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Numero do processo: 13858.000382/2003-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
AUDITORIA INTERNA NA DCTF. ERRO FORMAL. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ADMISSIBILIDADE.
Comprovado o erro formal, pelo sujeito passivo, no preenchimento da DCTF, quanto ao número da ação judicial em que se discute o crédito, é de se admitir a homologação das compensações nela informadas.
COMPENSAÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LC 104/2001. TRÂNSITO EM JULGADO. DESNECESSIDADE.
De acordo com o entendimento esposado pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 1.164.452/MG, submetido ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, a compensação formalizada antes do início da vigência da Lei Complementar nº 104, de 2001, não está sujeita à condição imposta pelo art. 170-A do Código Tributário Nacional, qual seja, a necessidade de o crédito ser reconhecido por decisão transitada em julgado. Observância obrigatória entre os membros do CARF com esteio no art. 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3201-001.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Câmara Junior, Winderley Moraes Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. ERRO FORMAL. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ADMISSIBILIDADE. Comprovado o erro formal, pelo sujeito passivo, no preenchimento da DCTF, quanto ao número da ação judicial em que se discute o crédito, é de se admitir a homologação das compensações nela informadas. COMPENSAÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LC 104/2001. TRÂNSITO EM JULGADO. DESNECESSIDADE. De acordo com o entendimento esposado pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 1.164.452/MG, submetido ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, a compensação formalizada antes do início da vigência da Lei Complementar nº 104, de 2001, não está sujeita à condição imposta pelo art. 170-A do Código Tributário Nacional, qual seja, a necessidade de o crédito ser reconhecido por decisão transitada em julgado. Observância obrigatória entre os membros do CARF com esteio no art. 62-A do Anexo II do RICARF.
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ERRO FORMAL. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ADMISSIBILIDADE. Comprovado o erro formal, pelo sujeito passivo, no preenchimento da DCTF, quanto ao número da ação judicial em que se discute o crédito, é de se admitir a homologação das compensações nela informadas. COMPENSAÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LC 104/2001. TRÂNSITO EM JULGADO. DESNECESSIDADE. De acordo com o entendimento esposado pelo STJ no julgamento do Recurso Especial nº 1.164.452/MG, submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a compensação formalizada antes do início da vigência da Lei Complementar nº 104, de 2001, não está sujeita à condição imposta pelo art. 170A do Código Tributário Nacional, qual seja, a necessidade de o crédito ser reconhecido por decisão transitada em julgado. Observância obrigatória entre os membros do CARF com esteio no art. 62A do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 03 82 /2 00 3- 93 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Câmara Junior, Winderley Moraes Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa e das razões recursais: Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 13/06/2003, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir o recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), períodos de apuração 01/04/1998 a 01/12/1998, no valor de R$ 7.683,83, acrescida da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, perfazendo o total de R$ 20.636,25. Regularmente cientificada em 04/07/2003 (fl. 142), a autuada ingressou, em 04/08/2003 (fl. 01), com a impugnação de fls. 01/13, acompanhada dos documentos de fls.14/141, por meio da qual fustiga a exigência ao argumento, em síntese, que: Preliminarmente, a decadência do direito de constituir e exigir o PIS, sujeita ao lançamento por homologação, fatos geradores de abril, maio e junho de 1998, por já ter transcorrido o prazo decadencial prescrito no CTN, art. 150, § 4º. A seguir, passa a identificar a decadência do PIS. Transcreve ementas de julgados em favor de sua tese. O lançamento teria desconsiderado decisão judicial no processo nº 98.03128749, que autorizaria a compensação dos valores do PIS e que aguarda decisão em sede de recurso, apresentados pelas partes. A multa não teria atendido à proporcionalidade do eventual prejuízo ao erário público e que, se for o caso, seja aplicada a multa de 20%, ademais, no caso presente, não haveria de se aplicar qualquer multa, diante do regular procedimento da interessada. A exclusão da aplicação de juros com base na taxa Selic, aplicandose, no máximo, juros à taxa de 1% ao mês. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13858.000382/200393 Acórdão n.º 3201001.532 S3C2T1 Fl. 249 3 Ao final, requereu seja anulado o auto de infração. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 12.235, de 13/04/2006, in verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 Ementa: AUDITORIA INTERNA NA DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. PIS. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os limites da discussão judicial, em tema de dispensa no recolhimento de tributos, devem ser criteriosamente observados pelo sujeito passivo, sob pena de lançamento de ofício, com incidência dos acréscimos legais. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da contribuição ao PIS é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente. Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, criando uma argumentação totalmente inovadora, a qual não foi apreciada pela instância a quo. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño 1 Introdução O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme se depreende do relatório, a controvérsia travada nos autos do presente processo cingese aos seguintes tópicos: (i) decadência do direito de Fazenda Pública lançar crédito tributário relativo a contribuição para o PIS; (ii) desnecessidade de aguardar o trânsito em julgado de decisão que autorizou a compensação; (iii) desproporcionalidade e não Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 cabimento da multa de ofício; e (iv) inaplicabilidade da taxa Selic como índice de cálculo dos juros moratórios. 2 Preliminares A Recorrente não suscita questões preliminares. 3 Mérito 3.1 LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO UTILIZADO NAS COMPENSAÇÕES Em 30/08/1996, foi proferida sentença parcialmente favorável à Recorrente nos autos do Mandado de Segurança nº 95.03128749, impetrado perante a 2ª Vara Federal em Ribeirão Preto/SP. De acordo com essa decisão, a Recorrente poderia compensar créditos de PIS decorrentes de pagamento a maior com créditos dessa mesma contribuição (fl. 134). Ocorre que, ao informar as compensações nas DCTFs do 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998, a Recorrente justificou a existência do crédito em liminar concedida no Mandado de Segurança nº 95.030777337, impetrado perante a 2ª Vara Federal em Ribeirão Preto/SP, ou seja, um processo diferente daquele em que, de fato, houve o reconhecimento do crédito e do direito à compensação. Conseqüentemente, o cruzamento eletrônico das informações não identificou a origem do crédito. E mais, como a decisão não havia transitado em julgado, a compensação não se conformava com o preceito da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, posteriormente alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 1997. Ressaltese que a cópia dessa decisão foi juntada pela Recorrente na fase impugnatória, fazendo prova do erro de fato alegado. Por outro lado, não houve retificação da DCTF. Sobre o primeiro aspecto, há jurisprudência do CARF no sentido de que o erro de fato, se devidamente comprovado pelo contribuinte, não tem o condão de macular a existência do indébito fiscal, e, conseqüentemente, a compensação informada. Confirase: COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. INDÉBITO COMPROVADO. Comprovados, com documentação hábil e idônea, a existência do indébito pleiteado e a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, acolhese a compensação declarada pelo contribuinte. (Acórdão nº 3803004.250, Rel. Cons. Hélcio Lafeta Reis, Sessão de 25/06/2013) ......................................................................................................... PROVA. ERRO DE FATO. DCTF. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação ao erro no preenchimento da DCTF, sob pena de não ser homologada a compensação declarada. Deve ser desprovido o recurso quando não restar demonstrado o pagamento a maior do tributo. (Acórdão nº 3803004.017, Rel. Cons. Juliano Eduardo Lirani, Sessão de 28/02/2013) Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13858.000382/200393 Acórdão n.º 3201001.532 S3C2T1 Fl. 250 5 ......................................................................................................... COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Assim, existindo provas no processo do pagamento indevido e da sua disponibilidade, ainda que sob código de receita equivocado, deve ser homologada a compensação. (Acórdão nº 3301001.570, Rel. Cons. Andrea Medrado Darzé, Sessão de 21/08/2012) ......................................................................................................... ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE CRÉDITO EXISTENTE HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O PIS apurado e recolhido sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de PIS a pagar, segundo esta sistemática, foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. (Acórdão nº 3302001.210, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, Sessão de 01/09/2011) Por outro lado, há decisão do Superior Tribunal de Justiça submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, segundo a qual os pedidos de compensação formulados antes do início da vigência da Lei Complementar nº 104, de 2001, não precisam observar o art. 170A do Código Tributário Nacional, que passou a exigir o trânsito em julgado da decisão que reconhece o direito creditório. É o que se depreende da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Ora considerando que as DCTFs que informaram as compensações com base no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, estavam lastreadas em sentença judicial e foram transmitidas antes da vigência da Lei Complementar nº 104, de 2001, verificase a perfeita conformação entre o caso concreto e o precedente do STJ. De se salientar que os precedentes do STJ submetidos ao regime do art. 543 C do Código de Processo Civil são de observância obrigatória entre os membros do CARF, nos termos do art. 62A do Anexo II do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. 3.2 DECADÊNCIA, MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORATÓRIOS Considerando que a motivação do lançamento de ofício ora analisado foi a falta de liquidez e certeza do crédito utilizado pela Recorrente em suas compensações, e confirmados esses atributos do crédito pelas razões já apresentadas, fica prejudicada a análise do prazo decadencial, do cabimento da multa de ofício e dos juros moratórios calculados com base na taxa Selic. 4 Conclusão Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 15374.908259/2008-95
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 137 1 136 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.908259/200895 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.854 – 1ª Turma Especial Data 11 de novembro de 2014 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente MANUCHAR COMERCIO EXTERIOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 08 25 9/ 20 08 -9 5 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908259/200895 Resolução nº 3801000.854 S3TE01 Fl. 138 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica, cujo crédito informado referese a pagamento indevido ou a maior, a título de COFINS,, atinente ao período de apuração 31/10/2000, com débito da responsabilidade da contribuinte. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, o Delegado da DERAT Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Cientificada, a Interessada ingressou, com a manifestação de inconformidade acompanhada da documentação na qual alega, em síntese, que: 1.Transmitiu DCOMP em 16/12/2003 indicando como crédito o DARF de COFINS (código 2172), recolhido em 30/01/2001, no valor de R$ 2.826,61; 2.Em 12/08/2004, transmitiu DCTF Retificadora relativa ao quarto trimestre de 2000, onde atribuiu ao DARF acima citado utilização integral na extinção do débito de contribuição social, do período de apuração 31/10/2000; 3.Em 29/05/2008, transmitiu nova DCTF Retificadora, na qual informou que o débito de COFINS, período de apuração outubro/2000, havia em parte sido extinto com outros DARF, portanto, todo valor de R$ 2.313,11 do citado DARF havia sido pago indevidamente; 4.Juntou cópia do diário de fls. 38/39 e 41 razão fl. 40 que confirmam o pagamento indevido. No fim, a contribuinte efetuou o pedido: a) acolhimento dos argumentos de mérito, e a declaração de insubsistência do Despacho Decisório; b) reconhecimento do direito creditório de pagamento indevido; c) homologação da compensação; d) abstenção da cobrança do débito extinto nesta declaração de compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908259/200895 Resolução nº 3801000.854 S3TE01 Fl. 139 3 Data do fato gerador: 30/01/2001 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e juntando documentação comprobatória. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908259/200895 Resolução nº 3801000.854 S3TE01 Fl. 140 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Segundo a recorrente, houve um pagamento a maior de COFINSFaturamento, período de apuração de outubro/2000, pois do DARF recolhido em 30/01/2001, no montante de R$ 2.313,11, acrescido de multa e juros, que teria sido totalmente pago a maior. O valor efetivamente devido e apurado da COFINS teria sido declarado na DCTF retificadora do 4° trimestre/2000, transmitida em 29/05/2008. A recorrente juntou ainda cópias das fls. dos livros Diário e Razão com os valores recolhidos a maior. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.908259/200895 Resolução nº 3801000.854 S3TE01 Fl. 141 5 compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), período de apuração de outubro/2000, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil e a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior ; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000028/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 -
CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
São passíveis de ressarcimento os créditos de Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento.
ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
Embargos Acolhidos. Acórdão Rer-Ratificado.
Numero da decisão: 3302-000.045
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão nº 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de
Voto.
3302.00.045
Nome do relator: W ALBER JOSE DASILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 - CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Rer-Ratificado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão nº 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de Voto. 3302.00.045
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 - CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Rer-Ratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3 a CÂMARA / 2" TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n' 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de Voto. 3302.00.045 \ , Q../Upeetak ;1 SEF MARIA COELHO- MARQUES Presidente UI\ 1 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 363 • . //' iii - W ALBER JOSE DASILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Relatório No dia 02/02/2005 a empresa JARI CELULOSE S/A, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não-cumulativa, previsto no § 1" do art. 6 2 da Lei b." 10.833/2003, relativo ao 4 trimestre de 2004. A DRF em Monte Dourado — PA deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que o crédito da Cofins só alcança os insumos "diretamente ligados à produção específica de celulose (produto final a ser vendido)" e também porque no crédito pleiteado foi incluído: 1-despesas relativas a obras 2- despesas relativas à parte florestal 3- despesas relativas a períodos de competência indevidos 4- notas fiscais não comprovadas 6- notas fiscais de produtos e serviços pós-produção Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida,que leio em sessão. A 2 Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão n 2 01-8.407, de 04/06/2007, ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado — PA de que somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo. Ciente desta decisão em 13/07/2007, a interessada ingressou, no dia 10/08/2007, com o recurso voluntário de fls. 277/291, no qual alega que: 40_,1 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 364 1- tem direito ao crédito de Cofins sobre os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; 2- tem direito ao crédito de Cofins sobre os valores de combustível e serviços de frete empregados na ptodução da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; 3- tem direito ao crédito de Cofins sobre os valores de serviços de manutenção de seu parque fabril; 4- tem direito ao crédito da Cofins sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado; 5- sobre o crédito deste processo deve ser aplicada a taxa Se ic desde a data da apresentação do respectivo pedido de ressarcimento. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 17/10/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 313. Na sessão do dia 02/06/2008 a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário, dando-lhe provimento parcial, nos termos do Acórdão n2 201-81.151 (fls. 331/337). Ciente do julgado em 10/09/2008, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (União) apresentou os embargos de declaração de fls. 341/346, alegando a existência de contradições no acórdão. Submetido os embargos de declaração à apreciação deste Conselheiro, foi emitido o Parecer de fls. 350/351, propondo o seguimento dos embargos exclusivamente quanto à contradição afeta às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. O Senhor Presidente da Segunda Seção do CARF acolheu o parecer acima e determinou a inclusão em pauta destes embargos, conforme Despacho de fls. 352/356. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator Os embargos de declaração são tempestivos e, na forma regimental, foram - admitidos pela Presidente da Segunda Seção do CARF. Como relatado, a PGFN (União) apresentou embargos de declaração alegando a existência de contradições no Acórdão n 2 201-81.151. 41k 3 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 365, A Senhora Presidente deu seguimento aos embargos quanto à contradição relativa às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. Para facilitar a execução do julgado e a eventual interposição de recurso especial por parte da União e da empresa interessada, refiz integralmente o voto condutor para retificar a contradição apontada pela embargante e para melhor detalhar os custos e despesas com direito ao crédito da Cofins reconhecido no acórdão embargado. A recorrente requereu o ressarcimento de crédito de Cofins do 4 2 Trimestre de 2004, previsto no § 2 2 do art. 62 da Lei n2 10.833/03, que abaixo transcrevo: Art. 6' A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004). III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 1" Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3', para fins de: 1- dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2' A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1" poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § O disposto nos §§ 1" e 2' aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8' e 9' do art. 3'. (grifei). § O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1' não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O disposto no § 3 2, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem eik 4 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 366 exportado, como entende a decisão recorrida. É o caso das despesas com frete na venda, energia elétrica, depreciação de imóveis, etc., que não são insumos, mas dão direito a crédito passível de ressarcimento. Portanto, a despesa realizada que gera direito a crédito de Cofins passível de ressarcimento é aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto. Porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem empregados na fabricação do produto exportado podem ser ressarcidos. Todo e qualquer "custo, despesa ou encargo" vinculado à receita de exportação, desde que legalmente gere crédito, na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no art. 62 da Lei n2 10.8333/03. Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo fabricação ou produção do bem exportado. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção ou a fabricação do bem exportado, a exemplo da despesa com frete de insumos e armazenagem de mercadorias acabas (inciso IX do art. 32 da Lei n2 10.833/03). No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão, sim, vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matéria-prima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. Portanto os respectivos créditos de Cotins são passíveis de ressarcimento. Claro que os insumos empregados na produção de madeira (defensivos agrícolas, fertilizantes, serviço de corte, etc.), os fretes dos insumos e os combustíveis vinculados à produção de madeira dão direito ao crédito da Cofins (arts. 3 2, II da Lei n2 10.833/03). Estando estes custos de produção de madeira vinculados à receita de exportação de pasta de celulose, os respectivos créditos são passíveis de ressarcimento, como acima se disse. Quanto às despesas com a manutenção do parque fabril próprio entendo que não há previsão legal para o crédito com estes dispêndios. Obra de construção civil (prédios, estradas, etc) não é insumo. A previsão é para as despesas com depreciação dás edificações e benfeitorias realizadas em prédio próprio ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, conforme dispõe o inciso VII do art. 32 e seu § 1 2, inciso III, da Lei n2 10.833/03. Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de Cofins dos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- Serviços Silviculturais; 2- Serviços Florestais Produção; 3- Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1- Manutenção de Vias Permanentes; 3.2- Terraplanagem e Manutenção de Estadas; 01 5 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 367 3.3- Serviço de P esqui sa/D es envolvimento/P lanej amento/Controle Florestal. 4- Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 5- Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6- Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas @artes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; Quanto aos créditos da Cofins sobre insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado entendo que não há previsão legal para o seu ressarcimento, posto que o produto (energia elétrica e água potável) não foi exportado. A utilização desses créditos segue a rega do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03. Com relação à incidência da taxa Selic no ressarcimento de crédito da Cofins não-cumulativa, ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para o pleito da recorrente. Ao contrário, há vedação expressa (§ 5 2 do art. 51 da IN SRF n2 460/04). No mais, com fulcro no art. 50, § 1, da Lei n g- 9.784/1999 1 , adoto os - fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n2 201-81.151, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao recurso voluntário . para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos da Cofins relativo aos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- aquisição de insumos, combustíveis, lubrificantes e serviços (acima especificados) empregados na produção de madeira, esta usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 2- despesas com serviços empregados na produção de madeira, desde que não sejam obras de construção civil e serviços de pesquisa, desenvolvimento, planejamento e controle florestal; 3- despesas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais e agrícolas, desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (- • .) § l A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. t WO 6 • Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 368 4- frete relativo ao transporte de insumos usados na produção de madeira e frete da madeira produzida pela interessada. Sala das Ses es, em 0$ de julho de 2009 U.LrAy\-. WALBER JOSE DA SILVA Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Conforme se verifica do relatório e dos termos do voto do eminente relator, trata-se de Embargos de Declaração apresentado contra o acórdão n 2 201-81.144, proferido em pedido de ressarcimento de crédito de PIS, com base no artigo 5 2 da Lei n2 10.637/02. Para melhor esclarecer os termos do acórdão mencionado, o Ilustre Relator passeou novamente pelos argumentos trazidos a lume quando do julgamento do pedido de ressarcimento de PIS, pautado na sistemática não cumulativa, razão pela qual }peço vênia para reproduzir todo meu entendimento acerca da questão. A contribuinte, ora Embargada, por possuir atividade eminentemente exportadora, praticamente não tem seus produtos sujeitos à incidência de PIS/Cofins (saída desonerada). Todavia, mantém o direito ao crédito dos tributos pagos quando da compra de insumos, possibilidade decorrente da característica específica do regime não 'cumulativo. Tal fato gera a cumulação de créditos de PIS e Cofins na contabilidade da Agravada que, impedida de compensar por ausência de débitos, pode, conforme autorização legal, solicitar o ressarcimento dos valores em espécie. Nestes termos determina o dispositivo legal: "Art. .52 A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 12 Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3 2 para fins de: 7 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 369 I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 22 A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especca aplicável à matéria. "(Destaquei) Corretíssimo, portanto, o ínclito Julgador Relator, que da seguinte forma resume a questão "não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 32 da Lei n2 10.833/03 (10.637/02) passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. Pois bem. A decisão de primeira instância administrativa se manifestou no sentido de inexistência do direito ao crédito - Acórdão n 9- 01-8.406/07 — "ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado - PA de que somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo." (termos do relatório) A Delegacia da Receita Federal e a Delegacia de Julgamento nitidamente entenderam o crédito de PIS/Cofins da mesma forma como costumeiramente interpretam os créditos de IPI, aplicando-lhes as mesmas restrições e considerando com in idênticas suas características e particularidades. Em virtude deste fato e da constatação de que a Secretaria da Receita Federal tem reiteradamente cometido este equívoco — o que se percebe da análise das respostas à consulta proferida pela entidade — entendo por prudente realizar uma prévia análise acerca das evidentes diferenças entre os sistemas não cumulativos do IPI e PIS/Cofins, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários em cada regime. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias — ICMS — e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado — IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras - por aplicarem as normas - e as autoridades administrativas de julgamento - por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré-estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiu-se, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente 8 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 370 convertidas nas Leis Ordinárias n° 10.637/02 — PIS — e n°10.833/03 — Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional n° 42 (EC n° 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua "existência", pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesmâ riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinbulada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estar-se-á diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, refere-se à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São - Paulo: IOB Thomsom, 2004: "Embora a não cumulatividadeSeja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir á racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto 'receita 'e não 'produto O critério "receita", ao contrário do critério "produto", não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, "um ciclo econômico a ser considerado, posto ser W\à\ 9 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 371 fenômeno ligado a uma única pessoa". Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de "imposto sobre imposto", importando-se com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infra-constitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Além deste critério diferenciador, adoto também, pelo brilhantismo da percepção e fundamento, as razões trazidas a este Colegiado pelo eminente Conselheiro Relator Walber José da Silva. Em seu voto, o relator esclarece que entende diferentes os regimes em virtude de os incisos II e III do parágrafo 3°, referirem-se, esijecificamente, à aplicação do direito ao crédito em relação aos "custos e despesas incorridos" pelo contribuinte. "Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado (celulose), apurados na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.63 7/02, são passíveis de ressarcimento. Nesse passo, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos dos insumos (matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem e outros) empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos. Todas as despesas necessárias ao aferimento da receita de exportação, desde que gere crédito na forma prevista no art. 32 da Lei n2 10.637/02, 10 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 372 pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos parágrafos 12 e 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e regulamentado pelos arts. 21 e 22 da IN SRF n° 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original." Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pela decisão da DRJ, não sendo licito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Finalizada esta análise preliminar, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Embargada são desta forma considerados pela legislação do PIS/Cofins. Dos fatos relatados, constato que a Embargada requer créditos sobre: (i) os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; (ii) os valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; (iii) os valores de serviços de manutenção de seu parque fabril; (iv) os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado; • Em principio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COFINS difere daquele utilizado para ICMS/IPI. Nos termos do II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, para fim de se aferir a não cumulatividade destas contribuições, são entendidos como insumos "Art. 3' Do valor apurado na forma do art. 2 2 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: 1 - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3°- do art. desta Lei; b) no § .1" do art. 2" desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, . exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2" da Lei n°- 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III- (VETADO) 11 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 373 IV — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica." O primeiro insumo pretendido consiste naqueles empregados na produção da matéria-prima própria (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose. São adubos, terra, produtos, etc. Ao cotejar com os termos legais, entendo que o crédito pleiteado enquadra-se dentre os bens utilizados como insumo na produção da celulose e, conseqüentemente, do produto final exportado (inciso II acima citado). A redação do dispositivo legal ié clara, e define como insumos os bens e serviços utilizados na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Tal definição observa que o crédito decorre da aplicação do insumo na produção e fabricação de produtos, ao que concluo que o legislador pretendeu estender o beneficio do crédito tributário a todos os insumos utilizados no processo de produção de mercadorias ou serviços. Neste ponto, a interpretação do conceito de insumo para fim das contribuições ao PIS e Cofins é diametralmente oposta àquela atualmente adotada pela Secretaria da Receita Federal nas hipóteses de não cumulatividade do IPI. É que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado, bem como não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. A questão é que, para a produção daquela mercadoria final, o componente utilizado era indispensável. Esta situação fica evidente ao se refletir acerca dos insumos envolvidos com a prestação de serviços, os quais, da mesma forma que no processo produtivo de mercadorias, geram créditos. Não há meios de se aferir a relação destes insumos — se direta ou indireta — com os serviços prestados, ao que concluo que estes requisitos são legalmente irrelevantes para a significação do conceito de insumo. I/ 12 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 374 Mencionada conclusão merece guarida posto que realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise. O critério material da 'regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi necessário para se alcançar aquela determinada receita financeira naquele específico mês e, na seqüência, verificar se há vinculação à produção, ou seja, i se o insumo foi utilizado na produção. O doutrinador Marco Aurélio 2 , analisa este critério de inerência: "Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na não-cumulatividade do PIS/COFINS apóia-se na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação — que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá — em princípio — direito à dedução." É exatamente em razão deste critério de inerência à formação da receita e utilização na produção do bem exportado, que entendo que todos os custos e despesas referentes aos insumos necessários à produção da celulose, constituem em créditos para a Embargante. O segundo crédito pleiteado refere-se aos valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata. Também entendo, neste caso, pela aplicação do inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e htbrificantes". Parece-me claro que, para viabilizar sua atividade, a qual é a fonte de sua receita, a Embargante necessita dos serviços de frete, responsável pelo trânsito dos produtos produzidos. Da mesma forma, por ser inerente ao frete e à atividade, a utilização de combustível, concluo pela possibilidade de crédito. O terceiro insumo pleiteado justifica-se pelos serviços de manutenção do parque fabril da Embargada. Não encontra direito esta solicitação da Embargante e foi exatamente este o ponto embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O voto recorrido encontrava-se contraditório em relação à esta possibilidade de crédito. )writit 2j "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), citado por Eduardo de Carvalho Borges (in "Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias", Tributação no Agronegócio, Quartier Latin) 13 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 375 É que o pleito está fundamentado no custo necessário à manutenção do estabelecimento fabril de propriedade da Embargada, enquanto o inciso VII da Lei n° 10.637/02 é claro ao permitir a concessão do crédito apenas se o gasto for realizado com bens de terceiros, "edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o cisto, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária." Todavia, importa registrar, para restar ainda mais esclarecido, que o custo despendido com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços . de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado, geram direito ao crédito, nos termos do inciso VI do já mencionado artigo 3°. Por último, em Quarto lugar a Embargada pleiteia crédito sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica, os quais são comercializados para a Vila Monte Dourado. Conforme esclarecido, para o desenvolvimento de sua atividade, a Embargada necessita providenciar os requisitos básicos à existência da "cidade" Vila Monte Dourado. Trata-se de questão peculiar à Embargada que, por razões diversas, constituiu seu empreendimento no interior do Estado do Pará, longe dos centros urbanos o suficiente para que não exista acesso dos moradores da Vila à energia elétrica e água potável. Em virtude desta situação específica da Embargada, para que exista a mão de obra necessária ao exercício de sua atividade, é a própria empresa que provê as condições básicas para a manutenção do povoado. Logo, apesar de aparentemente não haver qualquer relação entre o objeto social da contribuinte e a venda de água e energia elétrica, particularmente, para o caso em específico, estas atividades tornaram-se inerentes ao processo de produção da Embargada. Atendida a exigência de inerência do processo produtivo, seria de se entender • que a Embargada possui direito aos créditos pleiteados. Todavia esta interpretação não merece guarida. Sim, é fato que a Embargada tem direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo em virtude de sua situação específica, entretanto, não da forma pleiteada. Nos termos requeridos, a Embargada pleiteia o ressarcimento de créditos em razão do artigo 5°, inciso I, da Lei n° 10.637/02, a saber: "Art. g- A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: - exportação de mercadorias para o exterior;" Isto é, o crédito decorre da exportação de mercadorias para o exterior. Ocorre que estas mercadorias (energia elétrica e água), não são exportadas, ao contrário, são comercializadas no mercado interno, para os moradores da Vila Monte Dourado. Tal fato inviabiliza a concessão deste insumo. Conforme já registrado pelo Ilustre Relator, tais créditos poderão ser utilizados pela Embargada — desde que válidos, não prescritos — nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, inclusive na escrita contábil, desde que obedecidos os critérios definidos. Ante o exposto, concordo com o posicionamento adotado pelo Ilustre Conselheiro Relator e voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração para RE- 14 Processo n° 10247.000028/2005-21 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.045 Fl. 376 RATIFICAR o Acórdão n2 201-81.144, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito PARCIAL ao ressarcimento de créditos do PIS. , É como voto. Sa das Sessões, em 08 de julho de 2009 s- FABIOLA CASSIAüERAMIDAS 1 , , 15 ,
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Numero do processo: 10880.904538/2009-27
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 53 8/ 20 09 -2 7 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 251 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.147/163 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls.131/143) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 03/09//2008 a Contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 11817.10054.030906.1.3.040361 (fls.03/04), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA agosto/2008, data de vencimento 30/09/2008, assim especificado: principal: R$ 630.874,55; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total : R$ 630.874,55. b) crédito utilizado: a contribuinte pleiteou o aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 403.037,47 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 31/07/2004, DARF valor de R$ 1.374.423,27 (valor original), data do recolhimento 31/08/2004 (efl. 65). Crédito original na data da transmissão da DCOMP R$ 403.037,47. Obs: outra DCOMP utilizando crédito do referido DARF (inicial): DCOMP nº 25291.58415.060600.1.3.045317. Entretanto, na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (Ficha 16), constaria, quanto ao PA 30/04/2004, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 1.374.423,27 Pagamento integralmente vinculado/consumido pelo débito declarado. Por isso, o despacho decisório da DERAT /São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico – Derat/São Paulo, de 23/10/2009 (efls. 05), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 403.037,47. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 252 3 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/11/2009 (efl.09), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/12/2009 (efls. 11/25), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, relativamente ao anocalendário 2004, por estar submetida ao regime de apuração do lucro real anual, antecipou pagamentos do IRPJ e da CSLL, a título de estimativa mensal; que, nesse anocalendário 2004, realizou operações de exportação para clientes situados na américa latina; que a receita de exportação é imune da CSLL pela Constituição Federal (art. 149, § 2º, I), conforme redação dada pela EC nº 33/2001; que, em 09/08/2004, buscou a aplicação dessa imunidade, prevista constitucionalmente, para a CSLL sobre as receitas de exportação, impetrando Ação de Mandado de Segurança Preventivo (efls. 85/129), Processo Judicial nº 2004.61.00.0220237, sendo deferida liminar, em 26/08/2004, pelo TRF/3ª Região para todo o período do ano alendário 2004 e anos seguintes, inclusive com efeito retroativo de janeiro a julho/2004, suspendendo a exigibilidade de eventual constituição de crédito tributário pelo fisco (efls. 71/77); que, a partir da obtenção dessa liminar, excluiu da base de cálculo da CSLL as receitas de exportação; que, entretanto, antecipara recolhimentos da CSLL – estimativa mensal dos meses anteriores à concessão da liminar sem exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL; que na DCOMP, objeto dos autos, utilizou crédito de pagamento indevido ou a maior da CSLL – estimativa mensal do PA julho/2004 (pagamento indevido, ocorrido antes da obtenção da liminar, sobre as receitas de exportação); que, porém, a DERAT/São Paulo não deferiu o crédito pleiteado e não homologou a compensação; que, diversamente do entendimento do Fisco, tem direito de refazer os débitos informados da CSLL – estimativa mensal dos PA de janeiro/2004 a julho/2004 (períodos anteriores à obtenção da liminar); que, como já dito, a liminar foi concedida em 26/08/2004, nos autos de Agravo de Instrumento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Agravo sob n° 2004.03.00.048485 7 (efls.71 /77); Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 253 4 que a liminar foi mantida por sentença de mérito de 11/12/2007, do juízo da 19ª Vara Cível Federal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, que concedeu a segurança autos do processo nº 2004.61.00.0220237 (efl. 79/83); que não efetuou o pagamento do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos, pois utilizou direito creditório para extinguilo mediante DCOMP, atinente a pagamento indevido ou maior da CSLL –estimativa mensal do PA julho2004, em face desse provimento jurisdicional que amparou a não cobrança da CSLL do anocalendário 2004 acerca de receitas de exportação (pagamento indevido ou maior de CSLL – estimativa mensal sobre receitas de exportação); que o débito da CSLL, informada na DCOMP não homologada, está sendo cobrado, com multa e juros de mora; que, entretanto, a compensação tributária configura modalidade de extinção do crédito tributário (CTN, arts. 156, II e 170; Lei nº 9.430/96, art. 74); que, como visto, a lei autoriza a compensação tributária de débitos vencidos ou vincendos, com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; que, existindo lei disciplinando o procedimento de compensação tributária, o Fisco não pode obstaculizar a concretização dessa forma de extinção do crédito tributário; Por fim, com base nessas razões da manifestação de inconformidade, a Contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado, homologação da compensação tributária, extinção do débito confessado na DCOMP e arquivamento dos autos. A 5ª Turma da DRJ/São Paulo I julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acordão de 17/11/2010 (efls. 131/143), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/08/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. O crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não apresenta o atributo da certeza, que é necessário à utilização do crédito pela contribuinte mediante restituição ou compensação na via administrativa. SUBSUNÇÃO DA HIPÓTESE AO PROVIMENTO JUDICIAL. O crédito sobre o pagamento considerado indevido na esfera judicial deve ser reconhecido na via administrativa somente se a requerente comprovar que o referido pagamento corresponde, de fato, à CSLL cuja exigibilidade restou afastada pela decisão judicial obtida, qual seja, aquela incidente sobre receitas de exportação. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 254 5 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 04/01/2011 (efl. 146), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 01/02/2011 (efls. 147/163), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, como já aduzido na primeira instância de julgamento, impetrou, preventivamente, Ação de Mandado de Segurança – processo n° 2004.61.00.022.0237 – para exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2004 (efls. 85/129); que por meio de decisão liminar do TRF/3ª Região, proferida em 26/08/2004, nos autos do Agravo de Instrumento n° 2004.03.00.0484857, restou garantida, judicialmente, a suspensão da exigibilidade dessa exação fiscal quanto às receitas de exportação do ano calendário 2004 e seguintes, resguardando a contribuinte de eventual lavratura de auto de infração pelo fisco (efls.175/181); que a liminar foi mantida por sentença de mérito de 11/12/2007, do juízo da 19ª Vara Cível Federal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, que concedeu a segurança nos autos do processo nº 2004.61.00.0220237 (efls. 79/83); que excluiu da base de cálculo da CSLL as receitas de exportação, quanto ao anocalendário 2004 e seguintes; que os valores da CSLL, que haviam sido recolhidos pelo regime de estimativa nos meses anteriores à concessão da liminar, foram objeto de pedido de restituição/compensação tributária; que, para sua surpresa, nos presentes autos, o Fisco indeferiu o direito creditório pleiteado e a compensação tributária informada, sob os seguintes argumentos: a) ausência de trânsito em julgado da decisão judicial; b) não comprovação de que os créditos utilizados tratavam de CSLL sobre exportação; c) impossibilidade de utilização de crédito relativo à antecipação de pagamento por estimativa mensal, mas apenas do saldo negativo apurado no final do anocalendário. que, diversamente do entendimento da RFB, a decisão recorrida não merece prosperar, pelo seguinte: a) o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago espontaneamente, quando indevido ou a maior, seja qual for a modalidade do seu pagamento (CTN, art. 165); Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 255 6 b) o procedimento de compensação encontrase regulado, disciplinado no art. 74 da Lei nº 9.430/96; c) o direito creditório pleiteado foi apurado em consonância com a legislação tributária, sendo utilizado na compensação tributária para extinção de débito tributário; d) apenas no encerramento do anocalendário 2004, a Recorrente excluiu as receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, porque, desde 26 de agosto de 2004, detinha uma medida liminar que garantia tal direito; e) diversamente do entendimento do Fisco, não houve afronta ao artigo 170 do CTN, pois o direito creditório foi apurado e utilizado após a obtenção da liminar e, ainda, após o encerramento do anocalendário 2004; f) restou consignado na decisão recorrida que não produzira prova (em sua manifestação de inconformidade) quanto às receitas de exportação que foram excluídas da base de cálculo da CSLL. No entanto, tal argumentação ou fundamentação da decisão ora atacada também não merece prosperar; que no processo administrativo fiscal aplicase o princípio da verdade material; que, por conseguinte, se o Fisco tem dúvida da existência do direito creditório pleiteado, então, que a fiscalização efetue diligência fiscal; g) o fisco, até agora, desconsiderou em absoluto a realidade dos fatos; que se encontram em poder da fiscalização (DIPJ, DCTF e autos do Processo Administrativo n° 12157.000757/200945) que comprovam, evidentemente, a validade e conferência dos valores objeto da restituição/compensação efetuada pela recorrente; que os valores aqui pleiteados são oriundos da exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2004, sendo assim, todas as declarações apresentadas pela recorrente, relativas as suas informações fiscais (DIPJ e DCTF) demonstram a composição desses valores, além das informações contidas na planilha anexa ao Recurso Voluntário (efls.53, 69 e 183); h) não obstante, a medida liminar que garantiu a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL foi cassada em setembro de 2010, razão pela qual a Recorrente efetuou o pronto recolhimento de todos os valores que, ate então, se encontravam suspensos (inclusive foram recolhidos, novamente, de forma inadvertida, os valores da CSLL – estimativa mensal relativos aos meses do anocalendário 2004 anteriores à concessão da liminar revogada vide documento em anexo ao Recurso Voluntário – cópia de DARF– efls. 185/247), mormente quanto ao PA julho/2004; que a comprovação desses recolhimentos encontrase também acostada nos autos do processo administrativo n° 12157.000757/200945, o qual tratou exclusivamente dos valores objeto da ação judicial n° 2004.61.00.022.0237; i) todos os cálculos da composição dos valores aqui discutidos já se encontram em poder da própria fiscalização (DIPJ, DCTF e autos do Processo Administrativo n° 12157.000757/200945), motivo pelo qual deve ser reformado a respeitavél decisão recorrida, em respeito ao princípio da verdade material dos fatos; j) se não autorizada a restituição/compensação dos valores aqui em discussão, a Recorrente se sujeitará a uma dupla exigência da CSLL sobre as receitas de exportação no ano calendário de 2004, mormente quanto ao PA julho/2004, conforme DARF – recolhimento de 30/04/2004 (efl. 65) de que trata o despacho decisório (efl. 05), razão pela qual é imperiosa a reforma da respeitável decisão recorrida; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 256 7 k) possibilidade de utilização de crédito de estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior na DCOMP. No que tange às alegações da autoridade fiscal no sentido de que a Instrução Normativa n° 600, de 2005, vigente à época das compensações, vedava tais procedimentos, da mesma forma não merecem guarida tais alegações, pois a vedação imposta pela legislação em referência encontravase em total discordância com Código Tributário Nacional e com a Lei n° 9.430, de 1996; que, por isso, foi revogada. Com base nessas razões, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado (decorrente de pagamento em duplicidade da CSLL do PA julho/2004, cópia – DARF efls. 65 e 197) e, por conseguinte, a homologação da compensação tributária informada. Em suma, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório suscitado, não pelo fundamento inicial invocado pagamento indevido ou a maior sobre as receitas de exportação, mas sim pela duplicidade de pagamento da CSLL do PA julho/2004 e, por conseguinte, que seja homologada a compensação tributária informada. É o relatório Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 257 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Quando da transmissão da DCOMP, em 03/09/2008 (fls. 03/04), o fundamento da razão de pedir do direito creditório era pagamento indevido ou a maior de CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004, sob a alegação que, quando da apuração do débito desse período, foram computadas na base de cálculo da CSLL as receitas de exportação que seriam imunes dessa exação fiscal. Vale dizer, a Recorrente pleiteou a utilização, aproveitamento, de crédito no valor de R$ 403.037,47 (valor original), referente pagamento indevido ou maior de CSLL – Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA julho/2004, no valor de R$ 1.374.423,27 (valor original) – data de arrecadação – DARF de 31/08/2004, para quitação do débito da CSLL – Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA agosto/2008, valor do principal R$ R$ 630.874,55. O direito creditório (crédito pleiteado), entretanto, estava sub judice, quando da transmissão da DCOMP, em 03/09/2008, pois a Recorrente detinha, como visto no relatório, provimento jurisdicional provisório (primeiro, uma liminar e, depois, uma sentença de mérito reformável) que asseguravam a suspensão da exigibilidade de eventual crédito tributário que fosse constituído de ofício acerca da CSLL sobre as receitas de exportação do anocalendário 2004 e seguintes, em face de demanda, deduzida em juízo, que tencionava o reconhecimento de imunidade às receitas de exportação. Como a liminar foi deferida em 26/08/2004, com efeito a partir de janeiro/2004 (ou seja, com efeito retroativo), os recolhimentos da CSLL – Estimativa Mensal anteriores à concessão da liminar ocorrerram sem exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL. Por isso, nos presentes autos, a Recorrente pediu o aproveitamento de suposto pagamento indevido ou maior de CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004 (período de apuração anterior à concessão da liminar). O despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 23/10/2009 (efl. 05), denegou o direito creditório pleiteado, pois o valor recolhido (data de arrecadação 31/08/2004 está totalmente vinculado e consumido pelo débito da CSLL confessado na DCTF do PA julho/2004. Entretato, não consta dos autos cópia da DCTF e da DIPJ relativamente a esse período de apuração. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 258 9 Na sequência, em face de Manifestação de Inconformidade manejada pela contribuinte, a DRJ/São Paulo I, conforme Acórdão de 17/11/2010 (fls 131/143), denegou o direito creditório, pelos seguintes fundamentos: a) ausência de trânsito em julgado da decisão judicial, na data de transmissão do declaração de compensação; b) não comprovação de que os pretensos créditos utilizados tratavam de CSLL sobre exportação; c) impossibilidade de utilização de pretenso crédito relativo à antecipação de pagamento por estimativa mensal, mas apenas do saldo negativo apurado no final do ano calendário. Inconformado com a decisão a quo, a Recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a reforma da decisão recorrida, argumentando nas suas razões: que a liminar, que estava amparando a exclusão da receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro do anocalendário 2004, foi revogada em setembro/2010, ou seja, antes da sessão de julgamento do Acórdão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I que é de 17/11/2010, quando julgou a manifestação de inconformidade improcedente (efls. 131/143); (Obs: a Contribuinte não juntou cópia aos autos da decisão judicial que revogou a liminar, nem informou se desistiu da demanda judicial); que, não obstante, existe pagamento em duplicidade da CSLL (estimativa mensal) do PA 31/07//2004 (julho/2004), e que não se justifica a denegação do crédito pleiteado e a não homologação da compensação informada/efetuada, nos presentes autos. Ou seja: A Recorrente argumentou nos autos que, em face da revogação da liminar de imediato, efetuou o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal dos períodos que estavam com exigibilidade suspensa desde 2004, inclusive teria efetuado, novamente, o recolhimento do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA julho2004, conforme cópia do DARF – data de arrecadação 29/10/2010 (e fl. 197). (Obs: ocorre que o 1º pagamento do PA julho/2004 já havia sido feito, antes da obtenção da liminar, sobre a base de cálculo cheia, integral, daí a duplicidade de pagamento desse PA). Como visto, a Recorrente invoca pagamento em duplicidade da CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004, pois, além da arrecadação de 29/10/2010 – cópia do DARF (fl. 197), o despacho decisório alude a outro recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004 – data de arrecadação 31/05/2004 (efls. 05 e 65). Por conseguinte, o fundamento do pedido de restituição/aproveitamento do direito creditório, no caso, pelas razões do recurso, seria pagamento indevido ou a maior (duplicidade de pagamento) do débito do PA julho/2004 (Obs: porém, quando da apresentação da DCOMP o fundamento, a razão de pedir do aproveitamento do crédito foi por pagamento indevido da CSLL sobre as receitas de exportação que seriam não tributadas pela CSLL, em face de liminar obtida na Justiça Federal somente após a realização do pagamento , cuja decisão teria efeito retroativo). Não obstante, compulsando os autos, observase falhas de instrução processual que não permitem, neste momento, ao julgador a formação de convicção quanto ao mérito da lide (aferir a liquidez e certeza do crédito pleiteado), pois: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 259 10 a) falta confirmação dos alegados recolhimentos da CSLL relativo ao PA julho/2004 (se houve ou não a alegada duplicidade); b) não há nos autos cópia da escrituração contábil/fiscal do anocalendário 2004 acerca de qual seria o débito apurado da CSLL do PA julho/2004; c) não há cópia da DCTF e da DIPJ. d) não há documentos da situação atual da demanda judicial. A Contribuinte sequer juntou aos autos cópia decisão que revogou a liminar. Tornase necessário, por conseguinte, o saneamento do processo (instrução complementar). Assim, em face do princípio da verdade material e da Súmula CARF nº 84, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos à DERAT/São Paulo, para a fiscalização: a) intimar a Contribuinte para, à luz da escrituração contábil/fiscal do ano calendário 2004, comprove pagamento em duplicidade do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004; b) intimar a Contribuinte para juntar aos autos cópia da decisão judicial que revogou a liminar que amparava a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro/2004; c) intimar a Contribuinte para informar nos autos, fornecer documentos atualizados, da situação atual do processo judicial em que discute a suposta imunidade da CSLL para receitas de exportação, a partir do anocalendário 2004; (se há recurso pendente de apreciação e em qual Tribunal, se desistiu da lide, se há decisão transitada em julgado etc). (em qualquer caso, além de comprovar a situação atual do processo, juntar também cópia da decisão que revogou a liminar, juntar cópia da peça recursal pendente de apreciação ou julgamento, se há decisão de mérito transitada em julgado, juntar cópia dessa decisão). d) juntar aos autos cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004; e) juntar cópia da DCTF do período de apuração abril/2004. Por fim, concluída a diligência fiscal, a fiscalização da DERAT/SP deverá: 1) lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados, expondo, caracterizando: a) se houve, ou não, pagamento indevido ou em duplicidade da CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004; b) na hipótese de existência de pagamento indevido ou em duplicidade relativo ao PA julho/2004, existia ou não o crédito utilizado na DCOMP na data da transmissão da DCOMP; c) se, eventualmente, o crédito alegado nas razões do recurso passou a existir apenas algum tempo após a entrega da DCOMP, ou seja, a origem do crédito é posterior à Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.904538/200927 Resolução nº 1802000.567 S1TE02 Fl. 260 11 transmissão da DCOMP, verificar também se está disponível para aproveitamento, redução do débito objeto dos autos e, quanto à demanda judicial da Contribuinte, caracterizar a situação atual. 2) intimar a Contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultados, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência, para apresentar razões de defesa. Transcorrido o lapso temporal com ou sem manifestação da Contribuinte, retornem os autos a este CARF, para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 16327.001335/2008-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/08/1989 a 30/06/1993
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão ou contradição, incabíveis os embargos.
Numero da decisão: 3403-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão ou contradição, incabíveis os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 35 /2 00 8- 68 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Tratase de embargos de declaração opostos pela empresa Fator S/A Corretora de Valores ao Acórdão nº 3403003.158, de 19/08/2014, em face de “omissões e contradições”. A ciência do julgamento ocorreu em 08/10/2014 (cf. AR de fl. 119), tendo os embargos sido interpostos em 13/10/2014 (fls. 110 a 117). Argumenta a embargante que “não se trata de extinção de crédito tributário por decisão judicial ou de repetição de indébito, mas sim da declaração de inconstitucionalidade da norma tributária com efeitos “inter partes” para a embargante. E afirma que não se pode argüir que o crédito advém de sentença transitada em julgado “se em nenhuma peça dos autos demonstrouse ao certo qual o teor da decisão judicial em questão”. Assim, “o acórdão recorrido ignorou olimpicamente o fato já invocado pela embargante de que na espécie, independente da data em que a ação judicial transitou em julgado, a recorrente possuía o direito à compensação do que foi pago a maior no passado já em virtude da própria Resolução 49/95 do Senado Federal, bem como em razão da decisão definitiva do E. Supremo Tribunal Federal”. O Acórdão embargado “partiu da equivocada premissa de que a sentença judicial teria reconhecido o crédito, mas isso sem que esta C. Turma sequer tenha tomado conhecimento do teor daquela decisão”. O acórdão ainda é “omisso e contraditório” quanto à lógica de aplicação do prazo de 10 anos para formulação do pedido de compensação no caso concreto. Requer, por fim, o acolhimento dos embargos “para que se converta o julgamento em diligência na instância de origem a fim de que seja juntada aos autos a sentença judicial que transitou em julgado no processo no 002231506.1995.4.02.000, que tramitou pelo E. Tribunal Regional Federal da 2a Região”. Caso não seja acolhida a diligência, que sejam acolhidos os embargos “para sanar as contradições apontadas e colmatar as lacunas descritas, de modo que ao final seja reformado o v. acórdão embargado para que se determine a nulidade da r. decisão da d. DRJ, desta vez reconhecendo o prazo de 10 anos para as compensações realizadas em período anterior à vigência da LC 118/2005”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe: “COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO. O prazo de cinco anos para o início do procedimento de compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado contase a partir da data do trânsito em julgado.” Já no relatório daquele julgamento se aclara que: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.001335/200868 Acórdão n.º 3403003.456 S3C4T3 Fl. 123 3 “Versa o presente processo sobre PER/DCOMP (no 08447.96923.150903.1.3.542765) transmitida em 15/09/2003 (fls. 2 a 51) para compensar valores pagos a maior ou indevidamente em função de ação judicial (no 9300260049) com decisão judicial transitada em julgado em 12/05/1997, a título de Contribuição para o PIS/PASEP (R$ 166.319, 23 de um total pago a maior de R$ 701.190,46) com débitos de Contribuição para o PIS/PASEP (R$ 29.618,49) e COFINS (R$ 136.700,74) referentes a agosto de 2003.” Assim, é indiscutível que a compensação havia sido efetuada em função de decisão judicial transitada em julgado. O próprio pedido da empresa (fl. 3) torna a questão inequívoca (textos idênticos constam nos demais pedidos), fazendo menção expressa à ação judicial que ampara o direito creditório: Mesmo diante de negativa da unidade local (e da DRJ), a empresa jamais juntou aos autos as peças da referida ação judicial (como se atesta no julgamento do recurso voluntário apresentado), o que fez com que se buscasse, em nome da verdade material, no sítio web do TRF da 2a Região, mais detalhamento, encontrandose o processo no 0022315 06.1995.4.02.0000 (TRF2 no 95.02.223152) correspondente ao originário de no 9300260049, onde foi possível confirmar somente que a recorrente se encontra entre os autores da ação judicial em comento, que versa sobre “PISContribuição Social Tributário”, não havendo nenhuma peça processual disponível para consulta. Assim, reconheceu o julgador que apesar de não fazer a recorrente prova de seu direito creditório (pela não conclusividade do êxito específico na ação judicial), seria possível o prosseguimento da análise do pleito, tal qual demandado (pedido decorrente de crédito oriundo de ação judicial com trânsito em julgado em 12/05/1997), pois bastou às instâncias inferiores tal data de trânsito em julgado para o indeferimento: “Ao que tudo indica, bastou ao julgador de piso a diferença temporal superior a cinco anos entre o trânsito em julgado da ação judicial (qualquer que fosse seu teor) e a transmissão administrativa do PER/DCOMP.” (fl. 94). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Isso porque o trânsito em julgado se deu em 12/05/1997 e os pedidos de compensação são de 15/09/2003 (PER/DCOMP no 08447.96923.150903.1.3.542765), de 15/10/2003 (PER/DCOMP no 07301.04506.151003.1.3.542365), e de 14/11/2003 (PER/DCOMP no 17364.17692.141103.1.3.547049). Assim, não há omissão na falta de aprofundamento na análise do teor da ação judicial. É secundária, no contexto da motivação das negativas nas instâncias anteriores, a solicitação de juntada (em sede de embargos) de peças da ação judicial (peças essas, digase, que a própria embargante poderia ter apresentado desde a primeira instância). E qualquer afirmação no sentido de que na verdade não se trata de crédito decorrente de ação judicial constituiria verdadeira inovação argumentativa de mérito, incompatível com o instituto processual dos embargos de declaração. Assim, não é o acórdão embargado que parte “da equivocada premissa de que a sentença judicial teria reconhecido o crédito”, mas a própria embargante que demanda o crédito informando que decorre especificamente da ação judicial no 9300260049, que transitou em julgado em 12/05/1997. Parece a embargante novamente incorrer na confusão detectada no julgamento do recurso voluntário: Em suas peças recursais, parece a empresa confundir a motivação do indeferimento administrativo. Afirma que teria direito a retroagir em dez anos a compensação, conforme entendimento do STJ, atingindo indébitos pagos desde 15/09/1993 (em que pese versarem as compensações sobre indébitos de 31/08/1989 a 30/06/1993, que teriam sido reconhecidos pela decisão transitada em julgado em 12/05/1997). (fl. 94) E as aparentes contradições e omissões apontadas resultam de falta de compreensão do julgamento proferido por este colegiado em 19/08/2014, ou de simples contrariedade manifestada em relação a seu teor, pois o caso em análise não trata de simples demanda administrativa de crédito decorrente de pagamento a maior (como parece agora sustentar a recorrente), mas de demanda administrativa de crédito decorrente de sentença judicial com trânsito em julgado: “Súmula 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Mas é preciso voltar ao caso concreto em análise, no qual os pedidos administrativos (efetuados em 15/09, 15/10 e 14/11/2003) remontam a fatos geradores de 31/08/1989 a 30/06/1993, com indébito que teria sido reconhecido por sentença transitada em julgado em 12/05/1997.” Iniciada a contagem do pedido administrativo na forma disciplinada pelas cortes superiores, mesmo o prazo de 10 anos teria sido extrapolado. (...) O trânsito em julgado da ação judicial, conforme art. 156, X do CTN, extingue o crédito tributário. Assim, os prazos de cinco anos do art. 168 do CTN devem ser contados do trânsito em Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.001335/200868 Acórdão n.º 3403003.456 S3C4T3 Fl. 124 5 julgado (antes ou depois da Lei Complementar no 118/2005, pois não se está a discutir antecipação de pagamento, sendo irrelevante ao presente caso concreto as decisões dos tribunais superiores mencionadas nas peças recursais). Vejase que após o trânsito em julgado da ação judicial, a empresa demanda administrativamente a compensação, com mais de cinco anos de retardo. Portanto, não se está mais a discutir o julgado do STF ou o entendimento do STJ, nas sistemáticas referidas no recurso voluntário, mas a morosidade da própria recorrente em demandar administrativamente o crédito eventualmente reconhecido em juízo (o que, destaquese, é uma alternativa à restituição por precatório ou a compensação ainda na via judicial, que também devem respeitar prazos).(fls. 96/97) (grifo nosso) Assim, os tópicos que se travestem nos autos de “omissões e contradições”, em verdade, são manifestações de inconformidade em relação à decisão adotada, que não são passíveis de análise em sede de embargos de declaração. Pelo exposto, voto pela rejeição dos embargos apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10980.010574/2005-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2002
PIS. FUNDOS DE PENSÃO. APURAÇÃO. DEDUÇÃO IRPJ-RET.
O art. 2º, § 8º da IN 126/2002, depois revogado pelo art. 29, III e § 3º da IN 247/2002, de mesmo teor, asseguram que da base de cálculo das contribuições sejam deduzidos os valores comprovadamente recolhidos a título de IRPJ-RET.
Recurso de ofício negado e recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam deduzidos das bases de cálculo os recolhimentos de IR-RET, conforme apurado em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP 287.957..
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45 e da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 (dez) anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais. Caracterizado o lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, §4º, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/10/2002 PIS. FUNDOS DE PENSÃO. APURAÇÃO. DEDUÇÃO IRPJRET. O art. 2º, § 8º da IN 126/2002, depois revogado pelo art. 29, III e § 3º da IN 247/2002, de mesmo teor, asseguram que da base de cálculo das contribuições sejam deduzidos os valores comprovadamente recolhidos a título de IRPJRET. Recurso de ofício negado e recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam deduzidos das bases de cálculo os recolhimentos de IRRET, conforme apurado em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Choi Jong Min, OAB/SP 287.957.. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 05 74 /2 00 5- 76 Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 435/451) por meio do qual se constituiu crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação a fatos geradores ocorridos no período de 02/1999 a 10/2002. A motivação do lançamento pode ser resumida no seguinte trecho do Termo de Verificação e Encerramento Final de Ação Fiscal (fls. 1492/1503): De posse de todas as informações contábeis foram elaboradas planilhas de apuração da COFINS para cada período, nos moldes dos anexos das Instruções Normativas SRF 170/2002 e 215/2002. Consistindo em duas planilhas para cada período de apuração. A primeira planilha contem o somatório das receitas brutas dos grupos de contas; 3.1., 4.1., 5.1 e 6.1. A segunda planilha contem as exclusões permitidas pela legislação e as contas denominadas de deduções, que conforme a conta tenha resultado positivo ou negativo poderá indicar valor a ser adicionado ou deduzido na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 541,543,545,547,549, 695, 1024,1345). Do total do PIS e da COFINS apurada como devida nos períodos de apuração de 01/02/99 a 31/08/2001 foi deduzido o valor do PIS e da COFINS paga a titulo de parcelamento, em 6 vezes, em conformidade com as regras estabelecidas pelo RET Regime Especial de Tributação, instituído pela MP 2.222/2001(DARFs fls. 383 a 423). Ainda quanto ao PIS devido foi também deduzido o valor recolhido como PISFolha, o qual foi recolhido erroneamente. Constatouse diferença devida a titulo do PIS e da COFINS em todos os períodos de apuração. A diferença apurada devese principalmente ao fato, de que, a ora fiscalizada, não incluiu na base de cálculo as receitas decorrentes de investimentos imobiliários conta 6.1.3.0.00.00. Não há previsão legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas imobiliárias. (fl. 1500/1) A contribuinte apresentou impugnação (fls. 1508/1511) alegando decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores ocorridos mais de 5 anos antes da notificação do lançamento e que em relação aos fatos geradores de setembro de 2001 a julho de 2002 a Fiscalização deixou de excluir da base de cálculo o valor do Imposto de Renda apurado na forma do Regime Especial de Tributação, conforme previsto no art. 2º, § 8º da IN SRF nº 126/2002, nos seguintes termos: Art. 2° A entidade aberta ou fechada de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010574/200576 Acórdão n.º 3403003.387 S3C4T3 Fl. 2.172 3 Fapi poderão optar por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestrecalendário, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos, será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. § 8º O imposto de que trata este artigo terá a mesma natureza dos recursos garantidores das provisões, reservas técnicas e fundos e poderá ser excluído da base de cálculo da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins). Explicou que a referida IN, embora publicada em janeiro de 2002, previa expressamente a sua aplicação retroativa a setembro de 2001, conforme disposto no seu art. 4º, § 5º, II. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro II (DRJ), por meio do Acórdão 1336.662, de 16 de agosto de 2011 (fl. 1600/1606), deu parcial provimento para a impugnação, apenas para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos mais de 5 anos antes da notificação, visto que alcançados pela decadência, mantendo o auto de infração em relação aos outros períodos, conforme os seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002, 31/07/2002, 31/10/2002 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Após a publicação da Súmula Vinculante STF n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista que o valor exonerado superou o teto previsto na Portaria MF nº 3/2008, houve a interposição de recurso de ofício, com fundamento no art. 34 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). A propósito da exclusão prevista no art. 2º, § 8º, da IN 126/2002, a DRJ manifestou, em síntese, que “não conseguimos vislumbrar qualquer relação entre os valores indicados nas Planilhas como dedução do RET e os valores constantes nos DARF's carreados aos autos pelo interessado em sua petição impugnatória”, que “nos DARF's carreados aos autos pelo interessado, os recolhimentos do IRPJ — código 8972 se referem a períodos de apuração não abrangidos na autuação. Ademais, os valores não tem correspondência com as deduções da base de calculo acima relacionadas”, e que, “Além disso, no próprio Termo de Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Verificação Fiscal de fl. 1.490/1.502, a autoridade fiscal indica a exclusão do RET nas bases de cálculo lançadas, fato demonstrado pelos DARF's de fls. 383/423, conforme Medida Provisória n° 2.222/2001, esclarecendo que a diferença é proveniente da contribuinte não ter incluído na base de cálculo as Receitas decorrentes de investimentos imobiliários. Frisese ainda que o próprio DARF de fl.1.536, no valor de R$ 720.254,63, código 8972, consta como RET relacionado na Planilha de fl. 384, utilizada no presente lançamento” (fl. 1573) O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1627/1633) alegando que, diferente do que disse a DRJ, não houve a efetiva exclusão do IRPJRET das bases de cálculo de PIS/Cofins, apresentando planilhas para tal demonstração e, ao final, afirmando que se tivessem sido considerados tais valores, não haveria saldo remanescente a pagar. Este Conselho, por meio da Resolução nº 3403000.398, de 23 de outubro de 2012 (fls. 1728/1732), converteu o julgamento em diligência para requerer as seguintes verificações: Diante deste contexto, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime o contribuinte a (1) demonstrar quais são os documentos que comprovam os valores recolhidos a título específico de Impostos de Renda Pessoa Jurídica – RET que indica nas suas planilhas, detalhando qual o valor do recolhimento que seria pertinente a cada mês autuado, e (2) que também prove o contribuinte que atendeu o disposto no pelo § 3º do art. 29, III, da IN 247/2002, demonstrando que os valores apresentados na hipótese de exclusão correspondente aos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras referemse ao valor líquido, não estando incluído neste valor o Imposto de Renda incidente sobre tais aplicações. O contribuinte também deve (3) informar se houve pedido de restituição ou compensação em relação a estes recolhimentos. Devolvidos os autos à origem, o contribuinte, em atendimento à intimação fiscal, apresentou esclarecimento e documentos (fls. 1741/1744), dos quais se destacam os seguintes: Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010574/200576 Acórdão n.º 3403003.387 S3C4T3 Fl. 2.173 5 Apreciando as informações e documentos apresentados, a DRF de origem elaborou Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 2055/2063), cuja trecho final apresenta as seguintes conclusões (fls. 2060/2061): 17. Portanto, fica demonstrado a seguir, cm relação ao item 1 das Resoluções n° 3403000.398 e 3403000.399, da 4a Câmara da 3ª Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os valores mensais do IRRET, baseado nos DEMONSTRATIVOS COMPARATIVOS DA TRIBUTAÇÃO, feitos pela interessada, para o período de setembro/2001 a maio/2002, julho/2002 e outubro/2002, sem considerar os valores do RET recalculado, recolhidos em 29 de julho de 2005, pois não foram apresentados os demonstrativos mensais: Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 18. Em relação ao quesito 2 das Resoluções nº 3403000.398 e 3403000.399, da 4a Câmara da 3ª Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a interessada não comprovou que os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras foram excluídos pelo valor líquido, deduzido do referido imposto (Imposto de Renda de que trata o art 2º da Medida Provisória n° 2.222 de 04 de setembro de 2001). 19. Em relação ao quesito 3 das Resoluções n° 3403000.398 e 3403000.399, da 4ª Câmara da 3" Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a interessada informa que gerou um saldo a compensar no montante de R$ 69.780,43 e que não foram localizados pedidos dc restituição ou compensação para os recolhimentos. O contribuinte apresentou manifestação, juntando documentos, por meio da qual defende a correção dos valores que adotou para a revisão do que entende ser o valor efetivamente devido de IRPJRET. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O acórdão da DRJ exonerou do lançamento valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, sendo, por isso, correta a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 34 do PAF. Por esta razão, conheço do recurso de ofício. O recurso voluntário foi postado nos Correios em 12/04/2012 (fl. 1724), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 12/03/2012 (fl. 1625). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010574/200576 Acórdão n.º 3403003.387 S3C4T3 Fl. 2.174 7 1. Decadência. O recurso de ofício se refere à exoneração, pela DRJ, de parte do lançamento em razão da decadência. Isto porque, afastada a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212/91 por força da Súmula Vinculante n° 8, entendeu a DRJ que toma seu lugar a contagem da decadência na forma do § 4º do art. 150 do CTN, em razão de se verificar a existência de adiantamento do pagamento, configurando o lançamento por homologação. Tal entendimento se alinha ao entendimento cristalizado deste Conselho, como também do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, de maneira que deve ser mantido. Com efeito, é consolidado o entendimento de que, quando ocorre o adiantamento do pagamento, configurase o lançamento por homologação, deslocandose do art. 173, I, do CTN para o art. 150, § 4o do CTN o fundamento da contagem do prazo decadencial. Por tal razão, nego provimento ao recurso de ofício. 2. A dedução do IRPJRET. No recurso voluntário a contribuinte reitera a alegação de que, “caso a Fiscalização tivesse procedido a dedução do RET da base de cálculo do PIS e da COFINS não haveria nenhum saldo remanescente a pagar” (fl. 1609), apresentando planilhas para tal demonstração. A Medida Provisória n° 2.222/2001 instituiu o RET Regime Especial de Tributação, regulamentado pela Instrução Normativa n° 126/2002, que consiste em um regime alternativo de apuração do Imposto de Renda ao qual as entidades abertas ou fechadas de previdência complementar poderiam optar. A mesma MP, além de instituir o referido regime alternativo de apuração do Imposto de Renda, também criou um benefício fiscal para o pagamento de tributos em relação ao passado, que na época ficou conhecido como “anistia do RET”, e cujos pagamentos acabavam sendo chamados genericamente de RET. O Termo de Verificação explica que o procedimento adotado para a determinação do valor devido das contribuições foi o seguinte: Do total do PIS e da COFINS apurada como devida nos períodos de apuração de 01/02/99 a 31/08/2001 foi deduzido o valor do PIS e da COFINS paga a titulo de parcelamento, em 6 vezes, em conformidade com as regras estabelecidas pelo RET Regime Especial de Tributação, instituído pela MP 2.222/2001(DARFs fls. 383 a 423). Ainda quanto ao PIS devido foi também deduzido o valor recolhido como PISFolha, o qual foi recolhido erroneamente. (grifo editado) Como fica claro, a Fiscalização deduziu do valor apurado de PIS/Cofins os pagamentos dos valores recolhidos com base na referida anistia do RET, pagos em 6 parcelas. Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Tratase de questão diferente da dedução dos valores recolhidos a título de IRPJRET. A legislação autoriza o abatimento do valor recolhido de IRPJRET da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins, conforme dispõem o art. 2º, § 8º da IN 126/2002 e o art. 29, III e § 3º da IN 247/2002: Art. 29. As entidades fechadas e abertas de previdência complementar, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: .... II – dos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; e III – do imposto de renda de que trata o art. 2º da Medida Provisória nº 2.222, de 4 de setembro de 2001. .... § 3º A exclusão prevista no inciso III do caput somente poderá ser efetuada se os rendimentos previstos no inciso II, também do caput, forem excluídos da mesma base de cálculo pelo seu valor líquido, deduzido do referido imposto. O art. 2º da MP 2.222/2001 previa o seguinte: Art. 2o A entidade aberta ou fechada de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fundo de Aposentadoria Programada IndividualFAPI poderão optar por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestrecalendário, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo: I será limitado ao produto do valor da contribuição da pessoa jurídica pelo percentual resultante da diferença entre: a) a soma das alíquotas do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido, inclusive adicionais; e b)oitenta por cento da alíquota máxima da tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física; II será apurado trimestralmente e pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da apuração; III não poderá ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. Como visto, os valores recolhidos trimestralmente a título de Imposto de Renda pela entidade de previdência privada devem ser deduzido da base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins. Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.010574/200576 Acórdão n.º 3403003.387 S3C4T3 Fl. 2.175 9 A Fiscalização, ao realizar o levantamento da base de cálculo das contribuições, indicou esta dedução no campo “DEDUÇÃO RET CONFORME IN 126” (fl. 386), cujo valor é nulo até agosto/2001, passando a indicar valores de dedução a partir de setembro/2001. O contribuinte, por sua vez, alega que não teria sido computada tal dedução, indicando valores diferentes daqueles apontados pela Fiscalização (fls. 1608/1609). Aliás, percebese que a composição da base de cálculo apresentada pela contribuinte é diferente não apenas em relação ao valor desta dedução específica, mas de inúmeros outros itens da composição da base de cálculo adotada pela Fiscalização. Contudo, a conversão do julgamento em diligência, realizada por este Conselho, foi exclusivamente para que se resolvesse a dúvida especificamente em relação a esta dedução, fazendose a prova do valor efetivamente recolhido a título de IRPJRET em relação a cada período, mesmo porque, este é o único objeto de discussão no recurso voluntário. A diligência foi necessária diante do que parecia ser um equívoco da DRJ, quando alegava que os valores dos recolhimentos não correspondiam aos valores das deduções mensais. Com efeito, parecia claro o equívoco diante do fato objetivo de que o valor de cada recolhimento abrange um período de apuração trimestral (excepcionalmente quadrimestral em relação ao primeiro período de apuração, cf.art. 3º, § 2º da MP 2222/2001), enquanto a dedução deve acontecer pelo valor mensal. Ou seja, o valor recolhido em cada DARF é o somatório dos meses de apuração a que se refere, os quais têm de ser desdobrados para serem apropriados como dedução. Por exemplo: o primeiro recolhimento foi comprovadamente de R$ 720.254,63 (fl. 1761), referindose ao somatório de setembro (R$ 170.025,05), outubro (R$ 174.254,44), novembro (R$ 194.989,34) e dezembro (R$ 180.985,80), nos exatos valores que o contribuinte indica na planilha de fls. 1696/1697. A diligência realizada pela Delegacia de origem ao final identificou os valores que com segurança correspondem ao IRRET recolhido em relação ao respectivos períodos de apuração, bem como certificou que as deduções dos rendimentos foram realizadas pelo valor líquido. Assim, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito à dedução do IRPRJ RET da base de cálculo da contribuição, nos exatos valores apurados pela diligência (conforme quadro no item 17 do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal) Notese, ademais, que é totalmente fora de propósito a discussão pretendida pelo contribuinte, a respeito de qual seria o valor efetivamente devido a titulo de IRPJRET, cabendo apenas verificar se houve o efetivos recolhimento e se, em relação a este recolhimento, teria havido algum pedido de restituição, o que foi conferido e certificado pela Delegacia de origem, restando hígida a diligência fiscal. Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 3. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar que sejam computadas como dedução da base de cálculo da contribuição os valores dos recolhimentos de IRRET apurados no quadro do item 17 do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720194/2011-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.927106/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
Numero da decisão: 3802-003.934
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 71 06 /2 00 9- 66 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 28/31 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de COFINS efetuado em 15/04/2003, que a interessada buscava compensar com débito da própria COFINS vencido em 15/12/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/08/2011 (fls. 34). Inconformada, a mesma apresentou, em 02/09/2011, o recurso voluntário de fls. 35/38, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.927106/200966 Acórdão n.º 3802003.934 S3TE02 Fl. 43 3 O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.927106/200966 Acórdão n.º 3802003.934 S3TE02 Fl. 44 5 Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. Digno de nota o entendimento exarado no Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11/03/2013, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda de 02/07/2013, segundo o qual nova interpretação assumida pela Fazenda Nacional também deverá ser seguida pelas autoridades julgadoras no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento/DRJ quanto aos processos que estejam aguardando julgamento na primeira instância administrativa, em cumprimento ao disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Vale lembrar, no entanto, que quando proferido o julgado de primeira instância referido Parecer ainda não tinha sido editado. Assim, não obstante a legitimidade do direito aduzido pela reclamante em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, e: a) considerando que não foi acostada aos autos nenhuma documentação comprobatória do direito reclamado; b) considerando, ainda, que não consta do processo comprovação de que o sujeito passivo não pleiteia o mesmo crédito mediante ação judicial; voto para dar parcial provimento ao recurso para que a primeira instância de julgamento, considerando a inconstitucionalidade da norma em evidência, se manifeste sobre a materialidade do direito reclamado pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 12 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13003.000229/2005-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
DÉBITO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO
É vedada a compensação de débito fiscal, mediante a apresentação de declaração de compensação (Dcomp), com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão, nos cassos em que o efetivo encontro de contas se deu após a vigência da Lei Complementar 104/2001.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-002.459
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Daniel Mariz Gudiño e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO É vedada a compensação de débito fiscal, mediante a apresentação de declaração de compensação (Dcomp), com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão, nos cassos em que o efetivo encontro de contas se deu após a vigência da Lei Complementar 104/2001. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Daniel Mariz Gudiño e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 02 29 /2 00 5- 89 Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13003.000229/200589 Acórdão n.º 9303002.459 CSRFT3 Fl. 2.157 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão proferido pela segunda Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2004 Ementa: FINSOCIAL COMPENSAÇÃO DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO COMPROVAÇÃO POSTERIOR AO PEDIDO. A apresentação posterior de decisão transitada em julgado não vulnera o art. 16 do Decreto 70.235/72, vez que as suas disposições foram flexibilizadas pelo art. 38 da Lei 9.784/99. A dita manifestação de inconformidade complementar não me parece ilícita, impertinente, desnecessária ou protelatória para ser desconsiderada. (...) Este dispositivo (art. 38) veio materializar, no processo administrativo fiscal, o princípio da busca da verdade material. E a verdade, de acordo com o que consta nos autos, é que a recorrente possui uma ação judicial com trânsito em julgado nos exatos termos da exigência contida no art. 170A do CTN. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA INACABÍVEL. Existindo o direito da contribuinte para obter a compensação não há o que se falar em multa isolada uma vez que não houve débitos indevidamente compensados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. O contribuinte supracitado solicitou compensação de supostos créditos de FINSOCIAL, decorrentes da ação judicial nº 93.00172476, ajuizada na 30ª Vara Federal do Rio de Janeiro, através de declarações de Compensação – DECOMP´s, com débitos de COFINS, cumulativa e nãocumulativa, no valor de R$ 103.137.863,83, conforme quadro demonstrativo abaixo: Pesquisa SIEF/PERDCOMP 1.0 e CPERDCOMP 8.0, em 07/06/05 (Vide planilha de fl. 56) DÉBITOS DCTF DCOMP EFEITO ESPÉCIE CÓD. PER/AP VENCIM. VALOR Per Dcomp Transm. Valor Total DCOMP/DCTF 1 Cofins 21721 jul/03 15/08/03 7.741.009,61 1.3.570600 14/11/03 8.075.421,23 confissão de dívida 2 Cofins 21721 ago/03 15/09/03 7.976.447,93 1.3.570600 14/11/03 8.187,026,16 confissão de dívida 3 Cofins 21721 set/03 15/10/03 8.485.542,44 1.3.570600 14/11/03 8.570,397,86 confissão de dívida Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13003.000229/200589 Acórdão n.º 9303002.459 CSRFT3 Fl. 2.158 3 4 80.517,88 1.7.571201 13/02/04 84,527,67 confissão de dívida 5 Cofins 21721 out/03 14/11/03 9.462.886,77 1.7.571201 13/02/04 9.807.335,85 confissão de dívida 6 Cofins 21721 nov/03 15/12/03 8.360.312,39 1.7.571201 13/02/04 8.550,091,48 confissão de dívida 7 Cofins 21721 dez/03 15/01/04 8.444.531,95 1.7.571201 13/02/04 8.528.977,27 confissão de dívida 8 Cofins 21721 jan/04 13/02/04 7.297.640,71 1.7.571201 13/02/04 7.297.640,71 confissão de dívida 9 Cofins ñ/c. 58561 fev/04 15/03/04 7.169.007,61 1.7.573122 15/03/04 7.169.007,61 confissão de dívida 10 Cofins ñ/c. 58561 mar/04 15/04/04 10.696.340,12 1.3.574839 11/05/04 10.803.303,18 confissão de dívida 11 Cofins ñ/c. 58561 abr/04 14/05/04 7.000.000,00 1.3.574839 11/05/04 7.000.000,00 confissão de dívida 12 Cofins 21721 mai/04 15/06/04 6.155.854,13 1.7.570094 13/08/04 6.296,823,18 confissão de dívida 13 Cofins 21721 jun/04 15/07/04 6.465.697,31 1.7.570094 13/08/04 6.530.354,28 confissão de dívida 14 Cofins ñ/c. 58561 jun/04 15/07/04 6.175.204,97 1.7.570094 13/08/04 6.236.957,01 confissão de dívida TOTAL 103.137.863,83 As ações judiciais da empresa, que interessam ao caso em questão, uma cautelar (nº 93.00172476, na 30ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro) e uma ordinária (nº 94.00693036, ajuizada na 30ª Vara Federal do Rio de Janeiro), não transitaram em julgado, conforme extratos processuais retirados da internet e juntados aos autos. Por isso, não foi reconhecido o direito creditório pretendido e não foram homologadas as compensações pretendidas, bem como determinado que fosse procedido o lançamento de multa isolada sobre os valores dos débitos compensados, conforme Parecer DRF/POA/SEORT nº 255, de 05 de julho de 2005, de fls.97 a 102, cuja ementa é a seguinte: “ COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. ART.170A DO CTN. Cumpre não reconhecer o direito creditório , não homologando as compensações efetivadas com base em créditos de FINSOCIAL com débitos da COFINS, antes do trânsito em julgado da decisão judicial, conforme vedação disposta no art.170A, do Código Tributário Nacional e no “caput” do art.74 da Lei nº 9.430/96 ( redação da Lei nº 10.637/02). “ A multa de ofício foi lançada sobre os débitos indevidamente compensados no processo administrativo nº 11080.004840/200538, tendo sido juntado por apensação a este processo, conforme fls.22, 41 e 45 daquele processo (nº 11080.004840/2005 38). Resultou num crédito tributário de R$ 77.353.397,87, conforme Auto de Infração de fls.18, daquele processo. Tanto o Parecer DRF/POA/SEORT nº 255, de 05 de julho de 2005, como o Auto de Infração foram cientificados em 27/07/2005, conforme A.R. de fl.112 deste processo ou cópia deste A.R. naquele processo (nº 11080.004840/200538), nas fls.23 e 24. Inconformado, o contribuinte apresenta, em 26/08/2005, manifestação de inconformidade contra o Parecer DRF/POA/SEORT nº 255, de 05 de julho de 2005 e impugnação contra o lançamento de ofício. Na manifestação de inconformidade, de fls.113 a 124, deste processo, o contribuinte começa argumentando que teria direitos de FINSOCIAL recolhidos a maior definitivamente reconhecidos na ação ordinária nº 92.00114075, da 3ª Vara Federal de Brasília. Diante deste fato, teria ajuizado a ação cautelar nº 93.00172476, seguida da ação ordinária nº 94.00693036, ambas na 30ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que visam a autorização da compensação dos créditos de FINSOCIAL. Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13003.000229/200589 Acórdão n.º 9303002.459 CSRFT3 Fl. 2.159 4 A ação cautelar teria concedido o direito de compensação antes do trânsito em julgado, em 09/09/1994, estando, atualmente, esta e a ação ordinária que a seguiu em apreciação pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Por isso, alega que a ação judicial autoriza a compensação desde logo, não sendo aplicável a restrição do trânsito em julgado contida no art.170A do Código Tributário Nacional, criada pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, pois foi posterior à autorização judicial. Além disso, em não havendo interposição de ação própria pertinente a esta nova norma para fins de aplicála às ações judiciais que solicitam direito de compensação do creditório de FINSOCIAL, que já teria transitado em julgado, não há como afetar as citadas ações, sob pena de descumprimento de ordem judicial. Ademais, o tributo, que o contribuinte chama de indébito, já teve negada sua natureza jurídica pelo STF, com efeito “erga omnes”. Como não há natureza de tributo na exação, mas somente indébito, é inaplicável o art.170A do CTN. Ato contínuo, a inaplicabilidade se estenderia ao art.74 da Lei 9.430/1996 e ao art.37 da IN SRF nº 210/2002, pois seriam meros reflexos do art.170A do CTN. Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar sua argumentação. Caso não fosse suficiente suas alegações, o impugnante afirma que a ação ordinária nº 92.00114075, da 3ª Vara Federal de Brasília, que pleiteia o reconhecimento de inexistência de relação obrigacional jurídica tributária quanto ao pagamento de FINSOCIAL com a alteração superveniente à promulgação da Constituição de 1988, transitou em julgado favorável a este, em 30/08/1994. Por conseguinte, segundo o contribuinte, poderia compensar o direito concedido pelo Poder Judiciário com qualquer tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal porque a Lei 10.637, de 30/12/2002, alterou o art.74 da Lei 9.430, de 1996, permitindo a compensação. Logo, solicita que seja substituída na DCOMP a ação judicial que fundamenta o pedido de compensação, ou seja, requer que seja considerada como ação fundamentadora do crédito a do processo nº 92.00114075, da 3ª Vara Federal de Brasília. Isto, porque o contribuinte não pode ser prejudicado devido a erro material cometido, em respeito ao art.2º, par.único, inciso IX, da Lei 9.784/1999. Posteriormente ao prazo de impugnação, em 29/08/2005, o contribuinte traz cópia da decisão liminar concedida, em 09/09/1994, na ação cautelar nº 93.00172746 e da sentença da ação judicial nº 92.00114075, que transitou em julgado em 30/08/1994, bem como renova o pedido anulação do despacho decisório da DRF de origem, o do reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações pleiteadas, conforme fls.129 a 146. Na impugnação à multa isolada, apresenta em 26/08/2005, nas fls.25 a 37 do processo administrativo nº 11080.004840/200538, que foi apensado a este para fins julgamento em respeito ao determinado no art.18, §3º da Lei 10.833/2003, o contribuinte começa alegando que o lançamento de ofício tem íntima relação com a compensação indeferida pela DRF de origem neste processo, repetindo as argumentações favoráveis ao seu entendimento da pertinência das compensações, contidas na manifestação de inconformidade, que acarretariam o cancelamento da multa de oficio isolada. Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13003.000229/200589 Acórdão n.º 9303002.459 CSRFT3 Fl. 2.160 5 Por isso, não existiria o fato gerador da penalidade (débito indevidamente compensado) e a base de cálculo (ausência de recolhimento), padecendo o lançamento fiscal de falta de legalidade e de motivação, desobedecendo o art.37 da Constituição e o art.142 do Código Tributário Nacional, gerando a nulidade da exigência fiscal. O Recurso Voluntário foi provido conforme ementa transcrita acima. A fundamentação foi a existência de decisão judicial transitada em julgado. Em contraarrazões a PGFN pede a reforma do julgado sob a alegação da inexistência de ação transitada em julgado É o Relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Assiste razão à PGFN. A ação que foi informada no PER/DCOMP, juntamente com todos os processos apensados não transitaram em julgado. O que transitou em julgado foi uma ação cautelar que foi proposta junto à Justiça Federal em Brasília. Essa ação nunca foi informada em quanquer pedido ou habilitada junto à Receita Federal do Brasil. Nem sequer foi feita uma análise do objeto dessa outra ação. O que o contribuinte pede é que o CARF substitua a ação que conta na decalaração de compensação pela ação proposta em Brasília. Não existe nenhuma previsão legal para isso. Esse òrgão julgador tem a competência de julgar processos submetidos ao rito do PAF. Jamais poderemos substituir ação informada em pedido de compensação. Cabe ao contribuinte ir à RFB apresentar a ação supostamente transitada em julgado e pedir a habilitação e posterior pedido de compensação ou restituição. A autoridade administrativa da DRF já indeferiu a restituição que o contribuinte alega ter direito. Somente ela é competente para deferir o pedido de compensação. Mesmo que houvesse comprovação da decisão judicial transitada em julgado, a compensação deveria ser feita mediante uma nova solicitação específica, jamais com a substituição de uma ação informada em PER/DCOMP. O pedido ora discutido está vinculado a uma ação judicial informada pelo contribuinte e que ainda nãotransitou em julgado. A última movimentação do processo usado para fundamenatr o direito à repetição foi em 17/12/2012, em que os autos foram conclusos para o despacho/decisão pela subsecretaria da 4ª Turma Especializada do TRF da 2ª Região. Com efeito, é inquestionável que a compensação, segundo entendimento dos nossos tribunais, é forma de extinção da obrigação tributária examinável na esfera administrativa, eis que, tratandose de matéria diretamente afeta à atividade do lançamento tributário e sua homologação, nos expressos termos dos art. 142 e 150 do CTN, somente a autoridade administrativa (e não a judicial) detém competência para homologar o lançamento do crédito compensado em declaração do contribuinte, extinguindo a obrigação tributária, ou para efetuar o lançamento de eventuais diferenças, tenha a compensação sido determinada por ordem judicial ou administrativa. A privatividade da competência para efetuar o lançamento atribuída Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13003.000229/200589 Acórdão n.º 9303002.459 CSRFT3 Fl. 2.161 6 ao Poder Executivo exclui qualquer possibilidade de confusão dessa atividade com a exercida pelo Poder Judiciário, pois, como já assentou a melhor doutrina (cf. Geraldo ATAL1BA, in "Sistema Constitucional Tributário Brasileiro", 1 ed., RT, 1966, pág. 106): "quem diz privativa, diz exclusiva, quer dizer: excludente de todas as demais pessoas. A exclusividade da competência implica proibição peremptória, erga omnes, para exploração desse campopor quaisquer dos demais Poderes. Entretanto, também já assentou a o Egrégio STJ que só pode haver compensação se o crédito do contribuinte for liquido e certo, isto é, determinado em sua quantia, sendo certo que somente após esse estado de liquidez e certeza é que o contribuinte pode fazer o lançamento, efetuando a operação de compensação, sujeita a homologação pelo Fisco, ou seja, a liquidez e certeza só podem ser apuradas mediante operação que demanda provas e contas, obviamente só apuráveis após o trânsito em julgado, através da liquidação da sentença. que estabeleça. com exatidão, a liquidez, certeza e exigibilidade do crédito tributário compensando. No caso concreto, verificase que a recorrente sequer teve a liquidez e certeza de seu crédito definitivamente reconhecida na via eleita (judicial), eis que não há a devida comprovação nos autos. Mais ainda, esse relator comprovou que não houve o trânsito em julgado da presente ação e todas conexas e que foi inserido um dado faldo na DCOM que foi a data do trãnsito em julgado, que, de fato, não ocorreu. Neste, como em outros processos envolvendo questões de compensação de tributos, é fundamental aterse às datas dos acontecimentos em discussão. Aqui, a atenta leitura do processo administrativo não deixa dúvida de que a matéria posta à discussão judicial já se encontrava plenamente resolvida no âmbito legal e normativo. Com efeito, a empresa postulou ação mandamental para lhe assegurar compensação de Finsocial pago indevidamente. Nesses termos, bastaria à empresa pleitear, de novo, administrativamente tal compensação, fazendo prova dos valores os quais teria direito. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que instituiu a auto compensação sob condição resolutória, mediante a apresentação de Dcomp, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaque acrescentado) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...).” Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13003.000229/200589 Acórdão n.º 9303002.459 CSRFT3 Fl. 2.162 7 De acordo com este dispositivo legal, somente os créditos financeiros passíveis de restituição ou de ressarcimento podem ser objeto de compensação com débitos fiscais vencidos, mediante a entrega de Dcomp. Posteriormente ratificando esse entendimento, foram alterados e/ ou incluídos no art. 74 da Lei nº 9.730, de 1996, dispositivos vedando expressamente a apresentação de tal Dcomp, assim dispondo: “Art. 74. .................................................................................................... (...). § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...); § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004) I – previstas no § 3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 29/12/2004) (...).” Além disto, segundo o disposto no art. 74, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, citado e transcrito anteriormente, a compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional em discussão judicial, mediante a apresentação de Dcomp, somente é possível depois do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. No presente caso, o direito aos créditos declarados era objeto da ação judicial nº 93.00172476 que, na data de apresentação das Dcomp, em 2003 e 2004, não tinha decisão transitada em julgado. Esta nem ocorreu até a última pesquisa feita, em 01/02/2013. Com efeito, até a presente data, não se tem liquidez e certeza quanto aos créditos a que faz jus a empresa exatamente porque a matéria postulada ainda se encontra pendente de decisão na esfera judicial. Todas as DCOMP foram transmitidas nos anos de 2003 e 2004, já com a novel redação do CTN que incluiu o art. 170A. Destarte, não se tem dúvidas sobre aplicabilidade do art. 170A do CTN, Simplesmente não se tem como aplicar qualquer decisão que não tenha transitado em julgado face à proibição legal expressa para tal. Ainda por cima foi inserida a informação falsa que a ação judicial contante na Dcomp transitou em julgado em 09/09/1994 Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13003.000229/200589 Acórdão n.º 9303002.459 CSRFT3 Fl. 2.163 8 Dessa forma, inexiste amparo legal para se efetuar a compensação do crédito declarado, mediante a entrega de Dcomp, com os débitos fiscais declarados. Com efeito, o STJ, em sede de recurso repetitivo, decidiu que a Lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da fazenda e do contribuinte, conforme ementa trancrita abaixo. EMENTA 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do ncontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do ontribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia udicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da espectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, edação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data nterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. recedentes. (Resp 1164452 MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Com base nessas considerações entendo que deva ser reformada a decisão proferida pelo então 3º Conselho de Contribuintes. Assim, dou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo, na íntegra, a decisão da DRJ. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906713/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, ..; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 13 /2 00 9- 51 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: ..... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DiPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906713/200951 Acórdão n.º 3401002.767 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJTs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de COFINS em 30/05/2002 perfazia originalmente R$ 13.344,27 (treze mil, trezentos e quarenta e quatro reais e vinte e sete centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos (pagamentos e compensações) no montante de R$ 13.536,41 (treze mil, quinhentos e trinta e seis reais e quarenta e um centavos) (também valores principais), remanescendo saldo credor original de R$ 192,14 (cento e noventa e dois reais e quatorze centavos), valor este integralmente utilizado no Pedido de Compensação em tela.. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.229 – 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.229 ficou assim redigida: AS S U N T O : P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V O F I S C A L Anocalendário: 2002 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906713/200951 Acórdão n.º 3401002.767 S3C4T1 Fl. 4 5 considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o iem ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Referido Conselho ao analisar as manifestações do contribuinte aduziu, em síntese que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". E finaliza o julgamento do recurso com a Resolução n 3402000.167 – da 2ª Turma da 4ª Câmara do CARF, baixando o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias e indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), finaliza seu parecer informando: O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a COFINS do período de apuração MAI/2002. Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906713/200951 Acórdão n.º 3401002.767 S3C4T1 Fl. 5 7 Base de cálculo COFINS apurada COFINS paga/retida Crédito da COFINS R$ 444.809,04 R$ 13.344,27 R$ 13.536,41 R$ 192,14 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 27927.62506.290906.1.3.046783. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de maio de 2002 e efetuado em 14.06.2002, com débito de estimativa de CSLL, respeitante ao mês de agosto de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6a Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Io Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/2002 67, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 102 47820, Sessão de 16/08/2006) Correta a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10380.906713/200951 Acórdão n.º 3401002.767 S3C4T1 Fl. 6 9 “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Por outro lado, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Há decisões do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Io, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 101 95764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Io, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Io, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, limar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475 L, § Io, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sessão de 01/07/2008). A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma as alegações do recorrente e os valores que seriam devidos desse tributo no período em questão. Por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso voluntário. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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