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Numero do processo: 10380.910547/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
RESSARCIMENTO CRÉDITOS DE IPI. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA
PROVA.
Cabe à empresa recorrente provar que é contribuinte do IPI, que deu saída a
produtos por ela industrializados e que os créditos pleiteados foram
devidamente apurados na sua escrituração fiscal, com base nas competentes
notas fiscais (de entrada e saída) apresentadas à autoridade fiscal incumbida
de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Em assim não agindo,
inexiste crédito de IPI a ressarcir.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO CRÉDITOS DE IPI. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à empresa recorrente provar que é contribuinte do IPI, que deu saída a produtos por ela industrializados e que os créditos pleiteados foram devidamente apurados na sua escrituração fiscal, com base nas competentes notas fiscais (de entrada e saída) apresentadas à autoridade fiscal incumbida de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Em assim não agindo, inexiste crédito de IPI a ressarcir. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à empresa recorrente provar que é contribuinte do IPI, que deu saída a produtos por ela industrializados e que os créditos pleiteados foram devidamente apurados na sua escrituração fiscal, com base nas competentes notas fiscais (de entrada e saída) apresentadas à autoridade fiscal incumbida de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Em assim não agindo, inexiste crédito de IPI a ressarcir. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 11/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 30/07/2004 a empresa GRÁFICA EDITORA R ESTEVES TIPROGESSO LTDA, já qualificada nos autos, apresentou PER/DCOMP com pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 33/99, relativo ao primeiro trimestre de 2004. A RFB indeferiu o pleito da recorrente porque esta não logrou provar a existência dos créditos pleiteados. A empresa interessada tomou ciência desta decisão e, não se conformando, ingressou com manifestação de conformidade, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu o pleito da recorrente, nos termos do Acórdão no 0115.800, de 07/12/2009, cuja ementa abaixo transcrevo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ressarcimento de créditos de IPI vinculase ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Tratandose de direito invocado pelo sujeito passivo, este possui o ônus de prova da sua existência e imponibilidade, em concreto, à Administração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Resulta não homologada a Declaração de Compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. A empresa interessada tomou ciência da decisão de primeira instância em 03/02/2010, AR de fl. 108, e interpôs recurso voluntário em 24/02/2010, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que é indústria gráfica e, como tal, tem direito ao ressarcimento do IPI pago na aquisição dos matériasprimas empregadas no processo produtivo, estando à disposição do Fisco os livros e notas fiscais. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.910547/200815 Acórdão n.º 330200.924 S3C3T2 Fl. 129 3 É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente alega que é uma indústria gráfica e está pleiteando o ressarcimento dos créditos básicos do IPI, na forma prevista no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Conforme bem disse a decisão recorrida, o crédito da recorrente não foi reconhecido porque ela recorrente não logrou provar a existência dos mesmos, ou seja, que ela realiza atividade de industrialização e vende produtos sujeitos à tributação do IPI, mesmo que isento ou de alíquota zero. Diz a decisão recorrida: Ocorre que a unidade de origem, no exercício do seu dever legal de apurar a existência dos créditos informados pela contribuinte, intimou (fls. 91/92), reintimou (fls. 99/100) e novamente reintimou (fls. 101/102) a interessada a apresentar documentos comprobatórios do direito creditório invocado. Ante sua contumaz inércia, concluiu, por óbvio, nela inexistência de crédito a compensar. Ressaltese, neste ponto, que não guarda qualquer conexão com a realidade as razões de indeferimento, atribuídas à autoridade fiscal, apontadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. No seu recurso voluntário, a empresa repete os argumentos de que é um indústria gráfica e, no entanto, continua opondose a provar que, ao contrário do que diz a CLÁUSULA QUARTA DO OBJETO SOCIAL de seu Contrato Social1, é uma empresa que industrializa produtos gráficos e não uma empresa prestadora de serviços gráficos. 1 IV CLÁUSULA QUARTA, DO OBJETIVO SOCIAL Continua sendo objetivo da sociedade, as mesmas atividades a seguir dos itens a e b, abaixo descriminados : a) Indústria de Artes Gráficas, com serviços de impressão de : Formulários contínuos, Impressos Fiscais e Gráfica Rápida; Peças promocionais para propaganda ; folder's , Cartaz, Adesivos papel ; Auto colante vinil ; Rótulos, Etiquetas , Publicidade e Publicações ; Edições de livros em geral, inclusive didáticos, paradidáticos e Jornais e revistas ; Embalagens ( sacolas, caixas, ciclones, cartuchos, etc. ) ; Policromia ; Impressos Digital uma cor e policromia, inclusive com dados variáveis ; Timbre seco ; Hot stamping ; Serviços de composição a frio e a quente ; Serviços de composição eletrônica computadorizada e digital ; Serviços de paginação e arte final ; Fl. 133DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 A prova em questão é singela, é simples, é elementar: bastaria a recorrente apresentar os livros de registro de apuração de IPI, as notas fiscais de venda das mercadorias por ela industrializadas e as notas fiscais de aquisição dos insumos empregados na industrialização dos produtos vendidos. Até a presente fase do processo, nenhuma dessas provas foi trazidas aos autos. Portanto, sem reformas a decisão recorrida. Esclareçase que os produtos da indústria gráfica são tributados pelo IPI (e pelo ICMS) e não são tributados pelo ISS. A prestação de serviço gráficos não está sujeita à tributação do IPI e sim a tributação pelo ISS, que exclui a tributação tanto do IPI como do ICMS, nos termos das Súmulas nº 156 do Superior Tribunal de Justiça, abaixo reproduzida: “A prestação de serviços de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita apenas ao ISS.” Portanto, o contribuinte não prova que é contribuinte do IPI, que realizou a produção de bens, que vendeu esses bens, que registrou a venda desses bens em livros fiscais (de IPI e de ICMS) e que possui os créditos pleiteados. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Serviços de fotolito e seleção de cores ( Convencional e digital ), e Serviços de plastificação e de execução de originais. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001091/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA 1W PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2007
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DE IRPF. PARALISIA IRREVERSÍVEL
E INCAPACITANTE. INCAPACIDADE TOTAL OU PARCIAL PARA A
VIDA LABORATIVA. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. 0 art. 60, XIV, da
Lei n° 7.713/88, quando versa sobre a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria em beneficio de portador de paralisia irreversível e incapacitante, não qualifica se a incapacidade deve ser total ou parcial. Ora, se a lei não qualifica a incapacidade, não deve o intérprete fazê-lo, notadamente no âmbito da isenção de tributária, quando vige o cânone da
interpretação literal, na forma do art. 111, II, do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.166
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA 1W PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2007 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DE IRPF. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. INCAPACIDADE TOTAL OU PARCIAL PARA A VIDA LABORATIVA. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. 0 art. 60, XIV, da Lei n° 7.713/88, quando versa sobre a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria em beneficio de portador de paralisia irreversível e incapacitante, não qualifica se a incapacidade deve ser total ou parcial. Ora, se a lei não qualifica a incapacidade, não deve o intérprete fazê-lo, notadamente no âmbito da isenção de tributária, quando vige o cânone da interpretação literal, na forma do art. 111, II, do CTN. Recurso provido.
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O 179.233 Voluntário n° 2102-01.166 — la Cfimai-a / r Turma Ordinária S ess ão de 17 de março de 2011 Matéria IRPF - RESTITUIÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - PARIL1SIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE Recorrente ATYS TENFUSS CAMPBELL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA 1W PESSOA FiSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2007 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DE IRPF. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. INCAPACIDADE TOTAL OU PARCIAL PARA A VIDA LABORATIVA. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. 0 art. 60 , XIV, da Lei n° 7.713/88, quando versa sobre a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria em beneficio de portador de paralisia irreversível e incapacitante, não qualifica se a incapacidade deve ser total ou parcial. Ora, se a lei não qualifica a incapacidade, não deve o intérprete fazê-lo, notadamente no âmbito da isenção de tributária, quando vige o cânone da interpretação literal, na forma do art. 111, II, do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente em 30/0312011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ DF CARF MF Fl. 115 Relatório Para explicitar os motivos da manifestação de inconformidade, bem como delimitar o objeto do de restituição, transcreve-se o relatório da decisão a quo, verbis: • os autos de pedido de restituição do Imposto de Renda 2t.?t1:,..na Fonte (IRRF) incidente sobre o 13 0 salário dos anos- 2alendario de 2002. 2003, 2004 e 2006. 0 contribuinte alega ter isenção prevista no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, por ser portador de paralisia irreversível e incapacitante. O pedido de restituição foi apreciado pelei autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal ern São Jose do Rio Preto (fls. 63/66) e indeferido por entender aquela autoridade que a paralisia seria parcictImente incapctcitante, apenas para certas atividades laborais, conforme consignado nos laudos periciais de fls. 14/16 e 50/55. Cientificado em 04/01/2008 (fl. 67), o interessado apresentou em 31/01/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 72/88, alegando, em síntese, o que segue: - é portador de deficiência conhecida como "Transtorno das Raizes e dos Plexos Nervosos — G 54.0 — Transtorno do Plexo Braquial — Síndrome da Saida do Tórax" classificada como Paralisia Irreversível e Incapacitante, conforme comprovam os laudos de perícia médica de fls. 07/10 e 50/55; - faz jus, portanto, t‘t isenção prevista no art. 6°, inciso MV, da Lei n° 7.713, de 1988; - o legislador não impôs qualquer restrição ao deferimento da isenção aos portadores de paralisia irreversível e incapacitante, não exigindo que esta fosse parcial ou total, nem impondo qualquer requisito quanto à intensidade da incapacidade; - nos termos do art. 111 do CTN a interpretação tem que ser literal. Se na legislação não existe expressa vedação para incapacidade parcial, basta que se comprove sua existência (parcial ou total) decorrente de uma paralisia irreversível: - para ilustrar a legalidade de seu pleito esclarece que teve sua restituição deferida quanto aos rendimentos mensais, pleiteada por meio de declarações retificadoras. Incabível uma dupla interpretação sobre os mesmos fatos; - o despacho decisório que negou seu pleito foi mal elaborado e mal fundamentado por valer-se de manuais de trabalho de outros órgãos, por basear-se em atestado emitido por médico particular em detrimento de laudos oficiais e por confundir doença congênita com neonatal. Assinado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ DF CARF MF Fl. 116 Processo n° 10850.001091/2007-28 S2-C1T2 Accircld'o n.° 2102-01.166 Fl. 2 A 7 Turma de Julgamento da DRJ- São Paulo II (SP), por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de restituição, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-29.515, de 15 de janeiro de 2009 (fls. 91 a 94), assim motivada: Os laudos medicos anexados as fls. 07/08, 14/16 e 50/55 atestam que o contribuinte é portador de paralisia irreversível e incapacitante do membro superior esquerdo. Por outro lado, a lesão não o impediu de exercer atividade laboral tendo se aposentado como professor da Universidade Estadual Paulista. Como se observa, o foco do debate reside na questão de a incapacita ção dever ser total ou poder ser apenas parcial para fruição da isenção pleiteada. Tem razão o requerente ao afirmar que em se tratando de isenção a interpretação do texto legal deve ser literal. É o que determina o art. 111 do Código Tributário Nacional, in verbis: A interpretação literal do dispositivo conduz à conclusão de que a paralisia deve ser simultaneamente irreversível e incapacitante (plenamente, não incapacitante para certas atividades). Registre-se que o Novo Dicionário Aurélio da Lingua Portuguesa define incapacitante como "que incapacita". A interpretação literal não permite que se amplie o conceito de paralisia incapacitante para alcançar os casos de paralisia parcialmente incapacitante ou incapacitante apenas para certas atividades. Fosse essa a vontade do legislador assim deveria expressamente ter constado do texto legal, o que não ocorreu. É inegável que a deficiência fisica causou vários transtornos vida do interessado, todavia não o impediu de exercer atividade lab orativa, tendo abraçado a profissão de professor e ministrado aulas até o momento de sua aposentadoria, como informa o contribuinte em sua manifèstação. Por fim, quanto à alegação de que já teve sua restituição reconhecida relativamente às declarações retificadoras em que pleiteava a devolução dos valores mensalmente retidos, deve ser esclarecido que õs fls. 70/71 consta cópia de representação formulada para exigir sua devolução como restituição indevida. Diante do exposto, voto no sentido de INDEFERIR a solicitação do contribuinte. 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 28/01/2009 (fl. 95). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 10/02/2009 (fl. 96). No voluntário, o recorrente repisou os fundamentos de fato e de direito da manifestação de inconformidade apresentada à DRJ. Assinado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ 3 DF CARF MF Fl. 117 o relatório. Voto Giovanni Christian Nunes Campos, Relator a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão r!.:corri4em 28/01/2009 (fl. 95), quarta-feira, e interpôs o recurso voluntário em 10/02/2004.9), dentro do trintidio legal, este que teve seu termo final em 27/02/2009, forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia posta nos autos é singela, especificamente definir se os proventos de aposentadoria de um portador de paralisia irreversível e incapacitante somente faz jus à isenção do art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88 se a incapacidade for total para todas as atividades laborativas. No caso em debate, o contribuinte é portador de uma moléstia irreversível e incapacitante, adquirida nos trabalhos de parto de seu nascimento, o que não o impediu de ter uma vida laborativa, culminando com a aposentadoria como professor da Unesp. Para aclarar a controvérsia, colaciona-se abaixo o art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88: Art. 6°. Ficam isentos do imposto de renda os seeuinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienaçao mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseniase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteite deforrnante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiéncia adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifou-se) De plano, vê-se nos excertos destacados acima que a Lei não qualificou a paralisia, além da irreversibilidade e da incapacidade. Assim, cabe ao intérprete apreciar a pertinência, ou não, da incapacidade total para a vida laborativa, como condição para fruição da isenção, como feito pela autoridade lançadora (e julgadora de primeira instância). Inicialmente deve ficar claro que a moléstia grave pode ser adquirida antes da aposentação do contribuinte, com os beneficios isentivos somente fruídos a partir do recebimento dos rendimentos após a inativação, ou seja, não há qualquer exigência de que a moléstia tenha que ser adquirida após a aposentadoria, como se vê no julgado abaixo do Superior Tribunal de Justiça - STJ: REsp 1.059.290 / AL, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segundo Turma do Slj, unânime, data do julgamento em 04/11/2008 Assinado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ DF CARF MF FL 118 Processo n° 10850.001091/2007-28 S2-C1T2 AcOrdao n.° 2102-01.166 Fl. 3 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO. ART. 6°, XIV, DA LEI N. 7.713/88. PORTADOR DE PARALISIA INCAPACITANTE. MARCO INICIAL. DATA DA APOSENTADORIA. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA CONFORME 0 ART. 111, IL DO CTN. PRECEDENTES. I. No caso dos autos, o recorrido, servidor público, foi acometido por paralisia incapacitante, que foi constatada por perícia médica em 22.12.2002, tendo se aposentado em 15.9.2005. 0 Tribunal a quo concedeu a isenção pleiteada retroagindo seus efeitos c't data da constatação da doença. 2. A vista do art. 111, II, do CTN, a norma tr. ibutária concessiva de isenção deve ser interpretada literalmente, sendo que, na hipótese, ao conceder a isenção do imposto de renda a partir da data da comprovação da doença, a Corte a quo isentou remuneração do servidor, o que vai de encontro à interpretação do art. 6°, XIV, da Lei It 7.713/88, que prevê que a isenção se da sobre os proventos de aposentadoria e não sobre a remuneração. Ademais, parece claro que a isenção em tela busca favorecer a vida do aposentado portador do infortúnio, não exigindo que não possa desenvolver uma outra atividade remunerada. Como exemplo desse entendimento, abaixo se colacionam algumas ementas de julgados do poder judiciário federal: REsp 1.202.820, Relator o Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segundo Turma do STJ, unânime, data do julgamento em 28/09/2010. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS DE APOSENTADORIA. NEOPLASIA MALIGNA. DEMONSTRAÇÃO DA CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS. DESNECESSIDADE. I. Ha entendimento jurisprudencial desta Corte no sentido de que, após a concessão da isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos art. 6°, inciso XIV, da Lei 7.713/88, o fato de a Junta Médica constatar a ausência de sintomas da doença não justifica a revogação do beneficio isencionctl, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifícios dos aposentados, aliviando-os dos encargos financeiros. (grifou-se) Apelação Cível AC 200633110006814-AC — Relator o Desembargador Federal Souza Prudente, Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, unânime, publicação no e-DJF1 de 28/10/2010 TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE PENSÃO. PORTADOR DE CARDIOPA TIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. EXERCICIO DE ATIVIDADE REMUNERADA. CABIMENTO. TERMO INICIAL DA ISENÇÃO. DATA DA COMPROVAÇÃO DA DOENÇA. OBSERVÂNCIA DOS LIMITES DO PEDIDO. CORREÇÃO Assinado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30103/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ DF CARF MF Fl. 119 MONETÁRIA. HORÁRIOS ADVOCATiCIOS. I - A exigência contida no artigo 30 da Lei 9.250/95, no sentido de que, para fins de isenção do imposto de renda, "a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios', destina-se apenas à Fazenda Pública, uma vez que na esfera judicial pode a parte se valer de todos os meios de e o magistrado é livre na apreciação delas, não adstrito a laudo medico oficial. II - No caso, a . ; .jmprovou, mediante prova pericial realizada nos autos, . . , e ,portadora de cardiopatia grave e esta enquadrada na Lei 7.713/88, fazendo jus, pois, à isenção pretendida. Ademais, a perícia médica judicial corresponde ao que a própria lei de isenção qualifica de conclusão da medicina especializada (art. 6° da Lei 7.713/98). III - Nos termos do inciso VCI do art. 6° da Lei 7.713/88, ficam isentos do imposto de renda os valores recebidos a titulo de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artízo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão, não havendo, pois, qualquer vedação ao pensionista, portador de moléstia wave, para o exercício de atividade remunerada, IV - Segundo entendimento jurisprudencial jci consolidado no átnbito do colendo STJ e deste Tribunal, o "termo inicial da isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria prevista no art. 6°, XIV, da Lei 7.713/88 é a data de comprovação da doença mediante diagnostico médico, e não a data de emissão do laudo oficial. Precedentes: REsp 812.799/SC, 1"T, Min. José Delgado, DJ de 12.06.2006; REsp 677603/PB, 1° T., Ministro Luiz Fux, DJ de 25.04.2005; REsp 675.484/SC, 2a T, Min. Joao Ottivio de Noronha, DJ de 01.02.2005)" (REsp 780.122/PB, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKL PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/03/2007, DJ 29/03/2007 p. 221). V - A todo modo, no caso em comento, em que pese a doença ter sido diagnosticada em junho/1999, a requerente pleiteou em sua peça vestibular a restituição dos valores indevidamente descontados a partir de abril/2003, o que impõe o acolhimento parcial do apelo, sob pena de julgamento extra petita. VI- Apelação da Unido Federal e remessa oficial desprovidas. Apelação da autora provida, para determinar a restituição dos valores indevidamente recolhidos a titulo de imposto de renda, incidentes sobre os rendimentos de pensão da autora, a partir de abri1/2003, devidamente corrigidos pela taxa SEL1C. Sem custas, por isenção legal. Honorários advocaticios fixados em R$2.000,00 (dois mil reais). (grifou-se) AGRAVO DE INSTRUMENTO, Relator Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, uncinime, fonte e-D.IF1 data: 09/07/2010 pagina: 296 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO ORDINÁRIA - ANTECIPAÇÃO DE TUTELA -IRRF - SUSPENSÃO DA RETENÇÃO - ISENÇÃO - NEOPLASIA MALIGNA DIAGNOSTICADA - MILITAR INATIVO - RESERVA REMUNERADA - REQUISITOS DO ART. 273 DO CPC PRESENTES. 1. A inaptidão laboral não e pressuposto para o gozo de isenção de IRRF sobre proventos de aposentadoria, Assinado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ 6 DF CARF MF Fl. 120 Processo n° 10850.001091/2007-28 s2-ciT2 Acórdão n.° 2102 -01.166 Ft. 4 bastando o diagnóstico da moléstia grave por laudo médico oficial da União, Estados, DF e Municípios. Tal isenção não tem como causa imediata a moléstia grave, mas os gastos excessivos com o tratamento da doença. 2. A isenção de IRRF sobre os proventos de aposentadoria ou reforma abrange os ::, :.ventos do militar inativo da reserva remunerada (sujeito a prestação de serviço na cttiva) acometido de moléstia grave diagnosticada por laudo médico oficial (Lei no 7.713/88, art. 6°, XIV). 3. Presentes os requisitos do art. 273 do CPC. 4. Agravo de instrumento não provido. 5. Peps liberadas pelo Relator, em 29/06/2010, para publicação do acórdão. (grifou-se) As considerações acima, com lastro nos julgados citados, deixam claro que , não ha qualquer impedimento para fruição do beneficio isentivo no caso de um aposentado portador de moléstia especificada em lei, que a adquiriu antes da aposentação. Ademais, não há qualquer exigência de suspensão de atividade laborativa, antes ou depois da aposentadoria. No caso especifico do contribuinte destes autos, a norma legal antes colada somente exige que o aposentado seja portador de uma paralisia irreversível e incapacitante, não qualificando a incapacidade, se total ou parcial. Ora, se a lei não qualifica a incapacidade, não deve o intérprete fazê -lo, notadamente no âmbito da isenção de tributária, quando vige o cânone da interpretação literal, na forma do art. 111, II, do CTN. Esse entendimento está em linha com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como se vê abaixo: REsp 1196500 / MT, Relator o Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, unanime, data do julgamento em 02/12/2010 TRIBUTÁRIO. IRPE ISENÇÃO. ART 6°, XIV, DA LEI 7.713/1988. INTERPRETAÇÃO LITERAL. CEGUEIRA. DEFINIÇÃO MÉDICA. PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO 0 COMPROMETIMENTO DA VISÃO NOS DOIS OLHOS COMO TAMBÉM EM APENAS UM 1. Hipótese em que o recorrido foi aposentado por invalidez permanente em razão de cegueira irreversível no olho esquerdo e pleiteou, na via judicial, o reconhecimento de isenção do Imposto de Renda ern relação aos proventos recebidos, nos termos do art. 6°, XIV, da Lei 7.713/1988. 2. As normas instituidoras de isenção devem ser interpretadas literalmente (art. 111 do Código Tributário Nacional). Sendo assim, não prevista, expressamente, a hipótese de exclusão da incidência do Imposto de Renda, incabível que seja feita por analogia. 3. De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-1M, da Organiza yew Mundial de Saúde, que é adotada pelo SUS e estabelece as definições médicas das patologias, a cegueira não está restrita a perda da visão nos dois olhos, podendo ser diagnosticada a partir do comprometimento da visão em apenas um olho. Assim, mesmo que a pessoa possua visão normal ent um dos olhos, poderá ser diagnosticada como portadora de cegueira. Assinado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ DF CARF MF Fl. 121 4. A lei não distingue, para efeitos da isenção, quais espécies de cegueira estariam beneficiadas ou se a patologia teria que comprometer toda a visão, não cabendo ao interprete fazê-lo. 5. Assim, numa interpretação literal, deve-se entender que a isenção prevista no art. 6°, XIV, da Lei 7.713/88 favorece o portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caract0.7ada por definição médica. 6.1cti.i.., o Especial não provido. (grifou-se) • Assim restou demonstrado pelos laudos juntados aos autos que o contribuinte aposentadçia portador de paralisia irreversível e incapacitante, como exigido pelo art. 6°, XIV, da i r 7.713/88, não havendo qualquer determinação legal para a qualificação da incar .Se total ou parcial. Cumpridas as formalidades legais, deve-se deferir o pedido isen6:»ip.i .do recorrente, sobre os proventos de aposentadoria oriundos do 13° salário dos anos- calendario de 2002, 2003, 2004 e 2006. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Assinado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Impresso em 06/05/2011 por SUELI TOLENTINO MENDES DA CRUZ
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Numero do processo: 10240.901524/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA
APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte
de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF
e do Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais DACON,
após a decisão que indeferiu a
compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita
contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a
prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso
VI, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Improvido
Numero da decisão: 3301-000.888
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido
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IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 104DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram do julgamento os Conselheiros:José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 20.12.2006, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de Cofins referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03), no valor original de R$ 318,63, conforme ementa de fl. 65, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada em 28/07/2010 (AR – fl. 68), a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 69/72 (e documentos de fls. 73/97), em 25/08/2010, alegando, em síntese, que sua atividade econômica preponderante é o comércio atacadista de defensivos agrícolas e produtos agropecuários, sendo que na apuração do imposto do período de apuração de Janeiro de 2006 foi atribuída à base de cálculo da COFINS o valor das vendas de produtos isentos deste imposto, conforme dispõe o art. 1° da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, in verbis: “Art. 1° Ficam reduzidas a O (zero) as aliquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; III sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei no 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; Fl. 105DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10240.901524/200997 Acórdão n.º 330100.888 S3C3T1 Fl. 105 3 IV corretivo de solo de origem mineral classificado Capitulo 25 da TIPI;” Logo, o fato gerador da COFINS foi majorado indevidamente, em virtude da desconsideração do benefício fiscal imputado para tais produtos, sendo pago a maior o valor de R$ 2.069,99, em virtude de pagamento no valor de R$ 3.325,04, sendo que o valor devido é de R$ 1.255,05. Constatado o erro, argumenta que formalizou processo de PER/DCOMP transmitido em 20.12.2006, através do qual foi efetivada a compensação de débito no valor original de R$ 318,63, referente a COFINS do período de Outubro de 2006, conforme Declaração de Compensação n°19810.98356.201206.1.3.044427. Assim sendo, considerando que a Recorrente efetuou as retificações das informações da Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais — DCTF e Do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON, onde foi corrigida a base de cálculo do imposto e, consequentemente o valor devido da COFINS do período de Janeiro de 2006, para R$ 1.255,05, considerando também que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada e, demonstrando e comprovando, desta forma, o surgimento de um crédito tributário e, portanto, legitimidade para compensar com qualquer tributo, caso que foi efetivado através da PER/DCOMP n° 19810.98356.201206.1.3.044427. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e revestido dos demais requisitos indispensáveis à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com o despacho decisório de fls. 6/7, de 25/05/2009, o indébito foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação ou restituição: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos ( ) integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". Entretanto, após o referido despacho decisório, a recorrente procedeu à retificação das DACON/DCTF, em 23/06/2009, conforme se observa à fl. 28. Existe óbice de ordem legal ao pleito da recorrente, conforme consta do art. 74, §3, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Fl. 106DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” É neste sentido que perfilha a jurisprudência deste E. CARF, conforme depreendese pelas seguintes ementas parcialmente transcritas: “PROVA DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO A apresentação de um formulário, apenas no momento do recurso voluntário com valores alterados em relação à declaração original, não tem o valor de uma declaração retificadora. Pode servir como uma planilha demonstrativa de cálculos, mas a modificação dos valores deveria ter sido comprovada por documentos efetivos”. (Ac. 120100.033, 2ª Câmara da 1ª TO da 1ª Seção/CARF, DOU01 14/02/2011, pág. 68) No mesmo sentido: “Assunto: normas de administração tributária anocalendário: 2001 Dcomp, retificação do débito após decisão que negou homologação à compensação, a manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade fiscal que não homologa a compensação declarada pelo sujeito passivo, ou mesmo o recurso voluntário que fustiga decisão de primeiro grau que manteve o entendimento nãohomologatório, não constituem meios adequados para veicular a retificação do débito indicado na declaração de compensação.” (Ac. nº 110200.174 (DOU01, 20/09/2010 pág. 33) Fl. 107DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10240.901524/200997 Acórdão n.º 330100.888 S3C3T1 Fl. 106 5 Desta forma, nova declaração de compensação somente pode ser apresentada, após a apreciação ao pedido de retificação apresentado pelo contribuinte, pois, demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível neste momento recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 108DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 11176.000094/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2006
Ementa:
SUJEITO PASSIVO
O sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador.
O erro na identificação do sujeito passivo acarreta a anulação do lançamento por vício formal.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2302-001.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento por vício formal, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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O erro na identificação do sujeito passivo acarreta a anulação do lançamento por vício formal. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento por vício formal, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11176.000094/200714 Acórdão n.º 230201.031 S2C3T2 Fl. 136 3 Relatório Trata a notificação lavrada em 31/01/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2001 a 07/2006, referentes ao HOSPITAL NOSSA SENHORA DA SAÚDE, que foi considerado pela fiscalização como parte da Administração Direta do Município de Santo Antonio da Platina. O relatório fiscal de fls. 59 a 65, diz que a caracterização do fato se deu porque o poder executivo e legislativo indicam três representantes no Conselho Administrativo do Hospital, que os débitos de fiscalizações anteriores foram incluídos no parcelamento especial concedido à prefeitura, que há a cessão de três motoristas que são funcionários da prefeitura, mas prestam serviço no hospital e que os prefeitos nomeiam pessoas para os cargos de confiança como provedor, tesoureiro e diretor administrativo, sendo que alguns secretários da saúde exerceram a função de presidente do conselho de administração do hospital. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls. 104 a 109, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, alegando em síntese: a) que amparado em liminar, não apresentou depósito recursal; b) a decadência até janeiro de 2002; c) a ilegitimidade do município para figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Requer a improcedência da NFLD e o cancelamento de seus efeitos. Não foram apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A notificação lavrada em 31/01/2007, compreende o período de 07/2001 a 07/2006. O recorrente argúi a decadência qüinqüenal e com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11176.000094/200714 Acórdão n.º 230201.031 S2C3T2 Fl. 137 5 insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 11/2001: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Com relação a argüição da recorrente acerca da impossibilidade de figurar no pólo passivo na notificação, teço as seguintes considerações. O Código Tributário Nacional conceitua o sujeito passivo da obrigação principal, que vem consubstanciada nesta notificação fiscal, no seu artigo 121, dispondo: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 Assim, o sujeito passivo é o devedor da obrigação tributária, ou seja, é a pessoa que tem o dever de prestar, ao credor ou sujeito ativo, o objeto da obrigação. É a pessoa que, à vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento do tributo. No que diz respeito ao sujeito passivo da obrigação tributária principal, o CTN o define como contribuinte ou responsável. Portanto, o contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O sujeito passivo da obrigação principal caracterizase, independentemente dos aspectos econômicos implícitos na relação jurídica tributária, pela prática de um comportamento qualificado como tributável pela legislação tributária. Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 02ª ed., São Paulo: Saraiva, 1998, p. 280, ensina que "a identificação do sujeito passivo da obrigação principal (gênero) depende apenas de verificar quem é a pessoa que, à vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação, não importando indagar qual o tipo de relação que ela possui com o fato gerador". O sujeito passivo da obrigação principal é aquele obrigado a pagar o tributo ou uma penalidade pecuniária ou multa, podendo ser classificado como sujeito passivo direito e indireto. O sujeito passivo direto é o contribuinte, ou seja, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador tributário fato típico prescrito na lei. O sujeito passivo indireto é o responsável pelo pagamento do tributo, ou seja, aquele que não se reveste necessariamente na condição de contribuinte, tendo relação indireta com o fato tributável. Devido a uma disposição legal, a obrigação tributária é atribuída a uma pessoa diversa daquela relacionada com o ato ou negócio jurídico tributado, sendo neste caso a própria lei que substitui o sujeito passivo direto pelo indireto. Rubens Gomes de Souza em Compêndio de Legislação Tributária. São Paulo: Resenha, 1973, p. 55, complementa dizendo que o Estado tem o “interesse ou necessidade de cobrar o tributo de pessoa diferente: dáse então a sujeição passiva indireta. A sujeição passiva indireta apresenta duas modalidades: transferência e substituição; por sua vez a transferência comporta três hipóteses: solidariedade, sucessão e responsabilidade.” No caso em tela, temos que a fiscalização entendeu que o Município de Santo Antonio da Platina – Prefeitura Municipal seria o sujeito passivo desta notificação fiscal de lançamento de débito que referese aos lançamentos do Hospital Nossa Senhora da Saúde porque entendeu que a Lei Municipal n.º 50/99, apenas proforma tentou desvincular o município da administração do Hospital, mas que o poder executivo e legislativo podem indicar três representantes no Conselho de Administração da entidade, que tem o poder de gerenciar efetivamente o Hospital. Outro ponto a que se reporta a fiscalização é que os débitos de fiscalizações anteriores da entidade foram incluídos nos parcelamentos especiais das prefeituras e que há a cessão de três segurados empregados para o Hospital, na função de motoristas. Entretanto, entendo que do confronto da conceituação legal de sujeito passivo da obrigação tributária, não há demonstração suficiente para que sejam imputados ao Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11176.000094/200714 Acórdão n.º 230201.031 S2C3T2 Fl. 138 7 Município de Santo Antonio da Platina – Prefeitura Municipal, os débitos havidos em nome do Hospital Nossa Senhora da Saúde. O fato do Poder Executivo e Legislativo indicarem três representantes para o Conselho de Administração do Hospital, que se compõe de quinze membros, de acordo com a citada Lei n.º 50/99, fls. 92/97, não demonstra que o município administre a entidade, que tenha poder de mando sobre a mesma, que seja o responsável tributário pelo hospital. O fato dos débitos do Hospital, apurados em fiscalizações anteriores, terem integrado o parcelamento especial concedido às prefeituras municipais, está de acordo com o que traz a Instrução Normativa INSS/DC N.º 55, de 20/08/2001, que dispõe sobre amortização especial de dívidas oriundas de contribuições sociais e obrigações acessórias dos Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias, Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. A citada Instrução permite que as unidades federativas incluam as dívidas das autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como obriga a inclusão de todos os parcelamentos ativos existentes, conforme segue : Art. 2º Os créditos do INSS junto aos Estados, Distrito Federal e Municípios, constituídos ou não, inclusive os inscritos em Dívida Ativa, ajuizados ou não, bem como os decorrentes de contribuições descontadas dos segurados empregados, trabalhadores avulsos, os oriundos de subrogação de que trata o inciso IV, do artigo 30, da Lei nº 8.212/91 e as contribuições retidas em decorrência da contratação de serviços mediante cessão ou empreitada de mãodeobra dispostas no artigo 31, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, relativos até a competência JUNHO/2001, poderão ser objeto de amortização na forma disposta neste ato. § 1º As dívidas das Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas e das Secretarias Municipais, do Distrito Federal e Estaduais, poderão ser parceladas na forma deste artigo, observando que o parcelamento será formalizado em nome das respectivas Unidades Federativas. § 2º As Unidades Federativas citadas neste artigo poderão optar pela inclusão das dívidas das autarquias e fundações por elas instituídas e mantidas e das empresas públicas e sociedades de economia mista. § 3º A inclusão das dívidas das sociedades de economia mista na amortização prevista neste artigo dependerá de lei autorizativa estadual, distrital ou municipal. § 4º Obrigatoriamente, serão incluídas no acordo de amortização, todas as outras modalidades de parcelamentos ativos existentes, inclusive o Pedido de Amortização Especial – PAE ou o Pedido de Amortização de Dívida Fiscal PADF firmados anteriormente, aplicando, também, este procedimento quando ocorrerem as opções previstas no parágrafo 2º. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 § 5º A amortização deverá compreender todos os créditos constituídos (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, Notificação Para Pagamento, NPP, AutodeInfração – AI, Lançamento de Débito Confessado LDC) dos Estados, Distrito Federal e Municípios e dos órgãos relacionados nos § 1º e 2º, ressalvado o disposto a seguir (...) Portanto, a inclusão dos débitos da entidade no parcelamento especial da prefeitura municipal, não implica em dizer que o município é o sujeito passivo desta notificação fiscal, pois havia disposição normativa para que procedesse daquela maneira. Ainda, a prestação de serviço de três motoristas servidores da prefeitura municipal, no Hospital Nossa Senhora da Saúde, embora não esteja correta do ponto de vista fiscal, podendo acarretar o lançamento do débito no Hospital é insuficiente para dizer que o município é o responsável direto pela administração do hospital e sujeito passivo da obrigação tributária. A fiscalização não demonstrou que o Município tenha efetivamente a responsabilidade pela administração do Hospital, que arque com as despesas do mesmo, que implemente recursos para o seu funcionamento, que coordene suas atividades, enfim que tenha ingerência total sobre o seu funcionamento. Pelos elementos constantes do processo, temos que o Hospital Nossa Senhora da Saúde é pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ, com Estatuto advindo de Lei Municipal, não restando identificado por qualquer documento, ou pela contabilidade de que faça parte da Administração Direta do Município de Santo Antonio da Platina e que este seja o verdadeiro contribuinte, sujeito passivo desta notificação. Ademais a fiscalização juntou às fls. 69/71, cópias do Livro Diário do hospital, onde consta o número do CNPJ do mesmo e tanto o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, como Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD foram lavrados em nome do município, não havendo qualquer solicitação de documentos relativos ao CNPJ do Hospital Nossa Senhora da Saúde. Assim, entendo que no procedimento da fiscalização e na formalização do lançamento não foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, pois não houve a correta identificação do sujeito passivo. O erro na identificação do sujeito passivo impõe a anulação do lançamento por vício formal, já que descumprido o artigo 10, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11176.000094/200714 Acórdão n.º 230201.031 S2C3T2 Fl. 139 9 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Por todo o exposto, Voto pela anulação da notificação pela existência de vício formal por descumprimento do artigo 10 do Decreto n.º 70235/72. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004718/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa: PEDIDO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE DA DATA DO JULGAMENTO PARA EFETUAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF.
DIREITO ASSEGURADO À PARTE OU AO SEU PATRONO DE FAZER SUSTENTAÇÃO ORAL NA SESSÃO DE JULGAMENTO. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento
Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garante-se às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma
do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Porém, repise-se, não há previsão para prévia intimação aos patronos das partes da data da sessão de julgamento do recurso voluntário.
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS COM FILHOS MAIORES DE 21 ANOS. FILHO UNIVERSITÁRIO COM MAIS DE 24 ANOS NO EXERCÍCIO FISCALIZADO. FILHOS QUE SEQUER CONSTARAM NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FISCALIZADA COMO DEPENDENTES. HIGIDEZ DAS GLOSAS. A inclusão de dependentes na declaração de ajuste anual DAA é uma faculdade do contribuinte, como se apreende pelo verbo “poder” constante na cabeça do art. 35 da Lei nº 9.250/95, até porque se deve lembrar que tal procedimento tem bônus (possibilidade de dedução de despesas dos dependentes) e ônus (necessidade da inclusão de quaisquer rendimentos dos dependentes no monte tributável
do declarante). Por óbvio, não incluído o dependente na DAA respectiva, incabível falar em dedução de despesas daqueles que sequer constaram como dependentes na DAA. Ainda, os filhos que eventualmente constem como dependentes na DAA tem que ter até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho, ou, no caso de estudante universitário, até 24 anos no exercício auditado, na forma do art. 35, III, § 1º, da Lei nº 9.250/95.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.353
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR
as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF. DIREITO ASSEGURADO À PARTE OU AO SEU PATRONO DE FAZER SUSTENTAÇÃO ORAL NA SESSÃO DE JULGAMENTO. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação aos patronos das partes da data da sessão de julgamento do recurso voluntário. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS COM FILHOS MAIORES DE 21 ANOS. FILHO UNIVERSITÁRIO COM MAIS DE 24 ANOS NO EXERCÍCIO FISCALIZADO. FILHOS QUE SEQUER CONSTARAM NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FISCALIZADA COMO DEPENDENTES. HIGIDEZ DAS GLOSAS. A inclusão de dependentes na declaração de ajuste anual DAA é uma faculdade do contribuinte, como se apreende pelo verbo “poder” constante na cabeça do art. 35 da Lei nº 9.250/95, até porque se deve lembrar que tal procedimento tem bônus (possibilidade de dedução de despesas dos dependentes) e ônus (necessidade Fl. 58DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 da inclusão de quaisquer rendimentos dos dependentes no monte tributável do declarante). Por óbvio, não incluído o dependente na DAA respectiva, incabível falar em dedução de despesas daqueles que sequer constaram como dependentes na DAA. Ainda, os filhos que eventualmente constem como dependentes na DAA tem que ter até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho, ou, no caso de estudante universitário, até 24 anos no exercício auditado, na forma do art. 35, III, § 1º, da Lei nº 9.250/95. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte WALTER MARCONDES FILHO, CPF/MF nº 189.866.84934, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 23/04/2006, auto de infração (fls. 16 a 18), com ciência postal em 29/08/2008 (fl. 28). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 798,51 MULTA DE OFÍCIO R$ 598,88 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, no montante de R$ 2.903,68, na revisão da declaração de ajuste anual do anocalendário 2005, com a seguinte motivação (fl. 17): Glosa parcial do pagamento efetuado ao Plano de Saúde da Unimed do Estado do Paraná CNPJ: 78.339.439/000130 no valor de R$ 867,69 referente ao segurado Frederico Tomasetti Marcondes, conforme verificado no demonstrativo do plano. Frederico Tomasetti Marcondes CPF: 007.799.42990 (filho) Fl. 59DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10930.004718/200893 Acórdão n.º 2102001.353 S2C1T2 Fl. 2 3 não é dependente do declarante e possui mais de 21 anos (data de nascimento 29/07/1981). Glosa do pagamento efetuado ao Plano de Saúde da Unimed de Londrina CNPJ:75.222.224/000147 no valor de R$ 2.035,99 referente a segurada Renata Tomasetti Marcondes, conforme verificado no demonstrativo do plano. Renata Tomasetti Marcondes CPF: 027.942.69925 (filha) não é dependente do declarante e possui mais de 21 anos (data de nascimento 17/11/1979). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O impugnante juntou aos autos declaração da PUCPR, na qual consta que Renata Tomasetti Marcondes é estudante universitária, com matrícula em 2004 e manutenção de vínculo acadêmico em 2008 (fls. 12 e 13). Juntouse aos autos cópia da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2005 do fiscalizado, na qual não há registro de quaisquer dependentes (fls. 20 a 26). A 6ª Turma de Julgamento da DRJCuritiba (PR), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0628.401, de 24 de setembro de 2010 (fls. 35 a 38v). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 11/10/2010 (fl. 41). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/11/2010 (fl. 42). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. Os filhos Renata e Frederico mantinham vínculo de dependência econômica com o autuado no anocalendário 2005 (exercício 2006), sem auferimento de renda, sendo certo que a filha Renata era estudante de medicina, curso de 06 anos, custeado pelo fiscalizado, devendo as despesas deles serem excluídas da renda do contribuinte, independentemente de constarem, ou não, na declaração de ajuste anual do fiscalizado, pois, do contrário, estarseia tributando o que não é renda, procedimento de caráter claramente confiscatório; II. “...devese destacar que o impugnante quando recebeu o aviso de comparecimento para esclarecer os fatos em tela se dirigiu até a Delegacia da Receita Federal em Londrina, totalmente disposto a realizar tais esclarecimentos, apresentando a documentação original utilizada como prova, a qual foi submetida a conferência do funcionário público que o recebeu, razão pela qual suscitar a não apresentação de cópia autenticada ou sua via original não é argumento hábil afastar a veracidade das informações prestadas” (fl. 46 – transcrição do recurso voluntário). Concluindo, pede o recorrente (fl. 47 – transcrição do recurso voluntário): Fl. 60DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 a) realização de toda e qualquer diligência a fim de se apurar a verdade material, em especial:, (i) a intimação dos filhos do recorrente, Frederico Tomasetti Marcondes e Renata Tomasetti Marcondes, afim de se comprovar a efetiva dependência econômica; (ii) a expedição de ofício à Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Campus de Curitiba, sito à Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho, CEP: 80215901, a fim de se comprovar o período de graduação da filha, Renata Tomasetti Marcondes, assim como valores pagos a título de mensalidade e demais despesas incorridas; (iii) a intimação da servidora pública Terezinha Elizabeth Pinto, auxiliar — Matrícula n° 09025820, a fim de se comprovar a conferência dos documentos recebidos no Termo de Comparecimento com os originais; b) seja o recorrente intimado, em tempo hábil, acerca da inclusão do recurso em Pauta de Julgamento, viabilizandose, assim, a realização de sustentação oral, por meio de procurador legalmente habilitado; e c) seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, se reformando o Acórdão n° 0628.401, no sentido de anular a Notificação de Lançamento, e, via de conseqüência, o crédito constituído, bem como multa e juros, nos termos desta defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 11/10/2010 (fl. 41), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/11/2010 (fl. 42), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/11/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, aqui se afasta o pedido de intimação prévia do patrono do recorrente para a realização de sustentação oral, pois tal pleito não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese às partes a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão respectiva, efetuar sustentação oral. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação aos patronos das partes da data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Ainda, rejeitase o pedido de conversão do julgamento em diligência, feito pelo recorrente, pois, como se mostrará a seguir, não há qualquer necessidade de tal conversão, pois a matéria controvertida é simplesmente de direito, sendo desnecessária a diligência pugnada para solução da controvérsia. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10930.004718/200893 Acórdão n.º 2102001.353 S2C1T2 Fl. 3 5 Antes de tudo, trazse a legislação de regência do vínculo de dependência no âmbito do imposto de renda: Art. 35 da Lei nº 9.250/95. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I e II – omissis; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV a VII – omissis. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. (...) (grifouse) Inicialmente, a inclusão de dependentes na declaração de ajuste anual DAA é uma faculdade do contribuinte, como se vê pelo verbo “poder”, acima destacado, até porque se deve lembrar que tal procedimento tem bônus (possibilidade de dedução de despesas) e ônus (necessidade da inclusão de quaisquer rendimentos dos dependentes no monte tributável do declarante). Por óbvio, não incluído o dependente na DAA respectiva, como se viu nestes autos, incabível falar em dedução de despesas daqueles que sequer constaram como dependentes na DAA. Se já havia o óbice acima para deferir a pretensão do contribuinte, ora autuado, vêse ainda que há outro obstáculo intransponível ao deferimento do pleito, qual seja, o fato de os filhos do declarante terem mais de 21 anos, estando excluídos da regra geral de dependência do art. 35, III, da Lei nº 9.250/95, e aquela que poderia se albergar pela exceção do art. 35, § 1º, da Lei nº 9.250/95, a estudante universitária Renata Tomasetti Marcondes, tinha mais de 24 anos no exercício 2006 (nascida em 17/11/1979), também estando fora da regra excepcional, pois, no primeiro dia de 2005, já tinha 25 anos. Claramente se percebe que os filhos Renata e Frederico não podem ser considerados como dependentes para fins do imposto de renda no anocalendário 2005, pois a legislação de regência da questão veda a benesse expressamente. Continuando, não podem ser acatadas as argumentações do recorrente de que efetivamente incorreu nas despesas e que os filhos citados eram seus dependentes econômicos, o que aqui não se discute, pois a relação de dependência que se debate nestes autos é a jurídico tributária, e a única forma de acatarse a pretensão do fiscalizado seria declarar, de forma incidental, a inconstitucionalidade das normas do art. 35 da Lei nº 9.250/95, acatando a dependência econômica para fins do imposto de renda, o que é vedado ao julgador administrativo, que não tem poder para tanto. A Administração Tributária, por suas autoridades lançadora e julgadora, se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei tributária. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando algum princípio Fl. 62DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 constitucional (como o teor confiscatório da imposição tributária ou eventual descaracterização do conceito de renda, como suscitado pelo recorrente) ou mesmo conflitos de leis, afastar a aplicação da lei tributária indicada para o caso concreto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder, ou, excepcionalmente, as cúpulas dos Poderes Executivo e Legislativo (e o Tribunal de Contas da União). No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto nos julgamentos de segundo grau, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Com todas as considerações acima, REJEITO as preliminares e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 63DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 35078.000229/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/11//2001
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
Nos contratos por empreitada total de construção civil firmados pela Administração Pública, fica esta dispensada tanto da retenção de 11% como da responsabilidade solidária. Na hipótese de a referida contratação ser firmada mediante empreitada parcial ou de o contrato ter por objeto serviços de construção civil, sejam eles prestados por cessão ou por empreitada de
mão de obra, ambos contratante e contratados estarão sujeitos ao regime da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-000.834
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. Nos contratos por empreitada total de construção civil firmados pela Administração Pública, fica esta dispensada tanto da retenção de 11% como da responsabilidade solidária. Na hipótese de a referida contratação ser firmada mediante empreitada parcial ou de o contrato ter por objeto serviços de construção civil, sejam eles prestados por cessão ou por empreitada de mão de obra, ambos contratante e contratados estarão sujeitos ao regime da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Thiago d’Avila Melo Fernandes. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 138 3 Relatório Período de apuração MPF : novembro/1992 a dezembro/2001. Período de apuração do débito: 01/02/1998 a 30/11//2001. Data da lavratura da NFLD : 24/05/2005. Data da Ciência da NFLD: 16/01/2006 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em face do Recorrente em referência, tendo por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, devidas em razão da responsabilidade solidária do contratante de obras e serviços de construção civil, em virtude da não comprovação de recolhimento das contribuições sociais por parte da empresa executora dos serviços, incidentes sobre a remuneração incluída em notas fiscais de serviço e ou faturas correspondentes aos serviços executados, quer seja pela não apresentação das Guias de Recolhimento de Contribuições Previdenciárias — GRPS correspondentes, quer seja porque as guias apresentadas não atendiam ao disposto na legislação pertinente, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 29/34. Informa o auditor fiscal notificante que os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas é o exercício de atividade remunerada dos segurados empregados das empresas prestadoras de serviços, contratadas pela Notificada para executarem serviços de construção Civil de sua propriedade. Aduz que as bases de cálculo foram apuradas com base no valor das notas fiscais de serviço emitidas pelas empresas construtoras/prestadoras de serviços de construção civil em face do Município fiscalizado; Contratos de obras/serviços de construção civil e documentos correlatos; Guias da Previdência Social GRPS vinculadas a cada obra de construção civil e Processos de Empenho/Ordem de pagamento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 44/51. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária de São Luis MA lavrou DecisãoNotificação (DN), a fls. 61/72, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/10/2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 110. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 119/130, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 135DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que o débito sofreu decadência, conforme disposto no artigo 173, inciso I do CTN (prazo de cinco anos). • Que o procedimento fiscal do INSS foi instaurado sem base probatória consistente, baseando em elementos indiretos de aferição. Aduz que a notificação não discrimina quais os serviços prestados e seus respectivos prestadores, bem como a individualização dos empregados; • Que não consta o nome do sujeito passivo direto da obrigação tributária que originou o débito em questão, conforme exige o artigo 142 do CTN, constando apenas o nome do responsável solidário, in casu, o Município de São Luís; • Que a empresa prestadora não possui débito previdenciário, já que o INSS, forneceulhe, recentemente, Certidão Positiva com Efeito de Negativa; Ao fim, requer o acolhimento da preliminar de decadência ou, alternativamente, a declaração de improcedência da Notificação Fiscal em referência. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 139 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/10/2007, segundafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na terçafeira seguinte, digase, 30/10/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO MUNICÍPIO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar ex officio a questão relativa à responsabilidade solidária do Município com as empresa prestadoras contratadas para a execução de serviços de construção civil, pelas contribuições previdenciárias a cargo destas, incidentes sobre os serviços executados mediante cessão de mão de obra. De início, cabe iluminar a relevância do caso concreto para a interpretação das normas jurídicas aplicáveis à espécie sobre a qual ora nos debruçamos. Cumpre realçar que, de há muito, notáveis Juristas já prelecionam que a interpretação jurídica constituise atividade intelectual que objetiva fornecer soluções possíveis para as hipóteses fáticas a que se dirige a norma, eis que, somente na aplicação efetiva de enunciados normativos, genéricos e abstratos por natureza, aos fatos ocorrentes na vida real é que se revela completamente o conteúdo significativo de uma regra legal de conduta. O instituto da responsabilidade solidária, há muito sedimentado no Direito Civil, vem paulatinamente, desde longa data, se consolidando no âmbito do Direito Previdenciário. O §2º do art. 142 da Consolidação das Leis da Previdência Social, aprovada pelo Decreto nº 77.077/76, reproduzindo integralmente mutatis mutandis as normas aviadas no art. 79, §2º da Lei nº 3.807/60 Lei Orgânica da Previdência Social , já dispunha que “O proprietário, o dono da obra, ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma por que haja contratado a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, é solidariamente responsável com o construtor pelo cumprimento das obrigações decorrentes desta Consolidação, ressalvado seu direito regressivo contra o executor ou contraente das obras e admitida a retenção de importâncias a estes devidos para garantia do Fl. 137DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 cumprimento dessas obrigações, até a expedição do "Certificado de Quitação" (artigo 152, item I, letra c )”. Autores de nomeada, tendo em consideração a ausência de norma específica em relação à contratação de obras públicas, passaram a adotar a conclusão de que tais disposições da legislação previdenciária também aplicarseiam à Administração Pública, a qual passou, então, a responder solidariamente com as empresas contratadas prestadoras de serviços de construção civil. Publicado com o desígnio de consolidar a regulamentação jurídica das licitações e contratos públicos em um único e específico diploma legal, o DecretoLei nº 2.300/86 estatuiu formalmente a intransferibilidade, nos contratos públicos, das responsabilidades do contratado para a Administração Pública, afastando assim responsabilidade solidária do Estado em relação aos encargos previdenciários originados das obras públicas por ele contratadas. Em reforço à norma de exclusão de solidariedade assim erigida, foi publicado o DecretoLei nº 2.348/87, acrescentando ao art. 61 do mencionado DecretoLei nº 2.300/86 o parágrafo primeiro, o qual estabelecia expressamente que a inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais, não tinha o condão de transferir à Administração Pública a responsabilidade pelo seu pagamento, nem poderia onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações. DecretoLei nº 2.300, de 21 de novembro de 1986. Art. 61. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais, resultantes da execução do contrato. §1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos referidos neste artigo, não transfere à Administração Pública a responsabilidade de seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (redação dada pelo DL nº 2.348/87) Hodiernamente, a matéria em realce tem sua disciplina estruturada no art. 30 da Lei nº 8.212/91, cujo inciso VI lhe confere as condições de contorno específicas, sem introduzir substanciais modificações em relação aos Documentos Legislativos que a precederam, havendose que se enaltecer, todavia, a previsão no texto legal de se promover, facultativamente, a retenção, sobre o valor a ser pago ao construtor, dos valores devidos pelo contratante a título de contribuições previdenciárias, como forma eficaz de se exonerar da solidariedade em apreço. Nessa mesma toada, o art. 31 da citada Lei de Custeio da Seguridade Social também previu a incidência do instituto da solidariedade em tela à contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, aqui também se incluindo, aqueles associados à construção civil. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) Fl. 138DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 140 7 (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. Em consequência, a regulamentação das contribuições previdenciárias decorrentes da contratação de obra de engenharia civil passou a ter tratamento dúplice em função do objeto efetivo do contrato, a saber: a) Art. 30, VI da Lei nº 8.212/91: Contratação de construção, reforma ou acréscimo; b) Art. 31 da Lei nº 8.212/91: Contratação de serviço de construção civil executado mediante cessão de mão de obra. Não se deve olvidar que, para ambas as situações acima descritas, a lei previa ab initio a responsabilidade solidária do contratante com o contratado pelas contribuições previdenciárias referentes ao contrato, a qual, todavia, não se estendia aos contratos da mesma espécie celebrados pela Administração Pública, por força do então vigente DecretoLei nº 2.300/86. Em 22 de junho de 1993, foi publicada a Lei nº 8.666/93, que revogou expressamente o DecretoLei nº 2.300/86, mantendo, todavia, inclusive com a mesma redação anterior, a norma que estabelecia a impossibilidade de se transferir para a Administração Pública aqueles mesmos encargos já tratados anteriormente, de responsabilidade direta do contratado, derivados das contratações públicas de obras e serviços de construção civil, in verbis: LEI Nº 8.666, de 21 de junho de 1993 Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. §1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos estabelecidos neste artigo, não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá Fl. 139DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. Ocorre, todavia, que, em 28 de abril de 1995, o Presidente da República Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei nº 9.032/95 que, ao alterar substancialmente os preceitos encartados nos artigos 31 da Lei nº 8.212/91 e 71 da Lei nº 8.666/93, promoveu uma reviravolta na interpretação de tais dispositivos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. §1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. §2º Entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (redação dada pela Lei nº 9.032/95) §3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (incluído pela Lei nº 9.032/95) §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão de obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (incluído pela Lei nº 9.032/95) LEI Nº 8.666, de 21 de junho de 1993 Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. §1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (redação dada pela Lei nº 9.032/95) <> §2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de Fl. 140DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 141 9 24 de julho de 1991. (redação dada pela Lei nº 9.032/95) (grifos nossos) No que pertine às alterações introduzidas no art.31 da Lei nº 8.212/91, estas promoveram, tão somente, o detalhamento dos meios legais de elisão da responsabilidade solidária do contratante com o cedente, nos contratos de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra. No que tange ao art. 71 da Lei nº 8.666/93, seu caput não foi objeto de modificações legislativas, o que poderia denotar que a responsabilidade pelos encargos previdenciários continuaria sendo do contratado, isoladamente. Sucede, contudo, que a impossibilidade de transferência dos encargos previdenciários do contratado para a administração pública foi manifestamente suprimida da redação do seu parágrafo Primeiro. Tal supressão decorreu da opção político/legislativa de atribuir ao ente público em voga a responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias a cargo das empresas cedentes, resultantes da execução de contratos prestados mediante cessão de mão de obra, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, conforme expressamente assentado no §2º do art. 71 da Lei nº 8.666/93. Cumpre, neste comenos, trazer à luz que, conforme salientado em parágrafos anteriores, especificamente nas contratações de obras e serviços de construção civil, duas eram as hipóteses de solidariedade previstas na Lei nº 8.212/91: a do art. 30, VI, reservada à contratação de construção, reforma ou acréscimo; e aquela assentada no art. 31, aplicável à contratação de serviço de construção civil executado mediante cessão de mão de obra, dispositivo este expressamente referido na Lei nº 8.666/93. A pergunta que não quer se calar indaga se ambas as hipóteses de solidariedade foram atingidas pelas modificações legislativas ora tratadas ou apenas aquela última? Concretando os alicerces da opinio juris que ora se ergue, atinese, no plano principiológico, que a responsabilidade solidária não se presume. Ela há de constar expressa na lei ou no contrato celebrado entre as partes. Nesse cenário, avulta que a remissão encapsulada no novel §2º do art. 71 da Lei nº 8.666/93 dirigese, unicamente, ao art. 31 da Lei nº 8.212/91, inexistindo qualquer referência, mesmo que indireta, às disposições encartadas no inciso VI do art. 30 da aludida Lei de Custeio. Tendo por espeque o princípio da estrita legalidade, dessumese que a atribuição de responsabilidade solidária à administração pública ocorrerá, apenas, nas contratações de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, conforme tratadas no tantas vezes citado art. 31 da Lei nº 8.212/91. Em ádito, o parágrafo primeiro do art. 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ao regular o instituto da solidariedade no âmbito do Poder Executivo, estabeleceu, literalmente, que não se qualifica como cessão de mão de obra, para fins de atribuição de responsabilidade solidaria, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. §1º Não se considera cessão de mão de obra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. (grifos nossos) Em continuidade ao aprimoramento que sofreu a legislação de regência do instituto em apreço, em 20 de novembro de 1998 foi editada a Lei nº 9.711/98 que alterou radicalmente o art. 31 da Lei nº 8.212/91, promovendo uma substancial mudança de paradigma no recolhimento de contribuições previdenciárias, quando presente prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, afastando definitivamente o instituto da solidariedade até então remanescente, fazendo incidir na espécie, uma hipótese de substituição tributária consistente na retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais relativas aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). (...) §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). III empreitada de mão de obra; (Incluído pela Lei nº 9.711/98). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Além de relacionar de forma não exaustiva diversas categorias de serviços historicamente prestados mediante cessão de mão de obra, o mesmo §4º ainda agora referido, conferiu ao Regulamento a competência legislativa para estabelecer outros serviços os quais também estariam sujeitos à retenção caso fossem prestados mediante cessão de mão de obra. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 142 11 As conclusões externadas no parágrafo anterior são corroboradas pelos preceitos encartados nos §§ 2º e 3º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, o qual, aditivamente, sem extrapolar a competência que lhe fora outorgada pela Lei nº 9.711/98, ampliou o rol de serviços que, se prestados mediante cessão de mão de obra, estariam sujeitos a retenção, assim dispondo: REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão de obra: (grifos nossos) (...) III construção civil; (...) §3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão de obra. (...) O preceito enjaulado no §3º do art. 219 do RPS não deixa dúvidas de que, nos serviços de construção civil, o regime da retenção previdenciária é de observância obrigatória tanto nos serviços prestados mediante cessão de mão de obra quanto naqueles contratados mediante empreitada de mão de obra. Operando em reforço aos dispositivos legais e regulamentares selecionados, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100, 18 de dezembro de 2003, veio elucidar os conceitos de cessão de mão de obra e de empreitada de mão de obra, para os fins específicos da retenção previdenciária, obstando assim o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato, à luz do que emana, com extrema clareza, dos seus artigos nº 152 e 153, in verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, 18 de dezembro de 2003 Art. 152. Cessão de mão de obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 §1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. §2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. §3º Por colocação à disposição da empresa contratante entende se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 153. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Avultase auspicioso destacar, que a introdução do regramento de substituição tributária acima aludido não importou no colapso definitivo da responsabilidade solidária no ramo do Direito Previdenciário, eis que, reiterese, na construção civil, o regime da retenção acima pontilhado convive com o serôdio instituto da solidariedade, de molde que o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem, conforme estabelece o art. 220 do RPS. Regulamento da Previdência Social Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (grifos nossos) §1º Não se considera cessão de mão de obra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. (grifos nossos) (...) Por outro viés, colimando elucidar o alcance efetivo de cada um dos institutos ora revisitados, a Instrução Normativa INSS/DC nº 69, de 10 de maio de 2002, encerrou em Fl. 144DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 143 13 seus artigos 27 e 37 as hipóteses de incidência da solidariedade e da retenção, respectivamente, não sem antes fixar os conceitos de empreitada e de subempreitada para os fins das obrigações dispostas na Lei nº 8.212/91, conforme se vos seguem: INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 69, de 10/05/2002 Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa, considerase: (...) XXIII contrato de empreitada: o contrato celebrado entre o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para execução de obra ou serviço de construção civil, podendo ser: (Redação dada pela Instrução Normativa INSS/DC nº 080, de 27.08.2002). a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) XXIV contrato de subempreitada, o contrato celebrado entre a empreiteira interposta e outra empresa, para, na qualidade de subempreiteira, executar obra ou serviços de construção civil, no todo ou em parte, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) (...) §2º Receberá tratamento de empreitada parcial: I o contrato de empreitada com empresa construtora que contenha cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador; Art. 27. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, nos seguintes casos: (grifos nossos) I na contratação de empreitada total; II quando houver repasse integral do contrato celebrado na forma do inciso I deste artigo, nas mesmas condições pactuadas, observado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 13. Parágrafo único. Na hipótese prevista no inciso II, aplicarseá a responsabilidade solidária a todas as empresas envolvidas. Art. 37. Na empreitada parcial ou na subempreitada e nos serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material, deverá a contratante efetuar a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em documento de arrecadação identificado com a razão social e o CNPJ da contratada. (grifos nossos) Fl. 145DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 A análise do conceito postado na legislação previdenciária revela que a pedra de toque para tal diferenciação assentase na responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários para a realização da obra, restando tal responsabilidade a cargo da empresa construtora, na empreitada total, e do proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino, no caso da empreitada parcial. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §2º, I do art. 2º da IN INSS/DC nº 69/2002, forte no sentido de que receberá tratamento de empreitada parcial, isto é, sujeitarseá ao regime da retenção, o contrato de empreitada com empresa construtora que contenha cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica e sistemática, que, se a contratação de obra de construção civil se der mediante o critério da empreitada global, incidirá o instituto da solidariedade entre a construtora e a empresa contratante, pelas obrigações talhadas na Lei nº 8.212/91. De outro eito, se a contratação se der mediante empreitada parcial, por subempreitada ou referirse a serviços de construção civil, as empresas contratante e contratadas sujeitarseão ao regime da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. Da análise da legislação mencionada, dessumese que: a) A Lei de Licitações e Contratos previu que a Administração Pública responderia solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212. b) Que o suso referido art. 31, desde 20 de novembro de 1998, não mais comporta hipótese de responsabilidade solidária, mas, sim, de regime de substituição tributária. c) Que a única possibilidade de se aplicar o instituto da responsabilidade solidaria pelo recolhimento de contribuições previdenciárias na construção civil somente ocorreria na hipótese de a administração pública contratar obra de construção civil pelo regime da empreitada global. Tal hipótese, todavia, não se enquadraria na regra do art. 31 da Lei nº 8.212/91, mas, sim, na do inciso VI do art. 30 do mesmo Diploma Legal, não sendo alcançada, por tal razão, pela abrangência do preceito inscrito no §2º do art. 71 da Lei nº 9.711/98. Nesse cenário, em virtude da reestruturação legislativa imposta pela Lei nº 9.711/98 ao regramento encapsulado no art. 31 da Lei nº 8.212/91, podese asseverar que se encontra afastada qualquer hipótese de responsabilidade solidária da Administração Pública no âmbito ora em foco, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair do §2º do art. 71 da Lei nº 8.666/93, com a redação dada pela Lei nº 9.032/95, interpretação jurídica que admita a responsabilização solidária da pessoa jurídica de direito público interno pelo pagamento de contribuições previdenciárias devidas por terceiros em razão de contratos de obras ou serviços de construção civil. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 144 15 Tal compreensão caminha em harmonia com as conclusões consignadas no Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006, cuja ementa importamos a seguir, para o perfeito entendimento de suas ilações. Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006 EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mão de obra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão de obra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, §2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mão de obra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão de obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mão de obra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Em magnífico trabalho doutrinário, o Prof. Fábio Zambitte Ibrahim (in Curso de Direito Previdenciário. 6ª ed., Rio de Janeiro, Impetus, 2005) realçou as notas características da responsabilidade solidária ora em debate, nas situações em que figurar como contratante Pessoa Jurídica de Direito Público Interno, em excerto rememorado adiante ad perpetuam rei memoriam, na roupagem literária requintada que lhe é peculiar: Fl. 147DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 [...] No entanto, devido à previsão específica da lei de licitações (Lei nº 8.666/93), há interpretação administrativa que impõe aplicação limitada de tais regras às contratações realizadas por entidades da Administração Pública, o que, nos termos do art. 1º da citada lei, inclui, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. O tema é desenvolvido no Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006, o qual entende que desde a edição da Lei nº 9.711/98, a Administração Pública, quando contrata obra de construção civil por empreitada total, não possui responsabilidade solidária, e não é também cabível a retenção de 11%. Havendo, por parte da Administração, a contratação na forma de empreitada parcial, há, todavia, na conclusão do parecer citado, a necessidade da retenção de 11%. A lógica desenvolvida foi a seguinte: na redação original do art. 31 da Lei nº 8.212/91, assim como ainda prevê o art.30, VI da Lei nº 8.212/91, havia responsabilidade solidária entre prestador e tomador de serviço (o art. 31 para prestações de serviço por cessão de mão de obra e o art. 30, VI restrito à construção civil). Apesar de tal previsão, enquanto ainda era aplicável o Decreto Lei nº 2.300/86 (anterior à Lei nº 8.666/93), a Administração não possuía responsabilidade alguma, cabendo o ônus previdenciário sempre ao prestador de serviço (art. 61). A dispensa da Administração frente a qualquer responsabilidade tributária foi mantida pela Lei nº 8.666/93 (art. 71, § 1º), até a edição da Lei nº 9.032/95, a qual dá nova redação à Lei nº 8.666/93, trazendo a responsabilidade solidária, ao menos no aspecto previdenciário, também para a Administração Pública, pois a nova redação do art. 71, § 2º da Lei nº 8.666/93 impunha a aplicação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 (o qual, na época, ainda previa responsabilidade solidária entre prestador e tomador de serviço). No entanto, de acordo com o Parecer AGU AC nº 055/2006, a mutação somente ocorreu frente às prestações de serviço em geral (art. 31, Lei nº 8.212/91), mas sem atingir a construção civil, que conta com responsabilidade tributária prevista em artigo apartado (art. 30, VI, Lei nº 8.212/91) e, a contrario sensu, não seria aplicável à Administração Pública, mesmo com a alteração legal de 1995. Conforme destacado, com propriedade, pelo Prof. Zambitte, conclui o Parecer AGU AC nº 055/2006, in verbis: Parecer AGU AC nº 055, de 17 de novembro de 2006 [...] 36. Portanto, atualmente, e desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), o quadro em relação à contratação de obras de engenharia civil pela Administração Pública, quanto à Fl. 148DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35078.000229/200629 Acórdão n.º 230200.834 S2C3T2 Fl. 145 17 responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato, é o seguinte: a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mão de obra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71); a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão de obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mão de obra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Cumpre salientar, por relevante, que o aludido Parecer AGU AC nº 055/2006 foi aprovado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República, mediante despacho exarado em 20 de novembro de 2006, devendo seu conteúdo ser observado por todos os membros das turmas de julgamento do CARF, conforme determinado pelo art. 62, Parágrafo Único, II, ‘c’ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessarte, à vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, e diante dos enunciados normativos destacados, restou visível que, caso a Administração Pública contrate obra de construção civil por empreitada total, fica dispensada tanto da retenção de 11% como da responsabilidade solidária. De outro eito, na hipótese de a referida contratação ser firmada Fl. 149DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 mediante empreitada parcial ou de o contrato ter por objeto serviços de construção civil, sejam eles prestados por cessão ou por empreitada de mão de obra ou empreitada, ambos contratante e contratados estarão sujeitos ao regime da retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 150DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004898/2004-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente. (Súmula CARF Nº 35, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE UM MÊS NÃO COMPROVAM A ORIGEM DOS DEPÓSITOS HAVIDOS NOS MESES SUBSEQUENTES.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes.( Súmula CARF Nº 30, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.070
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF Nº 35, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE UM MÊS NÃO COMPROVAM A ORIGEM DOS DEPÓSITOS HAVIDOS NOS MESES SUBSEQUENTES. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes.( Súmula CARF Nº 30, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 2 ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 09/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra ANTONIO AUGUSTO PEREIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 23/27, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 947.636,75, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 04/08, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 197/216, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.088, de 03/12/2008, fls. 271/297, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência em parte do lançamento, para excluir da tributação o valor de R$ 8.790,20, que correspondente ao dobro do somatório dos cheques devolvidos no mês de outubro de 2000, que foram inadvertidamente somados pela autoridade fiscal aos créditos efetuados no referido mês. Fl. 323DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004898/200416 Acórdão n.º 210201.070 S2C1T2 Fl. 331 3 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/12/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 300, o contribuinte apresentou, em 15/01/2009, recurso voluntário, fls. 303/327, no qual requer que seja declarada a insubsistência do Auto de Infração, com base nas seguintes alegações: O presente procedimento fiscal é alicerçado exclusivamente em extratos bancários de duas instituições financeiras; A apuração do crédito tributário é baseada exclusivamente em depósitos bancários de numerários pertencentes a terceiros; Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, cabendo ao Fisco provar o nexo causal entre o depósito e o fato que representa a omissão de rendimentos, aqui não apurado; O critério adotado pela fiscalização implica em bitributação, pois o mesmo numerário depositado em janeiro, pode ser tributado nos onze meses subseqüentes; O recorrente não é o sujeito passivo da obrigação tributária, devendo o crédito tributário ser atribuído à empresa Pardal Assessoria e Cobranças S/C Ltda; ou ao contribuinte como empresa individual; A exploração de atividade de assessoramento e a de cobrança de títulos pertencentes a terceiros, inclusive de cheques, com habitualidade e fim especulativo, não é tributada como rendimentos de pessoa física; O enquadramento legal de depósitos bancários, como omissão de receitas ou rendimentos está tipificado no artigo 849 do RIR/99, cabendo ao autuante comprovar a efetiva atividade do autuado e não eleger a forma de tributação, como omissão de rendimentos; sem qualquer indício ou circunstância, contrariando a legislação do Imposto de Renda. O disposto no artigo 150 e seu parágrafo 1º do RIR/99, evidenciam a nulidade do auto de infração, pois a tributação correta seria a de omissão de receitas e não como omissão de rendimentos, contrariando frontalmente a legislação do Imposto de Renda vigente e a jurisprudência administrativa; O disposto no parágrafo 2° do artigo 144 do Código Tributário Nacional impede a aplicação de legislação retroativa no imposto de renda pessoa física; A aplicação retroativa do disposto no artigo 11, § 3°, da Lei 9.311/96, e do artigo 5° da Lei Complementar n° 105/2001, enseja a nulidade da ação fiscal. É o Relatório. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, cumpre destacar que quase todas as teses defendidas pelo contribuinte em seu recurso cuidam de matérias já pacificadas neste Conselho, de sorte que já se encontram sumuladas, conforme Consolidação publicada no DOU em 22 de dezembro de 2009. Assim transcrevemse a seguir as súmulas que se aplicam ao caso: Irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001: Súmula CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Depósito bancário não é renda: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Depósitos de um mês não comprovam a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes: Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Logo, as teses defendidas pelo contribuinte, no que diz respeito às matérias já sumuladas, não podem prosperar. Em sua defesa, o contribuinte acrescenta, ainda, que os valores que transitaram em suas contascorrentes pertenceriam a pessoa jurídica Pardal Assessoria e Cobranças S/C Ltda ou ao contribuinte como empresa individual. De fato, já durante o procedimento fiscal, o contribuinte afirmou, fls. 34/35, que no anocalendário 2000 exercia a atividade de cobrança de títulos e cheques de terceiros, tendo inclusive retificado sua Declaração de Ajuste (DAA) do exercício correspondente, fls. 244/245, para tributar a quantia de R$ 39.288,84, que corresponderia, segundo o contribuinte, ao rendimento obtido com a atividade. Contudo, naquela ocasião, assim como na impugnação e no recurso, o contribuinte não apresentou nenhuma documentação que comprovasse que os depósitos havidos em suas contascorrentes fossem de fato fruto da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica Pardal Assessoria e Cobranças S/C Ltda ou do contribuinte como empresa individual. Fl. 325DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004898/200416 Acórdão n.º 210201.070 S2C1T2 Fl. 332 5 Nesse ponto, vale destacar que o lançamento imputou ao contribuinte a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Tal dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Como se vê, na presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, recai sobre o contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos movimentados em suas contascorrentes. E quando alguém de fato pode, e legalmente está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se sujeita à aplicação do princípio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. É inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário. É bem verdade, que a autoridade fiscal quando iniciou o procedimento fiscal já tinha conhecimento de que o contribuinte foi denunciado pelo Ministério Público Federal à Justiça Federal por fazer funcionar a instituição financeira denominada Pardal Assessoria e Cobrança, sem a devida autorização do Banco Central do Brasil, conforme restou evidenciado nos autos do Procedimento Criminal nº 2004.61.05.0019140, que culminou com a autorização judicial de quebra do sigilo bancário do contribuinte. Entretanto, tal fato por si só, não é suficiente para comprovar que os valores que transitaram nas contas bancárias do contribuinte tivessem como origem a mencionada atividade. Ressaltese que nos autos não consta uma prova sequer de que os valores creditados nas contascorrentes do contribuinte pertencessem a pessoa jurídica Pardal Assessoria e Cobranças S/C Ltda. Destaquese que não é lícito obrigar ao Fisco substituir o contribuinte no fornecimento de prova que a este competia em decorrência da apuração de omissão de renda por presunção legal, pois, como já exposto anteriormente, esta presunção tem o poder de inverter o ônus da prova. Assim, ausentes quaisquer elementos de prova da origem dos créditos havidos nas contas bancárias do contribuinte, resulta procedente o feito fiscal. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 326DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 6 Fl. 327DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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Numero do processo: 12259.001036/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO.
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da
sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei
n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também houve o reconhecimento da decadência parcial na forma do art. 173, inciso I do CTN.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Fatos Geradores Recorrente DISTRIBUIDORA DE COMESTÍVEIS DISCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe Fl. 173DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também houve o reconhecimento da decadência parcial na forma do art. 173, inciso I do CTN. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12259.001036/200823 Acórdão n.º 230201.048 S2C3T2 Fl. 161 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 01/08/2006, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/1999 a 12/2005, os valores relativos a processos trabalhistas e as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, conforme discriminativo de fls. 08/43. Após a apresentação da defesa, DecisãoNotificação de fls. 98/104, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, argüindo em síntese: a) que requer a realização de perícia contábil; b) que disponibilizou todos os documentos solicitados; c) que declarou nas GFIP’s a parte incidente de contribuição previdenciária das reclamatórias trabalhistas; d) que recolheu as contribuições devidas nas reclamatórias; e) que não houve sentimento de fraudar a lei, não agindo como dolo ou culpa; f) que não há tipicidade na conduta da recorrente que leve à lavratura do auto de infração; g) que o auto não traz a descrição do fato punível; h) que a lavratura é um equivoco, eis que não deixou de prestar a obrigação pecuniária relativa às contribuições exigidas. Requer o provimento da liminar para a realização de perícia contábil, ou se superada que se julgue nulo o auto de infração, com a extinção do feito e seu arquivamento. Não foram oferecidas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares O auto de infração compreende as competências de 01/1999 a 12/2005, e foi lavrado em 01/08/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 04/08/2006, assim deve ser examinada de ofício questão de ordem pública como a decadência. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12259.001036/200823 Acórdão n.º 230201.048 S2C3T2 Fl. 162 5 § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação devendo observar a regra prevista no artigo 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no artigo 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, observandose, então o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no artigo 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, por se tratar de auto de infração, onde não há hipótese de recolhimento antecipado, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2000: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto à solicitação de perícia, entendo que em razão dos elementos acostados ao processo, onde está demonstrado que houve omissão de declaração em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias é prescindível e realização de perícia para a necessária convicção no julgamento do recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 177DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato da omissão de fato gerador em GFIP independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado devido ao indeferimento do pedido de perícia, posto que o auto de infração e o relatório fiscal explicitam claramente a origem da autuação, o valor da multa aplicada e foi possível à recorrente contestar totalmente a autuação, o que demonstra perfeita compreensão da mesma. A recorrente teve oportunidade, durante todo o desenrolar do procedimento administrativo, de colacionar provas quanto à inexistência da infração, o que não se configurou. É de se notar, ainda, que o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão da autuação ter sido efetuada através do exame dos documentos de posse da recorrente, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, é de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Do Mérito Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP dos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e daqueles referentes a reclamatórias trabalhistas. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos a toda remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Fl. 178DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12259.001036/200823 Acórdão n.º 230201.048 S2C3T2 Fl. 163 7 Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: São totalmente inócuas as alegações da recorrente de que procedeu aos recolhimentos devidos, pois o auto de infração não está tratando da obrigação principal que é o recolhimento do tributo, mas sim do descumprimento da obrigação acessória de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. É também improcedente a alegação da falta de descrição do fato gerador e falta de tipicidade, pois o relatório fiscal traz que a lavratura do auto de infração se deu pela falta de informação em GFIP das reclamatórias trabalhistas e dos valores pagos aos contribuintes individuais, que são fato geradores de contribuição previdenciária. A conduta da recorrente de não informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, levou a correta lavratura do auto de infração por infringência à artigo legal, conforme descrito na fl.01 do processo e na fl.08, no relatório fiscal da infração. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §1oPara efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. §2 Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: Fl. 179DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. §3 A multa mínima a ser aplicada será de: IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir da autuação as competências até 11/2000, inclusive, em virtude da decadência qüinqüenal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 180DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000935/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2008
CONTRATAÇÃO DE EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APRESENTAÇÃO DE GUIAS E FOLHAS DE PAGAMENTO ESPECÍFICAS.
Para elisão da responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, a contratante de obra de construção civil é obrigada a apresentar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas para o serviço contratado.
DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO CONSTRUTOR.
A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa construtora.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE
SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.695
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; II) excluir do pólo passivo a empresa IDEAR COMERCIAL CONSTRUTORA E ASSESSORIA TÉCNICA LTDA, que somente foi cientificada do lançamento após o transcurso do prazo decadencial; III) pelo indeferimento do
pedido de diligência; e IV) no mérito, pelo desprovimento do recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência do lançamento para a prestadora e para a tomadora dos serviços
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2008 CONTRATAÇÃO DE EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APRESENTAÇÃO DE GUIAS E FOLHAS DE PAGAMENTO ESPECÍFICAS. Para elisão da responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, a contratante de obra de construção civil é obrigada a apresentar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas para o serviço contratado. DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO CONSTRUTOR. A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa construtora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2008 CONTRATAÇÃO DE EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APRESENTAÇÃO DE GUIAS E FOLHAS DE PAGAMENTO ESPECÍFICAS. Para elisão da responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, a contratante de obra de construção civil é obrigada a apresentar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas para o serviço contratado. DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO CONSTRUTOR. A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa construtora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; II) excluir do pólo passivo a empresa IDEAR COMERCIAL CONSTRUTORA E ASSESSORIA TÉCNICA LTDA, que somente foi cientificada do lançamento após o transcurso do prazo decadencial; III) pelo indeferimento do pedido de diligência; e IV) no mérito, pelo desprovimento do recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência do lançamento para a prestadora e para a tomadora dos serviços Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000935/200755 Acórdão n.º 240101.695 S2C4T1 Fl. 346 3 Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD n.º 35.463.9013, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, na qual são exigidas as contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de incapacidade laborativa (SAT) e a contribuição dos segurados. O crédito em questão reportase às competências de 10/1998 a 12/1998 e assume o montante, consolidado em 04/03/2002, de R$ 78.475,92 (setenta e oito mil, quatrocentos e setenta e cinco reais e noventa e dois centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da NFLD, fls. 29/32, a NFLD decorreu da responsabilidade solidária da notificada para com as contribuição não recolhidas pela empresa IDEAR COMERCIAL CONSTRUTORA E ASSESSORIA TÉCNICA LTDA, CNPJ: 57.450.454/000181, relativamente as remunerações pagas aos segurados envolvidos na execução da obra de construção civil prevista no contrato n. 315.2.056.981. Apenas a empresa tomadora apresentou impugnação, fls. 38/42. O órgão de julgamento do INSS, através da Decisão Notificação – DN n.º 17.401.4/700/2002, declarou procedente o lançamento. A notificada atacou a decisão, mediante a interposição de recurso voluntário, fls. 57/61, o qual foi aditado para a juntada dos documentos de fls. 68/102. Em razão do aproveitamento de guias de recolhimento acostadas com o aditamento ao recurso, a decisão de primeira instância foi reformada, declarandose a procedência parcial do lançamento, fls. 109/113, tendo o crédito sido reduzido para R$ 67.768,73 (sessenta e sete mil, setecentos e sessenta e oito reais e setenta e três centavos). O INSS apresentou contrarazões, fls. 116/118. A 2.ª Câmara de Julgamento – CaJ do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, decidiu, fls. 119/120, converter o julgamento em diligência para que se restituísse ao contribuinte o prazo recursal em razão da reforma da decisão do INSS. Cientificada da decisão do CRPS a empresa não se manifestou no prazo assinado. Os autos seguiram novamente para o órgão de segunda instância, que declarou a nulidade da decisão recorrida, fls. 126/129, em razão de não ter havido o chamamento ao processo da empresa prestadora. A Secretaria da Receita Previdenciária – SRP solicitou revisão de acórdão, fls. 130/133. A Petrobras se insurgiu contra o pedido de revisão, fls. 135/138. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 O pedido de revisão não foi conhecido, fls. 140/142, tendo o processo sido devolvido à fiscalização para diligenciar junto ao prestador de serviço, dandolhe ciência da notificação fiscal. Após o cumprimento da diligência ambas as empresa apresentaram defesa, fls. 180/181 e 192/197. A DRJ Rio de Janeiro I decidiu pela procedência do lançamento, fls. 310/325 em decisão que carregou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL O Art. 30, VI da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, bem como o Art. 43, §§ 1° e 2° do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer beneficio de ordem. Lançamento Procedente em Parte A empresa tomadora interpôs recurso voluntário, fls. 329/342, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a NFLD é nula por lhe faltarem os fundamentos fáticos e jurídicos que pudessem lhe dar sustentação; b) o Enunciado n. 30 do CRPS não pode ser aplicado retroativamente; c) é necessária a realização de diligência fiscal para análise minuciosa dos documentos acostados de forma que se dê cumprimento ao decisório do CRPS, anulandose a última decisão de primeira instância; d) nos termos da Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/CGARREC n° 06, de 02/12/02,bem como do Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000,devese diligenciar junto a todos os devedores solidários de modo a evitar a duplicidade de lançamentos; e) na espécie não houve cessão de mãodeobra, portanto inexiste a solidariedade; e) a apuração do saláriodecontribuição pelo valor das notas fiscais atropela a Constituição Federal, que não prevê a incidência de contribuições sobre essa base; Ao final pede a declaração de nulidade da NFLD ou a reapreciação dos documentos juntados, ou, ainda a realização de diligência junto ao prestador de serviços. Se Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000935/200755 Acórdão n.º 240101.695 S2C4T1 Fl. 347 5 não for esse o entendimento, requer no mérito o reconhecimento da improcedência do lançamento ou o oferecimento de novo prazo para juntada de outros documentos. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Embora não alegada, devo me pronunciar sobre a decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o Fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000935/200755 Acórdão n.º 240101.695 S2C4T1 Fl. 348 7 tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. Verifiquemos inicialmente a contagem do prazo decadencial para devedora direta, ou seja, a empresa IDEAR COMERCIAL CONSTRUTORA E ASSESSORIA TÉCNICA LTDA, a qual tomou ciência do lançamento em 29/05/2007, fl. 170. Considerandose que a NFLD em tela é referente ao período de 10/1998 a 12/1998, quando a empresa contratada foi cientificada do lançamento já havia transcorrido o prazo decadencial, independentemente da norma que se tome para a contagem desse lapso. Nesse sentido, entendo que as contribuições não poderiam ser mais exigidas dessa empresa, posto que o Fisco não a chamou a integrar o pólo passivo no momento oportuno, podendo a exigência, todavia, alcançar o devedor solidário, posto que esse foi cientificado do lançamento em 27/03/2002, quando ainda não havia transcorrido o prazo decadencial para quaisquer das competências. Passo agora aos argumentos do recurso. Vejamos a preliminar de nulidade do lançamento. Alegase que a fiscalização não trouxe ao processo as fundamentações fática e jurídica hábeis a dar validade à NFLD. O Fisco fundamentou sua pretensão na ocorrência de execução de contrato de obra de construção civil, sem que o tomador tivesse apresentado a documentação exigida pela legislação para afastar a responsabilidade solidária, quais sejam folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas relativas aos trabalhadores envolvidos na execução contratual. Para demonstrar sua assertiva mencionou o objeto do Contrato n. 315.2.056.981 que comprovaria a existência de ajuste para execução de obra. Foi exposta no Relatório Fiscal e também no anexo Fundamentos Legais do Débito a fundamentação legal – art. 30, VI, da Lei n. 8.212/1991 que trata da responsabilidade solidária aplicável às obras de construção civil. A Auditoria mencionou também que deixaram de ser apresentadas as folhas e pagamento e as guias de recolhimento específicas para as notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela executora do contrato, fato que impediu que se verificasse a regularidade dos recolhimentos relativos à mencionada obra. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Diante dessa constatação, não posso concordar com a alegação de ocorrência de omissão do Fisco na apresentação dos fatos e do direito que tivessem acarretado em prejuízo ao direito de defesa das empresas notificadas, pelo que afasto a preliminar de nulidade do lançamento. Passo agora a me deter sobre solidariedade do dono da obra pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes da execução contratual. Eis os ditames da Lei n. 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (...) Por sua vez, o Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social aprovado pelo Decreto n. 2.173/1997, estipulava a forma como a empresa contratante poderia afastar a responsabilidade solidária: Art. 43. (.) § 1° A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. A falta de apresentação pela tomadora das folhas de pagamento e das guias de recolhimento relacionadas às notas fiscais de prestação de serviço, documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, conforme exigência da legislação, fez nascer a responsabilidade solidária pelo adimplemento das contribuições previdenciárias decorrentes da execução contratual. Diante da clareza da legislação previdenciária, ao constatar que a empresa contratante não apresentou a documentação própria a afastar o laço da solidariedade, ao Fisco só restou a alternativa de efetuar o lançamento em nome das duas empresas envolvidas. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000935/200755 Acórdão n.º 240101.695 S2C4T1 Fl. 349 9 Nessa toada, não enxergo razão à recorrente quando afirma não estarem presentes na espécie os pressupostos normativos necessários à caracterização da responsabilidade solidária para com o cumprimento da obrigação de recolher os tributos em tela. A questão relativa à inexistência de cessão de mãodeobra não interfere no destino da lide, haja vista que o fundamento da solidariedade imputada à recorrente foi a contratação de obra de construção civil e não a prestação de serviço por cessão de mãode obra. A fixação da base de cálculo em 20% (vinte por cento) do valor das notas fiscais de prestação de serviço não representa qualquer alargamento das balizas constitucionais que norteiam a incidência das contribuições para financiamento da Seguridade Social. O que se observa na espécie é a fixação da base tributável por método indireto de aferição diante da recusa/omissão do sujeito passivo em exibir os elementos necessários à apuração das contribuições, in casu as folhas de pagamento específicas. Esse proceder é autorizado pelo § 3. do art. 33 da Lei n. 8.212/19911. Assim, também não há de ser acatada a tese de inconstitucionalidade na fixação da base de cálculo. Sobre o argumento de que a falta de fiscalização prévia no prestador de serviço invalidaria o lançamento, tenho a dizer que o entendimento reinante nesse colegiado é contrário ao mesmo. Percebese que nem sempre é possível essa verificação, até porque em muitos casos a empresa contratada nem mais existe. A prevalecer essa exigência, criarseia mais uma dificuldade para recuperação de contribuições em um seguimento em que, sabidamente, a evasão tributária era considerável. Sensível a essa problemática, esse tribunal administrativo sedimentou o entendimento de que é válido o lançamento por solidariedade com base na documentação apresentada pelo tomador do serviço realizado mediante cessão de mãodeobra, sem que seja necessária uma verificação prévia na empresa prestadora. Trago à colação ementa de recentes julgados que abonam a tese acima expressa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/01/1999 EMENTA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Recurso Voluntário Negado. 1 Art. 33. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (redação vigente na data da lavratura) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 (Recurso n.º 254368, Segundo Conselho de Contribuintes, 5.ª Câmara, Rel. Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Seção 03/12/2008, Negado Provimento por Maioria) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, entendeuse ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que defendem ser determinante à aplicação do instituto. LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO SOLIDARIEDADE CONSTRUÇÃO CIVIL ELISÃO NÃO OCORRÊNCIA O proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91, se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR DESNECESSIDADE Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviço INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Recurso n.º 255769, Segunda Seção do CARF, 4.ª Câmara, 1.ª Turma, Rel. Conselheiro Ana Maria Bandeira, Seção 08/05/2009, Provimento Parcial por Unanimidade) Há ainda um outro viés dessa discussão. Falo da alegada aplicação retroativa da legislação,no caso o Enunciado n. 30 do CRPS, visando a responsabilização do devedor solidário sem a necessidade de fiscalização prévia do devedor direto. Não vejo como acatar essa alegação, posto que o referido Enunciado não foi utilizado como fundamentação nem no relato do Fisco nem na decisão recorrida. De outro lado, verificase também que as guias de pagamento com vinculação inequívoca ao contrato sob investigação foram devidamente apropriadas conforme consta da decisão da DRJ, não havendo necessidade de outras dilações probatórias para o deslinde da contenda. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11330.000935/200755 Acórdão n.º 240101.695 S2C4T1 Fl. 350 11 Outra questão que merece relevo é que, ao contrário do que afirma a recorrente, o Acórdão do CRPS que anulou a primeira decisão de primeira instância não determinou a realização de diligência no prestador de serviços, mas apenas que esse fosse cientificado do lançamento. Nesse sentido, voto pelo conhecimento do recurso, por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, pelo indeferimento do pedido de diligência e desprovimento do recurso, com exclusão, todavia, da empresa IDEAR COMERCIAL CONSTRUTORA E ASSESSORIA TÉCNICA LTDA do pólo passivo da NFLD, que somente foi cientificada do lançamento após o transcurso do prazo decadencial. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 20/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10945.004613/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
A decadência dos tributos lançados por homologação operase
no prazo de
cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, independentemente de
antecipação de pagamento.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indeferese
o pedido de perícia cuja realização revelase
prescindível para o
deslinde da questão.
NULIDADE. PRESSUPOSTOS.
Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa
incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade
incompetente ou com preterição do direito de defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de
validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e
controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO.
LOCAL DE LAVRATURA.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a
infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Aplicação da
Súmula CARF nº 6.
PASEP. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo do PASEP é o valor mensal das receitas correntes
arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as
transferências efetuadas a outras entidades públicas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os débitos tributários não pagos no vencimento sofrem o acréscimo da
SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO.
INOPORTUNIDADE.
A compensação tributária tem procedimentos específicos, não cabendo seu
pedido em sede de impugnação de lançamento de ofício.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.027
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto do relator. Os conselheiros
Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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A decadência dos tributos lançados por homologação operase no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, independentemente de antecipação de pagamento. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 6. PASEP. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PASEP é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos tributários não pagos no vencimento sofrem o acréscimo da SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. INOPORTUNIDADE. A compensação tributária tem procedimentos específicos, não cabendo seu pedido em sede de impugnação de lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALAN FIALHO GANDRA Relator. EDITADO EM: 09/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antônio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário contra acórdão da DRJ/Curitiba PR que, relativamente a auto de infração de PASEP dos períodos 01/01/1997 a 31/12/2005, considerou procedente em parte o lançamento, em acórdão assim ementado: “NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 330201.027 S3C3T2 Fl. 2 3 interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. OBEDIÊNCIA. Considerase perfeito, do ponto de vista formal e material, o auto de infração que obedeceu aos requisitos previstos em lei para a sua elaboração. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. O auto de infração deve ser lavrado no local da verificação da falta e não, necessariamente, no estabelecimento do autuado. Período Apuração: 01/01/1997 a 30/11/2001 PASEP. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante nº 8, editada pelo STF, e havendo pagamento/recolhimento antecipado de contribuições ao Pasep em nome da interessada, para o lançamento de ofício deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência, estabelecido no art. 150 do Código Tributário Nacional, sendo que na inexistência do pagamento/recolhimento antecipado, a regra decadencial a ser observada é a do art. 173, I do mesmo código. Período apuração: 01/12/2001 a 30/12/2005 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOPORTUNIDADE. Em sede de impugnação de lançamento de ofício, o pedido de compensação de indébitos não cabe ser discutido, porquanto, além de não expressar contestação, denota a anuência com o crédito tributário constituído e a simples oferta de meios para sua satisfação. PASEP. ART. 8° DA LC 07/1970. NÃORECEPÇÃO PELA CF/1988. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. RECUSA CND. BLOQUEIO COTAS FPM. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Tratandose de exigência de crédito tributário, cobramse juros de mora nos termos da legislação específica. Período apuração: 01/12/2001 a 30/06/2004 MULTA DE OFÍCIO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. MOMENTO DE APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO DA COSIT E DA PGFN. Descabe a aplicação de multa de ofício, em razão do posicionamento da Cosit e da PGFN, de que o entendimento firmado no Parecer AGU n.° AC 16/2004 aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos a partir da data de publicação do referido parecer, que se deu em 15/07/2004. Lançamento Procedente em Parte”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos, interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos, que podem ser assim sintetizados: i) Nulidade do MPF por falta de prorrogação; ii) O auto de infração não foi lavrado no estabelecimento da autuada, violando o princípio da legalidade e o art. 10 do Decreto n°. 70.235/72; iii) Decadência dos fatos geradores até o período de novembro/2005; iv) Necessidade de perícia contábil para levantar o quanto devido; v) Imprecisão do auto de infração vez que não demonstra e não comprova de onde foram tirados os valores ali descritos, não descreve a base de cálculo, não esclarece se nas receitas correntes e transferências correntes recebidas estão incluídos os repasses do FPM, e não há indicação discriminada de cada valor. Dessa forma ficou prejudicada a sua defesa; vi) O lançamento foi indevidamente majorado em decorrência da inclusão de receitas que não entram no cálculo do PASEP. Adiciona que foram computados os convênios, financiamentos, etc, que não deveriam ser incluídos nas receitas correntes, uma vez que o PASEP recai apenas sobre as receitas próprias; vii) Os valores do FPM seriam de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, mesmo assim, consta os valores dos repasses, conforme observase no Demonstrativo de Base de Cálculo do PASEP, sendo a cobrança em duplicidade, uma vez que temse a retenção automática pelo Banco do Brasil, quando do repasse das Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 330201.027 S3C3T2 Fl. 3 5 cotas do FPM por determinação da Secretaria do Tesouro Nacional. Estes valores deverão ser excluídos; viii) Os juros moratórios na forma que foram lançados estão desprovidos de qualquer amparo legal. A Lei 4.414/64, que regula o pagamento de juros moratórios pela União, pelos Estados, Distrito Federal, Municípios e Autarquias, por este responderão na forma do Direito Civil, em 6% (seis por cento) ao ano, conforme artigo 1.602 do Código Civil de 1916; ix) Os créditos decorrentes dos decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88 devem ser compensados; x) A Lei Complementar n°. 08/70, que instituiu o PASEP, previu a necessidade dos Estados e Municípios, aderirem voluntariamente ao PASEP, porque havia dispositivo na Constituição anterior análogo ao art. 149 da atual, estabelecendo que Estados e Municípios podem instituir contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio de sistema de previdência e assistência social em proveito destes. Assim, podendo o Estado/Município criar sistema próprio de previdência e assistência, pode, também, destinar recursos públicos para esta finalidade, aderindo voluntariamente a um programa, por meio de Lei própria, que autoriza o gasto, dandolhe a destinação específica; xi) Inaplicabilidade da multa de ofício por falta de previsão legal. Além dos argumentos acima, a Recorrente adiciona: i) Que ocorreu erro material quanto ao reconhecimento da decadência, visto que inicialmente o acórdão da DRJ a reconheceu até dezembro/2001, e nas conclusões consta, erroneamente, até dezembro/2000. Pede o reconhecimento da decadência até o período de dezembro/2001; ii) Ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, decorrente do indeferimento do pedido de perícia contábil. Persiste com o pedido de perícia. O processo foi distribuído a este relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles devendose tomar conhecimento. Diligência Concernente a diligência, a Recorrente afirma que “o pedido de perícia contábil foi negado, o que ofende os princípios do contraditório e da ampla defesa, já que há reconhecidamente discordância quanto aos valores exigidos”, bem como, persiste com o pedido de perícia. Conforme se colhe do acórdão recorrido, as razões para o indeferimento da diligência foram as seguintes: “Conforme se extraí da leitura desses quesitos, são perguntas que prescindem da intervenção de perito para a sua solução, posto que encontram resposta nas peças que constam dos autos, bem como da simples leitura da legislação pertinente. Na verdade, todas essas questões já foram respondidas ao longo do presente voto, pelo que tal pedido tornase completamente desnecessário para o presente julgamento. À vista do exposto, dada a sua prescindibilidade para a solução da lide, devese, em face do que dispõe o art. 18, caput, in fine, e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, indeferir o pedido de perícia”. A propósito, vejamos o que diz os dispositivos citados nas razões acima: Decreto nº 70.235/72 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) Da leitura dos dispositivos retro transcritos, defluise que a perícia não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado. Tratase de prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico, sendo uma faculdade do julgador, se justificadamente entendêla prescindível, não acolher o pedido. Nesse sentido temos diversos julgados, vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS CAPITULAÇÃO DO LANÇAMENTO Porque o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadorajulgadora, nos termos da processualístíca fiscal, o seu indeferimento não Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 330201.027 S3C3T2 Fl. 4 7 implica em nulidade da decisão, sobretudo quando os autos estão a demonstrar a sua prescíndíbílídade. (1.° Conselho de Contribuintes/ Acórdão n.° 1071.975, publicado no DOU de 07/01/1997). DILIGÊNCIA LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR O simples fato de ter o contribuinte, com alegações de mérito estranhas ao lançamento, solicitado o cancelamento do auto não é suficiente para que se promova diligência. A diligência pode ser promovida para o melhor convencimento do julgador, se remanescer dúvida diante dos fatos presentes nos autos. (1º Conselho de Contribuintes / 8a.Câmara / ACÓRDÃO n.° 108 06.561 de 19/06/2001, publicado no D.O.U de 28/08/001) DILIGÊNCIA O recebimento do pedido de diligência para ser acatado, requer a exposição dos motivos em que se fundamenta demonstre sua absoluta necessidade, visando fornecer ao julgador informações que não possam ser obtidas nos autos do processo fiscal. Preliminares rejeitadas. Recurso a que se nega provimento. (2.° Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO n.° 20306834 de 17/10/2000, publicado no DOU de 24/01/2001. Portanto não houve ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa. Em relação ao pedido de perícia formulado em sede de recurso, entendo, pelas mesmas razões acima, ser prescindível. Decadência Concernente a decadência, a Recorrente: i) Afirma que a decisão de primeiro grau cometeu erro material quanto ao reconhecimento da decadência, visto que inicialmente a declarou até dezembro/2001 e fez constar na conclusão, erroneamente, até dezembro/2000; ii) Requer o reconhecimento da decadência até o período de dezembro/2001. No tocante ao alegado erro material, a introdução e a parte dispositiva do acórdão (cujas redações são idênticas) têm o seguinte teor: “(c) acolher em parte a prejudicial de decadência, para julgar improcedente o lançamento relativo aos períodos de apuração entre janeiro/1997 e novembro/2000, exonerando o valor de R$ 323.881,57 de contribuição para o Pasep, R$ 242.910,99 a título de multa de oficio de 75%, além dos respectivos encargos legais”. As razões do voto estão assim redigidas: “Afastada, portanto, a aplicação do artigo 45 da Lei 8.212/91 e tratandose de contribuição sujeita à sistemática do lançamento por homologação, caso acho pagamento/recolhimento antecipado da contribuição, aplicase a regra decadencial do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, que determina Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 que após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Caso contrário, a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN. No caso, conforme o "Relatório de Acompanhamento da contribuição para o Pasep" de fls. 48/51, e "Relatório de diferenças a lançar da contribuição para o Pasep" de fls. 52/55, houve retenção na fonte e/ou pagamento da referida contribuição somente até o período de apuração outubro/1999. Assim, considerandose que a ciência ao Auto de Infração deuse em 04/12/2006 (fl. 96) encontravase decaído o direito à constituição dos créditos referentes aos períodos de apuração janeiro/1997 a novembro/2000, devendose anular, por conseguinte, os lançamentos de PASEP correspondentes, no montante de R$ 323.881,57, além dos respectivos consectários legais. Por sua vez, para os períodos de apuração a partir de dezembro/2000 (cujo vencimento ocorreu em 15/01/2001, data a partir da qual passou a exigível), por inexistir pagamento antecipado (ou mesmo retenção na fonte), e aplicandose a regra de decadência do art. 173, I do CTN, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01/01/2002 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído), indo vencerse, somente, em 01/01/2007, pelo que não cabe falar em decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento. Dos trechos acima reproduzidos verificase que nenhum erro material foi cometido, ambos excertos registram que a decadência foi reconhecida até novembro/2000. Quanto ao pedido de reconhecimento da decadência até o período de dezembro/2001, destacase, para o deslinde da questão, os seguintes dados: i) A decisão de primeiro grau reconheceu a decadência até o período de novembro/2000, recorrendo de ofício da mesma; ii) O auto de infração lavrado referese a contribuição PASEP, tributo do tipo por homologação. Houve recolhimento até o período de outubro/1999, e não houve recolhimento no período de novembro/1999 a dezembro/2001; iii) A ciência do auto de infração ocorreu em 04/12/2006; Destarte, entendo, com fulcro no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, que se verificou a homologação tácita face o transcurso do qüinqüênio, a contar da ocorrência do fato gerador, independentemente de ter havido pagamento ou não, restando decaído o direito da fazenda pública efetuar o lançamento das diferenças do PASEP referente aos períodos até novembro/2001 (inclusive). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10945.004613/200611 Acórdão n.º 330201.027 S3C3T2 Fl. 5 9 Nulidade do MPF; Auto de infração lavrado fora do estabelecimento da autuada; Apuração do PASEP; Ilegalidade da cobrança da SELIC; Pedido de compensação; Adesão ao PASEP; Ilegalidade da multa de ofício e Demais argumentos Quanto as matérias em epígrafe, as quais estão sintetizadas na presente ementa, ratifico e adoto as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância, com supedâneo no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784/99, eis que pertinentes e bem fundamentados. Conclusão Isto posto, voto por: i) negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do COFINS relativo aos períodos até novembro/2001 (inclusive); ii) negar o pedido de perícia. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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