1" da Lei 8.250/91) não se prestaria aos fins pretendidos, pois, como antes exposto, a negociação ali permitida, com precatórios judiciais, pressupunha que a União estivesse na condição de devedora em razão da assunção de obrigações decorrentes da extinção ou privatização de autarquias, fundações, sociedades de economia mista, empresas públicas e entidades da Administração Pública Federal, aspecto em nenhum momento aventado nestes autos. Destacaram que os arts. 368 e 374 do CC, não se aplicam no âmbito tributário, pois o crédito tributário, como matéria de interesse público, não pode ser tratado sob a exclusiva ótica do Código Civil, como suposto direito potestativo de proceder ao encontro de contas. Dessa forma, a compensação, no âmbito tributário, deve observância à regra estabelecida por lei própria. Ressaltaram que este regramento específico leva em conta, justamente, a natureza dos débitos passíveis de extinção mediante compensação, que por ser tributária traz para si o mencionado "interesse público". Logo, imprópria é a pretensão da contribuinte de .e:413?"----.. 8 Processo n" I 0830.006785/2006- I 7 CCO I /CO I Acórdão n." 1101-00.103 Fls. 9 vincular, apenas, os créditos decorrentes de pagamento indevido às normas mais rígidas do art. 170 do CTN, e excluir, deste âmbito, os créditos de qualquer natureza. Sendo assim, observaram que os créditos de natureza não tributária nunca foram admitidos como passíveis de compensação com tributos e contribuições. Destacaram que a Lei n" 9.430/96 somente acrescentou a permissão de compensação entre tributos de espécies diferentes. Os créditos, continuaram sendo, apenas, aqueles passíveis de restituição ou ressarcimento, e sempre referentes a um tributo ou contribuição, na forma do inciso I do art. 73 daquela lei, ao qual se reporta o art. 74, alegado pela contribuinte. Ademais, ressaltaram que com a alteração do art. 74 da Lei n° 9.430/96 em 2002, nenhum acréscimo se fez quanto à possibilidade de compensação de créditos de natureza não tributária. Ao contrário, sua utilização permaneceu não autorizada, mas agora por expressa vedação, a partir do momento em que a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito tributário, na ocasião de sua declaração à SRF, nos termos da Medida Provisória n" 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002. Consignaram que posteriormente, a Medida Provisória n" 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n" 10.833/2003, novamente reiterou a impossibilidade de compensação de créditos que não tivessem natureza tributária, mas agora fixando penalidade para a inobservância desta regra em seu art. 18. Registraram, também, que em paralelo às alterações legislativas, frente aos abusos de forma que se verificaram nas declarações de compensação, atos normativos no âmbito da SRF também atribuíram conseqüências mais gravosas às compensaçOes que destoassem significativamente daquelas admitidas em Lei. Neste sentido, a Instrução Normativa SRF n" 226, de 18 de outubro de 2002 determinou o liminar indeferimento da compensação pleiteada cujo direito creditório alegado tenha por base [...] crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000, inclusive com a aplicação de penalidade agravada, porque caracterizado evidente intuito de fraude, na forma do Ato Declaratório Interpretativo n° 17, de 2 de outubro de 2002. 2531.....-2 9 Processo n° 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdão n." 1101-00.103 Fls. 10 Posteriormente a compensação passou a ser admitida apenas mediante declaração em meio eletrônico (aprovada pela Instrução Normativa SRF ri° 320/2003), quando a interessada apurasse crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição, ou crédito do IPI, passível de ressarcimento, restando à previsão de declaração em formulário apenas para as demais hipóteses não previstas no sistema eletrônico, mas admitidas pela legislação federal, conforme Instrução Normativa SRF n° 323/2003. Sendo assim, ressaltaram que em 2003, começou a se constituir, portanto, a não-declaração da compensação, quando esta não tivesse por origem crédito de natureza tributária e, assim, divergisse dos parâmetros da declaração eletrônica e da previsão legal de compensação. Tal hipótese subsistiu no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, até tomar corpo na Lei n" 11.051/2004. Dessa forma, observaram que diversamente do que entende a contribuinte, até a edição da Lei n° 11.051/2004 prevaleceu o procedimento previsto nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 para as DCOMP apresentadas na forma eletrônica. Assim, para firmar a inadmissibilidade das compensações por ela declaradas em 05/12/2004, a autoridade competente editou ato de não-homologação, e não de não-declaração das DCOMP, corno, aliás, consta expressamente às tls. 153/158 do presente processo. Consignaram que é possível que a suposição de não-declaração das compensações tenha origem no fato de os débitos compensados terem sido inscritos em Dívida Ativa da União, com o correspondente ajuizamento da ação de execução fiscal. Ocorre, porém, que a própria autoridade preparadora já se posicionou contrariamente à inscrição dos débitos em Divida Ativa da União no ato de não-homologação, fls. 154. Sendo assim, reconhecido o erro pela autoridade competente, e adotadas as providências para sua regularização antes mesmo do recurso da contribuinte, entenderam os julgadores que descabem as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa, bem corno aos princípios da garantia ao direito adquirido e da segurança jurídica, na medida em que não houve aplicação retroativa da Lei if 11.051/2004. 10 Processo n" 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdào n." 1101-00.103 Fls. 11 Ainda quanto à alegação de que a IN/SRF n° 460/2004 autorizava a compensação com crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, mediante DCOMP transmitida de forma eletrônica, observaram os julgadores que somente após a publicação da IN/SRF a° 517/2005, em 01/03/2005, passou a ser exigida a prévia habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Prosseguiram afirmando que a IN/SRF tf 460/2004 em seu art. 50, já continha expressa determinação no sentido de que o crédito resultante de discussão judicial, além do trânsito em julgado, deveria ser titulado pela interessada na condição de sujeito passivo e contra a Fazenda Nacional, ou seja, ter natureza tributária e ser próprio. Concluíram a esse respeito que outros requisitos lógicos foram firmados nesta interpretação veiculada no ato normativo, quais sejam, a renúncia à execução do título judicial ou a desistência da execução iniciada, aspectos aqui sequer cogitados pela interessada, até porque nem mesmo a formação do titulo judicial foi demonstrada. Quanto à alegação da contribuinte de que o despacho decisório padeceria de nulidade, urna vez que este já estaria precluso, nos termos dos arts. 48 e 49 da Lei n° 9.784/99, esclareceram os julgadores que o ato questionado não decorre de solicitações ou reclamações apreciadas no âmbito da referida lei, mas sim de Declarações de Compensações, apresentadas pelo contribuinte com vistas à extinção do crédito tributário, previsto no art. 74 da Lei n" 9.430/96, com a redação dada pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. E, neste âmbito, o único prazo ao qual se submete a autoridade administrativa é aquele previsto no §5° do art. 74 do referido diploma legal. Dessa forma, os julgadores consideraram válidas as providências adotadas no sentido de tratamento manual das DCOMP apresentadas em 05/12/2004, iniciado em 28/07/2005 e seguido de solicitação da documentação necessária para identificação da pretensão da contribuinte e dos débitos compensados, inclusive com vistas à reunião dos elementos caracterizadores da fraude que lhe foi imputada, do que resultou a não-homologação formalizada em 29/08/2006, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da data de entrega da DCOMP. 11 Processo o" 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdão 1101-00.103 Fls. 12 No mérito, salientaram os julgadores que é evidente que a informação de crédito próprio na DCOMP é inverídica, assim corno não há prova de decisão judicial com trânsito em julgado constituindo o cedente, ou os que o antecederam, em credores da União. Irregular, assim, a compensação formalizada mediante DCOMP eletrônica, não só com base nos dispositivos legais anteriores à Lei n° 11.051/2004, como antes explicitado, mas também em razão da própria IN SRF n" 460, publicada em 29/10/2004, invocada pela contribuinte em seu favor, mas que, além de expressamente vedar a compensação com créditos de terceiros, remete à DCOMP em papel a formalização de compensações que não possam ser requeridas eletronicamente. Sendo assim, entenderam que restam infirmados: a existência do crédito, a condição de credor do contribuinte, a condição de devedor da União e, por conseqüência, o alegado amparo legal e constitucional à compensação pretendida. E, na medida em que inexiste qualquer reconhecimento de direito à compensação no julgado do Superior Tribunal de Justiça, não se verifica afronta aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, ou mesmo desrespeito a decisão transitada em julgado com característica de "coisa julgada material". Também, nestas condições, revela-se inócua a referência ao amparo do Superior Tribunal de Justiça à sub-rogação convencional, assim como a perspectiva exposta no sentido de que o Supremo Tribunal Federal venha a admitir a compensação de tributos com precatórios, nos termos do art. 78 do ADCT, sem a existência de lei específica. Entenderam, portanto, que não há qualquer ofensa a direitos e garantias constitucionais, gravados com a condição de cláusula pétrea, mas sim a inobservância, por parte da interessada, dos requisitos legitimamente fixados em lei editada com fundamento no Código Tributário Nacional, recepcionado como lei complementar na Constituição Federal de 1988, e assim hábil a fixar normas gerais de direito tributário, em especial no que tange à obrigação e ao crédito tributário (art. 146, III, "h" da Constituição Federal), onde está inserida a sua forma de extinção. Finalmente, registraram que os aspectos relativos à retificação das DCTF não influenciam a não-homologação das compensações, nem o lançamento de oficio da multa 12 Processo n" 10830.006785/2006-17 CC0I/C0 I Acórdão 6• 0 1101-00.103 Fls. 13 isolada, razão pela quais os esclarecimentos prestados pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade são irrelevantes para o presente julgamento. Pelo exposto, os julgadores INDEFERIRAM a manifestação de inconformidade, e mantiveram a NÃO-HOMOLOGAÇÃO das compensações questionadas. Passaram, então, os julgadores para a apreciação do lançamento de ofício de multa isolada pela compensação indevida. Inicialmente, consignaram que ao contrário do que pretende demonstrar à contribuinte em sua impugnação, desnecessário é o julgamento administrativo da manifestação de inconformidade contra o ato de não-homologação para aplicação da penalidade. E isto em nada ofende o art. 106 do CTN, pois caso legislação superveniente venha a fixar penalidade menos gravosa para a infração cometida (e que tem por referência 05/12/2004), a autoridade julgadora terá o dever de reconhecer os efeitos da retroatividade benigna, ao ato não definitivamente julgado. No mérito, a contribuinte novamente defende seu direito à compensação, em razão da natureza do direito creditório utilizado e dos dispositivos constitucionais e legais que amparariam seu procedimento. Entretanto, como já exposto anteriormente, os julgadores reafirmaram que os créditos de natureza não tributária nunca foram passíveis de compensação com débitos tributários. Esclareceram, ainda., que deixar de homologar as compensações aqui tratadas, formalizadas na vigência da Lei n° 10.833/2003, e caracterizá-las como infrações puníveis com multa isolada não significa aplicar retroativamente a Lei n° 11.051/2004. Isto porque, esta apenas capitulou expressamente tal hipótese, dentre outras, como motivo para a não-declaração de compensação, e lhe atribuiu conseqüências diversas das demais compensações formalizadas em DCOMP, quais sejam: retirar do documento de compensação o caráter de confissão de dívida, não sujeitá-lo a homologação tácita, e afastar o efeito suspensivo, relativamente aos débitos compensados, que decorreria da manifestação de inconforinidade. 13 Processo n" 10830.006785/2006- 17 CCO 1 /C01 Acórdão 0." 1101-00.103 Fls. 14 Destacaram que até a edição da Lei n° 11.051/2004, a compensação com créditos de natureza não tributária e de terceiros, mediante DCOMP, é motivo para sua não- homologação e constitui infração sujeita, minimamente, à multa de 75% desde a edição do art. 18 da Medida Provisória n" 135/2003. Observaram, ainda, que não obstante o caput do art. 18 da Medida Provisória n" 135/2003 valha-se da expressão genérica "compensação indevida", seu § expressamente vincula o ato de não-homologação ao lançamento da multa de oficio isolada, inclusive a ensejar seu julgamento simultâneo, como no presente caso. Não há dúvida, portanto, quanto ao cabimento da multa de oficio isolada nos casos de compensações não- homologadas que tenham por referência créditos de natureza não tributária ou de terceiros, mesmo antes da Lei n" 11.051/2004. Quanto à aplicação da multa qualificada, entenderam os julgadores que restam nos autos provas da conduta dolosa ainda que dolo eventual da contribuinte, com o evidente intuito de fraude, uma vez que pretendeu compensar crédito de natureza não tributário e de terceiros, justificando-se, portanto, a aplicação da multa no percentual de 150%. Acrescentaram que o fato de a DCOMP eletrônica apresentada em 05/12/2004 já representar o lançamento em caso de não-homologação, apenas reforça a necessidade de aplicação da penalidade isolada, sob pena de serem idênticas às conseqüências atribuíveis a quem simplesmente deixa de pagar o débito declarado em DCTF e a quem se vale fraudulentamente da DCOMP para extinguir tais débitos. Frisaram que tal penalidade não resulta do descumprimento a uma norma meramente regulamentar. O art. 18 da Lei n° 10.833/2003 fixa a penalidade em caso de compensação indevida, e determina a aplicação dos percentuais previstos nos incisos I e II ou no § 2" do art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme o caso, e esta, por sua vez, em caso de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, fixa em 150% e 225% o percentual da multa de oficio. Já o evidente intuito de fraude é aquele extraído das condutas previstas nos dispositivos referidos, dentre as quais está a fraude antes mencionada. 14 Processo n" 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Aeórão n." 1101-00.103 Fls. 15 Nesse sentido, concluíram que resta caracterizada, no procedimento fiscal em questão, a compensação indevida com crédito de natureza não tributária e de terceiros, mediante inserção de elementos falsos quanto ao reconhecimento de crédito próprio por decisão judicial transitada em julgado em ação de compensação tributária, sujeita à multa isolada aplicável aos lançamentos de oficio com evidente intuito de fraude, nos termos do art. 18 da Medida Provisória n" 135/2003, convertida na Lei n°10.833/2003. Esclareceram os julgadores que à época da infração (05/12/2004), o art. 18 da Lei n' 10.833/2003 somente trazia previsão em seu caput das condutas sujeitas à penalidade: compensação indevida [...] nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. E tais circunstâncias foram adequadamente caracterizadas pela Fiscalização. Nada mais fazendo a IN/SRF n" 460/2004 do que reproduzir o art. 18 conjugado com as demais providências decorrentes da não homologação da compensação, expressas no art. 74 da Lei n" 9.430/96, após a alteração da Lei n° 10.833/2003. Ademais, consignaram que penalidade em idêntica dimensão àquela aqui exigida permaneceu aplicável às hipóteses de não-homologação em que houvesse evidente intuito de fraude, conforme redação posterior do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, dada pela Lei n° 11.051/2004, com as alterações da Lei 11.196/2005. Quanto ao fato de que a definição e delimitação dos valores das multas encontram-se é no art. 44 e seus incisos da Lei 9,430/96, ressaltaram que a Fiscalização capitula expressamente a penalidade aplicada no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, como se vê à fl. 09 do processo n" 10830.006785/2006-17. Em relação à nova redação dada pela Medida Provisória n° 303/2006 ao art. 44 da Lei n° 9.430/96, observaram que, embora o inciso Il do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96 tenha recebido nova redação nas alterações promovidas tanto por esta Medida Provisória, como pela n" 351/2007 — convertida na Lei n° 11.488/2007 —, o conteúdo nele disposto permaneceu presente no referido artigo, mas localizado em seu § 1°, sendo impróprio 15 Processo o' 10830.006785/2006-17 CCOI/C0 I Acórclião o.' 1101-00.103 Fls. I 6 cogitar-se de que teria sido afastada a penalidade prevista para compensações não- homologadas com fraude. Registraram, ainda, que a Medida Provisória 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, também promoveu alterações no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, incorporando a nova estruturação das multas previstas no art. 44 da Lei n" 9.430/96, e também substituindo a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, como hipótese de aplicação de penalidade em caso de não-homologação de compensação, pela comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Dessa forma, entenderam que sendo a presente exigência motivada por compensações indevidas, não-homologadas, com caracterização do evidente intuito de fraude previsto no art. 72 da Lei n" 4.502/64, em razão de informações falsas inseridas em DCOMPs apresentadas em meio eletrônico, nenhum reparo merece o lançamento. Por tais razões, rejeitaram a pretensão da contribuinte de invalidá-lo em razão de falta de motivação legal para aplicação da penalidade de 150% com a natureza jurídica de multa proporcional agravada. Consignaram que não cabe ao órgão administrativo apreciar a constitucionalidade de leis inseridas legalmente no ordenamento jurídico, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Afirmaram que também não há espaço para aplicação de eqüidade ou de interpretação mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN, na medida em que, provada a infração, não há dúvida quanto à sua caracterização ou autoria. Esclarecera, ainda, no que tange à substituição da penalidade aplicada pela multa de mora, que as multas referidas decorrem de fatos diversos: a multa de mora é aplicável ao pagamento a destempo de tributo ou contribuição, ao passo que a multa isolada decorre da utilização indevida da DCOMP. Ao final, em relação aos efeitos do art. 138 do CTN, observaram que qualquer providência espontânea do contribuinte, no sentido de reverter às compensações questionadas, deveria ter sido implementada antes do inicio do procedimento fiscal que 16 Processo n° 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórd5o o." 1101-00.103 Fls. 17 resultou na não-homologação das compensações e no lançamento da multa de oficio isolada. Recordaram, ainda, que ao contrário do que afirma em sua defesa, não houve mera declaração da compensação a aguardar a homologação do Fisco, mas sim a extinção do crédito tributário mediante DCOMP, passível de homologação tácita se transcorridos 5 (cinco) anos de sua apresentação. Ou seja, não obstante a contribuinte mencione que constatou erros nos PER/DCOMP transmitidos e, inclusive, pagou parte dos débitos compensados antes do início da ação fiscal, não há registro de pedidos de retificação ou cancelamento das DCOMP anteriores àquela data. Assim, sendo a DCOMP extintiva do crédito tributário, caso não se providenciasse a decisão administrativa que não-homologou a compensação nela veiculada, poderia a contribuinte argüir a existência de pagamento indevido, com vistas a pleitear sua restituição. Acrescentaram que o fato de os valores pagos no âmbito da PGFN terem sido reconhecidos pela autoridade preparadora apenas impede a cobrança dos débitos indevidamente compensados. A penalidade, como já explicitado, incide sobre o total do débito compensado indicado na DCOMP, e somente deixa de ser aplicada se o contribuinte espontaneamente requerer o seu cancelamento. Pelo exposto, os julgadores conheceram da manifestação de inconformidade e da impugnação apresentada, para NÃO HOMOLOGAR as DCOMPs apresentadas em 05.12.2004, e, JULGAR PROCEDENTE o auto de infração lavrado a titulo de multa isolada por compensação indevida. Inconformada com a decisão de primeira instância, da qual foi intimada em 06.12.2007, tis. 449, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, em 19.12.2007, fls4501479, alegando em síntese que: Inicialmente, destaca ser o recurso tempestivo e abranger não só ao presente processo, mas também o Processo n" 10830.006786/2006-53, referente à Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que estes foram apensados pelos julgadores de primeira instância. - 17 Processo o' 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdilo n.° 1101-00.103 Fls. 18 Após transcrever a ementa do acórdão recorrido, esclarece que não obstante já tenha apresentado recurso voluntário nos autos do Processo Principal relativo à não- homologação da compensação, anexados ao presente processo pela decisão de primeira instância, apresenta novamente recurso voluntário diante do novo termo de intimação recebido. Transcreve, ainda, trecho da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, tis. 452/454, para então afirmar que o auto de infração padece de nulidade insanável, qual seja erro na motivação legal, pois o art. 18 da Lei n" 10.833/2003 não dá lastro para a exigência da multa isolada, na medida em que a previsão de aplicação de multa no caso de compensação declarada não homologada somente passou a ser exigida a partir da edição da Lei 11.051 de 29/12/2004. Transcreve o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, o caput do art. 18 da Medida Provisória n" 135/2003, o art. 74 da Lei n" 9.430/96 com a redação das Leis n" 10.637/2002 e 10.833/2003, para na seqüência opor-se à caracterização do evidente intuito de fraude. Ressalta que não havia impedimento legal à apresentação da DCOMP em meio eletrônico, e que a IN/SRF if 460/2004, citada pela Fiscalização, não poderia extrapolar os dispositivos legais. Dai a fundamentação da penalidade no art. 18 da Lei if 10.833/2003, e não na referida Instrução Normativa. Alega que o crédito utilizado para compensação não se enquadra nas hipóteses elencadas pela digna fiscalização, como exposto nesta defesa e na manifestação de inconformidade contra o indeferimento da compensação, dada a sub-rogação do contribuinte nos créditos que lhe foram regularmente cedidos. Esclarece que não houve absolutamente a intenção de burlar os controles da Receita Federal, quando a contribuinte informou nas PER/DCOMPs que o crédito era oriundo de decisão judicial transitada em julgado. Tal fato é verdade, conforme documentos apresentados em atendimento à fiscalização e em sua defesa. I8 Processo n° 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdão 1101-00.103 Fls. 19 Em relação ao enquadramento legal da penalidade, reproduz as alterações promovidas no art. 18 da Lei n" 10.833/2003 pelas Leis n's 11.051/2004 e 11.196/2005, e assevera que há vício insanável no Auto de Infração, eis que não constou no mesmo, corretamente o enquadramento legal para aplicação da multa. Constou apenas e tão somente o art. 18, verifica-se a absoluta impropriedade porque o art. 18 tem incisos com aplicação diferente uns dos outros. Ainda, argumenta que a definição e delimitação dos valores das multas encontram-se é no art. 44 e seus incisos da Lei 9430/96. Reafirma que a existência do processo administrativo n° 10830.003652/2005- 08 e o indeferimento da compensação ali promovido por meio de despacho decisório, contra o qual apresentou manifestação de inconformidade, para circunstanciar que na mesma data recebeu auto de infração aplicando-lhe não apenas a multa regulamentar prevista no Art. 44, I da Lei 9430/96, mas agravando-a mediante o errôneo entendimento da ocorrência de evidente intuito de fraude. Dessa forma, invoca a suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no art. 151, inciso III do CTN, para afirmar que por enquanto não restou caracterizada a hipótese de COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Ressalta que a manifestação de inconformidade interposta é inalterável e que do seu julgamento ainda caberá recurso ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Conclui que falta fundamentação e tipificação à infração, bem como invoca ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, em razão da aplicação de penalidade antes do julgamento da manifestação de inconformidade. E ressalta que não há mais dúvidas quanto à suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, a partir da Medida Provisória IV 135/2003. Esclarece que a retroatividade benigna do art. 106 do CTN impõe que a imputação de penalidade somente poderia ocorrer após o trânsito em julgado da decisão administrativa hrecorrivel proferida pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que somente nesta data se caracterizaria a infração, segundo os percentuais aplicáveis à época, se interiores aos anteriormente previstos, aspecto cuja observância é inviabilizada com a antecipação do lançamento. Daí a nulidade do lançamento. 19 Processo n° 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdão n." 1101-00.103 Fls. 20 No mérito, defende seu direito à compensação, novamente descrevendo a natureza do direito creditório utilizado e os dispositivos constitucionais e legais que amparariam seu procedimento, mas subsidiariamente aborda as vedações trazidas pela Lei n° 11.051/2004, para concluir que somente com tal lei, que não pode ser aplicada retroativamente, foram proibidas às compensações com créditos de terceiros e que não se refiram a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. Assim, na medida em que a compensação em questão ocorreu antes da referida lei, conclui que ela encontrava amparo legal e constitucional, ex-vi da Emenda Constitucional n° 30/2000 e demais leis citadas no referido processo. Menciona, ainda, à Medida Provisória ri° 303/2006, que ao dar nova redação ao art. 44 da Lei n" 9.430/96, afastou a penalidade aplicável à compensação não homologada. Finalmente, considera que a aplicação de multa confiscatória, desarrazoada de 150% sobre o montante de compensação regularmente processada se constitui em verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte, mormente se não restou comprovada nenhuma das hipóteses caracterizadoras de evidente intuito de fraude, desrespeito à lei, simulação, etc e, ainda, pende de apreciação o processo administrativo de compensação, em tomo do qual poderá restar caracterizada no máximo, divergência entre interpretação de legislação do contribuinte em relação à repartição fiscal. Invoca o motivo da falta de pagamento, o modo pelo qual a fiscalização obteve as informações para lançamento, a boa-fé evidenciada na declaração regular dos débitos e a apresentação dos documentos exigidos, para individualização, ajuste e graduação da pena segundo sua responsabilidade. Ressalta que a multa não tem caráter reparador, pois seu percentual é fixo e independe do tempo que durou a falta de pagamento, além de ser cobrada juntamente com os juros de mora. Defende, ainda, a aplicação de mera multa de mora, já que os débitos estavam declarados. 20 Processo n" 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdào n." 1101-00.103 Fls. 21 Opõe-se à caracterização da fraude fundada na apresentação eletrônica da DCOMP, pois a lei não distingue a forma de apresentação, mas apenas a Instrução Normativa emanada das autoridades administrativas da SRF. Considera que não há diferença nas duas sistemáticas, pois ambas submetem o fato à apreciação da autoridade administrativa, a qual pode baixar a declaração de compensação feita por meio eletrônico para "análise manual", com intimação dos contribuintes para justificação. Procedimento semelhante se verificaria nas declarações de rendimentos de pessoas físicas e jurídicas, sujeitas a procedimentos de malha e constatação de deduções indevidas ou omissão de receitas, que não se constituem motivo para agravamento da penalidade. Aduz que não foram observados diversos princípios garantidos constitucionalmente, entre eles os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como o art. 138 do CTN, na medida em que não houve infração se a compensação foi declarada, no aguardo da homologação do Fisco. Ainda, a teor do art. 112 do CTN, a lei tributária, no presente caso, deve ser interpretada de forma mais favorável ao acusado. Após transcrever jurisprudência, acrescenta que se o órgão julgador administrativo não aprovar a exclusão ou redução da multa, terá o direito de recorrer ao Poder Judiciário. Na seqüência, invoca a aplicação da equidade, cita acórdãos que reconhecem aos órgãos julgadores o poder de excluir ou diminuir a multa fiscal, e reproduz julgamento do STF em ADIN contra disposições da Constituição do Estado do Rio de Janeiro quanto à fixação e valores mínimos de multas. Afirma que ao contrário do que entendeu a autoridade administrativa, sua conduta não retardou a ocorrência do fato gerador, nem alterou suas características, mas sim permitiu que se verificasse a existência da compensação, bem como sua análise. Assim, não há dolo — entendido como a vontade consciente de atingir o objetivo legalmente tipificado como crime —, a ensejar o agravamento da penalidade. Apresentada a declaração, cumpre à autoridade analisá-la e proceder à cobrança do tributo, até porque a simples PER/DCOMP já é considerada como o lançamento do tributo, caso não ocorra a homologação. 21 Processo TV 10830.006785/2006-17 CCOI/C0 I Acórdão o.' 1101-00.103 Fls. 22 Ao final , requer a nulidade do Auto de Infração, ou subsidiariamente o cancelamento da penalidade aplicada, invocando a conexão com o processo n° 10830.003652/2005-08, com sua intimação para que possa se manifestar nos prazos legais. É o relatório. 22 Processo n° 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdzio n." 1101-00.103 Fls. 23 Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, o contribuinte insurge-se face à decisão proferida pelos julgadores de primeira instância que julgou procedente o auto de infração lavrado a titulo de multa isolada diante da compensação efetuada indevidamente nos autos do Processo Administrativo n° 10830.003652/2005-08, julgado a pouco por esta E. Turma. Corno se vê, o presente processo tem intima relação de causa e efeito com o Processo Administrativo acima citado, e a imposição da penalidade decorre do fato da autoridade fiscal não ter homologado as compensações pleiteadas pelo contribuinte com créditos de terceiros e não tributários. Assim, o auto de infração lavrado contra a contribuinte exige multa isolada no valor de RS 1.027.212,98, fls. 05/09, em função da compensação efetuada indevidamente, uma vez que segundo a autoridade administrativa que não homologou a compensação pleiteada, os créditos não têm origem tributária além de tratar-se de créditos de terceiros. Dessa forma, transcrevo aqui algumas considerações posta no voto do processo acima citado, para ao final, tratar especificamente da exigência aqui consubstanciada, vejamos: ... Quanto a não homologação pela r. decisão recorrida do pedido de compensação, deve se observar que, como bem concluíram os julgadores de I" instância, niio está demonstrado nos autos a condição de credora do contribuinte, ou mesmo do cedente do suposto crédito, em razão da ação judicial referida nos autos do Recurso Especial n°37.056, bem como não se verifica a sujeição do Estado do Paraná, e muito menos da União, à alegada dívida por ela utilizada para compensar o tributo objeto do pedido. 23 Processo o' I 0830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórdão 6.° 1101-00.103 Fls. 24 Da simples verificação do andamento processual do RESP n" 37.056 no site do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, se constata que o mencionado processo discute matéria de natureza cível (direito das coisas- posse—adjudicação), não estando sequer a União Federal incluída no pólo ativo ou passivo da referida demanda. Nessa perspectiva, de pouco adianta a longa e enfadonha dissertação do contribuinte acerca do trânsito em julgado da ação, eis que em nada lhe beneficia para efeito do tributo compensado. Com efeito, ainda que o contribuinte provasse ser credora da União, o que, repita-se, em nenhum momento ficou comprovado no presente feito, os arts. 368 e 374 do Código Civil não se aplicam no âmbito tributário, pois o crédito tributário, como matéria de interesse público, não pode ser tratado sob a exclusiva ótica do Código Civil, como suposto direito potestativo de proceder ao encontro de contas. Dessa forma, a compensação, no âmbito tributário, deve seguir a regra estabelecido por lei própria. Este regramento específico leva ern conta, justamente, a natureza dos débitos passíveis de extinção mediante compensação, que por ser tributária traz para si o mencionado "interesse público". Logo, imprópria é a pretensão da contribuinte de vincular, apenas, os créditos decorrentes de pagamento indevido às normas mais rígidas do art. 170 do CTN, e excluir, deste âmbito, os créditos de qualquer natureza. Nesse ponto, vale destacar que os créditos de natureza não tributária nunca foram admitidos como passíveis de compensação com tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, ainda mais quando se trata de créditos de terceiros, razão que por si só já é suficiente para manter a decisão de 1" instância. Ademais, com a alteraçao posterior (2002) do art. 74 da Lei n" 9.430/96, nenhum acréscimo se .fez quanto à possibilidade de compensação de créditos de natureza não tributária. Ao contrário, sua utilização permaneceu não autorizada, mas agora por expressa vedação, a partir do momento em que a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito tributário, na ocasião de sua declaração à SRF, nos termos da Medida Provisória n" 66/2002, convertida na Lei n" 10.637/2002. .;?) 24 Processo n" I 0830.006785/2006-17 CCOI/C0 Acórao 0. 0 1101-00.103 Fls. 25 Além disso, posteriormente, a Medida Provisória n" 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n" 10.833/2003, novamente reiterou a impossibilidade de compensação de créditos que não tivessem natureza tributária, mas agora fixando penalidade pela não observância desta regra, em seu art. 18. Ainda, quanto à alegação de que a IN/SRF n" 460/2004 autorizava a compensação com crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, mediante DCOMP transmitida de forma eletrônica, é de se observar que somente após a publicação da 1N/SRF n" 517, de 01/03/2005, passou a ser exigida a prévia habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. De se notar que, desde a edição da IN/SRF n°460/2004, art. 50, já continha expressa determinação no sentido de que o crédito resultante de discussão judicial, além do trânsito em julgado, deveria ser titulado pela interessada na condição de sujeito passivo e contra a Fazenda Nacional, ou seja, ter natureza tributária e ser o próprio. No mérito, é evidente que a informação de crédito próprio na DCOMP é inverídica, assim como não há prova de decisão judicial com trânsito em julgado constituindo o cedente, ou os que o antecederam, em credores da União. Dessa forma, irregular, portanto, a compensação formalizada mediante DCOMP eletrônica, não só com base nos dispositivos legais anteriores à Lei n" 11.051/2004, como antes explicitado, mas também em razão da própria IN SRF n" 460/2004, a qual foi invocada pela contribuinte CM seu favor, mas que, além de expressamente vedar a compensação com créditos de terceiros, remete à DCOMP em papel a formalização de compensações que não possam ser requeridas eletronicamente. Sendo assim, na medida em que inexiste qualquer reconhecimento de direito à compensação no julgado do Superior Tribunal de Justiça, não se verifica afronta aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, ou mesmo desrespeito a decisão transitada em julgado com característica de "coisa julgada material". 25 Processo n° 10830.006785/2006- I 7 CCOI/C0 I Acórdào o." 1101-00.103 Fls. 26 Também, nestas condições, revela-se inócua a referência ao amparo do Superior Tribunal de Justiça à sub-rogação convencional, assim como a perspectiva exposta no sentido de que o Supremo Tribunal Federal venha a admitir a compensação de tributos com precatórios, nos termos do art. 78 do ADCT, sem a existência de lei especifica. Diante do acima exposto, verifica-se que não há qualquer ofensa a direitos e garantias constitucionais, gravados com a condição de cláusula pétrea, mas sim a inobservância, por parte da interessada, dos requisitos legitimamente fixados em lei editada com fundamento no Código Tributário Nacional, recepcionado como lei complementar na Constituição Federal de 1988, e assim hábil a fixar normas gerais de direito tributário, em especial no que tange à obrigação e ao crédito tributário (art. 146, III, "b" da Constituição Federal), onde está inserida a sua forma de extinção. Pelo exposto, mantenho na integralidade a r. decisão recorrida, a qual peço vênia para adotá-la aqui como se minha fosse, e aproveito para render minhas homenagens a Douta Relatora EDELI PEREIRA BESSA, que dissecou a matéria versada nos presentes autos". Quanto ao lançamento da multa de oficio qualificada exigida nos presentes autos, em razão dos procedimentos acima adotados pelo contribuinte, é de se observar que, ao contrário do que pretende demonstrar à contribuinte em sua defesa, restam nos autos provas suficientemente robustas demonstrando a sua conduta dolosa, vez que pretendeu compensar crédito de natureza não tributário e de terceiros via DCOMP eletrônica, ao arrepio da legislação, tentando, com isso, escamotear seu procedimento, justificando-se, portanto, a aplicação da multa no percentual qualificado de 150%. Dessa forma, por restar caracterizado no procedimento fiscal em questão a compensação indevida de tributos devidos pelo contribuinte com crédito de natureza não tributária, e ainda, de terceiros, mediante o procedimento de inserção de elementos falsos quanto ao reconhecimento de crédito próprio por decisão judicial transitada em julgado em ação de compensação tributária, restou caracterizado o evidente intuito de fraude, sujeitando, portanto, o contribuinte à multa isolada aplicável aos lançamentos de oficio qualificada. 26 Processo n" 10830.006785/2006-17 CCOI/C01 Acórão n." 1101-00.103 Fls. 27 Quanto aos efeitos do art. 138 do CTN, é de se observar que para a sua aplicação, cabia ao contribuinte ter providenciado espontaneamente a reversão das compensações por ele efetuadas e seu pagamento antes do início do procedimento fiscal que culminou na não-homologação das compensações e no lançamento da multa de oficio isolada, o que não ocorreu, não podendo desta forma invocar o beneficio da denúncia espontânea. Ou seja, não obstante o contribuinte mencione que constatou erros nos PER/DCOMP transmitidos e, inclusive, pagou parte dos débitos compensados antes do início da ação fiscal, não há registro de pedidos de retificação ou cancelamento das DCOMPs anteriores àquela data. Assim, sendo a DCOMP extintiva do crédito tributário, caso não se providenciasse a decisão administrativa que não-homologou a compensação nela veiculada, poderia a contribuinte argüir a existência de pagamento indevido, com vistas a pleitear sua restituição posteriormente.. Dessa forma, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida que manteve a presente exigência, razão porque, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 17 de junho de 2009 VA n4 . DRI 27
score : 1.0
Numero do processo: 37311.010070/2006-76
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/08/2001, 01/12/2001 a 20/12/2001
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o
pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
CND. É ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das Certidões Negativas de Débito:
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO.
RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS
DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE
PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados toma incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT.
REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a
regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.° 1.422/75 RECEPÇÃO PELA
CONSTITUIÇÃO DE 1988. A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.° 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
SESI E SENAI. Contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados e têm como sujeito passivo o empregador industrial, assim também consideradas as empresas que desenvolvem atividade de construção civil.
SEBRAE. A contribuição destinada ao SEBRAE não é devida apenas por microempresa e empresa de pequeno porte.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de
inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-00.073
Decisão: ACORDAM os membros da 3° Câmara / r Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento nos artigos 150, § 4° e 173, 1 do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o Relator pelas conclusões entendendo que se aplica o artigo 150, § 4° do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/08/2001, 01/12/2001 a 20/12/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. CND. É ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das Certidões Negativas de Débito: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados toma incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.° 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.° 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SESI E SENAI. Contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados e têm como sujeito passivo o empregador industrial, assim também consideradas as empresas que desenvolvem atividade de construção civil. SEBRAE. A contribuição destinada ao SEBRAE não é devida apenas por microempresa e empresa de pequeno porte. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 37311.010070/2006-76
anomes_publicacao_s : 200907
conteudo_id_s : 5698922
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2302-00.073
nome_arquivo_s : 230200073_148977_37311010070200676_023.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 37311010070200676_5698922.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3° Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento nos artigos 150, § 4° e 173, 1 do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o Relator pelas conclusões entendendo que se aplica o artigo 150, § 4° do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
id : 4615641
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932621606912
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-25T20:57:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-25T20:57:13Z; Last-Modified: 2009-08-25T20:57:14Z; dcterms:modified: 2009-08-25T20:57:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-25T20:57:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-25T20:57:14Z; meta:save-date: 2009-08-25T20:57:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-25T20:57:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-25T20:57:13Z; created: 2009-08-25T20:57:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2009-08-25T20:57:13Z; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-25T20:57:13Z | Conteúdo => S2-C3T2 Fl. 560 ¥r4f* Ne -Cly .-11 MINISTÉRIO DA FAZENDA • .1 V CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ‘vieln4‘Nzr, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37311.010070/2006-76 Recurso n" 148.977 Voluntário Acórdão n" 2302-00.073 — 3' Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2009 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente CONFECÇÕES ESPORTIVAS DELL ERBA LTDA. Recorrida DRP/JUNDIA1/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/08/2001, 01/12/2001 a 20/12/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. CND. É ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das Certidões Negativas de Débito: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados toma incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.° 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.° 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) 1 / Processo n°37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n." 2302-00.073 Fl. 561 EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SESI E SENAI. Contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados e têm como sujeito passivo o empregador industrial, assim também consideradas as empresas que desenvolvem atividade de construção civil. SEBRAE. A contribuição destinada ao SEBRAE não é devida apenas por microempresa e empresa de pequeno porte. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 2 Processo n°37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 Fl, 562 ACORDAM os membros da 3° Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento nos artigos 150, § 4° e 173, 1 do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o Relator pelas conclusões entendendo que se aplica o artigo 150, § 4° do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores. Lau4.0.- • LIÉGE LACROIX THOMASI Presidente e Relatora • Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar Silva Vidal (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros (Suplente), Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). i 3 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n." 2302-00.073 Fl. 563 1 Relatório Trata a notificação de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados que prestaram serviço na obra de construção civil do sujeito passivo acima identificado, no período de 07/1996 a 12/2001. Após a apresentação de defesa os autos baixaram em diligência para que fossem esclarecidos os fatos geradores do lançamento. A Informação Fiscal de fls. 448/451, diz que foi constatada a baixa indevida de um terreno do ativo imobilizado da empresa, com uma Certidão Negativa de Débito - CND do INSS, emitida em 21/03/2000, com a finalidade "Outros". Que em 18/05/2000 foi lavrada escritura pública de compra e venda do terreno urbano, sem benfeitorias para o Sr, Roberto Dell'Erba, sócio da empresa. Que consta da escritura que a sociedade exercendo atividade de comercialização de imóveis, declara que o imóvel em questão nunca fez parte de seu ativo permanente. Que lançamento contábil (fls. 379) demonstra a baixa do ativo no valor correspondente ao imóvel. Que em 07/04/2004, por meio . de Alvará de Regularização de Indústria (fls. 381) foi regularizada uma área de 2.429,29m 2, perfazendo um conjunto edificado de 3.848,85m 2 . Que a sociedade usou de artificio pára obter a CND, pois a solicitou pelo seu estabelecimento matriz quando estava inadimplente no estabelecimento filial de CNPJ final /0002-00 de janeiro de 1998 a março de 2000 e a CND foi expedida em 21/03/2000. Que neste estabelecimento filial estava a maior massa salarial da empresa. Conclui a fiscalização que a alienação do imóvel foi desconsiderada porque o sujeito passivo estava inadimplente sem que o débito fosse objeto de discussão administrativa ou judicial, não reunindo condições para tanto. Aduz que a Procuradoria Geral Especializada do INSS foi comunicada desta alienação para tomar as medidas cabíveis e torná-la sem efeito. A notificada foi cientificada da notificação fiscal e apresentou suas razões. Decisão-Notificação de fls. 459/491, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese: a ilegalidade e inconstitucionalidade do depósito prévio, pelo que impetrou mandado de segurança; que não é o sujeito passivo da obrigação tributária haja vista a alienação do imóvel inclusive com registro no Cartório de Registro de Imóveis em 18/05/2000; que a CND apresentada atestava a regularidade fiscal da matriz e filial; que não pode ser aplicado o artigo 116 do CTN, porque não houve regulamentação da norma, que a notificação não possui os requisitos de validade; 51) 4 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n 2302-00.073 Fl. 564 que está sendo tributada duas vezes porque houve o recolhimento da exação pretendida na mesma guia que recolheu a contribuição patronal sobre a integralidade da folha de pagamento; os valores constantes nesta notificação já foram pagos; que a autoridade julgadora não apreciou as alegações de pagamento trazidas aos autos; a decadência quinquenal; a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição para o SAT porque a disposição legal não tipificou a atividade preponderante e o grau de risco de cada atividade e o Decreto não pode dispor sobre isso; a inconstitucionalidade do salário educação; a inconstitucionalidade da SELIC; a inconstitucionalidade da contribuição para o INCRA; a inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição para o SEBRAE; a inconstitucionalidade das contribuições para o SESI e SENAI. Requer a reforma de decisão recorrida para reconhecer a nulidade da notificação, a ilegitimidade passiva da recorrente ou os pagamentos efetuados para reconhecer a improcedência do lançamento. Alternativamente requer seja julgada improcedente em razão da inexigibilidade das contribuições nela constantes ou das inconstitucionalidades e ilegalidades descritas, assim como sejam excluídos os créditos decadentes e a aplicação da SELIC, por ser ilegal e inconstitucional. A DRP ofereceu as contra-razões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. s Processo n°37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n." 2302-00.073 Fl. 565 Voto Conselheira LIÉGE LACROIX TII0MASI, Relatora Sendo tempestivo conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares A recorrente argúi a inexigência do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes - RICC, aprovado pela Portaria n ° 147/2007 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1° e 2° do art. 126 da Lei n 8.212. Refere-se o crédito tributário a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados que prestaram serviço na obra de construção civil, no período de 07/1996 a 12/2001. A Notificação foi lavrada em 28/09/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 10/10/2005. A recorrente argúi a decadência qüinqüenal e com efeito, há que de destacar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei conwlementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantêm-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo 6 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 Fl. 566 das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150„§ 4", 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5" do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § I' do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas . federal, estadual e municipal; bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ••• Art. 2° O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave 7 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 H. 567 insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso 1, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclino-meã tese jurídica na Súmula Vinculante n°08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4°, para as competências até 12/1997, uma vez que comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado neste período: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para o período de 01/1998 a 11/1999, deve ser acatado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, uma vez que os valores devidos não foram objeto de recolhimento previdenciário: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito 8 Processo n" 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdilo n.° 2302-00.073 Fl. 568 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do autuado,. • - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável,. V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurando-lhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto e do artigo 28 da Lei n.° 9.784/1999: Art. 23. Par-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 10.12.1997) 11-por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 10.12.1997) 9 1 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n." 2302-00.073 Fl. 569 III - por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória n" 232, de 2004) Lei n° 9.784, de 29/01/1999 Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vicio que suscite sua nulidade, passando, 'inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 9.12.1993). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/571 I. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente, 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater-se aos fundamentos por elas indicados ". (RESP 946.447-RS -- Min. Castro Meira —2" Turma — DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do Mérito A notificação se refere às contribuições incidentes sobre remunerações pagas a segurados que prestaram serviço na obra de construção civil de propriedade da recorrente que 10 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C31.2 Acórdão n." 2302-00.073 Fl. 570 1 teria sido alienada a um sócio da mesma, mas cujo negócio foi desconsiderado pela fiscalização, já que a recorrente estava em débito com a seguridade social. 1 A recorrente através de suas razões quer que seja reconhecida a validade do negócio jurídico para se eximir do recolhimento das contribuições previdenciárias. Pelos elementos constantes do processo pode-se aferir que a alienação e registro do imóvel se deu de forma irregular e mesmo que a empresa não tenha concorrido para para tanto, é certo que a CND emitida para todos os estabelecimentos ou para o estabelecimento matriz possibilitou que a alienação se concluísse, mas efetivamente a recorrente se encontrava em débito para com a Previdência Social. A Decisão recorrida alude que: "após detida pesquisa aos cadastros, arquivos e legislação do INSS, descobriu-se que ao tempo da emissão da aludida CND em favor da empresa em epígrafe, não obstante juridicamente , implantada, a CND Corporativa ( que abrangia todos os estabelecimentos da empresa), ainda não estava sendo operacionalizada no sistema da Previdência Social, o que pode ter justificado a indevida emissão de tal CND, embora valendo para todos os estabelecimentos da empresa, porém sem o sistema ter feito a pesquisa de débito em todos eles, adstringindo-se ao estabelecimento-matriz, em nome do qual havia sido solicitada a certidão(entenda-se: a empresa havia solicitado CND no Posto do INSS circunscricionante do seu então estabelecimento-matriz)." Entretanto, como também aponta a DN é certo que a Secretaria da Receita Previdenciária, hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil não tem capacidade e competência para tomar o ato jurídico de compra e venda de imóvel nulo. Porém, com a finalidade de nominar o verdadeiro responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias advindas da obra edificada e transacionada, pode desconsiderar a alienação efetuada, com suporte no artigo 116, § único do Código Tributário Nacional: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. • Os dados e elementos constantes do processo e trazidos pela fiscalização acerca da irregularidade na realização do negócio jurídico não foram contrapostos pela recorrente, salvo o que diz respeito à validade da CND para todos os estabelecimentos. Neste particular, é de se notar que o fato de a empresa possuir CND não significa que seja determinante para impedir o lançamento fiscal. A CND emitida pelo INSS não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas relata que no momento da emissão do documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia no instante de emissão de cada CND não havia débitos exigíveis do contribuinte, sendo que no caso em questão, por razão circunstancial, foi levado em conta apenas o estabelecimento matriz da recorrente. Ademais, conforme previsto no art. 47, § 1 0 da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das Certidões Negativas de Débito: JII • •Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 Fl. 571 Art. 47 (..) §1°.4 prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos érglios competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente.(grifei). Portanto, frente ao caráter vinculado da atividade fiscal, artigo 142 do CTN, correto está o lançamento, eis que ao auditar a empresa o fiscal comprovou a falta de recolhimento de contribuições previdenciárias atinentes à obra de construção civil edificada por segurados empregados da notificada: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável,cakular o montante do tributo devido, identificar o stileito passivo e,sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo ÚlliCO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade .funcional. Pela análise da peça recursal também conclui-se que a recorrente admite que a mão de obra utilizada na construção civil era de sua responsabilidade, argüindo que recolheu a exação juntamente com as contribuições normais da empresa. Todavia, tais alegações não forma comprovadas, sendo inócua a assertiva constante do recurso de que a exação está paga, que a NFLD se constitui em bis in idem e que a autoridade de primeira instância não examinou a documentação juntada, pois os autos baixaram em diligência após anexação dos documentos e em diligência fiscal, de fls. 448/451, o auditor diz que não há motivos para retificar o débito. A recorrente foi cientificada de tal informação, fls.453 e aditou seu recurso sem nenhum fato novo que viesse a modificar o lançamento. Os documentos examinados folhas de pagamento e GF1P's, entre outros, foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescenta-se, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de divida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1 2 As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de 12 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 Fl. 572 cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese do não-recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caber-lhe-ia demonstrá-lo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22,11 da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: H - para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 5/e 58 da Lei n°8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n" 9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade labora Uva decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: 13 Processo n" 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdilo n.° 2302-00.073 Fl. 573 I - um por cento para a emp. resa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II - dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou - três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § I" As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2" O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade • § 3" Considera-se preponderante, a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4" A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5" O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto-enquadramento em qualquer tempo. § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n" 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota .fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n° 4. 729/2003) À 14 Processo n° 373 I 1.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 Fl. 574 § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repele-se a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446-SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3° E 4"; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4'; ART. 154, II; ART. 5 0, II; ART. 150, I. I. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7.787/89, art. 3 0, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. - O art. 3 0, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4" da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. - As Leis 7.787/89, art. 3 0, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5 0, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. - Recurso extraordinário não conhecido." Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETO-LEI N" 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. À 15 Processo n° 37311.0 I 0070/2006-76 S2-C3T2 Acerclào n." 2302-00.073 Fl. 575 Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. I' É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2" Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (1BRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI N°4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) - O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) 11 - O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IRRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) III - as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei n" 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneanzento do pais em regiões homogêneas do ponto de vista sócio-económico e das características da estrutura agrária, visando a definir: - as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II - as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e económico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; 111 - as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada,. /16 Processo n° 3731 1.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 Fl. 576 IV - as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atenderás atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica ; vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia .financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por .finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV - Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ••• Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETO-LEI N" 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1" As contribuições criadas pela Lei n°2.613, de 23 de setembro 1955, mantidos nos têrmos dêste Decreto-Lei, são devidas de acárdo com o artigo 6' do Decreto-Lei n" 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2" do Decreto-Lei n" 1.1 10, de 9 julho de 1970: I - Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA: - as contribuições de que tratam os artigos 2" e 5" dêste Decreto-Lei; À 17 Processo n°37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdiio n.° 2302-00.073 Fl. 577 2 - 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3" dêste Decreto-lei. II - Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural - FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3" dêste Decreto-lei. Ari 2°A contribuição instituída no " caput "do artigo 6" da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1" de janeiro de 1971, sendo devida sóbre a soma da filha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas; I - Indústria de cana-de-açúcar; H - Indústria de laticínios; III - Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV - Indústria da uva; V - Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaro çamento de algodão; VI - Indústria de beneficiamento de cereais; VII - Indústria de beneficiamento de café; VIII - Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX - Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA - EMPRESA URBANA - LEGALIDADE - ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF - RECURSO NÃO ADMITIDO - SÚMULA I 68/STJ - AGRAVO REGIMENTAL - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA - MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA - RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. I. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. A 18 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.073 fl. 578 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os .fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratando-se de agravo interno manifestatnente infundado, impõe-se a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2", do Código de Processo Civil. 4.Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifas no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será .financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Com relação à contribuição social ao salário-educação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação, conforme Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: Súmula n" 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário- educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. As contribuições para o SENAI — Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial foram instituídas pelo Decreto-Lei n° 4.048, de 22/01/42, sendo regido ainda pelas seguintes alterações: - Decreto-lei n°4.936, de 07/11/42; - Decreto-lei n°6.246, de 05/02/44; - Decreto-lei n" 1.861, de 25/02/81; 1 19 Processo n° 37311.0 I 0070/2006-76 S2-C3.F2 Acórdâo n.° 2302-00.073 Fl. 579 - Decreto-lei n°1.867, de 25/03/81. O SESI — Serviço Social da Indústria foi instituído através do Decreto-lei n" 9.403, de 25/06/46, sendo ainda regido pela seguinte legislação: - Lei n°4.863, de 29/11/65; - Decreto n°60.486, de 14/03/67; - Decreto-lei n°1.861, de 25/02/81; - Decreto-lei n° 1.867, de 25/03/81. A recorrente, por ser indústria, está vinculada ao FPAS 507, se constituindo em sujeito passivo das contribuições para o SESI e SENAI, de acordo com a legislação que os instituiu: SENAI — Decreto-Lei n.° 6.246, de 05 de fevereiro de 1944: 'A ri. 2". São estabelecimentos contribuintes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial: a — as empresas industriais (grifamos), as de transportes, as de comunicações e as de pesca." SESI — Decreto-Lei n." 9.403, de 25 de junho de 1946: 'A ri. 3" Os estabelecimentos comerciais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (art. 577 do Decreto-Lei n." 5.452, de I" de maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins." Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4fl Região: Tributário — Contribuição ao Sebrae — Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei n°&029/90, na redação dada pela Lei n" 8.154/90) constitui simples majoração das aliquotas previstas no Decreto-Lei n°2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da I" Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.106990-9). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4" R — 2" T — Ac. n" 20 Processo n° 37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão 2302-00.073 Fl. 580 2001.70.07.002018-3 - Rel. Dirceu de Almeida Soares - DJ 9.7.2003 -p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO - PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÓMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8'; § 3'; Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. I 95„§ 4". I. - Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator Conversão dos embargos em agravo regimental. II. - As contribuições do art, 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, IH, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4", CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4". A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. - A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8`; § 3", redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1" do DL 2.318/86, SESL SENAI, À2' Processo n°37311.010070/2006-76 S2-C3T2 Acórdão n.' 2302-00.073 Fl. 581 SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. - Constitucionalidade da contribuição do SER/ME. Constitucionalidade, portanto, do § 3" do art. 8" da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. - Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Ressalta-se, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária" Insurge-se a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal einconstitucional. Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei n° 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n°8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, .ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n°1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n'9.528/97. A atualização monetária lei extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n° 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n" 03, nos seguintes termos. SÚMULA N" 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. j22 Processo n° 373 I I .0 I 0070/2006-76 52-C3T2 Acórdão n." 2302-00.073 Fl. 582 Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei n°8.212/91. " Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, e no mérito nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 09 de julho de 2009 LIÉGE LACROêeiatTHOMASI - Relatora J23 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008940/99-26
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1988 a 31/03/1992
FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
Numero da decisão: 9900-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 22/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1988 a 31/03/1992 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13807.008940/99-26
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5189553
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9900-000.438
nome_arquivo_s : Decisao_138070089409926.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 138070089409926_5189553.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
id : 4511217
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932655161344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 274 1 273 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13807.008940/9926 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.438 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria FINSOCIAL DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PANTANAL CHOPERIA E LANCHES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1988 a 31/03/1992 FINSOCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 89 40 /9 9- 26 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 22/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio PereiraValadão. Relatório A Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 193 a 204, visando a uniformização de decisões, em face dos Acórdãos 0305.523 e 0202.088, da Terceira e Segunda Turmas, respectivamente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido 0305.523 apresenta a seguinte ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a título de Contribuição para o Finsocial coro alíquotas • superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95. Ressalvada a posição desta Relatora, ao entender que somente os pleitos protocolados até a edição do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, que alterou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, devem ser considerados tempestivos. Para configurar a divergência, a recorrente apresentou como paradigma o Acórdão 0202.088, cuja ementa é reproduzida abaixo: ACÓRDÃO PARADIGMA "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data." (CSRF; Segunda Turma; Recurso n° 201121066, Rel. Cons.Henrique Pinheiro Torres, Ac. 0202.088, Sessão de 17.10.2005) O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em juízo de admissibilidade, deu seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por meio do Despacho de fls. 206/207. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.008940/9926 Acórdão n.º 9900000.438 CSRFPL Fl. 275 3 Em seu Recurso Extraordinário, a Fazenda Nacional requer, em síntese, o reconhecimento da decadência do direito à restituição/compensação do FINSOCIAL, uma vez que o contribuinte formalizou o seu pedido quando já havia expirado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Cientificado do Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte ofereceu, tempestivamente, as ContraRazões de fls. 220 a 234, reiterando os argumentos contidos nas peças de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O Recurso Extraordinário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de FINSOCIAL, recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787 e 7.894, ambas de 1989, e 8.147, de 1990. O acórdão recorrido aplica o prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 1995. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja aplicado o prazo de cinco anos, contados da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso da contribuição para o FINSOCIAL), para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13807.008940/9926 Acórdão n.º 9900000.438 CSRFPL Fl. 276 5 de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em síntese, os contribuintes teriam o prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição/compensação. Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido em 13/08/1999, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram até 13/08/1989 não mais são passíveis de restituição/compensação, tendo em vista a ocorrência da decadência. Entretanto, quanto aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 13/08/1989, estes são passíveis de restituição/compensação. Diante do exposto, DOU provimento PARCIAL ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para AFASTAR a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 13/08/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000488/2005-15
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE GASTOS.
A dedução de despesas relativas à atividade rural fica restrita a gastos necessários à atividade, devidamente escriturados em livro Caixa e comprovados por documentação hábil, bastante para caracterizar a efetividade da despesa.
MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE.
Nos temos do art. 44. I, da Lei n° 9.430/1996, aplica-se a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A aplicação de tal multa decorre de
lei em vigor e deve ser observada pela Autoridade Fiscal no lançamento de oficio. Inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal, uma vez que a multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula 1° CC n° 4.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-000.192
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso Interposto, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SIDINEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200908
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 IRPF. ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE GASTOS. A dedução de despesas relativas à atividade rural fica restrita a gastos necessários à atividade, devidamente escriturados em livro Caixa e comprovados por documentação hábil, bastante para caracterizar a efetividade da despesa. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. Nos temos do art. 44. I, da Lei n° 9.430/1996, aplica-se a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A aplicação de tal multa decorre de lei em vigor e deve ser observada pela Autoridade Fiscal no lançamento de oficio. Inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal, uma vez que a multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula 1° CC n° 4. Recurso negado.
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 18471.000488/2005-15
anomes_publicacao_s : 200908
conteudo_id_s : 6362492
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Apr 11 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2801-000.192
nome_arquivo_s : 280200192_158727_10140003027200364_006.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : SIDINEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 18471000488200515_6362492.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso Interposto, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
id : 4615229
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932658307072
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:51:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:51:44Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:51:44Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:51:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:51:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:51:44Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:51:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:51:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:51:44Z; created: 2010-04-05T15:51:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-04-05T15:51:44Z; pdf:charsPerPage: 1832; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:51:44Z | Conteúdo => 52-TE02 FL 1.290 MINISTÉRIO DA FAZENDA );* .isés2,491k e" CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS JONA '` SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n 0 10140.003027%2003-64 Recurso n° 158.727 Voluntário Acórdão n° 2802-00.192 - 2 a Turma Especial Sessão de 01 de dezunbro de 2009 Matéria IRPF Recorrente - VICTÓRIO ROMAN1NI NETO Recorrida r TURMA/DEI-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 TREF. ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE GASTOS. A dedução de despesas relativas à atividade rural fica restrita a gastos necessários à atividade, devidamente escriturados em livro Caixa e comprovados por documentação hábil, bastante para caracterizar a efetividade da despesa. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. Nos temos do art. 44. I, da Lei n° 9.430/1996, aplica-se a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A aplicação de tal multa decorre de lei em vigor e deve ser observada pela Autoridade Fiscal no lançamento de oficio. Inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal, uma vez que a multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilicito, não se revestindo das características de tributo. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratónos incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula 1° CC n° 4. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDsAM os membros do Colegiada por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso Interposto, nos termos do voto do Relator. \--" — Processo o° 10140.00302712003-64 S2-TE02 Acórdão n4 2802-00.192 Fl. 1.29: ÇO-L44PS' VALÉRIA PES iÇANA MARQUES - Presidente ' SIDNEY FEXROSARROS - Relator f \ EDITADO EM: 1 7 MAR \\.) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (titular da 1" TUntla Ordinária da 2' Câmara, como Suplente convocado), Ana Paula Locoselli Erichsen, Pedro Paulo Pereira Barbosa (titular da l a Tunna Ordinária da r Câmara, como Suplente convocado), Sidney Ferro Danos e Valéria Pestana Marques (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Nogueira Nicácio. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração c anexos de fls. 1.165/1.224 para a exigência de IRPF em face de glosa de despesas da atividade rural, o que resultou numa exigência de R$ 28.257,59 mais acréscimos de estilo, num total de RS 67.163,94, por ocasião da lavratura. Impugnando a exigência, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1.231/1.238, na qual alinhou as seguintes razões, em síntese: a) Que atendeu todas as intimações fiscais, tendo ainda, no preenchimento de seu Livro Caixa, observado o disposto no art. 60 do RIR; b) Que apresentou todos os documentos solicitados, descabendo a afirmação da auditora fiscal de que seus documentos estavam "bastante desorganizados"; c) Que a auditora exigiu a comprovação dos pagamentos constantes da relação de recibos; d) Que explicou à autoridade fiscal que tais recibos foram pagos em moeda corrente porque as propriedades rurais ficavam em zona rural, e o contribuinte não mantinha conta bancária nas cidades próximas às suas fazendas, além de não ser comum fazer pagamentos em cheques a prestadores de serviços fornecedores de insumos; c) Que, ao exigir cópias de cheques, recibos com identificação jurídica etc, a autoridade fiscal está fazendo confusão na personalidade jurídica, fazendo exigências que só seriam cabíveis a empresas; 2 Processo ri' U)140.003027/2003-64 S2-1 F.02 Acórdão n.° 2802-00.192 E. 1.292 O Que todos os gastos realizados e constantes de seu Livro Caixa conferem, uma vez que através de seu procurados e contador fez a revisão e conferiu todos os lançamentos, juntamente com a auditora fiscal; g) Que gostaria de saber por que a autoridade fiscal exigiu a comprovação do valor de RS 523.948,01 e fez a glosa de RS 747.757,49, ou seja, de quase todas as despesas de custeio e investimentos rurais realizados e efetivamente pagos; h) Que todos os gastos realizados o foram para ambas as fazendas do contribuinte, sendo impossível separar as despesas por "centros de custos" como exigiu a auditora; i) Que mantinha um pequeno escritório cio sua residência (Campo Grande- MS). -parai administração - de suas fazendas, o que também gerou pequenos custos inerentes à sua atividade de produtor rural; j) Que também não se justifica a glosa das despesas de viagens de Campo Grande (MS) para suas fazendas em Barra dos Bugres (MT), uma vez que a distância que separa os dois municípios é de quase 900 km; k) Que a multa aplicada é confiscatória, sendo inconstitucional a sanção; I) Que é indevida a utilização da SELIC. A decisão recorrida, contudo, declarou procedente o lançamento. Concluiu não estarem devidamente comprovados os gastos com a atividade rural deduzidos. Não aceitou a dedução de gastos com combustíveis de veicules não utilizados diretamente na atividade nem de despesas havidas fora da área rural. Irresignado, o contribuinte apresenta o recurso de fls. 1.268/1.280, por meio da qual traz as seguintes razões, em síntese, além de reprisar razões de mérito apresentadas na impugnação sobre a correção de sua declaração e a efetividade dos gastos que a fiscalização não aceitou: A— DESVALIA JURÍDICA DA AUTUAÇÃO 1. Que um relato detalhado de todas as justificativas do ora Recorrente consta do acórdão (fl. 1.250/1.252), mas nada foi considerado e acolhido; Que adotou-se a máxima: "ou prova que não deve ou paga o que sabe não ser devido";; Que, pela documentação anexada, a legislação tributária vigente foi, sim, inequivocamente observada; IV. Que, bem analisada a documentação existente no processo, será simples concluir que nada houve de errado ou de ilegal; V. Que não se observou o principio da tipicidade e que, no caso, não se pode querer tributar o Recorrente por presunção; L 3 ( ------- ;, Processo n° 10140.00302712003-64 S2-TE02 1 Acórdão n.° 2802-00.192 Fl. I .293 VI. Yil. Que é vedada a interpretação extensiva ou ampliativa, até para se evitar séria violação do direito constitucional de propriedade; Que também discorda do acórdão recorrido quando este autoriza a auditora fiscal a julgar se as despesas em questão são elevadas ou não, especialmente por que não há no Brasil regulamento ou lei que estabeleça média mínima ou máxima de investimentos ou despesas de custeio com a atividade rural; i VIII. Que mantinha saldo suficiente em caixa para cumprir com o pagamento dos gastos; IX. Que a multa é confiscatória e desarrazoada, conforme argumentos que reprisa e aduz, bem como inadequada a cobrança da SELIC, além de terem sido cobrados de forma cumularia atualização monetária, multa moratória e juros moratórios, inclusive porque o Decreto e 22.626/33 proibiu a cobrança de juros superiores a 12% ao ano, sendo certo que a Lei n° 1.521/51 criou tipo penal que recrimina a cobrança de juros acima da taxa legal. É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Dele i conheço. Tudo decorreu da glosa de diversas despesas da atividade rural que a exatora considerou indedutiveis, em geral, por ineficiente comprovação. I Os documentos e respectivos valores glosados estão detalhados no demonstrativo intitulado "Justificativa de Glosa" de fls. 1.171/1 222 q_que_deveria-ser-4-norte----1-- para o interessadodesfazer a imposição-fiscal.-SimipoisTem u—II—uações da espécie, somente a prova de queu—s clisj5endios glosados seriam dedutiveis poderia desconstituir a exigência. i Por partes. Diz o art. 60 do RIR/1999: I "Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integrara a atividade (Lei n°9250, de 1995, art. 18). i § l' O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas i e das despesas escrituradas no Livro Caixa mediante documentação idónea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscali-acão. enquanto não il „ 4\.` • I — Processo n°10140.003027/2003-64 52-TE02 Acórdão 14? 2802-00.192 FL 1.294 ocorrer a decadência ou prescrição (Lei n°9.250, de 1995, art. 18, ,5Ç .." [grifei] Prossegue o RIR/1999, agora em seu art. 62: Art. 62. Os investimentos serao considerados despesas no mês do pagamento (Lei n°8.023 de 1990, art. 4°, ,sÇÇ J°€ 29. .5' I° As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. 'l [grifei] Ora, á semelhança do que se verifica quando custos ou despesas operacionais de empresas são questionadas pelo Fisco, também neste caso é ônus do contribuinte — por expressa disposição legal consolidada no Regulamento — comprovar a veracidade, necessidade e efetividade dos gastos cuja dedução leva a efeito em sua declaração. Obvio que o fato de ser a tributação da atividade rural regida por regras próprias, favorecidas, impõe ao contribuinte deveres adicionais quanto ao zelo que deve •observar em matéria de prova. No caso sob foco, verifica-se que nada trouxe em seu apelo, o Recorrente, que pudesse tornar improcedente o lançamento. Assim, adoto como se por linha aqui transcritas estivessem, as razões que levaram a decisão recorrida a concluir pela não-validade dos documentos glosados (fls. 1.255/1.257). Com isto, deixo de acolher a afirmação do interessado segundo a qual "bem analisada a documentação existente no processo, será simples concluir que nada houve de errado ou de ilegal", A meu ver, houve, sim, comprovação inadequada, o que justifica as glosas. Quanto ao mais que se alega, tomo por desprovido de razão a alegação de que não se teria observado o principio da tipicidade e que "não se pode querer tributar o Recorrente por presunção"; de vez que presunção nenhuma foi aplicada in casta. Não há que se falar em presunção quando o tema é glosa de despesas porque baseadas em documentação que não a comprove adequadamente. Também concluo pela inexistência de "integmetaçâo extensiva ou ampliativa", que in cauí tenha violado o direito constitucional de propriedade, pois o que se fez foi, apenas, aplicar a norma de regência, antes citada, para glosar as despesas. De outro lado, discordo de que o acórdão recorrido tenha "autorizado" [sic] a auditora fiscal a julgar se as despesas em questão são elevadas ou não. A menção a gastos elevados vem apenas em reforço à imperiosa necessidade de comprovação, mero reforço de argumento, sem que nenhum parâmetro de valor tenha sido empregado pela exatora, o que, de fato, não teria nenhum respaldo legal. Não foi o caso, com a devida vênia. 5 n — —1 i Processo a° 10140.003027/2003-64 S2-TE02 Acórdão ri.° 2802-00.192 Fl. 1.295 Finalmente, ainda no mérito da acusação, o fato de o contribuinte manter saldo suficiente em caixa para cumprir com o pagamento dos gastos e afinnação dissociada dos fatos, pois não se questionou inexistência de fundos para pagamento das despesas, mas, sim, a materialidade e efetividade destas. Sobre alegações de confisco, não obstante haja opiniões de relevo condenando a multa, entendo não poderem ser aqui acatadas. Temos aqui a aplicação regular de penalidade que decorre de lei em vigor, de observância obrigatória pela Autoridade Fiscal no lançamento de oficio. Ademais, perfilho a tese de que a multa constitui penalidade aplicada como i sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo — assim, inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. Aduza-se, quanto ao reclamo acerca dos juros, que a partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula 1° CC ti l 4. Inexiste, ademais, anatocismo in casu, pois observada a aplicação não-capitalizada da taxa, nos termos da legislação de regência. i' Assim e portodas essas razões, nego provimento ao recurso. 1 SIDNEY FEI20 5e 1 ', , 1 n . I 1 n n j i / — i i I 6 i I i' ,
score : 1.0
Numero do processo: 10166.004352/2007-80
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$2.907,84 (dois mil, novecentos e sete reais e oitenta e quatro centavos) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:21/2/2013
Participaram, do Presente Julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Recurso provido em parte.
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10166.004352/2007-80
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5189248
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-001.749
nome_arquivo_s : Decisao_10166004352200780.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10166004352200780_5189248.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$2.907,84 (dois mil, novecentos e sete reais e oitenta e quatro centavos) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM:21/2/2013 Participaram, do Presente Julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4508636
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932688715776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 596 1 595 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.004352/200780 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.749 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de julho de 2012 Matéria IRPF Recorrente MENELAU AUGUSTO DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer R$2.907,84 (dois mil, novecentos e sete reais e oitenta e quatro centavos) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:21/2/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 43 52 /2 00 7- 80 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram, do Presente Julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a apuração de Deduções Indevidas a Titulo de Despesas Médicas. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0324.210, de 20 de fevereiro de 2008, que se encontra às fls. 74/76, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, por documentação hábil e idônea, dos valores informados a título de dedução de despesas médicas importa na manutenção da glosa. Lançamento Procedente A ciência de tal julgado se deu por via postal em 28/03/2008, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 78). À vista da decisão, foi protocolizado, em 24/04/2008, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 79/80, no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, concorda com a glosa do valor de R$2.090,84, (plano de saúde de seus filhos. Quanto ao valor de R$2.907,84, assevera que tratase de valor relativo ao seu plano de saúde e da sua dependente ADNILRA DIA DE ALMEIDA.Reapresenta os documentos já ofertados em Primeira Instância. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso de fls.79/80 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fls. 78 protocolo de recepção aposto à fl. 79. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. . Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.004352/200780 Acórdão n.º 2802001.749 S2TE02 Fl. 597 3 Pelo que consta nos autos, constatase que o interessado concorda com a glosa do valor de R$ 2.090,84. No momento, permanece em litígio apenas R$2.907,84, parte da glosa de despesas médicas. Como se depreende do texto legal (Art. 8º, § 2º II) , para fins de dedução de despesas médicas exigese que os pagamento sejam realizados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes. Analisando os autos constatei que na DIRPF , apresentada pela recorrente consta como dependente a Sra. ADNILRA DIA DE ALMEIDA. Assim, considerando os documentos de fls. 91/115 e por entender razoável o valor de R$2.907,84, como pagamento de plano de saúde do recorrente e de sua dependente, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora . Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19706.000083/2007-01
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 23/03/2006
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.086
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/03/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 19706.000083/2007-01
anomes_publicacao_s : 200907
conteudo_id_s : 6289272
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 03 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-000.086
nome_arquivo_s : 230200086_149342_19706000083200701_005.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Marco André Ramos Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 19706000083200701_6289272.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
id : 4615423
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932704444416
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-14T15:52:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-14T15:52:59Z; Last-Modified: 2009-10-14T15:52:59Z; dcterms:modified: 2009-10-14T15:52:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-14T15:52:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-14T15:52:59Z; meta:save-date: 2009-10-14T15:52:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-14T15:52:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-14T15:52:59Z; created: 2009-10-14T15:52:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-10-14T15:52:59Z; pdf:charsPerPage: 1312; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-14T15:52:59Z | Conteúdo => S2-C3T2 Fl. 243 oe 04, r"":- .• • :' MINISTÉRIO DA FAZENDA • . -,:n; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , 7 ""44.1.Zr SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19706.000083/2007-01 Recurso n° 149.342 Voluntário Acórdão n° 2302-00.086 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2009 Matéria Auto de Infração. Dirigente Recorrente RONALDO DE ANDREA Recorrida DRP/CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/03/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449 de 2008. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , Processo n° 19706.000083/2007-01 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.086 Fl. 244 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator LIÉGE L2 CRODC THOMASI Presidente ,.,......., ..., ...., OS WEIRA Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar Silva Vidal (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros (Suplente), Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). 2 Processo n° 19706.000083/2007-01 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.086 Fl. 245 Relatório Refere-se o presente a auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude de na condição de dirigente da Câmara Municipal de Nioaque, ter entregue as GFIP referentes às competências janeiro de 2003 a dezembro de 2004 sem incluir todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, fls. 10 a 12. O autuado não apresentou defesa administrativa, fls. 21. Foi emitida a Decisão-Notificação (DN), fls. 22 a 25, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pela unidade descentralizada da Receita Previdenciária interpôs recurso, fls. 30 a 31, em síntese alega o seguinte: Que não foi conferida notificação pessoal ao recorrente, o que ocasionou o cerceamento de defesa; Não houve infração, pois todos os recolhimentos foram realizados; Requerendo que seja provido o recurso interposto. Juntadas cópias às fls. 32 a 229. Contra-razões apresentadas pelo órgão previdenciário às fls. 232. A unidade descentralizada da Receita Previdenciária argumenta, em síntese, que não foram apresentados novos argumentos capazes de ocasionar a reforma da decisão recorrida. Decisão proferia pela 2a Câmara' do CRPS, fls. 233 e 234, converteu o julgamento em diligência, devendo a unidade descentralizada da SRP apensar este auto de infração à Notificação Fiscal conexa ou caso a referida NFLD já tenha sido quitada ou tenha sido parcelada, ou já esteja inscrita em Dívida Ativa, deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. Foi prestada informação à fl. 238; cientificado do resultado da diligência, o autuado não se manifestou. É o relatório. • Processo n° 19706.000083/2007-01 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.086 Fl. 246 Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, pressuposto superado passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n o 449 de 2008. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. • Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "h" do CTN. A Medida Provisória n ° 449, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descurnprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente da MP n ° 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. ,) 4 ,. , . Processo n° 19706.000083/2007-01 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.086 Fl. 247 Além do mais, a MP n ° 449 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o Chefe do Executivo por meio de Medida Provisória, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juizo de valor. CONCLUSÃO . Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. . Sala das Sessões, em 09 de julho de 2009 1.17011111n11. 11,PI, . ... iiir ,./ 40p ` " "!5..,,.1'•ir- - - 4. ii,,-- .- d 'fi ''' ri ".''r VIEIRA - Relator 11 L )' _
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001594/2008-33
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS.
As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
.
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13005.001594/2008-33
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200604
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.754
nome_arquivo_s : Decisao_13005001594200833.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 13005001594200833_5200604.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. . EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
id : 4538993
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932719124480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.001594/200833 Recurso nº 500.946 Voluntário Acórdão nº 3102001.754 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2013 Matéria Ressarcimento Cofins Recorrente BALDO S.A. COMERCIO, INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AGROINDÚSTRIA. CONTRIBUIÇÕES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS. VENDA SEM SUSPENSÃO. CRÉDITOS BÁSICOS. As pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos especificados no texto da Lei 10.925/04, destinadas à alimentação humana ou animal têm direito a deduzir crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins nas compras efetuadas com suspensão das Contribuições, inclusive de pessoa jurídica que realiza atividade agropecuária. Nas compras realizadas sem a suspensão das Contribuições, de empresas que não realizam atividade agropecuária, deve ser reconhecido o direito de apuração de crédito básico. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 15 94 /2 00 8- 33 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento eletrônicos transmitidos pela contribuinte em 24/10/2006 e 30/01/2007 relativos a valores de COFINS nãocumulativa (mercados externo e interno) referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2006, onde foram apurados créditos no montante total de R$ 1.076.370,66, conforme documentos de fls. 01/14. A SAFIS da DRF de origem adotou procedimentos para confirmação da legitimidade do crédito pleiteado, efetuando a necessária fiscalização, emitindo Termo de Intimação Fiscal e procedendo às verificações entendidas cabíveis, tendo sido produzido o Relatório de Ação Fiscal de fls. 27/34, com os demonstrativos de fls. 35/40, onde, em especial, assentou o agente fiscal: Da análise dos documentos e registros apresentados pela empresa foram verificadas irregularidades no preenchimento de determinadas linhas das DACON, que ocasionaram divergências entre os valores de crédito apurados pela empresa e os valores de créditos calculados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, doravante denominado AFRFB. (fl. 27) Foram excluídos dos valores informados pela empresa nesta linha da Dacon, os montantes referentes a aquisições de soja e ervamate, demonstrados na tabela abaixo, obtidos da planilha demonstrativa das compras destes produtos no período fiscalizado (...) apresentada pela empresa à fiscalização (...). Estes valores foram excluídos da Linha 02 da Ficha 16A da Dacon em razão de que compras de produtos agropecuários (soja e ervamate) são geradoras de crédito presumido, sendo que nesta linha são informados os valores geradores de crédito básico. Isto porque, da análise das informações prestadas pela empresa referentes à composição dos valores informados na linha 02 da Dacon no período de agosto/2006 a setembro/2007, verificouse que foram incluídos valores de aquisição de produtos agropecuários (soja e ervamate). Este procedimento não se harmoniza com o disposto na IN SRF n° 660, de 17 de julho de 2006, normatizadora da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, que instituiu o crédito presumido e que determina, em seu art. 2°, inc. IV, que as vendas de produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos elencados em seu art. 5°, inc. I, sejam efetuadas com suspensão da exigibilidade da contribuição da COFINS, e, em razão desta suspensão nas operações de venda, a empresa agroindustrial que os adquire poderá descontar crédito presumido, à alíquota de 35% (sobre as compras de soja, até junho/2007, e ervamate em todo o período) e 50% (sobre as compras de soja, a partir de Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102001.754 S3C1T2 Fl. 3 3 julho/2007) da alíquota normal da COFINS [7,6%], na determinação do valor da contribuição apagar. (fls. 28/29) (...) as compras de produtos agropecuários, sejam de pessoas físicas ou jurídicas, geram crédito presumido, em razão de que adquiridas por empresa que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da contribuição para a COFINS, tendo estes produtos servidos de insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade da COFINS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. (fl. 30) À fl. 42 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS n° 379, de 23/10/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando o Relatório de Ação Fiscal, resolveu: a) reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte frente à Fazenda Pública da União, no montante de R$ 82.415,41 (oitenta e dois mil, quatrocentos e quinze reais e quarenta e um centavos), referente à Cotins não cumulativa exportação do 3° e 4° trimestres de 2006 e não reconhecer o direito creditório referente à Cotins nãocumulativa mercado interno do 3° trimestre de 2006; b) homologar as compensações declaradas e juntadas ao presente processo até o limite do crédito reconhecido anteriormente. Determinou fosse a contribuinte cientificada da decisão exarada, bem como da possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade relativamente àquela decisão. A contribuinte foi cientificada em 05/11/2008 — AR de fl. 44. Foram anexados novos PER/DCOMPs, informando compensações. Em 03/12/2008 a contribuinte apresentou, através de procurador, a manifestação de inconformidade de fls. 102/118, argüindo o que, em síntese, está exposto a seguir: DOS FATOS E DO DESPACHO DECISÓRIO ATACADO • a empresa foi intimada de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o seu direito ao ressarcimento de créditos de COFINS por operações de exportação realizadas no 30 e 40 trimestres de 2007 (sic); • o reconhecimento parcial do crédito está sustentado no entendimento de que a empresa não teria direito à utilização daqueles na forma prevista pelo art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003 (bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bem ou produtos destinados à venda) quando da aquisição de soja e ervamate; • o direito da empresa seria apenas à utilização do crédito presumido previsto nos arts. 8°, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, eis que tanto a soja quanto a erva mate seriam produtos agropecuários, na forma do art. 2°, IV, da IN SRF n° 660, de 2006; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 • sua manifestação de inconformidade busca a reforma do Despacho Decisório e o conseqüente reconhecimento, em sua integralidade, do direito creditório pleiteado. RAZÓES DE REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO RECORRIDO • a questão em análise está centrada, única e exclusivamente, no tratamento conferido pela autoridade fiscal aos créditos oriundos das aquisições de soja e erva mate efetuadas pela empresa; • se tratados como produtos agropecuários destinados à fabricação dos produtos referidos no art. 5°, I, da IN n° 660, de 2006, as aquisições de soja e erva mate confeririam ao seu adquirente o direito ao lançamento de crédito presumido calculados à razão de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente, sobre o valor das aquisições. Se tratados na regra geral de insumos, prevista no art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, as mesmas aquisições confeririam à empresa o direito ao lançamento de crédito integral, calculado à razão de 7,6% sobre o valor das aquisições. Transcreve parte do Relatório de Ação Fiscal; • conclui que o procedimento adotado pelo Fisco redundou na redução dos créditos pleiteados pela empresa, vez que o cálculo dos créditos presumidos é feito com base na aplicação de alíquota substancialmente menor do que aquela utilizada na apuração dos créditos previstos no art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Dos CRÉDITOS PRESUMIDOS EM MATÉRIA DE PIS E COFINS — ANÁLISE DOS MOTIVOS QUE LEVARAM À SUA INSTITUIÇÃO • traça arrazoado acerca da instituição da sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, estabelecida pelas Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, referindo à legislação, às alterações introduzidas na sistemática e à tentativa de neutralizar os custos suportados pelas pessoas físicas que atuam nos ramos da agricultura e da pecuária. Cita a Lei n° 10.925, de 2004 (posteriormente alterada pela Lei n° 11.051, de 2004), transcrevendo o art. 8º; • entende que a Lei citada, assim como previu a possibilidade de utilização do crédito presumido de PIS e de COFINS quando da aquisição de insumos de pessoas fisicas ou • Cooperado pessoa física, instituiu, também, o direito de aproveitamento do mesmo crédito quando da aquisição de insumos de pessoas jurídicas que exerçam as atividades de agropecuária e/ou de cerealista; • em contrapartida, a Lei determinou a suspensão da cobrança do PIS e da COFINS nas vendas realizadas por aquelas pessoas jurídicas desde que o adquirente apurasse o IR com base no lucro rela, exercesse a atividade agroindustrial (o que deveria ser comprovado mediante a apresentação de declarações) e utilizasse o produto adquirido com suspensão na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal ou classificados no código 22.04 da NCM. Fala sobre esta forma de apuração de créditos. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÓES DE ERVAMATE CANCHEADA • o Fisco entendeu pela glosa de todos os valores que excederam ao cálculo do crédito presumido de 35% do montante da alíquota da COFINS, donde, ao invés de reconhecer o direito da empresa ao lançamento de um crédito integral, calculado mediante a aplicação do percentual de 7,6% sobre as aquisições de ervamate, permitiu apenas o aproveitamento de créditos da contribuição limitados a 2,66% da compras de tal produto; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102001.754 S3C1T2 Fl. 4 5 • a justificativa do Fisco para a limitação do direito creditório pleiteado está única e exclusivamente na aplicação do art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, que determina a suspensão da contribuição na venda dos produtos agropecuários que sejam utilizados como insumos na fabricação dos produtos relacionados no art. 5°, I, daquele diploma infralegal; • passa a esclarecer as atividades exercidas pela empresa no que tange à compra de insumos e a posterior fabricação de ervamate; • a análise das notas fiscais que deram origem ao crédito de PIS e COFINS cujo ressarcimento ou compensação com outros tributos era pleiteado pela empresa demonstra, sem margem a dúvidas, que os produtos por si adquiridos eram classificados como ervamate cancheada (código NCM 09.03.0010), ou seja, aquela adquirida de produtores rurais e submetida ao processo de trituração das folhas de ervamate que precede a sua industrialização; • há de ser analisado se está correto o enquadramento da ervamate cancheada na hipótese prevista no art. 2°, IV, da IN n° 660, de 2006, assim como a necessidade de aplicação da regra de lançamento de créditos presumidos quando da aquisição de tal produto em detrimento do crédito integral garantido pelo art. 30, II, da Lei n° 10.833, de 2003; • a primeira inconsistência da tese defendida pelo Fisco para imposição do lançamento de apenas créditos presumidos quando da aquisição de ervamate cancheada está na classificação desta como produto agropecuário. A atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1 0, II, da IN n° 660, de 2006, é aquela consistente do cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.023, de 1990. No caso em tela, a ervamate cancheada não pode ser considerada um produto agropecuário, à medida que se trata de produto resultante da atividade de extrativismo; • não tendo a ervamate cancheada origem no cultivo da terra, vez que suas folhas são extraídas de árvores pertencentes a reservas naturais em que não houve a atuação do homem (como ocorre em qualquer outra atividade de extrativismo mineral, como a obtenção de carvão, água, petróleo), suas vendas não devem se submeter à regra de suspensão da incidência do PIS e da COFINS e, conseqüentemente, as despesas com sua aquisição geram direito ao crédito das contribuições na forma prevista nos arts. 30, II, das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • o Poder Executivo caracterizou a atividade agropecuária como sendo a atividade econômica de cultivo da terra e/ou criação de aves, peixes e outros animais, donde o produto agropecuário a ser vendido com suspensão da incidência de PIS e COFINS haverá de ser aquele decorrente do exercício daquela atividade; • o ponto nevrálgico da presente discussão é que os créditos lançados pela empresa de maneira integral, tendo como base o disposto nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, não obstante decorrentes da aquisição de ervamate (em tese, um produto agropecuário), não tem como origem uma venda realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária; • o fluxo de produção da ervamate passa por diversas fases até chegar a industrialização propriamente dita. A empresa inicia a sua atividade de industrialização após promover a aquisição da ervamate cancheada, ou seja, aquela que já passou pelo processo de sapeco, secagem e cancheamento; Fl. 433DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 • se a ervamate cancheada fosse adquirida de pessoa física ou jurídica que promovesse o cultivo direto da terra, não haveria dúvidas sobre a necessidade de aproveitamento do crédito presumido. Mas, no caso concreto, a ervamate cancheada é adquirida de pessoasjurídicas que não promovem o cultivo da terra, vez que compram a ervamate de terceiros. Estes, geralmente pessoas físicas, são os que efetivamente promovem a extração da ervamate e repassam a outras pessoas jurídicas para a realização das demais etapas da cadeia produtiva; • no caso concreto, não houve a aquisição de produtos agropecuários beneficiados com a suspensão de PIS e COFINS sobre as receitas auferidas com suas vendas. Isso porque, ao contrário do que entendeu o Fisco, a ervamate cancheada comprada pela manifestante e que de origem aos créditos glosados foi fornecida por pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, eis que não promovem o cultivo da terra e/ou a criação de aves, peixes e outros animais; • só poderia ter sido promovida a restrição ao direito de crédito caso as aquisições tivessem sido promovidas diretamente daqueles que promovem a extração da ervamate. A existência de uma terceira pessoa, que se insere na cadeia produtiva entre o produtor primário e a pessoa jurídica responsável pela industrialização da ervamate com vistas a realizar uma das etapas de tal processo, impede a incidência da norma de suspensão da incidência das contribuições e, conseqüentemente, torna impossível o aproveitamento do crédito presumido previsto na legislação; • as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa, jamais foram feitas com suspensão de PIS e COFINS prevista na legislação para as hipóteses de vendas realizadas por pessoas jurídicas que exercem atividades agropecuárias. Sempre houve a incidência das contribuições sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas vendedoras, com o conseqüente direito ao crédito das contribuições para as adquirentes; • não poderia ser outro o procedimento adotado pelos produtores de ervamate cancheada, porquanto, se pretendessem promover a venda com suspensão da incidência das contribuições, seria absolutamente fácil para o Fisco, a partir do confronto entre as notas fiscais de entrada de ervamate e de saída de ervamate cancheada, comprovar que o exercício da atividade agropecuária estaria concentrado apenas naquele que efetuou a extração vegetal, não se alastrando para a pessoa jurídica que alterou as condições do produto in natura; • a empresa buscou junto aos seus fornecedores de ervamate cancheada declarações de que não executam o cultivo da terra ou atividade extrativa vegetal, de que adquirem de terceiros as folhas e galhos de ervamate utilizada na produção da ervamate cancheada que lhe é vendida e, ainda, de que calculam e recolhem o PIS e a COFINS sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada. Relaciona as empresas e entende serem válidas as declarações; • caso a DRJ repute não serem suficientes os elementos de prova trazidos aos autos, poderá converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos que julgar necessários; • a empresa não poderá ser prejudicada com a suspensão de seus créditos se, ao mesmo tempo, os fornecedores de ervamate cancheada não forem beneficiados com a suspensão de incidência das contribuições. Tendo havido o pagamento do PIS e COFINs na etapa anterior da cadeia produtiva, deve ser reconhecido o crédito em favor do adquirente, sob pena de se colocar à lona a nãocumulatividade almejada pelo legislador; • prova cabal da incidência das contribuições sobre as receitas auferidas com as vendas de ervamate cancheada efetuadas para a empresa está no fato desta última Fl. 434DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102001.754 S3C1T2 Fl. 5 7 jamais ter cumprido a exigência constante do art. 40 da IN n° 660, de 2006, no sentido de emitir declarações que pudessem sustentar a venda de insumos para sua produção com suspensão de PIS e COFINS. Não tendo assim procedido, resta evidente que as pessoas jurídicas vendedoras, pela ausência de cumprimento das claras condições estabelecidas na legislação, haveriam de tributar normalmente as vendas, sob pena de posterior autuação por parte do Fisco Federal; • o fato da não expedição das declarações é impossível de ser comprovado pela empresa, vez que se tem, em tal hipótese, a caracterização precisa daquilo que tecnicamente é conhecido como prova negativa; • se o entendimento da empresa não for respaldado pelo DRJ, se estará diante de manifesta ofensa ao princípio da separação dos poderes, fundamental para a manutenção de um Estado Democrático de Direito, porquanto terão as autoridades administrativas responsáveis pela análise do crédito em questão, com a chancela da DRJ, criando nova hipótese de suspensão da incidência do PIS e da COFINS sem o respaldo de qualquer dispositivo legal; • estarseá definindo, pois, a possibilidade de duas suspensões de incidência das contribuições na mesma cadeia produtiva, sendo que apenas uma das vendas (a primeira, de ervamate in natura) é efetivamente realizada por pessoa fisica que exerce atividade agropecuária, uma vez que a segunda (de ervamate cancheada) é promovida por pessoa jurídica QUE NÃO TRABALHA NO CULTIVO DA TERRA, POIS A ERVAMATE CANCHEADA É RESULTADO DE PROCESSO APLICADO SOBRE VEGETAL CUJA EXTRAÇÃO FOI PROMOVIDA POR TERCEIROS; • conclui ser manifesto o desacerto do Despacho Decisório atacado, devendo os créditos que foram transferidos pelo Fisco da linha 02 para a linha 26 da DACON voltar a sua origem, recalculandose o montante de crédito passível de ressarcimento a que faz jus a empresa em razão da aquisição de ervamate cancheada de fornecedores que não exercem a atividade agropecuária, na forma do art. 3°, § 1°, II, da IN SRF n° 660, de 2006, e, conseqüentemente, não produzem os produtos agropecuários previstos no art. 2°, IV, do mesmodiploma infralegal. DOS CRÉDITOS VINCULADOS ÀS AQUISIÇÕES DE SOJA • a exemplo da ervamate cancheada, as aquisições de soja também foram consideradas oriundas de pessoas jurídicas que exercem atividade agropecuária; • a empresa informa que, do mesmo modo como ocorrera em relação à ervamate, sempre foram feitas junto a pessoas jurídicas que não exercem a atividade agropecuária definida no art. 3°, § 1°, II, da IN n° 660, 2006. A fim de evitar tautologia, não irá repetir os argumentos já apostos em relação à ervamate cancheada; • toda a soja foi comprada de pessoas jurídicas que já a haviam adquirido de produtores rurais, responsáveis pelo cultivo da terra. Assim, a operação realizada com suspensão de incidência de PIS e COFINS foi aquela realizada entre o produtor e esse adquirente, que posteriormente revendeu tal produto para a empresa; • a receita auferida com a venda de soja para a empresa foi submetida normalmente à tributação pelo PIS e pela COFINS. Como não poderia deixar de ser, gerou, também, o direito ao creditamento de valores a serem calculados sobre o montante despendido em tais aquisições, na forma do art. 3 0, II, das Leis IN 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 • refere à provas que diz ter carreado aos autos (cita duas empresas) e entende que para a imposição do lançamento de crédito presumido vinculado às aquisições de soja, não se pode considerar os fornecedores relacionados pelo Fisco como cerealistas, na forma do art. 8°, § 1°, da Lei n° 10.925, de 2004; • se deve reconhecer, também em relação à soja adquirida de pessoas jurídicas que não exercem atividade agropecuária, o direito a créditos de COFINS calculados de acordo com o previsto nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Do PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA • em itens anteriores, a empresa pleiteou a realização de diligências que têm como objetivo esclarecer, de maneira cabal, a forma como foram realizadas as operações de compra e venda de soja e ervamate cancheada entre ela e seus fornecedores; • tal pedido, além de encontrar arrimo no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, vias, em última análise, à aplicação do princípio da busca da verdade real, norteador do PAF; • a empresa entende que dois devem ser os questionamentos a serem respondidos pela autoridade fiscal, ou por outra que for designada para realização de tal tarefa: 1. os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de COFINS glosados compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à manifestante ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. as vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? • com base na resposta a tais questionamentos, claro estará que as aquisições promovidas pela empresa foram integralmente tributadas, não havendo razão para a imposição de aproveitamento de apenas créditos presumidos vinculados a tais aquisições; • não se deve alegar que poderia a manifestante ter promovido a juntada de documentos que comprovem as circunstâncias argüidas. Além das declarações que já estão anexadas a esta peça, nenhum outro documento poderia ser juntado, vez que não há qualquer regra que obrigue às pessoas jurídicas vendedoras a concederem vista de seus registros fiscais a terceiros. Somente o Fisco, no exercício de sua atividade fiscalizatória, poderá ter acesso, sem restrições, aos elementos que sustentarão as respostas aos questionamentos formulados; • caso entenda a DRJ que as declarações anexadas aos autos não são suficientes para demonstrar o direito da empresa ao lançamento dos créditos glosados pelo Despacho Decisório atacado, imprescindível a realização da diligência solicitada, para que se ateste, de maneira inequívoca, o direito à apuração dos créditos de COFINS na forma prevista nos arts. 2° e 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Do REQUERIMENTO • a empresa requer: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102001.754 S3C1T2 Fl. 6 9 a)a conversão do processo em diligência, a fim de que sejam respondidas pela autoridade responsável pela elaboração do Despacho Decisório ora atacado, ou por outra designada para tal fim, as questões constantes da peça de contestação; b) independentemente da realização de diligência, a reforma do Despacho Decisório atacado, de modo a ser reconhecido o crédito integral de COFINS, na forma em que postulado nos PER/DCOMPs que deram origem ao presente processo administrativo. • pede deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou os documentos de fls. 119/205 e 208/264. O órgão de origem anexou cópia de AR de fl. 265 e encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 266). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AFRONTA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questão que envolva possível afronta a princípio constitucional. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 AGROINDÚSTRIA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRODUTOS AGRÍCOLAS ADQUIRIDOS SEM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A agroindústria pode calcular créditos da contribuição sobre o valor dos insumos, nos termos do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, desde que atendidas todas as condições previstas na legislação, dentre elas a de que os bens adquiridos estejam sujeitos ao pagamento da contribuição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As questões de direito foram decididas favoravelmente à recorrente no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento; contudo, foram incluídos nos cálculos dos créditos apenas os valores referentes às aquisições de ervamate e soja das empresas referidas na fundamentação, delimitando a concessão ao universo de empresas identificadas nas declarações anexadas pela Recorrente. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 A parte requereu, em sede de Recurso Voluntário, a inclusão das demais empresas das quais adquiriu os produtos nas compras objeto da lide. Esclareceu não ter condições de trazer aos autos, ela própria, declarações dos seus fornecedores que atestem a sua condição de contribuintes de PIS e COFINS se estes, de modo voluntário, não o fizerem. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse identificada a verdadeira condição dos fornecedores da empresa autuada, com o encaminhamento do processo à repartição de origem para que a fiscalização, a seu juízo, determinasse os esclarecimentos que julgasse necessários à perfeita instrução processual, devendo ainda responder às questões a seguir reproduzidas, em observância ao pleito consignado pela autuada a este Conselho. 1. Os valores estampados em cada uma das notas fiscais que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados (excetuados aqueles já reconhecidos como legítimos pelas autoridades julgadores de primeira instância, vinculados aos fornecedores relacionados na manifestação de inconformidade) compuseram a base de incidência do mesmo tributo para os respectivos fornecedores de ervamate cancheada e soja à recorrente ou tais vendas foram realizadas com suspensão de incidência da contribuição? 2. As vendas de ervamate cancheada e soja que deram origem aos créditos de PIS/COFINS glosados, vinculadas às notas fiscais relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, estavam sustentadas por alguma declaração emitida pela Baldo S/A que permitisse a não incidência da contribuição sobre as receitas com elas auferidas? Atendida a diligência, o processo retorna a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão definitiva. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Conforme se depreende do relato da Autoridade Fiscal encarregada da diligência demandada por este Colegiado, o contribuinte foi intimado a apresentar planilha demonstrativa dos fornecedores pessoa jurídica de ervamate, que efetuaram vendas no período de agosto de 2006 a dezembro de 2007 sob as quais foi apurado crédito de PIS/COFINS calculados à alíquota integral, exceto os já informados na Manifestação de Inconformidade. De posse dessa informação, a Fiscalização enviou intimação às empresas indicadas pela Requerente, buscando os esclarecimentos demandados na diligência. A conclusão foi a seguinte. Os fornecedores Ervateira São Mateus Ltda, CNPJ 77.752.038/000226, Bujio Alimentos Ltda, CNPJ 06.369.361/000196 e Ervateira Urubici Ltda, CNPJ 83.594.424/00159 apresentaram resposta informando que as vendas não foram efetuadas com suspensão do PIS/COFINS (quesito 1), que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas (quesito 2) e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros (quesito 3). Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001594/200833 Acórdão n.º 3102001.754 S3C1T2 Fl. 7 11 Os fornecedores Cerealista Quatro Irmãos Ltda, CNPJ 75.724.161/000127, JCP Importação e Exportação de Alimentos Ltda, CNPJ 05.679.940/000172 e Indústria de Erva Mate Três Irmãos Ltda, CNPJ 01.880.469/000125 não apresentaram resposta à aludida Intimação. Os Avisos de Recebimento – AR dos fornecedores Restinga dos Paióis, CNPJ 04.945.090/000131 e Hercílio J Fernandes, CNPJ 85.379.089/000100 retornaram sem o recebimento dos mesmos, tendo sido registrado como motivo da devolução “recusado” e “falecido” respectivamente. Desta forma e para estes fornecedores, foram efetuadas consultas aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil – RFB, constatandose que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate. Conforme entendimento que fundamentou a decisão tomada em primeira instância, a empresa faz jus ao crédito básico, conforme pretende, desde que os produtos tenham sido adquiridos de pessoa jurídica que não exerça atividade agropecuária. Por sua vez, a Fiscalização Federal decidiu pela glosa dos valores por entender que a aquisição de produtos agropecuários por empresa que, como a Requerente, exerce atividade agroindustrial, se dá com suspensão, na venda, da exigibilidade das Contribuições. A seguir excerto do Relatório Fiscal. No cálculo do AFRFB foram informados nesta linha da DACON os valores das aquisições de produtos agropecuários efetuadas pela empresa requerente, que exerce atividade agroindustrial sujeita ao regime de nãocumulatividade da contribuição para a COFINS, cujos produtos serviram de insumos na fabricação de outros produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos códigos da NCM dispostos nos inc. I e II do art. 5° da IN SRF 660/2006, cujas vendas pelos fornecedores devem ser efetuadas com suspensão da exigibilidade da COFINS, conforme determina o art. 2° desta Instrução Normativa. Não tendo sido levado em conta que, nos casos de vendas realizadas por pessoa jurídica, apenas as que exercem atividade agropecuária, ao venderem às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos contemplados no texto legal, geram direito a crédito presumido (e não básico), o Fisco terminou por não demonstrar e buscar comprovação para reduzir o direito de crédito pretendido pela Recorrente. A própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento fez menção à ausência de elementos probantes. Atentese, ainda, que: a) a observação das peças processuais juntadas pela Fiscalização não permite a clara e objetiva interpretação de que às empresas relacionadas (vendedoras) se pudesse aplicar a modalidade de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS; b) ao contrário, preocupouse a contribuinte em demonstrar que tais empresas não se enquadravam como exercendo atividade agropecuária, estando elas sujeitas ao recolhimento das contribuições pela alíquota normal. A resposta à diligência demandada por este Colegiado não modifica o quadro. Em lugar disso, acrescenta mais um elemento em favor da pretensão da Recorrente. Para partes das empresas, foi obtida informação dando conta de que as vendas não foram Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 efetuadas com suspensão do PIS/COFINS, que não houve declaração da Baldo S.A. que permitisse a nãoincidência de PIS/COFINS sobre as receitas com as referidas vendas e que a erva mate vendida foi adquirida de produtores/terceiros. Em relação às empresas que não responderam à Intimação do Fisco, constatouse que nenhum possui código Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE que compreenda o cultivo de ervamate, restando, dessa forma, ausente qualquer razão para glosa dos créditos básicos utilizados pela Recorrente. VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao aproveitamento de crédito básico na compra de ervamate das empresas informadas pela Recorrente em resposta à intimação encaminhada pelo Fisco. Sala de Sessões, 31 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004090/2007-07
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2003
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO.
O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária.A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010)
Numero da decisão: 2802-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 29/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2003 ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária.A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010)
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.004090/2007-07
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5186446
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.072
nome_arquivo_s : Decisao_11516004090200707.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 11516004090200707_5186446.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4492176
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932739047424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.004090/200707 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.072 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ POLICARPO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2003 ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária.A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 90 /2 00 7- 07 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Contra JOSÉ POLICARPO DA SILVA, foi lavrada Notificação de Lançamento, fls.02/04, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), ano alendário 2002 exercício 2003, para reduzir o saldo de imposto a restituir de R$ 5.012,17 para R$ 272,05,. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos do trabalho recebidos do Comando da Aeronáutica, no valor de R$ 17.236,80. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese que não incide tributação sobre os rendimentos considerados omitidos, recebidos do Comando da Aeronáutica, por tratarse de valores recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme disposto na Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0716.532, de 05/06/2009, fls.36/37. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 02/10/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 40, o contribuinte apresentou, em 23/10/2009, recurso voluntário, fls. 40/43, onde reitera e reforça os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira, Dayse Fernandes Leite O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de rendimentos recebidos à título de adicional por tempo de serviço, que o contribuinte afirma tratarse de rendimentos não tributáveis, em virtude do disposto na Lei nº 8.852, de 1994. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Aliás, tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.004090/200707 Acórdão n.º 2802002.072 S2TE02 Fl. 3 3 Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Portanto, não pode prevalecer a hipótese de nãoincidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme entende o contribuinte. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009452/2006-18
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDOS E OS ACÓRDÃOS PARADIGMAS.
Não se deve conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, se o acórdão recorrido não guarda semelhança fática com os acórdãos paradigmas.
Numero da decisão: 9101-001.286
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDOS E OS ACÓRDÃOS PARADIGMAS. Não se deve conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, se o acórdão recorrido não guarda semelhança fática com os acórdãos paradigmas.
numero_processo_s : 10980.009452/2006-18
conteudo_id_s : 5238390
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.286
nome_arquivo_s : Decisao_10980009452200618.pdf
nome_relator_s : SUSY GOMES HOFFMANN
nome_arquivo_pdf_s : 10980009452200618_5238390.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4599406
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074932744290304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.009452/200618 Recurso nº 160.468 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001286 – 1ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BERNECK AGLOMERADOS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDOS E OS ACÓRDÃOS PARADIGMAS. Não se deve conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, se o acórdão recorrido não guarda semelhança fática com os acórdãos paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, para a exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, lançandose crédito tributário no valor de R$ 14.074.544,03. Posteriormente, houve complementação do auto de infração, relativo a crédito tributário no valor de R$ 1.208.738,08, relativo à majoração da multa de ofício lançada (fls. 545/548 e 550/553). O contribuinte foi autuado com fundamento nas seguintes apurações: a) Custos, despesas operacionais e encargos não necessários. Despesas com remuneração de empréstimos junto a sócios e empresas coligadas/controladas, não necessárias: segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 256 e seguintes), a fiscalização apurou que a empresa contribuinte possuía em seu ativo aplicações financeiras, e em seu passivo, paralelamente, valores de empréstimos obtidos junto aos sócios e empresas coligadas e controladas. Constatouse que a remuneração paga em relação aos empréstimos era superior à obtida nas aplicações financeiras. Considerando que a empresa possuía, em seu ativo, recursos, concluiuse que as despesas com os empréstimos obtidos junto aos sócios eram desnecessárias e, portanto, não passíveis de dedução. Vejase a seguinte passagem, constante da “Descrição dos fatos e enquadramento legal” (documento de fls. 256/257): “O contribuinte possuía em seu ativo aplicações financeiras, e paralelamente mantinha em seu passivo valores de empréstimos obtidos junto aos sócios e empresas coligadas e controladas (conforme saldos dos balancetes às fls. 168 a 170). Ocorre que, a remuneração paga sobre os empréstimos era superior a obtida nas aplicações financeiras (demonstrativo às fls. 172). Como o contribuinte possuía em seu ativo recursos, não havia necessidade de obter empréstimos de sócios e empresas coligadas/controladas, pagando a estes remuneração com taxas superiores as que obtinha no mercado financeiro. As despesas financeiras com mútuos passivos, que ultrapassam os valores das receitas com aplicações financeiras, não são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, requisito essencial a sua dedutibilidade, conforme Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 3 3 artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26/03/99. Do exame do demonstrativo que relaciona os valores das aplicações financeiras e mútuos passivos (fls. 172), observase que o total dos valores aplicados em instituições bancárias supera, em todos os meses; o valor dos mútuos passivos, e que a taxa de remuneração paga pelos bancos é inferior a que a empresa paga aos seus sócios e pessoas jurídicas coligadas/controladas. Em todos os meses, para fins de cálculo das despesas financeiras não necessárias, utilizamos o saldo médio das aplicações financeiras e dos mútuos passivos, e aplicamos sobre estes últimos a diferença entre as taxas de remuneração obtidas junto as instituições financeiras e as pagas sobre os mútuos. Para fins de dedutibilidade da despesa, as taxas pagas aos sócios e as empresas coligadas e controladas não poderiam ser superiores as pagas no mercado financeiro, somente sendo admitidas como necessárias as despesas financeiras no limite das receitas geradas com os recursos obtidos. Desta forma, tendo em vista que a remuneração paga aos sócios e empresas coligadas/controladas foi superior a obtida nas aplicações de recursos disponíveis, gerando despesa financeira não necessária, sobre o saldo médio dos mútuos passivos, aplicamos a diferença da taxa de remuneração, e procedemos a glosa estas despesas, face a sua indedutibilidade prevista na legislação” b) Despesas indedutíveis. Despesas com ágio indedutíveis. “O contribuinte, em 25 de janeiro de 2004, absorveu parte de seu capital social, face a incorporação da empresa G. Berneck Madeiras Ltda. A situação teve inicio com a venda, em 15 de dezembro de 2003, pela CIA BOZANO, que possuía 16.093.213 ações da empresa fiscalizada, para a empresa G. Berneck Madeiras Ltda, que posteriormente foi incorporada pela Berneck Aglomerados S/A (BASA). A operação totalizou R$48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), divididos em 60 parcelas de R$ 934.999,65, conforme Contrato Particular de Compra e Venda de Ações (fls. 173 a 180), sendo que R$ 24.363.000,00 referemse a participação societária e R$ 23.636.000,00 referemse a ágio. Transcorrido um pouco mais de um mês da venda da participação da Bozano para a G. Berneck, a BASA incorpora esta segunda empresa, cujo patrimônio é composto quase que exclusivamente da participação na própria BASA, reduzindo o seu capital social na proporção em R$ 24.363.000,00 e apropriando R$ 23.363.000,00 em conta de ágio, sendo que no anocalendário de 2004 foi deduzido, como despesa, o valor de R$ 4.740.149,34, e o restante mantido no ativo diferido. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 4 4 Do exame da operação constatase que não haveria porquê a operação envolver a G. Berneck, pelos seguintes motivos: 1 A G. Berneck não possuía em seu ativo recursos para pagar as quotas adquiridas, conforme balanço levantado na data da incorporação (fls. 183) 2 Entre a data de aquisição e a venda da participação, pela G. Berneck, transcorreram aproximadamente 40 dias. Do exame dos fatos, fica evidente que a empresa fiscalizada reduziu o seu patrimônio líquido comprando parte de suas ações da Cia. Bozano, simulando que a aquisição foi feita pela G. Berneck, que posteriormente foi incorporada. Esta ‘maquilagem’ na operação teve como intuito amortizar o ágio que foi pago na operação deduzindoo, indevidamente, da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL da BASA. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutivel para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL, conforme previsto no artigo 391 do RIR/99. A possibilidade de deduzilo prevista nos arts. 7 0 e 8°, da Lei n° 9.532/97, restringese a hipótese em que a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Tal permissão contempla de forma literal a hipótese de a empresa incorporada ser a detentora da propriedade da participação societária. O que se observa aqui é que houve uma "incorporação as avessas", com o intuito de fazer parecer que o ágio fosse dedutivel, face ao previsto na Lei n° 9.532/97. Mas é evidente que a operação não deveria ter envolvido a empresa G. Berneck, ate porque a mesma nem era detentora de recursos para pagar as quotas adquiridas. Intimada a esclarecer por quê a aquisição foi feita pela G. Berneck, e não diretamente pela BASA, já que a primeira empresa sequer possuía recursos para pagar a aquisição (f1s43 a ), o contribuinte alegou questões de prazo e que a G.Berneck, como recebeu juros sobre o capital próprio da BASA podia pagar a primeira parcela da divida com a Cia Bozano, mas omitiuse de informar como seriam pagas as 59 parcelas restantes. Alegou que não poderia ter comprado diretamente a sua própria participação, já que não possuía lucros acumulados para manter as ações em tesouraria, mas transcorridos aproximadamente 40 dias, efetuou a operação e fez uma redução de capital, que poderia ter sido feita em dezembro/2003, sem que a operação envolvesse a G. Berneck. A operação que ocorreu foi a redução de capital social com a compra de suas ações da Cia Bozano, "maquilada" de compra pela G. Berneck e posterior incorporação desta, sendo portanto o ágio indedutivel, por falta de previsão legal para sua dedução. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 5 5 c) Reavaliação de bens. Falta de adição da realização da reserva de reavaliação. “Falta de adição ao lucro liquido do exercício na determinação do Lucro Real, da reserva de reavaliação de bens do Ativo Permanente, face a inobservância dos requisitos legais. Conforme laudo de avaliação (fls. i91 a /1 °1 ), a empresa, em 1999, procedeu a reavaliação de 18 propriedades, com Area total de 42.212,76 hectares, registradas no ativo permanente no grupo imobilizado. O valor da terra de todas as fazendas foi avaliado em R$20.133.786,52, sendo que o valor contábil destes bens, antes da reavaliação, era de R$4.774.448,52, totalizando portanto, a reavaliação, R$15.359.338,00. Em 03 de maio de 2004 a empresa procedeu uma cisão de seu patrimônio, transferindo para as empresas resultantes da cisão: FLORESTAL SEGUNDO PLANALTO LTDA e FLORESTAL VALE DO RIBEIRA LTDA, 16 das 18 propriedades reavaliadas. 0 valor da reavaliação das propriedades transferidas foi de R$14.734.177,38, que ainda estava no patrimônio liquido da empresa cindida. O valor da reavaliação dos imóveis só seria tributável por ocasião da realização dos mesmos pelas sucessoras, desde nestas recebesse o mesmo tratamento que na sucedida. Ocorre que por ocasião do registro dos bens recebidos para integralizagão do capital, as duas empresas: Segundo Planalto e Vale da Ribeira, escrituraram as fazendas pelo valor total, R$ 19.331.369,81 (este valor é composto por R$4.597.192,43 que é o custo das fazendas na sucedida e R$14.734.177,38, referente a reavaliação), não constituindo a reserva de reavaliação.Pela forma como foi feita a integralizagão de capital e contabilização sem a constituição da reserva, se depreende a realização dos bens seu deu por ocasião da integralizagão de capital, por parte da Berneck Aglomerados S/A (BASA), que é detentora de 99,9% do capital social das duas empresas, estando sujeita, portanto, a realização da reserva de reavaliação tributação. Para que a reavaliação não fosse considerada realizada, deveria ser mantida na conta de reserva de reavaliação no patrimônio líquido das empresas que receberam os bens reavaliados, pois da forma como foram efetuados os registros, sem a constituição da reserva de reavaliação nas sucessoras, o fisco perde o controle sobre os valores que deveriam ser adicionados ao lucro liquido, por ocasião da realização dos bens. Esta reserva, para fins de dedutibilidade do valor da reavaliação, deveria obrigatoriamente ser constituída nas sucessoras, conforme disposto no artigo 440 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999. De acordo com a Instrução Normativa SRF n ° 7/81, a pessoa jurídica resultante de fusão ou cisão, deverá manter registros de Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 6 6 controle de valores cuja apropriação tiver sido diferida e que devam influenciar a determinação de lucro real de exercício futuro. Este controle, no presente caso, seria a constituição de reserva de reavaliação, para adição ao lucro liquido, por ocasião da realização dos bens. Anexamos ao presente Auto de Infração, copia do Laudo de Reavaliação do ano de 1999, da cindida (fls. ill a 11 cópias das contas de terrenos (fls.( 61 e 25J) e do patrimônio liquido (fls. .2.31) das duas empresas resultantes da cisão, bem como o Anexo ao Laudo de Avaliação a Valores Contábeis para Integralização de Capital (fls. 4)), que comprovam que os bens foram escriturados pelo valor reavaliado, e que não foi constituída a reserva de reavaliação.” O contribuinte apresentou impugnação às fls. 275/303. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento converteu o julgamento em diligência (fls. 442/443). Impugnação às fls. 561/587. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 864/888) julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS. São meramente volitivos os empréstimos captados de pessoas ligadas quando, em cada mês do Anocalendário, a empresa possuía aplicações financeiras correspondentes a, no mínimo, 160% (cento e sessenta por cento) dos mútuos. Por conseqüência, os encargos financeiros respectivos, na parte excedente aos rendimentos recebidos nas aplicações, não são dedutíveis, por não se caracterizarem como despesas necessárias para a geração de receitas. SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. É simulado o negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. Neste caso concreto, a autuada, objetivando reduzir seu capital, adquiriu de outra empresa o total de 20% (vinte por cento) de suas próprias ações, pelo preço total de R$ 56.099.980,00, a ser pago em 60 parcelas mensais. Entretanto, valeuse do artifício de simular ato jurídico pelo qual as ações teriam sido adquiridas por empresa pertencente aos seus proprietários, constituída com capital de apenas R$ 100,00, que jamais teve atividades, receitas ou patrimônio, e que veio a ser incorporada menos de dois meses após a aquisição das ações, sendo que, no próprio contrato de alienação já se previu, de forma expressa, a possibilidade de Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 7 7 incorporação. A simulação ocorreu porque a verdadeira adquirente das ações, que, de fato, assumiu a responsabilidade pela dívida respectiva, foi a Berneck Aglomerados S/A. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. A simulação de negócio jurídico, buscando auferir as vantagens previstas no art. 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, enseja a imposição de multa de oficio qualificada, de 150%. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO DO BEM. REALIZAÇÃO. A reserva de reavaliação de bens prevista no art. 434 do RIR/99, que pode ser formada a qualquer tempo, não se confunde com aquela prevista no art. 439 do RIR/99, que Somente pode ser formada em virtude de aumento de ; valor de bens no Momento de sua incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, decorrente de subscrição de capital social ou de valores mobiliários emitidos por, companhia. A reserva de reavaliação formada corri base no art. 434 deve ser computada na determinação do lucro real quando os bens a que se refere forem alienados, sob qualquer fortim, inclusive pela transmissão a outra pessoa jurídica, para os quais tenham sido entregues em virtude de integralização de capital social. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente; CSLL, no que couber, o que for decidido em relação ao lançamento matriz. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 899/957). A antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico' que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 8 8 desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS. FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas, a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas, não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, às fls. 992/994 dos autos, os quais foram rejeitados, conforme despacho de fls. 996/997. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 1006/1017), referente ao afastamento das exigências decorrentes da glosa de despesas com remuneração de empréstimos. Contrapôsse ao entendimento fixado no acórdão recorrido, no sentido de que o fundamento da desnecessidade das despesas concernentes ao pagamento dos empréstimos não se pode concluir tãosomente em razão da sua coexistência com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores às pagas pelos empréstimos. Segundo a recorrente: “Quedouse evidente a redução do lucro da empresa e o enriquecimento indevido daquele a que foi concedido empréstimo remunerado a juros com taxa inferior ou desproporcional ao mercado, motivo pelo qual necessária a reforma do acórdão proferido pela Câmara a quo” Diante disso, discorreu no sentido de que: “De fato, deve ser mantida a glosa das despesas financeiras, pois a coexistência de empréstimos tomados aos sócios ou coligadas com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de modo a render receita inferior aos encargos pagos pelos empréstimos, infringe norma contida no art. 299 do RIR/99”. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 9 9 O contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 1094/1126). Argumentou, primeiramente, no sentido da não caracterização da divergência jurisprudencial tendo em vista a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Segundo a empresa contribuinte, os acórdãos paradigmas tratam de situação totalmente diferente, consistente na tomada de recursos, por uma empresa, de um banco, repassandoos para seus sócios ou coligadas com ônus menor do que o assumido perante a instituição financeira, o que caracterizaria despesa desnecessária. Segundo a contribuinte: “No presente caso salta aos olhos que a situação concreta é diametralmente diferente: a Recorrida tomou empréstimos de pessoas relacionadas, a juros menores do que os praticados pelos bancos, bem como mantinha saldos de caixa que faziam parte de seu capital de giro, os quais eram aplicados em bancos, conforme disponibilidade. Tais saldos de caixa eram mantidos em razão da Recorrida possuir endividamento com bancos de fomento em valores elevados e atrelados em moeda estrangeira, além de possuir elevado financiamento de seus próprios clientes (ciclo financeiro), que será melhor detalhado em tópico seguinte. Em outras palavras, não é possível afirmar, de forma objetiva, como fez a Procuradoria em seu Recurso Especial, que o dinheiro tomado emprestado fosse o mesmo aplicado em banco, a juros menores, fato comprovado por ocasião de interposição do recurso voluntário (...).” No mérito, discorreu, em primeiro lugar, sobre a indevida glosa dos encargos financeiros sobre empréstimos fornecidos por sócios e empresas coligadas ou controladas. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada premissa de que todos os valores captados com empréstimos de pessoas ligadas foram imediatamente aplicados em renda fixa, “como se a atividade operacional da empresa se resumisse a esta última operação”. Segundo o contribuinte, os recursos mantidos em aplicações financeiras de renda fixa integravam o capital de giro da empresa, destinandose a sua produção e venda, o que resta reforçado pela modalidade de aplicação financeira escolhida, qual seja a Renda Fixa, que tem liquidez imediata. Por outro lado, discorreu sobre a dedutibilidade das despesas com juros pagos a pessoas ligadas. Expôs que: “O Parecer Normativo 138/75, que trata da dedutibilidade dos juros pagos a sócio, acionista, dirigente, administrador ou participante nos lucros das pessoas jurídicas, estabelece que sejam admitidos como despesas operacionais os juros pagos a sócios, acionistas e outras pessoas ligadas, desde que haja contrato escrito com cláusula expressa. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 10 10 Estabelece, ainda, que os juros e demais encargos pagos a pessoas ligadas, não poderão ser calculados a taxas que decorram custos superiores aos comumente incorridos no mercado financeiro, e nem àqueles relativos aos empréstimos menos onerosos obteníveis, na data, pela empresa, sob pena de o excesso ser considerado como distribuição disfarçada de lucros. A empresa mantém os contratos de mútuos, que constituem o saldo em 31/12/2004 em seu balanço no grupo das contas "Partes relacionadas" desde 31/12/1998, e a forma de remuneração sempre foi a mesma: juros de 12% a.a. + IGPM/FGV.” O contribuinte interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 1130/1159), ao qual se negou seguimento (despacho de fls. 1262/1266). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada. Com efeito, no ponto atacado pelo presente recurso especial, a decisão recorrido foi proferida no seguinte sentido, conforme a sua ementa: GLOSA DE DESPESAS. FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas, a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas, não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. Considerouse, no acórdão recorrido, que: “A glosa das despesas com a remuneração paga pelos empréstimos contraídos pela recorrente junto a sócios e empresas ligadas se fez com base em um único fundamento, a sua desnecessidade, desnecessidade esta que restaria cabalmente demonstrada pela existência simultânea, contemporânea aos empréstimos, de aplicações financeiras que lhe rendiam receita inferior aos encargos pagos pelos empréstimos. A tão só coexistência dos empréstimos tomados a pessoas relacionadas com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores às pagas pelos empréstimos não autoriza a inferência Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 11 11 de serem desnecessárias as despesas correspondentes; assim fosse seriam também desnecessárias as despesas pagas pelos empréstimos com terceiros que, no caso, representam três vezes o valor dos encargos sobre os empréstimos com pessoas ligadas, pois enquanto estes correspondem a 20,65% do total das despesas financeiras no ano de 2004, aqueles representam 65,43% desse total e nem por isso foram glosadas como desnecessárias.” Vêse, portanto, que a análise perpetrada no acórdão recorrido foi fundamentalmente fática. Recaiu sobre os dados fáticos retratados pelos elementos probatórios existentes nos autos, especificamente sobre as apurações e constatações feitas pela autoridade fiscal para reputar desnecessárias as despesas em questão (e, pois, não dedutível). Considerouse, de fato, que a tãosó existência, em seu ativo, de aplicações financeiras, em concomitância com a obtenção de empréstimos junto a sócios e empresas coligas e controladas, sendo a remuneração paga sobre os empréstimos superior à obtida nas aplicações financeiras; não poderia conduzir à conclusão de que aquela despesa é desnecessária. Atentese para o fato de que a avaliação feita no acórdão combatido teve por foco, estritamente, as particularidades fáticas e probatórias emolduradas no presente caso. A solução jurídica dada à hipótese, para prover o recurso voluntário do contribuinte, vinculouse, necessariamente a tal análise. É dizer: o direito estabelecido, no caso, no sentido de afastar as exigências decorrentes da glosa de despesas com remuneração de empréstimos, assim foi feito em vista das circunstâncias fáticas da autuação. Transcrevase, mais uma vez, por relevante, a conclusão da autoridade fiscal constante da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: “As despesas financeiras com mútuos passivos, que ultrapassam os valores das receitas com aplicações financeiras, não são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, requisito essencial a sua dedutibilidade, conforme artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26/03/99.” Pois bem, vejamos, agora, os acórdãos paradigmas. A recorrente, primeiramente, juntou o acórdão n° 10516.528, da antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Esta acórdão tem a seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ – ANO CALENDÁRIO: 1995 ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMO REPASSADO – São indedutíveis do lucro os encargos financeiros atinentes às parcelas de empréstimos repassados aos sócios e coligada, se a empresa não prova que os repasses foram remunerados na mesma proporção. CUSTO SOBRE IMÓVEIS VENDIDOS Uma vez demonstrado que a conclusão da obra se deu no período fiscalizado e Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 12 12 constatado que o custo orçado é maior do que o custo realizado, a diferença apurada deverá ser transferida ao resultado proporcionalmente às prestações recebidas até a data do reconhecimento dessa diferença. OMISSÃO DE RECEITATRANSFERÊNCIA DE IMÓVEIS À COLIGADA Não se caracteriza como omissão de receitas a transferência de bens do ativo à coligada por valor abaixo do mercado, sendo que esta infração, quando provada, caracteriza distribuição disfarçada de lucros, conforme art. 432, I, do RIR/94. JUROS DE MORA. SELIC A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal a sua exigência com base na taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício é devida no lançamento exofficio, em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário. Correto o percentual de multa aplicado, por estar de acordo com a legislação vigente. AUTOS REFLEXOS Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS, IRRF e CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Depreendese do julgado que o lançamento do IRPJ deuse tendo em vista, no que aqui interessa, a apuração da seguinte irregularidade: “Dedução indevida de juros e despesas bancárias incidentes sobre empréstimos tomados junto a instituições financeiras e repassados aos sócios e empresas coligadas”. Conforme o respectivo voto, temse que: “Em relação às despesas financeiras não necessárias, acolho o pronunciamento da autoridade julgadora de 1° instância que afirma não assistir razão ao recorrente, pois ao tomar recursos no sistema financeiro e ao mesmo tempo efetuar empréstimos a suas coligadas, a contribuinte não aplicou integralmente, em sua atividade, os recursos obtidos. Assim, os juros bancários que incidiram sobre o empréstimo não se caracterizam como despesas necessárias a sua atividade, sendo, portanto, indedutíveis na apuração do lucro tributável, já que por não contribuir de forma positiva para a formação do resultado da contribuinte, esses encargos não podem refletir de forma negativa na determinação do mesmo”. O outro acórdão apresentado como paradigma (ac. n° 10193.674) traz a seguinte ementa: IRPJ — OMISSÃO NO REGISTRO DE RECEITAS – SUPRIMENTO DE CAIXA — Excluise do lançamento o montante que, mediante documentação apropriada e idônea, Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 13 13 restar comprovado quanto ao efetivo ingresso dos recursos e à sua origem, em datas e valores coincidentes. IRPJ DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS — Tendo a pessoa jurídica emprestado determinada importância à sua coligada e, no mesmo período, contraído empréstimo bancário a taxas de juros superiores, este financiamento não pode ser tido como necessário e, conseqüentemente, as despesas dele oriundas são passíveis de glosa. IRPJ LUCRO DA EXPLORAÇÃO. CUSTOS INDIRETOS. APROPRIAÇÃO. INDIRETOS. O rateio dos custos e despesas operacionais indiretos, que envolvem diversas atividades, incentivadas ou hão, pode ser admitido para efeito de se determinar o lucro líquido do exercício, base para se chegar ao lucro da exploração da atividade incentivada. PIS, COF1NS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – EXIGÊNCIAS REFLEXAS — Aplicamse à exigências reflexas o decidido quanto ao Auto de Infração matriz IRPJ, por uma relação de causa e efeito. A fiscalização apurou a seguinte irregularidade: “B) DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (meses de abril a junho de 1994), que se referem a diferença de remuneração entre empréstimo concedido a coligada/controlada e financiamento bancário obtido para pagamento antecipado de exportação, contratado no mesmo período de apuração do tributo, diferença esta contabilizada a débito do resultado do exercício e glosada pela fiscalização” Transcrevo passagem do acórdão que versa sobre a questão: “B) DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Esta exigência pode ser assim sintetizada: entendeu o Fisco que, tendo a Recorrente concedido um empréstimo a sua coligada, no valor de U$ 7.000.000,00 e supostamente para tanto; obtido empréstimo junto ao Citybank no mesmo valor, porém com encargos superiores aos pactuados, deveriam ser glosadas as diferenças de despesas de variação monetária passiva e de despesas financeiras que excederam às receitas de mesma espécie, oriundas do contrato de mútuo firmado com a coligada (...) Nesse passo, tendo em conta que, como bem lembrou o julgador singular, a autuada não é instituição financeira, deveria trazer aos autos razões que justificassem a concessão de empréstimo a encargos menores que os assumidos no financiamento de simultaneamente obteve. Em sua argumentação a empresa limitouse a questionar aspectos relativos ao cálculo das variações cambiais, sem Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 14 14 esclarecer porque contraiu um empréstimo desnecessário. Tanto era desnecessário que emprestou valor idêntico à sua coligada, mas a taxas inferiores. Assim, o lançamento deve ser mantido”. Vistos os dois acórdãos paradigmas, percebese que as situações fáticas que resultaram na autuação dos respectivos contribuintes, não guardam nenhuma semelhança com a situação fática tratada nos presentes autos. Com efeito, no caso em julgamento, a empresa contribuinte contraiu empréstimo junto a sócios e empresas coligadas e controladas, considerandose desnecessárias as conseqüentes despesas, em face da existência simultânea de aplicações financeira com rendimento inferior ao valor das despesas. Nos julgados paradigmas, por outro lado, as empresas autuadas obtiveram empréstimos junto a instituições financeiras, repassando os respectivos valores a sócios e empresas coligadas. Neste passo, é de se ter que a análise acerca da necessidade ou não da despesa, e de sua conseqüente dedutibilidade ou não, nos termos do artigo 299 do RIR/99, depende das circunstâncias fáticas apuradas na autuação. É dizer, a solução jurídica dada ao caso vinculase inafastavelmente aos fatos apurados. Numa hipótese que tal, a divergência jurisprudencial somente se configura se, ante a diversidade de desfechos decisórios estabelecidos em diferentes processos, partiuse, em cada qual, da análise de contextos fáticos iguais. Querse dizer, com isto, que não há divergência jurisprudencial entre decisões diferentes, se estas decisões têm subjacentes a elas fundamentos fáticos diversos. Fundamentos fáticos, estes, ressaltese bem, determinantes para as respectivas soluções jurídicas que lhes foram conferidas. E, no presente caso, os fundamentos fáticos das autuações são inseparáveis das decisões em si. A Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por função primordial a uniformização da jurisprudência administrativa fiscal. Esta uniformização tem como instrumento principal o recurso especial, por intermédio do qual se dirime as divergências existentes no âmbito do CARF, dandose a solução jurídica que deve preponderar entre aquelas que lhe são trazidas. Ora, no caso em tela, o provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional não ensejaria a resolução de um dissídio jurisprudencial, pois que esta Turma não estaria a confrontar soluções diversas sobre uma mesma questão, mas sim soluções jurídicas diversas sobres questões fáticas diversas, questões fáticas estas que, como já dito, se encontram incindíveis da respectiva solução jurídica. Notese que o conhecimento do recurso especial no presente caso implicaria em desvio mesmo da finalidade da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que não se trata simplesmente de uma terceira instância de julgamento dos processos administrativos fiscais. Diante do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, porque ausente a divergência jurisprudencial. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.009452/200618 Acórdão n.º 9101001286 CSRFT1 Fl. 15 15 Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 25 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003943/2003-72
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1989
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.921
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Câmara Superior de Recursos Fiscais por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados ao pleito. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200805
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1989 DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos. Recurso Especial do Procurador Negado
dt_publicacao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 13819.003943/2003-72
anomes_publicacao_s : 200805
conteudo_id_s : 5482565
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : CSRF/04-00.921
nome_arquivo_s : 40400921_141532_13819003943200372_004.pdf
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : Antônio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 13819003943200372_5482565.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Quarta Câmara Superior de Recursos Fiscais por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados ao pleito. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
id : 4620261
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2012-11-16T18:40:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2012-11-16T18:40:15Z; created: 2012-11-16T18:40:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2012-11-16T18:40:15Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2012-11-16T18:40:15Z | Conteúdo =>
_version_ : 1714074932751630336
score : 1.0
