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Numero do processo: 10880.977127/2016-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 27 /2 01 6- 80 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977127/201680 Acórdão n.º 1401002.611 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2011, no valor de R$ 56.110,01, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977127/201680 Acórdão n.º 1401002.611 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977127/201680 Acórdão n.º 1401002.611 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720699/2010-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. 135, III, CTN.
A atribuição de responsabilidade tributária ao administrador depende da comprovação da prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, na forma exigida pelo artigo 135, III, do CTN.
Os atos em infração à lei para atribuição de responsabilidade tributária, referidos pelo artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, não se confundem com os atos praticados pela pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9101-003.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ADMINISTRADOR. 135, III, CTN. A atribuição de responsabilidade tributária ao administrador depende da comprovação da prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, na forma exigida pelo artigo 135, III, do CTN. Os atos em infração à lei para atribuição de responsabilidade tributária, referidos pelo artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, não se confundem com os atos praticados pela pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 99 /2 01 0- 14 Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 923 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à imputação de responsabilidade solidária a terceiros. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1402001.652, de 10/04/2014, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidiu excluir a responsabilização dos coobrigados. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. RECURSO IMPROVIDO. À Luz do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, presumese caracterizada omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso concreto, a autuada não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, limitandose a alegações sem apresentar provas. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ENTREGA DIPJ INDICANDO QUE A EMPRESA ESTAVA INATIVA. MULTA QUALIFICADA. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 924 3 Em regra, da presunção de omissão de receita caracterizada por depósito bancário não se pode extrair outra presunção para justificar a qualificação da multa. Contudo, a entrega de declaração indicando empresa sem movimento e/ou inativa é circunstância sobre a qual incide o disposto no artigo 71, da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando a qualificadora da multa. REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF. Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ E REFLEXOS. DECADÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. No caso dos autos, não existindo pagamento antecipado, aplicase o disposto no artigo 173, I, do CTN. Alegação de decadência rejeitada. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DO CONTRIBUINTE E RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIRO. EXISTÊNCIA DE DUAS REGRAS AUTÔNOMAS. REGRAMATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA E A REGRAMATRIZ DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE IDENTIFICAR QUANDO O SÓCIO PRATICA ATO EM NOME DA SOCIEDADE E QUANDO AGE DE FORMA CONTRÁRIA AO CONTRATO SOCIAL, RESULTANDO DESTA CONDUTA O INADIMPLEMENTO DOS TRIBUTOS. O sócio tornase corresponsável pelo pagamento do tributo não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas sim por praticar atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, dos quais decorram os créditos tributários exigidos (Inteligência do artigo 135, “caput” e inciso III, do CTN. Precedente STF. Recurso Extraordinário Recurso Extraordinário nº 562.276/PR, julgado em 03/11/2010. Relatora Ministra Ellen Graice). Deve se distinguir as situações que caracterizam a imputação de multa qualificada das situações que resultam imputação de responsabilidade a terceiro. Na multa qualificada se está diante de conduta da empresa. Por sua vez, na imputação de responsabilidade tributária a conduta é do terceiro, sócio ou não, mas sempre divorciada do agir e da vontade jurídica da empresa. Assim, a entrega de DIPJ não indicando a efetiva receita ou mencionado que a contribuinte encontrase inativa é ato que se atribui à empresa e não a seus sócios para lhes imputar corresponsabilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 925 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos: i) dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilização dos coobrigados. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna; e, ii) manter a multa de ofício nos moldes aplicados. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez, que reduzia a multa ao percentual de 75%. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao tema da responsabilidade tributária. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, e está representado em acórdão, cuja ementa está abaixo reproduzida na forma do art. 67, §9º do RICARF: Acórdão nº 1102001.017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PREJUÍZO À DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que apreciou devidamente todos os argumentos das impugnações apresentadas. O fato de não se ter feito referência direta à última impugnação não trouxe prejuízos à defesa, uma vez que ela apenas repetia as alegações do primeiro recurso. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. NULIDADE POR NÃO CONSTAR DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. O relatório circunstanciado, previsto no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 2001, é um instrumento de cunho informativo destinado a subsidiar a decisão daquele que é responsável pela expedição da RMF, não acarretando a sua ausência dos autos cerceamento do direito de defesa do contribuinte ou qualquer outra nulidade, uma vez que a expedição da RMF presume a indispensabilidade das informações requisitadas. SIGILO BANCÁRIO. JUSTIFICATIVA PARA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, permite que as autoridades fiscais tributárias da União tenham acesso às informações financeiras dos contribuinte, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis, devendo as informações ser conservadas Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 926 5 em sigilo. Assim, o sigilo bancário não pode ser oposto ao Fisco como justificativa para a não prestação de informações sobre movimentação financeira. Tanto isso é verdade que a lei garante à Administração Tributária os mecanismos para obtenção das informações negadas diretamente junto às instituições que as detêm. No caso em análise, como a empresa se negou injustificadamente a demonstrar os valores recebidos mensalmente das operadoras de cartões, configurado está o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, causa suficiente para a emissão das RMFs, nos termos do inciso V do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Os Mandados de Procedimento Fiscal MPFs deste processo foram emitidos de acordo com as determinações da legislação de regência, inexistindo qualquer nulidade deles decorrentes. Ademais, o MPF constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções nesse documento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. NULIDADE. LANÇAMENTO. DATA DO PROTOCOLO DO PROCESSO. INEXISTÊNCIA. A data de protocolização do processo administrativo não guarda relação com a data de lavratura do auto de infração ou da Representação Fiscal para Fins Penais. Após o protocolo, surge um número de processo e um suporte físico ou digital para se acrescentar documentos. O auto de infração e a Representação Fiscal para Fins Penais só surgem na data em que lavrados e assinados pela autoridade fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. SÚMULA CARF nº 28. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS DE OPERADORAS DE CARTÕES. EXISTÊNCIA DE RECEITAS DECLARADAS. COMPROVAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PARTE DOS RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Comprovado o recebimento de receitas por intermédio de operadoras de cartões em valores muito acima dos rendimentos declarados, e sendo impossível se identificar, na escrituração contábil e nos documentos apresentados, se parte dessas receitas já haviam sido tributadas, correto se considerar a totalidade dos valores recebidos por meio de cartões como omitidos, em especial quando o contribuinte foi por diversas vezes intimado a colaborar, mas se recusou expressamente a fazêlo. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM VALORES MUITO MENORES AOS EFETIVAMENTE AUFERIDOS. SONEGAÇÃO. Caracterizase sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, a prática reiterada de declarar ao Fisco rendimentos em valores muito abaixo daqueles efetivamente auferidos, o que enseja a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 927 6 RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. ART. 135, INCISO III, DO CTN. ALCANCE. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. A responsabilidade do administrador é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito, que deve ser provado pelo Fisco. No caso, a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa do sócio no sentido de suprimir tributos. LANÇAMENTO REFLEXO DE PIS, COFINS E CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrerem da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Destaque nosso) a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF excluiu a corresponsabilidade de Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit, sustentando que a autoridade fiscal não distinguiu a conduta da empresa e a de seus sócios e, tampouco, descreveu qualquer ato praticado por estes em infração à lei ou ao contrato social. vejamos trecho da fundamentação do acórdão recorrido: [...]; no paradigma, a Fiscalização atribuiu ao sócioadministrador da empresa, responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído de ofício, em decorrência de atos praticados com infração da lei (prática reiterada e contumaz de apresentar as declarações fiscais inexatas da empresa, com receitas sabidamente menores que as efetivamente auferidas), de acordo com o art. 135, inciso III, do CTN; no acórdão paradigma, o contribuinte responsabilizado pelo crédito tributário alegou que não agiu com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto, pois quem apresentou as declarações à Receita Federal foi a pessoa jurídica autuada e não a pessoa física do sócio. No entanto, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF não o excluiu da responsabilidade solidária porque ficou demonstrada nos autos, a sonegação fiscal; assim no paradigma, prevaleceu o entendimento de que as omissões de valores surgidas a partir da conduta dos sócios se enquadram, sim, como caracterizadoras da responsabilidade solidária desses; nesse mesmo sentido, segue outro paradigma: Acórdão nº 130200.458 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 928 7 Anocalendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. DEFICIÊNCIAS. LUCRO ARBITRADO. A apresentação de escrituração incompleta, impedindo a devida apuração dos tributos por parte da Fiscalização, enseja o arbitramento dos lucros auferidos pela pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO APRESENTADA POSTERIORMENTE. Tendo em vista a não existência de arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela apresentação posterior da escrituração, cuja inexistência ou não apresentação foi a causa do arbitramento. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. SOLIDARIEDADE. I Condutas do sócioadministrador, desde a não escrituração das operações contábeis, passando pelo não envio declarações obrigatórias de pessoa jurídica, consubstanciaram uma série de atos ordenados, um por um, visando ocultar as receitas auferidas que deveriam ter sido oferecidas á tributação. Tais ações e omissões, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, caracterizaram o dolo, restando demonstrada subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. II – O termo “pessoalmente responsáveis”, do artigo 135 do CTN, trata de responsabilidade surgida direta e pessoalmente, o que não quer dizer, contudo, que a pessoa jurídica fique desobrigada, até porque, caso o fosse, deveria haver uma menção expressa de exclusão de responsabilidade. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Destaque nosso) dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. a Fazenda Nacional adota como razões a elucidativa fundamentação apresentada no Acórdão nº 11042.297 (decisão de primeira instância administrativa): Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 929 8 “6. Depois de tecer graves considerações sobre a Teoria da desconsideração da personalidade jurídica, da solidariedade prevista no art. 124 e da responsabilidade do 135 do CTN, a defesa rematou afirmando as imputações de sujeição passiva consubstanciadas no Termo de Sujeição Passiva por Responsabilidade Solidária seriam descabidas, uma vez que não teria havido prova de que os sócios com poder de gestão teriam praticado atos com infração de lei, contrato social ou estatutos. 7. Não lhe assiste razão. Antes de mais nada, baldada a copiosa, didática e usual explanação acerca da desconsideração da personalidade jurídica, pois que não tem o condão de suprimir o comando do art. 135 do CTN (o dispositivo com efeito encerra típica hipótese de desconsideração da personalidade jurídica). 8. Por meio da Nota GT Responsabilidade Tributária nº 1, de 17 de dezembro de 2010, o grupo de trabalho criado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8/2010, assim se posicionou: [...]; 9. O Procurador da fazenda Nacional Aldemário Araujo Castro, também segue essa mesma linha de entendimento: [...]; 10. De toda sorte, os sócios com poder de gestão, ao não escriturarem os livros fiscais e contábeis e não manterem controle efetivo das operações da empresa, adrede agiram com o intuito de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência de fato de gerador (aspecto material da hipótese de incidência tributária), o que vai de encontro ao art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação); caracterizando desse modo infração à lei, nos termos previstos no art. 135 do CTN. 11. Nesse passo, escorreita a caracterização da sujeição passiva solidária, com suporte nos art. 124 e 135 do CTN. 12. Assim, ante o exposto, voto por considerar correta a imputação da sujeição passiva por responsabilidade solidária”. para ratificar o exposto, segue a jurisprudência do CARF: [...]; DO PEDIDO. em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja reformado, nesse ponto, o acórdão recorrido. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 29/04/2016, deu seguimento ao recurso especial, fazendo as seguintes considerações sobre a divergência suscitada: [...] A Recorrente diverge da Turma julgadora quanto ao ponto em que ficou decidido pelo afastamento da corresponsabilidade dos Srs. Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit, por se entender que a autoridade Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 930 9 fiscal não teria distinguido a conduta da empresa e a de seus sócios, não tendo descrito qualquer ato praticado por eles em infração à lei ou ao contrato social. Aponta como primeiro paradigma o Acórdão nº 1102001.017, no qual prevaleceu o entendimento de que as omissões de valores decorrentes da conduta dos sócios se configuram como caracterizadoras da responsabilidade solidária. O acórdão foi assim ementado: [...]; Nesse julgado, o entendimento prevalente foi o de que omissões de valores derivadas da conduta dos sócios são caracterizadoras da responsabilidade solidária destes. Posição, essa, defendida pela Fazenda Nacional. Como segundo paradigma foi trazido o Acórdão nº 130200.458, que recebeu a ementa a seguir: [...]; Nesse paradigma foi mantida a responsabilidade solidária dos sócios, em decorrência do não pagamento de tributos e da não apresentação de DIPJ, do não reconhecimentos de débitos em DCTF e da ausência de registro desses fatos na contabilidade. O contribuinte responsabilizado alegou não ter agido contrariamente à lei, ao estatuto ou ao contrato social, nem ter agido com excesso de poderes. Argumentou que quem teria apresentado as Declarações fiscais inexatas seria a empresa, pessoa jurídica, e não ele, pessoa física. Não obteve êxito ante o Colegiado. De outro modo, na decisão recorrida, foi excluída a responsabilização dos coobrigados, sócios com poder de gestão, ante situações semelhantes às encontradas nos paradigmas, tais como: falta de escrituração de livros fiscais e contábeis, e outras ações que objetivavam impedir o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência dos fatos geradores. Entendeu a Turma Julgadora que as condutas da empresa e as de seus sócios teriam que ter sido distinguidas pela autoridade fiscal. Afastouse, por essa razão, a responsabilidade solidária por omissão de receitas e pela conseqüente sonegação fiscal. Assim, constatase que, ante fatos semelhantes, os paradigmas decidiram de forma diversa à do julgado combatido, revelando a diversidade de entendimentos entre os colegiados. Pelo exposto, considero comprovada a divergência. DOU SEGUIMENTO À MATÉRIA. Em 04/07/2016, Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit (ambos na condição de responsáveis pelos créditos tributários constituídos contra a empresa Antiquorum Jóias e Antiguidades Ltda.) foram intimados do Acórdão nº 1402001.652, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 19/07/2016, eles apresentaram contrarrazões ao recurso da PGFN, com os argumentos descritos a seguir: DO NÃO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 931 10 Recorre a União Federal a este Colendo Conselho com o fundamento de que há divergência jurisprudencial quanto ao fundamento do acórdão recorrido, alegando que as omissões de valores surgidas a partir da conduta dos sócios se enquadram como caracterizadoras da responsabilidade solidária destes; ora Ilustre Julgador, o presente Recurso Especial interposto, sobre o qual se apresentam as presentes contrarrazões, versa sobre matéria já decidida por este Colendo Conselho, cujo assunto se encontra pacificado nos Tribunais Superiores, devidamente fundamentado na legislação que rege a matéria, consoante restou consignado no respeitável acórdão de fls. 794/808, que não merece reparo quanto a essa questão; nesta linha, tendo em vista que os sócios administradores da sociedade limitada Recorrida somente respondem civilmente pelas obrigações por ela contraídas, quando reste comprovada a intenção de prejudicar terceiro, e desde que ajam com excesso de poderes, infração à lei, estatuto ou contrato social, deve ser o recurso julgado improcedente; MÉRITO: DA AUSÊNCIA DA CONDIÇÃO "SINE QUA NON" PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NA FORMA DO ART. 135, III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. para a realização de seus objetivos, em decorrência da complexidade da vida civil, o homem que já não mais consegue desempenhar individualmente suas atividades, vêse forçado a se agrupar e a reconhecer a existência do ente coletivo por ele criado, distinguindoo da pessoa dos associados, atribuindo a ele personalidade, considerandose como uma pessoa, porém, numa realidade técnica, Pessoa jurídica, neste sentido, é uma junção de pessoas naturais ou de patrimônios, tendo por escopo a consecução de certos objetivos, sendo reconhecida pela ordem jurídica como sujeito apto a adquirir e exercer direitos e contrair obrigações; assim como as pessoas naturais, os entes coletivos possuem personalidade jurídica, ou seja, aptidão para adquirir direito, exercêlo e contrair obrigação. As sociedades empresárias adquirem sua personalidade com a devida inscrição dos seus atos constitutivos no registro próprio (art. 985 do Código Civil de 2002); é oportuno lembrar que o Código Civil de 1916, em seu art. 20, fez expressa distinção entre a pessoa jurídica de seus associados, ao passo que o Código Civil de 2002 traz essa norma de maneira implícita e espalhada por todo o diploma legal; a exemplo disso, o art. 50 do novo diploma civil prevê a confusão patrimonial como prática contrária à sistemática disciplinada na relação sócio — sociedade. Tanto é verdade que, por esse motivo, as obrigações contraídas na tentativa de fraudar credores, para efeito deste dispositivo, poderão ser estendidas ao patrimônio de seus sócios, a fim de que elas sejam cumpridas. Podemos também extrair da leitura do art. 47 do mesmo diploma legal, a indicação de que os atos praticados pelos administradores obrigam a pessoa jurídica, apenas quando exercidos nos limites dos poderes que lhes foram conferidos pelo ato constitutivo; analisando a norma por outro prisma, veremos que, se os sócios administradores agirem com excesso de poder em relação ao estatuto ou ao contrato social, a sociedade não responderá pelas obrigações que decorram desses atos, sendo a responsabilidade pelo cumprimento delas transferida para os sócios com poderes de gestão; Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 932 11 a personalidade jurídica das pessoas jurídicas é a aptidão para adquirir e exercer direito e contrair obrigações. Conforme Waldo Fazzio Júnior, da personalidade jurídica resultam a capacidade e a titularidade jurídica, negocial e processual. Dessa forma, encontramos de um lado as pessoas naturais, que se unem para melhor desempenhar suas atividades, e, de outro, a sociedade enquanto pessoa numa realidade imposta pela lei; por ser um atributo concedido pelo Direito, a personalidade das empresas, ou mesmo das pessoas jurídicas de direito privado como um todo, pode ser suprimida em certas ocasiões, mesmo que sejam regularmente registradas, a fim de que sejam tratadas como sociedades não personificadas; a teoria da desconsideração da personalidade jurídica foi desenvolvida nos tribunais norteamericanos, para quem é denominada de disregard of legal entity. Essa doutrina não tem por objetivo questionar, ou mesmo, por abaixo o princípio da separação da personalidade entre o sócio e a sociedade. Não obstante haja uma interpenetração com o afastamento das características inerentes às sociedades, de tal sorte que venha atingir os bens dos associados, essa doutrina procura se desenvolver como um reforço ao instituto da pessoa jurídica, a fim de coibir atos abusivos e de evitar que ela seja utilizada com finalidades contrárias àquelas que as formaram, de modo a promover uma justiça, principalmente quando essa personalidade está sendo utilizada como mecanismo para evitar ou descumprir obrigações legais e fraudar a lei; Eliana Calmon, em acórdão proferido enquanto Ministra do Superior Tribunal de Justiça — STJ, afirmou no Recurso Especial — Resp. n.° 436012/RS, que o CTN foi o primeiro diploma do direito pátrio a consagrar a teoria da desconsideração da pessoa jurídica. Da mesma forma entendeu o Ministro do STJ Peçanha Martins, no Resp. n.° 8711/RS, que tratava de Execução Fiscal sobre os patrimônios dos sócios que a época assumiram a administração da sociedade, que atenta para a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica, de modo a prevalecer o princípio da responsabilidade subjetiva, na forma do art. 135, III, CTN; o legislador tributário, na tentativa de identificar o sujeito passivo da relação tributária principal, conceituou o responsável ora como aquele que, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorre de disposição expressa de lei (art. 121, II), ora como uma terceira pessoa vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, a quem a lei poderá atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário (128, caput); o responsável definido no art. 121, II, além de não possuir qualquer relação com o fato gerador da obrigação principal, não é uma figura criada pela Teoria Geral do Direito; conforme a Teoria Geral do Direito, a responsabilidade é a expressão de um fato cuja sanção foi dirigida a alguém, podendo ser a mesma pessoa que cometera o ilícito ou um terceiro. No primeiro caso, o agente do fato antijurídico responde por ilícito seu. No segundo, responde por fato antijurídico provocado por outra pessoa; desta forma, a pessoa referida no art. 121, II do CTN não é responsável, já que não está submetida à sanção por uma conduta oposta do contribuinte, ao modal deôntico que prédefine uma obrigação, mas sim substituto legal tributário, pois, a bem da verdade, a conduta antijurídica é praticada pelo próprio substituto, e não pelo contribuinte. Neste caso Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 933 12 específico, o sujeito passivo da relação tributária não possui qualquer vínculo com o fato gerador da obrigação principal; então, essa terceira pessoa alheia ao fato gerador do tributo descrito na norma tributária como responsável não responde por débito de terceiro, mas por débito seu. A obrigação, diferentemente do que ocorre na responsabilidade tributária, já nasce para o substituto legal; se o administrador da sociedade atua regularmente para a consecução das atividades da sociedade, não responde pelas obrigações por ela contraídas. A pessoa jurídica, digase, sociedade limitada, quando constituída, possui titularidade jurídica negocial, contratando e praticando negócios em seu nome; titularidade jurídica processual, tendo capacidade para ser parte na lide; e titularidade jurídica patrimonial, pois, seu patrimônio é distinto do patrimônio dos sócios, caso em que estes não respondem, em via de regra, pelos débitos da sociedade; os sócios administradores da sociedade limitada somente respondem civilmente pelas obrigações por ela contraídas, quando reste comprovada a intenção de prejudicar terceiro, e desde que ajam com excesso de poderes, infração à lei, estatuto ou contrato social. Desse modo, para não causar instabilidade nas relações interpessoais à revelia da segurança jurídica, os sócios não podem responder, no caso das sociedades limitadas, em regra geral, por dívidas contraídas pela sociedade a que fazem parte, quando praticam atos regulares, ou seja, dentro das atribuições e competências que lhes foram conferidas pelo contrato social ou estatuto; firmada a idéia de que existe uma separação patrimonial, processual e negocial das sociedades empresárias para com as pessoas que as compõem, o CTN erigiu normas, a fim de evitar sua utilização como mecanismo de descumprimento das obrigações tributárias impostas a elas, e em benefício dos sócios ou seus administradores; o CTN, para garantir do Crédito Tributário ao Sujeito Ativo da relação tributária, erigiu casos de responsabilidade de terceiros (arts. 134 e 135), sendo esta uma espécie do gênero responsabilidade tributária (art. 128 a 138). Pela sistemática desse diploma legal, a responsabilidade tributária pode ser dos sucessores, por infração ou de terceiros. Nesta, imputou aos diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado, a responsabilidade pessoal, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto (art. 135, III); como podemos observar outrora, para a teoria geral do direito o conceito de responsabilidade possui relação com o conceito de dever jurídico. A responsabilidade é atribuía à pessoa que, por uma conduta oposta à norma, lhe é dirigida uma sanção. Há casos em que o sujeito a quem a sanção foi dirigida coincide com o sujeito do dever jurídico. Por sua vez, pode ocorrer de a sanção ser direcionada a um terceiro, por ato antijurídico praticado pelo sujeito do dever; podemos extrair desse preceito que o responsável é aquela pessoa que está sujeita a uma sanção em decorrência de uma conduta oposta à norma. Neste caso, a responsabilidade pode ser atribuída a quem praticou a conduta antijurídica, caso em que haverá uma identificação entre a pessoa da conduta oposta e o responsável, ou mesmo, a um terceiro Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 934 13 que irá ser responsável por uma conduta oposta à norma praticada pelo sujeito do dever jurídico; a pessoa jurídica, como sabemos, possui titularidades distintas dos membros que a compõe, sendo sua vontade expressada através dos atos praticados por eles. Nessa condição, quando praticados atos que se coadunam com o interesse da sociedade, a titularidade para responder patrimonial, negocial e processualmente é da sociedade. Por outro lado, se seus associados, notadamente os sócios com poderes de gestão, praticam atos que venham a prejudicar terceiros e em oposição à lei, ao contrato social ou estatuto por eles aceito, responderão, não em nome da sociedade, mas em nome próprio, porque agiram em interesse próprio, pondo em segundo plano os interesses firmados em convenção social; com a ocorrência do fato gerador, nasce para o contribuinte, ou seja, a pessoa que tem relação direta e pessoal com a situação descrita na norma tributária, a obrigação de pagar tributo ou penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, ou ainda, as penalidade pecuniárias advindas da inobservância das obrigações acessórias; assim, quando da ocorrência do fato gerador, a. sociedade limitada deve adimplir a obrigação principal e cumprir as obrigações acessórias. digase, as prestações positivas e negativas previstas na legislação tributária. A conduta oposta ao que determinam estas obrigações gerará uma sanção. Nesta ocasião, pode haver uma coincidência entre o responsável e o sujeito do dever jurídico não cumprido, isto é, a sociedade/contribuinte. Ou pode ocorrer dos sócios ou administradores da sociedade serem identificados como responsáveis nos casos em que haja impossibilidade por parte da Fazenda Pública de exigir do contribuinte (sociedade) o cumprimento da obrigação principal (CTN, art. 134, VII), o que não é o caso; assim sendo, o substituto tributário não tem o dever de adimplir débito de terceiros decorrente do descumprimento do fato gerador da obrigação principal ou acessória, mas tão somente, por débito seu, cujo inadimplemento se deu por meio de atos praticados com infração à lei, contrário ao estatuto, contrato social ou exercidos com excesso de poderes; conforme amplamente demonstrado o Crédito Tributário não está sendo cobrado dos administradores pela impossibilidade de a Fazenda Pública exigir do contribuinte o cumprimento da obrigação tributária, e sim, por que os sócios com poderes de gestão agiram com infração à lei; em matéria de substituição tributária (CTN, art. 135, III), não existe solidariedade entre a sociedade e os administradores, tão pouca há subsidiariedade entre eles, pois não comporta benefício de ordem. A rigor, a obrigação já nasce para o administrador que age com excesso de poder, infração à lei, estatuto ou contrato social, excluindo da relação a pessoa jurídica, posto que o legislador já fez a sua escolha. Também, quando constituído o crédito tributário, incluise, para efeito da substituição, além das penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, as que por ventura venha a surgir em razão da inobservância das obrigações acessórias; existem três limites a fim de identificar não apenas o substituto legal tributário, mas também, determinar e fixar parâmetros para configurar a substituição tributária. Por meio das informações doutrinárias e jurisprudenciais detectamos três limitações que se adequam à substituição tributária, são elas: limitação pessoal, limitação temporal e limitação material, respondendo as respectivas indagações: quem pode ser substituto tributário, a fim de Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 935 14 satisfazer o crédito? Qual o lapso temporal da sujeição passiva, para efeito de substituição tributária? E, porque uma determinada pessoa responderá pessoalmente por crédito tributário cujo fato gerador foi realizado por outra pessoa? limitação é o "ato ou efeito de limitar (se)". Limite é o "ponto que não se deve ou não se pode ultrapassar". Então, para a configuração da sujeição passiva do substituto tributário, não devem a Fazenda Pública ou seus agentes, bem como os órgãos do Poder Judiciário ultrapassarem certos parâmetros sob pena de identificar de forma errônea o sujeito do dever jurídico que infringi à lei, atua com abuso de poder, e o que é pior, age com injustiça, ferindo de morte o bem maior perseguido pelo Estado: a justiça; a sociedade limitada possui personalidade própria, decorrendo dela sua titularidade patrimonial, processual e negocial que distingui da dos membros que a compõem. Quando do exercício regular das atividades societárias, os sócios com poderes de gestão não respondem por débitos contraídos pela sociedade, e com maior razão, não respondem os sócios cujos poderes não lhes foram conferidos; os sócios com poderes de gestão são diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado (art. 135, III, do CTN) e, conforme o Código Civil de 2002, administradores (art. 1.010). Estas pessoas, quando agem, em função do cargo que ocupam na sociedade empresária, com excesso de poder, infração à lei, estatuto ou contrato social, respondem pessoalmente pelo crédito tributário decorrente dessas condutas; o substituto tributário, conforme informamos, tem como fundamento o art. 121, II, do CTN, pois a sua inclusão na sujeição passiva tributária, a fim de satisfazer o crédito, não guarda qualquer vínculo ou relação com o fato gerador da obrigação principal. Essa "responsabilidade" decorre exclusivamente da lei. Já o responsável tributário disposto no artigo 128 do mesmo diploma legal tem, por sua vez, vinculação com o fato gerador; a limitação pessoal, de toda sorte, deve preencher os seguintes questionamentos: quem pode ser substituto tributário, a fim de satisfazer o crédito? Qualquer sócio? Somente os sócios administradores? Na falta de patrimônio do sócio gerente, podem ser atingidos os bens de sócios que não tenha competência para gerir a sociedade? pela simples leitura do Código Tributário Nacional, percebemos que são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, os dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (art. 135, III); dessa forma, dirigente é a pessoa a quem lhe foi atribuído o poder das decisões mais importantes da empresa, gerente é aquele que gere os negócios, bens ou serviços, ou os administra, e representante é a pessoa que recebeu poderes para agir em nome de outrem ou da própria sociedade empresária. Apesar de haver distinção precisa para cada uma dessas pessoas dentro da sociedade, para efeito do art. 135, III, do CTN, estas designações gerentes, dirigentes e representantes possuem o mesmo significado, ou seja, são pessoas que possuem poderes para agir em nome da empresa; o CTN só qualifica como pessoalmente responsáveis os sócios que exerçam poderes de gestão. Pelo entendimento do STJ "é impossível a penhora dos bens dos sócios que jamais exerceram a gerência, a diretoria ou mesmo representasse a empresa executada"; Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 936 15 ser sócio, nesta ocasião, não é pressuposto para que haja substituição tributária. O Código Civil de 2002, a exemplo disto, criou a figura do administrador não sócio (art. 1.061, caput). De fato, pode ocorrer também de uma empresa fazer parte do quadro de sócio da sociedade e nesta ocasião ser a administradora dela. Numa sociedade não é composta apenas de pessoas físicas; somente as pessoas com poderes de gestão ou de representação da sociedade, sejam elas físicas ou jurídicas, sócios ou não sócios, podem responder pelo crédito na condição de substituto legal tributário, e desde que tenham agido com excesso de poder ou infração à lei, estatuto ou contrato social, nos exatos termos do art. 135, III, do CTN; no caso sob exame, não restou demonstrado qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei, estatuto ou contrato social por parte dos administradores da sociedade empresarial. Desse modo, resta desconfigurada a possibilidade de se atrelar diretamente a estes sócios administradores, a responsabilidade pelo Crédito Tributário; para que o sócio administrador responda pessoalmente pelo crédito tributário não basta apenas ter o poder de gestão, sendo dirigente, gerente ou representante da pessoa jurídica ou que haja o inadimplemento da obrigação principal, é necessário que pratique atos com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto (135, caput); essa responsabilidade não comporta o caráter objetivo. Então, por determinação legal, a regra é o dirigente não responder pessoalmente pelo crédito tributário, podendo ser apenas quebrada de maneira válida, em situações que deixem claras as evidências de culpa subjetiva, por exemplo, infração à lei, estatuto, contrato social ou excesso de poder; a Lei que se infringe, diz Misabel Derzi, não é a lei tributária, mas sim a lei civil ou comercial, dessa forma agindo o administrador com interesse contrário ao do contribuinte, isto é, a lei que rege a relação entre o contribuinte e o terceiro responsável. Da mesma forma, para Fernando Almeida e Simone Franco, a expressão infração à lei "contida no caput do art. 135 do CTN deve ser entendida não como compreensiva de toda e qualquer hipótese de infração a uma norma legal, mas sim no sentido de infração às normas de conduta exigidas aos gerentes, administradores e representantes das pessoas jurídicas na condução dos negócios"; apesar de não podermos precisar cada caso em que possa ocorrer a substituição por infração à lei, existem princípios que devem sempre ser levados em consideração, sendo o mais importante deles o da separação jurídica existente entre a sociedade enquanto pessoa jurídica e detentora de personalidade própria e os membros que a compõe; nessa condição, os atos praticados pelos sócios no comando da sociedade espelham os anseios dela, e não de cada sócio em particular. Assim, quando descumprida uma obrigação, ou mesmo infringida uma lei, não significa dizer que foi o sócio ou administrador que assim o fez, mas sim a sociedade, e por isso deve ela responder pelo ato, e não o administrador pessoalmente; se todo descumprimento de obrigação for considerado infração à lei e resultar para os sócios que gerirem a empresa uma substituição, cairia por terra o princípio da segurança jurídica e desconfigurada estaria o princípio basilar que distingue a personalidade da empresa e de seus membros; Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 937 16 de toda sorte, a obrigação de pagar o tributo (obrigação principal) não é do sócio, mas sim da sociedade, bem como o dever de emitir nota fiscal, escriturar livros fiscais e contábeis, etc (obrigações acessórias). Estas, quando descumpridas, deve a sociedade, com o seu patrimônio, saldar a dívida com a Fazenda Pública, não os administradores. A lei a que se refere o art. 135, caput, deve ser infringida pelo administrador, não pela sociedade. Por isso, o Superior Tribunal de Justiça STJ tem entendido que o mero inadimplemento da obrigação principal não dá razão para substituição tributária, impossibilitando o pagamento do crédito tributário pelo sócio dirigente, gerente ou administrador; se não há infração à lei quanto a sociedade deixa de recolher aos Cofres Públicos o tributo devido (obrigação principal), também não existirá, caso a sociedade deixe de prestar quaisquer informações ao Fisco ou as preste de forma errônea (obrigação acessória); em decisão proferida no AgRg no Resp 1082881/PB, da lavra do Ministro do Superior Tribunal de Justiça Herman Benjamin, da Segunda turma, datado de 27 de agosto de 2009, restou confirmada a tese acima sustentada, in verbis: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SOLIDARIEDADE. ART. 13 DA LEI 8.620/1993. APLICAÇÃO CONJUNTA COM O ART. 135 DO CTN. SIMPLES INADIMPLEMENTO DE DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEI. 1. O redirecionamento com base no art. 13 da Lei 8.620/1993 exige a presença das hipóteses listadas no art. 135 do CTN. Precedentes do STJ. 2. In casu. o Tribuna de origem consignou que a Execução fiscal originouse de descumprimento de obrigação acessória, culminando no simples inadimplemento do débito. Desse modo, não está configurada a prática de atos com infração à lei ou ao estatuto social". o inadimplemento da obrigação principal, mesmo que de modo contumaz, não dá razão à substituição tributária do sócio administrador, mesmo que conjuntamente ao descumprimento das obrigações acessórias, pois a obrigação de pagar o tributo é da sociedade e não dos sócios. Neste caso, quem age com infração à lei é a sociedade e não o administrador ou os sócios; da violação do contrato social, desde que isto venha a interferir no recolhimento do tributo devido pela sociedade, responderá pessoalmente pelo crédito o dirigente, o gerente ou o representante da pessoa jurídica de direito privado, o que não é o caso; não há que se falar, no presente caso, em responsabilidade tributária ou mesmo substituição tributária, na forma do art. 135, III, do Código Tributário Nacional, posto que para que reste configurado os pressupostos deste instituto, não basta que reste comprovada a falta de obrigação acessória. Devese de toda sorte, demonstrar que houve infração à Lei comercial, o que não foi feito pelo fiscal, até mesmo porque, todas as operações bancárias realizadas se deram com a finalidade de cumprir com o objeto social da empresa Antiquorum Jóias e Antiguidades Ltda.; assim, os argumentos da UNIÃO FEDERAL não prosperam em razão de que a norma de incidência da qual resulta a responsabilidade de terceiro em nada se confunde com a norma de incidência da qual resulta a obrigação de pagar tributo. A obrigação de pagar tributo incide sobre atos jurídicotributários, ao passo que a responsabilidade tributária de terceiro, nas hipóteses previstas no artigo 135, III, do CTN, decorrem de atos ilícitos dos Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 938 17 agentes em relação aos quais se imputa tal responsabilidade, conforme já amplamente demonstrado no curso do processo e devidamente fundamentadas no acórdão recorrido; ante a pacífica jurisprudência dos Tribunais Superiores, caem por terra os argumentos que sustentam o recurso ora contrariado, de modo que não pode prevalecer ou prosperar, sob pena de flagrante injustiça; por tais razões, o acórdão recorrido encontrase em franca harmonia com o entendimento pretoriano sobre a matéria, não podendo jamais prosperar os pífios argumentos trazidos à baila pela Recorrente na vã tentativa de induzir este E. Conselho em erro, que restou totalmente exaurida no voto do Ilustre Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva, não merecendo qualquer reforma; DOS PEDIDOS diante do exposto, requer a improcedência do Recurso Especial interposto pela União Federal (Fazenda Nacional), para manter o respeitável acórdão recorrido, que deve, de toda sorte, ser mantido, para excluir a responsabilização dos coobrigados, ora Recorridos. Em 09/01/2017, a empresa Antiquorum Jóias e Antiguidades Ltda. (na condição de contribuinte) também foi intimada do Acórdão nº 1402001.652, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. E tempestivamente, em 24/01/2017, ela também apresentou contrarrazões ao recurso da PGFN, com conteúdo idêntico das contrarrazões apresentadas pelos responsáveis tributários, conforme acima descrito. É o relatório. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 939 18 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. A autuação fiscal decorreu de omissão de receita, caracterizada pela não comprovação da origem de depósitos bancários. O lançamento de IRPJ e CSLL foi feito pelo lucro arbitrado. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, e também foram lavrados Termos de Sujeição Passiva por Responsabilidade Solidária contra os Srs. Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit (sóciosadministradores da empresa). Tanto as exigências fiscais (com a multa qualificada), quanto o vínculo de responsabilidade tributária foram mantidos na primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, decidiu excluir a responsabilização dos referidos coobrigados. Nessa fase de recurso especial, a PGFN pretende ver restabelecido o vínculo de responsabilidade tributária. Em sede de contrarrazões, tanto a pessoa jurídica, quanto os coobrigados, apresentaram tópico intitulado "do não cabimento do presente recurso especial". Entretanto, eles não suscitaram efetivamente nenhuma preliminar de não conhecimento do recurso. O que eles alegam é que o recurso versa sobre matéria já decidida por este Colendo Conselho, cujo assunto se encontra pacificado nos Tribunais Superiores; que o acórdão recorrido não merece reparo quanto à referida matéria; e que o recurso deve ser julgado improcedente. Portanto, não há nenhuma preliminar de não conhecimento a ser apreciada. Em relação ao mérito da questão sobre a responsabilidade tributária dos sóciosadministradores, o acórdão recorrido registra que a autoridade fiscal destacou os seguintes aspectos no termo de sujeição passiva solidária, à fl. 469: a) O quadro social era formado por Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit, sendo que pelo contrato social cabia a ambos a administração da empresa; Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 940 19 b) a empresa auferiu receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não comprova, não escriturou, não apresentou escrituração contábil e não efetuou o pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Apresentou declaração de inatividade mencionando que permaneceu durante todo o ano de 2005 sem efetuar qualquer atividade operacional (fl. 470); c) Tendo os sócios agidos com infração à lei, incidiram as hipóteses de responsabilidade tributária solidária dos sócios contidas no artigo 210, VI, do RIR. arts. 124, I e II, 128 e 135, do CTN; d) Após citar tais artigos a autoridade fiscal transcreve o conteúdo dos mesmos e aponta decisões de DRJ e do CARF destacando que "respondem pelos créditos tributários os administradores que tenham praticados atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (fl. 471). O acórdão recorrido, embora tenha mantido a multa qualificada, decidiu excluir a responsabilização dos coobrigados entendendo: que é necessário distinguir as situações que caracterizam a imputação de multa qualificada das situações que resultam imputação de responsabilidade a terceiro; que na multa qualificada se está diante de conduta da empresa, e que na imputação de responsabilidade tributária a conduta é do terceiro, sócio ou não, mas sempre divorciada do agir e da vontade jurídica da empresa; e que a entrega de DIPJ não indicando a efetiva receita ou mencionando que a contribuinte encontrase inativa é ato que se atribui à empresa e não a seus sócios para lhes imputar corresponsabilidade. Na mesma linha de raciocínio, os coobrigados, e também a própria pessoa jurídica, em sede de contrarrazões, procuram distinguir os atos da empresa dos atos dos administradores, no sentido de demonstrar que a obrigação de pagar tributo (obrigação principal), bem como o dever de emitir nota fiscal, escriturar livros fiscais e contábeis, etc. (obrigações acessórias), são obrigações/deveres da sociedade e não das pessoas físicas que a compõem. E para fins dessa distinção, defendem ainda que a lei mencionada pelo art. 135, III, do CTN, não é a lei tributária, mas sim a lei civil ou comercial, nas situações em que o administrador age com interesse contrário ao da pessoa jurídica, isto é, quando a lei violada é aquela que rege a relação entre o contribuinte e o terceiro responsável, e não entre o contribuinte e o Fisco. Penso que o acórdão recorrido foi bastante contraditório, quando manteve a multa qualificada e ao mesmo tempo afastou o vínculo de responsabilidade dos sócios administradores. Não acompanho o entendimento de que a situação motivadora da multa qualificada nada tem a ver com a responsabilização de administradores; de que as questões envolvendo obrigações tributárias (principais e acessórias) dizem respeito apenas à pessoa jurídica e não às pessoas que a administram; que a lei mencionada pelo art. 135, III, do CTN, não é a lei tributária, mas sim a lei civil ou comercial, nas situações em que o administrador age contra o interesse da pessoa jurídica, etc. É ponto pacífico que as pessoas arroladas no art. 135, III, do CTN, respondem por fato próprio (atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 941 20 contrato social ou estatutos), e que a ilicitude prevista no referido dispositivo não diz respeito à simples ausência de recolhimento de tributo, ou seja, à mera inadimplência. Mas isso não permite concluir que a conduta dos administradores de pessoa jurídica encontra limites apenas nos atos de fundação da sociedade (contrato social/estatuto) e nas leis comerciais, e que somente a violação destas normas, e não de qualquer outra, é que poderia ensejar a responsabilização dos administradores. Penso que o mesmo contexto que justificou a manutenção da multa qualificada pode perfeitamente ensejar também a responsabilização tributária dos sócios administradores da pessoa jurídica. É interessante registrar que o Código Civil de 2002 apresenta as seguintes normas acerca da responsabilização de sócios e administradores das sociedades limitadas: “Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos (sócios) que expressamente as aprovaram.” “Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções.” (aplicado por força do art. 1.053) Por sua vez, a Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que rege as sociedades por ações, traz ainda outras normas a esse mesmo respeito: “Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.” (...) “Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I – dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II – com violação da lei ou do estatuto. § 1º. O administrador não é responsável por atos ilícitos de outros administradores, salvo se com eles for conivente, se negligenciar em descobrilos ou se, deles tendo conhecimento, deixar de agir para impedir a sua prática. Eximese de responsabilidade o administrador dissidente que faça consignar sua divergência em ata de reunião do órgão de administração ou, não sendo possível, dela dê ciência imediata e por escrito ao órgão da administração, ao Conselho Fiscal, se em funcionamento, ou à assembléia geral. § 2º. Os administradores são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados em virtude do nãocumprimento dos deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da companhia, ainda que, pelo estatuto, tais deveres não caibam a todos eles.” Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 942 21 Não é difícil perceber que a legislação comercial/societária deixa margem para as mesmas questões que emergem do texto do art. 135, III, do Código Tributário Nacional: “Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I .... II .... III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Afinal, qual é a "lei" que não pode ser violada ou infringida, e cuja transgressão acarreta a responsabilização dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado? Na busca dessa resposta, vale lembrar que uma sociedade está inserida num contexto amplo, envolvida num complexo de normas, que é o próprio ordenamento jurídico. O que se pretende dizer com isso é que a sociedade não se relaciona juridicamente apenas com seus fornecedores e clientes, mas também com a administração pública em geral; com seus empregados; com pessoas diversas, realizando contratos civis; com o sistema financeiro; com a coletividade, nos termos da legislação ambiental, do direito econômico; etc. E, como não poderia deixar de ser, a sociedade exercita todas estas relações por meio de seus administradores. Portanto, conceber que o administrador deve pautar a sua conduta exclusivamente pelas normas comerciais/societárias, é não ter a dimensão exata do alcance de seus atos. Com efeito, a legislação societária não se esgota nela mesma. Os deveres do administrador para com a sociedade visam também as diversas relações que esta desenvolve com terceiros. Portanto, o correto é entender que o Direito abarca a sociedade em todo o contexto jurídico que ela está inserida, responsabilizando o administrador não apenas quando este prejudica a sociedade (violando regras do contrato social ou estatuto), mas também quando a sociedade, em certas circunstâncias, atua prejudicando terceiros. Focando a questão na matéria aqui tratada, podese dizer que os diretores, gerentes e representantes não estão pessoalmente obrigados ao pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica que administram, uma vez que a dívida tributária não é deles, mas daquela. Contudo, serão responsabilizados se, no papel de administradores, adotarem deliberadamente conduta incompatível com o Direito. É assim em relação ao Direito do Trabalho, ao Código de Defesa do Consumidor, ao Direito Ambiental, ao Direito Econômico, ao Direito de Falências, ao Direito Civil, e também ao Direito Tributário Sabemos que as pessoas jurídicas tem plena capacidade para contratar, e há que se reconhecer aí um ato de vontade, mas uma vontade condicionada ao fim da organização, Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 943 22 que deve ser sempre conforme a lei. Já a prática deliberada de ato ilícito, a conduta dolosa, é ato da pessoa física que administra o ente abstrato. Trazendo o debate para o campo do Direito Tributário, temos que é a pessoa jurídica quem realiza o negócio ou o estado jurídico (ser proprietário de um bem, p/ex), fazendo surgir para si a obrigação tributária. O administrador, por sua vez, pode agir com dolo de violar a legislação do tributo, inserindo elementos inexatos nos livros fiscais e nas declarações apresentadas ao Fisco, falsificando documentos fiscais, utilizando documentos falsos, etc. E é esse ato doloso do administrador que faz surgir para ele o vínculo de responsabilidade No caso em questão, está bem claro que a situação não é de mera inadimplência. O Relatório de Fiscalização (efls. 467) descreve os seguintes fatos: Sobre os valores dos tributos apurados incide a multa de 150% como disciplinam o art. 957, inciso II do Decreto n° 3.000/99, o art. 44, § 1º da Lei n° 9.430/96 e o art. 71, inciso I da Lei n° 4.502/64. Isto se deve ao fato de a empresa ter auferido receitas tributáveis no valor de R$8.074.105,18 (oito milhões, setenta e quatro mil, cento e cinco reais e dezoito centavos) sem tributálas com o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ter apresentado Declaração de Inatividade referente ao ano de 2005, não ter apresentado as Declarações de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) correspondente a tal ano e não ter recolhido esses tributos. Com estas condutas, o contribuinte impediu ou retardou, total ou parcialmente, que a Fazenda Nacional tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, como prescrito no art. 71, inciso I da Lei n° 4.502/64. O Termo de Sujeição Passiva (efls. 470), por sua vez, faz a imputação de responsabilidade solidária aos sócios administradores nos seguintes termos: 03 Em relação a 2005, a empresa auferiu receita decorrente de depósitos bancários efetuados em diversas contas cuja origem não foi comprovada, não escriturou a referida movimentação financeira, não apresentou escrituração contábil e fiscal, não efetuou o pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não apresentou DIPJs, DCTFs e DACONs,. Apresentou Declaração de Inatividade mencionando que permaneceu durante todo o ano de 2005 sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial de forma a impedir ou retardar o conhecimento da Fazenda Nacional da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, infringindo todos aqueles dispositivos citados nos enquadramentos legais dos autos de infração e no RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO. 04 Tendo os sócios agidos com infração de lei, incidiram as hipóteses de responsabilidade tributária solidária dos sócios contidas no art. 210, VI do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99); arts. 124, I e II, 128 e 135, III do Código Tributário Nacional CTN. Por conseqüência, subsiste a responsabilidade solidária dos sócios com poderes de administração pelos débitos tributários da empresa. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 944 23 O voto que orientou o acórdão recorrido explicitou bem qual era a controvérsia em torno da multa qualificada: "discutese se nos casos de apresentação da DIPJ como inativa se tal fato, por si só, caracteriza omissão dolosa com o intuito de retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador", e nesse passo destacou "que a jurisprudência majoritária do colegiado, ainda que não se possa dizer que esteja plenamente consolidada, vem trilhando na linha de que a entrega de declaração indicando empresa sem movimentos e/ou inativa, é circunstância sobre a qual incide o disposto no artigo 71, da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando a qualificadora da multa." Diante dessas considerações, o acórdão recorrido manteve a multa qualificada. Vêse, então, que não foram apresentados aos Auditores da Receita Federal os livros contábeis e fiscais; também não tinham sido apresentadas declarações obrigatórias (DCTF e DACON); e não tinham sido realizados pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para o período fiscalizado. O que havia era a apresentação de uma declaração de inatividade para empresa que operava normalmente, com grande movimentação financeira em suas contas bancárias (valores acima de oito milhões de reais). Diante desse tipo de situação, não é possível entender que as pessoas físicas que compõem e ao mesmo tempo administram a pessoa jurídica não têm nenhuma responsabilidade sobre os débitos da empresa; dizer que as obrigações tributárias devem ser exigidas exclusivamente da pessoa jurídica; etc. É papel dos sóciosadministradores zelar pela boa gestão, e cuidar para que a pessoa jurídica cumpra com suas obrigações legais. E não é papel deles omitir informações do Fisco, tentando impedir ou retardar o conhecimento da Fazenda Nacional sobre a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, e muito menos apresentar declarações com informações falsas. Realmente, não vejo como excluir a responsabilidade dos coobrigados. Penso que também é bastante inadequado defender a ideia de que o administrador só deve responder pelas obrigações tributárias quando age contra os interesses da pessoa jurídica. As empresas visam o lucro, e os tributos representam custo/despesa. Assim, o que normalmente ocorre é uma composição de interesses, voltada para a supressão de tributo. Ganha a pessoa jurídica (com o aumento de seu patrimônio), e também ganha o sócio administrador (que é o titular daquela). Quem perde é o Estado, e toda a coletividade. Essa composição de interesses fica bastante evidenciada quando a pessoa jurídica e os sócios administradores apresentam contrarrazões com idêntico conteúdo, procurando afastar o vínculo dos coobrigados, conforme ocorreu nos presentes autos. Cabe indagar: porque a pessoa jurídica vem defendendo em todas as fases processuais (impugnação, recurso voluntário e contrarrazões) o entendimento de que deve responder sozinha pelas obrigações tributárias? esse interesse é dela mesmo, ou é dos sóciosadministradores? Portanto, também não há como excluir a responsabilidade dos coobrigados com esse argumento de que eles apenas praticaram atos de gestão, que não agiram contra os interesses da pessoa jurídica, etc. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 945 24 Apesar de a pessoa jurídica e os coobrigados defenderem o tempo todo o entendimento de que, no contexto dos presentes autos, a exigência tributária deveria recair apenas na pessoa jurídica, há uma observação nas contrarrazões desses sujeitos passivo de que (efls. 876 e 904): Em matéria de substituição tributária (CTN, art. 135, III), não existe solidariedade entre a sociedade e os administradores, tão pouca há subsidiariedade entre eles, pois não comporta benefício de ordem. A rigor, a obrigação já nasce para o administrador que age com excesso de poder, infração à lei, estatuto ou contrato social, excluindo da relação a pessoa jurídica, posto que o legislador já fez a sua escolha. Também, quando constituído o crédito tributário, incluise, para efeito da substituição, além das penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, as que por ventura venha a surgir em razão da inobservância das obrigações acessórias. Em resumo, o que está dito nesse parágrafo é que, se fosse o caso de aplicação do art. 135, III, do CTN, não haveria nem solidariedade entre a sociedade e os administradores, e nem subsidiariedade entre eles. A exigência deveria recair apenas nos administradores, excluindose o vínculo da pessoa jurídica. Há um parecer da PGFN que aborda muito bem essa questão. Segue abaixo a transcrição de seu conteúdo, na parte em que ele trata dos aspectos doutrinários e jurisprudenciais que mais interessam aqui: PARECER PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] A NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES 63. De início, achamos relevante rememorar as teses possíveis de serem adotadas no que tange à natureza da responsabilidade tributária decorrente da incidência do art. 135, III, do CTN (ver item III do parecer): i) Responsabilidade por substituição, exclusiva do administrador que incidiu numa das hipóteses legais; ii) Responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, do administrador e “responsabilidade” principal da sociedade; iii) Responsabilidade principal do administrador e subsidiária da sociedade; iv) Responsabilidade subsidiária, em sentido impróprio, do administrador; v) Responsabilidade solidária do administrador que responde com a sociedade igualmente e sem benefício de ordem. 64. A mera leitura dos acórdãos do Superior Tribunal de Justiça pode levar confusão mental ao estudioso do tema. Em muitos acórdãos, lêse que a responsabilidade tributária prevista no art. 135 do CTN é por substituição (p. ex., AgRg no REsp 724.180/PR, REsp 670.174/RJ). Noutros julgados, está expresso que a responsabilidade acolhida nesse preceito legal é subsidiária (p. ex., REsp 833.621/RS, REsp 545.080/MG); logo, por transferência tributária. Noutros, mencionase a responsabilidade solidária Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 946 25 (p. ex., REsp 86.439/ES, AgRg no AG 748.254/RS). Chegamos a encontrar ementa de acórdão em que se refere, simultaneamente, à responsabilidade subsidiária e à responsabilidade por substituição (EDcl no REsp 724.077/SP). 65. A existência de julgados aparentemente contraditórios, porém, não exime o intérprete da lei e da jurisprudência de examinálos procurando coerência. Ainda que a lei não seja coerente, nem o seja a prática judicial, deve sêlo o hermeneuta, por imposição não só de técnica, mas também de justiça. É o que indica Norberto Bobbio: “Là dove la coerenza non è condizione di validità, è però pur sempre condizione per la giustizia dell’ordinamento” 1 (grifo do original). 66. Apesar da aparente dissonância, não cremos que exista verdadeira divergência jurisprudencial nesse ponto. Em verdade, o Superior Tribunal de Justiça simplesmente não acolhe a distinção feita doutrinariamente entre responsabilidade por substituição e por transferência. Assim, quando se lê que o sócio responde “por substituição”, não se quer desonerar a sociedade. Simplesmente, querse dizer que o sóciogerente responde em lugar da (em substituição à) sociedade quando esta não adimple os créditos tributários e é caso de aplicação do art. 135, III, do CTN. 67. Na prática, em grande parte dos casos, a Fazenda Pública costuma buscar primeiro o patrimônio da sociedade para só então, em caso de insucesso, pesquisar bens pessoais dos administradores, o que é coerente com um sistema de responsabilidade subsidiária. Essa práxis é abonada pela jurisprudência, batizandose essa operação de “redirecionamento da execução fiscal”. Neste, a ação de execução fiscal é ajuizada contra a sociedade e, não havendo satisfação do crédito, incluise o administrador no pólo passivo do processo executivo. Admitese, ainda, que a ação de execução seja diretamente ajuizada contra sociedade e administrador, se o nome deste constar da Certidão da Dívida Ativa. Nessa hipótese, é incongruente afirmar que a responsabilidade do sóciogerente é por substituição, visto que, no mesmo processo, estáse cobrando dele o crédito tributário sem “irresponsabilizar” a sociedade. 68. A análise da jurisprudência do STJ no que tange à responsabilidade derivada da aplicação do art. 135, III, do CTN deve se basear mais nos seus pressupostos e conclusões do que em atenção aos signos “substituição”, “pessoalmente”, “subsidiária” e “solidária” que comumente surgem qualificando a responsabilidade tributária do “sóciogerente” que comete infração à lei. Assim, para se desvendar a natureza da responsabilidade acolhida, devemos partir, antes de tudo, da natureza dos atos que ensejam essa responsabilidade. 69. Como vimos no item anterior, o STJ, quando admite o chamamento do administrador à execução fiscal, parte da idéia de responsabilidade por ato ilícito. É a ilicitude que permite sua responsabilização, ilicitude esta que deve ter sido praticada durante o exercício da gerência. É irrelevante a condição de sócio; não é suficiente a condição de administrador; é necessária a prática de ato ilícito. 70. Pois bem. Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de 1 Teoria Generale del Diritto, Torino, Giappichelli, 1993, p. 234. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 947 26 sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. 71. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio. 72. Dessa forma, ainda nos casos em que os julgados do STJ mencionam a “responsabilidade subsidiária”, só é razoável interpretálos como referentes à responsabilidade subsidiária em sentido impróprio, tal qual já a conceituamos no início. Vale dizer, nesse caso, estariam os julgadores exigindo, para a responsabilização do administradorinfrator, três requisitos cumulativos: (a) a própria condição de administrador, (b) a prática de ato ilícito e (c) a ausência de pagamento do crédito tributário no prazo da lei ou do regulamento; não se deve exigir, porém, o esgotamento do patrimônio da pessoa jurídica. 73. O afastamento da tese da responsabilidade subsidiária ainda é corroborado por importante precedente da egrégia Primeira Seção. Tratase dos Embargos de Divergência 702.232/RS (Rel. Min. Castro Meira, julgado em 14.9.2005 e publicado em 26.9.2005), o qual, apesar de ter por mira a presunção de certeza e liquidez da Certidão da Dívida Ativa, acabou por firmar que, estando o administrador (sóciogerente) nela contemplado, pode ser a execução movida diretamente contra ele, ao lado da pessoa jurídica. Vejamos a ementa: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ART. 135 DO CTN. RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE. EXECUÇÃO FUNDADA EM CDA QUE INDICA O NOME DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. DISTINÇÃO. 1. Iniciada a execução contra a pessoa jurídica e, posteriormente, redirecionada contra o sóciogerente, que não constava da CDA, cabe ao Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. 135 do CTN. Se a Fazenda Pública, ao propor a ação, não visualizava qualquer fato capaz de estender a responsabilidade ao sóciogerente e, posteriormente, pretende voltarse também contra o seu patrimônio, deverá demonstrar infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos ou, ainda, dissolução irregular da sociedade. 2. Se a execução foi proposta contra a pessoa jurídica e contra o sóciogerente, a este compete o ônus da prova, já que a CDA goza de presunção relativa de liquidez e certeza, nos termos do art. 204 do CTN c∕c o art. 3º da Lei n.º 6.830/80. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 948 27 3. Caso a execução tenha sido proposta somente contra a pessoa jurídica e havendo indicação do nome do sóciogerente na CDA como coresponsável tributário, não se trata de típico redirecionamento. Neste caso, o ônus da prova compete igualmente ao sócio, tendo em vista a presunção relativa de liquidez e certeza que milita em favor da Certidão de Dívida Ativa. 4. Na hipótese, a execução foi proposta com base em CDA da qual constava o nome do sóciogerente como coresponsável tributário, do que se conclui caber a ele o ônus de provar a ausência dos requisitos do art. 135 do CTN. 5. Embargos de divergência providos” 74. Transcrevemos o trecho mais importante do voto do Min. Relator: “A questão dos autos (responsabilização tributária do sócio gerente) aponta para três situações de fato distintas: a) execução promovida exclusivamente contra a pessoa jurídica e, posteriormente, redirecionada contra o sóciogerente, cujo nome não constava da CDA; b) execução inicialmente proposta contra a pessoa jurídica e o sóciogerente e c) execução promovida exclusivamente contra a pessoa jurídica, embora do título executivo constasse o nome do sóciogerente como coresponsável. Cada uma dessas hipóteses implica solução jurídica diferenciada. No primeiro caso, correta a orientação adotada pela Primeira Turma. Iniciada a execução contra a pessoa jurídica e, posteriormente, redirecionada contra o sóciogerente, que não constava da CDA, cabe ao Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. 135 do CTN. Se da CDA consta apenas a pessoa jurídica como responsável tributária, decorre que a Fazenda Pública, ao propor a ação, não visualizava qualquer fato capaz de estender a responsabilidade também ao sóciogerente. Se, posteriormente, pretende voltarse também contra o patrimônio do sócio, deverá demonstrar a infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos ou, ainda, dissolução irregular da sociedade. Nesse sentido, há precedentes de ambas as Turmas: (...) Na segunda hipótese, encontrase correta a tese esposada pela Segunda Turma. Se a execução foi proposta contra a pessoa jurídica e contra o sóciogerente, a questão resolvese com a inteligência do art. 204 do CTN c/c o art. 3º da Lei n.º 6.830∕80, segundo os quais a Certidão de Dívida Ativa goza de presunção relativa de liquidez e certeza (admite prova em contrário, a cargo do responsável), tendo o efeito de prova pré constituída. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 949 28 Proposta a execução, simultaneamente, contra a pessoa jurídica e o sóciogerente, haverá inversão do ônus da prova, cabendo a este último demonstrar que não se faz presente qualquer das hipóteses autorizativas do art. 135 do CTN. Nesta senda, também não há discordância entre as Turmas: (...) Como se vê, as duas teses são perfeitamente conciliáveis, adotandose uma ou outra a depender da situação fática subjacente à lide. A terceira situação não difere substancialmente das duas anteriores. Se da CDA consta o nome do sóciogerente, mas a execução é proposta somente contra a pessoa jurídica, é de se reconhecer que o ônus da prova compete igualmente ao sócio, tendo em vista a presunção relativa de liquidez e certeza que milita em favor da Certidão de Dívida Ativa. Em conclusão: no caso em que a CDA já indica a figura do sócio gerente como coresponsável tributário, tendo sido a ação proposta somente contra a pessoa jurídica ou também contra o sócio, há presunção relativa de liquidez e certeza do título que embasa a execução, cabendo o ônus da prova ao sócio. Na hipótese típica de redirecionamento, há presunção também relativa de que não estavam presentes, na propositura da ação, os requisitos necessários à constrição patrimonial do sócio. Nessa circunstância, invertese o ônus da prova, que passará à Fazenda Pública exeqüente” (grifo nosso). 75. De acordo com o voto do Min. Relator, há três situações admissíveis: i) o nome do administrador não está na CDA e a execução é ajuizada contra a pessoa jurídica: tratase de redirecionamento em sentido estrito; ii) o nome do administrador está na CDA, mas a execução é ajuizada somente contra a pessoa jurídica: tratase de redirecionamento em sentido impróprio, pois o responsável já consta do título executivo; iii) o nome do administrador está na CDA e a execução é ajuizada diretamente contra o sócio, ao lado da pessoa jurídica: não se trata de redirecionamento. 76. Para efeito de análise da responsabilidade derivada do art. 135, III, do CTN, é útil analisar a hipótese iii, em que se admite o ajuizamento da execução fiscal diretamente contra o administrador (sóciogerente), o que denota a existência, desde o início, de pretensão do Fisco diretamente contra ele, em momento em que ainda não se procurou esgotar os bens do patrimônio da pessoa jurídica. 77. Devese notar que a admissão do responsável, desde o início, no pólo passivo do processo de execução não se resume à questão de legitimidade. Se se estivesse diante de processo de conhecimento, poderseia estar diante de mera análise de legitimidade, pois uma pessoa pode participar desse tipo de processo ainda que não haja pretensão de direito material Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 950 29 contra si, havendo o autor, mesmo no caso de improcedência, exercido seu direito de ação. 78. No processo de execução, as coisas se passam distintamente. Neste, não se admite o processamento da ação se o juízo não estiver convencido da existência da pretensão e da ação de direito material. É que a exigibilidade do crédito (ou, impropriamente, do “título executivo”) é pressuposto do processo de execução. É o que nos ensinam Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart: “O título executivo, judicial ou extrajudicial, deve conter obrigação certa, líquida e exigível. É o que prescreve claramente o art. 586 do CPC, em relação à execução de títulos extrajudiciais, e também o que decorre da leitura do contido nos arts. 475I, § 2º, e 475J do CPC. Tais características eram comumente associadas ao título executivo, mas na verdade – como agora fazem questão de esclarecer as novas redações dos arts. 580 e 586 (introduzidas pela Lei 11.382/2006) – são atributos da obrigação a ser executada. Ou seja, é a obrigação que deve ser certa, líquida e exigível e não propriamente o título” 2 (grifo nosso). 79. Dessa forma, se o STJ admite que, estando presumida a responsabilidade do sóciogerente (mencionado na CDA), é possível que a execução seja ajuizada diretamente contra ele, está também admitindo que, nessa hipótese, a Fazenda Pública tem, desde o início, pretensão plenamente exigível contra esse administrador, pois não é possível impor a execução a alguém contra quem não se tem obrigação exigível. Ora, se a obrigação contra o responsável é desde já exigível, não dependendo de condição futura (como, p. ex., o esgotamento da busca do patrimônio da pessoa jurídica), é insustentável defender que essa responsabilidade seja subsidiária em sentido próprio. 80. Notese bem a diferença: (a) no processo de conhecimento, o juiz pode permitir que figure no pólo passivo da demanda pessoa contra quem não tenha o autor ainda crédito exigível (por exemplo, obrigação com condição ou termo); (b) no processo de execução, o juiz não pode permitir que figure no pólo passivo da demanda pessoa contra quem não tenha o autor crédito exigível. Logo, se a jurisprudência permite que a execução seja proposta contra o terceiro – responsável –, está, conseqüentemente, admitindo que tem este obrigação exigível para com a Fazenda Pública. 81. No processo de execução, o juiz, para admitir o processamento da ação, parte do direito material já atestado. Como diz Paulo Cesar Conrado: “(...) i) se, por meio do primeiro (processo de conhecimento), o Estadojuiz ‘diz o direito material tributário’ (partindo dos fatos sociais que foram reconstruídos, no processo, por meio da linguagem das provas), ii) no processo de execução, o Estadojuiz parte do ‘direito material tributário já dito’, reconhecendo que a obrigação (tributário ou sua anversa) já se encontra ‘dita’ (...)” 3. A citação encaixase perfeitamente em nosso caso. Se o STJ admite a execução contra o administrador, diretamente e não por 2 Curso de Processo Civil – Execução, v. 3, São Paulo, RT, 2007, p. 119. 3 Tutela Jurisdicional Diferenciada (Cautelar e Satisfativa) em Matéria Tributária, in Processo Tributário Analítico, São Paulo, Dialética, 2003, p. 130. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 951 30 mero redirecionamento, é porque reconhece, por pressuposto, a exigibilidade da obrigação do responsável, o qual, nesse caso, não responde por mera subsidiariedade. Do contrário, estarseia admitindo “denunciação da lide realizada pelo autor em processo de execução”, o que é inadmissível, ao menos no Brasil 4. 82. Não existe ação de execução sem a presença de pretensão a uma prestação exigível. O processamento dessa ação depende da existência de pretensão a ser exercida. Assim, no processo executório, diferentemente do processo cognitivo, é válida a afirmação de F.C. Pontes de Miranda no sentido de que “se se exerce a ação, exercese a pretensão de que faz parte" 5. Destarte, podemos assegurar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ao admitir o ajuizamento da execução fiscal diretamente contra o sóciogerente, ao lado da sociedade, está por admitir também que a pretensão contra este é desde já exigível, podendo o Fisco ingressar em seu patrimônio sem que seja necessário esgotar a busca de bens da empresa. Assim, devese excluir tanto a tese da responsabilidade subsidiária (em sentido próprio) do administrador quanto a tese da responsabilidade subsidiária da pessoa jurídica. 83. Por força do mesmo julgado (EREsp 702.232/RS), absolutamente seguido pelas Turmas que compõem a Primeira Seção daquela colenda Corte Superior, que admite que figurem como réus da execução tanto o administrador quanto a pessoa jurídica, não é possível acolher a tese da responsabilidade por substituição. Ora, se o administrador responde ao lado da pessoa jurídica, obviamente, sua responsabilidade não é exclusiva, não devendo ser desonerada a sociedade empresária. 84. Realmente, preocupandose o Direito Tributário com o fato econômico da circulação de riqueza, se a pessoa jurídica promove esse fato econômico, surge para si a obrigação tributária, independentemente de haver ilicitude ou não por parte dos administradores. Não há o menor sentido em “desonerar” dos respectivos tributos a pessoa jurídica que “auferiu faturamento”, “vendeu mercadorias”, “prestou serviços”. Portanto, deve ser excluída a tese da responsabilidade tributária exclusiva, por substituição propriamente dita. 85. Por tudo isso, cremos que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sustenta, em substância, a tese da responsabilidade solidária. Essa conclusão é confirmada por precedente em que a própria Fazenda Pública saiu derrotada. Tratase do REsp 717.717/SP, em que a Primeira Seção do STJ, apesar de ter acatado tese desfavorável ao INSS, negando validade à interpretação do art. 13 da Lei 8.620/93 que permitia a responsabilização de sócios sem poderes de gerência, arrimouse no art. 1.016 do atual Código Civil, que determina a responsabilidade solidária dos administradores perante terceiros (inclusive o Fisco). A idéia principal desse acórdão é que, ainda em relação às contribuições para a Seguridade Social, os sócios gerentes somente são “solidariamente” responsáveis quando cometerem um dos atos do art. 135 do CTN. Ora, assim, presumiuse que a responsabilidade do art. 135 é solidária. 4 A observação é do Dr. João Batista de Figueiredo, Procurador da Fazenda Nacional atuante perante o Superior Tribunal de Justiça, exresponsável pelo acompanhamento especial da PGFN naquela Corte. 5 Tratado de Direito Privado, t. VI, 1ª ed., Campinas, Bookseller, 2000, p. 105. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 952 31 86. De fato, representando as normas de responsabilidade tributária “garantia” especial ao crédito tributário, não faz sentido algum interpretar o Código Tributário Nacional de modo a dotar essa espécie de crédito de menor garantia que os créditos comuns da empresa para com terceiros. Assim, se, por força do Código Civil, respondem os administradores solidariamente com a pessoa jurídica pelos atos ilícitos que cometerem, não é possível aceitar que, se o ato ilícito for cometido contra a Administração Tributária, a responsabilidade desse administrador fique condicionado à ausência de bens da sociedade, bem como não é correto defender que a pessoa jurídica fique desonerada 6. 87. A tese da responsabilidade subsidiária – em sentido próprio – peca por ler implícito no art. 135 do CTN a condição de “impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte” (pessoa jurídica), condição esta que só está expressa no art. 134 do CTN, que, de fato, instituiu responsabilidade subsidiária para as pessoas ali descritas. Demais disso, se a responsabilidade do art. 135 do CTN também fosse subsidiária, perderia sentido o inciso I desse mesmo art. 135. Qual é o sentido de responsabilizar subsidiariamente, pela prática de ato ilícito, quem já é responsável subsidiário? O único sentido possível do inciso I do art. 135 do CTN é o seguinte: os responsáveis subsidiários do art. 134, caso pratiquem ilicitude, passam a ter responsabilidade solidária, respondendo juntamente com a pessoa jurídica independentemente de haver “impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal” por parte desta; nesse caso, a responsabilidade subsidiária cede para a responsabilidade solidária, que é mais rigorosa. 88. Por sua vez, a tese da responsabilidade por substituição, pessoal e exclusiva, peca por prever implícito no art. 135 do CTN a desoneração da pessoa jurídica contribuinte, coisa que não está dita nem insinuada nesse dispositivo legal. A desoneração do contribuinte não pode ocorrer por obra de mera interpretação extensiva; demanda, rigorosamente, norma expressa de desoneração. Logo, não havendo qualquer preceito que afaste o dever da pessoa jurídica de pagar o crédito tributário, continua ela com este dever, sem óbice para a exigência de pagamento também do terceiro responsável. 89. Em verdade, a responsabilidade tributária imposta ao administrador em decorrência da prática de ato ilícito é, no que tange ao nascimento, à natureza e à cobrança, autônoma da responsabilidade (em sentido amplo) da pessoa jurídica contribuinte pelo pagamento do crédito tributário. O dever desta decorre de ato lícito: o fato jurídico tributário propriamente dito (evento econômico – produção, circulação ou detenção de riqueza). Já a responsabilidade daquele decorre de ato ilícito: a “infração de lei” prevista no caput do art. 135 do CTN. A hipótese normativa de nascimento duma obrigação é fato lícito; a doutra, fato ilícito. Em substância, as naturezas de ambas as obrigações são distintas. A obrigação do responsável é tributária tãosó mediatamente, pois a norma que a impõe remete seu prescritor à obrigação tributária stricto sensu. Em suma, tratase de obrigações distintas, autônomas (nesses termos), atadas entre si simplesmente pelo nexo de adimplemento: o pagamento duma extingue a outra. 6 A menção ao regramento do Código Civil, que também impõe a responsabilidade solidária dos administradores que infringirem a lei, é feita com maestria pelo eminente Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marcus Abraham, em artigo científico ainda pendente de publicação. Também faz referência à responsabilidade solidária dos sócios gerentes, em decorrência do Código Civil, José Eduardo SOARES E MELO: Curso de Direito Tributário, 4ª ed., São Paulo, Dialética, 2005, p. 211. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 953 32 90. Assim, surgindo a responsabilidade do administradorinfrator, não temos uma obrigação solidária propriamente dita, senão obrigações solidárias. Explicamos. Não temos uma obrigação unitária com pluralidade de sujeitos passivos na relação jurídica. Temos, isto sim, duas ou mais obrigações, ligadas pelo vínculo da solidariedade. É o que a doutrina antiga chamava de solidariedade imprópria. 91. J.M. de Carvalho Santos7, citando a lição de Windscheid baseada no direito romano, diferenciava a solidariedade perfeita da solidariedade imperfeita. Na primeira, haveria unidade de obrigação e pluralidade de sujeitos. Na última, haveria pluralidade de obrigações e unidade de execução. Essa distinção também foi mencionada por Paulo de Lacerda8. F.C. Pontes de Miranda9, por sua vez, assim explica os conceitos de que estamos tratando: “Entre diferentes créditos do mesmo credor contra diferentes devedores, pode darse que um se libere se o outro solve a dívida. A causa seria a mesma, na solidariedade: na solidariedade imperfeita, há duas ou mais, conforme o número de devedores. Podese dizer que a solidariedade dita imperfeita não é solidariedade? Não. O que não se confunde com a solidariedade é a concorrência de pretensões sem solidariedade”. 92. A utilidade do conceito de solidariedade imperfeita para a análise da responsabilidade do terceiro infrator está em observar que sua obrigação não se confunde com a obrigação do contribuinte. As referidas obrigações nascem em momentos distintos, têm natureza distinta uma da outra e podem ser declaradas pela autoridade competente em momentos distintos; nesse sentido, são autônomas. Sem embargo disso, há entre elas nexo de adimplemento, de modo que o pagamento duma obrigação extingue a outra, por isso podemos dizer que são obrigações solidárias (solidariedade imperfeita). Além disso, a responsabilidade em sentido estrito (do administrador que incorre no art. 135 do CTN) é subordinada à obrigação tributária do contribuinte, no sentido de que sua existência, validade e eficácia dependem de ser existente, válida e eficaz esta última. Isso demonstra que estamos diante de relação jurídica de garantia. Nesse sentido, a obrigação do responsável é subordinada (à existência, validade e eficácia da obrigação do contribuinte). 93. Enfim, tomando por base a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, cremos que devam ser descartadas as teses da responsabilidade substitutiva e subsidiária (em sentido próprio) do administrador que comete ato ilícito e incorre no art. 135 do CTN. Assim, quando se lê nos julgados a menção de que respondem os “sóciosgerentes” “por substituição”, devese entender aí meramente a referência à responsabilidade em sentido amplo, em que o responsável responde “em lugar” do contribuinte. Por sua vez, nas ementas em que se observa a expressão “responsabilidade subsidiária”, somente podemos aí tomar a responsabilidade subsidiária em sentido impróprio, a qual exige, além da condição de administrador e da prática de ato ilícito, a ausência pagamento pontual do tributo (a antiga “insolvência 7 Código Civil Brasileiro Interpretado, v. 11, 12ª ed., Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1984, pp. 1789. 8 Manual do Código Civil Brasileiro – Direito das Obrigações, v. 10, Rio de Janeiro, Jacintho Ribeiro dos Santos, 1928, p. 225. 9 Tratado de Direito Privado, t. XXII, 1ª ed., Campinas, Bookseller, 2000, p. 402. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 954 33 comercial”), e não a insolvabilidade do contribuinte (pessoa jurídica). A responsabilidade subsidiária em sentido impróprio confundese, em seus efeitos práticos, com a responsabilidade solidária. 94. Assim, em conclusão, restando somente as teses da responsabilidade subsidiária em sentido impróprio e a da responsabilidade solidária, pensamos ser mais adequada a adoção desta última, seja em razão dos fundamentos encontrados nos mais diversos julgados do Superior Tribunal de Justiça, seja em razão da interpretação sistemática da ordenação tributária. Logo, o terceiro que (a) for administrador e (b) cometer o ato ilícito no exercício da gerência da empresa responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo pagamento do crédito tributário, sendo sua responsabilidade (do administradorinfrator) autônoma da obrigação do contribuinte quanto ao nascimento, à natureza e à cobrança, mas subordinada quanto à existência, validade e eficácia. Demais disso, as responsabilidades de cada responsável são autônomas entre si, quanto à existência, validade e eficácia, sendo atadas tãosomente pelo nexo de adimplemento. 95. Por fim, ressalvamos que o art. 135, III, do CTN pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato da empresa. Assim, ainda que o estatuto ou contrato social não confira poderes a um dos sócios para praticar atos de gerência, se este é o administrador de fato da pessoa jurídica, deve ser igualmente responsabilizado pela prática de atos ilícitos. [...] De acordo com o referido parecer, "a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ao admitir o ajuizamento da execução fiscal diretamente contra o sóciogerente, ao lado da sociedade, está por admitir também que a pretensão contra este é desde já exigível, podendo o Fisco ingressar em seu patrimônio sem que seja necessário esgotar a busca de bens da empresa. Assim, devese excluir tanto a tese da responsabilidade subsidiária (em sentido próprio) do administrador quanto a tese da responsabilidade subsidiária da pessoa jurídica." "Por força do mesmo julgado (EREsp 702.232/RS), absolutamente seguido pelas Turmas que compõem a Primeira Seção daquela colenda Corte Superior, que admite que figurem como réus da execução tanto o administrador quanto a pessoa jurídica, não é possível acolher a tese da responsabilidade por substituição. Ora, se o administrador responde ao lado da pessoa jurídica, obviamente, sua responsabilidade não é exclusiva, não devendo ser desonerada a sociedade empresária." O Direito Tributário se preocupa com o fato econômico da circulação de riqueza, e "se a pessoa jurídica promove esse fato econômico, surge para si a obrigação tributária, independentemente de haver ilicitude ou não por parte dos administradores. Não há o menor sentido em 'desonerar' dos respectivos tributos a pessoa jurídica que 'auferiu faturamento', 'vendeu mercadorias', 'prestou serviços'. Portanto, deve ser excluída a tese da responsabilidade tributária exclusiva, por substituição propriamente dita." Se as normas de responsabilidade tributária representam "garantia" especial do crédito tributário, "não faz sentido algum interpretar o Código Tributário Nacional de modo a dotar essa espécie de crédito de menor garantia que os créditos comuns da empresa para com terceiros. Assim, se, por força do Código Civil, respondem os administradores solidariamente Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 955 34 com a pessoa jurídica pelos atos ilícitos que cometerem, não é possível aceitar que, se o ato ilícito for cometido contra a Administração Tributária, a responsabilidade desse administrador fique condicionado à ausência de bens da sociedade, bem como não é correto defender que a pessoa jurídica fique desonerada." "A tese da responsabilidade por substituição, pessoal e exclusiva, peca por prever implícito no art. 135 do CTN a desoneração da pessoa jurídica contribuinte, coisa que não está dita nem insinuada nesse dispositivo legal. A desoneração do contribuinte não pode ocorrer por obra de mera interpretação extensiva; demanda, rigorosamente, norma expressa de desoneração. Logo, não havendo qualquer preceito que afaste o dever da pessoa jurídica de pagar o crédito tributário, continua ela com este dever, sem óbice para a exigência de pagamento também do terceiro responsável." "Logo, o terceiro que (a) for administrador e (b) cometer o ato ilícito no exercício da gerência da empresa responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo pagamento do crédito tributário, sendo sua responsabilidade (do administradorinfrator) autônoma da obrigação do contribuinte quanto ao nascimento, à natureza e à cobrança, mas subordinada quanto à existência, validade e eficácia. Demais disso, as responsabilidades de cada responsável são autônomas entre si, quanto à existência, validade e eficácia, sendo atadas tãosomente pelo nexo de adimplemento." Realmente, a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN está caracterizada pelo vínculo de solidariedade existente entre os administradores que cometeram ato ilícito no exercício da gerência da empresa e a pessoa jurídica. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN para restabelecer a responsabilidade tributária dos sóciosadministradores Sérgio Rozenblit e Adriana Coelho Rozenblit pelos tributos constituídos contra a empresa Antiquorum Jóias e Antiguidades Ltda. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada. Com a devida vênia ao entendimento do Relator, apresento o presente voto, diante da divergência com o Conselheiro Relator a respeito da responsabilidade tributária. As causas para a responsabilização constam do Relatório de Fiscalização que acompanha o lançamento tributário (fls. 460): A empresa auferiu receitas materializadas mediante depósitos bancários em suas contascorrentes e apesar disso apresentou declaração de inatividade, não efetuou pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, retardando ou impedindo que a Fazenda Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 956 35 Nacional tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, infringindo, desta forma, os dispositivos mencionados nos enquadramentos legais dos autos de infração, os mencionados neste RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO e aqueles mencionados no Termo de Sujeição Passiva por Responsabilidade Solidária, pois com essas condutas caracterizada está a infração de lei a que se referem os arts. 121, 124 e 135, III do Código Tributário Nacional. Logo, a contribuinte é empresa porque foi ela quem realizou os fatos geradores das obrigações tributárias principais e acessórias, quem concretizou a hipótese de incidência das normas tributárias, mas, seus sócios são responsáveis solidários (coresponsáveis) por terem agido com infração de lei ao omitir as receitas auferidas entregando a Declaração de Inatividade. O Termo de Sujeição Passiva por Responsabilidade Solidária reproduz tais razões ao mencionar (fls. 469/470): 03 Em relação a 2005, a empresa auferiu receita decorrente de depósitos bancários efetuados em diversas contas cuja origem não foi comprova, não escriturou a referida movimentação financeira, não apresentou escrituração contábil e fiscal, não efetuou o pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não apresentou DIPJ, DCTFs e DACONs. Apresentou Declaração de Inatividade mencionando que permaneceu durante todo o ano de 2005 sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial de forma a impedir ou retardar o conhecimento da Fazenda Nacional da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, infringindo todos aqueles dispositivos citados nos enquadramentos legais dos autos de infração e no RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO. 04 Tendo os sócios agido com infração de lei, incidiram as hipóteses de responsabilidade tributária solidária dos sócios contidas no art. 210, VI do Decreto nº 3.000/99 (REgulamento do Imposto de Renda RIR/99); arts. 124, I e II, 128 e 135, III do Código Tributário Nacional CTN. Por consequencia, subsiste a responsabilidade tributária solidária dos sócios com poderes de administração dos débitos tributários da empresa. A Turma a quo afastou a responsabilidade tributária dos administradores, sob os seguintes fundamentos contidos no voto condutor: Questionase se nas situações em que a empresa entrega DIPJ como inativa o sem movimento tal situação é suficiente para se imputar responsabilidade tributária a seus sócios. A resposta é não. Aqui se está diante de ato praticado pela pessoa jurídica, relacionado ao cumprimento de obrigação acessória. Igualmente, há que se distinguir as situações que caracterizam a imputação de multa qualificada das situações que resultam imputação de responsabilidade a terceiro. Na multa qualificada se está diante de conduta da empresa. Por sua vez, na imputação de responsabilidade tributária a conduta é do terceiro, sócio ou não, mas sempre divorciada do agir e da vontade jurídica da Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 957 36 empresa. A entrega de DIPJ não indicando a efetiva receita ou ainda mencionado que a empresa encontrase inativa é ato que se atribui à empresa e não a seus sócios. Ademais, dentre as obrigações acessórias está a de entregar, anualmente, a DIPJ. Do não cumprimento de tal obrigação, ou o cumprimento com atraso, resulta a exigência de multa. Contudo, se esta obrigação acessória for satisfeita de modo a ocultar a ocorrência de fato gerador, temse motivos para qualificar a multa e não para imputarse responsabilidade tributária aos sócios da empresa. (...) Pelo que se extrai das acusações contidas no termo de responsabilidade, a autoridade fiscal não distingue a conduta da empresa e a de seus sócios e, tampouco, descreve qualquer ato praticado por estes em infração à lei ou ao contrato social. Aqui, à toda evidência, está se imputando responsabilidade aos sócios pelo simples fato destes serem sócios e da empresa ficar devendo tributos. Ora, a norma de incidência da qual resulta a responsabilidade de terceiro em nada se confunde com a norma de incidência da qual resulta a obrigação de pagar tributo. Cada uma destas normas são regras jurídicas autônomas com suporte fático e sujeitos distintos. A obrigação de pagar tributo incide sobre atos jurídicostributários, ao passo que a responsabilidade tributária de terceiro, nas hipóteses previstas no artigo 135, III, decorrem de atos ilícitos dos agentes em relação aos quais se imputa tal responsabilidade. No caso dos autos, a autoridade fiscal descreve condutas da empresa, ainda que praticada por seus agentes. Todavia, não descreve uma única conduta dos sócios, indicando quando, onde, como e o qual ato praticado que ensejou suas respectivas responsabilidades. A Procuradoria interpôs recurso especial sustentando, em síntese, que "os sócios com poder de gestão, ao não escriturarem os livros fiscais e contábeis e não manterem controle efetivo das operações da empresa, adrede agiram com o intuito de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência de fato de gerador (aspecto material da hipótese de incidência tributária), o que vai de encontro ao art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação); caracterizando desse modo infração à lei, nos termos previstos no art. 135 do CTN. " (trecho do recurso especial, fls. 7) O acórdão recorrido, no entanto, merece manutenção. Com efeito, o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, estabelece a responsabilidade dos administradores por infração à lei da forma seguinte: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 958 37 A infração à lei tratada pelo artigo 135 é aquela relacionada aos deveres do administrador relativamente à pessoa jurídica. Nesse sentido, o caput do artigo 135 é expresso em tratar dos atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. A respeito da responsabilidade tratada pelo artigo 135, III, são precisas as considerações de Paulo de Barros Carvalho, relacionandoa ao cumprimento do dever legal de administração da pessoa jurídica: O sócio administrador deve sempre agir com cuidado, diligência e probilidade. Deve zelar pelos interesses e pela finalidade da sociedade, o que faz mediante o cumprimento de seu objetivo social, definido no estatuto ou no contrato social. Quando o administrador pratica qualquer ato dentro dos limites estabelecidos, o faz em nome da pessoa jurídica e não como ato particular seu. Mas quando o administrador, investido dos poderes de gestão de sociedade, pratica algo que extrapole os limites contidos nos contratos sociais, comete ato com excesso de poderes. Temse infração à lei quando se verifica o descumprimento de prescrição relativa ao exercício da Administração. A infração do contrato social ou do estatuto consiste no desrespeito a disposição expressa constante desses instrumentos societários, que tem por consequência o nascimento da relação jurídica tributária. (Derivação e Positivação no Direito Tributário, Volume III, Noeses, 2016, p. 49) Maria Rita Ferragut faz pertinente interpretação do termo "infração à lei" referida no artigo 135, caput, identificando a infração à lei comercial, civil e financeira e, além disso, relacionada ao fato que origine a obrigação tributária: Infração à lei, numa é primeira interpretação, é qualquer conduta contrária à norma (...). Assim, responderiam os administradores por todo e qualquer ato contrário à legislação. Essa interpretação não nos parece a mais adequada, pois se incompatibiliza com a separação da personalidade jurídica e da personalidade das pessoas físicas que lhe são sócias. (...) Teríamos, então, o fim da separação e da autonomia da personalidade jurídica, desprezando o fato de que a sociedade há que se responsabilizar por seus atos. (...) Mas então, qual a lei não poderia ser violada, para fins do artigo 135 do CTN? Entendemos ser toda proposição prescritiva vinculada ao exercício da administração, cujo desrespeito implique a ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Nesse sentido, é a lei que rege as ações da pessoa jurídica e que, de alguma forma, interaja com o ilícito praticado. Poderá ser a lei comercial, civil, financeira, desde que se relacione a uma conduta passível de ser praticada pelo administrador, conduta Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10480.720699/201014 Acórdão n.º 9101003.591 CSRFT1 Fl. 959 38 essa que, por sua vez, há de se relacionar com o fato que implicará a obrigação tributária. (Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, p. 1290/130). Com efeito, os atos em infração à lei para atribuição de responsabilidade tributária, referidos pelo artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, não se confundem com os atos praticados pela pessoa jurídica, nem mesmo quando a hipótese é de qualificação da multa de ofício. No caso dos autos, como acima explicitado, não há específico dolo do administrador, pois as condutas descritas no lançamento tributário e Termo de Responsabilidade (em síntese, a omissão de receita, com entrega de Declaração de Inatividade) referemse à pessoa jurídica, tendo sido a causa para a qualificação da multa quanto à empresa. Não há, assim, ato do administrador, em infração à lei comercial, civil ou financeira que pudesse justificar a sua responsabilidade na forma do artigo 135, III, do CTN. O acórdão recorrido, assim, merece ser mantido, ao consignar que: "a autoridade fiscal descreve condutas da empresa, ainda que praticada por seus agentes. Todavia, não descreve uma única conduta dos sócios, indicando quando, onde, como e o qual ato praticado que ensejou suas respectivas responsabilidades." Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.721424/2013-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-006.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 14 24 /2 01 3- 04 Fl. 79DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402.005.725 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 4 de abril de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 41: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, foi efetuado lançamento de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fl. 1. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 19 e seguintes. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2402.005.725, foi dado provimento ao recurso, fls. 1 e seguintes. Após ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 65 a 67, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10840.721424/201304 Acórdão n.º 9202006.863 CSRFT2 Fl. 3 3 b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Cientificada, a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade, consoante o Despacho de fls. 65 a 67. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Fl. 81DF CARF MF 4 Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual poderia se considerar a nulidade do dispositivo, mas sim aplicada uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o lançamento originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Diante do exposto, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10840.721424/201304 Acórdão n.º 9202006.863 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 10540.001432/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ
Anos-calendário: 2004, e 2005
ERRO NA ESCRITURAÇÃO. Não produz efeito a pretensão de
desconstituir lançamento feito a partir do lucro líquido apurado pelo contribuinte e transcrito no Livro Diário sob alegação de apuração equivocada, desacompanhada dos documentos probantes que a corroborem.
ASSUNTO: CSLL
Anos-calendário: 2004, e 2005
ERRO NA ESCRITURAÇÃO. Não produz efeito a pretensão de
desconstituir lançamento feito a partir do lucro líquido apurado pelo contribuinte e transcrito no Livro Diário sob alegação de apuração equivocada, desacompanhada dos documentos probantes que a corroborem.
ASSUNTO: COFINS
E PIS
Exercício: 2004, 2005
MENSURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO METODOLOGIA INADEQUADAAl egações
que injustiça do critério de mensuração não podem ser objeto de apreciação no julgamento administrativo, que tem por escopo controlar a legalidade do lançemento.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É aplicável a multa de ofício qualificada, naqueles casos em que resta constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso.
Numero da decisão: 1301-000.560
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar suscitada, para no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Valmir Sandri
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Recorrida 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador ASSUNTO: IRPJ Anoscalendário: 2004, e 2005 ERRO NA ESCRITURAÇÃO. Não produz efeito a pretensão de desconstituir lançamento feito a partir do lucro líquido apurado pelo contribuinte e transcrito no Livro Diário sob alegação de apuração equivocada, desacompanhada dos documentos probantes que a corroborem. ASSUNTO: CSLL Anoscalendário: 2004, e 2005 ERRO NA ESCRITURAÇÃO. Não produz efeito a pretensão de desconstituir lançamento feito a partir do lucro líquido apurado pelo contribuinte e transcrito no Livro Diário sob alegação de apuração equivocada, desacompanhada dos documentos probantes que a corroborem. ASSUNTO: COFINS E PIS Exercício: 2004, 2005 MENSURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO METODOLOGIA INADEQUADA Alegações que injustiça do critério de mensuração não podem ser objeto de apreciação no julgamento administrativo, que tem por escopo controlar a legalidade do lançemento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA É aplicável a multa de ofício qualificada, naqueles casos em que resta constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar suscitada, para no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva (Suplente Convocado). Relatório O litígio sob julgamento estabeleceuse em torno de autos de infração lavrados contra Raymundos Transportes Ltda., para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social, relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 e 2005. Conforme consta dos autos, a autoridade fiscal analisou os livros fiscais e contábeis da empresa, extratos bancários e Demonstrativo Mensal de Apuração do ICMS, constatando que os valores de receita bruta apurados são muito superiores aos informados nas declarações anuais simplificadas apresentadas à Receita Federal. Intimado a justificar a divergência, o contribuinte não logrou explicála. Embora a empresa tenha sido excluída do Simples em 2003, com efeitos a partir de 2004, apresentou as declarações para os anoscalendário de 2004 e 2005 pelo regime simplificado. A Fiscalização procedeu aos lançamentos de ofício dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), a partir da receita escriturada, abatendo dos valores apurados os declarados pelo Simples, com a devida decomposição, conforme o art. 23 da Lei n° 9.317, de 1996 (planilhas 1 a 5, de fls. 216 a 225). No lançamento do IRPJ, o prejuízo fiscal de R$ 57.547,62, apurado no 1° trimestre de 2004, foi totalmente compensado com o lucro apurado no 2° trimestre do mesmo ano. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 3 3 Sobre os tributos devidos e não recolhidos foi aplicada a multa de oficio qualificada de 150%, conforme previsto no inciso II, do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela apresentação reiterada declarações anuais pelo Simples, com valores de receita bruta muito inferior aos registrados na escrituração. Em impugnação tempestiva o contribuinte alegou, em síntese, ser empresa que opera no ramo de transporte rodoviário de carga, setor diferenciado para o qual não seria justo aplicar uma metodologia universal para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ponderou não possuir veículos próprios para o exercício da atividade, e que o valor da locação dos veículos deveria ser excluído da base de cálculo dos tributos lançados, devendo os locadores arcar com o pagamento dos tributos e não a autuada. Aduziu que, por um equívoco contábil esse procedimento não foi observado, restando comprometidas as suas escritas contábil e fiscal, uma vez que os livros diários foram confeccionados após ter apresentado indevidamente as declarações do Imposto de Renda pelo regime simplificado, para o qual não preenchia os requisitos legais de enquadramento. Afirmou que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, referentes aos anos calendário de 2004 e 2005, não espelham a realidade dos fatos, uma vez que foram medidas sem levar em consideração o valor real referente ao pagamento da locação dos veículos utilizados no transporte e nem as despesas relativas ao seu funcionamento, o que induziu a inclusão de receitas obtidas de terceiros em suas bases de cálculo. Postulou pelo refazimento dos autos de infração para ajustar às bases de cálculo, subtraindo dos conhecimentos de frete as parcelas referentes às receitas provenientes de terceiros. Argumentou que atribuirlhe a totalidade das receitas obtidas nos referidos anoscalendário é simplesmente condenala à falência, uma vez que efetuou o pagamento de todas as receitas obtidas por terceiros, referentes à locação de veículos e despesas, embutidas supostamente em seu faturamento, não podendo agora arcar com o ônus dos encargos de contribuições que não lhes pertence de fato e de direito. No que se refere especificamente ao PIS e à COFINS, disse que embora o faturamento tenha sido informado pelo total geral, não tendo sido separadas as receitas referentes à exportação, verificou que nas bases de cálculo usadas do PIS/Pasep cumulativo e da Cofins cumulativa não houve a redução do faturamento referente às exportações, isentas dos referidos tributos, conforme Decreto n° 4.524, de 2002. Juntou cópia dos Conhecimentos de Transportes Rodoviário de Cargas (fls. 242 a 356), e requereu o expurgo das referidas receitas isentas das bases de cálculo das contribuições. Ponderou não ter agido com dolo, fraude ou simulação, requer que os autos de infração sejam julgados improcedentes. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador julgou procedente o lançamento, em decisão que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 4 4 ESCRITURAÇÃO. PROVA. A princípio, os dados escriturados nos livros fiscais e contábeis refletem a realidade da empresa e fazem prova a favor ou contra o contribuinte. Assim, alegações que pretendam contestar os fatos ali espelhados só podem ser aceitas quando acompanhadas de outros documentos probantes que as corroborem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 ESCRITURAÇÃO. PROVA. A princípio, os dados escriturados nos livros fiscais e contábeis refletem a realidade da empresa e fazem prova a favor ou contra o contribuinte. Assim, alegações que pretendam contestar os fatos ali espelhados só podem ser aceitas quando acompanhadas de outros documentos probantes que as corroborem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2004, 2005 RECEITAS DE TRANSPORTE DE CARGAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. A receita de prestação de serviço de transporte de cargas destinadas à exportação, dentro do território nacional, não goza da isenção da Cofins, prevista no inciso V do art. 45 do Decreto n° 4.524, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005 RECEITAS DE TRANSPORTE DE CARGAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. A receita de prestação de serviço de transporte de cargas destinadas à exportação, dentro do território nacional, não goza da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no inciso V do art. 45 do Decreto n° 4.524, de 2002. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 03 de julho de 2008, a interessada ingressou com recurso em 28 do mesmo mês. Preliminarmente, diz ter apresentado ao Auditor Fiscal nota explicativa de forma contundente com relação às suas movimentações financeiras, como também todos os livros de sua escrita contábil, os quais ainda não teriam sido devolvidos, o que, no seu entender, caracteriza crime de supressão de documentos, já que terminada a fiscalização a documentação deveria ter sido devolvida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 5 5 Após discorrer sobre posicionamento do Judiciário quanto a quebra de sigilo fiscal, sobre direitos assegurados pela Constituição à inviolabilidade da intimidade geral da pessoa e do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, bem como de dados e comunicações telefônicas, salvo, neste último, mediante ordem judicial, para fins de investigação ou instrução processual judiciária ou administrativa, argúi a nulidade do processo por cerceamento de defesa, por não ter sido concedido à parte recorrente o direito de vistas da fundamentação que impôs a entrega dos documentos fiscais para fins fiscalizatórios. Quanto ao mérito, diz que sua escrita fiscal restou comprometida, que os livros diários foram confeccionados após ter apresentado, indevidamente, das declarações do Imposto de Renda pelo regime simplificado, e a apuração dos resultados trimestrais, pelo lucro real, foi elaborada de forma equivocada uma vez que apurou resultados fictícios, que não condizem com a realidade econômica da empresa. Pondera que sua atividade é a realização de transporte de carga, e que, não possuindo veículos próprios, é obrigada a locálos de terceiros. Alega que na intermediação do frete de transporte de cargas para terceiros não ocorre disponibilidade econômica ou jurídica sobre os valores recebidos para tal comercialização, verificandose a “impropriedade do arbitramento do lucro proveniente dessa situação” com fundamento da falta dos livros comerciais e fiscais regularmente escriturados, pois, sem a concreta disponibilidade dos recursos provenientes da sua atividade, comprovado apenas pela consulta perante o fisco estadual, não há que se falar em lucro. Diz que as bases de cálculo real para a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e da CSLL não espelham a realidade dos fatos, uma vez que foram medidas sem levar em consideração o valor real referente ao pagamento da locação dos veículos utilizados no transporte e as despesas relativas ao seu funcionamento, o que induziu a inclusão de receitas obtidas de terceiros em sua base de cálculo. Alega ter ocorrido à terceirização de parte das receitas, obtidas com a locação dos veículos utilizados para o transporte de cargas, sendo que estas receitas não foram separadas de forma proporcional entre os agentes que as receberam, recaindo na sua totalidade sobre a autuada. Insiste em que contabilizou a receita de forma equivocada, pois deixou de levar em consideração de forma integral os valores gastos com as locações dos veículos para os transportes das cargas, cujos tributos deveria ser arcados pelos locadores. Faz referência à existência de tese de exclusão de tributo da base de cálculo do PIS e da Cofins, menciona a possibilidade de analogia com a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, assim como a retirada do ISS, e insiste na inexistência de elementos contábeis confiáveis para a determinação do lucro que teria sido auferido pela parte Recorrente, quando realizada fiscalização pela Receita Federal. Aduz não ser justo aplicar uma metodologia universal que mensure a sua base cálculo para obtenção do PIS e da COFINS, que o conceito de faturamento não abarca receitas decorrentes do que efetivamente foi ganho pela empresa que a atividade de transporte de cargas, como é a situação da Recorrente, e que poderia muito bem estar adequada para "Simples Nacional", mormente que as vedações existentes em relação à atividade de transportes, referemse ao transporte intermunicipal ou interestadual de passageiros. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 6 6 Tece longas considerações questionando a Lei n°. 10.833/2003, inclusive sua constitucionalidade. Requer, afinal, seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa pelo fato de não terem sido devolvidos a Recorrente os documentos fiscalizados, para que pudesse embasar melhor sua resposta a autuação ou até mesmo embasar o presente recurso, anulando o procedimento até aqui imposto, renovando o prazo para a defesa, após a conseqüente entrega dos mencionados documentos. Caso não acatada a preliminar, requer sejam desconsideradas as atuações a título de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – CSLL e Contribuição para o PIS/PASEP, sobre o tipo de atividade, uma vez que provouse de forma cabal que a parte Recorrente não agiu com dolo, fraude ou simulação, demonstrado nas razões de defesa e ratificadas por estas razões recursais, requerendo seja dado provimento ao presente recurso, para considerar improcedente o auto de infração, cobrando o que de direito do fisco daquelas pessoas que realmente devem, a exemplo daquelas locadoras dos veículos contratados pela parte Recorrente, em nome do princípio da legalidade e de justiça. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Preliminarmente a Recorrente argüi a nulidade do processo por cerceamento de defesa, por não lhe ter sido concedido o direito de vistas da fundamentação que impôs a entrega dos documentos fiscais para fins fiscalizatórios. De se observar que o dever do contribuinte de entregar seus documentos fiscais à autoridade administrativa fiscal decorre de lei, cujo conhecimento por todos é presumido. De fato, nos termos do art. 3º da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro (Decretolei nº 4.657/1942), “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”. A fiscalização tem a atribuição legal de verificar o cumprimento das obrigações tributárias (principal e acessórias), e adotar as providências decorrentes do não cumprimento (formalizar a exigência). Para tanto, o Código Tributário Nacional assegura amplos poderes de investigação aos agentes competentes, cujas regras básicas estão contidas nos artigos 194 a 200. Os arts. 195 e 196 estabelecem: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. Portanto, o agente do fisco tem amplo acesso à escrituração contábil e fiscal do contribuinte, e aos documentos que as lastreiam, sendo formal o procedimento de fiscalização, que exige lavratura dos termos competentes (de início, de continuidade, intimações, recepção e devolução de documentos, encerramento, ou qualquer outro para Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 8 8 registrar ocorrências no curso do procedimento) e, afinal, se for o caso, o instrumento de formalização da exigência. O art. 200 estabelece a possibilidade de requisição da força pública federal, estadual ou municipal e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções ou quando necessário à efetivação de medida prevista na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção. A amplitude dos poderes de fiscalização não se limita ao contribuinte fiscalizado. Em princípio, todos têm o dever cívico de colaborar com a administração pública, cuja finalidade é coordenar a sociedade. Mas além desse dever cívico generalizado (cujo descumprimento não implica sanção formal), o art. 197 do CTN diz, expressamente, que não apenas o sujeito passivo tem o dever de fornecer informações ao fisco, mas enumera terceiros que estão obrigados a fazêlo, e que se sujeitam a penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de informar. Isto posto, rejeito a preliminar acima suscitada. Passo ao mérito. A Recorrente é empresa de transporte de cargas, tributada pelo SIMPLES até sua exclusão de ofício, a partir de janeiro de 2004. A fiscalização apurou que nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, sua receita bruta declarada ao Fisco Federal foi irrisória em comparação com a escriturada e declarada ao Fisco Estadual da Bahia (3% em 2003, 2% em 2004 e 5% em 2005). Os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram feitos com base, respectivamente, no lucro real e no lucro líquido ajustado, apurados a partir as demonstrações de resultados trimestrais escrituradas no Diário. Assim, imprópria a referência, na peça recursal, a arbitramento. A defesa da interessada se fundamenta, essencialmente, na alegação de que a apuração de seus resultados trimestrais foi feita de forma equivocada, e que sua escrita contábil e fiscal não foram elaboradas corretamente, não tendo sido considerados os valores gastos com locação de veículos para transporte de cargas. Estariam, assim, comprometidas, não se prestando a servir de base à apuração dos tributos lançados. Ocorre que o contribuinte não apresentou, contudo, qualquer prova do alegado, mantendose no terreno de meras alegações. Ora, como bem assentou a decisão recorrida, em princípio, os dados escriturados nos livros fiscais e contábeis refletem a realidade da empresa. Para desqualificá los, não basta alegar que estão errados, devendo ser provados documentalmente os fatos contábeis reais que estariam equivocadamente registrados. Especificamente em relação ao PIS e à COFINS, além da alegação de injustiça de aplicação de uma metodologia universal para mensuração da sua base cálculo, uma vez que atua em um campo diferenciado, faz extensas considerações sobre as disposições da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 9 9 De se observar que, inconformismo com a lei não podem ser objeto de decisão na esfera administrativa, e a referência à Lei nº 10.833/2003 é impertinente, pois o referido diploma legal não influenciou o lançamento. Quanto à qualificação da multa de ofício, não merece acolhida a alegação da Recorrente, de que Recorrente não agiu com dolo, fraude ou simulação, quando, de forma reiterada deixou de oferecer a tributação, quase que integralmente suas receitas. A qualificação se impõe quando presentes as figuras de sonegação, fraude ou conluio, definidas na Lei nº 4.502/64, verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No presente caso, restou demonstrado que nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, a Recorrente ofereceu a tributação apenas 3%, 2% e 5%, respectivamente, de suas receitas auferidas a tributação, subsumindose, portanto, a hipótese prevista em lei para efeito da qualificação. De fato, o contribuinte que, reiteradamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, ou seja, a conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso, justificando, portanto, a aplicação da multa qualificada prevista no artigo 957, inciso II do Decreto 3000/99 (RIR/99). Pelo exposto, AFASTO a preliminar suscitada, para no mérito NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10540.001432/200769 Acórdão n.º 1301000.560 S1C3T1 Fl. 10 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660279/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 79 /2 01 2- 12 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660279/201212 Acórdão n.º 3401004.683 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660279/201212 Acórdão n.º 3401004.683 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660279/201212 Acórdão n.º 3401004.683 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660279/201212 Acórdão n.º 3401004.683 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660279/201212 Acórdão n.º 3401004.683 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660279/201212 Acórdão n.º 3401004.683 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727662/2012-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE.
Diante dos princípios da Administração Pública, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração, desde que devidamente comprovados.
O pedido de retificação que enseje novo lançamento não pode ser autorizado pelas instâncias de julgamento, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
Numero da decisão: 2002-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração, desde que devidamente comprovados. O pedido de retificação que enseje novo lançamento não pode ser autorizado pelas instâncias de julgamento, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 80 1 79 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.727662/201242 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.159 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria IRPF. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Recorrente ZOBEIDA MARIA FOLGEARINI PRESTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração, desde que devidamente comprovados. O pedido de retificação que enseje novo lançamento não pode ser autorizado pelas instâncias de julgamento, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 76 62 /2 01 2- 42 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.727662/201242 Acórdão n.º 2002000.159 S2C0T2 Fl. 81 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2011, ano calendário 2010, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas (fls.7/8). O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/26), requerendo o restabelecimento de algumas das despesas médicas e reconhecendo outras como indevidas. Aponta ainda erro quanto aos rendimentos declarados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 61/66), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Ementa: MATÉRIA(S) NÃO IMPUGNADA(S). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA PARCIAL. Mantida a glosa parcial de despesas médicas, visto que o direito à sua dedução condicionase à comprovação mediante documentação hábil e idônea, em conformidade com a legislação pertinente. Cientificada dessa decisão em 19/5/2016 (fl.73), a contribuinte interpôs, em 20/6/2016 (fl.76), seu Recurso Voluntário (fls. 70/71), insurgindose contra a decisão da DRJ no tocante aos rendimentos declarados. Alega que, ainda que tenha utilizado valor inadequado na compensação do IRRF, esse fato é alheio a este processo. Argumenta que fez prova quanto ao valor superestimado dos rendimentos, traçando os limites objetivos da lide. Defende que deve ser este o parâmetro de cálculo do imposto, e não o inadequado valor lançado na DIRPF, abstraindose as discussões alheias ao processo. Requer, ao final, que seja reconhecido como rendimentos recebidos da UEFS o montante de R$51.900,00. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.68). É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.727662/201242 Acórdão n.º 2002000.159 S2C0T2 Fl. 82 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. A recorrente insurgese contra o posicionamento da DRJ no tocante ao seu pleito quanto aos rendimentos declarados. Nesse sentido, a decisão recorrida registra: No tocante ao pedido de revisão dos valores declarados a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, que a contribuinte alega ter informado a maior em seu ajuste, há que se observar o que segue. A impugnante informou rendimento recebido da Universidade Estadual de Feira de Santana no valor de R$ 73.654,70 (DIRPF às fls. 31/36) e nesta instância alega que recebeu da fonte pagadora somente R$ 51.900,00 (comprovante de rendimentos às fls. 12), requerendo que se corrija a diferença. Contudo, tanto o comprovante de rendimentos de fls. 12 como a DIRF de fls. 59/60 demonstram que o total de imposto de renda retido pela fonte pagadora foi de R$ 4.892,06, enquanto que a interessada se compensou do valor de R$ 8.848,10 a título de IRRF dessa fonte. Ou seja, caberia nessa pretendida revisão, que não faz parte do litígio instaurado no presente processo administrativo, também a glosa do valor compensado e não comprovado de IRRF de R$ 3.956,04 (R$ 8.848,10 R$ 4.892,06), o que caracterizaria inovação do lançamento. Pelas razões expostas, esta autoridade administrativa atémse à matéria litigiosa do lançamento e restabelece despesas médicas no montante de R$ 7.800,00. (destaques acrescidos) A recorrente defende que definiu os limites da lide por meio da sua impugnação e que o fato apontado pela decisão de piso para não efetuar a alteração dos rendimentos declarados, qual seja o valor do IRRF correspondente, é matéria alheia ao processo. Equivocase a recorrente. A lide limitase, de um lado, pela exigência fiscal e, por outro, pela resistência do contribuinte sobre aquela exigência. Assim, a delimitação da lide decorre da apresentação da contestação no tocante às matérias objeto do lançamento. Matérias e fatos estranhos ao lançamento levantados pelos impugnantes em suas defesas não compõem a lide. No caso, em sua impugnação, a recorrente solicitou a alteração dos rendimentos declarados. Ocorre que a autuação recaiu somente sobre as despesas médicas Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.727662/201242 Acórdão n.º 2002000.159 S2C0T2 Fl. 83 4 declaradas, tendo sido mantido o exato montante dos rendimentos informados pela contribuinte em sua Declaração de Ajuste. Logo, o montante dos rendimentos tributáveis se trata de matéria não tratada no lançamento e, por consequência, não compõe a lide, como bem consignado pela decisão de piso. Tal pleito se configura num pedido de retificação da Declaração de Ajuste, cuja competência para análise não é das instâncias de julgamento. Não obstante, entendo que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação. Pareceme que essa era a intenção da autoridade julgadora de primeira instância ao proceder à analise do pleito da contribuinte. No entanto, ao constatar que os documentos comprobatórios dos rendimentos, apontavam um valor de IRRF a menor do que o compensado pela contribuinte, e que sua alteração só poderia ocorrer mediante novo lançamento, já que a contribuinte não solicitara a alteração do IRRF, atevese a analisar a matéria litigiosa, qual seja, as despesas médicas lançadas e impugnadas. Em seu recurso, a recorrente insiste quanto à alteração dos rendimentos, indicando que seria indevida qualquer argumentação quanto ao valor do IRRF. Entendo que não há reparos a se fazer à decisão de piso, visto que se trata de pleito estranho à lide, e que, diante das provas constantes dos autos (comprovante de rendimento e DIRF), demandaria a glosa do valor do IRRF declarado, o que só poderia ocorrer mediante novo lançamento. Por fim, cabe esclarecer que o pleito para retificação dos rendimentos declarados deve ser direcionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil do seu domicílio tributário, a quem compete a análise de pedidos de retificação das Declarações de Ajuste entregues. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 18239.000573/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO . DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA
Deduzem-se, na determinação da base-de-cálculo sujeita à incidência do Imposto de Renda, os valores informados no campo Deduções da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física- Dirpf, pagos a título de despesas médicas, e despesas com instrução e a dedução pensão judicial, apenas quando comprovada a dedutibilidade desses valores através de documentação hábil e idônea, mantendo-se a glosa das deduções não comprovadas.
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
OMISSÃO RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA
Não ocorre omissão de rendimentos quando provada que a pensão alimentícia era paga a menor não dependente do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-004.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência fiscal em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, vencido o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deu provimento em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO . DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA Deduzemse, na determinação da basedecálculo sujeita à incidência do Imposto de Renda, os valores informados no campo Deduções da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física Dirpf, pagos a título de despesas médicas, e despesas com instrução e a dedução pensão judicial, apenas quando comprovada a dedutibilidade desses valores através de documentação hábil e idônea, mantendose a glosa das deduções não comprovadas. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. OMISSÃO RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA Não ocorre omissão de rendimentos quando provada que a pensão alimentícia era paga a menor não dependente do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência fiscal em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, vencido o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deu provimento em maior extensão. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 05 73 /2 01 1- 76 Fl. 279DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1261.853, proferido pela 21a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 (DRJ/RJ1), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/RJ1: Tratase de Notificação de Lançamento, fls 05, em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente do procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do ano calendário 2008, exercício 2009, em que foi apurado imposto suplementar de R$ 11.125,82, acrescido de juros e multa. De acordo com complementação da descrição dos fatos, fls 06/11, foram apuradas: Omissão de Rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 309.133,51, compensado o IRRF sobre rendimentos omitidos de RS 86.406,62 "O valor da base de cálculo do imposto (RS 309.133,51) foi apurado com base no montante informado pela fonte pagadora (RS 316.201,60) deduzido dos honorários advocatícios (RS 4.712,06 + RS 2.356,03)." Omissão de Rendimentos de Aluguéis recebidos de Pessoa Física conforme Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), apurado o valor líquido de R$ 19.823,93, já deduzidas as comissões "A omissão de rendimentos é referente à pensão alimentícia paga pelo Sr. Marcelo da Silva Cunha, CPF 892.002.68749, a Sr."Fátima Aparecida Borges da Costa, CPF014.331.74740, dependente do contribuinte." Dedução Indevida de Despesas com Instrução de não dependentes, no valor de RS 2.239,18, por falta de comprovação ou falta de previsão legal, admitiuse apenas a despesa do dependente Vitor Ferreira Caldas; Fl. 280DF CARF MF Processo nº 18239.000573/201176 Acórdão n.º 2202004.542 S2C2T2 Fl. 280 3 Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública no valor de RS 7.521,00, pois o contribuinte não apresentou nem a documentação que respalda a dedução efetuada e nem, tampouco, a comprovação dos desembolsos financeiros. Dedução Indevida de diversas Despesas Médicas por falta de comprovação, sendo glosado o valor total de RS 3.361,00, conforme quadro abaixo: Beneficiário dos pagamentos Valores glosados Motivo da glosa 1 INSTITUTO PORTUGUÊS BRASILEIRO RS 1.383,00 Falta de comprovação 2 HOSPITAL MEMORIAL FUAD CHIDID L RS 420,00 Falta de comprovação 3 ASSISTÊNCIA DENTARIA DOM PEDRO RS 226,00 Falta de comprovação 4 CENTRO DE ODONTOLOGIA INTEGRADA RS 832,00 Falta de comprovação 5 ÁUREA CARDOSO RS 500,00 Falta de comprovação TOTAL de Glosa de Deduções Indevidas lançado RS 3.361,00, Inconformado com a Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 02/03, requerendo prioridade de tramitação em consonância com o art. 71, §3°, da Lei 10.741/2003 e trazendo as alegações a seguir sintetizadas. Alega que não haveria omissão de rendimentos no valor de RS 309.133,51, pois o valor decorrente de ação trabalhista teria sido recebido em 2007 e declarado no Exercício 2008; Segundo o contribuinte, não haveria omissão de rendimentos de aluguéis, já que não houve rendimento algum a esse título, pois o valor de RS 19.823,93, referirseia à pensão dada pelo pai dos filhos da sua companheira a seus dois filhos, não tendo ela participação no valor recebido. Solicita que se tiver que entrar essa renda, então que seja tirada a companheira da condição de sua dependente, uma vez que não foram colocadas as despesas dos seus filhos em sua declaração; Assevera, em seguida, que as despesas com instrução glosadas, no valor de RS 2.239,18, referemse à universidade de sua filha Mariana Portela Caldas, pagas a partir da inversão da guarda até 2009, por ordem judicial; Segue alegando que o documento referente à Pensão Alimentícia Judicial no valor de RS 7.521,00, teria sido entregue no CAC de Campo Grande em 24/11/2010. Por fim, esclarece o impugnante que a Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 3.361,00, referirseia a "valor de pagamento à clinica medica para prestação de serviços para o próprio, filho, pais e companheira". Para sustentar suas alegações o Interessado traz anexos à impugnação os documentos que relaciona e que foram juntados às fls. 15/52, afirmando que já os teria entregue no CAC Campo Grande em 24/11/2010. DA DILIGÊNCIA Fl. 281DF CARF MF 4 Em Diligência solicitada à fl. 81, o Banco do Brasil foi instado a esclarecer os fatos alegados pelo impugnante, informando se realmente houve pagamento R$ 309.133,51, com IRRF de R$ 86.406,62, no anocalendário 2008, decorrente de ação trabalhista Processo 02300032.1986.5.01.0003, conforme informara em Dirf. Foram anexados pela instituição os documentos de fls. 111 a 115. Em resposta ao resultado da diligência o contribuinte apresentou manifestouse às fls. 119/123 e juntou documentos de fls. 124 a 133, sendo os de fls. 128/130 ilegíveis. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/RJ1, que excluiu do lançamento a omissão dos rendimentos recebidos acumuladamente do Banco do Brasil, no valor de R$ 309.133,51. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS O lançamento é efetuado de oficio quando o contribuinte deixa de informar rendimentos próprios ou de dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual. (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DIRF. Havendo Dirf que atribuiu erroneamente os rendimentos ao Contribuinte, conforme se identifica através de documentação comprobatória apresentada, não cabe a respectiva omissão de rendimentos apurada. DEDUÇÕES.DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO . DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA Deduzemse, na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do Imposto de Renda, os valores informados no campo Deduções da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física Dirpf, pagos a título de despesas médicas, e despesas com instrução e a dedução pensão judicial, apenas quando comprovada a dedutibilidade desses valores através de documentação hábil e idônea, mantendose a glosa das deduções não comprovadas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PARTE DA GLOSA DE DESPESA MÉDICA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, ou de que cuja impugnação tenha desistido, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 282DF CARF MF Processo nº 18239.000573/201176 Acórdão n.º 2202004.542 S2C2T2 Fl. 281 5 O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/RJ1 em 09/01/2014. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 04/02/2014 (efls. 149/162), repisando os argumentos da impugnação, em relação às infrações mantidas, e anexando documentos. Em 06/07/2017, o julgamento do Recurso foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 2202000.787, com a seguinte justificativa e determinação: [...] alguns documentos apresentados pelo Recorrente estão ilegíveis e caberia à autoridade preparadora, que providenciou a digitalização, ter alertado o Contribuinte sobre esse problema, uma vez que na forma em que se encontram não é possível se chegar a uma conclusão sobre tais documentos. Ademais, restam dúvidas sobre a natureza dos valores pagos pelo Sr. Marcelo da Silva Cunha à companheira do Fiscalizado. Desse modo, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de o julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1) intime o Contribuinte Marcelo da Silva Cunha (CPF nº 892.002.68749) a comprovar documentalmente a natureza dos valores pagos em 2008 à Sra. Fátima Aparecida Borges da Costa, que totalizaram R$ 19.823,93; 2) intime o Contribuinte Fiscalizado, Mauro Ferreira Caldas, a juntar os documentos de fls. 163/168 e 210/212, de forma legível; 3) dê vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar sobre o resultado da diligência. A diligência foi realizada pela Unidade de Origem. Os contribuintes intimados apresentaram os documentos constantes às fls. 255/256 e 258/271. Foi concedido prazo de 30 dias ao recorrente para que se manifestasse do resultado da diligência (fls. 272), entretanto, transcorrido tal prazo não se pronunciou. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Considerando que a DRJ/RJ1 exonerou parte da infração, e que o recorrente deixou de impugnar e recorrer de outra parte, a lide se restringe aos seguintes lançamentos: · glosa de despesas médicas no valor de R$ 1.383,00 (Instituto Português Brasileiro); Fl. 283DF CARF MF 6 · glosa de despesas com instrução de Mariana Portela Caldas no valor de R$ 2.239,18. · glosa de pensão alimentícia de Victor Ferreira Caldas no valor de R$ 7.521,00. · omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas aluguéis e outros, no valor de R$ 19.823,93. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas aluguéis e outros O recorrente afirma que o valor lançado se refere à pensão dada pelo pai dos filhos de sua companheira Fátima. Analisando os documentos juntados aos autos, fls. 266/271, verifico ofício expedido pelo Juízo da 3ª Vara de Família da Comarca da Capital Reg. Campo Grande, de 07/05/2004, oficiando a empregadora do pai dos filhos da companheira do recorrente (Fátima) para que procedesse o desconto da pensão alimentícia a eles, relativa ao Processo nº 2003.205.0030283. Em 14/12/2016, o empregador foi novamente oficiado, desta vez para que cancelasse o desconto da pensão (fls. 267), em razão da homologação do acordo, exonerando o pai dos filhos de Fátima, do encargo da pensão alimentícia (fls. 268/269). Observo ainda, que às fls. 271, consta o comprovante de rendimentos do pai dos filhos de Fátima, demonstrando o desconto da pensão alimentícia deles, no valor de R$ 19.823,93 para os anos de 2008, mesmo valor que foi lançado pela fiscalização. Diante disso, entendo que a pensão alimentícia foi paga aos filhos de Fátima, que não eram dependentes do recorrente, e, portanto, não restou caracterizada a omissão de rendimentos apontada pela fiscalização, devendo ser cancelado o lançamento nessa parte. Glosa de despesas com instrução de Mariana Portela Caldas O recorrente alega que efetuou despesas com instrução de sua filha, por determinação judicial. Verifico às fls. 263/264 a Assentada, de 04/09/2000, em que o recorrente concorda no pensionamento da filha Mariana (filha de Mércia), assim como, pelo pagamento de sua matrícula e mensalidades escolares, entretanto, às fls. 265, consta a Assentada, de 17/12/2002, em que cessou o pensionamento à Mariana, uma vez que a guarda dela foi conferida ao pai, por acordo entre as partes. Diante dos documentos apresentados, tenho que concordar com a fundamentação do acórdão recorrido para manter o lançamento nessa parte: Ao contrário do alegado pelo impugnante, as despesas com instrução, no valor de R$ 2.239,18, que segundo o impugnante referirseiam à universidade de sua filha Mariana Portela Caldas, pagas a partir da inversão da guarda até 2009, por ordem judicial, não teve sua dedutibilidade comprovada nos autos, pois o documento de fl. 29 comprova tão somente que em 2002 a guarda de Mariana Portela Caldas passou ao Pai, que suspendeu o pagamento de pensão. Em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte declarou a despesa de instrução com Mariana Portela Caldas, como se esta fosse sua alimentada. Dessa forma, para considerar despesa com Fl. 284DF CARF MF Processo nº 18239.000573/201176 Acórdão n.º 2202004.542 S2C2T2 Fl. 282 7 instrução, o contribuinte deveria ter apresentado decisão judicial em que comprovasse que sua filha no ano 2008 era sua alimentada e em que termos. Não sendo esse o caso, o contribuinte deveria ter declarado sua filha como dependente, o que não foi feito. Portanto, não há nos autos provas que contrariem o procedimento da Autoridade Fiscal, mantendose a glosa da dedução indevida com instrução. Caso as despesas com educação tivessem sido feitas em decorrência da qualidade de Mariana como alimentanda, o recorrente deveria ter apresentado documento equivalente à Assentada de 2000, na qual foram estipulados os termos e condições que esses dispêndios seriam feitos pelo recorrente, a fim de avaliar se eles eram considerados dedutíveis nos termos da legislação. Portanto, diante da falta de comprovação quanto ao tipo de dependência de Mariana em relação ao recorrente, para fins de dedução de suas despesas com educação, entendo que o lançamento deve ser mantido nessa parte. Glosa de despesas médicas Alega o recorrente que os valores pagos ao Instituto Português Brasileiro de Assistência se referem a mensalidade e exames em nome de seu pai, que não tinha condições financeiras de arcar com elas. Compulsando os autos, verifiquei que, o recorrente não trouxe documentos comprobatórios das despesas efetuadas com o dependente. Mesma análise foi feita pelo julgador de primeira instância, nos seguintes termos: Quanto às despesas médicas com o Instituto Português Brasileiro de Assistência, os recibos apresentados de fls 49 a 50, foram pagos por Lizandro Pereira Caldas, pai do interessado, seu dependente. Contudo, tais recibos, só demonstram que os valores pagos se referem ao número de ordem 2564, não se especificando que tipo de despesa é esta e a quem os serviços foram prestados, não estando em conformidade com a legislação supracitada. Em relação ao recibo emitido pelo Instituto Português Brasileiro de Assistência de fls 51, também não especifica que tipo de despesa é esta e a quem os serviços foram prestados, não estando em conformidade com a legislação supracitada. Portanto, entendo que o recorrente não se incumbiu de comprovar as despesas médicas deduzidas em sua declaração de ajuste anual, devendo ser mantido o lançamento nessa parte. Glosa de pensão alimentícia de Victor Ferreira Caldas Alega o recorrente que a pensão alimentícia foi paga a seu filho Victor Ferreira Caldas. Compulsando os autos, verifico às fls. 42/44, que consta uma escritura declaratória, lavrada em Cartório em 10/11/2010, em que o recorrente se obriga a fazer um Fl. 285DF CARF MF 8 depósito mensal de 01 (um) salário mínimo à Arlete Ferreira da Silva, mãe de seu filho Victor, e a pagar todas as despesas com e educação e saúde deste. Entendo que, não é cabível tal dedução, considerando que a Escritura, apresentada pelo recorrente, é posterior à data dos fatos geradores. Não bastasse isso, não houve comprovação dos desembolsos financeiros, visto que a declaração feita pela mãe do menor deveria ser corroborada por outros documentos que provassem o efetivo dispêndio. Assim, não cabe reforma ao acórdão recorrido, devendo ser mantida a exigência fiscal nessa parte. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, cancelando a exigência fiscal em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005828/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos.
NULIDADES. INCORRÊNCIA.
Descabida a alegação de que a Notificação de Lançamento deveria ser, no caso concreto, considerada nula por não ter sido considerada valor de retenção.
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Waltir de Carvalho, que lhe deu provimento parcial, para fins de que o imposto seja recalculado utilizando-se as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INOCORRÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos. NULIDADES. INCORRÊNCIA. Descabida a alegação de que a Notificação de Lançamento deveria ser, no caso concreto, considerada nula por não ter sido considerada valor de retenção. IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Waltir de Carvalho, que lhe deu provimento parcial, para fins de que o imposto seja recalculado utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 58 28 /2 00 8- 72 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10930.005828/200872 Acórdão n.º 2202004.521 S2C2T2 Fl. 246 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10930005828/200872, em face do acórdão nº 0627.533, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 23 de julho de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o processo de defesa em relação à Notificação de Lançamento de fls. 22 a 27, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, que exige R$ 15.805,77 de Imposto de Renda suplementar, R$ 11.854,33 de multa de oficio e R$ 6.216,40 de juros de mora, em decorrência de alteração no valor do imposto devido, bem como R$ 33.125,41 de Imposto de Renda, R$ 6.625,08 de multa de mora e R$ 13.028,22 de juros de mora, em decorrência de alteração do Imposto de Renda Retido na Fonte, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. 2. No relatório denominado Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 23 e 24, informa a autoridade fiscal a omissão de rendimentos no valor de R$ 146.446,16 e traz, ainda, os seguintes esclarecimentos, in ltiteris: Os rendimentos referentes a ação judicial 1.153/1994 movida contra BANCO ITA U S/A, CNPJ 60.701.190/000104, totalizam R$ 201.997,75 sendo: R$ 201.976,55 total retirado pelo autor em 05/07/2004. R$ 21,20 valor devido pelo empregado ao INSS conf. Cálculos de fls. 987 do processo trabalhista (valor total é de R$ 44,30 em 06/08/2004) R$ 1.512,63 valor devido pelo empregado ao INSS. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10930.005828/200872 Acórdão n.º 2202004.521 S2C2T2 Fl. 247 3 Para efeito de cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual os rendimentos totais recebidos da ação devem ser separados entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e rendimentos isentos e não tributáveis. Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. Com base nos cálculos periciais constantes nas fls. 899/92 do processo trabalhista, constatouse que 0,91% dos rendimentos são isentos, que 0,6% dos rendimentos são de tributação exclusiva na fonte e que 98, 4 9% são tributáveis no ajuste anual. Foram considerados isentos os seguintes rendimentos originais: Reflexo do ticket alimentação no aviso prévio e FGTS. Foram considerados exclusivos na fonte os rendimentos referentes ao décimo terceiro. Foram considerados tributáveis os demais rendimentos. Total de rendimentos sujeitos à tributação normal: R$ 198.955,01 (RS 201.997. 75 x 98,49%). Total de despesas com advogado: RS 36.355,00. Parcela dedutível dos rendimentos sujeitos à tributação normal (proporcional a estes): R$ 35. 807,37. Parcela dedutível dos re¡1din1entos sujeitos a tributação exclusiva: R$ 216, 98 Valor apurado de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual esperados na Declaração de Ajuste Anual referente à esta ação: R$ 163.147,63. Quanto ao IRRF sobre este rendimento, conforme cálculos de fls. 899/921 e 987 do processo trabalhista, o desconto do IRRF sobre o total dos valores recebidos (saques realizados em 2002 e 2004) foi de RS 25.809,95 (atualizado até 08/06/204). O valor de RS 25.809,95 deve ser rateado entre os anoscalendário 2002 e 2004 com base nos valores sacados e também deve ser descontado o valor correspondente à parcela dois rendimentos sujeitos à. tributação exclusiva. Desta forma o valor do IRRF que o contribuinte poderia levar para DIRPF/2005 seria de RS 12.352, 70. Ocorre que o contribuinte não pode compensar nenhum valor de IRRF em sua DIRPF/2005 haja vista já ter compensado RS 52. 384. 28 em sua DIRPF/2003 correspondente aos valores recebidos na Reclamatória Trabalhista em questão. Observamos que as verbas recebidas a titulo de estabilidade do juiz classista estão sujeitas à tributação pois não há previsão legal para que sejam isentas/não tributáveis. (sem grifo no original) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10930.005828/200872 Acórdão n.º 2202004.521 S2C2T2 Fl. 248 4 3. Cientificado do lançamento em 09/01/09, conforme Aviso de Recepção de fl. 163, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 01 e 16, alegando, em síntese, que: a) os créditos a que se refere este Auto de Infração correspondem a verbas trabalhistas relativas ao período compreendido entre março de 1994 e junho de 1995, de forma que, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, estão extintos por força da decadência desde 1999 e 2000, respectivamente, devendo, portanto, ser anulado o presente crédito tributário; b) “No auto de infração a Agente Fiscal faz referência à perícia realizada na ação trabalhista” [...]. Ocorre que o impugnante não teve acesso a estes documentos, porque não fazem dos autos, e também porque não lhe foram entregues. [...] A não existência nos autos da perícia a que faz referência à autoridade administrativa, e o conseqüente não fornecimento de cópia, visto que documento importante tanto para a fiscalização como para o lançamento, implica cerceamento de defesa, por razão deve ser invalidado o procedimento, assim como os atos de lançamento e imposição de sanção”, haja vista prejudicarem o “contraditório e a ampla defesa do impugnante.”; c) A fiscalização informa que o contribuinte não poderia compensar IRRF em sua DAA do exercício 2005, anocalendário 2004, pois já compensou o montante de R$ 52.384,28 na DAA do exercício 2003, anocalendário 2002. Acontece que a fiscalização não está levando em conta que o levantamento de valores ocorreu em dois momentos e que a retenção na fonte também' ocorreu em dois momentos. Tanto é que foi retido pelo Banco Itaú S/A o montante de R$ 84.390,48, em 2004, a título de retenção na fonte, conforme DARF anexa. Portanto, a presente Notificação de Lançamento é nula por não levar em consideração esta retenção; d) do montante recebido em 2004, “a quantia de R$ 91.475,13 decorreu da indenização recebida pela estabilidade do emprego em razão de o impugnante ocupar, à época da rescisão do contrato de trabalho, cargo de suplente de Juiz Classista. [...] A indenização recebida por força de estabilidade de emprego não tem natureza salarial porque, nos termos do artigo 457 da CLT, não decorre de contraprestação de serviço prestado ao empregador. [...] Dessa forma, a parcela da condenação referente a estabilidade provisória não pode sofrer incidência do imposto sobre a renda, já que não constitui fato gerador desse tributo.”; e) em face da ação trabalhista, levantou a quantia de R$ 201.997,56 conforme guia em anexo. Desse valor, R$ 16.701,47 referiase às horas extras e respectivos reflexos; R$ 91.475,13 referiase à indenização decorrente da estabilidade e seus reflexos em aviso prévio; R$ 1.870,58 se referia a FGTS; R$ 191,14 se referia a ajuda alimentação (ticket alimentação) e seus reflexos em aviso prévio; e R$ 116.446,85 se referia a juros Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10930.005828/200872 Acórdão n.º 2202004.521 S2C2T2 Fl. 249 5 incidentes sobre essas parcelas, conforme cálculo pericial (fls 899/921 e 987/988 da ação trabalhista); f) das parcelas descritas, apenas a parcela no valor de R$ 16.701,47 está sujeita à tributação, sendo as demais isentas, o que evidencia que está correta a declaração apresentada pelo contribuinte. ao passo que equivocado o auto de infração.”; (grifo e negrito no original) g) os juros recebidos no montante de R$ 1 16.446,85 tem função de indenizar o Impugnante pelos prejuízos causados ao mesmo pelo Banco Itaú S/A, razão pela qual, da mesma forma que as verbas recebidas a título de estabilidade no emprego, não estão sujeitos à incidência de Imposto de Renda. Assim também devem ser consideradas as verbas recebidas a título de auxilio alimentação por terem, também, natureza indenizatória; h) A fiscalização não considerou o declarado de R$ 36.355,00, pago a título de honorários advocatícios pelo Impugnante, mas sim valor de R$ 35.807,37 sob o argumento de que tal valor deve obedecer à proporção dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis. Acontece que, nos termos do art. 56, do Decreto n° 3.000/99, o abatimento dos honorários deve ser feito no valor integral pago pelo contribuinte ao advogado, independente da proporção e da natureza dos valores recebidos na ação trabalhista. Dessa forma, não se sustenta a presente Notificação de Lançamento quanto à apuração dos honorários advocatícios; i) é indevida a cobrança de multa de 75%, pois tal multa somente é aplicada quando o contribuinte deixa de apresentar a declaração ou apresenta de forma inexata, porem, o contribuinte não deixou de declarar os rendimentos, mas sim os declarou como isentos e não tributáveis, que é a natureza das verbas recebidas, motivo pelo qual também não declarou de forma inexata. “No máximo, seria justificada a multa de 20%, prevista no art. 61, por atraso no pagamento do tributo, caso a autoridade Administrativa entenda haver tributo devido.” Acrescentese que “inexiste nos autos qualquer prova apta a demonstrar que o impugnante visou fraudar o Fisco.”; 4. Diante dessas alegações, requer o Impugnante a anulação do presente Auto de Infração e, sucessivamente, a redução da multa de 75% para 20%. 5. É o Relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim o crédito tributário lançado na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 205/222, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10930.005828/200872 Acórdão n.º 2202004.521 S2C2T2 Fl. 250 6 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Decadência. Alega o recorrente que o presente Auto de Infração referese a verbas trabalhistas relativas ao período compreendido entre março de 1994 e junho de 1995 e que, dessa forma, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, o respectivo credito tributário encontrase extinto pela decadência. Primeiramente, insta destacar que o fato gerador do imposto de renda se dá com a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, segundo o art. 43, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: 1 de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Logo, se o contribuinte recebeu os valores objeto do presente lançamento em 2004, é neste anocalendário que se tem por ocorrido o fato gerador. Portanto, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 2004, temse que o direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento em relação aos rendimentos auferidos em 2004 não se encontrava atingido pela decadência quando da notificação do sujeito passivo do presente Auto de Infração, o que se deu em 09/01/2009. Rejeito a preliminar, portanto. Da nulidade do auto de infração decorrente da contradição quanto ao valor de imposto sobre a renda do Impugnante retido na fonte. Quanto à retenção na fonte glosada, alega o contribuinte que a fiscalização não levou em conta que o levantamento de valores, na ação trabalhista, ocorreu em dois momentos e que a retenção na fonte também ocorreu em dois momentos. O contribuinte também carreou aos autos o DARF de fl. 120, no valor de R$ 84.390,48, recolhido pelo Banco Itaú S/A. Dessa forma, por não ter sido levado em consideração a retenção na fonte, entende o contribuinte que a presente Notificação de Lançamento e' nula. Conforme bem referido pela DRJ de origem, em que pese a defesa pretendida, a retenção na fonte, considerada pela fiscalização, teve por base os cálculos trabalhistas (fls. 76/98 e 112) e os valores já compensados pelo recorrente a título de retenção na fonte. Além do mais, para o anocalendário de 2004 consta no sistema da Receita Federal Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10930.005828/200872 Acórdão n.º 2202004.521 S2C2T2 Fl. 251 7 apenas as retenções na fonte referentes às fontes pagadoras CNPJ n° 03.141.166/000116 e 03.165.607/000110, declaradas pelo Impugnante em sua DAA e que totalizam RS 9.152,08. O DARF de fl. 120, por sua vez, no valor de RS 84.390,48, foi recolhido em 08/09/05, tendo por período de apuração 03/09/05. Logo não poderia ser compensado no Imposto de Renda do anocalendário de 2004. Portanto, temse por afastada a alegação de que a presente Notificação de Lançamento deveria ser considerada nula por não ter sido considerada a retenção de R$ 84.390,48. Rejeito a preliminar, portanto. MÉRITO Rendimentos recebidos acumuladamente. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no lançamento, o crédito tributário foi constituído em razão de do recebido de rendimentos acumulados recebidos decorrente de reclamação trabalhista de nº 1.153/1994 movida pela contribuinte em face do Banco Itaú S/A, na Declaração de Ajuste Anual; Assim, verificase que o lançamento tributário deriva do contribuinte ter recebido valores de forma acumulada, referente a períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Portanto, fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendário em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10930.005828/200872 Acórdão n.º 2202004.521 S2C2T2 Fl. 252 8 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, a qual foi declarada inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Conclusão. Ante o exposto, voto rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 252DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914328/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.501
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 28 /2 01 0- 81 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.914328/201081 Acórdão n.º 3302005.501 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.851. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.914328/201081 Acórdão n.º 3302005.501 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.914328/201081 Acórdão n.º 3302005.501 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.914328/201081 Acórdão n.º 3302005.501 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.914328/201081 Acórdão n.º 3302005.501 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905698/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 56 98 /2 01 2- 65 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10840.905698/201265 Acórdão n.º 1302002.874 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905698/201265 Acórdão n.º 1302002.874 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905698/201265 Acórdão n.º 1302002.874 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905698/201265 Acórdão n.º 1302002.874 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905698/201265 Acórdão n.º 1302002.874 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
