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Numero do processo: 10665.000074/2003-37
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCEDIMENTO FISCAL - PRAZO PARA CONCLUSÃO DA FISCALIZAÇÃO - NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob o argumento de ter ultrapassado o prazo de encerramento do procedimento fiscal, haja vista o dever de ofício que o obriga a observar as normas que subordinam o exercício desse dever e que não contraria o disposto na Portaria SRF de nº 1.265, de 1999, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal.
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PERÍCIA/DILIGÊNCIA FISCAL - INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante, a sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal.
PRELIMINAR DE NULIDADE - DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Somente a inexistência de exame de todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES FINANCEIRAS - ANO CALENDÁRIO DE 1995 - No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, nos termos do parágrafo 5º do artigo 6º, da Lei n.º 8.021, de 1990, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicações no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O Lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. Devendo, ainda, neste caso (comparação entre os depósitos bancários e a renda consumida), ser levada a efeito a modalidade que mais favorecer o contribuinte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 - Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MEIOS DE PROVA - A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (C.P.C., art. 131 e 332 e Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 29).
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO - GLOSA DA COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - É de se manter a glosa de Imposto de Renda na Fonte, quando o contribuinte não traz aos autos documentos hábeis que comprovam a sua retenção ou seu recolhimento, principalmente, quando a administração tributária procede diligências e constata que no período questionado a empresa estava desativada e com inscrição bloqueada no cadastro do fisco estadual, bem como não localiza em seus arquivos as retenções e recolhimentos questionados.
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÕES DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL - CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE - A dedução das despesas médicas e contribuições à previdência oficial é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação da documentação hábil e idônea. Desta forma, é de se manter as glosas efetuadas, por falta de comprovação dos pagamentos declarados.
DEDUÇÕES DE DEPENDENTES - CÔNJUGE - APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM SEPARADO - Comprovado nos autos que a esposa apresentou declaração em separado, incabível relaciona-la como dependente.
MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS - COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4, inciso II, da Lei nº 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A dedução indevida de despesas médicas, contribuição para previdência oficial e dependente, caracteriza, a princípio, falta simples de redução indevida de imposto de renda, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - EXIGIDA JUNTAMENTE O COM O TRIBUTO E EXIGIDA ISOLADAMENTE DO TRIBUTO - LANÇADAS DE FORMA CONCOMITANTE - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição com a aplicação de multa de lançamento de ofício exigida isoladamente do tributo ou contribuição, já que a segunda somente se torna aplicável, de forma isolada, se for o caso, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal, ou quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. (Artigo 44, inciso I, § 1, itens II e III, da Lei n 9.430, de 1996).
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS - O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente.
Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-19.386
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes,por unanimidade de votos,REJEITAR as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: I — excluir da exigência tributária o ano-calendário de 1995; II — excluir da exigência tributária a importância de R$ 384.651,04, relativa ao ano-calendário de 1996; III - excluir da exigência tributária a aplicação da multa exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de oficio; e IV — reduzir a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% para multa de lançamento oficio normal de 75%, relativa aos itens 003, 004 e 005 do Auto de Infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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PERÍCIA/DILIGÊNCIA FISCAL - INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante, a sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE - DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Somente a inexistência de exame de todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES FINANCEIRAS - ANO CALENDÁRIO DE 1995 - No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, nos termos do parágrafo 5º do artigo 6º, da Lei n.º 8.021, de 1990, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicações no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O Lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. 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MINISTÉRIO DA FAZENDA ten -' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Recurso n°. : 134.697 Matéria : IRPF - Ex(s): 1995 a 1999 Recorrente : HUMBERTO ALVIM COUTINHO Recorrida : 58 TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Sessão de : 11 de junho de 2003 Acórdão n°. : 104-19.386 PROCEDIMENTO FISCAL - PRAZO PARA CONCLUSÃO DA FISCALIZAÇÃO — NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob o argumento de ter ultrapassado o prazo de encerramento do procedimento fiscal, haja vista o dever de ofício que o obriga a observar as normas que subordinam o exercício desse dever e que não contraria o disposto na Portaria SRF de n° 1.265, de 1999, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PERÍCIA/DILIGÊNCIA FISCAL - INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante, a sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PRELIMINAR DE NULIDADE — DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Somente a inexistência de exame de todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS - APLICAÇÕES FINANCEIRAS — ANO CALENDÁRIO DE 1995- No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, nos termos do parágrafo 5° do artigo 6°, da Lei n.° 8.021, de 1990, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos - : 7;• MINISTÉRIO DA FAZENDA •0): - .Sk" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicações no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O Lançamento assim constituído só é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. Devendo, ainda, neste caso (comparação entre os depósitos bancários e a renda consumida), ser levada a efeito a modalidade que mais favorecer o contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996 — Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MEIOS DE PROVA - A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (C.P.C., art. 131 e 332 e Decreto n.° 70.235, de 1972, art. 29). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO — GLOSA DA COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — É de se manter a glosa de Imposto de Renda na Fonte, quando o contribuinte não traz aos autos documentos hábeis que comprovam a sua retenção ou seu recolhimento, principalmente, quando a administração tributária procede diligências e constata que no período questionado a empresa estava desativada e com inscrição bloqueada no cadastro do fisco estadual, bem como não localiza em seus arquivos as retenções e recolhimentos questionados. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS — DEDUÇÕES DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL - CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE — A dedução das despesas médicas e contribuições à previdência oficial é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação da documentação hábil e 2 Èr.'"4W. MINISTÉRIO DA FAZENDA it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 idónea. Desta forma, é de se manter as glosas efetuadas, por falta de comprovação dos pagamentos declarados. DEDUÇÕES DE DEPENDENTES — CÔNJUGE — APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM SEPARADO — Comprovado nos autos que a esposa apresentou declaração em separado, incabível relaciona-Ia como dependente. MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS — COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502, de 1964. A dedução indevida de despesas médicas, contribuição para previdência oficial e dependente, caracteriza, a princípio, falta simples de redução indevida de imposto de renda, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. 3 .M14 MINISTÉRIO DA FAZENDA rtr.z.z:k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - EXIGIDA JUNTAMENTE O COM O TRIBUTO E EXIGIDA ISOLADAMENTE DO TRIBUTO — LANÇADAS DE FORMA CONCOMITANTE — É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição com a aplicação de multa de lançamento de oficio exigida isoladamente do tributo ou contribuição, já que a segunda somente se toma aplicável, de forma isolada, se for o caso, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal, ou quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n° 9.430, de 1996). ACRÉSCIMOS LEGAIS — JUROS — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HUMBERTO ALVIM COUTINHO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: I — excluir da exigência tributária o ano-calendário de 1995; II — excluir da exigência tributária a importância de R$ 384.651,04, relativa ao ano-calendário de 1996; III - excluir da exigência tributária a aplicação da multa exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de oficio; e IV — reduzir a aplicação da multa de oficio qualificada de 150% para multa de lançamento oficio normal de 75%, relativa aos itens 003, 004 e 005 do Auto de Infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 4 .,4b44. ----*.:- MINISTÉRIO DA FAZENDAiovr.-- •. t• tgl .....;05 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 ir R- IS ALMEIDA ESTOL PRESIDENTE EM EXERCÍCIO ir• ,NE C/ fA hl" R T9 R FORMALIZADO EM: 18 AGO 20:2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, MEIGAN SACK RODRIGUES, VERA CECÍLIA MATTOS VIEIRA DE MORAES, JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA e ALBERTO ZOUVI (Suplente convocado). 5 - .;" MINISTÉRIO DA FAZENDA nni st" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Recurso n°. : 134.697 Recorrente : HUMBERTO ALVIM COUTINHO RELATÓRIO HUMBERTO ALVIM COUTINHO, inscrito no CPF/MF 547.404.286-87, residente e domiciliado no município de Divinópolis, Estado de Minas Gerais, à Rua Serra do Cristal, n.° 1.091 - Bairro Jardim Nova América, jurisdicionado a DRF em Divinópolis - MG, inconformado com a decisão de fls. 48/76, prolatada pela Quinta Turma da DRJ em Belo Horizonte — MG, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 78/98. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 10/10/01, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 04/16, com ciência em 18/10/01, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.607.864,69 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada majorada de 225% (art. 44, inciso II, § 2° da Lei n°9.430/96) para os exercícios de 1996 a 1999 e de 112,50% (art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430/96) para o exercício de 2000 e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 1996 a 2000, correspondentes, respectivamente, aos anos-calendário de 1995 a 1999. Da ação fiscal resultou a constatação das seguintes irregularidades: 6 iro MINISTÉRIO DA FAZENDA 30p,7,4f, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:isktr.:9 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 1 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS (CARNÊ-LEÃO) — RENDIMENTOS DE ORIGEM NÃO DETERMINADA: inclusão na declaração do contribuinte de rendimentos de origem não esclarecida, declarados com a identidade de Humberto Alves Contijo, CPF n° 043.254.996-01, com a glosa do imposto retido na fonte, por ter sido informado em nome da empresa S.0 Tambores Ltda, CNPJ 01.574.162/0001-04, inexistente de fato, conforme informação prestada pelo Fisco Estadual de Minas Gerais. Da mesma forma, foram glosadas todas as deduções pleiteadas, por estarem embasadas em informações falsas. A multa de lançamento de oficio foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada nos artigos 1°, 2°, 3° e §§, e 8°, da Lei n°7.713, de 1988, artigos 10 ao 4°, da Lei n°8.134, de 1990; e artigos 3° e 11 da Lei n°9.250, de 1995. 2 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme planilhas anexas. Relativamente aos depósitos bancários que integram o acréscimo patrimonial a descoberto, faz-se necessário esclarecer que algumas contas bancárias foram atribuídas ao contribuinte, na proporção de 50% ou integralmente, pelos seguintes motivos: 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;iá-41%;7-7. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 (1)— Conta de n° 02938-98 — Bamerindus S/A = 50% - conta conjunta com Marcos Antônio Alvin Coutinho — CPF 471.945.456-91 (fls. 3341337); (2)— Conta de n° 27788-3 — Banco Itaú S/A = integralmente — Conta em nome de Humberto Alves Gontijo, segunda identidade de Humberto Alvim Coutinho, CPF 043.254.996-01, conforme doc. De fls. 47/53 e 322/330; (3)— Conta de n° 34678-8 — Banco Itaú S/A = 50% (fls. 418/522) - Conta em nome de Comercial Pedreira Ltda., CNPJ 66.463.928/0001-10, pelas evidências de que a conta era dce responsabilidade do contribuinte e de Marcos Antônio Alvim Coutinho: (a) — não se conhece a identidade física de Chaliston Rodrigues de Souza, CPF 104.618.148-38, sócio responsável pela empresa Comercial Pedreira, havendo fundadas suspeitas de que se trata de "sócio fantasma" ou "laranja", conforme relatos e documentos de fls. 75/95 e 424/425; (b) — as assinaturas de Chaliston Rodrigues de Souza, apostas no Cartão de Abertura de Conta Corrente, não conferem com as dos documentos apresentados para a abertura da conta, nem com as de sua carteira de identidade (doc. De fls. 418/423); (c) — o número de telefone informado no cadastro do Banco Itaú S/A, 214-1515, figura na lista telefônica de Divinópolis, em nome de Comercial Pedreira, nome de fantasia da empresa "Sandra Elena Silva" , CNPJ 02.769.956/0001-88, cuja titular é a esposa de Humberto Alvim Coutinho (doc. 524/525); (d) — vários talões de cheque relativos à conta bancária em questão foram apreendidos no apartamento de propriedade de Marcos Antônio e Humberto Alvim Coutinho, bem como outros documentos da empresa (doc. 87/95 e 435/453, por amostragem); (e) — nas informações cadastrais fornecidas pelo Banco Bamerindus S/A, relativas à conta de n° 1142-03800 (sem movimento), da empresa, os bens patrimoniais informados são de propriedade de Marcos Antônio Alvim Coutinho (doc. Fls. 428/434); (f) — o número de telefone informado no mesmo cadastro bancário figura na lista telefônica de Divinópolis/MG, em nome de Marcos Antônio Alvim Coutinho (222-3110), conforme fls. 523. 8 eLC.4 4-`j•-•,...-t MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 (4) — Conta de n° 32368-8 — Banco ltaú S/A = 50% (fls. 547/625) — Em nome de Maurício Santos Israel, CPF 590.197.786-68, pelas evidências de que a conta era de responsabilidade do contribuinte e de Marcos Antônio Alvin Coutinho: (a) — a carteira de identidade de n° M-2.563.762, de Mauricio Santos Israel, cuja cópia foi apreendida no apartamento de propriedade de Marcos Antônio e Humberto pela Delegacia Regional de Segurança Pública de Divinópolis (doc. De fls. 531/533); (b) — a identidade física do verdadeiro Maurício Santos Israel foi identificada em diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal em Divinópolis e não confere com fotografia estampada no RG de n° m- 2.563.762 (doc. De fls. 526/532); (c) — o endereço informado no cadastro de abertura de conta é a Rua Maestro João Pinto, n°370, apto 101, Bairro Esplanada, imóvel de propriedade de Marcos Antônio e Humberto Alvim Coutinho (doc. Fls. 538/540); (d) — os números de telefone informados no cadastro bancário de Maurício Santos Israel figuram na lista telefônica de Divinópolis/MG, em nome de Marcos Antônio Alvim Coutinho (222-3110) e da empresa Comercial Pedreira (214-1515) (doc. 523/524); e (e) — as assinaturas de Maurício Santos Israel, apostas no Cartão de Abertura de Conta Corrente, não conferem com as dos documentos apresentados para a abertura da conta (doc. de fls. 531/532, 534 e 547), sendo que o talão de cheques relativo à conta bancária em questão foi apreendido no apartamento de propriedade de Marcos Antônio e Humberto Alvim Coutinho (doc. fls. 87/95 e 541/546, por amostragem). Sendo que à exceção do ano calendário de 1999, a multa de lançamento de ofício foi qualificada, em razão de ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. MINISTÉRIO DA FAZENDA ..;a: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES4,,ste-0-5 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Infração capitulada nos artigos 1°, 2°, 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, artigos 1° e 2°, da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 7° e 8°, da Lei n°8.981, de 1995, artigos 3° e 11, da Lei n°9.250, de 1995 e artigo 21 da Lei n°9.532, de 1997. 3—DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE — PREVIDÊNCIA OFICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE: redução indevida da base de cálculo com despesas, não comprovadas, com a Previdência Oficial. A multa de lançamento de oficio foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Policia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943 e artigo 4°, inciso IV, da Lei n°9.250, de 1995. 4—DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE — DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE: redução relativa a cônjuge pleiteada indevidamente, visto que as declarações de rendimentos do casal são apresentadas em separado. A multa de lançamento de ofício foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Policia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. lo -,"1- MINISTÉRIO DA FAZENDA isly PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';‘,3,-,,,11)• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Infração capitulada no artigo 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943 e artigo 8°, inciso II, alínea "c", da Lei n°9.250, de 1995. 5— DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE — DESPESAS MÉDICAS DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE: glosa de deduções com despesas médicas, não comprovadas. A multa de lançamento de ofício foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943 e artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei n°9.250, de 1995. 6 — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE: glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte pleiteado indevidamente, sobre rendimentos de origem não esclarecida, informados como recebidos da empresa MAJOFER Transportes Comércio e Serviços Ltda., CNPJ 42.805.705/0001-26, já desativada e com inscrição bloqueada no Cadastro do Fisco Estadual em 30/09/95. A restituição do imposto, decorrente da compensação indevida, foi bloqueada pela Secretaria da Receita Federal, antes de seu recebimento. A multa de lançamento de ofício foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. 11 e4,1„ 4-; MINISTÉRIO DA FAZENDA wt-- ,:t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 12, inciso V, da Lei n°9.250, de 1995. 7 — DEMAIS INFRAÇÕES SUJEITAS A MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ-LEÃO: multa, qualificada e agravada, pela falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de camê-leão, sobre rendimentos de origem não esclarecida, conforme relatado no item 01 do auto de infração. Infração capitulada no artigo 8° da Lei n° 7.713, de 1988; artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996. Irresignado com o lançamento, o autuado, apresenta, tempestivamente, em 16/11/01, a sua peça impugnatória de fls. 639/656, instruído pelos documentos de fls. 657/667, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que preliminarmente deve ser declarado a nulidade de todo o processo administrativo, pois o mesmo está eivado de vícios, vícios insanáveis, já que o Mandado de Procedimento Fiscal da lavra do Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal em Divinépolis, determina que o mesmo deverá ser executado até o dia 13 de setembro de 2001, o que não foi cumprido pelo agente fiscal; - que em data de 13 de setembro de 2001, foi elaborado Mandado de Procedimento Fiscal complementar, no qual deveria ser executado até o dia 13 de outubro de 2001, mas o referido MPF-C, não está revestido de legalidade, vez que não consta no 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA •sak‘ - • t;tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •••• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 referido Mandado o nome do Auditor-Fiscal, responsável pelos trabalhos, mais ainda, como é de vosso conhecimento não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto, mas quem assina o Auto de Infração é o AFRF responsável pelo Mandado extinto; - que como não bastasse, o contribuinte não foi notificado do MPF-C, mais ainda, consta data de 10/10/2001, como encerramento dos trabalhos do MPF-C, mas o que na verdade não foi vez que o mesmo foi devidamente encerrado em data de 18/10/2001, portanto, fora do prazo; - que como se não bastasse, o auto de infração objeto da presente impugnação, fere de morte a constituição, utilizando-se de tributo com efeito de confisco, o que claramente esta estabelecido com tamanha arbitrariedade nos valores apresentados como créditos da Fazenda Nacional, são valores exorbitantes. Mesmo que se devidos fossem os impostos apurados não seriam estes os valores, principal, multa, juros, o que está a confirmar-se pelo presente e um total desrespeito com o que prescreve o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal; - que imperioso ressaltar também que em 10/03/99, fui notificado pelo Termo de Inicio da Ação Fiscal de n° 0610700/00100/99, onde apresentei os documentos ali solicitados, e até o momento os mesmos não me foram devolvidos, o que desde já requeiro sob pena de cerceamento de defesa, vez que o fisco mesmo sabendo que tais documentos não se encontravam em meu poder, intima-me a apresenta-los nos presentes autos, numa clara demonstração de má-fé; - que quanto a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas (Camê-Leão) quer o fisco imputar rendimentos de outrem ao impugnante, o que é uma verdadeira aberração tributária e jurídica, vez que, o recorrente não pode ser 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA NOA jfr ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 responsabilizado por rendimentos de outrem, pelo simples fato de não ter sido o mesmo beneficiado com tais rendimentos, portanto não podendo o fisco incluir em minha declaração de rendas rendimentos que não auferi, pelo fato do simples querer, por simples inalações; - que para sustentar tal arbitrariedade e descalabro tributário, alega o fisco que tais rendimentos são oriundos da empresa S.0 TAMBPRES LTDA, que segundo o fisco Estadual inexiste de fato, sendo que da mesma forma, foram glosadas todas as despesas pleiteadas, por estarem embasadas em informações falsas. "se falsas as despesas pleiteadas também devem ser falsas os rendimentos". O fisco tem que melhor se situar, são o não falsas os rendimentos do Sr. Humberto Alves, que o fisco quer atribuir como meus. Se verdadeiros tais rendimentos e mesmo assim o fisco entender meus — o que não são — também deverão ser considerados o IRRF, pois verdadeiro o rendimento também o IRRF; - que ocorre que pelos documentos acostados no presente processo, as informações de rendimentos no caso concreto foram prestadas pela fonte pagadora, portanto merecedoras de crédito, cabe ao fisco a produção de prova com documentação que tal fato não ocorreu; - que é de se perguntar, se o fisco federal, não dispõe de elementos bastantes para determinar se tal empresa é ou não regular nesta repartição, tendo-se que valer de declaração do fisco estadual. Pode-se perfeitamente uma determinada empresa encontrar-se em determinada época irregular com o fisco estadual, mas com o fisco federal encontra-se regular, o que para tanto requer seja anexada a presente a DIRF apresentada pela empresa S.0 Tambores Ltda, CNPJ 01.574.162/0001-04, referente ao exercício objeto do presente Auto de Infração, isto para fazer provas de que a empresa tempestivamente apresentou as mesmas; 14 ‘,.# MINISTÉRIO DA FAZENDA ,o. pij, ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 - que quanto ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto age o fisco por pura suposições ao notificar o ora defendente por omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde segundo o fisco a excesso de aplicações sobre origens não respaldadas por rendimentos declarados; - que no que se refere à conta corrente de n° 02938-98 do Banco Bamerindus S/A, em conjunto com meu irmão, tais depósitos não eram rendimentos meus, mas sim da Empresa do Sr. Charliston Rodrigues de Souza, de nome fantasia Comercial Pedreira. Tais depósitos eram oriundos das entregas de mercadorias que fazíamos para a empresa que trabalhávamos, como empregados; - que como pode o julgador observar de toda a peça da lavra do fisco, este afirma todo o tempo que documentos ditos como irregulares ou fraudados foram apreendido no apartamento de propriedade de meu irmão e meu, mas nunca em momento algum menciona que tal apartamento estava locado, portanto não tendo eu qualquer responsabilidade com os objetos ou documentos neles existentes, vez que não detinha a posse do mesmo, esta sim era do inquilino Sr. Charliston, para o qual o apartamento estava locado e o contrato de locação está em poder do fisco, que até o momento não me devolve o mesmo para fazer prova, o que desde já requeiro seja o mesmo anexado a presente, mais ainda, em minha residência como a de meu irmão, quando da busca e apreensão realizada nada foi encontrado que pudesse caracterizar qualquer irregularidade, pelo simples fato que nunca cometi atos desabonadores, portanto, claro esta que se algum documento irregular ou com fraude, todos foram encontrados na residência do Sr. Chaliston, portanto pertencem a ele, sendo o mesmo responsável pelos mesmos, não seus funcionários que nada tem a ver com fraudes, sonegação e outros; - que quanto à dedução da base de cálculo da previdência oficial tem-se que o fisco afirma que houve redução indevida da base de cálculo com despesas, não 15 'tn -•'-'gr.. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 comprovadas com a previdência oficial, o que não procede, vez que toda a documentação que comprova as despesas foram objeto de apreensão pelo fisco realizada no escritório de contabilidade, até o momento não devolvidos, o que desde já requeiro sejam os mesmos anexados ao presente, sob pena de cerceamento de defesa; - que quanto à dedução indevida de dependente, tem-se que da mesma forma afirma o fisco que a dedução relativa a cônjuge pleiteada indevidamente, visto que as declarações de rendimentos do casal são apresentadas em separado, mas não informa o exercício que isto ocorreu, portanto, ficando o recorrente cerceado de sua defesa para este item, vez que no presente auto de infração não consta o exercício em que o fisco se baseia para alicerçar tal afirmativa, portanto há uma clara infração ao sagrado direito do contraditório, e ademais notifica minha esposa pelo mesmo fato, portanto aqui fica claro estar havendo uma bi tributação, vez que tanto eu como minha esposa estamos sendo notificados pela mesma coisa; - que quanto às despesas médicas deduzidas indevidamente tem-se que o fisco glosa as deduções com despesas médicas não comprovadas, ora, como posso comprovar tais despesas, se as mesmas foram objeto de busca e apreensão no escritório de contabilidade e até a presente data não devolvidos, o que desde já requeiro sejam as mesmas anexas a presente, sob pena de cerceamento de defesa, mais ainda, no Termo de Início de Ação Fiscal de 10/03/99, todas as despesas médicas foram entregues ao fisco, conforme recibo; - que quanto à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, tem-se que da mesma forma, o fisco glosa o IRRF, pleiteado sobre rendimentos de origem não esclarecidos, informados como recebidos da empresa MAJOFER Transportes Comércio e Serviços Ltda., onde o fisco afirma que a mesma está desativada e com inscrição bloqueada no Cadastro do Fisco Estadual em 30/09%95, o que causa espécie, vez que 16 I ..3",. n••+ç MINISTÉRIO DA FAZENDA ejr71.1,;*. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 tempestivamente apresentei declaração de imposto de renda, bem como a empresa me forneceu comprovante de rendimentos e mais a DIRF da empresa foi tempestivamente apresentada ao fisco, o que poderá ser comprovado com a documentação que se encontra em poder do fisco, quando da busca e apreensão feita no escritório de contabilidade; - que quanto à falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, tem-se que o fisco aplica multa qualificada e agravada, pela falta de recolhimento do imposto de renda pessoa física de rendimento de outra pessoa, que o fisco insiste incluir em minha declaração; - que em todos os itens do auto de infração, a multa é qualificada, em razão de um pretenso crime contra a ordem tributária, o qual informa esta em fase de apuração, é de se observar que em fase de apuração pela polícia federal são palavras do fisco, portanto não existe crime algum, até porque a Polícia Federal nada apurou, e o mais importante se crime houve, estes foram praticados pelo Sr. Charliston Rodrigues de Souza, e não por mim como quer o fisco, portanto, tais multas não podem ser qualificadas em razão de crime contra a ordem tributária, pelo simples fato de que não cometi crime algum; - que a incidência da Taxa SELIC é inconstitucional para fins tributários. Não há previsão legal do que seja a Taxa Selic. A lei apenas manda aplica-la, sem indicar nenhum percentual, delegando indevidamente seu cálculo a ato governamental, que segue as naturais oscilações do mercado financeiro. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte - MG, concluíram pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção em parte do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: 17 jk MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES v: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 - que autuado, inicialmente, protesta pela decretação da nulidade de todo o processo administrativo fiscal, sob o argumento de a Portada n° 1.265, de 22 de novembro de 1999, não teria sido observada; - que o Auto de Infração se aperfeiçoa com a notificação válida do contribuinte formalizado em processo administrativo fiscal, por meio do qual são assegurados aos litigantes o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes; - que o procedimento fiscal é destinado a reunir elementos necessários à apuração da prática de ilícitos tributários. O MPF é o ato administrativo que instaura uma fase preliminar em que não há o contraditório nem a ampla defesa. Sendo o MPF um procedimento informativo e não processual, as anormalidades acaso nele existentes não afetam nem invalidam o Auto de Infração a que deu origem. Eventuais irregularidades não afetam nem invalidam o Auto de Infração a que deu origem. Eventuais irregularidades não culminam em nulidade porque não há presunção de prejuízo. O MPF inclui-se em uma fase prévia ao lançamento e não é requisito de validade do Auto de Infração, mesmo porque há casos de procedimentos fiscais em que este não é exigido (art. 11 da Portaria SRF n° 1.265, de 1999); - que o MPF consubstancia-se tão-somente na materialização do controle do exercício das atribuições do cargo público. Os agentes públicos, cuja atividade administrativa é vinculada e obrigatória, devem aplicar as orientações estabelecidas na legislação tributária, em observância ao princípio da legalidade previsto no "caput" do art. 37 da Constituição Federal. Para o contribuinte, este ato é o implemento do princípio da não surpresa e a formalização do início do procedimento administrativo, suficiente para interromper a espontaneidade (art. 138 do Código Tributário Nacional — CTN, Lei n° 5.172, 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA ti' ..101" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 de 25 de outubro de 1966, alterado pela Lei Complementar n° 91, de 22 de dezembro de 1997); - que, em síntese, conclui-se, pois, que o MPF é um ato administrativo de controle do exercício das atribuições do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal e uma possível irregularidade não possuem o condão de contaminar de nulidade a atividade do lançamento; - que, em suma, a formalização da presente exigência decorreu de ação fiscal perfeitamente regular, com as peças impositivas tendo sido lavradas rigorosamente nos termos da lei, no caso, o art. 142 do CTN, observando ainda todos os requisitos constantes dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972. Evidente também que não se configurou nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, mostrando-se válido, para todos os efeitos legais, os lançamentos efetuados pelo Fisco, razões pelas quais é de se rejeitar as preliminares até aqui suscitadas; - que o contribuinte se insurge também contra o lançamento da multa de ofício qualificada. Os princípios constitucionais citados na impugnação são limitações impostas pelo legislador constituinte ao legislador infraconstitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório ou que supere a capacidade contributiva do contribuinte. Em segundo plano, os princípios dirigem-se, eventualmente, ao Poder Judiciário, que deve aplica-los no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis; - que o outro ponto suscitado pelo autuado é o cerceamento do direito de defesa, pois os documentos que comprovam a validade de seus argumentos encontram-se em poder do fisco — ou porque foram apreendidos no escritório de contabilidade, ou porque 19 .6.4 1, '454 MINISTÉRIO DA FAZENDA wk -7-jit1/4- 1-.: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 os apresentou atendendo ao Termo de Início de Ação Fiscal de n° 0610700/00100/99, datado de 10/03/1999; - que os documentos apreendidos fazem parte do processo judicial de Busca e Apreensão de Coisas de n° 1999.38.00.007836-1, conforme noticia o documento de fls. 96 a 98. Assim sendo, o interessado, por intermédio de seu advogado, poderia ter acesso ao processo cautelar em questão, obtendo as cópias que julgasse necessário (Lei n° 8.906, de 04 julho de 1994, arts. i a , I, 7°, XIII); - que quanto ao pedido de realização de perícias, ressalte-se que cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores, determinar a realização de diligências e/ou perícias quando entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis; - que por força do § 1° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, considera-se não formulado pedido de diligência ou perícia que deixa de atender os requisitos previstos no inciso IV do mesmo art. 16. No caso, não se enumeram, de forma objetiva, as questões que se pretende ser esclarecidas, relacionadas com o lançamento ou com o cumprimento de exigência processual. Desta forma, indefere-se o pedido; - que se ressalte que no processo administrativo se admite a prova indiciaria ou indireta, assim conceituada àquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador; - que indícios são fatos conhecidos, comprovados, que se ligam a outro fato que se tem de provar. São a base objetiva do raciocínio, ou da atividade mental, por via do qual se pode chegar ao fato desconhecido. Presentes os caracteres de gravidade, precisão 20 Ót.isk.4+, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 e concordância, prestam-se como ponto de partida para as presunções relativas, gerando o efeito de inverter o ônus da prova; - que apenas um indício, desde que veemente, pode levar a conclusão da ocorrência de um fato. Da mesma forma, vários indícios em si fracos, quer dizer, com baixo teor de gravidade e precisão, podem, somados, fazer prova do ilícito, desde que todos indiquem a mesma direção; - que no caso, o fato probando é que os rendimentos declarados por Humberto Alves Gontijo foram auferidos por Humberto Alvim Coutinho. Assim, inicialmente, temos vários indícios convergentes que conduzem à conclusão de que Humberto Alves Gontijo é uma segunda identidade de Humberto Alvim Coutinho, verdadeiro beneficiário dos rendimentos lançados; - que os indícios listados nos levam à presunção relativa de que Humberto Alves Gontijo é uma segunda identidade de Humberto Alvim Coutinho. O interessado, entretanto, não traz aos autos provas em contrário; - que também em nada socorre o impugnante argumentar que "se falsas as despesas pleiteadas, devem ser falsos os rendimentos". Quanto à falsidade das despesas, os indícios convergentes já listados indicam que Humberto Alves Gontijo, registre-se mais uma vez, é uma segunda identidade de Humberto Alvim Coutinho. Não estando sequer provada a existência material de Humberto Alves Gontijo, quem dirá a de seus dependentes. Da mesma forma não há qualquer comprovação de que Humberto Alves Gontijo tenha pago contribuições previdenciárias. Portanto, estão corretas as glosas das despesas pleiteadas por Humberto Alves Gontijo a título de contribuição previdenciária e dependentes; 21 11."0. MINISTÉRIO DA FAZENDA tfr .j ,.;:t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 - que por outro lado, não se pode negar a existência dos rendimentos tributáveis, objeto de lançamento. Os extratos bancários das contas movimentadas pelo interessado demonstram aplicações em montantes expressivos, incompatíveis com as Declarações de Rendimentos apresentadas; - que o impugnante pondera, ainda, que se foram considerados como seus os rendimentos auferidos por Humberto Alves Gontijo também cabe a imputação do IRRF incidente sobre tais rendimentos, informados em DIRF, tempestivamente, por empresa regular perante o fisco federal; - que quanto à regularidade da fonte pagadora S.0 Tambores Ltda., os documentos de fls. 57 a 64 mostram que, diferentemente da alegação do impugnante, tanto para o fisco federal quanto o de Minas Gerais a empresa é inexistente de fato; - que acerca da retenção pleiteada, frise-se que os documentos de fls. 75 a 102 nos permite concluir que a invocada DIRF não pode ser aceita para comprovar a retenção pretendida; - que conforme exposto anteriormente, os documentos de interesse para a solução da lide já foram carreados aos autos pela autoridade lançadora. Quanto aos documentos apreendidos, não é demais registrar que eles fazem parte do processo judicial de Busca e Apreensão de Coisas n° 1999.38.00.007836-1, ao qual o interessado, por meio de seu advogado, poderia ter acesso, obtendo a cópia dos documentos que julgasse necessários para sua defesa; - que, portanto, tendo em mente que no processo administrativo se admite a prova indiciária ou indireta, os documentos de fls. 32, 36, 47 a 53, 65 e 87 a 95 legitimam a convicção de que Humberto Alvin Coutinho seja o verdadeiro responsável pela conta 22 .4'41.44 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -IN QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 bancária movimentada por Humberto Alves Gontijo, sua segunda identidade. Assim, por força da inversão do ônus da prova, competiria ao impugnante carrear aos autos os elementos que pudessem afastá-la; - que no tocante aos depósitos efetuados em conta conjunta com Marcos Antônio Alvim Coutinho (lançado na proporção de 50%), o contribuinte afirma que eram oriundos das entregas de mercadorias da empresa Comercial Pedreira, de propriedade de Charliston Rodrigues de Souza, de quem eram funcionários; - que a despeito de não ser prática ortodoxa e até mesmo contrária ao principio da entidade, poder-se-ia considerar admissivel se houvesse prova de tal ocorrência. Entretanto, o autuado não conseguiu demonstrar, e poderia dispor de documentos para tal, caso fossem verdadeiras suas alegações, que efetivamente transitaram pela sua conta corrente valores alheios aos rendimentos por ele percebidos; - que quanto à conta em nome de Maurício Santos Israel, pertinentemente a fiscalização enumerou evidências de que o interessado e seu irmão Marcos Antônio Alvim Coutinho são os verdadeiros responsáveis pelas movimentações financeiras; - que se registre que os documentos juntados pelo impugnante às fls. 660/663, não são suficientes para afastar as evidências anteriormente destacadas. Assim, embora no depoimento de fls. 600 Chaliston Rodrigues de Souza ateste que o impugnante e seu irmão foram funcionários, ele também declara que realizava todas as compras e movimentos de entrada e saída da firma Chaliston Rodrigues de Souza. Essa afirmação opõe-se ao argumento do interessado de que os depósitos efetuados na conta corrente conjunta com Marcos Antonio Alvim Coutinho eram, na realidade, da empresa; 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 - que, portanto, à luz do estabelecido no art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, ou seja, "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...r, diante das evidências anteriormente registradas e não estando comprovados os argumentos do interessado, o autuado é responsável pelos depósitos bancários relacionados nos documentos de fls. 17/22; - que neste contexto e com o advento da Lei n° 9.430, de 1996, que em seu art. 42 estabeleceu presunção legal de omissão de rendimentos autorizando o lançamento do imposto se o contribuinte não comprovar a origem dos recursos depositados, a argumentação de que a autuação fundamentada apenas em depósitos bancários não pode prosperar perdeu toda sua base de sustentação; - que a própria lei definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos. Tal regra fixa uma presunção legal a favor da fiscalização, o que transfere ao contribuinte o ônus de apresentar prova da origem dos recursos depositados em sua conta corrente bancária, o que não ocorreu; - que mesmo antes do advento daquela Lei, o lançamento encontrava amparo em presunção legal de omissão de rendimentos. Conforme disposto no § 1° do art. 3° da Lei n°7.713, de 1988.0 lançamento impugnado seguiu a previsão legal. Estribando-se nos documentos juntados aos autos, a fiscalização demonstrou o descompasso entre os dispêndios e os rendimentos auferidos, demonstrando acréscimo patrimonial a descoberto, sujeito ao imposto, não havendo, portanto, qualquer nulidade a ser declarada quanto a esse item; - que é importante registrar que o autuado não tinha lastro em recursos declarados para realizar as movimentações bancárias identificadas pela autoridade 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 lançadora. Por esse motivo, lançou mão de contas abertas em nome de Humberto Alves Gontijo, Comercial Pedreira Ltda e Mauricio Santos Israel, conforme exposto anteriormente; - que movimentar conta bancária em nome de terceiros, nas circunstâncias descritas nos autos, com a certeza não tem fins lícitos, mas esconde atos negociais praticados e dificulta para a autoridade fiscal, o conhecimento da vida econômica e contábil do responsável e, conseqüentemente, do fato gerador do imposto. Obsta, pois, o poder e o dever de a administração tributária identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades económicas do contribuinte; - que é mister destacar que a autoridade lançadora, em procedimento benéfico ao interessado, ao apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, contemplou os rendimentos declarados por Humberto Alves Gontijo; - que no que conceme às glosas das deduções a titulo de contribuição previdenciária e despesas médicas, diante da não apresentação, tanto antes quanto após a autuação, de documentos que convalidem os valores declarados e considerando-se que é ônus do autuado comprovar as deduções pleiteadas no ajuste anual, cabe mane-las; - que relativamente à glosa de dedução com dependentes, não há como acatar a tese de cerceamento do direito de defesa. Conforme se vê no Auto de Infração (fls. 07), a data de ocorrência do fato gerador foi corretamente identificada (31/12/97), houve a descrição da infração cometida e foi procedido o devido enquadramento legal; - que também não cabe o argumento de que a esposa foi notificada pelo mesmo motivo, havendo bitributação. O interessado apresentou a Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 1998 (fls. 39/41), pleiteando dedução com três dependentes (dois filhos e o cônjuge). O fisco só glosou a dedução relativa à esposa, justificando, 25 44? z-,-:1-4"*.-a"-*., MINISTÉRIO DA FAZENDA vtfir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 corretamente, seu procedimento. Por sua vez, a esposa teve glosada a dedução relativa aos filhos, uma vez que o marido já se beneficiou do desconto. Reputa-se, por conseguinte, procedente a autuação; - que no tocante à compensação do imposto de renda retido na fonte, o impugnante alega a regularidade da fonte pagadora (empresa MAJOFER Transportes Comércio e Serviços Ltda., CNPJ 42.805.705/0001-26) perante o fisco federal, inclusive com a entrega tempestiva de DIRF. Salienta que, se a Receita Federal bloqueou o imposto a restituir é porque a fonte pagadora efetuou os pagamentos e fez as devidas informações a SRF; - que se esclareça, inicialmente, que a fonte pagadora, diferentemente do que supõe o interessado, não se encontra regular perante o fisco federal, não tendo efetuado qualquer recolhimento de imposto no período compreendido entre 01/01/97 e 26/10/98 (fls. 631 e 632), estando bloqueada perante o fisco do Estado de Minas Gerais (fls. 633); - que relativamente às informações que teriam sido prestadas pela fonte pagadora, os documentos constantes dos autos nos permitem concluir que a invocada DIRF não é prova hábil da retenção pretendida, pois, registre-se mais uma vez, participamos da opinião do Ministério Público Federal de que há evidências da "existência de um grupo de pessoas organizado com objetivos claros de fraudar o erário, mediante as mais diversas práticas, inclusive com o uso do nome de pessoas inexistentes (fantasmas) ou de pessoas reais sem qualquer relação com os fatos (laranjas)" (fls. 96 e 97); - que era de se esperar, à vista dos documentos constantes dos autos, que o contribuinte, para fazer jus à retenção pleiteada, pudesse comprovar, de forma inequívoca, que prestou serviços à empresa MAJOFER Transportes Comércio e Serviços Ltda. e que 26 yti MINISTÉRIO DA FAZENDA fit:If; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES >. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 sofreu, em decorrência, a retenção alagada. Entretanto, essa prova não foi trazida aos autos, nem antes do lançamento, nem por ocasião de sua impugnação. Portanto, estéreis as alegações do interessado; - que quanto à imposição de multa qualificada, tendo em vista o relatório constante nas fls. 87 a 95, participa-se aqui da convicção do Ministério Público Federal (fls. 96 a 98), transcrita no relatório da decisão proferida pela Juíza da 4° Vara da Justiça Federal, de que há evidências incontrastáveis da "existência de um grupo de pessoas organizado com objetivos claros de fraudar o erário, mediante as mais diversas práticas, inclusive com o uso de nome de pessoas inexistentes (fantasmas) ou de pessoas reais sem qualquer relação com os fatos (laranjas)"; - que quanto ao agravamento da multa de oficio realizada pelo fisco, embora o impugnante não tenha aparelhado bem seu pedido, razões jurídicas da maior relevância impõem o abrandamento da penalidade. A multa agravada só tem lugar quando a relutância é tal que importa subtrair ao fisco informações necessárias para a apuração do crédito tributário. Mas no presente caso, a autoridade lançadora, já ciente das irregularidades que noticiam os documentos de fls. 75 a 102, e à vista dos documentos que constam dos autos, solicitou ao interessado esclarecimentos e elementos para afastar a possibilidade de um lançamento desnecessário, tais como: identificar e comprovar a fonte pagadora dos rendimentos declarados nos anos-calendário de 1995, 1998 e 1999, bem como o seu efetivo recebimento; comprovar os dispêndios com construções e reformas, realizados nos anos- calendário de 1995 a 1999; comprovar todas as deduções pleiteadas na declaração de rendimentos do ano-calendário de 1997, entre outras solicitações. Também, em consonância com a legislação em vigor, foi solicitado ao contribuinte que identificasse e comprovasse a origem dos depósitos bancários e demais créditos efetuados nas contas correntes que relacionou; z 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA _ . •Or PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Q5 )" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 - que nas condições específicas do caso em apreço, a resposta satisfatória do contribuinte à intimação de fls. 26 e 27 teria o condão de afastar a autuação. Por outro lado, seu silêncio não representaria, como não representou, um embaraço à ação da fiscalização, uma vez que todos os elementos que permitiram o lançamento já se encontravam à disposição do fisco; - que também deve ser considerado que o não atendimento, por parte do contribuinte, à intimação que solicitava informações sobre os depósitos bancários gerou, a um só tempo, o arbitramento dos rendimentos omitidos e o agravamento da penalidade fiscal. Assim, tem-se de levar em conta que há no caso concreto um "bis in idem". Note-se que, em Direito Penal, o mesmo fato, quando for uma circunstância que qualifica o crime, não pode ser utilizado como agravante genérica que aumenta a pena, a ser proferida em sentença. Portanto, não deve prosperar o agravamento da multa; - que no tocante à multa isolada, de acordo com o art. 1°, inc. II, alínea "a" da Instrução Normativa SRF n° 46, de 1997, em relação aos rendimentos omitidos, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, recebidos após 1° de janeiro de 1997, será lançada a multa de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, que será cobrada isoladamente, bem assim o imposto suplementar apurado na declaração, após a inclusão desses rendimentos, acrescido da referida multa e juros de mora. Como se vê, seguindo as determinações do ordenamento jurídico vigente, cabível a exigência da multa isolada. Entretanto, no caso, foi aplicada a multa de 225%. Pelas razões anteriormente expostas, o percentual aplicado deve ser reduzido para 150%; - que se questiona, ainda, a aplicação da taxa SELIC a titulo de juros de mora. Entretanto, esse procedimento é legítimo. O § 1 0 do art. 161 do CTN diz que os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 As ementas que consubstanciam a decisão dos Membros da Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte - MG, é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. O imposto em questão incide sobre o rendimento bruto, ressalvadas as deduções previstas na legislação tributária, constituído por todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Descabe a multa agravada por falta de atendimento à intimação, quando, nas circunstâncias peculiares do caso, os elementos necessários para o lançamento se encontram à disposição do fisco. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, nos termos da legislação em vigor. 29 +1,1.44, ?c; tor, MINISTÉRIO DA FAZENDAw;:s.-:* '.sjP*<", PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1998 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. São Mantidas as glosas efetuadas, por falta de comprovação dos pagamentos declarados. DEPENDENTES. CÔNJUGE. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Comprovado que a esposa apresentou declaração em separado, incabível relaciona-la como dependente. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Mantém-se a glosa de valor indevidamente informado a título de imposto de renda retido na fonte. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/12/02, conforme Termo constante às fls. 718/722 do Processo Administrativo Fiscal n° 10665.001159/2001-71 (Recurso de Ofício), e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (14/01/03), o recurso voluntário de fls. 78/98, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelo argumento de que a decisão de primeiro grau não atacou o mérito, não se pronunciando sobre todas as questões levantadas pelo contribuinte conforme comanda o artigo 31 do Decreto n° 70.235, de 1972, sendo necessário que o julgador, ao decidir sobre a controvérsia, justifique por que acolheu ou não a posição do autuado, devendo concluir com firmeza a assentar o decisório em fundamentos idôneos a 30 4 3h4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';,-L,4*::V? QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 sustentarem a conclusão, bem como pelo argumento de que a decisão de primeira instância não obedeceu o prazo previsto no artigo 49 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. É o Relatório. 1 31 474c4 MINISTÉRIO DA FAZENDA mr —::k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'tz-4-Ittr? QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Inicialmente convém esclarecer que a decisão em Primeira Instância desagravou a multa de lançamento de oficio qualificada majorada e a multa de lançamento de oficio normal majorada, ou seja, reduziu a multa qualificada majorada de 225% e a multa normal majorada de 112,50%, para multa qualificada de 150% e multa normal de 75%, cuja decisão se tornou definitiva por estar abaixo do limite de alçada, conforme se verifica no voto condutor do julgamento do recurso de oficio n° 134.008, abaixo transcrito: "Como se vê dos autos, a peça recursal inicial repousa no recurso de oficio de decisão de a Instância, onde foi dado provimento parcial á impugnação interposta, para declarar insubsistente parte do crédito tributário constituído. No que tange ao recurso de oficio é de se esclarecer que o mesmo encontra-se abaixo do limite de alçada para julgamento neste colegiado, já que a decisão singular exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos no valor inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), conforme se demonstra nas tabelas abaixo. (...). TOTAL LANÇADO DE MULTA = R$ 1.464.969,62 TOTAL MANTIDO DE MULTA = R$ 976.646,45 32 4 4.4# e 4, MINISTÉRIO DA FAZENDA$ tv-er_it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 TOTAL EXONERADO* = R$ 488.323,18 Diz a Portaria n.° 333, de 11 de dezembro de 1997: "Art. 1 0 - Os Delegados de Julgamento da Receita Federal recorrerão de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Desta forma, é de se reconhecer que na parte favorável ao contribuinte a decisão proferida em primeira instância tomou-se definitiva. Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício por estar abaixo do limite de alçada." Da análise dos autos se verifica que as acusações que pesam contra o suplicante estão resumidas nas seguintes irregularidades: 1 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS (CARNÊ-LEÃO) — RENDIMENTOS DE ORIGEM NÃO DETERMINADA: inclusão na declaração do contribuinte de rendimentos de origem não esclarecida, declarados com a identidade de Humberto Alves Contijo, CPF n° 043.254.996-01, com a glosa do imposto retido na fonte, por ter sido informado em nome da empresa S.0 Tambores Ltda, CNPJ 01.574.162/0001-04, inexistente de fato, conforme informação prestada pelo Fisco Estadual de Minas Gerais. Da mesma forma, foram glosadas todas as deduções pleiteadas, por estarem embasadas em informações falsas. A multa de lançamento de oficio foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada nos artigos 1 0 , 2°, 30 e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988, artigos 1° ao 4°, da Lei n°8.134, de 1990; e artigos 3° e 11 da Lei n° 9.250, de 1995. 33 e,. 1:.44 :7-„"?..".:Pi: MINISTÉRIO DA FAZENDA "tetili,:i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 2 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme planilhas anexas. Sendo que à exceção do ano calendário de 1999, a multa de lançamento de oficio foi qualificada, em razão de ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada nos artigos 1°, 2°, 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, artigos 1° e 2°, da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 7° e 8°, da Lei n°8.981, de 1995, artigos 3° e 11, da Lei n°9.250, de 1995 e artigo 21 da Lei n°9.532. de 1997. 3—DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE — PREVIDÊNCIA OFICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE: redução indevida da base de cálculo com despesas, não comprovadas, com a Previdência Oficial. A multa de lançamento de ofício foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943 e artigo 4°, inciso IV, da Lei n° 9.250, de 1995. 4—DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE — DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE: redução relativa a cônjuge pleiteada indevidamente, visto que as declarações de rendimentos do casal são apresentadas em separado. A multa de lançamento de ofício foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios 34 -•••-• MINISTÉRIO DA FAZENDA j PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943 e artigo 8°, inciso II, alínea "c", da Lei n°9.250, de 1995. 5— DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE — DESPESAS MÉDICAS DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE: glosa de deduções com despesas médicas, não comprovadas. A multa de lançamento de oficio foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943 e artigo 8°, inciso II, alínea ' 1a", da Lei n°9.250, de 1995. 6 — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE: glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte pleiteado indevidamente, sobre rendimentos de origem não esclarecida, informados como recebidos da empresa MAJOFER Transportes Comércio e Serviços Ltda., CNPJ 42.805.705/0001-26, já desativada e com inscrição bloqueada no Cadastro do Fisco Estadual em 30/09/95. A restituição do imposto, decorrente da compensação indevida, foi bloqueada pela Secretaria da Receita Federal, antes de seu recebimento. A multa de lançamento de ofício foi qualificada, em razão da ocorrência de crime contra a ordem tributária, já em fase de apuração pela Polícia Federal, e cujos indícios justificaram a quebra de sigilo bancário do contribuinte pela Quarta Vara da Justiça Federal. A mesma multa foi, ainda, agravada, em razão do não atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal. Infração capitulada no artigo 12, inciso V, da Lei n°9.250, de 1995. 35 ‘?.bs'4,4, et MINISTÉRIO DA FAZENDA t-Ctr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 7 — DEMAIS INFRAÇÕES SUJEITAS A MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÉ-LEÃO: multa, qualificada e agravada, pela falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de camê-leão, sobre rendimentos de origem não esclarecida, conforme relatado no item 01 do auto de infração. Infração capitulada no artigo 80 da Lei n° 7.713, de 1988; artigo 44, § 10, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996. Verifica-se, da mesma forma, que o litígio está concentrado na discussão da preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, bem como, as matérias de mérito relativo à omissão de rendimentos e multa por atraso na apresentação da declaração de rendimentos. O suplicante argumenta que, preliminarmente, impõem-se à nulidade do Auto de Infração por contrariar a Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 1999, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução dos procedimentos relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, no seu entender é evidente, que o procedimento fiscal não foi concluído no prazo previsto no parágrafo 2°, do artigo 20, da Portaria SRF n° 1.265/99. Dessa forma, deveria a autoridade autuante ter observado atentamente o disposto na citada Portaria, tendo, principalmente, providenciado a ordem específica para prosseguimento da ação fiscal, através do Mandado de Procedimento Fiscal, pois, somente desta forma o trabalho fiscal poderia ter sido finalizado com observância ao princípio da legalidade, que deve nortear todos os atos da Administração. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob o argumento de ter ultrapassado o prazo de encerramento do procedimento 36 te; -" 'te MINISTÉRIO DA FAZENDA 9t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;;-3,4--!:•:" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 fiscal, haja vista o dever de oficio que o obriga a observar as normas que subordinam o exercício desse dever e que não contraria o disposto na Portada SRF de n° 1.265, de 1999, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Verifica-se, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e a Portaria SRF n° 1.265, de 1999, é norma interna da SRF que não acarreta a nulidade levantada pelo suplicante. Assim sendo, entendo que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco, foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o principio do devido processo legal. Verifica-se, ainda, que o Auto de Infração às fls. 04/16, identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na DRF/Divinópolis/MG, cuja ciência foi através de AR e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal, assinado pela Auditora-Fiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de Auditor-Fiscal. 37 ta, .*1 MINISTÉRIO DA FAZENDA '9_./:•;-0-; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1;.à.:1?:":1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Assim, não há como pretender a premissa de nulidade do auto de infração, na forma proposta pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valer-se de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levando-as aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.° 70.235/72, em seu artigo 9 0 , define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: "A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo: Com nova redação dada pelo art. 1° da Lei n.° 8.748/93: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." 38 MINISTÉRIO DA FAZENDA to_e„frç:.:.,,kr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidar-se. Da análise dos autos, constata-se que a autuação é plenamente válida. Como foi visto no relatório, o autuado, também, se insurge, em preliminar, contra a exigência fiscal por entender que houve flagrante cerceamento do direito de ampla defesa e do contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes, argüindo, para justificar o alegado, que os documentos que comprovam a validade de seus argumentos encontram- se em poder do fisco — ou porque foram apreendidos no escritório de contabilidade, ou porque os apresentou atendendo ao Termo de Inicio de Ação Fiscal de n° 0610700/00100/99, datada de 10/03199. Ora, não colhe a preliminar de nulidade do lançamento do crédito tributário por cerceamento ao direito de defesa argüida pelo recorrente, já que o mesmo não apresenta nenhuma prova concreta que o alegado ocorreu e como já disse a decisão de Primeira Instância os documentos apreendidos fazem parte do processo judicial de Busca e Apreensão de Coisas de n° 1999.38.00.007836-1, conforme noticia o documento de fls. 96/98 (Processo n°10665.001159/2001-71). Se o suplicante tivesse realmente interesse de trazer alguma prova concreta aos autos bastaria solicitar cópias reprográficas das alegadas provas, ou então apresentar o 39 V. MINISTÉRIO DA FAZENDA N4 ' • 30. et ils,.at PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:0_,Ier:4 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Termo de Retenção de Documentos efetuado pela Secretaria da Receita Federal onde conste, especificado, tais documentos. Assim, não há como pretender premissas de cerceamento do direito de defesa, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Mesmo que verdadeiro fossem, para fins de argumentação, ainda assim, não haveria cerceamento do direito de defesa, já que a jurisprudência é mansa e pacifica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Como se vê não procede à alegação de preterição do direito de defesa, haja vista que o suplicante teve a oportunidade de oferecer todos os esclarecimentos que achasse necessário e exercer sua ampla defesa na fase do contencioso administrativo. Também não pode prosperar o argumento de nulidade pela falta de conversão do julgamento em diligência, indeferido pela autoridade julgadora de Primeira Instância, tendo em vista que o Decreto n.° 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993- Processo Administrativo Fiscal - diz: "Art. 16— A impugnação mencionará: (...). IV — as diligências, ou peddas que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos 40 4%).k MINISTÉRIO DA FAZENDA St PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 11/244: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1°. Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...). Art. 18 - A autoridade julgadora de Primeira Instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entende-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1°. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados." Como se verifica do dispositivo legal, a autoridade que proferiu a decisão tem a competência para decidir sobre o pedido de diligência, e é a própria lei que atribui à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os pedidos de diligência ou perícia, quando prescindíveis ou impossíveis, devendo o indeferimento constar da própria decisão proferida. É de se ressaltar que o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Ademais, por força do § 1° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixa de atender os requisitos previstos no inciso IV do mesmo art. 41 st‘r 'Ira MINISTÉRIO DA FAZENDA-• t11::::S PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 16. No caso, não se enumeram, de forma objetiva, as questões que se pretende ver esclarecidas, relacionadas com o lançamento ou com o cumprimento de exigência processual. Finalmente se faz necessário se manifestar sobre a preliminar de nulidade da decisão singular, suscitada pelo recorrente, por entender que a autoridade julgadora deixou de se manifestar sobre diversos argumentos. Entendo que não se deva dar razão ao recorrente no tocante à preliminar de cerceamento do direito de defesa, já que a decisão de primeira instância apreciou circunstanciadamente todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de resistência pelo recorrente, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Ora, somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pelo recorrente, na fase impugnatória, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. Entretanto, não é o caso em questão, já que na peça recursal o suplicante argumenta em termos genéricos, alegando, entre outros, a titulo exemplificativo, que a decisão de primeiro grau não atacou o mérito, não se pronunciando sobre todas as questões levantadas pelo contribuinte conforme comanda o artigo 31 do Decreto n° 70.235, de 1972, sendo necessário que o julgador, ao decidir sobre a controvérsia, justifique por que acolheu ou não a posição do autuado, devendo concluir com firmeza e assentar o decisório em fundamentos idôneos a sustentarem a conclusão. Não vejo o que seria essencial para sua defesa, já que a matéria em litígio, neste processo, é tributária, e o que se busca no fundo é a verdade material. 42 ?,g't trl; MINISTÉRIO DA FAZENDA; sni zszjt: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Não consigo visualizar quais seriam estes argumentos de defesa que teriam o poder de modificar a decisão singular, já que a mesma é clara e expõe o ponto de vista do julgador em todas as infrações imputadas. Ora, os autos demonstram, claramente, as infrações imputadas, a decisão singular, é cristalina, e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pelo suplicante em sua peça impugnatória. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela autoridade julgadora singular, talvez, não a contento do suplicante, ou seja, o resultado não foi como o suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, principalmente, os que não teriam o poder de modificar as decisões das questões discutidas. É evidente que o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5°, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Não obstante, a infinidade de situações suscetíveis de serem compreendidas no significado das expressões preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal amplitude que se faz necessário distinguir quando existe a falta de apreciação de prova ou de argumento de defesa. Os artigos 29 e 30 do Decreto n.° 70.235/72, dizem respeito, respectivamente, à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas. É claro que 43 "4-;--.5-.2 MINISTÉRIO DA FAZENDA It--:11' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciá-las, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, deve-se ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pelo impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa. Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade da decisão singular, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem nenhuma importância no fato discutido. Quanto aos julgamentos estes deverão se orientar pelo estabelecido no - Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), que no seu artigo 27 estabelece: "Os processos remetidos para apreciação da autoridade julgadora de Primeira Instância deverão ser qualificados e identificados, tendo prioridade no julgamento aqueles que estiverem presentes as circunstâncias de crime contra a ordem tributária ou elevado valor, este definido em ato do Ministro de Estado da Fazenda". Sendo que no seu parágrafo único diz: "Os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, observada a prioridade de que trata o caput deste artigo". Ademais, os Conselhos de Contribuintes têm decidido que os prazos do Processo Administrativo Fiscal têm natureza administrativa, não sendo preclusivos nem fatais para a administração. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, por cerceamento do direito de defesa. 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA tt;L:n: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Faz-se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico, dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, diz o Processo Administrativo Fiscal - Decreto n.° 70.235/72: "Art. 59 - São nulos: I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede a situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. 45 444-44 MINISTÉRIO DA FAZENDA efr,:;;:t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.° 70.235/72, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A matéria de mérito em discussão no presente litígio, como ficou consignado no Relatório, diz respeito à omissão de rendimentos, glosa de despesas médicas, glosa de despesas com previdência oficial, glosa de dependentes, glosa de imposto de renda na fonte lançado na Declaração de Ajuste Anual e multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada por falta de recolhimento de carnê leão lançada em concomitância com a multa de lançamento de ofício exigida juntamente com o tributo. Quanto ao lançamento de omissão de rendimentos se faz necessário um reparo no lançamento dos anos-calendário de 1995 e 1996, pelas razões abaixo: Após a análise atenta dos autos, verifica-se que basicamente a tributação nos anos calendário de 1995 e 1996, tem origem em valores constantes de extratos bancários, ou seja, apesar de existir demonstrativos de evolução patrimonial, a tributação 46 bi1/2:4 MINISTÉRIO DA FAZENDA .i.;;Iiintati PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ••=0.,1-27')' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 recai praticamente em cima de depósitos/créditos bancários na vigência da Lei n° 8.021, de 1990. Neste aspecto a fiscalização revela-se incoerente ao afirmar no Auto de Infração que a omissão de rendimentos é caracterizada "... pela vadação patrimonial a descoberto". Não produziu (nem tentou produzir) qualquer prova nesse sentido. Embora tivesse à sua disposição cópias de toda a movimentação bancária do autuado (com indícios de omissão de receitas) não se aprofundou em — necessárias — investigações ao fito de materializar a infração, seja por acréscimo patrimonial a descoberto ou sinais exteriores de riqueza, seja por qualquer forma prevista na legislação. Limitou-se, única e exclusivamente, a se apegar aos documentos que lhe vieram às mãos. A jurisprudência judiciária e a administrativa, consubstanciada nos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e Câmara Superior de Recursos Fiscais, consolidaram o entendimento de que durante a vigência da Lei n° 8.021, de 1990, os depósitos bancários ou cheques emitidos em si não constituem renda ou receita. O procedimento fiscal como este, que consiste apenas em identificar os depósitos bancários intimando o contribuinte a comprová-los, era comum. Caso o fisco considerasse a prova insuficiente, o montante depositado era diretamente considerado receita omitida. Ora, os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre teve sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. 47 =';•.- 'ir,' MINISTÉRIO DA FAZENDA top ai' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Já no passado, o próprio legislador ordinário, através do inciso VII do artigo 9°, do Decreto-lei n.° 2.471/88, determinou o cancelamento de débitos tributários constituídos exclusivamente com base em depósitos bancários não comprovados. O Poder Executivo, na Exposição de Motivos para esse dispositivo assim se manifestou: "A medida preconizada no art. 9° do projeto pretende concretizar o princípio constitucional da colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, outrossim, para o desafogo do Poder Judiciário, ao determinar o cancelamento dos processos administrativos e das correspondentes execuções fiscais em hipótese que, à luz da reiterada Jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Federal de Recursos, não são passíveis da menor perspectiva de êxito, o que S.M.J., evita dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus de sucumbência." Não caberia a afirmação de que o lançamento no caso concreto não se baseara exclusivamente em extratos bancários (depósitos bancários), data vênia, improcede posto que não foi trazida aos autos nenhuma prova, ou sequer fortes indícios, de que a contribuinte realizara operações cujos resultados omitira ao fisco, depositados em sua conta corrente bancária Tudo não passou de presunção. E de presunção não autorizada por lei. De qualquer sorte, afigura-se inegável, apesar da tributação ter origem em demonstrativos conhecidos por "fluxo de caixa", "fluxo financeiro" e "demonstrativos de origens e aplicações de recursos", "demonstrativos de evolução patrimonial", etc, que a origem da base de cálculo do tributo tomou exclusivamente como objeto de apuração os depósitos bancários (sem investigação) como renda consumida. Ora, tal procedimento que já não encontrava respaldo na jurisprudência do Egrégio Tribunal Federal de Recursos, foi definitivamente afastado pelo Decreto-lei n.° 2.471/88. 48 'ri MINISTÉRIO DA FAZENDA 30:_; r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Verifica-se, pois, que depósitos bancários, emissão de cheques, extratos de contas bancárias, podem, eventualmente, estar sugerindo possível existência de sinais de riqueza não coincidente com a renda oferecida à tributação. Isto quer dizer que embora os depósitos bancários e cheques emitidos (débitos em conta corrente) possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam, por si só, rendimentos tributáveis. Embora os elementos colhidos pela fiscalização em confronto com os constantes das declarações respectivas, autorizem a conclusão de que, na espécie, possa ter ocorrido ocultação de rendimentos percebidos pelo autuado. O método de apuração, no entanto, baseado apenas em extratos bancários — depósitos em conta corrente -, não oferece adequação técnica e consistência material de ordem a afastar a conjectura de simples presunção, com vista à identificação e quantificação do fato gerador, em particular, embora possam induzir omissão de receitas, aumento patrimonial não justificado ou sinal exterior de riqueza, no entanto, não são em si mesmo, exigíveis em hipótese de incidência, para efeito de imposto de renda, particularmente em se tratando de rendimento com vista à "acréscimo patrimonial a descoberto" e/ou "Sinais Exteriores de Riqueza", quando o fato gerador deve oferecer consistência suficiente em ordem a afastar a conjectura ou a simples presunção, para segurança do contribuinte e observância dos princípios de legalidade e da tipicidade. A fiscalização deve, em casos como o presente, aprofundar suas investigações, procurando demonstrar o efetivo aumento de patrimônio e/ou consumo do contribuinte, através de outros sinais exteriores de riqueza, a exemplo do levantamento dos gastos efetuados através dos cheques emitidos. Não basta que o contribuinte não esclareça convenientemente a origem dos depósitos ou dos cheques emitidos. Embora tal fato possa ser um valioso indício de omissão de receita, não é suficiente por si mesmo para amparar o lançamento, tendo em vista o disposto na lei. Deve, efetivamente, rastrear os gastos, 49 ,41,f MINISTÉRIO DA FAZENDA 3iti-:ler- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4fr> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 aplicações, consumo, etc, com o objetivo de demonstrar aonde foi consumido os valores constantes dos extratos bancários. Nenhuma outra diligência foi realizada no sentido de corroborar o trabalho fiscal no que tange aos depósitos bancários e cheques emitidos. Mesmo assim o fisco resolveu lavrar o lançamento, tendo como suporte os extratos bancários (depósitos bancários). Vê-se que realmente o lançamento do crédito tributário está lastreado somente em presunção. E ela é inaceitável neste caso. Os depósitos bancários e/ou cheques emitidos, como fato isolado, não autorizam o lançamento do imposto de renda, pois não configura o fato gerador desse imposto. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza conforme esta previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. O lançamento do imposto de renda realizado com base em simples extratos bancários, sem a demonstração de que o movimento bancário deu origem a uma disponibilidade econômica, e, por conseguinte, a um enriquecimento do contribuinte, o qual deveria ser tributado e não foi, não pode prosperar na vigência da Lei n° 8.021, de 1990. Como é cediço, e tal fato já foi exaustivamente demonstrado, os extratos bancários só se prestam a autorizar uma investigação profunda sobre a pessoa física ou jurídica, com o escopo de associar o movimento bancário a um aumento de patrimônio, a um consumo, a uma riqueza nova; enfim a uma disponibilidade financeira tributável. É óbvio que qualquer levantamento fiscal realizado a partir de informações constantes nos extratos bancários, concluirá pela existência de inúmeros depósitos, cujas origens imprescindem de uma averiguação mais minudente por parte da fiscalização, para 50 MINISTÉRIO DA FAZENDA "4"611.-4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *A:4 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 embasarem a instauração do procedimento fiscal e o lançamento do tributo correspondente, o que não ocorreu no caso vertente. Nunca é demais esclarecer, que nos períodos de apuração ocorridos até 31/12/96, para prevalecer este tipo de tributação é necessário que o fisco traga aos autos prova de que o contribuinte tenha realizado gastos incompatíveis com os rendimentos declarados, seja mediante consumo, seja mediante aquisição de bens e direitos. A partir daí, é aceitável mensurar a omissão de receitas com base nos valores depositados em conta corrente. Resta, ainda, examinar a licitude da aplicação do artigo 6° da Lei n.° 8.021, de 12/04/90, ao caso sob julgamento. Diz a Lei n.° 8.021190: "Art. 6° - O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far- se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza". Parágrafo 1° - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Parágrafo 5° - O arbitramento poderá ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Parágrafo 6° - Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito àquela que mais favorecer o contribuinte." Da norma supra, pode-se concluir o seguinte: 51 ?,:knâ MINISTÉRIO DA FAZENDA t ta? PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 - que não há qualquer dúvida quanto á possibilidade de arbitrar-se o rendimento em procedimento de ofício, desde que o arbitramento se dê com base na renda presumida, mediante a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. É óbvio, pois, que tal procedimento permite caracterizar a disponibilidade econômica uma vez que, para o contribuinte deixar margem a evidentes sinais exteriores de riqueza é porque houve renda auferida e consumida, passível, portanto, de tributação por constituir fato gerador de imposto de renda nos termos do art. 43 do CTN; - que para o arbitramento levado a efeito com base em depósitos bancários, nos termos do parágrafo 5°, é imprescindível que seja realizado também com base na demonstração de gastos realizados, em relação a cada crédito em conta corrente. Pois a essa conclusão se chega visto que o disposto no parágrafo 5° não é um ordenamento jurídico isolado, mas parte integrante do artigo 6° e a ele vinculado, o que necessariamente levaria a autoridade fiscal a realizar o rastreamento dos cheques levados a débito para comprovar que os créditos imediatamente anteriores caracterizassem, sem qualquer dúvida, renda consumida e passível de tributação; - que se o arbitramento levado a efeito fosse apenas com base em valores de depósitos bancários e/ou cheques emitidos, sem a comprovação efetiva de renda consumida, estar-se-ia voltando à situação anterior, a qual foi amplamente rechaçada pelo Poder Judiciário, levando o legislador ordinário a determinar o cancelamento dos débitos assim constituídos (Decreto-lei n.° 2.471/88). Enfim, pode-se concluir que depósitos bancários e/ou emissão de cheques podem se constituir em valiosos indícios, mas não prova de omissão de rendimentos e não caracterizam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, nem podem ser tomados como valores representativos de acréscimos patrimoniais. Para amparar o 52 eLb,.. • ••• • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 lançamento, mister que se estabeleça um nexo causal entre os depósitos e o rendimento omitido. Mesmo que o levantamento realizado pela fiscalização esteja amparado com base em "Fluxos Financeiros", ainda assim, não procede, já que não se demonstrou preocupação em averiguar as destinações dos aludidos cheques emitidos, ou seja, não houve qualquer rastreamento dos destinos dos cheques emitidos, para lastrear o consumo/aplicação/investimento. É por isso que o lançamento não se presta, não há possibilidade de se acusar o contribuinte de omissão de rendimentos baseado numa simples presunção de que cada cheque emitido represente necessariamente um consumo/aplicação/investimento. A fiscalização não pode limitar-se tão-somente a lançar os valores de depósitos ou débitos de cheques emitidos, nos extratos bancários, sem estabelecer qualquer nexo com o beneficio do contribuinte, com conceito de renda consumida (consumo/aplicação/investimento). O ônus da prova é do fisco. Seria ocioso mencionar que valores constantes de extratos por si só não se conceituam como renda, no sentido de disponibilidade econômica ou jurídica. O principio da legalidade objetiva e estrita e da conseqüente conceituação cerrada de fato gerador da obrigação tributária impunham, quando for o caso, a pesquisa do necessário nexo causal entre o valor consignado no extrato bancário e o beneficio do sujeito passivo. Como é sabido, valor constante de extratos bancários quer créditos, quer débitos por cheques compensados, são indiciários. Não, justificadores de presunção de renda, ainda que, no conceito de sinal exterior de riqueza. 53 *4'; e :4, — . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 No presente caso, se faz necessário lembrar, que houve como fundamento material maior da exação, simples somas de depósitos/créditos, presumidos como sinais exteriores de riqueza. Razão pela qual há a necessária perquirição das destinações dos valores, o necessário nexo causal entre os cheques e o beneficio do sujeito passivo. Houve, nestes autos, a mera presunção, já que os demonstrativos elaborados não mostram onde foram aplicados os recursos. Da mesma forma, se faz necessário ressaltar que a tributação, mesmo de depósitos bancários em instituições financeiras, ainda que não comprovada sua origem, intimado regularmente o contribuinte a tal, não pode se processar isoladamente do contexto legal do artigo 6° da Lei n.° 8.021/90. E este é o caso discutido nos autos, já que a fiscalização se limitou a exigir tributo sobre valores identificados de depósitos bancários tomados isoladamente. Enfim, há de se considerar insuficiente para caracterizar a hipótese de tributação o demonstrativo levado a efeito com base em depósitos bancários sem que se estabeleça uma vinculação entre os créditos selecionados e a comprovação da efetiva renda consumida - cheques emitidos que representam consumo/aplicação/investimento -. Neste caso se faz necessário que o fisco demonstre claramente a destinação dos cheques emitidos, através da realização de rastreamento dos mesmos, demonstrado a sua destinação. Ainda há que se ressaltar que o arbitramento realizado com amparo do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, deve permitir a escolha da modalidade mais favorável ao contribuinte, entre os valores dos créditos bancários e a renda consumida. Quando, for o caso, de a fiscalização identificar a destinação dos cheques, despesas e pagamentos, constantes dos extratos bancários, ou seja, provar o consumo/aplicação/investimento, especificando e demonstrando, claramente, a destinação dos valores debitados nos extratos bancários, não vejo a necessidade de efetuar "Fluxo 54 4eLl: ste tf.; MINISTÉRIO DA FAZENDA ;:sie„,.-•'f PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Financeiro" para se tributar os depósitos bancários. Basta identificar o critério mais favorável ao contribuinte, entre os depósitos bancários constantes dos extratos bancários e os débitos constantes dos extratos bancários, ou seja, renda consumida. Assim sendo, firmo a posição de se excluir da exigência tributária o ano- calendário de 1995, já que os valores a tributar apurados no Demonstrativo de Origem e Aplicações de Recursos tem origem exclusiva em depósitos bancários, bem como de excluir do Demonstrativo de Origem e Aplicações de Recursos do ano de 1996 os depósitos bancários, mantendo, parcialmente, a tributação do mês de abril/96 de R$ 76.533,32 (80.000,00 — 866,67 x 4 = 76.533,32). Quanto à omissão de rendimento de origem não determinada, omissão de rendimentos pela variação patrimonial dos anos-calendário de 1997, 1998 e 1999, oriunda de depósitos bancários não justificados já na vigência da Lei n° 9.430, de 1996 e compensação indevida de imposto de renda na fonte é de se observar o exposto a seguir. Caberia, sim, ao suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, apresentar meia dúzia de argumentos, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos contratos, juntamente com a informação dos valores recebidos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. Senão vejamos: Como já disse a decisão de Primeira Instância que no processo administrativo se admite a prova indiciaria ou indireta, assim conceituada àquela que se 55 4#4L.44 t4•••••......t MINISTÉRIO DA FAZENDA wfr .4..;n_dtt" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador. Indícios são fatos conhecidos, comprovados, que ligam a outro fato que se tem de provar. No caso em questão, o fato probando é: (1) - que os rendimentos declarados por Humberto Alves Gotijo foram auferidos pelo suplicante; (2) — que os depósitos bancários movimentados nos anos de 1997, 1998 e 1999 eram na realidade movimentadas pelo suplicante; e (3) — a compensação do imposto de renda na fonte foi indevida. Com a devida vênia da Relatora Amarylles Reinaldi e Henriques Resende permito-me transcrever parte do voto condutor do aresto questionado para melhor fundamentar as razões deste voto. Diz a nobre Relatora no aresto questionado: "No caso, o fato probando é que os rendimentos declarados por Humberto Alves Gontijo foram auferidos por Humberto Alvim Coutinho. Assim, inicialmente, temos vários indícios convergentes que conduzem à conclusão de que Humberto Alves Contijo é uma segunda identidade de Humberto Alvim Coutinho, verdadeiro beneficiário dos rendimentos lançados: 1) a certidão de nascimento de Humberto Alves Gontijo é falsa: • prova do elemento indiciário: documentos de fls. 51 e 65; 2) Humberto Alves Contijo e Humberto Alvim Coutinho nasceram em 24/06/1965; • prova do elemento indiciário: documentos de fls. 32, 36, 47, 49 e 65; 3) o endereço constante da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1998, apresentada por Humberto Alves Gontijo é de um imóvel de propriedade do interessado e de seu irmão Marcos Antônio Alvim Coutinho; 56 s Ir . MINISTÉRIO DA FAZENDA triLS.: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4•;-"3,14-:,:". QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 • prova do elemento indiciário: fls. 36 a 38 e 538; 4) os documentos de Humberto Alves Gontijo (certidão de nascimento, carteira de trabalho, com fotografia de Humberto Alvim Coutinho, protocolo de titulo de eleitor e cartão de CPF) foram apreendidos em um imóvel de propriedade do interessado e de seu irmão Marcos Antônio Alvim Coutinho: • prova do elemento indiciário: documentos de fls. 47 a 50, 52, 53, 65, 87 a 95 e 538; 5) Humberto Alves Gontijo só se inscreveu no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) em 17/10/97: • prova do elemento indiciário: fl. 52; • correlação com o fato probando: a inscrição em questão se deu pouco antes da entrega da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1998, única declaração apresentada por Humberto Alves Gontijo (doc. de fls. 672/673), pleiteando uma restituição no montante de R$ 4.687,50 (fls. 36 a 38). A declaração citada baseou-se em documentos apreendidos no escritório de contabilidade de Paulo Coutinho Filho (irmão do autuado), bem como extraídos de uma das CPU apreendidas, a saber, Comprovante de Rendimentos (fl. 55) e DIRF (fl.56) que teriam sido emitidos por S. O Tambores, CNPJ 01.574.162/0001-04, empresa inexistente de fato perante o fisco estadual (documentos de fls. 57 e relatório de fls. 87 a 95). E mais, a retenção pleiteada por Humberto Alves Gontijo, embasada na DIRF de fl. 56, teria ocorrido em setembro de 1997, ou seja, em data anterior à sua inscrição no CPF; 6) o pedido de esclarecimentos relativo a DIRF/1998, emitido pela DRF/Divinópolis para Humberto Alves Gontijo, foi recebido por Sandra Sena da Silva Coutinho, esposa de Humberto Alvim Coutinho: • prova do elemento indiciário: documento de fls. 75 a 86, em especial informação constante à fl. 79. Os indícios ora listados nos levam à presunção relativa de que Humberto Alves Gontijo é uma segunda identidade de Humberto Alvim Coutinho. O interessado, entretanto, não traz aos autos provas em contrário. (...). 57 •-• MINISTÉRIO DA FAZENDA wfr,31.,:kr, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Quanto à regularidade da fonte pagadora S. o Tambores Ltda., os documentos de fls. 57 a 64 mostram que, diferentemente da alegação do impugnante, tanto para o fisco federal quanto o de Minas Gerais a empresa é inexistente de fato. Acerca da retenção pleiteada, frise-se que os documentos de fls. 75 a 102 nos permitem concluir que a invocada DIRF não pode ser aceita para comprovar a retenção pretendida, senão vejamos: • em fevereiro de 1999, por ocasião dos trabalhos desenvolvidos na malha IRPF/1998, foi identificada que empresas não regulares no CNPJ, algumas com inscrição estadual bloqueada e/ou inexistentes de fato, teriam apresentado DIRF, contemplando de um a três beneficiários, pessoas físicas, sem ter efetuado o recolhimento do imposto declarado; • entre as empresas identificadas, encontra-se a S. O Tambores Ltda., que teve sua inscrição estadual bloqueada compulsoriamente em 07/10/1997, por inexistência do estabelecimento no endereço inscrito. Em fevereiro de 1999, a situação cadastral da empresa perante o CNPJ era "ativa não regular" e a situação fática era de inexistente, não havendo registro de declarações de rendimentos (fl. 78); • entre os três beneficiários dos rendimentos declarados na DIRF figuram Humberto Gontijo e Marcos Antonio Ferreira (cujo passaporte apresenta fotografia igual à da carteira de trabalho de Marcos Antônio Alvim Coutinho, irmão do autuado), sendo que ambos apresentaram declarações de ajuste anual pleiteando saldo de imposto a restituir (fls. 75 a 95); • o Escritório de Contabilidade Paulo Coutinho Filho apareceu como responsável pela escrituração de outras empresas não regulares perante o CNPJ que informaram retenção de imposto sem o devido recolhimento. Entre os demais beneficiários, encontram-se o Sr. Paulo Coutinho Filho (irmão do autuado), sua esposa, seus irmãos e suas cunhadas; • os beneficiários constantes das DIRF, ou seja, Chaliston Rodrigues de Sousa, Humberto Alvim Coutinho, Humberto Alves Gontijo, Marcos Antonio Alvim Coutinho, Marcos Antonio Ferreira, Margaret Nogueira da Silva, Maria José da Silva, Osvaldo Ferreira Silva Paulo Coutinho Filho, Sandra Elena Silva e Vera Ananias da Silva Coutinho, relacionados à fl. 75, apresentaram declarações de ajuste anual pleiteando saldo de imposto a restituir, 58 ; .€44% •5.7. MINISTÉRIO DA FAZENDA,c,t niss . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 • cientificado dos fatos acima destacados, o Ministério Público Federal, em 02/03/1999, requereu à Justiça Federal a produção de prova mediante Busca Domiciliar em alguns endereços, incluindo o do Escritório de Contabilidade Paulo Coutinho Filho e o de sua residência (87 a 102); • deferida a medida e realizada a diligência, foram apreendidos, nos apartamentos de propriedade do autuado e de Marcos Antônio Alvim Coutinho e no Escritório de Contabilidade Paulo Coutinho Filho, diversos documentos, entre eles carteiras de trabalho falsas, certidões de nascimento falsas e outras em branco, cartão CPF falso e outros (fls. 87 a 95); • além disso, entre outros documentos, no Escritório de Contabilidade Paulo Coutinho Filho foram apreendidos recibo de DIRF/97 da S. O Tambores. E o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, ano-calendário 1997, de Humberto Alves Gontijo. Esses documentos foram extraídos do disco rígido de uma das CPU apreendidas (fls. 90 a 93); • os documentos apreendidos, precedidos do Relatório que consta dos autos (fls. 87 a 95), foram encaminhados à Justiça Federal e serviram de respaldo para que o Ministério Público Federal requeresse a quebra de sigilo bancário das pessoas identificadas à fl. 97, entre elas o autuado, Humberto Alves Gontijo, Chaliston Rodrigues de Souza, Marcos Antônio Alvim Coutinho, Marcos Antonio Ferreira, Comercial Pedreira, Maurício Santos Israel, entre outros; • assim sendo, participamos da opinião do Ministério Público Federal (fls. 96 e 97) de que há evidências da "existência de um grupo de pessoas organizado com objetivos claros de fraudar o erário, mediante as mais diversas práticas, inclusive com o uso do nome de pessoas inexistentes (FANTASMAS) ou de pessoas reais sem qualquer relação com os fatos (LARANJAS)"; Por todo o exposto acima, e considerando que a empresa não efetuou nenhum pagamento no período compreendido entre 01/01/1993 e 01/07/2002 (fl. 676), não há como restabelecer a retenção do imposto de renda declarada, não merecendo o lançamento. 59 ,A MINISTÉRIO DA FAZENDA; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 No tocante aos depósitos efetuados em conta conjunta com Marcos Antônio Alvim Coutinho (lançados na proporção de 50% - cinqüenta por cento), o contribuinte afirma que eram oriundos das entregas de mercadorias da empresa Comercial Pedreira, de propriedade de Charliston Rodrigues de Souza, de quem eram funcionários. A despeito de não ser prática ortodoxa e até mesmo contrária ao princípio da entidade, poder-se-ia considerar admissivel se houvesse prova de tal ocorrência. Entretanto, o autuado não conseguiu demonstrar, e poderia dispor de documentos para tal, caso fossem verdadeiras suas alegações, que efetivamente transitaram pela sua conta corrente valores alheios aos rendimentos por ele percebidos. Quanto à conta em nome de Maurício Santos Israel, pertinentemente a fiscalização enumerou evidências de que o interessado e seu irmão Marcos Antônio Alvim Coutinho são os verdadeiros responsáveis pelas movimentações financeiras a saber • no apartamento de propriedade de Humberto e Marcos Antônio Alvim Coutinho foram apreendidos o talão de cheques da conta em questão e a cópia da carteira de identidade de Mauricio Santos Israel (M-2.563.762), ideologicamente falsa e com fotografia que não confere com a identidade física do verdadeiro Mauricio Santos Israel; • no cadastro bancário de Maurício Santos Israel, o endereço informado é de um imóvel de propriedade do autuado e de Marcos Antônio Alvim Coutinho e os números de telefone figuram na lista telefônica de Divinópolis/MG em nome de Marcos Antônio Alvim Coutinho e da empresa Comercial Pedreira; • as assinaturas de Maurício Santos Israel, apostas no Cartão de Abertura de Conta Corrente, não conferem com as dos documentos apresentados para a abertura da conta. Além das evidências enumeradas, também corroboram a tese da responsabilidade de Humberto e Marcos Antônio Alvim Coutinho pela Conta Bancária em nome de Maurício Santos Israel: • no cadastro bancário foi informado que a profissão de Maurício Santos Israel é proprietário de estabelecimento comercial (fl. 547). Entretanto, conforme se vê do Termo de Diligência de fls. 527, Maurício Santos Israel 60 , ,:°:••::it.:• MINISTÉRIO DA FAZENDA '"e PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 informa que não se associou a qualquer empresa em Divinópolis ou outra cidade, bem como que nunca abriu conta no Banco Itaú; • Paulo Coutinho Filho, irmão do impugnante, assinou como testemunha à "Alteração Contratual" da sociedade denominada Distribuidora Pedreira Ltda que traz como únicos sócios Maurício Santos Israel e Nivaldo Aparecido Maciel (fl. 534), registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais; • à fl. 537 consta declaração firmada pela empresa "Contabilidade Paulo Coutinho Ltda." atestando que Maurício Santos Israel é sócio da empresa Distribuidora Pedreira Ltda., recebendo uma quantia mensal a título de pró- labore de R$ 1.800,00. Tal declaração foi firmada em 07/06/1995, mesma data de abertura da conta bancária (fls. 547); • Maurício Santos Israel, em diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal em Divinópolis, atestou não conhecer o endereço que consta do cadastro do Banco na(' (R. Maestro João Pinto, 370, Esplanada, Divinópolis) e nem seus moradores (fls. 527 e 549). Quanto à conta em nome de Comercial Pedreira Ltda, há que se destacar as seguintes evidências: • a identidade física de Chaliston Rodrigues de Souza, sócio responsável pela empresa Comercial Pedreira não é conhecida (fl. 05); • um talonário de cheques em branco do Banco Itaú S/A, em nome de Chaliston Rodrigues de Souza, já assinados, e uma autorização para entrega de talão de cheques do Banco Rau, em nome de Chaliston Rodrigues de Souza, encontravam-se entre os documentos apreendidos nos apartamentos 102 e 103 do prédio situado à rua Maestro João Pinto. O autuado e seu irmão, Marcos Antonio Alvim Coutinho, são os proprietários dos referidos imóveis (fls. 87 a 90); • Marcos António Alvim Coutinho e o autuado assumiram o compromisso de levar Chaliston Rodrigues de Souza a DRF/Divinópolis para presenciar a abertura do volume contendo os documentos apreendidos no apartamento 101, pois, a despeito de serem os proprietários do apartamento, declararam que a responsabilidade pelos documentos era de Chaliston Rodrigues de Souza. Entretanto, Chaliston Rodrigues de Souza nunca compareceu a DRF/Divinópolis (fls. 87 a 90); 61 ..4$44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES )" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 • embora Humberto e Marcos Antonio Alvim Coutinho tenham afirmado que o apartamento 101 estava alugado para Chaliston Rodrigues de Souza, nenhum contrato de locação foi apresentado. Ademais, conforme registrado no documento de fls. 87 a 95, no referido apartamento, no dia da busca e apreensão anteriormente mencionada, encontravam-se materiais de pintura, inclusive telas, com o nome de Sandra Elena Coutinho Silva, esposa do autuado; • a certidão de casamento de Chaliston Rodrigues de Souza e Maria Helena de Souza é falsa (fls. 424 e 425); • os bens patrimoniais de Marco Antonio e Humberto Alvim Coutinho foram informados ao Banco Bamerindus S/A, para fins de cadastro, como pertencentes à empresa Comercial Pedreira (fls. 428/434); • o documento de fls. 677 a 683, assinado por fiscais de tributos estaduais (MG), encaminhado ao Chefe da Unidade Fazendária/II — Divinópolis, com cópia para o Delegado da Receita Federal de Divinópolis, noticia que no estabelecimento da empresa Chaliston Rodrigues de Souza o proprietário nunca foi encontrado, mas sim Humberto e Marcos Antonio Alvim Coutinho que se apresentavam como "funcionário" e "vendedor", respectivamente. As intimações emitidas para Chaliston Rodrigues de Souza eram recebidas por Paulo Coutinho (irmão do autuado), que possui procuração com amplos poderes para representa-lo. Também há informações de que o autuado e Paulo Coutinho Filho foram os fiadores no contrato de locação do imóvel onde funcionava a empresa Chaliston Rodrigues de Souza. Mauro Lúcio Salomé, pessoa humilde, residente na periferia de Divinópolis, ao ser informado que figurava como sócio da empresa Comercial Glamour Ltda., registrou ocorrência e foi ouvido pelo Delegado Dr. Ar-lindo Berto da Silva. Em seu depoimento declarou que trabalhou na empresa Comercial Pedreira e que, para ele, os donos eram Humberto e Marcos Antonio Coutinho, irmãos do contador da empresa (Paulo Coutinho Filho). Contou, ainda, que aproximadamente um ano e meio antes da data do depoimento (02/10/1998), foi conduzido por Marcos Antonio e Humberto Alvim Coutinho a um "cartório de registro", tendo assinado um documento — que não sabia precisar- e uma folha em branco. Há também informação de que os veículos utilizados nos transportes de mercadorias oriundas do Estado de São Paulo (onde estão sediadas as empresas Comercial Glamour Ltda — ME, Comércio de Louças e Cristais Requin Ltda., Comercial Alvimar e Reis Ltda.) acobertadas com notas fiscais inidõneas, são de propriedade de Marcos Antonio Alvim Coutinho, sua esposa Margaret Nogueira Coutinho, 62 ks_ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES d' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Humberto Alvim Coutinho e sua esposa Sandra Elena da Silva Coutinho. Além do mais, os fiscais estaduais registraram que a empresa Sandra Elena da Silva Coutinho, cujo contador é Paulo Coutinho, nada mais é que uma sucessora de fato da empresa Chaliston Rodrigues de Sousa (que encerrou Irregularmente suas atividades), utilizando, inclusive, o nome de fantasia de Comercial Pedreira; • foram apreendidos no escritório de contabilidade Paulo Coutinho Filho o recibo de DIRF/97 da empresa Comercial Glamour Ltda, os Comprovantes de Rendimentos, ano-calendário 1997, e os recibos de entrega da declaração de rendimentos, ano-calendário de 1997, dos dois beneficiários relacionados na DIRF, ou seja, Marcos Antonio Alvim Coutinho e sua esposa Margaret Nogueira da Silva, sendo que todos esses documentos foram extraídos do disco rígido de uma das CPU apreendidas (fls. 87 a 95); (...). As evidências acima elencadas, diferentemente do que argumenta o impugnante, legitimam a convicção de que Chaliston Rodrigues de Souza seja um "laranja/fantasma" e de que o autuado e seu irmão Marcos Antônio Alvim Coutinho sejam os verdadeiros responsáveis pela conta aberta em nome da empresa Comercial Pedreira Ltda., estando correto o entendimento da autoridade lançadora." Na esteira das considerações acima mencionadas é de se afirmar que se o contribuinte não declarou os rendimentos cabe considerá-los como omitidos, pois a omissão sempre deverá ser entendida, sob o ponto de vista fiscal, como todo e qualquer procedimento que implique em não se praticar ato que a lei determine seja praticado. Por outro lado, para manter o equilíbrio da balança, devem ser excluídos os valores devidamente comprovados, através da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores. Não se pode questionar a validade do emprego de indícios, para a partir deles provarem-se situações que, em face de particularidades próprias, não se poderiam provar de outra forma. Da análise dos autos não há dúvidas que o recorrente recebeu os 63 MINISTÉRIO DA FAZENDA -tkir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 valores questionados e os mesmos não tem a devida correspondência em origem de recursos declarados. As provas apresentadas pelo contribuinte no intuito de se exonerar do tributo são por demais frágeis e em nada o socorre. É fato que o direito processual consagrou o princípio de que a prova incumbe a quem afirma. Porém, é igualmente sabido que não se pode questionar a validade do emprego de indícios para mediante ilações deles extraídas provarem-se situações que, em face de particularidades próprias, não se poderiam provar de outra forma. Ora, nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo que neste caso está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Finalmente, no presente caso, são oportunas algumas considerações a propósito da interpretação das leis, especialmente no campo do Direito Tributário: "Ensina FRANCISCO FERRARA, in "Ensaio Sobre a Teoria de Interpretação das Leis" - Studiu, Coimbra, 1978 , r Ed. pág. 26: "... interpretar, quando de leis se trata, significa algo diverso de interpretar em outros casos: interpretar, em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva? 64 46^1•M MINISTÉRIO DA FAZENDA •-"% -- ;Or PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Ensina, ainda, que "Assim, não há dúvida que as palavras da lei podem comportar, e em regra comportam, diversos pensamentos. Mas nem todos têm, sob este ponto de vista, a mesma legitimidade. Um deles representará a significação natural, imediata, espontânea dos dizeres legais; outro uma significação artificiosa ou reservada. Um deles encontrará no teor verbal da lei uma expressão perfeitamente adequada; outro uma notação vaga, tosca, infeliz. Um deles sente-se como que à sua vontade dentro do texto legal; outro só lá se agüenta com certo mal estar." CARLOS MIXIMILIANO, em sua obra 'HERMENÊUTICA APLICAÇÃO DO DIREITO", Forense, 1981, 9' ed. pags.165/166, preleciona: "Prefere-se o sentido conducente ao resultado mais razoável, que melhor corresponda às necessidades da prática, e seja mais humano, benigno, - suave. É antes de crer que o legislador haja querido exprimir o conseqüente e adequado à espécie do que o evidentemente injusto, descabido, inaplicável, sem efeito. Portanto, dentro da letra expressa, procura-se a interpretação que conduza a melhor conseqüência para a coletividade. Deve o Direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências, vá ter conclusões inconsistentes ou impossíveis. Também se prefere a exegese de resulta eficiente à providência legal ou válido o ato, à que torne aquela sem efeito, inócua, ou este juridicamente nulo." "Desde que a interpretação pelos processos tradicionais conduz a injustiça flagrante, incoerências do legislador, contradição consigo mesmo, impossibilidades ou absurdos, deve-se presumir que foram usadas expressões impróprias, inadequadas, e buscar um sentido eqüitativo, lógico e acorde com o sentido geral e o bem presente e futura da comunidade." Assim, interpretar não significa desobedecer ao mandamento legal, mas, cumprir o seu ordenamento, seu preceito, só de forma a tomá-lo consentâneo com a• 65 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;,-13-,ger? QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 realidade que nos cerca. O que se busca, em última análise, é tomar o comando legal exeqüível, eficiente, eficaz, de alcance lógico, racional, principalmente, jurídico. Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação saneadora contrária, por parte da autoridade administrativa fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Dessa forma, não podia e não pode o fisco permanecer inerte diante de procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular, como no presente caso, compete ao fisco proceder como o fez: apurar a omissão de receitas com os meios disponíveis no momento da apuração do fato e calcular o imposto devido. No Direito Privado, se a simulação prejudica um terceiro, o ato toma-se anulável. O Estado é sempre um terceiro interessado nas relações entre particulares que envolvem recolhimento de tributos; por conseguinte, poderia provocar a anulação destes atos. Entretanto, a legislação tributária preferiu recompor a situação e cobrar o imposto devido. Assim, as simulações que envolvem tributos não são tratadas no Direito Tributário como seriam no Direito Privado. Neste último, a conseqüência é a anulabilidade do ato praticado; e no Direito tributário é o lançamento ex-offício do imposto, que o verdadeiro ato geraria, acrescido das penalidades cabíveis. A Fazenda Nacional, representante legítimo da União, tem o poder de impor normas que visem a impedir a manipulação de bens ou valores que repercutam negativamente nos resultados da cobrança de tributos. 66 •-• MINISTÉRIO DA FAZENDA: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 E, como no direito processual brasileiro, para provar-se um fato, são admissíveis todos os meios legais, inclusive os moralmente legítimos ainda que não especificados na lei adjetiva, sendo livre a convicção do julgador, amparado nesta máxima firmo a minha convicção que estão corretos, tanto o procedimento fiscal como a decisão recorrida, no que se refere à omissão de rendimentos analisados neste item. O recorrente alega, ainda, em tese a falta de previsão legal para embasar lançamentos tendo por base tributável depósitos bancários, já que no seu entender a movimentação financeira somente pode ser utilizada para o cômputo da base de cálculo do IR quando aliada a sinais exteriores de riqueza, e no caso em questão, pela inexistência de indícios de acréscimo patrimonial, o fisco não poderia ter utilizado a movimentação financeira como meio de arbitramento do imposto, por total inexistência do respectivo fato imponivel. De inicio cabe esclarecer, que a jurisprudência administrativa e judicial trazida aos autos pelo suplicante, nada tem haver com a espécie lançada, já que se refere a lançamentos respaldados em leis anteriores à edição da Lei n°9.430, de 1996. Ora, ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei n° 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5° do artigo 6°, da Lei n° 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do Decreto-lei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancário, não há como se falar em Lei n° 8.021, de 1990, ou Decreto-lei n° 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. 67 MINISTÉRIO DA FAZENDA tf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 24:34-qh.f?" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 É notório que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o principio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável 68 MINISTÉRIO DA FAZENDA ttititi;51 .7. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES aksivrt QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fomecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato innponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que o fato gerador da obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probalidade da existência de uma fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar os argumentos da recorrente, já que o ônus da prova em contrário é sua, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: 69 el;11:44, "v. •-• ir. MINISTÉRIO DA FAZENDA th.j ;tt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Lei n.° 9.430. de 27 de dezembro de 1996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira?. Lei n.° 9.481, de 13 de agosto de 1997: "Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente." 70 MINISTÉRIO DA FAZENDA ejP--Sa.tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Da interpretação do dispositivo legal acima transcrito podemos afirmar que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde se observará os seguintes critérios: I — não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II — os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III — nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV — todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada. Pode-se concluir, ainda, que: I - na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no ano-calendário; 71 44C:44, ri..L MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 41-kC::: 1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 II — caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III — na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do ano-calendário, a oitenta mil reais; IV — na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados ou não tributáveis, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V — na hipótese de créditos que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano-calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados ou não tributáveis, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização 72 a'4). 4.1 .• MINISTÉRIO DA FAZENDAsor; eit T-Ittr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';ials::.7?" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Faz-se necessário mencionar, que a presunção criada pela Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa, passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam aquisição de disponibilidade financeira não tributável. Assim, para que se proceda a exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo. Desta forma, no que concerne à renda presumida, assim considerados depósitos bancários de origem não comprovada, trata-se de presunção legal "juris tantum". Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a 73 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4A-C,11- QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430/96, art. 42). Pelo exame dos autos verifica-se que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, nada esclareceu. Ora, o efeito da presunção "juris tantum é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionada tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Quanto à glosa da compensação do imposto de renda na fonte, conforme já dito anteriormente, é de se manter a glosa de Imposto de Renda na Fonte, quando o contribuinte não traz aos autos documentos hábeis que comprovam a sua retenção ou seu recolhimento, principalmente, quando a administração tributária procede diligências e constata que no período questionado a empresa estava desativada e com inscrição bloqueada no cadastro do fisco estadual, bem como não localiza em seus arquivos as retenções e recolhimentos questionados. Quanto à glosa de despesas médicas e despesas com previdência oficial, tem-se que a dedução das despesas médicas e contribuições à previdência oficial é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados pela autoridade lançadora, através da apresentação da documentação hábil e idônea. Desta forma, é de se manter as glosas efetuadas, por falta de comprovação dos pagamentos declarados. 74 - • MINISTÉRIO DA FAZENDA '-ofrati,"- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Quanto à dedução de dependente, tem-se que comprovado nos autos que a esposa apresentou declaração em separado, incabível relaciona-la como dependente. No que tange à aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada tenho a seguinte posição: No que diz respeito à omissão de rendimento de origem não determinada, oriunda da apresentação de Declaração de Ajuste Anual em nome fictício; omissão de rendimentos pela variação patrimonial dos anos-calendário de 1997, 1998 e 1999, oriunda, basicamente, de depósitos bancários não justificados já na vigência da Lei n° 9.430, de 1996 e compensação indevida de imposto de renda na fonte, entendo que está caracterizado o evidente intuito da fraude, já que esta provado nos autos que estas irregularidades tem origem em diversas infrações dolosas, tais como: apresentação de Declaração de Ajuste Anual em nome fictício; movimentação bancária utilizando-se de nomes de terceiros (laranjas) e de nomes fictícios (fantasmas); e compensação de imposto de renda na fonte como que retido fosse em nome de empresa já desativada. Não há muito que comentar pelas razões alinhavadas a seguir. No que diz respeito à dedução de despesas médicas, dedução de despesas com previdência oficial e dedução de dependentes, entendo que não esta caracterizado o evidente intuito de fraude, da mesma forma, pelas razões alinhavadas a seguir. Neste processo, se faz necessário esclarecer a aplicabilidade da multa qualificada, decorrente do art. art. 992, II, do RIR/94, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 75 te; MINISTÉRIO DA FAZENDAtrt: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Como se vê nos autos, o contribuinte foi autuado sob a acusação de omissão de rendimentos, glosa de compensação de imposto de renda na fonte e glosa de despesas diversas. O auto de infração noticia a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, sob o argumento de que o contribuinte participou de um grupo de pessoas com objetivos de fraudar o erário, mediante as mais diversas práticas, inclusive com o uso do nome de pessoas inexistentes ou o uso de nome de terceiros alheios aos fatos. Trata-se aqui, de questão delicada. Entendo para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no artigo 992 do RIR/94. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no inciso II do artigo 992 do RIR194, aprovado pelo Decreto n.° 1.041/94, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Ora, deve se ter sempre em mente o princípio de direito no sentido de que "fraude não se presume". Há de ter no processo provas sobre o evidente intuito de fraude. Não há dúvidas, que o termo sonegação, no sentido da legislação tributária reguladora do IPI, "é toda ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente". Porém, para a legislação tributária reguladora do Imposto de Renda, o conceito acima integra, juntamente com o de fraude e conluio da aplicável ao IPI, o de "evidente intuito de fraude". 76 bt' ts MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘4°. f ' r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES aLf:_;,W• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Como se vê o artigo 992, II, do RIR/94, que representa a matriz da multa qualificada (agravada/majorada), reporta-se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultá-la. Acredito que o processo oferece provas sobre evidente intuito de fraude nos itens de omissão de rendimentos e glosa na Declaração de Ajuste Anual da compensação do imposto de renda na fonte. O que ficou evidenciado, em parte, foi o fato da omissão de rendimentos. Essa omissão foi provada através dos créditos bancários sem origem justificada movimentadas pelo suplicante em nome de terceiros e em nome fictício. A tributação, no presente caso, resulta de presunção de rendimentos auferidos pelo autuado. Sendo que estes valores não foram declarados pel0 suplicante, ou seja, deixou de submeter à tributação tais rendimentos. Ora, a manutenção de contas bancárias em nome de terceiros e em nome fictício a margem da declaração de rendimentos, sem a devida comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de rendimentos, porém por si só, são suficientes para amparar a aplicação de multa qualificada. Já nos itens de glosa de despesas médicas, glosa de despesas com previdência e glosa de dependentes, com o devido respeito e acatamento, aos que pensam em contrário, examinando-se a aplicação da penalidade de 150% vislumbra-se um lamentável equívoco da autuação fiscal. Acumularam-se duas premissas: a primeira que foi a da glosa pura e simples; a segunda que a dedução destas despesas estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Assim agindo, aplicou, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada nestes itens, pois, 77 te; MINISTÉRIO DA FAZENDA 10,4fr . 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 prevalecendo à imposição, a toda evidência não há, nos autos, provas de que tenha tais infrações o evidente intuito de fraudar. A prova neste aspecto deve ser material, evidente como diz a lei. Com efeito, a qualificação da multa nestes itens importaria em equiparar uma simples infração fiscal, que no caso dos autos é a glosa de deduções, facilmente detectável pela fiscalização, às infrações mais graves como as irregularidades dos itens de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda na fonte, através do uso de nomes fictícios, nome de terceiros, uso de empresas desativadas etc., em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, em casos como dos autos nos itens de glosa das deduções, onde não se comprova que houve alguma adulteração, importaria em equiparar uma prática claramente identificada, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, em que o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo de: adulteração de comprovantes, nota fiscal inidtmea, conta bancária fictícia, falsificação documental, documento a titulo gracioso, falsidade ideológica, nota fiscal calçada, notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), notas fiscais paralelas, etc. As contas bancárias abertas em nome de terceiros e em nomes fictícios e movimentadas pelo suplicante e omitidas na declaração de rendimentos, por si só, têm o condão de caracterizar presunção de omissão de rendimentos e o evidente intuito de fraude. O que caracteriza omissão de rendimentos são dos depósitos bancários, cuja origem dos recursos não sejam suficientemente comprovados, através da apresentação de documentação hábil e idônea de que se tratam de rendimentos não tributáveis, isentos, já tributados, doações ou que tenham origem em empréstimos. É evidente que fato de alguém - pessoa jurídica - não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado de plano com evidente 78 - rr MINISTÉRIO DA FAZENDA Yfr,À . jr.'PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES g:234.1/4'1'5 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declará-lo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não. Ora, se nesta circunstância, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar. É evidente que o caso das glosas de deduções, em questão, é semelhante, já que a presunção legal que o recorrente se utilizou de uma redução indevida. Por que não se pode reconhecer na simples dedução indevida a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples é porque existe a redução indevida, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, já que nos documentos acostados aos autos inexistem as fraudes. Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a dedução indevida pura e simples, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado, etc. Já ficou decidido por este Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Decisão, por si só suficiente para uma análise preambular da matéria sob exame. Nem seria necessário a referência da decisão deste Conselho de Contribuinte, na 79 \ et. h. -44 MINISTÉRIO DA FAZENDA '41:4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 medida em que é principio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata-se de aplicar uma sanção e neste caso o direito faz com cautelas para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Tirando toda a subjetividade dos argumentos apontados, resta apenas de concreto a simples dedução indevida de despesas e dependentes. Da análise dos documentos constantes dos autos e das conclusões da autoridade administrativa lançadora pode dizer que houve o "evidente intuito de fraude" que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada nos itens de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda na fonte, já que nestes itens estão perfeitamente identificadas e comprovadas as circunstâncias materiais do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de fraude, praticado pelo autuado com relação aos rendimentos recebidos por ele. Já nos itens das glosas das deduções existe, a ausência, inegável, do elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar - reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Como também é pacifico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão impõe-se, invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na Lei. Em primeiro lugar, recorde-se o que determina o 80 4.1.!n ‘44 MINISTÉRIO DA FAZENDA <!-- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES4,svão, QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, nestes termos: "Art. 992 — Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.° 8,218/91, art. 4°) II — de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis? A definição de fraude se encontra, especificamente, no art. 72, cujo teor é o seguinte: "Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento." Como se vê, exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou glosa simples de deduções indevidas. No caso de realização da hipótese de fato de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o "intuito de fraude". E nem poderia ser diferente, já que por 81 . MINISTÉRIO DA FAZENDA tot-a-z.gt* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 mais abrangente que seja a descrição das hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade "dolo" sendo-lhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar pressuposto não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades circunstâncias e essenciais, autoria e graduação das penas, imprescindindo o intérprete, julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Do que veio até então exposto, ressai como aspecto distintivo fundamental em primeiro plano é o conceito de "evidente" como qualificativo do "intuito de fraudar", para justificar a aplicação da multa de 150%. Até porque, faltando qualquer deles, não se realiza na prática, a hipótese de incidência de que se trata. Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem-se que: "EVIDENTE. <Do lat. Evidente> Adj. — Que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente." "EVIDENCIAR — V.t.d 1. Tomar evidente; mostrar com clareza; Conseguiu com poucas palavras evidenciar o seu ponto de vista. P. 2. Aparecer com evidência; mostrar-se, patentear-se." 82 ift•L '44 .1; MINISTÉRIO DA FAZENDA tFTS .t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, trazendo esse conceito mais para o âmbito do direito, esclarece: "EVIDENTE. Do latim evidens )claro, patente), é vocábulo que designa, na terminologia jurídica, tudo que está demonstrado, que está provado, ou o que é convincente, pelo que se entende digno de crédito ou merecedor de fé." Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Quando a lei se reporta a evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir. No caso da glosa de deduções em julgamento a ação que levou a autoridade lançadora a entender ter o recorrente agido com fraude está apoiado, equivocadamente, no fato do contribuinte não ter justificado adequadamente as deduções realizadas, entendendo que houve declaração falsa, bem como omissão de informações. Ora, o evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se 83 1'4 '; • ir- MINISTÉRIO DA FAZENDA tfr . z<tr- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. É cristalino, que nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas, e por decorrência da natureza característica dessas figuras, o legislador tributário entendeu presente o intuito de fraude. Assim sendo, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no inciso II do artigo 992, do RIR/94, aprovado pelo Decreto n.° 1.041/94, cujo amparo legal vem do inciso II, do artigo 4°, da Lei n.° 8.218/91, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Assim sendo, é de se reduzir à multa de lançamento de ofício qualificada para multa de lançamento de ofício normal, relativo aos itens 003, 004 e 005. Quanto à aplicação da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada, sobre os rendimentos omitidos por pessoa física, cuja origem não seja apurada, devem sofrer tributação no ajuste anual, sendo indevida a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento mensal obrigatório (camê-leão), à inteligência do artigo 55, inciso XIII e parágrafo único do RIFt199 (Decreto n° 3.000/99), só posso concordar com o suplicante. Senão vejamos: A Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: 84 MINISTÉRIO DA FAZENDA,-* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 "Art. 43 — Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 30 do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II — (omissis). § 1° - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II — isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III — isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (camê-leão) na forma do art. 8° da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; (...). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 85 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 10419.386 § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano-calendário, que deixou de recolher o "camê-leão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada, bem como os Juros de mora limitados entre a data do vencimento da obrigação até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal conclui-se que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (camê-leão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de oficio isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a 86 MINISTÉRIO DA FAZENDA M1 k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';:trilier:" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.00007412003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. Assim sendo, é de se excluir da tributação a multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de oficio exigida com o tributo. Quanto à argumentação apresentada pelo recorrente de que a aplicação da taxa SELIC é inadmissível, já que desobedece regra contida no art.161, § 1° do CTN e art. 192, § 3° da CF, não tem razão o interessado, pelos motivos abaixo elencados. Não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou - ilegalidade formal da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.° 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Quarta Câmara, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através dos chamados controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar 87 1: 4;;;. MINISTÉRIO DA FAZENDA sii.,31:J PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES gfN-9-;-.Nt• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. A ser verdadeiro que o Poder Executivo deva inaplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta - sob o ponto de vista formal - a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá-la-ia, nos termos do artigo 66, § 1° da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4° do mesmo artigo constitucional, promulgue-a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta-se-lhe, tão-somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imagine-se se assim não fosse, facultando-se ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negar-lhe executoriedade por entendê-la, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer a suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. 88 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,">letiriz-4 IN QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10665.000074/2003-37 Acórdão n°. : 104-19.386 Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticar-se inconstitucionalidade ainda maior, consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Desta forma, entendo que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente â taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, tal qual consta do lançamento do crédito tributário. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido REJEITAR as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso, para: I — excluir da exigência tributária o ano-calendário de 1995; II — excluir da exigência tributária a importância de R$ 384.651,04, relativo ao ano-calendário de 1996; III - excluir da exigência tributária a aplicação da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de ofício; e IV — reduzir a aplicação multa de oficio qualificada de 150% para multa de lançamento de ofício normal de 75%, relativo aos itens 003, 004 e 005 do Auto de Infração. Sala das Sessões - DF, em 11 de junho de 2003 -0,70nIN 1 89 Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019000.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10665.001297/00-34
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 2004
Ementa: COFINS. COMPENSAÇÕES. CRÉDITOS DE PIS. BASE DE CÁLCULO. São legítimas as compensações entre tributos de diferentes espécies se observado o disposto na legislação vigente, in casu, art. 12 da IN SRF nº 21/97. No cômputo dos créditos do PIS, decorrentes da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, deve ser considerada a base de cálculo referente ao faturamento do sexto mês anterior. Precedentes no STJ. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre a parcela da contribuição devida, incidem multa de ofício e juros de mora, de acordo com a legislação de regência. É defeso aos Conselhos de Contribuintes afastar lei vigente ao argumento de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-77538
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo Galvão
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Segundo Conselho de Contribuintes — Ca0 Processo n' : 10665.001297/00-34 Recurso n° : 125.640 Acórdão : 201-77.538 Recorrente : ITACAR VEÍCULOS E PEÇAS LTDA . Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG COFINS. COMPENSAÇÕES. CRÉDITOS DE PIS. BASE DE CÁLCULO. São legitimas as compensações entre tributos de diferentes espécies se observado o disposto na legislação vigente, in casu, art. 12 da IN SRF ri2 21/97. No cômputo dos créditos do PIS, decorrentes da inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n2s 2.445 e 2.449, de 1988, deve ser considerada a base de cálculo referente ao faturarnento do sexto mês anterior. Precedentes no STJ. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre a parcela da contribuição devida, incidem multa de oficio e juros de mora, de acordo com a legislação de regência. É defeso aos Conselhos de Contribuintes afastar lei vigente ao argumento de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ITACAR VE1CULOS E PEÇAS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 16 de março de 2004. • 4 40 aMo00 ("rf . Jose Maria Coelho Mau Presidente Ádriarcal=terért' m acto:1-1C+1/412/"cuC)--- Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Antonio Mario de Abreu Pinto, Serafim Fernandes Corrêa, Sérgio Gomes Velloso, Gustavo Vieira de Melo Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer. 1 . ; :W.Ite,to 22 CC-NIF Ministério da Fazenda Fl. tfr",—;:lk" Segundo Conselho de Contribuintes ,•.4:-LeVk..4, ,....-,,,,, .• Processo J : 10665.001297100-34 Recurso n2 : 125.640 Acórdão n2 : 201-77.538 Recorrente : ITACAR VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. RELATÓRIO Itacar Veículos e Peças Ltda., devidannente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fis. 749/785, contra o Acórdão n2 4.547, de 6/10/2003, prolatado pela 1 ! Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte - MG, fls. 726/743, que julgou procedente em parte o lançamento consubstanciado no auto de infração de Cotins, fls. 4/7. Por bem narrar os fatos, adoto como minhas as palavras do relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: "Contra o contribuinte identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3/19 com a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, no valor correspondente a R$ 813.462,69 a título da contribuição, mais multa de oficio de 75% e juros de mora, para os fatos geradores constantes de fl. 15/18. Consta da Descrição dos Fatos de fls. 5/6 que: 1) O contribuinte recolheu, a menor, a Cofirzs ou compensou indevidamente esta contribuição com créditos não apurados no período de dezembro/1995 ajulho/2000; 2) Levantamos os valores da Cofirzs conferindo-os com os livros fiscais, relativos ao faturamerzto com base em valores exclusivamente de vendas de mercadorias e serviço; 3) Com esses dados elaboramos o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA, onde consta data do fato gerador, vencimento, alíquota e valore principal da contribuição. Na coluna débitos declarados/REFIS, consideramos os valores declarados em DCTF durante todo o período, exceto para os meses de outubro/1998 a julho/2000, tendo em vista a glosa do valor declarado como compensado com crédito do PIS- Fatura mento; 4) O contribuinte solicitou a compensação da contribuição declarada com crédito que julgou existir, conforme processo n°13675.000102/99-84, proveniente a pagamento a maior do P1S-FATURAMENTO, conforme por ela pleiteado junto a Justiça Federal, através de processo n°1997380006332290; 5) Analisando a decisão judicial e cumprindo o determinado pela Justiça Federal, elaboramos o mapa COMPARAÇÃO DO VALOR DO PIS SOBRE O FATURAMEIVTO E O VALOR RECOLHIDO, para o período de novembro/1992 a dezembro/I994, onde constatamos a inexistência de crédito disponível; 6) Assim sendo, tornou-se inócuo o pedido constante do processo 13675.000102/99- 84. para compensação de crédito de PIS-FATURAMENTO com a COFINS, o que ensejou a glosa das compensações declaradas nas DCTFs; 7) Apuramos as diferenças a tributar, comparando os valores devidos com o maior valor entre o declarado e recolhido, a fim de que as cobranças em conta-corrente continuem devidas. Cientificada em 16/11/2000 ai 04), a interessada apresentou, em 14/12/2000, iimpu ação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 300/337, alegando, em síntese, que: 30k 2 • : 2° CC-MF -r---. Ministério da Fazenda x" .1 -..-4: t. Fl. 145 :" .40t. Segundo Conselho de Contribuintes -2(elfit-3 Processo n9 : 10665.001297/00-34 Recurso e : 125.640 Acórdão rt' 201-77.538 I) O auditor alega que houve recolhimento a menor da referida contribuição e que a empresa não possuía crédito de contribuição ao PIS que possibilite a compensação com débitos da Cotins, razão pela qual glosou a compensação efetuada; 2) Esta autuação colide com nosso ordenamento legal, com instruções nomeavas da Receita Federal, com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, do Supremo Tribunal Federal, com a razão, o bom senso e a justiça; 3) Em momento pretérito a impugrzante recolheu indevidamente a contribuição ao PIS que pode ser compensada com os débitos de Cofins. Esta compensação além de ser autorizada pela legislação federal e estar pacifica nos nossos tribunais, é autorizada por INda própria Receita Federal, que determina que a compensação seja efetuada de oficio pela autoridade administrativa; 4) A diferença de recolhimento descrita no auto de infração advém de equívocos do lançamento fiscal, que considerou como base de cálculo da contribuição valores que não representam receita para a impugrzarzte; 5) Atendendo as determinações da montadora de veículos(GM BRASIL) para melhor análise gerencial, a impugrzante obrigatoriamente, efetua lançamentos discriminados por 'Departamentos', visando apurar o desempenho de cada departamento, através de contas meramente transitórias, que têm seus saldos anulados por inversão de saldos e contas, antes da apuração do resultados no final de cada exercício; 6) Assim, por exemplo, na prestação de serviço de revisão de entrega de veículos novos pelo ?Departamento da Mecânica', que não são cobrados dos clientes nem do fabricante, porque são considerados como parte do preço de venda do veículo, são alocados valores que não correspondem a um efetivo ingresso de recursos financeiros (caixa) da inzpugnante, mas que são computados como Receita' daquele departamento para apurar o seu desempenho. Neste exemplo, é efetuado o seguinte lançamento: D - Despesas c/ Departamento de Veículos Novos Revisões de Entrega' C - Receitas c/ Departamento de Mecânica 'Transferências Internas' 7) Assim, são lançados em contas contábeis de receitas, valores que não representam ingressos de recursos financeiros e, portanto, que não são caracterizados como base de cálculo das referidas contribuições. Porém, essas contas contábeis, não são contas de resultado e, portanto, pelos registros contábeis resta evidente que não correspondem a uma receita auferida; 8) Os lançamentos mensais demonstram apenas o desempenho do departamento. No final do exercício os saldos das contas credoras e devedoras se anulam, com a inversão dos lançamentos; 9) Ademais disso, ainda não foram consideradas as devoluções de vendas e as vendas canceladas, que devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Ao desconsiderar as devoluções de vendas e as vendas canceladas, a e...N.contribuição ao PIS e a COFIIVS está incidindo sobre uma receita irreal, inexistente, 40 3 • : 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. ."5P4tX Segundo Conselho de Contribuintes Processo ri' 10665.001297/00-34 Recurso n 125.640 Acórdão n2 201-77.538 10) Com a declaração de inconstitucionalidade e a suspensão dos decretos 2.445 e 2.449/88, nasceu o direito da empresa de compensar os valores que indevidamente recolheu de contribuição ao PIS, à luz dos decretos, com débitos da COF1NS; I I ) Diante disto a empresa apresentou toda a documentação necessária ao Fisco Federal, informando que doravante procederia à compensação; 12) Os cálculos apresentados pela impugnante e que demonstram o crédito compensável, foram elaborados considerando como base de cálculo o faturamento de seis meses antes do mês de incidência, sem nenhuma correção; 13) O fisco, sob o argumento de que a impugnante não teria créditos, lavrou o presente auto de infração, exigindo crédito tributário inexistente, posto que em face da compensação, o mesmo está extinto e não há diferença a ser recolhida; 14) Nos cálculos apresentados pela impugnante considera-se o fato gerador e a base de cálculo tal como previsto na Lei Complementar 07/70 e 17/73; 15) O Fisco pretende que as Leis 7.691/88; 7.779/89; 8.019/90; 8.212/91; 8.383/91; 8.850/94; 8.981/95 9.065/95 determinem a base de cálculo do PIS de forma diversa da LC 7/70; 16) Este auto vai em confronto com o entendimento do Conselho de Contribuintes/ME, que milita em favor da impugnante; 17) De capital importância é a assertiva de que não foi prevista na lei a cobrança de correção monetária entre o mês em que ocorreu o faturamento e o mês da ocorrência do fato gerador da contribuição, seis meses após; 18) Pretende o Fisco associar o fato gerador com a base de cálculo, fundindo os dois institutos, numa única realidade jurídica, o que é inconcebível; 19) In veritate, o prazo de recolhimento do tributo foi estipulado pelas leis ordinárias subseqüentes, às quais o fisco pretende dar a interpretação de que trataram de base de cálculo do tributo. Entretanto as mesmas dispõem sobre data de recolhimento de tributo e não sobre base de cálculo do tributo, que já havia sido determinado pela Lei Complementar 7/70; 20) Data vênia, por não admitir a compensação, sob o fundamento de que não haveria crédito da contribuição ao PIS, o auto de infração confunde alhos com bugalhos, base de cálculo com prazo de recolhimento da obrigação tributária; 21) Latente é a impossibilidade da taxa Selic incidir sobre débitos fiscais, pois em razão de sua natureza remunerató ria, esta não pode ser adotada validamente como taxa de juros de mora; 22) Se absurdamente considerar-se que são devidos juros e a multa moratórios, incontestável é o direito do contribuinte à utilização de juros de mora de I% ao mês, bem como a redução da multa, posto seu caráter confiscatório; 23) Requer a produção de prova documental e pericial, através da qual será demonstrado o crédito compensável que extingue o débito exigido no Auto de Infração. Com o intuito de formar um melhor juízo acerca da matéria foi solicitada a diligéncia(7. 407/412) na empresa, para que: 1. fosse analisada, in loco, a documenta 1 to fiscal da empresa, especialmente os . documentos que deram origem ao lançamento; .r a 41%-k 4 CC-MF ci tr. .crts Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10665.001297/00-34 Recurso e : 125.640 Acórdão n2 : 201-77.538 2. caso fosse comprovado que uma parcela das receitas tributadas no auto de infração, representa apenas transferência entre departamentos da empresa, juntar cópias dos documentos de forma a demonstrar inequivocamente a natureza das respectivas receitas; 3. caso fosse confirmado que parte das receitas tributadas no auto de infração, representa devoluções ou vendas canceladas, juntar cópias dos documentos de forma a demonstrar claramente que houve equivoco no lançamento; 4. fossem acertadas quaisquer outras diferenças e prestadas novas informações, que a fiscalização entender aplicáveis ao caso; 5. confirmadas integral ou parcialmente as alegações da impugnante, fossem elaborados novos quadros que substituam os de fIs. 26 a 34, a fim de que o mesmo se ajustem à nova realidade; 6. Se cabível nas circunstâncias, reabrir prazo à impzignante para, caso queira, apresentar razões adicionais especificas de defesa, cient (ficando-a, inclusive, de eventuais documentos que vierem a ser anexados a este processo provenientes dos procedimentos acima referidos. Em 16 de junho de 2003(fi. 664) o contribuinte recebeu, via Correio, o Termo de Diligência e de Esclarecimento de fls. 647/662, lavrado em _função do pedido da DRJ. Nesse Termo está consignado: - Em 19/12/1997, esta empresa questiona judicialmente a irzconstitucionalidade dos Decretos-Lei 2.445 e 2.449 de 1998 e solicita que o recolhimento do PIS seja feito nos termos da Lei Complementar 7/70. A decisão lhe foi favorável, com a aplicação da legislação posterior, com o direito de compensar os valores recolhidos a maior, por conta e risco do contribuinte, que deverão ser corrigidos monetariamente pelos índices do IPC até janeiro /1991, pelo INPC de fevereiro/1991 a dezembro/1991 e pela variação da UFIR a partir de janeiro/1992 a dezembro/1995, acrescidos dos juros de mora pela taxa SELIC a partir de janeiro de 1995 (Acórdão de 20/06/2000 da 40 Turma do Tribunal). A decisão judicial determinou que a prescricão qüinqüenal fosse contada do último prazo deferido ao fisco para a respectiva homolaeaciio do lancamento. ou ocorrência desta motivo pelo qual recalculamos os valores recolhidos a maior a partir de dezembro/87(o processo judicial _foi protocolizado em 19/12/1997. -Para a verificação da correção das bases de cálculo do PIS, para o período de dezembro/87 a dezembro/94, constatamos que no levantamento anterior foram incluídas as receitas financeiras indevidamente. Portanto, fizemos novos demonstrativos dos valores recolhidos a maior, considerando as bases de cálculo corretas e confirmadas pelo contribuinte, e ainda com a observância das correções monetárias e juros em conformidade com as decisões judiciais ocorridas até novembro/2002. -A base do PIS para o período de dezembro/1987 a (dezembro/1994 está discriminada no Anexo 1 — 'Vendas de Mercadorias e Serviços de dezembro/I987 a dezembro/1994', inclusive com a indicação da moeda da época, cujos dados foram confirmados e baseados nas informações do contribuinte, que as prestou em atendimento à intimação 002. -Apuramos os valores corretos da contribuição para o PIS de dezembro/87 a dezembro/94, efetuando as compensações dos pagamentos a maior, como demonstrado no Anexo 2 'PIS DEVIDO E VALO S QUITADOS E A RECOLHER DE DEZEMBRO/1987 A DEZEMBRO/1994 41»- 5 ..4fr ? CnP CC-MF ••• Ministério da Fazenda Fl. P Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10665.001297/00-34 Recurso n' : 125.640 Acórdão flQ : 201-77.538 -Elaboramos o Anexo 3 'Demonstrativo dos créditos disponíveis e quitações do PIS de dezembro/I987 dezembro/I994' no qual constam todos os recolhimentos efetuados pela empresa, corrigidos na forma determinada pela Justiça Federal, deduzidos os valores do PIS devido na forma da legislação em vigor no período de dezembro/I987 a dezembro/I994, considerando a inconstitucionalidade dos Decretos-lei 2.445 e 2.449 de 1988. -Verificamos in loco os valores das vendas de mercadorias e serviços, de outras receitas operacionais e das exclusões da base de cákulo(Devoluções de venda e transferências internas), que estão sintetizadas nos anexos 6 e 7. O anexo 6 'Base de Cálculo — janeiro/1995 a dezembro/I998' se refere a apuração da base de cálculo, baseada exclusivamente nas vendas de mercadorias e serviços. Já no Anexo 7 'Base de Cálculo — Janeiro/1999 a julho/2000', foi considerado, a partir de fevereiro/I999, o conceito de faturamento definido pela Lei 9.718/98. -Demonstramos o valor da Cofins devida no período de janeiro/1995 a julho/2000, como consta no Anexo 9 'Demonstrativo da Apuração da Cofins ', considerando a base de cálculo correta, confirmada pelo Contribuinte, em conformidade com os Anexos 6 e 7. Em 14/07/2003 o contribuinte apresentou suas razões de discordânciaffls. 665/701) ao Termo de Diligência, reforçando alguns argumentos já citados na impugnação(fis. 300/337), alegando em síntese: I) Em diligência na empresa, os auditores não fizeram a retificação necessária, fazendo lançamento complementar e alterando o crédito tributário de forma prejudicial à impugnante; 2) O Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, autuou a impugnante, através de auto de infração ora impugnado, exigindo contribuição suplementar, referente aos fatos geradores ocorridos entre 28.02.99 a 15/08/2000; 3) Em momento pretérito a impugnante recolheu indevidamente a contribuição que pode ser compensada com os débitos da mesma contribuição; 4) A impugnante recolheu a contribuição ao PIS, no período de julho de 1988 a setembro de 1995, nos ternos da legislação vigente, com as alterações introduzidas pelos decretos-lei 2.445 de 30.06.88 e 2.449 de 22/07/88, conforme planilha de cálculos e documentos em anexo; 5) A resolução n° 49 do Senado Federal, teve efeitos ex hum e erga omnes, o que significa que a decisão de inconstitucionalidade abrange a todos os contribuintes que estavam sujeitos à exação e todos os atos jurídicos que tiveram o seu nascedouro na norma inconstitucional são nulos, como se nunca tivessem existido; 6) Com a declaração de inconstitucionalidade e a suspensão dos decretos, nasceu o direito da empresa de compensar os valores que indevidamente recolheu de contribuição ao PIS, à luz dos decretos 2.445 e 1.449/88, com débitos da Cofins; 7) Diante disto, a empresa impugnante apresentou toda a documentação necessária ao Fisco Federal, informando que doravante procederia à compensação; 8) Os cálculos apresentados pela impugnante e que demonstram o crédito compensável, foram elaborados considerando como base de cálculo o faturamento de seis meses antes do mês de incidência, sem nenhuma correção;,ea 6 , • i',11>.at 2° CC-MF •"" '-.L.?:'," 1 Ministério da Fazenda Fl. --.P, - Segundo Conselho de Contribuintes 4;-ti:--Ck",Wi?. . Processo n" : 10665.001297/00-34 Recurso e : 125.640 Acórdão e : 201-77.538 9) O fisco, sob o argumento de que a impugnante não teria créditos, lavrou o presente auto de infração, exigindo crédito tributário inexistente, posto que em face da compensação autorizada, está extinto e não há diferença a ser recolhida; 10) O Fisco pretende que as Leis 7.691/88; 7.779/89; 8.019/90; 8.212191; 8.383/91; 8.850/94; 8.981/95 9.065/95 determinem a base de cálculo do PIS de forma diversa da LC 7/70; 11) ad argumentandum tantum, cumpre gisar que, hipoteticamente, se modificação houve na legislação do P.IS que tenha sido feita por lei ordinária ou por medida provisória que incidiram sobre matéria anteriormente tratada ou modificada pelos decretos-leis 2445 e 2449/88, incidiram sobre algo inexistente e, portanto são tão ineficazes quanto os diplomas normativos que pretenderam mudar; 12) Com efeito, consoante emerge do seu texto, a legislação posterior tratou de modificar os decretos-leis declarados inconstitucionais pelo STF, portanto, como se admitir a validade de uma norma legal que dispôs sobre outra norma legal que esteve em descompasso com a ordem constitucional vigente? 13) Além da PF1V, do Conselho de Contribuintes, o próprio STF tem decidido no sentido de determinar expressamente a continuação dos recolhimentos das contribuições devidas ao PIS consoante a sistemática da Lei Complementar 7/70; 14) Os cálculos apresentados pela impugnante estão corretos, porque efetuados de acordo com a legislação vigente e nos termos precisos do comando emergente da decisão judicial; 15) Assim sendo, por restar evidente o crédito da impugnante, extinto está o pretenso crédito tributário de março/98 ajulho/2 000, restando evidente que este auto de infração é totalmente improcedente; 16) Assim sendo, partindo da premissa de que a impugnante tem um crédito compensável em virtude dos pagamentos indevidos de PIS, calculados com base na legislação vigente, segue-se que este débito agora exigido está extinto pela compensação. 17) Saliente-se que a compensação dos créditos de PIS, com débitos ora exigidos, está autorizada por instruções normativos da Receita Federal, Decreto Presidencial e a jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministro da Fazenda. 18) A instruções nonnativas(JN 21/97, 37/97) da Receita Federal, Decreto Presidencial(Decreto 2.138/97) e a jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes acobertam o sistema de compensação de créditos tributários com débitos de contribuições ou tributos federais; 19) A Instrução Normativa 031, de 8 de abril de 1997, determina a dispensa da constituição de crédito referente ao PIS exigido na forma dos Decretos-lei e, cancelados os respectivos lançamentos, a restituição dos valores que foram pagos indevidamente, é um direito subjetivo da impugnante, reconhecido pelo art. 165 do CT1V; 20) Requer, novamente, com base no principio do contraditório pleno e da ampla defesa, a produção de prova documental e pericial, através da qual será demonstrado o crédito compensável que extingue o débito exigido no auto de infração. 21) Como quesitos da perícia, aponta: a) Discriminar a base de cálculo da Cofins, considerando apenas o Faturamento/Receita efetivamente auferido pela impugnante, considerando,* kw_ 2Q CC-M Ft's re. s trt Ministério da Fazenda Fl. trP :I.,:t Segundo Conselho de Contribuintes C.1.n 1; V.; V' Processo n' : 10665.001297/00-34 Recurso n' : 125.640 Acórdão n2 201-77.538 as exclusões legais e desconsiderando valores que não correspondam a uma receita auferida de terceiros; b) Se a impugnante recolheu o PIS no período compreendido entre julho de 1988 a setembro de 1995, com base nos decretos-lei 2.445 e 2.449/88; c) Levando em consideração a base de cálculo(faturamento e seis meses anterior ao do mês de incidência) e a alíquota(0,75%) do PIS-Faturamento determinadas na LC 7/70, apurar o valor pago pela impugnante a maior, no período compreendido entre julho de 1988 a setembro de 1995, corrigindo o crédito compenseivel pelos mesmos índices de correção monetária ejuros que a Fazenda Nacional corrige seus créditos; d) Apurar o valor de eventual débito de Cofins que a impugnante possui, desconsiderando penalidades, já que possuía um crédito compensável antes do débito; e) Fazer um cotejo entre o valor do crédito compensável e o valor do débito de Cofins." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte - MG, em razão do resultado da diligência que ajustou a base de cálculo, no que se refere às exclusões relativas às "transferências internas" e às vendas canceladas, manteve o lançamento em parte, conforme o Acórdão citado, cuja ementa apresenta o seguinte teor: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/2000 Ementa: Verificada a falta de recolhimento da contribuição, impõe-se o lançamento de oficio nos termos da legislação vigente. A exegese correta da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, desautoriza entendimento que propugne pela existência de um lapso de tempo entre o fato gerador da obrigação e a base de cálculo da contribuição. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limitas da sua competência. No caso de lançamento de oficio, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do tributo ou contribuição devido, nos percentuais definidos na legislação de regência. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontram-se disciplinadas em lei. Lançamento Procedente em Parte". Ciente da decisão de primeira instância em 5/11/2003, fl. 747, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 5/12/2003, onde, em síntese, repisa os mesmos argumentos trazidos nas contra-razões em face do resultado da diligência, insurgindo-se contra a base de cálculo adotada pela fiscalização no cômputo do crédito do PIS, objeto de compensação com a contribuição ora cobrada, além das exigências relativas à multa de oficio e juros de mora. Por fim, pede pela reforma da decisão recorrida para que se julgue improcedente a exigência fiscal, admitindo-se a compensação pleiteada, e regu ei, a produção de prova pericial, através da qual poderá ser demonstrado o crédito compensável. btk- 8 J.k CC-MF t-‘L "it Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes .';‘Ittle)- • Processo is : 10665.001297/00-34 Recurso n' : 125.640 Acórdão flQ : 201-77.538 Às fls. 796 e seguintes, consta o arrolamento de bens promovido pela recorrente com vistas a garantir o seguimento do recurso a este Colegiado. É o relatário.íko 41i`k 9 . . 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Yfr,.....nt Segundo Conselho de Contribuintes ... nn .z.tte..‘ .,,r Processo ri° : 10665.001297/00-34 Recurso n° 125.640 Acórdão n° : 201-77.538 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ADRIANA GOMES RÉGO GALVÂO O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão porque dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em tomo somente da semestralidade do PIS, eis que, de acordo com o feito fiscal, a contribuinte pleiteou compensação desta contribuição com débitos da Cofins por meio do Processo Administrativo n2 13675.000102/99-84, cópia às fls. 103/1 2 8, da possibilidade das compensações, vez que o aludido processo não alcança todos os fatos geradores objeto do presente lançamento, bem assim das exigências relativas à multa de oficio e aos juros de mora. Informa a fiscalização que os pagamentos a maior, a titulo de PIS, objeto do pedido de compensação, foram pleiteados pela recorrente junto à Justiça Federal, mas que, observando o determinado por esta, verificaram que inexistiarn créditos referentes aos fatos geradores ocorridos entre novembro de 1992 e dezembro de 1994. Analisando as decisões judiciais trazidas aos autos, especificamente a antecipação de tutela às fls. 94/96 e o Acórdão prolatado em 20/06/2000 pela 4 2 Turma do Tribunal Regional Federal ao julgar a Apelação Cível n2 2000.01.00.054366, fls. 603/613, verifico que as mesmas reconheceram o direito à compensação, porém, foram omissas no que diz respeito ao aspecto de se considerar ou não a base de cálculo do PIS como sendo a do sexto mês anterior. Ocorre que já é entendimento pacificado nesta Câmara que a sernestralidade da referida base de cálculo deve ser reconhecida, ao teor do parágrafo único do art. 62 da Lei Complementar n2 7/70, verbis: ''Parágrafo único - A contribuição de julho será calculada com base no jaturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. É verdade que, para muitos, prevalece o entendimento de que este artigo fora revogado pela Lei n 2 7.691/88, como aduz o Parecer PGFN/CAT n2 437/98. Entretanto, analisando a referida Lei, temos: "Art. 1° Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1989, far-se-á a conversão em quantidade de Obrigações do Tesouro Nacional - OTIVs, do valor: III - das contribuições para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, para o Programa de Integração Social - PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP, no terceiro dia do mês subseqüente ao do fato gerador. Art. 3° Ficará sujeito exclusivamente à correção monetária, na forma do art. 1°, o recolhimento que vier a ser efetuado nos seguintes prazos: ictpII! - contribuições para: ......, leti- 10 . , ., :‘..M.. 2° CC-MF Ministério da Fazenda Fl. .1',Wn2:it.: Segundo Conselho de Contribuintes 4';‘-t-t, Processo n9 : 10665.001297100-34 Recurso n' 125.640 Acórdão n't 201-77.538 b) o PIS e o PASEP - até o dia dez do terceiro mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador, exceção feita às modalidades especiais (Decreto-Lei n°2.445, de 29 de junho de 1988, arts. 7"e 8"), cujo prazo será o dia quinze do mês subseqüente ao de ocorrência do fato gerador." É de se verificar, portanto, que em momento algum esta Lei, como também as Leis n2s 7.799/89, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94 e 9.065/95, trata da base de cálculo da contribuição em comento, mas tão-somente de prazos de recolhimento, conversões e atualizações monetárias. Ademais, de acordo com a Lei de Introdução ao Código Civil, art. 2 2, § 12: "Art. 22 Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1 2 A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seio com ela incompatível ou • uando re.f le inteiramente a matéria de • ue tratava a lei anterior." (grifei) Logo, não vislumbrando na Lei n2 7.691, de 1988, bem assim em qualquer legislação superveniente, até a MP n2 1 .212/95, quaisquer das situações grifadas acima, ouso discordar da douta Procuradoria. Outrossim, a matéria já está pacificada, também, no âmbito do STJ, de onde destaco as seguintes ementas: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL - VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC - OMISSÃO QUANTO À ANÁLISE DE QUESTÃO CONSTITUCIONAL - SÚMULA 356/STF - PIS- SEMESTRALIDADE - FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO - CORREÇÃO MONETÁRIA 1. Não cabe ao STJ, a pretexto de violação ao art. 535 do CPC, examinar omissão em torno de dispositivo constitucional, sob pena de usurpar a competência da Suprema Corte na análise do juízo de admissibilidade dos recursos extraordinários. Mudança de entendimento da Relatara em face da orientação traçada no EREsp162.765/PR. 2. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE- art. 3", letra '"da mesma lei - tem como fato gerador o faturamento mensal. 3. Em beneficio do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base numérica sobre a qual incide a aliquota do tributo, o faturamento de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador - art. O, parágrafo único da LC 07/70. 4. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 5. Corrigir-se a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. 6. Recurso especial improvido " (RESP. n2 488954/RS, 13 I 30/06/2003, pág. 225, Min. Rel. Eliana Calmon). ‘PPA". 11 5 22 CC-MF Ministério da Fazendaw: c» Fl. 't2 it .;1.4nCÇW= Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10665.001297/00-34 Recurso n° : 125.640 Acórdão n2 201-77.538 "RECURSO ESPECIAL - TRIBUTÁRIO - PIS - BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE - LC N. 07/70 - CORREÇÃO MONETÁRIA - INAPLICABILIDADE - HONORÁRIOS ADVOCATICIOS - QUANTUM - SÚMULA 07/ST1. A I° Turma desta eg. Corte, no Recurso Especial n. 2 4 0.938/RS, publno DJ de 10/05/2000, reconheceu que no regime da _LC 07/70, no faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS constitui a base de cálculo da incidência.Precedentes. Ressalvado o ponto de vista do relator, esta eg. Corte entende que corrigir a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. A via estreita do especial não é própria para se cogitar acerca dos valores da verba honorária advocatícia, porquanto, nos termos do enunciado Sumular 07 desta Corte, é vedado o reexame das questões de ordem fático-probatórias. Recurso especial conhecido, mas parcialmente provido." (RESF n2 380.526/13R, 13.1 30/06/2003, pág. 183, Min. Rel. Francisco Peçanha Martins). "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARA CÃO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. PRETENSÃO DE REVOLVIMEN7'0 DE MATÉRIA MERITAL (PIS - SEMESTRALIDADE - INTERPRETAÇÃO DO ART. 6", DA LC 07/70 - CORREÇÃO MONETÁRIA - LEI 7.691/88). DESOBEDIÊNCIA AOS DITAMES DO ART. 535, DO C.PC. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. I. Inocorrência de irregularidades no acórdão quando a matéria que serviu de base à interposição do recurso foi devidamente apreciada no aresto atacado, com fundamentos claros e nítidos, enfrentando as questões suscitadas ao longo da instrução, tudo em perfeita consonância com os ditames da legislação e jurisprudência consolidada. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso não implica em cerceamento de defesa, posto que ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide. 2. Á Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial n° 240938/RS (DJU de 10/05/2000), reconheceu que, sob o regime da LC n" 07/70, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS constitui a base de cálculo da incidência. 3. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp n° 144708/RS, Rei Min" Ministra Eliana Calmon,consolidou entendimento de que o art. 6°, parágrafo único, da LC n° 07/70, trata da base de cálculo do PIS, não incidindo correção monetária sobre a mesma em face da . 9. Embargos rejeitados." (EDRESP n2 362.014/SC, DJ 23/09/2002, pág. 236, Min. Rel. José Delgado). Em face do exposto, assiste razão à recorrente, quanto ao pleito de que a base de cálculo a ser observada deve ser aquela estabelecido no parágrafo único do art. 6 2 da Lei Complementar n° 7/70, porém, deve ser assegurado à Secretaria da Receita Federal o direito de conferir a liquidez e certeza destes créditos à luz do entendimento ora manifestado, de sorte qu- rir 12 t, 20 CC-MF " r:éle Ministério da Fazenda FI, Segundo Conselho de Contribuintes ';:%fj-kik > Processo n' : 10665.001297100-34 Recurso 119 : 125.640 Acórdão 110 : 201-77.538 tal providência, por si só, já substitui a perícia solicitada pela recorrente, cujo pedido aqui se rejeita. Considerando que o pedido de compensação diz respeito tão-somente ao período de outubro de 1998 a maio de 1999, que a decisão recorrida exonerou a exigência correspondente aos períodos de abril de 1996 a maio de 1997 e de julho de 1997 a setembro de 1998, e que a fiscalização autuou os períodos compreendidos entre os meses de dezembro de 1995 a setembro de 1997 e janeiro de 1998 a julho de 2000, deve ser mantido o crédito tributário lançado remanescente, ou seja, aquele calculado após efetuadas as compensações dos débitos da Cofins com créditos do PIS, apurados agora com base na semestralidade da base de cálculo, relativamente aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 1994, e, ainda, considerando-se tão- somente as compensações efetuadas em consonância com o disposto no art. 12 da IN SRF n2 21/97, que exige requerimento do interessado para que se proceda à compensação de tributos de diferentes espécies, já que a tutela antecipada, fls. 94/96, reconheceu o direito à compensação "com débitos das exações relativas ao próprio PIS" e o Acórdão do Tribunal silenciou a esse respeito. Para corroborar com o entendimento acima exposto de que a compensação entre tributos de diferentes espécies prescinde de requerimento à. Receita Federal, destaco a jurisprudência já consolidada desta Câmara: "Número do Recurso: 122361 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10510.001867/2092-56 Tipo do Recurso: VOLUIVTÁR10 Matéria: CUPINS Recorrente: CASA SAIVI'A ROSA LIDA Recorrida/Interessado: DRJ-SALVADOR/RA Data da Sessão: 13/08/2003 14:00:00 Relator: Serafim Fernandes Corrêa Decisão: ACÓRDÃO 201-77163 Resultado: IVPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Ementa: COPTIVS. COMPENSAÇÃO. Nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciá rios, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes, independente de autorização administrativa, podendo efetuá-la por sua conta e risco, sujeitando-se a exame posterior. Tal compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Já no caso de compensação entre contribuições de espécies diferentes, como é o caso de PIS e COFINS, de acordo com os arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, há necessidade de autorização prévia da Secretria da Receita Federal Recurso, negado." OS' 13 CC-MF ::e; "ie. Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo 119 : 10665_001297/00-34 Recurso ng : 125.640 Acórdão n2 : 201-77.538 Por conseguinte, o crédito tributário restante deverá englobar a contribuição em comento, acrescido de multa de oficio, em razão do disposto no art. 44, inciso I, e § 1 2, inciso I, da Lei n2 9.430/96, além dos juros de mora, a que se refere o art. 61, § 3 2, do mesmo diploma legal. Ao contrário do que pleiteia a recorrente, a multa de oficio não pode ser reduzida por ser considerada de caráter confiseatório, vez que o princípio do não-confisco destina-se ao legislador, cabendo ao intérprete da lei, tão-somente, aplicá-la de forma harmônica com todo o ordenamento jurídico vigente. Assim, as reduções possíveis seriam apenas aquelas estabelecidas no § 32 do art. 44 da Lei n2 9A30/96, cujos prazos para gozo já se expiraram. Oportuno se faz esclarecer, ainda, que, ao teor do art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, não compete a este Colegiado afastar lei vigente ao argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade Ademais, no tocante à exigência dos juros de mora calculados pela taxa Selic, ao contrário também do que aduz a recorrente, esta está perfeitamente amparada pelo disposto no art. 161 do CTN, que é claro ao ressalvar: "Se a lei não dispuser de modo diverso os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês". (grifei) Como a Lei dispôs de forma diversa, prevalecerá o estabelecido pela legislação ordinária: Lei n2 9.065/95, que, em seu art. 13, ao alterar, dentre outros dispositivos, o art. 84, inciso I, da Lei n2 8.981/95, estabeleceu os juros de mora como equivalentes à taxa Selic, o que foi reiterado pela Lei n2 9.430/96. Quanto aos argumentos de ofensa ao § 32 do art. 192 da Constituição Federal, cumpre acrescentar que o mesmo já foi revogado pela Emenda Constitucional n 2 40/2003. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reconhecer que os créditos do PIS sejam apurados considerando-se a semestralidade de sua base de cálculo, relativamente aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 1994. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de março de 2004. ADRIANA GOMES REGO—tiV.dkell 41:k 14
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Numero do processo: 10675.002078/99-20
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR - 1995. VTNm - A alteração do VTN mínimo fixado para o Município onde se localiza a propriedade tributada só pode ser realizada, à luz do art. 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/94, desde que o pleito se faça acompanhar do competente Laudo Técnico específico comprovando que o valor da terra nua da mesma propriedade, por suas características, esteja abaixo do valor mínimo estabelecido.
Recurso desprovido.
Numero da decisão: 302-34710
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro relator.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
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VTNin — A alteração do VTN mínimo fixado para o Município onde se localiza a propriedade tributada só pode ser realizada, à luz do art. 3°, § 40, da Lei n° 8.847/94, desde que o pleito se faça acompanhar do competente Laudo Técnico específico comprovando que o valor da terra nua da mesma propriedade, por suas características, esteja abaixo do valor mínimo estabelecido. RECURSO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 22 de março de 2001 4111 HENRIQUE P O MEGDA Presidente 1n11/~4 a 'XL% 147,0Fr PAULO ' OB CUCO ANTUNES Relator ;2 5 M A I 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, LUIS ANTONIO FLORA, MARIA HELENA COITA CARDOZO, HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e FRANCISCO SÉRGIO NALINI. trac MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.655 ACÓRDÃO N' : 302-34.710 RECORRENTE : OLINDA NUNES DE JESUS RECORRIDA : DRJ/BELO HORIZONTE/MG RELATOR(A) : PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES RELATÓRIO Versa o presente litígio sobre o valor do ITR e Contribuições Sindicais relativas ao exercício de 1995, no montante de R$ 3.022,62, sobre a propriedade denominada FAZENDA DA CRUZ, localizada no Município de TUPACIGUARA — MG, com área total de 333,5 hectares, conforme Notificação de Lançamento às fls. 02. Discorda a Recorrente do valor do VTN aplicado nos cálculos do tributo, considerando que para o exercício de 1996 o valor atribuído para o imóvel foi bem menor, sem que houvesse qualquer modificação no total declarado e na forma de calcular o imposto. Apresentou cópia de Laudo Técnico às fls. 03 emitido por avaliadores da Prefeitura Municipal de Tupaciguara, atendendo solicitação formulada pelo Sindicato Rural local, datado de 25/09/96, esclarecendo que "Devido à estabilidade na conjuntura monetária atual, o preço de terras na zona rural, voltaram aos valores compatíveis com a realidade, ou seja, de R$ 900,00 • (novecentos reais) para terras beneficiadas e R$ 450,00 (quatrocentos e cinqüenta reais) por hectare de terra nua". Anexou, ainda, cópia da Notificação de Lançamento do ITR para o exercício de 1996, sobre o mesmo imóvel (fls. 04). Decidindo o feito a Autoridade a quo julgou o lançamento procedente, sob fundamento de que, no cálculo do ITR em discussão foi aplicado o VTNm fixado para o Município, conforme IN/SRF n° 42/96, o qual só pode ser alterado, à luz das disposições do art. 3°, § 4°, da Lei n° 8.847/94, desde que apresentado Laudo Técnico de Avaliação indicando, de forma específica, os dados relativos ao imóvel avaliado, devendo ser efetuado por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal) devidamente habilitado, ou pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais ou, ainda, pela EMATER, em conformidade com as normas ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8799); e acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART (dispensada no caso de avaliações efetuadas por órgãos oficiais). Cientificada da Decisão por AR postado nos Correios em 16/12/99 (fls. 18), sem data de recepção pela destinatária, a Interessada apresentou Recurso em 2 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.655 ACÓRDÃO N° : 302-34.710 18/01/00 (fls. 19/20), tempestivamente, fundamentando-se nas mesmas alegações apresentadas em primeira instância. Realizou depósito recursal de 30%, em observância ao disposto no art. 33, da MP n° 1621/32, conforme atestado às fls. 23, por despachos da repartição fiscal de origem. Subiram então os autos ao E. Segundo Conselho de Contribuintes, • que por despacho às fls. 25, encaminhou o processo a este Colegiado, com escopo no art. 2°, do Decreto n° 3.440/200. Seguiu-se a distribuição a este Relator, conforme documentado às fls. 26 (por mim numerada), nada mais havendo nos autos a partir do referido documento. É o relatório. 1111 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 121.655 ACÓRDÃO N° : 302-34.710 VOTO O Recurso é tempestivo, reunindo condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. • Sobre o mérito, a I. Recorrente nada mais trouxe aos autos que pudesse reforçar sua tese contestatória do lançamento do ITR do exercício de 1995, sobre o imóvel questionado. Não existe, em meu entender, qualquer reparo a ser feito nos fundamentos que nortearam a R. Decisão recorrida. Com efeito, o Laudo Técnico anexado por cópia às fls. 03 é insubsistente para os efeitos desejados, ou seja, redução do VTNm atribuído para o Município em questão, o mesmo aplicado para a referida propriedade, como bem asseverou o I. Julgador a quo. Em razão do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário ora em exame. Sala das Sessões, em 22 de março de 2001 110 .,47-4V~"111. PAULO RO :ERT O ANTUNES - Relator 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA sWigi, TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2* CÂMARA Processo n°: 10675.002078/99-20 Recurso n° : 121.655 TERMO DE INTIMAÇÃO • Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à 2a Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 302-34.710. Brasília-DF, jo/or _ . Conselho do Con 01101 .#1 1-4enrique • taci(' ./14egda Presidente da Unta Ciente em: / Asio1 Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10670.000961/99-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - DILIGÊNCIAS - As solicitações de providências ou diligências da administração devem ser justificadas, mormente quando passíveis de realização pelo próprio sujeito passivo que nelas insiste. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES ( Lei nº 9.363/96) - AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA - Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido - o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem - tais conceitos serão os estabelecidos na legislação do IPI (critério subsidiário), até que a lei instituidora do incentivo ou as normas que regem a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS venham a estabelecer outros (critério principal). Assim, não se identificando a energia elétrica com os produtos intermediários, de conformidade com a legislação do IPI, a sua aquisição não compõe a base de cálculo do crédito presumido. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS E NÃO INDUSTRIALIZADAS - Faz jus ao crédito presumido, nos expressos termos legais, a empresa "produtora" e "exportadora" de mercadorias nacionais, configurando-se aqui a exigência cumulativa. Na exportação de mercadorias adquiridas de terceiros e não industrializadas pelo exportador, estamos diante de empresa "exportadora" mas não "produtora", restando desatendido um dos requisitos para a concessão do benefício; razão pela qual tais exportações não integram a receita de exportação para efeitos do crédito presumido. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-76132
Decisão: I) Por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso quanto ao crédito relativo à energia elétrica consumida no processo industrial , vencidos os Conselheiros Gilberto Cassuli, que apresentou declaração de voto, Antonio Mário de Abreu Pinto, Adriene Maria de Miranda (suplente)e Rogério Gustavo Dreyer. e II) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito à exportação de mercadorias adquiridas de terceiros.
Nome do relator: José Roberto Vieira
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Assim, não se identificando a energia elétrica com os produtos intermediários, de conformidade com a legislação do IPI, a sua aquisição não compõe a base de cálculo do crédito presumido. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS E NÃO INDUSTRIALIZADAS — Faz jus ao crédito presumido, nos expressos termos legais, a empresa "produtora" e "exportadora" de mercadorias nacionais, configurando-se aqui a exigência cumulativa. Na exportação de mercadorias adquiridas de terceiros e não industrializadas pelo exportador, estamos diante de empresa "exportadora" mas não "produtora", restando desatendido um dos requisitos para a concessão do beneficio; razão pela qual tais exportações não integram a receita de exportação para efeitos do crédito presumido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: RIMA INDUSTRIAL S/A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto ao crédito relativo à energia elétrica consumida no processo industrial. Vencidos os Conselheiros Gilberto 1 .411t4, 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. "P,:t.zk Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 Cassuli, que apresentou declaração de voto, Antonio Mário de Abreu Pinto, Adriene Maria de Miranda (Suplente) e Rogério Gustavo Dreyer; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito à exportação de mercadorias adquiridas de terceiros. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2002. eW-ye4.-a- 12/1‘01Kka. Josefa Maria Coelho Marques Presidente Jos L R.berto Vieira Rei tor Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire e Antonio Carlos Atulim (Suplente). Eaal/ovrs 2 . , r CC-MF . Ministério da Fazenda Fl. •.1%.4"..:J Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 Recorrente : RIMA INDUSTRIAL S/A RELATÓRIO O sujeito passivo apresentou, em 29.09.99, pedido de ressarcimento do crédito presumido do 1PI relativo às exportações (Lei n° 9.363/96), correspondente ao período de abril a junho de 1997, acompanhado da respectiva documentação. O despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Montes Claros/MG, de 18.02.2000, reconheceu parcialmente o direito creditório; decisão da qual foi cientificado o peticionário por aviso de recebimento de 28.02.2000 (fl. 244). Inconformada, a contribuinte impugnou tal despacho por instrumento apresentado em 28.03.2000 (fls. 245 a 261). O Delegado da DRJ em Juiz de Fora/MG, através da decisão de primeira instância, datada de 15.09.2000, tomou conhecimento da impugnação, para, na seqüência, indeferir o pleito do sujeito passivo (fls. 289 a 303). Cientificado da decisão monocrática por aviso de recebimento de 26.09.2000 (fl. 305), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 26.10.2000 (fls. 306 a 334, e 337), reiterando seus argumentos; tendo aquela DRJ encaminhado o processo com o mencionado recurso, em 07.11.2000, a este Conselho de Contribuintes (fl. 339). É o relatório. 3 „, 22 CC-ME Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000961199-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 VOTO DO CONSELHEIRO-REI-ATOR JOSÉ ROBERTO VIELRA Trata-se de "...crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados”, concedido à "...empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais", como ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, "...incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo"; tudo nos termos da Lei n° 9.363, de 13.12.96, artigo 1°. Diversos são os procedimentos e as interpretações assumidos pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância objeto de questionamento pela recorrente, as quais passamos a considerar abaixo uma a uma. I. Pedido de Juntada do Demonstrativo de Crédito Presumido O sujeito passivo insiste na juntada, por parte da Delegacia da Receita Federal de Montes Claros - MG, do Demonstrativo de Crédito Presumido (fls. 183 e 184), muito embora reconheça que os mapas elaborados pela fiscalização de tributos federais substituíram os referidos demonstrativos (fl. 159). Aliás, já fizera tal solicitação na oportunidade da Impugnação, indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora - MG Interessante que, conquanto sempre insistindo na juntada do demonstrativo, nunca tomou a iniciativa de juntá-lo "sponte propria", nem mesmo de apresentar provas de irregularidades e deficiências nos elementos do processo que o substituíram, de modo a justificar sua insistência na requerida juntada. Cabe lembrar que as diligências solicitadas, já na primeira instância, devem estar acompanhadas de sua competente justificativa, e com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados; e que, desatendidos tais requisitos, considera-se não formulado o pedido de diligências (Decreto n° 70.235, de 06.03.72, artigo 16, IV e §1°). À absoluta ausência de motivos para colocar em dúvida a procedência dos mapas que substituíram o requerido demonstrativo, entendemos, tal como já se entendeu no julgamento de primeira instância, desnecessária a sua juntada. 2. Aquisição de Energia Elétrica Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido toma-se em conta o valor total das aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo (artigos 10 e 2° da Lei n° 9.363/96). O estabelecimento do conceito desses insumos será feito mediante a utilização 419k 4 \\ 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl.'1-P;71-71.0t Segundo Conselho de Contribuintes - Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 subsidiária da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nos termos do § único do artigo 3° do mesmo diploma legal. Se a legislação do IPI consiste aqui num critério subsidiário, resta determinar qual o critério principal. Uma alternativa, que ainda encontra eco no âmbito deste tribunal administrativo tributário, é a representada por decisão em que foi relator o Conselheiro OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA, assim em parte ementada: "A utilização da legislação do para efeitos do conceito de tinsumos' (matérias-primas) tem caráter subsidiário (supletivo, auxiliar), não prevalecendo sobre a conceituação genérica adotada na ciência econômica"; e segue o relator na manifestação do seu voto: "...no que respeita ao conceito de linsumo i, o critério principal, o critério geral a ser adotado, antes de se chegar ao critério subsidiário, supletivo, auxiliar, da legislação do IPI, há de ser o contemplado pela Ciência Económica.., na qual se inserem, naturalmente, todos os fatores utilizados no processo de industrialização... E somente quando esse critério (principal) mostra-se insuficiente ou inseguro para o estabelecimento da correta conceituação de inS7/MOS é que o intérprete da norma legal deverá valer-se do critério subsidiário, secundário, auxiliar, supletivo, que é o oferecido pela legislação do IPI" Não vemos com bons olhos esse caminho interpretativo, pois implica buscar, para uma interpretação jurídica, fatos e conceitos alheios ao mundo jurídico. E verdade que existem situações em que a própria lei absorve conceitos extrajurídicos, como bem o esclarece CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO: "...quando a lei não redefine conceitos e noções utilizados na linguagem corrente ou quando não especifica o conteúdo exato das expressões que utiliza, isto significa que encampa e absorve a significação contam, usual, que a palavra tem no uso diuturno, leigo" 2 . Contudo, trata-se de recurso válido apenas e tão-somente diante do silêncio da lei. E, no caso, não é silente a lei, pois as normas do IPI enunciam os conceitos ora buscados, muito embora em caráter subsidiário. O pecado, nessa opção hermenêutica, consiste em confundir o mundo fáctico e o mundo jurídico, como denunciou entre nós a pena jurídica privilegiada de FRANCISCO CAVALCANTI PONTES DE MIRANDA 3. E só existe um único e exclusivo caminho para transitar entre esses dois mundos: o do fenômeno da incidência jurídica, tema aliás que, na avaliação rigorosa e confiável de JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, "...culmina com a obra cientifica de Pontes de Miranda... a quem provavelmente se deve a construção cientifica mais profunda da teoria da incidência das normas jurídicas..." 4. I Acórdão n° 202-09.744, de 09.12.97 (Processo n° 10930.001133/96-81), p. 1 e 9-10. 2 Controle Judicial dos Limites da Discricionariedade Administrativa, Revista de Direito Público, São Paulo. RT, n°31, set./out. 1974, p. 36. 'Tratado de Direito Privado - Parte Geral: Introdução - Pessoas Físicas e Jurídicas. T. I, Rio de Janeiro, Borsoi. 1954, p. XXI. 4 Teoria Geral da Isenção Tributária, 3' ed., São Paulo, Malheiros. 2001, p. 175. a 5 r CG-ME• Ministério da Fazenda 41CI Fl. _:•;'t Segundo Conselho de Contribuintes - - Processo n2 : 10670.000961199-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 Leciona PONTES DE /VITRA_NDA que a juridicização de um conceito só se dá por força da incidência de uma norma jurídica, que, contemplando-o, promove a sua introdução no mundo jurídico, trazendo-o do mundo fáctico; ensinamento sobre o qual, na apreciação de PAULO DE BARROS CARVALHO, existe "...absoluta unanimidade" 5 . Trata-se aqui da função classificadora das normas jurídicas, selecionando os fatos e conceitos que interessam ao Direito, que lhe são relevantes (jurídicos), e aqueles que não lhe interessam, que não lhe são relevantes, que permanecem aquém ou além do jurídico (ajurídicos)6 . Só então esse conceito, uma vez revestido de juridicidade, torna-se apto a gerar efeitos jurídicos, uma vez que, na afirmação clássica de PONTES, só de fatos e de conceitos jurídicos é que pode derivar qualquer eficácia jurídica 7. Por essa razão é que os teóricos gerais do direito costumam afirmar que o mundo jurídico é conseqüência exclusiva da incidência das normas jurídicas, como o fazem, a título exemplificativo, MARCOS BERNARDES DE MELL0 8 e JOSÉ SOUTO MAIOR BORGE S9. Determinar os conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo critério principal da Ciência Econômica acaba inevitavelmente por redundar num desses dois resultados: ou fazer derivar efeitos jurídicos de conceitos que não ingressaram no mundo jurídico, não jurídicos portanto; ou lançar-se na tentativa de juridicizar conceitos, introduzindo-os no mundo jurídico, sem a interrnediação de qualquer norma jurídica, o único instrumento hábil para tal empreitada. Em ambos os casos, encontramo-nos perante autênticas impossibilidades jurídicas, verdadeiros absurdos em termos de Teoria Geral do Direito, donde só nos cabe, em sã consciência jurídica, abandonar a inviável sugestão desse critério principal para a identificação daqueles conceitos. Permanece, pois, a indagação acerca do critério principal, do qual a legislação do IPI corresponderia ao critério subsidiário. Boa parece-nos a alternativa proposta pelo conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, quando relatava decisão da segunda câmara deste mesmo Colegiado: "Hoje, entendo que o termo subsidiariamente... significa que se utilizará, inicialmente, a própria lei criadora do incentivo para o estabelecimento dos conceitos de produção, nzatéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem; não sendo possível o esclarecimento da dúvida com base na lei instituidora do beneficio fiscal, será utilizada, secundariamente, a legislação do 1PI, para suprir a deficiência daquela lei" (grifamos)I°. 5 Curso de Direito Tributário, 13° ed., São Paulo, Saraiva, 2000, p. 271. 6 PONTES DE MIRANDA. op. cit, p. 19-20. No mesmo sentido, JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, op. cit.,p. 177. 7 Op. cit, p. 4, 17 e 22. 8 Contribuição ao Estudo da Incidência da Norma Jtuidica Tributária, in JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES (coord.), Direito Tributário Moderno, São Paulo, Bushatsky, 1977, p. 17; Teoria do Fato Jurídico, 2' ed., São Paulo, Saraiva, 1986, p. 86. 9 Op. cit., p. 176. 1 ° Acórdão n°202.10.702, de 11.11.98 (Processo n° 10930.000589/97-69), p. 14. 6 2' CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n 2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 E acreditamos poder ainda completar esse critério principal. A norma que determina a utilização subsidiária da legislação do IPI encontra-se no § único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, cujo "caput" estabelece que a apuração do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada "...nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no artigo I". Parece-nos portanto transparente e cristalino que tanto a lei instituidora do crédito presumido quanto as normas que disciplinam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS podem estabelecer os conceitos dos insumos buscados. Se tais leis o fizeram ou não é questão diversa, o fato é que poderiam tê-lo feito. Efetivamente, compulsando a Lei n° 9.363/96 (instituidora do crédito presumido); a Lei Complementar n° 70, de 30.12.91 (instituidora da COFINS); a Lei Complementar n° 7, de 07.09.70 (instituidora do PIS); a Lei Complementar n°08, de 03.12.70 (instituidora do PASEP); ou a Medida Provisória n° 1.212, de 28.11.95, ou a sua Lei de Conversão n° 9.715, de 25.11.98, ou ainda a Lei n°9.718, de 27.11.98 (atinentes ao PIS/PASEP), e demais leis pertinentes, não se deparam os desejados conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Mesmo que insuficientes ou inexistentes tais conceitos, porém, sempre será assegurada a primazia dessa legislação para fixá-los, nos termos da Lei n° 9.363/96. Aqui o critério principal. Em face, contudo, da atual omissão dessas normas jurídicas, abrem-se as portas aos conceitos da legislação do IPI. E quando a Portaria MF n° 129, de 05.04.95, declara peremptoriamente que os conceitos daqueles insumos "...são os admitidos na legislação aplicável do IN" (artigo 2°, § 3°), está a enunciar regra válida enquanto a lei criadora do crédito presumido e as leis que regem aquelas contribuições não fizerem valer sua condição de critério principal no estabelecimento desses conceitos, sobrepondo-se ao critério subsidiário da legislação do IPI. Eis que adequado o "mea culpa" rezado pelo Conselheiro ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO, relator de decisão da Segunda Câmara deste Conselho, quando reconhece: "...tenho hoje a convicção de não ser apropriado se apegar à circunstância de a Exposição de Motivos em que foi justificada a expedição da Medida Provisória n° 948/95, que instituiu o incentivo em questão, ter utilizado o termo 'in.sumo' para designar, de forma simplificada e genérica, os produtos que se pretendia desonerar das contribuições sociais, de sorte a valer-se de seu conteúdo amplo no ramo da Economia para contrapor ao que está repetida e taxativamente expresso no texto legal como sendo matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem" II . II Acórdão n° 202-11.198. de 18.05.99 (Processo n° 10930.002204/97-43),p. 10. ise, 1 7 . . - r CC-MF Ministério da Fazenda• : Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 10670.000961/9946 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 Eis, portanto, que plenamente válidos, por ora, os conceitos veiculados pela legislação do IPI quanto a esses insumos, que passamos, com brevidade a resumidamente recordar. As Matérias -primas são os elementos imprescindiveis e essenciais à fabricação de um certo produto final, em cuja composição entram em maior proporção (a madeira para a fabricação dos móveis, o ferro ou o aço para a fabricação de máquinas, o fio para a fabricação do tecido, o tecido para a fabricação do vestuário etc). O Material de Embalagem abrange tudo o que se destine ao acondicionamento (pregos, barbantes, fitas etc). Os Produtos Intermediários incluem aqueles produtos secundários que se incorporam ao produto final (o parafino em relação à cadeira etc), bem como incluem "...os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial" (lixas, lâminas de serra, catalisadores etc) — Regulamento do IPI, Decreto n° 2.637, de 25.06.98, artigo 488. No que tange à dificuldade de caracterizar o consumo dos produtos intermediários, relembre -se a orientação do Parecer Normativo CST n° 65/79: "A expressão 'consumidos'... há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto de fabricação, ou deste sobre o insunio". E o esclarecimento adicional do Parecer Normativo CST n° 181/74: "...não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas... bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento..." Assim, o produto intermediário que não se incorporar ao produto final deve ser consumido no processo de fabricação, por sua ação direta sobre o produto fabricado ou pela ação direta deste sobre o produto intermediário. Ora, uma vez que a energia elétrica, pelo que se deduz do exposto, é utilizada para possibilitar o funcionamento dos Fornos Elétricos de Redução (fl. 160), definitivamente não se identifica com produto intermediário, e muito menos com matérias-primas ou material de embalagem, correspondendo, isso sim, às exclusões a que alude o PN CST n° 181/74. Acerta, pois, aqui, outra vez, a decisão recorrida. 3. Exportação de Mercadorias Adquiridas de Terceiros e Não Submetidas a Processo de Industrialização A recorrente protesta contra a exclusão da receita de exportação do valor das exportações de produtos adquiridos de terceiros e não submetidos a qualquer processo de industrialização. Observe-se que, nos termos do artigo 1°, "caput", faz jus ao crédito presumido do TPI a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Atente-se para o fato de que o texto legal utiliza, em termos lógicos, o conjuntor "e", e em termos gramaticais, a conjunção aditiva "e", consubstanciando a exigência cumulativa de ambos os requisitos. Tanto 4:1/ 8 .. 22 CC-MF , t. rak Ministério da Fazenda loi-t-,;41 Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 a produção sem a exportação quanto a exportação sem a anterior produção desatendem à exigência legal para a concessão do beneficio. No que tange aos produtos adquiridos de terceiros e exportados sem qualquer industrialização adicional, a empresa caracteriza-se como exportadora, mas não como produtora, fugindo ao âmbito desenhado pelo legislador como alvo do incentivo. Em tais casos, os produtos exportados mas não produzidos pelo sujeito passivo não integram a receita de exportação para efeitos do crédito presumido. Razão seja dada, pois, no particular, e uma vez mais, à decisão recorrida. É o nosso voto. rasiisSala das S sõ , em 18 de junho de 2002. 4--f JOSÉ O ERTO VIEIRA 9 r CC-MF Ministério da Fazenda Fl. iir k" Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 20 1-76.132 DECLARAÇÃO DE VOTO DO CONSELHEIRO GILBERTO CASSULI Discordamos, data VéniC7, de parte do entendimento adotado pelo Eminente Conselheiro Relator. A empresa contribuinte, ora recorrente, pretendeu o ressarcimento do crédito presumido de IPI a que se refere a Portaria MIE n° 38/97. Trata-se do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. No que tange à "aquisição de energia elétrica", formulamos entendimento diverso do adotado pelo Fisco no presente processo, tendo em conta que a decisão tomada por este excluiu da base de cálculo do crédito presumido os valores referentes à energia elétrica, por entender que esta não se enquadra nos conceitos de matéria-prima, material de embalagem ou produto intermediário. Com efeito, estabelece a Lei n°9.363, de 13/12/1996: "Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados. como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970. e 70, de 30 de dezembro de 1991. incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o _Mn específico de exportação para o exterior. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art lo, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizar-se-á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos 3/4 • 10 22 CC-MF -• .7 Ministério da Fazenda t.7-1.2n,`-.4 Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 conceitos de receita operacional bnita e de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem." (grifamos) Da doutrina transcrevemos: "O crédito presumido do IPI, como ressarcimento da contribuição para o PISTA SE? e da Contribuição para a Seguridade Social — COFINS, não é um crédito fiscal que resulta, diretamente, da aplicação do Princípio da Não-Cumulatividade do 111. Muito pelo contrário, ele é gerado por operações sobre as quais o Princípio da Não- Cumulatividade não tem aplicação, porque se tratam de operações imunes à incidência do imposto. Referimo-nos à exportação de produtos industrializados. — Portanto, o crédito presumido do 1H, como ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, tem a natureza jurídica de incentivo à exportação de produtos industrializados.12" Alguns dos escopos do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96 (que teve como antecedentes as IVfP nos 674/94, 905/95, 948/95, e outros) podem ser constatados das exposições de motivos externadas pelo Sr. Ministro da Fazenda, nas referidas Medidas Provisórias. Assim sendo, objetiva a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros exportados, conforme a política adotada no sentido de não se exportar tributos. Da Portaria Ministerial denotamos que se optou por desonerar não apenas a última etapa do processo produtivo, visto que PIS e COFINS incidem cumulativamente, e sim mais etapas antecedentes, chegando-se à cediça alíquota de 5,37%. Perquirindo, destarte, acerca da mens legis, ou seja, a vontade, o desejo da lei, notamos que pretende, com este crédito presumido, desonerar a carga tributária das exportações. DA ENERGIA ELÉTRICA Inegavelmente, a energia elétrica é mercadoria. Assim tivemos a oportunidade de fundamentar, votando nos autos do Recurso n° 106.360, como segue. Diversos doutrinadores esmiuçaram a matéria e lecionaram no sentido de ser mercadoria a energia elétrica, principalmente em sede de ICMS. Também o direito penal nos auxilia nessa conceituação de energia elétrica como mercadoria, quando considera crime de furto as ligações clandestinas à rede elétrica. Não é fora de propósito, então, trazer o que a doutrina entende por mercadoria, lembrando que os conceitos de bem e mercadoria foram separados pelo próprio constituinte, estabelecendo que aquele é gênero do qual este é espécie. Extraímos, assim, que as mercadorias "são bens não imóveis, objeto da mercancia exercida pelo contribuinte, por ele produzidos ou 12 RE—, IN Maria Lúcia Américo dos; BORGES, José Cassiano. O IP! Ao Alcance de Todos: Doutrina - Jurisprudência - Legislação - Pareceres Normativos. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 463. 11 441‘ 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes - Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 que tenham sido adquiridos para ser revendidos no mesmo estado ou depois de transformados ou integrados em produto novo" I3 . Em outras palavras, deve-se realçar o que sejam mercadorias: "Mercadorias são coisas móveis. São coisas porque bens corpóreos, que valem por si e não pelo que representam. Coisas, portanto, em sentido restrito, no qual não se incluem os bens tais como os créditos, as ações. o dinheiro, entre outros. E coisas móveis porque em nosso sistema jurídico os imóveis recebem disciplinamento legal diverso, o que os exclui do conceito de mercadorias!'" Prossegue a doutrina: "A distinção entre mercadorias e outros bens (embora móveis) que não estão abrangidos por esse conceito apóia-se na sua finalidade e na maneira pela qual estão integrados ao processo produtivo. Neste sentido, a destinação é aferida pela qualificação que subjetivamente as partes lhe atribuem no contexto de uma relação de comércio, segundo a qual um bem pode ser mercadoria para o vendedor e mero bem para o comprador. Vale insistir que o conceito de mercadoria não é simplesmente objetivo (bem com certa qualidade em si). O bem adquirido com a finalidade de ser vendido, ainda que depois de Industrializado, é mercadoria. 13 " (grifamos) A energia elétrica evidentemente se enquadra no conceito de mercadoria. O art. 155, II, da Constituição da República Federativa do Brasil, prevê a cobrança, pelos Estados e Distrito Federal, do ICMS, imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. A energia elétrica é tributada, nestes termos, como mercadoria; inclusive, o § 2°, X, "b", do citado artigo, estabelece que este imposto não incidirá sobre operações que destinem energia elétrica a outros Estados. Constatamos, que "De acordo com o Sistema Tributário Nacional vigente, a energia elétrica é, por ficção jurídica, considerada mercadoria pois trata-se de um bem móvel, comercializado com habitualidade pelas empresas concessionárias" I6 . Assim, a "Constituição Federal, espancando qualquer dúvida, definiu a energia elétrica como mercadoria, para efeito 13 GRECO, Marco Aurélio; LOFtENZO. Aflita Paola Zonari de. ICMS — Materialidade e Características Constitucionais. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva. Curso de Direito Tributário. 7' ed.. São Paulo: Saraiva, 2000. p. 536. 14 MACHADO, Hugo de Brito. et. al. Comentários ao Código Tributário Nacional. 3' ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1998. p. 113. 13 GRECO, op. cit., p. 537. 36 CARDOSO, H. A. ICMS incidentes na energia elétrica e na prestação de serviços de comunicação telefônica. Tributário.com . Disponível em: http://www.baccaro.com.britributarioidoutrina/HACiemslim . Acesso em 08 jun 2001. 12 29 CC-MF -tn'^'42..•...- Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso 112 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 da incidência do ICMS, já que suscetível de circulação econômica. Possível inclusive de tipificar o crime defino, como subtração de coisa alheia móver 17 . É vasta a argumentação que coloca a energia elétrica como mercadoria. Também do texto constitucional, em seu Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 34, § estabelece que "as empresas distribuidoras de energia elétrica, na condição de contribuintes ou de substitutos tributários, serão as responsáveis, por ocasião da saída do produto de seus estabelecimentos, ainda que destinado a outra unidade da Federação, pelo pagamento do imposto sobre operações relativas ó circulação de mercadorias incidente sobre energia elétrica, desde a produção ou importação até a última operação...". Resta clara sua condição de mercadoria, que circula comercialmente. De maneira muito esclarecedora, já se frisou que: "... é cediço, tranqüilo e incontestável, de que a energia elétrica é bem jurídico móvel, qualificado como mercadoria quando for objeto de atos de mercancia. Nesse sentido, como bem móvel, o próprio direito penal já a qualificou, sendo possível a tipificação do crime de fino adequada ao flerto de energia elétrica mediante ligações clandestinas de cabos de transmissão da rede pública. Também no direito tributário essa definição sempre foi tranqüila, posto que, à época do regime constitucional anterior, cabia à União a tributação sobre operações com energia elétrica, considerada como um produto industrializado, portanto, bem móvel passível de incidência tributária, como é hoje a incidência do ICMS sobre esse bem. Ora, sendo considerada mercadoria quando a sua destinação for decorrente de atos de mercancia, é evidente que a energia elétrica é passível de circulação econômica e também de transporte, tecnicamente definida como transmissão, pela utilização de fios e cabos das respectivas redes. Enfim, não há discordáncia do enunciado da energia elétrica como bem móvel e no sentido de mercadoria inerente aos atos de circulação económica decorrentes de negócios jurídicos (operações mercantis). 18 " (grifamos) Entendemos, assim, que a energia elétrica é mercadoria, na esteira da dominante doutrina e jurisprudência. Em sede de crédito presumido de IPI, não vemos como lhe negar o conceito de insumo na produção. É produto utilizado no processo produtivo, que nele se consome, sendo produto intermediário. Com efeito, a Lei que institui o beneficio do crédito presumido, identificando o que dá direito ao crédito, estabelece que a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de " JANCZESKI, Célio Armando. Alguns Aspectos da Incidência do ICMS sobre a Energia Elétrica Fornecida a Empresas Industriais. Jornal Síntese n° 7, p. 7, set. 1997. ig ANDRADE, André Renato Miranda. A Regra-Matriz de Incidência do ICMS e a Inexistência de Imunidade no Serviço de Transporte de Energia Elétrica. In: MARINS, James; MARINS, Gláucia Vieira. Direito Tributário Atual. Curitiba: Juruá, 2000. p. 287-288. 4.) 13 22 CC-MFMinistério da Fazenda• . Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1° da Lei n° 9.363/96, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Dispõe ainda que será utilizada, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem. De fato, a legislação que rege a incidência do PIS/PASEP e da COFINS não conceitua matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, o que dá azo a que se abra mão da utilização subsidiária dos conceitos trazidos na legislação do Imposto de Renda e do IPI. O Decreto n° 2.637, de 25/06/1998, que regulamenta a cobrança do IPI - atual R1PI - estabelece, ao tratar dos bens de produção, em seu art. 488: "Art 488 Consideram-se bens de produção 1- as matérias primas; II - os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; III - os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; IV- as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; V- as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial." (grifamos) A respeito de produtos intermediários, a 2° Turma do Eg. STJ, ao julgar o REsp n° 18.361-0-SP, rel. o Min. Helio Mosimann (DJU 07/08/1995), entendeu que: "TRIBUTÁRIO. IN MATERIAIS REFRATÁRIOS. DIREITO AO CREDITAMEIVTO. Os materiais refratários empregados na indústria, sendo inteiramente consumidos. embora de maneira lenta, não integrando, por isso, o novo produto e nem o equipamento que compõe o ativo fixo da empresa. devem ser classificados como produtos intermedikrios,conferindo direito ao crédito fiscal" (grifamos) Vale trazer julgado da lavra do Ilustre Ministro Aliomar Baleeiro, ao relatar o RE n° 79.601-RS, em 26/11/1974, que, tratando do crédito de ICM, ementou: "/CM- NÃO CUMULATIVIDADE Produtos intermediários, que se consomem ou se inutilizam no processo de fabricação, como cadinhos, lixas, filtros, etc., não são integrantes ou acessórios das máquinas em que se empregam, mas devem ser computados no produto final para fins de crédito do ICM. pelo principio da não-cumulatividade deste. Ainda que Mo integrem o produto final, concorrem direta e necessariamente para este porque utilizados no processo de fabricação, nele se consumindo." 14 22 CC-MF . Ministério da Fazenda•. c-ti Fl. 'ffr: f4 C:Ot Segundo Conselho de Contribuintes k2•4 Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 Em seu voto, o Culto Aliomar Baleeiro afirma ser o material, então em questão produto intermediário, por se desgastar e se consumir no processo industrial. "Não pode ser tratado juridicamente como integrante ou acessório das máquinas do capital fixo e imobilizado." Ora, este entendimento pode ser aplicado com relação à energia elétrica também. Prosseguindo na análise do que seja produto intermediário, mister colacionar o Acórdão proferido pela r Turma do Eg. STJ, ao julgar o REsp n° 235.3241SP, rel. o Min. José Delgado: "TRIBUTÁRIO. ICMS PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAIvIENTO DE ICMS. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. I. A aquisição de produtos ou mercadorias que, apesar de integrarem o processo de industrialização, nele não são completamente consumidos e nem integram o produto final, não gera direito ao creditamento do ICMS, posto que ocorre quanto a estes produtos apenas um desgaste, e a necessidade de sua substituição periódica é inerente à atividade insutrial 2. Recurso Especial desprovido." A contrariu sensu, o entendimento adotado neste julgamento merece análise. Decidindo acerca do "direito de creditamento ou não do ICMS referente a materiais adquiridos e utilizados como matérias primas ou embalagens na fabricação de produtos finais, ou, ainda, de produtos que não integrando os produtos finais, foram consumidos no processo de industrialização", o Eminente Ministro José Delgado afirma, em seu voto, afirma que "Efetivamente, quando as mercadorias entradas no estabelecimento destinam-se a integrar o processo de industrialização, nele se consumindo ou integrando o produto final, existe o direito ao creditamento". Então, reportando-se o Ministro relator a pronunciamento seu no REsp n° 848081SP, aduz que "O direito ao creditamento só se verifica no caso de consumo, ou seja, o mero desgaste não autoriza referido beneficio, por não entrar os conseqüentes resíduos na composição do produto." Adiante, cita precedente oriundo do REsp n° 30.938-8-PR, rel. o Min. Humberto Gomes de Barros, em que decidiu que: "TRIBUTÁRIO. IPI PRINCIPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. TELAS E FELTROS FABRICAÇÃO DE PAPEL. I — A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se trata de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integraL" (grifamos) (f5)\, 15 2 2 CC-MF •-• 4, Ministério da Fazenda aes: Segundo Conselho de Contribuintes ';;C=lk''s Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 EpisSaInsuna Egás~„simssauma fisicamente ao nfflcimo_finaLtnas fe_s‘onsurnisia imediatueintegralmente _no curso do ~EL* ~stção. Finalizando sua fundamentação no já referido acórdão, o Ilustre Min. José Delgado afirma que "Exatamente pelo fato desta consumação não ser total e completa e sim corresponder, em verdade, a várias etapas do processo de industrialização, é que a aquisição desses irisamos e mercadorias não gera direito ao crédito pretendido". A contrariu sensu, a ilação mais acertada nos leva a crer que, sendo a consumação da energia total e completa, há o direito ao crédito. E assim, mutatis ~landi, deve a energia elétrica ser considerada produto intermediário e, conseqüentemente, poder ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. A Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao julgar o Recurso n° 100.167, Acórdão n°202-09.744, relator o Conselheiro Oswaldo Tancredo de Oliveira, decidiu em 09/12/1997 que "Energia elétrica, combustíveis e lubrificantes se incluem entre as matérias- primas, por participarem do processo de industrialização, até mesmo à luz do art. 82, inciso I, do RI?!". Em seu voto o Relator fundamentou: "... a energia elétrica constitui produto intermediário, com direito ao crédito, em _face do que dispõe o inciso I do art. 81 do RWI. que manda incluir entre as matérias primas e produtos intermediários 'aqueles que, embora não se integrando no produto final, forem consumidos no processo de industrialização A energia elétrica destina-se ao acionamento de motores elétricos, que, por sua vez. movimentam as máquinas e equipamentos usados no processo de industrialização dos produtos finais exportados." (grifamos) Comungamos, igualmente, com o entendimento do Ilustre Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer, que proferindo seu voto no julgamento do Recurso n° 110.144, Acórdão n° 201-74349, em 21/03/2001, assim se posicionou: 4.... Tenho presente que a energia elétrica, por fonte de energia importante e aplicada na produção, insere-se no conceito de insumo e. dentro deste, de razoável entendimento referir-se a produto intermediário. Por tal, não tenho, até o presente momento, motivos para excluir da base de cálculo do crédito presumido de 1P1 relativo ao PIS e à COF7NS os gastos com a aquisição de energia elétrica." (grifamos) Assim, entendemos que os custos com energia elétrica, tida no processo produtivo como produto intermediário, que nele se consome para que se chegue ao produto final, devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI aqui tratado. Pode a Receita Federal levantar o que, ou qual percentual das contas da fornecedora, são utilizados no processo produtivo. '¥)& 16 CC-MF -;••••er' " Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 10670.000961/99-16 Recurso n2 : 116.021 Acórdão n2 : 201-76.132 Assim, pelo exposto, e por tudo mais que dos autos consta, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para assegurar à contribuinte seu direito à compensação do crédito presumido de IPI, ou seu ressarcimento em espécie, tudo nos termos da fundamentação, com relação à energia elétrica consumida no processo produtivo. Ressalvado o direito de a Receita Federal verificar os cálculos. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2002. GILBER1#1/4WCASSULÍ4 ' 17
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002096/96-11
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IRPJ – ARBITRAMENTO: A escrituração contábil procedida por partidas mensais, desacompanhadas de livros auxiliares que individualizem seus valores, pode ensejar o arbitramento do resultado fiscal da empresa. Erros de apuração no valor dos estoques podem ensejar o arbitramento de seu valor, nunca, porém, o arbitramento do resultado fiscal da empresa.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 105-12747
Decisão: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo contribuinte de converter o julgamento em diligência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: afastar integralmente as exigências (IRPJ, IRF e Contribuição Social) relativas aos anos-calendário de 1993, 1994 e 1995. Vencidos os Conselheiros Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega (relator), Nilton Pêss e Alberto Zouvi (Suplente convocado), que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos Passuello.
Nome do relator: Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega
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Recorrida : DRJ — JUIZ DE FORA/MG Sessão de :16 DE MARÇO DE 1999 Acórdão n° :105-12.747 IRPJ — ARBITRAMENTO: A escrituração contábil procedida por partidas mensais, desacompanhadas de livros auxiliares que individualizem seus valores, pode ensejar o arbitramento do resultado fiscal da empresa. Erros de apuração no valor dos estoques podem ensejar o arbitramento de seu valor, nunca, porém, o arbitramento do resultado fiscal da empresa. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CERVEJARIA AMERICANA LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pelo contribuinte de CONVERTER o julgamento em diligência e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: afastar integralmente as exigências (IRPJ, IRF e Contribuição Social) relativas aos anos- calendário de 1993, 1994 e 1995, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega (Relator), Nilton Pêss e Alb it. Zouvi (Suplente convocado), que negavam provimento ao recurso. D- igna, o para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos Passuello. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 VERINALDO H -it(tt IQUE DA SILVA PRE • DENTE LOSCA LOS PASSUELLO RELATOR — DESIGNADO FORMALIZADO EM: 1 4 JUN 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, IVO DE LIMA BARBOZA e AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 RECURSO N° :116.917 RECORRENTE : CERVEJARIA AMERICANA LTDA. RELATÓRIO CERVEJARIA AMERICANA LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este Conselho, da decisão prolatada pela DRJ em Juiz de Fora — MG, constante das fls. 258/267, da qual foi cientificada em 18/11/1997 (fls. 273), por meio do recurso protocolado em 16/12/1997 (fls. 274). Contra a contribuinte foi lavrado o Auto de Infração de fls. 91/151, na área do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica relativo aos períodos de apuração correspondentes ao exercício de 1992 e aos anos-calendário de 1992 a 1995, em função do arbitramento de seus lucros. Foram ainda exigidos, como lançamentos reflexos, o Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Arbitrado (Auto de Infração às fls. 152/172) e a Contribuição Social sobre o Lucro (Auto de Infração às fls. 173/187). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 83/88, anexo à peça vestibular, o procedimento adotado se justifica em função da constatação dos fatos a seguir sintetizados: 1.a empresa se encontrava omissa na obrigação de entrega das declarações de rendimentos relativas aos anos-calendário de 1994 e 1995; 2. a fiscalizada, empresa do ramo industrial, informou não manter contabilidade de custos integrada e coordenada com o restante da escritura - avaliando os produtos acabados e em elaboração, adotando o c érios 3 tr:\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 constantes do artigo 187 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no. 85.450, de 04/12/1980 — RIR/80 (fls. 06); 3. inexistência do livro Registro de Controle da Produção e Estoque, modelo 3, tendo sido apresentados mapas denominados Razão de Estoque, cuja análise leva a supor, tratar-se de um controle permanente dos insumos utilizados na produção; 4. tendo sido constatado o registro de ajustes nos estoques constantes dos livros de Inventário de n° 03 e 04, ocorridos em dezembro de 1995 e janeiro de 1996, foi a empresa intimada a justificar o fato, tendo esta esclarecido que, em função da falta de recursos e a necessidade de contenção de despesas, mantém controles mínimos, apenas para atender à legislação; em razão disto, "...os ajustes ocorridos nos estoques em janeiro de 1996, foi que foi elaborada uma contagem física dos estoques, para apuração de sua mal quantidade e valor. Tal medida se deve ao motivo de que a empresa nunca contabilizou perdas de produção, como rótulos de papel, plástico, tampas, etc. e que estes números constavam de seus estoques de forma incorreta... n; esclareceu ainda a fiscalizada, que, por aquele motivo, adotou o critério de contabilizar o consumo de matéria prima, de acordo com a fórmula de cada produto produzido (correspondência às fls. 49/50). 5. novamente intimada a prestar esclarecimentos adicionais, informou a empresa que desde 1991, adota a aludida sistemática, tendo realizado em dezembro de 1995, apenas uma contagem parcial de seus estoque {aa q al determinou o primeiro ajuste efetuado no Inventário (documento às E. 9 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 6. a seguir, a autoridade fiscal elenca uma série de dispositivos da legislação tributária concementes às regras de apuração dos resultados da pessoa jurídica, relacionadas ao registro de estoques, o qual pressupõe a sua contagem física (artigo 182 do RIR/80, artigo 14 do Decreto-lei n° 1.598/1977, subitem 2.3 do Parecer Normativo CST n°06/1979, artigo 51 da Lei n°8.383/1991, Instrução Normativa RF n° 56/1992, artigo 3° da Lei n° 8.541/1992, Instrução Normativa SRF n° 98/1993 e artigo 37, § 6° da Lei n° 8.981/1995), para concluir que o procedimento adotado pela fiscalizada não encontra amparo nas leis comerciais e fiscais e tornam os resultados apurados a partir de dezembro de 1991, não confiáveis para determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social, visto que os seus custos foram afetados pela falta de cotejamento dos estoques físicos com as quantidades registradas no livro de Inventário; 7. acrescenta o autor do feito que os livros Diário de n° 08 e 09, onde se acham registradas as operações dos anos de 1991 e 1992, foram escriturados pelo método das partidas mensais, sem a utilização de livros auxiliares para registro individuado, relativamente às contas cujas operações são numerosas, como "Caixa", "Bancos", "Clientes", etc., contrariando o artigo 160, § 1° do RIR/80; 8. por fim, destaca o autuante que no ano-calendário de 1993, foi constatada uma série de outras irregularidades na escrituração contábil da contribuinte, tais como passivo não comprovado nas contas de "Fomecedores", "Empréstimos" e "Obrigações Tributárias e Previdenciárias", falta de comprovação de despesas concementes a variações monetárias passivas, e lançamentos, como despesas com juros, de valores utilizados para pagamento (liqui açã ) de empréstimos bancários, conforme demonstrativos e documentação an a aos MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° : 10640.002096196-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 autos. Por todo o exposto, concluiu a autoridade fiscal, não restar outra alternativa a não ser o abandono da escrita do contribuinte e a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social com base no lucro arbitrado. Em impugnação tempestivamente apresentada (fls. 189/196), a autuada se insurgiu contra o lançamento, citando diversos julgados versando sobre a matéria e trazendo os argumentos a seguir sintetizados: 1. cerceamento do direito de defesa, uma vez que não recebeu cópia do Relatório Fiscal citado no Auto de Infração; 2. a escrituração da empresa atende todos os requisitos da legislação tributária, tanto no concernente ao livro Diário, quanto aos livros auxiliares e os da escrituração fiscal, os quais mantém regularmente registrados; 3. o agente fiscal confundiu período de apuração, com exercício, quando da aplicação dos percentuais de arbitramento do lucro, contrariando as normas previstas em portarias do Ministro da Fazenda que regulam a matéria, em flagrante prejuízo para a fiscalizada. A autoridade julgadora de primeira instância manteve a exigência, reduzindo, de ofício, o percentual da multa aplicada (artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, c/c artigo 106, inciso II, alínea 'c" da Lei n° 5.172/1966 — CTN, e AD(N) COSIT n° 01/1997), conforme Decisão de fls. 258/267. Com relação à preliminar de cerceamento do direito de •efes- , o julgador monocrático, afasta a alegação da impugnante, reportando-se au V br; pri • i(.....\ 6 1/ir MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 Relatório de fls. 83/88, onde consta, ao seu final, a assinatura de um dos sócios da fiscalizada, o qual, na oportunidade, tomou ciência e recebeu uma via do documento. Quanto ao mérito, a decisão em comento se acha assim ementada: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA LUCRO ARBITRADO Hipóteses de Arbitramento. Dever de Escriturar - Arbitra-se o lucro quando a pessoa jurídica optar pela tributação com base no lucro real sem a devida escrituração auxiliar ao livro Diário, tendo este sido escriturado por partidas mensais. Hipóteses de Arbitramento. Ausência de Levantamento Físico de Estoque — A escrituração do livro Registro de Inventário, sem o devido cotejo com o estoque físico existente retira da contabilidade o poder de conferir realidade nela apontada." A questão dos coeficientes adotados para o arbitramento, foi apreciada pela autoridade julgadora singular, com o fundamento de que a partir do ano-calendário de 1992, com a edição da Lei n° 8.383/1991, o período de apuração dos resultados da pessoa jurídica passou a ser mensal, sistemática aplicável também ao arbitramento dos lucros; entretanto, por ausência de uma normatização que viesse substituir as regras contidas na Instrução Normativa SRF n° 108/1980, o percentual de 15% da receita bruta, apl' o período-base de 1991, foi majorado em 20% para os períodos de apura o do ano-calendário de 1992, permanecendo fixo ao longo do ano (18%) . 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 Em relação ao ano-calendário de 1993, observou-se o disposto nos artigos 7° da Portaria MF n° 524/1993 e 8° da Instrução Normativa SRF n° 79/1993, fazendo-se incidir, em relação ao período mensal anterior, o percentual de agravamento de 6%, limitado ao dobro do coeficiente inicial (no caso, 30%), o que determinou que fosse este o percentual adotado a partir de outubro de 1993, estando correto, portanto, o procedimento fiscal, neste particular. Através do recurso de fls. 275/286, instruido com os documentos de fls. 2871341, a contribuinte vem de requerer a este Colegiado, a reforma da decisão de 1° grau, trazendo os mesmos argumentos de mérito contidos na impugnação, acrescentando, em síntese, o seguinte: 1. o arbitramento dos lucros, por se constituir medida extrema, somente pode ser admitido em caso de inexistência de escrita, ou havendo escrituração, essa seja infundada, cercada de falsidade ou má-fé, sendo vedada, portanto, sua utilização pelo fisco quando o contribuinte mantenha escrita, mesmo quando esta se apresenta falha ou imperfeita, mas passível de retificação, segundo o que dispõe o artigo 148 do Código Tributário Nacional; 2. não procede a alegação de que os livros Diário referentes aos anos de 1991 e 1992 foram escriturados pelo método das partidas mensais sem a utilização de livros auxiliares para o registro indivi 'zado, contida na decisão ora recorrida, uma vez que a empresa ma inha, para aquele fim, Sumários de Fichas de Contabilidade, devida nte re• • -t -dos na Junta Comercial, conforme cópias anexas (fls. 324/337). át\. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 3. com relação ao controle de estoques, admite a recorrente, que, efetivamente, contabilizou o consumo de seus insumos, no período de 1991 a 1995, de acordo com a fórmula de produção de cada produto; entretanto, os demais itens dos estoques — produtos acabados e em elaboração — possuíam os devidos controles físicos; releva ainda notar que, pelas dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa, os estoques de insumos sempre foram de valores irrelevantes, pois as compras se limitavam ao mínimo necessário para consumo imediato, além do que, a aludida ausência de levantamento físico, privilegiou o fisco pois a recorrente postergou a apropriação de despesas, tais corno quebras, perdas de estoque, etc. 4. invocando a jurisprudência favorável à tese da defesa, a recorrente volta a contestar a adoção dos coeficientes de arbitramento constantes do procedimento fiscal, particularmente com relação aos percentuais de agravamento utilizados, sob o argumento de que estes só poderiam ser alterados a cada exercício financeiro, e não, a cada período de apuração mensal, como contido no Auto de Infração; Para encerrar, a contribuinte se insurge contra a multa de ofício, de 75%, já reduzida pela decisão recorrida, por entender indevida e se constituir em confisco tributário, vedado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, por não se tratar, a espécie dos autos, de reprimir fraude fiscal; requer ainda exame pericial, com fulcro no artigo 5°, inciso LV da CF/1988 e no artigo 17, e seu parágrafo único, do Decreto n° 70.235/1972, visando confi r suas alegações de defesa, formulando, para tanto, os quesitos constantes . 4 - fls. 285, os quais leio em sessão. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 As fls. 343, consta contra-razões do representante da Procuradoria da Fazenda Nacional ao recurso interposto, pugnando pela integral manutenção da decisão de primeiro grau. ás, É o relatório. to MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 VOTO VENCIDO CONSELHEIRO LUIS GONZAGA MEDEIROS NOBREGA - RELATOR O recurso é tempestivo e, tendo em vista haver sido o sujeito passivo intimado da decisão de primeira instãncia, em data anterior à edição da Medida Provisória n° 1.621-30, publicada no D.O.U. de 15/12/1997, não sujeita a sua admissibilidade ao depósito instituído pelo artigo 32 do citado diploma legal. Desta forma, deve ser conhecido. Preliminarmente, há que ser analisado o exame pericial reclamado pela recorrente, o qual, baseado no atual artigo 18 do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/1993, não se aplica a esta instância administrativa. Entretanto, considerando o disposto no artigo 5°, inciso LV da CF/1988, deve ser objeto de apreciação por este Colegiado, como pedido de diligência. Como tal, devem ser afastados, de inicio, os quesitos que dispensam exame adicional, como aqueles que versam sobre a manutenção da escrituração da empresa, de acordo com as leis comerciais e fiscais, já que tal conclusão é da competência dos órgãos julgadores, à vista dos elementos constantes dos autos, se constituindo no próprio julgamento; e, como se verá a seguir, entendo que o processo já se acha devidamente instruído. Outros, por irrelevantes para o deslinde da questão, não justificam a realização de diligência, tais como, a verificação de registro de fórmulas de produtos no Ministério da Agricultura ou se a empresa apropria seus custos de acordo com o artigo 187 do RIR/80; por fim, a questão relativa à manutenção de livros e fichas auxiliares para registro individuado das operações realizadas em 1991 e 1992, trata-se de at ria MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 de provas, as quais poderiam ser carreadas aos autos, pela própria recorrente, como de fato foram, no caso dos Sumários de Fichas de Contabilidade, a serem apreciadas oportunamente. Em função do exposto, voto no sentido de rejeitar o pedido de diligência. Passo à análise das questões de mérito: Conforme visto no relatório, a recorrente teve seus lucros arbitrados pela autoridade fiscal nos períodos de apuração correspondentes ao exercício de 1992 e aos anos-calendário de 1992 a 1995, pela verificação de deficiências insanáveis (em sua escrituração contábil), no dizer do autor do feito, na forma descrita no relatório de fls. 83/88. Tais deficiências compreendem a escrituração do livro Diário pelo método das partidas mensais, sem a utilização de livros auxiliares para registro individuado das operações, nos anos de 1991 e 1992; a constatação de passivo não comprovado e de despesas igualmente não comprovadas, além de liquidação de empréstimos bancários registrada como despesas de juros, ocorridos no ano- calendário de 1993; apropriação de custos com insumos por estimativa, em função da empresa não efetuar levantamento físico dos estoques existentes por ocasião do encerramento de todos os períodos de apuração objeto do arbitramento, uma vez que o consumo de matéria-prima e materiais de embalagem, era estimado com base na composição das fórmulas dos produtos de sua fabricação, como informado pela própria recorrente. Ademais, a contribuinte, por ocasião do j Ydio da fiscalização, se achava omissa na obrigação da entrega d declaraç s 1de rendimentos relativas aos anos-calendário de 1994 e 1995. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 Pode se concluir do exposto, que o deslinde da questão ora posta consiste em se averiguar, diante da peça acusatória, dos argumentos da defesa e dos elementos de prova contidos nos autos, se a escrituração da pessoa jurídica fiscalizada era mantida de acordo com as leis comerciais e fiscais e/ou se esta continha vícios, erros ou deficiências que a tomassem imprestável para determinar o lucro real, uma vez que o procedimento fiscal teve enquadramento legal nos artigos 399, incisos I e IV do RIR/80, 539, incisos I e II do RIR194, e 47, inciso II da Lei n°8.981/1995. A questão da ausência de controle de estoques, elemento comum a todos os períodos objeto do arbitramento, e por isto, o mais relevante, merece anteceder as demais, na apreciação. Inicialmente releva analisar o conceito de lucro real, o qual adotado pela fiscalizada para apurar seus resultados, foi glosado pelo procedimento fiscal, ao impor o arbitramento dos lucros. O termo real, na linguagem comum, significa o que existe de fato, verdadeiro. Já do ponto de vista da legislação tributária, o lucro real, base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica, se contrapõe aos conceitos de lucro presumido e lucro arbitrado, exceções à regra geral da aludida base imponível; ou seja, na impossibilidade de apuração do lucro real (no sentido mesmo da linguagem comum, verdadeiro), ou por faculdade prevista e le , pode o contribuinte presumir um lucro ou tê-lo arbitrado e, a partir destes, urar tributo devido. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 O artigo 6° do Decreto-lei n° 1.598/1977 conceitua lucro real como o lucro líquido do período-base, com os ajustes prescritos ou autorizados pela legislação. Portanto, ao partir do lucro líquido, o que eqüivale na lei comercial, ao resultado do período, o legislador ordinário quis que a tributação das pessoas jurídicas, como regra, se desse sobre resultados verdadeiros, apurados segundo as normas da legislação comercial, com os ajustes da lei fiscal. Feito este preâmbulo, retomo à análise do processo. Diz a contribuinte textualmente em sua correspondência de fls. 63, que: "o consumo de matéria prima de cada produto foi contabilizado de acordo com as fórmulas de cada produto" e que tal procedimento é adotado desde o ano de 1991. Em nenhum momento posterior buscou a recorrente negar a afirmativa, se limitando a justificar a falta de controle dos custos efetivos de seus insumos - quer permanente, quer através de contagens físicas periódicas dos estoques a serem inventariados - ou minimizar seus efeitos nos resultados apurados. A ausência destes controles determinou a apuração das diferenças nos estoques de insumos em dezembro de 1995 e em janeiro de 1996, quando a contribuinte passou a efetuar levantamentos físicos, motivando o registro no livro de Inventário, de ajustes visando adequar o estoque,,$o ao contábil. Citadas diferenças alcançam o total de 632 toneladas de mat rias-primas diversas e mais de 17 milhões de unidades de emb lagens, entre rolha táticas e rótulos, conforme demonstrativo de fis. 84 e 85. . 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 Constitui fato assente em auditoria contábil e fiscal, a importância da conta representativa dos estoques da pessoa jurídica, por esta refletir diretamente nos seus custos e, por sua vez, em seus resultados tributáveis. Tanto que se constata facilmente, através de levantamentos físicos de estoques, a existência de omissão de receita por compras ou vendas sem documentação fiscal. Conforme já mencionado pelo Relatório Fiscal, o procedimento adotado pela fiscalizada contrariou o disposto no artigo 14 do Decreto-lei n° 1.598/1977 (matriz legal dos artigos 182 do RIRMO e 231 do RIR/94), o subitem 2.3 do Parecer Normativo CST n° 06/1979, e o artigo 40 da Instrução Normativa RF n° 56/1992, além da legislação citada no aludido relatório, que determina a apuração da base de cálculo do tributo, de acordo com as leis comerciais e fiscais. Do exposto, conclui-se, necessariamente, que a escrituração mantida pela fiscalizada não permite a determinação do lucro real em sua inteireza, pois os custos nela registrados não são verdadeiros, no sentido de que foram apurados com base em estimativas não autorizadas pela lei, comprometendo a fidedignidade dos resultados nela demonstrados. Ou como entendeu este Colegiado, em julgamento prolatado em processo onde foi apreciado matéria similar, através do Acórdão n° 101-73.862/82, assim ementado, já invocado pela autoridade julgadora singular PARTIDAS MENSAIS — INVENTÁRIO POR ESTIMATIVAS — Registros contábeis feitos de forma global, em lançamentos por partida mensal única, sem o apoio em assenta ent,s Pormenorizados em livros auxiliares devidamente autenticbt e 15 n Y‘ti MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 bem assim inventário de mercadorias tomado, em grosso, por estimativa, contrariam, na determinação do lucro real, as disposições das leis comerciais e fiscais e acarretam desprezo à escrituração com o inevitável arbitramento do lucro para efeitos tributários." (destaquei). Resta apreciar as demais motivações argüidas pelo autuante para o arbitramento, aplicáveis a períodos de apuração distintos. A questão da escrituração do livro Diário por partidas mensais, sem a utilização de livros auxiliares para o registro individuado das operações relativas aos anos de 1991 e 1992, foi contestada pela ora recorrente, desde a fase impugnatória; já naquela ocasião a contribuinte argumentou manter livro Razão, ou fichas utilizadas para resumir ou totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, não trazendo, entretanto, qualquer elemento de prova do alegado. Relevante observar que o Termo de Início de Fiscalização (fls. 01103), intimou a empresa, de forma redundante até, a exibir, os livros contábeis e fiscais, os livros auxiliares da escrituração e o livro Razão. Na fase recursal, volta a defesa a alegar a improcedência da acusação fiscal, desta vez, dizendo manter, no aludido período, Sumários de Fichas de Contabilidade, devidamente registrados na Junta Comercial, onde se encontravam individualizadas aquelas operações; anexa, para comprovar, as cópias de fls. 324 a 337. Compulsando-se os documentos, verifica-se que se tratam de meros termos de abertura de livros que encadernam as tais fichas, além de declarações de alteração da razão social. Como os termos citados são lavrados na própria ficha, as cópias juntadas também permitem conh - -r -ua natureza: coerentemente com seu título, o formulário é sucinto, trazendrenas 16 ‘ik MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 duas colunas ("Débito" e "Crédito"), com campos para indicação do documento contábil, a contrapartida do lançamento e o valor, não constando o histórico, também omitido no registro do Diário, pela falta de individualização das operações nele registradas. lnobstante se poder entender que a ausência do histórico do lançamento não constitui óbice à aceitação das aludidas fichas como livro auxiliar a suprir a ressalva contida no § 1° do artigo 160 do RIR/80 (§ 1° do artigo 204 do RIR194), nenhuma das cópias carreadas aos autos se acha preenchida com o registro de operações nas contas movimentadas no período, a permitir que seja verificado se os valores totalizados por períodos mensais, coincidem com aqueles registrados globalmente no livro Diário; desta forma, rejeito os documentos juntados pela recorrente, como elementos de prova. As demais questões levantadas pela peça de acusação (omissão de receita, pela constatação de passivo não comprovado, registro de despesas inexistentes e improvadas no ano-calendário de 1993, e falta de entrega das declarações de rendimentos dos anos-calendário de 1994 e 1995), são estranhas à matéria tratada nos autos, somente justificando sua incorporação à descrição dos fatos, como reforço da tese do autuante de que a escrituração da fiscalizada continha vícios, erros e deficiências, a justificar o arbitramento do lucro. Desta forma e tendo em vista que a recorrente não se pronunciou sobre a matéria, acolho-a como verdadeira, sem, no entanto, influenciar o julgamento a ser prolatado no presente litígio. Quanto à tese da defesa de que o arbitramento não pode ser adotado pelo fisco, quando o sujeito passivo mantém escrituração, mesmo imperfeita, mas passível de retificação, a teor do disposto no artigo 148 do N, a mesma não procede, uma vez que o dispositivo invocado é inaplicável à - ie 17 íg MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 dos autos, seja porque este se dirige às situações em que o cálculo do tributo tenha por base o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, o qual não se coaduna com o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica - que é complexivo e considera o resultado econômico de uma série de operações realizadas ao longo de um lapso de tempo — seja porque o assunto ora tratado, se acha regulado por legislação ordinária perfeitamente consentânea com o conceito da base de cálculo do tributo, contido no artigo 44 da aludida lei complementar. No concernente aos argumentos relativos à questão dos coeficientes de arbitramento adotados no procedimento fiscal, em que a recorrente em nada inovou no recurso em relação à peça impugnatória, entendo que o julgador singular enfrentou devidamente a matéria, ao esclarecer que a partir do ano-calendário de 1992, o tributo de que se trata passou a ter períodos de apuração mensais, carecendo de se adaptar a normatização infra-legal existente, a qual interpretava dispositivos da lei aplicada à espécie relacionada a período de apuração anual. Com efeito, o artigo 7° da Portaria MF n° 524/1993 e o artigo 8° da Instrução Normativa SRF n° 79/1993, determinaram o agravamento mensal do coeficiente, quando a pessoa jurídica tivesse seu lucro arbitrado em mais de um período mensal, deixando de prevalecer, portanto, a regra contida na legislação anterior, de aplicação anual do agravamento. Relevante observar que os citados atos normativos constaram do enquadramento legal contido na peça vestibular, sendo omitidos pela defesa, ao laborar sua tese, a qual se reporta tão-somente aos atos anteriores à alteração introduzida pela Lei n°8.383/1991. Por fim, passo a analisar a alegação da recorrente de que a multa de ofício imposta na autuação - cujo percentual foi reduzido para 75% na 9e6o de 1° grau - constitui confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV da C 8ã8, 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 somente podendo ser aplicada nos casos de constatação de fraude, sonegação, contrabando e descaminho. De início, constata-se o equívoco da defesa, ao invocar o dispositivo constitucional, pois tal regra do ordenamento jurídico pátrio se dirige ao legislador nacional, em todos os seus níveis, no sentido de evitar que se utilize tributo, e não multa, com efeito confiscatório. Ademais, a multa de ofício aplicada tem previsão legal (artigo 4 0, inciso I, da Lei n°8.218/1991, alterado pelo artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996), atendendo, pois, aos requisitos contidos no artigo 107, inciso V do CTN. Há ainda a ser considerado que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, a teor do artigo 136 do mesmo CTN, bastando sua constatação, para se tomar cabível a imposição da penalidade. Por todo o exposto, e tudo mais constante do processo, conheço do recurso, por atender os pressupostos de admissibilidade, para, rejeitando a preliminar argüida, no mérito, negar-lhe provimento. É o meu voto. Sala das Sessões — DF, em 16 de março de 1999 , , L S GO ZAGkEDE)OS NOB*A 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 VOTO VENCEDOR CONSELHEIRO José Carlos Passuello — RELATOR DESIGNADO O preciso relatório lido em plenário pelo Ilustre Relator, Dr. Luiz Gonzaga Medeiros Nóbrega, me oferece a informação de que o arbitramento imposto pela fiscalização alcançou os exercícios de 1992 a 1996, segundo sua descrição, exercício de 1992 e anos calendários de 1992 a 1995. A divergência constatada alcança exclusivamente os exercícios de 1994 a 1996, anos-calendário de 1993, 1994 e 1995. Mais especificamente, a parte do Relatório que me chamou atenção é aquela assim expressa: "4. tendo sido constatado o registro de ajustes nos estoques constantes dos livros de Inventário de n° 03 e 04, ocorridos em dezembro de 1995 e janeiro de 1996, foi a empresa intimada a justificar o fato, tendo esta esclarecido que, em função da falta de recursos e a necessidade de contenção de despesas, mantém controles mínimos, apenas para atender à legislação; em razão disto, "...os ajustes ocorridos nos estoques em janeiro de 1996, foi que foi elaborada uma contagem física dos estoques, para apuração de sua real quantidade e valor. Tal medida se deve ao motivo de que a empresa nunca contabilizou perdas de produção, como rótulos de papel, plástico, tampas, etc. e que estes números constavam de seus estoques de forma incorreta..."; esclareceu ainda a fiscalizada, que, por aquele motivo, adotou o critério de contabilizar o consumo de matéria prima, de a f o com a fórmula de cada produto produz' o (correspondência às fls. 49/50). 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 5. novamente intimada a prestar esclarecimentos adicionais, informou a empresa que desde 1991, adota a aludida sistemática, tendo realizado em dezembro de 1995, apenas uma contagem parcial de seus estoques, a qual determinou o primeiro ajuste efetuado no Inventário (documento às fis. 68);" De outra feita, a autoridade julgadora, sobre a matéria, assim ementou sua decisão: "Hipóteses de Arbitramento. Ausência de Levantamento Físico de Estoque — A escrituração do livro Registro de Inventário, sem o devido cotejo com o estoque físico existente retira da contabilidade o poder de conferir realidade nela apontada." Por oportuno, é de se esclarecer que o presente voto vencedor nada tem a ver com os períodos-base de 1991 e 1992, quando o arbitramento se deu devido a escrituração com base em partidas mensais (fls. 86). Para os anos-calendário de 1993 em diante, o arbitramento se deu por erros de avaliação ou apuração dos estoques e se baseou, em parte, na descrição dos fatos trazida a fls. 86, assim expressa: "Para os anos-calendários de 1993 e 1994 a Lei n° 8.541/92, art. 3° e IN SRF n° 98193 determinam que os balancetes mensais devem ser levantados de acordo com as leis comerciais e fiscais. Relativamente ao ano-calendário de 1995, a Lei n° 8.981/95, art. 37, parág dispõe que as pessoas jurídicas deverão determinar mens !mente, o lucro real e a base de cálculo da contribuiçã social de acordo com as leis comerciais e is." E, mais adiante: 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 "(...) visto que, os seus custos foram afetados de maneira irremediável pela falta de cotejamento dos estoques físicos com as quantidades registradas no inventário" Com base nestes pressupostos se deu o arbitramento, uma vez que a recorrente confessou haver procedido ajustes no valor dos estoques para adequá-los a valores corretos, já que não fazia a conferência física periódica. No meu entender, é de se ver se falhas ou erros na avaliação dos estoques é condição suficiente para ser desqualificada a contabilidade da empresa e procedido o arbitramento de seus resultados. Quanto aos períodos em que houve a constatação de contabilização por partidas mensais, acompanho o I. Relator no seu voto. Quanto, porém, à desclassificação da escrita por erros na apropriação dos estoques, entendo ser motivo não suficientemente relevante a ponto de contaminar totalmente a fidelidade contábil dos registros da empresa. Entendo que cabia à fiscalização aprofundar a ação fiscal na tentativa de apurar as diferenças existentes. Isso, aceitando os lançamentos de ajuste ou procedendo a correção que fosse possível, para, ajustando o lucro real de cada período, proceder a tributação na sistemática de lucro real das eventuais diferenças constatadas. Dessa forma, por não encontrar entre as situações elencadas na legislação de regência como ensejadoras do arbitramento, a situ- - o d- scrita; por entender não ser ela suficiente para extrair a confiabilidade qu - se • resume dos registros contábeis e, principalmente, por revestir situação &c.a de a rro 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° :10640.002096/96-11 ACÓRDÃO N° : 105-12.747 facilmente reparável pela tributação de eventual insuficiência de tributo ou de sua postergação, uma vez que a irregularidade apontada se transmite de exercício para exercício, sendo custo no ano seguinte ao acréscimo tributado, não vejo como prosperar a exigência na forma pretendida pela autoridade lançadora. Entendo que falha na avaliação dos estoques pode ensejar o seu arbitramento (arbitramento no valor dos estoques) na forma do art. 236 do RIR194, mas não propiciar o arbitramento dos resultados, como pretendido pela fiscalização. A fiscalização poderia tentar calcular as diferenças nos estoques e na falta de contabilidade integrada, promover o arbitramento do valor dos estoques, tributando eventuais insuficiências. Nunca, porém, confundir o conceito de arbitramento do valor dos estoques com arbitramento do resultado da empresa. Assim, diante do que consta do processo, voto, acompanhando o I. Relator quando mantém a exigência baseada em arbitramento por defeitos da contabilidade calcada em partidas mensais sem a discriminação dos valores individuais e, abrindo dissidência, voto por dar provimento ao recurso relativamente aos exercícios em que o arbitramento se deu com base em irregularidades na avaliação dos estoques da recorrente. Brasília e ' 16 de mar , • de 1999. li /4,1 '' 14,(4-e2,57 Jo f- C rlos Passuello 23 Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1 _0034700.PDF Page 1 _0034800.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10630.000817/2003-76
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: REFIS - ABRANGÊNCIA DA OPÇÃO - Abrangendo a opção pelo REFIS somente débitos de IRRF e COFINS, e referindo-se a autuação a crédito tributário de IRPJ, exsurge sua irrelevância para o desate da causa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA - PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - Não há se confundir procedimento administrativo fiscal com processo administrativo fiscal. O primeiro tem caráter apuratório e inquisitorial e precede a formalização do lançamento, enquanto o segundo somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido processo legal, em sentido estrito, contraditório e ampla defesa são próprias do processo administrativo fiscal. Estando o lançamento amparado por farta documentação e tendo o mesmo descrito com clareza, precisão e de acordo com as formalidades legais, as infrações imputadas ao contribuinte, não há se falar em cerceamento de defesa a impor a nulidade do feito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - ALEGADA FALTA DE MENÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS - MENÇÃO AOS DISPOSITIVOS DO REGULAMENTO - A nulidade do auto de infração só deve ser declarada quando houver, na fase processual, cerceamento do direito de defesa do contribuinte, inocorrente quando este faz menção aos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda infringidos, possibilitando-lhe conhecer plenamente a infração imputada e oferecer defesa eficaz.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - PREJUÍZOS FISCAIS - COMPENSAÇÃO - LIMITAÇÃO - A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e base positiva do IRPJ, poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos calendários subseqüentes (arts. 42 e § único e 58, da Lei 8.981/95, arts 15 e 16 da Lei n. 9.065/95). Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.
MULTA DE OFÍCIO - Nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, à falta de recolhimento tempestivo do tributo, é devida a exigência de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Ausência de caráter confiscatório. Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - Não tendo sido declarada a inconstitucionalidade do art. 39, § 4° da Lei nº 9.250/95, é de ser mantido o lançamento de juros de mora calculados segundo a variação da taxa SELIC, mormente quando firmada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça por sua legalidade.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PERÍCIA - Descabe a realização de prova pericial desnecessária.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 105-14.345
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Eduardo da Rocha Schmidt
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • QUINTA CÂMARA Processo n° : 10630.000817/2003-76 Recurso n° : 138.894 Matéria : IRPJ - EXS.: 1999, 2002 Recorrente : RODOVIÁRIO RAMOS LTDA. Recorrida : 1' TURMA/DRJ em JUIZ DE FORA/MG Sessão de : 14 DE ABRIL DE 2004 Acórdão n° : 105-14.345 REFIS - ABRANGÊNCIA DA OPÇÃO - Abrangendo a opção pelo REFIS somente débitos de IRRF e COFINS, e referindo-se a autuação a crédito tributário de IRPJ, exsurge sua irrelevância para o desate da causa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA - PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - Não há se confundir procedimento administrativo fiscal com processo administrativo fiscal. O primeiro tem caráter apuratório e inquisitorial e precede a formalização do lançamento, enquanto o segundo somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido processo legal, em sentido estrito, contraditório e ampla defesa são próprias do processo administrativo fiscal. Estando o lançamento amparado por farta documentação e tendo o mesmo descrito com clareza precisão e de acordo com as formalidades legais, as infrações imputadas ao contribuinte, não há se falar em cerceamento de defesa a impor a nulidade do feito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - ALEGADA FALTA DE MENÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS - MENÇÃO AOS DISPOSITIVOS DO REGULAMENTO - A nulidade do auto de infração só deve ser declarada quando houver, na fase processual, cerceamento do direito de defesa do contribuinte, inocorrente quando este faz menção aos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda infringidos, possibilitando-lhe conhecer plenamente a infração imputada e oferecer defesa eficaz. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - PREJUÍZOS FISCAIS - COMPENSAÇÃO - LIMITAÇÃO - A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e base positiva do IRPJ, poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos calendários subseqüentes (arts. 42 e § único e 58, da Lei 8.981/95, arts 15 e 16 da Lei n. 9.065/95). Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. MULTA DE OFÍCIO - Nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, à falta de recolhimento tempestivo do tributo, é devida a exigência de multa de oficio,5 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Ausência de caráter confiscatório. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - Não tendo sido declarada a inconstitucionalidade do art. 39, § 4° da Lei n° 9.250195, é de ser mantido o lançamento de juros de mora calculados segundo a variação da taxa SELIC, mormente quando firmada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça por sua legalidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PERICIA - Descabe a realização de prova pericial desnecessária. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RODOVIÁRIO RAMOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado 7 2 / J ) CLA S RESIDENTE -1114,- 120 4-,(1-- EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT RELATOR FORMALIZADO EM 28 mAi 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: LUIS GONZAGA MEDEIROS NóBREGA, DANIEL SAHAGOFF, CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 Recurso n° : 138.894 Recorrente : RODOVIÁRIO RAMOS LTDA. RELATÓRIO• Trata-se de auto de infração originado de revisão das declarações de imposto de renda, referentes aos períodos base janeiro de 1998 e dezembro de 2002, por ter verificado a fiscalização que o contribuinte, ao apurar o lucro real do ano calendário de 1996, não teria observado o limite determinado pelos arts. 42 da Lei n. 8.981/95, e 15 da Lei n. 9.065/95, segundo os quais o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação pode ser reduzido, no máximo, em 30% (trinta por cento), em razão da compensação de prejuízos fiscais. Em decorrência dessa revisão, a fiscalização glosou os prejuízos fiscais informados e compensados pela contribuinte, apurando o crédito tributário constituído pelo auto de infração inaugural. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou tempestiva impugnação, onde, em síntese, alegou o seguinte: i) que teria aderido ao REFIS e incluído no parcelamento o crédito tributário objeto da autuação, de tal sorte que não poderia a fiscalização ter procedido à lavratura do auto de infração, eis que os pagamentos das parcelas devidas se encontram em dia; ii) que a manutenção da autuação, frente à adesão ao REFIS, importaria em enriquecimento injustificado pelo Fisco Federal; iii) que o auto de infração seria nulo, na medida em que não poderia a fiscalização ter-lhe exigido, antes da lavratura do auto de infração, que contestasse as alegações constantes do Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 18 de junho de 2003; iv) que o auto seria nulo, também, por cerceamento de seu direito de defesa, em razão de o prazo de 5 (cinco) dias para se manifestar sobre Termo de Constatação e Intimação Fiscal seria insuficiente e, ainda, por alegad - nte não fazer menção aos dispositivos legais violados; e 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 v) que seria inconstitucional e ilegal a limitação à compensação de prejuízos fiscais imposta pela Lei n. 8.981/95; vi)que a multa de ofício aplicada teria feição confiscatória; vii)que seria ilegal a exigência de juros de mora calculados segundo a variação da taxa SELIC; Protestou o contribuinte, na peça impugnatória, pela produção de prova pericial contábil e documental suplementar, registrando, ao final, seu entendimento quanto à possibilidade de se debater, no processo administrativo, alegações de inconstitucionalidade das leis e atos normativos. O lançamento foi julgado procedente por acórdão da 1 a Turma da DRJ em Juiz de Fora, assim ementado: "Assunto.. Imposto sobre a renda de Pessoa Juridica - /RPJ. Ano-calenoário.. f998, 2002 Ementa.. PREJIJZOS FISCAIS COMPENSAÇÃO LIMITE No período em tela, para determihação do lucro rea‘ o lucro liquido ajustado só podena ser reduzir/o, utilizando-se saldo de prejulkos fiSC8/:51, até o tnile de Miuá por cento. /NCONSTITUC/O/VALIDADE. A apreciação da constitucionakdade ou não de lei é de competência exclusiva do Poder Judiciáno, devendo a autondade soim/MS/ira/Na, apenas, em COOSOfiâfla» COM o siátema jurídico Kqente, tear-se da extensão dos efeitos da declaração de Mconsfilucionalidade, o que não se amolda às discussões da contdbuihte sobre a limitação da compensação de ,orejuizos, a adoção da laxa Sefic no cálculo dos juros de mora, tão pouco no que concerne à multa de oficia PEDIDO DE PER/C/A. INDEFERIMENTO A 81/SêfiCY» de motivação para a roa/fração de perícia, já que não havia o que se perqueifr acerca da maténa pretendida, acarreta o Mdefeilinento do /cedido de perícia. Lançamento Procedente." Contra referido acórdão interpôs o contribuinte recurso voluntário, onde, em suma, repisa os argumentos alinhavados em i • eugnação. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 VOTO Conselheiro EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, Relator Sendo tempestivo o recurso e estando o processo instruído com cópias do processo de arrolamento de bens, passo a decidir. Registre-se de inicio, conforme se verifica do demonstrativo de débitos consolidados no REFIS, acostado às folhas 376 a 378, que só estão abrangidos pela opção do contribuinte débitos de IRRF e COFINS, deixando patente, assim, que referida opção é irrelevante para o desate da causa. Não há se falar, outrossim, em nulidade do auto de infração pelo fato de, no curso da ação fiscal, a fiscalização ter solicitado esclarecimentos ao contribuinte e, para tanto, concedido prazo de 5 (cinco) dias. O exame de tal preliminar reclama a distinção dos conceitos de processo admkistratii/o fisca/do de procedimento ao/ministra/Ivo fiscal, precisa na lição de JAMES MARINS: "Não pode ser confundido o processo admkiStrativo tnbutáno com o procedimento 86~7/st/rã/Mo tnbutário, ou procedimento fiscal. Este á marcantemenle risca&atório' ou epuratóno' e /em por fina/idade preparar o ato de lançamento, que é o momento em que o Estado exator fonna/ka sua pretensão tnbutáná ,'crédito,) em face do contabuliile. Após ta/ forma&ação é que pode ter lugar o processo admiMátrativo, bastando para tanto que o contnbuhte, lançando mão dos meios de impugnação admiiwStrativos ,orewSlos, ofereça forma/mente sua resiStêncie à pretensão fiscal do Estado."' As garantias do contraditório e da ampla defesa, a vista do disposto no artigo 5 0, LV, da Constituição Federal, são inerentes ao processo administrativo, não ao procedimento administrativo fiscal, de caráter primordialmente inquisitório, de sorte que, tendo o lançamento sido instrumentalizam m mor auto de infração descrito de forma clara as Direfro Processual TrIbuldrio Brasileira? ed., Dialética, p. 92 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 infrações imputadas ao contribuinte, facultando-lhe plena defesa, não há se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. A jurisprudência, em casos similares, se firmou pela ausência de cerceamento do direito de defesa a demandar a decretação da nulidade do feito, como se vê dos seguintes julgados: " /RPF - PRELIMINAR DE NULIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Só se cogita da nulidade do ato ,oraticao'o pela autondade ao'mlniStrativa, quando presentes os pressupostos dÁs,00stos no an. 59 do Decreto if 70 235/ 72 Assim, em havendo no lançamento informações e justificativas que permitem ao coa/oba/271e oferecer nn,ougnação fundamentada e completa, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. (Ac. 102-45766, Rel. Cons. Valmir Sandri). "NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - DILIGÊNCIAS - FASE FISCALIZATÓRIA. Somente a par& da lavra/tira do auto de infração á que se instaura o kligie entre o fisco e o contnbuinte, podendo-se, então falar em ampla defesa ou cerceamento de/a, sendo improcedente a prelirninar de cerceamento do direito de defesa quando concedidas, na fase de instrução e de impugnação, amplas oportunio'ades de apresentar documentos e esclarecimentos. Ademais se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substancibsa impugnação, abrangendo não só outras questões preInnhares como também razões de mento, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. (..)." (Ac. 104-19122, Rel. Cons. Nelson Mallmann) "NP' - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO PROCEDIMENTO - OMISSÃO DE RECEITAS- MICROEMPRESA - LUCRO PRESUMIDO - ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Na fase procedimental do processo adminiStrativo fiscal predomina o pringoie da tnquiSkOnedatfe,. o comi/adi/6M e a ampla defesa somente podem ser invocados na fase processual seguinte, depois de formalizada a acusação fiscal (.7 (Ac. 105-13984, Rel. Cons. Maria A /alia Fraga Ferreira) 6 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 "NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não OCO/Te cerceamento do direito de defesa quando no auto de infração constam as kregu/andades fiscais descntas de forma clara e os oZspositivos legais indicados dão supoite ao lançamento. (..)." (Ac. n° 107-06777, Rel. Cons. Natanael Martins) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - Im,orocede a alegação de cerceamento do dkeito de defesa quando o procedimento fiscal fundamentou-se em levantamento rea&ao'ojunfo aos fornecedores da fiscalizada e, ainda, tendo o fisco juntado aos autos elementos de prova. (..)." (Ac. 107.04745, Rel. Cons. Francisco de Assis Vaz Guimarães) De outro lado, o fato de o auto de infração fazer menção a dispositivos do RIR/99 e não aos dispositivos legais - tomando-se, aí, o termo "lei" em seu sentido estrito - por não acarretar o mais mínimo prejuízo à defesa do contribuinte, não deve ensejar a declaração de nulidade do auto de infração: "NULIDADE- Não á nulo o auto de infração por se refenr aos diSpositivos do Regulamento do Imposto de Renda e não a o'Ispositivos de lei:s. O regulamento consolida vádos Somas legais que tratam do tabulo, e a remissão aos seus afliges, em lugar de ,orejudkai; facilita a defesa do sujeito passivo." (Acórdão 101-93207, Rel. Cons. Sandra Maria Faroni) "NORMAS PROCESSUAIS- NULIDADE- Não á nulo o lançamento que se repoita aos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda vigente na data dos fatos que lhe deram causa." (Acórdão 101-93343, Rel. Cons. Sandra Maria Faroni) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação lega/ incompleta da infração ou mesmo sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descia° dos fatos nele contida á exata, possibilitando ao sujéito passivo defender-se de forma detalhada das itnputações que lhe foram feitas." (Acórdão 108.06.208) Nestas condições, tenho por i„,..2„ocedente a preliminar de nulidade do auto de infração. f5 7 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 Quanto ao mérito, em que pese o meu entendimento particular de que a limitação à compensação de prejuízos fiscais imposta pelas Leis n. 8.981/95 e 9.065/95 desnatura o conceito de renda adotado pela Constituição Federal e pelo art. 44 do CTN, impondo a tributação sobre valores que não configuram acréscimo patrimonial, curvo-me à jurisprudência da 1° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, firmada em sentido contrário, pela constitucionalidade e legalidade da trava, para julgar improcedente a pretensão do contribuinte neste particular. Confiram-se, a propósito, as seguintes ementas: "IRPJ - PREJUiZOS FISCAIS - COMPENSAÇÃO - LIMITAÇÃO - saldo acumulado de ,orejulkos fiscalS em 31/12/94, bem como os ,oreaos gerados a /cerni- de jánefro de 1995 sofrem a /imitação de compensação de 30% do lucro real antes das compensações impostas pela Lei 8981/95 Recurso es,oeciel a que se nega provimento." (Acórdão CSRF/01-04.483) "TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - Meo'ida Provi:sio/7» n. 812, de 31/12/94, convelfida na Lei /7. 8.981/95 Alligos 42 e 58; que reduziram a 30% a parcela dos ,orejufros socy»is, de exercícios antedores, suscetível de ser deduzida do /acro real para apuração dos tributos em refere/7cl» Alegação de ofensa aos pni7c/plos da ante/tildado e da kretroativ/Wade." (Acórdão CSRF/01-04.332) "NP] - COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS - LIMITAÇÃO DE 30% - APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS Ars. 8981 E 9.065 DE 1995 - A ~ação da compensação de ,orejuizos fiscal:si e da base negativa do IRPJ, deter/náiade pelas Leis n. 8981 e 9.065 de 1995 não viblou o o'keito adqukdo, de vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após o transcurso do período de apuração que co/i7cybe com o/é/77747o do exercício financeko. A paltk do ano calendáno de 1995 o lucro líquido ajustado e base positiva do /RR], poderão ser reduzidos por compensação do ,orejuizo e base negativa, apurados era períodos bases anteriores em, no máximo, /Mia por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fisca/S apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos calendálts subseqüentes (arts. 42 e 35' lifik0 e 58; da Le /. 8.981/95, anis 75e 16 da Le n. 9.065/951" (Acórdão CSRF/01-04.094) 8 5---P MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 "TRIBUTÁRIO AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJLOS. IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LIMITAÇÃO IMPOSTA COM O ADVENTO DA LEI N°8987/95 LEGALIDADE - A limitação de compensação de ,orejuizos resultantes do balanço das empresas, em face da Lei n°8.987/95 não é ffegaÍ porquanto não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse ioúbfico, reduz/270'o o frn,oacto fiscal. - Precedentes desta Corte. - Agravo reg/inania/ linprovido." (AGRESP 429730/RJ, ia T., Rel. Min. Francisco Falcão, DJU 21.10.2002, p. 292) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO- LIMITAÇõES DAS LEIS 8.981/95 E 9.065/95 1. Não se vislumbra violação ao ad 535 do CPC se o acórdão recorndo analisou devidamente a questão e adotou fundamentação que lhe pareceu adequada e suficiente à solução da controvérsia. 2 Legalidade das /imitações previstas nas Leis 8.981/95 E 9065/95 - Precedentes. 3. Recurso as/aso/ai lin,orovido." (RESP 485996 / SP, r T., Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 02.06.2003, p. 287) "EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 812, DE 31.1294, CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95 ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A PARCELA DOS PREJUÍZOS SOCIAIS, DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, SUSCETÍVEL DE SER DEDUZIDA NO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROATIVIDADE. D‘ohma 170/777£01/0 que foi editado em 31.12 94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercicio financeiro encerrado. Descablinento da alegação de ofensa aos pfÉ7C612/ÓS da antenodo'ade e da kretroatiVidade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à contabuião socia4 sujeita que está à anteriodo'ade nonagesiinal prevista no ad. 195 6° da Ck; que não foi observada Recurso conhecido, em parte, e nela provido." (RE 232.084/SP) A alegação de que a multa de oficio aplicada, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) teria "feição confisca le'd não encontra amparo na 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que em casos similares se manifestou pela proporcionalidade da multa de oficio aplicada: "EMENTA: TRIBUTÁRIO COHNS. PARCELAMENTO. JUROS MULTA DE 80% ALEGAÇÕES DE EFEITO CONFISCATC5R/O, USURA, E DESRESPEITO AOS PRINCIPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DA ISONOM/A. Alegações improcedentes, em face da legislação que rege a matériá, visto que as comitwções impostas á contata/tile, por meib de lançamento de oficio, decorrem do fato de haver-se ela omitido na declaração e recolhitnento tempestivos da conthbuição, assentando o Supremo Tnbuna/ Federai por outro lado, que a norma do alf. 192; ,55' 3°, da Cada Magna, não á auto-aplicável Recurso não conhecido." (RE 241.074-2/RS, 1° T., Rel. Min. limar Gaivão, DJU de 19.02.2002) Do voto condutor do Ministro ILMAR GALVÃO se extrai o seguinte e elucidativo excerto: "No concernente ao argüido efeito comi:soa/tido da multa, não resultou ele demonstrado, não se podendo ter razoavelmente por ta/ a penalidade imposta ao recorrente, por haver—se omitido na declaração e recolhitnento da contnbuição no tempo devido." "Indemonstrada, do mesmo modo, restou a alegação de quebra da Ásonomis, sendo cedo que a Lei n.° 8218/91, no ad 4°, 1, que cuida da hOotese de lançamento de oficio, por faltá de recollutnento, de falta de declaração e de declaração ~rata, nenhuma ofistit7ção faz entre contnbuáiles de qualquer espécie." Referido julgado se encontra em sintonia com o abalizado entendimento de EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO, que, amparado no principio da razoabilidade- proporcionalidade, afirma que o valor do tributo inadimplido seria o limite da sanção tributária, o qual, ultrapassado, faria a sanção assumir natureza confiscatória: "Parece-nos que existe um /imite máximo que é o montante do tributo devido. De fato, as sanções inbutánás ,oecuniánás não têm o caráter ressarcifodo de cedas penas porque são aplicadas a despeito da devida reparação, ou sejá, são exigidas a despeito do cumpninenfo da obngação Inbuláná, a teor do disposto no art. 157 do CTN. Logo, a exigência da /venalidade não exctu" exigência do ressarcimento do 10 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n 0 : 10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 tributo envolvido, e, portanto, segue-se que a pena/idade deve sempre guardar uma proporção ao dano e nunca deve ser algo maior que ele posto que o dano principa/ será reparado com o pagamento. A preparo/O/7~8de da pena pecuniária em relação à lesão ao ,oalninánio estatal indica que ela deve ser — no máximo — igual ao montante do bone/Tc/o que infrator intentou oblef"2 lmprocede também a alegação de que a exigência de juros calculados segundo a variação da denominada taxa SELIC seria ilegal, uma vez realizada em estrita observância do disposto no artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/1995. Como referido dispositivo legal não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, tenho por inviável, nos estreitos lindes do contencioso administrativo, afastar-lhe a aplicação, por faltar competência a este Colegiado para afastar a aplicação de lei ao argumento de sua inconstitucionalidade, conforme reconhecido por pacifica jurisprudência administrativa, como já decidiu a 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "TAXA SEL/X — INCONSTITUCYONAL/DADE. A taxa SELIC instituida peia Lei n. 2250/95 artigo 39, parágrafo 4°, goza da presunção de consblucionakdade Vedado aos órgãos do Poder Executivo a atribuição de poderes juo:sdicrOnaIs Recurso provido." (Acórdão CSRF/01-03.387) Ademais, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se firmou pela legalidade da a exigência de juros calculados segundo a variação da denominada taxa SELIC, como se vê das ementas a seguir transcritas: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. JUROS TAXA SEL/C. LEI 9250/95 PRECEDENTES. 1. Agravo reg/Menta/ contra decisão que conheceu de agravo de instrumento para dar ,oarcia/ proviineme ao recurso especial da pane agravante apenas quanto à questão da res,00nsabi»Zação do recorrente no que atine aos débitos ~nos da sociedade dissolvida, mantendo-se, no entanto, a ap/kapão dos firros pela Taxa SEL/C. 2 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Infrações e Sanções Tributárias, Dialética, 2003, p. 90. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 2 Adota-se, a ,oan'ir de 10 de janeiro de 1996, o att. 39, f 4°, da Lei n° 9.250, de 26/12/95 peio que os juros devem ser calculados, após ta/ da/a, de acordo com a refenda /ei que ihclui para a sua atenção, a correção monetána do período em que ela (o/ apurada. 3. A aplicação dos juros, á7 casa, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetána a ,oarbi- de sua ihcidência. Este fator de atualização de moeda já se encontra considerado nos cálculos fixadores da /ofenda taxa. Sem base legal a pretensão do Fisco de só ser seguido tal sistema de aplicação dos juros quando o coa/Mu/h/e requerer admihistrativamente a compensação. Impossível ao intérprete acrescer ao texto lega/ condição nela ihexistente. Precedentes desta Coife SUpellOr 4.Agravo regimental não provido." (AGA 528058 / MG, 1 a T., Rel. Min. José Delgado, DJU de 02.02.2004 p. 281) "PREQUES770/VAMENTO - OCORRÊNCIA - CAUSA DECIDIDA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO - SEL/C - JUROS DE MORA- APLICAÇÃO - DÉBITOS FISCAIS - ART 557 DO CPC. 1. A exigência do ,orequestionamento reside na cláusula 'causas decididas' (CF SIÉ 105 Diz-se prequestionado o dispas/M/o de Lei Federa/ objeto de decisão no acórdão recorndo. Épreciso decisão sobre a eSSÓ/7C/á an'igo. A menção numélica é dispensável 2 Na juds,oluoiência do S7.4 é pacifica a aplicação da SEL/C, como juros de mora, aos débitos fiscais. Nesses casos, o ait 557 do CPC autoriza a decisão, ~assoai do Relator 3. Regánental iMprovido." (ADRESP 455861 / PR, ia T., Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU de 15.12.2003, p. 192) "PROCESSO CIVIL - EXECUÇÃO FISCAL.' EMBARGOS DO DEVEDOR - APLICAÇÃO DA SEL/C - PRESCRIÇÃO. 1. Esta Cofie pacificou entendimento quanto á legalidade da Taxa Sek; a qual contabiliza correção monetába e Atos /770/29/6/7:9S (precedentes múlti,o/os). 2 A prescnção da ação de cobrança do imposto lançado por homologação tem sido aplicada ou afastada sem controvérsias, contando-se o termo a quo a data da constituição definitiva e o termo ad quem a data da citação. 3. Parao'igmas que são /%7Sella-Ve/.51, por refehrem-se á preso/tão ihtercorrente. 4 Recoso es,oecial iM,orovido." (RESP 512508 / RS, 2 a T., Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 15.12.2003, p. 266) 4512 --e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000817/2003-76 Acórdão n° : 105-14.345 "RECURSO ESPECIAL - ALÍNEAS 'A" E "C t EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - CDA - CRITÉRIO DE CÁLCULO DOS JUROS DE MORA - TAXA SEL/C - DIVERGÊNCIA JUR/SPRUDENC/AL NÃO CONFIGURA- DA - SÚMULA 83/STJ. Éfim7e a °nen/ação deste Soda/ido no sentido da a,o1icabilidade da Taxa SEL/C para a cobrança de o'ébllos fiscal:9, entendimento consagrado recentemente peia surdo» Paineira Seção quando do julgamento dos ERESPS 291.257/SC, 399.497/SC e 425709/SC, Re/ator astro Lu& Fax, j 140503). Recurso especial não provido." (RESP 443343 / PR, r T., Rel. Min. Franciulli Netto, DJU de 24.11.2003, p. 252) Por fim, não é de ser acolhido o pedido de realização de perícia, haja vista se tratar de prova absolutamente desnecessária para o deslinde da controvérsia, por se tratar de questão de direito. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 14 de abril de 2004. o, EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT 13 Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10670.001047/2001-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Ementa: COFINS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. As entidades beneficentes de assistência social, desde que obedeçam as regras estabelecidas no art. 14 do CTN (Lei nº 5.172/66), são imunes à Cofins, nos termos do art. 6º, III, da Lei Complementar nº 70/91.
Recurso provido.
Numero da decisão: 201-77.757
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Galvão, que apresentou declaração de voto, Antonio Carlos Atulim e José Antonio Francisco.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: SÉRGIO GOMES VELLOSO
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Ministério da Fazenda .,W-.7..:z.. ...1. MINISTÉRIO DA FAZENDA i Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Segundo Conselho de Contribuintes 4")-i 7.=.:°-'*-- . Publicado no Diário Oficial da União Processo n2 : 10670.001047/2001-41 De 9 i i o / sr:) Recurso n2 : 123.695 Acórdão n2 : 201-77.757 CP---~•—VISTO . Recorrente : FUNDAÇÃO TAIOBEIRAS Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG COFINS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. As entidades beneficentes de assistência social, desde que obedeçam as regas estabelecidas no art. 14 do CTN (Lei n2 5.172/66), são imunes à Cofins, nos termos do art. 6 2, III, da Lei Complementar n2 70/91. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FUNDAÇÃO TAIOBEIRAS. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Galvão, que apresentou declaração de voto, Antonio Carlos Atulim e José Antonio Francisco. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2004. . 4&A4 GkesUti ot. JJA0 ,. Josefa M • Coelho Marque Presidenttj Sérgidomes Velloso Relat r MIN. DA FAZENDA - 2.* CC CONFERE COM O ORIGINAL FiR ASK IA Q.1 / ng if25. VISTO Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Mario de Abreu Pinto, Gustavo Vieira de Melo Monteiro e Rogério Gustavo Dreyer. 1 MIN OA FAZENOA - 2.° CC Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF •Ét ERÁSILiA 0a, 1 ca.2.1 06 Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 4C4(-- ° VISTOProcesso n- : 10670.001047/2001-41 Recurso 112 : 123.695 Acórdão n2 : 201-77.757 Recorrente : FUNDAÇÃO TAIOBEIFtAS RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que indeferiu o Pedido de Restituição, formulado à fl. 1, dos valores indevidamente recolhidos a titulo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofms, no período de março a abril de 1997. O pedido foi formulado porque a recorrente entende ser isenta da contribuição, uma vez que é fundação reconhecida como filantrópica, que presta serviços gratuitos indistintamente e sem fms lucrativos. A Delegacia da Receita Federal em Montes Claros - MG- indeferiu o Pedido de Restituição sob o argumento de que as receitas auferidas pelas associações pela prestação de serviços e/ou venda de mercadonas, mesmo que a seus associados, sofrem a incidência da Cofins, fls. 43/49. Irresignada, a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 52/54, aduzindo que: a) cumpriu todas as formalidades legais e postulou junto à Secretaria da Receita Federal a restituição de tributos cobrados indevidamente; b) a isenção que lhe é concedida não faz qualquer restrição à natureza da receita auferida; e c) o INSS lhe expediu o Ato juntado à fl. 59 e que o 1:3ATSUS já reconheceu o seu direito à isenção. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n2 3.337/2003, de fl. 63: "Ementa: ISENÇÃO. FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO. SERVIÇOS HOSPITALARES. São isentas da Cofins as receitcrs cle2s instituições de assistência social e de caráter filantrópico e das fundações de direito privado, relativas a suas atividades próprias, como as advindas de contribuições, doações, mensalidades, anuidades, subsídios, auxílios e subvenções provenientes de terceiros e mantenedores, recebidas a título de manutenção da entidade e para consecução de seus objetivos sociais, mas que não tenham cunho contraprestacional; as demais receitas, como as decorrentes da prestação de serviços, vendas de mercadorias e ganhos de czpl icações financeiras, são tributadas. Solicitação Indeferida". Recorre a Fundação a este Colegiado, fls. 71/74, aduzindo que faz jus ao beneficio e, portanto, à restituição. Subiram os autos a este Colegiado. É o relatório. 155 - 2 MIN ()A FAZENDA - 2. 9 CC CONFERE COM O ORIGINAL \ Ministério da Fazenda tA 01. LU. 05 2 CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes Fl. VISTO Processo n2 : 10670.00104712001-41 Recurso n2 : 123.695 Acórdão n2 : 201-77.757 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SÉRGIO GOMES VELLOSO O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos recursais. Dele tomo conhecimento. O cerne da questão diz respeito ao direito da recorrente, na qualidade de fundação que promove atividades assistenciais, de fins não lucrativos, à restituição dos valores recolhidos a titulo de Cofins. O legislador constituinte, reconhecendo que as instituições de assistência social possuem parcela de contribuição para o desenvolvimento da sociedade, concedeu a elas tratamento tributário privilegiado, conforme dispõem o § 7 2 do artigo 195, bem como a alínea "c", do inciso VI, do artigo 150, do Texto Constitucional. Por sua vez, o § 72 do susocitado artigo 195 da Constituição Federal estabelece serem isentas da contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atenderem aos requisitos previstos em lei. Por se tratar de norma constitucional, o artigo 195, § 72, da Constituição Federal, na verdade, prevê hipótese de limitação constitucional ao poder tributante do Estado, cujos requisitos são estabelecidos em lei complementar. O Pretório Excelso, quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n2 2.028-DF, Relator Ministro Moreira Alves, concedeu a medida liminar pleiteada para suspender a eficácia dos artigos 1 2, na parte em que alterou o artigo 55, III, da Lei n2 8.212/91, 42, 52 e 72, todos da Lei n2 9.732, de 11.12.98, por não caber à lei ordinária instituir requisitos para o gozo do favor fiscal prescrito no § 7 2 do artigo 195: "É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o sç 70 do artigo 195 só se refira a lei' sem qualificá-la como complementar - e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, c, da Carta Magna -, essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ('Cabe à lei complementar: ... II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa." Assim, para fixação dos requisitos para a imunidade a que se refere o artigo 195 da CF/88, deve haver Lei Complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, artigo 14. Neste sentido, destaco precedentes desta Casa: "COFINS - ENTIDADE EDUCACIONAL — IMUNIDADE - CF/1988, Artigo 195, § 7° - A imunidade do § 70 do artigo 195 da Constituição Federal é norma de eficácia contida, só podendo a lei complementar veicular restrições. Precedentes do STF na ADINS n.° 2028-5. Aplicação do Decreto n.° 2.346/97 e do artigo 14 do CTN, recepcionado como lei complementar. Inexistência de prova nos autos de que as condições do artigo 14 do C77V não estavam sendo cumpridas. Também não restou provado que a entidade 3 , MIN DA FAZENDA - 2.* CC, ‘Lieç,N, Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MX 8RA,Sh.IA 01 / OQ 1- LR, 0 FI. " Segundo Conselho de Contribuintes • :.,-„,,-3,,-- ' Processo n' : 10670.001047/2001-41 VISTO Recurso n2 : 123.695 Acórdão n2 : 201-77.757 educacional não tenda de modo significativo e gratuitamente a estudantes hipossuficientes. Recurso voluntário provido e de ofício negado." "COFINS - ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCL4 SOCIAL — ISENÇÃO - As entidades beneficentes de assistência social, desde que obedeçam as regras estabelecidas no art. 14 do CTIV (Lei n°5.172/66), são isentas da COF1NS, nos termos do art. 6°, III, da Lei Complementar n° 70/91. Se a Fiscalização não demonstra, nem prova, que a entidade desobedeceu a legislação pertinente, a isenção será mantida. Recurso de ofício a que se nega provimento."2 A recorrente demonstrou que preenche tais requisitos, já tendo sido reconhecida como entidade filantrópica com certificado expedido pelo INSS, e sendo nítido que pratica atos considerados de assistência social., Assim, tendo a Associação comprovado que pratica a assistência social e atende aos demais requisitos do artigo 14 do CTN, tem direito à isenção (imunidade) da Cofins. Dou provimento ao recurso voluntário interposto. , É como voto. Sala das Ses s, em 10 de agosto de 2004.((le t) / SÉRGI OMES VELLOSO tk_ 1 Acórdão n2 201-73.951, Relator Jorge Freire, 16.08.2000. 2 Acórdão n2 201-74.187, Relator Serafim Fernandes Corrêa, 23.01.2001 4 MIN DA FAZENDA — 2." CC 2Q CC-MFMinistério da Fazenda CONfERE COM O OIMINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes t:A ;. If IA 01 _c--) 2 Processo n2 : 10670.001047/2001-41 VI181-0 Recurso n2 : 123.695 Acórdão n2 : 201-77.757 DECLARAÇÃO DE VOTO DA CONSELHEIRA. ADRIANA GOMES RÊGO GALNÃO Os autos versam sobre pedido de restituição de valores que foram retidos pela Fundação Nacional de Saúde, a título de Cofins incidente sobre os serviços hospitalares prestados pela recorrente, no ano de 1997, e que ela julga serem indevidos, por ser tratar de entidade imune. O despacho decisório de fls. 43/50 indeferiu a. solicitação, com base no entendimento exposto pelo PN CST n2 5/92, por tratar-se de receitas oriundas da prestação de serviços, de cunho contraprestacional. Neste mesmo sentido andou a_ decisão recorrida, fls. 63/69, concluindo que somente não estariam alcançadas pela. incidência da Cofins as receitas consideradas próprias das entindades sem fins lucrativos, como contribuições, doações, mensalidades e anuidades, que não se caracterizavam como faturamento. Logo, a discussão não gira em tomo do eventual atendimento ou não dos requisitos do art. 55 da Lei n2 8.212/91, ou mesmo se esta se aplica ao caso, mas sim à incidência ou não da contribuição sobre receitas decorrentes da prestação de serviço auferidas por urna fundação de direito privado, que tem por finalidades, fl. 14: I — criação e manutenção de unidades hospitalares, arnbulatoriais, assistências médias e afins destinadas a atender a população em geral; e II — prestação de serviços funerários a população em geral. Analisando a legislação vigente à época dos fatos geradores, pertinente ao assunto, temos: 1) Constituição Federal, art. 195, § 7°: "São isentas de contribuição para a seguridade social ias- entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei"; (grifei) 2) Constituição Federal, art. 203: "A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: 1- a proteç'ão à familia, à maternidade,à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; e V — a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provido por sua família, conforme dispuser a lei. ",- (negritei) 3) Lei Complementar n2 70/91, art. 62, inciso III: "Art. 6° São isentas da contribuição: ........._ " 5 MIN FAZENDA - 2.° CC ;..;?:;Oys. •Ministério da Fazenda enr.I-EFE COM O ORIGINAL 22 CC-MF a • 'A Oi 1 r)2 •10 Fl.Segundo Conselho de Contribuintes , Processo n2 : 10670.001047/2001-41 VISTO Recurso n2 : 123.695 Acórdão n2 : 201-77.757 III - as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei."; e 4) Lei n2 8.212/91, art. 55: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: 1- seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II - seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; 111 - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excèpcionais ou pessoas carentes; IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção." É de se observar que, não obstante a recorrente possuir certificado de filantropia, o mesmo não significa dizer que se trata de entidade beneficente de assistência social, pois a assistência social envolve, como a própria Constituição consagra, a universalidade do serviço ("a quem dela precisar") e a gratuidade do mesmo ("independentemente de contribuição à seguridade social"), de forma que se a empresa cobra pelo serviço prestado, não se pode falar em assistência social, e, por conseguinte, tais receitas devem ser tributadas. Neste sentido, divirjo do eminente Relator, não só por afastar da hipótese a regra do art. 14 do CTN, vez que se trata de contribuição, mas sobretudo por entender que no caso não se referiu a tributação a receitas decorrentes da atividade de assistência social, mas sim a uma prestação de serviços de cunho contraprestacional, como já se posicionaram as autoridades julgadoras da decisão recorrida e do despacho decisório. Manifesto-me, portanto, por negar provimento ao presente recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2004. ,4d)u-oll'utc=2, ADRIANA O ES RE OV 6
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Numero do processo: 10630.000665/00-42
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Quando a autoridade lançadora demonstra que ocorreram veementes indícios de dolo, fraude ou simulação, a decadência rege-se cnoforme o disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional endo em vista que o sujeito passivo utilizou-se de artíficios para ocultar a ocorrência do fato gerador. Entretanto, até o mês novembro de 1994, os fatos geradores ocorridos nos meses em que não foi demonstrada a ocorrência de indícios veementes de dolo, fraude ou simulação não pode ser objeto de revisão pela autoridade lançadora porquanto, todas as informações foram fornecidas pelo sujeito passivo e a autoridade lançadora dispunha de um prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador para providencia o lançamento (art. 150, § 4o., do CTN).
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS PARA EMPRESAS DE TRANSPORTE COLETIVO. Não pode ser imputado como omissão de receitas, o valor correspondente a carrocerias montadas sobre o chassi do veículo vendido ou a ser vendido, tendo em vista que os materiais e os serviços de colocação de carrocerias foram faturados e cobrados diretamente da empresas transportadoras adquirentes dos veículos. Mesmo que tivesse sido cobrado da concessionária, o valor pago constituiria custo que anularia eventual receita.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS PARA EMPRESAS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. A diferença entre o valor da venda de veículo para empregado, sem capacidade econômica ou financeira, e deste para a empresa de arrendamento mercantil, com a prova de que a adquirente pagou diretamente a concessionária de veículos, constitui omissão de receitas, aplicando-se a multa qualificada, por estar evidente o intuito de dolo, fraude ou simulação.
IRPJ. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS. Não pode subsistir a glosa porquanto as provas acostadas aos autos são suficientes para demonstrar que os pagamentos foram efetuados com base em contratos regularmente contabilizados. A falta de registro dos contratos no cartório, por si só, não invalida a operação comercial quando as demais provas documentais e circunstanciais, bem como a escrituração no Livro Diário faz prova plena dos pagamentos efetuados.
IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. PROVISÃO PARA PAGAMENTO DE FINSOCIAL. Uma vez comprovado pelo sujeito passivo que o litígio judicial transitou em julgado antes da lavratura do auto de infração, com a recuperação de 75% do valor depositado em juízo e 25% convertido em receita da União, nao cabe a autuação a título de despesas indevidas de correção monetária passiva, já que estas despesas já haviam sido recuperadas como receitas ou apropriadas, em definitivo, como despesas operacionais, com o trânsito definitivo do litígio.
IRPJ. COMPENSÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Os prejuízos fiscais gerados no ano-calendário de 1992, podem ser compensados nos anos subsequentes tendo em vista que o lançamento correspondente ao arbitramento de lucro naquele ano-calendário foi cancelado, por decadente, pela 1a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e foi negado o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/01-3.459, de 24.07.2001).
Preliminar e mérito provido, em parte.
Numero da decisão: 101-93.724
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente aos meses de janeiro, março, maio, junho e outubro de 1994 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Kazuki Shiobara
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RECORRIDA : DRJ EM JUIZ DE FORA(MG) SESSÃO DE : 23 DE JANEIRO DE 2002 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Quando a autoridade lançadora demonstra que ocorreram veementes indícios de dolo, fraude ou simulação, a decadência rege-se conforme o disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional tendo em vista que o sujeito passivo utilizou-se de artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador. Entretanto, até o mês novembro de 1994, os fatos geradores ocorridos nos meses em que não foi demonstrada a ocorrência de indícios veementes de dolo, fraude ou simulação não pode ser objeto de revisão pela autoridade lançadora porquanto, todas as informações foram fornecidas pelo sujeito passivo e a autoridade lançadora dispunha de um prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador para providenciakp lançamento (art. 150, § 4°, do CTN). IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS PARA EMPRESAS DE TRANSPORTE COLETIVO. Não pode ser imputado como omissão de receitas, o valor correspondente a carrocerias montadas sobre o chassi do veículo vendido ou a ser vendido, tendo em vista que os materiais e os serviços de colocação de carrocerias foram faturados e cobrados diretamente da empresas transportadoras adquirentes dos veículos. Mesmo que tivesse sido cobrado da concessionária, o valor pago constituiria custo que anularia eventual receita. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS PAR EMPRESAS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. A diferença entre o valor da venda de veículo para empregado, sem capacidade econômica ou financeira, e deste para a empresa de arrendamento mercantil, com a prova de que a adquirente pagou diretamente a concessionária de veículos, constitui omissão de receitas, aplicando-se a multa qualificada, por estar evidente o intuito de dolo, fraude ou simulação. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS. Não pode subsistir a glosa porquanto as provas acostadas aos autos são suficientes para demonstrar que os pagamentos foram efetuados com base em contratos regularmente contabilizados. A falta de registro dos contratos no cartório, por só, não invalida a operação comercial quando as demais pro :s documentais e circunstanciais, bem como a escrituração • livro Diário faz prova plena dos pagamentos efetuados. PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 RECURSO N°. : 125.095 RECORRENTE: VALADARES DIESEL LTDA. IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. PROVISÃO PARA PAGAMENTO DE FINSOCIAL. Urna vez comprovado pelo sujeito passivo que o litígio judicial transitou em julgado antes da lavratura do auto de infração, com a recuperação de 75% do valor depositado em juízo e 25% convertido em receita da União, não cabe a autuação a título de despesas indevidas de correção monetária passiva, já que estas despesas já haviam sido recuperadas como receitas ou apropriadas, em definitivo, como despesas operacionais, com o transito definitivo do litígio. IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Os prejuízos fiscais gerados no ano-calendário de 1992, podem ser compensados nos anos subseqüentes tendo em vista que o lançamento correspondente ao arbitramento de lucro naquele ano-calendário foi cancelado, por decadente, pela 1a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e foi negado o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/01-3.459, de 24/07/2001). Preliminar e mérito provido, em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VALADARES DIESEL LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente aos meses de janeiro, março, maio, junho e outubro de 1994 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DISON UES_ • -SIDENTE 4 Á Á • - 10: Á RA R 1 OR 2 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 RECURSO N°. : 125.095 RECORRENTE: VALADARES DIESEL LTDA. i, FORMALIZADO EM: 25FENI2o2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: 11FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, ANDRA MARIA FARONI, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, RAUL PIME TEL, FERNANDO AMÉRICO WALTHER ./.)(suplente) e CELSO ALVES FEITOSA/ i 3 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 RECURSO N°. : 125.095 RECORRENTE: VALADARES DIESEL LTDA. RELATÓRIO A empresa VALADARES DIESEL LTDA., inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob n° 20.628.37610001-52, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora(MG), apresenta recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuintes objetivando a reforma da decisão recorrida. O crédito tributário originalmente lançado neste processo refere-se a seguintes tributos e contribuições, apurados em reais: TRIBUTOS LANÇADOS JUROS MULTAS TOTAIS IRPJ 1.839.898,22 1.810.120,63 1.680.759,83 5.443.778,68 IR FONTE 908.013,31 883.373,31 1.156.168,15 2.947.554,77 PIS 6.162,23 6.160,91 9.243,32 21.566,46 CSLL 451.960,62 443.560,28 407.669,90 1.303.190,80 COFINS 16.432,87 16.429,46 24.649,26 57.511,59 TOTAIS 3.222.467,25 3.159.644,59 3.278.490,46 9.773.602,30 Na decisão de 1° grau, o lançamento foi julgado parcialmente procedente e os valores dos tributos e contribuições lançados foram reduzidos para: TRIBUTOS LANÇADOS MULTAS TOTAIS IRPJ 1.704.399,77 1.488.604,36 3.193.004,13 IR FONTE 793.327,92 977.738,95 1.771.066,87 PIS 4.463,02 6.694,53 11.157,55 CSLL 401.371,06 341.972,88 743.343,94 COFINS 11.901,55 17.852,32 29.753,87 TOTAIS 2.915.463,32 2.832.863,04 5.748.326,36 No lançamento • fincipal e correspondente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, as bas-- de cálculo inicialmente eleitas pela autoridade lançadora foram as seguintes. e- 4 , PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACORDÂO N° : 101-93.724 Fato Omissão de Despesas não Cor. Monetária Compensação de TOTAIS Gerador Receitas(*) Comprovadas (FINSOCIAL) Prejuízo 31/01/93 O 11.000.000,00 O O 11.000.000,00 30/06/93 2.706.000.000,00 O O O 2.706.000.000,00 31/07/93 4.225.000.000,00 O O O 4.225.000.000,00 31/08/93 2.317.000,00 O O O 2.317.000,00 31/10/93 1.180.251,66 O O O 1.180.251,66 30/11/93 8.709.515,30 O O O 8.709.515,30 31/12/93 4.974.000,00 14.792.073,66 O O 19.766.073,66 31/01/94 O 134.482.298,65 24.253.719,28 81.415.781,87 240.151.799,80 31/01194 O 22.325.405,68 n n 22.325.405,68 28/02/94 12.982.910,00 48.486.125,47 O O 61.469.035,47 28/02/94 O 75.394.845,49 34.126.511,05 422.599.769,00 532.121.125,54 31/03/94 7.028.000,00 O O O 7.028.000,00 31/03/94 O O 55.999.713,04 84.449.397,00 140.449.110,04 30/04/94 68.304.120,00 338.299.850,06 O O 406.593.970,06 30/04/94 O O 72.929.780,42 O 72.929.780,42 31/05/94 O O 103.815.941,99 831.184.185,21 935.000.127,20 31/05/94 92.742.425,09 O O O 92.742.425,09 30/06/94 O 340.484.286,73 158.325.296,57 O 498.809.583,30 30/06/94 147.733.000,00 O O O 147.733.000,00 31/07/94 O 47.610,68 13.175,35 O 60.786,03 31/07/94 50.603,00 38.068,80 O O 88.671,80 31/10/94 O 105.306,50 O 44.443,37 149.749,87 30/11/94 O O O 483.025,00 483.025,00 30/11/94 15.000,00 O O O 15.000,00 31/12/94 93.000,00 698.747,48 O O 791.747,48 TOTAIS 7.277.129.825,05 986.154.619,20 449.464.137,70 1.420.176.601,45 10.132.925.183,40 (1 NOTA: multa qualificada de 150% para os valores em negrito OMISSÃO DE RECEITAS A omissão de receitas foi demonstrada pela autoridade lançadora e estaria caracterizada pelas vendas realizadas com uso de interposta pessoa, ou seja, os caminhões e ônibus eram vendidos inicialmente para empregados/prepostos da empresa por um valor e posteriormente o mesmo veículo era revendido para o adquirente final por um valor superior (Quadro Demonstrati j o n° 02, de fl. 87), / capitulando a infração nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/9 artigos 195, inciso II, 197 e § único, 202, 225, 226, 227 e 230 do RIR/94, artigo 3° da Medida Provisória n° 492/94 e suas reedições, convalidada pela Lei n° 9.064/95. e- D PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Na decisão de 1° grau, cada transação que continha omissão de receita foi examinada e a base de cálculo foi reduzida, como demonstrada abaixo: NOTA DATA DA EMPREGADO OU DATA DA DIFERENÇA TRIBUTAÇÃO FISCAL EMISSÃO INTERMEDIÁRIO REVENDA TRIBUTADA MANTIDA 105067 01/06/93 Álvaro Virgílio de Oliveira 01/06/93 550.000.000,00 550.000.000,00 105394 08/06/93 Marcio Mendes Filho 18/06/93 528.000.000,00 528.000.000,00 105395 08/06/93 Marcio Mendes Filho 18/06/93 528.000.000,00 528.000.000,00 105396 08/06/93 Álvaro Virgílio de Oliveira 18/06/93 550.000.000,00 550.000.000,00 105069 01/06/93 Álvaro Virgílio de Oliveira 20/06/93 550.000.000,00 550.000.000,00 TOTAL JUNHO DE 1993 2.706.000.000,00 2.706.000.000,00 100330 16/03/93 Antonio Bento C. Chácara 01/07/93 225.000.000,00 O 107294 13/07/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 15/07/93 860.000.000,00 860.000.000,00 107295 13/07/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 15/07/93 500.000.000,00 500.000.000,00 105904 18/06/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 30/07/93 528.000.000,00 528.000.000,00 105905 18/06/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 30/07/93 528.000.000,00 528.000.000,00 105907 18/06/93 Heinrich Artin Rossow 30/07/93 528.000.000,00 528.000.000,00 105909 18/06/93 Heinrich Artin Rossow 30/07/93 528.000.000,00 528.000.000,00 105910 18/06/93 Heinrich Artin Rossow 30/07/93 528.000.000,00 528.000.000,00 TOTAL JULHO DE 1993 4.225.000.000,00 4.000.000.000,00 109365 16/08/93 Fábio Cordeiro 20/08/93 2.317.000,00 2.317.000,00 TOTAL AGOSTO DE 1993 2.317.000,00 2.317.000,000 100503 19/03/93 Amilton Antonio Perpetuo 08/10/93 1.180.251,66 O TOTAL OUTUBRO DE 1993 1.180.251,66 O 110975 15/09/93 Antonio Carlos de Matos 03/11/93 8.284.515,30 8.284.515,30 113890 04/11/93 Antonio Bento C. Chácara 18/11/93 425.000,00 425.000,00 TOTAL NOVEMBRO DE 1993 8.709.515,30 8.709.516,30 116009 17/12/93 Valter Barreto Ribeiro 17/12/93 4.974.000,00 4.974.000,00 TOTAL DEZEMBRO DE 1993 4.974.000,00 4.974.000,00 118509 03/02/93 Fabio Cordeiro 04/02/94 12.982.910,00 12.982.910,00 TOTAL FEVEREIRO DE 1994 12.982.910,00 12.982.910,00 120192 09/03/94 Clovis Devilla 30/03/94 7.028.000,00 O TOTAL MARÇO DE 1994 7.028.000,00 O 121936 12/04/94 Celso Santos 15/04/94 30.638.060,00 30.638.060,00 121937 12/04/94 Celso Santos 15/04/94 30.638.060,00 30.638.060,00 119883 02/03/94 Clovis Devilla 25/04/94 7.028.000,00 O TOTAL ABRIL DE 1994 68.304.120,00 61.276.120,00 119882 02/03/94 Clovis Devilla 04/05/94 32.028.000,00 O 123943 16/05/94 Antonio Bento C. Chácara 19/05/94 60.714.425,09 O TOTAL MAIO DE 1994 92.742.425,09 O 126164 22/06/94 Paulo Roberto Gomes 24/06/94 147.733.000,00 O TOTAL DE JUNHO DE 1994 147.733.000,00 O 127948 26/07/94 Fábio Cordeiro 26/07/94 44.472,00 44.472,00 128019 27/07/94 Antonio Bento C. Chácara 28/07/94 6.131,00 6.131,00 TOTAL JULHO DE 1994 50.603,00 50.603,00 134967 31/11/94 Geraldo de Oliveira 24/11/94 15.000,00 O 1 TOTAL NOVEMBRO DE 1994 15.000,00 O , 136219 16/12/94 Giuliano Lima Araújo 16/12/94 15.500,00 15.500,00 136481 21/12/94 Fábio Cordeiro 21/12/94 , 23.000,00 23.000,00 136755 21/12/94 Antonio Bento C. Chácara 27/12/94 29.000,00 29.000,00 136838 28/12/94 Fábio Cordeiro 28/1 219d 25.500,00 25.000,00 TOTAL DEZEMBRO DE 1994 93.000,00 93.000,00 77.' L., NOTA: foi mantida a multa qualificada de 150% 6\\ PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Contra a acusação de omissão de receitas, a recorrente explicita que não há qualquer receita omitida posto que na fase impugnativa comprovou de forma inequívoca que as vendas foram efetuadas pelo preço normal de mercado. Argumenta mais que em alguns casos, efetivamente, os veículos foram adquiridos por empregados ou terceiros e estes venderam posteriormente para adquirentes domiciliados em área não abrangida pela jurisdição da concessionária, mas que este procedimento não acarretou qualquer omissão de receita. A diferença computada pela fiscalização como receitas omitidas dizem respeito a carrocerias para caminhões de carga ou ônibus que os adquirentes mandavam adicionar aos veículos adquiridos e pagavam diretamente as empresas prestadoras dos serviços e sobre este ponto, enfatiza que a autoridade julgadora de 1 0 grau equivocou-se quando afirma que as carrocerias foram colocadas antes das vendas dos respectivos veículos. Sustenta a recorrente que as transações de veículos não são efetuadas instantaneamente, mas sim ao longo de algum tempo, desde o momento da escolha do veículo adaptado ao seu objetivo empresarial e o fato de a carroceria ter sido colocado antes da venda do veículo não descaracteriza a operação já que as notas fiscais das carrocerias são emitidas diretamente para os adquirentes. Acrescenta mais em diversos casos, os veículos foram vendidos para fins de arrendamento mercantil e no preço do veículo estavam embutidos os custos de financiamento que não constituem receitas da recorrente. Diz mais a recorrente que simples confronto de dois valores, de venda para empregado ou terceiros e deste ara os adquirentes finais, num período de economia inflacionária não retrata a v rdadeira receita posto que a diferença representa apenas a inflação do período. 7 PROCESSO N°: 10630.000665100-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Com estas considerações, entende a recorrente que não está caracterizada a omissão de receitas. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS A glosa de custos ou despesas refere-se a juros, comissões e despesas bancárias, escrituradas sem a devida comprovação documental ou comprovação deficiente, sendo em alguns casos foram aplicadas multas qualificadas, em virtude de adulteração de documentos fornecidos pelas instituições financeiras, com infração dos artigos 157 e § 1°, 158, 191, 192 e 387, inciso I, do RIR/80 e artigos 195, inciso I, 197 e § único, 202, 242 e 243 do RIR/94 e, ainda, o artigo 135, da Lei n°3.071, de 01/01/1916 (Código Civil). , Os valores tributáveis apurados pela fiscalização foram parcialmente reduzidos na decisão de 1° grau, como segue: FATO VALOR EXCLUÍDO NA TRIBUTAÇÃO PERCENTUAL GERADOR TRIBUTÁVEL DECISÃO MANTIDA DE MULTA 31/01/93 11.000.000,00 O 11.000.000,00 150% 31/12/93 14.792.073,66 14.792.073,66 O 31/01/94 134.482.298,65 3.710.407,97 130.771.890,68 75% 31/01/94 22.325.405,68 22.325.405,68 O 28/02/94 48.486.125,47 26.410.576,45 3.475.549,02 150% 28/02/94 O O 18.600.000,00 75% 28/02/94 75.394.845,49 O 75.394.845,49 75% 30/04/92 338.299.850,06 O 338.299.850,06 150% 30/06/92 340.484.286,73 O 340.484.286,73 75% 31/07/94 47.610,68 O 47.610,68 75% 31/07/94 38.068,80 O 38.068,80 150% 31/10/94 105.306,50 O 105.306,50 75% 31/12/94 698.747,48 O 698.747,48 150% TOTAIS 986.154.619,20 67.238.463,76 918.916.155,44 , Sobre as parcelas remanescentes, a recorrente apresenta suas i razões de defesa para cada item glosado argumentando que a decisão recorrida não apreciou as provas acostadas na fase impugnativa, especialmente, quanto a erro de contabilização que já havia sido corrigido (Cr$ 3.475.549,02), valor do IOF 8 , PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 descontado pelo Unibanco, comprovado de forma inequívoca, inclusive pela cópia do extrato de conta-corrente (Cr$ 338.299.850,06), que os registros contábeis, no ativo , e no passivo, equilibram e não causou qualquer prejuízo ao fisco (Cr$ 38.038,80), variações monetárias de mútuos podem ser deduzidas (R$ 698.747,48 e Cr$ 11.000.000,00) e que, relativamente, aos demais lançamentos do ano-calendário de 1994 a recorrente está buscando a documentação que dá respaldo aos dispêndios contabilizados e que tão logo localizada, será apresentada a autoridade julgadora. GLOSA DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS DA CONTA FINSOCIAL As parcelas correspondentes às variações monetárias da contribuição para o FINSOCIAL, registradas no ano-calendário de 1994 foram , glosadas porque a empresa nunca declarou e nem pagou a referida contribuição. 'A fiscalização capitulou a infração nos artigos 195, inciso I, 197, § único, 242, 243, 283 e 284, do RIR/94, combinado com o artigo 52 da Medida Provisória n° 596/94 e ADN/COSIT n° 52/94. Na decisão de 1° grau, a autoridade julgadora de 1° grau entendeu que não se encontram referencias aos pagamentos da contribuição Finsocial provisionada como estabelecida no artigo 7°, § 1°, da Lei n°8.541/92 Nesta fase recursal, a recorrente reitera que a exigência da contribuição para o FINSOCIAL foi objeto de questionamento judicial, tendo ocorrido, nas épocas próprias relativas ao recolhimento, o competente depósito judicial das parcelas questionadas. Comprovou mais que após o encerramento da ação judicial, foi providenciada a conversão em renda de 25% do valor totaÁl epositado, devidamente corrigido, com os outros 75%, sendo levantados pe empresa e devidamente oferecidos à tributação, como recuperação de receitas/ 9 ‘. PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Desta forma, entende a recorrente que na hipótese em tela, inexiste qualquer obstáculo ao procedimento efetuado pela contribuinte, já que elaborado com respaldo legal, pelo que improcedente o lançamento. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE A decisão recorrida entendeu incabível a compensação de prejuízo porque o processo administrativo fiscal n° 10630.001006/98-55, relativo ao ano- calendário de 1992, embora tenha sido julgado improcedente o lançamento, a decisão proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 101-92.883, de 10/11/99, está suspensa face ao Recurso interposto pelo Senhor Procurador da Fazenda Nacional para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. A recorrente manifesta sua inconformidade quanto à decisão recorrida posto que o recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional depende de dois acontecimentos para reformar o acórdão mencionado: primeiro, que seja admitido o recurso pelo Senhor Presidente da Primeira Câmara e segundo, depende de um julgamento favorável do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, o referido recurso não passa de mera expectativa e que, portanto, antecipar a decisão de negar a compensação, como ora efetuado pela autoridade julgadora de 1° grau, com fulcro em mera expectativa de direito, é procedimento inoportuno, injusto e desonesto, que causa indiscutível prejuízo despropositado ao contribuinte, sendo, portanto, imoral e afrontosa à norma do artigo 37 da Constituição Federal. Desta forma, ent 'ride a recorrente que os prejuízos fiscais acumulados devem ser utiliz dos para compensar os valores tributáveis, eventualmente, remanescentes , io PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 JUROS SELIC E LANÇAMENTOS REFLEXIVOS Manifesta sua incontrariedade quando a cobrança de juros de mora, à taxa SELIC e transcreve trechos do trabalho dos professores Fábio Augusto Junqueira de Carvalho e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva, sobre o tema. Sobre a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, insiste que os custos e despesas operacionais considerados não dedutiveis não podem ser adicionados à referida base de cálculo, já que esta base está definida no artigo 2° de Lei n° 7.689/88, como o resultado apurado com observância da legislação comercial, ou seja, o lucro líquido contábil e, portanto, as adições ao lucro real não podem afetar esta base de cálculo. Na inicial, a recorrente levantou a preliminar de decadência relativamente ao ano-calendário de 1993, por entender que os tributos e contribuições constantes destes autos são exigidos na modalidade de lançamento por homologação e, portanto, após o decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (31 de dezembro de 1993), não poderia mais ser objeto de lançamento ou revisão de lançamento, já que os Autos de Infração foram lavrados no dia 16 de novembro de 1999. Com estas considerações, solicita seja acolhida a preliminar e no mérito, seja julgado improcedente a exigência fiscal, tudo em vista das alegações de direito e elementos de prova apre -'ntados. É o relatório 11 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 VOTO Conselheiro: KAZUKI SHIOBARA - Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e inexistindo comunicação sobre a cassação da liminar que dispensa o depósito recurso, deve ser conhecido por esta Câmara. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A decisão de 1° grau rejeitou a preliminar de decadência por entender que o sujeito passivo cometeu infrações com evidente intuito de dolo, fraude ou simulação e que, portanto, não se aplicaria o disposto no artigo 150, § 40 , do Código Tributário Nacional. Em tese, a autoridade julgadora de 10 grau está correta e a decisão recorrida está consoante com a jurisprudência pacificada nos Conselhos de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Entre outros acórdãos, podem ser citadas as seguintes ementas: "LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (TERMO INICIAL DE DECADÊNCIA) — Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando ocorrer dolo, fraude ou simulação, os termos iniciais de decadência do direito de a Fazenda Nacional formular a exigência tributária serão os previstos no artigo 173 e seu parágrafo 1° do CTN (Ac. 101-81.855/91 — DOU de 14/02/92 e no mesmo sentido o Ac. 103-11.134/91 — DOU de 16/07/92)." "LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando ocorrer dolo, fraude ou simulação, os termos iniciais de decadência do direito de a Fazenda Nacional formular a exigência tributária serão L., (7 previstos no artigo 711 e seu parágrafo 1°, do RIR/80, consoante 12 ., PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 interpretação do artigo 150, sç 4 0, do CTAT (Ac. CSRF/01- 0.174/81 — Resenha Tributária, Jurisprudência — CSRF 1.2.11, 1 pág. 3.047)." Assim, o fato gerador correspondente ao ano-calendário de 1993, deveria ser objeto de declaração de rendimentos apresentada no exercício de 1994 e, portanto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial teve inicio no dia 1° de janeiro de 1995 para os fatos geradores qualificados como dolo, fraude ou simulação. Entretanto, a partir de 1° de janeiro de 1992, o imposto de renda de pessoa jurídica passou a ser devido mensalmente e a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais já confirmou este entendimento como decidido nos acórdãos n° CSRF/01-02.553 e CSRF/01-02.577, de 07 de dezembro de 1998 e Acórdão n° CSRF/01-02.620, de 15 de março de 1999, todos publicados no Diário Oficial da União do dia 11 de agosto de 1999. Desta forma, para os meses dos anos-calendário de 1993 e 1994 em que a autoridade lançadora não apurou indícios veementes de dolo, fraude ou simulação, os fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 1994, não podem mais ser objeto de revisão tendo em vista que os procedimentos adotados pelo sujeito passivo e objeto de declaração de rendimentos não foram questionados no prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador que será examinado ao final do presente voto. MÉRITO No mérito, o lançamento foi desdobrado em quatro tópicos, a saber: tributação da omissão de receitas, com aplicação de multa de 150%, glosrde despesas não comprovadas, com aplicação de multa de 150% e 75% gl de: ./ , .., correção monetária de Finsocial e glosa de compensação de prejuízos fiscai . 0. 13 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 OMISSÃO DE RECEITAS Conforme relatório acima, os valores tributados como receitas omitidas dizem respeito às diferenças entre os valores de venda a intermediários (empregados e terceiros sem capacidade econômica ou financeira) e destes para o comprador final, por valor maior. A recorrente vem sustentando que as diferenças referem-se aos preços de carrocerias colocadas e pagas pelos respectivos compradores ou despesas financeiras cobradas pelas empresas de arrendamento mercantil e que a inclusão de um intermediário na transação deve-se ao fato de que as concessionárias de veículos não podem promover vendas fora de sua jurisdição e, quando ocorre a hipótese, é obrigado a emitir uma nota fiscal para um adquirente dentro da jurisdição e este adquirente repassa o veículo para o comprador final. Examina-se, pois, quanto à consistência destas assertivas, relativamente a cada um dos intermediários apontados pela fiscalização: ÁLVARO VIRGÍLIO DE OLIVEIRA: Nota Data da Nr. do ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATÓRIO 105067 01/06/93 970363 EXPRESSO RADAR LTDA. 550.000.000,00 NF 014671, de 28/05/93, de Marcopolo S/A contra adquirente final (fl. 262). 105396 08/06/93 971708 EXPRESSO RADAR LTDA. 550.000.000,00 NF 014758, de 31/05/93, de Marcopolo S/A contra adquirente final (fl. 267). 105069 01/06/93 971707 EXPRESSO RADAR LTDA. 550.000.000,00 NF 014678, de 28/05/93, de Marcopolo S/A contra adquirente final (fi.272). 107294 13/07/93 977241 BMG LEASING S/A — 860.000.000,00 Docs, de fls. 295/296, comprovam ARRENDAMENTO MERCANTIL que a BMG pagou a recorrente. 107295 13/07/93 978343 BMG LEASING S/A - 600.000.000,00 Docs, de fls. 295/296, comprovam ARRENDAMENTO MERCANTIL que a BMG pagou a recorrente. 105904 18/06/93 971717 TRUBEL TRANSPORTE URBANO 528.000.000,00 NF 014760, de31/05/93, de Marcopolo BELA VISTA LTDA. S/A contra adquirente final(fl. 282). 105905 18/06/93 970766 TRUBEL TRANSPORTE URBANO 528.000.000,00 NF 014682, 28/05/93, de Marcopolo BELA VISTA LTDA. S/A contra adquirente final (fl. 277). As vendas correspondentes as notas fiscais n° 105067, 105396, 105069,105904 e 105905, para Álvaro Virgílio de Oliveira, foram efetuadas pelo/ mesmo valor do chassi e que foi objeto de remessa para a MARCOPOLO S/A — Carrocerias e Ônibus, em Caxias do Sul(RS) e a carroceria adicionada ao chassis fo. 14 , PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 faturada separadamente para a adquirente final Expresso Radar Ltda.(Belo Horizonte — MG) e TRUBEL Transporte Urbano Bela Vista Ltda. (Niterói-RJ). Além disso, nesta fase recursal, a recorrente trouxe uma carta expedida pela MARCOPOLO S/A (fl. 814), informando que as carrocerias são fornecidas diretamente para os adquirentes (destinatários nas notas fiscais — Expresso Radar Ltda. e TRUBEL Transporte Urbano Bela Vista Ltda) que providenciam os respectivos pagamentos. Efetivamente, os municípios de Belo Horizonte(MG) e Niterói(RJ) não estão situados na jurisdição da concessionária Valadares Diesel Ltda. (fls. 675/677) e este fato reforça a tese da recorrente. O fato que levou a manutenção do lançamento pela autoridade julgadora de 10 grau foi o de que as notas fiscais correspondentes as carrocerias foram emitidas antes de os adquirentes finais receberem os veículos e que caberia a presunção de que os veículos foram vendidos já com as carrocerias incorporadas. Em verdade, esta presunção é descabida porquanto as notas fiscais emitidas pela MARCOPOLO S/A — Carrocerias e Ônibus registravam como destinatários às empresas de ônibus: Expresso Radar Ltda. e TRUBEL — Transporte Urbano Bela Vista Ltda. e, salvo prova em contrário, os serviços de colocação de carrocerias foram pagos pelos destinatários constantes das notas fiscais. Diante destas provas, não vejo como prosperar a imputação de omissão de receitas relativamente as vendas efetuadas a Álvaro Virgílio de Oliveira e deste para Expresso Radar Ltda. e TRUBEL — Transporte Urbano Bela Vista Ltda., no total de Cr$ 2.706.000.000,00 ( Cr$ 1.650.000.000,00 no mês de junho de 1993 e de Cr$ 1.056.000.000,00 no mês de julho de 1993). Outrossim, apenas para argumentar, registre-se que se i/ eventualmente a autuada efetuou o pagamento dos materiais e serviços relativos a , 15 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 i ACÓRDÃO N° : 101-93.724 colocação de carroceria, e daí a omissão de receita imputada pela autoridade lançadora, o valor pago a MARCOPOLO S/A — Carroceria e Ônibus constituiria um , custo operacional que anularia o valor da receita não apropriada. Entretanto, esta hipótese não pode prosperar face as provas e evidências apresentadas pela recorrente. Relativamente às parcelas imputadas como receitas omitidas de Cr$ 860.000.000,00 e Cr$ 500.000.000,00, no mês de julho de 1993, em que as vendas foram efetuadas para Álvaro Virgilio de Oliveira e deste para a BMG LEASING S/A — Arrendamento Mercantil, a recorrente não qualquer prova de que estas diferenças não constituem receitas na Valadares Diesel Ltda. As provas coletadas pela fiscalização comprovam de forma inequívoca que os veículos foram vendidos para Álvaro Virgílio de Oliveira e deste para a BMG LEASING S/A — Arrendamento Mercantil, mas os pagamentos forma efetuados diretamente pelo adquirente final para a recorrente, conforme comprovam os documentos acostados aos autos, as fls. 295/296. Aliás, a recorrente até emitiu a nota fiscal n° 116710, em 28/06/93, para a BMG LEASING S/A - Arrendamento Mercantil pela venda do veículo chassi n° 9BM384024PB977241 que foi cancelada, sob a alegação de que estaria em desacordo com o pedido do cliente, mas em seguida, no dia 13/07/93 foi emitida a nota fiscal n° 116737, no mesmo valor transferindo o mesmo veículo pelo mesmo valor para Álvaro Virgilio de Oliveira e, este transferiu para a BMG LEASING S/A — Arrendamento Mercantil, no dia 15 de julho de 1993, mediante recibo. Desta forma, sou pela manutenção da tributação da receita omitida de Cr$ 1.360.000.000,00, no mês de julho de 1993, relativamente às vendas /intermediadas por Álvaro Virgilio de Oliveira, inclusive quanto à aplicação da mu ai7- qualificada vez que ficou demonstrada de forma cabal o evidente intuito de fraude .../. i )16 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 ANTONIO BENTO CARVALHO CHACARA Nota Data da Nr. do ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATÓRIO 113890 04/11/93 968375 Viação Transmoreira Ltda. 425.000,00 NF 024214 (f1.822), de 29/10/93, da Marcopolo S/A comprova que o encarroçamento foi pago pelo adquirente final. 128019 27/07/94 20969 CIA REAL de Arrendamento Mercantil 6.131,00 Cfe. doc. de fl. 369, o pagamento de R$ 57.000,00 foi efeito diretamente para o Antonio Bento Caravalho Chácara — cheque administrativo do Bco. Real S/A 136755 21/12/94 40822 Dl BENS L EAS I NG S/A — Arrendamento 29.000,00 Docs. Fls. 359/360 comprovam que a Mercantil recorrente recebeu do adquirente final, o valor total da venda de R$ 86.000,00 A omissão de receitas caracterizada nas vendas de veículos intermediadas por Antonio Bento Carvalho Chácara, após a decisão de 1° grau restaram tributadas três vendas, como demonstrado no quadro acima. A venda do veículo de chassi n° 968375, o veículo foi remetido para MARCOPOLO S/A — Carrocerias e ônibus para encarroçamento e o prestador de serviço emitiu a nota fiscal n° 024214 e conforme declaração prestada, por escrito, pela mesma, o pagamento foi efetuado pelo destinatário e adquirente final, no caso a Viação Transmoreira Ltda. Desta forma, não há como subsistir a tributação da parcela de CR$ 425.000,00. Quanto a segunda venda, o intermediário repassou para a CIA REAL DE ARRENDAMENTO MERCANTIL e a cópia do cheque administrativo (Banco Real S/A), no valor de R$ 57.000,00 (f1.369), comprova que o pagamento foi efetuado diretamente para Antonio Bento Carvalho Chácara. Desta forma, não pode subsistir a presunção de omissão de receita, por suposta intermediação de empregado da empresa. A última venda refere-se a venda de veículo de chassi n° 40822 que a recorrente vendeu para Antonio Bento Carvalho Chácara por R$ 57.000,00 e est ) 17 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 revendeu para a DIBENS LEASING S/A — Arrendamento Mercantil, por R$ 86.000,00 e a fiscalização imputou omissão de receita pela diferença de R$ 29.000,00. Como prova da omissão de receitas, a fiscalização anexou, as fls. 359/360, uma autorização firmada pelo Antonio Bento Carvalho Chácara para que o Banco Dibens S/A deposite a importância de R$ 86.000,00, diretamente, em favor da Valadares Diesel S/A e foi anexado, também, o aviso de lançamento do depósito efetuado. Nesta fase recursal, a recorrente anexa cópia da Ficha Razão Analítica, da conta BANCO CONTA MOVIMENTO — BANCO DIBENS S/A, argumentando que a operação foi registrada na contabilidade e, portanto, não cabe a imputação de omissão de receita. Em verdade, escrituração foi realizada: DEPÓSITO BANCÁRIO C/ RECIBO — R$ 86.000,00 (C) TRANSFERÊNCIA DIBENS P/ BOAVISTA — R$ 86.000,00 (D) Esta escrituração comprova, de forma inequívoca, que a conta corrente bancária da Valadares Diesel Ltda. recebeu um depósito de R$ 86.000,00 proveniente de transferência de numerário oriundo do Banco Boavista S/A e por ordem da DIBENS S/A. São lançamentos ditos permutativos que não afetaram a conta de resultados da recorrente e, portanto, os registros mencionados não têm o alcance almejado pela recorrente. Não tenho a menor dúvida que, efetivamente, trata-se de,uma venda de veículo da Valadares Diesel Ltda para a DIBENS LEASING S/A —,Arrendamento( Mercantil, com pagamento direto da adquirente final para o vendedo . f/ -) i 18 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Assim, deve ser mantida a tributação da parcela de R$ 29.000,00 em dezembro de 1994 e cancelada a tributação das outras parcelas: CR$ 425.000,00 em novembro de 1993 e de R$ 6.131,00, em julho de 1994. MÁRCIO MENDES FILHO: Nota Data da Nr. do - ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATÓRIO 105394 08/06/93 971709 VIAÇÃO AVENIDA LTDA. 528.000.000,00 NF 014680, de 28/05/93, de Marcopolo S/A, para adquirente final (fl. 849). 105395 08/06/93 970692 VIAÇÃO AVENIDA LTDA. 528.000.000,00 NF 014759, de 31/05/93, de Marcopolo S/A, contra o destinatário final (f1.656) As vendas realizadas para Márcio Mendes Filho correspondente as notas fiscais n° 105394 e 105395 e deste para Viação Avenida Ltda., com sede em Belo Horizonte(MG), são similares as vendas realizadas para Álvaro Virgílio de Oliveira. Além disso, na carta expedida pela MARCOPOLO S/A e anexada, a fl. 842, a fabricante de carrocerias declara que os valores correspondentes as notas fiscais identificadas acima foram pagos pelo cliente destinatário, no caso, a Viação Avenida Ltda. Desta forma, sou pelo provimento do recurso relativamente à parcela de Cr$ 1.056.000.000,00, no mês de junho de 1993, pelos mesmos motivos expostos no tópico acima. HEINRICH ARTIN ROSSOW As vendas intermediadas por Heinrich Artin Rossow são as seguintes: Nota Data da Nr. do ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATÓRIO 105907 18/06/93 970702 TRUBEL TRANSPORTE URBANO 528.000.000,00 NF 014813, de 31/05/93, de Marcopolo BELA VISTA LTDA. S/A, contra adquirente final (fl. 624) 105909 18/06/93 971658 TRUBEL TRANSPORTE URBANO 528.000.000,00 NF 014612, de 25/05/93, de Marcopolo BELA VISTA LTDA. S/A, contra adquirente final (fl. 629) 105910 18/06/93 970767 TRUBEL TRANSPORTE URBANO 528.000.000,00 NF 014684, de 28/05/93, de Marcopolo — BELA VISTA LTDA S/A, contra o adquirente final (fl. 619) 19 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Os fatos e as provas apresentadas são as mesmas das hipóteses anteriores e registro que a carta expedida pela MARCOPOLO S/A e anexada a fl. 842, a fornecedora de carroceria declara que recebeu os valores indicados nas notas fiscais do destinatário da mesma nota fiscal, ou seja, TRUBEL Transporte Urbano Bela Vista Ltda. Desta forma, não vejo como manter a tributação das diferenças tendo em vista que existem provas documentais suficientes para indicar que estas diferenças foram pagas pelas adquirentes dos veículos. FÁBIO CORDEIRO As vendas intermediadas por Fábio Cordeiro e objeto de autuação foram as seguintes: Nota Data da Nr. do ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATORIO 109365 16/08/93 978241 BMG LEAS I NG S/A — Arrendamento 2.317.000,00 Doc. de fl. 543 comprova que a BMG Mercantil pagou à recorrente (Cr$ 5.350.000,00) 118509 03/02/93 1280 BMG LEASING S/A — Arrendamento 12.982.910,00 Doc. de fl. 502 comprova que maior Mercantil parte do valor foi depositado na conta da recorrente. 127948 26/07/94 6596 DIBENS LEASING S/A — 44.472,00 Docs. De fls. 479/481 comprovam que Arrendamento Mercantil o Banco Dibens S/A pagou à recorrente o valor da transação (R$ 69.000,00) 136481 21/12/94 39115 DIBENS LEASING S/A — 23.000,00 Doc. de fl. 493 comprova que DIBENS Arrendamento Mercantil pagou à recorrente (R$ 80.000,00). 136838 28/12/94 3128 DIBENS LEASING S/A — 25.000,00 Doc. de fl. 537 comprova que a Arrendamento Mercantil DIBENS pagou à recorrente(R$ 86.000,00). Nas vendas intermediadas por Fábio Cordeiro está perfeitamente caracterizada a venda de veículos da Valadares Diesel Ltda. para as adquirentes finais: BMG LEASING S/A — Arrendamento Mercantil e DIBENS LEASING S/A — Arrendamento Mercantil, porquanto os pagamentos pelos valores finais foram efetuados a crédito da recorrente. O intermediário Fábio Cordeiro apenas cedeu o seu nome para a elaboração dos documentos, principalmente as notas fiscais, emitidas pela Valadares Diesel Ltda., para o intermediário, mas que na realidade foram venda7/ 20 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 efetuadas para as empresas de arrendamento mercantil e que foram entregues diretamente para as empresas que arrendara os veículos. Desta forma, a exigência deve ser mantida, inclusive com a multa qualificada. VALTER BARRETO RIBEIRO Nota Data da Nr. do ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATÓRIO 116009 17/12/93 983269 BMG LEASING S/A - Arrendamento 4.974.000,00 Doc. de fl. 700 comprova que o pagamento Mercantil foi efetuado pela BMG para a KLM Transportes Ltda (CR$ 8.100.000,00) A nota fiscal foi emitida pelo valor de CR$ 3.126.000,00 contra Valter Barreto Ribeiro que por sua vez revendeu, mediante recibo, para a BMG LEASING S/A — Arrendamento Mercantil, por CR$ 8.100.000,00 e o veículo foi arrendado para Pneus Risadinha Ltda., de Teófilo Otoni(MG). O pagamento de CR$ 8.100.000,00 foi efetuado pela empresa BMG LEASING S/A — Arrendamento Mercantil para a KLM Transportes Ltda., mediante autorização, por escrito, de Valter Barreto Ribeiro. , A autoridade lançadora não produziu qualquer prova ou evidencia de que a KLM Transportes Ltda. tenha alguma ligação com a Valadares Diesel Ltda ou que os valores pagos a KLM Transportes Ltda. tenha retornado a concessionária de veículos. Desta forma e tendo em vista que a recorrente fez prova de que a venda da concessionária para Valter Barreto Ribeiro foi realizada pelo preço do veículo em vigor no mercado, não vejo como prosperar a presunção de omissão de/ receita, motivo porque sou pelo provimento do recurso relativamente a este tópico. 21 I ,, PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 CELSO SANTOS Nota Data da Nr. do ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATÓRIO 121936 12/04/94 2085 BMG LEASING S/A — Arrendamento 30.638.060,00 Docs. de tls 643/650 comprovam que a Mercantil BMG efetuou pagamento a recorrente diretamente (CR$ 92.676.120,00). 121937 12/04/94 1820 BMG LEASING S/A Arrendamento 30.638.060,00 Docs. de fls 643/650 comprovam que a Mercantil BMG efetuou pagamento a recorrente diretamente (CR$ 92.676.120,00). As notas fiscais n° 121936 e 121937 foram emitidas pela Valadares Diesel Ltda. pela venda de veículos de chassis n° 2085 e 1820, por CR$ 15.700.000,00 cada veículo, e este revendeu a BMG LEASING S/A Arrendamento Mercantil, mediante recibo, por CR$ 46.338.060,00, com uma margem de lucro de CR$ 30.638.060,00, por veículo. O pagamento de CR$ 92.676.120,00 foi efetuado pela empresa BMG LEASING SIA — Arrendamento Mercantil para a Valadares Diesel Ltda. conforme comprovam o Recibo n° 20021, de fl. 643, duplicata contra a BMG LEASING S/A Arrendamento Mercantil, de fl. 644), extrato bancário onde comprova o crédito de CR$ 92.676.120,00, na conta corrente n° 001.98.002177-2, da Valadares Diesel Ltda. no Banco BMG (fl. 645) e seus registros contábeis, de fls. 646 a 650. Diante das provas documentais acostadas aos autos, não tenho a menor dúvida que a recorrente vendeu os veículos, diretamente, para a BMG LEASING S/A — Arrendamento Mercantil e, portanto, a exigência deve ser mantida, inclusive com a multa qualificada já que está demonstrado o intuito de fraude. GIULIANO LIMA ARAÚJO Nota Data da Nr. do ADQUIRENTE FINAL VALOR DOCUMENTO Fiscal Emissão Chassis AGREGADO COMPROBATÓRIO 1362191 16/12/94 41442 DIBENS LEASING S/A — 15.500,00 Docs. de tis 577/579 comprovam que a Arrendamento Mercantil Banco Dibens S/A pagou a recorrente diretamente (R$ 90.000,00). /Neste caso, também, a recorrente recebeu integralmente o valor do carro, mediante crédito em conta corrente e, portanto, não há como negar qu ,,,ek/ 22 ,, PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 vendeu o veículo para a DIBENS LEASING S/A — Arrendamento Mercantil, mediante intermediação de Giuliano Lima Araújo. Desta forma, sou pela manutenção da exigência, inclusive a multa qualificada já que está comprovado o evidente intuito de fraude. Resumindo, obter-se-á o quadro abaixo: NOTA DATA DA EMPREGADO OU TRIBUTADA NA EXCLUTDA NESTA TRIBUTAÇÃO FISCAL EMISSÃO INTERMEDIÁRIO DECISÃO RECORRIDA DECISÃO MANTIDA — 105067 01/06/93 Álvaro Virgílio de Oliveira 550.000.000,00 550.000.000,00 O 105394 08/06/93 Marcio Mendes Filho 528.000.000,00 528.000.000,00 O 105395 08/06/93 Marcio Mendes Filho 528.000.000,00 528.000.000,00 O 105396 08/06/93 Álvaro Virgílio de Oliveira 550.000.000,00 550.000.000,00 O 105069 01/06/93 Álvaro Virgílio de Oliveira 550.000.000,00 550.000.000,00 O TOTAL JUNHO DE 1993 2.706.000.000,00 2.706.000.000,00 O 107294 13/07/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 860.000.000,00 O 860.000.000,00 107295 13/07/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 500.000.000,00 O 500.000.000,00 105904 18/06/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 528.000.000,00 528.000.000,00 O 105905 18/06/93 Álvaro Virgilio de Oliveira 528.000.000,00 528.000.000,00 O 105907 18/06/93 Heinrich Artin Rossow 528.000.000,00 528.000.000,00 O 105909 18/06/93 Heinrich Artin Rossow 528.000.000,00 528.000.000,00 O 105910 18/06/93 Heinrich Artin Rossow 528.000.000,00 528.000.000,00 O TOTAL JULHO DE 1993 4.000.000.000,00 2.640.000.000,00 1.360.000.000,00 109365 16/08/93 Fábio Cordeiro 2.317.000,00 O 2.317.000,00 TOTAL AGOSTO DE 1993 2.317.000,00 O 2.317.000,000 110975 15/09/93 Antonio Carlos de Matos 8.284.515,30 O 8.284515,30 TOTAL NOVEMBRO DE 1993 8.284.515,30 O 8.284.515,30 116009 17/12/93 Valter Barreto Ribeiro 4.974.000,00 4.974.000,00 O TOTAL DEZEMBRO DE 1993 4.974.000,00 4.974.000,00 O 118509 03/02/93 Fabio Cordeiro 12.982.910,00 O 12.982.910,00 TOTAL FEVEREIRO DE 1994 12.982.910,00 O 12.982.910,00 121936 12/04/94 Celso Santos 30.638.060,00 O 30.638.060,00 121937 12/04/94 Celso Santos 30.638.060,00 O 30.638.060,00 TOTAL ABRIL DE 1994 61.276.120,00 O 61.276.120,00 127948 26/07/94 Fábio Cordeiro 44.472,00 O 44472,00 TOTAL JULHO DE 1994 44.472,00 O 44.472,00 136219 16/12/94 Giuliano Lima Araújo 15.500,00 O 15.500,00 136481 21/12/94 Fábio Cordeiro 23.000,00 O 23.000,00 136838 28/12/94 Fábio Cordeiro 25.500,00 O 25.000,00 TOTAL DEZEMBRO DE 1994 78.500,00 ,...p 78.500,00 / Do confronto do demonstrativo, de fl. 04 com o fl. 18, visualizam- se as parcelas remanescentes sujeitas à incidência de tributos. -, , 23 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Fato Gerador Tributada na Excluída nesta Tributação Decisão Recorrida Decisão Mantida 30/06/93 2.706.000.000,00 2.706.000.000,00 O 31/07/93 4.000.000.000,00 2.640.000.000,00 1.360.000.000,00 31/08/93 2.317.000,00 O 2.317.000,00 30/11/93 8.709.515,30 425.000,00 8.284.515,30 31/12/93 4.974.000,00 4.974.000,00 O 28/02/94 12.982.910,00 O 12.982.910,00 30/04/94 61.276.120,00 O 61.276.120,00 31/07/94 50.603,00 6.131,00 44.472,00 31/12/94 93.000,00 93.000,00 TOTAIS 6.796.403.148,30 5.351.405.130,00 1.444.998.017,30 DESPESAS NÃO COMPROVADAS Examinam-se, em seguida, os argumentos expostos pela recorrente relativamente a cada valor destacado e objeto do Auto de Infração: CR$ 3.475.549,02 — 04/02/94 A acusação inicial era de que a cópia de documento do Banco Cidade apresentava com aspecto de montagem e que o referido declarou à Receita Federal que o documento não era de sua emissão (teria sido montagem a partir de outro original) e não consta do extrato bancário motivo porque foi aplicada a multa qualificada. Efetivamente, a cópia do Aviso de Lançamento a Débito, anexada, a fl. 70, no Anexo I-B — Volume 1, é uma montagem. Entretanto, a declaração firmada pelo Banco do Interior de São Paulo S/A, não deixa margem a qualquer dúvida que houve pagamento de despesas financeiras no valor de CR$ 3.475.549,02, mediante cheque n°732151. Este cheque foi emitido por Vadiesel — Vale do Aço Diesel Ltda., ma/ a prova documental apresentada nesta fase recursal de que Valadares Diesel Ltd 24 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 depositou no mesmo dia, o valor correspondente (fl. 851, do Anexo I-A, Volume 3), na conta corrente da Vadiesel - Vale do Aço Diesel Ltda. comprova de forma inequívoca, a realização da respectiva despesa. Nestas condições e tendo em vista que a acusação inicial era de que os juros não foram pagos ao Banco Cidade S/A, sou pelo provimento relativamente a este item. CR$ 338.299.850,06 — 30/04/94 A acusação inicial deste item diz respeito a documento do Banco Nacional S/A (hoje UNIBANCO) com aspecto de montagem, não confirmado pelo Banco e não constante do extrato bancário, aplicando-se a multa qualificada. Em 27 de setembro de 1999, UNIBANCO — União de Bancos Brasileiros S/A, em resposta ao ofício n° 320/GAB/DRF/GVA/99, respondeu que não está presente nos extratos da conta corrente n° 173120, da Agência 0284, do extinto Banco Nacional S/A, de Governador Valadares(MG), qualquer registro sobre as despesas financeiras de CR$ 338.299.850,06. Posteriormente, em 03 de dezembro de 1999, o mesmo banco informa que foram efetuados os lançamentos na conta corrente n° 173120, a movimentação correspondente a Conta Garantida n° 1562210, como segue: DATA TRANSFERENCIA DATA TRANSFERENCIA EFETUADA A CREDITO EFETUADA A DÉBITO 05/04194 139.972.807, 32 07/04/94 214.623.078,00 05/04/94 726.749.683,03 08/04/94 886.810.324,72 06/04/94 26.327.397,37 11/04/94 2.168.505,71 TOTAL 893.049.887,72 13/04/94 2.055.378,24 14/04/94 125.692.451,11 DIFERENÇA 338.299.850,06 TOTAL 1.231.349.737,78 OBS: A diferença de CR$ 338.299.859, efere-se a cobrança de encargos + IOF sobre o período de utilização dos recursos./ 25 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 A justificativa é aceitável porquanto estes argumentos foram acompanhados do extrato bancário que demonstra a escrituração dos débitos e créditos. Desta forma e tendo em vista que o lançamento inicial foi promovido com fundamento na suspeita de que os documentos haviam sido montados, não vejo como prosperar a exigência diante das provas apresentadas. Assim, sou pelo cancelamento da exigência, relativamente a este item. R$ 38.068,80 - 31/07/94 A autuação deu-se por suspeita de que o documento do Banco Dibens S/A tenha sido montado a partir de outro documento original, posto que o valor não consta do extrato e nem foi confirmada a operação pelo banco. Na fase impugnativa, o sujeito passivo apresentou a Ficha Razão das contas 2.1.2.1.0009 - Banco Dibens S/A (fl. 694) e 1.1.2.4.0107 - Títulos a Receber - Rodoviária Ramos Ltda. (fl. 695) onde comprovou que a parcela de R$ 38.068,80 foi debitada como variação monetária passiva e creditada como juros e encargos sobre empréstimos. A autoridade julgadora de 10 grau, a fl. 744, expressa "verbis": "Naqueles elementos, observa-se, em relação ao citado valor, o que se segue: na conta Banco Dibens, o lançamento a crédito vir. Juros/Encargos s/ empréstimos CDCI — Banco Dibens', e na conta 'Títulos a Receber — Rodoviário Ramos', o lançamento a débito 'vir. Relativo variação monetária — mês 07/94. Não merece maiores comentário/ a vã tentativa da confutadora Ó,Ïpara descaracterizar a glosa l ada a termo pela fiscalização, com base na montagem do ocumento de fl. 141 (Anexo 1), conforme descrito a fl. 82." 26 -( PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Ora, as cópias da Ficha Razão Analítico, anexadas as fls. 694/695, demonstram com clareza que a parcela de R$ 38.068,80 foi contabilizada a crédito de juros/encargos sobre empréstimos e a débito de variação monetária passiva e este fato foi reconhecido pela autoridade julgadora de 10 grau, como se vê do texto transcrito acima. Nestas condições, não vejo como o documento, de fl. 141, do Anexo IB — Volume 1, tenha qualquer implicação no lucro real, porquanto a autoridade lançadora sequer insinuou que tenha sido tenha sido apropriado na conta de resultados. Realmente, a autoridade lançadora preocupou-se sobremaneira na procura de documentos montados ou forjados, mas não fez qualquer registro de que este documento no valor de R$ 38.068,80 tenha acarretado redução do lucro real. Registre-se, por oportuno que o lançamento 145-34, mencionado pela autoridade lançadora, a fl. 82, diz respeito a crédito na conta Juros/Encargos s/ Empréstimos CDCI, código 36110001, conforme cópia da Ficha Razão Análitico, anexado, a fl. 694, do Anexo I A — Volume 3. Desta forma, sou pelo provimento do recurso voluntário, relativamente a este item. R$ 698.747,48 — 28/12/94 A autuada foi intimada a comprovar o lançamento 058-40, a título de despesas de juros pagos a PETRELA COMÉRCIO LTDA, no valor de R$ 306.020,79 e a COMPUGRAF TECNOLOGIA E SISTEMAS S/A, no valor de R$ 392.726,69, totalizando R$ 698.747,48. A autuação deu-se porque os pagamentos dos juros foram efetuados em dinheiro, através da conta Caixa e neste dia (28/12/94) não havia saldo suficient 27 c-• PROCESSO N°: 10630.000665100-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 se não fossem contabilizadas quatro entradas, no mesmo dia, quais sejam: R$ 160.000,00 da Autosete Veículos (CNPJ 24.988.594/0001-59); R$ 206.020,79 da Goiás Caminhões (CNPJ 00.153.980/0001-62) e R$ 100.000,00 da Vadiesel Vale do Aço Diesel (CNPJ 23.949.811/0001-39), todas empresas coligadas e o último depósito de R$ 232.726,69, mediante cheque n° 195402 sacado do Banco Boavista para pagamento de multa sobre contrato de swap. A autoridade lançadora registrou mais o seguinte: "Em 23/04/99, documento de fls. 469 do processo, a autuada informa que não conseguiu as comprovações solicitadas. Finalmente, em 16/09/99, documento as fls. 186 a 192, do Anexo I, apresenta os dois contratos tidos como originais, com assinaturas de pessoas não identificadas, sem nenhum registro nem sequer reconhecimento de firmas. Vê-se num rápido exame comparativo entre as cópias dos contratos apresentados em 04 e 07/01/99 - fls. 179 a 184 do Anexo 1 e os pretensos originais apresentados agora, em 16/09/99, fls. 187 a 192 do Anexo 1, que não se tratam de mesmo documento. A assinatura do Sr. Jayro Lessa, no contrato com a COMPUGRAF, que seria original, foi aposta em lugar diferente do constante na suposta cópia do mesmo documento. Definitivamente, a falta de registro dos contratos torna-os sem efeito perante terceiros (no caso, Receita Federal), conforme dispõe nosso vigente Código Civil, Lei n° 3.071, de 01/01/1916, em seu artigo 135. Por todo o exposto, tributa-se o valor como despesa não comprovada." Como se vê, a acusação da autoridade fiscal funda-se, como alega a recorrente, em duas premissas: - aspectos formais dos contratos; e, - caracterização efetiva dos dispêndios. Quanto aos aspectos formais dos contratos, entendo que o registro a que se referiu a digna autoridade lançadora (artigo 135 do Código Civil) não s 28 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 aplica às transações comerciais que estão regidas pelo Código Comercial que em seu artigo 23, determina: "Art. 23 — Os dois livros mencionados no artigo 11 (livro Diário e Copiador de Cartas que foi dispensado pelo art. 11, do Decreto-lei n° 486/69), que se acharem com as formalidades prescritas no artigo 13, sem vício nem defeito, escriturados na forma determinado no art. 14, e em perfeita harmonia uns com os outros, fazem prova plena. ,sç 1° - contra as pessoas que deles forem proprietários, originalmente ou por sucessão; sç 20_ contra comerciantes, com quem os proprietários, por si ou por seu antecessores, tiverem ou houverem tido transações mercantis, se os assentos respectivos se referirem a documentos existentes que mostrem a natureza das mesmas transações, e os proprietários provarem, também por documentos, que não foram omissos em dar em tempo competente os avisos necessários, e que a parte contrária os recebeu; sç 3° - contra pessoas não comerciantes, se os assentos forem comprovados por algum documento, que só por si não possa fazer prova plena." Pela legislação comercial, a escrituração no livro Diário de documentos que representam as transações comerciais é suficiente para validar como prova contra terceiros. A recorrente trouxe a ementa do Acórdão n° 105-05.815/91, onde ficou assentado que são inexigíveis a inscrição do contrato no Registro de Títulos e Documentos e o reconhecimento de firmas para efeito da dedutibilidade das despesas com correção monetária e juros de mútuo celebrado com coligada. A alegada insuficiência de saldo de conta Caixa não subsiste - porquanto a recorrente apresento provas suficientes para demonstrar que os juros pagos transitaram regularmen pelas contas bancárias e, portanto, foram efetivamente desembolsados. - 29 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Não pode subsistir a acusação fiscal de despesas não comprovadas já que as provas acostadas aos autos são suficientes para demonstrar que os pagamentos foram efetuados com base em contratos regularmente contabilizados. A legislação tributária federal sobre o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica visa a tributação do lucro e para efeito de determinação do lucro tributável inseriu o conceito de custos e despesas operacionais que correspondem aos dispêndios necessários, usuais e normais para o tipo de atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. No caso dos autos, a autoridade lançadora não fez qualquer referencia quanto à necessidade, normalidade ou a usualidade dos juros/encargos pagos a PETRELA COMÉRCIO LTDA. e COMPUGRAF TECNOLOGIA E SISTEMAS SIA. Nestas condições, o lançamento não pode subsistir com base na acusação inicial motivo porque opino pelo provimento do recurso relativamente a este item. Cr$ 11.000.000,00— 12/01/93 A acusação fiscal está redigida nos seguintes termos: " ... para comprovar o lançamento 023-17 em 12/01/93 a titulo de despesas de juros no valor de Cr$ 11.000.000,00, a empresa havia apresentado cópia do cheque n° 353334 c/c VDL Bco. Rural e um recibo que teria sido emitido por José Bernardes de Oliveira Neto em 12/01/93, sendo CR$ 4.000.000,00 de empréstimo obtido pela empresa e Cr$ 11.000.000,00 (ou 275%) de juros — documento de fls. 198 a 200 do Anexo 1. A assinatura constante do recibo do Sr. José Bernardes é idêntica ao 'visto' constante em vários cheques e voucher's emitidos por funcionário da Valadares Diesel, conforme documentos de fls. 522 a 549 e 551 a 569, do processo. Indagado sobre isso,o61 contador, Sr. Eustáquio José Ferreira Mala, informou que o visto era do tesoureiro da Valadares Diesel na época/ Comparando-se a assinatura constante do recibo apresenta o , 30 , PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 pela aziditada com a assinatura constante da declaração do Imposto de Renda do Sr. José Bernardes de Oliveira entregue em 31/05/94 — fls. 201 do Anexo I, verifica-se não tratar-se de mesma assinatura." Efetivamente, a assinatura constante do recibo não confere com a , assinatura de José Bernardes de Oliveira na sua declaração de rendimentos. Entretanto, nesta fase recursal, a recorrente traz o mesmo recibo , com a assinatura de José Bernardes de Oliveira e, também, uma declaração firmada ,, pelo mesmo no sentido de que recebeu a importância constante do recibo e as duas assinaturas autenticadas em cartório. Tendo em vista que a acusação inicial era despesa não comprovada e assinatura no recibo que não confere com a assinatura da declaração de rendimentos e sanada a irregularidade mediante declaração do beneficiado de que recebeu os juros respectivos, não vejo como manter o lançamento, fundada em simples suspeita. Assim, sou pelo provimento do recurso relativamente a este item. CR$ 133.419.633,65- JAN/94 e R$ 95.671,02- 0UT194 A fiscalização constatou que entre os valores contabilizados (fl. 202, do Anexo I-B) e os valores constantes dos extratos bancários(fls.204 e 212, do Anexo I-B) relativos a Encargos CCG haviam diferenças como demonstrado abaixo: MÊS/ANO CONTABILIZADO EXTRATO DIFERENÇA JAN/94 180.079.766,35 46.660.132,40 133.419.633,65 , OUT/94 108.787,54 13.116,52 95.671,02 , A recorrente, tanto na impugnação como no recurso voluntário, ' insiste que se trata de simples hipótese de postergação de pagamento de imposto - 31 - PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 que não caberia o lançamento como consta dos autos e em reforço a sua tese, transcreve a ementa do Acórdão n° 101-92.038/98. A decisão recorrida não aceitou a tese de postergação e que a jurisprudência citada pela impugnante não constitui norma componente da legislação tributária e, também, que não se trata de hipótese de aplicação do Parecer Normativo COSIT n° 02/96. A fl. 202, a fiscalização registrou as parcelas contabilizadas a título de Encargos CCG/MBB — VEÍCULOS e nas páginas seguintes, de fls. 203 a 215, anexou cópias dos extratos de janeiro a dezembro de 1994, permitindo a reconstituição de todas as parcelas envolvidas, como segue: MÊS/ANO VALORES VALORES DOS DIFERENÇA CONTABILIZADOS EXTRATOS VERIFICADA JAN/94 180.079.766,35 49.307. 875,67 130.771.890,68 F EV/94 46.660.132,70 46.660.132,70 O MAR/94 104. 850.474,62 104.850. 474,62 O ABR/94 131.978.208,37 131.978.208,37 O MAI/94 187.442.750,86 187.442.750,86 O JUN/94 397.986.583,05 397.986.583,05 O JUL/94 30.938,65 30.938,65 O AGO/94 11.216,10 11.216,10 O OUT/94 108.787,54 13.116,52 95.671,02 NOV/94 24.198,73 24.198,73 O D EZ/94 22.729,44 22.729,44 O Como se verifica, as diferenças existem apenas nos meses de janeiro de outubro de 1994 e tendo em vista que as mesmas diferenças não foram estornadas ou ajustadas em outros períodos mensais do ano-calendário, não se trata de hipótese de inexatidão quanto ao período de competência e nem de postergação de pagamento de imposto. A infração está perfeita — ente caracterizada e deve ser mantida a exigência correspondente a este item. 2 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 OUTROS ITENS Quanto aos demais itens, a recorrente protestou pelo aditamento posterior de argumentos e provas, mas até o presente momento não trouxe qualquer elemento de prova para ser examinado. Assim, os demais itens relacionados com despesas não comprovadas devem ser tributados. Resumindo, ter-se-ia o seguinte quadro: FATO MANTIDA NA EXCLUíDA NESTA TRIBUTAÇÃO GERADOR DECISÃO RECORRIDA DECISÃO MANTIDA 31/01/93 11.000.000,00 11.000.000,00 O 31101194 130.771.890,68 0 130.771.890,68 28/02/94 75.394.845,49 O 75.394.845,49 28/02/94 22.075.549,02 3.475.549,02 18.600.000,00 30/04/94 338.299.850,06 338.299.850,06 O 30/06/94 340.484.286,73 O 340.484.286,73 31/07/94 47.610,68 O 47.610,68 31/07194 38.068,80 38.068,80 O 31/10/94 105.306,50 O 105.306,50 31/12/94 698.747,48 698.747,48 O TOTAIS 918.916.155,44 353.512.215,36 565.403.940,08 NOTA: As parcelas tributáveis são podem ser demonstradas ao final, após exame da decadência, tendo em vista que em alguns meses podem coexistir infrações qualificadas e não qualificadas. CORREÇÃO MONETÁRIA DE FINSOCIAL Este tópico versa sobre a glosa de variação monetária passda da/n,t/contribuição para o FINSOCIAL, sob o argumento de que a empresa co ,abilizou como despesas dedutiveis à contribuição que nunca declarou nem pagou. 3 3 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 A fiscalização entendeu que a autuada infringiu os artigos 195, inciso I, 197 e seu § único, 242, 243, 283 e 284 do RIR194, combinado com o artigo 52 da Medida Provisória n° 596/94 e ADN/COSIT n° 52/94. O sujeito passivo sustenta que formulou pleito junto ao Poder Judiciário sobre a legalidade da cobrança da contribuição para o F INSOCIAL, com a alíquota de 2% e que obteve sucesso parcial na demanda porquanto a decisão judicial limitou em 0,5%, a alíquota correta daquela contribuição. Acrescenta que a referida demanda judicial transitou em julgado, em 1998, e 75% do valor da contribuição depositada em Juízo foi levantada e foi tributada como receita e que 25% do depósito foi considerado como contribuição devida e convertida em renda da União Federal. A recorrente comprova, as fls. 876 a 882, que os fatos narrados foram regularmente contabilizados em setembro e dezembro de 1998 e, portanto, um ano antes do encerramento da ação fiscal porquanto o Auto de Infração foi lavrado em 16 de novembro de 1999. De acordo com a contabilidade, foi providenciada a provisão da contribuição a pagar e providenciado, também, o depósito judicial da importância questionada perante o Poder Judiciário. Aparentemente e pelo que consta dos registros contábeis (baixa pelo valor corrigido), os depósitos judiciais foram corrigidos, simultaneamente, com as provisões de forma a não causar qualquer prejuízo à Fazenda Nacional. Mesmo que os depósitos judiciais não tenham gerado variações monetárias ativas, com o encerramento do processo judicial e levantamento dos depósitos judiciais e tributação da parcela de 75% como receita e 25% apropriado como despesas operacionais, a tributação pretendida pela autoridade lançadora não ( ..( 34 i PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 pode prosperar porquanto seria o caso de inexatidão quanto ao período de competência e eventualmente, de postergação de pagamento de imposto. Insisto para o fato, devidamente comprovado e registrado no livro Diário, de que o encerramento da lide judicial deu-se antes do encerramento da fiscalização e, portanto não vejo como sustentar o lançamento, tal como se apresenta nos autos. Pelo exposto, sou pelo provimento do recurso voluntário, relativamente à glosa de correção ou variação monetária de FINSOCIAL, conforme demonstrativo abaixo: FATO MANTIDA NA EXCLUÍDA NESTA TRIBUTAÇÃO GERADOR DECISÃO RECORRIDA DECISÃO MANTIDA JAN/94 24.253.719,28 24.253.719,28 O FEV/94 34.126.511,05 34.126.511,05 O MAR/94 55.999.713,04 55.999.713,04 O ABR/94 72.929.780,42 72.929.780,42 O MAI/94 103.815.941,99 103.815.941,99 O JUN/94 158.325.296, 57 158.325.296, 57 O JUL/94 13.175,35 13.175,35 O TOTAIS 449.464.137,70 449.464.137,70 O GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE A glosa de prejuízos compensados deu-se tendo em vista que o direito a compensação teria sido prejudicado em virtude de lançamento fiscal que arbitrou o lucro do ano-calendário de 1992. O referido lançamento tributário consta do processo administrativo fiscal n° 10630.000675/99-91(0 processo original de n° 10630.001006/98-55 tramitou com recurso de ofício) e foi acolhida a preliminar de decadência no Acórdão n° 101 ./'' 35 i PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 92.883, de 10/11/99, mas a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Recurso Especial foi julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em Acórdão n° CSRF/01-03.459, de 24 de julho de 2001, e negado provimento, por maioria de votos, consubstanciada na seguinte ementa: "DECADÊIvCIA IRPJ LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI 8.383/91. Na vigência da Lei 8.383/91 e a partir daí o lançamento do IRPJ se amolda às regras do artigo 150, parágrafo 4 0, do CIN e opera-se assim por homologação, até porque os lucros passaram a ser apurados mensalmente." Desta forma, foi restabelecido o direito à compensação de prejuízos fiscais do ano-calendário de 1992 nos anos subseqüente tendo em vista que o lançamento considerado decadente versava sobre o arbitramento de lucro com a desclassificação da escrituração contábil. Anulado o arbitramento de lucro no ano-calendário de 1992, restabelece-se de pleno direito, os prejuízos fiscais acumulados, como segue: FATO MANTIDA NA EXCLUÍDA NESTA TRIBUTAÇÃO GERADOR DECISÃO RECORRIDA DECISÃO MANTIDA JAN/94 60.876.987,60 60.876.987,60 O F EV/94 422.599.769,00 422.599.769,00 O MAR/94 84.449.397,00 84.449.397,00 O MAI/94 831.184.185,21 831.184.185,21 O OUT/94 44.443,37 44.443,37 O NOV/94 483.025,00 483.025,00 O TOTAIS 1.399.637.807,18 1.399.637.807,18 O Resumindo o que foi examinado acima e antes da identifica ão das parcelas decadentes, restariam tributadas, ainda, as seguintes parcelas. 36 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 , FATO BC NO AUTO DE PARCELAS APÓS DECISÃO PARCELAS APÓS DECISÃO GERADOR INFRAÇÃO EXCLUÍDAS RECORRIDA EXCLUÍDAS DE SEG/GRAU 31/01/93 11.000.000,00 O 11.000.000,00 11.000.000,00 O 30/06/93 2.706.000.000,00 O 2.706.000.000,00 2.706.000.000,00 O 31/07/93(*) 4.225.000.000,00 225.000.000,00 4.000.000.000,00 2.640.000.000,00 1.360.000.000,00 31/08/93(*) 2.317.000,00 O 2.317.000,00 O 2.317.000,00 31/10/93 1.180.251,66 1.180.251,66 0 0 O 30111/93(*) 8.709.515,30 O 8.709.515,30 425.000,00 8.284.515,30 31/12/93 19.766.073,66 14.792.073,66 4.974.000,00 4.974.000,00 O 31/01/94 240.151.799,80 24.249.202,24 215.902.597,56 85.130.706,88 130.771.890,68 31101194(*) 22.325.405,68 22.325.405,68 O O O 28/02/94 532.121.125,54 O 532.121.125,54 456.726.280,05 75.394.845,49 , 28/02/94(*) 61.469.035,47 26.410.576,45 16.458.459,02 3.475.549,02 12.982.910,00 28102194(**) O O 18.600.000,00 O 18.600.000,00 31/03/94 140.449.110,04 O 140.449.110,04 140.449.110,04 O , 31/03/94 7.028.000,00 7.028.000,00 O O 0 30/04/94 72.929.780,42 O 72.929.780,42 72.929.780,42 O 30/04194(*) 406.603.970,06 7.028.000,00 399.575.970,06 338.299.850,06 61.276.120,00 ,, 31/05194 935.000.127,20 O 935.000.127,20 935.000.127,20 O 31105/94 92.742.425,09 92.742.425,09 O O O 30/06/94 498.809.583,30 O 498.809.583,30 158.325.296,57 340.484.286,73 30/06/94 147.733.000,00 147.733.000,00 O O O 31/07/94 60.786,03 O 60.786,03 13.175,35 47.610,68 31107/94(*) 88.671,80 O 88.671,80 44.199,80 44.472,00 1 31/10/94 149.749,87 O 149.749,87 44.443,37 105.306,50 30/11/94 483.025,00 O 483.025,00 483.025,00 O 30/11/94 15.000,00 15.000,00 O O O 31/12194(*) 791.747,48 O 791.747,48 698.747,48 93.000,00 TOTAIS 10.132.925.183,40 568.503.934,78 9.564.421.248,62 7.554.019.291,24 2.010.401.957,38 (*) NOTA: as parcelas assinaladas com ("), os tributos e contribuições incidentes sobre as bases de cálculo registradas estão sujeitos a multa qualificada de 150%. , (**) NOTA: no mês de fevereiro de 1994, a autoridade julgadora de 1° grau reduziu a multa de lançamento de oficio de 150% para 75% sobre os tributos e contribuições incidentes sobre a parcela de CR$ 18.600.000,00. , A multa qualificada deve ser mantida sobre as parcelas remanescentes porquanto após minuciosa análise estou convicto que o sujeito passivo utilizou-se de artifícios como a intermediação de empregados que não , tinham qualquer capacidade econômica ou financeira para adquirir e vender veículos, principalmente, para as empresas de arrendamento merca til e, também, , em virtude de contabilização como despesas financeiras de ga tos inexistentes porque não comprovados, mediante documentação hábil e idônea — 37 / PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 TRIBUTAÇÃO REFLEXIVA Relativamente à tributação dita reflexiva, a recorrente conforma-se com a tese da causa e efeito que constitui jurisprudência firmada neste Primeiro Conselho de Contribuintes. A inconformidade manifestada refere-se tão somente quanto à base de cálculo da Contribuição Social e diz que as despesas financeiras podem ser deduzidas para efeito de determinação do lucro líquido que é a base de cálculo daquela contribuição. A recorrente tem razão na tese, mas os fatos que envolvem os presentes autos não se enquadram na tese normal porquanto as despesas financeiras foram glosadas por falta de comprovação com documentação hábil e idônea e, de fato, todos dispêndios que foram comprovados, ainda que de forma precária, foram aceitos como operacionais e só foram mantidas como tributáveis as parcelas para as quais a recorrente não trouxe qualquer prova, argumento ou fato que comprovem a efetividade dos gastos. O registro de despesas inexistentes altera o resultado comercial e como tal, a glosa de tais despesas influenciam a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Desta forma, face à relação de causa e efeito, o decidido no lançamento principal deve ser aplicado aos demais lançamentos. Quanto aos juros de mora a taxa SELIC, a exigência consta do artigo 13 da Lei n° 9.065/95, artigo 26 da Medida Provisória n° 1.542/96 e artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96 cujos dispositivos legais não foram julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e nem suspensas as suas execuções pelo Se/fadoado Federal, na forma no inciso X, do artigo 52, da Constituição Federal de 1988, ativo /4 porque as autoridades administrativas devem dar cumprimento aos mesmos , 38 é PROCESSO N°: 10630.000665100-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 Ao final, retorna-se à preliminar de decadência. Aparentemente, o exame da preliminar da decadência ao final parece uma heresia, mas no caso dos autos, em que dentro de um mesmo mês ou do ano- calendário subsiste infração comum e infração qualificada, há necessidade de se examinar primeiro o mérito para identificar o(s) período(s) em que foram apuradas infrações qualificadas. Outrossim, tendo em vista que desde a vigência da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido passaram a ser devidos mensalmente, independentemente da apresentação da declaração de rendimentos ou de ajuste, a decadência deve ser examinada consoante fatos geradores mensais, tendo em vista que o imposto e a contribuição passaram a ser exigida na modalidade de lançamento por homologação. As demais contribuições exigidas nestes autos e administradas pela Secretaria da Receita Federal são constituídas na modalidade de lançamento por homologação e como tal, decorrido o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador o lançamento e o respectivo pagamento tornou-se definitivo e a autoridade administrativa não pode mais revisa-los, consoante a disposição contida no artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional. Outrossim, nos meses em que coexistir infração qualificada (dolo, fraude ou simulação) e infração comum (declaração inexata), todo o fato gerador do mês fica contaminada pela infração qualificada porque o fato gerador é mensal e complexivo. Assim, delimitados os meses em que restaram valores tributáveis após o exame do mérito, constata-se que deve ser acolhida a tese da decadência relativamente aos meses em que não foram levantados os indícios de dolo, fraude ou simulação: janeiro, março, maio, junho e outubro de 1994 e, rejeita-se a tes 39 PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 relativamente aos demais meses em que foram apuradas as bases de cálculo, com indícios de dolo, fraude ou simulação e aplicação da multa qualificada de 150%. Recapitulando, os valores cuja tributação foi mantida são as seguintes: FATO BC NO AUTO DE PARCELAS APÓS DECISÃO PARCELAS APÓS DECISÃO GERADOR INFRAÇÃO EXCLUÍDAS RECORRIDA EXCLUÍDAS DE SEG/GRAU 31/01/93 11.000.000,00 O 11.000.000,00 11.000.000,00 O 30/06/93 2.706.000.000,00 O 2.706.000.000,00 2.706.000.000,00 0 31/07/93(*) 4.225.000.000,00 225.000.000,00 4.000.000.000,00 2.640.000.000,00 1.360.000.000,00 31108/93(*) 2.317.000,00 O 2.317.000,00 O 2.317.000,00 31/10/93 1.180.251,66 1.180.251,66 O O 0 30/11193(1 8.709.515,30 O 8.709.515,30 425.000,00 8.284.515,30 31/12/93 19.766.073,66 14.792.073,66 4.974.000,00 4.974.000,00 O 31/01/94 240.151.799,80 24.249.202,24 215.902.597,56 85.130.706,88 DECADENTE 31101/94(1 22.325.405,68 22.325.405,68 O O O 98109/94 532.121.125,54 I O 532.121.125,54 456.726.280,05 75.394.845,49 28/02/94(*) 61.469.035,47 26.410.576,45 16.458.459,02 3.475.549,02 12.982.910,00 28/02194(**) O O 18.600.000,00 O 18.600.000,00 31103/94 140.449.110,04 O 140.449.110,04 140.449.110,04 O 31/03/94 7.028.000,00 7.028.000,00 O O O 30/04/94 72.929.780,42 O 72.929.780,42 72.929.780,42 O 30/04/94(*) 406.603.970,06 7.028.000,00 399.575.970,06 338.299.850,06 61.276.120,00 31/05/94 935.000.127,20 O 935.000.127,20 935.000.127,20 O 31/05/94 92.742.425,09 92.742.425,09 O O O 30/06/94 498.809.583,30 O 498.809.583,30 158.325.296,57 DECADENTE 30/06/94 147.733.000,00 147.733.000,00 O O O 31/07/94 60.786,03 O 60.786,03 13.175,35 47.610,68 31/07/94(*) 88.671,80 O 88.671,80 44.199,80 44.472,00 31/10/94 149.749,87 O 149.749,87 44.443,37 DECADENTE 30/11/94 483.025,00 O 483.025,00 483.025,00 O 30/11/94 15.000,00 15.000,00 O O O 31/12/94(*) 791.747,48 O 791.747,48 698.747,48 93.000,00 TOTAIS 10.132.925.183,40 568.503.934,78 9.564.421.248,62 7.554.019.291,24 1.539.040.473,47 De todo o exposto e tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência relativamente meses de janeiro, março, maio, junho e outubro de 1994 para tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e, no mérito, dar • rovimento parcial para excluir da matéria tributável as parcelas abaixo indicadas: --7 40 ../' PROCESSO N°: 10630.000665/00-42 ACÓRDÃO N° : 101-93.724 MÊS/ANO PARCELAS EXCLUÍDAS PARCELAS DECADENTES JAN/93 Cr$ 11.000.000,00 O JUN/93 Cr$ 2.706.000.000,00 0 JUL/93 Cr$ 2.640.000.000,00 O NOV/93 CR$ 425.000,00 O DEZ/93 CR$ 4.974.000,00 O JAN/94 CR$ 85.130.706,88 CR$ 130.771.890,68 FEV/94 CR$ 456.726.280,05 O FEV/94 CR$ 3.475.549,02 O MAR/94 CR$ 140.449.110,04 O ABR/94 CR$ 72.929.780,42 O ABR/94 CR$ 338.299.850,06 O MAI194 CR$ 935.000.127,20 O JUNI94 CR$ 158.325.296,57 CR$ 340.484.286,57 JUL/94 R$13.175,35 O JU L/94 R$44.199,80 O OUT/94 R$ 44.443,37 R$ 105.306,50 NOV/94 R$ 483.025,00 O DEZ/94 R$ 698.747,48 O Sala das Sessõe. - DF, em 23 de janeiro de 2002 KAZU 1 1 S • BA- LATOR 41 , VALADARES DIESEL LTDA. BASES DE CÁLCULO APURADAS PELA FISCALIZAÇÃO n MÊS/ANO OMISSÃO DE DESPESA NÃO COR. MONETÁRIA GLOSA DE TOTAIS n1 RECEITAS(*) COMPROVADA DO FINSOCIAL PREJUÍZOS , , JAN/93(*) - 11.000.000,00 - - 11.000.000,00 , JUN/93 2.706.000.000,00 - - - 2.706.000.000,00 JUL/93 4.225.000.000,00 - - - 4.225.000.000,00 AGO/93 2.317.000,00 - - - 2.317.000,00 OUT/93 1.180.251,66 - - - 1.180.251,66 NOV/93 8.709.515,30 - - - 8.709.515,30 DEZ/93(*) 4.974.000,00 14.792.073,66 - - 19.766.073,66 JAN/94 - 134.482.298,65 24.253.719,28 81.415.781,87 240.151.799,80 JAN/94(") - 22.325.405,68 - O 22.325.405,68 FEV/94 - 75.394.845,49 34.126.511,05 422.599.769,00 532.121.125,54 FEV/94(*) 12.982.910,00 48.486.125,47 - - 61.469.035,47 MAR/94 7.028.000,00 - 55.999.713,04 84.449.397,00 147.477.110,04 ABR/94 - - 72.929.780,42 - 72.929.780,42 ABR/94 68.304.120,00 338.299.850,06 - - 406.603.970,06 MAI/94 - - 103.815.941,99 831.184.185,21 935.000.127,20 MAI/94 92.742.425,09 - - - 92.742.425,09 JUN/94 340.484.286,73 158.325.296,57 - 498.809.583,30 JUN/94 147.733.000,00 - 147.733.000,00 JUL./94 - 47.610,68 13.175,35 - 60.786,03 JU1i94(*) 50.603,00 38.068,80 88.671,80 AGO/94 - - - - - SET/94 - - - - - OUT/94 - 105.306,50 - 44.443,37 149.749,87 NOV/94 - - - 483.025,00 483.025,00 NOV/94 15.000,00 - - - 15.000,00 DEZ/94 93.000,00 698.747,48 - - 791.747,48 TOTAIS 7.277.129.825,05 986.154.619,20 449.464.137,70 1.420.176.601,45 10.132.925.183,40 r) NOTA: Multa qualificada de 150% para bases de cálculo assinaladas em negrito. OMISSÃO DE RECEITAS - SEQUENCIA MÊS/ANO OMISSÃO DE EXCLUIDA NA TRUBUTAÇÃO EXCLUÍDA NESTA TRIBUTAÇÃO RECEITAS DECISAO RECORRIDA MANTIDA DECISÃO MANTIDA JAN/93(*) O O O O O JUN/93 2.706.000.000,00 - 2.706.000.000,00 2.706.000.000,00 - JU1./93 4.225.000.000,00 225.000.000,00 4.000.000.000,00 2.640.000.000,00 1.360.000.000,00 , AGO/93 2.317.000,00 - 2.317.000,00 - 2.317.000,00 , OUT/93 1.180.251,66 1.180.251,66 - - - NOV/93 8.709.515,30 _ 8.709.515,30 425.000,00 8.284.515,53 1 D EZ/93(*) 4.974.000,00 - 4.974.000,00 4.974.000,00 - JAN/94 - - - - - JAN/94(*) - - - - - FEV/94 - - _ - - FEV/94(*) 12.982.910,00 - 12.982.910,00 - 12.982.910,00 MAR/94 7.028.000,00 7.028.000,00 - - - ABR/94 68.304.120,00 7.028.000,00 61.276.120,00 - 61.276.120,00 MAI/94 92.742.425,09 92.742.425,09 - - - JUN/94 147.733.000,00 147.733.000,00 - - - JULJ94 - - - - - JU1194(*) 50.603,00 - 50.603,00 6.131,00 44.472,00 , AGO/94 - - - - - , SET/94 - - - - - OUT/94 - - - _ - NOV/94 15.000,00 15.000,00 - - - r DEZ/94 93.000,00 - 93.000,00 - 93.000,0 TOTAIS 7.277.129.825,05 480.726.676,75 6.796.403.148,30 5.351.405.131,00 1.444.998.017,5 6. 4r)," i VALADARES DIESEL LTDA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS - SEQUÊNCIA MÊS/ANO DESPESA NÃO EXCLUIDA NA TRUBUTAÇÃO EXCLUÍDA NESTA TRIBUTAÇÃO COMPROVADA DECISAO RECORRIDA MANTIDA DECISÃO MANTIDA JAN/93(*) 11.000.000,00 - 11.000.000,00 11.000.000,00 - JUN/93 - - - - - JUL/93 - - - - - AGO/93 - - - - - OUT/93 - - - - - NOV/93 - - - - - DEZ/93(*) 14.792.073,66 14.792.073,66 - - - JAN/94 134.482.298,65 3.710.407,97 130.771.890,68 - 130.771.890,68 JAN/94(*) 22.325.405,68 22.325.405,68 - - - FEV/94 75.394.845,49 - 75.394.845,49 - 75.394.845,49 FEV/94(*) 48.486.125,47 26.410.576,45 22.075.549,02 3.475.549,02 18.600.000,00 MAR/94 - - - - - ABR/94 338.299.850,06 - 338.299.850,06 338.299.850,06 - MA1/93 - - - - - JUN/94 340.484.286,73 - 340.484.286,73 - 340.484.286,73 JUU94 47.610,68 - 47.610,68 - 47.610,68 JUL/94(*) 38.068,80 - 38.068,80 38.068,80 - AGO/94 - - - - - SET/94 - - - - - OUT/94 105.306,50 - 105.306,50 - 105.306,50 NOV/94 - - - - - DEZ/94 698.747,48 - 698.747,48 698.747,48 - TOTAIS 986.154.619,20 67.238.463,76 918.916.155,44 353.512.215,36 565.403.940,08 CORREÇÃO MONETÁRIA DO FINSOCIAL MÊS/ANO COR. MONETÁRIA EXCLUIDA NA TRUBUTAÇÃO EXCLUíDA NESTA TRIBUTAÇÃO DO FINSOCIAL DECISAO RECORRIDA MANTIDA DECISÃO MANTIDA JAN/93 O O O O - JUN/93 O O O O - JUL/93 O O O O - AGO/93 O O O O - OUT/93 O O O O - NOV/93 O O O O - DEZ/93 O O O O - JAN/94 24.253.719,28 O 24.253.719,28 24.253.719,28 - JAN/94 - O - - FEV/94 34126.511,05 O 34.126.511,05 34.126.511,05 - FEV/94 - O - - - MAR/94 55.999.713,04 O 55.999.713,04 55.999.713,04 - ABRI94 72.929.780,42 O 72.929.780,42 72.929.780,42 - MA1194 103.815.941,99 O 103.815.941,99 103.815.941,99 - JUN/94 158.325.296,57 O 158.325.296,57 158.325.296,57 - JUL/94 - O - - - JUL/94 13.175,35 O 13.175,35 13.175,35 AGO/94 - O - - SET/94 - O - - OUT/94 - O - - NOV/94 - O - - DEZ/94 - O - - / TOTAIS 449.464.137,70 O 449.464.137,70 449.464137,70 C.(7 VALADARES DIESEL LTDA. PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE MÊS/ANO GLOSA DE EXCLUIDA NA TRUBUTAÇÃO EXCLUÍDA NESTA TRIBUTAÇÃO PREJUÍZOS DECISÃO RECORRIDA - MANTIDA DECISÃO MANTIDA JAN/93 - - - - - JUN/93 - - - - - JUU93 - - - - - AGO/93 - - - - - OUT/93 - - - - - NOV/93 - - - - - DEZ/93 - - - - - JAN/94 81.415.781,87 20.538.794,27 60.876.987,60 60.876.987,60 - JUN/94 - FEV/94 422.599.769,00 - 422.599.769,00 422.599.769,00 - FEV/94 - MAR/94 84.449.397,00 - 84.449.397,00 84.449.397,00 - ABR/94 - - - MA1/94 831.184.185,21 - 831.184.185,21 831.184.185,21 JUN/94 - - JUU94 - - - - - JUU94 - - - - - AGO/94 - - - - - SET/94 - - - - - OUT/94 44.443,37 - 44.443,37 44.443,37 - NOV/94 483.025,00 - 483.025,00 483.025,00 - DEZ/94 - - TOTAIS 1.420.176.601,45 20.538.794,27 1.399.637.807,18 1.399.637.807,18 - PARCELAS EXCLUÍDAS NA DECISÃO 10 GRAU MÊS/ANO OMISSÃO DE DESPESAS NÃO COR. MONETARIA PREJUIZOS TOTAL EXCLUIDO RECEITAS COMPROVADAS DO FINSOCIAL COMPENSADOS DECISÃO RECORRIDA JAN/93(*) - - - - - JUN193 - - - - - JUU93 225.000.000,00 - - - 226.000.000,00 AGO/93 - - - - - OUT/93 1.180.251,66 - - - 1.180.251,66 - NOV/93 - - - - - DEZ/93(*) - 14.792.073,66 - - 14.792.073,66 JAN/94 - 3.710.407,97 - 20.538.794,27 24.249.202,24 JAN/94(*) - 22.325.406,68 - - 22.325.405,68 FEV/94 - - - - - FEV/94(*) - 26.410.576,46 - - 26.410.576,45 MAR/94 7.028.000,00 - - - 7.028.000,00 ABR/94 7.028.000,00 - - - 7.028.000,00 MAI/94 92.742.425,09 - - - 92.742.425,09 JUN/94 147.733.000,00 - - - 147.733.000,00 JUU94 - - - - - JUU94(*) - - - - - AGO/94 - - - - - SET/94 - - - - _ OUT/94 - - - - - NOV/94 16.000,00 - - - 15.000,00 DEZ/94 - - - - - TOTAIS 480.726.676,76 67.238.463,76 - 20.538.794,27 568.503.934,7 L., VALADARES DIESEL LTDA. PARCELAS EXCLUIDAS NA DECISÃO DE 20. GRAU MÊS/ANO OMISSÃO DE DESPESAS NÃO COR. MONETÁRIA PREJUÍZOS TOTAL EXCLUÍDO RECEITAS COMPROVADAS DO FINSOCIAL COMPENSADOS NESTA DECISÃO JAN/93(*) O 11.000.000,00 - - 11.000.000,00 JUN/93 2.706.000.000,00 - - - 2.706.000.000,00 JUL./93(*) 2.640.000.000,00 - - - 2.640.000.000,00 NOV/93(*) 425.000,00 - - - 425.000,00 DEZJ93(*) 4.974.000,00 - - - 4.974.000,00 JAN/94 - - 24.253.719,28 60.876.987,60 85.130.706,88 FEV/94 - - 34.126.511,05 422.599.769,00 456.726.280,05 FEV194(*) - 3.475.549,02 - - 3.475.549,02 MAR/94 - - 55.999.713,04 84.449.397,00 140.449.110,04 ABR/94 - - 72.929.780,42 - 72.929.780,42 ABR/94 - 338.299.850,06 - - 338.299.850,06 MA1/94 - - 103.815.941,99 831.184.185,21 935.000.127,20 JUN/94 - - 158.325.296,57 - 158.325.296,57 JUL/94 - - 13.175,35 - 13.175,35 JUL/94(*) 6.131,00 38.068,80 - - 44.199,80 OUT/94 - - - 44.443,37 44.443,37 NOV/94 - - - 483.025,00 483.025,00 DEZ/94 - 698.747,48 - - 698.747,48 TOTAIS 5.351.405.131,00 353.512.215,36 449.464.137,70 1.399.637.807,18 7.554.019.291,24 RESUMO FINAL MÊS/ANO BASE DE CÁLCULO EXCLUÍDA NA APÓS DECISÃO EXCLUÍDAS APÓS DECISÃO (*) AUTO DE INFRAÇÃO DECISÃO 1. GRAU RECORRIDA DECISÃO 2o. GRAU 2o. GRAU JAN/93 11.000.000,00 - 11.000.000,00 11.000.000,00 - JUN/93 2.706.000.000,00 - 2.706.000.000,00 2.706.000.000,00 - JUU93(*) 4.225.000.000,00 225.000.000,00 4.000.000.000,00 2.640.000.000,00 1.360.000.000,00 AGO/93(*) 2.317.000,00 - 2.317.000,00 - 2.317.000,00 OUT/93 1.180.251,66 1.180.251,66 - - - NOV/93(") 8.709.515,30 - 8.709.515,30 425.000,00 8.284.515,30 DEZ/93 19.766.073,66 14.792.073,66 4.974.000,00 4.974.000,00 - JAN/94 240.151.799,80 24.249.202,24 215.902.597,56 85.130.706,88 130.771.890,68 JUN/94 22.325.405,68 22.325.405,68 - - - FEV/94 532.121.125,54 - 532.121.125,54 456.726.280,05 75.394.845,49 FEV/94(**) - - - - 18.600.000,00 FEV/94(*) 61.469.035,47 26.410.576,45 35.058.459,02 3.475.549,02 12.982.910,00 MAR/94 7.028.000,00 7.028.000,00 - - - MAR/94 140.449.110,04 - 140.449.110,04 140.449.110,04 - ABR/94 72.929.780,42 - 72.929.780,42 72.929.780,42 - ABR/94(*) 406.603.970,06 7.028.000,00 399.575.970,06 338.299.850,06 61.276.120,00 MAI/94 935.000.127,20 - 935.000.127,20 935.000.127,20 - MA1194 92.742.425,09 92.742.425,09 - - - JUN/94 498.809.583,30 - 498.809.583,30 158.325.296,57 340.484.286,73 JUN/94(*) 147.733.000,00 147.733.000,00 - - - JUU94 60.786,03 - 60.786,03 13.175,35 47.610,68 JUU94(*) 88.671,80 - 88.671,80 44.199,80 44.472,00 OUT/94 149.749,87 - 149.749,87 44.443,37 105.306,50 NOV/94 483.025,00 - 483.025,00 483.025,00 - , NOV/94 15.000,00 15.000,00 - - - , DEZ/94(*) 791.747,48 - 791.747,48 698.747,48 93.000, O TOTAIS 10.132.925.183,40 568.503.934,78 9.564.421.248,62 7.554.019.291,24 2.010.401.957 (*) NOTA: As bases de cálculo assinaladas em negrito correspondem a infração, com multa de 150%. ,/-- (**) NOTA: A multa de lançamento de oficio foi reduzida de 150% para 75% na decisão recorrida (tributos e contribuições sobre a parcela de CR$ 18.600.000,00) Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10630.000819/2003-65
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: REFIS - ABRANGÊNCIA DA OPÇÃO - Abrangendo a opção pelo REFIS
somente débitos de IRRF e COFINS, e referindo-se a autuação a crédito tributário de CSLL, exsurge sua irrelevância para o desate da causa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA - PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - Não há se confundir procedimento administrativo fiscal com processo administrativo fiscal. O primeiro tem caráter apuratório e inquisitorial e precede a formalização do
lançamento, enquanto o segundo somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido processo legal, em sentido estrito, contraditório e ampla defesa são próprias do processo administrativo fiscal. Estando o lançamento amparado por farta documentação e tendo o mesmo descrito com clareza, precisão e de acordo com as formalidades legais, as infrações imputadas ao contribuinte, não há se falar em cerceamento de defesa a impor a nulidade do feito.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - PREJUÍZOS FISCAIS - COMPENSAÇÃO - LIMITAÇÃO - A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e base positiva do IRPJ, poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos calendários subseqüentes (arts. 42 e § único e 58, da Lei 8.981/95, arts 15 e 16 da Lei n. 9.065/95). Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Superior Tribunal
de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.
MULTA DE OFICIO - Nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, à falta de recolhimento tempestivo do tributo, é devida a exigência de multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Ausência de caráter confiscatório. Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - Não tendo sido declarada a
inconstitucionalidade do art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, é de ser mantido o lançamento de juros de mora calculados segundo a variação da taxa SELIC, mormente quando firmada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça por sua legalidade.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PERÍCIA - Descabe a realização
de prova pericial desnecessária.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 105-14.346
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Eduardo da Rocha Schmidt
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Recorrida : 1 a TURMA/DRJ em JUIZ DE FORA/MG Sessão de : 14 DE ABRIL DE 2004 Acórdão n° : 105-14.346 REFIS - ABRANGÊNCIA DA OPÇÃO - Abrangendo a opção pelo REFIS somente débitos de IRRF e COFINS, e referindo-se a autuação a crédito tributário de CSLL, exsurge sua irrelevância para o desate da causa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA - PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - Não há se confundir procedimento administrativo fiscal com processo administrativo fiscal. O primeiro tem caráter apuratório e inquisitorial e precede a formalização do lançamento, enquanto o segundo somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido processo legal, em sentido estrito, contraditório e ampla defesa são próprias do processo administrativo fiscal. Estando o lançamento amparado por farta documentação e tendo o mesmo descrito com clareza, precisão e de acordo com as formalidades legais, as infrações imputadas ao contribuinte, não há se falar em cerceamento de defesa a impor a nulidade do feito. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - PREJUÍZOS FISCAIS - COMPENSAÇÃO - LIMITAÇÃO - A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e base positiva do IRPJ, poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos calendários subseqüentes (arts. 42 e § único e 58, da Lei 8.981/95, arts 15 e 16 da Lei n. 9.065/95). Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. MULTA DE OFICIO - Nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, à falta de recolhimento tempestivo do tributo, é devida a exigência de multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Ausência de caráter confiscatório. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - Não tendo sido declarada a inconstitucionalidade do art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, é de ser mantido o lançamento de juros de mora calculados segundo a variação da taxa SELIC, mormente quando firmada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça por sua legalidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PERÍCIA - Descabe a realização de prova pericial desnecessária. Recurso improvido. Z5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RODOVIÁRIO RAMOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / CLÓVIS ALVE • RESIDENTE EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT RELATOR FORMALIZADO EM: 28 mAl 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: LUIS GONZAGA MEDEIROS NOBREGA, DANIEL SAHAGOFF, CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. 2 A- fi MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000819/2003-65 Acórdão n° :105-14.346 Recurso n° :138.895 Recorrente : RODOVIÁRIO RAMOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração originado de revisão das declarações de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), referentes aos períodos base 06/1998, 0612002 e 12/2002, por ter verificado a fiscalização que o contribuinte, ao apurar o lucro real do ano calendário de 1996, não teria observado o limite determinado pelos arts. 42 da Lei n. 8.981/95, e 15 da Lei n. 9.065/95, segundo os quais o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação pode ser reduzido, no máximo, em 30% (trinta por cento), em razão da compensação de prejuízos fiscais. Em decorrência dessa revisão, a fiscalização glosou os prejuízos fiscais informados e compensados pela contribuinte, apurando o crédito tributário constituído pelo auto de infração inaugural. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou tempestiva impugnação, onde, em síntese, alegou o seguinte: i) que teria aderido ao REFIS e incluído no parcelamento o crédito tributário objeto da autuação, de tal sorte que não poderia a fiscalização ter procedido à lavratura do auto de infração, eis que os pagamentos das parcelas devidas se encontram em dia; ii) que a manutenção da autuação, frente à adesão ao REFIS, importaria em enriquecimento injustificado pelo Fisco Federal; iii)que o auto de infração seria nulo, na medida em que não poderia a fiscalização ter-lhe exigido, antes da lavratura do auto de infração, que contestasse as alegações constantes do Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 18 de junho de 2003; iv)que o auto seria nulo, ainda, por cerceamento de seu direito de defesa, em razão de o prazo de 5 (cinco) dias para se manifestar sobre Termo de onstatação e Intimação Fiscal seria insuficiente; rir 3 si MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 v) que seria inconstitucional e ilegal a limitação à compensação de prejuízos fiscais imposta pela Lei n. 8.981/95; vi)que a multa de oficio aplicada teria feição confiscatória; vii)que seria ilegal a exigência de juros de mora calculados segundo a variação da taxa SELIC; Protestou o contribuinte, na peça impugnatória, pela produção de prova pericial contábil e documental suplementar, registrando, ao final, seu entendimento quanto à possibilidade de se debater, no processo administrativo, alegações de inconstitucionalidade das leis e atos normativos. O lançamento foi julgado procedente por acórdão da 1a Turma da DRJ em Juiz de Fora, assim ementado: "Assunto: Comnbuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL. Ano-calendina:1998, 2002 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGAT/VA. COMPENSAÇÃO Llitd/TE. Constatada a inobselvância do Ilinite de 30% na compensação da base de cálculo negativa da comnbuição, /79C9SS6/7» se faz a constituição do crédito inbutário mediante lançamento suplementar INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação da constitua/anã/Idade ou não de lei é de competência exclusiva do Poder Judiciado, devendo a autondade administrativa, apenas, em C0/7S0/7£§ fiClá COM o sistema júridico vente, utilizar-se da extensão dos eleitos da declaração de inconstitucional/dada, o que não se amolda às discussões da comnbuinte sobre a 4in/ilação da compensação de prejuízos, a adoção da taxa Selo no cálculo dos juros de mora, tão pouco no que concerne à multa de cilicia PEDIDO DE PER/C/A. INDEFERIMENTO. A al/SÓI7CÁ9 de motivação para a realização de perícia já que não havia o que se parquear acerca da /77£9M/7» pretendida, acarreta o indefeninento do pedido de peita». Lançamento Procedente." Contra referido acórdão interpôs o contribuinte recurso voluntário, onde, em suma, reseekd •s argumentos alinhavados em impugnação. É o relatório. ,5 4 a MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 VOTO Conselheiro EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, Relator Sendo tempestivo o recurso e estando o processo instruído com cópias do processo de arrolamento de bens, passo a decidir. Registre-se de inicio, conforme se verifica do demonstrativo de débitos consolidados no REFIS, acostado às folhas 271 a 273, que só estão abrangidos pela opção do contribuinte débitos de IRRF e COFINS, deixando patente, assim, que referida opção é irrelevante para o desate da causa. Não há se falar, outrossim, em nulidade do auto de infração pelo fato de, no curso da ação fiscal, a fiscalização ter solicitado esclarecimentos ao contribuinte e, para tanto, concedido prazo de 5 (cinco) dias. O exame de tal preliminar reclama a distinção dos conceitos de processo administrativo fisca/do de procedimento administrativo /iscai precisa na lição de JAMES MARINS: "Não pode ser confundido o processo administrativo tnbutánb com o procedimento administrativo labutá/7d ou procedimento fiscal Este á marcantemente risca/frete-mó' ou épurafónb' e tem por finallo'ade preparar o ato de lançamento, que é o momento em que o Estado exator formaliza sua pretensão Inbutáná (crédito) em face do comnbuinte. Após ta/ forma/fração é que pode ter lugar o processo administrativo, bastando para tanto que o coal/Ou/ince, lançando mão dos meibs de impugnação administrativos previstos, ofereça formalmente sua resistânciá á pretensão fiscal do Estado."' As garantias do contraditório e da ampla defesa, a vista do disposto no artigo 5°, LV, da Constituição Federal, são inerentes ao processo administrativo, não ao procedimento administrativo fiscal, de caráter primordialmente inquisitório, de sorte que, tendo o lançamento sido instrumentalizado por auto de infração descrito de forma clara as infrações imputadas ao contribuinte, facultando-lhe plena defesa. Não há se falar em reanulidade do lançamento por cerceamento de defesa. _402-5 Direfro Processual Tributário Brasileiro, 2a ed., Dialética, p. 92 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 A jurisprudência, em casos similares, se firmou pela ausência de cerceamento do direito de defesa a demandar a decretação da nulidade do feito, como se vê dos seguintes julgados: "/RPF - PRELIMINAR DE NULIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Só se cogita da nulidade do alo praticado pela autoridade administrativa, quando presentes os pressupostos o'ispostos no On. 59 do Decreto n° 70235/72 Assiin, em havendo no lançamento informações e justificativas que permitem ao contnbuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, não há que se falar em nu/idade do lançamento por cerceamento ao o'ireito de defesa. (Ac. 102-45766, Rel. Cons. Valmir Sandri). "NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - DILIGÊNCIAS - FASE FISCALIZA TÓRIA. Somente a partir da /avratura do auto de infração é que se Instaura o Ogro entre o fisco e o coninbtonte, podendo-se, então falar em ampla defesa ou cerceamento de/a, sendo improcedente a prekninar de cerceamento do ofreito de defesa quando concedidas, na fase de instrução e de impugnação, amplas oportunidades de apresentar documentos e esclarecimentos. Ao'emals, se o contnbuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciesa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de médio, descabe e pro,00sl?ão cerceamento do dii-eito de defesa. (..)." (Ac. 104-19122, Rel. Cons. Nelson Mallmann) " //FPI - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DO PROCEDIMENTO - OMISSÃO DE RECEITAS - M/CROEMPRESA - LUCRO PRESUMIDO - ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONAL/040E DE LEI Na fase procedimental do processo administrativo fiscal predomina o ,onncao da inquisitonedade,. o contrao'dódo e a ampla defesa somente podem ser invocados na fase processual seguinte, depois de fonnalkao'a a acusação fiscal (../ (Ac. 105-13984, Rel. Cons. Maria Amália Fraga Ferreira) "NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do diodo de defesa quando no auto de infração constam as itregulandades fiscais descidas de forma clara e os dispositivos legais indicados dão supode ao lançamento. (..)? (Ac. n° 107-06777, Rel. Cons. Niael Martins) 6 g-5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 "PROCESSO ADMINISTRA T/1/0 FISCAL - NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - Improcede a alegação de cerceamento do dfreito de defesa quando o procedimento fiscal fundamentou-se em levantamento realizado junto aos fornecedores da fiscalizada e, akda, tendo o fisco juntado aos autos elementos de prova. (..)." (Ac. 107.04745, Rel. Cons. Francisco de Assis Vaz Guimarães) Nestas condições, tenho por improcedente a preliminar de nulidade do auto de infração. Quanto ao mérito, em que pese o meu entendimento particular de que a limitação à compensação de prejuízos fiscais imposta pelas Leis n. 8.981/95 e 9.065/95 desnatura o conceito de renda adotado pela Constituição Federal e pelo art. 44 do CTN, impondo a tributação sobre valores que não configuram acréscimo patrimonial, curvo-me à jurisprudência da 1 a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, firmada em sentido contrário, pela constitucionalidade e legalidade da trava, para julgar improcedente a pretensão do contribuinte neste particular. Confiram-se, a propósito, as seguintes ementas: "/RPJ - PREJaZOS FISCAIS - COMPENSAÇÃO - LIMITAÇÃO - saldo acumulado de prejufros fiscais em 31/12/94, bem como os preju&os gerados a pailk- de janefro de 1995 sofrem a liMitação de compensação de 30% do lucro real antes das compensações impostas pela Lei 8981/95 Recurso especial a que se nega provimento." (Acórdão CSRF/01-04.483) "TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - Medida Provi:só/7» n. 812, de 31/12/94, conveitida na Lei n. 8981/95 Artigos 42 e 58, que reduziram a 30% a parcela dos prejulkos sociais, de exercícios antenbres, suscetível de ser deduzida do lucro toai para apuração dos tnbutos em referência. Alegação de ofensa aos p/7»40k2S da antenbridade e da tretroatMdade." (Acórdão CSRF/01-04.332) "/RPJ - COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS - LIMITAÇÃO DE 30% - APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS Ars. 8981 E 9.065 DE 1995 - A limitação da compensação de prejuízos fiscais . e da base negativa do NP], determi»ada pelas Leis n. 8.981 e 9.065 de 1995 não violou o direito adqui»do, de vez que o fato gerador do imposto de 7 g5 J MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 renda só ocorre após o transcurso do período de apuração que coincio9 com o término do exercício financeiro. A /cedk do ano calendánd de 1995 o lucro líquido ajUstado e base positiva do /RPJ, poderão ser reduzidos por compensação do forejuiZo e base negativa, apurados em períodos bases entoa-ores em, no máxiino, /Miá por cento. A compensação da parcela dos ,orejuikos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos calencládos subseqüentes (a/Is. 42 e 45Ç único e 58, da Lei 8981/95, aits 759 16 o's Lei /7. 9.065/95)" (Acórdão CSRF/01-04.094) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIMITAÇÃO IMPOSTA COM O ADVENTO DA LEI N°8987/95 LEGALIDADE - A /imitação de compensação de preaos resultantes do balanço das empresas, em face da Lei n°8987/95 não é dega‘ porquanto não houve vedação acerca da dedução, tão somente o escalonamento, em atenção ao interesse públiCo, reduzindo o impacto fiscal - Precedentes desta Code. - Agravo regknental knprovida" (AGRESP 429730/RJ, 1 8 T., Rel. Min. Francisco Falcão, DJU 21.10.2002, p. 292) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO- LIMITAÇÕES DAS LEIS 8.981/95 E 9.065/95 1. Não se vislumbra violação ao ad. 535 do CPC se o acórdão recorndo analisou devidamente a questão e adotou fundamentação que lhe pareceu adequada e suficiente à so/ução da controversie. 2 Legalidade das limitações previstas nas Leis 8.981/95 E 9.065/95 - Precedentes. 3. Recurso espeaál knprovio'o." (RESP 485996 / SP, r T., Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 02.06.2003, p. 287) "EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N°872; DE 31.7294 CONVERTIDA NA LEI N° 8981/95 ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZ/RAMA 30% A PARCELA DOS PREJUÍZOS SOCIAIS, DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, SUSCETÍVEL DE SER DEDUZIDA NO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROAT/V/DADE. D‘oloma normativo que (o/ editado em 31.1294 a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exerdab financeiro encerrado. Descabiinento da alegação de ofensa aos pancabs 8 er 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 antenbadade e da kretroatii4dade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à contdbuição sujeila que está à alil9/7;9/10'8019 nonagesiMal previSta no art 195, § 60 da Cf que não foi observado. Recurso conhecido, em pai/e, e nela provido." (RE 232.084/SP) A alegação de que a multa de oficio aplicada, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) teria "feição confiscatónã' não encontra amparo na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que em casos similares se manifestou pela proporcionalidade da multa de oficio aplicada: "EMENTA: TRIBUTÁRIO CORAIS PARCELAMENTO. JUROS MULTA DE 80% ALEGAÇÕES DE EFEITO CONFISCATóRIO, USURA, E DESRESPEITO AOS PRINCIPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DA 7SONOM/4. Alegações improcedentes, em face da legislação que rege a matána, visto que as comMações knoostas à contilbuliile, por melb lançamento de otibib, decorrem do fato de haver-se ela omitido na declaração e recolhimento tempestivos da contnbuição, assentando o Supremo Tabunal Federal, por outro lado, que a norma do ati. 192; § 3.°, da Cada Magna, não é auto-aplicável Recurso não conhecido." (RE 241.074-2/RS, 1 a T., Rel. Min. limar Gaivão, DJU de 19.02.2002) Do voto condutor do Ministro ILMAR GALVÂO se extrai o seguinte e elucidativo excerto: "No concernente ao argüido efeito confiscalódo da multa, não resultou ele demonstrado, não se podendo ter razoave/mente por tal a pena/idade imposta ao recorrente, por haver—se omitido na declaração e recolhiMento da contribuição no tempo devido." "Indemonstrada, do mesmo modo, restou a alegação de quebra da iSonomia, sendo cedo que a Lei n.° 8.218/91, no ad 4°, 1, que cuida da ~tese de lançamento de otibib, por falta de recolhimento, de falta de declaração e de declaração Mexa/a, nenhuma distkção faz entre coa/aba/ides de qualquer espécie." Referido julgado se encontra em sintonia com o abalizado entendimento de EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO, que, amparado no princípio da razoabilidade- --F 9 --‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000819/2003-65 Acórdão n° : 105-14.346 proporcionalidade, afirma que o valor do tributo inadimplido seria o limite da sanção tributária, o qual, ultrapassado, faria a sanção assumir natureza confiscatória: "Parece-nos que existe um limite máximo que do montante do tabulo devido. De fato, as sanções tabu/anás ,oecunialias não têm o caráter ressarci/6.M de cedas penas porque são aplicadas a despeito da devida reparação, ou seld são exigidas a o'espeilo do cumprimento da obngação Inbutána, a teor do disposto no art. 157 do CTN. Logo, a exigência da penalidade não exclui a exigência do ressarcimento do tributo envolvido, e, portanto, segue-se que a penalidade deve sempre guardar uma proporção ao dano e nunca deve ser algo maibr que ele posto que o dano pnbc4bal será reparado com o pagamento. A ,oroporciónalidade da pena pacumã/Ás em relação à lesão ao ,oatninónib estatal i»dica que ela deve ser — no máxiMo — igual ao montante do benefick que ~ator ~atou obter"2 Improcede também a alegação de que a exigência de juros calculados segundo a variação da denominada taxa SELIC seria ilegal, uma vez realizada em estrita observância do disposto no artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/1995. Como referido dispositivo legal não teve sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, tenho por inviável, nos estreitos lindes do contencioso administrativo, afastar-lhe a aplicação, por faltar competência a este Colegiado para afastar a aplicação de lei ao argumento de sua inconstitucionalidade, conforme reconhecido por pacífica jurisprudência administrativa, como já decidiu a 1° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "TAXA SEL/X — /NCONST/TUC/ONAL/DADE. A taxa SEL/C pela Lei n. .9250/95 adigo 39, parágrafo 4: goza da presunção de constitticiónakbade. Vedado aos órgãos do Poder Executivo a atabuição de poderes jdn:so'iciónaLs. Recurso provido." (Acórdão CSRF/01-03.387) Ademais, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se firmou pela legalidade da a exigência de juros calculados segundo a variação da denominada taxa SELIC, como se vê das ementas a seguir transcritas: 2 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Infrações e Sanções 7?"-ibutárias, Dialética, 2003, p. 90. e1° r- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10630.000819/2003-65 Acórdão n° :105-14.346 "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. JUROS TAXA SEL/C. LEI 1/0 .9250/95 PRECEDENTES 1 Agravo reg/Mente/ contra decisão que conheceu de agravo de irnstiumento para dar ,oarciel provánento ao recurso especial da ,oade agravante apenas quanto à questão da res,00nsabilfração recorrente no que atine aos débitos thbutános da sociedade dissolvida, mantendo-se, no entanto, a aplicação dos juros pela Taxa SEL/C: 2 Adota-se, a partir de >o de jenefro de 1994 o &17: 39, 5S1 4`' da Lei n° 9.250, de 26/12/95 pelo que os juros devem ser calculados, após tal data, de acordo com a revenda /ei que inclui para a sua afeitão, a correção monetáne do período em que ela foi apurada. 3 A aplicação dos Atros, casu, afasta a cumulação de qualquer irnclibe de correção monetáne a pai/ir de sua irncietêncie Este fator de atualização de moeda já se encontra considerado nos cálculos fixadores da retende taxa. Sem base lega/ a pretensão do Fisco de só ser seguido tal sistema de aplibação dos juros quando o coo/abei/Me requerer admirnistrativamente a compensação. Impossível ao intérnprele acrescer ao texto legal condição nela inexistente. Precedentes desta Cone Supenoi: 4 Agravo reg/Menta/ não provido." (AGA 528058 / MG, 1 a T., Rel. Min. José Delgado, DJU de 02.02.2004 p. 281) "PREQUESTIONAMENTO - OCORRÊNCIA - CAUSA DECIDIDA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO - SEL/C - JUROS DE il/fORA- APLICAÇÃO - DÉBITOS FISCAIS - ART 557 DO CPC. 1. A 651110/7W» do ,orequestionamento reside na cláusula 'causas decididas '(CF aiÉ >05 íilj 0k-se prequestionado o dispositivo de Lei Federa/ objeto de decisão no acórdão recambio. É preciso decisão sobre a essénae ato. A menção /711/176/1Ca é dispensável 2 Na judsprudêncie do STJ épacífica a aplicação da SEL/C, como juros de mora, aos débitos fiscais. Nesses casos, o aiÉ 557 do CPC autonka a decisão, un‘oessoaI do Relator 3. Regimental iM,orovibb." (ADRESP 455861 / PR, 1 a T., Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU de 15.12.2003, p. 192) "PROCESSO CIVIL - EXECUÇÃO FISCAL: EMBARGOS DO DEVEDOR- APLICAÇÃO DA SEL/C- PRESCRIÇÃO 1. Esta Corte pacificou entendimento quanto á legalidade da Taxa Seíic, a qual contabiliza correção monetáne e juros moratónes (precedentes múlt‘aos). Z11 529 é---' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n 0 : 10630.000819/2003-65 Acórdão n° :105-14.346 2 A ,orescitção da ação de cobrança do »mosto lançado por homologação tem sido aplicada ou afastada sem controvérsias, contando-se o termo a quo a data da constituição definitiva e o termo ao' quem a data da citação. 3. Paradigmas que são /27SO/V/1/9/.5; por refenrem-se à ,orescitão intercoirente. 4 Recurso especiáhin,orovido." (RESP 512508 / RS, r T., Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 15.12.2003, p. 266) "RECURSO ESPECIAL - ALÍNEAS 'A" E "C"- EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - CDA - CRITÉRIO DE CÁLCULO DOS JUROS DE MORA - TAXA SELIC - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURA- DA - SÚMULA 83/STI É tirme a onentação deste Soo/alicio no sentido da apticabllidade Taxa SEL/C para a cobrança de débitos fiscais, entendimento consagrado recentemente pela egrégiá Pnineira Seção quando do j2dgamento dos ERESPS 291.257/SC, 399.497/SC e 425709/SC, Re/ator MiniStio Luiz Fax, j 1405031 Recurso es,oec/9/ não provido." (RESP 443343 / PR, r T., Rel. Min. Franciulli Netto, DJU de 24.11.2003, p. 252) Por fim, não é de ser acolhido o pedido de realização de perícia, haja vista se tratar de prova absolutamente desnecessária para o deslinde da controvérsia, por se tratar de questão de direito. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 14 de abril de 2004. ?tu- o. -1-2,(1— EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT 12 Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10620.000665/2004-10
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2006
Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A teor do artigo 10, §7º da Lei n.º 9.393/96, modificado pela Medida Provisória nº. 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade.
NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA “A”, DA LEI N° 9.393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE RESERVA LEGAL.
Numero da decisão: 303-33.437
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tarásio Campeio Borges, relator. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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MINISTÉRIO DA FAZENDA'arj •••ege:n? TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • "? TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10620.000665/2004-10 Recurso n° : 132.715 Acórdão n° : 303-33.437 Sessão de : 16 de agosto de 2006 Recorrente : V&M FLORESTAL LTDA. Recorrida : DREBRASILIAMF ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARE). A teor do artigo 10, §7° da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória n°. 2.166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N° 9.393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE 110 RESERVA LEGAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tarásio Campeio Borges, relator. Designado para redigir o voto o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. OLoelj. ANELISE DAUDT PRIET Presidente • Ia0N LUI ARTOLI Relator Designado Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Zenaldo Loibman, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa e Luis Carlos Maia Cerqueira (Suplente). Ausente o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Presente o Procurador da Fazenda Nacional Leandro Felipe Bueno Tiemo. DM P rs Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Brasília (DF) que julgou procedente o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) relativo ao fato gerador ocorrido no dia 1° de janeiro de 2000, bem como juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa proporcional (75%, passível de redução), inerentes ao imóvel denominado Fazenda São Jerônimo, NIRF 631.175-0, localizado no município de João Pinheiro (MG). Segundo a denúncia fiscal (folhas 3, 7 e 8), a exigência decorre da glosa da área de utilização limitada declarada e não comprovada mediante a apresentação da matrícula do imóvel com a tempestiva averbação da reserva legal. • Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 34 a 41, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: - a falta de averbação não altera a realidade de que a empresa possui áreas de reserva legal, de grande interesse ecológico e que vêm sendo preservadas, já que nenhuma atividade é nelas desenvolvida; transcreve trecho extraído do Manual de Instruções para Preenchimento do ADA de 1997, bem como o art. 1° do Código Florestal; - o importante, quando se fala em isenção do ITR, é a existência da área preservada, não passando a sua averbação de mera formalidade; - as averbações feitas em 06/06/2001, Oreconhecidas e citadas no auto de infração, provam a efetiva existência de tal área antes de 01/01/2000, pois não se cria uma "floresta" de um dia para o outro; - a lei que confere a isenção deve ser interpretada pelo método lógico final, de acordo com a vontade do legislador: - preservar áreas naturais deixando um ambiente saudável e duradouro para as próximas gerações; dessa forma, a isenção vem para incentivar um maior número de áreas preservadas; se não, por que mantê-las?; [sie] - I Data da averbação da reserva legal: 6 de junho de 2001. 2 . Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 ' . - considerando-se que as florestas são bens de interesse comum a todos os habitantes do país (artigo 1° do Código Florestal), que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (Constituição Federal de 1988, artigo 225, "caput") e observadas as disposições contidas no artigo 217 da Lei 6.015/1973, temos que qualquer pessoa deverá provocar a averbação da área de interesse ecológico, de forma que a falta de averbação (hoje já suprida) não é responsabilidade apenas da contribuinte, mas de todo o cidadão e, principalmente, do Ministério Público, corroborando seu entendimento com jurisprudência do TJSP; - também, fica impugnada a multa proporcional e os juros de mora cobrados, já que a declaração do ITR não foi entregue fora do prazo nem continha inexatidões ou fraudes, nos termos da Lei 9.393/1996; - não se pode apenar a requerente por ter averbado posteriormente a referida área, já que sempre atingiu o objetivo da lei: - a preservação das florestas e matas. - nesse sentido, tece comentários sobre decisão do Conselho de Contribuintes, que deu provimento a seus recursos em outros processos (fls. 56/69), tendo o fim teleológico da lei sido obtido; também, transcreve ensinamentos de Maria Helena Diniz, além do art. 11 da Lei n°8.847/1994 e do art. 10 da Lei 9.393/1996, argüindo a tese de que a área de reserva legal só poderia ser glosada por meio de prova material de sua inexistência, não apresentada pela SRF. Por fim, requer a impugnante que o auto de infração seja julgado improcedente e, em conseqüência, seja extinto o crédito fiscal, bem como a multa e os juros moratórios, que o • acompanham. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. Para ser excluída da tributação, a área de reserva legal deveria estar averbada à margem do registro imobiliário do imóvel, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação pertinente. DA MULTA E DOS JUROS DE MORA. SV-Zr: 3 Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR, cabe exigi-lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Brasília (DF), recurso voluntário é interposto às folhas 84 a 94. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Instrui o recurso voluntário, dentre outros documentos, o arrolamento de bem imóvel de folha 95. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou os autos para este Conselho de Contribuintes no despacho de folha 112. Os autos foram distribuídos a este conselheiro em único volume, processado com 113 folhas. • É o relatório. N • 4 \I? Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 VOTO VENCIDO Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Relator Conheço o recurso voluntário interposto às folhas 84 a 94, porque tempestivo e com a instância garantida mediante arrolamento de bem imóveis cuja suficiência foi aferida pela autoridade preparadora. Conforme relatado, a lide é restrita à glosa da área de utilização limitada (reserva legal), matéria dependente da produção de prova documental. É certo que a Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, no seu artigo 10, § 1°, inciso II, alínea "a", permite excluir da área total do imóvel as áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração do ITR. Contudo, vincula ao Código Florestal2 tudo o quanto diga respeito a tais áreas excluídas. Inicialmente vale lembrar que na vigência da Lei 9.393, de 1996, o contribuinte do tributo está obrigado a apurar e a promover o pagamento do valor devido, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Receita Federal. Mas é exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações enquanto não consumada a homologação. Logo, no caso concreto, ocorrido o fato gerador do ITR, sendo exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária, enquanto não consumada a homologação, o ônus da prova da veracidade de suas declarações, sempre que provocado pela administração tributária deve o contribuinte comprovar a existência da dita área de reserva legal para dela afastar a incidência do tributo. Buscarei, então, identificar o instrumento necessário para tornar evidente a existência da área de reserva legal declarada e controvertida.• A solução, no meu sentir, está contida no Código Florestal, mais precisamente no § 2° do artigo 16, introduzido pela Lei 7.803, de 18 de julho de 1989, ao determinar expressamente: "a reserva legal [...] deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente [...]3. 2 Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965. 3 A determinagào contida no § 2° do artigo 16, do Código Florestal, introduzido pela Lei 7.803, de 1989, foi posteriormente deslocada para o § 8° pela Medida Provisória 2.166-65 e convalidada pela Medida Provisória 2.166-67, ambas de 2001. 5 • Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 É cediço que o Código Florestal não fixou prazo para o proprietário agir, creio, no entanto, que definiu a averbação como única forma de vincular o titular do imóvel às restrições impostas para a utilização da área de reserva legal. Ora, se determinado beneficio é oferecido e como contrapartida exige a instituição de uma área de reserva legal ou se o Estado nacional desonera a tributação da área de reserva legal dos imóveis rurais, indubitavelmente nenhum dos supostos direitos pode ser reivindicado sem a prévia averbação da área à margem da matrícula. Conseqüentemente, tenho por certo que a matrícula com a dita área averbada previamente à ocorrência do fato gerador do tributo é imprescindível para demonstrar a legitimidade da área de reserva legal declarada. Isso porque assim como inexiste propriedade imobiliária° sem a prévia matrícula no cartório de registro de imóveis, não há que se falar em reserva • legal sem a prévia averbação da área à margem daquela matrícula. Essa é a lógica da definição de reserva legal contida do Código Florestal, exposta neste voto. Muito mais do que preservação do meio ambiente por mera liberalidade do proprietário ou possuidor do imóvel rural, o aspecto teleológico da reserva legal, situação jurídica, é a garantia da preservação inclusive nos casos de transmissão do domínio ou desmembramento do imóvel rural. Reserva legal é uma espécie do gênero preservação do meio ambiente. Antes da averbação à margem da matrícula pode existir preservação mas não existe a reserva legal. Esta é hipótese de não-incidência do ITR; aquela somente será excluída da tributação se enquadrada no conceito e atender às restrições de outras das espécies s enumeradas no inciso II do § 1° do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro ide 1996. Com respeito ao § 7° do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro • de 1996, introduzido ao texto legal pela Medida Provisória 1.956-50, de 2000, e convalidado pela Medida Provisória 2.166-67, de 2001, ele deve ser interpretado em consonância com o artigo 144 do CTN, segundo o qual: "o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Ora, se o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador, somente influi na apuração do tributo situações fáticas presentes na ocasião ou situações jurídicas definitivamente constituídas naquela data. 4 Propriedade imobiliária no sentido de direito de propriedade. Qualquer outro sentido atribuído à expressão distorce a racionalidade do pensamento exposto. 5 Área de preservação permanente, área de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas etc. • Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 Como entendo que a reserva legal é uma situação jurídica, ela somente pode ser excluída da área tributável se definitivamente constituída, vale dizer, averbada á margem da matrícula do imóvel rural, na data da ocorrência do fato gerador. Por conseqüência, interpreto o citado § 7° do artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, como dispensa de prévia comprovação das áreas no momento da declaração do tributo6. Todavia, por imposição das regras traçadas no Código Tributário Nacional, para exercer influência na apuração do tributo, não pode haver dispensa de futura comprovação da veracidade dos fatos nem da constituição definitiva das situações jurídicas na data da ocorrência do fato gerador. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 16 de agosto de 2006. • )/•°6 ,—;% • TARÁSIO CAM" PELO BORGES — Relator 411 6 Lei 9.393, de 1996, artigo 10, § 7°: A declaração [...] não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente[...] caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira [...]. (NR). 7 • Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 VOTO VENCEDOR Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, relator designado Constata-se da autuação inaugural a glosa da área declarada pelo contribuinte como de Utilização Limitada — Reserva Legal - ARL, diante do entendimento da fiscalização de que a averbação da referida área à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, se deu em 06/06/2001, o que seria extemporâneo, já que o fato gerador, in casu, se deu em 01/01/2000. Segundo o relatório fiscal, para efeitos de exclusão de ITR, esta averbação precisa ser efetuada até a data do fato gerador do tributo, no caso, • o 1 /01/2000. Para análise da questão atinente à área de utilização limitada — reserva legal, impõe-se anotar que a Lei n.° 8.847 7, de 28 de janeiro de 1994, dispõe serem isentas do ITR as áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (ARL), previstas na Lei n.° 4.771, de 15 de setembro de 1965. Trata-se, portanto, de imposição legal. Tenho assentado o entendimento, inclusive ratificado por unanimidade de votos pelos pares da Câmara Superior de Recursos Fiscais 8, de que basta a simples declaração do interessado para gozar da isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a", e "d", do inciso II, §1°, do artigo 10, da Lei n°. 9.393/969, entre elas as de Reserva Legal (ARL), insertas na alínea "a", diante da 7 i n.° 8.847, de 28 de janeiro de 1994 • Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I - de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n.° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n.° 7.803, de 1989; II - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente - federal ou estadual - e que ampliam as restrições de uso previstas no inciso anterior; III - reflorestadas com essências nativas. $ "ITR — ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL — A teor do artigo 100, §7° da Lei n°. 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.166-6712001, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. Nos termos da Lei n°. 9.393/96, não são tributáveis as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Recurso especial negado." — Acórdão CSRF/03-04.433 — proferido por unanimidade de votos. Sessão de 17/05/05 9 "Art. 10. § \k I - 8 Processo n° : 10620.00066512004-10 Acórdão n° : 303-33.437 modificação ocorrida com a inserção do §7010, no citado artigo, através da Medida Provisória n.° 2.166-67, de 24 de agosto 2001 (anteriormente editada sob dois outros números). Até porque, no próprio §7°, encontra-se a previsão legal de que comprovada a falsidade da declaração, o contribuinte (declarante) será responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos em lei, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Destaque-se que, em que pese à referida Medida Provisória ter sido editada em 2001, quando o lançamento se refere ao exercício de 2000, esta se aplica ao caso, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, que dispõe ser permitida a retroatividade da Lei em certos casos: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I — em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II — tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini- lo como infração; ... (destaque acrescentado) Por oportuno, cabe mencionar decisão proferida pelo E. Superior Tribunal de Justiça sobre a questão aqui tratada: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR 1.Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato 41 II - a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°. 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°. 7.803, de 18 de julho de 1989; b) c) d) as áreas sob regime de servidão florestal. I° § 72 A declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso 11, § 1 2, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (NR) 9 Processo n0 : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir §7° ao art. 10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do 1BAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, 1, do CTN, aplicar-se a fatos pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, • consoante §7°, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da ler maior. 4. Recurso especial improvido." (grifei) (Recurso Especial n°. 587.429— AL (2003/0157080-9),j. em 01 de junho de 2004, Rel. Mim Luiz Fux) E, citando trecho do mencionado acórdão do STJ: Com efeito, o voto condutor do acórdão recorrido bem analisou a questão, litteris: "6.) Discute-se, nos presentes autos, a validade da cobrança, mediante • lançamento complementar, de diferença de 1TR, em virtude da Receita Federal haver reputado indevida a exclusão de área de preservação permanente, na extensão de 817,00 hectares, sem observar a IN 43/97, a exigir para a finalidade discutida, ato declaratório do IBAMA. Penso que a sentença deve ser mantida. Utilizo-me, para tanto, do seguinte argumento: a MP 1.956-50, de 26-05-00, cuja última reedição, cristalizada na MP 2.166-67, de 24-08-01, dispensa o contribuinte, a fim de obter a exclusão do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, da comprovação de tal circunstância pelo contribuinte, bastando, para tanto, declaração deste. Caso posteriormente se verifique que tal não é verdadeiro, ficará sujeito ao imposto, com as devidas penalidades. io Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 Segue-se, então, que, com a nova disciplina constante de §7° ao art. 10, da Lei 9.393/96, não mais se faz necessário a apresentação pelo contribuinte de ato declaratório do IBAMA, como requerido pela IN 33/97. Pergunta-se: recuando a 1997 o fato gerador do tributo em discussão, é possível, sem que se cogite de maltrato à regra da irretroatividade, a aplicação do art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, uma vez emanada de diploma legal editado no ano de 2000? Penso que sim. É que o art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, não afeta a substância da relação jurídico-tributária, criando hipótese de não incidência, ou de isenção. Giza, na verdade, critério de in relação, dispondo sobre a maneira pela qual a exclusão da base de cálculo, preconizada pelo art. 10, §1°, I, do diploma legal, acima mencionado, é • demonstrada no procedimento de lançamento. A exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e da reserva legal foi patrocinada pela redação originária do art. 10 da Lei 9.393/96, a qual se encontrava vigente quando do fato gerador do referido imposto. Melhor explicando: o art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, apenas afastou a interpretação contida na IN 43/97, a qual, por ostentar natureza regulamentar, não criava direito novo, limitando a facilitar a execução de norma legal, mediante enunciado interpretativo. O caráter interpretativo do art. 10, §7°, da Lei 9.393/96, instituído pela MP 1.956-50/00, possui o condão mirífico da retroatividade, nos termos do art. 106, I, do CI7V: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: • I — em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;" Nesse ínterim, manifesto que tenho o particular entendimento de que a não averbação da área de reserva legal junto à matrícula do imóvel, ou sua providência após a ocorrência do fato gerador, como no caso presente, poderia, quando muito, caracterizar um mero descumprimento de obrigação acessória, nunca o fundamento legal válido para a glosa, mesmo porque, tal exigência não é condição ao aproveitamento da isenção destinada a tais áreas, conforme disposto no art. 3 0 da MP ti • '• Processo n° : 10620.000665/2004-10 Acórdão n° : 303-33.437 - . no. 2.166, de 24 de agosto de 01, que alterou o art. 10 da Lei n°. 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Outrossim, a efetiva existência da área de reserva legal restou comprovada diante da apresentação, pelo contribuinte, dos seguintes documentos: matricula do imóvel (fls. 19/22), na qual se encontra averbada, em 06/06/2001, uma área de 1.195,0 ha., declarada como de utilização limitada, além de Laudo Técnico (fls. 23/29), e Ato Declaratório Ambiental — ADA (fls. 30). Pelas razões expostas, não havendo fundamento legal para que sejam glosadas as áreas declaradas pelo contribuinte como de Reserva Legal (ARL), improcedente a autuação fiscal, destarte, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. • Sala das Sessões, em 16 de agosto de 2006. 124.-----CLuiz °lir— R;tor Designado.1.17 ic ‘ • 12 Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1
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