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Numero do processo: 14041.000801/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Caracterizam prestação de serviços e, portanto, submetem-se ao coeficiente de presunção de 32% na determinação do lucro presumido, as receitas decorrentes de manutenção e suporte técnico em software, bem como o licenciamento de uso e a atualização de software próprio.
Numero da decisão: 1201-001.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior, que afastavam integralmente o IRPJ e a CSLL relativamente à atividade mista (item 3 do voto condutor).
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Caracterizam prestação de serviços e, portanto, submetemse ao coeficiente de presunção de 32% na determinação do lucro presumido, as receitas decorrentes de manutenção e suporte técnico em software, bem como o licenciamento de uso e a atualização de software próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior, que afastavam integralmente o IRPJ e a CSLL relativamente à atividade mista (item 3 do voto condutor). (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 08 01 /2 00 7- 88 Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau: Em 02/10/2007, foram lavrados contra a interessada os Autos de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, atinente ao anocalendário de 2003, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 5.870.264,87, assim discriminados por exação fiscal: (...) Constatou a Fiscalização que a contribuinte, optante pelo Lucro Presumido, aplicou indevidamente o coeficiente de 8% sobre as receitas de atividade de prestação de serviços de informática, aluguéis de software e venda de software sob encomenda, em desacordo com a legislação vigente, que determina a aplicação do coeficiente de 32%. Cientificada dos lançamento, em 03/10/2007 (Ciência do Contribuinte/Responsável às fls. 04 e 09 dos Autos de infração), a interessada apresentou a impugnação de fls. 1679/1692 e respectivos anexos, em 05/11/2007 (carimbo de recepção às fls. 1679. Apoiada nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: · discorre sobre os fatos, alegando que tanto na Intimação quanto no Termo de Encerramento da Fiscalização, o auditor autuante fez uso da expressão não resta a menor dúvida para definir, sem qualquer análise mais acurada quais as atividades exercidas pela empresa, incluindo o exame superficial dos contratos que, na interpretação do Fisco, apresentam lucro exagerado: contratos com o Banco do Brasil e com o STJ – Superior Tribunal de Justiça; · o art. 519 do RIR/99 apenas determinou que "serviços em geral" estão sujeitos ao coeficiente de 32% para efeito de presunção do lucro, e com o advento da IN/SRF n° 306/03, citada pela contribuinte, a Administração Tributária reduziu as incertezas contidas na lei, em função da expressão "serviços em geral", instruindo os contribuintes, contratantes de bens e serviços e retentores de tributos, sendo que essa normativa orienta, em muitos casos, qual o procedimento a adotar, mas não se refere explicitamente aos serviços prestados e bens de informática, os quais, ainda, não foram definidos legalmente para efeito de tributação; · o computador é formado por Hardwares (são as máquinas) e Softwares (são os programas), sendo que os programas, bens intangíveis são o (a) sistema operacional, e o (b) aplicativo, que podem ser (b1) aqueles que atendem os usuários em geral, por ex., tipo "Word" (para edição de textos), "Excel" (para planilhas de cálculo), estes encontrados disponíveis no mercado em forma de CD's e comercializados como produtos e mercadorias, e (b) outros aplicativos que são específicos para atender necessidades Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 4 3 de cada usuário, sendo a lista de clientes da Policentro um exemplo, ou seja, o software aplicativo que atende o STJ, ou que atende o Banco do Brasil, estes não estão disponíveis no mercado e são construídos, por empresas especializadas, onde estas disputam no mercado, via preços, a produção dos mesmos, assim, como se nota esses aplicativos são, também, mercadorias, porque vão integrar o Ativo Imobilizado do adquirente, e esse aplicativo é, evidentemente, como os outros, mercadoria ou produto; · a Policentro está preparada para atuar no campo dos softwares aplicativos específicos, e atua, em menor escala, na venda de alguns tipos de HD's, sempre incorporados de aplicativos para seu funcionamento, além de executar alguns serviços de digitação com emprego de mão de obra e máquinas; · como resultado da fiscalização, o Fisco converteu em serviços sujeitos ao coeficiente de 32% as receitas de produção de softwares, tipo aplicativos, que tinham sido tributadas sob o coeficiente de 8%; · as receitas obtidas, através da Atividade Mista, foram reduzidas dos valores referentes à Aquisição de Produtos como custo dos serviços de informática e vendas sob encomenda, como se a empresa estivesse submetida ao Lucro Real, sendo essa redução não permitida em lei e se constitui em erro de direito, quando utilizado o método de apuração denominado Lucro Presumido; · o Fisco providenciou lançamento complementar, ao invés de providenciar a retificação da declaração, vez que este é um caso típico de receita inexata constante no inciso III, do Art. 841, do RIR/99, e como tal a correção se faz pelo método da DIPJ retificadora e não do lançamento complementar; · além do erro de base de cálculo do Lucro Presumido já comentado, o Fisco, ao elaborar a coluna "Val. Compensar", constante das fls. 7 dos Autos, comete um novo erro de direito que foi considerar, para efeito de compensação, apenas, valores referentes ao IRPJNormal (15%), sem considerar o IRPJ Adicional (10%), gerando uma diferença em desfavor do contribuinte, em valores principais, de R$ 274.012,99, o que evidencia transgressão à fórmula de estabelecer o cálculo e não a erro material, sendo oportuno lembrar que o método de cálculo por DIPJRetificadora é perfeitamente previsto, e sempre exigido, quando o contribuinte necessita promover alterações de dados que provoquem alterações no valor do IRPJ devido, dessa forma, esse método também é exigível ao Fisco, mormente nos casos onde o contribuinte não é acusado de omissão de receita e apresenta pagamento ou retenções de tributo a compensar, cabendo verificar os cálculos constantes da Tabela Única anexa à impugnação; · sobre a vigência da CSLL, a Lei n° 10.684/03, em seu Art. 22, alterou a redação do Art. 20, da Lei n° 9.249/95, Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 5 4 estabelecendo novas alíquotas para a imposição da CSLL, sendo sua cobrança vinculada ao que estabelece o inciso III, do Art. 29, da Lei n° 10.684/03, submetido às condições estabelecidas pelo Art. 195, § 6o, da CF, e dessa forma, a cobrança da CSLL, relativamente aos novos termos da Lei n° 10.684/03, não pode ser efetivada no 3o Trimestre de 2003 por absoluta falta de vigência anterior ao período citado, e possivelmente, o 4o Trimestre foi atingido pela mesma falha, tendo em vista que a Lei n° 10.684/03 foi publicada em Edição Extra, no D.O.U., em 31.05.03, um sábado, sendo que este fato prorroga a data de vigência de Lei, no mínimo em 2 dias, levando a essa vigência para 01.10.03, quando já teve início o 4o trimestre, período de apuração da contribuição, e, assim sendo, a cobrança da CSLL deve ser afastada por inexistência de lei nos períodos do 3o e 4o Trimestres de 2003; · os erros cometidos pelo Fisco não se confundem com erros materiais, quais sejam, reduzir a base de cálculo inadvertidamente, com estabelecimento de custos no Lucro Presumido, e a compensação a menor, a inteiro desfavor do contribuinte, sendo que o Fisco deixou de cumprir a Lei, sendo caso de anulação dos Autos; · o Fisco quadruplicou a carga tributária do contribuinte como num passe de mágica, sendo alertado antes da lavratura do Auto, e tendo reconhecido que os procedimentos derivados têm suas origens apenas nas decisões internas, bem como na jurisprudência administrativa; · a IN/SRF n° 306/03 mostrou um certo direcionamento da Administração sobre esses casos constantes de uma lista de bens e serviços, relacionados em anexo à IN, que diz: "prestação de serviços com emprego de materiais, inclusive limpeza" está sujeita ao coeficiente de 8%, que multiplicado pela alíquota de 15% resulta na retenção de 1,2% sobre o valor do serviço, sem considerar o adicional, no entanto o Fisco recusou a aplicação da IN, afirmando que a mesma não se relaciona ao assunto em comento; · a literalidade do texto da IN é algo fora de qualquer obscuridade, ou seja, pode representar: prestação de serviços com vassoura, detergente, tijolo, cimento, armações de aço, guindastes, ferramentas diversas, mesas de cirurgia, vibradores, betoneiras, madeiras, compensados, computadores, inclusive com softwares (aplicativos), instrumentos em geral, etc. somente não participando disso os que exercem profissão regulamentada sem emprego de materiais, como os casos de consultoria, advocacia e assessoria, e essa IN, também, não exige que os materiais sejam incorporados ao bem produzido, aplicandose, portanto, aos bens de informática; · no caso da produção de software, o emprego de máquinas e outros softwares, garante a incorporação de forma virtual desses materiais no software produzido; Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 6 5 · o software é o resultado de um serviço prestado com emprego de materiais transformado num produto, quer seja um produto comercializável no atacado, ou para atender um usuário especificamente, e embora os softwares não tenham existência tangível, porque a intangibilidade é a qualidade daquilo que pertence ao mundo virtual, o software é uma realidade abrigada num minúsculo disco compacto, é peça obrigatória de um computador, sendo, portanto, produto; · considera "software" na qualidade de aplicativo específico, unicamente como prestação de serviço, é desconsiderar a realidade intangível de um mecanismo que toma conta, cada vez mais, de todas as atividades, como, por exemplo, o conjunto de elevadores de um edifício, esses elevadores só funcionam dependendo de hardwares e softwares, estes com sistemas operacional e aplicativos específicos, dependendo do número de andares e elevadores, será que esse aplicativo, não é um produto? · serviço era aquele prestado pelos ascensoristas, no passado, o computador realiza trabalho automático numa união perfeita entre hardwares e softwares a constituir um produto altamente sofisticado; · outro exemplo é o caso de um consumidor encomendar uma limusine Ferrari e, devido às regras tributárias, a encomenda representar um serviço para a Ferrari, será sempre um veículo, mesmo feito sob encomenda, porque industrializado nas oficinas do fabricante, para atender ao encomendante; · ora, se a encomenda vale para os bens tangíveis, por que não valer para os intangíveis? · da mesma forma que o veículo, caso a Policentro venha a realizar para o STF um software aplicativo nas dependências e com materiais do Tribunal, o software será produto para o Tribunal e prestação de serviços para a Policentro que pagará IRPJ pela base de 32% das receitas, porque o produto foi feito para o Tribunal nas dependências deste, mas, se realizado nas dependências da Policentro será produto a ser cedido, vendido ou alienado ao Tribunal, com base de 8% das receitas; · na conversão de receitas feitas pelo Fisco, há que considerar que foram apresentados diversos documentos: contratos com clientes, notas fiscais e declarações; · assim, se o contrato foi obtido através de licitação pública, que é a maioria dos clientes da Policentro, o contrato fica na dependência do Edital de Concorrência, não é o contrato que esta empresa gostaria de propor, e nesses contratos, é muito comum constar que o software será adquirido através de cessão de uso ou direito de uso, de prestação de serviço e uma minoria de compra e venda, todos para pagamento parcelado e data certa para terminar; Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 7 6 · o fato dos proponentes imporem a condição de cessão de uso ou direito de uso ou cessão de direitos nas transferências de software pode até induzir os contratantes que a remuneração seja do tipo aluguel, o que não é correto, essas denominações ligadas à cessão, uso ou direitos representam apenas transferências dos bens e o pagamento mensal de parcelas representam amortização de venda a prazo, em matéria de aplicativo específico não há locação, inclusive, o Código Civil é omisso quanto à locação de bens intangíveis; · por outro lado, o software, por conter importante participação intelectual, passa a ser propriedade de seu autor, com registro inclusive no INPI, isso prova a natureza de produto do software; · todos os softwares da Policentro são registrados, isso significa que nos contratos sempre constam a vedação de cessão ou venda a terceiros, tanto por parte do cliente como da Policentro, ou seja, a Policentro, que produz um software para "A", não pode cedêlo para outrem, sendo isto recíproco para "A", observese que isto é apenas um problema de exclusividade, ligado à necessidade de sigilo que acompanha o negócio; · a decisão do Fisco de transformar mais de R$ 34.000.000,00 de receitas em tributação quatro vezes mais onerosa para o contribuinte baseouse na análise que fez dos contratos assinados pela Policentro, anexos aos Autos; · no entanto, ao descrever o Termo de Encerramento, o Fisco exemplifica a sua decisão valendose apenas de seis contratos, e da mesma forma, justifica a nova base de cálculo com comentários sobre os contratos; · verificandose o resumo dos objetivos desses contratos, onde cinco fazem referência a "licenciamento de uso", três referemse simultaneamente a "aluguel" e todos tratam de "produção de aplicativos, customização ou sistema de gerenciamentos", concluise que não ocorre a prestação de serviços em geral porque todos cuidam de produção de softwares (aplicativos específicos) realizada nas oficinas da Policentro, com emprego de recursos humanos e materiais próprios; · os outros dois contratos, do Banco do Brasil e do STJ, utilizados pelo Fisco, para justificar base de cálculo com receitas reduzidas, deixamos de comentar por tratarse de situação ilegal, tendo em vista a apuração do lucro pelo critério do Lucro Presumido, que não prevê essa situação; · é evidente que a Policentro é uma fábrica no sentido amplo da palavra, e por isso mesmo não faz uso apenas de "cérebro, coração e pulmões" mas usa, de forma concomitante diversos outros materiais, intensamente, que é a característica principal de todas as fábricas do gênero; Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 8 7 · buscando analogia com outros setores, veja a seguinte situação: "Tratandose de assunto ligado à Medicina, p.ex., foi baixado o ADI n.° 18/03, em função da IN/SRF 306/03, para estabelecer que o percentual de presunção do lucro, aplicável às receitas dos "serviços hospitalares", é dado pela forma como o serviço é prestado", assim, "se a receita provém de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando lucro) o percentual aplicável é de 8%, e se a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoal, o percentual será de 32%. (Textos transcritos do RIR/2007 Comentado e Anotado Fiscosoft Editora Volume I Comentários após o Art. 519)". · é esse o tratamento que a autuada insiste em obter da Administração Tributária: o percentual de presunção do lucro é dato pela forma como o serviço é prestado e não se a produção do software ocorreu por encomenda ou não; · a influência da IN/SRF 306/03 foi tão grande em Medicina que o setor de radiologia foi um dos mais beneficiados, considerado prestação de serviços com emprego de materiais (RaiosX), com coeficiente de 8% de apuração do lucro e não 32% como era procedido antes; · para atender às necessidades impostas pelas regras atuais de licitação pública, a Policentro contratou os trabalhos de certificação ISO 9001 da empresa "ICQBRASIL" que, especializada nas atividades do mundo virtual, declarou que a Policentro executa serviços de INTEGRAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO DE SISTEMAS EM REGIME DE FÁBRICA DE SOFTWARE, conforme documento anexo; · finalmente, há nos Autos uma prova contundente de que o software é produto, mesmo tratandose de aplicativo específico, sob encomenda, que é o software utilizado pela Receita Federal para produzir estes Autos; · tendo em vista os erros formais apresentados, é bem provável que o software utilizado esteja precisando de um "up grade" para que possa executar serviços com índice de erro igual a zero; · dessa forma, o software evitaria os erros cometidos, alertando o Auditor Fiscal para o procedimento correto; · este, porém, é um trabalho típico de integração e documentação de sistemas; · é bom lembrar que "up grade" executado em software representa transformálo em produto novo, através de um processo de industrialização submetido à base de cálculo de 8%. · a vista do exposto, a empresa autuada pede: · (a) preliminarmente, a nulidade dos Autos, (a.l) em virtude da presença de erros formais na determinação da base de Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 9 8 cálculo do IRPJ, ou alternativamente, (a.2) em virtude de erros também formais, na compensação do crédito tributário com IRPJ pago na DIPJ2004/03, por ocasião do lançamento complementar efetuado e (a.3) referente a CSLL em virtude de ser extemporâneo; · quanto ao mérito, caso os Julgadores não atendam as preliminares, a nulidade do crédito tributário, tendo em vista que o mesmo foi estabelecido na pressuposição ilegal e discricionária de que software constitui prestação de serviços (sem emprego de materiais) quando produzido sob encomenda para um usuário isoladamente e não constitui produto ou mercadoria para venda em prateleira, assim se pede o cancelamento da base de cálculo de 32% estabelecida no AI. Apreciadas as alegações da defesa, a DRJ de origem decidiu pela procedência parcial do lançamento para excluir da exigência o valor do adicional de IRPJ espontaneamente pago sob o coeficiente de 8% (fls. 1721/1734). Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, reproduzindo os argumentos aludidos na impugnação ao lançamento. Subsidiariamente, pede ainda sejam excluídos da base de cálculo apurada pela fiscalização as receitas auferidas com o contrato firmado com o Banco do Brasil, por tratarse de venda de hardware, e com o contrato firmado com o STJ, por tratarse de venda de hardware e software de terceiros (fls. 1742/1768). O processo foi levado à julgamento na sessão de 10 de outubro de 2013, quando esta Turma resolveu convertêlo em diligência nos termos do voto do Relator, in verbis: Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que: a) a autoridade fiscal elabore relatório circunstanciado contendo novo demonstrativo das receitas de prestação de serviços incluídas em todos os contratos referidos como sendo de “atividade mista” (item 3 deste voto); b) seja a contribuinte intimada a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório acima referido no prazo de 20 (vinte) dias. Realizada a diligência, a autoridade encarregada elaborou relatório contendo as informações solicitadas pela Turma. Intimada para tanto, a recorrente deixou de apresentar contrarrazões ao relatório de diligência. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 10 9 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Das Notas Fiscais de Prestação de Serviços Alega a autoridade fiscal que a contribuinte, optante pelo lucro presumido no anocalendário de 2003, ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL receitas registradas em notas fiscais de prestação de serviço sobre as quais deveria incidir o coeficiente de presunção de 32%, e não os de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Em sua defesa afirma a interessada que essas notas fiscais de prestação de serviço referemse à venda de software “pronto” ou de “prateleira”, e não de software personalizado, daí porque não se trata de prestação de serviço. Alega ainda que a autoridade fiscal examinou apenas alguns contratos relativos àquelas notas fiscais, razão pela qual não poderia ter presumido que todos os contratos referirseiam à prestação de serviço. Pois bem, pelo exame das notas fiscais de prestação de serviço (fl. 582 e ss.) é possível constatar que, tal como afirmado pela autoridade em seu termo de encerramento de fiscalização, as operações nelas registradas referemse a prestação de serviços de manutenção e suporte técnico em software, licenciamento de uso de software próprio, atualização de software próprio etc., e não da venda de software de terceiro, seja pronto ou personalizado. Veja que, segundo a lista anexa à Lei Complementar nº 116, caracterizamse serviços, in verbis: 1 – Serviços de informática e congêneres. 1.01 – Análise e desenvolvimento de sistemas. 1.02 – Programação. 1.03 – Processamento de dados e congêneres. 1.04 – Elaboração de programas de computadores, inclusive de jogos eletrônicos. 1.05 – Licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação. 1.06 – Assessoria e consultoria em informática. 1.07 – Suporte técnico em informática, inclusive instalação, configuração e manutenção de programas de computação e bancos de dados. 1.08 – Planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas. Tais serviços, portanto, submetemse ao coeficiente de presunção de 32%, e não ao de 8%. É de se ter em conta que não se aplica ao caso sob exame a jurisprudência do STF acerca do software de “prateleira”, uma vez que, segundo a Corte Maior, software de “prateleira” é aquele produzido e licenciado por terceiros, mas comercializados por Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 11 10 distribuidores e varejistas. Nesse sentido, enquanto o produtor ou licenciador do software estaria sujeito ao ISS (prestação de serviços), os distribuidores e varejistas dos CD’s estariam sujeitos ao ICMS (saída de mercadorias). No caso dos presentes autos, os softwares objeto das notas fiscais de fl. 582 e ss. foram produzidos e licenciados pela recorrente, daí porque não podem ser caracterizados como software de “prateleira”, na acepção dada pelo STF. Se a recorrente fosse apenas distribuidora ou varejista de softwares produzidos e licenciados por terceiros, o coeficiente de presunção seria o de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Mas como ela é a própria produtora e licenciadora dos softwares em comento, caracterizada está a prestação de serviço, nos termos da lista anexa à Lei Complementar nº 116, razão pela qual o coeficiente de presunção aplicável é o de 32% (IRPJ e CSLL). Outrossim, não assiste razão à recorrente quando alega que o auditor apenas presumiu, sem contudo provar, que todas aquelas notas fiscais referemse à prestação de serviços. De fato, a autoridade tributária não precisaria examinar sequer um único contrato correspondente àquelas notas fiscais para afirmar que as receitas correspondem a prestação de serviços, uma vez que tratamse de “notas fiscais de prestação de serviços”, contendo, inclusive, a descrição dos serviços prestados. Caberia à recorrente demonstrar que, embora emitidas “notas fiscais de prestação de serviços”, o objeto das respectivas operações não seria a prestação de serviços. 3) Das Notas Fiscais de Venda de Produtos (Atividade Mista) A auditoria apurou que a contribuinte havia emitido notas fiscais de venda, as quais, conforme consta dos respectivos contratos, incluem tanto a venda de bens quanto a prestação de serviços. Concluiu a autoridade que, por tratarse de atividade mista, a parcela da receita correspondente à prestação de serviços deveria submeterse ao coeficiente de presunção de 32%. Cópia desses contratos e das respectivas notas fiscais encontramse à fl. 1415 e ss. Por sua vez, alega a recorrente que, ao menos em relação aos contratos celebrados com o Banco do Brasil e o STJ, deuse exclusivamente a venda de bens e a venda de software de terceiros, daí porque o coeficiente de presunção aplicável é o de 8%. Pois bem, pelo exame do demonstrativo de fls. 13/15 é possível verificar que a autoridade subtraiu do valor total das notas fiscais de venda o preço dos bens adquiridos de terceiros para revenda, concluindo assim que a diferença referirseia ao valor dos serviços prestados, tributável ao coeficiente de presunção de 32%. Pareceme, todavia, incorreta a conclusão da autoridade fiscal. De fato, sobre o preço dos bens adquiridos para revenda há que se considerar que o empresário coloca a sua margem de lucro bruto, o que desautoriza concluir que o valor dos serviços prestados possa ser obtido pela diferença entre o valor total da nota fiscal o preço dos bens adquiridos. Ademais, a venda, pela contribuinte, de software adquirido de terceiros também não pode ser considerada prestação de serviço. Por outro lado, pelo exame dos contratos, não há dúvida de que neles constam também a prestação de serviços tais como treinamento, manutenção, suporte, licenciamento de software próprio etc. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 12 11 Em razão disso, os autos foram baixados em diligência para que a autoridade local elaborasse novo demonstrativo das receitas de prestação de serviços incluídas nas notas fiscais de saída de mercadorias (nos contratos de “atividade mista”). Ao final do relatório de diligência consta a planilha 17.1, intitulada “Receitas Sujeitas ao percentual de 32% para apuração do Lucro Presumido”, por meio da qual a autoridade consolidou as receitas de serviços contidas nas notas fiscais de saída de mercadorias. Examinando a referida planilha é possível verificar que a autoridade diligenciante, incorretamente, adotou em sua elaboração o regime de competência quando o correto seria o regime de caixa, eleito pela contribuinte (conforme planilha de fl. 42 e ss.) e adotado no lançamento (conforme demonstrativo de fl. 13 e ss.). Isso posto, devese refazer a mencionada planilha 17.1 segundo o regime de caixa, e confrontála com o “demonstrativo das notas fiscais de atividade mista” de fl. 13 e ss., conforme abaixo: NF Lançado Diligência Mantido Eximido 1383 11.491.000,00 9.412.848,00 9.412.848,00 2.078.152,00 1442 9.655,43 0,00 0,00 9.655,43 1441 10.838,70 0,00 0,00 10.838,70 1437 156.928,00 0,00 0,00 156.928,00 1438 203.618,60 0,00 0,00 203.618,60 1440 245.084,90 0,00 0,00 245.084,90 1443 242.388,07 592.388,07 242.388,07 0,00 1658 657.353,37 16.578,15 16.578,15 640.775,22 Total 1º Trim. 13.016.867,07 10.021.814,22 9.671.814,22 3.345.052,85 1684 95.750,92 0,00 0,00 95.750,92 1675 547.652,03 0,00 0,00 547.652,03 1676 207.026,18 61.100,00 207.026,18 0,00 1789 95.000,00 8.187,64 8.187,64 86.812,36 1813 528.508,65 16.578,15 16.578,15 511.930,50 1774 3.313.360,00 691.804,80 691.804,80 2.621.555,20 1640 177.749,68 368.002,57 177.749,68 0,00 1677 9.103,69 68.661,31 9.103,69 0,00 1787 220.054,00 0,00 220.054,00 0,00 1788 84.685,68 0,00 0,00 84.685,68 1421/1799 649.959,45 649.959,45 649.959,45 0,00 1422/1800 1.404.292,14 0,00 0,00 1.404.292,14 1318 193.196,50 0,00 0,00 193.196,50 1414/1679 897,73 0,00 0,00 897,73 1418/1697 572.055,73 0,00 0,00 572.055,73 1703 2.145.471,71 1.041.090,25 1.041.090,25 1.104.381,46 Total 2º Trim. 9.372.396,35 2.905.384,17 2.149.186,10 7.223.210,25 2026 30.108,00 0,00 0,00 30.108,00 2171 1.638,21 0,00 0,00 1.638,21 2316 73.486,62 0,00 0,00 73.486,62 2202 1.054.375,84 1.255.698,55 1.054.375,84 0,00 Total 3º Trim. 1.159.608,67 1.255.698,55 1.054.375,84 105.232,83 2451 159.273,87 246.273,87 159.273,87 0,00 2592 92.140,70 97.860,70 92.140,70 0,00 Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 14041.000801/200788 Acórdão n.º 1201001.097 S1C2T1 Fl. 13 12 2711 414.153,53 0,00 0,00 414.153,53 1757 753.728,61 0,00 0,00 753.728,61 2727 34.194,55 0,00 0,00 34.194,55 2729 1.528,17 0,00 0,00 1.528,17 Total 4º Trim. 1.455.019,43 344.134,57 251.414,57 1.203.604,86 A coluna “mantido” da planilha acima representa o valor da receita de serviço incluída em cada nota fiscal de saída de produto, conforme relatório de diligência, exceto para os casos em que a receita verificada no relatório de diligência revelouse superior àquela constatada durante a auditoria fiscal (notas fiscais nos 1676, 1677 e 1787), caso em que devese manter esta última sob pena de prejuízo à contribuinte. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, conforme demonstrativo de base de cálculo do IRPJ e da CSLL mantida, a seguir: Período Lançada (AI) Eximida Mantida 1º Trim 2003 16.795.580,43 3.345.052,85 13.450.527,58 2º Trim 2003 10.555.712,51 7.223.210,25 3.332.502,26 3º Trim 2003 3.321.514,92 105.232,83 3.216.282,09 4º Trim 2003 3.577.320,03 1.203.604,86 2.373.715,17 Total 34.250.127,89 11.877.100,79 22.373.027,10 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10675.903330/2009-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 33 30 /2 00 9- 16 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco Jose Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0936.512, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O interessado transmitiu Dcomp nº 32117.38364.271205.1.3.047311, visando compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Pasep, efetuado em 15/10/2001; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório Eletrônico no qual não homologa as compensações pleiteadas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade as fls. 07/10 na qual alega, em síntese, que "examinou a sua última Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF) transmitida, referente ao 3° trimestre de 2001/Setembro com código de receita 81092 sob o número 0000.100.2006.52000770 recepcionada pelo sistema da Receita Federal em 27/09/2006 inclusive confirmada pelas informações extraídas do sistema gerencial da RFB. Verificase na referida declaração que do valor total do DARF pago R$ 174.571,96 a recorrente declara que utilizou o valor de R$ 169.720,85 para quitação do débito apurado"; É o breve relatório.” Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 2ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito credit6rio liquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903330/200916 Acórdão n.º 3802001.921 S3TE02 Fl. 112 3 Direito Creditório Não Reconhecido Não se resignando com a decisão recorrida, o contribuinte oferece Recurso Voluntário no qual reitera seus argumentos expendidos no primeiro grau, reforçando a existência de prova a seu favor pela materialidade do crédito tributário. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a ver reconhecido direito creditório decorrente de retificação de DIPJ e, posteriormente, de DCTF. A DRJ houve por bem não acolher o pleito do sujeito passivo, por entender (i) que a DCTF deve ser retificada antes da apresentação de DCOMP, para que a compensação possa ser refutada válida e (ii) que não há comprovação da materialidade dos créditos habilitados à compensação. O contribuinte, ao seu turno, argumenta que (i) nada há de errado em seu procedimento, inclusive porque a DCTF foi retificada antes mesmo do despacho decisório, e (ii) resta demonstrada a materialidade do seu direito creditório ante farta documentação franqueada à fiscalização. Com relação ao primeiro argumento da decisão recorrida, temos que de fato, mesmo que a lógica pressuponha que a DCTF (enquanto instrumento de confissão de dívida) seja antecessora, ou ao menos contemporânea da DCOMP, não há qualquer norma que exija a retificação da DCTF anteriormente à apresentação da DCOMP. Assim, ao meu ver, equivocou se a DRJ ao negar a análise do direito creditório por uma questão de forma, que extrapola as normas vigentes, e que resumo no seguinte parágrafo do voto condutor do julgado recorrido: Assim, a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e o comunicado à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora). É dizer que, para ser considerado liquido e certo, o crédito há de estar demonstrado em DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Sem o estabelecimento dessa relação lógicotemporal, a compensação não pode ser homologada. Vale lembrar que a administração, especialmente a tributária, se desenvolve pelo princípio da reserva legal, o que acarreta que a prática de seus atos deve ser feita somente nos termos expressos das normas vigentes. Isso é decorrência da proteção natural das liberdades dos cidadãos, pois a ação do Estado (lato sensu) restringe as liberdades políticas dos administrados. O particular, ao contrário, tem plena liberdade de agir, adotando medidas que não sejam vedadas pelas normas vigentes. A própria noção de autotributação, a que se refere Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ricardo Lobo Torres nas suas considerações acerca do princípio da legalidade, reflete que, fora das restrições permitidas pelo povo, por intermédio dos seus representantes, para que ocorra ação estatal, o cidadão tem plena liberdade de agir. O mesmo se dá com relação às normas administrativas, pois, como cediço, estas não podem extrapolar os preceitos legais, e se destinam à perfeita regulamentação e fiel execução das regras decorrentes de processo legislativo. Logo, a conclusão a que chegou a decisão recorrida – valendose da lógica para criar restrições à aceitação da DCTF retificadora que não existem nas regras pertinentes – revelase equivocada. Todavia, quanto a segunda razão de decidir, entendo correta a decisão recorrida. O Acórdão recorrido, ultrapassando o aspecto formal da DCTF, entendeu que “a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, para que se possa certificar a sua correção.” A Recorrente apresenta, em seu arrazoado, a explicação de que o ajuste da base de cálculo se deu diante da percepção de que houve a tributação equivocada de vendas de produtos isentos. No entanto, não se apresenta quais seriam esses produtos, nem mesmo a documentação fiscal de suporte, para que pudéssemos confirmar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta mais do que em primeiro grau. Dentre a documentação acostada, realço a juntada de uma planilha na qual se apresenta, de forma didática, a evolução das retificações de sua DIPJ que demonstra a diferença numérica da base de cálculo. Além disso, a Recorrente apresenta uma cópia de parte dos balancetes, e frisa em sua petição que: Ocorre que, em sede de processo de compensação, a aceitação de juntada posterior de documentos é excepcional, e pressupõe que o contribuinte tenha suscitado dúvida legítima no julgador com base no quanto já apresentado. Especificamente com relação à comprovação da materialidade do crédito, esta Turma Especial já possui entendimento sedimentado no sentido de que, em sede recursal, para que se possa acolher o pleito do contribuinte, os documentos precisam atestar de plano a existência, com liquidez e certeza, dos créditos. Por maior que seja o prestígio à verdade material, o formalismo moderado do processo administrativo não pode fazer tabula rasa das normas vigentes, em especial o art. 17 do Decreto 70.235/72, que traz regra preclusiva para juntada da documentação probante. Assim é que, uma vez instaurado o procedimento de revisão de compensação, passa a ser ônus do contribuinte demonstrar que atende aos pressupostos do art 170 do CTN. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.903330/200916 Acórdão n.º 3802001.921 S3TE02 Fl. 113 5 Para tanto, não basta argumentar que houve erro na tributação de vendas de produtos isentos, e franquear documentação para análise. Se não a totalidade, em caso de grande quantidade de documentos, ao menos parte da comprovação de quais seriam esses produtos, com apresentação das notas fiscais comprovando as operações, e um relatório discriminado dessas vendas que permitisse a totalização das vendas que levaram à recomposição das bases de cálculo, deveria ter sido apresentada. Ausentes tais documentos, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 14751.000426/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/08/2007
CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O VALOR DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COMPRADA DE PESSOAS FÍSICAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF.
A jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal manifesta-se quanto à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por sub-rogação da empresa adquirente, de modo que se impõe reconhecer a improcedência do lançamento quanto a essa contribuição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e dar provimento na parte conhecida. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. A jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal manifestase quanto à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por subrogação da empresa adquirente, de modo que se impõe reconhecer a improcedência do lançamento quanto a essa contribuição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 04 26 /2 00 8- 41 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e dar provimento na parte conhecida. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de oliveira. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000426/200841 Acórdão n.º 2401003.345 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.049.1513, que objetiva a cobrança do valor de R$ 391.018,78, compreendidas no período de 01/2001 a 08/2007, em decorrência da não comprovação do recolhimento das seguintes contribuições destinadas à Seguridade Social: · Contribuições dos segurados empregados, previstas no art. 20 da Lei 8.212/91, cuja obrigação de arrecadar e recolher é da empresa, nos termos do art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91; · Contribuições dos segurados contribuintes individuais, previstas no art. 21 da Lei nº 8.212/91, cuja obrigação de arrecadar e recolher é da empresa (a partir de 04/2003), nos termos do art. 4º da Medida Provisória nº 83, de 12/12/02, convertida na lei 10.666 de 08/05/2003. · Contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural comprada de pessoas físicas, previstas no art. 25, incisos I da Lei 8.212/91 de 24/07/91, cuja obrigação de recolher é da empresa adquirente conforme art. 30, incisos III da Lei 8.212/91. Segundo o relatório fiscal (fls. 138/146), a empresa se dedica à industrialização da produção própria e adquirida de canadeaçúcar, enquadrandose no conceito de agroindústria previsto no art. 22A da Lei 8.212/91. A fiscalização estabeleceu ainda que constituem os fatos geradores das contribuições lançadas: · Os valores pagos a título de alimentação e educação, em benefício de alguns empregados, que por não atenderem aos ditames da legislação, configuram remunerações indiretas; · As remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, autônomos e transportadores autônomos; · Os valores relativos à aquisição de canadeaçúcar de produtores rurais pessoas físicas. Em13/06/2008, o Recorrente tomou ciência da Ação Fiscal (fl. 150) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 152/185) alegando, em síntese: · Que os valores apurados pela fiscalização relativos ao período de 01/2001 a 05/2003, no valor de R$ 36.590,25, devem ser excluídos por ultrapassar o quinquênio decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 · Que a autuada não é sujeito passivo das contribuições, vez que são de titularidade de terceiros, implicando a ausência de descontos apenas no descumprimento de obrigação acessória. · A necessidade de excluir as verbas indenizatórias da base de cálculo das contribuições previdenciárias. · A inexigibilidade da contribuição de 2% incidente sobre a produção rural adquirida de terceiros. · A inconstitucionalidade do art. 25 da Lei 8.212/91, com a redação atualizada pela Lei 8.528/97. · A indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição incidente sobre a receita de comercialização. Instada a se manifestar acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, julgou parcialmente procedente a autuação, para excluir as competências de 01/2001 a 05/2003 que foram fulminadas pela decadência, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 A 30/08/2007 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. PRAZO QUINQUENAL O Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade do prazo decadencial de 10 (dez) anos estabelecido na legislação previdenciária. Aplicarseá, assim o prazo geral de 5 (cinco) anos determinado pelo CTN. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. DESCONTO. RETENÇÃO. PRESUNÇÃO. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição dos segurados a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. O desconto das contribuições sociais da remuneração sempre se presume feito por força de disposição expressa de lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 30/08/2007 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidas as diligências e perícias prescindíveis ao deslinde da questão. No processo em tela, não restou comprovada a necessidade de conhecimento técnico específico para identificação das rubricas consideradas como fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO EM VIA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000426/200841 Acórdão n.º 2401003.345 S2C4T1 Fl. 4 5 Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de leis vigentes e cogentes, por ser essa prerrogativa, consoante ordenamento pátrio, exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento procedente em parte. Devidamente intimada em 12/11/2009 (conforme AR de fl. 227), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 14/12/2009(fls.228/258), rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. Em 26/02/2010, a Recorrente peticionou à fl. 271, requerendo a desistência parcial do recurso administrativo, renunciando apenas à discussão relativa à cobrança da contribuição devida pelo contribuinte individual (autônomo e frentista) e da Contribuição devida pelos segurados empregados urbanos e rurais (a título de alimentação sem convênio com o PAT e de mensalidade escolar), porquanto aderiu ao parcelamento da Lei 11.941/2009. Requereu, ainda, a continuidade do processamento do recurso quanto à discussão da ilegalidade da cobrança da contribuição de 0,1% para o SAT incidente sobre a produção rural própria e adquirida de terceiros. Às fls. 277 a Seção de Acompanhamento e Controle Tributário – SACAT/JPA deferiu o pedido de desistência formalizado. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, cumpre esclarecer que em virtude do requerimento de desistência parcial protocolado às fls. 271 e já deferido, abstenhome de apreciar a cobrança das contribuições devida pelo contribuinte individual (autônomo e frentista) e da Contribuição devida pelos segurados empregados urbanos e rurais (a título de alimentação sem convênio com o PAT e de mensalidade escolar), visto que tais verbas foram incluídas no parcelamento previsto na Lei 11.941/2009. Em seguida, passase à análise da discussão da ilegalidade da cobrança da contribuição de 0,1% para o SAT prevista no art. 25, inciso II da Lei 8.212/91. Aduziu o Recorrente, em suas razões recursais, que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 363.852/MG, já se posicionou sobre a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei 8.212/91, com a redação alterada pela Lei 9.528/97. Vejamos o referido acórdão: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, em conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do recolhimento por sub rogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do art. 1 da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII , 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas.1 Na verdade, o STF entendeu que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais se apresentam como nova fonte de custeio da Seguridade Social, sendo necessária, portanto, a edição de Lei Complementar para possibilitar a sua cobrança, em observância ao exposto no art. 195, § 4°, da Constituição Federal. 1 RE 363852 / MG MINAS GERAIS, RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Julgamento: 03/02/2010, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000426/200841 Acórdão n.º 2401003.345 S2C4T1 Fl. 5 7 Assim, considerando que na hipótese ora analisada tais contribuições foram instituídas por meio de Lei Ordinária, entendeu por bem o STF declarar a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II; e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada pela Lei n° 9.528/97. Ora, verificase, portanto, que, da análise do presente processo, a autuação fundamentouse em dispositivos declarados inconstitucionais, quanto à forma de cobrança por substituição tributária (subrogação), de modo que é imperioso reconhecer a improcedência do feito na linha do decisório definitivo exarado pelo STF, conforme possibilita o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [...]. Neste caso, a análise de constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do poder judiciário, razão pela qual afasto também a cobrança das contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural comprada de pessoas físicas cuja obrigação de recolher é da empresa adquirente. Nesse sentido, manifestase a jurisprudência administrativa, conforme demonstra o Acórdão n° 240101.969, proferido pelo Ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado nos autos do processo administrativo n° 14098.000199/200812, cujos trechos seguem transcritos em linhas a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado. [...] VOTO [...] Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 863.352/MG No RE em questão discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuição social prevista no art. 25, I, da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. 8.540/1992. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: [...] Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 17 de março de 2011. Uma vez não caber mais recurso contra o RE em tela e tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve o referido julgado ser observado nos julgamentos do CARF, nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: [...] Verifico então que tendo o crédito em questão sido edificado sobre a legislação declarada inconstitucional, em decisão plenária, pelo STF, entendo que o mesmo não deve prosperar, devendo ser decretado o seu cancelamento. E não me convenço de que os pressupostos para a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo atualmente já estejam superados pelo fato da questão ter sido contemplada pela Lei n.º 10.256/2001, esta editada já sob a égide da Emenda Constitucional n. 20/1998. É que a subrogação do adquirente nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial pelo recolhimento das contribuições sobre a receita bruta da comercialização foi objeto da declaração de inconstitucionalidade uma vez que introduzida pelo art. 1. da Lei n. 8.540/1992, ao dar redação ao inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Eis os textos desde a redação original até a que vige atualmente: [...] Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000426/200841 Acórdão n.º 2401003.345 S2C4T1 Fl. 6 9 Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.528/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n. 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30, da Lei n. 8.212/1991, não foi alterado pela Lei n. 10.256/2001, a declaração de inconstitucionalidade o atingiu, não podendo subsistir o crédito tributário arrimado nesse dispositivo. [...]. Por fim, rememorando que a Recorrente renunciou à discussão relativa à cobrança das contribuições devida pelo contribuinte individual (autônomo e frentista) e da Contribuição devida pelos segurados empregados urbanos e rurais (a título de alimentação sem convênio com o PAT e de mensalidade escolar), ao aderir ao parcelamento da Lei 11.941/2009, e considerando os argumentos acima expostos, voto no sentido de CONHECER EM PARTE o RECURSO VOLUNTÁRIO e DAR PROVIMENTO na parte conhecida. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.726214/2013-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ENQUADRAMENTO. § 3º DO ART. 202 DO DECRETO Nº 3.048, DE 1991. NÃO QUESTIONAMENTO DO CRITÉRIO ESTABELECIDO NA LEGISLAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VERDADE MATERIAL NÃO OBSERVADA.
Não paira nenhuma dúvida de que o enquadramento na atividade preponderante não é realizado na forma apontada na decisão recorrida, ou seja, CNAE x Alíquota, conforme as disposições do Anexo V do Regulamento. A forma correta para definir a atividade preponderante para o correto enquadramento no grau de risco é aquela disposta no § 3º do artigo 202 do Decreto nº 3.048, de 1999.
O fato de o contribuinte não ter questionado o critério estabelecido na legislação previdenciária para a identificação da atividade preponderante (RPS / IN RFB nº 971), não tem a menor importância para o deslinde da questão controvertida, tendo em vista a preponderância, em situações como a debatida, do princípio da verdade material, princípio esse totalmente ignorado pela autoridade administrativa quando da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.959
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento da diferença de alíquota RAT (de 2% para 3%) deve ser excluído do lançamento. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ENQUADRAMENTO. § 3º DO ART. 202 DO DECRETO Nº 3.048, DE 1991. NÃO QUESTIONAMENTO DO CRITÉRIO ESTABELECIDO NA LEGISLAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VERDADE MATERIAL NÃO OBSERVADA. 1. Não paira nenhuma dúvida de que o enquadramento na atividade preponderante não é realizado na forma apontada na decisão recorrida, ou seja, CNAE x Alíquota, conforme as disposições do Anexo V do Regulamento. A forma correta para definir a atividade preponderante para o correto enquadramento no grau de risco é aquela disposta no § 3º do artigo 202 do Decreto nº 3.048, de 1999. 2. O fato de o contribuinte não ter questionado o critério estabelecido na legislação previdenciária para a identificação da atividade preponderante (RPS / IN RFB nº 971), não tem a menor importância para o deslinde da questão controvertida, tendo em vista a preponderância, em situações como a debatida, do princípio da verdade material, princípio esse totalmente ignorado pela autoridade administrativa quando da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 62 14 /2 01 3- 39 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.726214/201339 Acórdão n.º 2803003.959 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. O lançamento da diferença de alíquota RAT (de 2% para 3%) deve ser excluído do lançamento. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.726214/201339 Acórdão n.º 2803003.959 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas à Previdência Social e a outras entidades e fundos, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2011. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 09 de janeiro de 2014 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DO GIILRAT. ENQUADRAMENTO NOS GRAUS DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. Para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT), o enquadramento da pessoa jurídica num dos graus de risco de acidentes do trabalho será feito com base na atividade preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GANHOS HABITUAIS. BASE DE CÁLCULO. INTEGRAÇÃO. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, incorporamse ao salário para efeito de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social, ainda que legislação expedida pelos Estados, Distrito Federal e Municípios disponha em sentido contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIOS. BASE DE CÁLCULO. INTEGRAÇÃO. Os valores despendidos pela empresa a título de pagamento de prêmios aos empregados a seus serviço integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIÁRIAS PARA VIAGEM. VALOR EXCEDENTE A 50% DA REMUNERAÇÃO DO TRABALHADOR. BASE DE CÁLCULO. INTEGRAÇÃO. Também integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias o valor total das diárias para viagem, quando excedentes a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal do trabalhador. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.726214/201339 Acórdão n.º 2803003.959 S2TE03 Fl. 5 4 Processo administrativo fiscal. Impugnação. Pontos de discordância. Não indicação. Matéria não impugnada. A não especificação pelo sujeito passivo, na defesa, dos pontos de discordância e das razões e provas que possuir, implica considerarse não impugnada a respectiva matéria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O v. acórdão recorrido, fiandose na IN RFB 971/2009, afirma que a “atividade preponderante” do Gabinete Militar do Governador deve ser apurada em razão do número de “segurados empregados e trabalhadores avulsos” que atuam em cada atividade. Assim, considerando apenas os segurados do RGPS, o v. acórdão recorrido chegou a conclusão de que o Gabinete Militar do Governador do Estado de Minas Gerais tem por atividade preponderante o “transporte aéreo”. É evidente, com as devidas vênias, o equívoco do v. acórdão, ainda que considerada a disposição infralegal contida em ato normativo da RFB. Com efeito, foram selecionados para definir a “atividade preponderante” apenas os segurados do RGPS, desconsiderandose os servidores estaduais vinculados ao regime próprio de previdência social. Vejase que o mencionado inciso II do art. 72 da IN RFB 971/2009 referese ao “maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos”, não limitando tais segurados apenas aos segurados do Regime Geral. Portanto, insuficiente se revela o exame das informações constantes do SEFIP, porque essas informações abrangem apenas os segurados do RGPS, sendo necessário aferir também o número de segurados do Regime Próprio. Essa seleção feita pela Fiscalização Tributária não subsiste mesmo diante da norma contida na IN 72/2009, cabendo considerar, para fins de apuração da “atividade preponderante”, todos os servidores públicos que igualmente atuam no Gabinete Militar, exercendo as várias outras (e mais importantes) atribuições do órgão público. Afinal, tais servidores públicos são também segurados, ainda que, por força da Constituição Federal, sejam segurados do chamado regime próprio de previdência social. Assim, correto se mostrou o enquadramento inicialmente feito pelo recorrente, que bem catalogou sua atividade no Código CNAE 84116/00 Administração pública em geral, como também reconhecido pela jurisprudência do colendo STJ. Confia, assim, no provimento do recurso, para se julgar insubsistente todo o lançamento tributário, que foi construído a partir de premissa equivocada e ilegal. Insiste, ademais, por cautela, em outra questão, qual seja, a de que foram incluídas no cálculo tributário parcelas que não devem integrar a base de cálculo das Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.726214/201339 Acórdão n.º 2803003.959 S2TE03 Fl. 6 5 contribuições previdenciárias, porque são parcelas de natureza nitidamente indenizatória, ou não se incorporam à remuneração para fins previdenciários. Embora o v. acórdão entenda que possa desprezar as decisões do STF, a de prevalecer a orientação daquele órgão judicial, segundo a qual devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições todos os valores que não poderão ser incorporados à aposentadoria do servidor. Este o sentido do disposto no art. 201, § 11, da Constituição Federal. Por esta razão, afirmase que a contribuição não incide “sobre o abono de incentivo à participação em reuniões pedagógicas”, porque “somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária” (Ag.Rg. no RE 589.441, 2ª Turma, Rel. min. Eros Grau, DJe 6.2.09). Neste contexto, o Prêmio de Produtividade, previsto na legislação estadual, não é ganho habitual, por maiores que sejam os esforços exegéticos feitos pelo v. acórdão. A legislação local é expressa em afirmar que a concessão do prêmio não é certo, porque depende de determinadas condições financeiras do Estado, além de expressamente determinar que o mencionado “Prêmio” também não se incorpora aos vencimentos, para nenhum fim, nem mesmo a aposentadoria. Insiste, por fim, na compensação de valores pagos a maior com eventuais débitos. Por todo o exposto, pede que seja conhecido e provido o presente recurso, reformandose o v. acórdão, para se decretar a total improcedência do lançamento tributário, que deverá ser desconstituído. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.726214/201339 Acórdão n.º 2803003.959 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A principal discussão entre o Fisco e o contribuinte diz respeito ao correto enquadramento no grau de risco (leve, médio e grave), situação decorrente da atividade preponderante da empresa. Para definir a atividade preponderante, discordo do posicionamento contido na decisão recorrida de que o enquadramento deve ser feito observando a relação prevista no anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Nesta situação, a análise CNAE x Alíquota não se coaduna com a regra prevista no art. 202 do decreto regulamentador, in verbis: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total das remunerações paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I – um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II – dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III – três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (...) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.726214/201339 Acórdão n.º 2803003.959 S2TE03 Fl. 8 7 § 5º. É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Da leitura do dispositivo acima transcrito, não paira nenhuma dúvida de que o enquadramento na atividade preponderante não é realizado na forma apontada na decisão recorrida, ou seja, CNAE x Alíquota, conforme as disposições do Anexo V do Regulamento. A forma correta para definir a atividade preponderante para o correto enquadramento no grau de risco é aquela disposta no § 3º do artigo 202 do Decreto nº 3.048, de 1999. Quando o legislador estabelece que a atividade preponderante da empresa é aquela com o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, ele não quis dizer que os trabalhadores empregados deveriam ser apenas aqueles abrangidos pelo RGPS, excluindose os demais empregados abrangidos pelo RPPS, como é o caso destes autos. Ora, se a norma não estabeleceu o critério adotado pela autoridade lançadora e pelo julgador a quo para definir a atividade preponderante da empresa, o intérprete não pode fazêlo. De outra parte, está mais do que evidenciado que a atividade preponderante do Gabinete Militar do Governo de Minas Gerais não pode ser a de transporte aéreo, vinculada ao CNAE 51129/99 – Outros Serviços de Transporte Aéreo de Passageiros, não regular. O fato de o contribuinte não ter questionado o critério estabelecido na legislação previdenciária para a identificação da atividade preponderante (RPS / IN RFB nº 971), não tem a menor importância para o deslinde da questão controvertida, tendo em vista a preponderância, em situações como a debatida, do princípio da verdade material, princípio esse totalmente ignorado pela autoridade administrativa quando da constituição do crédito tributário. Destarte, com razão o contribuinte em relação ao enquadramento no Código CNAE 84116/00 – Administração Pública em Geral. O lançamento da diferença de alíquota RAT (de 2% para 3%) deve ser excluído do lançamento. No que diz respeito às verbas “Prêmio Produtividade”, “Diárias para viagem”, bem como no pedido de compensação de valores pagos a maior, sem razão o contribuinte. Apesar da argumentação e fundamentação legal trazida aos autos pelo contribuinte, tanto na questão do prêmio produtividade quanto o pagamento de diárias para viagem, o sujeito passivo não conseguiu se desincumbir de demonstrar que a sua tese se conformava com as previsões contidas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. O fato de haver jurisprudência de Tribunal Superior abordando tema similar não significa que o julgador administrativo está condicionado às teses dos Tribunais. Os precedentes citados pelo contribuinte não têm o caráter vinculante pretendido. Não se pode perder de vista também, que uma lei estadual não tem supremacia sobre uma lei nacional, como é o caso da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.726214/201339 Acórdão n.º 2803003.959 S2TE03 Fl. 9 8 No que se refere ao pedido de compensação de valores pagos a maior nada a prover, tendo em conta que a compensação já foi realizada, como se pode constatar às fls. 206 do acórdão ora recorrido. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. O lançamento da diferença de alíquota RAT (de 2% para 3%) deve ser excluído do lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 11634.000367/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008, 01/12/2008 a 31/12/2008
Ementa:
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, a partir de 04/2003.
MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO
A multa moratória deve ser aplicada conforme previa o art. 35, II, da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/12008. Para a competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.546
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que sejam excluídos do lançamento os fatos geradores relativos à servidora Rita de Castro Maistro e para que a multa aplicada nas competências até 11/2008, inclusive, obedeça ao disposto no artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, a partir de 04/2003. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO A multa moratória deve ser aplicada conforme previa o art. 35, II, da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/12008. Para a competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que sejam excluídos do lançamento os fatos geradores relativos à servidora Rita de Castro Maistro e para que a multa aplicada nas competências até 11/2008, inclusive, obedeça ao disposto no artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 67 /2 01 0- 73 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000367/201073 Acórdão n.º 2302003.546 S2C3T2 Fl. 161 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 20/04/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 26/04/2010, referente às contribuições previdenciárias da cota do segurado contribuinte individual, incidentes sobre suas remunerações nas competências de 01/2005 a 10/2008 e 12/2008. O Relatório Fiscal de fls. 23/26, traz que o crédito referese às diferenças apuradas no cotejamento das GFIP's informadas e entregues na rede bancária pelo contribuinte e os valores constantes das notas de empenho, recibos de pagamento, balancetes contábeis e planilhas dos exercícios de 2005 a 2008. Aduz o relatório, que embora intimado, o contribuinte não apresentou as folhas de pagamento relativas aos contribuintes individuais. Para subsidiar o lançamento o Fisco juntou às fls. 27/64, discriminativo com a competência, data, número do empenho, nome, CPF, valor pago, teto da contribuição, retenção, número da conta de despesa e histórico contábil de todos os contribuinte individuais considerados na autuação. A prestação de serviços se deu nas seguintes atividades: Prestação de Serviços no Conselho de Contribuintes, Honorários Advocatícios, Elaboração de Parecer Técnico Turismo, Elaboração Quesitos Prova Concurso, Prestação de Serviço Programa Cultural, Prestação de Serviço Programa Alfabetização, Prestação Serviço Fotografia, Prestação Serviços Contábeis, Prestação Serviços Confecção de Bonecas, Palestras, etc. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência, fls. 108/109, tendo em vista que o processo principal 11634.000366/201029, tinha sido baixado para que o Fisco se manifestasse quanto às considerações do contribuinte acerca de que já havia promovido o recolhimento das contribuições de praticamente todos os contribuintes lançados; que foram cobrados honorários de procuradores públicos do município para os quais possui regime próprio de previdência; que as contribuições relativas a jetons já foram recolhidas; que os pagamentos a conselheiros municipais não sofrem incidência contributiva previdenciária. A Informação Fiscal da diligência foi prestada no PAF principal 11634.000366/201029, às fls. 3809/3821, do mesmo e diz que todos os documentos acostados pela recorrente foram analisados, com a abertura de procedimento de diligência junto ao Município, sendo que o próprio pessoal responsável pelo departamento que recebeu o Fisco, não conseguiu consolidar os valores efetivamente devidos e os já recolhidos; que o contribuinte não identificou nominalmente, tampouco mensalmente quais trabalhadores e suas bases de cálculo faziam parte das GPS ou da retenção ou desconto do Fundo de Participação dos Municípios; que todos os trabalhadores declarados nas GFIP's foram deduzidos do lançamento; que não foram juntadas provas de que os valores pagos para advogados se referiam a verbas sucumbenciais; que os pagamentos para os advogados eram efetuados por rateio; que os advogados não foram identificados; que os segurados contratados pelo Município para atuarem em programas de apoio e incentivo à cultura, são contribuintes individuais e suas remunerações sujeitas à contribuição previdenciária, devendo constar das GFIP's o que não ocorreu. Por tudo o que expõe, o Fisco mantém o lançamento. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, se manifestou dizendo que o Auditor Fiscal se prende a formatos de relação jurídica que não se aplicam à administração pública e no seu caso específico e que os honorários advocatícios e de sucumbência são regrados de forma própria pelo ordenamento jurídico municipal. Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, fls. 110/126, pugnou pela procedência em parte do lançamento para excluir os fatos geradores relativos à remuneração dos Procuradores do Município por estarem abrigados pelo Regime Próprio de Previdência Social, à exceção da segurada Rita de Castro Maistro, cuja comprovação de atividade se deu como auxiliar de biblioteca. O crédito foi retificado nas competências de 03/2005, 02/2006 e 07/2007, conforme quadro de fls. 122. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que não incide tributo em relação a nenhum dos fatos jurídicos tributários relatados no lançamento; b) que os servidores públicos do Município de Londrina se encontram vinculados a Regime Próprio de Previdência; c) que o suporte fático realizado pelo Fisco deveria ser pormenorizado para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa; d) que o Fisco não pode lançar com base em presunções; e) que não restou evidenciado como o Fisco chegou ao montante do tributo; f) que o Fisco colheu a esmo valores constantes de empenhos, recibos e realizou o levantamento por arbitramento; g) que comprova que a Sra. Rita de Castro Maistro é procuradora do município, mas por lapso juntou a nomeação em outro cargo; h) que o pagamento realizado ao advogado privado João Tavares de Lima se trata de honorários de sucumbência e a primeira instância não apreciou as provas; i) que dentre as gratificações pagas a autônomos alguns são exercentes de função no Conselho Municipal de Contribuintes e que já recolheu a parte patronal dos servidores não abrangidos pelo regime próprio, relacionando os valores dos jetons por ordem de pagamento; j) que também pagou a parte patronal dos honorários para diversas atividades como serviços contábeis, elaboração de projetos, cursos de educação musical, palestras, consultorias, etc, mas a DRJ desconsiderou as provas; k) que quanto à prestação de serviços no programa projeto cultural, também andou mal a DRJ , porque o trabalho é uma Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000367/201073 Acórdão n.º 2302003.546 S2C3T2 Fl. 162 5 forma de incentivar a cultura e as pessoas físicas envolvidas nos projetos recebem repasses de recursos e tem a obrigação de prestar contas dos recursos recebidos, não se tratando de remuneração, porque não são prestadoras de serviço, nem autônomas; l) que não há justificativa para a cobrança de contribuição sobre os pagamentos dos agentes comunitários alfabetizadores, porque as atividades são de interesse público. Os alfabetizadores são voluntários e o trabalho voluntário não gera vínculo empregatício; m) afirma que efetuou o recolhimento previdenciário sobre os valores repassados aos agentes comunitários; n) que deve ser reformada a decisão acerca da aplicação da multa de mora em competências anteriores a MP 449/2008. o) Por fim requer a invalidade formal do lançamento, dos créditos tributários e o provimento do recurso para cancelar o DEBCAD e o crédito lançado. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares O presente levantamento referese exclusivamente às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que prestaram serviço ao Município, nesta condição, no período de 01/2005 a 10/2008 e 12/2008. Portanto, não serão consideradas e rebatidas as alegações da recorrente a cerca da inexistência da relação de emprego de alguns segurados para com o Município, já que tal assunto não faz parte do lançamento, porque não estão sendo cobradas contribuições previdenciárias advindas da prestação de serviço com vínculo empregatício. No que se refere à alegada falta de suporte fático e lançamento efetuado por presunção, não confiro razão à recorrente pelos motivos a seguir explanados. O Relatório Fiscal de fls. 23/26, expõe que em auditoria realizada no sujeito passivo, lhe foi solicitado, através de termos próprios, quais sejam, Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF), datado de 29/10/2009, Termo de Intimação Fiscal 001, de 07/12/2009, Termo de Intimação Fiscal 002, de 05/02/2010, e Termo de Intimação Fiscal 003, de 09/03/2010, que apresentasse os documentos necessários à realização de auditoria fiscal e relativos ao período de 01/2005 a 12/2008. Da análise dos documentos apresentados como as Notas de Empenhos, os Recibos de Pagamentos e os Balancetes Contábeis e após cotejamento destes com as GFIP's entregues na rede bancária, o Fisco apurou que nem todos os contribuintes individuais foram informados em GFIP, de forma que suas remunerações não foram oferecidas à tributação previdenciária. Destarte foi constituído o crédito tributário, de acordo com os dados constantes da Planilha de fls. 27 a 64, onde constam discriminados a Competência, Data do Empenho, Número do Empenho, Nome do Prestador de Serviço, CPF do Prestador, Valor Pago, Base de Cálculo da Retenção, Valor da Retenção de 11%, Conta Contábil de Despesa e Histórico da Conta. A recorrente teve conhecimento de tais planilhas que compõem o lançamento apresentou defesa e documentos, que foram analisados pelo Fisco na realização de diligência efetuada no decorrer do procedimento administrativo, junto ao Município e servidores encarregados dos departamentos próprios de contabilidade e pessoal, que não foram capazes de identificar pagamentos realizados para os segurados que constam do lançamento consubstanciado neste auto de infração. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000367/201073 Acórdão n.º 2302003.546 S2C3T2 Fl. 163 7 Portanto, não há como a recorrente se valer da assertiva de que o crédito foi lançado por presunção e sem suporte fático, eis que os documentos que sustentaram o lançamento são de sua própria confecção, posse e guarda, e assim, de seu pleno conhecimento. Não houve qualquer presunção por parte do Fisco, apenas o exame de documentos disponibilizados pela recorrente que em cotejamento com as informações, também prestadas por ela em GFIP, demonstraram que nem todos os contribuintes individuais haviam sido informados em GFIP, tampouco suas contribuições recolhidas. Os fatos são estes e estão devidamente relatados no Relatório Fiscal de fls. 23/26 e na Informação Fiscal da diligência às fls. 3809/3821, do PAF 11634.000366/201029. Pelo que se vê não se trata de "colher valores a esmo e lançar por arbitramento", como disse a recorrente. Quanto à alegação de que já efetuou recolhimentos sobre as exações lançadas, também não merece ser acatada, porquanto a recorrente não fez qualquer prova deste fato e a diligência realizada para ver a veracidade do alegado, trouxe que nem os próprios funcionários encarregados do departamento que deveria prestar os esclarecimentos e comprovações conseguiram demonstrar se havia recolhimentos efetuados com relação aos valores lançados. Assim, não merece prosperar a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Também não houve qualquer fato que evidenciasse cerceamento de defesa, pois a recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000367/201073 Acórdão n.º 2302003.546 S2C3T2 Fl. 164 9 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares, passemos ao mérito. Do Mérito O lançamento referese às contribuições previdenciárias relativas à alíquota de 11%, da parte do segurado, que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos do parágrafo 4º, da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Sobre o assunto, é de se ver que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); E, o artigo 12, da Lei n.º 8.212/91, traz no seu inciso V, letra "g" que as pessoas físicas que prestam serviço à empresa em caráter eventual e sem relação de emprego, são segurados obrigatórios da Previdência Social, na condição de contribuintes individuais, respaldando o que foi lançado neste auto de infração: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; Destarte, são totalmente inócuas as assertivas da recorrente acerca de que não está obrigada a pagamento de contribuição previdenciária sobre as remunerações das pessoas físicas que lhe prestaram serviços, porque tal disposição consta da lei. Entretanto, deve ser analisado o fato de que o Acórdão recorrido promoveu a retificação do lançamento quanto às exações lançadas no que concerne às remunerações pagas Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 aos Procuradores do Município identificados pela recorrente e abrangidos por Regime Próprio de Previdência, à exceção da segurada Rita de Castro Maistro, cuja identificação se deu como auxiliar de biblioteca. Todavia, na peça recursal a recorrente admite o lapso e junta comprovação da nomeação da servidora como Procuradora, fls.158, motivo pelo qual as contribuições incidentes sobre a sua remuneração devem ser excluídas do presente lançamento, tal como ocorreu com os demais procuradores. Por derradeiro, é de se notar que no caso em tela, o Fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da Lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, por competência. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado. Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E. nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11634.000367/201073 Acórdão n.º 2302003.546 S2C3T2 Fl. 165 11 não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Desta forma, até a competência 11/2008, deve ser aplicada a multa de mora como consta do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. E, para a competência 12/2008, deve ser aplicada a multa de ofício, em virtude da aplicação do artigo 35A da citada Lei n.º 8.212/91, introduzido pela MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para que sejam excluídos do lançamento os fatos geradores relativos à servidora Rita de Castro Maistro e para que a multa aplicada nas competências até 11/2008, inclusive, obedeça ao disposto no artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10880.909145/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.287
Decisão: Visto e discutidos este autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ Recorrente BRF BRASIL FOODS S/A (Incorporadora de PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Visto e discutidos este autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 14 5/ 20 10 -4 3 Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10880.909145/201043 Resolução nº 1402000.287 S1C4T2 Fl. 8 2 RELATÓRIO BRF BRASIL FOODS S/A (Sucessora de PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A), com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Adoto o relatório da decisão recorrida: A Interessada transmitiu vários PER/DCOMP, apontando crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário (AC) de 2004, no montante de R$21.947.553,08. O PER/DCOMP com demonstrativo de crédito é o de nº 41820.10848.250907.1.7.020008 (fls. 01 a 16). 2. Foi exarado, em 22/01/2010, Despacho Decisório NÃO HOMOLOGANDO as compensações constantes nas DCOMPs eletrônicas vinculadas ao SNIRPJ AC 2004, nos termos a seguir sintetizados (fl. 10): “Analisadas as informações prestadas ... e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Parc. Crédito IR Exterior Retenções Fonte Paga ment o Estim. Comp SNPA DEM. Estim. Comp. Soma Parc. Créd. Per/ Dcomp 298.660,93 15.112.154,52 0,00 0,00 26.319.191,24 41.730.006,69 Confirma . 298.660,93 7.316.155,93 0,00 0,00 2.504.443,42 10.119.260,28 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$21.947.553,08 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$41.729.998,33 IRPJ devido: R$19.782.445,25 Valor do saldo negativo disponível = (...): R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos PER/DCOMP listados no endereço eletrônico indicado abaixo. (...)” 2.1. Nas “Informações Complementares da Análise do Crédito” (fls. 18 a 20), consta detalhamento do IRRF confirmado (R$7.316.155,93), e das Estimativas confirmadas (R$2.504.443,42). 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 03/02/2010 (AR; fls. 21 e 22), e dele recorreu a esta DRJ, em 05/03/2010, por meio de advogada (fls. 32 a 47), juntando documentos (fls. 33 a 58), nos seguintes termos, resumidamente (fls. 23 a 32): I – DOS FATOS 3.1. A Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ a pagar no Exercício 2005 (AC 2004) no montante de R$21.947.553,08. Em sua composição, houve retenções de IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) no montante de R$15.112.154,52 e por isso a Requerente manteve o direito de utilizar estes créditos para quitar outros débitos pendentes perante a Secretaria da Receita Federal (atual RFB). Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10880.909145/201043 Resolução nº 1402000.287 S1C4T2 Fl. 9 3 3.2. Além disso, apurou saldo de IRPJ por estimativa mensal no montante de R$26.319.191,24, que foram recolhidas através de compensação. Desta forma, procedeu às compensações através dos Per/Dcomps não homologados pelo Despacho Decisório, tal como segue: (...), onde teve apenas parte de suas retenções na fonte de Imposto de Renda e IR por estimativa mensal confirmados pela RFB, conforme detalhado no quadro abaixo: (...). 3.3. Em que pese as razões emanadas pela RFB, há que ser reformado o Despacho Decisório, pelas razões que passa a demonstrar a seguir. II – DO DIREITO II.1 – DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE 3.4. A RFB confirmou apenas IRRF no montante de R$7.316.155,93, não confirmando R$7.795.998,59, tal como detalhado a seguir: (...). Como se denota, os CNPJs referemse a Instituições de Serviços Financeiros que promoveram as retenções do imposto, mas, os saldos foram identificados com outros códigos de receita. 3.5. Deste modo, é necessário que seja confrontado outras retenções com outros códigos para fechar o saldo da conta, conforme comprovantes que serão oportunamente apresentados. 3.6. Para que a recorrente possa dirimir as inconsistências do sistema da RFB e comprovar as retenções, apresentará os extratos e outros documentos equivalentes. Em vista da dificuldade de resgatar todos os aludidos comprovantes em seus arquivos, pugna pela apresentação a posteriori, conforme entendimento firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no que diz respeito à verdade material. (...). II.2 – DOS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA 3.7. A Recorrente apurou o montante de R$26.319.191,24 referente ao IR mensal por estimativa. Foi confirmado apenas o valor de R$2.504.443,42, e não aceito o montante de R$23.814.747,82. 3.8. No que tange aos valores não confirmados, as DCOMP nº 00689.84985.270204.1.3.013402, 38780.85177.310304.1.3.013480 e 42666.40560.300404.1.3.011244, tais saldos estão homologados tacitamente, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN (Código Tributário Nacional), uma vez que somente foi cientificada de sua não homologação pelo demonstrativo anexo ao Despacho Decisório. 3.9. Em relação às demais compensações, o crédito ainda está sendo discutido administrativamente e, portanto, não assiste razão à RFB para definir como não homologado. Assim, a exigibilidade está suspensa, nos termos do art. 151, III, do CTN. Traz jurisprudência administrativa. 3.10. Isto posto, em vista da comprovação da Recorrente pleiteia que o crédito não confirmado nos termos do Despacho Decisório seja reconhecido, garantindo saldo para as compensações executadas. III – DO PEDIDO 3.7. Requer o reconhecimento e confirmação dos créditos de IRRF e de IR por estimativa mensal, e a homologação das compensações declaradas vinculadas ao presente processo. A decisão recorrida está assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO SEM DECISÃO DEFINITIVA. DIREITO CREDITÓRIO. Não pode ser reconhecido direito creditório decorrente de questões Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10880.909145/201043 Resolução nº 1402000.287 S1C4T2 Fl. 10 4 ainda não apreciadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e que foram objeto de Despachos Decisórios e Acórdãos em que não homologadas as compensações pleiteadas e que teriam reflexo no valor do IRPJ apurado para o AC 2004, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação. IRRF. COMPROVAÇÃO. OFERECIMENTO DA RECEITA Á TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE. Para que o IRRF possa ser deduzido do valor do Imposto de Renda a ser pago, é necessário que: (i) o contribuinte apresente comprovante de retenção emitido em seu nome, pela fonte pagadora, e (ii) as receitas correspondentes integrem a base de cálculo do imposto devido. DIREITO CREDITÓRIO. Não foi reconhecido crédito em favor do contribuinte, referente ao IRPJ apurado no quarto trimestre do AC de 2004, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente. No voto condutor do acórdão recorrido constam os motivos do indeferimento, conforme abaixo transcrito: “(...) Observase que o litígio se circunscreve aos valores de: (i) IRRF passíveis de serem utilizados na apuração do IRPJ referente ao AC 2004; e (ii) IR mensal calculado por estimativa a ser informado na Ficha 12A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real), da DIPJ/2005 (AC 2004). Assim, passase a analisar tais questões. 9.1. IRRF. 9.1.1. Compulsando os autos, observase que a Recorrente nada trouxe que pudesse comprovar o IRRF por ela informado na DIPJ/2005 (AC 2004) e no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito. 9.1.2. Como já visto, compete à Recorrente o ônus da formação da prova do direito creditório, a fim de demonstrar sua certeza e liquidez. Nesse sentido, a legislação prevê a apresentação dos informes de rendimentos, de modo a comprovar o valor de IRRF passível de utilização. Nesse ponto, importa enfatizar que o contribuinte não trouxe documentos de prova que servissem de supedâneo as suas alegações.(...) 9.1.6. Assim, concluise que as alegações da empresa informadas neste item não estão comprovadas, razão pela qual mantémse o IRRF confirmado no Despacho Decisório, no montante de R$7.316.155,93. 9.2. IR Mensal calculado por Estimativa. 9.2.1. A Recorrente afirma que as estimativas foram objeto de compensações, algumas homologadas tacitamente (referentes às estimativas apuradas em janeiro, fevereiro e março/2004), e outras ainda estão em discussão administrativa (novembro e dezembro/2004). 9.2.2. Consultas aos Sistemas PERDCOMP no SIEF (fls. 272 a 286), COMPROT (fls. 287 a 297) e DECISÕES (fls. 298 a 328), indicam que os processos administrativos relativos às compensações de estimativas do AC 2004 (referenciados no Despacho Decisório; fl. 20) se encontram no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), à exceção das DCOMP totalmente homologadas, conforme tabela a seguir. (...) 9.2.2.1. Observase que os processos administrativos 10880.906886/200858 e 10880.906887/200801 foram objeto de Acórdãos exarados pela DRJ/RPO, em 10/08/2010 (após ciência do Despacho Decisório sob análise), em que não reconhecidos direitos creditórios, mas nos quais foram consideradas homologadas tacitamente as DCOMP a eles referentes, razão pela qual consideramse compensadas, no presente voto, as estimativas de IRPJ referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10880.909145/201043 Resolução nº 1402000.287 S1C4T2 Fl. 11 5 9.2.3. Como visto no subitem 8.1., o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública há que ser líquido e certo. Como as estimativas de IRPJ referente aos meses de novembro e dezembro de 2004 não foram ainda apreciadas no CARF, não há liquidez nem certeza sobre o valor do crédito de estimativa que porventura poderia exceder ao acima apurado a este título (R$9.992.374,69). 9.2.4. Assim, há que se reconhecer IRPJ calculado por estimativa, referente ao AC 2004, no total de R$9.992.374,69. (...) 10.1. Consulta ao Sistema IRPJ indica que o cálculo do IR mensal por estimativa foi apurado com base em balanço/balancete de suspensão/redução em cada um dos meses de janeiro a outubro/2004, e com base na Receita Bruta e Acréscimos nos meses de novembro e dezembro/2004. 10.2. Refazendo o cálculo das Fichas 11 (Cálculo do IR Mensal por Estimativa) e 12A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real), da DIPJ/2005, obtémse os valores (em Real) abaixo indicados (fls. 329 a 344 ). (...) 10.3. Desse modo, verificase que não foi apurado crédito líquido e certo em favor da Recorrente. Ao contrário, o valor de IRPJ encontrado ao final do AC 2004 foi positivo, de R$2.1732.897,44. Portanto, não há direito creditório a ser reconhecido em relação ao IRPJ referente ao AC 2004. 11. Em face do exposto, VOTO no sentido de INDEFERIR a Manifestação de Inconformidade, NÃO RECONHECENDO direito creditório em favor da Recorrente relativamente ao IRPJ apurado no AC 2004, e, conseqüentemente, NÃO HOMOLOGAR a compensação dos débitos informados nas DCOMP sob análise.(...)” Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 394 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, buscando comprovar as retenções em fonte, pelo que propugna pela realização de diligência visando comprovar a correção de seus procedimentos. Ao final, requer seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10880.909145/201043 Resolução nº 1402000.287 S1C4T2 Fl. 12 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva O recurso manuseado pela recorrente encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Conforme relatado, o pleito do contribuinte quanto ao SNRIRPJ anocalendário de 2004 foi indeferido pela DRJ, tendo em vista a falta de comprovação das retenções de IR Fonte, bem como a falta de recolhimento das estimativas que foram objeto de DCOMP não homologadas, mas que ainda estão pendentes de julgamento no CARF. No recurso voluntário a Recorrente apresenta justificativas e farta documentação quanto a efetividade das retenções do IRFonte e tributação das respectivas receitas e rendimentos, fls. 528 e seguintes . Pois bem, constatei em análise prévia que, em princípio, a documentação ora apresentada pode fazer prova das retenções em fonte, todavia fazse necessário verificar se as receitas foram tributadas pela contribuinte, bem assim a correta contabilização desses valores (Receitas e IRFonte). No que tange a parte dos processos administrativos relativos às compensações de estimativas do AC 2004 (referenciados no Despacho Decisório; fl. 20) verifiquei que ainda estão pendentes de julgamento na Terceira Seção do CARF, conforme abaixo relacionado: ESTIM. MÊS PROC. ADMIN./DCOMP LOCALIZAÇÃO ATUAL NOV/2004 13804.008887/200411 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000461/200591 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000459/200512 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000469/200558 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000460/200547 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000456/200589 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000465/200570 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF DEZ/2004 13804.000472/200571 2a. CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CARF Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10880.909145/201043 Resolução nº 1402000.287 S1C4T2 Fl. 13 7 Salvo melhor juízo o julgamento deste processo somente poderá ser realizado após os acima listados. Conclusão Diante do exposto, cumpre a este colegiado converter o julgamento em diligência para os seguintes procedimentos: 1) A Fiscalização da DRF de Origem deverá efetuar as verificações necessárias quanto a efetividade das retenções do IRFonte do anocalendário de 2004, que o contribuinte buscou comprovar no recurso voluntário, bem assim quanto a tributação das respectivas receitas e rendimentos e, ao final, lavre termo consubstanciado manifestandose sobre as alegações e documentação apresentada; 2) A seguir, cientificar a Contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias quanto ao item 1 acima; 3) Concluídos os procedimentos relativos aos itens 1 e 2 acima, manter o processo na DRF aguardando o encerramento dos processos relativos às compensações de estimativas do AC 2004, listados neste voto. 4) Por fim, juntar cópia dos acórdãos dos processos relativos às compensações de estimativas do AC 2004 no presente processo e volver os autos ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 13866.000150/2003-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: Não se aplica
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Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros:Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Adotase o relatório do acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJRIBEIRÃO PRETO/SP: “Trata o presente de Declaração de Compensação — DCOMP na qual o interessado compensa débito da Cofins dos períodos de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 66 .0 00 15 0/ 20 03 -3 6 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 3 2 apuração jan./ 2003 e fev./2003 com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido da Cofins, referente ao período de apuração fev././2002, crédito esse de valor declarado de R$ 5.817,10, fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 116/118, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da base de cálculo da COFINS o valor de R$ 460.426,28 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fl. 117) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 10/04/2008, fl. 121, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/05/2008, fls. 123/130, alegando, em síntese: Que a base de cálculo da Cofias é o faturamento nos temos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 3° da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; Que é operadora de planos de assistência à saúde., atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, acordaram os Membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Intimada em 10/03/2009, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 23/03/2009. É o Relatório. Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente, faço as devidas homenagens à Conselheira Fabiola Keramidas, cuja experiência no segmento permitiulhe contextualizarme os fatos ora discutidos, além de ter fornecido a esse conselheiro os dispositivos legais necessários à correta apreciação do tema. Conforme relatado, a discussão em tela referese à conceituação da base de cálculo, para as contribuições sociais de PIS e COFINS, das empresas do ramo de seguro de saúde1 operadoras (“OP’s”), as quais são fiscalizadas pela ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, vinculada ao Ministério da Saúde e criada pela Lei 9.961/00. Especialmente, interessa, para o caso em apreço, as operadoras de saúde denominadas como de “medicina de grupo”, a saber: RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. “SEÇÃO V DA MEDICINA DE GRUPO Art. 15. Classificamse na modalidade de medicina de grupo as empresas ou entidades que operam Planos Privados de Assistência à Saúde, excetuandose aquelas classificadas nas modalidades contidas nas Seções I, II, IV e VII2 desta Resolução.” destaquei As operadoras de medicina de 1 RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. "Art. 10. As operadoras segmentadas conforme o disposto nos arts. 3º ao 9º desta Resolução deverão classificarse nas seguintes modalidades: I administradora; II cooperativa médica; III cooperativa odontológica; IV autogestão; V medicina de grupo; VI odontologia de grupo; ou VII filantropia." RESOLUÇÃO NORMATIVA – RN Nº 159, DE 3 DE JULHO DE 2007 "Art. 2º Para fins desta resolução, definese: I – operadora de planos privados de assistência à saúde OPS: a pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação, sociedade simples ou empresária que opere produto, serviços ou contrato de planos privados de assistência à saúde definidos no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998." 2 “SEÇÃO I DA ADMINISTRADORA Art. 11. Classificamse na modalidade de administradora as empresas que administram planos ou serviços de assistência à saúde, sendo que, no caso de administração de planos, são financiados por operadora, não assumem o risco decorrente da operação desses planos e não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares ou odontológicos. SEÇÃO II DA COOPERATIVA MÉDICA Art. 12. Classificamse na modalidade de cooperativa médica as sociedades de pessoas sem fins lucrativos, constituídas conforme o disposto na Lei n.º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que operam Planos Privados de Assistência à Saúde. (...) SEÇÃO IV Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 5 4 grupo oferecem basicamente dois tipos de serviços na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. Os planos de saúde oferecem aos segurados serviço de assistência médica prestado por profissionais vinculados à operadora (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Existem ainda àquelas que denomino “operadoras puras”, porque não possuem rede credenciada, apenas rede própria. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede credenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde” porque não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não de rede própria. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de credenciados, mas apenas alguns possuem o custo de uma rede própria. No caso em análise a Recorrente é operadora de saúde (OP) que comercializa planos de saúde e, em razão deste fato, com base no parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, pleiteou a restituição de valores que teria incluído indevidamente na base de cálculo do PIS e Cofins, sendo estes valores – pelo que averiguei dos autos referentes ao pagamento de credenciados e do custo de rede própria. Logo, a questão a discutirse é, se a legislação permite que os valores referentes à credenciados e rede própria sejam deduzidos da base de cálculo do PIS e Cofins. A Receita Federal vêm entendendo que não existe esta possibilidade, pois se existisse o PIS e a Cofins das OP’s incidiria sobre receita líquida, não sobre faturamento, elemento que efetivamente compõe o aspecto quantitativo da regra matriz de incidência tributária. In casu, o v. acórdão recorrido entendeu que a legislação não permite a dedução pretendida pela Recorrente, a saber: DA AUTOGESTÃO Art. 14. Classificamse na modalidade de autogestão as entidades de autogestão que operam serviços de assistência à saúde ou empresas que, por intermédio de seu departamento de recursos humanos ou órgão assemelhado, responsabilizamse pelo Plano Privado de Assistência à Saúde destinado, exclusivamente, a oferecer cobertura aos empregados ativos, aposentados, pensionistas ou exempregados, bem como a seus respectivos grupos familiares definidos, limitado ao terceiro grau de parentesco consangüíneo ou afim, de uma ou mais empresas, ou ainda a participantes e dependentes de associações de pessoas físicas ou jurídicas, fundações, sindicatos, entidades de classes profissionais ou assemelhados. (...) SEÇÃO VII DA FILANTROPIA Art. 17. Classificamse na modalidade de filantropia as entidades sem fins lucrativos que operam Planos Privados de Assistência à Saúde e tenham obtido certificado de entidade filantrópica junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS e declaração de utilidade pública federal junto ao Ministério da Justiça ou declaração de utilidade pública estadual ou municipal junto aos Órgãos dos Governos Estaduais e Municipais." Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 6 5 “Trecho do v. acórdão recorrido: (...) Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado.” destaquei. Posta a questão, passo ao voto. É indiscutível que o segmento de saúde é altamente específico, tanto que possui, inclusive, Plano de Contas Próprio, aprovado e “controlado” pela ANS. Tal fato é imprescindível para o deslinde da questão, pois as matérias fiscais em discussão apenas têm sentido se forem analisadas com base neste Plano de Contas, o qual reflete as especificidades do setor. Pois bem. Em primeiro lugar fazse necessário consolidar o entendimento do que é faturamento para uma operadora de saúde, nos termos da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (“receita da venda de produtos e serviços”). A empresa que opera saúde tem como faturamento todos valores recebidos a título: (i) das prestações pagas pelos seus beneficiários bem como (ii) da utilização de sua rede (hospitais, clínicas, etc) por terceiros, aqui entendidos empresas, outros operadoras de saúde, particulares e o próprio SUS. É esta, conceitualmente, toda a receita recebida pela operadora de saúde, logo, estes valores é que consistem no faturamento das OP’s. A problemática se inicia na análise prática deste conceito, justamente porque a ANS estabeleceu no Plano de Contas Contábil das Operadoras, (a) algumas rubricas de custos classificadas no mesmo Grupo de Contas do Faturamento/Receita das Operadoras e (b) outras rubricas de faturamento classificadas no mesmo Grupo de Contas de Despesas. É o caso, respectivamente : a) dos CUSTOS COM CONGÊNERES que são contabilizados no Grupo 3 – RECEITA (conta 3117 e 3118) junto com o Faturamento / Receitas Operacionais da Operadora, como contas redutoras do ativo, portanto reduzindoas; e b)das receitas advindas dos FATURAMENTO CONTRA AS CONGÊNERES que são classificadas no Grupo 4 – DESPESA (conta 4123 e 4124) junto com os custos e despesas dos eventos assistenciais, como contas redutoras do passivo, reduzindoos. Desta forma, o faturamento das OP’s, conforme conceito prédefinido (total dos valores referentes a venda de produtos e serviços), não é encontrado apenas na conta contábil do GRUPO 3, conta de RECEITA. Acrescido a este fato, o legislador optou, para fins de incidência das contribuições ao PIS e COFINS que sabidamente, no sistema cumulativo, incidem sobre o faturamento e de forma cumulativa a possibilidade de abatimentos na base de cálculo do tributo. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 7 6 Isso posto, não houve alteração no conceito de faturamento, como havia quando pretendeuse a equiparação do conceito de faturamento à receita bruta3 (o que foi julgado inconstitucional pela Suprema Corte), o legislador apenas adequou o plano contábil específico à incidência tributária e concedeu determinado benefício de diminuição de carga tributária, consubstanciado na redução da base de cálculo do tributo. Neste particular, erra a fiscalização, ao limitar a interpretação das deduções de base, sob pena de alterarse o conceito de faturamento. Diz o dispositivo legal: “Art. 2°. O art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I— coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Importante a partir desse momento discutirse o alcance dos incisos I a III do parágrafo 9º. Para melhor compreensão desse Colegiado passarei a analisar cada inciso, com base na legislação específica do setor, bem como do Plano de Contas que se aplica a este segmento, definido pela Agência Nacional de Saúde. CoResponsabilidades Cedidas A determinação contida na Lei nº 9.718/98 claramente dispõe (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OP’s), dos valores referentes às coresponsabilidades cedidas. Neste ponto, importante conceituarse o que são “coresponsabilidade cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria ou com o auxílio de terceiros. Estes terceiros são, obrigatoriamente, credenciados perante a ANS. Ocorre que os credenciados podem ser contratados de forma direta ou indireta. 3 Tai equiparação foi declarada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 357.950, em sessão de 09/11/2005. “Lei nº 9.718/98 (...) Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...)” Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 8 7 Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados), prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da operadora contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade. O credenciado é contratado por tarefa a ser prestada dentro de sua especialidade médica, trata da saúde por evento. Já os credenciados contratados de forma indireta (chamados de congêneres), são OP’s que prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres (empresas de mesmo gênero) obrigatoriamente devem ser OP’s, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde das vidas que assumiu de outra operadora, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” deste beneficiário que foi “transferido” aos seus cuidados, recebe portanto um valor fixo independente do serviço prestado, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso, a responsabilidade é da OP contratante, enquanto no segundo caso, a responsabilidade pelo atendimento médico é da contratada. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir o beneficiário exige, cada vez que a OP credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações. A troca da rede credenciada é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPs, justamente porque transfere a responsabilidade do atendimento. Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque o inciso I menciona “co responsabilidade cedida”. Trata portanto de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite a exclusão da base de cálculo dos valores pagos justamente para estas congêneres, credenciados contratados de forma indireta que se responsabilizam por parte dos beneficiários da operadora, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos demais credenciados não se enquadram neste inciso primeiro. No Plano de Contas veiculado e imposto pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costumam gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3117 e 3118. São os CUSTOS COM CONGÊNERES estão contabilizados “erroneamente” no Grupo 3 relativo à RECEITA. A mera análise do Plano Contábil – que peço vênia a esse Colegiado para juntar aos autos, em vista da imprescindibilidade das informações nele contidas – é suficiente para se constatar que, na prática, este valor já deveria ser deduzido das Receitas, uma vez que está indicado como “conta redutora” do ativo, com a necessária aposição do sinal negativo, verbis: “ CONTA: 3.1.1.7 () CONTRAPRESTAÇÕES DE CORRESPONSABILIDADE TRANSFERIDA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” A providência legislativa, portanto, ao definir a exclusão da conta 3.1.1.7, responsável pelo registro do Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 9 8 “custo” com a contratação indireta de prestadores de serviços, ajustou o valor da base de cálculo da OP, retirando do total faturado o montante “repassado” aos terceiros que “assumiram” a assistência de parte de seus beneficiários. Assim sendo, resta inconteste que, por força de lei, houve a redução da base do PIS e Cofins para exclusão de valores pagos a credenciados, neste item em particular credenciados congêneres (que assumem a responsabilidade do serviço de saúde), mas sem dúvida terceiros. E este fato não significa que a legislação alterou o significado de faturamento, mas que definiu, isso sim, um benefício ao setor de saúde ao permitir a exclusão da base de cálculo, do valor repassado aos terceiros que efetivamente prestaram os serviços para os quais a OP foi contratada. Tratase apenas de exceção legal que, enquanto válida, vigente e eficaz no ordenamento jurídico, deve ser observada por toda administração pública. Provisões Técnicas A possibilidade da exclusão de provisões técnicas também não gera dúvida, em virtude da setorização em rubrica contábil própria. As provisões técnicas são garantias exigidas pela ANS para a manutenção da atividade das OP’s em caso de risco de atendimento aos beneficiários, e se justificam pela característica social do serviço prestado. Neste aspecto, na hipótese de a empresa deixar de atender os beneficiários em virtude, por exemplo, de má administração da OP a ANS prevê diversas regras para a manutenção do serviço até a equalização do problema, regras estas que determinam, inclusive, a intervenção na direção da OP. Para estas situações, prevêse a utilização das provisões realizadas pelas empresas, na mesma linha do que ocorre com o sistema financeiro, sujeito à determinações deste tipo do Banco Central – BACEN. Mais uma vez a rubrica precisa ser excepcionada por tratarse de conta do ativo, registrada no Grupo de RECEITAS, indicada expressamente na conta 3.1.2. Aqui não se faz a referência à conta redutora, até porque consiste, sem dúvida, em conta pertencente ao Ativo. Todavia, penso que não há discussão/dúvida sobre o fato de que a mencionada receita não se refere ao faturamento de uma OP, posto que totalmente desvinculada da “prestação de serviços médicos” razão pela qual a exclusão do cálculo do PIS e COFINS não causa qualquer surpresa. Mister lembrar que, à época da promulgação da Medida Provisória nº 2.13835, vigorava o § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que expressamente determinava que a base de cálculo do PIS e Cofins era “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Com esta determinação, se não houvesse expressa determinação legal para a exclusão da Conta 3.1.2., a tributação – prima facie deveria incidir sobre os valores consubstanciados nas Provisões Técnicas, ainda que se tratasse de receitas totalmente díspares de faturamento. Atualmente, após o julgamento da Suprema Corte e a revogação do mencionado dispositivo legal, estivesse a questão sob a análise deste Egrégio Tribunal, não haveria sequer a necessidade de dispositivo legal definindo a exclusão, posto que esta seria automática, visto o valor não constituir faturamento. Todavia, à época a realidade era outra. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 10 9 Ante o exposto, pareceme clara a exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, dos valores referentes às Provisões Técnicas. E vez que os valores estão definidos em conta específica não costuma causar problemas de interpretação entre os agentes da Receita Federal. Entendo que a questão não está diretamente discutida nestes autos, mas é preciso analisar todas as hipóteses de exclusão para que seja possível concluir se o procedimento adotado pela Recorrente encontra supedâneo legal. Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, dos conceitos trazidos pela legislação, o mais difícil de se interpretar. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos entendem que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a conta, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite qualquer exclusão neste inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de que não é possível a exclusão da base de cálculo do valor pago aos credenciados. Esta interpretação não é possível, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo pretendeu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, para alcançarmos o sentido da norma, é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do artigo III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “...poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, cuja tarefa agora é a de encontrarmos qual o será. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 11 10 Em meu entendimento, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tome as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, importante denotar que o posicionamento adotado pela fiscalização foi no sentido de que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos. Ora, então não restaria outra alternativa de interpretação. A intenção da lei foi desonerar o pagamento a terceiros, credenciados, o que significa o inciso I, que conforme consenso trata expressamente da Conta 3.1.1.7., a qual alcança os pagamentos aos credenciados, ainda que contratados de forma indireta. Com este raciocínio importante nesse momento conceituar o que seriam “eventos incorridos”. O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão. A despeito do entendimento da fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase apenas de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias empresas do setor aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como tratase de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos realizados com rede própria e rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “... valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos 4 Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 12 11 ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde obedece ao seguinte critério: (1) O credenciado presta o serviço para o beneficiário; Janeiro /2012 (2) após o serviço prestado, este credenciado informa a operadora, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere); Fevereiro/2012 (3) apenas após validar a informação da credenciada a operadora realiza o pagamento e reconhece a despesa. Março/2012 As operadoras de saúde possuem controles contábeis integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/pagamento/despesas/utilização de rede credenciada que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garante o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Pode se citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcir o SUS na hipótese dos hospitais público virem a atender um de seus beneficiados). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/2012, apenas serão reconhecidos contabilmente e efetivamente pagos em março/2012, sendo impossível qualquer outro procedimento. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores ainda não pagos e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A rede própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos decorrentes de hospitais, clínicas, inclusive folha de salário dos funcionários (médicos/enfermeiros/recepcionistas....). Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 13 12 Ocorre que estes eventos não são “indenizados” pela operadora, mas sim custeados por ela. A folha de salário não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente paga, de forma automática, todos os meses. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e este entendimento decorre justamente dos termos legais. Todavia, é visível a identidade do procedimento adotado com os credenciados com os dizeres apostos no inciso III. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as operadoras de saúde, esta questão já foi superada quando foi definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar o setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento do tributo (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou a exclusão dos valores pagos aos prestadores de serviços (rede credenciada e SUS), os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de responsabilidade e transferência. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a OP é contratada indiretamente e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da operadora que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, as vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a empresa de quem tomam serviços de saúde possui estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários e com a devida autorização da ANS, as OPs se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da operadora. Está vinculado ao objeto social da empresa e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de DESPESA. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO CONTRA AS CONGÊNERES(empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) compõe uma conta redutora do passivo, in verbis: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000150/200336 Resolução nº 3302000.225 S3C3T2 Fl. 14 13 “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora do ativo que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo do tributo. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo das empresas de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta de passivo podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo em faturamento da empresa. *** Outrossim, dito isso, verifico que às fls. 117 dos autos a SAORT ao efetuar a glosa considerou insubsistente o valor de R$ 460.426,28 por tratarse de valores a título de “outras exclusões”, referindose à DIPJ de fls. 42 a 42. Ocorre que, na informação do contribuinte em relação à sua base de cálculo, consta às fls. consta às fls. 53 que foram excluídos os valores de R$ 434.038,02 relativos às despesas das contas 4.1.1.1 (Eventos Conhecidos de Assistências Médicas) e R$ 22.013,12 relativos às despesas da conta 4.4.1.3.4), perfazendo valor inferior ao glosado, da ordem de R$ 456.051,14. Verificando o Plano de Contas do setor, a numeração adotada não nos permitiria correlacionálas ao que o referido Plano, combinado com a legislação, permitiria excluir pelas contas 3.1.1.7, muito embora sua redação seja parecida, ou seja, o contribuinte, ao invés de contabilizála em conta do grupo 3, como uma redutora de receitas, a contabilizaria numa conta de despesa, que poderia ser a 4.1.2.3 mas o fora em outra rubrica. Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 460 mil ou de R$ 456 mil, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. É como voto, Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11836.000027/2006-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL DECORRENTE DA APLICAÇÃO DE NORMA NÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS. NULIDADE DO JULGAMENTO QUE NÃO SE DECLARA EM VISTA DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Não obstante o vício material decorrente do defeito na motivação do lançamento, o que, em regra, traz como conseqüência sua nulidade, esta não se declara em vista do disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto no 70.235/72, já que, devido às datas em que as importações foram registradas (ano de 2001), o direito de a Fazenda Pública constituir novo lançamento já está precluso pela decadência, o que remete à declaração de improcedência.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Dado o vício material na motivação do lançamento deverá ser extinta a parte do crédito tributário em que a base de cálculo do II e do IPI, ou as alíquotas dos tributos em tela, foram delineados segundo legislação inaplicável à época, o que atinge também a multa de 50% calculada sobre o II, eis que este, estimado de forma indevida, contaminou a base de cálculo da própria multa.
Numero da decisão: 3802-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTADA. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO E DO IMPOSTO COM FUNDAMENTO EM NORMA EDITADA POSTERIORMENTE AOS FATOS. IMPOSSIBILIDADE. Realidade em que foram extraviadas mercadorias importadas cujas correspondentes declarações de importação foram todas registradas no ano de 2001. Para parte das mercadorias extraviadas, dada a impossibilidade de sua identificação, utilizouse a metodologia de arbitramento da base de cálculo do imposto de importação, bem como as alíquotas definidas para o II e para o IPI, estabelecidos pelo artigo 67, caput e § 1º da Lei nº 10.833, de 2003, portanto, posteriormente aos fatos em litígio. A nova norma, no entanto, não se subsume a quaisquer das hipóteses de aplicação retroativa elencadas no artigo 106 do CTN, notadamente em seu inciso II, por não se tratar de norma “expressamente interpretativa”; portanto, só alcança os fatos geradores futuros e pendentes, a teor do disposto no artigo 105 do mesmo Código. Dado o vício material na motivação do lançamento deverá ser extinta a parte do crédito tributário em que a base de cálculo do II e do IPI, ou as alíquotas dos tributos em tela, foram delineados segundo legislação inaplicável à época, o que atinge também a multa de 50% calculada sobre o II, eis que este, estimado de forma indevida, contaminou a base de cálculo da própria multa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL DECORRENTE DA APLICAÇÃO DE NORMA NÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS. NULIDADE DO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 6. 00 00 27 /2 00 6- 90 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 JULGAMENTO QUE NÃO SE DECLARA EM VISTA DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não obstante o vício material decorrente do defeito na motivação do lançamento, o que, em regra, traz como conseqüência sua nulidade, esta não se declara em vista do disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto no 70.235/72, já que, devido às datas em que as importações foram registradas (ano de 2001), o direito de a Fazenda Pública constituir novo lançamento já está precluso pela decadência, o que remete à declaração de improcedência. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma de Julgamento da DRJ São Paulo II (fls. 242/252), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento formalizado contra o sujeito passivo, nos termos do acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/11/2006 Ementa: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do MANTRA (Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento) que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – Atribuise ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multa incidentes sobre o extravio, constatado na descarga, de mercadorias manifestadas. Lançamento Procedente A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratam os autos de procedimento fiscal de conferência final de manifesto, do qual decorreu a lavratura de Auto de Infração para exigência Fl. 403DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11836.000027/200690 Acórdão n.º 3802003.949 S3TE02 Fl. 403 3 do Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e multa do art. 628, inciso III, alínea "d", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543/2002, em virtude do extravio de mercadoria manifestada. A autoridade lançadora relata haver constatado o não armazenamento de cargas que foram devidamente declaradas pelo interessado no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento — MANTRA, instituído pela IN SRF n° 102/94, a saber: a) 01 (um) volume, peso 37 Kg, sob o Termo de Entrada n° 01002064 0, de 22/03/2001, com o documento de carga MAWB 020 6996 9034 HAWB 007055542;, b) 01 (um) volume, peso 120 g, sob o Termo de Entrada nº 010027793, de 17/04/2001, com o documento de carga AWB 020 6245 4210; c) 01 (um) volume, peso 600 g, sob o Termo de Entrada nº 010028285, de 19/04/2001, com o documento de carga MAWB 020 6862 1582 HAWB 41162364; d) 01 (um) volume, peso 100 Kg, sob o Termo de Entrada nº 01003406 4, de 10/05/2001, com o documento de carga AWB 020 6570 1226; e) 01 (um) volume, peso 300 Kg, sob o Termo de Entrada n° 01006621 7, de 05/09/2001, com o documento de carga AWB 020 1610 4292; f) 01 (um) volume, peso 2,9 Kg, sob o Termo de Entrada n° 01006863 5, de 17/09/2001, com o documento de carga MAWB 020 6448 0216 HAWB 109398093. Objetivando obter esclarecimentos acerca do ocorrido com referidos volumes, foram lavradas intimações fiscais em face do transportador aéreo, agente de carga e importador. Como nas respostas apresentadas, (sic) não foram apresentadas provas excludentes da responsabilidade pelo extravio, a fiscalização procedeu à autuação em face do responsável tributário, no caso, o transportador aéreo. Cientificado do lançamento em 23/11/2006, o sujeito passivo apresentou impugnação em 26/12/2006, fls. 136/204, alegando, em síntese, que: a) irá comprovar futuramente, mediante a juntada de documentos de armazenagem, que as cargas cujo extravio está sendo presumido no Auto de Infração, na verdade foram regularmente desembaraçadas junto a própria Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, porém amparadas através de outros conhecimentos aéreos, com o aval da autoridade fazendária competente; b) como a autoridade autuante não elaborou demonstrativo de apuração quanto à exigência do IPI, apresentando apenas o valor consolidado, esse fato prejudicou a avaliação de como os créditos tributários e a multa foram constituídos, ferindo os princípios do contraditório e ampla defesa, devendo ser declarada a nulidade absoluta da cobrança fiscal; c) como as operações de importação realizadas pelo impugnante se deram em data anterior à vigência da Lei n° 10.833/2003, a constituição do crédito tributário em questão não poderia ter sido feita com fundamento na regra prevista no artigo 67, caput e parágrafo único, daquele normativo; uma vez que sua aplicabilidade representa uma majoração tributária e, Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 portanto, não pode retroagir em desfavor do contribuinte, sob pena de comprometer o princípio basilar da segurança jurídica. O julgamento do presente processo foi convertido em diligência, conforme despacho de fl. 206, para que fosse apresentada documentação hábil a sanar os defeitos de representação processual verificados. Com a adoção da providência solicitada e saneamento dos autos (fls. 209/244), retornaram os mesmos a esta Delegacia para prosseguimento. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 06/08/2009 (conf. fls. 253/255). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/08/2009 (v. fls. 260), o recurso voluntário de fls. 260/271, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando, ainda, o seguinte: a) que a metodologia para arbitramento da base de cálculo do II e do IPI mediante a aplicação do disposto na Lei nº 10.833/2003 seria inconstitucional por violar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; b) que as importações foram realizadas no anobase de 2001, portanto, “anterior à vigência das normas que fundamentaram toda a cobrança fiscal, sendo, por certo, inteiramente impertinente (nula) a presente imposição legal”; c) que a retroatividade da norma só poderia subsistir para beneficiar o contribuinte; seriam, pois, inaplicáveis à espécie as regras definidas no Decreto nº 4.543/2002, na Lei nº 10.833/2003 e no Decreto nº 4.544/2002; d) que é inaceitável a interpretação da instância a quo no sentido de que o artigo 144, § 1º, do CTN, permite que o arbitramento da base de cálculo previsto no artigo 64, caput e § 1º da Lei nº 10.833/2003 seja aplicável a fato gerador anterior sob o argumento de que “apenas instituiu novo critério de apuração”, vez que “o que referido artigo faz é instituir medida de arbitramento de base de cálculo que nunca antes existiu e, que, prejudica o contribuinte na medida em que eleva imensamente o valor dos tributos que seriam devidos”; e) que o artigo 144, § 1º, do CTN, há que ser interpretado em sintonia com os artigos 105 e 106 do mesmo Código; f) que o artigo 64 caput e § 1º, da Lei nº 10.833/03, “não é meramente interpretativo, nem institui apenas critério para realizar procedimento administrativo”; “ele, em verdade, impõe ônus ao contribuinte, e sendo assim, não pode ser aplicado senão aos fatos geradores futuros”; g) que ainda que não se entenda que é inaplicável ao caso o disposto na Lei 10.833/03, não seria aplicável ao caso o artigo 67 caput e § 1° da aludida norma, mas sim o artigo 68, caput e § 1°, o qual dispõe que mercadorias descritas de forma semelhante em declarações aduaneiras diferentes do mesmo contribuinte são presumidas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário; h) que “na pior das hipóteses, poderseia admitir que se usasse como referência para a apuração dos valores devidos a título de imposto, a base de cálculo dos bens nos conhecimentos de transporte aéreo que foram Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11836.000027/200690 Acórdão n.º 3802003.949 S3TE02 Fl. 404 5 transportadas pela mesma Companhia Aérea e que foram considerados os mencionados volumes supostamente extraviados”; i) que no auto de infração não consta demonstrativo de apuração do IPI, mas apenas o valor consolidado dos créditos tributários, o que redundaria na nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Requer, ao final, seja declarado nulo o lançamento em questão, ou, alternativamente, “seja refeito o cálculo da base sobre a qual deverão ser impostas as penalidades consignadas no Auto de Infração, com uso das informações fornecidas pela URF do Aeroporto Internacional de Viracopos que lavrou a autuação, tudo na forma que determina o Art. 68, caput e § 1º , da Lei 10.833/03”. Em sessão realizada em 1º/04/2011 esta 2ª Turma Especial, mediante Resolução nº 3802000.006 (fls. 273/278), converteu o julgamento em diligência, nos seguinte termos: Da ausência do demonstrativo cálculo De fato, analisando os autos não encontrei explicações para a composição da Base de Cálculo do II, nem do IPI. Por isso, impossível analisar a correção dos cálculos dos impostos efetuados. Existe a prejudicial de ampla defesa no caso. Assim, não vislumbrando nos autos elementos que possam embasar decisão final inconteste, bem como, norteada pela busca pela verdade real como princípio informador do processo administrativo fiscal que clama de seus atores não se conformarem apenas com a verdade formal enquanto não esgotados todos os recursos para se conhecer a verdade real voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora diligencie a fim de que sejam juntados aos autos os seguintes documentos: Planilha de cálculos do II e IPI, onde deverá ser demonstrada a composição da base de cálculo e procedimento utilizado; e documentos em que se embasaram para chegar ao cálculo, se não possível anexar cópias, pelo grande volume de documentos, relacionálos. Após a conclusão do relatório a unidade deverá abrir prazo para que a recorrente apresente suas alegações. Em atenção ao pedido de diligência em tela a unidade de origem apresentou as considerações acostadas às fls. 365/378 do processo eletrônico (doravante utilizado como padrão nas referências), com respeito às quais a recorrente reitera apresentou as considerações de fls. 382/391, onde reitera os argumentos aduzidos em seu recurso, ressaltando ainda: a) que, em que pese a inaplicabilidade do artigo 67 da Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo utilizada pelo auditor fiscal foi incorreta, uma vez que, no lugar de utilizar como base as importações ocorridas no semestre imediatamente anterior à ocorrência do fato gerador (todos os manifestos são de 2001), usou como referência o semestre anterior à lavratura do auto de infração (2006); Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 b) que a autoridade administrativa não logrou êxito “em comprovar a correspondência dos cálculos e tampouco dos documentos utilizados para se chegar ao valor”; cita trechos da informação fiscal que demonstrariam a “incapacidade em encontrar a exata correspondência entre o valor apontado no Auto de Infração e o valor apresentado nas planilhas”; c) que “o próprio auto de infração padece de vício insanável, posto que é elemento essencial ao Auto de Infração a demonstração do cálculo do tributo cobrado”; d) que querer obrigar o contribuinte a pagar valores que nem sequer a Administração consegue comprovar representaria confisco; e) que a falta de acesso aos valores das declarações que serviram como base de cálculo, por alegada preservação do sigilo dos importadores, representaria violação ao exercício do direito ao contraditório. Diante do exposto, “face aos inúmeros vícios apontados, bem como pela imprecisão dos cálculos apresentados, requer, a Recorrente, sejam rejeitados os cálculos ora impugnados e anulado o Auto de Infração debatido nesses autos”. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e a atende aos demais requisitos inerentes à sua admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Dos equívocos cometidos no lançamento em relação a parte das importações examinadas Extraise do auto de infração de fls. 01/13 que o lançamento diz respeito à falta de mercadorias declaradas no MANTRA no anobase de 2001. Quanto ao cálculo do crédito tributário, o mesmo se deu da seguinte forma: I) MAWB 020 6996 9034, HAWB 007055542 (01 volume, peso 37 Kg, sob o Termo de Entrada n° 010020640, de 22/03/2001): foram utilizadas informações constantes da fatura comercial nº 0153704 e HAWB 007055542 apresentados pelo transportador aéreo; dada a impossibilidade de identificação da mercadoria importada foi aplicada a alíquota de 50% para o II e de 50% para o IPI, nos termos do artigo 67, caput e § 1º da Lei nº 10.833/2003; II) AWB 020 6570 1226 (01 volume, peso 100 Kg, sob o Termo de Entrada nº 010034064, de 10/05/2001): foram utilizadas informações constantes da fatura comercial nº 80182, apresentada pelo importador; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11836.000027/200690 Acórdão n.º 3802003.949 S3TE02 Fl. 405 7 III) Com respeito aos demais conhecimentos aéreos “arbitrouse a base de cálculo do imposto de importação em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas, a título definitivo e pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no respectivo período de apuração, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico, nos termos do artigo 67, caput e § 1º da Lei nº 10.833/2003” (conf. fls. 11) (grifo nosso). Inicio minha análise em relação aos conhecimentos aéreos em que a base de cálculo foi arbitrada (item III supra). Com respeito às citadas importações, ressalta a autoridade lançadora que, para fins de arbitramento, utilizou dados das seguintes declarações de importação (v. fls. 12 e fls. 365/366 do eprocesso – relatório de diligência): 1) AWB 020 6245 4210: importações realizadas no 1º semestre de 2006 pela empresa FERRERO DO BRASIL INDÚSTRIA DOCEIRA E ALIMENTAR LTDA., CNPJ nº 43.816.719/000108; 2) MAWB 020 6862 1582 HAWB 41162364: importações realizadas no 1º semestre de 2006 pela empresa ROBERT BOSCH LTDA., CNPJ nº 45.990.181/000189; 3) AWB 020 1610 4292: importações realizadas no 1º semestre de 2006 pela empresa HELKEL DO BRASIL LTDA., CNPJ nº 02.777.131/000108; 4) MAWB 020 6448 0216 HAWB 109398093: importações realizadas no 1º semestre de 2006 pela empresa BAYER S.A., CNPJ nº 14.372.981/000102; (grifos nossos) Diante da fundamentação do lançamento acima transcrita, evidenciase, de pronto, que os paradigmas utilizados para fins de obtenção da base de cálculo do imposto em que houve a necessidade de arbitramento foram importações realizadas no primeiro semestre de 20061, modelo que, entendo, não corresponde à metodologia prescrita pelo § 1º do artigo 67 da Lei nº 10.833/2003, uma vez que este determina seja o valor arbitrado com base em importações “registradas no semestre anterior”, conforme disposto abaixo: Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. § 1º Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro 1 Aliás, nos critérios de filtragem utilizados no aplicativo Data Ware House Aduaneiro a autoridade administrativa informa que restringiu sua busca a declarações de importação registradas entre os meses de janeiro e junho de 2006 – vide relatório de diligência, fls. 366 do eprocesso). Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. § 2º Na falta de informação sobre o peso da mercadoria, adotarseá o peso líquido admitido na unidade de carga utilizada no seu transporte. No caso presente todas as importações foram realizadas no ano de 2001, de sorte que não há amparo legal para que o arbitramento do tributo relativamente às mercadorias extraviadas seja conduzido tendo como base importações realizadas 5 anos depois, como ocorreu na espécie, em que as importações modelo foram todas realizadas no primeiro semestre de 2006. De fato, quando a norma faz referência às mercadorias importadas “constantes de declarações registradas no semestre anterior”, é evidente que o diz em relação à data do registro das declarações cujo arbitramento se faz necessário, e não em relação à data do lançamento, como entendeu a autoridade administrativa. Com efeito, tanto o caput do dispositivo quanto o próprio parágrafo primeiro fazem referência à mercadoria importada extraviada; é pois, a data de sua importação, a base, não sendo razoável inferir que a norma previra critério de arbitramento a ser realizado a partir de importações conduzidas seis meses antes da data do lançamento. Vale lembrar que tal interpretação subsiste ainda que considerado o disposto no parágrafo único do artigo 23 do Decretolei nº 37/66 (redação original), segundo o qual, no caso de mercadoria extraviada, esta “[...] ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento”. Como se vê, o preceito em tela nada refere a respeito da forma de apuração da base de cálculo – e nem poderia fazê lo de forma retroativa com ônus para o sujeito passivo, sob pena de macular o princípio da anterioridade da lei tributária (Constituição federal, artigo 150, III, “b”) –, regra que também é observada nos Decretos que regulamentaram a norma em tela (Regulamento Aduaneiro) vigentes à época dos fatos e do lançamento tributário, no caso, respectivamente, o artigo 87, II, “c”, do Decreto nº 91.030/85, bem como o artigo 73, II, “c”, do Decreto nº 4.543/2002. Com efeito, os correspondentes caput dos preceitos em evidência restringem o conteúdo apenas para efeitos de cálculo do imposto. Vejamos, por exemplo, o disposto no Regulamento Aduaneiro de 2002 – o qual guarda o mesmo conteúdo do Regulamento de 1985: Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (Decretolei nº 37, de 1966, art. 23 e parágrafo único): [...] II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de: [...] c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; e [...] Como se vê, o disposto no Regulamento Aduaneiro não inova nem vai de encontro à prescrição do caput do artigo 23 da norma em que se alicerçou – Decretolei nº 37, de 1966 –, ainda se consideradas as redações históricas do dispositivo, as quais transcrevo abaixo (os dispositivos revogados estão tachados): Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11836.000027/200690 Acórdão n.º 3802003.949 S3TE02 Fl. 406 9 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Parágrafo único. No caso do parágrafo único do artigo 1° [mercadoria extraviada], a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento. [redação original] Parágrafo único. A mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício no caso de: (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) I falta, na hipótese a que se refere o § 2º do art. 1º; e (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) II introdução no País sem o registro de declaração de importação, a que se refere o inciso III do § 4º do art. 1º. (Incluído pela Medida Provisória nº 497, de 2010) Parágrafo único. A mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que a autoridade aduaneira efetuar o correspondente lançamento de ofício no caso de: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) I – falta, na hipótese a que se refere o § 2º do art. 1º; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – introdução no País sem o registro de declaração de importação, a que se refere o inciso III do § 4º do art. 1º. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Notese, pois, que tanto no Regulamento Aduaneiro (de 1985 ou de 2002) como no Decretolei nº 37/66, a data do fato gerador corresponde ao registro da declaração de importação. Apenas para fins de cálculo dos tributos incidentes sobre a importação é que se considera a data do correspondente lançamento. Quanto ao IPI incidente sobre as importações, a determinação de sua base de cálculo segue a do II, conforme disposto no artigo 14, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 4.502, de 30/11/1964: Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) I quanto aos produtos de procedência estrangeira, para o cálculo efetuado na ocasião do despacho; [...] b) o valor que servir de base, ou que serviria se o produto tributado fosse para o cálculo dos tributos aduaneiros, acrescido de valor deste e dos ágios e sobretaxas cambiais pagos pelo importador; Assim, todo o raciocínio acima desenvolvido – relativo à incorreta determinação da base de cálculo – é válido tanto para o II quanto para o IPI. Ainda se superada a questão relacionada à equivocada determinação da base de cálculo dos tributos, penso que o lançamento também não foi feliz quando estipulou a alíquota dos mesmos (II e IPI) em 50%, nos termos do caput do artigo 67 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 Conforme ressaltado, todas as declarações foram registradas no ano de 2001, ou seja, antes da vigência da norma em tela. Aludida norma, com efeito, só alcança os fatos geradores futuros e pendentes, a teor do disposto no artigo 105 do Código Tributário Nacional. Também não se cogita de a realidade em exame se subsumir a quaisquer das hipóteses elencadas no artigo 106 do mesmo Código, notadamente em seu inciso II, por não se tratar de norma “expressamente interpretativa”. Portanto, considerando a data em que as declarações de importação foram registradas, penso que a alíquota do Imposto sobre as Importações deveria ter sido apurada com base no artigo 112 do Decretolei nº 37/66, o qual adota metodologia de cálculo distinta, conforme se observa abaixo: Art. 112 No caso de extravio ou falta de mercadoria previsto na alínea "d" do inciso II do art. 106 [“pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira”], os tributos e multa serão calculados sobre o valor que constar do manifesto ou outros documentos ou sobre o valor da mercadoria contida em volume idêntico ao do manifesto, quando forem incompletas as declarações relativas ao não descarregado. Parágrafo único. Se à declaração corresponder mais de uma alíquota da Tarifa Aduaneira, sendo impossível precisar a competente, por ser genérica a declaração, o cálculo se fará pela alíquota mais elevada. (grifo nosso) Como se vê, a regra do artigo 112 do Decretolei nº 37/66 autoriza escolher a alíquota maior no caso de dúvida quanto à sua especificação, alíquota esta que deverá ser a que for vigente na data do lançamento, em sintonia com o disposto na redação original do parágrafo único do artigo 23 da norma em evidência: “No caso do parágrafo único do artigo 1º [que considera entrada no mercado nacional a mercadoria extraviada], a mercadoria ficará sujeita aos tributos vigorantes na data em que autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento”. Logo, também em relação à estipulação da alíquota, não poderia ter sido utilizada a regra posterior prescrita pelo caput do artigo 67 da Lei nº 10.833/2003. Da mesma forma, isso contamina a parte do lançamento em que foram utilizadas informações constantes da fatura comercial nº 0153704 e HAWB 007055542, apresentados pelo transportador aéreo (Termo de Entrada n° 010020640, de 22/03/2001 – MAWB 020 6996 9034, HAWB 007055542), uma vez que, “dada a impossibilidade de identificação da mercadoria importada foi aplicada a alíquota de 50% para o II e de 50% para o IPI, nos termos do artigo 67, caput e § 1º da Lei nº 10.833/2003” (item I do início deste voto). A metodologia em tela é confirmada pelo relatório de diligência, fls. 373 da cópia digitalizada do processo. Quanto à multa aplicada contra a recorrente, capitulada no artigo 106, II, “d” do Decretolei nº 37/66, ou seja, multa de 50% “pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira”, a mesma tem como base de cálculo o “valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução”, conforme caput do dispositivo em comento. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11836.000027/200690 Acórdão n.º 3802003.949 S3TE02 Fl. 407 11 Como visto, a base de cálculo do imposto sobre as importações foi estabelecida de forma equivocada em relação a todas as importações acima referidas. O erro contamina, portanto, a base de cálculo da própria multa. Isso porém não ocorre em relação ao AWB 020 6570 1226 (01 volume, peso 100 Kg, sob o Termo de Entrada nº 010034064, de 10/05/2001), já que, para aludido conhecimento de transporte, foram utilizadas as informações constantes da fatura comercial nº 80182, apresentada pelo importador. Com efeito, extraise do auto de infração, fls. 03, que a alíquota de 16% para o II foi obtida especificamente em face do produto identificado na fatura comercial. É o que se extrai do auto de infração (fls. 3), corroborado pelas informações trazidas no relatório de diligência, conforme fls. 373 do eprocesso. Por conseguinte, em relação ao AWB 020 6570 1226 (Termo de Entrada nº 010034064), o lançamento deverá ser mantido em relação aos tributos (II e IPI) e à multa de 50% sobre o II. Da nulidade não declarada em razão da improcedência do lançamento diante da decadência do direito de constituição do crédito tributário Demonstrouse acima que a base de cálculo do II (bem como a do IPI) foi estabelecida de forma equivocada, o que traz como conseqüência, também, mácula no que diz respeito à determinação da multa, por ser esta determinada a partir da base de cálculo do II. Estando patente nos autos que parte do montante devido foi obtida a partir de uma base de cálculo cujo arbitramento não encontra amparo na lei, a conseqüência lógica seria a declaração de nulidade do lançamento, nessa parte, em vista do vício material demonstrado. Com efeito, o lançamento não carece de nenhum dos elementos formais necessários à sua exteriorização (identificação do sujeito passivo, descrição dos fatos, matéria tributável, demonstrativo do montante devido – embora que aqui o montante tenha sido parcialmente calculado de forma equivocada, norma legal infringida, penalidade aplicável, identificação da autoridade administrativa autuante, local e data da lavratura). Todavia, contém um defeito em sua substância, relativamente à incorreta base de arbitramento utilizada, conforme ressaltado. Em sintonia com tal exegese, De Plácido e Silva2: Os vícios de forma, embora concernentes a formalidades exteriores, ou solenidades extrínsecas, não se confundem com os vícios dos documentos decorrentes de borrões, raspaduras, entrelinhas não ressalvadas, riscos, ou emendas, em lugares substanciais. [...] Os vícios de fundo bem se distinguem dos vícios de forma, referindo se a formalidades habilitantes e a requisitos elementares à validade do ato, enquanto os vícios de forma se referem aos elementos de composição instrumentária e às solenidades prescritas para essa composição. (grifos nossos) Em resumo, a lide retrata realidade em que o lançamento preenche todos os elementos essenciais à sua plena validade do ponto de vista formal. Contudo, o mesmo foi em 2 Vocabulário Jurídico. Forense, Rio de Janeiro. v.4, 11. ed. 1991, p. 489. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 parte maculado pela equivocada quantificação do crédito, mácula esta de natureza substancial, impossível de ser sanada. Tal defeito deveria ensejar a nulidade da referida decisão de primeira instância. No entanto, considerando o disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto no 70.235/723, e uma vez constatado que, devido às datas em que as importações foram registradas (ano de 2001), o direito de a Fazenda Pública constituir novo lançamento já está precluso pela decadência, merece seja declarada a improcedência do lançamento – já que ao caso não se aplica o disposto no artigo 173, inciso II, do CTN4, restrito às hipóteses de vício formal. Logo, com relação aos conhecimentos aéreos em que a base de cálculo foi arbitrada (nos 020 6245 4210 – Termo de Entrada 010027793; 020 6862 1582 (HAWB 41162364) – Termo de Entrada 010028285; 020 1610 4292 – Termo de Entrada 010066217; 020 6448 0216 (HAWB 109398093) – Termo de Entrada 010068635; e MAWB 020 6996 9034 (HAWB 007055542) – Termo de Entrada n° 010020640), há que ser dado provimento ao recurso voluntário, com a conseqüente extinção do crédito tributário correspondente em relação ao II, ao IPI e à multa de 50%. Contudo, no que diz respeito ao AWB 020 6570 1226 (Termo de Entrada nº 010034064), o lançamento deverá ser mantido em relação aos tributos (II e IPI) e à multa de 50% sobre o II. Da Conclusão Pelas razões acima expostas, VOTO para dar parcial provimento ao recurso interposto pela recorrente, devendo ser mantida a parte do lançamento correspondente ao II, IPI e à multa de 50% sobre o II relativamente ao AWB 020 6570 1226 (Termo de Entrada nº 010034064. Sala de Sessões, em (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator 3 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: [...] II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11836.000027/200690 Acórdão n.º 3802003.949 S3TE02 Fl. 408 13 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10730.910014/2009-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 00 14 /2 00 9- 99 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.910014/200999 Acórdão n.º 3801004.361 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.910014/200999 Acórdão n.º 3801004.361 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.910014/200999 Acórdão n.º 3801004.361 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.910014/200999 Acórdão n.º 3801004.361 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001112/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
DESCONTOS INCONDICIONAIS. IPI
Mercadorias dadas a título de bonificação, de forma incondicional, não integram a base de cálculo do IPI, pois consoante explica o artigo 47 do CTN, a base de cálculo do tributo é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Acatada a classificação fiscal indicada pelo Recorrente, não há que se falar em reclassificação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA
Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa.
JUROS DE MORA. SELIC
Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 30/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DESCONTOS INCONDICIONAIS. IPI Mercadorias dadas a título de bonificação, de forma incondicional, não integram a base de cálculo do IPI, pois consoante explica o artigo 47 do CTN, a base de cálculo do tributo é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Acatada a classificação fiscal indicada pelo Recorrente, não há que se falar em reclassificação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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IPI Mercadorias dadas a título de bonificação, de forma incondicional, não integram a base de cálculo do IPI, pois consoante explica o artigo 47 do CTN, a base de cálculo do tributo é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Acatada a classificação fiscal indicada pelo Recorrente, não há que se falar em reclassificação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 11 12 /2 00 7- 22 Fl. 4325DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de lançamento de auto de infração de fls. 1.768/1.795 para exigir R$ 11.888.122,16 de IPI, R$ 4.787.482,26 de juros de mora e R$ 8.916.091,34 de multa proporcional, perfazendo o crédito tributário R$ 25.591.695,76. É parte integrante do auto de infração o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal as fls. 1.762/1.767. Por força do art. 9°, combinado com o art. 14, ambos do RIPI/2002, o estabelecimento acima qualificado foi equiparado a estabelecimento industrial. Consequentemente, cabe ao estabelecimento (filial 0002) no momento da entrada da mercadoria recebida por transferência de outros estabelecimentos da mesma empresa, escriturar como crédito o valor do IPI destacado na nota fiscal de transferência e, no momento da emissão de nota fiscal de venda, destacar o IPI devido na saída, escriturandoo como débito e apurando ao final de cada período o saldo, que deveria ser recolhido caso resultasse em saldo devedor. Entretanto, constatouse que o estabelecimento não efetuou qualquer apuração e recolhimento do IPI devido. Portanto, a fiscalização lavrou o auto de infração em questão, conforme descrição e procedimentos do Termo de Verificação de fls. 1.762/1.767, na qual constam as alterações das classificações fiscais de mercadorias especificadas à fl. 1.765 e inclusão dos valores dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI. Regularmente cientificada em 29/11/07, apresentou a impugnação de fls. 1.800/1.828, acompanha da documentação de fls. 1.829/1.833, alegando em síntese o seguinte: A impugnante não pode ser enquadrada como contribuinte do IPI, uma vez que não industrializa os produtos que vende; Não pode ser equiparada a estabelecimento industrial, pois o art. 9° do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002) desrespeita dispositivo hierarquicamente superior, Fl. 4326DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 4 3 qual seja, o inciso I do art. 121 do CTN, que exige relação pessoal e direta entre o contribuinte e a situação que constitua o verdadeiro fato gerador do imposto. Cita diversos ensinamentos e entendimentos de doutrinadores sobre o caso em tela; Pelo principio da eventualidade, os valores dos descontos incondicionais não podem ser incluídos na base de cálculo do IPI exigido no auto de infração. Neste sentido, já é o posicionamento firmado pelo próprio Superior tribunal de Justiça; Em virtude do presente auto de infração, a contribuinte solicitou um Laudo Técnico para classificar fiscalmente os seguintes produtos: selador acrílico hydronorth (3209.10.10), selador acrílico pigmentado hydronorth (3209.10.10), selador acrilico hidrolux (3209.10.10), fundo preparador hydronorth (3209.10.10), zarcão universal hidrolux (3208.90.10), fundo nivelador hydronorth (3208.90.10), fundo nivelador hidrolux (3208.90.10). A autoridade fiscal considerou a classificação 3211.00.00 para os produtos, consequentemente, foram tributados com alíquota de 10%. Entretanto, de acordo com o laudo, deveriam ser tributados com alíquota de 5% desde 02/2006, Conforme Decreto n° 5.697/2006; Constatase que não ocorreu a hipótese de incidência para a aplicação da multa, entretanto, no caso de aplicação de multa a mesma deve ser a prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96, limitada a 20%. Ou ainda, a multa deve ser reduzida em vista do seu caráter confiscatório, conforme pronunciamentos do Supremo Tribunal Federal; É indevida a utilização da taxa SELIC como índice de aplicação de juros, sendo aplicado, se for o caso, o índice de 1% ao mês; Por fim, pugnase pelo prazo de 30 dias para a juntada do Laudo de Classificação, bem como de qualquer outra documentação que entenda necessária para instruir a impugnação ao auto de infração. Os Membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto SP, por unanimidade de votos, resolveram considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada em 06/08/2008, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 28/08/2008. Encaminhado os autos para este E. Conselho foi proferida decisão, conforme Resolução nº 210100.002 (fls. 5587/5597), no sentido de converter o julgamento em diligência para melhor elucidar algumas questões. Realizada diligência (fls. 6138/6142), restou constatado que: · não existe classificação específica para os produtos em questão; · não houve reclassificação fiscal, sendo que a classificação fiscal utilizada no auto de infração é a mesma classificação fiscal utilizada pelo Contribuinte nas saídas do estabelecimento industrial; · de 01/01/2003 a 07/02/2006 às alíquotas referentes à nova classificação dos produtos são iguais as da classificação anterior, ou seja 10% (Decreto 4.542/2002); · a partir de 08/02/2006 passaram a ser de 5% nos termos do Decreto 5.697/2006; · os valores devidos em cada período foram recalculados, com a consequente recomposição da escrita fiscal; Fl. 4327DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 5 4 · fora elaborado demonstrativo de valores a serem excluídos do auto de infração em virtude de divergência de classificação fiscal; Intimada a se manifestar a Recorrente apresentou petição (fls. 6148/6150) informando que em face de sua adesão ao Refis IV, Lei 11.941/09, requereu a desistência parcial do recurso voluntário, excluindose da renúncia/desistência, a matéria relativa ao desconto incondicional e à classificação fiscal de produtos. Em face dessa desistência foram realizados novos cálculos dos créditos tributários, pela fiscalização, não havendo qualquer contestação por parte da Recorrente, quanto à diligência apresentada pela Delegacia da Receita Federal. Conforme petição de fls. 6220, a Recorrente concorda com os cálculos apresentados pela fiscalização, no que tange aos valores ainda em litígio. Realizada diligência, bem como requerida a desistência parcial do recurso voluntário, os autos foram reencaminhados para este E. Conselho para homologação da desistência, bem como para julgamento da parcela cujo litígio foi mantido pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Dos Descontos Incondicionais do IPI A legislação define que a saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, constitui o fato gerador do IPI, o qual por força do artigo 47, inciso II, alínea “a” do CTN, tem como base de cálculo: “Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...) II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. Nas saídas de produtos de estabelecimentos de contribuinte de IPI, a base de cálculo desse imposto é o valor da operação, assim entendido o que reflita o preço efetivamente praticado no negócio jurídico. Esta é a determinação na esfera da legislação complementar, assim como o era na ordinária, conforme se depreende do art. 14 da Lei nº 4.502/64, que cuida da base de cálculo do IPI, especialmente de seu inciso II e de seu parágrafo único, que tratam da tributação das operações com produtos nacionais: “Art . 14. Salvo disposição especial, constitui valor tributável: I (...); Fl. 4328DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 6 5 II quanto aos de produção nacional, o preço da operação de que decorrer a saída do estabelecimento produtor, incluídas todas as despesas acessórias debitadas ao destinatário ou comprador, salvo, quando escritura das em separado, os de transporte e seguro nas condições e limites estabelecidos em Regulamento. Parágrafo único. Incluemse no preço do produto, para efeito de cálculo do imposto, os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos sob condição.” Porém, o art. 15 da Lei nº 7.798/89 tentou modificar o texto desta norma, nos termos seguintes: “Art. 15. O art. 14 da Lei nº 4.502, com a alteração introduzida pelo art. 27 do DecretoLei nº. 1.593, de 21 de dezembro de 1977, mantido o seu inciso I, passa a vigorar a partir de 1° de julho de 1989 com a seguinte redação: ‘Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: I .......................................... II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente.’” Todavia, o Superior Tribunal de Justiça, de forma correta, pacificou o entendimento quanto ao fato de que as mercadorias entregues a título de bonificação de forma incondicional não devem integrar a base de cálculo do IPI, uma vez que consoante o artigo 47 do CTN a base de cálculo do IPI é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89, em que se modificou o texto legal para que os descontos, ainda que incondicionais, fossem sujeitos à exação. Essa questão restou consolidada no âmbito do E. Superior Tribunal de Justiça, tendo sido objeto de recurso submetido à sistemática do 543C do Código de Processo Civil, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL – IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA OPERAÇÃO DEDUÇÃO DE DESCONTOS INCONDICIONAIS ILEGITIMIDADE DA DISTRIBUIDORA PARA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO POSSIBILIDADE. AFETAÇÃO DO RECURSO À SISTEMÁTICA DE JULGAMENTO DE RECURSOS REPETITIVOS (ART. 543C DO CPC). Fl. 4329DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 7 6 1. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp. 903.394/AL (julgado em 24.3.2010, DJ de 26.4.2010) submetido à sistemática dos recursos repetitivos, alterou a sua jurisprudência considerando a distribuidora de bebidas, intitulada de contribuinte de fato, parte ilegítima para pleitear repetição de indébito. 2. A base de cálculo do IPI, nos termos do art. 47, II, "a", do CTN, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. 3. A Lei 7.798/89, ao conferir nova redação ao § 2º do art. 14 da Lei 4.502/64 (RIPI) e impedir a dedução dos descontos incondicionais, permitiu a incidência da exação sobre base de cálculo que não corresponde ao valor da operação, em flagrante contrariedade à disposição contida no art. 47, II, "a", do CTN. Os descontos incondicionais não compõem a real expressão econômica da operação tributada, sendo permitida a dedução desses valores da base de cálculo do IPI. 4. A dedução dos descontos incondicionais é vedada, no entanto, quando a incidência do tributo se dá sobre valor previamente fixado, nos moldes da Lei 7.798/89 (regime de preços fixos), salvo se o resultado dessa operação for idêntico ao que se chegaria com a incidência do imposto sobre o valor efetivo da operação, depois de realizadas as deduções pertinentes. 5. Recurso especial não provido. Sujeição do acórdão ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (STJ – Resp nº 1.149.424. Rel. Min. Eliana Calmon. DJ 07/05/2010) grifos nossos No mesmo sentido temos o seguinte julgado: RECURSO ESPECIAL IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. DESCONTOS INCONDICIONAIS. ART. 14, §2º, DA LEI N. 4.502/64 (REDAÇÃO DADA PELO ART. 15, DA LEI N. 7.798/89). BASE DE CÁLCULO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. 1. A demanda é de repetição de indébito e não se confunde com o mero pedido de creditamento de IPI, pois se trata de IPI já pago na operação de saída, na qualidade de contribuinte de direito, e não de creditamento do IPI pago na qualidade de contribuinte de fato para fazer jus ao princípio da nãocumulatividade. 2. A jurisprudência dominante deste Tribunal Superior afasta a incidência do IPI sobre os descontos incondicionais, que não integram o preço final, porquanto a base de cálculo do imposto é o valor da operação da qual decorre a saída da mercadoria. Por isso que, tendo ocorrido incidência indevida da exação, os valores a serem restituídos deverão ser corrigidos monetariamente. Precedentes: REsp 510.551/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Segunda Turma, julgado em 10/04/2007, DJ 25/04/2007 p. 299; REsp 554.490/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 17/08/2006 p. 337; REsp 477525/GO, Rel. Fl. 4330DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 8 7 Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/06/2003, DJ 23/06/2003 p. 258; MC nº 15.218 SP, Primeira Turma, Rel. Min.Luiz Fux, julgado em 2.12.2009. 3. Recurso especial provido. (STJ – Resp nº 1.161.208. Rel. Min. Mauro CampbellMarques. Dje 15/10/2010) Finalmente, foi julgado em 05/09/2014 o RE 567935 pelo E. STF (Acórdão ainda não disponível no site) no sentido de reconhecer o direito do contribuinte de “excluir o valor dos abatimentos incondicionais do cálculo do IPI”. Destacou o Min. Marco Aurélio, de acordo com o informativo do STF, “que sob a ótica contábil ou jurídica, desconto incondicional é aquele concedido independentemente de qualquer condição, não sendo necessário que o comprador pratique qualquer ato subseqüente ao de compra para fazer jus ao benefício e que, uma vez concedido, não será pago.” Argumentou que, “ao incluir esta modalidade de abatimento de preços no cálculo do imposto por meio de lei ordinária foi invadida a competência da lei complementar.” Ora, a base de cálculo tem por finalidade delimitar quantitativamente a hipótese de incidência do tributo, razão pela qual deve expressar o real conteúdo econômico do seu objeto. Assim, o valor da operação deve ser entendido como aquele que reflete o preço efetivamente praticado no negócio jurídico. No presente caso, havida a concessão de descontos incondicionais, houve recebimento de preço menor que o de venda, sendo, pois, menor o ingresso de numerário nessa operação, resultando, assim, redução da base de cálculo do IPI. A regra que veda a dedução de descontos, introduzida pela Lei nº 7.798/89, não se compatibiliza com o disposto no art. 47 do Código Tributário Nacional. Não há margem para interpretação no sentido de que, tendo havido desconto incondicional no preço da mercadoria, possa o IPI incidir sobre essa parcela, posto que esse quantum não fez parte do valor de saída daquela. Assim, se no momento da ocorrência do fato gerador do IPI entregue definitivamente a bonificação, não há que se falar em sua tributação por este tributo, pois para a determinação da base de cálculo do IPI devese considerar, repisese, o valor da operação, isto é, o preço consistente naqueles valores efetivamente recebidos pelo vendedor (e pagos pelo comprador) no momento da venda, sob pena de a base de cálculo dissociarse do aspecto material tributável, alterando indevidamente a natureza jurídica do próprio tributo. Pelo exposto, neste tópico entendo existir razão à Recorrente. Classificação Fiscal dos Produtos No que concerne à classificação fiscal dos produtos entendo não assistir razão à Recorrente, pois conforme restou constatado pelo Termo de Diligência (fls. 6138/6142), o qual não foi objeto de contestação, a recorrente não mais se manifestou por contestar o resultado da diligência, já que afirmouse inexistir a classificação específica para o produto, e tendo sido refletido no lançamento o eventual recálculo decorrente dessa realidade. Ademais expõe que: A classificação fiscal utilizada no auto de infração, relativa aos produtos objeto da contestação e do laudo de classificação, é a mesma classificação fiscal que o contribuinte havia utilizado nas Fl. 4331DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 9 8 saídas do estabelecimento industrial, com a consequente entrada no estabelecimento comercial atacadista. Vide notas fiscais da filial 0006 às fls. 1454, 1456 e 1458. De 01/01/2003 até o dia 07/02/2006 as alíquotas referentes a nova classificação dos produtos são iguais as da classificação anterior 10%, de acordo com o Decreto 4.542/2002. A partir de 08/02/2006 passam a ser de 5% de acordo com o Decreto 5.697/2006”. Portanto, em face do exposto entendo não assistir razão à Recorrente, neste tópico. Multa de Ofício. Incompetência do Conselho para afastar aplicação da multa A Recorrente em seu recurso voluntário ataca o valor da multa aplicada no presente auto de infração. Alega que a multa aplicada se caracteriza como confiscatória, tendo em vista afrontar diversos princípios constitucionais, dentre eles o da proibição de tributo com efeito de confisco, da proporcionalidade, da moralidade e razoabilidade. Primeiramente, há de se salientar que multa não é tributo. É penalidade, ainda que esse valor integre o crédito tributário em sentido lato. Não existe vedação constitucional ao confisco do produto de atividade contrária à lei, como se vê ao ler o artigo 243 da Constituição Federal em vigor. Desta forma, a aplicação de multa ao autor do ilícito fiscal é lícita, pois a lei destinase a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. O E. Superior Tribunal de justiça já decidiu pela inexistência de efeito de confisco na aplicação da multa de ofício, tendo em vista ter sido fixada por lei: “ Tributário. Fraude. Notas Fiscais Paralelas. Parcelamento de Débito. Redução de Multa. Lei 8.218/91. Aplicabilidade. Inocorrência de Confisco. Taxa Selic. Lei nº 9.065/95. Incidência. 1. Recurso Especial contra v. Acórdão que considerou legal a cobrança de multa fixada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e determinou a incidência da Taxa Selic sobre os débitos objeto do parcelamento. 2. A aplicação da Taxa Selic sobre débitos tributário objeto de parcelamento está prevista no art. 13 da Lei 9.065 de 20/07/95. 3. É legal a cobrança de multa, reduzida do percentual de 300% (trezentos por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento), ante a existência de fraude por meio de uso de notas fiscais paralelas, comprovada por documentos juntados aos autos. Inexiste na multa efeito de confisco, visto haver previsão legal (art. 4, II da Lei nº 8.218/91). 4.Não se aplica o artigo 920 do Código Civil, ao caso, porquanto a multa possui natureza própria, não lhe sendo aplicáveis as restrições impostas no âmbito do direito privado. 5. A exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. Fl. 4332DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 10 9 6. Recurso não provido.” (STJ. REsp 419.156. Rel Min. José Delgado. DJ 07/05/2002) Veja, portanto a ausência de efeito de confisco, uma vez que esse efeito é vedado pela Constituição Federal, na aplicação da multa. A referida multa tem caráter de penalidade. Outrossim, não é de competência desta Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento afastar aplicação de multa, sob o argumento de que essa seria confiscatória, uma vez que tratase de exigência legal. Neste sentido o Conselheiro José Henrique Longo reconheceu, no Acórdão nº 10806.571, da Oitava Câmara, a incompetência desta Câmara para afastar a aplicação da multa isolada, nos seguintes termos: “ Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no sistema jurídico de modo válido. Desse modo nego seguimento ao recurso.” Juros de Mora – SELIC No que tange a aplicação da Taxa Selic, também não assiste razão à Recorrente, na medida em que a partir de 01 de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial SELIC. Esta questão dos juros incidentes sobre tributos já está pacificado nos termos da Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento para excluir da base de cálculo do IPI os descontos incondicionais. É como voto Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 4333DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 4334DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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