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Numero do processo: 10166.720841/2010-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101).
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 27/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). Recurso Especial do Procurador provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 27/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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MULTA QUALIFICADA. ART. 173, I, DO CTN. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 27/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 08 41 /2 01 0- 88 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a apuração de deduções indevidas, nos exercícios de 2005 a 2009. Em sessão plenária de 15/05/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2801003.030 (fls. 175 a 183), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SOBRINHOS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os sobrinhos, mesmo menores de idade, não revestem a qualidade de dependentes para fins de dedução na declaração de ajuste anual do contribuinte, ainda que este os tenha criado e educado. A exceção ocorre somente quando o declarante detenha a guarda judicial dos menores, a teor do que dispõe a Súmula CARF nº 14. DECADÊNCIA. TERMO A QUO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial, quando comprovada a ocorrência de fraude, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. MEDIDA PREPARATÓRIA. O parágrafo único do artigo 173 do CTN somente é aplicável nos casos em que, durante o lapso de tempo compreendido entre o fato gerador e o início da fluência do prazo decadencial, a Administração Tributária inicia a constituição do crédito pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.143.534, julgado pela Primeira Seção do STJ em 13/03/2013. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim resumida: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10166.720841/201088 Acórdão n.º 9202003.947 CSRFT2 Fl. 215 3 “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a decadência relativa ao anocalendário de 2004, exercício 2005. Vencida a Conselheira Tânia Mara Paschoalin que rejeitava a preliminar de decadência.” O processo foi enviado à PGFN em 03/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 184). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 17/08/2013, o que foi feito em 30/07/2013 (fls. 185 a 190), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 191. Ao recurso foi dado seguimento, por meio do despacho de 18/11/2013 (fls. 193/194). Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir o termo inicial do prazo decadencial, no caso de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, e do despacho que lhe deu seguimento em 09/04/2014 (fls. 204), o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheiro MARIA HELENA COTTA CARDOZO O presente Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a apuração de deduções indevidas, nos exercícios de 2005 a 2009. No acórdão recorrido, foi mantida a qualificação da multa de ofício e aplicado o art. 173, inciso I, do CTN, concluindose que o termo inicial do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, declarandose a decadência relativamente ao anocalendário de 2004, sendo que a ciência do lançamento ocorreu em 14/05/2010 (fls. 99). Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede que seja considerado como termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que no caso seria 1º/01/2006, e não 1º/01/2005, como considerou o acórdão recorrido. A matéria já se encontra sumulada neste CARF: "Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Assim, tratandose de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, anocalendário de 2004, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2004, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1º/01/2006, portanto o Fisco teria até o dia 31/12/2010 para efetuar o lançamento. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 14/05/2010 (fls. 99), não se verificou a decadência. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000644/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos, e por tal glosados, resultando em saldos devedores, pelo refazimento da escrita do IPI, que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência tem seu termo a quo aquele do art. 173, I, do CTN.
MULTA QUALIFICADA
Constatado o dolo específico de sonegação fiscal, deve a multa de ofício ser majorada nos termos da lei.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos, e por tal glosados, resultando em saldos devedores, pelo refazimento da escrita do IPI, que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência tem seu termo a quo aquele do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA Constatado o dolo específico de sonegação fiscal, deve a multa de ofício ser majorada nos termos da lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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E COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos, e por tal glosados, resultando em saldos devedores, pelo refazimento da escrita do IPI, que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência tem seu termo a quo aquele do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA Constatado o dolo específico de sonegação fiscal, deve a multa de ofício ser majorada nos termos da lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 06 44 /2 00 9- 58 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.000644/200958 Acórdão n.º 3402003.133 S3C4T2 Fl. 230 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos lançamento de ofício de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício qualificada no percentual de 150% (fls. 11/46). Relata o Termo de Constatação Fiscal (fls. 47/50) que o contribuinte intimado no curso do procedimento fiscal a esclarecer os valores lançados a título de "outros créditos" (linha 006) escriturados no livro de apuração do IPI, esquivouse de responder. Constatou a fiscalização que a empresa descreve tal crédito como "crédito referente arredondamento de alíquotas de aquisição", o que, afirma aquela, "explica a origem, mas não a fundamenta legalmente". Em face desse creditamento sem origem, entendeu o Fisco que o contribuinte incorreu, em tese, na conduta típica prevista no art. 1º, II, da Lei 8.137/90, o que motivou o encaminhamento da respectiva representação fiscal para fins penais e na consequente qualificação da multa de ofício. Demais disso, foi constatado que nos períodos de apuração da primeira quinzena de 08/2004, e de 07/2006 em diante, apesar de a empresa apurar saldo devedor de IPI na escrita fiscal, tais débitos não foram declarados em DCTF à RFB, conforme cópias daquelas declarações anexadas (fls. 52/63). Diante disso, a fiscalização glosou tais créditos e reconstituiu a escrita do IPI, conforme "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal" (fls. 148/150), restando saldos devedores em todo o período que é objeto de cobrança nestes autos, e "Resumo de Lançamentos" (fls. 153/155). Não resignada, a empresa impugnou o lançamento (fls. 159/168), alegando decadência em relação aos fatos geradores 15/01/2004, 31/01/2004 e 29/02/2004, com espeque no art. 150, § 4º, do CTN. No mérito, insurgiuse tãosomente contra a multa, alegando ter a mesma natureza confiscatória, alem de ferir o princípio da proporcionalidade. A impugnação foi julgada improcedente por decisão, de 13/05/2009, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 191/195). Contra a r. decisão foi interposto recurso voluntário (fls. 209/219), no qual a autuada repisa os argumentos impugnatórios. É o relatório Voto Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.000644/200958 Acórdão n.º 3402003.133 S3C4T2 Fl. 231 3 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. DECADÊNCIA No que tange à decadência, a defesa argumentou que não houve recolhimento de IPI porque efetuada a dedução com créditos, o que caracterizaria o lançamento por homologação a que alude o art. 150, § 4º, do CTN. Equivocado tal entendimento, pois tratandose de créditos ilegítimos, como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não pode operar, uma vez esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a glosa dos créditos ilegítimos da escrita do contribuinte, sobre os quais a autuada em nenhum momento se pronunciou, os saldos credores passaram a ser devedores em todo período abarcado pelo lançamento, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Ainda, por vezes, sequer declarou débitos existentes e prévios à autuação. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I do CTN. Assim, afastada a decadência em relação a qualquer período de apuração do lançamento. MULTA A multa foi aplicada em face de a cobrança darse por meio de lançamento de ofício, sendo que foi qualificada, e devidamente motivada pelo agente fiscal no Termo de Constatação Fiscal, porque ficou evidenciado dolo específico de sonegação fiscal. Dessa forma, correta sua aplicação porque ao amparo de lei válida, vigente e eficaz. A recorrente não contesta sua aplicação, mas sim seu percentual, que entende ter natureza confiscatória, atentando contra o princípio da proporcionalidade. Ou seja, alega Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.000644/200958 Acórdão n.º 3402003.133 S3C4T2 Fl. 232 4 matéria de índole constitucional, matéria vedada ao conhecimento deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, que transcrevo. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Forte no exposto, nego provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11050.002151/2009-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2004 a 29/12/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.606
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 21 51 /2 00 9- 70 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 132 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.537, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 133 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 134 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 135 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 136 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 137 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 138 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.002151/200970 Acórdão n.º 9303003.606 CSRF‐T3 Fl. 139 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.720671/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 88.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa pressupondo a observância requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000.
A norma do inciso XI, do artigo 7º da CF tem como objetivo proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, o que importa é que o trabalhador saiba de que forma irá se beneficiar, sendo seus interesses protegidos pelos órgãos sindicais.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, acatar a decadência até a competência 04/2007, inclusive, a teor do §4º do art. 150 do CTN; II) no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recuso em razão da ausência de formalização prévia dos acordos para todo período do lançamento, e vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial ao recurso para a exclusão da PLR 2008 e mantinham no lançamento somente para os valores pagos a título de PLR no ano de 2007, em razão da ausência de formalização prévia do Acordo que já continha a apuração e avaliação das metas fixadas pela empresa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva (suplente convocado) e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 88. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa pressupondo a observância requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. A norma do inciso XI, do artigo 7º da CF tem como objetivo proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, o que importa é que o trabalhador saiba de que forma irá se beneficiar, sendo seus interesses protegidos pelos órgãos sindicais. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 71 /2 01 2- 90 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 714 2 atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, acatar a decadência até a competência 04/2007, inclusive, a teor do §4º do art. 150 do CTN; II) no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recuso em razão da ausência de formalização prévia dos acordos para todo período do lançamento, e vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira, que davam provimento parcial ao recurso para a exclusão da PLR 2008 e mantinham no lançamento somente para os valores pagos a título de PLR no ano de 2007, em razão da ausência de formalização prévia do Acordo que já continha a apuração e avaliação das metas fixadas pela empresa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente. Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente da Turma), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva (suplente convocado) e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 715 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte BANCO BNP PARIBAS BRASIL S.A. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo recorrente e manteve o crédito tributário referente ao período compreendido entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 59/77), foram lavrados em desfavor do contribuinte os seguintes autos de infração: a) Debcad nº 37.320.9045: apurados valores referentes as contribuições devidas à Seguridade Social, no que toca a parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR (Participação nos Lucros e Resultados), conforme o art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212/91; b) Debcad nº 37.320.9053: apurados os valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR (Participação nos Lucros e Resultado); e c) Debcad nº 37.320.5872: lavrado por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3. Inconformado com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 380/410) ao lançamento fiscal, tendo o colegiado de primeira instância rejeitado as razões apresentadas. O acórdão recorrido (fls. 546/566) restou lavrado com a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de ofício, utilizase a regra geral do art. 173, I, do CTN. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 716 4 De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições sociais previdenciárias. (Art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 e Art. 214, I, § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99). INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação, sobre a multa, de juros de mora, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição. Lei 8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art. 242, § 2º. CORESPONSABILIDADE. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3o do art. 4o da Lei no 6.830/80. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2008 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 717 5 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INFRAÇÃO CFL 68. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Art. 32, IV, parágrafo 5º, da Lei 8212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" 4. Após ter sido cientificado do referido acórdão (fl. 632), o contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 569/606), sustentando, em apertada síntese, que: a) parte do crédito tributário (janeiro a maio de 2007) encontrase extinta pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; b) os argumentos relativos à irregularidade dos acordos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) são improcedentes na medida em que a data de assinatura dos acordos não permite presumir que não ocorreu a prévia negociação das metas que balizam a distribuição de valores; c) os acordos possuem regras claras e objetivas relacionadas à distribuição de valores; e d) os pagamentos realizados a titulo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) estão em conformidade com o disposto nos acordos e na legislação sobre o tema. 5. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho, tendo sido oportunamente os autos submetidos a este colegiado que, por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 2402000506, de 09/12/2015 (fls 663/668), resolveu baixar o processo em diligência, afim de que a autoridade administrativa lançadora verificasse a ocorrência de recolhimento antecipado da contribuição previdenciária no período de janeiro a maio de 2007, inclusive, haja vista o estabelecido na Súmula CARF nº 99. 6. Em 11/03/2016, a autoridade administrativa de origem deu ciência da diligência demandada ao contribuinte (fls. 674/675), o qual, em sua manifestação, reitera pelo reconhecimento da decadência de acordo com a regra prevista no art. 150, parágrafo 4º, do CTN. 7. Assim, cumpridos os atos diligenciais foram os autos remetidos novamente a esta Corte Administrativa para que fossem apreciados. É o relatório. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 718 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA DILIGÊNCIA 2. A recorrente em seu recurso voluntário alega que parte do crédito tributário (janeiro a maio de 2007) encontrase extinta pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, haja vista que foi cientificada do lançamento em questão em 25/05/2012 (fls. 106/121), relativamente às contribuições previdenciárias do período fiscalizado, estando assim alcançadas pela decadência quinquenal as competências anteriores a 05/2007. 3. Em relação a esse ponto, registrese que, conforme o narrado no relatório o presente processo teve seu julgamento convertido em diligência, para que a Delegacia (DEINF SP) verificasse a existência de recolhimento antecipado no período de janeiro a maio de 2007, inclusive, a respeito do que, às fls. 672, a autoridade fiscal se pronunciou nos seguintes termos: "Consultando os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, particularmente o sistema CCOR – Consulta Conta Corrente do Estabelecimento, verificamos que houve recolhimentos antecipados de contribuição previdenciária no período de janeiro a maio de 2007, inclusive (...)." 4. Assim, com vista à comprovação de que houve recolhimento antecipado, passo a verificar os aspectos pertinentes à decadência, bem como a regra aplicável ao caso. DA DECADÊNCIA 5. Tendo em conta o período de apuração da exação objeto do presente recurso abarcar matéria decadencial, se faz necessária a verificação da matéria nos termos do Código Tributário Nacional (CTN). 6. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: Fl. 718DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 719 7 Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 7. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 8. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 9. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional (CTN), se aplica ao caso concreto. 10. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “(...). 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 720 8 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). (...). 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, indubitavelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição Fl. 720DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 721 9 dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 11. Compulsando os autos, constatase que no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), acostado à fl. 127, o auditor fiscal examinou as folhas de pagamento apresentadas pelo recorrente, e, considerando a resposta da autoridade lançadora, às fls. 672, há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN. 12. Ademais, tendo em vista que o período de apuração da exação em análise abarca matéria decadencial, com recolhimento antecipado da contribuição, é oportuno observar que o tema encontrase sumulado por esta Corte Administrativa no seguinte sentido: "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Grifei). 13. Ou seja, com fulcro na Súmula acima transcrita, de fato, como houve recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4.° do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. 14. O recorrente foi cientificado do lançamento fiscal em 25/05/2012 (fls. 106 e 121), referente às contribuições do período de janeiro de 2007 e dezembro de 2008. Dessa forma, tendo em conta o apurado na informação fiscal de fls. 672 dos autos, as competências anteriores a 04/2007, inclusive, ficam alcançadas pela decadência quinquenal, restando, entretanto, mantidas as competências supervenientes a 04/2007. 15. Por outro lado, como ainda resta débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO MÉRITO DA RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES 16. O recorrente sustenta que devem ser excluídos da presente autuação os diretores da empresa, em face de não possuírem responsabilidade tributária perante os lançamentos efetuados. 17. Quanto à essas alegação, cabe observar que ela já não mais persiste, pois os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente Fl. 721DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 722 10 lançamento fiscal, conforme já sumulado por esta Corte Administrativa, por meio da Súmula CARF nº 88, no seguinte sentido: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." 18. Assim, com base na Súmula nº 88, anteriormente transcrita, a relação de corresponsáveis, anexada pela fiscalização (fls. 78/80), tratase de dado meramente informativo, sem atribuição de responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, razão pela qual deixo de acatar as pertinentes alegações, já que a finalidade do “Relatório de Representantes Legais REPLEG (Relação de Corresponsáveis)” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com seu respectivo período de gestão. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS 19. Cingese a controvérsia principal dos presentes autos, à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). 20. A PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela Lei nº10.101/2000. 21. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 22. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 722DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 723 11 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 23. Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 24. Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. 25. O fisco alega que a data da assinatura dos acordos é posterior ao período de aferição dos resultados. Sustenta ainda que os acordos não possuem regras claras e objetivas, contrariando, assim, a regra prevista no §1º do art. 2º da Lei nº10.101/00. 26. Quanto à assinatura dos acordos, a empresa, por sua vez, ressalta que não é a data da assinatura dos acordos que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes, pelo contrário, evidencia o acordo final que chegaram após todo o trâmite imposto pela legislação. 27. E nessa questão entendo que razão assiste ao contribuinte, isto porque, compulsando os autos é possível constatar que os pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados (PLR) observaram a determinação legal no que tange a pactuação prévia, consta nas folhas 423 a 428, plano de pagamento de PLR referente ao ano de 2005, ou seja, anterior a data do presente lançamento, o que revela que a empresa já possuía acordos de PLR, e que, notadamente seus empregados tinham conhecimentos das regras quanto Fl. 723DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 724 12 a aferição e pagamento da PLR futura, o que, por si só, é suficiente para fazer considerar que as verbas pagas a esse título não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 28. Na minha concepção, a forma adotada pela empresa, além de não encontrar óbice na legislação, não prejudicou o direito dos trabalhadores a ponto de viciar o programa de distribuição dos lucros. Isso porque, o período do presente lançamento compreende aos anos de 2007 e 2008. Todavia, a empresa desde o ano de 2005 já adotava seu plano de PLR, que conforme documentos acostados nos autos eram de conhecimento de todos os seus empregados. 29. Do mesmo modo, no que se refere ao acordo firmado em 25/09/2007 (fls. 163/167), com período de vigência 01/01/2007 a 31/12/2007, observase a existência de negociação no mesmo ano de aferição, uma vez que o acordo foi firmado em setembro do mesmo ano. 30. Ademais, há que se mencionar que a própria norma, não estabelece momento exato para a assinatura dos acordos coletivos referente à participação nos lucros. Nesse sentido tem se firmado o entendimento deste Conselho, tendo em vista que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização, baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721. 31. Cumpre ressaltar que a Lei n. 10.101/2000 silencia quanto o momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir. 32. Insta mencionar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, em momento anterior assim se posicionou, conforme ementa e trecho extraído do julgado acórdão nº 9202003.368 – 2ª Turma, que transcrevo a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/07/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na Fl. 724DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 725 13 legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (2ª Turma, Da CSRF do CARF, Ac. nº 9202003.368, de 20/8/2009, rel. Rycardo Henrique Magalhaes De Oliveira, processo nº 14485.000408/200775 ).” 33. Dessa forma, como já exposto e na mesma linha do entendimento do egrégio Conselho, in casu, o fato dos acordos coletivos referentes ao pagamento de PLR terem sido assinados após o período de aferição, não pode descaracterizar a natureza jurídica indenizatória da verba e assim, tais valores permanecem excluídos da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 34. No que se refere às regras do acordo, afirma o contribuinte que ao contrário do que argumenta a fiscalização, que o procedimento adotado está refletido nas avaliações de desempenho e nas memórias de cálculo entregues ao agente fiscal, as quais, estão alinhadas com os termos dos acordos de PLR, ou seja, não se sustenta a alegação de que não haveria clareza no procedimento de definição do valor da PLR. Sustenta ainda o recorrente, que os acordos assinados possuíam os mesmos indicadores utilizados para a fixação do direito à participação do ano de 2005. 35. Não obstante o arrazoado da fiscalização, considero que os documentos carreados aos autos demonstram que havia efetivamente na empresa um programa de participação nos lucros ou resultados. No meu entender, havia uma base procedimental para o cumprimento de formalidades, notadamente no que diz respeito aos instrumentos de negociação coletiva consubstanciados nos acordos coletivos de trabalho e nos planos firmados entre a empresa e seus empregados. Assim, a não fixação de critérios numéricos, não tem o condão de invalidar o acordo entre as partes. 36. Entendo ainda, que, dentro desse contexto não há como ignorar toda a estrutura montada pela empresa para proteger o segurado, beneficiário do programa, frente as negociações, por intermédio de sindicatos da categoria. Desta forma, vislumbro um regramento mínimo, amplamente discutido entre a empresa e sindicato, não havendo que se falar em nenhum momento em ausência de regras claras e objetivas. 37. Diante desses elementos, deve ser excluída a tributação das contribuições incidentes sobre a participação nos lucros ou resultados pagos aos empregados da recorrente. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 16327.720671/201290 Acórdão n.º 2402005.275 S2C4T2 Fl. 726 14 CONCLUSÃO 38. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe total provimento a fim de: a) reconhecer a decadência das competências anteriores a 04/2007, inclusive, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN; b) excluir da base de cálculo das contribuições previdenciárias sociais os valores referentes à PLR. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 5/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 10073.721170/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 11 70 /2 01 1- 92 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2007, em razão da glosa de dedução de despesas médicas, despesas com instrução e dedução com dependente. Seguem transcrições da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a fisioterapeutas, bem como a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, assim como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza, relativos exclusivamente ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. DESPESAS MÉDICAS. REGISTRO NO CONSELHO DE CLASSE. É obrigatória a comprovação de inscrição do prestador no respectivo conselho de classe para deduzir despesas médicas. DEDUÇÕES. INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEPENDENTES. INSTRUÇÃO. Considerase incontroversa a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, nos termos do art.17 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 02/08) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2008 (fls. 52/58), em que foram constatadas as seguintes infrações, uma vez que a contribuinte não atendeu à intimação: I) dedução indevida de dependentes, com glosa no valor de R$ 3.169,20; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10073.721170/201192 Acórdão n.º 2301004.694 S2C3T1 Fl. 150 3 II) dedução indevida de despesas médicas, com glosa no valor de R$ 27.964,71; e III) dedução indevida de despesas com instrução, com glosa no valor de R$ 4.961,32. ... Com a ciência da Notificação, por via postal, em 13/09/2011 (fl. 26), a Interessada apresentou impugnação (fls. 09/10) em 29/09/2011, alegando que: a) questiona apenas o valor de R$ 1.584,60 relativo à infração de dedução indevida com a dependente Marcela Rodrigues; b) questiona apenas o valor de R$ 2.480,66 relativo à infração de dedução indevida com instrução, mas não conseguiu achar os recibos de pagamento; e c) questiona a totalidade das despesas médicas glosadas referentes ao tratamento da própria, de seu companheiro e de suas filhas. ... Em virtude da revisão de ofício do lançamento realizada através do Termo Circunstanciado de fls. 32/33, deferido pelo Despacho Decisório de fl. 34, a lide no presente julgamento ficou limitada às seguintes infrações: I) dedução indevida de dependentes, com glosa no valor de R$ 1.584,60; II) dedução indevida de despesas médicas, com glosa no valor de R$ 27.964,71; e III) dedução indevida de despesas com instrução, com glosa no valor de R$ 4.961,32. A decisão recorrida reconheceu comprovadas as despesas relativas: Deve ser restabelecida a dedução de R$ 12.500,00 referente às seguintes despesas médicas (art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda): I) R$ 6.500,00 com a fisioterapeuta Caroline Rodrigues da Silva (CPF n.º 093.57934707 e Crefito n.º 7370), comprovados pelos recibos de fls. 16/17, referentes à fisioterapia domiciliar, sendo o seu registro confirmado pelo telefone no conselho de classe; e II) R$ 6.000,00 com a fisioterapeuta Juliana Torres Pinheiro (CPF n.º 102.146.18730 e Crefito n.º 14858), comprovados pelos recibos de fl. 18, referentes à fisioterapia domiciliar, sendo o seu registro confirmado pelo telefone no conselho de classe. Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário parcial. Insurgese apenas contra a glosa relativa aos serviços contratados de odontologia e junta Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 recibos de pagamento acompanhado de detalhamento sobre o tratamento dentário e demais informações exigidas por lei. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10073.721170/201192 Acórdão n.º 2301004.694 S2C3T1 Fl. 151 5 Voto Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos: a) prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº 9.520, de 26/12/1995; e b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de 26/12/1995. Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo do documento se possa conferir legitimidade. Assim, a lei exigiu, em regra, a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ressaltase que o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso sob exame, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo recorrente em sua declaração de ajuste anual, e posteriormente entendeu que houve comprovação de parte dessas despesas. Em relação aos valores que Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 remanesceram no lançamento, o recorrente apenas se insurge quanto aos recibos emitidos por Carlos A. S. Guimarães no valor de R$ 7.500,00. Após a decisão recorrida, o recorrente buscou atender às exigências consideradas ausentes nos documentos que já haviam sido apresentados, in verbis: IV) R$ 7.500,00 com Carlos A. S. Guimarães, uma vez que os recibos de fl. 15 não indicam a especialidade do prestador, pois não há número de registro em um conselho de classe e a descrição dos serviços é genérica ("honorários profissionais"). Se o profissional não está legalmente habilitado para exercer uma das profissões elencadas no caput do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, não é possível à contribuinte usufruir desta dedução. Assim, trouxe documentos com informações sobre: endereço do prestador de serviço (Avenida Joaquim Leite, número 01, sala 802 Centro Barra Mansa/RJ), registro no órgão de classe Conselho Regional de Odontologia nº 26.373 e tratamento odontológico, fls. 140 e seguintes. Assim, entendo que o recorrente tem direito à dedução da despesa médica objeto do recurso, isto é, relativa ao prestador de serviço Carlos A. S. Guimarães. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008455/2002-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos com efeitos infringentes para retificar o Ac. CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013.
VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA
Súmula CARF nº 1 - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 9303-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o resultado do acórdão embargado que passa de recurso especial provido para recurso especial não conhecido.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ACOLHIMENTO Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos acolhidos com efeitos infringentes para retificar o Ac. CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o resultado do acórdão embargado que passa de recurso especial provido para recurso especial não conhecido. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 84 55 /2 00 2- 19 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 EDITADO EM: 20/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de análise de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão da CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013, sob o argumento de que teria havido " Omissão" no bojo do acórdão proferido. A ementa dessa decisão embargada possui a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000 01/06/2000 a 31/07/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000 VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Consta do voto dessa decisão: (...) A matéria submetida a apreciação deste Eg. Conselho cingese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período submetido à Lei nº 9.718/98 (período de apuração de 28/02/1999 a 31/12/1999). Penso assistir razão à recorrente. De fato. Tal entendimento encontrase referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Fl. 731DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303003.450 CSRFT3 Fl. 7 3 Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. (...) E mais. Em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Alega a embargante que: O recurso especial ora combatido gravita exclusivamente em torno da constitucionalidade ou não do artigo 3º, §1º, da Lei 9.718/98, o que, segundo a recorrente, impossibilitaria a inclusão da variação cambial ativa na base de cálculo do PIS. Para demonstrar a divergência, indicou os seguintes acórdãos paradigmas admitidos pelo despacho de fls. 694/697: 201 80512, 20180342 e 20218042. Ocorre, todavia, que o processo administrativo em apreço não pode imiscuirse na análise da constitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei 9.718/98, como quer a recorrente (repisese, a inconstitucionalidade de tal dispositivo legal foi o único fundamento da divergência suscitada pela recorrente). Isso porque tal matéria foi discutida pela empresa no Mandado de Segurança n° 99.00.064542, conforme ela mesma informou na impugnação ao auto de infração. Confirase (fl. 500): “Sem entrar no mérito da constitucionalidade da Lei n° 9.718/98, cuja questão está sendo tratada nos autos de Mandado de Segurança n° 99.00.064542 – 8ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), ressaltase, tãosomente para fins de argumentação, que o presente tópico não se destina a questionar a norma em sua validade, mas apenas a, considerandoa juridicamente eficiente, interpretála conforme o regime constitucional vigente e em consonância com a totalidade do ordenamento jurídico, que são preceitos salutares e recomendados pela boa doutrina sobre hermenêutica jurídica, também reconhecidos em jurisprudência”. Ora, a própria impugnante afirmou que a questão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS já se encontrava sob a tutela do Poder Judiciário, em sede de mandado de segurança, e, para evitar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial, tentou levar a discussão para outro âmbito, da interpretação. Contudo, para fins de divergência, apresentou paradigmas defendendo a tese da Fl. 732DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 reconhecida pelo STF em controle difuso. Fica claro, portanto, que o alargamento da base de cálculo do PIS trazido pelo art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98 já é objeto de impugnação judicial, cabendo nestes autos apenas perquirir, especificamente, se a variação cambial ativa é tributável, em face do que dispõe o artigo 9º da mesma Lei. Em conseqüência, não deve ser conhecido o recurso especial ora impugnado, eis que versa unicamente sobre matéria no qual está evidente a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, qual seja, a constitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei 9.718/98”. A e. 3ª Turma também não se manifestou sobre o item 2.2.2 das contrarrazões, motivo pelo qual requer o seu pronunciamento. (...) Por fim, convém registrar que a e. Turma excluiu a tributação das receitas de variação cambial, sustentando que esses valores não se enquadravam como faturamento, por força do posicionamento do STF. Em realidade o entendimento do STF realmente foi no sentido de que faturamento constitui o conjunto de receitas operacionais da empresa, contudo em nenhum momento excluiuse de plano, toda e qualquer receita financeira e para qualquer caso. Desta forma, a decisão quedouse omissa ao não estabelecer os motivos pelos quais considerou que as variações cambiais, no caso de uma empresa exportadora/importadora (fls. 570), não constituiriam receitas operacionais, ainda que de forma acessória, devendo compor a base de cálculo das contribuições, uma vez que a decisão do STF não exclui as receitas financeiras do conceito de faturamento para todo e qualquer caso. (...) Dessa forma, visando a corrigir as omissões existentes no acórdão, a União requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja: I) apreciado o argumento contido nos itens 2.1. e 2.2.2 das contrarrazões, para afastar a preterição ao direito de defesa; e II) analisada a variação cambial em relação ao objeto social da empresa, na medida em que tal rubrica está incluída no conceito de faturamento, sendo tributada pelo PIS, mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo STF. É o relatório. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303003.450 CSRFT3 Fl. 8 5 Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional. Estabelece o artigo 65 do RICARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Constou do relatório da decisão embargada: Tratase de Recurso especial interposto pelo contribuinte contra o acórdão nº 20312.720, que julgou procedente o auto de infração lavrado para a cobrança de PIS relativos aos períodos de apuração de fevereiro/2000 e março/2000, junho/2000, julho/2000 e dezembro/2000 decorrentes da inclusão da base de cálculo da referida contribuição das variações cambiais passivas do contribuinte. A ementa dessa decisão recorrida está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 31/07/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000 PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 02/99. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. TRIBUTAÇÃO. LEI N° 9.718/98, ART. 90. REGIME DE COMPETÊNCIA OU DE CAIXA. OPÇÃO. MP N° 2.158/35/2001, ARTs. 30 E 31. Nos termos da Lei n° 9.718/98, arts. 9° e § 1° do art. 3° combinados, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo do PIS Faturamento, bem como da Cofins, a partir de fevereiro de 1999, devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência a partir do ano 2000, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para as duas Contribuições, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro, consoante o art. 30 da MP n° 2.15835/2001. Excepcionalmente e a critério do contribuinte, com relação ao ano de 1999 poderão ser feitos ajustes segundo o regime de caixa. Recurso negado. Por meio do Despacho nº 173, de 18/05/2009, sob o entendimento de terem sido cumpridos os requisitos de admissibilidade, o recurso foi admitido A Fazenda Nacional Fl. 734DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 6 apresentou contrarrazões às fls. 700 e seguintes, pede a manutenção da decisão recorrida. O recurso especial interposto apenas pelo contribuinte, gravitou exclusivamente em torno da constitucionalidade ou não do artigo 3º, §1º, da Lei 9.718/98, o que, segundo a recorrente, impossibilitaria a inclusão da variação cambial ativa na base de cálculo do PIS. Para demonstrar a divergência, indicou os seguintes acórdãos paradigmas admitidos pelo despacho de fls. 694/697: 20180512, 20180342 e 20218042. Assiste razão à embargante quando alega, que o recurso sequer deveria ser conhecido eis que SIC: "versa unicamente sobre matéria no qual está evidente a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, qual seja, a constitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei 9.718/98". E mais " Ora, a própria impugnante afirmou que a questão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS já se encontrava sob a tutela do Poder Judiciário, em sede de mandado de segurança, e, para evitar a concomitância entre as esferas administrativa e judicial, tentou levar a discussão para outro âmbito, da interpretação. Contudo, para fins de divergência, apresentou paradigmas defendendo a tese da inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 reconhecida pelo STF em controle difuso. Compulsando os autos e posteriormente o site da Justiça Federal do TRT da 4º Região, verificase os seguintes processos de interesse do contribuinte, relacionados com a matéria julgada: 1 Apelação Cível 2000.04.033670 (TRF); 2 Agr. de Instr. de decisão Denegat. de Rec Especial 2002.04.01.017326 (TRF). A ausência dessa informação levou à Câmara a decidir contrariamente ao disposto na Súmula do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como se sabe, as Súmulas têm a finalidade de uniformizar as decisões sobre determinadas matérias e, servem de base para futuros julgamentos sobre temas já pacificados. Tem efeito vinculante para o julgador. CONCLUSÃO Embargos acolhidos com efeitos infringentes para retificar o Ac. CSRF nº 9303002.213, de 12 de março de 2013, que conheceu do recurso e lhe deu provimento, para em função da Súmula do CARF nº 1, não conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303003.450 CSRFT3 Fl. 9 7 É como voto Maria Teresa Martínez López Fl. 736DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 20/ 04/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10735.722637/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2202-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente convocada).
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente convocada). Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente convocada). Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 26 37 /2 01 2- 61 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 , que bem retrata os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 2009, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 27 a 33, em que foram apuradas as seguintes infrações: * Dedução indevida com Dependentes no valor de R$ 1.730,40 (fl. 28); * Dedução indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 42.761,38 (fls. 29/30). Em virtude dessa infração, foi apurado o crédito tributário total de R$ 16.042,53 (fl. 27). A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam na notificação em pauta. Após a ciência em 20.06.2012 (cópia do AR à fl. 25), o contribuinte por meio do seu procurador – fls. 08 e 09, apresentou a impugnação de fl. 2, em 02.07.2012 conforme carimbo aposto pela funcionária Neide Gonçalves dos Santos – mat. SIAPE nº 0911707. Alega, em síntese, que o valor da dedução indevida referese a seus gastos de despesas médicas e de sua esposa – Rosalina de Oliveira. Concorda com a infração de Dedução Indevida com Dependentes. Em 04.10.2012, o contribuinte apresenta o requerimento de fl. 36, solicitando o cancelamento do aviso de cobrança de fls. 37 e 38, em virtude de ter ingressado com a impugnação em 02.07.2012 (fl. 2 e fl. 38) dentro do prazo previsto no art.15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tendo em vista a tempestividade da impugnação tratada no despacho de fl. 42, os autos foram encaminhados à DRJ para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) julgou improcedente a impugnação, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. Considerase como não impugnada a parte do lançamento contra a qual o Contribuinte não apresenta óbice. DEDUÇÃO COM DESPESA MÉDICA. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.722637/201261 Acórdão n.º 2202003.343 S2C2T2 Fl. 90 3 É de se manter a glosa apontada pela autoridade lançadora, uma vez que o contribuinte não apresenta declaração do plano de saúde discriminando o valor pago por cada beneficiário. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE AVISO DE COBRANÇA. Não é de competência desta DRJ a análise de pedido de cancelamento de aviso de cobrança nos termos do Regimento Interno da RFB. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05/09/2014, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 60, tendo interposto recurso voluntário em 12/11/2014 (fls. 62 a 81), no qual anexa o comprovante da empresa Sul América esclarecendo o beneficiário e o comprovante da empresa indicando a beneficiária. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do Contribuinte. Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 05/09/2014, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 60. Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 62 a 81) somente no dia 12/11/2014, estava exaurido o prazo legal de trinta dias. Portanto, o recurso foi interposto após o prazo legal, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecido. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13856.000946/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2007
REMISSÃO DO ART. 14 DA LEI N" 1L941/2009. DÉBITOS ABAIXO DE R$ 10,000,00, VENCIDOS HÁ 05 OU MAIS ANOS EM 31/12/2007, MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Para aplicação dessa benesse legal, necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos estejam abrangidos em termos de temporalidade do vencimento, débito total do sujeito passivo, administração (RFB ou PGFN) e tipo da exação, o que somente pode ser verificado pela autoridade preparadora, As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para aplicar, ou não, remissões definida em lei, matéria a ser solicitada na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2007 REMISSÃO DO ART. 14 DA LEI N" 1L941/2009. DÉBITOS ABAIXO DE R$ 10,000,00, VENCIDOS HÁ 05 OU MAIS ANOS EM 31/12/2007, MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Para aplicação dessa benesse legal, necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos estejam abrangidos em termos de temporalidade do vencimento, débito total do sujeito passivo, administração (RFB ou PGFN) e tipo da exação, o que somente pode ser verificado pela autoridade preparadora, As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para aplicar, ou não, remissões definida em lei, matéria a ser solicitada na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DÉBITOS ABAIXO DE R$ 10,000,00, VENCIDOS HÁ 05 OU MAIS ANOS EM 31/12/2007, MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Para aplicação dessa benesse legal, necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos estejam abrangidos em termos de temporalidade do vencimento, débito total do sujeito passivo, administração (RFB ou PGFN) e tipo da exação, o que somente pode ser verificado pela autoridade preparadora, As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para aplicar, ou não, remissões definida em lei, matéria a ser solicitada na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 09 46 /2 00 7- 31 Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13856.000946/200731 Acórdão n.º 2402005.087 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto por ITALO LANFREDI S/A INDUSTRIAS MECÂNICAS, em face do acórdão de fls. 3999/4017, que manteve parcialmente a NFLD n. 37.107.3618. Verificase da NFLD acima mencionada, o descumprimento, por parte da Recorrente, relativa às contribuições de segurados que não foram descontadas bem como para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência na incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), que recairão sobre as remunerações pagas ou creditadas, ainda, quanto às retenções de 11% (onze por cento) sobre valores de notas fiscais. Em análise do Relatório Fiscal constatase a existência de grupo econômico uma vez que a empresa autuada é sócia majoritária da Empresa Tec Molfer – Tecnologia, Modelos e Ferramentaria Ltda, restando configurado a responsabilidade solidária entre as mesmas. O contribuinte foi cientificado acerca do lançamento efetivado em. 07/12/2007 (fls. 03). Diversas diligências foram determinadas, as quais restaram prejudicadas tendo em vista a incidência da decadência qüinqüenal dos tributos previdenciários, Sumula nº 8, do Supremo Tribunal Federal. Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente Recurso Voluntário, através do qual sustenta os fatos geradores que originaram os lançamentos encontramse amparados pelo princípio da decadência, uma vez que, no caso em apreço transcorreramse em 5 anos e 11 meses da efetiva ocorrência dos fatos geradores. Por fim, pugna pela remissão do débito, com base na Lei 11.941/09, em virtude de o seu valor não ultrapassa o patamar de R$ 10.000,00 (dez mil reais), ali previsto. É o relatório. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES O Recorrente pugna pela incidência da decadência da cobrança dos valores exigidos e do período de dezembro/2001, no entanto, verifico que tal alegação não deve prosperar como passo a expor. No tocante a decadência, há que se considerar que o Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado de súmula vinculante com o seguinte teor: “Súmula vinculante n° 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Como não houve antecipação do pagamento, o prazo para a constituição do crédito previdenciário passa a ser de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I combinado com o artigo 149, caput e inciso V, ambos do Código Tributário Nacional — Lei n° 5.172/1966, recepcionada como Lei Complementar pela Constituição Federal de 1998. Logo, a regra pertinente para a contagem do prazo decadencial é a consignada no artigo 173, I, do CTN, que não socorre a pretensão da recorrente. E esta é a hipótese dos autos, razão pela qual afasto o reconhecimento da decadência pleiteada pela empresa Recorrente. Rejeito da preliminar, mas, registro que a competência 12/2001 (Levantamento TLF) está fulminada pela decadência. MÉRITO Inicialmente, cumpre salientar que os levantamentos objeto do presente auto de infração foram expurgados do lançamento quando do julgamento de primeira instância, com o reconhecimento da decadência, tendo sido mantido tão somente o lançamento TFL. Mas, quanto à competência 12/2001, única remanescente no presente lançamento, quanto ao levantamento TLF, entendo que o v. acórdão de primeira instância bem resolveu a questão, tendo em vista que efetivamente se trata de caso no qual deveria ter sido efetuada a retenção de 11% (onze por cento), senão vejamos: “(...) Das retenções sobre as notas fiscais Vêse que, superada a questão de quais competências estão abarcadas pela decadência, resta examinar o argumento da impugnante de que as mencionadas notas fiscais contêm serviços que não estariam sujeitos A retenção de 11% das contribuições previdenciárias. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13856.000946/200731 Acórdão n.º 2402005.087 S2C4T2 Fl. 248 5 Tal alegação é desacompanhada de documentos ou contratos entre tomadora e prestadora de serviços que pudessem esclarecer esses fatos e comprovar essa situação fática. Descumpriuse, assim, o art. 16, inciso III e § 4° do Decreto n° 70.235/72. Houve até a lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, o qual já foi julgado procedente em sessão de 17/06/2008 (processo 13856.000945/200797; debcad n° 37.107.3626), pela negativa de apresentação de contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros. Diz o art. 31 da Lei n° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5° do art. 33. (Redação alterada pela MP n° 1.66315, de 22/10/98, convertida na Lei n°9.711, de 20/11/98. Vigência a partir de 02/99) § 3° Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação alterada pela MP n° 1.66315, de 22/10/98, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/98). A obrigação tributária da empresa contratante (tomadora dos serviços) é clara, conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima transcritos. De acordo com o descrito no Relatório Fiscal, em relação a vários tipos de serviços prestados, obtidos dos arquivos contábeis, verificouse que a empresa autuada, tendo contratado serviços executados mediante cessão de mãodeobra, deixou de recolher as contribuições previdenciárias decorrentes da retenção dos 11% (onze por cento) prevista no caput do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.711/98. Assim, é inconteste, do que consta nos autos, que os serviços contratados estão sujeitos A retenção, enquadrandose nos termos da lei mencionada, conforme demonstram, a titulo exemplificativo, as cópias das Notas Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Fiscais de Prestação de Serviços juntadas pela fiscalização. Observase, até mesmo, que várias delas trazem a expressão "retenção para a Seguridade Social — 11% da MO". Portanto, improcedentes as meras alegações da impugnante no sentido de não estarem os serviços contratados com cessão de mãodeobra sujeitos A retenção legal de 11%. Subsiste o débito levantado a titulo de retenção de 11%, nos levantamentos cujas competências não foram atingidas pela decadência.” Isto em atenção ao que prevê o artigo 172 do CTN, senão vejamos: “Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I à situação econômica do sujeito passivo; II ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III à diminuta importância do crédito tributário; IV a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155.” Ainda que se refere à remissão, aponto o artigo 14 da Lei 11.941/09, o qual estabelece o valor para que se conceda a remissão de débitos junto a Fazenda Nacional, cito: “Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1º O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13856.000946/200731 Acórdão n.º 2402005.087 S2C4T2 Fl. 249 7 E nesta parte, entendo que o pedido de remissão, previsto no art, 14 da Lei 11.941/2009, é matéria estranha ao contencioso administrativo fiscal e deve ser deduzido junto à autoridade preparadora, ou seja, na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte. Lá é que essa autoridade pode verificar se o contribuinte se enquadra nesse normativo, aqui lembrando que o beneficio deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação aos débitos discriminados no art. 14, § 1o, I a IV, ou seja, somente a autoridade preparadora tem condições de saber se o exemplo implementa as condições dessa Lei. A aplicação de remissão é matéria de competência da autoridade preparadora, à luz da lei, não havendo controvérsia a ser dirimida no âmbito do processo administrativo fiscal, até porque isso não foi objeto de discussão quando da autuação. Ademais, eventual dissídio surgido na aplicação da Lei acima deve ser deduzido no rito da Lei geral do processo administrativo (Lei n° 9,784/99), não havendo previsão de discussão no âmbito do Decreto n° 0.235/72. (Processo 13925.000107/200671 acórdão número 2210200.752 1a. Cãmara 2a. TO). Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002104/2004-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/1996
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
Numero da decisão: 9303-003.318
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 21 04 /2 00 4- 45 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste CARF, tempestivamente apresentado pelo BANCO DA AMAZÔNIA S/A, com fulcro no 67 do RICARF (Portaria MF nº 256/09) em face do acórdão nº 330100.264, de 18/09/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear repetição de indébito tributário em relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em razão de pagamento indevido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que ocorreu o pagamento antecipado. Recurso Voluntário Negado. A matéria objeto do recurso especial é unicamente à relativa ao prazo para apresentação de pedido de restituição de PIS em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88. O sujeito passivo apresentou Recurso especial onde pleiteia a reforma do acórdão sob a alegação que apresentou o pedido de compensação antes de decorridos os dez anos dos fatos geradores que ensejaram o direito à retição do indébito. A PGFN apresentou contrarrazões a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo, começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Trata o presente processo de compensações efetivadas pelo contribuinte, conforme declarado em DCTF, relativas ao PIS do 4 ° trimestre de 1999 e janeiro a junho de Fl. 466DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 10280.002104/200445 Acórdão n.º 9303003.318 CSRFT3 Fl. 191 3 2000, conforme representações de fls. 01/06, com alegados créditos advindos de pagamentos da Contribuição para o PIS relativas aos períodos 10/1994 a 08/1996. O recurso voluntário foi negado. Foi apresentado o presente recurso especial, pelo contribuinte, onde se pleiteia a reforma do acórdão sob a alegação que apresentou o pedido de compensação antes de decorridos os dez anos dos fatos geradores que ensejaram o direito à repetição do indébito. Assiste razão a recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada efetivou as compensações do 4 ° trimestre de 1999 e janeiro a junho de 2000, antes de decorrido o prazo de dez anos a contar do fato gerador mais remoto (10/1994), não há que se falar em prescrição do direito do contribuinte a pleitear as restituições/compensações devidas. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, não existe nenhum período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto voto pelo provimento do recurso interposto pelo sujeito passivo. O processo deve retornar à origem para a análise do direito à compensação. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 467DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721862/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face do litígio presente nos autos.
Numero da decisão: 1302-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face do litígio presente nos autos.
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OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face do litígio presente nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 18 62 /2 01 0- 45 Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Na sessão plenária de 14 de março de 2012, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho julgou recurso de ofício interposto nestes autos, assim relatado no Acórdão nº 130200.834: A 5ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, tendo exonerado o crédito tributário constituído em desfavor de CAMARGO CORRÊA CIMENTOS S/A, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições do art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) glosa de despesas de juros, consignadas como decorrentes de operação de emissão de Fixed Rate Notes, mas que, para a autoridade autuante, representou operação de mútuo entre pessoas jurídicas vinculadas, com taxa superior ao permitido pela legislação; b) glosa de dedução de ágio em razão da ausência de observância dos requisitos legais. A autoridade fiscal aplicou multa qualificada de 150%, por entender que a conduta adotada pela contribuinte revelou planejamento das operações com o intuito de reduzir a base tributável das exações objeto de lançamento (IRPJ e CSLL). Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a já citada 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por meio do acórdão nº. 1631.907, de 07 de junho de 2011, julgou improcedentes os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR FIXED RATE NOTES CONTRATOS FIRMADOS ATÉ DEZEMBRO DE 1999. Exonerase o lançamento relativo a preços de transferênciajuros, quando a fiscalizada comprova, documentalmente, o registro do contrato no BACEN, exigindo a remessa de juros semestrais. INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. A legislação fiscal admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controlada por sua controladora, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, e a incorporação tenha sido realizada observando os ditames da legislação societária. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS. Se não é evidente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação que justificasse a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o lançamento efetuado, exonerase o acréscimo correspondente, mantendose a multa de oficio de 75% se houver lançamento mantido. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 4 3 O voto condutor da decisão de primeira instância, acolhido por unanimidade pela Turma Julgadora, apresenta como suporte para exoneração do crédito tributário constituído os seguintes elementos: REMESSA DE JUROS 1. a análise da documentação apresentada na impugnação, bem como dos demais documentos apresentados posteriormente pela fiscalizada antes do julgamento do processo (documentos do BACEN), permitiu verificar que a contribuinte possuía uma autorização Banco Central do Brasil (nº 241/33955, de 31 de outubro de 1997) para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00; 2. inexiste no Brasil diploma legal que vede a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes; 3. o §1º do art. 1º da Lei nº 9.959/2000, garantiu que a isenção de imposto de renda retido na fonte para remessa de juros desse tipo de contrato, prevista no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.481/1997, na redação da Lei nº 9.532/1997, continuaria valendo para contratos em vigor em 31/12/1999; 4. inexiste também qualquer vedação para que uma coligada da empresa no exterior readquira os títulos anteriormente em posse de terceiros, sendo importante para o Banco Central, apenas, que o numerário relativo às Fixe Rate Notes, tenha entrado no prazo autorizado e somente seja remetido ao credor ao término do contrato; 5. a coligada no exterior permaneceu com os títulos por apenas dois anos, de 2005 a 2007, quando então os repassou novamente; 6. a remessa de juros glosada está registrada no Banco Central que, necessariamente, autorizou a operação, não podendo a Fiscalização descaracterizar a operação e tributála pela regra dos preços de transferência para remessas sem contrato à controladas ou coligadas no exterior. ÁGIO 1. no presente caso, consideradas as características do negócio realizado, é indevida a utilização da expressão “empresaveículo”, como reforço da argumentação de ocorrência de planejamento tributário; 2. a controladora da fiscalizada (Camargo Correa S.A. – CCSA) realmente pagou pela aquisição das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 com ágio, sendo tal ágio determinado por meio de relatório de rentabilidade futura elaborado pelo banco Goldman Sachs, tendo ocorrido, inclusive, um ligeiro desconto no valor pago; 3. por serem grupos econômicos distintos, a CCSA teria o máximo empenho em pagar o menor valor possível, e não ao contrário, como é feito em “criação de ágio” entre empresas do mesmo grupo econômico; 4. a argumentação da Fiscalização no sentido de que o Grupo Econômico buscou adquirir empresas com o intuito único de transferir ágio é descabida; 5. a manifestação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais referenciada pela Fiscalização diz respeito a incorporações com ágio efetuadas através de empresasveículo, dentro de um mesmo grupo econômico, não sendo aplicável ao presente caso; 6. a indagação da Fiscalização no sentido de que, no caso sob apreciação, a contribuinte teria pago algum ágio ou teria tido um ganho de capital, é absurda, pois, ao que parece, esqueceuse que ganho de capital em transações de compra e venda só existe para a vendedora que venda o bem com um preço maior que a avaliação histórica dele na contabilidade (o lucro na venda constitui o ponto de partida para o cálculo do ganho de capital a ser pago pela vendedora do bem); Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 5 4 7. ágios em aquisição de bens são legais e podem ser amortizados, tanto que os arts. 385 e 386 do RIR/99 autorizam expressamente essa amortização; 8. o legislador deixou para os contribuintes a escolha de qual fundamento de ágio seria utilizado, não obrigando de maneira alguma que a avaliação fosse feita pelo fundo de comércio, podendo perfeitamente utilizar como fundamento de ágio o valor de rentabilidade da controlada com base em previsão de resultados futuros; 9. a Fiscalização declara e a contribuinte confirma que o fundamento para a apuração do valor do ágio foi o relatório efetuado pelo banco Goldman Sachs, com base em previsão de exercícios futuros, não havendo contestação, por parte da Fiscalização, desse relatório; 10. a descrição dos fatos apurados revela contradição, pois, nos parágrafos 2.2.3.8 a 2.2.3.17, afirmase em dado momento que o fundamento do ágio deveria ser a expectativa de rentabilidade futura, enquanto em outro desprezase essa avaliação em favor da avaliação do fundo de comércio, esquecendose com isso que a avaliação de fundo de comércio faz parte integrante do valor calculado com base em previsão de resultados futuros; 11. a argumentação sobre fundo de comércio não invalida o relatório do Banco Goldman Sachs, pois a Fiscalização não comprovou que os valores apresentados no referido relatório seriam falsos ou estariam errados; 12. a Fiscalização utilizou parte do estudo do valor das empresas Gaby 1, Gaby2 e Gaby3 encomendado pela contribuinte à KPMG Corporate LTDA para descaracterizar a avaliação feita pelo banco Goldman Sachs, porém, o que está dito apenas confirma que a avaliação foi feita à época da transação e que os valores não foram criados em 2010 por ocasião do estudo, que manteve os valores apurados anteriormente, servindo apenas para formalizar, no Brasil, o mesmo estudo feito pelo banco americano; 13. a argumentação tecida pela Fiscalização no sentido de que a contribuinte teria procurado obter o maior valor possível de ágio para aproveitarse da amortização, não é coerente, pois seria muito mais vantajoso para o grupo Camargo Correa pagar o menor preço possível pela aquisição, e não o contrário; 14. as afirmações da Fiscalização só fariam sentido se a transação tivesse ocorrido entre empresas do mesmo grupo econômico, com aquisições “pagas” em ações da empresa “compradora”, em que haveria interesse em criar o maior ágio possível, para ser amortizado posteriormente por ela ou pela sua incorporadora; 15. relativamente ao fato, destacado pela Fiscalização, de que a adquirente das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 foi a CCSA, inexistindo suporte legal para repasse à Fiscalizada da despesa de ágio, deve ser esclarecido que a CCSA não descontou qualquer ágio decorrente da aquisição e não incorporou as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, pois utilizou essas empresas para aumentar o capital da fiscalizada por conferência de ações, juntamente com o valor do pagamento de dívida que a CCSA tinha com uma controlada da fiscalizada, a empresa Cauê; 16. a empresa CCSA não reavaliou o valor das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, tendo transferido o controle dessas empresas pelo custo de aquisição, ou seja, não gerou qualquer ágio por essa transferência de controle das empresas; 17. somente quando as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 passaram ao controle da fiscalizada é que foram incorporadas e, a partir daí, o ágio gerado começou a ser amortizado; 18. o ágio somente é dedutível após a incorporação da controlada ou coligada, adquirida com ágio, conforme determina o art. 386 do RIR/99; Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 6 5 19. a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , pelo valor total pago, e uma vez que a CCSA não amortizou o ágio pago pelas empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e tendo a fiscalizada recebido e posteriormente incorporado as três empresas e desdobrado o custo de aquisição, tem ela (a fiscalizada) o direito de descontar o ágio nas condições preconizadas pelo o art. 386 do RIR/99; 20. não cabe a aplicação do art. 389 do RIR/99 para o presente caso como alega a Fiscalização, assistindo razão à contribuinte quando alega a aplicação indevida do artigo; 21. o artigo 389 trata de ágios e deságios obtidos em aquisições efetuadas por empresas, situadas no exterior, que sejam coligadas ou controladas de empresas situadas no país, consignando que o resultado de investimentos em coligadas ou controladas no exterior não pode se refletir na apuração do lucro real da empresa controladora ou coligada situada no país; 22. o artigo 389 do RIR/99 trata da proibição de refletir no resultado da apuração do lucro real da empresa no Brasil as contrapartidas de ajuste do valor dos investimentos ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição de investimentos efetuados por sociedades coligadas ou controladas, situadas no exterior, não se aplicando portanto ao caso em comento; 23. a Fiscalização limitouse a tomar como base de cálculo para o lançamento valores que a própria fiscalizada informou em resposta à intimação recebida (fls. 106), não se preocupando sequer em confirmar a exatidão das informações prestadas. MULTA QUALIFICADA 1. não restou comprovado o evidente intuito de fraude que justificasse a aplicação da multa de 150%; 2. a constatação da fraude exige que reste provada a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que esta quis os resultados que o art. 72 da Lei nº 4.502/1964 elenca como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos; 3. a redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, que estava em vigor à época dos fatos, falava em “evidente intuito de fraude”, o que exige que os elementos de prova utilizados em sua caracterização sejam facilmente identificáveis nos autos; 4. a Fiscalização limitouse a apresentar suas idéias, sem qualquer comprovação do alegado; 5. o que está declarado nos documentos acostados ao processo realmente ocorreu e a contribuinte não se negou a prestar qualquer informação, nem colocou obstáculos ao procedimento fiscal. O Colegiado embargado acordou, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer os créditos tributários constituídos, reduzindo a multa de 150 para 75% e, por voto de qualidade, determinar a aplicação de juros de mora de 1% sobre multa de ofício, vencidos os Conselheiros Diniz Raposo da Silva e Guilherme Polastri Gomes da Silva que afastavam os juros de mora aplicados sobre a multa de ofício. O acórdão em tela foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS. DEDUTIBILIDADE. LIMITE. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 7 6 Nos termos do disposto no art. 22 da Lei nº 9.430, de 1996, os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. Imprestável, como meio de prova do referido registro, extrato que, ainda que emitido pelo Banco Central do Brasil, não revela características essenciais do acordo pactuado. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em virtude da absoluta ausência de previsão legal, o ágio, supostamente incorrido na aquisição de participação societária de pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode ser transferido por meio de aumento de capital e quitação dívida. CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, a faculdade de amortização de ágio, nas condições ali referidas, limitase à apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte para a exasperação da multa aplicada, há que se reduzir o percentual correspondente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra a redução dos juros de mora aplicados sobre a multa de ofício, o qual foi admitido conforme despacho de fls. 1535/1538. Os autos seguiram para a Unidade de origem que lavrou a intimação de fls. 1542/1548, da qual a contribuinte foi cientificada em 09/03/2015 (fl. 1549), apresentando contrarrazões ao recurso especial (fl. 1550/1627). Antes, porém, a contribuinte opôs embargos, tempestivamente, em 16/03/2015, no qual apontou obscuridades e contradições assim abordadas no despacho de fls. 1765/1770: Obscuridade: Da Não Indicação dos Requisitos para a Comprovação do Registro da Repactuação dos Fixed Rate Notes no BACEN A embargante assevera que, embora o Conselheiro Relator tenha concluído que os documentos apresentados no curso do processo administrativo não seriam suficientes para comprovar o registro da repactuação dos Fixed Rate Notes no Banco Central do Brasil, acabou por esquivarse de esclarecer qual seria a documentação hábil e suficiente à comprovação do atendimento à necessidade de registro no BACEN, limitandose a, de forma reiterada, afirmar que a documentação trazida à baila pela ora Embargante é imprestável para tal fim. Acrescenta que a legislação invocada tão somente faz referência genérica à necessidade de registro no BACEN para fins de dedutibilidade dos juros pagos a pessoa ligadas no exterior, sem que quaisquer requisitos formais específicos seja estabelecidos. E, destacando as expressões que classifica como vagas, adotadas no voto condutor do julgado, aduz que não foi indicada qual seria a forma de registro no BACEN adequada, devida e prevista em lei. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 8 7 Assevera que a legislação fiscal não traz qualquer exigência quanto à forma a ser observada para fins de registro dos contratos de mútuo no BACEN e que a repactuação dos Fixed Rate Note foi efetivamente registrada no BACEN, cumprindo todas as formalidades exigidas por tal órgão em operações desta natureza, especialmente mediante realização do Registro de Operações Financeiras para informação da referida renovação, depois da migração dos Certificados de Registro para o sistema SISCOMEX, ainda que com alteração na numeração do título, consoante detalhado nos embargos. Finaliza observando que não verificando qualquer irregularidade no procedimento da contribuinte, o BACEN emitiu o ROF nº TA 345775, que é a formalização do seu deferimento quanto à operação de renovação, e, se reporta a documento juntado no qual o BACEN responde aos questionamentos formulados pela contribuinte acerca dos documentos que seriam aptos à comprovação do registro da operação de renovação dos títulos emitidos em 1997. Observase no relatório do acórdão embargado que a decisão de 1ª instância reconhecera que houve autorização do BACEN para emissão de Fixed Rate Notes, que não havia vedação legal à repactuação, e que a remessa de juros foi registrada, a evidenciar que o BACEN autorizou a operação. Por sua vez, o voto condutor do julgado evidencia as características da contratação inicial, destaca ressalva expressa pelo BACEN no registro da operação acerca da alteração de condições/características constantes do certificado, e assim expressa a análise dos documentos presentes nos autos: [...] Nestes termos, o voto condutor do julgado nega efeitos à simples comunicação, a título de renovação, da mudança nas condições de pagamento, exigindo o registro da repactuação do empréstimo e da taxa de juros acordada. Destaca que foi alterada característica essencial do empréstimo (de captação por meio de oferta pública para empréstimo de subsidiária integral) e que em tais circunstâncias, para que se evite a aplicação do limite imposto pela lei tributária na dedução dos encargos envolvidos, tal fato seja, como já dito, refletido em contrato e que este seja devidamente registrado no Banco Central do Brasil. Quanto à prova do registro da repactuação, o Conselheiro Relator consigna que só foi trazido o extrato correspondente ao Registro da Operação Financeira que, como reiteradamente afirmado, não traduz a repactuação empreendida. E isso provavelmente porque, a descrição dos documentos juntados às fls. 126/132, 1314/1322 e 1416/1424 não revelaria a concordância do BACEN com a ressalva posta no primeiro registro, de que o BACEN não reconhece qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrarie ou modifique as condições (características) constantes do presente certificado, sendo necessária a prévia autorização deste órgão para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas neste documento ou em condições diversas das nele consignadas. Tal inferência, porém, evidencia, neste juízo preliminar, que há, de fato, obscuridade a ser sanada, dado que frente aos registros de renovação apresentados em impugnação, não restou claro qual procedimento seria esperado para evitar a adição dos valores exigidos pela autoridade lançadora. Contradição: Transferência Indevida do Ágio A embargante diz que o voto condutor do julgando, em primeiro momento, afirma a impossibilidade legal de transferência do ágio, porque quem incorreu no sobrepreço foi outra pessoa jurídica (Camargo Corrêa S/A), e a transferência das participações para a fiscalizada se deu em razão de aumento de capital e quitação Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 9 8 de dívida, porém, mais à frente, o Conselheiro Relator parece entender que, no caso concreto, teria ocorrido uma indevida transferência do ágio para a ora Embargante, ao apontar que a subscrição e integralização do capital da embargante, com as ações das investidas, se deu sem a segregação do ágio. Entende a interessada que o raciocínio desenvolvido no julgado é claramente contraditório, porque ao mesmo tempo em que se afirma que o ágio teria sido transferido indevidamente para a Embargante em um determinado ponto da decisão, em outro aparentemente se questiona a própria ocorrência da transferência do ágio. Em consequência, não lhe é possível determinar com certeza qual é o entendimento manifestado por esta E. Turma a respeito da ocorrência ou não de indevida transferência do ágio para a Embargante. A contradição vislumbrada pela interessada decorre da abordagem sucinta do tema, revelando, em verdade, obscuridade, que também demanda saneamento para regular exercício do direito de defesa pela embargante. Contradição: Dedução do Ágio da Base de Cálculo da CSLL A interessada entende que há contradição na afirmação contida no voto condutor do acórdão embargado, no sentido de que a amortização do ágio seria aplicável apenas à base de cálculo do IRPJ, uma vez que não haveria autorização legal para a sua dedução da base de cálculo da CSLL. Reportandose aos argumentos apresentados em recurso voluntário, a embargante aduz que não há previsão legal da adição correspondente no âmbito da apuração da CSLL e que, considerando que a CSLL tem por base de cálculo o lucro líquido com ajustes expressamente previstos, sendo a amortização contábil do ágio permitida até a edição da Lei nº 11.638/2007, nada há que vede a referida dedução. Novamente não se verifica contradição como apontado pela embargante, até porque sua argumentação confronta a decisão com sua defesa, e não a decisão e seus fundamentos. Mas isto também porque a decisão limita a previsão legal de amortização do ágio ao art. 386, III do RIR/99, refutando de forma sumária a alegação, contida em impugnação (fls. 1151/1153), de que a jurisprudência administrativa demanda norma legal específica a determinar a adição em referência. Assim, também aqui há obscuridade na decisão acerca do ponto em referência. Confirmase, portanto, obscuridade nos três pontos indicados pela embargante, razão pela qual, neste juízo de cognição sumária, com fundamento no art. 65, §7o, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente distribuição para relatoria por esta Conselheira, em conformidade com o sorteio antes promovido. Esclareçase que, como o Conselheiro Relator não mais integra o Colegiado embargado, os autos foram atribuídos por meio de sorteio a esta Conselheira, na forma do art. 49, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os embargos foram opostos tempestivamente, e a embargante demonstrou aspectos que, embora não caracterizassem, propriamente, as contradições alegadas, revelavam obscuridades que demandavam saneamento, nos termos expostos no despacho de admissibilidade. Por tais razões, os embargos são CONHECIDOS. Passase, assim, ao exame das alegações da embargante. Da Não Indicação dos Requisitos para a Comprovação do Registro da Repactuação dos Fixed Rate Notes no BACEN Consta na decisão de 1ª instância a seguinte síntese da acusação fiscal: REMESSA DE JUROS O auditor relata que a fiscalizada emitiu, em 1997, Fixed Rate Notes (FRN) em um único lote de US$ 150.000.000 (cento e cinqüenta milhões de Dólares), operação registrada no Banco Central conforme Certificado de Registro n° 241/33955. Em 2005, na data do vencimento mas antes do resgate, a empresa Cauê, teria adquirido todos os títulos que estavam em poder de terceiros, passando a ser detentora dos mesmos no período de 2005 a 2007. A fiscalizada remeteu pagamento de juros à empresa Cauê, por conta de pagamento de juros dos títulos emitidos mas o auditor contestou essa remessa, afirmando que: “Entretanto, a intenção do contribuinte era a transferência de recursos para sua subsidiária no exterior, mediante o pagamento de juros, o que produz os mesmos efeitos de um contrato de mútuo, apesar de revestido de outra forma (emissão das FRN). Afinal, que outro motivo poderia haver, uma vez que a emissão das FRN tem por objetivo captar novos recursos para a empresa fiscalizada. Como essa captação poderia acontecer, uma vez que a detentora das FRN é sua própria subsidiária? Fica claro, o intuito de reduzir o resultado mediante o pagamento de juros. E ainda por cima, com uma taxa superior a que se praticaria com uma operação de mútuo comum. Tendo em vista as informações acima, fica patente que durante o ano de 2005 a empresa fiscalizada não estava apropriando despesas com o pagamento de juros de uma operação de lançamento de FRN e sim de uma operação de mútuo entre empresas vinculadas, com uma taxa muito superior ao que permite a legislação pertinente ao assunto. [...] Desse modo, o auditor fiscal apurou a base de cálculo tributável conforme a tabela a seguir: DESPESAS ANOCALENDÁRIO 2005 JUROS 8.178.730,06 [...] [...] Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 11 10 Entendeu também ser cabível o lançamento da multa de oficio qualificada , justificando, no caso de remessa ao exterior como , “A empresa fiscalizada, sabendo que suas FRN haviam sido adquiridas por sua controlada no exterior, continuou enviando juros para fora do país a uma taxa superior à permitida para operações entre vinculadas e por isso deve sujeitarse ao disposto no Art. 44, inciso I, § Io, da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)” A autoridade lançadora reportouse ao art. 22 da Lei nº 9.430/96 que estabelece limites à dedução de juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central no Brasil, observou que as remessas de recursos para o exterior, representadas pelos pagamentos de juros do contribuinte para sua subsidiária no exterior, deveriam ter sido registradas no Banco Central do Brasil, como uma operação de mútuo entre pessoas vinculadas, e concluiu que a dedução dos juros estaria limitada à variação da taxa Libor para os depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de 3% ao ano, a título de spread. À fl. 1092 consta demonstrativo que confronta as despesas escrituradas de R$ 31.549.287,83 com os juros calculados na forma do art. 22 da Lei nº 9.430/96 (R$ 23.370.557,77), e evidencia a glosa promovida de R$ 8.178.730,06. A Turma Julgadora de 1ª instância cancelou a exigência com base nos seguintes fundamentos expostos no voto condutor do julgado: Ocorre que, analisando a documentação apresentada na impugnação e mais os documentos apresentados posteriormente pela fiscalizada antes do julgamento do presente processo (documentos do BACEN), observase que, realmente, a contribuinte possuía uma autorização do BACEN de 31/10/1997, nº 241/33955, para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00. Observase que esse contrato sofreu em 16/01/2002 mudança de numeração quando o BACEN passou a utilizar a numeração eletrônica, passando a ser identificado pelo nº SA 008987, após a alteração feita pelo BACEN, de forma automática no sistema SISCOMEX. Em julho de 2005, a fiscalizada promoveu repactuação dos títulos passando o vencimento para 2035, e esse acordo, aprovado pelo BACEN , recebeu o nº TA 345775. Cabe notar, no presente caso, que não há diploma legal , emitido aqui no Brasil que proíba a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes e o §1º do art. 1º da Lei nº 9.959/2000, garantiu que a isenção de IRRF para remessa de juros desse tipo de contrato, prevista no inciso IX do art. 1º da Lei nº9.481/1997, na redação da Lei nº9.532/1997, continuaria valendo para contratos em vigor em 31/12/1999. Tampouco existe qualquer vedação que uma coligada da empresa do exterior readquira os títulos anteriormente em posse de terceiros, sendo importante para o BACEN apenas que o numerário relativo as Fixe Rate Notes, tenha entrado no prazo autorizado e somente seja remetido ao credor, ao término do contrato. Observase ainda que a coligada no exterior, permaneceu com os títulos por apenas dois anos , de 2005 a 2007, quando então os repassou novamente. Assim , a remessa de juros glosada pelo auditor fiscal, para o pagamento das obrigações fixadas no ROF nº TA 345775, está registrada no BACEN que, necessariamente autorizou a operação, não podendo o auditor fiscal descaracterizar a operação e tributála pela regra dos preços de transferência para Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 12 11 remessas sem contrato à controladas ou coligadas no exterior, impondose a exoneração do lançamento nesse quesito. Da mesma forma exonerase o lançamento decorrente de CSLL relativo a autuação da remessa de juros. A autoridade lançadora, portanto, afirmou que a remessa de juros a subsidiária no exterior em razão de Fixed Rate Notes por ela detidas estaria sujeita aos limites fixados no art. 22 da Lei nº 9.430/96, ao passo que a autoridade julgadora de 1ª instância deu relevo ao ingresso dos recursos em favor da autuada na forma registrada junto ao BACEN e à sua devolução ao credor no final do contrato, não vislumbrando vedação à aquisição, temporária, de tais títulos por uma subsidiária da contribuinte, e negando a possibilidade de descaracterização da operação como originalmente contratada. Já no acórdão embargando, observase que o voto condutor evidencia as características da contratação inicial, destaca ressalva expressa pelo BACEN no registro da operação acerca da alteração de condições/características constantes do certificado, e assim expressa a análise dos documentos presentes nos autos: Considerados os elementos reunidos ao processo, entendo, na linha da descrição trazida pela autoridade autuante, que, para fins tributários, estamos diante de dois negócios absolutamente distintos, sendo o primeiro, devidamente registrado no Banco Central do Brasil, firmado pela contribuinte em 1997, em que ela captou recursos no exterior por meio de lançamento de Fixed Rates Notes; e o segundo, representativo de mútuo entre a contribuinte e sua subsidiária integral, conforme ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA (fls. 1.227/1.313). Observese que, nos termos da observação 2 constante do registro da operação financeira realizada em 1997, restou assinalado pelo Banco Central do Brasil que ele não reconheceria qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrariasse ou modificasse as condições (características) constantes do certificado que, na ocasião, estava sendo registrado. Aditou, ainda, o BACEN, que seria necessária uma prévia autorização dele para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas naquele documento ou em condições diversas das nele consignadas. Entretanto, tomandose por base a ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA, verificase que: i) a contribuinte pactuou (expressão contida no referido documento) com sua subsidiária integral no exterior “a prorrogação da Data de Vencimento das Notas e a alteração de determinados outros termos das Notas”. Por ser digno de destaque, transcrevo, a seguir, excerto do item 1 (COMUNICAÇÃO DE ALTERAÇÃO À FIDUCIÁRIA) da citada ESCRITURA. ... Em conexão com a compra por uma subsidiária integral da emitente de 100% das Notas na Data de Vencimento ou antes dela e de acordo com a Seção 7.1 da Escritura de Fideicomisso, pelo presente solicitamos que V. Sas. dispensem as disposições estabelecidas em: (i) Condição 5(f) que exige que quaisquer Notas resgatadas ou compradas pela Emitente sejam canceladas, de forma que as Notas não sejam canceladas e permaneçam em circulação após a Data de Vencimento; e (ii) Condição 5 (e) que proíbe que a Emitente ou quaisquer de suas subsidiárias, na condição de Titulares das Notas, votem em quaisquer reuniões dos Titulares das Notas, de forma que a Emitente ou quaisquer de suas subsidiárias, na medida em que detenham coletivamente 100% das Notas, possam votar em quaisquer reuniões de Titulares das Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 13 12 Notas (ou celebrem uma Resolução por Escrito em vez de uma reunião de Titulares das Notas). Além disso, solicitamos que V. Sas. dispensem quaisquer exigências de notificações para convocar ou votar em uma reunião de Titulares das Notas. Solicitamos ainda pela presente que, quando a Fiduciária receber a comprovação ou confirmação de que a Cauê Finance Limited, uma subsidiária integral da Emitente, tem a titularidade de 100% das Notas na Data de Vencimento ou antes dela, a Fiduciária efetive a alteração e a consolidação da Escritura de Fideicomisso e as demais alterações determinadas na Resolução por Escrito da Cauê Finance Limited, juntada à presente como ANEXO A. Destaco que JP MORGAN TRUSTEE AND DEPOSITARY COMPANY LIMITED, como fiduciária, estabeleceu condições para aceitar as solicitações formalizadas pela contribuinte (item 2 – CARTA DO JP MORGAN). Chama atenção na documentação aportada ao processo pela contribuinte o fato de a ESCRITURA DE FIDEICOMISSO ALTERADA E CONSOLIDADA (traduzida por Tradutor Público) apresentar itens com a expressão “INTENCIONALMENTE OMITIDO”. Ainda que as alterações promovidas pela contribuinte no instrumento de captação de recursos no exterior tenham sido aceitas pelos demais intervenientes, penso que, mesmo desconsiderando outras modificações, a compra de 100% das notas emitidas por parte da sua subsidiária integral, revelou circunstância que, à luz do ordenamento jurídico pátrio, trouxe implicação tributária, qual seja, a de que a repactuação do empréstimo, dada a taxa de juros acordada, fosse devidamente registrada no Banco Central do Brasil, revelandose imprópria para tal a simples comunicação, a título de renovação, da mudança nas condições de pagamento. Observo, também, que o registro colacionado aos autos pela contribuinte, ao descrever as condições de lançamento da operação financeira, assinala que as NOTAS são listadas em BOLSA, tendo como praça a BOLSA DE VALORES DE LUXEMBURGO e como mercados de colocação a Europa e os Estados Unidos da América, representando, assim, uma OFERTA PÚBLICA de títulos. Com a devida vênia, tais condições não guardam qualquer relação com o que foi proposto e acordado na alteração promovida na ESCRITURA DE FIDEICOMISSO. O fato de o empréstimo tomado pela contribuinte contemplar sua repactuação não significa dizer que, alterada a sua característica essencial (captação por meio de oferta pública para empréstimo de subsidiária integral), tal “inovação” não deva ser adequadamente registrada no Banco Central do Brasil, de modo a satisfazer a exigência da lei tributária. Inexiste, como alegou a contribuinte, vedação legal quanto a quem deve ou pode adquirir FIXED RATES NOTES no exterior, porém, quando resta configurada uma efetiva modificação na forma de obtenção do empréstimo, traduzida pela reunião de todos os títulos emitidos na titularidade de sua subsidiária integral no exterior, fica evidente que, para que se evite a aplicação do limite imposto pela lei tributária na dedução dos encargos envolvidos, tal fato seja, como já dito, refletido em contrato e que este seja devidamente registrado no Banco Central do Brasil. A contribuinte, por meio da peça impugnatória, afirmou que o Banco Central analisou e aprovou a repactuação em debate, tendo, por meio da transmissão do Registro da Operação Financeira, lhe comunicado a respeito. Contudo, aos autos, só foi trazido o extrato correspondente ao Registro da Operação Financeira que, como reiteradamente afirmado, não traduz a repactuação empreendida. O argumento da autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que, considerados os documentos apresentados, foi possível verificar que a contribuinte possuía uma autorização Banco Central do Brasil (nº 241/33955, de 31 de outubro Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 14 13 de 1997) para emissão de Fixed Rate Notes, a serem colocadas no mercado europeu, no valor total de US$ 150.000.000,00, não é digna de reparo. Porém, o que não restou comprovado foi o registro, nos termos da lei, do contrato representativo do mútuo pactuado com a sua subsidiária integral. De fato, como alega a decisão combatida, não existe no Brasil diploma legal que vede a repactuação de um contrato de Fixed Rate Notes, contudo, existe lei que fixa limite à dedução dos juros no caso em que essa repactuação não é registrada no Banco Central do Brasil. A embargante assevera que, embora o Conselheiro Relator tenha concluído que os documentos apresentados no curso do processo administrativo não seriam suficientes para comprovar o registro da repactuação dos Fixed Rate Notes no Banco Central do Brasil, acabou por esquivarse de esclarecer qual seria a documentação hábil e suficiente à comprovação do atendimento à necessidade de registro no BACEN, limitandose a, de forma reiterada, afirmar que a documentação trazida à baila pela ora Embargante é imprestável para tal fim. Acrescenta que a legislação invocada tão somente faz referência genérica à necessidade de registro no BACEN para fins de dedutibilidade dos juros pagos a pessoa ligada no exterior, sem que quaisquer requisitos formais específicos sejam estabelecidos. E, destacando as expressões que classifica como vagas, adotadas no voto condutor do julgado, aduz que não foi indicada qual seria a forma de registro no BACEN adequada, devida e prevista em lei. Assevera que a legislação fiscal não traz qualquer exigência quanto à forma a ser observada para fins de registro dos contratos de mútuo no BACEN e que a repactuação dos Fixed Rate Note foi efetivamente registrada no BACEN, cumprindo todas as formalidades exigidas por tal órgão em operações desta natureza, especialmente mediante realização do Registro de Operações Financeiras para informação da referida renovação, depois da migração dos Certificados de Registro para o sistema SISCOMEX, ainda que com alteração na numeração do título, consoante detalhado nos embargos. Finaliza observando que não verificando qualquer irregularidade no procedimento da contribuinte, o BACEN emitiu o ROF nº TA 345775, que é a formalização do seu deferimento quanto à operação de renovação, e, se reporta a documento juntado no qual o BACEN responde aos questionamentos formulados pela contribuinte acerca dos documentos que seriam aptos à comprovação do registro da operação de renovação dos títulos emitidos em 1997. O voto condutor do julgado embargado, como visto, nega efeitos à simples comunicação, a título de renovação, da mudança nas condições de pagamento, exigindo o registro da repactuação do empréstimo e da taxa de juros acordada. Destaca que foi alterada característica essencial do empréstimo (de captação por meio de oferta pública para empréstimo de subsidiária integral) e que em tais circunstâncias, para que se evite a aplicação do limite imposto pela lei tributária na dedução dos encargos envolvidos, tal fato seja, como já dito, refletido em contrato e que este seja devidamente registrado no Banco Central do Brasil. Quanto à prova do registro da repactuação, o Conselheiro Relator consigna que só foi trazido o extrato correspondente ao Registro da Operação Financeira que, como reiteradamente afirmado, não traduz a repactuação empreendida. E isso provavelmente porque, a descrição dos documentos juntados às fls. 126/132, 1314/1322 e 1416/1424 não revelariam a concordância do BACEN com a ressalva posta no primeiro registro, de que o BACEN não reconhece qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrarie ou modifique as condições (características) constantes do presente certificado, sendo necessária a prévia autorização deste órgão para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas neste documento ou em condições diversas das nele consignadas. Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 15 14 De fato, especialmente o documento de fls. 1318/1322 e 1416/1424, correspondente ao Registro de Operação Financeira nº TA 345775, apenas traz a renovação do prazo de pagamento dos títulos FRN para acrescerlhe mais 360 (trezentos e sessenta) meses, expressamente negando a operação com o intercompany, e mantendo as características iniciais do lançamento dos títulos na Bolsa de Valores de Luxemburgo, em oferta pública. De outro lado, como exposto na escritura transcrita no voto condutor do acórdão embargado, o acordo para evitar o cancelamento das Notas na data de vencimento, e permitir que o pagamento da dívida somente fosse finalizado em 2035, foi firmado com subsidiária integral da contribuinte, e possivelmente somente se verificou em razão da ligação entre as empresas. Evidente, assim, que a contribuinte estendeu o prazo de pagamento dos juros em razão do novo acordo firmado com sua subsidiária, sendo insuficiente o registro junto ao BACEN, apenas, da prorrogação do prazo de vencimento dos títulos, sem a indicação de que esta renovação foi acordada com empresa ligada. A ausência desta informação no Registro de Operação Financeira nº TA 345775 impõe que sejam aplicados os limites legais à dedução de juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no BAnco Central do Brasil. Estas as razões para ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, sanando a obscuridade apontada pela contribuinte. Transferência Indevida do Ágio A acusação fiscal trouxe vários argumentos para glosar as amortizações de ágio que afetaram o lucro tributável do anocalendário 2005: A dedutibilidade dos encargos de amortização, portanto, está condicionada ao estrito cumprimento das condições impostas pelos referidos dispositivos. Caso estas sejam descumpridas, é inarredável concluir pela indedutibilidade de eventuais encargos de amortização contabilizados. Conquanto os documentos apresentados mencionem que o ágio pago pela Camargo Corrêa Cimentos teve como fundamento econômico o valor de rentabilidade da empresa Loma Negra C.I.A.S.A., com base em previsão de resultados em exercícios futuros, há que se tecer algumas observações sobre este assunto, levandose em conta as particulares do negócio. O exame da legislação tributária correlata ao tema aqui enfrentado denota que a dedutibilidade dos encargos de amortização de ágio para fim de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL cingese ao sobre preço pago que esteja assentado em expectativas de rentabilidade futura. Quaisquer outros fundamentos econômicos que eventualmente tenham alicerçado o ágio pago não autorizam sua amortização para efeito da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Outrossim, é inverossímil que o ágio efetivamente pago pela empresa CCC tivesse como fundamento econômico as expectativas de rentabilidade futura. Como desprezar todo o fundo de comércio da empresa "Loma Negra"? Para bem entender o alcance deste conceito, vem a propósito transcrever a definição do "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações" (7a edição página 172): [...] Relembrando que as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 foram compradas pelo valor de US$ 775.818.303, em 09/11/2005, apesar de ser constituída por um Patrimônio Líquido de US$ 136 milhões e com um ágio de US$ 639,8 milhões e no estudo elaborado peio grupo econômico Camargo Corrêa e seus assessores financeiros, a Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 16 15 Média Revisada do Valor do Capital era de US$ 829 milhões, em 29/03/2005. Diante dos fatos apresentados, cabe indagar: O Grupo Camargo Corrêa pagou algum ágio ou teve ganho de capital na compra das empresas Gaby's ? Qual foi o intuito da criação das empresas Gaby's, sendo que as sócias já detinham as participações nas empresas Holdtotal S.A. e na Loma Negra CIASA? Qual a expectativa de rentabilidade futura? Por que foram feitos dois estudos das empresas Gaby's, sendo que um deles foi feito quase cinco após a transação? Apenas para tentar uma justificativa perante o fisco? [...] Na situação posta, as operações societárias engendradas pelo grupo econômico Camargo Corrêa tiveram como objetivo aproveitarse da amortização do ágio pago pela empresa CCSA e gerado quando da aquisição das ações das empresas Gaby1 Gaby2 e Gaby3 (concretizadas em 09/11/2005) e transferidas para a empresa fiscalizada, em 30/11/2005 e no dia seguinte, incorporadas. E o ponto de partida para tal apropriação do ágio na empresa fiscalizada deuse com o aumento de capital na empresa CCC, ocorrido em 30/11/2005, com a transferência das ações das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e pelo pagamento de uma dívida, que a empresa CCSA tinha com sua controlada CCC. Concluise, por conseguinte, que o ágio inicialmente pago pela empresa CCSA foi transferido indevidamente para a empresa fiscalizada. É patente o desiderato do grupo econômico Camargo Corrêa de utilizarse das empresas adquiridas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 para carrear tal ágio para a empresa fiscalizada. Tanto é assim que as empresas foram constituídas apenas para facilitar a concretização das transações de Compra e Venda de Ações ("Stock Purchase Agreement") e a transferência do ágio da empresa CCSA para a empresa fiscalizada, sendo efêmeras suas existências legais (foram constituídas em 05/2005, adquiridas em 09/11/2005, transferidas em 30/11/2005 e incorporadas em 12/2005), sendo que no breve período em que foram dotadas de personalidade jurídica, os balanços patrimoniais das empresas Gaby1, Gaby2, Gaby3 foram compostos apenas das contas de Participações em Investimentos contra Patrimônio Líquido. Mostrase de hialina clareza a flagrante intenção do grupo econômico de adquirir as empresas com o fim único de transferir o ágio. Tratase de um caso típico de "empresas veículos", criada com este cínico intuito. A recente jurisprudência administrativa vem sendo firmada no sentido de se exigir um propósito negocial em operações societárias que visem apenas e tãosomente a alcançar benefícios fiscais, tal como no caso "sub examine". A título meramente ilustrativo, é oportuno transcrever excerto de julgado do então Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Medida Provisória n° 449/2008): [...] A transferência do ágio pago pela empresa CCSA constituiu a "operação chave", a partir da qual o grupo econômico Camargo Corrêa pretendeu aproveitarse do beneficio fiscal concedido pela legislação pátria para diminuir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ora, o ágio foi efetivamente pago pela empresa CCSA e não pela sua controlada CCC. Portanto, o ativo (ágio) decorrente da aquisição de ações haveria de ser contabilizado na empresa CCSA adquirente das ações das empresas Gabyl, Gaby2 e Gaby3 e não na sua controlada CCC, que recebeu as ações. As operações societárias desencadeadas após a aquisição das ações das Gaby's lastrearamse nessa transferência do ágio pago pela empresa CCSA para a empresa CCC. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 17 16 As condições de dedutibilidade de encargos de amortização de ágio previstas no art. 386 do RIR/99 tem como pressuposto uma anterior contabilização do custo de aquisição do investimento, nos termos do art. 385 também do RIR/99. [...] Resta incontestável, portanto, que o previsto no art. 385 do RIR/99 não é aplicável à Camargo Corrêa Cimentos, pois a empresa não comprou as empresas Gaby's, que foram usadas para a conferência de bens na subscrição de ações pelo seu valor "cheio", isto é, pelo seu valor de patrimônio líquido mais o ágio pago quando de sua aquisição pela empresa CCSA Em sendo indiscutível a inaplicabilidade da norma contida no art. 385, § 2° inciso II, do RIR/99 à operação que deu origem ao ágio pago na aquisição das ações das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, também é de cristalina certeza a não subsunção dos fatos correspondentes às operações societárias subseqüentes (incorporação) à norma prevista no art. 386, inciso III do RIR/99, uma vez que a incidência daquela constitui pressuposto para a dedutibilidade autorizada por esta (atendidas as demais condições por ela impostas). Por conseguinte, a despeito da tentativa da empresa CCSA de transferir para sua controlada CCC o ágio pago, a legislação não autoriza que tal ágio seja aqui transferido, no momento posterior a aquisição da participação, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSSL da empresa CCC. [...] É de cristalina certeza a subsunção dos fatos, que as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 eram sociedades estrangeiras controladas e não funcionaram no país à norma contida no art. 389, § Io do RÍR/99, que impossibilita a amortização do ágio e conseqüentemente a redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL na empresa CCC. A Turma Julgadora de 1ª instância cancelou a glosa refutando todos os argumentos apresentados pela autoridade lançadora e, especificamente com referência à impossibilidade de transferência do ágio, consignou que: Ocorre que a empresa CCSA não descontou qualquer ágio decorrente da aquisição e não incorporou as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, pois utilizou essas empresas para aumentar o capital da fiscalizada por conferência de ações, juntamente com o valor do pagamento de dívida que a CCSA tinha com uma controlada da fiscalizada, a empresa Cauê. Constatase que a empresa CCSA não reavaliou o valor das empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3, tendo transferido o controle dessas empresas pelo custo de aquisição, ou seja não gerou qualquer ágio por essa transferência de controle das empresas. Somente quando as empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 passaram ao controle da fiscalizada é que foram incorporadas e, a partir daí, o ágio gerado começou a ser amortizado. Observase aqui, por importante, que o ágio somente é dedutível após a incorporação da controlada ou coligada, adquirida com ágio ,conforme determina o art. 386 do RIR/99 a seguir reproduzido: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n2 9.532, de 1997, art. 7, e Lei n 9.718, de 1998, art. 10): Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 18 17 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2 do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de quetrata o inciso III do § 2 do artigo anterior, em contrapartida a contade ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 22 do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo para cada mês do período de apuração; ......................................................................................................................” Por outro lado, a legislação fiscal não proíbe, que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , ´pelo valor total pago, e uma vez que a CCSA não amortizou o ágio pago pelas empresas Gaby1, Gaby2 e Gaby3 e tendo a fiscalizada recebido e posteriormente incorporado as três empresas , desdobrado o custo de aquisição , a fiscalizada tem o direito de descontar o ágio nas condições preconizadas pelo o art. 386 do RIR/99, acima citado. No voto condutor do julgado, depois de descrever a acusação fiscal, o Conselheiro Relator afastou dois dos fundamentos expostos pela autoridade lançadora, e restabeleceu as glosas de amortização em razão da constatação de que o ágio efetivamente pago pela empresa CAMARGO CORRÊA S/A, e não pela fiscalizada, inexistindo, na legislação, norma que autorize transferência da referida despesa em momento posterior a aquisição da participação, a evidenciar que na dedução do ágio, a fiscalizada não observou as condições impostas pela legislação (art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997), consoante assim exposto: Apreciando, contudo, os fatos e a legislação a eles aplicada, inclinome a acolher a tese expendida pela autoridade fiscal no sentido de que não encontram presentes circunstâncias capazes de autorizar a amortização do ágio em questão. Com efeito, considerado o disposto no caput do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo transcrito, descabe falar em apropriação de ágio por parte da CAMARGO CORRÊA CIMENTOS, a fiscalizada, quando resta indiscutível que quem incorreu no suposto sobrepreço foi a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA S/A e que a transferência das participações, dela para a fiscalizada, se deu em razão de aumento de capital e quitação de dívida. Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): ... Alinhome, aqui, ao entendimento esposado na peça de autuação no sentido de que o disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99 (abaixo reproduzido) não pode ser interpretado de forma dissociada da norma estampada no caput do art. 385 do referido ato regulamentar, ou seja, o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, obviamente é de quem incorreu em tal custo, e a faculdade de amortizar o ágio antes segregado não é deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 19 18 ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; ... Registro que a única transferência de ágio albergada pela legislação vigor, condenada, digase de passagem, por robusta doutrina, é a prevista no inciso II do parágrafo 6º do art. 386 do RIR/99, que em nada se assemelha à situação sob exame. Nesse particular, discordo da apreciação feita em primeira instância acerca da referida indagação, eis que, salvo melhor juízo, não resta dúvida de que aquele que paga por um ativo montante inferior ao que este efetivamente representa no ato de aquisição, tem efetivamente um GANHO DE CAPITAL. Considerado o relato feito pela autoridade autuante, parece que a própria empresa CAMARGO CORRÊA S/A tinha conhecimento da impossibilidade, face a ausência de previsão legal, da transferência do ágio em questão, eis que, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor “cheio”, ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio líquido e ágio. Apesar de concordar com a decisão de primeiro grau no sentido de que não restam configurados nos autos circunstâncias que indiquem a constituição de “empresa veículo” no âmbito de um planejamento tributário, rejeito o argumento ali esposado de que a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada , pelo valor total pago. Não se trata, como parece crer a Turma Julgadora de primeiro grau, de vedação ao repasse de controle de empresas, mas, sim, de ausência de lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de dívida. Observo que a contribuinte, por meio da peça impugnatória, sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Diante do exposto sou, também, por dar provimento ao recurso relativamente a este item. A embargante diz que o voto condutor do julgado, em primeiro momento, afirma a impossibilidade legal de transferência do ágio, porque quem incorreu no sobrepreço foi outra pessoa jurídica (Camargo Corrêa S/A), e a transferência das participações para a fiscalizada se deu em razão de aumento de capital e quitação de dívida, porém, mais à frente, o Conselheiro Relator parece entender que, no caso concreto, teria ocorrido uma indevida Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 20 19 transferência do ágio para a ora Embargante, ao apontar que a subscrição e integralização do capital da embargante, com as ações das investidas, se deu sem a segregação do ágio. Entende a interessada que o raciocínio desenvolvido no julgado é claramente contraditório, porque ao mesmo tempo em que se afirma que o ágio teria sido transferido indevidamente para a Embargante em um determinado ponto da decisão, em outro aparentemente se questiona a própria ocorrência da transferência do ágio. Em consequência, não lhe é possível determinar com certeza qual é o entendimento manifestado por esta E. Turma a respeito da ocorrência ou não de indevida transferência do ágio para a Embargante. Constatase no voto condutor do julgado que o Conselheiro Relator expressou motivação suficiente para a conclusão de que o ágio somente poderia ensejar amortizações dedutíveis pela sociedade que efetivamente adquiriu os investimentos com ágio, qual seja, Camargo Corrêa S/A (CNPJ nº 01.098.905/000109), e não pela fiscalizada, sua controlada, Camargo Corrêa Cimentos S/A (CNPJ nº 62.258.884/000136), que somente recebeu as participações em razão de aumento de capital e quitação de dívida. Isto porque os arts. 385 e 386 do RIR/99 impõem a interpretação de que o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido cabe àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço, no caso, Camargo Corrêa S/A. Porém, na sequência desta abordagem, o Conselheiro Relator menciona que Camargo Corrêa S/A, sabendo daquela limitação, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor “cheio”, ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio líquido e ágio. A análise de todo o processo fiscal revela, em verdade, que o Conselheiro Relator pretendia, apenas, reproduzir em sua argumentação o seguinte excerto da acusação fiscal: 2.2.3.27 Resta incontestável, portanto, que o previsto no art. 385 do RIR/99 não é aplicável à Camargo Corrêa Cimentos, pois a empresa não comprou as empresas Gaby's, que foram usadas para a conferência de bens na subscrição de ações pelo seu valor "cheio", isto é, pelo seu valor de patrimônio líquido mais o ágio pago quando de sua aquisição pela empresa CCSA Significa dizer que para cumprir com sua obrigação de subscrever o capital da fiscalizada, Camargo Corrêa S/A entregoulhe as participações societárias em Gaby1, Gaby2 e Gaby3 já pelo valor "cheio" pago em sua aquisição, contemplando o valor equivalente ao patrimônio líquido das investidas e o ágio. Certamente os investimentos assim transferidos foram registrados pela fiscalizada com a segregação do ágio, pois de outra forma não seria possível a existência das amortizações aqui glosadas. Contudo, a argumentação desenvolvida pelo Conselheiro Relator evidencia, nos termos da sua conclusão, que embora assim promovida a operação, sua repercussão tributária não pode ser admitida, dada a ausência de lei autorizativa de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de dívida. Concluise, do exposto, que inexiste contradição no julgado, mas sim obscuridade acima esclarecida, razão pela qual os embargos são ACOLHIDOS sem efeitos infringentes. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 21 20 Dedução do Ágio da Base de Cálculo da CSLL A interessada entende que há contradição na afirmação contida no voto condutor do acórdão embargado, no sentido de que a amortização do ágio seria aplicável apenas à base de cálculo do IRPJ, uma vez que não haveria autorização legal para a sua dedução da base de cálculo da CSLL. Reportandose aos argumentos apresentados em recurso voluntário, a embargante aduz que não há previsão legal da adição correspondente no âmbito da apuração da CSLL e que, considerando que a CSLL tem por base de cálculo o lucro líquido com ajustes expressamente previstos, sendo a amortização contábil do ágio permitida até a edição da Lei nº 11.638/2007, nada há que vede a referida dedução. O voto condutor do acórdão embargado trouxe as seguintes referências acerca do tema: Observo que a contribuinte, por meio da peça impugnatória, sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Novamente não se verifica contradição como apontado pela embargante, até porque sua argumentação confronta a decisão com sua defesa, e não a decisão e seus fundamentos. Mas isto também porque a decisão limita a previsão legal de amortização do ágio ao art. 386, III do RIR/99, refutando de forma sumária a alegação, contida em impugnação (fls. 1151/1153), de que a jurisprudência administrativa demanda norma legal específica a determinar a adição em referência. Assim, cumpre apenas esclarecer que o art. 386, III do RIR/99 tem por fundamento legal a Lei nº 9.532/97, cujo texto fez referência, apenas, à repercussão das amortizações de ágio na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ. Vejase: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 22 21 IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (negrejouse) Daí a interpretação de que caberia à legislação de regência da CSLL constituir hipótese semelhante para permitir que as amortizações afetassem sua base de cálculo. Desta forma, inexistindo contradição no julgado, mas sim obscuridade acima esclarecida, os embargos são ACOLHIDOS sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.721862/201045 Acórdão n.º 1302001.821 S1C3T2 Fl. 23 22 Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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