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Numero do processo: 12719.000187/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-02.047
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência A Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOÃO LUIZ FREGONAZZI
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DRJ/FLORIANOPOLIS/SC Processo n" Recurso n" Assunto Resolução n" Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência A Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. I I „mar q,A SUSy./G11 ES '11FFMANN Preidente em Exercício c JOAOLU Z FRE v ON ZZI Relator V Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro e José Fernandes do Nascimento (Suplente). Processo n.° 12719.000187/2006-38 Resol uçflo n.° 301-2.047 CC03/C0 I Fls. 1.827 RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora primeira instância, abaixo transcrito. "Coloca-se à apreciação litígio instaurado contra a exigência de direitos antidumping, acrescidos de juros morató rios e multa de oficio, previstos respectivwnente nos artigos 61, § 3", e 44, inciso II, da Lei 11" 9.430, de 1996. Referidos direitos incidiram sobre importações registradas no período compreendido entre 09/03/2001 e 02/05/2003, conforme as Declarações de Importação indicadas na peça acusatória, de cujo teor se fez constar a mercadoria descrita como sendo cogumelos, ora como matéria-prima destinada à industrialização ou à reindustrialização, ora se/li indicação dessa finalidade; ora acondicionados em latas coin capacidade para 9 kg, ora em tambores. Assim, parcamente descritos, os ditos cogumelos foram classificados no código NCM 2005.90.00 e declarados C. 01110 sendo originários do Vietnã. A exigência de que se trata decorreu de procedimentos fiscais dos quais se concluiu que a mercadoria importada fora enquadrada em erróneo código tarifário, pois que, em se tratando de cogumelos, jamais poderia, parte da mercadoria, estar compreendida 11C1 pOSi00 NCill 2005 indicada pelo importador e que, em quaisquer clos códigos tarifários em que poderia estar compreendida, sua importação implicava a incidência dos direitos antidumping, NO vista tratar-se de produto originário da República Popular da China — RPC. Nos termos da Portaria 11/11CT/MF n" 20/1998 e Resolução annex 06/2002 (sic), foram estabelecidos direitos antidumping para as importações de mercadorias originárias da RPC, classificadas nos códigos NCM: 0711.51.00, 0711.59.00, 0711.90.00, 2003.10.00 e 2003.90.00. Relativamente à origem da mercadoria, /ator essencial à exigibilidade dos direitos de que se trata, procedimentos adotados pela fiscalização aclucineira, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, lograram, a teor dos documentos insertos nos autos, comprovar a inidolieidade dos certificados de origem que instruimm o despacho c/c importa cão. Ainda com relação a essa origem, militam em favor da autuação fitos desvendados mediante diligências realizadas junto ao transportadoi- das mercadorias, cujo primeiro embarque teria sido efetuado no porto de Xicunen-RPC, não obstante os conhecimentos de transporte indicarem, a pedido do importador, embctrques em diferentes portos localizados .fora cla República Popular da China, onde cis cargas foram transbordadas. Os documentos de fls. 960 a 1.016 comprovam a colusão havida entre o transportador e o importador, coin vistas a oinissiio do verdadeiro local de embarque das mercadorias e, portanto, de sua verdadeira origem. Informa a peça acusatória que cis operações de comércio exterior em cctusa contaram Coln a participação da joint venture Zhangz.hott Chun 2 Processo n.° 12719.000187/2006-38 Resolução n.° 301-2.047 Fii Foodstuffs Facia)), posteriormente denominada Zhcmgzhou Dananmei Foods Co. Ltd. Essas empresas foram constituídas pelos sócios da CFA Importação e Exportação Lida que, por sua ye:, figura como importadora das mercadorias sobre cujo ingresso no território nacional incidiram Os direitos antidumping reportados na autuação. A sujeição passiva do presente lançamento alcançou a empresa C.F.A. Importação e Exportação Lida, em cujo nome foram registradas as Declarações de Importação revisadas. Alcançou, também, seus sócios Senhores Wang Ting Fu e Chang Te An, além das empresas Comércio Atacadista e Varejista de Alimentos Ltda e Ting Indústria e C0111C;rdo Ltda, destinatárias das mercadorias importadas, cujos quadros societários demonstram t sua interliga cão com ci importadora. As importações realizadas eram todas cio interesse das empresas industriais de propriedade do Sr. Wang Ting Fu e família. Cientificados os autuados dos Iançamentos, .forain apresentadas tempestivas impugnações que serão, daqui por diante, objeto deste relatório. Nomeados responsáveis solidários por conta de suas participações societárias na empresa C.F.A. Importação e Exportação Lida, o Sr. Chang Te An absteve-se da apresentação de impugnação isolada, vindo a se manifestar contra sua sujeição passiva juntamente com as razões de impugnação interpostas em nome da empresa C.F.A., e o Sr. Wang Ting Fu impugnou o lançamento em face de alegada ilegitimidade de parte passiva, decorrente de sua condição de sócio capitalista que o manteve afastado chis funções gerenciais da empresa, exercidas exclusivamente pelo sócio Sr. Chang Te An, de aria ímproba atuação resultou a paralisação das caividades empresctriais inerentes ao objeto da sociedade. Para sustentar essa alegação busca respaldo em suas próprias Declarações do Imposto de Renda que acusam mm'imentação de recursos oriundos tão-somente da atividade rural que empreende como pessoa física. No que respeitct à matéria c/c mérito, afirma que não procedem as acusações constantes do auto de infração; que não procede a reclassificação tarifária promovida a despeito da inexistência de laudo identificador da mercadoria; que enz face do.s direitos antic/limping chucks a empresa C.P.A., hoje inativa, buscou novos merecidos e passou a importar cogumelos do Vietnã, que impugna os documentos acostados aos autos pela .fiscalização, por não respeitarem esses a legislação; que são indevidas as exigências da multa de oficio e dos juros moratórios. Depois c/c reiterar a alegação de que o lançamento impugnado está calcado em provas obtidas sem observancia dos requisitos legais e não respeitou a natureza jurídica dos direitos antidumping, requer a reunião deste Coln o processo n" 12719.001474/2005-84, por refixirem- se ambos' aos mesmos fatos e direito. Igualmente nomeada responsável solidária, a empresa Ting Indústria e Comércio Lida, constituída em 2001, também impugnou o lançamento solicitando, de inicio, a reunião deste com o processo n" CC03/C01 Fls. 1.828 3 Processo n.° 12719.000187/2006-38 Resolução n.° 301-2.047 12719.001474/2005-84, por referirem-se ambos ans. mesmos fatos e direito. Preliminarmente, aponta a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir parte do crédito inscrito no lançamento em questão que, tendo por objeto importações registradas no período compreendido entre os dias 05/01/2000 e 11/12/2000, somente foi cientificado impugnante enz 24/12/2005, depois, portanto, de transcorrido o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador da obrigação enz causa. Relativamente ao crédito remanescente cuja obrigação nasceu de fatos geradores ocorridos em 02/01/2001 e 06/02/2001, diz tratarem-se esses de linos estranhos à impugnante tanto quanto os ocorridos anteriormente, objetos da apontada decadência, unia vez que não tem vinculo jurídico com a importadora; que não é sucessora c/a empresa ka, conforme consta da peça acusatória; que o fato de serem seus sócios filhos de anteriores sócios da empresa Iza não justilica sua responsabilização por conduta alheia; que são legais as atividades desenvolvidas tanto por uma quanto por outra dessas empresas; que essas enqn-esas não .foram fiscalizadas, apenas estão respondendo solidariamente por importações realizadas por terceiro e que, não fbsse o caráter coercitivo, publicitário, policialesco e inquisitório da abordagem .fiscal não teriam sido prestadas as declarações tomadas a termo, em manuscrito, pelos mammies, que sequer levaram em conta as dificuldades lingiiisticas dos inquiridos. Informa que a empresa Iza abandonou suas atividades relativas ao comércio de alimentos, passando a atuar unicamente como locadora das instalações fisicas da enzpresa Ting. No tocante á questão dct sujeição passiva, reporta-se ás normas gerais do direito Tributário para expor o entendimento de que o interesse comum mencionado nessas normas não é o interesse de lino, porém o interesse jurídico que não admite presunções a respeito, pois falta ao legislador ordinário ou à administração.fazendária competência legal pcint fazer recair sobre terceiros a responsabilidade tributária Nesse diapasão, argumenta que a empresa Ting, constituída no final do ano de 2001, tendo iniciado suas atividades somente ein meados de 2002, não poderia estar vinculada a operações realizadas previamente á sua existência. Reporta-se, ainda, ao caráter não tributário do direito antidumping, para fins c/c) afastamento das penalidades aplicadas e da defesa do princípio da CM terioridade no que diz respeito à aliquota correspondente. Por linz, defende o princípio cia livre C011C017%.3.11CiC1 e a irrevisibilidade de Declarações de Importação depois cio desembaraço das mercadorias despachadas, além de protestar pela legalidade do transbordo c/c mercadorias e contra a cobrança de juros moratórios coin base na taxa selic. A empresa Izci Comércio Atacadista e Varejista c/c alimentos Ltda, em impugnação tempestiva, reprisa os mesmos argumentos eApenclidos pela empresa Ting. CC03/C01 Fls. 1.829 4 Processo n.° 12719.000 I 87/2006-38 Resolu0o 0. 0 301-2.047 Na qualidade de contribttinte, comparece aos autos a empresa C.F.A. Importação e Exportação Lida, para apresentar suas razões de impugna cão, as quais inicialmente reportam-se à eleição, COMO responsável tributário, do sócio proprietário c/a empresa, Sr. Chang Te Na, cuja sujeição passiva entende estar eivada de impropriedades, haja vista a própria legislação de regência. Nesse aspecto, lembra que a responsabilidade dos sócios á limitada e que apenas nas hipóteses que ctutorizem a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade podem ser atingidos os bens pessoais dos sócios. Sendo tributária a natureza da exigência, devem ser observadas as disposições contidas no art. 135 do Código Tributário Nacional. Os argumentos eApencliclos em nome do importador confirmam a tese da fiscalização, de que a empresa Iza fora sucedida pela empresa Ting que, por sua vez, também sucedeu, de .fato, a própria C.F.A. que, em face das dificuldades financeiras advindas da atuação lesiva da empresa Ting, viu-se impedida do exercício de suas atividades. Assim, esclarece, a empresa C.F.A. não encerrou suas caividades, apenas se encontra paralisada, pois como importava coin exclusividade para a empresa Iza, posteriormente denominada Ting, não mais teve condição de continua,- importando, seja porque não dispõe de capital, seja porque não tent acesso aos fornecedores, cuja carteira ficou sob o domínio da empresa Ting. Ainda em preliminar, aponta para a decadência do crédito tributário ora litigado, segundo os mesmos argumentos aquijá narrados. Depois de protestar contra o lançamento da multa capitulada no art. 83 da Lei n" 4.502/1964, objeto de outro processo, passa à impugnação da matéria de mérito sobre a qual repousa o lançamento CM apreço, qual seja a exigência dos direitos antidumping. A esse respeito, alega que carecem os autos de provas da acusada origem chinesa da mercadoria importada, ou seja, mesmo se desconstituídos os cerfificculos de on gent entitidos pelo Vietncl, nenhum elemento do processo garante sua origem chinesa, nem mesmo provas do envio de muimiic rá à Repáblica Popular da China, mediante o .fechamento de cámbio. Aincla com relação às provas processuais da origem da mercadoria, alega que as declarações do transportador apenas dão conta do recebimento de containeres já estolados, fato que não respalda a presunção de que as mercadorias exam originárias da china. Alega, também, que as mensagens eletrônicas de que se constitui parte da.s provas processuais sequer revelam o Internet Protocol de seus signatários e que a falta de identificação segura da sua procedência é motivo mais que suficiente para ci invalidação da prova, que sequer percorreu mios caminhos burocráticos necessários à sua validade, tal como slut obtenção por intermédio cio Ministério das Relações Exteriores. Como apresentadas, cis mensagens eletrônicas pock'', ter sido 01?! elo de modificação de seu teor, são meras Iblhas impressas que não obedecem aos rigores cla legalidade. Em .face dessas circunstâncias, afirma a impugnante que o lançamento representa mero exercício cie ficção, haja vista não haver qualquet- comprovação de que o produto importado et-a originário da China, CC03/C01 Fls. 1.830 5 Processo n." 12719.000187/2006-38 Resolucilo o.' 301-2.047 CC03/C0 I Fls. 1.831 haja vista as próprias declarações do transportador, cuja validade é questionável diante de sua estranheza na relação processual em trato. Reportando-se á legislação de regência, alega que o antidumping não pode ser aplicado retroativamente, ou seja, sua aplicação alcança somente os bens despachados depois da publicação do ato que o tiver instituído. Alega também que as disposições contidas na Medida Provisória n" 135, de 30 de outubro de 2003, não se aplicam a fatos geradores anteriores a essa data. Com base nesses argumentos, aos quais se somam transcrições de decisões judiciais, defende, além da improcedência do lançamento, a exclusão dos sócios da condição de responsáveis solidários." A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, não acolhendo as razões da impugnante, por considerar que restou provada que a mercadoria é originária de regido sujeita a direito antidumping. Inconformados, os responsáveis solidários interpuseram recurso voluntário, onde reiteram argumentos já expendidos por ocasião da apresentação da impugnação. o relatório. • 6 P rocesso ri.° 12719.000187/2006-38 Resolucilo n.° 301-2.047 CC03/C01 Fls. 1.832 VOTO Conselheiro João Luiz Fregonazzi, Relator A CFA Importação e Exportação Ltda, contribuinte e sujeito passivo da obrigação principal, segundo consta As fls. 1823, foi cientificada do Acórdão n.° 8.912 da 1." Turma da DRJ/FNS, por edital, conforme documento de fls. 1821/1822. Consta do Edital de Intimação 11." 21/07 que a contribuinte também foi cientificada dos Acórdãos 8.914 e 8.915, sendo que nenhum deles foi proferido nos autos do presente processo. Continuando, consta dos autos que a sócia da autuada, Luciana Chang Machado, CPF n." 780.806.309-68, foi cientificada do acórdão proferido pela autoridade julgadora As fls. 1747 e seguintes do presente processo por correio, conforme documento de fls. 1.780. In casu, a 1." Turma da DRJ/FNS, autoridade julgadora de primeira instância competente, proferiu nos autos deste processo o Acórdão n." 8.913, de 24 de novembro de 2006, conforme documento de fis. 1747 e seguintes, proferido nos autos do processo n." 12719.000187/2006-38. Resta claro que não se cuida aqui dos Acórdãos 11." 8.912, 8.914 ou 8.915, da 1." Turma da DRJ/FNS, conforme documento de fls. 1821/1822, dos quais a autuada teve ciência por edital conforme consta dos autos. Assim, julgo necessário converter o julgamento em diligência A unidade de origem, para que informe se a contribuinte autuada na condição de sujeito passivo foi cientificada do Acórdão n." 8.913, de 24 de novembro de 2006, autuado às fls. 1747 e seguintes, juntando-se cópia do instrumento utilizado. Não tendo sido cienti ficada por quaisquer dos meios previstos no artigo 23 do Decreto n." 70.235/72, deve ser reaberto tão somente à contribuinte em epígrafe, CFA Importação e Exportação Ltda, o prazo para apresentação do recurso voluntário. como voto. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2008 JOAO lal\I—Z 7Pfi 7 —EGONAZ I - Relator / 7
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Numero do processo: 10831.012173/2001-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.971
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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DRJ/FORTALEZA/CE Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência a Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. 4In■ OTACiLIO DA S CARTAXO Presidente LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffmann. 2 Processo n.° 10831.012173/2401-31 Resoluyilo n.° 301-1.971 CC03/C0 I Fls. 472 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de Primeira Instância que considerou o Lançamento efetuado totalmente procedente em face do não recolhimento de Imposto de Importação, por entender o Fisco ter havido o descumprimento de condições necessárias A benesse da suspensão de impostos no regime do Drawback Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório de Primeira Instância proferido na ocasião do Julgamento da Impugnação protocolada pela contribuinte: "A contenda refere-se ez exigência de crédito tributário no valor total de R$ 9.862,69, decorrente de procedimento fiscal levado a efeito pela Alfcindega do Aeroporto Internacional de Viracopos, que culminou com lavratura dos Autos de Infração de fls.1 76/1 79 - Imposto de Importação (R$ 7.249,08) e ,fls.180/183 - Imposto sobre Produtos Industrializados (R$ 2.613,61), datados de 07/12/2001, inclusos os respectivos acréscimos legais, e cujas ciências pela autuada ocorreram em 13/12/2001. Conforme constatado, o lançamento originou-se da conclusão da fiscalização de que foram inaclimplidos os compromissos assumidos pela autuada no Ato Concessério de Drawback de V 1227-95/010-8 e aditivos (lis. 378/380,). .fiscalização pautou a sua conclusão ao detectar a ocorrência dos seguintes fatos: Os Registros de Exportação apresentados para comprovar o Ato Concessório, confOrme Anexos n° 3001, 3002 e 3003 do Relatório de Comprovação de Drawback, não estão vinculados à exportação Drawback-Suspensão. - Foram enquadrados como Exportação Normal (80000); - Não têm o n." do Ato Concessório informado no campo "2f"; - Nos Registros de Exportação, os quais o enquadramento da operação consta como Drawback Suspensão (81101.), a vinculação com o presente Ato Concessório deveria ocorrer no campo "2f" ou no campo "24". No entanto, nada foi informado no campo "21" e no campo "24" foi informado o n" de outro Ato Concessário (122 7-95/021-3). Inconformado com o lançamento, a autuada apresentou sua impugnação (comum aos autos de infração) em 14/01/2002, conforme documentação de fis.188/199, onde, após transcrever parte do Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos (fis.188/190), desenvolveu sua defesa, confOrme a seguir, sinteticamente, exponho: Preliminarmente Ocorreu a decadência em relação ao lançamento do imposto, observando-se a regra do artigo 150, § 4' do CTN. De modo a consubstanciar sua alegação, a impugnante transcreve acórdão de decisão proferida pela 2" Câmara do 3" Conselho de Contribuintes; Processo n.° 10831.012173/2001-31 Resol Lick n.° 301-1.971 Mérito Tomando por base parte do texto da "Introdução" contida no referido Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, a impugnante argumenta que a SECEX, através das Agências do Banco do Brasil, é o Órgão responsável pela concessão e análise da comprovação do Regime Drawback. Assim, ao apresentar o Relatório de comprovação perante o Banco do Brasil a defendente cumpriu com os compromissos assumidos; A ausência do n" do Ato Concessário no RE e a falta do código da opera cão (código 81101) não podem ser .fatores determinantes para a desconsideração do mesmo, a comprovação física da exportação pode se dar através dos dados constantes nas RE's, tais como "data de embarque, peso, valor, mercadoria", a vincula gelo não dispensaria todos esses dodos que são de sumo importância para a real comprovação "comprovação fisica", fator determinante para o preenchimento das condições pré-estabelecidas do ato "quantidades e valores", sendo que em nenhum momento foi analisado pela D. Fiscalização, atendo-se a mesma somente a um erro formal; Em nenhum momento a D. Fiscalização levou ern consideração o RESULTADO CAMBIAL DA OPERA cio, o que é pré -requisito para a comprovação do Regime Drawback na Modalidade Suspensão, conforme previsão legal do Comunicado n" 21 de 11,06.1997. Muito embora tenha a D.Fiscalização entendido que a Defendente, incorreu ern descumprimento dos termos do Drawback quando da comprovação das exportações dos produtos objeto do Ato Concessário ora discutido, entende a Defendente ter preenchido a condição essencial do mesmo, em relação ao resultado cambial. Observando-se o contexto das exportações, objeto das comprovações do Ato ora discutido, mesmo que excluindo os valores da RE's em duplicidade, encontramos o valor relevante mencionado acima como valor total das exportações, niuito benéfico a Balança Comercial Brasileira, motivo pelo qual e com fulcro no próprio Comunicado n'21, merece ser analisado com a conseqüente descaracterização da glosa pretendida Outro ponto de suma importância excluído da análise realizada pela D. Fiscalização para emissão e sua conclusão final, fundamentando que a Defendente não cumpriu o Ato Concessário em relação a quantidade e valor nele .fixado, é a quebra de 5% (cinco por cento) decorrentes do processo produtivo em que passa a matéria prima importada. Para consubstanciar sua alegação o impugnante transcreve texto do Acórdão 303-25.807 do Conselho de Contribuintes (f1.188), onde é dito que "A quebra do processo produtivo de matéria-prima importada sob o regime drawback suspensão é de 5% (cinco por cento) consoante determina a legislação de regdncia"; Recorrendo aos artigos 87 e 90 do Código Civil, a iinpugnante defende que o erro formal encontrado nas RE's não pode viciar o ato jurídico realizado, já que há meios para sonar mencionado vicio, através dos dodos das RE's que as vinculam ao Ato Concessório respectivo, possibilitando a comprovação da exportação do material importado coin base no Regime de Drawback, não houve erro substancial capaz de caracterizar a não exportação, admitindo assim prova em contrário CC03/C0 I Fls. 473 3 Processo n.° 10831.0 I 2173/2001-31 Rcsol uçâo n.° 301-1.971 capaz de demonstrar através dos dados constantes nas (sic) RE's que houve o adimplemento das obriga cães da Defendente; O erro de forma admite prova ern contrario e, através da juntada das (sic) RE's em anexo (doc.01 ao 79) onde se pode confirmar o peso, a quantidade e o valor mercadoria exportada, informado no Relatório de Comprovação de "DRAWBACK", desincumbindo a Dqfendente do ônus comprobatório da exportação, já que ficou claramente demonstrado o total adirnplemento do Ato Concessório; Cabe ressaltar, que antes da implantação do Siscornex, o Banco do Brasil ao receber as documentações do "Relatório de Comprovação de Drawback "conferia as mesmas, e havendo pendências infbrmava o Contribuinte Beneficiário do regime, para que o mesmo pudesse sanar tais pendências. Verifica-se ainda, que com a implantação do Siscomex, os dados das (sic) RE's foram transportados para o sistema, através do órgão responsável para tanto, não sendo a Defendente em nenhum momento sido notificada em relação aos pontos ora indagados; Com o preenchimento desses requisitos a Defendente poderia tão somente ser penalizada por um descumprimento de Ordem Pública, e nunca ter os seus atos invalidados. Podemos, para tanto utilizar um raciocino análogo que é aplicado pela Receita Federal no caso da necessidade de reprocessarnento da DIRF, onde a penalidade para tanto é o pagamento de uma taxa para que se possa reprocessar a mesma em relação aos dados tido coma errôneos; O Comunicado n" 21, de 11 de julho de 1997, publicado no DOU em 23.07.97 "CONSOLIDAÇA -0 DAS NORMAS DO REGIME DRAWBACK", prevê no Titulo 21 "DOCUMENTOS COMPROBATORIOS": 21.1 - Os documentos que comprova, as operações de importação e exportação vinculados ao Regime Drawback, são os seguintes: 1-Declaração de Importação (DI); Registro de Exportação (RE) averbado; Assim, as RE's que foram devidamente averbadas são documentos hábeis a comprovação do Drawback; Requer que o presente Auto de Infração (sic) seja convertida em diligência e que seja aberto prazo para a correta vincula ção das RE's, sanado-se o vicio encontrado, através do acesso permitido ao Sistema SISCOMEX; (negritei) Em relação aos anexos das RE's que foram vinculadas erroneamente no Ato Concessório n" 1227-95/021-3 esclareça-se que houve um erro no momento de se vincular as RE's no SISCOMEX em detrimento do auto ora discutido; E ainda, verifica-se no item 12, do Resultado da Verificação do Ato Concessó rio, que a D. Fiscalização efetuou a GLOSA TOTAL das exportações informadas nos Anexos do Relatório de Comprovação, CCONC01 Fls. 474 4 Processo n." 10831.012173/2001-31 Resoluc5o n.° 301-1.971 CC03/C01 Fls. 475 exigindo a totalidade dos tributos suspensos, com exceção dos tributos relativo ao material nacionalizado, o que fere prontamente o Titulo 27 da Legislação acima identificada. Ao final, a irnpugnante solicita que sejam constatados os fatos narrados, e após o exame da espécie, julgá-la INSUBSISTENTE, arquivando o processo como medida da mais lídima e cristalina JUSTIÇA. Diante da impugnação apresentada, e após ajuntada da documentação pertinente (fls.188/401) o processo foi encaminhado em 17/01/2002 ei DRJ/SPO II/SP, unidade originalmente competente para julgar a lide. Por força da Portaria SRF n" 956, de 08/04/2005, D.O.0 de 12/04/2005, que transferiu a competência cle julgamento, o processo foi encaminhado a esta DRJ/Fortaleza." Diante da Impugnação apresentada, a DRI — Fortaleza/CE proferiu julgamento considerando o Lançamento do crédito tributário procedente, pelas razões consubstanciadas na seguinte Ementa: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/06/1995, 20/07/1995 Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando esta providência revelar-se prescindível para instrução e julgamento do processo. A concessão de prazo adicional para correção de supostos erros no Registro de Exportação não justifica a realização de diligência, por ser possível a impugnante carrear ao processo a prova documental da pretendida retificação. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fat° gerador: 28/06/1995, 20/07/1995 Ementa: DRAWBACK-SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. IMPOSTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Em caso de inadimplemento do regime de drawback, modalidade suspensão, o termo de inicio do prazo decadencial, para lançamento dos impostos incidentes na importação, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão do Relatório Final de Comprovação de Drawback. DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR. Compete à Secretaria da Receita Federal a aplicação cio regime drawback e fiscaliza cão dos tributos, compreendendo o lançamento do crédito tributário e a verificação do regular cumprimento, pelo irnportador, dos requisitas e condições focados pela legislação de regência. 5 Processo n.° 10831.012173/2001-31 Resolução n.° 301-1.971 CC03/C0 I Fls. 476 DRAWBACK 1NADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. Somente serão aceitos como comprovação do adimplemento do drawback Registros de Exportação que contenham o código de operação relativo ao drawback e devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessário. Lançamento Procedente." A contribuinte foi intimada da decisão em 01/03/2006 e tendo em vista o Julgamento improcedente da Impugnação apresentada interpôs Recurso Voluntário em 30/03/2006 alegando que: a) preliminarmente o processo deve ser convertido em diligencia para que seja realizada uma "auditoria de produção" sob pena de cerceamento de defesa; b) ocorreu a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, uma vez que, a data do fato gerador do tributo é a data do Registro da Declaração de Importação, em consonância com o artigo 150, §40 do CT1V; c) apresentou o Relatório de Comprovação perante o Banco do Brasil, Órgão eleito para a emissão, controle e fiscalização do Regime de Drawback, e que sendo esses aceitos e deferidos, entende que houve a concordância tácita com as exportações, posto que não foi notificada em momento algum por inadimplencia dos Atos Concessórios; d) a decisão não contesta as exportações realizadas e ainda foram apresentados documentos e informações que não foram questionadas pela Fiscalização, tais como o efetivo embarque da totalidade das mercadorias, bem como os relatórios de comprovação que demonstram os n". dos REs, a data do embarque, a quantidade, o valor e principalmente o n". do Ato Concessário, documento esse recebido e analisado pela Secex; e) não foi analisado o Resultado Cambial da operação, devendo ser analisado para ser considerada a verdade material e não apenas a ausência da vincula ção fisica dos RE 's, até porque a intenção do Regime ê beneficiar a exportação; f) a ausência do n". do Ato Concessório no RE e a falta do Código da Operação (81101) não podem ser fatores determinantes para a desconsideração do mesmo, a comprovação tísica e material da exportação pode se dar através dos dados constantes do RE, sendo que tais dados para a comprovação de quantidade e valor, não foram analisados pela Fiscalização, caracterizando cerceamento de defesa; o relatório. 6 Sala d 008 Processo n.° 10831.012173/2001-31 Resolução n.° 301-1.971 CC03/C01 Fls. 477 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Trata-se de exigência de credito tributário decorrente da desconsideração do regime aduaneiro de Drawback Suspensão Independentemente dos dados que formalmente o exportador venha a informar nos registros de exportação, para fins de admitir-se como procedente a glosa dos valores exportados, desconsideração do regime e conseqüente exigência dos tributos suspensos corn acréscimos legais, deverá se levar em conta a verdade material. 0 entendimento exarado pelo Ilustre Julgador de primeira instância é de que seria necessária diligência para realização de Auditoria de Produção. Contudo não creio que seja litigioso o fato de os insumos importados terem sido utilizados na industrialização dos produtos exportados, tanto que a motivação do lançamento restringe-se a não vinculação do RE ao Ato Concessório, ou a indicação de outro ato concessório. Contudo, a vinculação entre o objeto compromissado a importar e o realmente importado e o produto compromissado a exportar e o realmente exportado, bem como suas respectivas quantidades e valores, deve ser analisado pelo órgão concedente. Diante do exposto, e no sentido de se alcançar plena convicção na ação julgadora, com base no art.18 do Decreto n° 70.235/1972 c/c os arts. 24 e 39 da Lei n° 9.784/1999, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA 6. repartição de origem para que sejam adotados os seguintes procedimentos: Oficie-se a SECEX para que se pronunciasse sobre: a) a comprovação do DRAWBACK corn base nos registros de exportação acostados aos autos, nas apurações levadas a efeito pela ,fiscalização e em vista de que a recorrente alega, em sua defesa, inclusive com relação materialidade da REs indicadas para o cumprimento do Ato Concessório; b) informe se os REs que indicam no campo 24 a vinculagil o ao Ato Concessório n". 1227-95/021-3 foram utilizados para comprovar a obrigação de exportar do desse Ato Concessório (1227-95/021-3). Concluida a diligencia, de-se ciência do resultado da Resolução a Recorrente, com reabertura de prazo de 30 dias para sua eventual manifestação, atendendo,assim, As formalidades processuais voltadas a gar pl reito de defesa por parte do recorrente. LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004447/00-88
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.935
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP CC03/C0 I Fls. 878 RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. OTACILIO DA AS CARTAXO Presidente 0. • SUS- - ES OFFMANN Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi e Valdete Aparecida Marinheiro. Processo n.° 10314.004447/00-88 Resolução ri.° 301-1.935 CC03/C01 Fls. 879 RELATÓRIO Cuida-se de Auto de Infração, fls. 06/50, lavrado em vista de irregularidades constatadas em operação de Drawback na modalidade suspensão, em que se exigiu o recolhimento de Imposto de Importação e Imposto Sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, totalizando o valor de R$ 248.204,89. Em procedimento fiscal de verificação do regular cumprimento dos requisitos e condições fixadas pela legislação aplicável relativos aos atos concessórios de drawback suspensão foi constatado o que segue: 2.1 Ato Concessório 0636-94/000002-3 — Esse ato conce.ssório permitia a empresa importar 600 conjuntos de peps a serem utilizadas na confecção de 600 motos a serem exportadas. 0 relatório de comprovação (fls.. 62 a 145) indica o regular cumprimento do regime, mas não é o que se conclui pela análise cio histórico a seguir. Percebe- se que o desembarago da última declaração de importação ocorreu após a data de embarque da última exportação. Portanto os materiais arrolados na DI 26.985 (folhas 146 a 150) não foram aplicados na produção exportada, o que fere o principio fundamental do regime drawback, cabendo a constituição do crédito correspondente. 2.2 Ato Concessorio 0636-94/000010-4 — Por meio desse incentivo o contribuinte pretendia importar 300 conjuntos de peças para fabricação e exportação de 300 motocicletas. O relatório de comprovação indica que as importações e exportações atenderam aos requisitos de quantidade e qualidade dos materiais, tal como pretendido. Uma análise mais detida, contudo, deixa claro que o registro de exportação 94/1029261 (folhas 402 a 405) se vincula a outro ato concessório. Portanto as 116 motos nele arroladas não podem comprovar o total cumprimento do regime, e, por conseguinte, faz-se necessária a constituição do crédito correspondente. Isso implica a cobrança c/c 38,66% dos impostos suspensos das adições 101 a 141 da DI 52.878, vinculadas ao incentivo e pelas quais foi importada a totalidade dos 300 conjuntos. 2.3 Ato concessório 0636-94/000040-6 — Por meio desse ato concessório pretendia importar 1500 conjuntos para fabricação e exportação de 1500 motocicletas. A quantidade efetivamente importada foi de 1200. Pelo anexo de exportação do relatório de comprovação (fls. 430) poder-se-ia concluir precipitadamente que o incentivo foi integralmente cumprido, pois indica que 1200 motos foram exportadas. Todavia esse número será menor, por dois motivos: a) Os registros de exportação 95/0317836-001 e 95/0317836-002 (f/s. 536 a 538) não pertencem ao ato em questão. Assim, as 36 motocicletas que lhes correspondent devem ser subtraidas cio relatório de comprovação por serem inválidas para comprovação do regime; b) Em 23.09.94 foi desembaraçada a primeira declaração de importação, a de número 60.503 (fls. 539 a 653). Por meio dela oram introduzidos 300 2 Processo n.° 10314.004447/00-88 Resolução n.° 301-1.935 CC03,'CO1 Fls. 880 conjuntos c/c peças, o que permitiria fabricar e exportar 300 motocicletas. 0 número de motos exportadas, contudo, foi 372 — 60 em 15.09.94, 192 em 21.10.94, 96 em 02.11.94 e 24 em 18.11.94. Como o drawback é um regime aduaneiro que tem por principio a aplicação de matéria-prima ou peças na fabricação de produtos a serem exportados, fica claro que 72 unidades só poderiam ter sido produzidas se houvesse um volume de importações que as justificasse, ou seja, se houvesse a importação de mais 72 conjuntos de peps anteriormente àquelas exportações, e isso não ocorreu (todas as demais importações ocorreram em 1995). Os dois motivos, a e b, perfazem 108 unidades exportadas que não podem ser validamente aceitas para comprovação do incentivo. Em conseqüência, cabe a constituição do crédito correspondente a 108 dos 1200 conjuntos importados, os quais não foram utilizados de acordo com as regras do regime. Para tanto, apurou-se o montante dos impostos de importação e sobre produtos industrializados devidos sobre 108 e 300 conjuntos arrolados nas adições 39 a 79 da declaração c/c importação 37.174 (fls. 431 a 535). 2.4 Ato concessório 1968-93/000126-7 — Apesar de a documentação relativa a esse ato encontrar-se no processo 10314.003236/95-06, ela foi analisada e revelou não haver quaisquer irregularidades. inadimplemento sanado pelo contribuinte coin o pagamento, emz 27.06.95, do crédito correspondente. 2.5 Ato concessório 0636-94/000037-6 — A documentação relativa a esse ato encontra-se no processo 10314.003235/95-35. 0 relatório de coniprovaçcio indicava falta de cumprimento c/c algumas exportações. Contudo, a empresa, em 27.06.95, efetuou correta e espontaneamente o pagamento dos tributos correspondentes e de seus acrescidos, não havendo crédito remanescente. 0 contribuinte apresentou impugnação (fls.657/666) alegando em síntese que: I) com relação a exigência descrita no item 2.1 irá efetuar o pagamento, posto que não possui argumento de defesa. No que diz respeito aos itens 2.4 e 2.5, esclarece que não existe nenhuma exigência; 2) no item 2.2 alega que o correto RE para fechamento do ato concessório 0636-94/000040-6 é o cie 94/0897009, 170 qual comprova a saída de 116 motocicletas; 3) com relação ao item 2.3, informa que os 108 conjuntos que devem sei- suprimidos do Ato Concessório 0636-94/000040-6, pois estão contidos no Ato Conces.s6rio n". 0636-95/00005-0, através do qual se verifica que foi autorizada a importação de 600 conjuntos, seguida cie aditivo aumentando para 716; 4) no entanto, foram importados somente 600 conjuntos e, tendo sido exportados 716, conclui-se que há um z saldo c/c 116 motocicletas em situação inversa àquela dos 108 citados pela fiscalização; 5) a jurisprudência tem aceitado o controle de estoques no sistema FIFO (first in first out). 3 Processo n.° 10314.004447/00-88 Resolução n.° 301-1.935 CC03/C0 1 Fls. 881 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiu acórdão (fls.825/835) julgando o lançamento procedente, pois não houve a comprovação da exportação ao Ato Concessório que a originou. Os RE's em questão estão vinculados a outro Ato Concessório que não aquele que pretendem comprovar. Assim, tais exportações não estão vinculadas ao documento concessor do beneficio. Corn relação à exportação de maior quantidade que o permitido, sustenta que inquestionável a glosa das 72 motocicletas, urna vez que os insumos ainda não haviam sido importados com o beneficio. Isto porque, há que se exigir, no mínimo, que os produtos exportados apresentados pela beneficiária para a comprovação do adimplemento, tenham sido efetivamente produzidos corn insumos importados beneficiados pelo regime e existentes na empresa no momento do processo de fabricação, e que a documentação apresentada pelo contribuinte demonstre, pelo controle de estoque, que são compatíveis os prazos de entrada de insumo e exportações correspondentes, sob pena de se violar o principio básico do regime aduaneiro especial de Drawback. Irresignado o contribuinte apresentou recurso voluntário (II s.837/853) reiterando praticamente os mesmo argumentos aduzidos na impugnação. Alega que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que basta ser observado, para comprovação das exportações e atos concessórios, o período da concessão, bem corno a quantidade dos insumos importados e exportados. o relatório. 4 Processo n.° 10314.004447/00-88 Resolução n.° 301-1.935 CC03/C0 I Fls. 882 VOTO Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. Cuida-se de Auto de Infração, fls. 06/50, lavrado em vista de irregularidades constatadas em operação de Drawback na modalidade suspensão, em que se exigiu o recolhimento de Imposto de Importação e Imposto Sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa de o ficio, totalizando o valor de R$ 248.204,89. Inicialmente, cumpre esclarecer que o débito referente ao Ato Concess6rio 0636- 94/000002-3 (item 2.1) foi pago, tendo em vista que o contribuinte considerou devido o crédito consubstanciado no Auto de Infração. Com relação aos Atos Concessórios 1968-93/000126-7 e 0636-94/000037-6, importante informar que não existe nenhuma exigência de tributos por parte da fiscalização. Dessa forma, a discussão do presente processo cinge-se somente aos Atos Concessórios 0636-94/000010-4 e 0636-94/000040-6 (item 2.2 e 2.3). ATO CONCESSÓRIO — 0636-94000010-4 Alegou a fiscalização que (fls.47): "por meio desse incentivo o contribuinte pretendia importar 300 conjuntos de peps para fabricação e exportação de 300 motocicletas. 0 relatório de comprovação indica que as importações e exportações atenderam aos requisitos de quantidade e qualidade dos materiais, tal como pretendido. Uma análise mais detida, contudo, deixa claro que o registro de exportação 94/1029261 (folhas 402 a 405) se vincula a outro ato concessó rio. Portanto as 116 motos nele arroladas não podem comprovar o total cumprimento do regime, e, por conseguinte, fa:,--se necessária a constituição do crédito correspondente. Isso implica a cobrança de 38,66% dos impostos suspensos das adições 101 a 141 da DI 52.878, vinculadas ao incentivo e pelas quais foi importada a totalidade dos 300 conjuntos". AUTO DE INFRAÇÃO - DOC. fls.231; 402-406 Declaração de Importação Data Quantidade Registro Exportação Data Quantidade 52878 05/08/1994 300 94/0896880-004 15/09/1994 184 94/1029261-004 (fls.231) 21/10/1994 116 TOTAL 300 300 Entretanto, aduz o contribuinte que foi mencionado para baixa do Ato Concessório 0636-94/000010-4 o Registro de Exportação 94/1029261-004, de 192 unidades. 5 , Processo n.° 10314.004447/00-88 Resolução n.° 301-1.935 CC03/C01 Fls. 885 Declaração de Importação n". 60503, de 31/08/94, foram importadas 300 unidades de motocicletas, sendo exportadas 372 unidades. Para comprovar o equivoco da autoridade fiscal, alega o contribuinte que a fiscalização não considerou a DI 37174, de 31/05/95, que importou 300 unidades de motocicletas, bem como o RE substituto 95/0560711-001, de 22/07/95, que comprovou a exportação de 36 unidades. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos o Registro de Exportação acima citado para comprovar os dois motivos que ensejaram a autuação 108 unidades. Diante de todo o exposto, necessária se faz a conversão do julgamento em diligencia para que o contribuinte apresente os seguintes documentos: 1. RE 94/1029261 — retificador, comprovando a vinculagao aos Atos COnCeSSOrios 0636-94/000010-4 e 0636-94/000040-6, para comprovar a exportação, respectivamente, de 116 e 60 unidades; 2. RE 95/0560711-001'- retificador, que vincula a exportação de 36 unidades, ao Ato Concessório n". 0636-94/000040-6. 3. Faculto, ainda, ao contribuinte que traga aos autos, demais documentos afim de comprovar o alegado em sua matéria de defesa. Assim, voto para que o julgamento seja convertido em diligência a Repartição de Origem, para que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos acima relacionados, necessários para a comprovação do cumprimento do Regime de Drawback — Suspensão. como voto. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2008 SUS OMES HOFFMANN - Relatora • 8
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Numero do processo: 10855.006028/2002-23
Data da sessão: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.992
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO
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RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. OTACiLIO DA AS CARTAXO — Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, João Luiz Fregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffmann. Processo n.° 10855.00602812002-23 Resolução n.° 301 -1.992 CC03/C01 Fls. 133 RELATÓRIO Em razão de conter os elementos necessários a circunstanciar, de forma clara e objetiva, os fatos a serem analisados, adoto como parte deste trabalho o relatório constante da decisão de primeira instância, a saber: "Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01, 10/15, através do qual se exige do contribuinte acima identificado o pagamento de R$ 21.470,89, a titulo de Imposto Territorial Rural — ITR, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, decorrentes da glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), resultando na diminuição do Grau de Utilização, que fez aumentar a Alíquota de Cálculo, ern relação aos dados informados em sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural- DITR — Exercício de 1998, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Mato Limpo, com área total de 1.235,7 ha, número do imóvel na Receita Federal 0.282.130-3, localizado no municipio de Capão Bonito/SP. 2. A ação .fiscal iniciou-se em 10/12/2002, com a intimação ao contribuinte, para relativamente ao exercício de 1998, apresentar documentos relativamente as áreas isentas informadas na DIAC/DIAT, conforme AR de fl. 07. 3. Apesar de intimado, o contribuinte não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização, razão pela qual as áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram glosadas e lavrado o competente Auto de Infração para cobrança do imposto suplementar. 4. As descrições dos fatos que originaram o presente auto e os respectivos enquadramentos legais constam cis fls. 11 e 14. 5. Cientificada do lançamento em 26/12/2002 conforme AR de fl. 16, ingressou o contribuinte, com as razões de impugnação, fls. 18/19, 23/28, alegando, em síntese, que: 5.1 A área de preservação permanente é 288,7 ha e não 247,5 ha como declarou na declaração do exercício de 1997, conforme Mapa anexado aos autos; 5.2 0 imóvel não possui área de reserva legal averbada, porque foi demonstrada no Mapa que foi confeccionado para demonstrar a área de preservação permanente, sendo ela correspondente a 20% da área total do imóvel, isentas de averbaglio nos termos da Lei n" 4.771/65, ela é de 280,0 ha; 5.3 As áreas isentas do imóvel foram objeto de várias vistorias e laudos, sendo um deles laudo conjunto Ibama/DEPRN, conforme decisão judicial, no Processo n° 815/99; 2 Processo n.° 10855.006028/2002-23 Resolução n.° 301-1.992 CC03/C01 Fls. 134 5.4 Transcreveu o Acórdão relativo is /kilo de Inconstitucionalidaden° 1.952-0 publicado na DJ de 12/05/2000, ementário n" 1.990-1, com o Tribunal Pleno; 5.5 Requer arquivamento dos autos, com o cancelamento de multa e do indevido débito, por ser o único caminho, por onde trilha a justiça. 6. Instruíram os autos, os documentos dells. 21, 30/33." A decisão prolatada por meio do Acórdão DRJ/CGE n° 6.1445/05 (fls. 41/48), julgou o lançamento procedente, consoante o entendimento aduzido, a saber: A não comprovação das Areas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, mediante a apresentação do ADA/IBAMA e da averbação à margem da inscrição no Registro de Cartório de Imóveis competente, respectivamente, consoante solicitado por meio de intimação, ensejou a caracterização de declaração inexata, na forma do art. 14 da Lei n° 9.393/96, uma vez que o mapa da propriedade apresentado (fl. 21) não identifica com precisão as dimensões, nem descreve corretamente sobre tais Areas. Portanto, inservivel para fim de comprovação da isenção dessas Areas como declarado na DIAT/98. 0 reconhecimento das referidas áreas far-se-á nos termos do § 4° do art. 10da IN/SRF n° 43/97, alterado pela IN/SRF no 67/97 (area de preservação permanente — apresentação do ADA/IBAMA ou de seu protocolo no órgão em até 6 meses da data da entrega da DIAT/98), e do § 2° do art. 16 da Lei n° 4.771/65 (averbação da di -ea de reserva legal — Cartório de Registro de Imóveis). A MP n° 2.166/01 ratificou à necessidade de averbação no CRI. Ciente da decisão de primeira instância em 18/07/05 por meio de AR (fl. 51), a interessada interpõe o seu recurso em 17/08/05 (fls. 53/69), portanto, tempestivamente, colacionando aos autos a garantia para o seu seguimento (fl. 98/101 — IN 264/02), para aduzir resumidamente: • Area de preservação permanente — não há exigência legal para a sua comprovação, pois trata-se de verificação por parte do INCRA e não do contribuinte, à luz do dispositivo legal contido nos arts. 2° e 3° da Lei n° 4.771/65, sendo as mesmas calculadas de maneira empírica como sendo 247,5 ha. e, posteriormente, descritas em mapa, que foi conferido e aprovado tanto pelo IBAMA como pelo DEPRN, que mostraram ser de 288,07 ha., em conformidade com os oficios juntados à impugnação protocolada em 13/01/03 (fls. 29 a 32), com destaque para o Of. 1102/02 — pyh do IBAMA. Mencionou julgados nesse sentido em prol de seu entendimento. • Area de interesse ambiental de utilização limitada — o Recorrente destacou uma área de 280,0 ha. correspondente a uma gleba de interesse ecológico do Estado de Sao Paulo, denominada de APA- Serra do Mar, referida no Decreto Estadual n° 22.717/84, que em seu I Perímetro, do ponto 33 ao 34 diz: "... segue à montante pelo rio Paranapanema até sua confluência com o córrego do Lajeadinho (ponto 33); segue rumo sudeste em linha reta até onde a mesma intercepta a cota altimétrica 800m concomitantemente com o córrego do Sousa (ponto 34) ..." 3 Processo n." 10855.006028/2002-23 Resoluplo n.° 301-1.992 CC03/C01 Fls. 135 • 0 mapa que instrui o Of. 81/99 do DEPRN (doc. 06 e 06a) é cópia de segmento de mapa elaborado pelo IBGE, folha TAQUARAL, sobre o qual foi destacado ern preto os contornos da propriedade, e sobre ela foi destacado em preto mais forte e mais grosso, o contorno da APA — Serra do Mar (dec. Estad.n° 22.717/84), e o ponto 33 ao 34, referido no Perímetro I, que adentra na propriedade, dividindo-a em dois segmentos. • O mencionado trabalho acha-se em perfeita harmonia com o mapa (doc. IV 7), ora anexado, que mostra a mesma linha e, este, subdivide aquela área, em duas outras sub-Areas..., ambas pertencentes A propriedade somando a Area de 286,8 ha. • O traçado dessa linha reta, em mapa elaborado pelo DEPRN (doc. 06 e 06a), separa da propriedade urna Area que mede 286,8 ha. • Não é plausível que seja arrancada A força o Direito do proprietário de uma Area, através de Decreto e Termo, e mesmo assim venha ele a ser forçado ao pagamento do ITR, pela utilização de Area impedida de tal uso, o que é repelido pelo § 6 0 do art. 10 da 1N/SRF n° 43/97, citado A. 45 do voto condutor. Mencionou julgados dos 2° e 3° C.C., em prol de sua tese. • Area de Reserva Legal — o Recorrente não constituiu, pelo que não averbou a Area de Reserva Legal, porque não estava obrigado a fazê-lo, na forma do § 40 do art. 16 do Código Florestal, na redação dada pela MP n° 1.956-44/99, mas também não se utilizou dos favores legais, para a redução da Area tributável, como se depreende da fala contida no voto condutor do acórdão hostilizado. • Não constituiu Reserva Legal, não a averbou, e não se utilizou de área alguma a esse titulo, para a redução da AREA TRIBUTAVEL, conforme se contata na Declaração relativa ao ITR- Exercício de 1.998, em comento (doe. 01). • Há, contudo, por parte da Relatora/Presidante, um equivoco, urna vez que A fl. 43, no item 9, depois de se referir A Area de utilização limitada, destaca-a como reserva legal, como se fora a mesma coisa, colocando entre parênteses 280,0 ha, o que denuncia a confusão • Requer a reforma da decisão a quo, cancelando-se a multa e arquivando-se o processo. o relatório. 4 Processo n.° 10855.006028/2002-23 Resolução n.° 301-1.992 CC03/COI Fls. 136 VOTO Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, Relator A matéria trazida ao debate nesta Corte versa sobre a glosa das Areas de Preservação Permanente (247,5 ha., retificada para 288,7 ha. na DIAT/98) e de Utilização Limitada 280,0 ha. (APA — Dec. Estadual n°22.717/84, vide fls. 82/86), uma vez que intimada (fls. 04 e 06), a contribuinte não apresentou ern tempo hábil a documentação solicitada pela fiscalização, resultando corn isso na lavratura do auto de infração, por falta de recolhimento de ITR198, objeto da decisão ora hostilizada. Inicialmente, cabe registrar que a fl. 28 consta que a ora Recorrente, em atenção as intimações retromencionadas, apresentou documentos de fls. 29 a 32, contendo o Of. /IBAMA n° 05/02, de 17/05/02 — Of. 1102/02-pyh, que menciona planta topográfica apresentada pelo requerido Seth Caramaschi delimita com fidelidade as inúmeras areas de preservação permanente existentes no imóvel em questão; bem assim do Of. DEPRN ETCB 119/02 — ref.: Processo 815/99 e Oficio n° 11023/02-pyh, Ação Civil Pública: Ministério Público do Estado de Sao Paulo x Seth Caramaschi, onde o referido órgão aprova a planta apresentada, inclusive, demarcando as APPS com caneta marca-texto. E mais, no referido oficio (fls. 30/31) a autoridade competente que o expediu requer que no documento a ser emitido pelo juizo, liberando a area para os fins económicos de direito, constem as seguintes restrições por escrito: "0 requerido não poderá fazer uso das Áreas de Preservação Permanente, segundo o que determina o artigo 2" da Lei 4771/65, com o plantio de culturas econômicas (agricultura ou reflorestamento com espécies exóticas), nem utilizá-las para pastagens ou permitir o pastoreio de animais domésticos e nem utilizar fogo nestes locais". Nos parágrafos seguintes, expressamente, enseja a referida autoridade (Eng° Agr° Marcos Rogério da Silva Ferreira — CREA 5060394589, Supervisor DEPRN/ETCB) que as restrições solicitadas ao juizo possibilitara a regeneração natural da vegetação nativa nestas Areas legalmente protegidas; menciona que as Areas de Preservação Permanente são facilmente identificáveis no campo, principalmente aquelas que dizem respeito a proteção dos corpos hídricos (alínea 'a', art. 2', da Lei 4771/65), pois qualquer corpo hidrico ou afloramento do lençol fredtico determinam Áreas de Preservação Permanente, ou seja, quando há a ocorrência de brejos ou várzeas, nascentes, córregos, rios, açudes e represas; e que a descrição das Areas de Preservação Permanente é muito clara na Lei 4771/65 e que o requerido pode perfeitamente respeitar estas Areas, baseado na descrição da lei. Registre-se também que tais documentos foram entregues a fiscalização anteriormente it impugnação ao auto de infração lavrado, bem assim que não foram considerados pelo acórdão ora hostilizado. Compulsando os autos constatou-se, ainda, que além dos documentos retromencionados, foram colacionados aos autos novos documentos (fls. 71/89), dentre os 5 Processo n.° 10855.006028/2002-23 Resolução n.° 301-1.992 CC03/C01 Fls. 137 quais, o Parecer Técnico emitido pela Secretaria do Meio Ambiente — Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e Proteção de Recursos Naturais, do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (fls. 83/86), notadamente os itens 5.2, 5.4 e 5.5, que atestam que o Decreto Estadual 22.717, de 21/09/84, criou a Area de Proteção Ambiental (APA) Serra do Mar, que protege os ecossistemas da Mata Atlântica nos municípios nele registrados, inclusive o município de Capão Bonito, e determina uma zona de proteção da vida silvestre no trecho serrano (Area: 548.100 ha.). 0 referido Parecer menciona, expressamente, no item 5.5, que a propriedade do interessado, conforme demarcação anexa está inserida em sua maior parte dentro desta APA. Resume-se à querela em matéria de prova material no que concerne comprovação da existência e identificação de tais areas, como também de sua exclusão para fim de formação do cálculo da incidência do Imposto Territorial Rural — ITR/98. De antemão, é cediço que o litígio instaura-se com a impugnação tempestiva. Logo, havendo o contribuinte oferecido à fiscalização documentos que comprovariam a existência das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, não haveria porque não haver sido procedida à correção da DIAT/98, de oficio, consoante orienta o art. 147-11, do CTN. A definição sobre Area de Preservação Permanente encontra supedâneo nos artigos 2° e 3° da Lei n° 4.771/65 e, posteriormente, com a redação dada pela MP 2.166/01, pelo inciso II de seu art. 1°, que alterou e acresceu dispositivos à essa lei, passou a ser conceituada conforme os termos adiante transcritos: "Art. I". (.). II — área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2° e 3° desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hidricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gale° de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas." Constata-se do texto transcrito que a legislação de regência nada menciona a respeito de reconhecimento da área de preservação permanente, mediante condição da apresentação do contribuinte do ADA emitido pelo IBAMA, quando solicitado; muito menos, condiciona a lapso temporal tal desiderato, conforme regra inserida pela IN/SRF n° 43/97, alterada pela IN/SRF n° 67/97, no § 4 0 de seu art. 10, em afronta ao que dispõe a lei que trata da matéria. Ao contrario o art. 2° do referido Código Florestal textualmente menciona que se consideram de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas nas localizações nele previstas, nas quais se inserem as características e a localização das referidas areas de propriedade da Recorrente, consoante atestam os documentos de fls. 29/32, de lavra do próprio IBAMA — FLORESTA NACIONAL DE CAPÃO BONITO e do DEPARTAMENTO ESTADUAL DE PROTEÇÃO DE RECURSOS NATURAIS — Equipe Técnica de Capão Bonito, especialmente excerto mencionado no antepenúltimo parágrafo à fl. 31. çy\ 6 Processo n,° 10855.006028/2002-23 Reso1ug5o n.° 301-1.992 CC03/C01 Fls. 138 De igual modo, como já demonstrado, por meio do Parecer Técnico de fls. 83/86, veio o Decreto Estadual 22.717/84, criar a Area de Proteção Ambiental (APA) Serra do Mar, que protege os ecossistemas da Mata Atlântica nos municípios nele registrados, inclusive o município de Capão Bonito e, expressamente, menciona no item 5.5, que a propriedade objeto da lide, conforme demarcação anexa está inserida em sua maior parte dentro desta APA. Para consubstanciar o raciocínio aqui esposado menciona-se a síntese do julgado contido no REsp. n° 665.123-PR (2004/0081897-1), Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 05/02/07, consoante estampado na ementa do adiante transcrita: "TRIBUTÁRIO — IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — BASE DE CÁLCULO — EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVACA -0 PERMANENTE — DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL DO IBAMA." Para deslindar a controvérsia em definitivo, a MP n° 2.166-67/01, mediante a inserção do § 7° ao art. 10 da Lei ri° 9.393/96 dispensou o ADA na hipótese de áreas de preservação permanente para fins de cálculo do ITR, mediante a comprovação, posterior, pelo declarante, que as informações prestadas na DIAT são verdadeiras. Destarte comprovadas as existências dessas áreas, ainda pairam dúvidas no que concerne As dimensões especificas de cada uma delas, eis que não constam dos autos, em nenhum dos documentos fornecidos pelo IBAMA — FLORESTA NACIONAL DE CAPAO BONITO e pelo DEPARTAMENTO ESTADUAL DE PROTEÇÃO DE RECURSOS NATURAIS — Equipe Técnica de Capão Bonito, informações precisas que mencione, expressamente, as dimensões das áreas objeto deste litígio, não se podendo olvidar que tais informações se fazem necessárias à composição da base de cálculo do 1TR198, inobstante haja informações sobre a existência de um mapa da propriedade, contendo todas as informações, requeridas na mencionada intimação, mapa esse elaborado por sobre uma ampliação de documento cartográfico de autoria do IBGE, denominado Taquaral, Folha designativa SG- 22X-B-1112, que foi vistoriado pelos técnicos tanto do IBAMA, bem como da E. do DEPRN de Capão Bonito, cumprindo decisão judicial contida no processo n° 851/99, que tramita pela 1" Vara de Justiça da Comarca de Capão Bonito, e foi aprovado pelas duas equipes, conforme se vê dos documentos 02 e 03, bem assim que este mapa destaca tanto as Areas de Preservação Pennanente, corno as Areas de Utilização Limitada. Pelo que, pugno pela conversão do presente julgamento em diligencia repartição de origem, corn a finalidade de que sejam informadas as dimensões precisas de cada urna das areas, quais sejam: de Preservação Permanente (APP) e de Proteção Ambiental (APA), e se as mesmas correspondem àquelas apontadas ern documento cartográfico, de autoria do IBGE, denominado Taquaral - Folha designativa SG-22X-B-II12. assim que voto. Sala das Sessões, em 09 de julho de 2008 OTACiLIO DAN S ARTAXO - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003895/2005-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
ACÓRDÃO RECORRIDO. EMENTA. ERRO.
Não obstante a existência de erro apontado na ementa do Acórdão recorrido, uma vez constatado que o dado correto se encontra descrito com precisão no corpo da decisão, não resultando o fato em qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, não padece de vício de legalidade o ato decisório.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA.
Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Demonstrada a inexistência de provas a suportar a dedução de despesas médicas, correta a glosa dos valores.
REMISSÃO. APLICAÇÃO. COMPETÊNCIA.
As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para aplicar, ou não, remissões definida em lei, matéria a ser solicitada na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.272
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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EMENTA. ERRO. Não obstante a existência de erro apontado na ementa do Acórdão recorrido, uma vez constatado que o dado correto se encontra descrito com precisão no corpo da decisão, não resultando o fato em qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, não padece de vício de legalidade o ato decisório. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Demonstrada a inexistência de provas a suportar a dedução de despesas médicas, correta a glosa dos valores. REMISSÃO. APLICAÇÃO. COMPETÊNCIA. As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para aplicar, ou não, remissões definida em lei, matéria a ser solicitada na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 116 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Mediante Auto de Infração, às fls. 44/49, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2002, anocalendário 2001, no valor total de R$ 13.085,78, incluídos a multa proporcional (75%) e os juros de mora, estes calculados até 29/07/2005. Por bem descrever os fatos, transcrevese a seguir trecho do Relatório constante da decisão recorrida: “[...] 3. Conforme a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls.45/46) foram identificadas deduções indevidas, conforme os termos que se seguem: verbis: 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, de 01/07/2005, contribuinte não comprovou a prestação do serviço médico pelos profissionais Albem Thiago de Souza Ferreira (CPF: 551.592.22120) e Dionésio Correa de Oliveira (CPF: 544.569.59134), tampouco comprovou o efetivo desembolso para pagamento das despesas, conforme solicitado no Termo de Início de Ação Fiscal. Em relação ao profissional Albem Thiago de Souza Ferreira (CPF: 551.592.22120), cumpre ressaltar que o Ato Declaratório Executivo DRF/CUIABÁ n° 0287/04, de 27/09/2004, publicado no Diário Oficial da União Edição n° 189 de 30/09/2004, declarou homologada, relativamente aos anos calendários de 1999 a 2002, a apuração de inidoneidade de recibos emitidos ou supostamente emitidos por Albem Thiago de Souza Ferreira, porventura apresentados à Administração Tributária para dedução na rubrica de despesas médicas, consoante apurado no processo administrativo n° 10183.004013/200442. 002 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI Redução indevida da Base de Cálculo com despesas de Previdência Privada pleiteada indevidamente. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal de 01/07/2005, contribuinte apresentou comprovantes de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 117 3 pagamento a previdência privada, cujo valor total corresponde a apenas R$ 5.188,00 (cinco mil cento e oitenta e oito reais). IMPUGNAÇÃO 4. Na impugnação de fls. 52/60, apresentada em 16/09/2005, instruída com os documentos de fls.61/81, inconformado com a lavratura do auto de infração, o interessado pontua as seguintes alegações: • Em relação à dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente, concorda com a incorreção dos valores declarados por ele, por não haver compreendido ao certo a forma de dedução. Requer seja concedida a redução de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor da multa, de acordo com o auto de infração, vez que tal pagamento depende do julgamento do presente recurso e será quitado imediatamente. • Em relação aos recibos de tratamento odontológico e fisioterápico, que apresentou como dedução as despesas realizadas no tratamento odontológico dos seus filhos, recibos anexos, e que na declaração do odontólogo Albem Thiago de Souza Ferreira, constatase que tratou da correção da dentição de ambos os filhos, este não apenas recebeu os valores informados na DIRPF do Requerente como regularmente lançou os valores recebidos na sua própria declaração de imposto de renda. • A comprovação do efetivo desembolso de despesas seja ela de qualquer espécie é feita através de recibo, cupom fiscal ou nota fiscal. Inexiste na legislação pátria qualquer outro dispositivo quanto à comprovação de realização de serviço e efetivo pagamento. E na falta de um destes possa ser apresentado o cheque nominal dirigido para quem recebeu o dinheiro, mas esta previsão legal é uma possibilidade de demonstração do pagamento e não uma obrigatoriedade. O cheque neste caso serviria de garantia para quem pagou e não recebeu o recibo, cupom e nota fiscal ou quando estes foram extraviados. • Quem paga deve exigir o recibo do profissional prestador de serviço e foi isso que fez o Requerente. E este recibo pode ser passado no valor total do tratamento ou a cada pagamento, sem que haja desrespeito à legislação fiscal, ainda mais no caso de tratamento continuado como se deu em questão. • Ademais qualquer outra documentação do tratamento fica em poder do profissional prestador do serviço. • Constando da Declaração de Imposto de Renda do prestador de serviço a entrada de receita é sobre esta que deveria incidir o imposto. • O profissional informa que lançou os valores em sua própria declaração de renda e quanto a isso não há nada que o Requerente possa exigir. Mas caso seja glosada esta dedução, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 118 4 deve ser também glosada a receita informada pelo odontólogo, pais não pode o órgão fiscalizador agir com dois pesos e duas medidas. • No caso do profissional de fisioterapia, Sr. Dionésio Correia de Oliveira o mesmo não foi localizado, pois não atua mais em Cuiabá e embora diligências tenham sido feitas para sua localização, não foi frutífera tal busca. • Parte do pressuposto de que o profissional fisioterapeuta tenha declarado esta entrada de receita em sua declaração de renda correspondente, pois tal exigência é obrigatória para profissionais liberais. Se o profissional Dionésio Correia de Oliveira lançou devidamente, o recebimento dos valores mencionados, não poderia o fiscal entender que a glosa seja possível. E caso este mesmo profissional não tenha informado à Receita Federal este recebimento, cabe à Receita Federal cobrar dele o imposto devido. • Que comprovou ter recebido os serviços e pagou por eles através do recibo de pagamento. Se a comprovação do efetivo desembolso de despesas seja ela de qualquer espécie é feita através de recibo, cupom fiscal ou nota fiscal, então o Requerente possui esta prova e a demonstrou ao fisco. Inexiste na legislação pátria qualquer outro dispositivo quanto à comprovação de realização de serviço e efetivo pagamento. • A comprovação através de cheque nominal dirigido para quem recebeu o dinheiro, se dará apenas nos casos em que ocorrer a falta ou inexistência de recibo, cupom fiscal ou nota fiscal, o que não se constitui neste caso, devidamente comprovado mediante recibo firmado pelo prestador do serviço. • Estranha a posição da máquina arrecadadora e fiscalizadora do Estado. De um lado o governo federal, através da arrecadação aceita o pagamento do Requerente e cobra do profissional prestador de serviço o valor de imposto sobre o serviço realizado. • Por outro lado, na hora de considerar a dedução do pagamento efetuado, desconsidera o mesmo e cobra, outra vez mais, de quem já pagou. A priori isto é enriquecimento ilícito ainda que do Estado e permite a repetição do indébito por parte do Requerente. • De que o fiscal junta, como argumento da glosa dos valores pagos aos profissionais referidos acima, a não comprovação do pagamento/desembolso de despesas. O que não é verdade. • Apresentou os recibos de pagamento assinados, carimbados e o fiscal diz que isso não é efetivo pagamento. Indaga então, o que seria considerado prova. Cita o art. 8°. da Lei 9250/95. • A glosa foi indevida, pois a determinação normativa prevê apenas que na falta de comprovação prevista na lei, com indicação do nome, CPF de quem os recebeu é que PODE (e não Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 119 5 deve) ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Cita doutrina. • Se ele apresentou os recibos com a quitação dos valores tratados com o profissional de saúde, não tem a obrigação de apresentar qualquer outra forma de quitação por que a lei não determina pagamento em cheque e sim em moeda nacional, podendo ser em dinheiro vivo, em espécie, cuja comprovação é o recibo, a nota fiscal ou o cupom fiscal. • Apresentou a documentação para comprovação como fora intimado. E os recibos foram exigidos dos profissionais liberais para esta finalidade comprovação de tratamento realizado durante aquele ano, nos filhos do Requerente. PEDIDO 5. O interessado requer o acolhimento da sua impugnação e consideração dos seus pedidos, transcritos a seguir. “Assim, ante o flagrante desrespeito às normas legais no que tange à não aceitação pelo Fisco dos recibos de despesas de saúde para comprovação de deduções realizadas no ano base de 2001, pois como restou comprovado, as mesmas foram informadas para a Receita Federal por quem prestou os serviços de odontologia e fisioterapia, requer: a) Sejam as mesmas deduções consideradas válidas por este órgão, declarandose INSUBSISTENTE O AUTO DE INFRAÇÃO 10183.003895/200518 lavrado em desfavor do Requerente com a conseqüente impertinência da cobrança informada, acrescida de multa e juros; No que tange às deduções consideradas no item 1 da presente impugnação dedução de previdência privada FAPI, requer: b) O desconto de 50% da multa, de acordo com a previsão legal para concordância de pagamento. Requer ainda, por derradeiro, a quebra do sigilo fiscal do fisioterapeuta Sr. Dionésio Correia de Oliveira, CPF 544.569.59134, para verificação quanto à informação de recebimento da receita em sua Declaração de Imposto de Renda.” É o relatório. [...]” Após apreciar a lide, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande (MS), em decisão unânime, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE nº 04 15.872, de 12/11/2008, às fls. 85/95, cujas ementas estão reproduzidas a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 120 6 Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. MULTA PROPORCIONAL – REDUÇÃO. O benefício da redução de 50% no valor da multa proporcional é concedida em casos de recolhimento do crédito tributário dentro do prazo da impugnação. SIGILO FISCAL. O sigilo fiscal é protegido pela legislação tributária, e passível de ser quebrada apenas em situações específicas. Lançamento Procedente Com a ciência da decisão a quo ocorrendo em 22/12/2008, nos termos do Aviso de Recebimento AR à fl. 101, o contribuinte interpôs, em 14/01/2009, o Recurso Voluntário às fls. 103/111, onde após uma breve síntese dos fatos, alega que: o fato gerador se deu em 2001, sendo 2002 o ano de vencimento da obrigação, mais precisamente em 30 de abril de 2002, encontrandose, deste modo, incorreta a ementa constante do Acórdão recorrido por citar o exercício de 2003. Deve, pois, tal ementa ser objeto de correção, caso contrário, alterase a verdade dos fatos; no presente caso o débito tributário encontrase abrangido pela Medida Provisória n° 449/2008, que alterou a legislação tributária, e estabeleceu casos de remissão de débitos para com a Fazenda Nacional, razão pela qual requer o reconhecimento da remissão por este r. Conselho Julgador, com o consequente arquivamento dos autos; a legislação tributária, assim como a doutrina e a jurisprudência, destacam a presunção de validade dos recibos para fins de comprovação do pagamento de despesas médicas, conforme se verifica em diversas ementas e excertos reproduzidos nessa peça recursal; quanto aos serviços prestados pelos Srs. Albem Thiago de Souza Ferreira e Dionésio Correa de Oliveira, devese entender que os recibos fornecidos pelos profissionais comprovam de forma legal o recebimento dos serviços; com relação aos documentos do profissional Albem Thiago de Souza Ferreira que foram declarados inidôneos, tal decisão administrativa apenas produziria seus efeitos para o futuro, não podendo retroagir e prejudicar aquilo que se convencionou chamar de ato jurídico perfeito, no caso as relações mantidas entre clínico e paciente, por força de tratamento odontológico. Ao final, ante tudo o que foi alegado, requer o contribuinte o recebimento do recurso, para que seja julgado improcedente o lançamento, cancelandose o auto de infração guerreado. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 121 7 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como questão inicial posta pelo recorrente temse a salientar que o apontado equívoco cometido na ementa do Acórdão vergastado era passível de embargos de declaração, instrumento próprio do qual poderia o contribuinte terse utilizado, no prazo hábil, para correção do lapso manifesto. Todavia, tal procedimento não adotou, conforme se verifica nos autos. De todo o modo, verificase que somente a ementa do referido Acórdão é que indicou o exercício de 2003. O relatório e voto constantes da decisão vergastada são precisos em delimitar o exame da matéria autuada ao exercício de 2002, correspondente ao ano calendário de 2001, conforme se denota nos excertos a seguir transcritos (fls. 86 e 89/90 dos autos): Relatório 2. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, de fls. 44/49, acompanhados de documentos às fls. 01/43, resultante da revisão de ação fiscal, por meio do Mandado de procedimento Fiscal Fiscalização nº 01.3.01.002005002107 (fl.01), correspondente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 13.085,78, dos quais R$ 5.604,91 são referentes a Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 4.203,68 correspondem à Multa Proporcional e R$ 3.277,19 são cobrados a título de Juros de Mora, calculados até 29/07/2005. Voto 7. Foi o contribuinte autuado por omissão de rendimentos e pela dedução referente a despesas médicas consideradas não comprovadas pela fiscalização, emitidos por Dionésio Corrêa de Oliveira (fls.29/32), portador do CPF n o 544.569.59134, por supostos serviços prestados de fisioterapia, e por Albem Thiago Ferreira (fls.33 a 38), portador do CPF no 551.592.22120, por supostos serviços de odontologia. Insurgiuse contra a não consideração dos recibos expedidos pelos prestadores de serviços citados. 8. Argumentou o interessado que os recibos são prova documental válida e aceita pelo ordenamento jurídico pátrio, juntando também declaração do profissional, no sentido de que prestou atendimento no ano de 2001. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 122 8 (grifei) Portanto, o dado correto se encontra descrito com precisão no corpo da decisão, não tendo resultado o fato em qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, posto que a leitura da peça recursal colacionada ao processo não deixa a menor dúvida quanto ao perfeito entendimento do recorrente acerca do exercício e anocalendário a que se refere o lançamento e a e decisão recorrida. Quanto ao mérito, o contribuinte reitera seus argumentos contra a exigência, por parte do fisco, de elementos de prova complementares aos recibos por ele apresentados para validar as despesas médicas glosadas. Ora, sobre isto, o acórdão recorrido deixou bem claro que, ante ao valor expressivo declarado pelo recorrente a título de dedução com despesas médicas, coube ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, conforme se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. Nessa situação, a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, o que implica o contribuinte trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado, e que, no caso em pauta, está relacionado à comprovação do efetivo pagamento das despesas informadas pelo declarante como tendo sido efetuadas com profissionais da área da saúde. Do exame dos autos, observase que são elevadas as deduções a título de despesas médicas pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos do ano calendário em questão (doc. às fls. 04/07), posto que alcançam o percentual de 18,53% em relação ao total dos rendimentos declarados no período. Somente o valor de R$ 5.040,00 restou devidamente comprovado pelo fiscalizado. E neste caso, o contribuinte limitouse a apresentar declarações e recibos desacompanhados de qualquer documentação hábil e idônea a comprovar a efetividade dos respectivos pagamentos. Assim, caberia ao autuado a apresentação de prova robusta e incontestável de que os pagamentos foram realizados efetivamente nos valores declarados. No entender deste relator extratos bancários que exibissem as ocorrências de saques efetuados em moeda corrente, de ordens de pagamento, ou de transferências bancárias, compatíveis em data e valor com recibos e/ou declarações apresentados, poderiam trazer as evidências exigidas para validação da dedução pleiteada. Todavia, no presente caso, tais elementos probatórios não foram apresentados pelo recorrente. E mais, no tocante à documentação emitida por Albem Thiago de Souza Ferreira, é certo que a existência do Ato Declaratório Executivo DRF/Cuiabá n° 0287/04, de 27/09/2004, publicado no Diário Oficial da União Edição n° 189, de 30/09/2004, invalida por completo qualquer recibo emitido pelo profissional no período ali destacado. Como se observa, referido ato tem cunho administrativo, tendo se originado do Processo Administrativo n° 10183.004013/200442 que declarou homologada a apuração de inidoneidade de recibos/comprovantes emitidos ou supostamente emitidos pelo referido Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10183.003895/200518 Acórdão n.º 2801002.272 S2TE01 Fl. 123 9 profissional em um determinado lapso de tempo, qual seja, 01/01/1999 a 31/12/2002, concluindo serem tais documentos imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física. Portanto, equivocado e desprovido de lógica o inconformismo do recorrente sobre a aplicação retroativa do citado Ato Declaratório Executivo. Não há como um ato administrativo declarar inidôneos e ideologicamente falsos documentos a serem emitidos no futuro. Os atos declaratórios desta natureza são frutos de ações fiscais que buscam averiguar a veracidade de recibos preexistentes, relativos a supostos serviços prestados, e informados em declaração de rendimentos. Ressaltese que todos esses atos administrativos devem apontar sobre qual período de tempo (pretérito) se declara a inidoneidade e falsidade dos recibos, não podendo haver uma declaração genérica abarcando todo o passado e, muito menos, declarando inidôneo o que estar por vir. Dada a existência do Ato Declaratório, caberia ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos recibos, para que ficasse caracterizada a efetividade destas despesas. Com relação às posições doutrinárias e jurisprudenciais invocadas, destaque se que, excetuandose as Súmulas CARF aprovadas e as decisões judiciais que vinculam este Órgão (nos termos do art. 62A do seu Regimento), que não foram trazidas à colação, tais posições não vinculam as decisões prolatadas por este Colegiado. Por fim, quanto ao pedido de remissão do crédito tributário, ao abrigo do disposto na Medida Provisória 449, de 3 de dezembro de 2008, destaquese que é procedência que exorbita o âmbito de atuação desta Turma de Julgamento, razão pela qual deixamos de apreciálo. Destarte, tomo por consistente a glosa a título de despesas médicas como efetuada no auto de infração, e mantida no acórdão recorrido. Ante o acima exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 27/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 11516.000366/2007-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Preliminar Rejeitada.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2801-001.917
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada e, no mérito, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Preliminar Rejeitada. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade suscitada e, no mérito, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 11516.000366/200770 Acórdão n.º 280101.917 S2TE01 Fl. 48 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por meio do Auto de Infração de fls. 5 a 8, foi efetuado o lançamento alterando o resultado da declaração de Imposto a Restituir no valor de R$ 144,00 para Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, código de receita 2904, no valor de R$ 3.692,15, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, relativos ao anocalendário 2004, exercício 2005. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6, o presente lançamento originouse da glosa de dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 19.800,00, por falta de previsão legal, uma vez que todos os filhos beneficiários já tinham atingido a maioridade. Que conforme documentação apresentada, o contribuinte estava obrigado ao pagamento de dez salários mínimos a cada um dos filhos até a maioridade ou conclusão de curso universitário. Inconformado com o lançamento, o espólio do interessado apresentou tempestivamente impugnação de fls. 1 e 2, através da inventariante devidamente qualificada nos autos (doc. fls. 4), alegando em síntese que com a morte do locador, a locação transmitese aos herdeiros, e se a locação se transmite é razoável entender que os rendimentos de aluguéis também se transmitem. Que a forma como foram declaradas as deduções na declaração do espólio não acarretou nenhum prejuízo ao fisco, uma vez que os rendimentos foram tributados pelos beneficiários. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre declaração efetuada de forma incorreta. Por fim, requer que a impugnação seja acolhida e que o débito fiscal reclamado seja cancelado. Passo adiante, a 6a Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão sem ementa, e acordo com a Portaria SRF n 2 1.364, de 10 de novembro de 2004. Cientificado em 11/10/2010 (Fls.35), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/11/2010 (fls.36 a 38), reforçando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, anexando ainda: Declarações de freqüência e históricos escolares de – Estefano Kalafatás Filho. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 11516.000366/200770 Acórdão n.º 280101.917 S2TE01 Fl. 49 3 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Como preliminar, ressaltase que o Recurso Voluntário deve ser conhecido apenas quanto à alegação pertinente à tempestividade do Recurso Voluntário, uma vez que, neste caso, verificase uma precondição à análise de mérito, face à contrariedade do recorrente quanto à intempestividade do mesmo. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada a contribuinte, via correio, tendo sido recebido em 11/10/2010, conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls. 35. A peça recursal, somente, foi protocolada 22/11/2010, conforme atesta documento de fls. 36 a 38. Alega o recorrente que o recurso é tempestivo, já que a intimação que dá conhecimento da decisão da DRJ é nula; haja vista que a mesma foi encaminhada para o endereço do contribuinte morto, sendo que a defesa está sendo providenciada pelo espólio do Sr. Estefano Calafatas, e que o espólio possui endereço próprio, que deveria ser o da intimação. Contudo, podemos observar que o Sr. Estefano Calafatas veio a falecer no ano de 2003, e que a declaração de renda que gerou a notificação de lançamento se refere ao exercício 2005. É de se concluir que a declaração em apreço (pág. 12 dos autos) foi apresentada pelo próprio espólio do contribuinte falecido. Também podemos observar que a declaração de renda apresentada pelo espólio indica como endereço o mesmo que foi indicado na intimação que deu conhecimento da decisão da DRJ; qual seja Avenida Trompowsky, 322, AP:02 – Centro, 88015300 Florianópolis – SC. Assim, entendo que o recorrente não pode alegar em seu proveito suposto erro provocado por ele mesmo. Razão pela qual considero regular a intimação que dá conhecimento do julgamento da DRJ. O recurso foi interposto, portanto, fora do prazo fatal. Caberia ao recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Nestes termos, voto por rejeitar a preliminar de tempestividade argüida, e no mérito por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 76DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 11516.000366/200770 Acórdão n.º 280101.917 S2TE01 Fl. 50 4 Fl. 77DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 10/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL
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Numero do processo: 13888.000582/2001-27
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999,
01/02/2000 a 30/06/2000
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS.
NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO.
A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação, não produziu efeitos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999,
01/02/2000 a 30/06/2000
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS.
NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO.
A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação, não produziu efeitos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-000.022
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO
DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação, não produziu efeitos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação, não produziu efeitos. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:13:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:13:34Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:13:34Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:13:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:13:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:13:34Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:13:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:13:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:13:34Z; created: 2009-09-30T11:13:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-09-30T11:13:34Z; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:13:34Z | Conteúdo => S3-TE03 Fl. 167 ff„ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13888.000582/2001-27 Recurso n° 137.817 Voluntário Acórdão n° 3803-00.022 — 3' Turma Especial Sessão de 06 de julho de 2009 Matéria COFINS E PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA CATAGUÁ LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação, não produziu efeitos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/06/2000 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação, não produziu efeitos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o 1 .- Processo n° 13888.000582/2001-27 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.022 Fl. 168 ." ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ,sin.,/\/,, • \ALE4NDRE KERN ' ente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis e Daniel Mauricio Fedato. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Cuida-se de recurso voluntário (fls. 85 a 100) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão n2 14-12.944, de 5 de junho de 2006, da DRJ/RPO, fls. 73 a 79, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/06/2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE RECEITAS TRANSFERIDAS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. 1 A dedução da base de cálculo da Cofins, no período de 1 competência de 1° fevereiro de 1999 a 10 de junho de 2000, de valores contabilizados como receitas, posteriormente transferidos para outra pessoa jurídica, dependia da regulamentação pelo Poder Executivo da norma então vigente que previa tal exclusão e também da comprovação de que os valores excluídos foram de fato transferidos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/06/2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE RECEITAS TRANSFERIDAS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. A dedução da base de cálculo da contribuição para o PIS, no período de competência de 1° fevereiro de 1999 a 10 de junho de 2000, de valores contabilizados como receitas, posteriormente transferidos para outra pessoa jurídica dependia da regulamentação pelo Poder Executivo da norma então vigente que previa tal exclusão e também da comprovação de que os valores excluídos foram de fato transferidos. 2 - Processo n° 13888.000582/2001-27 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.022 Fl. 169 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/1999, 01/10/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 30/06/2000 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇA-0. A homologação de compensação de débito fiscal efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de declaração de compensação (Dcomp), depende da comprovação da certeza e liquidez dos indébitos fiscais utilizados por ele. INTIMAÇÃO ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, nesta fase do processo as notificações e intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Solicitação Indeferida". Em 15/05/2001, Construtora Cataguá Ltda. formulou os pedidos de fls. 01 e 2, requerendo a restituição dos seguintes montantes: R$ 3.960,67 (três mil novecentos e sessenta reais e sessenta e sete centavos) e R$ 23.516,10 (vinte e três mil quinhentos e dezesseis reais e dez centavos), referentes, respectivamente, ao PIS e à Cofins incidentes sobre receitas que teriam sido transferidas a outra pessoa jurídica e que não foram deduzidas da base de cálculo dessas contribuições no período de competência de 1999 a junho de 2000, nos termos da Lei n2 9.718, 27 de novembro de 1998, art. 3 0, § 2°, III. Cumulativamente, o requerente declarou a compensação do direito creditório almejado com débitos fiscais de sua responsabilidade (fl. 03). Para comprovar os indébitos e os montantes reclamados, anexou ao seu pedido as planilhas de fls. 05 a 07 e as cópias dos DARFS de fls. 12 a 1. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Piracicaba, SP, indeferiu a solicitação e não homologou a compensação declarada, nos termos do Despacho Decisório n° 3, de 04/01/2006, fls. 44 a 49, sob o fundamento de que a aplicação do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, posteriormente revogado por meio da Medida Provisáoria n2 1.991-18, de 9 de junho de 2000, art. 47, inciso 4°, alínea "b", dependia de regulamentação do Poder Executivo, o que, no entanto, jamais aconteceu. A DRF aventou ainda o Ato Declaratório n2 56, de 20 de junho de 2000. Sobreveio a Manifestação de Inconformidade das folhas. 59 a 68, por meio da qual, em síntese, pugna pelo reconhecimento de seu direito de deduzir da base de cálculo do PIS e da Cofins valores computados como receitas e posteriormente transferidos para outra pessoa jurídica. Repisando os mesmos argumentos expedidos no Despacho Decisório, a DRJ- RPO/1 a Turma julgou a reclamação improcedente e manteve o indeferimento da solicitação e a não-homologação das compensações declaradas, nos termos do acórdão cuja ementa foi acima transcrita. Vem agora o requerente, em sede de recurso voluntário, após resumir os fatos relacionados com seus pedidos de restituição e suas declarações de compensação, insistir no seu direito à repetição do que considera indébito tributário, sob o argumento fundamental de que o contribuinte não pode ser prejudicado pela omissão do Poder Executivo em regulamentar o inc. III do § 2° do art. 3° da Lei n2 9.718, de 1998. Invoca doutrina e jurisprudência em seu socorro. C\;" 3 Processo n° 13888.000582/2001-27 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.022 Fl. 170 A exemplo do que já havia feito na sua reclamação, discorreu sobre a Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que trata da não-cumulatividade das referidas contribuições e sobre a Instrução Normativa SRF n° 126, de 1988, que, durante sua vigência, permitia a exclusão da base de cálculo do PIS dos valores repassados a sub-empreiteiras. Entende que a referida IN foi "recepcionada" pela Lei n2 9.718, de 1998, por não ser com ela incompatível. Na continuação, retoma a discussão sobre o conceito de faturamento e a ampliação da base de cálculo dessas contribuições promovida pela Lei n° 9.718, de 1998, concluindo por sua inconstitucionalidade e invalidade. No que diz respeito às compensações declaradas, repisa a base legal que as amparou, em especial, o art. 66 da Lei n2 8.383, de 1991, para argumentar que a as mesmas não dependem de prévia autorização do Fisco, bastando que se cumprissem as determinações do art. 21 da Instrução Normativa SRF n 2 210, de 30 de setembro de 2002. Anexa à peça recursal farta documentação (fls. 108 a 164). Pugna pela reforma da decisão de piso para o efeito .de ser reconhecido o seu direito creditório, com a consequente homologação das compensações. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 85 a 100 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-RPO n 2 14-12.944, de 5 de junho de 2006. A espécie litigiosa em apreço remete à discussão em que se pretende conferir eficácia ao inciso III do § 2' do art. 3 da Lei if 9.718, de 1998, sem que esse tenha sido regulamentado pelo Poder Executivo. O referido dispositivo legal, enquanto vigente, determinava, in litteris: "Art. 3' (•..) ,sç 2' Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2, excluem-se da receita bruta: III - os valores que, computados corno receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; ". (grifei) Portanto, apesar dos argumentos contrários do recorrente, verifica-se que a norma legal, inequivocamente, encontrava-se com sua eficácia condicionada à regulamentação 4 Processo n° 13888.000582/2001-27 83-T E03 Acórdão n.° 3803-00.022 Fl. 171 pelo Poder Executivo, no que concerne à exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, uma vez computados como receita, houvessem sido posteriormente transferidos para outras pessoas jurídicas. Irrelevante, na espécie, a premissa de que a regulamentação não poderia alterar o conteúdo da lei. O que se deve considerar, aliás, foi a lei que assim o quis, é que o dispositivo normativo não tinha o atributo da auto-executoriedade, e, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, o preceito legal não poderia produzir efeitos. Ademais disso, verifica-se que o dispositivo em apreço, sem que sequer tenha sido regulamentado, foi expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n0 1.991-18, de 2000, atual Medida Provisória n 2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, não tendo, assim, produzido qualquer efeito no curso de sua vigência. Nesse sentido, aliás, o Ato Declaratório SRF n 56, de 2000, apresenta os mesmos irrefutáveis fundamentos: "O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2 do art. 3' da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n' 1.991- 18, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado : não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de lde fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica." (grifei) A declaração acima, de outra parte, vai ao encontro do que tem decidido os tribunais. O Tribunal Regional Federal da 4a Região, por exemplo, a despeito de, em alguns de seus julgados, ter exarado o entendimento de que a falta de regulamentação do dispositivo em tela não poderia prejudicar os contribuintes, decidiu, também, que os custos dos serviços subempreitados não se encontram abrangidos pela hipótese discutida, conforme demonstra o aresto abaixo reproduzido: "TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. ART. 3', § IH, LEI 151.2. 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. GASTOS COM SERVIÇOS SUBEMPREITADOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo para possibilitar a aplicação do art. 3, § 2, III, da Lei n' 9.718, de 1998, não poderá contrariar o referido dispositivo, apenas explicitá-lo. O contribuinte não pode sofrer prejuízos em face da ausência de regulamentação do dispositivo em questão, razão pela qual é possível deduzir da receita bruta, para fins de 5 Processo n° 13888.000582/2001-27 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.022 Fl. 172 . - determinação da base de cálculo da contribuição, os valores que, computados como receita, foram transferidos a outras pessoas jurídicas. 2. No entanto, não são passíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas, decorrentes de pagamentos de custos operacionais diretos e indiretos da empresa, inclusive os gastos com serviços subempreitados. 3. A base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS consiste no faturamento ou receita bruta, conceito que contempla a `totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para a receita'. 4. A definição de receita bruta abrange todos os ingressos financeiros decorrentes da realização das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, inclusive os decorrentes de pagamentos de custos operacionais diretos e indiretos da empresa vendedora de mercadorias ou prestadora de serviços. 5. A dedução de determinadas importâncias, seja a título de tributos, seja a título de transferências a outras pessoas jurídicas, por exemplo, na omissão de previsão legislativa expressa, viola o § 6 do art. 150 da CF/88." (Tribunal Regional Federal da 42 Região; Apelação Cível n' 2000.70.01.007299- O/PR, Apelante: Emisa Eng. de Montagens Industriais Ltda.; Apelada: União Federal; Sessão de 04/11/2003)." (grifei) De outra parte, no âmbito da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, a jurisprudência dominante tem sido firmada no sentido de que o inciso III do § 22 do art. 32 da Lei d. 9.718, de 1998, constituía norma de eficácia limitada e que, em face da falta de regulamentação, não produziu efeitos, como ilustram os seguintes julgados: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9.718/91, ART. 3', § 2, IIL NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico- tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, `as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.' Isto porque, 'não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam,ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem'. 2. A lei II' 9.718/91, art. 3', § 2, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta 6 Processo n° 13888.000582/2001-27 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.022 Fl. 173 norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedou-se inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 1991-18/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 32, § 22, Hl, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que 'se o comando legal inserto no artigo 3, ,sr 2, III, da Lei rf 9718/98, previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP ri2 1991-18/2000'. 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer beneficio tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, 'não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensaÇãO dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 'In casu', o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência.' 6. Recurso Especial desprovido." (STJ, Primeira Turma; REsp 518.473/RS; DJ de 19/12/2003) "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 32, § 22, INCISO III, DA LEI 1n12 9.718/98. NORMA DEPENDENTE DEREGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N-2 1991-18/2000. I - O comando legal inserto no artigo 32, § 22, IH, da Lei n2 9.718/98 estabelecia a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, a depender de normas regulamentares do Poder Executivo. II - Com a edição da Medida Provisória n Q 1.991-18/2000, o dispositivo em comento foi retirado do mundo jurídico, antes mesmo de produzir os efeitos pretendidos. Portanto, embora vigente, não teve eficácia, já que não editado o decreto regulamentador. III - Recurso especial improvido." (STJ, Primeira Turma; REsp nQ 512.232/RS; DJ de 20/10/2003) 7 Processo n° 13888.000582/2001-27 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.022 Fl. 174 . • Dessa forma, é de se negar provimento à pretensão da impugnante no sentido de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da auto-executoriedade, foi revogado pela Medida Provisória rf- 1.991-18, de 2000, sem que sequer houvesse produzido efeitos no curso de sua vigência, haja vista o fato de não ter sido regulamentado pelo Poder Executivo. Sem amparo legal para a exclusão da base de cálculo pretendida pelo requerente, ora recorrente, não há falar em indébito tributário, no que procedeu corretamente a autoridade administrativa, ao não deferir a solicitação e não homologar a compensação, e a DRJ-RP0/1 a Turma, ao ratificar tais decisões. Conclusaes Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2009. • ALEX NDRE KERN 8
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000010/2008-03
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da declaração de rendimentos só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração de rendimentos só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 57 1 56 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13707.000010/200803 Recurso nº 172.295 Voluntário Acórdão nº 2801002.352 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente CARLOS ALBERTO TAVARES DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração de rendimentos só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 61DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16402.3DDB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13707.000010/200803 Acórdão n.º 2801002.352 S2TE01 Fl. 58 2 Por sua pertinência, adoto o Relatório do acórdão de primeira instância (fls. 41), que reproduzo a seguir: “Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação.” A 1a Turma da DRJ/Rio de JaneiroII julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Cientificado do acórdão de primeira instância em 03/06/08 (fls. 45), o interessado interpôs, em 30/06/08, o Recurso de fls. 46/47, expondo, em suma, os seguintes argumentos: a) requer a desconsideração dos valores não tributáveis, que se referem ao Adicional por tempo de Serviço e Compensação Orgânica, que foram incluídos ilegalmente, conforme estatuído no art. 1o, III, da Lei n° 8.852/94, uma vez que os mesmos foram indevidamente incluídos nos rendimentos tributáveis, conforme relatado ulteriormente, para que assim, possa fazer nova apuração do imposto devido, adequandoo de forma justa e legal; b) os rendimentos considerados pelo Fisco como tributáveis não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, por força do disposto na Lei n° 8.852/94, em seu art. 1o, inciso III, alíneas "d" e "n". Diante do exposto acima requer o acolhimento de seu recurso para fins de cancelamento do débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 62DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16402.3DDB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13707.000010/200803 Acórdão n.º 2801002.352 S2TE01 Fl. 59 3 Cumpre informar, inicialmente, que, de acordo com os arts. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional, e 832 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, a apresentação de declaração de ajuste anual retificadora, quando vise a reduzir ou excluir tributo, somente é permitida mediante a comprovação do erro em que se funde e antes de iniciado o procedimento de ofício, sendo que tais requisitos não se encontram preenchidos neste caso. Acerca da alegação de que os rendimentos considerados como omitidos não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, por força das disposições contidas na Lei nº 8.852/94, cumpre assinalar que a matéria em discussão já se encontra pacificada neste Conselho, por intermédio da Súmula CARF nº 68, cujo entendimento é contrário àquele defendido pelo recorrente, como pode ser constatado pela leitura da respectiva súmula, reproduzida a seguir: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. É importante destacar que, nos termos do disposto no art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/09, com alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, publicadas nos DOU de 31/08/2009 e de 22/12/2010, as súmulas deste Conselho são de observância obrigatória pelos seus membros. Por tais razões voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 63DF CARF MF Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.1019.16402.3DDB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012 10:14:22. Documento autenticado digitalmente por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 25/04/2012 e WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 23/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.1019.16402.3DDB Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: B9C912BAC2DDFD499DEFBE0C5FB4D6F0A3188887 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13707.000010/2008-03. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10640.000392/2005-48
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2004
DIF-PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
PENALIDADE.
A não-apresentação, ou a apresentação da Declaração Especial de
Informações Relativas ao Controle do Papel Imune após o prazo estabelecido para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída na legislação para o descumprimento dessa obrigação acessória.
NORMA PENAL MAIS BENIGNA. RETROACÃO
Reduz-se a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal mais benigna.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2004
ARGUICÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO
ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.
O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. (Súmula nº 2 do Segundo Conselho de Contribuintes).
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3803-000.207
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade para R$ 12.500,00 (doze mil e quinhentos reais), nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. A não-apieseniação, ou a apresentação da Declaração Especial de lírtõnnações Relativas ao Controle do Papei Imune após o prazo estabelecido para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída na legislação para o deseurnprimento dessa obrigação acessõt ia. NORMA PENAL MAIS BENIGNA. R ETROACÃO Reduz-se a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal Mais benigna. ASSEN 10: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/200.3 a 30/06/2004 ARGUICÕ ES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitueionalidade da legislação tributária. (Súmula n" 2 do Segundo Conselho de Contribuintes). Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. Acordam Os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade para. RS' 12.500,00 (doze mil e quinhentos reais), nos termos do voto do relator. AI,EAANDRL KERN - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, lvan 11élcio Lafeta Reis, Daniel Mauricio Fedato e Carlos Ilemique Martins de Lima. Relatório Cuida-se de recurso (fls. 85 a 89) interposto pelo reconente acima qualitiea.do, contra o Acórdão n" 09-21.043, de 2 de outubro de 2008, da DRI/JFA, lis. 76 a 79, cuja ementa foi vazada nos seguintes lermos: 4.N.N11131,0 il C e .Svria Período da apuração 01/04/200.3 a $0/0O/2004 D1E-P./WE1 IMUNE. FALTA OU ;URANO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO A não-apresentação, ou a apresentaçi'io da DIF-Papel Imune (Os os prazos estabuiceido para a enticga dd.:.'..Nsa. dedal ação, sujeita o conti ibuinte à impo..sição da multa mtrvisla no arti , o 57 da MP 2 .158-35 Lam;:amento Pi.oucili•nk• Após resumir os latos relacionados com a lide, o recorrente requer a improcedência. do Auto de Infração de fls. 3 e 4 e anexos, alegando, em síntese a ilegalidade da pe.n.alidade aplicada pelo atraso na entrega da Declaração [Special de 1n-1M-inações Relativas ao Controle do Papel Imune - DIF-Papel Imune referente ao 2", 3' e 4" trimestres de 2003 e 1" e 2" trimestres de 2004. Referindo e transcrevendo excertos de doutrina de Carrazza e de Souto Maior Borges argumenta a ilegalidade da 'Instrução Normativa SRL n" 7], de 24 de agosto de 2001. Pede o cancela-mento da multa aplicada É o Relatório., Voto 2 Processo 0 106 .10 000:',92/2005-1 5 53-1E03 Ac(ii ao o" 3803-00.207 1.1 92 Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos rccursais, a petição de Ils„ 85 a 89 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão IV 09-21.043, de 2 de outubro de 2008. Destaco inicialmente que a obi igação acessória de que se trata — apicsentação da D11‘» -Papel Inume decorre de deferência legal à Seu ciaria da Receita Federal — S.RE, operada. pelo art. 16 da Lei n'L' 9 779, de 19 de janeiro de 1999, matriz legal do art. 212 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — 1.121, aprovado pelo Decreto n" 4.544, de 26 de dezembro de 2002 RIPI/2002, abaixo ti ansuitu: Art 212 A ,SRE poderá dispo/ sobre a% obri,ç, ações acessórias clalivas- ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condiçães para O %eu illlent0 e o i eSpediVO feSpOil.SáVel (Lei a" 9 779, de /999, ai( .16) Munida dessa autorização legal, cuja constitueionalidade escapa da competência desse colegiado questionar, a teor da Súmula 2° CC. n" 2 a extinta. SRI' editou a Instrução Normativa SRI r 9 71, de 24 de agosto de 2001, mais tarde alterada pela Instrução Normativa S R l' W9 I 01, de 21 de dezembi o de 2001, e pela Instrução Normativa SIZI-7 IV 134, de 8 de fevereiro de 2002, para criar a Declaração Especial de lnrorniações Relativas ao Controle do Papel Imune - 1)IE-Papel. Imune (art. 10), instituir a. obrigação acessória de apresenta-1a (art. 11) e remeter. a sanção para os que a descumprirem ao art. 57 da NIP n" 2.158- 35, de 2001, matriz legal do art. 505 do RIPI/2002: Ari: 505 O descumprimento das obrigacãcs acessórias exigidas nos termos do ¡irl. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5 000,00 (cimo mil cais), pot mês-calt:Julário, aos contribuintes que deivarem de fornecer, nos prazos CS/a //e/0CW!) S, (IN iuformaçoes ou esclarecimentos solicitados (Medida Piovisót ia n."2 158-35, de 200], ar 57) ParágralO único Nd hipótese de pessoa jurídica optante Pelo d multa de que trata o eaput será reduzida em setenta por cento (14/Tedi.da Pre:wisória n" 2 /.58-35, de 2001, (ui 57, parágrafo Ui? t. o) (_) recorrente não loge à regra e, assim como todos os inadimplentes do cumprimento de obrigação acessória, penalizados com a multa regulamentada pela 1-1\1.-SRE 71, de 2001, inquina tal sanção de nulidade. O recorrente cita excertos de doutrina que rechaçam a possibilidade de instituição da obrigação acessória em apieço por instrumento normativo i n fralegal, Não penso assim. O Código Tributário Nacional [CTN], no titulo H, "Da Obrigação Tributária" ao conceituar a obrigação acessória indica que ela decorre da legislação tributária O próptio C l'N, no art. 96, define o que vem a ser a expressão "legislação tributária" afirmando que "compreende as leis, os tratados e as convenções St:anula n" 2 do Seiinclo Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de IR de setembro de 2007: "O Sepindo Conselho de Contlibuintes não é competente para se pionunenn sobre a ineonsiitucionalidade da legislação Itibuiuitia 3 irdeinacic.mais, as' decretos e as normas complementar CS que versem, no todo ou cm parte, sobre tributos e ruh"IçõeS jurídicas a eles pertinentes. Portanto, criar unia obrigação acessória não é prerrogativa de lei Ntriciu sen.su, nos termos do que rege o CfN. ioda. essa digressão é, no entanto, despicienda, no caso vertente. É que a multa de que se trata não -foi instituída pela 1.N-SR.h n2 '71, de 2001 Essa penalidade, aplicável a todas as hipóteses de descumprim.ento de obrigações acessórias estabelecidas pela SIZ_E, :foi in.stituida pelo artigo 55 da MP 2. -158-34, de 2001, que, por força do art. 2" da Émenda Constitucional n" 32, de 2001, encontra-se ern vigor até a presente data, com tinça de lei. Assim, creio ter demonstrado, ainda que de forma concisa, a base em que se sustenta a aplicação da penalidade, rechaçando a .ilegalidade argüida. Cumpre esclarecer, também, .já que se trata de argumento recorrente nos recursos voluntários da espécie, que a iludia torna-se aplicável a partir da constatação do atraso na entrega da declaração, e não após o prazo estabelecido em intimação fiscal para tanto, independenteniente de já ter sido expedido o ato declaratório do registro especial, ou de ter ocorrido movimentação de estoque, conforme claramente especificado nas instruções de preenchimento da 1)11.-Papel Imune: O devim ante (ICI)Un 't SeleCiOntli C0/1C511011deffliCN atividades do estabelecimento que. cstilw .sendo cadastrado. O campo IV" Registro Especial não é de preenchimento obrigatório paro o estabelecimento que não estiver r1h1.5 prOgr(1191a, quando O declarante acionar O opção "Fechar", emitirá uma mensagem para a po.s.sibilidade de rCgiSirar esse As ti Cs células que estão à direita do ti (////0 "TipOS Registros/Numero de Rcg,isfto Especial" permitem ao declarante informar que no trimestre não houve movimentaçao de notas fiscais., produção de publicações ou movimentação de estoques. - Célula "Sem informação de Notas Fiscais": assinale caso não Ou//a havido movimentação de notas fiscais arifèrentes a papel inume, livros, "ornais e periódieo.s no trimestre base da DIF-Papel Imune. - Célula "Sem informação de Produção Publicações": assinale caso não lenha havido produção de livro, jornais O periódicos no trimestre referéncia da declaração. 6 - Célula "Sem Informação de Movimentação de Estoques" assinale caso não tenha havido movimentação de estoques de papel imune, de livros e de apwa.s, sobras e papel inutilizado no Ir imestre referé'ncia declaração Ou seja, não é a intimação pela Fiscalização que institui o obligado em mora no cumprimento da obrigação acessória, razão pela qual não prospera a exceção de comprimento espontâneo da obrigação, antes de qualquer atividade do Fisco.. O instituto da denúncia espontânea do ar t. 138, do CIN :não abriga as obrigações de fazer, como é o ca.so das responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo,que não são alcançadas. .Destarte, os argumentos trazidos pelo recorrente contra a penalidade imposta são alegações chio reconhecimento depende da confrontação do texto legal que estabeleceu a. imposição da multa (art.. 55 da MP 2.155-34) com o texto constitucional e demais princípios que regem a atividade legislativa. E alegações acerca da inconstitueionalidade e da ilegalidade das normas tributárias não podem ser apreciadas na esfera administrativa, por transbordar . os Processo n" 0610 000392/20n5-1 3 S3-TE03 .Aeórdão ii3803-00:107 EI. 93 limites de sua competí.'neia. legal. O que se julga é a aplicação da norma, não sua validade „jurídica.. F, corno visto, no caso concreto a legislação foi aplicada corretamente no que diz respeito à exigência da penalidade. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo apenas e tão-somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da. criação das normas jurídicas que regularão o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a eampetê.ncia legislativa conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata têm o condão de criar redações jurídicas de direito material. Por este motivo, não há como acatar a tese apresentada pelo recorrente. A rigor, deve ser aduzido que o princípio da estrita legalidade é o paradigma da atividade administrativa estatal, sendo que a apreciação de questionamentos de jaez constitucional não é província da atividade de .julgamento administrativo empreendida pelo órgão competente no seio da Administração Pública, competindo-lhe tão-somente aplicar o direito tributário positivo.. Por essa mesma razão, afasto, peremptoriamente, qualquer insinuação de que a penalidade de que se trata tenha ferido os princípios da ra.zoabilidade, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da isonomia, ou de que tenha natureza. conti scatori a . Portanto, entendo que a presente multa foi corretamente aplicada., não sendo o caso de substituí-la, nem de reduzi-la, ao teor do artigo 136 do CIN.. Entrementes, a Lei n" 1.1,945, de 4 de . junho de 2009, cm seu art. 1', § 3 0 , I e II 2 soterrou de vez a dúvida quanto à legalidade da. instituição dessa Obrigação acessória, por instrução normativa, atribuindo expressamente à RFB essa prerrogativa A citada lei, em seu § 4, 1. e também alterou significativamente as penalidades para o de,scumprimento da obrigação acessória. A multa pela infração que era cumulativa por mês de atraso, foi repartida em duas naturezas, conforme incisos I e II: no primeiro caso, ad valorem incidente sobre os valores apurados em três eventos distintos, com valores limitiotes mínimo e máximo; no segundo, de valor fixo, confinme o porte da sociedade, na hipótese da entrega da DIE-Papel com atraso. Repare-se, ainda, que elas podem ser mutuamente cumulativas. 30 1-ica atribuída à Seercraria da Receita Federal do Brasil competência para: - expedir normas complementares ielativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua corh-essão Ii - estabelecei a periodicidade e a forma de comprovação da con eia destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. 3 § 4o O não cumprimenro da obrigação prevista no inciso II do deste artigo sujeitará a pessoa juridica seguintes penalidades: I - 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e li - de R$ 2 500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as- informações não forem apresentadas no p1 uso estabelecido 5 No caso presente, O tato tipificado diz respeito, exclusivamente, a "talta/atraso na prestação de intOrmações" Não há indicação de que tenha havido omissão de informações sobre operações conto papel imune omitidas Assim, em lace da retroatividade na troiana penal mais benigna, prevista no art 106, 11., "c" do CTN, i luz das disposições legais citadas, considerando-se que se trata de sociedade enquadravel como micro ou pequena empresa, a penalidade originalmente aplicada deverá ser i eduzida para R$ 12 500 (doze mil e quinhentos reais), consoante o disposto no inc lido § 4' do ai 1. 1" da Lei 11..945, de 2009 Ante o exposto, voto pui dar parcial provimento para reduzir a penalidade aplicável, adequando-o à Lei n" 11 945, de 2009 ALE ireA..... "ANDRE KERN\\\._ 6
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Numero do processo: 10183.902579/2011-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2005
DIREITO SUPERVENIENTE. CSRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Mudando o que deve ser mudado, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição devida o valor da contribuição retida na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo da contribuição.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada.
Numero da decisão: 1003-003.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação das determinações da Súmula CARF nº 143, para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2005 DIREITO SUPERVENIENTE. CSRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Mudando o que deve ser mudado, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição devida o valor da contribuição retida na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo da contribuição. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2005 DIREITO SUPERVENIENTE. CSRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Mudando o que deve ser mudado, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição devida o valor da contribuição retida na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo da contribuição. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação das determinações da Súmula CARF nº 143, para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 25 79 /2 01 1- 61 Fl. 559DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de Acórdão nº 12- 103.932, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: O presente processo tem origem nas Per/Dcomp nºs 17767.18234.261006.1.3.03-6110 e 34041.37930.160909.1.2.03-1651, onde se registra crédito de saldo credor de CSLL do 4º trimestre do ano-calendário de 2005. 2. As Per/Dcomp referidas foram analisadas pela DRF – Cuiabá com a emissão do Despacho Decisório de fls. 22/26, não tendo sido reconhecido direito creditório. Em consequência, não foi homologada a compensação e foi indeferido o pedido de restituição. 3. Quanto às parcelas registradas nos Per/Dcomp, que compuseram o saldo credor, foram confirmadas parcialmente as retenções na fonte, motivo da não homologação Dcomp e do indeferimento da restituição. 4. Consoante documento de fl. 27, a interessada foi cientificada em 17/06/2011 do Despacho Decisório. 5. A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, em 19/07/2011, fls. 28/30, arguindo, em síntese, que: 5.1. estão incidentes à alíquota de 1% os rendimentos pagos ou creditados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, pela prestação de serviço de limpeza, conservação, segurança, vigilância e locação de mão-de-obra. Assim, o IR retido será considerado antecipação do devido pela beneficiária (art. 649 do RIR/99 e ADN Cosit nº 6/2000); 5.2. diferente da conclusão do Despacho Decisório, as retenções informadas na Dcomp contemplam inteiramente as informações das retenções sofridas; Fl. 560DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 5.3. como prova, em face de não ter sido possível, em alguns casos, a juntada dos comprovantes de retenção, apresenta cópia de nota fiscal, Diário, planilhas demonstrativas e Razão; 5.4. o erro de informação por parte da fonte pagadora na emissão da Dirf, não exclui o seu direito; 5.5. alguns documentos de informe de rendimentos foram impressos pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora enquanto que os créditos informados na Dcomp estão com o CNPJ do estabelecimento filial, seria uma possível razão de divergência de valores, contudo não tem o condão de inibir o direito creditório; 5.6. conclui pedindo a suspensão dos débitos até decisão definitiva e sejam acolhidas as argumentações e provas da efetiva retenção, com a reconsideração do Despacho Decisório e com a homologação da Dcomp e do pedido de restituição. 6. Juntou aos autos os documentos de fls. 31/505.” A Turma da DRJ julgou a manifestação improcedente sob o argumento de ausência de comprovação do direito creditório em discussão Ciente do acórdão recorrido, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo: “(...) 2. Do direito 2.1 Da integridade do saldo negativo de CSLL informado pela Recorrente – Glosas indevidamente efetuadas - Dos documentos comprobatórios Inicialmente, conforme se depreende da referida decisão ora impugnada, sustenta o Ilmo. Relator a qualidade dos demais documentos comprobatórios trazidos pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, sob a alegação de que somente o comprovante de retenção, nos termos do art. 943 do RIR/99 (vigente à época), seria prova apta a demonstrar as retenções sofridas pela Recorrente. Assim, os demais elementos de instrução/prova (em especial as Notas Fiscais e Livro Razão) foram sumariamente ignoradas quando da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro. Contudo, ao contrário do sustentado pela decisão recorrida, as notas fiscais e as demais provas colecionadas demonstram conteúdo capaz de comprovar cabalmente as retenções sofridas pela Recorrente. Isto posto, importante antecipar a transcrição de trecho do voto proferido pela antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, analisando caso absolutamente similar, manifestou-se da seguinte forma: “Ora, se a Nota Fiscal é documento hábil à comprovação de receitas componentes da apuração do imposto, inequivocadamente também o será do imposto retido na fonte, compensável, dela constante.” (Processo nº 13907.000167/00-28; 1ª Turma/DRJ Curitiba/PR; julgado em 02/07/2003) (grifou-se) Logo, também por intermédio das anexas Notas Fiscais, é possível a confirmação da retenção na fonte dos valores informados no PER/Dcomp apresentado pela Recorrente, inexistindo, assim, razões para serem mantidas as glosas parciais efetuadas em face do saldo credor de CSLL relativo ao 4º trimestre de 2005. Fl. 561DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 Ademais, insta colacionar algumas decisões do CARF, em casos análogos ao presente, entendendo que a apresentação de outros elementos de provas, em especial Notas Fiscais, são documentos hábeis a comprovar a retenção dos valores na fonte, in verbis: (...) Assim, conforme se depreende dos acórdãos supratranscritos, entende o CARF que configuram-se completamente legítimos os meios de prova utilizados pela Recorrente, a fim de provar a veracidade das retenções que suportou. Apenas a fim de ilustrar o alegado, conforme se verifica das Notas Fiscais anexas ao presente processo administrativo, bem como dos lançamentos relativos no Livro Razão; os valores retidos pelas fontes pagadoras foram expressamente destacados e escriturados nestes documentos fiscais. Veja-se destaques dos documentos abaixo colacionados (fls. 122/304 e 144/289), sendo o confronto de NFs x Razão, respectivamente: Ora, da simples leitura dos trechos sublinhados, resta evidente que os documentos trazidos são provas suficientes do alegado. Destarte, em consonância com o entendimento do CARF, que sedimenta a juridicidade do argumento apresentado pela ora Recorrente, devem as notas fiscais e livro razão serem aceitas como prova de retenção da CSLL pelas fontes pagadoras, confirmando-se, assim, o crédito utilizado para as compensações declaradas pela Recorrente. Por derradeiro, a Recorrente protesta desde já pela baixa dos autos em diligência, a fim de que sejam analisados os comprovantes em tela, os quais demonstram as retenções suportadas pela Recorrente. Fl. 562DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 2.3. Da verdade material dos fatos – Vedação ao enriquecimento ilícito do Estado Verifica-se, pelos princípios e normas que regem o processo e a atividade administrativa, o direito e dever do agente público, bem como do próprio administrado em perseguir a verdade material, que condiz na necessidade de busca da real ocorrência dos fatos praticados pela parte e a respectiva subsunção desse fato à norma tributária. Por assim ser, eventuais divergências entre os valores de CSLL retidas, informadas na DIRF´s dos tomadores, e aqueles indicados pela Recorrente na composição do crédito apontado no PER/Dcomp, deverá ser sanada pela análise de documentos complementares aos mesmos (notas fiscais e razões contábeis). Isto pois, a Administração Tributária está adstrita à busca pela verdade material no âmbito de suas observâncias procedimentais e processuais. Tal princípio impõe ao Fisco que se busque a realidade fática em detrimento da representação formal, ou seja, há o dever da fiscalização de investigar as operações realizadas pelo contribuinte, bem como buscar a verdade material dos fatos ocorridos na realidade. O princípio da verdade material é elemento norteador do processo administrativo tributário, que acaba por definir alguns limites aos poderes de cognição da administração pública como órgão julgador, e, por certo, um dos principais limites impostos é a prevalência do maior interesse no alcance da verdade material em detrimento da verdade meramente formal que norteia o processo civil brasileiro, pois tais princípios decorrem do direito de ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, todos assegurados constitucionalmente (art. 5º, LIV, CF/88). (...) Com efeito, oportuno destacar que qualquer percepção incorreta que não se coadune com a realidade e com os fatos é passível de verificação pela autoridade fiscal e, por assim ser, deve ser reconhecida, sob pena de se tornar válido e reconhecido aquilo que é falso. Tendo sido cabalmente demonstrado através dos documentos anexos ao presente, a afastar qualquer dúvida quanto aos valores de CSLL retidos na fonte; não resta margem a atitude outra que não seja a de homologação das declarações de compensação. Não obstante, a negativa em apreciar o direito creditório da Recorrente causaria invariavelmente um enriquecimento ilícito do Estado, o que a jurisprudência administrativa e judicial não admite. Isto porque, reconhecendo a existência de um crédito em favor do contribuinte e se negando a apreciar este direito, seria um evidente caso de enriquecimento indevido. O CARF ao analisar o tema, decidiu o seguinte: (...) Por derradeiro, apuradas as retenções da CSLL, em pagamentos realizados em favor do contribuinte, nasce o direito subjetivo de apropriar-se de tais valores para composição de sua base de cálculo negativa, o que nada mais é do que um efeito inexorável das relações jurídicas, sob pena de enriquecimento ilícito do respectivo ente tributante. Dito isso, em sendo admitidos os documentos anexos, como comprovantes suficientes das retenções sofridas, por todas as razões maciçamente expostas na presente estar-se-á concretizando a justiça e afastando o enriquecimento ilícito do Estado. 3. Das obrigações exclusivas do responsável tributário Conforme apurado pela Autoridade Fiscal, consta das planilhas apresentadas nas Informações Complementares ao Despacho Decisório divergência alegadas entre parcela dos valores de CSLL retidos na fonte, relativos ao ano-calendário de 2005 – mais especificamente relativas ao 4º trimestre – informados pela Recorrente em sua DIPJ, e os declarados nas DIRF´s dos Fl. 563DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 tomadores, no mesmo período; o que deu ensejo a glosa parcial dos valores objeto do pedido de compensação. A autoridade considerou, portanto, as informações constantes nas DIRF´s das fontes pagadoras, entendendo não confirmadas o montante total indicado como retido, ante a existência de quaisquer divergências. Por assim ser, a beneficiária dos rendimentos foi penalizada pela falta de cumprimento das obrigações acessórias de responsabilidade única de responsável tributário diverso (os tomadores de seus serviços). Pois bem, para se demonstrar o equívoco cometido pela autoridade que emanou a decisão, temos que, em primeiro lugar, já se demonstrou que as notas fiscais anexas são documentos hábeis a comprovar a retenção da CSLL e que os valores do imposto lá destacados são exatamente os mesmos escriturados no Livro Razão, objeto da compensação do crédito informado no PER/Dcomp. Daí já se vê a idoneidade e a seriedade da Recorrente. Depois, temos que não há lei que autorize punir o contribuinte pelo descumprimento de obrigações acessórias que não lhe competiam, mas que, pelo contrário, dizem respeito única e exclusivamente à fonte pagadora, sendo no caso a emissão do informe de rendimentos e a correta informação dos valores retidos nas DIRFs. Impossível conceber a ideia de que o contribuinte beneficiário do rendimento deva monitorar o cumprimento das obrigações acessórias que dizem respeito às fontes pagadoras que, no caso da Recorrente, são centenas. Desse modo, pretende a Recorrente consignar de forma cristalina que, as divergências apontadas entre o PER/Dcomp e DIRFs das fontes pagadoras, uma vez comprovada as retenções do imposto destacado nas Notas Fiscais e demonstrada a exatidão das informações prestadas em seus documentos, não podem justificar a glosa do saldo credor pleiteado. Ou seja, uma vez tendo sofrido a retenção do tributo, não pode a Recorrente- contribuinte ser penalizada pela deficiência nas informações prestadas pelas fontes- pagadoras em seus documentos fiscais e nem sequer pela eventual falta de recolhimento do CSLL retido na fonte, o qual devia ser repassado ao Erário. Compete, assim, ao Fisco, por intermédio dos meios que lhe são garantidos por disposição legal, exigir da fonte pagadora informações quanto à retenção da CSLL, solicitando-lhe inclusive os informes de rendimentos e de retenção das contribuições (que também fazem parte das obrigações acessórias do responsável) e, se for o caso, cobrar o que de direito, daquele que não efetuou o pagamento do valor retido, mas não, pura e simplesmente, glosar os valores divergentes entre declarações do contribuinte (PER/Dcomps) e do responsável (DIRF). Esse entendimento não difere do afirmado por este Tribunal Administrativo e até mesmo pelo Superior Tribunal de Justiça, veja-se: (...) Desta feita, por todo o exposto e considerando as provas idôneas, merece reforma a decisão ora proferida, mantendo-se os valores integrais informados na Declaração de Compensação, referentes ao 4º trimestre do ano-calendário 2005. 4. Do parecer normativo nº 1/2002 da SRFB Por fim, para se demonstrar que não há outra conclusão senão a de que deve ser reformada a decisão que glosou parte do saldo negativo da ora Recorrente, não é demais tecer algumas considerações acerca do Parecer Normativo n°. 01/2002 editada pela Receita Federal do Brasil, o qual trata de questões correlatas ao IRRF (que devem ser Fl. 564DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 adotadas in casu, em que pese discutirmos CSSL retido na fonte), tais como, responsabilidades quanto à retenção, hipóteses de retenção e não recolhimento pela fonte pagadora, não retenção por força de decisão judicial etc. Daí a importância de abordá-lo no presente Recurso. Outrossim, apontamentos sobre o Parecer em comento se fazem necessários, pois, uma vez demonstradas as retenções efetuadas, e que os valores divergem dos apresentados nas DIRF’s das fontes pagadoras por razões únicas e exclusivas dessas, a Recorrente não deve suportar quaisquer ônus sobre tal fato, sendo-lhe garantido o direito aos créditos decorrentes das retenções suportadas com a consequente compensação dos valores retidos. Com efeito, a procedência da alegação que se faz, vem corroborada pelo entendimento firmado pela RFB, quando da edição do Parecer em análise, senão vejamos: (...) Depreende-se do supratranscrito que, uma vez retido o CSLL pela fonte pagadora e não repassado aos cofres públicos, serão exigidos apenas e tão somente da fonte retentora/pagadora os devidos valores, acrescidos de multa de ofício, juros de mora. Aqui vale ressaltar que a empresa Recorrente ofereceu os valores retidos à tributação compatível, o que em momento algum foi contestado pela Autoridade Fiscal. Deve ficar claro, portanto, que as responsabilidades nos casos de retenção e não recolhimento do tributo retido é da fonte pagadora e não do contribuinte que sofreu as retenções e ofereceu a diferença à tributação. Diante do exposto, resta evidente o direito da Recorrente quanto às compensações efetuadas, uma vez que demonstrado cabalmente os valores retidos na fonte por intermédio das notas fiscais juntadas por amostragem que, conforme exaustivamente analisado com fundamento inclusive na jurisprudência do CARF, é documento idôneo para tanto, não procedendo desta forma a glosa dos valores efetuados pela Autoridade Fiscal. 5. Dos pedidos Por todo o exposto, requer seja conhecido e provido o presente Recurso voluntário para que: i. Sejam os autos baixados em diligência, para que sejam analisadas as demais provas colecionadas aos presentes autos, em especial as Notas Fiscais e o Livro Razão, a fim de que seja feita uma averiguação efetiva acerca dos valores retidos de CSLL no período em questão (4º Trimestre de 2005) ii) Sejam acatados todos os comprovantes colacionados pela Recorrente, haja vista que conforme entendimento jurisprudencial, possuem força probatória dos valores retidos; e, ao final, iii) Seja homologada a Dcomp de n. 17767.18234.26.1006.3.03-6110, bem como o pedido de restituição de n. 034041.37930.160909.1.1.03-1651 em sua integralidade”. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Fl. 565DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Conforme já relatado, o presente processo versa sobre as Per/Dcomp nºs 17767.18234.261006.1.3.03-6110 e 34041.37930.160909.1.2.03-1651, onde registra crédito de saldo credor de CSLL do 4º trimestre do ano-calendário de 2005, tal sado credor seria composto, segundo a Recorrente por retenções na fonte. Já DRJ, por sua vez, entendeu por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade em questão, sob o argumento de que o documento que comprova as retenções não é nota fiscal, planilha com valores, Diário ou Razão, mas sim o comprovante de retenção, nos termos do art. 943 do RIR/99. A Recorrente discorda de tal entendimento. Contudo, entendo assistir razão à Recorrente, pelo menos em parte, por conseguinte, o acórdão de piso merece reforma. Especificamente, no caso em questão, a legislação expressamente permite a dedução dos valores de retenção conjunta da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais referentes ao código de arrecadação nº 5952 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). O valor conjunto da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep é determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, no percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das seguintes alíquotas: a) 1% (um por cento), a título de CSLL; b) 3% (três por cento), a título de Cofins; e c) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), a título de PIS/Pasep. Assim, a controvérsia nos autos cinge-se ao reconhecimento da parcela retida na fonte a título de CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep que compunham o saldo negativo de imposto de renda apurado que a Recorrente informou no PER/DCOMP. A DRJ ao proceder a análise das retenções não conseguiu a comprovação de tais retenções, com base nas informações que constam no sistema do Fisco e não reconheceu o crédito, por entender, conforme dito, que os documentos apresentados pela Recorrente não constituíam elementos hábeis a comprovar a existência do direito creditório eis que há documento específico para tal por expressa disposição legal (art. 55 da Lei nº 7.450, de 23/12/85), Essa questão é conhecida por esta Turma de Julgamento, pois ocorre com frequência a não localização das retenções nos sistemas do Fisco e a interessada não apresenta o Informe de Rendimentos que deve ser emitida pelas fontes pagadoras que efetuaram as Fl. 566DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 retenções. Para ter direito a efetuar a compensação dos créditos a legislação de regência da matéria destaca a necessidade do contribuinte apresentar comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, senão vejamos o art. 55 da Lei n° 7.450/85: Fl. 567DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos Por outro lado, caso a fonte pagadora não encaminhe as DIRFs - Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte ao Fisco, o beneficiário do pagamento, e que teve as retenções sob o código 5952, fica sujeito ao não reconhecimento pela autoridade administrativa da ocorrência daquelas retenções, ficando sujeito a não homologação de eventuais compensações em que utilizar aqueles tributos retidos. É fato que é um direito do beneficiário do pagamento e um dever da fonte pagadora a emissão do Informe de Rendimentos. Contudo, forçoso reconhecer que o beneficiário do pagamento não tem gestão sobre o comportamento da fonte pagadora Para casos de comprovação de retenção sem informe de rendimentos, como o ora analisado, tenho adotado a regra de que a comprovação pode ser feita pela apresentação de outros documentos, como dos documentos contábeis carreados aos autos pela Recorrente, cujo embasamento legal é o §1º do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, vem como a Súmula CARF nº 143, com efeito vinculante Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Em suma, pelo entendimento sumulado por este Tribunal outros documentos, como aqueles juntados pelo Recorrente, e não apenas o comprovante emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, servem para a comprovação do direito creditório decorrente de retenção na fonte. Destarte, o pedido inicial da Recorrente pode ser analisado. Desta forma, a possibilidade de se comprovar retenções na fonte por outros meios de prova, que não apenas a apresentação de informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, foi examinada pela 1ª Turma da CSRF, no acórdão nº 9101-003.437, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário:1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE (IRRF). COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtê-lo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar lhe provimento. Fl. 568DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 No mesmo sentido, é a decisão abaixo do acórdão nº 9101-004.150: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000 DCOMP. INDÉBITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO POR RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. Afastado o entendimento de que a retenção não pode ser comprovada por outros meios, que não a apresentação do informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, os autos devem retornar à turma a quo, para o proferimento de nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise da documentação. Considerando os julgados acima, entendo que condicionar a homologação da compensação ao reconhecimento da retenção na fonte com a entrega única e exclusiva de informes de rendimentos, não se debruçando em relação aos documentos apresentados no processo, não deve prosperar. No voto do acórdão nº 9101-004.150, o Ilmo. Conselheiro Relator destacou em suas palavras: (...) Não há como impor um ônus para um contribuinte cujo atendimento depende única e exclusivamente de conduta a ser praticada por outro contribuinte (emissão de comprovante de rendimentos e de retenção na fonte). Se a fonte pagadora não emite o referido comprovante, ou se o beneficiário do pagamento não tem como obter esse documento da fonte pagadora (e isso pode ocorrer em função de várias situações), não se pode negar ao beneficiário do pagamento o direito ao aproveitamento da retenção que este sofreu e que consegue comprovar com outros meios de prova. Com efeito, a imagem de um empregado/servidor que recebe pagamento descontado do IRFonte e que não pode computar essa retenção na sua declaração de rendimentos porque a fonte pagadora não emitiu o correspondente informe de rendimentos e de retenção na fonte ilustra bem o que está sendo dito. (...) Em relação ao próprio caso sob exame, o acórdão recorrido esclarece que as retenções que foram reconhecidas pela Delegacia da Receita Federal, o foram a partir do banco de dados da RFB (ou seja, das informações extraídas das DIRF), e não dos informes de rendimentos que a contribuinte recebeu de suas fontes pagadoras. Fl. 569DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 Isso, por si só, já contrasta com o entendimento de que as retenções na fonte somente podem ser aceitas se o contribuinte apresentar o informe de rendimentos e de retenção na fonte que lhe foi entregue pela fonte pagadora. Neste contexto, à luz dos documentos juntados ao processo, verifico tratar-se de hipótese que faz jus a uma nova análise pela Unidade Local do direito creditório alegado, eis que em cognição sumária os documentos apresentados, Notas Fiscais e Livro Razão, atendem as regras que orientam minha decisão para a análise de retenções quando não apresentados os informes de rendimentos. O motivo de encaminhar a análise para a Unidade Local é porque as provas não foram analisados pela autoridade administrativa e para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame dos documentos, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp com base em pagamento indevido de estimativa, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora emitir novo despacho não havendo que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Fl. 570DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-003.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.902579/2011-61 Ante o exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação das determinações da Súmula CARF nº 143, para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 571DF CARF MF Original
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