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Numero do processo: 15374.930041/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato gerador: 13/09/2002
DÉBITO DECLARADO. PAGAMENTO ALOCADO. EXTINÇÃO PARCIAL.
A parte do recolhimento efetuado, mediante darf, alocada ao débito tributário declarado na Dcomp e não levada em conta pelo contribuinte, extinguiu parte daquele débito, no mesmo valor alocado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, homologa-se parcialmente a compensação do débito fiscal, efetuada pelo contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), até o limite reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO. DECADÊNCIA.
A declaração do débito tributário na respectiva DCTF e sua transmissão tempestiva implicou constituição do crédito tributário, dentro do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispunha para sua exigência.
Numero da decisão: 3301-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Heyrovsky Torres Rodrigues, OAB/DF 33838.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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NULIDADE. Não provada a alegada inovação dos fundamentos da decisão recorrida, em relação ao despacho decisório, afastase a suscitada preliminar de sua nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/06/2002 CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. PROVAS Compete ao contribuinte demonstrar e apresentar as provas da certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida, visando sua homologação. DÉBITO FISCAL DECLARADO E PAGO. RETIFICAÇÃO A retificação do débito fiscal apurado, declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente, somente é aceita, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ERRO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO. DECADÊNCIA. A declaração do débito tributário na respectiva DCTF e sua transmissão tempestiva implicou constituição do crédito tributário, dentro do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispunha para sua exigência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 00 41 /2 00 8- 17 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 13/09/2002 DÉBITO DECLARADO. PAGAMENTO ALOCADO. EXTINÇÃO PARCIAL. A parte do recolhimento efetuado, mediante darf, alocada ao débito tributário declarado na Dcomp e não levada em conta pelo contribuinte, extinguiu parte daquele débito, no mesmo valor alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, homologase parcialmente a compensação do débito fiscal, efetuada pelo contribuinte, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), até o limite reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Heyrovsky Torres Rodrigues, OAB/DF 33838. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou, em parte, a compensação do débito de Cofins, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 4/8, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição, referente à competência de maio de 2002, recolhida em 14/6/2002. A Derat no Rio de Janeiro reconheceu crédito financeiro disponível de apenas R$20.926,27 e homologou a compensação do débito declarado até este limite, sob o argumento de que a outra parte do alegado pagamento a maior foi integralmente utilizado para extinguir débitos da Cofins (2172) declarados, conforme despacho decisório às fls. 10. A recorrente descordou daquele despacho e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12/16), insistindo na homologação integral da compensação do débito declarado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930041/200817 Acórdão n.º 3301001.678 S3C3T1 Fl. 222 3 “De acordo com a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve um montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 1.835.858,39. Não houve, por parte da RFB, uma análise mais profunda da existência ou não do crédito. A simples análise da DCTF retificadora demonstra de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. Na DCTF ativa (doc. 07), a requerente apurou um débito de Cofins para o mês de maio/2002 no montante de R$ 148.803,80. Como forma de pagamento, vinculou R$ 132.895,10 de um DARF de valor total R$ 2.027.844,28 (doc. 06). Este DARF não foi vinculado a nenhum outro pagamento, constituindose um direito creditório de R$ 1.879.040,48 (R$ 2.027.844,28 – R$ 148.803,80). Por meio de PER/DCOMP em questão pediu a restituição do pagamento a maior de R$ 1.908.925,55, utilizou parte deste montante (R$ 1.835.858,39 – valor histórico) para quitar débito de Cofins referente a agosto/2002, no valor de R$ 1.908.925,55. Já havia utilizado este mesmo crédito para quitação deste mesmo débito, por meio de compensação realizada diretamente em DCTF. Em 20.12.2007 retificou a DCTF do 3º trimestre de 2002 e transmitiu a declaração de compensação eletrônica, como forma de formalizar o procedimento outrora realizado em DCTF. A DCOMP e o débito compensado diretamente em DCTF se referem ao mesmo direito creditório, e compensam débitos do mesmo período de competência. A vinculação entre o DARF utilizado e a compensação em DCTF impediu a visualização da disponibilidade do direito creditório. Entende deva ser abstraída a compensação diretamente realizada em DCTF, uma vez que a DCOMP foi transmitida posteriormente, como forma de adequação ao procedimento que vigorava por ocasião da retificação da DCTF. Excluindo este pagamento, verificase a origem da disponibilidade do crédito, o que implicaria no seu reconhecimento pela autoridade administrativa. Dispõe dos créditos compensados, tendo sido os mesmos apurados em sua escrita contábil. Ao preencher a DCTF retificadora, deixou de informar o número da DCOMP transmitida, permanecendo a informação de compensação direta em DCTF, sem número de processo. Tal erro não pode prevalecer sobre o direito ao crédito. Ao final requer a juntada posterior de documentos que se façam necessários, visto a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, face o porte da empresa, do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela requerente.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1329.614, datado de 31 de maio de 2010, às fls. 76/80, sob as seguintes ementas: “JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações específicas previstas na legislação pertinente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (91/111), requerendo, em preliminar, a sua nulidade, sob o argumento de que esta inovou a fundamentação do despacho decisório; e, no mérito, a sua reforma a fim de que se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, de que a documentação apresentada comprova a existência do crédito financeiro declarado. Inovou, ainda, nesta fase recursal, discorrendo sobre tributação de receitas decorrentes de variação cambial, sua escrituração e obrigatoriedade da adoção do regime de competência para sua apropriação, bem como sobre a decadência do direito de o Fisco revisar o lançamento do PIS referente à competência de maio de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada preliminar de nulidade da decisão recorrida sob o argumento de esta inovou a fundamentação, em relação ao despacho decisório, é equivocada. Ao contrário do entendimento da recorrente, não houve inovação alguma em relação ao despacho decisório. Dele consta expressamente que a homologação parcial teve como fundamento a disponibilidade de crédito financeiro, no valor de apenas R$20.926,27. A compensação do saldo do débito declarado não foi homologada por inexistência de crédito financeiro suficiente para sua extinção. O valor recolhido e constante do darf indicado na Dcomp, em discussão, foi integralmente utilizado para quitar débitos da Cofins (2172), declarados nas respectivas DCTF, referentes às competências de maio e agosto de 2002, nos valores de R$148.803,80 e R$1.807.117,21, respectivamente, e o valor de R$50.997,00, foi utilizado na Dcomp nº 07727.14421.240904.1.3.042001. O saldo disponível, no valor de R$20.926,27, foi então utilizado na homologação parcial do débito declarado. Também, a decisão recorrida teve como fundamento a inexistência de crédito financeiro suficiente para homologar integralmente a compensação do débito declarado na Dcomp e, ainda, a falta de apresentação de documentos hábeis comprovando o indébito. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930041/200817 Acórdão n.º 3301001.678 S3C3T1 Fl. 223 5 Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por inovação na fundamentação legal, em relação ao despacho decisório. Nesta fase recursal, a recorrente inovou suas razões de mérito, quanto à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, questionando a tributação das receitas de variação cambial, sua escrituração contábil e obrigatoriedade da adoção do regime de competência, bem como a decadência do direito de a Fazenda Pública revisar o crédito tributário referente à competência de maio de 2002 As razões suscitadas, em relação à receita cambial, constituem matérias preclusas, não opostas à autoridade julgadora de primeira instância. A fase litigiosa do procedimento se instaura com a interposição da manifestação de inconformidade, quando aquela matéria deveria ter sido contestada, conforme estabelece o Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, art. 15. Também, o art. 17, deste mesmo diploma legal, estabelece que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Assim, demonstrado que aquelas matérias não foram suscitadas na manifestação de inconformidade, não se toma conhecimento delas nesta fase recursal por ter ocorrido a preclusão temporal do direito de a recorrente fazêlo. Já em relação à decadência, embora não tenha sido oposta à autoridade julgadora de primeira instância, por se tratar de matéria de ordem pública, deve ser apreciada nesta fase recursal. Ao contrário do entendimento da recorrente, no presente caso, não houve revisão do lançamento do crédito tributário referente à competência de maio de 2002 pela autoridade administrativa competente. A não homologação da compensação não teve como fundamento a revisão do crédito tributário referente àquela competência, que foi constituído pela própria recorrente, mediante declaração do seu valor na respectiva DCTF, e sim a não existência do crédito financeiro declarado na Dcomp. Assim, demonstrado que não houve revisão do valor do crédito tributário declarado pela própria recorrente na respectiva DCTF, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Pública revisar tal débito. Embora, a recorrente tenha suscitado várias matérias, o presente processo trata exclusivamente da homologação da compensação do débito de Cofins (2172), no valor de R$1.908.925,55, vencido na data de 13/9/2002, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição, na data de 14/6/2002, no valor original de R$1.835.858,93, declarados na Dcomp às fls. 3/8. Assim, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão, tendo em vista que o débito foi confessado por ela. Segundo, a recorrente o indébito (crédito financeiro) decorreu de pagamento a maior da contribuição referente à competência de maio de 2002, em virtude de erro na Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 apuração do seu valor. Embora errado, o valor foi declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente. Percebido o erro, transmitiu DCTF retificadora informando o valor correto. A retificação da DCTF visando alterar o valor do débito declarado é possível, mediante a comprovação de erro, de fato, na apuração do débito. A comprovação deve ser demonstrada, mediante a apresentação de demonstrativo de apuração do valor correto da contribuição devida, acompanhado dos documentos contábeis, cópia do livro Razão, contendo os lançamentos errados da escrituração das receitas, os estornos dos lançamentos errados e os lançamentos corretos, e também de documentos fiscais, cópias dos livros de saída de mercadorias e/ ou de prestação de serviços, contendo as receitas corretas. No presente caso, a recorrente apresentou somente cópia da DCTF retificadora, desacompanhada de quaisquer documentos contábeis e fiscais. A simples apresentação da retificadora, desacompanhada do demonstrativo de apuração do valor correto, com respectiva memória de cálculo e, principalmente, daqueles documentos, não prova o alegado erro nem permite a apuração do valor correto. Nos pedidos de restituição/compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp é do requerente e não do Fisco. A Lei nº 9.784, de 29/1/1999, art. 36, assim estabelece: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Também, segundo a Lei nº 5.869, de 11/1/1973 (Código de Processo Civil), art. 333, o ônus da prova é de quem alega, assim dispondo: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...); II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Dessa forma, não tendo a recorrente demonstrado o erro na apuração do valor da Cofins, declarado para a competência de maio de 2002, nem apresentado documentos comprovandoo e necessários à apuração do valor correto, não há que se falar em repetição/compensação do indébito reclamado. No entanto, do exame do despacho decisório, verificase que o recolhimento estampado no darf indicado na Dcomp em discussão, no valor de R$2.027.844,28, foi assim utilizado: R$50.997,00 na Dcomp nº 07727.14421.240904.1.3.042001; R$148.803,80 para quitar a Cofins (2172) declarada para a competência de maio de 1992; e R$1.807.117,21 para a quitar parte da Cofins (2172) declarada para agosto de 2002, objeto da Dcomp em discussão, e o saldo, no valor de R$20.926,27, utilizado na homologação de parte do mesmo débito da Cofins (2172) de agosto de 2002. No entanto, do exame do despacho decisório, verificase que o recolhimento estampado no darf indicado na Dcomp em discussão, no valor de R$2.027.844,28, foi assim utilizado: R$50.997,00, na Dcomp nº 07727.14421.240904.1.3.042001; R$148.803,80, para quitar a Cofins (2172) declarada para a competência de maio de 2002; e R$1.807.117,21, para Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930041/200817 Acórdão n.º 3301001.678 S3C3T1 Fl. 224 7 quitar parte da Cofins (2172) de agosto 2002, remanescendo o saldo de R$20.926,27 que foi utilizado para homologar parte da mesma Cofins de agosto de 2002, objeto da Dcomp em discussão. Assim, levandose em conta que o valor da Cofins de agosto de 2002 foi de R$1.908.925,55, remanesce em aberto apenas o saldo devedor de R$8.125,94, resultante da seguinte operação: Darf, valor reconhecido no Desp. Dec. = R$ 2.027.844,28 Vr. utilizado Dcomp 2001. . . . . . . . . . = (R$ 50.997,00) Vr. utilizado p/Cofns PA 31/05/2002. .= (R$ 148.803,80) Saldo disponível . . . . . . . . . . . . . . . . . . .= R$ 1.828.043,48 Acrescendo a este saldo juros compensatórios à taxa Selic aumulada até 13/9/2002, no valor de 3,98% (Dcomp), resulta um montante de R$1.900.799,61, disponível para compensar a Cofins (2172) de 31/8/2002, objeto da Dcomp em discussão, no valor de R$1.908.925,55, remanescendo, um saldo devedor de R$8.125,94. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a homologação da compensação parcial do débito declarado na Dcomp em discussão, até o limite de R$1.900.799,61, exigindo da recorrente o saldo remanescente, no valor de R$ 8.125,94 (oito mil cento e vinte e cinco reais e noventa e quatro centavos), acrescido das cominações legais. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10660.004799/2002-63
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, seja na modalidade de restituição, seja na de compensação, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a glosa de créditos referentes a indébitos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro/1989.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, seja na modalidade de restituição, seja na de compensação, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a glosa de créditos referentes a indébitos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro/1989. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, seja na modalidade de restituição, seja na de compensação, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a glosa de créditos referentes a indébitos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro/1989. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 47 99 /2 00 2- 63 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Tratase de recurso contra decisão que manteve o levantamento fiscal de débito para o PIS, relativo ao período de apuração de 31/01/99 a 31/12/99, cuja compensação foi desconsiderada por entender a autoridade julgadora que os créditos utilizados, referentes ao período de apuração julho/88 a setembro/95, teriam sido alcançados pelo transcurso do prazo de 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Diz, ainda, que a contribuinte teria apurado valores do PIS a compensar, utilizando a alíquota de 0,75% na base de cálculo do sexto mês anterior ao mês de competência e que a empresa deixou de adicionar, na base de cálculo, o valor das parcelas das vendas, nos meses de outubro/99 e dezembro/99. "Ementa: LANÇAMENTO DE OFICIO. Sujeitamse a lançamento de oficio os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. Assunto: Contribuição para PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1993 a 30/09/1995 Ementa: PIS. COMPENSAÇÃO. Eventuais créditos de PIS decorrentes de recolhimentos efetuados com base em legislação considerada inconstitucional, cuja compensação foi efetuada, pelo contribuinte, só merecem acolhida, se dentro dos estritos limites determinados pela legislação de regência. Lançamento Procedente". Em síntese, o Fisco não reconhece o período de apuração utilizando a base de cálculo no sexto mês anterior para apurar o valor do PIS a pagar, em seu entendimento, está totalmente em desacordo com as determinações das legislações referentes ao PIS. A recorrente aduz, em sua impugnação de fls. 94/100, que efetivou compensação com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos relativos ao PIS, o que foi compensado com débitos do próprio PIS, referente aos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 1999. Disse que o crédito compensado decorre da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, conforme Resolução do Senado Federal, concluindo que os créditos aproveitados foram apurados de acordo com a Lei Complementar n2 7/70. Disse também que a base cálculo da contribuição ao PIS é o valor do faturamento do sexto mês anterior ao mês de competência, conforme dispõe o art. 62, parágrafo único, da LC n2 7/70. No tocante à decadência/prescrição aventada pelo Fisco, em seu levantamento com arrimo no item I do Ato Declaratório SRF n2 96, de 26/11/99, disse que há duas correntes dominantes na Fl. 214DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10660.004799/200263 Acórdão n.º 9303002.069 CSRFT3 Fl. 204 3 jurisprudência, a primeira no sentido de que a decadência do direito de pleitear a restituição começa a fluir com o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos da data em que ocorreu a homologação tácita do lançamento. a segunda no sentido de que o prazo prescricional se dá com o decurso de cinco anos, contados da data em que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a lei que fundamenta a questão, tendo por conseguinte a conclusão de que todos os fatos geradores de pagamentos indevidos, ocorridos nos últimos dez anos (art. 168 do CTN) anteriores à data de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, podem ser objeto de pedido de restituição nos cinco anos seguintes à data em que o STF se manifestou. Concluiu que tanto a repetição de indébito quanto a compensação de créditos são formas paralelas e equivalentes de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior. Pleiteou exigência do PIS, mediante a alíquota de 0,75%, aplicável a base de cálculo correspondente ao faturamento do sexto mês anterior ao mês de competência; que se declarem a existência do crédito a ser restituído ou compensar com débitos do PIS. No recurso, solicita homologação da compensação efetivada e o cancelamento do crédito tributário constituído através do auto de infração. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999 A base de cálculo do PIS, nos termos da LC n2 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso provido em parte. Irresignada, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da glosa de créditos mantida pela decisão de primeira instância, por entender que o termo inicial para repetição do indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. O apelo fazendário foi admitido, conforme despacho de fls. 179/180. Regularmente intimado do despacho de admissibilidade do apelo fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 187 a 197. É o relatório. Voto Fl. 215DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões que me fazem dele conhecer. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito a auto de infração lavrado para glosar compensação de crédito realizada pelo sujeito passivo. A questão que subiu a esse colegiado diz respeito ao termo inicial do prazo para repetição de indébito, na modalidade de compensação. De um lado, a câmara a quo entendeu que o termo inicial seria o da publicação da Resolução 49 do Senado Federal, de outro lado, a Fazenda Nacional defende os 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10660.004799/200263 Acórdão n.º 9303002.069 CSRFT3 Fl. 205 5 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, Fl. 217DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos referentes pagamentos relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro de 1989, na data em que efetuado o encontro de contas, fevereiro de 1999, referente a débitos de janeiro de 1999, encontravamse alcançados pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do direito à repetição de créditos decorrentes de pagamentos a maior relativos a fatos geradores ocorridos até janeiro de 1989. Henrique Pinheiro Torres Fl. 218DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por HEN RIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19991.000157/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL.
É assegurado a manutenção de créditos da contribuição da COFINS vinculados à venda a varejo de produtos relacionados no art. 28 da Lei n. 11.196/05, desde que sejam atendidos os requisitos e limites estabelecidos no Decreto n.Assunto:
Numero da decisão: 3401-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto da relatora.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL. É assegurado a manutenção de créditos da contribuição da COFINS vinculados à venda a varejo de produtos relacionados no art. 28 da Lei n. 11.196/05, desde que sejam atendidos os requisitos e limites estabelecidos no Decreto n.Assunto:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto da relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 200 1 199 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19991.000157/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401001.986 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2012 Matéria Cofins Recorrente Sistema Informática Importação e Exportação Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL. É assegurado a manutenção de créditos da contribuição da COFINS vinculados à venda a varejo de produtos relacionados no art. 28 da Lei n. 11.196/05, desde que sejam atendidos os requisitos e limites estabelecidos no Decreto n.Assunto: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto da relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 01 57 /2 00 9- 94 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório [Clique aqui para iniciar o Relatório] Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento e de Declarações de Compensação a ele vinculadas, com crédito de PIS não cumulativo relativo ao Mercado Interno, referente ao 1º trimestre de 2007, no valor de R$ 15.352,82. O crédito está fundamentado na redução a 0 (zero) das alíquotas para o PIS e para a COFINS prevista nos arts. 28, 29 e 30 da Lei n° 11.196/2005, combinado com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que estabelece que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por meio do Despacho Decisório de fls. 10 a 17, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Poços de Caldas/MG manifestou pelo reconhecimento parcial do direito creditório, no valor de R$ 7.346,90 e pela homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Cientificado da decisão o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/05/2009 (fls. 32 a 37) na qual alega, em resumo, que: “Por um lapso, o Senhor Auditor pulou ao fotocopiar as seguintes notas fiscais de n°s. 028899, 028901, 028897, 029094, 029413, 029418, 030118, 030120, 030122,030124, 030126, 030128_030130, 030187, da Prefeitura Municipal de Mogi Guaçu, 029330 e 02948, da Prefeitura Municipal de Divisa Nova; e 029384, de Alice Maria Aguire, que fazem parte da seqüência dos processos licitatórios firmados com estes entes públicos, com exceção da última nota fiscal relacionada (pessoa física); em continuação das notas fiscais de números anterior da venda de computadores do processo licitatório, sendo estas relativas à venda de softwares ( Windows X Starter Edition Port., Windows XP Professional O&M, Works OEM 8.5, Offiec 2003, Etrust Threat) para os equipamentos vendidos. Completando e cimentando as provas e alegações acima, trazemos fotocópias dos contratos de fornecimento de n°s. 129, 160 e 182, firmado com a Prefeitura Municipal de Mogi Guaçu; tomada de preço de n°s. 3238/2006, 3241/2006 e 3242/2006, com a Prefeitura Municipal de Mococa; contrato n° 73/2006 com a Prefeitura Municipal de Divisa Nova; processo convite de n° 08/2006 da Câmara Municipal de Monte Sião; processo licitatório n° 154/2006 dá Câmara Municipal de Poços de Caldas; para que não paire qualquer dúvida quanto à lisura das operações comerciais da Impugnante, com a isenção prevista em 1egislação específica. Também, é incorreta a desclassificação das notas fiscais em que os compradores, por questão de preço, optaram pela instalação do software LINUX, licença free Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000157/200994 Acórdão n.º 3401001.986 S3C4T1 Fl. 201 3 conforme constam do quadro: de Adicionais — Informações Complementares na parte de baixa das notas fiscais. Exemplificando: notas fiscais de n° 28520 (f.46), 28567(f.79); 28571 (f.71);28621 (f.85); 28622 (f. 86), 28623 (f.87);18624 (f 88); 28625 (f. 89); 28626 (f. 90); 28627 (f ,_91), 28629 (f.92)_ 28630 (f. 93); assim por diante. A Impugnante está apresentando em anexo, um relatório com todas suas notas fiscais, com as observações das operações objeto da presente autuação. Exemplificando cada uma delas. Supor que os equipamentos ou não possuíam softwares é fazer ilações, se existe ou não existe. Só o Verbo Divino' pode afirmar de forma terminativa a existência ou não de alguma coisa. Por outro lado, ninguém em sã consciência compraria um equipamento,(computador) se não possuir um software instalado. É vedado ao fisco agir por suposição. A título de esclarecimento de como se opera a negociação entre a vendedora e o comprador, este especula, solicita e negociação do equipamento (computador),com seus acessórios e programa (software), pouco importando, se está pagando um valor pelos componentes que compõe o computador, o custo da montagem e o software. o que vale é o valor contratado de compra e venda. O ato da operação é de gestão de negócio. Nada mais. 0 fato da discriminação nas notas fiscais de todos os componentes que compõe o equipamento (computador) é por questão de segurança e controle de estoque físico de cada componente, perante a fiscalização estadual.”(...) A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL. NOTA FISCAL. INCLUSÃO DE OUTROS PRODUTOS. É assegurada, no regime não cumulativo, a manutenção de créditos da contribuição da COFINS vinculados à venda a varejo de produtos relacionados no art. 28 da Lei nº 11.196/2005, desde que sejam respeitados os requisitos e limites estabelecidos pelo Decreto nº 5.602/2005. PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL. NOTA FISCAL. INCLUSÃO DE OUTROS PRODUTOS. Não há, no âmbito do Programa de Inclusão Digital tratado na Lei nº 11.196/2005, óbice quanto à inclusão, numa mesma nota ou cupom fiscal, de outros produtos além dos mencionados no Decreto nº 5.602/2005, desde que tal procedimento não comprometa a correta aplicação das alíquotas correspondentes a cada receita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Direito Creditório Não Reconhecido.” Em seu recurso voluntário a Recorrente repetiu os argumentos da manifestação de inconformidade descritos acima requerendo por fim a ineficácia do indeferimento da autoridade monocrática do crédito tributário requerido pela PER/DComp. É o relatório Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000157/200994 Acórdão n.º 3401001.986 S3C4T1 Fl. 202 5 Voto Conselheiro Relator Angela Sartori Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. O Programa de Inclusão Digital, criado pelo art. 28 da Lei n. 11.196/05, determinou a redução a zero das alíquotas aplicáveis à receita de venda a varejo dos produtos de informática. Ocorre que, para ser reduzida à alíquota zero, mister se faz que sejam atendidos os requisitos do Decreto n. 5.602/05, o qual estabeleceu os limites de valores para os produtos beneficiados com a alíquota zero, nos termos dos arts. 1o e 2o. A Recorrente sustenta, em seu Recurso Voluntário, que a Fiscalização não analisou a documentação acostada aos autos, por meio de fotocópias dos contratos de fornecimento firmados entre algumas prefeituras e câmaras municipais, que visaram demonstrar a lisura das operações comerciais realizadas. Alega, outrossim, que foi incorreta a desclassificação de algumas notas fiscais e, dessa forma, estaria apresentando, um relatório com suas notas fiscais, com observações a respeito das operações em cada uma delas, como meio de prova. No entanto, o contribuinte, para ter direito ao benefício do Programa de Inclusão Digital, mister se faz que os produtos vendidos necessariamente precisam estar enquadrados na posição 84.71 da TIPI. Analisando a documentação juntada, verificase que a Recorrente juntou notas fiscais. Ocorre que elas demonstram a venda de softwares e/ou hardwares, sem, contudo, haver nenhuma comprovação da saída dos produtos conforme determinação da citada legislação. Com efeito, mesmo que considerado o argumento de que as notas fiscais são referentes a computadores vendidos em sua integralidade e não por peças deveriam constar nas Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 notas, conforme inciso III, art. 28 da lei 11.196/2005, um sistema composto exclusivamente por um monitor, um teclado, um mouse e uma CPU, o que não foi verificado no caso em questão. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário interposto. Ângela Sartori (assinado digitalmente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 12709.000648/2008-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/06/2008
IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTOS JÁ ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
A opção pela via judicial importa em renúncia à instância administrativa, tornando definitivo o crédito tributário lançado, cuja legitimidade obedecerá ao decidido pelo Poder Judiciário.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 3802-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/06/2008 IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTOS JÁ ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela via judicial importa em renúncia à instância administrativa, tornando definitivo o crédito tributário lançado, cuja legitimidade obedecerá ao decidido pelo Poder Judiciário. Recurso não conhecido
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/06/2008 IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTOS JÁ ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela via judicial importa em renúncia à instância administrativa, tornando definitivo o crédito tributário lançado, cuja legitimidade obedecerá ao decidido pelo Poder Judiciário. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 06 48 /2 00 8- 53 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 135/140), a qual, por unanimidade de votos, julgou “improcedente” a impugnação formalizada contra lavratura de autos de infração para exigência da COFINS – Importação e do PIS/PASEP – Importação (fls. 01/15), nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/06/2008 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não afasta a constituição do mesmo através de auto de infração ou lançamento, tendo em vista a prevenção da decadência. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas, cabendo à autoridade onde se encontra o processo de determinação e exigência do crédito tributário não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O valor total lançado foi de R$ 246.040,91. Conforme relatório da decisão recorrida, [...] a interessada registrou a DI n.º 08/08707960 em 11/06/2008, sem o recolhimento de PIS e Cofins tendo em vista a obtenção de liminar nos autos do mandado de segurança n.º 2008.70.00.0100640 que suspendia a exigibilidade dos tributos. Desta forma a fiscalização, a fim de resguardar os interesses da Fazenda Nacional, lançou nos presentes autos de infração os valores devidos e não recolhidos, porém com exigibilidade suspensa. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 50/82 [na verdade, fls. 45/71], alegando o que segue: 1 É nulo o auto de infração por inexistência de infração que o justifique. A sentença judicial favorável à impugnante afasta a possibilidade de exigência de tributos. Também durante a vigência de medida judicial não pode ser instaurado procedimento fiscal, nos termos do art. 62 do Decreto n.º 70.235/72. 2 Não há descrição dos fatos e fundamento legal, nem indicação específica do dispositivo infringido que levaram a autoridade a realizar o lançamento e por isso é nulo o auto de infração. 3 A exigibilidade das contribuições só poderia se iniciar após a decisão judicial definitiva favorável ao fisco. Não se trata de renúncia à via administrativa. A fiscalização lavrou o auto de infração, obrigando a interessada a promover a impugnação, sob pena de prescrever o direito de defesa administrativa. 4 É necessário o sobrestamento do presente processo administrativo até que haja uma decisão judicial transitada em julgado. 5 Não havendo renúncia à via administrativa, há que ser apreciada a presente impugnação, sob pena de cerceamento de defesa. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 12709.000648/200853 Acórdão n.º 3802001.472 S3TE02 Fl. 201 3 6 No mérito traz argumentos quanto a) à inconstitucionalidade e ilegalidade da incidência do PisImportação e CofinsImportação, notadamente na importação de equipamentos destinados à manutenção e recuperação da saúde do cidadão brasileiro; b) à ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação da cobrança de tributos com efeitos confiscatórios; c) à inconstitucionalidade da Lei n.º 10.865/2004, havendo necessidade de regulamentação das novas contribuições por lei complementar e ofensa ao princípio constitucional da isonomia em matéria tributável; d) à inconstitucionalidade da correção da base de cálculo das contribuições para incluir o ICMS e a própria contribuição. 7 A impugnante agiu dentro da estrita legalidade e por isso não pode ser punida com o auto de infração. Requer, então, sejam acatadas as preliminares argüidas para anular o auto de infração; 6 Por estas razões deve ser julgado improcedente o no auto de infração. Despacho que deferiu a liminar às fls. 26/28. Cópia da sentença às fls. 129/133. Cientificada da referida decisão em 27/01/2012 (conf. AR objeto do arquivo no 19158281 anexado ao eprocesso), a interessada, em 27/02/2012, apresentou recurso voluntário (v. arquivo 20737232 do eprocesso) onde se insurge contra a exigência com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando, ainda: a) que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, seria necessário sobrestar o recurso dado o reconhecimento da repercussão geral pelo STF; b) que, muito embora o auto de infração tenha sido lavrado sem a suspensão da exigibilidade dos tributos, o crédito tributário encontrase suspenso por força da decisão do TRF da 4a Região; diante disso, “[...] considerando a decisão judicial vigente, no sentido de que é inexigível o PIS/Cofins importação sobre os acréscimos ao “valor aduaneiro”, é induvidoso que o recurso merece provimento para fins de extinguir o Auto de Infração lavrado sem a suspensão da exigibilidade”; c) que o acórdão seria nulo por ter sido omisso quanto aos fundamentos da impugnação em todos os seus termos; d) que seria inaplicável ao caso o Ato Declaratório Cosit no 03/1996, posto ser inadmissível considerar definitiva a discussão na esfera administrativa uma vez que o caso não se enquadraria como renúncia à citada instância, já que a fiscalização federal lavrou o auto de infração obrigando a autuada a promover a defesa “[...] sob pena de prescrever esse direito na esfera administrativa”; e) que o relatório objeto da decisão recorrida contempla questão não abordada pela empresa (“não há descrição dos fatos e fundamento legal, nem indicação específica do dispositivo infringido que levaram a autoridade a realizar o lançamento e por isso é nulo o auto de infração”); também no voto Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 teria sido mencionada a existência de depósito judicial, o que não ocorreu; assim, em vista da aduzida falta de clareza, o acórdão recorrido deveria ser declarado nulo. Finalmente, depois de tratar das questões de mérito, onde apresenta os argumentos que demonstrariam a inexigibilidade do PIS/COFINS importação sob os contratos de arrendamento mercantil, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 27/01/2012. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 27/02/2012 (uma segundafeira), tempestivamente, portanto. Quanto à matéria, esta se encontra dentre àquelas que são da competência desta Terceira Seção do CARF. O valor também está dentro do limite de alçada das Turmas Especiais deste Conselho. No entanto, o objeto do presente processo administrativo já se encontra integralmente submetido ao exame pelo Poder Judiciário, como a própria reclamante admite em seu recurso. Em vista da concomitância entre as demandas judicial e administrativa, a instância recorrida não se manifestou sobre as questões submetidas ao Poder Judiciário, tendo entendido pela renúncia à instância administrativa, o que fez com fundamento em respeitáveis doutrina e jurisprudência, bem como no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03/1996. E o fez corretamente, em respeito ao princípio da unidade de jurisdição, previsto no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Essa questão, inclusive, já está pacificada no âmbito do CARF, cuja Súmula no 1 estabelece o seguinte: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O fato de a fiscalização haver lavrado o auto de infração e de ter concedido à autuada prazo para apresentação de recurso em nada ofende o entendimento acima exarado, principalmente diante da parte final da súmula do CARF acima transcrita. Eventual recurso, decerto, será apreciado unicamente na parte em que não houver concomitância com a ação judicial interposta. A caracterização de renúncia à instância administrativa afasta a tese de nulidade argüida pela recorrente, uma vez que, por conseqüência lógica, a DRJ não poderia se manifestar sobre matéria cuja competência exclusiva para exame é do Poder Judiciário. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 12709.000648/200853 Acórdão n.º 3802001.472 S3TE02 Fl. 202 5 Também não há nulidade em relação aos pequenos equívocos cometidos pela relatora no relatório e no voto objeto da decisão recorrida, uma vez que os mesmos não prejudicaram minimamente o entendimento das razões de decidir, como demonstra o bem fundamentado recurso apresentado pelo sujeito passivo. Quanto à aduzida necessidade de sobrestamento do recurso por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF (dado o reconhecimento da repercussão geral pelo STF), ressaltese que tal dispositivo só pode ser aplicado quando a matéria está sujeita à presente instância administrativa. Obviamente, não faz sentido sobrestar julgamento de recurso que não poderá ser examinado pelo fato de a interessada haver renunciado tacitamente à esfera administrativa ao promover demanda no Judiciário. Em relação à suspensão da exigibilidade dos tributos por força de decisão do TRF da 4a Região, tal determinação, e todas as demais decisões emanadas do Poder Judiciário, são as que conduzirão o feito até seu desiderato final, já que, conforme demonstrado, claro está que a demanda, na sua integralidade, foi submetida ao entendimento da Justiça. Importa destacar, por fim, que a suspensão da exigibilidade não impede o lançamento dos tributos para fins de prevenção da decadência do referido direito. Tal ato é de natureza vinculada e obrigatória, a teor do disposto no artigo 142 do CTN. Nesse sentido, James Marins: O poderdever que imprime aos órgãos administrativos tributários a obrigação de realizar o lançamento através da autuação tem como motor a necessidade de paralisação da fluência do prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional e em outras leis esparsas, que corre contra o espaço de tempo hábil conferido à autoridade fazendária para que exerça seu poderdever de formalizar a obrigação tributária com seu correspectivo crédito. Ademais disso, se se tratar de discussão judicial de crédito já formalizado (lançado) apontase o risco de prescrição que milita contra o direito da Fazenda Pública em lançar mão dos instrumentos processuais previstos para o exercício judicial do crédito tributário exeqüível. Nesse tema são de ser adequadamente relevadas as lições clássicas do grande mestre Aliomar Baleeiro: “corre prazo de decadência da obrigação tributária, insuscetível de interrupção, desde qualquer das duas hipóteses do art. 173, mas, se for constituído o crédito tributário correspondente a tal obrigação, passa a correr, daí por diante, o prazo de prescrição, já agora desse crédito. Desde sua constituição definitiva (art. 141) é que passará a marcar os dias contra o fisco, salvo se for interrompido por uma das quatro causas eficientes e taxativas, já vistas no parágrafo único do mesmo art. 174. [Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Revista de Direito Tributário. 910/924, São Paulo, RT, 1979] Com efeito, no nosso regime de Direito positivo consubstanciado no Código Tributário Nacional fazse impostergável o poderdever da Administração Fazendária em formalizar o crédito tributário, impondo imperativamente à autoridade fiscal (sob pena de responsabilidade funcional) a obrigação de observar o prazo decadencial previsto em lei para a realização do lançamento (dever de não perpetuar dúvidas ou inseguranças), sob pena de que venha a não mais poder realizálo validamente por padecer de caducidade. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Assim, não só a Administração Fazendária pode como deve formalizar o crédito em discussão (lançar), sob pena de decadência do direito de fazê lo, mesmo estando em curso a ação judicial de natureza preventiva (anterior ao lançamento) com o condão de suspender a exigibilidade do crédito (seja por depósito, caução, ou por qualquer decisão judicial para tanto eficiente, liminar, sentença ou acórdão). Deve formalizálo, porém, apenas e unicamente para a precípua finalidade de obstar a decadência. Não é lícito ao Fisco, indo além da mera formalização do crédito, registrar eventuais penalidades ou intentar cobrá lo promovendo a inscrição em dívida ativa e aforando a respectiva execução judicial, pois o crédito encontrase em estado de suspensão de sua exigibilidade. Ademais disso, se a suspensão decorrer de ordem judicial, caracterizado estaria seu descumprimento com as penalidades daí decorrentes. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: (administrativo e judicial). São Paulo: Dialética. 2005. p. 221223) Pelas razões acima aduzidas, vêse que o crédito tributário está constituído em caráter definitivo na via administrativa, não cabendo mais nenhuma discussão acerca de sua legitimidade neste foro, já que a recorrente dele renunciou ao formalizar sua demanda junto ao Poder Judiciário. Da conclusão Diante do exposto, voto para não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 29 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 16707.100227/2005-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatado que os fundamentos do acórdão embargado foram expostos com contradição, cabe acolher os embargos com a finalidade de esclarecer onde necessário.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2102-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, retirando da ementa do Acórdão nº 2102-01.622 a frase Princípio do in dubio pro contribuinte, sem efeitos infringentes.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva , Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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CONTRADIÇÃO. Constatado que os fundamentos do acórdão embargado foram expostos com contradição, cabe acolher os embargos com a finalidade de esclarecer onde necessário. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, retirando da ementa do Acórdão nº 210201.622 a frase Princípio do in dubio pro contribuinte, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva , Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 10 02 27 /2 00 5- 50 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16707.100227/200550 Acórdão n.º 2102002.390 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Considerando que a Conselheira relatora do Acórdão embargado não tem mais assento neste CARF, na forma do art. 65, § 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, fui designado para apreciar a admissibilidade dos embargos de declaração acostados a estes autos, opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Em sessão plenária realizada em 19 de agosto de 2009, essa Turma de Julgamento, apreciou o recurso apresentado pelo contribuinte no Acórdão nº 210200.268, ocasião em que reconheceu a decadência do lançamento, por unanimidade de votos. O acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Comprovado pelo contribuinte os recebimentos dos valores com a respectiva retenção do imposto de renda na fonte, mormente, quando a fonte pagadora é pessoa jurídica de direito público, há que se considerar como correta a declaração da retenção na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, cabendo ao Fisco verificar eventual falta de repasse do recolhimento por parte da fonte pagadora. Princípio do in dubio pro contribuinte. Recurso provido. Cientificado do referido Acórdão, a douta PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, apresentou Embargos de Declaração, fls. 80 a 82, onde afirma que no mencionado acórdão houve contradição entre suas conclusões, verbis: A ementa reflete o resultado do entendimento firmado pela turma julgadora, que, data maxima venia, se mostra contraditório em suas conclusões. De um lado, o colegiado reconhece que os documentos apresentados provam a efetiva retenção do imposto de renda, assim como declarado pelo contribuinte, enquanto, de outro, aplica o princípio in dúbio pro contribuinte. Ora, se a documentação apresentada é considerada hábil para comprovar o alegado pelo sujeito passivo, descaberia a aplicação do aludido princípio, uma vez afastada pelos ilustres conselheiros qualquer dúvida sobre a retenção discutida nos autos. Sendo assim, o acórdão embargado, em suas razões de decidir, adota fundamentos não só distintos, como também conflitantes, por incoerência lógica. Destarte, impõese a oposição dos presentes embargos de declaração para que a turma julgadora esclareça qual fundamento adotado, inclusive, para proporcionar o exercício do direito de ampla defesa. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16707.100227/200550 Acórdão n.º 2102002.390 S2C1T2 Fl. 12 3 Diante dos fatos apresentados o presente processo retornou para que o Colegiado da Turma se manifeste, conforme o previsto no art. 65 do RICARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. No presente caso, o voto condutor da decisão recorrida trouxe em seu bojo as razões que fundamentaram a decisão no ponto discutido, fl. °76/77, verbis: (...) No entanto, é forçoso observar que a Prefeitura, intimada a apresentar os documentos que dariam respaldo aos pagamentos efetuados ao contribuinte, acostou aos autos contratos celebrados de acordo coras a Lei n° 8.666/93, bem como documentos por ela emitidos, dando conta de que os valores foram devidamente retidos do contribuinte na ocasião do pagamento dos rendimentos. Ora, se a própria Prefeitura Municipal de Extremoz, pessoa jurídica de direito público, declarou que efetuou a retenção dos valores, há de se considerar como recolhidos os valores em questão. No caso, se a fonte pagadora reteve os valores e não recolheu, não teias o contribuinte responsabilidade sobre os valores não repassados ao Fisco, de forma que haveria de se apurar eventual apropriação indébita dos valores por parte da Prefeitura de Municipal de Extremoz, representada por seus administradores públicos. Aqui há de se verificar o princípio do in dubio pro contribuinte. Com efeito, tendo o contribuinte recebido os valores contratados com o desconto do imposto de renda retido na fonte, conforme demonstrado, os documentos de fls. 02 e 06, bem como os de fls. 49/72, e, ainda, considerando que a fonte pagadora é pessoa jurídica de direito público (Prefeitura Municipal de Extremoz), devese considerar como hábeis e idôneos os documentos acostados aos autos no sentido de comprovar a efetividade dos valores declarados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2002. Ademais, ressalto que muito embora a Prefeitura de Extremoz tenha sido intimada a apresentar os documentos relativos a todos os pagamentos efetuados ao contribuinte no anocalendário de 2002, apresentou documentação que demonstra a retenção de imposto de renda na fonte no valor total de R$ 1.140,00. Contudo, com base no documento de fls. 06, no qual a fonte declara a retenção no valor de R$ 372,12, e, considerando todo o exposto, entendo que o contribuinte logrou comprovar que recebeu os pagamentos provenientes da Prefeitura Municipal de Extremoz com as devidas retenções de imposto de renda , motivo pelo qual, há de se considerar como correta a declaração do contribuinte quanto à retenção na fonte no valor de R$ 1.512,12 decorrentes dos valores recebidos da Prefeitura Municipal de Extremoz. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16707.100227/200550 Acórdão n.º 2102002.390 S2C1T2 Fl. 13 4 Revendo o que foi decidido, data vênia, a posição da relatoria entendo que a ementa realmente se mostrou conflitante ao citar o Princípio do in dubio pro contribuinte, já que pela documentos acostados aos autos a i. Relatora demonstrou não restar dúvidas que a retenção realmente aconteceu, dando provimento ao recurso. Assim sendo, VOTO POR ACOLHER OS EMBARGOS de declaração, retirando da ementa do Acórdão nº 210201.622 a frase Princípio do in dubio pro contribuinte, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16707.100227/200550 Acórdão n.º 2102002.390 S2C1T2 Fl. 14 5 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10865.001802/2009-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2009
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
EMPRESA. EQUIPARAÇÃO
Equipara-se a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.
CERCEAMENTO DE DEFESA
A redução da multa de ofício prevista na Lei 8.218/91 não caracteriza cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 2403-001.568
Decisão: Recurso Voluntário Provido Em Parte
Crédito Tributário Mantido Em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2009 MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. EMPRESA. EQUIPARAÇÃO Equipara-se a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. CERCEAMENTO DE DEFESA A redução da multa de ofício prevista na Lei 8.218/91 não caracteriza cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido Em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. EMPRESA. EQUIPARAÇÃO Equiparase a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. CERCEAMENTO DE DEFESA A redução da multa de ofício prevista na Lei 8.218/91 não caracteriza cerceamento de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 02 /2 00 9- 67 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido Em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001802/200967 Acórdão n.º 2403001.568 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1427.712 da 8ª Turma, que julgou a Impugnação Improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase do Auto de Infração DEBCAD 37.223.7720, no valor de R$ 188.713,71 (cento e oitenta e oito mil, setecentos e treze reais e setenta e um centavos), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe e referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor bruto de notas fiscais e faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio da Unimed Leste Paulista —Cooperativa de Trabalho Médico. A lavratura ocorreu em 18/08/2009 e o débito referese as competências 04/2008 a 04/2009. A base de cálculo utilizada para o lançamento das contribuições, nos casos em que não houve a discriminação dos valores dos serviços prestados, foi de 30% do valor bruto das notas fiscais e faturas de prestação de serviços emitidas pela cooperativa de trabalho médico, conforme dispunha a Instrução Normativa SRP 03/2005 em seu art. 291, inciso I, "a" e parágrafo único. Havendo a discriminação, foi o próprio valor dos serviços prestados. A alíquota aplicada foi de 15%, como estabelecido pelo artigo 22, IV da Lei 8.212/91. Quanto à multa, segundo o Relatório Fiscal, no período de 04/2008 a 11/2008, foi aplicada multa de mora e no período 12/2008 a 04/2009 foi aplicada a multa de oficio de 75%. 6.4. Nesse sentido, foi aplicada a multa moratória de 24% + penalidade por omissão para as competências de 04/2008 a 11/2008, que conforme demonstrado no Anexo 2 é mais benéfica ao contribuinte, para as competências de 12/2008 a 04/2009 foi aplicada a multa de oficio de 75%. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · cerceamento de defesa quando se atribui desconto de 50% para quem não apresentar recurso; · a argüição de inconstitucionalidade não pode ser declarada pela Receita Federal, mas pode ser reconhecida no caso particular; · associação sem finalidade lucrativa não é empresa e não pode ser tratada como tal; · questiona a tributação de serviço prestado por cooperativa de trabalho. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001802/200967 Acórdão n.º 2403001.568 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA Recorrente alega cerceamento de defesa quando se atribui desconto de 50% para quem não apresentar recurso. Consta do relatório Instruções para o Contribuinte hipótese de redução da multa de ofício no percentual de 50% se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento. 2. Pagamento ou parcelamento: 2.1 Será concedida redução da multa de lançamento de oficio nos seguintes percentuais: I cinqüenta por cento se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento; II quarenta por cento se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de trinta dias, contados da data em que foi notificado do lançamento; Tal redução da multa tem amparo na Lei 8.218/91, sendo portanto legal e, entendo, não caracteriza cerceamento de defesa. Art. 6º Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE COMPETÊNCIA A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. TRIBUTAÇÃO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO A recorrente questiona a tributação incidente sobre a remuneração à cooperativa de trabalho que lhe prestou serviço alegando que as notas referemse à mensalidade dos planos de saúde. Tal tributação está estabelecida no artigo 22 da Lei 8.212/91. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.001802/200967 Acórdão n.º 2403001.568 S2C4T3 Fl. 5 7 prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme consta do processo, a recorrente contratou a Unimed Leste Paulista — Cooperativa de Trabalho Médico, para a prestação de serviços médicohospitalares, a serem executados por meio dos profissionais cooperados desta, a seus empregados, associados, sindicalizados, filiados e diretores. Entendo que os valores pagos referemse sim a serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e que devem ser tributados. TRIBUTAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO A recorrente alega que associação não pode ser tratada como empresa. Tal alegação não pode prosperar visto que a Lei 8.212/91 equipara associação à empresa. Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18050.007917/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA.
Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Antonio de Pádua Athayde Magalhães que davam provimento parcial ao recurso em menor extensão, tão-somente para excluir a multa da ofício de 75%. Fará Declaração de Voto o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Antonio de Pádua Athayde Magalhães que davam provimento parcial ao recurso em menor extensão, tão-somente para excluir a multa da ofício de 75%. Fará Declaração de Voto o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 129 1 128 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.007917/200951 Recurso nº 936.831 Voluntário Acórdão nº 2801002.611 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente AFRANIO DE ANDRADE FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não têm a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 79 17 /2 00 9- 51 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 130 2 Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Antonio de Pádua Athayde Magalhães que davam provimento parcial ao recurso em menor extensão, tãosomente para excluir a multa da ofício de 75%. Fará Declaração de Voto o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 64), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 142.306,29, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 131 3 tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente , estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art.5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003,a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de \Contribuintes do Ministério da Fazenda, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 132 4 Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Público do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido de boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministro da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Cientificado em 28/04/2011 (Fls. 87verso), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 25/05/2011 (fls. 88 e 126), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 133 5 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Adoto integralmente o teor de votos anteriores da Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Inicialmente, quanto à suscitada nulidade do acórdão recorrido por não ter enfrentado todos os argumentos da impugnação em especial a ilegitimidade ativa da União e a perda da capacidade contributiva, essa não merece acolhida, mormente considerando que a decisão recorrida possui todos os requisitos exigidos em lei para sua validade em termos formais, ou seja, está em consonância ao que preceitua o artigo 31 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Ademais, especificamente quanto à questão de analise de ilegalidade de normas, não é de competência dos órgãos administrativos de julgamento, haja vista a competência privativa do Poder Judiciário, e, portanto, fora do alcance da competência administrativa, não podendo o contribuinte invocar nulidade por esta razão. Aliás, no tocante à análise das demais alegações de inconstitucionalidade de normas que respaldam o procedimento fiscal, importante esclarecer que não pode ser objeto de verificação inclusive por parte deste Conselho de Contribuintes, pois é questão pacificada na Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, não se verifica em qualquer hipótese o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte em relação à decisão recorrida, notase que todos os pontos foram abordados e fundamentados, permitindo inclusive à contribuinte a interposição do Recurso Voluntário, ora em análise, rebatendo todas as argumentações trazidas tanto no auto de infração, quanto na decisão atacada. No que tange à ilegitimidade da União para atuar como pólo ativo no presente procedimento administrativo fiscal, uma vez que competiria aos Estados reclamar o imposto indevidamente não recolhido, nos termos do que dispõe o art. 157, I, da Constituição Federal de 1988, importa ressaltar que o objetivo do disposto no mencionado artigo é a de promover a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, sem afetar a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, III., da Constituição Federal. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 134 6 O art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN didaticamente explicita: "Art. 6° A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único . Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos." (grifos acrescidos) Assim, não implicando a repartição de receitas transferência da condição de sujeito ativo, rejeitase a ilegitimidade ativa da União reclamada pelo autuado. Ainda importa observar que nos autos deste procedimento administrativo fiscal não se está discutindo o destino do imposto de renda retido na fonte mas, sim, o fato de o recorrente ter omitido na declaração de ajuste anual os rendimentos auferidos nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.( Súmula CARF nº 12) Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, o interessado discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual nº 8.730, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 135 7 de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, o contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei Estadual nº 8.730, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pelo recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Quanto ao questionamento dos cálculos efetuados, nada há a censurar, haja vista que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido pelo contribuinte. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 136 8 Ressaltese que o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam os rendimentos em questão, conforme disposto no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, em razão das diferenças terem sido recebidas acumuladamente, sendo que as bases de cálculo declaradas já se sujeitavam à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Neste sentido, considerando que já foi aplicado ao caso o regime de competência, é inócuo suscitar a aplicação da Instrução Normativa 1.127/11, da Receita Federal, que, de certa forma, determina a apuração do valor do imposto de renda incidente sobre os RRA pelo regime de competência, afastando a tributação pelo regime de caixa. Por outro lado, com base no posicionamento da Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e Res. Nº 8, de 2008STJ, que tratam dos recursos repetitivos, verificase que foi negado provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional e manteve o acórdão da 4ª Região, o qual havia decidido que não cabe a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros moratórios incidentes sobre valores recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, por se tratarem de verbas indenizatórias. Respaldado nesse entendimento, entendo que devem ser refeitos os cálculos, que embasam o lançamento, de modo a contemplar a exclusão dos valores recebidos a título de juros, identificados nos documentos acostados aos autos. No tocante à multa de ofício, consoante vem sendo decidido por este Colegiado (confiramse os julgados 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos de 27/07/2011, relatados pelo Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães é incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstra ter sido induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Declaração de Voto Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 137 9 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida O ilustre Relator votou por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Permitome discordar em relação à exclusão dos juros de mora da base de cálculo do tributo lançado, pelos motivos que serão declinados a seguir. Relevante observar, de início, que no julgamento do Resp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido pela não incidência de imposto de renda sobre os valores pagos a título de juros moratórios, em acórdão assim ementado: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ocorre que o Egrégio Tribunal acolheu parcialmente os embargos declaratórios opostos pela União para explicitar que o tema de mérito discutido no recurso especial circunscrevese à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, o que não se amolda ao presente caso. Para melhor compreensão do assunto, transcrevo abaixo excertos do acórdão que esclareceu a questão: Todas as discussões trazidas pela embargante passam pelo exame de cada um dos sete votos proferidos no acórdão embargado, daí que passo a fazêlo neste momento, começando pelos três votos vencidos: (...) Quanto aos votos vencedores, temos: 3º) Ministro Mauro Campbell Marques (fls. 597607): Divergindo do relator, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mas por fundamentos diversos do meu. Entendeu que "a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora a teor da legislação até então vigentes" (fl. 602), mas que "o art. 6º, inciso V, da lei trouxe regra especial ao estabelecer a isenção do IR sobre as verbas indenizatórias pagas por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho" (fl. 602). Com base no referido dispositivo legal, então, foi que reconheceu a isenção, especificamente, no caso em debate. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 138 10 4º) Ministro Arnaldo Esteves Lima (fls. 618624): Proferiu voto vista negando provimento ao recurso especial, explicitando que o tema de mérito circunscrevese à "exigência de imposto de renda sobre os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho" (fl. 619). E acrescentou que "não se está a examinar a tributação dos juros de mora em qualquer outra hipótese" (fl. 619). Sobre a questão de mérito, no caso específico dos autos, adotou fundamentos semelhantes aos do em. Ministro Mauro Campbell Marques, concluindo que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei" (fl. 624). (...) A ementa do julgado, entretanto, deve ser revista, tendo em vista que os votos vencedores dos em. Ministros Mauro Campbell Marques e Arnaldo Esteves Lima adotaram fundamentos menos abrangentes, limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate, por força de lei específica de isenção (art. art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/1988). A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação: "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Verificase, pela leitura do trecho transcrito, que não se aplica o art. 62A do RICARF ao caso sob análise, haja vista que a tese fixada no recurso submetido ao rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo) se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, ao passo que os juros de mora cobrados no Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 139 11 presente AI se referem às “diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, objeto das Ações Ordinárias nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal” (Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003, art. 4º). Ultrapassada esta questão, cabe perquirir se incide o IR sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Nesse contexto, entendo que um singelo argumento bastaria para se chegar a conclusão de que a regra é a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios: se o legislador estabeleceu uma isenção de imposto de renda para os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho (Lei nº 7.713/1988, art. 6º, V), é porque os juros de mora estão no campo de incidência do IR. Se não estivessem, desnecessária seria a instituição, por lei, de uma hipótese de isenção tributária. Nada obstante, oportuno acrescentar outros fundamentos que reforçam a tese de incidência de IR sobre os juros moratórios (expostos no Resp nº 1.227.133/RS), quando inexiste norma que exclua o crédito tributário (norma de isenção), elucidando a natureza das parcelas cuja possibilidade de tributação se discute. Os juros de mora, não restam dúvidas, têm a finalidade de reparar prejuízos decorrentes da demora no pagamento da quantia principal, de sorte que é patente a sua natureza indenizatória. Assim, o que deve se verificar, creio eu, é se o simples fato de os juros de mora possuírem natureza indenizatória é suficiente para os excluírem da esfera de incidência do imposto de renda. A esse respeito, penso que não é possível subsistir o entendimento de que a verificação da incidência do imposto de renda deve ter por base unicamente o caráter remuneratório ou indenizatório da parcela que se quer tributar, já que não são apenas as verbas remuneratórias que podem representar aumento de patrimônio daquele que as recebe. De fato, as indenizações, em regra, são valores destinados à recomposição do patrimônio (material ou imaterial) daquele que foi lesado em seu direito. Contudo, uma análise mais detida do conceito de indenização denota que, a par de sua função de reposição patrimonial (reparação de danos emergentes), o pagamento de indenização pode, por vezes, representar aumento do patrimônio de quem a recebe, na medida em que visem à reparação de ganhos que deixou de obter, ou seja, lucros cessantes. Existem hipóteses em que a indenização não acarretará ganho patrimonial, como ocorre no caso de reparação de dano emergente efetivamente suportado. Entretanto, se a indenização tem função compensatória, ou seja, se destina a reparar aquilo que o lesado em seu direito deixou de ganhar (lucro cessante), o seu recebimento acarretará aumento patrimonial. Nessa linha de raciocínio, entendo que o fator determinante para se verificar a incidência ou não do imposto de renda (mesmo sobre os valores classificados como indenização) não é simplesmente o seu caráter remuneratório ou indenizatório, mas sim a ocorrência ou não de acréscimo na esfera patrimonial do beneficiado, nos exatos termos da regra matriz de incidência do IR (CTN, artigo 43, I e II). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 18050.007917/200951 Acórdão n.º 2801002.611 S2TE01 Fl. 140 12 Assim, se o recebimento da indenização importa acréscimo patrimonial, certo é que, em regra, estará sujeito à incidência do IR, só havendo dispensa de seu pagamento se houver previsão legal expressa (isenção). Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Desta forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR. Diante do exposto, peço vênia ao ilustre Relator, Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, para dar provimento parcial ao recurso em menor extensão, excluindo tão somente a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 13910.000269/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE
A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazê-la. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazê-lo com numerário.
Numero da decisão: 2102-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso para restabelecer a dedução com o plano de saúde objeto do documento de fl. 12, no valor de R$ 3.743,60, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azerevo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazê-la. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazê-lo com numerário.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazêla. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazêlo com numerário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso para restabelecer a dedução com o plano de saúde objeto do documento de fl. 12, no valor de R$ 3.743,60, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 00 02 69 /2 00 7- 50 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13910.000269/200750 Acórdão n.º 2102002.104 S2C1T2 Fl. 106 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azerevo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 6a. Turma da DRJ/CTA, de 25 de fevereiro de 2011 (fls. 80/87), que por unanimidade de votos negou provimento à impugnação apresentada tempestivamente pela Recorrente, mantendo assim a exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 09/11/2007 (fl. 03), no valor total de R$ 15.696,50, sendo R$ 6.377,84 a título de imposto suplementar, R$ 4.783,38 de multa de ofício e R$ 4.535,28 de juros de mora. Com efeito, o lançamento teve origem na glosa da dedução da base de cálculo do imposto de renda de valores declarados a título de dependente, de Amanda de Oliveira Garbelini; despesa com instrução de R$ 1.998,00 e despesas médicas no valor de R$ 6.539,35 referente ao CNPJ 78.963.023/000108, R$ 6.000,00 do CPF 508.783.10950, R$ 6.500,00 do CPF 073.648.96813 e R$ 2.512,25 do CPF 957.129.92949. Notificado do lançamento contra ele se insurgiu o autuado, alegando em preliminar, que não houve expediente que tenha precedido ao da autuação, causando surpresa e caracterizando arbitrariedade da autoridade fiscal. Juntou certidão de nascimento da neta Amanda de Oliveira Garbelini e também comprovantes de despesas com instrução com esta menor, que juntamente com a genitora, mora em sua residência e vivem sob sua dependência. Acostou ainda, comprovantes das despesas médicas declaradas, que legitimariam a dedução da base de cálculo do imposto. Em 04 de novembro de 2.010 por determinação da 6a Turma da DRJ/CTA o julgamento foi convertido em diligência para que aos autos fosse juntada a Intimação Fiscal com a respectiva prova do seu recebimento (fl. 31). À fl. 49 consta a remessa via postal com a informação que o destinatário mudouse e em 10 de setembro de 2.007, foi afixado edital neste sentido,conforme documento de fl. 50. Sobre a juntada de tais documentos, o autuado se manifestou às fls. 70/73, requerendo a nulidade pela ocorrência da prescrição intercorrente. Conforme destacado, às fls. 80/83 consta a decisão recorrida, que manteve integralmente o trabalho fiscal, afastando a preliminar de prescrição intercorrente, mencionando a Súmula CARF n.o 11, assim como a juntada dos documentos que atestam a notificação para que o Recorrente apresentasse os documentos evitando com isto, a lavratura do auto de infração. Quanto à dedução das despesas com instrução da neta, a motivação pela manutenção do trabalho fiscal se deu pela falta da apresentação de determinação judicial que definisse a quem caberia a guarda da menor. No tocante à dedução das despesas médicas, a mesma é assegurada aos pagamentos dos tratamentos do próprio contribuinte ou de seus dependentes, o que não restou comprovado, mantendose assim, a glosa do abatimento, pois os recibos não preenchem os requisitos legais, como a falta de assinatura e especificação do beneficiário do pagamento. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13910.000269/200750 Acórdão n.º 2102002.104 S2C1T2 Fl. 107 3 A decisão recorrida destaca ainda que ao autuado foi solicitada comprovação do efetivo pagamento das despesas (fl. 48), e não a mera apresentação de recibos, razão pela qual, também por este motivo, entendeu devida a exigência fiscal. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado (fl 87), alegou que não foi observada a Súmula 40 do CARF, que exige a prova da efetividade dos serviços e pagamentos, quando haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente ineficaz, o que não ocorreu no presente caso, devendo assim ser consideradas as declarações apresentadas. Quanto aos pagamentos das despesas, alega que em função de ser proprietário na época de duas empresas, para evitar a sujeição à CPMF, efetuava os pagamentos em numerário que dispunha nas suas empresas. No tocante ao pagamento à UNIMED NORTE PIONEIRO, onde se questiona inclusive a assinatura digital, informa que a mesma é padrão da empresa, ao que consta, de forma generalizada, expondo assim todos os seus conveniados, podendo a autoridade fiscal questionar aquela instituição, o que não ocorreu. Reconhece a procedência da glosa quanto às deduções de despesas realizadas em nome da sua neta, mesmo sendo esta sua dependente até os dias da apresentação da peça recursal, se insurgindo a final, contra a aplicação da multa qualificada de 150%, transcrevendo as Súmulas CARF 14 e 25, bem como o disposto no art. 24 da lei n.o 11.457/2007, que estabelece a obrigatoriedade da apreciação e decisão administrativa no prazo de 360 dias da data da sua protocolização, não observado neste processo, razão pela qual, pede a nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Inicialmente cabe destacar que o Recorrente não se insurgiu contra a glosa das deduções das despesas realizadas com a sua neta/dependente, nem mesmo, dela nesta condição, aceitando expressamente o trabalho fiscal, conforme se depreende na peça recursal (fl. 89). Destarte, não incluem da peça recursal, a glosa do valor de R$ 1.272,00 a título de dependente; R$ 3.158,00 a título de despesas com instrução da neta, objeto do recibo de fl. 10; R$ 926,32 pago à Unimed Norte Pioneiro Cooperativa de Trabalho Médico em nome da neta Amanda de Oliveira Garbelini Yoshitani (fl. 13);. Assim, resta apreciação dos recibos referentes aos tratamentos/custos do próprio declarante, que abaixo serão individualizados: COMPROVANTE DE PAGAMENTO À UNIMED NORTE PIONEIRO Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13910.000269/200750 Acórdão n.º 2102002.104 S2C1T2 Fl. 108 4 O comprovante de fl. 12 dá conta que o pagamento referese a recebimento do autuado, no valor total de R$ 3.743,60, com indicação do seu CPF, não vislumbrando com isto, até mesmo pelos valores mensais despendidos, razão para colocar em dúvida a legitimidade da sua dedução na base de cálculo do imposto. Assim, entendo que esta dedução deve ser restabelecida. TRATAMENTO ODONTOLÓGICO E FISIOTERAPEUTICO Quanto à glosa do valor de R$ 6.000,00 (fl. 14) declarados como pagos ao profissional da odontologia, Sr. Silvano Parpinelli do Amaral, sobre tratamento realizado com o próprio autuado, pela falta de comprovação dos efetivos pagamentos, com a transferência de numerário, entendo que a glosa deve permanecer. A alegação de que os pagamentos foram efetuados em dinheiro, originário das empresas do autuado, para não sujeição à CPMF não pode ser aceita, pois a comprovação é ônus do contribuinte para usufruir do benefício da exclusão da despesa da base de cálculo do imposto. No mesmo sentido, a glosa do valor de R$ 2.512,25 à Sra. Clevenice Loiola Baião (fl. 15), profissional da fisioterapia. Também entendo que deva ser mantida a glosa do valor de R$ 6.500,00 declarados como pagos ao odontologista Fábio Furquim Pires, por considerar o valor elevado para pagamento em espécie, o que não era usual, mesmo com a incidência da CPMF. A dedução da base de cálculo do imposto de renda dos valores pagos a profissionais da odontologia e fisioterapeutas encontra previsão legal no inciso II alínea “a” e par. 2o da Lei 9.250/95 , que assim estabelecem: Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2° O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifos Nossos). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13910.000269/200750 Acórdão n.º 2102002.104 S2C1T2 Fl. 109 5 Mas além desta previsão legal, relevante mesmo é que as razões da fiscalização bem como o trabalho que resultou na lavratura do Auto de Infração encontra respaldo na legislação fiscal, que até mesmo coloca para o agente como uma atribuição nas suas funções, a de exigir dos contribuintes a comprovação dos efetivos pagamentos das despesas alegadas, sob pena de glosa, pois envolve a base de cálculo do imposto de renda, sobre a qual não lhe é facultado dispor de forma diferente. Com efeito, o artigo 73, § 1° do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) e o artigo 46 da IN SRF n° 15/2001 estabelecem: Regulamento do Imposto de Renda RIR199 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (grifamos) Vários são os precedentes deste colegiado a respeito, todos, como não poderia deixar de ser, no sentido do que estabelece a legislação acima transcrita, dos quais destacamos as seguintes ementas: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto _à idoneidade do documento (Ac. 1° CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 01 1.458). IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovados os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legitima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1° CC 10416647/1998). IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Se o contribuinte não logra comprovar por outros meios as despesas médicas relacionadas em recibos declarados inidôneos, apresentase correta a glosa de despesas, conforme preceitua o art. 73 do Decreto n° 3.000/99 (Ac.10615484, sessão de 26/4/2006). Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte, para manter a glosa sobre as despesas odontológicas, e restabelecer a dedução com o plano de saúde objeto do documento de fl. 12, no valor de R$ 3.743,60. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13910.000269/200750 Acórdão n.º 2102002.104 S2C1T2 Fl. 110 6 Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10120.014145/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS .COMPROVAÇÃO.
Restabelece-se as despesas médicas glosadas, quando os documentos apresentados atendem aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2802-001.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:30/1/2013
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas De Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS .COMPROVAÇÃO. Restabelecese as despesas médicas glosadas, quando os documentos apresentados atendem aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:30/1/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas De Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 41 45 /2 00 8- 41 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.53/55) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a apuração de Deduções Indevidas a Titulo de Despesas Médicas. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0340.157, de 10 novembro de 2010, que se encontra às fls. 43/47, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS.NÃO COMPROVAÇÃO Não comprovado nos autos através de documentação hábil, as despesas médicas pleiteadas pela Contribuinte na sua declaração de ajuste, mantémse a glosa conforme perpetrada pela autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 04/02/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 52). À vista da decisão, foi protocolizado, em 04/03/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 53/55, no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, assevera que faz jus as deduções das despesas médicas relacionadas em sua DIRPF. No intuito de espancar quaisquer dúvidas sobre a efetiva prestação e pagamento dos serviços odontológicos declarados, junta ao RECURSO documentos de fls. 56/75. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite ,Relatora O recurso de fls.53/55 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fls. 46 protocolo de recepção aposto à fl. 52. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. A matéria ora em litígio versa tão somente, sobre à comprovação ou não, por parte do recorrente, dos recibos ofertados em Primeira Instância, como comprovante de pagamento de despesas médicas glosadas na DIRPF apresentada para o Exercício 2006. Vejamos: O artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, disciplina a forma através da qual se comprovam as despesas dos valores pagos pelo contribuinte aos profissionais da área da saúde, devendo apresentar recibo com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.014145/200841 Acórdão n.º 2802001.800 S2TE02 Fl. 597 3 os recebe.O documento hábil comprovar o pagamento, segundo entendo, é o recibo ou a nota fiscal, sendo que, na falta do recibo, o legislador admitiu como prova a indicação do cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Quanto aos requisitos essenciais que devem constar do recibo, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, o valor, a natureza da prestação dos serviços, o nome de quem pagou e a assinatura identificando quem recebeu, são pressupostos essenciais à sua validade. O endereço, o CPF do profissional e a identificação do beneficiário dos serviços, caso ausentes, podem ser completados posteriormente pelo tomador dos serviços, adotandose procedimento semelhante ao do pagamento com cheque nominal, cabendo ao contribuinte, quando de sua declaração de ajuste anual, informar o n° do CPF de quem recebeu o respectivo pagamento. Destarte, entendo que os documentos apresentados pela recorrente, fls. 18/ 21 comprovam de maneira satisfatório, que a recorrente faz jus a dedução com as despesas médicas pleiteadas, sendo R$10.800,00 declaradas como pagas a profissional Patrícia Buiati Junqueira e R$8.700,00 a Washington M de Santana. Assim voto por DAR provimento ao recurso. DOU PROVIMENTO AO RECURSO (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora . Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000985/2010-97
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI.
Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE..
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO.
O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médíca-hospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida.
Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA.
Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilio-educação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. AUXÍLIO-SAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitar-se apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Se a matéria não é contestada em primeiro grau de julgamento, será considerada não impugnada, não podendo ser apreciada em recurso, salvo em casos justificados ou de clara nulidade, sob pena de supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. Integram o salário de contribuição, os valores pagos a segurados empregados a titulo de auxilioeducação, assistência médica e participação nos lucros e resultados, quando tais pagamentos não atenderem às exigências legais. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE.. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AUXÍLIOSAÚDE.DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 85 /2 01 0- 97 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 257 2 O art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Quanto à rubrica auxílio educação o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior entende que deve ser provida. Fez sustentação oral: CANEXUS QUIMICA BRASIL LTDA. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado(a) Dr(a) Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 258 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.309 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls.289 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário referente a sanção pecuniária contra a empresa acima identificada, por ter a mesma apresentado a declaração a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97 e redação da MP n°449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com informações incorretas ou omissas. Ante o descumprimento da obrigação acessória acima, a autoridade fiscal aplicou a multa capitulada na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, caput, inciso I e parágrafos 2° e 3°, incluídos pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alinea "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 – CTN. A lavratura do presente Auto de Infra cão decorre da constatação de que o contribuinte, apresentou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e/ou GFIP Retificadoras, antes do inicio do procedimento fiscal, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias recolhidas, referentes as competências 01/2006, 02/2006, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 10/2006, 12/2006, 01/2007, 02/2007, 03/2007, 04/2007, 06/2007 e 11/2007". Conforme o relatório fiscal: "Na análise das GFIP apresentadas, ficou constatado que NÃO foram declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária, conforme especificados a seguir: a) Remunerações pagas aos segurados Empregados da Empresa, constantes das Folhas de Pagamento e seus respectivos resumos, consideradas pela mesma como base de incidência das contribuições previdenciárias, que estão relacionadas por segurado na CATEGORIA 1, em planilha anexa ao presente relatório ANEXO I. b) Remunerações pagas por serviços prestados sem vinculo empregaticio nas atividades de tradução, auditoria e transporte rodoviário autônomo (fretes pessoa fisica taxistas), etc. aos segurados discriminados na planilha anexa ao presente relatório – ANEXO I, nas CATEGORIAS 13 e 15" A ciência do auto de infração inaugural foi em 10.09.2010 (fls. 83, dos autos digitais). Em impugnação a Recorrente requereu a improcedência do lançamento de forma específica: Diante de todo o exposto, REQUER, REQUER, seja recebida, processada e provida a presente defesa, para decretar a insubsistência no Auto de Infração DEBCAD no 37.258.4179, em face da exigência do recolhimento da contribuição social incidente sobre o Auxilioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos de empregados e participação dos lucros e resultados, dos terceiros. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 259 4 Em razão disso, somente essas matérias foram apreciadas em primeiro grau, pois as demais foram consideradas como não contestadas, portanto não impugnadas (art. 17, do Dec. 70.325/1972). Sendo improvida a impugnação, conforme acima relatado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: as verbas objetos de autuação têm natureza indenizatória ou de auxílio de custos, sem natureza remuneratória, a natureza indenizatória do fornecimento de alimentos a título de vales/tickets e cestas de alimentação independentemente de inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador, do auxíliosaúde (pagamento de planos médicohospitalares e odontológicos) aos dependentes não tem natureza remuneratória, pagamento de seguro de vida e de acidentes pessoais, que o aluguel de imóvel residencial para Charles Lussier era para fins de habita;áo fornecidos pela empresa ao empregado para tabalhar em localidade distante da de sua residência, os valores referentes ao programa de qualidade não de natureza social e preventivos à própria saúde pública, que o abono pago em 1/2007 não integra o salário (art. 28, par. 9o., item 7, da Lei n. 8.212), que o auxílioeducação pagos aos dependentes dos funcionários não tem natureza remuneratória, equiparados a auxílio alimentação(art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212), que a participação dos lucros e resultados está prevista em Acordo Coletivo, falta de clareza da autuaçáo quanto aos pagamentos aos contribuintes individuais autônomos. Em sessão, fora realizada sustentação oral da patrona da Recorrente, Dra. Dyna Hoffmann Assi Guerra, OAB/ES nº 8.847. Esse é o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 260 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Preliminarmente, em razão da não impugnação das matérias trazidas em recurso voluntário em primeiro grau de instância, sob pena de desobediência ao art. 17, do Dec. 70.235/1972, bem como supressão de instância não justificada (art. 1o. do Regimento Interno do CARF/MF), restaram prejudicados os questionamentos que não forem o auxílioeducação, plano de assistência médicohospitalar e odontológico para filhos e dependentes dos empregados e participação dos lucros e resultados, bem como aqueles com clara permissão de afastamento da aplicação da lei (auxílioalimentação) por dever de ofício. Ainda, quanto à suposta inconstitucionalidade dos fundamentos legais apontados nos outros pontos do recurso, não apreciados em razão de não terem sido contestados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF III – Quanto à inconformidade da aplicação de contribuições previdenciárias com base nos valores pagos a título de auxílioeducação pagos aos dependentes, considerando os fatos geradores passíveis de informação em GFIP. Devese anotar que a empresa não trouxe qualquer elemento probatório ou legal que demonstrase que a bolsa paga aos filhos e dependentes dos funcionários há qualquer vinculação com a atividade ou qualificação dos funcionários da mesma. Assim, não há demostração de sua desvinculação à remuneração, ou que o auxílio tem natureza indenizatória, representando aumento de renda. Assim, o disposto no art. 28, par. 9o., alinea t, da Lei n. 8.212/1991, é claro em que a natureza indenizatória do pagamento de auxílioeducação deve estar vinculda à qualificação dos funcionários da empresa. Nesse aspecto, não perece acolhimento o recurso. IV – Quanto às alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores referentes à saúde plano de assistência médicohospitalar e odontológico aos filhos dos empregados, verificase que o art. 28, par. 9o., alinea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. Fato esse é claro no art. 458, par. 2o., IV, da CLT, ao apontar que tais valores não configuram salários. Assim, tais fatos não podem considerandoos fatos geradores passíveis de informação em GFIP, e serem objeto da autuação em questão. O entendimento é acompanhado pela jurisprudência judicial e administrativa, como bem demonstrado no voto condutor da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, no Fl. 260DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 261 6 Acórdão n. 240101.981, oriundo da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF/MF, de 22.08.2011, abaixo citado : No presente caso, tenho a salientar que o denominado auxílioexcepcional é concedido aos empregados da recorrente, na forma de reembolso, para o tratamento de dependente portador de incapacidade congênita, conforme Relatório fiscal (fls. 113 a 119), in verbis: “Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioExcepcional (também chamado de AuxílioDeficiente ou Auxílio a Portadores de Necessidades Especiais) tratase de benefício concedido pela Fundação aos seus empregados na forma de reembolso limitado de despesas com o tratamento de seu dependente que seja portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento.” Saliento que não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições previdenciárias “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médicohospitalares ou com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” (art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991). Entendo que o auxílio excepcional a que se refere o presente lançamento, nada mais é do que um reembolso para tratamento médico de dependente portador de incapacidade congênita que comprometa a sua educação e desenvolvimento, que enquadra perfeitamente na hipótese prevista no art. 28, § 9º , alínea “q” da Lei nº 8.212, de 1991. Precedentes: TRF2 APELAÇÃO CIVEL: AC 200351010269501 RJ 2003.51.01.0269501, Relator(a): Juíza Federal Convocada SANDRA CHALU BARBOSA “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO AO FILHO EXCEPCIONAL. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Tratase de apelação de interposta contra a sentença que julgou improcedente o pedido da autora e a condenou ao pagamento de custas e honorários advocatícios na ordem de 10% sobre o valor da causa atualizado. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 262 7 2. A autora alega em seu recurso que a NFLD em questão, que "diz respeito à pretensa cobrança de contribuição previdenciária sobre a verba denominada auxílioexcepcional", não deve ser cobrada porque o referido auxílio excepcional, ao contrário do que defendeu a sentença, não possui natureza remuneratória, mas sim retributivo e comutativo. 3. Inicialmente, é de se dizer que, como bem observou a sentença atacada, saláriodecontribuição, nos termos do "inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, (...) referese à totalidade dos rendimentos pagos ou creditados a qualquer título" ao empregado e que "o auxílio excepcional não se enquadra em qualquer das hipóteses de exclusão da contribuição previdenciária taxativamente previstas no § 9ºdo art . 28" (fls. 97/98) da aludida lei. 4. Por outro lado, devem ser excluídos da autuação fiscal em debate os valores pagos como auxílio à criança excepcional que, em sede de execução, correspondam, comprovadamente, a pagamentos de despesas médicas ou que tenham sido utilizados na educação básica do menor excepcional, nos termos do artigo 28, § 9º, alíneas "q" e "t", da Lei nº 8.121/91. 5. Nesse sentido é a deliberação contida no processo nº 97.02.446066, da relatoria do MM. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, e que fora julgada no dia 22/01/2008 pela 3ª Turma Especializada deste TRF, com a seguinte fundamentação: "o auxílio excepcional previsto em acordo coletivo firmado pela autora é pago ao empregado, na forma de reembolso mensal, enquanto perdurar o atendimento especializado e a condição de empregado. Não tendo cunho remuneratório, de contraprestação de serviço, não integra o saláriodecontribuição, sendo, porém, necessária prova da prestação do serviço especializado". 6. Recurso conhecido e parcialmente provido.” E ainda, a Solução de Consulta nº 26, de 31 de julho de 2009, da 5ª Região Fiscal, DOU de 31/08/2009, foi no sentido de que as verbas pagas a título de auxílioexcepcional não têm natureza remuneratória: “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: As verbas pagas a título de AuxílioExcepcional, desde que atendidas as condições legalmente exigidas, têm natureza indenizatória, e não remuneratória, uma vez que o seu pagamento objetiva auxiliar o empregado nas despesas Fl. 262DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 263 8 de educação e tratamento especializados despendidas. Deste modo, as referidas verbas não integram o saláriodecontribuição, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuição previdenciária.” Assim, nesse ponto merece acolhimento o recurso. V – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação de receita/lucros, verificase que realmente houve desobediência injustificada (atrasos em negociação) mas as regras para participação dos empregados nas receitas e lucros desobedeceram ao art. 2, par.1o,e b, da Lei n. 10.101/2000, não podendo serem as verbas excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, §9ª, “j”, da Lei 8.212 – Ac. 2803001.503, da 3a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF, Rel. Cons. Oseas Coimbra, sessão de 17.04.2012). E a principal falha ao caso é a falta de previsibilidade, pois os acordos não eram realizados de forma prévia, à distribuição. Tudo plenamente demonstrado pela decisão recorrida. Assim, não merece reforma a decisão nesse ponto, mantendose os valores como fatos geradores passíveis de informação em GFIP.. VI – Por se tratar de questão consolidada com a autorização da alínea a, o inciso II,parágrafo único do art. 62, do Regimento Interno do CARF, c/c o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011, podendose apreciar a matéria de ofício, quanto no que tange fornecimento de alimentação in natura (vale/ticket alimentação e cestas básicas), em desconformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador, esse auxílioalimentação mantêm a sua natureza indenizatória. Logo, não são fatos geradores de contribuições previdenciárias, logo não sofrem a incidência da norma de obrigação instrumental de informálos em GFIP (art. 32, IV, par. 2o, da Lei n. 8.212/1991). Tais verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriode contribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 264 9 Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza Fl. 264DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.000985/201097 Acórdão n.º 2803001.772 S2TE03 Fl. 265 10 remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Em razão dos argumentos acima expendidos excluo do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação (mesmo em vale/ticket alimentação, fornecimento de cestas básicas, ressarcimento de custos com restaurantes, restaurantes pagos pela empresa, pois somente pode ser utilizado para obtenção de alimentos pelo funcionário, mantendo sua característica), tendo em conta que ela não tem natureza salarial, bem como ser despiciendo o registro da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste caso, merece acolhimento o recurso. VII – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de declarar a insubsistência e decretar o cancelamento do lançamento e respectivos créditos tributários das sanções aplicadas com base no fornecimento de cestas básicas e vales/tickets alimentação (alimentação in natura) e em valores decorrentes de planos de assistência médícahospitalar e odontológica pagos a dependentes dos empregados. Sala de Sessões, 16 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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