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Numero do processo: 13227.900037/2008-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-000.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 02226.68309.060204.1.3.040240, de 06/02/2004, através da qual o contribuinte pretende AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 00 37 /2 00 8- 92 Fl. 47DF CARF MF 2 compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJ, no valor principal de R$ 1.950,00 segundo DARF com as seguintes características: Código de Receita 5993 (IRPJ Lucro Real Estimativa mensal), PA 31/08/2000, vencimento em 29/09/2000). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n. 757798975, de 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado na quitação do IRPJ estimativa PA 08/2000, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 09) alegando que efetuou recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL por estimativa no anocalendário de 2000, mas apurou prejuízo em balanço de encerramento, razão pela qual compensou o IRPJ devido do mês de dezembro de 2001 com o valores recolhido referente ao PA 08/2000. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0119.757 3ª Turma da DRJBEL, e fls. 23/29) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês (e que tal excesso não ficou comprovado nos autos) com fundamento na legislação tributária; e que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Cientificada da decisão de primeira instância em 11/01/2011 (efl. 32) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 31/01/2011 (efl. 33), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos (mesmo que através de escrita contábil) eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário em questão, pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento do IRPJ por estimativa no mês 08/2000. Ou seja, requerer crédito diverso correspondente a eventual saldo negativo de IRPJ no ano calendário deveria ser posto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (IRPJ estimativa do período de apuração 08/2000) e confrontar com análise da situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13227.900037/200892 Acórdão n.º 1001000.953 S1C0T1 Fl. 48 3 Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. O fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ no ano calendário 2000 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Reforço que recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003139/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. VERDADE MATERIAL.
Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações, de forma cabal e cristalina, de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Aplicação da Súmula CARF nº 04.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO.
O Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge.
HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1º DE ABRIL DE 2005.
O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 1º de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio.
IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR, EM SENTIDO ESTRITO.
A limitação da competência tributária para a instituição de contribuições sociais prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal (inciso este incluído pela Emenda nº 33/2001) somente atinge as receitas decorrentes de exportações para o exterior, stricto sensu, não comportando a norma imunizante interpretação extensiva.
VENDAS NO MERCADO INTERNO PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR. EFEITOS FISCAIS DEPENDENTES DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA VIGENTE.
O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não diz que se considera, para qualquer fim, que as vendas no mercado interno para a Zona Franca de Manaus equivalem a uma exportação para o estrangeiro, restringindo os efeitos fiscais desta equiparação aos constantes da legislação em vigor, o mesmo ocorrendo com o art. 40 do ADCT, que prorrogou, de forma genérica, o tratamento diferenciado dado àquela região, mas quando fala em incentivos fiscais, a mesma Constituição estabelece, em seu art. 150, § 6º, que, no caso da União, somente poderá ser concedido mediante lei específica, ainda mais com interpretação restritiva e sem efeito pró-ativo, ou seja, não extensível a tributos instituídos posteriormente à sua concessão (arts. 111 e 177, II, do CTN).
RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS DE MERCADORIAS A EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE NORMA ISENTIVA. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO A PARTIR DE 16/12/2004.
Não se encontra, no ordenamento jurídico, norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004.
Numero da decisão: 3201-004.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: A) pelo voto de qualidade, quanto à imunidade das receitas oriundas de vendas à ZFM. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi (conselheiro suplente) e Laercio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, lhe davam provimento; b) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias tratadas no voto. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade declarou-se impedido, tendo sido substituído pelo conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. VERDADE MATERIAL. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações, de forma cabal e cristalina, de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1º DE ABRIL DE 2005. O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 1º de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR, EM SENTIDO ESTRITO. A limitação da competência tributária para a instituição de contribuições sociais prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal (inciso este incluído pela Emenda nº 33/2001) somente atinge as receitas decorrentes de exportações para o exterior, stricto sensu, não comportando a norma imunizante interpretação extensiva. VENDAS NO MERCADO INTERNO PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR. EFEITOS FISCAIS DEPENDENTES DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA VIGENTE. O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não diz que se considera, para qualquer fim, que as vendas no mercado interno para a Zona Franca de Manaus equivalem a uma exportação para o estrangeiro, restringindo os efeitos fiscais desta equiparação aos constantes da legislação em vigor, o mesmo ocorrendo com o art. 40 do ADCT, que prorrogou, de forma genérica, o tratamento diferenciado dado àquela região, mas quando fala em incentivos fiscais, a mesma Constituição estabelece, em seu art. 150, § 6º, que, no caso da União, somente poderá ser concedido mediante lei específica, ainda mais com interpretação restritiva e sem efeito pró-ativo, ou seja, não extensível a tributos instituídos posteriormente à sua concessão (arts. 111 e 177, II, do CTN). RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS DE MERCADORIAS A EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE NORMA ISENTIVA. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO A PARTIR DE 16/12/2004. Não se encontra, no ordenamento jurídico, norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: A) pelo voto de qualidade, quanto à imunidade das receitas oriundas de vendas à ZFM. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi (conselheiro suplente) e Laercio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, lhe davam provimento; b) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias tratadas no voto. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade declarou-se impedido, tendo sido substituído pelo conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-11-04T23:21:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-11-04T23:21:23Z; Last-Modified: 2018-11-04T23:21:23Z; dcterms:modified: 2018-11-04T23:21:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-11-04T23:21:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-11-04T23:21:23Z; meta:save-date: 2018-11-04T23:21:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-11-04T23:21:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-11-04T23:21:23Z; created: 2018-11-04T23:21:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2018-11-04T23:21:23Z; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-11-04T23:21:23Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2.053 1 2.052 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003139/200637 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3201004.249 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria PIS NÃO CUMULATIVO Recorrentes ALPARGATAS S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. VERDADE MATERIAL. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações, de forma cabal e cristalina, de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 39 /2 00 6- 37 Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.054 2 todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1º DE ABRIL DE 2005. O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 1º de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR, EM SENTIDO ESTRITO. A limitação da competência tributária para a instituição de contribuições sociais prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal (inciso este incluído pela Emenda nº 33/2001) somente atinge as receitas decorrentes de exportações para o exterior, stricto sensu, não comportando a norma imunizante interpretação extensiva. VENDAS NO MERCADO INTERNO PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO A EXPORTAÇÕES PARA O EXTERIOR. EFEITOS FISCAIS DEPENDENTES DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA VIGENTE. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 não diz que se considera, para qualquer fim, que as vendas no mercado interno para a Zona Franca de Manaus equivalem a uma exportação para o estrangeiro, restringindo os efeitos fiscais desta equiparação aos “constantes da legislação em vigor”, o mesmo ocorrendo com o art. 40 do ADCT, que prorrogou, de forma genérica, o tratamento diferenciado dado àquela região, mas quando fala em “incentivos fiscais”, a mesma Constituição estabelece, em seu art. 150, § 6º, que, no caso da União, somente poderá ser concedido mediante lei específica, ainda mais com interpretação restritiva e sem efeito próativo, ou seja, não extensível a tributos instituídos posteriormente à sua concessão (arts. 111 e 177, II, do CTN). RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS DE MERCADORIAS A EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE NORMA ISENTIVA. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO A PARTIR DE 16/12/2004. Não se encontra, no ordenamento jurídico, norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.055 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: A) pelo voto de qualidade, quanto à imunidade das receitas oriundas de vendas à ZFM. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Rodolfo Tsuboi (conselheiro suplente) e Laercio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, lhe davam provimento; b) por unanimidade de votos, quanto às demais matérias tratadas no voto. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade declarouse impedido, tendo sido substituído pelo conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 3201000.711 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito com relação Contribuinte em epígrafe, a qual resultou em Lançamento, consubstanciado no "Auto de Infração" de fls. 194/196, da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS no que tange aos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006. O Auto de Infração em apreço decorre da constatação de "divergências entre o valores declarados e os valores escriturados" (fl. 195). Contra o Auto de Infração foi apresentada a impugnação de fls. 207/219, onde se alega, em síntese, no sentido: de que, especificamente quanto aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2003, o PIS efetivamente declarado e pago é superior ao considerado pela Autoridade Fiscalizadora, sendo Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.056 4 que a importância apurada pela Fiscalização em relação a fevereiro corresponde ao valor efetivamente declarado pela Contribuinte no que tange a janeiro; de que a Fiscalização deixou de levar em conta certas receitas (juros sobre o capital próprio, receita de comissão, receitas diversas e receitas de aluguel); de que valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge foram computados na base de cálculo da contribuição, contrariando os Decretos 5.164/2004 e 5.442/2005; de que, "embora as receitas financeiras se enquadrem no campo da incidência tributária do PIS, tiveram a sua aliquota reduzida a zero a partir de 2.8.2004, com base nos Decretos n° 5.164/2004 e 5.442/2005" (fl. 211); de que as receitas decorrentes das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM integraram indevidamente a base de cálculo da contribuição, pois tais receitas "são imunes ao PIS nos termos do artigo 149, § 20, inciso I, da CF/88" (fl. 213), por conta — em conformidade com o Decretolei 288/67 e ADCT, art. 40 — de sua equiparação à exportação; e de que, caso não seja acatado o entendimento acima, a aliquota relativa as receitas decorrentes de vendas para a ZFM foi reduzida a zero pelo Decreto 5.310/2004, vigorando "a partir da data de sua publicação (15.12.2004)" (fl. 217) e, "Com efeito, a partir de 16.12.2004, as receitas decorrentes da venda destinadas a ZFM passaram a ser tributas a aliquota zero" (fl. 217). Pelo Memorando 1/2009 desta 9º Turma de Julgamento, os autos do processo 19515.003138/200692 foram requisitados para a extração de cópias, que foram anexadas ao presente (fls. 396/419). Examinando o referido processo 19515.003138/200692, verificase dele constar o acórdão 20.311 veiculando o que segue (fls. 397/408): "Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito com relação à Contribuinte em epígrafe, a qual resultou em Lançamento, consubstanciado no "Auto de Infração" de fls. 193/195, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins no que tange aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006. O Auto de Infração em apreço decorre da constatação de "divergências entre os valores declarados e os valores ( escriturados" (f/. 194). Contra o Auto de Infração foi apresentada a impugnação de fls. 206/216, onde se alega, em síntese, no sentido: de que a Fiscalização deixou de levar em conta certas receitas Ouros sobre o capital próprio, receita de comissão, receitas diversas e receitas de aluguel); de que valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge foram computados na base de cálculo da contribuição, contrariando os Decretos 5.164/2004 e 5.442/2005; de que, "embora as receitas Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.057 5 financeiras se enquadrem no campo da incidência tributária da COFINS, tiveram sua alíquota reduzida a zero a partir de 2.8.2004, com base nos Decretos n° 5.164/2004 e 5.442/2005" (fi. 209); de que as receitas decorrentes das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM integraram indevidamente a base de cálculo da contribuição, pois tais receitas "são imunes A exação, nos termos dos artigos 149, § 2°, inciso I, da CF/88 e 6°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003" (fl. 216), por conta, em conformidade com o Decretolei 288/67 e ADCT, art. 40, de sua equiparação a exportação; e de que, caso não seja acatado o entendimento acima, a alíquota relativa as receitas decorrentes de vendas para a ZFM foi reduzida a zero pelo Decreto 5.310/2004, vigorando "a partir da data de sua publicação (15.12.2004)" (11. 215) e, "Com efeito, a partir de 16.12.2004, as receitas decorrentes da venda destinadas A ZFM passaram a ser tributas A alíquota zero"(fl. 215); Após exames preliminares nesta DRJ, os autos foram enviados a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE FISCALIZAÇÃO/SÃO PAULO (DEFIC), conforme proposta de fls. 420/424, objetivando o agravamento da exigência, se fosse o caso, e/ou um novo levantamento das bases de cálculo. Pelo Relatório Fiscal de fl. 427 entendeu a Autoridade Lançadora que "dentre os levantamentos citados, o que cabe esclarecer, e aquele que dentro do grupo contábil 431, Outras Receitas Operacionais, são efetuados lançamentos referentes a estorno das provisões contabilizadas em momento anterior, acarretando no resultado presente um estorno de despesas. Tais contas não são computadas na base de calculo do PIS e COFINS, por não representarem ingresso de receitas para a empresa, e tem como base o disposto no II do parágrafo 2°, artigo 3° da Lei 9.718/98 e do artigo 1°, parágrafo 3°, inciso V, alínea b da Lei 10.637/02. E também a conta equivalência patrimonial não entra na base de cálculo do PIS/COFINS (..). Portanto são esses valores que foram reduzidos do item Outras Receitas Auferidas (..)" (fl. 427). Concluiu a Autoridade Lançadora pela reafirmação do que consta "no Termo de Verificação Fiscal (fls 191 a 192)" (jl. 427). Pela manifestação de fls. 430/431, a Contribuinte se pôs em • "concordância com o relatório fiscal" (fl. 431). 0 presente processo novamente foi baixado em diligência,notandose na ocasião que "descartou a Fiscalização a possibilidade de agravamento da exigência" N. 438), mas que permanecia "a questão relativa ao novo levantamento do crédito tributário por conta da aplicação dos Decretos 5.164/2004, 5.442/2005, 5.310/2004 e/ou demais diplomas pertinentes em relação aos valores de variação cambial ativa, correção monetária pós fixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge, bem como em relação As receitas decorrentes das vendas efetuadas para a ZFM" al. 438). Pelo relatório de fls. 446/447, a Fiscalização recalculou as bases de cálculo da contribuição, conforme planilha de fls. 448, Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.058 6 "com as exclusões das receitas financeiras discriminadas As fls. 74 a 76 e das vendas A zona franca de Manaus discriminadas As fls. 280 e 324, das bases de cálculo do Auto de Infração, a partir das datas de vigência dos Decretos" N. 446), referindose aos Decretos 5.164/2004 e 5.310/2004. Registrou ainda a Fiscalização: "Quanto As operações de hedge, cuja aliquota relacionada com o COFINS foi reduzida a zero por força do Decreto n.° 5442, de 09/05/2005, não se aplica no presente caso, pois somente houve tal situação no mês de março de 2005 (fls. 280), antes da vigência do Decreto" (/1. 446). A mencionada planilha de fls. 448 apresenta novas bases de cálculo relativas aos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2004, assim como ao mês de janeiro de 2005, com a seguinte observação: "Ficam reduzidas a zero, como o mês de nov/04, as bases de cálculo de fey/OS a out/06, pois as bases de cálculo apuradas no AI (fls. 187 a 189) são menores que a soma das Receitas Financeiras (fls. 74 a 76) com as Vendas para a Zona Franca de Manaus (fls. 280 e 324)". Pela manifestação de fls. 450/454, a Contribuinte se pay em concordância parcial com a Fiscalização, entendendo: que também as receitas relativas a vendas para a ZFM, auferidas em períodos de apuração anteriores a janeiro de 2005 não sofrem a tributação imposta porque "as referidas receitas se equiparam a receitas de exportação e, assim, são imunes A incidência da COFINS " (fis. 451); e que em relação ao período de janeiro de 2005 há indevida incidência sobre receitas relativas "a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004" (11. 452), bem como indevida desconsideração de créditos do sujeito passivo "oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004" (fl. 452)." A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 TRANSPOSIÇÃO DOS VALORES. Havendo equivoco da Fiscalização em transposição de valores declarados pela Contribuinte, cabível a exoneração do crédito tributário decorrente do engano. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto 5.164/2004 reduziu a zero as aliquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.059 7 HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1o DE ABRIL DE 2005. 0 Decreto 5.442/2005 reduziu a zero as aliquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de 1' de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. ZONA FRANCA DE MANAUS ZFM. Estabeleceu o Decreto 5.310, de 15 de dezembro de 2004, que as aliquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre a receita bruta auferida com a venda de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora dela, são de zero por cento, não havendo que se falar,no caso, em suposta imunidade. CONTESTAÇÃO As LEIS/NORMAS JURÍDICAS. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar suposta inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma inserida no ordenamento jurídico nacional, traduzindose tal ausência de competência na impossibilidade de o Julgador administrativo afastar a aplicação de norma supostamente inconstitucional e/ou ilegal. Lançamento Procedente em Parte Na decisão recorrida, em síntese, exonerouse parte dos valores, pela constatação de equívoco da Fiscalização na transposição dos valores declarados pela ora Recorrente e, considerando "que as importâncias efetivamente declaradas de R$ 592.514,38 (fl. 79), no que tange a Janeiro/2003, e R$ 634.519,97 (fl. 79), no que tange a fevereiro/2003, são superiores àquelas consideradas pela Autoridade Fiscal — respectivamente R$ 577.169,49 (fl. 187) e R$ 616.994,97 (fl. 187) —, o crédito tributário lançado de tais meses deve ser exonerado". Observandose que a mesma situação deuse em relação ao lançamento de Cofins, para os mesmo fatos geradores, lançados no processo 19515.003138/200692. Quanto à alegação de que valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge foram computados na base de cálculo da contribuição, contrariando os Decretos 5.164/2004 e 5.442/2005, o Decreto 5.164/2004 reduziu a zero as aliquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.060 8 produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, as receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Por outro lado, em maio de 2005, o Decreto 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de lo de abril de 2005, não se aplicando, aos juros sobre o capital próprio. Assim, foram recalculados os valores, exonerandose parte do crédito tributário. Sobre a Zona Franca de Manaus, embora a Recorrente defendesse a imunidade das operações, a decisão recorrida afirmou que Decreto 5.310, de 15 de dezembro de 2004, cuida de alíquota zero aplicável em vendas à ZFM, reconhecendo, assim, a nãoimunidade. Assim, com base na argumentação e recálculo dos valores, foi exonerado grande parte do crédito tributário exigido. Em sede de recurso voluntário, quanto à parte remanescente da autuação, reiterou os argumentos de imunidade para produtos voltados para ZFM, além de que afirma que para os períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2004, houve redução a zero da aliquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta auferida com a venda de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, por meio do artigo 20 da Medida Provisória (MP) no 202, publicada em 26.7.2004. No tocante ao débito de PIS referente ao período de apuração de janeiro de 2005, embora o acórdão recorrido, adotando os fundamentos do Acórdão proferido no processo administrativo n. 19515.003138/200692, entendeu que os fundamentos relacionados indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, bem como à não consideração, no cálculo da COFINS, de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004, supostamente não poderiam ser apreciados, pois não teriam sido oportunamente abordados pela Recorrente, afirmou que foram detalhadamente rechaçados em sua impugnação, inclusive com elaboração de planilhas. Finalmente, quanto à taxa SELIC, a Recorrente afirmou que a mesma não pode ser aplicada no cálculo de créditos tributários, sob pena de violação aos artigos 50, inciso II e 150, inciso I, da CF/88, uma vez que não teria sido criada por lei para fins tributários; e não possui caráter moratório, na medida em que é calculada e divulgada unilateralmente pelo BACEN, com base na variação do custo do dinheiro e na flutuação desse custo no mercado financeiro, o que lhe confere nítida natureza remuneratória do capital alheio. Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.061 9 É o relatório Submetido a julgamento por este mesmo Colegiado, na sessão de 25/08/2016, Resolução nº 3201000.711, de relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, decidiram seus Conselheiros, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ponderou a Relatora que um dos itens remanescentes da exigência inicial e que foi impugnado pela Recorrente, diz respeito ao período de apuração de janeiro de 2005, sobre a indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, bem como à não consideração, no cálculo da contribuição, de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004, que não foram apreciados, por preclusão. Todavia, explicitouse que a contribuinte em sua impugnação apresentou planilhas (fls. 294, 319, 327 e 336) e cópias de seus Livros Razão (fls. 320/326 e 328/335) como "doc. no 6" da Impugnação. Foram demonstradas, assim, quais receitas não podem ser incluídas na base de cálculo do PIS pelas autoridades administrativas, bem como foram indicados os valores dos créditos a titulo de devoluções que devem ser computados na apuração da referida contribuição. Compulsado os autos, verificouse que procede as alegações da contribuinte em relação à juntada de planilhas bem como da alegação efetuada, em face da determinação da diligência pela DRJ. Dessa forma, por entender não restar preclusa as alegações acerca da matéria em referência, o voto foi encaminhado para a conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos (fls. 1.148): Em face do exposto, por não se entender preclusa a alegação da matéria em referência, pela observância do Princípio da Verdade Material e porque não foi apreciada anteriormente a questão, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise a inexigibilidade do PIS para o período de apuração de janeiro de 2005, relativo a indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, bem como a não consideração, no cálculo da contribuição, de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004. Após a conclusão do relatório, devem ser dada ciência para que a Recorrente manifestese no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, ara que retornem à turma, para prosseguimento do julgamento. Retornou da diligência, tendo a unidade origem elaborada a Informação Fiscal (fls. 1.932/1.981), na qual narra o procedimento e suas conclusões, a seguir sintetizadas. 1 Com o objetivo de coletar as informações foram expedidos termos de intimação para a apresentação de documentos e esclarecimentos, notadamente : Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.062 10 1.1 a escrituração em meio magnético no formato especificado em atos da Receita Federal que demonstrassem contabilmente, de forma inequívoca, a existência de diferença da base de cálculo nos períodos de apuração; 1.2 arquivos de lançamentos contábeis, de saldos mensais, tabela de Plano de contas, tabelas de centro de custo/despesa, de natureza da operação e de mercadorias/serviços; 1.3 esclarecimentos, justificativas, bem como relatórios de controle interno e demais documentos necessários à comprovação hábil dos valores de devolução e de mercadorias nas transportadoras; 1.4 memória de cálculo e esclarecimentos relativamente aos cálculos da apuração do PIS, referente aos períodos de DEZ/04 e JAN/05, que deixassem devidamente comprovados a matéria neste processo discutida; 1.5 PLANILHA EXCEL contendo a relação das Notas Fiscais (separadamente para cada mês e por estabelecimento) que discriminem as citadas “DEVOLUÇÕES” e " "MERCADORIAS NAS TRANSPORTADORAS" nos períodos sob exame; 1.6 Mídia digital do tipo PEN DRIVE, contendo os documentos solicitados, devidamente digitalizados, com respectivo Hash Code, onde constassem todos os arquivos tipo Adobe Acrobat document Adobe Reader (PDF) solicitados; 2. A contribuinte cumpriu parcialmente ao solicitado nos termos de intimação, tendo a autoridade fiscal consignado as inconsistências e omissões, como descrito: 2.1 Os arquivos digitais não puderam ser abertos pelos sistemas da RFB, por não atenderem às especificações e formatos prescritos nos atos normativos; 2.2 No tocante aos documentos, esclarecimentos, justificativas e relatórios e demais documentos que comprovassem cabalmente os valores relativos às "devoluções" e "mercadorias nas transportadoras", a contribuinte limitouse a reproduzir texto apresentado nos autos (recurso voluntário); 2.3 A contribuinte não apresentou as planilhas excel contendo a relação das notas fiscais que discriminassem as "devoluções" e "mercadorias nas transportadoras" no período sob diligência, com o argumento de que "tendo em vista o remoto período abarcado, não foi possível entrar no detalhe sugerido" (grifei) 3. A conclusão da fiscalização foi no sentido de que a recorrente não apresentou os documentos mínimos necessários que permitissem a análise contábil dos valores de mercadorias na transportadoras e de devoluções de vendas, do período. Em verdade, limitouse a reproduzir o que já havia suscitado em sede de recurso voluntário. 4. Ressalta ainda a autoridade fiscal que a ausência da contabilidade completa impediu a análise de informações lançadas em livros auxiliares ou mesmo em anotações manuscritas nas cópias de livros e informativos (planilha) apresentados. 5. Finaliza a informação fiscal com as conclusões, das quais ressaltase o transcrito a seguir: Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.063 11 Conforme detalhadamente exposto, fica relatado e demonstrado que os documentos juntados pelo contribuinte, em atendimento ao exame realizado por esta fiscalização (sendo parte delas cópias dos documentos anteriormente juntados ao presente processo administrativo, no Recurso Voluntário) limitamse a justificar a origem dos valores discutidos mas nada comprovam. Importante salientar que em caso de litígio fiscal somente “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por DOCUMENTOS HÁBEIS , segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais”. [...] Assim, concluímos que resultou infrutífera esta diligência, posto que nenhuma comprovação hábil foi apresentada pelo contribuinte, que possibilitasse o atendimento do despacho de fls. 1.148. Cientificada da informação fiscal (fl 1.938) a recorrente aduz que a autoridade fiscal encarregada da diligência não analisou a documentação apresentada e limitou se a demonstrar seu descontentamento com a realização da diligência. Alega que a autoridade fiscal exigiu documentos e informações "impossíveis de serem prestados" em razão de ter ultrapassado mais de 15 anos do fato gerador. Na sequência reapresenta quadros demonstrativos dos valores relativos às devoluções de vendas e de mercadorias remetidas às transportadoras para afirmar que se tratam de elementos suficientes para o cancelamento da exigência fiscal. Conclui que fora comprovada a improcedência dos débitos de PIS objeto de lançamento fiscal, requer seu cancelamento e que seja dado provimento integral ao seu recurso voluntário. O processo foi encaminhado ao CARF e redistribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Restam em litígios as seguintes matérias/argumentos suscitados no recurso voluntário (889/992): 1. Débitos de PIS dos períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2004: imunidade das receitas decorrentes de vendas à Zona Franca de Manaus, por se equipararem a receitas decorrentes de exportação; Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.064 12 2. Débito de PIS do período de apuração de janeiro de 2005: impossibilidade de incidência do PIS sobre receitas tributadas em dezembro de 2004, e a necessidade de serem considerados créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004; 3. A indevida exigência de juros à Taxa SELIC; 4. Pedido de diligência e/ou perícia e apresentação de novos documentos. A. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Apuração do PIS em janeiro de 2005 receita tributada em dez/04 e crédito sobre devolução de venda realizada em dez/04 Passo a enfrentar primeiramente a matéria que fora objeto de diligência a exigibilidade de PIS referente às receitas de janeiro/2005. A fiscalização lançou valores de PIS em janeiro/2005 referentes a receitas de vendas que entendeu não incluídas na base de cálculo das Contribuições. Na impugnação a recorrente apontou em planilhas duas rubricas cujos valores alega indevidamente tributadas, que foram contabilizados no Livro Razão Auxiliar: (i) mercadorias vendidas em dezembro/2004, e tributada neste mesmo período (apurada em 12/2004), e remetidas às transportadoras em janeiro/2005, para entrega a seus cliente; e (ii) em razão da não consideração, no cálculo do PIS não cumulativo devido, dos créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/ 2004, contabilizadas em janeiro/2005. A DRJ não enfrentou a matéria litigiosa sob o fundamento da preclusão, pois não fora expressamente impugnada em sua peça de defesa. Afastada a preclusão, o primeiro julgamento nesta Turma foi convertido em resolução para que a unidade de origem analisasse a inexigibilidade do PIS para o período de 2005, relativamente aos dois tópicos/rubricas suscitados pela contribuinte. De fato, os valores das receitas e devoluções em discussão foram informados em planilhas e Razão Auxiliar, ainda em sede de impugnação. Todavia, revestese o litígio em infirmar a acusação fiscal de que valores de receitas não foram oferecidos à tributação do PIS, no período de apuração 01/2005, assim como os créditos com devoluções relativas a dezembro/2004 e tomados em janeiro/2005 não foram considerados na apuração. As alegações que somente vieram após a impugnação e as indicações em planilhas e Razão Auxiliar foram produzidas pela contribuinte e as provas desses fatos são de sua exclusiva propriedade, do que decorre que lhe incumbia a apresentação das notas fiscais e demais documentos que corroborassem essas informações prestadas. Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.065 13 A simples informação, em planilhas, livros auxiliares da contabilidade não satisfaz a verdade material. Deveria a contribuinte comprovar suas alegações de forma cabal com a exata e inconteste correlação dos valores informados (planilha, Razão Auxiliar) com as notas fiscais. Pois bem; vêse na Informação Fiscal da diligência que foram especificamente solicitados documentos em formato exigido pela RFB, e simultaneamente em arquivo do tipo "pdf", mas também oportunizou à contribuinte a apresentação de documentos e informações que se julgasse suficiente à comprovação de forma hábil e idônea das "devoluções" e "mercadorias nas transportadoras" nos períodos em discussão (dez/2004 e jan/2005). Verificase que elementos essenciais, tais como notas fiscais e registros contábeis, permaneceram, e ainda permanecem, ausentes na comprovação dos valores de devoluções e de mercadorias remetidas às transportadoras que seriam deduzidas (na forma de crédito) ou excluídas da base de cálculo das Contribuições, ainda que admitida a simples relação em arquivo em "pdf". Portanto, não há respaldo à arguição de que foram solicitados documentos em formatos de arquivos com base em atos normativos que a contribuinte não se obriga a atender. Arquivos em "pdf" são facilmente obtidos e manuseáveis. Asseverou a fiscalização que os únicos arquivos novos apresentados contém informações do Plano de Contas e memória de cálculo. Estes, isoladamente, ou seja, sem as respectivas notas fiscais que lhes dão suporte, não tem o condão de comprovar as alegações e informações de que os valores referentes às mercadorias nas transportadoras foram tributadas em dezembro/2004 e que os valores relativos a parte das devoluções de dezembro/2004 somente foram contabilizados em janeiro/2005. Essa providência é simples e seu cumprimento é singelo; todavia, a contribuinte não o fez. Bastaria comprovar que o somatório dos valores de determinadas notas fiscais de venda, realizadas em dezembro de 2004, cujas mercadorias foram transferidas às transportadoras, foram tributados como receita naquele período (dez/2004) e que corresponderiam exatamente às receitas que a fiscalização lançou em janeiro de 2005. A indicação de valores em planilhas e no Razão auxiliar, e mesmo em Dacon (ainda que não suscitado nesses autos), sem o suporte probatório da exibição das cópias das notas fiscais ou mesmo sua consolidação com todos os dados necessários em planilha ou arquivo, tal como oportunizado sua realização pela fiscalização não possui o conteúdo probatório hábil a afastar o lançamento fiscal. Mesmo raciocínio quanto às devoluções de vendas que alega ter utilizado créditos de parcelas em dezembro/2004, em janeiro/2005 e ainda restar saldo que afirma ter optado por ainda não utilizálos. Nada foi comprovado documentalmente; apenas informações consignadas. Ademais, se a recorrente insiste na irresignação quanto à matéria desde o julgamento de 1ª instância, não poderia justificar a desobrigação de apresentar os documentos comprobatórios com o argumento de que houvera ultrapassado o prazo legal para sua guarda. Justamente na oportunidade em que este Órgão Julgador afasta a preclusão e reconhece o direito da contribuinte de ver analisada sua pretensão, faltaram as provas das alegações e informações prestadas. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.066 14 Diante da inexistência de tal comprovação não há como afastar o lançamento e a glosa fiscal. Imunidade das receitas decorrentes de vendas A Zona Franca de Manaus receitas de exportação por equiparação Suscita a contribuinte que com relação aos períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2004, as receitas decorrentes de venda para a Zona Franca de Manaus não podem ser incluídas na base de cálculo do PIS. Entende que tais receitas equiparamse àquelas de exportação, nos termos do DL nº 288/67, razão pela qual são imunes à exação, nos termos dos artigos 149, § 2°, inciso I, da CF/88 e 50, inciso I, da Lei n° 10.637/2002, e consoante já decidido pelos Tribunais Superiores e pelo antigo Conselho de Contribuintes. Alega, ainda, ter demonstrado que, a partir de 26/07/2004, a alíquota do PIS e da COFINS foi reduzida à zero em relação às receitas decorrentes de venda destinadas à Zona Franca de Manaus, nos termos da MP nº 202/2004 (posteriormente convertida na Lei nº 10.996/2004), de aparente inconstitucionalidade e ilegalidade. A imunidade das receitas de vendas efetuada a adquirente na Zona Franca de Manaus e a pretensa equiparação à receita de exportação foi decidida pela Câmara Superior no julgamento de recurso especial do mesmo contribuinte envolvendo a Cofins, no processo nº 19515.003138/200692, de relatoria de seu Presidente, Rodrigo da Costa Pôssas, no acórdão nº 9303005.787, de 20/09/2017. Naquele julgamento assentouse o entendimento de que a (i) limitação constitucional para instituição de contribuições sociais somente atinge as receitas decorrentes de exportação para o exterior, não abarcando as saídas para ZFM; (ii) o art. 4º do DL nº 288/97 não permite concluir que se considera as vendas no mercado interno para a ZFM equivalem a uma exportação para o estrangeiro e; (iii) inexiste norma que isente as vendas de mercadorias a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manuas de forma indiscriminada, tendo somente havido a redução a zero da alíquota a partir de 16/12/2004, com a vigência do art. 2º da Lei nº 10.996/2004, regulamentada pelo Decreto nº 5.310/2004. Por concordar com os fundamentos do voto condutor do acórdão adotoo como minhas razões de decidir, reproduzindo seus excertos: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Para mim, é decisiva a mera transcrição do art. 4º do DecretoLei nº 288/67: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Vejamos agora o dispositivo que estabeleceu a imunidade em discussão das contribuições sociais nas exportações (e, vejase Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.067 15 bem, atingindo somente as receitas de exportação para o exterior stricto sensu, e resultante de uma Emenda de 2011, ou seja, treze anos depois da promulgação da Constituição): Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Assim, quando foi editado o DecretoLei nº 288/67 e, mesmo quando foram prorrogados os benefícios dados à ZFM pelo ADCT, nem se cogitava em imunidade para as contribuições sociais. Aliás, vejamos também o que diz o art. 40 do ADCT: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Mas esta questão temporal, obviamente em nada influenciaria se os citados dispositivos relativos à ZFM falassem em imunidade. Ocorre, no entanto, que imunidade é limitação da competência tributária, por definição, constitucional. Incentivo fiscal, como a isenção, é dado por lei, ainda mais específica (art. 150, § 6º, da Constituição Federal), com interpretação da mais restritiva (art. 111, II, do CTN), e não extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão (art. 177, II, também do CTN). Afastada a alegação de imunidade, passemos à análise do que historicamente diz a legislação a respeito da vendas no mercado interno para a ZFM (o que inclui também os Decretos, a teor do art. 96 do CTN e que, salvo em algumas exceções – nos quais o presente caso não se enquadra – devem ser observados pelos Conselheiros do CARF, conforme preceitua nosso Regimento). Ao contrário do que pretende levar a crer a recorrente, houve muitas exclusões expressas das vendas à Zona Franca de Manaus nos casos de isenções para exportações para o exterior que atingissem as contribuições, e isto tem como principal razão de ser que estas exações (antes nem consideradas tributos) terem a finalidade precípua de financiar a seguridade social, o que, como enfatizado na Constituição, deve ser feito por toda a sociedade. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.068 16 No caso do IPI, por exemplo, sempre houve a isenção, inclusive regulada por Decreto (mas, com restrições a diversos produtos, o que seria inconcebível em uma imunidade “generalizada”, sendo ainda mais incoerente buscar um tratamento “homogêneo” para todo e qualquer tributo – e isto está, repito, claríssimo no art 4º do DecretoLei nº 288/67, quando fala em “efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor”). Então, o que importa, é a legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores. Há que se reconhecer que as várias mudanças havidas – especialmente por Medidas Provisórias, inclusive atingidas por decisões do STF (ainda que de forma temporária) – trazem alguma dificuldade para o intérprete, mas a PGFN, em suas Contrarrazões, fez um análise mais que detalhada, concluindo “pela inexistência de norma geral de isenção de PIS e Cofins acobertando, de forma indiscriminada, as vendas de mercadorias a empresas situadas na Zona Franca de Manaus”. O que efetivamente deve ser tomado como base é o art. 2º da Lei nº 10.996/2004: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) Não faria qualquer sentido esta redução a zero da alíquota ser inserida no ordenamento jurídico se já houvesse a isenção, ou, mais injustificadamente ainda, a imunidade (isto sem falar que este dispositivo sofreu restrições pelo art. 21 da Lei nº 13.137/2015, que excluiu vários produtos do benefício, remetendo aos listados no art. 14 da Lei nº 13.097/2015). E esta lei, conforme reza seu art. 6º, entrou em vigor na data de sua publicação, que se deu 16/12/2004, mesma data em que passou a ter eficácia o seu Decreto regulamentador (nº 5.310/2004), devidamente aplicado pela Fiscalização em recálculo feito em procedimento de Diligência, procedimento acatado pela Instância de Piso e no Acórdão Recorrido. Ex positis, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte Ademais a alegação de " aparente inconstitucionalidade e ilegalidade" deve ser rechaçada com a Súmula CARF nº 02, segundo a qual o: " CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.069 17 Exigência de juros à Taxa SELIC Alega a recorrente que a aplicação da taxa Selic ao crédito tributário viola os arts. 5º, II e 150, I da CF/88 pois não foi criada para fins tributários e não possui caráter moratório. Sem razão a recorrente. Os juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, são devidos e calculados sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, por expressa previsão legal do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O crédito tributário não pago no respectivo vencimento fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, conforme a Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pedido de diligência e/ou perícia e apresentação de novos documentos A contribuinte roga por realização de diligência, perícia e apresentação de novos documentos. A perícia pressupõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo, e somente se faz necessária quando o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto. O Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235/72 em seu art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748/1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da recorrente. Assim, desnecessária providências de diligência e perícia pois os fundamentos antecedentes são suficientes para decidir a controvérsia. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. A apresentação de documentos probatórios tem seu momento adequado, segundo prescreve o Processo Administrativo Fiscal: Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.070 18 Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Destarte, omitindose a contribuinte em apresentar suas provas em momento adequado, ou comprovar situação ou fato impeditivo de fazêla tempestivamente, precluso estará seu direito B. RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida exonerou valores de PIS do período de apuração janeiro e fevereiro de 2003, agosto a novembro de 2004, e janeiro a fevereiro de 2006; portanto, três períodos, mas com apenas dois fundamentos diferentes. No primeiro período exonerado, janeiro a fevereiro de 2003, o motivo foi o pagamento efetivamente maior que o lançado, em decorrência de equívoco da autoridade fiscal na transposição de valores declarados pela contribuinte, exposto nos seguintes termos: Havendo a Unidade Preparadora do processo dado os autos para prosseguimento, calha observar de inicio neste voto, quanto A alegação de que em relação aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2003 o PIS efetivamente declarado e pago é superior ao considerado pela Autoridade Fiscalizadora, que: a) o PIS de janeiro de 2003 que teria sido declarado pela Contribuinte segundo o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, no montante de R$ 532.247,40 (fl. 187), corresponde a Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF declarado pela Contribuinte em DCTF (fl. 79); Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.071 19 b) o PIS de fevereiro de 2003 que teria sido declarado pela Contribuinte segundo o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, no montante de R$ 592.514,38 (fl. 187), corresponde ao PIS de janeiro de 2003 declarado pela Contribuinte em DCTF (fl. 79). Tais fatos indicam equivoco da Fiscalização na transposição dos valores declarados pela Contribuinte e, considerando que as importâncias efetivamente declaradas de R$ 592.514,38 (fl. 79), no que tange a Janeiro/2003, e R$ 634.519,97 (fl. 79), no que tange a fevereiro/2003, são superiores àquelas consideradas pela Autoridade Fiscal respectivamente R$ 577.169,49 (fl. 187) e R$ 616.994,97 (fl. 187) , o crédito tributário lançado de tais meses deve ser exonerado. Portanto, em se tratando de mero equívoco material é de se reconhecer o acerto da decisão a quo em exonerar o lançamento no período em referência. Quanto aos outros dois períodos (ago a nov/2004 e jan/05 a fev/06) a decisão dos julgadores de 1ª instância teve como fundamento a aplicação da legislação que tratou em dois momentos distintos da isenção das Contribuições sobre determinadas receitas financeiras. Com base em relatório fiscal em atendimento à diligência solicitada pela DRJ, a autoridade fiscal reconheceu a aplicação das regras introduzidas nos Decretos nºs. 5.310/2004 e 5.442/2005 que implicou a exclusão parcial das Contribuições, conforme seu despacho às efls. 504 do processo 19515.003138/200692, de exigência de Cofins sobre os mesmos fatos e períodos deste processo, de PIS, com a imagem a seguir: Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 19515.003139/200637 Acórdão n.º 3201004.249 S3C2T1 Fl. 2.072 20 Dessa forma, com esteio no Despacho reproduzido e no recálculo das bases de cálculo das Contribuições, consoante nos referidos Decretos, a DRJ acertadamente exonerou parcialmente o crédito tributário lançado. Assim, é de se negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Por tudo ante exposto, voto para negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 2072DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.910327/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 29/02/2008
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/2008
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 29/02/2008 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/02/2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2008 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/02/2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 03 27 /2 01 2- 11 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte afirmou que o direito creditório decorria do alargamento da base de cálculo da Contribuição (PIS/Cofins) introduzido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o então Manifestante, no recolhimento da contribuição devida no período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento, relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.150, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação do direito creditório compensado, cujo ônus recai sobre o interessado, a quem cabe a demonstração da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em breve síntese, o que segue: a) a discussão sobre a existência de direito de créditos da contribuição incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada; b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972; c) foi apresentado documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.417, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10580.900074/201341, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.417): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 5 4 posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 6 5 Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manifestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 7 6 identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.910327/201211 Acórdão n.º 3301005.427 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979463/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.626
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 79 46 3/ 20 09 -3 8 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de IRPJ do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de IRPJ; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de IRPJ, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de IRPJ'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de IRPJ"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de IRPJ da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.979463/200938 Resolução nº 1201000.626 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000834/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001
COMPETÊNCIA. PROCESSOS CONEXOS.
No caso de litígios referentes à cobrança do PIS e da Cofins decorrentes de procedimentos conexos a fatos cujas apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e da CSLL, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Relator
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COFINS. MULTA Recorrente TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 COMPETÊNCIA. PROCESSOS CONEXOS. No caso de litígios referentes à cobrança do PIS e da Cofins decorrentes de procedimentos conexos a fatos cujas apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e da CSLL, deve ser declinada a competência para julgamento à Primeira Seção do CARF. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 34 /2 00 6- 38 Fl. 797DF CARF MF 2 Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos nos anoscalendário de 1999 a 2001, nos valores respectivos de R$ 1.713.112,92 e R$ 7.914.971,03, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de lide administrativa instaurada com a impugnação de TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A. (fls. 113127 e 167181) aos autos de infração lavrados pela DRF/RIO em relação ao PIS (fls. 4548) e à Cofins (fls. 101104). Além da impugnação e dos autos de infração, o processo está instruído com extrato de DCTF de PIS e Cofins (fls. 0306, 34 38, 9094 e 5862), cópia reprográfica de parte do p.a. 15374.002232/200544, assinalando que no p.a. 10070.001529/200241 as declarações de compensação não constituem confissão de dívida (fls. 1117, 6773 e 7780), cópia reprográfica de parte do p.a. 10070.001529/200241, no qual se indefere pedidos de compensação oriundos de supostos saldos negativos de IRPJ (fls. 2125 e 2931), cópias de DARFs (fls. 313361), DIRF (f1s.402418), cópia de recurso junto ao CARF contra acórdão da DRJ que mantém parcialmente créditos tributários referentes a IRPJ e CSLL (fls. 489518), cópia de embargos à execução fiscal oriunda do p.a. n° 13899.000725/200414 (fls. 519536). Instrui, ainda, o presente processo informação anexada pelo contribuinte dando conta de que o STF aprovou súmula vinculante declarando a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 (fls. 547548). Segundo informam os termos de constatação fiscal (fls. 4042 e 9698), em 31/05/2002, nos autos do processo administrativo 10070.001529/200241, o contribuinte solicitou compensação de crédito relativo aos saldos credores de IRPJ apurados ao final dos anos calendário de 2000 e 2001. O reconhecimento do direito creditório referese ao IRRFJuros sobre Capital Próprio, cód. 5706, no valor total de R$ 83.234.049,44, recolhido pelas Fontes Pagadoras nos anos calendário de 2000 e 2001. Objetivava o contribuinte a compensação com débitos seus de COFINS, cód. 2172, e PIS, cód. 8109, relativos aos períodos de apuração de 07/1999 a 04/2002. Foi verificado, ainda, que parte dos débitos arrolados para compensação não foram objeto de confissão de dívida nas respectivas DCTFs. A partir de outros procedimentos de fiscalização realizados no contribuinte, autos de infração foram lavrados, entre os quais foi gerado o processo administrativo 18471.000999/200529, restando IRPJ a pagar nos anos calendário de 2000 e 2001, e não saldo negativo a compensar. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.385 3 Em decisão proferida naqueles autos, com fundamento no parecer conclusivo DIORT/DERAT/RJ 227/2005, não foi reconhecida a característica de liquidez e certeza aos créditos alegados pelo contribuinte e não foram homologadas as compensações constantes das Declarações de Compensação. Segundo o termo de constatação fiscal (fls. 9698), o contribuinte deixou de declarar em DCTF e de recolher as contribuições para o PIS e COFINS conforme demonstrado a seguir: (omissis) Em razão da ausência de declaração de tais valores em DCTF ou de seu pagamento, foi lavrado o auto de infração das contribuições para a Cofins e para o PIS, com a imposição de multa de oficio e juros de mora. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte alega, em sua impugnação, em síntese (fls. 113127 e 167181): De acordo com o "Termo de Verificação Anexo ao Auto de Infração de COFINS", a impugnante teria deixado de recolher a COFINS nos meses supra indicados, em razão da compensação realizada com parcelas do IRPJ, sendo que tal procedimento (compensação) encontrase em discussão no Processo n° 10070.001529/200241. Prossegue o Auto afirmando que a compensação foi julgada improcedente em primeiro grau, por considerar a Administração que, ao invés de possuir créditos de IRPJ passíveis de compensação (utilizados na absorção dos débitos de COFINS), a impugnante seria devedora do imposto em questão, em razão do lançamento de oficio de valores, que deu origem ao Processo Administrativo n° 18471.000999/200529. Em razão da improcedência, em primeiro grau, do pleito de compensação e considerando, ainda, que a COFINS atinente aos meses inicialmente indicados não foram autodeclarados em DCTF, foi lavrado o presente Auto de Infração. A exigência, contudo, não tem mínimas condições de prevalecer, seja em razão de a quase totalidade estar atingida pela decadência, seja em razão da precocidade e ilegitimidade da obrigação, sobretudo no que respeita à imposição de multa punitiva. A COFINS é tributo sujeito ao lançamento por homologação ou autolançamento, no qual o contribuinte antecipa se à ação do fisco, apura o tributo e recolhe diretamente aos cofres públicos, se o caso. Nessa modalidade de lançamento, a constituição do crédito dá se por duas formas. A primeira, e mais comum, ocorre quando o próprio contribuinte declara os montantes apurados, mediante Fl. 799DF CARF MF 4 apontamento dos valores em documento oficial instituído pela legislação. Em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, tal documento é a DCTF, conforme consta do art. 5° do DL n° 2.124/84 . Assim, verificada essa declaração, não há necessidade de processo administrativo para apuração do crédito, conforme iterativa jurisprudência. Não havendo a declaração, tem o fisco o dever de, no prazo improrrogável de proceder ao lançamento, mediante a lavratura de Auto de Infração, sob pena de caducar em definitivo o seu direito, extinguindose a obrigação tributária com fundamento no art. 156, V do CTN. Esta é a hipótese de que cuida o Auto de Infração, na medida em que, à exceção do mês de competência de 12/01, os demais já estão atingidos pela decadência, valendo observar que, no caso em exame, é irrelevante se a contagem do prazo obedecerá ao disposto no art. 150, §4° do CTN (a partir do fato gerador) ou ao art. 173, I (primeiro dia do exercício seguinte do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado), já que, por ambos os critérios, os demais fatos geradores estão atingidos pela decadência. Por certo alegará a autoridade administrativa que a decadência não se operou, tendo em vista que o lançamento foi efetuado após a decisão administrativa que indeferiu o pleito de compensação no âmbito do Processo n° 10070.001529/200241. Tal argumento, todavia, não se sustenta, na medida em que a decadência tributária somente pode ser regulada por lei complementar e, além disso, não se sujeita a qualquer interrupção ou suspensão. Com efeito, a legislação atinente à compensação sofreu sucessivas modificações nos últimos anos, culminando na atual sistemática prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/96 e regulamentada pela Instrução Normativa n° 600/2005. A época em que formulado o pleito de compensação pela impugnante (31/05/02), que deu origem ao Processo n° 10070.001529/200241, a compensação estava regulamentada pela IN n° 21/97 (alterada em parte pela IN n° 73/97), posteriormente. O sistema vigente naquele período autorizava a compensação de tributos, competindo ao contribuinte formular o competente pedido à autoridade administrativa, tendo sido tais procedimentos observados pela impugnante (em anexo, cópia da íntegra do PA n° 10070.001529/200241, atinente à compensação doc.03). Nada naquela legislação dispensava ou desincumbia a autoridade administrativa de proceder ao lançamento dos valores que deixaram de ser recolhidos em função da compensação, vale dizer, não tendo sido pago o tributo em função da compensação Fl. 800DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.386 5 exercida, tinha a fiscalização o dever de proceder à constituição do crédito tributário, ainda que consignasse, em tal ato, a existência de pleito de compensação em curso. A dispensa da constituição do crédito tributário relativamente a débitos compensados somente passou a existir a partir da vigência da Lei n° 10.833/03, que alterou o art. 74 da Lei n° 9.430/96, nele inserindo dispositivo (parágrafo 6 0 do art. 74) no sentido de que "a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados ". Vale dizer, em relação às compensações efetuadas a partir da Lei n° 10.833/03, não se mostra mais necessária a constituição do crédito tributário relativamente a débitos compensados, constituindo a própria declaração de compensação instrumento efetivo de cobrança, passível de inscrição em Dívida Ativa e posterior execução. Antes da publicação da referida lei, as compensações atinentes a débitos não declarados em DCTF submetiamse ao lançamento de oficio. Isto, aliás, é o que reconhece a própria Administração. Nesse sentido, a manifestação de fls. 259/260 do Processo n° 10070.001529/200241 reconhece que, por ter sido a compensação formulada pela impugnante em maio de 2002, antes da Lei n° 10.833/03, não constituiria a mesma confissão de dívida e "não são instrumentos hábeis e idôneos Ora, se o próprio fisco reconheceu que o pleito de compensação formulado pela impugnante não tinha a natureza de confissão de dívida, a conseqüência lógica é a de que havia necessidade de lançamento de oficio. Colocado esse raciocínio que, repitase, decorre de premissa firmada pelo próprio fisco, no sentido de que a compensação pleiteada pela impugnante não teve o efeito de constituir o crédito , a outra conseqüência, igualmente de natureza lógica, é a de que o lançamento deveria ter sido efetuado no prazo legal de 5 anos contado do fato gerador, até porque inexiste outro fixado na legislação. Nem se diga que, tendo sido o referido pedido de compensação "convertido" em declaração de compensação, com o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória (homologação por parte do fisco), conforme dispõe o §4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na redação da Lei n° 10.637/02003, não se aplicaria o raciocínio ora defendido. Primeiro porque, se a compensação pleiteada pela impugnante tivesse o efeito de pagamento desde o nascedouro, ou mesmo depois da "conversão", não haveria a necessidade de lavratura do presente Auto de Infração, bastando aguardarse o desfecho do processo de compensação (10070.001529/200241) e, se a decisão final for denegatória, procedese à inscrição do débito em Dívida Ativa, conforme já referido. Fl. 801DF CARF MF 6 Em segundo lugar, a interpretação que a própria Administração vem conferindo às Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, que alteraram diversos aspectos da compensação, inclusive o dispositivo que atribui à declaração de compensação a natureza de "confissão de dívida" e a atribuição de efeito suspensivo aos recursos, dispensando a constituição de oficio, é a de que referida norma aplicase unicamente a casos futuros, não pedidos de compensação formulados anteriormente. Nesse sentido, vale referir a manifestação apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional de Osasco em procedimento administrativo envolvendo terceiro contribuinte, no qual se discutia os efeitos da manifestação de inconformidade, transcrevendose os seguintes trechos: "Aliás, o recurso com efeito suspensivo, criado pela MP n° 131103, somente se aplica ao regime intitulado DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, criado com a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Assim, simples pedido de compensação não extinguia automaticamente o débito, sendo necessário aguardar o procedimento administrativo de apuração da existência e a extensão dos eventuais créditos do contribuinte. Portanto, à época dos pedidos de compensação, a extinção do débito era precedida de procedimento administrativo destinado a apurar a existência do crédito e sua real extensão, cujo início dependia da provocação do sujeito passivo por meio do "Pedido de Compensação" regulamentado pela Instrução Normativa n° 21197. ( )„ Como visto, em 2002 vigiam os artigos 73 e 74 na redação acima transcrita, sendo que qualquer pedido de compensação devia obedecer aos termos neles previstos. Tratandose de prática adotada pelo órgão responsável pela defesa judicial do erário, podese considerar que referido entendimento tem a força de norma complementar da legislação tributária, por força do disposto no art. 100, III do CTN, razão pela qual deve igualmente ser aplicada no presente caso. Em suma, tratandose de pleito de compensação formulado pela impugnante antes do advento da Lei n° 10.833/03, havia a necessidade de lançamento no prazo qüinqüenal. Assim, ainda que estivesse correta a interpretação conferida pela autoridade lançadora a respeito da legislação da compensação e de seus efeitos sobre a constituição do crédito tributário o que não prevalece, conforme já demonstrado , ainda assim a decadência teria sido consumada, na medida em que o prazo qüinqüenal previsto no CTN (arts. 150, §4° e 173, I) Fl. 802DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.387 7 prevaleceriam, de qualquer forma, sobre disposições da legislação ordinária. Somese a isto o fato de que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou a jurisprudência no sentido de que o prazo para constituição do crédito tributário, por ser decadencial e não prescricional, não se submete a interrupção ou suspensão. Isto significa que, verificado o fato gerador e não tendo havido o autolançamento pelo contribuinte, o fisco tem o dever de proceder à constituição no prazo de 5 anos, independentemente da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito, tais como liminar e depósito judicial. Nesse sentido, as decisões abaixo. "TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. OBSTÁCULO JUDICIAL. 1.A constituição do crédito tributário, nos termos do CTN, não sofre interrupção ou suspensão, iniciandose o prazo na data da ocorrência do fato gerador. 2.A partir do fato gerador, dispõe a Fazenda do prazo de cinco anos para constituir o seu crédito, não estando inibida de fazêlo se houver suspensão da exigibilidade, nos termos do art. 150, §4° do CTN. 3.A liminar concedida em mandado de segurança (art. 151, IV, do CTN), bem assim as demais hipóteses do mesmo art. 151, não impedem que a Fazenda constitua o seu crédito e aguarde para efetuar a cobrança. 4. Ocorrência da decadência, porque constituído o crédito após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN). 5. Recurso especial provido. " (RESP n° 702806, rei. Min. Eliana Calmon, j. 14.02.2006) " Diante disso, assim como a liminar ou o depósito não interrompem ou suspendem o prazo para constituição do crédito tributário, do mesmo modo a existência do pleito de compensação não obstava o lançamento do crédito tributário, razão pela qual não tem qualquer fundamento o argumento no sentido de que o prazo teria ficado suspenso ou sido interrompido em razão da compensação em discussão. Em conclusão, sob qualquer angulo que se examine a questão a conclusão é a de que, à exceção do fato gerador ocorrido em 1212001, quanto aos demais houve a decadência do direito à constituição do crédito tributário. Fl. 803DF CARF MF 8 Conforme já referido, o Auto de Infração ora impugnado exige valores de COFINS que foram objeto de compensação com créditos (saldo credor) de IRPJ. Essa compensação é objeto do Processo n° 10070.0015291200241, cuja decisão em primeiro grau foi desfavorável o que redundou, inclusive, na lavratura presente Auto (c£ fls. 259/260, já referidas) , tendo sido interposta a competente Manifestação de Inconformidade, que ainda não foi julgada pela Delegacia de Julgamento (cópia do recurso e de extrato atualizado de andamento processual doc.04). Digno de nota, ainda, que o motivo determinante que levou a autoridade administrativa a julgar improcedente a compensação diz respeito a um outro processo administrativo, qual seja, o Processo n° 18471.000999/200529. Nesse processo, que aguarda o julgamento de recurso voluntário no Conselho de Contribuintes (cópia do recurso e de extrato de andamento processual doe.05), foi apurada a existência de débito de IRPJ, cuja validação definitiva implicaria a inexistência do saldo credor (de IRPJ) que foi compensado com o débito da COFINS objeto do presente Auto de Infração. A exposição dos fatos ora relatados leva à seguinte seqüência lógica: (a) caso o recurso apresentado no PA n° 18471.000999/200529, originário do AIIM de IRPJ, venha a ser provido, o saldo credor de IRPJ tornarseá definitivamente legítimo, gerando o desaparecimento da correspondente dívida de IRPJ constituída; (b) esse saldo credor de IRPJ, nos termos da legislação, pode ser compensado com tributos administrados pela Receita Federal, dentre os quais a COFINS. Essa compensação encontrase em discussão no Processo n° 10070.001529/200241,' que atualmente aguarda julgamento de Manifestação de Inconformidade; (c) o reconhecimento da legitimidade da compensação implica, por sua vez, improcedência da presente ação fiscal, que é fundamentada, como visto, no indeferimento em primeiro grau do processo de compensação. Não há como deixar de reconhecer que a validade da ação fiscal em debate depende de dois fatores externos, relacionados entre si: o julgamento do AIIM de IRPJ (PA n° 18471.000999/200529) e do pleito de compensação (PA n° 10070.001529/200241). Nesse sentido, aliás, reconhece a própria autoridade que prolatou a decisão indeferitória da compensação (fls. 259/260), deixando de sobrestar o andamento do pleito até final julgamento do processo de exigência do IRPJ unicamente porque, nos termos da legislação atualmente vigente, o prazo para julgamento da compensação é de 5 anos, sob pena de homologação e extinção definitivas do crédito tributário (ar174, § 50, da Lei n° 9.430/96, na redação conferida pela Lei n° 10.833/03). Fl. 804DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.388 9 Ambos os processos encontramse aguardando julgamento, sendo que os recursos nele interpostos têm efeito suspensivo, observandose que, no processo de compensação, a manifestação de inconformidade foi interposta em 19/12/05, quando já vigia a atual redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, cujos parágrafos 7o a 10 não deixam dúvida quanto à aplicação do inciso III do art. 151 do CTN. Ora, considerando que o débito impugnado decorre do não reconhecimento da compensação exercida que, por sua vez, tem origem na apuração de dívida de IRPJ cuja legitimidade ainda está sob julgamento no âmbito administrativo, resulta claro a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. A suspensão, aliás, é dupla, decorrendo tanto do recurso voluntário interposto no processo de exigência de IRPJ quanto da manifestação de inconformidade interposta no procedimento de compensação. Essa constatação deveria ter sido apontada no Auto de Infração ora impugnado, isto é, deveria a autoridade lançadora ter consignado a impossibilidade de cobrança dos valores, até que ambos os procedimentos correlatos sejam ultimados. Portanto, independentemente da impugnação apresentada, que tem o efeito, de per si, de suspender a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, I11, do CTN), deve o órgão julgador reconhecer a suspensão por força dos recursos pendentes nos processos correlatos, sendo inviável cogitarse da cobrança imediata dos valores lançados. Por fim, como conseqüência à existência da medida suspensiva relatada no item anterior, é de rigor a exclusão da multa punitiva de 75% lançada juntamente com a obrigação tributária. Com efeito, a existência de medida suspensiva não impede a constituição do crédito tributário, até porque, como já referido no item 1, o prazo de lançamento é decadencial e não é suspenso ou interrompido de forma alguma, como já decidido inúmeras vezes pelo Superior Tribunal de Justiça. No entanto, o lançamento de ofício nos casos em que a exigência do crédito esta suspensa, a par de viável, impede a constituição de montantes a título de multa. É o que decorre do disposto no caput do art. 63 da Lei n° 9.430/96: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio." (destacamos) Notese que, embora o dispositivo faça referência unicamente às causas de suspensão previstas nos inciso IV e V do art. 151 do CTN, tem aplicação também ao caso ora em exame, no qual a suspensão da exigibilidade decorre de recursos interpostos em Fl. 805DF CARF MF 10 outros processos administrativos (inciso III), já que a essência ou o fundamento da regra são os mesmos: a impossibilidade de penalizar o contribuinte que deixou de pagar tributo amparado na lei. Ademais, é sabido que a multa punitiva tem como pressuposto o descumprimento de um dever legal. Como tal, sua incidência e graduação devem, necessariamente, levar em consideração a conduta imputada ao contribuinte. Caso estes pressupostos não sejam observados, a multa passa a ser desproporcional e, portanto, ilegítima por violar o devido processo legal substantivo, principio cuja aplicação aos atos oriundos do Estado e, sobretudo, da Administração, vem sendo cada vez mais reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, cujo entendimento é extensível à Administração (incluídos os órgãos julgadores do contencioso), por força do Decreto n° 2.346/97. No caso em exame, a impugnante não violou qualquer preceito legal, tendo em vista que, ao pleitear a compensação do IRPJ com a COFINS em maio de 2002, a legitimidade do procedimento era inquestionável, vale dizer, a utilização do saldo credor de IRPJ na compensação de tributos administrados pela Receita Federal era legalmente prevista. A suposta perda da legitimidade dos créditos de IRPJ levados à compensação deuse apenas em momento posterior, quando houve a lavratura do Auto de Infração com a exigência do IRPJ, que deu origem ao Processo Administrativo n° 18471.000999/200529, cujo Auto de Infração veio a ser lavrado em julho de 2005. Essa suposta perda, todavia, é provisória e depende, para se tornar definitiva, de o Conselho de Contribuintes legitimar em definitivo a exigência do IRPJ, algo que ainda não ocorreu. Por enquanto, o Auto de Infração de IRPJ, bem como a decisão de primeiro grau que o manteve, não exercem quaisquer efeitos, tendo em vista o efeito suspensivo de que é dotado o recurso voluntário lá interposto. Sendo assim, tendo sido o presente Auto de Infração lavrado sob a égide de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário eis que, repitase, toda a ação fiscal depende do resultado a ser proferido no PA n° 18471.000999/200529 , não há como imputar à impugnante a exigência de multa punitiva, eis que o pressuposto para tanto é o descumprimento de algum dever legal. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RJOII n.º 1332.914, de 21/12/2010 (fls. 2072 e ss.), assim ementado: Fl. 806DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.389 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. É de 5 (cinco) anos o limite para a constituição do crédito tributário, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído, na hipótese de inexistência de pagamento. LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL CONFESSADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. À época da constituição do auto de infração (29 de outubro de 2002), constituía dever do auditorfiscal constituir de oficio débitos confessados pelo sujeito passivo, de acordo com a legislação de regência. IMPUGNAÇÃO DE COBRANÇA. A impugnação prevista no rito do procedimento administrativo fiscal regida pelo Decreto n° 70.235 tal como procedeu o sujeito passivo – não consiste em via adequada para oporse a suposta cobrança indevida, prestandose tãosomente para contestar a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Está plenamente consentâneo ao preceptivo legal em vigor a constituição de multa na porcentagem descrita na hipótese dos autos de lançamento de contribuição social para a seguridade social de oficio, sem atestar evidente intuito de fraude. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. É de 5 (cinco) anos o limite para a constituição do crédito tributário, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído, na hipótese de inexistência de pagamento. LANÇAMENTO DE DÉBITO FISCAL CONFESSADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. À época da constituição do auto de infração (29 de outubro de 2002), constituía dever do auditorfiscal constituir de oficio débitos confessados pelo sujeito passivo, de acordo com a legislação de regência. IMPUGNAÇÃO DE COBRANÇA. A impugnação prevista no rito do procedimento administrativo fiscal regida pelo Decreto n° 70.235 tal como procedeu o Fl. 807DF CARF MF 12 sujeito passivo – não consiste em via adequada para oporse a suposta cobrança indevida, prestandose tãosomente para contestar a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Está plenamente consentâneo ao preceptivo legal em vigor a constituição de multa na porcentagem descrita na hipótese dos autos de lançamento de contribuição social para a seguridade social de oficio, sem atestar evidente intuito de fraude. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 2095/2102, por meio do qual aduz, depois de relatar os fatos: Os autos de infração de PIS/Cofins que deram origem ao presente feito (julgados de forma conjunta pela DRJ) foram objeto de compensação com créditos de IRPJ. Essa compensação é objeto do Processo n° 10070.001529/200241. À época da lavratura dos autos de infração, vigorava decisão que havia rejeitado por completo a compensação. Aguardavase o julgamento de manifestação de inconformidade. Posteriormente, sobreveio decisão da DRJ no processo de n.º 10070.001529/200241, homologando em parte as compensações realizadas (a parte não homologada foi objeto de recurso voluntário), o que, por si só, já tem o efeito de implicar o cancelamento das exigências veiculadas no presente lançamento. O motivo determinante que levou a autoridade administrativa a julgar improcedente a compensação em primeiro grau (decisão que, como visto, já foi reformada em parte pela DRJ) diz respeito a um outro processo administrativo, qual seja, o de n° 18471.000999/200529. Neste processo, que aguarda julgamento de recurso voluntário no CARF, foi apurada suposta existência de débito de IRPJ, cuja validação definitiva implicaria a inexistência do saldo credor de IRPJ que foi compensado com os débitos de PIS e Cofins objeto dos auto de infração que deram origem ao presente processo. Em conclusão, não há como deixar de reconhecer que a validade da ação fiscal em debate depende de dois fatores externos relacionados entre si: o julgamento do auto de infração de IRPJ (18471.000999/200529) e do pleito de compensação (10070.001529/200241). O argumento do v. acórdão no sentido de que a impugnação aos autos de infração não seria o meio próprio para a Recorrente defenderse da cobrança, pugnando pela aplicação da Lei no 9.784, de 1999, não tem mínimas condições de prevalecer. Obviamente que, lavrado o auto, a Recorrente dispunha apenas da impugnação para se opor à exigência. A Lei n° 9.784, de 1999, aplicase apenas aos casos não disciplinados por legislação específica. Considerando que os recursos interpostos nos processos correlatos têm efeito suspensivo (art. 151, III, do CTN), resulta claro a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Suspensa a exigibilidade, não tem cabimento a imposição de multa punitiva, por ausência do pressuposto que lhe dá suporte – a existência de ato ilícito. O lançamento de ofício nos casos em que a exigência do crédito está suspensa, a par de viável, impede a constituição de montantes a título de multa. É o que decorre do disposto no caput do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Embora o dispositivo faça referência Fl. 808DF CARF MF Processo nº 18471.000834/200638 Acórdão n.º 3202001.363 S3C2T2 Fl. 2.390 13 unicamente às causas de suspensão previstas nos inciso IV e V do art. 151 do CTN, tem aplicação também ao caso ora em exame, no qual a suspensão da exigibilidade decorre de recursos interpostos em outros processos administrativos (inciso III), já que a essência ou o fundamento da regra são os mesmos: a impossibilidade de penalizar o contribuinte que deixou de pagar tributo amparado em medida suspensiva. É sabido que a multa punitiva tem como pressuposto o descumprimento de um dever legal. Como tal, sua incidência e graduação devem, necessariamente, levar em consideração a conduta imputada ao contribuinte. Considerando que a recorrente não descumpriu dever algum – ao menos até que os feitos correlatos (que contam com efeito suspensivo) sejam decididos em definitivo –, não tem o cabimento, também por esse motivo, a imposição de penalidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento do PIS e da Cofins apuradas em períodos de apuração compreendidos nos anos de 1999 a 2002, valores que, conforme assevera a fiscalização, não haviam sido informados em DCTF. Noticiam os autos que o contribuinte solicitou compensação das citadas contribuições com créditos oriundos de saldos credores de IRPJ apurados ao final dos anos calendário de 2000 e 2001 (10070.001529/200241). O reconhecimento do direito creditório referirseia ao IRRFJuros sobre Capital Próprio, o qual teria sido recolhido pelas fontes pagadoras nos referidos anoscalendário. Registrase, ainda, que, a partir de outros procedimentos realizados no contribuinte, a fiscalização lavrou autos de infração de IRPJ e de CSLL, consubstanciados no processo administrativo n.º 18471.000999/200529, restando, por esse motivo, IRPJ a pagar nos anos calendário de 2000 e 2001, não saldo negativo a compensar. De conseguinte, não foi reconhecida a característica de liquidez e certeza dos créditos vindicados, de modo que as compensações não foram homologadas. Em sua defesa, sustenta a Recorrente que a validade do presente lançamento depende do que vier a ser decidido no julgamento do auto de infração de IRPJ (18471.000999/200529) e no pleito de compensação (10070.001529/200241). Com efeito, no processo administrativo de n.º 18471.000999/200529, debatese o IRPJ e a CSLL devida nos anoscalendário de 2000 a 2003, período que compreende os de origem do crédito de IRPJ que a Recorrente visou compensar com débitos de PIS e da Cofins lançados. Este processo já foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício (Acórdão n.º 1301000.711, de 219/10/2011). Fl. 809DF CARF MF 14 O processo que trata do pleito de compensação, o de n.º 10070.001529/200241, também já foi julgado (1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento; Acórdão n.º 1201000.143, de 26/8/2014), mas o acórdão, porque ainda não formalizado, não se encontra disponibilizado no sítio eletrônico do CARF, o que impossibilita o julgamento por esta Turma, já que a sorte do que aqui decidido depende do que acordado no referido processo administrativo. Considerando, pois, que a matéria em discussão é conexa com a já discutida no processo n.º 10070.001529/200241, entendo, em cumprimento ao o art. 2º, inciso IV, do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que deve ser declinada a competência para julgamento deste processo para a Primeira Seção de Julgamento. Eis a redação do dispositivo em referência: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV – demais tributos, quando os procedimentos sejam conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração pertinente à tributação do IRPJ. Ante o exposto, proponho o encaminhamento dos autos à Primeira Seção de Julgamentos do CARF para prosseguimento, por tratar de matéria conexa àquela já discutida nos processos nº 18471.000999/200529 e 10070.001529/200241. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.726221/2014-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
Numero da decisão: 9303-007.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram integralmente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram integralmente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 62 21 /2 01 4- 35 Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.875 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram integralmente. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pelo Contribuinte, com fulcro no art. 67 do RICARF, contra acórdão nº 3302004.626, de 27 de julho de 2017, proferido pela 3ª Câmara/2º Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PRELIMINAR. DESCABIMENTO. Tornase incabível converter o julgamento em diligência, quando o contribuinte após intimado e reintimado, deixa de produzir a prova que lhe competia juntamente com a impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA. Fl. 5875DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.876 3 Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse a autuação como formalizada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS GLOSADOS. CONTRIBUINTE INTIMADO. PROVA NÃO APRESENTADA. Deixando o sujeito passivo de apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados solicitada desde a fase procedimental, mantémse a autuação como formalizada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Regularmente notificada, a Contribuinte opôs em tempo hábil embargos de declaração, a fim de prequestionar a nulidade por cerceamento do direito de defesa (art. 59, II, do PAF), não só em razão da falta de análise de provas juntadas com a impugnação, mas também pela falta de análise da documentação complementar juntada após o prazo de impugnação (art. 16, 4º do PAF). Os embargos de declaração foram liminarmente rejeitados por meio do despacho de fls. 5669/5673. Devidamente cientificada do despacho que negou seguimento aos embargos de declaração em 07/12/2017 (fls. 5682), a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, em 20/12/2017 (fls. 5684), apontando as seguintes divergências: 1) nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação; e 2) nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação. Indicou como paradigmas os Acórdãos 3202001.459; CSRF/0304.194 e 1102 001.148. Em seguida, o Presidente da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, admitindo rediscussão das seguintes matérias: 1) nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas; e 2) nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 5793/5799. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls.5801/5811, pugna para que seja negado seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte no tocante à nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação, por falta de comprovação de divergência. No mérito, requer seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.877 4 No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. In caso, foram lavrados contra a contribuinte acima identificada os presentes Autos de Infração, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 273 a 291) e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 292 a 311), correspondentes aos fatos geradores entre 01/01/2010 e 31/12/2010. De acordo com o TVF, a fiscalização apurou divergências no cruzamento das informações prestadas nos Dacon do período e nos arquivos digitais e planilhas elaboradas pela contribuinte, intimandoa a prestar os devidos esclarecimentos e apresentar a documentação comprobatória dos créditos utilizados, especialmente em relação aos bens utilizados como insumos e bens de revenda, bem como dos valores informados na rubrica Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, considerados na base de cálculo para apuração de créditos informados no Dacon. Assim, segundo o TVF, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal, relatando os fatos ocorridos e reiterando que a não apresentação dos documentos ou outros elementos que pudessem comprovar a efetiva origem dos créditos extemporâneos considerados, ensejariam a glosa desses créditos e o conseqüente lançamento de ofício dos créditos tributários correspondentes, inclusive com agravamento da multa, pelo não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos, considerado embaraço à fiscalização. Diante da falta de manifestação da Contribuinte, foram lavrados os Autos de Infração correspondentes à insuficiência de pagamento do PIS e da Cofins, decorrentes da glosa de créditos não comprovados de insumos e revenda, apurados a partir da divergência entre os Dacon de agosto e setembro de 2010 e os arquivos digitais apresentados, bem como de todos os valores informados nos Dacon do anocalendário de 2010, relativos a Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, porfalta de comprovação. Do julgamento do Recurso Voluntário, a turma a quo complementado pelo despacho de rejeição dos embargos, verificase que o colegiado manteve o Acórdão da DRJ, que, por sua vez, manteve a glosa efetuada pela fiscalização, com base na falta de comprovação da certeza e da liquidez dos créditos pleiteados. O contribuinte apresentou com a impugnação Fl. 5877DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.878 5 documentos que foram considerados insuficientes para comprovar o direito aos créditos pleiteados. Segundo alegação do contribuinte os documentos constantes de um CDRom, que teria sido fornecido à fiscalização não foram juntados ao processo. Essas circunstâncias ficam evidenciadas nos seguintes excertos do voto condutor do Acórdão recorrido: "(...) Argui a defesa ao longo da peça recursal quanto à necessidade de reforma da decisão de piso, seja pela fundamentação não condizente com a complexidade dos fatos, segundo seu entendimento, seja pela não apreciação da documentação apresentada em sede impugnatória, no entanto, da leitura da decisão de piso verificase não assistir razão à recorrente, visto que a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão respaldada ainda no suporte probatório dos autos que entendeu suficiente para a cognição da situação fática, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Constatase que a defesa solicita a realização de diligência sob dois argumentos: 1 Os documentos entregues pela Recorrente em sede de fiscalização o foram por meio de CDRom e esses documentos não foram acostados aos autos digitais pela fiscalização; 2 requer a juntada dos documentos e/ou complementar a documentação dos autos no sentido de evidenciar o seu direito de crédito e a improcedência da autuação. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, é prescindível à solução da lide a documentação entregue através do referido CD. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Verificase que em resposta ao o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO AR DE 22/07/13, fl.06, a empresa em 09/08/2013, fl.68 apresenta a seguinte resposta: "Segue anexo um CD contendo os arquivos de notas fiscais de entrada e saída, de acordo com o SPED( sistema publico de escrituração digital), não sendo assim possível fazer a validação através do sistema SVA.(sic). A documentação apresentada se refere ao ano calendário de 2010 como já assinalado, tendo sido objeto de análise pela fiscalização, ensejando juntamente com a documentação apresentada em 23/10/2013, fl.111 (planilha de memória de cálculo, demonstrando individualmente a composição dos valores constantes nos DACONS do ano de 2010), o TIF, de 03/06/2014. fls.57/58, através do qual a contribuinte é intimada a justificar as diferenças constatadas nos demonstrativos apresentados, acima já reproduzidos. Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.879 6 Verificase assim que toda a documentação apresentada à fiscalização foi por esta analisada e em decorrência da referida análise, constatou a fiscalização as diferenças já assinaladas, as quais foi o recorrente instado a esclarecêlas, ainda no decorrer da ação fiscal, no entanto, deixou de apresentar a documentação comprobatória, razão pela qual foi lavrado o presente auto deinfração. (...)" Não satisfeita com tal decisão, a Contribuinte interpôs o presente Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial referente as seguintes matérias: 1) nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação; e 2) nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação. Indicou como paradigmas os Acórdãos 3202001.459; CSRF/0304.194 e 1102 001.148. O Presidente da 3ª Seção do CARF, deu seguimento integral ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 5793/5799. De uma análise detida junto ao exame de admissibilidade, verifico que a divergência aceita referente a nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com impugnação, foi aceito como divergente o acórdão nº 3202001.459. No que tange a divergência quanto a nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, o acórdão aceito como divergente foi o de nº CSRF/0304.194. Já o acórdão nº 1101001.148, não foi examinado. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Sem embargo, não há qualquer divergência entre o acórdão 3202001.459, referente a nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com impugnação. Sobre as provas juntadas com a impugnação, o acórdão recorrido em suas razões de decidir, manifestase da seguinte forma: (...) A contribuinte apresenta planilhas de apuração dos créditos relativos aos anos de 2006 a 2008, os quais alega ter aproveitado de forma extemporânea, nos meses de agosto e setembro de 2010, após efetuar uma revisão da sua base de cálculo, mas, no entanto, não apresenta em sua defesa as respectivas notas fiscais ou os comprovantes de pagamento, para a efetiva comprovação das alegadas aquisições.(grifei) Para que seja concedido o crédito, não basta a apresentação de uma planilha, pois essa, sendo um documento produzido pela própria interessada, não tem o condão de provar a efetividade das alegadas operações e do respectivo crédito, sendo necessário sim trazer as cópias dos correspondentes documentos comprobatórios, no caso, as próprias notas fiscais emitidas pelos fornecedores dos bens adquiridos. Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.880 7 Falta assim apresentação da liquidez e certeza por parte da impugnante, para comprovar os créditos que foram glosados.(grifos do original). De todo o exposto constatase que a documentação referente às divergências apuradas pela fiscalização não foram apresentadas, não sendo cabível impingir à fiscalização o ônus de empreender nesse momento processual, diligência junto ao estabelecimento da contribuinte, como quer a defesa para obter a prova que caberia a esta produzila, já que objeto de suas relações comercias e comprobatória dos supostos créditos utilizados no âmbito da legislação de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), ademais o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal, conforme prescreve o artigo 195 do Código Tributário Nacional CTN: Cabia portanto ao sujeito passivo conservar a documentação referente aos fatos sob autuação e assim, demonstrar quando solicitado, a natureza dos créditos utilizados. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.” Como visto, a decisão recorrida analisou as planilhas apresentadas pela Contribuinte junto com sua impugnação, à medida que as consideraram insuficientes como elemento probatório na demonstração do crédito postulado. Constatase, assim, que as planilhas, por serem documentos de produção exclusiva do interessado, não foram aceitas como prova das alegações do contribuinte no tocante ao direito creditório. Situação diametralmente oposta do acórdão nº 3202001.459, conforme se extrai do voto condutor: “Como relatado, o pedido da Recorrente (protocolizado em 15/05/2002) foi denegado pela unidade de origem pelo fato de a mesma não ter apresentado os documentos solicitados em intimação dentro do prazo solicitado, conforme trechos do Despacho Decisório, proferido em 13/03/2007 pela autoridade fiscal da DRF – Blumenau (efls. 260/278), abaixo transcritos: (...) A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, ocasião que, segundo alega, apresentou os documentos e informações necessárias para o deferimento de seu pedido de ressarcimento e compensação. Contudo, a Turma julgadora da DRJ – Ribeirão Preto denegou o pedido da Recorrente, em apertada síntese, pelo fato de os documentos terem sido apresentados após a instauração do contencioso administrativo, de modo que estaria prejudicada a análise no mérito do pedido, sob o fundamento que não caberia às Delegacias de Julgamento suprir ou substituir a competência de outras unidades da SRF. (...) A empresa protocolizou o pedido de ressarcimento/compensação em 15/05/2002; socorreuse do Judiciário para ter uma solução célere ao seu direito e obteve sentença favorável (efls. 208/222) em 13/12/2006. Foi intimada (Intimação Fiscal SAORT/DRF/BLUMENAU nº 040/07 – efls. Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.881 8 228/232), em 09/02/2007, para apresentar documentos e informações, no prazo de 20 dias. Em 01/03/2007, requereu prorrogação de prazo, por 15 dias, para apresentar os documentos solicitados pela fiscalização (efls. 258). Seu requerimento não foi atendido, sendo, então, exarado Despacho Decisório, em 13/03/2007 (efls. 260/278), por falta de prova dos “fatos que teriam dado a ela o direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI”. Impugnou tempestivamente aDespacho Decisório e apresentou (segundo alega) os documentos/informações necessários para análise do pedido de ressarcimento. Por fim, em 01/10/2008, a DRJ – Ribeirão Preto não analisa os documentos por entender que não é de sua competência tal tarefa. Em suma: após mais de 14 anos (!) do pedido de ressarcimento de crédito presumido a Recorrente ainda não obteve uma decisão de mérito de sua pretensão, ou seja, o EstadoFisco não disse se há ou não direito ao crédito pretendido. Entendo que, objetivamente, devese analisar o direito ao crédito pretendido, em atendimentos aos princípios constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Destarte, assiste razão à Recorrente quando afirma que houve cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que apresentou os documentos/informações com vistas à análise do seu pedido de ressarcimento e que os mesmos não foram apreciados pelas autoridades fiscais competentes.” Do trecho do aresto, verificase que a DRJ deixou de apreciar a documentação fornecida pelo contribuinte, ao argumento de que teria sido apresentada após a instauração do contencioso administrativo, sob pena de usurpação da competência da DRF na análise do direito creditório postulado. Não há qualquer divergência, a decisão recorrida fundamentou o decisum em razão da ausência de valor probatório da documentação juntada pelo Contribuinte em sede de impugnação, ao passo que o acórdão paradigma se fundamenta no momento da apresentação dos documentos apresentados pela Contribuinte, em sede de impugnação, após análise do pedido pela DRF. Como visto, essas dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.882 9 Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, referente a divergência de nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude da não apreciação de provas juntadas com a impugnação. Em atenção ao exame de admissibilidade, tomo conhecimento referente a nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação. Passo a decidir. Analisando a quaestio, a lide gira em torno de questão probatória relativa à glosa de créditos utilizados pela Contribuinte, referente a: i) insumos e (ii) bens de revenda, relativos aos anos de 2006 a 2008, aproveitados extemporaneamente nos meses de agosto e setembro do anocalendário de 2010; (iii) despesas de armazenagem e frete em operações de venda, para todos os meses do anocalendário de 2010. Compulsando aos autos, verifico que a Contribuinte exerceu exaustivamente o contraditório e ampla defesa, conforme depreendese do termo de Intimação fiscal: "o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos (notas fiscais, conhecimentos e transporte ou outros) correspondentes aos fretes considerados como créditos pelo contribuintes nos Dacons; Em 16/06/2014, protocolou, nesta Delegacia, pedido de Dilação do prazo para atendimento dos questionamentos constantes dessa intimação, por mais 20 ( vinte ) dias, considerando esse prazo necessário para a estruturação da resposta a intimação recebida, juntamente com os documentos suporte. Em atendimento a solicitação da empresa, foi concedido incontinente, o prazo solicitado. Todavia, em 08/07/2014, novamente o contribuinte protocolou nesta Delegacia, nova solicitação de dilatação do prazo anteriormente solicitado, alegando em relação ao item 1 da citada intimação que as divergências existentes entre os valores informados no DACON versus Arquivos Digitais, referiamse a créditos extemporâneos, os quais foram apurados e não alocados nos períodos de 2006 a 2008, sem contudo apresentar nenhum documento ou memória de cálculo, ou outro elemento, que pudesse comprovar a efetiva origem desses créditos. Em relação ao item 2 da citada intimação o contribuinte informa que não houve tempo hábil para levantar os documentos solicitados, em razão do grande volume de documentos.(grifei) Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.883 10 Portanto, que desde 05/06/2014 até a presente data o contribuinte teve 39 dias corridos para providenciar a documentação solicitada. Isso posto, em razão do não atendimento das indagações constantes do Termo de Intimação de 03/06/2014 dentro dos prazo estipulados ( e solicitados ), fica portanto o contribuinte sujeito ao Lançamento de Ofício dessas divergências, com a conseqüente glosa dos créditos não justificados bem como a glosa dos créditos relativos aos fretes considerados no DACON. Destaca o Termo de Verificação Fiscal – TVF, fls. 257/272: Verificamos ainda que a empresa apurou e entregou os Dacons relativos ao período de 2010, através do regime não cumulativo Intimada em 15/07/2013 com Aviso de Recebimento (AR) em 22/07/2013 a apresentar, dentre outros documentos, os arquivos magnéticos de notas fiscais de entradas e saídas, de acordo com o layout definido pela legislação de regência, empresa apresentou, dentro do prazo determinado, a documentação solicitada no termo acima. Verificamos ainda que a empresa apurou e entregou os Dacons relativos ao período de 2010, através do regime não cumulativo Em 16/06/2014 o contribuinte apresentou pedido de dilação do prazo por mais 20 ( vinte ) dias considerado necessário para os esclarecimentos da citada intimação, o que foi concedido incontinente. Todavia, em 08/07/2014, vencido o prazo anteriormente solicitado, o contribuinte novamente protocolou nessa Delegacia novo pedido de dilação de prazo por mais 30 (trinta ) dias, desta vez negado, esclarecendo que as divergências apontadas pela fiscalização, referiamse a créditos extemporâneos apurados e não alocados nos períodos de 2006 a 2008. Em relação aos documentos solicitados relativos as despesas de armazenagem e Fretes na Operação de Venda, o contribuinte não apresentou nenhum documento relativo aos créditos considerados nos Dacons do período. Argui o recorrente em sede impugnatória: Ora, primeiramente, resta claro que a afirmação da Autoridade Autuante não encontra nenhum fundamento, pois foram entregues documentos pela Recorrente em sede de fiscalização, conforme se verifica a fls. 44/186 dos autos, em que constam as petições de resposta aos termos de intimação fiscal. Conforme já destacado, os arquivos de fls.44/67, correspondem a 4 (quatro) TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL, cujas respostas aos respectivos TIF se encontram às fls.68/186 do processo. Nas respectivas respostas ao citados TIF, como já demonstrado, a recorrente deixou de apresentar [a documentação comprobatória relativa as divergências encontradas entre o cruzamento das informações constantes nos Dacons e nas planilhas apresentadas, com os arquivos digitais apresentados, especificamente em Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.884 11 relação aos Bens Utilizados como Insumos e Bens de Revenda], bem como as Despesas de Armazenagem e Fretes nas Operações de Vendas. Argui o recorrente em sede recursal: os documentos entregues pela Recorrente em sede de fiscalização o foram por meio de CDRom e esses documentos não foram acostados aos autos digitais pela fiscalização. Verificase que em resposta ao o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO AR DE 22/07/13, fl.06, a empresa em 09/08/2013, fl.68 apresenta a seguinte resposta: "Segue anexo um CD contendo os arquivos de notas fiscais de entrada e saída, de acordo com o SPED( sistema publico de escrituração digital), não sendo assim possível fazer a validação através do sistema SVA.(sic). A documentação apresentada se refere ao ano calendário de 2010 como já assinalado, tendo sido objeto de análise pela fiscalização, ensejando juntamente com a documentação apresentada em 23/10/2013, fl.111 (planilha de memória de cálculo, demonstrando individualmente a composição dos valores constantes nos DACONS do ano de 2010), o TIF, de 03/06/2014. fls.57/58, através do qual a contribuinte é intimada a justificar as diferenças constatadas nos demonstrativos apresentados, acima já reproduzidos. Verificase assim que toda a documentação apresentada à fiscalização foi por esta analisada e em decorrência da referida análise, constatou a fiscalização as diferenças já assinaladas, as quais foi o recorrente instado a esclarecêlas, ainda no decorrer da ação fiscal, no entanto, deixou de apresentar a documentação comprobatória, razão pela qual foi lavrado o presente auto de infração". Como se observa, a Contribuinte não apresentou em sede de impugnação documentação hábil que permitisse dar lastro aos créditos tomados extemporaneamente, sem qualquer zelo ou cuidado em preparar ao menos um "book" para apresentar a Fiscalização portanto, não é cabível condenar o procedimento elástico ofertado pelo Fisco, com objetivo único de postergar e embaraçar o procedimento fiscalizatório, até porque, a decisão recorrida analisou as planilhas apresentadas pela Contribuinte junto com sua impugnação, à medida que as consideraram insuficientes como elemento probatório na demonstração do crédito postulado. Ademais, contatouse que a prova apresentada não é suficiente para comprovação do direito creditório. Sem embargo, não basta sustentar o direito a crédito calcado nos princípios da essencialidade e pertinência, para que se possa tomar um crédito líquido e certo, se faz necessário observar os procedimentos legais. Portanto, não há que se falar em juntar documentos comprobatórios em fase de Recurso Voluntário, estes já se encontram preclusos, a Contribuinte deveria ter apresentado a documentação em momento adequado, ou seja, na impugnação, de modo a comprovar a natureza dos créditos utilizados. Com efeito, é importante lembrar que as alegações e produção de provas no Processo Administrativo Fiscal, para contraditar os termos do lançamento, concentrase na fase Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.885 12 processual da impugnação. Conforme dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, após a apresentação da impugnação, inaugurase a fase processual seguinte. Esta fase é destinada à preparação e à complementação da instrução do processo para que esteja apto ao julgamento. Neste sentido, o requerimento de juntada de novos documentos e alegações deverá ser requerida por meio de petição fundamentada à autoridade julgadora, nos termos dos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto 70.235/72. In verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.886 13 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como visto, poderá ser admitida a apresentação de alegações e provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver um pedido ou requerimento expresso formulado pela parte da interessada, dirigido à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual deve restar demonstrado, seus fundamentos e razões devidamente comprovadas. A impossibilidade de sua apresentação, no momento próprio e oportuno, nos casos em que haja motivo de força maior que tenha impedido o seu oferecimento simultâneo à apresentação da impugnação ou na primeira oportunidade, quando o documento ou alegação nova apresentada se refira a fato ou direito superveniente à impugnação, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor da Contribuinte o ônus probatório. De modo que, não restou nenhum impedimento a Contribuinte para apresentar na impugnação suas razões, conforme preceitua o § 4º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/72. Não é demais ressaltar, que o artigo art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 veda a juntada extemporânea de alegações e provas, mas prevê as situações excepcionais que justificariam a sua apresentação. Com efeito, somente se admite novas alegações e a produção de provas pelo sujeito passivo após a impugnação nas exceções previstas em lei no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, quais sejam: 1) quando ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; 2) quando se refira a fato ou a direito superveniente; e 3) quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Nos demais casos, é a impugnação inicial é a primeira e única oportunidade para o contribuinte apresentar as provas. Contudo, os documentos conduzidos aos autos por meio dos Termos de Solicitação de Juntada, de fls. 3458, 3.493, 5.140, 5.465, 5.496 e 5.549, não encontram amparo na norma excepcional acima destacada, visto que já estão afetados pela preclusão probatória, desde a fase de procedimento fiscal, por meio de reiteradas intimações, a qual foi requerida à Contribuinte que apresentasse as provas da situação fática que motivou a presente exigência. A rigor, o teor do Decreto n.º 70.235/72, é dever do autuado, apresentar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, sendo considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Nesse diapasão, cabe salientar que esta E. Câmara Superior, já tem jurisprudência uníssona no sentido de que matéria não suscitada pelo sujeito passivo na Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.887 14 impugnação, juntada de razões extemporâneas após o prazo regulamentar, esta precluso seu direito. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/01/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO NA IMPUGNAÇÃO. JUNTADA DE RAZÕES EXTEMPORÂNEAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (Acórdão nº 9303007.448, Rel. Conselheiro Demes Brito, julgado em 20 de setembro de 2018). Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito1, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)2 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar 1 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 2 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.888 15 ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...] Ademais, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, matéria não impugnada está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo se torna consolidado; na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de recurso voluntário. Ou seja, tendo a Contribuinte impugnado apenas determinado item do lançamento, o julgador não está autorizado a dar provimento ao recurso voluntário por fundamento jurídico diverso. O contencioso administrativo, regido pelo Decreto Lei nº 70.235/72, assim como o Código de Processo Civil, impõe limites as fases processuais que devem ser observadas para o perfeito andamento do processo e adequado deslinde do litígio. A lide cravada esta delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pela Contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o fundamentam, lançados em sua impugnação e posteriormente em seu recurso voluntário. Nesta linha, recorro aos princípios existentes no âmbito do processo civil, em vista dos permissivos expressos nos artigos 108 do Código Tributário Nacional CTN e artigo 4º da LICC, o qual podese citar o art. 141, do Novo Código de Processo Civil: “Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte." Deste modo, o citado dispositivo revela que o Código de Processo Civil consagrou o princípio de adstrição do juiz ao pedido e da parte, como decorrente do princípio desse dispositivo. Portanto, o órgão julgador, ao apreciar a legalidade do ato administrativo, deve decidir também de acordo com a matéria inserta na impugnação do autor e/ou recurso voluntário, conforme o caso. Nessa linha, imperioso destacar a inteligência do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, o qual dispõe que: "considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Finalmente, corroborando este entendimento, trago como precedente o Acórdão nº 930301.705, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, voto da lavra do Ilustre Ex.Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, o qual merece destaque: "Aqueles que navegam no direito subjetivo sabem ou deveriam saber que o mar processual é bravio e desafiador, quase sempre revolto e cheio de ondas e marolas que fazem, muitas vezes o barco perder o rumo. Isso faz com que muitos se percam e não consigam completar a travessia. Mas nem tudo está perdido, os instrumentos de navegação vêm, a cada dia, se aperfeiçoando, de tal sorte, que o barqueiro que os utilizar corretamente, nunca perderá o Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.889 16 norte e, facilmente, chegará a um porto seguro. Saindo da linguagem figurada para a real, os instrumentos são os princípios gerais e específicos que norteiam a atividade jurisdicional e, por empréstimo, a 'judicante' administrativa. Muitos desses princípios são universais, isso quer dizer que estão presente em todos, ou em quase todos, sistemas jurídicos mundiais. Na maioria das vezes, são eles incorporados à legislação processual e até mesmo à constitucional, tornandose, portanto, obrigatória sua observância. Nos países, como o Brasil, em que a atividade judicante é dissociada da inquisitória, um dos pilares da jurisdição é justamente o princípio da iniciativa da parte, cuja origem remonta ao direito romano onde ao juiz era vedado proceder sem a devida provocação das partes. Predito princípio, versão moderna do ne procedat iudex ex officio; nemo iudex sine actore, foi consagrado no artigo 2º e, também, no 262, ambos do Código de Processo Civil Brasileiro." Nesse quadro, considero a matéria posta a esta Egrégia Câmara Superior preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ex positis, tomo conhecimento parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à nulidade por cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de documentos complementares juntados após a impugnação, e no mérito nego provimento ao Recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 10314.726221/201435 Acórdão n.º 9303007.551 CSRFT3 Fl. 5.890 17 Fl. 5890DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.723381/2017-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1998.2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório sobre pedido de restituição de contribuição previdenciária. Direito Creditório não Reconhecido.
Numero da decisão: 2001-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Manifestação de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório sobre pedido de restituição de contribuição previdenciária. Direito Creditório não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 33 81 /2 01 7- 77 Fl. 398DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de inconformidade por negativa de reconhecimento de direito creditório para devolução de Contribuição Social Previdenciária referente ao período de 31.10.1998 a 31.12.2006. O fundamento básico do não reconhecimento creditório é a afirmação da ausência de pagamento indevido de vez que os valores das contribuições pleiteadas na restituição foram utilizados na concessão da aposentadoria da Recorrente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na expedição da decisão de negativa do direto creditório pleiteado, como segue: Tratase de processo de Pedido de Restituição de Contribuições Previdenciárias relativo a PER/DCOMP (fl. 19) identificador 28169.63826.170812.1.3.045816 apresentada em meio eletrônico em 17/08/2012 com os seguintes dados tributários. A Autoridade Fiscal competente exarou o Despacho Decisório nº 0284/2017/DRFB/STS/SEORT (fl. 343344) na data de 15/09/2017 . Consta o seguinte detalhamento da compensação efetuada neste processo: Considerando o que consta no processo, e no uso das atribuições que me foram conferidas pelo inciso II, art. 2º da Portaria DRF/STS nº 12, de 14 de janeiro de 2013, resolve: INDEFERIR a restituição pleiteada através dos PER/DCOMP's supracitados, competências 10/1998 a 04/2004; 02/2005 a 12/2006, com base no Artigo 89 da Lei 8.212/1991, tendo em vista que os Salários de Contribuição dos valores pleiteados na restituição, na Inscrição 1.140.220.2371 foi utilizado na Concessão da Aposentadoria Por Idade – NB nº 158.804.2380. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. O regime geral de previdência social contempla alguns critérios e exigências que norteiam o sistema para concessão dos benefícios e cálculo da prestação de benefício mensal. Portanto para o segurado fazer jus ao benefício, há dentre outros, os requisitos de idade e quantidade de contribuições mensais (180) sem perda da qualidade de segurado. Atendido tais requisitos, advém o critério relativo ao cálculo do valor da prestação mensal que computa a média dos 80% maiores salários de contribuição. No presente caso, os salários de contribuições recolhidos a destempo foram considerados para o atendimento do primeiro requisito e assim não configura pagamento indevido. Ademais a autoridade competente afirma que os valores em atraso foram considerados, inclusive há uma hipótese denominada ressarcimento que permite o pagamento de contribuições previdenciárias em atraso e o consequente aproveitamento para todos os efeitos. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10845.723381/201777 Acórdão n.º 2001000.812 S2C0T1 Fl. 399 3 Assim, concluise que os pagamentos efetuados produziram efeitos favoráveis ao sujeito passivo que implica no indeferimento do pedido de restituição. CONCLUSÃO À luz dos autos e da razão demonstrada, VOTASE por julgar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPROCEDENTE e NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da manifestação de inconformidade e decide pela manutenção da negativa do direito creditório pleiteado. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O nº de contribuições necessárias para recebimento do beneficio considerandose a data de nascimento da recursante (27/04/1936), sendo inscrita no INSS antes de 1991 e contribuinte do INSS, em 1996 quando atingiu a idade permitida para solicitar o benefício da aposentadoria por idade pela tabela progressiva do art. 142 da Lei nº 8.245/91, nº de contribuições seria de 90 (noventa) como atribuída. Ressaltese o fato de que o próprio INSS, concedeu o benefício com este nº de contribuições validas (87 como empregada 3 como seguradora facultativa) contrariando portanto o mérito apresentado no acórdão. A validade e retenção das contribuições reclamadas. Para o contribuinte facultativo individual não existe atraso, visto que as contribuições não são obrigatórias mas sim facultativas. O que acontece é que se o contribuinte ao deixar de efetuar o pagamento perderá o direito de receber o benefício. Porém o INSS permite que este direito seja restaurado, desde que reinicie o pagamento das contribuições restantes até alcançar o nº de contribuições necessárias para a concessão do benefício. Entretanto o pagamento destas contribuições restantes deve ser feito segundo normas e critérios estipulados pelo INSS. Estas contribuições restantes não podem pagas em blocos (2 ou mais como no caso recursante) ou pelo total. A norma do INSS estipula que as contribuições deverão pagas mensalmente até o nº necessárias para a concessão do benefício. O recebimento e a retenção das contribuições reclamadas vai frontalmente contra as normas e critérios invalidando portanto o mérito alegado de atraso e ressarcimento. Ora partindose do fato do que as contribuições não foram efetuadas de acordo com critérios e normas do INSS, tornaas portanto inválidas, sendo inadmissível sua retenção e dando ensejo ao pedido de restituição. Fl. 400DF CARF MF 4 Ainda o acórdão faz referência sem maiores esclarecimentos da hipótese da utilização dos valores para ressarcimento. Hipótese absurda não só pela falta de melhores esclarecimento, mas também pelo fato de ressarcimento indicar que a recursante tenha recebido valores indevidos na concessão do benefício ou que tenha praticado atos que tenham causado prejuízo ao INSS. Situação esta que a não ser que seja devidamente esclarecida, pois não havia nenhuma das hipóteses descritas que tenha acontecido, tornando portanto absurda e descabida o mérito apresentado. Assim sendo, continua a recursante a reiterar o pedido de restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência das partes consubstancia no número de contribuições necessárias a obtenção do direito à aposentadoria, a validade das contribuições previdenciárias recolhidas a destempo e a possibilidade de devolução ao segurado demandante, se desnecessárias para o cômputo do cálculo. O texto base que define o direito da obtenção do benefício à aposentadoria está contido nos arts. 24, 25 e 27, da Lei nº 8.213/91, em especial no que segue: Art. 24. Período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências. Art. 25. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral de Previdência Social depende dos seguintes períodos de carência, ressalvado o disposto no art. 26: I auxíliodoença e aposentadoria por invalidez: 12 (doze) contribuições mensais; II aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de serviço e aposentadoria especial: 180 contribuições mensais. (...) Art. 27. Para cômputo do período de carência, serão consideradas as contribuições: I referentes ao período a partir da data de filiação ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), no caso dos segurados empregados, inclusive os domésticos, e dos trabalhadores avulsos; Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10845.723381/201777 Acórdão n.º 2001000.812 S2C0T1 Fl. 400 5 II realizadas a contar da data de efetivo pagamento da primeira contribuição sem atraso, não sendo consideradas para este fim as contribuições recolhidas com atraso referentes a competências anteriores, no caso dos segurados contribuinte individual, especial e facultativo, referidos, respectivamente, nos incisos V e VII do art. 11 e no art. 13. O pedido de restituição foi feito sob o argumento de que as contribuições identificadas teriam sido feitas indevidamente e, portanto, sem necessidade para a obtenção do benefício da aposentadoria requerida pela Contribuinte e concedida pelo órgão competente de previdência pública oficial. Ocorre que há pressupostos para a concessão do benefício da aposentadoria que não está restrito ao número de contribuições e/ou a idade do segurado, senão o conjunto deles, dentro do critério disposto da legislação pertinente acima citada. Assim que, a Recorrente teve direito à aposentadoria considerando o requisito da idade conjugado com o número de 180 contribuições mensais, mesmo com recolhimentos a destempo, o que lhe manteve a condição de segurada da previdência oficial. As referidas contribuições foram consideradas no cômputo para a concessão do benefício da aposentadoria, portanto, mantenedoras da condição legal em atendimento aos requisitos indispensáveis aquele reconhecimento ao órgão previdenciário oficial. Neste sentido, concluise não haver contribuições indevidamente recolhidas que resguarde eventual decisão de considerar a existência de direito creditório que permita a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao pleito do direito creditório. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904017/2013-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 30/09/2010, Código de Receita 5993, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 33083.84806.310111.1.3.40-7090.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 30/09/2010, Código de Receita 5993, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 33083.84806.310111.1.3.407090. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 61/62) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 52/54), proferida em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 01 7/ 20 13 -0 6 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10983.904017/201306 Resolução nº 1002000.035 S1C0T2 Fl. 128 2 sessão de 17 de maio de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1287.666, da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 02/08/2013 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 33083.84806.310111.1.3.407090 (efls. 05/10), transmitido em 31/01/2011, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de PER/DCOMP n.º 33083.84806.310111.1.3.407090, na qual o contribuinte compensou o valor relativo a pagamento a maior no valor de R$ 2.194,67 do período de apuração de 30/09/2010, código de receita: 5993, valor total do DARF: R$ 38.588,78, recolhido em 29/10/2010, com débitos próprios. Segundo o despacho decisório (fl. 04) o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada, tendo em vista que o DARF havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte foi cientificado em 12/08/2013 (fl. 47) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) em 10/09/2013, alegando em síntese que informou o valor do débito de IRPJ a maior na DCTF e que o equívoco já foi corrigido. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 2.194,67, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10983.904017/201306 Resolução nº 1002000.035 S1C0T2 Fl. 129 3 30/09/2010 5993 R$ 38.588,78 29/10/2010 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 5232762662 R$ 38.588,78 DB: Cód. 5993 PA 31/08/2010 R$ 38.588,78 Valor Total R$ 38.588,78 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/08/2013 Principal: R$ 2.237,03 Multa: R$ 447,40 Juros: R$ 526,37 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A compensação pleiteada foi negada em virtude de o crédito estar vinculado ao débito do período segundo a DCTF apresentada pelo contribuinte. Após o despacho decisório de nãohomologação o contribuinte retificou a DCTF (fl. 16) reduzindo o valor do débito de IRPJ para R$ 36.394,11, portanto, tornando disponível para restituição parte do valor do DARF recolhido fls. 50/51. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove o valor correto do IRPJ, apenas retificou a DCTF. Por todo o acima exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade interposta, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte se limitou a reiterar os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e justificar a retificação da DCTF. Eis os argumentos de defesa nas palavras do contribuinte: Tratase de uma DCTF de setembro de 2010 que tinha sido entregue com o pagamento de R$ 38.588,78 de IRPJ, código 5993, período de apuração 09/2010, sendo que estava todo alocado ao débito, o que é improcedente, pois o valor do débito de fato é R$ 36.394,11, conforme DCTF retificada em 05/09/2013 e conforme DIPJ Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10983.904017/201306 Resolução nº 1002000.035 S1C0T2 Fl. 130 4 apresentada no anocalendário 2010, assim o PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR de saldo a crédito a favor do contribuinte é de R$ 2.194,67, conforme PER/DCOMP que foi indeferida. Diante dos fatos aqui citados e por erro de preenchimento da DCTF pelo auxiliar contábil, a qual foi retificado e solucionado o problema, pedese que seja acatada a Per/Dcomp apresentada no período. O crédito de pagamento indevido a maior está aqui comprovado com as DCTF's, DIPJ, PER/DCOMP, BALANCETE contábil de 09/2010, LALUR na qual é comprovado com documentos contábeis fidedignos e que comprovam a veracidade do crédito tributário através da contabilidade como prova material para comprovar o crédito tributário. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 2.194,67. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 01/06/2017, efls. 55/57, protocolo recursal em 30/06/2017, efls. 58/62 e Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10983.904017/201306 Resolução nº 1002000.035 S1C0T2 Fl. 131 5 encaminhamento da unidade preparadora efl. 125), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Diligência Pois bem. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem se, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. O contribuinte, por sua vez, retificou a DCTF, reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, crédito. Entretanto, sob o argumento de falta de comprovação do motivo da retificação, a DRJ não acolheu a tese de defesa, desconsiderando a retificação. No recurso voluntário, o contribuinte reforça a justificativa da retificação da DCTF e apresenta documentos (efls. 63/124), os quais dariam substância a retificação, justificandoa, o que daria ensejo a reforma da decisão de primeira instância. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10983.904017/201306 Resolução nº 1002000.035 S1C0T2 Fl. 132 6 Compulsando os autos, verifico que, juntamente com o recurso voluntário, o contribuinte efetivamente colacionou documentação apta a lastrear e justificar a retificação realizada na DCTF. Destarte, tais documentos e os demais elementos probatórios corroboram com a possibilidade de haver direito creditório em favor do contribuinte. De mais a mais, destaco a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Sendo assim, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência, a fim de diligenciar junto a unidade de origem (DRF) para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 30/09/2010, Código de Receita 5993, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 33083.84806.310111.1.3.407090. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.101488/2008-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
Numero da decisão: 1002-000.431
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 79 1 78 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.101488/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.431 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 3 de outubro de 2018 Matéria MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF Recorrente WEISSHEIMER LOCAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF — EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES — OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 88 /2 00 8- 19 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11065.101488/200819 Acórdão n.º 1002000.431 S1C0T2 Fl. 80 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1021.511, de 22/10/2009 (efls. 45 a 53). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza razoavelmente o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de lançamento realizado, conforme Auto de Infração de N° de Rastreamento 803435768 (fl.08), decorrente de falta de entrega da DCTF referente ao 1° trimestre do anocalendário de 2004, tendo sido exigido, a título de multa, o recolhimento do crédito tributário total no montante de R$ 500,00. O contribuinte tomou conhecimento da cobrança em 14/11/2008, conforme fls. 11, e apresentou em 16/12/2008, impugnação ao lançamento, fls. 01/02, alegando que: 1 A empresa era participante do Simples em 2003, cumprindo com todas suas obrigações, que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo desobrigado de entregar a DCTF; 2 Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração, consultou a RFB, descobrindo que em seus sistemas constava a informação de exclusão do Simples desde o ano de 2002; 3 Não foi notificado da exclusão do Simples, sendo este procedimento administrativo nulo por violar o contraditório e a ampla defesa; e 4 Entregou a Declaração Anual Simplificada — PJSI 2004 em 31/05/2004 e os recolhimentos por esta sistemática continuaram nos anos seguintes, sem observação alguma por parte da RFB. Questiona o fato da RFB aceitar sua declaração sem qualquer manifestação. Ao final, requer seja acolhida a sua impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. [...] A DRJ/POA considerou improcedente o pedido contido na impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera o pedido e os fundamentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11065.101488/200819 Acórdão n.º 1002000.431 S1C0T2 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. São duas as razões nas quais se ampara a argumentação trazida no recurso voluntário visando à reforma da decisão de 1.ª instância administrativa: 1) Não fora o recorrente excluído do Simples Federal com efeitos a partir de 2000, uma vez que não teria sido notificado na forma do Decreto n.º 70.235/72, e isso o manteria desobrigado da apresentação de DCTF; e 2) Entregou Declaração Anual Simplificada (PJSI) para os anos calendário 2002, 2003 e 2004, e que relativamente a este procedimento não houve oposição ou manifestação de contrariedade pela Receita Federal. Abaixo seguem alguns trechos do recurso voluntário que melhor esclarecem as razões ponderadas, verbis: [...] [...] o objeto da impugnação foi a ilegalidade do procedimento administrativo de exclusão do Simples e, por conseguinte, a inexigibilidade da multa por falta de entrega da DCTF, contudo, depreendese dos autos que o Acórdão ora recorrido não enfrentou o mérito da impugnação da contribuinte, merecendo reforma. Certo é que a contribuinte, no discutido período e nos exercícios de 2000 a 2004, era participante do Simples e cumpriu com todas suas obrigações, tendo entregado todas as Declarações Anuais Simplificadas que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração impugnado, a contribuinte consultou a RFB e descobriu que havia sido excluída do Simples desde 2002. O referido procedimento de exclusão foi ilegal, uma vez que a contribuinte não foi notificada para exercer seu direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. A contribuinte, por não ter sido cientificada da exclusão, entregou a Declaração Anual Simplificada nos anos calendários 2002, 2003 e 2004, conforme demonstram as cópias em anexo, e os recolhimentos foram feitos por esta sistemática, sem qualquer oposição ou manifestação de contrariedade por parte da Receita Federal. [...] Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11065.101488/200819 Acórdão n.º 1002000.431 S1C0T2 Fl. 82 4 Entende a contribuinte que o ponto de discordância gira em tomo do procedimento administrativo que originou a ADE 315619. E que a contribuinte não foi notificada da exclusão. [...] Por derradeiro, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos não oportunizou a notificação da contribuinte, deve ser considerado nulo por afronta à Lei n° 9.784/99 e por violar o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; b) Em virtude de o procedimento de exclusão do simples ter violado as regras da Lei n° 9.784/99 e do Decreto 70.235/72, deve ser afastado o dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; [...] III DO PEDIDO A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da Respeitável Decisão de Primeira Instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso para: A) Declarar a nulidade do procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos; B) Declarar a inexigibilidade do dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; C) Excluir a multa por falta de sua entrega da DCTF. (grifei). De início cabem três considerações importantes. A primeira diz respeito à afirmação em recurso voluntário de que a decisão recorrida não enfrentou o mérito da impugnação. No entanto não é bem o que se observa no texto do acórdão recorrido, pois que ali consta que a discussão acerca da ilegalidade da exclusão do Simples deveria ter sido implementada em processo apartado, o que, não tendo sido providenciado pelo impugnante, levou aquela Turma Julgadora a considerar válido o Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão. A segunda referese à pretensão do recorrente no sentido de que o fato de os sistemas integrados que acolhem os envios das declarações eletronicamente terem admitido as entregas das Declarações Anuais Simplificadas, sem oposição, referendariam e validariam a correspondente forma de apuração e recolhimento dos tributos, afastando a obrigatoriedade de entrega de DCTFs. Da mesma forma não se pode considerar sólida tal alegação, pois não há previsão legal que dispense a fiscalização a cargo da Receita Federal quanto à regularidade da opção pelo regime de apuração, ou que dispense os demais requisitos exigidos para adesão ao Simples, ou que impeça a investigação fiscal que busque comprovar a situação fática real. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11065.101488/200819 Acórdão n.º 1002000.431 S1C0T2 Fl. 83 5 A terceira afigurase porque o recorrente assinala que entregou Declaração Anual Simplificada relativamente aos anos calendário 2002, 2003 e 2004, porém, ocorre que: Para o ano calendário 2002 o contribuinte recorrente apresentou declaração com o formulário eletrônico do tipo lucro presumido, que cancelou a declaração anterior que havia sido entregue sob a modalidade simplificada; Para o ano calendário 2003 o contribuinte optou pelo modelo de Declaração Anual Simplificada, porém não há nos autos prova da alteração cadastral correspondente, que é exigência legal para adesão ao Simples; Para os anos calendário 2004 e 2005 não houve entrega de declaração. O quadro abaixo, reproduzido da consulta de sistema contida na efl. 41 dos autos, confirma essas considerações: Ora, diante do contexto descrito, a argumentação recursal mostrase contraditória. Ao tempo em que o recurso pugna pelo reconhecimento de que teria o contribuinte permanecido no Simples nos períodos em relação aos quais a RFB está cobrando multas por atraso na entrega de DCTFs — 4.º trimestre de 2002 ao 2.º trimestre de 2005 —, o que se evidencia é que o próprio contribuinte, como demonstra o quadro acima, optou pelo lucro presumido no ano calendário 2002, e, que, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada para o ano calendário 2003, seguinte, não consta do processo a necessária alteração cadastral, que se tornou requisito obrigatório após a sua opção pelo presumido no ano anterior (2002), como dispõe a Lei n.º 9.317/96, em seu art. 8.º, § 1.º: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11065.101488/200819 Acórdão n.º 1002000.431 S1C0T2 Fl. 84 6 § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. E, ainda a propósito da melhor análise, consta dos autos que sequer houve declaração entregue correspondente aos anos calendário 2004 e 2005. Concluindo, revelado que a partir do anobase 2002, inclusive, o recorrente não se encontrava mais sob a sistemática do Simples para apuração e pagamento dos tributos, mediante ato unilateral da entrega de declaração via formulário eletrônico modelo lucro presumido, e não tendo demonstrado retorno ao Simples conforme procedimento legalmente exigido, cabe ratificar a decisão da DRJ/POA, uma vez que não ficou provado que o contribuinte teria se mantido no Simples no período de interesse deste processo. Ao contrário, e em reforço à posição da decisão de piso, observase que por sua própria opção passou o recorrente a se submeter ao lucro presumido a partir do anobase 2002. São as circunstâncias de fato descritas nos autos. Assim constatado, verificase a obrigatoriedade de entrega das DCTFs no período 2002 a 2005. Reafirmase então a decisão recorrida, acrescentandose as razões acima, ligadas à adesão voluntária do recorrente à metodologia de apuração pelo lucro presumido a partir de 2002, de maneira que tornase dispensável verificar se houve ou não cientificação do recorrente acerca da exclusão do Simples formalizada pelo ADE n.º 315619. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega da DCTF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001899/2011-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. INTEMPESTIVA.
O contribuinte foi notificado em seu domicílio fiscal. Adota-se como razão de decidir, a Súmula nº 9 deste Colendo CARF.
Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Numero da decisão: 2002-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. INTEMPESTIVA. O contribuinte foi notificado em seu domicílio fiscal. Adota-se como razão de decidir, a Súmula nº 9 deste Colendo CARF. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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INTEMPESTIVA. O contribuinte foi notificado em seu domicílio fiscal. Adotase como razão de decidir, a Súmula nº 9 deste Colendo CARF. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 18 99 /2 01 1- 18 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10166.001899/201118 Acórdão n.º 2002000.442 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.114/118) contra decisão de primeira instância (fls.96/100), que julgou por não conhecer a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Por meio de Notificação de Lançamento de fls. 62 a 65, foi alterado o resultado da declaração de Imposto a Restituir, no valor de R$ 9.357,17, para Imposto de Renda Pessoa Física, código 2904, no valor de R$ 9.720,16, acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, relativamente ao anocalendário de 2009. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal contidos no feito (fls. 63 e 64), o lançamento foi efetuado em virtude das irregularidades seguintes: a) Omissão de rendimentos, no valor de R$ 42.069,00, correspondente à diferença entre o valor informado pela fonte pagadora SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL (CNPJ n.º 00.394.676/0 00107), por meio da DIRF e no montante de R$ 50.241,00, e o valor informado pelo contribuinte na declaração de ajuste, no montante de R$ 8.172,00; e b) Omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, no valor de R$ 75.171,63. No ponto, relata a fiscalização que a parcela isenta de aposentadoria ou pensões deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais e que, no caso em exame, consta em contracheque valores de R$ 18.649,67 (CNPJ 00.394.676/000107), R$ 18.567,14 (CNPJ 29.979.036/000140) e R$ 17.215,08 (CNPJ 00.493.916/000120), cujo ajuste ocorreu nos rendimentos das fontes FUNDAÇÃO SISTEL e INSS. Cientificado do lançamento em 04/02/2011 (fl. 96), o contribuinte, irresignado, apresentou a impugnação de fls. 3 e 4, datada de Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10166.001899/201118 Acórdão n.º 2002000.442 S2C0T2 Fl. 4 3 21/03/2011 e acompanhada dos documentos juntados às fls. 5 a 9, onde, em síntese: Alega que deve ser cancelado o presente lançamento ante o reconhecimento de que o contribuinte é portador da moléstia grave denominada de adenocarcinoma de próstata, neoplasia grave, conforme acompanhamento clínico ambulatorial e medicina especializada, sendo, pois, tributáveis apenas os rendimentos recebidos no período de janeiro a abril de 2009, já que os rendimentos recebidos de maio a dezembro de 2009 são isentos ou não tributáveis, conforme o disposto no art. 30, § 1º, da Lei n.º 9.250, de 1995, no art. 39, § 4º e 5º, inciso XXXIII, do RIR/99, e na IN SRF n.º 15, de 2001; Alega ainda que a discordância ora apresentada tem fundamento em relatórios médicos e laudos periciais, realização d e exames e, bem assim, laudo médico datado de maio/2009, com a participação de cinco médicos; Em face do exposto, requer o cancelamento da exigência fiscal hostilizada. Após a juntada da petição impugnatória, a Divisão d e Controle e Acompanhamento Tributário (DICAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília (DF) exarou o despacho de fl. 16, consignando que a impugnação foi apresentada depois de expirado o prazo legal de defesa, previsto no art. 15 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Inscrito o débito na Dívida Ativa, a Divisão de Orientação e Análise (DIORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília (DF) enviou, todavia, memorando (fl. 54) à Procuradoria Regional da Fazenda Nacional na 1 a . Região Fiscal, em 22/01/2013, por meio do qual solicitou o cancelamento da inscrição ante a notícia de que o contribuinte havia impugnado a exigência fiscal, em29/03/2011. Dado este quadro, consta dos autos (fls. 28 a 30) que o contribuinte em relevo foi intimado (Intimação n.º 409/2015) em 29/ 06/2015 (AR de fls. 32 e 33), para que apresentasse documentos imprescindíveis “ao prosseguimento da análise do pedido de restituição do imposto”, em razão de isenção de doença prevista em lei, ocasião em que, em atendimento à supracitada intimação, o contribuinte juntou, ao processo, em 30/06/2015, os documentos colacionados às fls. 41 a 51. Na sequência, consta dos autos (fls.72 a 74) Despacho Decisório exarado pela Divisão de Orientação e Análise (DIORT), em 28/03/2016, que concluiu por “indeferir o pedido de cancelamento do crédito tributário da Notificação de Lançamento” em relevo, sob o fundamento de que não houve resposta à Intimação n° 409/2015, na qual fora solicitado ao contribuinte que apresentasse o ato concessivo da aposentadoria e, bem assim, laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Do referido Despacho Decisório, o contribuinte foi cientificado em 01/04/2016 (AR de fl. 76), sendo que no despacho de “Notificação de Ciência ” (fl. 75) a DIORT da DRF de Brasília (DF) concedeu a Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10166.001899/201118 Acórdão n.º 2002000.442 S2C0T2 Fl. 5 4 oportunidade para que o contribuinte interpusesse manifestação de inconformidade junto à DRJ, ao que o contribuinte, então, apresentou em 20/04/2016, o requerimento de fl. 79, acompanhado dos documentos juntados às fls. 80 a 91, onde, em síntese, solicita que seja reformado o despacho decisório e deferida a restituição de imposto pago indevidamente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, requerendo o cancelamento da ação fiscal e o seu direito à restituição. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 07/03/2017 (fl. 111); Recurso Voluntário protocolado em 06/04/2017 (fl. 114), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 119). O recorrente foi enquadrado por ter cometido as seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício; b) Omissão de Rendimentos Excedentes ao Limite de Isenção para declarantes com 65 anos ou mais. A r. decisão revisanda, julgou o feito pelo não conhecimento da Impugnação, apresentada por intempestiva (fls. 96/100). Irresignado com o v. acórdão, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, combatendo os seguintes pontos: a) A Notificação de Lançamento de Crédito Tributário (nº 2010/046593089450062) (fls. 10/12) foi encaminhada ao Recorrente pelo correio, recebido pela portaria do condomínio em que reside, no dia 04/02/2011 (AR – fls. 09), sendo este somente veio a tomar ciência da referida notificação no dia 07/03/2011, pois se encontrava fora de Brasília. (grifo do recorrente) b) Inconformado com o lançamento, o Recorrente apresentou, impugnação desse ato, no dia 29/03/2011 (fls. 01/07), gerando o processo em epígrafe. (grifo do recorrente) c) Mesmo que a DRJ considere nulo o Despacho Decisório da DIORT de fls. 72/74, não torna automaticamente nulo os demais atos praticados no âmbito de sua competência. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10166.001899/201118 Acórdão n.º 2002000.442 S2C0T2 Fl. 6 5 Alega o recorrente, que o seu recurso tem como lastro a Constituição Federativa do Brasil, de 1988, art. 5º, LV, que assegurou a garantia do contraditório e da ampla defesa em processos judiciais e administrativos. Pois bem, o contribuinte ora recorrente, teve seu direito constitucional preservado, tanto pelo contraditório quanto pela ampla defesa, eis que seu apelo recursal é de ser conhecido. A 2ª Câmara do 1º CC, tem decidido que atacada pelo contribuinte a intempestividade da impugnação declarada na decisão recorrida, impõese a segunda instância administrativa conhecer do Recurso Voluntário, no tocante, apenas às razões contrárias àquela declaração. Destaco que o próprio recorrente, reconhece que sua peça de impugnação é intempestiva, isto porque, nas suas razões, o recorrente disse que no período se encontrava fora de seu domicílio, ou seja, Brasília. A matéria já se encontra pacificada neste CARF, pela Súmula nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 138DF CARF MF
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