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Numero do processo: 10940.000670/2003-11
Data da sessão: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/199.3 a 31/12/1993
COF1NS, DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, DO CTN, ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE.
O prazo decadencial para a constituição do crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é o estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei nº 8,212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante nº 08, do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo,
conforme art 10.3-A da Constituição Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.285
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/199.3 a 31/12/1993 COF1NS, DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º, DO CTN, ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. O prazo decadencial para a constituição do crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é o estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei nº 8,212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante nº 08, do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo, conforme art 10.3-A da Constituição Federal. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/199.3 a 31/12/1993 COF1NS, DECADÊNCIA. ART. 150, § 4", DO CTN, ART. 45 DA LEI N" 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. O prazo decadencial para a constituição do crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é o estabelecido no art., 150, § 4", do CTN, independentemente da existência de pagamento parcial, não se aplicando o art. 45 da Lei if 8,212/91 por ser inconstitucional. Súmula Vinculante tf 08, do Egrégio STF, que vincula o julgador administrativo, conforme art 10.3-A da Constituição Federal, Recurso Especial do Procurador Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por nanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. . .' ""- 411C--"""1111111111111111W jamemew_....... ., ..... ----- ----- ----Leon'M'ne Manzan - Reler e 'ee-Presidente no exercício da Presidência EDITADO EM: 30/07/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffinann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Luis Marcelo Guerra de Castro e Leonardo Siade Manzan. 1 Relatório A Fazenda Nacional, por intermédio de seu Procurador, com amparo no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria n° 55, de 12/03/98, recorreu a antiga Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF contra decisão majoritária da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que reconheceu a decadência da Cofins pelo prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4' do CTN, tendo afastado a aplicação do art. 45 da Lei n" 8.212/91, O Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes considerou cumpridos os requisitos de admissibilidade recursal e admitiu o presente apelo especial interposto pela PFN no Despacho n" 202-236. O contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela douta PFN às fis, 174/181, nas quais reitera os argumentos aventados no Recurso Voluntário e requer seja mantido o prazo decadencial de cinco anos. Subiram, pois, os autos a esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF para julgamento. É o Relatório, Voto Conselheiro Leonardo Siade Manzan, Relatar Preliminarmente cumpre ressaltar que, a despeito da plena vigência do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF n" 256, de 22 de junho de 2009, o qual suprimiu a previsão de recurso especial privativo do Procurador da Fazenda Nacional em caso de contrariedade à lei ou evidência de prova, entendo que os recursos já interpostos pela PFN com fulcro no inciso I do art. 7' do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria/1\JF n° 147, de 25 de junho de 2007, devem ter seu juízo de admissibilidade realizado com fundamento na norma processual vigente à época da Rotação da decisão recorrida.. A aplicação imediata da lei processual superveniente aos processos em curso comporta exceções em matéria recursal, pois o direito à recorribilidade nasce para o titular no momento em que é prolatada a decisão e, portanto, aplica-se a regra vigente àquela época, sob pena de ofensa ao direito adquirido processual. Conforme leciona Bernardo Pimentel', processualista que na humilde opinião deste Conselheiro está hoje entre os melhores do pais, "se ao tempo da prolação a decisão judicial era impugnável mediante algum recurso processual, o legitimado que recorreu tem o direito de receber a respectiva prestação jurisdicional, ainda que a espécie recursal utilizada tenha sido eliminada do sistema recursal, em virtude de lei superveniente." SOUZA, Bernardo Pimentel. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória, 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2009.p. 138. 2 Processo n" 10940.000670/2003-11 CSRF-T3 Acórdão n ." 9303-00.285 Fl 188 Diante do exposto, o recurso especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. Consoante relato supra, trata-se de controvérsia sobre o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo à Cofins. A decisão recorrida entendeu que o prazo de decadência para o lançamento da referida contribuição é de cinco anos, conforme previsto no artigo 150, § 4 0, do CTN, enquanto a Procuradoria da Fazenda Nacional entende ser de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8,212/91, Vejamos.. O lançamento por homologação é aquele que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, consoante os preceitos do Código Tributário Nacional, Lei n" 5.172/66. Chamo a atenção para o vocábulo "atividade", acima grifado, pois o objeto de homologação pelo Fisco não é, e nunca foi, o pagamento, e sim, a atividade do contribuinte de apurar o crédito e tomar todas as providências necessárias à sua satisfação. Por isso, independe, para o inicio da contagem do prazo deeadencial, se houve ou não pagamento parcial, O termo inicial do prazo deeadencial é, por conseguinte, o momento da ocorrência do fato gerador. Aliás, outra não é a posição desta Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, conforme depreende-se do Aresta CSRF/02-01,766 (Sessão de 14 de setembro de 2004), cuja ementa transcrevo adiante: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O PIS - DECADÊNCIA - A contribuição social para o PIS, "ex vi" do disposto no art. 149, c e. art 195, ambos da C F, e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário Assim, em face do disposto nos cais. n 146, III, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência cio direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada eia lei complementar. À filha de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Inaplicável a regra estabelecida no art. 4.5 da Lei n" 8,212/91, até porque a refèrida lei não incluiu a contribuição para o PIS entre as fontes de custeio da Seguridade Social Recurso negado. (CSRF/01-05,157).. O prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme registrado supra, é regido pelo art., 150, § 4" do CTN, que assim dispõe: Ari 1.50 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio ex'aille da auto] idade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco - anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Ora, já não existem mais dúvidas de que a Cofins é um tributo sujeito a lançamento por homologação e, por isso mesmo, como já dito, deve seguir o estabelecido no CIN, independentemente de ter ou não havido pagamento antecipado por parte do contribuinte, pois o que homologa-se não é o pagamento em si, mas a atividade de apuração do montante devido. Essa é, e será sempre minha posição com relação ao prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Não consigo entender o dispositivo legal (art. 150, § 4 0, do CTN) de outra fbrma. Outra ressalva que sinto-me obrigado a fazer: não há razão para contar-se de forma diversa o prazo decadencial do PIS e da Cofins, pois ambas são Contribuições Sociais, isto é, são das mesmas espécie e subespécie! Qualquer alteração que se pretenda realizar nos prazos decadenciais deverá ser feita necessariamente por Lei Complementar. Aliás, outra não é a expressão de nosso Diploma Magno, a saber: CF/88, Ar! 146, iii, b", verbis Cabe à lei complementar,• 111 — estabelecer normas gerais em matéria de legislação ti ibutária, especialmente sobre• b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tribittários. (Grtfbir-se). Por fim, importante destacar que a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei n" 8,212/91 foi objeto da Súmula Vinculante IV 08, do STF, aprovada na Sessão Plenária de 12/06/2008, tornando-se, portanto, indiscutível tal matéria, em razão da vinculação da Administração ao disposto em Súmula Vinculante, conforme determina o art.. 103-A, da Constituição Federal, CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. É o meu voto. ma_ 11~17 iade M/a 17. 1 4
score : 1.0
Numero do processo: 13051.000128/99-97
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 202-00.557
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de ,votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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RESOLVEM 'os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de . Contribuintes, por unanimidade de ,votos, converter o julgamento do recurso em diligênCia, nos termos do voto do Relator. ,. , •I , " I ""M' I. FI. , RESOLUÇÃO N° 202-00.557 COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DE ENCANTADO LTDA. DRJ em Santa Maria - RS , flL" ~o( 4-~(.....~~.Lr 1fknrique Pinheiro T~~?"" Presidente e Relator , Sala das Sessões, 'em 14 de outubro de 2003 Recorrente Recorrida I Ministério da Fazenda. " .' . • -{>egundo Conselho de Contribuintes Processo 13051.000128/99"97 Recurso 119.853 'c1/opr Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório da Decisão DRJ/STM n° 620, de 15 de agosto de 2001, fls. 791/792: COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DE ENCANTADO LTDA. RELATÓRIO [ "~M' IFI. . ' 2. em relação ao argumento de que não pode ser 'calculado o beneficio sobre as aquisições de pessoas fisicas e socieda,dés cooperativas, verifica-se que não há na lei que instituiu o crédito presumido nenhuma restrição sobre a origem dos insumos adquiridos, assim, ao não ser aceito o crédito pleiteado, houve violação do princípio da legalidade; 3. A própria lei que instituiu o beneficio estabeleceu, em seu art. 2", que na base de cálculo do crédito presumido serão computadas todas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de. embalagem e, no seu parágrafo primeiro, fIXOU a alíquota do beneficio em 5,3 7%, o que evidencia a incidência 'em mais dé uma etapa anterior do processo produtivo; 4. dessa forma, verifica-se que o objetivo do beneficio não é o de ressarcir apenas as contribuições incidentes na ,última etapa do processo produtivo, pois nesse caso a alíquota será de 2.65% e não de 5.37%; 5. na esfera administrativa, o Segundo Conselho de Contribuintes já julgou o assunto e manifestou-se favoravelmente ao entendimento da contribuinte. aceitando os créditos calculados s01as aquisições de insumqs feita; "A empresa em epígrafe teve indeferido o seu pedido de ressarcimento de crédito presumido do' Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI para ressarcimento das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, referente ao primeiro trimestre de 1999, conforme consta do despacho de fls. 767 e 768, na parcela que foi calculada sobre as aquisições de suínos efetuadas de pes:;:oasfisicas e sociedades cooperativas, não' sujeitas às citadas contribuições. Não concórdando com o indeferimento, a contribuinte apresentou -a manifestação de inconformidade que se encontra às fls. 771 a 782, onde' constam seus argumentos de defesa, que podem ser assim resumidos: I 1. A finalidade da instituição, do beneficio em ,discussão foi ,ressarcir . a empresa produtora e exportadora das' contribuições de PIS e Cofins incidentes sobre a aquisição de insumos aplicados em produtos' exportados e decorre da , necessidade de viabilizar a colocação de produtos nacionais . nos mercados externos, altamente competitivos;, , : 13051.000128/99-97 119.853 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Recorrente Processo Recurso • , Processo Recurso Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13051.000128/99-97 119.853 [ ,,~~ .1FI. de pessoas físicas, conforme consta dos acórdãos de nOs202- 09.865, 201-72.590,201-72.754 e nO 212-10. 698. Requer a reforma de decisão que julgou improCedente seu pedido, para conceder o ressarcimento pleiteadº. " A ,decisão de primeiro grau em tela manteve o despacho decisório de fls. 767/768, que indeferiu parte do pedido de ressarcimento de créditos constanteà fi. 1, e foi . resumida nos termos da ementa de fi. 791: . "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 Ementa: CRÉDITOS PRESUMIDOS PARA RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. . Não farão jus ao crédito presumido do IPI as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridas diretamente de produtores rurais pessoas físicas e de cooperativas. Solicitação Indeferida ". Insurgindo-se contra o Acórdão em epígrafe, a Reclamante interpôs recurso voluntário a este Colegiado, repisando os argumentos expendidos na manifestação de , inconformidade apresentada à Delegacia de Julgamento, bem como requereJ;ldo o direito ao ressarcimento do montante solicitado, acrescido-da Taxa SELIC. É o relatÓriO.! 3 4 Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2003 .. I "=M' I. H VOTO DOCONSELHEIRG-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES 13051.000128/99-97 119.853 Ministério da FaZenda Segundo Conselho de Contribui!,tes Processo Recurso c) se eles integram fisicamente o produto final e, em caso negativo, como são consumidos na elaboração do produto acabado. b) como são eles efetivamente utilizados no. proÇésso produtivo da Requerente; a) quais insumos integram o demonstrativo das aquisições; Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente -julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime a Recorrente a esclarecer, detalhadamente:, 1J""'1?~~",,;?ó, kÊ'c1-.o <;":z'. fíEN1{I~uEPINH IKO fõR~E~ Após receber as respostas dos quesitos acima, deve a Fiscalização ' elaborar' . relatório de diligência consignando eventuais discrepâncias entre as informações prestadas pela Interessada e o efetivamente verificado no processo produtivo da empresa, sem prejuízo dos esclarecimentos que entender útil ao deslinde da presente contenda: Analisando os autos, verifica-se que nem a Fiscalização nem a reclamante esclareceram qual o real emprego dos insumos em análise no processo de industrialização dos produtos exportados pela Reclamante .. A forma de utilização desses insumos é dé curial importância para o julgamento, na hipótese de.o Colegiado admitir, como o fez em decis.ões' recentes, a inclusão dos produtos adquiridos de não contribuintes no cálculo do crédito presumido. A informação sobre. a efetiva utilização dos insumos em foco, toma-se ainda mais relevante quando se sabe que o produto final exportado refere-se a alimentos derivados de animais, que tem processo. produtivo peculiar .. Também não foram apuradas as pertinentes . exclusões dos produtos 'em estoques. " O recurso interposto encontracse revestido das formalidades legais cabiveis, merecendo ser apreciado. - A teor do relatado, a matéria controvertida versa sobre a exclusão da .base de cálculo do crédito presumido das aquisições de insumos de pessoas fisicas e c~operativas, em razão desses produtos não haverem sofrido incidência do Pis-Pasep nem da Cofins, já que tais fomeéedores não são contribuintes das aludidas contribuições. De outro lado, a reclamante . sustentou a licitude da inclusão desses produtos no calculo do crédito a ressarcir, argumentando para tanto que a lei instituidora do beneficio não faz qualquer restrição quanto à origem dos insumos, e onde a lei não restringe não cabe as>intérprete fazê-lo. 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014224/2005-89
Data da sessão: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
INTE,MPESTIVIDADE - RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO - Não se
conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-000.458
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto do-Relator. ,/ MARCÓ : NDIDO - Presidente - JOSÉ RA I I DO • OSTA SANTOS - Relator • EDITADO EM: 18 jivN ?,,."1\11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naold Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Robinson Passos de Castro e Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 04-13.709, proferido pela 1' Turma da DRJ Campo Grande (fls. 57/63), que julgou, por unanimidade de votos, procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o presente processo de Auto de Infração (f. 20/28), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural --ITR, Exercício 2001, no valor total de R$ 6.977,86, do imóvel inscrito na Receita Federal sob o n° 0.980.168-5, localizado no município de Campina Grande do Sul - PR. Na descrição dos fatos (f. 25/27), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITK, decorrente da glosa total das áreas originalmente informadas como de preservação permanente, por falta de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. O interessado apresentou a impugnação de f. 31/34. Com relação à transferência da propriedade, alega que cumpriu o que dispõe o Código Civil Levanta preliminares de ilegalidade, por entender que o ADA não está previsto em dispositivo legal expresso. Sustenta que, com a MP 2166-67/2001 dispensa o contribuinte de comprovação prévia das áreas isentas declaradas. Aduz, ainda, a ilegalidade da exigência, ao argumento que o descumprimento de obrigação acessória não pode caracterizar fato gerador do ITR. A falta de ADA, ou a sua entrega intempestiva, não pode ensejar a glosa da área de utilização limitada e de preservação permanente. Afiuna que as áreas estão averbadas em matrícula. Solicita a realização de perícia. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: AssUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL— ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto )ks."t ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declarató rio Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. Lançamento Procedente. Em sua peça recursal (fls. 75/80), a contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. É o relatório. • 2 Processo n° 10980.014224/2005-89 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.458 F I. 88 Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator Consta dos autos que o Recorrente tomou ciência da Decisão de primeiro grau em 27/03/2008, uma quinta-feira, conforme Aviso de Recebimento à fl. 69. O recurso voluntário para este Conselho de Contribuintes deve ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Considerando que 27/03/2008 foi uma quinta-feira, dia de expediente notival na repartição de origem, o inicio da contagem do prazo começou a fluir a partir de 28/03/2008, uma sexta-feira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 26/04/2008, um sábado, prorrogando-se o prazo para segunda-feira (28/04/2008). Acontece que o recurso voluntário somente foi apresentado em 16/05/2008, quando já havia transcorrido o prazo regulamentar para interposição do Recurso Voluntário. Dispõe o artigo 35 do Decreto n° 70.235, de 1972, que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Em face ao exposto, não conheço do recurso. Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2010 411 JOSÉ RAIM 091e: OSTA SANTOS 3
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007646/2003-36
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
DECADÊNCIA. PRAZO.
0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo a Cofins decai em cinco' anos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO — FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO ALTERADO — IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇA0 DO LANÇAMENTO
0 fundamento do lançamento não pode ser alterado no decorrer do processo sob pena de nulidade do feito. Sendo o fundamento inicial derrubado pela defesa, deve o AI ser cancelado e não alterado o fundamento para manutenção da exação.
ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE.
A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-000.389
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: Renata Auxiliadora Marcheti
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. PRAZO. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo a Cofins decai em cinco' anos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO — FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO ALTERADO — IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇA0 DO LANÇAMENTO 0 fundamento do lançamento não pode ser alterado no decorrer do processo sob pena de nulidade do feito. Sendo o fundamento inicial derrubado pela defesa, deve o AI ser cancelado e não alterado o fundamento para manutenção da exação. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Recurso Voluntário Provido.
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PRAZO. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo a Cofins decai em cinco' anos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRACAO ELETRONICO — FUNDAMENTO DA AUTUAÇAO ALTERADO — IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇA0 DO LANCAMENTO 0 fundamento do lancamento não pode ser alterado no decorrer do processo sob pena de nulidade do feito. Sendo o fundamento inicial derrubado pela defesa, deve o AI ser cancelado e não alterado o fundamento para manutenção da exação. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. tl MaTia otta Cardozo - Presid adora Mamie - Relatora EDITADO EM: 28/08/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Renata Auxiliadora Marchetti, Paulo Sérgio Celani (suplente) e Maria Adelaide Carrreiro Gonçalves de Aquino(suplente). Ausente, justificadamente, a conselheira Andréia Dantas Lacerda Moneta. Relatório Conforme relatório da DRJ, "Trata o presente processo do Auto de Infração n° 0005814 de fls. 49/60, decorrente de auditoria interna nas DCTF do ano- calendário de 1998, em que, consoante descrição dos fatos de fl. 52 e anexos de fls. 52/57, são exigidos, para os períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998, por "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA", R$ 18.530,09 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, e R$ 13.897,57 de multa de oficio de 75%, além dos acréscimos legais. enquadramento legal da autuação encontra-se descrito aft. 52. Às fls. 53/56, nos "ANEXO I - DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS", constam valores informados na DCTF, a titulo de "VALOR DO DÉBITO APURADO", cujos créditos vinculados, informados como "Exigibilidade Suspensa", em face do processo n° 9785465, não foram confirmados sob a ocorrência "Proc jud não comprovad"; a fl. 57, "ANEXO III - DEMONSTRATIVO DO CREDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR". , Cientificada da autuação em 21/07/2003 (AR de fl. 64), a interessada apresentou, em 18/08/2003, por meio de procurador (mandato deft. 09), a impugnação de fls. 01/06, instruída com os documentos de fls. 07/60, que a seguir se resume. Alega, em preliminar, a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento relativamente aos períodos de apuração 01/1998 a 06/1998, citando como base legal de seu entendimento o art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional - CTN, que definiria tal prazo como sendo de cinco anos, contados a partir da 2 Processo n° 10980.007646/2003-36 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-O0.389 Fl. 172 ocorrência do fato gerador; cita, a propósito, jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes. No mérito, para todos os períodos lançados, afirma que a exigibilidade da Cofins está suspensa por força do Mandado de Segurança n.° 97.0008546-5, no qual efetuou depósitos judiciais, o que tornaria improcedente a autuação, que deveria ser revista nos termos do art. 149 do GIN. Questiona, ainda, a validade da exigência dos juros de mora com base na taxa Selic, que estaria a contrariar a Constituição Federal (art. 192, § 30), o Código Civil (art. 1.062), a Lei de Usura (Decreto n.° 22.626, de 1933) e o próprio CTN, pelo que tal taxa poderia ser, no máximo, de 12% ao ano; transcreve julgado do STJ 04/05), requerendo que a mesma conclusão seja aplicada ao caso. fl. 33, despacho do Secat/DRF/Curitiba, dizendo da tempestividade da impugnação. Mantido o lançamento, recorreu o contribuinte, repisando seus argumentos da impugnação, em especial a alegação da decadência parcial do direito do Fisco exigir a contribuição em tela, a existência de Mandado de Segurança informado em DCTF e a existência de depósito judicial em tal MS. Voto Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti, Relatora A autuação em exame foi procedida sob fundamento de pagamento a menor de contribuições para a COFINS, incluindo-se valores relativos a janeiro a junho de 1998, tendo sido dada ciência do auto de infração em 21 de julho de 2003. Alega o recorrente, em preliminar, a decadência do direito do Fisco de proceder tal lançamento tendo em vista que decorreu mais de 5 anos dos fatos geradores da obrigação tributária ora demandada. Socorre a razão ao contribuinte. Está, pacificado em nossos tribunais que tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, decorridos 5 anos do fato gerador, caso o fisco não se insurja antes disso contra a ausência de pagamento, não mais poderá exigir tendo em vista que, com 5 anos contados do fato gerador ocorre a prescrição. Nesse sentido transcrevo ementa do REsp 757922: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 3 PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CI'N, ART. 150, § 4°) • PRECEDENTES DA la SEÇÃO. 1. 'As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), tern, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas a Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp n° 616348/MG) 2. 0 prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo 6, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do C7N, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" — , lid regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4 0 do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciciria, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento." Isto posto, acolho o argumento da decadência para declarar decaído em parte o lançamento efetuado e, por conseguinte, extinguir o processo administrativo em tela em relação aos valores relativos aos meses de janeiro a junho de 1998. Quanto ao fundamento do Auto de Infração, ao que se denota das fls. 49 e seguintes, trata-se de alegação de processo judicial não comprovado. Além de a Autuação ter sido procedida somente em 16/06/2003, o que por si só já macularia o procedimento por abarcar período decaído, teve tal lançamento o fundamento de que o processo judicial informado pelo contribuinte nos seus documentos fiscais não era comprovadamente dele, tendo um CNPJ diferente. Após a defesa e com a efetiva comprovação da ação judicial (fls. 14 e seguintes), e tendo ficado comprovado que o Processo Judicial em questão realmente existe, devia ter sido encerrada ai a pendenga. 4 Processo n° 10980.007646/2003-36 S3-TE01 Acórdão n.° 3801 -00.389 Fl. 173 Ocorre que o Fisco, então, passou a fazer considerações, no âmbito do processo, e manteve o lançamento sob alegação de que não havia decisão final no processo e que portanto cabia a discussão sobre a suspensão da exigibilidade mediante depósitos. Isso configura verdadeira inovação no que diz respeito ao lançamento, onde a Autoridade Fiscal valora fatos outros que não aqueles inicialmente fundamentos do Auto de Infração. Não pode a autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o par. 3°, do art. 18 do Decreto 70.235 de 71, com redação dada pelo art. 1° da Lei n. 8.748/93. Deveria ter sido lavrado, se fosse o caso, um auto de infração complementar, descrevendo os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância que pretende retificar, demonstrando o credito tributário unificado e dando ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração. A descrição do fato é requisito de validade do auto de infração e 'elemento essencial do exercício do direito de ampla defesa do contribuinte. Se o auto inicial foi lavrado com base em um fundamento — não comprovação de processo judicial — e se esse fundamento foi ultrapassado não pode a autoridade julgadora simplesmente alterar a fundamentação do auto e mantê-lo incólume, subtraindo ao contribuinte o direito de se defender desses novos argumentos. Isto tudo, por si só, já seria suficiente para macular de nulidade a manutenção da autuação. Mas não é só. Comprovado e reconhecido pela Autoridade Fiscal, no Mandado de Segurança informado existe depósito judicial em valor integral da contribuição exigida. Isso é inclusive reconhecido no acórdão da DRJ quando diz: Como se vê, o fato de a matéria tributável ter sido levada ao judiciário não era e não é fator impeditivo à constituição do crédito tributário. Antes pelo contrário, verifica-se que mesmo havendo depósito do montante integral ou concessão de medida liminar em mandado de segurança ou em outras espécies de ações (art. 151, II, IV e V do CT N), que são fatores de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não é defeso ao fisco, por meio do lançamento de oficio, constituir esse mesmo crédito, cuja exigibilidade (cobrança) fica suspensa enquanto perdurarem aqueles fatores. Apenas a multa de oficio não é cabível, nos casos dos incisos IV e V do art. 151 do CT1V, por expressa determinação do art. 63 da Lei n.° 9.430, de 1996. A titulo de esclarecimento, no que concerne a exigência de multa e de juros de mora em face da suspensão da exigibilidade pelos depósitos judiciais, cabe observar que, se a contribuinte efetuou os depósitos dentro dos prazos de recolhimento e por quantia que satisfaça integralmente o crédito fiscal que deixou de ser pago, para cada um dos períodos autuados, não há que se insurgir contra o lançamento fiscal — que é obrigatório —, pois, nos termos do item 23, nota 5, da Norma de Execução CSAr/CST/CSF n° 002, de 1992, na conversão em renda da Unido, pela repartição responsável pela cobrança, tais depósitos 5 são considerados pagamento et vista na data em que efetuados, excluindo-se, em conseqüência, a multa de oficio e os juros de mora sobre eles incidentes. A suspensão da exigibilidade, in casu, não elide a constatação fiscal de falta de recolhimento, supedâneo do lançamento, devendo-se observar as disposições legais para essa hipótese. certo que esses fatos não impedem o lançamento, mas no caso em tela, comprovada a ausencia de fundamento do AI, esse não pode subsistir. Isso posto voto no sentido de dar provimento ao recurso, reconhecendo em parte a decadência e, na parte que subsiste, extinguir o presente processo administrativo fiscal por insubsistência do fundamento que originou o AI. como voto. 6
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Numero do processo: 00820.002015/82-23
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 1984
Ementa: CÉDULA "H" - RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Nos termos da "legislação de regência, tributam-se, na Cédula "H", como representativos de rendimentos omitidos, os valores dos
depósitos bancários quando não ficar comprovado corresponderem as créditos aos rendimentos não tributáveis, tributáveis somente na
fonte, ou já declarados como tributáveis pelo sujeito passivo. A falta de comprovação da origem não tributável de reduzida parcela de depósitos bancários, em proporção ao montante apurado no ano-base e em relação às circunstâncias que cercam o litígio, não justifica a presunção de que representem rendimentos omitidos. Na apreciação da prova a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 104-04.308
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação nos exercícios de 1979 a 1981, as quantias de Cr$ 312.320,00, Cr$ 455.895,00 e Cr$ 438.115,00. Os Conselheiros Tereso de Jesus Torres (Relator) e Má- rio Rodrigues Teixeira excluíam apenas as parcelas relativas aos exercícios de 1980 e 1981. Designado o Conselheiro Carlos Walberto Chaves Rosas para redigir o voto vencedor
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Sessão de .21..de ..fe.wr..e.:L.r.(ije 19.$.4 .. ACORDÃO N° ..::('.Q.4.:-:-.4.!).9.~ Recurso nO: 41.945 - IRPF - EXS. 1979 a 1981 Recorrente ALÉSCIO CANOLA (ESP6LIO) Recorrido DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM ARAÇATUBA - SP au- CÉDULA "H" - RENDIMENTOS - DEP6sITOS BANCÁ- RIOS - Nos' termos da "legislaçâo de regencia, t"i1nutam-se, .na Cédula "H", como representa tivosde rendimentos omitidos, os valoresdos .'depósitosbancári.os quando não ficar compro- vado corresponderem as créditos aos rendimen tos não tributáveis, tributáveis somente na fonte, ou já declarados cOmo tributáveis pelo sujeito passivo. A falta de comprovação da origem não tributável de reduzida parcela de depósitos bancários, em proporção ao montan- te apurado no ano-base e em relação às cir- cunstâncias que cercam o litígio, não justi- ,fica a presunção.de que representem rendimen tos omitidos •.Na apreciação da prova a auto~ ridade julgadora formará livremente sua con- vicção, nos termos do art. 29 do Decreto n9 70.235/72./1. Vistos, relatados e discutidos' os presentes tos de recurso interposto por ALÉSCIO CANOLA (Esp6LIO), ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação nos exercícios de 1979 a 1981, as quantias de Cr$ 312.320,00, Cr$ 455.895,00 e Cr$ 438.115,00. Os Conselheiros Tereso de Jesus Torres (Relator) e Má- rio Rodrigues Teixeira excluíam apenas as parcelas relativas aos exercícios de 1980 e 1981. Designado o Conselheiro Carlos Walberto Chaves Rosas para redigir o voto vencedor. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 1984*, FRANCISC. MANSO .' PRESIDENTE REDAT.oR-DESIG- NADO PROCURADOR DA FAZENDA NACIO NAL VISTO EM SESSÃO DE: ;:1'~S) V N'~~8~. RECURSO DF. FAZENDA NACIONAL: RD/104-0. 248 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: Olavo João Galvão, Eugênio Botinelly Soares, Helena Cristina La na de Paula e Luiz Miranda. ele vó-f..O?/ 10\ .}d-"1l' () J J2A-1.. v i oi o I ,,~~_~ o L. oLD' ~ -~qOV1.. ~~.~ O"VO .'-'1..ecM/15CJ( /VtOJ -{-~".~. 'J e tV-{)!-o ~ f'i0!A4-~ O( ~~e';jJ1.evt. o ~ fAlqO-olo' C? ~~'5. 'lPltgel fv-te1'ko. :&o~ : PRIMEIRO CONSElHO DE CONTRIBUINTES • (4," CAMA'lA) EM...~J.I~.e.f.l.Q .../ 19:1!:L ............ _ .._ ~-_ :: _--_ _ ......•.. MARIA1fsé--ROCHA LOPES Chefe 'da Secretaria SERViÇO POBLlCO FÉDERAL PROCESSON<? 0820/002.015/82-23 RECURSO N9: 41. 945 ACORDÃO N9: 104-4.308 RECORRENTE: ALÉSCIO CANOLA (ESPOLIO) R E L A T O R I O Foi lavrado ,o auto de infração de fls. 1 contra Aléscio Canola (espólio) porque esse contribuinte omitira recei- tas da cédula "G" e, também, porque ele fizera depósitos banc,ª rios com recursos de origem desconhecida, conforme demonstrativo 'abaixo, já com as retificações efetuadas pela autoridade de pri- 'meira instância, baseada em dados da impugnação e de diligências realizadas pela fiscalização: Histórico / Exerclcio Depósitos.efetuadosem vários bancos (-)depósitosjustificados, Diferençaa incluirna cédula "H" (+ ) omissãode rendimentosna cédu la "G" (15~da receitaomitida) Total tributado 1979 2.183.229, 1.807.909, 312.320, . 312.320, 1980 3.407.415, 2.951.520, 455.895~ 69.360, 525.255, 1981 16.177.840, 15.731. 725, 438.115; 403.736, 841.851, Em primeira instância, alegara o contribuinte os seguintes pontos, não aceitos na decisão recorrida: --nãõ há tributação sobre depós.i.tosbancários, desde que nao ocorreram outros indIcios a indicarem sinais exteriores de riqu~ zai DMF - DF /19 c-c - Secgraf - 1600/75 j.~... , SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Ac6rd~0 nQ 104-4.308 Processo nQ 0820/002.015/82-23 2. - a serem tributados, deveriam sê-lo em conotação com a fonte de rendimentos a.que o contribuinte esteja ligado, no caso, a atividade .agropecuâria ou c~dula "G"; - nos exercícios de 1979 a 1981 deixou-se de computar,entreos recursos disponíveis, o valor dos recursos que o contribuinte mantinha em bancos e constavam na sua declaração de bens,nos to- tais de Cr$ 522.808iOO, Cr$ 282.977,00 e Cr$ 451.928,00; - no exercício de 1980 deixou-se de computar o rendimento de- clarado nas c~dulas "A/B", no montante de Cr$ 131. 222,00, bem c£ mo n~o se consid~rou justificado o dep6sito de Cr$ 200.000,00,ef~ tuado no Banespa em 14/09/79, com cheque de ernissãodo defend~n~ te, de igual valor, emitido contra o Banco Noroeste ,e compensa- do no dia 12/09/79; - nao sao tributados os dep6sitos, se fica justificado de 90t. mais É de notar-se que o contribuinte fez, na fase im- pugnat6ria, a justificação;_.de vâri.os dep6sitos mediante compro- vaçao de que, havia receitas na c~dula "G" nao declaradas ao fisco - o que implicou, inclusive, no agravamento da ação- fis- cal, mediante tributação de tais omiss6es (15t de __ Cr$ 462.400,00 no exercício de 1980, e 15t de Cr$ 1.459.000,00 no de 1981) • o Delegado da Receita Federal em Araçatuba mante- ve o auto inicial em relação aos itens aqui explicitados,ao mes- mo tempo em que complementou em relação às omiss6es confessadas pelo pr6prio contribuinte, omiss6es que tamb~m produziram efei- tos favorâveis,-,.aointeressado, pois que objetivavam justificar dep6sitos bancârios, sujeitos a tributação bem superior. Os fun- damentos dessa decisão estão assim concebidos: "CONSIDERANDO que o impugnante _infringiu o~ di~positivos legais indicados no auto de infr! çao; CONSIDERANDO que os dep6sitos bancârios constituem sinais exteriores de riqueza; CONSIDERANDO que a lei autoriza o arbi- tramento dos rendimentos com base na renda presu- mida, atrav~s da utilização dos sinais exteriores de riqueza que evidenci,em a renda auferida ou con sumida pelo contribuinte; SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 .0820/002.015/82-23 Acórdão n9 104-4.308 3. de 1980~ os rendime~ A/B, recebidos conco- foram gerados, median (fls. 148) e,:"' para CONSIDERANDO que o impugnante comprovou que omitiu Cr$ 462.400,00 e Cr$ 1.459.000,00 de rendimentos da cªdula G, nos anos-base de 1979 e 1980, exercí.cío de 1980 e 1981, respectivamente,pe lo que essasquantfasdevem ser excluidas do valor dos depósitos dados como não comprovados e inclui- dos na tributação da cªdula G, atª o limite de 15~; CONSIDERANDO que os depósitos bancários de origens não comprovadas, dos anos-base de 1978 e 1979, são superiores a 10~'do total dos depósi- tos, aplicada essa percentagem em cada exercicio; CONSIDERANDO que os depós~tos bancários de origens. não comprovadas, do ano-base de 1980, apesar de sere~ inferiores a 10~ do total dos depó sitos, a maioria tªm expressão financeira." - Intimado da decisão em 29/11/82 (fls. 346), recor re o interessado a es-ce Conselho em 27/12/82 (fls. 347/355), ,com as seguintes alegações: - a decisão não considerou as disponibilidades financeiras r~ presentadas por' saldos bancários' existentes no inIcio de cada ano~base, não obstante seja certo que mencionadas disponibili- dades podem vira dar origem a depósitos bancários futuramente. É que tal como se aceitam as disponibilidades em dinheiro, existen- tes no inicio do ano, assim tambªm deveriam ser aceitos os saldos bancários, pois não há diferença quanto ao depósito: feito com um ou outro desses recursos. Devem, pois, ser excluidos dos depósi- tos bancários a justificar as importâncias de Cr$ 522.808,00, Cr$ 282.977,00 e Cr$ 451.928,00 nos anos-base_de 1978, 1979 e.198Q, respectivamente; - a decisão não considerou, no exercicio tos de Cr$ 131.222,00 declarados na cªdula m1t~ntemente com o resgate do titulo de que te ciªdito em conta do total do recebimento tanto alegou que esse depósito ':tambªm deixara de ser incluido no levantamento; mas não se pode deixar de computar, na justificação de depósitos bancários, os rendimentos declarados e, no caso, ª o que está ocorrendo: a fonte pagadora fez o depósito na conta- -corrente simplesmente como objetivo de pagar o ora recorrente e o f1sco, então, quer impedir::..'queo contribuin te lance mão do va lor desse rendimento para com ele. fazer novos depósitos bancá- rios; SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 104-4.308 Processo n9 0820/002.015/82-23 4. - com relação ao depósito no Banespa de Cr$ 200.000,00, em 14/09/79 (fls. 296) ,cuja órigem fora vinculada a cheque sacado no Banco Noroeste em 12/09/79 (fls. 295), versao nâo aceita pela decisâo face ao detalhe de que o depósito do cheque foi aceito corno se dinheiro fosse e isto só se dá quando se trata de cheque da mesma agência, apresenta o recorrente o documento de fls.356, expedido pelo Banespa, com o 'qual pretende demonstrar que estava certo: faltou esclarecer, somente, que o cheque do dia 12 foi depositado nâo na sua conta mas, sim, na conta de um filho seu, o qual emitiu cheque em conta que mantém na mesma agência,cheque com . que foi feito o depósito que é objeto da justificaçâo; - face ao exposto, a conclusâo final é a de que os depós! tos a justificai de Cr$ 312.320,00, Cr$ 455.895,00 e Cr$ 438.115,00 ficam todos perfeitamente explicados com a existência das disponibilidades acima aludidas; - nâo está correta a afirmação de que os depósitos sao cons tituídos de importâncias elevadas, e por tal razão não seria po~ sível considerar-se corno justificado o movimento bancário do ano de 1981, ano no qual remanesceria em discussão percentual infe- rior a 10tido total: é que não houve identificaçâo individual dos depósi tos a justificar, gi.rando a ação fiscal unicamente em tor- no de valores globais e daí nâo se poder afirmar que a hipótese dos autos nâo esteja perfeitamente enquadrada no contexto da ju- risprudência formada a partir do acórdâo n9 CSRF 01-0.071. :t: o relatório. v O T O - V E N C E D O R Redator-DesignadoConselheiro CARLOS WALBERTG CHAVES ROSAS ~. Divirjo do ilustre Relator, tão somente, no que concerne ~ nao exclusão da quantia de Cr$ 312.320,00 referente ao somatório.de depósitos bancários no exercício de 1979,ano ba- se de 1978, cuja origem seria ignorada. Consoante a defesa empreendida pelo recorrente, possufa ele, no início do período-base disponibilidades finance! ras capazes de reduzir o montante dos depósitosin:justificados a SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 104-4.308 Processon9 0820/002.015/82-23 5. REDATOR-DESIGNA- DO a um percentual inferior a aquele que, segundo a ,-,orientaçãodes- te Conselho, permanece sujeito à tributação. Do exame do litigio percebe-se, entretanto, que, nao obstante, se deixe de considerar as disponibilidades dal~ga- das pelo interessado,o percentual que remanesceu nao justificado de depósitos no exercicio de 1979 foi de 14,30~ tendo sido o Au- to de Infração lavrado em 1982. Com efeito, do total de créditos e depósitos que atingiu a Cr$ 2.183.229,00, apenas a quantia supra de Cr$ 312.320,00 nao teve a sua orig.em identificada pelo sujeito passi- VOe Esta Câmara tem se posicionado no sentido de consi derar corno fator capaz de fazer presumir a justificação de perce~ tual inferior a 90~ dos depósitos a decurso do tempo entre o exeE, cicio financeiro correspondente àquelas operações bancárias e a ação fiscal que apurou e.r;.passoua exi.gir o tributo. Dessa forma, pelo fato de haver transcorrido mais de ,dois anos após o exercicio em questão. para que viesse a autor! dade administrativa a promover a lavratura do Auto de Infração de fls. 1, reconheço legitimidade para se eximir o interessado da comprovação dos depósitos em valor que não exceda a 15~ do cômpu- to global dos depósitos no respectivo exercicio. Divergindo, nessa parte, do ilustre Relator do fei to, dou provimento ao recurso. ~ 4-/"CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS v O T O V E N C I D O Conselheiro TERESO DE JESUS TORRES Relator O recurso é tempestivo, de conformidade com o dis- posto no artigo 33 do decreto 70.235, de,6 de março de 1972. O recurso do interessado aborda dois pontos distin tos: a justificação de depósitos com determinados tipos de dispo- nibilidades e, em segundo lugar, a aplicação do acóidão CSRF- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0820/002.015/82-23 Acórdão n9 104-4.308 6. 01-0.071.,que tem como justificados os depósitos se o contribuinte logra fazê-lo em relação a pelo menos 90~ do respectivo montan- te. As disponibilidades com as quais o recorrente,pr~ tende justificar parte dos seus depósitos bancários são as seguin tes; la) - os saldos em suas contas bancárias ao inicio de cada ano.A respeito deste assunto, convém esclarecer que a fiscalização, por iniciativa própria, em obediência ãs normas que disciplinam a ins tauração de processo fiscais sobre depósitos bancários~ faz a exclusão de todos os depósitos que correspondem a.transferência.de um banco para outro, ou seja, efetuados com a utilização de sal- dos que existam noutros bancos ou noutnas ..contas. Com tal proced,!. mento, teria sido atendida a pretensão do recorrente, caso, real- mente, tenha ele feito depósitos com cheques dele próprio, sacan- do de um banco e colocando noutro; 2a) - cheque sacado no Banco Noroeste em 12/09/79, no valor de Cr$ 200.000,00. O recorrente esclarece, no recurso. que dito che- que foi depositado não na sua própria conta mas, sim, na de seu filho, o qual lhe forneceu de imediato o cheque que veio a ser depositado em sua conta no Banespa. Então a rep~rtixão estava cer ta ao recusar o depósito como sendo feito com o cheque do recor- rente; porém, com a nova versão, que está comprovada,afasta-se o obstáculo, como bem explic,âdo ficou no ~recurso interposto, e já não há motivo para deixar-se de aceitar justificado o depósito de Cr$ 200.000,00 no Banespa; 3a) - J?endimentos das cédulas "A/B", levados a depósitos_:diret~ mente pela fonte pagadora, no ano-base de 1979. É algo semelhante ao caso das foihas de pagamento enviadas aos bancos para crédi- to direto em nome dos funcionários. A fiscalização entende que o rendimento justifica tão somente o depósito feito pelo patrão ou pela fonte, não servindo para justificar qualquer outro depósito, a nao ser mediante prova de transferência de uma conta para ou- tra, como indicado no item precedente. O meu. entendimento sobre tal assunto, como já constou no acórdão n9104-2.605 , é no senti do de que o assalariadoJ não sofre qualquer restrição com _, esse primeiro depósito do patrão; pode sacá-lo e redistribul-lo entre os vários bancos com que operar, parceladamente ou não. O banco SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0820/002.015/82-23 Ac6rdion9 104-4.308 7 •. que recebeu o dinheiro do patrio, ou da fonte.fúnciona como se fos se mero pagador. No caso dos presentes autos, porém, já que os de- p6sitos a justificar, face à redução aceita no item precedente, ficam a nível inferior a 10t>do total, a discussio em torno de novas justificativas se torna inócua',.e, portanto, nio há necessi- dade de continuar a discussio em torno da quantia de Cr$ 131. 222,00. No que toca à aplicaçio do ac6rdio CSRF 01-0.071, há a ponderar que" a discussio nio se travava em ,torno de dep6sitos individualizados mas, sim, em torno de somas globais. Exemplo: no ano-base de 1980Lde Cr$ 16.177.840,00 justificou-se o montante de Cr$ 15.731.725,00, sem se identificar quais as parcelas justific~ das, muito embora houvesse possibilidade de faz~-lo. Nio me parece correto, entio, que agora se apele para o eventual valor das parce- las a fim de forçar a novas justificações documentais sobre a ori- gem dos recursos com que foram feitos os dep6sitos restantes. Ade- mais, o que faltou justificar no ano-base em causa nio chega a 3t>, valor muito aquém do percentual de 10t>- valor limite para a tole~ãncia a que se refere o dito ac6rdio. Esta problemática se estenderia, agora, também ao exercício de 1980, já que aceitas as justificações de dep6sitos com os recursos discutidos anteriormente r os valores a descobertb no ano-base de 1979, no total de Cr$ 455.895,00,deveriam ser redu zidos da parcela de Cr$ 200.000,00, ficando a justificar tio so- mente a parcela de Cr$ 255.895,00, que representa cerca de 7.5t> dos depósitos a justificar no início da açio fiscal. Conseqüentemente, aqui igualmente seria aplicada a orientaçio constante do acórdio CSRF 01-0.071. No mais, há a destacar apenas os dois pontos se- guintes: 1) - tributaçio dos dep6sitos bancários~ Sobre o assunto,repet~ mos o ponto de vista expendido em vários outros ac6rdãos-; como segue: o dep6sito:bancário representa, evidentemente, um item do'patrimônio de seu titular.e, assim, corresponde a rendimen- tos (tributáveis ou não) obtidos anteriormente, ou a dívidas e obri gações assumidas. Ao contribuinte, que é obrigado a prestar inf6rma ções de sua situaçio pessoal para fins de lançamento do imposto de --.. ~'; ~ !( ,- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0820/002. 015/82-23 Ac5rdâo n9 104-4.308 8. "G", nâo houve arg~ esclarecer que nao do RIR/80 e sim de renda, cabe o dever de indicar a fonte de onde promanam os recursos depositados, a fim de que o Fisco se inteire de sua natureza e pos~ sa decidir quanto a sua tributaçâo. ~ exatamente assim que se proc~ de com relaçâo a qualquer outro elemento componente .do patrimônio individual, desde que nâo justificado pela renda declarada. De modo nenhum se insinua que o dep5sito em si constitua o pr5prio fato gerador da obrigaçâo tributária. Ele. ape- nas denuncia a existência de rendimentos à disposiçâo,do contribuin te, rendimentos estes que nunca poderâodeixar de ser tributados se o contribuinte: a) nao prova.que exerceu atividade ou que tenha realizado transações que efetivamente lhe proporcionaram receitanâQ tributadªt p)_nâb_demonstra que os recursos com que foram feitos os dep5sitos provêm dos rendimentos declarados ao Fisco. Por isso mesmo é inteiramente lrrelevante que o de p5sito permaneça à disposiçâo do titular da conta~ou, entâo, seja imediatamente utilizado, desaparecendo como tal ao final de cada exercicio. ~ que o fato "gerador está representado pela disponibili- dade dos rendimentos que deram o~igem aos dep5sitos e nâo pela con- tinuidade dos mesmos no patrimônio do seu titular, eis que o consu- mo da renda nâo prejudica a tributaçâo normal da mesma. A conclusâo a que se chega seria a mesma :se os de~ p5sitos bancários de origem nâo comprovada fossem considerados nao como acréscimo patrimonial mas, sim, como sinais exteriores de ri- queza. Num ou noutro caso, tendo em vista .que eles se baseiam em disponibilidades de caixa, traduzirâo a percepçâo dos rendimentos em igual valor, porque dinheiro em.mâos representa o.valor liquido de uma obrigaçâo assumida ou de um direito realizado. Num ou noutro caso, o contribuinte teria de apresentar a correspondente justifica tiva ou esclarecimento, para elidir a tributaçâo prevista em lei. 2) - Cálculo do imposto sobre a atividade .agr:opastoril. No que se relaciona à cédula mentaçâo no recurso. Todavia, torna-se oportuno se trata de arbitramento previsto no artigo 54 tributaçâo com respeito' ao teto máximo de 15'. Tomo, pois, conhecimento do recurso e voto no sen- tido de que lhe seja dado provimento parcial para excluir da tribu-1-,-. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processon9 0820/002.015/82-23 Acórdão n9 104-4.308 tação na c~du1a "H", as quantias de Cr$ 455.895,00 e 438.115.,00, nos exercícios de 1980 e 1981, respectivamente. Brasí1La-DF, 21 de fevereiro de 1984 9 •. Cr$ '"'I ~ eY-. fJl-..A>- , fl,P-oTl?RESO"DE J1Ésus TORRES' RELATOR 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000673/2005-92
Data da sessão: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002,2003
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento. Sendo asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
LUCRO ARBITRADO.
O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal.
INEXATIDÕES MATERIAIS.
As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para elidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o lançamento de ofício não contém incorreções.
PIS, COFINS, CSLL.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal.
Numero da decisão: 1801-000.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento. Sendo asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. LUCRO ARBITRADO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para elidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o lançamento de ofício não contém incorreções. PIS, COFINS, CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Substituta. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente Substituta), Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva (suplente convocado), José Sérgio Gomes (suplente convocado), André Almeida Blanco (suplente convocado) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado). Ausentes justificadamente a Conselheira Ana de Barros Fernandes (Presidente) e o Conselheiro Rogério Garcia Peres. Relatório I - Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 364/373, com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.480,18, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, juros de mora e multa de ofício proporcional, referente aos quarto trimestres dos anos-calendário de 2001 e 2002 apurado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado, uma vez que não houve apresentação da escrituração obrigatória. A infração se fundamenta na omissão de receitas em decorrência da não escrituração das notas fiscais de serviços prestados, fls. 83/338, em conformidade com as informações constantes nos Demonstrativos 339/357, nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIPJ, fls. 18/68, e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, fl. 69. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso III do art. 530, art. 532 e art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II - O Auto de Infração às fls. 374/381 com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.026,97 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 382/389 com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.733,99 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 2º, art.3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, Medida Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13411.000673/2005-92 Acórdão n.º 1801-00.330 S1-TE01 Fl. 517 3 Provisória nº 1.807, de 25 de fevereiro de 1999, bem como parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 390/399 a exigência do crédito tributário no valor de R$1.573,72 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 6º da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999. Cientificada em 02/08/2005, fls. 364, 274, 382 e 390, a Recorrente apresentou as impugnações em 01/09/2005, fls. 408/426. Expõe que não exerce atividade imobiliária. Suscita que os Autos de Infração são nulos, haja vista que há vícios na descrição dos fatos e no enquadramento legal. Diz que as exigências não podem prosperar, já que os débitos estão confessados em DCTF e parcelados com sua adesão ao PAES, onde devem ser incluídos de ofício as possíveis diferenças. Procura demonstrar que o procedimento de arbitramento do lucro sem qualquer justificativa, uma vez que apresentou todos os documentos solicitados. Aduz que emitiu as notas fiscais que estão regularmente escrituradas. Indica a legislação que rege a matéria e ainda entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/Recife/PE nº 11-20.760, de 30/10/2007, fls. 490/498: “Lançamento Procedente”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ. Ano-calendário: 2001, 2002 ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real, em virtude da não apresentação de livros e documentos da escrituração, está legitimada a adotá-lo como meio de apuração da base de cálculo do TRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS Verificada a omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) Aplica-se às exigências ditas reflexas, o decidido em relação à exigência matriz devido a intima relação de causa e efeito entre elas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001,2002 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 PRELIMINAR DE NULIDADE. PROVA. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem a ocorrência de vícios com relação à forma, competência, objeto, motivo ou finalidade e sendo demonstrada, pela alentada impugnação apresentada, que inocorreu preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Notificada em 16/05/2008, fl. 502, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11/06/2008, fls. 504/508, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Em vista do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de que seja anulado o lançamento realizado, em vista das razões acima descritas. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva - Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os procedimentos são nulos, porque não foram lavrados em seu domicílio tampouco lhe dada oportunidade de recompor sua escrita fiscal. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumpri-los ou impugná-los no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Ela foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fl. 01, do Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 03/05, do Termo de Intimação Fiscal, fls. 06/07, e finalizou em 02/08/2005 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 364, 374, 382 e 390, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. A alegada indicação de prestação de serviços em atividade imobiliária, em nada lhe prejudicou, pois o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Além disso, foram asseguradas à Recorrente as Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13411.000673/2005-92 Acórdão n.º 1801-00.330 S1-TE01 Fl. 518 5 garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil - CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente suscita de confessou todos os débitos que foram objeto do lançamento. Cabe ressaltar que todos os valores informados na DCTF devem ser objeto de procedimento de auditoria interna e os saldos a pagar relativos a cada tributo informado devem ser enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 e art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002).Compulsando-se os Demonstrativos, fls. 339/357, observa-se que todos os valores declarados em DCTF, fl. 69, foram considerados para fins de apuração dos créditos tributários constituídos nos presentes autos. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda do procedimento fiscal, uma vez que como aderiu ao PAES e os créditos tributários constituídos nos presentes autos devem ser exigidos mediante inclusão de ofício no mencionado parcelamento especial. A Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, prevê: Art. 1º Os débitos junto à Secretaria da Receita Federal ou à Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em até cento e oitenta prestações mensais e sucessivas. § 1º O disposto neste artigo aplica-se aos débitos constituídos ou não, inscritos ou não como Dívida Ativa, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. § 2º Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável. Por seu turno, a Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 03 de 1º de setembro de 2003, determina: Art. 1º Fica instituída declaração - Declaração Paes- a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com a finalidade de: I - confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados à SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração específica; II - confessar débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem assim, prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; III - prestar informações relativas aos débitos e aos respectivos processos administrativos, em relação aos quais houve desistência do litígio; IV - confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado à entrega de declaração específica. § 1º A informação de desistência de ações judiciais, impugnações e recursos administrativos na Declaração Paes não exime o contribuinte de formalizar o pedido de desistência da ação judicial ou do contencioso administrativo, nos prazos fixados na Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 2, de 22 de agosto de 2003. § 2º Os valores relativos a débitos de impostos e contribuições já declarados ou confessados anteriormente, inclusive mediante pedido de parcelamento, ainda que pendente de decisão, serão incluídos pela SRF no parcelamento especial, não devendo ser informados na Declaração Paes. Art. 2º A inclusão de débitos passíveis de declaração, a que o sujeito passivo a ela obrigado se encontre omisso, dar-se-á, exclusivamente, com a apresentação da respectiva declaração, no prazo fixado no art.1º, exceto na situação referida no inciso IV, do mesmo artigo. Parágrafo único. Na hipótese de débito já declarado por valor inferior ao efetivamente devido, a inclusão do valor complementar far-se-á mediante entrega de declaração retificadora, no prazo fixado no art. 2º. [...] Art. 7º As multas decorrentes da falta ou atraso na entrega de declarações à SRF poderão ser incluídas no Parcelamento Especial (Paes) quando referentes a obrigação de apresentação vencida até 28 de fevereiro de 2003, e a efetiva entrega se verifique até o prazo previsto no art. 2º. Por seu turno, o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovada pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, ordena: Art. 203. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil - DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil - ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil - IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] IX - desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; X - executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária; XI - controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários; Verifica-se que a opção pelo parcelamento especial de que trata a Lei 10.684, de 2003, deveria ter sido apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 com a finalidade de, dentre outras hipóteses, confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13411.000673/2005-92 Acórdão n.º 1801-00.330 S1-TE01 Fl. 519 7 declarados ou não confessados à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração específica. No presente caso, o crédito tributário foi constituído pelo lançamento de ofício posteriormente à data final de apresentação da Declaração PAES. Além disto, o pedido de inclusão de ofício de débitos no PAES deve ser examinado em rito próprio pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente. Por conseguinte, não compete ao CARF analisar este requerimento no presente processo. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Sobre o lançamento, o RIR, de 1999, fixa: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). O sujeito passivo deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos. A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro. Como ficou comprovado nos autos, no período objeto da ação fiscal, o imposto devido trimestralmente foi determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, uma vez que a Recorrente não apresentou à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal a que estava obrigada. Está registrado na Descrição dos Fatos dos Autos de Infração, fls. 364/399: A partir do levantamento da receita bruta no período fiscalizado, elaboramos as planilhas de composição da base de cálculo, fls. 242 a 343, tendo como fonte de informações as Notas Fiscais constantes às fls. 83 a 338 e relacionadas às fls. 339 a 341. Logo em seguida, constituímos as planilhas de apuração de débitos do IRPJ e CSLL, fls. 344/345 e 350/351. Nessas planilhas, estão relacionados os débitos declarados em DCTF - a até 03/06/2005 (data de início do procedimento fiscal) e as deduções decorrentes do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que estão informadas na DIRF constantes às fls. 70 a 82. Não houve recolhimentos do contribuinte a titulo de IRPJ e CSLL em relação aos períodos de apuração fiscalizados, fls. 352 e 355. Elaboramos, então, os Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada, fls. 356/357 a 362/363, em que há o confronto entre os débitos levantados pela fiscalização e os débitos válidos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 declarados em DCTF, resultando em diferenças lançadas de IRPJ e CSLL. As provas do ilícito tributário constante nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que escriturou todas as notas fiscais de serviços prestados, fls. 83/338. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para elidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o lançamento de ofício não contém incorreções. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Em face de o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheira Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10768.012801/2003-51
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA.
Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos disponíveis (tributados, isentos e não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e não-tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência.
INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador.
REEMBOLSOS DE DESPESAS PAGAS PELO CONTRIBUINTE. ORIGENS DE RECURSOS PARA JUSTIFICAR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA
Os fatos registrados na escrituração da pessoa jurídica, na qual o contribuinte desempenha as suas funções (sócio), são tidos como verdadeiros desde que respaldados em documentação hábil e idônea. Comprovado que os dispêndios lançados pela autoridade fiscal no demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto como aplicação de recursos foram realizados e pagos pelo contribuinte no exercício de sua função e que estes valores foram reembolsados pela empresa, é de se aceitar os valores reembolsados como sendo origem de recursos.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 24.069,53, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Nelson Mallmann
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a Fl. 660DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos disponíveis (tributados, isentos e nãotributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Assim, quando for o caso, devem ser considerados, na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, todos os recursos auferidos pelo contribuinte (tributados, isentos e nãotributáveis e os tributados exclusivamente na fonte), abrangendo os declarados e os lançados de ofício pela autoridade lançadora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto de renda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que à autoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativa nos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldos bancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais, como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invoca como justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas, que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. REEMBOLSOS DE DESPESAS PAGAS PELO CONTRIBUINTE. ORIGENS DE RECURSOS PARA JUSTIFICAR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA Os fatos registrados na escrituração da pessoa jurídica, na qual o contribuinte desempenha as suas funções (sócio), são tidos como verdadeiros desde que respaldados em documentação hábil e idônea. Comprovado que os dispêndios lançados pela autoridade fiscal no demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto como aplicação de recursos foram realizados e pagos pelo contribuinte no exercício de sua função e que estes valores foram reembolsados pela empresa, é de se aceitar os valores reembolsados como sendo origem de recursos. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Fl. 661DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 24.069,53, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 662DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Relatório HERRY ROSENBERG, contribuinte inscrito no CPF/MF 275.667.73704, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Rita Ludolf, nº. 24 – apto 501 Cobertura Bairro Leblon, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 378/383, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ II recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 392/407. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 18/12/2003, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 297/299), com ciência pessoal, em 24/12/2003 (fls. 297), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 55.222,52 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 1999, correspondente ao anocalendário de 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 1999 onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos, tendo em vista a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme sinteticamente demonstrado no quadro de variação patrimonial anexo parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos artigos 1º, 2º, 3º, e §§, da Lei n º 7.713, de 1988; artigos 1º e 2º, da Lei n º 8.134, de 1990 e artigo 21 da Lei nº. 9.532, de 1997. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 287/292, entre outros, os seguintes aspectos: que o contribuinte em questão é réu no processo 2003.51.01.5002810 com trâmite 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, cuja sentença em 1ª instância em 31/10/2003, o condenou a nove (09) anos e seis (6) meses de reclusão. O citado contribuinte por sua vez é Sócio Gerente da empresa COPLAC CONSULTORIA, PLANEJAMENTO E PROMOÇÕES LTDA. — CNPJ 35810845/000127, juntamente com Ronaldo Adler, CPF 543.764.16720 e Tradinvest (International) Limited com sede na Irlanda; que no referido processo judicial, pesa contra o contribuinte, motivo de sua condenação, acusação de colaboração, objetiva e subjetiva, na abertura das contas no Discount Bank and Trust Company (DBTC), atual L'Union Bancaire Priveé (UBP), em Zurich, Suiça. Entendeu o meritíssimo, em sua decisão, que o presente contribuinte facilitou a ocultação da origem, da localização e da própria propriedade dos valores depositados nas contas no exterior, fls. 20,21 e 22 da sentença. O sigilo bancário do réu foi afastado em decisão prolatada nos autos do processo 2002.51015268877, Apenso 07, estendendose o uso de tais dados à Receita Federal em 03/07/2003; que o procedimento fiscal teve início, em 01/07/2003, com ciência pessoal ao contribuinte. Em resposta ao presente Termo em 21/07/2003, esclarece alguns pontos, alega Fl. 663DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 3 5 dificuldades na coleta dos documentos e remete a fiscalização aos autos da Medida Cautelar 2002.51015268877 da 3ª Vara Federal Criminal. Ainda em atenção ao Termo de Início, em 24/07/2003, manifestase o contribuinte apresentando alguns documentos e reiterando esforços na obtenção de dados. Em 29/07/2003, apresenta escritura do AP 501 da Rua Rita Ludolf e cópia do certificado do veículo Ômega. Em 05/08/2003, cópia da escritura do imóvel de Búzios e de recibos de viagens. Em 07/08/2003, cópia da escritura da casa de Teresópolis; que a renda acima, comparada com a movimentação financeira controlada pela CPMF, em 1998, não apresenta distorções graves. CPMF 1998 — R$ 106.351,74. Total de créditos em c/c apurados no extrato — R$ 88.602,94. Em função destes dados, resolvemos desprezar este indicativo econômico/financeiro, bem como eventuais valores tributáveis originários de conta bancária neste ano; que no que tange a evolução do patrimônio, neste ano, encontramos anomalia no fato de o contribuinte indicar que transfere, para a declaração do cônjuge, o veículo Camioneta IMP/MMC 93/94, placa LJH 5318, apenas de forma oficiosa, se é que assim podemos chamar. O Fato não é concreto, pois quando analisamos a declaração da Sra. Silvia Hauser Rosenberg, o bem não se encontra ali registrado. Tal artifício mascarou a evolução patrimonial neste ano. Este procedimento meramente plástico e impróprio do contribuinte, a princípio, só poderia ser percebido por análise visual das declarações. É relevante também o fato de o contribuinte, com rendimento tão limitado — acima descrito — sustentar um patrimônio tão variado. Pautado nesta linha de pensamento que resolvemos desenvolver e apurar a variação patrimonial do contribuinte para este anobase; que em que pese o artifício acima descrito utilizado pelo contribuinte, não constatamos nenhum outro fato econômico ou relação jurídica isolada que proporcionasse matéria tributável, além da Variação Patrimonial à Descoberto. O excesso de gastos/dispêndios sobre as origens conhecidas encontrase detalhadas no Demonstrativo de Variação Patrimonial e seus anexos. Desta forma, constituímos, através do presente lançamento, crédito tributário em face de Omissão de Rendimentos da Pessoa Física por Acréscimo Patrimonial à Descoberto. Em sua peça impugnatória de fls. 303/307, instruída pelos documentos de fls. 308/377, apresentada, tempestivamente, em 26/01/2004, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que se vê, portanto, que apenas no início do mês de dezembro de 2003 é que a fiscalização questionou o IMPUGNANTE sobre os créditos bancários na sua conta corrente mantida no Unibanco, e que logo após, em 10/12/2003, ele teria prestado esclarecimentos sobre a quase totalidade dos referidos créditos bancários (DOC. 01); que na mesma petição protocolada em 10/12/2003 o IMPUGNANTE juntou comprovante de que estava requerendo ao Unibanco cópias dos documentos solicitados pela Receita Federal (DOC. 02), com os quais pretendia colher informações que esclarecessem todos os depósitos feitos na sua conta corrente no ano de 1998. Não tendo sido atendido na sua primeira solicitação, o IMPUGNANTE, em 17.12.2003, reiterou o seu pedido, conforme faz prova a carta em anexo (DOC. 03); que vale notar, entretanto, que em anexo à referida petição de 10/12/2003, o IMPUGNANTE já havia apresentado demonstrativo indicando a origem da quase totalidade dos créditos bancários de 1998, o que foi, inclusive, admitido pela fiscalização na alínea g) do Fl. 664DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 item 3.1., acima transcrito. No entanto, dentre os referidos créditos, os abaixo tiveram a sua origem identificada como sendo "REEMBOLSOS ESCRITÓRIO OU SILVIA"; que, portanto, os referidos reembolsos teriam duas razões: (i) gastos decorrentes de viagens a negócios, devidamente lançados nos seus cartões de crédito e que teriam sido reembolsados pela COPLAC, ou (ii) gastos efetuados por sua cônjuge em cartão de crédito de uso comum do casal; porém, as despesas eram assumidas por quem as tivesse efetuado; que, no entanto, a correta razão de tais reembolsos somente poderia ser confirmada a partir do exame da documentação a ser fornecida pelo Unibanco, o qual até o presente momento não se manifestou; que, nesse particular, fazse mister o deferimento de diligência para confirmar a origem dos ditos reembolsos, a partir do exame da documentação bancária que vier a ser fornecida pelo Unibanco ou, alternativamente, a partir do exame da documentação contábil da COPLAC que foi apreendida pela Polícia Federal (DOC. 4); que, assim, o AUTO deve ser retificado para que nele sejam computados os mencionados reembolsos e, consequentemente, sejam reformulados os "demonstrativos de patrimônio a descoberto" que compõem o AUTO; que, ademais, ainda que o ônus da prova caiba ao IMPUGNANTE, uma vez que o AUTO tem amparo em presunção legal, isso não seria impedimento para o deferimento da diligência pleiteada, uma vez que o direito à ampla defesa permite o IMPUGNANTE provar os fatos alegados por todos os meios de prova admitidos em lei. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ II conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que, inicialmente, esclareçase que há nos autos elementos suficientes para o julgamento da lide, prescindindo, portanto, qualquer Diligência conforme sugeriu o Impugnante. Assim, indefiro tal pedido, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972; que, ademais, o próprio Interessado apresentou, posteriormente à impugnação, os documentos sobre os quais versava o pedido de Diligência inicialmente proposto, documentos esses que serão devidamente analisados em observância ao Princípio da Verdade Material, que rege o Processo Administrativo Fiscal; que autoridade Fiscal elaborou os demonstrativos de fls. 267 a 284, que resultaram no fluxo de variação patrimonial de fls. 285 e 286, por meio do qual se apurou acréscimo patrimonial a descoberto no período de fevereiro a maio e julho a dezembro de 1998; que, na peça contestatória, o Contribuinte alega que a Fiscalização considerou todos os dispêndios de cartões de crédito internacional e de compra de dólares utilizados em viagens de negócios, mas não considerou que ditas despesas teriam sido reembolsadas pela COPLAC Consultoria. Com o intuito de comprovar os supostos reembolsos, apresentou a documentação de fls. 333 a 377, relativa aos créditos listados à fl. 332; Fl. 665DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 4 7 que, de plano, há de se esclarecer que o lançamento decorreu de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto e não de depósitos bancários de origem não justificada, conforme descrição dos fatos contida no Auto de Infração; que da análise do demonstrativo de variação patrimonial elaborado pela Autoridade Autuante às fls. 285 e 286, verificase que os saldos credores em conta bancária do Contribuinte no início de cada mês foram considerados como recursos e os saldos credores ao final de cada mês, como dispêndios. Assim, diante dos demonstrativos de fls. 52, 53, 274 e 275, constatase que os depósitos listados pelo Interessado na fl. 306 da impugnação, ratificados na fl. 332, já se encontram computados no fluxo elaborado pela Fiscalização Independente de os créditos listados pelo Impugnante referiremse a reembolsos de despesas de cartão de crédito ou possuírem qualquer outra natureza, o fato é que a Fiscalização já considerou todas as entradas e saídas de numerários da conta bancária do Contribuinte, uma vez que trabalhou o fluxo patrimonial com saldos no início e fim de cada mês. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituem rendimento bruto, sujeito ao imposto de renda, as quantias correspondentes a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, nãotributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 11/11/2004, conforme Termo constante às fls. 386/388, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (13/12/2004), o recurso voluntário de fls. 392/407, no qual demonstra irresignação parcial contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que com indeferimento do requerimento de diligência pleiteado pelo RECORRENTE, torna impossível a apresentação de comprovação de despesas referente aos reembolsos efetuados pela COPLAC, uma vez que consta devidamente registrado nos livros contábeis da empresa tais pagamentos a título de reembolso de despesas incorridas pelo representante legal da empresa em viagens de negócios. O RECORRENTE esclareceu em sua impugnação que tais documentos não puderam ser fornecidos à fiscalização, tendo em vista que foram apreendidos pela Polícia Federal em período anterior ao da ação fiscal; que , isto posto, como poderia ser feita a comprovação do pagamento pela COPLAC a título de reembolso de despesas incorridas pelo RECORRENTE, se o mesmo não dispõe de elementos de prova suficientes para afastar a caracterização de rendimento dos recursos ingressados em sua contacorrente. E ainda, tendo sido negado o pedido de diligência solicitado pelo RECORRENTE, dificulta ainda mais a comprovação dos referidos pagamentos. Na Sessão de Julgamento de 26 de junho de 2008 a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência a repartição de origem para que: Fl. 666DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 1 A autoridade administrativa de primeira instância verifique, junto à contabilidade da COPLAC Consultoria, Planejamento e Promoções Ltda., a natureza dos pagamentos feitos ao recorrente, representada pelos cheques de fls. 334/377, anexandose documentação hábil e idônea; 2 Estando a contabilidade em poder da Policia Federal, seja oficiado a tal órgão, solicitando o acesso a tais documentos; 3 Esclareça o Sr. Auditor Fiscal autuante como montou os demonstrativos dos saldos bancários, por valores iniciais e finais, já que os extratos não estão no processo, juntando aos autos os seus elementos constitutivos; 4. Das conclusões fiscais, dêse vistas ao contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 15 dias. Após a realização das diligências solicitadas a Divisão de Fiscalização da Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro, em síntese, informa que: tratase de ação fiscal à época de difícil trâmite, pois o contribuinte encontravase ora preso ora livre, o processo judicial girava sob segredo de justiça, além obviamente da iminente decadência que se anunciava para o AC de 1998; em que pese às elucidações acima fezse esforço no sentido de se solicitar cópia do processo judicial o que só foi possível com autorização expressa do juiz da Vara Federal Criminal. Ante a autorização fizemos uso dos extratos, sendo o contribuinte intimado a esclarecer os pontos necessários pertinentes à movimentação de cada um deles. Todavia, na montagem do processo, em face de dúvidas e da brutal carga de trabalho que se apresentava naquele momento, inadvertidamente tais cópias C/C UNIBANCO, em especial, não foram anexadas; e que os demonstrativos as folhas 274 e 275 foram derivadas dos extratos bancários e na sua impossibilidade, utilizamos as informações prestadas pelo contribuinte em sua DIRPF folhas 08, 09 e 10 haja vista o mínimo tempo disponível para conclusão parcial da ação fiscal. Em relação Em relação ao item 1, folha 446, em que pese fazerse referência a autoridade administrativa de Primeira Instância, houve entendimento de que a presente diligência se manifestasse quanto ao tema abordado. Assim temos o seguinte entendimento: Razão Contábil Coplac Bancos Unibanco e Citibank Jan a Dez 1998 o contribuinte (COPLAC) adota a prática de lançamentos globais por montante de cheques emitidos no mês em contrapartida com a conta Caixa, esta a débito; Razão Contábil Coplac Caixa Jan a Dez 1998 constatase que os lançamentos são efetuados no último dia do mês prática não recomendada; No Diário a COPLAC segue a mesma prática de registrar os fatos no último dia do mês; Fl. 667DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 5 9 Encontramse registrados os seguintes valores na contabilidade da COPLAC, cujos pagamentos foram contabilizados à crédito da conta caixa: em resposta aos Ofícios datados respectivamente em 07 e 13 de julho de 2010 os documentos estão juntados às fls. 261 a 266. 31/01/1998 Reembolso de Passagens 2.147,04 31/05/1998 Reembolso de Passagens 244,40 31/07/1998 Prest. 02/04 compra de computador 304,35 31/07/1998 Reembolso de Passagens 244,40 31/08/1998 Reembolso de Passagens 758,89 31/08/1998 Reembolso de Passagens 1.670,31 31/08/1998 Prest. 03/04 compra de computador 304,35 30/11/1998 Reembolso de Passagens 311,40 31/12/1998 Reembolso de Passagens 1.269,73 31/12/1998 Reembolso de Passagens 1.496,40 Visando corrigir ausência no processo o contribuinte foi intimado a apresentar cópia dos extratos bancários c/c Unibanco R P F 0719000200900080. As demais informações reiteramos, foram mesmo pautadas nas informações da DAA I R P F AC 1998 saldos iniciais e finais. Destaquese que o contribuinte apresentou também cópias dos livros Diário e Razão. Na Sessão de 13 de maio de 2011 o Relator da matéria observou que não consta a ciência do recorrente da referida diligência, conforme solicitado pelo então Colegiado da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Diante deste fato o Colegiado votou no sentido de que o julgamento fosse reconvertido em diligência para que a Repartição Origem tome as devidas providências no sentido de cientificar o contribuinte sobre as conclusões da diligência dandose vista ao recorrente, com prazo de 15 (quinze) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em 21 de julho de 2011 o contribuinte apresentou a sua manifestação sobre a diligência realizada (fls. 636/637), cuja síntese se transcreve abaixo: Como se verifica, alem de não cumprir os principais requisitos determinados pela Resolução e não juntar a documentação solicitada, o próprio Auditor Fiscal autuante reconhece que o lançamento foi realizado com dúvidas e incertezas. 05. O direito tributário não admite que o lançamento seja efetuado com base em meras suspeitas, incertezas c indícios que não se traduzem em prova cabal da ocorrência do falo gerador. Fl. 668DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 06. O princípio da legalidade, previsto no art. 150, I, da CF/88 e no art. 97 do C'1"N, impõe à lei a declinação de todos os aspectos do fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, com ou sem o auxílio do contribuinte, a autoridade fiscal deve proceder à verificação da ocorrência do fato eleito pela lei como gerador do tributo e declarar a sua ocorrência através do lançamento. 07. Na esteira deste pensamento, o próprio Relator Nelson Mallmann manifestouse no voto que converteu o julgamento em diligência: ''Sob a legalidade objetiva, o lançamento tributário é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (...). " 08. Em outras palavras, o lançamento tributário só é válido se demonstrada, com absoluta certeza, a ocorrência do falo gerador, pois a exação baseada cm mera possibilidade dessa ocorrência ofende os princípios da legalidade c tipicidade. 09. Em seu recurso voluntário, o RECORRENTE expôs diversos argumentos e anexou Acórdãos do então Conselho de Contribuintes no sentido de que meras presunções, por si só, não são admitidas como meio de se provar a ocorrência do fato tributável, razão pela qual verificase a improcedência do lançamento. 10. Por todo o exposto, pede e espera o RECORRENTE seja cancelado o auto de infração, com a consequente extinção do credito tributário dele decorrente. É o relatório. Fl. 669DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 6 11 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise da matéria contida nos autos, verificase que a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos diante da constatação de variação patrimonial a descoberto, apurado através de “fluxo financeiro” de origens e aplicações de recurso (demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto), onde se verificou excesso de aplicações sobre as origens, não respaldados por recursos com origem declarada e/ou comprovada (tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte). Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, preliminarmente, nulidade do Auto de Infração amparado na tese de ofensa aos princípios constitucionais e normas legais constituídas e, no mérito, ataca a tributação por presunção de omissão de rendimentos caracterizado por acréscimo patrimonial a descoberto Desta forma, a discussão neste colegiado se restringe sobre o artigo 2º da Lei nº. 7.713, de 1988, que dispõe que a omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto deve ser apurada mensalmente e tributada no ajuste anual, tomando por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do anocalendário. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais. Como visto o suplicante entendeu que o Auto de Infração é improcedente porque, de um lado a fiscalização considerou todos os dispêndios de cartões de crédito internacional e de compra de dólares utilizados em viagens de negócios, porém, de outro lado não considerou que ditas despesas teriam sido reembolsadas pela COPLAC (Consultoria, Planejamento e Promoções Ltda.). Com a devida vênias dos que assim não entendem, estou com a decisão recorrida, já que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, Fl. 670DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pelo recorrente. Inicialmente, verificase que para o contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização no Rio de Janeiro RJ, cuja ciência foi através de AR e Fl. 671DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 7 13 descreve as irregularidades praticadas, bem como o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de omissão de rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial a descoberto, sem que o recorrente justificasse estes acréscimos patrimoniais. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca destes acréscimos patrimoniais. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo ao interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Fl. 672DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Quanto à preliminar de nulidade argüida, sob o entendimento de que de que houve, em síntese, ofensa ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa, assegurado no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, por discordar, em síntese, dos procedimentos adotados pela fiscalização para lavratura do presente Auto de infração, é de se dizer que não tem razão o suplicante, pelos motivos que se seguem. Resta claro, no desenvolvimento do procedimento fiscal, que os demonstrativos esclarecem de maneira convincente a origem dos valores que tomaram parte do demonstrativo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto questionado. Ora, é dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das Declarações de Ajuste Anual apresentadas e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, do lançamento de rendimentos isentos e nãotributáveis e sujeitos a tributação exclusiva, do lançamento de ganhos de capital e de renda variável, bem como do lançamento de bens e direitos, dívidas e ônus reais, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Fl. 673DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 8 15 Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. Ora, não há como negar que as irregularidades apontadas pela autoridade lançadora foram devidamente caracterizadas e compreendidas pelo suplicante, tanto é verdade que a mesma contestou o referido auto de infração de forma a não deixar dúvidas quanto ao perfeito conhecimento dos fatos, através da Impugnação. Portanto, o fundamental é que o contribuinte tenha tomado ciência do presente auto de infração, e tenha exercido de forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa e oportunidade para apresentar dos documentos comprobatórios de suas alegações. Enfim, no caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Fl. 674DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 Da análise do mérito se verifica que a autoridade lançadora constatou, através do levantamento de entradas e saídas de recursos – fluxo financeiro (“fluxo de caixa”), que o contribuinte apresentou, durante o anocalendário de 1998, saldos negativos, representando desta forma presunção de omissão de rendimentos, já que consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos, etc. Não há dúvidas, nos autos, de que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava “um acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo mensal”, ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Sobre este “acréscimo patrimonial a descoberto”, “saldo negativo” cabe tecer algumas considerações. Sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em rendimentos auferidos (tributados, isentos e nãotributáveis ou tributadas exclusivamente na fonte) e/ou empréstimos, etc. No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período, ou seja, na acepção do termo “acréscimo patrimonial”. Portanto, não pode ser tratada como simples acréscimo patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado na declaração anual de ajuste. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do Código Tributário Nacional, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Fl. 675DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 9 17 Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos fluxo financeiro, que a recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: Lei n.º 7.713, de 1988: Artigo 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3º O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n.º 8.134, de 1990: Art. 1º A partir do exercíciofinanceiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. (...). Art. 4º Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1º de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8º da Lei n.º 7.713, de 1988: Fl. 676DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 I será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n.º 8.021, de 1990: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. Como se depreende da legislação, anteriormente mencionada, o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n.º 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. Nesta altura deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual se estipulou que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, temse que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei nº. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do anocalendário o contribuinte antecipa, mediante Fl. 677DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 10 19 a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade, que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, devese atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pelo interessado no ano calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. É certo que a Lei n.º 7.713, de 1988, determinou a obrigatoriedade da apuração mensal do imposto sobre a renda das pessoas físicas, não importando a origem dos rendimentos nem a natureza jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou física. Como o imposto era apurado mensalmente, as pessoas físicas tinham o dever de cumprir sua obrigação com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência plena, somente, no ano de 1989. Entretanto, a partir do ano de 1990, não é possível exigir do contribuinte o pagamento mensal do imposto de renda, ainda que a fonte pagadora não tenha cumprido o dever legal de efetuar a retenção do imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas que o imposto de renda na fonte e o imposto de renda recolhido na forma de “carnêleão”, apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual. Desse modo, o imposto devido, a partir do período base de 1990, passou a ser determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.º 8.134, de 1990, e o saldo a pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte pessoa física, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas físicas. Relevante observar, que a obrigatoriedade do recolhimento mensal nasceu com o advento da Lei n.º 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das pessoas físicas o sistema de bases correntes. Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurados, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01/90, estão sujeita à tabela progressiva anual (IN SRF n.º 46/97). É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Fl. 678DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Não comungo com a corrente, que entende que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simplesmente, já que é pensamento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilha financeira onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais e pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo anocalendário. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda declaração de bens, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea. No presente caso, a tributação levada a efeito baseouse em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a princípio, constatase que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. É entendimento pacífico, nesta Turma de Julgamento, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro (“fluxo de caixa”) do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributáveis, isentos e os tributados exclusivamente na fonte), bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), IR sobre renda variável, IPTU, ITBI, construções e reformas, moeda estrangeira em espécie, veículos, embarcações, ações, quotas, integralização de capitais, gastos com viagens; débitos em contacorrente bancária tais como cheques emitidos para consumo e para pagamentos a terceiros, rubricas de pagamento de cartão de crédito, gastos com viagens, ordens de pagamento, etc., apurados mensalmente. Assim sendo, não há controvérsia que o lançamento foi realizado dentro dos parâmetros legais. Consta de forma clara, nos autos, que o suplicante foi tributado por presunção legal de omissão de rendimentos, caracterizado através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, onde se constata um “acréscimo patrimonial a descoberto” “saldo negativo mensal”, ou seja, o suplicante aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada, sendo que nestes casos a responsabilidade pela apresentação das provas para elidir a presunção legal compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. No âmbito da teoria geral da prova, não há dúvidas de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à Fl. 679DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 11 21 evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer, que o Direito Tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo, portanto, razoável como emprego subsidiário o Código de Processo Civil, que dispõe: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como, a iterativa jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores apurados nos demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observese, que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceu, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de ofício que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação Fl. 680DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas e das planilhas que atestam o acréscimo patrimonial, a autoridade fiscal não só tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever. Uma vez efetuado o demonstrativo de evolução patrimonial do Contribuinte e apurado o acréscimo patrimonial a descoberto pela autoridade fiscal lançadora, caracterizada está a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do art. 43, inciso II do Código Tributário Nacional. Nessa hipótese, cabe ao Contribuinte a comprovação da existência recursos suficientes para afastar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado, uma vez que se opera a inversão do ônus da prova, legalmente prevista. Esclareçase, mais uma vez, que os dados constantes da Declaração de Rendimentos e de Bens do Contribuinte são informações prestadas voluntariamente, sob sua responsabilidade, e estão sujeitos à comprovação, se o Fisco entender necessário. O artigo 806 do Decreto n° 3.000, de 1999, assim determina: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n° 4.069/1962, art 51, § 1°). Ora, resta claro nos autos de que foi verificada omissão de rendimentos devido à ocorrência de variação patrimonial não respaldado por rendimentos tributáveis, isentos e nãotributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva declarados. Se o contribuinte foi autuado por acréscimo patrimonial a descoberto, através do levantamento do fluxo financeiro. Ou seja, através da análise das entradas e saídas de recursos à fiscalização apurou saldo negativo. Nesta situação o suplicante fica na obrigação de apresentar elementos comprobatórios de recursos com origem justificada para fazer frente ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização, de nada adianta a simples alegação de que se fosse considerado isso ou aquilo à acusação fiscal não teria fundamento para sua aplicação, pois, estes supostos recursos, dariam causa ao dito “acréscimo patrimonial a descoberto apurado”. Como já dito, anteriormente, o ônus cabe à autoridade administrativa. Há, porém, as presunções legalmente estabelecidas. Estas têm o condão de inverter o ônus da prova como esclarece José Luiz Bulhões Pedreira (“Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas”, JUSTEC – RJ, 1979, pág. 806): O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Nesta linha de pensamento, alega o recorrente, que a Fiscalização considerou todos os dispêndios de cartões de crédito internacional e de compra de dólares utilizados em viagens de negócios, mas não considerou que ditas despesas teriam sido reembolsadas pela COPLAC Consultoria. Com o intuito de comprovar os supostos reembolsos, apresentou a documentação de fls. 333 a 377, relativa aos créditos listados à fl. 332 e que os referidos reembolsos teriam duas razões: (i) gastos decorrentes de viagens a negócios, devidamente Fl. 681DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 12 23 lançados nos seus cartões de crédito e que teriam sido reembolsados pela COPLAC, ou (ii) gastos efetuados por sua cônjuge em cartão de crédito de uso comum do casal; porém, as despesas eram assumidas por quem as tivesse efetuado. Observase que a decisão recorrida manteve lançamento sob o argumento de que da análise do demonstrativo de variação patrimonial elaborado pela Autoridade Autuante às fls. 285 e 286, verificase que os saldos credores em conta bancária do Contribuinte no início de cada mês foram considerados como recursos e os saldos credores ao final de cada mês, como dispêndios. Assim, diante dos demonstrativos de fls. 52, 53, 274 e 275, constatase que os depósitos listados pelo Interessado na fl. 306 da impugnação, ratificados na fl. 332, já se encontram computados no fluxo elaborado pela Fiscalização independentemente de os créditos listados pelo Impugnante referiremse a reembolsos de despesas de cartão de crédito ou possuírem qualquer outra natureza, o fato é que a Fiscalização já considerou todas as entradas e saídas de numerários da conta bancária do Contribuinte, uma vez que trabalhou o fluxo patrimonial com saldos no início e fim de cada mês. Diante de dúvidas que surgiram no primeiro julgamento do presente, na Sessão de Julgamento de 26 de junho de 2008 a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência a repartição de origem para que: 1 A autoridade administrativa de primeira instância verifique, junto à contabilidade da COPLAC Consultoria, Planejamento e Promoções Ltda., a natureza dos pagamentos feitos ao recorrente, representada pelos cheques de fls. 334/377, anexandose documentação hábil e idônea; 2 Estando a contabilidade em poder da Policia Federal, seja oficiado a tal órgão, solicitando o acesso a tais documentos; 3 Esclareça o Sr. Auditor Fiscal autuante como montou os demonstrativos dos saldos bancários, por valores iniciais e finais, já que os extratos não estão no processo, juntando aos autos os seus elementos constitutivos; 4. Das conclusões fiscais, dêse vistas ao contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 15 dias. Após a realização das diligências solicitadas a Divisão de Fiscalização da Delegacia de Fiscalização no Rio de Janeiro, em síntese, informa que: tratase de ação fiscal à época de difícil trâmite, pois o contribuinte encontravase ora preso ora livre, o processo judicial girava sob segredo de justiça, além obviamente da iminente decadência que se anunciava para o AC de 1998; em que pese as elucidações acima fezse esforço no sentido de se solicitar cópia do processo judicial o que só foi possível com autorização expressa do juiz da Vara Federal Criminal. Ante a autorização fizemos uso dos extratos, sendo o contribuinte intimado a esclarecer os pontos necessários pertinentes à movimentação de cada um deles. Todavia, na montagem do processo, em face de dúvidas e da brutal carga de trabalho que Fl. 682DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 se apresentava naquele momento, inadvertidamente tais cópias C/C UNIBANCO, em especial, não foram anexadas; e que os demonstrativos as folhas 274 e 275 foram derivadas dos extratos bancários e na sua impossibilidade, utilizamos as informações prestadas pelo contribuinte em sua DIRPF folhas 08, 09 e 10 haja vista o mínimo tempo disponível para conclusão parcial da ação fiscal. Em relação Em relação ao item 1, folha 446, em que pese fazerse referência a autoridade administrativa de Primeira Instância, houve entendimento de que a presente diligência se manifestasse quanto ao tema abordado. Assim temos o seguinte entendimento: Razão Contábil Coplac Bancos Unibanco e Citibank Jan a Dez 1998 o contribuinte (COPLAC) adota a prática de lançamentos globais por montante de cheques emitidos no mês em contrapartida com a conta Caixa, esta a débito; Razão Contábil Coplac Caixa Jan a Dez 1998 constatase que os lançamentos são efetuados no último dia do mês prática não recomendada; No Diário a COPLAC segue a mesma prática de registrar os fatos no último dia do mês; Encontramse registrados os seguintes valores na contabilidade da COPLAC, cujos pagamentos foram contabilizados à crédito da conta caixa: em resposta aos Ofícios datados respectivamente em 07 e 13 de julho de 2010 os documentos estão juntados às fls. 261 a 266. 31/01/1998 Reembolso de Passagens 2.147,04 31/05/1998 Reembolso de Passagens 244,40 31/07/1998 Prest. 02/04 compra de computador 304,35 31/07/1998 Reembolso de Passagens 244,40 31/08/1998 Reembolso de Passagens 758,89 31/08/1998 Reembolso de Passagens 1.670,31 31/08/1998 Prest. 03/04 compra de computador 304,35 30/11/1998 Reembolso de Passagens 311,40 31/12/1998 Reembolso de Passagens 1.269,73 31/12/1998 Reembolso de Passagens 1.496,40 Visando corrigir ausência no processo o contribuinte foi intimado a apresentar cópia dos extratos bancários c/c Unibanco R P F 0719000200900080. As demais informações reiteramos, foram mesmo pautadas nas informações da DAA I R P F AC 1998 saldos iniciais e finais. Destaquese que o contribuinte apresentou também cópias dos livros Diário e Razão. Fl. 683DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 13 25 Por outro lado, insiste o recorrente que deve ser considerado os reembolsos efetuados pela COPLAC e/ou por sua cônjuge Silvia conforme o demonstrativo abaixo: DATA VALOR DOCUMENTO AG. C/G BANCO (DOC.) 22/12/1998 1.269,73 CHEQUE 410 1172031 UNIBANCO 1 15/12/1998 1.929,26 CHEQUE 726 150998 ITAÚ 2 10/12/1998 1.496,40 CHEQUE 410 1172031 UNIBANCO 3 20/11/1998 311,40 CHEQUE 410 1172031 UNIBANCO 4 17/11/1998 1.297,70 CHEQUE 726 150998 ITAÚ 5 31/08/1998 1.974,66 2 CHEQUES 3 52208567 CITIBANK 6 19/08/1998 758,89 CHEQUE 3 52208567 CITIBANK 7 30/07/1998 920,02 CHEQUE 726 150998 ITAÚ 8 30/07/1998 548,75 2 CHEQUES 410 1172031 UNIBANCO 9 29/06/1998 304,35 DEP. DINHE. 555 10 11/05/1998 244,40 CHEQUE 3 52208567 CITIBANK 11 25/03/1998 8.996,73 CHEQUE 2 10114 CRUZEIRO DO SUL 12 09/01/1998 3.387,04 CHEQUE 3 52208567 CITIBANK 13 Em suma, entendo que o contribuinte demonstrou e comprovou, tanto na fase de realização de diligências, bem como na fase recursal, que de fato houve os reembolsos de despesas por ele pagas e que estes valores foram depositados nas contas bancárias das quais a autoridade fiscal lançadora somente utilizou o saldo inicial e final de cada mês durante o ano calendário de 1998 e que estes valores que foram reembolsados estão incluídas pelo total dentro item “gastos com cartão de crédito” e estão sendo consideradas como aplicações/dispêndios no Demonstrativo de Apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Ora, não é possível se considerar os valores lançados a débitos em conta corrente bancária (pagamentos realizados através de débitos em conta a exemplo de gastos pagos através de cartão de crédito) nos caso em que existir reembolsos destas despesas através de depósitos nas contas bancárias e a autoridade fiscal somente considerar os saldos iniciais e finais de cada mês, sem considerar como origens de recursos os reembolsos efetuados. Os fatos registrados na escrituração da pessoa jurídica, na qual o contribuinte desempenha as suas funções (sócio), são tidos como verdadeiros desde que respaldados em documentação hábil e idônea. Comprovado que os dispêndios lançados pela autoridade fiscal no demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto como aplicação de recursos foram realizados e pagos pelo contribuinte no exercício de sua função e que estes valores foram reembolsados pela empresa, é de se aceitar os valores reembolsados como sendo origem de recursos. Fl. 684DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 Assim sendo, entendo que devem ser considerados os valores oriundos dos reembolsos efetuados no valor total de R$ 24.069,53 (acima especificados), como necessários e suficientes para respaldar os indícios de variação patrimonial a descoberto que serviu de base para o atual lançamento ora questionado. Quanto as demais acréscimos patrimoniais a descobertos apurados é de ressaltar, que no que diz respeito à exclusão ou inclusão de recursos, bem como à consideração de dívidas e ônus reais no fluxo de caixa, seria ocioso mencionar que todos os valores constantes da declaração de ajuste anual são passíveis de comprovação. E, no tocante a dinheiro em espécie, doações, empréstimos ou recebimento de créditos por empréstimos junto a terceiros ou fornecedores, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Por fim, se faze necessário tecer alguns comentários sobre a multa de ofício aplicada e demais acréscimos exigidos. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: Fl. 685DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 14 27 O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito Fl. 686DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 28 tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. Fl. 687DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.012801/200351 Acórdão n.º 220201.758 S2C2T2 Fl. 15 29 No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Fl. 688DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 30 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 24.069,53. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 689DF CARF MF Documento de 30 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0120.11502.BT66. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NELSON MALLMANN em 26/04/2012 19:57:09. Documento autenticado digitalmente por NELSON MALLMANN em 26/04/2012. Documento assinado digitalmente por: NELSON MALLMANN em 26/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/01/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.0120.11502.BT66 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2AE53341F7232D487D35D5CDE14E3DB4CC2895A9 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10768.012801/2003-51. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13603.724494/2011-35
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento.
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrentes FAZENDA NACIONAL E CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 44 94 /2 01 1- 35 Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 3 2 de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.792, de 29/01/2016, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência; V) concernente à Fl. 4038DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 4 3 reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à Fl. 4039DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 5 4 sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Fl. 4040DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 6 5 Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado". O acórdão foi cientificado pelo eprocesso à Fazenda, que interpôs embargos declaratórios alegando omissões no julgado. Todavia, os embargos foram rejeitados. Não conformada com tal decisão a Fazenda Nacional apresentou o presente Recurso, aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos para fins do direito à tomada de créditos do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade. Para comprovar a divergência apontou o acórdão nº 20312.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso, apenas quanto ao conceito geral de insumos para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Inconformada com o seguimento parcial dado ao Recurso, a Fazenda Nacional apresentou agravo. Contudo, o Presidente do CARF, com fundamento no artigo 71, do Anexo II do RICARF, rejeitou o agravo interposto. Por sua vez, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda e também interpôs Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de Fl. 4041DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 7 6 sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pelo improvimento do Recurso. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade dos recursos e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.068): Da admissibilidade "Restrinjome à redação do presente voto vencedor apenas com relação ao conhecimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, por, também nesse ponto, respeitosamente, discordar do relator. No recurso especial da Procuradora foram suscitadas duas divergências: a) quanto ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade; e b) quanto ao direito de crédito de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, calculado sobre insumos que antecedem o processo produtivo. O despacho do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamentos admitiu apenas a divergência descrita em a), que trata do conceito genérico de insumo para fins dos gastos geradores de créditos para as contribuições do PIS e Cofins não cumulativas. Inadmitida essa divergência, caberia a segunda, que trata de um gasto específico com serviços de logística considerados, ou não, antecedentes ao processo produtivo. Fl. 4042DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 8 7 Inicio por salientar que a própria contribuinte não indica qualquer argumento que leva ao não conhecimento do recurso especial da Fazenda, afirmando apenas sua improcedência. O trecho do voto condutor do acórdão paradigma de nº 20312.448, trazido a baila pela Procuradora claramente demonstra um conceito mais restritivo de insumo do que aquele utilizado no acórdão recorrido, ao tomar por base a legislação do IPI para tal, senão vejamos: Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumo” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.” (Negritei.) Partindo desse entendimento, como bem argumentou a Procuradora, para considerar bens ou serviços, como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente sobre os produtos utilizados na fabricação, e, nesse sentido, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Claramente a vinculação com o critério de insumo do IPI está posta no paradigma. Já o acórdão a quo se posiciona claramente noutro sentido, o que já se observa no seguinte extrato de sua ementa: O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8º, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. (...) (Negritei.) Assim, há desde logo que se admitir a existência da divergência arguida no recurso especial e analisarse a posteriori a situação fática dos serviços de logística para utilização da sistemática just in time. Nesse ponto, há discussão específica no paradigma que foi em seguida apresentado, o acórdão nº 9303002.659, especificidade esta que fica bem aparente no excerto do voto vencedor abaixo transcrito: Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. (Negritei.) Fl. 4043DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 9 8 Nessa quadra, a especificidade, de acordo com a Procuradora da Fazenda seria a prestação de serviços anteriores à produção, mas pela leitura adotada pelo Presidente da 3ª Câmara em seu despacho ás efls. 3683 a 3687, o acórdão recorrido entendia que os serviços em questão estavam sendo aplicados na produção; inexistiria divergência por serem situações fáticas distintas. O afastamento desta última divergência em nada afetaria a primeira, que, no meu entender, foi corretamente conhecida. Assim, a divergência quanto ao critério de insumo, utilizando, ou não, aquele da legislação do IPI, estava adequadamente posta, apesar de a divergência específica quanto aos serviços da GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda serem anteriores à produção, não o estava por falta de similitude fática. Concluindo, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional relativamente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins, no regime da nãocumulatividade." (..)1 Do mérito "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo 1 A admissibilidade do recurso especial do contribuinte não foi contestada pelo relator do processo paradigma (Acórdão 9303007.068). A divergência entre os Conselheiros, quanto ao conhecimento, foi apenas em relação ao recurso da Fazenda Nacional, que restou conhecido por maioria de votos. Assim, ao final, os dois recursos foram conhecidos pelo Colegiado. Fl. 4044DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 10 9 próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 2argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito3”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: 2 3 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 4045DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 11 10 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. Recurso da Procuradoria Por sua vez, o exame de admissibilidade do Recurso, o examinador entendeu que a divergência instaurada diz respeito quanto aos insumos serem diretamente vinculados à produção, ou não, os serviços de controle de estoque “just in time” prestados pela GFL, que segundo o acórdão recorrido são relativos a “controle de fluxo de componentes nas instalações fabris”. E tal divergência existe entre o acórdão recorrido e a Fazenda, mas não perante o paradigma, que não trata desse tipo de serviço especificamente. Com efeito, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário referente "à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570". A matéria aceita como divergente, diz respeito a interpretação da legislação tributária referente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de Pis e Cofins no regime da nãocumulatividade. Sem embargo, o conceito de insumos foi levado ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu o conceito tem como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. A jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, Fl. 4047DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 13 12 ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que Fl. 4048DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 14 13 não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Fl. 4049DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 15 14 Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 4050DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 16 15 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, Fl. 4051DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 17 16 em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 4052DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 18 17 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 19 18 que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 4054DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 20 19 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 21 20 Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " Fl. 4056DF CARF MF Processo nº 13603.724494/201135 Acórdão n.º 9303007.226 CSRFT3 Fl. 22 21 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negou provimento ao recurso da Fazenda e deu provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 4057DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.900610/2012-26
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 10 /2 01 2- 26 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13830.900610/201226 Acórdão n.º 1302002.134 S1C3T2 Fl. 74 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.900610/201226 Acórdão n.º 1302002.134 S1C3T2 Fl. 75 3 leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O recurso voluntário É tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900610/201226 Acórdão n.º 1302002.134 S1C3T2 Fl. 76 4 Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/201345 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrandose, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014).". Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001553/2006-13
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. GÊNERO QUE ENGLOBA ÁREAS TRIBUTÁVEIS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO ITR.
As áreas de utilização limitada isentas do ITR estão taxativamente previstas
no art. 10, § 1º, II, "a" a "e", da Lei n° 9.393/96 e são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário (ambas declaradas por ato do poder público estadual ou federal), de servidão florestal ou ambiental, cobertas por florestas
nativas e de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN (art. 8º do Decreto n° 5.746/2005). Qualquer outra área de utilização limitada que não se enquadre na tipologia antes descrita deve sofrer a incidência do ITR.
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. DEFICIÊNCIA INSANÁVEL DE PLANO DE MANEJO SUSTENTÁVEL. GLOSA, HIGIDEZ.
A área de exploração extrativa deve obedecer à legislação ambiental, devendo haver plano de manejo sustentado - PMFS, aprovado pelo órgão competente, e cujo cronogfama esteja sendo cumprido. Caso o contribuinte não comprove com PMFS a exploração da área autorizada, correta a glosa dessa área dentre aquelas utilizadas nas atividades do setor primário.
MAJORAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. VALOR ARBITRADO A PARTIR DE LAUDO TÉCNICO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE.
Utilizando a autoridade fiscal os dados do próprio Laudo Técnico de Avaliação do imóvel rural apresentado pelo contribuinte, deferindo a descapitalização entre a data de confecção do Laudo (2004) e o exercício auditado (2002), hígido o procedimento fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-000.618
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, no termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. GÊNERO QUE ENGLOBA ÁREAS TRIBUTÁVEIS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO ITR. As áreas de utilização limitada isentas do ITR estão taxativamente previstas no art. 10, § 1º, II, "a" a "e", da Lei n° 9.393/96 e são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário (ambas declaradas por ato do poder público estadual ou federal), de servidão florestal ou ambiental, cobertas por florestas nativas e de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN (art. 8º do Decreto n° 5.746/2005). Qualquer outra área de utilização limitada que não se enquadre na tipologia antes descrita deve sofrer a incidência do ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. DEFICIÊNCIA INSANÁVEL DE PLANO DE MANEJO SUSTENTÁVEL. GLOSA, HIGIDEZ. A área de exploração extrativa deve obedecer à legislação ambiental, devendo haver plano de manejo sustentado - PMFS, aprovado pelo órgão competente, e cujo cronogfama esteja sendo cumprido. Caso o contribuinte não comprove com PMFS a exploração da área autorizada, correta a glosa dessa área dentre aquelas utilizadas nas atividades do setor primário. MAJORAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. VALOR ARBITRADO A PARTIR DE LAUDO TÉCNICO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE. Utilizando a autoridade fiscal os dados do próprio Laudo Técnico de Avaliação do imóvel rural apresentado pelo contribuinte, deferindo a descapitalização entre a data de confecção do Laudo (2004) e o exercício auditado (2002), hígido o procedimento fiscal. Recurso negado.
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GÊNERO QUE ENGLOBA ÁREAS TRIBUTÁVEIS E NÃO TRIBUTÁVEIS PELO ITR. As áreas de utilização limitada isentas do ITR estão taxativamente previstas no art. 10, § 1 0, II, "a" a "e", da Lei n° 9.393/96 e são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário (ambas declaradas por ato do poder público estadual ou federal), de servidão florestal ou ambiental, cobertas por florestas nativas e de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN (art. 8' do Decreto n° 5.746/2005). Qualquer outra área de utilização limitada que não se enquadre na tipologia antes descrita deve sofrer a incidência do ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. DEFICIÊNCIA INSANÁVEL DE PLANO DE MANEJO SUSTENTÁVEL. GLOSA, HIGIDEZ. A área de exploração extrativa deve obedecer à legislação ambiental, devendo haver plano de manejo sustentado - PMFS, aprovado pelo órgão competente, e cujo cronogfama esteja sendo cumprido. Caso o contribuinte não comprove com PMFS a exploração da área autorizada, correta a glosa dessa área dentre aquelas utilizadas nas atividades do setor primário. MAJORAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. VALOR ARBITRADO A PARTIR DE LAUDO TÉCNICO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE. Utilizando a autoridade fiscal os dados do próprio Laudo Técnico de Avaliação do imóvel rural apresentado pelo contribuinte, deferindo a descapitalização entre a data de confecção do Laudo (2004) e o exercício auditado (2002), hígido o procedimento fiscal. Recurso negado. Vistos, relatad e : e discuti e os os presentes autos. Acordam es Membro1 do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, no termos do, ,, oto eo Relator. /liGIOVANNI CHRí T • N 41 : CAMPOS - Relator e Presidente I '' ,DITADO EM/18/$6/'O I 1 i , Participaram do p :, e e ', /julgamento os Conselheiros Núbia de Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Ma n . e/ ft arvalho, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Roberta de Azered o Ferreira Pag- i e Gi ,evanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte Dissenha S/A Indústria e Comércio, CNPJ/MF n° 81.638.264/0001-77, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 21/08/2006, auto de infração (fls. 01 a 24), com ciência postal em 28/08/2006 (fl. 610), a partir de ação fiscal iniciada em 28/03/2006 (fl. 53). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do- vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 186.649,05 MULTA DE OFICIO R$ 139.986,78 Conforme o demonstrativo de apuração do 1TR lançado (fl. 22), referente à DITR-exercício 2002, do imóvel rural NLRF 971442-1, denominado Fazenda São Roque — Quinhão I, localizado no município de Matos Costa (SC), vê-se que a autoridade fiscal procedeu às seguintes alterações nessa declaração: 1. glosa parcial da área de preservação permanente (de 392,0ha para 162,8ha); 2. glosa parcial da área ocupada com benfeitorias (de 40,5ha para 0,5ha); 3. aumento da área utilizada com produtos vegetais (de 735,3ha para 880,0ha); 4. glosa total da área utilizada com exploração extrativa (2.430,0ha); 5_ aumento do valor da terra nua de R$ 2.200.000,00 para R$ 2.913.120,00. . 2 Processo n° 10925.001553/2006-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.618 Fl. 669 Nesta instância somente se controverteu os itens 4 e 5, acima. Neste recurso voluntário, o contribuinte tenciona incluir a área de 2.430ha (ou 2.432,46ha) como de reserva legal, agregando-a à reserva legal de 900ha já averbada, montando uma área de reserva legal de 3.330ha (ou 3.332,46ha), ou, sucessivamente, que a área de 2.430ha (ou 2.432,46ha) seja considerada como de exploração extrativa, já que existiria um Plano de Manejo Florestal Sustentando — PMFS protocolizado no lbama, com Termo de Manutenção de Floresta Manejada, este averbado à margem da matrícula do Cartório de Registro de Imóveis - CRI, desde 03/06/1991 (vide certidão de propriedade e ônus - fl. 82 - e planta do imóvel — fl. 83). Por relevante, abaixo segue breve resumo da justificativa da autoridade fiscal para efetuar a glosa da área utilizada com exploração extrativa (2.430ha). A autoridade fiscal, confrontando o Laudo Técnico, mapas do imóvel acostados aos autos na presente ação fiscal (trazidos pelo contribuinte ou assenhoreados pela autoridade junto ao CRI de Porto União) e documentos acostados em malhas ITR anteriores, anotou que não existe uma área de utilização limitada — reserva legal de 3.330ha (ou 3.332,46ha), pois a área de reserva legal de 900ha estaria inserida na área maior de 2.430ha (ou 2.432,46ha), como se pode ver nas plantas de fls. 369 e 568. Aqui se deve observar que a autoridade fiscal intimou o Oficial do CRI de Porto União, trazendo aos autos o Termo de Averbação de Reserva Legal, com mapa cartográfico respectivo, onde se constatou a averbação da área de 900 ha como de reserva legal (fls. 366 a 369). Na seqüência da investigação, a autoridade anotou que, apesar de haver um PMFS autorizado pelo Ibama em 1991 (protocolo n° 02026.02615/91-82, com autorização lhama n° 369/91, de 22/10/1991), com a averbação cartorária respectiva e representado por mapa cartográfico de fl. 568 (cópia desse PMFS está acostada aos autos — fls. 166 a 363), o PMFS vigente no exercício 2002 somente ocupa uma área de 434,0ha, como se pode ver pela documentação do lhama que autorizou esse manejo e o mapa cartográfico averbado no CRI em 18/08/1998 (fls. 369 a 371). Apesar de haver um PMFS autorizado para os exercícios subseqüentes a 1998, com uma área de manejo de 434,0ha, a autoridade fiscal não considerou tal área como utilizada na atividade extrativa, já que o contribuinte, para comprovar a exploração, trouxe aos autos um relatório de execução, datado de 08/06/2006, que infoima a existência de um PMFS com área de 2.432,46ha, sem qualquer autorização do lhama para tanto, e sem a ART respectiva (foi juntada uma ART com data posterior à lavratura do relatório). Ademais, o relatório de execução deveria ser apresentado ao lhama anualmente, na forma da Portaria Interinstitucional 01/96, o que não ocorreu no caso vertente. Com o entendimento acima, a autoridade fiscal glosou integralmente a área declarada com exploração extrativa. No tocante à majoração do valor da terra nua, a autoridade fiscal utilizou o VTN apurado em Laudo Técnico apresentando pelo contribuinte, confeccionado em setembro de 2004, permitindo a descapitalização do valor apurado por dois exercícios à taxa de 6% ao ano, deflacionando o VTN apurado até o exercício fiscalizado_ (2002). _ Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao r) lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. — A 1' Turma de Julgamento da DRJ-Campo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 636 a 644, consubstanciada no Acórdão n°04-15.595, de 10 de outubro de 2008. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 03/11/2008 (fl. 648). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 1°/12/2008 (fl. 649). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: 1. em 21/03/2006, o contribuinte foi instado a apresentar laudo técnico para comprovação das áreas da DITR-exercício 2002. Após obter o Laudo, verificou incorreções em sua DITR-exercício 2002, providenciando a transmissão da competente retificadora em 16/06/2006. Assim, alterou as áreas de preservação permanente (de 393,0ha para 162,8ha), de utilização limitada (de 900,0ha para 3.332,4ha — soma de 900ha de reserva legal mais 2.432,4ha averbada como de utilização limitada), ocupadas com benfeitorias (40,5ha para 0,5ha), de exploração extrativa (2.430ha para zero) e o valor da terra nua (de R$ 2.200.000,00 para R$ 2.565.000,00); há uma área adicional na propriedade de utilização limitada de 2.430ha (a medida dessa área, de acordo com o Laudo Técnico, é de 2.432,46ha), além dos 900 hectares declarados na DITR original, agora declarada como de utilização limitada na retificadora, estando tal área averbada à margem da matrícula do imóvel no CRI desde 03/06/1991. Trata-se de área de reserva legal, devendo ser afastada a exigência de ADA para implemento dos requisitos de fruição da isenção, na folina da pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; - III. houve a apresentação do Plano de Manejo Florestal Sustentado - PMFS e o relatório de sua execução no período de 1°/01/2001 a 31/12/2001, sendo que o Senhor Auditor decidiu não acatar tais documentos e resolveu pela glosa total da área lançada a titulo de exploração extrativa, sob argumento da inexistência de responsabilização técnica por urna vistoria ou serviço de engenharia relativo a elaboração do relatório de execução do PMFS em 2001 e 2002. Ora, o PMFS e o relatório de execução foram elaborados por profissional habilitado, devendo sua regularidade ser apreciada pelo lbama e não pela Receita Federal. Assim, deve ser restabelecida a glosa da área de exploração extrativa; IV. o contribuinte apresentou Laudo de Avaliação com o valor da terra nua — VTN, subscrito por profissional competente, que sustenta os valores apresentados na DITR-exercício 2002, não podendo "a Autoridade Fiscal "arbitrar" um valor absolutamente alienígena, quando sequer conhece a área e suas peculiaridades" (fl. 659). No pedido final, o contribuinte pugna pelo cancelamento do lançamento ou, - sucessivamente, que seja reconhecida a área de 2.430ha como de utilização limitada. 4 Processo n° 10925.001553/2006-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.618 Fl. 670 Este recurso voluntário compôs o lote n° 04, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 02/12/2009. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 03/11/2008, segunda-feira, e interpôs o recurso voluntário em 10/12/2008 (fl. 649), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 03/12/2008, quarta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, a partir da apresentação da DITR-exercício 2002 retificadora, em 16/06/2006, percebe-se que a controvérsia resume-se a área de utilização limitada de 2.430ha (ou 2.432,46ha), a glosa da área de exploração extrativa (2.430ha) e a majoração do valor da terra nua. Vê-se que o contribuinte quer utilizar a área de 2.430ha ora como de utilização limitada (reserva legal), ora como área utilizada na exploração extrativa. Ocorre que, no caso da área de reserva legal, apesar de ser possível o seu manejo florestal sustentável, não se pode colocá-la como de exploração extrativa na apuração do ITR, já que as áreas de utilização limitada são deduzidas da área total do imóvel, gerando daí a área tributável, que ainda não é a área aproveitável na atividade agrícola. Da área tributável, abatida a área ocupada com benfeitorias, chega-se à área aproveitável, esta sim passível de utilização nas atividades do setor primário (produtos vegetais, pastagens, exploração extrativa, atividade granjeira/aquicola), ou seja, a reserva legal não faz parte da área aproveitável e, como tal, não pode ser incluída no quadro "Distribuição de área utilizada (ha)" no Demonstrativo de Apuração do ITR de fl. 22. Dessa forma, objetivando viabilizar a apreciação de todas as defesas do contribuinte, trataremos os pedidos para considerar a área de 2.430ha (ou 2.432,46ha) como de utilização limitada ou de exploração extrativa como sucessivos, pois isso inclusive se apreende da parte final do pedido do recorrente (fl. 660). Finalizando, fixados os pontos controversos, vê-se que não há debate sobre a glosa das áreas de preservação peimanente, ocupadas com benfeitorias ou majoradas com a utilização de produtos vegetais. Aqui se debatem as áreas de utilização limitada, utilizadas como exploração extrativa e a majoração do valor da terra nua. Primeiramente, passa-se ao debate sobre o valor da terra nua (item IV das defesas transcritas no relatório). Diferentemente do asseverado pelo contribuinte, a autoridade fiscal não arbitrou , o valor da terra nua a partir de padrões alienígenas, desvinculados da realidade do y imóvel rural. Explica-se. • O contribuinte juntou aos autos uru Laudo Técnico de Uso do Solo, subscrito pelo Engenheiro Florestal Roberto Pedro Bom, datado de junho de 2006, no qual se apurou o valor de R$ 720,00ha de terra nua, a preços de 2006 (fls. 84 a 154). Assim, o experto descapitalizou esse valor à taxa de 6% ao ano, arbitrando o valor de R$ 570,00 por hectare para o exercício 2002. Como isso, a terra nua do imóvel rural foi avaliada em R$ 2.565.000,00, como inclusive confessada na DITR-exercício 2002 retificadora (fls. 112 e 113). Ocorre que o mesmo Laudo de Avaliação acima também tinha sido apresentado quando da revisão da DITR-exercício 2000, como sendo produzido em setembro de 2004 (e não junho de 2006), como se pode ver nas fls. 531 a 568. Ora, quando da revisão da DITR-exercício 2000, a autoridade fiscal acatou que o preço constante no Laudo, produzido em setembro de 2004, sofresse a descapitalização por 04 exercícios, à taxa de 6% ao ano, como proposto então pelo experto/contribuinte (fls. 558 e 559), para apurar o VTN do exercício 2000. Agora nestes autos, na revisão da DITR-exercício 2002, considerando que o Laudo foi realmente confeccionado em setembro de 2004, a autoridade fiscal deferiu a descapitalização de 02 exercícios (do exercício de produção do laudo, 2004, até o exercício fiscalizado, 2002), utilizando critério similar ao que ocorreu na revisão da DITR-exercício 2000, e não a descapitalização de 04 exercícios, como proposto pelo experto (e pelo contribuinte), como se o Laudo tivesse sido confeccionado em junho de 2006. Assim a autoridade fiscal utilizou o valor apurado em Laudo Técnico apresentando pelo contribuinte, confeccionado em setembro de 2004, permitindo a descapitalização por dois exercícios à taxa de 6% ao ano. Completamente sem razão o recorrente, pois, insista-se, a autoridade fiscal utilizou o Laudo Técnico apresentado, apenas não permitindo que o valor do VTN sofresse quatro descapitalizações anuais até o exercício 2002, pois o Laudo foi confeccionado em setembro de 2004, sendo passível de sofrer apenas duas descapitalizações anuais. Agora, passa-se a debater a controvérsia sobre a área de 2.430ha (ou 2.432,46ha), que o contribuinte quer incluir como de utilização limitada, agregando-a à reserva legal já deferida de 900 ha. Inicialmente restou absolutamente comprovado que não existe uma área de utilização limitada (reserva legal) de 3.332,46ha (900ha + 2.432,46ha). A reserva legal de 900ha encontra-se incluída na área de 2.432,46ha, como se pode ver nas plantas de fls. 369 e 568. Ademais, averbada como reserva legal somente há uma área de 900ha, como se vê pelo Termo de Averbação de Reserva Legal e planta cartográficas, ambos arquivados no CRI de Porto União, em 18/08/1998 (fls. 82, 368 e 369). Até se reconhece que há um Termo de Manutenção de Floresta Manejada arquivado à margem da matrícula do imóvel no CRI de Porto União, com a área de utilização limitada de 2.432,46ha, a qual somente poderia explorada com PMFS, datado de 30/04/1991 (fls. 82 e 83). Entretanto, isso não é reserva legal, e tanto assim o é que a área de reserva legal foi averbada na seqüência, sendo parte dessa área de utilização limitada de 2.432,46ha, como se viu no parágrafo precedente. Como anotado pela autoridade autuante, as áreas de utilização limitada são rt )- um gênero que comportam múltiplas espécies, algumas isentas, outras não. As isentas, taxativamente previstas no art. 10, § 1 0, II, "a" a "e", da Lei n° 9.393/96, são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor 6 Processo n° 10925.001553/2006-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.618 Fl. 671 primário (ambas declaradas por ato do poder público estadual ou federal), de servidão florestal ou ambiental, cobertas por florestas nativas e de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN (art. 8° do Decreto n° 5.746/2005). Aqui, registre-se, não se pode confundir o gênero com as espécies, tomando um pelo outro. Não é porque a área é de utilização limitada, com exploração a partir de PMFS, que deve ser encarada como de reserva legal. A área de reserva legal está estatuída nos arts. 1°, § 2°, III, 16 e 44 do Código Florestal (Lei n° 4.771/65), sendo uma espécie do gênero área de utilização limitada. Caso a área florestal de utilização limitada não se inclua entre as seis espécies acima, deve ser competentemente explorada, com o PMFS respectivo, sob pena de não poder ser incluída como utilizada na atividade rural, aqui com impacto no grau de utilização da propriedade (e alíquota do ITR). No caso em debate, da área de 2.342,46ha, foi extraída uma área de reserva legal de 900ha, esta que foi corretamente excluída da área tributável, a demonstrar claramente a diferença entre a área de utilização limitada de 2.342,46ha e a reserva legal de 900ha, esta que foi uma costela daquela. Se não houvesse qualquer diferença entre elas, qual o sentido da averbação dos 900ha como reserva legal, já que o contribuinte teria, em princípio, uma "reserva legal" de 2.432,46ha (ou 3.332,46ha)? No tocante à área de 1.442,46ha (2.342,46ha menos 900ha), apesar de estar averbada no CRI como de utilização limitada, não pode ser excluída da área tributável, já que não foi averbada como reserva legal, sendo apenas uma área de floresta que necessita de PMFS para sua exploração, não sendo uma das espécies isentas de utilização limitada, como antes explanado. Ainda, como se pode ver no ADA acostado aos autos, protocolizado em 06/08/2004, o contribuinte somente informou uma área de 900 hectares como de reserva legal. A área de 2.432,46 hectares foi informada como área com plano de manejo florestal (fl. 586). Aqui se entende como obrigatória a apresentação do ADA, para exclusão das áreas de preservação peiinanente e utilização limitada (especificamente as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN e cobertas por floresta nativa) da área tributável pelo ITR, como exigido pelo art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória), e também se exige a averbação à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, como anotado no art. 16, § 8°, do Código Florestal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. No caso de reserva legal, observe-se, para exclusão dela da área tributável, deve ser implementada duas condições: averbação cartorária e apresentação do ADA. No caso destes autos, o ADA denuncia a existência de uma área de apenas 900,0 hectares de reserva legal, com competente averbação cartorária, e somente essa área pode ser considerada como reserva legal. A área de 2.432,46 hectares não consta no ADA como de reserva legal e não pode fruir de benesse legal no âmbito do ITR, aqui lembrando que a reserva legal de 900ha foi extraída da área de 2.432,46ha, e somente aquela implementou as condições para exclusão da área tributável pelo ITR (averbação cartorária como área de reserva legal e ADA). Vi 7 Por tudo, fica absolutamente claro que não há uma área de utilização limitada de 3.332,46ha, mas apenas de 2.432,46ha. Desta, apenas foi averbada como reserva legal a área de 900ha, a qual já foi excluída da área tributável. A área de 1.442,46ha (2.342,46ha menos 900ha) não foi gravada junto aos órgãos ambientais (e CRI) como de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário (ambas declaradas por ato do poder público estadual ou federal), de servidão florestal ou ambiental, cobertas por florestas nativas e de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN, impedindo, assim, sua exclusão da área tributável do ITR. • No ponto, sem razão o recorrente. Agora, passa-se a apreciar a utilização da área de 2.432,46ha (na verdade é 1.442,46ha) como de exploração %restai, a ser considerada como utilizada na atividade agrícola, com incremento do grau de utilização da propriedade (e redução da alíquota do ITR aplicável sobre a base de cálculo apurada). Aqui se traz o art. 10, § 1°, V, e § 5°, da Lei n° 9.393/96 que permite considerar uma área como objeto de exploração extrativa: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (-) V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) omissis; b) omissis; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (-) § 5° Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do ' 1°, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronozrama esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (grifou- se) (-) Pela leitura das normas acima, é de meridiana clareza que uma área de exploração extrativa deve obedecer à legislação ambiental, devendo haver um plano de manejo sustentado, aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido. Obviamente que as normas acima estão regulamentadas por Decretos e Portarias, obrigando o contribuinte a seguir um rito para ter um plano de manejo sustentado aprovado, sem o qual as áreas florestais não podem ser exploradas. Estas nomias infralegais foram detalhadas pela autoridade fiscal, em seu relatório de encerramento da ação fiscal. .//) Processo n° 10925.001553/2006-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.618 Fl. 672 Diferentemente do asseverado pelo recorrente, que defende a impossibilidade de a autoridade fiscal efetuar qualquer questionamento em face do PMFS ou do relatório de execução do plano, entendo que o Auditor pode e deve questionar a execução do PMFS, já que estamos em uma área de interface entre o direito tributário e o direito ambiental. O que poderia parecer desarrazoado seria a autoridade fiscal se imiscuir em detalhes do PMFS ou mesmo auditar os aspectos ambientais do PMFS, porém não foi isso que ocorreu. A autoridade fiscal, simplesmente, juntou aos autos o PMFS aprovado pelo lbama, vigente no exercício auditado, de apenas 434,0ha (fls. 370 e 371), e intimou o contribuinte a apresentar o relatório de execução do PMFS, o qual deveria ter sido feito todos os anos e apresentado ao lbama, na forma da Portaria Interinstitucional 01/96 (fls. 590 a 608). Ocorre que o contribuinte apresentou um relatório de execução confeccionado em junho de 2006, com uma área não aprovada pelo lbama (2.342,46ha), em desalinho com a Portaria acima citada (fls. 155 a 163), inclusive com problemas na ART apresentada. Ora, dessa forma, corretamente, a autoridade fiscal arrostou tal relatório de execução, entendendo que não se comprovou a exploração sequer dos 434,0ha, este com PMFS aprovado pelo lbama. Na impugnação e no recurso voluntário, o contribuinte não conseguiu trazer qualquer prova adicional da exploração da área de 434,0ha (a área de 1.442,46ha ou de 2.342,46ha não poderia ser explorada, já que não há PMFS aprovado para tais áreas com vigência no exercício 2002), estando absolutamente correto a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. Por tudo, vê-se que não há uma área de utilização limitada de 3.332,36ha, mas de apenas 2.432,46ha, desta sendo destacada uma área de reserva legal de 900ha, adequadamente excluída da área tributável. Ainda, há apenas um PMFS para uma área de 434,0ha, para a qual o contribuinte não logrou acostar aos autos um relatório de execução do PMFS para essa área, a demonstrar o cumprimento do cronograma de manejo, o que justifica a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. Mais uma vez, sem razã ecorrente. Ante o expo , voto no sent -do de NEGAR provimento ao recurso. Sala d s Sessões, 1m 13 d- maio de 2010 - // Giovanni C . es Campos fi/ 9
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