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Numero do processo: 11618.004968/2007-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2002
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4°. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
0 STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008. declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO Á DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO.
INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, 1, CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543-C do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4° do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP'S. INFORMAÇÕES DE DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES.
Caso a empresa apresente informações que contenham informações não relacionadas a fatos geradores, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória de informar corretamente ao fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências que compreende o período de 03/2002 a 05/2002 com base no art.150, § 4° do CTN. No mérito, por unanimidade de voto, dar-lhe provimento parcial ao recurso, recalculo da multa com base no art.32-A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIARIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4°. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. 0 STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008. declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"Sdo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Sumulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratando-se de contribuição social previdencidria, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A. VINCULAÇÃO Á DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, 1, CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62- A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543-C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4° do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRA00.DESCUTVIPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP'S. INFORMAÇÕES DE DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Caso a empresa apresente informações que contenham informações não relacionadas a fatos geradores, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória de informar corretamente ao fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências que compreende o período de 03/2002 a 05/2002 com base no art.150, § 4° do CTN. No mérito, por unanimidade de voto, dar-lhe provimento parcial ao recurso, recalculo da multa com base no art.32-A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Albe tringari — Presidente.• Ci arconi Gurgel de Souza — Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, lvacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. 2 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo n° 11618.004968/2007-58 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-001.429 Fl. 126 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado as fls.116 a 118 contra decisão da 6 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife (fls.I09 a 112) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n 37.115.656-4, no valor originário de R$ 800,00 (oitocentos reais). A autuação, segundo o relatório fiscal as fls.15 e 16, corresponde ao descumprimento por parte da empresa da obrigação acessória prevista no art. 32, IV, parágrafo 3 0 e 5°, da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, IV e § 40, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, o qual corresponde à apresentação de GFIP com omissão da remuneração de segurados contribuintes individuais (Venancio Neto, José Herbert e Robério Leite) nas competências 03/2002 a 05/2002 e 11/2002 e 12/2002. Ainda segundo o relatório fiscal, não foram constatadas circunstancias agravantes, tendo sido a multa aplicada no valor de R$ 800,00 (oitocentos reais). Desta autuação, a recorrente foi notificada em 31/08/2007 e apresentou impugnação as fls60 a 63 alegando em síntese: - Preliminarmente, a decadência do período 03/2002 a 05/2002; - Que não houve omissão de fatos geradores em GFIP; Por fim, requereu a improcedência do presente Auto de Infração, bem como a baixa dos créditos constituídos indevidamente com base no art.291 do Regulamento da Previdência Social. Instada a manifestar-se acerca da impugnação, a 6° Turma da DRJ/Recife-PE proferiu acórdão (n° 11-21.747) nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGA COES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2002 PREVIDENCIA RIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.GFIP. A empresa é obrigada a declarar na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social - GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições sociais ocorridos. MULTA. RELEVA ÇÃO. REQUISITOS. A multa será relevada para infratores primários quando ocorrer correção da falta e pedido de relevação até a expiração do prazo para impugnação, desde que não tenham ocorrido circunstâncias agravantes. 3 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2002 DECADÊNCIA Em regra, o direito da Seguridade Social de apurar e constituir os seus créditos extingue-se em dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário As fls.116 a 118, utilizando-se praticamente dos mesmos argumentos apresentados na impugnação, reforçando a idéia de que os registros da Recorrente não podem ser arranhados por supostas alegações de falta, reiterando ainda o pedido de justa aplicabilidade da multa. Por fim, requereu, no que tange ao registro da aplicação da multa, que seja afastada a possibilidade de inclusão no cadastro de condutas que maculem a idoneidade da pessoa jurídica. É o relatório. 4 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo n 0 11618.004968/2007-58 S2-(4T3 Acórdão n.° 2403-001.429 I'!. 127 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR: I — DECADÊNCIA PARCIAL: A 1 instancia entendeu que o prazo para a apuração do crédito tributário previdencidrio é de 10 (dez) anos com base nos arts.45 e 46 da Lei n 8.212/91. Cabe destacar que atualmente ser o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o fisco apurar seus créditos é tema inconteste, pois as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a titulo de contribuições previdencidrias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n°8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiam-se com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n ° 8, in verbis: Súmula Vinculante n° 8"Sdo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Sabe-se ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.I 03-A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisiies sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, ha que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extingue-se em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4°, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior honiolo—gactio do lançamento. § 2 0 Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an—teriores a homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei—ro, visando a extinção total ou parcial do crédito. § 3 0 Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. ,sç 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fulo gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançainento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente coin o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Pelo exposto, percebe-se que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso i é aplicável As espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento tem o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplica-se aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse 6 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo n° 11618.004968/2007-58 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-001.429 ri. 128 Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacifico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitar-se à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, faz-se necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543-C do Código de Processo Civil. Entretanto, trata-se o presente caso de descumprimento de obrigação acessória, na qual o requisito do recolhimento não será verificado, pois a conduta de dar ( pagar o tributo) relaciona-se com a obrigação tributária principal. Não obstante as informações acima, o caso não pode ficar sem resolução. Assim, entendo que, possuindo a espécie tributária da presente lide a natureza de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o marco inicial da decadência será o previsto no art.150, §4° do CTN, tendo em vista que nos tributos sujeitos a esse tipo de lançamento a conduta do fisco de homologar s6 se verifica se o contribuinte também agir positivamente. Nas obrigações principais, o sujeito passivo tem que pagar antecipadamente para aproveitar-se da aplicação do art.150, §4° do CTN, em caso de decadência. RI nas obrigações acessórias, o contribuinte deve informar os fatos geradores tributáveis em GF1P, em se tratando de contribuições previdencidrias. Na demanda em tela, a auditoria considerou como período do levantamento as competências entre 03/2002 a 12/2002, nas quais a recorrente haveria omitido-se de informar a remuneração de segurados contribuintes individuais (Venfincio Neto, Jose Herbert e Robério Leite), mas a informação com relação aos demais segurados foi feita, motivo pelo qual todos esses atos ficarão sujeitos A. ulterior homologação do fisco. Desse modo, considerando que a recorrente informou parte dos dados tributáveis ao fisco e, considerando que essas informações deverão ser homologadas, entendo que o marco inicial da decadência no presente caso é o fato gerador, hipótese do art. 150. §4° do Código Tributário Nacional. Portanto, tendo a ciência da autuação ocorrido em 31/08/2007, as competências 03/2002 e 05/2002 estão acobertadas pela decadência. 7 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO DO MÉRITO: I — DA INFRAÇÃO COMETIDA: A empresa recorrente foi beneficiada com o instituto da relevação da multa por ter cumprido os requisitos legais exigidos para o gozo dessa benesse. Entretanto, a contribuinte demonstrou sua irresignação quanto à possibilidade de ter seu nome inscrito no cadastro de multa da Receita Federal. Sobre essa peculiaridade, ressalto que não ha como o contribuinte, uma vez reconhecida sua omissão (não informar na GFIP todos os fatos tributáveis), retornar ao status da primariedade, como se nunca houvesse cometido qualquer tipo de infração. A multa foi relevada, mas sua situação perante a Receita Federal não sera mais de infratora primária, considerando a ocorrência da infração capitulado sob o Código de Fundamentação Legal 68. No caso em tela, o fisco procedeu a lavratura do auto de infração ao verificar que a empresa não informou os valores da remuneração dos segurados (Venancio Neto, José Herbert e Robério Leite), violando a previsão do.32, IV, parágrafos 3° e 5°, da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (.) IV — declarar ã Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdencitiria e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Destacou -se) Art. 225. A empresa é também obrigada a: 1V-informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Inslituto; (.) ,sç 42 0 preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Ressalte-se que os parágrafos 3 e 5 do art.32 da Lei n 8.212/91 foram revogados pela Lei n 11.941/2009, mas esses dispositivos não alteraram a obrigação tributária da empresa de declarar/informar a. Secretaria da Receita Federal dados cadastrais e elementos relativos aos fatos geradores de contribuição previdencidria. 8 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo ri° 11618.004968/2007-58 S2-C'4T3 Acórdão n.° 2403-001.429 Fl. 129 A recorrente apresentou a GFIP com omissão de dados (não informou os valores das remunerações de alguns segurados), o que caracteriza a entrega da GFIP corn dados não correspondentes aos fatos geradores. Desse modo, a consequência da infração do presente caso é o pagamento de multa prevista na legislação competente, qual seja o Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo Decreto n 3.048/99) e a Lei n 8.212/91, in verbis; Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável as seguintes penalidades administrativas: II - cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso 1, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação as bases de cálculo, seja em relação as informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciarias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituidas por outras; e (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9/06/2003) 0 Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos indices utilizados para o reajustamento dos beneficios de prestação continuada da previdência social.. No mesmo sentido, a Lei n° 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 32, § 5° que a empresa que apresentar os documentos do art.32, IV, com dados que não correspondam aos fatos geradores das contribuições previdencidrias, pagará multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo A contribuição não declarada. Então vejamos: Art.32 — (.) ,sç 5° A apresentação do documento com dodos não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela 9 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO Medida Provisória n° 449, de 2008) (Revogado pela Lei n° 11.941, de 2009. Na presente autuação, a fiscalização aplicou, ao fundamentar a aplicação da multa no §5° do art.32 da Lei n 8.212/91, um valor máximo de multa com base na quantidade de segurados da empresa. Todavia, ambos os dispositivos (§4° e §5°) foram revogados pela Lei n 11.941/2009. Referida lei, ao revogar os dispositivos acima citados, incluiu novo dispositivo na Lei n 8.212/91, o qual estabeleceu que a empresa que deixasse de apresentar o documento do inciso IV do art.32 ou apresentassem-nos com incorreções/omissões seria intimada a prestar esclarecimentos e pagar multa de acordo com a conduta praticada. Então vejamos: Art. 32-A. 0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á ás seguintes multas: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009). I — de RS 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluido pela Lei n° 11.941, de 2009). II — de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3' deste artigo. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009). § 1' Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do cap iii deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluido pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2' Observado o disposto no § 3Q deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009). 1 — à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009). II — a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009). § 3' A multa minima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). I — R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previclenciária; e(Incluido pela Lei n°11.941, de 2009). 1 0 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO Processo n° 11618.004968/2007-58 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-001.429 Fl. 130 II — RS 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). Pelo exposto, percebe-se que o critério adotado para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória foi alterado, podendo assim o valor inicial da multa ser reduzido pela aplicação da nova lei que retroagird para beneficiar o contribuinte, nos moldes do art.106, II, "c"do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.) - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Desse modo, entendo que a infração cometida pela recorrente em apresentar as GF1P's com dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdencidrias, incorre no descumprimento previsto no art.32-A, caput, da Lei n 8.212/91 com redação dada pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto, tal norma retroagir, se for mais benéfica ao contribuinte, para ser aplicada ao caso em tela, conforme o art.106, II, -c", do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências 03/2002 e 05/2002 com base no art.150, § 4 0 do Código Tributário Nacional. No mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração n° 37.115.656-4, na forma do art.32-A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o art.106, II, "c" do Código Tributário Nacional. C. Gurgel de Souza. I I Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000780/2007-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.397
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência em relação ao período compreendido entre 01/1999 a 08/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência em relação ao período compreendido entre 01/1999 a 08/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 13433.000780/200724 Acórdão n.º 2403001.397 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD n° 37.053.324 2, no valor de consolidado em 27/08/2007 de R$ 117.940,79 (cento e dezessete mil, novecentos e quarenta reais e setenta e nove centavos) nas competências 01/1999 a 12/2006. A presente notificação é relativa a contribuições para o financiamento da seguridade social incidentes sobre remunerações de empregados e de contribuintes individuais (autônomos), e a contribuições para outras entidades (terceiros: SEST e SENAT), referidas no art. 3º da lei nº 11.457/2007. 2. Consta no relatório fiscal da aplicação da multa: 2.1. Os lançamentos incidiram sobre as diferenças das contribuições sobre remunerações de empregados, de contribuintes individuais transportadores autônomos e de outras categorias de contribuintes individuais, obtidas, principalmente, a partir das informações de recibos e folhas de pagamento, bem como, contrato de prestação de serviços. 2.2. Foram examinados os seguintes documentos: Balancetes de despesas; notas e processos de empenho; folhas de pagamento; recibos de pagamento dos contribuintes individuais; contrato de prestação de serviços; notas fiscais de serviços; comprovantes de recolhimentos – GPS; Lei orgânica do Município e Regimento interno da Câmara Municipal de Martins. 2.3. O fato configura, em tese, ilícito tipificado no art. 337A e será objeto de representação fiscal para fins penais à autoridade competente. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente AUTO DE INFRAÇÃO, através do instrumento de fls. 127/141. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita do Brasil de julgamento em RecifePE, prolatou o acórdão n° 1120.723, de fls.144/154, mantendo procedente em totalidade o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 RETENÇÃO. SEST. SENAT. A pessoa jurídica que remunera transportador autônomo tem o dever de reter e recolher as contribuições devidas para o SEST e o SENAT. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 4 MULTA. RELEVAÇÃO. É inaplicável o instituto da relevação para as multas decorrentes de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições para o financiamento da Seguridade Social. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 AMPLA DEFESA. OBRIGATORIEDADE. INÍCIO. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É de dez anos o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 160/175), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos: 1 – DOS FATOS Tratase de crédito tributário constituído através de NFLD lavrado em face da Câmara Municipal do Município de Martins em decorrência das diferenças encontradas pela fiscalização entre os valores devidos, calculados através de aplicação de alíquotas previstas na legislação própria sobre as bases de cálculo e os recolhimentos, porventura, efetuados pelo contribuinte. 2 – DAS PRELIMINARES 2.1. NULIDADE EXPLÍCITA DO SUPOSTO JULGAMENTO DA 6.a TURMA REGIONAL DE JULGAMENTO — DRJ/REC — AUSÊNCIA DE COMPOSIÇÃO DA SUPOSTA TURMA Insurgese a Recorrente com relação ao fato de no acórdão de primeira instância, proferido pela Delegacia Regional de Julgamento em Recife, apenas constar o nome do relator e não dos demais membros da 6ª turma de julgamento. Também relata estar em dúvida se o relator pertence à Sexta ou à Sétima turma, pois no acórdão teria ficado dúvidas. 2.2. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO IMPUGNANTE PARA ACOMPANHAR FISCALIZAÇÃO — GARANTIA QUE NÃO PODE SER DESPREZADA Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 13433.000780/200724 Acórdão n.º 2403001.397 S2C4T3 Fl. 3 5 JÁ QUE COMO CORRESPONSÁVEL TEM INTERESSE NO DESFECHO — NULIDADE DA AUTUAÇÃO Suscita a Recorrente que, na condição de coresponsável, haveria de participar de todos os atos da fiscalização, para o quê haveria de ser notificado previamente, como garantia ao exercício de seu legítimo direito de defesa. Levanta que a ausência de notificação da Recorrente é suficiente para macular todo o procedimento administrativo lavrado em desfavor deste, que na condição de responsável não teve oportunidade de acompanhar os atos da fiscalização, que embora sejam inquisitoriais, não desobriga a Recorrido de oportunizar o acompanhamento. Apenas a entrega da autuação à Recorrente para que esta pague ou apresente a sua irresignação, é inegavelmente uma afronta aos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório que expressamente estão assegurados também nos processos administrativos. Destarte, há de ser reconhecida a nulidade insanável para em consequência, extinguirse o presente feito. 2.3. VÍCIOS LEGAIS E FORMAIS CARACTERIZADOS – NULIDADES EVIDENTES – INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO Insurgese também a Recorrente com relação à forma de como foi lavrada a NFLD, ou seja, a obrigatoriedade de um Relatório detalhado e discriminado. Alega que no presente caso, não existe um relatório, mas apenas relações com nomes que não foram esclarecidos, muito menos enquadrados em qualquer dispositivo legal para que pudesse se identificar a infração especifica, impossibilitando até sua defesa. Que, com exceção da indicação do local, dia e hora da lavratura, o Auto não apresenta nenhuma das demais exigências previstas na Instrução normativa de n.° 100/2003, o que torna todo o procedimento nulo de pleno direito. Que, as referências genéricas de infrações e fatos não discriminados na autuação não gera apenas dificuldade na defesa, mas a inviabiliza por completo, uma vez que os números soltos e fatos gerais não servem de supedâneo a combalir pontualmente as possíveis infrações. Que, a auditoria especifica o suposto montante devido em razão do recolhimento, contudo, não observa os moldes da previsão do artigo 11 da Lei n. 8.212/91, muito menos discrimina as situações e os montantes que em tese deixaram de ser recolhidos a terceiros provenientes de empresas ou equiparadas, da Lei n. 11.457/2007, lei que sequer existia quando o Recorrente era prefeito. Alega ainda que a falha na autuação e elaboração do relatório é grosseira, de forma que se torna impossível entender os números postos em planilha e que, talvez, o intuito fosse realmente o de dificultar a defesa. Assim, alega que o relatório haveria de ser circunstanciado, especificandose os contribuintes ou as empresas, o período, os valores e o fundamento legal da transgressão e da respectiva fórmula aplicada a conclusão do procedimento. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 6 2.4. PRESCRIÇÃO — CINCO ANOS A PARTIR DO FATO GERADOR Alega a Recorrente que determinados “créditos” não podem ser pleiteados, pois se encontram ainda que existentes, totalmente prescritos. Seriam os créditos gerados até o mês de setembro de 2002, cujo fato gerador em tese, tem mais de cinco anos, conforme garante o parágrafo único do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Assim, teria a Receita Federal o período de cinco anos após o primeiro dia do término do ano fiscal do fato gerador para pleitear o que lhe fosse de direito, não podendo nenhum contribuinte ficar a mercê de sua inércia ou ineficiência para a qualquer tempo pleitear supostos créditos ou fomentar infundadas autuações. Assim, haveria equivoco da Recorrida imaginar que tem a garantia de poder buscar supostos créditos dos pretéritos dez anos, não comportando esse entendimento nos dias atuais. Neste sentido, requer o reconhecimento do instituto da prescrição para todos os possíveis títulos cujo fato gerador, ainda que em tese, tenha ocorrido há mais de cinco anos. 3 DO MÉRITO 3.1 DA IMPROCEDÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CORREÇÃO TEMPESTIVA DE INFORMAÇÕES – IMPOSSIBILIDADE DE SANÇÃO A discussão consiste em equívocos cometidos quando do Preenchimento das guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP por parte do servidor da Câmara Municipal de Martins – RN. Reclama a Recorrente que, embora, figure como coresponsável, não foi notificado sobre o início da auditoria, embora lhe fosse de direito para o completo exercício da ampla defesa e até para corrigir as possíveis falhas, como assegura a legislação. Destarte, mediante guias próprias à correção dos dados prestados ao Instituto Nacional de Seguridade Social, denominadas de RDE e utilizadas para retificação de dados do empregador, a instituição pública, através de seu respectivo servidor, poderia ter feito em tempo caso o recorrente soubesse dos possíveis erros ou por outra forma tivesse acompanhado a auditoria, porque tais informações podiam ser corrigidas durante o procedimento sem qualquer prejuízo para a Administração. Tal invocação se faz necessário, pois a penalidade nesta circunstância ainda que em tese possa ser possível, imperase à aplicação de atenuantes uma vez que podia, caso soubesse das supostas transgressões haveria resolvido a suposta falha administrativa, conforme § 1º do art. 291, do Decreto n. 3.048/99, verbis: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora Competente. § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa ainda que não contestada a infiveciase o infrator for primário tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhum" circunstância agravante.” Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 13433.000780/200724 Acórdão n.º 2403001.397 S2C4T3 Fl. 4 7 Em assim sendo, preenchidos os requisito necessários para tal, requer expressamente a Recorrente, tomando por base que todas as supostas falhas, estas corrigidas e sanadas ainda dentro do prazo de defesa, bem ainda, considerando o fato de que nunca recebeu qualquer orientação ou advertência pela autarquia Recorrida, a devida relevação da pena de multa que lhe foi aplicada mediante o auto infracional ora combalido. DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS AGENTES POLÍTICOS — RECOLHIMENTO INDEVIDO — COMPENSAÇÃO QUE DEVE SER FEITA APLICANDOSE AS MESMAS REGRAS DA SANÇÃO ADMINISTRATIVA PRATICADA EM DESFAVOR DO IMPUGNANTE – Afirma a Recorrente, que as contribuições dos agentes políticos seriam facultativas, não podendo ser compelido pelo Recorrido a efetivar a contribuição na condição de contribuinte obrigatório. Que, a penalidade aplicada ao prefeito, viceprefeito, vereadores e secretários pelo não recolhimento à previdência é uma afronta a Constituição Federal, uma vez que estes não compõem o rol dos contribuintes obrigatórios. Requer a compensação, devidamente corrigida, com as mesmas regras da pena de multa aplicada, no que consiste a todos os valores recolhidos pelos agentes políticos, prefeito, viceprefeito e secretários, por imposição errônea até hoje, para que não se possa falar em enriquecimento sem causa. De outra banda, a Recorrente argui a anulabilidade da autuação, pois se por um lado houve erro do servidor da Câmara quando do momento do fornecimento de informações via GFIP ou contribuição a menor, o que foi retificado em tempo, antes mesmo da autuação, impera reconhecer o Recorrido que a cobrança de contribuirão de agentes políticos é sem dúvida uma afronta à legislação, uma falha desmedida que precisa ser reconsiderada, principalmente porque o Instituto Previdenciário foi beneficiado com o recolhimento de cifras altíssimas no decorrer destes vários anos no próprio Município, tudo de forma abusiva, passível evidentemente também de punição. Aduz que se não há dolo no ato administrativo especifico, deve a Administração ser orientada e notificada para corrigir o possível erro, porque legalmente não enseja a aplicação de sanção pela razão do ato para o gestor ser perfeito e como tal, até que se prove o inverso, há de ser reconhecido. Também aduz que, como não há intenção de desvio ou apropriação, a Administração deve ser compelida ao ressarcimento corrigido do que efetivamente deixouse de recolher e não ser obrigada a pagar cifras que remetem à sanção pecuniária, como seria no presente caso. 3.3. DA AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO OU AVISO DE COBRANÇA ANTES DA INSPEÇÃO Arguiu a Recorrente, que o Recorrido, antes de proceder com qualquer autuação, respeitando o princípio da eficiência, teria que diligenciar com a emissão de avisos e formulando cobranças, do valor real devido, e não majorando absurdamente com multas extremamente danosas em desfavor da Administração ou do gestor. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 8 Que não sabia da existência de erro nas informações prestadas ao INSS, até mesmo porque nunca recebeu da previdência qualquer aviso de cobrança, o que de certa forma inviabiliza a autuação já que não cumpriu com o pressuposto da lavratura de auto. Ademais, alega que a multa estipulada pelo Recorrido é desproporcional, o que deveria ser aplicado apenas nas hipóteses em que já tenha ocorrido o ajuizamento de execução fiscal, o que não é o caso. Por isso, tanto a atuação como as multas aplicadas em desfavor do Recorrente seriam grosseiramente impertinentes e absurdas, passíveis de revogação pela via administrativa, haja vista a sua real e total nulidade. Afirma ainda desrespeito, pelo Recorrido, dos princípios da legalidade, moralidade e eficiência, os quais imprescindíveis à Administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, como bem determina a Constituição Federal no caput do artigo 37. Por isso requer, pelos descumprimentos de preceitos normativos e judiciais levantados, que o Recorrido reveja o seu ato, revogandoo em todos os seus termos, haja vista que os erros supostamente praticados pelo servidor do Município, foram consertados em tempo, o que até o presente momento não aconteceu com a autarquia/impugnada, pois que todos os valores efetivamente descontados e recolhidos em favor do INSS, dos subsídios de prefeito, viceprefeito, vereadores e secretários são totalmente indevidos, razão porque cabe a previdência social anular a presente autuação, uma vez que não existe infração plausível à geração de tão vultosa e desproporcional multa. 3.4. DA OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO INDIVIDUAL DO PRESTADOR DE SERVIÇO —VIGÊNCIA A PARTIR DE ABRIL DE 2003 – Alega a Recorrente que com relação aos contribuintes individuais, a responsabilidade de desconto por parte da empresa, só veio a ter vigência a partir de 1º de abril de 2003 e que teria sido autuado em descompasso com as normas vigentes. Ressalta a forma surpreendente de autuação, desprovida do caráter diligencial de aviso e cobrança administrativa e a vultosa multa aplicada, afirmando fugir aos preceitos normativos e aos princípios norteadores da Administração Pública a que está inserido o Recorrente. Insurgese alegando que o Recorrido negou à Recorrente o direito de conhecer as provas documentais que estão sob a sua guarda e que devem ser exibidos sempre que requeridos e que poderiam servir inclusive para a sua defesa e que isso foi que negado expressamente no Acórdão de primeira instância com sugestões de outros locais onde possam ser encontrados. Por último alega o direito ao acesso a esses documentos e a infração aos princípios da ampla defesa e contraditório. 4 – DO PEDIDO Ao final requer pela procedência do Recurso, para declarar a nulidade do referida Autuação, uma vez que a mesma fere, além de normas específicas, os princípios da ampla defesa e contraditório. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 13433.000780/200724 Acórdão n.º 2403001.397 S2C4T3 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 177, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DA NULIDADE EXPLÍCITA DO JULGAMENTO DA TURMA REGIONAL DE JULGAMENTO — DRJ/REC — AUSÊNCIA DE COMPOSIÇÃO DA TURMA Não guarda pertinência o alegado pela Recorrente com relação à lista dos nomes dos julgadores da Delegacia Regional de Julgamento DRJ, pois o acórdão constam os nomes de todos os auditores da 6ª Turma de julgamento, o que pode ser verificado com uma simples análise do acórdão, especificamente na fl. 145. A DRJ atendeu em sua decisão a todos os preceitos contidos na seção VI, artigos 27 a 36, do Decreto n. 70.235/1972. O que se vê é a nítida intenção de procrastinar o deslinde do processo com argumentos frívolos. Não restam dúvidas que o relator pertence à 6ª Turma de Julgamento da Delegacia Regional de Julgamento em Recife, conforme demonstrado na capa do acórdão de fls. 144 a 154. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO IMPUGNANTE PARA ACOMPANHAR FISCALIZAÇÃO — GARANTIA QUE NÃO PODE SER DESPREZADA — NULIDADE DA AUTUAÇÃO. A Recorrente questiona, novamente, matéria que já foi rebatida pela DRJ em sede de impugnação, sobre o fato de não ter sido cientificado de todos os atos da Fiscalização. Nesse diapasão, sigo o entendimento da DRJ que já se pronunciou a respeito, in verbis: “Ocorre que ação fiscal é um procedimento inquisitório, de investigação, durante o qual não há obrigatoriedade de abertura de nenhum tipo de prazo para o Contribuinte, nem há a obrigatoriedade do andamento da ação ser acompanhado pelo sujeito passivo. Isso porque o contraditório e a ampla defesa só são de observância obrigatória na fase litigiosa do processo, que tem início apenas com a impugnação ao lançamento, conforme art. 14 do Decreto 70.235, de 06/03/1972, combinado com o art. 5.o, LV, da Constituição Federal: Decreto 70.235/72: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 10 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Constituição Federal: Art 5.° (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Cabe notar que os Srs. Prefeito do Município e Presidente da Câmara Municipal assinaram o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF, lis, 105/106) em 05/06/2007 e, portanto, tinham ciência de que a Câmara estava sob investigação. A única formalidade obrigatória durante a ação fiscal, portanto, foi cumprida. Após a lavratura da NFLD, cópias da mesma foram enviadas à Prefeitura e à Câmara, sendo aberto o prazo para impugnação previsto em lei, de forma a propiciar o exercício de direito à ampla defesa e afastar a possibilidade de alegação de ofensa ao princípio do contraditório. Logo, não vejo como aceitar alegações de ofensas a tais princípios.” VÍCIOS LEGAIS E FORMAIS CARACTERIZADOS – NULIDADES EVIDENTES – INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO Com relação a este tópico, sigo o entendimento da 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Recife, conforme às fls. 148 a 150, que esclareceu e fundamentou, perfeitamente, conforme trecho transcrito, in verbis: “Aparentemente o Notificado confunde notificações fiscais de lançamento de débito, previstas no caput do art. 37 da Lei 8.212, de 24/07/1991, lavradas pelo não recolhimento das contribuições, com as multas incluídas em autosdeinfração lavrados por descumprimento de obrigação previdenciária acessória, previstos no § 7° do mesmo artigo 37 e no art. 92 da Lei 8.212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. § 7° O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, auto de infração. confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (...) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, confirme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), confirme dispuser o regulamento. (Atualizações decorrentes de normas de hierarquia inferior). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 13433.000780/200724 Acórdão n.º 2403001.397 S2C4T3 Fl. 6 11 O processo 35.226.0190, citado na impugnação, é um autodeinfração (AI) lavrado contra o Sr. Luiz Gonzaga de Queiroz (e não contra município) pelo fato de o mesmo ter sido responsabilizado, com base no art. 41 da Lei 8.212/91, por erros cometidos na entrega das GFIP do Município de Serrinha dos Pintos/RN das competências 01/1999 a 10/2003. Já esse processo 37.053.3240 é uma NFLD lavrada pelo fato de a Câmara Municipal de Martins/RN não ter recolhido contribuições por ela devidas. Tratase de uma NFLD lavrada contra o Município e não de um auto lavrado contra o Prefeito: os processos têm naturezas distintas. Quanto ao acórdão do CRPS (disponível http://www.previdenciasocial.gov.br/crps/debito.asp), o mesmo anulou o AI 35.226.0190 porque: ‘em lugar nenhum do lançamento, os fatos caracterizadores infração são discriminados de forma clara e precisa, individualizandose os eventos para os quais são impostas as multas, havendo, apenas, referência genérica a eles na forma dos valores apontados em cada competência, conforme se depreende da leitura do Demonstrativo de cálculo da Multa Aplicada, às fls. 04/05. Tomese, como evidência disso, a coluna "B" demonstrativo, onde consta, para janeiro/99, o valor de R$ 6.810,00. A fiscalização afirma tratarse tal montante de remunerações não infirmadas referentes a pagamentos realizados aos condutores autônomo naquele mês. No entanto, o relatório não indica a origem de tal valor, ou seja, não aponta os elementos que evidenciariam a ocorrência dos correspondentes fatos geradores, que, na espécie, deram causa à lavratura do auto de infração em face de sua suposta ausência na GEIP daquele período. Tal demonstração é essencial para a fundamentação de fato da infração, pois inexistente ou não comprovado o fato gerador, não há que se falar no descomprimem° do inc. IV do art. 32 da Lei 8.212/91 na forma prevista no § 5° do mesmo artigo.’ Data vênia do entendimento do CRPS, fato é que tal decisão foi embasada num suposto cerceamento de defesa que sequer foi alegado pelo Autuado. Aliás, o Autuado em questão afirmou ter corrigido as GFIP, e se ele Corrigiu foi porque sabia exatamente o que tinha inicialmente deixado de declarar. No mesmo acórdão, no entanto, é ressalvado que o caso é distinto dos das NFLD lavradas contra os municípios: ‘ainda que se trate de auto de infração decorrente de contribuições levantadas em ação fiscal através de NFLD, mesmo nesses casos devem os autos relativos ao lançamento da multa conter todos os documentos que evidenciem os fatos geradores que, por não terem sido declarados (até por que ainda não eram reconhecidos pelo contribuinte), não integraram a GFIP correspondente. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 12 Tal medida se faz extremamente necessária, sobretudo quando se tratar de autuação de dirigente de entidade pública, não apenas em respeito ao autuado e ao seu direito de conhecer de todos os fatos que são apontados como prova do ilícito por ele praticado, mas, sobretudo, por uma razão prática muito simples: nesses casos, em regra, serão sempre distintos os sujeitos passivos da NFLD e o do auto de infração (o seu dirigente), não se podendo, dessa forma, nem mesmo inferir que os fatos geradores apontados na NFLD lançada contra a entidade já são de pleno conhecimento do seu dirigente, dispensandose sua especificação no auto de infração contra ele lavrada’ Notese que o CRPS entendeu que o cerceamento de defesa no AI lavrado contra a pessoa que à época da infração era o prefeito possivelmente não teria ocorrido no lançamento da NFLD contra o Município. Isso porque o município dispõe das folhas de pagamento e/ou dos outros documentos de onde foram retiradas as informações que fizeram a Fiscalização constatar a falha no preenchimento da GFIP, enquanto que exdirigentes nem sempre podem fazer isso. Antes da lavratura do referido auto, que ocorreu em 10/05/2004, o Autuado em questão já havia sido substituído na Chefia do Executivo do Município de Serrinha dos Pintos/RN pelo Sr. Francisco das Chagas de Freitas, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (disponíveis em http://www.tre rn.gov.br/nova/inicialkleicoes/eleicoes_anteriores/municipais_2004/resultado/1turno/htm1/16 209.html#cargo11). O CRPS tomou como base de sua decisão a possibilidade de o Autuado não ter acesso aos documentos do município. Para esta NFLD em julgamento, no entanto, não se pode aplicar o mesmo raciocínio, pois no Relatório Fiscal foram discriminados os documentos de onde foram extraídas as bases de cálculo. Bastaria à Prefeitura requisitar à Câmara tais documentos para preparar sua defesa. Se foi inerte em tomar tal providência não pode culpar o Fisco por isso. Acrescentese que no DAD são apontadas, por competência, todas as contribuições, alíquotas e valores originais da divida, assim corno deduções a que o Contribuinte tinha direito, enquanto que no DSD são discriminados, também por competência, os valores dos juros e o montante total da dívida consolidada em 27/08/2007. A relação dos créditos do contribuinte e a forma de apropriação dos mesmos contam do Relatório de Documentos Apresentados (RDA, 1h. 73/78) e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA, fls.79/98). Por fim, no Relatório Fiscal e, principalmente, no relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 99/102), foi citada toda a legislação aplicável ao caso, não havendo motivo para se falar que os números estariam ‘soltos’, ou que não teria sido feita a fundamentação legal da divida. Vêse que o débito está devidamente explicado nos autos e atende ao disposto nos artigos 660 e 661 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (IN SRP) n.° 03, de 14/07/2005, publicada no DOU de 15/07/2005; não há motivo para alegação de cerceamento de defesa nem, muito menos, de ofensa ao contraditório. Esclareço que o inciso II do art. 690 da IN INSS/DC n.° 100, citado na impugnação, não se aplica ao caso, seja por que o mesmo não é referente a notificações (apenas a processos de multas), seja porque tal IN foi revogada pela citada IN SRP 03/2005.” Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 13433.000780/200724 Acórdão n.º 2403001.397 S2C4T3 Fl. 7 13 DA DECADÊNCIA A Recorrente alega a prescrição dos créditos gerados até o mês de setembro de 2002, cujo fato gerador tivesse mais de 5 (cinco) anos, conforme o art. 173 do CTN. No entanto, não se trata de prescrição e sim de decadência e pautado nas normas do art. 150, § 4o do CTN, conforme se perceberá a seguir: O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 14 In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, pois, da análise do Discriminativo Analítico de Débito – DAD, especificamente nas fls. 08/25, verificase que houve pagamento parcial da Contribuição Previdenciária em várias competências, assim como, analisando o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, na fl. 108, a Fiscalização destaca que examinou “Comprovantes de Recolhimentos”, fatos esses suficientes para a aplicação da decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração corresponde às competências compreendidas entre 01/1999 a 12/2006. A notificação ocorreu em 05/09/2007 (fl. 124). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre 01/1999 a 08/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DO MÉRITO DA CORREÇÃO TEMPESTIVA DAS INFORMAÇÕES – IMPOSSIBILIDADE DE SANÇÃO Conforme já perfeitamente decidido pela DRJ, a efetivação ou não da correção das GFIP não interfere no valor devido, por ser inaplicável ao caso a redução prevista no § 4o do art. 35 da Lei n. 8.212/91, incluído pela Lei n. 9.876, de 26/11/1999, pois na época da lavratura não eram cobradas multas moratórias pelo atraso no recolhimento de contribuições devidas por pessoas jurídicas de direito público, conforme redação então vigente do § 9o do art. 239 do RPS. Ademais a relevação é referente apenas às multas aplicadas pelo descumprimento de obrigação acessória, o que não é o caso da presente NFLD, e por último importa ratificar que não se está cobrando multa alguma no processo analisado, conforme fl. 01 dos autos. DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS AGENTES POLÍTICOS RECOLHIMENTO INDEVIDO COMPENSAÇÃO Com relação à alegação de existência de crédito das contribuições dos agentes políticos levantada pela Recorrente, bem como de compensação pretendida, se existe crédito em face de pagamento indevido ou a maior realizado, o caminho correto para buscálo seria o pedido de Restituição, em processo próprio. A restituição está prevista na IN RFB nº 900/2008. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI Processo nº 13433.000780/200724 Acórdão n.º 2403001.397 S2C4T3 Fl. 8 15 Não cabe no processo discutido pretender compensar um crédito relacionado a pagamento a título de agentes políticos que sequer foi demonstrado e comprovado, com os débitos cobrados nos autos. ANULAÇÃO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO E AVISO DE COBRANÇA O fisco não fugiu às suas regras e normas de fiscalização e imputação de crédito tributário. Em relação aos demais casos, não houve em detrimento deste, qualquer diferença capaz de ensejar a anulação do auto por lhe faltar qualquer das prerrogativas constituidoras de crédito em favor do fisco. Não merece prosperar as alegações da Recorrente de que a Receita Federal deveria, antes de lançar, encaminhar avisos de cobrança, por total ausência de dispositivo legal que determine tal atitude por parte da fiscalização. Ao contrário do que alegado pela Recorrente, o art. 37 da Lei 8.212/91 deixa claro que ao constatar tal fato o Fisco deve de imediato proceder à lavratura. Assim, o processo foi perfeitamente instruído, detalhando todas as circunstâncias ensejadoras da NFLD, às fls. 110/114 (RELATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITOS). Com relação à alegação quanto a abuso e excesso no valor das multas, como já analisado pela DRJ, não há sentido em ser rebatido, haja vista não existir nenhum valor atribuído à multa no lançamento discutido, conforme pode ser constatado com umas simples vista nos autos, às fls. de nº 01 (a própria Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos NFLD). Nesse diapasão, por ausência de previsão legal, não merece prosperar a alegação da Recorrente. Assim, o argumento não pode ser considerado. DA OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO INDIVIDUAL DO PRESTADOR DE SERVIÇO Em relação às obrigações ao desconto e repasse das contribuições devidas por contribuintes individuais transportadores autônomos (fretistas) para o Serviço Social do Transporte (SEST) e para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), tais obrigações estão previstas desde janeiro de 1994, por força do art. 7.° da Lei 8.706, de 14/09/1993, combinado com a alínea “a” do § 3º do art. 2.° do Decreto n. 1.007, de 13/12/1993, que não fizeram nenhuma ressalva quanto aos órgãos públicos, verbis: Lei 8.706: Art. 7° As rendas para manutenção do SEST e do SENAT a partir de 10 de janeiro de 1994, serão compostas: II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI 16 § 1° A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se relerem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas as mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS. Decreto 1.007: Dispõe sobre as contribuições compulsórias devidas ao Serviço Social do Transporte SEST e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, e dá outras providencias. Art. 2° (...) § 3° As contribuições devida pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços; Assim, não há como prosperar a alegação da Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para reconhecer a decadência em relação ao período compreendido entre 01/1999 a 08/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/07/2 012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRIN GARI
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Numero do processo: 10845.006618/86-85
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 1989
Numero da decisão: 301-00.452
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), através da Repartição de origem (DRF-Santos), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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ATAF Sessão de 07/novembro __ ACORDÃO N,' Recurso n.O 111.206 Processo n" 10845-006618/86-85. • Recorrente Recorrid a IMPORGRAF COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA. DRF - SANTOS. R E S O L U C à O NO 301-452 Vistos. relatados e discutidos os presentes autos. • RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro COQ selho de Contribuintes. por unanimidade de votos, em converter o j~lg~ mento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT'), através da Repartição de origem (DRF-Santos), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado . VISTO EM SESSÃO DE: HAM LTON DE,pÁ '~RDES de novembro de 1989. MARTINS - Proc. da Fazenda Nacional. Participaram, ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: JOÃO HOLANDA COSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO. ROSA MARTA HAMILTON DE SÁ DANTAS. NETO, JOSÉ MARIA DE MELO. MAGALHÃES DE OLIVEIRA e -~ i • • - 2 - SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTE RECURSO N2: 111.206 RESOLU ç1í.o N2 301-452 RECORRENTE: IMPORGRAFCOMERCIAL E IMPORTADORA LTDA. RECORRIDA DRF/SANTOS. RELATOR HAMILTON DE SÁ DANTAS. R E L A T Ó R I O O Auto de infração de fls. 01 verso revela que a au- tuada cometeu erro de classificação tarifária com relação aos prQ dutos constantes das 22 (vinte e duas) Declarações de Importação, devidamente numeradas naquela peça, ao importar papéis cartolina sensibilizados, não impressionados e não revelados para imagensIDQ nocromáticas, cortados em medidas exatas e acondiconados em cai- xas, com classificação correta no código 48.13.99.00 e nao como dg clarado.lpela importadora noutro de n2 37.03.01.00 da TAB. Conforme' evidencia a relação constante do quadro dg monstrativo de fls. 26/28, apenas as 4(quatro) últimas DIs (fls.~) sao pos teriores a 17.01;85, data da edição do Decreto-lei ri22227/85. Às fls. 31/33, temos pronunciamento do LABANA dando respaldo legal à autuação de fls. 01 verso, cujas respostas tran.ê. crevo-as: "l - Trata-se de Papel Kraft braQqueado, nao sensi- bilizado, na forma 'de folha, com espessura de 0,16 mm, largura de. 256 mm, comprimento de .394 mm e gramatura de 159,1 g/m2, contendo Óxido de Zinco e recoberto com resina, ultilizado em prQ cessos de impressão por reprodução eletrbstáti- ca. 2 - O papel apresenta um revestimento a base de Óx~ do de Zinco e resina. 3 - Não se trata de papel sensibilizado. Somente ~ carregamento eletrostático o papel torna-se pa.ê. sível de formação de imagem latente". Às fls. 41, temos o Acórdão n2 20.296, de 12 de se- tembro de 1978, cujo voto é da lavra do eminente Conselheiro João Holanda eósta, cuja ementa transcrevo: SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Rec. Res. - 3 - 111.206 301-452 "Papel para cópia, por processos E-létrostáticos, em máquinas copiadoras especiais. É constituído de um suporte de papel recoberto com uma camada de subs- tância sensibilizante dispensa em um aglutinante :(resi-colante) e contendo ainda uma camada de fi- nas partículas de óxido de zinco, que atua como elA mento fotoeletricamente sensível (para atrair as paI tículas do "toner'9, no interior da máquina. Classi- ficaç~o no código 48.13.99.00". Leio, para melhor ilustraç~o do aqui relatado, o vo- to de S. Exa., naquela oportunidade, com o brilhantismo de sem~ ~ pre, proferiu (lê). Notificada, a autuada apresenta a sua impugnaç~o de fls. 222/228, alegando o seguinte: "1 - que o Laudo LABANA rio 649/83 atesta que o pro- duto se constitui de papel sensibilizado e as- sim está:.'caracterizaqdo seu posicionamento 'no código em que foi despachado: 37.03.01.00; • 2 - que através de amostras do tipo MR 2.A3, os teâ tes de laboratório :,redundaram no Laudo LABANA nO 583/84, e foi confirmado ser produto' foto- "seri~í»êl,i~estinado a máquinas impressoras tipo "offset" e, desta forma, está certa a classifi- caç~o tarifária constante da DI em tela; 3 - que, nos termos de alguns dispositivos legais citados no processo, a tarefa de fiscalizar e apurar irregularidades e estabelecer exigências se cinge à atividade da conferência aduaneira (física), na Zona Primária, n~o tendo aDRF-San tos, enquanto autoridade aduaneira na Zona Pri- mária, competência para revisar declarações de importaç~o de contribuintes sediados ou juris- ..'dic'i'on'a'dosJ'):3em outra DRF. 4 - que, quanto á~revis~o propriamente dita, por eâ ta raz~o deveria ser realizada na Zona Secundª ria e a AFTN'; que .:realizou-a na DRF-Santos, n~o SERViço PÚBLICO FEDERAL tinha''competência para tal; Rec. Res. - 4 - 111.206 301-452 5'- que dois Laudos confirma~ém ~er "papel sensibi- lizado" o produto importado e apenas um contra- riou, definido como "papel não sensibilizado" e que sendo todas as OIs, anteriores, a este <i mo laudo devem estar ao abrigo da"definição an- terior, fora de sua influência e, por conseguirr te, desonerando o produto de qulqfuer qualificação; posterior • • 6 - que o papel em tela foi objeto de processo de consulta de outra empresa - Marubeni do Brasil S/A,- que gerou parecer CST,n2"3273/78 estabe- lecendo classificação tarifária no código declQ do pela autuada; 7 - que aguarda a improcedência da açao fiscal". Foram juntados pela recorrente amostras e documentos em defesa de seus interesses. Destaco, por oportuno, os acórdãos referidos as fls. 248, de n2s 301-25.057, de 28.03.85 e 3:)1-25.035, de 26.03.83, cujas ementas são transcritas abaixo: "Classificação. Papel matriz sensibilizado, nao revg lado, pelas imagens monocromáticas, não i~pressio- 'nado:",marca RICOHFAX MASTER LONG RUN ~-I,,,',tamanho 254/394, com nove furos0Qvais. Comprovado tecnica- mente que o produto importado ,se identifica com o acima mencionado. Código 37.03.01.00 da TAB. Recur- so provido". (Acórdão 301-25.057). "Classificação. Papel matriz sensibilizado, nao revg lado, para imagens monocromáticas, não impressionQ do, marca RICOHFAX MATER LONG RUN I, tamanho 254/394 mm, com nove furos.' ovais. Comprovado tecnicamente ,quese identifica pelas características dos papéis contemplados riaposição 37.00 Código 37.03.01.00 da TAB. Recurso provido". (Acórdão n2 301-25.036). As fls. 274, veio a contestação do fiscal autuante, nos seguintes termos:: SERViço PÚBLICO FEDERAL Rec. Res. - 5 - 111. 206 301-452 • • "a - quanto à competincia de, revisar as DIs de con- tribuintessed~ados em outras DRFs, a mesma est~ claramente atribuída pelo item 2 da Portaria n2 0845/GAB/170, de 02.09.80, que estabelece que "a equipe de revis~o de declaraç6es de importa- çâo - ERDIM - incumbir-se-~ da revis~o de DIs registradas nesta unidade"; b - em relaç~o ao direito ou n~o de revis~o das DIs e de sua legalidade, est~ perfeitamente legal, consoante se depreende do parecer da Procurado- ria Geral da Fazenda Nacional do Rio de Janei- ro, publicado no DOU de 10/09/75, referente ao Processo n2 768-21 704/75 (xerox de fls. 254/;B); c - nos termos do Parecer Normativo CST n2 88/74, os papéis revestidos, n~o sensibilizados para fins fotogr~ficos se classificam no Capítulo 48;". A decis~o de fls. 281 julgou a açao fiscal proceden- te com base no ~elatório e parecer de fls. 274/280, verbis: "A presen,te quest~o é delicadíssimá, pois dela parti cipam dois pareceres antagônicos: o Parecer CST (NN) n2 3273/78, mais recente, que é invocado pela autu£ da em seu socorro e o Parecer Normativo CST n2 ffi/7~ mais antigo, buscado pelo Fisco para a exigincia de tributos de que trata o presente processo. ,A' Ident:ificaçâodo produto importado apresenta um porr to, discutível no passado; indubit~vel hoje, que é aquele referente à sensibilizaç~o ou n~o do papelou ,cartolina. Os primeiros laudos emitidos pelo LABANA afirmavam que o produto era sensibilizado. Com o correr doitem po, após conhecimento mais profundo da tecnologiae~ pecífica, o LABANA passou a indicar em seus laudos, ou informaç6es técnicas (existentes nos autos), que o produto n~o era sensibilizado. Da leitura do Laudo LABANA n2 941/85 (fls. 33/34), o mais recente deles, se extrai: SERViço PÚBLICO FEDERAL Rec. Res. - 6 - 111.206 301-452 ".c;ONCLUSÃO:Trata-se de Papel Kraft;branqueado, nao sensibilizado, na forma de folha, com conterr do Óxido de Zinco e recobertb com resina, utiliza- do em processos de impressão por reprodução eletros tática". (grifamos). presente caso. Pelo texto supra e pelos detalhes contidos na Info£ mação LABANA hQ 005/89, enfocada mais adiante, con~ tata-se que a qualidade indicativa Cpreporiderante.)do ,posibionameh,to do papel importado, na TAB, é aquela referente à sua sensibilização, já que as outras c£ racterísticas, do sensibilizado ou do não sensibi-• lizado, são semelhantes e menos importantes para o Desta forma, o'papel importado deve ser analisado, tarifàriamente,em relação ao Parecer CST (NBM) nQ 3273/ 78 e Parecer Normativo CST nQ 88/73, citados nos ag tos. PARECER CST (NBM) nQ 3273/78 - Este parecer oferece a seguinte Ementa: • "CÓDIGO TAB: MERCADORIA Papel eletrostático, sensibilizado, não impressionado ou revelado, para reprodução de imagens 'cmonocromá.ti- cas, apresehtado em folhas ou em rolos". (grifamos) 'sóltas Como se pode deduzir, o,papel que se classifica no código estabelecido por este,parecer 37.03.01.00, tg rá que ser ESSENCIALMENTE aquele utilizável em má- quinas que extraiam cópias através do ~istema éle- trostástico e QUE JA VENHA SENSIBILIZADOi ou seja, que já seja sensibilizado como produto final. Ora, o papel aquiidespachado NÃO ~ SENSIBILIZADO, consoante laudo técnico':do LABANA (nQ 941/86 fls. 193/194 - retificado pela Informação Técnica nQ 005/89, fls. 263/265). Este papel somente terá es- sa condição-se.nsih'iiizado',- após a sua introdução na máquina e pass9gem pela eletrostatização atra- • • - 7 - Rec. 111.206 Res: 301-452 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL vés de sistema"peculiar denominado EFEITO CORONA. Este efeito é bem esclarecido pelo Item "a" da informaçio técnica LABANA supracitada, a seguir transcrito): "Nos sistemas elêtrofotográficos diretos a imagem se forma a partir da alteraçio das propriedades elétri- cas do Óxido de Zinco (um pigmento fotocondutor) pela açio da luz por meio das etapas seguintes (num ,,,mesmo equipamento) : a - inicialmente, no escuro, há o carregamento eletró~ tático (por processo elétrico-efeito Corona) uniforme da superfície externa da Camada de Óxido de Zinco que recobre o papel, caracterizando-se corno a,etapa de SEN SIBII,I...z~C~O,dacamada condutiva à luz ou seja, na pr~ sença de luz tornar-se-à eletricamente condutora";(des- taque e grifos nossos). Pelos dizeres supra, chega-se a um ponto conclusivodé que o papel ora importado, por ser destinado a traba- lho ele~rbstático,'é um papel diferente daquele a que se refere o presente parecer CST(NBM) nQ 3273/78, pois enquanto que o papelnnelB concluído é um PAPEL ELETRÓS- TÁTICO SENSI~LIZ1\DO..... , já.apto a receber a impressio fotográfica atrav.és da luz, o papel importado através destes despachos é um PAPEL EELTROSTÁTICO SENSIBILI- ZÁVEL, face à camada eletrizável de Óxido de Zinco, de que está revestido, que será SENSIBILIZADA NA MÁQUINA. são papéis diferentes. PAPEL SENSIBILIZADO.'possui, ca- mada já 'sensibilizada. PAPEL SENSIBILIZÁVEL, possui apenas camada que será sensibilizada na máquina. mas nao PARECER NORMATIVO CS1'. nQ 88/73 '~POSIÇÃO IPI 37.03.01.00 37.03.02.00 - Este parecer nos oferece a s~ guinte Ementa.: PRODUTO Papel, cartolina, cartio ou tecidos, SENSIBILIZADOS, im- pressionados ou nao, revelados: a -para imagens .tiIonocroriiáticas. b - para imagens policromá- ticasll• SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Rec. Res. - 8 - 111.206 301-452 • • o item 4, letra "a" deste parecer ~ bastante eluc~ dativo no que concerne ao posicionamento do produ- to em litígio: "4. Por~m, ésta posição nao compreende, em especi- al (NE da NAB): "a - O papel, cartolina, cartão e tecido pre- parados para usos fotográficos, mas ainda não - - sen~ibilizados, por exemplo o papel, cartoli- na e cartão, revestidos de gelatina, albumina barite, ETC. (Capítulo 48l.e secçao, XI)". (grifo e destaque nossos). Da leitura deste texto não resta qualquer dúvida, pois a palavra "ETC", em destaque, representa no caso o Óxido de zinco e, por esta razão, o produto revestido deste material tem que se classificar no Capítulo 482, corno determina o parecer e nao no C£ pítulo 372, corno quer a autuada. Pesquisando nas NENCCA/NEMAB, vamos encontrar no Item B das "Consideraç6es Gerais" do Capítulo 372, que comanda a classificação de produtos nele in- cluídos, os seguintes dizeres: "B - o papel, cartolina, cartão e tecido fotográf~ cos (negativos ou positivos) SÓ CABEM NESTE CAPíTULO QUANDO SE APRESENTAM SENSIBILIZADOS, ou ...." (destacamos). são sensatos os termos de tal consideração do capi tulo 372. Coerentes com o restante dos dizeres que transcrevemos neste nosso trabalho. Desta forma, o papel não sensibilizado, ou melhor, O PAPEL SENSI- BILIZÁVEL, corno o ~ o papal ora importado, somen- te tem sua classificação ta~ifária fora do Capítu- lo 372, hoje em dia, ou no passado. Sim, hoje em dia ou no passado, porque, consoante, aflora da impugnação da autuada, o papel, em 1973 (ano do presente parecer norm?tivo), pode,r~a ,secl£ sificarno,capítúlv'~482,PJr'~,:aj5Ós'o'.Parecer:CST.(NÊM)'p3â :sada:p se'classI.fiêa'r)1o..ea:pítulo 372.',Isto"~'balela.c:Não tem':fundarnentó;:à luZ da'~NBM/pois um.produto'q'uê'se'ciassí" fica'num.determinado: código;: se'clillssificar.á:':"ne,le eternamente, a não ser que algo de errado ofusque SERVIço PÚBLICO FEDERAL Rec. Res. - 9 - 111. 206 301-452 • • tallccl:assificação. Nesta classificação do produto no Capítulo 48Q na- da há de errado, pois o material que o Parecer CST (NBM) nQ 3273/78 determina seja classificado no C£ pítulo 37Q não é o papel que está sendo importado (papel sensibilizável), mas sim o papel sensibili- zado. No tocante a tese sustentada> pela autuada de que alguns renomados juristas, em ementas de acórdãos ou em decisões ou entendimentos, dentre eles Rubens Gomes de Souza, um dos artífices do CTN, expressam não ser admitida a revisão de lançamentos para fins tributários, em contradição trazemos ao presente as palavras do mesmo tributarista, Rubens de Souza, estampadas no Volume 40, pg. 41, Edição de 1955 da Revista de Direi to Administra tivo (vide Revista Fi-ª. cal (IR) do período lQ/15.05.70) assim dispostas: ".... Por conseguinte, basta que se demonstre~ue a situação de fato ou de direito não foi apurada tal como efetivamente ocorreu para que o lancamen- to seja passível de revisão" por, não se ter subme- tido ~ lei, ainda ,que desta não conste dispositivo expresso sobre a revisão em tese ou em caráter ge- ralll• Existem vários dispositivos legais que autorizam ser realizada a revisão, das DIs no presente caso, tais como o Art. 149 do CédigoTributário Nacio- nal (CTN), o Art. 54 do DL. nQ 37/66, a IN-SRF nQ 040/74, Portaria ri~ 14/80 da CSF-SRF e ainda a or- dem de Serviço nQ DIVFIS 8ª'nQ 2>180, todas normas complementares de Lei, nos termos do Art. 100, I do CTN. A DRF-Santos estabeleceu normas para, por ela, se- rem cumpridas com toda a competência. Isto posto e CONSIDERANDO que a mercadoria litigiosa tem sua classificação n'o código,A8. 13;.99.00da,TAB ,'por não ser, a:mer,cadoria "de que trata o Parecer CST (NBM) nQ 3273/78; SERViÇO PÚBLICO fEDERAL Rec. Res. - 10 - 111. 206 301- 452 • • CONSIDERANDO que tal posicionamento foi seleciona- do em razão do que estabelecem as NENCCA/NEMAB e o Parecer Normativo CST nO 88/73; CONSIDERANDO ser devida a diferença de Imposto de Importação apurada através deste procedimento fis- cal; CONSIDERANDO o mais que do processo consta; Proponho seja julgada PROCEDENTE a ação fiscal e seja a autuada obrigada a recolher o valor constan te do AI de fI. 01". Intimada, inconformada e dentro do prazo legal a in teressada recorre a este Conselho, sustentando, em essêpcia>_,.ail:. revisibilidade do despacho aduaneiro, a contradição de tàudos e pareceres sobre o produto importado e a sua correta classificação tarifária, além de, preliminarmente, suscitar nulidade do auto de infração por haver sido lavrado fora do local de. sua verificação, uma vez que a citada peça foi lavrada na zona secundária e nao na primária, isto é, quando do desembaraço da mercadoria. É O RELATÓRIO . SERViÇO PUBLICO FEDERAL v O T O Rec. Res. - 11 - 111. 206 301-452 • • Além da matéria constante do relatório há pouco vis- to, gostaria de trazer à colação recente julgado deste Colegia- do, consubstanciado no Acórdão nQ 301-25.972, de 04 de julho do corrente ano (1989), que assim ementou o seu decisum: "Classificação. 1. Papel eletrostático, sensibilizado, virgem para imagem monocromática, classifica~se na posição ~ 37.03.01.00. 2. Recur-so provido" . Ora, a matéria, ao longo de sua existência, denota e revela dificuldades de interpretação até mesmo para os técnicos no assunto. A Declaração de Importação de fls. 51. noticia que a recorrente importou "Papéis cartolina, sensibilizados, não impre~ sionados e não revelados,'para imagens monocromáticas. Entretanto, o laudo LABANA de fls. 33/34, em suas conclusões, faz afirmações contrárias a essa tese, quando assevera que o produto questionado não é sensibilizado; O contribuinte traz em socorro de sua tese as deci- soes de fls. 248 e a Fazenda, outra, de fls. 41/48, desdizendo o desejado pela recursante. Há, ainda, dois pareceres conflitantes o de fls. 249 versus o de fls. 261. Tem-se, nos autos, a amostra de fls. 244. O relator, diante da divergência estabelecida, e não tendo condições de ava- liar se esse produto é sensibilizado ou não, tem como indispen- sável a necessidade de esclarecimento técnico sobre o tema, pois só ~ssim, ao final, poderá chegar a verdadeira classificação tari fária. De modo que, diante do exposto, voto no sentido <DB que o presente julgamento seja convertido em diligência ao INT., a fim de que aquele conceituado centro científico se digne a re~ ponder aos quesitos abaixo, com proposta de que, antes, os autos transitem pela Repartição de Origem para que esta intime o contri buinte a formular quesitos outros e novos, pedindo-se ainda ao SERViço PÚBLICO FEDERAL Rec: Res. - 12 - 111:206 301-452 • •• LABANA para que confirme se a amostra constante de fls. 244 cor- responde a aquela mesma descrita na DI. de fls. 51. Quesitos: 1) o papel importado trata-se de um produto sensibi- lizável ou sensibilizado? 2) a qüe processo é submetido o bem em tela para que seja considerado sensibilizado? 3) o bem importado é papel ou ~artolina para imagens monocromáticas (c6digo:37.03.01.00 da TAB)? 4) ou... "papel para c6pias e matrizes cortado nas di mensoes próprias, mesmo acondicionado em coi;sas;).,.'II 'c6digo 48.113.99.00de TAB)? 5) pede-se outros esclarecimentos necessários à com- ~pleta:elucidaçãoda matéria, sobretudo à vista das.di~ :',..vergências apontadas nos documentos de fls. 33/34, 41/48, 248, 249 e 261, com pronunciamentos anta- gônicos sobre o bem importado (papel sensibiliza- .~ e não sensibilizado). Sala das Sessões em, 07 de novembro de 1989. ~. fJl-- LTON DE SÁ 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002661/2008-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 10/10/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RETENÇÃO DE 5%,
REPASSE DE VERBAS. CLUBES DE FUTEBOL.
Constitui infração deixar a empresa de reter para recolhimento o percentual de 5% incidente sobre as importâncias por ela repassadas a associações desportivas que mantenham equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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RETENÇÃO DE 5%, REPASSE DE VERBAS. CLUBES DE FUTEBOL. Constitui infração deixar a empresa de reter para recolhimento o percentual de 5% incidente sobre as importâncias por ela repassadas a associações desportivas que mantenham equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto às fls. 96 a 108 contra decisão da 12 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (fls.85 a 90) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração 37.195.2948 no valor consolidado e originário de R$ 25.097,54 (vinte e cinco mil, noventa e sete reais e cinquenta e quatro centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 22 a 28, a cobrança referese à atitude da empresa em ter repassado recursos à associação desportiva, que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade e propaganda sem reter 5% (cinco por cento) da receita bruta, desrespeitando o previsto no §9°do art.22 da Lei n 8.212/91 e do art.205 §3° do Regulamento da Previdência Social. Na ação fiscal, verificouse que a recorrente repassou ao Clube Botafogo, a título de patrocínio, a quantia de R$ 508.000,00 (quinhentos e oito mil reais), no período de janeiro a junho de 2003 e também fez o mesmo com o Clube de Regatas Vasco da Gama, repassou R$ 150.148,90 (cento e cinquenta mil, cento e quarenta e oito reais e noventa centavos) a título de publicidade, no período de janeiro a dezembro de 2003, não tendo efetuado, nos repasses citados a retenção obrigatória de 5% (cinco por cento), infringindo a legislação previdenciária. Em razão desse descumprimento legal, a empresa foi autuada com base nos art.92 e 102 da Lei n° 8.212/91 combinado com o art.283, inciso II, alínea "m" e artigo 373, ambos do Decreto n° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11/03/2008; que remete ao valor da infração no montante de R$ 12.548,77. Ocorre que, em razão da reincidência verificada, o valor da multa foi duplicado, ficando o valor final da autuação em R$ 25.097,54 (vinte e cinco mil, noventa e sete reais e cinquenta e quatro centavos). Desta autuação, a recorrente foi notificada em 10/10/2008 e apresentou impugnação às fls.49 a 59 alegando: Que na mesma ação fiscal foi lavrada NFLD com base na ausência de recolhimento dos 5% (cinco por cento) incidentes sobre o repasse à associação desportiva; Não poder exigir do responsável tributário, na hipótese de falta de retenção, a responsabilidade pelo pagamento do tributo, vez que a exação deve ser exigida do próprio contribuinte; Ser necessária a leitura em conjunto dos parágrafos §5° e §6° do art.205 do Regulamento da Previdência Social; Que o disposto §6° do art.205, só é aplicável aos casos em que não possa exigir a contribuição previdenciária do responsável tributário; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18471.002661/200854 Acórdão n.º 2403001.259 S2C4T3 Fl. 144 3 Ser a multa do art. 283, inciso II, alínea "m" do Regulamento da Previdência Social viciada, visto que importa na dupla cobrança de multa em razão do mesmo fato, pois à empresa já foi exigida a contribuição que deixou de ser retida, além da correspondente multa devida pelo descumprimento da obrigação principal; Terem sido desrespeitados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade na previsão e aplicação da multa, restando configurado o efeito confiscatório da cobrança, violando o art.150, VI, da Constituição Federal. Por fim, requereu que a anulação da autuação. Instada a manifestarse acerca da matéria, a 12 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I/RJ proferiu decisão (acórdão 1223.872) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 10/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETER 5% DAS IMPORTÂNCIAS DESTINADAS A CLUBES DE FUTEBOL. FORO ADMINISTRATIVO. ANALISE DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Constitui infração deixar a empresa de reter para recolhimento o percentual de 5% incidente sobre as importâncias por ela repassadas a associações desportivas que mantenham equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos. 0 foro administrativo é inapropriado para as discussões relativas A inconstitucionalidade ou ilegalidade de Leis ou atos normativos, sendo defeso A autoridade administrativa afastar a aplicação de normas que gozem de plena eficácia. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 96 a 108, ratificando os argumentos apresentados em impugnação. No final, requereu que fosse julgado extinto o auto de infração, tendo em vista que a obrigação acessória foi cumprida dentro dos moldes estabelecidos pela legislação especifica vigente à época do fato gerador. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS – CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA EM PRINCIPAL: A recorrente afirma que a exigência do AI 37.195.2948 é indevida em razão da empresa já ter sido cobrada pela infração legal do mesmo fato e por ser a obrigação do contribuinte, entidade desportiva, e não do responsável tributário. Ocorre que a multa imposta pela ausência de recolhimento do valor de 5% (cinco por cento) incidente sobre o repasse de quantia aos clubes de futebol Botafogo e Vasco possui natureza jurídica diversa da multa que se estar exigindo no presente processo. Uma, possui natureza moratória (mora no recolhimento da obrigação principal) e a outra é punitiva (por ter deixado de proceder à retenção do percentual previsto em lei), ou seja, há diferença nos valores cobrados, pois o motivo de duas autuações está relacionado ao descumprimento por parte da empresa da obrigação tributária principal (ausência de recolhimento) e da obrigação tributária acessória (deixar de reter 5% incidente sobre a receita bruta do repasse). A obrigação principal, segundo definição do Código Tributário Nacional, é toda obrigação do sujeito passivo que se reporte a um pagamento em pecúnia, é uma obrigação de dar. Já a acessória, é toda conduta positiva ou negativa do contribuinte/responsável que não constitua pagamento de quantia em dinheiro, é uma obrigação de fazer. Todavia, o descumprimento de uma obrigação acessória convertese em principal, tendo em vista que o resultado dessa infração é o pagamento de uma multa, valor em pecúnia. Então vejamos a previsão do Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Pelos fatos que já foram narrados, percebese que a recorrente descumpriu determinação legal e deve, por esta infração, realizar pagamento da multa, em respeito ao art.205 § 3º do Regulamento da Previdência Social: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18471.002661/200854 Acórdão n.º 2403001.259 S2C4T3 Fl. 145 5 Art.205. A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, destinada à seguridade social, em substituição às previstas no inciso I do caput do art. 201 e no art. 202, corresponde a cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participe em todo território nacional, em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. (...) § 3º Cabe à empresa ou entidade que repassar recursos a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, a responsabilidade de reter e recolher, no prazo estabelecido na alínea "b" do inciso I do art. 216, o percentual de cinco por cento da receita bruta, inadmitida qualquer dedução. Destacouse. O pagamento da multa encontra ainda amparo na legislação: Lei nº 8.212/91 (arts.92 e 102) e Decreto nº 3.048/99 (arts.283 e 373). No caso em tela, a alínea infringida do art.283, II, foi a “m”, in verbis Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) m) deixar a empresa ou entidade de reter e recolher a contribuição prevista no § 3º do art. 205; * * * Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No mesmo sentido, é a Lei n. 8.212/91 (arts.92 e 102): Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que tal dispositivo foi atualizado conforme indicativo nº 24,vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Ante o exposto e considerando que a recorrente infringiu norma legal tributária, sobre a qual não conseguiu se provar o contrário, entendo pela manutenção da cobrança em todos os seus termos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18471.002661/200854 Acórdão n.º 2403001.259 S2C4T3 Fl. 146 7 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 35564.004764/2005-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005
Ementa:
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.256
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CASA DA CULTURA FRANCESA ALIANÇA FRANCESA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Fl. 612DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 600 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II, Acórdão 17 – 29.484, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal. Conforme Relatório Fiscal, o lançamento referese a contribuições decorrentes do fato de o AuditorFiscal ter considerado como segurados empregados as pessoas físicas que prestaram serviços à notificada na qualidade das pessoas jurídicas Milênio Empresarial S/C Ltda. e LJO Empresarial S/C Ltda. 2. APURAÇÃO DO DÉBITO 2.1. As contribuições incidem sobre os valores pagos através de notas fiscais de serviço as empresas: MILÊNIO EMPRESARIAL S/C LTDA, C.N.P.J n°. 02.632.440/000197, na pessoa do Sr. Wilson Rodrigues Gato, CPF/MF n.o 041.824.05820, que é empregado da empresa e conforme documento anexado à fls. 17 do presente, os serviços prestados pela Milênio são executados pelo mesmo; LJO EMPRESARIAL S/C LTDA, C.N.P.J. n.o 02.641.878/000131, na pessoa de Lourival Jacinto de Oliveira, CPF/MF nº 008.699.30893, que em todo o período objeto da ação fiscal aparece como responsável pelos setores contábil e de pessoal da Casa da Cultura Francesa, tendo sido ele a pessoa que inicialmente atendeu esta fiscalização, inclusive apresentando todas as instalações da empresa tais como teatro, salas de aula, biblioteca e inclusive abordando o enquadramento da empresa como filantrópica. Em todo o período da ação fiscal, foi observada a presença do Sr. Lourival em relação ao horário, local de trabalho etc. Em diversos documentos fiscais, trabalhistas o Sr. Lourival aparece como responsável, anotando inclusive o número do telefone e do Fax da Casa da Cultura Francesa juntamente com seu email lourival@aliancafrancesa.com.br . Para demonstrar a situação, seguem anexas de fls. 367 a 371, cópias dos recibos da entrega das DIPJ referentes aos exercícios 2001 a 2005 onde esta situação fica bem demonstrada e por isto a consideração por esta fiscalização como autêntico empregado da empresa, tendo em vista que presta serviços de forma direta, habitual, remunerada, pessoal, subordinada e exclusiva à notificada. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 O processo baixou em diligência para esclarecimentos sobre as questões da pessoalidade e subordinação e elaboração de Relatório Fiscal substitutivo e reabertura de prazo para defesa. Em razão dessa reabertura de prazo a recorrente apresentou aditivo à impugnação. Observou o julgamento de primeira instância que quando do lançamento não foi observado o limite de contribuição do empregado Wilson Rodrigues Gato. Houve retificação do débito que passou de R$ 441.569,71 para R$ 330.762,40. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, que: • há fatos novos determinantes para a insubsistência do presente processo administrativo, consistentes no trânsito em julgado de duas ações judiciais, versando, exatamente, sobre o tema ora discutido, de autoria de Lourival J. de Oliveira Ltda. e Wilson Rodrigues Gato, tendo como Ré a ora Recorrente (docs. 2 e 3). • transitaram em julgado dois processos judiciais ajuizados contra a ora Recorrente, quais sejam: a) Processo n° 583.00.2006.1624997, da 34a Vara Cível do Fórum Central da Comarca da Capital, tendo como autora a empresa Lourival J. de Oliveira Ltda (doc. 2); b) Processo n° 00648.2006.047.02.00 2, da 47° Vara do Trabalho da Capital, tendo como autor o Sr. Wilson Rodrigues Gato (doc. 3). • Notase, pela análise do primeiro processo, que a ora Recorrente desembolsou um quantia correspondente a R$200.000,00 em proveito da empresa autora, tendo sido o feito extinto com resolução do mérito, na esteira do artigo 269, III, do CPC. • Já em decorrência do outro processo, aquele que tramitou pela justiça do trabalho, a ora Recorrente pagou ao então Autor a importância de R$113.700,00, também com a extinção da demanda nos termos da lei e sob o manto da autoridade da res judicata. • havendo decisões judiciais transitadas em julgado, reconhecendo, por um lado a prestação de serviços da empresa Lourival J. de Oliveira Ltda. e o vinculo exclusivo de Wilson Rodrigues Gato, ambos com relação a ora Recorrente, não poderá ser o respeitável processo administrativo quem poderá modificar tal situação. Salientese que qualquer decisão condenat6ria nos presentes autos implicará em usurpa 02 da ordem jurídicohierárquica e grave ofensa à coisa julgada. • 0 que não se pode admitir é o INSS ou qualquer outro órgão ou autarquia que não seja titular de jurisdição, isto é, que não profira decisões emanadas do Poder Judiciário (arts. 2° e 5°, XXXV, CF/88) insistir na manutenção de um processo cujo tema central e objeto principal da discussão já esteja devidamente analisado — mesmo que Fl. 615DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 601 5 implicitamente— pelo Poder Judicante, com a autoridade da coisa julgada. • não detém competência o Sr. Auditor Fiscal para descaracterizar relação havida entre pessoas jurídicas • não se pode aceitar que a atuação do Sr. Auditor se sobreponha à autoridade da coisa julgada material já comentada • não houve vinculo direto entre o Sr. Lourival Jacinto de Oliveira e a Casa da Cultura Francesa. Isto é, os requisitos previstos nos artigos 2° e 3° da CLT não se achavam presentes nesta ilusória relação, pois tão somente a pessoa jurídica Lourival J. de Oliveira Ltda. é quem lhe prestava os serviços apontados nos autos da ação judicial anexa • a pessoa jurídica prestadora dos serviços apontados tinha toda uma estrutura disponibilizada em favor da ora Recorrente, como funcionários remunerados, custos diversos, além da total ausência de subordinação em contraposição à sua absoluta autonomia. Alias, o próprio Sr. Auditor Fiscal e o V. Acórdão reconhecem expressamente nos presentes autos que a empresa indigitada (Lourival J. de Oliveira Ltda.) promoveu todos os recolhimentos e encargos necessários, inclusive aqueles relativos ao INSS, cuia nova cobrança geraria, inclusive, o fenômeno do bis in idem, vedado por elementares princípios de direito. • Quanto ao Sr. Wilson Rodrigues Gato é importante que se faça imprescindível retificação. Acreditase que tenha havido equivoco ou erro material nas digressões despendidas na peça de impugnação apresentada ainda em primeira instância, pois a ora Recorrente jamais negou e nem poderia negar que o Sr. Wilson Rodrigues Gato foi seu funcionário, fato este admitido nos autos do processo trabalhista já mencionado nesta peça (doc. 3), cujo trânsito em julgado também se operou. • a empresa Milênio Empresarial S/C Ltda prestava serviços à Recorrente, de acordo com o contrato constante dos autos deste Auto de Infração, para promover cogestão administrativa, coordenação das áreas de contabilidade, contas a receber, contas a pagar, Recursos Humanos, manutenção geral etc... • a atividade do Sr. Wilson é bem diferente, até mais abrangente que aquela praticada pela empresa Milênio. Assim, a Recorrente jamais permitiu ou participou de qualquer suposto vinculo entre o Sr. Wilson e a empresa referida, até porque em nada se beneficiaria com isto, haja vista que o funcionário indigitado lhe processou judicialmente, já com trânsito em julgado, recebendo da Recorrente a importância de R$113.700,00. É o Relatório. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A recorrente traz ao processo, na fase de recurso, duas ações judiciais movidas contra a própria recorrente. A primeira, uma Ação Ordinária de Indenização, movida por Lourival J. de Oliveira Ltda e outra, uma ação trabalhista movida por Wilson Rodrigues Gato. VERDADE MATERIAL CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS Recorrente questiona a competência do Auditor Fiscal para descaracterizar relação havida entre pessoas jurídicas. A fiscalização, como consta no RF, considerou os valores pagos a pessoas jurídicas como remuneração de segurados empregados. Entendo que não cabe razão à recorrente. O Fisco tem a atribuição de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias e, quando verifica situação não conforme com a legislação tributária, por meio de lançamentos fiscais, cobra o correto cumprimento das obrigações. Um dos princípios adotados é o da verdade material. Disso resulta que a verdade dos fatos se sobrepõe a documentos quando esses não espelham a realidade. A legislação dá o respaldo necessário para ação do Fisco. Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. ... Fl. 617DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 602 7 § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Decreto 3048/1999: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: Iarrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195, bem como as contribuições incidentes a título de substituição;(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) IIconstituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; IIIaplicar sanções; e IVnormatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso I. ... §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; LOURIVAL JACINTO DE OLIVEIRA A fiscalização considerou os pagamentos efetuados à empresa LJO Empresarial S/C Ltda.como sendo pagamentos ao senhor Lourival Jacinto de Oliveira. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A recorrente contesta afirmando que afetivamente os serviços foram prestados por uma empresa. Abaixo ficará demonstrado que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro que o contrato foi firmado em 18/05/98 com a pessoa física “Lourival Jacinto de Oliveira”. Por este instrumento particular, que entre si fazem a CASA DA CULTURA FRANCESA ALIANÇA FRANCESA, com inscrição no CGC/MF. sob n° 61.340.865/000191, com sede à rua General Jardim n° 182, Centro, São Paulo, Estado de Sao Paulo, neste ato denominada simplesmente "Contratante", representada neste ato pelos seus Diretores, Segundo Vice Presidente Sra. Cláudia Jeanne Andrée Monteil, portadora da Cédula de Identidade Rg n° 2.350.187 SSPSP e inscrita no CPF/MF sob n° 020.379.988/72, e o Primeiro Tesoureiro, Sr. Yves Louis Jacques Lejeune, portador da Cédula de Identidade Rg n° 4.984.193 SSPSP e inscrito no CPF/MF sob n° 195.142.08006, e o Sr. Lourival Jacinto de Oliveira, brasileiro, contador, inscrito no CPF/MF sob 008.699.30893, portador da Cédula de Identidade RG n° 11.909.789 SSPSP, inscrito no CRC/SP sob no 1SP122080/04, com inscrição no CEI sob n° 2.148.815.402/02 e inscrição municipal CCM sob n° 68.9238, com escritório à Alameda Vieira de Carvalho n° 345 2° Andar Salas 01 e 02, Bairro Santa Terezinha, na Cidade de Santo André, Estado de São Paulo, doravante, chamado, "Contratado" , firmam o presente contrato, mediante as seguintes condições: Consta do processo que conforme dados da Receita Federal, a pessoa jurídica LJO Empresarial S/C Ltda. — CNPJ 02.641.878/000131 iniciou atividades em 15/07/98 (fls. 64). Entendo clara a questão da pessoalidade quando se contrata uma pessoa física determinada. Quanto à remuneração, o contrato estabelece remuneração mensal. Um ponto interessante do contrato é a cláusula 4 que estabelece o pagamento de uma remuneração adicional a ser paga no dia 15 de dezembro. Entendi essa cláusula como uma décima terceira remuneração anual (décimo terceiro salário) 3 0 valor mensal da prestação de serviços de R$ 4.850,00 (quatro mil, oitocentos e cinqüenta reais), devendo ser pago até o último dia útil do mês do serviço prestado, diretamente na sede da Contratante, podendo o Contratado optar pela cobrança bancária através de avisos bancários. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 603 9 3.1) A falta de pagamento no prazo pactuado incorrerá em multa moratória de 3% (três), mais juros de 1% ao mês além da correção monetária. 4 No dia 15 de dezembro de cada ano será devido também uma anuidade no valor igual a uma mensalidade da prestação mensal de serviços. A subordinação entendo presente nas cláusulas do contrato abaixo transcritas que estabelecem que o senhor Lourival deve seguir as rotinas estabelecidas pela contratante: 1.1) A Contratante comprometese a transmitir ao Contratado, as rotinas diárias de trabalho, manuais para o uso dos programas (software), arquivos, esclarecer a respeito do uso de equipamentos, processos, datas, relatórios, etc... 1.2) 0 Contratado selecionará e treinará funcionários próprios para as áreas de Departamento Pessoal e Contabilidade, para a execução das rotinas de trabalho preexistentes da Contratante, assumindo a responsabilidade pela sua execução conforme segue: a) Departamento Pessoal: todas as rotinas incluindo desde as tarefas de registro de funcionários, atualização de cadastros e CTPS, emissão da folha de pagamento mensal, através de planilhamento fornecido pela Contratante, férias e décimo terceiro salário, rescisão contratual, emissão de relatórios existentes no programa (software) fornecido pela Contratante, inclusive para pagamentos e contabilização, emissão de guias de INSS, FGTS, PIS, IRRF, Contribuição Sindical, e demais guias, elaboração da RATS, controle de Vale Transporte, Assistência Médica, e tudo mais que já faz parte da rotina do Departamento Pessoal. b) Contabilidade, rotinas de classificação, planilhamento, escrituração, conciliação, elaboração de Balancetes mensais, Balanço, elaboração de relatórios preexistentes ou não, sejam para atender as exigências legais, estatuárias, ou por solicitação da Contratante. O Contratado assumirá as responsabilidades de Contador da Contratada... ... 10 — 0 Contratado não se obriga a fornecer materiais, máquinas, acessórios, programas e objetos para a execução dos serviços, sendo que se este fornecer algum, será considerado simplesmente um mero ato de liberalidade, ficando sob guarda e a responsabilidade da Contratante, devendo esta devolver ao Contratado, quando solicitado ou ao final do prazo da prestação de serviço, em idênticas condições de estado, uso e Fl. 620DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 funcionamento na qual lhes foi entregue , ressalvado o desgaste natural pelo uso. A não eventualidade fica caracterizada pela rotina das atividades 2 O Contratado comprometese a executar suas tarefas preferencialmente na sede da Contratante, que suprirá sempre o Contratado de todos os meios necessários, tais como: equipamentos, software, manutenção de programas e equipamentos, formulários, impressos, etc..., bem como local próprio com toda infraestrutura necessária, onde os funcionários do Contratado possam desempenharem as rotinas diárias de trabalho. A Contratante não fornecerá funcionários exceto os necessários para o fluxo de documentos entre a Contratante e o Contratado. Um ponto que pode estar chamando a atenção é que o contrato algumas vezes se refere aos funcionários da contratada. O acórdão recorrido registra que, segundo o CNIS, quando teve empregado, foi apenas um. As disposições contratuais destacadas apontam para uma aparente cessão de mãodeobra, pois prevêem que o Sr. Lourival teria ter empregados para executar todas as rotinas descritas. Entretanto, conforme dados do CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais (fls. 372/374), a LJO, quando teve empregado, foi apenas um. Não é razoável que o Sr. Lourival. com auxilio de um empregado ou, em vários meses, sem nenhum, tenha conseguido prestar todos os serviços contratados para uma empresa de cerca de 190 empregados (dado informado pela própria impugnante a fls. 81). Quanto à ação judicial, devido ao grande peso dado a ela no recurso, teço algumas considerações. Registro que foi movida pela pessoa jurídica Lourival J. de Oliveira Ltda, Processo n° 583.00.2006.1624997 e terminou em acordo onde a recorrente pagou R$ 200.000,00, sendo R$ 50.000,00 em espécie e R$ 150.000,00 por meio de cheque bancário. Em juízo não houve análise da prestação de serviço por pessoa física ou jurídica. Abaixo apresento alguns trechos do processo judicial. AÇÃO ORDINÁRIA DE INDENIZAÇÃO Fl. 621DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 604 11 Em 18 de março de 2005, por determinação da Re, ficou pactuada a contratação da Autora para o desenvolvimento de amplo projeto de planejamento estratégico, cujo contrato deveria ter continuidade ate a data de 31 de dezembro de 2007 (ou seja, por mais 2 anos e nove meses), conforme comprova a correspondência dirigida a Autora pela Ré. Contudo, atendendo a seus próprios e econômicos interesses a Re resolveu em 16 de dezembro de 2005 rescindir o contrato de prestação de serviços, alegando justa causa decorrente de um suposto descumprimento das obrigações contratuais (conforme documento anexo), impondo a Autora sérios prejuízos que serão a seguir analisados. Como justificativa da inexistente justa causa, s a Ré argumentou que a Autora havia praticado "maus procedimentos", por conta exclusiva de autuações previdenciárias sofridas pela Ré, sem qualquer prova. DO PEDIDO 0 Autor tem direito ao pagamento e ressarcimento dos valores acima mencionados, assim como à mais completa indenização dos danos materiais e morais suportados em decorrência da abrupta e ilícita ruptura desmotivada do contrato de prestação de serviços. Rescisão São Paulo, 16 de dezembro de 2005. A LOURIVAL J. DE OUVEIRA LTDA. (atual razão social de "U0 Empresarial S/C Ltda") Pela presente vimos RESCINDIR o contrato de prestação de serviços celebrado com V. Sas., em razão do descumprimento das obrigações Inerentes ao mencionado instrumento, eis que, tendo agido de forma negligente, essa empresa causou forte prejuízo financeiro à Aliança Francesa, em função dos Autos de Infrações n°s 35.875.0318, 35.875.0350 e 35.875.0334. lavrados pela fiscalização do INSS, face ao mau procedimento adotado, consubstanciado no incorreto preenchimento e apresentação de GFIP's e demais documentos previdenciários desta Instituição, bem como inobservância das exigências do artigo 93, da Lei 8.213/91. Tais atos ensejam a justa causa por parte da contratada, razão pela qual se tem como indevido o aviso prévio mencionado na clausula 8° do Contrato de Prestação de Serviços, firmado em 18 de maio de 1998. Outrossim, solicitamos que V. Sas. procedam à Imediata retirada de computadores e demais Instrumentos de propriedade de sua empresa. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Acordo Homologado a) R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) já recebidos anteriormente pela Autora, em espécie, valor do qual da plena , geral e irrestrita quitação, para nada mais repetir a este titulo; b) R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) , a serem pagos quando da competente homologação judicial deste acordo, por meio de cheque bancário. WILSON RODRIGUES GATO Inicialmente cabe registrar que, conforme consta do acórdão recorrido, na impugnação a recorrente afirmou que o senhor Wilson não era empregado. Em sua impugnação original, a Notificada referese ao Sr. Wilson nos seguintes termos: "(...) ele não é empregado, pois trabalha coin completa autonomia e sem subordinação jurídica", acrescentando que "(...) sua empresa presta serviços desde 1998 e quem assinou o contrato não foi ele próprio. Já por ai se vê que a contratada foi a empresa, não a pessoa fisica". No recurso o vínculo empregatício foi admitido. Quanto ao Sr. Wilson Rodrigues Gato é importante que se faça imprescindível retificação. Acreditase que tenha havido equivoco ou erro material nas digressões despendidas na peça de impugnação apresentada ainda em primeira instância, pois a ora Recorrente jamais negou e nem poderia negar que o Sr. Wilson Rodrigues Gato foi seu funcionário, fato este admitido nos autos do processo trabalhista já mencionado nesta peça (doc. 3), cujo trânsito em julgado também se operou. Conforme o acórdão, o senhor Wilson é empregado desde 01/04/1998. 0 que se verifica, entretanto, é que 0 Sr. Wilson Rodrigues Gato é empregado da impugnante, sob regime da CLT, desde 01/04/1998 (fls. 364) e não faz parte do quadro societário da empresa Milênio, cujos sócios são pessoas com seu mesmo sobrenome — Gato (fls. 55). Documento assinado pela Srta. Aline Serra dos Passos, responsável Departamento Pessoal da empresa, em resposta a questionamento formalmente formulado pelo Fl. 623DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 605 13 Fisco que afirma que “Os serviços prestados pela empresa Milênio Empresarial S/C Ltda., são prestados por Wilson Rodrigues Gato”. Ao Sr. José Wilson Travia Junior Auditor Fiscal da Previdência Social Prezado Sr. Atendendo ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, datada de 5 do corrente, prestamos os esclarecimentos abaixo: Os serviços prestados pela empresa Milênio Empresarial S/C Ltda., são prestados por Wilson Rodrigues Gato, portador da cédula de identidade RG 3.379.716 SSPSP, como assessor administrativo, no planejamento estratégico, e acompanhamento do mesmo, nas unidades da Casa da Cultura Francesa — Aliança Francesa, nos termos do Contrato de Prestação de Serviços. A caracterização da Srta. Aline Serra dos Passos como responsável Departamento Pessoal está no relatório Fiscal. 4.5. A fiscalização foi atendida pela Srta. Aline Serra dos Passos, responsável Departamento Pessoal da empresa, e também pelos Srs. Wilson Rodrigues Gato e Lourival Jacinto de Oliveira respectivamente Diretor Administrativo e responsável pela contabilidade da empresa os quais ficaram cientes da origem e natureza do débito, tendo sido recebida a 2a via da presente notificação, bem como deste relatório. Consta do Relatório Fiscal que a recorrente era a única tomadora dos serviços da empresa Milênio. 2.2. As notas fiscais de serviços foram emitidas pelas empresas MILENIO EMPRESARIAL S/ LIDA e LJO EMPRESARIAL S/C LTDA, em seqüência, no período de 01/2002 a 10/2005, para a notificada. ... Fl. 624DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 2.5. As notas fiscais emitidas em seqüência numérica, em ordem cronológica, atestam a exclusividade na prestação de serviço e foram constatadas através de análise no Livro Razão da Empresa conta 3.4.2.2 — Serviços de Terceiros, subconta 3.4.2.2.01 —Serviços Administrativos, cujos relatórios referentes ao período 01/2002 a 10/2005 seguem anexo A presente Notificação. Por concordar com a conclusão presente no acórdão, transcrevoa. Assim, não há outra conclusão possível que não a de que os valores pagos como relativos a serviços prestados pela empresa Milênio nada mais são que remuneração de um empregado da impugnante, o Sr. Wilson Rodrigues Gato. Cabe destacar que, conforme Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 375, por ele recebido, identificouse como Diretor Administrativo da empresa. Finalizo registrando que a Reclamatória Trabalhista n° 00648.2006.047.02.002, da 47° Vara do Trabalho, de Wilson Rodrigues Gato também resultou em homologação do acordo entre as partes, onde foi pago para o reclamante R$ 113.700,00. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35564.004764/200596 Acórdão n.º 2403001.256 S2C4T3 Fl. 606 15 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 626DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720158/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2012
Súmula CARF nº 63
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
O contribuinte comprovou a existência de moléstia grave à época dos fatos geradores, razão porque tem direito à isenção.
Numero da decisão: 2401-010.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Andrea Viana Arrais Egypto
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2012 Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. O contribuinte comprovou a existência de moléstia grave à época dos fatos geradores, razão porque tem direito à isenção.
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. O contribuinte comprovou a existência de moléstia grave à época dos fatos geradores, razão porque tem direito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 58 /2 01 3- 21 Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13749.720158/2013-21 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande - MS (DRJ/CGE) que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação apresentada, conforme ementa do Acórdão nº 04-31.908 (fls. 37/40): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS PELOS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto sobre a renda dos portadores de moléstia grave se aplica aos proventos de aposentadoria ou reforma recebidos em data anterior ao laudo pericial do serviço médico oficial quando nele constar a data em que a doença foi contraída. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata da Notificação de Lançamento - Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/08), lavrado contra o Contribuinte em 18/03/2013, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2012, onde foi apurada omissão de rendimentos no valor de R$ 214.882,52, pagos pelo Ministério do Trabalho e Emprego, resultando na alteração da restituição pleiteada de R$ 44.752,45 para R$ 9.294,35. O Contribuinte cientificado da Notificação em 25/03/2013 (fl. 29), via Correio, e em 15/04/2013, tempestivamente, sua impugnação de fls. 02/03, instruída com os documentos nas fls. 04 a 22, cujos argumentos estão sumariados no relatório do Acórdão recorrido. O processo foi encaminhado à DRJ/CGE para julgamento, que, através do Acórdão nº 04-31.908, julgou Improcedente a Impugnação. Em 04/07/2013 o Contribuinte foi intimado do Acordão da DRJ/CGE (fl. 44) e tempestivamente, em 01/08/2013 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 45/47, instruído com os documentos nas fls. 48 a 69, onde: 1. Apresenta os documentos relativos à aposentadoria; informe de rendimentos das fontes pagadoras do exercício de 2012; o Laudo definitivo de três peritos do Ministério da Fazenda; a declaração do médico do município de Teresópolis; a certidão de casamento do contribuinte e o Termo de Curatela Provisória; 2. Alegando que o direito à isenção surge com a doença e não com a emissão burocrática de um laudo pericial; 3. Informa que o CARF no Acórdão de nº 2201-002.010, em 20/02/2013, deliberou sobre a mesma questão, do mesmo contribuinte, referente ao exercício 2010, onde foram apresentados os mesmos documentos, decidiu por dar provimento ao recurso interposto. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13749.720158/2013-21 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica dos autos, trata o presente processo administrativo da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao ano-calendário de 2011, com redução do imposto a restituir, tendo em vista o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia grave. O Recorrente se insurge contra a decisão da DRJ que manteve o lançamento e esclarece que foram apresentados os documentos relativos à aposentadoria; informe de rendimentos das fontes pagadoras do exercício de 2012; o Laudo definitivo de três peritos do Ministério da Fazenda; a declaração do médico do município de Teresópolis; a certidão de casamento do contribuinte e o Termo de Curatela Provisória. A decisão de piso entendeu que não restou comprovada a condição de portador de moléstia grave na forma da lei. Pois bem. A isenção de Imposto de Renda encontra-se tipificada na Lei nº 7.713/1988, que em seu artigo 6º, trata das doenças tipificadas como moléstia grave, senão vejamos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Acerca do tema, a partir de 1996, para o reconhecimento das isenções estabelecidas em lei, deve ser aplicada a norma contida no art. 30 da Lei nº 9.250/95 que dispõe que a moléstia grave deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13749.720158/2013-21 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Nessa seara, ao beneficiário da isenção do imposto sobre a renda recai o ônus de comprovar o cumprimento dos requisitos legais para a sua fruição: (i) serem os rendimentos percebidos por portador de moléstia grave provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão; (ii) ser a moléstia grave devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vejamos os verbetes das Súmulas CARF nº 43 e 63: Súmula CARF nº 43 Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Compulsando os autos, verifica-se que o contribuinte comprovou a sua condição de portador de moléstia grave desde 2006, conforme laudo oficial assinado pelo médico Hélio Pancotti Barreiros, que atesta a alienação mental (de fl. 14), bem como o laudo pericial do serviço médico do Ministério da Fazenda (fl. 13), além do termo de curatela (fl. 21). Cabe ainda ressaltar que foram proferidas decisões no CARF (Acórdãos 2201- 002.008, 2201-002.009, 2201-002.010), concernentes a períodos distintos, porém, relacionadas ao mesmo contribuinte, nas quais verificou-se toda a documentação apresentada pelo contribuinte e constatou-se que o documento assinado pelo profissional médico HÉLIO PANCOTTI BARREIROS atendia as características formais essenciais a um laudo médico, comprovando moléstia grave (alienação mental), diagnosticada por serviços médicos oficiais. Destaco a seguir trechos do Acórdão n.º 2201-002.008 de relatoria do Conselheiro Marcio de Lacerda Martins, os quais acrescento às razões de decidir: Compulsando os autos, constato que assiste razão ao recorrente em suas alegações, posto que na análise dos pedidos de isenção ou restituição do imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos por portador de moléstia grave, devem ser analisados todos os elementos de convicção constantes dos autos, tais como, informações, receitas médicas, exames laboratoriais que comprovem o termo inicial da doença ou, pelo menos, reforcem sua indicação em outro expediente. Assim sendo, reconheço valor probante ao documento de fl. 50 que descreveu com os elementos exigidos pela legislação o quadro clínico do interessado, a doença incapacitante indicada pelo CID e o termo inicial da doença – julho de 2006. O documento apresenta, a meu ver, as características formais essenciais a um laudo médico pois foi emitido por profissional médico, CRM/RJ (confirmado em pesquisa no portal do Conselho Federal de Medicina Busca por médico), servidor público municipal investido em função na Secretaria Municipal de Saúde de Teresópolis (disponível em http://www.teresopolis.rj.gov.br/ em pesquisa personalizada com o nome do servidor) conforme consta de publicação oficial do Município em 23/10/2012, a saber: PORTARIA GP Nº 392/2011 – NOMEAR HÉLIO PANCOTTI BARREIROS, matrícula nº 1083059, para exercer o Cargo em Comissão de Chefe do Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.138 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13749.720158/2013-21 Centro de Hemoterapia, Símbolo DAS-3, Cód. 40520, na Secretaria Municipal de Saúde, com efeitos a partir de 10/03/2011. Constato, ainda que o laudo de fl.50 da Secretaria Municipal de Saúde de Teresópolis apresenta as características exigidas pela legislação e foi redigido de acordo com o modelo de Laudo Pericial disponível no site da RFB. Como se depreende dos documentos apresentados e em reconhecimento das assertivas aduzidas no recurso, restou comprovado ter o interessado preenchido, a época dos fatos, os requisitos exigidos pela legislação pertinente, posto que, detinha moléstia grave (alienação mental), diagnosticada por serviços médicos oficiais, cujo resultado, à luz da lei, permite o reconhecimento da isenção do imposto de renda da pessoa física sobre os valores recebidos a título de aposentadoria. Assim, estando comprovado, nos autos, que o beneficiário preenchia os requisitos legais exigidos, dou provimento ao recurso. Dessa forma, tendo em vista a comprovação da moléstia grave, não deve prevalecer o lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10711.004772/88-36
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 1992
Ementa: CLASSIFICAÇÃO. O produto CEBRENOL TEXAS classifica-se no código TAB 34.04.01.00.
NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO.
Numero da decisão: 301-26.922
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, excluída de ofício a multa de mora, na formado relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO BAPTISTA MOREIRA
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LTDA Recorrid IRF - Porto do Rio de Janeiro - RJ CLASSIFICAÇÃO. O produto CEBRENOL TEX~S classifica-se no código TAB 34.04.01.00. NEG~DO PROVIMENTO ~O RECUR SO. ~istos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provi mento ao recurso, excluída de ofício a multa de mora, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-O., 271 de abril de un. '--, Presidente RU RODRIGUES DE SOUZA - Procurador da Faz. Nacional VISTO EM SESSÃO DE: 24JUL 1992 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Luiz ~ntônio Jacques, ~ósé Theodoro Mascarenhas Menck, Otacílio Dan tas Cartaxo e Fausto Freitas de Castro Neto. Ausentes os Conselheiro Sandra Míriam de ~zevedo Mello e Ronaldo Lindimar José Marton. DAMEFP/O' - SECOS Nt 047/92 • 01. H. 02. SERViÇO PÚ8L1CO FEDEnAl MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA RECURSO NºRECORRENTERECORRIDARELATOR 110.648 - ~CORDÃO Nº 301-26.922 IFF ESS~NCIAS E F~AG. LTDA : IRF ---Porto do Rio de Janeiro - RJ : JOÃO BAPTISTA MOREIRA E .'lQIQ diligência ao LABANA/ por resolução desta ci que justificam'a ref~ • Retorna o presente processo de RJ, determinada, por unanimidade de votos, mara. Leio em sessão, os relatórios e votos rida diligência. ' A divergência quanto ao correto enquadramento tarifi rio do produto denominado "CEDRENOL TEXAS", se no código TAB ... 29.05.05.00, como pretende b importador, ou no código TAB ~.~.m.oo, como quer a fiscalização aduaneira, está centrada, ou melhor, r~ sulta fundamentalmente da interpretação da nota '29, l-a, da ~B. De acordo com o texto desta Nota, p~ra que um composto orgânico seja incluído no capitulo 29 são necessarios, dois requisitos bási coso Primeiro, que tenha constituição química definida e, segundo, que se apresente isoladamente, mesmo contendo impurezas. O laudo do LABANA (fls. 20) ao concluir que se trata de "mistura odorífera, para eerfumaria" indiretamente êlimina a possibilidade de classificaçao do produto no capítulo 29. Já o p~ receroo INT (fls. 76/80), embora expressamente não declare, deixa subtendido que o produto tem constituição química definida. ~fir ma, por outro lado, que os demais componentes encontrados, notad~ mente o Cedro I (12%), são impurezas provenientes do processo de f~ bricação. Segundo as NENCCA, "um composto de composição química definida, quando isolado, é um composto químico distinto, cuja e~ trutura se conhece, que não contém outra substância deliberadamen tê adicionada, durante ou após o fabrico (compreendendo a depur~ çao) ... Estes compostos podem conter impurezas (Nota I, a) ... O termo impurezas aplica-se exclusivamente às substâncias cuja assQ ciação com o composto químico distinto resulta, exclusiva e ~iret~ mente~ do processo de fabrico (compreendendo a depuração). Essas substancias podem provir de qualquer dos elementos que 'intervêm no fabrico e que são essencialmente os seguintes: a) matérias iniciais não 'convertidas; b) impurezas contidas nessas matérias; c) reagentes utilizados no processo de fabrico (compreendendo a depuração); d) subprodutos". ~,~té aqui considerada, a definição das NENCCA de com posto orgânico de constituição química definida levaria à conclu sãode que o produto CEDRENOL TEXAS poderia perfeitamente ser In cluído no capítulo 29. Ocorre que as NENCCA, em seguida à conceituação de com posto de constituição química definida, esclarece, também, quais são as impurezas enquadráveis nos termos da nota I, a). E textual mente afirma: Imprensa NacIonal Rec. IIIQ,648 Ac.: 301-26.922 SERViÇO PUBLICO FEDERAL "No entanto, convem indicar que essas substincias nio sio sem pre consideradas como impurezas autorizadas nos termos da nota I, a). Quando essas substincias sio deliberadamente deixadas no produto no intuito de o tornar apto para usos particulares ou para lhe melh2rar ~ a~tidio do e~pre~o ou d~s diferentes ~m pregos que lhe sao proprIos, elas nao sao consIderados como 1m purezas cuja presença~e admita ... " Assim, um produto pode ser considerado de constl .tuiçio química definida do ponto de vista estritamente químico e nio si-lo para efeito de sua classificaçio tarifiria. Isto POL que, neste último aspecto nio é suficiente que os componentes resl duais nio adicionados resultem do processo de fabricações. t pr~ ciso verificar, também se eles nio foram deliberadamente deixados no produto com finalidades específicas. Essa é a circunstincia que deve ser pesquisada pelo responsivel pela classificaçio. Nem o primeiro laudo do LABANA, nem o laudo do INT focalizaram esse aspecto e era de esperar que o fizessem sem terem sido para tanto demandados. Já a Informaçio Técnica do LABANA 9fls. 86/9), que leio em sessio, é bastante elucidativa no toca!!. te a este aspecto. ~pós tomar conhecimento da literatura do produto, convenci-me de que os componentes residuais encontrados foram d~ liberadamente deixados com a .finalidade de torná-lo apto para usos particul~res, o,que i~valid!a sua caracteriza~io como impurezas e torna ImprOprJla a Inclusao"oo produto no capI tulo 29 da TAB. Destarte, voto no sentido de negar provimento ao recurso. ExcluQ, de ofício, a multa de mora, de acordo com prece.dentes desta Camara. Sala da Sessões, em 27 de abril de 1992. Ivr - ~O BATIS A MOREIRA ". Imprensa Nacional 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 10711.006638/87-43
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
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Numero da decisão: 301-00.379
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao LABANA,-Rio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ITAMAR VIEIRA DA COSTA
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R E S O L U C Ã O• Recurso n.O - Recorrente Recorrid 110.592 TH GOLDSCHMIDT IRF - PORTO DO Processo nº 10.711-006.638/87-43. - INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA. RIO DE JANEIRO ~ RJ. 301-379 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligincia ao LABANA',-Rio, na forma do relat6rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-~F, 06 e junho de 1989; • C"\( .. ITAMAR VI6IRA \ r-- c::<\ ELSO Dk- U VISTO EM, SESSÃO DE:O 9 JUN 1989 A - Proc. da Fazenda Nacional. Participaram, ainda, do presente julgamento os seguIn- tes Conselheiros~ HAMILTON DE SÁ DANTAS, JOÃO HOLANDA COSTA, ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA, WLAOEMIR CLOVIS MOREIRA, FLÚVIO CÁSSIO DE MELLO E SOUZA, ÁLVARO AUGUSTO DE VASCONCELOS LEITE RIBEIRO.,- o -2- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO nE CONTRIBUINTES RECURSO NR 110.592 RESOLUÇÃO Nº 301-379 RECORRENTE: TH. GOLDSCHMIDT - INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA. RECORRIDA IRF - PORTO - RJ. RELATOR : ITAMAR VIEIRA DA COSTA. Suhmet.ida a amostra ao exame do Laboratório de Análises -LABANA-SANTOS, este declarou tratar-se de - preparação tensoativa contendo um tensoativo aniônico e um\produto orgânico tensoativo não • A empresa licone com emulgador 011.02 . suhmet.eu.. .anlonlco a despacho aduaneiro a mercadoria - si - classificando-a no código TAB 39.01. .. .anlonlco. Em ato de revisão aduaneira, a fiscalização optou por nQ va classificação TAS 34.02.08.00 resultando no Auto de Infração de fls. 01/03, com as seguintes exigências: 1 - Recolhimento das riiferenças do 1.1. e IPI,mals corr~ ção monetária e juros de mora; • 2 - multa do art. 524 do Regulamento Aduaneiro - RA (D~ creto 91030/85) por declaração indevida do produto i~ portado; 3 - multa do art. 526, item 11 do RA, pela importação ao desamparo de Guia de Importação; Imposto 87981/82) multa do art. 364, item 11 do Regulamento do sohre Produtos Industrializados (RIPI-Decreto pela falta de recolhimento do IPI. Impugnando o feito a autuada, às fls. 18/27, alegou que: 1 - a) para esc Iarecer as d ú v idas a inda ex istEI.nte s sohre o prQ. , duto, requer nova perícia técnica no Instituto de Pe~ quisasTecnológicas de S. Paulo, no Instituto Nacional de Tecno Iog ia do Rio de Janeiro, ou em qua I quer outro Iª-- boratório de análises de universidade brasileira de r~ nome; • • -3- Rec.110.592 SERViÇO PUBLICO FEDERAL Re s • 3 O 1 - 379 'b) o produto é óleo de silicone, matéria prima usada na fabricação de estabilizadores para produtos celul£ res à base de poliuretano, ou seja, espumas plásti cas obtidas mediante o emprego de estabilizádores; c) os estabilizadores sao polisiloxanos-polioxialquile- nos; d) o produto contém na parte do copolÍmero de polioxial quileno uma substincia, o sulfato depOliéter, de propriedade tensoativa; e) a tensoatividade não é excludente para o -silicone e nada mais é do que a capacidade que têm certas sub~ tincias de, colocadas em solução, modificarem a ten são superficial do solvente, e essa capacidade tam bém a tem o óleo de silicone; e f) o emulgador aniônico entra como estabilizante do prQ duto e sua presença não caracteriza uma preparação química, visto que as características básicas inici ais do óleo de silicone são mantidas. Na réplica (fls. 41/42), o A.F.T.N. não acatou as r£ zoes de defesa e opinou pela manutenção da ação fiscal,com base no Laudo de Análises nº 2204/86, na Informação Técni ca nº 67/87 do Laboratório de Análises (fls. 43/44), emi tida em processo de interesse da autuada de nº10711-004849/ 87-88 e no Laudo do I.N.T. sobre o mesmo produto (fls.36/ '39), considerando desnecessário n ovo exame do produto." o Auto foi julgado procedente pela autoridade de 1ª In~ tincia,cuja fundam.ntação, às fls. 48/49, leio em sessão (lê). Inconformada, a empresa recorre a este Colegiado argumen tando o seguinte: a) quanto a identificação do produto: Na adição única da DI nº 05747/86 consta como sendo "óleo de silicone 95 com emulgador anigfiico de 5% auto-emulsionante, ref. 8-155" (fls. 14). Para este produto, em outra importação;assim se pronunciou o perito designado pela ORF/Sànto André (fls. 65 v.): "Os silicones dependem da natureza dos grupos atômicos associados a cadeia molecular e da estrutura da mesma c£ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL -4- Rec.110.592 Res.301-379 • • deia, portanto se apresentam como óleos viscosos, graxas, borrachas e plásticos, mas possuem propriedades que sao comun s entre si. o processo de fabricação se resume no seguinte proce- dimento: O cloreto organo silicio reage com água para fo~ mar um gel de silicio que se polimeriza ao aquece-lo fo~ mando um polímero de silicio, se o gel é um diol o polím~ ro é essencialmente linear, uma pequena quantidade de triol introduz cadeias laterais que dão origem a um material de cadeias cruzadas, portanto com estas adições poderemos oQ ter vários tipos de silicone . No caso específico do óleo de silicone defin ido como tipos 155 e 811 produzidos pela TH. GOLDSCHMIDT AG. R. F.A. Trata-se realmente de um óleo de silicone onde o emulg~ dor aniônico entra como estabilizante, não modificando as características básicas do produto em questão. PARECER CONCLUSIVO Portanto, a presença de emulgador aniônico no óleo de silicone tipos 155 e 811 não caracteriza uma preparação química, porque as caractefí~ticas básicas iniciais.do~ffi de si Iicone são mantidas. " b) quanto ~ classificação tarifári~ faz a recorrente, as fls.58/60, uma série de ponderações ~ luz das Regras Gerais para In terpretação que leio em sessão (lê). c) quanto ~ prova material volta a enfatizar o pedido fei to na impugnação onde protestou pela elaboração de laudo pelo IPT, INT ou qualquer outro laboratório de Universidade de renome,uma vez que as divergências suscitadas só poderão ser dirimidas, através da efetivação de perícia técnica. As classi ficações adotadas, como visto foram as seguintes: a) Classificação da recorrente: 39.01.08.02. 39.01 - Produtos de condensação, de policondensação e de poliadição, modificados ou não, polimeriz~ dos ou não, lineares ou não (ferroplásticos , aminoplásticos, resinas alquidicas, polieste- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL -5-Rec.110.592 Res.301-379 34.02 - • • res alilicos e outros poliesteres nao satQ Jados, silicones, etc). 39.01.08 Silicones 39.01.08.02- oléos de Silicones. b) Classificação adotada pela fiscalização: 34.02.08.00 Produtos orgâniéos tenso-ativos; prep£ rações tenso-ativas e preparações para limpeza, que contenham ou não sabão. 34.02.08.00- Outras preparações tenso-ati vas e prep£ raçoes para limpeza, que contenham ou não sabão . ~ o relatório . SERViÇO PÚBLICO FEDERAL VOTO -6- Rec.110.592 Res.301-379 • • Ainda se ve a Informação Técnica nQ 67/87, de 30/11/ 87 feita pelo LABANA-RJ que concluiu ser o produto B-155 "uma pr~ paraçao tenso-ativa" (fls. 43/44). A recorrente não nega ter a mercadoria essa caracterÍi ca de estabilizante~é a preponderante. ~ Nota-se, neste caso, que existem pontos controversos sobre a matéria examinada. Assim, para que seja melhor elucidada e, considerando tudo o que do processo consta, assim como as pond~ rações da recorrente e, finalmente, visando a assegurar o maIS am pIo direito de defesa, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligên da, através da repartição de origem (IRF-Porto-RJ)' para as seguin tes providências: a) notificar a empresa para apresentar, se desejar quesitos para serem respondidos pelo laborat6rio indicad~ (LABANA- R J ) ; b) encaminhar o processo ao LABANA-RJ para que aquele orgao se digne responder às seguintes ques~ões (além daquelas fOL muladas, se for o caso, pela recorrente); /( . ./ .'" ..b.1 O produto !~12~ .quando mIsturado com agua a uma concentração de 0,5% à 20QC e deixado em repouso dur~nte uma hora à mesma temperatura origina um líquido transparente ou uma emulsão estável, sem separação da matéria insolúvel? o • b.2 O mesmo produto e nas mesmas condições acima de~ critas reduz a tensão superficial d~ água a 4,5X10-2 N/M (45 dines/ 'cm), ou menos? • b.3 Em relação ao produto B-155, ~ual d: a) A su~ magnitude molecular média? b) A viscosidade, Cts 20QC ? c) O coeficiente viscosidade/temperatura? d) O ponto de inflamação? e) O ponto de combustão? f) A densidade? • SERViÇO PÚBLICO FEDERAL -7- Rec.110.592 Res.301-379 g) A atividade sobre-tensão superficial de outros li quidos? h) A característica polar? i) A solubilidade? j) O índice de compressão? Sala das Se soes, em 06 de junho de 1989. • • ITAMAR VIEIRA - Relator. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 10711.003460/87-05
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Sun Nov 26 00:00:00 UTC 1989
Ementa: Conferência final de manifesto.
1 - A taxa de câmbio aplicável para conversão da moeda estrangeira, dos tributos devidos, é aquela vigente na data da apuração da falta, considerando-se como tal a do respectivo lançamento do crédito tributário (art. 19, parágrafo único, art. 23, parágrafo- único e art. 24 do Decreto-Lei nº 37/66).
2 - Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/03-01.656
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido
o Cons. Paulo César de Ávila e Silva (Relator). Designado Relator
para o Acórdão o Cons. Itamar Vieira da Costa.
Nome do relator: PAULO CESAR DE AVILA E SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIMARE AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, venci- do o Cons. Paulo César de Amila e Silva (Relator). Designado Relatar para o Acórdão o Cons. Itamar Vieira da Costa. Sala das Sessoe (DF), em 29 de novembro de 1989. / / , URGEI(1 LOPES - PRESIDENTE 2 ITAMAR VIEI DA CoSTA - RELATOR DESIGNADO v.v 1 ,L G, Awt- GOAida JOGNm-ÉSAR GONWAL.VES CORREA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR, HÉLIO LOYOLLA DE ALE-1\1' CASTRO, DURVAL BESSONE DE MELO e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. AuseK te justificadamente o Cons. HAMILTON DE SÃ DANTAS. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PHOCESSON9 10711/003.460/87-05 RECURSOW RD/301-0.097 ACÓRD,A0N9: CSRF/03-01.656 RECORRENTE: UNIMARE AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO_ _ Recorre a empresa UNIMARE AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA, contra decisão da Egrégia Primeira Câmara do 39 Conselho de Contri- buintes, consubstanciada no Acórdão n9 301-25.925/89 (f is. 64), lido em sessão e assim ementado: "Conferência .final de manifesto. Falta de merca dona. 1 - Rejeitada a preliminar de ilegitimidade de parte passiva.Art. 478 e 500, II, do Regula- mento Aduaneiro - RA. 2 - A isenção é reconhecida na importação regu- lar. Tratando de falta apurada não é de se reconhecê-la. 3 - O Cálculo dos tributos deve ser feito com ba se na data da apuração da falta (lançamento): Art. 103 e 107 do RA. 4 - Recurso negado." SERVIÇO PÚBLICO FEDERAI. PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 2. Acórdão n9-CSRF/03-01.656 A recorrente aponta divergência entre esta deci- são e o decidido pelos acórdãos 302-30.867/86 e 302-24.399/85,na parte em que tratam da ocorrência do fato gerador do II, que considerado aperfeiçoado na data da entrada (presumida) da merca dona no território nacional. Em contra-razões de fls. 93/95, o Douto represen tante da Fazenda Nacional se preocupa em delinear os limites do recurso e demonstrar a correção da decisão, que pede seja manti- da, negando-se provimento ao presente RD. É o relatório. (71 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 3. Acôrdão n9-CSRF/03-01.656 VOTO VENCEDOR DO CONSELHEIRO ITAMAR VIEIRA DA COSTA A matéria que ensejou o recurso especial de diver gência interposto pela empresa, assim como as contra-razoes apre sentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, se refere ã apli cação da taxa de câmbio na conversão de moeda estrangeira, em moe da nacional, para efeito de cálculo do Imposto de Importação de.- vido pelo transportador, quando apurada falta na descarga do na- , vio. A recorrente alegou que a data correta para se fi xar o momento de conversão deve ser, a data da entrada da merca- doria no territOrio nacional e esta se configura quando da chega da ao porto de destino da carga. Por ser matéria já amplamente discutida e decidi- da por esta CSRF, transcrevo e a este incorporo, o voto que pro- feri e do qual resultou o AcOrdão n9 CSRF/03-01.614, de 29 de se tembro de 1989, verbis: "Trata-se, aqui, da fixação do aspecto tem- poral do fato gerador do Imposto de Importação: se o fixado pelo art. 19 do CTN, ou pelo art. 23, parágrafo único do Decreto-lei n9 37/66. O tributarista Bernardo Ribeiro de Moraes assim se posiciona, genericamente: A obrigação Tributária tem sua base no res- pectivo fato gerador, isto é, na situação defini- da em lei necessária e suficiente para lhe dar nas cimento. Concretizada a hipOtese legal de incidên - cia tributária, tem-se a consequência jurídica de sejada (nasce a obrigação tributária). Assim, uma vez recebida a competência tributária, , , ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 1Q711/003-.A60/87-05 ' 4. Acórdão n9-CSRF103-0.1.656 a entidade tributante tem necessidade de editar t ; lei ordinária para instituir o tributo desejado, definindo o fato gerador da respectiva obrigação, que terá como objeto o tributo. A atribuição cons tituciónal de competência tributária compreende -,E7t competencía legislativa plena, cabendo e entidade pública tributante definir, em lei, o fato gera- dor da obrigação, instrumento legítimo para criar a respectiva obrigação tributária. A lei a quenos referimos e a lei tributária substantiva, formal, ato emanado do Poder Legislativo. O fato gerador da obrigação tributária deve ser definido em lei., conforme determina o princípio da legalidade tributária. Sem previsão legal não se configura o fato gerador da obrigação tributá- ria. Para definir o fato gerador da obrigação tributá- ria, o legislador ordinário e livre, devendo res- peitar, naturalmente, em razão da hierarquia das . leis, as limitaçOes contidas não Constituição e na lei complementar. O legislador, assim, escolhe livremente os fatos que julgue idóneos para dar origem à obrigação tributária, res peitados apenas . os limites do ordenamento positivo. A ação do le-, , gislador,na escolha, e comandada pela racionalida . de e discricionaridade, como querem :FERNANDO sAni.-z- , DE BUJANDA, ACHILLE DONATO GIANNINI, VICENTEARCIEE, . etc. Obedecendo, assim, ao objeto da espécie tri- butária, contido na discriminação constitucional de rendas, o legislador ordinário define ofato ge rador da obrigação tributária. Tal definição e simp les. A norma jurídica tributá ria, como qualquer norma jurídica, eminentemente normativa, oferece uma hipOtese de incidência que liga certas circunstâncias de fato a determinados efeitos jurídicos (comando da normal. No caso, o , legislador ordinário tributário define a hipótese de incidencía (fato gerador), atribuindo a esse pressuposto de fato o efeito jurídico de dar nas- cimento à obrigação tributária. Assim, vemos que a figura do fato gerador da obrigação tributária se prende, inicialmente, ao mundo dos fatos e não ao mundo jurídico, referindo-se a algo (fato) que . poderá ou não se concretizar. Neste último caso, teremos o nascimento da obrigação - tributária." (fls. 144). "Quais seriam esses elementos constitutivos do fa to gerador da obrigação tributária, sem os quai s não haverá a produção do efeito jurídico deseja- . o? : . //7 , SERNOPUBLICOF~.. PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 5. • Acardão n9-CSRF/03-01.656 A doutrina costuma classificâ-los em dois grupos, por nas também admitidos, a saber: a) elemento OBJETIVO, representado nela situação de fato, com seus elementos material, espacial, temporal e quantitativo; b) elemento SUBJETIVO, representado pelos sujei- tos da relação jurídica, o sujeito ativo e o su- jeito passivo. Nesse enfoque, todos os elementos (subjetivos e objetivos) da obrigação tributária estão reunidos no conceito do fato gerador da respectiva obriga- ção. Não podemos negar que esse element p objetivo do fato gerador da obrigação tributária contem dife- rentes elementos constitutivos: um elemento mate- i rial, propriamente dito; um elemento espacial; um elemento temporal; e um elemento quantitativo. Vejamos, então, como se apresentam esses elemen- tos que comp .-6e o elemento OBJETIVO do fato gera- dor da obrigação tributária: a) O elemento material propriamente dito é repre- sentado pela descrição da situação de fato que po de ser constituída livremente pelo legislador. b) O elemento espacial é que permite determinar, em função do territOri p , o local da ocorrência de fato gerador, e, em consecAencia, o locar da inci dencia da lei tributária. c) O temporal, representado pelo espaço de tempo ou o momento que se deve levar em conta para a concretização do fato gerador da respectiva obri- gação. Esse elemento indica o momento em que se deve considerar concretizado o fato gerador da respectiva obrigação. Se a lei tributária não ex- plicitar esse elemento temporal, entende-se que o momento a ser considerado é o da concretizaçao do pressuposto de fato (. o elemento temporal acha-se aqui, implícito). O pressuposto de fato da obriga çao tributária pode abrigar diversos fatos que,em relação ao tempo, podem ser contemporâneos ou de sucessividade imediata. Compete, então. ao legis- lador, quando julgar conveniente, determinar o es paço de tempo necessário para a concretização (15 \ respectivo fato gerador. 4N •ippd) O quantitativo, representado ppr uma expressão , , S~FUSUCOFEDEM PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 6. Acórdão n9-CSRF/03-01.656 7 econômica, por algo que permita medir os bens ma- teriais ou imateriais que fazem parte ou estão re lacionados como fato gerador da obrigação tribu- tária em questão. Este fato gerador passa, comtal : elemento, a.ser mensurãvel." (Com pendio . de Direi- to Tributãrio, Forense, 1987. fls. 550/551). A Constituição brasileira outorgou, à União, à competência privativa para instituir o Im posto sobre Importação de produtos estrangeiros (art. 21, 1, CF de 1967 e art. 153, Ida CF de 1988). O Códi go Triburário Nacional, lei complementar "a• Constituição assim dis pôe em seu art. 19, verbis: "Art. 19 - O imposto, de competência da União, so bre a importação de produtos estranger ros tem como fato gerador aentrada des _ tes no território nacional." Este dispositivo complementou o que determinara a Lei Maior, estabelecendo o que se configura como fato gerador do referido imposto, de forma abrangente. O Decreto-lei n9 37/66, que instituiu o impostode Importação disp6e, verbis: "Art. 19 - O imposto de importação incide sobre mercadoria estran geira e tem como fato gerador sua entrada no Território Na- cional. Parãgrafo único - Considerar-se-ã en- trada no Território Nacional, para e- feito de ocorrência do fato gerador, a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apu rada pela autoridade aduaneira." "Art. 23 - Quando se tratar de mercadoria despa- chada para consumo, considera-se ocor- rido o fato gerador na data do regis- tro, na repartição aduaneira, da decla ração a que se refere o artigo 44. _ Ç,. 7 , , í SERVICOPIJEMCOFEDERAL. PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 7• Acórdão n9-CSRF/03-01.656 , Parágrafo único - No caso do parágrafo , único do artigo 19, a mercadoria ficará,, . sujeita aos tributos vigorantes na data : em que aautoridade aduaneira apurar a . falta ou dela tiver conhecimento.", Aliás, para maior clareza, transcrevo ementa epar te do voto proferido pelo eminente Ministro-Presidente do Supre- mo Tribunal Federal, Rafael Mayer no agravo Regimental n9110677- ., ' 8/86, verbis: - "EMENTA: - Imposto de importação. Mercadoria em falta. Art. 23, paran—iinico do Decreto-lei n9 37/66. Art. 19 do CTN. Inexistente contradião ou antinomia entre a norma genérica do art. 19 do CTN e a norma especificado parágrafo único do art. 23 do DL 37/66." "VOTO: O SENHOR MINISTRO RAFAEL MAYER (RELATOR):- Deduz-se da análise do parágrafo único do art. 23 do Decreto-lei n9 37/66, em combinação com o pará grafo único do art. 19 do mesmo diploma leaal,con- siderar-se fato gerador do imposto de importação,- tendo-se como ingressada no território nacional,a mercadoria que conste como importada e no entanto se apure como faltante. A constatação da falta,me diante o procedimento de sua apuraçao ou pelo conhecimento imediato e que fixam o momento de con figuração do fato gerador e, de conseguinte, d-a incidência dos tributos vi gorantes à época. „ Ora, o parágrafo segue a sorte da cabeça do dispo sitivo, e não há diferenciá-lo para recursar a a- bran gencía do entendimento pacifico nesta Corte no sentido de que inexiste "contradição ou antinomia entre á norma genérica do art. 19 do CTN e a nor- ma específica do art. 23 do DL 37/66, posto que a necessária Caracterização de um necessário momen- to naquele não previsto, e o condicionamento de indeclináveis providencias de ordem fiscal, não a desfiguram nem a contraditam, porem a complemen- tam para tornar precisa, no espaço, no tempo e na circunstáncia, a ocorrencia do fato gerador (RE 91. 337-RTJ 96/1336) . " à j Trago à colação parte do voto proferido pelo ilus -4',f7 , /7, sumw pusummERAL PROCESSO N9 107111003.460/87-05 8. Acórdão n9-CSRF/03-01.656 tre Conselheiro desta CSRF Helio Loyolla de Alencastro, sobre a matéria, verbis: "Por outras palavras, o art. 19 do CTN e, igual- mente, o art. 19 do DL 37/66 definem o núcleo da hipótese de incidência do I.I., enquanto o "caput" e o p.11., do art. 23 deste último diploma legal estatuem as coordenadas de tem po para que se dê tal ocorrência, respectivamente nos casos de mer- cadorias despachadas para consumo ou cuja falta for apurada pela autoridade aduaneira, ante o co- tejo entre o manifesto e os registros da descarga. Sobre a matéria, há pouco tive oportunidade depro nunciar-me, pelo que, com a devida vênia, trans- crevo voto proferido no julgamento do recurso n9 RP/303-0.923 C"verbis"): "No magistério de Alfredo Augusto Becker, a regra jurídica de tributação que tenha escolhido o fato material da introdução de uma coisa, dentro de uma zona geográfica ou política, terá criado tributo com o gênero jurídico de imposto de importação. Tanto o C.T.N. quanto o Decreto-lei n9 37/66 dis- pSem que o 1-1- incide sobre mercadoria ou produ- to de origem estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no território nacional. Tal núcleo, no entanto, é subordinado à ocorrên- cia de coordenadas de tempo e de lugar para quese realize, em concreto, a hipótese de incidência do tributo. No caso do fato gerador presumido do 1.1. (p.u:, art. 19 do DL n9 37/66), a coordenada de tempo, para que se dê a incidência da norma de tributa- ção respectiva, está fixada na data em que a auto ridade aduaneira apurar a falta de mercadoria ou dela tiver conhecimento; fica, assim o produto su jeito aos encargos tributário vigorantes nessa d-a- ta e, por via de conseqüência, a taxa de câmbio aplicável é a vigorante nesse dia. Referido momento dá-se no entanto, quando houver conhecimento pleno da falta e isso só ocorre quan do a autoridade está em condições de formalizar 3 lançamento. Somente aí portanto, após um procedi- , mento de apuração e dispondo dos elementos de con vicção sobre a ocorrência do evento, pode campe- 44 lir o res ponsável a satisfazer o crédito; a sim- ples representação do funcionário da mesa ou ban- \,. (2-7 I smno puniconomAL PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 9, Acórdão n9-CSRF/03-01.656 ca do manifesto, ainda não fornece base legal aau toridade para formalizar a exigência; tal peça processual, é apenas uma constatação preliminar, sujeita a marchas e a contra-marchas tendo o con- dão, unicamente, de iniciar o procedimento de anu raçao do evento. Por seu turno, o Decreto n9 91.030/80 CRA) dis- . p8e, em seus arts. 87, II, "c", 107, "caput" e p.U., que, para efeito de cálculo do imposto, con sidera-se ocorrido o fato gerador do I.I. no di -a- do lançamento correspondente, quando se tratar de falta apurada pela autoridade aduaneira, e que se considera apurado o fato na data do lançamento do c.t. respectivo." O assunto também já foi abordado pelo ilustre Con selheiro desta CSRF, Doutor Edwaldo Reis da Silva, relator do A.- córdao n9 CSRF/03-01.553/88, quando assim nronunciou: "Em reiterados julgados de casos da mesma espé- cie, este Colegiado já firmou o entendimento de que, relativamente ás faltas ocorridas já na vi- gência do Decreto n9 91.030/85, que aprovou o Re- , atilamento Aduaneiro, deverá ser utilizada, no cál culo do 1.1. devido, a taxa de câmbio vigorante 3. data da apuração, considerada como tal a do lança mento respectivo, de acordo com o disposto nos arts. 87, II, c e 107, parágrafo ,Unico, do citado Regulamento ... Assim, e de acordo com o entendi- , mento já firmado por esta Instância Especial, te- nho por aplicáveis à espécie as normas dos arts. 87 e 107 do Regulamento Aduaneiro." O entendimento do eminente Conselheiro desta CSRF, Doutor Hamilton de Sê Dantas, relator do Acórdãon9 CSRF/303-01.471 /88, também foi no mesmo sentido, verbis: "Quanto à taxa de câmbio a incidir, igualmente, inclino-me, por mais consentânea e lógica, de a- cordo com o que vem entendendo a maioria do Cole- , giado, ou seja, com a data em que a autoridade fa zende.ria toma conhecimento da falta ocorrida, is= 4 to e, na sua apuração temporal, conforme sustenta ao pelo Procurador da Fazenda Nacional." g./7 sERviço PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 10. AcOrd-án o n9-CSRF/03-01.656 Vê-se que a mataria e pacIfica no âmbito desta Cã mara Superior de Recursos Fiscais, conforme diversos acOrdãos, dentre os quais, os seguintes: CSRF/03-01.471, 01.481, 01.491, 01.504, 01.510, 01.553 e 01.600. Por todo o exposto voto no sentido de negar provi mento ao recurso especial de divergencia.(47 Brasília-DF; em 29 de novembro de 1989. n #1 ,1 4 ITAMAR VIEIRA D f-/COSTA - RELATOR DESIGNADO , umnçoNamoHDERAL PROCESSO N9 10711/003.460/87-05 11. Acórdão n9-CSRF/03-01.656 1 VOTO VENCIDO Conselheiro PAULO CÉSAR DE ÁVILA E SILVA, relator Em um dos paradigmas citado, tive a oportunidade de funcionar como relator designado. Naquela oportunidade, sobre a matéria objeto do presente Recurso de Divergência, assimmepro nunciei: "... E, no tocante ã exigência do Imposto de Im- portação correspondente ã - mercadoria faltante,en tendo ocorrido o fato gerador na danta de sua en trada (presumida ) no território nacional, no termos dos arts. 19 do CTN e 19, parágrafo único, e 24 do Decreto-lei n9 37/66." Ainda hoje, mesmo após o advento do RA, aprovado pelo Decreto 90.030/85, não me convenci do contrário, razão pela qual dou provimento ao recurso. 12, Brasilia,—D-.-F- - Ik- '4 - rmbro de 1989. -- . ill.~'' ' ' / C.--"--- jr . 1 PAULO CÉSAR DE MT LA r . : ILVA - RELATOR.r Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10865.000448/2008-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. PLANO DE SAÚDE. MULTA DE MORA.
Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício.
Incide Contribuição Previdenciária, quando o Contribuinte pagar plano de saúde de forma diversa ao preceituado no art. 28, § 9°, “q”, da Lei n° 8.212/91.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.123
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da
Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. PLANO DE SAÚDE. MULTA DE MORA. Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício. Incide Contribuição Previdenciária, quando o Contribuinte pagar plano de saúde de forma diversa ao preceituado no art. 28, § 9°, “q”, da Lei n° 8.212/91. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000448/200872 Acórdão n.º 2403001.123 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD n. 37.075.9842), emitida em 27/02/2008, cuja notificação ocorreu em 04/03/2008 (fl. 197), lavrada em face do SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO SÃO JOÃO DA BOA VISTA, no valor de R$ 21.499,54 (vinte e um mil, quatrocentos e noventa e nove reais e cinquenta e quatro centavos), referente às contribuições dos segurados empregados, não descontadas, contribuições da empresa, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa — RAT e contribuições destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA). O período de apuração corresponde às competências: 03/2003 a 06/2007. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 47/54, a NFLD é restrita à constituição do crédito fundamentado no inciso I do artigo 28, combinado com o § 9°, alínea “q”, todos da Lei n° 8.212/91. Assim como a base de cálculo da NFLD corresponde aos valores pagos à UNIMED – Leste Paulista referentes a planos de saúde de pessoas físicas que ocupam cargos de direção na entidade ou que guardem parentesco com elas, assim como prescreve os itens 3.7, “b” e “c”; “3.9”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 202/206. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 1421.152, de fls. 246/249, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2007 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE NÃO ESTENDIDO A TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES DO SUJEITO PASSIVO. Integra o saláriodecontribuição os valores pagos pelo sujeito passivo referentes a plano de saúde dos segurados que lhe prestam serviços quando este beneficio não é estendido a totalidade de seus empregados e dirigentes, bem como, os valores referentes a plano de saúde pagos a pessoas físicas ligadas por vínculos de parentesco a estes segurados. Lançamento Procedente” DO RECURSO Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 255/262, com os seguintes argumentos: 1. Preliminar 1.1 – Cerceamento de Defesa e Princípio do Contraditório A Recorrente entende que não teve tempo hábil para elaborar a defesa, tendo em vista que a Fiscalização teve 7 (sete) meses para elaborar a NFLD, fato esse que contraria a ampla defesa e o contraditório. Cita Doutrina para fundamentar o alegado. 1.2 – Nulidade do Processo pela não Disponibilidade de Carga dos Autos para Verificação Fora de Cartório A não autorização para retirada dos autos do Cartório para avaliação dos documentos e consequente elaboração da defesa, torna nulo o processo, tendo em vista que a vista dos autos advém de previsão legal, conforme disposição do inciso XV do art. 7o da Lei n. 8.906/94 e inciso II do art. 40 do CPC. 2 – Do Mérito A Recorrente sustena que os apontamentos previstos no DAD não podem ser considerados como salário, a teor do inciso IV, § 2o do art. 458 da CLT, tendo em vista que repassa os valores recebidos dos comerciários quando retiram as guias de consulta ou exames. 3.5 – Da Inevitável Necessidade de se Evitar o “Bis in Idem” A Recorrente alega que ao deixar de atender ao pedido de vistas dos autos, aborado acima, teve cerceado o seu direito constitucional de Ampla Defesa. Ademais, o acórdão foi omisso ao não reconhecer o direito do contribuinte e a obrigação da Administração de proceder a conferência dos trabalhos realizados pela Fiscalização para apurar a exigência de duplas contribuições. Ao final requer provimento do Recurso. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000448/200872 Acórdão n.º 2403001.123 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 265, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE CERCEAMENTO DE DEFESA E PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Sustenta a Recorrente que não teve tempo hábil para elaborar a defesa, tendo em vista que a Fiscalização teve cerca de 7 (sete) meses para concluir o procedimento de fiscalização, enquanto que ela teve apenas 30 (trinta) dias para elaborar a defesa. O prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação da impugnação advém do art. 15 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Nesse diapasão, por ausência de previsão legal, não merece prosperar a alegação da Recorrente. NULIDADE DO PROCESSO PELA NÃO DISPONIBILIDADE DE CARGA DOS AUTOS PARA VERIFICAÇÃO FORA DE CARTÓRIO A Recorrente alega que fora impedida de fazer carga dos autos, para ter acesso fora do Cartório. Ocorre que a Recorrente não estava desincubida de provar o alegado. Nesse diapasão, por ausência de prova, não há como prosperar o pleito da Recorrente. DA INEVITÁVEL NECESSIDADE DE SE EVITAR O “BIS IN IDEM” No que tange à eventual cobrança em duplicidade, cabe à Recorrente comprovar o alegado, não bastando suposições. A Fiscalização reuniu as provas necessárias para a sua convicção, razão pela qual, caso entendesse por haver cobrança em duplicidade, à Recorrente competiria provar o alegado. DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, referente às contribuições dos segurados empregados, não descontadas, contribuições da empresa, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 incapacidade laborativa — RAT e contribuições destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), com base no inciso I do artigo 28, combinado com o § 9°, alínea “q”, todos da Lei n° 8.212/91, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Em sua defesa, a Recorrente sustenta que os pagamentos são feitos pelo Sindicato, porém, com o dinheiro do comerciário que utilizou o serviço, razão pela qual não corresponde a salário, nos termos do inciso IV, § 2o do art. 458 da CLT. Ocorre que, para que não haja incidência de Contribuição Previdenciária em relação aos valores pagos pelo Contribuinte, mister se faz que o pagamento seja feito para todos os empregados e dirigentes da empresa, nos termos da legislação transcrita acima. Ademais, caso a Recorrente figurasse apenas como intermediadora entre o plano de saúde e os segurados, a ela compelia provar o alegado. Por tais razões, deve o lançamento ser mantido. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000448/200872 Acórdão n.º 2403001.123 S2C4T3 Fl. 4 7 Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 282DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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