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Numero do processo: 10860.901604/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/05/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO ANTERIOR À RETIFICAÇÃO DA DCTF. OCORRÊNCIA.
Nas hipóteses em que o pagamento do tributo se deu anteriormente à retificação da DCTF, em procedimento de denúncia espontânea de infração, há que se reconhecer o direito do contribuinte ao benefício, visto que o pagamento é devido em razão da obrigação tributária, nascida com a ocorrência do fato gerador, cabendo à constituição do crédito (por ato do contribuinte ou do fisco) a sua quantificação e o estabelecimento o marco de sua exigibilidade. O art. 138 do CTN exige apenas que ambos, pagamento e retificação, se dêem antes de qualquer medida fiscalizatória em relação à infração denunciada.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10860.901695/2015-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/05/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO ANTERIOR À RETIFICAÇÃO DA DCTF. OCORRÊNCIA. Nas hipóteses em que o pagamento do tributo se deu anteriormente à retificação da DCTF, em procedimento de denúncia espontânea de infração, há que se reconhecer o direito do contribuinte ao benefício, visto que o pagamento é devido em razão da obrigação tributária, nascida com a ocorrência do fato gerador, cabendo à constituição do crédito (por ato do contribuinte ou do fisco) a sua quantificação e o estabelecimento o marco de sua exigibilidade. O art. 138 do CTN exige apenas que ambos, pagamento e retificação, se dêem antes de qualquer medida fiscalizatória em relação à infração denunciada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte.
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PAGAMENTO ANTERIOR À RETIFICAÇÃO DA DCTF. OCORRÊNCIA. Nas hipóteses em que o pagamento do tributo se deu anteriormente à retificação da DCTF, em procedimento de denúncia espontânea de infração, há que se reconhecer o direito do contribuinte ao benefício, visto que o pagamento é devido em razão da obrigação tributária, nascida com a ocorrência do fato gerador, cabendo à constituição do crédito (por ato do contribuinte ou do fisco) a sua quantificação e o estabelecimento o marco de sua exigibilidade. O art. 138 do CTN exige apenas que ambos, pagamento e retificação, se dêem antes de qualquer medida fiscalizatória em relação à infração denunciada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10860.901695/201567, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 16 04 /2 01 4- 11 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10860.901604/201411 Acórdão n.º 1301003.714 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de despacho decisório proferido pela DRF, que não reconheceu crédito objeto de PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte em epígrafe. O crédito informado pelo Contribuinte era decorrente de pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, em atraso, referente à parcela correspondente à multa de mora, paga conjuntamente ao crédito tributário e os respectivos juros, anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscalizatório, com a subsequente declaração do referido débito em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Cientificada do despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade acostada aos autos, na qual pede a reforma do despacho decisório, assim como o reconhecimento integral do crédito. Entende que a multa moratória seria indevida porque efetuou o pagamento integral do tributo antes da entrega da DCTF ou de qualquer procedimento fiscalizatório, caracterizando denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, razão pela qual o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua impugnação. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10860.901604/201411 Acórdão n.º 1301003.714 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.711, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10860.901695/2015 67, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.711): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O cerne da questão discutida aqui diz respeito à possibilidade de reconhecimento dos efeitos da denúncia espontânea, estabelecida pelo art. 138 do CTN, a pagamento feito anterior antes da retificação da DCTF, corrigindo o crédito tributário constituído em processo de lançamento por homologação. No caso em questão, a sequência de eventos foi a seguinte: I) o Recorrente apresentou DCTF informando débito de estimativa em um determinado valor, correspondendo ao montante pago na data legalmente prevista para o vencimento do tributo. II) Posteriormente, efetuou o pagamento no montante do DARF juntado aos autos (cujo valor correspondia, discriminadamente, ao tributo, multa de mora e juros de mora). III) Em seguida, algum tempo após o pagamento, retificou a DCTF para elevar o débito de estimativa no montante correspondente ao valor do tributo recolhido na DARF retromencionada. IV) Após esse procedimento, apresentou PER/DCOMP pleiteando a compensação da parcela relativa à multa moratória, recolhida na DARF. Portanto, há duas questões de direito a serem resolvidas aqui: a) A ocorrência de denúncia espontânea nos casos em que não há concomitância entre a retificação da DCTF e o efetivo pagamento do tributo devido, acrescido de juros de mora. b) A abrangência das multas de mora pela denúncia espontânea. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10860.901604/201411 Acórdão n.º 1301003.714 S1C3T1 Fl. 5 4 O art. 138 do Código Tributário Nacional determina: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Analiticamente, verificase que o parágrafo único estabelece uma condição de impossibilidade absoluta para a denúncia espontânea: o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Essa premissa se encontra fora de discussão, no presente caso, por não haver qualquer questionamento sobre isso. Desse modo, passando ao caput, verificase que o dispositivo exige: i) a denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do ii) pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Há, claramente, uma dupla exigência, devendo o contribuinte realizar ato próprio para constituir juridicamente diria Paulo de Barros Carvalho, em linguagem competente , perante a fiscalização, o crédito tributário no montante correto, acompanhado do seu pagamento integral. Não basta, portanto, que haja apenas o pagamento, ou apenas denúncia da infração através da retificação da DCTF, é preciso que ambos estejam presentes antes que se inicie qualquer procedimento fiscalizatório da infração, para que se verifiquem os efeitos do art. 138 do CTN. O REsp nº 1.149.022/SP, julgado sob a sistemática de Recurso Repetitivo, analisou a hipótese em que o contribuinte, verificando a declaração e pagamento parcial do débito tributário, retifica sua DCTF e, noticiando a diferença a maior, paga concomitantemente o tributo devido. O presente caso, entretanto, traz a situação inversa: o contribuinte declarou e pagou parcialmente o tributo, e constatou que pagara a menor, recolhendo a diferença, e apenas posteriormente retificando a sua declaração. Aduz o Ministro Luís Fux que: a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10860.901604/201411 Acórdão n.º 1301003.714 S1C3T1 Fl. 6 5 noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. É que se o contribuinte não efetuasse a retificação, o fisco não poderia executálo sem antes proceder à constituição do crédito tributário atinente à parte não declarada, razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN No seu entender, o cerne do benefício é dispensar a fiscalização de verificar a infração e proceder o lançamento de ofício para posterior cobrança do montante recolhido a menor. Podemos afirmar, entretanto, que não há como se aplicar de forma direta o precedente mencionado à questão da concomitância da retificação e do pagamento integral, visto se tratarem de situações fáticas distintas, impedindo a adequação do precedente, cuja compreensão deve sempre se dar sob uma perspectiva analógicoproblemática, e não lógicosubsuntiva. A DRJ, ao analisar o caso, prosseguiu pela seguinte linha de raciocínio: Existe uma dissintonia entre o momento do pagamento sobre o qual a contribuinte alega possuir crédito e a datas em que o tributo foi declarado, todas elas posteriores ao pagamento. Diante dessa situação, não se poderia afirmar que o pagamento, quando efetivado, seria relativo a tributo devido, uma vez que sequer havia sido confirmado definitivamente o valor do tributo. Invocou, pois, o argumento da concomitância, com fundamento no Recurso Especial supramencionado e no Ato Declaratório PGFN 8/11, que reitera o trecho já citado anteriormente. Pois bem, parecenos equivocado o entendimento perfilhado pela instância a quo, o qual impacta necessariamente na inteligência do art. 138 do CTN. Em primeiro lugar, é preciso consignar o CTN estabelece uma distinção entre a obrigação tributária e o crédito tributário, ao dispor, em seus arts. 113, §1º e 139, verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O vínculo entre o Estado e o Contribuinte, relativo ao pagamento do tributo, nasce da ocorrência do fato gerador, e não do lançamento. O lançamento tem efeitos constitutivos em relação ao crédito tributário, mas declaratórios em relação à obrigação decorrente do fato gerador, estabelecendo marco de exigibilidade do tributo devido, à partir de sua quantificação. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10860.901604/201411 Acórdão n.º 1301003.714 S1C3T1 Fl. 7 6 Desse modo, não nos parece adequado concluir que o pagamento efetuado após a realização do fato gerador, mas antes da constituição do crédito tributário (seja pelo contribuinte, seja pela fiscalização), não seja considerado como pagamento devido. É devido, justamente pela existência de obrigação tributária cujo objeto é o seu pagamento, posto que inexigível enquanto pendente de acertamento definitivo. A denúncia a que se refere o art. 138 do CTN é o ato de retificar a declaração de tributos, constituindo o crédito tributário no valor correto. O escopo do dispositivo é premiar aquele que denuncia a infração, poupando esforços da burocracia fiscal, e paga o tributo com juros, evitando custosos procedimentos de cobrança exigese, pois, que uma vez retificado crédito, se verifique a sua extinção pelo pagamento. Nos casos em que há a retificação, mas não há o pagamento, na esteira de diversos precedentes da 1ª Seção do STJ, realmente não há que se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, pela necessidade do Fisco de perseguir a satisfação do crédito tributário. No presente caso, entretanto, em que o pagamento foi feito anteriormente à retificação, o mesmo é feito em relação à obrigação tributária existente por decorrência do fato gerador e fica na pendência de sua conferência com o crédito tributário constituído. Após a retificação da DCTF, pode a autoridade fiscal constatar se o pagamento efetuado corresponde ao crédito constituído, apurando à partir daí a correção ou não do pagamento antecipado, bem como eventual crédito sobressalente, passível de compensação ou restituição, como no presente caso. No momento da retificação, portanto, podese dizer que eram existentes, de forma concomitante, os dois elementos necessários para a configuração da denúncia espontânea, haja vista que nesta data não havia nenhum procedimento fiscalizatório em curso. Situação absolutamente distinta seria se, entre a data do pagamento e a retificação, tivesse o Fisco iniciado qualquer medida de apuração da infração, hipótese em que nos parece que não caberia mais o benefício da denúncia espontânea. Configurada a ocorrência da denúncia espontânea no presente caso, cabe aplicar o REsp 1.149.022/SP no tocante à abrangência do benefício às multas moratórias, como dispõe em sua ementa: Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Nesse ponto, há similitude entre o caso decidendo e o precedente invocado, justificando a sua observância. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10860.901604/201411 Acórdão n.º 1301003.714 S1C3T1 Fl. 8 7 Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo à multa de mora, em razão da ocorrência de denúncia espontânea, devendo os autos retornarem à DRF para análise do PER/DCOMP. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002574/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1832; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 4.611 1 4.610 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.002574/201164 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.529 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2018 Assunto SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES FEDERAL) Recorrente ANK SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e contribuição previdenciária (INSS), inerentes ao regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal), porventura da omissão de receitas, identificada através de movimentação financeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 02 57 4/ 20 11 -6 4 Fl. 4615DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.612 2 Em processo administrativo autuado sob nº 10830.003408/201185, apenso ao presente, notase a exclusão do Simples Federal1 e do Simples Nacional2, respectivamente, anoscalendário de 2006 e de 2007, visto que o Recorrente excedeu o limite de receita bruta de cada regime especial de tributação, equivalente a R$ 2.400.000,00. O acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis, deu parcial provimento à impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO SEGUNDO O REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO PELA PESSOA JURÍDICA. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão (art. 24, Lei nº 9.249, de 1995). EXCLUSÃO POR EXCESSO DE RECEITA BRUTA. INÍCIO E EXTENSÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO. Constatado excesso de receita bruta para permanência no Simples, os efeitos da exclusão de ofício começam a operar a partir do ano calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 MULTA MORATÓRIA DE 20%: ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFÍCIO DE 75%: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Aplicase a multa de mora de 20%, estabelecida no art. 61 Lei nº 9.430, de 1996, no caso de pagamento intempestivo e anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração após o início de procedimento fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade para efetuar o recolhimento, devendo, então, ser aplicada a multa de 75%, prevista no art. 44, I, 1 Ato Declaratório Executivo DRF/Campinas nº 006, de 24/02/2011. 2 Ato Declaratório Executivo DRF/Campinas nº 007, de 24/02/2011. Fl. 4616DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.613 3 daquela mesma Lei, com possibilidade de agravamento nas situações previstas no parágrafo 1º. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS APURADOS SOB ÀS REGRAS DO SIMPLES FEDERAL. DECADÊNCIA. ART.150 DO CTN. INOCORRÊNCIA. Não há decadência quando a ciência dos autos de infrações ocorreu antes do transcurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando o mesmo possui todos os elementos necessários à compreensão inequívoca da exigência, detalhados em Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto, e dos fatos que o motivaram e enquadramento legal da infração fiscal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Por meio dos autos de infração de fls. 5 a 67, cujo objeto foi o lançamento de ofício dos tributos vinculados ao regime de tributação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal), são exigidas do contribuinte acima identificado as importâncias relacionadas na seguinte tabela, referentes ao anocalendário de 2006, acrescidas de multa de ofício de 75% e de juros de mora, totalizando R$ 2.523.878,99. Os lançamentos decorreram de omissão de receitas por presunção legal – depósitos bancários não escriturados/ não comprovação da origem dos recursos e insuficiência de recolhimento. 1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Fl. 4617DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.614 4 A autoridade autuante relatou no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos de infração, os seguintes fatos (fls. 68 a 87): • Tratase de ação fiscal desenvolvida nos termos do Registro de Procedimento Fiscal – RPF nº 08.1.04.002009009575, contemplando o período de 01/2006 a 12/2007. O presente processo se refere ao anocalendário de 2006, mediante encerramento parcial da fiscalização; • No período de 31/03/2003 a 30/06/2007, a pessoa jurídica foi optante pelo Simples Federal, e a partir de 01/07/2007 pelo Simples Nacional; • A empresa é sociedade por cotas de responsabilidade limitada, tendo por objetivo a “Prestação de serviços auxiliares para as empresas em geral, tais como: cobranças amigáveis e rotinas de serviços gerais, exceto os que dependam de conselhos ou órgãos de classe profissionais ou assemelhados"; • Mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal, com ciência pessoal em 13/07/2009, a empresa foi intimada a apresentar cópia do contrato social e alterações; livro Caixa ou Diário e Razão; relação de processos de consultas perante à RFB e referentes a ações judiciais, e informações sobre eventuais compensações de tributos federais contemplados na ação fiscal. Os referidos documentos foram apresentados pelo contribuinte em 30/07/2009; • Mediante Termo de Intimação nº 01, de 10/09/2009, foram solicitadas notas fiscais fatura e recibos de mãodeobra de serviços prestados; escrituração fiscal em meio digital e arquivos SINTEGRA. O contribuinte apresentou notas fiscais de prestação de serviços referentes aos anos de 2006 e 2007 e declaração de que a empresa não possuía arquivos do SINTEGRA; • Mediante Termos de Intimações Fiscais nº 02 e 03, com ciência em 17/12/2009 e 18/01/2010, respectivamente, a pessoa jurídica foi intimada a apresentar fichas cadastrais de todas as contas bancárias, extratos das movimentações financeiras no Banco Bradesco e no Banco do Brasil e a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados; • Em 17/08/2010, a empresa foi reintimada a apresentar os extratos do Banco do Brasil referentes ao período de janeiro a março/2006 e os documentos comprobatórios da movimentação financeira de todas as contas bancárias e ficha cadastral; • Após análise dos extratos bancários apresentados pela Fiscalizada, foi emitido o Termo de Intimação nº 008, com ciência em 30/08/2010, para comprovar, individualmente, a origem dos depósitos/créditos bancários especificados, referentes ao anocalendário de 2006, alertandose que a não comprovação poderia ensejar o lançamento por omissão de rendimentos, conforme art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; • Em 22/09/2010, a pessoa jurídica apresentou listagem “análise detalhada e comprovação individual de origem dos dados contidos no demonstrativo ‘Demonstrativo de Créditos Bancários’”, período de janeiro a maio/2006 – Banco Bradesco. Na mesma data foi solicitada Fl. 4618DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.615 5 prorrogação do prazo por 60 dias para apresentação da documentação restante, o que foi autorizado pela Autoridade Fiscal; • Em 08/11/2010, foi apresentado complemento da listagem referente aos créditos Banco Bradesco, período de junho a dezembro/2006, e listagem relativa aos créditos bancários no Banco do Brasil – período de abril a dezembro/2006; • Em 18/01/2011, a empresa foi intimada a comprovar a origem dos créditos constantes nos extratos do Banco do Brasil; • Tendo em vista a não comprovação da origem dos valores creditados nas contas do Banco do Brasil e Banco Bradesco, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 10, em 31/01/2011, reintimando a empresa a apresentar tais esclarecimentos e documentos comprobatórios, alertandose sobre a possibilidade do lançamento por omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; • A ANK informou que “é uma empresa de prestação de serviços que realiza cobrança amigável dos recebíveis oriundos das atividades industriais, comerciais e prestação de serviços de seus clientes, repassandolhes os referidos valores depois de liquidados”. Em 11/02/2011, informou que “os títulos, uma vez cobrados e seus valores repassados aos clientes endossantes eram devolvidos aos clientes que os inutilizavam, uma vez que sua função havia sido cumprida, não existindo motivo para que estes permanecessem em poder da requerente ou do endossante", justificando, assim, a não apresentação de documentação hábil e idônea referente aos créditos bancários. Esclareceu, quanto à não comprovação do repasse dos valores creditados, em função das cobranças efetuadas, aos clientes, que “esse repasse é feito quando solicitado, nos valores solicitados e da forma solicitada pelo cliente num regime dinâmico e contínuo, assim como dinâmica e contínua são também as entradas dos valores cobrados para os mesmos clientes, como é perceptível na avaliação dos extratos bancários. Essa movimentação dinâmica e contínua é mesmo a essência da atividade de cobrança, tornando muito difícil, senão impossível a conciliação entre entradas e saídas individualizadas. Essa prática só ganha sentido se avaliado um período maior de tempo”; • No anocalendário de 2006, o contribuinte informou a receita bruta de R$ 236.559,43 na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, não obstante sua movimentação bancária ser de R$ 8.457.238,43 no mesmo período, portanto, 35 vezes superior à receita bruta declarada; • Apesar de regularmente intimada a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, a empresa não apresentou qualquer resposta satisfatória. O contribuinte apresentou somente uma listagem por ele elaborada denominada “análise detalhada (relação de títulos cobrados, contendo número do título, identificação do sacado, identificação do cliente endossante, data de vencimento, data de pagamento e valor de entrada) e comprovação individual de origem dos dados contidos no ‘Demonstrativo de Créditos Bancários’”. Não foram apresentados, entretanto, os documentos comprobatórios das respectivas operações; Fl. 4619DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.616 6 • Dessa forma, houve o lançamento dos tributos vinculados ao Simples Federal decorrentes dos depósitos/créditos bancários em que não foi comprovada a origem dos recursos, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; • Foram excluídos da relação dos créditos aqueles que claramente não representam receitas, tais como estornos, cheques devolvidos e não compensados; • Foram deduzidos, também, dos lançamentos mediante autos de infrações decorrentes das receitas omitidas – movimentação financeira da qual não foi comprovada a origem dos recursos, os valores das receitas declaradas na DIPJ do anocalendário de 2006, conforme quadro a seguir: • Os créditos tributários lançados foram acrescidos de multa de ofício de 75% e de juros de mora. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL E DO SIMPLES NACIONAL • Tendo em vista que a receita bruta do contribuinte no anocalendário de 2006 ultrapassou o limite legal de R$ 2.400.000,00 para se permanecer no Simples Federal, houve sua exclusão daquele regime especial de tributação, conforme art. 9º, II; 14, I; 13, II, da Lei nº 9.317, de 1996; • A exclusão do Simples Federal foi efetivada mediante Ato Declaratório Executivo DRF/Campinas nº 006, de 24/02/2011, com efeitos no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, nos termos do art. 15, IV, da Lei nº 9.317, de 1996; • O sujeito passivo foi excluído também do Simples Nacional por não ter atendido aos requisitos necessários ao enquadramento no regime, nos termos do § 1º do art. 16 e inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, visto ter auferido receita bruta superior ao limite de R$ 2.400.000,00 no anocalendário anterior ao da opção; • A exclusão do Simples Nacional foi efetivada mediante Ato Declaratório Executivo DRF/Campinas nº 007, de 24/02/2011, com efeitos a partir de 01/07/2007. 2. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 4620DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.617 7 Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1295 a 1326, aduzindo, em síntese, que: • Em 25/03/2011, protocolou impugnação no processo nº 10830.002574/201164, referente aos autos de infração de IRPJ e reflexos do anocalendário de 2006 e exclusão do Simples; • A Fiscalização pressupõe a prática de hipotéticas irregularidades em razão da movimentação financeira do contribuinte, inobstante a natureza da prestação do serviço por ele praticado: cobrança de recebíveis, implicando na grande movimentação financeira apontada; • Tal movimentação financeira não se confunde com receita, e que nem o número da contacorrente do Impugnante no Banco Bradesco está correto no Termo de Verificação Fiscal; • O Fisco teria lançado rubricas que não configuram crédito, tais como transferência automática para investimento, estornos de depósitos e transferência para outra conta do Impugnante. Em 22/09/2006, consta o lançamento referente à cobrança de R$ 1.554,95, sendo que o valor correto existente no extrato bancário (Banco do Brasil) é de R$ 1.553,95. Em 20/10/2006, consta o lançamento referente à cobrança de R$ 4.233,50, sendo que o valor correto no extrato é de R$ 4.223,50; • Além de escriturar toda a movimentação bancária, contabilizoua de modo mais gravoso do que determina a legislação específica (art. 7º da Lei 9.317, de 1996), sem embargo da incidência de norma incongruente para o caso em tela (art. 42 da Lei 9.430, de 1996), repelindose toda e qualquer ideia de omissão de receita; • Houve exclusão indevida do Simples Federal e do Simples Nacional, pois a movimentação financeira do anocalendário de 2006 não se traduziu em receita; • Teria havido a decadência do lançamento fiscal referente aos meses de fevereiro e março/2006, nos termo do § 4º do art. 150 do CTN; • Teria havido ausência da precisa indicação do dispositivo legal supostamente violado, pois o processo administrativo tributário é norteado pelo princípio da legalidade objetiva, corolário do art. 5º, II; 37 e 150, I, da Constituição Federal; • No auto de infração constaria violação, dentre outros, aos art. 186, 188 e 199 do RIR/99; art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; arts. 2º, 5º, 7º e 18 da Lei nº 9.317, de 1996, e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Entretanto, uma vez enquadrada no Simples, rechaçase a incidência das Lei nº 9.249, de 1995, e 9.430, de 1996, pois seriam genéricas em face da norma específica (Lei nº 9.317, de 1996), implicando cerceamento de defesa; • Mesmo sendo desobrigada à escrituração comercial, por ser optante do Simples, a empresa apresentou livros Diário e Razão, contendo toda movimentação bancária, os quais foram disponibilizados à Autoridade Fiscal; • Em momento algum se perquiriu acerca da inidoneidade dos lançamentos escriturados nos livros Diário e Razão apresentados à Fl. 4621DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.618 8 Fiscalização, incluindose os decorrentes da sua movimentação financeira; • A Fiscalização teria amparado o auto de infração somente nas entradas insertas nos extratos bancários, deixando de cotejálas com as saídas no livro Razão Analítico de 2006; • O livro Razão Analítico – conta 1.1.1.002.00001 descreve, pormenorizadamente, a movimentação financeira perante o Banco do Brasil, cuja totalidade, durante o anocalendário de 2006, foi de R$ 3.069.403,28 a débito e R$ 3.099.511,06 a crédito. Com efeito, no auto de infração teria constado a movimentação financeira de R$ 2.826.762,30; • A conta 1.1.1.002.00008 do livro Razão prova a contabilização da movimentação financeira no Banco Bradesco, no anocalendário de 2006, no total de R$ 6.186.254,15 a débito e R$ 6.226.217,32 a crédito, sendo que no auto de infração teria constado a movimentação financeira de R$ 5.628.624,37; • A conta 1.1.2.001.00001, do livro Razão, item “415 CLIENTES EM COBRANÇA”, registra a movimentação financeira afeta aos recebíveis decorrentes da prestação de serviços do Impugnante, nos valores de R$ 8.755.568,85 a débito e R$ 8.729.818,34 a crédito, provando a origem e a transferência desses montantes aos seus titulares, nos patamares identificados pela Autoridade Fiscal; • Diante da escrituração realizada pelo contribuinte, repelemse as afirmações do AuditorFiscal acerca da não escrituração dos depósitos bancários, os quais são originários da natureza dos serviços por ele prestados, nos moldes do contrato social e contratos de prestação de serviços; • Mesmo que se admitisse a hipotética omissão de receita, a base para tal apontamento adviria do art. 18 de Lei 9.317, de 1996, e do art. 199 do RIR/99, nunca o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, legislação essa genérica e estranha ao regramento do caso em exame; • Além dos contratos de prestação de serviço, o Impugnante informa apresentar o relatório dos recebíveis cobrados, cópia dos extratos bancários, de cheques e dos livros Diário e Razão, provas essas que afastariam a presunção de omissão de receitas; • O balancete de verificação do anocalendário de 2006 provaria as alegações do Impugnante bem como sua receita declarada; • Toda movimentação financeira identificada pelo Fisco fora devidamente escriturada nos livros Diário e Razão, sem embargo dos extratos bancários, relatório extraído do sistema de controle do Impugnante, depurando tais informações e notas fiscais de prestação de serviços, as quais representariam, de modo fidedigno, a receita bruta da pessoa jurídica no anocalendário de 2006, tudo declarado na DASN/2007; • A receita bruta do contribuinte no anocalendário de 2006 foi de R$ 236.559,38, sendo que o limite para se permanecer no Simples Federal Fl. 4622DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.619 9 era de R$ 2.400.000,00, conforme art. 9º, II, da Lei 9.317, de 1996. Dessa forma, haveria nulidade também dos Atos Declaratórios Executivos nº 006/2011 e nº 007/2011 que excluíram a pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional; • “De outro giro, na medida em que o Fisco tolhe o direito líquido e certo do contribuinte utilizarse, validamente, do regime tributário garantido na legislação, resta demonstrado o caráter confiscatório dessa atitude, defeso pelo PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO, plasmado no art. 150, IV, da Lei Magna”; • A multa de ofício aplicada de 75% seria desarrazoada, com caráter confiscatório, devendo ser limitado a 20% sobre o montante hipoteticamente devido, conforme art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. DO PEDIDO “Em face das razões invocadas, requerse o acolhimento, in totum, desta Impugnação, nos termos seguintes: 111.1 Preliminarmente, seja declarada a absoluta NULIDADE do auto de infração em tela, pelo diáfano malferimento aos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto 70.235/72; 111.2 Ainda, reconheçase a DECADÊNCIA dos lançamentos afetos aos meses de fevereiro/2006 e março/2006, consoante art. 150, § 4° c/c art. 142 e 145, todos do CTN; 111.3 Em respeito, somente, ao princípio da eventualidade, superadas as preliminares supra e/ou sucessivamente, seja reconhecida a escrituração fiscal da Impugnante, máxime a demonstração da sua movimentação bancária, através de seus livros razão e diário, sem olvidar dos demais documentos coligidos, com esteio no art. 7º e 18 da Lei 9.317/96, bem assim no art. 190 e 199 do RIR/99, rechaçando as digressões afetas ao art. 42, da Lei 9.430/96, incabível ao presente caso concreto; III.4 Consectariamente, seja declarada a NULIDADE dos Atos Declaratórios Executivos 006 e 007, ambos de 24.2.11, mantendo, dessarte, a Impugnante no regime tributário simplificado SIMPLES, porquanto sua receita bruta é inferior ao limite insculpido no inciso II, da Lei 9.317/96 e, hodiernamente, ao inciso II, do art. 3º, da Lei Complementar 123/06; III.5 Igualmente homenageando o princípio da eventualidade, seja derrogada a multa de 75% incidente sobre o saldo hipoteticamente devido, aplicandose o percentual máximo de 20%, nos termos do § 2º, art. 61, da Lei 9.430/96; 111.6 Por derradeiro, seja julgado totalmente IMPROCEDENTE o auto de infração em voga, acolhendo, EM SUA INTEGRALIDADE, a Impugnação oferecida, como medida de melhor JUSTIÇA TRIBUTÁRIA!”. Foram juntadas aos autos, como elementos de prova, cópias dos seguintes documentos: contrato social; extratos bancários; “Listagem de Fluxo Simplificado”; contratos firmados entre o Impugnante e Fl. 4623DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.620 10 clientes; livros Diário e Razão; Balancete de Verificação; Demonstração de Resultado do Exercício; Balanço Patrimonial; comprovantes de transferências bancárias; cheques; TED/DOC; notas fiscais de prestação de serviços e borderô de cobrança (fls. 1327 a 4458). O contribuinte interpôs o tempestivo recurso voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa (fls. 1.295 a 4.458), porém, anexando novo demonstrativo sobre a movimentação financeira (fls. 4.592 a 4.601). É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, opinando pela inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício, contraditando cada item preliminar, impugnado pelo Recorrente: (i) Do lançamento dos tributos vinculados ao Simples Federal – Possibilidade de lançamento em face de depósitos bancários em que não foi comprovada a origem dos recursos; (ii) Das alegações de erros no enquadramento legal, e; (iii) Das alegações sobre divergências nas movimentações financeiras. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19723, concordando a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras da contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal: 3 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 4624DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.621 11 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.622 12 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras da contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 autorizou a requisição pela autoridade fiscal de informações diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...)§3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de Fl. 4626DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.623 13 ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento eficaz de fiscalização foi regulamentado pela Lei nº 10.174/2001 e pelo Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. DECADÊNCIA O acórdão recorrido inadmitiu a decadência na constituição do crédito tributário, mediante a seguinte exposição, não havendo o lançamento de ofício extemporâneo: O Impugnante alega ter ocorrido a decadência para a constituição do crédito tributário referente aos períodos de fevereiro/2006 e março/2006, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, que dispõe: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Observese que no caso dos autos houve pagamentos sob às regras do Simples Federal, nos períodos mensais de apuração, e não foi provada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipóteses em que o prazo decadencial do imposto regese pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 4627DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.624 14 Portanto, aplicase ao presente caso o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Com efeito, os autos de infrações tiveram ciência via postal mediante Aviso de Recebimento – AR em 25/02/2011 (fls. 1291), sendo que o primeiro período de apuração lançado é 28/02/2006, com vencimento em 13/03/2006 (fls. 5 a 67). Portanto, não houve a alegada decadência, pois a ciência dos autos de infração ocorreu antes do transcurso de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O lançamento de ofício foi concluído com a ciência do Recorrente em 25/02/2011, sendo o primeiro crédito tributário originário de 28/02/2006, não configurando a decadência. O artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando não houver pagamento antecipado sobre eventual receita omitida e não declarada. III. MÉRITO Inicialmente, o artigo 18 da Lei nº 9.317/1996 preceitua que "aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas”. Logo, a presunção relativa de omissão de receita é extensível e impugnável pelo Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para o contribuinte. O atual Código de Processo Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: Fl. 4628DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.625 15 (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." O acórdão recorrido não identificou documentos hábeis e idôneos, que constituiriam prova contrária à presunção de omissão de receitas (fls. 4.486 e 4.487): O Impugnante argumenta haver as seguintes divergências entre as movimentações financeiras efetivas e as apuradas pela Fiscalização: 1) O livro Razão Analítico – conta 1.1.1.002.00001 descreve, pormenorizadamente, a movimentação financeira perante o Banco do Brasil, cuja totalidade, durante o anocalendário de 2006, foi de R$ 3.069.403,28 a débito e R$ 3.099.511,06 a crédito. Com efeito, no auto de infração teria constado a movimentação financeira de R$ 2.826.762,30; 2) A conta 1.1.1.002.00008 do livro Razão prova a contabilização da movimentação financeira no Banco Bradesco, no anocalendário de 2006, no total de R$ 6.186.254,15 a débito e R$ 6.226.217,32 a crédito, sendo que no auto de infração teria constado a movimentação financeira de R$ 5.628.624,37; 3) O Fisco teria lançado rubricas que não configuram crédito, tais como transferência automática para investimento, estornos de depósitos e transferência para outra conta do Impugnante. Em 22/09/2006, consta o lançamento referente à cobrança de R$ 1.554,95, sendo que o correto existente no extrato é de R$ 1.553,95. Em 20/10/2006, consta o lançamento referente à cobrança de R$ 4.233,50, sendo que o valor correto no extrato é de R$ 4.223,50. Quanto às alegações descritas nos itens 1 e 2, observase que o valor da movimentação financeira considerado pela Autoridade Fiscal está inferior ao da descrita pelo Impugnante justamente pelo fato de serem excluídos da relação dos créditos aqueles que claramente não representam receitas, tais como estornos, cheques devolvidos e não compensados. Ou seja, tal procedimento foi adotado corretamente pela Fiscalização, de acordo com a legislação vigente, beneficiando a empresa. Não foi apresentada pelo Impugnante documentação comprobatória quanto à alegação de que o Fisco teria lançado outras rubricas que não configuram crédito, tais como transferência automática para investimento, estornos de depósitos e transferência para outra conta do contribuinte. Quanto aos lançamentos referentes aos créditos datados de 22/09/2006 e 20/10/2006, na contacorrente nº 27.2523 – Agência Banco do Brasil nº 1849X, em que não foi comprovada a origem dos recursos, citados no item 3, acima, verificamos que assiste razão ao contribuinte, pois foram considerados no auto de infração os valores de R$ 1.554,95 e R$ 4.233,50, sendo que o correto é R$ 1.553,95 e R$ 4.223,50, respectivamente (fls. 78, 83, 257, 261 e 294). Fl. 4629DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.626 16 Portanto, deverão ser excluídos os lançamentos dos tributos vinculados ao regime de tributação do Simples Federal decorrentes das diferenças de omissões de receitas lançadas a maior nos autos de infração de R$ 1,00 no mês de setembro/2006 (=R$ 1.554,95 – R$ 1.553,95) e de R$ 10,00 no mês de outubro/2006 (=R$ 4.233,50 – R$ 4.223,50), conforme demonstrativos a seguir. Crédito tributário – fato gerador 30/09/2006 – (Valor Principal em R$) Crédito tributário – fato gerador 31/10/2006 – (Valor Principal em R$) Entretanto, a quantidade significativa de informações e documentos, anexadas à impugnação administrativa (fls. 1.295 a 4.458), complementada pelo demonstrativo que instruiu o recurso voluntário (fls. 4.592 a 4.601), ao contrário, indicam a "origem dos recursos", evidenciando que sua titularidade não é atribuível ao Recorrente. O Recorrente exercia atividade de cobrança de recebíveis para terceiros e, como narrado anteriormente, entre os documentos que instruíram a impugnação administrativa, observase: (i) Contratos de prestação de serviços; (ii) “Listagem de Fluxo Simplificado”; (iii) Livro Diário; (iv) Livro Razão; (v) Balancete; (vi) Demonstração do Resultado do Exercício; (vii) Balanço Patrimonial; (viii) Comprovantes de transferências bancárias (TED/DOC); (ix) Microfilmagem de cheques; (x) notas fiscais de prestação de serviços, e; (xi) borderô de cobrança (fls. 1327 a 4458). O recurso voluntário argumenta a improcedência do lançamento de ofício, reiterando a impugnação administrativa, expondo a idoneidade dos documentos que elidem a acusação fiscal de presumida receita omitida, como exemplo: Fl. 4630DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.627 17 Fl. 4631DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.628 18 (...) Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, vez que demanda uma análise as informações do Recorrente sobre a origem dos recursos e não caracterização de sua receita Fl. 4632DF CARF MF Processo nº 10830.002574/201164 Resolução nº 1201000.529 S1C2T1 Fl. 4.629 19 própria, conforme inúmeros documentos anexados à impugnação administrativa (fls. 1.295 a 4.458). Adicionalmente, imprescindível a revisão do demonstrativo que instruiu o recurso voluntário (fls. 4.592 a 4.601), confirmando se cada valor integrante da movimentação financeira não era de titularidade do Recorrente, mas, sim, dos seus contratantes. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um Relatório Conclusivo sobre as informações e os documentos anexados na impugnação administrativa, no recurso voluntário e disponibilizados quando da fiscalização, esclarecendo se a origem do crédito é compatível com a atividade exercida pelo Recorrente para terceiros, incluindo a análise comparativa da movimentação financeira (crédito e débito). Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o Relatório Conclusivo, fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 4633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.728041/2017-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 80 41 /2 01 7- 19 Fl. 134DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário de 2013. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação de pagamento, a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte, em suma, discordou da glosa das deduções e juntou documentos diversos para comprovar suas despesas e obrigação em pagar a pensão. Salienta que celebrou "Acordo Judicial de Divórcio Consensual" com a Sra. Helia Maria Torres de Queiroz, onde ficou estabelecido o pagamento mensal de pensão alimentícia no valor de R$3.000,00, com previsão de reajuste anual pela variação do INPC/IBGE, a ser depositado na conta corrente conforme indicação da beneficiária. Ressalta que com o tempo foram promovidas alterações quanto aplicação do índice de reajuste e forma de pagamento e que não se atentou para resguardar os comprovantes de pagamento. Alega que através de buscas realizadas junto ao Banco Itaú Unibanco conseguiu obter cópia de parte dos cheques que utilizou para pagar a pensão alimentícia, totalizando o valor de R$18.728,00. Informa também que junta comprovantes de depósitos bancários que somam R$9.364,00, totalizando a quantia de R$28.080,00. Acrescenta que a Declaração do pagamento pela beneficiária na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda comprova o pagamento do valor total de R$56.184,00 declarado a título de pensão alimentícia. Pede que seja acolhida a impugnação e julgada improcedente a Notificação impugnada. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar o seu direito posto que não restaram claros os efetivos pagamentos. Vale dizer, na Declaração de Ajuste Anual o contribuinte informou um total de R$ 72.342,57 pago a título de pensão alimentícia a Helia Maria Marcondes Torres, o valor de R$56.184,00 e a Maria Eduarda Pessoa de Queiroz o valor de R$16.158,57. No entanto, segundo a DRJ não existe nos autos documentos que comprovem que o contribuinte sofreu o ônus do pagamento da pensão glosada Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões, ratifica o seu guerreado direito a dedução e junta novamente documentos para comprovar o efetivo pagamento da pensão. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10480.728041/201719 Acórdão n.º 2001000.857 S2C0T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Como vimos, o presente lançamento decorre que glosa sobre deduções supostamente indevidas realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação de pagamento da Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Fl. 136DF CARF MF 4 No caso em comento discutese apenas a efetiva comprovação do pagamento das pensões a sua ex esposa e a sua filha, no valor total de R$ 72.342,57. Pois bem. Com relação à pensão paga a sra Hélia Maria Torres, verificase a existência de acordo judicial estabelecendo a obrigatoriedade do contribuinte pagar pensão alimentícia no valor de R$3.000,00 (em 2001), com previsão de ajuste anual. O contribuinte demonstrou boa fé e total intenção de comprovar os pagamentos efetuados a sra Hélia, seja através de cópias de cheques, seja através de comprovantes de depósitos bancários (por meio de envelopes). Além disso, o fato de a beneficiária declarar o recebimento da pensão na sua declaração de ajuste anual demonstra, mais uma vez, a existência do pagamento, seguindo o princípio da busca pela verdade material. Em relação a pensão paga a Maria Eduarda Queiroz, salienta o contribuinte que não há razão para a manutenção da glosa no valor de R$16.158,57 pois são descontados pelo INSS diretamente da aposentadoria do Recorrente (junta documento para comprovar tal afirmativa). Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10480.728041/201719 Acórdão n.º 2001000.857 S2C0T1 Fl. 4 5 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos e documentos claros trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas da obrigação legal em pagar a pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente a despesa de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000426/2008-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÕES. DEPENDENTE.
Atendidos os requisitos cumulativos do artigo 35 da Lei nº 8.250/95, o contribuinte faz jus a dedução com dependente.
Numero da decisão: 2002-000.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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DEPENDENTE. Atendidos os requisitos cumulativos do artigo 35 da Lei nº 8.250/95, o contribuinte faz jus a dedução com dependente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 04 26 /2 00 8- 00 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.000426/200800 Acórdão n.º 2002000.766 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 48/54) contra decisão de primeira instância (fls. 38/41), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, ano calendário 2005 em que o contribuinte, pleiteou dedução de dependente de pessoa não caracterizada como tal. Consta ainda que teriam sido pleiteadas na declaração de ajuste anual a dedução de despesas médicas com este dependente no valor de R$ 28.188,62 em Clinica de Repouso, sem previsão legal. Foi efetuada a glosa no valor total de R$ 29.592,62, tendo por consequência o lançamento do imposto suplementar deR$ 963,35 resultando na presente notificação no valor de R$ 1.924,48, consolidado em 19/05/2008. O contribuinte impugnou o lançamento conforme termos de fls. 01/07, em que essencialmente sustenta a condição de dependente de seu irmão Erlon Douglas Cassetari. Afirma que o seu irmão é mentalmente incapacitado e que estava sob curatela de Odair Cícero Cassetari, no entanto, de fato seria dependente da contribuinte. Acrescenta que a substituição de curatela foi pedida judicialmente com efeito retroativo passando a ser exercida pela impugnante. Junta documentos sustentando que, no caso, não é exigida a curatela ou tutela bastando a prova da incapacidade. Requer o cancelamento da Notificação. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: GLOSA DE DEPENDENTES. Prescinde de curatela judicial, o irmão, de qualquer idade incapacitado para o trabalho que viva sob dependência econômica do contribuinte, no entanto, se houver curatela judicial concedida à terceiro, o direito a inclusão como dependente passa a ser deste. DESPESAS MÉDICAS. São indedutíveis as despesas em Clínicas de Repouso, efetuadas sem discriminação do que sejam as de natureza médica, hospedagem ou utilização de outros serviços e despendidas em favor pessoa não habilitada como dependente. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13873.000426/200800 Acórdão n.º 2002000.766 S2C0T2 Fl. 4 3 É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 13/05/2010 (fl. 46); Recurso Voluntário protocolado em 09/06/2010 (fl. 48), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 55). Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com dependente b) Dedução indevida de despesas médicas Inicialmente, registro que o recurso voluntário do contribuinte ataca somente a acusação fiscal de dedução indevida com dependente, não havendo impugnação especifica sobre a dedução indevida de despesas médicas, razão pela qual resta delimitada a matéria objeto de julgamento apenas quanto a dedução indevida com dependente. A contribuinte provou os dois requisitos cumulativos, previstos no artigo 35 da Lei nº 8.250/95, para a dedução com o dependente Sr. Erlon Douglas Cassettari, pois é irmão da contribuinte e incapacitado mentalmente para o trabalho (fl.21) Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dá provimento para excluir a glosa de dedução indevida com dependente. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902620/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2012 DCTF. PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 20 /2 01 5- 11 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902620/201511 Acórdão n.º 1301003.543 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 31/05/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902620/201511 Acórdão n.º 1301003.543 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001382/2007-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.573
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES NO TRANSPORTE DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 82 /2 00 7- 72 Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 3 2 PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 4 3 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.265, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 5 4 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158 35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 6 5 julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de adubos, fertilizantes, corretivos e sementes; (iii) previsão legal para a incidência da Selic. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Irresignado com o exame de admissibilidade, o sujeito passivo interpôs Agravo, expondo as divergências dos arestos recorrido e indicados como paradigma por matéria, requerendo a admissibilidade de todos os pontos do Recurso Especial propostos. Em Despacho do Presidente da CSRF o agravo foi acolhido para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e mercadorias entre estabelecimentos”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes)” e “correção dos créditos pela taxa Selic”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 7 6 · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.562, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001369/200713, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.562): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as três matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes); 2) correção dos créditos pela taxa SELIC Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 8 7 O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às três matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 9 8 Vale o registro de que a essa mesma conclusão, de comprovação da divergência com respeito a essas três matérias, chegou o mesmo Presidente da Terceira Câmara ao analisar diversos outros dentre aqueles 56 processos da empresa acima mencionados, cujos recursos especiais traziam, quanto a elas, os mesmos paradigmas e tinham a mesma redação. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos"; "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero (fertilizantes e sementes)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC." Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 10 9 discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303 006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303 006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303 006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303 006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303 006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303 005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303 005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303 005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303 005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 11 10 Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 12 11 restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 13 12 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 14 13 O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 15 14 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 16 15 O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 17 16 excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 18 17 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 19 18 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 13161.001382/200772 Acórdão n.º 9303007.573 CSRFT3 Fl. 20 19 Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 694DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.902473/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem representar o caso em tela, emprego como meu parte do relatório do acórdão nº 1677375, veiculado pela DRJ de São Paulo (fls. 220/226) o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase do pedido de ressarcimento nº 11606.81001.060712.1.5.10 3894 (fls. 84/130), no montante de R$ 5.307.855,48, referente a créditos de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno relativos aos períodos de apuração abril/2010 e junho/2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 02 47 3/ 20 15 -0 1 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3402001.702 S3C4T2 Fl. 285 2 O auditor fiscal Delegado da Receita Federal em Blumenau, por meio do despacho decisório de fl. 131, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas a ele vinculadas, quais sejam: nº 38119.61594.230713.1.7.102116, nº 10615.46814.310513.1.3.106402 e nº 13884.01329.150513.1.3.10 0192. O fundamento do despacho decisório, tratando dos pedidos de ressarcimento referentes à Cofins e ao PIS/Pasep, encontrase na Informação Fiscal de fls. 133/139, nos seguintes termos: 1. O contribuinte em epígrafe transmitiu os PERDCOMP acima identificados, os quais encontramse anexados à presente informação fiscal. 2. Os créditos discriminados nos PERDCOMP (fls. 3 de ambos os pedidos) são do tipo "Mercado Interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004)" (...) 3. O contribuinte foi fiscalizado, com base no Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.2.04.00201400228, em relação àquelas contribuições (PIS/Pasep e Cofins), com abrangência dos períodos de apuração outubro/2009 a junho/2010. 4. Durante a ação fiscal foram verificados os créditos das contribuições, sendo que para todos os meses fiscalizados houve a aplicação de glosas fiscais nos créditos, além da majoração da base de cálculo das contribuições. Em decorrência disso, a fiscalização remontou de ofício a apuração e utilização dos créditos, como consta dos relatórios fiscais integrantes dos autos de infração de números 13971.723730/201451 e 13971.720616/201550 (anexos à presente), os quais demonstram todas as glosas aplicadas nos créditos e as parcelas incluídas nas bases de cálculo, além de detalhar origens e utilizações dos créditos. 5. Por simplificação, colamos a seguir as planilhas (contidas nos citados relatórios fiscais) que demonstram o recálculo (feito pela fiscalização) da apuração e da utilização dos créditos para os meses de abril e junho/2010, tanto do PIS/Pasep quanto da Cofins, os quais foram objeto dos PERDCOMP em análise: (...) 6. Verificase que não restaram, para nenhum dos dois meses e para nenhuma das duas contribuições, créditos vinculados às vendas não tributadas no mercado interno (MINT), que foram objeto dos pedidos. 7. A existência de saldos de créditos passíveis de ressarcimento, porém de outra natureza (créditos presumidos ou créditos vinculados às receitas de exportação). não pode ser levada em consideração, uma vez que os pedidos versaram sobre créditos mercado interno não tributado. 8. Assim, esta fiscalização entende que devem ser indeferidos os PERDCOMP sob análise (novamente identificados abaixo), com o consequente lançamento da multa prevista no art. 36 da Instrução Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3402001.702 S3C4T2 Fl. 286 3 Normativa nº 1.300/2012, além de eventuais nãohomologações de compensações que tenham utilizado o crédito informado nesses mesmos PERDCOMP: Cientificada do despacho decisório em 14/08/2015 (fl. 217), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/09/2015 (fls. 2/21), na qual alega que: (...). (...) (grifos nosso). 2. Diante da aludida autuação, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/21, a qual foi julgada improcedente pelo mencionado acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/06/2010 a 30/06/2010 NÃO HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO PRÉVIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A inexistência de manifestação da contribuinte antes da edição do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação por ela efetuada não constitui cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Constatado que não existem os créditos objeto do pedido de ressarcimento, correto seu indeferimento e a não homologação das compensações a ele vinculadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Uma vez intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 247/269, oportunidade em que repisou os fundamentos invocados em sua impugnação. 4. Em razão da resolução nº 3201001.291 (fls. 273/278), da lavra do Conselheiro Winderley Morais Pereira, foi reconhecida a conexão processual do presente caso com os processos ns. 13971.724090/201587 e 13971.720616/201550, o que redunda na minha prevenção para o presente caso. 5. É o relatório. Voto Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3402001.702 S3C4T2 Fl. 287 4 Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. Da admissibilidade do Recurso 6. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. II. O contexto fático da presente demanda 7. Conforme se observa dos autos, a presente glosa pautase na seguinte fundamentação (despacho decisório de fls. 131/134): (...). 3. O contribuinte foi fiscalizado, com base no Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.2.04.00201400228, em relação àquelas contribuições (PIS/Pasep e Cofins), com abrangência dos períodos de apuração outubro/2009 a junho/2010. 4. Durante a ação fiscal foram verificados os créditos das contribuições, sendo que para todos os meses fiscalizados houve a aplicação de glosas fiscais nos créditos, além da majoração da base de cálculo das contribuições. Em decorrência disso, a fiscalização remontou de ofício a apuração e utilização dos créditos, como consta dos relatórios fiscais integrantes dos autos de infração de números 13971.723730/201451 e 13971.720616/201550 (anexos à presente), os quais demonstram todas as glosas aplicadas nos créditos e as parcelas incluídas nas bases de cálculo, além de detalhar origens e utilizações dos créditos. 5. Por simplificação, colamos a seguir as planilhas (contidas nos citados relatórios fiscais) que demonstram o recálculo (feito pela fiscalização) da apuração e da utilização dos créditos para os meses de abril e junho/2010, tanto do PIS/Pasep quanto da Cofins, os quais foram objeto dos PERDCOMP em análise (...). 6. Verificase que não restaram, para nenhum dos dois meses e para nenhuma das duas contribuições, créditos vinculados às vendas não tributadas no mercado interno (MINT), que foram objeto dos pedidos. 7. A existência de saldos de créditos passíveis de ressarcimento, porém de outra natureza (créditos presumidos ou créditos vinculados às receitas de exportação) não pode ser levada em consideração, uma vez que os pedidos versaram sobre créditos mercado interno não tributado. 8. Assim, esta fiscalização entende que devem ser indeferidos os PERDCOMP sob análise (novamente identificados abaixo), com o consequente lançamento da multa prevista no art. 36 da Instrução Normativa nº 1.300/2012, além de eventuais nãohomologações de compensações que tenham utilizado o crédito informado nesses mesmos PERDCOMP: (...) (grifos constantes no original). Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3402001.702 S3C4T2 Fl. 288 5 8. Percebese, portanto, que o indeferimento dos créditos aqui vindicados decorre das glosas dos créditos e da reapuração da base de cálculo das contribuições em tela, o que se deu nos processos administrativos ns. 13971.723730/201451 e 13971.720616/201550, os quais encontramse pendentes de julgamento, conforme se observa dos extratos processuais obtidos por este Relator junto ao comprot: Autos n. 13971.723730/201451: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3402001.702 S3C4T2 Fl. 289 6 Autos n. 13971.720616/201550: 9. É possível constatar, portanto, que o contribuinte se insurgiu contra tais exigências e que a ciência quanto ao desfecho dos citados processos é de impossível conclusão apenas com base na movimentações processuais alhures indicadas. 10. Diante deste quadro e para a existência de uma segura conclusão do presente julgamento, mister se faz converter o presente julgamento para que sejam tomadas as seguintes providências pela unidade preparadora Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3402001.702 S3C4T2 Fl. 290 7 (i) informar a atual andamento processual dos autos n. 13971.723730/201451, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; (ii) informar o atual andamento processual dos autos n. 13971.720616/201550 e 13971.908783/201105, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; (iii) demonstrar, analiticamente, a eventual relação existente entre o presente processo administrativo com aqueles autuados sob os ns. 13971.723730/201451 e 13971.720616/201550; (iv) não obstante, deverá ainda a unidade preparadora informar o atual andamento processual dos autos n. 13971.902472/201558, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; (v) delimitar a validade do quantum vindicado pelo contribuinte a título de crédito presumido, vis a vis da documentação fiscal já acostada pelo contribuinte nos autos, bem como outros documentos fiscais que possam vir a ser solicitados; e, por fim (vi) tomadas tais providências, deverá a unidade preparadora intimar o contribuinte para que, tendo interesse, manifestese em 30 dias a respeito, exatamente como prevê o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 11. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 290DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.008432/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não conhecimento.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando consta no Auto de Infração a clara descrição dos fatos e circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram.
PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando a parte explicitar e demonstrar a sua necessidade, como, por exemplo, quando o fato somente puder ser comprovado através de instrução que demande conhecimento técnico ou científico, ou quando o fato não puder ser provado através da juntada de documentos.
PROVAS.
Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de Ação Penal, onde consta o titular das remessas de numerário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR.
Restando configurado que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos do exterior, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo, tendo em vista que as provas demonstraram que tais rendimentos pertenciam efetivamente ao contribuinte.
Súmula CARF nº 61
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
O ordenamento jurídico suscitado determina presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostra-se inverídica. Não tendo o Contribuinte demonstrada a origem dos valores recebidos do exterior, sendo constatada a ocorrência do fato gerador, ou seja, restou demonstrada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, verifica-se a legalidade do lançamento.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 4 CARF.
Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-005.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de nulidade da ação penal e da alegação de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e no mérito, negar-lhe provimento
João Maurício Vital - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não conhecimento. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando consta no Auto de Infração a clara descrição dos fatos e circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando a parte explicitar e demonstrar a sua necessidade, como, por exemplo, quando o fato somente puder ser comprovado através de instrução que demande conhecimento técnico ou científico, ou quando o fato não puder ser provado através da juntada de documentos. PROVAS. Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica proveniente de Ação Penal, onde consta o titular das remessas de numerário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. Restando configurado que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos do exterior, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo, tendo em vista que as provas demonstraram que tais rendimentos pertenciam efetivamente ao contribuinte. Súmula CARF nº 61 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 84 32 /2 00 9- 89 Fl. 2052DF CARF MF 2 Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O ordenamento jurídico suscitado determina presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostrase inverídica. Não tendo o Contribuinte demonstrada a origem dos valores recebidos do exterior, sendo constatada a ocorrência do fato gerador, ou seja, restou demonstrada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, verificase a legalidade do lançamento. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 4 CARF. Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de nulidade da ação penal e da alegação de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e no mérito, negarlhe provimento João Maurício Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.053 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte nas fls. 1940/2022, contra a decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ POA, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário, conforme fundamentação do Acórdão da Impugnação de nº 1029.247, proferido em 22/12/2010 (fls. 1919/1926), cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. São tributáveis os rendimentos recebidos de fontes no exterior, transferidos ou não para o Brasil, nos termos da legislação de regência. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o beneficiário de recursos no exterior, não há como prosperar a alegação de ilegitimidade passiva. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando consta no Auto de Infração a clara descrição dos fatos e circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurado o dolo/evidente intuito de fraude, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. Será exigida multa isolada de que trata a legislação de regência, tendo como base de cálculo o imposto de renda devido pelas pessoas físicas sob a forma de recolhimento mensal (carnêleão) não pago. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 2054DF CARF MF 4 A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. INDEFERIMENTO. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de diligências e perícias, indeferindoo se as entender desnecessárias, protelatórias ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Mantido. Conforme consta do Auto de Infração lavrado (fls. 2/8), acompanhado dos Relatório de Ação Fiscal (fl. 10 e ss.), o contribuinte teve seu Imposto de Renda de PF do ano calendário de 2004 e 2005 fiscalizado, especificamente no que se refere aos rendimentos recebidos de fontes no exterior, visto que a 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre compartilhou as provas que instruíram a Ação Penal 2007.71.00.0323122RS, nas quais identificam operação de movimentação de recursos no exterior, em que o Contribuinte recebeu U$1.342.793,89 e U$610.354,20 nos anoscalendários de 2004 e 2005. Contra o Contribuinte, foi lançado o crédito tributário no valor de R$5.315.474,90, sendo R$ 1.506.295,45 de imposto; R$ 799.423,19 de juros de mora; R$ 2.259.443,17 de multa proporcional; e de R$ 750.313,09 de multa exigida isoladamente. A Documentação que originou o presente Auto de Infração foi proveniente da Operação “Ouro Verde”, deflagrada pela Receita Federal do Brasil em combinação com o Departamento de Policia Federal e com o Ministério Público Federal, em que se desarticulou redes de doleiros que atuavam no Sul do pais. Diversas empresas foram alvo da investigação por delegarem ao esquema de doleiros a administração de seu "Caixa 2", como serviço adicional ao esquema alternativo de remessas. Conforme consta do Auto de Infração, o esquema envolvia a existência de uma organização financeira clandestina, que, através de pessoas físicas e de empresas constituídas para este fim, estabeleceu um verdadeiro sistema bancário paralelo, disponibilizando a seus clientes serviços típicos de instituição financeira, como câmbio, a manutenção de contas de investimento no território nacional e fora dele e a remessa de valores para o exterior efetuadas, geralmente, por meio de transações irregulares conhecidas como "dólarcabo", estabelecendo uma instituição financeira sem autorização do Banco Central, cujos agentes responsáveis eram Fabiano Goens (CPF 737.730.93004), Adriana Regina Schunck de Souza (CPF 635.435.08091) e a enoresa Tour Export Viagens e Turismo LTDA (CNPJ 91.896.944/000144). O sistema conhecido como dólarcabo consiste em uma compensação privada de créditos efetuada por dois operadores do mercado negro ou paralelo de câmbio (doleiros), baseado na confiança, em que um opera em território nacional e outro no pais de destino dos valores, os quais prestam serviços para pessoas interessadas em receber ou remeter valores de/para o exterior, paralelamente ao sistema formal, não declarados aos órgãos oficiais fiscalizadores. A operação dólarcabo funcionava da seguinte forma: 1. Primeiro, os doleiros captam pessoas para que emprestem seus nomes para abrirem contas que serão administradas por eles (laranjas), Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.054 5 contas estas que se destinam a acolher depósitos das pessoas que pretendem remeter valores ao exterior; 2. Depois disso, as pessoas interessadas em remeter valores ao exterior procuram o doleiro e efetuam o depósito do equivalente em moeda estrangeira que querem remeter, que geralmente se dá em espécie, para evitar o rastreamento do depositante; 3. De posse dos valores, o doleiro encaminha a seu correspondente no exterior, uma ordem de pagamento, a qual é efetuada através de ligação telefônica/fax/email, para que aquele efetue o depósito do equivalente em moeda estrangeira na conta do remetente ou de quem ele indicar. Desta forma, não há transposição física da moeda de um país para o outro, há apenas uma ordem de pagamento informal, passada através de ligação telefônica/fax/email, assim como não há qualquer registro das operações no sistema formal, sendo que a sistemática opera na base da confiança, estabelecendose um sistema de compensação entre os doleiros. Deflagrada a Operação pela Polícia Federal e Receita Federal, os computadores e agenda eletrônica dos doleiros Fabiano Goens, Adriana Regina Schunck de Souza e Tour Export Viagens e Turismo LTDA foram alvos de Perícias, entre elas: · Os Laudos Periciais n° 1082/2007 (fls. 92/104) e n° 1197/2007 (fls. 81/91) — SETEC/SR/RS tratam da perícia realizada em arquivos do computador apreendido judicialmente. · O Laudo n° 1484/2008SETEC/SR/DPF/RS (fls. 32/39 e 105/115) examinou contabilmente a conta mantida pela organizaçãO financeira clandestina; no exterior, no banco Israel Discount Bank of. N.Y, em nome da empresa NESLER INT. S.A. · A utilização dos extratos da conta em nome da 'Nesler Int. S.A, obtidos por meio de cooperação internacional, como prova em todas as 'investigações policiais que guardam relação com a organização financeira clandestina, objeto da Ação Penal n° 2007.71.00.0017965, foi permitida pela Autoridade Central dos Estados Unidos da América, conforme Oficio 7639/2008/2008/DRCISNJMJ (fls. 126/129) · O Laudo 1509/2007 (fls. 181/188) SETEC/SR/DPF/RS analisa a agenda eletrônica Casio modelo SF 4980ER, entregue por Fabiano Goens. Dentro da análise dessa documentação, na planilha anexa ao Laudo 1197/2007, contaram registros de recebimento do cliente “Z”, oriundos de contas mantidas em diversas instituições financeiras no exterior, tituladas de Dawes International S/A; Tremblay S/A e Nesler International S/A, sendo que tanto Adriana, como que Fabiano identificaram que o cliente “Z” era o Contribuinte Antonio Remi Zamboni. Fl. 2056DF CARF MF 6 Desta feira, o Contribuinte foi identificado como beneficiário de 24 remessas oriundas do exterior, sendo elas: DATA U$ BANCO EXTERIOR NOME DA CONTA NÚMERO CONTA 05/01/2004 17.970,00 Gales Dawest Int. S/A 2632838 14/01/2004 100.000,00 Inter Maritime Dawest Int. S/A 2632838 23/03/2004 150.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 05/05/2004 9.980,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 14/05/2004 20.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 28/05/2004 124.980,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 09/06/2004 30.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 13/08/2004 79.990,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 18/08/2004 8.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 17/09/2004 199.980,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 11/10/2004 52.027,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 11/10/2004 97.973,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 21/10/2004 51.949,98 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 23/11/2004 24.980,00 ABN AMRO Bank Tremblay S/A 1225812 01/12/2004 99.980,00 ABN AMRO Bank Tremblay S/A 1225812 02/12/2004 100.000,00 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 09/12/2004 67.305,98 ABN AMRO Bank Tremblay S/A 1225812 15/12/2004 7.700,00 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 27/12/2004 99.977,93 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 03/01/2005 144.977,69 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 21/03/2005 219.932,02 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 12/05/2005 29.922,84 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 08/06/2005 60.830,00 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 08/06/2005 154.691,65 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.055 7 Total de U$1.953.148,09, que convertido na moeda brasileira, nas datas em que houveram as transferências, totaliza em rendimentos recebidos do exterior no valor de R$5.477.437,79. Intimado do início do procedimento fiscal contra a sua pessoa, o Contribuinte se manifestou nas fls. 50/51, afirmando que não tem conhecimento algum da existência dos valores discriminados na intimação e, portanto, ressalta que jamais foi beneficiário dos mesmos; que as datas em que informam ter ocorrido as supostas remessas do exterior, coincidem com o período em que o peticionário atuava junto ao HSBC (única e exclusivamente na condição de bancário); que não mantém e jamais manteve relação alguma com qualquer das empresas referidas na intimação, nem em caráter pessoal, nem profissional. O Contribuinte foi inequivocamente identificado como responsável por operações financeiras efetuadas através da conta de codinome "Z", com base nos depoimentos de Fabiano Goens (fls. 145/148) e Adriana Regina Schunck de Souza (fl. 136/144.), integrantes da organização que mantinha o sistema paralelo e a remessa ilegal de divisas para e do exterior, e demais informações coletadas nos autos da Ação Penal n°2007.71.00.0323122/RS. A identidade do contribuinte como beneficiário dos recebimentos registrados sob codinome "Z" também é corroborada pelos dados para contato registrados pelo operador do Sistema, Fabiano Goens, em Agenda Eletrônica, que espontaneamente a entregou à autoridade policial, cuja perícia foi formalizada através do Laudo 1509/2007. Nela consta explicitamente o sobrenome final do fiscalizado "Zamboni", seguido de diversos números de telefone e endereço, na forma que se transcreve: "Zamboni, 33142332 FAX, 33142333, 33142334, 99820224, 99821194, OLAVO BARRETO VIANA, 114 5 ANDAR". O número 99821194, conforme resposta prestada pela Vivo S.A em Juízo, está habilitado em nome do Contribuinte desde 1994 até 05/06/2009 (data da informação da Vivo – fl. 232); a Brasil Telecom S/A, em atendimento à determinação judicial, informou que os números 33142332, 33142333 e 33142334 foram de titularidade do HSBC Bank Brasil S.A — Banco Múltiplo, nos anos sob exame, e estavam instalados no endereço Rua Olavo Barreto Viana 00114 — Moinhos de Vento (fl. 236) e, por sua vez, o Banco HSBC informou que este era o telefone e endereço do Contribuinte quando trabalhava na instituição. Por estas razões, restou comprovado que o Contribuinte foi beneficiário de remessas advindas do exterior, sem que apresentasse tais valores em sua DAA (fls. 342/352), razão pela qual foi efetuado o lançamento do imposto, da multa de ofício, da multa qualificada e dos juros moratórios (R$4.565.161,81 imposto + R$750.313,03 de multa exigida isoladamente). Nas fls. 72 e ss., consta da denúncia promovida pelo Ministério Público Federal contra o Contribuinte, na qual relata: (...) que ANTÔNIO REMI, utilizandose dos serviços de instituição financeira nãoautorizada investigada na "Operação Ouro Verde" (IPL 1615/2006, AP 2007.71.00.0017965), teria efetuado operações de câmbio não autorizadas e remetido Fl. 2058DF CARF MF 8 valores para o exterior, com o fim de promover a evasão de divisas, no período de 03/01/2001 a 24/5/2005, no montante de US$ 5.132.677,31. As remessas foram atribuídas a ANTÔNIO REMI por Adriana Regina Schunck de Souza e Fabiano Goens nos autos 2007.71.00.0133916 (fl. 24), com base nas informações do Laudo Pericial 1197/2007 SETEC/SR/RS, realizado no equipamento de informática apreendido com integrante da organização criminosa Alfredo Timm de Souza. Disse que o denunciado, no período de 16/5/2001 a 06/6/2005, ao realizar operações de câmbio no montante de US$ 5.132.677,31, contribuiu para que fossem sonegadas informações que deveriam ser prestadas ao Banco Central. Por fim, declarou que o denunciado, no período de 16/5/2001 a 08/6/2005, aproveitandose da facilidade que a função exercida junto à agência IBBR PRIVATE POA do Banco HSBC Bank Brasil S/A lhe proporcionava, fez operar instituição financeira de câmbio sem autorização do BACEN, por meio da disponibilização a seus clientes de serviços típicos de instituição financeira (captação, intermediação e aplicação de recursos de terceiros), recursos esses posteriormente remetidos ao exterior por canais informais conhecidos como "dólarcabo.(...) O procedimento administrativo em exame é vinculado diretamente à Ação Penal n° 2007.71.00.0323122/RS que visa oportunizar a defesa de negativa de autoria do contribuinte relativamente aos crimes apurados na Operação Ouro Verde. Nas fls. 364/453, o contribuinte apresenta sua Impugnação, na qual afirma que: · As provas que vinculam o Contribuinte na suposta utilização do "banco paralelo" basearamse, tãosomente, nos depoimentos suspeitos de FABIANO GOENS (Diretor da PORTOCRED) e ADRIANA REGINA SCHUNCK DE SOUZA (Secretária de FABIANO), integrantes da organização clandestina, que foram presos na Operação e depois promovidos a informantes sujeitos ao Benefício da Delação Premiada, por meio do qual, quanto mais informarem, mesmo que inverdades, menor seria a pena. · Os depoimentos se mostram curtos e imprecisos, e até contraditórios, visto que, de início FABIANO GOENS fala que "Z" referese a ZAMBONI. Posteriormente, em depoimento prestado em Juízo, afirma que as operações identificadas pela senha "Z" deveriam se referir aos clientes do HSBC. E igualmente confusos foram os depoimentos de ADRIANA REGINA SCHUNCK DE SOUZA que diz que "Z" referiase ao ZAMBONI, empregado do UNIBANCO (ANTÔNIO REMI ZAMBONI nunca trabalhou no UNIBANCO). · Os depoimentos são contraditórios e justificados no pânico que envolve a "Delação Premiada", onde a testemunha precisa dizer coisas que justifiquem ter a sua pena reduzida. Para respaldar tão sérias acusações, necessariamente teria que haver comprovação — Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.056 9 baseada em extratos e documentos assinados — da existência da riqueza, da origem, do destino e dos titulares dos valores envolvidos. · Sem apresentar provas consistentes quanto à origem e titularidade de cada uma das operações e de cada uma das contas correntes citadas, o Ministério Público Federal, nos autos da Ação Penal, e a Receita Federal do Brasil, na presente Ação Fiscal imputaram erroneamente ao Contribuinte a titularidade de todas as operações, arbitrandolhe, como beneficiário de todas as importâncias elencadas, que nunca recebeu ou sequer geriu na forma descrita nos procedimentos. · Durante o suposto recebimento dos valores ora tributados, o contribuinte exercia única e exclusivamente o cargo de "Private Banker" no Banco HSBC, sendo seus rendimentos integralmente provenientes da Fonte Pagadora. · Nas planilhas das contas relacionadas às empresas ligadas à organização de serviço bancário clandestino não aparece qualquer referência ao nome de ANTÔNIO REMI ZAMBONI. A letra "Z" pode estar relacionada a qualquer outra pessoa, sendo que o próprio FABIANO GOENS cita em seu depoimento o nome de outras pessoas com sobrenome iniciado por esta letra. · As provas são insuficientes para estabelecer qualquer ligação entre o Contribuinte e o codinome “Z”; · Sequer houve perícia nas contas pessoais do autuado, a qual comprovaria a inexistência de movimentações de valores tão elevados, mesmo porque inexiste demonstração de riqueza, sendo o patrimônio do contribuinte perfeitamente condizente com seus proventos na condição de bancário e requer a realização de perícia contábil para que se possa averiguar o real beneficiário dos valores não declarados ao Fisco. · É ilegal a denúncia criminal uma vez que não foram exauridos os procedimentos administrativos de apuração da infração fiscal, o que contraria o entendimento sumulado pelo STF, visto que antes de iniciado o Processo Administrativo Fiscal Federal, foi promovida ação penal que, mesmo totalmente infundada, materializa ameaça de prisão e representa uma forma de obrigar o contribuinte a pagar dívida fiscal indevidamente constituída, ação esta, inclusive, contrária ao "Pacto de São José da Costa Rica" que o Brasil é signatário. · A autuação não indica a origem, o destino dos recursos transferidos, e muito menos, o nome dos sócios das empresas titulares das contas correntes citadas, e, principalmente, para quais clientes (terceiros) o Contribuinte teria trabalhado na condição de operador de instituição financeira e casa de câmbio irregular. Fl. 2060DF CARF MF 10 · Diante do fato de o Termo de Autuação deixar de apresentar toda a descrição das condutas, pessoas e operações envolvidas na Operação Ouro Verde, constatase que o lançamento é nulo porque deixou de indicar os pseudoclientescoautores do esquema, bem como a fonte pagadora dos recursos imputados ao contribuinte. Caso esta nulidade não seja reconhecida, o Contribuinte deve ter acesso a todos os autos e documentos relativos à Operação Ouro Verde e a todas as ações penais dela decorrentes, abrindose novo prazo para impugnação e diligências. · Pelo exame da Reclamatória Trabalhista que o Contribuinte move contra o Banco HSBC, com cópia integral anexa às fls. 931/1779, as referidas operações provavelmente foram realizadas pelo próprio banco para os seus clientes, circunstância que define claramente a ilegitimidade passiva do autuado, visto que o Contribuinte nada sabia ou tinha gestão quanto à forma de como os clientes do Banco transferiam seus recursos para o exterior a fim de realizar as operações por ele apresentadas, razão pela qual devem ser procedidas diligencias junto ao Banco HSBC para responder sobre os fatos articulados na Autuação. · Por fim, insurgese contra o efeito confiscatório da multa aplicada e alega ilegalidade dos juros fixados pela taxa SELIC, devido à forma da sua criação e a sua finalidade. Nas fls. 1919/1926 consta o Acórdão da Impugnação proferido pela 8ª Turma da DRJ/POA, na qual considerou o lançamento procedente e indeferiu os termos da impugnação, ante a seguinte razão: · Quanto aos pedidos de realização de diligências e perícias, verificase a desnecessidade, pois os elementos inclusos no processo são decorrentes de ações penais precedidas por intenso trabalho investigatório, destacandose que os laudos elaborados pelo DPF, anexados aos autos, já trazem todas as informações relevantes para o deslinde da questão; · Apesar da negativa do Contribuinte às condutas imputadas, os elementos probatórios colhidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público identificam o Contribuinte como sendo o beneficiário dos valores recebidos do exterior, sendo o mesmo a pessoa de codinome Z na planilha; · A prova da ligação está nos depoimentos de FABIANO GOENS e de ADRIANA REGINA SCHUNCK DE SOUZA identificaram ANTÔNIO REMI ZAMBONI inequivocamente como o responsável pelas operações financeiras efetuadas através da conta de codinome "Z", sendo que os depoimentos foram ratificados novamente em oitiva em juízo (fls. 135/147); · O Auto de Infração apresenta claramente a descrição dos fatos e circunstâncias que o embasaram, justificaram e quantificaram, não havendo a necessidade de outros elementos. Porém, cabe informar que o contribuinte pode peticionar ao Poder Judiciário vista a todos os Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.057 11 documentos constantes das ações penais a ele relativos que entender necessários. · Não há que se falar de Efeito Confiscatório das multas aplicadas, visto que foram aplicadas duas Multas. A multa de oficio é devida em decorrência da falta de declaração dos fatos geradores, sendo calculada A base de 75% sobre o valor do imposto suplementar apurado, e foi qualificada nos termos do art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 — com o seu agravamento para 150% — porque restou caracterizado o dolo e o evidente intuito de fraude definido nos termos dos arts. 71 e 73 da Lei no 4.502/64. Já a multa isolada representa 50% sobre o valor do imposto devido a título de carneleão que deixou de ser recolhido na época em virtude do recebimento dos rendimentos das fontes situadas no exterior, não importando que eles tenham ou não sido transferidos para o Brasil. · A cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) foi fixada pela Lei n° 9.065/1995 em seu art. 13. Exigência que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de r de janeiro de 1997 pelo art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996; Nas fls. 1940/2022 o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, no qual alega que: · Ilegalidade do Auto de Infração, pois foi lavrado sem qualquer prova robusta de que o Contribuinte omitiu receitas (não foram apresentados sinais de riqueza), mas tão somente indícios que basearam a abertura da ação penal; · Nulidade, pois os documentos que justificam o AI em nada comprovam a origem e o destino dos citados recursos desviados a favor do suposto enriquecimento e sonegação do Contribuinte; · Os depoimentos de FABIANO GOENS e de ADRIANA REGINA SCHUNCK DE SOUZA são inconsistentes e confusos e não comprovam a ligação do Contribuinte com o codinome “Z”; · A prova testemunhal a "Prostituta das Provas" · O Contribuinte até pouco tempo e à época dos fatos, era um bancário de carreira, que por quase 30 anos trabalhou exclusivamente na condição de empregado/bancário dos Bancos Bamerindus e HSBC (este último porque incorporou o primeiro), não havendo sinais de riqueza do contribuinte – necessária a busca pela verdade real; · Crime complexo e a necessária unicidade por prejudicialidade de ação penal iniciada antes do esgotamento ou início do processo administrativo de apuração de autoria e materialidade de delito fiscal complexo que envolve a pratica de "crime de sonegação complexo: Fl. 2062DF CARF MF 12 autuação fiscal em apreço, fere Direitos do Contribuinte, o Direito ao Contraditório, ao Devido Processo Legal, Ampla Defesa e o Duplo Grau de Jurisdição, pois o Termo de Autuação deixou de apresentar toda a descrição das condutas, pessoas e operações envolvidas na Operação Ouro Verde; deixou de indicar pormenorizadamente os nomes dos pseudosclientescoautores do esquema, bem como a fonte pagadora dos recursos imputados ao contribuinte. Deixou também de indicar o destino, o destinatário e o gestor destas remessas realizadas ao arrepio do conhecimento do Banco Central do Brasil e da Receita Federal, razão pela qual, configuraram os Crimes Objeto de Diversas Ações Penais sobre as quais o Termo de Autuação também deixou de mencionar, maculando todo o procedimento de nulidade formal; · Que o Supremo Tribunal Federal entende que é impertinente a propositura de ação penal em crime contra a ordem tributária, enquanto pendente processo administrativo em que se discuta a constituição do crédito tributário HC 81611 – Súmula Vinculante n 24 Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei no 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. · Cerceamento de defesa por nulidade do auto que omite descrição dos pretensos coautores da totalidade das condutas, operações, origem, destino e titulares da empresa sobre as quais se arbitrou ganhos e riquezas inexistentes; · Cerceamento de defesa e nulidade do processo administrativo, pois negou ao contribuinte a possibilidade de provar que não obteve quaisquer benefícios financeiro com as transações financeiras internacionais que supostamente lhe são imputadas; · Necessária realização de diligências fiscais e policiais junto ao banco HSBC, provável e verdadeiro operador das citadas operações e transferências de recursos descritas no Termo de Autuação. · Necessária a juntada da cópia da referida Ação Penal para demonstrar que nem naquela demanda judicial ou neste processo administrativo não restou comprovada a participação do impugnante nos fatos apurados pela Policia Federal na chamada Operação "Ouro Verde", cujo objetivo foi desarticular redes de doleiros que atuavam no sul do País, precisamente dentro da Corretora/banco Portocred; · A produção de provas é indispensável, tanto no processo administrativo quanto no processo judicial, uma vez que é esta que vai auxiliar na formação da convicção do julgador para decidir a causa, sendo que o contribuinte jamais recebeu os valores constantes na planilha anexa ao presente auto de infração, não havendo qualquer prova de ligação do mesmo com os valores tributados, razão pela qual se faz imprescindível a realização da perícia contábil; · Insurgese contra o efeito confiscatório da multa aplicada e alega ilegalidade dos juros fixados pela taxa SELIC, devido à forma da sua criação e a sua finalidade (impossibilidade de utilização da taxa Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.058 13 SELIC como juros moratórios dada sua natureza jurídica de taxa de juros remuneratória); · Nulidade da ação penal por descumprimento do Pacto de San José da Costas Rica: abolitio criminis arts. 67.68 & 69 da lei n°11.941/09 combinados com o Pacto De San José Da Costa Rica e o art. 2° do Código Penal Brasileiro; Na data de 19/08/2014, nas fls. 2034, o Contribuinte junta manifestação através de um telegrama informando que realizou REFIS do débito ora exigido, mas que não confessa a omissão apontada, requerendo, mesmo assim, o julgamento de seu recurso, visto que a somente procedeu a confissão e a renuncia por exigência do REFIS, sendo estas cláusulas nulas. Este é o relatório do processo. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme constatase nas fls. 1931, o Contribuinte teve ciência do resultado do julgamento em 09/02/2011, através da vista do processo pelo seu advogado, sendo que o AR da sua intimação foi juntado nos autos no dia 10/02/2011 (fl. 1937) e apresenta seu Recurso Voluntário em 18/02/2011 (fl. 1940), sendo, portanto, tempestivo o mesmo. Não conheço dos requerimentos de Nulidade da ação penal por descumprimento do Pacto de San José da Costas Rica (abolitio criminis arts. 67.68 & 69 da lei n°11.941/09 combinados com o Pacto De San José Da Costa Rica e o art. 2° do Código Penal Brasileiro), e do de Nulidade da ação penal por descumprimento da Súmula Vinculante n. 24, pois se tratam de pedidos que devem ser formulados na esfera judicial, no corpo da própria ação penal proposta em face do Contribuinte e em NADA relaciona com o presente Processo Administrativo. Também não conheço do pedido de inconstitucionalidade das multas aplicadas por serem, supostamente, confiscatórias, visto que, nos termos da Súmula 2 deste Conselho, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, conheço parcialmente do Recurso Voluntário interposto e passo à análise de seu mérito. Mérito Fl. 2064DF CARF MF 14 Tratase de lançamento de ofício, diante da omissão de recolhimento de imposto de renda do Contribuinte durante o ano de 2005 e 2006, quando o mesmo recebeu valores oriundos do exterior sem justificar a origem. Conforme comprovado nos autos, no Termo de Verificação Fiscal do Auto de Infração, o Contribuinte foi beneficiário de vinte e quatro transferências internacionais durante os anos de 2005 e 2006, sendo os valores e as datas: DATA U$ BANCO EXTERIOR NOME DA CONTA NÚMERO CONTA 05/01/2004 17.970,00 Gales Dawest Int. S/A 2632838 14/01/2004 100.000,00 Inter Maritime Dawest Int. S/A 2632838 23/03/2004 150.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 05/05/2004 9.980,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 14/05/2004 20.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 28/05/2004 124.980,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 09/06/2004 30.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 13/08/2004 79.990,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 18/08/2004 8.000,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 17/09/2004 199.980,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 11/10/2004 52.027,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 11/10/2004 97.973,00 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 21/10/2004 51.949,98 Sudameris Dawest Int. S/A 2632838 23/11/2004 24.980,00 ABN AMRO Bank Tremblay S/A 1225812 01/12/2004 99.980,00 ABN AMRO Bank Tremblay S/A 1225812 02/12/2004 100.000,00 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 09/12/2004 67.305,98 ABN AMRO Bank Tremblay S/A 1225812 15/12/2004 7.700,00 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 27/12/2004 99.977,93 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 03/01/2005 144.977,69 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 21/03/2005 219.932,02 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 12/05/2005 29.922,84 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.059 15 08/06/2005 60.830,00 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 08/06/2005 154.691,65 Israel Discount Bank of N.Y. Nesler Int. S/A 08.30071 Total de U$1.953.148,09, que convertido na moeda brasileira, nas datas em que houveram as transferências, totaliza em rendimentos recebidos do exterior no valor de R$5.477.437,79. Tratase de lançamento originado na Ação Penal Ouro Verde realizada pela Força Tarefa da Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federa, com o objetivo de desarticular redes de doleiros que atuavam no Sul do pais e movimentavam e remetiam grandes fortunas no exterior sem declarar às autoridades brasileiras, funcionando como um sistema financeiro paralelo e ilegal. Da Esfera Criminal Antes de adentrar na discussão sobre as manifestações do Recurso Voluntário, necessário pontuar que esta julgadora, na busca pela verdade material, lançou o nome do Contribuinte no sítio eletrônico do google, sendo que, em um dos primeiros links vinculativos à pessoa do Contribuinte diz respeito ao processo criminal que o mesmo respondeu na Justiça Federal do Estado do Rio Grande do Sul, o qual o Contribuinte afirma reiteradamente em seu Recurso Voluntário que estava suspenso por falta de prova. Verificase que o Contribuinte ainda responde pelo crime de evasão de divisas sobre o mesmo fato e foi condenado na primeira instancia da esfera criminal da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, cuja sentença é necessária para colocar um fim às questões pontuadas pelo mesmo em seu Recurso Voluntário. Autos 2007.71.00.0323122/RS. 10/07/2011 – Sentença: ANTÔNIO REMI ZAMBONI, brasileiro, casado, advogado, agente autônomo de investimentos e gestor, filho de Leno Zamboni e Nelcinda Maria Zamboni, nascido aos 11/11/1960 na cidade de Santo Cristo/RS, portador do RG 8011023648/SSP/RS, CPF 309.157.16020, com endereço residencial na Rua Pedro Chaves Barcelos, 1032, ap. 303, Bairro Auxiliadora; e comercial na Rua Padre Chagas, 415, Conjunto 1104, Bairro Moinhos de Vento, ambos em Porto Alegre/RS, foi denunciado pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, com base no Inquérito Policial nº 2007.71.00.0323122, como incurso nas sanções dos arts. 16 c/c 1.º, parágrafo único, II, 21, parágrafo único, e 22, caput e parágrafo único, primeira parte, todos da Lei 7.492/86, c/c art. 61, II, "b", do CP. (...) O acusado teria efetuado operações de câmbio não autorizadas e remetido valores para o exterior, com o fim de promover evasão de divisas, sem a devida comunicação às autoridades competentes, contabilizando o envio do montante de US$ Fl. 2066DF CARF MF 16 5.132.677,31 (cinco milhões, cento e trinta e dois mil, seiscentos e setenta e sete dólares e trinta e um centavos). (...) Por fim, referiu a denúncia que, entre 16/5/01 e 8/6/05, aproveitandose de função exercida junto a agência do Banco HSBC Bank Brasil S/A, fez operar instituição financeira de câmbio sem autorização do Banco Central do Brasil, disponibilizando a seus clientes serviços típicos de instituição financeira, incluindo captação, intermediação e aplicação de recursos de terceiros, recursos esses posteriormente remetidos ao exterior por canais informais conhecidos como "dólarcabo". (...) A constatação das remessas e recebimentos estaria baseada na análise do equipamento de informática apreendido em poder de Alfredo Timm de Souza, no qual estariam contabilizadas transações, datas e contas da instituição não autorizada, relacionadas aos correntistas apenas por nomes de código (Laudo de Exame Financeiro nº 1197/2007 SETEC/SR/RS). Dentre as contas utilizadas para remessas de recursos ao exterior estaria a de código "Z", a qual estaria vinculada ao denunciado, de acordo com os depoimentos de FABIANO GOENS e ADRIANA REGINA SCHUNCK DE SOUZA. (...) Com base na contabilidade da instituição financeira, a denúncia imputa as seguintes operações de remessa ao exterior pela conta "Z" As planilhas P1 (CD à fl. 332) e TSC (fls. 578655) confirmam parte dessas operações. (...) Importa salientar que, das operações imputadas ao denunciado, aquelas com data de 02/10/01, no valor de 13.686,00, e 09/10/01, no valor de 10.000,00, não tem registro nas planilhas juntadas aos autos. Afora isso, as operações com data de 21/07/03, no valor de 100.671,00, 22/07/03, no valor de 134.228,00, 10/10/03, no valor de 37.567,00, 01/12/04, no valor de 45.763,00, e 07/01/05, no valor de 79.760,00, tem registro de estorno, não podendo ser consideradas. Assim, tenho por comprovada a materialidade do delito do art. 22, caput, da Lei 7.492/86, devendo o responsável pela conta em questão ser condenado às penas do tipo penal. (...) As planilhas trazidas aos autos, referentes aos extratos P1, P2 (CD à fl. 332) e TSC (fls. 578655), juntamente com os extratos da conta NESLER no Israel Discount Bank (CD à fl. 192), ao passo que comprovam as movimentações relativas à conta "Z", mantida junto à organização criminosa referida nos autos, demonstram que essa conta era utilizada na manutenção de verdadeira instituição financeira paralela, à margem de autorização do Banco Central do Brasil. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.060 17 Isso depreendese, em primeiro lugar, da grande quantidade de operações. Além disso, há várias anotações vinculadas a essa conta, com referências a vários supostos clientes de tal instituição financeira clandestina, em atividades de captação de valores de terceiros e de intermediação de remessas e recebimentos de valores para e do exterior. Com relação, ainda, à demonstração da materialidade do delito, e já fazendo referência à autoria, as declarações prestadas pelos informantes arrolados pela acusação são conclusivas. De acordo com o depoimento da informante Adriana Regina Schunk de Souza, o denunciado intermediava operações de terceiros, e tinha conhecimento da ilicitude das operações (...) Ainda, diante de denúncia contra Francisco Álvaro Zaffari pela suposta prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, verificouse, por seu depoimento, tomado nos autos da Ação Penal 2007.71.00.0236390, e conforme informado pelo Banco HSBC (fl. 334), que o mesmo era cliente da agência em que trabalhava o réu destes autos. Ainda, segundo informado pelo acusado em seu interrogatório, Francisco Álvaro Zaffari era seu cliente no HSBC (fl. 562). Tais informações, somadas ao registro frequente do nome desse suposto cliente, juntamente com outros, nas planilhas relativas à conta "Z" mantida junto à organização criminosa referida nestes autos, ratificam a comprovação da materialidade do crime previsto no art. 16 da Lei 7.492/86. Além disso, o total de valores movimentados, conforme registrado nas referidas planilhas relativas à conta "Z", é incompatível com a renda declarada pelo denunciado – como exposto, responsável por essa conta e pelas suas empresas (fls. 603 do Anexo I), demonstrando, enfim, que esses valores pertenciam, pelo menos em boa parte, a terceiros. Tenho, pois, por comprovadas a materialidade e a autoria do delito do art. 16, c/c art. 1º, caput e parágrafo único, II, todos da Lei 7.492/86, devendo o acusado ser condenado às penas do tipo penal. ANTE O EXPOSTO, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a pretensão deduzida na denúncia, para: 1) CONDENAR ANTÔNIO REMI ZAMBONI à pena privativa de liberdade de 5 anos de reclusão, em regime semiberto, e ao pagamento de 209 diasmulta, arbitrados em 1 salário mínimo vigente em jun/05, devidamente atualizado até a data do efetivo pagamento, por incurso nas sanções do art. 22 da Lei 7.492/86, c/c art. 71 do CP, e do art. 16 da Lei 7.492/86. No TRF o recurso de apelação foi negado provimento, cuja Ementa: Fl. 2068DF CARF MF 18 PENAL E PROCESSO PENAL. CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL. EVASÃO DE DIVISAS. "DÓLAR CABO". ART. 22, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 7.492/86. DOSIMETRIA. CULPABILIDADE, CIRCUNSTÂNCIAS E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. OPERAÇÃO DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SEM AUTORIZAÇÃO. ART. 16 DA LEI 7.492/86. CONCURSO MATERIAL CONFIGURADO. O Sistema financeiro Nacional, consoante preconiza o art. 192 da Constituição Federal, configurase como um complexo estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir os interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem. O bem jurídico tutelado pela Lei 7.492/86 é supra individual e não a simples higidez de determinada instituição financeira. Configurase o crime de evasão de divisas quando o agente se utiliza da estrutura de uma instituição financeira clandestina para realizar operações dólarcabo. Tratandose o réu de funcionário de instituição financeira legítima, regularmente autorizada pelo Banco Central a desempenhar tal mister, a consumação de operação denominada "dólarcabo" enseja agravamento da pena base em razão de sua maior culpabilidade. O agente que se vale de conhecimentos bancários, de sua honorabilidade junto ao mercado, bem como da própria estrutura de instituição financeira internacional com o fito de cometer evasão de divisas deve ser apenado de forma mais rigorosa em razão da alta reprovabilidade de sua conduta. O engenhoso e sofisticado esquema utilizado nas condutas dirigidas à evasão de divisas, por ser circunstância de caráter objetivo, não se presta para fundamentar o desvalor da culpabilidade do agente, a qual deve ser analisada a partir das condições pessoais do réu. Vetorial reputada neutra, servindo o referido fundamento, contudo, na justificação da desfavorabilidade das circunstâncias do delito. A remessa ao exterior de vultosa quantia de dinheiro por intermédio do mercado paralelo enseja exasperação da pena base em razão das vetoriais consequências do crime. A Lei 4.595/64 exige prévia autorização do Banco Central para que instituições financeiras funcionem no país, razão pela qual a prática de atos voltados à captação, intermediação ou aplicação de recursos financeiros de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, antes do competente ato administrativo, implica consumação do delito previsto no art. 16 da Lei 7.492/86. O art. 1º da Lei 7.492/86 equipara a pessoa natural que pratica tais atividades não autorizadas à instituição financeira para fins penais. Configurado o concurso material entre os delitos dos arts. 16 e 22 da Lei 7.492/86, pois derivados de mais de uma ação autônoma praticada pelo agente, forte no art. 69 do CP. Atualmente o processo se encontra no STJ, para julgamento do RESP. Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.061 19 Portanto o Contribuinte foi condenado no delito do art. 22 da Lei nº. 7.492/86: Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País: Pena Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente. Tratase de Sentença e Acórdão publicados no Diário da Justiça Eletrônico de livre acesso à todos (http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php). Portanto, por ser documento público e notório, de conhecimento geral, não é capaz de ensejar cerceamento de defesa. Por fim, antes de adentrar ao julgamento das preliminares e do mérito do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, verificase que através desta sentença e Acórdão há inabalável certeza de que: · O Contribuinte apontado neste Auto de Infração como sujeito passivo Antonio Remi Zamboni é de fato a pessoa indicada no codinome “Z” das planilhas e é a beneficiária de depósitos realizados no exterior, proveniente da Operação Ouro Verde e promoveu evasão de divisas sem declarar à Receita Federal; · Que o Contribuinte foi culpado na operação, tinha conhecimento de que estava infringindo a lei e dolosamente não declarou os valores à Receita Federal; Feita esta primeira ponderação que, em busca da verdade material, noticiou aos autos a ocorrência de um fato notório e sabido, passase à análise das preliminares e do mérito do Recurso interposto pelo Contribuinte. Nulidade – Cerceamento de Defesa Sustenta o Contribuinte que a autuação é nula, uma vez que os elementos fundamentais em que se baseia a acusação são "supostas "informações" fornecidas por Autoridades internas e externas, provenientes de Ações Penais ocorridas no campo da Operação Ouro Verde realizada pela Força Tarefa a Polícia Federal e da Receita Federal, sendo que não houve a correta imputação da ocorrência dos fatos geradores e da sujeição passiva em face do Contribuinte, pois o lançamento se baseou em informações oferecidas por pessoas com benefício da Delação Premiada, sendo certo que a “prova oral é a prostituta das provas”. Prossegue assentando que não foi o beneficiário das planilhas de codinome “Z”; que não foi o beneficiário dos valores recebidos oriundos do exterior; que não houve a comprovação, por parte da Autoridade Fiscal, de indicar no lançamento de onde esses valores tiveram origem e o destino deles, sendo impossível ter sido o Contribuinte, pois não houve a constatação de sinais de riqueza do mesmo. Fl. 2070DF CARF MF 20 Por fim afirma que deveria ter sido realizada uma perícia contábil nas contas correntes do Contribuinte ou então uma perícia e busca policial nas contas do HSBC, pois se realmente houve remessa e recebimento de valores advindos do exterior, deveria a empresa empregadora do Contribuinte responder por isso. Sem razão o Contribuinte. Determina a legislação (Decreto nº 70.235, de 1972): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificase que, no presente caso, não ocorreu quaisquer dos incisos do artigo 10 que ensejassem a nulidade do auto de infração, ou do artigo 59 que ensejassem a nulidade do procedimento. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, houve o correto respeito ao direito de defesa. O lançamento foi motivado por Operação “Ouro Verde”, deflagrada pela Receita Federal do Brasil em combinação com o Departamento de Policia Federal e com o Ministério Público Federal, em que se desarticulou redes de doleiros que atuavam no Sul do pais, sendo que diversas empresas foram alvo da investigação por delegarem ao esquema de doleiros a administração de seu "Caixa 2", como serviço adicional ao esquema alternativo de remessas, no qual o contribuinte foi identificado como beneficiário de divisas no exterior, mais especificamente de vinte e quatro transferências internacionais durante os anos de 2005 e 2006, que totalizam U$1.953.148,09, convertido na moeda brasileira, nas datas em que houveram as transferências, R$5.477.437,79 de rendimentos recebidos do exterior. Com base na documentação elencada abaixo, restou comprovado nos autos que o esquema envolvia a existência de uma organização financeira clandestina, que, através de pessoas físicas e de empresas constituídas para este fim, estabeleceu um verdadeiro sistema Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.062 21 bancário paralelo, disponibilizando a seus clientes serviços típicos de instituição financeira, como câmbio, a manutenção de contas de investimento no território nacional e fora dele e a remessa de valores para o exterior efetuadas, geralmente, por meio de transações irregulares conhecidas como "dólarcabo", formando uma instituição financeira sem autorização do Banco Central, cujos agentes responsáveis eram Fabiano Goens (CPF 737.730.93004), Adriana Regina Schunck de Souza (CPF 635.435.08091) e a empresa Tour Export Viagens e Turismo LTDA (CNPJ 91.896.944/000144), sendo que dentro dos registros dessa organização, restou confirmado e provado que o Contribuinte foi identificado em vinte e quatro (24) operações como beneficiário de recursos no exterior. Os documentos que comprovam a imputação do contribuinte como beneficiário de recursos no exterior são: · Os Laudos Periciais n° 1082/2007 (fls. 92/104) e n° 1197/2007 (fls. 81/91) — SETEC/SR/RS tratam da perícia realizada em arquivos do computador apreendido judicialmente. · O Laudo n° 1484/2008SETEC/SR/DPF/RS (fls. 32/39 e 105/115) examinou contabilmente a conta mantida pela organização financeira clandestina; no exterior, no banco Israel Discount Bank of. N.Y, em nome da empresa NESLER INT. S.A. · A utilização dos extratos da conta em nome da 'Nesler Int. S.A, obtidos por meio de cooperação internacional, como prova em todas as 'investigações policiais que guardam relação com a organização financeira clandestina, objeto da Ação Penal n° 2007.71.00.0017965, foi permitida pela Autoridade Central dos Estados Unidos da América, conforme Oficio 7639/2008/2008/DRCISNJMJ (fls. 126/129) · O Laudo 1509/2007 (fls. 181/188) SETEC/SR/DPF/RS analisa a agenda eletrônica Casio modelo SF 4980ER, entregue por Fabiano Goens. Além disto, tem os depoimentos dos operadores do esquema, Adriana e Fabiano que expressamente confirmam que o Contribuinte era a pessoa de codinome Z das planilhas e, consequentemente foi o beneficiário dos 24 recursos do exterior, assim como a autoria e a materialidade foi confirmada na Ação Penal 2007.71.00.0323122/RS, ratificada pelo TRF 4 no julgamento do Recurso de Apelação, sendo que no processo criminal foi oportunizado todo tipo de prova, e mesmo assim, constatouse o fato. Portanto, não restaram dúvidas de que o Contribuinte é a pessoa de codinome Z e a real beneficiária dos 24 depósitos/recursos advindos do exterior. Tratase de documentação hábil, produzida pela Justiça Federal, com auxílio da Justiça estrangeira, totalmente hígida para comprovar a ocorrência do fato gerador, a sujeição passiva e a base de cálculo. Toda essa documentação que acompanhou o presente processo administrativo foi fornecida ao Contribuinte desde o início de suas intimações, assim como renovado quando Fl. 2072DF CARF MF 22 das diversas intimações no interregno do processo, sendolhe permitido o pleno acesso aos autos. A Autoridade Fiscal possibilitou ao Contribuinte por inúmeras vezes trazer documentos idôneos que comprovasse a inveracidade destes documentos, capazes de contrariar as informações ali constantes. Em todas as vezes o Contribuinte apenas rejeitou a imposição. Além disto, se realmente o Contribuinte não fosse o beneficiário desses 24 depósitos de remessas do exterior, poderia ter trazido aos autos a lista com o nome desses supostos beneficiários, acompanhado de outra prova ou indício, capaz de ensejar a dúvida no lançamento. Entretanto, apenas negou sua relação com o codinome Z. Este Conselho tem o entendimento formado por Jurisprudência Consolidada: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — PARTICIPAÇÃO — AUSÊNCIA DE PROVAS — NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. É passível de dúvida a remessa de recursos financeiros se não consta assinatura do contribuinte nos elementos probatórios, nem se comprova de outra forma a participação do contribuinte no esquema fraudulento, o que enseja a nulidade do lançamento fiscal por instrução insuficiente do Auto de Infração. (Acórdão nº 9202002.550 – Sessão de 05 de março de 2013) Veja que neste caso não se trata de falta de prova da participação do Contribuinte no esquema fraudulento. Pelo contrário, comprovouse através de outras formas, in casu, a Sentença da Ação Penal, ratificado pelo Acórdão do TRF que o Contribuinte foi o beneficiário dos depósitos. Sobre a legalidade das provas utilizadas nos autos, utilizase a Jurisprudência consolidada deste Conselho em caso análogo: PROVAS Constitui prova suficiente da titularidade de recursos no exterior os laudos emitidos pela Policia Científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o titular das remessas de numerário. (Acórdão e 10517.010 Sessão de 28 de maio de 2008) BEACON HILL PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – REMESSA AO FISCO – AUSÊNCIA DE ILICITUDE Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. (Acórdão n° 10617.155 Sessão de 06 de novembro de 2008) Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.063 23 Assim sendo, houve cumprimento ao devido processo legal, sendo oportunizado ao Contribuinte o direito de ampla defesa. Com relação à prova pericial, não vislumbro a necessidade de realização, visto que os autos se encontram com provas suficientes para comprovar a sujeição passiva, o fato gerador e a base de cálculo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2009 PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando a parte explicitar e demonstrar a sua necessidade, como, por exemplo, quando o fato somente puder ser comprovado através de instrução que demande conhecimento técnico ou científico, ou quando o fato não puder ser provado através da juntada de documentos. Acórdão 2402006.633 – 2ª Seção de Julgamento/ 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 02 de outubro de 2018. A realização da prova pericial somente deve ser deferida quando explicitada e demonstrada a sua necessidade. Caso o Contribuinte trouxesse em suas razões a real necessidade para realização das mesmas, visto que o pedido de apuração junto ao HSBC poderia ter sido elucidado se o Contribuinte trouxesse ao menos os nomes dos supostos reais beneficiários desses 24 depósitos; ou então, poderia o Contribuinte ter realizado a própria perícia contábil em suas contas bancárias, capaz de introduzir a dúvida no julgamento sobre a real necessidade de realização da mesma, ai sim seria passível de deferimento o pedido de realização das provas periciais solicitadas. Portanto, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa quando o mesmo regularmente cientifica o sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação e quando o Auto se utiliza de documento idôneo e oficial, fornecido pela Justiça Federal, bem como os demais elementos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. Mérito Na Declaração de Imposto de Renda do contribuinte durante do ano calendário apurado, o Contribuinte não declarou que recebeu valores advindos do exterior, sendo que, quando intimado para justificar a origem dessas ordens de pagamento, afirma desconhecer estes valores, que não teria sido o mesmo o beneficiário dos valores. Há nos autos a comprovação de que o Contribuinte recebeu tais valores durante o ano calendário de 2005 e 2006, visto que todos os Laudo periciais que acompanharam o presente auto de infração comprovam que o mesmo foi o beneficiário das 24 operações estrangeiras. Fl. 2074DF CARF MF 24 Portanto, ao contrário do que alega o Contribuinte, há prova documental do fato gerador: há comprovação de que o Contribuinte recebeu sim valores provenientes do exterior, e de grande monta, os quais não foram objeto de tributação em seu imposto de renda durante o período apurado. Esta esfera administrativa julga pelo princípio da legalidade e da verdade material. Existem provas concretas da ocorrência do fato gerador – omissão de rendimentos advindos do exterior – como exposto acima. Sobre a legalidade do lançamento e a forma da apuração, observa que a Lei 9.430/96 determina em seu art. 42: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 61 Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, a legislação determina a obrigatoriedade de o Contribuinte comprovar a origem dos depósitos recebidos quando os valores são maiores que R$12.000,00 e R$80.000,00 no ano, havendo a presunção de omissão de rendimentos nestes casos. No presente caso, os valores descobertos pela fiscalização, proveniente do exterior, são superiores ao teto suscitado pela legislação. Conseqüentemente, aplicase a Súmula 26 do CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Tal dispositivo institui uma presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostra se inverídica. Não tendo o contribuinte se desincumbido dessa presunção, perfeitamente válido o lançamento. Portanto, ao receber as provas da Ação Penal, a Autoridade Fiscal apenas instaurou o procedimento de verificação, com o intuito de oportunizar o contribuinte a apresentar provas que trouxessem uma justificativa crível da origem dos valores, visto que sua Declaração de Imposto de Renda durante o período apurado omite sobre recebimento de valores advindos do exterior. Ante ao exposto, não tendo o Contribuinte demonstrada a origem dos valores recebidos do exterior, com provas hábeis de comprovar o que alega, sendo constatada a Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 11080.008432/200989 Acórdão n.º 2301005.777 S2C3T1 Fl. 2.064 25 ocorrência do fato gerador, ou seja, restou fisco demonstrada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, verificase a legalidade do lançamento. Com relação às multas, pontuase. A multa de oficio é devida em decorrência da falta de declaração dos fatos geradores, sendo calculada à base de 75% sobre o valor do imposto suplementar apurado, e foi qualificada nos termos do art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 — com o seu agravamento para 150% — porque restou caracterizado o dolo e o evidente intuito de fraude definido nos termos dos arts. 71 e 73 da Lei no 4.502/64. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 9202003.827 08/03/2016) Entendo que a regra da multa de ofício é de aplicação de 75%, sendo a qualificada a exceção. Apesar disto, restou caracterizado e comprovado o dolo, visto que o Contribuinte atuou ativamente nas operações dólarcabo, seja em seu benefício ou em benefício de supostos terceiros, em um esquema operacional muito bem formado entre os operadores e o mesmo. Ele era o operador e possível beneficiário de todos os valores recebidos explicitado na planilha como sendo cliente “Z”. Houve real intenção do Contribuinte em sonegar e em causar danos ao erário, pois todos os valores recebidos do exterior lhe era destinado ao mesmo, sendo que este os omitiu totalmente perante a Receita Federal. Por esta razão entendendo que houve comprovação da conduta dolosa do Contribuinte, sendo devido o lançamento da multa qualificada, da forma como foi no Auto de Infração. Sobre o requerimento de inutilização da taxa SELIC na apuração do crédito, verificase que a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) foi fixada pela Lei n° 9.065/1995 em seu art. 13. Exigência que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de r de janeiro de 1997 pelo art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. Sobre a legalidade da utilização, temse a Jurisprudência consolidada: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(Acórdão nº 9202003.955 14/04/2016) Assim como a Súmula deste Conselho: Fl. 2076DF CARF MF 26 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Portanto, indefiro o pedido. Por fim, verificase a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto, devida a utilização da taxa SELIC e a imposição dos juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de nulidade da ação penal e da alegação de inconstitucionalidade, para que na parte conhecida, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 2077DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.900002/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
Numero da decisão: 3402-006.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo da COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199118, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 199118/2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 02 /2 00 8- 30 Fl. 83DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em julgamento adoto como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Porto Alegre/RS (acórdão n. 1016.079 fls. 3437), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Porto Alegre relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, em virtude exame de declaração de compensação nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausencia/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis (alíquota de 0,65%) e Cofins (alíquota de 3%) conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 3°, §2, inciso I1I, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. (...). 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 04/12) foi julgada improcedente pelo aludido voto, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.900002/200830 Acórdão n.º 3402006.064 S3C4T2 Fl. 85 3 Ementa:. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 42/71, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme se observa dos autos, um dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente seria quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade reconhecida na ADI n. 14170, assim ementada: Ementa Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598. 6. Diante desta decisão e segundo o contribuinte em suas razões recursais: Fl. 85DF CARF MF 4 7. Independentemente de adentrar no mérito da decisão pretoriana, mister se faz destacar que ela é totalmente inaplicável ao presente caso, já que a decisão lá proferida referese ao PIS, enquanto a questão aqui travada diz respeito a COFINS supostamente paga a maior. Ademais, a exação em tela referese ao mês de dezembro de 2002 e não ao período que teria pretensamente sido reconhecido como inconstitucional pelo STF (outubro de 1995 a novembro de 1998). 8. Tais considerações também valem para os tópicos desenvolvidos pelo contribuinte e que dizem respeito a uma suposta injuridicidade da IN SRF n. 06/2000 que, segundo o contribuinte, teria restringido os efeitos da declaração de inconstitucionalidade pretoriana reconhecida no nojo da já citada ADI n. 14170. Isso porque, como visto alhures, o teor da aludida decisão é inaplicável ao caso decidendo por absoluta falta de pertinência com os fatos apurados na presente autuação. 9. Logo, tais tópicos do presente recurso voluntário sequer merecem ser conhecidos. II. Do conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 10. Não obstante, parte do recurso voluntário merece ser conhecida, já que apresenta pertinência com o caso decidendo, por ser a peça recursal tempestiva e por ainda preencher os demais pressupostos de admissibilidade. (ii.a) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998 11. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.900002/200830 Acórdão n.º 3402006.064 S3C4T2 Fl. 86 5 (...). (grifos nosso). 12. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47. Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: Fl. 87DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.900002/200830 Acórdão n.º 3402006.064 S3C4T2 Fl. 87 7 Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. Fl. 89DF CARF MF 8 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.900002/200830 Acórdão n.º 3402006.064 S3C4T2 Fl. 88 9 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 13. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 14. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento. 16. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 91DF CARF MF 10 Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903442/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-004.549
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TOYOTA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 34 42 /2 00 8- 01 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903442/200801 Acórdão n.º 3201004.549 S3C2T1 Fl. 3 2 convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (.) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: (...) transmitiu o (...) PER/DCOMP (...) pelo qual pleiteou a homologação de compensação, valendose de créditos de contribuições recolhidas a maior em decorrência da não dedução de vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Em termos práticos, a decisão ora combatida afirma que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente usado para quitação de débitos do contribuinte. Não é o que mostra, contudo, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, (...), apresentada pela Manifestante (...). Da análise de tal documento, podese concluir, em absoluto, que há crédito suficiente para a compensação formalizada na PER/DCOMP em questão (.). Ante o exposto, a não homologação da compensação não merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a existência do crédito da Manifestante. Caso V. Sas. não entendam dessa forma, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Manifestante, desde já, esclarece a legalidade, regularidade e tempestividade das informações prestadas a esta Secretaria. Ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão, todos os valores informados pela Manifestante já eram Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.903442/200801 Acórdão n.º 3201004.549 S3C2T1 Fl. 4 3 absolutamente condizentes com a realidade, ou seja, a Manifestante, àquela altura, já detinha todos os créditos pleiteados. Os créditos da Manifestante, decorrentes de pagamento a maior por não dedução em vendas para a Zona Franca de Manaus, SEMPRE existiu (sic) e, agora, ainda mais, resta plenamente demonstrado na DCTF da Manifestante, ora anexada. A Manifestante, portanto, jamais causou qualquer prejuízo ao erário público, ao compensar valores com créditos dos quais dispunha integralmente. Assim, não bastasse a regularidade da compensação, que deve ser plenamente homologada, nunca houve mora ou infração da Manifestante, motivo pelo qual a cobrança de multa e juros apresentada no despacho decisório é igualmente descabida. Caso entendam V. Sas. que há alguma irregularidade no caso, nem mesmo mero erro de fato poderia ser cogitado, entendimento que, aliás, ocasionaria verdadeiro enriquecimento ilícito da Unido Federal. A DRJ/Campinas/SP, por meio do Acórdão 0529.639, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 EMENTA: DESPACHO ELETRÔNICO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA POSTERIOR. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação, sendo que a retificação de tais declarações posteriormente à emissão do despacho eletrônico não o invalidam. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No Recurso Voluntário, a empresa reforça a invocação do princípio da verdade material, e reitera que a DCTF retratava a condição de liberação do pagamento indevido. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13819.903442/200801 Acórdão n.º 3201004.549 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.544, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 13819.903407/200883, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.544): "O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório foi cientificado ao contribuinte em 21/08/2008, e a DCTF retificadora foi transmitida em 08/09/2008, portanto, depois da ciência do Despacho Decisório. Portanto, o débito no valor integral do Darf foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído, passível de posterior homologação. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquiv oBinario=0 II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13819.903442/200801 Acórdão n.º 3201004.549 S3C2T1 Fl. 6 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificálo – o crédito tributário após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais (nfs, contratos, etc). Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13819.903442/200801 Acórdão n.º 3201004.549 S3C2T1 Fl. 7 6 Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. Caso a DCTF ativa (original ou retificadora) estivesse com os valores que alega a recorrente, a compensação poderia ser sido auditada, para eventual prova de sua inconsistência, e para conferir o crédito. Em outras palavras, o Fisco tem o dever de averiguar I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13819.903442/200801 Acórdão n.º 3201004.549 S3C2T1 Fl. 8 7 e comprovar apenas o que for diferente daquilo que foi declarado pelo contribuinte. Após o procedimento de ofício, que agiu em conformidade com o que estava declarado, a contraprova, o ônus probatório, no caso de restituição/compensação, passa ao contribuinte. Dado que a DCTF ativa tinha o valor total do Darf de pagamento, a compensação foi negada por comparativo eletrônico. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1705 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 82DF CARF MF
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