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Numero do processo: 13837.000558/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 00 05 58 /2 01 0- 84 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13837.000558/201084 Acórdão n.º 2202004.026 S2C2T2 Fl. 186 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13837.000558/201084, em face do acórdão nº 1750.341, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP2), na sessão de julgamento de 26 de abril de 2011, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente improcedente impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 38/40, referente ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2007, que apurou as seguintes infrações: omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, com base em Dimob Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias, no valor de R$ 3.123,15, recebidos da administradora de imóveis Predial Lins Administração e Vendas Ltda.; compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 14.853,17. Fonte pagadora: Procuradoria Geral do Estado, CNPJ n.° 71.584.833/000276. Cientificada do lançamento em 28/05/2010 (fl. 44), a contribuinte, apresentou, em 21/06/2010, a impugnação de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/36, concordando com a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas e contestando a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte." A DRJ de origem entendeu pela manutenção do crédito tributário. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário à fl. 72, reiterando as alegações expostas em impugnação. Junta em anexo, documentos de fls. 73/109, para comprovar o alegado. Em 17 de julho de 2014, a Resolução de nº 2801000.300, resolveu pela conversão do feito em diligência, para que se juntasse aos autos documentação que comprovasse de forma incontroversa que do valor recebido da Procuradoria Geral do Estado foi descontado, a título de imposto de renda, o valor de R$ 14.853,14. Houve a apresentação de documentos, sendo concluída a diligência, conforme termos do Despacho de Encaminhamento da fl. 184, sendo determinado o retorno dos autos ao CARF. É o relatório. Voto Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13837.000558/201084 Acórdão n.º 2202004.026 S2C2T2 Fl. 187 3 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia cingese na glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 14.853,14 recebido da fonte pagadora Procuradoria Geral do Estado. A Recorrente alega que declarou na sua Declaração Anual de Ajuste (fl.48) a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), o valor de R$ 14.853,14 referente a fonte pagadora Procuradoria Geral do Estado CNPJ nª 71.584.833/000276. No entanto, a DIRF apresentada pela fonte pagadora não consta imposto de renda na fonte, sendo glosada o imposto retido no valor de R$ 14.853,14. Contudo, a Recorrente juntou o Mandado de Levantamento Judicial (fls.24) onde consta que o imposto de renda na fonte “já retido”. A Recorrente alega que o imposto de renda retido foi retido pela fonte Pagadora, conforme demonstrativo às fls. 106/107. Por tais razões, entendeu a Turma Julgadora, em 17 de julho de 2014, proferir a Resolução nº 2801000.300, por verificar que não há nos autos o documento que comprove a retenção do imposto de renda retido pela fonte pagadora Procuradoria Geral do Estado em decorrência do alegado precatório de natureza alimentar. Assim, diante das dúvidas acima suscitadas e para que se possa formar uma convicção acerca da matéria, foi convertido o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime a contribuinte a apresentar documento que comprove de forma incontroversa que do valor recebido da Procuradoria Geral do Estado foi descontado, a título de imposto de renda, no valor de R$ 14.853,14. A contribuinte apresentou aos autos a seguinte documentação: Cabe referir que em relação aos documentos juntados em fase recursal, bem como os apresentados por decorrência da Resolução deste Conselho, que determinou a diligência fiscal, entendo que estes devem ser recebidos como prova do alegado pela contribuinte, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. O Relatório da diligência fiscal, de fls. 173/174, foi no seguinte teor: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13837.000558/201084 Acórdão n.º 2202004.026 S2C2T2 Fl. 188 4 Assim, tendo comprovado a contribuinte que sofreu o ônus da retenção do imposto de renda, o que é corroborado pelo Relatório Fiscal de fls. 173/174, compreendo que deve ser afastada a glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 14.853,14, consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001494/99-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO.
Quando o contribuinte apresenta documentação após o despacho decisório, não há que se constatar que houve cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE. ACÓRDÃO DRJ. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão que deixe de analisar questão fundamental, erguida na manifestação de inconformidade, equivalente à impugnação.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar a nulidade do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Redatora Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. Quando o contribuinte apresenta documentação após o despacho decisório, não há que se constatar que houve cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. ACÓRDÃO DRJ. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão que deixe de analisar questão fundamental, erguida na manifestação de inconformidade, equivalente à impugnação. Recurso Provido em Parte.
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DESPACHO DECISÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. Quando o contribuinte apresenta documentação após o despacho decisório, não há que se constatar que houve cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. ACÓRDÃO DRJ. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão que deixe de analisar questão fundamental, erguida na manifestação de inconformidade, equivalente à impugnação. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar a nulidade do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 94 /9 9- 68 Fl. 800DF CARF MF 2 Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Foime designado formalizar o presente voto, como Redatora Ad Hoc, conforme despacho de fls. 799 eprocesso, Acórdão nº 3302003.742, proferido na sessão de 29 de março de 2017, com as correções previstas no despacho de fls. 798 eprocesso, nos termos do artigo 17, inciso III do Anexo II do RICARF: Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão que manteve intacto o Despacho Decisório que deixou de reconhecer o direito da Recorrente em solicitar aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de 01.04.19999 a 30.06.199, ao argumento de que o Interessado deixou de atender intimação no prazo fixado para apresentação de documentos necessários ao exame da solicitação formulada, o que levou ao indeferimento. O cerne da questão trazida se refere ao direito de ressarcimento de IPI, decorrente de aquisição de insumos com saída alíquota zero. Em sede de fiscalização teria sido exigido da contribuinte diversos outros documentos além daqueles por ele apresentados, quando da intimação. Embora tenha pedido prazo para atender a solicitação do Fisco, deixou de acatar no lapso temporal solicitado, o que motivou a negativa, como se extraí da decisão do despacho decisório. O julgador de piso, ao examinar o assunto, entendeu ter precluído o direito da contribuinte em anexar documentos. Irresignado com o desembaraço da questão, tempestivamente, apresentou voluntário sustentando as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, que o fato de deixar de juntar documentos solicitados não é suficiente para o indeferimento sem exame do substancial acervo documental acostado em atendimento ao Termo de Intimação nº 121/2003, quando do início da fiscalização, que no seu entender são capazes de justificar o pleito. Sustentou, também, que a instância julgadora administrativa admitisse a intempestiva apresentação da documentação em questão, assim impedindo o arquivamento do processo e determinando nova apreciação do pedido, seria necessário que existisse um fundamento legal que excepcione tal caso de preclusão. Em síntese arguiu nulidade do julgado de piso por cerceamento de defesa diante da ausência de análise detida de toda documentação apresentada sobre a qual deveria emitir decisão fundamentada sobre os motivos de ter adotado esse ou aquele entendimento, transcreve o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe: “Art. 31 – A decisão conterá relatório resumido do processo fundamento legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.” Inconformada, interpôs o Recurso Especial, (fl.526), com contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, conhecido e provido o Recurso Especial, contra o Acórdão desse Colegiado, que manteve a decisão vergastada, para anular conforme se vê da ementa: Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13896.001494/9968 Acórdão n.º 3302003.742 S3C3T2 Fl. 3 3 “NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Cerceia o direito de defesa assegurado ao sujeito passivo decisão que não aponta o motivo para a aplicação de determinado ato legal, especialmente quando tal aplicação é justamente o motivo do questionamento apresentado.” O Recurso Especial foi admitido no sentido de que se às matérias, objeto do litígio, seriam aplicáveis a Lei 9.784, de 1999 ou o Decreto 70.235, de 1972, e a consequente definição do prazo de trinta dias para apresentação dos documentos não foi tratada na decisão recorrida. A discussão travada pelo Recurso Voluntário se refere à aplicação do processo administrativo fiscal ou da Lei 9.784, de 1999, diante da total ausência na decisão atacada. Em razão disse entendeu o julgador ad quem ocorrência de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que não ficou sabendo o porquê de a Turma Julgadora entender que cabia aplicação da Lei nº 9.784, de 1999, e não o Decreto nº 70.235, de 1972, ao caso. Foram opostos embargos de declaração para que a questão fosse esclarecida, contudo, os aclaratórios não foram admitidos. Assim, aplicouse a regra do inciso II ,do artigo 59, do Decreto 70.235/72. Conclusão do voto do Recurso Especial: “de sorte que, me parece, impossível não considerar nula a decisão atacada, a menos que também aqui se entenda inaplicável o PAF...” O dispositivo do Acórdão do Recurso Especial encontrase redigido do seguinte modo: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.” Assim, retornamse os autos a esse Colegiado para exame de mérito e da preliminar de nulidade. É o que tinha a relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Redatora Ad Hoc. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. O cerne da questão trazida se refere ao direito de ressarcimento de IPI, decorrente de aquisição de insumos com saída alíquota zero. Fl. 802DF CARF MF 4 O parecer do Fisco que instrui o despacho decisório é no sentido de indeferir o pleito pelo não atendimento da intimação de apresentar documento, deixando de analisar os documentos colacionados, o que restou acatado pela decisão da DRJ/Ribeirão Preto, que entendeu, por sua vez, precluído o direito do contribuinte em anexar a documentação em fase de manifestação, aplicando ao caso as regras da Lei nº 9.784, de 1999, e concedendo interpretação diversa ao ditames do Decreto 70.732, de 1972. Tanto o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, quanto o acórdão da turma ordinária no CARF foram no mesmo sentido da autoridade administrativa, que proferiu o despacho decisório, ou seja, que ao caso concreto aplicavamse às disposições da Lei nº 9.784, de 1999, deixando de dizer o porquê da sua aplicação em prejuízo às normas processuais disciplinadas pelo Decreto 70.235, de 1972, motivo de nulidade acatado pela Câmara Superior, em face da interposição de Recurso Especial, com a consequente anulação do Acórdão nº 20180.011, de 26 de janeiro de 2007. Sendo assim, está em exame preliminar de cerceamento do direito de defesa da Recorrente em razão da anulação da decisão, proferida no Acórdão nº 20180.011, de 26 de janeiro de 2007, do Segundo Conselho de Contribuintes. A recorrente aponta tópico ensejador de nulidade do despacho decisório e do acórdão de primeira instância. O primeiro dele é referente à omissão no julgamento de primeira instância na análise da sustentação de ausência de motivação do acórdão, bem como, do despacho decisório, que deixou de examinar a documentação colacionada, indeferindo o pleito na simples alegação de desatendimento a intimação para apresentar documentos, tudo com fundamento na lei nº 9.784, de 1999, e não no Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto à nulidade do despacho decisório, esta não merece prosperar, pois a documentação foi apresentada apenas em fase de manifestação de inconformidade, não havendo que se discorrer em cerceamento de defesa, afinal, a fiscalização não teve acesso à documentação somente em fase posterior ao referido despacho. Quanto à nulidade do acórdão, de fato, o julgador a quo não analisou a matéria e as provas, centrou sua convicção no mesmo motivo sustentado no parecer que instruiu o despacho decisório, qual seja, perda do direito de apreciar documento, quando ultrapassado mais de 30 (trinta) dias, deixando a contribuinte sem resposta e fundamentou sua convicção no artigo 40, da Lei nº 9.784, de 1999. De fato, equivalendo a manifestação de inconformidade à impugnação, prevê o Decreto nº 70.235, de 1972: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Logo, a apresentação de documento é assegurada ao contribuinte até o momento da impugnação ou da manifestação de inconformidade, no caso em tela, o julgado de piso merece reparo, cabia examinar em toda a plenitude os argumentos trazidos pela Recorrente. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13896.001494/9968 Acórdão n.º 3302003.742 S3C3T2 Fl. 4 5 Dúvida não há de que se aplicam as disposições do Decreto 70.232, de 1972, e não a Lei nº 9.784, de 1999, como restou decidido em sede de Recurso Especial. Diante do exposto, voto no sentido de anular a decisão da DRJ/Ribeirão Preto. Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad Hoc Fl. 804DF CARF MF
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Numero do processo: 10803.720067/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário:2006,2007,2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. PROCEDÊNCIA.
Acolhem-se os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para suprimir a obscuridade apontada e retificar erro material na redação da ementa, que passa a ter a seguinte configuração após a retificação ora acolhida.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
A responsabilização impingida pelo Fisco tributária do sócio com supedâneo nos artigos 134, VII e 135, I, do CTN, exige a presença dos requisitos ali exigidos, o que não restou comprovado nos autos. Exclusão do pólo passivo do sócio que se impõe.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado pagamento antes de qualquer procedimento do ente tributante para constituir, de ofício, o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento, sob pena de perda do direito de lançar.
Como a ciência dos lançamentos deu-se em 26/10/2012, estão decaídos os valores lançados referentes ao 4º Trimestre/2006, 1º Trimestre/2007, 2º Trimestre/2007 e 3º Trimestre/2007.
APURAÇÃO IRPJ. DESPESAS. PAGAMENTOS.
Comprovada a necessidade, usualidade e normalidade das despesas, suportadas por documentação hábil e idônea, é de reconhecer sua dedutibilidade.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA.
A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do dolo, não sendo autorizado ao Fisco impô-la quando a verificação do ilícito emerge de dados e elementos apurados dentro da contabilidade do sujeito passivo apresentada de forma espontânea e sem nenhum embaraço.
Multa de ofício que se reduz de 150% para 75%.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO.
De forma induvidosa restou comprovado nos autos que os desencaixes feitos pela autuada a favor de terceiro tinham como causa pagamentos pelo fornecimento de serviços, estavam suportados por contratos e foram apresentadas notas fiscais e recibos comprobatórios, elidindo, assim a imputação baseada no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995.
Lançamentos de IRRF que se cancelam.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
Numero da decisão: 1402-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprimir a obscuridade e retificar erro material na redação da ementa.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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OBSCURIDADE. PROCEDÊNCIA. Acolhemse os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para suprimir a obscuridade apontada e retificar erro material na redação da ementa, que passa a ter a seguinte configuração após a retificação ora acolhida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. A responsabilização impingida pelo Fisco tributária do sócio com supedâneo nos artigos 134, VII e 135, I, do CTN, exige a presença dos requisitos ali exigidos, o que não restou comprovado nos autos. Exclusão do pólo passivo do sócio que se impõe. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado pagamento antes de qualquer procedimento do ente tributante para constituir, de ofício, o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento, sob pena de perda do direito de lançar. Como a ciência dos lançamentos deuse em 26/10/2012, estão decaídos os valores lançados referentes ao 4º Trimestre/2006, 1º Trimestre/2007, 2º Trimestre/2007 e 3º Trimestre/2007. APURAÇÃO IRPJ. DESPESAS. PAGAMENTOS. Comprovada a necessidade, usualidade e normalidade das despesas, suportadas por documentação hábil e idônea, é de reconhecer sua dedutibilidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 67 /2 01 2- 14 Fl. 2445DF CARF MF 2 MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do dolo, não sendo autorizado ao Fisco impôla quando a verificação do ilícito emerge de dados e elementos apurados dentro da contabilidade do sujeito passivo apresentada de forma espontânea e sem nenhum embaraço. Multa de ofício que se reduz de 150% para 75%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. De forma induvidosa restou comprovado nos autos que os desencaixes feitos pela autuada a favor de terceiro tinham como causa pagamentos pelo fornecimento de serviços, estavam suportados por contratos e foram apresentadas notas fiscais e recibos comprobatórios, elidindo, assim a imputação baseada no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995. Lançamentos de IRRF que se cancelam. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprimir a obscuridade e retificar erro material na redação da ementa. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10803.720067/201214 Acórdão n.º 1402002.627 S1C4T2 Fl. 2.446 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 2423/2428)1 em face de decisão exarada na sessão plenária de 13 de setembro de 2016 por esta Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara da Primeira Seção que julgou recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo solidário (Carlos Sotto Maior) decidindo, mediante Acórdão nº 1402002.298 (fls. 2396/2421), por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar parcialmente as exigências de IRPJ e CSLL e integralmente as de IRRF, além de reduzir o percentual da multa de ofício a 75% , em decisão assim ementada, naquilo que é objeto dos presentes aclaratórios: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. A imputação de responsabilidade a sócio exige adConstatada infração de lei por sociedade, os sócios são responsáveis pelo crédito tributário decorrente dessa infração. A responsabilização tributária do sócio impingida pelo Fisco com supedâneo nos artigos 134, VII e 135, I, do CTN, exige a presença dos requisitos ali exigidos, o que não restou comprovado nos autos. Exclusão do pólo passivo do sócio que se impõe. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado pagamento antes de qualquer procedimento do ente tributante para constituir, de ofício, o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento, sob pena de perda do direito de lançar. Como a ciência dos lançamentos deuse em 26/10/2012, estão decaídos os valores lançados referentes ao 4º Trimestre/2006, 1º Trimestre/2007, 2º Trimestre/2007 e 3º Trimestre/2007. APURAÇÃO IRPJ. DESPESAS. PAGAMENTOS. Comprovada a necessidade, usualidade e normalidade das despesas, suportadas por documentação hábil e idônea, é de reconhecer sua dedutibilidade. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do dolo, não sendo autorizado ao Fisco impôla quando a verificação do ilícito emerge de dados e elementos apurados dentro da contabilidade do sujeito passivo apresentada de forma espontânea e sem nenhum embaraço. Multa de ofício que se reduz de 150% para 75%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. De forma induvidosa restou comprovado nos autos que os desencaixes feitos pela autuada a favor de terceiro tinham como causa pagamentos pelo fornecimento de serviços, estavam suportados por contratos e 1 A numeração citada, quando não houver ressalva em contrário, é sempre a digital. Fl. 2447DF CARF MF 4 foram apresentadas notas fiscais e recibos comprobatórios, elidindo, assim a imputação baseada no artigo 61, da Lei nº 8.981/1995. Lançamentos de IRRF que se cancelam. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Os ED são tempestivos (ciência em 25/10/2016 – fls. 2422 e protocolização dos embargos em 28/11/2016 – fls. 2430). Batese a embargante contra decisão presente no Acórdão nº 1402002.298, entendendo ter havido obscuridade especificamente quando tratou das bases de cálculo dos lançamentos de IRRF. Na peça de embargos, aponta a embargante (com destaques do original): “No que tange à exigência relativa ao IRRF, este e. colegiado entendeu que o lançamento não poderia prosperar, uma vez que a imputação de pagamentos a beneficiários não comprovados ou sem causa não se sustenta diante do fato de que causa há para o pagamento e se sabe muito bem quem seria o beneficiário do pagamento no caso concreto, qual seja, a Expertise. No seu r. voto, o ilustre relator consigna que: (...) O que se pode depreender do voto condutor do aresto é que o montante considerado como fato gerador do IRRF seriam exatamente aqueles valores constantes do repasse da autuada para a Expertise, conforme notas fiscais trazidas aos autos. Contudo, salvo melhor juízo, não foram esses valores que a fiscalização considerou como pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, mas sim os montantes que eram pagos, através do cartão premiação, aos beneficiários que em tese seriam indicados pela autuada. É dizer que o fato gerador do IRRF não seria o valor total das notas fiscais, uma vez que esse montante incluiria também a “comissão/remuneração” da própria Expertise pelo serviço por ela prestado, mas sim o valor que era entregue aos funcionários ou prestadores de serviço da autuada através dos cartões premiação. (...) Observese que a autoridade autuante fala em “valores dos pagamentos efetuados por meio de cartões”, quando se refere à incidência do IRRF, dando a entender, a princípio, que ao falar em “beneficiários”, não está se referindo à Expertise, mas sim aos empregados e/ou diretores e/ou prestadores de serviço que recebem a remuneração via cartão premiação. Do mesmo modo, quando se refere à “efetiva prestação dos serviços e a causa”, não está a se referir ao serviço prestado pela Expertise, mas ao serviço prestado por aqueles que recebem remuneração via cartão premiação. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10803.720067/201214 Acórdão n.º 1402002.627 S1C4T2 Fl. 2.447 5 O colegiado, aparentemente, tratou do quesito referente à incidência do IRRF considerando os valores pagos pela autuada à Expertise, em contraprestação pelo serviço por ela prestado, gerando dúvidas por parte desta Procuradoria, haja vista que não nos parece, data maxima venia, que tenha sido este o valor tributado pelo IRRF, conforme transcrição acima. Assim, salvo melhor juízo, o r. acórdão não se revestiu da clareza que lhe é necessária, sendo necessário que este colegiado esclareça qual dos pagamentos entende ser fato gerador do IRRF: o pagamento feito pela autuada à Expertise, no valor constante das notas fiscais, ou o pagamento que é repassado aos empregados e/ou diretores e/ou prestadores de serviço, através do cartão premiação”. É o relatório. Fl. 2449DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Os embargos já foram alvo de admissão prévia (fls. 2438/2443). Os lançamentos presentes nos autos comportam três exações: IRPJ, CSLL e IRRF. No caso dos dois primeiros, as imputações e valores das infrações apontados pelo Fisco são iguais. No que se refere ao IRRF, ainda que os valores possam, aparentemente, apresentar diferenças, na verdade são simétricos aos do IRPJ e da CSLL, como se mostrará adiante, em função do obrigatório reajuste a ser feito na base de cálculo de tal exação, a teor do artigo 61, da Lei nº 8.981/1995. De modo geral, os valores que compõem os lançamentos referemse a pagamentos feitos pela autuada à Expertise para o fornecimento de cartões premiação, como longamente exposto no acórdão embargado e cujos montantes estão demonstrados nos nominados Anexos I e II de lavra do Fisco, compondose parcialmente de “comissões” pagas pela autuada à citada empresa a título de remuneração pelos serviços prestados e parte (a maior, na verdade) tendo como motivação os valores repassados para fornecimento de “cartões de premiação”. Vejase, exemplificativamente (fls. 103 dos autos): Pois bem. Na consecução dos lançamentos de IRPJ, a autoridade fiscal “glosou” a totalidade do valor, ou seja, a soma da coluna “comissão” (representando a remuneração pela prestação do serviço) e a coluna “cartão”, sinônimo do montante encaminhado à Expertise para aquisição dos “cartões de premiação”. No acórdão embargado foi restabelecida a despesa relativa às comissões e mantidos os lançamentos em relação ao tópico “cartão” posto se tratar de conta patrimonial e não de despesas (ativo da autuada e passivo da Expertise). Atentese que no voto condutor já se fez expressa referência a este cenário (fls. 2408): Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10803.720067/201214 Acórdão n.º 1402002.627 S1C4T2 Fl. 2.448 7 “De qualquer forma, com ou sem notas fiscais juntadas, os valores acima reproduzidos, bem, como os constantes no Anexo I (fls. 103/108), na parte que mostram o total do repasse feito à Expertise, por tudo o que já se falou antes, NÃO PODEM, mesmo, ser considerados como despesas ou custos dedutíveis e, por isso, a glosa procedida foi irretocável. Ou seja, não é, neste caso e sob esta ótica, a presença ou não de documentos comprobatórios que impediriam a contabilização como despesa e sua dedutibilidade para fins fiscais, mas o fato de estes pagamentos à Expertise não significarem dispêndios por serviço prestados e, sim, entrega para que esta fornecesse os cartões de premiação que seriam, posteriormente, entregues aos beneficiários identificados pela autuada (e, neste momento, restaria configurada a efetiva despesa)”. Todavia, no que tange aos lançamentos de IRRF, com estes MESMOS VALORES assumidos pela Fiscalização, o aresto embargado entendeu pela improcedência da imputação em razão da existência de causa para o pagamento e identificação do beneficiário, (Expertise) contratada que foi para o fornecimento dos cartões de premiação. Atentese que existem nos autos contratos firmados entre as partes, não contestados pelo Fisco, bem como comprovação do efetivo pagamento (TEDs bancários) exatamente no montante das notas fiscais emitidas pelo fornecedor, também acostadas ao processo e igualmente não opostas quaisquer rejeições pela autoridade lançadora. Observese excertos do voto (fls. 2415): “No mais, em relação ao recurso voluntário e aos lançamentos remanescentes, pareceme claro que o estampado no “Anexo I” (fls. 103/108) de lavra da própria Fiscalização mostra cenário totalmente antagônico aos fundamentos adotados para consecução dos lançamentos. Melhor exprimindo, se há – incontroversamente comprovações documentais representadas por notas fiscais, comprovação de pagamentos representada por TEDs bancários e identificação do beneficiário, no caso, a Expertise Comunicação Total Ltda., e se há causa para tais inversões financeiras (afinal há contratos de prestação de serviços entre as partes), impossível aceitarse que os lançamentos possam ter fundamento em “pagamentos a beneficiários não identificados” ou “pagamentos sem causa”, posto que disso, com certeza, não se tratam. Portanto, em que pese, como já tratado neste voto, que tais valores não pudessem ser registrados como despesas e por isso glosados (porque a Expertise recebeu os valores como mera intermediária para realizar os serviços relativos aos cartões de premiação), não é menos óbvio que referidos montantes não podem sofrer nova imposição tributária a pretexto de “pagamentos sem causa” (porque causa há), ou porque não identificado o beneficiário (porque identificado está, no caso, a Expertise)”. Fl. 2451DF CARF MF 8 Em suma, os valores dos lançamentos de IRPJ e de IRRF são idênticos (respeitado, obviamente, o obrigatório reajustamento da base de cálculo do IRRF, por força do artigo 61, da Lei nº 8,981/1965), mas o tratamento dado a eles no Acórdão embargado foi diverso, a saber: a) no caso do IRPJ, deuse provimento aos valores referentes às “comissões”, posto que despesas necessárias, efetivas, usuais e comprovadas e mantiveramse os lançamentos pertinentes ao desencaixe para aquisição de “cartão de premiação”, contas de natureza patrimonial (ativo na autuada, passivo na Expertise); b) no pertinente ao IRRF, cancelaramse integralmente os lançamentos (valores de “comissão” (+) “cartão de premiação”) pelos motivos já elencados de restarem comprovadas a causa para pagamento (contrato de fornecimento para entrega de cartões de premiação), seu efetivo desencaixe (notas fiscais e TEDs bancários) e beneficiário devidamente identificado (Expertise). Enfrento, a seguir, o questionamento da embargante: "O que se pode depreender do voto condutor do aresto é que o montante considerado como fato gerador do IRRF seriam exatamente aqueles valores constantes do repasse da autuada para a Expertise, conforme notas fiscais trazidas aos autos. Contudo, salvo melhor juízo, não foram esses valores que a fiscalização considerou como pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, mas sim os montantes que eram pagos, através do cartão premiação, aos beneficiários que em tese seriam indicados pela autuada. É dizer que o fato gerador do IRRF não seria o valor total das notas fiscais, uma vez que esse montante incluiria também a “comissão/remuneração” da própria Expertise pelo serviço por ela prestado, mas sim o valor que era entregue aos funcionários ou prestadores de serviço da autuada através dos cartões premiação". De fato, o valor tomado pelo Fisco para calcular a base imponível do IRRF foi o montante pago à Expertise para compra dos cartões de premiação, com aplicação da fórmula de reajustamento da base de cálculo. Exemplificativamente: Planilha dezembro/2007 dados do Anexo I Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10803.720067/201214 Acórdão n.º 1402002.627 S1C4T2 Fl. 2.449 9 Soma da última coluna (BC IRRF REAJUSTADA): R$ 1.358.826,81 Aplicação da Fórmula de reajustamento Fórmula: RP D RR = 1 – T ÷ 100 Onde: RR Rendimento reajustado RP Rendimento pago PD Parcela a deduzir correspondente à classe (Tabela Progressiva) T Alíquota Então: RP R$ 883.237,43 (coluna "cartão" da planilha acima) PD "ZERO" (*) T Alíquota 35% Fl. 2453DF CARF MF 10 (*) O Fisco não tomou qualquer valor a título de dedução referente ao enquadramento do rendimento na tabela progressiva do IRRF, pelo que, subtendese, a dedução é ZERO. Calculando: R$ 883.237,43 R$ 0,00 1 35% ÷ 100 R$ 883.237,43 R$ 0,00 0,65% RR = R$ 1.358.826,81 Ou seja, EXATAMENTE o valor dos autos de IRRF no mês de dezembro/2007, situação que se repete nos demais períodos. Desta forma, suprese a obscuridade suscitada pela embargante, ressalvando se, todavia, inexistir qualquer modificação nas razões de decidir ou nas conclusões do Acórdão embargado, ou seja, o entendimento da Turma Julgadora de que os lançamentos imputados pelo Fisco como "pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado" não procedem posto que a "causa" (fornecimento de cartões de premiação) é indiscutível e o "beneficiário" (Expertise) encontrase claramente identificado. Assim, tendo em vista que a própria embargante ressalta que “não se pretende nestes embargos estabelecer questionamentos acerca das razões de decidir do eminente julgador, a fim de conceder efeitos infringentes ao mesmo. Apenas solicitase que estejam melhor explicitadas no voto, para que não restem dúvidas ou obscuridades sobre a matéria”, pareceme que o quanto requerido restou atendido. Adicionalmente, releva observar que, por problemas de digitação, a primeira ementa do Acórdão embargado teve sua redação “truncada”, podendo dificultar o entendimento. Em relação a tal erro, de cunho tipicamente material e que antes da edição do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, poderia ser sanado por um simples despacho do Presidente da Turma, passou a exigir, consoante art. 67 do citado decreto, a prolação de um novo acórdão. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10803.720067/201214 Acórdão n.º 1402002.627 S1C4T2 Fl. 2.450 11 Portanto, em respeito ao Decreto, retificase a primeira ementa que passa a ter a seguinte redação: Ø ementa original (excluída): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. A imputação de responsabilidade a sócio exige adConstatada infração de lei por sociedade, os sócios são responsáveis pelo crédito tributário decorrente dessa infração. A responsabilização tributária do sócio impingida pelo Fisco com supedâneo nos artigos 134, VII e 135, I, do CTN, exige a presença dos requisitos ali exigidos, o que não restou comprovado nos autos. Exclusão do pólo passivo do sócio que se impõe. Ø ementa retificada (incluída): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. A imputação da responsabilidade solidária de sócio impingida pelo Fisco com supedâneo nos artigos 134, VII e 135, I, do CTN, exige a presença dos requisitos ali exigidos, o que não restou comprovado nos autos. Exclusão do pólo passivo do sócio que se impõe. Concluindo, conheço dos Embargos de Declaração para, sem efeitos infringentes, dar provimento visando suprir a obscuridade apontada pela embargante e corrigir a primeira ementa do Acórdão, por erro de digitação, sem alteração do seu conteúdo. No mais, ratificase a decisão embargada em seu inteiro teor. É como voto. Brasília (DF), em 22 de junho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2455DF CARF MF 12 Fl. 2456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15169.000130/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (Súmula CARF 99.)
Numero da decisão: 2301-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas em relação aos períodos de apuração ocorridos no ano de 1999, para, na parte conhecida, reconhecer a decadência do crédito tributário, nos termos do voto do relator.
Fez sustentação oral a Dra. Bárbara Cristina Romani Silva, AOB/DF 43792.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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(Súmula CARF 99.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas em relação aos períodos de apuração ocorridos no ano de 1999, para, na parte conhecida, reconhecer a decadência do crédito tributário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Dra. Bárbara Cristina Romani Silva, AOB/DF 43792. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 9. 00 01 30 /2 01 2- 49 Fl. 1037DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da DecisãoNotificação n.° 11.425.4/0126/2005, da Delegacia da Receita Previdenciária em Juiz de Fora (MG) (efls. 568 577), com ciência ao sujeito passivo em 1º/07/2005, a qual julgou improcedente a impugnação à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad n° 35.513.1609, tendo o sujeito passivo tomado ciência do lançamento em 26/01/2005 (efl. 479). De acordo com o relatório fiscal (efls. 153208), foram objeto de fiscalização os seguintes estabelecimentos da recorrente: CNPJ: 17.227.422/000105 (Matriz Ouro Branco), 17.227.422/002817 (Barão de Cocais – antigo CNPJ 33.611.500/003215), 17.227.422/003384 (Divinópolis – antigo CNPJ 33.611.500/007989), 17.227.422/004437 (Sapucaia do Sul – antigo CNPJ 33.611.500/0076 36), 17.227.422/004518 (Charqueadas – antigo CNPJ 33.611.500/007806), 17.227.422/004607 (Sapucaia do Sul – antigo CNPJ 33.611.500/007555), 17.227.422/009315 (Recife – antigo CNPJ 33.611.500/006400). O lançamento trata de exigência do adicional da contribuição social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, destinado ao financiamento da aposentadoria especial de que trata os arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213/91, nos períodos de 04/1999 a 12/2003, incidente sobre a remuneração dos trabalhadores expostos de modo permanente ao agente físico ruído acima dos níveis de tolerância, encontrado em todos os estabelecimentos, e, em alguns estabelecimentos, sobre a remuneração dos empregados expostos ao calor acima dos níveis de tolerância, à radiação ionizante, bem como aos agentes químicos chumbo, manganês, níquel, carbono, cádmio, benzeno (carvão mineral), conforme demonstrado nas planilhas I a V, VII, VIIII e IX, anexas ao relatório fiscal, notadamente pelo fato de a fiscalização ter constatado que não ocorreu eficaz gerenciamento dos riscos ambientais por parte da empresa. A autuada apresentou impugnação contendo os seguintes pontos controvertidos: a) ilegitimidade passiva dos diretores e exdiretores executivos; b) afirmação de que os EPIs são eficazes para neutralizar ou proteger o trabalhador exposto a agentes nocivos em níveis superiores aos limites de tolerância, os quais são por ela disponibilizados aos trabalhadores e cujo uso efetivo é por ela fiscalizado; c) é distorcida e sem embasamento a afirmação da fiscalização de que houve 5.000 novos casos de perda auditiva em seis anos; d) a existência de Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho não ocorreu pelo mau gerenciamento em termos de segurança do trabalho; e) o Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA) não foi substituído porque não houve alteração no ambiente do trabalho. Por fim, juntou laudos assinados por engenheiro do trabalho. O julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização informasse os representantes legais do sujeito passivo com atuação no período fiscalizado. Em resposta, a autoridade lançadora providenciou a retificação do período de atuação dos administradores Rodrigo Otávio Maia Damasceno,Luiz André Rico Vicente e Fladimir Batista Lopes Gauto. Após, foi proferida decisão de primeira instância, a qual julgou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) o relatório de coresponsáveis não atribui responsabilidade aos representantes legais da empresa, sua função é meramente informativa, servindo de subsídio no caso de eventual cobrança judicial; b) o Laudo de Riscos Ocupacionais juntado pela empresa não é prova eficaz de inexistência ou de controle dos riscos em níveis abaixo dos limites de tolerância, pois não consta a data de confecção do laudo, nem a data das Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 15169.000130/201249 Acórdão n.º 2301005.115 S2C3T1 Fl. 3 3 medições, além de a amostra (um funcionário) não ser representativa; c) a inexistência dos casos de perdas auditivas não foram comprovadas; d) o PPRA, o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta do Ministério Público do Trabalho e as notificações de doenças ocupacionais, demonstram o mau gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho; e) não foi feita a prova do efetivo uso dos Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) pelos trabalhadores. Em 29/07/2005, a interessada interpôs recurso voluntário (efls. 583602), apresentando suas razões, cujos pontos controvertidos são, em síntese: Preliminares (a) ilegitimidade passiva dos diretores e exdiretores executivos, uma vez que não foi configurado excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, CTN; (b) nulidade da autuação e da decisão administrativa por falta de prova técnica (perícia), a qual considera imprescindível para se aferir a eficácia das medidas protetivas por ela adotadas; No mérito (c) o Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) só pode ser infirmado por perícia médica, sem a qual não tem como subsistir os alegados vícios apontados pela fiscalização nos programas de prevenção de perda auditiva ou nos diversos programas da Recorrente, bem como as alegadas deficiências dos Equipamentos de Proteção Individuais e Coletivos (EPI e EPC); (d) entende que o Levantamento de Riscos Ambientais (LRA) elaborado com base no modelo de investigação exploratória (exemplos) comprova que os limites de tolerância não foram ultrapassados nos casos em que são adotadas as medidas protetivas necessárias, notadamente EPI, cuja eficácia só poderia ser afastada com base em estudo médico a ser realizado em exame pericial (estudo epidemiológico), mencionando que o EPI é aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e que o Poder Judiciário Trabalhista vem reconhecendo a eficácia dos EPIs como fundamento para afastar o direito ao adicional de insalubridade; (e) com relação ao agente nocivo ruído, argumenta que não há previsão legal para se computar as horas extraordinárias no cálculo do limite de tolerância. (d) rechaça os argumentos expostos na decisão recorrida que levaram à rejeição do laudo 'Levantamento de Risco Ambiental (LRA)", esclarecendo: a) que o documento tem data, a qual coincide com a data da realização dos "histogramas de ruído", componentes do estudo, b) que os exemplos apresentados visam a demonstrar que nem todos os cargos estão expostos a níveis de pressão sonora acima do limite de tolerância, que há classes de cargos em que esse fator é inferior ao limite de tolerância e há classe de cargos que esse fator é inferior ao nível de ação, de modo que resta equivocada a aferição generalizada feita pela fiscalização, a qual considerou de risco qualquer unidade da Recorrente, inclusive empregados alocados na área administrativa, dentre eles o advogado e o contador da Recorrente que atenderam a fiscalização, c) que cada exemplar representa a situação de uma Fl. 1039DF CARF MF 4 classe de segurados exercentes do mesmo cargo; d) que a adoção do conceito de grupo homogêneo é permitido pela legislação para fins de diagnóstico atuarial; (e) menciona que trabalhadores de áreas cujo risco ambiental é qualitativo, informados pela Recorrente na GFIP com código específico de recolhimento do adicional aqui tratado, tiveram pedidos de aposentadoria especial indeferidos pela Previdência Social. (f) contesta os números apontados pela fiscalização como casos de diagnóstico de Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair), e que a real situação deverá ser esclarecida em perícia médica; (g) alega que no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) não foi constatada nenhuma ilicitude, tanto que a Recorrente não foi penalizada; (h) sustenta que não deixou de emitir Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) quando devido, que os casos de perdas auditivas apontados pela fiscalização não se enquadram na situação de doença profissional, pois a perda de audição é uma doença multifatorial, conforme avaliação a ser feita pelo médico perito. Pediu a realização de perícia, indicando perito e formulando os seguintes quesitos: a) que caracteriza uma PAIRO, segundo Comitê Nacional de Ruído e Conservação Auditiva ? b) Existe perda auditiva que não seja de origem ocupacional? Em caso afirmativo, dê exemplos de outras causas de perda auditiva. c)Fatores metabólicos, bioquímicos, genéticos e uso de alguns medicamentos podem agredir o aparelho auditivo influenciando o desenvolvimento de perda auditiva? d)Essa perda auditiva também é reconhecida como PAIRO? e) A história ocupacional do trabalho é importante para o estabelecimento do diagnóstico da PAIRO? f) Para definir PAIRO devemos considerar a intensidade e a característica do agente agressivo? Devemos considerar o modo de exposição? g) Pode o trabalhador não exposto ao ruído ocupacional ter o diagnóstico de PAIRO? h)Descrever, em detalhes, os locais de trabalho dos funcionários analisados, bem como os níveis de ruído nos mesmos. i)Esses trabalhadores (segundo o quadro anexo 1 da NR15) foram expostos ao ruído ocupacional em tempo, intensidade e freqüência suficientes para causar perda auditiva ? j) Um trabalhador portador de perda auditiva condutiva unilateral exposto ao ruído ocupacional pode ter o seu diagnóstico firmado como PAIRO? Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 15169.000130/201249 Acórdão n.º 2301005.115 S2C3T1 Fl. 4 5 k) De acordo com o Anexo I, da NR7, Portaria 3.214/78 MTb, quais os critérios sugestivos para caracterização de perda auditiva induzida por ruído ocupacional ? I) De acordo com o Anexo I, da mesma NR7, quais os critérios matemáticos para definir o desencadeamento ou o agravamento de PAIRO? m) Se o trabalhador exposto ao ruído apresentar uma audiometria alterada, porém que não atenda aos critérios anteriores, é exigido a emissão de CAT? n) A empresa emitiu as CAT's de acordo com os critérios estabelecidos pelo Quadro 1, da NR7? o) A Recorrente implantou e adota Programa de Conservação Auditiva cuja finalidade é a prevenção da PAIRO? p) Os trabalhadores da empresa eram submetidos a exames audiométricos periódicos, bem como na admissão e demissão? q) A empresa fornece os protetores auriculares aprovados pelo Ministério do Trabalho, para os funcionários expostos ao ruído ocupacional ? r) Considerados os critérios determinados pela legislação citada neste recurso, para caracterizar a PAIRO, podese afirmar que as medidas preventivas adotadas pela Recorrente foram adequadas para neutralizar o agente agressivo ruído? s) São necessários estudos audiométricos no trabalhador não exposto ruído ? A empresa recorrente faz esses exames ? Por que? t) É licito que seja emitida CAT para um trabalhador com perda auditiva não decorrente de trabalho exposto a risco ambiental por ruído? u) Quais foram os critérios adotados pela Previdência Social quando a fiscalização "identificou" 2.236 casos como sendo de trabalhadores portadores de PAIRO? v) Quais os critérios adotados pelo perito oficial para caracterização ou não da PAIRO? w) Existe, na amostragem, casos de perda auditiva que não preenchem os critérios de PAIRO? x) Existe, na amostragem, casos de perda auditiva que preenchem os critérios de PAIRO? Quando foram desencadeados, esclarecer. Requereu, ao final, o cancelamento do crédito tributário ou a exclusão do nome dos diretores e exdiretores. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contrarrazões (efls. 720 724). Fl. 1041DF CARF MF 6 Após, o recurso foi apreciado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que converteu o julgamento em diligência, conforme decisão n° 127/2006, de 24/0/2006 (efls. 725730), determinando a realização de prova pericial por parte da auditoria médica da Previdência Social, no ambiente de trabalho da Recorrente, cabendolhe responder os quesitos apresentados pela Recorrente, e, ao final, esclarecer se há ou não o gerenciamento eficaz e adequado do seu ambiente de trabalho, e por conseqüência se os empregados estão sujeitos a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Os autos foram encaminhados ao INSS e, em 16/08/2010, a chefia da Seção de Saúde do Trabalhador da Gerência Executiva de Barbacena devolveu o processo ao CRPS sem cumprir a diligência, sob o fundamento de que não havia disponibilidade de peritos médicos (efl. 735). Em 06/09/2011, os autos foram enviados a este Conselho, para julgamento. Em 26/02/2016, esta Turma, por meio da Resolução 2301000.563, solicitou diligência para esclarecer a existência, ou não, de pagamentos de contribuições previdenciárias pela autuada e seus estabelecimentos, a fim de verificar a existência, ou não, da decadência dos créditos tributários do período de apuração 12/1999, questão suscitada de ofício pela então conselheira relatora Luciana de Souza Espíndola Reis. A diligência foi elaborada nos seguintes termos: Considerando o exposto, antes do enfrentamento das questões do recurso fazse necessária manifestação da autoridade lançadora quanto à existência de recolhimentos espontâneos do contribuinte, na competência 12/1999, identificandoos por estabelecimento, competência, rubrica e data do pagamento. Em suma, a autoridade fiscal deverá prestar as informações solicitadas, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, inclusive prestando informações adicionais e juntando documentos que entender necessários, intimar a interessada do relatório da diligência e conceder prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. Como resposta, informou a unidade preparadora (efls. 952 e 953): 3. Não constam recolhimentos na competência 12/1999, para os estabelecimentos CNPJ: 17.227.422/002817, 17.227.422/0033 84, 17.227.422/004437, 17.227.422/004518, 17.227.422/0046 07 e 17.227.422/009315. (...) 5. Observando a tela CCORGFIP (fls. 936/942), as guias de recolhimentos utilizadas pelo sistema para amortizar o valor devido apurado em GFIP, corresponde as guias de código "2100", indicadas no "ANEXO I" desta Informação. 6. Consultando o banco de dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP da empresa na competência 12/1999, verificamos que consta informação relativa ao adicional da contribuição social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, destinado ao financiamento da aposentadoria especial de que Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 15169.000130/201249 Acórdão n.º 2301005.115 S2C3T1 Fl. 5 7 trata os arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213/91, que corresponde ao fato gerador do presente lançamento, para os estabelecimentos CNPJ: 17.227.422/000105, 33.611.500/003215 e 33.611.500/006400, não constando para os demais. 7. A análise realizada na competência 12/1999, contemplou os estabelecimentos CNPJ da empresa: 17.227.422/000105 (Matriz Ouro Branco), 17.227.422/002817 (Barão de Cocais antigo CNPJ 33.611.500/003215), 17.227.422/003384 (Divinópolis antigo CNPJ 33.611.500/007989), 17.227.422/004437 (Sapucaia do Sul antigo CNPJ 33.611.500/007636), 17.227.422/004518 (Charqueadas antigo CNPJ33.611.500/007806), 17.227.422/004607 (Sapucaia do Sul antigo CNPJ 33.611.500/007555), 17.227.422/009315 (Recife antigo CNPJ 33.611.500/006400), tendo em vista que foram objetos da fiscalização realizada, conforme consta do Relatório Fiscal às fls. 153 (item 1.3). Em 06/05/2016, a recorrente informou ter aderido ao parcelamento previsto na Lei 11.941, de 2009, motivo pelo qual desistiu de recorrer em relação aos períodos do ano 2000 em diante; permanece recorrendo apenas em relação aos períodos de apuração ocorridos entre 04/1999 e 12/1999 (efls. 959 a 962). Em 03/10/2016, dentro do prazo de 30 concedido na Informação Fiscal, a recorrente apresenta manifestação complementar (efls. 973 a 982),, asseverando ter ocorrido a decadência de todos os períodos de apuração ocorridos em 1999 . Em relação ao período 12/1999, aduz possuir pagamentos em todas as unidades, e que a unidade preparadora não os encontrou por ter pesquisado no CNPJ novo, e não no antigo, pelo qual foram feitos os pagamentos. Apresentou comprovantes de pagamentos relativos aos estabelecimentos com CNPJ n°s 33.611.500/003215 e 33.611.500/007989 (efls. 983 a 986), e solicitou 30 dias de prazo para juntar aos autos comprovantes relacionados aos demais estabelecimentos. É o relatório. Fl. 1043DF CARF MF 8 Voto Conselheiro relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Houve desistência do recurso voluntário em relação aos períodos de 01/2000 a 13/2003. Portanto, tomo conhecimento do recurso voluntário em relação aos períodos de apuração ocorridos no ano de 1999. DA DECADÊNCIA Como visto, a unidade preparadora verificou a existência de pagamentos referentes ao período de apuração 12/1999, da contribuição social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, destinado ao financiamento da aposentadoria especial de que trata os arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213/91, que corresponde ao fato gerador do presente lançamento, para os estabelecimentos CNPJ: 17.227.422/000105, 33.611.500/003215 e 33.611.500/006400, não constando para os demais. No entanto, pela Súmula CARF 99, que vincula seus conselheiros, qualquer pagamento de contribuição previdenciária, mesmo de diversa rubrica, conquanto que realizado na condição de contribuinte (excluídos, portanto, os recolhimentos realizados na condição de responsável tributário), atraem a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN: Súmula 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (Grifouse.) Nesse pressuposto, verifico que às efls. 949 a 951 na planilha elaborada pela unidade preparadora, denominada “Anexo I Guias De Recolhimentos Gps Competência 12/1999”, são apontados, no período em questão, pagamentos relacionados a todos os estabelecimentos da recorrente mencionados no presente lançamento. Reproduzo da planilha: Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 15169.000130/201249 Acórdão n.º 2301005.115 S2C3T1 Fl. 6 9 Fl. 1045DF CARF MF 10 Como visto, estão em julgamento, do lançamento, os períodos de apuração de 04/1999 a 12/1999; o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 26 de janeiro de 2005, conforme aviso de recebimento dos correios à efl. 479. No caso dos períodos de 04/1999 a 11/1999 e 13/1999 há decadência do poderdever de constituir o crédito tributário tanto aplicando a regra do art. 150, § 4º, quanto pela regra do art. 173, I, uma vez que, nesse caso, os tributos poderiam ser lançados em 1999, sendo 1º/01/2000 o termo inicial da decadência e 31/12/2004 o seu termo final. Como visto, o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 26/01/2005 (efl. 479). No caso do período de apuração 12/1999, em face da existência de pagamentos de contribuições previdenciárias por todos os estabelecimentos, é aplicável, por força da Súmula CARF 99, a regra do art. 150, § 4º; assim, o termo final para a contagem do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2004, configurandose, também quanto a este período, a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário. Conclusão Voto, portanto, por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, apenas em relação aos períodos de apuração ocorridos no ano de 1999, para, na parte conhecida, RECONHECER A DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1046DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903159/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.432
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 59 /2 01 2- 07 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.695, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903159/201207 Acórdão n.º 3402004.432 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008861/2004-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995
IRPF. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL. JUROS.
Na restituição do imposto de renda retido na fonte, que tenha origem na retenção indevida quando do recebimento da parcela relativa aos chamados planos de demissão voluntária (PDV), o valor a ser restituído será aquele apurado na revisão da declaração de ajuste anual, que deverá ser atualizado a partir da data da retenção.
Numero da decisão: 2202-004.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL. JUROS. Na restituição do imposto de renda retido na fonte, que tenha origem na retenção indevida quando do recebimento da parcela relativa aos chamados planos de demissão voluntária (PDV), o valor a ser restituído será aquele apurado na revisão da declaração de ajuste anual, que deverá ser atualizado a partir da data da retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de pedido de restituição, no qual o Contribuinte pleiteia a correção monetária sobre o valor que lhe fora restituído quando do processamento da sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício 1996 anocalendário 1995. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 88 61 /2 00 4- 48 Fl. 27DF CARF MF Processo nº 10580.008861/200448 Acórdão n.º 2202004.113 S2C2T2 Fl. 28 2 O valor da restituição originouse do enquadramento como isento da indenização recebida em virtude de adesão ao PDV (Programa de Demissão Voluntária) da Petrobras. A Receita Federal do Brasil restituiu o valor do imposto retido corrigindoo a partir da data da entrega da declaração, porém o Contribuinte requereu a correção desde a data da retenção indevida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA indeferiu o pedido do Contribuinte, o qual apresentou manifestação de inconformidade alegando que o Conselho de Contribuintes já vem decidindo que se trata de imposto retido indevidamente e a correção deve ser feita a partir da data da efetiva retenção e não a partir do mês subsequente à entrega da declaração de ajuste anual. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA julgou improcedente a impugnação (fls. 12/14). Cientificado da decisão em 24/07/2006 (fl. 15), o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 16/17 em 08/08/2006, onde repisa os argumentos da manifestação de inconformidade. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes solicitou diligência para a DRF intimar o Contribuinte a comprovar a sua adesão ao programa de desligamento formulado pelo empregador (fls. 20/21). O Contribuinte apresentou a declaração de fl. 24. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Entendo que assiste razão ao Contribuinte. No presente caso, verificase que a verba referida é relativa ao incentivo concedido pela empresa empregadora Petrobras pela adesão do empregado, ora Recorrente, ao Programa de Saída Voluntária, conforme declaração de fl. 24. O imposto de renda retido na fonte sobre verbas recebidas a título de adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV) caracteriza pagamento indevido, uma vez que tais verbas foram consideradas como fora da incidência do imposto. Assim, para a correção dos valores retidos indevidamente deve ser aplicada a regra estabelecida no art. 896 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. Art. 896. As restituições do imposto serão (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 3º, Lei nº 8.981, de 1995, art. 19, Lei nº 9.069, de 1995, Fl. 28DF CARF MF Processo nº 10580.008861/200448 Acórdão n.º 2202004.113 S2C2T2 Fl. 29 3 art. 58, Lei nº 9.250, de 1995, art. 39, § 4º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 73): I atualizadas monetariamente até 31 de dezembro de 1995, quando se referir a créditos anteriores a essa data; II acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente: a) a partir de 1º de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 1997, a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; b) após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Em relação aos juros aplicados na restituição de valores em decorrência de adesão a programas de demissão voluntária, assim dispõe a Súmula CARF nº 60: Os juros aplicados na restituição de valores indevidamente retidos na fonte, quando do recebimento de verbas indenizatórias decorrentes da adesão a programas de demissão voluntária, devem ser calculados a partir da data do recebimento dos rendimentos, se ocorrido entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997, ou a partir do mês subsequente, se posterior. Nesse sentido temos as seguintes decisões do Conselho de Contribuintes e do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1995 [...] IRPF PDV RETENÇÃO INDEVIDA RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL JUROS Na restituição do imposto de renda retido na fonte, que tenha origem na retenção indevida quando do recebimento da parcela relativa aos chamados planos de adesão voluntária PDV, o valor a ser restituído será aquele apurado na revisão da declaração de ajuste anual, que deverá ser atualizado a partir da data da retenção nos termos da legislação pertinente. (Acórdão nº 0401.067, de 07/10/2008, Rel. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 Ementa: [...] Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10580.008861/200448 Acórdão n.º 2202004.113 S2C2T2 Fl. 30 4 IRPF. PDV. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Reconhecida a não incidência tributária, não existiu fato gerador. Com isso, a restituição de imposto retido na fonte, incidente sobre valores relativos a PDV, deve ser agregada, desde a data da retenção, dos juros calculados com base na SELIC. (Acórdão nº 2802001.631, de 19/06/2012, Rel. Sidney Ferro Barros). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 30DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.000879/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/01/2005 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 30/11/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS ESPECÍFICOS. INAPLICABILIDADE DO RATEIO PREVISTO NOS §§ 7º E 8º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
O rateio previsto no §8º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 não se aplica a custos específicos vinculados a receita cumulativa, mas somente a custos comuns vinculados a receitas de naturezas distintas.
Recurso Provido em Parte
Crédito Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao creditamento de Cofins não-cumulativa nos meses de fevereiro, março e abril de 2004, constantes da coluna "créditos da Cofins pleiteada sobre aquisições apropriadas como custo - rubricas do grupo 625000000 Custo de Exercícios Futuros" da planilha "RELAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS DAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS OBJETO DE PLEITO DE CRÉDITOS DA COFINS", à e-fl. 7120.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/01/2005 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 30/11/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS ESPECÍFICOS. INAPLICABILIDADE DO RATEIO PREVISTO NOS §§ 7º E 8º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. O rateio previsto no §8º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 não se aplica a custos específicos vinculados a receita cumulativa, mas somente a custos comuns vinculados a receitas de naturezas distintas. Recurso Provido em Parte Crédito Mantido em Parte.
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INSUMOS ESPECÍFICOS. INAPLICABILIDADE DO RATEIO PREVISTO NOS §§ 7º E 8º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. O rateio previsto no §8º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 não se aplica a custos específicos vinculados a receita cumulativa, mas somente a custos comuns vinculados a receitas de naturezas distintas. Recurso Provido em Parte Crédito Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao creditamento de Cofins nãocumulativa nos meses de fevereiro, março e abril de 2004, constantes da coluna "créditos da Cofins pleiteada sobre aquisições apropriadas como custo rubricas do grupo 625000000 Custo de Exercícios Futuros" da planilha "RELAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS DAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS OBJETO DE PLEITO DE CRÉDITOS DA COFINS", à efl. 7120. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 08 79 /2 00 8- 15 Fl. 7304DF CARF MF Processo nº 11634.000879/200815 Acórdão n.º 3302004.636 S3C3T2 Fl. 7.305 2 Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de auto de infração para constituição de crédito tributário de Cofins, no período de fevereiro/2004 a novembro/2005, relativo a glosas de créditos da não cumulatividade de bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos, por não comprovação dos dispêndios, e relativo à reclassificação de receitas de prestação de serviços do regime cumulativo para o regime nãocumulativo. A multa foi qualificada em 150% "face à desconsideração sistemática e contínua dos valores escriturados nos livros contábeis e fiscais". Em impugnação, a recorrente alegou que os seguintes pontos deveriam ser esclarecidos: a) a natureza jurídica das receitas auferidas pelo contribuinte/impugnante, demonstrandose o total desacerto em classificálas junto ao sistema de não cumulatividade; b) a errônea desconsideração dos créditos de Cofins escriturados pelo contribuinte; c) o lançamento suplementar de Cofins sem o expurgo dos saldos devedores da referida contribuição, anteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF e DACON; d) a inexistência de qualquer elemento de prova tendente a caracterizar a conduta do contribuinte como dolosa; e) a ausência de conduta tipificada nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 a justificar a aplicação da multa qualificada de 150%; f) a inaplicabilidade da multa de ofício de 75% sobre os débitos anteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF; g) a necessidade de perícia para julgamento do auto de infração, ou conversão do julgamento em diligência. Em julgamento da impugnação, decidiu a DRJ baixar o processo em diligência para esclarecer os seguintes pontos: a) em face dos contratos apresentados, seja verificado na escrituração da contribuinte quais as receitas recebidas, e informado se em decorrência deles há efeitos sobre o lançamento; b) a contribuinte seja intimada a apresentar os documentos relativos à ação judicial nº 99.20.138398/ PR (petição inicial e decisões judiciais), que teria culminado com o RE 488460, para que se possam analisar os efeitos correspondentes sobre o lançamento; Fl. 7305DF CARF MF Processo nº 11634.000879/200815 Acórdão n.º 3302004.636 S3C3T2 Fl. 7.306 3 c) as notas fiscais de entrada, apresentadas pela contribuinte (fls. 3019 em diante), que indicam a possível existência de créditos passíveis de desconto da contribuição devida, sejam analisadas a luz da escrituração, esclarecendose se, em decorrência dessas notas, alguma alteração deve ser feita na exigência; d) as planilhas de fls. 4995/4999 sejam verificadas e, uma vez confirmada a retenção na fonte da contribuição, sejam indicadas as correções necessárias no lançamento (na hipótese de nenhuma correção ser devida, informar os motivos). Cumprida a diligência, a Terceira Turma da DRJ em Curitiba proferiu o Acórdão nº 0636.002, provendo em parte a impugnação para excluir dos lançamentos as receitas de prestação de serviços auferidas a partir de 01/05/2004, inclusive (retornandoas para o regime cumulativo), para exonerar as receitas financeiras, os descontos obtidos e as receitas não operacionais, para reduzir a multa qualificada de 150% para 75%. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações quanto à glosa de créditos de Cofins declarados em Dacon e os créditos referentes às retenções. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente pugnou pela consideração dos créditos de Cofins não cumulativa conforme planilha "RELAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS DAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS OBJETO DE PLEITO DE CRÉDITOS DA COFINS" e pela dedução das retenções confirmadas em diligência. Quanto à glosa de créditos, a recorrente pleiteou o reconhecimento dos créditos ,conforme a planilha elaborada pela autoridade fiscal, em cumprimento da diligência, nas efls. 7015/7120. O relatório fiscal da diligência assim informou a respeito: "4.3Item " c " da solicitação da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (folhas 5749) as notas fiscais de entrada, apresentadas pela contribuinte (fls. 3019 em diante), que indicam a possível existência de créditos passíveis de desconto da contribuição devida, sejam analisadas a luz da escrituração, esclarecendose se, em decorrência dessas notas, alguma alteração deve ser feita na exigência: Fl. 7306DF CARF MF Processo nº 11634.000879/200815 Acórdão n.º 3302004.636 S3C3T2 Fl. 7.307 4 • Considerações/constatações relativas a este item, no qual a impugnante pleiteia os créditos incidentes sobre aquisições de bens e serviços, na forma das planilhas às folhas 3020/3049 (referente ao anocalendário de 2004) e folhas 3050/3071 (referente ao anocalendário de 2005): a. As notas fiscais de entrada apresentadas pela impugnante, não foram consideradas a título de crédito na constituição do crédito tributário objeto desta contestação; b. Conforme declarado na contestação, tratase os mesmos de aquisições de bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços. A maioria das escriturações contábeis destas aquisições foram registradas nas contas dos grupos "625001000 Custo de Exercícios Futuros", "625002000 Custo de Exercícios Futuros" e "626001000 Custo de. Obras Próprias", no entanto não foi possível localizar registros contábeis de algumas das aquisições relacionadas. Diante da falta de atendimento integral ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 17/dezembro/2010 (folhas 6648/6649), o qual a impugnante procurou atender esta solicitação por amostragem, selecionando 5 (cinco) aquisições por mês, em que indicou as. contas debitadas e as folhas das escriturações contábeis no livro diário de parcela desta seleção em planilha anexa ao expediente de 02/fevereiro/2011 (folhas 6661/6663), elaboramos a planilha denominada "RELAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS DAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS OBJETO DE PLEITO DE CRÉDITO DA COFINS", planilha esta parte integrante do presente relatório (folhas 6957/7061), indicando as rubricas contábeis de cada aquisição relacionada nas planilhas às folhas 3020/3049 (referente ao anocalendário de 2004) e folhas 3050/3071 (referente ao ano calendário de 2005). Elaboramos a citada planilha, com base.no confronto entre os documentos fiscais apresentados e os registros contábeis destes, constantes nos razões contábeis das contas de apropriação/débito do período de 01/janeiro/2004 a 30/junho/2004 (folhas 6731/6 772), de 01/julho/2004 a 31/dezembro/2004 (folhas 6773/6815), de 01/janeiro/2005 a 30/junho/2005 (folhas 6816/6857) e de 01/julho/2005 a 31/dezembro/2005 (folhas 6858/6879). Verificase, inicialmente, que a autoridade fiscal confirmou que os valores correspondem a aquisições de bens e serviços utilizados na prestação de serviços, com identificação da nota fiscal, data de emissão e registro contábil correspondente em conta de custo. Ressaltase, porém, que, na elaboração da planilha, a autoridade separou o crédito em três colunas: "créditos pleiteados sobre aquisições apropriadas como custos rubricas do grupo de exercícios futuros", "créditos pleiteados sobre aquisições com o registro contábil não localizado" e " crédito pleiteado sobre aquisições com o registro contábil de despesas administrativas". Portanto, os créditos passíveis de serem descontados do lançamento somente se referem aos da primeira coluna "créditos da Cofins pleiteada s/ aquisições Fl. 7307DF CARF MF Processo nº 11634.000879/200815 Acórdão n.º 3302004.636 S3C3T2 Fl. 7.308 5 apropriadas como custo rubricas do grupo 625000000 Custo de Exercícios Futuros", uma vez que a segunda coluna indica valores não contabilizados. Salientase que no período de fevereiro, março e abril/2004, as receitas informadas no Dacon foram todas sujeitas à nãocumulatividade, o que foi confirmado no julgamento da DRJ e não questionado em recurso voluntário. Portanto, para os meses de fevereiro, março e abril/2004, a recorrente possui o direito de se creditar dos valores constantes da planilha consolidada de efls. 7120, referentes à primeira coluna, inclusive levando eventual saldo credor para os períodos subsequentes. Porém, a partir de maio/2004, embora a autoridade fiscal tenha reconhecido a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, a eles não se aplica o rateio previsto nos §§7º e 8º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, pois ao contrário do que pretende a recorrente, estes insumos não são comuns à prestação de serviços e à comercialização de terrenos, mas são específicos da prestação de serviços, como afirmou a autoridade fiscal. Assim, não são sujeitos a qualquer rateio, mas especificamente vinculados às receitas de prestação de serviços. Na realidade, o reconhecimento de crédito pela autoridade fiscal lastreavase em seu entendimento de que as receitas de prestação de serviços eram nãocumulativas. Porém, a decisão da DRJ levou estas receitas para a incidência cumulativa e com ela todos os insumos vinculados, os quais passaram a não mais gerar créditos, pois que vinculados a receitas cumulativas. Assim, os valores da planilha de efl. 7120, a partir de maio/2004, devem ser desconsiderados para efeito de gerar créditos. Concernente às retenções, razão não cabe à recorrente. Conforme constatase, a recorrente apresentou listagem de pagamentos de fornecedores (efl. 5038) que demonstram retenções efetuadas entre 18/08/2004 a 26/12/2005 de Cofins no percentual de 3% sobre receitas de prestação de serviços, receitas estas que foram excluídas do lançamento pelo acórdão recorrido a partir de 1º/05/2004, por configurarem receitas tributáveis no regime cumulativo. Ora, as retenções são antecipações de pagamento, conforme disposto no artigo 36 da Lei nº 10.833/20031 e como tais extinguem o crédito correspondente à contribuição devida sobre a receita tributável sujeita à retenção. No caso, a receita que sofreu a retenção restou sujeita ao regime cumulativo à alíquota de 3%, idêntica à alíquota de retenção. Assim, em princípio, as retenções extinguiram os débitos relativos às receitas de prestação de serviços, as quais foram excluídas do lançamento. Destarte, para deduzir as referidas retenções de débitos de Cofins relativo a outras receitas, deveria a recorrente comprovar que tais retenções, por qualquer razão, não foram utilizadas para extinguir os débitos a que se referem, fato que não foi sequer mencionado pela recorrente. Por todo o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao creditamento de Cofins nãocumulativa nos meses de fevereiro, março e abril de 2004, constantes da coluna "créditos da Cofins pleiteada s/ aquisições apropriadas como custo rubricas do grupo 625000000 Custo de Exercícios Futuros" da planilha "RELAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS DAS AQUISIÇÕES DE INSUMOS OBJETO DE PLEITO DE CRÉDITOS DA COFINS", à efl. 7120. 1 Art. 36. Os valores retidos na forma dos arts. 30, 33 e 34 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e às respectivas contribuições. Fl. 7308DF CARF MF Processo nº 11634.000879/200815 Acórdão n.º 3302004.636 S3C3T2 Fl. 7.309 6 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 7309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721177/2012-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Numero da decisão: 9303-005.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO VOTORANTIM S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 77 /2 01 2- 42 Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3403003.373, de 11/11/2014, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido. O processo decorre de auto de infração para a exigência da Cofins com base nas vendas realizadas das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, respectivamente em outubro e novembro/2007. Essas ações foram recebidas em agosto e setembro/2007 no processo de desmutualização das bolsas de valores. As ações da Bovespa Holding S/A foram decorrentes de sua participação acionária na CBLC. Já as ações da BM&F S/A decorreram dos títulos patrimoniais que possuía na associação sem fins lucrativos BM&F. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 5 4 Como visto pela ementa acima transcrita, o acórdão recorrido, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte com o entendimento de que teria havido alienação de ativo imobilizado, não havendo a incidência do PIS e da Cofins. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência, efls. 1054/1090, pedindo a reforma do julgamento, defendendo a incidência do PIS e da Cofins sobre as operações de venda. O recurso especial foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de e fls. 1092/1094, pelo então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, efls. 1103/1136, na qual pede o não conhecimento parcial do recurso especial pela falta de prequestionamento de uma das matérias e no mérito pede o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos pressupostos legais, devendo ser apreciado. Conhecimento do Recurso Especial Em suas contrarrazões o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial por falta de prequestionamento de uma das matérias. Segundo ele a matéria "a venda de ações seria atividadefim do Recorrido e, portanto, faturamento" não teria sido enfrentada pelo acórdão recorrido e, portanto, não poderia ser conhecida. Não tem razão o contribuinte. Esta não é uma matéria autônoma do recurso especial e sim a defesa de um dos fundamentos do auto de infração. O acórdão recorrido não necessitaria entrar neste embate por razões de ordem lógica, na medida em que ele entende que se trata de venda do ativo imobilizado, cuja exclusão da base de cálculo da Cofins é expressa na Lei nº 9.718/98, não há mais razão para esta discussão que está prejudicada pelo entendimento anterior. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 6 5 Mérito No mérito, discutese se a receita de venda das ações recebidas em decorrência do processo denominado “desmutualização da bolsa” deve compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, como entendeu a fiscalização. Das operações efetuadas pela Recorrente Como detalhado no relatório, basicamente foram duas as operações efetuadas pelo contribuinte em consequência do processo denominado “desmutualização”, ocorrido em 28/08/2007, quanto então pessoas jurídicas detentoras de títulos patrimoniais da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e/ou de ações da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC se transformaram em acionistas da BOVESPA HOLDING S/A. 1ª operação: recebeu 3.882.732 ações ordinárias nominativas da BOVESPA HOLDING, em 28/08/2007, em substituição à sua participação societária na CBLC. Essas ações foram totalmente vendidas em outubro de 2007 (ou seja, em apenas dois meses após a formalização da desmutualização!); 2ª operação: recebeu 4.971.610 ações da BM&F S/A, em 20/09/2007, em substituição dos títulos patrimoniais que possuía na associação sem fins lucrativos BM&F. Essas ações foram totalmente vendidas em novembro de 2007 (também em apenas dois meses após a formalização da desmutualização!). A instituição financeira não ofereceu à da COFINS as receitas auferidas com essas operações, por entender que se tratava de resultado não operacional. Pois bem. A tributação pelo PIS e pela Cofins em decorrência das vendas das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A relativas ao processo denominado de desmutualização das bolsas de valores é uma matéria recorrente no âmbito do contencioso administrativo. Existem decisões antagônicas, a exemplo das decisões paradigmáticas constantes do presente recurso especial. As decisões que entendem pela impossibilidade da tributação, em apertada síntese, concluíram que o entendimento da fiscalização estava equivocado, na medida em que não houve uma devolução do patrimônio aos associados das Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 7 6 antigas associações, mas uma cisão seguida de incorporação, em alguns casos, ou em meras trocas de ações da incorporada (CBLC) pelas ações da Bovespa Holding S/A. Nessas circunstâncias, os antigos títulos patrimoniais e/ou as ações da CBLC teriam sido substituídos por ações das novas companhias e permanecem no ativo permanente, não podendo, suas vendas, serem tributadas pelo PIS e pela Cofins, por disposição expressa constante do inc. IV do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A outra linha decisória, a qual me filio, são representadas, a título de exemplo pelos Acórdãos nº 3302002.713, de 16/09/2014, e 3202001.178, de 24/04/2014. Por economia processual e nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto o voto condutor do voto vencedor do Acórdão nº 3202001.178, elaborado pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, utilizandoo como razão de decidir. De antemão já registramos que no voto a seguir transcrito discutiase a conversão dos antigos títulos patrimoniais por ações das novas companhias, e no caso em discussão neste acórdão estamos analisando também a conversão de ações da CBLC por ações das novas companhias. Mutatis mutandis, ambas as situações buscavam os mesmos objetivos, qual seja a disponibilização de ações da Bovespa Holding S/A aos detentores de títulos patrimoniais ou de ações da CBLC que, ao fim e ao cabo, pudessem ser livremente comercializadas em bolsa de valores, gerando expressivos resultados financeiros aos seus detentores. Ademais, como teremos a oportunidade de verificar com mais detalhes no voto transcrito, a primeira operação de reestruturação da BOVESPA ocorreu em 1997, quando foram criadas duas empresas distintas – a Clearing S/A, posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custória (CBLC) e a Bovespa Serviços e Participações S/A (Bovespa Serviços). A CBLC foi então criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA. Posteriormente, em 2007, nova reestruturação foi feita, agora denominada desmutualização da bolsa. Passemos então à transcrição do voto vencedor do Acórdão nº 3202001.178 para melhor compreensão das operações efetuadas no bojo do processo de desmutualização: (...) Do objeto da controvérsia Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 8 7 Com todo respeito ao ilustre Conselheiro Relator Gilberto de Castro Moreira Junior, divirjo de seu entendimento quanto aos efeitos jurídico tributários do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A), conforme já ficou assentado em outros julgados desta Turma (Acórdãos nº 320200.707, 3202000.713, 3202000.706 e 3202 000.711, todos julgados na sessão de 23/04/2013). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante” e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. Três questões precisam ser analisadas para definirmos quais os efeitos jurídicotributários decorrem da desmutualização das bolsas: 1ª Se a formatação adotada nessas operações societárias encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; 2º Se os títulos patrimoniais tem a mesma natureza jurídica das ações recebidas pelas corretoras no processo de desmutualização e, por conseguinte em qual grupo contábil as ações deveriam ser classificadas: Ativo Circulante ou Ativo Permanente? 3ª. E por fim, se a receita de vendas das ações recebidas pelas corretoras está sujeita a incidência do PIS e da Cofins ? Antes de posicionarmonos quanto aos efeitos jurídicos da “desmutualização” da Bovespa e da BM&F mostrase necessário compreender no que exatamente consistiu esse conjunto de operações societárias que culminou com a unificação da Bovespa com a BM&F para, ao final, restarem fundidas na BM&F Bovespa S/A. Da operação denominada “desmutualização” das bolsas Para uma melhor elucidação dos fatos ocorridos transcrevemos trechos do detalhado relato histórico constante do artigo “A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para PIS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013), muito embora já adiantamos não concordar com as conclusões nele trazidas quanto ao efeito jurídicotributário da operação: A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei n. 9.532/97. Assim, Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 9 8 entendidos os requisitos dessa Lei, as associações eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução n. 1.655/1989). No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CBLC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Em relação à BM&F, tal associação sofreu cisão parcial pela qual foi criada a sociedade anônima BM&F, em operação formalizada por meio do “Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da Bolsa de Mercadoria & Futuros BM&F, datado de 17 de setembro de 2007, e da “Ata de Assembleia Geral Extraordinária da BM&F S.A.”, de 20 de setembro de 2007, que aprovou a incorporação da parcela cindida do patrimônio da BM&F. Nos termos do Protocolo, a BM&F S.A. sucedeu a BM&F em todos os direitos e obrigações, bem como recebeu parcela de seu patrimônio. Por sua vez, a BM&F passou a exercer atividades de natureza assistencial, educacional e desportiva e ficou com um patrimônio residual. Em decorrência dessa operação, houve emissão de ações ordinárias da BM&F S.A., atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F, com base no balanço patrimonial da BM&F apurado no balancete de 31 de agosto de 2007. É importante salientar que, nos termos do item 7.1 do aludido Protocolo, a operação em discussão não deu direito de retirada aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F. A BOVESPA, por sua vez, teve sua cisão aprovada por Assembleias Gerais Extraordinárias (“AGE”) realizadas em 28 de agosto de 2007, aprovando versão de parte de seu patrimônio à Bovespa Serviços e à BOVESPA HOLDING S.A. Por essa operação os direitos e obrigações da BOVESPA foram transmitidos para a Bovespa Serviços e para a BOVESPA HOLDING S.A., restando a BOVESPA (associação) com capital social residual. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 10 9 Na ata de AGE da BOVESPA HOLDING S.A., datada de 28 de agosto de 2007, foi aprovada a incorporação da parcela cindida da BOVESPA, nos termos do “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial da Bolsa de Valores de São Paulo com Incorporação das Parcelas Cindidas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CBLC”), Bovespa Serviços e Participações S.A e Bovespa Holdinda S.A.”, celebrado em 17 de agosto de 2007. Em outra ata de AGE, da mesma empresa e com mesma data, foi aprovada a incorporação da totalidade de ações da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. (atual denominação da Bovespa Serviços e Participações S.A.) e da CBLC. Cumpre mencionar que, nesse interregno, em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., muitas sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Além disso, grande parte das sociedades corretoras firmou, conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”). Em 14 de dezembro de 2007, foi constituída uma sociedade sob a denominação social de T.U.T.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A., com o objetivo social de participar em outras sociedades, como sócia ou acionista, no país ou no exterior (holding). Em 08 de abril de 2008, os acionistas dessa companhia aprovaram a alteração da sua denominação social, que passou a ser “Nova Bolsa S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008 entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A. resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: i) incorporação da BM&F S.A pela Nova Bolsa S.A., mediante versão à companhia do patrimônio líquido da BM&F; e ii) emissão de novas ações ordinárias, observando a proporção de 1 (uma) ação ordinária da Nova Bolsa S.A., para cada ação ordinária da BM&F S.A. O restante foi alocado como reserva de capital, de reavaliação, de lucros e estatutárias; Os acionistas da BM&F S.A, já na qualidade de acionistas da Nova Bolsa S.A., deliberam sobre a incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. da seguinte forma: iii) incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. pela Nova Bolsa S.A., a valor de mercado, sendo parte destinada ao capital social e o restante à formação de reserva de capital; e iv) emissão de novas ações ordinárias, na proporção de 1,42485643 ação ordinária da Nova Bolsa S.A para cada ação ordinária da BOVESPA HOLDING S.A., correspondendo a 50% das ações ordinárias da Nova Bolsa S.A. (permanecendo os outros 50% sob titularidade da BM&F S.A.) e novas ações preferenciais que foram Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 11 10 entregues aos acionistas da BOVESPA HOLDING S.A.. As ações preferenciais foram resgatadas contra reserva de capital sem redução social da Companhia. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. (negritamos) Muito bem. Elucidadas as operações societárias ocorridas, passemos a análise e compreensão de seus efeitos à luz do nosso ordenamento jurídico. (...) Pois bem, passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Se os títulos patrimoniais que possuía na associação sem fins lucrativos BM&F e as ações da CBLC até então possuídas pelo Banco Votorantim eram necessárias para que pudesse exercer sua atividade de operar nas bolsas, correta está sua caracterização como Ativo Permanente em função do princípio da continuidade. Entretanto, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários, possuindo características distintas daquela, uma vez que não era mais necessário deter a posse dessas ações para que a empresa operasse em bolsa. Essas ações representam papéis negociáveis, e justamente por isso puderam ser vendidas pelo Banco. Neste sentido, vejamos o que dispõe o artigo 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), que trata da matéria: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 12 11 Assim, os efeitos tributários tanto no caso da conversão de títulos patrimoniais quanto na conversão de ações da CBLC em ações da Bovespa Holding S/A serão os mesmos. O fato relevante em ambas as operações é que as ações recebidas deveriam ser classificadas no ativo circulante, uma vez que se referiam a direitos realizáveis no próprio curso do exercício social em que foram recebidas. Isto porque, ações recebidas no processo de desmutualização foram vendidas aproximadamente em apenas dois meses após o recebimento. Desse modo, não há como acatar a tese da Recorrente de que as ações recebidas deveriam ser classificadas no Ativo Permanente. No meu entender, não resta a menor dúvida que havia a intenção de negociar parte das ações recebidas no curso do ano subsequente, na verdade no curso do próprio ano de 2007, como efetivamente o foram apenas dois meses após data de criação da Bovespa Holding S.A. O documento anexado aos autos denominado “Processo de desmutualização da BOVESPA”, datado de 18/09/2007 (efl 358/ss), enviado pela Bovespa aos seus acionistas orientaos como poderia ser efetuada a escrituração das novas ações emitidas, conforme trecho abaixo transcrito: (...) 1) Com o proposito de orientálos quanto à conversão dos títulos patrimoniais da BOVESPA e das ações de emissão da CBLC, em ações de emissão da BOVESPA S/A, exemplificamos a seguir os lançamentos contáveis que poderão ser efetivados na contabilidade das associadas da BOVESPA e acionistas da CBLC. 2) Detentores de Títulos Patrimoniais da BOVESPA Os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores conta do COSIF n° 2.1.4.10). Em contrapartida, à sua opção: o registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF n° 1.3.1.20.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo "títulos disponíveis para negociação ou venda", ou manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF n°2.1.5.10.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. 3) Detentores de Ações da CBLC Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 13 12 Os detentores de ações de emissão da CBLC deverão também reconhecer os efeitos do processo de desmutualização, baixando o valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. e, conforme a sua opção: o registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF n° 1.3.1.20.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo "títulos disponíveis para negociação ou venda", ou manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF n°2.1.5.10.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Ademais, são fatos notórios, amplamente divulgados ao público em geral, a criação da Bovespa Holding S.A. em agosto de 2007 e a Oferta Pública Inicial das ações em outubro de 2007, conforme pode ser atestado, a título ilustrativo, no informativo publicado na “Revista Bovespa” (site www.bmfbovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/104/Capa.shtml), em trechos abaixo transcritos: Com o IPO, a Bolsa é a notícia. Seguindo à risca um cronograma rígido, a Bolsa de Valores de São Paulo transformouse em sociedade anônima em 28 de agosto de 2007, com o nome de Bovespa Holding S.A., tornouse uma empresa de capital aberto em 23 de outubro, incluída no Novo Mercado da própria Bolsa e três dias depois seus papéis – todos eles ordinários e nominativos – começaram a ser negociados. Foi uma estreia e tanto: mais de 50% de valorização no primeiro pregão, reflexo do interesse de investidores locais e internacionais. Mais do que a maior emissão do ano e recorde histórico no País, no montante de R$ 6,625 bilhões, a oferta pública inicial – também chamada de IPO (Initial Public Offering) – pode desde já ser batizada de a mais importante mudança nos 117 anos de história da instituição. (...) Assim, um ano e meio depois de começar efetivamente a desenvolver o projeto, dois meses após o pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e encerrado um frenético roadshow de 16 dias pelo mundo, a Bovespa concluiu o processo de abertura de seu capital. A Bovespa Holding estreou no pregão exibindo conquistas que fazem justiça a todos os obstáculos dessa caminhada, permeada de minuciosos estudos, intensas negociações e acurada vigilância dos cenários macro, locais e globais. O IPO da Bolsa – como foi apelidado pela imprensa – não poderia ter sido mais bemsucedido. Foram colocadas no mercado 288 milhões de ações a um preço de emissão de R$ 23,00, o que propiciou uma captação de R$ 6,625 bilhões (cerca de US$ 3,7 bilhões), a maior da história no Brasil e a quinta do mundo, em 2007 (no topo do ranking global do ano, está a Petrochina, que levantou US$ 8,5 bilhões e estreou no começo de novembro em Xangai). A operação da Bovespa Holding representou mais que o dobro da captação da Ali Baba, empresa de internet chinesa, que ocorreu no mesmo período – equipes de ambas, por sinal, cruzaramse em Nova York, por conta dos roadshows simultâneos. Mas teve para a Bovespa ingredientes ainda mais saborosos: colocou 40,8% do capital no mercado, despertou o interesse de quase 70.000 investidores pessoas físicas (objeto de Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 14 13 atenção especial), que ficaram com 10% do total ofertado, ao lado dos investidores institucionais brasileiros (20%) e estrangeiros (70%, porcentual em linha com os IPOs precedentes); a Bolsa de Nova York, por exemplo, levou 1%. Mais ainda, desconcentrou o capital: o maior acionista ficou com apenas 4,3% do capital da Bovespa. No dia da estreia em pregão, a ação da Bovespa Holding fechou cotada a R$ 34,99, uma alta de 52,13%. Foi “um dia de glória, sucesso e realização”, resumiu Magliano Filho, presidente da Bovespa conduzido à presidência do Conselho de Administração da nova empresa. O IPO representou um momento culminante da estratégia de ampliação da base acionária – combinada com a popularização do mercado que democratiza o capital – iniciada no começo da década, quando Magliano assumiu o comando da entidade. (...) Já em meados deste ano, depois de dezenas de estudos, projeções, reuniões e conversações, ficou pronta a proposta. No dia 28 de agosto passado, realizouse a assembleia que aprovou por unanimidade a desmutualização e a consequente abertura de capital, incluídas todas as condições para a oferta pública e seu respectivo prospecto. Foram 3 horas e meia de uma reunião fatiada, na verdade, em sete assembleias, dada a agenda específica a ser cumprida. No dia seguinte, 29, a Bolsa apresentava à CVM o pedido de registro de companhia aberta para a Bovespa Holding acompanhado da solicitação da oferta pública (IPO). Em face de todos os elementos probantes acima citados, assim como em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, é de se concluir que o sujeito passivo obteve, em substituição de títulos patrimoniais e de ações da CBLC (não negociáveis), ações da Bovespa Holding com explícita finalidade (ou compromisso) de posterior alienação. E que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007). Reforça, ainda, este entendimento o Parecer Normativo CST nº 108/78, editado para dirimir dúvidas quanto à classificação de determinadas contas (embora tratando especificamente sobre os efeitos da correção monetária do balanço, à época exigida), verbis: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 15 14 circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior." (grifamos) Importante destacar ainda que consta do Estatuto Social do Banco (vide efls. 23/ss), que entre outras atividades constantes do seu objeto social estão as de comercialização e de investimentos, verbis: Art. 3º A sociedade tem como objeto a prática de operações ativas, passivas e acessórias, bem como aqueles serviços permitidos aos bancos comerciais e aos bancos de investimentos, inclusive câmbio, através das respectivas carteiras, na conformidade das disposições legais e regulamentares em vigor. Destarte, como já explanado, a meu ver, a questão relevante para o deslinde do presente caso é o fato de que no período anterior a desmutualização era condição obrigatória que as pessoas jurídicas detivessem títulos patrimoniais da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e/ou de ações da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC para poderem operar nestas instituições. Entretanto, após o processo de desmutualização já não havia mais tal exigência, de modo que tais pessoas jurídicas podiam dispor livremente das ações recebidas uma vez que tais ativos passaram a representar valores mobiliários negociáveis em bolsa de valores. Como relatado, as operações societárias foram conduzidas de modo a resultar na criação, cisão, incorporação e extinção de empresas, de acordo com suas conveniências negociais. Entretanto, as convenções e os contratos particulares não têm o condão de vincular os efeitos tributários decorrentes dessas operações, em homenagem ao princípio da legalidade. Muito embora as operações societárias que resultaram na desmutualização das Bolsas tenham sido engendradas pelos partícipes das referidas entidades com a finalidade de maximizar a obtenção de lucro decorrente das receitas auferidas com as vendas das ações recebidas, como já argumentado, tais operações livremente convencionadas entre as partes não têm o condão de ser opostas à Fazenda Pública no tocante à definição dos efeitos tributários ou da exclusão ou modificação de sua responsabilidade pelo pagamento dos tributos, ex vi dos arts. 109 e 123, ambos do CTN. Desse modo, tais operações, efetuadas em descompasso com ordenamento jurídico tributário, não podem produzir os efeitos jurídicotributários almejados, qual seja a não incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 16 15 Ressaltese que não se está aqui pretendendo desconsiderar os negócios jurídicos, mas apenas aplicando os efeitos jurídicotributários previstos na legislação de regência. As ações recebidas em substituição pela instituição financeira, em função do processo de desmutualização, devem ser classificadas no Ativo Circulante, como já demonstrado linhas atrás. Por conseguinte, as receitas obtidas com a alienação dessas ações constituem receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica, sujeita à incidência do PIS e da Cofins, como passamos a demonstrar. Já restou assentado no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF pelo STF que o faturamento referese a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” (trecho do voto do Ministro Moreira Alves). Pois bem. As ações, no caso do banco autuado, são os bens/mercadorias objeto das operações de compra e venda, portanto, a receita de venda destes bens/mercadorias enquadrase perfeitamente nas definições dos dispositivos supramencionados, devendo ser considerada como receita bruta/faturamento destas empresas. Nesse sentido, temse que o STF, apesar de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deixou evidente o entendimento de que o faturamento corresponde ao somatório das receitas provenientes das atividades empresariais típicas. No recurso extraordinário 401.348, o Ministro Cezar Peluso em decisão monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS, receita estranha ao seu faturamento, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 17 16 provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei) Já no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR, o mesmo Ministro Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas.” (Grifei) (...) “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.” (Grifei) Extraise dos entendimentos acima exarados que a declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão somente aquelas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional. Ou seja, aquele conceito antigo de que faturamento restringese a emissão de faturas estaria ultrapassado. Portanto, a venda de ações constitui uma das operações usuais típicas de um banco, como é o caso do sujeito passivo autuado. Dessa forma, o seu faturamento, já delineado nos termos retro expostos, configura base de cálculo do PIS e da Cofins nos termos previstos na Lei nº 9.718/98, sem qualquer afetação quanto à declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF em relação ao § 1º do art. 3º da referida lei. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial entendendo que a classificação correta da escrituração contábil das ações deve ser efetuada no ativo circulante. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 18 17 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Peço vênia ao ilustre Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal para apresentar meu entendimento acerca do conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda e do mérito da discussão suscitada nos autos. Para tanto, importante recordar que o presente processo trata de Auto de Infração lavrado para a cobrança de COFINS, referente às competências de outubro e novembro de 2007, acrescido de multa de ofício e juros, por decorrência do evento conhecido como “Desmutualização” da Bolsa. É de se lembrar ainda que o Colegiado do CARF entendeu que a operação de desmutualização consistiu em mera conversão de títulos, por meio de operação de cisão seguida de incorporação, e não em dissolução das associações acompanhada da devolução de patrimônio aos associados. E as ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das bolsas devem ser classificadas no Ativo Permanente, como era feito com os títulos patrimoniais que foram substituídos, o que, consequentemente, faz com que a receita proveniente da alienação desses títulos não se submeta à tributação pela COFINS, nos termos do artigo 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. O Recurso Especial interposto pela Fazenda, no entanto, alega que houve dissolução das associações e a devolução de capital aos antigos detentores dos títulos patrimoniais, as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais deveriam ter sido contabilizadas no Ativo Circulante, bem como a venda de ações seria atividadefim do sujeito passivo. Não obstante ter sustentado que a venda de ações seria atividadefim do sujeito passivo, vêse que a turma a quo sequer se pronunciou sobre qual seria o conceito de “faturamento”. O que, por conseguinte, pela ausência de prequestionamento, temse que a matéria acerca do conceito de faturamento estabelecido pela Lei nº 9.718/98 não poderia ser apreciada por essa turma, em respeito ao art. 67, §5º, do RICARF, devendo o referido recurso não ser conhecido. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 19 18 Quanto ao mérito, tenho que assiste razão o sujeito passivo. Eis que a operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontrase resguardada nos arts. 44, inciso I e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus): “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; [...]” “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Ao analisar o art. 44 do Código Civil1, temse que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding. E, com efeito, posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade das ações da Bovespa Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding. Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 20 19 Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição. Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Notase que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. O que se distancia do presente caso – já que a detentora dos títulos manteve esse ativo por mais de 12 meses em seu patrimônio, tendo manifestado sua pretensão de permanecer com esse ativo no momento do registro contábil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência de cisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária – efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendêlo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 21 20 O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte da Declaração de Voto de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202000.777 (Grifos meus): “[...] A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 22 21 Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." [...] Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tão somente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civi anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. nº. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 23 22 a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID= 217174&key=4415884) Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais : Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 24 23 II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal,estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. [...] Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 25 24 A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 26 25 tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. [...]” Dessa forma, é de se concluir que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, tornase claro que a receita de alienação dessas ações não são passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Não obstante a tudo isso, proveitosa a seguinte reflexão. Ainda que se considere equivocadamente as ações como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 27 26 também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, independentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [...] Por outro lado, quando os bens são vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis.” Já os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios.” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de termos: “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: (a) Esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; (b) Mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 28 27 Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando se sua alienação ao PIS e Cofins. Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Frisese meu entendimento o voto constante do acórdão 9303004.138, que trouxe argumentos para se afastar a receita financeira da incidência da base de cálculo do PIS e da Cofins das Instituições Financeiras. O que resta afastar a pretensão de considerar que a receita auferia pela venda dessas ações objeto de substituição seriam enquadradas como receitas de suas atividades – para fins de se tributálas pelo PIS e Cofins. Sendo assim, tornase impossível tributar a receita da venda das r. ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e Cofins. Por todo o exposto, considerando que desde o início os títulos patrimoniais das associações, posteriormente transformados em ações, foram adquiridos com a intenção de permanência, resta evidenciado que as ações do sujeito passivo só poderiam ser contabilizadas Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 16327.721177/201242 Acórdão n.º 9303005.448 CSRFT3 Fl. 29 28 no Ativo Permanente. O que, por conseguinte, nego provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1252DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.003874/2003-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
COMPENSAÇÃO DE FINSOCIAL COM CSLL. PROCESSO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO DEFERIDA. ALÍQUOTA EM EXCESSO DE 0,5%
Verificada a inexistência de crédito em processo judicial e diante da inexistência de Declaração de Compensação (DCOMP), não há como acolher pedido de compensação somente com confissão de débito em DCTF.
Numero da decisão: 1302-002.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
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PROCESSO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO DEFERIDA. ALÍQUOTA EM EXCESSO DE 0,5% Recorrente ALFREDO LACHNER LTDA. (ROBERTO LACHNER EIRELI NI) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 COMPENSAÇÃO DE FINSOCIAL COM CSLL. PROCESSO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO DEFERIDA. ALÍQUOTA EM EXCESSO DE 0,5% Verificada a inexistência de crédito em processo judicial e diante da inexistência de Declaração de Compensação (DCOMP), não há como acolher pedido de compensação somente com confissão de débito em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 38 74 /2 00 3- 22 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10930.003874/200322 Acórdão n.º 1302002.352 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase da Resolução n. 130200.045, dessa Segunda Turma Ordinária, determinada face ao Acórdão n. 06.12051, 31 de agosto de 2006, proferido pela Primeira Turma da DRJ de Curitiba, cuja diligência retornou os seguinte fatos e fundamentos. A Recorrente informou na DCTF n° 0000100199900598919 (fls. 82) que teria compensado a importância de R$ 2.019,56, devida a título de CSLL apurada no 4o Trimestre de 1998, com crédito do Processo Judicial n° 91.201.31135. No entanto, lavrouse o auto de infração n° 001224 (fls. 3139), sob a justificativa de que o processo judicial se referia a outro CNPJ (fls. 35). O crédito tributário lançado, com juros calculados até 30/06/2003, totaliza R$ 5.173,91 (fls. 33). O enquadramento legal se encontra descrito às fls. 34. Cientificada do lançamento em 01/07/2003 (fls. 164), a contribuinte apresentou, em 31/07/2003, a impugnação de fls. 0119, cujas alegações são resumidas a seguir que a autuação é nula, já que não decorre de verificação fiscal regular, com intimação para prestar esclarecimento, e sim de suposto erro ou inconsistência na DCTF, constatados à revelia de qualquer procedimento fiscal com oportunidade de prestar os devidos esclarecimentos. Argumenta que restaram feridos os seguintes princípios constitucionais: da legalidade, da ampla defesa e do contraditório; no mérito, argumenta que não se trata de compensação ocorrida entre empresas de CNPJ diferentes, e enfatiza que foi parte do processo n° 80.903.800/000151, que tramitou perante a Ia Vara da Justiça Federal em Londrina e culminou com decisão final transitada em julgado acolhendo o pedido sucessivo e condenando a União a lhe restituir os valores do Finsocial por ela recolhidos, na parte excedente à alíquota de 0,5%; acrescenta que, em 29/10/1995, protocolou petição informando ao r. Juízo que, em face da disposição contida no art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 1995, pretendia valerse da faculdade prevista no mencionado artigo, procedendo à compensação dos valores recolhidos a título de Finsocial, pelo excesso da alíquota de 0,5%, com os valores vincendos de IRPJ, razão pela qual requereu fosse suspensa a expedição do precatório; aduz também que a Fazenda Nacional foi intimada dessa pretensão e não opôs óbice; também perora acerca da possibilidade de ser efetuada a compensação dos valores do Finsocial, reconhecidos como indevidos por decisão judicial transitada em julgado, com valores vincendos de outros tributos; reportandose à exigência de juros pela Taxa Selic, argúi a nulidade da autuação por excessividade dos juros, com violação do Código Tributário Nacional. Reportandose à multa, argumenta que ocorreu excesso em sua graduação, ao fundamento de que não houve lesão ao interesse público, não existindo dolo ou fraude em sua conduta. A DRJ decidiu registrandose a seguinte ementa: Ementa: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10930.003874/200322 Acórdão n.º 1302002.352 S1C3T2 Fl. 4 3 Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Considerase perfeito, do ponto de vista formal e material, o auto de infração que obedeceu aos requisitos previstos em lei para a sua elaboração. COMPENSAÇÃO EFETUADA AO ARREPIO DAS NORMAS LEGAIS. Estando previsto em leis e instruções normativas que a compensação de indébito, inclusive decorrente de decisão judicial, deve ser requerida e deferida pela Administração, é ineficaz a compensação declarada unilateralmente em DCTF pela contribuinte. LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Presentes a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, cabível o lançamento de ofício da contribuição correspondente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa de ofício e juros de mora na forma prevista na legislação. A recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ, em 22/09/2006 e interpôs recurso voluntário, em 20/10/2006. Em sessão de 30/01/2008, a 2a Câmara do 3o Conselho de Contribuintes declinou a competência em favor do 1o. Conselho de Contribuintes. O Recurso Voluntário apresentou as seguintes alegações: 1) em atendimento à determinação judicial, após a Interessada ter informado sobre as autuações sofridas, o Erário, por meio da Procuradoria da Fazenda, compareceu em Juízo: (i) informando a realização das compensações em evidência; e (ii) requerendo a juntada dos respectivos documentos; 2) a compensação foi confirmada pela própria autoridade administrativa, nos autos do processo judicial; 3) a própria autoridade fiscal, quando da apuração do crédito da Interessada levantou diferença a favor desta, a qual foi restituída em espécie; e 4) existe outro processo administrativo de n° 10930.003398/200421, que trata da mesma matéria (possibilidade de compensação de crédito de Finsocial com CSLL) mas que recebeu decisão completamente oposta, na medida em que autorizou a compensação, sem quaisquer restrições. Assim, a Resolução destacou que, a recorrente ingressou com a ação judicial 91.20.131135, na qual requereu a repetição de indébito em função de pagamentos a maior de Finsocial. Teve seu direito reconhecido e, posteriormente, apresentou pedido de compensação. Tal pedido foi indeferido pela Justiça Federal, fls. 149. Registrouse a alegação da Recorrente, no sentido de que teve pedido de compensação de parcela do crédito reconhecido no referido processo judicial, o qual teria sido Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10930.003874/200322 Acórdão n.º 1302002.352 S1C3T2 Fl. 5 4 deferido no PAF 10930.003398/200421. Argumentou que o mesmo ocorreu no PA 10930.001804/9866. Nesse contexto, essa Segunda Turma Ordinária concluiu que o processo não estava em condições de ser decidido, face à insipiência das informações e documentos que o instruíam. Do que constava dos autos não era possível verificar se o PAF 10930.003398/200421 tratava de pedido específico de compensação ou outra espécie de processo onde o despacho de fls. 240 foi proferido. Com relação ao PAF 10930.001804/9866, tratava de compensação de ofício, que não dizia respeito à matéria dos presentes autos. A decisão recorrida não questionava o reconhecimento do direito creditório, mas o exercício da compensação, até porque houve pedido específico ao Poder Judiciário neste sentido e o mesmo foi negado. Sendo assim, votouse no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade esclarecesse: quanto ao PAF 10930.003398/200421, tratase de pedido de compensação que respeitou a legislação de regência da matéria da época dos fatos? há saldo suficiente de crédito do contribuinte para compensar os débitos em discussão no presente processo? Após, que se dê ciência do relatório de diligência à recorrente. Relatório Fiscal Em atendimento, a DRF dirimiu as questões consultando o PAF 16366.000001/200720, cuja Informação Fiscal juntada por cópia às fls. 383 a 405. Em síntese, constatouse que a restituição paga ao interessado no PAF 10930.001804/9866, formalizado em virtude de Pedido de Restituição decorrente da ação judicial Proc. 91.20131135, foi superior à efetivamente devida, já que não consideraramse os Pedidos de Compensação anteriormente apresentados pela Recorrente. Quando do cálculo do indébito para pagamento, descontaramse somente os débitos do Simples (6106), objeto de compensação de ofício no citado processo. Dentre os débitos constantes de tais Pedidos, no entanto, não está incluída a CSLL objeto do lançamento deste processo, conforme item 10 das considerações finais da referida Informação Fiscal abaixo transcrito: "Os débitos a seguir discriminados, relacionados na planilha apresentada pela empresa, não foram abrangidos pela compensação e não foram descontados do crédito da Interessada quando da lavratura do Auto de Infração para devolução da restituição indevida, continuando exigíveis, haja vista que para eles nunca houve Pedido de Compensação documento necessário para se requerer a compensação no âmbito da SRF, de acordo com artigo 66 da Lei n° 8.383/91, com redação dada pela Lei n° 9.069/95 e Instrução Normativa SRF n° 21/97. Reprisese que informação de compensação por outros meios (DCTF) não suprem a ausência de Pedido de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10930.003874/200322 Acórdão n.º 1302002.352 S1C3T2 Fl. 6 5 Compensação. Em especial no presente caso em que, em apreciação de embargos, foi julgado improcedente o pedido de compensação de valores do FINSOCIAL com tributos de espécie diferente, faziase necessário que a compensação fosse requerida à Autoridade Tributária . (.. ) Contribuição Social sobre o Lucro; 4° trimestre/1998 R$ 2.019,56 (este Proc. 10930.003874/200322 em grau de recurso ao Conselho de Contribuintes). O PAF 16366.000001/200720 originou a inscrição em Dívida Ativa da União do valor restituído em excesso (extrato atualizado em fls. 434 a 436). Verificada restituição paga a maior, concluiuse que não havia qualquer saldo devedor em favor da Recorrente para compensação com o débito em questão. Em relação ao PAF 10930.003398/200421 propriamente dito, tratase de representação decorrente de Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União apresentado em 24/04/2004 ( fls. 406 a 433). O processo não decorre, portanto, de Pedido de Compensação apresentado pela Recorrente. Para fins de esclarecimento, a DRF ainda considerou pertinentes as observações a seguir : A documentação apresentada pelo interessado em seu recurso, onde pretende comprovar suposta compensação procedida pela RFB, referese à informação prestada em juízo por esta Delegacia para fins de execução, em resposta a petição do autor, com base nos dados (pagamentos a maior e débitos a serem compensados) apresentados pela empresa ao judiciário. Esta questão também foi abordada pela Informação Fiscal do PAF 16366.000001/200720 (fls. 388). Não foi efetivado qualquer procedimento de compensação deste débito, administrativo ou judicial. O interessado, posteriormente, acabou por renunciar à execução do título judicial. O débito constituído no presente processo (CSLL PA 4° trimestre 1998) encontrase parcelado pela modalidade definida pela Lei 11.941/2009 (extrato em fl. 380/381). A inclusão do débito neste parcelamento foi indevida, visto não ter sido atendida para este débito a exigência definida pelo art. 4°, §3° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°1, de 10 de março de 2009. Será feita comunicação ao setor responsável para exclusão deste débito da consolidação do parcelamento. Revisão de Ofício de Diligência Fiscal Em sequência, o referido Relatório Fiscal de diligência foi revisado, resultando nas seguintes retificações e conclusões: 1. A 2° Turma da 3a Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, converteu em diligência o julgamento de recurso voluntário referente ao Auto de Infração constante do presente processo, conforme despacho de fls. 374/377. 2. Em atenção à diligência solicitada, foram prestadas as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 437/438, do qual o contribuinte foi cientificado em 07/08/2013, consoante Aviso de Recebimento de fl. 440. Não tendo havido manifestação do interessado, o processo retornou ao CARF para prosseguimento. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10930.003874/200322 Acórdão n.º 1302002.352 S1C3T2 Fl. 7 6 3. Após, o processo foi encaminhado novamente a essa Delegacia da Receita Federal, para saneamento da situação do processo, nos termos do despacho de fls. 442/443. 4. Entretanto, antes de retornar o processo novamente ao CARF para prosseguimento da análise do recurso apresentado, é necessário proceder à revisão de oficio de parte das informações prestadas no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 437/438. 5. Na parte final do referido relatório, foi informado que o débito constituído no presente processo (CSLL PA 4° trimestre 1998) encontravase parcelado na modalidade do parcelamento especial definido na Lei n° 11.941/2009 e que a inclusão do débito em tal parcelamento teria sido indevida, visto não ter sido atendida a exigência definida pelo art. 4°, § 3° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1, de 10/03/2009, qual seja, desistência do recurso administrativo, que deveria ter sido protocolizada na unidade da RFB até 31 de março de 2009, razão pela qual seria feita comunicação ao setor responsável para exclusão do débito da consolidação do parcelamento. 6. Contudo, a informação acima merece reparo. Após a edição da supracitada Portaria, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06 de 22/07/2009, que alterou o prazo para apresentação de desistência de impugnação e recursos administrativos para o fim de aproveitamento das condições estabelecidas pelo parcelamento, consoante a seguir transcrito: Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB n° 11, de 11 de novembro de 2009) § 1° No caso em que o sujeito passivo possuir ação judicial em curso, na qual requer o restabelecimento de sua opção ou a sua reinclusão em outros parcelamentos, deverá desistir da respectiva ação judicial e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se funda a referida ação, até 30 (trinta) dias após a data de ciência do deferimento do requerimento do parcelamento ou da data do pagamento à vista. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB n° 11, de 11 de novembro de 2009) 7. Após, foi publicada a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 03/02/2011, a qual reabriu novamente o prazo para apresentação de desistência, e dispôs, ainda, de forma expressa, que a autoridade administrativa poderia dispensar as exigências relativas à desistência expressa, relativamente à impugnação ou ao recurso administrativo, desde que a desistência fosse integral. Vejamos: Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10930.003874/200322 Acórdão n.º 1302002.352 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1° do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009. § 1° O sujeito passivo deverá selecionar débito com exigibilidade suspensa no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de cada modalidade, ainda que a desistência e a renúncia de que trata o caput sejam: I formalizadas pelo sujeito passivo após a apresentação das informações necessárias à consolidação; ou II analisadas e acatadas pelo órgão ou autoridade competente, administrativo ou judicial, em momento posterior à apresentação das informações necessárias à consolidação. (...) § 3° Quando o sujeito passivo efetuar a seleção do débito na forma do § 1°, a autoridade administrativa poderá dispensar as exigências contidas no caput e no § 3° do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, relativamente à impugnação ou ao recurso administrativo, desde que a desistência seja integral. 8. Em face do exposto, fica REVISTO DE OFÍCIO a informação final constante do Relatório de fls. 437/438, para o fim de informar que a inclusão do débito no parcelamento não foi indevida, nos termos do disposto no § 3° do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 02/2011, uma vez que, tendo sido selecionado débito com exigibilidade suspensa em razão de recurso voluntário, a autoridade administrativa poderá dispensar as exigências contidas no caput e no § 3° do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/2009. 9. Cumpre apenas destacar, ainda, que o referido parcelamento encontrase rescindido desde 24/01/2014, conforme consultas anexadas às fls. 445/449. 10. Por fim, importante ressaltar que as demais informações prestadas no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 437/438 permanecem inalteradas. 11. Antes de retornar o processo ao CARF, o interessado deverá ser cientificado deste termo, abrindose prazo de 30 (dias) para manifestação, contados a partir de seu recebimento, É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10930.003874/200322 Acórdão n.º 1302002.352 S1C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, tratase de retorno dos autos encaminhados à DRF para a realização de diligência relativa a supostos créditos de pagamento a maior de FINSOCIAL, utilizados em compensação de débitos de CSLL, no quarto trimestre de 1998. Em conformidade com a Resolução em referência, havia a necessidade de se instruir o presente processo, com informações relativas à ação judicial, em que se obteve a restituição da alíquota de 0,5% de FINSOCIAL pago a maior, bem assim se tal direito creditório estaria realmente à disposição da Recorrente. O Relatório Fiscal de Diligência e o Relatório de Revisão de Ofício informam que, em realidade, houve restituição em excesso à Recorrente e que, portanto, não havia valores passíveis de utilização em compensação com os referidos débitos de CSLL. Além disso, a Recorrente apenas indicou o respectivo débito em DCTF. Não apresentou Declaração de Compensação DCOMP. Sobretudo, verificouse que, o referido débito de CSLL foi incluído em parcelamento (Lei n. 11.941/2009) e que tal procedimento foi rescindido, em 24/01/2014. Nesse contexto, extraemse as seguintes conclusões: (a) persiste o débito de CSLL relativo ao quarto trimestre de 1998; (b) não há crédito decorrente da referida ação judicial, disponível para a respectiva compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 467DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.905795/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 95 /2 01 2- 49 Fl. 300DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 34.726,01. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.504, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13603.905795/201249 Acórdão n.º 3401003.950 S3C4T1 Fl. 289 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 302DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13603.905795/201249 Acórdão n.º 3401003.950 S3C4T1 Fl. 290 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 304DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13603.905795/201249 Acórdão n.º 3401003.950 S3C4T1 Fl. 291 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 306DF CARF MF
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