Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10630.000503/95-10
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 1998
Ementa: MULTA - APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A aplicação de penalidade decorre exclusivamente de lei. A apresentação espontânea mas fora do prazo da declaração de rendimentos, sem imposto devido, no exercício de 1995, dá ensejo à aplicação da multa prevista no art. 88, II, da Lei nº 8.981, de 1995.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-16027
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. VENCIDOS OS CONSELHEIROS ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO E JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA QUE PROVIAM O RECURSO.
Nome do relator: Leila Maria Scherrer Leitão
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199802
ementa_s : MULTA - APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A aplicação de penalidade decorre exclusivamente de lei. A apresentação espontânea mas fora do prazo da declaração de rendimentos, sem imposto devido, no exercício de 1995, dá ensejo à aplicação da multa prevista no art. 88, II, da Lei nº 8.981, de 1995. Recurso negado.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 1998
numero_processo_s : 10630.000503/95-10
anomes_publicacao_s : 199802
conteudo_id_s : 4159240
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 104-16027
nome_arquivo_s : 10416027_112288_106300005039510_007.PDF
ano_publicacao_s : 1998
nome_relator_s : Leila Maria Scherrer Leitão
nome_arquivo_pdf_s : 106300005039510_4159240.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. VENCIDOS OS CONSELHEIROS ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO E JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA QUE PROVIAM O RECURSO.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 1998
id : 4659233
ano_sessao_s : 1998
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:13:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378297704448
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-14T20:33:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-14T20:33:19Z; Last-Modified: 2009-08-14T20:33:19Z; dcterms:modified: 2009-08-14T20:33:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-14T20:33:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-14T20:33:19Z; meta:save-date: 2009-08-14T20:33:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-14T20:33:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-14T20:33:19Z; created: 2009-08-14T20:33:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-14T20:33:19Z; pdf:charsPerPage: 1291; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-14T20:33:19Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •;=,;.,:s.t.:‘' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000503/95-10 Recurso n°. : 112.288 Matéria : IRPJ - Ex: 1995 Recorrente : CARRO E ACESSÓRIOS LTDA. Recorrida : DRJ em JUIZ DE FORA - MG Sessão de : 20 de fevereiro de 1998 Acórdão n°. : 104-16.027 MULTA - APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A aplicação de penalidade decorre exclusivamente de lei. A apresentação espontânea mas fora do prazo da declaração de rendimentos, sem imposto devido, no exercício de 1995, dá ensejo à aplicação da multa prevista no art. 88, II, da Lei n°8.981, de 1995. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CARRO E ACESSÓRIOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Roberto William Gonçalves, José Pereira do Nascimento e João Luís de Souza Pereira que proviam o recurso. tel q.? - LEI .• MA- I • SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 1 7 ABR 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ELIZABETO CARREIRO VARÃO e REMIS ALMEIDA ESTOL. - - • -e„.. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000503/95-10 Acórdão n°. : 104-16.027 Recurso n°. : 112.288 Recorrente : CARRO E ACESSÓRIOS LTDA. RELATÓRIO Contra a empresa acima identificada foi emitida a Notificação de Lançamento, exigindo-lhe o crédito tributário no valor de 500 UFIR, relativo à multa prevista no artigo 88 da Lei n° 8.981, DE 1995, em decorrência da apresentação fora do prazo regulamentar da declaração do imposto de renda - pessoa jurídica. Em sua defesa inicial, a contribuinte, em síntese, solicita o cancelamento da notificação de lançamento, alegando, em síntese, que o artigo 138 do CTN exclui a cobrança daquela multa, no caso de denúncia espontânea, sendo, ainda, descabida a exigência por absoluta falta de amparo legal. Cita, ainda, o Acórdão 104-9.205, deste Primeiro Conselho de Contribuintes, no sentido de que não e aplica o artigo 138 do CTN aos casos de entrega intempestiva, espontaneamente, da declaração de rendimentos de microempresa. A autoridade julgadora de primeira instância mantém o lançamento sob os seguintes fundamentos, consubstanciados na ementa a seguir transcrita: "Cabível a aplicação da penalidade prevista no artigo 999, inciso II, alínea "a", c/c art. 984, do RIR/94m aprovado pelo Decreto 1041/94, com a alteração introduzida pelo artigo 88 da Lei n° 8.981, de 20-01-95, nos casos de apresentação da Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - DIRPJ fora do prazo regulamentar, quer o contribuinte o faça espontaneamente ou não." Ciente dessa decisão em 13.05.96, recorre a contribuinte a este Primeiro Conselho de Contribuintes, protocolizando sua defesa em 21.05.96. 2 k -k*V MINISTÉRIO DA FAZENDA...tf,. e? :.:1? PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000503/95-10 Acórdão n°. : 104-16.027 Como razões recursais, a contribuinte repisa os argumentos da defesa inicial, quanto à aplicação do art. 138 do CTN. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por seu representante legal, apresenta contra-razões às fls. 21I23, É o Relatório. 3 14. - • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000503/95-10 Acórdão n°. : 104-16.027 VOTO Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Relatora O recurso é tempestivo. Dele, portanto, conheço. O lançamento decorre da apresentação intempestiva da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, embora a apresentação tenha sido espontânea. O comando legal para a exigência da multa lançada encontra-se no artigo 88 da Lei n°8.981, de 1995, a seguir transcrito: "Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: II - à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido." § 1° O valor mínimo a ser aplicado será: b) de quinhentas UFIR para as pessoas jurídicas? Depreende-se, pois, estar a exigência em perfeita consonância com a legislação fiscal que a rege. Quanto ao argumento da recorrente em eximir-se da multa aplicável em face do disposto no artigo 138 do Código Tributário, entendo não merecer guarida. Ca' 4 •;.: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000503/95-10 Acórdão n°. : 104-16.027 Ao referir-se ao artigo 138 do CTN, o Representante da Fazenda Nacional, Procurador Sérgio Marques de Almeida Rolff tem se posicionado nos seguintes termos, a quem peço vênia para aqui transcrever seu arrazoado, in verbis: "Conforme textual disposição, o referido dispositivo afasta as penalidades pela denúncia espontânea da infração, desde que, se for o caso, seja acompanhada do pagamento integral do tributo devido, com juros e correção monetária - que nada acresce e apenas recompõe o valor da moeda - antes do início de qualquer medida ou procedimento fiscalizador relativo à infração denunciada, ou seja, afasta as penalidades e seus eventuais agravamentos que seriam ou poderiam ser aplicadas ou denunciante em decorrência de uma ação fiscal e diretamente relacionadas com a obrigação fiscal. Em suma, tal e qual muito bem comparou o sempre e atual e Mestre Aliomar Baleeiro, tal procedimento de denúncia, de confissão da infração pelo contribuinte, equivale ao arrependimento eficaz do Código Penal (Direito Tributário Brasileiro 10° Edição revista e atualizada - Forense, pág. 495/6). Tal procedimento não afasta, portanto, as penalidades decorrentes de atos anteriormente já praticados e tão somente imputáveis ao contribuinte e que decorram de atos comissivos ou omissivos seus, como é o caso das penalidades por retardamento ou descumprimento de obrigação fiscal. E isso porque deve ser anotado que, por princípio geral de direito e, tal qual comparado magistralmente pelo Mestre apontado, o agente infrator arrependido (no caso o contribuinte denunciante) deverá responder pelos atos já praticados, no caso, pela mora ou descumprimento já incorridos, sujeitando-se, portanto, a todos os seus jurídicos e legais efeitos (pagamento da multa devida). Ver de outra forma será dar tratamento injustificadamente beneficiado ao contribuinte faltoso, com apologia do procedimento de contumaz descumprimento dos prazos e obrigações fiscais, permitindo que fique ao arbítrio do contribuinte o se Quando e de aue forma pagar seus tributos e/ou prestar as informações já devidas por lei ao Poder Público sobre seus bens, atos e negócios (CTN 194/200), o que, por si só já configura ilegalidade e lesividade claras à Ordem e à Economia Públicas, sem embargo de tomar letra morta o princípio de direito, de ordem pública, que determina que toda obrigação deverá ter um tempo para o seu pagamento, sob pena de, à sua falta, a exigibilidade do cumprimento ser imediata (CC art. 952 e segs.). 5 0!" k. "*".• MINISTÉRIO DA FAZENDA Qt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..•-•=,,,-,\;"1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000503/95-10 Acórdão n°. : 104-16.027 princípio esse representado em matéria fiscal pelo artigo 160 do CTN, o qual determina que a lei fixará os prazos para as obrigações fiscais, sem o que será de 30 dias, findos os quais, serão devidos todos os acrescidos e penalidades legalmente previstas (CTN art. 161): (Destaques do original). Importa ainda destacar que o atraso na entrega de informações á autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo ao serviço público em última análise, que não se repara pela simples auto-denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior, sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. É inconteste a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. De se notar, entretanto, que a prevalecer a tese da impugnante, apenas se aplicaria a multa prevista no artigo 88 da Lei n° 8.981, de 1995, quando a infração fosse verificada no curso de procedimento fiscal, o que se contrapõe com a intenção do legislador que, com clareza, pretendeu distinguir duas situações distintas pela mesma sanção: a primeira, caracterizada pela falta de apresentação da declaração de rendimentos; e a segunda, pela sua apresentação fora do prazo fixado. Tal distinção, entendo, permite-nos demonstrar que a aplicação do referido dispositivo legal não pode ser entendida de forma tão restritiva como a que decorre da aceitação da premissa impugnatória. Na segunda situação, que é a dos autos, apenas ocorrerá se ausente qualquer procedimento fiscal, já que, em outra hipótese, a entrega não mais se dará de forma voluntária. Dessa forma, a figura da declaração entregue em atraso apenas existirá como tal quando a entrega, apesar de intempestiva, foi efetuada voluntariamente pelo sujeito passivo e sem que sobre ele esteja pesando qualquer ação fiscal. Por oportuno, é de todo conveniente o esclarecimento de que tributo alcança os impostos, taxas e contribuições de melhoria. Não pode haver TRIBUTO confiscatório. 6 -airf.ni MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000503/95-10 Acórdão n°. : 104-16.027 Penalidade não se enquadra no conceito de tributo, logo não há que se falar, nos autos, em confisco. Em face do exposto, entendo ser aplicável ao caso a multa exigida no lançamento. Voto, pois, pelo desprovimento do recurso. Sala das Sessões - DF, em 20 de fevereiro de 1998 40.*Z.L LEILA MA IA SCHERRER LEITÃO • 7 Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001111/2002-41
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – A não comprovação da ocorrência do negócio jurídico contratado enseja o lançamento com base no artigo 61 da Lei 8.981/95.
PRESUNÇÕES – Legais ou do homem, servem de suporte para o lançamento em matéria tributária desde que lastreadas nos quesitos de causalidade, gravidade, precisão e concordância, e na ausência de provas adicionais da ocorrência do negócio jurídico pelo Contribuinte.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-14.183
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa aplicada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido
Augusto Marques que davam provimento integral.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: José Carlos da Matta Rivitti
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200409
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – A não comprovação da ocorrência do negócio jurídico contratado enseja o lançamento com base no artigo 61 da Lei 8.981/95. PRESUNÇÕES – Legais ou do homem, servem de suporte para o lançamento em matéria tributária desde que lastreadas nos quesitos de causalidade, gravidade, precisão e concordância, e na ausência de provas adicionais da ocorrência do negócio jurídico pelo Contribuinte. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Sexta Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
numero_processo_s : 10630.001111/2002-41
anomes_publicacao_s : 200409
conteudo_id_s : 4194025
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 106-14.183
nome_arquivo_s : 10614183_135034_10630001111200241_017.PDF
ano_publicacao_s : 2004
nome_relator_s : José Carlos da Matta Rivitti
nome_arquivo_pdf_s : 10630001111200241_4194025.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa aplicada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido Augusto Marques que davam provimento integral.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
id : 4659446
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:14:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378299801600
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-26T19:53:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-26T19:53:05Z; Last-Modified: 2009-08-26T19:53:06Z; dcterms:modified: 2009-08-26T19:53:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-26T19:53:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-26T19:53:06Z; meta:save-date: 2009-08-26T19:53:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-26T19:53:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-26T19:53:05Z; created: 2009-08-26T19:53:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-08-26T19:53:05Z; pdf:charsPerPage: 1260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-26T19:53:05Z | Conteúdo => 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA r4v5;-.::;,•- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 4.ker-•.?-21? Processo n°. : 10630.001111/2002-41 Recurso n°. : 135.034 Matéria : IRF - Ano(s): 1997 Recorrente : VALADARES DIESEL LTDA. Recorrida : 1° TURMA/DRJ em JUIZ DE FORA - MG Sessão de : 15 DE SETEMBRO DE 2004 Acórdão n°. : 106-14.183 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — A não comprovação da ocorrência do negócio jurídico contratado enseja o lançamento com base no artigo 61 da Lei 8.981/95. PRESUNÇOES — Legais ou do homem, servem de suporte para o lançamento em matéria tributária desde que [astreadas nos quesitos de causalidade, gravidade, precisão e concordância, e na ausência de provas adicionais da ocorrência do negócio jurídico pelo Contribuinte. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VALADARES DIESEL LTDA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa aplicada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido Augusto Marques que davamgrovimento integral. JOSÉ 11. R :A S PENHA PRESIDil TE ( t ç Jpá 'CA" • DA MA A RIVITTI . . e;•:.&,.; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 FORMALIZADO EM: 2 5 OUT 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, LUIZ ANTONIO D PAULA, GONÇALO BONET ALLAGE e ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA. 2 .0MN.4. MINISTÉRIO DA FAZENDA lz PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 Recurso n° : 135.034 Recorrente : VALADARES DIESEL LTDA. RELATÓRIO Contra Valadares Diesel Ltda. foi lavrado Auto de Infração, em 24.09.02 (fl. 08 a 13), por meio do qual foi exigido crédito tributário decorrente de imposto de renda retido na fonte incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada no mês de novembro de 1.997, resultando em exigência fiscal no valor total de R$ 2.479.643,02, sendo R$ 718.341,50 exigidos a titulo de principal, R$ 683.789,27 a titulo de juros de mora e R$ 1.077.512,25 a titulo de multa, no percentual de 150%. Fundamentou a Fiscalização o Auto de Infração, nos seguintes fatos, em síntese: i)que na escrituração contábil da Recorrente, em 31.10.97, foi contabilizada Nota Fiscal emitida por Genaro — Gestão e Investimentos Ltda., pela prestação de serviços de consultoria mercadológica no valor de R$ 1.333.720,00, a débito de despesas agrupadas sob o título de despesas de funcionamento, a qual foi quitada em 12.11.97; ii) Em 29.07.02, a Recorrente entregou à Fiscalização documento de fls. 2/138 do Anexo aos autos, que consubstanciam Relatório de Consultoria Mercadológica; iii) Que os termos existentes naquele documento consistem em reproduções de diversos artigos publicados e disponíveis na rede mundial de computadores; 3 • ,;1:1;..; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •Fna::;*, Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° 106-14.183 iv) Os serviços de consultoria mercadológica de fato não ocorreram como caracterizado nos itens 24 a 28 do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 19 a 21); v) lmprestabilidade do documento apresentado como prova de sua realização; vi) Impõe-se a tributação do valor considerado como pagamento sem causa devidamente reajustado na forma do disposto no parágrafo terceiro do artigo 61 da Lei 8.981/95, sobre o qual incidiria a multa de 150%; Em sua Impugnação a Recorrente alega, em síntese: i) A Improcedência do lançamento em razão do pagamento ter sido efetuado a beneficiário devidamente identificado, tal como comprovam o Contrato de Prestação de Serviços (fls. 152 a 155), Fatura correspondente aos serviços prestados (fls 157), cheques (fls. 158 a 161), que atestam, ainda, a Comprovação da efetiva realização da operação; ii) Que, em respeito ao Princípio da Territorialidade não há como a fiscalização infirmar a identificação do beneficiário, a menos que invalidasse a documentação acostada aos Autos; iii) Que se tratou-se de operação legitima, realizada de acordo com os trâmites legais, inclusive com a remessa do valor para o exterior, tutelada pelo Bacen; iv) Que se encontrava em vigor o Decreto 69.393/71 que contempla o Tratado para Evitar Bi-Tributação entre Brasil e Portugal, com relação ao Imposto sobre a Renda; v) Que, por se tratar de lançamento decorrente de fiscalização de IRPJ e CSSL, consubstanciado no Processo Administrativo 4 Ai (I 1 _;;R:4;....s,, MINISTÉRIO DA FAZENDA e:St.:;nfe PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° :106-14.183 10630.001110/2002-04, reporta-se aos argumentos utilizados na defesa daquele auto (fls. 162 a 175), basicamente, consistentes em: a. da correta dedução das despesas de prestação de serviços, uma vez consubstanciada em contrato, fatura e documentos que comprovam a liberação de valores e respectivos recebimentos; b. a forma pela qual a fiscalização glosou a despesa carece de elementos fáticos uma vez que baseada exclusivamente na qualidade dos serviços prestados, posto que seu teor é absolutamente teórico, de amplitude genérica; c. que a natureza do serviço contratado se traduz em estudo sobre as diiversas formas de implementação sobre as novas políticas mercadológicas e de marketing, como consta do contrato de prestação de serviços, sendo esta a razão pela qual o parecer elaborado é de cunho amplo e genérico; d. no tocante ao fato do parecer mencionar datas posteriores à data do contrato de prestação de serviços, isto ocorreu em razão dos efeitos do contrato celebrado entre as partes não se limitam a um período determinado, conforme cláusulas 1.1. do Contrato que previa a disponibilização de pessoal e know how, relatório e informações sempre que requisitado pela Recorrente, sendo que aquele parecer não seria o único apresentado; e. com relação à afirmação de que os textos foram extraídos da rede mundial de computadores, afirmou que 5 1) 44 i.:Iti,.; MINISTÉRIO DA FAZENDA j VO, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 desconhecia tal prática e originou correspondência à prestadora dos serviços para que esclarecesse tal prática; f. a má qualidade dos serviços não seria elemento suficiente a afastar sua realização e necessidade de forma que estaria o Auditor a extrapolar usas funções; g. não teria sido comprovada a não realização dos serviços, uma vez que confirmou-se o dispêndio financeiro e sua contabilização; h. a despesa é necessária ao ramo de atividade da Recorrente e houve a porva da realização dos serviço conforme parecer. vi) A nulidade do lançamento em face do incorreto enquadramento legal, uma vez que há identificação do beneficiário do pagamento; vii) Inaplicabilidade da multa de 150%, uma vez que não comprovado intuito de fraude nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, e que todos os dados e demais elementos foram devidamente registrados na contabilidade, não tendo sido invalidado o contrato celebrado e muito menos a fatura, visto que houve o pagamento; viii) Inaplicabilidade da Taxa Selic. Na decisão de fls. 190 a 200, a 1° Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora entendeu por bem julgar o lançamento procedente, nos seguintes termos: 6 0,kitt.- MINISTÉRIO DA FAZENDA è5t',:r4g PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES nt*,:j,k,-), Processo n.° :10630.001111/2002-41 Acórdão n.° :106-14.183 i) os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros, quando não comprovadas a operação ou sua causa, sujeitam- se ao IRRF, sendo que não há como o contribuinte argüir o princípio da territorialidade, vez que, além da produção do rendimento ter se dado no Pais, inexiste prova sobre a tributação do respectivo valor em local que houvesse acordo sobre bi-tributação; ii) no contrato de prestação de serviços está expresso que a Contratante é empresa do ramo de comércio de veículos pesados e que a contratada possui experiência internacional, no entanto, não houve confirmação de tal informação; iii) chama atenção a localização da empresa (Funchal — Madeira- Portugal), paraíso fiscal, sem qualquer vocação no ramo de veículos; iv) o objeto do contrato visava a revisão das políticas comerciais adotadas e apresentação de novo modelo comercial, não se encontrando tais políticas no trabalho realizado; v) ainda que a prestadora não garantiria o resultado dos serviços, o desconhecimento de características e peculiaridades do mercado da contratante leva ao descrédito do trabalho de consultoria, uma vez que o tópico aspectos gerais de mercado não se presta a esse propósito, pois não especifica o mercado de atuação da contratante; vi) ainda assim foi pago valor de US$ 1.200.000, o qual se revela incompatível com o usual a ser pago por tal espécie de consultoria, à luz dos demonstrativos financeiros; vii) a vigência do contrato era de 60 dias, e 36 dias após a contratação o trabalho já havia sido realizado; viii) o favorecido dos cheques era o Banco Montevidéu; 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t.Pt 4k''fik-Wt Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 ix) não há outras provas nos autos referentes aos serviços pactuados, tais como fax, telex; x) causa estranheza a eleição do foro do contrato à luz da legislação Civil; xi) não constam nomes e assinaturas das testemunhas no contrato; xii) o mandatário da contratada e que assina o documento é residente no Uruguai; xiii) o parecer não faz referência à contratante; xiv) há indícios de forja do contrato de prestação de serviços com intuito de justificar a transferência de numerário para o exterior, visando beneficiário não identificado; xv) não teria havido a prestação dos serviços; xvi) há informações posteriores à data da prestação de serviços no parecer elaborado pela Contratada, o qual foi escrito em língua portuguesa sem qualquer termo próprio nativo de Portugal; xvii) Os documentos anexados para provar a continuidade da consultoria repetem o erro da designação da Sociedade (Ltda. ao invés de Lda.), registrando no rodapé endereço ocupado desde 12.02.99 pelo Banco Rural Europa S/A; xviii) Os acórdãos citados pela Recorrente não guardam relação com a hipótese constante nos autos, vez que os fatos e documentos traduzem certeza insofismável de que a referida despesa contabilizada não foi dirigida a transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, afastando a aplicação do artigo 242 do RIR194; xix) Quanto à aplicação da multa de 150%, denota-se a existência de fraude quando a Contribuinte escriturou despesas operacionais inexistentes, forjando contrato de prestação de 8 7,9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 serviços para alicerçá-las, portanto, correta a aplicação de multa no referido percentual; xx) No que tange à aplicação da taxa SELIC, para fins de cálculo dos juros moratórias, entendeu a Autoridade Julgadora de Primeira Instância que os juros moratórias não têm natureza de penalidade, e que não há qualquer óbice constitucional, sendo que o CTN outorga à Lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento; xxi) Em razão da máscara que se fez da operação, restou prejudicada a análise relativa ao Princípio da Territorialidade. De qualquer forma, não caberia invocar referido princípio quando os rendimentos são originários de fonte situada no país; xxii) Ademais, não teria trazido a Recorrente qualquer prova de que os rendimentos pagos teriam sido tributados pelo fisco português, a fim de se autorizar a aplicação do Tratado para Evitar a Bi-Tributação. Intimada em 27.02.03 (fl. 203), a Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 205 a 217), alegando em síntese que: (i) não houve exame das questões de mérito trazidas pela Recorrente em sua peça Impugnatória, em face das razões expostas às fls. 11 da Decisão de Primeira Instância, o que caracterizaria sua nulidade; (ii) o pagamento foi realizado a beneficiário devidamente identificado e a prestação de serviços está devidamente comprovada nos autos; 9 1ksi.ç=3,, MINISTÉRIO DA FAZENDA 0:c;f9.Ai PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES zkfP.J.snlz?pt>„ Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 (iii) em respeito ao Principio da Territorialidade não há como a fiscalização infirmar a identificação do beneficiário, a menos que invalidasse a documentação acostada aos Autos; (iv) tratou-se de operação legitima, realizada de acordo com os trâmites legais, inclusive com a remessa do valor para o exterior, tutelada pelo Bacen; (v) encontrava-se em vigor o Decreto 69.393/71 que contempla o Tratado para Evitar Bi-Tributação entre Brasil e Portugal, com relação ao Imposto sobre a Renda; (vi) por se tratar de lançamento decorrente de fiscalização de IRPJ e CSSL, consubstanciado no Processo Administrativo 10630.001110/2002-04, reporta-se aos argumentos utilizados na defesa daquele auto (fls. 162 a 175), basicamente, consistentes em: a. da correta dedução das despesas de prestação de serviços, uma vez consubstanciada em contrato, fatura e documentos que comprovam a liberação de valores e respectivos recebimentos; b. a forma pela qual a fiscalização glosou a despesa carece de elementos fáticos uma vez que baseada exclusivamente na qualidade dos serviços prestados, posto que seu teor é absolutamente teórico, de amplitude genérica; c. que a natureza do serviço contratado se traduz em estudo sobre as diiversas formas de implementação sobre as novas políticas mercadológicas e de marketing, como consta do contrato de prestação de serviços, sendo esta to / 4(1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 a razão pela qual o parecer elaborado é de cunho amplo e genérico; d. no tocante ao fato do parecer mencionar datas posteriores à data do contrato de prestação de serviços, isto ocorreu em razão dos efeitos do contrato celebrado entre as partes não se limitam a um período determinado, conforme cláusulas 1.1. do Contrato que previa a disponibilização de pessoal e know how, relatório e informações sempre que requisitado pela Recorrente, sendo que aquele parecer não seria o único apresentado; e. com relação à afirmação de que os textos foram extraídos da rede mundial de computadores, afirmou que desconhecia tal prática e originou correspondência à prestadora dos serviços para que esclarecesse tal prática; f. a má qualidade dos serviços não seria elemento suficiente a afastar sua realização e necessidade de forma que estaria o Auditor a extrapolar usas funções; g. não teria sido comprovada a não realização dos serviços, uma vez que confirmou-se o dispêndio financeiro e sua contabilização; h. a despesa é necessária ao ramo de atividade da Recorrente e houve a porva da realização dos serviço conforme parecer. (vii) A nulidade do lançamento em face do incorreto enquadramento legal, uma vez que há identificação do beneficiário do pagamento; . . ..,„... MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 (viii) Inaplicabilidade da multa de 150%, uma vez que não comprovado intuito de fraude nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, e que todos os dados e demais elementos foram devidamente registrados na contabilidade, não tendo sido invalidado o contrato celebrado e muito menos a fatura, visto que houve o pagamento; (ix) Inaplicabilidade da Taxa Selic. É o Relatório. i 12 1 ja.:(4 ; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESze,pr;Ztt- 44,,t;:i>r>, Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive com apresentação de arrolamento, devendo, portanto, ser conhecido. Quanto à Preliminar de que não houve exame das questões de mérito trazidas pela Recorrente em sua peça Impugnatória, em face das razões expostas às fls. 11 da Decisão de Primeira Instância, o que caracterizaria sua nulidade, entendo não cabível porquanto o próprio julgador de primeira instância trouxe no corpo da decisão, as questões relativas a multa de ofício, qualificada e taxa Selic, ainda que de empréstimo da decisão referente ao Processo Administrativo 10630.001110/2002-04. Quanto ao mérito, de um lado tem-se claramente que a Fiscalização, para ensejar a atividade lançadora, como se verifica do Relatório de Verificação Fiscal, depreendeu, em apertada síntese, que a prova material da prestação dos serviços, consistente no documento de 137 páginas (fis 2 a 138 do Anexo), não seria hábil a comprovar a realização do negócio jurídico contratado ou não seria a causa (motivação) desse negócio jurídico. Sendo assim, tipificou o ilícito tributário no artigo 61 da Lei 8.981/95, do que decorre, inclusive, a necessidade de reajustamento da base de cálculo sobre a qual recai o imposto. De outra parte, buscou a Recorrente demonstrar que o negócio jurídico efetivamente ocorreu, até a vista dos documentos contábeis apresentados e 1 3 .4..g.:;".$4, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4444.2ti Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 do pagamento do negócio jurídico contratado, pugnando, inclusive, pela nulidade do auto à vista da identificação do beneficiário dos recursos. Pois bem, ainda que as Autoridades Fiscais e a ora Recorrente tenham entrado em exame minucioso dos fatos e vertentes do presente lançamento, tenho para mim que o cerne da presente demanda reside na possibilidade ou não de utilização de indícios e presunções para fundamentar-se a atividade administrativa do lançamento em matéria tributária. Nesse sentido, antes de adentrar à análise mais detida dos argumentos expostos e constantes dos autos, entendo que o que deve pautar a atuação destes Julgadores é o Princípio da Verdade Material. De outra forma, a constatação, no mundo real ou fenomênico, nos dizeres do Professor Paulo de barros Carvalho, daquele evento descrito na norma jurídica, que a ela se subsume, passível de conhecimento pelo sujeito que com ele se depara. É fato que a interpretação/conhecimento que o sujeito faz do objeto sob análise não reproduz o mesmo em sua integralidade ou em toda a sua compleitude, mas na medida em que apreendido por tal sujeito à luz do pano de fundo que forma o seu conhecimento, vivência e realidade. Assim, se é possível admitir que esse conhecimento não reproduz a integralidade do objeto/evento e vem sempre acompanhado de carga subjetiva do sujeito que o analisa, não há porque se negar a utilização de presunções, legais ou do homem, para averiguar a ocorrência ou dimensão do evento, bem como, no âmbito do processo administrativo tributário, das provas e contraprovas produzidas. Neste passo, no caso de utilização das presunções, devem ser verificados alguns requisitos mínimos para sua aplicação, sob pena de causar-se insegurança jurídica, quais sejam: demonstração da causalidade entre os indícios e 14 1 4Àt; MINISTÉRIO DA FAZENDA kt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fr Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 o fato presumido e preenchimento de requisitos de gravidade, precisão e . concordância. Como condição da relação de causalidade, a presunção deve se apoiar em circunstâncias, tais como estimativas individuais, vale dizer dados conhecidos do contribuinte, comparações externas com outros contribuintes, experiência histórica e abstração de qualquer procedimento voltado ou tendencioso à punição, já que se busca averiguar o fato jurídico e não proceder ao lançamento simplesmente para suportar a penalização ou acusação penal. No que tange aos requisitos de gravidade e precisão e concordância, nas lições de Moacir Amaral dos Santos (in Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 18a Edição, Saraiva, 1997, v.2)"... graves, isto é, geradoras de probabilidade com eficácia de criar convicção; precisas, no sentido de não se prestarem a dúvidas ou contradições lógicas; concordantes, ou seja, convergentes para o mesmo resultado." Estabelecidas estas premissas, da análise da fundamentação utilizada pela Fiscalização no lançamento, entendo que não se está apenas a desqualificar a qualidade do trabalho de consultoria apresentado, mas, deparamo- nos com alguns eventos que seriam ilustrativos dos requisitos de gravidade, presunção e concordância acima apontados, como por exemplo: i) no contrato de prestação de serviços está expresso que a Contratante é empresa do ramo de comércio de veículos pesados e que a contratada possui experiência internacional, no entanto, não houve confirmação de tal informação, não tendo sido juntada qualquer prova material da estada de técnicos ou funcionários no país ou da ocorrência dos serviços, tais como fax, telex etc.; 15 1 .:014N, MINISTÉRIO DA FAZENDA t: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .“4.:4) • Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° :106-14.183 ii) o objeto do contrato visava a revisão das políticas comerciais adotadas e apresentação de novo modelo comercial, não se encontrando tais políticas no trabalho realizado; iii) ainda que a prestadora não garantisse o resultado dos serviços, o tópico aspectos gerais de mercado não especifica o mercado de atuação da contratante (fls. 72 do Anexo); iv) o parecer não faz referência à contratante; v) há informações posteriores à data da prestação de serviços no parecer elaborado pela Contratada, não se provando a continuidade da prestação dos serviços como alegado em Recurso pela ora Recorrente, dada a vigência do Contrato e nem, tampouco outros pareceres. Portanto, sob a ótica deste Julgador, os indícios apresentados no curso do processo apontam e convergem no sentido de que é possível presunção de que efetivamente não teria ocorrido a prestação dos serviços, de forma que a capitulação legal adotada pela fiscalização estaria correta uma vez que não teria sido comprovada a operação a teor do parágrafo primeiro do artigo 61 da Lei 8.981/95. Neste particular, de se ressaltar que a norma em questão estabelece que a incidência do imposto de renda na fonte ocorre estejam os recursos contabilizados ou não, de forma que as alegações no sentido de regularidade da escrituração contábil, no caso da Recorrente, não devem prevalecer. Ademais, do Relatório de Fiscalização infere-se que a tipificação utilizada pela Fiscalização para imposição do gravame não envolve o pagamento a beneficiário não identificado. 16 f\fy . .. , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .4*Q1k-i "--, • r* Processo n.° : 10630.001111/2002-41 Acórdão n.° : 106-14.183 Por outro lado, uma vez que utilização de presunções visa a averiguação da ocorrência do fato jurídico, na busca da verdade material, e não ao lançamento simplesmente para suportar a penalização ou acusação penal, entendo incabível a utilização desse instrumento para agravamento de penalidade. No que se refere à aplicação dos juros de mora com base na Taxa Selic, não obstante seja o entendimento deste julgador que os órgãos administrativos julgadores têm competência para apreciar matéria de ordem constitucional, manifesto meu posicionamento no sentido de que a aplicação da Taxa Selic na atualização de créditos tributários não ofende qualquer dispositivo do Texto Constitucional. Ocorre que, ao suspender a atualização monetária dos impostos pagos extemporaneamente, o governo acabou por criar a necessidade de utilização de uma taxa com valores suficientes a desestimular os contribuintes da prática de ato ilícito ou da própria mora. Outrossim, vale ressaltar que a taxa SELIC tem caráter indenizatório dos custos arcados pelo Estado quando ocorre o inadimplemento do contribuinte que não paga o tributo devido. Pelo exposto, dou Provimento Parcial ao Recurso Voluntário apenas para afastar a multa agravada e pelo cabimento da multa de ofício a teor do artigo 44, I da Lei 9.430/96. Sala das S ões - DF, em 15 de setembro de 2004.i /- tr JOO7ICAR OS DA MA7 RIVITTI 17 Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000645/96-87
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPJ - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou sua entrega fora do prazo estabelecido nas normas pertinentes, constitui irregularidade que dá ensejo à aplicação da multa capitulada no art. 88, da Lei nº 8.981/94. - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A espontaneidade na apresentação a destempo do documento fiscal não tem o condão de infirmar a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da declaração de rendimentos, por ter esta caráter indenizatório pela mora do contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-09344
Decisão: POR MAIORIA DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. VENCIDOS OS CONSELHEIROS ADONIAS DOS REIS SANTIAGO, GENÉSIO DESCHAMP E WILFRIDO AUGUSTO MARQUES.
Nome do relator: Dimas Rodrigues de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199809
ementa_s : IRPJ - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou sua entrega fora do prazo estabelecido nas normas pertinentes, constitui irregularidade que dá ensejo à aplicação da multa capitulada no art. 88, da Lei nº 8.981/94. - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A espontaneidade na apresentação a destempo do documento fiscal não tem o condão de infirmar a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da declaração de rendimentos, por ter esta caráter indenizatório pela mora do contribuinte. Recurso negado.
turma_s : Sétima Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 1997
numero_processo_s : 10630.000645/96-87
anomes_publicacao_s : 199709
conteudo_id_s : 4189697
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 106-09344
nome_arquivo_s : 10609344_113859_106300006459687_009.PDF
ano_publicacao_s : 1997
nome_relator_s : Dimas Rodrigues de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 106300006459687_4189697.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : POR MAIORIA DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. VENCIDOS OS CONSELHEIROS ADONIAS DOS REIS SANTIAGO, GENÉSIO DESCHAMP E WILFRIDO AUGUSTO MARQUES.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 18 00:00:00 UTC 1998
id : 4659283
ano_sessao_s : 1998
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:13:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378306093056
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-28T14:52:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-28T14:52:12Z; Last-Modified: 2009-08-28T14:52:12Z; dcterms:modified: 2009-08-28T14:52:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-28T14:52:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-28T14:52:12Z; meta:save-date: 2009-08-28T14:52:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-28T14:52:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-28T14:52:12Z; created: 2009-08-28T14:52:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-08-28T14:52:12Z; pdf:charsPerPage: 1468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-28T14:52:12Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 106301000.645196-87 Recurso n°. : 113.859 Matéria : IRPJ EX. : 1995 Recorrente : SILK BRINDES COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES - LTDA Recorrida : DRJ em JUIZ DE FORA - ME Sessão de : 18 DE SETEMBRO DE 1997 Acórdão n°. : 106-09.344 IRPJ - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou sua entrega fora do prazo estabelecido nas normas pertinentes, constitui irregularidade que dá ensejo à aplicação da multa capitulada no art. 88, da Lei n° 8981/94. DENUNCIA ESPONTÂNEA - A espontaneidade na apresentação a destempo do documento fiscal não tem o condão de infirmar a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da declaração de rendimentos, por ter esta caráter indenizatório pela mora do contribuinte. 1 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SILK BRINDES COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adonias dos Reis Santiago, Genésio Deschamps e Wilfrido Augusto Marques. DIMA - IGUE OLIVEIRA -R -11r E OR FORMALIZADO EM: 1 7 J1JI1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MÁRIO ALBERTINO NUNES, HENRIQUE ORLANDO MARCONI, ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS e ROMEU BUENO DE CAMARGO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10630/000.645/96-87 Acórdão n°. : 106-09.344 Recurso n°. : 113.859 Recorrente : SILK BRINDES COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES - LTDA RELATÓRIO SILK BRINDES COMÉRCIO REPRESENTAÇÕES LTDA., nos autos em epígrafe qualificada, mediante recurso de fis.19, protocolizado em 04/11/96, se insurge contra a decisão de primeira instância de que foi cientificada em 14110196. Contra a contribuinte em 25/04/96, foi emitida Notificação de Lançamento, para exigência de multa no valor de 500,00 UFIR, por atraso na entrega da declaração de rendimentos pessoa física, relativa ao exercício de 1995. • Na mesma data a contribuinte teve ciência da notificação, tendo impugnado o feito em 08/05/96, conforme petição de fls. 01 a 04, aduzindo como suas razões, em síntese, o que segue: a)que a impugnante compareceu espontaneamente à Repartição Fazendária para proceder à entrega de sua declaração de rendimentos; b)que à luz do que dispõe o art. 138 do CTN, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, transcrevendo o inteiro teor dos arts. 136 e 138 do CTN e de várias ementas de julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes, que leio em Sessão, requerendo por fim, seja julgada improcedente o lançamento guerreado. 2 gktV MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10630/000.645/96-87 Acórdão n°. : 106-09.344 Após analisar as razões expostas pela impugnante, decidiu o julgador a quo pela procedência da exigência. Eis a seguir, os principais fundamentos que levaram aquela autoridade a tal decisão: a) que observada a legislação de regência, bem assim os demais elementos do processo, advém a conclusão de que a contribuinte em tela, estava inequivocadamente obrigada a cumprir a obrigação ora discutida, cujo inadimplemento sujeita a responsável às sanções previstas na legislação tributária, no caso, a multa estabelecida no inciso II, do artigo 88, da Lei n° 8981/95, observado o valor mínimo previsto no parágrafo primeiro, alínea "a" do mesmo diploma legal; b)que o comando do artigo 138 do CTN não ampara a situação sob exame. °O fato do contribuinte confessar que está em mora no cumprimento da obrigação acessória não tem qualquer validade jurídica de vez que tal fato se evidencia por si só, não assumindo contornos de uma denúncia espontânea', citando o Acórdão 1° CC, n° 102-29.231/94; c)que a prevalecer a tese da impugnante, apenas se aplicaria a multa prevista no artigo 88, da Lei n° 8.981/95, quando a infração fosse verificada no curso de procedimento fiscal, o que se contrapõe ao disposto no artigo 14 da Lei n° 4.154/62, consolidada no artigo 877 do RIR194, cujo ditame impede que a repartição receba declarações de rendimentos do contribuinte quando já iniciado qualquer procedimento administrativo-fiscal e, por fim, d) que a simples confissão da mora no cumprimento da obrigação acessória, não tem validade jurídica para amparar a 3 97 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 106301000.645196-87 Acórdão n°. : 106-09.344 aplicação do beneficio consagrado na Lei Complementar, vez que a denúncia espontânea pressupõe a confissão voluntária de fato alheio ao conhecimento da administração o que não ocorre no presente caso. Na fase recursal a suplicante repriza suas razões expostas na peça impugnatória, insistindo na tese de que a apresentação a destempo, porém espontaneamente, da declaração de rendimentos, encontra amparo no enunciado do art. 138 do CTN, excluindo a responsabilidade pelo cumprimento de qualquer penalidade. Em suas Contra-Razões de fls. 21, a Procuradoria da Fazenda Nacional - Seccional de Governador Valadares - MG, se manifesta no sentido da improcedência do recurso, aduzindo como razões que: "Em que pesem todos os argumentos da recorrente em sua defesa, o comando do art. 138 do CTN não ampara a situação sob exame. O atraso na entrega da DIRPF se toma ostensivo com o decurso do prazo legal fixado, não havendo fato desconhecido da autoridade tributária que se pudesse amparar pelo instituto da "Denúncia espontânea". Por fim, a multa cobrada decorre do não cumprimento de uma obrigação acessória, e por isto, convertida em obrigação principal, conforme disciplinado pelo art. 113, parágrafos 2° e 3°, do Código Tributário Nacional? É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10630/000.645/9647 Acórdão n°. : 106-09.344 VOTO Conselheiro DINIAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso interposto tempestivamente, dele tomo conhecimento. 2. Consoante relatado, a controvérsia estabelecida nestes autos tem como cerne a cobrança, no ano de 1995, de multa por atraso na apresentação de declaração de rendimentos de pessoa jurídica. 3. Desde a fase impugnatória, vem a suplicante sustentando a tese de que a apresentação extemporânea porém antes de qualquer iniciativa da repartição fiscal caracteriza a figura denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN. 4. A recorrente não contesta o fato de estar obrigada à apresentação do documento fiscal, se insurgindo apenas contra a exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, diante da apresentação espontânea do mesmo, ainda que a destempo. 5. Sobre o assunto, assim dispõe o artigo 88 da Medida Provisória n° 812, de 30/12/94, convertida na Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, na parte que interessa à presente análise, vettis: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 106301000.645/96-87 Acórdão n°. : 106-09.344 `Art. 88 - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago; II - à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1° O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas UFIR, para as pessoas físicas; b) de quinhentas UFIR, para as pessoas juridicas."(grifei) 6. Conforme se observa, a multa cominada, além de outras situações, alcança a hipótese da pessoa física que apresenta a declaração de rendimentos em atraso, conforme previsto com todas as letras, pelo dispositivo legal acima transcrito, donde se conclui que o legislador entendeu relevante para a administração tributária a apresentação do documento fiscal em comento em prazo determinado. Tanto que instituiu para a hipótese de inobservância dessa temporalidade, a penalidade específica suso aludida. 7. A prevalecer a tese esposada pela recorrente, tal dispositivo legal seria totalmente esvaziado de conteúdo. Senão vejamos: 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 106301000.645/96-87 Acórdão n°. : 106-09.344 7.1. É entendimento da postulante, de que a denúncia espontânea da infração a exime da responsabilidade pelo pagamento da multa, invocando em seu favor, o disposto no art 138 do CTN. Em outras palavras, é dizer que tal penalidade somente seria aplicável quando o contribuinte tivesse sua espontaneidade excluída mediante início de procedimento fiscal, nos exatos termos do disposto no artigo 7°, incisos e parágrafos, do Decreto n° 70.235/72; 7.2. Conforme salientou com muita propriedade o julgador a quo às fls. 13, é vedado o recebimento da declaração de rendimentos apresentada a destempo, após ter sido o contribuinte notificado no início do processo de lançamento de ofício (art. 877, do RIR194, consolidação do disposto no art. 14, da Lei n°4.154/62). 7.3. Em não podendo a Repartição recepcionar o documento fiscal nessa situação, a sua entrega somente poderá se dar espontaneamente, mesmo que fora dos prazos estabelecidos. Neste caso, conforme claramente estabelecido no mencionado diploma legal, estaria configurada a hipótese prevista como punível, hipótese esta que à luz do que defende o recorrente, estaria afastada pelo instituto da denúncia espontânea, ou seja, seria "letra morta" a previsão estatuída pelos mencionados dispositivos. 8. Não será demais esclarecer que a multa fiscal ora repara a mora, ora funciona como sanção punitiva da negligência, assumindo neste caso, carater indenizatório da impontualidade pelo descumprimento de obrigação tributária de fazer. 9. A multa fiscal, à exceção da que decorre de procedimentos de ofício, só se aplica a casos de procedimentos espontâneos, seja pelo pagamento espontâneo em atraso de obrigação tributária vencida, seja pelo reparo espontâneo do descumprimento de obrigação acessória. De todos esses casos, emerge o carater indenizatório pela mora no cumprimento de obrigações, 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10630/000.645196-87 Acórdão n°. : 106-09.344 conforme o caso, de dar ou de fazer. Assim, caso a tese defendida pelo recorrente encontre receptividade no meio jurídico, a figura da multa de mora de modo geral será varrida do ordenamento jurídico-tributário. 10. Pelo exposto, a menos que se declare a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que instituíram as modalidade de multas em comento, toma-se desnecessário maiores esforços de hermenêutica para se concluir no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não tem o condão de afastar a imposição da penalidade ora discutida. 11. Por entender pertinente ao assunto aqui discutido, trago a lume o propósito da Súmula n° 208, editada pelo então Tribunal Federal de Recursos, cuja síntese é a seguinte: 'A simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento não configura denúncia espontânea? (grifei). A apresentação da declaração de rendimentos, mormente quando esta traz imposto a pagar, além de todas as formalidades que a legislação tributária confere ao gesto, tem, também o efeito de declaração de dívida. No presente caso, a declaração apresentada, por não indicar imposto devido, perde em relevância se comparada com a formalização de confissão de dívida. Assim, se aquela não configura denúncia espontânea, muito menos esta, que nem imposto a pagar apresenta. Assim, considerando que a apelante não acusa falta de amparo legal ao procedimento fiscal, não vejo como modificar a decisão do julgador monocrático, que entendo deva ser mantida por seus próprios e judiciosos fundamentos. n 015 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 106301000.645196-87 Acórdão n°. : 106-09.344 Pelo exposto, e por tudo mais que do processo consta, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 18 de setembro de 1997. DIMA" Tr. • OLIVEIRA d 9 Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001835/2002-75
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IRPJ- FALTA DE RECOLHIMENTO- Demonstrado que a falta de recolhimento apurada a partir da análise das DCTF apresentadas decorreu de erro de preenchimento de declaração, é de ser cancelado o lançamento.
Numero da decisão: 101-96.634
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200804
ementa_s : IRPJ- FALTA DE RECOLHIMENTO- Demonstrado que a falta de recolhimento apurada a partir da análise das DCTF apresentadas decorreu de erro de preenchimento de declaração, é de ser cancelado o lançamento.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 10640.001835/2002-75
anomes_publicacao_s : 200804
conteudo_id_s : 4152184
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 101-96.634
nome_arquivo_s : 10196634_150845_10640001835200275_005.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : Sandra Maria Faroni
nome_arquivo_pdf_s : 10640001835200275_4152184.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2008
id : 4660099
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:14:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378310287360
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:17:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:17:56Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:17:57Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:17:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:17:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:17:57Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:17:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:17:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:17:56Z; created: 2009-09-09T16:17:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-09-09T16:17:56Z; pdf:charsPerPage: 934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:17:56Z | Conteúdo => kg, Fls. I • -44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10640.001835/2002-75 Recurso n° 150.845 Voluntário Matéria IRPJ - EX: DE 1998 Acórdão n° 101-96.634 Sessão de 16 de abril de 2008 Recorrente Centro de Radioterapia e Medicina Nuclear Ltda. Recorrida 1' Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora IRPJ- FALTA DE RECOLHIMENTO- Demonstrado que a falta de recolhimento apurada a partir da análise das DCTF apresentadas decorreu de erro de preenchimento de declaração, é de ser cancelado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Centro de Radioterapia e Medicina Nuclear Ltda., ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. NT(.5 O PRA A PRESIDENTE SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 04 JUN 2008 fr Processo n.° 10640.001835/2002-75 Acórdão n.° 101-96.634 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, CAIO MARCOS CÂNDIDO JOSÉ RICARDO DA SILVA, ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. , • • Processo n.° 10640.001835/2002-75 Acórdão n.° 101-96.634 Fls. 3 Relatório O presente processo cuida de Auto de Infração mediante o qual se exigiu do contribuinte crédito tributário relativo ao 3° e ao 4° trimestres do ano-calendário 1998. O valor originário do imposto exigido foi de R$ 64.388,49. A exigência teve origem em revisão de DCTF, e a acusação foi de falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaração inexata. O contribuinte impugnou tempestivamente o lançamento, juntando demonstrativos e DARF (s), explicando que: - relativamente ao débito de R$ 40.617,51 (PA 01-07/97), "(...) foi cometido um equívoco no cálculo do adicional do IR não deduzindo da base de cálculo o valor referente à parcela de R$ 60.000,00 a saber: (...)"; - relativamente ao débito de R$ 24.955,98 (PA 01-10/97), "(...) Os DARF código 2089 (...) foram em parte devidamente quitados em parte compensados com valores de IRRF, pagamento este efetuado no Banco Brasil, (...)" Submetida a julgamento a impugnação, esclareceu o relator que houve a revisão de oficio do lançamento (despacho de fl. 84), com aproveitamento dos pagamentos a que se referem os DARF permeados entre os fólios 03 a 12, de modo com redução dos débitos originalmente exigidos relativos ao 3° e ao 4° trimestre de 1997 para, respectivamente, R$ 9.054,80 e R$ 7.000,01. Quanto ao saldo de principal que permaneceu exigido, manteve a parcela de R$ 3.121,67 relativa ao 3° trimestre, defendida a título de "Imposto retido em nfs de serviço", porque, além de não ter figurado na ficha 16, linha 22 da DIRPJ, não foram carreadas aos autos as respectivas notas fiscais, nem mesmo a escrituração contábil que desse lastro ao alegado. Em relação ao 4° trimestre, foi integralmente mantido o saldo de principal exigido após a revisão (R$ 7.000,01), aos seguintes fundamentos: (a) pagamento de R$ 6.806,80 (folhas 04) já foi utilizado no sistema CNPJ para quitar parte do débito declarado pelo próprio contribuinte através da DIRPJ/98 (folhas 47 a 73); (b) o contribuinte não carreou aos autos prova de que a verdade material de que seu débito era aquele declarado em DCTF, devendo prevalecer o constante na DIRPJ/98; (c) para o valor residual de R$ 193,20 (7.000,01 — 6.806,80), também defendido a titulo de "Imposto retido em nfs de serviço", além de não ter figurado na ficha 16, linha 22 da DIRPJ, não foram carreadas aos autos as respectivas notas fiscais, nem mesmo a escrituração contábil que desse lastro ao alegado. Ciente da decisão em 15 de fevereiro de 2006, o contribuinte ingressou com recurso em 17 de março, alegando que, apesar dos equívocos, os valores mencionados na impugnação a título de imposto retido são verdadeiros, junta notas fiscais e DIRFs da fonte retentora. E requer sua consideração. Incluído em pauta na sessão de 24 de maio de 2007, pela Resolução n° 101- 2.614 o julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização, mediante confronto . , • . Processo n.° 10640.00183512002-75 Acórdão n.° 101-96.634 Fls. 4 entre os documentos anexados e os registros contábeis, verificasse a efetividade dos valores questionados, preparando relatório do exame e intimando a recorrente do resultado. Retomam os autos com a diligência cumprida. É o Relatório. r. Processo n.° 10640.001835/2002-75 Acórdão n.° 101-96.634 Fls. 5 Voto Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora. Remanesce em litígio a exigência das parcelas de R$ 3.121,67 (3° trimestre) e R$ 7.000,01 (4° trimestre) Com se viu do relatório, a decisão recorrida não acolheu os lastros indicados pela empresa para infirmar a falta de recolhimento, especialmente as alegadas retenções na fonte, aos seguintes fundamentos: (i) não figurou na DIRPJ o alegado imposto retido na fonte sobre notas fiscais de serviços, (ii) não foram carreadas aos autos as respectivas notas fiscais; (iii) não foi provada a escrituração contábil que desse lastro alegado. O fato de não ter figurado na DIRPJ, por si só, não justifica a manutenção do lançamento, desde que provado que o imposto retido, e que não foi utilizado na declaração para compensação, é suficiente para absorver o débito. No relatório de diligência a autoridade comprovou que as notas fiscais de prestação de serviços anexadas, e sobre as quais houve retenção de imposto, encontram-se escrituradas e as retenções na fonte foram acumuladas em conta de ativo (Conta 203- IRRF SUS AMBULATÓRIO). Em relação à conta IRRF a recuperar, demonstrou o diligenciante ter sido contabilizada, em julho de 1997, recuperação de R$ 7.883,39, em setembro de 1997, recuperação de R$ 3.121,99 , valores esses suportado pelo saldo do IRRF a recuperar contabilizado. Informou, ainda, que em janeiro de 1998 o contribuinte utilizou o valor de R$ 11.948,43 para compensação com o IRPJ do 4° trimestre de 1997, suportado pelo saldo disponível na conta IRRF SUS AMBULATÓRIO Ficou, pois, demonstrado, não ter ocorrido falta de recolhimento do imposto, mas apenas erro no preenchimento da declaração. Dou provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, em 16 de abril de 2008 4 J....cc. SANDRA MARIA FARONI. 7")( Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001224/2003-51
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: SIMPLES. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO A ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Nos termos do disposto no art. 106, “a” e “c”, do CTN, a lei aplica-se a ato não definitivamente julgado quando deixe de defini-lo como infração ou lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática..
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 301-32887
Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valmar Fonseca de Menezes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200606
ementa_s : SIMPLES. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO A ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Nos termos do disposto no art. 106, “a” e “c”, do CTN, a lei aplica-se a ato não definitivamente julgado quando deixe de defini-lo como infração ou lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10670.001224/2003-51
anomes_publicacao_s : 200606
conteudo_id_s : 4261899
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 301-32887
nome_arquivo_s : 30132887_132667_10670001224200351_005.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : Valmar Fonseca de Menezes
nome_arquivo_pdf_s : 10670001224200351_4261899.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
id : 4662364
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:14:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378322870272
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T12:12:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T12:12:10Z; Last-Modified: 2009-08-10T12:12:10Z; dcterms:modified: 2009-08-10T12:12:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T12:12:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T12:12:10Z; meta:save-date: 2009-08-10T12:12:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T12:12:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T12:12:10Z; created: 2009-08-10T12:12:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-10T12:12:10Z; pdf:charsPerPage: 1156; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T12:12:10Z | Conteúdo => .. • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -S.,a1CS .r • • c,i; PRIMEIRA CÂMARA Processo n° : 10670.00122412003-51 Recurso n° : 132.667 Acórdão n° : 301-32.887 Sessão de : 19 de junho de 2006 Recorrente ' : ADVLINK SISTEMAS LTDA. Recorrida : DRJ/JUIZ DE FORAJMG SIMPLES. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO A ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Nos termos do disposto no art. 106, "a" e "c", do CTN, a lei aplica- se a ato não definitivamente julgado quando deixe de defini-lo como infração ou lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.. • RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na fonna do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACÍLIO D AS CARTAXO Presidente • ri. V' • R F ECA E MENEZES • Relator Formalizado em: 114 JUL 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Atâina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmarui, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. CCS • Processo no : 10670.001224/2003-51 Acórdão n° : 301-32.887 RELATÓRIO Trata o presente processo de exclusão do SIMPLES, tendo sido a recorrente sofrido tal penalidade por conta do exercício de atividade vedada, qual seja a manutenção, reparação e instalação de máquinas de escritórios e de informática. A Delegacia de Julgamento, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, proferiu decisão, indeferindo a solicitação da contribuinte, em acórdão simplificado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, repisando argumentos expendidos na peça impugnatória, reiterando as suas razões de • inconformidade. É o relatório. • 2 Processo n° : 10670.001224/2003-51 • Acórdão n° : 301-32.887 VOTO Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Verifica-se, inicialmente, que o motivo da exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES, conforme relatado, foi o suposto exercício de atividade vedada à opção pelo sistema. • No entanto, verifica-se, compulsando-se os autos, que recorrente exerce a atividade RELATIVA À MANUTENÇÃO DE COMPUTADORES E REPARAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE ESCRITÓRIO. Diante de tal circunstância, peço a devida licença aos meus pares para aduzir aos autos voto proferido pela eminente Conselheira Atalina Rodrigues Alves, por ocasião do julgamento do recurso 125.097, que , pela similitude, adoto como razões de decidir, transcrevendo-o adiante, em excertos: "No mérito, a contribuinte foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório n° 143.277/99, (fl. 04), por "importação efetuada pela empresa, de bens para comercialização". Ao apreciar a impugnação apresentada pela interessada contra o ato declaratório, a DRJ/São Paulo-SP concluiu que a legislação em vigor à época da exclusão não amparava a pretensão da interessada e manteve a sua exclusão do SIMPLES. De acordo com a decisão recorrida, a revogação do dispositivo legal que fundamentou a exclusão da contribuinte do SIMPLES, pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1991-15/2000, não beneficiaria a interessada, por entender não ser cabível a sua aplicação retroativa, com base na parte final da alínea "b" do inciso II, do art. 106, do CTN. No presente caso, há que se considerar que o ato declaratório de exclusão não era definitivo por ocasião da revogação do dispositivo legal que embasou o motivo da exclusão, seja o previsto no inciso XI ou no inciso XII, "a", do art. 90 da Lei n° 9.317, de 1996. Ressalte-se que, tendo sido impugnado o ato declaratório na esfera administrativa, apenas com o trânsito em julgado da decisão administrativa que o declarar válido ele toma-se definitivo. 3 Processo n° : 10670.001224/2003-51 Acórdão n° : 301-32.887 Ressalte-se, ainda, que sendo pressuposto do ato declaratório o motivo de fato que o autoriza, o qual deverá estar previsto em lei, revogada a norma jurídica que previa a hipótese de exclusão do SIMPLES, a ocorrência do fato deixa de ser causa ou motivo da exclusão por deixar a nova lei de tratá-lo como tal. Sobre a aplicação da lei, assim dispõe o art. 106, do CTIV, in verbis: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.) II- tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-to como infração; • b) quando deixe de trata-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.." (destacou-se) Assim, considerando que o ato declaratório de exclusão não era definitivo por ocasião da entrada em vigor da Medida Provisória n° 1991-15/2000, fica assegurada a permanência da recorrente no sistema, tendo em vista a norma vigente que lhe é mais benigna, uma vez que deixou de definir como atividade impeditiva de opção pelo SIMPLES a apontada no Ato Declaratório n° (...)". No caso em estudo, embora não se trate de importação, a hipótese processual é a mesma, visto que a da Lei n° 11.051/2004, cujo artigo 15 alterou a disposição do artigo 4° da Lei n° 10.964/2004,assim dispôs: • "Art. 15. O art. 4° da Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: I - serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, . ônibus e outros veículos pesados; II - serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III - serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; 4 Processo n0 : 10670.001224/2003-51 Acórdão n° : 301-32.887 IV - serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V - serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. § 1° Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de •Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2° As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência • do disposto no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retomo ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 3° Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2° deste artigo ter ocorrido durante o ano-calendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal - SRF promoverá a reinclusão de oficio dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa." • Como claramente se vislumbra, a recorrente está incluída no elenco de exceções à regra anteriormente estipulada pela Lei 9.317/96, constituindo em caso semelhante ao das importações. Diante de tão bem fundamentadas razões, voto no sentido de que • seja dado provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 junho de 2006 SArks" t • VALMAR FONSÊ • DE MENEZES - Relator Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000900/00-36
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - REALIZAÇÃO – SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF - É de se considerar correto o saldo do lucro inflacionário constante dos sistemas de controles mantidos pela Secretaria da Receita Federal, extraído das declarações de rendimentos da contribuinte, devendo ser tributada a realização deste lucro nos percentuais previstos na legislação do Imposto de Renda.
IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO - SALDO CREDOR DA DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF - O revigoramento da Lei nº 8.200/91, pela Lei nº 8.682/93, restabeleceu a tributação da diferença de correção IPC/BTNF, inclusive as regras contidas na regulamentação dada pelo Decreto nº 332/91, a ela se sujeitando o contribuinte.
IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITAÇÃO - Após a edição das Leis nº 8.981/95 e 9.065/95, a compensação de prejuízo fiscal, inclusive o acumulado em 31/12/94, está limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período.
IRPJ - INCONSTITUCIONALIDADE - Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 108-07.874
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200407
ementa_s : IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - REALIZAÇÃO – SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF - É de se considerar correto o saldo do lucro inflacionário constante dos sistemas de controles mantidos pela Secretaria da Receita Federal, extraído das declarações de rendimentos da contribuinte, devendo ser tributada a realização deste lucro nos percentuais previstos na legislação do Imposto de Renda. IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO - SALDO CREDOR DA DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF - O revigoramento da Lei nº 8.200/91, pela Lei nº 8.682/93, restabeleceu a tributação da diferença de correção IPC/BTNF, inclusive as regras contidas na regulamentação dada pelo Decreto nº 332/91, a ela se sujeitando o contribuinte. IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITAÇÃO - Após a edição das Leis nº 8.981/95 e 9.065/95, a compensação de prejuízo fiscal, inclusive o acumulado em 31/12/94, está limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período. IRPJ - INCONSTITUCIONALIDADE - Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Recurso negado.
turma_s : Oitava Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2004
numero_processo_s : 10680.000900/00-36
anomes_publicacao_s : 200407
conteudo_id_s : 4219356
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 108-07.874
nome_arquivo_s : 10807874_134495_106800009000036_015.PDF
ano_publicacao_s : 2004
nome_relator_s : Nelson Lósso Filho
nome_arquivo_pdf_s : 106800009000036_4219356.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2004
id : 4663500
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:15:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378324967424
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-13T16:10:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-13T16:10:47Z; Last-Modified: 2009-07-13T16:10:47Z; dcterms:modified: 2009-07-13T16:10:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-13T16:10:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-13T16:10:47Z; meta:save-date: 2009-07-13T16:10:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-13T16:10:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-13T16:10:47Z; created: 2009-07-13T16:10:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2009-07-13T16:10:47Z; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-13T16:10:47Z | Conteúdo => . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA tel» J. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900100-36 Recurso n°. : 134.495 Matéria : IRPJ — EX.: 1996 Recorrente : VIAÇÃO ANCHIETA LTDA. Recorrida : r TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Sessão de : 07 DE JULHO DE 2004 Acórdão n°. :108-07.874 IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - REALIZAÇÃO —• SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF - É de se considerar correto o saldo do lucro inflacionário constante dos sistemas de controles mantidos pela Secretaria da Receita Federal, extraído das declarações de rendimentos da contribuinte, devendo ser tributada a realização deste lucro nos percentuais previstos na legislação do Imposto de Renda. IRPJ - LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO - SALDO CREDOR DA DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF - O revigoramento da Lei n° 8.200/91, pela Lei n° 8.682/93, restabeleceu a tributação da diferença de correção IPC/BTNF, inclusive as regras contidas na regulamentação dada pelo Decreto n° 332191, a ela se sujeitando o contribuinte. IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUiZO FISCAL — LIMITAÇÃO - Após a edição das Leis n° 8.981/95 e 9.065/95, a compensação de prejuízo fiscal, inclusive o acumulado em 31/12/94, está limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período. IRPJ - INCONSTITUCIONALIDADE - Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VIAÇÃO ANCHIETA LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos of do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. .tf MINISTÉRIO DA FAZENDA ''s,`.;:4•144 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f:_f:L ::fr OITAVA CAMARA Processo n°. 10680.000900/00-36 Acórdão n°. : 108-07.874 Recurso n°. : 134.495 Recorrente : VIAÇÃO ANCHIETA LTDA. DoRspa TtpRE IV EL ADO N m(ry NELSON ,L SO !LHO RELATOR FOR LIZADO EM: 5O MAR 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARGIL MOURA° GIL NUNES, HELENA MARIA POJO DO REGO (Suplente Convocada), JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e DEBORAH SABBÁ (Suplente Convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros IÇAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Oft 2 • rf.1":5 MINISTÉRIO DA FAZENDA Z4/ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '-f-4:4:39 OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 Recurso n°. : 134.495 Recorrente : VIAÇÃO ANCHIETA LTDA. RELATÓRIO Contra a empresa Viação Anchieta Ltda., foi lavrado auto de infração do IRPJ, fls 01/05, por ter a fiscalização, em revisão sumária da declaração de rendimentos, constatado a seguinte irregularidade no ano-calendário de 1995, descrita às fls. 02: "Lucro inflacionário acumulado realizado adicionado a menor na Demonstração do Lucro Real". Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolizada em 03 de março de 2000, em. cujo arrazoado de fls. 34/47, alega, em apertada síntese, o seguinte: 1- o feito fiscal não considerou as realizações do lucro inflacionário relativo à diferença IPC/BTNF efetivadas pela empresa nos anos de 1991 e 1992, sendo que os valores correspondentes a essas realizações, em obediência à legislação da espécie só seriam oferecidas à tributação a partir de 1° de janeiro de 1993; 2-a Lei n° 8.200, de 1991 foi revogada pelas Medidas Provisórias n° 312 de 11 de fevereiro de 1993, n° 314 de 14 de março de 1993, n° 316 de 14 de abril de 1993, seguidas das MP n° 321 de 14 de maio de 1993 e n° 325 de 14 de junho de 1993; 3- no período em que as medidas provisórias vigiam e a Lei n° 8.200/91 estava revogada, é fato incontestável que não existia o saldo de lucro inflacionário referente à diferença IPC/BTNF de 1990; 4- em obediência aos dispositivos legais constantes das medidas provisórias citadas, promoveu o expurgo dos valores corres ondentes à correção 3 ". MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -:)1(4.;';* OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 pela diferença IPC/BTNF relativos a 1990 no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). 5- a MP n° 325, de 1993 foi transformada na Lei n° 8.682, de 15 de julho de 1993, que não manteve a revogação da Lei n°8.200, de 1991, revigorando- a em seu artigo 11; 6- a alteração se deu apenas quanto à dedução das parcelas do saldo devedor correspondente à correção monetária da Lei n° 8.200, de 1991, tendo prosseguido a tributação do lucro inflacionário da mesma forma com vinha sendo feita; 7- no momento em que foi revigorada a Lei n° 8.200/91, por força da Lei n° 8.682, de 15 de julho de 1993, tornaram-se tributáveis em 1993 os valores do lucro inflacionário correspondentes aos saldos do LALUR referentes à correção monetária pela diferença IPC/BTNF, que não foram oferecidos à tributação nos anos-calendário de 1991 e 1992, conforme o disposto no Decreto n° 332191 e IN DRF 125/91; 8- nos anos-calendário de 1991 e 1992, ocorreram realizações obrigatórias do saldo no LALUR, de lucro inflacionário vinculado à correção pela diferença IPC/BTNF, que só seriam adicionados ao lucro real em 1993, mais precisamente em janeiro; 9- não procede em 31/12/95 a tributação de valores relativos à diferença de 1PC/BTNF de fatos geradores dos anos de 1991 e 1992, estando já alcançados pela decadência do direito de lançar; 10- a presente exigência decorre de uma interpretação equivocada do autuante quanto à aplicação dos dispositivos legais da espécie, contrariando o disposto no art. 144 do CTN; • çl 4 45.j''‘'t MINISTÉRIO DA FAZENDA r' b! PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :z."0.-1> OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 11- os cálculos da autoridade fiscal não estão corretos. O procedimento fiscal levantou uma diferença de R$ 124.664,50, em 31/12/95, como concernente a lucro inflacionário realizado nesta data não oferecido à tributação. Entretanto, nos anos de 1991 e 1992 houve realizações desse saldo, obrigatórios por lei; 12- tal incorreção representa um acréscimo de no mínimo 43,8363% na base de cálculo e na exigência, sendo 6,863% de 1991, mais 15% do 1° semestre de 1992 e 22% do 2° semestre de 1992, por desconsiderar a realização efetiva nos anos de 1991 e 1992 (tributáveis em 1993), além dos efeitos nos cálculos de 1993, 1994 e 1995; 13- além dessa incorreção no procedimento fiscal, houve erro, por parte da empresa, na correção do balanço de 1992 que resultou num acréscimo indevido do resultado do exercício e no saldo do lucro inflacionário; 14- assim é que o saldo da reserva relativa ao resultado credor da diferença IPC/BTNF corrigido, em 31/12/1991 era de Cr$ 243.316.571,00 e o valor de Cr$79.563.666,00 correspondia à diferença IPC/BTNF incidente sobre o saldo do lucro inflacionário a tributar existente no LALUR em 31/12/1989; 15- esses dois valores corrigidos em 30 de junho de 1992, correspondiam a Cr$ 842.726.943,00 e Cr$ 275.568.757,00 e Cr$2.991.259.284,00 e Cr$978.131.302,00, em 31 de dezembro de 1992; 16- do mesmo modo, a reserva correspondente ao saldo credor da correção pela diferença IPC/BTNF deveria corresponder, em 31 de dezembro de 1992, a Cr$ 2.991.259.284,00; 17- no balanço de 31/12/1992 foi consignada a reserva pelo valor de Cr$1.662.047.302,00, corrigida a menor, quando deveria ser Cr$2.991.259.284,00, d(7- • •S k 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. 10680.000900100-36 Acórdão n°. :108-07.874 com reflexos dai decorrentes no resultado do exercício e no cálculo do lucro inflacionário do período; 18- por conseguinte, deixou de ser considerado no cálculo do lucro inflacionário do ano de 1992, 1° e 2° semestres, um valor devedor, correspondente ao erro para menor no cálculo da correção monetária da reserva mencionada, o que implica na inexistência do montante de Cr$1.001.829.003,00 de lucro inflacionário no 2° semestre de 1992; 19 - o Demonstrativo anexado aos autos considera a interpretação correta do texto legal da Lei n°8.200, de 1991 e leva em conta o erro cometido pela impugnante na correção monetária do balanço do ano-calendário de 1992, relativa à reserva representada pelo saldo credor da correção monetária pela diferença de IPC/BTNF de 1990; 20- nos anos de 1991 e 1992, 1° e 2° semestres, devem ser consideradas as realizações do lucro inflacionário com base nos percentuais de realização do ativo, 6,8363%, 15% e 22%; 21- os cálculos desenvolvidos visam evidenciar que o procedimento fiscal errou duplamente: em princípio, por pretender tributar ao arrepio de todo ordenamento jurídico pátrio; em segundo lugar, materialmente, ao calcular o suposto lucro inflacionário sujeito à tributação em 1995 sem considerar as realizações obrigatórias do mesmo lucro em 1991 e 1992; 22- cabe notar ainda a existência de excesso de correção monetária dos saldos de lucro inflacionário correspondentes à correção monetária pela diferença de IPC/BTNF relativa a 1990; 6 tte MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . ;:1:4? OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900100-36 Acórdão n°. :108-07.874 23- enquanto vigoravam as medidas provisórias n° 312, 314, 316 e 325, a Lei n° 8.200/91 não fazia parte do mundo jurídico, razão pela qual não há sentido algum em se pretender, durante esse interstício, corrigir saldos de lucro inflacionário que não existiam, por força da revogação da lei que os criou; 24- deve ser expurgada no mínimo a correção monetária correspondente ao período de vigência das medidas provisórias que revogaram a Lei n° 8.200, de 1991, percentual no montante de 3,41835%, relativo à correção monetária da UFIR, e considerar como termo inicial da correção monetária dos novos saldos a data da edição da Lei n° 8.682, a partir de 15 de julho de 1993; 25- o fisco deixou de considerar a existência de prejuízos fiscais acumulados ainda não compensados em 31/12/1995, inclusive sem a limitação de 30%, pois essa limitação é inconstitucional, por ofender o próprio conceito do imposto de renda definido constitucionalmente e no Código Tributário Nacional. Em 03 de dezembro de 2002 foi prolatado o Acórdão n° 02.486, da 26 Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte, fls. 49/61, que considerou procedente o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Lucro Inflacionário Acumulado a Realizar. Decadência. O início da contagem do prazo decadencial, em se tratando da tributação do Lucro Inflacionário Acumulado, é o exercício em que sua realização é tributada, e não o da sua apuração. Saldo do Lucro Inflacionário Acumulado a realizar em 31/12/1995. Integram o saldo do lucro inflacionário os valores determinados em lei, para obtenção do saldo do lucro inflacionário acumulado a realizar no ano-calendário de 1995. Inconstitucionalidade." No âmbito administrativo, não se pode negar efeitos à norma vigente, ao argumento de sua inconstitucionalidade, antes do pronunciamento definitivo do Poder Judiciário. Compensação de Prejuízos Fiscais. A compensação de prejuízos fiscais depende de prova de sua existência, a ser produzida pelo contribuinte. Lançamento Procedente." Dita 7 tt.k Ci; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 À2.?,:'> OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 Cientificada em 15 de janeiro de 2003, AR de fls. 65, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolizado em 14 de fevereiro de 2003, em cujo arrazoado de fis. 66/79 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. • • 8 ff I. :eN MINISTÉRIO DA FAZENDA— • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';»':(11,,?.;`› OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900100-36 Acórdão n°. :108-07.874 VOTO Conselheiro NELSON LÕSSO FILHO, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. vista do contido no processo, constata-se que a contribuinte, cientificada do Acórdão de Primeira Instância, apresentou seu recurso arrolando bens, fls. 87 e 91, entendendo a autoridade local, pelo despacho de fls. 92, restar cumprido o que determina o § 3°, do art. 33, do Decreto n° 70.235/72, na nova redação dada pelo art. 32 da Lei n° 10.522, de 19/07/02. As matérias em litígio dizem respeito à insuficiência de realização do lucro inflacionário acumulado no ano de 1995, erro no cálculo da correção monetária do balanço de 1992, a realização obrigatória pelos percentuais de realização do ativo, ou mínimo legal, dos saldos do lucro inflacionário relacionados à diferença IPC/BTNF nos anos de 1991 e 1992, a impossibilidade de correção dos saldos da diferença IPC/BTNF no período de revogação da Lei n° 8.200/91 e a compensação de prejuízo fiscal sem o limite de 30% do Lucro Real. A empresa foi autuada em razão da insuficiência da realização do Lucro Inflacionário Acumulado no ano-calendário de 1995. Levou o Fisco em consideração o valor referente à Diferença IPC/BTNF informado pela recorrente na sua declaração de rendimentos do exercício de 1992, período-base de 1991, controlado por sistema eletrônico pela Secretaria da Receita Federal. 9 .--'!•:t" . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10680.000900/O0-36 Acórdão n°. :108-07.874 O ceme da questão está em definir se os valores de Lucro Inflacionário controlados nos sistemas da Secretaria da Receita Federal estão corretos e sujeitariam à empresa a realização do Lucro Inflacionário no valor de R$ 627.900,17, no ano-calendário de 1995, ou se a pessoa jurídica tem razão ao afirmar que o montante a tributar relativo à diferença IPC/BTNF deveria ter substancial redução. Entendo não assistir razão à recorrente, visto que as alterações processadas por ela no LALUR, com o expurgo da correção monetária no período no qual não vigorou a Lei n° 8.200191, até seu restabelecimento pela Lei n° 8.682/93, e as realizações mínimas do lucro inflacionário acumulado nos anos de 1991 e1992, não me parecem corretos, porque não sustentadas em interpretação escorreita dos fatos jurídicos acontecidos. Além disso, o suposto erro na correção monetária do Patrimônio Líquido no ano-calendário de 1992 não foi comprovado pela empresa, que não trouxe aos autos nenhum demonstrativo de correção monetária comparativo entre as duas situações, a errada e a correta, os registros contábeis e fiscais e as correspondentes memórias de cálculo da correção monetária. Apesar de no recurso a pessoa jurídica afirmar que estava juntando anexos para a comprovação, nada foi anexado aos autos neste sentido. Não posso concordar comi pretensão da recorrente para que seja abandonada a correção monetária ocorrida no período em que a Lei n° 8.200/91 encontrava-se revogada, porque com a edição da Lei n° 8.623193 todos os atos jurídicos neste período foram convalidados e restabelecidos os artigos da Lei n° 8.200/91, e com isso a também a regulamentação contida no Decreto 332/91, inclusive a correção monetária e o escalonamento da tributação do Saldo Credor da Diferença IPC/BTNF a partir do ano-calendário de 19 . io 91(93 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 Portanto, ao ser novamente incorporada ao mundo jurídico, a Lei n° 8.200/91 teve restabelecido seus efeitos desde a sua edição, para o caso em voga, como se nunca tivesse deixado de existir, devendo a Diferença IPC/BTNF, o Saldo Credor de Correção Monetária, seguir as regras constantes na referida lei, não se cogitando da suspensão da correção monetária no período questionado pela autuada, pois seus efeitos tributários só aconteceriam a partir de 1993. Incabível, também, as alegações da contribuinte de que deveria ser considerada a realização do Lucro Inflacionário Acumulado nos anos de 1991 e 1992, da Diferença IPV/BTNF, porque os efeitos tributários das realizações previstas na Lei n° 8.200/91 c nc.N. Dr.:creta 332101 s6 aconteceriam a partir do ano de 1993, • não ocorrendo a decadência sustentada pela recorrente. Pelos documentos de fls. 09/13, Demonstrativo do Lucro Inflacionário (SAPLI), verifico que a empresa realizou lucro inflacionário nos anos de 1991 e 1992, não relacionados à diferença IPC/BTNF. Melhor sorte não tem a recorrente quanto à solicitação para compensação de prejuízo fiscal, pois o autuante já procedeu ao ajuste do prejuízo fiscal no montante de R$ 51.134,24, no seu Demonstrativo de Valores Apurados — IRPJ, fls. 03, com a redução do Lucro Real de R$ 295.112,26 para R$ 243.978,02. Não sendo demonstrado neste processo a existência de prejuízo fiscal a compensar acumulado de exercícios anteriores, que pudesse ser aproveitado no lançamento, é de se concluir correta a compensação efetivada pela fiscalização às fls. 03. Assim sendo, não conseguindo a autuada comprovar a incorreção dos valores do Lucro Inflacionário Acumulado indicado pela fiscalização, deve ser mantido o lançamento fiscal. (7f 11 ea '''' MINISTÉRIO DA FAZENDA•-,;._.. -..,. 's• fr '* ,i• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES''', nZt ":*-1:0- OITAVA CAMAFtA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 As alegações de inconstitucionalidade apresentadas pela recorrente a respeito da limitação da compensação de prejuízo fiscal prevista no art. 42 da Lei n° 8.981/95, com a nova redação dada pelo art. 15 da Lei n° 9.065/95 não podem aqui ser analisadas, porque não cabe a este Conselho discutir validade de lei. Tenho firmado entendimento em diversos julgados nesta Câmara, que, regra geral, falece competência a este Conselho de Contribuintes para, em caráter original, negar eficácia a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, porque, pela relevância da matéria, no nosso ordenamento jurídico tal atribuição é de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, com grau de definitividade, conforme arts. 97 e 102, III, da Constituição Federal, verbis: "Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: (Omissis) III — julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo /oca/ contestado em face desta Constituição." Conclui-se que mesmo as declarações de inconstitucionalidade proferidas por juizes de instâncias inferiores não são definitivas, devendo ser submetidas à revisão. Em alguns casos, quando existe decisão definitiva da mais alta corte deste país, vejo que o exame aprofundado de certa matéria não tem o condão de exorbitar a competência deste colegiado e sim poupar o Poder Judiciário de pronunciados repetitivos sobre matéria com orientação final, em homenagem aos 49,ofprincípios da economia processual e celeridade. 12 -;ry MINISTÉRIO DA FAZENDA;, n'fr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900100-36 Acórdão n°. :108-07.874 É neste sentido que conclui o Parecer PGFN/CRF n° 439/96, de 02 de abril de 1996, por pertinente, transcrevo: "17. Os Conselhos de Contribuintes, ao decidirem com base em precedentes judiciais, estão se louvando em fonte de direito ao alcance de qualquer autoridade instada a interpretar e aplicar a lei a casos concretos. Não estão estendendo decisão judicial, mas outorgando um provimento específico, inspirado naquela. (Omissis) 32. Não obstante, é mister que a competência julgadora dos Conselhos de Contribuintes seja exercida — como vem sendo até aqui — com cautela, pois a constitucionalidade das leis sempre deve ser presumida. Portanto, apenas quando pacificada, acima de toda dúvida, a jurisprudência, pelo pronunciamento final e definitivo do STF, é que haverá ela de merecer a consideração da instância administrativa." (grifo nosso) Com base nestas orientações foi expedido o Decreto n° 2.346/97, que determina o seguinte: "As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1 - Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia "ex tune", produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicia." (grifo nosso) Este entendimento já está pacificado pelo Poder Judiciário, como se vê no julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que faz referência a precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF): 13 . n MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CAMARA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 "DIREITO PROCESSUAL EM MATÉRIA FISCAL — CTN — CONTRARIEDADE POR LEI ORDINÁRIA INCONSTITUCIONALIDADE. Constitucional. Lei Tributária que teria, alegadamente, contrariado o Código Tributário Nacional. A lei ordinária que eventualmente contrarie norma própria de lei complementar é inconstitucional, noi termos dos precedentes do Supremo Tribunal Federal (RE 101.084-PR, Rel. Min. Moreira Alves, RTJ n° 112, p. 393/398), vício que só pode ser reconhecido por aquela Colenda Corte, no âmbito do recurso extraordinário. Agravo regimental improvido." (Ac. unânime da 2. Turma do STJ — Agravo Regimental 165.452-SC — Relator Ministro Ari Pargendler — D.J.U. de 09.02.98 — in Repertório 10B de Jurisprudência n° 07/98, pág. 148— verbete 1/12.106). Recorro, também, ao testemunho do Prof. Hugo de Brito Machado para corroborar a tese da impossibilidade desta apreciação pelo julgador administrativo, antes do pronunciamento do STF: "A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é,. ou não é inconstitucional." (in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Editora Revista dos Tribunais, págs. 302/303). Do exposto acima, concluo que regra geral não cabe a este Conselho manifestar-se a respeito de inconstitucionalidade de norma, apenas quando exista decisão definitiva em matéria apreciada pelo Supremo Tribunal Federal é que esta possibilidade pode ocorrer, o que não é o caso em questão. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem rechaçado as alegações de inconstitucionalidade dos artigos das Leis n° 8.981/95 e 9.065/95 que tratam da limitação em 30% do lucro líquido ajustado, quando da compensação de bases negativas e prejuízos fiscais, como podemos constatar nas ementas de acórdãos a seguir 14 • df • 441 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES J=f,:f.,:kr.;')- OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.000900/00-36 Acórdão n°. :108-07.874 "Acórdão: Resp..168379 — publicado no DJ de 10/08/98 Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas — Compensação de Prejuízos Fiscais — Lei n° 8.921/95. A Medida Provisória n° 812, convertida na Lei n° 8.921/95, não contrariou o princípio constitucional da anterioridade. Na fixação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais excedentes a 30% poderá ser efetuada, integralmente, nos anos calendários subseqüentes. A vedação do direito à compensação de prejuízos fiscais pela Lei n° 8.981/95 não violou o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após o transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro. Recurso improvido." "Acórdão: Resp :194663 — Publicado no DJ de 12/04/99 Tributário — Compensação — Prejuízos Fiscais— Possibilidade A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31/12/94 não compensados, poderá ser utilizada nos anos subseqüentes. Com isso, a compensação passa a ser integral. Recurso improvido." "Acórdão: Resp 183050— Publicado no DJ de 08/03/99 Compensação — Prejuízos Fiscais — Lei n°8.961/95. Nesta corte pacificou-se o entendimento de que a Lei n° 8.981/95 publicada no Diário Oficial da União de 31/12/94, circulou no mesmo dia, não se podendo falar em contrariedade ao princípio da anterioridade. Tem ela aplicação no exercício de 1.995. Recurso provido.' Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 07 de julho de 2004. NELSON1160 15 Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000206/2001-85
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: ITR EXERCÍCIO 1997. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
Descabe a exclusão de área declarada como de reserva legal se não houver averbação no registro na matrícula do imóvel ou não for comprovada sua existência pela apresentação de laudo técnico ou documento hábil expedido por órgão governamental competente.
ÁREA TOTAL DO IMÓVEL
Comprovada a existência de despacho judicial determinando o registro do imóvel em nome do interessado, em ação de usucapião, em área inferior àquela anteriormente declarada, há que se utilizar para o cálculo do imposto a área real estabelecida em sentença.
PRECLUSÃO
Alegações não trazidas à lide em primeira instância constituem matéria preclusa, da qual não pode o Conselho tomar conhecimento.
RECURSO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 301-32483
Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso nos termos do voto do conselheiro relator.
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200601
ementa_s : ITR EXERCÍCIO 1997. ÁREA DE RESERVA LEGAL. Descabe a exclusão de área declarada como de reserva legal se não houver averbação no registro na matrícula do imóvel ou não for comprovada sua existência pela apresentação de laudo técnico ou documento hábil expedido por órgão governamental competente. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Comprovada a existência de despacho judicial determinando o registro do imóvel em nome do interessado, em ação de usucapião, em área inferior àquela anteriormente declarada, há que se utilizar para o cálculo do imposto a área real estabelecida em sentença. PRECLUSÃO Alegações não trazidas à lide em primeira instância constituem matéria preclusa, da qual não pode o Conselho tomar conhecimento. RECURSO PROVIDO EM PARTE
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10620.000206/2001-85
anomes_publicacao_s : 200601
conteudo_id_s : 4265362
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 301-32483
nome_arquivo_s : 30132483_129005_10620000206200185_005.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : José Luiz Novo Rossari
nome_arquivo_pdf_s : 10620000206200185_4265362.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso nos termos do voto do conselheiro relator.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
id : 4658767
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:13:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378329161728
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T22:59:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T22:59:24Z; Last-Modified: 2009-08-06T22:59:24Z; dcterms:modified: 2009-08-06T22:59:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T22:59:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T22:59:24Z; meta:save-date: 2009-08-06T22:59:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T22:59:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T22:59:24Z; created: 2009-08-06T22:59:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-06T22:59:24Z; pdf:charsPerPage: 1629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T22:59:24Z | Conteúdo => • • ,,'",1;"!?, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • I? PRIMEIRA CÂMARA Processo n2 : 10620.000206/2001-85 Recurso n2 : 129.005 Acórdão n2 : 301-32.483 Sessão de : 26 de janeiro de 2006 , Recorrente : SÍLVIO LEPESQUEUR . Recorrida : DRJ - BRASÍLIA/DF • ITR EXERCÍCIO 1997. ÁREA DE RESERVA LEGAL. Descabe a exclusão de área declarada como de reserva legal se não houver averbação no registro na matrícula do imóvel ou não for comprovada sua existência pela apresentação de laudo técnico ou documento hábil expedido por órgão governamental competente. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL • Comprovada a existência de despacho judicial determinando o • registro do imóvel em nome do interessado, em ação de usucapião, em área inferior àquela anterionmnte declarada, há que se utilizar para o cálculo do imposto a área estabelecida em sentença. • PRECLUSÃO Alegações não trazidas à lide em primeira instância constituem matéria preclusa, da qual não pode o Conselho tomar conhecimento. RECURSO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. tk • OTACÍLIO DA S CARTAXO Presidente • JO É LUIZ NOVO ROSSARI Relator Formalizado em: 23 F EV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Atalina Rodrigues Alves, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fonsêca de Menezes, Irene Souza da Trindade Torres, Carlos Henrique Klaser Filho e Susy Gomes Hoffinann. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Rubens Carlos Vieira. mas/1 Processo nQ : 10620.000206/2001-85 Acórdão n2 : 301-32.483 •• , RELATÓRIO O contribuinte acima identificado recorre a este Colegiado contra a decisão proferida pela r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte a exigência fiscal constante do auto de infração de fls. 2/11, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural correspondente ao exercício de 1997, no valor original de R$ 42.917,18, acrescido de juros de mora e de multa de oficio, do imóvel denominado "Fazenda Conceição do Rio da Prata", localizado no município de Paracatu/MG, com área total de 5.308 ha, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob nQ 1.842.260-8. • 0 lançamento do imposto foi efetuado pela DRF em Curvelo/MG e decorreu da glosa das áreas: a) de 650 ha declarada como de preservação permanente mas, segundo a autuação, não provada com a solicitação de Ato Declaratório Ambiental do Ibama; e b) de 1.061,6 ha declarada como de reserva legal, mas que não foi comprovada com averbação da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de •• Imóveis. O interessado impugnou o feito (fls. 30/36) juntando cópia do ADA e Declaração de Produtor Rural, bem como despacho do Juiz de Direito da 2' Vara Cível da Comarca de Paracatu/MG dando conta de ter sido concedido o usucapião da área no mês de dezembro de 2000, alegando justificada a falta de averbação da reserva legal porque, até então não tinha matrícula onde averbar. Acrescentou que, ao levantar a área do imóvel para requerer a ação de usucapião, foi encontrada a área real de 4.999,71 ha, que foi aceita conforme despacho judicial, tendo sido perdida a área de 309 ha, conforme consta nas declarações apresentadas desde 1998. O litígio foi decidido nos termos do Acórdão DRJ/BSA n2 7.757, de 110 3/10/2003 (fls. 43/46), cuja ementa dispõe, verbis: "ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE O sujeito passivo apresentou o ADA protocolado dentro do prazo estabelecido na IN SRF n2 56/98. Glosa indevida. RESERVA LEGAL O sujeito passivo não apresentou a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, conforme determinado no art. 16, parágrafo 22 da Lei n2 4.771/65 (Código Florestal), com redação dada pela Lei n2 7.803/89. Glosa devida. • Lançamento Procedente em Parte" No julgamento de primeira instância foi considerada indevida a glosa referente à área declarada como de preservação permanente, e mantida a tributação sobre a área de reserva legal, por falta de comprovação de sua existência. 2 Processo n2 : 10620.000206/2001-85 Acórdão n2 : 301-32.483 O recorrente recorre tempestivamente às fls. 50/58, alegando: • que não merece prosperar a desconsideração da área de reserva legal sob o argumento de que a mesma não está averbada no Registro de Imóveis, tendo em vista que o art. 10 da Lei.n 2 9.393/96 não exige tal averbação; • que o art. 16, § 22, do Código Florestal, impõe como limite ao aproveitamento das propriedades privadas que possuam florestas a reserva legal de 20%, e que a determinação no sentido de que tais áreas devam ser averbadas no registro de imóvel não interfere no fato de que as mesmas, ainda que pendentes de averbação, devem ser excluídas da área tributável pelo ITR; • que a referida área existe e está no aguardo da fiscalização para conferência, e que não se admite que mera formalidade burocrática, atentatória à lógica extrafiscal do imposto, seja capaz de criar obrigação que onere ainda mais o • proprietário, detentor de área na qual se encontra proibido de explorar e ainda tem que arcar com tributo calculado como se área produtiva fosse; • que é indevida a correção do crédito por meio de Selic, tendo em vista que o art. 161, § P, do CTN limita aos de caráter moratório os juros incidentes sobre os débitos, proibindo que os sujeite a juros remuneratórios, típicos de operações de crédito realizadas por instituições financeiras; • que os juros deverão ser sempre de 1% nos meses em que a taxa • Selic superar esse percentual; • • • que é indevida a multa de oficio de 75%, por ser manifestamente confiscatória, trazendo à colação decisão proferida pelo STF nos autos da AD1N n2 • 1.075.1, suspendendo a aplicação da multa prevista na Lei n 2 8.846/94. Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, para declarar a nulidade total da autuação. •É o relatório. 3 , Processo rf : 10620.000206/2001-85 Acórdão tf : 301-32.483 VOTO Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Discute-se o lançamento de oficio do ITR referente ao exercício de • 1997, decorrentè da glosa da área 1.061,6 ha declarada pelo recorrente como de reserva legal e não aceita pelo Fisco em razão de falta de averbação no registro de imóveis. Para os efeitos do Código Florestal a averbação da área de reserva legal estava prevista, ao tempo da obrigação tributária que gerou este processo, no art. • 16, § 22, da Lei rf 4.771/65, na redação que lhe deu o art. 1 2 da Lei n2 7.803/89. A mesma obrigação foi mantida pelo § 8 2 do art. 16, na redação que lhe deu o art. 1 2 da Medida Provisória rf 2.166-67/2001. Entendo que ao indicar essa legislação, para efeitos de exclusão de tributação de área do imóvel rural, o art. 10, inciso II, "a", da Lei n2 9.393/96 pretendeu dar a mesma obrigação prevista no Código Florestal para as obrigações fiscais referentes às áreas sujeitas à incidência do ITR. Assim, em princípio, devem os interessados na exclusão de áreas da tributação cumprir o requisito essencial de averbação dessas áreas na matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis onde estão registradas. Na falta de cumprimento desse requisito este Conselho tem aceito a • apresentação de laudo técnico do imóvel expedido por profissional competente, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART), ou de declaração de • órgão governamental, que atestem a efetiva existência da reserva legal ao tempo da • ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso em exame, não houve a averbação da área nem a apresentação de qualquer prova que pudesse agir a favor do recorrente. Verifica-se que no Mandado de Registro de Sentença de Usucapião (fls. 31/32) que determina o registro do imóvel não cOnsta qualquer referência à eventual existência de área de reserva legal ou, pelo menos, de florestas, no imóvel objeto de sentença. E no ADA apresentado pelo recorrente também não consta a área alegada como de reserva legal. Em se tratando de lide que versa sobre matéria de fato, cumpre ao interessado a trazida aos autos de documentos que possam demonstrar o direito alegado. Não houve essa providência, cumprindo ressaltar que não cabe à fiscalização da SRF proceder ao exame do imóvel, como argumentado pelo recorrente, por se tratar de atividade que compete a profissionais especializados para esse mister. De outra parte, no Mandado de Registro de Sentença é determinado o registro do imóvel com a área de 4.999,71.84 ha. Em vista desse despacho judicial, 4 • • Processo n2 : 10620.000206/2001-85 • Acórdão n2 : 301-32.483 proveniente de medição levada a efeito para a ação de usucapião, entendo que essa área deve ser aceita para • fins de apuração do grau de utilização e da alíquota a ser aplicável na cobrança do imposto já nesse exercício de 1997, objeto de lide. Quanto às alegações de descabimento dos juros de mora com base na taxa Selic e da multa de oficio, verifico tratarem-se de assuntos que não foram objeto de impugnação pelo interessado para efeitos do julgamento de primeira instância administrativa, razão pela qual entendo constituírem matérias preclusas em relação às quais não pode este Conselho tomar conhecimento. Diante do exposto, voto por que seja dado provimento parcial ao recurso, para os efeitos de ser considerada na cobrança do imposto a área total objeto de despacho judicial. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2006 IP JOSE LUIZ NOVO ROSSARI - Relator • Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000962/99-89
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - DILIGÊNCIAS - As solicitações de providências ou diligências da administração devem ser justificadas, mormente quando passíveis de realização pelo próprio sujeito passivo que nelas insiste. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES ( Lei nº 9.363/96) - AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA - Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido - o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem - tais conceitos serão os estabelecidos na legislação do IPI (critério subsidiário), até que a lei instituidora do incentivo ou as normas que regem a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS venham a estabelecer outros (critério principal). Assim, não se identificando a energia elétrica com os produtos intermediários, de conformidade com a legislação do IPI, a sua aquisição não compõe a base de cálculo do crédito presumido. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS E NÃO INDUSTRIALIZADAS - Faz jus ao crédito presumido, nos expressos termos legais, a empresa "produtora" e "exportadora" de mercadorias nacionais, configurando-se aqui a exigência cumulativa. Na exportação de mercadorias adquiridas de terceiros e não industrializadas pelo exportador, estamos diante de empresa "exportadora" mas não "produtora", restando desatendido um dos requisitos para a concessão do benefício; razão pela qual tais exportações não integram a receita de exportação para efeitos do crédito presumido. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-76133
Decisão: I) Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo à energia elétrica consumida no processo industrial , vencidos os Conselheiros Gilberto Cassuli, que apresenta declaração de voto, Antonio Mário de Abreu Pinto, Adriene Maria de Miranda (suplente) e Rogério Gustavo Dreyer. e II) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito à exportação de mercadorias adquiridas de terceiros.
Nome do relator: José Roberto Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200206
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - DILIGÊNCIAS - As solicitações de providências ou diligências da administração devem ser justificadas, mormente quando passíveis de realização pelo próprio sujeito passivo que nelas insiste. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES ( Lei nº 9.363/96) - AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA - Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido - o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem - tais conceitos serão os estabelecidos na legislação do IPI (critério subsidiário), até que a lei instituidora do incentivo ou as normas que regem a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS venham a estabelecer outros (critério principal). Assim, não se identificando a energia elétrica com os produtos intermediários, de conformidade com a legislação do IPI, a sua aquisição não compõe a base de cálculo do crédito presumido. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS E NÃO INDUSTRIALIZADAS - Faz jus ao crédito presumido, nos expressos termos legais, a empresa "produtora" e "exportadora" de mercadorias nacionais, configurando-se aqui a exigência cumulativa. Na exportação de mercadorias adquiridas de terceiros e não industrializadas pelo exportador, estamos diante de empresa "exportadora" mas não "produtora", restando desatendido um dos requisitos para a concessão do benefício; razão pela qual tais exportações não integram a receita de exportação para efeitos do crédito presumido. Recurso negado.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
numero_processo_s : 10670.000962/99-89
anomes_publicacao_s : 200206
conteudo_id_s : 4460309
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 201-76133
nome_arquivo_s : 20176133_116022_106700009629989_017.PDF
ano_publicacao_s : 2002
nome_relator_s : José Roberto Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 106700009629989_4460309.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : I) Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo à energia elétrica consumida no processo industrial , vencidos os Conselheiros Gilberto Cassuli, que apresenta declaração de voto, Antonio Mário de Abreu Pinto, Adriene Maria de Miranda (suplente) e Rogério Gustavo Dreyer. e II) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito à exportação de mercadorias adquiridas de terceiros.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2002
id : 4662265
ano_sessao_s : 2002
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:14:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378338598912
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-21T14:11:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-21T14:11:41Z; Last-Modified: 2009-10-21T14:11:41Z; dcterms:modified: 2009-10-21T14:11:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-21T14:11:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-21T14:11:41Z; meta:save-date: 2009-10-21T14:11:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-21T14:11:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-21T14:11:41Z; created: 2009-10-21T14:11:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-10-21T14:11:41Z; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-21T14:11:41Z | Conteúdo => ;c* Ministério da Fazenda INF - ~nolo consciba du.C.ontntaut, 2c Publifalf Ditn-- 1 ta— Fl. 11.-i-S 4 Segundo Conselho de Contribuintes d, 1 Rubrica Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 Recorrente : RIMA INDUSTRIAL S/A Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG • PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — DILIGÊNCIAS — As solicitações de providências ou diligências da administração devem ser justificadas, mormente quando passíveis de realização pelo próprio sujeito passivo que nelas insiste. IPI — CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES (Lei n° 9.363/96) — AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA — Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido — o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem — tais conceitos serão os estabelecidos na legislação do IPI (critério subsidiário), até que a lei instituidora do incentivo ou as normas que regem a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS venham a estabelecer outros (critério principal). Assim, não se identificando a energia elétrica com os produtos intermediários, de conformidade com a legislação do IPI, a sua aquisição não compõe a base de cálculo do crédito presumido. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS E NÃO INDUSTRIALIZADAS — Faz jus ao crédito presumido, nos expressos termos legais, a empresa "produtora" e "exportadora" de mercadorias nacionais, configurando-se aqui a exigência cumulativa. Na exportação de mercadorias adquiridas de terceiros e não industrializadas pelo exportador, estamos diante de empresa "exportadora" mas não "produtora", restando desatendido um dos requisitos para a concessão do beneficio; razão pela qual tais exportações não integram a receita de exportação para efeitos do crédito presumido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: RIMA INDUSTRIAL S/A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: 1) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto ao crédito relativo à energia elétrica consumida no processo industrial. Vencidos os Conselheiros Gilberto o.'t 1 1 4, 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 Cassuli, que apresentou declaração de voto, Antonio Mário de Abreu Pinto, Adriene Maria de Miranda (Suplente) e Rogério Gustavo Dreyer; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito à exportação de mercadorias adquiridas de terceiros. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2002. QfiOctikiCre uhÁbara Josef Maria Coelho Marques Presidente Jogfé °bilra° Vieira R !ator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire e Antonio Carlos Atulim (Suplente). Eaal/ 2 •.9 ‘:"." 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. 1"1 lt. Segundo Conselho de Contribuintes Processo 112 : 10670.000962/99-89 Recurso n9 : 116.022 Acórdão n9 : 201-76.133 Recorrente : RIMA INDUSTRIAL S/A RELATÓRIO O sujeito passivo apresentou, em 29.09.99, pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações (Lei n° 9.363/96), correspondente a 1995, acompanhado da respectiva documentação. O despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Montes Claros/MG, de 15.022000, reconheceu parcialmente o direito creditório; decisão da qual foi cientificado o peticionário por aviso de recebimento de 28.02.2000 (fl. 237). Inconformada, a contribuinte impugnou tal despacho por instrumento apresentado em 28.03.2000 (fls. 238 a 254). O Delegado da DRJ em Juiz de Fora/MG, através da decisão de primeira instância, datada de 19.09.2000, tomou conhecimento da impugnação, para, na seqüência, indeferir o pleito do sujeito passivo (fls. 282 a 296). Cientificado da decisão monocrática por aviso de recebimento de 02.10.2000 (fl. 298), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 26.10.2000 (fls. 300 a 328, e 331), reiterando seus argumentos; tendo aquela DRJ encaminhado o processo com o mencionado recurso, em 07.11.2000, a este Conselho de Contribuintes (fls. 333). É o relatório. / 3 L r CC-MF •••• Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo ri2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSÉ ROBERTO VIEIRA Trata-se de "...crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados", concedido à "...empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais", como ressarcimento das Contribuições PIS/PASEP e COFINS, "...incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo"; tudo nos termos da Lei n° 9.363, de 13.12.96, artigo 1°. Diversos são os procedimentos e as interpretações assumidos pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância objeto de questionamento pela recorrente, as quais passamos a considerar abaixo uma a uma. 1. Pedido de Juntada do Demonstrativo de Crédito Presumido O sujeito passivo insiste na juntada, por parte da Delegacia da Receita Federal de Montes Claros - MG, do Demonstrativo de Crédito Presumido (fls. 183 e 184), muito embora reconheça que os mapas elaborados pela fiscalização de tributos federais substituíram os referidos demonstrativos (fl. 159). Aliás, já fizera tal solicitação na oportunidade da Impugnação, indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora - MG. Interessante que, conquanto sempre insistindo na juntada do demonstrativo, nunca tomou a iniciativa de juntá-lo "sponte propria", nem mesmo de apresentar provas de irregularidades e deficiências nos elementos do processo que o substituíram, de modo a justificar sua insistência na requerida juntada. Cabe lembrar que as diligências solicitadas, já na primeira instância, devem estar acompanhadas de sua competente justificativa, e com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados; e que, desatendidos tais requisitos, considera-se não formulado o pedido de diligências (Decreto n° 70.235, de 06.03.72, artigo 16,1V e § 1 °). À absoluta ausência de motivos para colocar em dúvida a procedência dos mapas que substituíram o requerido demonstrativo, entendemos, tal como já. se entendeu no julgamento de primeira instância, desnecessária a sua juntada. 2. Aquisição de Energia Elétrica Para a determinação da base de cálculo do crédito presumido toma-se em conta o valor total das aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo (artigos 1° e 2° da Lei n° 9.363/96). O estabelecimento do conceito desses insumos será feito mediante a utilização subsidiária da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nos termos do § único do artigo 3° do mesmo diploma legal. 43,L 4 2° CC-MF Ministério da Fazenda • Fl. Segundo Conselho de Contribuintes •;;;._ Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 Se a legislação do IP' consiste aqui num critério subsidiário, resta determinar qual o critério principal. Uma alternativa, que ainda encontra eco no âmbito deste tribunal administrativo tributário, é a representada por decisão em que foi relator o Conselheiro OSWALDO TANCREDO DE OLIVEIRA, assim em parte ementada: "A utilização da legislação do para efeitos do conceito de ginsumos t (matérias-primas) tem caráter subsidiário (supletivo, auxiliar), não prevalecendo sobre a conceituação genérica adotada na ciência econômica"; e segue o relator na manifestação do seu voto: "...no que respeita ao conceito de 'instinto', o critério principal, o critério geral a ser adotado, antes de se chegar ao critério subsidiário, supletivo, auxiliar, da legislação do IPI, há de ser o contemplado pela Ciência Económica na qual se inserem, naturalmente, todos os fatores utilizados no processo de industrialização... E somente quando esse critério (principal) mostra-se insuficiente ou inseguro para o estabelecimento da correta concentração de inSURIOS é que o intérprete da norma legal deverá valer-se do critério subsidiário, secundário, auxiliar, supletivo, que é o oferecido pela legislação do IPI" I. Não vemos com bons olhos esse caminho interpretativo, pois implica buscar, para uma interpretação jurídica, fatos e conceitos alheios ao mundo jurídico. E verdade que existem situações em que a própria lei absorve conceitos extrajurídicos, como bem o esclarece CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO- " quando a lei não redefine conceitos e noções utilizados na linguagem corrente ou quando não especifica o conteúdo exato das expressões que utiliza, isto significa que encampa e absorve a significação comum, usual, que a palavra tem no uso diuturno, leigo" 2 . Contudo, trata-se de recurso válido apenas e tão-somente diante do silêncio da lei. E, no caso, não é silente a lei, pois as normas do IPI enunciam os conceitos ora buscados, muito embora em caráter subsidiário. O pecado, nessa opção hermenêutica, consiste em confundir o mundo 'láctico e o mundo jurídico, como denunciou entre nós a pena jurídica privilegiada de FRANCISCO CAVALCANTI PONTES DE MIRANDA 3 . E só existe um único e exclusivo caminho para transitar entre esses dois mundos: o do fenômeno da incidência jurídica, tema aliás que, na avaliação rigorosa e confiável de JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, "...culmina com a obra cientifica de Pontes de Miranda... a quem provavelmente se deve a construção cientifica mais profunda da teoria da incidência das normas jurídicas..." a Leciona PONTES DE MIRANDA que a juridicização de um conceito só se dá por força da incidência de uma norma jurídica, que, contemplando-o, promove a sua introdução no mundo jurídico, trazendo-o do mundo fáctico; ensinamento sobre o qual, na apreciação de PAULO DE BARROS CARVALHO, existe "...absoluta unanimidade" 5 . Trata-se aqui da I Acórdão n°202 .09.744, de 09.12.97 (Processo n° 10930.001133/96-81), p. 1 e 9-10. 2 Controle Judicial dos Limites da Discricionariedade Administrativa, Revista de Direito Público, São Paulo, RT, n°31, set./out. 1974, p. 36. 'Tratado de Direito Privado — Parte Geral: Introdução — Pessoas Físicas e Jurídicas, T. I, Rio de Janeiro, Borsoi, 1954, p. XXI. 4 Teoria Geral da Isenção Tributária. 3' ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 175. 5 Curso de Direito Tributário, 13' ed., São Paulo, Saraiva, 2000, p. 271. ,z,4pce 5 CC-MF • ice- Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 função classificadora das normas jurídicas, selecionando os fatos e conceitos que interessam ao Direito, que lhe são relevantes (jurídicos), e aqueles que não lhe interessam, que não lhe são relevantes, que permanecem aquém ou além do jurídico (ajurídicos) 6 . Só então esse conceito, uma vez revestido de juridicidade, torna-se apto a gerar efeitos jurídicos, uma vez que, na afirmação clássica de PONTES, só de fatos e de conceitos jurídicos é que pode derivar qualquer eficácia jurídica'. Por essa razão é que os teóricos gerais do direito costumam afirmar que o mundo jurídico é conseqüência exclusiva da incidência das normas jurídicas, como o fazem, a título exemplificativo, MARCOS BERNARDES DE MELL0 8 e JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES9. Determinar os conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo critério principal da Ciência Econômica acaba inevitavelmente por redundar num desses dois resultados: ou fazer derivar efeitos jurídicos de conceitos que não ingressaram no mundo jurídico, não jurídicos portanto; ou lançar-se na tentativa de juridicizar conceitos, introduzindo-os no mundo jurídico, sem a intermediação de qualquer norma jurídica, o único instrumento hábil para tal empreitada. Em ambos os casos, encontramo-nos perante autênticas impossibilidades jurídicas, verdadeiros absurdos em termos de Teoria Geral do Direito, donde só nos cabe, em sã consciência jurídica, abandonar a inviável sugestão desse critério principal para a identificação daqueles conceitos Permanece, pois, a indagação acerca do critério principal, do qual a legislação do IPI corresponderia ao critério subsidiário. Boa parece-nos a alternativa proposta pelo conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, quando relatava decisão da segunda câmara deste mesmo Colegiado: "Hoje, entendo que o termo subsidiariamente... significa que se utilizará, inicialmente, a própria lei criadora do incentivo para o estabelecimento dos conceitos de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem; não sendo possível o esclarecimento da dúvida com base na lei instituidora do beneficio fiscal, será utilizada, secundariamente, a legislação do IPI, para suprir a deficiência daquela lei" (grifamos)16. E acreditamos poder ainda completar esse critério principal. A norma que determina a utilização subsidiária da legislação do IPI encontra-se no § único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, cujo "capta" estabelece que a apuração do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada "...nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no artigo I°". Parece-nos portanto transparente e cristalino que tanto a lei instituidora do crédito presumido quanto as normas que 6 PONTES DE MIRANDA, op. cit, p. 19-20. No mesmo sentido, JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, op. cit, p. 177. 7 Op. cit., p. 4, 17 e 22. 8 Contribuição ao Estudo da Incidência da Norma Jurídica Tributária, in JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES (coord.), Direito Tributário Moderno, São Paulo, Bushatslcy, 1977, p. 17; Teoria do Fato Jurídico, 2' ed., São Paulo, Saraiva, 1986, p. 86. Op. cit, p. 176. I ° Acórdão n° 202.10.702, de 11.11.98 (Processo n° 10930.000589197-69), p. 14. Xe • 6 k.) r CC-MF Ministério da Fazenda Fl. '11':14 Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 disciplinam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS podem estabelecer os conceitos dos insumos buscados. Se tais leis o fizeram ou não é questão diversa, o fato é que poderiam tê-Io feito. Efetivamente, compulsando a Lei n° 9.363/96 (instituidora do crédito presumido); a Lei Complementar n° 70, de 30.12.91 (instituidora da COFINS); a Lei Complementar n° 7, de 07.09.70 (instituidora do PIS); a Lei Complementar n° 08, de 03.12.70 (instituidora do PASEP); ou a Medida Provisória n° 1.212, de 28.11.95, ou a sua Lei de Conversão n°9.715, de 25.11.98, ou ainda a Lei n° 9.718, de 27.11.98 (atinentes ao PIS/PASEP), e demais leis pertinentes, não se deparam os desejados conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Mesmo que insuficientes ou inexistentes tais conceitos, porém, sempre será assegurada a primazia dessa legislação para fixá-los, nos termos da Lei n° 9.363/96. Aqui o critério principal. Em face, contudo, da atual omissão dessas normas jurídicas, abrem-se as portas aos conceitos da legislação do 'PI. E quando a Portaria MF n° 129, de 05.04.95, declara peremptoriamente que os conceitos daqueles insumos "...são os admitidos na legislação aplicável do IPI" (artigo 2°, § 3°), está a enunciar regra válida enquanto a lei criadora do crédito presumido e as leis que regem aquelas contribuições não fizerem valer sua condição de critério principal no estabelecimento desses conceitos, sobrepondo-se ao critério subsidiário da legislação do 1PI. Eis que adequado o "mea culpa" rezado pelo Conselheiro ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO, relator de decisão da Segunda Câmara deste Conselho, quando reconhece: "...tenho hoje a convicção de não ser apropriado se apegar à circunstância de a Exposição de Motivos em que foi justificada a expedição da Medida Provisória n° 948/95, que instituiu o incentivo em questão, ter utilizado o termo linsurno' para designar, de forma simplificada e genérica, os produtos que se pretendia desonerar das contribuições sociais, de sorte a valer-se de seu conteúdo amplo no ramo da Economia para contrapor ao que está repetida e taxativamente apresso no tato legal conto sendo matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem" II. Eis, portanto, que plenamente válidos, por ora, os conceitos veiculados pela legislação do 1PI quanto a esses insumos, que passamos, com brevidade a resumidamente recordar. As Matérias-Primas são os elementos imprescindíveis e essenciais à fabricação de um certo produto final, em cuja composição entram em maior proporção (a madeira para a fabricação dos móveis, o ferro ou o aço para a fabricação de máquinas, o fio para a fabricação do tecido, o tecido para a fabricação do vestuário etc). O Material de Embalagem abrange tudo o que se destine ao acondicionamento (pregos, barbantes, fitas etc). Os Produtos Intermediários incluem aqueles produtos secundários que se incorporam ao produto final (o parafuso em relação à cadeira etc), bem como incluem "...os que, embora não integrando o produto final, sejam 11 Acórdão n° 202-11.198, de 18.05.99 (Processo n° 10930.0022N/97-13), p. 10. 43t, 7 22 CC-MF Ministério da Fazenda Yh Segundo Conselho de Contribuintes Fl z..; ';;'45.4e^ Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 consumidos ou utilizados no processo industrial" (lixas, lâminas de serra, catalisadores etc) — Regulamento do 1PI, Decreto n° 2.637, de 25.06.98, artigo 488. No que tange à dificuldade de caracterizar o consumo dos produtos intermediários, relembre-se a orientação do Parecer Normativo CST n° 65/79: "A expressão iconsumidos t... há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo exemphficativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto de fabricação, ou deste sobre O E o esclarecimento adicional do Parecer Normativo CST n° 181/74: "...não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas... bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento..." Assim, o produto intermediário que não se incorporar ao produto final deve ser consumido no processo de fabricação, por sua ação direta sobre o produto fabricado ou pela ação direta deste sobre o produto intermediário. Ora, uma vez que a energia elétrica, pelo que se deduz do exposto, é utilizada para possibilitar o flincionamento dos Fomos Elétricos de Redução (fl. 160), definitivamente não se identifica com produto intermediário, e muito menos com matérias-primas ou material de embalagem, correspondendo, isso sim, às exclusões a que alude o PN CST n° 181/74. Acerta, pois, aqui, outra vez, a decisão recorrida. 3. Exportação de Mercadorias Adquiridas de Terceiros e Não Submetidas a Processo de Industrialização A recorrente protesta contra a exclusão da receita de exportação do valor das exportações de produtos adquiridos de terceiros e não submetidos a qualquer processo de industrialização. Observe-se que, nos termos do artigo I°, "caput", faz jus ao crédito presumido do IPI a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Atente-se para o fato de que o texto legal utiliza, em termos lógicos, o conjuntor "e", e em termos gramaticais, a conjunção aditiva "e", consubstanciando a exigência cumulativa de ambos os requisitos. Tanto a produção sem a exportação quanto a exportação sem a anterior produção desatendem à exigência legal para a concessão do beneficio. No que tange aos produtos adquiridos de terceiros e exportados sem qualquer industrialização adicional, a empresa caracteriza-se como exportadora, mas não como produtora, fugindo ao âmbito desenhado pelo legislador como alvo do incentivo. Em tais casos, os produtos exportados mas não produzidos pelo sujeito passivo não integram a receita de exportação para efeitos do crédito presumido. 40.„ 8 " CC-MF déMinistrio a Fazendact. to?,:zjior Segundo Conselho de Contribuintes Fl fcs:^ Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 Razão seja dada, pois, no particular, e uma vez mais, à decisão recorrida É o nosso voto Sala das Sessões, em 18 de junho de 2002 JOSE OBERTO VIEIRA 4,1) 9 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 DECLARAÇÃO DE VOTO DO CONSELHEIRO GILBERTO CASSULI Discordamos, data vênia, de parte do entendimento adotado pelo Eminente Conselheiro Relator. A empresa contribuinte, ora recorrente, pretendeu o ressarcimento do crédito presumido de IN a que se refere a Portaria MF n° 38/97. Trata-se do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. No que tange à "aquisição de energia elétrica", formulamos entendimento diverso do adotado pelo Fisco no presente processo, tendo em conta que a decisão tomada por este excluiu da base de cálculo do crédito presumido os valores referentes à energia elétrica, por entender que esta não se enquadra nos conceitos de matéria-prima, material de embalagem ou produto intermediário. Com efeito, estabelece a Lei n° 9.363, de 13/12/1996: "Art I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo prochaivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. lo, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizar-se-á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos (1S}7bi 10 e ; 22 CC-MF :Se Ministério da Fazenda Fl. ti";,:g.2en.;,'J Segundo Conselho de Contribuintes •kg:. Processo n9 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 conceitos de receita operacional bruta e de produção. matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem." (grifamos) Da doutrina transcrevemos: "O crédito presumido do IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social — COHNS, não é um crédito fiscal que resulta, diretamente, da aplicação do Principio da Não-Cumulatividade do 'PI Muito pelo contrário, ele é gerado por operações sobre as quais o Principio da Não- Cumulatividade não tem aplicação, porque se tratam de operações imunes à incidência do imposto. Referimo-nos à exportação de produtos industrializados. Portanto, o crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, tem a natureza jurídica de incentivo à exportação de produtos industrializados.12" Alguns dos escopos do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96 (que teve como antecedentes as MP n's 674/94, 905/95 e 948/95; e outros) podem ser constatados das exposições de motivos externadas pelo Sr. Ministro da Fazenda, nas referidas Medidas Provisórias. Assim sendo, objetiva a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros exportados, conforme a política adotada no sentido de não se exportar tributos. Da Portaria Ministerial denotamos que se optou por desonerar não apenas a última etapa do processo produtivo, visto que PIS e COFINS incidem cumulativamente, e sim mais etapas antecedentes, chegando-se à cediça aliquota de 5,37%. Perquirindo, destarte, acerca da mens legis, ou seja, a vontade, o desejo da lei, notamos que pretende, com este crédito presumido, desonerar a carga tributária das exportações. DA ENERGIA ELÉTRICA Inegavelmente, a energia elétrica é mercadoria. Assim tivemos a oportunidade de fundamentar, votando nos autos do Recurso n° 106.360, como segue. Diversos doutrinadores esmiuçaram a matéria e lecionaram no sentido de ser mercadoria a energia elétrica, principalmente em sede de ICMS. Também o direito penal nos auxilia nessa conceituação de energia elétrica como mercadoria, quando considera crime de furto as ligações clandestinas à rede elétrica. Não é fora de propósito, então, trazer o que a doutrina entende por mercadoria, lembrando que os conceitos de bem e mercadoria foram separados pelo próprio constituinte, estabelecendo que aquele é gênero do qual este é espécie. Extraímos, assim, que as mercadorias "são bens não imóveis, objeto da mercancia exercida pelo contribuinte, por ele produzidos ou 12 REIS, Maria Lúcia Américo dos; BORGES, José Cassiano. O IPI Ao Alcance de Todos: Doutrina — Jurisprudência — Legislação — Pareceres Normativos. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 463. (tik 11 29 CC-MF :14h5-'-;;;;:- Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 que tenham sido adquiridos para ser revendidos no mesmo estado ou depois de transformados ou integrados em produto novo"13 Em outras palavras, deve -se realçar o que sejam mercadorias: "Mercadorias são coisas móveis. São coisas porque bens corpóreos, que valem por si e não pelo que representam. Coisas, portanto, em sentido restrito, no qual não se incluem os bens tais como os créditos, as ações, o dinheiro, entre outros. E coisas móveis porque em nosso sistema jurídico os imóveis recebem disciplinamento legal diverso, o que os exclui do conceito de mercadorias."" Prossegue a doutrina: "A distinção entre mercadorias e outros bens (embora móveis) que não estão abrangidos por esse conceito apóia-se na sua finalidade e na maneira pela qual estão integrados ao processo produtivo. Neste sentido, a destinação é aferida pela qualificação que subjetivamente as partes lhe atribuem no contexto de uma relação de comércio, segundo a qual um bem pode ser mercadoria para o vendedor e mero bem para o comprador. Vale insistir que o conceito de mercadoria não é simplesmente objetivo (bem com certa qualidade em si). O bem adquirido com a finalidade de ser vendido, ainda que depois de industrializado, é mercadoria. is " (grifamos) A energia elétrica evidentemente se enquadra no conceito de mercadoria. O art. 155, II, da Constituição da República Federativa do Brasil, prevê a cobrança, pelos Estados e Distrito Federal, do ICMS, imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. A energia elétrica é tributada, nestes termos, como mercadoria; inclusive, o § 2°, X, "b", do citado artigo, estabelece que este imposto não incidirá sobre operações que destinem energia elétrica a outros Estados. Constatamos, que "De acordo com o Sistema Tributário Nacional vigente, a energia elétrica é, por ficção jurídica, considerada mercadoria pois trata-se de um bem móvel, comercializado com habitualidade pelas empresas concessionarias" 16 . Assim, a "Constituição Federal, espancando qualquer dúvida, definiu a energia elétrica como mercadoria, para efeito 13 GRECO, Marco Aurélio: LORENZO, Mina Paola Zonari de. ICMS — Materialidade e Características Constitucionais. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva. Curso de Direito Tributário. 7° ed. São Paulo: Saraiva. 2000. p. 536. 14 MACHADO, Hugo de Brito. et. al. Comentários ao Código Tributário NacionaL V ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1998. p. 113. 15 GRECO, op. cit., p. 537. 16 CARDOSO, H. A. ICMS incidentes na energia elétrica e na prestação de serviços de comunicação telefônica. Tributário.com. Disponível em: http://www.baccaro.combritributario/doutrina/HACicms.htm. Acesso em 08 jun 2001. 4t/ 12 r CC-MF Ministério da Fazenda Fl. 1°7 77%:.4 Segundo Conselho de Contribuintes Processo n9- : 10670.000962/99-89 Recurso n9 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 da incidência do ICMS, já que suscetível de circulação econômica. Possível inclusive de tipificar o crime de furto, corno subtração de coisa alheia móver 17 . É vasta a argumentação que coloca a energia elétrica como mercadoria. Também do texto constitucional, em seu Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 34, § 90, estabelece que "as empresas distribuidoras de energia elétrica, na condição de contribuintes ou de substitutos tributários, serão as responsáveis, por ocasião da saída do produto de seus estabelecimentos, ainda que destinado a outra unidade da Federação, pelo pagamento do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias incidente sobre energia elétrica, desde a produção ou importação até a última operação...". Resta clara sua condição de mercadoria, que circula comercialmente. De maneira muito esclarecedora, já se frisou que: é cediço. tranqüilo e incontestável, de que a energia elétrica é bem jurídico móvel, qualificado como mercadoria quando for objeto de atos de mercancia. Nesse sentido, como bem móvel, o próprio direito penal já a qualificou, sendo possível a tipificação do crime de fino adequada ao furto de energia elétrica mediante ligações clandestinas de cabos de transmissão da rede pública. Também no direito tributário essa definição sempre foi tranqüila, posto que, à época do regime constitucional anterior. cabia à União a tributação sobre operações com energia elétrica, considerada como um produto industrializado, portanto, bem móvel passível de incidência tributária, como é hoje a incidência do ICMS sobre esse bem. Ora, sendo considerada mercadoria quando a sua destinação for decorrente de atos de mercancia, é evidente que a energia elétrica é passível de circulação económica e também de transporte, tecnicamente definida como transmissão, pela utilização de fios e cabos das respectivas redes. Enfim, não há discordância do enunciado da energia elétrica como bem móvel e no sentido de mercadoria inerente aos atos de circulação económica decorrentes de negócios jurídicos (operações mercantis). 13 " (grifamos) Entendemos, assim, que a energia elétrica é mercadoria, na esteira da dominante doutrina e jurisprudência. Em sede de crédito presumido de IPI, não vemos como lhe negar o conceito de insumo na produção. É produto utilizado no processo produtivo, que nele se consome, sendo produto intermediário. Com efeito, a Lei que institui o beneficio do crédito presumido, identificando o que dá direito ao crédito, estabelece que a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de JANCIESKI, Célio Armando. Alguns Aspectos da Incidência do ICMS sobre a Energia Elétrica Fornecida a Empresas Industriais. Jornal Síntese n° 7, p. 7, set. 1997. IS ANDRADE, André Renato Miranda. A Regra-Matriz de Incidência do 1CMS e a Inexistência de Imunidade no Serviço de Transporte de Energia Elétrica. In: MARINS, James; MARINS, Gláucia Vieira. Direito Tributário Atual. Curitiba: Juruá, 2000. p. 287-288. 40 13 r CC-MF Ministério da Fazenda: Fl. Segundo Conselho de Contribuintes -;;•.(- - Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1° da Lei n° 9.363/96, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Dispõe ainda que será utilizada, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem. De fato, a legislação que rege a incidência do PIS/PASEP e da COFINS não conceitua matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, o que dá azo a que se abra mão da utilização subsidiária dos conceitos trazidos na legislação do Imposto de Renda e do IPI. O Decreto n° 2.637, de 25/06/1998, que regulamenta a cobrança do IPI - atual RIPI - estabelece, ao tratar dos bens de produção, em seu art. 488: "Art. 488 Consideram-se bens de produção (..): I - as matérias primas; II - os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; - os produtos des finados a embalagem e acondicionamento; IV- as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; V - as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes. que se destinem a emprego no processo industrial" (grifamos) A respeito de produtos intermediários, a r Turma do Eg. STJ, ao julgar o REsp n° 18.361-0-SP, rel. o Min. Helio Mosimann (DJU 07/08/1995), entendeu que: "TRIBUTÁRIO. IPI MATERIAIS REFRATÁRIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. Os materiais refratários empregados na indústria, sendo inteiramente consumidos, embora de maneira lenta, não integrando, por isso, o novo produto e nem o equipamento que compõe o ativo fixo da empresa, devem ser classificados como produtos intermediários, conferindo direito ao crédito fiscal" (grifamos) Vale trazer julgado da lavra do Ilustre Ministro Aliomar Baleeiro, ao relatar o RE n° 79.601-RS, em 26/11/1974, que, tratando do crédito de ICM, ementou: "ICM- NÃO CUMULATIVIDADE. Produtos intermediários, que se consomem ou se inutilizam no processo de fabricação. como cadinhos, lixas, feltros, etc., não são integrantes ou acessórios das máquinas em que se empregam, mas devem ser computados no produto final para fins de crédito do ICM, pelo principio da não-cumulatividade deste. Ainda que não integrem o produto final, concorrem direta e necessariamente para este porque utilizados no processo de fabricação, nele se consumindo." gir 14 22 CC-MF -• Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 Em seu voto, o Culto Aliomar Baleeiro afirma ser o material, então em questão, produto intermediário, por se desgastar e se consumir no processo industrial. "Não pode ser tratado juridicamente como integrante ou acessório das máquinas do capital fixo e imobilizado." Ora, este entendimento pode ser aplicado com relação à energia elétrica também. Prosseguindo na análise do que seja produto intermediário, mister colacionar o acórdão proferido pela r Turma do Eg. STJ, ao julgar o REsp n° 23 5.324/SP, rel. o Min. José Delgado: "TRIBUTÁRIO. ICMS PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE ICMS. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. I. A aquisição de produtos ou mercadorias que, apesar de integrarem o processo de industrialização, nele não são completamente consumidos e nem integram o produto final, não gera direito ao creditamento do ICMS posto que ocorre quanto a estes produtos apenas um desgaste, e a necessidade de sua substituição periódica é inerente à atividade insutrial. 2. Recurso Especial desprovido." A contrariu sensu, o entendimento adotado neste julgamento merece análise. Decidindo acerca do "direito de creditamento ou não do !'MS referente a materiais adquiridos e utilizados como matérias primas ou embalagens na fabricação de produtos finais, ou, ainda, de produtos que não integrando os produtos finais, foram consumidos no processo de industrialização", o Eminente Ministro José Delgado afirma, em seu voto, afirma que "Efetivamente, quando as mercadorias entradas no estabelecimento destinam-se a integrar o processo de industrialização, nele se consumindo ou integrando o produto final, existe o direito ao creditamento". Então, reportando-se o Ministro relator a pronunciamento seu no REsp n° 84808/SP, aduz que "O direito ao creditamento só se verifica no caso de consumo, ou seja, o mero desgaste não autoriza referido benefício, por não entrar os conseqüentes resíduos na composição do produto." Adiante, cita precedente oriundo do REsp n° 30.938-8-PR, rel. o Min. Humberto Gomes de Barros, em que decidiu que: "TRIBUTÁRIO. IPI PRINCIPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. TELAS E FELTROS. FABRICAÇÃO DE PAPEL 1 - A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se trata de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral." (grifamos) 15 r CC-MF -1 -ar-' ?", Ministério da Fazenda 'Pr , i zis'.! Segundo Conselho de Contribuintes Fl. '- r`14k.. v Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 Pois _bem exatamente esta é a_situação .da energia elétrica- .ctue não seincoom fisicamente ao produto fmaLnu &consumida imediata e integralmente no_curso do processo de industrialização. Finalizando sua fundamentação no já referido acórdão, o Ilustre Min. José Delgado afirma que "Exatamente pelo fato desta consumação não ser total e completa e sim corresponder, em verdade, a várias etapas do processo de industrialização, é que a aquisição desses insumos e mercadorias não gera direito ao crédito pretendido". A contrariei sensu, a ilação mais acenada nos leva a crer que, sendo a consumação da energia total e completa, há o direito ao crédito, E assim, mutatis ~landi, deve a energia elétrica ser considerada produto intermediário e, conseqüentemente, poder ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. A Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao julgar o Recurso n° 100.167, Acórdão n° 202-09.744, relator o Conselheiro Oswaldo Tancredo de Oliveira, decidiu em 09/12/1997 que "Energia elétrica, combustíveis e lubrificantes se incluem entre as matérias- primas, por participarem do processo de industrialização, até mesmo à luz do art. 82, inciso I, do RIPI" . Em seu voto o Relator fundamentou: "... a energia elétrica constitui produto intermediário, com direito ao crédito, em face do que dispõe o inciso Ido art. 81 do TUPI que manda incluir entre as matérias primas e produtos intermediários 'aqueles que, embora não se integrando no produto final, forem consumidos no processo de industrialização'. A energia elétrica desrina-se ao acionamento de motores elétricos, que, por sua vez, movimentam as máquinas e equipamentos usados no processo de industrialização dos produtos finais exportados." (grifamos) Comungamos, igualmente, com o entendimento do Ilustre Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer, que proferindo seu voto no julgamento do Recurso n° 110.144, Acórdão n° 201-74.349, em 21/03/2001, assim se posicionou: Tenho presente que a energia elétrica, por fonte de energia importante e aplicada na produção, insere-se no conceito de insumo e, dentro deste, de razoável entendimento referir-se a produto intermediário. (.) Por tal, não tenho, até o presente momento, motivos para excluir da base de cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao PIS e à COP7NS os gastos com a aquisição de energia elétrica. " (grifamos) Assim, entendemos que os custos com energia elétrica, tida no processo produtivo como produto intermediário, que nele se consome para que se chegue ao produto final, devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI aqui tratado. Pode a Receita Federal levantar o que, ou qual percentual das contas da fornecedora, são utilizados no processo produtivo. 16 • r CC-MY -1-42' -,.. Ministério da Fazenda Fl. ,,,ÏJ Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10670.000962/99-89 Recurso n2 : 116.022 Acórdão n2 : 201-76.133 Assim, pelo exposto, e por tudo mais que dos autos consta, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para assegurar à contribuinte seu direito à compensação do crédito presumido de IPI, ou seu ressarcimento em espécie, tudo nos termos da fundamentação, com relação à energia elétrica consumida no processo produtivo. Ressalvado o direito de a Receita Federal verificar os cálculos. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2002. r . . i GILBER C - .1/5/AÁiASSUtir it 17
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000804/00-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2001
Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - EX. 1999. A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da declaração de rendimentos de que não resulte imposto devido sujeita-se à aplicação da multa prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Não se configura denúncia espontânea o cumprimento de obrigação acessória, após decorrido o prazo legal para o seu adimplemento, sendo a multa decorrente da impontualidade do contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-12109
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Wilfrido Augusto Marques.
Nome do relator: Iacy Nogueira Martins Morais
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200107
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - EX. 1999. A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da declaração de rendimentos de que não resulte imposto devido sujeita-se à aplicação da multa prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Não se configura denúncia espontânea o cumprimento de obrigação acessória, após decorrido o prazo legal para o seu adimplemento, sendo a multa decorrente da impontualidade do contribuinte. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2001
numero_processo_s : 10650.000804/00-45
anomes_publicacao_s : 200107
conteudo_id_s : 4190464
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 106-12109
nome_arquivo_s : 10612109_125638_106500008040045_007.PDF
ano_publicacao_s : 2001
nome_relator_s : Iacy Nogueira Martins Morais
nome_arquivo_pdf_s : 106500008040045_4190464.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Wilfrido Augusto Marques.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2001
id : 4660564
ano_sessao_s : 2001
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:14:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378366910464
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-26T18:16:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-26T18:16:22Z; Last-Modified: 2009-08-26T18:16:22Z; dcterms:modified: 2009-08-26T18:16:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-26T18:16:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-26T18:16:22Z; meta:save-date: 2009-08-26T18:16:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-26T18:16:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-26T18:16:22Z; created: 2009-08-26T18:16:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-26T18:16:22Z; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-26T18:16:22Z | Conteúdo => • I by,ff e MINISTÉRIO DA FAZENDAirag, " PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r SEXTA CAMARA Processo n°. : 10650.000804/00-45 Recurso n° : 125.638 Matéria: : IRPF Ex(s): 1999 Recorrente : JOSÉ ANTONIO PINTO Recorrida : DRJ em BELO HORIZONTE - MG Sessão de : 26 DE JULHO DE 2001 Acórdão n°. : 106-12.109 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - EX. 1999. A partir do exercício de 1995, a entrega extemporânea da declaração de rendimentos de que não resulte imposto devido sujeita-se à aplicação da multa mínima prevista no artigo 88 da Lei 8.981/1995. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Não se configura denúncia espontânea o cumprimento de obrigação acessória, após decorrido o prazo legal para o seu adimplemento, sendo a multa decorrente da impontualidade do contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ ANTONIO PINTO. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do Ir relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno e Wilfrido Augusto Marques. IACY --OGU IRA -4INS MORAIS PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 3 O JUL. 2t1c1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÉNIA a MENDES DE BRITTO, ROMEU BUENO DE CAMARGO, THAíSA JANSEN PEREIRA, LUIS ANTÔNIO DE PAULA e EDISON CARLOS FERNANDES. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10650.000804/00-45 Acórdão n°. : 106-12.109 Recurso n°. : 125.638 Recorrente : JOSÉ ANTONIO PINTO RELATÓRIO Tratam os autos de multa lançada em decorrência da apresentação da Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas, relativa ao exercício de 1999, ano-calendário de 1998, após o prazo fixado na legislação tributária. O contribuinte devidamente notificado e inconformado com a autuação apresentou impugnação de fls. 01/03, alegando que apresentou espontaneamente a declaração, fato que o eximiria da penalidade imposta, com base no art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, citando, como reforço de sua defesa, jurisprudência administrativa e judicial. A autoridade julgadora a quo julgou procedente o lançamento por entender que a entrega intempestiva da declaração de rendimentos, não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN (fls. 16/19). Dessa decisão tomou ciência em 04/12/2000 (fls. 22) e, observando o prazo regulamentar, protocolizou em 20/12/2000 recurso anexado às fls. 23/29,. reiterando os argumentos aventados por ocasião da impugnação. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10650.000804/00-45 Acórdão n°. : 106-12.109 VOTO Conselheira IACY NOGUEIRA MARTINS MORAIS, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Instrução Normativa SRF n° 148, de 15 de dezembro de 1998, dispõe sobre a apresentação da Declaração de Ajuste Anual de Pessoa Física, relativa ao exercício de 1999, ano-calendário de 1998, estabelecendo no art. 1° as condições de obrigatoriedade de sua apresentação, ir verbis: "Art. 1° Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual a pessoa física, residente no Brasil, que no ano-calendário de 1998: I - recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 10.800,00 (dez mil e oitocentos reais); (...r A Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, conversão em lei da Medida Provisória n° 812, de 30 de dezembro de 1994, tratou em seus arts. 11, § 1°, e 88, inciso II, respectivamente, sobre a obrigatoriedade da apresentação da declaração de rendimentos das pessoas físicas; e das penalidades aplicáveis aos casos de inadirriplemento desta obrigação acessória, estabelecendo, ir verbis: "Art. 11. A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentar anualmente declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal até o último dia útil do mês de março do ano-calendário subseqüente. § 1° Ficam dispensadas da apresentação de declaração: 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10650.000804100-45 Acórdão n°. : 106-12.109 a) as pessoas físicas cujos rendimentos tributáveis, exceto os tributos exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, sejam iguais ou inferiores à soma dos limites de isenção da tabela progressiva vigente em cada mês do ano-calendário, desde que não enquadradas em outras condições de obrigatoriedade de sua apresentação;* (grifei) "Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - ã multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II - à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1° O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas:" Dos dispositivos transcritos conclui-se que todas as pessoas físicas estão obrigadas à apresentação da declaração anual de rendimentos, exceto as que a lei, expressamente, dispensou, desde que não alcançadas em outras condições de obrigatoriedade previstas na legislação tributária, previsão esta constante da IN SRF 148, de 1998, para a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1999. A partir do exercício de 1995, com a vigência da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, art. 88, a entrega intempestiva da declaração de rendimentos de pessoa física, desde que obrigatória, sujeita o contribuinte à multa mínima de R$ 165,74 quando não há imposto devido apurado no ajuste anual. Trata-se de penalidade pecuniária prevista expressamente em lei e, de caráter indenizatório, aplicável a todas as pessoas físicas obrigadas à apresentação da declaração de rendimentos. Portanto, estando o recorrente obrigado à apresentação da declaração de rendimentos, haja vista estar alcançado por condição elencada expressamente no ato normativo citado IN SRF 148, de 1998 — pessoas físicas quex 4 üS\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10650.000804/00-45 Acórdão n°. : 106-12.109 no ano-calendário de 1998 receberam rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 10.800,00 (dez mil e oitocentos reais) — ao apresentar a declaração a destempo, sujeitou-se a penalidade prevista na alínea a do § 1° do art.88 da Lei n° 8.981/1995 O art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, do qual o Recorrente pretende se valer, dispõe, in verbis: "Art. 138 - A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Da leitura do dispositivo em comento, conclui-se que o instituto da denúncia espontânea ali previsto visa afastar apenas a parte punitiva do crédito tributário, não afetando o principal do crédito tributário e, este na obrigação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória é justamente a multa. Assim, seu alcance está limitado às infrações tributárias decorrentes da falta de pagamento do tributo devido, não alcançando as infrações formais, decorrentes da legislação tributária tendo por objeto as prestações positivas ou negativas, estatuídas no interesse de viabilizar ou facilitar a atuação estatal, não vinculadas com a existência do fato gerador do tributo. Logo, o benefício da espontaneidade não alcança as penalidades pecuniárias decorrentes da apresentação a destempo da declaração de rendimentos, qualquer entendimento contrário implicaria tomar letra morta os dispositivos legais que instituíram tais obrigações, bem assim os que estabeleceram penalidades pelo não atendimento às suas determinações. \ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10650.000804/00-45 Acórdão n°. : 106-12.109 Saliento que o entendimento supra manifestado está conforme julgados do Superior Tribunal de Justiça — STJ da Primeira Turma e da Segunda Turma, tendo como relatores, respectivamente, os Ministros José Delgado e Hélio Mosimann, cujas ementas transcrevo: Recurso Especial n° 190388/G0 (98/0072748-5) Ementa: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. 1 - A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 - As responsabilidades acessórias autónomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3 — Há que se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4— Recurso provido? Recurso Especial n° 208.097-PARANÁ (99/0023056-6) Ementa: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RECURSO DA FAZENDA PROVIMENTO? Por oportuno, ressalto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, face a diretriz firmada pelo STJ, em recentes julgados, também, decidiu que o instituto da denúncia espontânea não alcança a multa imposta pelo cumprimento em atraso de ato puramente formal do contribuinte, como a entrega de declaração de rendimentos, mediante os Acórdãos CSRF/01-03.189 e CSRF/01- 03.196, ambos de 4 de dezembro de 2000, assim ementados: \ 6 1/4\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10650.000804100-45 Acórdão n°. : 106-12.109 "IRPF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN." De todo o exposto, forçoso é concluir pela procedência do lançamento em discussão. Voto, portanto, no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 26 de julho de 2001 dr1"--();ÍJM:IR"TINS MORAIS 7 Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000418/2005-09
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2007
Ementa: GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÕES – Diante de indícios da inidoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas, justifica-se a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Sem isso, o simples recibo ou a declaração do próprio prestador de serviços sob suspeita são insuficientes para comprovar a despesa, justificando a glosa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-48.443
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200704
ementa_s : GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÕES – Diante de indícios da inidoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas, justifica-se a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Sem isso, o simples recibo ou a declaração do próprio prestador de serviços sob suspeita são insuficientes para comprovar a despesa, justificando a glosa. Recurso negado.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 10670.000418/2005-09
anomes_publicacao_s : 200704
conteudo_id_s : 4204609
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 102-48.443
nome_arquivo_s : 10248443_147820_10670000418200509_009.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
nome_arquivo_pdf_s : 10670000418200509_4204609.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2007
id : 4662038
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:14:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042378371104768
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-14T14:11:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-14T14:11:44Z; Last-Modified: 2009-07-14T14:11:44Z; dcterms:modified: 2009-07-14T14:11:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-14T14:11:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-14T14:11:44Z; meta:save-date: 2009-07-14T14:11:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-14T14:11:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-14T14:11:44Z; created: 2009-07-14T14:11:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-07-14T14:11:44Z; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-14T14:11:44Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 10670.000418/2005-09 Recurso n° : 147.820 Matéria : IRPF - EX: 2003 Recorrente : WILSON PARRELA SOBRINHO Recorrida : 1° TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG Sessão de : 25 de abril de 2007 Acórdão n° : 102- 48.443 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÕES — Diante de indícios da inidoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas, justifica-se a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Sem isso, o simples recibo ou a declaração do próprio prestador de serviços sob suspeita são insuficientes para comprovar a despesa, justificando a glosa. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WILSON PARRELA SOBRINHO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO PRESIDENTE EM EXERCICO E RELATOR FORMALIZADO EM: 25 JUN 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, SILVANA MANCINI KARAM, ANTÔNIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA e MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA. Ausente, justificadamente, a Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO (Presidente). Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102- 48.443 Recurso n° : 147.820 Recorrente : WILSON PARRELA SOBRINHO RELATÓRIO Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 100/104, interposto por • WILSON PARRELA SOBRINHO contra decisão da V TURMA / DRJ em JUIZ DE FORA / MG, de fls. 91/99, que julgou procedente o lançamento de fls. 02/05. O Auto de Infração foi constituído em 11.04.2005, tendo por objeto o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2002, no valor de R$ 8.662,50, em face do qual o saldo de imposto a restituir ao Contribuinte foi reduzido para R$ 5.001,81. Ao lançamento, em face da existência de saldo a restituir do imposto, não foi aplicada a multa de oficio, nem exigidos juros de mora. O contribuinte tomou ciência do lançamento em 14/04/2005, conforme AR de fls. 75. O lançamento teve origem em revisão de Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 2002, em que se verificou a dedução indevida de despesas • médicas. O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 06/16, indica que o contribuinte não trouxe nenhum elemento de prova da efetiva prestação de serviços médicos, bem como de seu pagamento. As despesas glosadas foram os honorários médicos supostamente pagos, no ano de 2002, ao Dr. Clyford Alves Vieira. A Fiscalização entendeu que o Contribuinte não utilizou os serviços médicos do referido profissional. Intimado a prestar esclarecimentos, em 07.01.2005, sobre os serviços prestados, o Dr. Clyford Alves Vieira não apresentou os documentos solicitados, não comprovando a efetiva prestação dos serviços, tampouco o recebimento dos recursos. Expedido o Termo de Início de Fiscalização e recebido pelo Contribuinte em 28.01.2005, este apresentou resposta, posteriormente à concessão da 2 Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102- 48.443 dilação do prazo, informando que os pagamentos emitidos foram efetuados em dinheiro (papel moeda) e os serviços . foram tomados pelo contribuinte e seus dependentes, discriminados nos relatórios de fls. 34/38. Em continuidade à fiscalização, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional foi intimado, em 12.01.2005, para prestar esclarecimentos acerca da regularidade do registro da Clínica de Ortopedia Clyford S/C LTDA, da qual é sócio e representante, perante a Receita Federal do Brasil, o Dr. Clyford Alves Vieira. O oficio CREFITO-4/SEGER/N° 385/2005, de fls. 68, em resposta ao termo de intimação fiscal, comunicou que a Clinica de Ortopedia Clyford S/C LTDA nunca esteve registrada naquela Regional. Em sua Impugnação de fls. 78/85, o Contribuinte afirmou, em síntese, que: (1) Não se pode concluir que há irregularidades com o Contribuinte apenas pelo fato de haver irregularidades com o prestador do serviço. (2) No tocante ao Dr. Clyford Alves Vieira, alegou que além dos recibos, foram apresentados relatórios emitidos pelo profissional, de fls. 34/38, os quais explicitaram os tratamentos adotados com o Contribuinte e seus dependentes, inclusive fazendo menção à doença popularmente denominada por "gota", da qual o contribuinte é portador e necessita de tratamento fisioterápico por tempo indeterminado. (3)Alegou que o fisco deveria ter comprovado que os serviços não foram efetivados, caso contrário, se aplicaria o direito tributário com base em presunções e indícios, afastando-se a certeza e a segurança, enveredando-se no campo da imprecisão e dubiedade. (4)Acrescentou que não há enquadramento para aplicação da multa proporcional de 150%, por não haver fundamento legal para tanto, ou seja, não há o requisito de evidência de fraude necessário para qualificar a multa, conforme os termos da Lei n° 9.430/96, art.44, Inciso II, assim como, não há prova incontestável de ato ilícito. 3 Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102- 48.443 Analisando a Impugnação, a DRJ julgou totalmente procedente o lançamento, conforme decisão de fls. 91/98. Esclareceu, a priori, que à autoridade fiscal (lançadora e julgadora) cabe aplicar a legislação tributária, no estrito limite de seu conteúdo, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, conforme o disposto no artigo 142 da Lei n° 5.172, 25.10.1966 (Código Tributário Nacional — CTN). No mérito, a DRJ entendeu que, ao contrário da interpretação do Contribuinte, de que o Fisco deveria comprovar que os serviços médicos não foram prestados, cabia ao interessado a comprovação da efetividade dos serviços em comento. Fez menção aos ensinamentos doutrinários de Antônio da Silva Cabral, o qual corrobora que "em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. Fundamentou seu entendimento nos Decretos n°1.041, de 11.01.1994, e n° 3.000, de 26.03.1999, art. 73, §§ 1° e 2°, e art. 80. Depreendendo-se da referida legislação que é prerrogativa do Fisco decidir se cabe ou não exigir a prova de que faz jus à dedução pleiteada. Admitindo-se, em principio, como prova, os recibos fornecidos por profissional competente. Entretanto, havendo dúvida, o Fisco poderá requerer documentação suplementar que confirme a efetiva prestação do serviço. Ressaltou que o fato do contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores à efetividade dos pagamentos dados por realizados, juntando para tal, cópia de cheques, extratos bancários, comprovante de transferências entre contas ou qualquer outro documento que comprovasse de maneira inequívoca a passagem dos valores ao beneficiário do pagamento e, em contrapartida, ter o Fisco obtido do interessado, como resposta, apenas a afirmação que efetuou todos os pagamentos em espécie, este não logrou êxito em comprovar sua efetividade. 4 " Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102-48.443 Por fim, quanto à qualificação da multa, afirmou não ter havido, no caso, crédito tributário constituído, apenas redução do saldo do imposto a restituir apurado inicialmente pelo contribuinte, não cabendo aplicação de tal multa. O contribuinte foi devidamente intimado da decisão em 04.07.2005, conforme faz prova o AR de fls. 99, e interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 100/104, em 25.07.2005. Para tanto, não foi necessário juntar o termo de arrolamento de bens, pois o objeto do recurso não recai sobre o pagamento de nenhum tributo. Em suas razões, o Contribuinte ratificou seu posicionamento anterior, alegando que mesmo apresentando os recibos tidos como prova hábil, ainda na fase de procedimento fiscal, assim como o exame médico identificando que o contribuinte é portador de doença conhecida por "gota", às fls. 38, nenhum documento, porém, foi levado em consideração pela DRJ em seu julgamento sob o argumento da existência de suspeitas. Nos relatórios de fls. 34 a 38, o profissional médico indica os tratamentos realizados (massagem, ondas curtas, alongamento, treino de marcha e eletroterapia, gelo, ultrassom, laser, fortalecimento muscular, eletroestimulacao, orientação postural), e a data da realização, Ressaltou que tal decisão administrativa foi omissa, pois sequer apreciou a validade dos referidos documentos carreados aos autos, evidenciando que a fiscalização, seguida pela DRJ, deliberou apontar qual prova teria valor probatório e qual seria desprezada e entendeu que o contribuinte teria a presumida obrigação de ter efetuado o pagamento dos serviços médicos através de cheques ou de retiradas em conta-corrente. Alegou, o contribuinte, que não há nenhum ordenamento jurídico vigente que o obrigue a manter conta-corrente em instituição bancária. O fato supostamente ocorrido foi que houve um serviço prestado e um pagamento realizado em moeda corrente, se o prestador de serviço não cumpriu com suas obrigações perante o Fisco, cabe ao mesmo e à Secretaria da Receita Federal resolver este problema. 5 Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102- 48.443 Criticou a análise da DRJ acerca das jurisprudências elencadas nos autos, às fls. 96, utilizadas em sua fundamentação, no sentido de que foi apresentado o recibo, como prova do pagamento, e os exames médicos, como prova do serviço prestado. Destacou, ainda, que o ônus da prova incumbe a quem alega (ao Fisco), conforme o art. 333 do Código de Processo Civil — CPC. Verificou que na decisão da DRJ não constou nenhuma oposição aos exames médicos apresentados, considerando-os, pela não contestação, válidos, com força de prova. Afastou a incidência de multa proporcional, por esta não ser objeto de defesa, haja vista não se tratar de crédito tributário a ser pago, e sim redução do imposto a restituir. Por fim, requereu que fosse exonerado das exigências do Auto de Infração e, recebido o recurso em comento, que seja, o imposto já calculado pela Junta de Julgamento, no valor de R$ 5.001,81, liberado de imediato em favor do contribuinte, correspondente à parcela do imposto a restituir considerada incontroversa.• É o Relatório. 6 Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102- 48.443 VOTO Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A matéria argüida em sede de Recurso corresponde à análise da validade da dedução de despesas médicas glosadas pela fiscalização, de fls. 52/61. Com relação aos recibos apresentados como forma supostamente hábil de pagamento, vale discorrer sobre alguns aspectos: Os recibos em tela não preenchem os requisitos de admissibilidade, pois não apresentaram o endereço, contrariando as limitações dispostas no Artigo 80, §1°, Inciso III do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000 / 1999) essenciais para sua validade, vejamos: "Art. 80. §1° Inciso III — Limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço, e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica — CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. " Vale ressaltar, ainda, sobre a fundamentação supracitada, que não houve por parte da DRJ e da fiscalização uma deliberação de qual prova teria valor probatório e qual seria desprezada, o que ocorreu foi uma aplicação prática do dispositivo legal, o qual determina que o valor supostamente pago poderá ser comprovado por meio de cheque nominativo, a critério da fiscalização, como demonstra o exposto no Art. 73, § 1° do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999: 7 • Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102-48.443 "Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto — Lei n° 5.844/1943, art.11.§ 3°). § 1 0 Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrivel na esfera administrativa." Com relação às deduções pleiteadas, os valores declarados são maiores que os apresentados como supostamente pagos pelo Recorrente aos serviços médicos prestados, através dos recibos trazidos aos autos às fls. 52/61, se enquadrando no § 1° do Art. 73 do RIR/1999, já elucidado, sendo passíveis de glosa sem audiência do contribuinte. Quanto às jurisprudências mencionadas, vale salientar que se tratam de fontes secundárias do direito, sua aplicação não é de natureza obrigatória, e sim elucidativa, diferente do ordenamento jurídico vigente, de caráter obrigatório e coercitivo. Como restou claro que o Recorrente não atendeu aos dispositivos legais supracitados para dedução de despesas médicas, não há que se referir à interpretação jurisprudencial para solucionar a matéria. Com relação aos relatórios médico apresentados, às fls. 34/38, por si só não são suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços, haja vista a invalidez dos recibos apresentados como prova, por não obedecerem o limite imposto no Art. 80, Inciso III, já comentado, bem como o não oferecimento de outro meio de prova de pagamento, como cheque nominativo ao prestador de serviço. Portanto, a simples declaração do profissional não é suficiente para confirmar a prestação do serviço indicado. Assim como o recibo emitido, a declaração do profissional isoladamente não comprova a efetiva prestação do serviço, bem como o seu pagamento. Por fim, a respeito do ônus da prova, conforme exposto, o Decreto n° 3000/99 dispõe, expressamente, que cabe ao contribuinte comprovar as deduções pleiteadas, a juízo da autoridade lançadora. 8 4 Processo n° : 10670.000418/2005-09 Acórdão n° : 102- 48.443 Dessa feita, em razão da falta de documentação suplementar que comprove a real e efetiva prestação do serviço e pagamento correspondente, entendo que deve ser mantida a glosa referente às deduções pleiteadas em nome de Clyford Alves Vieira. Sendo assim, mantenho a glosa da despesa médica referente ao profissional supra, por não ter o Contribuinte apresentado documentação suplementar que comprovasse a utilização do serviço ou seu pagamento. Isto posto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida em todos os seus termos. Sala das Sessões - D : de abril de 2007. •00,- ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO 9 Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1
score : 1.0
