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7572327 #
Numero do processo: 17613.720056/2018-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 AUSÊNCIA DE EXAME DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a impugnação do lançamento enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 2002-000.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão, com vistas a que se pronuncie sobre todas as questões trazidas na impugnação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 AUSÊNCIA DE EXAME DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a impugnação do lançamento enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa.

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2002­000.596  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  11 de dezembro de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  NAGELA CHAMOUN  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2013  AUSÊNCIA  DE  EXAME  DAS  RAZÕES  DE  IMPUGNAÇÃO  PELA  DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE.  A ausência de exame das razões que embasam a impugnação do lançamento  enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, com o retorno  do  processo  à  Delegacia  de  Julgamento  para  a  sua  devida  apreciação,  sob  pena de supressão de instância e cerceamento de defesa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  dar  provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, com  retorno  dos  autos  à  instância  de  origem para  prolação  de  nova  decisão,  com vistas  a  que  se  pronuncie sobre todas as questões trazidas na impugnação.   (assinado digitalmente)  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Presidente  e  Relatora  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 00 56 /2 01 8- 14 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 17613.720056/2018­14  Acórdão n.º 2002­000.596  S2­C0T2  Fl. 98          2   Relatório    Notificação de lançamento  Trata  o  presente  processo  de  notificação  de  lançamento  –  NL  (fls.  5/15),  relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração  de ajuste anual da contribuinte acima  identificada,  relativa ao exercício de 2014. A autuação  implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$18.715,37 para  saldo de imposto a pagar de R$64.413,28.  A notificação recai sobre rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à  tributação  exclusiva.  A  autuação  alterou  o  número  de  meses  correspondentes  de  64  para  4  (fl.7), além de glosar parte do IRRF correspondente a esses rendimentos (R$4.046,25, à fl.9),  consignando:  A  contribuinte  não  apresentou  Sentença  Judicial  ou  Acordo  homologado  judicialmente;  planilha  das  verbas  contendo  os  cálculos  de  liquidação  de  sentença  com  a  comprovação  do  número de meses declarados, atualização de cálculos; Alvará de  Levantamento  com autenticação mecânica  do  banco  ou  extrato  da  conta  corrente  judicial; DARF  do  recolhimento  do  IRRF;  e  recibos  de  honorários  advocatícios  conforme  solicitado  no  Termo  de  Intimação  Fiscal.  Número  de  meses  conforme  informações  constantes  dos  sistemas  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil.    Impugnação  Cientificada à contribuinte em 8/1/2018, a NL foi objeto de impugnação, em  30/1/2018, à fl. 2/45 dos autos, alegando:  Infração: NÚMERO DE MESES RELATIVO A RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  INDEVIDAMENTE  DECLARADO  ­  TRIBUTAÇÃO  EXCLUSIVA  Meses:  0,0.  Não  concordo com essa infração.  ­  A  alteração  é  indevida,  pois  o  n°  de  meses  referentes  aos  rendimentos recebidos acumuladamente considerado pelo Fisco  não  está  correto. N°  de meses  a  que  se  refere  os  rendimentos:  Número  de  meses  =  72,  conforme  tabela  anexada.  Porém,  um  formulário que consta no processo informava 64 meses. Também  anexei o formulário e peço que avaliem.  ­ Outras alegações:  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 17613.720056/2018­14  Acórdão n.º 2002­000.596  S2­C0T2  Fl. 99          3 Após  substituição  do  advogado,  conseguimos  obter  vistas  do  processo  e  entender  todo  o  ocorrido.  Anexamos  a  tabela  de  cálculo  com  todos  os  meses,  comprovante  de  TED  do  resgate,  formulários  descrevendo  o  recebimento  da  contribuinte  e  advogada,  mandado  de  penhora  de  valor  para  pagamento  de  dívida  anterior  com  a  decisão  do  juiz.  Com  isso,  todas  as  declarações  ano  base  2013  estão  erradas  em  relação  ao  RRA,  pois não consideraram o valor penhorado, que é tributável. Com  o comprovante do TED do resgate, anexamos o extrato da conta  judicial,  e  esclarecimentos  sobre  uma devolução  efetuada. Não  tenho certeza de qual foi o valor resgatado pela contribuinte, R$  151.902,32 ou R$ 157.615,12. Peço que avaliem.  Infração:  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  IMPOSTO  DE  RENDA  RETIDO  NA  FONTE  SOBRE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  ­  TRIBUTAÇÃO  EXCLUSIVA  Fonte  Pagadora:  29.979.036/0001­40  ­  INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL  (ATIVA). CPF  Beneficiário: 096.283.637­00 ­ NAGELA CHAMOUN.  Valor  da  infração:  R$  4.046,25.  Não  concordo  com  essa  infração.  ­  Outras  alegações:  Em  relação  ao  IRRF,  observem  o  comprovante  do  TED  de  resgate  e  formulário  pois  o  valor  do  IRRF considerado no  lançamento da simulação DIRPF 14/13 é  de  R$  4.967,65.  No  formulário  de  RRA mostra  informação  de  IRRF de R$ 9.468,80. Avaliem por favor e me informem o valor  correto para proceder com a retificação definitiva da dirpf. Dia  05/02  tenho  agendamento  para  obter  cópias  das  declarações  anteriores.  A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade,  julgou a impugnação procedente em parte (fls. 63/66).  O  colegiado  de  primeira  instância  acatou  os  64  meses  declarados  pela  contribuinte, mas manteve a glosa parcial do IRRF.    Recurso voluntário  Ciente  do  acórdão  de  impugnação  em  9/7/2018  (fl.  70),  a  contribuinte,  em  26/7/2018  (fl.  73),  apresentou  recurso  voluntário,  às  fls.  73/94,  no  qual  alega,  em  apertado  resumo, que:  ­ a decisão recorrida teria desconsiderado o fato de que, no decorrer da ação  contra  o  INSS,  teve  um  mandado  de  penhora,  de  R$31.077,20,  que  elevaria  o  valor  bruto  recebido. Indica a juntada de simulação da DIRPF, indicando os seguintes valores:  Rendimentos recebidos ­ R$187.869,97 (156.869,97+31.077,200  IRRF ­ R$5.422,55  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 17613.720056/2018­14  Acórdão n.º 2002­000.596  S2­C0T2  Fl. 100          4 Número de meses ­ 64  Imposto devido ­ R$7.673,55  ­  teria  sido  apurado  imposto  a  pagar  de  R$21.799,17,  o  qual  já  foi  parcialmente  quitado,  por  meio  de  parcelamento  solicitado  após  a  formalização  de  sua  impugnação.  ­ requer o cancelamento do imposto suplementar de R$4.048,25 e respectiva  multa de mora, além do "...encerramento do parcelamento descrito e a lançamento do débito  de R$1.877,79 a fim de efetuar sua quitação de forma definitiva".      Voto               Conselheira  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Relatora    Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.    Pleitos atinentes ao parcelamento  Quanto aos pedidos atinentes ao parcelamento, cabe esclarecer que devem ser  direcionados pela recorrente à Unidade da RFB de seu domicílio tributário, que é quem detém  a competência de controle do crédito tributário.    Mérito  Como  relatado,  a  autuação  recai  sobre  rendimentos  recebidos  acumuladamente  pela  recorrente,  sujeitos  à  tributação  exclusiva.  A  notificação  alterou  o  número  de meses  correspondentes  aos  rendimentos,  bem  como  glosou  parcialmente  o  IRRF  declarado.  O colegiado de primeira instância acatou o número de meses declarado pela  recorrente, 64.  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 17613.720056/2018­14  Acórdão n.º 2002­000.596  S2­C0T2  Fl. 101          5 Em relação ao IRRF, a decisão consigna que restou comprovado o IRRF no  montante de R$4.967,65. Não obstante, como não poderia agravar a exigência, manteve o valor  considerado na autuação, de R$5.422,55.  Em  sede  de  recurso,  a  recorrente  aponta  que  a  decisão  não  considerou  o  mandado de penhora que teria sido emitido, o qual, segundo alega, influenciaria no cálculo do  imposto  devido,  anexando  simulação  da  declaração  de  ajuste  com  os  valores  que  entende  corretos.  Da  análise  dessa  simulação  (fl.92),  constata­se  que  o  inconformismo  da  recorrente recai sobre o valor dos rendimentos recebidos acumuladamente.  Neste ponto, cabe observar que  a contribuinte  informou em sua Declaração  de  Ajuste  o  recebimento  do  montante  de  R$194.363,51  (fl.51),  o  qual  não  foi  alterado  na  autuação (fl.11).  Na sua impugnação, a contribuinte apontou:  Após  substituição  do  advogado,  conseguimos  obter  vistas  do  processo  e  entender  todo  o  ocorrido.  Anexamos  a  tabela  de  cálculo  com  todos  os  meses,  comprovante  de  TED  do  resgate,  formulários  descrevendo  o  recebimento  da  contribuinte  e  advogada, mandado  de  penhora  de  valor  para  pagamento  de  dívida  anterior  com  a  decisão  do  juiz.  Com  isso,  todas  as  declarações ano base 2013 estão  erradas  em  relação ao RRA,  pois  não  consideraram  o  valor  penhorado,  que  é  tributável.  Com o comprovante do TED do resgate, anexamos o extrato da  conta judicial, e esclarecimentos sobre uma devolução efetuada.  Não  tenho  certeza  de  qual  foi  o  valor  resgatado  pela  contribuinte,  R$  151.902,32  ou  R$  157.615,12.  Peço  que  avaliem.  Além disso, anexou naquela ocasião duas simulações de DIRPF de fls. 34/45.  Na  primeira,  apontou  como  rendimentos  recebidos  acumuladamente  o  montante  de  R$182.966,32  (fl.37)  e,  na  segunda,  o  montante  de  R$188.692,32  (fl.43).  Em  ambas,  considerou IRRF correspondente de R$4.967,65.  Vê­se  que  a  recorrente  requereu  em  sede  de  impugnação  a  alteração  dos  rendimentos vinculados ao lançamento. Entretanto, a decisão de piso não apreciou esse pleito.  Destaco  que,  tendo  sido  autuada,  a  recorrente  não  teria  como  apresentar  declaração  retificadora  para  proceder  a  essa  alteração.  Ademais,  repise­se,  a  autuação  está  atrelada a esses rendimentos, ainda que não os tenha alterado.  Agora,  em  sede  de  recurso,  a  recorrente  volta  a  pedir  a  alteração  desses  rendimentos, juntando nova simulação de DIRPF, consignando rendimentos de R$187.947,17,  relativos a 64 meses e IRRF de R$5.422,55 (fl.92).  Entretanto,  o  pronunciamento  deste  colegiado  neste  momento  implicaria  supressão  de  instância  e  afronta  ao  princípio  do  duplo  grau  de  jurisdição,  o  qual  orienta  o  processo administrativo fiscal, além de cerceamento do direito de defesa.  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 17613.720056/2018­14  Acórdão n.º 2002­000.596  S2­C0T2  Fl. 102          6 Assim, cabe o retorno dos autos ao colegiado de primeira instância, para que  se pronuncie sobre esse pedido do contribuinte.      Conclusão  Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso, para declarar a nulidade  do acórdão de primeira instância, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de  nova decisão, com vistas a que se pronuncie sobre todas as questões trazidas na impugnação.  (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez                                Fl. 102DF CARF MF

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7594545 #
Numero do processo: 10768.908836/2006-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO INTEGRANTE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cuja homologação está sendo discutida administrativamente. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo na Declaração de Imposto da Renda Pessoa Jurídica será pago independente de pedido de restituição ou de compensação, exceto nas situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública. DCOMP. RETIFICAÇÃO DE ERRO QUANTO À ESPÉCIE DE CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL. Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido.
Numero da decisão: 2402-006.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 110          1 109  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10768.908836/2006­30  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.888  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de janeiro de 2019  Matéria  Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte  Recorrente  WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 2001  PER/DCOMP.  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  INTEGRANTE.  CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.  Não integra o contencioso administrativo direito creditório que não consta de  Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de  Compensação  (PER/DCOMP),  cuja  homologação  está  sendo  discutida  administrativamente.  DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. SALDO  NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.  O  saldo  negativo  na Declaração  de  Imposto  da Renda  Pessoa  Jurídica  será  pago  independente de pedido de  restituição ou de compensação,  exceto nas  situações em que será compensado de oficio pela Fazenda pública.  DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DE  ERRO  QUANTO  À  ESPÉCIE  DE  CRÉDITO. NÃO CABIMENTO EM SEDE RECURSAL.  Incabível a retificação, em sede recursal, de erro quanto à espécie de crédito a  compensar  que  tiver  implicado  procedimento  de  verificação  diverso  do  devido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 88 36 /2 00 6- 30 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10768.908836/2006­30  Acórdão n.º 2402­006.888  S2­C4T2  Fl. 111          2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly Montez,  Denny Medeiros  da  Silveira,  Gregório  Rechmann  Junior,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Luís  Henrique  Dias  Lima,  Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.   Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos  até  a  decisão  de  primeira  instância,  transcreveremos  o  relatório  constante  do  Acórdão  nº  12­22.147,  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I/RJ, fls. 67 a 70:  O  presente  processo  trata  de  Declaração  de  Compensação  (DComp),  transmitida  em  14/07/2003  (fl.  2),  no  valor  de  R$  95.839,09.  1.1. Crédito: Pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor  de R$ 145.804,41  (dos quais o interessado pretende utilizar R$  95.839,09),  código  3426,  referente  ao  período  de  apuração  encerrado em 26/06/2001, vencido e arrecadado em 30/06/2001.  O  CNPJ  constante  no  Darf,  fl.  4,  pertence  a  empresa  que  foi  incorporada pelo interessado em 02/12/2002, fl. 3.  1.2. Débito: Cofins, código 2172, período de apuração 05/2003,  no valor de R$ 120.862,67.  2. Em 29/01/2008, a Derat Rio de Janeiro, através do Despacho  Decisório  da  fl.  8,  não  homologou  a  compensação  declarada  porque  o Darf  discriminado  na DComp  não  foi  localizado  nos  sistemas da Receita Federal.  3. interessado tomou ciência da decisão em 11/02/2008, fl. 7, e,  em 12/03/2008, apresentou Manifestação de Inconformidade, fls.  10/17, e documentos, fls. 18/44, alegando, em síntese, que:  3.1.  Cometeu  um  erro  formal  ao  informar  na  DComp  que  o  crédito  seria  oriundo  de  recolhimento  indevido.  Na  verdade,  tratava­se de crédito "de IRRF sobre aplicações financeiras que  deveriam  ser  restituídos  uma  vez  que  o  contribuinte  apurou  saldo negativo na DIPJ relativa ao ano de 2002 ", fl. 11.   3.2. A empresa sucedida informou, em sua DIPJ 2002, um saldo  negativo  de  imposto  de  renda  a  pagar  no  valor  de  R$  1.869.091,48,  que  corresponde  ao  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  fl.  40/41.  O  Banco  Europeu  para  a  América  Latina  S.A.  reteve  R$  145.804,41  de  IRRF,  fls.  43,  em  operação  de  swap,  referentes  a  junho  de  2001.  Este  último  valor  representa  o  crédito  que  o  interessado  pretende  utilizar  parcialmente  na  compensação.  3.3.  Havendo  erro  formal  no  preenchimento  de  documentos  entregues à Receita Federal, deve sempre prevalecer a verdade  material, razão pela qual a compensação deve ser homologada.  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10768.908836/2006­30  Acórdão n.º 2402­006.888  S2­C4T2  Fl. 112          3 Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 2ª Turma da DRJ no Rio de  Janeiro I/RJ, por maioria de votos, conclui pela sua improcedência, sob o argumento de que o  suposto erro alegado pelo interessado implicou na utilização de processamento diverso do que  seria adotado caso a informação estivesse correta e tal defeito não pode ser saneado em sede de  Manifestação  de  Inconformidade,  posto  que,  antes  de  decisão  impugnada,  não  foi  seguido  o  devido procedimento especial de verificação. No caso em análise, o interessado deveria, antes  da prolação do despacho decisório, ter apresentado uma DComp retificadora, nos termos do art.  57 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, 28/12/05.  Cientificada da decisão de primeira instância, em 9/4/12, segundo o Aviso de  Recebimento (AR) de fl. 79, a Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 26  a 30), interpôs o recurso voluntário de fls. 81 a 97, em 10/5/12, alegando, em síntese, que:  [...]  a  partir  do  recebimento  da  indigitada  Intimação  [para  apresentar  o  DARF  do  suposto  recolhimento  indevido],  a  Recorrente  verificou  que  cometera  um  mero  erro  formal  ao  imputar  no  campo  da  PER/DCOMP  denominado  “Origem  dos  Créditos" que os créditos que seriam utilizados na compensação  seriam  decorrentes  de  recolhimentos  efetuados  de  forma  indevida,  quando  na  verdade,  tratavam­se  de  IRRF  sobre  aplicações financeiras que deveriam ser restituídos uma vez que  o contribuinte apurou saldo negativo na DIPJ relativa ao ano de  2002.  Desta  forma,  considerando  que  a  PER/DCOMP  não  permite  alterações no  campo denominado “Origem das Receitas”,  bem  como  em  cumprimento  à  referida  intimação,  a  Recorrente  apresentou  petição  na  data  de  26.09.06  (DOC.  01  anexo  ao  presente recurso) informando o erro formal cometido, bem como  demonstrando de forma clara e precisa a existência dos créditos  de  IRRF  que  seriam  utilizados  na  compensação  requerida,  conforme pode­se verificar pela própria DIPJ (DOC. 02 anexo à  Manifestação de  Inconformidade),  pelo  informe de rendimentos  financeiros  expedido  pelo  Banco  Europeu  para  a  América  (DOC.  03  anexo  `a  Manifestação  de  Inconformidade),  e  pela  planilha  de  atualização  do  crédito  (DOC.  04  anexo  à  Manifestação de Inconformidade).  [...]  Não  obstante  todos  os  esclarecimentos  fornecidos,  que  demonstram  a  correta  origem  do  crédito,  a  Recorrente  foi  surpreendida  com  a  prolação  de  acórdão  pela  Delegacia  da  Receita de Julgamento não homologando a compensação sob a  premissa  de  que  é  inviável,  em  sede  recursal,  a  retificação  de  erro quanto à espécie do crédito a compensar.  [...]  Entretanto,  a  premissa  utilizada  pela  Delegacia  da  Receita  de  Julgamento  para  a  não  homologação  da  compensação  foi  equivocada, uma vez que a retificação do erro quanto à espécie  do crédito não  foi realizada em sede recursal, e sim ANTES da  prolação do despacho decisório.  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10768.908836/2006­30  Acórdão n.º 2402­006.888  S2­C4T2  Fl. 113          4 [...]  Justamente  em  virtude  da  impossibilidade  da  retificação  eletrônica  do  campo “origem do crédito",  a Recorrente  cuidou  de  apresentar  a  referida  petição  ANTES  DO  DESPACHO  DECISÓRIO, visando esclarecer a real origem do crédito, tendo  acostado,  inclusive,  toda  a  documentação  comprobatória  da  existência do crédito.  Assim  sendo,  considerando  que  a  ausência  de  retificação  eletrônica  decorreu  de  impossibilidade  do  sistema.  e  que  a  Recorrente foi hábil na prestação de esclarecimento. ANTES DA  PROLAÇÃO  DE  DESPACHO  DECISÓRIO,  da  efetiva  origem  do crédito, a Secretaria da Receita Federal teve a oportunidade  de seguir o procedimento especial de verificação do real crédito  que se pretende compensar.  Ademais, ressalte­se que a 2º Turma Julgadora da Delegacia da  Receita  de  Julgamento  teve  a  oportunidade  de  analisar  outros  casos  análogos,  nos  quais  a  Recorrente  procedeu DA MESMA  MANEIRA,  e  para  os  quais  a  solução  dada  pela  DRJ  foi  diametralmente oposta.  [...]  Com  efeito,  em  29.12.2004,  foi  editada  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  a  Instrução  Normativa  480,  que  dispõe  sobre  “a  retenção  de  tributos  e  contribuições  nos  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  que menciona  a  outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços”.  [...]  Diante de todo o exposto, pode­se verificar que tanto a doutrina  quanto  a  jurisprudência  pacífica  do  E.  Conselho  do Ministério  da  Fazenda,  entendem  que  havendo  erro  formal  no  preenchimento de documentos entregues à Secretaria da Receita  Federal, deve sempre prevalecer a verdade material, razão pela  qual  a  compensação  efetuada  pela  Recorrente  deve  ser  homologada.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator  Da admissibilidade  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento.  Das alegações recursais  Em  seu  recurso  voluntário,  a  Recorrente  alega  que  ao  ser  solicitada  a  apresentar o DARF com suposto recolhimento indevido, verificou que cometera um mero erro  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10768.908836/2006­30  Acórdão n.º 2402­006.888  S2­C4T2  Fl. 114          5 formal  ao  informar  no  Per/Dcomp,  no  campo  denominado  “Origem  dos  Créditos"  que  os  créditos  a  serem  utilizados  na  compensação  seriam  decorrentes  de  recolhimento  indevida,  quando  na  verdade,  tratava­se  de  IRRF  sobre  aplicações  financeiras  que  deveriam  ser  restituídos, uma vez que o contribuinte apurou saldo negativo na DIPJ relativa ao exercício de  2002.  A  Recorrente  aduz,  ainda,  que  avisou  a  Derat  sobre  o  erro  formal  no  Per/Dcomp antes da prolação do despacho decisório.  Pois  bem,  segundo  informado  na  DIPJ  de  2002  de  fls.  61  a  63,  o  Banco  Europeu para a América Latina S.A. efetuou a retenção de R$ 145.804,41, que corresponde ao  mesmo valor da compensação pleiteada por meio do Per/Dcomp.   Dessaa forma,, uumaa vvezzzquee foiii apuradoo saldoo negativoo naa DIPJ         (­1.869.091,48) e tendo restado demonstrada a inexistência do DARF cujo valor seria objeto da  compensação, ao alegar erro formal na  identificação da origem do crédito, naquele pedido, a  Recorrente  pleiteia,  agora,  que  seja  considerado,  em  seu  lugar,  o  IRRF  de R$  145.804,41  e  deferida (homologada) a compensação.  Todavia, em que pese parecer ser tão simples assim esse trânsito de valores,  há procedimentos específicos para se pedir a restituição ou compensação de valores recolhidos  indevidamente e para a restituição de saldo negativo havido em DIPJ.  A esse respeito, insta trazermos à baila o seguinte esclarecimento da decisão  recorrida:  8. Para decidir se homologará a declaração, a Receita Federal,  em função da espécie de crédito informado, segue procedimentos  especiais, que têm a  finalidade de verificar se o crédito de  fato  existiu e ainda pode ser usado na compensação de débitos. Tais  procedimentos não são estabelecidos por apego a formalidades,  mas  em  respeito  aos  princípios  da  legalidade  e  da  verdade  material,  de  modo  a  garantir  o  interesse  público  que  há  em  evitar  compensações  indevidas.  Pode­se,  inclusive,  fazer  uma  analogia  entre  o  procedimento  de  verificação  adotado  pela  Receita  Federal  e  o  processo  judicial  de  conhecimento  em  primeira instância. A partir da DComp / petição inicial segue­se  um  procedimento  /  processo  através  do  qual  aquele  a  quem  compete decidir formará seu convencimento.  Logo, se na DIPJ em questão restou em saldo negativo, ou seja, se resultou  em crédito de  imposto  a  restituir,  é esse  crédito que deve  ser  restituído,  caso  a  empresa não  apresente  outros  débitos  passiveis  de  serem  compensados  com  esse  crédito,  segundo  determinado pelo art. 34 da Instrução Normativa n (IN) SRF nº 600, de 26/12/05.  Não há, portanto, como substituirmos, no Per/Dcomp, o crédito supostamente  informado erroneamente com parcela do saldo de imposto a restituir na DIPJ de 2002, ou, em  outras  palavras,  não  é  possível  a  retificação,  em  sede  recursal,  de  erro  quanto  à  espécie  de  crédito a compensar que tiver implicado procedimento de verificação diverso do devido.  Também  entendemos,  como  bem  apontado  pela  decisão  a  quo,  que  a  Recorrente  poderia  ter  retificado  o  seu  Per/DComp  (por  meio  eletrônico  ou  mediante  Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10768.908836/2006­30  Acórdão n.º 2402­006.888  S2­C4T2  Fl. 115          6 formulário  em  meio  papel),  no  caso  de  inexatidão  material  nos  dados  informados,  ou  ter  apresentado um novo Per/DComp, no caso de o crédito ter uma outra origem, porém, não o fez.  De qualquer modo, não se observa qualquer prejuízo à Recorrente, pois, se a  DIPJ  de  2002  resultou  em  saldo  negativo,  o  valor  recolhido  a  maior  de  imposto  no  ano  é  passível  de  restituição,  sendo  o  valor  restituído  atualizado  pela  Taxa  Selic,  quando  do  seu  pagamento ou compensação, observados os limites temporais.  Conclusão  Sendo  assim,  diante  do  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira                            Fl. 115DF CARF MF

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7584040 #
Numero do processo: 10783.916369/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10783.916369/2009­76  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3302­006.164  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  AZ PNEUS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004  INCONSTITUCIONALIDADE.  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  José Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado)  e  Paulo  Guilherme Déroulède (Presidente).         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 63 69 /2 00 9- 76 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10783.916369/2009­76  Acórdão n.º 3302­006.164  S3­C3T2  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a  decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar  crédito disponível para  a  compensação dos débitos  informados,  em virtude do  fato de que  o  pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  argumentou  que,  considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da  Emenda  Constitucional  nº  20,  de  1998,  eram  inconstitucionais  as  Medidas  Provisórias  n°  66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade,  por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes.  Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em  razão da denúncia espontânea.  A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 13­31.723, julgou  improcedente  a Manifestação de  Inconformidade,  sob o  fundamento de não comprovação do  indébito  fiscal  e  da  incompetência  da  autoridade  administrativa  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico.  Inconformado,  o  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  e  requereu  o  reconhecimento  do  seu  direito,  reproduzindo  seus  argumentos  apresentados  em  sede  de  Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Voto             Paulo Guilherme Déroulède, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no Acórdão  nº  3302­006.147,  de  27/11/2018,  proferida  no  julgamento  do  processo nº 10783.912698/2009­48, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.147):  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10783.916369/2009­76  Acórdão n.º 3302­006.164  S3­C3T2  Fl. 4          3 Conforme  exposto  anteriormente,  as  alegações  da  Recorrente  se  restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber:  l.  Considerando  que  o  regime  constitucional  da  COFINS  foi  alterado  pela  Emenda  Constitucional  n”  20,  de  15  de  dezembro  de  1998,  conclui­se  ser  inconstitucional  a  Medida  Provisória  n°  135/2003  que  alterou  a  base  de  cálculo e alíquota da COFINS;  2. Nesse  sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de  medida provisória inconstitucionalmente editada;  3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte  com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de  3,0%.  Neste  cenário,  impõe­se  observar  e  aplicar  a  Súmula CARF  nº  2:  "O  CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária."  Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário.  Destaque­se  que,  não  obstante  o  processo  paradigma  se  referir  apenas  à  Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica  nos mesmos  termos  à  Contribuição  para  o  PIS,  à Medida  Provisória  nº  66/2002  e  à  Lei  nº  10.637/2002.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não  conhecer do recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                                Fl. 41DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.720099/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 DECADÊNCIA. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (GILRAT). ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA AO GILRAT. CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES ECONÔMICAS (CNAE). ANEXO V DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPS). CNAE PREPONDERANTE INFORMADO PELA EMPRESA EM GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). Para fins da alíquota correspondente ao grau de risco de acidente do trabalho, a empresa é responsável por realizar o enquadramento na atividade preponderante, que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, mediante informação mensal por meio da GFIP, conforme Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco do Anexo V do RPS. É ônus da prova do contribuinte demonstrar que a CNAE Preponderante com grau de risco médio informado em GFIP, relativamente aos estabelecimentos ativos, não corresponde à sua atividade econômica preponderante no período fiscalizado.
Numero da decisão: 2401-005.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência nas competências 01/2010 e 02/2010. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS

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2401­005.970  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de janeiro de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­ DIFERENÇA DE GILRAT  Recorrente  SÃO PAULO TRANSPORTE S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  DECADÊNCIA.  DIFERENÇA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PARA  FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO  GRAU  DE  INCIDÊNCIA  DE  INCAPACIDADE  LABORATIVA  DECORRENTE  DOS  RISCOS  AMBIENTAIS  DO  TRABALHO  (GILRAT).  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  PRAZO  DO  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).  Caracterizado  o  pagamento  antecipado,  e  ausente  a  comprovação  da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  pela  fiscalização,  a  contagem  do  prazo  decadencial  em  relação  às  contribuições  previdenciárias  dá­se  pela  regra do § 4º do art. 150 do CTN.  ATIVIDADE PREPONDERANTE. GRAU DE RISCO DE ACIDENTE DO  TRABALHO.  DIFERENÇA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  DEVIDA AO GILRAT. CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES  ECONÔMICAS  (CNAE).  ANEXO  V  DO  REGULAMENTO  DA  PREVIDÊNCIA  SOCIAL  (RPS).  CNAE  PREPONDERANTE  INFORMADO  PELA  EMPRESA  EM  GUIA  DE  RECOLHIMENTO  DO  FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E  INFORMAÇÕES  À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP).  Para fins da alíquota correspondente ao grau de risco de acidente do trabalho,  a  empresa  é  responsável  por  realizar  o  enquadramento  na  atividade  preponderante,  que  ocupa  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos,  mediante  informação  mensal  por  meio  da  GFIP,  conforme Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de  Risco do Anexo V do RPS. É ônus da prova do contribuinte demonstrar que a  CNAE  Preponderante  com  grau  de  risco  médio  informado  em  GFIP,  relativamente  aos  estabelecimentos  ativos,  não  corresponde  à  sua  atividade  econômica preponderante no período fiscalizado.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 99 /2 01 5- 82 Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.554          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  a  decadência  nas  competências  01/2010 e 02/2010.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess ­ Relator    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana  Arrais  Egypto,  José  Luís  Hentsch  Benjamin  Pinheiro,  Matheus  Soares  Leite  e Marialva  de  Castro Calabrich Schlucking.  Relatório  Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  a  decisão  da  12ª  Turma  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), por meio do  Acórdão  nº  16­70.051,  de  01/10/2015,  cujo  dispositivo  considerou  improcedente  a  impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no auto de infração (fls. 1.494/1.517):  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei  nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da  Súmula Vinculante  nº  8,  publicada no Diário Oficial  da União  em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da  Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às  contribuições  previdenciárias  será  regido  pelo  Código  Tributário Nacional (CTN ­ Lei nº 5.172/66).  O  lançamento  das  contribuições  relativas  às  competências  abrangidas  pelo  presente  Auto  de  Infração  foi  realizado  no  prazo  quinquenal  previsto  no  art.  173,  inciso  I,  do  CTN,  não  havendo que se falar em decadência.  Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.555          3 DIFERENÇA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PARA  FINANCIAMENTO  DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE  INCIDÊNCIA  DE  INCAPACIDADE  LABORATIVA  DECORRENTE  DOS  RISCOS  AMBIENTAIS  DO  TRABALHO  (GILRAT). CNAE INFORMADO PELA EMPRESA EM GFIP.  É  devida  a  cobrança  da  diferença  de  alíquota  da  contribuição  para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau  de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT),  em  razão  da  atividade  econômica  principal  exercida  pela  empresa,  conforme  classificação na tabela de Classificação Nacional das Atividades  Econômica (CNAE) vigente à época dos fatos geradores.  É  de  2%  a  alíquota  da  contribuição  para  o  GILRAT  para  o  CNAE 84.13­2/00, informado pela empresa em GFIP no período  fiscalizado.  Impugnação Improcedente  Extrai­se do Relatório Fiscal que o processo administrativo é composto de Auto  de Infração (AI) nº 51.013.320­7, relativo a diferenças da contribuição previdenciária para o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT),  nas  competências  de  01/2010 a 12/2010, inclusive décimo terceiro salário (fls. 1.324/1.330).  Segundo  o  agente  fazendário,  em  relação  às  competências  fiscalizadas  a  empresa  autuada  informou  para  todos  os  seus  estabelecimentos  a  alíquota  de  1%  (um  por  cento) na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à  Previdência  Social  (GFIP),  muito  embora  tenha  feito  o  enquadramento  na  atividade  preponderante  sob  o  Código  Nacional  de  Atividades  Econômicas  (CNAE)  8413­2/00  (Regulação das Atividades Econômicas), que possui alíquota de 2% (dois por cento).  A autuada tomou ciência do auto de infração em 24/03/2015, tendo impugnado a  exigência fiscal (fls. 1.372 e 1.377/1.394).  Intimada do acórdão em 20/01/2016, data em que efetuou consulta no endereço  eletrônico  atribuído  pela  administração  tributária,  a  empresa  autuada  protocolou  recurso  voluntário no dia 16/02/2016, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e de  direito (fls. 1.522/1.527 e 1.529/1.548):  (i)  a  decadência  atingiu  o  crédito  tributário  constituído  nas competências 01/2010 e 02/2010;  (ii)  o  critério  para  definição  da  alíquota  GILRAT  é  a  atividade  preponderante  da  empresa,  e  não  a  atividade  econômica  da  pessoa  jurídica  identificada  de  acordo  com  o  enquadramento na CNAE;  (iii)  a  atuação  da  recorrente  é  restrita  ao  planejamento,  gerenciamento  e  fiscalização  do  serviço  de  transporte  de  passageiros por ônibus, correspondendo à alíquota de 1%, haja  Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.556          4 vista que sua atividade preponderante é técnica/administrativa,  considerada  de  risco  leve,  a  qual  ocupa  o  maior  número  de  segurados empregados;  (iv)  a  recorrente  tem  a  seu  favor  decisão  proferida  nos  autos  do  processo  nº  2003.61.00.003564­8,  no  qual  foi  reconhecido o direito à utilização da alíquota de 1%, visto que  as  atividades  exercidas  são  preponderantemente  administrativas, portanto, de risco acidentário leve; e  (v) tratando­se de situação jurídica de caráter duradouro,  isto  é,  o  exercício  de  atividade  preponderante  de  natureza  administrativa, o  fundamento da decisão  judicial é mesmo da  questão posta em debate, devendo, por consequência, também  ser observada  a  alíquota  de 1% para o  período  de 01/2010  a  12/2010.      É o relatório.    Voto             Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Relator  Juízo de admissibilidade  Uma  vez  realizado  o  juízo  de  validade  do  procedimento,  verifico  que  estão  satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo  conhecimento.  Decadência  Afirma a  recorrente que operou­se  a decadência dos débitos nas  competências  de  01/2010  e  02/2010,  dada  a  ciência  do  lançamento  em  24/03/2015,  ou  seja,  depois  de  transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores.  Pois  bem.  Para  fins  de  contagem  do  prazo  decadencial  nos  lançamentos  dos  tributos  submetidos  ao  "regime  de  homologação",  como  é  a  hipótese  das  contribuições  previdenciárias,  deve­se  aplicar  o  que  dispõe  o  §  4º  do  art.  150  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 150. (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo à homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.557          5 prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  A regra dos cinco anos a contar do fato gerador, acima reproduzida, é excetuada  quando  ausente  o  pagamento  parcial  da  contribuição  previdenciária  ou  na  hipótese  de  comprovação de dolo,  fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, em que  incidirá o  prazo decadencial do inciso I do art. 173 do CTN.  Porém,  o  agente  fazendário  não  faz  alusão  à  conduta  dolosa,  fraudulenta  ou  simulada praticada pela pessoa jurídica. Por sua vez, há evidências da antecipação mensal pelo  sujeito passivo de pagamento parcial da contribuição previdenciária.  Com efeito, o lançamento fiscal correspondente a diferenças de contribuição ao  GILRAT  no  período  de  01/2010  a  12/2015,  inclusive  décimo  terceiro.  Segundo  o  agente  lançador,  o  contribuinte  informou  em  GFIP  e  recolheu,  concernente  a  todos  os  seus  estabelecimentos, a alíquota de 1% sobre a remuneração dos segurados empregados, quando o  correto seria a alíquota de 2% (fls. 1.324).  Para  o  presente  caso  é  aplicável,  por  analogia,  o  entendimento  expresso  no  verbete da Súmula nº 99, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo copiado:  Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.  Além  disso,  o  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  exigida  é  mensal,  perfazendo­se no último dia de cada mês.  Logo,  segundo  a  contagem  do  §  4º  do  art.  150  do  CTN,  reconhece­se  a  decadência do crédito tributário lançado até a competência 02/2010, inclusive.  Alíquota da contribuição previdenciária ao GILRAT  Segundo o recurso voluntário, a atuação da recorrente é restrita ao planejamento,  gerenciamento e  fiscalização do serviço de  transporte de passageiros de ônibus na cidade de  São Paulo.  O  inciso  II  do  art.  22  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  estabelece  as  alíquotas  da  contribuição  previdenciária  ao GILRAT,  conforme o  grau  de  risco  da  atividade  preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave.  Tal  dispositivo  de  lei  está  detalhado  pelo  art.  202  do  Regulamento  da  Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999:  Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.558          6 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento  da aposentadoria  especial,  nos  termos dos arts.  64 a 70,  e dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  ao  segurado  empregado e trabalhador avulso:  I  ­  um  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  leve;  II  ­  dois  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  médio; ou  III  ­  três  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  grave.  (...)  §  3º  Considera­se  preponderante  a  atividade  que  ocupa,  na  empresa,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos.  §  4º  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação  de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco,  prevista no Anexo V.  §  5º  É  de  responsabilidade  da  empresa  realizar  o  enquadramento  na  atividade  preponderante,  cabendo  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  do  Ministério  da  Previdência Social revê­lo a qualquer tempo.   §  6º  Verificado  erro  no  auto­enquadramento,  a  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  adotará  as  medidas  necessárias  à  sua  correção,  orientará  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procederá  à  notificação  dos  valores  devidos.  (...)  § 13. A  empresa  informará mensalmente,  por meio da Guia de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  a  alíquota  correspondente  ao  seu  grau  de  risco,  a  respectiva  atividade  preponderante  e  a  atividade  do  estabelecimento,  apuradas  de  acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º.  (DESTAQUEI)  Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.559          7 A legislação determina o risco de acidente de trabalho em função da atividade  preponderante,  considerada  aquela  que  ocupa  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos.  Em nenhum momento, a Lei nº 8.212, de 1991, ou o seu Regulamento, vincula a  contribuição  em debate  à atividade  econômica principal, mas  sim à  atividade preponderante,  embora  possível,  avaliado  o  caso  concreto,  haver  coincidência  entre  atividade  econômica  principal, a qual é mencionada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), considerando  o  seu  objeto  social,  e  atividade preponderante da  empresa,  aquela  que ocupa  efetivamente o  maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.  Para fins de determinação da alíquota ao GILRAT, o Anexo V do RPS, com a  redação  dada  pelo  Decreto  nº  6.957,  de  9  de  setembro  de  2009,  dispõe  sobre  a  relação  de  atividades preponderantes e correspondentes graus de risco de acidente do trabalho, elaborada  com base na CNAE.  Nem  o  Regulamento,  tampouco  a  autoridade  fiscal,  consideram  o  enquadramento na CNAE como elemento determinante para fins de avaliação do grau de risco  do acidente do trabalho.  Em verdade,  a  lógica  é  outra. Em primeiro  lugar,  deve  ser  aferida  a  atividade  econômica  preponderante,  ou  seja,  a  atividade  que  ocupa  o  maior  número  de  segurados  empregados (art. 202, § 3º, do RPS).   Uma vez definida essa atividade preponderante, cabe a empresa enquadrá­la em  um  dos  códigos  da  CNAE  previstos  no  Anexo  V  do  RPS,  obtendo,  por  consequência,  o  correspondente grau de risco (art. 202, § 4º, do RPS).  A  Lei  nº  8.212,  de  1991,  definiu  todos  os  elementos  necessários  para  o  nascimento  da  obrigação  tributária,  tais  como  base  de  cálculo  e  alíquotas,  cabendo  ao  Regulamento  a  complementação  do  conceito  de  atividade  preponderante,  assim  como  o  detalhamento  dessas  atividades,  utilizando­se  da  estrutura  da  CNAE,  que  abrange  toda  a  atividade  econômica  exercida  no  país,  e  sua  vinculação  com  o  grau  de  risco  leve, médio  e  grave. À vista disso, não há porque se falar que a regulamentação pelo Poder Executivo teria  extrapolado os limites da lei.   Nesse  cenário  normativo,  cabe  à  empresa,  quando  do  lançamento  por  homologação,  realizar  o  auto­enquadramento  na  atividade  preponderante  (art.  202,  §  5º,  do  RPS).   Com tal propósito, a pessoa jurídica deverá informar na GFIP, mensalmente, a  atividade  econômica  do  estabelecimento,  bem  como  a  respectiva  atividade  preponderante,  ambas  com  base  na  CNAE,  sendo  esta  última  com  a  finalidade  específica  de  identificar  a  alíquota correspondente ao grau de risco de acidente do trabalho da sua atividade (art. 202, §  13, do RPS).  Segundo depreende­se do relato fiscal, nos meses do ano de 2010 e para todos  os estabelecimentos ativos, a empresa autuada informou o código CNAE 8413­2/00 para a sua  Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.560          8 atividade  econômica  (CNAE),  assim  como  declarou  o  mesmo  código  CNAE  8413­2/00  referente  à  atividade  econômica  preponderante  (CNAE  Preponderante),  ou  seja,  aquela  atividade que determina o enquadramento no grau de risco de empresa, prevista no Anexo V do  RPS, dando origem à alíquota da contribuição ao GILRAT (fls. 372/392).  A fiscalização analisou as folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte e  entendeu correta a atividade preponderante classificada na CNAE 8413­2/00.  Como  se  observa  da  narrativa,  o  lançamento  fiscal  não  é  resultado  de  reenquadramento da atividade preponderante da empresa efetuado pela fiscalização tributária,  mas está baseado nos próprios dados da CNAE preponderante informada pelo contribuinte em  GFIP ao longo dos meses de 2010, embora tendo declarado a alíquota de 1%.   É notório que, nesses casos, cabe à empresa o ônus de demonstrar os fatos que  pretende  fazer  prevalecer  no  processo  administrativo,  ou  seja,  que  sua  atividade  econômica  preponderante é outra, distinta da CNAE 8413­2/00.   Todavia,  a  alegação  trazida  no  apelo  recursal  de  que,  na  condição  de  mera  gerenciadora do sistema de transporte de ônibus, a atividade preponderante da empresa e que  ocupa o maior número de  segurados  empregados é meramente  técnico  ­administrativa e, por  conseguinte, submetida ao grau de risco leve, na alíquota de 1%, está desprovida de elementos  comprobatórios.  Conforme  bem  assentado  pela  decisão  de  piso,  a  relação  apresentada  pelo  sujeito passivo é genérica, discriminando funções e número de segurados que as exercem, sem,  no  entanto,  correlacioná­la  com  nomes,  meses,  estabelecimentos,  folhas  de  pagamento  e/ou  GFIP (fls. 1.445/1.446).  A  tabela apresentada pela  recorrente mostra que o maior número de segurados  empregados  estaria  associado  a  funções  exercidas  por  "agentes  de  fiscalização",  "agentes  de  monitoramento"  e  "técnicos  em  transporte".  Contudo,  a  empresa  não  faz  qualquer  enquadramento  no  Anexo  V  do  RPS,  mediante  vinculação  da  atividade  preponderante  e  correspondente grau de risco leve.  Observo que o próprio recurso voluntário contém afirmação de que a utilização  da  CNAE  8413­2/00  deu­se  por  ausência  de  outra mais  adequada  às  atividades  da  empresa  autuada. E,  realmente, segundo a descrição da CNAE 8413­2/00, a qual possui grau de risco  médio,  compreende,  entre  outras,  a  regulamentação  e  fiscalização  de  atividades  na  área  de  transporte terrestre. 1  Acrescento que o discriminativo  juntado aos autos pela  recorrente não permite  nem mesmo o exame da atividade preponderante considerando a empresa como um  todo, ou  pelo  universo  de  segurados  em  cada  estabelecimento  individualizado  pelo  seu  CNPJ,  de  maneira  a  avaliar  uma  possível  situação mais  vantajosa  para  o  ano  de  2010,  em  atenção  à  interpretação dada pelo Ato Declaratório PGFN nº 11, de 2011 e Parecer PGFN/CRJ nº 2.120,  de 2011.                                                              1 https://concla.ibge.gov.br/busca­online­cnae.html? view=subclasse&tipo=cnae&  versao=9.1.0&subclasse=8413200&chave=8413  Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.561          9 A recorrente argumenta, ainda, a existência de decisão judicial que reconhece o  exercício de atividades administrativas e, portanto, de risco leve de acidente do trabalho, com  aplicação da alíquota de 1%.  De  fato,  o  processo  judicial  nº  2003.61.00.003564­8  diz  respeito  à  ação  anulatória de  lançamentos  fiscais  relacionados ao período de 07/1997 a 12/1998 e 01/1999 a  10/2001,  cadastrados  no  âmbito  administrativo  sob  o  nº  35.211.353­7,  35.345.621­7  e  35.335.626­8,  em  que  se  decidiu  que  a  demandante  estava  sujeita  à  alíquota  de  1%  para  a  contribuição ao GILRAT (fls. 1.405/1.421).  Trata­se de demanda  judicial  contendo causa de pedir  e pedido específicos no  contexto  de  uma  determinada  ação  fiscal  que  foi  realizada  no  sujeito  passivo,  mediante  o  reenquadramento  da  sua  atividade  preponderante  como  de  transporte  de  passageiros,  que  resultou na constituição de crédito tributário utilizando­se do grau de risco máximo (3%).   A  situação  destes  autos,  contudo,  é  diferente,  pois  não  houve  revisão  do  enquadramento  da  atividade  preponderante,  nem  se  afirma  que  a  empresa  exerce  a  efetiva  operação do transporte de passageiros de ônibus, que atrai a alíquota de 3% para a contribuição  ao GILRAT.  Daí  porque  com  base  na  decisão  no  processo  nº  2003.61.00.003564­8  é  descabido  falar  em vigência  de medida  judicial  que  determinou  a  suspensão  de  cobrança  da  contribuição  previdenciária  em  patamar  superior  à  alíquota  de  1%  (art.  62,  do  Decreto  nº  70.235, de 1972).  A  sentença  pretérita  no  processo  nº  2003.61.00.003564­8,  favorável  ao  entendimento  do  sujeito  passivo,  ainda  que  possa  disciplinar  relação  jurídica  de  trato  continuado  ao  longo  do  tempo,  não  está  imune  às  modificações  supervenientes  no  quadro  fático e/ou  jurídico, as quais  impõe a possibilidade de um novo  tratamento à relação  jurídica  entre as partes.  Realmente,  o  enquadramento  na  atividade  preponderante  é mensal,  através  do  diagnóstico continuado sobre a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados  e trabalhadores avulsos.   Para  o  período  que  envolve  os  fatos  geradores  do  processo  judicial  nº  2003.61.00.003564­8, o grau de risco da atividade de regulação das atividades econômicas era  considerado baixo, com alíquota de 1% (CNAE 75.13­2).   A partir de 06/2007, em conformidade ao Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro  de 2007, que alterou o Anexo V do RPS, o grau de risco associado à atividade preponderante  de  regulação das atividades econômicas, até então de risco  leve, passou para o grau de risco  médio, no percentual de 2% (CNAE 8413­2/00).   Pelos  diferentes  motivos  apontados,  a  existência  da  decisão  precedente  que  reconheceu  a  alíquota  de  1%  para  a  contribuição  ao  GILRAT  não  produz  efeitos  sobre  o  lançamento em apreço.  Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 19515.720099/2015­82  Acórdão n.º 2401­005.970  S2­C4T1  Fl. 1.562          10   Conclusão  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  e  DOU­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL  para  reconhecer  a  decadência  do  lançamento  fiscal  nas  competências 01/2010 e 02/2010.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess                              Fl. 1562DF CARF MF

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Numero do processo: 10183.903450/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.007
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.

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3402­006.007  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de dezembro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  LOJAS AVENIDA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL  /  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  ELEMENTO  MODIFICATIVO.  DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.  Incumbe  à  recorrente,  por  ocasião  do  recurso  voluntário,  apresentar  elementos  modificativos  ou  extintivos  da  decisão  recorrida,  nos  termos  do  art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.  Na  hipótese  de  apresentação  de  argumentações  genéricas,  desprovidas  de  fundamentos  de  fato  e  de  direito  relativamente  à  discordância  da  decisão  recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.  O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original  do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas  em compensações anteriores.  Recurso voluntário negado      Acordam  os membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Alan  Tavora  Nem  (Suplente  convocado),  Pedro  Sousa  Bispo  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de  Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída  pelo conselheiro Alan Tavora Nem.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 34 50 /2 01 2- 51 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.903450/2012­51  Acórdão n.º 3402­006.007  S3­C4T2  Fl. 0          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  da  decisão  da  Delegacia  de  Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da  contribuinte.  Versam  os  autos  sobre  a  declaração  de  compensação  parcialmente  homologada tendo em vista que o DARF apontado foi utilizado para quitação de outros débitos  do  contribuinte,  restando  saldo  disponível  inferior  ao  crédito  pretendido,  insuficiente  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Cientificada,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  alegando, em síntese, que, no despacho decisório, foi reconhecido crédito menor do que o valor  do pagamento a maior no Darf mencionado.  A  Delegacia  de  Julgamento  julgou  improcedente  a  manifestação  do  contribuinte, nos termos do Acórdão nº 02­050.663:  Cientificada  desta  decisão,  a  interessada  interpôs  o  recurso  voluntário  tempestivo,  alegando  o  direito  à  compensação,  eis  que  possuiria  crédito  oponível  à  Receita  Federal,  sendo­lhe  facultado  compensar  diretamente  o  suposto  indébito,  fazendo  apenas  a  exigida  "Declaração  de  Compensação",  sem  necessidade  de  qualquer  recurso  ao  Judiciário.  Requer  a  recorrente  que  as  publicações  e  intimações  do  feito  sejam  lançadas  em  nome  das  patronas.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­006.005,  de  11  de  dezembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10183.903448/2012­81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402­006.005):  "Atendidos  aos  requisitos  de  admissibilidade,  toma­se  conhecimento do recurso voluntário.  Indefere­se  o  pedido  da  recorrente  para  intimação  em  nome das patronas, vez que inexiste previsão legal nesse sentido.  No âmbito do processo administrativo fiscal, as regras sobre as  intimações  de  atos  processuais  fiscal  dizem  respeito  somente  à  ciência do próprio sujeito passivo no seu domicílio tributário. A  matéria  está  pacificada  nesse  sentido  neste  CARF,  conforme  Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.903450/2012­51  Acórdão n.º 3402­006.007  S3­C4T2  Fl. 0          3 enunciado da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo  fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado  do sujeito passivo".  Não  se  discute  que  a  recorrente,  como  qualquer  outro  contribuinte,  tem  o  direito  de  efetuar  administrativamente  a  compensação  de  débitos  próprios  administrados  pela  Receita  Federal mediante a entrega de declaração de compensação, nos  termos  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96,  mesmo  porque  ela  pode  efetivamente fazê­lo, obtendo, inclusive, o deferimento parcial de  seu pleito.   Também não há controvérsia nos autos acerca do fato de  que o DARF especificado como origem do crédito trata­se de um  efetivo pagamento indevido.   O fato que levou à homologação parcial da compensação  declarada  foi  que  a  requerente  já  havia  utilizado  parte  do  crédito apontado para a compensação de débitos declarados em  outras PER/DCOMP's,  como  já havida observado o  julgador a  quo:  O despacho contestado já reconhece o pagamento indevido  ou  a maior  efetuado  por meio  do DARF  identificado  no  PER/DCOMP  em  questão.  A  razão  da  não  homologação  contestada  é  a  insuficiência  do  pagamento  a  maior,  considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores.  Nos  PER/DCOMP,  há  o  campo  intitulado  "Crédito  Original na Data da Transmissão". Conforme instruções de  preenchimento  do  programa  gerador  do  PER/DCOMP,  o  valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento  indevido  ou  a maior  subtraído  das  parcelas  desse mesmo  pagamento  já  utilizadas  em  compensações  anteriores.  Quando  nenhuma  parcela  do  pagamento  indevido  ou  a  maior  tiver  sido  restituída  ou  utilizada  em  compensação  anterior,  ou  seja,  no  primeiro  PER/DCOMP  em  que  o  crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito  Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo  "Valor  Original  do  Crédito  Inicial".  A  cada  novo  PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do  campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser  menor  do  que  o  do  PER/DCOMP  anterior.  Portanto,  na  análise  da  compensação  em  litígio,  não  se  pode  desconsiderar  as  compensações  anteriores  que  utilizam  o  mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas.  (...)  Em que  pese  a  então manifestante  não  ter  contestado  a  parte  do  despacho  decisório  que  discriminou  as  parcelas  do  crédito  original  que  haviam  sido  utilizadas  em  compensações  anteriores,  a  Delegacia  de  Julgamento  explicou  em  detalhes  como  se  deu  o  consumo  do  crédito  nas  outras  PER/DCOMP's  especificadas.  Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10183.903450/2012­51  Acórdão n.º 3402­006.007  S3­C4T2  Fl. 0          4 Como  se  sabe,  incumbiria  à  recorrente,  por  ocasião  do  recurso  voluntário,  apresentar  elementos  modificativos  ou  extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto  nº  70.235/72  e  do  art.  36  da  Lei  nº  9.784/99.  No  entanto,  a  recorrente  se  ateve  apenas  a  argumentações  genéricas,  sem  a  apresentação de fundamentos de fato e de direito relativamente à  discordância  da  decisão  recorrida,  a  qual  deve,  então,  ser  mantida.  Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento  ao recurso voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                           Fl. 74DF CARF MF

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7580024 #
Numero do processo: 10880.728198/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1686/1785), abaixo transcrito: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010; consoante capitulação legal consignada às fls. 914 e 915, foi lavrado o auto de infração à fl. 912, em 27/07/2016, para exigir R$ 10.219.731,18 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e R$ 7.664.798,31 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87. A AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, sujeito passivo da autuação, sucedeu por incorporação, em janeiro de 2014, o estabelecimento com CNPJ 02.808.708/0081- 83, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN. Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 913/915, e o teor do relatório fiscal (termo de descrição dos fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes tipos de créditos indevidos: CRÉDITOS DE INSUMOS PARA BEBIDAS Créditos fictícios do imposto apropriado como se devido fosse na aquisição de insumos (concentrados, filmes “stretch” e artefatos como rolhas e tampas plásticas) de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental, escriturados da seguinte maneira: “Outros Créditos - Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – IPI rec. s/aquisição Amazônia” ou “Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental e comercializados em outras partes do país é prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010. O dispositivo específico sobre a Zona Franca de Manaus (art. 81, II) não assegura o aproveitamento dos créditos pelas aquisições por estabelecimentos localizados em outras regiões do país. Por outro lado, para a isenção do art. 95, III, há a possibilidade de aproveitamento dos créditos (crédito incentivado, art. 237) pelos adquirentes em outras regiões se forem satisfeitas as seguintes condições cumulativas: 1. Que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional; 2. Que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); 3. Que o estabelecimento tenha projeto aprovado no Conselho de Administração da Suframa. Ademais, consoante a redação do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º, os insumos adquiridos com isenção devem ser empregados no processo industrial de produtos sujeitos ao imposto. A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na escrita fiscal. Intimada a contribuinte a esclarecer a origem dos créditos fictos (incentivados) registrados na escrita fiscal, há o seguinte a destacar conforme os dados fornecidos. Créditos de rolhas e tampas plásticas adquiridas de RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001-73: ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST GUARANÁ VERMELHA NIV11 R ROLHA PLAST SODA L ANT ROLHA PLAST SUKITA VERDE TAMPA PLAST AMARELA GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II) nas vendas prevê apenas a isenção nas saídas dos produtos do industrializador, sem a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de filme “stretch” adquirido de VALFILM Amazônia Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001-07: FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da VALFILM a partir de maio de 2010 (isenção prevista no seguinte dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II). Créditos de concentrados adquiridos de AROSUCO Aromas e Sucos Ltda., CNPJ 03.134.910/0001-55: CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403 KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT No caso da AROSUCO também foi informado que a falta de destaque do imposto nas saídas de concentrados (exceto quanto aos concentrados de sabor guaraná) se deveu à isenção prevista (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de concentrados adquiridos de PEPSI-COLA Industrial da Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001-60: KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO; Os concentrados (kits) foram produzidos pela PEPSI-COLA com a utilização de insumo (corante caramelo) produzido, por sua vez, pela empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001-25, localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante caramelo foi utilizado, até junho de 2011, açúcar de cana fornecido pela Usina Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/0001-70, situada no Estado do Mato Grosso, que não compõe a chamada Amazônia Ocidental, abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do Decreto-lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 4º. Em procedimento de diligência encetado, a D. D. WILLIAMSON informou que, a partir de 14/06/2011, passara a fornecer o corante caramelo à PEPSI-COLA com, na respectiva composição (misturados), açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo da Cooperativa Agroextrativista da Vila União, CNPJ 10.778.894/0001-07, situada em Eirunepe, Amazonas. Em resposta a intimação, a PEPSI-COLA declarou que era habilitada pela SUFRAMA a produzir concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas com ambos os incentivos: Zona Franca de Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art. 95, III). O corante caramelo, utilizado na produção de kits (concentrados de refrigerante) pela PEPSI-COLA, é industrializado pela D. D. WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana de açúcar lá cultivada e não se caracteriza como matéria prima agrícola e, por conseguinte, os concentrados de refrigerante não são produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA de janeiro a dezembro de 2012. Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA, empregados no processo industrial da unidade da AMBEV em Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que seja um insumo de produção regional. O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de açúcar cristal e açúcar mascavo, de certa complexidade, com a aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas, conforme consta do relatório fiscal: “a) Processo de hidrólise: ocorre através da inversão da sacarose, sendo utilizados como matérias-primas o açúcar cristal, água e catalisador ácido. Esse processo quebra a molécula da sacarose, gerando outros tipos de açúcares. O produto resultante é o açúcar hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose. b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores, através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina. Durante todo esse processo existe o acompanhamento de técnicos de laboratório, coletando e analisando todos os parâmetros de qualidade”. A cana de açúcar é a matéria prima agrícola por excelência na produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa vegetal na produção dos concentrados. A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos “kits” para refrigerantes sem a indispensável utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Nem a aquisição de corante caramelo daria azo ao aproveitamento de créditos, pois os açúcares cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Na justificativa do projeto do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, o termo “matérias primas agrícolas” exclui da definição insumos oriundos da agroindústria. Em uma primeira industrialização, pode-se falar na utilização de matéria prima extrativa vegetal de produção regional. Contudo, na etapa posterior (segunda industrialização), trata-se do emprego de produto intermediário. À luz do art. 4º do RIPI/2010, após um processo de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, renovação ou recondicionamento), o artefato de natureza agrícola resultante não pode mais ser considerado como matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário. A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e não subjetiva (em razão do beneficiário); assim, é imprescindível a comprovação da legitimidade da isenção para cada produto, sendo a aprovação de projeto pela SUFRAMA (órgão com competência exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para a efetiva fruição do benefício fiscal. Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte, indevidos, pois se referem a aquisições de kits para refrigerantes da PEPSI-COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits da AROSUCO (exceto aqueles de guaraná) com base na isenção do art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados. Erro de classificação fiscal e a alíquota zero dos “concentrados de refrigerantes” Para o aproveitamento de créditos fictos relativos a insumos adquiridos com a isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, os créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja, os insumos devem sofrer a incidência do imposto, com alíquota diferente de zero. É o texto do Decreto-lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237: § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.) O subitem 2106.90.10 da TIPI, correspondente a “preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%. Todavia, constam nas notas fiscais de aquisição dos concentrados ou “kits” oriundos da PEPSI-COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010, quanto aos kits para fabricação de refrigerante) e da AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de 31/05/2012 pelo Decreto nº 7.742, de 2012) e o seguinte texto: "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Há erro de classificação fiscal cometido pelas empresas fornecedoras PEPSI-COLA (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes Pepsi e H2OH) e AROSUCO (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes sabor guaraná, limão, laranja e água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). Ora, no próprio texto do código de classificação fiscal adotado pelas empresas fornecedoras em questão há a alusão a “preparações compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos. Nas notas fiscais emitidas pela AROSUCO, os concentrados são discriminados como “kits”, conforme a nota fiscal nº 1.206 (reprodução parcial à fl. 848). Em nota fiscal emitida pela PEPSI-COLA (documento auxiliar de nota fiscal eletrônica – DANFE, com reprodução à fl. 849), há a discriminação das várias partes integrantes do “concentrado de refrigerante”, sendo as seguintes as considerações do termo de descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal: “Observa-se que kits sabor Pepsi-Cola, em verdade, seriam duas mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E que kits sabor Pepsi-Cola light, em verdade, seriam quatro mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35009*60 01A 4UN p/ vol”; "Aroma Ingr 35009*61 1UN p/ vol acid, organic, 8, pg III"; " SAIS: INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam discriminados como um item único, os concentrados ou "kits", em realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente. Mesmo que os fornecedores Pepsi e Arosuco entendam que o concentrado é uma preparação composta, uma mercadoria única, já pronta, os produtos que a Pepsi ou a Arosuco chamam de "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias-primas e produtos intermediários, que saíram dos seus estabelecimentos embalados separadamente, em bombonas, ou sacos, na forma líquida (Flavours ou aromas) ou sólida (sais). O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (Flavours ou aromas), quando, aí sim, é obtido o concentrado”. Por ocasião de visita à fábrica em diligência efetuada em filial do sujeito passivo, foi constatado o seguinte: “Que o processo produtivo do estabelecimento pode ser resumido da seguinte forma: 1) As matérias-primas, recebidas dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem. 2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do item 1, não oriundo de Manaus, com o qual é elaborado, por meio de dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”. 3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”, onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar e sua diluição em água. 4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz-se o Xarope Simples, por meio do aquecimento do açúcar cristal e refinado, insumo não proveniente da região da Amazônia, e da sua diluição em água. 5) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. 6) Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. 7) Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. 8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. 9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente, e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. 11) Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. 12) Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. 13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. 14) Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas. 15) Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; 16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. 17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1.703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola”. A seguir, transcrição de trecho do auto de infração que consta do processo administrativo fiscal de n° 10830-725.247/2015-16: "Para melhor esclarecer este assunto, em 13/03/2015, 01/06/2015 e 15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias-primas da AMBEV e no início das linhas de produção de Gatorade e Refrigerantes, em companhia do Gerente de fábrica Fábio Henrique Cardoso de Souza. 225) A pessoa citada acima esclareceu que: a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i) Recebimento de matérias-primas - As matérias-primas, basicamente aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito. ii) Tratamento da água - A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes é "declorada", após tratamento. iii) Adição dos sais - Essa água declorada alimenta um equipamento (tanque de solução), conhecido como "dissolvedor", onde lhe são adicionados os sais industrializados; iv) Adição de Aromas - A solução resultante é então encaminhada aos tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento - A mistura é então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No caso dos refrigerantes é adicionado o gás, e finalmente segue para envase. b) Quanto ao recebimento das matérias-primas i) Os aromas chegam à AMBEV acondicionados em bombonas e os sais acondicionados em sacos, conjunto esse convencionalmente chamado de "kit" para fabricação de refrigerante. Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os aromas das bebidas a serem fabricadas, p.ex. laranja, tangerina, limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase líquida. iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente acidulantes e conservantes. iv) No caso dos refrigerantes, os sais são ácido cítrico, sorbato e benzoato. v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas para cada produto tem dosagens e sequências diferentes, e se o concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior. vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda as características essenciais do concentrado pronto. Para que isso aconteça é necessário que eles sejam misturados apenas durante o processo de preparo das bebidas, na AMBEV. 226) Fomos então às salas de estocagem de matérias-primas e registramos fotos de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.) Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864. As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006 demonstram igualmente que: “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. 2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante. 3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de acidificante INS 330 e 338. 4) Kit Pepsi zero natural flavour. 5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV. E, quanto ao chamado concentrado “Pepsi twist”, seriam as três mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01. 2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14. 3) Kit Pepsi twist sais: composto de conservante INS 211 e estabilizante INS 331. Já o chamado concentrado “Água tônica”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: composto de aroma natural. 2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes. E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: FE 1431Z (aroma natural, corante de caramelo, extrato vegetal de guaraná). 2) Kit B: acidulante INS 334, conservante INS 211 e dois edulcorantes”. O fluxograma da elaboração de refrigerantes ou Gatorade é reproduzido à fl. 866: no Tanque de Solução (Dissolvedor), há a obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para refrigerante). “O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (flavours), sendo nesta ocasião obtido o concentrado. E, a despeito dos fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do subitem 2106.90.10, esse ex-tarifário é próprio para preparação composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se caracteriza como preparação. Repise-se: para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. E, quando da entrada no estabelecimento da Ambev, as partes dos concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Ainda que em manifestação às constatações relatadas no Termo de Constatação Fiscal, os representantes da fiscalizada afirmem que as Partes que comporiam um concentrado ou kit são transportadas em conjunto, a verdade é que, conforme relatado em ambos Termos de Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada separadamente, tanto que a Parte A se trata de um líquido, transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por exemplo, de Manaus a Curitiba. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss, o vocábulo "preparação" indica uma ação - o ato de preparar, e um resultado - o preparado: "Ato ou efeito de preparar-se; preparo, preparamento, preparativo 1 operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço 2 elaboração dos alimentos para transformá-los nos diversos pratos, iguarias, etc. 3 feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto") (grifo nosso) Portanto, os termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de preparação, os insumos empregados devem sofrer algum tipo de processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de ingredientes ou complementada com algo mais elaborado como cozimento, por exemplo. Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de refrigerantes no estabelecimento da Ambev Curitiba, pois que os produtos elaborados bem como as matérias-primas são idênticos —, os componentes dos chamados “concentrados” são misturados pelo adquirente durante o processo de elaboração da bebida final, procedimento que é executado seguindo complexas edetalhadas especificações técnicas. O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. Não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Veja-se. No mesmo sentido dos dicionários, a Nomenclatura do Sistema Harmonizado emprega o vocábulo "Preparação" como uma mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente. Quando as matérias misturadas se classificam no mesmo Capítulo da NCM, a preparação é do tipo "simples". A elas a Nomenclatura se refere apenas como preparações. Exemplificando: a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1 diz: 1.- Na acepção da subposição 1602.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de carne, miudezas ou sangue, finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2 dizem: 1.- Na acepção da subposição 2005.10, consideram-se "produtos hortícolas homogeneizados", as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (..) 2.- Na acepção da subposição 2007.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) Visível é que as preparações ("simples") acima citadas contém cada uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16), noutra são produtos hortícolas (Capítulo 20), e na última são apenas frutas (Capítulo 20). Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de matérias de base de Capítulos diferentes. Quando as preparações contêm matérias de base de Capítulos distintos, a Nomenclatura as distingue das preparações ("simples"), denominando-as de preparações compostas. Exemplificando, no caso das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas, a Nota de Subposição n° 3 diz: "3.- Na acepção da posição 21.04, consideram-se "preparações alimentícias compostas homogeneizadas" as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, frutas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso) Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de "preparações compostas" constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela fiscalizada. Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão acondicionadas cada uma na sua embalagem individual; não estão misturadas e não estão prontas para uso pelo adquirente, no caso, a fiscalizada. A mistura dos componentes dos kits para refrigerantes se caracteriza como a operação de transformação definida no artigo 4°, inciso I, do RIPI/2010: Art. 4º- Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n° 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Nos termos do art. 3°, do RIPI de 2010, o kit para elaboração de refigerantes, ou concentrado é um produto industrializado resultante de uma operação de transformação intermediária, pois, em etapas posteriores do processo industrial, esse concentrado ou preparado líquido recebe tratamento adicional, até transformar-se em refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV. Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°). Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados", o que deve ser analisado são as características dos produtos no momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes dos kits apresenta suas próprias características individuais. As empresas do Grupo AMBEV e seus fornecedores, como a Pepsi-Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais conveniente e chamar os produtos pelos nomes que julgarem adequados. No entanto, o fato de nomearem diversos produtos como se um único fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui isoladamente em uma mercadoria, não os transforma perante a legislação em um único produto, já que não encontra guarida na legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma das partes deve seguir sua classificação própria. E, prosseguindo no tema classificação fiscal, tem-se, como já mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo conjunto de normas do chamado Sistema Harmonizado (SH), tabela internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual o Brasil é signatário. A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI-SH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2° do Decreto n° 766, de 3 de março de 1993, bem assim das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul, constante da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC). Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e os Ditames do Mercosul são, igualmente, de cumprimento obrigatório para a solução de consultas de classificação fiscal de mercadorias. Repise-se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo, seguir as orientações e esclarecimentos fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992. A versão atual das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008, atualizada pelas IN RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010 e n° 1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 10 da Portaria MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994. E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de uma determinada mercadoria. Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) têm por base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado. Como constatado em diligência realizada na unidade industrial de CNPJ nº 07.526.557/0034-78 os componentes dos "kits" saem do estabelecimento industrial embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. As citadas mercadorias vêm sendo classificadas pela Pepsi e pela Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que são "sortidos apresentados para venda a retalho". A Regra Geral 1 assim dispõe: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Determinada, portanto, pela mencionada Regra Geral é que a classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI quando não for possível o enquadramento por aplicação da RGI-1, bem como nos casos de produtos com características específicas. De outra feita, a RGI-6 aplica às subposições as mesmas Regras utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no nível da NCM. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para classificação das mercadorias. À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b (RGI n° 3b) que, entende-se que atendidas determinadas condições, alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião de diferentes materiais, devem ser classificados em código único, próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012, especificamente o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), tem-se que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra 3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco: XI) a presente regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), existiria a possibilidade de classificação de componentes de kits ou sortidos como se formassem uma mercadoria única. Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer possibilidade de que esta Regra do Sistema Harmonizado possa ser aplicada no caso sob análise, prevendo expressamente que os conjuntos para a fabricação industrial de bebidas não podem ser classificados de acordo com a Regra 3 b). Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos o conjunto de mercadorias denominadas pela fiscalizada de “concentrado de refrigerante” como um produto único. O cerne da questão resume-se, desse modo, em definir se os diversos componentes dos “Concentrados de refrigerantes”, atendem à definição de “sortidos apresentados para venda a retalho” sendo classificados num código único. A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos “apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da Regra 3 b): X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto, considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada; c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), o “kit” objeto desta consulta não atende ao requisito previsto no item “c” da Nota Explicativa acima reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracteriza-se pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, trata-se nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado. A dosagem dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. Afastada as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra 3-b, conclui-se que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados de refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da TIPI. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. O item III da Nota Explicativa da Regra 2 a), transcrito a seguir, ao tratar dos artigos incompletos ou inacabados, prevê que a primeira parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que fazem parte da Seção IV da Nomenclatura. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. Ademais, por produto incompleto ou inacabado, entende-se como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em determinado ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam, no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 - Sais), e os Kits B da Soda Limonada Antárctica (FE 1403 - Sais), compostos de Acidulante e Conservantes, que não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado. Quanto à segunda parte da Regra 2 a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa da Regra 2 a), a seguir transcrito, deixa claro que os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco não se enquadram como artigos apresentados desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a) VII) Deve considerar-se como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinam-se a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Observe-se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua parte final que "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1". Tal texto refere-se a produtos misturados, que não é o caso dos kits para refrigerantes. Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar o entendimento já esposado de que os concentrados não podem ser classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1. Para definição da classificação fiscal dos kits ou chamados “concentrados” de refrigerantes, inclusive os de sabor guaraná, o procedimento correto é analisar individualmente cada embalagem, onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando-se a Regra 1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo da embalagem. Colaciona-se documentação referente à análise efetuada pelo CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto em proporções fixas em uma remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). A análise foi realizada em função de consulta sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas à dos insumos adquiridos pela AMBEV, um deles, inclusive, referente a Concentrado de Pepsi-Cola. Ao final da análise, decidiu-se incluir nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). O idioma original da documentação em questão é o inglês. Por isto, junto com a análise efetuada pelo CCA, está a sua tradução juramentada. A tradução juramentada encontra-se nos autos do presente processo administrativo fiscal. A seguir estão transcritos trechos retirados da tradução juramentada em questão: O Secretariado recebeu cartas de três administrações em busca de aconselhamento sobre a classificação no CCCN da Base de Preparação da Bebida Fanta Frutada, Concentrado de Mirinda Laranja e Concentrado de Pepsi-Cola. As cópias destas três cartas encontram-se como anexo a este documento assim denominados Anexos I a III deste documento. Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação da Regra de Interpretação 3 (b) ou os componentes individuais deveriam ser classificados em separado. (...) Em suas sessões de outubro de 1985 (na 55a. Sessão do Comitê de Nomenclatura e 55a. Sessão do Comitê do Sistema Harmonizado Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em proporções fixas em uma remessa. Os Comitês concordaram com que os componentes individuais deveriam ser classificados separadamente. Os Comitês também concordaram em incorporar o conteúdo da decisão na Nota Explicativa da Regra Interpretativa 3 (b), como um exemplo da não aplicação desta Regra (...) Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI). Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) : " (XI) A presente Regra não se aplica a produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, mesmo estando em embalagem comum, em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. " (grifo nosso) Evidente é, da decisão do CCA que deu origem ao item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos concentrados ou kits utilizados pela Ambev. Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não pode ser aplicada a bases para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII. A Nota 3 da Seção VI e a Nota da Seção VII dizem respeito à classificação dos produtos que se apresentam em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos. Todavia, estas Notas apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra 3 do Sistema Harmonizado quando os sortidos são destinados, após mistura, a constituir um produto da Seção IV. Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2 a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes. Assim, mesmo antes da inclusão do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de produtos do capítulo 21 não poderiam ser classificados como uma mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), eliminou-se qualquer dúvida de que os componentes individuais das bases para bebidas devem ser classificados separadamente. Inicia-se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de refrigerantes em separado, de acordo com as Regras estabelecidas para Interpretação do Sistema Harmonizado”. Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as seguintes as considerações acerca dos corretos códigos de classificação fiscal a ser aplicados aos componentes dos kits (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte: “Da diligência realizada, constatou-se que em relação às mercadorias que formariam o chamado “concentrado” para refrigerante PepsiCola: Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados em bombonas separadas. Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi-Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1703 litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola. Já com relação às mercadorias fornecidas pela Arosuco para elaboração do refrigerante Guaraná Antartica, nomeadas pelo fornecedor de “concentrado” para o Guaraná verificou-se, o Kit denominado kit A é composto de Flavours: Extrato de Guaraná, Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio. Kit A é líquido, transportado em bombonas e o Kit B é sólido, transportado em caixas. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*) Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto aos demais refrigerantes, Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita Laranja, e Água tônica, verificou-se que: Que a Arosuco fornece insumos para a fabricação de refrigerantes Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva, Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica. Que os insumos utilizados para a fabricação de refrigerantes são identificados como “kit concentrado para refrigerantes”. Que esses insumos chegam ao estabelecimento parte em bombonas (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. E para todos os kits: Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*)Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem-se que a Soda Limonada Zero, constatou-se também que: Também se verificou os insumos enviados pela Arosuco para a produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa. Que, no caso da produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia Composta: a) primeiramente, o Kit B da Soda Antarctica Diet é dissolvido a quente (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde permanece até que alcance a temperatura em torno de 25ºC, sendo então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é diluído em água, já que não é agregado ao refrigerante diet açúcar para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples; b) e, posteriormente, o Kit A da Soda Antarctica Diet é dissolvido a frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque maior junto ao preparado originado do Kit B, quando também é dissolvido em água, produzindo-se assim o Xarope Composto, o qual apresenta o mesmo fator de diluição mencionado para o refrigerante para os insumos da Pepsi-Cola. c) que o Kit A da Soda Antarctica Diet não pode ser fervido ou aquecido, por perder causar a perda das características do produto refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser fabricada; d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os acidulantes e conservantes. Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda Antarctica Diet e do Kit B da Soda Antarctica Diet em conjunto, é transportado para área do Envase, para sua dissolução em água carbonatada. E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi, sejam fornecidos por Arosuco: Por fim, relata-se que foi informado pelo corpo técnico que, a um, as partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de cada “Kit” (parte do nomeado “kit” de refrigerante pelo fornecedor em suas notas fiscais), o refrigerante, porque, se apenas uma das partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Prosseguindo-se na análise da classificação fiscal mais acertada para as partes dos kits de refrigerante, incia-se pelo chamado Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas fornecidos pela Arosuco bem como do Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão. Tem-se, do material colhido e informações angariadas no curso da ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; - Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; - Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; - Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; - Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida, além de outras substâncias, classifica-se no escopo da posição 21.06, a qual trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições", conforme esclarecem as Notas Explicativas dessa posição: “Classificam-se especialmente aqui: [...]As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que por certo não se trata dos produtos em comento. Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros aromatizantes/saborizantes deve ser enquadrada na subposição 2106.90, destinada a "outras" preparações. Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", que é a correta. Por fim, verifica-se que no código NCM 2106.90.10 há dois Ex-tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos: "Ex 01 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Ex 02 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (grifos nossos) Os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de “preparações compostas” constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Exaustivamente exposto já foi que, não se trata do caso dos “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, pois este é um conjunto de partes, mercadorias, cada uma na sua embalagem individual, as quais não estão misturadas e não estão prontas para uso, diferenciando-se da definição de preparações compostas. Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente) não podem ser chamados de "preparações compostas". E, volve-se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 trazem como condição de enquadramento que as preparações não alcoólicas correspondam a "extratos concentrados" ou "sabores concentrados". Não são contemplados no ex- tarifário da NCM 2106.90.10 “concentrados” ou “sabores”, como faz o texto. O Ex 01 da NCM 2106.90.10 se refere a “extratos concentrados” ou “sabores concentrados”. E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada em qualquer um dos Ex-tarifários há de ser uma preparação composta concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex 02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10 vezes. Além disso, no próprio Ex ao final do texto há referência à preparação composta como concentrado. Um componente, parte, que corresponda a uma mistura de extrato (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros aromatizantes/saborizantes forma uma preparação composta. A diferença entre extrato concentrado e sabor concentrado é que neste último o extrato do vegetal de origem é totalmente substituído por aromatizantes/saborizantes artificiais. O refrigerante que não contém matéria-prima natural, elaborado a partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso dos refrigerantes engarrafados por Ambev. A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi regulamentada pelo Decreto nº 2.314, de 1994, posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.871, de 2009. Em ambos, consta uma definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita, na dicção do Regulamento vigente: "Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. [...]. § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal." (...) “Art. 30. O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante.” Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta, deve conter o extrato vegetal de sua origem e os todos os demais aditivos necessários (matérias de base classificadas em capítulos distintos), a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir dele. O Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Refrigerantes, Anexo à Portaria nº 544, de 16 de novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar em consonância com a composição do produto". Da diligência realizada, bem como dos DANFE que acompanham as mercadorias adquiridas pela autuada da Pepsi-Cola e da Arosuco, visível é que cada mercadoria/componente cujo ingrediente fosse o extrato e outros aromatizantes ao serem simplesmente diluídos, não apresentariam as mesmas características sensoriais e físico-químicas do refrigerante a cuja elaboração se destinam. Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em conjunto com outras partes, que, por óbvio, são indispensáveis à elaboração do refrigerante. Certo é que o aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Se assim não fosse, como já dito, seriam desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante. Para que se tenha um produto próprio a ser nomeado de extrato concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo das "partes" do concentrado de refrigerante, reunidos nesse único produto. Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser classificado individualmente. E, devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 (“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é zero os seguintes insumos: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; 11 Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; 11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; 11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; 11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta, deverá conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários, a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. Entende-se, portanto, com base na RGC-1, estrutura basilar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 200610 e, subsidiariamente, nos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour e kits Pepsi Twist Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão diet), que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes, e os kits A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, os quais contêm o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante (natural limão diet fe1403 z kit, natural limão fe1403 kit, natural; s tônica fe1401 kit, natural laranja rm kit, h2oh limão, e destinados à preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão; classificam-se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI é 0% (zero). Nos itens a seguir, trata-se da classificação fiscal dos demais kits dos chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev. Quanto ao Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, de acordo com informações prestadas durante a diligência realizada na unidade situada em Curitiba (filial Curitibana), seria uma Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação da ora autuada, teria ainda, cafeína em sua composição. Do rótulo, verifica-se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d. O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria composto de acidificantes INS 330 e 338. E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, o Kit Pepsi Twist Sais seria uma Solução de conservante INS 211 e estabilizante INS 331, enquanto que o Kit Pepsi Zero Sais seria composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. Assim também ocorre com os demais kits dos insumos fornecidos por Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor, na forma líquida e sólida, os Kits Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural. Já os Kits B fornecidos pela Arosuco, conforme as fotos das embalagens e demais informações angariadas na referida diligência (na qual mostrou-se caixa aberta de um Kit B aparentando ser um único produto), seriam sólidos, transportados em caixas em embalagens separadas dos kits A. E, no caso dos insumos do refrigerante Guaraná Antarctica, o Kit B seria composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio, bem como o Kit B dos insumos do refrigerante Soda Limonada; e o Kit B do Guaraná Antarctica Zero seria composto de acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes. Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto de diversos sais, como acidulantes (Ácido Cítrico), conservantes (Benzoato de Sódio e/ou Sorbato de Potássio), sequestrante (EDTA cálcio dissódico), e, no caso dos refrigerantes sem adição de açúcar, Edulcorantes. Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes. Nesse sentido, manifestação da autuada quanto ao Termo de Constatação Fiscal da Diligência realizada em abril de 2016, trecho colacionado abaixo: “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é composto de diversos sais, ácidos e conservadores químicos, caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”. Procedendo-se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes B dos insumos das bebidas fabricadas pela Ambev, bem como do Kit Pepsi Acidulante, tem-se que as matérias-primas utilizadas nos kits fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos essenciais da posição 33.01. Em verdade, a mistura de pelo menos dois desses ingredientes (conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes) resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas. Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-1/SH, as "Preparações alimentícias diversas" classificam-se no Capítulo 21. Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações em questão, resta a posição 21.06, que trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ". Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", enquanto a subposição 2106.90 é reservada a "outras" preparações. Assim, a preparação em análise deve ser enquadrada na subposição 2106.90. Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral para qualquer tipo de indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo específico utilizado para elaboração de bebidas de que trata o item 2106.90.1, e igualmente não é do tipo utilizado para fabricação de pudins do item 2106.90.2, nem é um complemento alimentar do item 2106.90.3, mas também não é uma mistura à base de ascorbato de sódio referido no item 2106.90.3, nem se enquadra como goma de mascar do item 2106.90.5, e muito menos como caramelos do item 2106.90.6, resta-lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9. Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural, os quais são os formados por uma mistura de conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes, e de outras matérias que não o extrato vegetal de guaraná nem o líquido natural refrigerantes sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem ser classificados no código residual 2106.90.90, reservado às "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições - Outras - Outras", tributado à alíquota zero do IPI. Conclui-se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela autuada no período de apuração de janeiro a dezembro de 2012, em razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA., inclusive os kits para elaboração dos refrigerantes de sabor de Guaraná, e Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão da PEPSI COLA INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA., são indevidos porque para a classificação fiscal das mercadorias adquiridas NCM 2106.90.10 e NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero). Em síntese, tem-se que: São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), a qual declarou que a falta de destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010, em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada. Também são indevidos e hão de serem glosados, os créditos fictos calculados e escriturados em decorrência das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Em relação aos insumos filmes plásticos produzidos pela VALFILM AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA., CNPJ sob o nº 03.071.894/0001-07, informou essa que, a partir de 05/2010, fez uso, na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de 2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho de 2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de Pessoas Jurídicas – CNPJ sob o nº 08.658.519/0001-73, apresentou declaração confirmando que suas vendas eram isentas por se enquadrarem no art. 81, II do RIPI de 2010, ou seja, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, portanto, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. E por fim, a fiscalizada creditou-se indevidamente das aquisições de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, de Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de 2012 até dezembro de 2012, aquisições da Pepsi INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu-se com a isenção do art. 9º do Decreto-lei nº 288, de 1967, que não gera crédito ficto, bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Considerando o acima exposto, conclui-se que esses créditos foram indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de IPI, devendo serem glosados”. Os valores glosados dos créditos incentivados indevidos estão consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888. Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente, tendo este que verificar se os insumos recebidos cumprem todas as prescrições legais e regulamentares previamente ao cálculo e à escrituração fiscal do crédito incentivado (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 62). Aliás, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou seja, a responsabilidade por infrações não tem como antecedente lógico o dolo ou a culpa. Os componentes dos “kits” foram recebidos pela adquirente como se fossem um produto único, sem discriminação e quantificação individualizadas. Adicionalmente, no relatório fiscal: “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e aproveitamento de créditos fictos indevidos por parte da fiscalizada, resultantes da aplicação de alíquota incorreta do IPI, além do aproveitamento de entradas Na hipótese da autuada se considerar prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial nº 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). Ressalta-se que o entendimento esposado quanto ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS, decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, não pode no presente caso ser aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos. A decisão prolatada no REsp nº 1.148.444 do Superior Tribunal de Justiça (DJ de 27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator), que entendeu que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter os créditos só foi adotado porque ficou demonstrado que ocorreu o pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria, e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas". A autuação trata de caso diverso, uma vez que a fiscalizada calculou um crédito ficto, assim não houve pagamento de imposto nas aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI. E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB nº 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação. Tratando-se de procedimento que implicaria aproveitamento de milhões de reais a cada mês, a autuada se desejasse agir com diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria os créditos fictos caso tivesse base muito sólida. Constatando que os fornecedores não tomaram a iniciativa de esclarecer o assunto, à fiscalizada caberia solicitar que eles formalizassem consulta. O estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta. Os fornecedores sempre estiveram cientes da importância da classificação fiscal de seus produtos, em função dos enormes valores de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não terem formalizado consulta sobre classificação fiscal de mercadorias junto à Receita Federal seria motivo suficiente para a fiscalizada entender que eles não confiam na correção da classificação que adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso. A fiscalizada não demonstrou o menor interesse em se certificar da correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não existir base legal para aproveitamento de créditos que não correspondam ao exato produto entre o valor tributável do IPI e a alíquota correta do imposto. E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido ela, e não o fornecedor, que efetuou o cálculo do imposto mediante aplicação de alíquota incidente incorreta. Isso posto, entende-se que restou caracterizada responsabilidade da autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da infração”. Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as planilhas às fls. 779 e 888. CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E CONSUMO Foram aproveitados, outrossim, créditos distintos de créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e consumo em 2012, mais especificamente: itens de manutenção e material intermediário de produção, conforme detalhamento inequívoco na planilha que integra o termo de descrição dos fatos às fls. 896 e 897. Na acepção do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, incluem-se entre as matérias primas e os produtos intermediários aqueles que, embora não integrem o produto final, sofram alterações (desgaste, dano ou perda de propriedades físicas e químicas) na ação exercida diretamente sobre o produto em industrialização. Nem todos os insumos adquiridos e utilizados na produção caracterizam-se como matérias primas ou produtos intermediários. Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974. De acordo com o relatório fiscal: “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I do art. 226 do RIPI de 2010, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. E não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente aos insumos peças e partes de máquinas, produtos para higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos. Não devem ser aceitos, portanto, os valores referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, peças de reposição e uniformes dos empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não se incluem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos insumos admitidos por lei”. O direito ao crédito de IPI pressupõe a existência de duas condições aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não pode ser parte ou peça de máquinas e equipamentos, nem pode corresponder a produtos empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes. Créditos indevidos no montante de R$ 24.657,33 discriminados nos demonstrativos às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO Houve, ademais, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de produtos acabados (bebidas refrigerantes) provenientes de diversos estabelecimentos da AMBEV. As industrializações não foram efetuadas por encomenda e a impugnante deu saída às bebidas recebidas mediante a emissão de notas fiscais de venda para terceiros, com destaque do imposto, e de notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com suspensão do imposto. O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), sendo a opção válida para todos os estabelecimentos. Durante o ano de 2012, o sujeito passivo estava sujeito ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58-A a 58-U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010, arts. 204 a 206), de acordo com o disposto originalmente na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior (art. 58-N, I); c) não houve operação de industrialização por encomenda, que representa uma exceção ao regime de incidência única (na industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na saída do estabelecimento encomendante) (art. 58-N, § único). Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES ADQUIRIDOS DE OUTRO ESTABELECIMENTO DA MESMA EMPRESA COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Ocorreu também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de “kits” para refrigerantes acobertados por notas fiscais emitidas por diversos estabelecimentos da AMBEV, conforme a transcrição que segue: “Acontece que, tais kits foram classificados incorretamente nas notas fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1 da NCM 2106.90.10) ". De tudo até aqui exposto, considera-se que foi devidamente provado que o enquadramento no Ex-tarifário 01 é indevido, sendo que os kits de refrigerante a seguir listados são classificados de acordo com as regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota de 0% (zero): - CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT - KIT PTWZERO - KIT PEPSI COLA TWIST - CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT - CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT - CONC NAT S LARANJA BR KIT - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI - CONC NAT LIMAO FE1403 BOMBONA - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA Intimou-se a fiscalizada então demonstrar o pagamento realizado pela aquisição desses insumos, em resposta, a autuada asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via encontro de contas. Também apresentou documentos e notas fiscais relacionadas a resposta apresentada. Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do imposto na entrada dos produtos, e, considerando que tais créditos básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos, há que serem glosados tais créditos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial n° 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB n° 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação”. Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da entrada de insumos (kits de refrigerantes) por ser a alíquota prevista para tais mercadorias de 0% (zero), nos termos do art. 25, da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 226, do RIPI/2010, no montante de R$ 1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791. Glosa dos Créditos e Reconstituição da Escrita Fiscal O crédito passível de glosa é no importe de R$ 26.531.843,73, sendo que, em virtude da existência de saldos credores no período fiscalizado, foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo às fls. 923/925. A escrita fiscal passível de reconstituição não é aquela definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), tendo em conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de compensação (PER/DCOMP) dos trimestres de 2012 encontravam-se, à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise. E, adicionalmente, há a seguinte transcrição: “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita fiscal, que por ter sido objeto de PerdComp analisada e indeferida, havendo inclusive lançamento anterior do saldo devedor (processo administrativo fiscal de nº 10880.727044/2015-61), houve alteração da escrita fiscal da fiscalizada do saldo credor do período anterior (quarto trimestre de 2011) aos períodos de apuração de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito (débito) escriturado em janeiro de 2012, em razão do pedido de ressarcimento do quarto trimestre de 2011, foi considerado igual a zero. A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das glosas e demais lançamentos da autuação. Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de Ressarcimento do trimestre anterior (abril, julho e outubro de 2012), em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos formulados, na forma de débitos de IPI. Deste modo, tendo a fiscalização concluído pela glosa de diversos créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos os períodos em que o sujeito passivo formulou tais pedidos de ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização, ao realizar a reconstituição da escrita fiscal, incluiu, no período de apuração nos quais se constatou estorno de crédito efetuado pela fiscalizada, crédito no mesmo valor do estorno, para impedir que a glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado, resultasse em cobrança de valores em duplicidade. A escrita fiscal para o período janeiro de 2012 a dezembro de 2012 passa a ser a descrita no Auto de Infração, e, no fim do período de apuração de 2012, não houve saldo credor disponível ao final do período e sim, tributo a pagar”. Considerações Finais Foram articuladas as seguintes considerações pela autoridade fiscal acerca da classificação fiscal dos insumos fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO: “A análise das características dos insumos fornecidos por Pepsi e Arosuco, evidenciou que o produto que as empresas chamam de "concentrado" é na realidade um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática comercial das empresas. E, a classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador. É irrelevante, para fins de classificação fiscal, que Pepsi e Arosuco sempre remetam os produtos para fabricantes de bebidas, pois a legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado caso a caso, conforme a utilização que será dada pelos destinatários da mercadoria. Manifesto é que as características de um produto industrializado são influenciadas pela utilização para a qual o produto foi concebido. Entretanto, mesmo nas situações em que o destino e a forma de utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se deva analisar a motivação de destinatários específicos ou outros aspectos da realidade econômica em que se insere o fabricante. Analisa-se, sim, a embalagem do produto, o seu formato, e outras características que independem dos fatores mencionados. Por exemplo, uma das características que podem definir o código de classificação da mercadoria é sua apresentação. O art. 6º do RIPI, de 2010, trata das definições de embalagens de transporte e de apresentação, aplicadas quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto. A NESH prevê vários casos em que o código de classificação a ser adotado é determinado pela embalagem de apresentação onde está acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz-se trecho da NESH, transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28: Alguns produtos inorgânicos não misturados, embora normalmente incluídos no Capítulo 28, podem excluir-se deste Capítulo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais ou ainda quando tenham sido submetidos a tratamentos que não modifiquem a sua constituição química. É o que sucede nos seguintes casos: a) Produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição 30.04). (...) Prosseguindo-se no exemplo, de acordo com a NESH, todos os produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho são excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04. Deve-se observar que tal regra é válida para qualquer operação, inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes que nunca utilizem os produtos para fins terapêuticos ou profiláticos Ainda com relação ao mencionado exemplo, se o estabelecimento industrial, por outro lado, vender produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo 28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade com adquirente que utilize a mercadoria somente para usos terapêuticos ou profiláticos. Voltando-se aos kits ou concentrados para preparação de refrigerantes, como já devidamente exposto, os kits não podem ser classificados em código próprio para preparação composta, pois algo que não está misturado, pronto para uso pelo adquirente, não se caracteriza como preparação. Mesmo que se alegue que em trabalhos anteriores realizados pelo Fisco em estabelecimentos da Ambev jamais houve qualquer tipo de discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece prosperar. A fiscalizada decidiu por sua conta e risco calcular os créditos incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou 20% (vinte por cento) nas aquisições dos kits, apesar da inexistência de consultas para a Receita Federal do Brasil sobre a correta classificação dos insumos adquiridos. Certo é que não houve, por parte do Fisco, emissão de qualquer ato administrativo dando amparo à classificação fiscal adotada pela fiscalizada. E, não está correto asseverar que o tratamento fiscal conferido por Ambev aos kits tenha sido homologado no âmbito dos lançamentos prévios. Em procedimentos fiscais anteriores relativos aos créditos oriundos das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco tratou do direito de Ambev aproveitar créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre “concentrados” procedentes da Zona Franca de Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69, inciso II, do RIPI, de 2002. Não tendo analisado a correção da classificação utilizada para os insumos isentos, o Fisco empregou em seus relatórios o código e alíquota adotados pela empresa, sem que isto significasse concordância ou não com sua correção. A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos há muito tempo vem sendo efetuada pela Justiça, inclusive em ações judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações, os “concentrados” são tratados como uma mercadoria única cuja alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento se os insumos são ou não uma mercadoria única, nem a correta classificação fiscal de acordo com a NCM. Aguarda-se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo de insumos isentos fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância da Justiça com os critérios e formas de cálculo utilizados pelos contribuintes. Há que se ter em mente que a citação, pelo Fisco, dos códigos de classificação adotados, pelo contribuinte, não se caracteriza como homologação de critério jurídico. Entender que a cada encerramento, ainda que parcial, de procedimento de fiscalização, há homologação das classificações fiscais adotadas pelo contribuinte, significaria que o simples encerramento de uma ação fiscal relativa ao IPI, mesmo que não se tenha avaliado a correção de códigos de classificação fiscal, produziria efeito similar ao de Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal. E, quanto a quaisquer afirmações de que a reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada por laudo técnico, é cediço que cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da existência de laudo técnico. Ademais, a questão que se discute quanto à classificação fiscal é se podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits acondicionados individualmente e assim transportados até o adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa. Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz que não se considera como aspecto técnico, a classificação fiscal de produtos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Retornando-se a classificação fiscal das mercadorias que teriam gerado o creditamento incentivado nesta autuação considerado indevido, concluiu-se que para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev, eles não estão misturados, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Averiguou-se, no curso deste procedimento fiscal, é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. E repita-se, não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Tanto é que, de acordo com a decisão do CCA objeto de tradução juramentada, a matéria pura benzoato de sódio, ainda que fazendo sendo um dos componentes (Parte) de um kit para fabricação de bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31. Os trechos transcritos da NESH da posição 21.06 não especificam o entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na posição 29.16, referindo-se sim, a um produto industrializado em que, em alguns casos, tem o benzoato de sódio como um de seus ingredientes. E, constatou-se que, sendo os kits formados por vários componentes acondicionados em embalagens individuais, tratam-se de mercadorias que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação de industrialização intermediária. Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos componentes dos kits (Parte A e Parte B, Kit Pepsi e Kit Pepsi Acidulante), o qual ocorre no estabelecimento da Ambev após o fato gerador, aí então é que se forma uma preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, a qual ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás carbônico. Caso não fosse necessária a adição de água, a preparação composta não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02. E a Nota Explicativa da posição 2106, quando fala em tratamento complementar, não está se referindo à operação de industrialização realizada com as matérias-primas após seu recebimento pelo engarrafador. Refere-se, sim, à adição de água e outras operações complementares efetuadas sobre o concentrado – preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da mistura de diversos ingredientes. Sobre a definição correta de concentrado, menciona-se o § 4º do art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, o qual define expressamente as características do concentrado: § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que são os concentrados cuja diluição é feita pelo consumidor final, pois em seus §§ 6º e 7º dão orientações que são de interesse apenas de estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev: Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. § 1o A bebida que apresentar característica sensorial própria da matéria-prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe, conterá, obrigatoriamente, esta matéria-prima, ressalvados os casos previstos no caput. § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a matéria-prima de origem vegetal serão classificados e considerados artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial. [...]§ 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” [...]§ 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão gasosa será expressa em atmosfera, à temperatura de vinte graus Celsius. § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão oficial de potabilidade. E vale, por fim, aqui repisar que o fato da aquisição das Partes dos denominados concentrados ocorrer em conjunto por questões industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada para cada Parte (componente)”. Ciência e Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado (fl. 933). Em 31/08/2016, insubmissa, a contribuinte apresentou, por meio de Termo de Solicitação de Juntada (fl. 935), a impugnação às fls. 936/980, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados na documentação de representação às fls 981/992 e instruída com a documentação às fls. 1.021/1.615 e 1.622/1.635, em que aduz, em síntese, o seguinte: Preliminarmente – Nulidade do auto de infração: 1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi lavrado em relação a empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, CNPJ 02.808.708 foi incorporada em janeiro de 2014 pelo sujeito passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, que é o estabelecimento matriz, localizado em São Paulo, SP; o estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da empresa, com CNPJ 02.808.708/0081-83, situada em Almirante Tamandaré, PR, e, depois da incorporação, passou a ter o CNPJ 07.526.557/0034- 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior; por força do CTN, art. 51, § único, c/c 132, e do RIPI/2010, art. 24, que tratam da autonomia dos estabelecimentos no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias e da responsabilidade tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento sucessor, conforme julgados do CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita Federal, pela qual seriam da filial resultante da incorporação os direitos e obrigações relativos ao estabelecimento adquirido; a autuação deve ser anulada por erro na identificação do sujeito passivo; 2) Alteração dos Critérios Jurídicos: houve violação do art. 146 do CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária; no caso concreto, houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos de vedação ao aproveitamento de créditos referentes a aquisições de produtos da PEPSI-COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de classificação fiscal dosinsumos; b) matérias primas regionais submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração lavrados anteriormente sobre operações semelhantes, a causa das glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, e nunca a classificação fiscal dos “kits”; assim como, anteriormente eram aceitas matérias primas com processamento industrial prévio; tudo conforme amostra de autuações anteriores (processos nº 10880.727044/2015-61 e nº 10480.721667/2015-32), a classificação fiscal adotada para os “kits” (2106.90.10 Ex 01) e a apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com insumos industrializados foram homologadas expressamente em atos oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o sistema tributário e a retroação de normas mais gravosas é expressamente vedada pela Constituição Federal (art. 150, III), em harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e jurisprudência; a lavratura do auto de infração questionada somente poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter geral (ato normativo) ou individual (notificação fiscal) com a comunicação da mudança de procedimento das autoridades fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores do tratamento fiscal dado pelo sujeito passivo às questões caracterizaria prática reiteradamente adotada pela Administração Tributária e, portanto, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos; 3) Iliquidez e Incerteza do Lançamento: o lançamento é ilíquido e incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) em virtude da pendência de análise dos pedidos de ressarcimento apresentados pela contribuinte no tocante aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de ressarcimento/compensação deveriam ter sido considerados como plenamente eficazes por força do CTN, art. 150, § 1º, pelo qual o pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação; o saldo credor existente em dezembro de 2011 não deveria ter sido desprezado, pois o indeferimento do pedido do processo administrativo nº 10880.727044/2015-61 depende de decisão definitiva; portanto; o saldo credor de dezembro de 2011 e todos os créditos objeto de PER/DCOMP dos trimestres de 2012 foram desconsiderados indevidamente, o que implica a exclusão de créditos passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09); a glosa do saldo credor de 2011 não foi definitiva, sendo que a contestação teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), embora, segundo a doutrina, não haja suspensão mas sim um simples impedimento procedimental (o crédito não se encontraria definitivamente constituído); tendo sido ofertada a impugnação em janeiro de 2016 (doc. 09) em relação ao processo administrativo nº 10880.727044/2015-61, o julgamento do presente feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele processo, conforme manifestações do CARF nessa linha; No mérito – Direito aos créditos glosados: 1) Falta de preenchimento dos requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos fornecedores AROSUCO, PEPSI-COLA, RAVIBRÁS e VALFILM, e ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos em face da alíquota zero dos insumos adquiridos da AROSUCO e da PEPSI-COLA: 1.1) A correta interpretação do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in natura (matéria prima bruta), a utilização de matéria prima processada: a noção de matéria prima empregada pela lei é ampla e genérica, sendo que qualquer produto pode funcionar como matéria prima de outro produto; o mencionado art. 6º não faz alusão a “matéria prima bruta” ou “provinda da natureza”, sendo a única interpretação possível é a de que o benefício é aplicável a qualquer mercadoria que contenha matérias primas de base vegetal, independentemente de haver ou não processamento; do benefício são apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é de natureza objetiva; conforme a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/98 (doc. 05), que trata do processo produtivo básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização, por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção”, ou seja, há o reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas a processamento anterior por outras empresas da ZFM; na mesma Portaria Interministerial, acerca da fabricação do corante caramelo, inexiste a exigência de que o açúcar seja originário da Amazônia Ocidental; 1.2) O entendimento oficial da SUFRAMA, órgão que detém a competência exclusiva para aprovar e fiscalizar os projetos de empresas que pretendam usufruir dos benefícios fiscais do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (além de estabelecer normas, exigências, limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a consulta formulada pela PEPSI-COLA (doc. 06), é o seguinte: “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que não seja típico da região amazônica (por ex. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no art. 6º do Decreto-lei n. 1.435/75 (...)”O contribuinte de boa-fé, adquirente dos produtos, não pode ser penalizado pelo “entendimento oficial” dos órgãos que disciplinam e jurisdicionam o incentivo (no caso, MPO/MICT/MCT e SUFRAMA) e a atuação das autoridades fazendárias deve ser coerente com a posição oficial do órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes ao benefício fiscal, o que é ratificado por decisão do CARF; a anulação de ato administrativo por “vício de ilegalidade” deve ser efetuada de forma expressa e com observância do devido processo legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do STJ: “quando se confere a certo e determinado órgão administrativo alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais órgãos administrativos do desempenho legítimo dessa mesma atribuição; essa é uma das pilastras do sistema organizativo e funcional estatal e abalá-la seria o mesmo que abrir a porta da Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de infração é improcedente, pois a glosa de créditos relativos aos produtos da AROSUCO e da PEPSI-COLA contraria o disposto no art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75; 2) Os créditos sobre a aquisição de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus têm apropriação assegurada; a empresa fornecedora é titular de incentivo fiscal com tratamento diferenciado assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a repercussão geral será apreciada nos autos do RE nº 592.891/SP; a manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico para as aquisições oriundas da ZFM; 3) Ilegitimidade (nulidade por carência de motivação fática e, no mérito, improcedência) da glosa de créditos em virtude de erro de classificação fiscal dos “kits” adquiridos da PEPSI-COLA e da AROSUCO: 3.1) O trabalho fiscal é nulo porque, à luz da “teoria dos motivos determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo cruciais a indicação dos motivos de fato e de direito e a perfeita correlação (subsunção) do fato à norma para a validade do ato administrativo; sendo auto de infração, os requisitos do art. 142 do CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido); não há elementos técnicos para embasar a reclassificação fiscal, esta empreendida “com base em alegações calcadas em conhecimentos empíricos, sem amparo em laudo técnico que justificasse a nova classificação fiscal imputada de ofício”; a classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, colhendo informações dos fornecedores e submetendo-as a órgão técnico especializado, inclusive com a colheita de amostras e solicitação de perícia, não só meras fotografias de embalagens dos “kits”; há precedentes do CARF de nulidade absoluta para situações de reclassificação fiscal sem prova técnica; a motivação fática da glosa também é insuficiente, além de deficiente, porque a NCM 2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria necessário também comprovar que nenhum dos componentes dos “kits” corresponde ao conceito de “sabores” para a fabricação de bebidas; 3.2) Para a fiscalização, mesmo que os insumos destinados à fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI-COLA e pela AROSUCO estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto-lei nº 1.435/75, não haveria créditos do imposto a apropriar “como se devido fosse” em virtude de erro de classificação fiscal: os insumos deveriam ser enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código NCM 2106.90.10 Ex 01, já que os “kits” não poderiam ser tratados como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para fabricação de refrigerantes” por não estarem prontas para uso pelo adquirente (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo fornecedor); a acusação fiscal tem esteio na presunção de que a PEPSI-COLA e a AROSUCO teriam aplicado as RGI/SH 2.a) e 3.b) com o objetivo de tratar os “kits” como mercadorias únicas classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente improcedente porque a fiscalização olvidou da RGI/SH nº 1, regra preponderante sobre as demais; prossegue a impugnante conforme a transcrição que segue: “Com efeito, assim dispõe o NCM 2106.90.10, "ex. 01", cerne da acusação fazendária: "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições. 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas. Ex 01 (IPI) Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" A mera leitura das normas transcritas revela que o código 2106.90.10 designa apenas as preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais específico, restringe-se às "preparações compostas" (mais de uma substância) não alcoólicas, utilizadas "para a elaboração" de refrigerantes/refrescos (posição 22.02), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico, sendo a sua pedra de toque o fato de uma determinada preparação composta, sem teor alcoólico e com determinada capacidade de diluição, ser remetida para a fabricação de refrescos/refrigerantes. É esta a especificidade do "ex" em relação à descrição contida no "caput" da subposição. De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a NCM n. 2106.90.10, inclusive o respectivo "ex. 01", são claras no sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem de processo industrial complementar ou da adição de outros ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo: “(...) a presente posição compreende: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). • Classificam-se especialmente aqui: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: - xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferir-lhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o n° 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; - suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinam-se a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. ...................................” Como se vê, diferentemente do que sustenta a Fiscalização, enquadram-se no conceito de "preparações compostas", a que se refere o ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, todas as substâncias formadas por um conjunto de ingredientes que lhes confira um propriedade aromática passível de determinar, isoladamente ou mediante combinação com outras substâncias, o sabor característico de determinada bebida. Acentue-se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta.” (p. 71). Ora, diante da expressa admissão de que todos os ingredientes dos kits são preparações compostas e da circunstância de que todos eles são utilizados como insumos para a fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM. O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a tais mercadorias. Essa observação é importante, pois a regra contém três possibilidades de classificação (letras “a”, “b” e “c”) e, como nenhuma delas se aplica ao caso, fica confirmado que a solução do caso não pode se basear na referida RGI 3. Por isso, são igualmente irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação Aduaneira citadas pela Fiscalização. Até porque, tais manifestações não estão listadas quer na IN RFB 1.459/2014, quer na IN RFB 873/2013. Para aferir a correta classificação dos produtos adquiridos pela Impugnante deve, pois, ser observada a RGI/SH 1, mesmo porque o texto do ex 01 da suposição 2106.90.10 e as respectivas notas explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”. Afinal, como explicam as notas da posição 2106, as preparações compostas para a fabricação de bebidas podem conter apenas “parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida” para utilização “depois de tratamento complementar”, inclusive com a eventual “adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”. A segregação de tais preparações se justifica para “evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas. Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, aquelas que já estivessem de tal maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante mera diluição em água. Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado (como as da posição 20.09 da NCM) com os diversos tipos de concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM). Prova disso é a utilização, como argumento de acusação, da Lei 8.918/94 e seu regulamento, os quais tratam da "padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931, transcritos no TDF, tratam justamente do produto concentrado, isto é, da bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis suas previsões ao "xarope" e ao "preparado sólido para refresco", o que realça o equívoco do Fisco. Assim, na medida em que a Fiscalização reconhece todos os “kits” contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor “Pepsi”, sabor “guaraná”, “sabor Sukita” etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, é evidente que todos eles caracterizam, no seu conjunto ou individualmente, preparações compostas para a fabricação de bebidas abrangidas pelo ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. Em outras palavras, os “kits” autuados consistem em ingredientes destinados à fabricação de bebidas, compostos por substâncias diversas, as quais, consideradas no conjunto ou individualmente, classificam-se como preparações compostas, com a função de conferir à bebida a ser produzida o seu sabor próprio e as suas demais características sensoriais, dando identidade ao produto vendido aos consumidores. Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes", sendo que "a mistura de pelo menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas." (destacamos) Ocorre que tais ingredientes, ainda que não tenham sabores específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit contém a quantidade exata para mistura com os extratos e outros aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que justifica a sua classificação no ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as partes dos kits com acidulantes, conservantes e outros itens que não contêm extratos ou aromatizantes específicos, devessem ser classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto. De fato, os documentos fiscais juntados aos autos demonstram que todos os "kits" contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor "Pepsi", sabor "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, sendo comercializados por preços compreensivos do todo (cujo dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto com as substâncias adicionais dá-se por questões industriais e logísticas, sendo certo que estas últimas, isoladamente consideradas, não possuem valor econômico para os fins da operação praticada. Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e envase acondicionadas separadamente por questões de eficiência logística (menor volume transportado), como, aliás, é expressamente admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas. Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que não constituem extratos ou outros aromatizantes, nem assim haveria crédito tributário a constituir, pois eles não têm valor econômico, no contexto da operação. Em face do exposto, conclui-se que não houve erro de classificação fiscal nas notas de aquisição dos “kits” de concentrados e sabores destinados à fabricação de bebidas, pois: (1) o “kit” contempla uma unidade de ingredientes para a fabricação de bebidas que, pela diversidade de substâncias envolvidas, configura preparação composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também configura preparação composta que confere sabor e outros traços sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens devesse ser classificada em outra subposição da NCM, não haveria valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”. 4) É improcedente a glosa de créditos relativos a mercadorias adquiridas para emprego no processo industrial: matérias primas e materiais intermediários tais como peças e partes de máquinas, produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários e foram consumidos na atividade produtiva, não sendo destinados ao ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II) e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização, porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas deve haver a aplicação dos bens, de alguma maneira, na produção; alguns itens são imprescindíveis ao processo produtivo, consoante laudo técnico anexado (doc. 07); em alguns julgados, há posição do CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares; 5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo, provenientes de empresas do mesmo grupo econômico e sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias, conforme documentação anexada; quando muito, a fiscalização poderia ter exigido acréscimos moratórios de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem), conforme ato normativo referente a IRPJ e CSLL e precedentes do CARF; ademais, foram computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403, 1410, 2401, 2410, 2411 e 2949, e que devem ser excluídas do lançamento; 6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação fiscal adotada está correta, conforme já discorrido em tópico precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de notas fiscais é feito mediante encontro de contas, o que é normal nas relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas da cobrança do imposto na operação anterior (RIPI/2010, art. 226), sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida e o direito ao crédito, sob pena de ocorrência de bi-tributação e de violação do princípio da nãocumulatividade; além do mais, é despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor de compra para assegurar a manutenção dos créditos, já que a comprovação da assunção do ônus financeiro do imposto somente é necessária na hipótese de repetição de imposto pago indevidamente pelo fornecedor (CTN, art. 166); 7) A impugnante é adquirente de boa-fé e os créditos aproveitados devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos produtos, as respectivas alíquotas e os valores do imposto são de responsabilidade do emissor da nota fiscal (RIPI/2010, arts. 407 e 413), conforme situação análoga na órbita do ICMS com pronunciamento do STJ. Por fim, requer que seja reconhecida a improcedência das acusações fiscais, com o cancelamento definitivo do auto de infração; por outro lado, com o fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela realização de diligência e/ou perícia técnica no que concerne às operações com produtos sujeitos ao regime monofásico, conforme os quesitos enunciados em anexo. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14-62.485 - 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero, sendo os produtos oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE ARTEFATOS DESCARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS OU MATERIAL DE EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo industrial, segundo o estrito entendimento albergado na legislação tributária do que pode ser considerado como insumos. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO. Devem ser glosados os créditos concernentes a concentrados para refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota, sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado nas notas fiscais de aquisição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ÁREA DE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, ainda que haja imunidade condicionada ou isenção, podem ser objeto de fiscalização tributária, sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a autoridade competente para a condução das atividades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade industrial e mantenha a documentação e livros fiscais, inexiste nulidade por erro de identificação do sujeito passivo se o auto de infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese de ocorrência de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela empresa sucedida (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório. NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE SALDOS CREDORES. Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa do crédito tributário constituído, com o cômputo de todos os saldos credores legítimos existentes na escrita fiscal, inexiste nulidade por falta de liquidez e de certeza da peça acusatória. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A classificação fiscal de mercadorias consiste em atividade de índole estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação fiscal de mercadorias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos como a indicação do perito e a formulação dos quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1873 e seguintes, no qual a Recorrente apresenta as seguintes razões: 1. Nulidade do Auto de Infração 1.1. Ilegitimidade passiva. Erro na determinação do sujeito passivo. Precedentes. 1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento. 1.3. Alteração dos critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais em relação aos “kits” para a produção de refrigerantes fornecidos pela PEPSI/AROSUCO e aos materiais de embalagem fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN. 2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa dos créditos relativos aos insumos e materiais de embalagem para fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus. 2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58-N da Lei n. 10.833/03. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. 2.3. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens de uso ou consumo pela Recorrente (matérias primas, materiais de embalagem e materiais intermediários de produção). 2.4. Ilegitimidade da glosa de créditos relativos a mercadorias (preparações compostas para a fabricação de bebidas e materiais de embalagem) tributadas que não seriam enquadradas na subposição 2106.90.10, “ex. 01”, da TIPI/NCM (e sim em outras posições, com alíquota zero do imposto). É o relatório. Voto
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 1686/1785), abaixo transcrito: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010; consoante capitulação legal consignada às fls. 914 e 915, foi lavrado o auto de infração à fl. 912, em 27/07/2016, para exigir R$ 10.219.731,18 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e R$ 7.664.798,31 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87. A AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, sujeito passivo da autuação, sucedeu por incorporação, em janeiro de 2014, o estabelecimento com CNPJ 02.808.708/0081- 83, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN. Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 913/915, e o teor do relatório fiscal (termo de descrição dos fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes tipos de créditos indevidos: CRÉDITOS DE INSUMOS PARA BEBIDAS Créditos fictícios do imposto apropriado como se devido fosse na aquisição de insumos (concentrados, filmes “stretch” e artefatos como rolhas e tampas plásticas) de estabelecimentos situados na Amazônia Ocidental, escriturados da seguinte maneira: “Outros Créditos - Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – IPI rec. s/aquisição Amazônia” ou “Aquisição Mercadorias Oriunda da Amazônia Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na Amazônia Ocidental e comercializados em outras partes do país é prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010. O dispositivo específico sobre a Zona Franca de Manaus (art. 81, II) não assegura o aproveitamento dos créditos pelas aquisições por estabelecimentos localizados em outras regiões do país. Por outro lado, para a isenção do art. 95, III, há a possibilidade de aproveitamento dos créditos (crédito incentivado, art. 237) pelos adquirentes em outras regiões se forem satisfeitas as seguintes condições cumulativas: 1. Que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional; 2. Que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); 3. Que o estabelecimento tenha projeto aprovado no Conselho de Administração da Suframa. Ademais, consoante a redação do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º, os insumos adquiridos com isenção devem ser empregados no processo industrial de produtos sujeitos ao imposto. A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na escrita fiscal. Intimada a contribuinte a esclarecer a origem dos créditos fictos (incentivados) registrados na escrita fiscal, há o seguinte a destacar conforme os dados fornecidos. Créditos de rolhas e tampas plásticas adquiridas de RAVIBRAS Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001-73: ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST GUARANÁ VERMELHA NIV11 R ROLHA PLAST SODA L ANT ROLHA PLAST SUKITA VERDE TAMPA PLAST AMARELA GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II) nas vendas prevê apenas a isenção nas saídas dos produtos do industrializador, sem a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de filme “stretch” adquirido de VALFILM Amazônia Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001-07: FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da VALFILM a partir de maio de 2010 (isenção prevista no seguinte dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II). Créditos de concentrados adquiridos de AROSUCO Aromas e Sucos Ltda., CNPJ 03.134.910/0001-55: CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403 KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT No caso da AROSUCO também foi informado que a falta de destaque do imposto nas saídas de concentrados (exceto quanto aos concentrados de sabor guaraná) se deveu à isenção prevista (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237). Créditos de concentrados adquiridos de PEPSI-COLA Industrial da Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001-60: KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO; Os concentrados (kits) foram produzidos pela PEPSI-COLA com a utilização de insumo (corante caramelo) produzido, por sua vez, pela empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001-25, localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante caramelo foi utilizado, até junho de 2011, açúcar de cana fornecido pela Usina Itamarati S/A, CNPJ 15.009.178/0001-70, situada no Estado do Mato Grosso, que não compõe a chamada Amazônia Ocidental, abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, nos termos do Decreto-lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 4º. Em procedimento de diligência encetado, a D. D. WILLIAMSON informou que, a partir de 14/06/2011, passara a fornecer o corante caramelo à PEPSI-COLA com, na respectiva composição (misturados), açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo da Cooperativa Agroextrativista da Vila União, CNPJ 10.778.894/0001-07, situada em Eirunepe, Amazonas. Em resposta a intimação, a PEPSI-COLA declarou que era habilitada pela SUFRAMA a produzir concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas com ambos os incentivos: Zona Franca de Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art. 95, III). O corante caramelo, utilizado na produção de kits (concentrados de refrigerante) pela PEPSI-COLA, é industrializado pela D. D. WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana de açúcar lá cultivada e não se caracteriza como matéria prima agrícola e, por conseguinte, os concentrados de refrigerante não são produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA de janeiro a dezembro de 2012. Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos concentrados de refrigerante fornecidos pela PEPSI-COLA, empregados no processo industrial da unidade da AMBEV em Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que seja um insumo de produção regional. O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de açúcar cristal e açúcar mascavo, de certa complexidade, com a aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas, conforme consta do relatório fiscal: “a) Processo de hidrólise: ocorre através da inversão da sacarose, sendo utilizados como matérias-primas o açúcar cristal, água e catalisador ácido. Esse processo quebra a molécula da sacarose, gerando outros tipos de açúcares. O produto resultante é o açúcar hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose. b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores, através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina. Durante todo esse processo existe o acompanhamento de técnicos de laboratório, coletando e analisando todos os parâmetros de qualidade”. A cana de açúcar é a matéria prima agrícola por excelência na produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa vegetal na produção dos concentrados. A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos “kits” para refrigerantes sem a indispensável utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Nem a aquisição de corante caramelo daria azo ao aproveitamento de créditos, pois os açúcares cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais. Na justificativa do projeto do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, o termo “matérias primas agrícolas” exclui da definição insumos oriundos da agroindústria. Em uma primeira industrialização, pode-se falar na utilização de matéria prima extrativa vegetal de produção regional. Contudo, na etapa posterior (segunda industrialização), trata-se do emprego de produto intermediário. À luz do art. 4º do RIPI/2010, após um processo de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicionamento, renovação ou recondicionamento), o artefato de natureza agrícola resultante não pode mais ser considerado como matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário. A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e não subjetiva (em razão do beneficiário); assim, é imprescindível a comprovação da legitimidade da isenção para cada produto, sendo a aprovação de projeto pela SUFRAMA (órgão com competência exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para a efetiva fruição do benefício fiscal. Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte, indevidos, pois se referem a aquisições de kits para refrigerantes da PEPSI-COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits da AROSUCO (exceto aqueles de guaraná) com base na isenção do art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados. Erro de classificação fiscal e a alíquota zero dos “concentrados de refrigerantes” Para o aproveitamento de créditos fictos relativos a insumos adquiridos com a isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, os créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja, os insumos devem sofrer a incidência do imposto, com alíquota diferente de zero. É o texto do Decreto-lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237: § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.) O subitem 2106.90.10 da TIPI, correspondente a “preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%. Todavia, constam nas notas fiscais de aquisição dos concentrados ou “kits” oriundos da PEPSI-COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010, quanto aos kits para fabricação de refrigerante) e da AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM 2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de 31/05/2012 pelo Decreto nº 7.742, de 2012) e o seguinte texto: "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Há erro de classificação fiscal cometido pelas empresas fornecedoras PEPSI-COLA (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes Pepsi e H2OH) e AROSUCO (fornece insumos para a fabricação das bebidas refrigerantes sabor guaraná, limão, laranja e água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). Ora, no próprio texto do código de classificação fiscal adotado pelas empresas fornecedoras em questão há a alusão a “preparações compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos. Nas notas fiscais emitidas pela AROSUCO, os concentrados são discriminados como “kits”, conforme a nota fiscal nº 1.206 (reprodução parcial à fl. 848). Em nota fiscal emitida pela PEPSI-COLA (documento auxiliar de nota fiscal eletrônica – DANFE, com reprodução à fl. 849), há a discriminação das várias partes integrantes do “concentrado de refrigerante”, sendo as seguintes as considerações do termo de descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal: “Observa-se que kits sabor Pepsi-Cola, em verdade, seriam duas mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E que kits sabor Pepsi-Cola light, em verdade, seriam quatro mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35009*60 01A 4UN p/ vol”; "Aroma Ingr 35009*61 1UN p/ vol acid, organic, 8, pg III"; " SAIS: INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam discriminados como um item único, os concentrados ou "kits", em realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente. Mesmo que os fornecedores Pepsi e Arosuco entendam que o concentrado é uma preparação composta, uma mercadoria única, já pronta, os produtos que a Pepsi ou a Arosuco chamam de "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias-primas e produtos intermediários, que saíram dos seus estabelecimentos embalados separadamente, em bombonas, ou sacos, na forma líquida (Flavours ou aromas) ou sólida (sais). O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (Flavours ou aromas), quando, aí sim, é obtido o concentrado”. Por ocasião de visita à fábrica em diligência efetuada em filial do sujeito passivo, foi constatado o seguinte: “Que o processo produtivo do estabelecimento pode ser resumido da seguinte forma: 1) As matérias-primas, recebidas dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem. 2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do item 1, não oriundo de Manaus, com o qual é elaborado, por meio de dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”. 3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”, onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar e sua diluição em água. 4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz-se o Xarope Simples, por meio do aquecimento do açúcar cristal e refinado, insumo não proveniente da região da Amazônia, e da sua diluição em água. 5) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. 6) Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. 7) Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. 8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. 9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente, e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. 11) Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. 12) Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. 13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. 14) Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas. 15) Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; 16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. 17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1.703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola”. A seguir, transcrição de trecho do auto de infração que consta do processo administrativo fiscal de n° 10830-725.247/2015-16: "Para melhor esclarecer este assunto, em 13/03/2015, 01/06/2015 e 15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias-primas da AMBEV e no início das linhas de produção de Gatorade e Refrigerantes, em companhia do Gerente de fábrica Fábio Henrique Cardoso de Souza. 225) A pessoa citada acima esclareceu que: a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i) Recebimento de matérias-primas - As matérias-primas, basicamente aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito. ii) Tratamento da água - A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes é "declorada", após tratamento. iii) Adição dos sais - Essa água declorada alimenta um equipamento (tanque de solução), conhecido como "dissolvedor", onde lhe são adicionados os sais industrializados; iv) Adição de Aromas - A solução resultante é então encaminhada aos tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento - A mistura é então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No caso dos refrigerantes é adicionado o gás, e finalmente segue para envase. b) Quanto ao recebimento das matérias-primas i) Os aromas chegam à AMBEV acondicionados em bombonas e os sais acondicionados em sacos, conjunto esse convencionalmente chamado de "kit" para fabricação de refrigerante. Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os aromas das bebidas a serem fabricadas, p.ex. laranja, tangerina, limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase líquida. iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente acidulantes e conservantes. iv) No caso dos refrigerantes, os sais são ácido cítrico, sorbato e benzoato. v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas para cada produto tem dosagens e sequências diferentes, e se o concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior. vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda as características essenciais do concentrado pronto. Para que isso aconteça é necessário que eles sejam misturados apenas durante o processo de preparo das bebidas, na AMBEV. 226) Fomos então às salas de estocagem de matérias-primas e registramos fotos de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.) Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade, Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864. As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006 demonstram igualmente que: “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. 2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante. 3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de acidificante INS 330 e 338. 4) Kit Pepsi zero natural flavour. 5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV. E, quanto ao chamado concentrado “Pepsi twist”, seriam as três mercadorias distintas: 1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01. 2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14. 3) Kit Pepsi twist sais: composto de conservante INS 211 e estabilizante INS 331. Já o chamado concentrado “Água tônica”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: composto de aroma natural. 2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes. E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam as duas mercadorias distintas: 1) Kit A: FE 1431Z (aroma natural, corante de caramelo, extrato vegetal de guaraná). 2) Kit B: acidulante INS 334, conservante INS 211 e dois edulcorantes”. O fluxograma da elaboração de refrigerantes ou Gatorade é reproduzido à fl. 866: no Tanque de Solução (Dissolvedor), há a obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para refrigerante). “O que ocorre é que o concentrado apenas é produzido na etapa de fabricação dos refrigerantes, nas linhas de produção da AMBEV, quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à água, são adicionados os aromas (flavours), sendo nesta ocasião obtido o concentrado. E, a despeito dos fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do subitem 2106.90.10, esse ex-tarifário é próprio para preparação composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se caracteriza como preparação. Repise-se: para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. E, quando da entrada no estabelecimento da Ambev, as partes dos concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Ainda que em manifestação às constatações relatadas no Termo de Constatação Fiscal, os representantes da fiscalizada afirmem que as Partes que comporiam um concentrado ou kit são transportadas em conjunto, a verdade é que, conforme relatado em ambos Termos de Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada separadamente, tanto que a Parte A se trata de um líquido, transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por exemplo, de Manaus a Curitiba. Segundo o dicionário eletrônico Houaiss, o vocábulo "preparação" indica uma ação - o ato de preparar, e um resultado - o preparado: "Ato ou efeito de preparar-se; preparo, preparamento, preparativo 1 operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço 2 elaboração dos alimentos para transformá-los nos diversos pratos, iguarias, etc. 3 feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto") (grifo nosso) Portanto, os termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de preparação, os insumos empregados devem sofrer algum tipo de processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de ingredientes ou complementada com algo mais elaborado como cozimento, por exemplo. Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de refrigerantes no estabelecimento da Ambev Curitiba, pois que os produtos elaborados bem como as matérias-primas são idênticos —, os componentes dos chamados “concentrados” são misturados pelo adquirente durante o processo de elaboração da bebida final, procedimento que é executado seguindo complexas edetalhadas especificações técnicas. O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. Não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Veja-se. No mesmo sentido dos dicionários, a Nomenclatura do Sistema Harmonizado emprega o vocábulo "Preparação" como uma mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente. Quando as matérias misturadas se classificam no mesmo Capítulo da NCM, a preparação é do tipo "simples". A elas a Nomenclatura se refere apenas como preparações. Exemplificando: a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1 diz: 1.- Na acepção da subposição 1602.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de carne, miudezas ou sangue, finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2 dizem: 1.- Na acepção da subposição 2005.10, consideram-se "produtos hortícolas homogeneizados", as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (..) 2.- Na acepção da subposição 2007.10, consideram-se "preparações homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...) Visível é que as preparações ("simples") acima citadas contém cada uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16), noutra são produtos hortícolas (Capítulo 20), e na última são apenas frutas (Capítulo 20). Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de matérias de base de Capítulos diferentes. Quando as preparações contêm matérias de base de Capítulos distintos, a Nomenclatura as distingue das preparações ("simples"), denominando-as de preparações compostas. Exemplificando, no caso das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas, a Nota de Subposição n° 3 diz: "3.- Na acepção da posição 21.04, consideram-se "preparações alimentícias compostas homogeneizadas" as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, frutas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso) Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de "preparações compostas" constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela fiscalizada. Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão acondicionadas cada uma na sua embalagem individual; não estão misturadas e não estão prontas para uso pelo adquirente, no caso, a fiscalizada. A mistura dos componentes dos kits para refrigerantes se caracteriza como a operação de transformação definida no artigo 4°, inciso I, do RIPI/2010: Art. 4º- Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n° 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Nos termos do art. 3°, do RIPI de 2010, o kit para elaboração de refigerantes, ou concentrado é um produto industrializado resultante de uma operação de transformação intermediária, pois, em etapas posteriores do processo industrial, esse concentrado ou preparado líquido recebe tratamento adicional, até transformar-se em refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV. Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°). Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados", o que deve ser analisado são as características dos produtos no momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes dos kits apresenta suas próprias características individuais. As empresas do Grupo AMBEV e seus fornecedores, como a Pepsi-Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais conveniente e chamar os produtos pelos nomes que julgarem adequados. No entanto, o fato de nomearem diversos produtos como se um único fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui isoladamente em uma mercadoria, não os transforma perante a legislação em um único produto, já que não encontra guarida na legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma das partes deve seguir sua classificação própria. E, prosseguindo no tema classificação fiscal, tem-se, como já mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo conjunto de normas do chamado Sistema Harmonizado (SH), tabela internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual o Brasil é signatário. A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI-SH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2° do Decreto n° 766, de 3 de março de 1993, bem assim das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul, constante da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC). Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e os Ditames do Mercosul são, igualmente, de cumprimento obrigatório para a solução de consultas de classificação fiscal de mercadorias. Repise-se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo, seguir as orientações e esclarecimentos fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992. A versão atual das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008, atualizada pelas IN RFB n° 1.072, de 30 de setembro de 2010 e n° 1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 10 da Portaria MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994. E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de uma determinada mercadoria. Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) têm por base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado. Como constatado em diligência realizada na unidade industrial de CNPJ nº 07.526.557/0034-78 os componentes dos "kits" saem do estabelecimento industrial embalados em bombonas, caixas ou contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido. As citadas mercadorias vêm sendo classificadas pela Pepsi e pela Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que são "sortidos apresentados para venda a retalho". A Regra Geral 1 assim dispõe: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Determinada, portanto, pela mencionada Regra Geral é que a classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI quando não for possível o enquadramento por aplicação da RGI-1, bem como nos casos de produtos com características específicas. De outra feita, a RGI-6 aplica às subposições as mesmas Regras utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no nível da NCM. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para classificação das mercadorias. À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b (RGI n° 3b) que, entende-se que atendidas determinadas condições, alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião de diferentes materiais, devem ser classificados em código único, próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012, especificamente o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), tem-se que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra 3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco: XI) a presente regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b) das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), existiria a possibilidade de classificação de componentes de kits ou sortidos como se formassem uma mercadoria única. Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer possibilidade de que esta Regra do Sistema Harmonizado possa ser aplicada no caso sob análise, prevendo expressamente que os conjuntos para a fabricação industrial de bebidas não podem ser classificados de acordo com a Regra 3 b). Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos o conjunto de mercadorias denominadas pela fiscalizada de “concentrado de refrigerante” como um produto único. O cerne da questão resume-se, desse modo, em definir se os diversos componentes dos “Concentrados de refrigerantes”, atendem à definição de “sortidos apresentados para venda a retalho” sendo classificados num código único. A respeito das mercadorias constituídas pela reunião de artigos diferentes, bem como dos produtos “apresentados em sortidos acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da Regra 3 b): X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto, considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada; c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). Embora seja constituído de elementos classificados em posições distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de uma atividade específica e bem determinada (a produção de determinada bebida refrigerante), o “kit” objeto desta consulta não atende ao requisito previsto no item “c” da Nota Explicativa acima reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados para venda a retalho. Ora, a venda a retalho, também chamada de varejo, caracteriza-se pela venda de produtos em pequenos volumes, diretamente ao consumidor final. O produto em apreço, entretanto, trata-se nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado. A dosagem dos componentes também demonstra claramente que se trata de um artigo destinado à aplicação industrial, incompatível, portanto, com o conceito de venda a varejo. Afastada as hipóteses de enquadramento suscitadas pela Regra 3-b, conclui-se que a classificação fiscal da mercadoria "Concentrados de refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles. Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da TIPI. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. O item III da Nota Explicativa da Regra 2 a), transcrito a seguir, ao tratar dos artigos incompletos ou inacabados, prevê que a primeira parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que fazem parte da Seção IV da Nomenclatura. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. Ademais, por produto incompleto ou inacabado, entende-se como aquele em que o processo de fabricação foi interrompido em determinado ponto por alguma necessidade ou conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte. Tais produtos devem apresentar as características essenciais do artigo completo ou acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se tornarem o produto completo ou acabado cujas características eles apresentam. De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam, no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 - Sais), e os Kits B da Soda Limonada Antárctica (FE 1403 - Sais), compostos de Acidulante e Conservantes, que não apresentam as características essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado. Quanto à segunda parte da Regra 2 a), que trata de um artigo apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa da Regra 2 a), a seguir transcrito, deixa claro que os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco não se enquadram como artigos apresentados desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a) VII) Deve considerar-se como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinam-se a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Observe-se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua parte final que "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1". Tal texto refere-se a produtos misturados, que não é o caso dos kits para refrigerantes. Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar o entendimento já esposado de que os concentrados não podem ser classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1. Para definição da classificação fiscal dos kits ou chamados “concentrados” de refrigerantes, inclusive os de sabor guaraná, o procedimento correto é analisar individualmente cada embalagem, onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando-se a Regra 1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo da embalagem. Colaciona-se documentação referente à análise efetuada pelo CCA (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto em proporções fixas em uma remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). A análise foi realizada em função de consulta sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas à dos insumos adquiridos pela AMBEV, um deles, inclusive, referente a Concentrado de Pepsi-Cola. Ao final da análise, decidiu-se incluir nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b). O idioma original da documentação em questão é o inglês. Por isto, junto com a análise efetuada pelo CCA, está a sua tradução juramentada. A tradução juramentada encontra-se nos autos do presente processo administrativo fiscal. A seguir estão transcritos trechos retirados da tradução juramentada em questão: O Secretariado recebeu cartas de três administrações em busca de aconselhamento sobre a classificação no CCCN da Base de Preparação da Bebida Fanta Frutada, Concentrado de Mirinda Laranja e Concentrado de Pepsi-Cola. As cópias destas três cartas encontram-se como anexo a este documento assim denominados Anexos I a III deste documento. Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação da Regra de Interpretação 3 (b) ou os componentes individuais deveriam ser classificados em separado. (...) Em suas sessões de outubro de 1985 (na 55a. Sessão do Comitê de Nomenclatura e 55a. Sessão do Comitê do Sistema Harmonizado Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em proporções fixas em uma remessa. Os Comitês concordaram com que os componentes individuais deveriam ser classificados separadamente. Os Comitês também concordaram em incorporar o conteúdo da decisão na Nota Explicativa da Regra Interpretativa 3 (b), como um exemplo da não aplicação desta Regra (...) Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI). Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) : " (XI) A presente Regra não se aplica a produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, mesmo estando em embalagem comum, em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. " (grifo nosso) Evidente é, da decisão do CCA que deu origem ao item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos concentrados ou kits utilizados pela Ambev. Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não pode ser aplicada a bases para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII. A Nota 3 da Seção VI e a Nota da Seção VII dizem respeito à classificação dos produtos que se apresentam em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos. Todavia, estas Notas apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra 3 do Sistema Harmonizado quando os sortidos são destinados, após mistura, a constituir um produto da Seção IV. Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2 a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes. Assim, mesmo antes da inclusão do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de produtos do capítulo 21 não poderiam ser classificados como uma mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b), eliminou-se qualquer dúvida de que os componentes individuais das bases para bebidas devem ser classificados separadamente. Inicia-se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de refrigerantes em separado, de acordo com as Regras estabelecidas para Interpretação do Sistema Harmonizado”. Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as seguintes as considerações acerca dos corretos códigos de classificação fiscal a ser aplicados aos componentes dos kits (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte: “Da diligência realizada, constatou-se que em relação às mercadorias que formariam o chamado “concentrado” para refrigerante PepsiCola: Que para o refrigerante da Pepsi-Cola, o Kit denominado Pepsi-Cola é composto de Extrato de noz de cola, corante caramelo e Flavours; o Kit denominado Acidulante contém como conservantes o Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes são líquidos transportados em bombonas separadas. Que, na sala de estoque de Insumos para a área da Xaroparia Composta, constatou-se que: a) o Kit Pepsi Acidulante – Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 – líquido; b) e o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, também líquido; São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a produção do refrigerante Pepsi-Cola, os quais não podem ser transportados em conjunto, só podendo ser misturados na hora da preparação do Xarope Composto. E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico: a) que, na preparação do Xarope Composto, primeiramente, o Kit Pepsi-Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da Xaroparia Composta, e posteriormente, é agregado ao tanque o Kit Pepsi Acidulante. b) e que, a mistura denominada de Xarope Composto permanece no tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto. c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi-Cola ao serem dissolvidos rendem 1703 (mil setecentos e três) litros de Xarope Composto. d) que, após a maturação, o Xarope Composto é transportado para a área de envase, quando então inicia-se a etapa de dissolução da mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi- Cola, quando 1703 litros de Xarope Composto produzido na filial de Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi-Cola. Já com relação às mercadorias fornecidas pela Arosuco para elaboração do refrigerante Guaraná Antartica, nomeadas pelo fornecedor de “concentrado” para o Guaraná verificou-se, o Kit denominado kit A é composto de Flavours: Extrato de Guaraná, Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio. Kit A é líquido, transportado em bombonas e o Kit B é sólido, transportado em caixas. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*) Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto aos demais refrigerantes, Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita Laranja, e Água tônica, verificou-se que: Que a Arosuco fornece insumos para a fabricação de refrigerantes Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva, Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica. Que os insumos utilizados para a fabricação de refrigerantes são identificados como “kit concentrado para refrigerantes”. Que esses insumos chegam ao estabelecimento parte em bombonas (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco) E que os Kits denominados Parte B fornecidos pela Arosuco são sólidos transportados em caixas, os quais conteriam os sais: conservantes e acidulantes. Que os Kits denominados Parte A fornecidos pela Arosuco são transportados em bombonas, sendo líquidos que formariam os Flavours, extrato natural do sabor do refrigerante (Sukita Uva e outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo. E para todos os kits: Que o kit sólido, transportado em caixas, é dissolvido a quente no tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido a frio e enviado, após o kit sólido, ao tanque de xarope, quando são dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de 5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra linha, a produção da Pepsi necessita de um tempo de maturação de 12 a 24 horas. Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte exige diluição prévia para serem agregados, e também porque os kits da Arosuco em caixas, parte sólida, demandam diluição a quente (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do flavour (kit A da Arosuco e Kit Pepsi-Cola no da Pepsi Amazonia) não pode ser aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura elevada. A parte do Acidulante, Kit B, deve aguardar alcançar 25ºC para poder ser agregado, bem como nos demais refrigerantes produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco. Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz-se o refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada. Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples. Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros de Xarope Composto, que é diluído novamente no envase rendendo 22.000 litros em água carbonatada. Que o Xarope Composto também vai em bag in box em outras filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes. Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma parte (Kit A ou Kit B) não é suficiente para produzir o Xarope Composto(*); muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte em água carbonatada. (*)Para uma melhor compreensão, ressalta-se que o corpo técnico também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a partir da diluição do Xarope Composto em água carbonatada; e que essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as máquinas de refrigerantes. Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem-se que a Soda Limonada Zero, constatou-se também que: Também se verificou os insumos enviados pela Arosuco para a produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa. Que, no caso da produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia Composta: a) primeiramente, o Kit B da Soda Antarctica Diet é dissolvido a quente (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde permanece até que alcance a temperatura em torno de 25ºC, sendo então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é diluído em água, já que não é agregado ao refrigerante diet açúcar para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples; b) e, posteriormente, o Kit A da Soda Antarctica Diet é dissolvido a frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque maior junto ao preparado originado do Kit B, quando também é dissolvido em água, produzindo-se assim o Xarope Composto, o qual apresenta o mesmo fator de diluição mencionado para o refrigerante para os insumos da Pepsi-Cola. c) que o Kit A da Soda Antarctica Diet não pode ser fervido ou aquecido, por perder causar a perda das características do produto refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser fabricada; d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os acidulantes e conservantes. Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda Antarctica Diet e do Kit B da Soda Antarctica Diet em conjunto, é transportado para área do Envase, para sua dissolução em água carbonatada. E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi, sejam fornecidos por Arosuco: Por fim, relata-se que foi informado pelo corpo técnico que, a um, as partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de cada “Kit” (parte do nomeado “kit” de refrigerante pelo fornecedor em suas notas fiscais), o refrigerante, porque, se apenas uma das partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir do kit completo. O aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Prosseguindo-se na análise da classificação fiscal mais acertada para as partes dos kits de refrigerante, incia-se pelo chamado Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas fornecidos pela Arosuco bem como do Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão. Tem-se, do material colhido e informações angariadas no curso da ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; - Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; - Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; - Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; - Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida, além de outras substâncias, classifica-se no escopo da posição 21.06, a qual trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições", conforme esclarecem as Notas Explicativas dessa posição: “Classificam-se especialmente aqui: [...]As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que por certo não se trata dos produtos em comento. Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros aromatizantes/saborizantes deve ser enquadrada na subposição 2106.90, destinada a "outras" preparações. Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", que é a correta. Por fim, verifica-se que no código NCM 2106.90.10 há dois Ex-tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos: "Ex 01 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Ex 02 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (grifos nossos) Os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 tratam de “preparações compostas” constituídas por uma mistura de diversas substâncias, as quais por diluição deveriam produzir o refrigerante. Exaustivamente exposto já foi que, não se trata do caso dos “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, pois este é um conjunto de partes, mercadorias, cada uma na sua embalagem individual, as quais não estão misturadas e não estão prontas para uso, diferenciando-se da definição de preparações compostas. Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente) não podem ser chamados de "preparações compostas". E, volve-se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10 trazem como condição de enquadramento que as preparações não alcoólicas correspondam a "extratos concentrados" ou "sabores concentrados". Não são contemplados no ex- tarifário da NCM 2106.90.10 “concentrados” ou “sabores”, como faz o texto. O Ex 01 da NCM 2106.90.10 se refere a “extratos concentrados” ou “sabores concentrados”. E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada em qualquer um dos Ex-tarifários há de ser uma preparação composta concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex 02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10 vezes. Além disso, no próprio Ex ao final do texto há referência à preparação composta como concentrado. Um componente, parte, que corresponda a uma mistura de extrato (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros aromatizantes/saborizantes forma uma preparação composta. A diferença entre extrato concentrado e sabor concentrado é que neste último o extrato do vegetal de origem é totalmente substituído por aromatizantes/saborizantes artificiais. O refrigerante que não contém matéria-prima natural, elaborado a partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso dos refrigerantes engarrafados por Ambev. A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi regulamentada pelo Decreto nº 2.314, de 1994, posteriormente revogado pelo Decreto nº 6.871, de 2009. Em ambos, consta uma definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita, na dicção do Regulamento vigente: "Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. [...]. § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal." (...) “Art. 30. O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante.” Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta, deve conter o extrato vegetal de sua origem e os todos os demais aditivos necessários (matérias de base classificadas em capítulos distintos), a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes no refrigerante elaborado a partir dele. O Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Refrigerantes, Anexo à Portaria nº 544, de 16 de novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar em consonância com a composição do produto". Da diligência realizada, bem como dos DANFE que acompanham as mercadorias adquiridas pela autuada da Pepsi-Cola e da Arosuco, visível é que cada mercadoria/componente cujo ingrediente fosse o extrato e outros aromatizantes ao serem simplesmente diluídos, não apresentariam as mesmas características sensoriais e físico-químicas do refrigerante a cuja elaboração se destinam. Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em conjunto com outras partes, que, por óbvio, são indispensáveis à elaboração do refrigerante. Certo é que o aroma, o sabor e a coloração (elementos das características sensoriais), bem como as características físico-químicas não seriam iguais. Se assim não fosse, como já dito, seriam desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante. Para que se tenha um produto próprio a ser nomeado de extrato concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo das "partes" do concentrado de refrigerante, reunidos nesse único produto. Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser classificado individualmente. E, devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 (“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é zero os seguintes insumos: - Kit Pepsi-Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour, e Kits Pepsi Twist Zero que contenha flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à preparação dos refrigerantes PepsiCola; - kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica e Guaraná Antartica Diet); - kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e Kits fornecidos pela Pepsi: são os kits que contém o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante dos denominados: - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica Zero, o Kit A dos concentrados natural limão diet fe1403 z kit ; - Para o refrigerante Soda Limonada Antarctica, o Kit A dos concentrados natural limão fe1403 kit; - Para a bebida Água Tônica Antarctica, o Kit A dos concentrados natural s tônica fe1401 kit; 11 Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit; 11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão; 11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural Sukita Uva FE1456– destinados à preparação dos refrigerantes SUKITA; 11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão. Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta, deverá conter o extrato vegetal de sua origem e todos os demais aditivos necessários, a fim de apresentar, quando diluído, as mesmas características de identidade presentes na bebida elaborada a partir dele. Entende-se, portanto, com base na RGC-1, estrutura basilar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 200610 e, subsidiariamente, nos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi-Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour e Kit Pepsi Zero natural flavour e kits Pepsi Twist Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão diet), que contém extrato vegetal de guaraná, misturado com outros aromatizantes/saborizantes, e os kits A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, os quais contêm o líquido natural, suco, extrato, além de aromatizante, estabilizantes e corante (natural limão diet fe1403 z kit, natural limão fe1403 kit, natural; s tônica fe1401 kit, natural laranja rm kit, h2oh limão, e destinados à preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o líquido natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão; classificam-se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI é 0% (zero). Nos itens a seguir, trata-se da classificação fiscal dos demais kits dos chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev. Quanto ao Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, de acordo com informações prestadas durante a diligência realizada na unidade situada em Curitiba (filial Curitibana), seria uma Solução de Ácido Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação da ora autuada, teria ainda, cafeína em sua composição. Do rótulo, verifica-se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d. O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria composto de acidificantes INS 330 e 338. E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, o Kit Pepsi Twist Sais seria uma Solução de conservante INS 211 e estabilizante INS 331, enquanto que o Kit Pepsi Zero Sais seria composto de edulcorante INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385. Assim também ocorre com os demais kits dos insumos fornecidos por Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor, na forma líquida e sólida, os Kits Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural. Já os Kits B fornecidos pela Arosuco, conforme as fotos das embalagens e demais informações angariadas na referida diligência (na qual mostrou-se caixa aberta de um Kit B aparentando ser um único produto), seriam sólidos, transportados em caixas em embalagens separadas dos kits A. E, no caso dos insumos do refrigerante Guaraná Antarctica, o Kit B seria composto de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio, bem como o Kit B dos insumos do refrigerante Soda Limonada; e o Kit B do Guaraná Antarctica Zero seria composto de acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes. Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto de diversos sais, como acidulantes (Ácido Cítrico), conservantes (Benzoato de Sódio e/ou Sorbato de Potássio), sequestrante (EDTA cálcio dissódico), e, no caso dos refrigerantes sem adição de açúcar, Edulcorantes. Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes. Nesse sentido, manifestação da autuada quanto ao Termo de Constatação Fiscal da Diligência realizada em abril de 2016, trecho colacionado abaixo: “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é composto de diversos sais, ácidos e conservadores químicos, caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”. Procedendo-se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes B dos insumos das bebidas fabricadas pela Ambev, bem como do Kit Pepsi Acidulante, tem-se que as matérias-primas utilizadas nos kits fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos essenciais da posição 33.01. Em verdade, a mistura de pelo menos dois desses ingredientes (conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes) resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas. Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-1/SH, as "Preparações alimentícias diversas" classificam-se no Capítulo 21. Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações em questão, resta a posição 21.06, que trata das "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ". Verifica-se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", enquanto a subposição 2106.90 é reservada a "outras" preparações. Assim, a preparação em análise deve ser enquadrada na subposição 2106.90. Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral para qualquer tipo de indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo específico utilizado para elaboração de bebidas de que trata o item 2106.90.1, e igualmente não é do tipo utilizado para fabricação de pudins do item 2106.90.2, nem é um complemento alimentar do item 2106.90.3, mas também não é uma mistura à base de ascorbato de sódio referido no item 2106.90.3, nem se enquadra como goma de mascar do item 2106.90.5, e muito menos como caramelos do item 2106.90.6, resta-lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9. Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão que que não contenha o extrato ou suco natural, os quais são os formados por uma mistura de conservantes, acidulantes, sequestrante e/ou edulcorantes, e de outras matérias que não o extrato vegetal de guaraná nem o líquido natural refrigerantes sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem ser classificados no código residual 2106.90.90, reservado às "Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições - Outras - Outras", tributado à alíquota zero do IPI. Conclui-se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela autuada no período de apuração de janeiro a dezembro de 2012, em razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA., inclusive os kits para elaboração dos refrigerantes de sabor de Guaraná, e Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão da PEPSI COLA INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA., são indevidos porque para a classificação fiscal das mercadorias adquiridas NCM 2106.90.10 e NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero). Em síntese, tem-se que: São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), a qual declarou que a falta de destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010, em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada. Também são indevidos e hão de serem glosados, os créditos fictos calculados e escriturados em decorrência das aquisições de concentrados para refrigerantes, que não os de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. São créditos indevidos e hão de serem glosados os decorrentes das aquisições de concentrados para refrigerantes de sabor guaraná, da pessoa jurídica AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA. (CNPJ n° 03.134.910/0001-55 – matriz), porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Em relação aos insumos filmes plásticos produzidos pela VALFILM AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA., CNPJ sob o nº 03.071.894/0001-07, informou essa que, a partir de 05/2010, fez uso, na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de 2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho de 2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de Pessoas Jurídicas – CNPJ sob o nº 08.658.519/0001-73, apresentou declaração confirmando que suas vendas eram isentas por se enquadrarem no art. 81, II do RIPI de 2010, ou seja, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, portanto, são esses créditos indevidos e hão de serem glosados. E por fim, a fiscalizada creditou-se indevidamente das aquisições de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, de Kits Kit 35005*06 – Kit PepsiCola e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour, Kit Pepsi Zero natural flavour e Kit Pepsi Twist código 92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de 2012 até dezembro de 2012, aquisições da Pepsi INDUSTRIAL DA AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu-se com a isenção do art. 9º do Decreto-lei nº 288, de 1967, que não gera crédito ficto, bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006) para os produtos fornecidos por essa pessoa jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto, ser o subitem 2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso. Considerando o acima exposto, conclui-se que esses créditos foram indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de IPI, devendo serem glosados”. Os valores glosados dos créditos incentivados indevidos estão consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888. Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente, tendo este que verificar se os insumos recebidos cumprem todas as prescrições legais e regulamentares previamente ao cálculo e à escrituração fiscal do crédito incentivado (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 62). Aliás, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou seja, a responsabilidade por infrações não tem como antecedente lógico o dolo ou a culpa. Os componentes dos “kits” foram recebidos pela adquirente como se fossem um produto único, sem discriminação e quantificação individualizadas. Adicionalmente, no relatório fiscal: “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e aproveitamento de créditos fictos indevidos por parte da fiscalizada, resultantes da aplicação de alíquota incorreta do IPI, além do aproveitamento de entradas Na hipótese da autuada se considerar prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial nº 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). Ressalta-se que o entendimento esposado quanto ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS, decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, não pode no presente caso ser aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos. A decisão prolatada no REsp nº 1.148.444 do Superior Tribunal de Justiça (DJ de 27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator), que entendeu que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter os créditos só foi adotado porque ficou demonstrado que ocorreu o pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria, e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas". A autuação trata de caso diverso, uma vez que a fiscalizada calculou um crédito ficto, assim não houve pagamento de imposto nas aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI. E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB nº 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação. Tratando-se de procedimento que implicaria aproveitamento de milhões de reais a cada mês, a autuada se desejasse agir com diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria os créditos fictos caso tivesse base muito sólida. Constatando que os fornecedores não tomaram a iniciativa de esclarecer o assunto, à fiscalizada caberia solicitar que eles formalizassem consulta. O estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta. Os fornecedores sempre estiveram cientes da importância da classificação fiscal de seus produtos, em função dos enormes valores de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não terem formalizado consulta sobre classificação fiscal de mercadorias junto à Receita Federal seria motivo suficiente para a fiscalizada entender que eles não confiam na correção da classificação que adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso. A fiscalizada não demonstrou o menor interesse em se certificar da correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não existir base legal para aproveitamento de créditos que não correspondam ao exato produto entre o valor tributável do IPI e a alíquota correta do imposto. E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido ela, e não o fornecedor, que efetuou o cálculo do imposto mediante aplicação de alíquota incidente incorreta. Isso posto, entende-se que restou caracterizada responsabilidade da autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da infração”. Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as planilhas às fls. 779 e 888. CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E CONSUMO Foram aproveitados, outrossim, créditos distintos de créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e consumo em 2012, mais especificamente: itens de manutenção e material intermediário de produção, conforme detalhamento inequívoco na planilha que integra o termo de descrição dos fatos às fls. 896 e 897. Na acepção do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, incluem-se entre as matérias primas e os produtos intermediários aqueles que, embora não integrem o produto final, sofram alterações (desgaste, dano ou perda de propriedades físicas e químicas) na ação exercida diretamente sobre o produto em industrialização. Nem todos os insumos adquiridos e utilizados na produção caracterizam-se como matérias primas ou produtos intermediários. Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974. De acordo com o relatório fiscal: “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I do art. 226 do RIPI de 2010, geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários "stricto-sensu" e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. E não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente aos insumos peças e partes de máquinas, produtos para higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos. Não devem ser aceitos, portanto, os valores referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, peças de reposição e uniformes dos empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não se incluem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização, únicos insumos admitidos por lei”. O direito ao crédito de IPI pressupõe a existência de duas condições aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não pode ser parte ou peça de máquinas e equipamentos, nem pode corresponder a produtos empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes. Créditos indevidos no montante de R$ 24.657,33 discriminados nos demonstrativos às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO Houve, ademais, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de produtos acabados (bebidas refrigerantes) provenientes de diversos estabelecimentos da AMBEV. As industrializações não foram efetuadas por encomenda e a impugnante deu saída às bebidas recebidas mediante a emissão de notas fiscais de venda para terceiros, com destaque do imposto, e de notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com suspensão do imposto. O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), sendo a opção válida para todos os estabelecimentos. Durante o ano de 2012, o sujeito passivo estava sujeito ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI), previsto nos arts. 58-A a 58-U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010, arts. 204 a 206), de acordo com o disposto originalmente na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do imposto destacado nas notas fiscais de transferência de bebidas em virtude de que: a) se trata de produtos acabados destinados a comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; b) o imposto incide sobre os produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vale dizer, o imposto não é mais devido em operação posterior (art. 58-N, I); c) não houve operação de industrialização por encomenda, que representa uma exceção ao regime de incidência única (na industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na saída do estabelecimento encomendante) (art. 58-N, § único). Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898. CRÉDITOS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES ADQUIRIDOS DE OUTRO ESTABELECIMENTO DA MESMA EMPRESA COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Ocorreu também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de créditos de IPI na entrada de “kits” para refrigerantes acobertados por notas fiscais emitidas por diversos estabelecimentos da AMBEV, conforme a transcrição que segue: “Acontece que, tais kits foram classificados incorretamente nas notas fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1 da NCM 2106.90.10) ". De tudo até aqui exposto, considera-se que foi devidamente provado que o enquadramento no Ex-tarifário 01 é indevido, sendo que os kits de refrigerante a seguir listados são classificados de acordo com as regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota de 0% (zero): - CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT - KIT PTWZERO - KIT PEPSI COLA TWIST - CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT - CONC NAT S TONICA FE 1401 KIT - CONC NAT S LARANJA BR KIT - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI - CONC NAT LIMAO FE1403 BOMBONA - CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA Intimou-se a fiscalizada então demonstrar o pagamento realizado pela aquisição desses insumos, em resposta, a autuada asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via encontro de contas. Também apresentou documentos e notas fiscais relacionadas a resposta apresentada. Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do imposto na entrada dos produtos, e, considerando que tais créditos básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu direito de regresso, para reaver os montantes perdidos, há que serem glosados tais créditos. O Superior Tribunal de Justiça tem decisões neste sentido, como é o caso do Recurso Especial n° 58.845 (DJ de 28/08/2000, Ministra Eliana Calmon Relatora), que tratou de caso onde o contribuinte de direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir: 1. Pelo mecanismo dos impostos indiretos, a relação jurídica que se estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco. (...) 3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito (o comprador). E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias, os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do Brasil, procedimento atualmente regulado por meio da IN RFB n° 1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente. No caso dos kits para refrigerantes, não se formalizou qualquer consulta sobre sua classificação”. Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da entrada de insumos (kits de refrigerantes) por ser a alíquota prevista para tais mercadorias de 0% (zero), nos termos do art. 25, da Lei n° 4.502, de 1964, e art. 226, do RIPI/2010, no montante de R$ 1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791. Glosa dos Créditos e Reconstituição da Escrita Fiscal O crédito passível de glosa é no importe de R$ 26.531.843,73, sendo que, em virtude da existência de saldos credores no período fiscalizado, foi empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo às fls. 923/925. A escrita fiscal passível de reconstituição não é aquela definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC), tendo em conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de compensação (PER/DCOMP) dos trimestres de 2012 encontravam-se, à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise. E, adicionalmente, há a seguinte transcrição: “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita fiscal, que por ter sido objeto de PerdComp analisada e indeferida, havendo inclusive lançamento anterior do saldo devedor (processo administrativo fiscal de nº 10880.727044/2015-61), houve alteração da escrita fiscal da fiscalizada do saldo credor do período anterior (quarto trimestre de 2011) aos períodos de apuração de janeiro de 2012 a dezembro de 2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito (débito) escriturado em janeiro de 2012, em razão do pedido de ressarcimento do quarto trimestre de 2011, foi considerado igual a zero. A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das glosas e demais lançamentos da autuação. Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de Ressarcimento do trimestre anterior (abril, julho e outubro de 2012), em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos formulados, na forma de débitos de IPI. Deste modo, tendo a fiscalização concluído pela glosa de diversos créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos os períodos em que o sujeito passivo formulou tais pedidos de ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização, ao realizar a reconstituição da escrita fiscal, incluiu, no período de apuração nos quais se constatou estorno de crédito efetuado pela fiscalizada, crédito no mesmo valor do estorno, para impedir que a glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado, resultasse em cobrança de valores em duplicidade. A escrita fiscal para o período janeiro de 2012 a dezembro de 2012 passa a ser a descrita no Auto de Infração, e, no fim do período de apuração de 2012, não houve saldo credor disponível ao final do período e sim, tributo a pagar”. Considerações Finais Foram articuladas as seguintes considerações pela autoridade fiscal acerca da classificação fiscal dos insumos fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO: “A análise das características dos insumos fornecidos por Pepsi e Arosuco, evidenciou que o produto que as empresas chamam de "concentrado" é na realidade um conjunto de matérias-primas e produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática comercial das empresas. E, a classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador. É irrelevante, para fins de classificação fiscal, que Pepsi e Arosuco sempre remetam os produtos para fabricantes de bebidas, pois a legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado caso a caso, conforme a utilização que será dada pelos destinatários da mercadoria. Manifesto é que as características de um produto industrializado são influenciadas pela utilização para a qual o produto foi concebido. Entretanto, mesmo nas situações em que o destino e a forma de utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se deva analisar a motivação de destinatários específicos ou outros aspectos da realidade econômica em que se insere o fabricante. Analisa-se, sim, a embalagem do produto, o seu formato, e outras características que independem dos fatores mencionados. Por exemplo, uma das características que podem definir o código de classificação da mercadoria é sua apresentação. O art. 6º do RIPI, de 2010, trata das definições de embalagens de transporte e de apresentação, aplicadas quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto. A NESH prevê vários casos em que o código de classificação a ser adotado é determinado pela embalagem de apresentação onde está acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz-se trecho da NESH, transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28: Alguns produtos inorgânicos não misturados, embora normalmente incluídos no Capítulo 28, podem excluir-se deste Capítulo quando se apresentem sob formas ou acondicionamentos especiais ou ainda quando tenham sido submetidos a tratamentos que não modifiquem a sua constituição química. É o que sucede nos seguintes casos: a) Produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição 30.04). (...) Prosseguindo-se no exemplo, de acordo com a NESH, todos os produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos que se apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho são excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04. Deve-se observar que tal regra é válida para qualquer operação, inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes que nunca utilizem os produtos para fins terapêuticos ou profiláticos Ainda com relação ao mencionado exemplo, se o estabelecimento industrial, por outro lado, vender produtos próprios para usos terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo 28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade com adquirente que utilize a mercadoria somente para usos terapêuticos ou profiláticos. Voltando-se aos kits ou concentrados para preparação de refrigerantes, como já devidamente exposto, os kits não podem ser classificados em código próprio para preparação composta, pois algo que não está misturado, pronto para uso pelo adquirente, não se caracteriza como preparação. Mesmo que se alegue que em trabalhos anteriores realizados pelo Fisco em estabelecimentos da Ambev jamais houve qualquer tipo de discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece prosperar. A fiscalizada decidiu por sua conta e risco calcular os créditos incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou 20% (vinte por cento) nas aquisições dos kits, apesar da inexistência de consultas para a Receita Federal do Brasil sobre a correta classificação dos insumos adquiridos. Certo é que não houve, por parte do Fisco, emissão de qualquer ato administrativo dando amparo à classificação fiscal adotada pela fiscalizada. E, não está correto asseverar que o tratamento fiscal conferido por Ambev aos kits tenha sido homologado no âmbito dos lançamentos prévios. Em procedimentos fiscais anteriores relativos aos créditos oriundos das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco tratou do direito de Ambev aproveitar créditos do IPI correspondentes ao valor do tributo incidente sobre “concentrados” procedentes da Zona Franca de Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69, inciso II, do RIPI, de 2002. Não tendo analisado a correção da classificação utilizada para os insumos isentos, o Fisco empregou em seus relatórios o código e alíquota adotados pela empresa, sem que isto significasse concordância ou não com sua correção. A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos há muito tempo vem sendo efetuada pela Justiça, inclusive em ações judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações, os “concentrados” são tratados como uma mercadoria única cuja alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento se os insumos são ou não uma mercadoria única, nem a correta classificação fiscal de acordo com a NCM. Aguarda-se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo de insumos isentos fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância da Justiça com os critérios e formas de cálculo utilizados pelos contribuintes. Há que se ter em mente que a citação, pelo Fisco, dos códigos de classificação adotados, pelo contribuinte, não se caracteriza como homologação de critério jurídico. Entender que a cada encerramento, ainda que parcial, de procedimento de fiscalização, há homologação das classificações fiscais adotadas pelo contribuinte, significaria que o simples encerramento de uma ação fiscal relativa ao IPI, mesmo que não se tenha avaliado a correção de códigos de classificação fiscal, produziria efeito similar ao de Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal. E, quanto a quaisquer afirmações de que a reclassificação fiscal das mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada por laudo técnico, é cediço que cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da existência de laudo técnico. Ademais, a questão que se discute quanto à classificação fiscal é se podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits acondicionados individualmente e assim transportados até o adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa. Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz que não se considera como aspecto técnico, a classificação fiscal de produtos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...) Retornando-se a classificação fiscal das mercadorias que teriam gerado o creditamento incentivado nesta autuação considerado indevido, concluiu-se que para ser classificada nos ex-tarifários do código 2106.90.10. da NCM é indispensável que os ingredientes que formam determinada preparação composta estejam misturados. Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev, eles não estão misturados, e, portanto, não se constituem na preparação composta a que se refere a Nota Explicativa da posição 2106. Averiguou-se, no curso deste procedimento fiscal, é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta. E repita-se, não existe preparação, seja ela simples ou composta, em que os ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais!!! O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada componente (Parte) se enquadra em um código de classificação próprio, podendo incluir inclusive bens que não se classificam na posição 21.06. Tanto é que, de acordo com a decisão do CCA objeto de tradução juramentada, a matéria pura benzoato de sódio, ainda que fazendo sendo um dos componentes (Parte) de um kit para fabricação de bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31. Os trechos transcritos da NESH da posição 21.06 não especificam o entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na posição 29.16, referindo-se sim, a um produto industrializado em que, em alguns casos, tem o benzoato de sódio como um de seus ingredientes. E, constatou-se que, sendo os kits formados por vários componentes acondicionados em embalagens individuais, tratam-se de mercadorias que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação de industrialização intermediária. Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos componentes dos kits (Parte A e Parte B, Kit Pepsi e Kit Pepsi Acidulante), o qual ocorre no estabelecimento da Ambev após o fato gerador, aí então é que se forma uma preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, a qual ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás carbônico. Caso não fosse necessária a adição de água, a preparação composta não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02. E a Nota Explicativa da posição 2106, quando fala em tratamento complementar, não está se referindo à operação de industrialização realizada com as matérias-primas após seu recebimento pelo engarrafador. Refere-se, sim, à adição de água e outras operações complementares efetuadas sobre o concentrado – preparação composta, produto da industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da mistura de diversos ingredientes. Sobre a definição correta de concentrado, menciona-se o § 4º do art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, o qual define expressamente as características do concentrado: § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que são os concentrados cuja diluição é feita pelo consumidor final, pois em seus §§ 6º e 7º dão orientações que são de interesse apenas de estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev: Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. § 1o A bebida que apresentar característica sensorial própria da matéria-prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe, conterá, obrigatoriamente, esta matéria-prima, ressalvados os casos previstos no caput. § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a matéria-prima de origem vegetal serão classificados e considerados artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial. [...]§ 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal.” [...]§ 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão gasosa será expressa em atmosfera, à temperatura de vinte graus Celsius. § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão oficial de potabilidade. E vale, por fim, aqui repisar que o fato da aquisição das Partes dos denominados concentrados ocorrer em conjunto por questões industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada para cada Parte (componente)”. Ciência e Impugnação A empresa tomou ciência da exação em 01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado (fl. 933). Em 31/08/2016, insubmissa, a contribuinte apresentou, por meio de Termo de Solicitação de Juntada (fl. 935), a impugnação às fls. 936/980, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica qualificados na documentação de representação às fls 981/992 e instruída com a documentação às fls. 1.021/1.615 e 1.622/1.635, em que aduz, em síntese, o seguinte: Preliminarmente – Nulidade do auto de infração: 1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi lavrado em relação a empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV, CNPJ 02.808.708 foi incorporada em janeiro de 2014 pelo sujeito passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001-00, que é o estabelecimento matriz, localizado em São Paulo, SP; o estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da empresa, com CNPJ 02.808.708/0081-83, situada em Almirante Tamandaré, PR, e, depois da incorporação, passou a ter o CNPJ 07.526.557/0034- 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior; por força do CTN, art. 51, § único, c/c 132, e do RIPI/2010, art. 24, que tratam da autonomia dos estabelecimentos no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias e da responsabilidade tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido lavrado contra o estabelecimento sucessor, conforme julgados do CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita Federal, pela qual seriam da filial resultante da incorporação os direitos e obrigações relativos ao estabelecimento adquirido; a autuação deve ser anulada por erro na identificação do sujeito passivo; 2) Alteração dos Critérios Jurídicos: houve violação do art. 146 do CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios jurídicos adotados pela Administração Tributária; no caso concreto, houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos de vedação ao aproveitamento de créditos referentes a aquisições de produtos da PEPSI-COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de classificação fiscal dosinsumos; b) matérias primas regionais submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração lavrados anteriormente sobre operações semelhantes, a causa das glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, e nunca a classificação fiscal dos “kits”; assim como, anteriormente eram aceitas matérias primas com processamento industrial prévio; tudo conforme amostra de autuações anteriores (processos nº 10880.727044/2015-61 e nº 10480.721667/2015-32), a classificação fiscal adotada para os “kits” (2106.90.10 Ex 01) e a apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com insumos industrializados foram homologadas expressamente em atos oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o sistema tributário e a retroação de normas mais gravosas é expressamente vedada pela Constituição Federal (art. 150, III), em harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e jurisprudência; a lavratura do auto de infração questionada somente poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter geral (ato normativo) ou individual (notificação fiscal) com a comunicação da mudança de procedimento das autoridades fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores do tratamento fiscal dado pelo sujeito passivo às questões caracterizaria prática reiteradamente adotada pela Administração Tributária e, portanto, norma complementar à legislação tributária (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da multa, dos juros e da correção monetária exigidos; 3) Iliquidez e Incerteza do Lançamento: o lançamento é ilíquido e incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) em virtude da pendência de análise dos pedidos de ressarcimento apresentados pela contribuinte no tocante aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de ressarcimento/compensação deveriam ter sido considerados como plenamente eficazes por força do CTN, art. 150, § 1º, pelo qual o pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação; o saldo credor existente em dezembro de 2011 não deveria ter sido desprezado, pois o indeferimento do pedido do processo administrativo nº 10880.727044/2015-61 depende de decisão definitiva; portanto; o saldo credor de dezembro de 2011 e todos os créditos objeto de PER/DCOMP dos trimestres de 2012 foram desconsiderados indevidamente, o que implica a exclusão de créditos passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09); a glosa do saldo credor de 2011 não foi definitiva, sendo que a contestação teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário (CTN, art. 151, III), embora, segundo a doutrina, não haja suspensão mas sim um simples impedimento procedimental (o crédito não se encontraria definitivamente constituído); tendo sido ofertada a impugnação em janeiro de 2016 (doc. 09) em relação ao processo administrativo nº 10880.727044/2015-61, o julgamento do presente feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele processo, conforme manifestações do CARF nessa linha; No mérito – Direito aos créditos glosados: 1) Falta de preenchimento dos requisitos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos fornecedores AROSUCO, PEPSI-COLA, RAVIBRÁS e VALFILM, e ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos em face da alíquota zero dos insumos adquiridos da AROSUCO e da PEPSI-COLA: 1.1) A correta interpretação do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in natura (matéria prima bruta), a utilização de matéria prima processada: a noção de matéria prima empregada pela lei é ampla e genérica, sendo que qualquer produto pode funcionar como matéria prima de outro produto; o mencionado art. 6º não faz alusão a “matéria prima bruta” ou “provinda da natureza”, sendo a única interpretação possível é a de que o benefício é aplicável a qualquer mercadoria que contenha matérias primas de base vegetal, independentemente de haver ou não processamento; do benefício são apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é de natureza objetiva; conforme a Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/98 (doc. 05), que trata do processo produtivo básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização, por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção”, ou seja, há o reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas a processamento anterior por outras empresas da ZFM; na mesma Portaria Interministerial, acerca da fabricação do corante caramelo, inexiste a exigência de que o açúcar seja originário da Amazônia Ocidental; 1.2) O entendimento oficial da SUFRAMA, órgão que detém a competência exclusiva para aprovar e fiscalizar os projetos de empresas que pretendam usufruir dos benefícios fiscais do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (além de estabelecer normas, exigências, limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a consulta formulada pela PEPSI-COLA (doc. 06), é o seguinte: “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido a partir de matéria-prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que não seja típico da região amazônica (por ex. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no art. 6º do Decreto-lei n. 1.435/75 (...)”O contribuinte de boa-fé, adquirente dos produtos, não pode ser penalizado pelo “entendimento oficial” dos órgãos que disciplinam e jurisdicionam o incentivo (no caso, MPO/MICT/MCT e SUFRAMA) e a atuação das autoridades fazendárias deve ser coerente com a posição oficial do órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes ao benefício fiscal, o que é ratificado por decisão do CARF; a anulação de ato administrativo por “vício de ilegalidade” deve ser efetuada de forma expressa e com observância do devido processo legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do STJ: “quando se confere a certo e determinado órgão administrativo alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais órgãos administrativos do desempenho legítimo dessa mesma atribuição; essa é uma das pilastras do sistema organizativo e funcional estatal e abalá-la seria o mesmo que abrir a porta da Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de infração é improcedente, pois a glosa de créditos relativos aos produtos da AROSUCO e da PEPSI-COLA contraria o disposto no art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75; 2) Os créditos sobre a aquisição de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus têm apropriação assegurada; a empresa fornecedora é titular de incentivo fiscal com tratamento diferenciado assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a repercussão geral será apreciada nos autos do RE nº 592.891/SP; a manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico para as aquisições oriundas da ZFM; 3) Ilegitimidade (nulidade por carência de motivação fática e, no mérito, improcedência) da glosa de créditos em virtude de erro de classificação fiscal dos “kits” adquiridos da PEPSI-COLA e da AROSUCO: 3.1) O trabalho fiscal é nulo porque, à luz da “teoria dos motivos determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo cruciais a indicação dos motivos de fato e de direito e a perfeita correlação (subsunção) do fato à norma para a validade do ato administrativo; sendo auto de infração, os requisitos do art. 142 do CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido); não há elementos técnicos para embasar a reclassificação fiscal, esta empreendida “com base em alegações calcadas em conhecimentos empíricos, sem amparo em laudo técnico que justificasse a nova classificação fiscal imputada de ofício”; a classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, colhendo informações dos fornecedores e submetendo-as a órgão técnico especializado, inclusive com a colheita de amostras e solicitação de perícia, não só meras fotografias de embalagens dos “kits”; há precedentes do CARF de nulidade absoluta para situações de reclassificação fiscal sem prova técnica; a motivação fática da glosa também é insuficiente, além de deficiente, porque a NCM 2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria necessário também comprovar que nenhum dos componentes dos “kits” corresponde ao conceito de “sabores” para a fabricação de bebidas; 3.2) Para a fiscalização, mesmo que os insumos destinados à fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI-COLA e pela AROSUCO estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto-lei nº 1.435/75, não haveria créditos do imposto a apropriar “como se devido fosse” em virtude de erro de classificação fiscal: os insumos deveriam ser enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código NCM 2106.90.10 Ex 01, já que os “kits” não poderiam ser tratados como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para fabricação de refrigerantes” por não estarem prontas para uso pelo adquirente (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo fornecedor); a acusação fiscal tem esteio na presunção de que a PEPSI-COLA e a AROSUCO teriam aplicado as RGI/SH 2.a) e 3.b) com o objetivo de tratar os “kits” como mercadorias únicas classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente improcedente porque a fiscalização olvidou da RGI/SH nº 1, regra preponderante sobre as demais; prossegue a impugnante conforme a transcrição que segue: “Com efeito, assim dispõe o NCM 2106.90.10, "ex. 01", cerne da acusação fazendária: "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições. 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas. Ex 01 (IPI) Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" A mera leitura das normas transcritas revela que o código 2106.90.10 designa apenas as preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais específico, restringe-se às "preparações compostas" (mais de uma substância) não alcoólicas, utilizadas "para a elaboração" de refrigerantes/refrescos (posição 22.02), com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico, sendo a sua pedra de toque o fato de uma determinada preparação composta, sem teor alcoólico e com determinada capacidade de diluição, ser remetida para a fabricação de refrescos/refrigerantes. É esta a especificidade do "ex" em relação à descrição contida no "caput" da subposição. De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a NCM n. 2106.90.10, inclusive o respectivo "ex. 01", são claras no sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem de processo industrial complementar ou da adição de outros ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo: “(...) a presente posição compreende: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). • Classificam-se especialmente aqui: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: - xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferir-lhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o n° 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); - um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; - suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinam-se a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. ...................................” Como se vê, diferentemente do que sustenta a Fiscalização, enquadram-se no conceito de "preparações compostas", a que se refere o ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, todas as substâncias formadas por um conjunto de ingredientes que lhes confira um propriedade aromática passível de determinar, isoladamente ou mediante combinação com outras substâncias, o sabor característico de determinada bebida. Acentue-se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou no curso deste procedimento fiscal é que cada componente do kit (Parte), isoladamente considerado, configura preparação composta, não existindo qualquer fundamento no entendimento de que um conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma preparação composta.” (p. 71). Ora, diante da expressa admissão de que todos os ingredientes dos kits são preparações compostas e da circunstância de que todos eles são utilizados como insumos para a fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM. O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a tais mercadorias. Essa observação é importante, pois a regra contém três possibilidades de classificação (letras “a”, “b” e “c”) e, como nenhuma delas se aplica ao caso, fica confirmado que a solução do caso não pode se basear na referida RGI 3. Por isso, são igualmente irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação Aduaneira citadas pela Fiscalização. Até porque, tais manifestações não estão listadas quer na IN RFB 1.459/2014, quer na IN RFB 873/2013. Para aferir a correta classificação dos produtos adquiridos pela Impugnante deve, pois, ser observada a RGI/SH 1, mesmo porque o texto do ex 01 da suposição 2106.90.10 e as respectivas notas explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”. Afinal, como explicam as notas da posição 2106, as preparações compostas para a fabricação de bebidas podem conter apenas “parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida” para utilização “depois de tratamento complementar”, inclusive com a eventual “adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”. A segregação de tais preparações se justifica para “evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas. Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM, aquelas que já estivessem de tal maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante mera diluição em água. Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado (como as da posição 20.09 da NCM) com os diversos tipos de concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM). Prova disso é a utilização, como argumento de acusação, da Lei 8.918/94 e seu regulamento, os quais tratam da "padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931, transcritos no TDF, tratam justamente do produto concentrado, isto é, da bebida pronta concentrada (e não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis suas previsões ao "xarope" e ao "preparado sólido para refresco", o que realça o equívoco do Fisco. Assim, na medida em que a Fiscalização reconhece todos os “kits” contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor “Pepsi”, sabor “guaraná”, “sabor Sukita” etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, é evidente que todos eles caracterizam, no seu conjunto ou individualmente, preparações compostas para a fabricação de bebidas abrangidas pelo ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. Em outras palavras, os “kits” autuados consistem em ingredientes destinados à fabricação de bebidas, compostos por substâncias diversas, as quais, consideradas no conjunto ou individualmente, classificam-se como preparações compostas, com a função de conferir à bebida a ser produzida o seu sabor próprio e as suas demais características sensoriais, dando identidade ao produto vendido aos consumidores. Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal de guaraná, nem líquido natural dos refrigerantes sabor limão ou laranja, ou Sukita ou extrato de noz de cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes, como edulcorantes e/ou sequestrantes", sendo que "a mistura de pelo menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em diversos alimentos, mas não especificamente para aplicação em bebidas." (destacamos) Ocorre que tais ingredientes, ainda que não tenham sabores específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit contém a quantidade exata para mistura com os extratos e outros aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que justifica a sua classificação no ex 01 da subposição 2106.90.10 da NCM. De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as partes dos kits com acidulantes, conservantes e outros itens que não contêm extratos ou aromatizantes específicos, devessem ser classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto. De fato, os documentos fiscais juntados aos autos demonstram que todos os "kits" contemplam os sabores específicos das bebidas respectivas (sabor "Pepsi", sabor "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem como as substâncias adicionais que os modificam, sendo comercializados por preços compreensivos do todo (cujo dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto com as substâncias adicionais dá-se por questões industriais e logísticas, sendo certo que estas últimas, isoladamente consideradas, não possuem valor econômico para os fins da operação praticada. Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e envase acondicionadas separadamente por questões de eficiência logística (menor volume transportado), como, aliás, é expressamente admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas. Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que não constituem extratos ou outros aromatizantes, nem assim haveria crédito tributário a constituir, pois eles não têm valor econômico, no contexto da operação. Em face do exposto, conclui-se que não houve erro de classificação fiscal nas notas de aquisição dos “kits” de concentrados e sabores destinados à fabricação de bebidas, pois: (1) o “kit” contempla uma unidade de ingredientes para a fabricação de bebidas que, pela diversidade de substâncias envolvidas, configura preparação composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também configura preparação composta que confere sabor e outros traços sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens devesse ser classificada em outra subposição da NCM, não haveria valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”. 4) É improcedente a glosa de créditos relativos a mercadorias adquiridas para emprego no processo industrial: matérias primas e materiais intermediários tais como peças e partes de máquinas, produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na manutenção das máquinas, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica, equipamentos de segurança, filtros e retentores, material de limpeza e higienização, material elétrico e hidráulico, uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários e foram consumidos na atividade produtiva, não sendo destinados ao ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II) e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização, porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas deve haver a aplicação dos bens, de alguma maneira, na produção; alguns itens são imprescindíveis ao processo produtivo, consoante laudo técnico anexado (doc. 07); em alguns julgados, há posição do CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares; 5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo, provenientes de empresas do mesmo grupo econômico e sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias, conforme documentação anexada; quando muito, a fiscalização poderia ter exigido acréscimos moratórios de forma isolada por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem), conforme ato normativo referente a IRPJ e CSLL e precedentes do CARF; ademais, foram computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403, 1410, 2401, 2410, 2411 e 2949, e que devem ser excluídas do lançamento; 6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação fiscal adotada está correta, conforme já discorrido em tópico precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de notas fiscais é feito mediante encontro de contas, o que é normal nas relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas da cobrança do imposto na operação anterior (RIPI/2010, art. 226), sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida e o direito ao crédito, sob pena de ocorrência de bi-tributação e de violação do princípio da nãocumulatividade; além do mais, é despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor de compra para assegurar a manutenção dos créditos, já que a comprovação da assunção do ônus financeiro do imposto somente é necessária na hipótese de repetição de imposto pago indevidamente pelo fornecedor (CTN, art. 166); 7) A impugnante é adquirente de boa-fé e os créditos aproveitados devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos produtos, as respectivas alíquotas e os valores do imposto são de responsabilidade do emissor da nota fiscal (RIPI/2010, arts. 407 e 413), conforme situação análoga na órbita do ICMS com pronunciamento do STJ. Por fim, requer que seja reconhecida a improcedência das acusações fiscais, com o cancelamento definitivo do auto de infração; por outro lado, com o fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela realização de diligência e/ou perícia técnica no que concerne às operações com produtos sujeitos ao regime monofásico, conforme os quesitos enunciados em anexo. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14-62.485 - 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. GLOSA DE CRÉDITOS. CRÉDITOS INCENTIVADOS. PRODUTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA. São passíveis de aproveitamento na escrita fiscal apenas os créditos incentivados relativos a produtos com classificação fiscal correspondente a alíquota diferente de zero, sendo os produtos oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos. GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a aquisições de produtos onerados pelo imposto. GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE ARTEFATOS DESCARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS OU MATERIAL DE EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo industrial, segundo o estrito entendimento albergado na legislação tributária do que pode ser considerado como insumos. GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO. Devem ser glosados os créditos concernentes a concentrados para refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota, sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado nas notas fiscais de aquisição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ÁREA DE COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, ainda que haja imunidade condicionada ou isenção, podem ser objeto de fiscalização tributária, sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a autoridade competente para a condução das atividades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade industrial e mantenha a documentação e livros fiscais, inexiste nulidade por erro de identificação do sujeito passivo se o auto de infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese de ocorrência de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela empresa sucedida (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório. NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE SALDOS CREDORES. Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa do crédito tributário constituído, com o cômputo de todos os saldos credores legítimos existentes na escrita fiscal, inexiste nulidade por falta de liquidez e de certeza da peça acusatória. NULIDADE. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOBSERVÂNCIA DE PRÁTICAS REITERADAS PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. A alteração de estratégia de fiscalização, com o aprofundamento das investigações acerca da legitimidade de créditos incentivados relativamente a procedimento fiscal anterior, não corresponde a modificação de critérios jurídicos (aplicação retrospectiva de ato normativo com disposições mais onerosas ao sujeito passivo) ou inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e, destarte, inexiste nulidade. NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A classificação fiscal de mercadorias consiste em atividade de índole estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação fiscal de mercadorias. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos como a indicação do perito e a formulação dos quesitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 1873 e seguintes, no qual a Recorrente apresenta as seguintes razões: 1. Nulidade do Auto de Infração 1.1. Ilegitimidade passiva. Erro na determinação do sujeito passivo. Precedentes. 1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento. 1.3. Alteração dos critérios jurídicos adotados pelas autoridades fiscais em relação aos “kits” para a produção de refrigerantes fornecidos pela PEPSI/AROSUCO e aos materiais de embalagem fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN. 2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa dos créditos relativos aos insumos e materiais de embalagem para fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus. 2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58-N da Lei n. 10.833/03. O imposto foi recolhido na saída das mercadorias. Haveria, no máximo, postergação no seu pagamento. 2.3. Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens de uso ou consumo pela Recorrente (matérias primas, materiais de embalagem e materiais intermediários de produção). 2.4. Ilegitimidade da glosa de créditos relativos a mercadorias (preparações compostas para a fabricação de bebidas e materiais de embalagem) tributadas que não seriam enquadradas na subposição 2106.90.10, “ex. 01”, da TIPI/NCM (e sim em outras posições, com alíquota zero do imposto). É o relatório. Voto

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3301­001.005  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de novembro de 2018  Assunto  Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Recorrente  AMBEV S.A.            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  que  o  processo  seja  dado  ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional de laudo técnico apresentado pelo contribuinte.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira Presidente       (assinado digitalmente)   Liziane Angelotti Meira     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'  Oliveira,  Ari  Vendramini,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior,  Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos  Roberto da Silva (Suplente Convocado).    Relatório  Por bem descrever os  fatos,  adoto o  relatório  elaborado pela decisão  recorrida  (fls. 1686/1785), abaixo transcrito:  Com  fulcro  no  Regulamento  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de  junho  de  2010;  consoante  capitulação  legal  consignada  às  fls.  914  e     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 28 19 8/ 20 16 -5 1 Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.966            2 915,  foi  lavrado  o  auto  de  infração  à  fl.  912,  em  27/07/2016,  para  exigir  R$  10.219.731,18  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI), R$ 4.201.000,38 de juros de mora calculados até 31/07/2016, e  R$  7.664.798,31  de  multa  proporcional  ao  valor  do  imposto,  o  que  representa o crédito tributário total consolidado de R$ 22.085.529,87.  A  AMBEV  S/A,  CNPJ  07.526.557/0001­00,  sujeito  passivo  da  autuação,  sucedeu  por  incorporação,  em  janeiro  de  2014,  o  estabelecimento  com  CNPJ  02.808.708/0081­  83,  COMPANHIA  DE  BEBIDAS DAS AMÉRICAS – AMBEV, no qual a ação fiscal havia sido  iniciada, conforme os arts. 129 e 132 do CTN.  Fatos e Infrações Consoante a descrição dos fatos do auto de infração,  às  fls.  913/915,  e  o  teor  do  relatório  fiscal  (termo  de  descrição  dos  fatos), às fls. 797/911, não houve o recolhimento do imposto, de janeiro  a dezembro de 2012, em razão do aproveitamento dos seguintes  tipos  de créditos indevidos:  CRÉDITOS  DE  INSUMOS  PARA  BEBIDAS  Créditos  fictícios  do  imposto  apropriado  como  se  devido  fosse  na  aquisição  de  insumos  (concentrados,  filmes  “stretch”  e  artefatos  como  rolhas  e  tampas  plásticas)  de  estabelecimentos  situados  na  Amazônia  Ocidental,  escriturados  da  seguinte  maneira:  “Outros  Créditos  ­  Aquisição  Mercadorias  Oriunda  da  Amazônia  Ocidental  –  IPI  rec.  s/aquisição  Amazônia”  ou  “Aquisição  Mercadorias  Oriunda  da  Amazônia  Ocidental – art. 175 Dec. 4.544 26/12/2002” A isenção do imposto em  tela para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e na  Amazônia  Ocidental  e  comercializados  em  outras  partes  do  país  é  prevista, respectivamente, nos arts. 81, II, e 95, III, do RIPI/2010.  O dispositivo específico  sobre a Zona Franca de Manaus  (art. 81,  II)  não  assegura  o  aproveitamento  dos  créditos  pelas  aquisições  por  estabelecimentos localizados em outras regiões do país.  Por  outro  lado,  para  a  isenção do  art.  95,  III,  há  a  possibilidade  de  aproveitamento  dos  créditos  (crédito  incentivado,  art.  237)  pelos  adquirentes  em  outras  regiões  se  forem  satisfeitas  as  seguintes  condições cumulativas:  1.  Que  o  produto  seja  elaborado  com  matéria  prima  agrícola  e  extrativa vegetal de produção regional;  2.  Que  o  estabelecimento  seja  localizado  na  Amazônia  Ocidental  (estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima);  3.  Que  o  estabelecimento  tenha  projeto  aprovado  no  Conselho  de  Administração da Suframa.  Ademais, consoante a redação do Decreto­lei nº 1.435, de 1975, art. 6º,  §  1º,  os  insumos  adquiridos  com  isenção  devem  ser  empregados  no  processo industrial de produtos sujeitos ao imposto.  A fruição de créditos incentivados indevidos implica a glosa destes na  escrita fiscal.  Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.967            3 Intimada  a  contribuinte  a  esclarecer  a  origem  dos  créditos  fictos  (incentivados)  registrados  na  escrita  fiscal,  há  o  seguinte  a  destacar  conforme os dados fornecidos.  Créditos  de  rolhas  e  tampas  plásticas  adquiridas  de  RAVIBRAS  Embalagens da Amazônia Ltda., CNPJ 08.658.519/0001­73:  ROLHA PLAST VERDE PC TW NIV ROLHA PLAST AZUL PC NIV  ROLHA PLAST GUARANÁ ANT BRANCO ANTARCTI ROLHA PLAST  GUARANÁ  VERMELHA  NIV11  R  ROLHA  PLAST  SODA  L  ANT  ROLHA  PLAST  SUKITA  VERDE  TAMPA  PLAST  AMARELA  GUARANÁ ANTART O dispositivo legal para isenção declarado como  adotado pela RAVIBRAS (RIPI/2002, art. 69, II; RIPI/2010, art. 81, II)  nas  vendas  prevê  apenas  a  isenção  nas  saídas  dos  produtos  do  industrializador, sem a possibilidade de apropriação de  créditos pelo  adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237).  Créditos  de  filme  “stretch”  adquirido  de  VALFILM  Amazônia  Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 03.071.894/0001­07:  FILME STRETCH 500 MM 27 MICRA Idem nas saídas de produtos da  VALFILM  a  partir  de  maio  de  2010  (isenção  prevista  no  seguinte  dispositivo: RIPI/2010, art. 81, II).  Créditos  de  concentrados  adquiridos  de  AROSUCO Aromas  e  Sucos  Ltda., CNPJ 03.134.910/0001­55:  CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT CONC NAT LIMAO FE1403  KIT CONC NAT S LARANJA BR KIT CONC NAT S TONICA FE 1401  KIT  No  caso  da  AROSUCO  também  foi  informado  que  a  falta  de  destaque  do  imposto  nas  saídas  de  concentrados  (exceto  quanto  aos  concentrados  de  sabor  guaraná)  se  deveu  à  isenção  prevista  (RIPI/2010, art. 81, II). Sem, portanto, a possibilidade de apropriação  de créditos pelo adquirente (RIPI/2010, art. 95, III, c/c art. 237).  Créditos  de  concentrados  adquiridos  de  PEPSI­COLA  Industrial  da  Amazônia Ltda., CNPJ 02.726.752/0001­60:  KIT PEPSI COLA 350050602 PEPSICO KIT PEPSI COLA TWIST KIT  PEPSI COLA LIGH KIT H2OH LIMAO KIT PTWZERO;  Os  concentrados  (kits)  foram  produzidos  pela  PEPSI­COLA  com  a  utilização de  insumo  (corante caramelo) produzido, por  sua vez, pela  empresa D. D. WILLIAMSON do Brasil Ltda., CNPJ 02.789.565/0001­ 25,  localizada na Zona Franca de Manaus. Na fabricação do corante  caramelo  foi  utilizado,  até  junho  de  2011,  açúcar  de  cana  fornecido  pela  Usina  Itamarati  S/A,  CNPJ  15.009.178/0001­70,  situada  no  Estado  do  Mato  Grosso,  que  não  compõe  a  chamada  Amazônia  Ocidental,  abrangida  pelos  Estados  do  Amazonas,  Acre,  Rondônia  e  Roraima, nos termos do Decreto­lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967,  art. 4º.  Em  procedimento  de  diligência  encetado,  a  D.  D.  WILLIAMSON  informou  que,  a  partir  de  14/06/2011,  passara  a  fornecer  o  corante  caramelo à PEPSI­COLA com, na respectiva composição (misturados),  açúcar proveniente da Usina Itamarati S/A e açúcar mascavo oriundo  Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.968            4 da  Cooperativa  Agroextrativista  da  Vila  União,  CNPJ  10.778.894/0001­07, situada em Eirunepe, Amazonas.  Em resposta a intimação, a PEPSI­COLA declarou que era habilitada  pela  SUFRAMA  a  produzir  concentrado,  base  e  edulcorante  para  bebidas  não  alcoólicas  com  ambos  os  incentivos:  Zona  Franca  de  Manaus (RIPI/2010, art. 81, II) e Amazônia Ocidental (RIPI/2010, art.  95, III).  O  corante  caramelo,  utilizado  na  produção  de  kits  (concentrados  de  refrigerante)  pela  PEPSI­COLA,  é  industrializado  pela  D.  D.  WILLIAMSON com açúcar fabricado em Mato Grosso a partir de cana  de  açúcar  lá  cultivada  e  não  se  caracteriza  como  matéria  prima  agrícola  e,  por  conseguinte,  os  concentrados de  refrigerante não  são  produtos  elaborados  com  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais de produção regional.  Por isso, não há direito ao crédito pelas aquisições de concentrados de  refrigerante  fornecidos  pela  PEPSI­COLA  de  janeiro  a  dezembro  de  2012.  Alcance do conceito de matéria prima agrícola de produção regional  do art. 6º do Decreto­lei nº 1.435, de 1975 No caso da produção dos  concentrados  de  refrigerante  fornecidos  pela  PEPSI­COLA,  empregados  no  processo  industrial  da  unidade  da  AMBEV  em  Almirante Tamandaré, PR, o corante caramelo é um insumo do insumo  que, no fim das contas, não é uma matéria prima agrícola, ainda que  seja um insumo de produção regional.  O corante caramelo é resultante de um processo industrial a partir de  açúcar  cristal  e  açúcar  mascavo,  de  certa  complexidade,  com  a  aplicação de diversos compostos químicos e que abrange duas etapas,  conforme consta do relatório fiscal:  “a)  Processo  de  hidrólise:  ocorre  através  da  inversão  da  sacarose,  sendo  utilizados  como  matérias­primas  o  açúcar  cristal,  água  e  catalisador  ácido.  Esse  processo  quebra  a  molécula  da  sacarose,  gerando  outros  tipos  de  açúcares.  O  produto  resultante  é  o  açúcar  hidrolisado, que é uma mistura de sacarose, glicose e frutose.  b) Processo de manufatura do corante caramelo: ocorre em reatores,  através do processo de caramelização, utilizando o açúcar hidrolisado  da etapa anterior, acrescido de água, sal de amônio e solução alcalina.  Durante  todo  esse  processo  existe  o  acompanhamento  de  técnicos  de  laboratório,  coletando  e  analisando  todos  os  parâmetros  de  qualidade”.  A  cana  de  açúcar  é  a  matéria  prima  agrícola  por  excelência  na  produção dos açúcares, mas não é a matéria prima agrícola e extrativa  vegetal na produção dos concentrados.  A autuada efetuou a apropriação de créditos fictos nas aquisições dos  “kits”  para  refrigerantes  sem  a  indispensável  utilização  de  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais.  Nem  a  aquisição  de  corante  caramelo  daria  azo  ao  aproveitamento  de  créditos,  pois  os  açúcares  Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.969            5 cristal e mascavo são, também, produtos intermediários e não matérias  primas agrícolas e extrativas vegetais.  Na  justificativa  do  projeto  do Decreto­lei  nº  1.435, de  1975,  o  termo  “matérias primas agrícolas” exclui da definição  insumos oriundos da  agroindústria.  Em  uma  primeira  industrialização,  pode­se  falar  na  utilização  de  matéria  prima  extrativa  vegetal  de  produção  regional.  Contudo,  na  etapa  posterior  (segunda  industrialização),  trata­se  do  emprego  de  produto intermediário.  À  luz  do  art.  4º  do RIPI/2010,  após  um  processo  de  industrialização  (transformação,  beneficiamento,  montagem,  acondicionamento  ou  reacondicionamento,  renovação ou  recondicionamento),  o  artefato  de  natureza  agrícola  resultante  não  pode  mais  ser  considerado  como  matéria prima agrícola in natura: é produto intermediário.  A isenção prevista no diploma legal é objetiva (em razão do produto) e  não  subjetiva  (em  razão  do  beneficiário);  assim,  é  imprescindível  a  comprovação da  legitimidade da  isenção para cada produto,  sendo a  aprovação  de  projeto  pela  SUFRAMA  (órgão  com  competência  exclusiva para a aprovação de projetos) apenas um dos requisitos para  a efetiva fruição do benefício fiscal.  Os créditos incentivados apropriados pelo sujeito passivo são, destarte,  indevidos,  pois  se  referem  a  aquisições  de  kits  para  refrigerantes  da  PEPSI­COLA, assim como os créditos referentes às aquisições de kits  da  AROSUCO  (exceto  aqueles  de  guaraná)  com  base  na  isenção  do  art. 81, II, do RIPI/2010. Esses créditos fictos devem ser glosados.  Erro  de  classificação  fiscal  e  a  alíquota  zero  dos  “concentrados  de  refrigerantes”  Para  o  aproveitamento  de  créditos  fictos  relativos  a  insumos  adquiridos  com  a  isenção  do  art.  95,  III,  do  RIPI/2010,  os  créditos devem ser calculados como se o imposto fosse devido, ou seja,  os  insumos  devem  sofrer  a  incidência  do  imposto,  com  alíquota  diferente de zero.  É o texto do Decreto­lei nº 1.435, 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º,  matriz legal para o crédito incentivado do RIPI/2010, art. 237:  § 1° Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito  do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido  fosse,  sempre  que  empregados  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos ao pagamento do referido imposto.(g.m.)  O  subitem  2106.90.10  da  TIPI,  correspondente  a  “preparações  dos  tipos utilizados para elaboração de bebidas”, tem a alíquota de 0%.  Todavia, constam nas notas  fiscais de aquisição dos concentrados ou  “kits” oriundos da PEPSI­COLA (isenções dos arts. 81, II, e 95, III, do  RIPI/2010,  quanto  aos  kits  para  fabricação  de  refrigerante)  e  da  AROSUCO (isenção do art. 81, II, do RIPI/2010, no tocante aos kits de  sabores diferentes de guaraná; isenção do art. 95, III, do RIPI/2010, no  Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.970            6 caso dos kits de sabor guaraná) o código de classificação fiscal NCM  2106.90.10 Ex 01, com alíquota de 27% (alterada para 20% a partir de  31/05/2012  pelo  Decreto  nº  7.742,  de  2012)  e  o  seguinte  texto:  "Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados  ou  sabores  concentrados),  para  elaboração de  bebida  da  posição  22.02,  com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada  parte do concentrado".  Todos os sobreditos códigos de classificação fiscal vigentes à época da  ocorrência dos fatos geradores.  Há erro de classificação  fiscal cometido pelas empresas fornecedoras  PEPSI­COLA  (fornece  insumos  para  a  fabricação  das  bebidas  refrigerantes  Pepsi  e  H2OH)  e  AROSUCO  (fornece  insumos  para  a  fabricação das bebidas  refrigerantes  sabor guaraná,  limão,  laranja  e  água tônica), à luz das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias  (NESH),  das  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  (RGI/SH)  e  das  Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM).  Ora, no próprio  texto do código de classificação  fiscal adotado pelas  empresas  fornecedoras  em  questão  há  a  alusão  a  “preparações  compostas”, ao passo que nas notas fiscais os insumos em questão são  referidos como “concentrados” e identificados como itens únicos.  Nas  notas  fiscais  emitidas  pela  AROSUCO,  os  concentrados  são  discriminados  como  “kits”,  conforme  a  nota  fiscal  nº  1.206  (reprodução parcial à fl. 848).  Em nota fiscal emitida pela PEPSI­COLA (documento auxiliar de nota  fiscal  eletrônica  –  DANFE,  com  reprodução  à  fl.  849),  há  a  discriminação  das  várias  partes  integrantes  do  “concentrado  de  refrigerante”,  sendo  as  seguintes  as  considerações  do  termo  de  descrição dos fatos e de encerramento da ação fiscal:  “Observa­se  que  kits  sabor  Pepsi­Cola,  em  verdade,  seriam  duas  mercadorias, no mínimo: "Aroma Ingr 35005*06 1 UN p/ vol Solution,  8, pg III”; "Acid Ingr 35005 *01*01 1 UN p/ vol Solution, 8, pg III” E  que  kits  sabor  Pepsi­Cola  light,  em  verdade,  seriam  quatro  mercadorias,  no  mínimo:  "Aroma  Ingr  35009*60  01A  4UN  p/  vol”;  "Aroma  Ingr  35009*61 1UN p/  vol acid,  organic,  8,  pg  III";  " SAIS:  INGR. 35009*61*05 2 UM P/VOL" ; "Acid Ingr 35009 *80*33A 1 UN  p/ vol Solution, 8, pg III” Ainda que, em algumas notas os kits sejam  discriminados  como  um  item  único,  os  concentrados  ou  "kits",  em  realidade, chegam à AMBEV em partes, não em um único componente.  Mesmo  que  os  fornecedores  Pepsi  e  Arosuco  entendam  que  o  concentrado  é  uma  preparação  composta,  uma mercadoria  única,  já  pronta,  os  produtos  que  a  Pepsi  ou  a  Arosuco  chamam  de  "concentrado" ou "kit" são na realidade conjuntos de matérias­primas  e  produtos  intermediários,  que  saíram  dos  seus  estabelecimentos  embalados  separadamente,  em bombonas,  ou sacos, na  forma  líquida  (Flavours ou aromas) ou sólida (sais).  O  que  ocorre  é  que  o  concentrado  apenas  é  produzido  na  etapa  de  fabricação  dos  refrigerantes,  nas  linhas  de  produção  da  AMBEV,  Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.971            7 quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à  água,  são  adicionados  os  aromas  (Flavours  ou  aromas),  quando,  aí  sim, é obtido o concentrado”.  Por  ocasião  de  visita  à  fábrica  em  diligência  efetuada  em  filial  do  sujeito passivo, foi constatado o seguinte:  “Que o processo produtivo do  estabelecimento pode  ser  resumido da  seguinte forma:  1)  As  matérias­primas,  recebidas  dos  fornecedores  em  embalagens  individuais, são encaminhadas a uma sala de estocagem.  2) Recebem açúcar de determinados fornecedores que não os do  item  1,  não  oriundo  de  Manaus,  com  o  qual  é  elaborado,  por  meio  de  dissolução em água, o xarope simples a quente na xaroparia simples”.  3) A água utilizada para a fabricação dos refrigerantes, após receber  tratamento, alimenta um equipamento conhecido como “dissolvedor”,  onde é produzido o xarope simples por meio do aquecimento do açúcar  e sua diluição em água.  4) Que, na linha de produção, na área da Xaroparia Simples, produz­ se  o  Xarope  Simples,  por  meio  do  aquecimento  do  açúcar  cristal  e  refinado,  insumo  não  proveniente  da  região  da  Amazônia,  e  da  sua  diluição em água.  5)  E  que  os  Kits  denominados  Parte  B  fornecidos  pela  Arosuco  são  sólidos  transportados  em  caixas,  os  quais  conteriam  os  sais:  conservantes e acidulantes.  6)  Que  os  Kits  denominados  Parte  A  fornecidos  pela  Arosuco  são  transportados  em  bombonas,  sendo  líquidos  que  formariam  os  Flavours,  extrato  natural  do  sabor  do  refrigerante  (Sukita  Uva  e  outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo.  7) Que o kit  sólido,  transportado em caixas, é dissolvido a quente no  tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido  a  frio  e  enviado,  após  o  kit  sólido,  ao  tanque  de  xarope,  quando  são  dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de  5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra  linha, a  produção  da  Pepsi  necessita  de  um  tempo  de maturação  de  12  a  24  horas.  8) Que os kits não são transportados em conjunto, porque cada parte  exige diluição prévia para serem agregados, e  também porque os kits  da  Arosuco  em  caixas,  parte  sólida,  demandam  diluição  a  quente  (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem  misturados ao Xarope Simples, enquanto, a parte do flavour (kit A da  Arosuco  e  Kit  Pepsi­Cola  no  da  Pepsi  Amazonia)  não  pode  ser  aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura  elevada.  A  parte  do Acidulante, Kit  B,  deve  aguardar  alcançar  25ºC  para  poder  ser  agregado,  bem  como  nos  demais  refrigerantes  produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco.  9) Que a partir do Xarope Composto, na linha de envase, produz­se o  refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada.  Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.972            8 10) Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente,  e o Kit A deve ser dissolvido a frio. Não podem ser transportados em  conjunto, pois o kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples.  11) Que 1(um) Kit A  (5  litros) + 1  (um) Kit B  (30  kg)  rendem 1.703  litros  de  Xarope  Composto,  que  é  diluído  novamente  no  envase  rendendo 22.000 litros em água carbonatada.  12)  Que  o  Xarope  Composto  também  vai  em  bag  in  box  em  outras  filiais para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes.  13) Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que  uma  parte  (Kit  A  ou Kit B)  não  é  suficiente  para  produzir  o  Xarope  Composto5; muito menos, o refrigerante, por meio da diluição da parte  em água carbonatada.  14) Que para o  refrigerante da Pepsi­Cola,  o Kit  denominado Pepsi­ Cola  é  composto  de  Extrato  de  noz  de  cola,  corante  caramelo  e  Flavours;  o Kit  denominado Acidulante  contém  como  conservantes  o  Ácido Fosfórico, que compõe a Parte Pepsi Acidulante. Ambas partes  são líquidos transportados (acondicionados) em bombonas separadas.  15)  Que,  na  sala  de  estoque  de  Insumos  para  a  área  da  Xaroparia  Composta, constatou­se que:  a)  o  Kit  Pepsi  Acidulante  –  Solução  de  Ácido  Fosfórico,  código  35005*01*01 – líquido;  b) e o Kit Pepsi­Cola código 35005*06, também líquido;  16) São insumos fornecidos pela Pepsi Industrial da Amazônia para a  produção  do  refrigerante  Pepsi­  Cola,  os  quais  não  podem  ser  transportados  em  conjunto,  só  podendo  ser  misturados  na  hora  da  preparação do Xarope Composto.  17) E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico:   a)  que,  na  preparação  do  Xarope  Composto,  primeiramente,  o  Kit  Pepsi­Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da  Xaroparia  Composta,  e  posteriormente,  é  agregado  ao  tanque  o  Kit  Pepsi Acidulante.  b)  e  que,  a  mistura  denominada  de  Xarope Composto  permanece  no  tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto.  c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi­Cola ao serem  dissolvidos rendem 1703 litros de Xarope Composto.  d) que, após a maturação, o Xarope Composto é  transportado para a  área  de  envase,  quando  então  inicia­se  a  etapa  de  dissolução  da  mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi­  Cola, quando 1.703 (mil setecentos e  três) litros de Xarope Composto  produzido  na  filial  de  Curitiba  produz  10.000  (dez  mil)  litros  de  refrigerante Pepsi­Cola”.  A  seguir,  transcrição  de  trecho  do  auto  de  infração  que  consta  do  processo administrativo fiscal de n° 10830­725.247/2015­16:  Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.973            9 "Para  melhor  esclarecer  este  assunto,  em  13/03/2015,  01/06/2015  e  15/09/2015 realizamos diligências nas salas de estocagem de matérias­ primas da AMBEV e no  início das  linhas de produção de Gatorade e  Refrigerantes,  em  companhia  do Gerente  de  fábrica  Fábio  Henrique  Cardoso de Souza.  225) A pessoa citada acima esclareceu que:  a) Quanto ao processo produtivo básico de refrigerantes e Gatorade i)  Recebimento  de  matérias­primas  ­  As  matérias­primas,  basicamente  aromas e sais, são recebidos dos fornecedores, e então encaminhados a  uma sala de estocagem, antes do preparo propriamente dito.  ii)  Tratamento  da  água  ­  A  água  utilizada  para  a  fabricação  dos  refrigerantes é "declorada", após tratamento.  iii) Adição dos  sais  ­ Essa água declorada alimenta um equipamento  (tanque  de  solução),  conhecido  como  "dissolvedor",  onde  lhe  são  adicionados os sais industrializados;  iv) Adição de Aromas ­ A solução resultante é então encaminhada aos  tanques onde serão adicionados os aromas (flavours), de acordo com a  formulação do refrigerante a ser fabricado v) Enchimento ­ A mistura é  então dirigida às linhas de enchimento, onde é feita uma diluição. No  caso  dos  refrigerantes  é  adicionado  o  gás,  e  finalmente  segue  para  envase.  b) Quanto ao recebimento das matérias­primas i) Os aromas chegam à  AMBEV  acondicionados  em  bombonas  e  os  sais  acondicionados  em  sacos,  conjunto  esse  convencionalmente  chamado  de  "kit"  para  fabricação de refrigerante.  Os Aromas, chamados de flavours, são os componentes que contêm os  aromas  das  bebidas  a  serem  fabricadas,  p.ex.  laranja,  tangerina,  limão, guaraná. Vêm embalados em bombonas, e se apresentam na fase  líquida.  iii) Os sais vêm embalados em sacos, na fase sólida, e são basicamente  acidulantes e conservantes.  iv)  No  caso  dos  refrigerantes,  os  sais  são  ácido  cítrico,  sorbato  e  benzoato.   v) Tais componentes do kit não podem ser misturados já no fornecedor  e transportados lá na forma do concentrado pronto, porque as misturas  para  cada  produto  tem  dosagens  e  sequências  diferentes,  e  se  o  concentrado já viesse pronto, o volume do produto seria maior.  vi) Os kits, quando são recebidos do fornecedor, não apresentam ainda  as  características  essenciais  do  concentrado  pronto.  Para  que  isso  aconteça  é  necessário  que  eles  sejam  misturados  apenas  durante  o  processo de preparo das bebidas, na AMBEV.  226)  Fomos  então  às  salas  de  estocagem  de  matérias­primas  e  registramos  fotos  de  kits  básicos  para  elaboração  de  Gatorade,  Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada”.(g.m.)  Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.974            10 Reproduções fotográficas de kits básicos para elaboração de Gatorade,  Guaraná Antárctica, Sukita Laranja e Soda Limonada às fls. 853/864.  As fotografias apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 006  demonstram igualmente que:  “Quanto ao chamado concentrado “Pepsi zero”, são na verdade cinco  mercadorias distintas:  1) Kit Pepsi zero sais: embalagem contendo composto de edulcorante  INS 950 e 955; conservante INS 211; sequestrante INS 385.  2) Kit Pepsi zero flavour: embalagem contendo aromatizante.  3) Kit Pepsi zero acidulante: conforme embalagem, seria composto de  acidificante INS 330 e 338.  4) Kit Pepsi zero natural flavour.  5) Kit Pepsi zero Max flavour: embalagem contento aromatizante IV.  E,  quanto  ao  chamado  concentrado  “Pepsi  twist”,  seriam  as  três  mercadorias distintas:  1) Kit Pepsi twist (limão): kit 92318*01.  2) Kit Pepsi twist (cola flavour): kit 35005*14.  3)  Kit  Pepsi  twist  sais:  composto  de  conservante  INS  211  e  estabilizante INS 331.  Já  o  chamado  concentrado  “Água  tônica”,  seriam  as  duas  mercadorias distintas:  1) Kit A: composto de aroma natural.  2) Kit B: formado de dois acidulantes e dois conservantes.  E, por fim, o chamado concentrado “Guaraná Antarctica zero”, seriam  as duas mercadorias distintas:  1)  Kit  A:  FE  1431Z  (aroma  natural,  corante  de  caramelo,  extrato  vegetal de guaraná).  2)  Kit  B:  acidulante  INS  334,  conservante  INS  211  e  dois  edulcorantes”.  O  fluxograma  da  elaboração  de  refrigerantes  ou  Gatorade  é  reproduzido  à  fl.  866:  no  Tanque  de  Solução  (Dissolvedor),  há  a  obtenção de xarope simples, a partir da mistura de água declorada e  sais; no Tanque para Adição dos Aromas (Flavours), há a obtenção do  xarope final ou concentrado líquido (ponto somente a partir do qual é  obtido o concentrado propriamente dito); o produto final (refrigerante  ou Gatorade) é obtido a partir da mistura de água e gás carbono (para  refrigerante).  “O que  ocorre  é  que  o  concentrado apenas  é  produzido  na etapa  de  fabricação  dos  refrigerantes,  nas  linhas  de  produção  da  AMBEV,  Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.975            11 quando ao xarope simples, previamente obtido pela adição dos sais à  água,  são  adicionados  os  aromas  (flavours),  sendo  nesta  ocasião  obtido o concentrado.  E, a despeito dos  fornecedores adotarem o código da NCM Ex 01 do  subitem  2106.90.10,  esse  ex­tarifário  é  próprio  para  preparação  composta, e os concentrados para refrigerante não podem assim serem  classificados, pois algo que não está preparado nem misturado, não se  caracteriza como preparação.  Repise­se:  para  ser  classificada  nos  ex­tarifários  do  código  2106.90.10. da NCM é  indispensável que os  ingredientes que  formam  determinada preparação composta estejam misturados.  E,  quando  da  entrada  no  estabelecimento  da  Ambev,  as  partes  dos  concentrados não estão misturadas, e, portanto, não se constituem na  preparação  composta  a  que  se  refere  a  Nota  Explicativa  da  posição  2106.  Ainda  que  em  manifestação  às  constatações  relatadas  no  Termo  de  Constatação  Fiscal,  os  representantes  da  fiscalizada  afirmem  que  as  Partes  que  comporiam  um  concentrado  ou  kit  são  transportadas  em  conjunto,  a  verdade  é  que,  conforme  relatado  em  ambos  Termos  de  Constatação Fiscal, cada Parte (Parte A ou Parte B da Arosuco, e Kit  Pepsi ou Kit Pepsi Acidulante, da Pepsi) é embalada e acondicionada  separadamente,  tanto  que  a  Parte  A  se  trata  de  um  líquido,  transportado em Bombonas, e a Parte B, um sólido (pó), embalado em  caixas, ainda que possam ser transportadas em um único caminhão por  exemplo, de Manaus a Curitiba.  Segundo  o  dicionário  eletrônico  Houaiss,  o  vocábulo  "preparação"  indica uma ação ­ o ato de preparar, e um resultado ­ o preparado:   "Ato  ou  efeito  de  preparar­se;  preparo,  preparamento,  preparativo  1  operação ou processo de aprontar qualquer coisa para uso ou serviço  2  elaboração  dos  alimentos  para  transformá­los  nos  diversos  pratos,  iguarias, etc.  3  feitura de um preparado; preparo 4 m.q. PREPARADO ("produto")  (grifo nosso)  Portanto, os  termos "preparações", citados nos Ex 01 e Ex 02 devem  ser entendidos como produtos prontos para uso, cuja origem advém de  um processo de preparo. Para que se caracterize um bem chamado de  preparação,  os  insumos  empregados  devem  sofrer  algum  tipo  de  processamento, de transformação, podendo ser uma simples mistura de  ingredientes  ou  complementada  com  algo  mais  elaborado  como  cozimento, por exemplo.  Não é o caso dos "kits". Conforme constatado em razão da diligência  efetuada, o que certamente ocorria no processo de industrialização de  refrigerantes  no  estabelecimento  da  Ambev  Curitiba,  pois  que  os  produtos elaborados bem como as matérias­primas são idênticos —, os  componentes  dos  chamados  “concentrados”  são  misturados  pelo  adquirente  durante  o  processo  de  elaboração  da  bebida  final,  Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.976            12 procedimento  que  é  executado  seguindo  complexas  edetalhadas  especificações técnicas.  O  que  se  verificou  no  curso  deste  procedimento  fiscal  é  que  cada  componente  do  kit  (Parte),  isoladamente  considerado,  configura  preparação  composta,  não  existindo  qualquer  fundamento  no  entendimento  de  que  um  conjunto  de  preparações  compostas  não  misturadas entre si forma uma preparação composta.  Não  existe  preparação,  seja  ela  simples  ou  composta,  em  que  os  ingredientes estejam acondicionados em embalagens individuais, como  é o caso dos insumos no momento em que dão entrada na Ambev!!!  O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada  componente  (Parte)  se  enquadra  em  um  código  de  classificação  próprio,  podendo  incluir  inclusive  bens  que  não  se  classificam  na  posição 21.06.  Veja­se.  No  mesmo  sentido  dos  dicionários,  a  Nomenclatura  do  Sistema  Harmonizado  emprega  o  vocábulo  "Preparação"  como  uma  mercadoria misturada, pronta para uso pelo seu adquirente.  Quando as matérias misturadas  se classificam no mesmo Capítulo da  NCM,  a  preparação  é  do  tipo  "simples".  A  elas  a  Nomenclatura  se  refere apenas como preparações. Exemplificando:  a) Preparações de carne do Capítulo 16, cuja Nota de Subposição n° 1  diz:  1.­  Na  acepção  da  subposição  1602.10,  consideram­se  "preparações  homogeneizadas"  as  preparações  de  carne,  miudezas  ou  sangue,  finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como  alimentos  para  crianças  ou  para  usos  dietéticos,  em  recipientes  de  conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta  definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes  que  possam  ter  sido  adicionados  à  preparação  para  tempero,  conservação ou outros fins. (...)  b) Preparações do Capítulo 20, cujas Notas de Subposição n° 1 e n° 2  dizem:  1.­  Na  acepção  da  subposição  2005.10,  consideram­se  "produtos  hortícolas  homogeneizados",  as  preparações  de  produtos  hortícolas  finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como  alimentos  para  crianças  ou  para  usos  dietéticos,  em  recipientes  de  conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta  definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes  que  possam  ter  sido  adicionados  à  preparação  para  tempero,  conservação ou outros fins. (..)  2.­  Na  acepção  da  subposição  2007.10,  consideram­se  "preparações  homogeneizadas" as preparações de frutas finamente homogeneizadas,  acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou  para  usos  dietéticos,  em  recipientes  de  conteúdo de peso  líquido  não  superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as  Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.977            13 pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados  à preparação para tempero, conservação ou outros fins. (...)  Visível  é  que  as  preparações  ("simples")  acima  citadas  contém  cada  uma, apenas um tipo de matéria base. Numa são carnes (Capítulo 16),  noutra são produtos hortícolas  (Capítulo 20),  e na última são apenas  frutas (Capítulo 20).  Cada um desses alimentos de base da preparação é classificado num  determinado Capítulo. Nas preparações ("simples") não há mistura de  matérias de base de Capítulos diferentes.  Quando  as  preparações  contêm  matérias  de  base  de  Capítulos  distintos,  a  Nomenclatura  as  distingue  das  preparações  ("simples"),  denominando­as  de  preparações  compostas.  Exemplificando,  no  caso  das preparações alimentícias da posição 21.04, em que há uma mistura  de substâncias de base como carne, peixe, produtos hortícolas e frutas,  a Nota de Subposição n° 3 diz:  "3.­  Na  acepção  da  posição  21.04,  consideram­se  "preparações  alimentícias  compostas  homogeneizadas"  as  preparações  constituídas  por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de  base,  como  carne,  peixe,  produtos  hortícolas,  frutas,  acondicionadas  para  venda  a  retalho  como  alimentos  para  crianças  ou  para  usos  dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso  líquido não superior a  250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas  quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à mistura  para  tempero,  conservação  ou  outros  fins.  Estas  preparações  podem  conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis." (grifo nosso)  Da mesma forma que no exemplo acima, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do  código  2106.90.10  tratam  de  "preparações  compostas"  constituídas  por  uma  mistura  de  diversas  substâncias,  as  quais  por  diluição  deveriam produzir o refrigerante.  Não é o caso dos chamados "kits" ou "concentrados" adquiridos pela  fiscalizada.  Esses são um conjunto de mercadorias, partes que, como já dito, estão  acondicionadas  cada  uma  na  sua  embalagem  individual;  não  estão  misturadas  e  não  estão  prontas  para  uso  pelo  adquirente,  no  caso,  a  fiscalizada.  A mistura dos componentes dos  kits  para  refrigerantes  se  caracteriza  como a operação de transformação definida no artigo 4°,  inciso I, do  RIPI/2010:  Art. 4º­ Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique  a  natureza,  o  funcionamento,  o  acabamento,  a  apresentação  ou  a  finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n°  5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei n° 4.502, de 1964, art.  3°, parágrafo único):  I ­ a que, exercida sobre matérias­primas ou produtos intermediários,  importe na obtenção de espécie nova (transformação);  Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.978            14 Nos  termos  do  art.  3°,  do  RIPI  de  2010,  o  kit  para  elaboração  de  refigerantes,  ou  concentrado  é  um  produto  industrializado  resultante  de  uma  operação  de  transformação  intermediária,  pois,  em  etapas  posteriores  do  processo  industrial,  esse  concentrado  ou  preparado  líquido  recebe  tratamento  adicional,  até  transformar­se  em  refrigerante, produto final fabricado pela AMBEV.  Art.  3°  Produto  industrializado  é  o  resultante  de  qualquer  operação  definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta,  parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art.  46, parágrafo único, e Lei n°4.502, de 1964, art. 3°).  Assim, para definição do enquadramento na NCM dos "concentrados",  o  que  deve  ser  analisado  são  as  características  dos  produtos  no  momento da ocorrência do fato gerador, quando cada uma das partes  dos kits apresenta suas próprias características individuais.  As  empresas  do  Grupo  AMBEV  e  seus  fornecedores,  como  a  Pepsi­ Cola, podem realizar suas operações da forma que considerarem mais  conveniente  e  chamar  os  produtos  pelos  nomes  que  julgarem  adequados.  No entanto, o  fato de nomearem diversos produtos como se um único  fosse, isto é, a ficção de que cada componente dos kits não se constitui  isoladamente  em  uma  mercadoria,  não  os  transforma  perante  a  legislação  em  um  único  produto,  já  que  não  encontra  guarida  na  legislação regente da matéria. De acordo com a legislação, cada uma  das partes deve seguir sua classificação própria.  E,  prosseguindo  no  tema  classificação  fiscal,  tem­se,  como  já  mencionado, que os procedimentos, no Brasil, são regulamentados pelo  conjunto  de  normas  do  chamado  Sistema  Harmonizado  (SH),  tabela  internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e  administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual  o Brasil é signatário.  A classificação fiscal de mercadorias deve ser realizada com aplicação  das  Regras  Gerais  Interpretativas  para  o  Sistema  Harmonizado  de  Designação e de Codificação de Mercadorias (RGI­SH), constantes do  Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil  pelo  Decreto  Legislativo  n°  71,  de  11  de  outubro  de  1988,  e  promulgada pelo Decreto n° 97.409, de 23 de dezembro de 1988, com  posteriores  alterações  aprovadas  pelo  Secretário  da  Receita  Federal  do Brasil, por  força da competência que  lhe  foi delegada pelo art. 2°  do  Decreto  n°  766,  de  3  de  março  de  1993,  bem  assim  das  Regras  Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul,  constante  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados e da Tarifa Externa Comum (NCM/TIPI/TEC).  Os Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas  (OMA)  e  os  Ditames  do  Mercosul  são,  igualmente,  de  cumprimento  obrigatório  para  a  solução  de  consultas  de  classificação  fiscal  de  mercadorias.  Repise­se: a classificação fiscal de mercadorias deve, do mesmo modo,  seguir  as  orientações  e  esclarecimentos  fornecidos  pelas  Notas  Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.979            15 Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação  de Mercadorias (NESH), internalizadas no Brasil pelo Decreto n° 435,  de 27 de janeiro de 1992.  A  versão  atual  das NESH  foi  aprovada  pela  Instrução Normativa  da  Receita Federal do Brasil (IN RFB) n° 807, de 11 de janeiro de 2008,  atualizada  pelas  IN  RFB  n°  1.072,  de  30  de  setembro  de  2010  e  n°  1.260, de 20 de março de 2012, por força da delegação de competência  outorgada  pelo  art.  10  da Portaria MF n°  91,  de  24  de  fevereiro  de  1994.  E, as NESH são elemento subsidiário fundamental e indispensável para  interpretação da Nomenclatura do SH e correta classificação fiscal de  uma determinada mercadoria.  Estas normas determinam a metodologia dos procedimentos por meio  das  Regras  Gerais  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  (RGI/SH). Tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de  Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)  têm por  base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por  sua vez, tem sua forma derivada a partir do Sistema Harmonizado.  Como  constatado  em  diligência  realizada  na  unidade  industrial  de  CNPJ  nº  07.526.557/0034­78  os  componentes  dos  "kits"  saem  do  estabelecimento  industrial  embalados  em  bombonas,  caixas  ou  contêineres, cujo conteúdo pode ser líquido ou sólido.  As  citadas  mercadorias  vêm  sendo  classificadas  pela  Pepsi  e  pela  Arosuco, bem como pela Ambev e por outros produtores nacionais, no  código 2106.90.10 – Ex 01 da TIPI, fazendo uso do argumento de que  são "sortidos apresentados para venda a retalho".  A Regra Geral 1 assim dispõe:  1.  Os  títulos  das  Seções,  Capítulos  e  Subcapítulos  têm  apenas  valor  indicativo. Para os efeitos  legais, a classificação é determinada pelos  textos  das  posições  e  das Notas  de Seção  e  de Capítulo  e,  desde que  não sejam contrárias aos  textos das  referidas posições e Notas, pelas  Regras seguintes:  Determinada,  portanto,  pela  mencionada  Regra  Geral  é  que  a  classificação de mercadorias deve ser feita pelos textos das posições e  das Notas de Seção e de Capítulo, só se fazendo recurso às demais RGI  quando  não  for  possível  o  enquadramento  por  aplicação  da  RGI­1,  bem como nos casos de produtos com características específicas.  De  outra  feita,  a  RGI­6  aplica  às  subposições  as  mesmas  Regras  utilizadas em nível de posição, enquanto que as RGC são utilizadas no  nível da NCM.  6.  A  classificação  de  mercadorias  nas  subposições  de  uma  mesma  posição  é  determinada,  para  efeitos  legais,  pelos  textos  dessas  subposições  e  das  Notas  de  Subposição  respectivas,  assim  como,  mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo­se que apenas  são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente  Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.980            16 Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo  disposições em contrário.  A análise e aplicação das Regras de classificação e os esclarecimentos  fornecidos pelas NESH irão, desse modo, definir o código correto para  classificação das mercadorias.  À luz da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3b  (RGI  n°  3b)  que,  entende­se  que  atendidas  determinadas  condições,  alguns bens, dentre eles produtos compostos constituídos pela reunião  de  diferentes  materiais,  devem  ser  classificados  em  código  único,  próprio para o artigo que lhes confira a característica essencial:  3.  Quando  pareça  que  a  mercadoria  pode  classificar­se  em  duas  ou  mais  posições  por  aplicação  da  Regra  2  b)  ou  por  qualquer  outra  razão, a classificação deve efetuar­se da forma seguinte:  a)  A  posição  mais  específica  prevalece  sobre  as  mais  genéricas.  Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a  apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado  ou  de  um  artigo  composto,  ou  a  apenas  um  dos  componentes  de  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  tais  posições  devem  considerar­se,  em  relação  a  esses  produtos  ou  artigos,  como  igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição  mais precisa ou completa da mercadoria.  b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes  ou  constituídas  pela  reunião  de  artigos  diferentes  e  as  mercadorias  apresentadas  em  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  cuja  classificação  não  se  possa  efetuar  pela  aplicação  da  Regra  3  a),  classificam­se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica  essencial, quando for possível realizar esta determinação.  Todavia, considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado  de Designação  e  de Codificação  de Mercadorias  (NESH),  aprovadas  pelo  Decreto  nº  435,  de  28  de  janeiro  de  1992,  com  seu  texto  consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de  2008,  alterada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.072,  de  30  de  setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.262, de 2012,  especificamente  o  item XI da Nota Explicativa  da Regra  3  b),  tem­se  que excluídos são, do campo de aplicação da mencionada regra (Regra  3 b) do Sistema Harmonizado), os produtos destinados à fabricação de  bebidas, tais como os kits fornecidos pela Pepsi ou Arosuco:  XI)  a  presente  regra  não  se  aplica  às  mercadorias  constituídas  por  diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados  em  conjunto  (mesmo  em  embalagem  comum),  em  proporções  fixas,  para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo.  E, mais, somente nos casos específicos previstos nas Regras 2 a) e 3 b)  das Notas Explicativas  do  Sistema Harmonizado de Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias  (NESH),  existiria  a  possibilidade  de  classificação  de  componentes  de  kits  ou  sortidos  como  se  formassem  uma mercadoria única.  Fl. 1980DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.981            17 Assim, o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b) elimina qualquer  possibilidade  de  que  esta  Regra  do  Sistema  Harmonizado  possa  ser  aplicada  no  caso  sob  análise,  prevendo  expressamente  que  os  conjuntos  para  a  fabricação  industrial  de  bebidas  não  podem  ser  classificados de acordo com a Regra 3 b).  Do exposto até então, já afastada a possibilidade de serem entendidos  o  conjunto  de  mercadorias  denominadas  pela  fiscalizada  de  “concentrado de refrigerante” como um produto único.  O cerne da questão resume­se, desse modo, em definir  se os diversos  componentes  dos  “Concentrados  de  refrigerantes”,  atendem  à  definição  de  “sortidos  apresentados  para  venda  a  retalho”  sendo  classificados num código único.  A  respeito  das  mercadorias  constituídas  pela  reunião  de  artigos  diferentes,  bem  como  dos  produtos  “apresentados  em  sortidos  acondicionados para venda a retalho”, as NESH esclarecem, item X da  Regra 3 b):  X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham,  simultaneamente,  as  condições  a  seguir  indicadas  devem  ser  consideradas  como  “apresentadas  em  sortidos  acondicionados  para  venda a retalho”:  a)  serem  compostas,  pelo  menos,  de  dois  artigos  diferentes  que,  à  primeira  vista,  seriam  suscetíveis  de  se  incluírem  em  posições  diferentes.  Não  seriam,  portanto,  considerados  sortido,  no  sentido  desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo.  b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto  para a  satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma  atividade determinada;  c)  serem  acondicionadas  de  maneira  a  poderem  ser  vendidas  diretamente aos  consumidores  sem novo acondicionamento  (em  latas,  caixas, panóplias, por exemplo).  Embora  seja  constituído  de  elementos  classificados  em  posições  distintas da nomenclatura, e de seus elementos servirem à satisfação de  uma  atividade  específica  e  bem  determinada  (a  produção  de  determinada  bebida  refrigerante),  o  “kit”  objeto  desta  consulta  não  atende  ao  requisito  previsto  no  item  “c”  da  Nota  Explicativa  acima  reproduzida, pois que não há que se falar em sortidos acondicionados  para venda a retalho.  Ora,  a  venda  a  retalho,  também  chamada  de  varejo,  caracteriza­se  pela  venda  de  produtos  em  pequenos  volumes,  diretamente  ao  consumidor  final.  O  produto  em  apreço,  entretanto,  trata­se  nitidamente de um produto intermediário, o qual servirá de insumo em  uma segunda etapa produtiva da qual se originará o produto acabado.  A  dosagem  dos  componentes  também  demonstra  claramente  que  se  trata  de  um  artigo  destinado  à  aplicação  industrial,  incompatível,  portanto, com o conceito de venda a varejo.  Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.982            18 Afastada  as  hipóteses  de  enquadramento  suscitadas  pela  Regra  3­b,  conclui­se que a classificação  fiscal da mercadoria "Concentrados de  refrigerantes" deverá ser efetuada para cada um dos componentes do  "kit" individualmente, conforme a composição de cada um deles.  Em função de exclusões previstas nas NESH, igualmente é inaplicável  a Regra 2 a) do Sistema Harmonizado aos produtos do capítulo 21 da  TIPI.  2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange  esse artigo mesmo  incompleto ou  inacabado, desde que apresente, no  estado  em  que  se  encontra,  as  características  essenciais  do  artigo  completo ou acabado.  Abrange  igualmente  o  artigo  completo  ou  acabado,  ou  como  tal  considerado  nos  termos  das  disposições  precedentes,  mesmo  que  se  apresente desmontado ou por montar.  O  item  III da Nota Explicativa da Regra 2 a),  transcrito a  seguir, ao  tratar  dos  artigos  incompletos  ou  inacabados,  prevê  que  a  primeira  parte da RGI 2 a) não se aplica, normalmente, aos produtos das Seções  I a VI. Tal exclusão abrange os produtos do capítulo 21 da TIPI, que  fazem parte da Seção IV da Nomenclatura.  III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente  parte  da  Regra  não  se  aplica,  normalmente,  aos  produtos  dessas  Seções.  Ademais,  por  produto  incompleto  ou  inacabado,  entende­se  como  aquele  em  que  o  processo  de  fabricação  foi  interrompido  em  determinado  ponto  por  alguma  necessidade  ou  conveniência  de  embalagem,  manipulação,  ou  de  transporte.  Tais  produtos  devem  apresentar  as  características  essenciais  do  artigo  completo  ou  acabado, e não devem servir para outra finalidade que não seja a de se  tornarem  o  produto  completo  ou  acabado  cujas  características  eles  apresentam.  De qualquer maneira, os kits adquiridos pela AMBEV não apresentam,  no estado em que são recebidos, as características essenciais do artigo  completo ou acabado.  Exemplos são os Kits B do Guaraná Antárctica (FE 1430 ­ Sais), e os  Kits B da Soda Limonada Antárctica  (FE 1403  ­ Sais),  compostos de  Acidulante  e  Conservantes,  que  não  apresentam  as  características  essenciais do artigo completo ou acabado, o concentrado.  Quanto  à  segunda  parte  da  Regra  2  a),  que  trata  de  um  artigo  apresentado desmontado ou por montar, o item VII da Nota Explicativa  da Regra 2 a),  a  seguir  transcrito,  deixa  claro que os  kits  fornecidos  pela Pepsi  ou Arosuco não  se  enquadram como artigos apresentados  desmontados ou por montar: Notas Explicativas – Regra 2 a)  VII)  Deve  considerar­se  como  artigo  apresentado  no  estado  desmontado  ou  por  montar,  para  a  aplicação  da  presente  Regra,  o  artigo cujos diferentes elementos destinam­se a ser montados, quer por  meios  de  parafusos,  cavilhas,  porcas,  etc.,  quer  por  rebitagem  ou  Fl. 1982DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.983            19 soldagem,  por  exemplo,  desde  que  se  trate  de  simples  operações  de  montagem.  Observe­se que o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua  parte  final  que  "Os  produtos misturados  que  constituam  preparações  mencionadas  como  tais,  numa  Nota  de  Seção  ou  de Capítulo  ou  nos  dizeres de uma posição, devem classificar­se por aplicação da Regra  1". Tal texto refere­se a produtos misturados, que não é o caso dos kits  para refrigerantes.  Assim, o item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) só vem a corroborar  o  entendimento  já  esposado  de  que  os  concentrados  não  podem  ser  classificados como um produto único mediante aplicação da Regra 1.  Para  definição  da  classificação  fiscal  dos  kits  ou  chamados  “concentrados”  de  refrigerantes,  inclusive  os  de  sabor  guaraná,  o  procedimento  correto  é  analisar  individualmente  cada  embalagem,  onde estão acondicionados produtos misturados, utilizando­se a Regra  1 para classificar o componente analisado, de acordo com o conteúdo  da embalagem.  Colaciona­se  documentação  referente  à  análise  efetuada  pelo  CCA  (Conselho de Cooperação Aduaneira) nos anos de 1985 e 1986 sobre a  classificação  fiscal  de  bases  de  bebidas  constituídas  por  diferentes  componentes  importados  em  conjunto  em  proporções  fixas  em  uma  remessa, e que elimina qualquer possibilidade de discussão sobre o que  pretende o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b).  A  análise  foi  realizada  em  função  de  consulta  sobre  a  classificação  fiscal de bens com características  idênticas à dos  insumos adquiridos  pela AMBEV,  um deles,  inclusive,  referente  a Concentrado de Pepsi­ Cola. Ao final da análise, decidiu­se incluir nas Notas Explicativas do  Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias  (NESH), o item XI da Nota Explicativa da Regra 3 b).  O  idioma original  da  documentação  em questão  é  o  inglês. Por  isto,  junto  com  a  análise  efetuada  pelo  CCA,  está  a  sua  tradução  juramentada.  A  tradução  juramentada  encontra­se  nos  autos  do  presente  processo  administrativo fiscal.  A  seguir  estão  transcritos  trechos  retirados da  tradução  juramentada  em questão:  O  Secretariado  recebeu  cartas  de  três  administrações  em  busca  de  aconselhamento  sobre  a  classificação  no  CCCN  da  Base  de  Preparação  da  Bebida  Fanta  Frutada,  Concentrado  de  Mirinda  Laranja  e  Concentrado  de  Pepsi­Cola.  As  cópias  destas  três  cartas  encontram­se  como  anexo  a  este  documento  assim  denominados  Anexos I a III deste documento.  Em uma das cartas, foi levantada uma questão em relação a se a base  da bebida deveria ser classificada numa única posição pela aplicação  da  Regra  de  Interpretação  3  (b)  ou  os  componentes  individuais  deveriam ser classificados em separado.  Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.984            20 (...)  Em  suas  sessões  de  outubro  de  1985  (na  55a.  Sessão  do  Comitê  de  Nomenclatura  e  55a.  Sessão  do  Comitê  do  Sistema  Harmonizado  Interino), os Comitês examinaram a classificação das bases de bebidas  constituídas por diferentes componentes importados conjuntamente em  proporções fixas em uma remessa.  Os  Comitês  concordaram  com  que  os  componentes  individuais  deveriam ser classificados separadamente.  Os  Comitês  também  concordaram  em  incorporar  o  conteúdo  da  decisão  na Nota  Explicativa  da  Regra  Interpretativa  3  (b),  como  um  exemplo da não aplicação desta Regra (...)  Regra Interpretativa Geral 3 (b) . Novo Item (XI).  Após Item ( X ), insira o seguinte novo Item ( XI) :  "  (XI)  A  presente  Regra  não  se  aplica  a  produtos  constituídos  por  diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados  em  conjunto,  mesmo  estando  em  embalagem  comum,  em  proporções  fixas,  para  a  fabricação  industrial  de  bebidas,  por  exemplo.  "  (grifo  nosso)  Evidente  é,  da  decisão  do  CCA  que  deu  origem  ao  item  XI  da  Nota  Explicativa da Regra 3 b), que essa Regra 3b) não se aplica a insumos  para fabricação industrial de bebidas que sejam produtos constituídos  por  diferentes  componentes  acondicionados  separadamente  e  apresentados em conjunto, como é o caso das denominadas Partes dos  concentrados ou kits utilizados pela Ambev.  Um dos fundamentos para a decisão do CCA de que a Regra 3 b), das  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de Mercadorias  (NESH),  não  pode  ser  aplicada  a  bases  para refrigerantes foi a ausência na Seção IV da Nomenclatura de uma  Nota semelhante à Nota 3 da Seção VI e à Nota da Seção VII.  A  Nota  3  da  Seção  VI  e  a  Nota  da  Seção  VII  dizem  respeito  à  classificação dos  produtos  que  se  apresentam  em  sortidos  compostos  de  diversos  elementos  constitutivos  distintos.  Todavia,  estas  Notas  apenas visam os sortidos cujos elementos constitutivos se reconheçam  como destinados, após mistura, a constituir um produto das Seções VI  ou VII. Não há nas NESH a previsão de que possa ser aplicada a Regra  3  do  Sistema  Harmonizado  quando  os  sortidos  são  destinados,  após  mistura, a constituir um produto da Seção IV.  Nos textos traduzidos também constam motivos pelos quais a Regra 2  a) das NESH não pode ser aplicada a bases para refrigerantes.  Assim,  mesmo  antes  da  inclusão  do  item  XI  da  Nota  Explicativa  da  Regra 3 b),  já existiam normas nas NESH que mostravam que kits de  produtos  do  capítulo  21  não  poderiam  ser  classificados  como  uma  mercadoria única. Com a incorporação do item XI da Nota Explicativa  da  Regra  3  b),  eliminou­se  qualquer  dúvida  de  que  os  componentes  individuais  das  bases  para  bebidas  devem  ser  classificados  separadamente.  Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.985            21 Inicia­se então, a reclassificação dos componentes dos concentrados de  refrigerantes  em  separado,  de  acordo  com  as  Regras  estabelecidas  para Interpretação do Sistema Harmonizado”.  Classificação fiscal correta das partes dos kits de refrigerante São as  seguintes  as  considerações  acerca  dos  corretos  códigos  de  classificação  fiscal  a  ser  aplicados  aos  componentes  dos  kits  (concentrados para refrigerantes) adquiridos pela contribuinte:  “Da diligência realizada, constatou­se que em relação às mercadorias  que  formariam  o  chamado  “concentrado”  para  refrigerante  PepsiCola:  Que para o refrigerante da Pepsi­Cola, o Kit denominado Pepsi­Cola é  composto de Extrato de noz de  cola,  corante  caramelo e Flavours; o  Kit  denominado  Acidulante  contém  como  conservantes  o  Ácido  Fosfórico,  que  compõe  a  Parte  Pepsi  Acidulante.  Ambas  partes  são  líquidos transportados em bombonas separadas.  Que,  na  sala  de  estoque  de  Insumos  para  a  área  da  Xaroparia  Composta, constatou­se que:  a)  o  Kit  Pepsi  Acidulante  –  Solução  de  Ácido  Fosfórico,  código  35005*01*01 – líquido;  b) e o Kit Pepsi­Cola código 35005*06, também líquido;  São  insumos  fornecidos  pela  Pepsi  Industrial  da  Amazônia  para  a  produção  do  refrigerante  Pepsi­Cola,  os  quais  não  podem  ser  transportados  em  conjunto,  só  podendo  ser  misturados  na  hora  da  preparação do Xarope Composto.  E, conforme informado pelo mencionado corpo técnico:  a)  que,  na  preparação  do  Xarope  Composto,  primeiramente,  o  Kit  Pepsi­Cola é dissolvido no Xarope Simples, etapa realizada na área da  Xaroparia  Composta,  e  posteriormente,  é  agregado  ao  tanque  o  Kit  Pepsi Acidulante.  b)  e  que,  a  mistura  denominada  de  Xarope Composto  permanece  no  tanque por um período de 12 a 24 h para a maturação do composto.  c) que, a mistura do Kit Pepsi Acidulante e do Kit Pepsi­Cola ao serem  dissolvidos  rendem  1703  (mil  setecentos  e  três)  litros  de  Xarope  Composto.  d) que, após a maturação, o Xarope Composto é  transportado para a  área  de  envase,  quando  então  inicia­se  a  etapa  de  dissolução  da  mistura em água carbonatada para a produção do refrigerante Pepsi­  Cola,  quando 1703  litros de Xarope Composto produzido na  filial  de  Curitiba produz 10.000 (dez mil) litros de refrigerante Pepsi­Cola.  Já  com  relação  às  mercadorias  fornecidas  pela  Arosuco  para  elaboração  do  refrigerante  Guaraná  Antartica,  nomeadas  pelo  fornecedor  de  “concentrado”  para  o  Guaraná  verificou­se,  o  Kit  denominado  kit  A  é  composto  de  Flavours:  Extrato  de  Guaraná,  Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.986            22 Aromatizante, corante caramelo IV; o Kit denominado kit B é composto  de Ácido Cítrico, Benzoato de Sódio e Sorbato de Potássio.  Kit  A  é  líquido,  transportado  em  bombonas  e  o  Kit  B  é  sólido,  transportado em caixas.  Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o  Kit  A  deve  ser  dissolvido  a  frio.  Não  podem  ser  transportados  em  conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples.  Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros  de  Xarope  Composto,  que  é  diluído  novamente  no  envase  rendendo  22.000 litros em água carbonatada.  Que o Xarope Composto  também vai  em bag  in box  em outras  filiais  para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes.  Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma  parte  (Kit  A  ou  Kit  B)  não  é  suficiente  para  produzir  o  Xarope  Composto(*);  muito  menos,  o  refrigerante,  por  meio  da  diluição  da  parte em água carbonatada.  (*)  Para  uma  melhor  compreensão,  ressalta­se  que  o  corpo  técnico  também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a  partir da diluição do Xarope Composto  em água carbonatada;  e que  essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as  máquinas de refrigerantes.  Quanto aos demais  refrigerantes,  Soda Limonada, Sukita Uva, Sukita  Laranja, e Água tônica, verificou­se que:  Que  a  Arosuco  fornece  insumos  para  a  fabricação  de  refrigerantes  Guaraná Antarctica, Soda Limonada, Soda Limonada diet, Sukita Uva,  Sukita Laranja, Guaraná diet, Água tônica.  Que  os  insumos  utilizados  para  a  fabricação  de  refrigerantes  são  identificados como “kit concentrado para refrigerantes”.  Que  esses  insumos  chegam  ao  estabelecimento  parte  em  bombonas  (kits A da Arosuco), parte em caixas (kits B da Arosuco)   E  que  os  Kits  denominados  Parte  B  fornecidos  pela  Arosuco  são  sólidos  transportados  em  caixas,  os  quais  conteriam  os  sais:  conservantes e acidulantes.  Que  os  Kits  denominados  Parte  A  fornecidos  pela  Arosuco  são  transportados  em  bombonas,  sendo  líquidos  que  formariam  os  Flavours,  extrato  natural  do  sabor  do  refrigerante  (Sukita  Uva  e  outros), NCM 2106.90.10, conforme rótulo.  E para todos os kits:  Que  o  kit  sólido,  transportado  em  caixas,  é  dissolvido  a  quente  no  tanque de sais e enviado ao tanque de xarope. O kit líquido é dissolvido  a  frio  e  enviado,  após  o  kit  sólido,  ao  tanque  de  xarope,  quando  são  dissolvidos no xarope simples, sendo que todo o processo leva cerca de  5 a 6 horas. Produzido assim o Xarope Composto. Em outra  linha, a  Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.987            23 produção  da  Pepsi  necessita  de  um  tempo  de maturação  de  12  a  24  horas.  Que  os  kits  não  são  transportados  em  conjunto,  porque  cada  parte  exige diluição prévia para serem agregados, e  também porque os kits  da  Arosuco  em  caixas,  parte  sólida,  demandam  diluição  a  quente  (cerca de 95º C), para que se dissolvam completamente, antes de serem  misturados ao Xarope Simples, enquanto a parte do  flavour  (kit A da  Arosuco  e  Kit  Pepsi­Cola  no  da  Pepsi  Amazonia)  não  pode  ser  aquecido porque perderia as propriedades sensoriais, com temperatura  elevada.  A  parte  do Acidulante, Kit  B,  deve  aguardar  alcançar  25ºC  para  poder  ser  agregado,  bem  como  nos  demais  refrigerantes  produzidos a partir dos insumos provenientes da Arosuco.  Que  a  partir  do  Xarope  Composto,  na  linha  de  envase,  produz­se  o  refrigerante propriamente por meio da diluição em água carbonatada.  Que na fabricação do guaraná: Kit B deve ser dissolvido a quente e o  Kit  A  deve  ser  dissolvido  a  frio.  Não  podem  ser  transportados  em  conjunto, poiso kit B é dissolvido primeiro no Xarope Simples.  Que 1(um) Kit A (5 litros) + 1 (um) Kit B (30 kg) rendem 1.703 litros  de  Xarope  Composto,  que  é  diluído  novamente  no  envase  rendendo  22.000 litros em água carbonatada.  Que o Xarope Composto  também vai  em bag  in box  em outras  filiais  para ser utilizado nas máquinas de refrigerantes.  Que o corpo técnico que nos acompanhou na visita esclareceu que uma  parte  (Kit  A  ou  Kit  B)  não  é  suficiente  para  produzir  o  Xarope  Composto(*);  muito  menos,  o  refrigerante,  por  meio  da  diluição  da  parte em água carbonatada.  (*)Para  uma  melhor  compreensão,  ressalta­se  que  o  corpo  técnico  também esclareceu que a produção da bebida refrigerante é obtida a  partir da diluição do Xarope Composto  em água carbonatada;  e que  essa preparação denominada de Xarope Composto também alimenta as  máquinas de refrigerantes.  Quanto às bebidas sem adição de açúcar, tem­se que a Soda Limonada  Zero, constatou­se também que:  Também  se  verificou  os  insumos  enviados  pela  Arosuco  para  a  produção do refrigerante Soda Antarctica Diet, que são dois kits: Kit A  da Soda Antarctica Diet, líquido transportado em bombona plástica; e  Kit B da Soda Antarctica Diet, sólido transportado em caixa.  Que,  no  caso  da  produção  do  refrigerante  Soda  Antarctica  Diet,  de  acordo com o relato do referido corpo técnico, na área da Xaroparia  Composta:  a)  primeiramente,  o  Kit  B  da  Soda  Antarctica  Diet  é  dissolvido  a  quente  (95ºC) por 20 minutos, em separado no Tanque de Sais, onde  permanece  até  que  alcance  a  temperatura  em  torno  de  25ºC,  sendo  então enviado ao Tanque maior por um sistema de tubulação quando é  diluído  em  água,  já  que  não  é  agregado  ao  refrigerante  diet  açúcar  para a sua mistura é dissolvido no Xarope Simples;  Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.988            24 b)  e,  posteriormente,  o Kit  A  da  Soda Antarctica Diet  é  dissolvido  a  frio, em separado, no Tanque de Sais, sendo então agregado ao Tanque  maior  junto  ao  preparado  originado  do  Kit  B,  quando  também  é  dissolvido  em água, produzindo­se assim o Xarope Composto,  o qual  apresenta o mesmo  fator de diluição mencionado para o  refrigerante  para os insumos da Pepsi­Cola.  c)  que  o  Kit  A  da  Soda  Antarctica  Diet  não  pode  ser  fervido  ou  aquecido,  por  perder  causar  a  perda  das  características  do  produto  refrigerante, sendo que é composto do líquido natural da bebida a ser  fabricada;  d) que o Kit B da Soda Antarctica Diet é composto dos sais, como os  acidulantes e conservantes.  Que, ainda, de acordo com o relato do referido corpo técnico, na área  de Envase, o Xarope Composto, produzido a partir do Kit A da Soda  Antarctica  Diet  e  do  Kit  B  da  Soda  Antarctica  Diet  em  conjunto,  é  transportado  para  área  do  Envase,  para  sua  dissolução  em  água  carbonatada.  E por fim, com relação a todos insumos, sejam fornecidos pela Pepsi,  sejam fornecidos por Arosuco:  Por fim, relata­se que foi  informado pelo corpo técnico que, a um, as  partes dos kits são transportadas em embalagens individuais, porém na  mesma remessa, e, a dois, que não seria possível produzir, a partir de  cada “Kit”  (parte  do  nomeado “kit”  de  refrigerante pelo  fornecedor  em  suas  notas  fiscais),  o  refrigerante,  porque,  se  apenas  uma  das  partes fosse diluída em água carbonatada, a preparação resultante não  teria as mesmas características de identidade presentes no refrigerante  elaborado a  partir  do  kit  completo. O aroma,  o  sabor  e  a  coloração  (elementos das características sensoriais), bem como as características  físico­químicas não seriam iguais.  Prosseguindo­se na análise da classificação fiscal mais acertada para  as  partes  dos  kits  de  refrigerante,  incia­se  pelo  chamado  Kit  Pepsi­ Cola código 35005*06, e Kits Flavours, tanto da Pepsi Zero, quanto da  Pepsi Twist e Pepsi Twist Zero, e pelos chamados Kits A das bebidas  fornecidos  pela  Arosuco  bem  como  do  Kit  que  contém  o  líquido  natural, suco, extrato, para preparação da H2OH Limão.  Tem­se,  do  material  colhido  e  informações  angariadas  no  curso  da  ação fiscal (fotos, diligência e outros), em resumo que:  ­ Kit Pepsi­Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código  35005*14,  Kit  Pepsi  Zero  flavour,  Kit  Pepsi  Zero max  flavour  e  Kit  Pepsi  Zero  natural  flavour,  e  Kits  Pepsi  Twist  Zero  que  contenha  flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros  aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à  preparação dos refrigerantes PepsiCola;  ­ kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  misturado  com  outros  aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica  e Guaraná Antartica Diet);  Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.989            25 ­ kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e  Kits  fornecidos  pela Pepsi:  são  os  kits  que  contém o  líquido  natural,  suco,  extrato,  além  de  aromatizante,  estabilizantes  e  corante  dos  denominados:  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica  Zero,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão diet fe1403 z kit ;  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão fe1403 kit;  ­  Para  a  bebida  Água  Tônica  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados  natural s tônica fe1401 kit;  ­ Para o refrigerante Sukita Laranja, o Kit A dos concentrados natural  laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit;  ­ Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão;  ­ Para o  refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural  Sukita  Uva  FE1456–  destinados  à  preparação  dos  refrigerantes  SUKITA;  ­ Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero  (limão), e o  Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão.  Importante observar o disposto na RGI 3 a) do SH, que assim versa:  3.  Quando  pareça  que  a  mercadoria  pode  classificar­se  em  duas  ou  mais  posições  por  aplicação  da  Regra  2  b)  ou  por  qualquer  outra  razão, a classificação deve efetuar­se da forma seguinte:  a)  A  posição  mais  específica  prevalece  sobre  as  mais  genéricas.  Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a  apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado  ou  de  um  artigo  composto,  ou  a  apenas  um  dos  componentes  de  sortidos  acondicionados  para  venda  a  retalho,  tais  posições  devem  considerar­se,  em  relação  a  esses  produtos  ou  artigos,  como  igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição  mais precisa ou completa da mercadoria.  Dada a ausência de uma posição mais específica, uma preparação que  contenha extrato que é ingrediente fundamental no aroma ou no sabor  da  bebida,  além  de  outras  substâncias,  classifica­se  no  escopo  da  posição  21.06,  a  qual  trata  das  "Preparações  alimentícias  não  especificadas  nem  compreendidas  noutras  posições",  conforme  esclarecem as Notas Explicativas dessa posição:  “Classificam­se especialmente aqui:  [...]As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de  substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas  bebidas  não  alcoólicas  ou  alcoólicas.  Estas  preparações  podem  ser  obtidas  adicionando  aos  extratos  vegetais  da  posição  13.02  diversas  substâncias,  tais  como  ácido  láctico,  ácido  tartárico,  ácido  cítrico,  ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de  frutas,  etc.  Estas  preparações  contêm  a  totalidade  ou  parte  dos  Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.990            26 ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida.  Em  conseqüência,  a  bebida  em  questão  pode,  geralmente,  ser  obtida  pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou  sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns  destes  produtos  são  preparados  especialmente  para  consumo  doméstico;  são  também  freqüentemente  utilizados  na  indústria  para  evitar os  transportes desnecessários de grandes quantidades de água,  de  álcool,  etc.  Tal  como  se  apresentam,  estas  preparações  não  de  destinam  a  ser  consumidas  como  bebidas,  o  que  as  distingue  das  bebidas do Capítulo 22.  Verifica­se da estrutura da posição 21.06, que a mesma se desdobra em  apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos  "Concentrados de proteínas e substâncias proteicas texturizadas", que  por certo não se trata dos produtos em comento.  Assim, uma preparação que contenha extrato de noz de cola e outros  aromatizantes/saborizantes  deve  ser  enquadrada  na  subposição  2106.90, destinada a "outras" preparações.  Já a subposição 2106.90 só se desdobra em um único item 2106.90.10  da  NCM  :"Preparações  dos  tipos  utilizados  para  elaboração  de  bebidas", que é a correta.  Por  fim,  verifica­se  que  no  código  NCM  2106.90.10  há  dois  Ex­ tarifários (exceções tarifárias): o Ex 01 e o Ex 02, a seguir transcritos:  "Ex  01  ­  Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  parte  do  concentrado  Ex  02  ­  Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados  ou  sabores  concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22,  com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte  do concentrado" (grifos nossos)  Os  textos  dos  Ex  01  e  Ex  02  do  código  2106.90.10  tratam  de  “preparações  compostas”  constituídas  por  uma  mistura  de  diversas  substâncias,  as  quais  por  diluição  deveriam  produzir  o  refrigerante.  Exaustivamente  exposto  já  foi  que,  não  se  trata  do  caso  dos  “concentrados de refrigerante” fornecidos pela Pepsi e pela Arosuco,  pois  este  é  um  conjunto  de  partes,  mercadorias,  cada  uma  na  sua  embalagem  individual,  as  quais  não  estão  misturadas  e  não  estão  prontas  para  uso,  diferenciando­se  da  definição  de  preparações  compostas.  Como já dissecado neste Relatório, os concentrados para refrigerantes  (conjunto de componentes não misturados, embalados individualmente)  não podem ser chamados de "preparações compostas".  E, volve­se a dizer: os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10  trazem  como  condição  de  enquadramento  que  as  preparações  não  alcoólicas  correspondam  a  "extratos  concentrados"  ou  "sabores  concentrados".  Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.991            27 Não  são  contemplados  no  ex­  tarifário  da  NCM  2106.90.10  “concentrados”  ou  “sabores”,  como  faz  o  texto.  O  Ex  01  da  NCM  2106.90.10  se  refere  a  “extratos  concentrados”  ou  “sabores  concentrados”.  E, é isento de dúvidas o fato de que a mercadoria para ser classificada  em qualquer um dos Ex­tarifários há de ser uma preparação composta  concentrada, tanto que uma diferença fundamental entre o Ex 01 e o Ex  02 é a "capacidade de diluição". No primeiro, a capacidade de diluição  é superior a 10 vezes, enquanto no segundo é igual ou menor do que 10  vezes.  Além  disso,  no  próprio  Ex  ao  final  do  texto  há  referência  à  preparação composta como concentrado.  Um  componente,  parte,  que  corresponda  a  uma  mistura  de  extrato  (ingrediente fundamental no aroma ou no sabor da bebida) com outros  aromatizantes/saborizantes  forma  uma  preparação  composta.  A  diferença  entre  extrato  concentrado  e  sabor  concentrado  é  que  neste  último  o  extrato  do  vegetal  de  origem  é  totalmente  substituído  por  aromatizantes/saborizantes artificiais.  O  refrigerante  que  não  contém  matéria­prima  natural,  elaborado  a  partir de sabor concentrado, é denominado de artificial. Não é o caso  dos refrigerantes engarrafados por Ambev.  A Lei nº 8.918, de 1994, mandamento válido para qualquer bebida, foi  regulamentada  pelo  Decreto  nº  2.314,  de  1994,  posteriormente  revogado  pelo  Decreto  nº  6.871,  de  2009.  Em  ambos,  consta  uma  definição apurada sobre concentrados para bebidas, abaixo transcrita,  na dicção do Regulamento vigente:  "Art.  13.  A  bebida  deverá  conter,  obrigatoriamente,  a matéria­prima  vegetal,  animal  ou  mineral,  responsável  por  sua  característica  sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco.  [...].  §  4º  O  produto  concentrado,  quando  diluído,  deverá  apresentar  as  mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade  para a bebida na concentração normal."  (...)  “Art.  30.  O  preparado  líquido  ou  concentrado  líquido  para  refrigerante,  quando  diluído,  deverá  apresentar  as  mesmas  características  fixadas  nos  padrões  de  identidade  e qualidade para o  respectivo refrigerante.”  Deste modo, o extrato concentrado, por ser uma preparação composta,  deve  conter  o  extrato  vegetal  de  sua  origem  e  os  todos  os  demais  aditivos  necessários  (matérias  de  base  classificadas  em  capítulos  distintos),  a  fim  de  apresentar,  quando  diluído,  as  mesmas  características  de  identidade  presentes  no  refrigerante  elaborado  a  partir dele.  O  Regulamento  Técnico  para  Fixação  dos  Padrões  de  Identidade  e  Qualidade  para  Refrigerantes,  Anexo  à  Portaria  nº  544,  de  16  de  novembro de 1998, complementa os padrões de identidade e qualidade  Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.992            28 estabelecidos no Decreto nº 6.871 de 2009. Quando esse Regulamento  aborda a Composição e Requisitos dos refrigerantes, estabelece como  requisito: "As características sensoriais e físicoquímicas deverão estar  em consonância com a composição do produto".  Da diligência  realizada,  bem  como  dos DANFE que acompanham as  mercadorias  adquiridas  pela  autuada  da  Pepsi­Cola  e  da  Arosuco,  visível  é  que  cada  mercadoria/componente  cujo  ingrediente  fosse  o  extrato  e  outros  aromatizantes  ao  serem  simplesmente  diluídos,  não  apresentariam  as mesmas  características  sensoriais  e  físico­químicas  do refrigerante a cuja elaboração se destinam.  Isto porque os “kits” são formados por esses componentes sempre em  conjunto  com  outras  partes,  que,  por  óbvio,  são  indispensáveis  à  elaboração do refrigerante.  Certo  é  que  o  aroma,  o  sabor  e  a  coloração  (elementos  das  características sensoriais), bem como as características físico­químicas  não  seriam  iguais.  Se  assim  não  fosse,  como  já  dito,  seriam  desnecessárias as demais partes de cada concentrado de refrigerante.  Para  que  se  tenha  um  produto  próprio  a  ser  nomeado  de  extrato  concentrado, haveria esse produto de ser composto de todo o conteúdo  das  "partes"  do  concentrado  de  refrigerante,  reunidos  nesse  único  produto.  Isso posto, cada componente dos concentrados adquiridos da Pepsi e  da Arosuco para fabricação de refrigerantes pela fiscalizada deve ser  classificado individualmente.  E, devem ser  classificados no  código NCM 2106.90.10  (“Preparação  do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), cuja alíquota do IPI é  zero os seguintes insumos:  ­ Kit Pepsi­Cola código 35005*06, Kit Pepsi Twist Cola flavour código  35005*14,  Kit  Pepsi  Zero  flavour,  Kit  Pepsi  Zero max  flavour  e  Kit  Pepsi  Zero  natural  flavour,  e  Kits  Pepsi  Twist  Zero  que  contenha  flavours: são os kit que contêm extrato de noz de cola, além de outros  aromatizantes/saborizantes e de corante caramelo dos kits destinados à  preparação dos refrigerantes PepsiCola;  ­ kit A do Guaraná Antartica (versão regular e versão diet): é o kit que  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  misturado  com  outros  aromatizantes/saborizantes dos kits sabor guaraná (Guaraná Antartica  e Guaraná Antartica Diet);  ­ kit A dos kits para os demais refrigerantes fornecidos pela Arosuco, e  Kits  fornecidos  pela Pepsi:  são  os  kits  que  contém o  líquido  natural,  suco,  extrato,  além  de  aromatizante,  estabilizantes  e  corante  dos  denominados:  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica  Zero,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão diet fe1403 z kit ;  ­  Para  o  refrigerante  Soda  Limonada  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados natural limão fe1403 kit;  Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.993            29 ­  Para  a  bebida  Água  Tônica  Antarctica,  o  Kit  A  dos  concentrados  natural s tônica fe1401 kit;  11  Para  o  refrigerante  Sukita  Laranja,  o  Kit  A  dos  concentrados  natural laranja rm FE 1411 – Sukita Laranja RM kit;  11 Para o refrigerante H2OH limão, o Kit A do kit h2oh limão;  11 Para o refrigerante Sukita Uva, os Kits A dos concentrados natural  Sukita  Uva  FE1456–  destinados  à  preparação  dos  refrigerantes  SUKITA;  11 Kit Pepsi Twist código 92318*01, Kit Pepsi Twist Zero (limão), e o  Kit que contém o líquido natural para preparação da H2OH Limão.  Tais componentes não se enquadram no Ex 01 do referido código, uma  vez que para ser extrato concentrado, que é uma preparação composta,  deverá  conter  o  extrato  vegetal  de  sua  origem  e  todos  os  demais  aditivos necessários,  a  fim de apresentar, quando diluído, as mesmas  características  de  identidade  presentes  na  bebida  elaborada  a  partir  dele.  Entende­se, portanto, com base na RGC­1, estrutura basilar da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (TIPI),  aprovada  pelo  Decreto  6.006,  de  28  de  dezembro  de  200610  e,  subsidiariamente,  nos  esclarecimentos  das  Notas  Explicativas  do  Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias  (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992, com  seu texto consolidado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de  janeiro de 2008, com alterações da IN RFB nº 1.072, de 2010, e da IN  RFB nº 1.262, de 2012, que: o Kit Pepsi­Cola código 35005*06, e Kits  Flavours,  tanto  da  Pepsi  Zero,  quanto  da  Pepsi  Twist  e  Pepsi  Twist  Zero (Kit Pepsi Twist Zero (limão), Kit Pepsi Twist (limão), Kit Pepsi  Twist Cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi  Zero max  flavour  e Kit Pepsi  Zero  natural  flavour  e  kits  Pepsi  Twist  Zero flavours); o kit A do Guaraná Antarctica (versão regular e versão  diet),  que  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  misturado  com  outros  aromatizantes/saborizantes,  e  os  kits  A  dos  kits  para  os  demais  refrigerantes  fornecidos  pela  Arosuco,  os  quais  contêm  o  líquido  natural,  suco,  extrato,  além  de  aromatizante,  estabilizantes  e  corante  (natural  limão  diet  fe1403  z  kit,  natural  limão  fe1403  kit,  natural;  s  tônica  fe1401  kit,  natural  laranja  rm  kit,  h2oh  limão,  e  destinados  à  preparação dos refrigerante SUKITA) e bem como o Kit que contém o  líquido  natural,  suco,  extrato,  para  preparação  da  H2OH  Limão;  classificam­se no código 2106.90.10 da NCM :"Preparações dos tipos  utilizados para elaboração de bebidas", cuja alíquota conforme a TIPI  é 0% (zero).  Nos itens a seguir,  trata­se da classificação fiscal dos demais kits dos  chamados concentrados para refrigerantes adquiridos por Ambev.  Quanto  ao  Kit  35005*01*01  –  Kit  Pepsi  Acidulante,  de  acordo  com  informações  prestadas  durante  a  diligência  realizada  na  unidade  situada  em  Curitiba  (filial  Curitibana),  seria  uma  Solução  de  Ácido  Fosfórico, código 35005*01*01 a qual, de acordo com a manifestação  Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.994            30 da  ora  autuada,  teria  ainda,  cafeína  em  sua  composição. Do  rótulo,  verifica­se que é composto de Acidificante INS 338 e corante INS 150d.  O mesmo ocorre com Kit Pepsi Zero Acidulante: conforme fotografias  fornecidas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 006, seria  composto de acidificantes INS 330 e 338.  E, de acordo as mencionadas fotografias fornecidas em atendimento ao  Termo  de  Intimação Fiscal  nº  006,  o Kit  Pepsi  Twist  Sais  seria  uma  Solução de conservante INS 211 e estabilizante INS 331, enquanto que  o Kit Pepsi  Zero  Sais  seria  composto  de  edulcorante  INS 950 e  955;  conservante INS 211; sequestrante INS 385.  Assim também ocorre com os demais kits dos  insumos  fornecidos por  Pepsi, os quais contêm ingredientes comumente utilizados em diversos  produtos  da  indústria  alimentícia,  tais  como  sais,  acidulantes  e  conservantes, que são comercializados já misturados pelo fornecedor,  na  forma  líquida  e  sólida,  os  Kits  Pepsi  Twist  Zero  Sais,  Kit  Pepsi  Twist Zero Acidulante e Kit para preparação da bebida H2OH Limão  que que não contenha o extrato ou suco natural.  Já  os  Kits  B  fornecidos  pela  Arosuco,  conforme  as  fotos  das  embalagens  e  demais  informações  angariadas  na  referida  diligência  (na  qual  mostrou­se  caixa  aberta  de  um  Kit  B  aparentando  ser  um  único  produto),  seriam  sólidos,  transportados  em  caixas  em  embalagens separadas dos kits A.  E,  no  caso  dos  insumos  do  refrigerante Guaraná Antarctica,  o Kit B  seria  composto  de  Ácido  Cítrico,  Benzoato  de  Sódio  e  Sorbato  de  Potássio,  bem  como  o  Kit  B  dos  insumos  do  refrigerante  Soda  Limonada;  e  o Kit B  do Guaraná Antarctica Zero  seria  composto  de  acidulante INS 334, Benzoato de Sódio e dois edulcorantes.  Quanto aos demais insumos dos refrigerantes, o Kit B seria composto  de  diversos  sais,  como  acidulantes  (Ácido  Cítrico),  conservantes  (Benzoato  de  Sódio  e/ou  Sorbato  de  Potássio),  sequestrante  (EDTA  cálcio dissódico),  e,  no caso dos  refrigerantes  sem adição de açúcar,  Edulcorantes.  Em suma, as partes dos kits fornecidos que não contém extrato vegetal  de  guaraná,  nem  líquido  natural  dos  refrigerantes  sabor  limão  ou  laranja,  ou  Sukita  ou  extrato  de  noz  de  cola,  são  formadas  por  acidulantes,  conservantes  e  outros  ingredientes,  como  edulcorantes  e/ou sequestrantes.  Nesse  sentido,  manifestação  da  autuada  quanto  ao  Termo  de  Constatação Fiscal  da Diligência  realizada  em abril  de  2016,  trecho  colacionado abaixo:  “(...) do Termo, que a Parte B do Kit fornecido pela empresa Arosuco é  composto  de  diversos  sais,  ácidos  e  conservadores  químicos,  caracterizados em gênero como conservantes e acidulantes”.  Procedendo­se à classificação fiscal dos kits B, ou as chamadas Partes  B dos  insumos das bebidas  fabricadas pela Ambev, bem como do Kit  Pepsi  Acidulante,  tem­se  que  as  matérias­primas  utilizadas  nos  kits  Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.995            31 fornecidos pela Pepsi ou pela Arosuco não se caracterizam como óleos  essenciais da posição 33.01.  Em  verdade,  a  mistura  de  pelo  menos  dois  desses  ingredientes  (conservantes,  acidulantes,  sequestrante  e/ou  edulcorantes)  resulta  numa  preparação  para  uso  em  diversos  alimentos,  mas  não  especificamente para aplicação em bebidas.  Por  aplicação  da  Regra  Geral  para  Interpretação  do  Sistema  Harmonizado  ­  RGI­1/SH,  as  "Preparações  alimentícias  diversas"  classificam­se no Capítulo 21.  Como não se verifica uma posição específica que trate das preparações  em  questão,  resta  a  posição  21.06,  que  trata  das  "Preparações  alimentícias não especificadas nem compreendidas noutras posições ".  Verifica­se da estrutura da posição 21.06, que a essa se desdobra em  apenas duas subposições, estando a subposição 2106.10 reservada aos  "Concentrados  de  proteínas  e  substâncias  proteicas  texturizadas",  enquanto  a  subposição  2106.90  é  reservada  a  "outras"  preparações.  Assim,  a  preparação  em  análise  deve  ser  enquadrada  na  subposição  2106.90.  Tendo em vista que a preparação sob análise é utilizada de forma geral  para qualquer tipo de  indústria alimentícia e, portanto, não é do tipo  específico  utilizado  para  elaboração  de  bebidas  de  que  trata  o  item  2106.90.1,  e  igualmente  não  é  do  tipo  utilizado  para  fabricação  de  pudins  do  item  2106.90.2,  nem  é  um  complemento  alimentar  do  item  2106.90.3,  mas  também  não  é  uma  mistura  à  base  de  ascorbato  de  sódio  referido  no  item  2106.90.3,  nem  se  enquadra  como  goma  de  mascar  do  item  2106.90.5,  e  muito  menos  como  caramelos  do  item  2106.90.6, resta­lhe o item residual "Outras" do código 2106.90.9.  Diante desse fato, dentre os componentes fornecidos pela Pepsi e pela  Arosuco, os Kits B e Kit 35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi  Zero Acidulante, Kit  Pepsi  Twist  Sais, Kit  Pepsi  zero  Sais, Kit  Pepsi  Twist Zero Sais, Kit Pepsi Twist Zero Acidulante e Kit para preparação  da  bebida  H2OH  Limão  que  que  não  contenha  o  extrato  ou  suco  natural,  os  quais  são  os  formados  por  uma mistura  de  conservantes,  acidulantes,  sequestrante  e/ou edulcorantes,  e de outras matérias que  não o extrato vegetal de guaraná nem o  líquido natural  refrigerantes  sabor limão ou laranja ou ainda uva, ou extrato de noz de cola, devem  ser  classificados  no  código  residual  2106.90.90,  reservado  às  "Preparações  alimentícias  não  especificadas  nem  compreendidas  noutras posições ­ Outras ­ Outras", tributado à alíquota zero do IPI.  Conclui­se desse modo, que os créditos incentivados escriturados pela  autuada no período de apuração de  janeiro a dezembro de 2012,  em  razão da aquisição dos kits “Kit A” e “Kit B” da AROSUCO AROMAS  E SUCOS LTDA.,  inclusive os kits para elaboração dos  refrigerantes  de  sabor  de  Guaraná,  e  Kits  Kit  35005*06  –  Kit  PepsiCola  e  Kit  35005*01*01  –  Kit  Pepsi  Acidulante,  Kit  Pepsi  Zero  Acidulante,  Kit  Pepsi  Twist  Sais,  Kit  Pepsi  Zero  sais,  Kit  Pepsi  Twist  cola  flavour  código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero max flavour,  Kit Pepsi  Zero  natural  flavour  e Kit Pepsi  Twist  código  92318*01,  e  kits  Pepsi  Twist  ZERO,  e  kits  H20H  limão  da  PEPSI  COLA  Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.996            32 INDUSTRIAL  DA  AMAZONIA  LTDA.,  são  indevidos  porque  para  a  classificação  fiscal  das  mercadorias  adquiridas  NCM  2106.90.10  e  NCM, a TIPI previa à época dos fatos, a alíquota 0% (zero).  Em síntese, tem­se que:  São  créditos  indevidos  e  hão  de  serem  glosados  os  decorrentes  das  aquisições  de  concentrados  para  refrigerantes,  que  não  os  de  sabor  guaraná,  da  pessoa  jurídica  AROSUCO  AROMAS  E  SUCOS  LTDA.  (CNPJ n° 03.134.910/0001­55 – matriz), a qual declarou que a falta de  destaque do IPI nas vendas dos desses concentrados estava amparada  na isenção prevista no atual art. 81, II, do Regulamento do IPl de 2010,  em razão de não haver previsão legal para o creditamento de valores  de IPI na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada.  Também  são  indevidos  e  hão  de  serem  glosados,  os  créditos  fictos  calculados  e  escriturados  em  decorrência  das  aquisições  de  concentrados  para  refrigerantes,  que  não  os  de  sabor  guaraná,  da  pessoa  jurídica  AROSUCO  AROMAS  E  SUCOS  LTDA.  (CNPJ  n°  03.134.910/0001­55  –  matriz),  porque  a  alíquota  prevista  na  TIPI  (Decreto  nº  6.006,  de  28  de  dezembro  de  2006)  para  os  produtos  fornecidos  por  essa  pessoa  jurídica  ser  0%  (ZERO),  em  razão  de  a  classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento  do  IPl  de  2010,  e  com  as  Regras  Gerais  para  Interpretação  ­  RGI,  Regras Gerais Complementares ­ RGC e Notas Complementares ­ NC,  todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL ­ NCM, integrantes do  seu  texto,  ser  o  subitem 2106.90.10,  inexistindo  créditos  incentivados  em função disso.  São  créditos  indevidos  e  hão  de  serem  glosados  os  decorrentes  das  aquisições  de  concentrados  para  refrigerantes  de  sabor  guaraná,  da  pessoa  jurídica  AROSUCO  AROMAS  E  SUCOS  LTDA.  (CNPJ  n°  03.134.910/0001­55  –  matriz),  porque  a  alíquota  prevista  na  TIPI  (Decreto  nº  6.006,  de  28  de  dezembro  de  2006)  para  os  produtos  fornecidos  por  essa  pessoa  jurídica  ser  0%  (ZERO),  em  razão  de  a  classificação fiscal correta, de acordo com o art. 16, do Regulamento  do  IPl  de  2010,  e  com  as  Regras  Gerais  para  Interpretação  ­  RGI,  Regras Gerais Complementares ­ RGC e Notas Complementares ­ NC,  todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL ­ NCM, integrantes do  seu  texto,  ser  o  subitem 2106.90.10,  inexistindo  créditos  incentivados  em função disso.  Em  relação  aos  insumos  filmes  plásticos  produzidos  pela  VALFILM  AMAZONIA  INDUSTRIA  E  COMERCIO  LTDA.,  CNPJ  sob  o  nº  03.071.894/0001­07,  informou essa que, a partir de 05/2010,  fez uso,  na saída de seus produtos, da isenção prevista no art. 81, II do RIPI de  2010, por conseguinte, nos períodos de apuração a partir de junho de  2010, não havia previsão legal para o creditamento de valores de IPI  na aquisição desses produtos por parte da fiscalizada, logo, são esses  créditos indevidos e hão de serem glosados.  Já, a RAVIBRAS EMBALAGENS DA AMAZONIA LTDA., Cadastro de  Pessoas  Jurídicas  –  CNPJ  sob  o  nº  08.658.519/0001­73,  apresentou  declaração  confirmando  que  suas  vendas  eram  isentas  por  se  enquadrarem  no  art.  81,  II  do  RIPI  de  2010,  ou  seja,  não  havia  previsão  legal  para  o  creditamento  de  valores  de  IPI  na  aquisição  Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.997            33 desses produtos por parte da  fiscalizada, portanto,  são  esses  créditos  indevidos e hão de serem glosados.  E  por  fim,  a  fiscalizada  creditou­se  indevidamente  das  aquisições  de  janeiro  de  2012  a  dezembro  de  2012,  de  Kits  Kit  35005*06  –  Kit  PepsiCola e Kit  35005*01*01 – Kit Pepsi Acidulante, Kit Pepsi Zero  Acidulante, Kit Pepsi Twist Sais, Kit Pepsi Zero sais, Kit Pepsi Twist  cola flavour código 35005*14, Kit Pepsi Zero flavour, Kit Pepsi Zero  max  flavour, Kit Pepsi Zero natural  flavour  e Kit Pepsi Twist  código  92318*01, e kits Pepsi Twist ZERO, e kits H20H limão, e de janeiro de  2012  até  dezembro  de  2012,  aquisições  da  Pepsi  INDUSTRIAL  DA  AMAZONIA LTDA, pois que a saída dos “kits” deu­se com a isenção  do art. 9º do Decreto­lei nº 288, de 1967, que não gera crédito  ficto,  bem como, porque a alíquota prevista na TIPI (Decreto nº 6.006, de 28  de  dezembro  de  2006)  para  os  produtos  fornecidos  por  essa  pessoa  jurídica ser 0% (ZERO), em razão de a classificação fiscal correta, de  acordo com o art. 16, do Regulamento do IPl de 2010, e com as Regras  Gerais  para  Interpretação  ­  RGI,  Regras  Gerais  Complementares  ­  RGC e Notas Complementares  ­ NC,  todas  da Nomenclatura Comum  do  MERCOSUL  ­  NCM,  integrantes  do  seu  texto,  ser  o  subitem  2106.90.10, inexistindo créditos incentivados em função disso.  Considerando  o  acima  exposto,  conclui­se  que  esses  créditos  foram  indevidamente escriturados e utilizados na apuração do Imposto sobre  Produtos Industrializados, o que ocasionou a falta de recolhimento de  IPI, devendo serem glosados”.  Os  valores  glosados  dos  créditos  incentivados  indevidos  estão  consignados na planilha inserta no relatório fiscal à fl. 888.  Responsabilidade do adquirente pela infração à legislação tributária A  responsabilidade pela infração à legislação tributária é do adquirente,  tendo  este  que  verificar  se  os  insumos  recebidos  cumprem  todas  as  prescrições  legais  e  regulamentares  previamente  ao  cálculo  e  à  escrituração  fiscal  do  crédito  incentivado  (Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro de 1964, art. 62).  Aliás,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe da intenção do agente ou do responsável (CTN, art. 136); ou  seja,  a  responsabilidade  por  infrações  não  tem  como  antecedente  lógico o dolo ou a culpa.  Os  componentes dos “kits”  foram recebidos pela adquirente como se  fossem  um  produto  único,  sem  discriminação  e  quantificação  individualizadas.  Adicionalmente, no relatório fiscal:  “No presente caso, ocorreram danos ao erário em função do cálculo e  aproveitamento  de  créditos  fictos  indevidos  por  parte  da  fiscalizada,  resultantes  da  aplicação  de  alíquota  incorreta  do  IPI,  além  do  aproveitamento  de  entradas  Na  hipótese  da  autuada  se  considerar  prejudicada pelos fornecedores, terá o direito de buscar na Justiça seu  direito  de  regresso,  para  reaver  os  montantes  perdidos.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  tem  decisões  neste  sentido,  como  é  o  caso  do  Recurso  Especial  nº  58.845  (DJ  de  28/08/2000,  Ministra  Eliana  Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.998            34 Calmon  Relatora),  que  tratou  de  caso  onde  o  contribuinte  de  direito  era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir:  1.  Pelo mecanismo  dos  impostos  indiretos,  a  relação  jurídica  que  se  estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco.  (...)  3. Possibilidade de vir o contribuinte de direito (vendedor) a ingressar  com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito  (o comprador).  Ressalta­se  que  o  entendimento  esposado  quanto  ao  comerciante  de  boa­fé  aproveitar  os  créditos  de  ICMS,  decorrentes  de  nota  fiscal  posteriormente  declarada  inidônea,  não  pode  no  presente  caso  ser  aplicado, porque a autuada se trata de adquirente de produtos isentos.  A  decisão  prolatada  no  REsp  nº  1.148.444  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (DJ de  27/04/2010, Ministro Luiz Fux Relator),  que  entendeu  que o adquirente que receber as chamadas "notas frias" pode manter  os  créditos  só  foi  adotado  porque  ficou  demonstrado  que  ocorreu  o  pagamento da operação comercial que precedeu o aproveitamento do  ICMS. Nesse Recurso Especial, houve comprovação de pagamento do  ICMS, já que o tributo está incluído no preço de venda da mercadoria,  e “no que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de  pagamento  às  empresas  cujas  notas  fiscais  foram  declaradas  inidôneas".  A autuação trata de caso diverso, uma vez que a  fiscalizada calculou  um  crédito  ficto,  assim  não  houve  pagamento  de  imposto  nas  aquisições, pois os produtos saíram do fornecedor com isenção do IPI.  E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias,  os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do  Brasil,  procedimento  atualmente  regulado  por  meio  da  IN  RFB  nº  1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente.  No  caso  dos  kits  para  refrigerantes,  não  se  formalizou  qualquer  consulta sobre sua classificação.  Tratando­se  de  procedimento  que  implicaria  aproveitamento  de  milhões  de  reais  a  cada  mês,  a  autuada  se  desejasse  agir  com  diligência no cumprimento de suas obrigações fiscais, só aproveitaria  os  créditos  fictos  caso  tivesse  base muito  sólida. Constatando que  os  fornecedores  não  tomaram  a  iniciativa  de  esclarecer  o  assunto,  à  fiscalizada  caberia  solicitar  que  eles  formalizassem  consulta.  O  estabelecimento industrial não teria motivos para deixar de atender a  tal pedido, a não ser que tivesse receio do resultado da consulta.  Os  fornecedores  sempre  estiveram  cientes  da  importância  da  classificação  fiscal  de  seus  produtos,  em  função dos  enormes  valores  de créditos gerados para seus adquirentes. O fato dos fornecedores não  terem  formalizado  consulta  sobre  classificação  fiscal  de mercadorias  junto  à  Receita  Federal  seria  motivo  suficiente  para  a  fiscalizada  entender  que  eles  não  confiam  na  correção  da  classificação  que  adotam e se abster de aproveitar o crédito duvidoso.  Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 1.999            35 A  fiscalizada  não  demonstrou  o  menor  interesse  em  se  certificar  da  correção da classificação indicada pelos fornecedores, apesar de não  existir  base  legal  para  aproveitamento  de  créditos  que  não  correspondam  ao  exato  produto  entre  o  valor  tributável  do  IPI  e  a  alíquota correta do imposto.  E mais, a fiscalizada se aproveitou de créditos incentivados, tendo sido  ela,  e  não  o  fornecedor,  que  efetuou  o  cálculo  do  imposto  mediante  aplicação de alíquota incidente incorreta.  Isso  posto,  entende­se  que  restou  caracterizada  responsabilidade  da  autuada, que, ao menos, assumiu o risco que permitiu a ocorrência da  infração”.  Créditos totais glosados no importe de R$ 24.406.881,48, consoante as  planilhas às fls. 779 e 888.  CRÉDITOS REFERENTES A ARTIGOS ADQUIRIDOS PARA USO E  CONSUMO  Foram  aproveitados,  outrossim,  créditos  distintos  de  créditos básicos admissíveis, alusivos a artefatos adquiridos para uso e  consumo  em  2012,  mais  especificamente:  itens  de  manutenção  e  material  intermediário  de  produção,  conforme  detalhamento  inequívoco na planilha que  integra o  termo de descrição dos  fatos às  fls. 896 e 897.  Na  acepção  do  Parecer  Normativo  CST  nº  65,  de  1979,  incluem­se  entre  as  matérias  primas  e  os  produtos  intermediários  aqueles  que,  embora  não  integrem  o  produto  final,  sofram  alterações  (desgaste,  dano  ou  perda  de  propriedades  físicas  e  químicas)  na  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  em  industrialização.  Nem  todos  os  insumos  adquiridos  e  utilizados  na  produção  caracterizam­se  como  matérias primas ou produtos intermediários.  Na mesma linha lógica já havia o Parecer Normativo nº 181, de 1974.   De acordo com o relatório fiscal:  “Destarte, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, e do  Parecer Normativo n° 181, de 1974, e, em consonância com o inciso I  do  art.  226  do  RIPI  de  2010,  geram  direito  ao  crédito,  além  das  matérias primas, produtos intermediários "stricto­sensu" e material de  embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens —  desde  que  não  contabilizados  pelo  contribuinte  em  seu  ativo  permanente — que se consumam por decorrência de um contato físico,  ou  melhor  dizendo,  que  sofram,  em  função  de  ação  exercida  diretamente sobre o produto em fabricação, isto é, proveniente de ação  exercida  diretamente  pelo  bem  em  industrialização,  alterações  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  restando  definitivamente  excluídos  aqueles  que  não  se  integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização.  E  não  existe  amparo  legal  que  dê  direito  ao  crédito  do  imposto  referente  aos  insumos  peças  e  partes  de  máquinas,  produtos  para  higienização do maquinário ou de embalagens, produtos utilizados na  manutenção das máquinas, inclusive lubrificantes e óleos.  Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.000            36 Não  devem  ser  aceitos,  portanto,  os  valores  referentes  a  gastos  com  combustíveis  e  lubrificantes,  energia  elétrica,  equipamentos  de  segurança,  filtros  e  retentores,  material  de  limpeza  e  higienização,  material  elétrico  e  hidráulico,  peças  de  reposição  e  uniformes  dos  empregados, para gerar o crédito básico, uma vez que esses bens não  se  incluem  no  conceito  de  matéria­prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem,  consumidos  no  processo  de  industrialização,  únicos insumos admitidos por lei”.  O direito ao  crédito de  IPI pressupõe a  existência de duas  condições  aditivas: a) integração do insumo ao produto final ou consumo daquele  em contato direto com o produto em industrialização; b) o insumo não  pode  ser  parte  ou  peça  de  máquinas  e  equipamentos,  nem  pode  corresponder  a  produtos  empregados  na  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos, incluídos óleos e lubrificantes.  Créditos  indevidos  no  montante  de  R$  24.657,33  discriminados  nos  demonstrativos às fls. 897 e 898.  CRÉDITOS DE BEBIDAS ADQUIRIDAS PARA COMERCIALIZAÇÃO  Houve,  ademais,  no  período  de  janeiro  a  dezembro  de  2012,  a  apropriação  de  créditos  de  IPI  na  entrada  de  produtos  acabados  (bebidas  refrigerantes)  provenientes  de  diversos  estabelecimentos  da  AMBEV.  As  industrializações  não  foram  efetuadas  por  encomenda  e  a  impugnante  deu  saída  às  bebidas  recebidas  mediante  a  emissão  de  notas  fiscais de venda para  terceiros, com destaque do  imposto,  e de  notas fiscais de transferência para outros estabelecimentos filiais com  suspensão do imposto.  O estabelecimento matriz da empresa fiscalizada é optante do Regime  Especial  de  Tributação  de  Bebidas  Frias  (REFRI),  sendo  a  opção  válida para todos os estabelecimentos.  Durante  o  ano  de  2012,  o  sujeito  passivo  estava  sujeito  ao  Regime  Especial  de  Tributação  de Bebidas  Frias  (REFRI),  previsto  nos  arts.  58­A  a  58­U  da  Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  com  a  redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 (RIPI/2010,  arts.  204  a  206),  de  acordo  com  o  disposto  originalmente  na  Lei  nº  7.798, de 10 de julho de 1989, art. 4º, ou seja, sem poder se creditar do  imposto  destacado  nas  notas  fiscais  de  transferência  de  bebidas  em  virtude  de  que:  a)  se  trata  de  produtos  acabados  destinados  a  comercialização e não de matérias primas, produtos intermediários ou  material de embalagem;  b)  o  imposto  incide  sobre  os  produtos  acabados  uma  única  vez,  na  saída  do  estabelecimento  industrial  ou  equiparado  a  industrial,  vale  dizer, o  imposto não é mais devido em operação posterior  (art. 58­N,  I);  c)  não  houve  operação  de  industrialização  por  encomenda,  que  representa  uma  exceção  ao  regime  de  incidência  única  (na  industrialização por encomenda, há incidência do imposto também na  saída do estabelecimento encomendante) (art. 58­N, § único).  Planilha de notas fiscais às fls. 780/790 e créditos indevidos no total de  R$ 818.682,68 discriminados no demonstrativo às fls. 897 e 898.  Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.001            37 CRÉDITOS  DE  CONCENTRADOS  PARA  REFRIGERANTES  ADQUIRIDOS  DE  OUTRO  ESTABELECIMENTO  DA  MESMA  EMPRESA  COM  ERRO  DE  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  Ocorreu  também, no período de janeiro a dezembro de 2012, a apropriação de  créditos  de  IPI  na  entrada  de  “kits”  para  refrigerantes  acobertados  por  notas  fiscais  emitidas  por  diversos  estabelecimentos  da  AMBEV,  conforme a transcrição que segue:  “Acontece que,  tais kits  foram classificados  incorretamente nas notas  fiscais de entrada, no Ex 01 do código 2106.90.10. "preparações para  elaboração de bebidas" (NCM 2106.90.10) e "Preparações compostas,  não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para  elaboração de  bebida  da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição  superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado" (Ex 1  da NCM 2106.90.10) ".  De  tudo  até  aqui  exposto,  considera­se  que  foi  devidamente  provado  que o enquadramento no Ex­tarifário 01 é indevido, sendo que os kits  de  refrigerante  a  seguir  listados  são  classificados  de  acordo  com  as  regras do Sistema Harmonizado na posição da NCM 2106.90.10, para  qual a Tabela de Incidência de IPI, à época dos fatos previa a alíquota  de 0% (zero):  ­ CONC NAT S GUARANA DIET FE1431 KIT ­ KIT PTWZERO ­ KIT  PEPSI COLA TWIST ­ CONC NAT LIMAO DIET FE1403 KIT ­ CONC  NAT  S  TONICA  FE  1401  KIT  ­  CONC  NAT  S  LARANJA  BR  KIT  ­  CONC NAT S GUARANA FE1430 BOMBONA 20L KI  ­ CONC NAT  LIMAO  FE1403  BOMBONA  ­  CONC  NAT  S  GUARANA  FE1430  BOMBONA  Intimou­se  a  fiscalizada  então  demonstrar  o  pagamento  realizado  pela  aquisição  desses  insumos,  em  resposta,  a  autuada  asseverou que a transferência de recursos ao emitente é realizada via  encontro  de  contas.  Também  apresentou  documentos  e  notas  fiscais  relacionadas a resposta apresentada.  Não restou claro que a autuada tenha arcado com o ônus financeiro do  imposto  na  entrada  dos  produtos,  e,  considerando  que  tais  créditos  básicos são indevidos e que, caso a autuada se considere prejudicada  pelos  fornecedores,  terá o direito de buscar na  Justiça  seu direito de  regresso,  para  reaver  os montantes  perdidos,  há  que  serem  glosados  tais créditos.  O Superior  Tribunal  de  Justiça  tem decisões  neste  sentido,  como  é  o  caso  do  Recurso  Especial  n°  58.845  (DJ  de  28/08/2000,  Ministra  Eliana  Calmon  Relatora),  que  tratou  de  caso  onde  o  contribuinte  de  direito era o vendedor. A Ementa está transcrita em parte a seguir:  1.  Pelo mecanismo  dos  impostos  indiretos,  a  relação  jurídica  que  se  estabelece é entre o contribuinte de direito e o fisco.  (...)  3. Possibilidade de viro contribuinte de direito (vendedor) a ingressar  com direito de regresso pelo desfalque contra o contribuinte de direito  (o comprador).  Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.002            38 E, mais, havendo dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias,  os contribuintes devem formular consultas para a Receita Federal do  Brasil,  procedimento  atualmente  regulado  por  meio  da  IN  RFB  n°  1.464, de 2014, cujo resultado vincula a Administração e o consulente.  No  caso  dos  kits  para  refrigerantes,  não  se  formalizou  qualquer  consulta sobre sua classificação”.  Portanto, foram glosados os créditos básicos escriturados em razão da  entrada de  insumos  (kits de  refrigerantes) por  ser a alíquota prevista  para  tais mercadorias de 0% (zero), nos  termos do art. 25, da Lei n°  4.502,  de  1964,  e  art.  226,  do  RIPI/2010,  no  montante  de  R$  1.283.622,24, consoante planilha à fl. 791.  Glosa  dos  Créditos  e  Reconstituição  da  Escrita  Fiscal  O  crédito  passível  de  glosa  é  no  importe  de  R$  26.531.843,73,  sendo  que,  em  virtude  da  existência  de  saldos  credores  no  período  fiscalizado,  foi  empreendida a reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo  às fls. 923/925.  A  escrita  fiscal  passível  de  reconstituição  não é  aquela  definida  pelo  Sistema  de  Controle  de  Créditos  e  Compensações  (SCC),  tendo  em  conta que os pedidos de ressarcimento cumulados com declarações de  compensação (PER/DCOMP) dos  trimestres de 2012 encontravam­se,  à época da lavratura da peça fiscal, pendentes de análise.  E, adicionalmente, há a seguinte transcrição:  “Cabe ressaltar quanto à reconstituição da escrita  fiscal, que por  ter  sido  objeto  de  PerdComp  analisada  e  indeferida,  havendo  inclusive  lançamento  anterior  do  saldo  devedor  (processo  administrativo  fiscal  de  nº  10880.727044/2015­61),  houve  alteração  da  escrita  fiscal  da  fiscalizada  do  saldo  credor  do  período  anterior  (quarto  trimestre  de  2011)  aos  períodos  de  apuração  de  janeiro  de  2012  a  dezembro  de  2012, que foi considerado inexistente. Igualmente, o estorno de crédito  (débito)  escriturado  em  janeiro  de  2012,  em  razão  do  pedido  de  ressarcimento  do  quarto  trimestre  de  2011,  foi  considerado  igual  a  zero.  A partir dessa escrita, é que se realizou a reconstituição em função das  glosas e demais lançamentos da autuação.  Nos períodos de apuração em que a fiscalizada apresentou Pedido de  Ressarcimento do  trimestre anterior  (abril,  julho  e outubro de 2012),  em sua escrituração, houve Estorno de Créditos no valor dos pedidos  formulados, na forma de débitos de IPI.  Deste  modo,  tendo  a  fiscalização  concluído  pela  glosa  de  diversos  créditos escriturados, o que implicou saldo credor inexistente em todos  os  períodos  em  que  o  sujeito  passivo  formulou  tais  pedidos  de  ressarcimento – sendo, portanto, esses improcedentes –, a fiscalização,  ao  realizar  a  reconstituição  da  escrita  fiscal,  incluiu,  no  período  de  apuração  nos  quais  se  constatou  estorno  de  crédito  efetuado  pela  fiscalizada,  crédito  no  mesmo  valor  do  estorno,  para  impedir  que  a  glosa de créditos, em conjunto com o estorno de crédito já escriturado,  resultasse em cobrança de valores em duplicidade.  Fl. 2002DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.003            39 A  escrita  fiscal  para  o  período  janeiro  de  2012  a  dezembro  de  2012  passa  a  ser  a  descrita  no Auto  de  Infração,  e,  no  fim  do  período  de  apuração  de  2012,  não  houve  saldo  credor  disponível  ao  final  do  período e sim, tributo a pagar”.  Considerações  Finais  Foram  articuladas  as  seguintes  considerações  pela  autoridade  fiscal  acerca  da  classificação  fiscal  dos  insumos  fornecidos pelas empresas PEPSI e AROSUCO:  “A  análise  das  características  dos  insumos  fornecidos  por  Pepsi  e  Arosuco,  evidenciou  que  o  produto  que  as  empresas  chamam  de  "concentrado"  é  na  realidade  um  conjunto  de  matérias­primas  e  produtos intermediários. Assim, o termo "concentrado" foi empregado  de maneira tecnicamente incorreta, e seu uso refletiu apenas a prática  comercial das empresas.  E,  a  classificação  fiscal  é definida  pelas  características  intrínsecas  e  extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador.  É  irrelevante,  para  fins  de  classificação  fiscal,  que  Pepsi  e  Arosuco  sempre  remetam  os  produtos  para  fabricantes  de  bebidas,  pois  a  legislação não permite que o enquadramento na TIPI seja determinado  caso a  caso,  conforme a utilização que  será dada pelos destinatários  da mercadoria.  Manifesto  é que as  características de um produto  industrializado  são  influenciadas  pela  utilização  para  a  qual  o  produto  foi  concebido.  Entretanto,  mesmo  nas  situações  em  que  o  destino  e  a  forma  de  utilização da mercadoria são fundamentais, a NESH não prevê que se  deva  analisar  a  motivação  de  destinatários  específicos  ou  outros  aspectos  da  realidade  econômica  em  que  se  insere  o  fabricante.  Analisa­se,  sim,  a  embalagem  do  produto,  o  seu  formato,  e  outras  características que independem dos fatores mencionados.  Por  exemplo,  uma das  características  que  podem definir  o  código  de  classificação da mercadoria é sua apresentação.  O  art.  6º  do  RIPI,  de  2010,  trata  das  definições  de  embalagens  de  transporte  e  de  apresentação,  aplicadas  quando  a  incidência  do  imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto.  A  NESH  prevê  vários  casos  em  que  o  código  de  classificação  a  ser  adotado  é  determinado  pela  embalagem  de  apresentação  onde  está  acondicionada a mercadoria. Como exemplo, traz­se trecho da NESH,  transcrito a seguir, retirado das Considerações Gerais do Capítulo 28:  Alguns  produtos  inorgânicos  não  misturados,  embora  normalmente  incluídos  no Capítulo  28, podem  excluir­se  deste Capítulo  quando  se  apresentem  sob  formas  ou  acondicionamentos  especiais  ou  ainda  quando  tenham sido  submetidos a  tratamentos que não modifiquem a  sua constituição química.  É o que sucede nos seguintes casos:  a)  Produtos  próprios  para  usos  terapêuticos  ou  profiláticos  que  se  apresentem em doses ou acondicionados para venda a retalho (posição  30.04). (...)  Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.004            40 Prosseguindo­se  no  exemplo,  de  acordo  com  a  NESH,  todos  os  produtos  próprios  para  usos  terapêuticos  ou  profiláticos  que  se  apresentem  em  doses  ou  acondicionados  para  venda  a  retalho  são  excluídos do Capítulo 28, devendo ser classificados na posição 30.04.  Deve­se  observar  que  tal  regra  é  válida  para  qualquer  operação,  inclusive na hipótese de que ocorram saídas destinadas a adquirentes  que  nunca  utilizem os  produtos  para  fins  terapêuticos  ou  profiláticos  Ainda  com  relação  ao  mencionado  exemplo,  se  o  estabelecimento  industrial,  por  outro  lado,  vender  produtos  próprios  para  usos  terapêuticos ou profiláticos sem que eles estejam acondicionados para  venda a retalho ou em doses, eles devem ser classificados no Capítulo  28, ainda que o fabricante em questão tenha contrato de exclusividade  com  adquirente  que  utilize  a  mercadoria  somente  para  usos  terapêuticos ou profiláticos.  Voltando­se  aos  kits  ou  concentrados  para  preparação  de  refrigerantes,  como  já  devidamente  exposto,  os  kits  não  podem  ser  classificados em código próprio para preparação composta, pois algo  que  não  está  misturado,  pronto  para  uso  pelo  adquirente,  não  se  caracteriza como preparação.  Mesmo  que  se  alegue  que  em  trabalhos  anteriores  realizados  pelo  Fisco  em  estabelecimentos  da  Ambev  jamais  houve  qualquer  tipo  de  discordância quanto ao enquadramento dos "kits" para a fabricação de  bebidas no Ex 01 do código 2106.90.10, tal argumentação não merece  prosperar.  A  fiscalizada  decidiu  por  sua  conta  e  risco  calcular  os  créditos  incentivados aplicando as alíquotas de 27% (vinte e sete por cento) ou  20% (vinte por cento) nas aquisições dos kits, apesar da inexistência de  consultas  para  a  Receita  Federal  do  Brasil  sobre  a  correta  classificação dos insumos adquiridos.  Certo  é  que  não  houve,  por  parte  do Fisco,  emissão  de qualquer  ato  administrativo  dando  amparo  à  classificação  fiscal  adotada  pela  fiscalizada.  E,  não  está  correto  asseverar  que  o  tratamento  fiscal  conferido  por  Ambev  aos  kits  tenha  sido  homologado  no  âmbito  dos  lançamentos  prévios.  Em  procedimentos  fiscais  anteriores  relativos  aos  créditos  oriundos  das compras de Pepsi e Arosuco, o Fisco  tratou do direito de Ambev  aproveitar  créditos  do  IPI  correspondentes  ao  valor  do  tributo  incidente  sobre  “concentrados”  procedentes  da  Zona  Franca  de  Manaus, no caso de bens que somente faziam jus à isenção do art. 69,  inciso II, do RIPI, de 2002.  Não  tendo  analisado  a  correção  da  classificação  utilizada  para  os  insumos  isentos,  o  Fisco  empregou  em  seus  relatórios  o  código  e  alíquota  adotados  pela  empresa,  sem  que  isto  significasse  concordância ou não com sua correção.  A análise do direito ao crédito do IPI em aquisições de insumos isentos  há muito  tempo  vem  sendo  efetuada  pela  Justiça,  inclusive  em  ações  Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.005            41 judiciais propostas por engarrafadores de refrigerantes. Nestas ações,  os  “concentrados”  são  tratados  como  uma  mercadoria  única  cuja  alíquota é de 27% (vinte e sete por cento), mas não está em julgamento  se  os  insumos  são  ou  não  uma  mercadoria  única,  nem  a  correta  classificação fiscal de acordo com a NCM.  Aguarda­se a decisão final do STF sobre o direito ao crédito oriundo  de insumos isentos  fabricados em Manaus. Na hipótese de que o STF  decida adotar entendimento favorável às empresas no que se refere ao  crédito oriundo dos insumos isentos, isto não significaria concordância  da  Justiça  com  os  critérios  e  formas  de  cálculo  utilizados  pelos  contribuintes.  Há  que  se  ter  em  mente  que  a  citação,  pelo  Fisco,  dos  códigos  de  classificação  adotados,  pelo  contribuinte,  não  se  caracteriza  como  homologação de critério jurídico.  Entender  que  a  cada  encerramento,  ainda  que  parcial,  de  procedimento  de  fiscalização,  há  homologação  das  classificações  fiscais  adotadas  pelo  contribuinte,  significaria  que  o  simples  encerramento  de  uma  ação  fiscal  relativa  ao  IPI, mesmo  que  não  se  tenha  avaliado  a  correção  de  códigos  de  classificação  fiscal,  produziria  efeito  similar  ao  de  Soluções  de  Consulta  emitidas  pela  Receita Federal.  E,  quanto  a  quaisquer  afirmações de  que  a  reclassificação  fiscal  das  mercadorias pretendida pela Fiscalização haveria de estar respaldada  por  laudo  técnico,  é  cediço  que  cabe  ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal do Brasil determinar a classificação fiscal de mercadorias de  acordo com as regras do Sistema Harmonizado independentemente da  existência de laudo técnico.  Ademais,  a  questão  que  se  discute  quanto  à  classificação  fiscal  é  se  podem ser classificados como se fossem uma mercadoria única os kits  acondicionados  individualmente  e  assim  transportados  até  o  adquirente. São incontroversos os dados que levaram a fiscalização a  concluir pelo erro na classificação e alíquota utilizada pela empresa.  Nesse sentido, o § 1°, do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, que diz  que  não  se  considera  como  aspecto  técnico,  a  classificação  fiscal  de  produtos:  Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises,  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia  e  de  outros  órgãos  federais  congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência,  salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres.  § 1° Não  se considera  como aspecto  técnico a classificação  fiscal de  produtos.  (...)  Retornando­se  a  classificação  fiscal  das  mercadorias  que  teriam  gerado  o  creditamento  incentivado  nesta  autuação  considerado  indevido,  concluiu­se  que  para  ser  classificada  nos  ex­tarifários  do  Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.006            42 código  2106.90.10.  da NCM  é  indispensável  que  os  ingredientes  que  formam determinada preparação composta estejam misturados.  Sendo que, no momento em que os insumos são recebidos por Ambev,  eles  não  estão  misturados,  e,  portanto,  não  se  constituem  na  preparação  composta  a  que  se  refere  a  Nota  Explicativa  da  posição  2106.  Averiguou­se,  no  curso  deste  procedimento  fiscal,  é  que  cada  componente  do  kit  (Parte),  isoladamente  considerado,  configura  preparação  composta,  não  existindo  qualquer  fundamento  no  entendimento  de  que  um  conjunto  de  preparações  compostas  não  misturadas entre si forma uma preparação composta.  E  repita­se,  não existe preparação,  seja ela  simples ou  composta,  em  que  os  ingredientes  estejam  acondicionados  em  embalagens  individuais!!!  O que ocorre é que no momento da ocorrência do fato gerador, cada  componente  (Parte)  se  enquadra  em  um  código  de  classificação  próprio,  podendo  incluir  inclusive  bens  que  não  se  classificam  na  posição 21.06.  Tanto  é  que,  de  acordo  com  a  decisão  do  CCA  objeto  de  tradução  juramentada,  a  matéria  pura  benzoato  de  sódio,  ainda  que  fazendo  sendo  um  dos  componentes  (Parte)  de  um  kit  para  fabricação  de  bebidas, deve ser classificada separadamente no código 2916.31.  Os  trechos  transcritos  da NESH da  posição  21.06  não  especificam o  entendimento a ser adotado em relação a mercadorias classificadas na  posição 29.16, referindo­se sim, a um produto industrializado em que,  em  alguns  casos,  tem  o  benzoato  de  sódio  como  um  de  seus  ingredientes.  E,  constatou­se  que,  sendo  os  kits  formados  por  vários  componentes  acondicionados em embalagens individuais,  tratam­se de mercadorias  que não estão prontas para uso pelo adquirente (aquele que utiliza os  insumos para elaborar refrigerantes), precisando passar por operação  de industrialização intermediária.  Depois da etapa do processo industrial, em que acontece a mistura dos  componentes  dos  kits  (Parte  A  e  Parte  B,  Kit  Pepsi  e  Kit  Pepsi  Acidulante),  o  qual  ocorre  no  estabelecimento  da Ambev  após  o  fato  gerador, aí então é que se  forma uma preparação composta, produto  da  industrialização  ocorrida  no  estabelecimento  fiscalizado,  a  qual  ainda recebe tratamento complementar, com o acréscimo de água e gás  carbônico.  Caso não  fosse necessária a adição de água, a preparação composta  não poderia ser chamada de concentrado, preparação classificada na  posição 21.06 cuja característica básica é ter um volume muito menor  do que as bebidas não alcoólicas da posição 22.02.  E  a  Nota  Explicativa  da  posição  2106,  quando  fala  em  tratamento  complementar,  não  está  se  referindo  à  operação  de  industrialização  Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.007            43 realizada  com  as  matérias­primas  após  seu  recebimento  pelo  engarrafador.  Refere­se,  sim, à adição de água e outras operações  complementares  efetuadas  sobre  o  concentrado  –  preparação  composta,  produto  da  industrialização ocorrida no estabelecimento fiscalizado, resultante da  mistura de diversos ingredientes.  Sobre a definição correta de concentrado, menciona­se o § 4º do art.  13,  do  Decreto  n°  6.871,  de  2009,  o  qual  define  expressamente  as  características do concentrado:  §  4º  O  produto  concentrado,  quando  diluído,  deverá  apresentar  as  mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade  para a bebida na concentração normal.”  E claro é que a norma transcrita nesse dispositivo, art. 13, do Decreto  n° 6.871, de 2009, não abrange apenas “bebida pronta concentrada (e  não de concentrados ou sabores para a fabricação de bebidas)”, que  são  os  concentrados  cuja diluição  é  feita  pelo  consumidor  final,  pois  em  seus  §§  6º  e  7º  dão  orientações  que  são  de  interesse  apenas  de  estabelecimentos que industrializam bebidas, como é o caso de Ambev:  Art.  13.  A  bebida  deverá  conter,  obrigatoriamente,  a  matéria­prima  vegetal,  animal  ou  mineral,  responsável  por  sua  característica  sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco.  §  1o  A  bebida  que  apresentar  característica  sensorial  própria  da  matéria­prima de sua origem, ou cujo nome ou marca se lhe assemelhe,  conterá,  obrigatoriamente,  esta  matéria­prima,  ressalvados  os  casos  previstos no caput.  § 2º O xarope e o preparado sólido para refresco que não contiverem a  matéria­prima  de  origem  vegetal  serão  classificados  e  considerados  artificiais, integrando à sua denominação o termo artificial.  [...]§ 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as  mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade  para a bebida na concentração normal.”  [...]§ 6o Na bebida que contiver gás carbônico, a medida da pressão  gasosa  será  expressa  em  atmosfera,  à  temperatura  de  vinte  graus  Celsius.  § 7o A água destinada à produção de bebida deverá atender ao padrão  oficial de potabilidade.  E  vale,  por  fim,  aqui  repisar  que  o  fato  da  aquisição  das Partes  dos  denominados  concentrados  ocorrer  em  conjunto  por  questões  industriais e logísticas, em nada altera a classificação fiscal a ser dada  para cada Parte (componente)”.  Ciência  e  Impugnação  A  empresa  tomou  ciência  da  exação  em  01/08/2016, conforme o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem  – Comunicado (fl. 933).  Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.008            44 Em  31/08/2016,  insubmissa,  a  contribuinte  apresentou,  por  meio  de  Termo  de  Solicitação  de  Juntada  (fl.  935),  a  impugnação  às  fls.  936/980,  subscrita  pelos  patronos  da  pessoa  jurídica  qualificados  na  documentação  de  representação  às  fls  981/992  e  instruída  com  a  documentação  às  fls.  1.021/1.615  e  1.622/1.635,  em  que  aduz,  em  síntese, o seguinte:  Preliminarmente – Nulidade do auto de infração:  1) Ilegitimidade Passiva: o auto de infração foi  lavrado em relação a  empresa sucessora que não realizou as operações que deram causa à  glosa de créditos; a Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV,  CNPJ  02.808.708  foi  incorporada  em  janeiro  de  2014  pelo  sujeito  passivo da autuação, a AMBEV S/A, CNPJ 07.526.557/0001­00, que é  o  estabelecimento  matriz,  localizado  em  São  Paulo,  SP;  o  estabelecimento que efetuou os créditos, ora glosados, era uma filial da  empresa,  com  CNPJ  02.808.708/0081­83,  situada  em  Almirante  Tamandaré,  PR,  e,  depois  da  incorporação,  passou  a  ter  o  CNPJ  07.526.557/0034­ 78, desenvolvendo a mesma atividade fabril anterior;  por  força do CTN, art.  51,  § único,  c/c 132,  e do RIPI/2010, art. 24,  que  tratam  da  autonomia  dos  estabelecimentos  no  tocante  ao  cumprimento  das  obrigações  tributárias  e  da  responsabilidade  tributária pelos sucessores, o auto de infração somente poderia ter sido  lavrado  contra  o  estabelecimento  sucessor,  conforme  julgados  do  CARF; há a resposta nº 29 referente a “Perguntão” da própria Receita  Federal,  pela  qual  seriam  da  filial  resultante  da  incorporação  os  direitos  e  obrigações  relativos  ao  estabelecimento  adquirido;  a  autuação  deve  ser  anulada  por  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo;  2)  Alteração  dos  Critérios  Jurídicos:  houve  violação  do  art.  146  do  CTN, uma vez que não pode haver modificações abruptas nos critérios  jurídicos  adotados  pela  Administração  Tributária;  no  caso  concreto,  houve mudança de entendimento pela fiscalização quanto aos motivos  de  vedação ao  aproveitamento  de  créditos  referentes  a  aquisições  de  produtos da PEPSI­COLA, da AROSUCO e da VALFILM: a) erro de  classificação  fiscal  dosinsumos;  b)  matérias  primas  regionais  submetidas a processamento industrial anterior; em autos de infração  lavrados  anteriormente  sobre  operações  semelhantes,  a  causa  das  glosas foi a falta de cumprimento de requisitos do art. 6º do Decreto­lei  nº  1.435/75,  e  nunca  a  classificação  fiscal  dos  “kits”;  assim  como,  anteriormente  eram  aceitas  matérias  primas  com  processamento  industrial  prévio;  tudo  conforme  amostra  de  autuações  anteriores  (processos  nº  10880.727044/2015­61  e  nº  10480.721667/2015­32),  a  classificação  fiscal  adotada  para  os  “kits”  (2106.90.10  Ex  01)  e  a  apropriação de créditos referentes a produtos elaborados na ZFM com  insumos  industrializados  foram  homologadas  expressamente  em  atos  oficiais, sendo que a previsibilidade (segurança jurídica) deve reger o  sistema  tributário  e  a  retroação  de  normas  mais  gravosas  é  expressamente  vedada  pela  Constituição  Federal  (art.  150,  III),  em  harmonia com os arts. 144 e 146 do CTN, de acordo com doutrina e  jurisprudência;  a  lavratura  do  auto  de  infração questionada  somente  poderia ter ocorrido mediante a expedição prévia de norma de caráter  geral  (ato  normativo)  ou  individual  (notificação  fiscal)  com  a  comunicação  da  mudança  de  procedimento  das  autoridades  Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.009            45 fazendárias; de qualquer modo, a aceitação em ações fiscais anteriores  do  tratamento  fiscal  dado  pelo  sujeito  passivo  às  questões  caracterizaria  prática  reiteradamente  adotada  pela  Administração  Tributária  e,  portanto,  norma  complementar  à  legislação  tributária  (art. 100, III, do CTN), o que motivaria, no mínimo, o afastamento da  multa, dos juros e da correção monetária exigidos;  3)  Iliquidez  e  Incerteza  do  Lançamento:  o  lançamento  é  ilíquido  e  incerto, portanto nulo, conforme entendimento do CARF, pois não foi  utilizada a escrita fiscal definida pelo Sistema de Controle de Créditos  e  Compensações  (SCC)  em  virtude  da  pendência  de  análise  dos  pedidos  de  ressarcimento  apresentados  pela  contribuinte  no  tocante  aos trimestres de janeiro a dezembro de 2012, contudo, os pedidos de  ressarcimento/compensação  deveriam  ter  sido  considerados  como  plenamente  eficazes  por  força  do  CTN,  art.  150,  §  1º,  pelo  qual  o  pagamento antecipado extingue o crédito sob condição resolutória de  ulterior homologação; o  saldo credor existente em dezembro de 2011  não  deveria  ter  sido  desprezado,  pois  o  indeferimento  do  pedido  do  processo administrativo nº 10880.727044/2015­61 depende de decisão  definitiva;  portanto;  o  saldo  credor  de  dezembro  de  2011  e  todos  os  créditos  objeto  de  PER/DCOMP  dos  trimestres  de  2012  foram  desconsiderados  indevidamente,  o que  implica a  exclusão de  créditos  passíveis de ressarcimento no montante de R$ 20.961.717,80 (doc. 09);  a  glosa  do  saldo  credor  de  2011  não  foi  definitiva,  sendo  que  a  contestação  teve  o  condão  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  (CTN, art. 151,  III),  embora,  segundo a doutrina, não haja  suspensão mas sim um simples  impedimento procedimental  (o crédito  não se encontraria definitivamente constituído);  tendo sido ofertada a  impugnação  em  janeiro  de  2016  (doc.  09)  em  relação  ao  processo  administrativo  nº  10880.727044/2015­61,  o  julgamento  do  presente  feito deve ser sobrestado até a superveniência de decisão final naquele  processo, conforme manifestações do CARF nessa linha;  No mérito – Direito aos créditos glosados:  1) Falta de preenchimento dos  requisitos do art. 6º do Decreto­lei nº  1.435/75 para o aproveitamento de créditos de insumos adquiridos dos  fornecedores  AROSUCO,  PEPSI­COLA,  RAVIBRÁS  e  VALFILM,  e  ainda que cumpridos os requisitos, não haveria o direito aos créditos  em  face da alíquota  zero dos  insumos adquiridos da AROSUCO e da  PEPSI­COLA:  1.1)  A  correta  interpretação  do  art.  6º  do  Decreto­lei  nº  1.435/75,  impõe que seja aceita, além da utilização de matéria prima regional in  natura  (matéria  prima  bruta),  a  utilização  de  matéria  prima  processada: a noção de matéria prima empregada pela  lei  é ampla e  genérica,  sendo  que  qualquer  produto  pode  funcionar  como  matéria  prima  de  outro  produto;  o  mencionado  art.  6º  não  faz  alusão  a  “matéria  prima  bruta”  ou  “provinda  da  natureza”,  sendo  a  única  interpretação  possível  é  a  de  que  o  benefício  é  aplicável  a  qualquer  mercadoria  que  contenha  matérias  primas  de  base  vegetal,  independentemente  de  haver  ou  não  processamento;  do  benefício  são  apenas excetuadas as matérias primas de origem animal; o benefício é  de  natureza  objetiva;  conforme  a  Portaria  Interministerial  MPO/MICT/MCT  nº  8/98  (doc.  05),  que  trata  do  processo  produtivo  Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.010            46 básico dos concentrados para refrigerantes, é “admitida a realização,  por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações  inerentes  ao  atendimento  às  etapas  de  produção”,  ou  seja,  há  o  reconhecimento de que o benefício abrange produtos elaborados com  matérias primas de origem agrícola ou extrativas vegetais submetidas  a  processamento  anterior  por  outras  empresas  da  ZFM;  na  mesma  Portaria  Interministerial,  acerca  da  fabricação  do  corante  caramelo,  inexiste  a  exigência  de  que  o  açúcar  seja  originário  da  Amazônia  Ocidental;  1.2)  O  entendimento  oficial  da  SUFRAMA,  órgão  que  detém  a  competência  exclusiva  para  aprovar  e  fiscalizar  os  projetos  de  empresas  que  pretendam usufruir  dos  benefícios  fiscais  do  art.  6º  do  Decreto­lei  nº  1.435/75  (além  de  estabelecer  normas,  exigências,  limitações e condições para a aprovação dos projetos), em resposta a  consulta formulada pela PEPSI­COLA (doc. 06), é o seguinte:  “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não  alcoólicas  a  partir  de  matéria­prima  industrializada  com  extrato  vegetal  produzido  a  partir  de  matéria­prima  industrializada  com  extrato  vegetal  produzido  localmente  que  não  seja  típico  da  região  amazônica  (por  ex.  açúcar  de  cana)  é  beneficiada  com  o  incentivo  previsto  no  art.  6º  do Decreto­lei  n.  1.435/75  (...)”O  contribuinte  de  boa­fé,  adquirente  dos  produtos,  não  pode  ser  penalizado  pelo  “entendimento oficial” dos  órgãos  que  disciplinam e  jurisdicionam o  incentivo  (no  caso, MPO/MICT/MCT  e  SUFRAMA)  e  a  atuação  das  autoridades  fazendárias  deve  ser  coerente  com  a  posição  oficial  do  órgão ao qual compete exclusivamente aprovar os projetos referentes  ao  benefício  fiscal,  o  que  é  ratificado  por  decisão  do  CARF;  a  anulação  de  ato  administrativo  por  “vício  de  ilegalidade”  deve  ser  efetuada  de  forma  expressa  e  com  observância  do  devido  processo  legal, não meramente por via interpretativa, de acordo com posição do  STJ: “quando  se  confere a  certo  e determinado órgão administrativo  alguma atribuição operacional, se está, ipso facto, excluindo os demais  órgãos  administrativos  do  desempenho  legítimo  dessa  mesma  atribuição;  essa  é  uma  das  pilastras  do  sistema  organizativo  e  funcional  estatal  e  abalá­la  seria  o  mesmo  que  abrir  a  porta  da  Administração para a confusão, a celeuma e mesmo o caos”; o auto de  infração  é  improcedente,  pois  a  glosa  de  créditos  relativos  aos  produtos da AROSUCO e da PEPSI­COLA contraria o disposto no art.  6º do Decreto­lei nº 1.435/75;  2)  Os  créditos  sobre  a  aquisição  de  produtos  fabricados  na  Zona  Franca  de  Manaus  têm  apropriação  assegurada;  a  empresa  fornecedora  é  titular  de  incentivo  fiscal  com  tratamento  diferenciado  assegurado pelo art. 40 do ADCT, o que foi reconhecido pelo STF em  ressalva contida em acórdão proferido no RE 566.819/RS, sendo que a  repercussão  geral  será  apreciada  nos  autos  do  RE  nº  592.891/SP;  a  manutenção dos créditos garante o tratamento tributário mais benéfico  para as aquisições oriundas da ZFM;  3)  Ilegitimidade  (nulidade  por  carência  de  motivação  fática  e,  no  mérito,  improcedência)  da  glosa  de  créditos  em  virtude  de  erro  de  classificação  fiscal  dos  “kits”  adquiridos  da  PEPSI­COLA  e  da  AROSUCO:  Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.011            47 3.1)  O  trabalho  fiscal  é  nulo  porque,  à  luz  da  “teoria  dos  motivos  determinantes”, não houve comprovação do “erro” pelo Fisco, sendo  cruciais  a  indicação  dos  motivos  de  fato  e  de  direito  e  a  perfeita  correlação  (subsunção)  do  fato  à  norma  para  a  validade  do  ato  administrativo;  sendo  auto  de  infração,  os  requisitos  do  art.  142  do  CTN devem estar presentes (verificação da ocorrência do fato gerador,  determinação  da matéria  tributável  e  cálculo  do montante  do  tributo  devido);  não  há  elementos  técnicos  para  embasar  a  reclassificação  fiscal,  esta  empreendida  “com  base  em  alegações  calcadas  em  conhecimentos  empíricos,  sem  amparo  em  laudo  técnico  que  justificasse  a  nova  classificação  fiscal  imputada  de  ofício”;  a  classificação fiscal dos produtos é de responsabilidade dos respectivos  fornecedores, e a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação,  colhendo  informações  dos  fornecedores  e  submetendo­as  a  órgão  técnico  especializado,  inclusive  com  a  colheita  de  amostras  e  solicitação  de  perícia,  não  só  meras  fotografias  de  embalagens  dos  “kits”; há precedentes do CARF de nulidade absoluta para situações  de  reclassificação  fiscal  sem  prova  técnica;  a  motivação  fática  da  glosa  também  é  insuficiente,  além  de  deficiente,  porque  a  NCM  2106.90.10 Ex 01 contempla, além dos concentrados, os sabores: seria  necessário  também  comprovar  que  nenhum  dos  componentes  dos  “kits”  corresponde  ao  conceito  de  “sabores”  para  a  fabricação  de  bebidas;  3.2)  Para  a  fiscalização,  mesmo  que  os  insumos  destinados  à  fabricação de bebidas fornecidos pela PEPSI­COLA e pela AROSUCO  estivessem de acordo com as diretrizes do Decreto­lei nº 1.435/75, não  haveria  créditos  do  imposto  a  apropriar  “como  se  devido  fosse”  em  virtude  de  erro  de  classificação  fiscal:  os  insumos  deveriam  ser  enquadrados em códigos diversos, com alíquota zero, e não no código  NCM  2106.90.10  Ex  01,  já  que  os  “kits”  não  poderiam  ser  tratados  como produtos únicos e não constituem “preparações compostas para  fabricação  de  refrigerantes”  por  não  estarem  prontas  para  uso  pelo  adquirente  (a diluição e a gazeificação são feitas por este e não pelo  fornecedor);  a  acusação  fiscal  tem  esteio  na  presunção  de  que  a  PEPSI­COLA  e  a  AROSUCO  teriam  aplicado  as  RGI/SH  2.a)  e  3.b)  com  o  objetivo  de  tratar  os  “kits”  como  mercadorias  únicas  classificadas no código NCM 2106.90.10 Ex 01, mas é manifestamente  improcedente  porque  a  fiscalização  olvidou  da  RGI/SH  nº  1,  regra  preponderante  sobre  as  demais;  prossegue  a  impugnante  conforme  a  transcrição que segue:  “Com  efeito,  assim  dispõe  o  NCM  2106.90.10,  "ex.  01",  cerne  da  acusação fazendária:  "21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas  noutras posições.  2106.90.10  Preparações  dos  tipos  utilizados  para  elaboração  de  bebidas.  Ex  01  (IPI)  Preparações  compostas,  não  alcoólicas  (extratos  concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da  posição  22.02,  com  capacidade  de  diluição  superior  a  10  partes  da  bebida  para  cada  parte  do  concentrado"  A mera  leitura  das  normas  Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.012            48 transcritas  revela  que  o  código  2106.90.10  designa  apenas  as  preparações destinadas à fabricação de bebidas e o seu "ex. 01", mais  específico,  restringe­se  às  "preparações  compostas"  (mais  de  uma  substância)  não  alcoólicas,  utilizadas  "para  a  elaboração"  de  refrigerantes/refrescos  (posição  22.02),  com  capacidade  de  diluição  superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado.  O discrimen utilizado na especificação da NCM, portanto, é finalístico,  sendo  a  sua  pedra  de  toque  o  fato  de  uma  determinada  preparação  composta,  sem  teor  alcoólico  e  com  determinada  capacidade  de  diluição, ser  remetida para a  fabricação de refrescos/refrigerantes. É  esta  a  especificidade  do  "ex"  em  relação  à  descrição  contida  no  "caput" da subposição.  De outro lado, as notas da posição 2106, universo no qual se insere a  NCM  n.  2106.90.10,  inclusive  o  respectivo  "ex.  01",  são  claras  no  sentido de que os extratos concentrados ou sabores para a preparação  industrial de bebidas estão nela compreendidos, ainda que necessitem  de  processo  industrial  complementar  ou  da  adição  de  outros  ingredientes, para se tornarem aptos ao consumo:  “(...) a presente posição compreende:  A)  As  preparações  para  utilização  na  alimentação  humana,  quer  no  estado  em  que  se  encontram,  quer  depois  de  tratamento  (cozimento,  dissolução ou ebulição em água, leite, etc.).  • Classificam­se especialmente aqui:  7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de  substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas  bebidas  não  alcoólicas  ou  alcoólicas.  Estas  preparações  podem  ser  obtidas  adicionando  aos  extratos  vegetais  da  posição  13.02  diversas  substâncias,  tais  como  ácido  láctico,  ácido  tartárico,  ácido  cítrico,  ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de  frutas,  etc.  Estas  preparações  contêm  a  totalidade  ou  parte  dos  ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida.  Em  conseqüência,  a  bebida  em  questão  pode,  geralmente,  ser  obtida  pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou  sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns  destes  produtos  são  preparados  especialmente  para  consumo  doméstico;  são  também  freqüentemente  utilizados  na  indústria  para  evitar os  transportes desnecessários de grandes quantidades de água,  de  álcool,  etc.  Tal  como  se  apresentam,  estas  preparações  não  de  destinam  a  ser  consumidas  como  bebidas,  o  que  as  distingue  das  bebidas do Capítulo 22.  12)  As  preparações  compostas  para  fabricação  de  refrescos  ou  refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por:  ­  xaropes  aromatizados  ou  corados,  que  são  soluções  de  açúcar  adicionadas  de  substâncias  naturais  ou  artificiais  destinadas  a  conferir­lhes,  por  exemplo,  o  gosto  de  certas  frutas  ou  plantas  (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido  cítrico ou de agentes de conservação;  Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.013            49 ­  um  xarope  a  que  se  tenha  adicionado,  para  aromatizar,  uma  preparação  composta  da  presente  posição  (ver  o  n°  7,  acima),  contendo,  por  exemplo,  quer  extrato  de  cola  e  ácido  cítrico,  corado  com  açúcar  caramelizado,  quer  ácido  cítrico  e  óleos  essenciais  de  frutas (por exemplo, limão ou laranja);  ­  um  xarope  a  que  se  tenha  adicionado,  para  aromatizar,  sucos  de  frutas  adicionados  de  diversos  componentes,  tais  como  ácido  cítrico,  óleos  essenciais  extraídos  da  casca  da  fruta,  em  quantidade  tal  que  provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural;  ­ suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção  que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco  natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc.  Estas  preparações  destinam­se  a  ser  consumidas  como  bebidas,  por  simples  diluição  em  água  ou  depois  de  tratamento  complementar.  Algumas  preparações  deste  tipo  servem  para  se  adicionar  a  outras  preparações alimentícias.  ...................................”  Como  se  vê,  diferentemente  do  que  sustenta  a  Fiscalização,  enquadram­se no conceito de "preparações compostas", a que se refere  o  ex  01  da  subposição  2106.90.10  da  NCM,  todas  as  substâncias  formadas  por  um  conjunto  de  ingredientes  que  lhes  confira  um  propriedade  aromática  passível  de  determinar,  isoladamente  ou  mediante  combinação  com  outras  substâncias,  o  sabor  característico  de determinada bebida.  Acentue­se que a própria Fiscalização admite que: “O que se verificou  no  curso  deste  procedimento  fiscal  é  que  cada  componente  do  kit  (Parte),  isoladamente  considerado,  configura  preparação  composta,  não  existindo  qualquer  fundamento  no  entendimento  de  que  um  conjunto de preparações compostas não misturadas entre si forma uma  preparação composta.”  (p.  71). Ora, diante da  expressa admissão de  que  todos  os  ingredientes  dos  kits  são  preparações  compostas  e  da  circunstância  de  que  todos  eles  são  utilizados  como  insumos  para  a  fabricação de refrescos, é forçoso concluir pela sua inclusão no âmbito  do ex 01 da posição 2106.90.10 da TIPI/NCM.  O item XI da RGI 3b) da NESH em nada interfere com a questão. Tal  item apenas diz que a regra em questão “não se aplica às mercadorias  constituídas  por  diferentes  componentes  acondicionados  separadamente  e  apresentados  em  conjunto  (mesmo  em  embalagem  comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas,  por exemplo”, sem, contudo, especificar qual o tratamento a ser dado a  tais mercadorias. Essa observação é  importante, pois a  regra contém  três  possibilidades  de  classificação  (letras  “a”,  “b”  e  “c”)  e,  como  nenhuma  delas  se  aplica  ao  caso,  fica  confirmado  que  a  solução  do  caso não pode se basear na referida RGI 3. Por  isso,  são  igualmente  irrelevantes para o caso as manifestações do Conselho de Cooperação  Aduaneira  citadas  pela  Fiscalização.  Até  porque,  tais  manifestações  não  estão  listadas  quer  na  IN  RFB  1.459/2014,  quer  na  IN  RFB  873/2013.  Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.014            50 Para  aferir  a  correta  classificação  dos  produtos  adquiridos  pela  Impugnante  deve,  pois,  ser  observada  a  RGI/SH  1,  mesmo  porque  o  texto  do  ex  01  da  suposição  2106.90.10  e  as  respectivas  notas  explicativas são suficientes para a correta classificação dos “kits”.  Afinal,  como  explicam  as  notas  da  posição  2106,  as  preparações  compostas para a  fabricação de bebidas podem conter apenas “parte  dos  ingredientes  aromatizantes  que  caracterizam  uma  determinada  bebida”  para  utilização  “depois  de  tratamento  complementar”,  inclusive  com  a  eventual  “adição,  por  exemplo,  de  açúcar  ou  de  dióxido de carbono”, ou mesmo de “outras preparações alimentícias”.  A  segregação  de  tais  preparações  se  justifica  para  “evitar  os  transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool,  etc”, justamente porque elas “não se destinam a ser consumidas como  bebidas”, mas sim como insumos para a fabricação das bebidas.  Diante disso, cai por terra a tese da Fiscalização de que só poderiam  ser consideradas como "preparações compostas", nos termos do ex 01  da  subposição  2106.90.10  da NCM,  aquelas  que  já  estivessem de  tal  maneira processadas que permitissem a obtenção da bebida mediante  mera diluição em água.  Nitidamente, o Fisco confunde a bebida pronta em estado concentrado  (como  as  da  posição  20.09  da  NCM)  com  os  diversos  tipos  de  concentrados e sabores utilizados como insumos para a fabricação de  bebidas (posição 2106.90.10, ex 01, da NCM).  Prova  disso  é  a  utilização,  como  argumento  de  acusação,  da  Lei  8.918/94  e  seu  regulamento,  os  quais  tratam  da  "padronização,  a  classificação,  o  registro,  a  inspeção,  a  produção  e  a  fiscalização  de  bebidas". Os arts. 13, §4°, e 30 do Decreto 6.817/200931,  transcritos  no TDF, tratam justamente do produto concentrado,  isto é, da bebida  pronta  concentrada  (e  não  de  concentrados  ou  sabores  para  a  fabricação de bebidas). Aliás, o caput do art. 13 diz serem inaplicáveis  suas  previsões  ao  "xarope"  e  ao  "preparado  sólido para  refresco",  o  que realça o equívoco do Fisco.  Assim,  na  medida  em  que  a  Fiscalização  reconhece  todos  os  “kits”  contemplam  os  sabores  específicos  das  bebidas  respectivas  (sabor  “Pepsi”,  sabor  “guaraná”,  “sabor  Sukita”  etc.),  bem  como  as  substâncias  adicionais  que  os  modificam,  é  evidente  que  todos  eles  caracterizam,  no  seu  conjunto  ou  individualmente,  preparações  compostas  para  a  fabricação  de  bebidas  abrangidas  pelo  ex  01  da  subposição 2106.90.10 da NCM.  Em  outras  palavras,  os  “kits”  autuados  consistem  em  ingredientes  destinados  à  fabricação  de  bebidas,  compostos  por  substâncias  diversas,  as  quais,  consideradas  no  conjunto  ou  individualmente,  classificam­se como preparações compostas, com a função de conferir  à  bebida  a  ser  produzida  o  seu  sabor  próprio  e  as  suas  demais  características  sensoriais,  dando  identidade  ao  produto  vendido  aos  consumidores.  Certo, alega a Fiscalização que "as partes dos kits fornecidos que não  contém  extrato  vegetal  de  guaraná,  nem  líquido  natural  dos  refrigerantes  sabor  limão ou  laranja,  ou  Sukita  ou  extrato  de  noz  de  Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.015            51 cola, são formadas por acidulantes, conservantes e outros ingredientes,  como edulcorantes e/ou sequestrantes",  sendo que "a mistura de pelo  menos dois desses ingredientes resulta numa preparação para uso em  diversos  alimentos,  mas  não  especificamente  para  aplicação  em  bebidas." (destacamos)  Ocorre  que  tais  ingredientes,  ainda  que  não  tenham  sabores  específicos, são formados pela reunião de várias substâncias e cada kit  contém  a  quantidade  exata  para  mistura  com  os  extratos  e  outros  aromatizantes característicos de cada bebida. Dessa maneira, os itens  adicionais contribuem para formação do aroma do produto final, o que  justifica  a  sua  classificação  no  ex  01  da  subposição  2106.90.10  da  NCM.  De qualquer forma, ainda que, para argumentar, se entendesse que as  partes  dos  kits  com  acidulantes,  conservantes  e  outros  itens  que  não  contêm  extratos  ou  aromatizantes  específicos,  devessem  ser  classificadas em outro código da NCM, não haveria qualquer valor de  IPI a ser glosado pelo Fisco no caso concreto.  De  fato,  os  documentos  fiscais  juntados  aos  autos  demonstram  que  todos  os  "kits"  contemplam  os  sabores  específicos  das  bebidas  respectivas (sabor "Pepsi", sabor "guaraná", "sabor Sukita" etc.), bem  como  as  substâncias  adicionais  que  os  modificam,  sendo  comercializados  por  preços  compreensivos  do  todo  (cujo  dimensionamento se dá pela fórmula de cada bebida, objeto de segredo  industrial). Isso se explica porque a aquisição dos sabores em conjunto  com  as  substâncias  adicionais  dá­se  por  questões  industriais  e  logísticas,  sendo  certo  que  estas  últimas,  isoladamente  consideradas,  não possuem valor econômico para os fins da operação praticada.  Vale dizer, a prova acostada pelo próprio Fisco confirma não se trata  de produtos vendidos separadamente, mas de unidades para diluição e  envase  acondicionadas  separadamente  por  questões  de  eficiência  logística  (menor  volume  transportado),  como,  aliás,  é  expressamente  admitido pelas notas da posição 2106 acima citadas.  Assim, ainda que houvesse a segregação dos itens adicionais do kit que  não  constituem  extratos  ou  outros  aromatizantes,  nem  assim  haveria  crédito  tributário a  constituir,  pois eles não  têm valor  econômico, no  contexto da operação.  Em  face  do  exposto,  conclui­se  que  não  houve  erro  de  classificação  fiscal  nas  notas  de  aquisição  dos  “kits”  de  concentrados  e  sabores  destinados  à  fabricação de  bebidas,  pois:  (1)  o “kit”  contempla  uma  unidade  de  ingredientes  para  a  fabricação  de  bebidas  que,  pela  diversidade  de  substâncias  envolvidas,  configura  preparação  composta; e (2) cada item do “kit”, isoladamente considerado, também  configura  preparação  composta  que  confere  sabor  e  outros  traços  sensoriais à bebida fabricada. Além disso, mesmo que parte dos itens  devesse  ser  classificada  em  outra  subposição  da  NCM,  não  haveria  valor econômico individual que possibilitasse a glosa do IPI”.  4)  É  improcedente  a  glosa  de  créditos  relativos  a  mercadorias  adquiridas  para  emprego  no  processo  industrial:  matérias  primas  e  materiais  intermediários  tais  como  peças  e  partes  de  máquinas,  Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.016            52 produtos para higienização de maquinário ou de embalagens, produtos  utilizados  na manutenção das máquinas,  combustíveis  e  lubrificantes,  energia  elétrica,  equipamentos  de  segurança,  filtros  e  retentores,  material  de  limpeza  e  higienização,  material  elétrico  e  hidráulico,  uniformes de empregados; todos os itens mencionados são necessários  e  foram consumidos na atividade produtiva,  não  sendo destinados ao  ativo permanente; o disposto no RIPI/2010 (art. 226, I, c/c art. 610, II)  e no PN/CST nº 65/1979 sofre distorção interpretação da fiscalização,  porque não há necessidade do contato direto com o produto final, mas  deve  haver  a  aplicação  dos  bens,  de  alguma maneira,  na  produção;  alguns  itens  são  imprescindíveis  ao  processo  produtivo,  consoante  laudo  técnico  anexado  (doc.  07);  em  alguns  julgados,  há  posição  do  CARF favorável ao direito ao crédito em situações similares;  5) Não houve falta de recolhimento de IPI em decorrência da alegada  apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o  consumo,  provenientes  de  empresas  do  mesmo  grupo  econômico  e  sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na  saída  das  mercadorias,  conforme  documentação  anexada;  quando  muito,  a  fiscalização  poderia  ter  exigido  acréscimos  moratórios  de  forma  isolada  por  força  da  postergação  na  satisfação  da  obrigação  principal, mas nunca o  tributo  (bis  in  idem),  conforme ato normativo  referente  a  IRPJ  e  CSLL  e  precedentes  do  CARF;  ademais,  foram  computadas entradas de mercadorias a título de devoluções de vendas  realizadas previamente e registradas sob os códigos de CFOP nº 1403,  1410,  2401,  2410,  2411  e  2949,  e  que  devem  ser  excluídas  do  lançamento;  6) Quanto aos kits destinados ao preparo de refrigerantes, recebidos de  fornecedores de outras regiões do país, primeiramente, a classificação  fiscal  adotada  está  correta,  conforme  já  discorrido  em  tópico  precedente; em segundo lugar, o pagamento de recursos ao emitente de  notas fiscais é  feito mediante encontro de contas, o que é normal nas  relações entre empresas de um mesmo grupo econômico, sendo que os  créditos não decorrem do pagamento do imposto pelo remetente, mas  da  cobrança  do  imposto  na  operação  anterior  (RIPI/2010,  art.  226),  sendo incontroverso o destaque do IPI na documentação fiscal emitida  e  o  direito  ao  crédito,  sob  pena  de  ocorrência  de  bi­tributação  e  de  violação  do  princípio  da  nãocumulatividade;  além  do  mais,  é  despropositada a exigência de demonstração do pagamento pelo valor  de  compra  para  assegurar  a  manutenção  dos  créditos,  já  que  a  comprovação  da  assunção  do  ônus  financeiro  do  imposto  somente  é  necessária  na  hipótese  de  repetição  de  imposto  pago  indevidamente  pelo fornecedor (CTN, art. 166);  7)  A  impugnante  é  adquirente  de  boa­fé  e  os  créditos  aproveitados  devem ser convalidados, uma vez que a correta classificação fiscal dos  produtos,  as  respectivas  alíquotas  e  os  valores  do  imposto  são  de  responsabilidade  do  emissor  da  nota  fiscal  (RIPI/2010,  arts.  407  e  413),  conforme  situação  análoga  na  órbita  do  ICMS  com  pronunciamento do STJ.  Por  fim,  requer que seja reconhecida a  improcedência das acusações  fiscais,  com o cancelamento definitivo do auto de  infração; por outro  lado, com o  fito de dirimir dúvidas porventura existentes, pugna pela  Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.017            53 realização  de  diligência  e/ou  perícia  técnica  no  que  concerne  às  operações  com  produtos  sujeitos  ao  regime monofásico,  conforme  os  quesitos enunciados em anexo.  Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 14­ 62.485 ­ 8ª Turma da DRJ/RPO (fls . 1686/1688), com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI  Período  de  apuração:  01/01/2012  a  31/12/2012  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  CRÉDITOS  INCENTIVADOS.  PRODUTOS  ISENTOS  ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL.  DESCUMPRIMENTO  DE REQUISITOS.  São  insuscetíveis  de  apropriação  na  escrita  fiscal  os  créditos  incentivados concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego  no  processo  industrial,  mas  não  elaborados  com  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  de  produção  regional  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Amazônia Ocidental,  a  despeito  de  que  os  projetos  sejam  aprovados  pelo Conselho de Administração da SUFRAMA.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  CRÉDITOS  INCENTIVADOS.  PRODUTOS  ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL  COM  ERRO  DE  CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ALÍQUOTA.  São  passíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  apenas  os  créditos  incentivados  relativos  a  produtos  com  classificação  fiscal  correspondente  a  alíquota  diferente  de  zero,  sendo  os  produtos  oriundos da Amazônia Ocidental e, portanto, isentos.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  PRODUTOS  ISENTOS  ADQUIRIDOS  DA  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  CRÉDITOS  FICTÍCIOS.  APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Somente  são  passíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  do  sujeito  passivo  os  créditos  concernentes  a  aquisições  de  produtos  onerados  pelo imposto.  GLOSA  DE  CRÉDITOS.  AQUISIÇÕES  DE  ARTEFATOS  DESCARACTERIZADOS  COMO  MATÉRIAS  PRIMAS,  PRODUTOS  INTERMEDIÁRIOS  OU  MATERIAL  DE  EMBALAGEM.  APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Somente  são  passíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  do  sujeito  passivo  os  créditos  concernentes  a  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  empregados  no  processo  industrial,  segundo  o  estrito  entendimento  albergado  na  legislação  tributária do que pode ser considerado como insumos.  GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE  TRIBUTAÇÃO  ESPECIAL.  INCIDÊNCIA  ÚNICA  DO  IMPOSTO.  TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.  No  regime  de  tributação  especial  previsto  para  as  bebidas  não  alcoólicas,  as  saídas  de  produtos  acabados  têm  incidência  única  do  Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.018            54 imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas  aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal.  GLOSA DE CRÉDITOS. CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES.  ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E DE ALÍQUOTA. FALTA DE  COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO.  Devem  ser  glosados  os  créditos  concernentes  a  concentrados  para  refrigerantes adquiridos com erro de classificação fiscal e de alíquota,  sendo correta a alíquota de 0% e inexistente a comprovação de que a  adquirente tenha arcado com o ônus financeiro do imposto destacado  nas notas fiscais de aquisição.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de  apuração:  01/01/2012  a  31/12/2012  ÁREA  DE  COMPETÊNCIA  DA  FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL.  Todas as empresas sujeitas ao cumprimento de obrigações  tributárias  principais  e  acessórias,  ainda  que  haja  imunidade  condicionada  ou  isenção,  podem  ser  objeto  de  fiscalização  tributária,  sendo o Auditor  Fiscal  da Receita Federal  do Brasil  a  autoridade  competente  para  a  condução das atividades.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração:  01/01/2012  a  31/12/2012  NULIDADE.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA. INCORPORAÇÃO.  Mesmo sendo o caso de estabelecimento filial que continue a atividade  industrial  e  mantenha  a  documentação  e  livros  fiscais,  inexiste  nulidade  por  erro  de  identificação  do  sujeito  passivo  se  o  auto  de  infração for lavrado contra o estabelecimento matriz, pois, na hipótese  de  ocorrência  de  incorporação,  a  pessoa  jurídica  incorporadora  é  responsável  pelos  tributos  devidos  pela  empresa  sucedida  (estabelecimento matriz e filiais) até a data do ato sucessório.  NULIDADE. FALTA DE LIQUIDEZ E DE CERTEZA DA EXIGÊNCIA  FISCAL.  DESCONSIDERAÇÃO  INDEVIDA  DE  SALDOS  CREDORES.  Em virtude da ausência de erros na fixação da dimensão quantitativa  do  crédito  tributário  constituído,  com  o  cômputo  de  todos  os  saldos  credores  legítimos  existentes  na  escrita  fiscal,  inexiste  nulidade  por  falta de liquidez e de certeza da peça acusatória.  NULIDADE.  ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIOS  JURÍDICOS.  INOBSERVÂNCIA  DE  PRÁTICAS  REITERADAS  PELA  ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.  A alteração de  estratégia de  fiscalização, com o aprofundamento das  investigações  acerca  da  legitimidade  de  créditos  incentivados  relativamente  a  procedimento  fiscal  anterior,  não  corresponde  a  modificação  de  critérios  jurídicos  (aplicação  retrospectiva  de  ato  normativo  com  disposições  mais  onerosas  ao  sujeito  passivo)  ou  inobservância de práticas reiteradas pela Administração Tributária, e,  destarte, inexiste nulidade.  NULIDADE. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE MOTIVAÇÃO.  Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.019            55 A classificação  fiscal de mercadorias  consiste  em atividade de  índole  estritamente tributária, sendo que a reclassificação fiscal dos produtos  recebidos dos fornecedores foi perfeitamente motivada, com a perfeita  subsunção dos fatos às normas tributárias que tratam de classificação  fiscal de mercadorias.  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA  OU  PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  PRESCINDIBILIDADE.  Indefere­se o pedido de realização de diligência ou perícia prescindível  para o deslinde da causa, a despeito da presença dos requisitos básicos  como a indicação do perito e a formulação dos quesitos.  Impugnação  Improcedente  Crédito  Tributário  Mantido  Foi  apresentado  Recurso  Voluntário  às  fls.  1873  e  seguintes,  no  qual  a  Recorrente apresenta as seguintes razões:  1.  Nulidade  do  Auto  de  Infração  1.1.  Ilegitimidade  passiva.  Erro  na  determinação do sujeito passivo. Precedentes.   1.2. Erros na reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento.  1.3.  Alteração  dos  critérios  jurídicos  adotados  pelas  autoridades  fiscais  em  relação  aos  “kits”  para  a  produção  de  refrigerantes  fornecidos  pela  PEPSI/AROSUCO  e  aos  materiais  de  embalagem  fornecidos pela VALFILM. Violação ao art. 146 do CTN.  2. Direito aos créditos glosados pelo Fisco 2.1. Ilegitimidade da glosa  dos  créditos  relativos  aos  insumos  e  materiais  de  embalagem  para  fabricação de refrigerantes oriundos da Zona Franca de Manaus.  2.2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao  regime especial de que trata o art. 58­N da Lei n. 10.833/03. O imposto  foi  recolhido  na  saída  das  mercadorias.  Haveria,  no  máximo,  postergação no seu pagamento.  2.3.  Ilegitimidade da glosa de créditos oriundos da aquisição de bens  de  uso  ou  consumo  pela  Recorrente  (matérias  primas,  materiais  de  embalagem e materiais intermediários de produção).  2.4.  Ilegitimidade  da  glosa  de  créditos  relativos  a  mercadorias  (preparações  compostas para a  fabricação de bebidas  e materiais de  embalagem)  tributadas  que  não  seriam  enquadradas  na  subposição  2106.90.10,  “ex.  01”,  da  TIPI/NCM  (e  sim  em  outras  posições,  com  alíquota zero do imposto).  É o relatório.      Voto   Conselheira Liziane Angelotti Meira.  Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 10880.728198/2016­51  Resolução nº  3301­001.005  S3­C3T1  Fl. 2.020            56  O recurso voluntário é  tempestivo e atende aos demais pressupostos  legais de  admissibilidade e deve ser conhecido.  A  Recorrente  juntou  parecer  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia  ­  INT,  fls.  1935/1963.  Contudo,  não  foi  dado  conhecimento  de  tal  parecer  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional.  Sendo  assim,  voto  por  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade de Origem, para que o processo seja dado ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional  de laudo técnico apresentado pelo contribuinte       (assinado digitalmente)  Liziane Angelotti Meira  Fl. 2020DF CARF MF

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7589654 #
Numero do processo: 16327.909867/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­001.371  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de julho de 2018  Assunto  COMPENSAÇÃO  Recorrente  BANCO ABC BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza,  (Presidente),  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Paulo  Roberto  Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 09 86 7/ 20 11 -4 1 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.909867/2011­41  Resolução nº  3201­001.371  S3­C2T1  Fl. 3            2     Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto contra decisão de primeira  instância  que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão  da  repartição  de  origem  de  indeferir  o  Pedido  de  Restituição  de  créditos  da  contribuição  (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que  os pagamentos declarados  já haviam sido  integralmente utilizados na quitação de débitos do  contribuinte.  Em  sua Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  havia  alegado  que  o  crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da  Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art.  3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja,  para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços.  Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de  plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob  pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.  Segundo ele, a controvérsia sobre a  inclusão das  receitas  financeiras na receita  bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontrava­se pendente de decisão  do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de  cálculo  das  contribuições  as  receitas  financeiras  decorrentes  da  aplicação  de  seus  recursos  próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira.  Alegou  também que, além de auferir  receitas decorrentes do exercício de  suas  atividades sociais  típicas, ele  realizava também operações no seu próprio  interesse, auferindo  receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros,  bem  como  em  razão  da  remuneração  dos  depósitos  compulsórios  realizados  junto  ao Banco  Central e aplicações próprias.  A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de  Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art.  3º  da  Lei  9.718/1998  não  alcançava  as  receitas  típicas  das  instituições  financeiras  (faturamento), dentre elas as  receitas oriundas da atividade operacional  (receitas  financeiras),  como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras  sociedades e o depósito compulsório rentável.  Em  seu  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  reiterou  seu  pedido,  repisando  os  mesmos argumentos de defesa.  É o relatório.  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.909867/2011­41  Resolução nº  3201­001.371  S3­C2T1  Fl. 4            3   Voto  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio o decidido na Resolução nº 3201­001.345, de 25/07/2018, proferida no  julgamento do  processo nº 16327.904269/2012­66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3201­001.345):  Trata­se  de  demanda  que  discute  acerca  da  base  de  cálculo  das  contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre  o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303­ 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005  PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO  SUBSTITUTIVO.  Matéria  que  foi  objeto  de Recurso  de  1º Grau,  prevalece  a  decisão  de  segundo  grau em substituição da decisão recorrida.  BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO  §1º  DO  ART.  3º  DA  LEI  Nº  9.718/98.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  RECEITAS OPERACIONAIS.  As  receitas operacionais decorrentes  das  atividades  do  setor  financeiro  (serviços  bancários  e  intermediação  financeira)  estão  incluídas  no  conceito  de  faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo  sido  afetado  pela  alteração  no  conceito  de  faturamento  promovida  pela  Lei  nº  9.718/98.  Não  se  incluem no conceito de  receitas  operacionais  auferidas  pelas  instituições  financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro  Em  recente  julgado  essa  Turma  adotou  posicionamento  de  converter  o  feito  em  diligência  nos  autos  16327.720228/2014­81,  por  entender  que  é  necessário  apresentar  de  modo  detalhado  o  que  são  operações  financeiras  próprias.  Em  que  pese,  ter  decisão  judicial  com  trânsito  em  julgado,  vejo  a  necessidade  de  adotar  o  mesmo  posicionamento  do  mencionado  autos  16327.720228/2014­81, devendo o feito ser convertido em diligência (...):  (...)  para  que  a  Unidade  de  Origem  intime  a  Recorrente  a  apresentar  o  detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em  aplicações  financeiras  de  recursos  próprios  e  aquelas  aplicações  financeiras  referentes  a  recursos  de  terceiros.  A  resposta  da  Recorrente  deverá  trazer  descrição  de  cada  uma  dessas  rubricas.  A  Unidade  de  Origem,  a  partir  da  resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as  informações  apresentadas,  devendo  cientificar  a  Recorrente  do  relatório  fiscal  para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/2014­81)  Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.909867/2011­41  Resolução nº  3201­001.371  S3­C2T1  Fl. 5            4 Diante  de  tal,  a  prorrogação  pode  ser  prorrogada  por  igual  prazo  em  favor do Contribuinte.  Finalmente  apresentado  os  documentos,  dê  vistas  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  em  igual  prazo  para  que  se  manifeste  acerca  dos  documentos  juntados,  após,  retornem  para  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais – CARF.  Destaque­se  que,  não  obstante  o  processo  paradigma  se  referir  unicamente  à  Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins.  Importa  registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e  jurídica  encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento  lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto, aplicando­se  a decisão do paradigma ao presente processo,  em razão  da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a Unidade  de Origem  intime  a Recorrente  a  apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em  aplicações  financeiras  de  recursos  próprios  e  aquelas  aplicações  financeiras  referentes  a  recursos  de  terceiros. A  resposta  da Recorrente  deverá  trazer  descrição  de  cada  uma  dessas  rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso  entenda  necessário,  sobre  as  informações  apresentadas,  devendo  cientificar  a  Recorrente  do  relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo.  Finalmente  apresentado  os  documentos,  dê  vistas  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  em  igual  prazo  para  que  se  manifeste  acerca  dos  documentos  juntados,  após,  retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza  Fl. 182DF CARF MF

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7597177 #
Numero do processo: 19515.720914/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE QUANTO AO NOVO LANÇAMENTO. TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. Lançamento substituto daquele anulado pelo Conselho de Contribuintes, por vício formal, ante ausência de notificação do lançamento originário ao sujeito passivo prestador do serviço. A ciência do contribuinte quanto ao novo lançamento é necessária para obstar a decadência é elemento inerente à própria constituição do crédito tributário. Deve ser conhecida a extinção do direito do Fisco se realizada após o transcurso do prazo quinquenal. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. OCORRÊNCIA. A proibição de bis in idem assegura a segurança jurídica, ao impedir que uma mesma infração seja objeto de dois (ou mais) lançamentos que apliquem a correspondente penalidade, pela mesma ou distinta autoridade, a um mesmo sujeito passivo. Neste caso, foram lavrados autos de infração sobre os mesmos fatos geradores, restando clara a aplicação da penalidade em duplicidade, em afronta ao princípio da legalidade tributária (art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN). Há que se cancelar a exigência que já tenha sido objeto de lançamento anterior.
Numero da decisão: 2201-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Débora Fófano - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTO. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE QUANTO AO NOVO LANÇAMENTO. TRANSCURSO DO PRAZO DECADENCIAL. Lançamento substituto daquele anulado pelo Conselho de Contribuintes, por vício formal, ante ausência de notificação do lançamento originário ao sujeito passivo prestador do serviço. A ciência do contribuinte quanto ao novo lançamento é necessária para obstar a decadência é elemento inerente à própria constituição do crédito tributário. Deve ser conhecida a extinção do direito do Fisco se realizada após o transcurso do prazo quinquenal. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. OCORRÊNCIA. A proibição de bis in idem assegura a segurança jurídica, ao impedir que uma mesma infração seja objeto de dois (ou mais) lançamentos que apliquem a correspondente penalidade, pela mesma ou distinta autoridade, a um mesmo sujeito passivo. Neste caso, foram lavrados autos de infração sobre os mesmos fatos geradores, restando clara a aplicação da penalidade em duplicidade, em afronta ao princípio da legalidade tributária (art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN). Há que se cancelar a exigência que já tenha sido objeto de lançamento anterior.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Débora Fófano - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).

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Relatório  O presente processo trata de lançamento de crédito tributário previdenciário,  abrangendo contribuições devidas à Seguridade Social pelo sujeito passivo correspondente às  contribuições da empresa, dos empregados e do financiamento dos benefícios concedidos em  razão do  grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrentes dos  riscos  ambientais do  trabalho  –  RAT,  consubstanciado  nos  Autos  de  Infração  DEBCAD  nºs  37.448.348­5  e  37.448.349­3 (fls. 29/54).   Devidamente  intimado  sobre  o  lançamento,  o  contribuinte  apresentou  impugnação (fls. 459/498), aduzindo, em síntese, as seguintes teses de defesa, conforme consta  do relatório da DRJ/Ribeirão Preto/SP (fl. 809):  "1) Ocorrência da decadência na forma do art. 173, inciso II do  CTN;  2) Lançamento em duplicidade face ao Auto de Infração contido  no processo administrativo n° 10880.727284/2011­31 (DEBCAD  nº 37.334.545­3) e  3) Inocorrência da cessão de mão de obra."  O  responsável  solidário,  igualmente  intimado  sobre  o  lançamento  e  o  respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária, apresentou impugnação (fls. 130/179, 241/290  e 327/377), alegando em síntese, conforme consta do relatório da DRJ (fls. 808/809):  "1) Duplicidade de lançamento, tal qual o contribuinte principal,  relativamente  ao  processo  administrativo  n°  10880.727284/2011­31 (DEBCAD nº 37.334.545­ 3).  2) Nulidade  do  Termo  de  Sujeição Passiva  Solidária,  pois  não  houve prévia apreciação, pela autoridade julgadora de primeira  instância, quanto ao cabimento da solidariedade à lavratura do  Termo de Sujeição Passiva Solidária.   3) Decadência,  pois não houve constituição anterior de  crédito  tributário  contra  si,  e,  dessa  forma,  já  teria  decorrido  o  prazo  decadencial de cinco anos.   Fl. 834DF CARF MF Processo nº 19515.720914/2015­11  Acórdão n.º 2201­004.843  S2­C2T1  Fl. 835          3 4)  Vício  de  fundamentação  legal,  no  que  tange  à  adoção  da  aferição  indireta  da  base  de  cálculo  ao  lançamento,  pois  que  discorda das suas premissas.   5)  Inexistência  de  atos  fiscais  investigativos  previamente  ao  lançamento.   6)  Incompatibilidades  identificadas  entre  os  elementos  intrínsecos e motivadores da autuação e à primazia da realidade  no que pertine aos serviços prestados.   7) Exagero na alíquota de 40%.   8) Inexistência de débitos a serem lançados."  Na análise,  a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento aduziu  que o contribuinte fundamentou a sua impugnação em três  linhas de raciocínio sintetizadas a  seguir (fls. 810/811):  ”a) Nulidade pelo lançamento em duplicidade, face ao conteúdo  do  Auto  de  Infração  objeto  do  processo  administrativo  n°  10880.727284/2011­31 (DEBCAD nº 37.334.545­3);  b)  Nulidade  por  se  encontrar  extinto  por  força  da  decadência  (art. 173, inciso II do CTN); e,   c) Improcedência porque a contratação de serviços não ocorreu  por  cessão  de  mão  de  obra,  não  sendo,  portanto,  devida  a  respectiva retenção da contribuição previdenciária."  Considerou  a  impugnação  ser  procedente  quanto  a  alegada  decadência  invocada  na  forma  do  artigo  173,  inciso  II  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  e  na  duplicidade  de  lançamento  entre  as  lavraturas  fiscais  contidas  no  presente  processo  e  no  processo administrativo 10880.727284/2011­31. No tocante à ocorrência da cessão de mão de  obra, entendeu o relator estar prejudicada a sua abordagem, uma vez reconhecida a decadência,  e, cumulativamente, a duplicidade de lançamento em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº  37.334.545­3,  integrante do processo  administrativo nº 10880.727284/2011­31, descabendo a  apreciação da efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, vez que se trata de matéria afeta já  a outro processo.  O contribuinte não apresentou Recurso Voluntário.  É o relatório.  Voto             Conselheira Débora Fófano ­ Relatora  DO RECURSO DE OFÍCIO   Em virtude da exoneração total do crédito tributário, foi interposto recurso de  ofício.  Preliminarmente, o recurso de ofício preenche condições de admissibilidade,  posto que atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de  09 de fevereiro de 2017, pelo qual deve ser conhecido.  Quando  da  apreciação  do  caso,  a  DRJ  em  Ribeirão  Preto/SP  julgou  procedente a impugnação, conforme ementa abaixo (fl. 807):  Fl. 835DF CARF MF Processo nº 19515.720914/2015­11  Acórdão n.º 2201­004.843  S2­C2T1  Fl. 836          4 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001  LANÇAMENTO.  DECADÊNCIA.  ANULAÇÃO  DE  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  DECISÃO  DEFINITIVA  DO  CARF.  CIÊNCIA  DO  CONTRIBUINTE  QUANTO  AO  NOVO  LANÇAMENTO.  NECESSIDADE.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  5  (cinco)  anos,  contados  da  data  em  que  se  tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal,  o  lançamento anteriormente efetuado. Considera­se definitivo o  despacho  do  Presidente  da  CSRF  que  negar  seguimento  ao  recurso especial, iniciando­se o prazo decadencial com a ciência  da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ­ PGFN, enquanto  representante da Receita Federal do Brasil junto ao CARF.   A  ciência  do  contribuinte  quanto  ao  novo  lançamento  é  necessária  para  obstar  a  decadência,  não  constituindo  mera  formalidade  acessória,  mas  elemento  inerente  à  própria  constituição do crédito tributário. Hipótese na qual a ciência do  contribuinte quanto ao novo lançamento se dá após o transcurso  do prazo quinquenal,  reconhecendo­se a  extinção do direito do  Fisco.  TRIBUTÁRIO.  LANÇAMENTO  EM  DUPLICIDADE.  OCORRÊNCIA.  É improcedente o lançamento levado a efeito em duplicidade,  uma  vez  considerada  a  existência  de  processo  distinto,  com  conteúdo  idêntico,  de  fato  e  de  direito,  em  trâmite  pela  Administração  Tributária,  ambos  como  corolários  de  lançamento anulado.  Impugnação Procedente  Crédito Tributário Exonerado"  Os  fundamentos  do  acórdão  que  culminaram  em  exoneração  do  crédito,  foram os seguintes: (i) a decadência e (ii) lançamento em duplicidade.  Da Decadência  O  presente  lançamento  é  substituto  daquele  realizado  através  da  NFLD  originária  nº  35.409.566­8,  anulada  pelo  Conselho  de  Contribuintes  por  vício  formal  justamente  porque  o  responsável  solidário  (PROMON TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES  LTDA,  sucessora  por  incorporação  da  PROMON  TELECOM  LTDA)  não  havia  sido  notificado.  Consoante narrado na decisão da DRJ  (fl.  812),  no  lançamento dos valores  supostamente  devidos  a  título  de  retenção  estavam  abrangidos  pelo  mesmo  documento  de  constituição de crédito anulado. Assim sendo, uma vez ausente qualquer determinação relativa  à segregação dos mesmos, os valores lançados a este título também foram considerados nulos.  O inciso II do artigo 173 do CTN disciplina que o direito da Fazenda Pública  constituir o crédito tributário extingue­se após cinco anos contados "da data em que se tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento  anteriormente  efetuado".  Fl. 836DF CARF MF Processo nº 19515.720914/2015­11  Acórdão n.º 2201­004.843  S2­C2T1  Fl. 837          5 Por  sua  vez,  o  comando  previsto  no  artigo  42,  inciso  II,  do  Decreto  nº  70.235/72, estabelece que:  Art. 42. São definitivas as decisões:  (...)  II ­ de segunda instância de que não caiba recurso ou, se  cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição;  Nos  termos do  relatório do  julgador a quo  "a definitividade da decisão decorre da  sua  preclusão,  consubstanciada  na  inexistência  de  recurso  cabível,  no  caso  em  apreço,  a  irrecorribilidade do despacho que mantém a denegação de seguimento do recurso especial", exarado em  31/08/2010, pelo então presidente do CARF, mantendo o não conhecimento do recurso especial  de  divergência  (fl.  16830  dos  autos  processo  administrativo  nº  12045.000585/2007­13),  devidamente cientificada a PGFN em 10/09/2010 (fl. 16831 dos referidos autos).   Deste  modo,  a  decadência,  na  forma  do  artigo  173,  inciso  II,  do  Código  Tributário Nacional ­ CTN, teve como marco inicial o dia 11/09/2010 e final o dia 11/09/2015.  O  novo  lançamento,  consolidado  em  04/09/2015  foi  cientificado  o  sujeito  passivo  em  14/09/2015.  Na  decisão  recorrida  foi  noticiado  que  a  jurisprudência  acolhe  o  entendimento segundo o qual exige­se a ciência do contribuinte como elemento constitutivo e  foram colacionadas ementas de julgados que refletem o posicionamento do Superior Tribunal  de Justiça ­ STJ nesse sentido.  A conclusão, neste aspecto, não merece qualquer  reparo, no sentido de que  definitiva a decisão do CARF em 10/09/2010,  o  lançamento  intimado ao  sujeito passivo  em  14/09/2015 encontra­se decadente na forma do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional ­  CTN.  Do Lançamento em Duplicidade  No relatório de julgamento da DRJ (fl. 816) foi informado, em síntese que:  "(...) em vista da anulação da NFLD DEBCAD nº 35.409.566­8  (processo  administrativo  nº  12045.000585/2007­13),  dois  processos distintos surgiram:  ­ um perante a DRF Belo Horizonte: Auto de Infração DEBCAD  nº 37.334.545­3, integrante dos autos do processo administrativo  nº  10880.727284/2011­31,  consolidado  em  20/12/2011,  com  ciência ao sujeito passivo em 31/01/2012. Lavrado em nome de  Vivo  Participações  S.A  (CNPJ  02.558.074/0001­73),  incorporadora da Telemig Celular S.A. (CNPJ 02.320.739/0001­ 06). Procedimento fiscal instaurado pelo MPF 08.1.90.00­2011­  00327­7. Foi objeto de julgamento de improcedência parcial da  impugnação apresentada, conforme Acórdão nº 02­47.897 da 6a.  Turma  da  DRJ/BHE,  em  29/08/2013  –  fls.  17.343/17.357  dos  autos  do  processo  administrativo  nº  10880.727284/2011­31.  Houve a interposição de recurso voluntário perante o Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  conforme  instrumento  acostado  às  fls.  17.363/17.396  dos  autos  do  processo administrativo nº 10880.727284/2011­31. (...)  ­ e outro na DRF São Paulo: Os Autos de Infração DEBCAD nºs  37.448.348­5  e  37.448.349­3,  integrantes  do  presente  processo  administrativo,  consolidado  em  04/09/2015,  com  ciência  ao  sujeito  passivo  em  14/09/2015.  Foi  lavrado  em  nome  de  Fl. 837DF CARF MF Processo nº 19515.720914/2015­11  Acórdão n.º 2201­004.843  S2­C2T1  Fl. 838          6 Telefônica  Brasil  S.A  (CNPJ  02.558.157/0001­62),  incorporadora  da  Vivo  Participações  S.A  (Ata  da  34a.  Assembléia  Geral  Extraordinária,  de  03/10/2011).  MPF  08.1.90.050­2014­03751­2.  Portanto, as duas  lavraturas  fiscais,  embora distintas no  tempo  no  qual  realizadas,  originam­se  do mesmo  evento,  qual  seja,  a  anulação da NFLD DEBCAD nº 35.409.566­8.  Quanto ao fundamento legal do débito, ambos os documentos de  constituição se referem ao artigo 31 da Lei nº 8.212/91. No que  toca aos levantamentos, consultando o DD do Auto de Infração  DEBCAD nº 37.334.545­3, com os DD’s dos Autos de Infração  DEBCAD  nºs  37.448.348­5  e  37.448.349­3,  verifica­se  que  há  identidade  de  lançamentos  no  que  tange  aos  supostos  prestadores  de  serviços  envolvidos  e  o  período  considerado,  sendo  distintos,  apenas,  os  códigos  de  levantamento  adotados  pelas fiscalizações.(...)"  O  processo  foi  baixado  em  diligência  a  fim  de  que  a  autoridade  fiscal  se  manifestasse acerca da aparente duplicidade dos  lançamentos (fls. 768/771). Em atendimento  foram prestados os seguintes esclarecimentos (fl. 782):  "Ref. Processo 19515.720.914/2015­11  AI 37.448.348­5  AI 37.448.349­3  Diligência  aberta  para manifestação  a  respeito  do  lançamento  em duplicidade com o processo 10880.727284/2011­31, debcad  37.334.545­3,  relativo  ao  prestador  de  serviço  Promon  Eletrônica Ltda, em nome da empresa Vivo Participações Ltda,  CNPJ  02.558.074/0001­73,  período  do  levantamento  04/99  a  02/2001, lavrados em Belo Horizonte.  Os  Autos  37.448.348­5  e  37.448.349­3,  do  processo  19.515.720.914/2015­01, foram lavrados na empresa Telefônica  Brasil  S.A,  incorporadora  da Vivo Participações  Ltda,  período  do levantamento, 04/1999 a 01/2001, os créditos foram apurados  tendo  como  base  de  cálculo  os  mesmos  valores  dos  autos  lavrados em Belo Horizonte.   Nos  Autos  37.448.348­5  e  37.448.349­3,  constou  equivocadamente  a  competência  01/2001,  quando  o  correto  é  02/2001.  Os  valores  apurados  nos  Autos  de  Infração  37.448.348­5  e  37.448.349­3  estão  contidos  no  auto  37.334.545­3,  foram  portanto lançados em duplicidade.   (...)"  A confirmação da fiscalização corrobora a tese do contribuinte no sentido de  duplicidade  de  lançamento,  restando  inequívoco  que  o  presente  lançamento  está  em  duplicidade face àquele contido nos autos do processo administrativo nº 10880.727284/2011­ 31, anterior a este e já objeto de julgamento pela DRJ Belo Horizonte.  Fl. 838DF CARF MF Processo nº 19515.720914/2015­11  Acórdão n.º 2201­004.843  S2­C2T1  Fl. 839          7 A proibição de bis in idem assegura a segurança jurídica, ao impedir que uma  mesma  infração  seja  objeto  de  dois  (ou  mais)  lançamentos  que  apliquem  a  correspondente  penalidade, pela mesma ou distinta autoridade, a um mesmo sujeito passivo.  Neste caso,  foram  lavrados dois autos de  infração em duplicidade,  sobre os  mesmos fatos geradores, em afronta ao princípio da legalidade tributária (art. 5º, II e 37, caput  da Constituição e art. 97 do CTN).  Por conseguinte, há que se cancelar a exigência que já  tenha sido objeto de  lançamento anterior.   Isto posto, não merece reparo a decisão de piso.  Conclusão  Em  razão  do  exposto,  vota­se  por NEGAR PROVIMENTO  ao Recurso  de  Ofício nos termos do voto em epígrafe.    (assinado digitalmente)  Débora Fófano ­ Relatora                                 Fl. 839DF CARF MF

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Numero do processo: 12585.000104/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­006.177  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2018  Matéria  RESSARCIMENTO  Recorrente  H POINT COMERCIAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  PRAZO  PARA  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.  Inexiste  norma  legal  que  preveja  a  homologação  tácita  do  Pedido  de  Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o  prazo  decadencial  para  a  homologação  do  lançamento,  não  se  podendo  confundir  lançamento  com  pedido  de  ressarcimento. O  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/1996  cuida  de  prazo  para  homologação  de  Declaração  de  Compensação,  não  se  aplicando  à  apreciação  de Pedidos  de Restituição  ou  Ressarcimento.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DE  PIS/COFINS  INCIDENTE  SOBRE  PRODUTOS  SUJEITOS  À  TRIBUTAÇÃO  MONOFÁSICA.  COMERCIANTE  REVENDEDOR.  VEDAÇÃO  EXPRESSA.  INDEFERIMENTO.  Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins  sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º,  inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  conhecer  parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o  Conselheiro  Paulo  Guilherme  Déroulède  que  conhecia  integralmente  do  recurso  e  lhe  negava  provimento.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 04 /2 01 1- 31 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 12585.000104/2011­31  Acórdão n.º 3302­006.177  S3­C3T2  Fl. 3          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  José Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  Convocado)  e  Paulo  Guilherme Deroulede (Presidente).  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a  decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de créditos da contribuição  não cumulativa (PIS/Cofins),  tendo como fundamento a existência de vedação  legal expressa  (§ 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003), que  incluem, nos seus  incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças.  Segundo  a  Fiscalização,  o  art.  17  da  Lei  nº  11.033,  de  2004,  devia  ser  entendido no sentido de que os créditos que podiam ser mantidos eram aqueles que existissem  caso a receita à qual eram vinculados não fosse tributada à alíquota zero, inexistindo lógica na  manutenção de crédito que a lei vedava desde a sua definição, em função da vedação expressa  contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003.  Ainda  de  acordo  com  a  autoridade  fiscal,  à  semelhança  da  substituição  tributária,  a  tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e  autopeças – fazia incidir toda a carga tributária das contribuições na pessoa jurídica fabricante  ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto  (atacadistas e varejistas),  sendo que a concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a  tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo  importador.  Em  sua Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  arguiu  que  existia  norma  que  possibilitava  o  creditamento,  este  intrínseco  à  não  cumulatividade,  em  conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004.  Por  outro  lado,  argumentou  o  então  Manifestante  ser  desnecessário  o  enfrentamento do mérito, uma vez que Despacho Decisório havia sido­lhe cientificado após o  limite temporal de 5 anos contados da data de protocolização do pedido.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ),  por  meio  do  acórdão  nº  16­064.026,  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade,  considerando  que,  tratando­se  de  pedido  de  ressarcimento,  não  havia  que  se  falar  em  prazo  de  cinco  anos  para  sua  análise,  inexistindo hipótese de reconhecimento tácito do crédito.  Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso  Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 146DF CARF MF Processo nº 12585.000104/2011­31  Acórdão n.º 3302­006.177  S3­C3T2  Fl. 4          3 Voto             Paulo Guilherme Déroulède, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no Acórdão  nº  3302­006.167,  de  27/11/2018,  proferida  no  julgamento  do  processo nº 12585.000094/2011­33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.167):  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal os  seguintes argumentos de defesa:  a.  existe  norma  que  possibilita  o  creditamento,  afinal  é  intrínseco  à  não­ cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei  nº 11.033/04;  b.  mas  não  será  necessário  nem  estender  esse  mérito,  já  que  o  Despacho  Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como  se passa a demonstrar.  Referida matéria já foi objeto de análise por esta antiga turma nos autos do PA  nº 19515.721292/2013­79  (acórdão  nº 3302­005.274),  onde  restou  decido  por  afastar  o  direito  de  tomar  crédito  em  relação  as  aquisições  para  revenda  de  máquinas,  veículos  e  autopeças  sujeitos  à  incidência  monofásica,  bem  como  afastar  a  incidência  do  instituto  da  homologação  tácita  para  os  pedidos  de  restituição/ressarcimento, cujas razões adoto como causa de decidir:  Da inexistência de homologação tácita  Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge  esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada  pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação  declarada,  inexistindo  na  legislação  prazo  quanto  à  homologação  tácita  de  pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos.  Rejeita­se assim a preliminar arguida.  MÉRITO  Quanto ao mérito, destacam­se a seguir os excertos do TVF:  Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de  veículos  e  autopeças, mercadorias  sujeitas  à  incidência monofásica,  e  incide,  portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis  nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos  na  aquisição,  para  revenda,  das máquinas,  veículos  e  autopeças  especificadas  na Lei nº 10.485, de 2002.  Fl. 147DF CARF MF Processo nº 12585.000104/2011­31  Acórdão n.º 3302­006.177  S3­C3T2  Fl. 5          4 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados  sobre máquinas,  veículos  e  autopeças  tendo em vista  a disposição  contida no  artigo 17  da Lei  nº 11.033,  de 2004, que  autoriza  a manutenção dos  créditos  vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da  Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.  (...)  A par da  tributação concentrada, estipulada aos  fabricantes e  importadores de  veículos e autopeças,  o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002,  atribui  a  incidência  de  alíquota  zero  para  a  receita  de  venda  dos  mesmos  veículos  e  autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas.  “Art.3º ...  § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  relativamente  à  receita  bruta  auferida  por  comerciante  atacadista  ou  varejista,  com  a  venda  dos  produtos  de  que  trata:  (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a  que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto  de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)”  15. Em  suma, para  as máquinas,  veículos  e  autopeças  relacionados na Lei  nº  10.485,  de  2002,  vigora  o  regime  de  incidência  monofásica  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  com  concentração  da  tributação  nos  respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de  alíquota  zero  para  as  receitas  apuradas,  por  comerciantes  atacadistas  e  varejistas, com as vendas das mesmas.  (...)  Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de  créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº  10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para  revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados.  “Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:   I  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias  e  aos  produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)  b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de  2008)” (g.n.)  Art. 2°, § 1o (...)  III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores,  no  caso  de  venda  de  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02, 87.03, 87.04, 87.05  e 87.06, da TIPI;  (Incluído  pela Lei  nº 10.865, de  2004)  IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de  vendas,  para  comerciante  atacadista  ou  varejista  ou  para  consumidores,  das  autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)” (g.n.) (...)  Fl. 148DF CARF MF Processo nº 12585.000104/2011­31  Acórdão n.º 3302­006.177  S3­C3T2  Fl. 6          5 19. Nesse  sentido,  não  ensejam  apuração  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  as  aquisições,  para  a  revenda,  de  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  da  TIPI  supracitados  e  de  autopeças  relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002.  Estando  bem  delineada  a  espécie  normativa  que  fundamenta  a  questão  e  objetivamente abordada pela decisão de piso,  reproduzem­se os  fundamentos,  como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a  seguir destacados:  Quanto ao mérito, diga­se que a alegação da impugnante de que existiria norma  que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como  bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17  da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004:  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não  incidência  da Contribuição  para  o PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a  manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.  Esse  artigo  apenas  afirma  que  podem  ser  mantidos  os  créditos  porventura  existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não  incidência.  No  presente  caso  não  existe  crédito  a  ser  mantido,  pouco  importando,  pois,  que  a  operação  de  venda  da  contribuinte  tenha  sido  com  alíquota  zero.  E  o  crédito  não  existe  porque,  como  também  deixa  claro  o  Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos  e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei).  Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para  o PIS/Pasep aplicar­se­á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto  no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos).  § 1º Excetua­se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores  ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)   (...)  III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores,  no  caso  de  venda  de  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02, 87.03, 87.04, 87.05  e 87.06, da TIPI;  (Incluído  pela Lei  nº 10.865, de  2004)  IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de  vendas,  para  comerciante  atacadista  ou  varejista  ou  para  consumidores,  das  autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)  (...)  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a: (...)  I  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias  e  aos  produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques  acrescidos]   Lei nº 10.833, de 2003:  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 12585.000104/2011­31  Acórdão n.º 3302­006.177  S3­C3T2  Fl. 7          6 Art.  2º  Para  determinação  do  valor  da COFINS  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros  e seis décimos por cento).  § 1º Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos  produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído  pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores,  no  caso  de  venda  de  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02, 87.03, 87.04, 87.05  e 87.06, da TIPI;  (Incluído  pela Lei  nº 10.865, de  2004)  IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de  vendas,  para  comerciante  atacadista  ou  varejista  ou  para  consumidores,  das  autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)  (...)  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a:  (...)  I  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias  e  aos  produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques  acrescidos]  Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei  nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a  contribuinte  não  podia  apurar  nenhum  crédito  decorrente  da  aquisição  de  veículos e autopeças  submetidos à  sistemática monofásica e, portanto, não há  sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não  há crédito a ser mantido.  Com isso, conclui­se novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar  os  lançamentos  de  ofício  para  formalizar  as  glosas  dos  créditos,  devendo  a  contribuinte retificá­los em suas declarações.(grifei).  No  mesmo  sentido  são  as  decisões  proferidas  nos  acórdãos  nº  3302­ 005.447  e  3302­005.447,  envolvendo  o  crédito  nas  aquisições  de  produtos  sujeitos  ao  regime  de  tributação  monofásica  e  a  homologação  tácita,  respectivamente:  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DE  PIS/PASEP  INCIDENTE  SOBRE  PRODUTOS  SUJEITOS  À  TRIBUTAÇÃO  MONOFÁSICA.  COMERCIANTE  REVENDEDOR.  VEDAÇÃO  EXPRESSA.  INDEFERIMENTO.  Há  vedação  legal  expressa  ao  creditamento  das  contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para  revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e  10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  PRAZO  PARA  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  INOCORRÊNCIA.  Inexiste  norma  legal  que  preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 12585.000104/2011­31  Acórdão n.º 3302­006.177  S3­C3T2  Fl. 8          7 art.  150,  §  4º  do  CTN,  cuida  de  regulamentar  o  prazo  decadencial  para  a  homologação  do  lançamento,  não  se  podendo  confundir  o  lançamento  com o  Pedido  de  Restituição.  O  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/96,  cuida  de  prazo  para  homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de  Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.  Em relação ao prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para conclusão do  procedimento  administrativo,  previsto  no  artigo  24,  da  Lei  nº  11.457/07,  constata­se que referida matéria não foi suscitada na impugnação, ensejando,  assim, a aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, a saber:  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada pelo  impugnante.  (Redação dada pela Lei nº 9.532,  de 1997) (Produção de efeito)  Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário  e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos §§  1º  e 2º  do  art.  47  do Anexo  II  do RICARF,  o  colegiado  decidiu  conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                                  Fl. 151DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.905145/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­004.452  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  Recorrente  ATP CONSTRUTORA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/04/2004  INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.  A prova do  indébito  tributário,  fato  jurídico a dar  fundamento ao direito de  repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o  pagamento indevido ou maior que o devido.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO.  CERTEZA  E  LIQUIDEZ.  NÃO  COMPROVAÇÃO.  Não  comprovadas  a  certeza  e  a  liquidez  do  direito  creditório,  não  se  homologa a compensação declarada.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade  e  Laércio  Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 51 45 /2 00 9- 15 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.905145/2009­15  Acórdão n.º 3201­004.452  S3­C2T1  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se de PER/DCOMP com lastro em pagamento indevido ou a maior de  Cofins.  A  DRF/Salvador  emitiu  despacho  decisório  eletrônico  não  homologando  a  compensação declarada,  sob o argumento de que o pagamento  foi  integralmente utilizado na  quitação de débito declarado da empresa, não restando direito creditório disponível.  Após  ser  cientificado  do  referido  despacho  decisório  o  contribuinte  apresentou manifestação de inconformidade. Alegou, em síntese, que:  a)  o  recolhimento  a  maior  da  contribuição  decorre  do  fato  de  a  variação  monetária passiva ter sido maior que a receita;  b)  o  Dacon  e  a  DCTF  retificadores  indicam  o  valor  real  da  apuração  das  contribuições, restando comprovada a existência do crédito;  c)  não  efetuou  a  errata  informando  a  transmissão  da  retificadora,  porque  o  sistema da RFB não aceita proceder à retificação de Per/Dcomp que já tenha  sido objeto de decisão administrativa;  d)  em  respeito  ao  princípio  da  verdade  material,  não  se  pode  negar  a  existência  do  direito  creditório  comprovado por Dacon/DCTF  retificadores,  que  indicam  todos os  recolhimentos efetuados  e os débitos do período para  compor o saldo;  e)  existem  nos  autos  elementos  de  prova  que  demonstram  o  erro  cometido  pela contribuinte em sua declaração.   Após exame da defesa apresentada a DRJ/Belo Horizonte proferiu o acórdão  02­058.187, assim ementado:  ASSUNTO: Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Data do fato gerador: 30/04/2004  INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.  A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao  direito  de  repetição  ou  à  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o  devido.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO.  CERTEZA  E  LIQUIDEZ.  NÃO  COMPROVAÇÃO.  Não  comprovadas  a  certeza  e  a  liquidez  do  direito  creditório,  não se homologa a compensação declarada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.905145/2009­15  Acórdão n.º 3201­004.452  S3­C2T1  Fl. 4          3 Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformado,  o  Contribuinte  apresentou Recurso Voluntário  reiterando  os  argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­004.446, de  27/11/2018, proferido no julgamento do processo 10580.905139/2009­68, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­004.446):  "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento.  Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de  provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB.  Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/D­COMP decorre de  pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência de variação monetária  passiva superior à  receita do período. Embora,  inicialmente,  tenha  informado a existência de  débito  no  período,  posteriormente,  em procedimento  de  revisão,  constatou  a  inexistência do  referido débito e apresentou DACON e DCTF retificadoras.  Assim,  insiste,  em  sede  recursal,  que  as  declarações  retificadoras  são  prova  fidedigna  do  erro  incorrido,  devendo  as  informações  nelas  constantes  serem  tidas  por  verdadeiras na análise do indébito.  Não assiste razão, contudo, à Recorrente.   Como se verifica pelo exame dos autos, a retificação da DCTF foi promovida pela  Recorrente posteriormente à ciência do despacho decisório que deixou de reconhecer o crédito  postulado. Desse modo, compete à Recorrente fazer prova do direito postulado.  Não se nega, a rigor, que o erro no preenchimento de declarações ao Fisco podem  ser corrigidos em sede de contencioso administrativo, em face do que propugna o princípio da  verdade  material.  Contudo,  tal  correção  imprescinde  de  comprovação  do  erro  alegado,  devendo esta  ser  feita por meio dos documentos contábeis do contribuinte e não meramente  pela  retificação  das  declarações  prestadas.  E,  na  hipótese  dos  autos,  não  existe  qualquer  documentação hábil para a comprovação do erro alegado.  Ademais,  ressalta  a  decisão  DRJ  que,  não  obstante  a  retificação  da  DCTF  e  da  DACON  realizadas  posteriormente  à  ciência  do  despacho  decisório,  a  DIPJ  retificadora  Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.905145/2009­15  Acórdão n.º 3201­004.452  S3­C2T1  Fl. 5          4 apresentada  informações  divergentes. Logo,  nem mesmo  a DIPJ  do  contribuinte  poderia  ser  invocada como comprovação do erro incorrido.  Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida:  Quando  a  DRF  nega  o  pedido  de  compensação  com  base  em  declaração  apresentada  (DCTF)  que  aponta  para  a  inexistência  ou  insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a  decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui,  trazendo  ao  contraditório  os  elementos  de  prova  que  demonstrem  a  existência  do  crédito.  À  obviedade,  documentos  comprobatórios  são  documentos  que  atestem,  de  forma  inequívoca,  o  valor,  a  origem  e  a  natureza  do  crédito,  visto  que,  sem  tal  evidenciação,  o  pedido  repetitório fica inarredavelmente prejudicado.  Assim,  não  tendo  sido  apresentada  pelo  contribuinte  qualquer  prova  que  demonstre  a  existência  do  direito  creditório,  não  se  pode  considerar,  por  si  sós,  as  declarações  retificadoras  como  sendo  instrumentos hábeis,  capazes de conferir certeza e  liquidez ao crédito  indicado  na  declaração  de  compensação,  conforme  determina  o  art.  170 do CTN.  A  título  informativo,  cumpre  esclarecer  que  não  seria  possível  a  informação  da  transmissão  das  declarações  retificadoras  em  Per/Dcomp retificador. Como o contribuinte retificou suas declarações  somente após a ciência do despacho decisório ­ segundo afirma, para  informar a correta apuração da contribuição ­, cabia a ele, conforme  já  exaustivamente  exposto,  trazer  aos  autos  os  documentos  que  demonstrassem e comprovassem a nova apuração.  Pelo  exposto,  não  obstante  a  alegação  de  erro  no  preenchimento  das  declarações  prestadas  à  RFB,  a  Recorrente  não  logrou  a  devida  comprovação  por  meio  de  documentos  hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado.  Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  o  colegiado  NEGOU  PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.        (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                Fl. 90DF CARF MF

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