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Numero do processo: 10580.731733/2010-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃO-CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
Numero da decisão: 1803-001.386
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10580.731733/201040 Acórdão n.º 180301.386 S1TE03 Fl. 54 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 30 e 31): Tratase de Notificação de Lançamento exigindo a multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, com base no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, alegando em sua defesa, em síntese: 1. Não houve qualquer omissão, supressão ou atraso no recolhimento dos tributos e contribuições federais pela impugnante, isto é, todo o crédito tributário derivado de obrigação principal, conforme o § 1º do artigo 113 do CTN, foi recolhido integral e tempestivamente pelo município; 2. A não apresentação da DCTF de forma mensal se deveu, na verdade, ao período de adaptação dos processos administrativos de recolhimento e declaração a uma nova sistemática legal, devendo ser reconhecido que, em função da multiplicidade de deveres acessórios impostos pela Fazenda Nacional, e pela dimensão e complexidade da impugnante, município capital do Estado da Bahia, é razoável a ocorrência de pequenas “turbulências” durante a transição entre um regime legal de operação administrativa e uma nova disciplina normativa; 3. Tanto isso é verdade que a impugnante, ao final do semestre, período de declaração pela antiga disciplina legislativa, ao constatar o equívoco quanto aos prazos e periodicidade da entrega da DCTF, imediatamente procedeu à confecção e remessa de suas declarações, cumprindo, de modo pleno e regular, suas obrigações acessórias, de modo espontâneo, antes de qualquer interpelação ou ato de exigência coercitiva; 4. Constatase, portanto, a ausência de qualquer prejuízo à arrecadação federal, bem como a inexistência de máfé ou propósito de sonegação por parte da impugnante, devendose aplicar ao caso a regra de equidade, o sentido de justiça no caso concreto que permite, ao agente aplicador da legislação tributária, mitigar o rigor de suas disposições punitivas, conforme o inciso IV do artigo 108 do CTN, devendo ser ressaltado que, na presente situação, se discute apenas a supressão de multa punitiva, e não de obrigação principal, o que seria vedado pelo § 2º do artigo 108 do CTN; 5. A possibilidade de aplicação de equidade fica ainda mais evidente quando se constata que a recente alteração legislativa, que resultou no equívoco de aferição de prazo para DCTF pela impugnante, gera dúvidas quanto “às circunstâncias materiais do fato”, que a prova do recolhimento integral do tributo impõe dúvidas quanto “à natureza ou extensão dos seus efeitos”, e que a natureza de ente público da impugnante controverte quanto a sua “imputabilidade, ou punibilidade”, e, deste modo, preenchidos os requisitos dos incisos II e III do artigo 112 do CTN, é de se aplicar uma interpretação mais favorável ao “acusado”, restando certo que a multa aplicada deve ser suprimida; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10580.731733/201040 Acórdão n.º 180301.386 S1TE03 Fl. 55 3 6. O dever do contribuinte de apresentar declaração à Receita Federal do Brasil sobre elementos relacionados aos fatos geradores dos créditos tributários federais, via DCTF, é uma obrigação tributária acessória, um fazer imposto pela Administração Tributária para facilitar sua atividade de fiscalização, já que impõe ao próprio contribuinte fiscalizado que forneça à Receita Federal do Brasil os elementos para aferição da regularidade dos seus recolhimentos; 7. Ademais, como admitido pela Notificação de Lançamento impugnada, a DCTF foi entregue antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, e, por isso, nos termos do artigo 138 do CTN, se caracteriza a denúncia espontânea da infração, com exclusão da responsabilidade pelo pagamento de qualquer penalidade; 8. A própria multa aplicada ultrapassa em muito a sua função punitiva e educativa, possuindo efeito de confisco e violando a proporcionalidade, nos seus parâmetros necessidade e conformidade. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 29): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em atraso pelo contribuinte enseja a exigência, pelo Fisco, da multa prevista na legislação tributária. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO APLICABILIDADE. Os efeitos da denúncia espontânea não se aplicam às obrigações acessórias cumpridas extemporaneamente. DCTF ENTREGUE EM ATRASO. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. DESCABIMENTO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. EQUIDADE. AFASTAMENTO DA MULTA. VINCULAÇÃO. Aos julgadores das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil falece competência para o afastamento, em função do princípio da equidade, de multa de ofício lançada em conformidade com a legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 01/03/2012 (fls. 37 – numeração digital ND), em 03/04/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 38 a 48 (ND), instruído com o documento de fls. 49 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10580.731733/201040 Acórdão n.º 180301.386 S1TE03 Fl. 56 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Intempestividade do Recurso 4. Dispõe o art. 33 do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972): Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. 5. Assim, cientificada em 01/03/2012, uma quintafeira (fls. 37 ND), dispunha a Recorrente do prazo de trinta dias para apresentar a sua inconformidade contra a decisão recorrida, prazo esse que se escoou impreterivelmente no dia 02/04/2012, uma segundafeira. 6. Tendo apresentado o seu recurso apenas em 03/04/2012 (fls. 38 ND), está este perempto (art. 35 do PAF). 7. Por conseguinte, aplicase ao presente caso o disposto no art. 42, inciso I, do PAF: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; 8. Ressaltese, por fim, que, ainda que assim não fosse, não teria qualquer sucesso o Recurso apresentado, não só em face da falta de competência legal deste Colegiado para aplicação de equidade, como, também, em vista do contido nas Súmulas CARF nºs 49 (denúncia espontânea) e 2 (multa confiscatória e desproporcional), de seguinte teor: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10580.731733/201040 Acórdão n.º 180301.386 S1TE03 Fl. 57 5 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por perempto. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 57DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000146/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005,2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
Numero da decisão: 1803-001.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005,2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
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ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10920.000146/200973 Acórdão n.º 180301.270 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Em decorrência de ação fiscal, levada a efeito em 19/01/2009, foi lavrado o auto de infração para exigir Imposto de Renda Pessoa Jurídica, PIS, COFINS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Contribuição para Seguridade SocialINSS, todos decorrentes da sistemática do Simples, acrescidos da multa de ofício de 75%. As infrações imputadas à recorrente são: omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados, no montante de R$ 447.311,57 no ano calendário de 2005 e R$ 1.348.246,93 no ano calendário de 2006 (f1.366), além de valores a titulo de insuficiência de recolhimento, decorrente da mudança de faixa de tributação. Devidamente cientificada a empresa recorrente apresenta impugnação de forma tempestiva em que alega, de forma sintética, que está enquadrada no Super Simples, razão pela qual não estaria obrigada a manter uma escrituração contábil, mas tão somente elementos contábeis que orientam as suas negociações. Afirma ainda a recorrente que não se utilizou dos valores depositados em sua conta corrente como vendas realizadas; mas que foi o auditor quem afirmou que as movimentações são transferências e não vendas realizadas, não podendo tais valores serem considerados como omissão de receitas. Assim, os valores levantados pela autoridade fiscal a titulo de créditos em conta corrente sem comprovação de origem não estão corretos, uma vez que não possui e nunca possuiu tal movimentação bancária e, sequer faturamento de tal monta; posto que os valores apurados fogem da realidade e não possuem consonância com os valores lançados como omissão de receitas. Ressalta que a autoridade fiscal deixou de observar um regramento entre os valores declarados como receita omitida e os valores dos impostos aplicados e; por fim, que o cálculo da Contribuição para a Seguridade Social é improcedente e deve ser modificado. A empresa recorrente pede o cancelamento do feito, juntando farta documentação. A autoridade julgadora de primeira instância, após um breve relato, manteve o lançamento, posto entender que a falta de qualquer justificativa ou de apresentação de documentos que pudessem aferir o mínimo de credibilidade às alegações autorizaram ao fisco lançar os tributos devidos. Ademais, a autoridade também atenta para o fato de que a recorrente, mesmo cientificada, impugna o feito de forma geral, sem preocuparse em desconstituir, por meio da apresentação de provas contundentes, a omissão que lhe foi imputada. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10920.000146/200973 Acórdão n.º 180301.270 S1TE03 Fl. 113 3 O julgado a quo atenta ainda para o fato de que a fiscalização apurou que a recorrente recebeu em suas contas bancárias créditos no valor de R$ 447.071,57 (referentes aos meses de setembro a dezembro/2005) e, no importe de R$ 900.935,36 (referentes aos meses de fevereiro a dezembro/2006), considerados omissão de receita nos termos do art. 42 da Lei n 2 9.430, de 1996. Consta do balanço que a pessoa jurídica auferiu no AC/2005 receita bruta anual no valor de R$ 226.897,62 e, para o AC/2006, de R$ 184.611,54 (fl. 160164). Aduz que a recorrente foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos ditos créditos, mas não logrou faze1o, sendo, por isso, autuada. A autoridade de primeira instância ainda reporta: “No Termo de Verificação Fiscal de fls. 365369, a autoridade fiscal fez constas as seguintes ressalvas: "... Naqueles anos, 2005 e 2006, a empresa optou por manter a escrita contábil completa. Assim, apresentou seus livros Diário n° 001 e 002 e Razão n° 001 e 002, correspondentes ao período sob fiscalização. 0 plano de contas, registrado ao final do livro Diário, não prevê a conta Bancos, nem há registro de movimentação bancária na conta Caixa. Convém ressaltar que todos os lançamentos representativos de ingressos de recursos têm como histórico "REC.VENDAS A VISTA N/IVIES" seguido de um número e de um nome, indicando tratarse de vendas a vista. No entanto, os dados de movimentação financeira indicavam um grande descompasso entre a receita declarada e a movimentação financeira ocorrida nos anos de 2005 e 2006. A Análise dos extratos bancários entregues das contas correntes n° 19.3607 (Agência 29815) e 185469 (Agência 02150) respectivamente do Banco do Brasil e do Banco Brasileiro de Descontos Bradesco resultou no Anexo ao Termo de Intimação de fls. 133142, após a retirada das movimentações efetuadas de uma conta para outra (com valores e datas correspondentes)...." No que tange ao fato de estar enquadrada no Simples o julgador a quo salienta que não assiste razão à recorrente em suas argumentações, quando aduz não ter necessidade de manter uma escrita contábil, por estar enquadrada no Super Simples, haja vista não haver dispensa de escrituração na legislação pertinente. Tudo conforme disciplina a Lei 9.317/96, em seu artigo 7°, porquanto que a norma faculta aos optantes pela sistemática a dispensa da escrituração comercial, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa com toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. No caso em análise, o julgador atenta para o fato de que a autoridade fiscal deixou consignado no Termo de Verificação que a reclamante optou por manter a escrita contábil completa, ou seja, escriturou Livro Diário e Livro Caixa sem, no entanto, registrar a movimentação bancária, seja por meio da conta Bancos (não contemplada em seu plano de contas), seja via conta Caixa, face o descompasso existente entre a receita declarada e a Fl. 562DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10920.000146/200973 Acórdão n.º 180301.270 S1TE03 Fl. 114 4 movimentação financeira decorrente da análise de seus extratos bancários. Desta forma diferentemente do que afirma a contribuinte há sim a necessidade de a pessoa jurídica optante pelo Simples manter, mesmo que minimamente (via Livro Caixa), o registro de suas atividades, contemplando, inclusive, a movimentação financeira havida em suas contas correntes bancárias. Quanto aos valores que circulavam pelas contas bancárias a autoridade julgadora refere que em nenhum momento a autoridade fiscal afirmou que os valores que transitaram pelas contas correntes seriam apenas decorrentes de transferências. O que existe é que do montante a ter a origem comprovada pela recorrente, ele excluiu os valores que correspondiam a transferências entre contas, posto que nestes casos a origem restava comprovada, qual seja, os valores saiam de uma das contas da recorrente para serem alocados na outra conta. Já no que tange à alegação de que não teria se utilizado dos valores questionados, o argumento não possui o condão de afastar o lançamento, posto que o que se tributa é a receita omitida que estes depósitos representam. Assim, o destino dado ao numerário não interfere na análise do processo. Utilizado ou não, o que importa é que intimado a comprovar a origem do numerário que circulou pelas contas correntes da pessoa jurídica, não obteve êxito, mesmo porque nada apresentou, mesmo depois de ser intimado em duas ocasiões distintas. Assim, o lançamento foi efetuado por ter sido apurada omissão de receitas a partir de levantamento com base nos extratos bancários fornecidos pela recorrente no curso dos trabalhos de auditoria fiscal. Os valores lançados no item 2 (insuficiência de recolhimento) decorrem do item 1 (omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados). Em decorrência da omissão de receitas, houve mudança de faixa das alíquotas. Cita a legislação que embasou o auto de infração, qual seja o artigo 42 da Lei 9.430/96. No tocante às alegações da recorrente referente ao erro na apuração dos valores, por parte da autoridade fiscalizadora, entende o julgador a quo que a recorrente deixou de apresentar provas desse alegado equívoco, bem como esclarece que quem forneceu os extratos bancários das contas correntes de titularidade da empresa foi a recorrente e que os valores de depósito para os quais a autoridade fiscal solicitou a comprovação da origem foram extraídos destes mesmos extratos. Assim, caso a recorrente discordasse da movimentação financeira que se encontrava registrada em seus extratos, caberia apenas a ela apresentar provas de que aqueles documentos estão errados. Prossegue observando que os extratos bancários, fornecidos pelo próprio contribuinte estão revestidos de certeza quanto aos valores ali informados, qualquer discordância tendente a afastar ou diminuir o montante da exigência, deve vir lastreada com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, posto que meras alegações, de cunho geral, não possuem o condão de afastar o lançamento. E como a empresa não apresentou prova alguma em contrário, demonstrando que os valores não são da Pessoa Jurídica, a autoridade entendeu por manter o lançamento. Quanto ao cálculo da exigência, o julgador aduz que a recorrente ofereceu à tributação no AC/2005 33,6% da receita auferida e, no AC/2006, apenas 17%, sendo, no seu entendimento, evidente que os valores que lhe estão sendo exigidos não guardam consonância com aquilo que a mesma escriturou e/ou tributou nos referidos períodos e, como já explicado anteriormente, acrescentese a isso a multa de oficio e os juros moratórios. Assim, conclui o julgador que sem uma contestação pontual, acompanhada dos respectivos documentos Fl. 563DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10920.000146/200973 Acórdão n.º 180301.270 S1TE03 Fl. 115 5 comprobatórios de que realmente a autoridade fiscal incorreu em equivoco, não há como acolher as alegações da empresa interessada de que houve erro. Já no tocante à Contribuição para a Seguridade Social, o julgador a quo também não acolheu os argumentos da recorrente, quanto à improcedência dos cálculos da exigência, pois conforme consta do demonstrativo de apuração de fls. 222224, o cálculo da contribuição ao INSS obedeceu ao previsto na Lei n° 9.317 e o percentual aplicado variou entre 1,2% e 5,16%, conforme a faixa de tributação a contribuinte estava sujeita em cada um dos meses dos anos calendários analisados. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário de forma tempestiva alegando de forma sintética o que já fora dito em seara de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente feito de omissão de rendimentos por depósitos bancários. Ocorre que a empresa contribuinte vem, desde a primeira peça impugnatória, insurgindose contra a questão, referindo não tratarse de omissão, contudo em nenhum momento a mesma insurgese de fato e de direito quanto ao mérito propriamente dito, comprovando efetivamente, através de prova documental, não se tratar a imputação de omissão propriamente dita. A empresa recorrente não se defende em nenhum momento quanto ao quantun lançado no auto de infração e sequer adentra nesta questão, trazendo ao feito a prova efetiva de que os valores que adentraram nas suas contas bancárias efetivamente não lhe pertenciam ou mesmo não se tratavam de renda, mas cingese a referir que os valores estavam equivocados por trataremse de transferências entre contas bancárias e porque os valores ainda permaneciam na conta da empresa. Oportuno citar que a empresa limitase, tão somente, a dizer que os valores, por constarem nas contas bancárias da empresa recorrente e por não terem sido consumido, não poderiam ser tratados como rendimentos omitidos. Contudo não explica porque não os ofereceu à tributação. Neste contexto, entendo que o auto de infração, bem como a decisão de primeira instância, estão em consonância com as normas pátrias, haja vista que os valores omitidos não necessitam serem consumidos para que a hipótese de incidência constante vejase subsumida à norma, qual seja o artigo 42 da Lei 9.430/96. Ainda, no que tange às transferências entre contas bancárias da empresa recorrente, restou demonstrado, no presente feito, que a fiscalização as excluiu, não fazendo parte do auto de infração. Ademais, aferese do auto de infração e de toda a defesa apresentada pela empresa recorrente que esta não se insurge trazendo ao presente feito uma explicação referente aos valores dos depósitos bancários, com a finalidade de explicálos, solucionando as Fl. 564DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10920.000146/200973 Acórdão n.º 180301.270 S1TE03 Fl. 116 6 controvérsias por ventura ocasionadas no momento da sua autuação. O que nos leva a crer que a sua insurgência apenas diz respeito ao modo como foram coletadas as provas, ou seja, o fato do auto de infração ter se baseado na omissão de rendimentos, oriunda dos extratos bancários. No entanto, atento para o fato de que à empresa recorrente foi ofertada todo o meio de prova possível, bem como o amplo direito de defesa e o contraditório, contudo no decorrer do presente feito, tanto em fase de impugnação, quanto de recurso voluntário, vislumbrouse a sua insurgência tão somente no tocante à autuação por meio de extratos bancários que foram alcançados pela própria empresa, quando intimada a ofertar. Por essa razão entendo descabidas as argumentações da mesma. Já no mérito, entendo que o auto de infração é procedente tendo em vista que a própria contribuinte, ora recorrente, não apresenta provas em sua defesa. Como não foi juntada prova de que os valores tidos como devidos por esse auto de infração foram realmente pagos, fundamento a compreensão de que o auto de infração é procedente e deve ser mantido. Ademais, há que se ressaltar que a prova é imputada ao contribuinte e não ao fisco, no tocanto ao consumo da renda, alegado pela recorrente. Em outras palavras, cumpre à empresa recorrente comprovar, através de documentação hábil e idônea, que não se trata de renda consumida o que está explicitado nos extratos bancários, bem como a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim, como a empresa recorrente não logrou comprovar a origem dos recursos utlizados nas operações em apreço, é que voto por manter a autuação. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 565DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11080.001044/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente documentação hábil e idônea que comprove a efetiva retenção.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitá-lo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do CARF no 12, em vigor desde 22/12/2009.
Numero da decisão: 2202-001.892
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente documentação hábil e idônea que comprove a efetiva retenção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento de sujeitá-lo a tributação na declaração de ajuste anual, conforme Súmula do CARF no 12, em vigor desde 22/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 2 Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 11080.001044/2007-13 Acórdão n.º 2202-01.892 S2-C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 12 a 18, pelo qual se exige a importância de R$11.630,00, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, ano-calendário 2001, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta ao Demonstrativo das Infrações de fl. 14 e 15, verifica-se que o lançamento decorre da glosa do imposto de renda retido na fonte, por falta de comprovação. Houve ainda a alteração do total dos rendimentos tributáveis, considerando que o contribuinte recebeu honorários advocatícios pela prestação de serviços de perito no processo judicial no 02401.007.035-7, no valor de R$60.000,00, conforme alvará judicial. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 e 2, instruída com os documentos de fls. 3 a 20, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 63): O autuado apresentou impugnação em 13/02/2007 alegando que a retenção do imposto compete à fonte pagadora com base nos artigos 717 e 718 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR 99 e Acórdão n° 106-10.642/99 e consulta n° 317 de 27/12/2002. Requer seja notificado o responsável pela retenção e considerada correta a declaração de rendimentos entregue originalmente. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 10-30.940 (fls. 62 a 64), de 26/04/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001 GLOSA DE DEDUÇÃO DE IRRF Cabe a glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF quando não comprovado pelo contribuinte a retenção pela fonte pagadora. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 12/05/2011 (vide AR de fl. 67), o contribuinte apresentou, em 13/06/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 68 a 74, no qual, após breve relato dos fatos, alega que: 1. de acordo com os arts. 717 e 718 do RIR/99, que disciplinam a matéria objeto do auto de lançamento, a responsabilidade pela retenção do imposto é da fonte pagadora, não Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 4 cabendo qualquer interpretação extensiva, transcrevendo doutrina, jurisprudência administrativa e judicial para corroborar seu entendimento; 2. dado que a pagadora detém todas as condições de saber sobre a sua responsabilidade exclusiva, não há porque se falar em responsabilidade do contribuinte que auferiu a renda ou o proveito, uma vez que determinado, pelo MM. Juízo da 11ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, o pagamento do valor líquido de impostos. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 13, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 801. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. O processo físico foi numerado até a fl. 77 (fl. 80 da digitalização). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 11080.001044/2007-13 Acórdão n.º 2202-01.892 S2-C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Como se sabe “o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos” (art. 55 da Lei no 7.450, de 23 de dezembro de 1985). No caso dos autos, o contribuinte não apresentou o comprovante de rendimentos pagos e de retenção fornecido pela fonte pagadora. De acordo com o documento de fl. 9, extraído dos autos do Processo n°: 02401.007.035-7, o contribuinte teria prestado serviços na condição de perito contábil, fixado judicialmente em R$60.000,00, sem haver qualquer menção à retenção de imposto de renda. Ressalte-se a fiscalização, além de glosar o valor do IRRF (R$ 22.193,79), reduziu o valor dos rendimentos tributáveis declarados recebidos a título de honorários de R$88.193,79 para R$60.000,00, visto que o contribuinte havia reajustado a base de cálculo para fins de preenchimento de sua declaração de ajuste anual. Em sua defesa, o contribuinte alega que a responsabilidade pelo imposto ora exigido deveria ser atribuída à fonte pagadora e não ao beneficiário dos rendimentos. No caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, ou seja, aqueles que não se classificam como rendimentos isentos, não-tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou de sujeitos à tributação definitiva, existem dois momentos bem definidos em que o imposto de renda é exigido. O primeiro, quando do pagamento efetivo do rendimento, sendo a fonte pagadora responsável pela retenção do imposto a título de antecipação; e o segundo, quando da apresentação da declaração de ajuste anual. Como se sabe, toda pessoa física contribuinte do imposto de renda deverá apresentar anualmente a declaração de rendimentos, incluindo todos os rendimentos tributáveis recebidos no ano-calendário a fim de determinar o saldo do imposto a pagar ou a restituir, de acordo com o art. 10 da Lei no 8.134, de 27 de dezembro de 1990: Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano-base, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II - das deduções de que trata o art. 8°. Tem-se, portanto, que a obrigação de declarar e tributar, no ajuste anual, todos os rendimentos recebidos é do contribuinte e não da fonte pagadora. A falta de retenção Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 6 do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluí-los, para tributação, na declaração de ajuste anual. Ressalte-se que apenas os rendimentos para os quais a lei estabelece a isenção ou determina a tributação definitiva ou exclusiva na fonte estão excluídos da base de cálculo anual. Não se discute que o recorrente não é o responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte como antecipação, mas o é por levar os rendimentos recebidos a sua declaração de ajuste anual para fins de apuração de eventuais diferenças de imposto a pagar. E é por meio deste ajuste anual que se está fazendo a exigência, mesmo que não tenha havido a retenção do imposto de renda. Quanto ao art. 717 do Decreto no 3.000, de 1999 – RIR/99, invocado pelo reclamante, este trata apenas da responsabilidade pela retenção do imposto de renda na fonte, sem, contudo, exonerar o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluí-los, para tributação, na declaração de ajuste anual. Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme Súmula no 12 do Primeiro Conselho de Contribuintes2, em vigor desde de 28/07/2006: Súmula 1oCC no 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga 2 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de aplicação obrigatória nos julgamentos de segundo grau, nos termos do art. 72, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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Numero do processo: 11516.000936/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias Exercício: 2002, 2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL. Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de DIF - Papel Imune no prazo estabelecido na legislação ensejava a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI/02. Lançamento Improcedente
Numero da decisão: 3302-001.292
Decisão: ACORDAM Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida DRPORTO ALEGRE/RS Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2002, 2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL. Antes da edição da Medida Provisória nº 451/2008, a falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação ensejava a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI/02. Lançamento Improcedente ACORDAM Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco e Fabiola Cassiano Keramidas. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/04/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11516.000936/200560 Acórdão n.º 330201.292 S3C3T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Gomes e Francisco de Sales Ribeiro Queiroz. Relatório Adoto na íntegra o relatório do acórdão recorrido de fls.28/29, por bem refletir a contenda: “Tratase de aplicação de multa referente ao atraso na entrega da DIF — Declaração de Informações — Papel Imune. Alegouse, em síntese, (1) que a sociedade não utilizou e não utiliza papel imune e (2) questões de natureza constitucional”. Decidiu a 1ª Turma DRJPOA às fls. 43/48 no seguinte sentido: “DIFPAPEL IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A obrigação de apresentar a declaração permanece mesmo nos períodos em que não há utilização de papel imune. Lançamento Procedente”. Intimada em 08.01.2007, apresentou Recurso Voluntário de fls. 57/62 tempestivamente, repisando as razões trazidas em sua manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Cumpridas todas as formalidades processuais, de acordo com a legislação que rege a matéria e tendo o contribuinte ingressado com recurso voluntário no prazo legal, dele tomo conhecimento. Quanto ao mérito, conforme consta no relatório, contra a recorrente foi lavrado auto de infração pela falta de entrega de obrigação acessória, fundado na ausência de entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF – Papel Imune), relativos aos trimestres dos exercícios de 2002, 2003 e 2004. Tal declaração fora instituída pelo art. 12, da IN SRF n° 71/2001. Este tema tem sido enfrentado por essa Turma nesse sentido sigo o posicionamento defendido pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva no sentido de serem julgados improcedentes os lançamentos por erro na fundamentação legal da multa aplicada. Para melhor entendimento transcrevo o voto proferido nos autos do processo n° 19515.000513/200561, aos quais faço remissão e adoto como razão de decidir, com as homenagens de estilo ao autor: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/04/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11516.000936/200560 Acórdão n.º 330201.292 S3C3T2 Fl. 3 3 “Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória no 2.158 34, de 27 de julho de 2001”. Em sua defesa, o recorrente alega, basicamente, que a multa aplicada é excessiva e fere princípios constitucionais. É inquestionável que a RFB está autorizada a instituir obrigações acessórias do IPI (art. 16 da Lei no 9.779/99, matriz legal do art. 212 do RIPI/2002). A instituição de penalidade, no entanto, é privativa de lei, mesmo na hipótese das obrigações acessórias serem criadas pela RFB. Quanto à multa pelo atraso na entrega da DIF – Papel Imune, entendo que o art. 12 da IN SRF no 71/2001 está equivocado ao aplicar a penalidade do art. 57 da Medida Provisória no 2.15835/2001 no caso de atraso de entrega de declaração regularmente instituída no âmbito da legislação do IPI. Para uma melhor clareza, transcrevo o art. 57, acima citado: “Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. (grifei).” Verificase que a obrigação a que alude o art. 16 da Lei no 9.779/99 referese a todo e qualquer imposto ou contribuição administrado pela RFB e a penalidade do art. 57, I, da Medida Provisória no 2.15835/2001 aplicase, em tese, a todo e qualquer descumprimento de fornecimento de informações e esclarecimentos solicitados pelos agentes do Fisco ou pela RFB. Ocorre que na legislação do IPI existe uma penalidade pela falta da apresentação de declaração do imposto e de prestação de informação, na forma das instruções expedidas pela RFB. Falo dos arts. 212, 368, 506, 507 e 508, todos do RIPI/02, que abaixo se reproduz, junto com os arts. 505, 509 e 510, também relacionados ao tema. “Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei nº 9.779, de 1999, art.16). (...) Art. 368. Os documentos de declaração do imposto e de prestação de informações adicionais serão apresentados pelos contribuintes, de acordo com as instruções expedidas pela SRF. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito (Decretolei nº 2.124, de 1984, art. 5º, § 1º). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/04/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11516.000936/200560 Acórdão n.º 330201.292 S3C3T2 Fl. 4 4 § 2º As diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativas ao imposto, serão objeto de lançamento de ofício ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 90). (...) Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). Art. 506. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas ( Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7º ): I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º ( Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, inciso I) ; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF ou na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º ( Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, inciso II); e III – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, inciso III). § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 1º). § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas ( Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 2º): I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício ( Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 2º, inciso I) ; e II a setenta e cinco por cento, se Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/04/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11516.000936/200560 Acórdão n.º 330201.292 S3C3T2 Fl. 5 5 houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 2º, inciso II). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 3º): I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996 (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 3º, inciso I); e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 3º,inciso II). § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela SRF (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 4º). § 5º Na hipótese do § 4º , o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contado da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos § 1º a § 3º (Lei nº 10.426, de 2002, art. 7º, § 5º). Art. 507. Serão punidos com a multa de R$ 31,65 (trinta e um reais e sessenta e cinco centavos), aplicável a cada falta, os contribuintes que deixarem de apresentar, no prazo estabelecido, o documento de prestação de informações a que se refere o art. 368 (Decretolei nº 1.680, de 1979, art. 4º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). (grifei) Parágrafo único. As disposições do caput aplicamse exclusivamente aos contribuintes do imposto não sujeitos ao disposto no art. 506. Art. 508. As infrações para as quais não se estabeleçam, neste Regulamento, penas proporcionais ao valor do imposto ou do produto, pena de perdimento da mercadoria ou outra específica, serão punidas com a multa básica de R$ 21,90 (vinte e um reais e noventa centavos) (Lei nº 4.502, de 1964, art. 84, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 24ª, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Art. 509. A inobservância de normas prescritas em atos administrativos de caráter normativo será punida com a multa estabelecida no art. 508, se outra maior não estiver prevista neste Regulamento. Art. 510. Em nenhum caso a multa aplicada poderá ser inferior à prevista nos arts. 508 e 509 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 86, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 25ª).” Notese que no RIPI/02, o art. 212 está no Capítulo I do Título VIII, que trata das disposições preliminares das obrigações acessórias. Por sua vez, o art. 368 está na Subseção IV, da Seção II (dos documentos fiscais), do Capítulo IX (do documentário fiscal), também do Título III (das obrigações acessórias), que trata dos documentos de declaração e de prestação de informações. Estes dois dispositivos, e as respectivas penalidades a eles vinculadas, tratam de obrigação acessória instituída pela RFB, sendo que o art. 368 trata especificamente de declaração de informação e o art. 212 trata de toda e qualquer modalidade de obrigação acessória. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/04/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11516.000936/200560 Acórdão n.º 330201.292 S3C3T2 Fl. 6 6 Existindo legislação específica no RIPI/02, entendo que esta deve prevalecer sobre a legislação que alcança toda e qualquer obrigação acessória vinculada a qualquer imposto ou contribuição administrado pela RFB. Entendo que a DIF Papel Imune classificase como um documento de prestação de informação a que se refere o art. 368 do RIPI/2002 (como o era a DIPI) e, conseqüentemente, ao descumprimento de sua apresentação aplicase a penalidade prevista no art. 507 do RIPI/2002, acima transcrito, e não a penalidade do art. 505, reproduzido no art. 12 da IN SRF no 71/2001. Em conclusão, entendo que o fundamento da multa aplicada ao caso concreto é o art. 507 e não o art. 505, ambos do RIPI/2002, sendo, portanto, improcedente o lançamento. Por fim, o § 4º, do art.1º, da Medida Provisória nº 451, de 15/12/20081, estabeleceu uma multa específica para a apresentação fora do prazo da DIFPapel Imune e para erro no seu preenchimento. Tal dispositivo, no meu “entendimento, não significa redução da penalidade para a referida infração fiscal. Ao contrário, houve um agravamento da multa antes prevista para o referido delito fiscal”. Ante o acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e, conseqüentemente, cancelar o lançamento de ofício. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 2011 GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) 1 Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil, a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição; e II adquirir o papel a que se refere a alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. (. . .) § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O nãocumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º será reduzida à metade. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/04/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11516.000936/200560 Acórdão n.º 330201.292 S3C3T2 Fl. 7 7 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/04/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000396/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
Ementa:
ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO.
A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 Ementa: ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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SEGURADO EMPREGADO. A inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa de complementação educacional de estagiário. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 17/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 917DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000396/201072 Acórdão n.º 230201.947 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente lançamento referese às contribuições relativas à cota do segurado, incidentes sobre valores pagos a “estagiários bolsistas” em desconformidade com a Lei n.º 6.494, de 07/12/1977, ante a ausência de termos de compromisso entre a autuada e os estagiários e a conseqüente falta de interveniência da instituição de ensino, onde os estagiários deveriam estar matriculados. Também, foram efetuados pagamentos a estagiários contratados por tempo determinado no Programa Agita Assis e a bolsistas do Programa Emergencial de Apoio ao Desempregado. O auto de infração foi cientificado ao sujeito passivo em 28/04/2010 e compreende o período de 02/2006 a12/2006. Após a impugnação, Acórdão de fls.700/713, julgou o lançamento procedente em parte, para excluir do mesmo as contribuições relativas aos bolsistas estagiários do Programa Agita Assis. Ainda inconformado, o Município apresentou recurso, alegando em apertada síntese: a) que os bolsistas auxiliares de classe também se dedicam a programas de ação comunitária como aqueles do Programa Agita Assis, que foram excluídos do levantamento, já que apenas faltava a formalidade do Termo de Compromisso; b) que os participantes do processo seletivo para estagiários cumpriram os requisitos de estarem matriculados em cursos de pedagogia, habilitação de 2º grau para magistério, educação física ou outros cursos de nível superior; c) enumera todos os programas de ação comunitária em que os estagiários admitidos pelo processo seletivo da Secretaria de Educação prestam serviço, dizendo não ser exigido o termo de compromisso e que é claro o vínculo do estudante com a instituição de ensino, pois somente prestava prova o estudante que apresentasse o comprovante de matrícula; d) que os atos da administração pública tem presunção de legitimidade; e) que para os bolsistas do Programa de Apoio ao Desemprego foi firmado Termo de Compromisso, devendo ser mantida a condição de estagiário e revogado o auto de infração; Fl. 918DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 f) que o desempregado deveria se matricular em curso profissionalizante ou de alfabetização e a bolsa era concedida para compensar o tempo de estudo e os prejuízos financeiros devido ao desemprego; g) que este benefício pode ser comparado ao bolsa família instituído pelo governo federal; h) que é um ganho eventual. Requer a destituição do Acórdão, a nulidade deste AI e dos conexos a ele, que sejam revistas as composições dos cargos dos bolsistas auxiliares de classe para identificação de que efetivamente atuou como tal e que sejam determinadas de ofício, a realização de diligências ou perícias, se necessárias. É o relatório. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000396/201072 Acórdão n.º 230201.947 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O lançamento referese às contribuições não descontadas, relativas à cota do segurado empregado, assim considerados os bolsistas estagiários e os integrantes do Programa Emergencial de Apoio ao Desempregado de Assis, que recebem bolsa auxíliodesemprego. A recorrente insurgese contra a autuação indicando a desnecessidade do cumprimento integral da Lei n.º 6.494/77, pois são dispensáveis os Termos de Compromisso, já que o estágio se dá sob a forma de ação comunitária, nos termos do parágrafo 2° do art. 3° da Lei n° 6.494/77, na redação da Lei n° 8.859/94 (Decreto n° 87.497/82, art. 6°, § 3°). Todavia, os elementos constantes dos autos não evidenciam tal fato. O contrato de estágio, que é regido pela Lei nº 6.494/77 e pelo Decreto nº 87.497/82, abrange apenas os alunos regularmente matriculados e com freqüência, comprovada em cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. A legislação que rege a matéria sofreu a seguinte evolução: LEI No 6.494, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1977 DE 01/1996 ATÉ 27/11/1998 Art. 1º § 1º os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) A PARTIR DE 27/11/1998 Art. 1º "§ 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial." (NR) Redação inicialmente atribuída pela Medida Provisória nº 1.7094, de 1998, constando a última reedição na Medida Provisória n° 2.16441/01, atualmente em vigor por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/01. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Realmente, mesmo antes do advento da Medida Provisória nº 1.7094, de 1998 (atualmente: Medida Provisória n° 2.16441/01, em vigor por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/01), é autorizado o estágio de alunos cursando o ensino médio, conforme art. 1º do Decreto 87.497/82, in verbis: “ARTIGO 1º. O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2o. grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas”. Em face dos Pareceres CJ n° 1.197/98 e CJ n° 1.653/99, também procede a alegação de que as atividades exercidas podem não ser correlatas com o que estagiário estuda na escola, desde que o estágio cumpra função socializante. Nesse sentido é o conceito de estágio curricular do Decreto 87.497/82: ARTIGO 2º. Considerase estágio curricular, para os efeitos deste Decreto, as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino. Entretanto, como narrado no Relatório Fiscal (fls. 32/37), o estágio que se verificava no Município não demonstrou a coordenação da instituição de ensino. Embora a seleção dos estudantes para o estágio tenha sido objeto de lei municipal, e a inscrição para o processo seletivo trazia como requisito de estar o postulante matriculado em curso de nível superior, não ficou demonstrada a realização do estágio mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. Conquanto estejam isentos da celebração deste termo os estágios realizados sob a forma de ação comunitária, conforme art. 3º da Lei 6.494/77 e art. 6º do Decreto 87.497/82, e com efeito, a decisão de primeira instância já tenha excluído do lançamento os estagiários que comprovadamente exerciam suas funções nas ações comunitárias, para os demais o requisito permanece válido e não foi comprovado. Além disso, a recorrente não apresentou os instrumentos jurídicos celebrados com as instituições de ensino, nos quais devem estar acordadas todas as condições de realização dos estágios (Decreto n° 87.497/82, art. 5°), nem mesmo estando indicadas quais seriam as instituições de ensino Ademais, os chamados bolsistas do Programa Emergencial de Apoio ao Desempregado, não cumprem com qualquer requisito imposto pela legislação de regência para que sejam tratados como estagiários. Por tudo o que consta do relatório fiscal, dos documentos acostados aos autos e até das razões expostas, é de se ver que o pagamento efetuado se constitui em um auxíliodesemprego, não guardando qualquer relação com estágio. Não obstante seja louvável a iniciativa da recorrente em auxiliar os desempregados do município, inclusive ofertando a ajuda pecuniária mediante a matrícula em cursos profissionalizantes ou de alfabetização, não há como enquadrar a situação fática encontrada e exposta pela fiscalização da Receita Federal do Brasil como estágio na forma da Lei n.º 6.494/77, para que se beneficie da isenção dos recolhimentos previdenciários. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11444.000396/201072 Acórdão n.º 230201.947 S2C3T2 Fl. 4 7 Ainda, é de se notar que o relatório fiscal aduz que a recorrente recolheu a cota patronal sobre os valores pagos a título de bolsa auxílio desemprego, versando esta autuação apenas sobre a cota do segurado empregado. Pelo exposto, por inobservância das normas e condições fixadas na Lei n° 6.494/77 e pela presença dos elementos caracterizadores do segurado empregado, as importâncias pagas a título de bolsa estagio integram o saláriodecontribuição, conforme art. 28, §9º, alínea “i”, da Lei 8.212/91, impondose o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vínculo tacitamente pactuado sob o título de estágio. É totalmente despicienda a realização de diligências ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, em razão da natureza do lançamento, dos elementos que foram examinados e lhe deram suporte, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de diligência e perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do autuado e as razões expostas pela recorrente não merecem exame pericial, até porque não há qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 922DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10209.000059/2003-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação - II Data do Fato Gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DE ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.373
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida. Fez sustentação oral o advogado Luis Gustavo Vincenzi Silveira, OAB/SP 211.252. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Importação - II Data do Fato Gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DE ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido.
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ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. Fez sustentação oral o advogado Luis Gustavo Vincenzi Silveira, OAB/SP 211.252. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 103.430,22 objeto do Auto de Infração fls. 03/18. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe registrou a Declaração de Importação de n° 98/1688688, em 20/02/1998, com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 27 (ACE 27), celebrado entre Brasil e Venezuela, de acordo com o Decreto de execução n° 1.381/95, de 31/01/95, prorrogado pelo Decreto n° 2.525, de 20/03/98, incorrendo nas seguintes infrações: a) inexistência de certificado de origem; b) fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares. Esclarece a fiscalização no Relatório de Auditoria, fls.11/16, quanto à operação, o seguinte: Não há uma correspondência entre o certificado de origem n° ALD 980301677 CS, e a Fatura Comercial n° BSLSB178 emitida pela BRASPETRO OIL SERVICES CO. — BRASOIL, situada nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALADI; o certificado de origem não faz menção A. Fatura Comercial que instrui o despacho e sim faz referência à Fatura Comercial CORPOVEN S.A n° 13.3020, que por sua vez conforme verificado se trata de uma fatura PDVSA de mesma numeração e não CORPOVEN, como registrado na Declaração de Importação. Nesta fatura está constatado que o pais exportador é a Venezuela. No entanto, na DI consta como exportador a empresa BRASPETRO OIL SERVICES CO. — BRASOIL, sendo portanto as Ilhas Cayman o pais de aquisição; nesta operação de comercialização efetuada pelo contribuinte está evidente a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI, o que não é previsto na resoluçãoALADI/CR n° 78, apenso ao Decreto n° 98.874/90, que trata de sua execução. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10209.000059/200376 Acórdão n.º 3102 001.373 S3C1T2 Fl. 2 3 o certificado de origem apresentado não obedece ao artigo 2° do Acordo 91 do Comitê ALADI apenso ao Decreto n° 98.836/90, no qual operase as disposições referentes certificação de origem no que diz respeito a sua emissão (25/03/98) que é anterior a emissão da fatura Comercial (13/04/98) que instruiu a DI, quando deveria ser na mesma data ou dentro de sessenta dias seguintes à emissão da Fatura Comercial, importando na desconsideração do certificado de origem; a Fatura Comercial n° BSLSB178 emitida pela BRASPETRO OIL SERVICES CO. — BRASOIL, situada nas Ilhas Cayman, apresentada no despacho de importação foi emitida em desacordo com as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas "a", "h", "i" e "m" do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Cientificado do lançamento em 06/02/03, conforme fls.01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 07/03/03 a impugnação de fls. 54/61, nos termos a seguir resumidos: a Fatura Comercial BSLSB 151 faz menção expressa ao certificado de origem e também à própria fatura n° 13.7220 citada pelo certificado; destaca que a Fatura Comercial n° 13.7220 foi apresentada ao fisco, por iniciativa e exigência dele próprio, através de Termo de Intimação, portanto se houve falha quanto a sua não apresentação no momento do registro da DI, esta i'd se encontra sanada; a verdade é que na Declaração de Importação a impugnante indicou a CORPOVEN S/A como fabricante/produtor, mas essa empresa não passa de uma filial da PDVSA. Elas têm inclusive o mesmo endereço comercial, por essa razão justificase a expedição da fatura de n° 13.722 0 pela PDVSA; essas supostas irregularidades referentes ao certificado de origem e faturas comerciais, são na realidade resultado da complexidade dos sujeitos envolvidos na operação comercial; a operação consistiu no seguinte: a Braspetro Oil Services Company BRASOIL, empresa subsidiária da Petrobrds Internacional S.A — BRASPETRO, a qual, por sua vez constitui uma subsidiária da Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRÁS adquiriu o produto junto à CORPOVEN S/A, subsidiária da PDVSA, as quais estão sediada na Venezuela; o butano foi produzido e exportado pela Venezuela, pais membro da ALADI e enviado diretamente para o Brasil. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Somente não houve registro da primeira compra e subseqüente revenda porque o SISCOMEX impede tais registros e a Secretaria da Receita Federal nunca exigiu tais registros nem a cópia das faturas anteriores; ressalta a necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira; reitera que as aludidas operações de intermediação de um terceiro pais não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, conforme apreciação contida na NOTA COANA/COLAD/DITEG n. 60/97, a qual concluiu pela sua regularidade, tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem; — argui que operações dessa natureza são de uso corrente nas trocas comerciais internacionais e no mercado financeiro nacional e internacional e objetivam o "financiamento" e o aperfeiçoamento das garantias; destaca que a Resolução n° 78 e o Acordo n° 91, não vedaram a compra direta com interveniência posterior de terceiros com finalidade de mera alavancagem financeira, e sem trânsito por outro pais; a operação em foco é expressamente acobertada, constituindo, portanto, inversão lógiconormativa a vedação vislumbrada pelo fisco, restrição essa não prevista em lei, além do que a resolução n° 232/98, passou expressamente a admiti la, e o fez exatamente para dirimir dúvidas ainda existentes; acrescenta que tais operações vêm sendo legitimadas pela receita federal como atestam os precedentes sobre a matéria favoravelmente à PETROBRAS, conforme os recursos citados, ocasiões em que recepcionou inteiramente a tese exposta pela peticionante; cita o artigo 425 do Regulamento aduaneiro argüindo que a Fatura Comercial BSLSB 151 faz menção expressa ao certificado de origem e à Fatura Comercial n° 13.7220 e esta contém todos os requisitos arrolados no artigo 425 do Regulamento Aduaneiro em vigor a época dos fatos; citando respeitável doutrina e jurisprudência, bem como enfatizando os dispositivos legais e constitucionais que regem a espécie, notadamente o art. 161 do CTN e o art. 146 da Constituição Federal, tece inúmeras considerações a respeito dos juros de mora ressaltando que a instituição de taxa de juros diferente da estabelecida pelo art. 161 do CTN, somente pode acontecer por lei complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC que decorre da Lei ordinária n° 9.065/95; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10209.000059/200376 Acórdão n.º 3102 001.373 S3C1T2 Fl. 3 5 destaca ainda a impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios, dada que a mesma reflete a taxa média de juros paga pelo governo federal nas operações de captação de recursos via emissão de títulos da divida pública, sendo portanto seu objetivo remunerar o capital, entretanto nem ela nem sua metodologia de cálculo foram instituídas por lei, sendo esta definição feita por resoluções do BACEN. Assim a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC como taxa de juros, mas também na sua essência dado que ela não foi instituída para remunerar a mora. Através do ACÓRDÃO DRJ/FOR 3.464, de 19/09/2003 a segunda turma de julgamento julgou procedente o lançamento. Ciente dessa decisão, a Recorrente apresentou a peça recursal de fls.117/120. 0 Terceiro Conselho de Contribuintes através do Acórdão n° 30133.015, fls.150/179, anulou por unanimidade de votos a decisão de primeira instância, conforme ementa a seguir transcrita: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No âmbito do processo administrativo, cabe ao julgador impulsionar o processo. E nula a decisão proferida com cerceamento do direito de defesa, em vista da constatação inequívoca de que o julgador de primeira instância desconsiderou o fato da impugnação apresentada não corresponder à hipótese dos autos." Determinou o referido acórdão que fosse propiciado à recorrente a reabertura do prazo de impugnação para apresentação de nova peça. Ciente dessa decisão em 25/02/2008, fls.162, a peticionante apresentou a peça de fls.166/179, nos termos a seguir resumidos: Inicialmente recompõe os fatos relatados na ação fiscal, bem como a tramitação processual até então procedida, com a nulidade da decisão de lº instância pelo 3° Conselho de Contribuintes e a reabertura do prazo impugnatório e a seguir destaca: A Petrobrás, através de empresa integrante de seu grupo, a BRASPETRO OIL SERVICES Co — BRASOIL, sediada nas ilhas Cayman, adquiriu propano em bruto liquefeito, produzido na Venezuela, junto à CORPOVEN S.A, subsidiária da PDVSA — Petróleo e Gás S.A , empresa sediada no mesmo pais, reduzindo a aliquota do imposto de importação em 80% com base através Acordo de Complementação Econômica n° 27 (ACE 27) firmado Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Brasil e Venezuela, de acordo com o Decreto de execução n° 1.381/95, de 31/01/95; o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, sendo a primeira n° 133020, expedida pela PDVSA e a segunda, BSLSB 178, expedida pela uma expedida pela BRASOIL. Esta última fatura que instruiu a declaração de importação faz referência expressa à fatura originária; a triangulação comercial é prática internacional comum, adotada por razões de alongamento de prazo para pagamento e ampliação das fontes de recursos, não elidindo a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro pais, nos termos da Resolução n° 232, pois esta não define a figura do operador, bem como não informa como deve ser a operação, trazendo conteúdo meramente instrumental; — também não é verídica a afirmação do fiscal de que a Resolução n° 232 veio permitir a participação de um operador de terceiro pais, pois esta já era permitida pela ALADI; a Coana, órgão da SRF responsável por orientar e controlar as atividades aduaneiras, bem como aplicar a legislação e baixar atos normativos, expediu a NOTA COANA/COLAD/DITEG n° 60, em 19/08/1997, que conclui pela regularidade da triangulação comercial, inclusive quando envolver preferência tarifária, considerando prática freqüente na ALADI, inexistindo exigência expressa de apresentação de duas faturas, não havendo riscos para a declaração de origem, mesmo antes da Resolução 232; esse entendimento está de acordo com a Resolução 78/87 e o Acordo 91/89 e com o próprio objetivo da ALADI, ou seja, de implantar um mercado comum latinoamericano, caracterizado pela adoção de preferências tarifárias; a impugnante utilizouse de sua subsidiária sediada nas Ilhas Cayman, na qualidade de operadora comercial e não exportadora; a BRASOIL, empresa que integra o grupo econômico da impugnante, sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda. 0 próprio AuditorFiscal reconheceu que o contribuinte procedeu a importação de produtos derivados de petróleo da empresa PDVSA PETROLEO Y GAS S/A, situada na Venezuela, com transporte diretamente para o Brasil, conforme demonstram o certificado de origem e o Conhecimento de Embarque; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10209.000059/200376 Acórdão n.º 3102 001.373 S3C1T2 Fl. 4 7 quanto ao fato da BRASOIL constar como exportadora na Declaração de Importação e apenas a fatura por ela emitida ter sido apresentada por ocasião do despacho, decorre de não existir previsão de procedimento especifico, por parte da Receita Federal, a ser seguido nos casos de triangulação comercial; a fatura comercial traz informações condizentes com aquelas contidas no certificado de origem, fazendo referência a este próprio documento, em consonância com o art. 1° do Acordo 91; o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro esta vinculado à questão da falta de previsão de procedimento especifico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma especifica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a BRASOIL atuou na qualidade de simples operadora; o Imposto de Importação é instrumento regulador do comércio exterior, possuindo função extrafiscal e não arrecadatória, sendo por isso permitido ao Poder Executivo alterar sua alíquota ou base de cálculo; requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros morat6rios, dada que a mesma é taxa de remuneração de capital investido, assim quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele esta, em verdade agindo como agente financeiro, ademais a aplicação da SELIC decorre da Lei Ordinária n° 9.065/95, quando é imperioso a utilização de lei complementar para que a União aumente os juros de mora além dos limites fixados no CTN. — protesta o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada." Com a impugnação reapresentada a DRJ, realizou novo julgamento, mantendo o lançamento, por entender que os documentos apresentados no Despacho Aduaneiro da DI nº 98/01688688 não justificavam a redução da base de cálculo aplicada aos produtos de origem ALADI. Esta nova decisão da DRJ foi assim ementada. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO IIi Data do fato gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFARIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenha sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/02/1998 FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/02/1998 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar argüição de inconstitucionalidade de normas legais. Lançamento Procedente." Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10209.000059/200376 Acórdão n.º 3102 001.373 S3C1T2 Fl. 5 9 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A matéria em questão é por demais conhecida deste colegiado, sendo enfrentado em outras ocasiões. As decisões desta turma tem sido no sentido de considerar que a operação realizada pela Recorrente não descaracteriza o fato da mercadoria ter origem em País signatário da ALADI o que é relevante para o deslinde da questão é a comprovação de que a mercadoria tratada no despacho seja exatamente aquela correspondente ao Certificado de Origem apresentado. A comprovação pode ser realizada por meio de verificação das informações constantes do Certificado de Origem e aquelas do despacho aduaneiro e das faturas comerciais, tanto aquela que instrui o despacho, emitida pela empresa BRASOIL para a PETROBRÁS, bem como, a primeira fatura emitida pela empresa PDVSA PETROLEO Y GAS S/A e suas subsdiárias a empresa BRASOIL. Neste mister transcrevo abaixo voto do e. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro que ao enfrentar a matéria, de forma brilhante, expôs este mesmo entendimento, que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir. "Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobras Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada pela apresentação da fatura comercial nº 1163480, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Punta Cardon, Venezuela, a bordo do Navio THEANO, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte. Cabe aqui destacar o que diz o artigo Quarto da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontrase satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10209.000059/200376 Acórdão n.º 3102 001.373 S3C1T2 Fl. 6 11 Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. O artigo nono da Resolução ALADI nº 252 nesse ponto é explícito: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº 56921 capaz de invalidálo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consignase expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identificase a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo 10 (observações), indicase a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário." A mercadoria constante do despacho aduaneiro instruído pela DI nº 98/01688688 tratase de propano, na quantidade de 4.478.456 Kg. e as faturas comerciais, referentes a venda da PDVSA para a BRASOIL e da BRASOIL para a PETROBRÁS, amparam a operação comercial do mesmo produto propano, nas mesmas quantidades e transportados na mesma embarcação. As informações constantes dos autos, confirmam os fatos Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 alegados pela Recorrente que a mercadoria amparada pelo Certificado de Origem nº ALD 980301677CS corresponde a desembarcada no Porto de BelémPA, despachada a consumo pela DI nº 98/01688688. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 413DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10680.013664/2007-65
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 IMUNIDADE. ISENÇÃO. FUNDAÇÃO UNIMED. Para usufruir do benefício da imunidade ou isenção de impostos é necessário que a entidade comprove seu caráter filantrópico, de utilidade pública e de finalidade não lucrativa, além de cumprir rigorosamente os requisitos estabelecidos em lei para fruição desses benefícios, como não remunerar por qualquer forma seus sócios. PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. COMPENSAÇÃO. LIMITE LEGAL A legislação admite, apenas, a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas até o limite de 30% do lucro líquido apurado.
Numero da decisão: 1801-001.021
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira acompanhou o voto da Relatora pelas conclusões.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ISENÇÃO. FUNDAÇÃO UNIMED. Para usufruir do benefício da imunidade ou isenção de impostos é necessário que a entidade comprove seu caráter filantrópico, de utilidade pública e de finalidade não lucrativa, além de cumprir rigorosamente os requisitos estabelecidos em lei para fruição desses benefícios, como não remunerar por qualquer forma seus sócios. PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. COMPENSAÇÃO. LIMITE LEGAL A legislação admite, apenas, a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas até o limite de 30% do lucro líquido apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira acompanhou o voto da Relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edgar da Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 124.962,19, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de insuficiência de recolhimento desses tributos apurados nos 3o. e 4o. trimestres dos anoscalendário 2002 e 2003 (fls. 07/36). De acordo com o relato constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 24/36 e demonstrativos de fls. 37/42), a Fundação UNIMED usufruiria do benefício da imunidade de impostos e isenção de contribuições sociais. Pela análise dos documentos de escrita contábil mantidos pela instituição verificouse que grande parte de suas receitas seriam advindas da prestação de serviços relacionados ao ministério de cursos e seminários dirigidos a profissionais ligados ao sistema empresarial UNIMED, como dirigentes, administradores, funcionários, cooperados e associados das cooperativas e federações. Nessas condições, segundo a auditoria fiscal, tais atividades se destinariam a um público alvo, não caracterizado como “necessitado”, e seria remunerada por “valores que estão fora do alcance de qualquer pessoa que possa ser considerada como necessitada”. Haveria, ainda, a contratação de entidades terceirizadas para ministrar cursos de especialização e pósgraduação também destinados aos médicos cooperados e membros da administração das diversas UNIMEDs. Por tais razões os serviços de educação prestados pela Unimed não se enquadrariam como atividade complementar à atividade do Estado, nos termos do disposto no artigo 208 da CF e IN/SRF 113/98. Outra parcela das receitas seria proveniente da prestação de serviços de consultoria e assessoria relacionados, em sua maior parte, com atividades de promoções de campanhas educativas junto à comunidade mas que também foram considerados fora do conceito de assistencialismo. Constatouse, ainda, que a entidade é composta pelo Conselho de Curadores e Órgão Executivo, a quem caberia a direção da UNIMED. Teria ficado comprovado que os membros desse Órgão receberam remuneração mensal por seu trabalho, diretamente ou por intermédio de pessoas jurídicas por eles constituídas. Os contratos assinados entre tais pessoas jurídicas e a Fundação Unimed teriam tido por objeto a prestação de serviços com preço a ser pago por um valor fixo mensal. Os pagamentos assim contratados estariam contabilizados e teriam sido comprovados pela fiscalizada, no entanto, nem ela, nem cada uma das pessoas jurídicas contratadas e assim remuneradas teriam apresentado documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços. A remuneração dos dirigentes caracterizaria desvio de finalidade da entidade. Assim concluiu a auditoria fiscal: Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013664/200765 Acórdão n.º 180101.021 S1TE01 Fl. 351 3 “...não obstante possua roupagem de fundação com objetivos educacionais e assistenciais, a Fundação UNIMED é, em verdade, empresa do ramo de prestação de serviços de treinamento de mão de obra e consultoria gerencial direcionados às demais empresas que compõem o complexo empresarial UNIMED, não se caracterizando como uma verdadeira "instituição" com o direito liquido e certo ao gozo da imunidade prevista pelo art. 150, inc. VI, alínea "c" da Constituição Federal de 1988.” A constatação dos fatos acima descritos foi reduzida a Termo de Constatação (fls. 44/61) cientificado à interessa que apresentou suas justificativas, consideradas improcedentes pela autoridade da DRF em Belo Horizonte (fls. 62/80). Como conseqüência foi publicado o Ato Declaratório Executivo n º 126, de 10/11/2006, da DRF em Belo Horizonte (fl. 81) que suspendeu o benefício da imunidade tributária usufruído pela entidade. O ato não foi impugnado, ainda que a entidade tenha sido cientificada. A Fundação Unimed teria sido, então, intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal e, em resposta, informou que contra o ato declaratório que suspendeu a imunidade impetrou mandado de segurança n º 2006.38.00.0394107, cuja liminar teria sido indeferida. Foi considerada pela auditoria como pessoa jurídica comum sujeita à tributação de suas receitas e, diante da existência de demonstrações financeiras, Livros Diário e Razão e balancetes trimestrais fornecidos pela entidade, foram calculados o IRPJ e a CSLL devidos pelo lucro real trimestral. O lançamento foi cientificado em 20/09/2007. Posteriormente, em virtude da constatação de erro no cálculo das exigências o lançamento já formalizado foi cancelado, tendo sido cientificada a interessada em 03/10/2007, e um novo lançamento foi formalizado em 09/10/2007 (fls. 131 a 174). O novo lançamento foi tempestivamente impugnado (fls. 176/187). Em preliminares a entidade argüiu a nulidade da autuação, com base no art. 146 do CTN, pois teria havido modificação nos critérios jurídicos adotados no lançamento que somente poderiam valer para o futuro. Nesse sentido alegou que o Fisco, no primeiro lançamento cientificado em 20/09/2007, não aplicou a limitação de 30% na compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL e pretendeu rever o lançamento em razão do erro detectado para adotar entendimento jurídico no sentido de observar a limitação, mas essa modificação (erro de direito) não justificaria a revisão de lançamento, com base no artigo 149, VIII, do CTN, pois não teria apontado qualquer fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento original. Quanto ao mérito da suspensão da imunidade de impostos e a isenção de contribuições sociais, observou que o art. 15, § 1°, da Lei n° 9.532, de 1997, confere isenção do IRPJ e da CSLL às entidades sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais foram constituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, como seria o caso da entidade. Consignou que o art. 32, § 10°, da Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceria que os mesmos procedimentos adotados para a suspensão da imunidade devem ser adotados para a suspensão da isenção e que, no caso dos autos, a suspensão de impostos foi apenas por conta da cassação da imunidade; e a suspensão das contribuições sociais foi apenas aquela prevista no art. 195, § 7o., da Constituição Federal, e não a prevista no art. 15, § 1 º, da Lei n° 9.532, de 1997. Alega que o fato de ser entidade imune a impostos por prestar serviços educacionais, não lhe retiraria o direito de isenção de impostos na condição de entidade sem fins lucrativos, e que, ainda que se entenda não ser uma entidade beneficente de assistência Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 social, como fundação sem fins lucrativos, não seria contribuinte da CSLL, nos termos do art. 15, § 1°, da Lei n°9.532, de 1997, e do ADN n° 17/90. Desse modo, o ADE n° 126, de 2006, que suspendeu apenas a imunidade de impostos, não sujeita a entidade à tributação resguardada a "todas as pessoas jurídicas em geral", já que ela, como entidade sem fins lucrativos, faria jus à isenção do IRPJ, nos termos do art. 15, § 1°, da Lei n°9.532, de 1997, e art. 174 do RIR/1999. Ponderou que, ainda que fossem devidos o IRPJ e a CSLL o Fisco teria desconsiderado na apuração do imposto e da contribuição referentes aos anos de 2002 e 2003, os déficits dos anos de 2000 e 2001 (doc. 3), que somou R$ 150.000,00. E conclui: A) o presente lançamento é nulo, eis que está revendo outro com base em alteração de critério jurídico; B) o ADE n° 126, de 2006, suspendeu apenas a imunidade do IRPJ e a isenção prevista no art. 195, § 7 º, da CF, mas a Impugnante como entidade sem fins lucrativos (fundação) faz jus a isenção do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 15 da Lei n°9.532, de 1997, art. 174, do RIR/1999 e ADN 17/90; C) na apuração do lucro real de 2002 e 2003 impõese a compensação dos déficits dos exercícios anteriores. A 2a. Turma da DRJ em Belo Horizonte manteve, em parte as exigências (fls. 254/273). Aquela autoridade observou, inicialmente, que pela ausência de manifestação de conformidade e a opção pela via judicial, não teria sido instaurado o contraditório contra o Ato Declaratório Executivo que suspendeu a imunidade e a isenção da interessada, tornandose , por conseqüência, definitivo o seu conteúdo e alcance na esfera administrativa. Consignou que a finalidade do Ato Declaratório Executivo da DRF/BHE n° 126, de 2006, foi o de suspender todo e qualquer beneficio fiscal, decorrente de imunidade ou de isenção, da FUNDAÇÃO UNIMED, relativamente ao IRPJ e a CSLL, bem como às outras contribuições sociais. Nesse sentido o ato atenderia plenamente ao fim previsto na lei (art. 32, da Lei n° 9.430, de 1996, inclusive o seu § 1o.). Logo, tratandose de autointitulada "instituição de educação" que se declararia sem fins lucrativos, poderia, em tese, se beneficiar da imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, desde que atendidos determinados requisitos legais. Contudo, no presente caso, o descumprimento desses requisitos culminou na suspensão da imunidade. No mérito afirmou que o artigo 149, VIII do CTN somente permite a revisão de ofício do lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior, o que não seria o caso dos autos, já que a autoridade fiscal teria pleno conhecimento da norma que determina a limitação da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas. Tal alteração, por erro de direito no lançamento original, implicaria em mudança de critérios jurídicos, o que somente é permitido para períodos futuros. Determinou, assim, o cancelamento da revisão de ofício e o restabelecimento do lançamento original. Rejeitou o pleito de compensação de prejuízos de exercícios anteriores pois, com o restabelecimento do lançamento original, a compensação efetuada pela autoridade fiscal não observou a determinação legal de limitação de 30% , tendo sido compensados 100% de prejuízos fiscais e bases negativas e não caberia qualquer outra compensação. Observou, ainda, Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013664/200765 Acórdão n.º 180101.021 S1TE01 Fl. 352 5 que o demonstrativo apresentado denominado “déficit do exercício”, não se prestaria para o fim de equiparação à demonstração de resultado do exercício. Assim, aquela autoridade decidiu: 1) tornar definitiva, na esfera administrativa, a suspensão da imunidade ou isenção, prolatada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE, n° 126, de 2006, tendo em vista a ação judicial proposta pelo contribuinte contra os efeitos desse ato. 2) acatar a preliminar de nulidade, para cancelar a revisão de oficio do lançamento original feita através do "comunicado de cancelamento de auto de infração", documento de fls. 134; e dos Autos de Infração de fls.135/153. 3) revalidar o lançamento original consubstanciado pelos Autos de Infração de fls. 09/23. 4) manter, integralmente, as exigências do IRPJ e da CSLL, constituídas, respectivamente, nos Auto de Infração de fls. 09/11 e 17/20. Intimada da decisão, em 12/04/2011 (AR fl. 285), a entidade apresentou o Recurso Voluntário de fls. 288 a 300. Alega, novamente, que o Ato Declaratório teria apenas suspendido a imunidade do IRPJ da entidade, mas não a isenção do IRPJ e da CSLL e que, para isso, seria necessária a adoção dos mesmos procedimentos que culminaram na suspensão de sua imunidade. Afirma que consta do seu Estatuto que a Fundação é uma instituição de caráter educativo, cultural e assistencial sem fins lucrativos e que o fato de ter afirmado jamais ter suscitado qualquer imunidade calcada em assistência social, não lhe retiraria o caráter cultural e cientifico, conferido pela sua própria finalidade educacional, conforme definições constantes da Lei 9.394/06, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Nesse sentido a decisão recorrida seria contraditória, já que para afastar a imunidade a Fundação não seria uma instituição de educação, mas, ao mesmo tempo, para afastar a isenção seria uma instituição de educação. Argúi cerceamento do direito de defesa pois teria impetrado mandado de segurança apenas contra a suspensão da imunidade e não contra a suspensão da isenção já que disso não teria tratado o Ato Declaratório. Assim, qualquer suspensão de isenção deveria ser objeto de ato declaratório levado ao competente contencioso. Protesta pela compensação da integralidade dos prejuízos apurados nos anos calendário 2000 e 2001 e não apenas nos períodos considerados pela auditoria fiscal, de 2002 e 2003. Pugna, ao final, pelo acolhimento do recurso. Fez sustentação oral em plenário o advogado representante da recorrente, Dr. Maurilo Braga Rios, OABMG 77.838. É o relatório. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente Deixo de tomar conhecimento de qualquer argüição de defesa contra os termos do Ato Declaratório Executivo n º 126/2006, da DRF em Belo Horizonte, de suspensão do benefício de imunidade e isenção de contribuições sociais, pois contra tal ato não foi sequer instaurado o litígio. A recorrente deixou de impugnar o ato declaratório no prazo legal e impetrou, na esfera judicial, mandado de segurança contra os termos do Ato Declaratório Executivo, o que caracteriza abandono da discussão na esfera administrativa. Por tais razões, nesta esfera administrativa de julgamento ele se tornou definitivo e não pode mais ser questionado. Afasto a alegação de cerceamento do direito de defesa. A 2a. Turma da DRJ em Belo Horizonte consignou textualmente que o Ato Declaratório Executivo teria tido força suficiente para suspender qualquer benefício fiscal, seja de imunidade, seja de isenção. Mérito. No mérito a recorrente aduz que a suspensão, pelo ato declaratório executivo, única e exclusivamente do benefício da imunidade ao IRPJ, automaticamente teria o direito de usufruir do benefício da isenção do IRPJ e da CSLL, independentemente de qualquer intervenção, tendo em conta a sua condição de entidade de educação, dadas as suas próprias características e a dos serviços que presta, mesmo que impedida de usufruir do benefício da imunidade e, ainda, por se julgar cumpridora dos requisitos estabelecidos pelo artigo 15 da Lei n º 9.532, de 1997. Esta é a redação do dispositivo: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2º, alíneas "a" a "e" e § 3º e dos arts. 13 e 14. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013664/200765 Acórdão n.º 180101.021 S1TE01 Fl. 353 7 Verificase, pois, pela leitura do comando legal acima, que às instituições sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e associações civis, para usufruir do benefício da isenção do IRPJ e da CSLL, é imposta a observância das mesmas condições e requisitos dirigidos às entidades que usufruem do benefício da imunidade, nos termos do § 3º acima transcrito. Nesse contexto são literais as disposições do artigo 12, § 2º, alíneas "a" a "e" e § 3º; da Lei n º 9.532, de 1997: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. ... § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; ... § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Resta, portanto, analisar os fatos à luz dos dispositivos legais acima mencionados. Por pertinente, cumpre reproduzir, abaixo, o quanto restou apurado pela auditoria fiscal, conforme os seguintes trechos extraídos do Termo de Verificação Fiscal: ... Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 2. De acordo com o seu Estatuto a FUNDAÇÃO UNIMED se declara "uma instituição de caráter educativo, cultural e assistencial, sem fins lucrativos" e em seu art. 2° declara que "tem como finalidade precípua a assistência social, contribuindo para a humanização e socialização da assistência à saúde, no desenvolvimento e apoio de ações cidadãs, segundo os princípios de respeito à pessoa humana e ao meio ambiente, e os fundamentos éticos e sociais envolvidos nas relações de qualquer natureza." ... 3. Em resposta ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 01, declara que as atividades desenvolvidas "são voltadas à empresários, dirigentes, executivos e técnicos na linha de sua finalidade, especialmente a dirigente/funcionários das cooperativas e Federações." ... 5. Declara, ainda, em resposta ao item 4 do Termo de Intimação Fiscal n° 002 que "identificamos em anexo as atividades efetivamente desenvolvidas pela Fundação UNIMED, bem como a documentação correspondente comprobatória que são de caráter EDUCATIVO, CULTURAL, ASSISTÊNCIA SOCIAL E SOCIAL DE INTERESSE DA COMUNIDADE". 6. Declara em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 003 que não possui os seguintes documentos: I Reconhecimento de utilidade pública no âmbito federal. II Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Ill Certificado de Isenção expedido pelo INSS Apresentou documentos que demonstram que por indicação da Vereadora Elaine Matozinhos, lhe foi concedido o Titulo Declaratório de Utilidade Pública Municipal pela Prefeitura de Belo Horizonte com o Decreto n°9.713 de 16/09/1998. ... 8. Analisando os Demonstrat ivos Anuais das receitas auferidas no período, apresentados pela fiscalizada, constatamos que as receitas provenientes de serviços prestados de cursos e seminários tem uma part icipação média de 77,00% da receita anual a part ir do ano calendário de 2.000, e a part ir do ano calendário de 2.003 os serviços de consultor ia (1° ano da at ividade) já correspondem a 13,61% da receita total daquele ano. Na resposta aos Termos de Intimação de n° 2 e 4 e de n° 10, a empresa relacionou os cursos promovidos por ela, apresentado a documentação correspondente. Destes elementos verificase que os cursos de pequena duração são eventos que versam sobre o tema saúde, inserido nas áreas mercadológica, comercial , de cooperativismo, administrat iva, gerenciamento, empresarial , f inanceira e planos de saúde, dest inados a um público formado por profissionais l igados ao sistema Unimed, como administradores, funcionários, associados ou cooperados. Os cursos de pósgraduação são coordenados e cert if icados por empresas contratadas pela Fundação Unimed, tais como FIA Fundação Inst i tuto de Administração, AMOAssessoria e Consultoria Médica Ocupacional , Sociedade Brasileira de Biosofia e Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013664/200765 Acórdão n.º 180101.021 S1TE01 Fl. 354 9 Universidade Gama Filho. Os part icipantes desses cursos, em sua maioria, são médicos cooperados e membros da administração das diversas Unimed. No quadro exposto, podese afirmar que a receita de prestação de serviços na realização de cursos e seminários, preponderante no faturamento da FUNDAÇÃO UNIMED, decorre dos valores recebidos dos part icipantes dos cursos e eventos que são dirigidos principalmente às pessoas l igadas ao sistema empresarial UNIMED, como dir igentes, administradores, funcionários, cooperados e associados das cooperativas e federações. 9. Constatamos assim, que as atividades ditas de educação desenvolvidas pela Fundação UNIMED se destinam a um público alvo que não se caracteriza como necessitado, visto que, a maior parte de sua renda vem diretamente da prestação de serviço de educação a uma clientela que paga por estes serviços valores que estão fora do alcance de qualquer pessoa que possa ser considerada como necessitada. O que se verifica do exame da documentação apresentada, é que os cursos de especial ização e pósgraduação promovidos pela Fundação Unimed, de fato são realizados por outras inst i tuições contratadas por ela, estas sim, vinculadas à educação. A fundação não possui um quadro próprio de professores ou profissionais da área de educação. Os serviços são executados exclusivamente por pessoal contratado para este fim, seja professores, técnicos ou empresas. 10. No aspecto da exigência do desenvolvimento de atividade complementar à atividade do estado, temos bem definidas no art. 208 da Constituição Federal de 1988, quais são as obrigações do Estado no campo da educação. As mesmas foram também listadas no art. 10 da Instrução Normativa SRF 113/98, limitandose ao ensino préescolar, fundamental, médio e superior. Temos que, 80% da receita auferida pela Fundação UNIMED, referese à prestação de serviços de cursos de especialização e pósgraduação e seminários, não se enquadrando, pois, nas exigências legais. 11. O fato da FUNDAÇÃO UNIMED celebrar contratos com pessoas físicas e jurídicas diversas para a execução da at ividade de educação, demonstra claramente que ela é uma empresa prestadora de serviços. Ela apenas promove os cursos ditos de pósgraduação, que são coordenados e ministrados por terceiros. Ela não está constituída formalmente como uma instituição de educação e não possui os competentes qualificação e registro junto ao Ministério da Educação. 12. Na resposta referente ao item 4 do Termo de Intimação n° 10, a entidade apresentou documentos que correspondem às faturas dos serviços de consultoria por ela prestados no ano de 2003 e os respectivos Contratos de Prestação de Serviços. A consultoria nada mais é do que uma prestação de serviços às empresas de serviços que necessitam de orientação e dispõem de recursos para pagálos. 13. Para identificar as atividades de cunho social e assistencial desenvolvidas pela Fundação Unimed, foram apresentados por ela folders sobre eventos realizados junto à comunidade, tais como: programas de responsabilidade social nas cooperativas do sistema Unimed (Projeto Fórum de Responsabilidade Social); criação de cartilhas educativas sobre a prevenção de doenças, implantação de programas de qualidade total nas cooperativas e, apoio na publicação da "Cartilha de Primeiros Socorros nas Empresas"; divulgação de informações, experiências e Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 conceitos de responsabilidade social dentro e fora do sistema Unimed; engajamento da Fundação em programas do governo federal, como "Fome Zero" e "Quero Ler"; realização anual de campanhas para arrecadar donativos, entre vestuários, alimentos e brinquedos para públicos mais necessitados; promotora, junto com outras empresas, de oficinas educativas e medição de pressão arterial realizadas em praças de Belo Horizonte. Tais at ividades, ainda que possuidoras de grande mérito, não são por si só, consideradas de assistência social . Para tanto, as atividades sociais e assistenciais a serem desenvolvidas teriam que beneficiar pessoas efetivamente carentes e suprir as suas necessidades básicas, o que em absoluto não é o efeito produzido pelas atividades praticadas pela FUNDAÇÃO UNIMED. 14. Na resposta ao item 3 do Termo de Intimação Fiscal n° 01 a fiscalizada apresenta a estrutura do seu quadro de dirigentes, com as respectivas funções exercidas e remunerações. Especifica que esta estrutura é composta do Conselho de Curadores e Órgão Executivo, sendo que é atribuída remuneração mensal aos membros deste último. Com a análise do Estatuto e da documentação apresentada, constatase que cabe ao Conselho de Curadores apenas aprovar o plano de ação, os relatórios de gestão e as contas de cada exercício, que lhe são anualmente submetidas pelo presidente do Órgão Executivo. Os únicos documentos que trazem assinaturas dos membros desse Conselho são as atas das assembléias realizadas periodicamente. Cabe aos membros do Órgão Executivo, dentro destes, segmentos, que são "Presidência", "Administrativo Financeiro", "Expansão", "Educação Corporativa" e "Desenvolvimento e Responsabilidade Social", o planejamento e aprovação das ações a serem executadas, a administração de recursos humanos internos, a contratação de serviços especializados, aprovação de normas administrativas, gestão financeira, movimentar contas bancárias, entre outras relacionadas à administração da Fundação. O Regimento Interno da Fundação Unimed mostra que a execução prática das ações administrativas está sob responsabilidade de um "superintendente" que se reporta direta e individualmente a cada um dos membros do Órgão Executivo, segundo as atividades afetas a cada uma das suas áreas de atuação e, coletivamente ao Órgão Executivo na pessoa do presidente executivo. Ao presidente executivo ainda é conferido o poder de "constituir procurador com poderes para movimentar conta corrente bancária....", segundo o art. 50 do Regimento Interno da Fundação. Os documentos analisados levam a concluir que a direção da Fundação Unimed cabe, de fato, aos membros do Órgão Executivo. Também ficou comprovado que os membros deste Órgão receberam remuneração mensal por seu trabalho, diretamente ou por intermédio de pessoas jur ídicas consti tuídas por eles. Os contratos assinados entre tais pessoas jurídicas e a Fundação Unimed, tiveram por objeto a prestação de serviços , com o preço a ser pago em um valor fixo mensal . Os pagamentos assim contratados es tão contabilizados e comprovados pela f iscalizada, no entanto, nem ela, nem cada uma das pessoas jur ídicas contratadas e ass im remuneradas, apresentaram documentos que comprovassem a efet iva prestação dos serviços . Este fato leva à comprovação de que os valores pagos às refer idas pessoas jur ídicas, das quais os membros do órgão Executivo são os sócios responsáveis, nada mais representa do que a Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013664/200765 Acórdão n.º 180101.021 S1TE01 Fl. 355 11 remuneração mensal paga a estes membros, pessoas físicas, pelas suas funções de direção da Fundação Unimed. É condição indispensável legal e indispensável para uma pessoa jurídica usufruir os benefícios da isenção do IRPJ e CSLL, a observância da regra disposta na letra "a", §2° do art . 12 da Lei n° 9.532/97: "não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados". A remuneração dos membros do Órgão Executivo da Fundação Unimed por serviços prestados, inclusive em nome de pessoas jurídicas de que são sócios, caracteriza o desvio de f inalidade da entidade, que se fosse considerada como instituição imune, não poderia beneficiar seus dirigentes, ou seja, "a pessoa física que exerça função ou cargo de direção da pessoa jurídica, com competência para adquirir direitos e assumir obrigações em nome desta, interna ou externamente, ainda que em conjunto com outra pessoa, nos atos em que a instituição seja parte" (IN 113/98), devendo buscar o fim de secundar o serviço público, não em interesse próprio, mas no da coletividade. Da legislação pertinente, constatase que não é permitido que os dirigentes das entidades imunes delas recebam qualquer forma de remuneração, mesmo que devida ao exercício de outra atividade profissional não relacionada com a função ou cargo de direção (IN SRF 113/1998). 15. Pela análise da legislação pertinente e dos fatos descritos concluímos que: 1. os serviços de educação são prestados aos funcionários de empresas que compõem o sistema Unimed, e a Fundação Unimed é remunerada para prestálos, ou seja , somente têm acesso aos serviços de cursos, palestras, pósgraduação, seminários e especializações mediante pagamento, uma minoria privilegiada, capaz de suportar tais encargos, o que é completamente incompatível com os objetivos da imunidade constitucional do art. 150 da Constituição Federal/88 e o determinado no caput do art. 12 da Lei n° 9.532/97, porque faltam a estas atividades, o caráter da universalidade e a característica de serem complementares às atividades de Estado, que são próprios a uma instituição de educação; 2. as ações sociais praticadas pela Fundação não tem como característica atender a pessoas efetivamente carentes e o suprimento de necessidades básicas das pessoas beneficiadas, como dispõe o art. 10 da Lei no 8.742/93. A Fundação nem mesmo possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), que representa o entendimento exarado por órgão do governo federal de que uma entidade é de assistência social nos termos legais pertinentes; 3. a remuneração dos serviços a ela prestados por membros do Órgão Executivo, que de fato ocupam postos de direção na Fundação Unimed caracter iza o desvio de finalidade da entidade, que para enquadrarse como instituição imune, com base no disposto no inciso I do art. 14 do CTN e na al ínea "a" do §2° do art . 12 da Lei n° 9.532/97, não poderia beneficiar seus dirigentes/ inst i tuidores, devendo sim, buscar o fim de secundar o serviço público, não no interesse dos fundadores, mas no da coletividade; 4. a partir do ano calendário de 2003 a Fundação UNIMED passou a exercer atividades de prestação de serviços de consultoria (13% da receita anual), o que Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 12 afasta as benesses fiscais concedidas às entidades sem fins lucrativos e coloca este estabelecimento no mundo competitivo das empresas em geral. 5. não obstante possua roupagem de fundação com objetivos educacionais e assistenciais, a Fundação UNIMED é, em verdade, empresa do ramo de prestação de serviços de treinamento de mão de obra e consultoria gerencial direcionados às demais empresas que compõem o complexo empresarial UNIMED, não se caracter izando como uma verdadei ra "inst i tuição" com o direito liquido e certo ao gozo da imunidade prevista pelo art. 150, inc. VI, alínea "c" da Constituição Federal de 1988. O fato de uma instituição se dedicar à contratar com terceiros o ministério de cursos técnicos ou de pósgraduação a seus funcionários e colaboradores não implica, necessariamente, na concessão do benefício da isenção. Nem todas as instituições de ensino são isentas. Para isso é necessário que a entidade comprove, perante os órgãos governamentais, seu caráter filantrópico. À propósito, analisando os documentos angariados pela auditoria fiscal e acostados aos volumes denominados Anexo I, II e III, verificase, em especial, aqueles apresentados pela pessoa jurídica, em atendimento às diversas intimações, denominados de “transparências” produzidas a partir do programa PowerPoint, utilizados nos cursos e seminários oferecidos ao seu corpo de administradores, funcionários, associados e cooperados. Dessas telas constam algumas que muito bem retratam as diretrizes e objetivos da instituição, dentre as quais podese destacar: Anexo I Fls. 127/128 Importância da Universidade Empresarial Constatação de que as empresas devem fazer muito mais do que proporcionar treinamento especifico aos funcionários, se quiserem ter sistemas inteligentes e obter vantagens competitivas. Precisam assegurar que o ensino esteja vinculado aos seus objetivos. Cursos de treinamento Cursos de Graduação Cursos de Pósgraduação Cursos de Aperfeiçoamento e Especialização A necessidade premente que o Sistema tem de atualizarse eletronicamente para garantir os resultados obtidos em 30 anos Economia de controle; Racionalização administrativa — operacional; Economia de utilização (demanda); Benefícios para um maior número de pessoas como resultado final desejado; ebussiness todas as singulares comprando em economia de escala através da internet. Anexo I Fl. 131 Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013664/200765 Acórdão n.º 180101.021 S1TE01 Fl. 356 13 PROPÓSITO Na era do conhecimento e da informação, não podemos prescindir desses elementos essenciais em beneficio da saúde. De posse desses conhecimentos adquirimos o poder de identificar oportunidades, de combater ameaças, de tomar as decisões mais acertadas, enfim — DE PODER CONQUISTAR MERCADO Nesse contexto cumpre esclarecer o significado e a extensão do termo filantropia. Stephen Kanitz, profissional reconhecidamente especializado e atuante na área do terceiro setor, em artigo publicado na revista VEJA (www.veja.com.br), explicou o significado da filantropia e a sua prática: “A origem etimológica da palavra filantropia significa ‘amizade pela humanidade’. O conceito original, desenvolvido no início do século passado, parte do princípio de que a ação social nasce, fundamentalmente, da decisão individual de um possuidor de bens ou recursos financeiros, que acredita que esses recursos doados a uma entidade ou a uma causa podem fazer a diferença na vida de uma pessoa. Outra abordagem para a filantropia é quando ela atua como um segmento da sociedade civil que busca construir um sistema alternativo da situação de exclusão do ser humano. Essa abordagem utiliza o recurso privado para o beneficio público, buscando transformar a sociedade, a partir de programas e projetos criativos, testes e modelos que tornam serviços e bens mais acessíveis, construção de relações entre diferentes setores e grupos sociais, geração de capital humano e social, influência em políticas públicas. Seu compromisso é com a mudança da sociedade, com a alteração do status quo. Os hospitais filantrópicos e as Santas Casas de Misericórdia são reconhecidos como entidades beneficentes a partir da emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (anteriormente denominado Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos), concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). É o reconhecimento do Poder Público Federal de que a Instituição é Entidade Beneficente de Assistência Social (anteriormente conhecida como “filantrópica”), sem fins lucrativos e presta atendimento ao público alvo da assistência social.” (destaques acrescidos). Os fatos falam por si. A Fundação Unimed é uma empresa prestadora de serviços. Presta serviços de consultoria a empresas do próprio grupo Unimed. Oferece aos médicos cooperados e membros da administração das diversas Unimed cursos de pós graduação que contrata com entidades de ensino superior. Organiza cursos e seminários para seus administradores, funcionários, associados e cooperados, voltados para o segmento mercadológico comercial, de cooperativismo, administrativo, gerencial, empresarial, financeiro e planos de saúde. Não se vislumbra qualquer caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico nos serviços prestados pela pessoa jurídica. Ainda que se possa considerar que a entidade tenha caráter filantrópico por manter alguns parcos projetos em programas do governo federal, como "Fome Zero", "Quero Ler"; ou por realizar algumas campanhas para arrecadar donativos, como vestuários, alimentos e brinquedos para públicos mais necessitados que, a propósito, também são mantidos por diversas outras pessoas jurídicas que nem por isso, se beneficiam de qualquer isenção ou imunidade é fato que todos os requisitos legais impostos para que uma entidade usufrua do benefício da imunidade também devem ser observados para o gozo do benefício da isenção. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 14 Nesse aspecto já restou comprovado, nos presentes autos, que os membros do Órgão Executivo da entidade receberam remuneração mensal por seu trabalho, diretamente ou por intermédio de pessoas jurídicas por eles constituídas, desrespeitando, assim, um dos primordiais requisitos para fruição de ambos os benefícios, de imunidade e isenção: não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados (Lei n º 9.532, de 1997, art. 12, § 2o., “a” ) Neste ponto, tomo a liberdade de me apropriar da motivação muito bem fundamentada do “Despacho de Suspensão de Imunidade/Isenção” de fls. 62 a 80: De plano, devemos contextualizar o caso em relação ao conceito de instituição de educação sem fins lucrativos, uma vez que a toda evidência não há qualquer hipótese de consideração da Fundação, ora impugnante, enquadrarse no conceito de entidade de assistência social sem fins lucrativos, até porque ela própria refuta esta possibilidade em suas declarações. ... Na verdade, a Fundação promove cursos de breve duração e seminários, que demonstram o real escopo de sua atividade pedagógica, o treinamento e especialização de associados, cooperados, administradores e funcionários do sistema cooperativo de trabalho módico a que se vincula. Afirma, em suas razões de contestação à notificação, praticar a educação no módulo superior, pelos cursos de pósgraduação, nas áreas de saúde e atividade médica, que por si só já seriam suficientes a demonstrar a condição de instituição de ensino superior. Todavia, o que se verificou dos documentos e informações prestadas é que, na verdade, estes cursos de pósgraduação foram contratados, senão todos, pelos menos em grande parte, com instituições diversas, estas sim, com estrutura de entidades educacionais. Induvidoso, porém, que não se faz presente, mesmo fosse admitida esta prestação de serviço, o caráter de universalidade do ensino que afirma promover. Evidentemente, expõe em sua defesa a tese de que a interpretação da imunidade deva ser ampla, não cabendo qualquer restrição, todavia, embora a interpretação de imunidade deva ser extensiva, ela deve ser integrada e consoante ao arcabouço constitucional, observando princípios e regras, sob pena de permitir o implemento de desigualdades. Certo é que não se pôde demonstrar efetivamente ser uma instituição de educação, na concepção plena do termo, ficando evidenciado mais o caráter de uma prestação de consultoria, através de cursos ministrados no sentido de padronizar os procedimentos entre as muitas entidades formadoras do complexo de atividades de cooperativa de trabalhomédico a que se junge. Ainda em relação à imunidade dos impostos, restou evidenciado o descumprimento de requisito consignado no inciso I, do art. 14 do CTN, e no § 2°, alínea a, do art. 12 da Lei a° 9.532/97, com regulamentação também da IN/SRF O 113/98, art. 4°, isto porque, demonstrado a saciedade, que houve remuneração por parte da Fundação a seus dirigentes, componentes do Órgão Executivo. Pela redação expressa na mencionada Instrução Normativa, entendese como dirigente "a pessoa que exerça função ou cargo de direção da pessoa jurídica, com competência para adquirir direitos e assumir obrigações em nome desta, interna ou externamente, ainda que em conjunto com outra pessoa, nos atos em que a instituição seja parte." Os membros do Órgão Executivo não eram meros gerentes ou chefes de setores internos da organização, eram dirigentes responsáveis pela administração em geral da entidade, ao ponto de terem poderes estatutários para outorgar procuração a Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.013664/200765 Acórdão n.º 180101.021 S1TE01 Fl. 357 15 terceiros, até para a prática de atos quanto à movimentação financeira de recursos da Fundação. O fato de serem escolhidos ou de poderem, em última instância, sofrer destituição de seus mandatos, por deliberação do Conselho de Curadores, não lhes retira a condição de dirigentes, de representantes da Fundação. Assim, para efeito de fruição da imunidade, não poderiam ser remunerados por suas funções, e o foram, e mais, talvez, na consecução de verdadeiro planejamento tributário, ainda perceberam várias dessas remunerações, por intermédio de pessoas jurídicas prestadoras de serviços das quais eram sócios, ao que tudo indica, para evitar a tributação mais gravosa da pessoa física. Evidente a comprovação de que houve remuneração a seus dirigentes, e o conseqüente descumprimento do requisito legal para o gozo da imunidade, caracterizando desvio de finalidade, dos objetivos da Fundação. Também se configura desvio de finalidade, in casu, a ocorrência de pagamentos feitos pela entidade a pessoas jurídica, em cujo quadro societário figuram pessoas com vinculo com a fundação, como parentes de ex dirigentes/instituidores, sendo que não se comprovou, efetivamente, a necessidade das despesas, tentandose na verdade, prevalecer argumento de que referidos pagamentos teriam razões históricas e foram mantidos representando, ao final, economia para a instituição. Entretanto, o que estava em discussão é a adequação e a necessidade da despesa incorrida para a atividade da Fundação, uma vez, que envolve pessoa ligada, e pode representar desvio de finalidade. A Notificada não logrou nos documentos esclarecer estes pontos. Correta a indicação da despesa como desnecessária. Em relação à isenção com base no art. 195, § 7° da CR/88, concernente as contribuições para a seguridade social, despiciendo maiores considerações, uma vez que além do que foi apontado como infração aos requisitos que são comuns ao da imunidade dos impostos, a Fundação não possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social ou de Entidade de Fins FilantrópicosCEFF;de expedição do Conselho Nacional de Assistência Social— CNAS, condição básica, conforme texto já exposto da Lei n°8.212/91, para fruição do beneficio da isenção. Seria absurdo admitir a tese da defesa de que seria necessária a expedição de um novo ato declaratório, desta feita para suspenderlhe o benefício da isenção do IRPJ e da CSLL, ao qual automaticamente estaria submetida, dado o seu caráter filantrópico que, ao final, demonstrouse não existir já que o Ato Declaratório Executivo da DRF em Belo Horizonte teria se limitado a suspenderlhe o benefício da imunidade quando se sabe comprovadamente desrespeitados e inobservados pela entidade durante todo o período objeto da auditoria fiscal, de requisitos impostos para fruição também do benefício da isenção. Admitir reconhecerlhe o gozo de tal benefício, para depois cassálo retroativamente com base nos fatos apurados e demonstrados nos autos, unicamente porque entende a entidade haver mudança na denominação do benefício, de imunidade para isenção, para além de absurdo e caprichoso, é totalmente ilegal. A entidade usufruía da imunidade, não da isenção. E o que nunca existiu, não pode ser suspenso. Ademais, como visto, o § 3º do artigo 15 da Lei n º 9.532, de 1997, estabelece que às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2º, alíneas "a" a "e" e § 3º e dos arts. 13 e 14. O artigo 14, a seu turno, determina que à suspensão do gozo da isenção se observe o que dispõe o artigo 32. da Lei nº. 9.430, de 1996, que cuida do procedimento administrativo de suspensão dos benefícios de imunidade e de isenção. Tais Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 16 disposições foram rigorosamente observadas pela Receita Federal, que promoveu todo o procedimento previsto no artigo 32 da Lei n º 9.430, de 1996. Pelo exposto a entidade não faz jus ao benefício da imunidade nem ao benefício da isenção do IRPJ da CSLL e demais contribuições. Improcedente, também, o pleito para que sejam compensados, no resultado tributável do IRPJ e da CSLL, os “déficits’ apurados em períodos anteriores, de 2000 e 2001. Não há qualquer previsão legal que ampare o pleito e, como visto a própria auditoria fiscal, inadvertidamente, tratou de compensar a integralidade dos “prejuízos” apurados pela entidade, nos períodos de 2002 e 2003, não havendo nada mais a ser compensado. Oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720135/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
INSUMOS. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO.
Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da Cofins e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção.
Numero da decisão: 3803-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente em exercício e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PROVA. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito aos créditos apurados cujo saldo é objeto do pedido de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INSUMOS. CRÉDITOS. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da Cofins e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e os Suplentes Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 01 35 /2 00 9- 10 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu o nº 30815.55635.160608.1.1.116732, pleiteando o ressarcimento de Cofins não cumulativa relativa ao terceiro trimestre de 2007, no valor de R$ 42.583,27. Às fls. 69/77 consta o Relatório de Verificação Fiscal em que a AuditoriaFiscal se manifestação sobre diversos pedidos de ressarcimento. Para o pedido que constituiu este processo Despacho decisório da DRF/Caxias do SulRS, de 03 de fevereiro de 2010, reconheceu o direito creditório na importância de R$ 12.803,67, e efetuou a compensação de ofício de débitos de Cofins em aberto no sistema da RFB, conforme imagens de fls. 105. Tratase de uma empresa agrícola que se dedica à produção e comercialização de maçãs. A empresa foi intimada a: a) descrever o processo produtivo; b) a listar e descrever a utilização de máquinas e equipamentos e outros bens nele utilizados; c) a apresentar a respectiva conta contábil do ativo permanente em que se encontravam lançados esses bens; d) as notas fiscais de entrada e saída em arquivos digitais e os arquivos contábeis digitais. Do confronto entre a memória de cálculo, o Dacon, o arquivo de notas fiscais e os valores constantes dos pedidos de compensação/ressarcimento foram efetuadas as glosas a seguir: a) custos e despesas relativas a bens que não podem ser considerados insumos à luz da legislação vigente de PIS/Cofins não cumulativos, por não atenderem aos requisitos do inciso II, do artigo 3º, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003; b) despesas com óleo diesel e manutenção de máquinas, que são aplicados indiscriminadamente em pomares produtivos e ainda não produtivos, quando, segundo os termos do TVF, deveriam estar segregados, cabendo às culturas em formação ter todos os seus custos e despesas escrituradas em conta do ativo imobilizado, até a sua primeira produção; c) despesas com recauchutagem de pneus, embreagem, bicos injetores, pistões, blocos e cabeçotes (reforma de motores), câmbio, amortecedores, motor de partida, freios e pneus, que, aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aumentam a vida útil desses bens em mais de um ano; d) gastos com palanques, estacas, proteção contra lebres, âncoras, fitilhos, arame farpado e arame galvanizado, itens não considerados insumos. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou, em síntese, que: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11020.720135/200910 Acórdão n.º 3803004.122 S3TE03 Fl. 188 3 a) ante a exaustiva fiscalização por que passou foi apresentada ao Auditor a segregação de contas; b) os tratores foram utilizados na produção de maçãs que é o objetivo social da requerente, sendo as despesas com estes, bem como com as empilhadeiras, necessários à produção; c) são também necessários à produção os gastos com manutenção, peças e serviços utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados na produção; d) o entendimento do Auditor é contrário a decisões administrativas que em casos análogos foram julgados favoráveis ao contribuinte, demonstrando que seu entendimento pessoal não é o mesmo entendimento de outras Superintendências da Receita Federal e muito menos do Conselho de Contribuintes. Em julgamento da lide, a DRJ/Campo GrandeMS refutou todos os argumentos da manifestante e considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão ementada como segue: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 CRÉDITO DE COFINS. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da COFINS e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção. Cientificada da decisão em 13 de julho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, em 7 de agosto de 2012, em que reiterou os mesmos termos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Consta do Relatório de Verificação Fiscal, fls. 69/77 ter a Auditoria verificado no plano de contas o grupo 132 Ativo Imobilizado o registro das contas abaixo: 13202 Bens em operação Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 o 132020001 Imóveis o 132020002 Máquinas e Equipamentos 132020003 Moveis e Utensílios o 132020006Veículos o 132020007 Embalagens (BINS) • 13205 Depreciações acumuladas Imobilizado o 132050006 Máquinas e Equipamentos o 132050007 Moveis e Utensílios o 132050009Veículos o 132050010Embalagens Da análise dos lançamentos efetuados na conta 132020002 a Auditoria encontrou diversos lançamentos de créditos relativos a recauchutagem de pneus, embreagem, bicos injetores, pistões, blocos e cabeçotes (reforma de motores), câmbio, amortecedores, motor de partida, freios e pneus, insumos que acrescentam vida útil superior a um ano aos bens, cujos créditos foram glosados. Outras aquisições, também não foram consideradas como insumos aplicados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; são estes estacas e palanques, proteção contra lebre, âncoras, fitilhos, arame farpado e arame galvanizado, ao motivo de que agregamse ao Ativo Imobilizado. Não obstante tenha a Fiscalização evocado o texto do § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 (com as alterações da Instrução Normativa SRF n° 358, de 2003) e do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF n° 404/2004, segundo o transcrito deste abaixo, para fixar o conceito de insumo apto ao creditamento da Contribuição para o PIS e da Cofins, o enfoque dele extraído não foi o traço que o vincula ao creditamento do IPI, mas a norma de proibição contida na ressalva na letra “a”, in fine, a obstar a sua inclusão na base de cálculo dos créditos: § 4º o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;[grifo na cita original] Constou ainda que a Contribuinte considerou créditos referentes a despesas de manutenção, incluindo óleo diesel, aplicadas em tratores e implementos agrícolas utilizados tanto em pomares em produção, próprios e de terceiros, quanto em pomares ainda não produtivos, bem despesas de manutenção das propriedades de terceiros. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11020.720135/200910 Acórdão n.º 3803004.122 S3TE03 Fl. 189 5 A decisão recorrida contestou com clareza, e pontualmente, que: “a) A afirmação de que todos os tipos de segregação foram apresentados quando da verificação fiscal não encontra guarida nem na fase preliminar quanto na fase impugnatória sendo que nessa última fase a impugnante poderia demonstrar a segregação daquilo que lhe seria favorável quanto às despesas e custos utilizados em fase de produção. O fato de que a contabilidade não traduz a situação dos DACON’s somente confirma a regularidade do procedimento da autoridade fiscal que não pode identificar em relação à parte produtiva da parte em fase de implantação e ainda não produtiva. O excesso de informações apresentadas segundo informa a impugnante somente serviram para que a autoridade identificasse aquilo que era passível de compensação de forma indubitável, tanto que parte das compensações foi homologada, daquilo que não era passível de homologação por não cumprir o disposto na legislação para tanto; [grifo aqui] b) Conforme bem detalhada a motivação das glosas de despesas com tratores, foi pelo fato que dentre as diversas utilizações com referidas máquinas, muitas delas não poderiam ser aproveitadas no crédito da contribuição, por serem despesas a serem ativadas no permanente da empresa até que os pomares próprios e de terceiros passem a produzir, enquanto que, não existe qualquer contabilização no permanente, segundo a autoridade fiscal, e, ainda, o fato de que não há qualquer segregação da utilização dos tratores e máquinas agrícolas em áreas próprias, de terceiros em arrendamento e de terceiros, e de áreas em formação, o que impede a possibilidade de aceitação de parte dessas despesas que poderiam estar sendo aplicadas em áreas em produção. Quanto às empilhadeiras, a que se refere a impugnante, embora pelas características somente pudessem ser utilizadas no processo produtivo não identificou quais seriam, com documentos para tanto; [grifo aqui] c) A afirmação de que todos os gastos com diesel, manutenção de máquinas e equipamentos são necessários à produção do produto não leva em conta que para efeito de utilização dos créditos oriundos desses gastos devem estar perfeitamente enquadrados no inciso II do artigo 3º da lei10.833/2003, ou seja, bens e serviços utilizados como insumo na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda, o que não inclui bens que deveriam ser ativados no permanente, nem despesas ou custos de implantação de pomares que ainda não estejam em produção nem atividades em áreas de terceiros; [grifo aqui] d) O conceito de insumos não são os próprios do IPI, mas, conceito que identifica em sentido mais amplo a combinação de fatores de produção, e, o que se discute aqui não é essa conceituação que é mais ampla a favor do contribuinte, ao contrário do conceito utilizado no IPI. O que se discute é que não pode aproveitar ao contribuinte, os créditos que ou não são bens utilizados na produção, pois, em áreas de formação, ou Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 bens que deveriam estar ativados no permanente e não utilizados no processo produtivo; [grifo aqui] Ao pontuar que os motivos dos créditos atinamse com a falta de segregação contábil das despesas com os bens utilizados na produção e os utilizados na formação dos pomares, bem como a aquisição de bens que deveriam estar ativados, a matéria a ser devolvida a esta instância convolouse em questão fática, a exigir da Recorrente a demonstração contábil que fizesse frente aos óbices opostos ao seu direito ao crédito. Somente assim instrumentada haveria de estar apta a defesa ao provimento do seu pleito. No entanto, disso não se desincumbiu a Recorrente, cuidando o seu argumento de não fazer a distinção entre os pomares em formação e os em atividade, de não demonstrar a propriedade e legalidade do cômputo de créditos sobre bens ativáveis, e, por fim, de colacionar inúmeras soluções de consulta e decisões, que, a teor do já decidido na primeira instância atesto corroboram o acerto da Autoridade Administrativa em sua decisão. Recoloco que as segregações eram necessárias e os bens glosados, com efeito, deveriam estar ativados. As provas desses eventos deveriam ter comparecido aos autos, ou, ao reverso, o argumento da Recorrente deveria ter demonstrar a desnecessidade de tais provas, a ilegalidade do feito fiscal e a insustentabilidade da decisão recorrida. Não tendo seguido esta trilha, a Recorrente não logrou desconstruir as razões de decidir do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/05/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.004545/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão
legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
No caso do imposto de renda, foi editada a Súmula 38 deste CARF,
esclarecendo que o fato gerador do imposto de renda se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Decadência afastada.
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. TRIBUTO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF 2).
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte/ titular da conta de depósito desconstituí-la.
Hipótese em que a Recorrente não desconstituiu a presunção.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR ANTERIOR À
DATA DA ABERTURA DA SUCESSÃO.
A presunção instituída pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 não alcança o sucessor, responsável tributário, pois a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos para descaracterização da omissão de rendimentos só pode ser imputada ao contribuinte/titular da conta, nos termos do mencionado
artigo.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE.
“Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” (Súmula CARF n. 29).
Hipótese em que não foi realizada a intimação de todos os cotitulares das contas conjuntas.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
“Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” (Súmula CARF n. 61).
Hipótese em que o somatório anual dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassa R$ 80.000,00.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.566
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto a totalidade dos depósitos efetuados nas contas n.os 000001821 (Real),
0113460 (Safra) e 0100293722 (BBV), bem como o valor de R$ 2.690,00, depositado na conta n.º 0129960 (Safra), e as quantias de R$ 3.087,00 e R$ 7.630,00, depositadas na conta n.º 2927466 (BCN).
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN. No caso do imposto de renda, foi editada a Súmula 38 deste CARF, esclarecendo que o fato gerador do imposto de renda se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Decadência afastada. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. TRIBUTO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF 2). IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte/ titular da conta de depósito desconstituí-la. Hipótese em que a Recorrente não desconstituiu a presunção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR ANTERIOR À DATA DA ABERTURA DA SUCESSÃO. A presunção instituída pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 não alcança o sucessor, responsável tributário, pois a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos para descaracterização da omissão de rendimentos só pode ser imputada ao contribuinte/titular da conta, nos termos do mencionado artigo. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE. “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” (Súmula CARF n. 29). Hipótese em que não foi realizada a intimação de todos os cotitulares das contas conjuntas. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” (Súmula CARF n. 61). Hipótese em que o somatório anual dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassa R$ 80.000,00. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto a totalidade dos depósitos efetuados nas contas n.os 000001821 (Real), 0113460 (Safra) e 0100293722 (BBV), bem como o valor de R$ 2.690,00, depositado na conta n.º 0129960 (Safra), e as quantias de R$ 3.087,00 e R$ 7.630,00, depositadas na conta n.º 2927466 (BCN).
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NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. No caso do imposto de renda, foi editada a Súmula 38 deste CARF, esclarecendo que o fato gerador do imposto de renda se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Decadência afastada. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. TRIBUTO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF 2). Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 720 2 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte/ titular da conta de depósito desconstituíla. Hipótese em que a Recorrente não desconstituiu a presunção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR ANTERIOR À DATA DA ABERTURA DA SUCESSÃO. A presunção instituída pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 não alcança o sucessor, responsável tributário, pois a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos para descaracterização da omissão de rendimentos só pode ser imputada ao contribuinte/titular da conta, nos termos do mencionado artigo. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE. “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” (Súmula CARF n. 29). Hipótese em que não foi realizada a intimação de todos os cotitulares das contas conjuntas. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” (Súmula CARF n. 61). Hipótese em que o somatório anual dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassa R$ 80.000,00. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto a totalidade dos depósitos efetuados nas contas n.os 000001821 (Real), 0113460 (Safra) e 0100293722 (BBV), bem como o valor de R$ 2.690,00, depositado na conta n.º 0129960 (Safra), e as quantias de R$ 3.087,00 e R$ 7.630,00, depositadas na conta n.º 2927466 (BCN). Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 721 3 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 831/859) interposto em 18 de junho de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP II (fls. 804/824), do qual a Recorrente teve ciência em 21 de maio de 2009 (fl. 829), que, por maioria de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 720/725, lavrado em 29 de outubro de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificadas no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO ILÍCITA. Improcede a alegação de obtenção ilícita de informações bancárias, porquanto a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira foi efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR POSTERIOR À DATA DA ABERTURA DA SUCESSÃO. As obrigações tributárias decorrentes de fatos geradores ocorridos antes da data da abertura da sucessão e apuradas após a data da partilha transferemse para os sucessores hereditários e/ou o cônjuge meeiro, estando limitada aos respectivos quinhões, legados ou meações. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 722 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FONTES DO EXTERIOR. A simples constatação da transferência de recursos entre contas mantidas no exterior, ainda que o contribuinte tenha sido identificado como beneficiário da remessa, não é suficiente para demonstrar omissão de rendimentos recebidos do exterior. Lançamento Procedente em Parte” (fls. 804/805). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 831/859, no qual alega, preliminarmente: (i) a decadência de parte do crédito tributário, (ii) o cerceamento de defesa, (iii) a violação do direito à privacidade, constitucionalmente protegido, devido à quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e, no mérito, a irregularidade do lançamento efetuado, bem como o caráter confiscatório da tributação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão sob análise cingese à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada realizados em contas de titularidade da Recorrente, bem como em contas conjuntas existentes no nome da Recorrente e de seu marido meeiro falecido e em contas exclusivamente do de cujus, figurando a Recorrente, no que atine às contas exclusivas de seu esposo e aos 50% das contas de cotitularidade, como responsável tributária, nos termos do art. 131, II, do CTN, uma vez que os fatos geradores são anteriores à data da abertura da sucessão e à época da lavratura do auto de infração já havia sentença, transitada em julgado, homologando a partilha. A contribuinte defende, em seu recurso voluntário, preliminarmente, a tese de que, por ser o direito à privacidade uma das garantias constitucionais, não poderia a fiscalização ter quebrado seu sigilo bancário sem prévia autorização judicial, sendo inconstitucional a prova (informações bancárias) obtida pela Receita Federal do Brasil diretamente junto às instituições financeiras, nos termos do art. 11, §2º, da Lei n.º 9.311/96 e arts. 1º, §§ 3º e 6º, da Lei Complementar n.º 105/2001. Fazse mister asseverar, por oportuno, que tanto o Decreto 70.235/72, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), representada pela Súmula n.º 2 do CARF, consolidada pela Portaria MF n.º 49/2010, são claros ao impedirem a análise de inconstitucionalidade de normas, reconhecendo Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 723 5 a presunção de legalidade dos dispositivos aprovados na forma do processo legislativo pátrio, em ambas as casas do Congresso Nacional. Por esta razão basilar, portanto, no que atine às alegações de inconstitucionalidade da utilização de dados bancários do contribuinte para formalização do auto de infração, por implicarem na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais utilizados, não podem ser acatadas, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72. A este respeito, aliás, cumpre destacar que, muito embora tenha o Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, no julgamento do RE n.º 389.808/PR, da lavra do Ministro Marco Aurélio, entendido que “conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte”, referida interpretação foi feita por maioria simples de votos, razão pela qual não foi declarada a inconstitucionalidade de quaisquer dispositivos legais, matéria esta sujeita à maioria absoluta dos pares, na forma do art. 101 da Constituição. Em outras palavras, referido julgado, não apreciado pelo regime de repercussão geral, restringese à aplicação no caso específico discutido, não declarando a inconstitucionalidade do normativo, ainda que em controle difuso, o que inibe este CARF, sob pena de ofensa ao disposto pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, de proceder ao afastamento de dispositivos de lei vigentes e aplicáveis ao caso concreto. Dessa forma, afasto a preliminar de inconstitucionalidade arguida, devido à falta de competência deste Conselho para referida análise. A Recorrente aduz, ainda, que houve a decadência do direito de constituir o crédito tributário com relação aos fatos geradores ocorridos antes de 29 de outubro de 2002; no entanto, sem razão a contribuinte. Cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário naqueles casos nos quais, inexistindo dolo, fraude ou simulação e não havendo, ademais, declaração do contribuinte, a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, embora o preveja, o contribuinte não realiza referido recolhimento, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 724 6 inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009, grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 725 7 “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim – muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, a exemplo do Recurso Voluntário n.º 149.960 –, passo a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte Infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual (i) não há constituição do crédito pelo contribuinte, (ii) não se trata de dolo, fraude ou simulação e (iii) a legislação não preveja o pagamento antecipado ou, em o prevendo, não há início de pagamento, haverá de ser aplicado o prazo previsto em aludido dispositivo (art. 173, I, do CTN), iniciandose a contagem do prazo decadencial quinquenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em que pese, no caso concreto, a inexistência de declaração relativa ao débito ora em discussão, bem como a comprovação de dolo, fraude ou simulação, verificase que houve o pagamento antecipado do imposto de renda relativo ao anocalendário de 2002, ainda que inferior ao efetivamente devido, motivo pelo qual entendo ser aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. No mais, importante ressaltar que o fato gerador do imposto de renda é complexivo e se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário, tal como enunciado constante da Súmula 38 deste CARF, in verbis: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Sendo assim, tratandose de lançamento que abrangeu o fato gerador correspondente ao anocalendário de 2002, que, portanto, se aperfeiçoou em 31/12/2002, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31/12/2007. Tendo o lançamento sido realizado em 29/10/2007, mediante a lavratura do auto de infração de fls. 720/725, não há que se falar em decadência. Afasto, pois, a preliminar de decadência, e passo à análise dos argumentos dispendidos acerca do cerceamento de defesa. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 726 8 Verificase que o lançamento foi realizado com base na presunção do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, que assim preceitua: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte/titular da conta de depósito, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Este tribunal administrativo, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do contribuinte desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 727 9 “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Alega a Recorrente, responsável tributária por parte do crédito glosado, que “o único sujeito passivo da relação tributária que realmente reúne as informações apropriadas e necessárias sobre os fatos financeiros relacionados pela fiscalização”(fl. 835) é o contribuinte, e conclui que “Somente o contribuinte, sujeito que conhece diretamente os fatos questionados teria a prerrogativa de apresentar seus elementos de prova, as justificativas quanto às origens dos depósitos em conta corrente, inclusive por se tratar de valores em conta de sua exclusiva titularidade, reunindo os documentos que viabilizassem a defesa em amplo sentido” (fl. 835). Em suma, entende a Recorrente que, por se tratar de contas exclusivas de seu marido falecido, somente ele poderia ter meios de entender e disponibilizar as informações financeiras com propriedade e que, devido à falta de conhecimento dos fatos pertinentes às referidas contas bancárias, estaria tolhida de defesa. Conforme restará a seguir demonstrado, as razões trazidas pela Recorrente merecem prosperar em parte. Primeiramente, insta destacar que os depósitos de origem não comprovada, objeto da glosa em discussão, deramse tanto em contas de titularidade do de cujus, quanto em contas em que a Recorrente figura como titular. Com relação aos depósitos realizados nas contas de titularidade exclusiva do de cujus, a imputação do crédito tributário à Recorrente decorre de imposição legal. Sobre o tema, transcrevese o quanto disposto no art. 121 do CTN: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 728 10 II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Da simples leitura do supramencionado artigo, verificase que figura como responsável pela obrigação tributária aquela pessoa que, sem ter relação direta com o fato gerador, deixando de participar do binômio Fiscocontribuinte, está obrigada ao pagamento do tributo, devido à disposição expressa de lei. Como bem observa Luciano Amaro “A figura do responsável aparece na problemática da obrigação tributária principal por uma série de razões que são valorizadas pelo legislador ao definir a sujeição passiva tributária. (...) A eleição desse terceiro, para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, decorre de razões que vão da conveniência até a necessidade.” (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva. 2009. p. 304). Ainda de acordo com o referido doutrinador, a existência de um responsável tributário ocorre, uma vez que “Há situações em que a única via possível para tornar eficaz a incidência do tributo é a eleição do terceiro responsável” (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva. 2009. p. 304). Como se vê, a escolha de um terceiro para figurar como sujeito passivo da relação jurídicotributária não se dá de forma arbitrária, visto que o legislador, ao analisar determinadas situações, opta por terceiro com liame indireto com o fato gerador, por verificar que a única via possível para tornar eficaz a incidência do tributo é eleição. Devido às diferentes razões que motivam a opção pela existência de um responsável tributário, identificamse duas modalidades de responsabilidade existentes, quais sejam, a substituição, na qual a obrigação tributária já nasce com o responsável no polo passivo da relação jurídicotributária e a transferência, que se configura com a atribuição à terceiro da responsabilidade pelo pagamento do tributo, em razão de algum evento. Como exemplo dessa última modalidade podese mencionar a sucessão causa mortis. Nesse sentido, o art. 131, II, do CTN, assim dispõe: “Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação (...)” Na situação acima descrita, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão; no entanto, a responsabilidade do terceiro é limitada ao montante que lhe é outorgado na partilha. O herdeiro, legatário e o meeiro são responsáveis pelas obrigações geradas até o falecimento e pelas obrigações geradas até a partilha ou adjudicação, caso não tenham, como in casu, sido liquidadas pelo espólio. Diante do exposto, verificase que a imputação, à Recorrente, do crédito tributário se dá devido à imposição legal, imposição esta que, conforme visto, adveio de uma valoração de situações que fizeram o legislador optar pela transferência da obrigação a terceiro, devido à impossibilidade de tornar eficaz a incidência do tributo se o contribuinte fosse Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 729 11 mantido no polo passivo da obrigação; sendo assim, não há que se falar na ilegalidade de tal transferência. No obstante, conforme já demonstrado, o dispositivo legal (art. 42 da Lei n.º 9.430/96) que deu ensejo à fiscalização da DIRPF do de cujus, culminando na autuação, institui uma presunção relativa, atribuindo ao titular da conta de depósito o dever de provar a origem dos valores percebidos em sua conta. Ora, o artigo supracitado é claro ao atribuir o ônus da prova, tão somente, ao contribuinte/titular da conta, pois apenas ele está apto e tem os meios necessários para comprovar a origem dos valores que em sua conta transitam. A comprovação da origem dos depósitos mencionada pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/96 deve se dar com a apresentação de documentação hábil e idônea que identifique a fonte, o valor e a data do crédito, demonstrando a que título os valores foram recebidos, sendo certo que somente o titular da conta é capaz de trazer todas as informações necessárias. É fato que o sucessor responde pelos tributos devidos pelo de cujus quando os fatos geradores são anteriores à data da abertura da sucessão e à época da lavratura do auto de infração já há sentença, transitada em julgado, homologando a partilha. Ocorre, todavia, que a pessoa do sucessor não se confunde com a do contribuinte falecido, o que torna difícil, quiçá impossível, a prestação de informações bancárias minuciosas sobre transações das quais o responsável tributário nunca participou, ou tomou conhecimento. A aplicação do enunciado do art. 42 da Lei n.º 9.430/96 àqueles que não são titulares da conta bancária transformaria, na prática, uma presunção relativa em absoluta, devido à impossibilidade de o terceiro comprovar a origem de depósitos realizados em conta que não é de sua titularidade. Com efeito, a partir da leitura do texto legal mencionado, bem como das questões acima enfrentadas, resta claro que a obrigação de comprovar a origem de depósitos bancários é, exclusivamente, do titular da conta de depósito, configurandose uma obrigação personalíssima. Portanto, não há como imputar a outra pessoa, in casu a sucessora, que não o contribuinte/titular a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte/titular da conta era vivo. Em sendo assim, concluo que a regra do art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não alcança o responsável tributário e, portanto, é inadmissível a autuação de omissão de rendimentos decorrente da constatação de depósitos de origem não comprovada quando em procedimento fiscal verificarse que o contribuinte/titular da conta veio a óbito em momento posterior à movimentação dos recursos. Nesse sentido, é a jurisprudência desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim se manifesta: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – CONTA BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" – LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO – OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 730 12 uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito e/ou de fato da contacorrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos à época em que o contribuinte titular de fato da contacorrente era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma, Acórdão 220200.385, de 03/02/2010) “DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ESPÓLIO. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n. 9.430, de 1996, é do titular da conta corrente, não havendo como imputar este ônus ao espólio ou aos herdeiros em relação aos depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo e responsável pela movimentação financeira.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma, Acórdão 220200.392, de 03/02/2010) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ESPÓLIO. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, deve ser imputada ao(s) titular(es) da contacorrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte titular da conta corrente era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. ESPÓLIO. CÔNJUGE SOBREVIVENTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Exigese do cônjuge sobrevivente os tributos devidos em razão de omissão de seus rendimentos próprios, ainda, que tais rendimentos se refiram a ano calendário, no qual o casal tenha optado pela tributação em conjunto. A opção pela Declaração de Ajuste Anual exercida pelo casal (de cujus e cônjuge sobrevivente) não pode ser estendida ao espólio.” (CARF, 3ª Seção, 1ª Turma, Acórdão 330100.038, de 05/03/2009) Considerandose o exposto, deve ser afastada a tributação relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada efetuados nas contas n.os 000001821 (Banco Real) e 0113460 (Banco Safra), que são de titularidade exclusiva do falecido cônjuge da Recorrente. No que atine à conta na qual a Recorrente figura como cotitular ao lado do de cujus (conta n.º 0100293722 – BBV), deveria a fiscalização, quando do processo fiscalizatório, ter intimado todos os titulares, em obediência ao quanto disposto no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. A este respeito, aliás, é expressa a Súmula n.º 29 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor abaixo se reproduz: Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 731 13 Súmula CARF nº 29: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” No entanto, à luz do entendimento exposto, de que a regra do art. 42 da Lei n.º 9.430/96 alcança somente o titular da conta, devendo, tão só, esse ser intimado para comprovação dos valores entendidos como de origem não comprovada, a intimação do de cujus restou prejudicada, o que fulmina a tributação dos rendimentos supostamente omitidos e depositados em conta conjunta. Por fim, resta analisar os fatos relativos às contas exclusivas da Recorrente, sendo elas as de n.os 0129960 (Banco Safra) e 2927466 (BCN). Da análise minuciosa dos autos, verifico que não houve produção de prova documental que comprovasse a origem dos depósitos, presumindose, portanto, a omissão de rendimentos sujeita à glosa. No entanto, os referidos depósitos devem ser analisados individualizadamente, isto porque excluise da base de cálculo da exigência constituída com base em depósitos bancários não justificados os créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais) quando a soma destes não ultrapassar, no anocalendário, o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). É o que se extrai da Súmula CARF 61, in verbis: “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61). No presente caso, verificase que na conta n.º 0129960 a fiscalização ofereceu à tributação um depósito no valor de R$ 2.690,00 e na conta n.º 2927466 dois depósitos nos valores de R$ 3.087,00 e R$ 7.630,00. Não obstante, os referidos depósitos são inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais) e somados não ultrapassam o limite de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), de tal sorte que, com relação a esses valores, a presunção de omissão de rendimentos deve ser afastada. No que concerne aos depósitos superiores a R$ 12.000,00, a exigência deve ser mantida. No que tange aos depósitos efetuados em contas exclusivas da Recorrente, superadas as preliminares, passese à análise do mérito. A questão suscitada limitase ao procedimento adotado pela fiscalização que ensejou o lançamento do crédito tributário. Afirma a Recorrente que os depósitos individualizados apresentados à contribuinte são os da conta poupança, uma vez que constatado, nos extratos da conta corrente, o uso reiterado da expressão RESG. POUP. CORR., “ficou esclarecido ao agente que o banco procedia nas operações da seguinte maneira: 1º. creditavase os depósitos diretamente na conta poupança; 2º. debitavase o valor da conta poupança (valor que não era, via de regra, o mesmo do depósito) e; por fim, 3º. creditavase a conta corrente (daí a expressão “RESG. POUP. CORR.”) conforme a necessidade do cliente, (...)” (fls. 852/853). Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 732 14 Ou seja, segundo a Recorrente, os depósitos realizados na conta corrente não dariam ensejo à aplicação do art. 42 da Lei 9.430/96, uma vez que a origem deles não é desconhecida. À vista dos demonstrativos que relacionam os depósitos de origem não comprovada e que instruíram a lavratura do auto de infração (fls. 701/717), fazendo parte deste (fl. 724), concluise que a fiscalização faz referência a valores individualizados e creditados na conta poupança. Os depósitos, objeto de glosa, que ocorreram na conta corrente são provenientes de cheques, não havendo que se falar na transferência de valores da conta poupança para conta corrente, sendo, portanto, desconhecida a sua origem. Diante desse cenário, verificase que a fiscalização cumpriu com a imposição legal de individualizar os depósitos de origem não comprovada, estando de acordo com o procedimento que, inclusive, a própria Recorrente defendeu como o correto. Verificase, assim, que o lançamento não está eivado de vício material, deixando de assistir razão à argumentação da Recorrente. Por derradeiro, com relação à alegação de que a tributação possui caráter confiscatório, vale ressaltar que a imputação do tributo e sua forma de cálculo são oriundas de norma cogente. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da tributação sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pela jurisprudência uníssona deste Tribunal, materializada na Súmula CARF nº. 2, de acordo com a qual não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciarse acerca da inconstitucionalidade de leis. Assim, por existir previsão legal que determine a tributação e o critério quantitativo a ser adotado, não se pode afastar ou reduzir o referido tributo sob pena de se ultrapassar a competência deste órgão administrativo. Por estas razões, não havendo documentos acostados a demonstrar a origem dos recursos depositados, entendo não assistir razão à Recorrente, devendose manter, destarte, a autuação com relação aos depósitos superiores a R$ 12.000,00 efetuados nas contas de titularidade exclusiva da Recorrente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto a totalidade dos depósitos efetuados nas contas n.os 000001821 (Real), 0113460 (Safra) e 0100293722 (BBV), bem como o valor de R$ 2.690,00, depositado na conta n.º 0129960 (Safra), e as quantias de R$ 3.087,00 e R$ 7.630,00, depositadas na conta n.º 2927466 (BCN). (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.004545/200769 Acórdão n.º 210101.566 S2C1T1 Fl. 733 15 Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15983.000284/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RETENÇÃO 11% A
empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra é obrigada a reter e recolher à previdência social, 11%
do valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias
administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.376
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 15983.000284/201075 Acórdão n.º 2401002.376 S2C4T1 Fl. 306 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal, referente a retenção de 11% da Nota Fiscal ou Fatura, afrontando o que determina o art. 31 da Lei no 8.212/91 com redação dada pela Lei n.° 9.711/98 c/c § 5º do art. 33 da mesma lei. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 12/2005 e a ciência do contribuinte ocorreu em 05/2010. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 185 a 192, a notificada na condição de contratante, deixou de efetuar a retenção e o recolhimento de 11% do valor bruto das Notas Fiscais em nome da empresa cedente de mãodeobra (PRODESAN PROGRESSO E DESENVOLVIMENTO DE SANTOS S/A) que efetuava serviços de coleta de lixo reciclável. Inconformado com a decisão de fls. 286/290v que julgou procedente o lançamento, o contribuinte recorre a este conselho alegando em síntese: Afirma que não pode ser considerado como irrelevante o fato do contribuinte ter firmado termo de acordo e parcelamento de seus débitos, sob pena de prestigiar eventual locupletamento ilícito por parte do exator, uma vez que tal entendimento não leva em consideração a possibilidade de pagamento do tributo pelo empregador, o que seria suficiente para o custeio do sistema tributário. Alega que a norma constitucional é expressa no sentido de que a contribuição previdenciária somente incide sobre pagamentos de rendimentos decorrentes da prestação de serviço, fato que não pode ser alterado pela legislação ordinária Que a turma julgadora de primeira instância acabou por entender que o Município estaria sujeito a relação jurídico/tributária em questão, deixando de apreciar argüição de inconstitucionalidade da norma tributária, sob o fundamento de que tal controvérsia poderia ser dirimida tão somente na esfera judicial, com o que a recorrente não concorda, pois, a Administração Pública esta sujeita a inúmeros princípios., dentre os quais o principio da legalidade e da auto tutela. Advoga no sentido de que a exigência contida no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991 viola frontalmente o quanto restou estabelecido pela norma constitucional e ampliou o campo de incidência da norma tributária; a fim de alcançar a empresa contratante de serviços executados mediante a cessão de mãodeobra. Defende que no presente caso também não se vislumbra pagamento ou crédito realizado a favor de qualquer pessoa física que tenha prestado o serviço apontado pela . fiscalização, mas sim a satisfação de preço estabelecido, .em função da cessão, ou seja, transferência de pessoal para a realização de serviço contratado pelo ente municipal. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 Sustenta que o r. decisório entendeu que os documentos analisados foram bastantes para se constatar o fato gerador tributário, contudo se omitiu quanto a inexistência da solidariedade imputada para se exigir o tributo em comento. Que a mera análise de livros e documentos pela agente fiscalizadora. não revelou a existência de remuneração paga por empregador (ou Pessoa a. ela equiparada) aos seus empregados (ou prestadores de serviço), fato este que afasta a possibilidade de se constituir crédito tributário em desfavor do Município de Santos. Requer a reforma da decisão guerreada, com o provimento do recurso para anular ou cancelar o débito fiscal. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 15983.000284/201075 Acórdão n.º 2401002.376 S2C4T1 Fl. 307 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Os presentes autos versam sobre débitos previdenciários consubstanciados na falta de retenção e recolhimento da alíquota de 11% determinada pelo art. 31 da Lei 8.212/91, quando da contratação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, que assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no §.5º do art. 33 desta Lei. Inicialmente, em seu recurso, a recorrente insurgese contra a autuação alegando que o cedente da mão de obra teria aderido ao programa de parcelamento fiscal, instituído pela Lei 11.942/99, o que eximiria a responsabilidade do Município pelo crédito ora lançado. Razão não assiste ao recorrente O presente lançamento, conforme acima mencionado, referese a obrigações previdenciárias de responsabilidade do contratante de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, especificamente ao serviço de coleta seletiva, transporte, separação, acondicionamento, estocagem e comercialização de materiais recicláveis. Tais serviços, além do dispositivo acima citado, encontramse elencados no art. 219, § 2°, inciso VIII, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, que assim dispõe: "Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5° do art. 216. (...) § 2° Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos;" Fl. 331DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 Em nenhum momento do processo administrativo a recorrente questiona a realização deste tipo de serviço, restringese a refutar a constitucionalidade e ilegalidade da lei ordinária que criou a forma de recolhimento de tais contribuições. Sobre este aspecto, além das razões já expostas na decisão de primeira instância, temos que vários dispositivos legais vedam a análise do julgador administrativo para se manifestar acerca do assunto. Dentre eles temos o art. 62 da Portaria MF 256/2009, a Súmula 02 do então Segundo Conselhos de Contribuintes, o art. 72 § 4º do Regimento Interno do CARF e o art. 102, I da Constituição Federal: Portaria 256/2009 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Sumula nº 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Constituição Fedral “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Fl. 332DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 15983.000284/201075 Acórdão n.º 2401002.376 S2C4T1 Fl. 308 7 Sendo assim, as alegações acerca de inconstitucionalidades e ilegalidades não serão objeto de apreciação por esta turma de julgamento. Quanto a menção acerca de solidariedade do município recorrente com o efetivo empregador, esta situação não está presente no lançamento em apreço. No caso concreto, tratase de lançamento contra o responsável tributário direto pela obrigação do recolhimento e não de solidariedade por descumprimento de obrigação da contratada. O recorrente tenta confundir os dois institutos para querer se eximir da obrigação diretamente à ele imposta. Não estão sendo cobrados débitos previdenciários da cedente de mão de obra, mas da contratante, na forma legal existente. O fato de ter a empresa contratada aderido parcelamento fiscal de débitos com a previdência social, por si só, não implica que tais valores referemse aos débitos ora lançados. Ou seja, os valores aqui exigidos não se relacionam com eventual descumprimento, por parte da "Prodesan" (prestadora de serviços à recorrente), das suas obrigações previdenciárias decorrentes do pagamento de remuneração aos respectivos empregados, mas sim dos valores que deveriam ter sido retidos e repassados à seguridade social, em decorrência da contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra. Sobre a alegação de que “a mera análise de livros e documentos não revela a existência de remuneração paga por empregador ....” temos que, no presente procedimento fiscal não estão sendo cobradas contribuições devidas referentes à segurados empregados, mas sim àquelas referentes à contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra. Ademais, foi com base na documentação fornecida pelo recorrente que tais valores foram apurados e lançados. Desta forma, correto o procedimento fiscal, bem como o lançamento efetuado em face do descumprimento da obrigação contida no art. 31 da Lei 8.212/91. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 333DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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