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Numero do processo: 16327.002009/2001-00
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO – Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, que no caso das empresas que optam em apurar seus resultados em base anual, ocorre ao final do ano-calendário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CSLL – PRAZO NONAGESIMAL – EMENDA CONSTITUCIONAL nº 10/96 - Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da CSLL, e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificando-se a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme disposto no art. 195, § 6º da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. MULTA DE OFÍCIO – EXIGIBILIDADE SUSPENSA - INCORPORAÇÃO – Ocorrendo a sucessão universal de todos os direitos e obrigações da empresa sucedida, não há necessidade de se provar nos autos de que a empresa incorporadora passou a figurar no pólo ativo do Mandado de Segurança para se beneficiar da decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário decorrente da diferenciação de alíquota. Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 101-96.193
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, DAR provimento PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Valmir Sandri

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Recorrida : Ela Turma da DRJ de São Paulo - SP. I Sessão de :13 de junho de 2007. Acórdão n°. :101-96.193 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, que no caso das empresas que optam em apurar seus resultados em base anual, ocorre ao final do ano-calendário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CSLL — PRAZO NONAGESIMAL — EMENDA CONSTITUCIONAL n° 10/96 - Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da CSLL, e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificando-se a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme disposto no art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. MULTA DE OFICIO — EXIGIBILIDADE SUSPENSA - INCORPORAÇÃO — Ocorrendo a sucessão universal de todos os direitos e obrigações da empresa sucedida, não há necessidade de se provar nos autos de que a empresa incorporadora passou a figurar no pólo ativo do Mandado de Segurança para se beneficiar da decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário decorrente da diferenciação de aliquota. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A. a • Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, DAR provimento PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. t‘- ‘"--- MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE ELATOR NDRI FORMALIZADO EM: 1 4 AGo Zr Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ RICARDO DA SILVA, PAULO ROBERTO CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI, CAIO MARCOS CÂNDIDO e MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado). 2 • Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Recurso n°. :151.654 Recorrente : Santander Brasil Arrendamento Mercantil S.A. RELATÓRIO SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A., já qualificado nos autos, recorre de decisão proferida pela 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - SP, que, por unanimidade de votos conheceu da impugnação, e, no mérito, julgou procedente o lançamento efetuado. De acordo com a Autoridade Administrativa, a autuação é decorrente de Revisão de Declaração de Rendimentos correspondente ao exercício de 1997, apresentada pelo Contribuinte em que foram constatadas irregularidades em razão do cálculo a menor da alíquota de 30% Incidente sobre a referida contribuição. Inconformado com a exigência fiscal, da qual teve conhecimento em 03.10.2001, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação em 05.11.2001, fls. 18/47, juntando, ainda, os documentos de fls. 48/145, alegando em síntese que: (I) Preliminarmente, requer a suspensão do presente processo administrativo até julgamento definitivo com o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n°96.0015357-4. (i) Inicialmente, afirma que a aliquota de 30% foi instituída pela Emenda Constitucional n° 10/96, momento este que o fato gerador da CSLL ora exigida já estava em formação, motivo pelo qual não se aplica ao presente caso, uma vez que só pode repercutir nos fatos geradores ocorridos a partir do exercício financeiro seguinte, ou seja, 1° de janeiro de 1997, sob pena de violar o Princípio da Anterioridade e o Princípio da Irretroatividade. (ii) Prossegue, afirmando que mesmo que se admita que o fato gerador compõe-se de fatos isolados, que se concretizam 3 612 c . . Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 mensalmente e não apenas no final do exercício financeiro, de acordo com o Principio da Anterioridade Nonagesimal, a majoração da alíquota jamais poderia atingir os fatos geradores ocorridos antes do início da eficácia, ou seja, não poderia atingir os fatos geradores ocorridos antes de 1° de julho de 1996. (iii) Aduz que não obstante os argumentos já apresentados, a referida contribuição sob a aliquota superior àquela aplicável a todas as demais empresas, não poderia ser exigida, em virtude do Principio da Isonomia. (iv)Afirma, que diante dos vícios que maculam a exigência da CSLL, a empresa Geral do Comércio Arrendamento Mercantil S.A. incorporada pela empresa antecessora do Impugnante, Noroeste Seguradora S.A., impetrou Mandado de Segurança n°96.0015357-4, com pedido de liminar, liminar esta que foi deferida e posteriormente confirmada através da prolação de sentença, garantindo-lhe o direito a recolher a CSLL, durante o ano-calendário 1996, sob a aliquota de 18%. O referido Mandado de Segurança se encontra aguardando julgamento do recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional. (iv) Esclarece que a empresa Geral do Comércio Arrendamento Mercantil S.A. foi incorporada pela antecessora do ora Impugnante — Noroeste Leasing S.A., conforme documentos de fls. 1051116. (v) Afirma, ainda, que na forma do art. 151, IV, do CTN, quaisquer supostos créditos tributários decorrentes da aplicação da alíquota superior a 18% estão com a sua exigibilidade suspensa. 69 4 •C2-"L • Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 (vi) Alega o Contribuinte que embora o crédito tributário objeto do auto de infração estivesse com sua exigibilidade suspensa, e considerando também a sucessão das empresas, o que por si só já levaria a inaplicabilidade de qualquer multa, nos termos do art. 133, do CTN, foi aplicada a elevada multa de 75%, bem como juros atualizados pela ilegítima taxa Selic. (iv) Finalmente, requer a suspensão do presente processo administrativo até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, ou caso, assim não entenda, seja declarada a impossibilidade da aplicação da alíquota de 30% sobre os fatos geradores ocorridos no ano-calendário 1996. À vista de sua Impugnação, a 8a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - SP, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetuado a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL. Em suas razões de decidir, verificaram os julgadores que a autuação teve origem na revisão da declaração de rendimentos (DIRPJ) da empresa Santander Brasil Arrendamento Mercantil S.A., inscrita no CNPJ n° 00589.171/0001-06, não sendo mencionada a empresa incorporada Geral do Comércio Arrendamento Mercantil. Nesse sentido, esclareceram que a decisão judicial obtida pela empresa Geral do Comércio Arrendamento Mercantil, em 1996, não poderia surtir efeito para pessoa jurídica estranha ao processo judicial, visto que o Contribuinte, ora Impugnante somente se revestiu do caráter de sucessora a partir de 28/01/2000. Em relação à alegada improcedência do auto de infração, diante do princípio da anterioridade mitigada, destacaram os julgadores que a alíquota de 30% é 5 a , Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 aplicável desde 01/01/1996, por disposição expressa introduzida no ADCT da CF/88, de sorte a tomar improfícuo o pleito do Contribuinte, no sentido de fazer incidir essa alíquota somente a partir de 01/01/1997 ou 01/07/1996. Sendo o crédito lançado com base no art. 2° da Emenda Constitucional n° 10, de 04/03/1996. Salientaram, ainda, que não existe qualquer manifestação do STF considerando ilegal ou inconstitucional qualquer dispositivo balizador da presente autuação. Consignaram, que conforme disposto nos documentos de fls. 120 e 152, a Contribuinte optou pela Declaração de Rendimentos — Lucro Real — DIRPJ no exercício 1997, ano-calendário 1996, pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, sendo, portanto, a data do fato gerador 31/12/1996, observado o art. 144, do CTN e art. 37 da Lei n° 8.981/1995. Lembraram também que devem ser aplicadas a CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, nos termos do art. 57, caput, da Lei n°8.981/1995. Em relação à sugerida ofensa ao Princípio da Isonomia, destacaram os julgadores que essa discussão resta prejudicada no âmbito administrativo, uma vez que o julgador administrativo deve-se ater às disposições contidas na legislação tributária, não sendo competente para apreciar a constitucionalidade de leis. Os julgadores rejeitaram, ainda, a alegação do Contribuinte de que a multa de ofício não deveria ser aplicada, por não responder pelas infrações da empresa sucedida Noroeste Leasing Arrendamento Mercantil. Isto porque, entenderam, que no presente caso, não houve sucessão societária, mas apenas alteração da denominação da sociedade, visto que o CNPJ não foi alterado, fls. 149/151. gli? 6 si--) Processo n°. : 16327.002009/2001-00• Acórdão n°. :101-96.193 Ainda a esse respeito, prosseguiram afirmando que mesmo se tivesse ocorrido à sucessão societária, a empresa sucessora, no caso o Contribuinte, responderia pela totalidade dos créditos tributários da empresa sucedida, inclusive a multa de ofício, nos termos do art. 132 c/c art. 129, ambos do CTN. Em relação à aplicação da Taxa Selic, esclareceram os julgadores que não existe qualquer vedação legal para a utilização desta taxa para fins de utilização no cálculo dos juros de mora, não sendo a administração pública competente para discutir a sua natureza, se remuneratória ou moratória. Intimado da decisão de primeira instância em 31.03.2006, fls. 173, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, em 28.04.2006, tempestivamente, às fls. 174/196, alegando em síntese que: Inicialmente, afirma que o entendimento dos julgadores de primeira instância que aplicaram a alíquota de 30%, em todo o ano-calendário 1996, não merece prosperar, sob pena de violar o Princípio da 'retroatividade das Leis e o Princípio da Anterioridade Nonagesimal. Dessa forma, a majoração da aliquota instituída pela Emenda Constitucional n° 10/96 não poderia atingir os fatos geradores ocorridos antes do início da sua vigência, em 01.06.96. Salienta, ainda, que este fundamento foi integralmente acolhido pela Primeira Câmara do Conselho dos Contribuintes, no julgamento do Processo Administrativo n° 16327.001941100-37, fls. 208/223. Alega o Contribuinte que o fato gerador da CSLL, referente ao ano- calendário 1996, já estava em formação no momento da publicação da referida Emenda Constitucional, razão pela qual a alíquota de 30% somente poderia ser exigida a partir de 1° de janeiro de 1997. 7 •!la • 1 Processo n°. : 16327.00200912001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Reafirma que a muita de ofício aplicada é totalmente improcedente, visto que no momento da lavratura do auto de infração o crédito tributário estava com a exigibilidade suspensa, decorrente da decisão judicial proferida no mandado de segurança n°96.0015357-4. Afirma o Contribuinte que nos termos do art. 150, §4°, do CTN, o crédito ora discutido foi atingido pela decadência, visto que a notificação da lavratura do auto de infração ocorreu em 03.10.01, ou seja, mais de cinco anos após a ocorrência do fato gerador. Alega que caso os julgadores não entendam que ocorreu a decadência, a alíquota de 30% não poderia ser aplicada no período de janeiro a junho de 1996, devendo ser aplicada à alíquota de 18%. Conclui, nesse sentido, afirmando que ao contrário do que pretendido pelos julgadores de primeira instância deve ser aplicada à legislação vigente no momento da ocorrência de cada fato gerador isoladamente e não a legislação vigente no fim do exercício financeiro. Em relação à alegação dos julgadores de primeira instância que não analisaram os fundamentos apresentados quanto à violação dos Princípios Constitucionais, esclareceu o contribuinte que, atualmente, não mais se nega a qualquer órgão julgador administrativo a prerrogativa de realizar o controle de legalidade dos atos da administração. Aduz o Contribuinte, que não obstante os argumentos já apresentados, a referida contribuição sob a alíquota superior àquela aplicável a todas as demais empresas, não poderia ser exigida, em virtude do Princípio da lsonomia. 61) 8 • Processo n°. :16327.00200912001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Finalmente, insurge-se o contribuinte contra a aplicação da taxa Selic, por considerá-la ilegal, contrariando diversos princípios constitucionais. Pelo exposto, requer seja dado provimento ao recurso, reformando a decisão ora recorrida, com o conseqüente cancelamento do auto de infração, ou caso assim não entendam os julgadores, seja afastada a multa de oficio e os juros de mora. É o relatório. VOTO Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do recurso, preliminarmente o Recorrente argüi a decadência do direito do fisco em constituir o crédito tributário relativo ao ano- calendário de 1996, ao argumento de que por ocasião da lavratura do Auto de Infração — 03 de outubro de 2001 -, já havia decaído o direito do fisco de exigir a presente ? e, exação, nos termos do art. 150, § 4°. Do CTN. n Wkr 9 • Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Como é sabido, especificamente no direito tributário, a decadência refere-se ao direito do Fisco de constituir o crédito tributário, através do lançamento, que é o ato administrativo, de caráter declaratório e constitutivo, dotado de auto- executoriedade, que representa, em relação à pessoa política, e à sociedade, um dever, ao passo que, relativamente ao sujeito passivo, é um direito cujo exercício deve ser suportado. Para que não se perpetue etemamente o direito ao lançamento, o Código Tributário Nacional estabelece que tal direito se extingue após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4°.), do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I, do art. 173), e da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (inciso II, do art. 173). No presente caso, conforme se infere das informações constantes dos autos, no ano-calendário de 1996 o Recorrente optou em tributar seus resultados com base no Lucro Real Anual, e sendo assim, indubitável que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu tão somente na data de 31 de dezembro de 1996, época em que foi apurado o Lucro Real do contribuinte, base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro e, por conseguinte, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial ocorreu na data de 01.01.1997, e sendo assim, não há o que se falar em perda do direito do fisco constituir o crédito tributário via lançamento de ofício. No caso de optarem pela apuração do lucro real anual, caso do Recorrente, terão que necessariamente pagar, mensalmente, o imposto de renda e a contribuição social calculado por estimativa, utilizando como base de cálculo o resultado do somatório de um percentual aplicado sobre a receita bruta no mês, acrescido de ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos, ou seja, as importâncias recolhidas mensalmente é apenas uma mera antecipação do imposto e contribuição que será devido ao final do ano-calendário (31.12), época em que é apurada a efetiva base de cálculo do tributo, bem como a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. f 642 10 a • • Processo n°. :16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Em sendo assim, não há como prosperar os argumentos despendidos pelo Recorrente no sentido de que a ocorrência do fato gerador é a data do pagamento das antecipações, pois se assim fosse, não haveria o que se falar em recolhimento a maior e/ou a menor do que o devido quando da apuração do resultado ao final do ano- calendário, pois o efetivo fato imponivel da exação tributária já teria acontecido por ocasião dos recolhimentos mensais, aliado ao fato da impossibilidade de se eleger dois fatos geradores de uma mesma exação, ou seja, um por ocasião das antecipações e outro por ocasião da apuração dos resultados ao final do ano-calendário. Dessa forma, voto no sentido de afastar a preliminar de decadência suscitada. Em relação ao mérito, a matéria trazida à baila diz respeito à exigência da CSLL à aliquota de 30% no ano-calendário de 1996, e que de acordo com o entendimento do Recorrente, apurou corretamente a referida contribuição ao considerar a aliquota de 18% estabelecida pelo artigo 19, parágrafo único da Lei n° 9.249/95, eis que a aliquota de 30% só poderia ser aplicável depois de decorridos 90 dias da data da publicação da Emenda Constitucional n° 10, de março de 1996, ou seja, a partir do mês de julho de 1996, em virtude do principio da irretroatividade das leis. Esta E. Câmara em julgados anteriores, p.ex. Acórdãos ns. 101-95.206, 101-95.199 e 101-96.089, este último de Relatoria da Nobre Conselheira Sandra Maria Faroni, o qual peço vênia para transcrevê-lo abaixo como razões de decidir, tem entendido pela observância do prazo nonagesimal previsto no art. 195, § 6°. da Constituição Federal para efeito de majoração de aliquota da Contribuição Social, vejamos: "... A CSLL exigida no presente auto de infração é exclusivamente decorrente da diferença entre o valor obtido pela aplicação de aliquota de 30% sobre todo o ano de 1996, e aquele apurado pelo contribuinte, com a aplicação de 18% no primeiro semestre e de 30% no segundo semestre. 11 C49 • Processo n°. : 16327.00200912001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Discute-se a aplicação da Emenda Constitucional n° 10/96, considerando o principio da anterioridade mitigada. Dispõe o artigo 2° da EC 10/96: "Art 2°: o art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar com a seguinte redação: Art 72. Integram o Fundo Social de Emergência: III- a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da aliquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei ri° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1° de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei e. 7.689, de 15 de dezembro de 1988." A seu turno, dispõem o art. 195, § 6° da Constituição Federal, e o § 1° do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 6° - As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "tf. ADCT Art. 72 § 1° As alíquotas e a base de cálculo previstas nos incisos III e V aplicar-se-ão a partir do primeiro dia do mês seguinte aos noventa dias posteriores à promulgação desta emenda. Assim, de acordo com o disposto no artigo 195, § 6° da Constituição Federal combinado com o §1° do artigo 72 do ADCT, a exigência da CSLL deveria ser exigível somente após decorrido o prazo de noventa dias da publicação da referida emenda. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADIN n° 2.666-DF, que questionava a constitucionalidade da Emenda Constitucional n° 37/2002, relacionada com a CPMF, deixou claro seu entendimento de que, havendo modificação substancial, deve ser observada a anterioridade nonagesimal. C*3 12 • Processo n°. : 16327.00200912001-00 Acórdão n°. :101-96.193 A EC n° 10/96 trouxe alteração efetiva quanto à materialidade quantitativa (alíquota) da exação sob exame. Portanto, a majoração da aliquota só poderia ser exigível após o decurso de noventa dias. Ocorre que a administração tributária tem entendido que quando o contribuinte opta por pagar mensalmente o imposto de renda e a contribuição social segundo bases estimadas, fazendo o ajuste com base no balanço anual, esse ajuste deve ser feito segundo a alíquota vigente em 31 de dezembro do ano-calendário, que , no caso, seria 30%. O deslinde do litígio consiste em saber se, como entenderam a fiscalização e a decisão recorrida, estava a pessoa jurídica obrigada a apurar o ajuste anual mediante aplicação da alíquota 30% com base no balanço anual, ou poderia tê-lo feito mediante critério de proporcionalidade, para respeitar as alíquotas de 18% e 30% para cada um dos semestres. A análise há que ser feita à luz da legislação do Imposto de Renda, eis que à Contribuição Social sobre o Lucro se aplicam as normas estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Os fatos ocorreram sob a vigência da Lei n° 8.981/95, quando o período-base de incidência eram mensal, e a pessoa jurídica poderia optar por um regime alternativo de pagamento do imposto, mediante pagamento mensal por estimativa e um ajuste ao final do ano. De fato, estabelece a lei que: (a) o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (art. 26); (b) para apuração do imposto relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mediante a aplicação de determinado percentual sobre a receita bruta registrada na escrituração, auferida na atividade (arts. 27 e 28); (c) as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real poderão : (c.1) optar pelo pagamento do imposto mensalmente por estimativa, deduzindo o valor pago do apurado com base no lucro real em 31 de dezembro do ano calendário, para efeito de determinar o saldo do imposto a pagar ou a compensar ; ou (c.2) determinar, mensalmente, o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de acordo com a legislação comercial e fiscal ( . 37, § 6°). 13 Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 A lei dispõe, expressamente, no seu artigo 27, que o imposto pago mensalmente, apurado por estimativa, se refere aos fatos geradores ocorridos em cada mês. Por conseguinte, qualquer alteração na base de cálculo ou na aliquota não pode alcançar os fatos geradores relativos a meses anteriores, ainda que para efeito da declaração anual de ajuste. Em situação análoga, quando, no ano-calendário de 1999, ocorreu alteração de alíquota a partir do mês de abril, o entendimento da Secretaria da Receita Federal foi exatamente nesse sentido, como expresso no Ato Declaratório (Normativo) 03/2000, a seguir transcrito: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Podaria MF n° 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista o disposto no art. 6° da Medida Provisória n° 1.991-13, de 13 de janeiro de 2000 e a Instrução Normativa SRF n°081, de 30 de junho de 1999, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais Interessados que: I - A pessoa jurídica que tiver optado pelo regime de tributação com base no lucro real anual e recolhido a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, utilizando base de cálculo estimada, durante o ano-calendário de 1999, poderá determinar o valor da CSLL devida, com base no critério de proporcionalidade de que trata o parágrafo único do art. 3° da IN SRF n°81, de 1999, ou com base nos resultados apurados mediante balanços ou balanceies levantados nos períodos de janeiro a abril e aplicar a alíquota de oito por cento sobre a base apurada, e de janeiro a dezembro e aplicar a alíquota de doze por cento sobre a diferença entre as bases de cálculo apuradas. Assim, correta a apuração do ajuste em bases proporcionais. Resta, porém, definir o período a que se aplica a alíquota de 30%. Isso porque, para cumprir a anterioridade nonagesimal prevista no § 6° do art. 196 da Constituição Federal, o termo final da contagem dos 90 dias a partir da publicação da EC 10/96 cai no curso do mês de junho, quando já iniciado, mas não concluído, o fato gerador do referido mês. Daí a dúvida quanto a ser aplicável a aliquota de 30% já no mês de junho, ou só a partir de julho. 14 2 s • Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Se observada a norma do art. 105 do CTN, a nova aliquota já seria aplicável ao mês de junho. Isso porque referido artigo determina que a legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores pendentes. Todavia, não há entendimento uniforme na doutrina quanto à permanência dessa regra após a Constituição de 1988. O entendimento que se harmoniza com o princípio da segurança jurídica, e que predomina junto aos mais abalizados estudiosos do direito, é que a alteração onerosa da lei não alcança fatos geradores em andamento, como se dessume dos trechos a seguir transcritos; "Os fatos geradores pendentes são fatos jurídicos tributários que não ocorreram no universo da conduta humana regrada pelo direito. Poderão realizar-se ou não, ninguém o sabe. Acontecendo efetivamente, terão adquirido significação jurídica. Antes, porém, nenhuma importância podem espertar, assemelhando-se, em tudo e por tudo, com os fatos geradores futuros. A demonstração ad rem da inexistência de qualquer traço diversificador entre o fato gerador pendente e o fato gerador futuro está exposta no próprio enunciado do art. 105 do Código, que prescreve, com clareza meridiana, que "a legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes."' "...passando o princípio da irretroatividade da lei fiscal a ter assento na Constituição, perdeu eficácia a parte do art. 105 do CTN que autorizava a aplicação da legislação tributária a fatos geradores pendentes, como no caso do imposto de renda..."2 " Essa aplicação, evidentemente retrooperante da lei, nunca teve respaldo constitucional. Com efeito, se o fato dito pendente for gerador de tributo e sua ocorrência já tiver tido início, em certa data, a lei tributária posterior a essa data que pretender atingir tal fato estará sendo retroativa. Mesmo abstraindo o princípio da anterioridade, a lei editada após ter início o período de formação da renda, se aplicada para gravá-la, estaria lançando efeitos sobre o passado."' Existe súmula editada pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula 584) com o seguinte enunciado : "Ao imposto de renda calculado sobre rendimentos do ano-base aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração". Muito embora expressiva corrente doutrinária defenda que esse entendimento não pode prevalecer após a Constituição de 1988, devendo ser alterado pela Corte Suprema, o fato é que mesmo em julgados relativamente recentes o entendimento do Supremo tem sido no mesmo sentido, do que é exemplo o trecho a seguir transcrito: " (....)A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal se acha solidamente assentada no sentido de que o fato gerador da obrigação tributária do imposto de renda surge no último dia do exercício social quando se dá o levantamento do balanço social das empresas alusivo ao período encerrado, não contrariando o principio da irretroatividade a exigência de tributo calculado com base em lei editada no curso do ano-base.(...)". Paulo de Barros Carvalho, obra citada. 2 Luiz Emygdio F. da Rosa Jr. obra citada 3 Luciano Amaro, obra citada 4 Trecho do voto do Ministro limar Galvão, no Recurso Extraordinário 205.726-6 PE 15 alg2) • Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Da mesma forma, o Informativo STF ri° 280, de 2 a 6 de setembro de 2002, dá noticia do seguinte julgado: AgRgPet n°2.688-PR Relator: Ministro Carlos Veloso Ementa : Constitucional. Tributário. Imposto de Renda e Contribuição SocialMed. Prov. 812, de 31.12.94, convertida na Lei n°8.981/85, arts. 42 e 58. Med. Prov. Publicada em 31.12.94, a tempo, pois, de incidir sobre o resultado do exercício financeiro encerrado: não ocorrência, quanto ao imposto de renda, de ofensa aos princípios da anterioridade e da irretroatividade. 11- II- No tocante à contribuição social há que ser observado a anterioridade nonagesimal: CF, art. 195, § 6° III- 111- Voto vencido do Ministro Carlos Valioso: ofensa ao princípio da irretroatividade, conforme exposto no julgamento dos RREE 181.664-M e 197.790-MG, Plenário, 19.02.97, IV- Agravo não provido. Pessoalmente, filio-me ao entendimento de que a alteração da lei que implique aumento de tributo não pode alcançar fatos geradores complexivos em formação. Além disso, no caso especifico, há disposição constitucional especifica favorável a essa interpretação, qual seja, o § 1° do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Segundo esse dispositivo, a aliquota prevista no seu inciso III aplicar-se-á a partir do primeiro dia do mês seguinte aos noventa dias posteriores à promulgação da Emenda. Dessa forma, dando-se o termo final do prazo de 90 dias no curso do mês de junho, a aliquota de 30% aplica-se a partir de 1° de julho de 1996. Nesses termos, dou provimento ao recurso para determinar que a aplicação da aliquota de 30% se faça apenas em relação ao segundo semestre de 1996". Da analise do que foi consignado acima, depreende-se que a majoração da allquota da Contribuição Social sujeita-se ao princípio da anterioridade específica, pertinente às contribuições sociais, podendo ser exigida somente após transcorridos noventa dias da data da aplicação da lei que houver instituído ou modificado. Dessa forma, voto no sentido que se deva observar o prazo nonagesimal, como determina o art. 195, § 6° da Constituição Federal, cabendo a 16 • . Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 exigência da CSLL, à alíquota de 30% para o sujeito passivo somente a partir do mês de julho de 1996. Quanto ao argumento despendido pelo Recorrente em relação ao multa de oficio, no sentido de que por ocasião do lançamento a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa em face de liminar obtida em Mandado de Segurança impetrado por GERAL DO COMÉRCIO ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A., incorporado por Santander Noroeste Leasing Arrendamento Mercantil S.A., atual Santander Brasil Arrendamento Mercantil, com a devida vênia entendo também que merece ser reformada a r. decisão recorrida que manteve a exigência. Isto porque, com a conseqüente incorporação da empresa GERAL DO COMÉRCIO ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A., ocorreu a sucessão universal de todos os direitos e obrigações da sucedida, e com isso a sucessão processual decorrente de mudança na titularidade do direito material discutido em juizo, não havendo, portanto, a necessidade do Recorrente fazer a prova da ocorrência da substituição do pólo ativo do Mandado de Segurança acima referido para se beneficiar da decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário decorrente da diferenciação de alíquota. Dessa forma, sou pelo provimento do presente item para excluir a multa de ofício decorrente da CSLL devida pela incorporada que se encontrava acobertada pela Medida Liminar, Quanto à aplicação dos juros moratórios calculados com base na taxa Selic, na ausência de depósito integral da exação questionada judicialmente, é de se observar que a matéria já se encontra sumulada por esse E. Conselho na Súmula n. 1°. CC n. 5, no seguinte termo: Súmula 1°. CC n. 5: São devidos Juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integraL Ante o dispositivo acima, afasto o argumento de ilegitimidade dag) exigência de juros de mora calculado com base na taxa Selic. 17 -tg-3-12—j% - ' • Processo n°. : 16327.002009/2001-00 Acórdão n°. :101-96.193 Por todo o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de decadência suscitada, para no mérito DAR provimento parcial ao recurso, para reduzir a exigência da CSLL relativo ao primeiro semestre de 1996 (pro-rata), bem como a multa de oficio da CSLL devida pela incorporada que se encontrava acobertada pela Medida Liminar em relação ao diferencial de aliquota. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 13 de junho de 2007 ANDRI I 18 Page 1 _0046800.PDF Page 1 _0046900.PDF Page 1 _0047000.PDF Page 1 _0047100.PDF Page 1 _0047200.PDF Page 1 _0047300.PDF Page 1 _0047400.PDF Page 1 _0047500.PDF Page 1 _0047600.PDF Page 1 _0047700.PDF Page 1 _0047800.PDF Page 1 _0047900.PDF Page 1 _0048000.PDF Page 1 _0048100.PDF Page 1 _0048200.PDF Page 1 _0048300.PDF Page 1 _0048400.PDF Page 1

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Numero do processo: 16327.001981/2005-82
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IIMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO REAL - JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA - MEDIDAS JUDICIAIS - DEDUTIBILIDADE. Conforme o caput do art. 41 da Lei 8.981/95, os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Quando os tributos e contribuições estão com exigibilidade suspensa por força de medidas judiciais, nos termos do § 1º do mesmo artigo, a regra de dedutibilidade de que trata o caput do artigo, não se aplica ao principal. Não há base legal para que se exija a adição dos juros de mora calculados sobre o passivo discutido judicialmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL Ano-calendário: 2000 CSLL DISCUTIDA JUDICIALMENTE - NATUREZA DA CONTA PASSIVA Não pode o fisco transformar uma conta de passivo real em conta de provisão, cujo conceito contábil não se amolda às obrigações decorrentes de lei, caso dos tributos, somente pelo fato de, momentaneamente, estar a exação com exigibilidade suspensa. Inaplicável, portanto, o inciso I do art. 13 da Lei 9.249/95 para fazer incidir o art. 2º da Lei 7.689/88. Também são dedutíveis os juros calculados sobre a conta passiva que registra CSLL discutida judicialmente.
Numero da decisão: 107-09.488
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração para sanar omissão no acórdão nº 107-09.344, de 16/04/2008 e, no mérito, por maioria de votos, RE-RATIFICAR a decisão para DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Jayme Juarez Grotto, que negavam provimento ao recurso. As Conselheiras Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Silvana Rescigno Guerra Barretto se declaram impedidas.
Nome do relator: LUIZ MARTINS VALERO

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SI 4 CCO I/C07 Fls. 1 ,¡;¡:;‘'il:,,C't • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° 16327.001981/2005-82 Recurso no 153.938 Embargos Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Ex.: 2001 Acórdão n° 107-09.488 Sessão de 16 de setembro de 2008 Embargante CONSELHEIRO LUIZ MARTINS VALERO Interessado BANCO BANDEIRANTES S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO REAL - JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA - MEDIDAS JUDICIAIS - DEDUTIBILIDADE. Conforme o caput do art. 41 da Lei 8.981/95, os tributos e contribuições são dedutiveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Quando os tributos e contribuições estão com exigibilidade suspensa por força de medidas judiciais, nos termos do § 1 0 do mesmo artigo, a regra de dedutibilidade de que trata o caput do artigo, não se aplica ao principal. Não há base legal para que se exija a adição dos juros de mora calculados sobre o passivo discutido judicialmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL Ano-calendário: 2000 CSLL DISCUTIDA JUDICIALMENTE - NATUREZA DA CONTA PASSIVA Não pode o fisco transformar uma conta de passivo real em conta de provisão, cujo conceito contábil não se amolda às obrigações decorrentes de lei, caso dos tributos, somente pelo fato de, momentaneamente, estar a exação com exigibilidade suspensa. Inaplicável, portanto, o inciso I do art. 13 da Lei 9.249/95 para fazer incidir o art. 2° da Lei 7.689/88. Também são dedutiveis os juros calculados sobre a conta passiva que registra CSLL discutida judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro LUIZ MARTINS VALERO. 1 • Processo n° 16327.001981/2005-82 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.488 Fls. 2 ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração para sanar omissão no acórdão n° 107-09.344, de 16/04/2008 e, no mérito, por maioria de votos, RE- RATIFICAR a decisão para DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima e Jayme Juarez Grotto, que negavam provimento ao recurso. As Conselheiras Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e ilvana Rescigno Guerra Barretto se declaram impedidas. iv)jõ fri Irí. I CIUS NEDER DE LIMA President - TIN VA O 'Relator Formalizado em: 3 1 GUT na Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Antonieta Lynch de Moraes (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Silvia bessa Ribeiro Biar. Relatório Em Sessão de Julgamento de 16 de abril de 2008, fui designado para redigir Voto Vencedor no Acórdão n° 107-09.344, relatado pela Conselheira Albertina Silva Santos. No julgamento divergi da Relatora quanto à acusação fiscal de indedutibilidade dos juros de mora calculados sobre tributos e contribuições discutidos judicialmente.e contra a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a Multa de Oficio. A Câmara, por maioria, me acompanhou na divergência. Entretanto ao formalizar o Voto Vencedor, não obstante tenha eu desenvolvido a argumentação de que o § 1° do art. 41 da Lei n° 8.981/95 não se aplica aos juros de mora, mas tão somente aos tributos e contribuições, exatamente em contraposição à Relatora que defendeu a tese de que os juros, por acessórios, seguem o principal, na parte dispositiva do voto e na ementa restou aplicável o afastamento somente da glosa dos juros sobre a Contribuição Social sobre o Lucro, quando deveria ter constado o afastamento também da glosa dos juros de mora sobre o IRPJ. )0 2 N. /1‘ ; Processo n° 16327.001981/2005-82 CC0I/C07 Acórdão n.° 107-09.488 Fls. 3 A omissão se deu porque utilizei, em relação à CSLL, como argumento de reforço, a inaplicabilidade do art. 13 da Lei no 9.249/95, pois não se pode, como fez o fisco, transformar em provisão despesa efetivamente incorrida. Assim, só me restou embargar o Voto já formalizado. É o Relatório. Voto Conselheiro - LUIZ MARTINS VALERO Relator. Minha proposta à Câmara é no sentido de que sejam acolhidos os embargos para constar que também foi indevida a glosa dos juros calculados sobre o IRPJ discutido judicialmente. Acolhidos os embargos, meu voto é por se dar provimento integral ao recurso, pois a matéria em litígio no recurso original diz respeito à glosa dos juros deduzidos em relação ao IRPJ e à CSLL discutidos judicialmente, resolvendo-se a discussão quanto à incidência de juros SELIC se. ea Multa de Oficio imposto no Auto de Infração. Sála das 5- ,sões em 16 de setembro de 2008 n 4," LU P' • RTINS VAL 3 Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1

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Numero do processo: 19740.000568/2003-46
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Ano-calendário: 1997 RECURSO DE OFÍCIO – RATIFICAÇÃO DO DECIDIDO – é de se ratificar decisão de primeira instância tomada com base nos fatos e no melhor direito aplicável à matéria. LANÇAMENTO REFLEXO - O decidido em relação ao tributo principal aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 101-96.000
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido

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I 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA --.....: .t. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-, .. zor ..;>.'.1::.Lt. ,>• PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 19740.000568/2003-46 Recurso n° 150.352 De Oficio Matéria COFINS - EX: DE 1998 Acórdão n° 101-96.000 Sessão de 28 de fevereiro de 2007 Recorrente LOSANGO FOMENTO COMERCIAL LTDA. Interessado 2' TURMA/DRJ EM BRASÍLIA - DF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Ano-calendário: 1997 Ementa: RECURSO DE OFICIO — RATIFICAÇÃO DO DECIDIDO — é de se ratificar decisão de primeira instância tomada com base nos fatos e no melhor direito aplicável à matéria. LANÇAMENTO REFLEXO - O decidido em relação ao tributo principal aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles . existentes. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio - interposto pela 2' Turma de Julgamento da DRJ em Brasília — DF. -_ ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 464) . . —tare hocesso 6.• 19740.000568/200346 • Acórclio n.° 101-96.000 Fls. 2 MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Presidente Ersa. e CAI* MARCOS CANDID • Rela • r FO ar• EM: O' ÂB1:1 2117 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, VALMIR SANDRI, SANDRA MARIA FARONI, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. • t'rocesso n.• 19740.000568/2003-464 • Acórdão o? 101-96.000 Fls. 3 RELATÓRIO A r Turma da DRJ em Brasília - DF recorre a este E. Conselho, em processo de interesse de LOSANGO FOMENTO COMERCIAL LTDA., em razão de seu acórdão n° 15.188, de 07 de outubro de 2005, que julgou improcedente o lançamento consubstanciado no auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 171/174), relativos aos meses do primeiro trimestre do ano-calendário de 1997, lançado em decorrência do lançamento do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ que tramitou nos autos do PAF n° 10768.018392/2002-15. Repito neste ponto o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeira instância, por bem retratar os fatos objeto dos presentes autos e que deram supedâneo ao julgamento ora recorrido: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado o auto de infração reproduzido às fls. 257/260, formalizando lançamento de oficio de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, relativa aos períodos de apuração de 3 1/01 a 31/03/1997, totalizando R$ 2.415.105,45. O referido instrumento foi originariamente entranhado nos autos do processo etiquetado sob o n es. 10768.018391/2002-71, tendo a contribuinte sido cientificada da autuação em 18/12/2002 e impugnado a exigência em 17/01/2003, consoante petição de cópia inserida às fls .202/235. Submetido o litígio a julgamento em primeira instância pela 4° Turma da DRJ/RJ-11, aquele Colegiado constatou que a matéria em controvérsia tratava-se aparentemente de lançamento decorrente da mesma matéria que havia dado origem aos autos do processo protocolado sob o n°. 10768.018392/2002-15 (IRPJ e CSLL), julgado em primeira instância pela 20 Turma desta DRJ (Acórdão às fls. 266/273), em razão da transferência de competência contida na Portaria SRF n° 351, de 27/03/2003. O julgamento concluiu pela ?k procedência do lançamento. - . e Ocorre que, de acordo com o disposto no art. 9°., § 1°., do Dec. N° 70.235, de 1972, os respectivos processos deveriam correr juntos, razão porque o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução às fls. 274/276, retomando os autos ao órgão preparador, o qual identificou as parcelas lançadas em decorrência da autuação de IRPJ e CSLL, cujos valores foram apartados, dando origem aos presentes autos, encaminhados para esta DRJ em 19/11/2003 (fls. 277/287). Posteriormente, após obter cópia dos autos e inteirar-se da situação (fls. 289/297), a interessada aditou em 19/04/2005 a impugnação inicial, apresentando a petição às j1s. 299/300, argumentando, em síntese, que, sendo a matéria dos presentes autos decorrente da autuação constante do processo n° 10768.01839212002-15, cujo recurso interposto junto ao Primeiro Conselho de Contribuintes, contra a decisão desta DRJ, foi provido por unanimidade pela Primeira gi Câmara (Acórdão às fls. 301/311), há que ser aplicado o mesmo i Processo n.• 19740.000568/2003-46 • Acórdão n.° 101-96.000 Fls. 4 entendimento proferido em relação ao processo matriz, na instância recursal, encerrando-se a contenda. Ocorreu também que, tendo a DEINF/RJO constatado que sobre o fato gerador de 31/03/97 havia sido lançada multa de 75 04 quando, no entendimento da autoridade lançadora, o correto seria de 150%, a exemplo dos demais períodos autuados, foi formalizado auto de infração complementar de multa exigida isoladamente, no valor de R$ 203.813,87 (entranhado nos autos do processo protocolado sob o nO. 10768.001286/2003, apenso), tendo a autuada sido cientificada da acusação em 14/0212003, impugnado em 17/03/2003. A autoridade julgadora de primeira instância, então, emitiu decisão por meio do acórdão n° 15.188/2005, julgando improcedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto:Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Data do Fato Gerador: 31/01/1997, 28/02/1997 e 31/03/1997. Ementa: PROCESSO MATRIZ JULGADO FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE EM GRAU DE RECURSO. EXTENSÃO DA DECISÃO AO LANÇAMENTO DECORRENTE. Tratando-se de exigência fiscal gerada pela mesma matéria tributária, estende-se ao lançamento decorrente ainda pendente de julgamento a decisão proferida em segunda instância, nos autos do processo matriz, dando provimento integral ao recurso interposto pelo contribuinte. Lançamento improcedente. - O referido acórdão, em síntese, traz os seguintes argumentos e constatações: que a respeito da matéria litigada, é coerente reconhecer que se a autuação houvesse sido formalizada com observância dos ditames do art. 9°., § 1°., do precitado Dec. 70.235, de 1972, os autos de infração decorrentes de idêntica matéria tributária e alicerçados -. nos mesmos elementos de prova, teriam sido objeto de um só processo, de sorte que a decisão de primeira instância, proferida por esta DRJ, estender-se-ia tanto ao tributo quanto às contribuições que foram alvo do procedimento, e, por consectário, o recurso voluntário teria sido também assim apreciado em segunda instância. Conseqüentemente, se este houvesse sido o caminho trilhado, a esta altura o litígio estaria encerrado. Como o rito natural teve seu curso obstaculizado pelos incidentes processuais que sucederam desde a formalização da exigência em tornos independentes, não se pode reconhecer, até mesmo em respeito ao princípio da economia processual, que a decisão proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso interposto pela interessada, concluindo pela inexistência da infração que motivou os lançamentos de oficio de IRPJ e CSLL, repercute integralmente sobre a COFINS, assentada na mesma matéria tributária, alcançando, também, a exigência complementar autuada no processo etiquetado sob o n° 10768.001286/2003-83. A autoridade julgadora de primeira instância administrativa concluiu pela improcedência do lançamento, recorrendo de oficio de sua decisão em face de ter ido • Processo n, 19740.000568/2003-46 • Acórdão n.'" 101-96.000 Fls. 5 exonerado crédito tributário superior a seu limite de alçada, conforme estabelece o artigo 2° da Portaria MF n° 375 de 07 de dezembro de 2001. Às fls. 301/311 encontra-se cópia xerográfica do acórdão n° 101 — 94.700 pelo qual foi julgado o litígio relativo ao lançamento principal do qual o presente feito fiscal é decorrente, que restou ementado da seguinte forma: FACTORING — REGIME DE RECONHECIMENTO DE RECEITA — PRO RATA TEMPORE — Tratando-se de factoring convencional ou seja, sem direito de regresso e com antecipação de valores, a negociação se traduz em verdadeira operação de crédito, essencialmente assemelhada ao desconto de titulo, devendo a receita ser reconhecida à luz dos artigos 317 do RIR/94 e 373 do RIR/99, pro rata tempore. Recurso Provido. É o Relatório, passo ao voto. a'• • • 1"rocesso n.° 19740.000568/2003-46 - Acórdão n.° 101-96.000 Fls. 6 • VOTO Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade do recurso de oficio, crédito tributário exonerado superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), dele tomo conhecimento e passo a análise de seu mérito. Inicialmente há que ser afirmada a competência do Primeiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do presente recurso tendo em vista que o lançamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, se deu em decorrência do lançamento do IRPJ, na forma do artigo 7°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: Art. 7° Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, observada a seguinte distribuição I - às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras: (.) d) os relativos à exigência da contribuição social sobre o faturamento instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e das contribuições sociais para o PIS, PASEP e FINSOCIAL instituídas pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, pela Lei Complementar n° 8, de 3 de dezembro de 1970, e pelo Decreto-Lei n° 1.940, de 25 de maio de 1982, respectivamente, quando essas exigências estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. Definida a competência para o julgamento pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do MF, passemos à análise do seu mérito. A decisão vergastada teve por base a decisão adotada por esta E. Câmara no julgamento do recurso voluntário no processo do IRPJ (acórdão n° 101 —94.700). A autoridade julgadora de primeira instância conhecedora do conteúdo do julgamento do processo principal aplicou ao lançamento reflexo da COFINS o mesmo resultado a que a Câmara chegou no processo principal. • • ' Processo n.° 19740.000568/2003-46 • Acórdão ri.• 101-96.000 Fls. 7. • Como é cediço na ausência de situações especiais no lançamento reflexo, o decidido em relação ao lançamento principal a ele se aplica, em função da relação de causa e efeitos entre eles existentes, pelo quê há que ser mantida a decisão recorrida e NEGADO provimento ao recurso de oficio. . a das Sessões, (DF), em 28 de - - iro de 2007 • 5- = 0, MARCOS CANDIDO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1

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4730635 #
Numero do processo: 18471.000478/2003-18
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: AÇÃO FISCAL – MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL – MOTIVAÇÃO – MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA QUE EXCEDE DEZ VEZES OS RENDIMENTOS DECLARADOS – SITUAÇÃO QUE PERMITE A TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO – HIGIDEZ – INDÍCIO DE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA – TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO EM TODOS OS EXERCÍCIOS EM QUE EXISTAM INDÍCIOS DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - Caso a movimentação financeira exceda 10 (dez) vezes os rendimentos declarados, surge a motivação para iniciar a ação fiscal para auditar a discrepância entre esta movimentação e os rendimentos, com a possibilidade da transferência compulsória dos dados bancários do contribuinte para o fisco, caso aquele não atenda a intimação para apresentar os extratos de suas contas bancárias. Ocorrendo a discrepância relatada em um ano-calendário, não fica o fisco adstrito a transferência compulsória do sigilo bancário apenas do exercício em que ocorreu o excesso, pois se trata de indício de interposição de pessoa, e, como tal, deve-se fiscalizar os demais exercícios para os quais existam outros indícios de infração à legislação tributária, devendo, igualmente, haver o assenhoreamento dos dados bancários. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Ainda, despicienda a invocação da Súmula 182 do TFR. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL – IMPOSSIBILIDADE – APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 – FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO – É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, § 4º, da Lei nº 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano-calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de ofício, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2º e 9º da Lei nº 8.134/90. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – CONTA EM CONJUNTO – NÃO COMPROVAÇÃO DA CO-TITULARIDADE NA FASE DA AUTUAÇÃO FISCAL – DEMONSTRAÇÃO DA CO-TITULARIDADE APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO – DIVISÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ENTRE OS CO-TITULARES, EM PROPORÇÃO - Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de co-titulares, em proporção. Essa regra somente será afastada se se demonstrar, à luz das provas dos autos, que os co-titulares detêm os recursos em proporções diferentes. No caso de não se comprovar a co-titularidade da conta de depósito na fase da autuação fiscal, deve a autoridade julgadora manter o crédito tributário em proporção com o número de co-titulares. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL PELAS FONTES PAGADORAS – RENDIMENTOS INFORMADOS EM DIRF E DIRPJ – A mera alegação de que não percebeu os rendimentos pagos e informados à Receita Federal na DIRF e DIRPJ pelas fontes pagadoras, não pode prosperar frente à higidez da informação constante nas declarações referidas, mormente quando o contribuinte é sócio ou dirigente das fontes pagadoras. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DO ANO-CALENDÁRIO 1999 – UTILIZAÇÃO DE GANHO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL NO ANO PRECEDENTE – GANHO QUE NÃO CONSTA NO FINAL DO EXERCÍCIO, NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS – IMPOSSIBILIDADE - Somente poder-se-ia considerar, no acréscimo patrimonial a descoberto de determinado mês do ano-calendário 1999, o ganho em mercado de renda variável do ano antecedente, caso este ganho tivesse se transformado em recurso em espécie ou saldo em conta bancária constante na declaração de bens e direito do recorrente em 31/12/1998. GANHO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL – INFORMAÇÃO EM ANEXO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – IMPOSTO NÃO PAGO – PAGAMENTO ATÉ O VIGÉSIMO DIA DO TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL PARA ELIDIR A AUTUAÇÃO - Na forma do art. 47 da Lei nº 9.430/96, iniciada a ação fiscal, o contribuinte poderia pagar os tributos já declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização. Não fazendo, cabível o lançamento de ofício. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-16.960
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a nulidade do lançamento por falta de intimação do co-titular da conta-corrente e de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a junho de 1998, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage. Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários os seguintes valores: i) no ano-calendário de 1998, R$ 4.611.409,29; ii) no ano-calendário de 1999, R$ 1.977.825,03; e iii) no ano-calendário de 2000, R$ 3.193.549,48, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: AÇÃO FISCAL – MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL – MOTIVAÇÃO – MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA QUE EXCEDE DEZ VEZES OS RENDIMENTOS DECLARADOS – SITUAÇÃO QUE PERMITE A TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO – HIGIDEZ – INDÍCIO DE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA – TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO EM TODOS OS EXERCÍCIOS EM QUE EXISTAM INDÍCIOS DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - Caso a movimentação financeira exceda 10 (dez) vezes os rendimentos declarados, surge a motivação para iniciar a ação fiscal para auditar a discrepância entre esta movimentação e os rendimentos, com a possibilidade da transferência compulsória dos dados bancários do contribuinte para o fisco, caso aquele não atenda a intimação para apresentar os extratos de suas contas bancárias. Ocorrendo a discrepância relatada em um ano-calendário, não fica o fisco adstrito a transferência compulsória do sigilo bancário apenas do exercício em que ocorreu o excesso, pois se trata de indício de interposição de pessoa, e, como tal, deve-se fiscalizar os demais exercícios para os quais existam outros indícios de infração à legislação tributária, devendo, igualmente, haver o assenhoreamento dos dados bancários. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Ainda, despicienda a invocação da Súmula 182 do TFR. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL – IMPOSSIBILIDADE – APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 – FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO – É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, § 4º, da Lei nº 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano-calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de ofício, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2º e 9º da Lei nº 8.134/90. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – CONTA EM CONJUNTO – NÃO COMPROVAÇÃO DA CO-TITULARIDADE NA FASE DA AUTUAÇÃO FISCAL – DEMONSTRAÇÃO DA CO-TITULARIDADE APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO – DIVISÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ENTRE OS CO-TITULARES, EM PROPORÇÃO - Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de co-titulares, em proporção. Essa regra somente será afastada se se demonstrar, à luz das provas dos autos, que os co-titulares detêm os recursos em proporções diferentes. No caso de não se comprovar a co-titularidade da conta de depósito na fase da autuação fiscal, deve a autoridade julgadora manter o crédito tributário em proporção com o número de co-titulares. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL PELAS FONTES PAGADORAS – RENDIMENTOS INFORMADOS EM DIRF E DIRPJ – A mera alegação de que não percebeu os rendimentos pagos e informados à Receita Federal na DIRF e DIRPJ pelas fontes pagadoras, não pode prosperar frente à higidez da informação constante nas declarações referidas, mormente quando o contribuinte é sócio ou dirigente das fontes pagadoras. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DO ANO-CALENDÁRIO 1999 – UTILIZAÇÃO DE GANHO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL NO ANO PRECEDENTE – GANHO QUE NÃO CONSTA NO FINAL DO EXERCÍCIO, NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS – IMPOSSIBILIDADE - Somente poder-se-ia considerar, no acréscimo patrimonial a descoberto de determinado mês do ano-calendário 1999, o ganho em mercado de renda variável do ano antecedente, caso este ganho tivesse se transformado em recurso em espécie ou saldo em conta bancária constante na declaração de bens e direito do recorrente em 31/12/1998. GANHO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL – INFORMAÇÃO EM ANEXO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – IMPOSTO NÃO PAGO – PAGAMENTO ATÉ O VIGÉSIMO DIA DO TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL PARA ELIDIR A AUTUAÇÃO - Na forma do art. 47 da Lei nº 9.430/96, iniciada a ação fiscal, o contribuinte poderia pagar os tributos já declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização. Não fazendo, cabível o lançamento de ofício. Recurso voluntário parcialmente provido.

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Ocorrendo a discrepância relatada em um ano-calendário, não fica o fisco adstrito a transferência compulsória do sigilo bancário apenas do exercício em que ocorreu o excesso, pois se trata de indício de interposição de pessoa, e, como tal, deve-se fiscalizar os demais exercícios para os quais existam outros indícios de infração à legislação tributária, devendo, igualmente, haver o assenhorearnento dos dados bancários. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTN - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, com fato gerador complexivo, que se)/ aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo di,, r . ii -O . Processo n°18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.960 As. 750• lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva Ainda, despicienda a invocação da Súmula 182 do TFR. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — RENDIMENTOS OMITIDOS — FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL — IMPOSSIBILIDADE — APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 40, DA LEI N° 9.430/96 — FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL — HIGIDEZ DO LANÇAMENTO — É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apura-se o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoou-se em 31/12 do ano- calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do ano-calendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de oficio, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica é anual, na forma do art. 2° da Lei n°7.713/88 c,/c os arts. 2° e 9° da Lei n°8.134/90. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — CONTA EM CONJUNTO — NÃO COMPROVAÇÃO DA CO-TITULARIDADE NA FASE DA AUTUAÇÃO FISCAL — DEMONSTRAÇÃO DA CO- TITULARIDADE APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO — DIVISÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ENTRE OS CO- TITULARES, EM PROPORÇÃO - Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo 4- Processo tf 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.960 fls. 751 comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de co-titulares, em proporção. Essa regra somente será afastada se se demonstrar, à luz das provas dos autos, que os co-titulares detêm os recursos em proporções diferentes. No caso de não se comprovar a co- titularidade da conta de depósito na fase da autuação fiscal, deve a autoridade julgadora manter o crédito tributário em proporção com o número de co-titulares. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL PELAS FONTES PAGADORAS — RENDIMENTOS INFORMADOS EM DIRF E DIRPJ — A mera alegação de que não percebeu os rendimentos pagos e informados à Receita Federal na DIRF e DIRPJ pelas fontes pagadoras, não pode prosperar frente à higidez da informação constante nas declarações referidas, mormente quando o contribuinte é sócio ou dirigente das fontes pagadoras. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DO ANO- CALENDÁRIO 1999 — UTILIZAÇÃO DE GANHO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL NO ANO PRECEDENTE — GANHO QUE NÃO CONSTA NO FINAL DO EXERCÍCIO, NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS — IMPOSSIBILIDADE - Somente poder-se-ia considerar, no acréscimo patrimonial a descoberto de determinado mês do ano- calendário 1999, o ganho em mercado de renda variável do ano antecedente, caso este ganho tivesse se transformado em recurso em espécie ou saldo em conta bancária constante na declaração de bens e direito do recorrente em 31/12/1998. GANHO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL — INFORMAÇÃO EM ANEXO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — IMPOSTO NÃO PAGO — PAGAMENTO ATÉ O VIGÉSIMO DIA DO TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL PARA ELIDIR A AUTUAÇÃO - Na forma do art. 47 da Lei n° 9.430/96, iniciada a ação fiscal, o contribuinte poderia pagar os tributos já declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização. Não fazendo, cabível o lançamento de oficio. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROBERTO NEVES RODRIGUES. jACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a nulidade do lançamento por falta de intimação do co-titular da conta-corrente e de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a junho de 1998, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e 3 . . . Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.• 106-16.980 Fls. 752 Gonçalo Bonet Allage. Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários os seguintes valores: i) no ano- calendário de 1998, R$ 4.611.409,29; ii) no ano-calendário de 1999, R$ 1.977.825,03; e iii) no ano-calendário de 2000, R$ 3.193.549,48, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - . R :, IBEI 1 • D • S REIS Presidente GI G ANNI CH ',./11Ai, .: CAMPOS r /relator ( 1 4 AGO 2008 FORMALIZ • il 4 P. • . param, . inda, • o presente julgamento, os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino • storg , Rubens Mauricio Carvalho (suplente convocado), fit • Relatório Em face do contribuinte Roberto Neves Rodrigues, CPF/MF n° 630.251.837-72, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 11/07/2003, Auto de Infração (fls. 202 a 211), com ciência postal em 17/07/2003. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 259 a 452. Para explicitar os motivos da impugnação, bem como delimitar o objeto da autuação, transcrevemos o relatório da decisão a quo, que teve como relatora a AFRFB Verônica Maria Perotta de Seixas, verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de jls. 202/211, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercícios 1999 a 200I/anos-calendário 1998 a 2000, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 8.637.476,73, sendo R$ 3.722.542,45 a titulo de imposto, acrescido de juros de mora, calculados até 30/06/2003, no valor de R$ 2.123.027,49, e de 75% (setenta e cinco por cento) de multa proporcional, na importância de R$ 2.791.906,79. 2. De acordo com a Descrição dos Fatos, de fls. 203/205, foram apuradas as seguintes infrações: 2.1 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURIDICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGA TICIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Omissão de rendimentos recebidos das empresas RN Consultoria Administração Empr. e Participações Ltda., CNPJ n° 4 • . Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-16.960 Fls. 753 00.105.110/0001-18 e Opção RN Importação e Exportação Ltda., CNPJ n° 00.681.374/0001-10, no valor anual de R$ 10.800,00 por cada empresa, perfazendo o total de R$ 21.600,00, conforme Dirf das mesmas, referentes ao ano-calendário de 1999. 2.2. - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificou-se excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Demonstrativo Receitas X Despesas anexo ff1. 201). A fiscalização, ao analisar a planilha relativa ao período de 1999, constatou que houve variação patrimonial a descoberto no mês de fevereiro, na importância de R$ 49.584,50. 2.3 - OMISSÃO DE GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável, obtidos em Operações de Day- Trade, e que sofreram retenção de I% (um por cento) a título de Imposto de Renda na Fonte, relativas ao ano-calendário de 2000, nos montantes especificados às fls. 203 e 204. 2.4. - OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados/depositados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Intimação, de 13/02/2003, não respondido (fls. 29/39), correspondentes aos anos-calendário 1998, 1999 e 2000, nas importâncias arroladas às fls. 204 e 205. 3. O enquadramento legal que fundamenta a presente autuação encontra-se discriminado àsfls. 203/205 e 211. 4. Ressalte-se que o Relatório de Ação Fiscal consta das fls. 198/200. 5. Inconformado com a exigência da qual foi cientificado, em 17/07/2003 (AR de fl. 246), o contribuinte apresentou impugnação, de fls. 259/452, por intermédio de seu procurador, em 18/08/2003, com instrumento de mandato defl. 254, alegando, em síntese, que: 5.1. Em função da greve dos servidores da Secretaria da Receita Federal, o requerente não pôde ter pleno acesso aos autos do presente processo, fato que prejudicou deveras o exercício de seu direito de defesa. Considerando o art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, que aponta a nulidade do (1.4 • procedimento efetuado com preterição do direito de defesa, o impugnante, inobstante haver demonstrado todo o esforço em cumprir os prazos processuais, roga por seu direito de juntar 5 . . Processo n0 18471.000478/2003-18 CC01/036 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 754 aos autos, posteriormente, todos os meios de prova que se façam necessários à proteção de seu interesse e à cabal comprovação dos fatos discutidos. 5.2. Da mesma forma é nulo o procedimento de quebra do sigilo bancário do contribuinte, eis que o ato ensejador do afastamento desse direito essencial à privacidade do cidadão inobservou, por completo, os fundamentos de fato e de direito que lhe dariam suporte. 5.3. Alega falta de motivação para a quebra do sigilo bancário, em que o ordenamento jurídico cerca de garantias e controles o poder estatal para, por exceção e somente nos casos indispensáveis, o que não reflete a situação do impugnante, interferir no sigilo dos indivíduos efetuando esse tipo de exame. 5.4 Questiona a motivação para abertura de procedimento fiscal contra o recorrente. Em respeito aos princípios da segurança jurídica, moralidade, publicidade, lealdade e boa-fé perante o administrado, argúi o conceito de movimentação financeira incompatível, que serviu de motivo deflagrador do procedimento fiscal. 5.5 Enfatizo que exerce atividade profissional de operador no mercado financeiro, realizando inúmeras operações. Portanto, sua movimentação financeira, naturalmente, deve exceder àquela dos indivíduos que usam sua conta bancária apenas para operações comezinhas. Em estrita observância aos princípios da isonomia e da razoabilidade, a movimentação financeira de um indivíduo cuja atividade profissional corresponda à do requerente não pode se enquadrar no padrão correspondente ao dos contribuintes comuns. Desta forma, ainda que a movimentação do contribuinte, em 1998, tenha sido de 18,54 vezes sua renda, não se vislumbra motivação para a quebra do sigilo bancário naquele ano. Além disto, cabe destacar que, especificamente em 1999 e 2000, a movimentação financeira, nem de longe, poderia ser considerada incompatível. 5.6. Assim, tendo ficado claramente comprovada a inexistência da realidade fática, que serviu de motivação para o procedimento fiscal, encontra-se irremediavelmente inquinado do vício de nulidade todo o procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte. Do Mérito: Da Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica: 5.7. O lançamento tributário considerou omitidos, durante o ano de 1999, rendimentos do trabalho (com vínculo empregatício) recebidos das pessoas jurídicas RN Consultoria Adm. Empr. e Participações Ltda. e Opção RN Importação e Exportação Ltda., no valor de R$ 10.800,00, por cada empresa. 6 Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n." 106-16.960 EU 755 5.8. Entretanto, o contribuinte não reconhece o respectivo pagamento, sendo certo que não consta do processo qualquer documento colhido pela autoridade fiscal provando essa imputação, ou demonstrando ter havido recebimento dos valores. É de se destacar, também, que o contribuinte não tem vínculo empregaticio com as mencionadas pessoas jurídicas, não podendo receber rendimentos a esse título. 5.9 É essencial observar, também, que, em nenhum momento da fiscalização o contribuinte foi intimado a prestar qualquer esclarecimento acerca desses supostos rendimentos (cf intimações de fls. 21 a 51), importando este fato em franca preterição de seu direito de defesa e conseqüente nulidade do lançamento, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto: 5.10. Em seu relatório de ação fiscal, a ilustre AFRF afirma que, ao efetuar a conferência do fluxo financeiro do contribuinte, não levou em consideração o valor de R$ 386.359,20 como proveniente de ganho no mercado de renda variável, em junho de 1998, tendo em vista que o contribuinte, mesmo havendo recolhido o valor correspondente, não comprovou haver auferido efetivamente tais ganhos. 5.11. Considerando que essa glosa tem imediata repercussão sobre o lançamento referente a acréscimo patrimonial a descoberto, no mês de fevereiro de 1999, no valor de R$ 49.584,50, faz-se necessário esclarecer que a aplicação em renda variável e o respectivo ganho se encontram registrados no comprovante de movimentação de conta-corrente, da Mercobank S.A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, do dia 29/06/1998, conforme extrato de fls. 172, correspondendo a operações com ações da Embratel, coincidindo com o mesmo valor transferido para a conta-corrente do Banco Baú (fls. 75), na mesma data (cf doc.2, fl. 443). 5.12. Com relação ao ganho de R$ 159.799,00 e R$ 150.510,60, em maio e dezembro de 1999, também se encontram registrados no extrato da Corretora de Títulos e Valores Mobiliários Mercobank (cf doc.2, fls. 444/447). Da Omissão De Ganhos No Mercado De Renda Variável: 5.13. Esse item do auto de infração trata de valores declarados pelo contribuinte em sua DIRPF, em relação aos quais, por lapso, deixou de recolher o imposto. 5.14. Tratando-se de tributo declarado pelo contribuinte, indevida é a imposição da multa de oficio, devendo ser o débito declarado na DIRPF ser encaminhado à cobrança administrativa. Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-18.960 Fls. 756 Dos Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada: 5.15. Importante assinalar que, conforme comprovam as petições feitas às instituições financeiras, cujas cópias ora se anexam (doc.4 — fls. 449/452), o contribuinte não se negou a apresentar os extratos à fiscalização. Apenas não houve tempo hábil para a obtenção dos referidos documentos. 5.16. Considerando que a fiscalização não requisitou ao banco os microfilmes de seus lançamentos bancários, o impugnante vê-se impossibilitado de oferecer, por completo, a aplicação de todos os ingressos em sua conta-corrente, em face do elevado número de operações, típicas de sua atividade profissional. 5.11 Como se comprova pelas informações constantes em suas DIRPF, o interessado exerce atividade de empresário com atuação no mercado financeiro. Desta forma, é natural que por sua conta-corrente transitem valores referentes à compra e venda de títulos, bem como de outras operações típicas desse ramo de atividade. Em muitas dessas vezes, o contribuinte, operando a rogo de clientes, efetuava operações financeiras, havendo, portanto, circulação de valores de terceiros por sua conta. Tal fato, certamente, não constitui aquisição de receita por parte do fiscalizado. 5.18 Em outras palavras, o simples creditamento de recursos em sua conta bancária não se presta a configurar a aquisição de renda tributável. Cita a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos que teria cristalizado a jurisprudência no sentido da ilegitimidade de lançamento fiscal exclusivamente baseado em depósitos bancários, bem como faz menção ao art. 43 do Código Tributário Nacional. 5.19. Transcreve ementas de acórdãos administrativos e judiciais que, a seu ver, ratificam seu entendimento. 5.20. Efetuando a análise de toda a movimentação financeira do contribuinte, relativamente aos anos de 1998 a 2000, o fisco considerou não ter havido comprovação de origem de alguns ingressos, conforme intimação e planilha de fls. 29 e 30/39, respectivamente. 5.21. Alega que os ingressos bancários são perfeitamente justificáveis, consistindo, a maior parte das vezes, em transferências de recursos entre instituições. Como por exemplo, percebe-se no lançamento de R$ 1.267.547,38, do dia 15/01/1998, do Banco nazi —fl. 64, coincidente em data e valor ao débito em conta-corrente da instituição financeira Mercobank — fl. 167. Da mesma forma, identifica-se a transferência de R$ 200.000,00, do kali, por meio do DOC 209934 —fl. 65, para o Unibanco —fl. 144, no dia 30/01/1998. 5.22. Estranha o fisco não ter identificado os rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, mensalmente, sempre 8 , Processo n° 18471.000478/2003-18 CCO I /C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 757 nas mesmas datas, no valor de R$ 5.435,00, regularmente declarados em sua DIRPF (84.000 — 18.780 / 12, fonte pagadora Opção RN Comm. Ltda.). 5.23. Enfatiza, ainda, que as transferências entre as contas de mesma titularidade, justamente por não configurarem aquisição de renda, não ensejam tributação por omissão de receita, conforme apresso no § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, reproduzido na peça defensória. 5.24. Portanto, todo lançamento baseado na movimentação bancária do contribuinte não se sustenta, devendo ser declarado completamente improcedente, conforme posição jurisprudencial e do Conselho de Contribuintes. 5.25. O recorrente anexa novamente aos autos cópias dos extratos da conta-corrente do Mercobank, relativamente a 1998 e apresenta os extratos da mesma instituição referentes a 1999 e 2000, que não foram trazidos aos autos pela autoridade fiscal. Acosta também, novamente, os extratos de 1998 a 2000 do Banco Baú (fls. 291/441). 5.26. Analisando-se os referidos documentos, conclui-se que estão perfeitamente identificados, em datas e valores, os lançamentos descritos nas planilhas constantes da impugnação, às fls. 274/289, as quais englobam os meses de janeiro/1 998 a dezembro/2000. Note-se que tais lançamentos representam meras transferências entre contas do próprio titular. 5.27. Do cotejo entre as contas do Mercobank, Baú e Unibanco, conclui-se que, caso não se declare a improcedência total dos lançamentos descritos às fls. 204/208, como requerido anteriormente, devem os mesmos ser modificados, conforme consignado após cada tabela mensal contida na peça defensória, de fls. 274/289. Da Conclusão: 5.28. Foram amplamente demonstradas as questões preliminares referentes a 1998, 1999 e 2000 que apontam de plano a nulidade dos respectivos lançamentos, seja por falta de motivação para a abertura do procedimento, seja pela total inadequação para a quebra do sigilo bancário do contribuinte, seja pelos dois motivos em conjunto. Foi também apontada a nulidade por preterição do direito de defesa, relativamente à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. 5.29. Se o ilustre julgador não entender pela total improcedência dos lançamentos baseados nos depósitos bancários, deve retificar a autuação, reduzindo o imposto, a multa e os juros devidos, tendo em vista a comprovação da origem dos créditos apresentada. 5.30. Protesta, ainda, o recorrente pela eventual necessidade de juntar os meios de prova necessários a sua defesa, tendo em 9 , Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão 106-16.960 Fls. 758 vista somente ter tido acesso aos autos no dia 08/08/2003, quando pôde obter cópia dos mesmos, em função da greve dos servidores da Secretaria da Receita Federal. 6. À fl. 457, o interessado, através de seu procurador, solicitou a juntada de cópia dos comprovantes de rendimentos referentes aos anos-calendário 2000 e 1999, bem como dos Demonstrativos de Pagamento de Salário correspondentes a 1998, pagos a Maria de Fátima dos S. Rodrigues, de fls. 458/465. 7. Do mesmo modo, àfl. 466, requer ajuntada da movimentação financeira atinente ao Banco fiais S/A., de fls. 467/542, consubstanciado nos extratos bancários de 1998, 1999 e 2000. 8.1 Na data de 03/10/2003, à ft 544, pleiteou a juntada da documentação de fls. 545/549, alegando que: 8.1. Mesmo considerando já ter sido demonstrado o auferimento do ganho em renda variável, nos valores de R$ 386.359,20, em junho de 1998 e de R$ 159.799,54, mediante comprovantes de movimentação de conta-corrente do Mercobank S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, coincidentes em datas e valores com o registro na conta- corrente do ltaú, valores estes indevidamente desconsiderados pelo fisco, o interessado apresenta as respectivas Notas de Corretagem das Operaçães, somente agora obtidas pelo contribuinte (lis. 545/547). 8.2. Petição feita ao Banco Baú solicitando o fornecimento de mircrofilmes (fl. 549). Esse documento, mesmo havendo sido registrado no 1° Oficio do Registro de Títulos e Documentos, não foi objeto de resposta pela instituição. Assim, comprova-se que o contribuinte não se furtou a fornecer a documentação bancária solicitada pela autoridade fiscal, a qual, por sua vez não a requisitou do banco. 8.3. Assinala que, além daqueles depósitos já demonstrados no item 3.4.1 da impugnação (fl. 274 em diante), consta do extrato bancário da instituição Mercobank, já presente nos autos a comprovação da origem dos 07 (sete) lançamentos ali especificados (fi. 544). A r Turma de Julgamento da DRJ-Rio de Janeiro (RJ), por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão de fls. 562 a 583. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 3.844, de 07 de novembro de 2003, que foi assim ementado: NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Concedido ao \1( contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e . • . . . Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI /CO6 Acórdão n.• 106-18.980 Fls. 759 esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A autoridade fiscal pode solicitar informações e documentos relativos a operações bancárias quando em procedimento de fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. São tributáveis os rendimentos compro vadamente recebidos pelo contribuinte, de pessoa jurídica, e omitidos em sua Declaração de Ajuste Anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os acréscimos patrimoniais não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cobrando-se o imposto com o acréscimo da multa de oficio e juros de mora, calculados sobre a omissão apurada. SALDOS REMANESCENTES EXISTENTES AO FINAL DO ANO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. EFEITOS. Os saldos remanescentes não comprovados ao final de cada ano-calendário consideram-se consumidos dentro do próprio ano, não servindo como recursos para justificar acréscimo patrimonial apurado no ano-calendário subseqüente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n°9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECISÕES DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, senão naquela objeto da decisão. MULTA DE OFICIO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19/04/2004 (fls. 589v). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 19/05/2004 (fls. 596). No voluntário, o recorrente deduz os seguintes argumentos: • inobstante não ter sido aventado na peça impugnatória, na infração iÂ, . referente aos depósitos bancários de origem não comprovada, há um erro na identificação do sujeito passivo, causa de nulidade absoluta do lançamento, pois a conta de depósito na qual transitou os principais valores era conjunta com o cônjuge do recorrente. A autoridade fiscal tinha conhecimento de tal fato, pois no processo administrativo fiscal n° 18471.002627/2002-94, referente à fiscalização do ano-calendário 1997, I I . - • . . Processo n°18471.000478/2003-18 Cai I /CO6 Acórdão n.° 106-18.980 Fls. 760 foram juntadas várias cópias de cheques da referida conta de depósito, constando o nome do seu cônjuge, que possui rendimentos próprios e apresenta declaração em separado. Para comprovar a co-titularidade, junta cópias de folhas de cheques e das fichas de identificação de depositante; • houve falta de motivação do ato administrativo de abertura da ação fiscal, bem como da transferência compulsória do sigilo bancário do recorrente para o fisco, no tocante à operação movimentação financeira incompatível, pois o recorrente, em apenas um dos anos fiscalizados, teve a movimentação financeira que excedeu em mais de 10 vezes os rendimentos declarados, incorrendo em hipótese prevista no Decreto n° 3.724/2001. Aqui, dever-se-ia mitigar tal regra, considerando a especial situação do recorrente, que opera no mercado financeiro, e, com alguma freqüência, circulava valores de terceiros em suas contas de depósito, não sendo, na espécie, desarrazoado uma movimentação financeira que exceda 10 vezes a renda declarada; • à luz da antiga Súmula 182 do TFR, depósitos bancários não podem ser presumidos como renda; • traz comprovação de parcela dos depósitos de origem não comprovada; • no tocante à infração referente à omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas RN Consultoria Adm. Empr. e Participação Ltda. e Opção RN Importação e Exportação Ltda., ambas tendo pretensamente pagado R$ 10.800,00, o recorrente não reconhece tais pagamentos, pois sequer tem vínculo empregatício com tais empresas; • para elidir a infração do acréscimo patrimonial a descoberto de fevereiro de 1999, o recorrente se socorre de um ganho no mercado de renda variável em junho de 1998; • em relação à infração referente à omissão de ganhos no mercado de renda variável, o recorrente reconhece que se trata de valores declarados pelo contribuinte em sua DIRPF, em relação aos quais, por lapso, deixou de recolher o imposto, e pede para que o débito declarado na declaração de ajuste seja enviado para a cobrança administrativa, afastando-se o lançamento da multa de oficio. Em sessão plenária de 24 de fevereiro de 2005, esta Sexta Câmara, na relatoria da Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto, decidiu converter o julgamento em diligencia, pela Resolução n° 106-01.280, para que a autoridade preparadora adotasse as seguintes providências (fls. 694 e 695): y1) "Intime as fontes pagadoras consignadas às fls. 215 e informadas às . 557 e 560 (documentos juntados depois da autuação) a esclarecerem, a que título e os montantes pagos ao recorrente no ano-calendário 1999"; 2 , - Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 761 2) "adapte o lançamento à determinação do art. 58 da Medida Provisória n° 66 de 29/8/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002, em vigor na data da formalização do mesmo"; 3) "elabore um parecer conclusivo sobre as informações inseridas: a) nos documentos de fls. 213 a 242, anexados após o relatório fiscal e ao auto de infração; b) nos quadros registrados no recurso de fls. 624/642; c) nos documentos juntados às fls. 646 a 670". Ainda, o recorrente deveria ser cientificado do teor da diligência. Pela documentação de fls. 699 a 725, a diligência foi cumprida, asseverando a autoridade preparadora: • em relação ao item 1 da Resolução acima, afirmou: o pesquisou os arquivos de declaração da SRF, nos quais as empresas Opção RN Importação e Exportação Ltda. e RN Consultoria Adm. Empreend. e Participação Ltda., ambas tendo o recorrente como representante legal, informaram, cada uma, o pagamento de R$ 10.800,00 ao recorrente, a titulo de demais rendimentos (os campos de rendimento de dirigentes referentes a lucros/dividendos e juros sobre capital própria aparecem zerados — fls. 705 e 710); o o próprio contribuinte, na declaração de ajuste do ano-calendário 1998, declarou ter recebido rendimentos da empresa RN Consultoria e da Opção RN (fls. 07). No ano-calendário 2000, em respostas a intimações, declarou que recebeu rendimentos tributáveis da empresa RN Consultoria e Opção RN. o Ante o exposto, concluiu a autoridade que presidiu a diligência que o recorrente omitiu os rendimentos vergastados no ano- calendário 1999. • em relação aos itens 2 e 3 da Resolução acima, após esclarecer que houve um equivoco na organização do processo, asseverou: o reconstituiu, mês a mês, o rol de depósitos bancário de origem não comprovada, excluindo os depósitos comprovados, bem como adaptando ao art. 58 da MP 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002, pois restou comprovada a co-titularidade da conta mantida no banco Itati; o refez o fluxo financeiro mensal que imputou ao acréscimo patrimonial a descoberto em fevereiro de 1999. Aqui, como houve uma redução nos depósitos bancários de origem não comprovada, utilizados como fontes de recursos, apontou um acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 90.524,50 (ou R$ 109.145,14, caso se impute ao recorrente somente metade dos '34 Processo n° 18471.00047812003-18 CCO 1 /CO6 Acórdão n.° 106-16.960 lis. 762 depósitos bancários) e não R$ 49.584,50, este último apontado no auto de infração; o alfim, estribado na informação 61/2004 da DIFIS/SRRF07, defendeu que a presunção do art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96 é relativa, cedendo havendo prova em contrário, e, no caso vertente, todas as provas indicam que o recorrente é o real proprietário de todos os depósitos bancários tributados. Vindo os autos a esta Sexta Câmara, o Presidente em exercício, Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, devolveu o processo para que a DEFIC-RJ intimasse o recorrente do teor da diligência acima. Intimado, o recorrente adita: • em relação ao item 1 da Resolução, a autoridade descumpriu a determinação da Sexta Câmara, pois não intimou as fontes pagadoras, socorrendo-se, apenas, dos arquivos digitais da SRF; • em relação aos itens 2 e 3 da Resolução, a autoridade, novamente, descumpriu a determinação da Sexta Câmara, pois colacionou Parecer que não tem conexão com o fato aqui em debate, devendo o arrazoado ser desentranhado dos autos. Ainda, pugna pelo reconhecimento da necessidade imperiosa de se intimar o outro co-titular da conta bancária mantida no banco Itaú, para, então, determinar o real titular dos depósitos bancários, o que é suficiente para afastar a possibilidade de divisão ao meio dos depósitos bancários, o que seria uma inovação não permitida no lançamento. Por fim, a fiscalização juntou documentação desconhecida do contribuinte após o auto de infração, o que é causa de nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 19/04/2004 (fls. 589v) e interpôs o recurso voluntário em 19/05/2004 (fls. 596), dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, dele tomo conhecimento. Abaixo, resumem-se as irresignações recursais: I. a fiscalização juntou documentação desconhecida do contribuinte após o auto chi infração, o que é causa de nulidade do lançamento; Processo n° 18471.000478/2003-18 CC.01/CO5 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 763 II. no tocante à infração referente aos depósitos bancários de origem não comprovada, há erro na identificação do sujeito passivo; III. houve falta de motivação do ato administrativo de abertura da ação fiscal, bem como da transferência compulsória do sigilo bancário do recorrente para o fisco, no tocante à operação movimentação financeira incompatível, pois o recorrente, em apenas um ano dos fiscalizados, teve a movimentação financeira que excedeu em mais de 10 vezes os rendimentos declarados, incorrendo na hipótese prevista no Decreto n°3.724/2001; IV. pugna pela aplicação da decadência mensal, na forma do art. 150, § 4°, do CTN; V. à luz da antiga Súmula 182 do TFR, depósitos bancários não podem ser presumidos como renda; VI. deve-se acatar a comprovação de parcela dos depósitos de origem não comprovada; VII. no tocante à infração referente à omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas RN Consultoria Adm. Empr. e Participação Ltda. e Opção RN Importação e Exportação Ltda., ambas tendo pretensamente lhe pagado R$ 10.800,00, o recorrente não reconhece tais pagamentos, pois sequer tem vínculo empregatício com tais empresas; VIII. para elidir a infração do acréscimo patrimonial a descoberto de fevereiro de 1999, o recorrente se socorre de um ganho no mercado de renda variável em junho de 1998; IX. em relação à infração referente à omissão de ganhos no mercado de renda variável, o recorrente reconhece que se trata de valores declarados pelo contribuinte em sua DIRPF, em relação aos quais, por lapso, deixou de recolher o imposto, e pede para que o débito declarado na declaração de ajuste seja enviado para a cobrança administrativa, afastando-se o lançamento da multa de oficio. Inicialmente, passa-se às preliminares do item I a III. No item I, o recorrente afirma que a fiscalização juntou documentação desconhecida do contribuinte após o auto de infração, o que é causa de nulidade do lançamento. A autoridade que presidiu a diligência demonstrou que não houve juntada de documentação desconhecida do recorrente após o auto de infração. Apenas, houve um equívoco na montagem do processo (fls. 699, 719 e 720). De fato, a documentação juntada após o auto de infração refere-se a documentos que deveriam constar do dossiê da fiscalização (fls. 212 a 219), bem como a respostas prestadas pelo próprio recorrente (fls. 221 a 245). 15 Processo n° 18471.00047812003-18 CCOI,C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 764 Por óbvio, não ocorreu nenhum cerceamento ao direito de defesa do recorrente. Assim, afasta-se a nulidade vindicada. No item II, o recorrente advoga que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois a autoridade autuante sabia que a principal conta de depósito objeto da infração dos depósitos bancários fora constituída em conjunto com sua esposa, como faz prova cópia de cheques juntados aos autos de fiscalização pregressa do recorrente. Ademais, reconhece que tal preliminar não foi levantada na peça impugnatória, porém afirma que é dever de oficio da autoridade julgadora declarar a ilegitimidade passiva tributária do recorrente, no caso vertente, já que violado o art. 42, § 6°, da Lei n°9.430/96. Compulsando os autos, notadamente a ficha cadastral do depositante no banco Itaú (fls. 57 e 58), não se apreende que a conta de depósito era em conjunto, apesar de haver, na ficha cadastral, o nome do cônjuge. Igual situação em relação às fichas cadastrais dos bancos Unibanco (fls. 158 a 161), Mercobank (fls. 164) e Prosper (fls. 191). Ainda, o recorrente, somente quando da interposição da presente peça recursal, aventa a presente preliminar. Ainda, não socorre ao impetrante a tese de que a autoridade autuante sabia que a conta de depósito do banco Itaú era em conjunto com seu cônjuge, na forma de cópias de cheques juntados naquele outro processo, pois não se comprovou que seria a mesma autoridade autuante em ambos os procedimentos fiscais. Ademais, não me parece plausível acatar uma nulidade da espécie, quando os titulares da conta de depósito em debate são cônjuges, e em nenhum momento foi imputado ao cônjuge do recorrente a responsabilidade pela movimentação dos valores depositados, bem como não há qualquer indício de que o cônjuge mulher seria o real beneficiário da movimentação bancária em debate. Quer parecer que se deixou fluir o procedimento fiscal, para, posteriormente, alegar a nulidade. O recorrente tinha dever de colaborar com a administração fiscal, noticiando à autoridade autuante da co-titularidade da conta bancária, para se albergar na faculdade do art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96, caso ambos os cônjuges fossem detentores dos valores movimentados ou no caso do cônjuge mulher ser o titular individual dos valores movimentados, ressaltando que neste último caso o recorrente seria exonerado da exação fiscal lançada, sendo esta, então, imputada exclusivamente ao cônjuge mulher. Ante o exposto, deve-se afastar a nulidade aventada, reconhecendo, entretanto, a aplicação da divisão dos recursos, em proporção, como expressamente prevista no art 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96, pois o cônjuge do recorrente não foi intimado a comprovar a origem dos depositados, o que deve manter íntegra a divisão determinada pela norma antes transcrita. No tocante ao item III, o recorrente afirma que não havia razão para a abertura da ação fiscal, bem como para a transferência compulsória de seu sigilo bancário para o fisco, pois em apenas um ano a movimentação financeira excedeu a 10 (dez) vezes o rendimento )(fdeclarado (ano-calendário 1998), e nos anos-calendário 1999 e 2000, a fração movimentação financeira/rendimentos declarados não excede a 10 (dez). Ainda que a fiscalização deveria t considerado sua real situação pessoal, pois, para um contribuinte que utilizada sua conta bancária para operações comezinhas, a relação antes informada, acima de 10, pode parecer\ 4. 16 . - .. . . Processo n°18471.000478/2003-18 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 765 estranha, porém para um operador do mercado financeiro, como o recorrente, tal relação deve ser considerada normal. Assim, a regra de transferência compulsória do sigilo bancário prevista no Decreto n° 3.724/2001 deve ser temperada. No momento em que a fração movimentação financeira/rendimentos declarados excedeu a dez (10) em um ano-calendário, o contribuinte incorreu nos parâmetros de seleção da operação movimentação financeira incompatível, com incidência da regra que permite a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco, caso o contribuinte não atenda a intimação da fiscalização, como expressamente prevista no Decreto n° 3.724/2001, como abaixo se vê: Art..rOs exames referidos no § .5g do art. 2' somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto n" 6.104, de 2007). XI- presença de indicio de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §22Considera-se indicio de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: 1-as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do §30 do art. 42 da Lei n' 9.430, de 1996; II-a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou património; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. (grifei) Na forma acima, ocorrida a situação prevista no Decreto regulamentador, não fica o fisco adstrito a transferência compulsória do sigilo bancário de apenas o exercício no qual ocorreu o excesso. Deve a fiscalização compulsar todos os dados a respeito do contribuinte, abrindo a ação fiscal em todos os exercícios em que haja indícios de infração à legislação tributária, porque há uma presunção de interposição pessoa, a ocultar o real beneficiário dos rendimentos. Por óbvio, trata-se de uma realidade que perpassa toda a relação fisco/contribuinte, não podendo ficar adstrita ao ano-calendário em que ocorreu o excesso. Por tudo, afasta-se a pretensão do item III, rejeitando-se todas as preliminares. Agora, passa-se ao item IV (tese da decadência mensal). A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu frlançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial dá-se na forma 17 . • , . Processo n° 1847 I .000478/2003- I 8 CCO I /C06 Acórdão n.° 108-16.980 Fls. 766 disciplinada no art. 150, § 4°, do CTN. Este é o caso do lançamento do imposto de renda da pessoa física. Deve-se enfatizar que é pacífico, no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa fisica, quer nas hipóteses de tributação definitiva, quer nas de tributação sujeita a ajuste, amolda-se à dicção do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo da jurisprudência acima, citam-se os acórdãos ifs: 101-95026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 103-23170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 108-09230, relator do voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28/02/2007; 203-10853, relator a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez, sessão de 28/03/2006; CSRF/01-05.628, relator o Conselheiro José Henrique Longo; CSRF/04-00.213, relator o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/03/2006. Assim, considerando que o lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, adota-se o prazo decadencial qüinqüenal a partir do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, como antes enfatizado. Superado o ponto precedente, deve-se discutir qual a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual, ou seja, se tal fato gerador tem periodicidade mensal ou anual. Antes de prosseguir, um pequeno apanhado doutrinário sobre a classificação dos fatos geradores quanto a sua forma de exteriorização. Por essa classificação, o fato gerador pode ser instantâneo, que se exterioriza por um fato único (como a saída do produto do estabelecimento para o IPI), complexivo ou periódico, que se exterioriza por uma série de fatos econômicos e se aperfeiçoa em um único momento (como exemplo, o imposto de renda), e continuado, que se exterioriza por uma situação de fato, de caráter contínuo, que se renova em determinado período de tempo (como o IPTU). Nessa linha, não há dúvidas de que o fato gerador do imposto de renda da pessoa física referente a rendimentos passíveis de ajuste anual é complexivo, ou seja, aperfeiçoa-se ao final de determinado período de tempo. Aqui, vale ressaltar que sob a égide primitiva da Lei n°7.713/88, que introduziu na legislação do imposto de renda o sistema de bases correntes, o fato gerador foi mensal apenas para o ano-calendário 1989. O imposto era apurado mensalmente, e as pessoas físicas pagavam, mensalmente, com base nessa apuração. Entretanto, a partir do ano-calendário de 1990, mister conciliar a interpretação do art. 2° da Lei n° 7.713/88 ("O imposto de renda das pessoas fisicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos") com o art. 2° da Lei n° 8.134/90 ("O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11"). O art. 11 da Lei n°8.134/90, aliado ao art. 9° desta Lei, versa sobre a apuração do saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração de ajuste anual. Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 767 Assim, a partir da Lei n° 8.134/90, que introduziu a declaração de ajuste anual nos moldes que se conhece hoje, o fato gerador passou a ser anual, porém se manteve a tributação dos rendimentos à medida de sua percepção. Essa a única interpretação que pode conciliar os dispositivos da Lei n° 7.713/88 com os da Lei n° 8.134/90, não havendo que se falar em fato gerador do imposto de renda com periodicidade mensal. Na linha acima, a Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, competente para uniformizar a interpretação da legislação tributária da pessoa fisica no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, em sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no Acórdão n° CSRF/04-00.586, assentou: DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — TERMO INICIAL — PRAZO — No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue- se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. O contribuinte entende que o fato gerador do imposto de renda que incidiu sobre os rendimentos omitidos com origem em depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal, pois pugna pelo reconhecimento da decadência do período do qüinqüênio anterior a julho de 2003 (fls. 741). Para tanto, afastando a legislação básica do imposto de renda (Leis ti% 7.713/88, 8.134/90 e 9.250/95), finca sua convicção na legislação específica da tributação dos depósitos bancários, trazendo à colação o art. 42, §4°, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1°a §3° omissis; §4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5° omissis. (grifri) O recorrente advoga que o fato gerador do imposto de renda, no caso vertente, teria periodicidade mensal, alicerçado na dicção do art. 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96, forte na dicção de que "os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos". Ocorre que este parágrafo não diz tudo que seria necessário para se ter um fato gerador com periodicidade mensal, pois a regra da tributação da pessoa fisica é o fato gerador com periodicidade anual. Veja-se que sequer há definição do vencimento dessa obrigação "mensal". Quando venceria tal obrigação? No último do mês seguinte, como no caso dos rendimentos submetidos ao camê-leão? No último dia útil do mês seguinte ao trimestre civil, • 19 Processo n° 18471.000478/2003-18 CCO I/C06 Acórdão n.° 108-18.980 Fls. 768 como no caso do imposto devido pelas pessoas jurídicas do lucro presumido? Na data do depósito bancário, com fato gerador diário, como no caso do IRRF que incide sobre rendimentos pagos a residentes ou domiciliados no exterior ou a pagamento a beneficiário não identificado? Ademais, os rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada devem ser tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva, como expressamente determinado pelo art. 42, § 4°, da Lei n° 9.430/96. Ora, todos os rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cujo imposto é calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês (art. 3°, parágrafo único, da Lei n° 9.250/96) devem ser levados à colação na declaração de ajuste anual, ou seja, a tributação dentro do ano- calendário pela tabela progressiva (como no caso do camê-leão e dos rendimentos percebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual) não é definitiva, mas antecipação do devido no ajuste anual. Aqui, mesmo que o contribuinte descumpra o dever de antecipar o imposto dentro do ano-calendário, não submetendo os rendimentos à tabela progressiva, deve levá-los ao ajuste anual. Assim, os rendimentos sujeitos à tabela progressiva mensal devem ser colacionados no ajuste anual, fortalecendo, dessa forma, a idéia de que tais rendimentos sofrem a incidência de um imposto cujo fato gerador aperfeiçoa-se no último dia do ano-calendário. Colocado o problema dessa forma, deve-se lembrar que, no caso dos rendimentos percebidos de pessoas físicas (carnê-leão) sujeitos à antecipação dentro do ano- calendário, com vencimento especificado em lei (art. 6°, II, da Lei n°8.383/91), o imposto pago dentro do ano-calendário, juntamente com os rendimentos, são levados à colação no ajuste anual. Não havendo pagamento antecipado, não há que se falar em cobrança do imposto dentro do ano-calendário, mas apenas há o lançamento de uma multa isolada pelo descumprimento da antecipação, sendo os rendimentos, igualmente, colacionados no rol dos rendimentos do ano. Inegavelmente, há similaridade jurídica entre os rendimentos sujeitos ao camê- leão, que não tiveram o imposto antecipado dentro do ano-calendário, e os rendimentos oriundos da presunção dos depósitos bancários de origem não comprovada. Ambos são rendimentos omitidos que deveriam ser tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva. Para o primeiro, ressalte-se, a Lei definiu o vencimento da obrigação mensal, porém, mesmo assim, o fato gerador é complexivo anual. Para segundo, com muito mais razão, o fato gerador somente pode ser complexivo anual. Vê-se, por tudo, que é fragilíssima a tese da periodicidade mensal do imposto de renda que incide sobre os rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada, pelos motivos que seguem: 1. o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, como regra geral, tem periodicidade anual, na forma do art. 2° da Lei n° 7.713/88 c/c os arts. 2° e9° da Lei n°8.134/90; 2. como os rendimentos dos depósitos bancários estão sujeitos à aplicação da tabela progressiva, obrigatoriamente devem ser levados à colação no ajuste anual, quando, então, aperfeiçoa-se o fato gerador em 31/12, permitindo-se a apuração do imposto devido; 3. Se os rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório (camê- leão), com vencimento definido em lei, e que não tiveram o imposto 2 Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 769 antecipado dentro do ano-calendário, são submetidos ao ajuste anual, sendo o fato gerador do imposto complexivo anual, com muito mais razão deve-se estender esta interpretação para os rendimentos oriundos da presunção dos depósitos bancários de origem não comprovada; 4. ausente o pagamento do imposto devido dentro do ano-calendário para o caso vertente, toma-se impossível cobrar as antecipações, cabendo, se houvesse previsão legal, a aplicação de multa de isolada de oficio, de forma similar à ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnê- leão). Por tudo, percebe-se que a tese da periodicidade mensal do fato gerador dos rendimentos omitidos oriundos dos depósitos bancários de origem não comprovada não pode ser aceita. Ainda, o lançamento do imposto de renda da pessoa física amolda-se à tipologia do lançamento por homologação, cujo prazo decadencial é contado na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Assim, considerando que o fato gerador dos rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada é anual, mister perquirir se a decadência alcançou os fatos geradores dos anos-calendário 1998, 1999 e 2000, aqui em debate. O sujeito passivo foi considerado cientificado do auto de infração em 17/07/2003 (fls. 246). Como detalhado acima, aqui, acolhe-se a tese de que o fato gerador do imposto de renda oriundo da infração em debate é complexivo, com periodicidade anual. Dessa forma, os fatos geradores aqui vergastados aperfeiçoaram-se em 31/12/1998, 31/12/1999 e 31/12/2000, e, em 17/07/2003, ainda não tinha fluído o qüinqüênio decadencial, contado na forma do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, que somente teve seu termo final em 31/12/2003, 31/12/2004 e 31/12/2005, respectivamente. Afasta-se a prejudicial das demais questões de mérito do item IV, e passa-se à discussão da preliminar do item V (à luz da antiga Súmula 182 do TFR, depósitos bancários não podem ser presumidos como renda). Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentou-se que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, em épocas pretéritas a tal Lei, o egrégio Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR). A partir da Lei n° 8.021/90, para presumir que depósitos bancários de origem não comprovada eram rendimentos omitidos, o fisco passou a ser obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6° da Lei n°8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, 1- far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. 24 • - , Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOIC06 Acórdão n.° 108-18.960 Fh. 770 1° Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei n°9.430, de 1996) ,§ 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Trata-se de presunção iuris tantum, passível de provi em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6°, § 50, da Lei n° 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei n° 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei n°9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. . • I • • Processo n°18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 771 Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte, bem como de que os depósitos bancários não têm serventia para se quantificar a presunção de rendimentos omitidos. Esta é um das infrações dos autos, que tem base legal no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontra-se pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, veja-se o Acórdão n° CSRF/04-00.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996). Ainda, não há qualquer conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte não comprove sua origem, e o art. 43 do Código Tributário Nacional, que define o fato gerador do imposto de renda - IR, os conceitos de renda e proventos de qualquer natureza e a base de cálculo do IR, como fez crer o recorrente. Apenas para argumentar, ressalto que eventual conflito normativo entre as normas citadas no parágrafo precedente somente poderia ser resolvido no âmbito da declaração de inconstitucionalidade das normas, falecendo competência ao Conselho de Contribuintes para tanto, como já discutido no parágrafo precedente. Reconhecer que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 está em antinomia com o art. 43 do CTN, com a supremacia deste último, significa afirmar que aquele estaria eivado de vicio de inconstitucionalidade, já que conflito de leis em terrenos normativos definidos pela Constituição, como no caso vertente, soluciona-se pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Nessa linha, veja-se o REsp n° 650.949-PR, relator o min. Humberto Marfins, unânime na 2 Turma, DJ de 15/02/2007, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO — PROCESSUAL CIVIL — VIOLAÇÃO DO ART. 130 DO CPC — AUSÊNCL4 DE PREQUESTIONAMENTO — DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL — INEXISTÊNCIA DE JUNTADA DOS ACÓRDÃOS PARADIGMAS — CONTRARIEDADE AOS ARTS. 46 E 47 DO CTIV — MATÉRIA DE INDOLE CONSTITUCIONAL. I. A Corte a quo não analisou a matéria recursal à luz do art. 130 do CPC. Assim, incidem os enunciados 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 234 . Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.960 Fls. 772 2. A inclusão do frete na base de cálculo do 1P1 deriva de imposição do art. 15 da Lei n. 7.789/89, que no entendimento deste Tribunal, teria revogado o art. 47 do CTN. 3. Em casos de revogação de lei complementar (CM) por lei ordinária, reveste-se o conflito de índole constitucional, o que enseja a incompetência do Superior Tribunal de Justiça. Precedente: REsp 209320/DF, Rel. Min. Castro Meira, Relator p/ Acórdão o Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 20.3.2006, p. 224. Recurso especial não-conhecido. Ainda, o Ag no RE 451 .988-RS, relator o min. Sepúlveda Pertence, unânime na r Turma, DJ de 17/03/2006: Contribuição social (CF art. 195, 1): legitimidade da revogação pela L. 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pela Lei Complementar 70/91, dado que essa lei, formalmente complementar, é, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída, materialmente ordinária; ausência de violação ao princípio da hierarquia das leis, cujo respeito exige seja observado o âmbito material reservado às espécies normativas previstas na Constituição Federal Precedente: ADC 1, Moreira Alves, RTJ 156/721. (grife!) Não por outra razão, após a Emenda Constitucional n° 45, a decisão judicial que julgar válida lei local contestada em face de lei federal passou a ser objeto de Recurso Extraordinário (art. 102, III, "d", da CF88), ou seja, conflitos de leis cujos âmbitos normativos estão definidos na Constituição Federal resolvem-se pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Dessa forma, reconhecer a supremacia do art. 43 do CTN em face do art. 42 da Lei n° 9.430/96, significaria declarar a inconstitucionalidade desse último dispositivo. Na forma do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007 (DOU de 28 de junho de 2007), falece competência ao julgador administrativo para o mister em foco. Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei n°9.430/96, não havendo em se falar em aplicação da Súmula 182 do egrégio TFR, ou que seria preciso comprovar os sinais exteriores de riqueza. Superado o item V, passa-se ao item VI (deve-se acatar a comprovação de parcela dos depósitos de origem não comprovada). Conforme se verifica pelas planilhas de fls. 711 a 713, objeto da Resolução n° 106-01.280, a autoridade que presidiu a diligência discriminou os depósitos comprovados. Confrontando os valores comprovados pela autoridade preparadora com o pugnado pelo recorrente na petição de fls. 623 a 642, verifica-se que somente há uma divergência em fevereiro de 2000, no valor de R$ 5.000,00. Em relação a este último valor, a autoridade autuante não identificou a transferência entre as contas de depósito do contribuinte, e este, sua petição às fls. 739 e 740, não contraditou o resultado da diligência. Processo e 18471.000478/2003-18 CC0I/C06 Acórdão n.° 106-18.960 Fls. 773 Por tudo, deve-se considerar comprovados os depósitos discriminados nas fls. 711 a 713, imputando ao recorrente a metade dos depósitos de origem não comprovada, como expressamente previsto no art 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96, pois o cônjuge do recorrente não foi intimado a comprovar a origem dos depositados, o que deve manter integra a divisão determinada pela norma antes transcrita. Ainda, diferentemente do afirmado pelo recorrente na petição de fls. 737, a divisão aqui autorizada não trata de inovação no lançamento, mas comezinho ato de julgamento que afasta a parte da autuação tida por não aderente às normas legais. Superado o item VI, passa-se ao item VII (no tocante à infração referente à omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas RN Consultoria Adm. Empr. e Participação Ltda. e Opção RN Importação e Exportação Ltda., ambas tendo pretensamente pagado R$ 10.800,00, o recorrente não reconhece tais pagamentos, pois sequer tem vínculo empregaticio com tais empresas). O recorrente vergasta o autor da diligência, já que teria sido descumprida a determinação da Sexta Câmara, que, pela Resolução antes citada, determinara a intimação das pessoas jurídicas acima, objetivando comprovar (ou não) os pagamentos de RS 10.800,00, negados pelo contribuinte. Aqui, não assiste razão ao recorrente. Efetivamente, a Sexta amara determinara a providência acima com o fito de esclarecer se as fontes pagaram os valores renegados. Entretanto, nada impediria que a autoridade preparadora trilhasse outro caminho para atingir o fim perseguido. A documentação juntada aos autos, no caso os espelhos das declarações de imposto de renda — DIRPJ do ano-calendário 1999 das empresas Opção RN Importação e Exportação Ltda. e RN Consultoria Adm. Empreend. e Particip. Ltda., comprova cabalmente os pagamentos em foco (fls. 701 a 710). Ademais, diferentemente do afirmado pelo recorrente, que afiançou não ter qualquer vínculo com tais empresas, as DIRPJ demonstram que o recorrente é o responsável pelas empresas, figurando nos quadros de dirigentes, sócios ou titulares de ambas (fls. 704, 705, 709 e 710). Deve-se ressaltar, ainda, que ambas as empresas fizeram pagamentos ao recorrente nos anos-calendário 1998 e 2000. Ora, caso os pagamentos não tivessem existido, o recorrente teria condições de fazer prova facilmente, bastando acostar a documentação contábil das empresas, das quais é sócio, comprovando que não houve os pagamentos guerreados. Em suas razões adicionais em face do relatório da diligência, apenas, mais uma vez, renegou os pagamentos e fincou-se no pretenso descumprimento da diligência como já dito. Por tudo, a documentação acostada aos autos comprova claramente o vínculo do recorrente com as fontes pagadoras, bem como a realização dos pagamentos. Deve-se rejeitar, assim, a defesa aqui debatida. Agora, passa-se ao item VIII (para elidir a infração do acréscimo patrimonial a descoberto de fevereiro de 1999, o recorrente se socorre de um ganho no mercado de renda variável em junho de 1998). 2 Processo n° 18471.000478/2003-18 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-16.980 Fls. 774 Apesar da afirmação da autoridade autuante de que não considerou o ganho no mercado de renda variável em junho de 1998 no acréscimo patrimonial a descoberto de fevereiro de 1999, em decorrência da falta de comprovação da operação, esta afirmação é desnecessária, pois somente poder-se-ia considerar tal ganho no fluxo de caixa de 1999, se este tivesse se transformado em recurso em espécie ou saldo em conta bancária constante na declaração de bens e direito do recorrente em 31/12/1998. Pelo que se percebe do fluxo de caixa (fls. 45) c/c a declaração de bens e direitos dos anos-calendário 1998 e 1999 (fls. 5v, 7v, 9v e 11v), os saldos em espécie e os valores remanescentes em contas bancárias em 31/12/1998 foram considerados no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto. Assim, incabível se falar na utilização do ganho de renda variável de junho de 1998 para elidir o acréscimo patrimonial a descoberto de fevereiro de 1999. Ainda, considerando que os depósitos com origem não comprovada foram utilizados como fonte de recursos, a comprovação da origem no curso deste processo fiscal teria o condão de incrementar o acréscimo patrimonial a descoberto de fevereiro de 1999, como percebido pela autoridade que presidiu a diligência. Entretanto, nesta instância, não se pode agravar a exigência. Ainda, considerando que se trata de ano-calendário 1999, atualmente extinguiu-se o direito de a Fazenda Nacional cobrar eventuais diferenças do imposto de renda de tal ano-calendário, pois de há muito transcorreu o qüinqüênio decadencial. Assim, no tocante à infração do acréscimo patrimonial a descoberto, rejeita-se a defesa do recorrente, mantendo o quantum lançando no auto de infração. Por fim, passa-se à defesa do item IX (em relação à infração da omissão de ganhos no mercado de renda variável, o recorrente reconhece que se trata de valores declarados pelo contribuinte em sua DIRPF, em relação aos quais, por lapso, deixou de recolher o imposto, e pede para que o débito declarado na declaração de ajuste seja enviado para a cobrança administrativa, afastando-se o lançamento da multa de oficio). Na forma do art. 47 da Lei n° 9.430/96, abaixo, iniciada a ação fiscal, o contribuinte poderia pagar os tributos já declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização. Não fazendo, cabível o lançamento de oficio, como o da espécie. Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de inicio de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei no 9.532, de 1997) No ponto, sem razão o recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de afastar as preliminares vindicadas, e, no mérito, dar parcialmente provimento para reduzir da base de cálculo do lançamento da infraçã, dos depósitos bancários de origem não comprovada os seguintes valores: I I Processo n° 18471.000478/200318 crouc06 Acórdão n.• 106.16.960 Fls. 77$ • ano-calendário 1998 = R$ 4.611.409,29 • ano-calendário 1999 = R$ 1.977.825,03 • ano-calendário 2000 = • . .193.549,48 Sala das Sessões, 6 de junho de 2008% Giovanni *stian Nun y/ o , /,, ( 27 Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1

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Numero do processo: 16327.000111/2002-43
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO E FISCAL - PROVIMENTO INTEGRAL - RECURSO - PERDA - OBJETO - O provimento integral da impugnação, com o cancelamento do lançamento, deixa o processo órfão de objeto, inviabilizando, por via de conseqüência, o Recurso Ordinário. RECURSO DE OFÍCIO - CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - A exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia após encerrado o período de apuração anual da Contribuição Social, prevalecendo o efetivamente devido com base na declaração do Imposto de Renda - Lucro Real.
Numero da decisão: 103-23.069
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira tâmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio e por maioria de votos, NÃO TOMAR CONHECIMENTO do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que tomava conhecimento e apresentará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe

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ARRENDAMENTO MERCANTIL (INCOR- PORADORA) Sessão de :14 de junho de 2007 Acórdão n° :103-23.069 PROCESSO ADMINISTRATIVO E FISCAL - PROVIMENTO INTEGRAL - RECURSO - PERDA - OBJETO - O provimento integral da impugnação, com o cancelamento do lançamento, deixa o processo órfão de objeto, inviabilizando, por via de conseqüência, o Recurso Ordinário. RECURSO DE OFÍCIO - CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - A exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia após encerrado o período de apuração anual da Contribuição Social, prevalecendo o efetivamente devido com base na declaração do Imposto de Renda - Lucro Real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela 10' TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO/SP I. ACORDAM os Membros da Terceira tâmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio e por maioria de votos, NÃO TOMAR CONHECIMENTO do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que tomava conhecimento e apresentará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • Cs e •• ROD frVr EUBER -RESIDENTE Olp ALEXANDRE,1 -t B SA JAGUARIBE RELATOR I FORMALIZADO EM: 19 OU 201 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, LEONARDO DE ANDRADE COUTO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO e PAULO JACINTO DO NASCIMENTO. 155.525*MS1219/06107 C' 4# i; 4- MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘..1.,•ples, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .7 .è cnet ? ' ;i-,:ftirP TERCEIRA CÂMARA Processo no :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 Recurso n° :155.525 - EX OFFICIO Recorrente : 10° TURMA/DRJ/SÂO PAULO/SP I RELATÓRIO Do Lançamento Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls.32, realizou-se Auditoria Interna na DCTF do 1° trimestre de 1997, entregue pela contribuinte em 30/09/1997 (fls.31). Foi, então, constatada a seguinte irregularidade nos créditos vinculados informados na DCTF: falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme indicado no "Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados" (Anexo I, fls.33), em que consta que os créditos tributários de CSLL, apurados em 01/97, 02/97 e 03/97, foram declarados com exigibilidade suspensa, sem que, no entanto, os respectivos processos judiciais fossem comprovados. Em decorrência das constatações feitas, foi lavrado Auto de Infração de CSLL (fls.30/36), do qual a contribuinte tomou ciência em 05/12/2001 (AR de fls.88), com os valores a seguir discriminados: Da Impugnação A autuada apresentou a impugnação de fls.01/17, protocolizada em, 03/01/2002, expondo, em síntese, que: 1. Todos os valores exigidos no auto de infração foram declarados em DCTF, como estando com sua exigibilidade suspensa por força do mandado de segurança n° 97.0007335-1, cuja petição inicial evidencia ser a impetrante parte daquele feito e que a mesma versa sobre a CSLL devida no período em questão. 1.1. Assim, é nulo o auto de infração lavrado, por absoluta falta de motivação, uma vez que não poderia ser desconsiderado o processo judicial expressamente indicado sem qualquer justificativa para tanto ou intimação prévia da ora impugnante para esclarecimentos. 155.525*MSR*19/06/07 2 , r. 4: MINISTÉRIO DA FAZENDA c" ipt;, .,:t! PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Xl r> TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 2. Além disso, não pode prevalecer o auto de infração lavrado, uma vez que, encerrado o período de apuração anual da contribuição social sobre o lucro e ultrapassada a data para entrega da DIRPJ, é nula a autuação que toma por base, valores relativos aos recolhimentos mensais. 2.1. Os lançamentos efetuados após o encerramento do ano-base só podem ser efetuados com base no lucro líquido do exercício, pois, já tendo sido apurada a base de cálculo real sobre a qual é calculada a contribuição devida relativamente ao ano-base, não há que se falar em exigência de valores com base nos vencimentos mensais, uma vez que se estaria exigindo valores que não necessariamente corresponderiam àqueles efetivamente devidos. 3. A exigência de multa de ofício de 75% viola o comando legal do artigo 63 da Lei n° 9.430/96. 4. Os juros moratórios não poderiam ser lançados na vigência da medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. 5. Os juros de mora foram calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto, pois é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo, numa delegação vedada pelo principio da legalidade em matéria tributária, além do que extrapola o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, via de sua 10a Turma, julgou o lançamento improcedente, tendo ementado a decisão na forma abaixo. "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: MALHA FAZENDA. ESTIMATIVA DECLARADA EM DCTF E NÃO RECOLHIDA. Para os fatos geradores a partir de 01/1997, é descabido o lançamento de ofício para a cobrança da CSLL devida por estimativa, cabendo apenas, se for o caso, a imposição de penalidade isolada e a cobrança do saldo de imposto com ba e no lucro real anual, 155.525*MSR*19/06107 3 J • C. a çn.; . ea.(44 ,--- . - MINISTÉRIO DA FAZENDA o Ftt I.,vr. c.. •-.1t .-.:tk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .* lb"C ãox‘ 2; > TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 com a data de vencimento da quota única, acrescido de multa de oficio e de juros de mora. Os valores de CSLL devida por estimativa informados em DCTF consideram-se confessados e são passíveis de cobrança, principalmente quando tais valores foram computados na DIRPJ para fins de apuração de saldo negativo da CSLL. Lançamento Improcedente" Vieram os recursos de ofício e voluntário. No Recurso Voluntário, a recorrente aduz que, embora a decisão recorrida tenha cancelado o lançamento constituído via auto de infração, paradoxalmente, declara na própria ementa que "Os valores de CSLL devida por estimativa informados em DCTF consideram-se confessados e são passíveis de cobrança, principalmente quando tais valores foram computados na DIRPJ para fins de apuração de saldo negativo da CSLL.", desconsiderando, por via de conseqüência a apuração anual da CSLL e o ajuste efetuado e declarado na DIRPJ, e assim entende unicamente porque referidos valores apurados por força de estimativa foram declarados em época própria em DCTF e computados para apuração de saldo negativo da CSLL na DIRPJ. Conclui que com essa postura, a decisão recorrida negou eficácia à sua própria decisão quanto à improcedência do lançamento sem verificar, contudo, que a nulidade lançamento, no caso concreto, não é meramente formal, mas substancial, eis que relativa à apuração da base de cálculo da contribuição. É, em síntese, o relatório. ÇL , 155.525*MSR*19/06/07 4 "S C. _ L:e .rt - • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA • 410 yfir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , CO l> TERCEIRA CÂMARA a.s• Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 VOTO Conselheiro ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE - Relator Os recursos preenchem as condições de admissibilidade, deles conheço. O auto de infração trata exclusivamente da existência ou não de pagamento da CSLL de 1997, informada na DCTF com o código 2469 — CSLL — ENTIDADES FINANCEIRAS — ESTIMATIVA MENSAL, referente á estimativa de CSLL dos meses de janeiro a março de 1997 e informada na DCTF com a exigibilidade suspensa. Recurso Ordinário Irresigna-se a recorrente quanto a parte final do voto condutor da decisão recorrida, quando o Relator faz a seguinte observação: "Observe-se, contudo, que os valores de CSLL- estimativa informados em DCTF consideram-se confessados e são passíveis de cobrança, principalmente quando tais valores foram computados na DIRPJ para fins de apuração de saldo negativo da CSLL." Alega a recorrente que o entendimento acima transcrito estaria a viabilizar a continuidade da cobrança do mesmo crédito tributário aqui discutido, nos autos do processo 16327.001838/2006-71. Pede, por fim, que a decisão de primeira instància seja parcialmente reformada para reconhecer a impossibilidade de cobrança de valores lançados, ainda que declarados em DCTF, após o encerramento do ano-calendário. A decisão recorrida corretamente entendeu que "Em se tratando de débito de estimativa relativo a fato gerador de 1997, como é o caso da contribuinte, o valor acaso não recolhido não se sujeita ao lançamento de oficio e aplicam-se as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e da IN SRF n° 93, de 1 97. 155.525*MSR*19/08/07 5 sq h. 44 - - MINISTÉRIO DA FAZENDA itt c t4' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C. TERCEIRA CÂMARA Processo n° 16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 Dispõem os arts. 2° e 44, § 1°, IV da Lei n°9.430, de 1996: "Art. 2° A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano ....a "Art. 44, Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; IV — isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendáriof (grifo na transcrição) Por sua vez, a IN SRF n° 93, de 1997, em seus arts, 16, 49 e 64, assim estabelece: "Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa,• após o término do ano-calendário, o lançamento de ofício abrangerá: 1 - a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; 155.5251ASR*19106107 6 C.• Fls. t. L't MINISTÉRIO DA FAZENDA• ... (,) , ••, p, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cato TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000111/200243 Acórdão n° :103-23.069 II - o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto." Art. 49. Aplicam-se à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei n° 9.430, de 1996. Art. 64. Esta Instrução Normativa aplica-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997." No presente caso, a contribuinte optou pelo recolhimento anual da CSLL e, de acordo com o art. 28, da Lei n° 9.430/1996, ficou obrigado ao recolhimento mensal das estimativas da CSLL, com base na receita bruta. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreende-se que é descabido o lançamento de oficio da estimativa não recolhida com base apenas em procedimentos de malha DCTF e em face da legislação vigente, sendo cabível somente a exigência de multa isolada sobre os valores efetivamente devidos e não recolhidos, apurados mediante auditoria do saldo de imposto apurado com a glosa desses valores, com a data de vencimento da quota única do tributo, acrescido da multa de ofício e de juros de mora, o que não é o caso do presente processo. Incabível, pois, a exigência nos moldes em que foi formalizada. Nesse sentido encontram-se manifestações do Conselho de Contribuintes, a exemplo dos acórdãos cujas ementas enunciam: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS MENSAIS POR ESTIMATIVA - APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA: Após o término do período-base, a contribuição social exigível é só aquela resultante do saldo do ajuste no final do período de apuração. Nessa situação, a constatação de falta ou insuficiência de recolhimentos mensais, por estimativa, dá ensejo unicamente ao lançamento para imposição da multa de ofício isolada sobre os valores devidos e não recolhidos. (Acórdão 108-05810, de 15/07/99) 155.525*MSR*19/06/07 7 C. F Is _I° (44 MINISTÉRIO DA FAZENDA si=s41.t.;: it. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1:1CjO 4;i(firsfr . TERCEIRA CÂMARA Processo n° 16327.000111/200243 Acórdão n° :103-23.069 CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - O Fisco, após o encerramento do ano-calendário, não pode exigir estimativas não recolhidas, uma vez que as quantias não pagas estão contidas no saldo apurado no ajuste. Nessa hipótese, somente caberia o lançamento de ofício para imposição da multa isolada, com base no art. 44, §/°, incisivo IV, da Lei n° 9.430/96, sobre os valores que deixaram de ser recolhidos durante o ano-calendário. (Acórdão 107-07483, de 28/01/2001) CSLL — RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA — A exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia após encerrado o período de apuração anual da Contribuição Social, prevalecendo o efetivamente devido com base na declaração do Imposto de Renda — Lucro Real. (Acórdão 101-93838, de 22/05/2002) IRPJ - CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA - ISOLADA - Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando-se improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no ano-calendário. (Acórdão 103-21030, de 18/09/2002) IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. — LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. — RECOLHIMENTOS MENSAIS. — ESTIMATIVA. — INSUFICIÊNCIA. — IMPOSSIBILIDADE — Encerrado o ano-calendário, é defeso à Fiscalização formalizar exigência de crédito que corresponda à diferença de imposto de renda e contribuição social recolhidos com insuficiência, quando feita opção para pagamento por estimativa. Ocorrida a hipótese de incidência do tributo, o lançamento tributário deve contemplar o valor apurado segundo a declaração de ajuste anual. (Acórdão 101-94176, de 17/04/2003) A Turma "a quo" conclui o seu voto no seguinte sentido: "Dessa forma, voto no sentido de julgar improcedente o lançamento, • relativo à CSLL em questão, por se tratar de estimativa mensal informada em DCTF e não passível de cobrança mediante lançamento de ofício, restando superadas as demais alegações do impugnante. 155.525*MSR*19106/07 8 C. • 1%. Fia. MINISTÉRIO DA FAZENDA :-• ••'ft• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° : 103-23.069 A leitura do voto acima transcrito não deixa dúvida de que a decisão "a quo" proveu integralmente o recurso da, ora recorrente, cancelando o lançamento de fls. 30/36. Entendo que a observação feita no corpo do voto ou mesmo na ementa, não representa nenhuma alteração no mérito da decisão e, nem tampouco, representa autorização explicita ou não, a viabilizar o andamento positivo ou negativo de outro processo. Não há, portanto, nada a decidir no presente recurso, até porque a decisão de primeiro grau proveu integralmente o apelo da, ora recorrente, cancelando o lançamento. Diante de tal traçado, deixo de conhecer do presente recurso, por absoluta falta de objeto. RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora de primeira instância decidiu que não é cabível a exigência, com muita propriedade, com bem fundamentou em seu voto, já transcrito, o qual adoto, como razão de decidir, acrescentado as seguintes linhas. Na verdade, o regime de estimativa constitui-se em mera antecipação de tributo eventualmente devido quando da apuração de sua efetiva base imponivel, sob o lucro real, como é o caso da interessada. Pode ocorrer que durante o ano-calendário o contribuinte deixe de efetuar pagamentos ou o faça por um valor insuficiente. Se a falta ou insuficiência de pagamento for constatada no curso do ano-calendário e o contribuinte não tiver incluído tais valores na DCTF do período correspondente, é cabível em procedimento de ofício o lançamento do tributo acrescido da multa de ofício (art. 97, parágrafo único da Lei n° 8.981/1995). No entanto, após o encerramento do ano-calendário, não faz sentido exigir o tributo que deixou de ser recolhido com base na estimativa, pois já é sabido o valor efetivamente devido, que, 155.525.M5R* 19/06/07 9 . C -. . b..r O MINISTÉRIO DA FAZENDA f.?.. .", PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES cão" .:,Itt,:. > TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 inclusive, pode não existir, caso seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Como se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, conforme dispõe o art. 57 da Lei n° 8.981/1995, tem-se que em relação aos pagamentos da contribuição por estimativa, efetuados pela interessada no decorrer do ano-calendário de 1997, cujas insuficiências somente foram apuradas em procedimento de oficio após o término do ano-calendário e da entrega da declaração, não se pode exiair qualquer diferença. Não fosse assim, a simples existência das DCTFs - que se representam confissão de dívida — inviabilizaria o presente lançamento, uma vez que bastaria viabilizar a cobrança das mesmas. Por tais fundamentos, nego provimento ao recurso de oficio. CONCLUSÃO • Voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por falta de objeto e de negar provimento ao recurs: de oficio. Sala das Sessões -mg 14 de junho de 2007I i feALEXANDRE B' P- ;-0-A AGUARIBE , 155.525MISR*19/06/07 10 c. j't MINISTÉRIO DA FAZENDA Pis "r- tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES eàiwo ."' P , .;f*)- TERCEI RA CÂMARA Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Nos debates em sessão de julgamento, diversos Conselheiros estamparam o entendimento, segundo o qual o recurso voluntário não poderia ser conhecido pelo simples motivo de que a decisão de primeiro grau afastou integralmente o lançamento. Tal posição ficou estampada na própria ementa: "PROCESSO ADMINISTRATIVO E FISCAL - PROVIMENTO INTEGRAL - RECURSO - PERDA - OBJETO - O provimento integral da impugnação, com o cancelamento do lançamento, deixa o processo órfão de objeto, inviabilizando, por via de conseqüência, o Recurso Ordinário". Discordo desse raciocínio. O recurso voluntário não se resume apenas a uma nova oportunidade conferida ao sujeito passivo de levar sua oposição ao ato de lançamento. Em percuciente análise do princípio do duplo grau, sobre o qual se esteiam os recursos judiciais e administrativos em geral, CINTRA, GRINOVER & DINAMARCO, em Teoria Geral do Processo, afirmam: "o principal fundamento para a manutenção do princípio do duplo grau é de natureza política: nenhum ato estatal pode ficar imune aos necessários controles" (destaque original). Assim, o recurso voluntário visa ao controle da decisão de primeiro grau no interesse do sujeito passivo. Decerto, seu interesse inicial é o de afastar, em parte ou integralmente, o ato de lançamento impugnado. Assim, no mais das vezes, acatado seu pedido pela Delegacia de Julgamento, nada mais resta a ser apreciado a seu favor na esfera recursal. 155.5251%1812'19/06107 11 C,. • • El, MINISTÉRIO DA FAZENDA o tt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES cá c, ', X> TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 Essa, de fato, é a regra. No entanto, em situações excepcionais, como me parece ser o caso presente, pode a Delegacia de Julgamento extrapolar suas atribuições e, com isso, atingir a esfera de direitos do sujeito passivo. Em suma, pode decidir "extra petita". Nesse caso, ainda que a matéria seja inicialmente estranha ao processo regulado pelo Decreto n° 70.235/72, ao compor a decisão da autoridade julgadora de primeiro grau, deverá ser apreciada em sede recursal pela de segundo grau. Aqui me cumpre ainda fazer mais um destaque. Não se pode recorrer para modificar fundamento de decisão. Nada obstante, não me parece que a defesa tenha promovido o recurso com o esse fito. Vejamos. O voto que compõe a decisão de primeiro grau está assim finalizado: "Dessa forma, voto no sentido de julgar improcedente o lançamento, relativo à CSLL em questão, por se tratar de estimativa mensal informada em DCTF e não passível de cobrança mediante lançamento de ofício, restando superadas as demais alegações do impugnante. Observe-se, contudo, que os valores de CSLL-estimativa informados em DCTF consideram-se confessados e são passíveis de cobrança, principalmente quando tais valores foram computados na DIRPJ para fins de apuração de saldo negativo da CSLL" (destaque meu). Da leitura do seu inteiro teor, mas principalmente da parte acima transcrita, contata-se que a assertiva de que "os valores de CSLL-estimativa informados em DCTF consideram-se confessados e são passíveis de cobrança" não serviu apenas de fundamento para a decisão de afastar o lançamento de oficio. Ela, na verdade, compõe a própria parte dispositiva. Conforme lição de BARBOSA MOREIRA, dentre os requisitos intrínsecos aos recursos está o interesse de recorrer, na sua dicção: "Configura-se este requisito sempre que o recorrente possa esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada (utilidade do recurso) e, mais, que lhe seja preciso usar as vias recursais para alcançar esse objetivo (necessidade do recurso)" (destaques originais). 155.5251ASR*19/06107 12 7 • e. . • •n C • .. Fil, - (03 MINISTÉRIO DA FAZENDA '• :*.._-- rí, Cão% ;k,-::.,,PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ; ;O:ti:r TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.000111/2002-43 Acórdão n° :103-23.069 Como a decisão de primeiro grau, a despeito de a autoridade não ter competência para tal, determinou a cobrança de valores informados em DCTF, só restava ao sujeito passivo, na via administrativa, o recurso voluntário. O interesse de agir está claramente caracterizado. Nada obstante, a solução encontrada pelo Sr. Relator, para dirimir a questão, foi negar provimento aos dois recursos — o voluntário e o de oficio —, mas fazer constar da ementa o entendimento adotado pela câmara sobre o tema, isto é: "RECURSO DE OFICIO - CSLL - RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - A exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia após encerrado o período de apuração anual da Contribuição Social, prevalecendo o efetivamente devido com base na declaração do Imposto de Renda - Lucro Real". Creio, contudo, que tal procedimento, do ponto de vista processual, está incorreto. Seria necessário conhecer o recurso voluntário e, no mérito, decidir conforme o que consta da ementa. É, assim, como voto. Sala das Sessões - DF, em 14 de junho de 2007 GUILH ;r'Sr/(ht g( • ME ADOLFO DO SANTOS MENDES V 155.525*MSR*19/06/07 13 Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1

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Numero do processo: 16327.002606/2003-98
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001 DÉBITOS INFORMADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO E EM DCTF - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CORREÇÃO - NECESSIDADE DA EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO - DÉBITOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO PAES - DUPLICIDADE - VINCULAÇÃO DOS VALORES LANÇADOS AO PAES - Indeferido o pedido de compensação de débitos do contribuinte com créditos de terceiros, sem inconformidade do contribuinte, mormente no período anterior à vigência da Medida Provisória nº 66/2002, pode-se efetuar o lançamento de ofício dos débitos, com fulcro no antigo art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, mesmos que estes estejam informados em DCTF vinculados à compensação. Entretanto, deve-se cancelar a multa de ofício vinculada aos débitos, por aplicação do princípio da retroatividade benigna, em decorrência da alteração no dispositivo legal acima perpetrada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Ainda, caso os mesmos débitos tenham sido incluídos no PAES, vincula-se apenas o auto de infração ao parcelamento especial, evitando a cobrança em duplicidade. DÉBITOS INFORMADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO E EM DCTF - LANÇAMENTO DE VALORES EM DUPLICIDADE - ACERTO - Comprovada a duplicidade de valores constantes no auto de infração em face dos informados na DCTF e nos pedidos de compensação, deve-se efetuar o devido acerto no lançamento. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - CABIMENTO - Na espécie, aplica-se a Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Ainda, consta no auto de infração os juros de mora capitalizados até o mês de sua lavratura. Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 106-17.205
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de oficio e os seguintes valores lançados em duplicidade: i) tributo 0561 —PA 15/09/2001, R$ 116,57; ii) tributo 0588— PA 01/09/2001, R$ 807,24 e PA 08/09/2001, RS 277,74; iii) tributo 1708— PA 01/09/2001, R$ 191,45, PA 08/09/2001, R$ 4.065,14, PA 15/09/2001, R$ 3.780,27 e PA 22/09/2001, R$ 1.364,50; iv) tributo 3426— PA 01/09/2001, R$ 3.955,38, PA 08/09/2001, R$ 21.742,92, PA 15/09/2001, R$ 20.519,76 e PA 22/09/2001, R$ 3.647,49; v) tributo 8053 — PA 01/09/2001, RS 27.010,48, PA 08/09/2001, R$ 11.687,58, PA 15/09/2001, RS 25.745,48, PA 22/09/2001, R$ 20.541,19; e vi) tributo 8468— PA 01/09/2001, de R$ 775,33, PA 08/09/2001, de R$ 418,85 e PA 15/09/2001, R$ 179,01, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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CCOI /C06 Fls. 947 , .. ...e- k ',44 -• 1 ; - ir MINISTÉRIO DA FAZENDA e• ;ta:, t .14' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo e 16327.002606/2003-98 Recurso n• 156.130 Voluntário Matéria IRF - Ano(s): 2001 Acórdão n• 106-17.205 Sessão de 17 de dezembro de 2008 Recorrente BANCO CRUZEIRO DO SUL S/A Recorrida 10' TURMA/DRJ em SÃO PAULO - SP I Ass UNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2001 DÉBITOS INFORMADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO E EM DCTF - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CORREÇÃO - NECESSIDADE DA EXCLUSÃO DA MULTA DE OFICIO - DÉBITOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO PAES - DUPLICIDADE - VINCULAÇÃO DOS VALORES LANÇADOS AO PAES - Indeferido o pedido de compensação. de débitos do contribuinte com créditos de terceiros, sem inconformidade do contribuinte, mormente no período anterior à vigência da Medida Provisória n° 66/2002, pode-se efetuar o lançamento de oficio dos débitos, com Mero no antigo art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, mesmos que estes estejam informados em DCTF vinculados à compensação. Entretanto, deve-se cancelar a multa de oficio vinculada aos débitos, por aplicação do princípio da retroatividade benigna, em decorrência da alteração no dispositivo legal acima perpetrada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Ainda, caso os mesmos débitos tenham sido incluídos no PAES, vincula-se apenas o auto de infração ao parcelamento especial, evitando a cobrança em duplicidade. DÉBITOS INFORMADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO E EM DCTF - LANÇAMENTO DE VALORES EM DUPLICIDADE - ACERTO - Comprovada a duplicidade de valores constantes no auto de infração em face dos informados na DCTF e nos pedidos de compensação, deve-se efetuar o devido acerto no lançamento. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - CABIMENTO - Na espécie, aplica-se a Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1" de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários }administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos. no período de inadimpMncia, à tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos . 4, . Processo n° 16327.002606/2003-98 CCOIC06 Acórdão o? 106-17.205 Fls. 948 federais". Ainda, consta no auto de infração os juros de mora capitalizados até o mês de sua lavratura. Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO CRUZEIRO DO SUL S/A. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de oficio e os seguintes valores lançados em duplicidade: i) tributo 0561 —PA 15/09/2001, R$ 116,57; ii) tributo 0588— PA 01/09/2001, R$ 807,24 e PA 08/09/2001, RS 277,74; iii) tributo 1708— PA 01/09/2001, R$ 191,45, PA 08/09/2001, R$ 4.065,14, PA 15/09/2001, R$ 3.780,27 e PA 22/09/2001, R$ 1.364,50; iv) tributo 3426— PA 01/09/2001, R$ 3.955,38, PA 08/09/2001, R$ 21.742,92, PA 15/09/2001, R$ 20.519,76 e PA 22/09/2001, R$ 3.647,49; v) tributo 8053 — PA 01/09/2001, RS 27.010,48, PA 08/09/2001, R$ 11.687,58, PA 15/09/2001, RS 25.745,48, PA 22/09/2001, R$ 20.541,19; e vi) tributo 8468— PA 01/09/2001, de R$ 775,33, PA 08/09/2001, de R$ 418,85 e PA 15/09/2001, R$ 179,01, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ,44 O . -4-‘,6,Ã _ff • AN '14 I I • tIR OS REIS Presidente / GIOV: NNI CH/ t • ti S CAMPOS Relat r 1f), FO ' ALIZAD • 1 FEV 2009 P•I iciparam, a Ç, • presente julgamento, os Conselheiros: Roberta de Azeredo Ferreir Pagetti, Ma úc oniz de Aragão Calomino Astorga, Janaina Mesquita Lourenço de S. uza, Sér: • G. vão F :mira Garcia (suplente convocado), Carlos Nogueira Nicácio (suplen conv• • do) e Gonçal, T Bonett Allage. 2 Processo n° 16327.002606/2003-98 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-17.205 Fls. 949 Relatório Em face do contribuinte Banco Cruzeiro do Sul S/A, CNPJ/MF n° 62.136.254/0001-99, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 14/08/2003, Auto de Infração (fls. 03 a 29), com ciência pessoal em 14/08/2003. Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento da obrigação: IMPOSTO R$ 1.095.841,43 MULTA DE OFÍCIO R$ 821.881,00 Abaixo, breve resumo da autuação, extraída do relatório fiscal de fls. 04 a 08. Trata-se de auto de infração que constituiu crédito tributário de IRRF (IRRF sobre trabalho assalariado, sobre o trabalho não assalariado, sobre a remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica, sobre aplicações financeiras de renda fixa- beneficiários pessoa jurídica e física e sobre operações de Day-Trade), referente a fatos geradores de agosto a novembro de 2001, em decorrência do indeferimento de processo administrativo de compensação. O contribuinte Química Industrial Paulista S/A propôs ação ordinária n° 98.0003059-0, na Justiça Federal de São Paulo, objetivando o reconhecimento do direito creditório oriundo das entradas não tributadas no âmbito do IPI (matérias-primas e insumos adquiridos com isenção ou à aliquota zero), bem como a possibilidade de compensar tal direito creditório com débitos próprios ou de terceiros. Essa ação ordinária foi controlada pelo processo administrativo de acompanhamento judicial n° 10880.001238/99-05. A antecipação de tutela foi concedida, e terceiros contribuintes protocolizaram pedido de compensação tendo por base o direito creditório acima, estribados no art. 15 da IN SRF n° 21/97 (compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro). Posteriormente, em 26/06/2001, foi prolatada sentença de mérito que julgou procedente o pedido autoral, ressalvado os limites da IN SRF n° 41/2000 (que vedou a compensação de crédito de um contribuinte com o débito de outro). Ocorre que, a partir de 06/09/2001, o contribuinte, aqui recorrente, passou a protocolizar pedidos de compensação (processo administrativo n° 16327.001833/2001-34), tendo por base o direito creditório do contribuinte Química Industrial Paulista S/A, em desacordo com a decisão judicial antes referida. Assim, em decisão datada de 21/12/2001, os pedidos de compensação foram indeferidos, e não houve, neste ponto, insurgência por parte do contribuinte (fls. 16). Indeferido o processo de compensação n° 16327.001833/2001-34, foram extraídas cópias deste para instrumentalizar o presente processo administrativo fiscal. Assim, os créditos tributários que haviam sido compensados no bojo desse processo administrar foram constituídos pelo lançamento aqui debatido. 3 Processo n° 16327.00260612003-98 CCOIC06 Acórdão n.° 106-17.205 p, Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Abaixo, excerto das razões deduzidas na impugnação, constante do relatório da decisão recorrida, verbis: A autuada apresentou a impugnação de fts.37/4 5, protocolizado em 15/09/2003, expondo em síntese que: 1. A impugnanie decidiu usufruir os benefícios concedidos pela Lei n° 10.684/2003, que instituiu o Parcelamento Especial — PAES, e inclui no parcelamento os débitos constantes do processo administrativo n° 16327.001833/2001-34, que conforme a fiscalização, refere-se à formalização dos pedidos de compensação de créditos protocolados pela impugnante, que originaram os débitos ora impugnados. 1.1. Portanto, os débitos constituídos no auto de infração foram todos confessados e estão sendo pagos parceladamente, razão pela qual é ilegal a presente autuação. 1.2. Com efeito, a adesão pela impugnante ao PAES deu-se em 30/07/2003 e a autuação foi lavrada em 14/08/2003. 1.3. A própria Lei n" 10.684/2003 estabelece quais são as medidas cabíveis para a cobrança do débito, que não a lavratura de auto de infração, caso a impugnante não cumpra todos os requisitos para a fruição dos beneficios por ela instituídos. Como o débito já está confessado, bastaria a inscrição em dívida ativa da União para que ele possa ser cobrado. 1.4. Também não seria o caso de incluir o auto de infração no PAES, vez que quando da lavra Sura deste, os valores apurados pelo Fisco já tinham sido incluídos no PAES, ou seja, sequer deveria ter sido lavrado o auto de infração, pois os débitos fiscais já estavam confessados. 1.5. Há duplicidade de cobrança do mesmo crédito tributário e o presente bis in idem não pode prosperar. 2. Pela leitura do auto de infração, pode-se extrair a constituição em duplicidade dos créditos tributários relacionados na tabela de fls.42. 3. A contribuinte declarou os débitos em DCTF e tal fato constitui confissão de dívida, ganhando força de denúncia espontânea, sendo assim ilegítima a aplicação de qualquer multa. 3.1. Como em todos os casos houve recolhimento do tributo, está-se diante da hipótese da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN. 3.2. É importante ressaltar que o instituto da denúncia espontânea permite à contribuinte não só excluir a sua responsabilidade pelo pagamento da multa de oficio, como também da multa de mora. 4. Nos termos do art. 151, VI, do CTN, o parcelamento suspende a exigibilidade dos créditos tributários. No presente caso, como o crédito está parcelado, em hipótese alguma poderia se cobrar multa de oficio. 4 . . Processo n° 16327.002606/2003-98 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-17.205 Fls. 951 5. Considerando-se a natureza remunerató ria da taxa SEL1C, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a sua utilização, no presente caso, com a natureza de juros de mora. 6. Cumpre notar que os índices utilizados para corrigir os débitos com vencimentos nos meses de agosto, setembro, outubro e novembro não são, respectivamente, de 36,65%, 35,33%, 33,80% e 32,4194 mas sim de 35,57%, 34,25%, 32,72% e 31,33%, respectivamente, conforme a tabela divulgada pela SRF defr.755. Na fase da impugnação, foram juntados os seguintes documentos: • cópia do recibo de entrega da Declaração Parcelamento Especial — PAES, transmitida em 15/09/2003 (fls. 32); • cópia da Declaração PAES (fls. 49 a 68), com registro da desistência do litígio constante no processo n° 16327.001833/2001-34 (fls. 66); • cópias das DCTF do ano-calendário 2001 (fls. 82 a 717); • cópia da primeira e segunda parcelas do PAES pagas em 30/07/2003 e 29/08/2003 (fls. 728 e 729); • desistência de qualquer litígio no bojo do processo de compensação n° 16327.001833/2001-34, protocolizado em 29/07/2003 (fls. 748). Para o que interessa à discussão em foco, o contribuinte juntou cópia interior teor das DCTF do 3° trimestre de 2001, transmitida em 12/11/2001 (fls. 417 a 567), e do 4° trimestre de 2001, transmitida em 14/02/2002 (fls. 568 a 717). Compulsando essas DCTF, verifica-se que os créditos tributários lançados (fls. 09 a 14) foram declarados como extintos por compensação sem DARF, vinculado ao processo administrativo n° 10880.001238/99-05 (fls. 05), que foi o processo administrativo fiscal que acompanhava o Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros do detentor do crédito Química Industrial Paulista S/A. Entretanto, há as seguintes divergências entre os valores declarados nas DCTF e os lançados: Código Período de Valores Valores confessados Valores declarados na Valores registrados Tributo Apuração Lançados no PAES DCTF nos pedidos de compensação 0561 13/10/2001 RS 1.488,19 R$ 1.253,81 (fls. 887) R$ 1.488,19 (fls. 573) R$ 1.488,19 (fls.872) 0561 03/11/2001 R$ 1.205,58 R$ 1.112,68 (fls. 887) R$ 1.112,68 (fls. 576) RS 1.205,58 (fls. 878) 0588 03/11/2001 RS 2.042,37 R$ 2.135,27 (fls. 888) R$ 2.135,27 (fls. 586) R$ 2.042,37 (fls. 878) 1708 24/11/2001 R$ 1.581,97 R$ 3.409,38 (fls. 890) R$ 3.409,38 (fls. 598) RS 1.581,97 (fls. 885) ' Ainda, deve-se observar que nas DCTF constaram apenas um dos débitos dentre aqueles que o impugnante asseverou que a autoridade autuante duplicara no auto de infração sh aqui em debate (tributo 0561 — PA 15/09/2001, valor R$ 116,57; tributo 0588 — PA 01/09/2001, valor R$ 807,24 e PA 08/09/2001, valor R$ 277,74; tributo 1708 — PA 01/09/2001, R$ 191,45, PA 08/09/2001, R$ 4.065,14, PA 15/09/2001, R$ 3.780,27 e PA . . Processo n° 16327.00260612003-98 CCO I /C06 Acórdão n.• 106-17.205 Fls. 952 22/09/2001, R$ 1.364,50; tributo 3426— PA 01/09/2001, valor R$ 3.955,38, PA 08/09/2001, R$ 21.742,92, PA 15/09/2001, R$ 20.519,76 e PA 22/09/2001, valor R$ 3.647,49; tributo 8053 — PA 01/09/2001, valor R$ 27.010,48, PA 08/09/2001, valor R$ 11.687,58, PA 15/09/2001, valor R$ 25.745,48, PA 22/09/2001, valor de R$ 20.541,19; tributo 8468 — PA 01/09/2001, valor de R$ 775,33, PA 08/09/2001, valor de R$ 418,85 e PA 15/09/2001, valor de R$ 179,01). A 10a Turma de Julgamento da DRJ-São Paulo I (SP), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão de fls. 764 a 770. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 16-11.608, de 16 de novembro de 2006, que foi assim ementado: PARCELAMENTO ESPECIAL. PAES. REQUISITOS. O parcelamento especial da Lei 10.684/1003 somente alcançará débitos que se encontrarem com exigibilidade suspensa por força do inciso III do art. 151 do CTN, no caso de o sujeito passivo desistir expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou do recurso interposto. MULTA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa são pressupostos para caracterização do instituto da denúncia espontânea. TAXA SEL1C. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. JUROS DE MORA. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. O contribuinte foi intimado da decisão a qtto em 18/12/2006 (fls. 776). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 16/01/2007 (fls. 781). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. todos os créditos tributários lançados no bojo deste procedimento fiscal já tinham sido tempestivamente confessados no âmbito do PAES, parcelamento especial instituído pela Lei n° 10.684/2003, implicando em uma constituição em duplicidade dos créditos tributários em discussão; II. o contribuinte cumpriu e vem cumprindo todas as condições instituídas pelo PAES; III. os créditos tributários lançados já haviam sido constituídos, quer pelos pedidos de compensação, quer pela confissão dos débitos nas DCTF respectivas, sendo desnecessário o lançamento de oficio com aqui procedido; IV. caso não prospere os argumentos anteriores, pugna pelo cancelamento da multa de oficio lançada, já que os débitos foram confessados nas DCTF pertinentes; V. a fiscalização arrolou débitos em duplicidade no auto de infração (fls. 797); VI. é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa Selic, havendo, adicionalmente, no corpo do auto de infração, equívocos em relação à taxa devida nos meses de agosto a novembro, quando se deveria cobrar 35,57%, 34,25%, 32,72% e 4. Processo n° 16327.002606/2003-98 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.205 Fls. 953 31,33%, e não 36,65%, 35,33%, 33,80% e 32,41%, nos meses já referidos, respectivamente, conforme tabela constante no sítio da internet da Receita Federal (foi acostada uma tabela para os pagamentos em julho/2003, nas fls. 755). Ao recurso voluntário, o contribuinte anexou a seguinte documentação: • cópias dos Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros (detentor do crédito: Química Industrial Paulista S/A; detentor dos débitos: o recorrente), indicando o processo administrativo n° 10880.001238/99-05 como a origem do crédito, protocolizados no período de 06/09/2001 a 18/12/2001 (fls. 850 a 885); • Demonstrativo dos Débitos Consolidados do recorrente no âmbito do PAES (fls. 887 a 905). Confrontando as cópias dos Pedidos de Compensação, acima, com os créditos tributários lançados, percebe-se que estes estão contidos nos Pedidos de Compensação, exceto pelos valores que o contribuinte retorquiu como em duplicidade, e antes já discriminados. Quanto ao Demonstrativo dos Débitos Consolidados no âmbito do PAES, há as seguintes divergências em relação aos créditos tributários lançados, além da ausência dos créditos em duplicidades acima tratados: Código Tributo Período de Apuração Valor Lançado Valor confessado no PAES 0561 13/10/2001 R$ 1.488,19 R$ 1.253,81 (fls. 887) 0561 03/11/2001 R$ 1.205,58 R$ 1.112,68 (fls. 887) 0588 03/11/2001 R$ 2.042,37 R$ 2.135,27 (fls. 888) 1708 24/11/2001 R$ 1.581,97 R$ 3.409,38 (fls. 890) Este recurso voluntário compôs o lote n° 05, sorteado para este relator na sessão pública da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes de 25/06/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 18/12/2006 (fls. 776) e interpôs o recurso voluntário em 16/01/2007 (fls. 781), dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar os pedidos e as razões deduzidos no recurso, como discriminados no relatório. Processo n° 16327.002606/2003-98 CCOI/C06 Acórdão e.° 106-17.205 Fls. 954 Inicialmente, deve-se definir se a fiscalização poderia efetuar o lançamento, da forma que fez, quando pendente o prazo para adesão ao parcelamento do PAES, bem como pelo fato de os débitos lançados estarem declarados em DCTF e nos pedidos de compensação. A Lei n° 10.684/2003, que dispôs sobre o PAES, apenas asseverou que os débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e ao INSS, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, poderiam ser parcelados em até cento e oitenta prestações mensais e sucessivas, devendo o requerimento ser apresentado até 31/07/2003 (arts. I°, 4° e 5° da Lei n° 10.684/2003), prazo que foi alterado para 31/08/2003 pela Lei n° 10.743/2003. Não havia qualquer óbice à ação do fisco sobre os contribuintes no curso do prazo para adesão ao parcelamento, inclusive porque não se poderia saber de antemão quem iria aderir ao PAES. Ainda, mesmo após o contribuinte fazer sua adesão ao PAES, que no caso vertente se aperfeiçoou em 30/07/2003, com o pagamento da primeira parcela (fls. 728), ainda não era possível saber se os débitos aqui em discussão seriam computados no PAES, pois constavam na DCTF com o vínculo COMPENSAÇÃO COM DARF, o que impediria, por si só, a consolidação no âmbito do PAES. Somente com a apropriação dos débitos em cobrança final, bem como aqueles declarados na Declaração PAES, esta instituída pela Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, de r/09/2003, no âmbito do programa, com a competente consolidação, poder-se-ia perscrutar quais os débitos confessados e declarados. Aqui, repise-se, os créditos tributários do caso vertente, quer na via da DCTF, quer na via dos Pedidos de Compensação, não poderiam ser cobrados, já que sequer estavam constituídos formalmente, como se demonstrará a seguir. O contribuinte defende que os créditos tributários declarados nas DCTF ou nos Pedidos de Compensação poderiam ser objeto de imediata cobrança, podendo ocorrer a consolidação deles no âmbito do PAES. O entendimento acima somente era acatado no âmbito da Secretaria da Receita Federal quando havia saldo a pagar na DCTF, ou seja, o contribuinte declarava um débito acima dos créditos (pagamentos, parcelamentos, compensação, exigibilidade suspensa) informados na própria DCTF, gerando um saldo a pagar. Esse saldo poderia imediatamente ser inscrito na dívida ativa da União. De outra banda, sempre que o contribuinte confessasse um débito, vinculando um crédito corresponde, do mesmo valor, como ocorreu no caso em apreço, o fisco não poderia, simplesmente, cobrar eventuais diferenças. Deveria efetuar o lançamento para cobrar eventuais diferenças detectadas na auditoria da DCTF, na forma do então vigente art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, verbis: Art.90.Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, absolutamente escorreito o procedimento da fiscalização que efetuou o lançamento, cobrando as diferenças levantadas na auditoria da DCTF, quando se verificou como inconsistente a compensação pleiteada pelo contribuinte. 8 Processo n°16327.002606/2003-98 CCOIK06 Acórdão n.• 106-17.205 Fls. 955 Ainda, não se esqueça, o recorrente asseverou que os próprios pedidos de compensação poderiam ser meios hábeis para efetuar as cobranças das compensações indeferidas. Ocorre que os pedidos de compensação foram indeferidos antes da publicação da Medida Provisória n° 66/2002, não tendo se transformado em declaração de compensação. Ademais, o contribuinte sequer recorreu administrativamente do despacho de indeferimento, tornando-o imutável na via administrativa. Sobre essa questão, há toda uma discussão envolvendo as Medidas Provisórias tf' 66/2002 (e sua Lei de conversão n° 10.637/2002) e 135/2003 (e sua Lei de conversão n° 10.833/2003), com o fisco entendendo que somente há confissão de dívida com as Declarações de Compensação apresentadas após a última das Medidas Provisórias acima. No caso vertente, entretanto, sequer se pode falar em declaração de compensação, já que houve um indeferimento do pedido de compensação em período anterior à Medida Provisória n° 66/2002. Assim, trata-se de meros pedidos administrativos de compensação, sem a carga de formalidade necessária para que sejam considerados confissões de dívida. Este é o entendimento confessado pelo fisco, o que obriga a constituição, pela via do lançamento, dos débitos na hipótese em debate. Ocorre que essa discussão é desnecessária para o deslinde da controvérsia, pois nada impede que um crédito tributário confessado em declaração eletrônica ou pedido em papel seja objeto de lançamento de oficio, aqui com uma nova roupagem legal, abrindo para o contribuinte todo o rito do contencioso administrativo fiscal. Simplesmente, pode-se constituir o crédito tributário pelo veículo tradicional e previsto no Código Tributário Nacional, afastando-se as declarações prestadas em processos administrativos, pois o lançamento tradicional, repise-se, é o único previsto no código tributário, permitindo uma ampla de via de questionamento dos valores lançados. Por tudo, não há empeço para o fisco constituir mediante o lançamento um crédito tributário confessado em declaração, quer esta seja considerada confissão de débitos, quer não. Entretanto, caso confessado tempestivamente em declaração, fica o fisco impedido de cobrar a multa de oficio, já que o contribuinte efetuou a confissão do débito espontaneamente, sendo desarrazoado imputar uma pena para aquele que confessou espontaneamente seu débito. No caso dos autos, o lançamento foi efetuado em 14/08/2003 e somente em 15/09/2003 o contribuinte notificou o fisco dos débitos que pretendia consolidar no PAES, entre os quais estavam os débitos lançados. Assim, forçoso reconhecer que o lançamento efetuado, formalmente, é hígido, não tendo qualquer nulidade, pois, ressalte-se, o contribuinte poderia não ter confessado os débitos em foco. Por tudo, em 14/08/2003, o fisco, a partir dos indeferimentos dos pedidos de compensação, formalizou o lançamento, já que a mera informação das compensações nas DCTF, por si só, também não teria o condão de obstar o lançamento. Ao revés, a informação da DCTF obrigaria o fisco a efetuar o lançamento, em linha com o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001. Entretanto, não se pode negar que havia a declaração dos débitos na DCTF, com os vínculos da compensação, e caberia, necessariamente, efetuar o lançamento com fincas no art. 90 da MP n°2.158-35/2001, já que as compensações foram indeferidas. Aqui, registre- se, a informação na DCTF é absolutamente relevante para a manutenção, ou não, da multa de oficio lançada. 9 Av Processo no 16327.002606/2003-98 CCO 1/Coe Acórdão o° 106-17.205 Eis. 956 Por tudo, por qualquer ângulo que se analise a matéria, verifica-se que na data acima, obrigatoriamente, somente restaria ao fisco formalizar o lançamento na forma aqui vergastada, pois a confissão dos débitos, que terminou ocorrendo com a declaração PAES, somente se concretizou em 15/09/2003. No caso aqui em discussão, em termos estritamente formais, seria incabível o litígio aqui instaurado, já que o contribuinte não deveria ter impugnado o presente auto de infração, solicitando, na verdade, sua inclusão no PAES, o que teria o condão de incluir todos os débitos, agregados à multa de oficio. Ocorre que o contribuinte assim não procedeu, fugindo, efetivamente, da multa lançada, com a informação dos débitos na via da Declaração de Débitos do PAES. Preferiu desistir do litígio de um processo sem contencioso (processo administrativo fiscal de compensação n° 16327.001833/2001-34), confessando os débitos na declaração PAES, o que implicou em uma cobrança dos débitos em duplicidade, pelo auto de infração e pela Declaração PAES. Entretanto, não se pode ficar adstrito a formalismos exagerados, pois se deve reconhecer que os débitos em debate foram incluídos no PAES, já que todo o contencioso instaurado, essencialmente, esteve alicerçado na existência da duplicidade dos débitos, no auto de infração e no PAES. Ora, constando os débitos do imposto no PAES, somente ficaria fora do programa a multa de oficio vinculada ao imposto, já que, como é cediço, a multa vinculada é crédito tributário, e, sendo higido o principal, pode ser cobrada separadamente. Assim, reconhecendo que o contribuinte incluiu os créditos tributários referentes ao imposto no PAES, deve-se discutir a pertinência da cobrança da multa vinculada lançada. Como antes já asseverado, na época do lançamento, tinha vigência o art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35/90, que determinava que as diferenças detectadas nas auditorias das declarações deveriam ser objeto de lançamento de oficio, com cobrança de multa de oficio. Como aqui já dito, os créditos tributários do imposto em discussão estavam informados em DCTF. Posteriormente, o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 deu nova redação ao art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, verbis: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Veja-se acima que as diferenças detectadas nas declarações não mais seriam objeto de lançamento de oficio, mas somente haveria a imposição de multa isolada sobre as diferenças decorrentes de compensação indevida, aplicada no caso do crédito compensável ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou que ficar caracterizado a prática de sonegação, fraude ou conluio. De plano, no caso dos autos, sequer se trata de multa isolada. Entretanto, mesmo que se equipare a multa vinculada à multa isolada, somente houve expressa vedação legal à compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro com o art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que deu nova redação à cabeça do art. 74 da Lei n° 9.430/96, verbis: I O Processo n°16327.002606/2003-98 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-17.205 Fls. 957 Art.74.0 sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utiliza-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Observe que os pedidos de compensação foram protocolizados no segundo semestre de 2001, data anterior à 29/08/2002. Ademais, o crédito perseguido era de natureza tributária (créditos no âmbito do IPI) e não restou demonstrada nenhuma das vedações legais antes expressas. Com as considerações acima, percebe-se que a aplicação da multa vinculada não mais subsistiria no regime da Lei n° 10.833/2001, que somente previa a existência de multa isolada, devendo-se, no caso em debate, aplicar o instituto da retroatividade benigna, exonerando a multa lançada. Aqui, deve-se evidenciar que esse procedimento de exoneração da multa vinculada que incidiu nos lançamentos sob a égide do vetusto art. 90 da Medida Provisória 2.135-35/90 foi expressamente acatado pela SC! Cosit n°03/2004, que asseverou na letra "d" da conclusão dessa Solução de Consulta: d) no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n' 2.158-35, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei rt.' 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no "caput" desse artigo. Por tudo, quer o contribuinte tivesse incluído os créditos tributários deste auto de infração, quer procedido na forma da Declaração PAES, seria obrigatório excluir a multa vinculada de oficio lançada, já que o instituto da retroatividade benigna, na forma do art. 106 do Código Tributário Nacional, aplica-se a qualquer ato não definitivamente julgado, albergando créditos tributários em regime de parcelamento, já que tem sua aplicação até em execuções fiscais, como se vê na ementa do REsp 649699 / SP, DJ 15/05/2006 p. 164: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA DE 30% PARA 20% POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. LEI PAULISTA 9.399/96. ART. 106, II, C, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. I. A Lei Paulista 9.399/96, que introduziu nova redação ao art. 87 da Lei Estadual 6.374/89, estabelece que a multa moratória deve ser fixada no valor de 20% sobre o débito fiscal, ao revés do quantum de 30% anteriormente cominado. 1. O art. 106, II, c, do CTN, dispõe que a lei mais benéfica ao contribuinte aplica-se a ato ou fato pretérito, desde que não tenha sido definitivamente julgado. Além do mais, o art. 112 da legislação tributária federal estabelece: "A lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado." 3. Recurso especial desprovido. I I _ Processo n° 16327.002606/2003-98 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-17.205 ris. 958 Excluindo-se a multa de oficio vinculada lançada, verifica-se que os créditos tributários confessados no âmbito do PAES estão contidos no auto de infração, devendo ser o presente auto de infração, naquilo que tem identidade com os créditos tributários re2istrados no PAES, permanecer vinculado ao parcelamento especial. Ainda, o contribuinte se insurge contra valores lançados em duplicidade (tributo 0561 — PA 15/09/2001, valor R$ 116,57; tributo 0588— PA 01/09/2001, valor R$ 807,24 e PA 08/09/2001, valor R$ 277,74; tributo 1708 — PA 01/09/2001, R$ 191,45, PA 08/09/2001, R$ 4.065,14, PA 15/09/2001, R$ 3.780,27 e PA 22/09/2001, R$ 1.364,50; tributo 3426 — PA 01/09/2001, valor R$ 3.955,38, PA 08/09/2001, R$ 21.742,92, PA 15/09/2001, R$ 20.519,76 e PA 22/09/2001, valor R$ 3.647,49; tributo 8053 — PA 01/09/2001, valor R$ 27.010,48, PA 08/09/2001, valor R$ 11.687,58, PA 15/09/2001, valor R$ 25.745,48, PA 22/09/2001, valor de R$ 20.541,19; tributo 8468 — PA 01/09/2001, valor de R$ 775,33, PA 08/09/2001, valor de R$ 418,85 e PA 15/09/2001, valor de R$ 179,01). Iniludivelmente, os valores em debate estão em duplicidade, já que não parece plausível que tais montantes, com identidade de data e valor, estejam registrados aos pares. Ademais, compulsando a DCTF e os Pedidos de Compensação protocolizados, verifica-se que não há a duplicidade registrada no auto de infração. E, por fim, os valores que deram base ao lançamento estão registrados em planilhas preparadas pela autoridade autuante (fls. 09 a 14), sem qualquer documentação de suporte dos fatos geradores. Assim, a prova que o contribuinte fez da duplicidade dos fatos geradores guerreados, especificamente as cópias das DCTF e pedidos de compensação entregues tempestivamente, tudo antes do procedimento fiscal, é suficiente para arrostar a duplicidade levantada pelas planilhas da autoridade autuante. Assim, devem-se cancelar os débitos em duplicidade constantes do auto de infração, na forma acima discriminada. Ainda, confrontando os valores declarados nas DCTF, na Declaração do PAES, nos Pedidos de Compensação e os lançados, foram detectadas as seguintes inconsistências: Código Período de Valores Valores confessados Valores declarados na Valores registrados Tributo Apuração Lançados no PAES DCTF nos pedidos de compensação 0561 13110/2001 R$ 1.488,19 R$ 1.253,81 (fls. 887) R$ 1.488,19 (fls. 573) R$ 1.488,19 (fls.872) 0561 03/11/2001 R$ 1.205,58 R$ 1.112,68 (fls. 887) R$ 1.112,68 (fls. 576) R$ 1.205,58 (fls. 878) 0588 03/11/2001 RS 2.042,37 R$ 2.135,27 (fls. 888) R$ 2.135,27 (fls. 586) R$ 2.042,37 (fls. 878) 1708 24/11/2001 RS 1.581,97 R$ 3.409,38 (fls. 890) R3 3.409,38 (fls. 598) R$ 1.581,97 (fls. 885) Pela tabela acima, percebe-se que os dois primeiros fatos geradores foram confessados no PAES com valores minorados em face do valor lançado, este que deve ser privilegiado, já que se encontra em sintonia ou com os valores informados na DCTF ou com os valores dos pedidos de compensação, devendo-se manter a diferença lançada fora do abrigo do PAES. No tocante aos dois últimos fatos geradores declarados a maior no PAES, acima, deve- se manter o valor majorado, nada impedindo que o contribuinte peça a devida revisão dos valores confessados no PAES, alterando-os para os valores lançados e registrados nos pedidos de compensação, caso estes sejam os corretos. Assim devem ser cobrados, sem multa de oficio e de forma apartada, os seguintes valores: 12 „icte Processo n° 16327.002606/2003-98 Cal1/06 Acórdão n.° 106-17.205 Fls. 959 • PA 0561 — período de apuração 13/10/2001 — R$ 234,38; • PA 0561 — período de apuração 03/11/2001 — R$ 92,90. No tocante à discussão da taxa Selic, trata-se de matéria pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, objeto, inclusive, do enunciado Sumular 1° CC n° 4: "A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Com espeque no art. 53 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes', aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, deve-se ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Dessa forma, não pode prosperar, neste ponto, a irresignação do recorrente. Por último, no tocante a eventual majoração da taxa Selic constante no auto de infração, deve-se perceber que o auto de infração foi lavrado em agosto de 2003 e a tabela que alicerçou a irresignação do contribuinte continha a Selic até o mês de julho de 2003 (fls. 755), o que explica a diferença apontada pelo contribuinte, não tendo este razão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento para excluir os créditos tributários abaixo discriminados do auto de infração e para cancelar a multa de oficio lançada, mantendo o auto de infração vinculado ao Parcelamento Especial naquilo em que haja identidade entre a confissão no PAES e os valores lançados, devendo os valores que sobejaram a confissão no PAES serem cobrados de forma apartada, sem multa de oficio (PA 0561 — período de apuração 13/10/2001 — R$ 234,38; PA 0561 — período de apuração 03/11/2001 — R$ 92,90). Abaixo, os créditos tributários que devem ser excluídos do auto de infração: • Tributo 0561 — PA 15/09/2001, valor R$ 116,57; • tributo 0588 — PA 01/09/2001, valor R$ 807,24 e PA 08/09/2001, valor R$ 277,74; • tributo 1708 — PA 01/09/2001, R$ 191,45, PA 08/09/2001, R$ 4.065,14, PA 15/09/2001, R$ 3.780,27 e PA 22/09/2001, R$ 1.364,50; • tributo 3426 — PA 01/09/2001, valor R$ 3.955,38, PA 08/09/2001, R$ 21.742,92, PA 15/09/2001, R$ 20.519,76 e PA 22/09/2001, valor R$ 3.647,49; • tributo 8053 — PA 01/09/2001, valor R$ 27.010,48, PA 08/09/2001, valor R$ 11.687,58, PA 15/09/2001, valor R$ 25.745,48, PA 22/09/2001, valor de R$ 20.541,19; Art. 53. As decisões unânimes, reiteradas e uniformes dos Conselhos serão consubstanciadas em súmula, de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. § 1 0 A súmula será publicada no Diário Oficial da União, entrando em vigor na data de sua publicação. 1i 2° Será indeferido pelo Presidente da Câmara, ou por proposta do relator e despacho do Presidente, o recurso que contrarie súmula em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso. .. . Processo n°16327.00260612003-98 CCO I /CO6 Acórdão n.° 106-17.205 Fls. 960 • tributo 8468 — PA 01/09/2001, valor de R$ 775,33, PA 08/09/2001, valor de R$ 418,85 e PA 15/09/2001, valor de R$ 179,01. Sala das Sessões, em 17 de de : bro de , I08< - Giovanni Christian N nes Ca Éj1( 1,,s I 1 Y 14 Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1

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Numero do processo: 18336.000225/00-86
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Ementa: ADUANEIRO — IMPORTAÇÃO — APRESENTAÇÃO DE FATURA COMERCIAL — INFRAÇÃO — ART. 521, III, "a", REGULAMENTO ADUANEIRO DE 1985. - A não apresentação da Fatura Comercial, em seu original, no prazo fixado em termo de responsabilidade, implica na infração capitulada no art. 521, inciso III, alínea "a", do RA/85, tendo como matriz legal o art. 106, III, "a", do D.LEI n° 37/66, sendo cabível a penalidade cominada. Recurso especial provido
Numero da decisão: CSRF/03-04.632
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES

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CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 08 de novembro de 2005. Acórdão n.°. : CSRF/03-04.632 ADUANEIRO — IMPORTAÇÃO — APRESENTAÇÃO DE FATURA COMERCIAL — INFRAÇÃO — ART. 521, III, "a", REGULAMENTO ADUANEIRO DE 1985. - A não apresentação da Fatura Comercial, em seu original, no prazo fixado em termo de responsabilidade, implica na infração capitulada no art. 521, inciso III, alínea "a", do RA/85, tendo como matriz legal o art. 106, III, "a", do D.LEI n° 37/66, sendo cabível a penalidade cominada. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTÓNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE -tfrr-~ PAULO -O: v'D CUCCO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: 01 MAR 2006 Processo n.° :18336.000225100-86 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, JUDITH DO AMARAL MARCONDES, ANELISE DAUDT PIETRO, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Ç4fi 2 Processo n.° :18336.000225/00-86 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 Recurso n.°. : 301-124319 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRÁS RELATÓRIO Adoto o Relatório de fls. 74/75, que transcrevo, verbis: "Em exame o recurso interposto contra a decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), que, por maioria de votos, considerou procedente o lançamento constante do Auto de Infração de fls. 2/4, referente à exigência de multa de que trata o art. 106, inciso IV, do Decreto- lei n°37/66, por falta de apresentação da via original da fatura comercial, no valor de R$ 33.626,36, correspondente à Declaração de Importação n° 96/000249/001, registrada em 218/96. A IRF em São Luis (MA) havia intimado a interessada a apresentar a via original da Fatura Comercial (Intimação de t7. 8) por haver constatado que a via apresentada era cópia. Em sua impugnação, apresentada tempestivamente (t7s. 13/19), o importador argúi o principio da verdade material, alegando que a autoridade fiscal autuou a empresa por falta de apresentação da via original da fatura comercial e do certificado de origem, e que esses documentos existem e suas cópias autenticadas encontram-se em poder da Fiscalização, que não poderia ter ignorado a declaração do servidor, que teria certificado o recebimento dos documentos originais, em 22/4/99 nos seguintes termos: "Recebi os D. Originais faturas comerciais e Certificados de Origem. Dar. Em 22/4/99." a 3 Processo n.° :18336.000225/00-86 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 O recorrente acrescenta que apresentou cópia autenticada do documento (Ofício de fi. 39), e que não infringiu qualquer dispositivo legal, entendendo tratar-se de equívoco da Fiscalização negar vigência à legislação que confere o mesmo valor probante que o original, aos documentos autenticados por agentes notariais ou oficial público, e que, se as cópias são inválidas, deveriam ter sido apontados os supostos indícios da irregularidade detectada que apóia tal entendimento. A Decisão de Primeira Instância, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/FOR n° 233, de 25/10;2001 (fls. 47/55), cuja ementa dispõe, verbis: "Fatura Comercial O Regulamento Aduaneiro obriga expressamente a apresentação da via original da fatura comercial, de modo que nenhuma outra prova, que não atenda essa forma prescrita em lei, poderá suprir a sua falta. O não atendimento dessa exigência constitui fato punível com a multa prevista na legislação aduaneira. Lançamento Procedente." Ressalta a Decisão de Primeira Instância que a ação fiscal diz respeito à exigência de multa por falta de fatura e não contempla matéria pertinente ao certificado de origem, como alegado pelo impugnante, e que este também incorre em equívoco ao transcrever a declaração do agente da SRF, visto que, em verdade, constata-se na leitura do citado documento, à ti 43, que a ciência está redigida da seguinte forma: "Recebi as Dl originais fatura comercial e Certificado de Origem". O interessado recorre da Decisão de Primeira Instância (fls. 61/67), repetindo na íntegra as alegações expendidas na peça impugnatória, requerendo seja julgada improcedente a ação fiscaL A C. Primeira Câmara, do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, emitiu a Decisão estampada no Acórdão n° 301-30.562, assim ementado, verbis: 4 Processo n.° :18336.000225l00-66 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 "FATURA COMERCIAL. Provada a sua existência, inaplicável a multa prevista no artigo 521,111, "a", do RA. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA." Para melhor entendimento, repriso os fundamentos do Voto Vencedor que norteou o Acórdão em comento, contrário ao entendimento esposado pelo 1. Relator, como segue, verbis: "(...) Data vênia, divirjo do D. Relator por ser caso de provimento integral ao recurso para cancelar a multa aplicada com base no artigo 521, inciso III, alínea "a", R.A., uma vez que, sendo o fundamento da autuação a "não apresentação da fatura comercial original", e sendo certo que ela (fatura) existe, conforme documento de fls. 26, 41, não há que se falar em infração legal. Além do mais, consta do documento 43 que a fiscalização teria recebido os documentos originais "fatura comerciar, certificado de origem e DARF", em 22104/99. Não fossem tais fatos, não é menos certo que a autuação deve ser precisa com relação à tipificação, não podendo a pena incidir aleatoriamente sobre uma ou outra realidade, à mercê da discricionariedade. A alínea 'a", do inciso III do artigo 521 do Regulamento Aduaneiro prevê a hipótese de "inexistência de fatura", o que não é o caso dos autos, já que esta existe. Nessa área é imperativa a utilização do tipo cerrado, que define de modo preciso e exaustivo seus elementos e características. Processo n.° :18336.000225/00-86 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 "Neste tipo há subsunção do fato concreto ao tipo, isto é, o fato concreto deve apresentar todas as notas características do tipo, deve "cair" dentro do tipo legal para que este lhe possa ser aplicado. "(Younne Dolácio de Oliveira — Curdo de Direito Tributário, vol. 1, edições CEJUP). Do Acórdão a Fazenda Nacional, por sua D. Procuradoria, tomou ciência em 26/05/2004 (fls. 83) e apresentou Recurso Especial, com fulcro nas disposições do art. 5°, inciso I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, em 27/05/2004 (fls. 84), tempestivamente. Argumenta que houve contrariedade ao Art. 521, inciso III, alínea "a", do Regulamento Aduaneiro, requerendo a reformulação da Decisão guerreada, para fins de restabelecimento da penalidade aplicada. Regularmente cientificada do Recurso Especial interposto, a Interessada apresentou suas "contra-razões", às fls. 98/104, defendendo a manutenção do Acórdão recorrido. Vindo os autos a esta Câmara Superior, após regular ciência à D. Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 112), foram distribuídos a este Relator, em sessão realizada no dia 08/08/2005, como noticia o documento de fls. 113, última deste processo. É o Relatório. ip 6 Processo n.° :18336.000225/00-86 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, Relator O Recurso é tempestivo, reunindo as necessárias condições de admissibilidade, motivo pelo qual Dele conheço. Discute-se neste processo, unicamente, a aplicação da penalidade capitulada no art. 521, inciso III, alínea "a", do RA185, cujo texto estabelece o seguinte: Art. 521 — Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decreto-Lei n° 37/66, artigo 106, I, II, IV e I O: III) de 10% (dez por cento) a) pela inexistência da fatura comercial ou falta de sua apresentação no prazo fixado em termo de responsabilidade." O Auto de Infração, em sua folha de continuação (fls. 03), deixa claro que a penalidade decorre da não apresentação, pela Interessada, da Fatura Comercial original, no momento adequado, conforme as transcrições que se seguem: "O contribuinte, através das intimações n° 34/99 e 021/2000 (anexas ao processo), foi intimado a apresentar a fatura comercial, via original, na Dl relacionada na referida intimação. Deixou de apresentar a referida fatura da Dl indicada na intimação anexa. No momento do registro da Dl, o importador valeu-se do disposto na IN-097/94 que dispensava a apresentação da fatura para tal registro. II 97 Processo n.° :18336.000225/00-86 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 No entanto, a IN 097/94 determina a apresentação do documento original em até 90 (noventa) dias e a Legislação Aduaneira determina que o contribuinte deve manter, a disposição da fiscalização, no prazo qüinqüenal, a fatura comercial, em sua via original. Face a não apresentação da referida fatura comercial, procedeu-se o lançamento da multa proporcional, prevista na legislação indicada no presente Auto de Infração." Como se denota, a descrição dos fatos não causou gerou qualquer óbice, impedimento ou obstrução ao direito da Contribuinte, no exercício de seu pleno direito de defesa. Além disso, pelas Intimações mencionadas e inseridas nos autos, além dos procedimentos adotados no seguimento do processo, é certo que a Empresa estava, desde o início, ciente da infração pela qual estava sendo penalizada. Às fls. 09 é encontrado o "espelho" da Declaração de Importação envolvida e do seu verso ressaltam algumas observações relevantes, dentre as quais a de n° 4, a saber "4. DE ACORDO COM A IN-097 DE 05/12/94, EM ATÉ 90 DIAS APRESENTAREMOS 0(S) ORIGINAL(IS) DO(S) DOCUMENTOS ABAIXO RELACIONADO(S): BILL OF LADING FATURA" Forçoso se toma reconhecer, portanto, a total identidade entre a fundamentação estampada no Auto de Infração, já acima transcrita, com o Termo de Responsabilidade firmado pela Recorrente, no corpo da própria Dl (campo 24), indicando a utilização da IN 097 de 1994, como mencionado. A Recorrente, desde sua impugnação inicial (vide fls. 15), refere-se à certificação dada pela fiscalização, em um de seus ofícios - PETROBRÁS n. 033/99, / 8 Processo n.° :18336.000225/00-86 Acórdão n.° : CSRF/03-04.632 atestando que tal órgão recebeu os documentos originais indicados, incluindo-se a Fatura Comercial, em data de 22/04/99. Ora, tal assertiva milita contra a Interessada. Com efeito, o Termo de Responsabilidade firmado no verso do espelho da Dl (campo 24), com escopo na IN 097/94, valia por 90 (noventa) dias contados do registro da mesma Dl. Tal registro, como se constata, deu-se no dia 02/08/1996. Toma-se evidente, então, que se a Importadora entregou a Fatura, em sua via original, somente em 22/04/1999, não existe como contestar a infração prevista no art. 521, inciso III, alínea "a", do RA/85 (matriz legal no art. 106, III, "a", do DL 37/66), incidindo a penalidade indicada. Diante do exposto, entendo que o Acórdão recorrido deve merecer reparos, como pretendido pela Recorrente, motivo pelo qual voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL ora em exame, para fins de restabelecer a penalidade originalmente aplicada pela repartição de origem. Sala das Sessões — DF, em 08 de novembro de 2005. I PAULO R0B 37 CUCCO ANTUNES 9 Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1

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Numero do processo: 16327.001251/2001-58
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL - SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORATÓRIOS - Demonstrado que o depósito judicial não foi procedido pelo montante integral do crédito tributário, não tem o condão de suspender a exigibilidade. Mesmo sem a suspensão da exigibilidade, porém, não deve ser lançada multa de ofício nem juros moratórios calculados sobre o montante depositado antes da lavratura do auto de infração. Recurso voluntário conhecido, rejeitadas as preliminares e provido parcialmente.
Numero da decisão: 105-16.990
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a multa e juros sobre a parcela depositada judicialmente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: José Carlos Passuello

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CCOI/CO5 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA 40.4:-_.i: rf 0)1,4-a- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4,..:.it-itra• Ai*-,-~, - QUINTA CÂMARA Processo n° 16327.001251/2001-58 Recurso n° 155.671 Voluntário Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL - EX.: 1997 Acórdão n° 105-16.990 Sessão de 27 de maio de 2008 Recorrente BANCO SOFISA S/A Recorrida 10a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL - SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE MULTA DE OFICIO E JUROS MORATÓRIOS - Demonstrado que o depósito judicial não foi procedido pelo montante integral do crédito tributário, não tem o condão de suspender a exigibilidade. Mesmo sem a suspensão da exigibilidade, porém, não deve ser lançada multa de oficio nem juros moratórios calculados sobre o montante depositado antes da lavratura do auto de infração. Recurso voluntário conhecido, rejeitadas as preliminares e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a multa e juros sobre a parcela depositada judicialmente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ) ri i i â e : LÓVIS . LVES Pre , cl; tefl eirJ0*. C LOS PASSUE LO Relator Formalizado em: 27 JUN 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, IRINEU BIANCHI, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, i 5 1 Processo n° 16327.001251/2001-58 CCOI/CO5, Acórdão n.° 105-16.990 Fls. 2 LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, ALEXANDRE ANTÔNIO ALKMIM TEIXEIRA e WALDIR VEIGA ROCHA. Relatório BANCO SOFISA S/A, formalizou recurso voluntário (fls. 143 a 167), em 10.04.06 (segunda-feira), contra a decisão da I Oa Turma da DRJ em São Paulo, SP, consubstanciada no Acórdão n° 8.388, do qual foi cientificada em 09.03.06 (fls. 142), assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1996 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível cogitar-se de nulidade do Auto de Infração. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Conhecida plenamente a acusação que lhe foi imputada, por meio da correta descrição dos fatos, descabe a proposição de cerceamento de defesa. MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. Somente à constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa pela concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, não cabe o lançamento de multa de oficio. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento, prevista em lei, implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. Lançamento procedente." f A exigência limita-se à CSLL calculada sob a modalidade de apuração do lucro real, tendo como fato gerador o ano-calendário encenado em 31.12.1996 (fls. 05). O recurso, antes de expender suas razões de defesa, solicita que a intimação seja endereçada ao patrono da recorrente (fls. 143). Porém, a fls. 323, o patrono informa ren ' ia dos poderes e revogação da procuração, com substabelecimento, caindo no vazio o pedid ão consta a indicação de outro procurador ou preposto. 2 Processo n° 16327.001251/2001-58 COM /CO5 Acórdão n.° 105-16.990 Fls. 3 A descrição dos fatos trazida pela fiscalização dá conta da existência de medida judicial (mandado de segurança), nos termos (fls. 06): "As seguintes inconsistências foram apontadas na Malha Fazenda em relação à Ficha 11 — Demonstração do Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro da DIRPJ/97, ano-calendário 1996: LINHA VALOR VALOR DECLARADO PROPOSTO Contribuição 22 Social sobre o 230.088,60 348.082,76 Lucro Liquido Contribuiçãogar 26 O 117.994,16 Social a Pa O contribuinte impetrou Mandado de Segurança n° 96.0008364-9, na 17" Vara Federal de São Paulo, com pedido de liminar, em 22/03/96, para o fim de ser-lhe assegurado o direito de calcular a Contribuição Social sobre o Lucro, de janeiro de 1996 em diante à aliquota de 8% e não 30%, conforme previsto na Emenda Constitucional n" 10/96, ou de 18% prevista na Lei n°9.249/95. O contribuinte questiona a aplicação da aliquota diferenciada para as instituições financeiras, bem como a aplicação da Emenda Constitucional n" 10/96 no que diz respeito à majoração da aliquota para 30% antes de 90 dias da data da sua publicação. A liminar foi parcialmente concedida, determinando-se a incidência da alíquota de 18% conforme previsto na Lei n°9.249/95. O contribuinte formulou pedido de reconsideração, o qual foi indeferido. Posteriormente interpôs agravo de instrumento. Foi dado efeito suspensivo ao referido agravo de instntmento contra a decisão que deferiu parcialmente a liminar foi deferida a liminar para recolhimento da CSL pela alíquota de 8% Em 21/06/2000 foi proferida sentença em mandado de segurança denegando a ordem e mantendo o entendimento de que o contribuinte deveria recolher a Contribuição Social Sobre o Lucro pela alíquota de 18% (dezoito por cento) de acordo com o previsto na Lei n" 9.249/95, no período compreendido entre 01/01/96 a 06/06/96, quando então passaria a ser devido pela alíquota de 30% (trinta por cento), conforme previsto na EC n°10 de 07/03/96. Conforme Certidão de Objeto e Pé (às fls. 34) apresentada pelo contribuinte em 02/02/2001, foram interpostos recursos por ambas as partes. O contribuinte impetrou Medida Cautelar n" 2000.03.00.051996-9, com pedido de liminar, tendo efetuado depósito em 03/10/2000 dr /6.4 conforme DARF às 11s. 32 no montante de R$ 89.474,16 de principaL A liminar foi indeferida, aguardando o julgamento da medida cautelar e/ou do recurso de apelação interposto. No ano- calendário de 1996, em sua DIRPJ/97, o contribuinte apur u a contribuição a uma aliquota incorreta (18% - dezoito por c conforme linha 26— Ficha 11, transcrita abaixo: 3 ; . Processo n° 16327.001251/2001-58 CCOI/COS Acórdão n.° 105-16.990 Fls. 4 Linha FICHA 11— CÁLCULO DA CSL 21. Base de Cálculo da Contribuição Social Sobre Lucro 1.508.358,64 22. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO 230.088,60 23. (-) Cont. Soc. Mensal c/base R. Bruta ou Bal. Susp./Red. 230.088,60 24. Saldo de CSL a Comp. Apur. Em Per. Anteriores 0,00 25. Demais Compensações de CSL 0,00 26. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR 0,00 19 A matéria tributada está descrita no item próprio (fls. 07): "2. DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL A Lei n" 7.689/88, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro das pessoas jurídicas, considera que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do período-base encerrado em 31 de dezembro de cada ano, o próprio contribuinte em Embargos de Declaração do Mandado de Segurança nos Autos do processo n° 96.0008364-9, sustenta que o fato gerador da CSL é anual, sendo assim o depósito judicial em 03/10/2000, não foi efetuado no montante integral do débito, uma das previsões do CTN para a suspensão do crédito tributário. Considerando os fatos relatados, efetuou-se a apuração do crédito tributário para o lançamento de oficio relativo ao ano-calendário de 1996, uma vez que o contribuinte apurou a contribuição a uma aliquota incorreta (18% - dezoito por cento) resultando num valor a lançar, conforme demonstrativo abaixo: Cálculo da C.S.L.L. a lançar no presente Auto de R$Infração Base de Cálculo da C.S.L.L. 1.508.358,64 C.S.L.L. Devida — allquota de 30% 348.082,76 Menos — C.S.L.L. declarada DIRPJ/97 (aliquota de 18%) 230.088,60 C.S.L.L. a lançar através do presente Auto de Infração 117.994,16 ff ••• Recaiu, portanto, a tributação sobre a diferença entre os valores calculados às aliquotas de 30% e 18%. A decisão recorrida não acolheu a preliminar de nulidade do lançamento e manteve a exigência, declarando que o pedido de compensação da CSLL com IRPJ que teria pagado a maior não deve ser apreciado naquela via, uma vez que a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário e o que se busca é apreciar a constituição do crédito tributário exigido. A multa de oficio foi mantida diante da constatação, pela autoridade recorrida, que em 21.06.01, ocasião da lavratura do auto de infração, não estava a recorrente amparada por liminar obtida em mandado de segurança ou medida cautelar, fato que não subordina o9 caso ao artigo 63 da Lei n° 9.430/96. Ainda, não poderia considerar o crédito tribu : o amparada em exigibilidade suspensa uma vez que o depósito judicial de R$ 89.474,16 ':;) é suficiente para garantir a CSLL lançada, de R$ 117.994,16. / 1h 4 • ' Processo n° 16327.001251/2001-58 CCO I/CO5 Acórdão n.° 105-16.990 Fls. 5 Ainda, afirma a autoridade recorrida que a decisão judicial reconheceu correta a aplicação da aliquota de 30% para cálculo da CS LL. Foi mantida também a aplicação da variação da Taxa Selic para mensurar os juros moratórios. O recurso reitera a preliminar de nulidade do auto de infração por ter a autoridade lançadora ignorado a sentença judicial bem como o depósito judicial efetuado, ainda mais que faltou ao lançamento a necessária motivação além de representar cerceamento ao direito de defesa. Alega a recorrente, a existência da suspensão do crédito tributário, seja pela liminar concedida, seja pelo depósito judicial, sendo que o crédito tributário lançado corresponde à diferença entre a CSLL paga e declarada na DIPJ (18%) e a CSLL calculada à aliquota de 30%. A essa diferença se dirigiu o depósito judicial. Assim, não caberia a multa de oficio, se bem, mesmo que o depósito não fosse integral, ainda assim não seria aplicável a multa de oficio sobre a parcela depositada (parcial) nem os juros de mora. Ataca ainda, o recurso, a aplicação da variação da Taxa Selic para mensurar os juros de mora. Assim se apresenta o processo para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A primeira questão a apreciar é a preliminar de nulidade do lançamento, por ter a autoridade julgadora desprezado a existência da decisão judicial e procedido ao lançamento como se fora contra contribuinte em mora com o tributo. Entendo que a lavratura do auto de infração decorre do dever de oficio e nas circunstâncias do processo, o lançamento visou garantir a constituição do crédito tributário perante o instituto da decadência, além de impulsionar a cobrança pela formalização do processo próprio. Assim, voto por rejeitar essa preliminar. Outra questão a examinar diz respeito à possibilidade de suspensão do crédito O tributário pelo depósito. O valor exigido no auto de infração relativo à CSLL é de R$ 117.994,16 ' . 04), enquanto o depósito judicial, que está comprovado pelo documento de fl.. 13 (03.10.2000), é de R$ 89.474,16, portanto, é claramente inferior ao crédito tributário, e • ue ft, 5 / . Processo n° 16327.001251/2001-58 CC0I/CO5 Acórdão n.° 105-16.990 Fls. 6 induz à conclusão que ele, depósito judicial não pode ter o condão de suspender a exigibilidade, uma vez que não corresponde ao seu montante integral. Ainda, deve-se examinar a questão que diz respeito à existência e efeitos da medida judicial noticiada na peça impositiva inaugural. O auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 21.06.2001 (fls. 04). Noticia a fiscalização (fls. 07) que a medida judicial intentada visava a declaração de inconstitucionalidade acerca da alíquota da CSLL incidente sobre o seu resultado A tributação abrangeu o valor correspondente à diferença das alíquotas de 30% e 18%, como informado no relatório e como consta do demonstrativo de fls. 07. Consta também que a recorrente obteve liminar para garantir parcialmente seu pedido, para que fosse adotada a alíquota de 18% no 1° semestre de 1996, sem proteção contra os 30% no restante do período, e, conforme consta de DIPJ (fls. 95) a recorrente optou pela apuração anual de seus tributos, com base no lucro real. A liminar produziria efeitos de suspensão do crédito tributário se estivesse alcançando a data de encerramento do fato gerador, ou seja, 31.12.1996, em cuja data a decisão judicial não declarou proteção contra a cobrança dos 30%. Assim, igualmente, não é possível acolher a pretensão de que o crédito tributário estaria suspenso por medida liminar em mandado de segurança. Assim, entendo que o crédito tributário não se encontra com exigibilidade suspensa, uma vez que a tributação anual impede a consideração de efeitos parciais relativos a alguns meses situados fora do mês de conclusão do período que constitui o fato gerador. Resta a possibilidade de aplicação do entendimento solicitado pela recorrente, porém não sobre o total do crédito tributário, mas sobre o montante garantido por depósito judicial que, a despeito de não tem o condão de suspender o crédito tributário se constitui em depósito efetuado na conta geral da União disponibilizando os recursos depositados para utilização imediata pela União. Nessa linha de raciocínio e considerando que a própria fiscalização afirmou ter ocorrido o depósito comprovado a fls. 13, que envolve o depósito do principal — CSLL em valor de R$ 89.474,16, penso ser aplicável a jurisprudência do Colegiado no sentido de afastar a multa de oficio e os juros moratórios calculados pela variação da Taxa Selic calculados a partir do depósito. Entendo que o depósito judicial, mesmo parcialmente efetuado bloqueia a possibilidade de o fisco, em data posterior, como é o caso, proceder ao lançamento de multa de oficio e juros moratórios, principalmente por estar a importância disponível ao uso pela Ç Fazenda Nacional, desde a data do próprio depósito. Minha posição não é isolada neste Colegiado e cito, exemplificand duas decisões nesse sentido: 6 Processo n° 16327.001251/2001-58 CCO I/CO5 Acórdão n.° 105-16.990 Fls. 7 Número do Recurso: 128073 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10840.000869100-71 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: COFINS Recorrente: USINA SÃO FRANCISCO S/A Recorrida/Interessado: DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Data da Sessão: 26/01/2006 14:00:00 Relator: Sérgio Gomes Velloso Decisão: ACÓRDÃO 201-79058 Resultado: PPU - DADO PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Inteiro Teor do Acórdão T. 201-79058.pdf Ementa: COFINS. LANÇAMENTO DE OFICIO PARA PREVINIR DECADÉNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. MULTA E JUROS DE MORA. Ação Cautelar proposta pelo contribuinte, na qual efetuados depósitos insuficientes do tributo em discussão, implica o lançamento para exigência do principal, com a incidência da multa de oficio e dos juros de mora sobre a diferença do que não foi depositado.Recurso provido em parte. D.O.U. de 15/02/2007, Seção 1, pág. 72. Número do Recurso: 101258 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10950.000451/95-88 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: COFINS Recorrente: ATDL - TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA. Recorrida/Interessado: DRJ-FOZ DO IGUAÇU/PR Data da Sessão: 18/11/1997 01:00:00 Relatou Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva Decisão: ACÓRDÃO 203-03617 Resultado: PPU - DADO PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Ementa: COFINS - PRELIMINAR DE NULIDADE DE LANÇAMENTO - EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL COM 01 DEPÓSITOS SUFICIENTES E INSUFICIENTES - A constituição do crédito tributário pode ser efetivada no curso de processo judicial com depósito do montante integral, sob a justificativa de prevenir decadência, desde que, registrado no Auto de Infração a suspensão da exigibilidade. A multa de oficio e em casos que tais, não é de ser lançada de acordo com a inteligência do art. 6 , • 1 da Lei nr. 9.430/96. Do mesmo modo os juros de m a somente devem ser lançados relativamente aos de. sitos insuficientes. Recurso parcialmente provido. 1', tfr 7 Processo n° 16327.001251/2001-58 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-16.990 Fls. 8 Assim, com relação à multa aplicada de oficio, voto pelo seu cancelamento parcial exclusivamente sobre o valor de R$ 89.474,16, depositado judicialmente antes da lavratura do auto de infração. Com relação aos juros de mora, igualmente voto por acolher parcialmente a solicitação da recorrente, para afastá-los tão somente sobre o valor depositado judicialmente de R$ 89.474,16 a partir da data do depósito, ou seja, de 03.10.2000. Relativamente à utilização da variação da taxa Selic como parâmetro dos juros moratórios, é assente nesse Colegiado sua legalidade, como eco do Judiciário, sendo de se mencionar a decisão do STJ no Ag n° 663.218/RS, cuja ementa reproduzo: "Agravo Regimental no Agravo de Instrumento. Aplicação da taxa Selic nos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. Legalidade. Agravo desprovido. I. A taxa Selic, por ser cabível nos casos de restituição ou compensação de tributos, deve incidir, mutatis mutandis, também nos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública, uma vez que entendimento contrário feriria o princípio da isonomia. 2. Agravo Regimental desprovido." (Ac. Um. Da I° T do STJ — AgRg no Ag 663.218/RS (2005/0035570-3)— Rel. Min Denise Arruda — j 18.10.2005 — Agte.: Cooperativa Mista Tucunduva Ltda.; Agdo.: INSS — DJU 114.11.2005, p 196 — ementa oficial) 1 Não bastasse, o assunto está sumulado no âmbito deste 1° Conselho de contribuinte, o que vincula as decisões prolatadas: Súmula I° CC n° 4: "A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, â taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (DOU, Seção I, Publicada nos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 2/07/2006.) Voto pela manutenção de seus efeitos financeiros. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito dar-lhe provimento parcial apenas para excluir do crédito tributário a multa de oficio aplicada sobre o valor previamente depositado judicialmente de R$ 89.474,16 e também para afastar os juros de mora calculados sobre o mesmo valor a partir de 03.10.2000, data do depósito judicial. Sal .dc si • - DF, em 28 de maio de 2008. JO C- LOS PASSUEL,1"--- ' In Repertório de Jurisprudência 108, Vol. 1 n°23/2005, pág. 893 (1/21379). 8 Page 1 _0049400.PDF Page 1 _0049500.PDF Page 1 _0049600.PDF Page 1 _0049700.PDF Page 1 _0049800.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050000.PDF Page 1

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Numero do processo: 16327.002891/2002-66
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 e 1998 Ementa: CSLL. DEPÓSITOS JUDICIAIS. INEXIGIBILIDADE DE JUROS MORATÓRIOS. Depositado o montante integral do crédito tributário, inexigíveis os juros de mora. Reiterados precedentes.
Numero da decisão: 107-09.384
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto

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CC01/C07 Fls. 1 4:1 ,tf.'-•¡,: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° 16327.002891/2002-66 . Recurso n° 157.488 Voluntário Matéria CSLL - Exs.: 1998, 1999 Acórdão n° 107-09.384 Sessão de 28 de maio de 2008 Recorrente INTERCAM CORRETORA DE CÂMBIO LTDA Recorrida 8 TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 e 1998 Ementa: • CSLL. DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1NEXIGIBILIDADE DE JUROS MORATÓRIOS. Depositado o montante integral do crédito tributário, inexigíveis os juros de mora. Reiterados precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso inteposto por, INTERCAM CORRETORA DE CÂMBIO LTDA ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de v. os, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o )re-- - julgado. t/ MARC* " ltagi'l ' S NEDER DE LIMAop Preside - 1 i- SILVANA RESC 'G 'O GUERRA BARRETTO Relatora 0 3 JUL 2008 1 Processo n° 16327.002891/2002-66 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.384 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luiz Martins Valero, Albertina Silva Santos de Lima, Hugo Correia Sotero, Jayme Juarez Grotto, Lisa Marini Ferreira dos Santos e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplente Convocada). Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Y- 2 Processo n° 16327.002891/2002-66 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.384 Fls. 3 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado com o fito de prevenir decadência, relativo à CSLL dos anos-calendário de 1997 e 1998, acrescida de juros moratórios, em razão de depósitos judiciais efetuados em medida judicial proposta com o objetivo de afastar a alíquota diferenciada imposta às instituições financeiras. Ciente da lavratura, a Recorrente apresentou Impugnação alegando, em síntese, que fora incluso no auto de infração o valor de R$ 6.794,54, referente ao período de apuração de 1998, apesar de não ter sido alvo de depósito judicial, mas de efetivo recolhimento, bem como pugnou pela exclusão dos juros moratórios, asseverando que não estaria configurada a mora. A DRJ de São Paulo reconheceu a existência do pagamento efetuado pela Recorrente, determinando fosse desconsiderado em qualquer procedimento de cobrança do crédito tributário de que se trata este processo, mas não determinou a alteração do crédito tributário lançado. No que tange aos juros moratórios, manteve a sua exigência, apresentando tabelas que demonstrariam não ter sido depositado o montante integral, o que, nos termos da decisão judicial colacionada aos autos (fl. 37) permitiria a suspensão da exigibilidade apenas dos valores depositados. Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário requerendo a revisão do lançamento para ver excluído o montante efetivamente pago, conforme guia de fl.62, bem como o afastamento dos juros de mora em razão do comando do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional, asseverando que a diferença apurada pela DRJ entre o valor devido e o apurado não teria sido objeto do lançamento, o que iria de encontro ao comando do art. 18, do Decreto 70235/72. Acrescentou, ainda, a Recorrente que o montante depositado corresponderia ao valor lançado, apresentando guias de depósito para a comprovação, e que a Delegacia de Julgamento teria considerado apenas os depósitos efetuados ao final de cada exercício, desconsiderando as antecipações mensais. É o relatório. 3 .• • ..• Processo n° 16327.002891/2002-66 CC01/C07 Acórdão n.° 107-09.384 Fls. 4 Voto Conselheira - Silvana Rescigno Guerra Barretto, Relatora. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração lavrado com suspensão, referente aos valores i comprovadamente depositados em juizo pela Recorrente, consoante Termo de Verificação de fls. 10/11, que consigna a exigência de juros moratórios, apesar de considerar como integral o depósito efetuado. Submetido à apreciação da DRJ, os depósitos judiciais efetuados foram tidos como insuficientes, remanescendo o valor de R$ 63.157,98, que representaria a diferença entre os valores depositados e os efetivamente devidos em caso de submissão à aliquota diferenciada às instituições financeiras. Considerando que a Recorrente colacionou ao recurso ora em análise as guias que ratificam a efetivação do depósito do montante integral em discussão (fls. 100/122) e que a autoridade autuante lançou no auto de infração em debate exclusivamente os valores depositados, conforme Termo de Verificação de fls. 10/11, cinge-se a controvérsia acerca da possibilidade de exigência de juros moratórios. Por força do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional, está suspensa a exigibilidade do crédito tributário depositado integralmente, o que afasta a exigência de multa e de juros, conforme entendimento reiterado desse Colendo Primeiro Conselho de Contribuintes, tanto que objeto de súmula, verbis: "Súmula 1° CC n° 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo guando existir depósito no montante intezral." (grifos acrescidos) Ademais, os valores depositados estão disponibilizados à União e sujeitos à atualização pela Taxa SELIC, de sorte que, em caso de a Recorrente não lograr êxito no processo judicial, haverá a conversão em renda do valor devidamente atualizado, o que torna sem sentido o lançamento dos juros de mora, tal como efetuado pela autoridade administrativa. Finalmente, reconhecida a inexigibilidade da multa de mora, em razão da i efetivação do depósito do montante integral, deve ser revisado o lançamento para que seja retirada a parcela que foi objeto de pagamento no valor de R$ 6.794,54, conforme guia de fl.62. . Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência dos juros moratórios e excluir do lançamento o valor de R$ 6.794,54, Sala das Sessões, em 28 de maio de 2008 ) G(ZterSILVANA RESCI GUERRA BARRETTO 1 I— - — - ---, 4 _ -..._ Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1

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Numero do processo: 16004.000257/2006-65
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF EXERCÍCIO: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NULIDADE. - PERICIAS E DILIGÊNCIAS. PORQUE O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA DEPENDE DO LIVRE CONVENCIMENTO DA AUTORIDADE JULGADORA, NOS TERMOS DA PROCESSUALÍSTICA FISCAL, O SEU INDEFERIMENTO NÃO IMPLICA EM NULIDADE DA DECISÃO, SOBRETUDO QUANDO OS AUTOS ESTÃO A DEMONSTRAR A SUA PRESCINDIBILIDADE. - REALIZAÇÃO - DESNECESSIDADE. É DESNECESSÁRIA A REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS, QUANDO OS DOCUMENTOS JÁ CONSTANTES DOS AUTOS SÃO SUFICIENTES PARA A LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA 1º CC. Nº 2) PRELIMINAR ARGÜIDA REJEITADA. RECURSO NEGADO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.
Numero da decisão: 104-23.141
Decisão: ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITAR A PRELIMINAR ARGÜIDA PELO RECORRENTE, E NO MÉRITO NEGAR. PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS VOTO DA RELATORA.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:43:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:43:59Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:43:59Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:43:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8fc6efbe-33e1-4a2a-8308-36de8f2b9d6b; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:43:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:43:59Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:43:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:43:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:43:59Z; created: 2010-07-13T13:43:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-07-13T13:43:59Z; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:43:59Z | Conteúdo => CC01/C04 Fls. 1 • b,*4*,.;^ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES \'''''t44'.0("" QUARTA CÂMARA Processo u0 16004.000257/2006-65 Recurso u° 156.129 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 2001 • Acórdão n° 104-23.141 Sessão de 23 de abril de 2008 Recorrente LÍDIO ROSA Recorrida 7' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NULIDADE - PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS. Porque o indeferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade julgadora, nos termos da processualística fiscal, o seu indeferimento não implica em nulidade da decisão, sobretudo quando os autos estão a demonstrar a sua prescindibilidade. DILIGÊNCIAS - REALIZAÇÃO - DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de diligências ou perícias, quando os documentos já constantes dos autos são suficientes para a livre convicção do julgador. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC n° 2). Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.*7_, - -.nciscio Assis de Oliveira ,Júnior — Presidente da 2 aCâmara da 2aSeção de Julgamtnto do CARF (Sucessoda 4 aCâmara do 1°Conselho de Contribuintes) / (j0,) Raya 4: Alves de Oliveira França - Relatora EDITADO EM: 21 JUN 9C10 Participaram do• presente julgamento os Conselheiros: Nelson Mallmann, Heloisa Guarita Souza, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Antonio Lopo Martinez, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Contra o contribuinte, LÍDIO ROSA, CPF/MF n° 735.355.758-34, foi lavrado o Auto de Infração relativo ao IRPF, ano-calendário 2000 tendo sido apurado crédito tributário no montante de R$ 22.264,50, sendo que R$ 6.609,62 a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte, R$ 9.914,43 referente multa qualificada de 150% e R$ 5.704,45 referentes ao juros de mora, originado glosa integral das suas despesas médicas declaradas no montante de R$ 24.035,00. - Intimado por "AR", em 13.02.2006 (fls. 08), o contribuinte apresentou apenas os originais dos comprovantes das despesas médicas dos profissionais listados no Teimo de Inicio de Fiscalização (fls. 06/07), deixando de apresentar os demais documentos solicitados, por alegar não ter os mesmos em seu poder. Contra todos os emitentes dos recibos apresentados pelo recorrente foram elaboradas Súmulas de Documentação Ineficaz, homologadas pelo Delegado da Receita Federal de São José do Rio Preto/SP. Em 31/05/2006, insurgindo-se contra o lançamento o contribuinte apresentou impugnação (fls. 43/69), cujos principais argumentos estão fielmente sintetizados no relatório do acórdão de primeira instância, o qual adoto, nessa parte (fls. 80/82): "3.1. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Argumenta que a fiscalização não atendeu as exigências legais contidas nos incisos VI e VII do artigo 7° e 13, á' 2° da Portaria SRF n°3.007/2001, 3.2. diz que, a ausência dos requisitos essenciais para validar o lançamento constituidor do crédito tributário e mesmo a irregularidade insanável quanto à prorrogação de prazo de ato administrativo consumado, resulta em sua anulação em face de • erro e omissão insanáveis; 3.3. assim, conclui que revestiu-se de vicio insanável que exige a decretação de sua nulidade, nos precisos termos do art. 59 e 3° do Decreto 70.235/72; 2 Processo n° 16004.000257/2006-65 CC01/C04 Acórdão n.° 104-23.141 Fls. 2 3.4. MÉRITO. INCONSISTÊNCIA DO DEMONSTRATIVO FISCAL. Alega que a fiscalização, mediante trabalho de verificação colacionou as irregularidades que entendeu ocorridas nas declarações de rendas do ano-calendário 2000, relativamente às despesas médicas com -Simone Dutra Cabrera (R$ 6.700,00); Teresa Cristina C. Pereira (R$ 10.670,00); Adriana Borges Boselli (R$ 6.665,00); 3.5. defende que, o fato das três profissionais terem sido declaradas como autoras de emissão de recibos falsos não é suficiente para embasar a acusação fiscal, porquanto, é até possível que tenham praticado tal delito o que não impede, contudo, de terem prestados efetivamente serviços atinentes às suas respectivas profissionais; 3.6. prossegue dizendo que, pretender que consultas e procedimentos médicos tenham que ser pagos com cheques nominativos é inovar por forma a penalizar imotivadamente, exigindo tributo indevido do recorrente; 3.7. se o fisco tem dúvida quanto a efetividade da prestação de serviço, cabe a ele fisco diligenciar junto aos emitentes dos recibos e, se comprovada omissão de receita por parte deles, tem o dever e poder de exigir o tributo; 3.8.DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. O recorrente entende que, tendo em vista contradição entre alguns dos documentos apresentados e as informações prestadas pelos profissionais que o emitiram e efetivamente prestaram serviços, que novas diligências e, notadamente, perícia se fazem necessárias. Assim, atendendo ao disposto no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, o recorrente indica como perito o Sr. Benedito Carlos Fumagalli; 3.9. MULTA. Argumenta que a multa aplicada de 150% resulta agravada em fa.ce, na interpretação do fisco, de evidente intuito de fraude tal como definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964; 3.10. a aplicação da multa moratória ou punitiva não poderá ser concomitante à incidência de juros morató rios pois a aplicação cumulativa destes institutos acarretará uma dupla sanção sobre o mesmo fato, gerando um verdadeiro "bis in idem"; 3.11. acrescenta que, a multa, não importa se moratória ou punitiva, deve limitar-se a 30%, desde que, quando exigida acima desse percentual tem feição confiscatória; 3.12. prossegue, para haver consonância com a legislação vigente, deverá incidir sobre o valor devido somente os juros de mora. Conquanto se este, todavia, não for o entendimento é de concluir que a multa deve limitar-se ao patamar de 20%, "ex vi" da interpretação literal do artigo 106 do Código Tributário Nacional que estabelece que a lei nova, mais benéfica ao contribuinte, aplica-se ao fato pretérito; 3.13. JUROS DE MORA — SELIC. Alega que os juros moratórios, em consonância com o artigo 161 do CTN, deverão limitar-se a 1% (um por cento), do valor devido; 3 3.14. acrescenta que, resta inaplicável a SELIC como indexador de atualização monetária e muito menos como juros moratórios, já que estes devem limitar-se ao montante de 1%, ao mês; 3.15 ATO ADMINISTRATIVO INVÁLIDO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Argumenta que "Não se pode olvidar que o recorrente demonstrou cabalmente que a exigência tributária tal como noticia o Auto de Infração é descabida e improcedente, eis que se pretende cobrar do recorrente tributo e demais encargos sem motivação."; 3.16. DO PEDIDO. O recorrente espera seja acolhida a preliminar de nulidade do lançamento e, se assim não entender o julgador que, quanto ao mérito, seja a impugnação conhecida e provida integralmente para o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal; 3.17. PRODUÇÃO DE PROVAS. Protesta o recorrente pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de nenhum, inclusive, a juntada de novos documentos e principalmente diligências e a produção de prova pericial, então requerida, nos termos do artigo 16 do Decreto 70.235/1972." A autoridade recorrida ao examinar o pleito, decidiu pela procedência do lançamento, através do Acórdão n° 17-16.255, consubstanciado na seguinte ementa: "DILIGÊNCIA E PERÍCIA. LIMITES OBJETIVOS. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência ou perícia quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderia a parte ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Mantém-se a glosa de despesas médicas não tendo o contribuinte logrado comprovar a efetividade dos pagamentos feitos e dos serviços realizados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. • Configurada a existência de dolo, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. JUROS DEMORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou 24ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. C 4 Processo n° 16004.000257/2006-65 CC01/C04 Acórdão n.° 104-23.141 Fls. 3 PROVA. MOMENTO PARÁ APRESENTAR. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Lançamento Procedente." Devidamente cientificado dessa decisão, em 22/11/2006, o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 105/123), em 20/12/2006, aduzindo, basicamente as mesmas razões da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Rayana Alves de Oliveira França, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Preliminannente, argúi a nulidade da decisão de primeira instância. Da análise dos autos constata-se que o procedimento foi realizado observando os preceitos estabelecidos pelas normas em vigor. Não havendo qualquer vicio que comprometesse a validade do referido lançamento, tampouco da decisão de primeira instância. Não cabe igualmente a argumentação que ocorreu o cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que em sua impugnação e no recurso lhe foi propiciada a oportunidade de apresentar provas para elidir o lançamento. Compete acrescentar que é livre a formação do convencimento do julgador, e a decisão de primeira instância foi proferida com a fundamentação devida e necessária ao deslinde da controvérsia, não propiciando sua nulidade. Diante dos elementos constantes nos auto é de se rejeitar a preliminar de nulidade Adentrando ao mérito, o mesmo restringe-se a utilização de recibos médicos emitidos por profissionais declarados inidõneos, conforme Súmulas Administrativas de Documentação Ineficaz e não apresentação de qualquer outra prova da efetividade das prestações dos serviços dos mesmos. Cumpre fundamentalmente explanar, que a condição de dedutibilidade de despesas com a saúde para fins de apuração da base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste Anual, decorre da previsão da Lei n° 9.250, de 1995, in verbis: "Art. 80 A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (..)§ 2° O disposto na alínea 'a' do inciso II: (...)II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; 6 Processo n° 16004.000257/2006-65 CC01/C04 Acórdão n.° 104-23.141 Fls. 4 III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Verifico nos autos que o recorrente apresentou recibos de profissionais declarados inidôneos. O propósito desse Ato Declaratório Executivo é alertar que foi constatado que os recibos do referido profissional não se prestam isoladamente como meio de prova da realização de despesas médicas. Em situações normais, o recibo é prova suficiente, entretanto, diante de circunstâncias especiais que lançam dúvidas quanto à efetividade das despesas, pode e deve o Fisco, exigir do Contribuinte a apresentação de elementos adicionais que corroborem o documento apresentado, tornando assim, mais criteriosa a análise das suas deduções de despesas médicas. Nesse sentido, o artigo 73, do RIR/99: "Art. 73 - Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora." (grifos nossos) Entendo que comprovada a efetividade do tratamento, o recibo mantém sua validade. Não coaduno, com o entendimento de que apenas a comprovação do pagamento das despesas médicas seja eficaz para afastar a glosa, mas a dedução na declaração do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea da efetiva prestação e/ou dos gastos efetuados. No meu entender, neste caso, apenas a mera alegação de realização do tratamento e a apresentação do recibo, não são suficientes. Esta é matéria essencialmente de prova, a cargo do contribuinte, com o objetivo de demonstrar que os serviços médicos questionados pela Fiscalização foram, de fato e de direito, prestados. Há assim, inversão do ônus da prova do Fisco para o contribuinte, que transfere para este o ônus de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não-cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao Fiscõ, conforme alega o contribuinte, obter provas da inidoneidade do recibo, mas sim, ao suplicante apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. Tampouco, por exemplo, não serve para comprovar a efetividade de pagamento, a mera alegação de que o fez por meio de moeda em espécie. Porém, pode o contribuinte utilizar-se de outros meios de prova em direito admitidos, tais como: prontuário médico, plano de tratamento, laudo odontológico, radiografia, entre outros, para provar a efetivação dos serviços. Nesse sentido, bem discorre Andre Santos Zanon, em seu estudo "O regime das provas no processo administrativo fiscal": "Conceito e finalidade de prova Andre Santos Zanon, em seu estudo publicado no livro de autoria coletiva Processo Administrativo Fiscal Federal. (Coord.) Rodrigo Francisco de Paula. Belo Horizonte, ed. Dei Rey, 2006, pág.153 7 Ultrapassado o cumprimento de requisitos formais da impugnação administrativa (legitimidade, tempestividade, adequação formal, requerimentos, etc., previstos no art.16 incs. Ia IV do Decreto n.70.235/72), vem a tona a necessidade de convencer a autoridade julgadora da pretensão defendida. É necessário demonstrar a veracidade do alegado, a prática ou abstinência de certos atos, bem como a ocorrência (ou a inocorrência) de fatos que a lei reputa relevantes (leia-se: necessários e suficientes) para a caracterização da imposição tributária, ou para aplicação de penalidades. Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se representa suficiente. É necessário conferir-lhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem o liame entre o alegado e ocorrido." Mesmo que a norma possa parecer, em tese, discricionária, esta agiu amparada em indícios de ocorrência de irregularidades nas deduções e o recorrente, por sua vez, na falta de elementos suficientes para levar ao convencimento e de tantos indícios contrários a convicção que os serviços foram efetivamente prestados, não apresentou nenhuma outra prova que possa respaldar sua pretensão. Inclusive porque todos os recibos apresentados, emitidos por três profissionais diferentes, tiveram formalmente declarada a inidoneidade dos documentos por eles emitidos, através de Súmula de Documentação Tributária Ineficaz. O recorrente também se insurge contra a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, prevista no artigo 957, II, do RIR199, que reporta-se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que prevêem o intuito de reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultá-la. Resta, pois saber, se os atos praticados, configuraram ou não fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo 72 da Lei n° 4.502/64, verbis: "Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento." A autoridade fiscal lançadora fundamentou a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, sob a consideração de que ficou confirmado o "evidente intuito de fraude", nos termos da Lei n° 4.502/64, na medida em que o contribuinte utilizou-se de recibos médicos inidôneos para deduzir indevidamente valores da base de cálculo do imposto de renda, com a intenção de eximir-se do pagamento de tributos devidos por lei. Diante da total omissão do contribuinte em apresentar elementos convincentes da efetividade dos serviços prestados por profissionais sumulados; agiu com acerto, a autoridade lançadora ao proceder à glosa e exigir o tributo correspondente, com a multa de oficio qualificada, e procedeu com acerto a decisão recorrida ao manter integralmente a exigência, conforme entendimento firmado na farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Inconstitucionalidade da Multa No referente a suposta inconstitucionalidade da multa de oficio, estabelecido por lei, mesmo que agravada, bem como o seu caráter confiscatório, acompanho a posição sumulada pelo 1° Conselho de que não compete à autoridade administrativa de qualquer 8 • Processo n0 16004.000257/2006-65 CC01/C04 Acórdão n.° 104-23.141 Fls. 5 • instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.: (Súmula 1° CC n° 2). Inaglicabilidade da taxa Selic Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, esta também já é matéria objeto de súmula deste Conselho, o que dispensa maiores considerações a respeito. Trata-se da Súmula n° 4 do l° CC, a seguir reproduzida: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais." (Súmula 1° CC n°4) Assim, com as presentes considerações e provas que consta dos autos, voto no sentido de rejeitar a preliminar argüida pelo recorrente e negar provimento ao Recurso Voluntário. RAYAN ALVES DE OLIVEIRA FIANÇA 9

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