Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.970247/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório, não cabendo transferir esse mister à atividade fiscalizatória. O princípio da verdade material implica a flexibilização do procedimento probante, mas não serve para suprimir o descuido do contribuinte em provar seu direito, em especial quando intimado na fase fiscalizatória para cumprir com este ônus.
PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO.O julgador formará livremente sua convicção na apreciação das provas, devendo informar na decisão os motivos que levaram ao seu convencimento, podendo determinar diligências, se for o caso.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 10.276/2001, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório, não cabendo transferir esse mister à atividade fiscalizatória. O princípio da verdade material implica a flexibilização do procedimento probante, mas não serve para suprimir o descuido do contribuinte em provar seu direito, em especial quando intimado na fase fiscalizatória para cumprir com este ônus. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO.O julgador formará livremente sua convicção na apreciação das provas, devendo informar na decisão os motivos que levaram ao seu convencimento, podendo determinar diligências, se for o caso. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 10.276/2001, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.970247/2011-41
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5755264
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.637
nome_arquivo_s : Decisao_10880970247201141.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880970247201141_5755264.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6883331
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468052439040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 794 1 793 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.970247/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.637 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2017 Matéria IPI Recorrente RENUKA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório, não cabendo transferir esse mister à atividade fiscalizatória. O princípio da verdade material implica a flexibilização do procedimento probante, mas não serve para suprimir o descuido do contribuinte em provar seu direito, em especial quando intimado na fase fiscalizatória para cumprir com este ônus. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO.O julgador formará livremente sua convicção na apreciação das provas, devendo informar na decisão os motivos que levaram ao seu convencimento, podendo determinar diligências, se for o caso. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 10.276/2001, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 02 47 /2 01 1- 41 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 795 2 Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de análise de direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao terceiro trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório do acórdão recorrido: "O Despacho Decisório, embasouse no Termo de Informação Fiscal, que concluiu não ser o crédito passível de ser ressarcido porque com a criação do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS pelas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, o crédito presumido de IPI, fundamentado nas Leis n°s 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de setembro de 2001, como ressarcimento do PIS e da COFINS, somente é admissível em relação às receitas não incluídas no regime da não cumulatividade, isto é, somente em relação às receitas sujeitas ao regime da cumulatividade, e, mesmo neste último caso, o contribuinte deve apresentar memória de cálculo por meio do qual seja possível separar a parcela do crédito que se refere ao crédito presumido de IPI vinculado às receitas sujeitas ao regime nãocumulativo daquela que se refere à receita submetida ao regime cumulativo, o que não foi feito pela contribuinte, não sendo possível, pelo controle apresentado (memória de cálculo, contabilidade, documentos fiscais) determinar o montante do suposto crédito presumido de IPI que o contribuinte ora solicita em ressarcimento. Cientificada do despacho decisório à fl.19, em 14/09/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade 10/10/2012 (fl.345/362), alegando que: • o ressarcimento em questão referese ao crédito presumido de IPI como ressarcimento para as contribuições ao PIS/COFINS; • em caráter geral, os contribuintes efetuam o cálculo do DCP somente até fevereiro de 2004, mês em que teve início a incidência nãocumulativa para a COFINS. Para a maioria das empresas tributadas pelo Lucro Real, o direito ao crédito de PIS e da COFINS na forma presumida, encerravase neste momento; • as empresas do ramo sucroalcooleiro, como é o caso da recorrente, possuem tributação diferenciada conferida a receita com a venda de álcool para fins carburantes, por força da Lei n° 10.865/04; Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 796 3 • a receita relativa à venda de álcool para fins carburantes esteve sempre sujeita a regra cumulativa, fazendo jus ao crédito presumido DCP, na forma da Lei n° 9.363/96, para os insumos utilizados nos produtos exportados; • as empresas deste setor possuem também as receitas não cumulativas, relativamente à produção de açúcar e álcool industrial. A existência dos dois regimes de apuração do PIS e da COFINS não prejudica a apuração do DCP relativamente aos insumos adquiridos e utilizados na produção do álcool para fins carburantes; • foi editado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 31 de março de 2004, o qual esclareceu que, na hipótese da pessoa jurídica auferir concomitantemente receita no regime cumulativo e nãocumulativo, fará jus ao crédito presumido em relação à receita cumulativa, conforme artigo único; • mesmo com as informações apresentadas pela Recorrente, o fisco limitouse a verificar como origem do crédito o exercício de 2008, data de transmissão do PER e não o momento em que surgiu o efetivo direito ao crédito, qual seja, janeiro de 2005 a setembro de 2008; • a auditoria fiscal afirma que os valores da memória de cálculo apresentada pela Recorrente não coincidem com os valores declarados na DACON. Ocorre que tal situação não corresponde à verdade. A falta de receita cumulativa em julho e agosto de 2008, por exemplo, decorre de erro de preenchimento do DACON, pois a receita total foi informada uma linha abaixo. O fiscal não indagou esta discrepância, situação que a Recorrente facilmente comprovaria apresentando as notas fiscais de exportação emitidas no período; • mesmo que ocorram discrepâncias, basta à fiscalização glosar os valores que excedam ao declarado em DACON, mas tal ocorrência não ocasiona a invalidação do crédito, em absoluto. Existem situações em que o enfrentamento ocorre mesmo com graves erros nas notas fiscais (o que não foi o caso da Recorrente, cuja discrepância é de natureza corriqueira); • existe clara e ampla possibilidade da auditoria fiscal chegar a uma conclusão sobre a validade de crédito/origem das receitas, mesmo sem a solicitação de informações complementares às existentes nos sistemas da RFB, mediante consultas de informações já fornecidas eletronicamente, via DIPJ, por exemplo; • a autoridade fiscal afirma que alguns dos arquivos TXT, requeridos na intimação, não foram entregues com informações, exemplifica citando os arquivos das PERDCOMP 'S, isto é, alguns destes arquivos não foram preenchidos, mas tal Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 797 4 informação é absurda, porque os referidos arquivos foram entregues à época com todas as informações disponíveis; • a fiscalização em tela iniciouse em 20/09/2011, foi objeto de termo de intimação inicial cuja última data de resposta pela Recorrente deuse em 24/11/2011. Foram pouco mais de 2 meses de fiscalização. Após a última prestação de informações a Recorrente não foi mais contatada e a auditoria fiscal finalizou oficialmente somente em 05/07/2012 (oito meses após a última troca de informações!), com a edição do Despacho Decisório ora recorrido; • não é possível aferir crédito no exercício de 2008, único período para o qual a auditoria fiscal solicitou documentos, vez que toda a documentação comprobatória que deveria ter sido solicitada/analisada, abrangia outros períodos; • não fosse este fato, é possível ainda comprovar, conforme documentos em anexo, todos os critérios utilizados pela Recorrente, devidamente suportados em documentação fiscal; • para análise do mérito e comprovação do referido crédito, foram juntadas as planilhas com o cálculo completo. Nas referidas planilhas consta, para todo o período do crédito, cálculo da receita cumulativa; devolução de venda tributada pelo sistema cumulativo; proporção de compras; estoques de insumos proporcional; exclusão/adição de insumos; • estão anexados aos presentes autos todos os Demonstrativos de Crédito Presumido DCP, desde janeiro de 2005 até setembro 2008; • a ausência de maiores indagações é que resultou na glosa do referido crédito, e não a ausência de informações prestadas pela Recorrente. A autoridade fiscal pode solicitar todas as informações necessárias a teor do disposto no artigo 65 da IN RFB 900/2008; • a defesa do mérito no presente caso tornouse manifestamente ingrata, se não impossível, em razão da glosa do crédito em seu nascedouro, sem a coleta das informações fiscais necessárias e sem que tenha sido validada quiçá analisada a cuidadosa apuração efetuada pela Recorrente; • cabe a Recorrente demonstrar, no mérito, que cumpriu todos os requisitos necessários para usufruir o referido crédito, embora tal tarefa devesse ser realizada sob a égide de procedimento fiscalizatório, situação que somente pode ser verificada em sede de fiscalização, com a edição de novo Mandado de Procedimento Fiscal; Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 798 5 • impende ressaltar algumas características da Recorrente que a fazem ser uma das grandes contribuintes, necessárias ao desenvolvimento do país e à geração de empregos, e também auxiliar na sua legitimação quanto às características necessárias a utilização do crédito do DCP, ora em comento; • é um dos 10 maiores grupos sucroalcooleiros do Brasil, em atividade há mais de 30 anos, notadamente exportadora, e efetivamente adquire em grande quantidade os insumos que necessita para a realização de suas atividades. Basta observar nas DIPJS a existência de receitas de exportação; • para usufruir do referido crédito o contribuinte deve seguir as determinações da forma de cálculo por ele escolhida. No caso a Recorrente optou pela forma alternativa da Lei 10.276/01. No artigo 1º da referida Lei, novamente transcrito para fins didáticos, estão relacionados todos os critérios de apuração do crédito DCP; • o crédito da Recorrente foi apurado por intermédio da formação da base de cálculo (custos da aquisição de insumos + custos da prestação de serviços de industrialização por encomenda), aplicado o fator discriminado na legislação. Nota se que o cálculo é efetuado de maneira anual, conforme determina o inciso II do §4° acima transcrito; • demonstra que possui todos os critérios para fazer jus ao crédito em questão, requerendo, pois, seja homologada a PER n° 24209.44478.051109.1.1.019.078 transmitida em 05/11/2009, no valor de R$12.915.975,24; • poderiam ter sido requisitadas informações adicionais até que fosse exaurida a questão, conforme determina o artigo 11 da Portaria RFB 3.014/11, que dispõe sobre os procedimentos fiscalizatórios; • ocorreram vários vícios, tais como a preterição do direito de defesa, a supressão de instância, a ofensa à razoabilidade e proporcionalidade, ocasionando a nulidade do procedimento, conforme determina o artigo 59 e seguintes do regulamento do processo administrativo fiscal, Decreto 70.235/72; • requer seja aplicada correção monetária sobre o crédito em questão, aplicável pela SELIC desde a data do protocolo do pedido administrativo; • A decisão proferida merece ser reformada requer que seja concedida a correção monetária pela taxa SELIC, incidente desde a data do protocolo, em razão do óbice do fisco. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 799 6 Em 13/11/2013, a Quarta Turma da DRJ em Salvador proferiu o Acórdão nº 1534.051, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. EXTEMPORÂNEO. Somente se admite o direito ao crédito extemporâneo de IPI quando demonstrada, mediante documentação hábil, a sua legitimidade. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Inaplicável a atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento, por ausência de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão por decurso de prazo em 10/12/2013, a recorrente apresentou embargos de declaração em 29/11/2013, confirmando ter recebido a intimação do acórdão em 25/11/2013, alegando que o acórdão embargado se omitira na apreciação da matéria de mérito trazida pela recorrente em sua manifestação de inconformidade, no item 2.1, que versava sobre o suporte jurídico que fundamentou o pedido de ressarcimento. Em 23/12/2003, protocolou o recurso voluntário, alegando, em síntese: 1. Preliminarmente, o recebimento dos embargos de declaração protocolados, para anular a decisão recorrida e devolver prazo para interposição de recurso voluntário; 2. No mérito, que apresentou toda a documentação necessária para apuração do direito creditório na manifestação de inconformidade, que houve erro de preenchimento do Dacon, que os arquivos txt foram entregues completos, em oposição à afirmação da fiscalização de que tais arquivos estavam incompletos; 3. Que caberia à fiscalização aprofundar a auditoria; 4. A necessária correção monetária à taxa Selic sobre os créditos pleiteados, desde o protocolo do pedido administrativo; 5. A determinação de realização de diligência, caso entendase necessário. Ato contínuo, protocolou em 26/12/2013, nova peça denominada recurso voluntário nas efls. 714 a 725, sobre a qual, entretanto, a recorrente peticionou pela sua desistência e desentranhamento, em 28/06/2016. Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 800 7 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, destacase que a peça denominada recurso voluntário apresentada em 26/12/2013, às efls. 714/725 não será conhecida em razão do pedido de desistência e desentranhamento realizado pela recorrente em 28/06/2016. O primeiro ponto diz respeito ao acolhimento dos embargos de declaração. Ressaltase que não há previsão no regimento no Decreto nº 7.574/2011 pela possibilidade de oposição de embargos, sendo que o artigo 68 estabelece que dá decisão de primeira instância caberá apresentação de recurso voluntário e o artigo 69 dispõe que não cabe pedido de reconsideração1. Entretanto, o vício alegado pela recorrente nos embargos opostos pode ser sanado na apreciação do recurso voluntário, ou seja, eventual omissão na apreciação de matéria arguida ou fundamento relevante implicaria, em tese, a nulidade do acórdão recorrido e a devolução dos autos para prolação de novo julgamento. Assim, alega a recorrente que o acórdão recorrido apreciou apenas a questão da iliquidez dos créditos, não analisando a certeza dos referidos, conforme os argumentos dispostos no item 2.1 da manifestação, qual sejam: o direito ao crédito pleiteado e a necessidade de validação dos valores apurados pela recorrente. Nestes pontos, a recorrente apenas alegou, efetivamente, que a defesa do mérito era ingrata, senão impossível, em razão da glosa de crédito ter ocorrido sem a coleta de toda a documentação necessária e sem tenha sido validada e que a recorrente deveria demonstrar o cumprimento dos requisitos necessários, sob a égide de procedimento fiscalizatório. Aduz que optou pela forma de cálculo do crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, de acordo com a Lei nº 10.276/2001, incluindo na base de cálculo os custos de aquisição de insumos e o custo da prestação de serviços de industrialização por encomenda, na periodicidade anual. Por sua vez, o acórdão recorrido discorreu sobre a falta de comprovação do direito creditório pela embargante, refutando todas as alegações da embargante, inclusive quanto à matéria de direito, afirmando que em relação às receitas nãocumulativas das contribuições, não há direito ao crédito presumido de IPI de que tratam as Leis nº 9.363/96 e 10.276/2001. Ora, se o fundamento do indeferimento foi justamente a falta de comprovação pela recorrente da segregação de custos e receitas relativos à cada tipo de incidência, por conseqüência, não há que se falar em certeza do direito creditório, vez que a falta de comprovação do direito alegado, por óbvio, implica sua incerteza. 1 Art. 68. O órgão preparador dará ciência da decisão ao sujeito passivo, intimandoo, quando for o caso, a cumprila no prazo de trinta dias, contados da data da ciência, facultada a apresentação de recurso voluntário no mesmo prazo (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 31 e 33). Art. 69. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração (Decreto no 70.235, de 1972, art. 36). Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 801 8 O item 2.1 da manifestação de inconformidade conteve apenas a reafirmação pela recorrente de que possuiu todos os critérios para fazer jus ao crédito pleiteado, o que foi rebatido pela decisão recorrida no tocante à falta de comprovação do direito creditório, fundamento suficiente para a manutenção do indeferimento do pedido. Assim, não vislumbro a omissão alegada em embargos e reiterada em recurso voluntário. Seguindo em seu recurso, a recorrente afirma que entregou toda a documentação necessária que caberia à fiscalização aprofundar as investigações e a auditoria. Informa que as respostas ao Termo de Início de Ação Fiscal lavrado em 04/08/2011 ocorreram em 20/09/2011 e 24/11/2011. Afirma que o auditor fiscal partiu de premissa equivocada ao supor que o período de abrangência do DCP fosse o terceiro trimestre de 2008. Continuando, frisa a superficialidade da auditoria, pela juntada de Dacon de outra empresa – HORIBA ABX COMÉRCIO E FABRICAÇÃO DE EQUIPAMENTOS E REAG – a qual não possui ligação com a recorrente. Rebate as informações de que os arquivos digitais entregues não continham as informações solicitadas e, ao final, concluiu que caberia à fiscalização solicitar as diligências necessárias. Inicialmente, pontuese que a recorrente, aparentemente, não apresentou toda a documentação relativa a 2008, pois na resposta de 20/09/2011, foi solicitado prazo de vinte dias para entrega dos arquivos digitais e não há informação sobre a entrega posterior de tais arquivos; já na resposta dada em 24/11/2011 foram apresentadas apenas procurações. Neste aspecto, esclareçase que cabe à recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, como postulado no antigo Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, de 1973, vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Tal ônus decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento é do contribuinte, cabendo à fiscalização à apreciação de tal pedido, mediante a realização de diligências, se assim entender necessário. O artigo 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Obviamente, a fiscalização poderia realizar e não deveria, como parece pretender a recorrente. Mas, no caso concreto, houve a realização de diligência e, novamente, a recorrente equivocase ao sugerir que a fiscalização deveria ter pedido informações de todos os anos, a partir de 2005. A mesma IN RFB nº 900/2008 dispôs em seu artigo 21, §3º que somente são passíveis de ressarcimento os créditos presumidos escriturados no trimestre calendário e Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 802 9 seu §7º complementa que cada pedido de ressarcimento deverá se referir a um único trimestre calendário, conforme abaixo transcrito: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; [...] § 3º Somente são passíveis de ressarcimento: I os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário; II os créditos presumidos de IPI a que se refere o inciso I do § 1º, escriturados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz [...] § 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. O pedido de ressarcimento referiuse ao terceiro trimestre de 2008, o que, em príncípio, levaria a fiscalização a solicitar os documentos relativos a 2008, cabendo sim a recorrente esclarecer que os valores continham informações relativas aos anocalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008 e apresentar todos os DCP´s e demonstrativos de cálculo, como fez em sua manifestação de inconformidade. Assim, a entrega pela recorrente apenas dos dados relativos a 2008 inviabilizou, sim, a verificação do demonstrativo de crédito presumido de IPI relativo ao trimestre trimestre de 2008, crédito este que envolveu vários trimestres anteriores. Repitase, o ônus da prova era da recorrente, que não se desincumbiu do encargo, por ocasião da realização do procedimento fiscal. Neste diapasão, citamse diversos Acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3201002.246: Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 803 10 RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL.RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. .É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, se houve a adequação de seu pedido administrativo ao quanto determinado em sentença judicial transitada em julgado. Acórdão nº 3402003.305: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. É do contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu crédito, não cabendo transferir esse mister à atividade fiscalizatória. O princípio da verdade material implica a flexibilização do procedimento probante, mas não serve para suprimir o descuido do contribuinte em provar seu direito, em especial quando intimado na fase fiscalizatória para cumprir com este ônus. Acórdão nº 3401003.075: RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS PROCESSUAL. O direito ao ressarcimento de créditos de IPI, lastreados no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF 33/99, como de resto qualquer espécie de ressarcimento e/ou repetição de indébito, exige a apresentação de documentação hábil à demonstração e quantificação do direito pleiteado, não militando em favor do requerente a alegação de desobrigação de manutenção e conservação do documentário fiscal por período superior a 05 (cinco) anos, argumento que, no caso concreto, mostrase improcedente. Acórdão nº 9303003.304: BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O ônus probatório da certeza e liquidez do crédito tributário é de quem o pleiteia. Não sendo comprovado o direito creditório, deve ser negado o pedido de ressarcimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Assim, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por não ter a fiscalização aprofundado as diligências, em vista de falha da recorrente em provar suas alegações durante a ação fiscal, especialmente pela não disponibilização dos documentos que pudessem segregar os insumos relativos às receitas nãocumulativas dos insumos relativos às receitas cumulativas, bem como por não ter apresentado documentos relativos aos anos calendários de 2005, 2006 e 2007. Quanto ao julgamento proferido pela DRJ, a recorrente pugna que os documentos necessários à análise foram juntados na manifestação de inconformidade e que caberia análise desta documentação, pugnando pela nulidade da decisão recorrida. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 804 11 Salientase que a nulidade das decisões pressupõe sua prolação por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, segunda hipótese esta alegada pela recorrente. Porém, verificase que a decisão recorrida analisou a documentação juntada na manifestação de inconformidade e concluiu que a documentação apresentada continuava insuficiente a demonstrar o crédito presumido alegado, como se depreende dos excertos abaixo: "Tendolhe sido facultado o prazo regulamentar para interposição de manifestação de inconformidade, portanto, para a produção das provas admitidas em direito, tudo de acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações posteriores, Decreto 7.574, de 2011, somente neste momento apresentou as cópias do DCP e várias planilhas que resumidamente informam o valor das compras de insumos, das receitas, mas que não logram identificar nem os insumos e nem sua utilização em produtos exportados capazes de gerar o crédito presumido. Não há demonstrativo que apresente as receitas concernentes ao regime cumulativo e não cumulativo, segregadas. [...] Ao ser intimada caberia a interessada apresentar planilhas detalhando o cálculo do crédito presumido e aplicação dos insumos adquiridos na industrialização dos produtos exportados, segregando os bens utilizados como insumos em produtos do regime não cumulativo daqueles do regime cumulativo. [...] A empresa informa no DCP que não possui sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração e portanto caberia manter sistema de controle permanente de estoques, segregando a quantidade de MP, PI e ME utilizados no processo industrial, em cada mês, aplicadas em produtos que geram direito ao crédito presumido, apurados com base nos documentos fiscais das respectivas aquisições, descrição do processo industrial e aplicação dos insumos nos produtos fabricados. [...] Por isso, uma vez que a empresa auferiu, concomitantemente, receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, faria jus ao crédito presumido do IPI apenas em relação às receitas sujeitas à cumulatividade dessas contribuições. Constatase, assim, que os julgadores da DRJ apreciaram as provas apresentadas em manifestação de inconformidade e concluíram por sua insuficiência, de acordo com o princípio do livre convencimento, expressamente previsto no artigo 292 do Decreto nº 70.235/1972. Ainda que se discordasse da convicção firmada na decisão recorrida quanto à suficiência da instrução probatória, tal interpretação não daria azo à nulidade da decisão, mas 2 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 805 12 apenas à sua reforma, em uma decisão deste Conselho. Portanto, afastase a preliminar arguida na peça recursal. No mérito, a recorrente reitera a efetivação da glosa sem coleta das informações necessárias e que seguiu as normas previstas na Lei nº 10.276/2001, e que, conforme a documentação anexada aos autos, possui todos os critérios para fazer jus ao crédito presumido em questão e pede, ainda, a correção monetária à taxa Selic desde a data do protocolo do pedido administrativo. Por fim, colocase à disposição para a realização de eventual diligência. No que tange à glosa sem coleta das informações necessárias, tal ponto já foi analisado anteriormente, sendo que, na realidade, foi a recorrente que não se desincumbiu do ônus de provar seu alegado, durante o procedimento fiscal. Já em manifestação de inconformidade, momento em que poderia ter produzida toda prova de suas alegações, juntou apenas os DCP´s transmitidos e as planilhas que demonstraram seu cálculo. Comparando a documentação com o solicitado no Termo de Intimação datado de 20/09/2011, constatase que não foram juntados os Livros de Entradas e Saídas das matrizes e filiais, o Livro Registro de Apuração de IPI dos estabelecimentos industriais e equiparados, indicando o período de escrituração dos créditos e os estornos efetuados, as Notas Fiscais de Exportação (um total de 37 apenas, segundo o PERDCOMP transmitido), informação sobre a disponibilização dos arquivos digitais previstos no ADE Cofis 15/2001 ou no ADE Cofis 25/2010, Livro Razão com os lançamentos relativos aos valores componentes do crédito presumido, os Dacons, tudo relativo aos anos de 2005 a setembro de 2008, o que, em princípio, seria utilizado pela fiscalização para se aferir o crédito pleiteado. Destarte, a afirmação feita na peça recursal de que a documentação anexada aos autos comprovaria todos os requisitos não é procedente. Na melhor das hipóteses, verificada a verossimilhança das planilhas e DCP´s anexados, poderseia baixar os autos para diligência, a fim de se constatar o crédito vinculado às receitas de exportação, referentes a produtos sujeitos à incidência cumulativa. Ocorre que, ao contrário do que alega a recorrente, além da falta de comprovação fática dos valores pleiteados, não há certeza do direito creditório quanto ao direito material em si, pois a recorrente não cumpriu os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.276/2001, especialmente no que se refere à condição de que os produtos exportados devem ser sujeitos à incidência do IPI, ou seja, não há que se falar em créditos presumidos de IPI vinculados a produtos nãotributados. É o que dispõem a Súmula CARF nº 20, abaixo transcrita e a IN SRF nº 420/2004, em seus artigos 5º e 21, §§1ºe 2º: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IN SRF 420/2004: Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. Art. 21. Para efeitos desta Instrução Normativa, considerase: Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 806 13 I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda de produtos industrializados, de produção da pessoa jurídica, para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. § 1º Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica produtora e exportadora. § 2º Os conceitos de industrialização, MP, PI e ME são os constantes da legislação do IPI. No caso, a recorrente informou no item 2.2 da peça recursal que auferia receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes, álcool industrial e açúcar, sendo que até 30/09/2008, apenas as receitas de venda de álcool para fins carburantes estavam sujeitas à incidência cumulativa. Assim, de acordo com o artigo 143 da Lei nº 10.833/2003 e o ADI nº 13/20044, os contribuintes sujeitos concomitantemente às incidências cumulativa e não cumulativa das contribuições somente fariam jus ao crédito presumido de IPI em relação às receitas sujeitas à cumulatividade. Diante disso, a recorrente pleiteou o crédito presumido sobre os insumos vinculados às receitas de exportação de álcool para fins carburantes. Ocorre que o álcool etílico para fins carburantes é classificado na TIPI nos códigos 2207.10.00 ex 01 ou 2207.20.10 ex 01, ambos com notação NT, conforme abaixo: 22.07 Álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico em volume igual ou superior a 80% vol.; álcool etílico e aguardentes, desnaturados, com qualquer teor alcoólico. 2207.10.0 0 Álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico em volume igual ou superior a 80% vol. 0 3 Art. 14. O disposto nas Leis nos 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2o e 3o desta Lei e dos arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. (Produção de efeito) 4 Artigo único. A pessoa jurídica, em relação às receitas sujeitas à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) na forma, respectivamente, dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não faz jus ao crédito presumido do IPI de que tratam as Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Parágrafo único. Na hipótese de a pessoa jurídica auferir, concomitantemente, receitas sujeitas à incidência não cumulativa e cumulativa, inclusive no regime de incidência monofásica, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, fará jus ao crédito presumido do IPI apenas em relação às receitas sujeitas à cumulatividade dessas contribuições. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 807 14 Ex 01 Para fins carburantes, com as especificações determinadas pelo DNC NT Ex 02 Retificado (álcool neutro) 8 2207.20 Álcool etílico e aguardentes, desnaturados, com qualquer teor alcoólico 2207.20.1 0 Álcool etílico 8 Ex 01 Para fins carburantes, com as especificações determinadas pelo DNC NT 2207.20.2 0 Aguardente 8 Assim, de acordo com o parágrafo único do artigo 2º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) 5, os produtos com notação "NT" estão fora do campo de incidência do IPI, impedindo a apuração de créditos de IPI, a ele vinculados. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302003.093, proferido por esta turma, cuja parte da ementa dispôs que: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, abrangendo o campo de incidência, todos os produtos com alíquota, ainda que zero, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. 5 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 3302004.637 S3C3T2 Fl. 808 15 Portanto, eventual diligência seria inócua, uma vez que qualquer que fosse seu resultado, a vinculação de insumos à exportação de produtos NT não geraria créditos presumidos de IPI, a teor da Súmula CARF nº 20. Por fim, a recorrente pugnou pela correção monetária à taxa Selic dos créditos pleiteados, em razão da oposição ilegítima do Fisco quanto ao deferimento do pedido. Este pedido restou prejudicado, pois que não houve oposição ilegítima, mas, ao contrário, o pedido foi legitimamente indeferido. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000398/2009-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. É essencial que as circunstâncias fáticas identificadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido sejam passíveis de comparação. Se as decisões partem da mesma premissa, mas dispensam tratamento diferente aos casos, presume-se que as circunstâncias fáticas de uma e de outra sejam distintas. O ônus de demonstrar que não o eram é do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-005.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. É essencial que as circunstâncias fáticas identificadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido sejam passíveis de comparação. Se as decisões partem da mesma premissa, mas dispensam tratamento diferente aos casos, presume-se que as circunstâncias fáticas de uma e de outra sejam distintas. O ônus de demonstrar que não o eram é do contribuinte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15983.000398/2009-81
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771070
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.542
nome_arquivo_s : Decisao_15983000398200981.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 15983000398200981_5771070.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6934227
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468061876224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1729; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15983.000398/200981 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.542 – 3ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2017 Matéria Auto de Infração PIS/Pasep e Cofins Recorrente ECOPORTO SANTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. É essencial que as circunstâncias fáticas identificadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido sejam passíveis de comparação. Se as decisões partem da mesma premissa, mas dispensam tratamento diferente aos casos, presumese que as circunstâncias fáticas de uma e de outra sejam distintas. O ônus de demonstrar que não o eram é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 98 /2 00 9- 81 Fl. 21891DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403001.733, de 22/08/2012, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de Apuração: Ementa: CRÉDITOS TOMADOS SOBRE DESPESAS DECORRENTES DE OBRAS.BENFEITORIAS EM BENS DE TERCEIROS. Certo é calcular o crédito sobre o valor da depreciação incorrida no mês. Não assiste razão a Recorrente de tomar o crédito sobre os valores relativos aos custos e despesas de manutenção e consertos efetivados em bens de terceiros pelo valor desembolsado, o que resta assegurado é o direito de tomar o crédito sobre a parcela da depreciação incorrida em cada mês. Ementa: GLOSA. CRÉDITO TOMADO SOBRE AQUISIÇÃO DE PEÇAS, EQUIPAMENTOS. A sistemática não cumulativa de apuração da COFINS e do PIS autoriza descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Impõe demonstração inequívoca da essencialidade dos insumos caso a caso, cabe ao contribuinte demonstrar. Inexistindo prova cabal da essencialidade dos insumos, há de negarse provimento ao apelo. Fl. 21892DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 4 3 A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 21.689 e segs) referese (i) à nulidade da decisão de primeira instância por terse motivado em razões distintas das que motivaram o lançamento fiscal e (ii) ao conceito de insumo considerado por ocasião das glosas dos créditos decorrentes (1) das despesas com obras e benfeitorias em imóveis de terceiros e (2) com gastos na aquisição de peças, equipamentos, serviços e bens do imobilizado. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade às e folhas 21.877 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 21.887 e segs. Requer que seja desprovido o recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial 1 Nulidade da decisão de primeira instância A demonstração do dissenso jurisprudencial necessário para o prosseguimento do pedido de nulidade da decisão recorrida e da decisão de primeira instância tomou como paradigma dois acórdãos proferidas pela primeira Seção de Julgamento deste CARF. As ementas são as seguintes: Acórdão n° 10321.409 IRPJ LANÇAMENTO ORIGINÁRIO INOVAÇÃO PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO IMPOSSIBILIDADE A competência do Órgão Julgador está circunscrita aos fundamentos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, sendolhe defeso aperfeiçoálo ou inoválo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. Acórdão nº 10808967 Fl. 21893DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 5 4 ...IRPJNULIDADE DA DECISÃO DA DRJ FUNDAMENTO DISTINTO DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA É nula a decisão que mantiver o lançamento com fundamentos distintos dos que basearam o auto de infração, em razão de não permitir o amplo direito de defesa ao contribuinte em face da inovação após a sua impugnação. O assunto não consta na ementa da decisão recorrida, mas foi examinada pelo relator responsável, nos seguintes termos: A decisão vergastada reconhece o direito de tomar o crédito, desde que, seja calculado sobre a parcela de depreciação incorrida no mês. Em razão disso a Interessada alega nulidade face à motivação constante do auto de infração de que essas despesas e custos não integram os custos diretos de serviços previstos pela legislação do PIS e da COFINS. Não vislumbro nulidade, a meu ver inexiste mudança de fundamentação entre aquela utilizada pelo agente fiscal atinente ao fato de que o contribuinte pretende tomar o crédito sobre o valor despendido e a decisão recorrida que limita a parcela de depreciação incorrida. A motivação do lançamento decorre da inexistência do direito, no entanto, a decisão reconhece esse direito e diz em quais A comparação entre o enunciado das ementas das decisões paradigmas e os fundamentos presentes no acórdão recorrido não permite identificar divergência na interpretação da legislação tributária. Todos partem de uma mesma premissa: a inovação nos fundamentos do auto de infração enseja a nulidade da decisão que, sob novos fundamentos, manteve a atuação. A diferença é que, no recorrido, chegouse à conclusão de que não houve inovação, nos paradigmas entendeuse que houve. A priori, o que se vê ou são circunstâncias fáticas distintas ou interpretações diferentes dos mesmos fatos. Fl. 21894DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 6 5 A recorrente não procedeu, como deveria, a uma análise crítica das divergências apontadas e nem mesmo carreou aos autos nenhum dos acórdãos paradigmas, apenas transcreveu suas ementas. Por essa razão, não há como atestar a identidade fática dos litígios, restando impossível precisar se a divergência encontrase na interpretação do que venha a se constituir em uma inovação ou se ditas "inovações" (circunstâncias fáticas) são diferentes e, por isso, receberem tratamento diferente. Se ocorreu a última hipótese, estaríamos diante de situações incomparáveis, uma vez que os cenários sejam distintos. Se foi a primeira, tratarseiam, de diferentes interpretações sobre o fato e não sobre o direito a ele aplicado. De toda sorte, ainda que se admitisse que a interpretação do fato, no caso a alteração nos fundamentos da autuação, dependa da interpretação do alcance da expressão cerceamento do direito de defesa e, deste modo, passível de ser tomado como uma divergência na interpretação da lei tributária, seria essencial que a identidade dos fatos fosse detidamente examinada e demonstrada pela recorrente. Ao colacionar apenas as ementas dos acórdãos paradigma, ela não só deixou de atender aos requisitos formais do recurso especial mas comprometeu, ainda, a formação de juízo acerca da efetiva ocorrência do dissenso. 2 Despesas decorrentes de obras e benfeitorias em imóveis de terceiros A seguir os fundamentos da decisão recorrida. No que concerne à tomada de crédito sobre o valor despendido com obras e benfeitorias em bens de terceiros, a decisão hostilizada deve ser mantida, pois o fato gerador dos créditos escriturais de PIS e de COFINS previstos no art. 3º, VII, da Lei nº 10.637; 2002 c/c da Lei nº 10.833 de 2003 ocorre no momento em que são apurados os encargos de depreciação e amortização, na forma do art. 3º, parágrafo 1º, III, e parágrafo 3º, III, dos mesmos diplomas retro citados, portanto, sendo indiferente a data de aquisição dos bens. Assim, certo é calcular o crédito sobre o valor da depreciação incorrida no mês, de modo não assistir razão a Recorrente de tomar o crédito sobre os valores relativos aos custos e despesas de manutenção e consertos efetivados em bens de terceiros, e, Fl. 21895DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 7 6 assegurar o direito de tomar o crédito sobre a parcela da depreciação incorrida em cada mês. O acórdão paradigma é bastante conhecido deste Colegiado. Defende entendimento de que a palavra insumo encontrada nas Leis 10.833/03 e 10.637/02 deve ser interpretada à luz da legislação do Imposto de Renda, alcançando todo e qualquer custo ou despesa necessário à consecução das atividades da empresa. A própria ementa do voto não deixa dúvidas a respeito, observese. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda a qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. O problema é que essa premissa, que denota, sem dúvida, a ocorrência de interpretações divergentes sobre o conceito de insumo e, portanto, da legislação tributária, não tem qualquer consequência em relação aos créditos apurados na forma dos incisos III, dos § 1º, dos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, uma vez que eles não se refiram aos insumos utilizados no processo produtivo da sociedade empresária, mas aos créditos decorrentes da depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc, que não são influenciados pela amplitude do significado da palavra insumo presente na legislação acima mencionada. Portanto não conheço do recurso especial também nesta parte. 3 Glosas de créditos tomados sobre a aquisição de peças, equipamentos, serviços e bens do imobilizado. Quanto a este item entendo também que não existe a comprovação da divergência jurisprudencial a justificar o conhecimento do recurso especial do contribuinte. No meu entender embora o acórdão paradigma tenha adotado um conceito de insumos para fins de creditamento do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, um Fl. 21896DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 8 7 pouco mais abrangente do que o acórdão recorrido, tal fato não é suficiente para comprovar a divergência. A verdade é que em ambos o entendimento consubstanciado é que é possível o aproveitamento de créditos sobre a aquisição de peças, equipamentos e serviços de manutenção em maquinários utilizados na atividade produtiva ou na prestação de serviços, desde que não integrem o ativo imobilizado, situação em que a possibilidade de crédito recairia não sobre as aquisições, mas sobre a depreciação das referidas máquinas. Embora o acórdão paradigma não tenha especificado nada a respeito da impossibilidade de aproveitamento de crédito caso haja a imobilização das peças ou serviços aplicados, a verdade é que mesmo na sistemática de apropriação de custos e despesas previstas na legislação do IRPJ, adotada no paradigma, não há possibilidade de o custo ou despesa ser apropriado nas situações em que tal item deva ser ativado. Assim, ambos acórdãos caminharam em sintonia, no sentido de ser permitida a apropriação de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre a aquisição de peças, equipamentos e serviços aplicados na manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo. No voto do acórdão recorrido esta conclusão é cristalina, sendo o crédito indeferido em vista da falta de comprovação de sua essencialidade ao processo produtivo. Tal conclusão pode ser facilmente detectada da leitura de excertos do voto constante do acórdão recorrido, abaixo transcrito: Fl. 21897DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 9 8 Portanto somente por questões de prova é que o recurso voluntário foi improvido, não em função do conceito de insumos adotado. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 21898DF CARF MF Processo nº 15983.000398/200981 Acórdão n.º 9303005.542 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 21899DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002357/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11070.002357/2009-61
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5753531
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.330
nome_arquivo_s : Decisao_11070002357200961.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 11070002357200961_5753531.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6877963
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468095430656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 579 1 578 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.002357/200961 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.330 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 57 /2 00 9- 61 Fl. 579DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.981, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11070.002357/200961 Acórdão n.º 3402004.330 S3C4T2 Fl. 580 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido omissão no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Contudo, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, foi possível constatar que a ilustre relatora não tratou de nenhuma dessas questões em seu voto. Vejamos: (...) Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a omissão do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de COFINS nãocumulativo pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, na seguinte forma: (...) Compulsando a decisão embargada, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 581DF CARF MF 4 respectivamente, dissentiam e concordavam com os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos admitidos pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11070.002357/200961 Acórdão n.º 3402004.330 S3C4T2 Fl. 581 5 De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve Fl. 583DF CARF MF 6 ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11070.002357/200961 Acórdão n.º 3402004.330 S3C4T2 Fl. 582 7 prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e Fl. 585DF CARF MF 8 ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§ 8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 I) no caso do Regime NãoCumulativo > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme assentado na jurisprudência, a omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11070.002357/200961 Acórdão n.º 3402004.330 S3C4T2 Fl. 583 9 Assim, entendo que não restou caracterizada a omissão apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.720002/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Nos casos de IRRF sobre pagamentos sem causa ou cuja origem não foi comprovada, a contagem do prazo decadencial é sempre pela regra do art.173, inciso I, do CTN, porque se trata de exigência que somente ocorre mediante lançamento de ofício, sem qualquer pagamento a ser homologado.
Numero da decisão: 2401-004.972
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento, não reconhecendo a decadência, determinando o retorno dos autos para que a instância julgadora de origem julgue o mérito do período considerado não decadente (fatos geradores ocorridos antes de 4/7/06). Em razão da necessidade do retorno dos autos à instância julgadora de origem, restou prejudicado o julgamento do recurso voluntário, que será analisado quando o processo retornar para julgamento no CARF. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que negavam provimento ao recurso de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Nos casos de IRRF sobre pagamentos sem causa ou cuja origem não foi comprovada, a contagem do prazo decadencial é sempre pela regra do art.173, inciso I, do CTN, porque se trata de exigência que somente ocorre mediante lançamento de ofício, sem qualquer pagamento a ser homologado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15521.720002/2011-78
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5752394
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.972
nome_arquivo_s : Decisao_15521720002201178.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 15521720002201178_5752394.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento, não reconhecendo a decadência, determinando o retorno dos autos para que a instância julgadora de origem julgue o mérito do período considerado não decadente (fatos geradores ocorridos antes de 4/7/06). Em razão da necessidade do retorno dos autos à instância julgadora de origem, restou prejudicado o julgamento do recurso voluntário, que será analisado quando o processo retornar para julgamento no CARF. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que negavam provimento ao recurso de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6877894
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468117450752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.195 1 1.194 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.720002/201178 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2401004.972 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente SANTOS BARBOSA TÉCNICA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Nos casos de IRRF sobre pagamentos sem causa ou cuja origem não foi comprovada, a contagem do prazo decadencial é sempre pela regra do art.173, inciso I, do CTN, porque se trata de exigência que somente ocorre mediante lançamento de ofício, sem qualquer pagamento a ser homologado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 72 00 02 /2 01 1- 78 Fl. 1195DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento, não reconhecendo a decadência, determinando o retorno dos autos para que a instância julgadora de origem julgue o mérito do período considerado não decadente (fatos geradores ocorridos antes de 4/7/06). Em razão da necessidade do retorno dos autos à instância julgadora de origem, restou prejudicado o julgamento do recurso voluntário, que será analisado quando o processo retornar para julgamento no CARF. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que negavam provimento ao recurso de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 15521.720002/201178 Acórdão n.º 2401004.972 S2C4T1 Fl. 1.196 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos, em face da decisão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ (DRJ/RJI), que, por unanimidade deu PROVIMENTO PARCIAL à impugnação apresentada para: (i) AFASTAR a preliminar de nulidade levantada; (ii) INDEFERIR o pedido de realização de diligência; (iii) ACOLHER a arguição de decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/07/2006; (iv) manter parcialmente o lançamento do IRRF no valor de R$ 316.637,68 (Quadro na fl. 1078), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, conforme ementa do Acórdão nº 1247.396 (fls. 1079/1093): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração, quando, pelo exame da peça acusatória, verificase estarem perfeitamente identificados o fato gerador da obrigação tributária, a matéria tributável e o fundamento legal da exigência, tendo sido o lançamento formalizado em estrita observância dos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Resta, por outro lado, superada qualquer argüição de cerceamento do direito de defesa, em face do acolhimento de posterior juntada de provas. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Reputase prescindível a realização de perícia, quando já se encontram presentes nos autos todos os elementos necessários para a solução da controvérsia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. No caso de lançamento de tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é do Imposto de Renda Retido na Fonte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, inexistindo dolo, fraude ou simulação por parte do sujeito passivo, decai após o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006 Fl. 1197DF CARF MF 4 PAGAMENTOS SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO OU SEM COMPROVAÇÃO DA CAUSA. Ficam sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados a beneficiário não identificado ou sem comprovação da causa ou da operação que lhes deu origem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata sobre cobrança de créditos tributários relativos a IRRF, relativo ao anocalendário 2006, lançados através da lavratura de AI Auto de Infração (fls. 914/925), o qual foi cientificado ao contribuinte, por meio postal, em 04/07/2011 (Ver Informação Fiscal na fl. 1066). A autuação fundamentase no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95 (fl. 918), em virtude de pagamentos feitos a beneficiários não identificados ou cuja causa não foi comprovada, com a exigência do IRRF, no valor de R$ 1.933.291,26, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 31/05/2011, perfazendo a importância total de R$ 4.449.180,60 (Demonstrativo Consolidado fl. 02). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 926/935) o Auditor Fiscal afirma que: 1. A Contribuinte foi constituída em 06/03/1995, e à época de sua constituição, tinha como sócios WALTER CORREA DOS SANTOS, CPF nº 042.777.91700, e JOSÉ AUGUSTO BARBOSA REIS, CPF nº 340.431.10782, este último com 5% do total das cotas do capital social; 2. Por meio da sua lª alteração contratual, em novembro de 1995, ingressaram mais dois sócios: GUILHERME REIS DE SOUZA CARDOSO e RUBEM ALEXANDRE SILVA DOS SANTOS; 3. Por meio da sua 10ª alteração contratual, em 13/09/2002, os sócios à época transferiram parte de suas cotas para WOOD GROUP ENGINEERING AND PRODUCTION FACILITIES BRASIL LTDA, sociedade constituída em 30/08/2001 de acordo com as leis brasileiras, CNPJ nº 04.681.287/000113, que passou a ter 51% do total do capital social, e a gerir e administrar a Contribuinte; 4. A nova controladora da Contribuinte, com domicílio fiscal em Macaé/RJ, possui como sócios as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior JOHN WOOD GROUP HOLDINGS B.V., com 99,91% de seu capital, e WOOD GROUP B.V., com os outros 0,09%; 5. A administração da Contribuinte é exercida, desde a época da fiscalização, pelo Sr. ALEXANDRE QUADRADO NETO, CPF nº 600.092.09700; 6. A ação fiscal teve início em 07/11/2007 (Termo de Início de Fiscalização – fls. 03/06) e se referia aos anoscalendário de 2003 a 2006; Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 15521.720002/201178 Acórdão n.º 2401004.972 S2C4T1 Fl. 1.197 5 7. Houve encerramento parcial da ação fiscal em relação ao ano calendário de 2003 resultando em um Auto de Infração de IRRF, no valor de R$ 2.312.214,90, com fundamento em pagamentos efetuados no anocalendário 2003, sem que houvesse causa comprovada (Processo nº 15221.000.368/200821); 8. Em 2009 houve outro encerramento parcial, resultando em um Auto de Infração de IRRF, no montante de R$ 4.901.301,71, com fundamento em pagamentos realizados nos anoscalendário 2004 e 2005, sem que houvesse causa comprovada (Processo 15521.000262/200917); 9. Verificouse, com base nos arquivos magnéticos apresentados, que a Contribuinte continuou realizando pagamentos, contabilizados nas contas Bancos "1.1.1.2.0002 Banco HSBC" e "1.1.1.2.0003 Banco do Brasil", tendo como contrapartida a conta de ativo "1.1.2.2.0001 – Intercompany Wood Group". Esses valores permaneceram na conta de ativo "1.1.2.2.0001 – Intercompany Wood Group" por todo ano de 2004 e, a rigor, até dezembro de 2006 (Demonstrativo nas fls. 919/923); 10. Intimouse a Contribuinte (fls. 443/444), em 19/01/2009, para apresentar documentação hábil e idônea original que comprovassem a operação e a sua causa, e o destinatário dos pagamentos extraídos das contas da Contribuinte, apresentado nos anexos I e II (fls. 934/935). Novas intimações foram lavradas em 02/02/2009 (fls. 458/459) e 27/02/2009 (fls. 532/533); 11. Em resposta às intimações, em 06/03/2009, a Contribuinte apresentou os documentos nas fls. 543 a 583; 12. Foi apresentado um instrumento particular discriminando como se daria o compartilhamento de custos entre ela e WOOD GROUP, sem registro público, apresentando apenas reconhecimento de firma efetuado em 04/03/2009, data posterior às intimações efetuadas; 13. Não foi efetuada retenção nem recolhimento de qualquer tributo antecipadamente à atividade fiscal, tendo como base as operações consubstanciadas nos pagamentos identificados, não havendo, pois, que se falar em lançamento por homologação e, sim, de oficio; 14. Foi efetuado o reajustamento da base de cálculo dos pagamentos objeto da autuação (fl. 932). O Contribuinte, em 01/08/2011, apresentou tempestivamente sua IMPUGNAÇÃO (fls. 941/963) instruída com os documentos de fls. 964 a 1064, onde alega: 1. A nulidade do AI em razão da ausência de comprovação do fato gerador do IRRF e da impossibilidade de autuação fiscal por presunção; Fl. 1199DF CARF MF 6 2. A decadência do direito de fazer os lançamentos dos impostos relativos ao período compreendido entre janeiro e junho de 2006; 3. Que nos anos de 2003 a 2006, a IMPUGNANTE, controlada da Wood Group, realizou através de mútuo "intercompany" diversas transferências de recursos, bem como pagamentos por conta e ordem da Wood Group; 4. Que o contrato de mútuo, disciplinado pelos arts. 586 e segs. do Código Civil (Lei n° 10.406/2002), não requer qualquer formalidade especifica para sua execução, ainda mais quando se trata de mútuo entre sociedades relacionadas, como no presente caso; 5. A inaplicabilidade do art. 61 da Lei nº 8.981/95 por restar comprovada a operação (beneficiário) e a sua causa; 6. Falhas na fiscalização pois não buscou a verdade dos fatos (verdade material), de modo a se evitar o lançamento tributário quando as disposições legais não encontrarem respaldo na realidade fática, seja por equívocos do contribuinte, seja por equívocos do Fisco; 7. Pleiteia pela produção posterior de provas, por falta de tempo hábil para fazêlo até a data limite da entrega da peça recursal, e a realização de perícia contábil, para comprovar a veracidade de suas alegações e de seus registros contábeis. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/RJI para julgamento, que, através do Acórdão nº 1247.396, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, permanecendo o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 316.637,68, acrescido de multa de 75% e juros de mora de acordo com a legislação de regência. O Presidente da Turma recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. A Contribuinte foi intimada (fls. 1134/1137), com data de ciência eletrônica por abertura de documento em 08/10/2013 (fl. 1139). Inconformada com a decisão prolatada pela DRJ/RJ1, em 07/11/2013, tempestivamente, a Contribuinte apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 1140/1148) onde, em síntese assevera que: 1. O caso em tela trata de operações de mútuo firmadas entre duas empresas coligadas, devidamente escriturados; 2. Todos os documentos necessários a comprovar as referidas operações foram apresentados; 3. A operação de mútuo prescinde de contrato escrito, bastando para tal o simples lançamento dos créditos; Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 15521.720002/201178 Acórdão n.º 2401004.972 S2C4T1 Fl. 1.198 7 4. O lançamento é nulo porque a autoridade autuante não fez prova de que tais registros não correspondem à realidade, limitandose apenas a autuar mediante presunção; 5. Diante da rejeição do pedido de perícia, que afronta seu direito à ampla defesa, juntou ao RV Laudo Técnico Contábil (fls. 1155/1157) afim de que prevaleça o Princípio da Verdade Material; 6. No caso de não entenderem que o Laudo apresentado não seja suficiente para comprovar as operações de mútuo, requer a realização de perícia contábil. Cita jurisprudências nesse sentido; Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida no tocante à manutenção do lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 316.637,68, para julgar totalmente improcedente a cobrança. É o relatório. Fl. 1201DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Em razão da necessidade do retorno dos autos à instância julgadora de origem, restou prejudicado o julgamento do recurso voluntário, que será analisado quando o processo retornar para julgamento no CARF. Conheço do Recurso de Ofício por estar inserido dentro do limite de alçada determinado pela Portaria MF n° 63/2017. Recurso de Ofício Em decisão de fls. 1.076/1.093 a DRJ firmou entendimento no sentido de que, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ausentes dolo, fraude e simulação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Esclarece a decisão de piso que através das pesquisas de fls. 1072/1075, observase a realização de diversos pagamentos nos meses de janeiro e julho de 2006, elucidando ainda que o contribuinte apresentou DIRF referente ao ano de 2006 com as informações de pagamentos de Imposto retido. Compulsando os autos, verifico que realmente ocorreu o pagamento de Imposto de Renda Fonte fls. (1072/1075), o que atrai a incidência do disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Dessa forma, tendo em vista que o lançamento se perfectibilizou com a ciência do lançamento que se deu em 04/07/2011, conforme informação de fls. 1.066, entendo encontramse decaídos os valores relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente 04/07/2006, razão porque não merece reparos a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Assim, nego provimento ao Recurso de Ofício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 15521.720002/201178 Acórdão n.º 2401004.972 S2C4T1 Fl. 1.199 9 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo da ilustre relatora quanto ao período considerado decadente pela turma a quo. Como apontado pela relatora, a decisão de piso adota a regra de contagem prevista no artigo 150, §4º, do CTN, consignando a existência de diversos pagamentos nos meses de janeiro e julho de 2006 e ainda a apresentação de DIRF referente ao ano de 2006, contendo informações de pagamentos de Imposto retido (fls.1.087/1.088). Entretanto, tratandose no caso de pagamento sem causa, certo é que não houve recolhimento antecipado de IRRF relativo ao fato gerador objeto da autuação. Inexistindo pagamento, deve ser aplicada a regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, aplicável ao casos de lançamento de ofício, sendo o termo inicial do prazo o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sobre o tema, reproduzo e utilizo para fundamentar meu voto as razões de decidir do Acórdão CSRF nº 9202004.247, de lavra da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo: Os dispositivos do Código Tributário Nacional ora tratados têm a seguinte redação: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1203DF CARF MF 10 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." (grifei) Os dispositivos acima não deixam dúvidas acerca das duas formas de lançamento por homologação e de ofício sendo que a primeira modalidade tem como pressuposto que a respectiva regramatriz de incidência atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Cabe, assim, analisarse a regra matriz de incidência objeto da autuação, que no caso é o art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." (grifei) Ora, é fato notório que os tributos, por não constituírem sanção de ato ilícito, incidem sobre situações comuns da vida dos contribuintes, tais como "receber receitas", "receber rendimentos", "alienar bens ou direitos", "importar produtos" e outras tantas que se nos apresentam no cotidiano. Entretanto, a leitura dos trechos acima destacados não leva à conclusão de que a incidência ora tratada constituiria um "fato comum na vida das empresas", já que não seria razoável esperar que estas "façam pagamentos sem causa/operação comprovada, ou entreguem recursos a beneficiários não identificados", procedendo ao recolhimento instantâneo do respectivo tributo que sequer constitui antecipação, mas sim tributação exclusiva Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 15521.720002/201178 Acórdão n.º 2401004.972 S2C4T1 Fl. 1.200 11 na fonte à alíquota de 35%, sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, e ainda com reajustamento da base de cálculo, considerandose líquido o valor pago. Assim, a simples aplicação da razoabilidade mostra que se trata de incidência sobre a qual não se espera que os contribuintes efetuem o respectivo pagamento "sem prévio exame da autoridade administrativa", como é característico do lançamento por homologação. Aqueles que militam na área dos tributos federais podem intuitivamente constatar que a maciça maioria dos contribuintes cumpre espontaneamente suas obrigações tributárias, restringindose os lançamentos de ofício a um universo pequeno, em relação ao total das incidências. Entretanto, quando se trata da incidência ora examinada, tal estatística obviamente se inverte, apontando quase que exclusivamente para a exigência por meio de investigação levada a cabo pela fiscalização. Destarte, independentemente da classificação do lançamento como sendo por homologação, a incidência ora tratada, na prática, harmonizase mais com o lançamento de ofício, de sorte que o pagamento antecipado sequer é esperado, nesses casos (diferentemente de outras espécies de incidência). Da análise dos autos, constatase que os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo (fls.1.071/1.075) não guardam relação com os fatos geradores levantados na autuação e, portanto, não caracterizam o pagamento antecipado que atrairia a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN No caso, os fatos geradores ocorreram no anocalendário 2006. Aplicandose as regras do artigo 173, inciso I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetuado o lançamento é 1/1/2007, encerrandose o prazo decadencial em 31/12/2011. Como a ciência ocorreu em 4/7/2011, não há que se falar em decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, determinando o retorno dos autos a instância julgadora de origem para que proceda à análise do mérito do período considerado não decadente por esta decisão (fatos geradores anteriores a 4/7/2006). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 1205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901619/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.968
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13116.901619/2012-20
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757617
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.968
nome_arquivo_s : Decisao_13116901619201220.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13116901619201220_5757617.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6890671
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468123742208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.901619/201220 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.968 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 19 /2 01 2- 20 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.600, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901619/201220 Acórdão n.º 3201002.968 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002023/2002-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1997
DECADÊNCIA. ART. 173, I, CTN. FALTA DE PAGAMENTO.
O lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e opera-se pela efetiva antecipação do pagamento, sem à qual deve-se iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 9303-005.277
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1997 DECADÊNCIA. ART. 173, I, CTN. FALTA DE PAGAMENTO. O lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e opera-se pela efetiva antecipação do pagamento, sem à qual deve-se iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador do tributo.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.002023/2002-57
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764502
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.277
nome_arquivo_s : Decisao_19515002023200257.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002023200257_5764502.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6911277
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468127936512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 265 1 264 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.002023/200257 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.277 – 3ª Turma Sessão de 21 de junho de 2017 Matéria PIS/PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUPERMERCADO TERRANOVA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1997 DECADÊNCIA. ART. 173, I, CTN. FALTA DE PAGAMENTO. O lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e operase pela efetiva antecipação do pagamento, sem à qual devese iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 23 /2 00 2- 57 Fl. 265DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 220100.239, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que: · Por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, pura declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1997, na linha da súmula 08 do STF; e · Pelo voto de qualidade, em declarar que toda a receita auferida pelo contribuinte pertence a base de cálculo da exação. Foi assim consignada a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1997 PIS. DECADÊNCIA Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19515.002023/200257 Acórdão n.º 9303005.277 CSRFT3 Fl. 266 3 O direito de apurar e constituir o crédito, nos casos de tributos como o PIS, extinguese em 05 (cinco) anos, nos termos da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal (STF). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P I S / PASEP Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/2002 BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PIS é o faturamento mensal correspondente à receita bruta total da pessoa jurídica, inclusive, receitas financeiras, deduzido dos valores expressamente previstos na legislação dessa contribuição. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO O percentual da multa no lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula 03. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso provido em parte. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que reconheceu a decadência do crédito tributário – PIS/PASEP referente aos fatos geradores de 1997, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Traz, entre outros, que: · O art. 150, §4° do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação); · O lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°; Fl. 267DF CARF MF 4 · Nos casos, como o dos autos, em que não há antecipação do pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; · Não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos. E, o prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN. Em Despacho à fl. 243, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário referente ao PIS. Primeiramente, importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou os cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não obstante, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei 8.212/1991. Restando, portanto, a priori, analisar se o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN considera a da data da ocorrência do fato gerador, conforme Fl. 268DF CARF MF Processo nº 19515.002023/200257 Acórdão n.º 9303005.277 CSRFT3 Fl. 267 5 preceitua o art. 150, § 4º ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Fl. 269DF CARF MF 6 Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, por conseguinte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, a princípio, seria importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. A priori, depreendendose da análise dos autos, recordase que a autuação se refere ao PIS referente aos fatos geradores do ano calendário de 1997 e com notificação em 9.1.03. Aquele Colegiado entendeu pela decadência daquele período, aplicandose o prazo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. É de se verificar que o sujeito passivo, conforme fl. 48, no ano calendário apurou devidamente o PIS no período de 1997, bem como os créditos utilizados, para fins de dedução. O que, por conseguinte, deduziu os créditos do PIS apurado em cada mês do ano calendário de 1997. Considerando a inteligência do art. 183 do RIPI/2010 (Grifos meus): “Art. 183. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, caput e § 1º, Lei no 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, Lei no 10.637, de 2002, art. 49, Lei no 10.833, de 2003, art. 17, e Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou Fl. 270DF CARF MF Processo nº 19515.002023/200257 Acórdão n.º 9303005.277 CSRFT3 Fl. 268 7 III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” É de se considerar tal dedução como pagamento, eis que devese interpretar como pagamento qualquer modalidade de extinção do crédito tributário. Sendo assim, é de se aplicar para fins de contagem do prazo decadencial a regra preceituada no art. 150, § 4º, do CTN, por ter havido declaração pelo sujeito passivo”, mantendo a decadência dos créditos relativo ao período ora em questão. Em vista do exposto, voto por conhecer o Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia ao excelente voto da Ilustre Conselheira Relatora, Tatiana Midori Migiyama, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à possibilidade de ser considerada a compensação escritural de PIS como pagamento para efeitos da determinação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, cabendo a esta Conselheira redigir o voto vencedor. A presente autuação abarcou os períodos de apuração de 01/01/1997 a 31/10/2002, em que foram verificadas diferenças entre os valores de PIS declarados e o efetivamente recolhido. No julgamento do recurso voluntário, foi declarada a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos no ano Fl. 271DF CARF MF 8 calendário de 1997, na linha da súmula 08 do STF, com aplicação do art. 150, §4º do CTN. Sobre tal período 01/01/1997 a 30/11/1997 recai a discussão no recurso especial acerca da decadência do direito da Fazenda Pública proceder ao lançamento da Contribuição para o PIS. A divergência a ser apreciada, portanto, referese ao termo inicial de contagem da decadência do direito de lançamento, se a data do fato gerador artigo 150, §4º do CTN ou primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ser lançado, no caso de não existir pagamento antecipado artigo 173, I do CTN. Nos termos do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 19515.002023/200257 Acórdão n.º 9303005.277 CSRFT3 Fl. 269 9 [...] Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso do PIS, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveuse acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, §4º do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo. Feitas estas considerações, passese ao exame do artigo de lei aplicável ao caso destes autos. A autuação decorre de diferenças entre os valores de PIS declarados e aqueles efetivamente recolhidos, tendo sido lavrado o auto de infração em 20/12/2002, com ciência da Contribuinte em 09/01/2003 (fl. 71). Da análise dos autos do processo administrativo, não se verifica terem sido realizados pagamentos a título da contribuição para o PIS em exigência. A Nobre Relatora considerou, para efeitos de equiparação ao pagamento, as compensações de créditos escriturais efetuadas pela empresa Recorrida, com base na aplicação por analogia do art. 183 do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010). Embora tenha a contribuinte apurado os créditos de PIS do ano de 1997, conforme se verifica da fl. 48, não houve pagamento e/ou declaração em DCTF dos referidos valores. Para esta Conselheira a declaração em DCTF equiparase ao pagamento, posição compartilhada pela ilustre Relatora, mas não pela maioria do Colegiado. Assim, importa registrar que nesta 3ª Turma da CSRF prevalece o entendimento no sentido de não ser a declaração em DCTF equiparável a pagamento. Além disso, não há previsão legal para considerar a compensação de créditos e débitos do PIS na escrita fiscal como equiparável ao pagamento, ao contrário do que ocorre na legislação do IPI, que encontra previsão expressa nesse sentido. O caso dos autos igualmente não comporta a utilização da analogia para aplicação das disposições do IPI às contribuições para o PIS, pois não se verifica existir uma lacuna na legislação. A lei nº 10. 637/2002 prevê a utilização dos créditos do PIS para a dedução com os débitos na escrita fiscal, para o regime da Fl. 273DF CARF MF 10 nãocumulatividade. Entretanto, não há disposição expressa no sentido de que o encontro de contas extingue o crédito tributário, o que equivaleria ao pagamento. Ausente, assim, a realização de pagamento antecipado dos tributos em exigência. a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 173, I do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 24/09/2002, não estão decaídos os créditos tributários do PIS do anocalendário de 1997 em exigência nos presentes autos. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720219/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRÉVIA HABILITAÇÃO. IN SRF Nº 600/2005. ARTIGOS 74 DA LEI Nº 9.430/96 E 170 DO CTN. LEGITIMIDADE.
A habilitação prévia prevista no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005 é procedimento legal, inserindo-se no poder regulamentar disposto no §14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996.
DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. RECONHECIMENTO DO DIREITO DE ESCRITURAR CRÉDITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. ENTENDIMENTO DA SCI COSIT Nº 20/2016.
Os créditos de IPI escriturados em razão de decisão judicial transitada em julgado, sem eficácia executiva, que, porventura, componham saldo credor passível de ressarcimento, podem ser pedidos sem necessidade de prévia habilitação do crédito, nos termos da SCI Cosit nº 20/2016.
Recurso Voluntário Mantido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3302-004.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus e Cássio Schappo.
.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRÉVIA HABILITAÇÃO. IN SRF Nº 600/2005. ARTIGOS 74 DA LEI Nº 9.430/96 E 170 DO CTN. LEGITIMIDADE. A habilitação prévia prevista no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005 é procedimento legal, inserindo-se no poder regulamentar disposto no §14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. RECONHECIMENTO DO DIREITO DE ESCRITURAR CRÉDITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. ENTENDIMENTO DA SCI COSIT Nº 20/2016. Os créditos de IPI escriturados em razão de decisão judicial transitada em julgado, sem eficácia executiva, que, porventura, componham saldo credor passível de ressarcimento, podem ser pedidos sem necessidade de prévia habilitação do crédito, nos termos da SCI Cosit nº 20/2016. Recurso Voluntário Mantido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.720219/2010-15
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5785381
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.803
nome_arquivo_s : Decisao_10480720219201015.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10480720219201015_5785381.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus e Cássio Schappo. .
dt_sessao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6973235
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468134227968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.542 1 1.541 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.720219/201015 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.803 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria Compensação Recorrente REFRESCOS GUARARAPES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRÉVIA HABILITAÇÃO. IN SRF Nº 600/2005. ARTIGOS 74 DA LEI Nº 9.430/96 E 170 DO CTN. LEGITIMIDADE. A habilitação prévia prevista no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005 é procedimento legal, inserindose no poder regulamentar disposto no §14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. RECONHECIMENTO DO DIREITO DE ESCRITURAR CRÉDITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. ENTENDIMENTO DA SCI COSIT Nº 20/2016. Os créditos de IPI escriturados em razão de decisão judicial transitada em julgado, sem eficácia executiva, que, porventura, componham saldo credor passível de ressarcimento, podem ser pedidos sem necessidade de prévia habilitação do crédito, nos termos da SCI Cosit nº 20/2016. Recurso Voluntário Mantido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 19 /2 01 0- 15 Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.543 2 Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus e Cássio Schappo. . Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, relativo ao segundo trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão recorrido: "O requerimento formulado tem como base provimento judicial onde a empresa em epígrafe postulou o reconhecimento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos do imposto. A DRF/Recife, por meio do Despacho Decisório de fls. 914/915, indeferiu o ressarcimento requerido e não homologou as compensações a ele vinculadas, por ter o contribuinte deixado de apresentar o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Ação Judicial Transitada em Julgado, em descumprimento ao disposto no art. 51 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Devidamente cientificado, o interessado apresentou, tempestivamente (despacho à fl. 1341) manifestação de inconformidade (fls. 918/941) onde formulou, em síntese, as seguintes considerações: a) Por ser empresa que se dedica a fabricação de bebidas está sujeita ao IPI e, portanto, quando da apuração do imposto devido, lança em sua escrita, a crédito, o IPI pago nas operações anteriores (princípio da nãocumulatividade). b) Dentre os lançamentos contábeis efetuados está o do IPI relativo às aquisições de insumos isentos advindos da Zona Franca de Manaus, assim considerados por conta de decisão judicial que lhe assegurou esse direito, a qual transitou em julgado em 1999. c) Por ter sido o imposto devido no 2º trimestre de 2008 menor que o creditado, apurou saldo credor de IPI naquele período de apuracão. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.544 3 d) A autoridade fiscal, equivocadamente, considerou ser necessária a prévia habilitação do crédito junto à unidade da Receita Federal responsável pela análise do pleito. e) Afrontando o art. 146 do CTN, ocorreu mudança de critério jurídico por parte do Fisco, em vista de que outros pedidos formalizados anteriormente na mesma condição foram processados sem que houvesse a exigência de prévia habilitação. f) As circunstâncias atinentes ao pleito formulado não se enquadram na exigência normativa, já que não se requereu a restituição ou o ressarcimento de um indébito gerado pela decisão judicial com fundamento nos arts. 165 e 168 do CTN e sim o ressarcimento de um saldo credor acumulado, com suporte no art. 49, § único, do CTN c/c os arts. 256 e 268, ambos do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010). Tanto é assim que o prazo de 5 anos, estabelecido no art. 51, § 2º, IV, da IN nº 600/2005, não tem como ser compatibilizado com o seu provimento judicial ocorrido em 1999. g) O provimento judicial obtido foi no sentido de não estornar os créditos escriturais do IPI relativos aos insumos isentos adquiridos na Zona Franca de Manaus (o que é diferente de indébito). Esse direito é exercido na própria escrita, com o lançamento a crédito para posterior abatimento do imposto devido, não havendo um indébito a ser restituído pelo Fisco pelo simples exercício do direito reconhecido na decisão judicial. h) O saldo credor decorre de lançamentos a crédito de todos os insumos que geram tal direito, tenha sido ele reconhecido pela decisão judicial em destaque, tenha sido decorrente da aquisição de outros insumos tributados para os quais não há, nem nunca houve, qualquer questionamento por parte do Fisco. i) A exigência de prévio processo de habilitação, prevista na IN SRF nº 517 e na IN SRF nº 600, ambas de 2005, é ilegal por extrapolar o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 10.637/2002. Por fim, noutros termos, requer a reforma da decisão combatida, no sentido de que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações a ele vinculadas, ao tempo em que protesta, em caso de dúvida, pela interpretação da norma jurídica da forma que lhe seja mais favorável (art. 112 do CTN). A Segunda Turma da DRJ em Recife proferiu o Acórdão nº 1140.440, julgando a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE HABILITAÇÃO. NECESSIDADE. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.545 4 Quando o crédito do contribuinte é reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, é necessário que haja um procedimento prévio de habilitação deste crédito na esfera administrativa. O pedido de ressarcimento e as declarações de compensação somente podem ser processados após esta habilitação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: 1. Que o direito reconhecido judicialmente foi de não estornar os créditos escriturais do IPI relativo a insumos isentos adquiridos na Zona Franca de Manaus; 2. Que o pedido de ressarcimento efetuado não se enquadra nas hipóteses de prévia habilitação do crédito previsto no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005, pois que esta hipótese se refere a ações judiciais cuja decisão constitui um título executivo judicial e não a ações que declaram meramente um direito; 3. Que o indeferimento representa mudança de critério jurídico em afronta ao artigo 146 do CTN, uma vez que a recorrente, após a publicação da IN SRF nº 600/2005, teve pedidos de ressarcimento deferidos, sem a necessidade de habilitação prévia; 4. Que o prazo de cinco anos previsto no inciso IV do artigo 51 da IN SRF nº 600/2005 seria incompatível com a decisão obtida pela recorrente em Mandado de Segurança, pois levaria à impetração de um novo mandado a cada cinco anos; 5. Que o saldo credor não foi reconhecido por decisão judicial, uma vez que em seu montante, há créditos apropriados na escrita, originados de outros insumos, adquiridos sem isenção; 6. Que a mesma Delegacia manifestou entendimento oposto em outro julgado, em um caso de provimento judicial, declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pela Lei nº 9.718/1998; 7. A ilegalidade da exigência de habilitação prévia do crédito. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.546 5 Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Trata o presente de pedido de ressarcimento de IPI, indeferido em razão de a recorrente não ter informado que se tratava de crédito oriundo de ação judicial e, por consequencia, não ter efetuado a habilitação prévia. Inicialmente, analisase a legalidade da exigência do procedimento de habilitação prévia. A habilitação prévia foi prevista na IN SRF nº 517/2005 e consolidada no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época da transmissão do PER pedido de ressarcimento. A regulamentação decorreu da permissão contida no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cujos §12 e, posteriormente, §14, estabeleciam que a Secretaria da Receita Federal disciplinaria o disposto no artigo 74, conforme abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Portanto, não há ilegalidade na exigência, pois a Administração apenas disciplinou a compensação com um procedimento preparatório com vistas a confirmar a veracidade de informações básicas, como se o sujeito passivo figura no polo ativo da ação, se o objeto referese a tributo administrado pela RFB, se houve o trânsito em julgado, em razão de inúmeras fraudes detectadas em compensações efetuadas, as quais apostavam na inércia da Administração Tributária, frente ao instituto da homologação tácita, como salientou a decisão recorrida. Neste sentido, citamse acórdãos do STJ e deste próprio Conselho: Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.547 6 AgRg no AREsp 655595 / RJ, de 08/09/2015: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRÉVIA HABILITAÇÃO. IN SRF7 Nº 600/2005. ARTIGOS 74 DA LEI Nº 9.430/96 E 170 DO CTN. LEGITIMIDADE. 1. Não há falar em violação aos princípios da legalidade, tampouco em extrapolação do poder regulamentar, advinda com a edição da IN SRF 517/2005 e dos arts. 50, 51 e 76 da IN SRF 600/2005 pois, além de terem o escopo precípuo de implementar as condições para que a compensação com créditos judiciais transitados em julgado dêse apenas quando haja a comprovação da existência dos mesmos, tais dispositivos encontram respaldo nas normas autorizadoras que constam dos arts. 74, § 14, da Lei 9.430/96 e 170 do Código Tributário Nacional. Precedente: REsp 1.309.265/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 3/5/2012. 2. Agravo regimental não provido. AgRg no REsp 1461861 / SC, 18/09/2014: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI 9.430/96. LEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA DE PRÉVIA HABILITAÇÃO DO CRÉDITO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. 1. A jurisprudência do STJ entende que a Declaração de Compensação somente será recepcionada após prévia habilitação do crédito pela Receita Federal. 2. Agravo Regimental não provido. Acórdão nº 3302002.741: CRÉDITO RECONHECIDO EM DECISÃO JUDICIAL. PEDIDO DE UTILIZAÇÃO. HABILITAÇÃO PRÉVIA. O crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado não é passível de restituição administrativa e o seu aproveitamento, via compensação, deve ser precedido de sua habilitação perante a RFB, sendo obrigatório o uso do PER/DCOMP eletrônico. Acórdão nº 3402002.813: HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. ILEGALIDADE. A prévia exigência habilitação do crédito para a transmissão de Perdecomp não é ilegal, pois esse procedimento não suprime e nem limita o exercício do direito de compensação estabelecido pela lei. Voltando ao caso concreto, a recorrente impetrou um mandado de segurança preventivo para que seus associados não sejam compelidos a estornar o crédito de IPI, incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.548 7 Manaus (concentrado código 2106.90 da TIPI, RIPI, art, 45, XXI) utilizado na industrialização dos seus produtos (refrigerantes código 2202.90 da TIPI), cuja saída é sujeita ao IPI, conforme petição inicial, efls. 374. A decisão transitada em julgado proferida pelo TRF da 2º Região se deu com a seguinte ementa (efls. 406): TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA IMPOSTO SOBRE PRODUTOSINDUSTRIALIZADOS MATÉRIA PRIMA PROCEDENTE DA ZONA FRANCA DE MANAUS COMPENSAÇÃO DE VALOR NÃO TRIBUTADO POR ISENÇÃO PRECEDENTES JUDICIAIS I Cabente o creditamento do valor de IPI que, em razão de isenção, deixou de ser tributado em operação anterior, para que se dê pleno alcance ao princípio constitucional de não cumulatividade, enunciado sem restrições para esse imposto II Recurso a que se dá provimento. Frisese que não há controvérsia quanto ao teor da decisão judicial obtida pela recorrente. De fato, no Termo de Verificação Fiscal que fundamentou a informação fiscal e o despacho decisório, restou consignado que a recorrente obteve decisão transitada em julgado em 02/12/1999 (efls. 418) no Mandado de Segurança nº 91.00477834, conforme o excerto abaixo: "No julgamento da apelação, em 28/04/1998, a Primeira Turma do referido TRF, por meio do acórdão prolatado, reformou a decisão da 1ª instancia e concedeu a segurança para reconhecer a admissibilidade do “creditamento do valor do IPI que, em razão de isenção, deixou de ser tributado em operação anterior” no tocante às matériasprimas procedentes da Zona Franca de Manaus" A recorrente alega que o provimento obtido não se sujeita à habilitação prévia do crédito, pelo fato de a ação ser mandamental, não comportando execução judicial, mas apenas uma declaração de direito. Esta questão foi objeto de consulta da Coordenação Geral de Tributação Cosit à Procuradoria da Fazenda Nacional mediante a Nota Técnica nº 18/2010, na qual analisou diversas questões relativas à restituição e compensação tributárias, dentre elas, se havia a necessidade ou não prévia habilitação do crédito nas ações judiciais que não possuem eficácia executiva, em contraposição às ações judiciais que possuem eficácia executiva e que devem ser objeto de pedido de habilitação para fins de compensação. Tal nota foi submetida à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que se manifestou no Parecer PGFN/CRJ nº 19/2011, discorrendo sobre o tema da eficácia executiva das sentenças judiciais, assim dispôs, especificamente quanto ao item relativo à prévia habilitação: "47. Nesse sentido, gozam de força executiva as sentenças exaradas em ações tributárias declaratórias ajuizadas após a ocorrência da violação ao direito, cujo objeto seja restrito à Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.549 8 obtenção de certeza jurídica, por intermédio da coisa julgada material, acerca da existência/inexistência de relação jurídico tributária, porque, em tais ações, ainda que implicitamente, é possível identificar e extrair oselementos da obrigação devida, como sujeitos, prestação e exigibilidade. 48. Em outra linguagem, pode ser executada e, conseqüentemente, ser objeto de compensação − na medida em que a compensação constitui uma das formas de execução do julgado − a sentença que assegure ao autor o direito de obstar a exigência futura de determinado tributo pelo Fisco, independentemente de constar, de modo expresso, no pedido da ação ou no bojo da sentença, reconhecimento de direito creditório em favor do autor face à Fazenda Pública. [...] 51. Em relação ao mandado de segurança, o exame do alcance da sentença nele proferida deve ser realizado a partir da análise da natureza da ação mandamental combinada com os enunciados das Súmulas nº 213 do STJ e 269 e 271 do STF. [...] 57. Inquestionável que a aplicação das súmulas deve ser harmônica, o que implica na assertiva de que o mandamus constitui meio hábil para a declaração do direito à compensação tributária, mas não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, já que não é substitutivo de ação de cobrança. Nesse sentido, veja o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria: [...] 60. Nesse contexto, concluise que a sentença proferida em sede de mandado de segurança se sujeita a dois regramentos: a) como o writ alcança somente as prestações atuais e futuras, gozam os consectários entre a data da impetração e do efetivo cumprimento da ordem de força mandamental e de eficácia executiva (no caso de não cumprimento da ordem – art. 461 do CPC), podendo tais valores, em consequência, ser objeto de compensação tributária (Súmula nº 213 do STJ) e b) inviabilidade da cobrança, por meio de mandado de segurança, dos valores referentes às parcelas pretéritas ao ajuizamento do writ e, portanto, impossibilidade de compensação de tais créditos, devendo ser ajuizada nova ação (repetição de indébito) à satisfação dos créditos pretéritos (Súmulas nº 269 e 271 do STF). Das conclusões tecidas por esta ProcuradoriaGeral 61. Diante das considerações delineadas, constatase que a força executiva da sentença decorre da natureza e do conteúdo da decisão, independentemente da denominação a ela atribuída, de tal maneira que gozará de eficácia executiva e, portanto, poderá ser objeto de compensação toda sentença tributária que, Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.550 9 ao reconhecer a existência/inexistência de relação jurídico tributária, contiver, mesmo que implicitamente, os elementos identificadores da obrigação devida (sujeitos, prestação e exigibilidade). 62. Destarte, no campo tributário, além das ações condenatórias, gozam de eficácia executiva as sentenças de procedência das ações declaratórias e mandamentais ajuizadas após ocorrida a violação ao direito (no caso, o recolhimento indevido da exação pelo Fisco), cujo objeto limitase a impedir a constituição de determinado crédito tributário futuro, na medida em que o direito à satisfação do crédito (restituição via precatório ou compensação) figura como consectário lógico das ações de tal natureza e não necessita vir expresso na sentença ou no pedido da ação. (Observar as peculiaridades da ação mandamental listadas nos itens 51 a 60 deste Parecer). [...] 67. Como visto, esta ProcuradoriaGeral firmou o entendimento de que possuem eficácia executiva as decisões judiciais que se limitam a reconhecer a inexistência de relação jurídico tributária, quando delas puder resultar direito de crédito ao contribuinteautor, em razão de já ter ocorrido violação prévia ao direito (no caso, recolhimento indevido do tributo). Assim, tais sentenças podem ser objeto de execução contra a Fazenda Nacional mediante compensação ou na forma do art. 730 do CPC." Referido posicionamento foi revisado em seu item 60, pelo Parecer PGFN/CRJ/ nº 1177/2013, que revogou tal item, opinando pela possibilidade de compensação de prestações pretéritas ao ajuizamento do mandado de segurança sem que haja um segundo juízo de certificação (nova ação condenatória) para que haja a satisfação do direito, conforme abaixo transcrito: 35. Diante do exposto, concluise que podem ser objeto de compensação os créditos vincendos e vencidos à propositura do mandado de segurança quando referentes à decisão mandamental transitada em julgado, que reconhece a inexistência de relação jurídicotributária, independentemente de constar, de modo expresso, no pedido da ação ou no bojo da sentença, reconhecimento de direito creditório em favor do autor face à Fazenda Pública, se nele for possível identificar e extrair todos os elementos da obrigação devida, como sujeitos, prestação e exigibilidade. Porém, o Parecer PGFN/CRJ nº 19/2011 não se manifestou sobre o questionamento da Cosit acerca da desnecessidade de prévia habilitação de pedido de restituição ou compensação fundado em ação declaratória pura. Ressaltase, entretanto, que a Cosit emitiu posicionamento sobre este tema mediante a publicação da Solução de Consulta Interna nº 20, de 15 de agosto de 2016, que versou sobre decisão judicial assegurando ao contribuinte o direito de deduzir créditos escriturais de IPI na aquisição no mercado interno de insumos relativos a matériasprimas, Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.551 10 produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo industrial, adquiridos de pessoas físicas, cooperativas agrícolas e pequenos agricultores, tendo sido certificado o direito ao ressarcimento de eventuais saldos, corrigidos à taxa Selic, que após o trânsito em julgado, o contribuinte efetuou o pedido de habilitação de crédito na vigência da IN RFB nº 900/2008, a qual foi deferida A questão posta na solução cingiase à necessidade ou não de apresentação de PER antes de entrega de DCOMP, uma vez que a IN RFB nº 1300/2012 extinguiu a possibilidade de apresentação de pedido de restituição ou ressarcimento, decorrentes de ação judicial, acatando o Parecer PGFN/CAT nº 2.093/2011, que sugeria a reformulação do artigo 70 da IN RFB nº 900/2008, extirpando, assim, a restituição administrativa como possibilidade jurídica de execução do crédito em face do Fisco. A referida solução de consulta concluiu que "a sistemática de apuração do crédito escritural, conjugada com os efeitos da sentença transitada em julgado, tornam prescindível uma nova intervenção do Poder Judiciário a cada apuração futura de direito creditório, razão pela qual o ressarcimento administrativo revelase juridicamente adequado, não se vislumbrando ofensa ao dispositivo constitucional que impõe a exclusividade do precatório como forma de execução do título judicial contra a Fazenda Pública".1 Como consequência da conclusão, a SCI nº 20/2016 assim dispôs: 53. Como corolário do entendimento acima firmado, temse que o saldo credor apurado em período posterior ao trânsito em julgado da sentença encontrase submetido ao mesmo regime jurídico aplicável aos demais créditos (não decorrentes de ação judicial), podendo ser objeto de pedido de ressarcimento – com a ressalva de que a administração tributária, ao proceder à análise do direito creditório, não poderá oporse ao que restou estabelecido em caráter definitivo pela autoridade judicial. 54. O referido saldo credor não deverá ser objeto do procedimento de habilitação previsto no art. 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012, cuja exigibilidade se encontra reservada aos créditos apurados antes do trânsito em julgado da sentença, sujeitos a uma ação própria de execução contra a Fazenda. 55. Não obstante a inaplicabilidade da habilitação prévia ao direito creditório que sucede à sentença definitiva, a administração poderá condicionar o seu reconhecimento à apresentação de documentos comprobatórios, com fundamento no art. 76 da IN RFB nº 1.300, de 2012: [...] 56. Tanto o contribuinte quanto a administração devem observar que os efeitos da decisão judicial perduram até que sobrevenham novas circunstâncias fáticas ou jurídicas, cujo desdobramento será uma nova relação, não alcançada pelo provimento judicial. [...] 1 Item 52 da SCI nº 20/2016 Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.552 11 Conclusão [...] 62. Em relação aos créditos apurados antes do trânsito em julgado da sentença, concluise: 62.1. A IN RFB nº 900, de 2008, estabelecia a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação como hipóteses de aproveitamento, no âmbito administrativo, de crédito decorrente de ação judicial; 62.2. A possibilidade de restituição, ressarcimento ou reembolso de crédito decorrente de ação judicial não encontra previsão na IN RFB nº 1.300, de 2012, tendo em vista o entendimento consignado no Parecer PGFN/CAT nº 2.093, de 2011; e 62.3. A mudança de interpretação não se aplica à hipótese em que o contribuinte tenha apresentado o pedido de ressarcimento do crédito decorrente de ação judicial na vigência da IN RFB nº 900, de 2008. 63. No que se refere aos créditos apurados a partir do trânsito em julgado da sentença, cujo aproveitamento será realizado na vigência da IN RFB nº 1.300, de 2012, concluise: 63.1. O saldo credor poderá ser objeto de pedido de ressarcimento, com a ressalva de que a administração tributária, ao proceder à análise do direito creditório, não poderá oporse ao que restou estabelecido em caráter definitivo pela autoridade judicial; 63.2. O saldo credor não deverá ser objeto do procedimento de habilitação previsto no art. 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; 63.3. Não obstante a inaplicabilidade da habilitação prévia ao direito creditório que sucede à sentença definitiva, a administração poderá condicionar o seu reconhecimento à apresentação de documentos comprobatórios; 63.4. Tanto o contribuinte quanto a administração devem observar que os efeitos da decisão judicial perduram até que sobrevenham novas circunstâncias fáticas ou jurídicas, cujo desdobramento será uma nova relação, não alcançada pelo provimento judicial; Assim, o entendimento da Administração Tributária é de que o direito creditório reconhecido judicialmente, após o trânsito em julgado, relativo à escrituração de créditos de IPI, eventualmente, compondo saldo credor passível de ressarcimento, pode ser objeto de pedido de ressarcimento, sem a necessidade de pedido prévio de habilitação. Embora a solução de consulta tenha sido fundada nas IN RFB nº 900/2008 e nº 1.300/2012, seus fundamentos são aplicáveis ao disposto ao pedido de habilitação prévia de que trata o artigo 51 da IN SRF 600/2005, vigente à época dos fatos, o que convalidou o posicionamento da Cosit externado na Nota Técnica nº 18/2010, quando à desnecessidade de habilitação prévia para decisões judiciais que não possuem eficácia executiva. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10480.720219/201015 Acórdão n.º 3302004.803 S3C3T2 Fl. 1.553 12 Assim, procede o pedido do recurso voluntário para processamento do pedido de ressarcimento, independentemente de prévia habilitação, podendo ser verificada, entretanto, a liquidez e certeza do direito creditório, mediante, inclusive, diligência fiscal, se necessário, de acordo com o artigo 107A da IN RFB nº 1.300/2012. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.916807/2011-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.549
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.916807/2011-94
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5779898
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.549
nome_arquivo_s : Decisao_10980916807201194.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10980916807201194_5779898.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6960016
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468148908032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.916807/201194 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.549 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 68 07 /2 01 1- 94 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10980.916807/201194 Acórdão n.º 3302004.549 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.433. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10980.916807/201194 Acórdão n.º 3302004.549 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10980.916807/201194 Acórdão n.º 3302004.549 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10980.916807/201194 Acórdão n.º 3302004.549 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.916807/201194 Acórdão n.º 3302004.549 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.916807/201194 Acórdão n.º 3302004.549 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001070/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PIS-REPIQUE. DECADÊNCIA.
Não há que se falar em decadência do PIS-REPIQUE se a empresa anteriormente lançou e liquidou o PIS nos moldes dos decretos-leis nº2445 e 2449/88. Afastados os referidos decretos por decisão judicial transitada em julgado, não há necessidade de novo lançamento para o PIS-REPIQUE nos termos da LC nº7/70.
Numero da decisão: 3402-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne apresentou declaração de voto, lida em Sessão, acompanhando o Relator pelas conclusões, sendo seguida pelos Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto.
Assinatura Digital
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
Assinatura Digital
PEDRO SOUSA BISPO- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PIS-REPIQUE. DECADÊNCIA. Não há que se falar em decadência do PIS-REPIQUE se a empresa anteriormente lançou e liquidou o PIS nos moldes dos decretos-leis nº2445 e 2449/88. Afastados os referidos decretos por decisão judicial transitada em julgado, não há necessidade de novo lançamento para o PIS-REPIQUE nos termos da LC nº7/70.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10665.001070/2010-03
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5780007
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.346
nome_arquivo_s : Decisao_10665001070201003.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10665001070201003_5780007.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne apresentou declaração de voto, lida em Sessão, acompanhando o Relator pelas conclusões, sendo seguida pelos Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Assinatura Digital JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6960784
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468158345216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 58 1 57 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.001070/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.346 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria PIS/PASEP Recorrente TRANZDUARTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PISREPIQUE. DECADÊNCIA. Não há que se falar em decadência do PISREPIQUE se a empresa anteriormente lançou e liquidou o PIS nos moldes dos decretosleis nº2445 e 2449/88. Afastados os referidos decretos por decisão judicial transitada em julgado, não há necessidade de novo lançamento para o PISREPIQUE nos termos da LC nº7/70. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne apresentou declaração de voto, lida em Sessão, acompanhando o Relator pelas conclusões, sendo seguida pelos Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. Assinatura Digital JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 70 /2 01 0- 03 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de processo formalizado para fins de tratamento manual da DCOMP nº 07667.25003.200809.1.3.54 8026 (cópia fls. 02/05), cujo crédito originase da ação judicial nº 2000.38.00.0032233. A compensação do referido crédito fora objeto de análise manual no processo administrativo nº 10665.000347/201072, cuja cópia do despacho decisório foi juntada nas fls. 06/11 do presente processo. O crédito reconhecido judicialmente foi utilizado em compensações declaradas nas seguintes Dcomp’s: Nº DCOMP Data de Transmissão 26941.79681.160709.1.3.547749 16/07/2009 07667.25003.200809.1.3.548026 20/08/2009 17927.13274.240909.1.3.546771 24/09/2009 08695.47875.290909.1.3.545103 29/09/2009 Relata a DRF de origem que a DCOMP nº 07667.25003.200809.1.3.548026 foi incluída no Sistema de Controle da RFB (Sief/PERDComp) em data posterior à análise do processo administrativo nº 10665.000347/201072, motivo pelo qual não foi possível sua análise juntamente com as demais DCOMP envolvendo o referido crédito, levada a efeito no processo administrativo nº 10665.000347/201072 (fl. 12). De tal sorte que, mediante Despacho Decisório Saort/DRF/DIV, de 09 de julho de 2010, a autoridade jurisdicionante concluiu que o crédito originado da ação judicial nº 2000.38.00.0032233 fora inteiramente utilizado na DCOMP n° 26941.79681.160709.1.3.547749 (primeira Dcomp transmitida) e, adotando os mesmos fundamentos expostos no despacho decisório proferido no processo administrativo nº 10665.000347/201072 (cópia fls. 02/05), decidiu por NÃO HOMOLOGAR a DCOMP nº 07667.25003.200809.1.3.548026 (fls. 12/13). Cientificada da decisão em 14/07/2010 (fl. 15), a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.16/26) e documentos anexos, em 09/08/2010, alegando em síntese, que: · O crédito da ação judicial nº 2000.38.00.0032233 já fora objeto de análise no processo administrativo nº 10665.000347/201072, sendo que outras declarações de Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10665.001070/201003 Acórdão n.º 3402004.346 S3C4T2 Fl. 59 3 compensação também vinculadas à referida ação não foram, erroneamente, homologadas em função da insuficiência de crédito. · Da mesma maneira que restou comprovado o erro no cálculo do valor do crédito a ser utilizado nas Declarações de Compensação anteriores, persiste o erro na não homologação da DCOMP nº 07667.25003.200809.1.3.548026. · As declarações de compensação eletrônicas foram feitas em pleno respeito aos critérios estabelecidos na decisão judicial dos autos de n°: 2000.38.00.0032233, cujo valor total é mais do que suficiente, não só para homologação daquelas declarações de compensação, como da Dcomp ora impugnada. · No que concerne à atualização do indébito tributário, o índice de correção utilizado pela RFB não segue estritamente o previsto na legislação e na jurisprudência pátria que entendem ser devida incidência de juros de mora nos limites fixados pelo art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95 (Selic). Cita jurisprudência. · Na apuração do direito creditório foi observado estritamente o Manual de Procedimentos de Cálculos, aprovado pela Resolução 561, de 02/07/07, do Conselho Nacional da Justiça Federal, o qual define procedimentos e forma de cálculo para atualização de valores havidos judicialmente. O presente caso É EXATAMENTE IGUAL AOS DOS DEMAIS PEDIDOS FEITOS, eis que, o crédito auferido pela empresa é suficiente para compensação DAQUELES, E DESTE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, não importando o tempo e hora em que encaminhados Em ato contínuo, a DRJBHE julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Nos termos da sentença exeqüenda transitada em julgado, a atualização dos valores recolhidos indevidamente deve ser efetuada com base no seqüencial OTN/BTN/INPC/UFIR, acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, a partir do trânsito em julgado da sentença. Incabível a utilização da Taxa SELIC, ou qualquer outro indexador ou percentual, a título de correção monetária ou taxa de juros de mora, sob pena de afronta à coisa julgada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Fl. 70DF CARF MF 4 DCOMP. AÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO ANALISADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. Tratandose de DCOMP vinculada à mesma ação judicial cujo direito creditório já foi objeto de análise em processo administrativo, devem ser adotados, no mérito, os mesmos fundamentos da decisão proferida anteriormente, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos." Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão da DRJBHE. Nas suas argumentações, a única e inédita questão a ser enfrentada é a alegação de Decadência do PISrepique abatido pela Autoridade Tributária do seu quantum a repetir reconhecido por meio de ação judicial transitada em julgado. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O recurso voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Cabe frisar que a principal questão abordada na instância a quo, no que se refere a aplicação da taxa SELIC para correção dos créditos compensáveis da recorrente, não foi abordada no presente recurso. Assim, considero julgada definitivamente essa questão. Quanto a Decadência, sendo uma questão de ordem pública, não está sujeita a preclusão e pode ser trazida aos autos em qualquer fase do processo. Sobre esse tema a CSRF já se posicionou nos seguintes termos: "IRPJ CSLL E COFINSDECADÊNCIA Exercício:2000 PRECLUSÃO. DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, não se pode arguir preclusão para apreciação de um dos seus pressupostos. DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o dies a a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF." (Acórdão n°9101001.542. DOU 26/08/2014). Superada essa questão, conheço do Recurso Voluntário e passo a sua apreciação. Não identifiquei nos autos elementos que confirmem a alegação da recorrente, nos termos a seguir. De forma sintética, a questão discutida nos autos foi a respeito do direito creditório da empresa que obteve provimento judicial para repetir os valores de PIS pagos a maior com base no faturamento do mês no período de 08/02/90 até o fato gerador de 09/1995, na parte que exceder o PIS devido na modalidade Repique. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10665.001070/201003 Acórdão n.º 3402004.346 S3C4T2 Fl. 60 5 A Autoridade Tributária efetuou a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, realizando um encontro de contas entre o que foi pago com base no faturamento do mês, conforme preceituava as Leis nº 7.691/88, 7.779/89, 8.218/91 e 8.383/91 (PIS faturamento) e o devido com base na Lei Complementar nº 7/1970 (PISrepique), em estrito cumprimento do que determinou a decisão judicial, verbis: "Deve a autoridade administrativa aferir os valores e o período a serem compensados, ficando explicitado que ao permitir a compensação que deve ser realizada extraautos não se está homologando o pagamento feito pelo contribuinte (com a declaração de extinção do crédito tributário) eis que tal providência caberá ao fisco, oportunamente, quando houver sido encerrado o procedimento, em adimplemento a este comando judicial, após simples cálculos dos valores a serem compensados.(Proc. nº2000.38.00.0032233, 21ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais)fls.39 " Com efeito, a decisão judicial em comento deixa claro que coube à Autoridade Administrativa a apuração do quantum compensável: Se a empresa realizou o lançamento por homologação e pagou o respectivo débito do PIS sobre o faturamento, fato comprovado nos autos, não há necessidade de novo lançamento para se exigir o PISrepique nos moldes da LC nª 7/1970. A empresa permaneceu sujeita a mesma contribuição, somente alterandose a sua forma de apuração. Houve a necessidade apenas de realizar uma revisão e adequação dos cálculos a fim de se apurar o valor devido, sem necessidade de novo lançamento. Quanto a esse aspecto, o STJ já se posicionou em Recurso Especial representativo de controvérsia inferindo a desnecessidade de novo lançamento quanto a apuração do indébito de PIS, em face da reconhecida inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445 e 2.449/88. Segundo o tribunal superior, o caso se enquadraria na hipótese constante no art.144 do CTN, não havendo a necessidade de novo lançamento para exigir o PIS sob a nova modalidade, prevista na LC 7/70, conforme abaixo reproduzido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA (CDA) ORIGINADA DE LANÇAMENTO FUNDADO EM LEI POSTERIORMENTE DECLARADA INCONSTITUCIONAL EM SEDE DE CONTROLE DIFUSO (DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88). VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO QUE NÃO PODE SER REVISTO. INEXIGIBILIDADE PARCIAL DO TÍTULO EXECUTIVO. ILIQUIDEZ AFASTADA ANTE A NECESSIDADE DE SIMPLES CÁLCULO ARITMÉTICO PARA EXPURGO DA PARCELA INDEVIDA DA CDA. PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL POR FORÇA DA DECISÃO, PROFERIDA NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO, QUE DECLAROU O EXCESSO E QUE OSTENTA FORÇA EXECUTIVA. DESNECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA CDA. 1. O prosseguimento da execução fiscal (pelo valor remanescente daquele constante do lançamento tributário ou do Fl. 72DF CARF MF 6 ato de formalização do contribuinte fundado em legislação posteriormente declarada inconstitucional em sede de controle difuso) revelase forçoso em face da suficiência da liquidação do título executivo, consubstanciado na sentença proferida nos embargos à execução, que reconheceu o excesso cobrado pelo Fisco, sobressaindo a higidez do ato de constituição do crédito tributário, o que, a fortiori, dispensa a emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 2. Deveras, é certo que a Fazenda Pública pode substituir ou emendar a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos (artigo 2º, § 8º, da Lei 6.830/80), quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada, entre outras, a modificação do sujeito passivo da execução (Súmula 392/STJ) ou da norma legal que, por equívoco, tenha servido de fundamento ao lançamento tributário (Precedente do STJ submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25.11.2009, DJe 18.12.2009). 3. In casu, contudo, não se cuida de correção de equívoco, uma vez que o ato de formalização do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação (DCTF), encampado por desnecessário ato administrativo de lançamento (Súmula 436/STJ), precedeu à declaração incidental de inconstitucionalidade formal das normas que alteraram o critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária, quais sejam, os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. 4. O princípio da imutabilidade do lançamento tributário, insculpido no artigo 145, do CTN, prenuncia que o poderdever de autotutela da Administração Tributária, consubstanciado na possibilidade de revisão do ato administrativo constitutivo do crédito tributário, somente pode ser exercido nas hipóteses elencadas no artigo 149, do Codex Tributário, e desde que não ultimada a extinção do crédito pelo decurso do prazo decadencial qüinqüenal, em homenagem ao princípio da proteção à confiança do contribuinte (encartado no artigo 146) e no respeito ao ato jurídico perfeito. 5. O caso sub judice amoldase no disposto no caput do artigo 144, do CTN ("O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada."), uma vez que a autoridade administrativa procedeu ao lançamento do crédito tributário formalizado pelo contribuinte (providência desnecessária por força da Súmula 436/STJ), utilizandose da base de cálculo estipulada pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso, tendo sido expedida a Resolução 49, pelo Senado Federal, em 19.10.1995. 6. Conseqüentemente, tendo em vista a desnecessidade de revisão do lançamento, subsiste a constituição do crédito tributário que teve por base a legislação ulteriormente declarada inconstitucional, exegese que, entretanto, não ilide a inexigibilidade do débito fiscal, encartado no título executivo Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10665.001070/201003 Acórdão n.º 3402004.346 S3C4T2 Fl. 61 7 extrajudicial, na parte referente ao quantum a maior cobrado com espeque na lei expurgada do ordenamento jurídico, o que, inclusive, encontrase, atualmente, preceituado nos artigos 18 e 19, da Lei 10.522/2002, verbis: "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do DecretoLei no 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei no 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores; (...) § 2o Os autos das execuções fiscais dos débitos de que trata este artigo serão arquivados mediante despacho do juiz, ciente o Procurador da Fazenda Nacional, salvo a existência de valor remanescente relativo a débitos legalmente exigíveis. contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; (...). § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004)" 7. Assim, ultrapassada a questão da nulidade do ato constitutivo do crédito tributário, remanesce a exigibilidade parcial do valor inscrito na dívida ativa, sem necessidade de emenda ou substituição da CDA (cuja liquidez permanece incólume), máxime tendo em vista que a sentença proferida no âmbito dos embargos à execução, que reconhece o excesso, é título executivo passível, por si só, de ser liquidado para fins de prosseguimento da execução fiscal (artigos 475B, 475H, 475N e 475I, do CPC). 8. Consectariamente, dispensase novo lançamento tributário e, a fortiori, emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPCe da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.115.501/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 30/11/2010) [grifos acrescidos] Afasto, dessa forma, qualquer pretensão de ocorrência de Decadência do valor devido de PISrepique alegada pela recorrente. Pelo exposto, e por todos os elementos presentes nos autos, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 74DF CARF MF 8 Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Declaração de Voto Com a devida vênia, não coaduno com o raciocínio delineado pelo I. Relator no sentido de não admitir o argumento da decadência do direito de lançar de uma forma geral. Isso porque, na hipótese de ser possível verificar no caso concreto a exigência, por meio do processo de restituição ou compensação, de valores de débitos atingidos pela decadência, caberia sim darse provimento ao Recurso. De fato, a eventual existência de créditos tributários devidos pelo sujeito passivo que não estejam devidamente constituídos (por sua declaração ou lançamento) e que não possam mais ser constituídos por já terem sido atingidos pela decadência não podem ser simplesmente abatidos pela fiscalização do montante do crédito pleiteado pelo sujeito nos processos de restituição e/ou compensação. Essa redução no montante do crédito implicaria em verdadeira exigência de tributo decaído, o que não se pode de qualquer forma admitir. Contudo, atentandose para o caso em tela, observase que o Recorrente não trouxe nenhum elemento de prova capaz de sustentar sua alegação de decadência. Com efeito, o despacho decisório proferido afirma que considerou os valores recolhidos pelo contribuinte em conformidade com a planilha por ele próprio elaborada, resultando em diferença a cobrar em razão de uma divergência no índice de atualização monetária utilizado no cálculo do crédito. Vejamos os exatos termos do despacho decisório: “26. Efetuada a conferência dos cálculos apresentados pela interessada nas planilhas de fls. 24/25 foi possível verificar a sua exatidão em relação à atualização dos créditos até dezembro de 1995, sendo portanto, legitimo o valor de R$ 33.672,08, apurado naquela data. 27. Os valores do PIS/Repique apurados e deduzidos do crédito também estão em conformidade com as informações contidas nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, existentes nas bases de dados da RFB (fls. 42/56). Todos os pagamentos indicados foram também confirmados na base de dados da RFB. 28. Diverge, entretanto, o cálculo no tocante a aplicação dos juros, tendo em vista que o crédito foi atualizado pela Selic em vez da utilização do percentual de 1% (um por cento) a partir do trânsito em julgado conforme determina a ação judicial.” (grifei) Observase, portanto, que a apuração de valores devidos à título de PIS foi realizado pela fiscalização com fulcro na própria apuração apresentada pelo sujeito passivo e em sua declaração de imposto de renda, inexistindo na hipótese uma revisão de valores devidos pelo Recorrente. A divergência restou, apenas, no índice de atualização monetária do crédito, o que ensejou na homologação apenas parcial das compensações. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10665.001070/201003 Acórdão n.º 3402004.346 S3C4T2 Fl. 62 9 Nesse sentido, não há que se falar em revisão de lançamento nesse caso suscetível a atrair a discussão em torno da decadência. Com efeito, como se depreende do despacho decisório, não houve divergência quanto aos valores dos débitos devidos pelo Recorrente em sua apuração, mas apenas quanto ao valor do crédito tributário passível de restituição. Desta forma, em razão da ausência de substrato fático para a alegação de decadência da Recorrente, nego provimento ao Recurso, acompanhando o relator pelas conclusões. É minha declaração de voto. (assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000265/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2008
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS - SENAR - INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE.
As contribuições destinadas a outras entidades e fundos decorrem de expressa previsão constante de lei tributária vigente. Tais disposições devem, no caso em apreço, serem cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social
Numero da decisão: 2201-003.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2008 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS - SENAR - INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. As contribuições destinadas a outras entidades e fundos decorrem de expressa previsão constante de lei tributária vigente. Tais disposições devem, no caso em apreço, serem cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15868.000265/2010-65
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5777417
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.866
nome_arquivo_s : Decisao_15868000265201065.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15868000265201065_5777417.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6948255
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468208676864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 149 1 148 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.000265/201065 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.866 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente FRIGORIFICO ILHA SOLTEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2008 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS SENAR INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. As contribuições destinadas a outras entidades e fundos decorrem de expressa previsão constante de lei tributária vigente. Tais disposições devem, no caso em apreço, serem cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 02 65 /2 01 0- 65 Fl. 149DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas, para outras entidades e fundos SENAR incidente sobre o valor da comercialização a ser retida e recolhida, por subrogação, pelo adquirente de produto rural de produtor pessoa física. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 12.064,94, representado pelo valor principal (R$ 7.896,05), juros (R$ 2.273,84) e multa de mora (R$ 1.895,05), em valores consolidados em julho de 2010. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas por subrogação no período de junho de 2006 a agosto de 2008, ocorreu em 26 de julho de 2010, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 37. Em 18 de agosto de 2010, foi apresentada a impugnação ao lançamento. Em 25 de março de 2011, a 7ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1433029 (fls. 89), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório, que por sua clareza, reproduzo (fls.90): Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Principais — AIOP —Debcad n.° 37.277.61751, de 15/07/2010 e com cientificação do sujeito passivo em 26/07/2010, referente a contribuições a outras entidades e fundos (terceiros) Serviço Nacional de Aprendizagem Rural — SENAR, incidentes sobre a receita bruta na comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, por subrogação, calculadas sobre os valores de aquisição bovinos, contribuições essas não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP ou declaradas a menor, relativas ao período de 06/2006 a 08/2008 (não contínuo), no montante de R$ 106.606,87 cento e seis mil, seiscentos e seis reais e oitenta e sete centavos). Segundo o Relatório Fiscal RF, os valores exigidos foram apurados com base nos seguintes documentos: Livros Diário e Razão n°09, 10 e 11; Livros de Registro de Entradas n.° 09, 10 e 11; Notas Fiscais. Impugnação Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou impugnação, através do instrumento de fls. 41/51 alegando, em síntese: Da substituição tributária do subrogado Fl. 150DF CARF MF Processo nº 15868.000265/201065 Acórdão n.º 2201003.866 S2C2T1 Fl. 150 3 Segundo a autuada, o fisco não levou em consideração a não retenção de valores (a falta de destaque da contribuição no corpo do documento fiscal) e. não tendo sido inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre o faturamento ou receita bruta da comercialização da produção do produtor rural pessoa física instituída pela Lei 8.540/92, que alterou o art. 25 da Lei 8.212/91; ilegalidade, pois a Lei 8.212/91 não definiu o fato gerador, apenas a alíquota e a base de cálculo, tendo sido o fato gerador definido pela Instrução Normativa INSS/DC n.° 60 de 30 de outubro de 2001, ou seja, essa IN ultrapassou os limites da lei. Da substituição tributária do subrogado Segundo a autuada, o fisco não levou em consideração a não retenção de valores (a falta de destaque da contribuição no corpo do documento fiscal) e, não tendo sido objetos de retenção pelo produtor rural, cai por terra a inculpação de que houve falta de declaração ou declaração inexata e falta de pagamento das contribuições. Apresenta trechos de dois acórdãos do TRF da 4.' Região que confirmam que o produtor rural e o pescador pessoa física são os verdadeiros contribuintes e, não fazendo esses a retenção em seu documento fiscal, nada deve o subrogado, no caso o frigorífico, pois, na subrogação, o adquirente recolhe o tributo em nome do produtor. Dos dispositivos constitucionais violados para a exigência do SENAR No entender do sujeito passivo, a exigência da contribuição em tela ferem artigos da Constituição Federal: ao instituir contribuição mensal compulsória sobre a folha de salários por Medida Provisória, vulnera sobremaneira o preceito do " art. 149, que obriga que as contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas sejam instrumentos de atuação da União nas respectivas áreas e não receitas de entidade privada que sequer integra a administração federal indireta; foi violado o disposto no art. 140, que ressalvou dos princípios constitucionais da Seguridade Social e do sistema tributário apenas as já existentes contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculada ao sistema sindical; os dispositivos violam ainda o art. 213, que reserva a destinação dos recursos públicos às escolas públicas, ressalvadas as comunitárias, confessionais ou filantrópicas que comprovem finalidade não lucrativa, apliquem seus Fl. 151DF CARF MF 4 excedentes financeiros em educação e assegure a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. Do cerceamento de defesa Afirma o contribuinte ter sido configurado o cerceamento de defesa pela conduta do fisco federal ao prosseguir com a fiscalização de outras contribuições sociais, mantendo toda a documentação em seu poder, dificultando a juntada completa de documentos na defesa, o que fulminou seu direito de produzir prova. Da exorbitância da multa Nesse tópico, a empresa teoriza sobre as sanções, aduzindo que devem ser observados, em sua aplicação, os princípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade em sentido estrito, tece considerações sobre a carga tributária no país e termina alegando que deve ser rechaçada a multa constante neste AIOP, por padecer de ilegalidade tal exigência, visto que o contribuinte de fato e de direito é o produtor rural, que no presente caso não efetuou a retenção no corpo do documento fiscal (nota fiscal), devendo tal obrigação recair sobre ele. Do pedido e da conclusão Finalmente, anexando os documentos de fls. 52/83, a impugnante: requer nova abertura de prazo para posterior juntadas de documentos, caso se entenda conveniente; protesta por todas as provas admitidas em direito; requer a anulação do presente auto de infração, já que se encontra eivado de vícios insanáveis, inclusive do cerceamento de defesa; conclui e crê ser suficiente a argumentação expendida para fins de decretação da improcedência do feito fiscal." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 13 de maio de 2011, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 10 de junho de 2011, recurso voluntário (fls. 102), do qual constam, em síntese, as mesmas considerações, que serão apreciadas no voto. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15868.000265/201065 Acórdão n.º 2201003.866 S2C2T1 Fl. 151 5 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, passo a analisálo na ordem de suas alegações. Preliminarmente, o Recorrente tece considerações sobre os requisitos do lançamento tributário e menciona a finalidade das sanções tributárias e assevera ser incabível a aplicação de sanções posto que já há a cobrança do tributo acrescido da multa de mora e dos juros legais. Alude, ainda, ao direito ao contraditório e a ampla defesa no processo administrativo. Não obstante tais considerações, não há nenhuma questão preliminar apontada no voluntário. DO LANÇAMENTO A LUZ DA LEI Passando ao mérito, os argumentos recursais mencionam que o lançamento tributário deve ser pautado pelos requisitos legais atinentes, não restando discricionariedade à Autoridade Fiscal na constituição do crédito tributário. Na sequência, argui (fls 255): "7 O processo tributário para estar regularmente estruturado, segundo os princípios constitucionais é fundamental que este esteja vinculado a outros princípios processuais que atendem a natureza dessa relação obrigacional tributária e com a necessária conexão entre o processo judicial e o administrativo. 8 Essa finalidade do processo administrativo tributário tem imediatos efeitos nos princípios ou máximas que o estruturam, para assegurar uma efetiva tutela legal, refletida pelos poderes de cognição dos julgadores na delimitação fática do processo e na natureza e limites do objeto do processo. 9 Como é um instrumento de atuação, o direito material, espera se que dele cumpra as finalidades que lhe são colocadas, distribuição de justiça e pacificação dos conflitos, ser ágil, claro, lógico, sem que com isso venha a ferir, a prejudicar qualquer das garantias que estão institucionalizadas pela própria Constituição. 10 Então, nesse sentido, as formalidades essenciais, são necessárias para se obter a certeza jurídica e a segurança processual, sem que se leve a esse excesso de rigores formalísticos, não se levar adiante o objetivo maior do processo administrativo tributário. 11 No princípio da estrita legalidade é que dedilha a verdade, como sendo um pressuposto da certeza a própria segurança jurídica e do Estado de Direito. (...) Fl. 153DF CARF MF 6 12 Sendo o auto de infração meio legal com que se declara a constituição do crédito tributário, não fica ao livre alvedrio da autoridade fiscal a respectiva elaboração, pois e ele um ato administrativo vinculado, obrigatório e essencialmente formal. Da leitura atenta dos argumentos acima, verificase que embora calcados em linguagem jurídica e citações doutrinárias, não há nenhuma questão a ser analisada, posto que todos os argumentos são destinados a concluir que o lançamento tributário é um ato administrativo vinculado, obrigatório e essencialmente formal. O que se verifica é a Administração Tributária, cumprindo seu poder/dever, fiscalizando o sujeito passivo com o objetivo de atestar o cumprimento das obrigações tributárias decorrente da realização do fato imponível, por subrogação. E o fez respeitando todos os ditames legais. Observo no lançamento o cumprimento dos requisitos dispostos no artigo 142 do CTN e no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, comandos legais atinentes ao ato constitutivo de crédito pelo Fisco. Para tanto, há a intimação do contribuinte para a apresentação dos documentos que permitam a verificação desse cumprimento. Observada a omissão tributária, realizase o lançamento correspondente. Tudo com respeito aos comandos normativos atinentes Não havendo mais nenhum argumento quanto ao descumprimento da obrigação principal pelo Recorrente, forçoso reconhecer que o recurso voluntário deve ser negado nesta parte. O PORQUÊ DE NÃO SE PODER EXIGIR O FUNRURAL DE PESSOA JURÍDICA URBANA Passando ao mérito, os argumentos recursais mencionam que o lançamento tributário deve ser pautado pelos requisitos legais atinentes, não restando discricionariedade à Autoridade Fiscal na constituição do crédito tributário. Na sequência, argui (fls 255): "16 Porque, por meio do artigo 195, seus incisos e parágrafos, a Constituição Federal, ao tratar das con buições destinadas ao custeio da Seguridade Social, estabeleceu um âmbito de incidência. (...) 18 A Constituição Federal foi expressa, no 58' do artigo 195, ao determinar que a contribuição para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre os resultados da comercialização da produção, será a fonte de custeio para aqueles que exploram a atividade rural em regime de economia familiar. 19 No entanto, quanto ao empregador rural, pessoa física, que explora atividade rural com auxílio de empregados, a Constituição Federal não se manifestou da mesma forma. 20 Diante deste "vácuo", editouse a Lei n.° 8.212/91, que ampliou a base de cálculo do segurado especial previsto no 58° do artigo 195 da Constituição Federal, para o empregador rural pessoa fisica: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15868.000265/201065 Acórdão n.º 2201003.866 S2C2T1 Fl. 152 7 (...) 21 É exatamente nesta ampliação que os contribuintes sujeitos à base de cálculo resultado da comercialização de sua produção, que reside a ilegalidade (inconstitucionalidade ). 22 Isto porque, a Lei 8.212/91 quis fazer equiparar o "produtor rural" (pessoa física) com o produtor rural segurado especial, que exerce sua atividade em regime de economia familiar, sem o auxílio de empregados permanentes, de que trata o § 8° do art. 195, da Constituição Federal. 23 Todavia, constatase que a contribuição destinada à Seguridade Social devida pelo segurado produtor rural pessoa física, incidente sobre a comerciali7ação de produtos, não possui parâmetro no art. 195 da CF, porque, apesar de semelhante ao segurado especial (descrito no parágrafo 8°), este contrata terceiros, o que leva a concluir que tal contribuição consubstanciase em nova fonte de custeio, consoante previsto pelo § 4° do art. 195, que exige lei complementar para a sua instituição. 24 Ou seja, o que o legislador ordinário fez em verdade, foi criar uma nova fonte de custeio da seguridade social, cujo contribuinte era o empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural, instituído por meio de uma simples lei ordinária, contrariando o disposto no §4° do artigo 195, da Constituição Federal. 25 Neste sentido, decidiu o Ministro Marco Aurélio no RE 363.852/MG, no que foi acompanhado pela maioria do Plenário do Supremo Tribunal Federal: (...) 26 Por fim, como se denota do voto também foi reconhecida a ilegalidade (inconstitucionalidade) do artigo 30, inciso IV da Lei n° 8.212/91, desobrigando o peticionário da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a 'receita bruta proveniente da comercialização da produção rural' de empregadores, pessoas naturais. 27 Sendo assim para que não paire duvidas, novamente delineia se a ementa em que o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela ilegalidade dessa referida contribuição indevidamente estabelecida, ora exigida, deliberando portanto no Recurso Extraordinário nº RE 363.852/MG 28 Por tal prisma é forçoso concluir, pelo afastamento da exigência constante nos arts. 25 da Lei n° 8.212/91, em razão dos seguintes preceitos; ofensa ao Princípio da Igualdade, inexistência de Lei Complementar definindo o tributo e duplicidade do recolhimento. Fl. 155DF CARF MF 8 29 E por todo o exposto, faz se concluir que as Leis n's. 8.540/92 e n. 9.528/97 são ineficazes e inválidas frente aos textos da Constituição Originária acima analisada, por esse motivo, é imérita essa exigência fiscal." Da leitura dos argumentos acima, verificase que a insurgência do Recorrente contra a exação se funda, na essência, na falta de supedâneo constitucional da norma tributária ensejadora do lançamento em discussão. Tal argumento, segundo o Recorrente, encontra eco em decisões do Supremo Tribunal Federal. Porém, em recente sessão, ocorrida em 30 de março de 2017, o Pleno do STF em julgamento do mérito do RE 718874, de relatoria do Ministro Edson Fachin, com repercussão geral reconhecida, tomou a decisão abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 30.3.2017. Assim, forçosa a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, que em seu artigo 62, preceitua: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...)" Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15868.000265/201065 Acórdão n.º 2201003.866 S2C2T1 Fl. 153 9 Sendo toda a argumentação do contribuinte focada na constitucionalidade da Lei nº 8.212/91, no que tange a matéria em discussão, e assentados, com base na decisão do STF, quanto a constitucionalidade da Lei nº 8.212/91 especialmente no que tange às disposições sobre a contribuição do produtor rural pessoa física, na redação dada pela Lei nº 10.256/01 quanto mais ao se recordar a determinação regimental deste Conselho Administrativo para que se aplique no processo administrativo as decisões judiciais pertinentes, despiciendo maiores considerações sobre o tema. Recurso voluntário negado nesta parte. DA INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Argui a Recorrente (fls. 115), nulidade do auto de infração quanto à sanção aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória. Alega que tal imposição legal decorre de instrução normativa, o que fere o princípio da estrita legalidade tributária. Alega ainda ausência dos elementos essenciais no auto de infração. Não assiste razão ao Recorrente. O auto de infração se encontra devidamente apoiado na legislação de regência (Lei 8.212/91), e dele constam em especial de seu relatório fiscal todos os elementos necessários para a perfeita compreensão da conduta ensejadora da sanção tributária, permitindo, assim, a ampla defesa pelo contribuinte Comprovase a afirmação acima com a simples leitura das disposições descritivas da conduta constante do relatório fiscal anexo ao auto de infração, além da constatação do seguinte trecho (fls. 31), onde são explicitados todos os relatórios complementares que acrescem informações com o fito de permitir a compreensão do ilícito, sua fundamentação e quantificação, além de como proceder para a regularização do débito. 3. DISPOSIÇÕES GERAIS 3.1 — Integram o Auto de Infraçãoos seguintes relatórios: 3.1.1 "IPC — Instruçõés para w . Contribuinte" : _ relatório dos procedimentos atinentes à regularização do débito junto a Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil e informações de interesse do contribuinte; 31.2 '`DD Discriminativo do Débito" — relatório discrimina por estabelecimento, competência _e levantamento, as bases de • cálculo, as rubricas, as ' alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, e retidos, as deduções permitidas, as diferençasexistentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado; ; 3.1.3 "FLD Fundamentos Legais do Débito" informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento Fl. 157DF CARF MF 10 efetuado, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores; 3.1.4 "VÍNCULOS Relação. de Vínculos" — relatório lista todas as; _ , pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração previdencíária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; 3.1.5 "RL \ Relatório de Lançamentos" — relatório relaciona os, lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias,, sobre a natureza ou fonte. documental; ." Do exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. DA EFICÁCIA DA LEGISLAÇÃO POSTERIOR PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE Argui o Recorrente, após discorrer longamente sobre a natureza das sanções tributárias, sua finalidade, princípio da razoabilidade e não confisco, pela aplicação da sanção mais benéfica, em face do advento da Lei 11.941/09 , combinado com as disposições do artigo 106 do CTN. Porém, não se observa no lançamento a imposição de multa sancionadora. Vejamos o que explicita o auto de infração (fls. 2): "Consolidação do débito em Reais: Valor atualizado: . 7.896,05 Juros: 2.273,84 Multa de mora: 1.895,05 Total: 12.064,94" Pelo apontado, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 158DF CARF MF Processo nº 15868.000265/201065 Acórdão n.º 2201003.866 S2C2T1 Fl. 154 11 Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
