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Numero do processo: 10183.003535/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006, 2007
IRPF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74.
O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo
art. 138 do CTN (precedentes CSRF).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.786
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74.. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes atitos Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido - Presidente. 1)1 : :\11- (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relator. EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foram lavradas as Notificações de Lançamento de fls. 07 e 09, referentes a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2006 e 2007, relativas às multas por atraso nas entregas das declarações de rendimentos, formalizando as exigências de multas nos valores de R$165,74 em cada exercício, IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (lis, 01 a 05), acatada como tempestiva, Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 18), que apresentou as declarações DIRPF 2006 e 2007, antes de qualquer procedimento fiscal, assim, caracterizando denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4 Turma da DM/Campo Grande/MS julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (lis.. 17 a 21): Multa por atraso na entrega da declaração (MAED) O Impugnante alega que apresentou as declarações DIRPF 2006 e 2007, antes de qualquer procedimento fiscal, assim, caracterizando denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código -Tributário Nacional, portanto não pode ,a Autoridade Fiscal fazer incidir a penalidade pecuniária, pois a obrigação acessória já estava adimplida. Constata-se, quais são os contribuintes obrigados a apresentar a Declaração de Ajuste ' do Imposto de Renda no: exercício 2006, conforme o artigo 1"da Instrução Normativa SRF n°616, de 31 de janeiro de 2006; exercicio 2007, e segundo o artigo I", da Instrução Normativa SRF n" 716, de 5 de fevereiro de 2007, ia verbis ( ) Em virtude da legislação tributária acima e a consulta ao banco de dados da Receita Federal do Brasil, tis I6, e não localizada a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF em nome da contribuinte no ano-calendário-2006 e 2005, depreende-se que o impugnante subsume-se a obrigatoriedade de apresentar as declarações de ajuste anual nos exercicios de 2006 e 2007, ano-calendário 2005 e 2006, no item III, do artigo 1 0, da Instrução Normativa SRF n° 616, de 31 de janeiro 2 I I I . H Processo n" 10183 00353512007-70 S2-CIII Acórdão o" 2101-00786 Fl 57 de 2006 e da Instrução Normativa SRF if 716, de 5 de fevereiro de 2007, citadas acima, poiS se encontra, ainda, em aberto a empresa em nome do impugnante, consoante documento de fis.16 Portanto, a contribuinte tinha a obrigatoriedade de apresentar as declarações de ajuste anual do exercício — .2006 e 2007, logo os lançamentos são procedentes Em relação alegação do impugnante, quanto a denúncia espontânea previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN, não cabe neste presente lançamento, pois as muitas decorreram em razão da entrega das declarações, em atraso RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE. RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 02/06/2009 (fl. 26), o contribuinte, por meio de seu representante legal, apresentou, em 25/06/2009 (fl.. 29), o recurso de fls, 29 a .37, postulando a aplicação, ao caso, do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional — CTN, argumentando que apresentou as declarações antes de qualquer procedimento de ofício, e que o Conselho de Contribuintes já decidiu que ao instituto da denúncia espontânea se aplica às obrigações acessórias. Ao final, pugnou pela exclusão das penalidades aplicadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até as fis. 55, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator, O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há argüição de qualquer preliminar. O contribuinte estava obrigado, nos exercícios de 2006 e de 2007, a apresentar Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF por ser sócio de empresa (ff 16), nos termos do art 1°, inciso llí, da Instrução Normativa SRF IV 616, de 31 de janeiro de 2006, e do art 1°, inciso fll, da Instrução Normativa SRF n°716, de 5 de fevereiro de 2007. Entretanto, apresentou a D1RPF do exercício 2006 em 13/08/2007 (fl. 10), cujo prazo de entrega fora fixado em 28/04/2006 (art. 3° da IN SRF n" 616, de 2006), e a D1RPF do exercício 2007 também em 13/08/2007 (fl. 8), cujo prazo de entrega fora fixado em 30/04/2007 (art. 3' da IN SRF n" 716, de 2007). Considerando a ausência de imposto devido, sofreu a cominação mínima no valor de R$ 165,74 em cada exercício. A exigência da multa por atraso na entrega da declaração exigida no lançamento em exame está devidamente alicerçada na legislação que rege a matéria. Confira- se: 3 Dr . CARI' N11.-- Lei n" 9.250, de 26 de dezembro de 1995. ar! 7" A pessoa . física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentai anuahnente, até o último dia útil do 7116 de aln il do ano- calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Fedeial. ( ) Lei n°8.981. de 20 dejaneiro de 1995. Art. 88 A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica.. I - à multa de 'nora de um por cento ao mês ou . fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, (Vide Lei n" 9 532, de 1997) ii - à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ujirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido § 1°O valor mínimo a ser aplicado será.. a) de duzentas Ufirs, para as pessoas fisicas, b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Ari 27 A multa a que se refere o inciso 1 do art. 88 da Lei n" 8 981, de 1995, é limitada a vinte por cento do impo.sto de renda devido, respeitado o valor minimo de que trata o § 1" do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no ar! 30 da Lei n°9 249, de 26 de dezembro de 1995. ( ) Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Art.16 Compete à Secretaria da Receita Federal dispor solne as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela aáninistrados, estabelecendo, inchisive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável Como se vê, de acordo com a legislação acima transcrita, resta claro que a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo enseja o lançamento da multa por atraso correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo previsto no §1 0, alínea "a", do artigo 88 da Lei n° 8,981, de 1995, quantia que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74, Quanto à denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, ela não se aplica às infrações formais, como a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos. 4 ;.. ()() Processo o" 10183 00353512007-70 S2-C1T1 Acórdão " 2101-00.786 Fl 58 De acordo com os artigos 113 e 115 do CTN, por se tratar de obrigação acessória, a multa por atraso tem natureza acessória, formal e autônoma, pois não tem como objeto o pagamento de tributo ou penalidade, mas prestar informações de natureza tributária para o Fisco (obrigação de fazer). Por bem se adequar ao assunto, transcrevo parte do trabalho "Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário", de lavra do Ilustre Procurador . da Fazenda Nacional Dr, Aldemário Araújo Castro, que demonstra que a denúncia espontânea não abrange a penalidade pecuniária decorrente de descumprimento de obrigação acessória: Com efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explícita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito com, pelo menos, os seguintes componentes: PRINCIPAL— tributo, MULTA — penalidade pecuniária e JUROS DEMORA. A denúncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL— tributo. Esta estrutura de débito, a única referida no citado artigo 138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária, não contemplado explicitamente no art 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL. — multa (penalidade pecuniária) e MULTA — inexistente, Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Uma última ponderação parece ratificar estas considerações. Admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa negar, em regra, a obrigatoriedade do adirnplemento da obrigação de fazer ou não-fazer, isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada, a qualquer tempo, justamente a partir da realização daquela ação originalmente com prazo certo. O raciocínio seria o seguinte: apresento a declaração quando quiser, sendo, em princípio, irrelevante o marco temporal legal, porque a apresentação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única conseqüência da intempestividade, salvo ação fiscal extremamente improvável_ O Superior Tribunal de Justiça - STJ vem também decidindo que, no caso de infração formal (inobservância de obrigação acessória), sem qualquer vínculo com o fato gerador de tributo, não se aplica o instituto da denúncia espontânea, corno demonstram os seguintes acórdãos: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 - O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo, e como obrigação acessória autônoma não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 88 da Lei n° 8.981/95. ) (RESP 246,.9,60/RS; de 09/10/2041; Rei: Min; PAULO ,GALLOTTI). 6 LAki TRIBUTÁRIO. DENUNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA MULTA PRECEDENTES. 1.A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda 2 As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art 138, do CIN. Precedentes. (,,,) (ERESP ri° 246, 295/RS, de 18/06/2001, Rel. Min, JOSÉ DELGADO). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO - DENUNCIA ESPONTÂNEA - ENTREGA SERÔDIA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 113 E 138 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - OCORRÊNCIA - ARTIGO 88 DA LEI N. 8,981/95 - APLICAÇÃO - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NOTÓRIA A entrega intempestiva da declaração de imposto de renda, depois da data limite fixada pela Receita Federal, amplamente divulgada pelos meios de comunicação, constitui-se em infração formal, que não se confunde com a infração substancial ou material de que trata o art. 138, do Código - Tributário Nacional A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um. (RESP n° 289.688/PR, de 05/06/2001, Rel, Min, Franciulli Netto) Várias decisões desta Corte Administrativa também já sedimentaram idêntica conclusão, como no Acórdão CSRF/01-03,767 (entre outros), em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais concluiu que "o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CIN", Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. José Evande Carvalho Araujo
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Numero do processo: 11020.003341/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 14/08/2003
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizá-lo na compensação de crédito tributário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA.
A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária.
PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões.
Numero da decisão: 2402-006.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11020.007525/2008-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 14/08/2003 IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizá-lo na compensação de crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11020.007525/2008-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto.
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizálo na compensação de crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 33 41 /2 00 8- 81 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11020.003341/200881 Acórdão n.º 2402006.941 S2C4T2 Fl. 3 2 julgamento do processo 11020.007525/200810, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de impugnação, onde a Turma de DRJ competente acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela empresa. A recorrente apresentou PER/DCOMP requerendo a compensação de débito de IRRF, código 0588, com valores retidos no mesmo mês, por tomadores de serviços prestados por seus associados. A contribuinte foi cientificada da homologação apenas parcial de seu pedido, vindo a apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão. A autoridade de piso, ao examinar o caso, decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização intimasse, recebesse e analisasse os comprovantes de retenção emitidos em nome da recorrente, bem como emitisse um relatório circunstanciado acerca do montante do crédito comprovado, cientificando ao final a empresa sobre as suas conclusões. Realizado tal procedimento, a recorrente manifestou concordância com a parte do crédito reconhecido pela auditoria, pedindo, entretanto, que a DRJ ordenasse uma complementação da diligencia, para que a auditoria examinasse sua contabilidade e detectasse os casos de retenções não declaradas em DIRF pelos tomadores de seus serviços. Pediu, ainda, que, caso o julgador não concordasse com tal complementação, que ao menos concedesse um novo prazo para a empresa juntar as faturas de sua emissão contendo destaques das retenções sofridas no período. Posteriormente, a Turma de DRJ exarou o acórdão recorrido, decidindo pela procedência parcial da manifestação de inconformidade da contribuinte e indeferindo o novo pedido de diligência, ao argumento de que o ônus de prova seria da contribuinte e que caberia a Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11020.003341/200881 Acórdão n.º 2402006.941 S2C4T2 Fl. 4 3 essa, portanto, ter apresentado os elementos probantes de suas alegações junto com inconformidade, em vez de tãosomente disponibilizar sua contabilidade à fiscalização. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço, pedindo a anulação do acórdão combatido, por preterição de direito de defesa, e requereu a realização de nova diligência (a fim de comprovar as retenções sofridas) ou que, ao menos, fosse autorizada a juntada de cópias de faturas com os destaques das retenções sofridas. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2402006. 938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2402005.938 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido de anulação da decisão recorrida Quanto ao pedido de anulação do acórdão recorrido, analisados os autos, verificase que a autoridade de piso concedeu amplas possibilidades de a contribuinte apresentar suas razões e juntar todos os elementos de prova que considerasse necessários. Consta, inclusive, que o primeiro grau autorizou a realização de diligência requerida pela empresa, tendo a fiscalização estendido por 80 dias o prazo para a recorrente apresentar as provas constitutivas de seu direito, além de outros 30 dias para, ao final do procedimento, manifestarse sobre as conclusões da auditoria. Foi observado, também, que o acórdão combatido detalha e análise todos os argumentos e pedidos apresentados pela recorrente, expondo de forma clara as razões que motivaram a decisão proferida. Assim, entendese que o indeferimento do segundo pedido de diligência da recorrente, apresentado logo após a conclusão do primeiro Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11020.003341/200881 Acórdão n.º 2402006.941 S2C4T2 Fl. 5 4 procedimento, em nada afetou seu direito de defesa, descabendo razão à empresa quanto a esse aspecto. Da diligência requerida Sobre o pedido de diligência apresentado no recurso voluntário, conforme exposto, os autos demonstram que foram disponibilizadas à contribuinte todas as oportunidades para a apresentação dos elementos probantes que desejasse, descabendo ao fisco auditar a contabilidade da empresa a fim de localizar informações que a própria contribuinte afirma possuir, uma vez que, na dicção do Art. 373, I do CPC, é do autor o ônus da prova dos fatos constitutivos de seu direito. Do pedido para apresentação de novos documentos A respeito do pedido para apresentação, neste momento processual, de faturas de emissão da recorrente, contendo destaques das retenções sofridas no período, deve ser observada a norma contida no art. 16, §4º, do DL 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Conforme se verifica, tais provas deveriam ter sido produzidas junto com a impugnação (manifestação de inconformidade), estando precluso o direto de a contribuinte apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a impossibilidade de fazêlo anteriormente, seja por motivo de força maior, fato ou direto superveniente ou, ainda, que a prova vise contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente aos autos, circunstâncias que não se vislumbram no presente caso, devendo, por isso, ser denegado o pedido. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11020.003341/200881 Acórdão n.º 2402006.941 S2C4T2 Fl. 6 5 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido." Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900009/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2013
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.816
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2013 a 30/04/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 00 09 /2 01 4- 34 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16682.900009/201434 Acórdão n.º 3302006.816 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12088.961. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16682.900009/201434 Acórdão n.º 3302006.816 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16682.900009/201434 Acórdão n.º 3302006.816 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16682.900009/201434 Acórdão n.º 3302006.816 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16682.900009/201434 Acórdão n.º 3302006.816 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928655/2010-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 184 1 183 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.928655/201010 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.087 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 09 de abril de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente WA INFORMÁTICA CONSULTORIA E COMERCIALIZAÇÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 15/12/2004 através das PER/DCOMP nº 28881.52806.210808.1.7.020023, nº 16293.79533.300404.1.3.021510 e nº 32349.54406.210808.1.7.023843. Tem por objeto o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 28 65 5/ 20 10 -1 0 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.928655/201010 Resolução nº 1001000.087 S1C0T1 Fl. 185 2 Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa no 1º trimestre do anocalendário de 2001, no valor de R$ 42.100,75. O pedido foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo (DeratSP), com fundamento no Despacho Decisório nº 863998267, eletrônico, de 07/06/2010 (fls. 17 a 20). O Despacho Decisório informou que, analisadas as PER/DCOMP, dos R$ 48.626,52 informados como retenção na fonte, apenas R$ 32.814,61 haviam sido confirmados pelos sistemas da Receita Federal. Que o valor original do saldo negativo informado nos PER/DCOMP, confirmado na DIPJ, era de R$ 42.100,75. Que, considerandose apenas os valores de retenções na fonte confirmados, o valor do saldo negativo disponível era de R$ 26.288,84. Que o crédito reconhecido era insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologava parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 16293.79533.300404.1.3.021510, e não homologava a compensação declarada no PER/DCOMP 32349.54406.210808.1.7.023843. As retenções de imposto não confirmadas, no valor total de R$ 15.811,91 (R$ 48.626,52 – R$ 32.814,61), são detalhadas no quadro constante às fls. 18 e 19, denominado Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 22 a 23, alegando que as retenções de R$ 48.626,52 foram detalhadamente informadas na DIPJ, e são objeto de rigoroso controle por parte da empresa, conforme demonstrativo que apresenta, às fls. 32 a 34, extraído de sua contabilidade. Ainda, argumentou que o débito de CSLL no valor de R$ 21.040,50, informado na DCOMP nº 16293.79533.300404.1.3.021510 (parcialmente homologada), referente a janeiro de 2004, não existe, uma vez que o crédito tributário não teria sido constituído. Por esta razão, requereu o seu cancelamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – RJ, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 118 a 122 do presente processo, negou provimento à manifestação da empresa, confirmando o Despacho Decisório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Não comprovado o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, indeferese o Pedido de Compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 IRRF. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS NA DIRF. REGISTROS CONTÁBEIS. Os registros contábeis da pessoa jurídica beneficiária do rendimento não constituem, por si sós, documentos hábeis para comprovar a retenção do imposto retido na fonte. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.928655/201010 Resolução nº 1001000.087 S1C0T1 Fl. 186 3 Argumentou que o legislador elegeu como documento comprobatório, por excelência, o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, conforme art. 55 da Lei nº 7.450, de 23/12/1985. Que, no caso concreto, a interessada não havia apresentado os informes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o que não a impediria de provar, por outros meios, as retenções sofridas. Que esta comprovação, todavia, haveria de ser inequívoca. Que a simples apresentação de demonstrativo, relacionando por clientes, não comprovava de forma inequívoca as retenções, por se tratar de documento produzido unilateralmente, pelo próprio interessado. Que para que tais registros pudessem ser aceitos como comprovantes hábeis, deveriam estar acompanhados dos livros contábeis, das notas fiscais de prestação de serviços e de extratos bancários onde estivessem evidenciados os valores líquidos recebidos e as respectivas fontes pagadoras. Com relação ao pedido de cancelamento da DCOMP nº 16293.79533.300404.1.3.021510, constatou que havia na DIPJ/2005 o registro de CSLL a pagar no valor de R$ 21.040,50, do qual havia dedução a título de retenção no valor de R$ 28.798,27, resultando numa base negativa de R$ 7.757,77. Como parte das retenções não haviam sido confirmadas, justificavase a cobrança de saldo a pagar detalhada no documento de análise do crédito, à fl. 28. Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 129 a 145. Nele discorda do argumento da DRJ de que a utilização de controles internos, baseados no recebimento de notas fiscais, não comprova o direito creditório, por se tratar de documento produzido unilateralmente pelo interessado. Além disso, alega que: 1 das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 15.811,91, parte (R$ 11.844,77) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DCOMP foram informados os CNPJ das filiais; 2 quanto à PER/DCOMP 16293.79533.300404.1.3.021510, já há DCOMP homologada utilizando o crédito de CSLL do 1º Trimestre de 2004, o que confirmaria a totalidade das retenções informadas. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Como dito acima, a recorrente afirma que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 15.811,91, parte, no valor de R$ 11.844,77, não se confirmou porque foi declarada à Receita Federal, através de DIRF, no CNPJ da matriz, enquanto em seus Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.928655/201010 Resolução nº 1001000.087 S1C0T1 Fl. 187 4 PER/DCOMP as retenções foram informadas nos CNPJ das filiais. Junta, no corpo do recurso, planilha com a lista das referidas retenções, totalizando R$ 11.844,77, informando, para cada retenção, o CNPJ da filial que a efetuou e o CNPJ da matriz, responsável pela DIRF. De fato, verificase que nas PER/DCOMP (fls. 3 a 16) as retenções foram informadas pelos CNPJ das filiais. E, de fato, em obediência ao artigo 15, incisos I e IV, da Lei nº 9.779/1999, abaixo reproduzidos, os pagamentos de IRRF são efetuados, obrigatoriamente, de forma centralizada pela matriz da empresa, bem como a declaração a eles referente: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; (...) IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Para confirmar a informação trazida pela recorrente, é necessário que se acesse as DIRF das fontes pagadoras, nas quais supostamente há o detalhamento das retenções na fonte de cada uma de suas filiais. Tratase de confirmação indispensável ao julgamento do processo. Tais informações, disponíveis nos sistemas da Receita Federal, independem de intimação à recorrente ou da apresentação de qualquer documento de sua parte. Caso se comprovem verdadeiras, influenciarão de forma decisiva o reconhecimento do direito de crédito, no valor retido informado nas DIRF. Caso houvessem sido detectadas pelos sistemas, ou verificadas manualmente na unidade de origem, os valores de crédito correspondentes teriam sido automaticamente homologados. Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela Recorrente na planilha constante do Recurso Voluntário (planilha à fl. 132), as retenções na fonte efetuadas pelas filiais ali elencadas. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919382/2009-89
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2004
DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE PIS/COFINS.
O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação.
DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO.
Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido.
Numero da decisão: 3003-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2004 DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE PIS/COFINS. O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 93 82 /2 00 9- 89 Fl. 436DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de Manifestação de Inconformidade prolatado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo DRJ/SP1. A controvérsia gravita sobre a discussão da existência de crédito da contribuição COFINS a ser compensado por erro de preenchimento na DCTF no período de julho/2004. A Recorrente transmitiu DCOMP, porém sem a retificação da DCTF. O Despacho Homologatório negou a compensação, oportunidade em que a Recorrente deu início ao contencioso administrativo por meio do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade. Juntou como documentação: DARF, DCTF, DIPJ, , notas fiscais de entrada do período apurado e Livro Diário. Por bem retratar os fatos, adoto o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: 1. O interessado transmitiu em 26/07/2006 o PER/DCOMP 24516.13466.260706.1.7.045077,visando compensar o valor declarado ali e, informado o Tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; o período de apuração: 30/06/2004; data de arrecadação: 15/07/2004, código de receita: 5856, com débitos do Grupo de Tributo: IRPJ código de receita: 236201; período de apuração Jan/2005; data do vencimento: 28/02/2005 e, com débitos do Grupo de Tributo: CSLL código de receita: 248401; período de apuração Jan/2005; data do vencimento: 28/02/2006. 1.1. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu Despacho Decisório, Número de Rastreamento:825120227, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. 1.2. O Despacho Decisório atesta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados pagamentos relacionados 4548287548 mas, integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 2. No prazo regulamentar, o sujeito passivo apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 12/25, apresenta breve relato acerca da não homologação pleiteada, fazendo anexar os documentos de fls. 26/202, alegando, preliminarmente, em decorrência da identidade da matéria envolvida nos feitos, Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10880.919382/200989 Acórdão n.º 3003000.230 S3C0T3 Fl. 3 3 requer o julgamento conjunto dos Processos Administrativos, com as manifestações de inconformidade oferecidas nos Processos nº 10880.919.382/200989, 10880.920.663/200984 e 10880.925.664/200929. 3. Sob o título da Decisão Recorrida, alega em síntese que: 3.1. Apresenta MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em tempo hábil, contra o Despacho Decisório em face da não homologação da compensação efetuada. 3.2. O Despacho Decisório deve ser reformado, o seu fundamento: inexistência de crédito não encontra suporte na realidade fática e que o crédito da Recorrente atingia no momento da transmissão do PER/DCOMP o valor original de R$ 34.105,82, que se refere, exclusivamente, ao montante recolhido a maior/indevidamente a titulo da COFINS, atinente ao período de apuração de 30.06.2004, com vencimento em 15.07.2004 (doc. 9 e 10). 3.3. Não pode prevalecer a suposta inexistência de crédito passível de compensação, apontada na apreciação do PER/DCOMP, sendo suficiente o valor do crédito de COFINS para liquidar, nos termos do inciso II, do a rtigo 156, do Código Tributário Nacional, o débito compensado via PER/DCOMP, no montante de R$ 6.207,69. 3.4. A Recorrente informou em sua DCTF original do 2° Trimestre de 2004, como devido a titulo da COFINS Não Cumulativa, Código de Receita 58561, do período de apuração 30.06.2004 (junho/2004), o montante de R$ 34.105,82, em detrimento da declaração correta no sentido de que inexistia valor devido no aludido período base, uma vez que era zero a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS incidente na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de Produtos Hortícolas Conservados Transitoriamente, mas impróprios para alimentação neste estado, no caso em análise, azeitonas classificadas nos códigos 0711.20 (Azeitonas), 0711.20.10 (Com Agua salgada), 0711.20.20 (Com Água sulfurada ou adicionada de outras substâncias) e 0711.20.90 (Outras) da TIPI. 3.5. O referido equivoco é facilmente visualizado pela análise da DIPJ 2005, ano calendário de 2004 (doc. 12), dos Termos de Abertura e Encerramento e folha 00028 e 00039 do Livro Diário Geral (docs. 13 a 15) e dos Termos de Abertura e Encerramento e folha 00147 do Livro Razão Analítico (docs. 16 a 18), nos quais são reconhecidas a ausência de valor devido a titulo de COFINS – Código de Receita 5856, no período de apuração maio/2004, e a natureza de indébito tributário do recolhimento no valor de R$ 34.105,82 (doc. 9 e 10). 3.6. Acrescenta a Impugnante que a regularidade e a correção da apuração do crédito envolvido na compensação é comprovada pela DIPJ 2005 Ano Calendário 2004 (doc. 12 FICHA 25 página 56 linhas 03, 12, 26, 27, 29, 30, 31, 34 e 44), pela DIPJ 2006 – Ano Calendário 2005 (doc. 19), pelo e Livro Fl. 438DF CARF MF 4 Diário Geral (docs. 13a 15), pelo Livro Razão Analítico (docs. 16 a 18), e pelas Notas Fiscais de Entrada e Declarações de Importação do período em questão (doc. 20 a 49). 3.7. Diante da ausência de contribuição devida no período, o valor indevidamente declarado e recolhido pela Recorrente (R$ 34.105,82) tornouse passível de compensação, gerando o crédito original informado no PER/DCOMP n° 24516.13466.260706.1.7.045077 (R$ 34.105,82) (doc. 8). 3.8. Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade atestam que a compensação objeto do PER/DCOMP n° 24516.13466.260706.1.7.045077 (R$ 34.105,82) (doc. 8) deve ser homologada, e o débito tributário tido por indevidamente compensado deve ser extinto. 3.9. O Despacho Decisório atesta a inexistência do crédito objeto do PER/DCOMP e afirma que este foi integralmente utilizado no pagamento do débito da contribuição, no valor de R$ 34.105,82, o qual corresponde àquele que foi indevidamente informado devido na DCTF original do 2º Trimestre de 2004. 3.10. A não homologação da compensação deveuse, exclusivamente, ao fato do contribuinte ter informado em sua DCTF valor indevido e não promovido a imediata retificação do aludido documento, o que impossibilitou à Receita Federal identificar o Crédito no valor original de R$ 34.105,82, que tem sua origem no recolhimento do montante de R$ 34.105,82. 3.11. A existência do crédito compensado deverá, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente, ser reavaliada, em especial mediante a análise de documentos ou de eventuais diligencias administrativas, quando do julgamento da manifestação de inconformidade. 3.12. .A Impugnante baseandose no Principio da Verdade Material; no Direito Tributário; a vista da documentação que junta à Impugnação; ao caráter vinculante da atividade administrativa; em lições do Professor Celso Antônio Bandeira de Melo; sobre moralidade publica e, em artigos como “in Processo Administrativo Fiscal — Manual", Ed. Resenha Tributária, jan/93, pág. 06) e; em considerações do Professor Hugo de Brito Machado, acerca dos efeitos da declaração do contribuinte e da necessidade de se buscar a verdade material, requer seja reavaliada, em especial mediante a análise de documentos ou de eventuais diligências administrativas, a existência do crédito compensado, sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente. 3.13. O equivoco da Recorrente, materializado no preenchimento de sua DCTF do 2° Trimestre de 2004, não pode impedir a reforma do Despacho Decisório DERAT SÃO PAULO, prejudicar sua defesa ou mesmo provocar o não reconhecimento de crédito por decorrência de compensação que, de fato e de direito, foi regularmente promovida. 3.14. A afirmação da Autoridade Administrativa de que o pagamento no valor de R$ 34.105,82 "foi integralmente utilizado Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10880.919382/200989 Acórdão n.º 3003000.230 S3C0T3 Fl. 4 5 para quitação" de débito da Recorrente no mesmo montante de R$ 34.105,82 não pode ser considerada definitiva e correta. Os documentos anexados aos autos devem ser levados em consideração, para que fiquem comprovados: (i) a ausência de valor devido a titulo da COFINS no período de apuração de 30.06.2004; (ii) a existência do exato valor do crédito apurado pela Recorrente; (iii) a regularidade formal da compensação; (iv) a necessidade de reforma do Despacho Decisório n° 825120227, a homologação do PER/DCOMP n° 24516.13466.260706.1.7.045077; e (v) a inexistência de débito indevidamente compensado. Do Pedido 4. Requer: (i) o julgamento conjunto com as manifestações de inconformidade protocolizadas nos autos dos Processos Administrativos nº Administrativos n's 10880.925.663/200984, 10880.925.664/200929 e 10880.919382/2009 89; (ii) o provimento da Manifestação de Inconformidade, para que seja revisto e reformado, com base na verdade material dos fatos, o Despacho Decisório recorrido, reconhecendose a integralidade do crédito indicado, homologandose a compensação objeto do PER/DCOMP n° 24516.13466.260706.1.7.045077, afastandose a exigência de qualquer valor supostamente devido (original de R$ 6.207,69). A DRJ/SP1 não homologou o crédito argumentando, em suma, que a não retificação da DCTF é confissão apta a constituir crédito tributário e o DARF acostado aos autos foi usado para o pagamento do débito constituído justamente por este equívoco. Não satisfeita a Recorrente socorrese a este Conselho, e reitera suas razões com a firme alegação de que é detentora do crédito. Para tanto, traz documentos novos aos autos laudo de perícia contábil, e pugna para que seja reconhecido seu direito creditório e a homologação do pedido de compensação no valor de R$ 34.105,82, com apelo pela Verdade Material e apropriada análise do conjunto probatório acostado nos autos. Em síntese, são os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O Presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE Fl. 440DF CARF MF 6 A Recorrente alega que o acórdão recorrido está maculado e pugna por sua anulação. Em suma alega que a ausência de pronunciamento da instância de piso sobre a todos os documentos acostados aos autos seria capaz de nulificar todo o procedimento administrativo. Entendo que a decretação de nulidade é medida extrema que somente deve ser considerada em efetivo e prejuízo ao contribuinte ou à legislação fiscal. No caso em tela não vislumbro prejuízo que justifique a decretação de nulidade do acórdão recorrido, vez que respeita a forma legal e expressa o convencimento jurídico dos julgadores. Portanto, divergências de entendimento não são causas de nulidade, razão pela qual rejeito a preliminar arguida. SOBRE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. A compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose tal procedimento a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. A Recorrente transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. A Recorrente sustenta que houve erro no preenchimento da DCTF, o que a levou ao pagamento do DARF do valor correspondente. Após prolação do Despacho Decisório, a Autoridade Fiscal sustentou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e documento hábil a constituir crédito tributário, razão pela qual o DARF foi usado para a quitação do valor declarado. Como prova do seu crédito a Recorrente apresentou o DARF, DCTF, DIPJ, notas fiscais de entrada e Livro Diário. Apesar do conjunto probatório, a Unidade de Origem não homologou o crédito pleiteado sob o argumento de que a quantia que fora recolhida a maior já havia sido usada para a quitação de outros débitos. Por meio da análise do da documentação apresentada pela Recorrente, não é possível concluir pela existência de crédito a compensar, tampouco que o erro de preenchimento da DCTF tenha permitido a compensação equivocada de débito declarados a maior. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10880.919382/200989 Acórdão n.º 3003000.230 S3C0T3 Fl. 5 7 Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Pela avaliação probatória que faço dos autos somente a DCTF e as notas fiscais de entrada não aclaram a existência de crédito a ser compensado. A Recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, apontando na escrituração contábilfiscal as evidências da existência do crédito para formar o convencimento da Autoridade Julgadora. Em fase recursal a Recorrente trouxe aos autos documentos novos, que poderiam ser apresentados na Manifestação de Inconformidade. Deste modo, há de se observar o que leciona o art. 16, §4º do Decreto 70.235/1972 e declarar a preclusão para produção de provas neste momento processual, razão pela qual delas não conheço. Concluo nesta análise que não há nos autos provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que possam ser objeto de Declaração de Compensação. DA VERDADE MATERIAL A Recorrente suplica pela aplicação do princípio da Verdade Material, pois seus argumentos conduzem ao entendimento que a decisão recorrida não aplicou o melhor Direito. Não assiste razão a Recorrente, contudo há de se destacar que o princípio da Verdade Fl. 442DF CARF MF 8 Material não é um caminho autorizador para dar provimento aos recursos sem o mínimo de verossimilhança. Enxergo que os autos, instruídos da forma que estão, não inferem dúvida razoável, e a Verdade Material não nos autoriza a prolatar decisões sem as devidas provas que formam o mínimo de convencimento do julgador. Sendo pelo argumentado, pelo princípio da Verdade Material e pela ausência de indícios que comprovem a existência do crédito, deve prevalecer o que consta nos autos pelo império da segurança jurídica. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13631.000703/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NOS AUTOS DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE DO VALOR PAGO AO ADVOGADO DA CAUSA. PRECEDENTES DO CARF.
Sendo certo que o valor considerado omitido pela fiscalização se refere ao êxito obtido em ação trabalhista ajuizada pelo contribuinte, faz-se mister a consideração, pela fiscalização, da dedutibilidade dos valores pagos ao patrono da causa, nos termos da jurisprudência assente neste CARF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.888
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NOS AUTOS DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE DO VALOR PAGO AO ADVOGADO DA CAUSA. PRECEDENTES DO CARF. Sendo certo que o valor considerado omitido pela fiscalização se refere ao êxito obtido em ação trabalhista ajuizada pelo contribuinte, fazse mister a consideração, pela fiscalização, da dedutibilidade dos valores pagos ao patrono da causa, nos termos da jurisprudência assente neste CARF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13631.000703/200738 Acórdão n.º 210101.888 S2C1T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 66) interposto em 12 de janeiro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 59/60), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de dezembro de 2009 (fl. 65), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/07, lavrado em 25 de setembro de 2007, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 ÔNUS DA PROVA. DEDUÇÕES. A legislação tributária estabeleceu expressamente que cabe ao contribuinte comprovar as deduções pleiteadas, deslocando para ele o ônus probatório. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. AÇÃO TRABALHISTA. DEDUÇÕES. Podem ser deduzidos do rendimento bruto tributável, recebidos em decorrência da ação trabalhista, os honorários advocatícios, desde que o contribuinte possua a comprovação do pagamento de tais honorários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 59). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fl. 66, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que o Recorrente apresentou impugnação parcial ao auto de infração, reconhecendo a omissão de rendimentos e Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13631.000703/200738 Acórdão n.º 210101.888 S2C1T1 Fl. 3 3 contestando, apenas, a dedutibilidade dos honorários advocatícios pagos em razão do êxito na ação trabalhista. Por esse motivo, foi realizado o cálculo do valor não impugnado (fl. 36), o qual, conforme noticiado à fl. 56 dos presentes autos, foi transferido para cobrança no Processo n.º 13631.000619/200803 e posteriormente parcelado pelo Recorrente. Dessa forma, restou no presente processo administrativo exclusivamente a discussão acerca da possibilidade de dedução dos honorários advocatícios pagos em razão da ação trabalhista. A esse respeito, sustenta o Recorrente que a fiscalização, ao glosar o valor omitido, não considerou, no cálculo do tributo, as quantias pagas a título de honorários advocatícios judiciais, nos termos da legislação. Realmente, tendo havido uma ação trabalhista, com êxito para o Requerente/Recorrente, é de se esperar que o advogado que atuou no processo tenha recebido honorários profissionais, os quais, nos termos do artigo 12 da Lei n.º 7.713/88, são dedutíveis do montante tributável, in verbis: “Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.” Nesse sentido, aliás, diversos julgados deste Tribunal Administrativo, conforme se extrai das seguintes ementas: “RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DEDUÇÃO Admitese como dedução dos rendimentos recebidos acumuladamente, os valores das despesas com ação judicial, inclusive com advogados, comprovadamente feitas pelo contribuinte. Recurso parcialmente provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª. Câmara, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, Acórdão n. 10422.935, de 22/01/2008) “HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DEDUÇÃO Comprovado o pagamento de honorários advocatícios e a efetiva contratação do profissional, deve ser admitida a dedução na determinação da base de cálculo do imposto. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª. Câmara, Relator Conselheiro Remis Almeida Estol, Acórdão n. 10422.477, de 24/07/2007) Pois bem, o Recorrente trouxe aos autos, por ocasião do recurso voluntário, o recibo de prestação de serviços advocatícios emitido pelo escritório de advocacia Sarmento, Camargo & Sarmento, no valor de R$ 8.771,46, referente ao levantamento do precatório n.º 42.022. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13631.000703/200738 Acórdão n.º 210101.888 S2C1T1 Fl. 4 4 O referido recibo, aliado ao extrato da conta bancária do Recorrente no qual consta o débito do referido valor (fl. 15), é suficiente para comprovar o efetivo pagamento dos honorários advocatícios e, portanto, sua dedutibilidade. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727686/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.613
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 76 86 /2 01 6- 16 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10166.727686/201616 Acórdão n.º 3302006.613 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.658. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727686/201616 Acórdão n.º 3302006.613 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727686/201616 Acórdão n.º 3302006.613 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727686/201616 Acórdão n.º 3302006.613 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727686/201616 Acórdão n.º 3302006.613 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004789/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE
APURAÇÃO.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado por meio de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, corno os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o emus de demonstrar que o referido acréscimo
patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
Hipótese em que a presunção não foi desconstituída pelo Recorrente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.011
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relato.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado por meio de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, corno os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o emus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Hipótese em que a presunção não foi desconstituída pelo Recorrente. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-04-11T14:40:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-04-11T14:40:04Z; Last-Modified: 2012-04-11T14:40:04Z; dcterms:modified: 2012-04-11T14:40:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c9a8a9e7-46b9-4c0e-ac1b-4ccbb9802c72; Last-Save-Date: 2012-04-11T14:40:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-04-11T14:40:04Z; meta:save-date: 2012-04-11T14:40:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-04-11T14:40:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-04-11T14:40:04Z; created: 2012-04-11T14:40:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2012-04-11T14:40:04Z; pdf:charsPerPage: 1244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-04-11T14:40:04Z | Conteúdo => ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento a curso, nos tern -ios do voto do Relato CAI S MARCOS CÂNDI-DO n, aL ALEXANDRE NAOKI NIS. Q A S2-C Ill Fl. 256 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.004789/2003-07 Recurso n" 502.229 Voluntário Acórdão n° 2101-01.011 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2011 Matéria IRPF - APD Recorrente CARLOS GERALDO COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado por meio de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, corno os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o emus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Hipótese em que a presunção não foi desconstituida pelo Recorrente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Relator Processo n° 10580.00478912003-07 AcórdAo n.° 2101-01.011 S2-C1T1 Fl. 257 EDITADO EM: 16.02.2012 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 235/241) interposto em 05 de agosto de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls. 225/227), do qual o Recorrente teve ciência em 07 de julho de 2009 (fl. 231), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 07/08, lavrado em 05 de junho de 2003, em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, verificado no ano-calendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 VARIAÇÃO PATRIMONIAL. DEVOLUÇÃO DE RECURSOS. Caracterizado o fato gerador com a variação patrimonial a descoberto, não a descaracteriza a posterior admissão de divida, a titulo de devolução ao verdadeiro titular dos recursos que ocasionaram a variação patrimonial, sob a alegação de que seriam recursos angariados de terceiros, especialmente quando não demonstrado este fato e quando não quitada a divida. Lançamento Procedente" (fl. 225). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 235/241), pedindo a reforma do acórdão recorrido. E o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presunção legal de omissão de receita que fundamentou a autuação, como cediço, não decorre de arbítrio da autoridade fazenddria, mas da própria lei. Trata-se, portanto, de presunção legal instituída pelo legislador ordinário, na Lei Federal n.° 7.713/88. Confira-se: 2 Processo n° 10580.004789/2003-07 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-01.011 Fl. 258 "Art. 3°. 0 imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados." Em consonância com o preceito legal citado, o Regulamento do Imposto sobre a Renda, editado pelo Decreto n.° 3.000/99, assim dispõe: "Art. 55. São também tributáveis (...): XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa fisica apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis não tributáveis tributados exclusivamente na fonte ou ob eto de tributação definitiva; (...)." Nesse sentido, note-se que a fiscalização, por meio da aplicação do método do fluxo de caixa, verificou, como se ye do demonstrativo de fl. 11, um excesso de dispêndios para os meses de julho, agosto e setembro de 1998, em confronto com as origens de recursos do contribuinte. Tal constatação, pois, à luz dos dispositivos legais colacionados, permite que a autoridade fazenddria presuma ter havido omissão de receitas, invertendo, assim, para o contribuinte o ônus de desconstituir tal ilação. Ressalte-se, ainda, que a apuração no presente caso levou em conta os saldos referentes à diferença encontrada entre os recursos e dispêndios do contribuinte levantados ern cada mês do ano-calendário de 1998. Escorreito, portanto, o procedimento da autoridade fazendiria, não merecendo, pois, quaisquer reparos, conforme iterativa jurisprudência deste tribunal: "ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Sujeita-se A. tributação, por caracterizar omissão de rendimentos, o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em Análise da Evolução Patrimonial Mensal, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Camara, Recurso Voluntário n.° 139.458, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 25/01/2007). "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - APURAÇÃO MENSAL - Tendo o imposto de renda tributação à medida em que os rendimentos vão sendo percebidos deve o fisco, em seu trabalho de análise da atividade do contribuinte, voltar-se para o exato momento da ocorrência dos fatos a fim de imputar obediência ao principio constitucional tributário da isonomia. Destarte, necessária a análise mensal da evolução patrimonial, sem a qual restaria, também, maculada a determinação legal da formação do fato gerador." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Camara, Recurso Voluntário n.° 127.683, relator designado Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 22/02/2002). 3 Processo n° 10580.004789/2003-07 82-C1T1 Acórdao n.° 2101-01.011 Fl. 259 Assim, tendo o Recorrente se limitado a repetir os fundamentos levantados ern sua impugnação, não tendo sequer questionado a origem dos recursos ou dispêndios efetuados, não há o que se modificar na decisão recorrida. De fato, alega-se que as quantias pagas (R$ 290.000,00 e R$ 82.000,00) que teriam causado o acréscimo patrimonial a descoberto decorreriam da recuperação de valores anteriormente desviados da Caraiba Metais e que por esse motivo não foram incluidos na declaração de ajuste anual do Recorrente. Trata-se, na realidade, de alegação não amparada ern qualquer tipo de prova, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Repise-se que a Lei n.° 7.713/88 estatui, com clareza, que a diferença a maior apurada entre os dispêndios do contribuinte a as origens de recursos cria uma presunção de omissão de receita, cabendo ao próprio contribuinte o dever de comprovar que o referido acréscimo patrimonial encontra-se justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Sendo assim, restando demonstrado que o Recorrente não afastou a presunção legal de omissão de receita e tampouco trouxe quaisquer provas adicionais que pudessem contrariá-la, de rigor a manutenção do auto de infração tal como lavrado. Eis os motivos pelos quais voto no entido de NEGAR provimento ao recurso. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator 4
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Numero do processo: 11831.002707/2001-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018.
Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
Numero da decisão: 2401-006.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess, que votou por anular o Despacho Decisório.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Matheus Soares Leite - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ISRAEL ISSER LEVIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator), Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess, que votou por anular o Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Matheus Soares Leite Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 27 07 /2 00 1- 83 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 398 2 de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório A bem da celeridade, aproveito o relatório do Acórdão n° 1121.532, de 18/08/2008, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I: O contribuinte acima identificado apresentou, em 20/10/2004, manifestação de inconformidade de fls. 230/246, discordando do Despacho Decisório exarado pela DERAT/São Paulo (fls. 224/227), do qual tomou ciência em 04/10/2004, que indeferiu o pedido de restituição do valor relativo ao imposto de renda na fonte referente a ganho de capital na alienação de participação societária, no valor total de R$ 1.409.923,73, pedido esse lastreado na alegação de que o interessado tinha o direito adquirido de não recolher o imposto na alienação de sua participação na empresa conferido pelo Decretolei nº 1.510/76. A decisão recorrida indeferiu o pedido de restituição considerando que a alienação da participação societária ocorreu sob a vigência da Lei nº 7.713/88, não tendo o contribuinte direito adquirido com base no Decretolei nº 1.510/76, mas sim mera expectativa de direito. Diante do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (290/306) e documentos (fls. 307/311), em síntese, alegando: a) Desde 1969, era detentor de ações do capital da Zorba Têxtil S/A (anteriormente denominada Indústrias Modasport S/A), inscrita no CNPJ nº 60.393.824/000109. Pelo contrato de compra e venda, de 12/06/2000, alienou a participação na Zorba, cujo preço total da aquisição foi fixado pelo montante equivalente a US$ 28.000.000,00. Para a venda da empresa, a compradora (SARA LEE) impôs a condição de que fosse constituída uma subsidiária com ativos e passivos da ZORBA, que a ZORBA alterasse sua denominação, que a participação na subsidiária fosse transferida para os sócios da ZORBA e que os sócios da ZORBA vendessem suas participações para a SARA LEE. Por conta da operação de ganho de capital, o Recorrente recolheu Imposto de Renda nos anos de 2000 e 2001. b) O recorrente tinha direito adquirido à nãoincidência do IRPF, prevista no Decretolei nº 1.510/75, art. 4º, “d”, considerando que a participação societária na ZORBA, eis que cumpriu o prazo de 5 anos antes da vigência da Lei nº 7.713/88. A Constituição e a Lei de Introdução ao Código Civil consagram o direito adquirido, bem como a doutrina. Não tinha mera “expectativa de direito”, como afirmado pelo Julgador. Isso porque, já preenchera os requisitos legais. O Julgador confundiu o tempo de Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 399 3 aquisição do direito do Recorrente com o de seu exercício, bem como “direito adquirido” e “direito consumado”. Logo, devese aplicar o art. 144, do CTN, harmoniosamente com o art. 5º, inciso XXXVI, da CF/88, e art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. A regra da nãoincidência do IR deve ser interpretada mediante interpretação sistemática do direito, por meio da integração dos métodos literal, histórico, lógico, teleológico e sistemático e por obediência ao Princípio da Legalidade (art. 150, I, CF). Houve perfeita subsunção do fato ao conceito da norma de nãoincidência do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na venda de participação societária. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais corroborando seu entendimento. Do Acórdão recorrido (fls. 313/320), em síntese, extraise: a) À época da ocorrência do fato gerador do imposto, o art. 4º, alínea “d” do Decretolei nº 1.510, de 1976, já havia sido expressamente revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, cuja vigência ocorreu a partir de 01/01/1989. Assim, não merece guarida a tese do direito adquirido à isenção nos termos da alínea “d”, do art. 4º, do DecretoLei nº 1510/1976, mesmo tendo a alienação ocorrido já sob a vigência da Lei nº 7.713/1988. Como previsto no art. 175 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN, a isenção é uma das causas de exclusão do crédito tributário, sua interpretação deve ser literal, conforme prevista no art. 111, também do CTN. Portanto, mesmo que o contribuinte possuísse as ações por mais de 5 anos no início da vigência da Lei n.º 7.713/1988, se ele não efetuou a alienação até esse momento, não ocorreu o fato gerador do IRPF sobre o ganho de capital, por lhe faltar um requisito essencial previsto pela Lei: a própria alienação. b) A isenção prevalece se prevista na lei vigente na época do acontecimento do fato tido como isento. Daí dizer que a lei isentiva, por princípio, não gera qualquer direito adquirido em prol do contribuinte. A isenção é usufruída enquanto vigente a lei concessiva. Revogada a lei isentiva, o tributo volta a ser exigível em relação aos fatos ocorridos posteriormente à revogação. O princípio geral é, pois, o da revogabilidade, que prevalece no direito brasileiro quanto à isenção. c) Os acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais invocados necessário destacar que só se aproveitam em relação aos autos nos quais foram proferidos. Intimado em 14/09/2009 (fls. 322), o contribuinte apresentou em 09/10/2009 (fls. 323) recurso voluntário (fls. 323/347) e documentos (fls. 348/395), em síntese, alegando: a) Tempestividade. Com fundamento no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, apresenta o recurso voluntário. b) Histórico. Reitera os fatos relativos à aquisição e alienação das participações societárias, destacando que a DRF e a DRJ não apresentaram qualquer questionamento quanto à situação fática exposta pelo contribuinte. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 400 4 c) Direito à restituição. Por força do o art. 4º, alínea “d” do Decretolei nº 1.510, de 1976, o contribuinte faz jus à não incidência do imposto de renda. Por lapso, o legislador não ressalvou o direito adquirido para os que cumpriam as condições desse artigo ao tempo da entrada em vigor da Lei n° 7.713, de 1988. Isso porque, no caso em tela, a Constituição e a Lei de Introdução ao Código Civil consagram o direito adquirido, bem como a doutrina e a jurisprudência, inexistindo mera expectativa de direito e nem se podendo confundir aquisição com exercício do direito ou direito adquirido com direito consumado. Além disso, o art. 144 do CTN deve ser aplicado harmoniosamente com os arts. art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição, e 6º da Lei de Introdução ao Código Civil e a nãoincidência interpretada sistematicamente, conforme jurisprudência e em obediência ao princípio da legalidade. O acórdão recorrido trata indevidamente como isenção a não incidência. Logo, a Lei n° 7.713, de 1988, não cuidou de revogar uma isenção, mas de criar nova incidência (tributação originária), sendo absurda a aplicação do art. 178 do CTN. Os efeitos passados do Decretolei n° 1.510, de 1976, devem permanecer, tendo sido sua condição cumprida ao tempo de sua vigência, sendo inadmissível o raciocínio do acórdão recorrido. Destarte, por qualquer ângulo, deve ser reconhecido o direito adquirido. d) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do CARF amparam o entendimento do recorrente. e) Pedido. Requer o conhecimento e provimento ao recurso voluntário, garantindose a integral restituição dos valores postulados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 14/09/2009 (fls. 322) o recurso interposto em 09/10/2009 (fls. 323) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito. Não prospera a premissa do recorrente de que a restituição postulada se refere à alienação de participação societária na Zorba Têxtil S/A. A leitura do contrato de compra e venda (fls. 82/156) e de seu aditivo (fls 157/170) revela a alienação de quotas da empresa Apparelco Brasil Ltda, sociedade por quotas de responsabilidade limitada criada em 12 de junho de 2000 (fls 177/191). A própria Declaração de Ajuste Anual DAA do anocalendário de 2000 (fls. 62/81) atesta esse fato, tendo o recorrente especificado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital que o ganho de capital apurado se refere à venda das quotas da Apparelco Brasil Ltda, CNPJ n° 03.626.948/000157 (fls. 76 e 78), bem como feito constar em sua Declaração de Bens (fls. 68/70) que mantinha participação societária na Zorba Têxtil S/A, transformada em KL Administração e Participações Ltda e com redução do capital social. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 401 5 A Apparelco Brasil Ltda foi constituída em 12 de junho de 2000 (fls 177/191) com capital Social de R$ 100,00 tendo por sócios Zorba Têxtil S/A (96 quotas), Israel Isser Levin (1 quota), Henrique Kraccochansky (1 quota), David Kaleka (1 quota) e Gabriel Koch (1 quota). Zorba Têxtil S/A integralizou aumento de capital da Apparelco Brasil Ltda mediante conferência de estabelecimentos, marcas e demais direitos de propriedade intelectual de titularidade da Zorba, a resultar num aumento do capital social da Apparelco de R$ 100,00, não integralizado, para R$ 8.900.004,00, tendo Zorba 8.900.000 quotas e os quatro outros sócios uma quota cada (fls. 193/206). A seguir, Zorba Têxtil S/A foi transformada na KL Administração e Participações Ltda (fls. 207/235) e a KL em sua primeira alteração contratual teve seu capital social reduzido em R$ 8.900.000,00 pelo cancelamento de 8.900.000 quotas, tendo os quotistas da KL recebido em pagamento pelo cancelamento de suas quotas (liquidação do investimento) quotas da Apparelco Brasil Ltda (investimento diverso; aquisição de nova quota) totalmente subscritas e integralizadas com valor nominal de R$ 1,00, a totalizar R$ 8.900.000,00 (fls. 236/268). Por força da 3ª Alteração da Apparelco Brasil Ltda, o recorrente se retirou dessa sociedade transferindo suas quotas para Sara Lee Brasil Ltda (fls. 269/282). Diante dessas operações, as quotas que gozavam de isenção por força do direito adquirido advindo do DecretoLei n° 1.510, de 1976, nos estritos limites do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018 (a excluir ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, inclusive oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros), restaram canceladas ou permanecem em poder do contribuinte (quotas da KL Administração e Participações Ltda), tendo o recorrente alienado para a adquirente Sara Lee Brasil Ltda participações societárias diversas das mantidas junto à Zorba/KL e não abrigadas por direito adquirido (quotas da Apparelco Brasil Ltda). Para a legislação tributária, é irrelevante que a empresa compradora tenha exigido as operações em tela por não querer comprar a Zorba/KL, mas estabelecimentos, marcas e demais direitos de propriedade intelectual a serem abrigados em empresa diversa e a ser criada (Apparelco Brasil Ltda). Pelo exposto, impõese a manutenção do indeferimento do pedido de restituição fundado na alegação de isenção do art. 4°, d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, eis que inexiste, no caso concreto (alienação de quotas da empresa Apparelco Brasil Ltda), tal direito, devendo ser observado o pedido de restituição e sua causa de pedir. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. De ofício, o conselheiro Cleberson Alex Friess suscita que meu voto cristalizaria cerceamento ao direito de defesa havido no despacho decisório. Isso porque, o despacho decisório (fls. 281/286), considerando como alienadas em 01/08/2000 ações da Zorba Têxtil S/A adquiridas em 12/08/1969, limitouse a sustentar em face da data de alienação a incidência do regramento da Lei n° 7.713, de 1988, a não haver direito adquirido em relação ao art. 4°, d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, mas expectativa de direito, tendo o processo administrativo fiscal se desenvolvido a partir de motivação falha por inadequada aos fatos e a ela se limitado por ser suficiente, na visão da Receita Federal ao tempo do despacho decisório, para se indeferir o pedido. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 402 6 Discordo, pois os fatos foram apresentados e documentados pelo contribuinte em seu pedido de restituição (alterações estatutárias/sociais havidas na Zorba/KL, criação da Apparelco, contrato de compra e venda, DAA e Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital) e reiterados na manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório, a fundamentar a alegada caracterização do direito adquirido, bem como invocados nas razões recursais, estando abrangidos pelo ponto central da lide, ou seja, pela definição de haver ou não direito adquirido e o recurso voluntário possibilita o exame de todos os fatos, cabendo ao julgador a eles aplicar o direito a partir da livre apreciação motivada da prova, ainda que o Despacho Decisório e a decisão recorrida os tenham percebido de forma diversa e de modo a não esgotar todos os fundamentos do contribuinte. Logo, a evolução do capital social e a operacionalização da venda, a envolver o contribuinte, Zorba Têxtil S/A, KL Administração e Participações Ltda e Apparelco Brasil Ltda, podem e devem ser apreciadas pelo presente colegiado, sem se incorrer em cerceamento ao direito de defesa. Como bem destacado pela Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking, não se está a tratar de matéria nova ou de capítulo não impugnado, mas de analisar haver ou não o direito adquirido sustentado pelo contribuinte a luz dos fatos por ele apresentados, não havendo surpresa por parte do contribuinte em razão de o fato constitutivo do direito do contribuinte fazer parte da causa de pedir. Da tribuna, inclusive, o patrono do contribuinte reiterou que a forma de operacionalização da venda exigida pela compradora não descaracterizou o direito adquirido e acrescentou ter havido subrogação real como ocorreria na cisão, fusão ou incorporação, nos moldes do Parecer Normativo CST n° 39, de 1981. A descrição dos fatos empreendida pelo próprio contribuinte e a prova dos autos por ele apresentada não corroboram a alegação, eis que não houve mera substituição de participações societárias, na proporção das anteriormente possuídas, ocorrida em virtude de cisão, fusão ou incorporação, pela transferência de parcelas de um patrimônio para o de outro. No caso concreto, não houve persistência do vínculo societário com mero traspasse de patrimônio entre pessoas jurídicas, mas houve, reiterese, liquidação de investimento da pessoa física na Zorba e novo investimento por parte da pessoa física na Apparelco. Diante desse contexto, não vislumbro cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, eis que o contribuinte desde o pedido de restituição apresentou corretamente os fatos, lastreandoos nos documentos constantes dos autos, para fundamentar a caracterização do alegado direito adquirido, não havendo que se falar em surpresa na mera apreciação dos fatos invocados pelo contribuinte para sustentar o preenchimento do antecedente normativo do art. 4°, d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, estando em litígio justamente a caracterização ou não do direito adquirido. Destarte, entendo como cabível a apreciação do mérito e a conclusão de se negar provimento ao recurso voluntário nos termos já explicitados. Por fim, deixo consignado que, em relação à preliminar suscitada de ofício, os conselheiros Rayd Santana Ferreira e Andrea Viana Arrais Egypto acompanharam o entendimento do conselheiro Matheus Soares Leite no sentido de não haver cerceamento de defesa diante da lide deduzida nos autos (ou seja: a lide fixada pelo Despacho Decisório envolveria apenas questão de direito de haver ou não direito adquirido, tendo a fiscalização tomado conhecimento dos fatos e motivado no Despacho Decisório haver alienação em 01/08/2000 de participações societárias da Zorba Têxtil S/A adquiridas em 12/08/1969), não Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 403 7 sendo cabível, por ser equiparável ao lançamento de ofício, a anulação, a modificação ou o aperfeiçoamento do Despacho Decisório com o escopo de se corrigir falha na motivação. Isso posto, CONHEÇO DO RECURSO e, REJEITANDO a nulidade do despacho decisório suscitada de ofício pelo conselheiro Cleberson Alex Friess, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Matheus Soares Leite Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, na hipótese vertente, no tocante à isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias. É o que será feito a seguir. A começar, ao meu ver, as conclusões apontadas pelo Ilmo. Relator, em seu voto, extrapolam os limites da acusação fiscal, delineados pelo despacho decisório (fls. 283/286), que, em momento algum, questionou a operação societária de alienação da participação societária na Zorba Têxtil S/A. Cabe pontuar que todo despacho decisório é um ato administrativo, equiparável ao lançamento, não sendo cabível a mudança, pelo órgão julgador, da motivação originalmente externada, transbordando sua competência para além dos limites fixados na lide. Em outras palavras, não se afigura possível à autoridade julgadora alterar o fundamento do lançamento, mediante a adoção de um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146, do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Ademais, para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. No caso concreto, nem mesmo a decisão de primeira instância questionou a operação societária levada a efeito, não entrando no mérito da questão fática, mas apenas na controvérsia jurídica posta, qual seja, a existência ou não do direito adquirido à isenção. Nesse compasso, a análise que se fez presente no despacho decisório (fls. 283/286), centrouse, unicamente, na controvérsia jurídica da questão posta, por entender que não haveria que se falar em direito adquirido à isenção, mas sim em mera expectativa de direito. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11831.002707/200183 Acórdão n.º 2401006.137 S2C4T1 Fl. 404 8 A fiscalização entendeu que o fato gerador do tributo seria a percepção dos ganhos de capital pela alienação da participação societária, de modo que tal fato teria ocorrido sob a vigência da Lei n° 7.713/88, o que teria o condão de concretizar a hipótese de incidência nela contida, sendo essa, inclusive, a única motivação posta para o indeferimento do pleito do contribuinte. Admitir que o julgador pudesse introduzir novos motivos, estranhos aos fixados originalmente, seria reconhecer a eternidade da lide, pois, a todo o momento, o contribuinte se colocaria diante de novas acusações, devendo apresentar, com isso, reiteradamente, justificativas para todas elas. Assim, como os fatos narrados pelo Relator eram conhecidos pela fiscalização tributária e nada foi omitido, não cabe inovar a acusação fiscal trazendo elementos estranhos à lide. A controvérsia dos autos, portanto, diz respeito unicamente ao direito à isenção (direito adquirido) e não aos fatos. E, sobre a matéria de direito, há remansosa jurisprudência a favor do pleito do Recorrente, tendo, inclusive, sido objeto do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25 de junho de 2018, aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (...)”. Dessa forma, entendo que deve ser admitida a procedência da alegação do Recorrente, vez que sua pretensão se amolda ao disposto no Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25 de junho de 2018. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Redator Designado Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13850.720195/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/1999
PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO
Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição.
Numero da decisão: 3301-005.733
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/1999 PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração em análise. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 72 01 95 /2 01 4- 52 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 3 2 O pagamento objeto do crédito representaria a diferença da alíquota da Cofins de 2% para 3%, já que o interessado teria decisão judicial definitiva parcialmente procedente em discussão da Lei nº 9.718/98, na qual o STF teria afastado apenas a ampliação da base de cálculo, mas declarado constitucional a majoração da alíquota. Finda a ação judicial, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem iniciou procedimento fiscal, para apurar as diferenças de Cofins não declaradas. Após o início da ação fiscal, o interessado recolheu a Cofins, acrescida apenas dos juros de mora, sem multa, alegando os benefícios da MP nº 303/2006 e espontaneidade. A autoridade fiscal que lavrou o auto de infração, rechaçou os benefícios da Medida Provisória, já que o contribuinte não teria cumprido com os requisitos legais exigidos na mesma. O auto de infração foi discutido administrativamente, sendo que o acórdão proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário na matéria conhecida e não conheceu do recurso quando à alegação dos pagamentos se beneficiarem da MP nº 303/2006. Interposto recurso especial pela Fazenda Nacional, em face de tal decisão, o CARF determinou o não reconhecimento do recurso. Finda a discussão administrativa, o contribuinte apresentou o presente Pedido de Restituição, pretendendo utilizar o montante pago após o início do procedimento de fiscalização que culminou na lavratura do auto de infração. O PER/Dcomp foi baixado para tratamento manual, em virtude de medida liminar proferida no processo judicial. No despacho decisório, a autoridade fiscal indeferiu o pedido. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, para argumentar que teria efetuado recolhimentos diversos de Cofins, correspondentes à diferença de 1%, em referência à majoração da alíquota da Cofins implementada pela Lei nº 9.718/98, pleiteando a anistia prevista na Medida Provisória nº 303/2003, quando já estava em procedimento de fiscalização. Alegou que apesar dos recolhimentos, as autoridades fiscais teriam constituído o auto de infração e declarado a impossibilidade do interessado se beneficiar do Refis III, de modo que teria sido exigida a parcela referente à majoração da alíquota em 1% dos débitos de Cofins incidentes entre abril de 1999 e dezembro de 2001, janeiro, março, abril, agosto e novembro de 2003. O manifestante afirmou que no auto de infração constaria que o contribuinte não teria cumprido com as exigências da MP nº 303/2006, pois a mesma exigiria que os débitos ainda não constituídos teriam que ser confessados de forma irretratável e irrevogável, enquanto que a parcela exigida através do auto não teria sido declarada em DCTF. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 4 3 O manifestante argumentou que as próprias autoridades fiscais teriam afirmado, expressamente, que os pagamentos, sendo considerados indevidos, poderiam ser objeto de pedido de restituição ou compensação, conforme relatório anexo ao auto de infração. Acrescentou que o referido auto de infração teria sido discutido administrativamente e que o CARF teria dado provimento ao recurso voluntário de autoria da empresa, para cancelar o auto de infração e reconhecer a decadência do direito do Fisco constituir os débitos de Cofins. Por conseqüência de tal entendimento, o contribuinte teria transmitido PER/Dcomps diversos, para se aproveitar do direito à restituição dos pagamentos efetuados. Emitido o despacho decisório, as autoridades fiscais teriam indeferido o pleito, por entenderem que não haveria pagamento indevido ou a maior, por ter recolhido a Cofins espontaneamente, pleiteando a anistia da MP nº 303/2006. O contribuinte afirmou que os pagamentos realizados seriam indevidos, pois inexistiriam débitos constituídos, mas que seu direito não seria decorrente do cancelamento do auto de infração, e sim, dos pagamentos efetuados no âmbito do Refis III e considerados inválidos pelas autoridades fiscais. Citou jurisprudência administrativa e judicial. O manifestante afirmou que existiriam duas formas de se constituir o crédito tributário: através de lançamento por procedimento fiscal ou através de lançamento por homologação. Como teria efetuado os pagamentos antes da constituição do auto de infração e como os débitos não teriam sido declarados em DCTF, em seu entendimento, os pagamentos seriam indevidos. O interessado reclamou ainda que teria ocorrido mudança de critério jurídico, em violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional, pois no auto de infração as autoridades fiscais teriam considerado os pagamentos como indevidos, por descumprimento do §2º do art. 1º da MP nº 303/2006; já no despacho decisório, as autoridades do Fisco teriam modificado o entendimento para declarar que o pagamento não seria indevido nem maior que o devido. O manifestante aduziu também que a mudança de critério no despacho decisório afrontaria o Princípio da Segurança Jurídica e o da vedação ao comportamento contraditório, sendo vedado às autoridades administrativas alterarem seus atos anteriores. O interessado requereu ainda a reunião e julgamento conjunto de processos que tratariam de matéria idêntica. Concluiu, para requerer o provimento integral de sua manifestação, o deferimento do pedido de restituição e, caso necessária, a juntada posterior de documentos. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14061.423. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, trazendo, essencialmente, os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3301005.727, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13850.720166/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3301005.727): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Foi indeferido pedido de restituição de COFINS, cujo crédito foi originado de um pagamento de COFINS realizado em 14/09/06, no montante de R$ 784.160,59 (R$ 417.417,54, de principal, e R$ 366.743,05, de juros). No DARF, foi indicado que referiase ao período de apuração (PA) 30/04/99 (fl. 142). O PER foi transmitido em 09/09/11. Dos autos, cumpre destacar o seguinte: i) Em 05/04/05, iniciouse uma fiscalização, que deu origem ao processo de n° 13864000164/200701. O objetivo era o de cobrar diferenças de COFINS do período de abril de 1999 a novembro de 2003. ii) Os débitos em aberto nasceram das discussões acerca do alargamento da base de cálculo da COFINS e da majoração de 1% da alíquota da COFINS, promovidos pelos § 1° do art. 3° e art. 8° da Lei n° 9.718/98, cujas constitucionalidades a recorrente questionou em juízo, porém obteve êxito apenas com relação à primeira. iii) No dia em que foi efetuado o recolhimento (14/09/06) considerado pela recorrente como indevido, estava em curso a citada ação fiscal. E o auditor fiscal não o abateu do crédito tributário a ser lançado, iv) A auditoria fiscal terminou em 02/07/07, com a lavratura de auto de infração (fls. 27 a 45), no qual, sobre os valores confessados em DCTF, lançados de ofício e pago (objeto do presente processo), autoridade fiscal fez constar o seguinte (fls. 31 a 33): "(. . .) DA EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE Conforme Termo de Início de Ação Fiscal 71/200501 (fl. 200), o contribuinte encontravase sob fiscalização desde Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 6 5 05/04/2005, havendo sido informado que, de acordo com os MPF 08120002005000712 (fl. 1) e 08120002005 0007121 (fl. 2) conforme disposto no parágrafo 1° do artigo 7° do Decreto 70.235/72, sua espontaneidade estava excluída em relação à COFINS do período de abril/1999 a dezembro/2004. DOS PAGAMENTOS ERRONEAMENTE EFETUADOS Em sua resposta entregue em 02/02/07 (fl. 548), o contribuinte informou que "a diferença da alíquota adotada (1%) foi integralmente recolhida, nos termos da MP 303/06". Intimado, através do Termo de Intimação Fiscal 71/200525 (fl. 557), o contribuinte apresentou (fl. 558 e 559) cópias dos DARF de folhas 560 a 617, para comprovação desse recolhimento. Como nesses DARF não constasse multa, o contribuinte foi intimado, através do Termo Fiscal de Constatação e de Intimação 71/200526 (fl. 620), a informar a base legal (artigos da MP 303/06) de que se valera para efetuar os recolhimentos em questão sem acréscimo de multa. Em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), o contribuinte informou que efetuara o pagamento dos valores de COFINS em questão sem computar a multa de mora uma vez que, no momento do pagamento à vista dos débitos em questão, ainda se encontrava amparado por provimento jurisdicional suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (Medida Cautelar n° 9511, incidental ao Mandado de Segurança n° 1999.61.03.0013261). Informou ainda que o período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 fora pago à vista, com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°). (. . .) Assim, conforme parágrafo 6° do artigo 9°, combinado com o parágrafo 1° do artigo 1°, da MP 303/06, o pagamento com redução de multa (de mora ou de ofício) e juros de mora aplicavase à totalidade dos débitos da pessoa jurídica, constituídos ou não. No caso de débitos não constituídos (parágrafo 2° do artigo 1°), deveria haver a confissão de forma irretratável e irrevogável (denúncia espontânea). No caso em tela, verificase nos DARF de folhas 560 a 617 que, conforme informado pelo contribuinte em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), ele efetuou, em 14/09/06, pagamentos do principal (que informou serem decorrentes da diferença de 1% na alíquota adotada) do período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°), qual seja, redução de trinta por cento sobre o valor consolidado dos juros de mora incorridos até o mês Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 7 6 do pagamento integral. Como, para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, o contribuinte não havia declarado essas diferenças em DCTF, o correspondente crédito tributário não se encontrava constituído. Assim, para gozar do benefício fiscal previsto na MP 303/06, o contribuinte precisaria fazer a denúncia espontânea da infração. Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas DCTF para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, DARIA MARGEM A QUE O CONTRIBUINTE, APÓS OCORRIDA A DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE LANÇAR, VIESSE A PEDIR A RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS, ALEGANDO PAGAMENTO SEM CAUSA. Assim, como o contribuinte não atendeu (e nem poderia atender, por não gozar de espontaneidade para tal) à forma especificada no parágrafo 2° do artigo 10 na MP 303/06 para efetuar o pagamento à vista dos débitos não constituídos, não podia gozar do benefício fiscal previsto na referida MP, com o que os pagamentos foram erroneamente efetuados. Aos pagamentos erroneamente efetuados aplicase a conclusão da Solução de Consulta Interna n° 11 da Cosit/SRF, de 18 de dezembro de 2002, a seguir transcrita: "Desta forma, concluise que pagamento erroneamente efetuado, antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de interromper o curso normal da ação fiscal. Deve ser lançado o crédito tributário total, sendo o pagamento efetuado utilizado para amortização do crédito tributário apurado, cobrandose eventual saldo remanescente." Citese também a respeito o seguinte acórdão da l a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: "IRPJ PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL ESPONTANEIDADE Quando o sujeito passivo recolhe o tributo após o início do procedimento fiscal e sem o restabelecimento da espontaneidade, cabe o lançamento do tributo, com a multa de lançamento de ofício e dos juros de mora, calculados até a data do efetivo recolhimento. Os tributos Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 8 7 e acréscimos recolhidos, sob ação fiscal e para a mesma finalidade, podem ser utilizados para a quitação do crédito tributário lançado. (Acórdão 10194354Sessão de 10/09/2003)." Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa PARA OS ANOSCALENDÁRIO DE 1999 (A PARTIR DE ABRIL), 2000 e 2001, CABE O LANÇAMENTO DE OFÍCIO ATRAVÉS DESTE AUTO DE INFRAÇÃO, PELO SEU VALOR INTEGRAL, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, A SEU CRITÉRIO, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)"(g.n.) v) A recorrente defendeuse do auto de infração, obtendo decisão parcialmente favorável, no âmbito do CARF, por meio do Acórdão n° 3402001.161, de 02/06/11. Foram cancelados os débitos de COFINS do período de abril de 1999 a dezembro de 2003, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário." Com efeito, os artigos 45 e 46, respectivamente, determinavam que eram de dez anos os prazos prescricionais e decadenciais das contribuições sociais. vi) No Despacho Decisório (fls. 364 a 367), consta que o PER foi indeferido, porque o pagamento de R$ 784.160,59, realizado em 14/09/06 e referente ao período de apuração de 04/99, estava vinculado ao débito de 04/99, lançado de ofício. Enfatizou, inclusive, que valor o apurado pela fiscalização era maior do que o pago. Portanto, não havia pagamento indevido. viii) A DRJ ratificou que o pagamento estava vinculado ao débito lançado de ofício. Que foi efetuado no curso da ação fiscal, referindose a tributo (COFINS) e período de apuração (no DARF, foi indicado que se referia a 04/99) objetos do lançamento. ix) A decisão de piso consignou ainda que o Ministro Gilmar Mendes, em sede do RE n° 550.8829/RS, modelara os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, no sentido de que tão somente seriam Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 9 8 passíveis de repetição os pagamentos objetos de pedidos de restituição ou compensação protocolizados até o dia anterior ao do julgamento, qual seja, 11/06/08. Como o PER foi transmitido em 09/09/11, não havia direito à restituição. Assiste razão à recorrente. Em 19/07/07, a fiscalização lavrou auto de infração (processo n° 13864.000164/200701), no qual consignou que o pagamento efetuado em 14/09/06 não fora admitido como vinculado ao período de apuração abril de 1999, em razão de não ter sido confessado em DCTF, e também de que já havia ação fiscal em curso, o que se constata por meio da leitura do trecho do auto de infração acima transcrito (fls. 31 a 33), do qual destaco o seguinte: "(. . .) Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas dctf para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, daria margem a que o contribuinte, após ocorrida a decadência do direito do fisco de lançar, viesse a pedir a restituição dos valores pagos, alegando pagamento sem causa. (. . .) Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, cabe o lançamento de ofício através deste auto de infração, pelo seu valor integral, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, a seu critério, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)" (g.n.) Confirmase tal informação, nas fls. 35 (auto de infração, "fato gerador abril de 1999") e 46 (planilha anexa ao auto de infração), que contêm o cálculo do valor a ser lançado de ofício para o mês de abril de 1999. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13850.720195/201452 Acórdão n.º 3301005.733 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, o montante de R$ 784.160,59, pago em 14/09/06, a título de COFINS, referente ao período de apuração de 04/99, foi efetuado indevidamente e, portanto, é passível de restituição. Com efeito, verificase no excerto do auto de infração acima reproduzido que o próprio agente fiscal rotulou o pagamento efetuado como indevido. Ademais, não há que considerar o argumento da DRJ de que o STF não teria autorizado a repetição de tributos pagos sob a vigência dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, porém não reclamados. Tal argumento somente seria aplicável, caso o pagamento em questão tivesse sido vinculado ao valor lançado na DCTF ou de ofício, o que, como vimos, não foi o caso. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 502DF CARF MF
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