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Numero do processo: 19396.720002/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 15/05/2007, 31/07/2007, 18/09/2007, 09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE.
As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações desembaraçadas no regime comum de importação. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade.
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE.
O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de usado do bem. Todavia, in casu, concluiu-se que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de usada para o procedimento aduaneiro.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO E RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3302-002.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral: Pedro Calmon Filho - OAB/RJ 9142 e Rodrigo de Macedo e Burgos - Procurador da PGFN.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora.
EDITADO EM: 06/08/2013
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. ATIPICIDADE. O inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro determina multa para aquele que deixar de fornecer informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de LI, assim, para a importação de bens usados é necessário informar a condição de “usado” do bem. Todavia, in casu, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Desnecessária a prévia LI, desnecessária a informação de “usada” para o procedimento aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 02 /2 01 1- 10 Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 RECURSO DE OFÍCIO NEGADO E RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos, quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Pedro Calmon Filho OAB/RJ 9142 e Rodrigo de Macedo e Burgos Procurador da PGFN. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora. EDITADO EM: 06/08/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, José Antonio Francisco. Relatório Adoto o relatório de primeira instância administrativa, a saber: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 46.596.088,34, referentes a multa por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente e multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro. Depreendese da descrição dos fatos no “Relatório de Fiscalização” do auto de infração (fls. 12 a 71), que a interessada solicitou e obteve a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária para: Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 11 3 a) A mercadoria descrita na Declaração de Importação (DI) n° 07/10087297 como embarcação de apoio marítimo “ADAM TIDE”. Ano de construção 1998. PAF n° 10730.005262/200754 (fls. 325 a 355). Obteve a LI n° 07/21820252, que foi deferida posteriormente ao registro da DI, tendo sido cancelada por não ter sido utilizada, nesta LI havia a indicação de material usado; b) A mercadoria descrita na DI n° 07/13767540 como embarcação “JOHN P LABORDE”. Ano de construção 2004; PAF nº 10730.008441/200743 (fls. 356 a 384). Obteve a LI n° 07/21747806, que foi deferida posteriormente ao registro da DI, tendo sido cancelada por não ter sido utilizada, nesta LI havia a indicação de material usado; c) A mercadoria descrita na DI n° 07/06273553 como embarcação “OIL TRACER”. Ano de construção 1982. PAF nº 10730.003047/200719. c) Obteve a LI n° 07/10684140, que foi deferida posteriormente ao registro da DI, tendo sido cancelada por não ter sido utilizada, nesta LI havia a indicação de material usado (fls. 385 a 411); d) A mercadoria descrita na DI n° 07/12649225 como embarcação “CE LABORDE JR”. Ano de construção 2005; PAF nº 10730.007862/200775. Obteve a LI n° 07/19857640, que foi deferida posteriormente ao registro da DI, tendo sido cancelada por não ter sido utilizada, nesta LI havia a indicação de material usado (fls. 648 a 778); e) A mercadoria descrita na DI n° 07/15178355 como embarcação de apoio “HUNTETOR” Ano de construção 1977;PAF nº 10726.000497/200719. Obteve a LI n° 07/21690049, que foi deferida anteriormente ao registro da DI, nesta LI havia a indicação de material usado (fls. 1.045 a 1.061); f) A mercadoria descrita na DI n° 09/14886929 como embarcação “HEBERT TIDE” Ano de construção 2006. PAF nº 10730.010977/200991. Obteve a LI n° 09/21568727, que foi deferida posteriormente ao registro da DI, nesta LI havia a indicação de material usado (fls. 1.616 a 1.627); Informa a fiscalização que o presente lançamento, lavrado no âmbito do procedimento de revisão aduaneira, decorre do fato de a interessada: I) não ter informado nas respectivas adições das DI’s, no campo indicativo “Condição” da mercadoria, que as mercadorias das DI’s n°: 07/10087297, 07/13767540, 07/06273553, 07/12649225, 07/15178355 e, 09/14886929 eram usadas; II) não ter providenciado a Licença de Importação, por ocasião da concessão do regime especial, para as mercadorias das DI’s n°: 07/10087297, 07/13767540, 07/06273553, 07/12649225 e, 09/14886929; Entende a fiscalização que a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRÁS deve ser considerada responsável solidária pelo Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 crédito tributário em questão. Fundamenta sua conclusão nos contratos de concessão, afretamento e, também de serviços, de onde infere que a PETROBRÁS seria quem efetivamente providenciou a trazida da embarcação do exterior. Aduz que somente com o Decreto n° 7.296/10 a empresa contratada para “afretamento por tempo” foi incluída no rol das pessoas jurídicas passíveis de habilitação ao REPETRO, em condições análogas àquelas concedidas à prestadora de serviços. Também traz informação relacionada ao conceito de afretamento, locação de bem móvel, jurisprudência dos tribunais, e comparação do presente caso com a “importação por conta e ordem”. Assim, com fundamento no inciso I, do artigo 124 do Código Tributário Nacional (CTN) a fiscalização qualificou a PETROBRÁS como responsável solidária pelo crédito tributário em comento, vez que em seu entendimento esta era o verdadeiro mandante da operação de comércio exterior (interesse comum), importador “de fato”. Esclarece ainda que, no tocante à responsabilidade por infrações, qualquer multa aplicada ao importador é igualmente extensiva ao solidário, não havendo possibilidade de exclusão por exceção pessoal, conforme consignado no inciso I, do artigo 95, do Decreto Lei n° 37/66. Anexa aos autos os documentos de folhas 72 a 1.631 com vistas a comprovar os fatos narrados na autuação. Relativamente à multa por falta de guia ou documento equivalente, a fiscalização manifesta o entendimento de que a dispensa de licença de importação não se aplica à mercadoria usada, mesmo na hipótese em que importada ao amparo do regime especial de admissão temporária (fls. 38 a 43). Cientificada, a interessada MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO LTDA. apresentou impugnação de folhas 1.653 a 1.675, anexando os documentos de folhas 1.676 a 1.694 Em síntese apresenta as seguintes alegações: Que, de acordo com construções doutrinárias, já há muito tempo conhecidas, da lavra de juristas renomados, a importação é fato gerador que se aperfeiçoa com a incorporação do bem importado à economia interna. Portanto, não basta fazer vir o bem ou mercadoria de outro país; nem mesmo a entrada destes no território nacional, sem que haja o ânimo de permanecer com o bem aqui definitivamente para que se considere concretizada a importação. Para o correto sentido jurídico do termo não basta o ingresso físico da mercadoria ou bem, somente a sua incorporação à economia nacional concretizará o fato jurídico denominado importação; Que, conforme demonstrado pela I. Autoridade Fiscal em seu Relatório, de forma inequívoca, a autuada não promoveu a importação das embarcações, mas a admissão temporária das mesmas, sob a égide do REPETRO para atender a contratos de prestação de serviços celebrados com empresa concessionária da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANP, nos termos da Lei n° 9.478 de 1994. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 12 5 Portanto não se caracteriza a perfeita subsunção da conduta do contribuinte ao tipo contido na norma relacionada à licença de importação; Que, as Portarias Secex vigentes por ocasião das operações dispensavam o licenciamento. Se alguma exceção houver de ser aplicada aos casos nelas relacionados, devese encontrar a previsão da excepcionalidade em seus dispositivos, e não em outros que tratam das demais modalidades. Se aqui o legislador tratou de forma ampla os casos de importações dispensadas de licenciamento, não compete ao intérprete buscar em outro dispositivo fundamentação para excluir o que nelas consta de forma clara; Que, somente com o advento da Portaria SECEX n° 10, de 24.05.2010, foi acrescentado o § 2º ao artigo que trata das importações dispensadas de licenciamento. A partir de então, a norma passou a prever de modo claro a necessidade de obtenção de LI para os bens usados, mesmo quando admitidos temporariamente sob a égide do REPETRO. Traz jurisprudência; Que, a multa por omissão de informação é inaplicável, não há perfeita subsunção do fato à norma que prescreve a conduta infracional. Não houve dolo, nem dano ao Erário; Que, no campo “Descrição Detalhada da Mercadoria” de cada uma das DI’s foi consignado o ano de fabricação da respectiva embarcação, deixando clara a condição de que o bem se tratava de material usado; Que, há equivoco na atribuição de responsabilidade solidária a terceiro, quando esse agente não praticou a infração. O dispositivo legal invocado pela fiscalização diz respeito à solidariedade em relação ao fato gerador da obrigação principal (tributo) e não obrigação acessória; Que, o processo de admissão temporária evidentemente passa pelo crivo dos Auditores Fiscais responsáveis pela concessão do regime especial. Neste momento, do exame da documentação, seria de se esperar que qualquer irregularidade, inclusive da suposta falta de documento que desse cobertura à importação, deveria ter sido detectada. E não o foi. Não por negligência, mas porque não havia necessidade de apresentar tal documento. A autuação da Impugnante nos termos em que ocorreu faz tábua rasa do princípio da segurança jurídica, do que determina o CTN, de correntes doutrinárias capitaneados por renomados juristas e o entendimento jurisprudencial dos tribunais; Requer seja acolhida a presente impugnação julgandose improcedente o auto de infração ora impugnado em sua totalidade. Caso seja mantido o lançamento, integral ou parcialmente, requer a exclusão do pólo passivo da relação jurídico tributária constituída por meio do lançamento em apreço da empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S.A., ilegalmente considerada devedora solidária. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Cientificada, a responsável solidária PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. apresentou impugnação de folhas 1.695 a 1.706, anexando os documentos de folhas 1.707 a 1.761 Em síntese apresenta as seguintes alegações: Que, somente com o advento da Portaria SECEX n° 10, de 24.05.2010, foi acrescentado o § 2 o , ao artigo que trata das importações dispensadas de licenciamento. A partir de então, a norma passou a prever de modo claro a necessidade de obtenção de LI para os bens usados, mesmo quando admitidos temporariamente. A legislação vigente por ocasião das operações em trato não impunham tal condição; Que, o disposto no art. 124. inciso I do CTN não é aplicável à espécie. A autuação não versa sobre obrigação principal (tributo); Que, foram providenciadas licenças de importação (posteriormente canceladas), o que afasta a multa por falta de licença de importação para aquelas operações; Que, no tocante a multa do setor aduaneiro (1% da base de cálculo), há indicações indevidas relacionadas ao período 05/11/2007 (R$ 85.456,00); que não apresenta nenhuma correlação com as DI's indicadas no auto de infração. Espera o acolhimento da impugnação. Pede deferimento. É o relatório.” Após analisar as razões trazidas pela contribuinte, a 1 ª Turma da DRJ/FNS proferiu o acórdão nº 0726.747 (fls. 1765/1783), por meio do qual cancelouse parcialmente o auto de infração, a saber: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 15/05/2007, 31/07/2007, 18/09/2007, 09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro ou ao regime especial de admissão temporária para utilização econômica não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplicase também ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 13 7 “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2007, 31/07/2007, 18/09/2007, 09/10/2007, 05/11/2007, 28/10/2009 INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária.” Em síntese, os julgadores administrativos apresentaram o seguinte entendimento em relação: (i) à segurança jurídica e possibilidade de revisão do ato administrativo – que a revisão aduaneira pode ser realizada (Decreto nº 4.543/02, artigo 570), e que os benefícios fiscais podem ser revistos no prazo de 5 anos (artigo 54 do Decreto lei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 2º do Decreto lei nº 2.472/1988). (ii) à multa por falta de LI (a) regulamentada no artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto n° 4.543/02 (Decreto n° 6.759/09, artigo 706, inciso I, alínea “a”), conforme consignado no relatório do auto de infração (fl. 43). Entendem as autoridades julgadoras que a LI, no caso de regime aduaneiro especial, somente pode ser requerida no momento da concessão do Regime. Neste sentido, a multa aplicada teria como conseqüência o cancelamento do próprio Regime Especial, ato este que é de competência específica do órgão concessor do regime especial1. A decisão deste ponto foi pelo provimento do apelo dos contribuintes; 1 Trecho da decisão da DRJ Fls. 1773: “A primeira questão que se pondera no presente caso, está relacionada à exigência da licença de importação no âmbito do regime aduaneiro especial de admissão temporária. Tal exigência, quando for o caso, está restrita à etapa de concessão do regime pela autoridade aduaneira competente para tanto. Assim, o não cumprimento desta exigência tem como conseqüência natural a não concessão do regime, ou seja, neste caso o interessado não poderá usufruir os benefícios tributários e aduaneiros decorrentes da concessão do regime especial, sujeitandose então ao regime comum de importação (caso em que evidentemente estará sujeito a apresentação licença de importação para efeito de nacionalização e despacho para consumo dos bens – § 2º dos dispositivos regulamentares anteriormente citados). Ao pretender impor a presente multa em procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização está, em verdade, adentrando à esfera de competência alheia, isto é, o auto de infração, nos termos em que foi lavrado, equivale a invalidação, de forma imprópria, das concessões e aplicações do regime aduaneiro especial Repetro, devidamente deferido por autoridade competente, às mercadorias em questão. Assim, se a exigência de licença de importação era determinante para a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária, e esta não foi apresentada por ocasião da concessão do regime, então a questão está Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 (b) ainda, outro ponto discutido na imposição de multa por não apresentação de LI, é se a dispensa legal para apresentação de LI no caso de importação por regime especial (REPETRO) se sobrepõe à determinação aplicada em caso de importação genérica de bens usados, que define a necessidade de apresentação de Licença de Importação. A decisão recorrida analisou os dispositivos e entendeu que, à época, não havia dispositivo específico que determinasse a apresentação de LI para o caso de importação em regime especial, que a legislação permitia a interpretação realizada pela contribuinte e que há legislação superveniente determinando que a regra geral deve ser aplicada aos casos específicos. A conclusão foi pelo cancelamento desta penalidade2. (iii) à multa de ausência de indicação de material usado – “multa de não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro”, lastreada no § 1°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Aqui se discute que na Declaração de Importação o importador (contribuinte Maré Alta) deixou de registrar que se tratava de mercadoria usada. A contribuinte alega em seu favor que não houve prejuízo ao Fisco e que indicou a data da fabricação da mercadoria, o que supriria a mencionada deficiência. Neste ponto a decisão recorrida entendeu que se trata de responsabilidade objetiva, e que a informação pretende informar a fiscalização para submeter as mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço, sendo que havia um campo para esta informação. A autuação foi mantida neste particular. relacionada ao ato administrativo que concedeu o regime. Mas até que referido ato venha a ser afastado ou modificado, sua presunção de legitimidade não pode ser afastada. Assim, o que se vislumbra é que a autoridade competente para conceder o regime, o fez por entender ser prescindível a apresentação de licença de importação para as mercadorias à época da concessão autorizada.” 2 Trecho da decisão da DRJ Fls. 1775: "A segunda questão que se apresenta está relacionada à interpretação do disposto no inciso II, do parágrafo único, do artigo 7° da Portaria SECEX n° 36/2007 (artigo 8°, parágrafo único, inciso II, da Portaria SECEX n° 25/2008 e inciso II, parágrafo único, artigo 7º, da Portaria SECEX n° 14/2004), que dispensa a apresentação de licença de importação para mercadorias amparadas no regime aduaneiro especial de admissão temporária, inclusive REPETRO , frente ao disposto no artigo 9°, inciso II, alínea “e” (artigo 10, inciso II, alínea “e” da Portaria SECEX n° 25/2008) que dispõe que material usado está sujeito a licença de importação (licenciamento não automático): (...) As Portarias SECEX em comento não definiram grau de prioridade entre “dispensa” e “nãodispensa” de licença de importação para os casos em que as operações de importação enquadradas no regime aduaneiro especial de admissão temporária ou no regime aduaneiro especial REPETRO possam estar contemplados simultaneamente em situação de “nãodispensa”. O que se vislumbra, a considerar a informação contida no endereço eletrônico citado na autuação (fl. 13) é que a SECEX orientava (resposta pergunta n° 11) que as mercadorias usadas, mesmo no caso do regime aduaneiro especial, estavam sujeitas a obtenção de licença de importação. Ocorre que tal exigência não se encontrava disciplinada na legislação de regência vigente por ocasião da concessão dos regimes em comento. Informação constante de resposta na internet não é hábil a afastar a aplicação da legislação tal como publicada. Pertinente observar que o inciso VII, do artigo 7º, da Portaria SECEX n° 36/2007 (artigo 8°, inciso VII, da Portaria SECEX n° 25/2008), claramente excepcionava da dispensa as mercadorias doadas que se enquadrassem como “usadas”, o que não aconteceu para o caso do inciso II, do mesmo artigo, o que leva a crer que a situação ali descrita acobertava operações com mercadorias “novas” ou “usadas”: (...) A lacuna, relacionada à ausência de dispositivo que estabelecesse a exigência de licença de importação para os casos em que as operações se enquadrassem simultaneamente na condição de “dispensa” e “não dispensa” de licença de importação, só veio a ser preenchida com publicação da Portaria SECEX n° 10, de 25/05/2010, no § 2º, do artigo 8º, que trata da dispensa: (...)” Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 14 9 (iv) à solidariedade com a Petróleo Brasileiro S/A – uma vez que a única multa mantida foi a multa de não prestação de informação necessária, e que esta informação apenas poderia ser realizada pela contribuinte Maré Alta, os julgadores administrativos de primeira instância entenderam por bem exonerar a responsabilidade solidária, haja vista que a Petróleo Brasileiro não tinha meios para cometer a infração e também não se beneficiava com a infração, uma vez que não se tratava de importação por conta e ordem, ao contrário, tratavase de regime de admissão temporário. Em vista do provimento parcial, as autoridades administrativas interpuseram recurso de ofício, submetendo a decisão proferida à revisão deste colegiado. Irresignada, a contribuinte Maré Alta interpôs recurso voluntário (fls. 1800/1863) por meio do qual reiterou suas razões de impugnação desenvolvendo, principalmente, que a parte da autuação mantida – multa por não informação ao controle aduaneiro – perdeu o objeto porque no caso de bens usados, o procedimento seria a emissão da LI prévia, assim, se a decisão foi no sentido de desnecessidade de emissão desta LI prévia, incongruente seria manter a exigência da informação de que o bem era usado. É o relatório. Voto Os recursos atendem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme relatado, da decisão de primeira instância administrativa foram apresentados recursos de ofício e voluntário. Do que se depreende dos autos, foram imputadas às contribuintes duas espécies de multa, a primeira por não apresentação de Licença de Importação, a qual seria imprescindível em vista dos bens importados serem usados e a segunda em decorrência da não indicação da qualidade de “usado” para o bem importado. Em relação ao Recurso de Ofício, devem ser analisados os seguintes pontos: (i) a multa por falta de LI e (ii) à solidariedade com a Petróleo Brasileiro S/A. Passo a analisar cada ponto debatido. (i) Da Multa por Falta de LI Esta multa está prevista no artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto n° 4.543/02 (Decreto n° 6.759/09, artigo 706, inciso I, alínea “a”), conforme consignado no relatório do auto de infração (fl. 43). Neste ponto a decisão recorrida apresenta dois fundamentos para o cancelamento da multa: (a) o fato de o Regime de Concessão ser concedido e cassado por autoridade competente e (b) o entendimento de que a contribuinte não estava obrigada a apresentar a LI. (a) Do Regime de Concessão Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 No que se refere a este item, as autoridades administrativas de primeira instância concluíram que, sendo a dispensa da Licença de Importação – LI uma conseqüência do Regime Especial de Importação, a aplicação de multa pela não apresentação da LI por via transversa significa o cancelamento do próprio benefício. Neste ponto a decisão recorrida entende que a competência para cancelar o Regime Especial é de autoridade específica, e não do auditor fiscal que está procedendo a fiscalização. Com razão a decisão recorrida. Não tenho dúvidas de que os Regimes Especiais estão sujeitos a regramento específico e a órgãos de controle determinados. Os atos concessórios dos Regimes Especiais são documentos públicos que contam com presunção de veracidade e devem ser desta forma considerados, sob pena, justamente, de estarse negando fé a documentos públicos, o que por si só atenta contra a Constituição Federal/883. Sem mencionar que a competência para cassar o ato é daquele Órgão que o proferiu, os auditores da Receita Federal não podem cassar ato concessório de Regime Especial submetido a regime próprio. Necessário registrar que não consta qualquer apontamento nos autos no sentido de que a contribuinte fiscalizada foi excluída da REPETRO. Na ausência de um ato próprio emanado pela autoridade competente no sentido de cancelar o benefício específico concedido, compete à autoridade administrativa de fiscalização apenas acatar a condição posta (e devidamente demonstrada por documentos públicos) da contribuinte. Na hipótese de serem constatadas irregularidades, a autoridade administrativa deverá noticiar o Órgão competente para que este possa tomar as providências cabíveis quanto à cassação do incentivo. Concluise, portanto, que a contribuinte Maré Alta está no regime especial da REPETRO e, em decorrência de tal condição, deve ter a si aplicada as prerrogativas deste Regime, inclusive a autorização para realizar importação de bens sem a emissão de LI. (b) Da Licença de Importação Transposto obstáculo inicial, estando aceita a premissa de que a contribuinte Maré Alta está no regime especial da REPETRO, mister analisar se, por estar neste regime, estaria dispensada da apresentação de LI. Importante registrar que a Licença de Importação foi entendida pela fiscalização como devida in casu em virtude dos bens importados serem usados. A questão aqui é que a contribuinte com base nas Portarias Secex 36/2007 e 25/2008, artigos 6º/7º e 7º/8º, respectivamente entendeu que, em razão de estar procedendo à importação de bens em regime temporário, por meio de regime especial (REPETRO), estava dispensada de realiza a Licença de Importação – LI. “DO LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES Seção I Do Sistema Administrativo 3 “Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencionálos, embaraçarlhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II recusar fé aos documentos públicos; III criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.” Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 15 11 Art. 6º O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades: I importações dispensadas de Licenciamento; II importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); (...)” Por outro giro, a fiscalização entendeu aplicável ao caso o artigo 9º da Portaria Secex 36/2007, repetido no artigo 10 da Portaria Secex nº 25/2008, o qual traz uma exceção para a forma de importação no caso de o bem importado ser usado: “Seção III Do Licenciamento Não Automático Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: (...) e) de material usado, salvo a exceção estabelecida no §2º do art. 35 desta Portaria; (...)” Neste sentido entendeu a fiscalização que, ainda que a contribuinte estivesse na REPETRO, deveria apresentar a LI porque os bens importados eram usados. Por este Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 raciocínio, portanto, o fato de o bem ser usado excepcionava a regra geral de “não apresentação de LI”. Colocase, portanto, a questão em julgamento: tratase de exceção aplicável à regra geral? Concordo com a decisão recorrida no sentido de entender que não, que a interpretação da contribuinte é absolutamente possível e lógica. Veja que estamos tratando de dois dispositivos excepcionais: primeiro excepcionase a regra ao prever tratamento diferenciado para o regime de importação temporário pela REPETRO. Depois excepcionase a regra geral em virtude da característica do bem importado: ser usado. Diz a decisão recorrida que “As Portarias SECEX em comento não definiram grau de prioridade entre “dispensa” e “não dispensa” de licença de importação para os casos em que as operações de importação enquadradas no regime aduaneiro especial de admissão temporária ou no regime aduaneiro especial REPETRO possam estar contemplados simultaneamente em situação de “não dispensa”. Sem mencionar que o mesmo dispositivo – Portarias Secex 36/07 e 25/08, artigos 7º e 8º respectivamente – ao tratar da exceção de apresentação de LI para o caso de doação, excepcionou os bens usados: “Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); (...) VII – doações, exceto de bens usados; (...)” É de se supor, portanto, que se houvesse intenção em excepcionar também os importadores pelo regime temporário do REPRETO, deveria haver a indicação expressa nas mencionadas Portarias Secex. Sem mencionar que, conforme bem pontuado pela decisão recorrida, nos idos de 2010, foi publicada a Portaria Secex nº 10 a qual criou uma ordem de preferência às mencionadas exceções, a saber: “Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 16 13 procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: ... § 2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa .” – destaquei. Neste particular, uma vez que as normas se aplicam apenas para frente e que à época dos fatos não havia regra de preferência ou norma específica que obrigasse a apresentação de LI, acertada a decisão recorrida. (ii) Da Solidariedade da empresa Petróleo Brasileiro S/A Ainda, a decisão recorrida exonerou a responsabilidade da empresa Petróleo Brasileiro S/A, por entender que a infração mantida não atendia os pressupostos legais necessários a determinar a aplicação da solidariedade passiva. Neste particular, a única multa mantida pela decisão recorrida foi a multa de “não prestação de informação necessária”, sendo que a informação não apresentada apenas poderia ser realizada por ação da contribuinte Maré Alta. A solidariedade está fundamentada no artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN e no inciso I do artigo 95 do Decretolei nº 37/66, in verbis: Código Tributário Nacional CTN “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Decreto Lei 37/66 “Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...)” A infração mantida referese à não informação, na Declaração de Importação – DI – de que o bem importado era “usado”. Tratase de obrigação acessória, não principal e para se aferir responsabilidade tornase necessário registrar a relação da Petróleo Brasileiro S/A com o descumprimento desta obrigação acessória no sentido de entender se o contribuinte (i) poderia impedir/concorrer com a infração e (ii) qual benefício lhe traria esta infração. Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 Ao se tratar do primeiro item, correta a decisão recorrida ao concluir que não havia meios de a contribuinte solidária incorrer na infração, pois as informações na DI somente podem ser incluídas pela importadora, assim a Petróleo Brasileiro não tinha como realizar a infração. Por conseqüência lógica, não havia meios de a contribuinte indicada como solidária concorrer/colaborar com a ocorrência da infração. No que se refere ao suposto benefício que a infração cometida traria, aplica se o mesmo raciocínio. Isto porque a importação não foi realizada por conta e ordem da contribuinte solidária e a admissão foi em regime temporário, o qual foi cumprido, com o respectivo retorno do bem importado para o exterior. Inexistiu, portanto, qualquer benefício à Petróleo Brasileiro que justifique a aplicação da penalidade em apreço. Em vista destes fatos, concordo com a decisão recorrida no que se refere à matéria apresentada a título de Recurso de Ofício, negando provimento a seus termos. No que se refere ao Recurso Voluntário discutese acerca da aplicação da “multa de não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro”, lastreada no § 1°, do artigo 69, da Lei n° 10.833/03. Assim como relatado, neste ponto a discussão alcança o fato de o importador (contribuinte Maré Alta) ter deixado de informar, na Declaração de Importação, que o bem importado era usado. A contribuinte alega em seu favor que não houve prejuízo ao Fisco e que na DI indicou a data da fabricação da mercadoria, o que supriria a mencionada deficiência. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte ainda alegou pela impossibilidade de manutenção da infração em vista da conexão lógica com a obrigação principal – apresentação de LI – que foi cancelada. Ao analisar esta questão, a decisão recorrida entendeu que a indicação da característica de “usada” do bem é de responsabilidade objetiva, e que o dado omitido pretende informar a fiscalização para que seja possível submeter as mercadorias ao procedimento adequado de desembaraço. Ainda, registra a decisão que havia um campo específico na DI para esta informação. A multa lançada encontra supedâneo no inciso III do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro RA, o qual da seguinte forma determina: “Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 17 15 § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §2o): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. (...)” Pareceme estar com razão a Recorrente. É que o inciso III acima citado trata das informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é realmente a emissão prévia de LI, assim, em princípio, poderseia imaginar que a informação do bem usado era necessária. Todavia, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI (conforme voto da DRJ, que mantive). Desta forma, no meu entender, se não é hipótese de sujeição prévia à LI, esta informação deixou de ser necessária para o procedimento aduaneiro. Por coerência de raciocínio, se a ausência desta informação não se coaduna com a exigência pautada no inciso III, do artigo 711, do RA, não é possível manter a multa da forma como lançada. Ante o exposto, conheço dos recursos apresentados para o fim de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 Declaração de Voto CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA Na sessão das 09:00 horas do dia 23/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário do Processos nº 19396.720004/201109 e o Recurso Voluntário do Processo nº 19396.720005/201145, ambos de interesse da empresa PAN MARINE DO BRASIL LTDA e de minha relatoria, cujo resultado do julgamento foi no mesmo sentido do julgamento do presente Recurso Voluntário, nos termos dos Acórdãos nº 3302002.023 e 3302002.023. Em ambos os julgamentos fui voto vencido. E para registrar meu entendimento sobre a matéria, faço a transcrição dos fundamentos do meu voto (vencido) naqueles dois Recurso Voluntários, que se aplica ao presente caso, mesmo considerando as particularidades das argumentações da Recorrente naqueles processos. Meu entendimento foi o seguinte: A multa lançada, objeto da lide, está prevista no art. 711, inciso III, do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido. Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): [...] III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. §1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §2o): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19396.720002/201110 Acórdão n.º 3302002.052 S3C3T2 Fl. 18 17 III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. Não procede a alegação da Recorrente de que não houve omissão da informação de que se tratava de um bem (embarcação) usado porque no campo das DI destinado à “Descrição Detalhada da Mercadoria” consta a descrição detalhada e suficiente da embarcação. Também não procede o argumento da Recorrente de que o erro cometido não acarretou dano ao Erário e que não houve dolo, sendo injustificável a imposição da penalidade. As razões pelas quais entendo improcedentes os argumentos da Recorrente são os mesmos da decisão recorrida e abaixo reproduzido. Como se percebe, era obrigação da interessada assinalar o indicativo relacionado à condição da mercadoria, dado que efetivamente se tratava de material usado. Tal informação, não era irrelevante ou prescindível, tratavase de obrigação devidamente estabelecida e, necessária ao controle aduaneiro, controle este exercido pela administração fazendária, que por ato específico determinou que tal informação deveria ser prestada pelo importador quando esta condição (material usado) se fizer presente. Neste sentido, o juízo de valor relacionado à necessidade de aposição desta informação é prescindível, posto que determinado em ato normativo. [...] Ocorre que no presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade,natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Grifos do original). Como se sabe, a administração pública regese pelo princípio da estrita legalidade (CF, art. 37, caput), especialmente em matéria de administração tributária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, arts. 3º e 142, parágrafo único). Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 Portanto, considerando o erro cometido, e a disposição legal, há que se registrar que os fatos se subsumem à hipótese legal. Também não procede o argumento da Recorrente de que, tendo as embarcações sido reexportadas, se tributo devido existisse deveria ser pago antes de autorizar a reexportação. E não procede porque o lançamento atacado não é de tributo e sim de penalidade por infração ao controle aduaneiro, ou seja, prestação de declaração de importação (DI) inexata. O fato da Recorrente ter cumprido o Termo de Responsabilidade de reexportar as embarcações não a redime da declaração inexata prestada quando da importação das mesmas. Estes são, em suma, os fundamentos pelos quais entendo que não merece reforma a decisão recorrida. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 15586.001163/2007-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
CONTRADIÇÃO - REDUÇÃO DE MULTA
Como no acórdão embargado se restabeleceram as DCTF apresentadas pela contribuinte, com reconhecimento da dedução dos valores confessados do auto de infração, as multas relativas a tais débitos resultaram quedadas, como consectário da referida dedução. Eliminação de contradição existente entre os fundamentos que não vulnera o dispositivo (sem efeitos infringentes).
Numero da decisão: 1103-000.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos, para suprimir a contradição existente no Acórdão nº 1103-00.497/2011 e ratificar o seu dispositivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 CONTRADIÇÃO - REDUÇÃO DE MULTA Como no acórdão embargado se restabeleceram as DCTF apresentadas pela contribuinte, com reconhecimento da dedução dos valores confessados do auto de infração, as multas relativas a tais débitos resultaram quedadas, como consectário da referida dedução. Eliminação de contradição existente entre os fundamentos que não vulnera o dispositivo (sem efeitos infringentes).
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Interessado 3ª TURMA ORDINÁRIA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 CONTRADIÇÃO REDUÇÃO DE MULTA Como no acórdão embargado se restabeleceram as DCTF apresentadas pela contribuinte, com reconhecimento da dedução dos valores confessados do auto de infração, as multas relativas a tais débitos resultaram quedadas, como consectário da referida dedução. Eliminação de contradição existente entre os fundamentos que não vulnera o dispositivo (sem efeitos infringentes). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos, para suprimir a contradição existente no Acórdão nº 110300.497/2011 e ratificar o seu dispositivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 11 63 /2 00 7- 28 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 730 2 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o processo de autos de infração de IRPJ (fls. 551 a 553), no valor de R$ 132.291,50; PIS (fls. 559 a 562), no valor de R$ 51.417,42; COFINS (fls. 570 a 573), no valor de R$ 237.311,73; e CSL (fls. 581 a 583), no valor de R$ 85.432,21, além de juros e multa qualificada de 150%. Os autos de infração abrangeram os anoscalendário 2004 e 2005, além dos dois primeiros trimestres de 2006, em virtude de diferenças encontradas entre as declarações DIPJ, DCTF e DACON e o livro de Apuração do ICMS. Das fls. 525 a 550 consta o Relatório de Encerramento da Ação Fiscal que detalha as ações efetuadas pela fiscalização e as infrações encontradas no curso do procedimento fiscal, cujos pontos principais estão resumidos a seguir. O procedimento foi iniciado por demanda do Ministério Público Federal. As informações contidas na DCTF revelaram divergência entre os valores informados pelo recorrente e as contidas nas DIPJ e suas DACON. A recorrente, reiteradamente, apresentou DCTF’s retificadoras em que reduziu a zero os débitos originalmente confessados. Ela não apresentara os livros contábeis Diário e Razão e não fez recolhimentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSL relativos aos períodos fiscalizados. A recorrente apresentara declarações DIPJ com opção pelo lucro presumido. No anocalendário de 2004 apresentara DCTF informando que não possuía débitos. Com relação ao anocalendário de 2005 e ao primeiro semestre de 2006 apresentou originais confessando débitos e, antes do início do procedimento fiscal, retificouas para declarar valores devidos iguais a zero. Não houve pagamento espontâneo de tributos relativos ao período fiscalizado. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, a recorrente informou que não havia entregado as DCTF’s do anocalendário de 2004 e que os valores das DIPJ 2006 (AC 2005) informados estavam incorretos. Os valores devidos eram os informados nas DCTF’s originais. Informou, também, que não dispunha dos livros Diário e Razão, nem dos balancetes solicitados (31/03/2004 a 30/06/2006). Fl. 839DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 731 3 Houve reintimação para apresentação dos livros Diário, Razão e Caixa, com o alerta de que a falta deles autorizaria o Fisco Federal a arbitrar seu lucro. Em resposta, a recorrente entregou os livros Registro de Entradas e de Saídas e de Apuração do ICMS. Não obstante o Sr. Luiz Carlos de Oliveira Barros, representante do recorrente, ter afirmado que desconhecia a origem das DCTF originais relativas aos quatro trimestres de 2004 e das DCTF retificadoras relativas aos primeiro e segundo trimestres de 2005 e ao primeiro semestre de 2006, fato é que estas DCTF foram apresentadas em 21/12/2006 (fls. 320 a 323) e 19/12/2006 (fls. 325, 327 e 329). E a pessoa que consta como responsável pelo preenchimento das mesmas é o próprio Sr. Luiz Carlos, conforme comprovante juntado à fl. 334. A recorrente não trouxe aos autos comprovante da afirmação de desconhecimento da origem das DCTF apresentadas, portanto os dados nelas inseridos reputamse verdadeiros. De posse dos livros de Apuração de ICMS, foram elaboradas as planilhas de fls. 538 e 539 com as receitas auferidas. A recorrente não efetivou a opção pelo lucro presumido, através dos recolhimentos do IRPJ e da CSL relativos aos primeiros trimestres dos anos de 2004, 2005 e 2006. Assim, ficou sujeito à regra geral do lucro real. Como também não apresentou escrita contábil, restou, como única forma de apuração dos lucros, o arbitramento, através das receitas brutas levantadas nos livros de Apuração do ICMS. Os valores dos lucros arbitrados e das bases de cálculo do IRPJ, da CSL, do PIS e da COFINS estão demonstrados às fls. 542 a 545. Como os valores declarados em DCTF como devidos no período são todos iguais a zero, os valores demonstrados nas folhas citadas anteriormente são os efetivamente devidos e foram lançados com multa de ofício. No período fiscalizado, fora informado que não havia débitos no ano de 2004 e retificou os anteriormente declarados, de 2005 e 2006, para zero, ou seja, de forma reiterada omitiu, livre e conscientemente, os tributos devidos. Também, ainda que tenha auferido vultosa receita (R$ 7,9 milhões), não recolheu um único centavo a título dos tributos lançados. A reiterada prática de omitir informações para causar dano ao erário, justificou a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme disposto no art. 44, II, da Lei 9.430/96. Além do crédito tributário lançado, foi efetuada representação fiscal para fins penais através do processo nº 15586.001255/200716. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 29/12/2007, houve apresentação de impugnação de fls. 602 a 604 em 28/01/2008, alegandose, em síntese, o que segue. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 732 4 Conforme se depreende da resposta datada de 29/11/2007, o recorrente confessou seus débitos quando afirmou que mantinha os valores declarados como devidos em 2005 e 2006, originariamente confessados em DCTF. Dessa forma, mesmo que a Receita Federal tenha em seus sistemas as DCTF retificadoras, não deveria tratar a alegação do interessado com tamanha frieza. Se o representante legal alegou não ser o autor de tais retificações, poderia a Autoridade Fiscal requerer perícia para provar o alegado de ofício, o que não fez. A recorrente só tomou conhecimento deque haviam DCTF retificadoras no curso da fiscalização. É essencial que se descubra a origem destas retificadoras para que não pairem dúvidas quanto ao alegado pelo recorrente. Por tal motivo requer a realização de perícia a ser realizada pelo Departamento de Polícia Federal, com o intuito de revelar a autoria da emissão de tais documentos: de que computador se originou, sua localização e proprietário. Requereu, também, a desqualificação da multa qualificada por não ter agido com dolo. DA DECISÃO DA DRJ A 8ª Turma da DJR/Rio de Janeiro I, por maioria de votos, deu procedência parcial à impugnação, reconhecendo inaplicável a multa qualificada cominada. O voto vencido da relatora afastava também as exigências de valores declarados nas DCTF’s originais da recorrente relativas a 2005 e ao 1º semestre de 2006. A relatora havia questionado a DITEC/SRRF/7ªRF, da qual foram obtidos os dados relativos aos IP de onde foram emitidas, tanto as DCTF de 2004, quanto as retificadoras de 2005 e do primeiro semestre de 2006. Em resposta, o Sr. Chefe da DITEC esclareceu que as DCTF relacionadas acima foram emitidas, todas, no dia 21/12/2006, em torno das 8:00h e das 17:40h, do mesmo IP que pertence a um provedor atuante das regiões Norte e CentroOeste. Já as DCTF que o recorrente assume que enviou – originais do 1º e 2º semestres de 2005 e do 1º semestre de 2006 – partiram de endereços de IP pertencentes a provedor que atua no Espírito Santo. Ademais, há o fato de as DCTF’s de 2004 e as retificadoras questionadas terem sido emitidas no mesmo dia, em extremos do horário comercial, ao contrário das originais de 2005 e 2006 que foram emitidas em datas diferentes e em horários normais de expediente. Tudo isso faria concluir que existe grande possibilidade de que estas retificadoras sejam fraudulentas. Ou seja, não teriam sido enviadas por quem de direito. Daí que, dos valores lançados relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006, devem ser deduzidos os declarados em DCTF espontâneas originais, segundo voto vencido da relatora. Além disso, deve ser reduzida a multa qualificada de 150% para 75%, por não resultar caracterizada sonegação. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 733 5 Voto Vencedor O fato de a DCTF retificadora ter sido enviada através de um endereço de IP de um provedor que funciona somente nas regiões Norte e CentroOeste não comprova, por si só, que a referida declaração não foi transmitida pelo recorrente, posto que não há qualquer impedimento de que o sócio ou empregado da empresa transmita a DCTF de qualquer lugar do país, não sendo necessário que a transmissão seja feita somente no Estado do Espírito Santo. Também não é relevante o horário em que as declarações retificadoras foram transmitidas, podendo ser realizada a qualquer hora. Outro ponto importante para se observar é que para se retificar uma DCTF é necessário que se conheça o número do recibo de entrega da DCTF original, conforme consta das instruções de preenchimento do programa DCTF semestral 1.0 (fls. 671 e 672). Até que se prove o contrário, esta informação pertence à interessada e não a outras pessoas, sendo obrigação do recorrente zelar pelo seus negócios. Para se adotar a tese da recorrente de que as DCTF’s retificadoras seriam falsas, teriam que constar do feito provas materiais e não simples suposições. O ônus da comprovação é da recorrente. Com isso, o voto vencedor exonerou apenas a multa qualificada, vez que não foi comprovada o dolo da recorrente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão em 27/10/2008, a recorrente apresentou recurso voluntário 26/11/2008 de fls. 703 a 707, alegando, em síntese, o que segue. Que já havia declarado seus débitos relativos ao anocalendário de 2005 e ao primeiro semestre de 2006, havendo inclusive similitude entre as informações do Fisco e da recorrente. Que se já havia espontaneamente declarado os débitos, descabido falar em lançamento de ofício, já que a DCTF tem natureza de confissão de dívida. Portanto, apresentase prejudicial a manutenção do lançamento de ofício, tendose dado no caso declaração justa e espontânea, sendo descabido falar em impossibilidade de espontaneidade quando já instaurada ação fiscal, visto que a declaração se deu em momento anterior a abertura da ação fiscal ou outro procedimento fiscalizatório, não tendo sido encontrada qualquer discrepância entre os valores declarados e os valores arbitrados. Logo, mais consentânea se mostrou a atuação decisória da relatora vencida que votou pela redução dos valores lançados por aqueles declarados, sendo que a incidência da multa e juros de mora aplicarseiam apenas sobre o montante atingido após a operação indicada. A recorrente, em sua impugnação, preocupouse em indicar os meios adequados à prova de que as declarações retificadoras não foram por ele apresentadas, declarando que agiu coma certeza de que estaria provando a não apresentação das retificações daquelas originais apresentadas. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 734 6 A pedido da relatora (voto vencido), foram enviadas as informações acerca do dia, hora e IP de onde partiram as retificadoras das DCTF’s da recorrente, sendo apurado que o IP utilizado para realizar as retificações não foi o mesmo utilizado, agora sim pelo recorrente, para apresentar as declarações de débito – DCTF. Portanto, não poderia o colegiado desconsiderar informação da própria Receita Federal apontando no sentido de não ter sido a recorrente quem remeteu as declarações retificadoras questionadas. Deveria ter sido acatado o pedido primitivo de perícia em equipamento de informática para se atestar a verdadeira origem das declarações. Havendo indício de irregularidade não praticada pela recorrente, cabe à Receita Federal a apuração dela e não o contrário, vez que o zelo pela coisa pública ainda que caiba também, subsidiariamente, ao recorrente, cabe em origem à Administração Fazendária. Requer seja dado provimento ao recurso para que sejam acolhidos os termos do voto vencido. DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 30/6/2011, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o Acórdão nº 110300.497, de minha relatoria, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, conforme entendimento que segue. Como se viu do relatório, a controvérsia se limita e se fixa na questão da não apresentação, pela recorrente, de DCTF’s retificadoras de 2005 e do primeiro semestre de 2006, todas elas entregues à Receita Federal “zeradas”. Não se insurge a recorrente contra a omissão de receitas apuradas com base nos Livros de Registro de Saídas e de Apuração do ICMS, nem contra o arbitramento do lucro levado a efeito em face da ausência da escrituração contábil. A multa qualificada fora afastada no decisório do órgão julgador de origem. A manutenção do lançamento no restante se dera por maioria de votos, tendo sido vencida a relatora. A recorrente assume que deve os tributos declarados nas DCTF’s referentes ao anocalendário de 2005 e ao primeiro semestre de 2006. Vale dizer, os tributos declarados nas DCTF’s originais dos períodos em questão. Após apontamentos realizados pelo chefe da DITEC da SRRF da 7ª Região, em resposta ao requerimento realizado pela relatora do órgão julgador a quo, a questão foi considerada “delicada”. Isso por se considerar um fato que para se processar uma retificação de DCTF é necessário conhecer o número do recibo de entrega da original. Contudo, “seria ônus da prova diabólica a recorrente provar que não fora ela nem terceiro por ela autorizado quem teria transmitido as indigitadas DCTFs retificadoras e as DCTF’s originais referentes a 2004”. Assim, se tudo correu conforme o alegado, compreensível que a recorrente tenha requerido, em sua peça inaugural, perícia da Polícia Federal com o fito de investigar a transmissão das DCTFs. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 735 7 Tendo em vista não ter ocorrido a referida perícia, acolheramse os indícios, como prova indireta. Afirmouse que, do que se viu dos autos, todas as DCTFs que assumidamente foram apresentadas pela recorrente, foram transmitidas de endereços de IP diversos, pertencentes à Telemar (Velox), que atua no Espírito Santo, domicílio da recorrente. E que todas as DCTFs contraditadas partiram de um mesmo endereço de IP pertencente a provedor que atua nas regiões Norte e CentroOeste, a Global Village Telecom (GVT). Assim, asseverouse, no voto embargado, o seguinte: Cada um desses dados de fato, isoladamente, não informa, a meu ver, elemento bastante para se poder falar que a recorrente não transmitira as DCTF’s indigitadas. Mas apreciadas em conjunto, parecemse indicadores de verossimilhança do que afirma a recorrente. Vale dizer, parecemme fortes os indícios de que as DCTF’s combatidas não partiram da recorrente. No caso vertente, no que pertine aos débitos declarados nas DCTF’s originais, restará apenas a cominação de penalidades no auto de infração, caso se acolha a alegação da recorrente. E, acerca da prescrição, afirmouse: Ainda quanto a esses débitos declarados, a prevalecer a arguição da recorrente, não se coloca a questão da prescrição, pois, tendo sido novamente reconhecidos como devidos os débitos declarados nas DCTF’s originais, na peça recursiva apresentada em 26/11/08 (fl. 703), dáse, nesse momento, a interrupção do prazo prescricional, na conformidade do art. 174, parágrafo único, IV, do CTN. Pelo exposto, aplicouse indiretamente o art. 112, II e III, do CTN, “segundo o qual a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades se interpreta de maneira mais favorável ao acusado”. Assim, foi dado provimento ao recurso para que: dos valores de principal exigidos no auto de infração sejam deduzidos os débitos declarados nas DCTF’s originais dos 1º e 2º semestres de 2005 e do 1ºsemestre de 2006; sejam restabelecidas as mencionadas DCTF’s, como confissões de dívida, com o cancelamento das DCTF’s retificadores desses períodos e das originais dos 4 trimestres de 2004. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a recorrente apresentou embargos de declaração de fls. 821 e 822, arguindo, em síntese, o que segue. Afirmouse que, ainda que se tenha dado parcial provimento ao recurso, nos termos acima aduzidos, ao invés de ser aplicada a multa prescrita no art. 61 da Lei 9.430/96, de 20%, foi mantida a multa de ofício, de 75%, aplicada com base no art. 44 da Lei 9.430/96. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 736 8 Assim, requereu seja extirpada a contradição acima apontada para que seja aplicada a multa prevista pelo art. 61 da Lei 9.430/96 sobre os débitos reconhecidos e declarados nas DCTFs referentes ao anocalendário de 2005 e primeiro semestre de 2006. É o relatório. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 737 9 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso de embargos é tempestivo com regularidade de representação (fls. 820, 821, 822, 823 e 825). Argui a recorrente a existência de contradição no acórdão embargado, em face do seguinte. No referido acórdão, restabeleceramse os débitos declarados nas DCTFs apresentadas pela recorrente, porquanto se reconheceu, por prova indireta, que as DCTFs retificadoras zeradas e as DCTFs originais relativas a 2004 não foram apresentadas pela recorrente, devendo, portanto, ser deduzidos dos autos de infração os débitos declarados. A multa qualificada já havia sido afastada pelo órgão julgador a quo. Entretanto, no acórdão objeto dos embargos, não foi determinada a redução da multa de ofício infligida sobre os débitos declarados, para o montante de multa de mora. Há potencialidade de contradição no acórdão em causa, de modo que conheço dos embargos. Evidentemente os débitos declarados pela recorrente não foram pagos, pois, do contrário, faleceria a ela interesse processual nos embargos para redução da multa à de mora, tal como postulado em seu recurso voluntário. Reconheço a presença de contradição entre os fundamentos do acórdão embargado, bem como entre fundamento e o dispositivo. Transcrevo excertos do voto: No caso vertente, no que pertine aos débitos declarados nas DCTF’s originais, restará apenas a cominação de penalidades no auto de infração, caso se acolha a alegação da recorrente. Ainda quanto a esses débitos declarados, a prevalecer a arguição da recorrente, não se coloca a questão da prescrição, pois, tendo sido novamente reconhecidos como devidos os débitos declarados nas DCTF’s originais, na peça recursiva apresentada em 26/11/08 (fl. 703), dáse, nesse momento, a interrupção do prazo prescricional, na conformidade do art. 174, parágrafo único, IV, do CTN. Feitas essas considerações, nesse quadro, tem lugar a aplicação indireta do art. 112, II e III, do CTN, segundo o qual a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades se interpreta da maneira mais favorável ao acusado: em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; ou em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 738 10 Do quanto exposto, dou provimento ao recurso, para que: dos valores de principal exigidos no auto de infração sejam deduzidos os débitos declarados nas DCTF’s originais dos 1º e 2º semestres de 2005 e do 1º semestre de 2006; sejam restabelecidas as mencionadas DCTF’s, como confissões de dívida, com o cancelamento das DCTF’s retificadoras desses períodos e das originais dos 4 trimestres de 2004. (grifamos) Vêse que é dito que, caso prevaleça a alegação da recorrente, restará apenas a cominação de penalidades, ao mesmo tempo em que ficou dito que tem lugar a aplicação indireta do art. 112, II e III, do CTN. E, no dispositivo, é dado provimento para que se restabeleçam as mencionadas DCTFs, como confissões de dívida, sendo deduzidos os débitos declarados nas DCTFs dos valores de principal exigidos no auto de infração. A contradição está radicada no fundamento, ao se dizer que restará apenas a cominação de penalidades. Evidentemente, a referência que fiz foi quanto às penalidades vinculase aos débitos confessados, se restabelecidos, o que foi o caso. A aplicação do art. 112, II e III, do CTN foi de rigor, assim como o dispositivo do acórdão embargado, como os demais pontos deduzidos na apreciação das provas indiretas. As multas concernentes ou vinculadas aos débitos confessados resultam quedadas, como consectário do reconhecimento dos débitos declarados nas DCTFs, e, portanto, com o restabelecimento deles. O dispositivo do acórdão embargado não contém contradição. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso de embargos, para suprimir a contradição existente no acórdão embargado, ratificando o dispositivo do acórdão, o qual implica o afastamento das multas referentes aos débitos confessados. É o meu voto. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 847DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15586.001163/200728 Acórdão n.º 1103000.883 S1C1T3 Fl. 739 11 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.006333/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
INDENIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES.
A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF.
MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da do colegiado Por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para rerratificar o acórdão nº 2202-000481, 12 de abril de 2010, sem alteração da sua conclusão.
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(Assinado Digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, CAMILO BALBI (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), ANTONIO LOPO MARTINEZ, RAFAEL PANDOLFO. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 INDENIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES. A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF. MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES. A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado Por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para rerratificar o acórdão nº 2202000481, 12 de abril de 2010, sem alteração da sua conclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 63 33 /2 00 7- 05 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 . (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, CAMILO BALBI (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), ANTONIO LOPO MARTINEZ, RAFAEL PANDOLFO. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10580.006333/200705 Acórdão n.º 2202002.462 S2C2T2 Fl. 381 3 Relatório Contra o contribuinte PAULO SÉRGIO PARANHOS DE MAGALHÃES, inscrito no CPF 069.155.30553, foi lavrado auto de infração para tributar rendimentos apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2004. Foram tributados também R$ 12.818.250,54, recebidos em 2005, que o contribuinte afirmava haver recebido como indenização por perdas e danos. O total do imposto lançado foi R$ 3.623.592,18. Com os acréscimos legais, o total do crédito atinge R$ 6.899.144,65. De acordo com o relatório fiscal (fls. 04), o contribuinte havia comprovado parcialmente a origem dos depósitos em suas contas no Banco do Brasil, inclusive no que diz respeito a verbas indenizatórias recebidas da Câmara dos Deputados, como está demonstrado na planilha às fls. 09. Quanto às verbas que o contribuinte argumenta seriam indenização, observa a autoridade lançadora que o pagamento decorre de acordo firmado entre o interessado e o Banco Alvorada S/A, sucessor do Banco do Estado da Bahia S/A (BANEB) (fls. 55/57), e que não foram comprovadas pelo autuado as perdas e danos que justificariam a indenização. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes (fls. 152/173). O BANEB fora condenado em processo judicial a indenizálo por perdas e danos, em virtude de propositura dolosa de ação falimentar, desprovida de fundamentos processuais mínimos, contra a PESQUEIRA PORTO SEGURO S/A, da qual o autuado era presidente e sócio. Após o trânsito em julgado, em 2001 (fls. 42/43), e já na liquidação da sentença, foi realizada perícia por arbitramento, e os danos patrimoniais efetivamente sofridos em virtude da ação falimentar foram fixados em R$ 20.000.000,00. Posteriormente o BANCO ALVORADA S/A. (sucessor do BANEB) concordou em pagar ao impugnante R$ 12.818.250,54, e o acordo foi homologado por sentença judicial (fls. 55/57). Como a indenização fora determinada anteriormente, na sentença judicial condenatória, a coisa julgada não poderia ser agora questionada pelo Fisco, com novas exigências de comprovação dos danos sofridos. Como indenização, não houve fato gerador do imposto, pois a mesma destinavase apenas a repor danos patrimoniais. Em nada altera este raciocínio o fato de não se tratar de indenização por rescisão contratual, para a qual existe previsão expressa de isenção. Não o contradiz, tampouco, o §1º do art. 43 do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar 104/2001. Para demonstrar os danos sofridos, requer a realização de perícia. Nomeia o mesmo contador que confeccionara os cálculos de arbitramento acima mencionados, e propõe como questão, em resumo, a validade técnica destes cálculos. Não foram descontados dos depósitos bancários o 13º salário (R$ 8.383,56), líquido do imposto na fonte, como consta em sua declaração, e R$ 600,00, declarados como rendimentos isentos e não tributáveis. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Recebera R$ 34.717,20 da Câmera dos Deputados, a título de ressarcimento por despesas postais e telefônicas, valores não tributáveis, cabendo excluílos do lançamento. Recebera restituição do imposto de renda em 15/01/2004 (R$ 4.652,07) e em 16/11/2004 (R$ 6.288,59), valores que devem ser excluídos dos depósitos. De acordo com o demonstrativo fiscal (fls. 09), houve saldo líquido negativo no mês de janeiro de 2004 (R$ 5.060,88), que deveria ser compensado com os depósitos do mês seguinte. A Bahia Comércio de Cacau Ltda. informara haver pago R$ 343.711,79 pela venda de amêndoas de cacau. Mas somente foram aceitas com prova da origem dos depósitos bancários as notas fiscais apresentadas, que somaram R$ 39.760,21. Ao desprezar os demais valores, o autuante realizou presunção não autorizada em lei, pois não investigou, como deveria, a fonte pagadora, fazendo recair sobre o titular da conta bancária o ônus da prova. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos em manter parcialmente o lançamento através do acórdão DRJ/SDR n° 14.292, de 22 de novembro de 2007 (fls. 338/344), consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. ACORDO PARTICULAR. INDENIZAÇÃO NÃO COMPROVADA. São tributáveis as importâncias pagas em liquidação de sentença quando o montante da indenização tenha sido fixado por acordo particular (ainda que homologado judicialmente), especialmente quando não forem comprovadas as perdas e danos que justificariam a reparação indenizatória. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS. Presumemse rendimentos tributáveis os depósitos bancários de origem não comprovada. Devidamente cientificado dessa decisão em 12 de março de 2008, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 11 de abril de 2008, às fls. 348/378, onde ratifica os argumentos da impugnação. Em sessão de julgamento realizada em 12 de abril de 2010, o colegiado por unanimidade decidiu em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela Embargante conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006 INDENIZAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO PATRIMONIAL. NÃO TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. LUCROS CESSANTES. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10580.006333/200705 Acórdão n.º 2202002.462 S2C2T2 Fl. 382 5 A indenização paga, visando mera recomposição patrimonial, não pode ser considerado acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda. No caso dos autos ficou devidamente comprovado através de laudo de avaliação que parte do valor pago é decorrente de recomposição patrimonial e parte lucros cessantes, que enseja o fato gerador do IRPF. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações O recorrente, intepôs em 19 de novembro de 2012, embargos de declaração, apontando omissão por parte do relator no que diz respeito ao pedido de perícia pleiteado. Ao analisar os embargos, verificouse que assiste razão a embargante, uma vez que houve omissão na análise desse pedido. É o relatório Fl. 435DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Os embargos de declaração atendem aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser acolhidos. A omissão que devemos realizar esta adstrita ao pedido de perícia formulado pela Embargante na impugnação. Nos termos do inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972, o contribuinte pode pleitear em sua impugnação perícia ou diligências que pretenda que sejam realizadas: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235, a autoridade julgadora de primeira instância poderá deferir ou indeferir o pedido de perícia ou diligência efetuada pelo contribuinte: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 436DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10580.006333/200705 Acórdão n.º 2202002.462 S2C2T2 Fl. 383 7 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso dos autos o pedido de perícia foi indeferido, tendo em vista que autoridade julgadora de primeira instância entendeu que não havia necessidade, uma vez nos autos havia elementos suficientes para que o caso fosse julgado. Entendo que não merece reparos a decisão de DRJ, uma vez que nos autos existem elementos suficientes para que o caso fosse julgado. Especificamente no que diz respeito a questão dos lucros cessantes, e da parcela de indenização, podemos verificar que o próprio Recorrente nos traz subsídios para esclarecer tal fato, através do laudo de fls. 371 a 376, que na conclusão estabelece que parte dos valores é lucro cessantes e parte dos valores devidos seria por força de dano material: Estimase os danos materiais e os lucros cessantes com a quebra do acordo de acionista, pedido de falência Banco do Estado da Bahia S/A, desativação da empresa e abandono administrativo na quantia de US$ 8.180.107,09, sendo lucros cessantes e juros US$ 6.717.717,68, reposição do ativo permanente US$ 1.097.695,10, US$ 364.704,31, indenização referente ao valor residual de bens, cujo estado de conservação espelha, a total impossibilidade de reaproveitamento econômico. Os valores apurados estão detalhados nas planilhas 18, 19, 20. Desta forma, o pedido de perícia no meu entender não é necessário. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 Assim, por tudo o que dos autos consta, acolho os embargos declaratórios para rerratificar o acórdão nº 2202000481, 12 de abril de 2010, sem alteração da sua conclusão. . (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 438DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/10/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.004166/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN)
Recurso de Oficio Negado
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-002.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário, dar provimento ao recurso: acolher a alegação de decadência, extinguindo o crédito tributário lançado
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN) Recurso de Oficio Negado Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário, dar provimento ao recurso: acolher a alegação de decadência, extinguindo o crédito tributário lançado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 66 /2 00 9- 70 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.004166/200970 Acórdão n.º 2202002.492 S2‐C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MENDES JUNIOR TRADING E ENGENHARIA S.A. foi lavrado de multa de ofício (fls. 42/47), correspondente ao período de 03/2003 e 02/2004, não considerada quando da lavratura do Auto de Infração (Processo Administrativo nº 19515.001756/200860), no montante de R$ 3.591.608,42, sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Trabalho Assalariado. O Processo nº 19515.001756/200860 tratou de Auto de Infração lavrado com a exigibilidade suspensa, constituindo crédito tributário referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Trabalho Assalariado, sem a multa de oficio. O imposto lançado totalizou R$ 5.557.213,26 e abrangeu fatos geradores de 09/11/2002 a 06/02/2004. Na ocasião do julgamento do Auto de Infração do Processo nº 19515.001756/200860, pela 4ª Turma da DRJ/SP0I (Acórdão nº 1620.873, de 26 de março de 2009 – cópia às fls. 22/33) que exonerou parte do lançamento em razão de decadência, foi observado que não havia causa de suspensão da exigibilidade do tributo, tendo sido elaborada representação à DIPAC/DEFIS/SPO (fls. 19/21), para que tal fato fosse verificado, pois não havia impedimento à aplicação lançamento da multa de ofício, s.m.j., à época da lavratura do Auto de Infração de IRRF. O Termo de Verificação Fiscal do presente processo, fls. 38/41, entendeu pela aplicação da multa de ofício, por não haver causa de suspensão de exigibilidade à época do lançamento do IRRF, tendo se restringido a lançar os períodos não decaídos quando do lançamento original, mantidos pelo julgamento mencionado acima. O Contribuinte tomou ciência da autuação em 22/10/2009 (fl. 45), e apresentou impugnação em 13/11/2009 (fls. 50 a 73), considerada tempestiva pela Autoridade Administrativa (despacho à fl. 76). As alegações apresentadas foram as seguintes, em síntese: DA EXCLUSÃO DO PÓLO PASSIVO A Impugnante deve ser excluída do pólo passivo do presente processo, eis que os seus débitos para com o IR FONTE das competências: 09/novembro/2002, 28/dezembro/2002, 07/dezembro/2002 e 08/março/2003 foram devidamente quitados, por compensação, inclusive com a emissão dos respectivos darf/siafi, ex vi atestação das Autoridades Fiscais nos autos, sendo o autor do Mandado de Segurança ou da Medida Cautelar o responsável pelas conseqüências do cancelamento da presente compensação tributário (art. 811 do Código de Processo Civil – CPC). A doutrina dominante é de que a responsabilidade solidária, em tais casos, fundase no fato da execução da medida liminar independer da prova de má fé do autor do Mandado de Segurança ou da Medida Cautelar (RTJ Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 87/665). Ressalta, também, que não há necessidade de condenação expressa; a responsabilidade do autor é automática. Segundo Pontes de Miranda "não há necessidade de provar o dolo ou a culpa, mas sim o prejuízo sofrido. " A restauração do status quo ante, dependerá da modalidade pela qual o crédito prêmio tiver sido aproveitado com base na liminar concedida. Da mesma forma, se a modalidade de ressarcimento adotada com base na autorização judicial foi a transferência do crédito prêmio a terceiro para compensação com débito seu (art. 74 da Lei 9430/96), caberá à cedente, uma vez negada a segurança, responder pelo que o fisco deixou de receber no tempo, conforme determina legislação de regência. A doutrina entende não haver fundamento para que o fisco se volte contra o terceiro de boa fé, para exigirlhe o crédito tributário em decorrência da cassação liminar. Por isso, o prejuízo sofrido pela fazenda pública será reparado pelo autor da ação, com base no art. 811 do CPC acima transcrito. " Para Humberto Teodoro Júnior, essa norma é decorrente do princípio da sucumbência. Em parecer de 24 de março de 2000, o notável jurista Ives Gandra da Silva Martins, respondendo consulta formulada pelas Usinas autoras do Mandado de Segurança, concluiu seu parecer afirmando: " Na hipótese de a segurança vir a ser denegada e cassada à liminar, a consulente será responsável pela restauração da situação jurídica anterior, pagando o débito que tiver sido objeto da compensação mediante utilização do crédito prêmio, nos termos do art. 811 do CPC. Se o tiver utilizado para, mediante transferência a terceiro, ser compensado com débito deste, deverá pagar o valor desse crédito em nome de terceiro. " Dito isto e com base nas disposições da legislação e na melhor doutrina do direito civil brasileiro, esta notável Delegacia de Julgamento haverá de excluir a Impugnante do pólo passivo do presente processo tributário administrativo, substituindoa pela Usina Cruangi S/A, autora do Mandado de Segurança que deu origem a ordem liminar para a compensação dos seus créditos com os débitos Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A. DA DECADÊNCIA Estão fulminados pela decadência os lançamentos preparados de ofício, conforme o Auto de Infração, ora impugnado relativas às competências março/2003 a fevereiro de 2004, eis que os respectivos créditos tributários foram lançados depois de caduco o prazo para sua constituição. De acordo com os ensinamentos de Aliomar Baleeiro, em sua obra DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, o prazo decadencial não se interrompe: o procedimento DA DECADÊNCIA para constituição do crédito precede à notificação. Esta não interrompe o prazo de decadência: marca lhe o ponto inicial no tempo. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.004166/200970 Acórdão n.º 2202002.492 S2‐C2T2 Fl. 4 5 Se o contribuinte foi notificado de medida preparatória de lançamento, outra notificação da ultimação deste, prevista no art. 145 do CTN, não tem o efeito interruptivo sobre o prazo de caducidade, que começou a correr da anterior. Portanto, se a Impugnante protocolou, juntamente com a Usina cedente o PCC — Pedido de Compensação com Crédito de Terceiro, o prazo decadencial começou a contar da data daquele protocolo, eis que o Pedido de Compensação, juridicamente constitui confissão de dívida, portanto, hábil e suficiente para a exigência dos débitos, porventura indevidamente compensados ( art. 74 da Lei 9430/96 ) Contudo, é oportuno lembrar e como será fundamentado em seguida, aplicamse ao indeferimento da compensação as disposições do Decreto 70.235/72 e da IN 21/97. Portanto, indeferida a compensação deverá o declarante ser devidamente notificado, para que em tempo hábil apresente sua defesa fiscal, com sustentação nas suas razões de fato e de direito. Rito processual somente consagrado com a lavratura do presente Auto de Infração, que, para os tributos abaixo relacionados, estão caducos, pois decorrido o prazo qüinqüenal para sua constituição de ofício: 1 IRRF (0561) PA 09/11/2002 Valor R$ 334.000,00, data do protocolo do pedido de compensação 21/02/2003, data da homologação da compensação DCC n° 4723, de 04/04/2003; 2 IRRF(0561) PA 28/12/2002 Valor R$ 49.402,05, data do protocolo do pedido de compensação 21/02/2003, data da homologação da compensação DCC n° 4724, de 07/04/2003; 3 IRRF (0561) PA 07/12/2002 Valor R$ 385.000,00, data do protocolo do pedido de compensação 21/02/2003, data da homologação da compensação. DCC n° 4723, de 04/04/2003; 4 IRRF (0561) PA 08/03/2003 Valor R$ 360.000,00, data do protocolo do pedido de compensação 21/02/2003, data da homologação da compensação. DCC n° 4724, de 07/04/2003; NO MÉRITO Quanto ao MÉRITO, a Impugnante traz alegações buscando combater a negativa do direito ao crédito que teria sido concedido judicialmente. O PEDIDO Por fim, reitera os pedidos de ilegitimidade passiva e da decadência parcial dos lançamentos, feitos em preliminar, bem como seja acatado o recebimento e o processamento da presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, nos termos prescritos no Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, e, por conseguinte, seja mantida a suspensão da exigibilidade do Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 crédito tributário conforme previsto no inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional, ex vi o que determina o § 3 o do art. 10 da IN/SRF 21/97, sob pena de desrespeito à ordem judicial estampada no acórdão supra transcrito. Ex positis a MENDES JÚNIOR TRADING E ENGENHARIA S/A, por seu procurador, abaixo assinado, respeitosamente, vem requerer: o recebimento da presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, nos termos prescritos no art. 74 da Lei 9430/96, de acordo com a redação vigente por ocasião do protocolo do pedido de compensação e que a mesma seja processada segundo as disposições da IN 21/97 e do Decreto n° 70.235/72, para ao final decretar a insubsistência integral do Auto de Infração, ora hostilizado. A DRJSão Paulo I a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação procedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Não havendo valor algum recolhido, o termo inicial do prazo decadencial para que se efetue o lançamento se desloca para o previsto no artigo 173 do CTN, sendo ele de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento parcialmente realizado após o prazo decadencial, com relação à multa de ofício devida sobre aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO NA PESSOA DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LEGITIMIDADE. Em se tratando o lançamento de matéria atinente ao direito tributário, a sujeição passiva é regulada pelo CTN (art. 121), não sendo cabível analisar, na esfera administrativa, questão de ordem processual, que atribuiria a terceiro a responsabilidade por danos decorrentes de negócio jurídico realizado entre a Impugnante e este terceiro, detentor de eventual direito contra a Fazenda Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003, 2004 DA IMPOSSIBILIDADE DA IMPUGNANTE DISCUTIR QUESTÕES RELATIVAS A CRÉDITO DE TERCEIRO. Uma vez que o lançamento é relativo a multa de ofício devida sobre débito da impugnante, não cabe apreciar as alegações relativas ao crédito de outro sujeito passivo (terceiro), na forma pretendida pela defendente, por lhe faltar legitimidade para Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.004166/200970 Acórdão n.º 2202002.492 S2‐C2T2 Fl. 5 7 tanto, razão pela qual não se conhece das alegações relativas ao crédito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade recorrida entendeu que por bem exonerar parte do crédito tributário, por ter sido alcançado pela decadência, tal como quadro a seguir: Em virtude do montante exonerado a autoridade julgadora interpõe recurso de ofício. Insatisfeito o recorrente apresenta, recurso voluntário onde reitera as razões da impugnação, indicando em especial que não é de se aplica o art. 173 do CTN, tendo em vista o pagamento ainda que parcial de tributos da mesma natureza e código, tal como se observa do código 0561, nas fls 115. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos de ofício e voluntários estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecidos. Para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verificase que a ciência do auto de infração foi em 22/10/2009 (fl. 45),. Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.004166/200970 Acórdão n.º 2202002.492 S2‐C2T2 Fl. 6 9 Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.004166/200970 Acórdão n.º 2202002.492 S2‐C2T2 Fl. 7 11 decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso houve o pagamento de imposto antecipado de tributos com o mesmo código, tal como se depreende dos documentos de fls 115. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2003 e 2004 como decadentes O ano de 2003 já se encontrava decadente pelo próprio aplicação do artigo 173 do CTN, de modo que não haveria reparos a exoneração realizada inicialmente pela autoridade recorrida, que resultou em recurso de ofício.. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.004166/200970 Acórdão n.º 2202002.492 S2‐C2T2 Fl. 8 13 Ante ao exposto, voto negar provimento ao recurso de ofício e no que toca ao recurso voluntário, acolher a preliminar de decadência arguida pelo Recorrente, extinguindo o crédito tributário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 180DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15374.917168/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na demonstração da inexistência de indébito tributário, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.891
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na demonstração da inexistência de indébito tributário, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 71 68 /2 00 8- 41 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II (fls. 37/45 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não homologou compensação onde o crédito apresentado era relativo a suposto pagamento indevido de COFINS em vista de alegada isenção da contribuição sobre as sociedades civis de prestação de serviços. O litígio foi instaurado em face de despacho decisório que não homologou o pedido de compensação objeto do PER/DCOMP nº 392832359028050413042051, formalizado em 09062004, com o objetivo de compensar suposto crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS, no valor de R$ 6.953,09, referente ao período de apuração de 31/08/2002. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde se fundamentou nos seguintes argumentos (conforme relatório objeto da decisão recorrida): [...] Instituída a Lei Complementar n° 70/91, destinada às despesas com atividadesfim das áreas de saúde, previdência e assistência social, que isentava a Manifestante, nos termos do inciso II, do art. 6º da referida Lei, posteriormente foi editada a Lei 9.430, de 27/12/1996, cujo art. 56 revogou a referida isenção, determinando que a contribuição passasse a incidir sobre as receitas auferidas. Questionada a ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96, considerando a alegação de que Lei Ordinária não poderia revogar preceito constante de Lei Complementar, entre outros temas, restou, pelo Superior Tribunal de Justiça, editada em 02/06/2003 a SÚMULA N° 276, tendo em vista alguns precedentes (entre outros: Resp's 260960RS, 227939SC, 221710RJ, e AgRg no Resp 226386, 297461, 422342 e 422741): Desta forma, alguns contribuintes passaram a compensar, ou a simplesmente não mais pagar e outros ainda a repetir a contribuição social. Entretanto, em 30/06/2006, foi publicada a decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 419.6298 DF, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917168/200841 Acórdão n.º 3802001.891 S3TE02 Fl. 96 3 interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça em Recurso Especial (REsp 437842DF) que houvera declarado que Lei Ordinária não tem força para revogar dispositivo de Lei Complementar, dando provimento ao RE da União Federal para anular o acórdão do STJ por usurpação da competência do Supremo Tribunal, decisão essa não transitada em julgado, o que, notoriamente, veio a tentativa de justificar pelo fisco a negativa da pretensão compensatória, mais pela possibilidade de prescrição futura de eventual crédito dele do que a questão jurídica em si. Quando da compensação, havia segurança jurídica de que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais eram isentas da Cofins desde a edição da Lei Complementar n° 70/91, passando por decisões do Superior Tribunal de Justiça, especialmente da Súmula n° 276, até que veio a decisão parcial e não definitiva no Recurso Extraordinário n° 419.6298DF (decorrente do Resp n° 437842DF), publicada no DJ em 30/06/2006, no sentido de anular aquele acórdão do Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhecia a manutenção da isenção. Até agora, em 2008, perdura no STF a discussão jurídica que tem como tema a possibilidade, ou não, do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96 poder revogar a isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista na Lei Complementar n° 70/91, como se pode observar pela leitura do processamento dos Recursos Extraordinários n°s 381964MG e 377457PR. Já no STJ a questão, sob o enfoque infraconstitucional, se encontra decidida a favor da isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, nos termos dos recursos especiais acima informados e da Súmula n° 276. O art. 146 do Código Tributário Nacional, que está inserido no Capítulo II Constituição do Crédito Tributário , informa que a "modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto ao fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” Já observando o tema sob a ótica do STF (Constitucionalidade), a decisão parcial e não definitiva da 1ª Turma do STF no Recurso Extraordinário n° 419.6298 DF, publicada em 30/06/2006, interposto contra acórdão do STJ em Recurso Especial (REsp 437842DF), dando, até agora, parcial provimento (8x1) e não definitivo ao RE da União Federal (419.6298 DF) para anular o acórdão do STJ (Resp 437842DF) por alegada usurpação da competência do Supremo Tribunal, não é definitiva sobre o prisma da constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96. Destarte, segundo decisões do Superior Tribunal de Justiça, o art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 viola normas infraconstitucionais, como citadas nos julgamentos dos recursos especiais, não podendo revogar a isenção concedida pelo art. 6º, II da LC 70/91. Já no STF, sob o enfoque da constitucionalidade, o tema ainda não está resolvido definitivamente. Assim, nos termos do art. 146 do código Tributário Nacional, é evidente que, mesmo que a decisão a ser exarada nos recursos extraordinários, sob exame na Excelsa Corte, declare a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 (a qual não muda o posicionamento do STJ), e transite em julgado a referida decisão sem que seja apreciada a sua modulação, a compensação do crédito em questão somente poderia Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior à 30.06.2006, quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, não há decisão no STF definitiva e sequer transitada em julgado. Na realidade, até a presente data não se pode pensar na não homologação de compensação de créditos, nem mesmo após 30.06.2006, porquanto o Supremo Tribunal Federal, repitase, ainda não decidiu definitivamente o mérito da questão e, por via de conseqüência, a modulação da decisão, pois se encontra apreciando os recursos extraordinários n°s 377457PR e 381964MG, como dito acima, cujos processamentos estão suspensos, porquanto o Ministro Marco Aurélio pediu vista. Logo, nos termos das decisões do STJ não há Cofins a ser paga, portanto, plenamente devida a compensação do tributo realizada ante o pagamento equivocado da Cofins, como anteriormente informada. Já pela ótica do STF ainda não há decisão transitada em julgado declarando a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96, com a modulação temporal para a cobrança da Cofins. É mister ressaltar, ainda, que a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco tendo em vista possível decisão do tema no STF não autoriza sequer a revisão de lançamento e, por motivos óbvios, não autoriza também a negativa de homologação da compensação. A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento (Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos) . É clara a ofensa do art. 56 da Lei n° 9.430/96 ao princípio da especialidade instituído pelo art. 2º, §§ 1º e 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. A Cofins foi instituída pela Lei Complementar n° 70/1991, que reza que são isentas da contribuição as sociedades civis de que trata o art. 1o do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. Posteriormente, a Lei Ordinária nº 9430/96 revogou a isenção: "Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Parágrafo Único Para efeito da incidência da contribuição de que trata este artigo, serão consideradas as receitas auferidas a partir do mês de abril de 1997." Como se vê, em violação ao princípio da hierarquia das leis, o legislador ordinário alterou a lei complementar revogando a isenção concedida. É forçoso reconhecer que esse procedimento legislativo é totalmente inconstitucional, visto que pelo princípio da hierarquia das normas jurídicas, uma Lei Complementar somente poderá ser revogada por outra Lei Complementar. A isenção somente poderia ser revogada por Lei Complementar, conforme determina o art. 146, inciso III, alíneas "a" e "b", da Constituição Federal: Assim sendo, como a Constituição Federal só permitia a incidência de contribuição à seguridade social incidente sobre o faturamento, qualquer outra contribuição que tivesse outra base de cálculo recairia no que dispõe Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917168/200841 Acórdão n.º 3802001.891 S3TE02 Fl. 97 5 o § 4º, do art. 195 da Constituição Federal, ou seja, a competência residual da União, o que é plenamente permitido, sendo que, nesse caso, imprescindível seria a adoção de Lei Complementar, o que também não foi respeitado. É mister ressaltar, ainda, quanto ao tema, que pouco importa se o conteúdo da lei complementar envolve competência de lei ordinária. O fato relevante da questão é que o legislador entendeu por bem separar as matérias que seriam aprovadas por Lei Complementar e as que seriam por Lei Ordinária, tanto que estabeleceu critérios distintos para a votação de cada uma delas. Anotese que para a Lei Complementar ele estabeleceu para aprovação a maioria absoluta dos congressistas, enquanto que para a Lei Ordinária a maioria simples. Logo, uma Lei Ordinária não pode pretender alterar uma Lei Complementar (art. 59 da Constituição Federal). [...] Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, a qual, como dito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. Isenção. Inocorrência, no período pleiteado. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete a órgãos administrativos apreciar alegações de inconstitucionalidade de atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 28/09/2011 (conf. AR de fls. 48), a interessada, em 19/10/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 50/58, onde requer a juntada dos autos a processo autônomo de cobrança dos débitos (processo nº 18471.000995/200893) e apresenta os mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, requerendo, ao fim, seja dado total provimento ao seu recurso para reformar a decisão recorrida, com a conseqüente homologação da compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 O recurso é tempestivo e há que ser conhecido uma vez presentes os demais requisitos de admissibilidade exigidos para sua aceitação. Quanto à solicitação de juntada dos autos ao processo nº 18471.000995/2008 93, adoto aqui o mesmo entendimento proferido pela instância recorrida, uma vez que, conforme fundamentado por aquele Colegiado – e não contestado pelo sujeito passivo –, referido processo aborda fatos geradores ocorridos em período distinto, nada justificando, pois, a juntada dos autos, dada a inexistência de identidade material entre este processo e o referenciado pela reclamante. Assim, indefiro o pedido de juntada dos autos formalizado pela recorrente. Do mério A reclamante alega que as sociedades civis de prestação de serviços teriam sido isentas da COFINS em vista da suposta inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430/96, reconhecida e sumulada pelo STJ, a teor da Súmula nº 276, segundo a qual “as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS irrelevante o regime tributário adotado”. Tal súmula, no entanto, foi cancelada pelo próprio STJ no julgamento da Ação Rescisória no 3761/PR, publicada em 01/12/2008, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AÇÃO RESCISÓRIA – CABIMENTO – VIOLAÇÃO DO ART. 97 DA CF/88: SÚMULA VINCULANTE 10/STF – SÚMULA 343/STF: INAPLICABILIDADE – COFINS – ISENÇÃO CONCEDIDA PELA LC 70/91 – REVOGAÇÃO PELA LEI 9.430/96 – RECURSO ESPECIAL – DESCABIMENTO. 1. A ação rescisória não se presta a rever regra técnica relacionada com a admissibilidade de recurso especial. 2. Violação do art. 97 da CF/88 porque o aresto rescindendo não submeteu a reserva de plenário a inconstitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96, concluindo tãosomente por afastar a incidência deste dispositivo, sob o fundamento de que, em razão do princípio da hierarquia das leis, a isenção concedida por lei complementar não poderia ser revogada por lei ordinária. Aplicação da Súmula Vinculante 10/STF. 3. À época em que prolatado o aresto rescindendo, era controvertida a interpretação desta Corte em relação à legitimidade da revogação da isenção da COFINS. 4. Orientação firmada neste Tribunal no sentido de que a incidência da Súmula 343/STF deve ser afastada nos casos em que a interpretação controvertida disser respeito a texto constitucional. 5. O tema relativo à possibilidade de revogação, por lei ordinária (Lei 9.430/96), da isenção da COFINS concedida às sociedades civis pela LC 70/91 não há de ser resolvido em âmbito infraconstitucional, segundo precedentes do STF. 6. Ação rescisória julgada procedente. Como referenciado na ementa do julgado acima, a isenção concedida pela LC nº 70/91 foi revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96. Houve diversas ações em que se defendeu ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Essa questão foi pacificada pelo STF, o qual, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, de forma legítima, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917168/200841 Acórdão n.º 3802001.891 S3TE02 Fl. 98 7 Os fundamentos que serviram de base para o referido julgado estão resumidos na ementa do Recurso Extraordinário no 377.457, abaixo reproduzida: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.(RE 377457, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234608 PP01774) Portanto, o STF, definitivamente, já se pronunciou pela constitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430/96, que revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, sendo, pois, lícita a exigência da contribuição em tela sobre tais pessoas jurídicas. Temse, em decorrência, que o indeferimento do pleito que deu ensejo à presente lide observou, com perfeição, a norma vigente à época, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96. Em nenhum momento referido dispositivo teve sua eficácia sustada, razão pela qual falece qualquer argumento concernente a mudança de critério jurídico, este uniforme desde o momento em que foi analisada a compensação do sujeito passivo, só indeferida em vista da ausência de prescrição legal que a isentasse do pagamento da COFINS, e, portanto, de prova quanto a existência do indébito aduzido. A interessada também formula pedido de modulação dos efeitos da decisão, sob o argumento de que a compensação do crédito somente poderia deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior a 30/06/2006, “quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça”. Sobre a modulação dos efeitos diante da reconhecida constitucionalidade do artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o STF, ao analisar a ADI no 4071 (proposta pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB), julgada de forma definitiva pelo plenário daquela Corte em 22 de abril de 2009, desproveu o agravo regimental interposto em face de decisão proferida pelo Ministro Menezes Direito, que indeferira a inicial. Tal questão, contudo, é irrelevante para o julgamento da presente lide uma vez que a compensação pleiteada pela interessada não pode ser admitida dada a ausência dos requisitos legais da liquidez e da certeza do crédito, exigidos para a extinção de débitos tributários via compensação, requisitos os quais, como já ressaltado, foram examinados sempre com base nos mesmos critérios jurídicos desde a primeira análise do pedido de compensação, qual seja, a existência ou não de indébito frente à norma vigente. De fato, constatada a indisponibilidade do pagamento apontado pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, demonstrada está a inexistência de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 indébito tributário, razão pela qual não há como se acolher o pedido de compensação em tela, a qual só poderia ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestissem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, e em obediência ao disposto no art. 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, fica assentado que são efetivamente devidos os pagamentos da COFINS realizados pela recorrente segundo a forma de incidência instituída pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Consequentemente, o indébito alegado não existe, não havendo, pois, razão legal que autorize a homologação da compensação pleiteada. Finalmente, em relação aos argumentos apresentados pelo sujeito passivo que envolvem inconstitucionalidade de norma, tal questão, cujo exame é vedado às instâncias administrativas (Súmula no 022), já foi resolvida pelo Supremo Tribunal Federal, como demonstrado acima. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10830.902395/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jun 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 23 95 /2 00 8- 23 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é de COFINS. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Cientificada, a interessada apresentou, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: A Requerente apresentou a PER/DCOMP objetivando a compensação de débito de COFINS de RS 1.580,94, competência de abril de 2004. O crédito a ser utilizado na aludida compensação decorreu de recolhimento a maior efetuado referente ao período de apuração de 28.02.2004, cujo recolhimento se deu em 15.03.2004 no valor total de R$ 281.443,43, por intermédio de dois DARFs: R$ 16.867,86 e R$ 264.575,57, quando o valor correto do débito era de R$ 269.765,10, gerando, assim, um crédito de R$ 11.678,33, conforme comprova a sua DIPJ. Contudo, por um equívoco da Requerente, ao preencher a PER/DCOMP informou incorretamente o DARF originário de seu crédito, eis que, efetivamente, o valor de R$ 15.038,51 foi utilizado para o pagamento da COFINS de março de 2004. O correto seria a Requerente ter informado o recolhimento de R$ 16.876,86, como originário do seu crédito. Esclarece, ainda, a Requerente que mesmo que tivesse informado o crédito correto, da mesma forma o sistema não aceitaria a compensação, eis que ao apresentar a DCTF referente ao primeiro trimestre de 2004 informou como valor total devido no mês de fevereiro o valor de R$ 281.443,43, quando o correto seria de R$ 269.765,10, conforme acima mencionado, portanto, o valor recolhido do DARF a ser incluído na PER/DCOMP de R$ 16.876,86, nos termos da DCTF, não enseja crédito passível de compensação, contudo, da simples análise da DIPJ e dos DARFs de pagamento verificase a existência do crédito mencionado. (...) Isto posto, demonstrado à saciedade, o direito da Requerente de efetuar a compensação, eis que o crédito informado foi devidamente recolhido, espera o provimento da presente manifestação de inconformidade a fim de cancelar a presente cobrança face à extinção do crédito devidamente compensado. Ao apreciar o feito, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ/CPS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.902395/200823 Acórdão n.º 3301001.939 S3C3T1 Fl. 73 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo i. Relatora da DRJ, “a análise eletrônica dos valores declarados pelo contribuinte para fins de emissão do Despacho Decisório demonstra que os alegados pagamentos indevidos ou a maior foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF, não restando qualquer crédito para ser compensado”. Ademais, “a interessada não trouxe aos autos qualquer elemento capaz de comprovar suas alegações, cabendo destacar, no caso, a regra jurídica de que a prova compete àquele que alega o fato”. Em face de tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, alegando que teria demonstrado o equívoco cometido e teria juntado todos os documentos necessários para que a Administração Pública verificasse a existência do crédito e a regularidade da compensação. Pleiteia, assim, seja anulada a decisão recorrida e determinada a análise da documentação por ela juntada e, consequentemente, a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. O contribuinte aduz em sua Manifestação de Inconformidade e reitera em sede de recurso que preencheu equivocadamente a DCTF o que teria ocasionado a não homologação da compensação pretendida pois teria indicado como origem do crédito o DARF recolhido para a extinção de período diverso daquele efetivamente apurado, misturando desordenadamente valores e períodos. Alega, ainda, que os documentos juntados demonstram a regularidade da compensação pretendida esperando o cancelamento da cobrança. Tais alegações não merecem prosperar. Se na atividade de lançamento é dever da Administração Tributária a fiscalização para a verificação da ocorrência concreta do fato gerador, no caso de pedidos de Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 restituição e compensação, a perspectiva se inverte, sendo dever do contribuinte demonstrar o seu direito creditório. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Notase que, no presente caso, tendo alegado a existência de um crédito, competia à Recorrente fazer prova cabal da existência de seu direito. Contudo, não é isso que se conclui da análise dos documentos arrolados. Dessa forma, não tendo sido demonstrada de forma clara a existência do pretenso direito creditório, seu reconhecimento é inviável. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo integralmente a decisão recorrida. Bernardo Motta Moreira – Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13819.908298/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Numero da decisão: 3803-004.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Belchio Melo de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira (Relator), Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 155 1 154 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.908298/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.174 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de abril de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e os Conselheiros Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Belchio Melo de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 82 98 /2 00 9- 71 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 p or JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assi nado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3803004.174 S3TE03 Fl. 156 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira (Relator), Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitida em 29/08/2007 que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de PIS/Pasep, do período de apuração maio/2007, com débitos de Cofins, do período de apuração outubro/2006, no valor total de R$ 151.479,95 (fl. 2/6). Por meio de despacho decisório eletrônico a DRF em São Bernardo do Campo/SP não homologou o pedido do contribuinte sob o argumento de que o pagamento indicado encontravase integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega resumidamente que: a. ao detectar a incorreção cometida na apuração da contribuição dos valores pagos aos concessionários pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, efetuou a retificação do Dacon, mas deixou de promover a retificação da DCTF; b. apesar da expressa autorização legal para a exclusão da comissão dos concessionários nas vendas diretas de caminhões da base de cálculo da contribuição, apenas com o advento da Instrução Normativa SRF nº 594, de 26/12/2005, foi que a Recorrente constatou o equívoco cometido e promoveu a revisão e a correção da apuração da contribuição; c. requer a realização de perícia nos termos do artigo 16 do PAF, para tanto apresenta quesitos e indica assistente técnico. Ao final requer que seu PER/DCOMP seja homologado em sua integralidade. Anexa cópia da entrega da DCTF retificadora, da DIPJ retificadora e de relação exemplificativa das notas fiscais de vendas de caminhões. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade por considerála carente de provas, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 p or JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assi nado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3803004.174 S3TE03 Fl. 157 3 Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte protocolou recurso voluntário, em que repete os mesmos argumentos de erro no preenchimento de declarações e demonstrativos, atenta para o pedido de perícia realizado em manifestação de inconformidade e que esta se prestaria a dirimir as dúvidas quanto aos fatos. Recorre ao princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, ao final pede que seja reconhecido o seu crédito ou que se realize diligência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do principio da verdade material. A Constituição Federal em seu artigo 5º, incisos LV e LXXVIII assegura ao cidadão litigante, quer em processo judicial quer em processo administrativo, o contraditório e a ampla defesa e a razoável duração do processo Não se pode afastar, no processo administrativo fiscal, os diversos princípios informadores do processo judicial e garantias constitucionais do cidadão, entre eles os princípios da verdade material e do livre convencimento motivado do julgador. Segundo Sergio Ferraz e Adilson Abreu Dallari: “Em oposição ao princípio da verdade formal, inerente aos processos judiciais, no processo administrativo se impõe o princípio da verdade material. O significado deste princípio pode ser compreendido por comparação: no processo judicial normalmente se tem entendido que aquilo que não consta nos autos não pode ser considerado pelo juiz, cuja decisão fica adstrita às provas produzidas nos autos; no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados.”(Processo Administrativo, São Paulo, Malheiros, 2ª edição, Pág. 109.) Hely Lopes Mirelles diz: “O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valerse de qualquer prova que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal. Enquanto nos processos judiciais o Juiz devese cingir ás provas indicadas no devido tempo pelas partes, no processo administrativo a autoridade processante ou julgadora pode, até final julgamento, conhecer de novas provas, ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 p or JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assi nado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3803004.174 S3TE03 Fl. 158 4 supervenientes que comprovem as alegações em tela. Este princípio é que autoriza a reformatio in pejus, ou a nova prova conduz o julgador de segunda instância a uma verdade material desfavorável ao próprio recorrente.” (Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo, RT, 16ª edição, 1991, Pág. 581.) No que tange à matéria tributária/fiscal, o processo administrativo é regulado pelo Decreto Federal nº 70.235 de 06.03.1972, e suas alterações posteriores. O decreto deixa claro, em seu artigo 29, que tal procedimento é informado pelos princípios da verdade material e do livre convencimento motivado do julgador. Vejase: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” O artigo 18 do Decreto 70.235/72 se coloca em consonância com o princípio da verdade material, in verbis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Resta claro, que o Decreto 70.235/72 teve o intuito de fazer com que o julgador buscasse a verdade material dos fatos, podendo este, inclusive, diligenciar de ofício para tanto. Neste sentido se coloca a Jurisprudência do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa:REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE. (...) Se, em respeito ao princípio da verdade material, a autoridade julgadora, amparada em verificações empreendidas por meio de diligências fiscais, acolhe as retificações efetuadas na declaração anteriormente apresentada pelo contribuinte e, com base nela, apura os saldos finais do IRPJ e da CSLL, o reconhecimento de eventual direito creditório, por decorrência lógica, deve levar em consideração tais retificações.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.” (11610.000453/200163, Segunda Turma/Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento, Rel. WILSON FERNANDES GUIMARAES, d.j. 31/03/2011) Do pedido de diligencia. O contribuinte alega que seu direito creditório originase em erro cometido na apuração do PIS/Cofins ao não excluir da base de cálculo os valores pagos aos concessionários Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 p or JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assi nado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3803004.174 S3TE03 Fl. 159 5 pela intermediação ou entrega de veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI nas vendas diretas, conforme autorização do art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e disposições da Instrução Normativa SRF nº 594, 26 de dezembro de 2005. O sujeito passivo é fabricante de automóveis e pode deduzir de sua base de cálculo do PIS/Cofins os valores pagos aos concessionários de que trata a Lei nº 6.729, de 28 de novembro de 1979, pela intermediação ou entrega dos veículos, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão, em decorrência de vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04, da TIPI, efetuadas por conta e ordem daqueles. Destacamos que o mesmo direito subjetivo aos créditos acima descrito fora reconhecido, também, pela DRJ de origem, tendo esta glosado os valores requeridos sob único fundamento da falta de material probatório satisfatório. Verificouse que a interessada retificou sua DIPJ contemporaneamente ao Dacon, apresentou exemplificativamente a relação de notas que dão o crédito e alegou elevado volume para requerer perícia. Tendo sido reconhecido o direito subjetivo ao direito creditório, e, tendo o contribuinte retificado DACON, DIPJ, e apresentado relação das notas fiscais, entendemos necessária a diligencia, para que se verifique a verdade dos fatos. Não reconhecer os valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte seria um enriquecimento sem causa por parte do fisco. Portanto voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGENCIA para que a DRF de origem apure a veracidade do crédito pretendido pelo contribuinte, impute o crédito aos débitos apurados neste processo. Concluída a realização da diligência, a recorrente deverá ser cientificada do seu resultado, oportunalizandoa prazo regulamentar para se pronunciar, retornando os autos a esta turma recursal para julgamento. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o contribuinte, ao ser cientificado da não homologação da compensação e do não reconhecimento do direito creditório, manifestouse contrariamente a essa decisão, alegando o cometimento de uma incorreção na apuração da contribuição devida no período, trazendo aos autos, naquele momento, cópias da DCTF Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 p or JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assi nado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3803004.174 S3TE03 Fl. 160 6 retificadora, da DIPJ retificadora e de planilhas por ele elaboradas, inclusive uma contendo a relação exemplificativa das notas fiscais de vendas de caminhões. Após ter seu pedido negado pela Delegacia de Julgamento por falta de prova eficaz à comprovação do direito pleiteado, o ora Recorrente nada acrescenta aos autos, repisando seu pedido de realização de perícia/diligência para a coleta dos elementos probatórios necessários à análise do PER/DCOMP. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a realização de perícia/diligência. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias da DCTF retificadora, da DIPJ retificadora e de planilhas por ele elaboradas, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte nada acrescenta aos autos. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 p or JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assi nado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3803004.174 S3TE03 Fl. 161 7 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/07/2013 p or JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assi nado digitalmente em 27/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10865.908878/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 78 /2 00 9- 15 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Ribeirão Preto (SP), que transcrevo a seguir: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do 3 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório.” A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: 4 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reportandose às razões de defesa expostas na manifestação de inconformidade e reproduzindoas na íntegra neste recurso voluntário. É o relatório. 5 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Tanto na manifestação de inconformidade interposta, como no recurso voluntário, a contribuinte não contestou em momento algum o motivo da nãohomologação da declaração de compensação, apresentando apenas alegações com relação a fatos em nenhum momento foram suscitados pela Receita Federal do Brasil. Conforme já relatado, a contribuinte se limitou a manter os argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade: “1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no 6 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos.” Enquanto que o julgamento da 4ª. Turma da DRJ/RPO foi bem claro ao votar pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, em razão da matéria não estar expressamente contestada, vejamos: “Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 31/07/2004, sem nenhuma correlação com o período anterior A outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas' ou transmitidas. Do mesmo modo que o Decreto n.° 70.235, de 1972, estabelece, em seu artigo 90, a obrigatoriedade de a autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em 7 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz não admitindo a mera alegação e a negação geral. Conforme dispõe o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532/97, infra transcrito, considero que o contribuinte não contestou expressamente a matéria objeto do litígio, considerando, pois, como não impugnada a matéria e, portanto, não iniciada a fase litigiosa do procedimento.” Contudo, necessário registrarse que não é possível o julgamento deste Recurso Voluntário pela verdade material, haja vista que carece prova do crédito existente, não existindo elementos suficientes nos autos suficientes para o provimento do presente recurso voluntário. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5o, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará:I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei no 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) 8 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4. do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, não merecem reparo o acórdão recorrido. Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 9 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10880.984328/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 12/08/2005
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período.
Numero da decisão: 3802-001.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 12/08/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período.
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DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 43 28 /2 00 9- 12 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838. Relatório Por bem explicitar os fatos e atos processuais ocorridos até o presente momento, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo que assim dispõe: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984328/200912 Acórdão n.º 3802001.767 S3TE02 Fl. 112 3 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984328/200912 Acórdão n.º 3802001.767 S3TE02 Fl. 113 5 A contribuinte STUTTGART SPORTCAR SP VEÍCULOS LTDA, se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1631.281, proferido em primeira instância pela 11ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO – DRJ/SP, que julgou improcedente a Manifestação de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: Irresignado com a decisão, recorre o contribuinte, aduzindo que possui direito ao crédito e acostando farta documentação que indica a retificação da apuração de seu faturamento. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto O presente Recurso Voluntário é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984328/200912 Acórdão n.º 3802001.767 S3TE02 Fl. 114 7 Tratase de processo destinado a revisão de compensação requerida pelo Recorrente, com base na revisão interna de seus procedimentos, que detectou um problema sistêmico na apuração de seu faturamento. Tal erro sistêmico se deveria ao fato de que, a princípio, o sistema ABC (Activity Based Costing), incluiu o IPI e o ICMSST no valor total da nota fiscal emitida pelo Recorrente. Após realizar a recomposição de seu faturamento no patamar adequado, o Recorrente viuse detentor de créditos decorrentes da tributação a maior de PIS e COFINS. Oferecida a DCOMP, a DRJ, como visto acima, entendeu não haver demonstração da prova da materialidade dos créditos oferecidos pelo Recorrente à compensação, bem como ausência de retificação da DCTF do período considerado. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já iteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. O contribuinte, em suma, busca comprovar a materialidade de seu crédito, não se estendendo muito em argumentos, porém sendo deveras consistente na juntada de prova. Para demonstrar a materialidade de seu crédito, o Recorrente apresenta DCTF retificadora, o livro razão analítico, a decomposição de seus créditos dos diversos períodos nas diversas DCOMP’s que apresentou, bem como a recomposição de sua contabilidade e as notas fiscais de venda do período objeto do presente processo. Ao analisar a documentação, todavia, não pude verificar com precisão o quantum relativo ao crédito oferecido pelo Recorrente. Isso porque os valores totais das notas fiscais correspondem ao seus valores contábeis, e não há um descritivo que indique, com segurança para o julgador, que a variação no faturamento decorre exatamente do percentual de IPI e de ICMS/ST aplicável para os produtos objeto das notas fiscais consideradas. De fato, há uma demonstração de que houve uma variação na apuração da base do PIS e da COFINS. No entanto, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de (i) verificar a legislação do IPI e do ICMS da UF aplicável a cada Nota Fiscal, e enfim (ii) conferir se a variação do faturamento realmente corresponde à diferença da inclusão/exclusão desses montantes da composição do faturamento do Recorrente. Friso que, diferentemente do que dispõem as leis 9715/98 e a LC 70/91, o regime não cumulativo do PIS e da COFINS não possui disposição legal expressa (seja nas leis 10.637/2002 ou na lei 10.833/2003) afastando o IPI e o ICMS/ST das suas respectivas bases de cálculo. Nesse sentido, vale frisar que o esforço do sujeito passivo em demonstrar a materialidade de seus créditos inclui, além de apenas apresentar toda a documentação probante, explicar sua relevância no contexto do processo de revisão da compensação. Assim sendo, diante da impossibilidade de se verificar cabalmente a procedência dos argumentos do sujeito passivo, não há fundamentos para que excepcionalmente se promova agora a retificação da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984328/200912 Acórdão n.º 3802001.767 S3TE02 Fl. 115 9 Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10280.003604/2006-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO.
As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 36 04 /2 00 6- 66 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 08/08/2006 a empresa PARÁ PIGMENTOS S/A, já qualificada nos autos, transmitiu pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, previsto no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2002, relativo ao 4º trimestre de 2004. A DRF em Belém PA deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que o crédito da Cofins só alcança os insumos diretamente ligados à produção específica de caulim (produto final a ser vendido), o que não é o caso dos gastos com combustíveis, lubrificantes, serviços de terraplanagem, sondagem, topográficos e bombeamento. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações consta do relatório da decisão recorrida e abaixo transcrito (naquilo que interessa ao litígio): a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal. “A ausência de descrição dos fatos e da capitulação legal da infração são motivos suficientes, por si só, para que seja declarada a nulidade do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0579/2011 e do despacho decisório.”; b) “É evidente que a incorreção dos requisitos discriminados nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos implica no cerceamento do direito de defesa da ora REQUERENTE, previsto no art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), uma vez que esta não dispõe dos elementos mínimos necessários para a apresentação de sua manifestação de inconformidade. Logo, não há dúvida de que houve a preterição do direito de defesa da ora REQUERENTE.”; c) Entende que a redução a zero da alíquota da COFINS sobre as receitas financeiras não significa que essas receitas não estejam sujeitas à incidência do COFINS, isso porque, na alíquota zero, a norma de incidência permanece íntegra, havendo apenas a suspensão de um dos seus elementos quantitativos, e que devem ser incluídas no cômputo da receita bruta, para fins do cálculo da proporcionalidade previsto no art. 3º, § 8º, II, da Lei n° 10.833/2003; d) Defende que os valores pagos na aquisição de óleos combustível e lubrificante e aqueles despendidos com serviços (terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento) geram créditos por se caracterizarem como insumo; e) Argumenta que a definição de insumo trazida pelos atos normativos da Receita Federal foi pega de empréstimo, “de modo flagrantemente impróprio”, das legislações do ICMS e do IPI, não podendo ser utilizadas para a COFINS, uma vez que a materialidade desta última é muito maior que a dos impostos, devendo a possibilidade de creditamento também ser mais abrangente; f) “Por oportuno, ressaltese que no RPF n° 021 01 00/005992010 é feita remissão ao art. 66, § 5º, II da IN/SRF nº 247/2002, para indeferir o creditamento dos valores recolhidos a título de serviços prestados à Requerente, quando o correto seria a indicação do inciso I do referido artigo, pois é este que cuida do creditamento de serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (o inciso II trata do serviço aplicado ou Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 4 3 consumido na prestação de serviço), o que, por si só, enseja a nulidade do despacho decisório quanto aos créditos apurados relacionados com esse item.”; g) “Vêse, pois, que, o conceito de insumo, para fins de apuração de crédito da COFINS, deve abranger todo e qualquer bem ou serviço utilizado na obtenção de receita, sendo ilegais, portanto, as restrições contidas no art. 8°, § 4°, 1, “a”, da IN/SRF n° 404/2004 e no art. 66, § 50, II, “b”, da IN/SRF n° 247/2002.”; h) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que entende ser aplicável ao presente caso, na qual a administração teria concluído que os óleos combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos da COFINS, não havendo necessidade de que os mesmos ajam diretamente sobre o produto fabricado. Transcreve trechos do documento; i) Destaca que o óleo combustível é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim. “Com efeito, o óleo é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim, pois esse é composto por um vaso cilíndrico, termo compressor e conjunto de trocadores de calor tipo placas e de uma caldeira flamotubular, que utiliza óleo BPF1 A, como combustível.” l) “Como se isso não fosse o bastante, na secagem, um dos processos de produção do 'caulim', o gás quente responsável pelo aquecimento do ar de secagem é obtido pela queima de combustível (BPF – 1A) em uma fornalha revestida com tijolos refratários.” m) “Desse modo, podese ainda afirmar que não só os óleos lubrificantes e combustíveis são consumidos no processo de fabricação do produto, como também atuam diretamente sobre esse processo produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível atua diretamente no processo de redução de umidade do caulim.”; n) Com relação aos serviços de terraplanagem, os serviços de sondagem, de topografia e de bombeamento, julga que, apesar de não agirem diretamente sobre o produto fabricado, não há dúvida de que são utilizados em seu processo de fabricação; o) “Os serviços de terraplanagem são preparatórios para a exploração mineral, visto que têm como objetivo aplainar o terreno, para que se possa iniciar a extração do 'caulim', restando também extreme de dúvida a sua importância dentro do processo produtivo.”; p) “Da mesma forma, os serviços de sondagem, de topografia e de bombeamento também não necessários dentro do processo de produção do caulim.”; q) Conclui: “Nas Seções anteriores encontrase devidamente demonstrado que a REQUERENTE tem direito a se creditar dos valores relativos aos óleos combustível e lubrificante, e aos serviços de terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento, tendo em vista que tratamse de bens e serviços utilizados para a obtenção de receita e, por conseguinte, podem ser classificados como insumos passíveis de creditamento, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.637/2002. No entanto, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, a IMPUGNANTE requer a realização de perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1 972, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 5 4 a) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? b) Os serviços de terraplanagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? c) Os serviços de sondagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? d) Os serviços topográficos são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? e) Os serviços de bombeamento são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? f) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE têm ação direta no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE ou, ainda, os referidos bens integram de alguma forma o "caulim" ou qualquer outro produto final da REQUERENTE? Por oportuno, a REQUERENTE indica o Sr. Anselmo Duarte Pereira, engenheiro químico, inscrito no Conselho Regional de Química sob o n° 03.302.662 6 ª Região, para atuar como seu perito. Por todo o exposto, a REQUERENTE requer a V.Sa. que seja dado integral provimento à sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja homologado integralmente o seu pedido de compensação efetuado através da PER/DCOMP n° 06215.96063.290107.1.3.099580. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA deferiu, em parte, a solicitação da interessada, para reconhecer o direito ao crédito das despesas com combustíveis e lubrificantes empregados na produção de caulim, nos termos do Acórdão nº 0123.063, de 28/09/2011, cuja ementa tem a seguinte redação: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizamse como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Ciente desta decisão em 26/10/2011, conforme AR constante dos autos, a interessada ingressou, no dia 25/11/2011, com Recurso Voluntário no qual renova os argumentos relativos à nulidade do Despacho Decisório, ao direito de crédito das despesas com serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento e ao pedido de realização de perícia. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 6 5 Junta Laudos Técnicos sobre o emprego dos serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento adquiridos pela Recorrente. Na forma regimental, o processo foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando o ressarcimento de Cofins nãocumulativo e a decisão recorrida entendeu que não houve o alegado cerceamento do direito de defesa e que as despesas com terraplenagem, sondagem, topografia e bombeamento não se enquadram no conceito de insumo, para fins de crédito da Cofins. Relativamente à preliminar de nulidade do Despacho Decisório por falta de enquadramento legal não há como acolher a pretensão da Recorrente pelas seguintes razões: 1) O Despacho Decisório SEFIS/DRF/BELÉM Nº 178, que decidiu o direito de crédito da Recorrente, fundouse na Informação Fiscal de fls. 71/76, na qual consta toda a fundamentação legal das glosas efetuadas e do direito creditório reconhecido; 2) O Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas fundouse no Despacho Decisório SEFIS/DRF/BELÉM Nº 178 e no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0579/2011, que fundouse também na Informação Fiscal de fls. 71/76. Vêse claramente que nos 02 (dois) Despachos Decisórios constam o fundamento legal das decisões tomadas. O fato da fundamentação legal não está expressamente transcrita nos mesmos não é sinônimo de que não existe, como entendeu a Recorrente. Comprovado que os Despachos Decisórios de reconhecimento do crédito e de homologação das compensações estão perfeitamente fundamentados, há que se rejeitar a preliminar de nulidade argüida pela Recorrente. Quanto ao pedido de realização de perícia, entendo que a mesma é desnecessária porque a Recorrente trouxe, com o Recurso Voluntário, Laudos Técnicos descrevendo o emprego dos serviços objeto da glosa. O fato dos referidos laudos terem sido elaborados pela própria Recorrente, ou por uma empresa à ela ligada (IMERYS), não impede a sua utilização como meio de prova, desde que convença a Turma de Julgamento sobre a sua idoneidade. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 7 6 Passemos à análise de cada Laudo Técnico, naquilo que interessa ao deslinde da questão, conforme abaixo transcrito. LAUDO TÉCNICO – Uso atividades de Terraplenagem e Topografia na IPPSA (Imerys Pará Pigmentos S/A) [...] 2.0 Lavra [...] A lavra do minério, extraído para a produção do caulim, compreende o desenvolvimento das seguintes operações: supressão vegetal; remoção e salvamento do solo orgânico; decapeamento e disposição nos botaforas; escavação; carga e transporte do minério e alimentação do “blunger”. Os “Atos de Lavra” expostos precisam de máquinas de terraplenagem para serem efetivados. [...] 3.0 Conclusão Para dar andamento às atividades acima enumeradas, e, portanto, para viabilizar a extração do minério destinado à produção, tornase imprescindível o uso de equipamentos de terraplenagem. A existência destes facilita e é necessário ao procedimento de lavra e ao movimento entre os vários pontos da mina em estradas bem regularizadas que reflete na economia de combustível e custo de manutenção. Sem esses equipamentos não poderíamos remover capeamento e lavrar o minério na escala de produção que atendesse o processo industrial, uma vez que não há produção sem a matériaprima necessária. Da mesma forma a topografia. Sem ela não poderíamos avaliar com o grau de certeza exigido as quantidades removidas e transportadas por período de tempo de um plano de lavra. LAUDO TÉCNICO – Processo de Sondagens e Topografia na IPPSA (Imerys Pará Pigmentos S/A) [...] 2.0 Sondagem [...] A avaliação da quantidade de minério existente e do material não aproveitável como o capeamento e o estéril é feita por operação de sondagem. [...] 2.2.3 Topografia da Sondagem [...] Tanto a marcação dos furos em campo como após sondagens conferir a verdadeira localização do furo em campo, precisou do trabalho de topografia. A avaliação da jazida tem com uma de suas bases a exatidão dos trabalhos de sondagem e de topografia. 3.0 Conclusão Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 8 7 As sondagens são atividades base para o trabalho de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matériaprima ao processo de produção e beneficiamento. Desta forma, sem a atividade de sondagem não seria possível a lavra e, conseqüentemente, a atividade de produção. O Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de substancial quantidade de minério o suficiente para ser alvo de exploração econômica. Para tanto o modelamento geológico é feito com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra os trabalhos de sondagem não são paralisados. A cada avanço da mina um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio insubstituível dos equipamentos de perfuração. LAUDO TÉCNICO (Serviço de Bombeamento) DO OBJETIVO DO TRABALHO Consiste em esclarecer a técnica de bombeamento aplicada na Mina PPSA, bem como a vinculação ao processo recebimento da polpa na unidade de processamento em Barcarema, de modo a garantir continuidade das atividades produtivas. [...] DAS PROTEÇÕES E MONITORAMENTO DO MINERODUTO [...] O mineroduto é protegido e monitorado por sistema de proteção catódica, passagem de PIG inteligente que detectam corrosão, amassamentos e falhas no revestimento e sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial no material bombeado na Mina. DA ASSEPSIA DO MINERODUTO Na entrada do mineroduto foi instalado lançador de PIG (material esponjoso utilizado em limpeza da tubulação). O PIG será utilizado em caso de entupimento da tubulação, sendo acionado (empurrado) através de bombeamento em alta pressão através das bombas de pistão e com o sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial durante todo o procedimento. CONCLUSÃO Como podemos observar a operação de bombeamento é fundamental para a continuidade do processo em nossa unidade localizada em Barcarema. O sistema de escoamento da produção por bombas e mineroduto reduz o tempo recebimento e processamento do material. Com essa tecnologia, a empresa otimiza seu processo e sua capacidade produtiva. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 9 8 Da análise dos referidos laudos, e dos demais elementos constantes dos autos, concluise que a empresa recorrente realiza a lavra do minério do caulim e o seu beneficiamento, sendo que o minério é transportado da mina para a unidade industrial através de um mineroduto. O caulim é o produto vendido pela Recorrente. Todos os insumos utilizados na sua produção dão direito ao crédito da Cofins. Conforme já expressei meu entendimento em outros julgados, o fato de a Recorrente produzir a matériaprima utilizada na fabricação da mercadoria objeto da venda, não lhes tira o direito ao aproveitamento do crédito das despesas (de insumos) incorridas com a produção da matériaprima utilizada na fabricação da mercadoria vendida. No caso dos autos, preliminarmente, é necessário definir se as despesas objeto da glosa classificamse como insumos utilizados na lavra do minério utilizado na fabricação do caulim. Por óbvio, partese do pressuposto de que as despesas objeto da glosa são custos de lavra, de transporte ou de beneficiamento de minério e, como tal, não são investimentos e, conseqüentemente, não estão contabilizadas no Ativo Permanente da Recorrente. O Laudo Técnico que trata do “Processo de Sondagens e Topografia” é claro em sua conclusão ao afirmar que os serviços de sondagens e topografia da sondagem são serviços empregados antes do início da lavra da mina, ou seja, não são serviços empregados no processo de exploração da mina propriamente dito. Sendo, portanto, despesas realizadas antes do início da exploração da mina, embora sejam indispensáveis, não se pode dizer que são despesas com serviços utilizados na extração do minério empregado na produção do caulim. Assim sendo, não dão direito a crédito da Cofins. Quanto às despesas com terraplenagem e topografia ligado à terraplenagem, o Laudo Técnico acostado aos autos faz uma descrição sucinta do emprego desses serviços e, por ela, fica claro que os mesmos são empregados no processo de lavra do minério utilizado na fabricação do caulim. O serviço de topografia é empregado no espalhamento do estéril, formação de taludes, demarcação de blocos para lavra, dimensionamento de cava (para avaliar a quantidade de minério retirado) e construção de estradas dentro da mina para escoamento do minério. O serviço de terraplenagem é utilizado nas etapas ditas “Supressão Vegetal” e “Decapeamento”, bem como na construção de estradas utilizadas por caminhões e veículos foradeestrada na remoção de solo vegetal, estéril e do próprio minério objeto da lavra. Pelas razões acima, entendo que estes serviços enquadramse no conceito de insumo utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 10 9 portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma. Por último, esclareçase que compete à autoridade da RFB liquidar a presente decisão, considerando unicamente as despesas aqui tratadas que foram contabilizadas como custos de lavra, de transporte ou de beneficiamento de minério e, conseqüentemente, homologar as compensações declaradas até o limite do crédito apurado em razão desta decisão. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre as despesas com serviço de terraplenagem e topografia ligado à terraplenagem, realizado no curso da lavra da mina, e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto da Recorrente. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003604/200666 Acórdão n.º 3302002.306 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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