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Numero do processo: 13817.000067/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO
Nos casos de lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado e não tendo havido dolo, fraude ou simulação, opera-se a decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento uma vez transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Decadência que se reconhece de ofício.
Numero da decisão: 2101-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar, de ofício, a decadência do direito de lançar o crédito tributário em discussão.
(assinado digitalmente)
__________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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RECONHECIMENTO DE OFÍCIO Nos casos de lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado e não tendo havido dolo, fraude ou simulação, operase a decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento uma vez transcorridos cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Decadência que se reconhece de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar, de ofício, a decadência do direito de lançar o crédito tributário em discussão. (assinado digitalmente) __________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 00 67 /2 00 7- 76 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual apurouse imposto sobre a renda de pessoa física suplementar (vide fls. 9). Em 23.3.2007, foi apresentada impugnação, na qual o interessado esclareceu terse equivocado nas informações prestadas na declaração, em virtude de não ter recebido os informes de rendimentos. Alegou não ter recebido as intimações porque o endereço estava errado. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 (SP) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1750.190, de 20 de abril de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 MAJORAÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Face aos elementos constantes dos autos, mantêmse as majorações dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e da dedução do imposto de renda retido na fonte, não tendo o impugnante apresentado qualquer comprovação capaz de ilidilas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 10 de junho de 2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual argumenta que o montante de R$ 71.802,36 referese a indenização trabalhista, do qual deve ser descontado o valor de R$ 19.500,00, pago a título de honorários de advogado. Requer nova apuração do imposto suplementar, considerando rendimento de R$ 52.302,36. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Cumpre ressaltar, por primeiro, que os autos deste processo não se encontram instruídos com o ato do lançamento, assim como também não foi acostada a comprovação da data da ciência do lançamento. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13817.000067/200776 Acórdão n.º 2101002.112 S2C1T1 Fl. 3 3 Todavia, a partir dos elementos constantes dos autos, é possível fazer uma série de inferências com segura margem de certeza, conforme veremos a seguir. Verificase, às fls. 5, tratarse de Auto de Infração referente ao exercício 2002, anocalendário 2001, postado em 25.9.2006, no qual foi lançado imposto sobre a renda de pessoa física suplementar no valor de R$ 9.697,01, acompanhado de multa de ofício e juros de mora. Apesar de terem sido feitas três tentativas (vide fls. 7), o contribuinte não foi localizado no endereço constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A correspondência que veiculava o lançamento suplementar foi devolvida ao remetente pelos Correios, em 3.10.2006, pelo motivo “Não existe o número” (fls. 8). Foi então providenciada a notificação por Edital, conforme registro às fls. 9, e fixada a data de vencimento da multa em 2.5.2007. Diante dessas informações, apesar de não ter sido anexada cópia do Edital, é possível inferir que se considerou o sujeito passivo notificado do lançamento em 2.4.2007, com base na regra do caput do artigo 160 do CTN (“Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento”). Antes mesmo de ser considerado notificado, por meio do edital, o contribuinte impugnou o lançamento em 23.3.2007, em impugnação considerada tempestiva pela DRJ (vide fls. 46), o que faz pressupor que o órgão julgador de primeira instância considerou que a notificação foi feita nos trinta dias anteriores ao da sua protocolização, ou seja, em fevereiro de 2007. Como se vê, independentemente da data considerada como data da ciência do lançamento, quer seja abril de 2007, quer seja fevereiro daquele mesmo ano, já haviam decorrido mais de cinco anos da ocorrência do “fato gerador” do tributo, que se deu em 31 de dezembro de 2001. Por essa razão, antes de adentrar o mérito, cumpre apreciar, de ofício, a decadência. Sobre o tema da decadência, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, em 12.8.2009, no julgamento do Recurso Especial REsp n.º 973.733/SC, firmou o entendimento de que, nos casos em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do imposto, desde que não tenha havido dolo, fraude ou simulação, deve ser adotada a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. A norma do artigo 173 do mesmo diploma é aplicável nos demais casos. A decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do mencionado Recurso Especial n.º 973.733/SC ficou assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13817.000067/200776 Acórdão n.º 2101002.112 S2C1T1 Fl. 4 5 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). (grifouse). O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos administrativos: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Depreendese, do entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n.º 973.733/SC, que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual: (i) não há constituição do crédito pelo contribuinte; (ii) não foi constatado dolo, fraude ou simulação e (iii) a legislação não previu o pagamento antecipado ou, tendoo previsto, o pagamento não foi comprovado, deve ser aplicado o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial quinquenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em análise, verificase que houve o pagamento antecipado do imposto sobre a renda correspondente ao anocalendário de 2001, consubstanciado nas retenções a esse título realizadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, fonte pagadora dos rendimentos do contribuinte, comprovadas nas DIRF às fls. 13 e 14. Não se preencheu, portanto, um dos requisitos necessários à aplicação da regra do artigo 173, I, do CTN, para as hipóteses de tributo sujeito a lançamento por homologação. Devese, assim, em princípio, contar o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, na forma prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Diante disso, em princípio, aplicável a regra do artigo 150, § 4.º do CTN. Todavia, antes de concluir pela aplicação do dispositivo, existe ainda outra questão a ser analisada, ainda no tema da decadência. É que existe declaração retificadora, apresentada em 16.3.2003 (fls. 18 a 21). Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Este Conselho tem entendido que a apresentação de declaração retificadora desloca o início do prazo decadencial, eis que eventual lançamento com base nas informações retificadas só pode ocorrer após o conhecimento destas pelo órgão fiscalizador. Nesse sentido, colacionamos as ementas a seguir: DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A apresentação de declaração retificadora, que visa a aproveitar deduções e compensações que não fizeram parte da declaração original, desloca o inicio do prazo decadencial para lançamento de eventual saldo de imposto decorrente de vício na retificadora apresentada. (Segunda Seção de Julgamento, 1.ª Câmara, 2.ª Turma Ordinária. Acórdão nº 2102001.136, de 13.5.2011. Relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima) DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. No caso de Declaração de Ajuste Anual apresentada em consonância com o entendimento do Fisco, porém posteriormente retificada, de forma a subtrair rendimentos à tributação, o termo de início do prazo decadencial deslocase da data do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CNT). (Segunda Seção de Julgamento, 1.ª Turma Especial. Acórdão nº 280100.252, de 21.9.2009. Relator: Julio Cezar da Fonseca Furtado) Com base nas decisões proferidas, cujas ementas se transcreveu, depreende se que, para que haja o deslocamento da data de início da contagem do prazo decadencial, na hipótese de haver declaração retificadora, é necessário que o lançamento tenha sido efetuado com base nas informações retificadas, eis que somente essas eram desconhecidas do órgão fiscalizador, mesmo considerando o fato de que a declaração retificadora se sobrepõe inteiramente à original. No presente caso, observase que os campos da declaração de ajuste do contribuinte alterados pela Fiscalização, em razão do lançamento de ofício, foram os Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica e o Imposto Retido na Fonte. Ocorre que essas informações não foram retificadas pelo contribuinte na declaração retificadora, o que significa dizer que o lançamento constante deste processo poderia ter sido feito com base nas informações prestadas na declaração de ajuste original, entregue em 25.3.2002 (vide fls. 16, 19, 25, 27, 29 e 34). Sendo assim, não há razão para deslocar a data de início da contagem do prazo decadencial, mesmo tendo havido declaração retificadora, já que não foram as informações retificadas nesta que suscitaram o lançamento. Diante dessas explanações, é de se concluir que o início do prazo para a contagem da decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento deve ser a data do “fato gerador” do tributo, eis que ao caso se aplica a regra do artigo 150, § 4.º, do CTN. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13817.000067/200776 Acórdão n.º 2101002.112 S2C1T1 Fl. 5 7 Cumpre, por fim, ressaltar que o “fato gerador” do imposto sobre a renda ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Desse modo, tratandose de lançamento correspondente ao anocalendário de 2001, poderia a fiscalização ter aperfeiçoado o lançamento até 31.12.2006, cinco anos, a contar da ocorrência do fato. Tendo em vista que a notificação ao contribuinte deuse em 2007, configurouse a decadência do “direito” da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto deste processo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer, de ofício, a decadência do “direito” da Fazenda Pública de lançar o crédito tributário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/ 03/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10480.722430/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PRELIMINAR DE NULIDADE - POSSIBILIDADE DE DELEGAR A COMPETÊNCIA PARA EDIÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE ENQUADRAMENTO/REENQUADRAMENTO DE PRODUTOS EM CLASSES DE VALORES DE IPI
É de se rejeitar a preliminar de nulidade quando restar demonstrada a inexistência de impedimento para que haja, por parte do Ministro da Fazenda, delegação de competência para a edição de Ato Declaratório Executivo de enquadramento/reenquadramento de produtos em classes de valores de IPI.
PRINCÍPIO DE AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS - NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO PRÓPRIO
Cada estabelecimento industrial é considerado como um ente autônomo e nesta condição cabe ao mesmo o cumprimento das obrigações tributárias, sejam elas principal ou acessória, como se dá com a obrigação de solicitar o enquadramento e/ou reenquadramento de produtos em classes de valores para o imposto do IPI.
ENQUADRAMENTO DE PRODUTOS EM CLASSES DE VALORES DE IPI - APLICAÇÃO DO ART. 3º, PARÁGRAFOS 2º E 3º, DA LEI Nº 7.798/89
As regras constantes nos parágrafos do art. 3º da Lei nº 7.798/89 destinam-se ao Poder Executivo e visam orientar o cumprimento do disposto no caput do referido artigo, em face da possibilidade de extensão do referido sistema de tributação.
APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN - NORMAS COMPLEMENTARES
Os atos normativos praticados pela administração são aqueles atos gerais que atingem todas as pessoas que se encontram na mesma situação. O Ato Declaratório Executivo de Enquadramento e/ou reenquadramento de produtos em classes de valores de IPI, ao contrário, são atos administrativos individuais, posto que alcançam exclusivamente os estabelecimentos industriais ali mencionados.
OBRIGATORIEDADE DO REENQUADRAMENTO DO PRODUTO - ALTERAÇÃO DE PREÇOS
Desde a inserção do Sistema de Tributação de IPI por unidade no mundo jurídico, por meio da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, a contribuinte já estava obrigada a informar os preços de venda que são essenciais para o devido enquadramento e/ou reenquadramento dos produtos nas classes de valores de IPI.
MULTA ISOLADA - DESTAQUE A MAIOR DE IPI DE VALORES RELATIVOS AOS SELOS DE CONTROLE INCLUÍDOS NA NOTA FISCAL
O lançamento do IPI, de iniciativa do sujeito passivo, deve ser feito sob a sua exclusiva responsabilidade no momento da saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, mediante emissão da Nota Fiscal, assumindo as consequências de suas incorreções. Incluir nas notas fiscais os valores atinentes aos selos de controle, a título de IPI, por sua livre e espontânea vontade, constitui infração ao art. 488, §1°, inciso IV, do RIPI/2002.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO
Constatado que os juros de mora, com base na taxa SELIC, lançados no Auto de Infração foram calculados unicamente sobre o valor de IPI apurado pela fiscalização, conclui-se pela falta de fundamentação da solicitação de se excluir os juros de mora sobre a multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do ADE nº 113/2009 do DRF Recife - PE, suscitada pelo Conselheiro Alexandre Gomes, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Fábia Regina Freitas.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora
EDITADO EM: 08/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina de Freitas.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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PRINCÍPIO DE AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO PRÓPRIO Cada estabelecimento industrial é considerado como um ente autônomo e nesta condição cabe ao mesmo o cumprimento das obrigações tributárias, sejam elas principal ou acessória, como se dá com a obrigação de solicitar o enquadramento e/ou reenquadramento de produtos em classes de valores para o imposto do IPI. ENQUADRAMENTO DE PRODUTOS EM CLASSES DE VALORES DE IPI APLICAÇÃO DO ART. 3º, PARÁGRAFOS 2º E 3º, DA LEI Nº 7.798/89 As regras constantes nos parágrafos do art. 3º da Lei nº 7.798/89 destinamse ao Poder Executivo e visam orientar o cumprimento do disposto no caput do referido artigo, em face da possibilidade de extensão do referido sistema de tributação. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN NORMAS COMPLEMENTARES Os atos normativos praticados pela administração são aqueles atos gerais que atingem todas as pessoas que se encontram na mesma situação. O Ato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 30 /2 00 9- 21 Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Declaratório Executivo de Enquadramento e/ou reenquadramento de produtos em classes de valores de IPI, ao contrário, são atos administrativos individuais, posto que alcançam exclusivamente os estabelecimentos industriais ali mencionados. OBRIGATORIEDADE DO REENQUADRAMENTO DO PRODUTO ALTERAÇÃO DE PREÇOS Desde a inserção do Sistema de Tributação de IPI por unidade no mundo jurídico, por meio da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, a contribuinte já estava obrigada a informar os preços de venda que são essenciais para o devido enquadramento e/ou reenquadramento dos produtos nas classes de valores de IPI. MULTA ISOLADA DESTAQUE A MAIOR DE IPI DE VALORES RELATIVOS AOS SELOS DE CONTROLE INCLUÍDOS NA NOTA FISCAL O lançamento do IPI, de iniciativa do sujeito passivo, deve ser feito sob a sua exclusiva responsabilidade no momento da saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, mediante emissão da Nota Fiscal, assumindo as consequências de suas incorreções. Incluir nas notas fiscais os valores atinentes aos selos de controle, a título de IPI, por sua livre e espontânea vontade, constitui infração ao art. 488, §1°, inciso IV, do RIPI/2002. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Constatado que os juros de mora, com base na taxa SELIC, lançados no Auto de Infração foram calculados unicamente sobre o valor de IPI apurado pela fiscalização, concluise pela falta de fundamentação da solicitação de se excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do ADE nº 113/2009 do DRF Recife PE, suscitada pelo Conselheiro Alexandre Gomes, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Fábia Regina Freitas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.457 3 EDITADO EM: 08/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina de Freitas. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Companhia Muller de Bebidas Nordeste, CNPJ 02.151.119/00190, em face do Acórdão n° 1135.938, prolatado pela 6ª Turma da DRJ/RECIFE, em 22/12/2011, que julgou improcedente a impugnação. A Lavratura do Auto de Infração de Imposto de Produtos Industrializados, contra a empresa acima identificada, CNPJ 02.151.119/00190 (estabelecimento matriz), para exigir R$. 417.596,99 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 1.446.724,47 de juros de mora calculados até 30/10/2009, R$ 4.813.197,48 de multa proporcional ao valor do imposto, R$ 2.354.957,17 de multa exigida isoladamente e R$ 2.465,03 de multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 15.034.941,14, decorreu do fato de se ter verificado que a contribuinte deu saída a produtos tributados (bebidas) sem lançamento ou com insuficiência de lançamento do imposto, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008, em função de a contribuinte ter deixado de solicitar o enquadramento/reenquadramento de produtos de sua fabricação (Conhaque DOMUS e Aguardente Pirassununga), além de ter adotado, nas saídas desses produtos, classes de valor de IPI menores que as calculadas em conformidade com as regras previstas no art. 150 do RIPI/2002 (Lei nº 7.798/89, arts. 2º e 3º). Consta dos autos a informação de que em razão de a contribuinte não ter requerido o enquadramento/reenquadramento dos produtos fabricados, foi solicitado à autoridade administrativa da DRF/Recife o enquadramento de ofício, nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 150 do RIPI/2002. Tal enquadramento se deu por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/REC nº 113, de 10/11/2009 (fl. 167), tendo as diferenças de apuração dos valores de IPI devido sido objeto de lançamento. As autoridades lançadoras asseveram ainda que a empresa destacou indevidamente, em notas fiscais emitidas entre janeiro de 2005 e outubro de 2007, valores que seriam relativos ao custo de aquisição de selos de controle e que foram cobrados de adquirentes de produtos da empresa, o que acarretou o lançamento de multa isolada de 75% sobre os referidos valores. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte, irresignada, apresenta impugnação, acatada pela autoridade de 1ª instância e cujos argumentos copiase do Acórdão recorrido por bem resumir as razões de defesa: “a) Após repisar os fundamentos utilizados pela fiscalização para efetivar o lançamento impugnado, defende o entendimento de que as autoridades autuantes teriam se baseado em uma interpretação equivocada do art. 5º da IN n° 796/2007, segundo a qual os contribuintes já estariam obrigados, a partir da data Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 de vigência da citada norma (24/12/2007), a solicitar o reenquadramento de bebidas para marcas de produtos já comercializados que tivessem as suas condições de comercialização modificadas. b) Alega que não haveria justificativa para o lançamento relativo à multa isolada de 75% decorrente da inclusão dos valores relativos aos selos de controle, nos períodosbase de janeiro de 2005 a outubro de 2007. c) Sustenta que o lançamento da forma como efetivado teria violado dispositivos da Lei nº 7.798/89 (art. 3°) e do RIPI/2002 (art. 142), uma vez que atribuiu classificação diversa a um mesmo produto (conhaque “Domus”), de mesma marca, capacidade e natureza do recipiente, que já possuía uma classificação prévia em decorrência de enquadramento emitido, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 127/98, em favor de empresa controladora da Impugnante, qual seja a "Indústria Müller de Bebidas", atual "Companhia Müller de Bebidas". d) Apresentando longa explanação, pautada em dispositivos doutrinários e nos princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade, argúi a nulidade do lançamento, alegando que a competência para o enquadramento e reenquadramento de ofício dos produtos fabricados seria exclusiva do Ministro da Fazenda, nos termos dos artigos 2º, caput, da Lei nº 7.798/89 e 150, caput, do RIPI/2002. e) Argumenta que não havia legislação, anteriormente à edição do Decreto nº 6.501/2008, estabelecendo a obrigatoriedade de reenquadramento, em função da modificação do preço dos produtos, mas tão somente quanto às condições de comercialização, condições estas que não teriam sido alteradas no período objeto da autuação (2005 a 2008). f) Defende a impossibilidade de imputação de multa isolada com relação ao valor dos selos de controle, em vista de que inexistiria na legislação qualquer previsão a respeito do local em que deveria ser feito o destaque de tal valor na nota fiscal. Além disso, o procedimento não teria ocasionado nenhum dano ao erário, uma vez que o valor dos selos de controle não gera crédito de IPI aos adquirentes dos produtos da empresa, posto que se tratam de estabelecimentos atacadistas e/ou varejistas que vendem diretamente ao consumidor final. Ao final, requer seja declarada a nulidade e insubsistência do auto de infração combatido, ao tempo em que protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, em especial pela juntada de novos documentos.” A DRJ em Recife/PE, em 22/12/2011, por meio do Acórdão n° 1135.938 prolatado pela 6ª Turma da DRJ/REC julga improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2005 a 31/12/2008 Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.458 5 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Não prestadas as informações para o enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores, ou prestadas de maneira incompleta ou incorreta, haverá enquadramento ou reenquadramento de ofício das bebidas, com a exigência da diferença de imposto e dos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/2005 a 31/12/2008 MULTA RELATIVA AO IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. APRESENTAÇÃO DE TODOS OS MEIOS DE PROVA ADMITIDOS EM DIREITO. MOMENTO. IMPUGNAÇÃO. Para que seja deferido o pedido de produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte tomou ciência do referido Acórdão em 04/05/2012 (AR fl. 1397), por meio da Intimação 002/2012 (fl. 1.387). Assim, devidamente cientificada, não concordando com a decisão de 1ª instância, apresentou recurso voluntário, em 04/06/2012, no qual refuta as razões de decidir da autoridade julgadora a quo e reprisa os argumentos já efetuados na impugnação segundo os seguintes itens e sub itens, cujos títulos resumese a seguir, na ordem em que foram apresentados: DA TEMPESTIVIDADE DO OBJETO DO PRESENTE PROCESSO Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA III.1 DA PRELIMINAR DE NULIDADE III.1.1 DA INDELEGABILIDADE DE COMPETÊNCIA PARA REALIZAÇÃO DE ATOS DE CARÁTER NORMATIVO – DO ENQUADRAMENTO E REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO DE PRODUTOS – ARTIGOS 2º, CAPUT, DA LEI Nº 7.798/89 E 150, CAPUT, DO RIPI/2002 III.2 DO DIREITO III.2.1 – DA EXISTÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO PARA O PRODUTO DA MARCA “DOMUS” COMERCIALIZADO PELA RECORRENTE – APLICAÇÃO DO ART. 3º, PARÁGRAFOS 2º E 3º, DA LEI Nº 7.798/89 – DESNECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO PRÓPRIO III.2.2 – DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE EVENTUAL DIFERENÇA DE IMPOSTO NO CASO CONCRETO – NÍTIDO CARÁTER ARRECADATÓRIO III.2.3 – DA APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN III.2.4 – DA AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO REENQUADRAMENTO DO PRODUTO FABRICADO PELA IMPUGNANTE EM RAZÃO DA ALTERAÇÃO DE PREÇOS III.2.5 – DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA – DA AUSÊNCIA DE DESTAQUE A MAIOR DE IPI DE VALORES RELATIVOS AOS SELOS DE CONTROLE INCLUÍDOS NA NOTA FISCAL – INEXISTÊ.NCIA DE LEGISLAÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DO LOCAL CORRETO PARA IDENTIFICAÇÃO DO VALOR DOS SELOS DE CONTROLE – REGISTRO DO CONTROLE DOS SELOS EM LIVROS PRÓPRIOS – AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO E DE DANO AO ERÁRIO IV – DA IMPOSSIBILIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO V – DO PEDIDO Especificamente quanto ao pedido, requer que seja declarada a nulidade e insubsistência do auto de infração combatido em decorrência da falta de competência legal do Delegado da Receita Federal para baixar o Ato Declaratório Executivo nº 113/2009 ou, caso contrário, seja dado provimento ao recurso para cancelar o lançamento, uma vez que não se admite a distinção de classes de IPI quando se trata de mesmo produto, da mesma marca, com as mesmas características de espécie, capacidade e natureza do recipiente, não havendo qualquer diferença de imposto a recolher em relação ao produto comercializado sob a marca “DOMUS”, ou, caso não acolhido esse pedido, que seja ao menos aplicado o parágrafo único do art. 100 do CTN, dandose provimento parcial ao recurso de ofício para que sejam cancelados os juros de mora e a multa de ofício sobre o crédito tributário lançado em relação ao produto da marca “DOMUS” no período de 2005 a 2008 e mais, que seja determinado o cancelamento do crédito tributário do ano de 2008 pela suposta ausência de solicitação de reenquadramento espontâneo, uma vez que anteriormente ao Decreto nº 6.501/2008, não havia determinação de reenquadramento obrigatório no caso de alteração de preço de produto, mas Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.459 7 tão somente de condições de comercialização, o que, alega, não ocorreu no caso concreto. Requer ainda que seja dado provimento ao recurso para cancelar a multa isolada, haja vista que não se trata de destaque de IPI, mas sim do valor de selos de controle, que não se configura ato ilícito ou dano ao erário e conclui, requerendo que, caso não acolhido nenhum dos pedidos anteriores, seja dado parcial provimento ao recurso para afastar a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Efetuase a análise dos argumentos na mesma ordem em que foram destacados no recurso voluntário: DA PRELIMINAR DE NULIDADE Especificamente sobre o questionamento acerca da competência legal do Delegado da Receita Federal para baixar o Ato Declaratório Executivo nº 113/2009, argumento utilizado para requerer a nulidade do lançamento, convém tecer os seguintes esclarecimentos: Maria Sylvia Zanela Di Pietro conceitua ato administrativo como “a declaração do estado ou de quem lhe represente, que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob regime jurídico de direito público e sujeita a controle pelo poder judiciário.” Um dos elementos essenciais do ato administrativo, entre outros, é a competência do agente, ou seja, que o praticante do ato seja a administração pública ou quem lhe faça as vezes, pois, se praticado por autoridade incompetente, este ato será considerado nulo ou inexistente. Contudo, a competência para realização de ato administrativo pode ser delegada e no que pertine à delegação da competência, pois como consta acima o ato pode ser praticado por quem faça as vezes da administração pública, há que se ter em conta os ditames da Lei 9.784/99 que assim prescreve em seus artigos 11 a 14: “Lei nº 9.784/99 “Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplicase à delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes. Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I a edição de atos de caráter normativo; II a decisão de recursos administrativos; III as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial. § 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada. § 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.” Vêse, pois, que o artigo 13 acima transcrito limita a delegação de competência, e, segundo a regra ali fixada, não podem ser objeto de delegação: os atos de caráter normativo; os atos decisórios sobre recursos administrativos e as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Os atos normativos, segundo doutrina administrativa, são aqueles que contêm um comando geral do Executivo, visando à correta aplicação da lei; estabelecem regras gerais e abstratas, pois visam a explicitar a norma legal, a exemplo dos Decretos, Regulamentos, Regimentos, Resoluções, Deliberações, etc. Vejamos, pois, como se deu no caso sob enfoque: A Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, em seu art. 2º, estabeleceu a competência de enquadramento do produto na classe ao Ministro da Fazenda, cujo dispositivo foi repetido no art. 150 do RIPI/2002, in verbis: Lei nº 7.798/89 “Art. 2º. O enquadramento do produto na classe será feito pelo Ministro da Fazenda, com base no que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, sobre o valor tributável. § 1º. Para efeito deste artigo, o valor tributável é o preço normal da operação de venda, sem descontos ou abatimentos, para terceiros não interdependentes ou para coligadas, controladas ou controladoras (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 243,§§ 1º e 2º) ou interligadas (DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º). Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.460 9 § 2º. O contribuinte informará ao Ministro da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente. § 3º. O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais. § 4º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, observados os limites constantes do Anexo I”. RIPI/2002 “Art. 150. O enquadramento dos produtos nacionais nas classes de valores de imposto será feito por ato do Ministro da Fazenda, segundo (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 2º e 3º, e Nota do seu Anexo I):” Da regra acima transcrita, constatase, ao contrário do alegado pela recorrente, que a competência legal não foi estabelecida ao Ministro da Fazenda com cláusula de exclusividade, o que torna permissiva a delegação de competência de edição do ato e, também, não consta da regra acima expressa vedação legal para a ocorrência de delegação de competência. Por sua vez, o enquadramento dos produtos nacionais nas classes de valores de imposto dáse mediante a edição de Ato Declaratório Executivo (ADE), que tem natureza declaratória, individual e específica, posto que visa declarar a classificação de produtos de determinado estabelecimento industrial nas classes de valores de imposto. Portanto, não se trata de ato administrativo normativo e desta forma, também sob este aspecto, não há impedimento para que haja delegação de competência para a sua edição. Desse modo, tal competência pôde ser delegada e o Ministro da Fazenda utilizando seu poder hierárquico assim o fez, consoante já bem destacado pelo Acórdão recorrido a seguir transcrito: “Ocorre, todavia, que a competência conferida ao Ministro da Fazenda, pelo acima transcrito art. 150 do RIPI de 2002, foi delegada ao Secretário da Receita Federal (hoje Secretário da Receita Federal do Brasil), pela Portaria MF no 27, de 11 de fevereiro de 2003, publicada no Diário Oficial da União de 12 de fevereiro de 2003, autoridade esta que, por sua vez, valendo se da Portaria RFB no 1.069, de 4 de julho de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 7 de julho de 2008 e com vigência a partir de 1º de agosto de 2008, subdelegou competência aos Delegados das Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF) e das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat, hoje extintas), para editar Ato Declaratório Executivo (ADE) visando ao enquadramento de que trata o dispositivo legal em apreço. Eis o teor da citada Portaria RFB no 1.069, de 4 de julho de 2008: Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 ‘O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso de suas atribuições, e da competência que lhe foi delegada pela Portaria MF nº 27, de 11 de fevereiro de 2003, resolve: Art. 1º Subdelegar competência aos Delegados das Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF) e das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) para editar Ato Declaratório Executivo (ADE) de que trata o art. 150 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. Art. 2º Fica revogada a Portaria RFB nº 10.685, de 13 de julho de 2007. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor em 1º de agosto de 2008.’ E foi exatamente no uso dessa competência, subdelegada pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, que o Delegado da DRF/Recife baixou o Ato Declaratório Executivo nº 113, de 10 de novembro de 2009 (fl. 167), o qual estabeleceu o enquadramento de ofício dos produtos objeto da presente imputação fiscal.” Assim esclarecido, vêse que o Delegado da Receita Federal praticou o ato administrativo com base na competência devidamente delegada e, sendo assim, o mesmo revestese de validade. Desta forma, constatase inexistir a nulidade argüida, posto que o lançamento sob litígio foi praticado por agente competente e nos moldes previstos no Decreto nº 70.235/72. DO MÉRITO DA NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO DO PRODUTO “DOMUS” PARA O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E DA COBRANÇA DE EVENTUAL DIFERENÇA DE IMPOSTO NO CASO CONCRETO Como relatado, a autuação se deu, entre outros motivos, em face de a contribuinte ter deixado de solicitar o enquadramento/reenquadramento de produtos de sua fabricação (conhaque “Domus”), além de ter adotado, nas saídas desses produtos, classes de valor de IPI menores que as calculadas em conformidade com as regras previstas no art. 150 do RIPI/2002 (Lei nº 7.798/89, arts. 2º e 3º), posto que se utilizou para dar saídas desses produtos do enquadramento emitido, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 127/98, em favor de empresa controladora da recorrente, qual seja a "Indústria Müller de Bebidas", atual "Companhia Müller de Bebidas", por entender, a contribuinte, que o enquadramento deve ser único para o mesmo produto (conhaque “Domus”), de mesma marca, capacidade e natureza do recipiente, sob pena de violação aos arts. 3º, §3º da Lei nº 7.798/89 e 142, do RIPI/2002. Discordando dessa prática, a autoridade administrativa efetuou o enquadramento de ofício e, em decorrência, efetuou o lançamento para cobrança de ofício da diferença de imposto apurada, com os devidos acréscimos legais. A recorrente em seu recurso voluntário refuta as razões de decidir da autoridade julgadora de 1ª instância, a qual ressaltou a autonomia dos estabelecimentos industriais, no que pertine ao cumprimento das obrigações tributárias do imposto sobre produtos industrializados, alegando que a mesma não observou a regra central que inspirou Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.461 11 todo o sistema de classificação para fins de apuração de IPI, que é a uniformização de classes para o mesmo produto e cita que a IN 797/07 confirma esse entendimento, ao prever, em seu art. 6º, que, na hipótese de diferentes estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica fabricarem produtos de mesma marca comercial, com a mesma classificação fiscal na TIPI, o mesmo tipo de recipiente e a mesma faixa de capacidade, deverá ser informado o preço médio praticado pelos estabelecimentos, o que, segundo ele, tem como finalidade evitar um enquadramento diverso para o mesmo produto, posto que assim não haveria diferença de preço, caso seja esse um dos elementos usados para classificação na classe de produtos de valores de IPI. Ressalta que passou a comercializar o mesmo produto já classificado (não se tratando de produto novo no mercado) por meio da celebração de um contrato de concessão de uso de marca pela sua controladora (doc. 08 anexo à impugnação), com registro no INPI (doc. 09 anexo à impugnação) e que, por isso, utilizouse da classificação “J” já admitida no ADE nº 127/98, e que outra classificação não poderia ser, mesmo que tivesse à época efetuado a solicitação de enquadramento, posto que o art. 3º, §3º da Lei nº 7.798/89 veda a distinção de classes entre produtos de mesma espécie, capacidade e natureza de recipiente. Também, refuta o lançamento da diferença apurada, cujo embasamento legal deuse por meio do §4º do art. 150 do RIPI/2002, alegando que a regra ali estabelecida exige a diferença de imposto em hipóteses em que não se tem previamente qualquer enquadramento de classe de um produto (marca) já comercializado e que, no caso em concreto, o enquadramento de ofício jamais poderia resultar em diferença de imposto, haja vista que o produto já era comercializado e já enquadrado pelo ADE nº 127/98 em que foi classificada na classe “J”. Sobre as questões aqui postas, é de se concordar que, de fato, o sistema de tributação do IPI por unidade de bebida, segundo classes de valores, introduzida no mundo jurídico pela Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989 no que respeita aos produtos discriminados no Anexo I do ato legal (bebidas das posições 2204 – vinhos –, 2205 – vermutes –, 2208 – aguardentes de vinho, de cana, de frutas, uísques, gim, batidas e outras bebidas –, e 2209 – vodka –, todas da TIPI/88, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988), bem como a produtos do capítulo 21 e a outras bebidas do capítulo 22, conforme a eventual extensão do referido sistema de tributação autorizado pelo o art. 3º da lei mencionada, leva a uma harmonização e padronização da forma de tributação do IPI para determinados setores. Mas, a mesma foi editada, principalmente, para efeito de controle de mercado. A forma de enquadramento dos produtos para tributação do IPI, por essa lei introduzida, segundo a regra estabelecida nos arts. 2º da Lei nº 7.798/89 e150 do RIPI/2002, dáse por meio de ato administrativo declaratório, de competência do Ministro da Fazenda que, como se viu acima foi delegada e sub delegada aos delegados das Delegacias da Receita Federal. Consoante consta do §5º do art. 150 do RIPI/2002, abaixo transcrito, o enquadramento inicial poderá ser alterado, quando surgirem fatos novos que influam em sua classificação inicial, a exemplo dos preços praticados no mercado: RIRI/2002 “§ 5º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, de ofício ou a pedido do próprio contribuinte, observados os limites constantes do art. 141”. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Dessa forma, verificase que, mesmo se tratando de produto já inserido no mercado e já devidamente enquadrado, tal enquadramento poderá ser alterado, mesmo que tal produto continue sendo produzido pelo o mesmo estabelecimento, sempre que as condições de comercialização foram alteradas, de forma que possa haver alteração na classe de valores do IPI em que se enquadra o produto, o que se faz de ofício ou a pedido da contribuinte por meio de Solicitação de Reenquadramento. Esta assertiva é igualmente válida quando também haja alteração de estabelecimento industrial, sem que isso implique violação ao disposto no art.3º, §3º da Lei nº 7.798/89, por uma simples razão, qual seja, a de que as regras constantes nos parágrafos do art. 3º da Lei nº 7.798/89 destinamse ao Poder Executivo como regramento para o cumprimento do disposto no caput do referido artigo, posto que a lei ali concedeu a possibilidade de o Poder Executivo estabelecer classes de valores correspondentes ao IPI a ser pago no que concerne a outros produtos dos capítulos 21 e 22 da TIPI, que não haviam sido inseridos no anexo I da própria lei. Em havendo a alteração de estabelecimento industrial para a produção de produto já constante no mercado é correto o entendimento proferido pela autoridade julgadora de 1ª instância acerca do princípio de autonomia do estabelecimento industrial, posto que, de fato, segundo o Código Tributário Nacional, no parágrafo único do art. 51, para os assuntos relativos a IPI, considerase como contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Ou seja, cada filial, estabelecimento industrial, é considerada como um ente autônomo e nesta condição cabe ao mesmo o cumprimento das obrigações tributárias, sejam elas principal ou acessória, como se dá com a obrigação de solicitar o enquadramento e/ou reenquadramento de produtos em classes de valores para o imposto do IPI. Como se verifica da transcrição do ADE nº 127/98 efetuada pela recorrente em sua peça recursal, aquele ato foi emitido em função da marca comercial (Domus), capacidade do recipiente (classe IV), mas, também, em função do estabelecimento industrial, contribuinte à época da edição do mesmo (CNPJ 54.844.568/000118), consoante confirma a recorrente. Assim, no momento em que a contribuinte, ora recorrente, em cumprimento ao contrato firmado com a sua controladora, passou a industrializar e comercializar o produto conhaque “DOMUS”, teria ela que, como estabelecimento industrial autônomo, contribuinte de IPI, nos termos do art. 51, II e parágrafo único do CTN, solicitar o enquadramento do produto então por ela industrializado, mesmo que esse produto não fosse produto novo e mesmo que de tal solicitação não resultasse alteração de enquadramento. Em assim não fazendo, coube à Administração Tributária, por meio de seu agente competente, efetuar de ofício o enquadramento do produto industrializado pela recorrente, com base no que dispõe o §4º do art. 150 do RIPI/2002: “§ 4º O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 3º)”. É certo que, do enquadramento de ofício promovido para a contribuinte ora recorrente resultou alteração de classe para o mesmo produto já existente no comércio, o que é viável, como já acima ressaltado, e, portanto, em assim sendo, concluise pela correção do lançamento para exigência da diferença apurada, consoante determina o disposto na regra Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.462 13 acima transcrita, a qual, diferentemente da conclusão da recorrente, aplicase no caso em questão, haja vista que se apurou nova classe e valor decorrente do enquadramento inicial para a recorrente, novo estabelecimento industrial autônomo. DA APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 100 DO CTN Neste ponto, a recorrente afirma que agiu em estrita observância ao Ato Declaratório Executivo nº 127/98, o qual, nos termos do art. 100 do CTN é considerado norma complementar à legislação, fazendose necessário, ao menos, que o E. CARF, em respeito ao disposto no parágrafo único do referido dispositivo, determine a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora incidentes sobre o crédito tributário lançado. O art. 100 do CTN assim dispõe: “NORMAS COMPLEMENTARES Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II – as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III – as práticas, reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV – os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” Não resta dúvidas de que a observância de normas complementares, nos termos do art. 100 do CTN, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Resta, então, analisar e decidir se o Ato Declaratório Executivo nº 127/98 em que se respaldou a contribuinte para classificar seus produtos caracteriza norma complementar, como alega a recorrente. Consoante ensinamento de Maria Sylvia Zanella di Pietro em seu livro de Direito Administrativo, atos normativos praticados pela administração são aqueles atos gerais que atingem todas as pessoas que se encontram na mesma situação, tais como, os regulamentos, as portarias, resoluções, circulares, instruções, deliberações e regimentos. O Ato Declaratório Executivo nº 127/89, emitido de acordo com a Lei nº 7.798/89, é um ato administrativo individual, posto que alcança exclusivamente os estabelecimentos industriais ali mencionados, não alcançando todas as pessoas que se encontram na mesma situação. Tanto é assim que se exige que cada contribuinte, Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 estabelecimento autônomo, efetue a sua solicitação de enquadramento, conforme exigência contida no art. 2º da mencionada lei: “Art. 2º. O enquadramento do produto na classe será feito pelo Ministro da Fazenda, com base no que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, sobre o valor tributável. § 1º. Para efeito deste artigo, o valor tributável é o preço normal da operação de venda, sem descontos ou abatimentos, para terceiros não interdependentes ou para coligadas, controladas ou controladoras (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 243,§§ 1º e 2º) ou interligadas (DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º). § 2º. O contribuinte informará ao Ministro da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente. § 3º. O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais. § 4º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, observados os limites constantes do Anexo I.” (grifos nossos). Dessa forma, o ADE nº 127/89 não se caracteriza como norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN e, consequentemente, a observância do ali estabelecido por parte da contribuinte constituiu um risco assumido, mas que não respalda a exclusão da imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora, conforme alegado. DA OBRIGATORIEDADE DO REENQUADRAMENTO DO PRODUTO FABRICADO PELA IMPUGNANTE EM RAZÃO DA ALTERAÇÃO DE PREÇOS Neste sub item, a contribuinte contesta o lançamento efetuado no período de janeiro a dezembro de 2008 em decorrência do reenquadramento de ofício efetuado pela autoridade administrativa por meio do Ato Declaratório DRF/REC nº 113, de 12/11/2009, esta realizada em função de a contribuinte não ter efetuado a solicitação espontânea de reenquadramento dos produtos aguardente Pirassununga, 965ml, vidros retornáveis e não retornáveis e conhaque Domus, 350ml, lata, haja vista que as modificações das condições de comercialização decorrente de alterações de preços de vendas indicaram, segundo afirma a autoridade lançadora, a necessidade de reenquadramento dos produtos mencionados. A recorrente alega que as autoridades autuantes teriam se baseado em uma interpretação equivocada do art. 5º da IN n° 796/2007, segundo a qual os contribuintes já estariam obrigados, a partir da data de vigência da citada norma (24/12/2007), a solicitar o reenquadramento de bebidas para marcas de produtos já comercializados que tivessem as suas condições de comercialização modificadas. Mas, argui que essa norma não tem base legal para tal exigência. Argumenta que apenas com a edição do Decreto nº 6.501/2008, DOU de 02 de julho de 2008, foi estabelecido a obrigatoriedade de reenquadramento anual, até o dia 1º de julho, em função da modificação do preço dos produtos. Antes disso, afirma, não havia legislação que exigisse o reenquadramento em função da modificação do preço dos produtos, Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.463 15 mas tão somente quanto às condições de comercialização, condições estas que não teriam sido alteradas no período objeto da autuação (2005 a 2008). E que, para o ano de 2008, especificamente, foi editado novo Decreto nº 6.501/2008, de 30 de julho de 2008, determinando que para 2008 o reenquadramento deveria ser feito até setembro de 2008, produzindo efeito a partir de outubro, mês em que passou a ser obrigatório o reenquadramento por modificação do preço dos produtos.E que, em função dessa obrigatoriedade apresentou em setembro de 2008 os pedidos de reenquadramento de seus produtos. Alega que, em respeito aos princípios da legalidade e tipicidade que devem ser atendidos obrigatoriamente pela administração Pública, nos termos do art. 37 da CF, deve ser cancelado o lançamento efetuado no período de janeiro a dezembro de 2008 posto que inexistia na legislação qualquer dispositivo legal que determinasse o reenquadramento da classe de IPI em decorrência da alteração de preços. É verdade que a autoridade lançadora, no Termo de Informação Fiscal, anexo ao Auto de Infração do IPI, relativamente a esta infração, no seu esclarecimento discorre sobre a IN/RFB nº 796/2007, que instituiu o Sistema de Solicitação de Enquadramento de Bebidas (IPI_Equadr) via internet, mas que manteve o mesmo procedimento na apuração do preço de venda já previsto na IN SRF nº 451/2004, por ela revogada. A autoridade julgadora de 1ª instância reforçou ainda mais a análise dessas instruções e de outras que lhes antecederam. Contudo, é inverídico afirmar sobre inexistência de base legal para as disposições contidas naquela instrução. A própria recorrente afirma em sua peça recursal que a IN RFB 796/2007, de 20 de dezembro de 2007 foi editada com supedâneo na Lei nº 7.798/89, conforme demonstra pela ementa da referida instrução que transcreve. Pois bem, tal lei estabelece em seu art. 2º, in verbis: “Art. 2º. O enquadramento do produto na classe será feito pelo Ministro da Fazenda, com base no que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, sobre o valor tributável. § 1º. Para efeito deste artigo, o valor tributável é o preço normal da operação de venda, sem descontos ou abatimentos, para terceiros não interdependentes ou para coligadas, controladas ou controladoras (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 243,§§ 1º e 2º) ou interligadas (DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º). § 2º. O contribuinte informará ao Ministro da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente. § 3º. O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 § 4º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, observados os limites constantes do Anexo I” (grifos nossos)”. Da análise de referido dispositivo da lei, observase que desde a sua inserção no mundo jurídico, a contribuinte já estava obrigada a informar os preços de venda e que estes são essenciais para o devido enquadramento e/ou reenquadramento dos produtos nas classes de valores de IPI. E tal dispositivo de lei foi devidamente reproduzido no RIPI/2002, que fundamentou o lançamento. A IN RFB 796/2007, de 20 de dezembro de 2007, bem como as demais instruções que lhes antecederam vieram apenas para regulamentar essa obrigação instituída na própria lei. Este também foi o objetivo do Decreto nº 6.501/2008, DOU de 02 de julho de 2008. Tais normas não trouxeram inovação legal, mas unicamente, regulamentaram a aplicação da lei. Cabe esclarecer, em face da ênfase dada pela recorrente, que a menção efetuada no Termo de Informação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, pela autoridade lançadora, ao Ato Declaratório Executivo nº 168/2008, com vigência a partir de janeiro de 2009 e cuja edição teve como objetivo reenquadrar os produtos, em decorrência da solicitação espontânea feita pela contribuinte, o foi feito com o intuito de demonstrar que a contribuinte só efetuou a solicitação de reenquadramento de seus produtos depois da publicação da IN RFB 866, de 06 de agosto de 2008, fato este confirmado pela contribuinte, e, assim, justificar a necessidade de se efetuar o reenquadramento de ofício. Ao contrário do que induz a recorrente, tal menção não visou confirmar qualquer entendimento de que a solicitação de reenquadramento espontâneo anual por modificação no preço somente passou a valer a partir de janeiro de 2009. Assim, diante do que foi acima exposto, no meu entender, encontrase correto o lançamento efetuado neste sub item, não havendo o que ser reformado no acórdão recorrido, posto que a contribuinte, de fato, não prestou as informações para o seu reenquadramento, este, necessário, em decorrência das modificações das condições de comercialização dos produtos identificados, em função da alteração dos preços. DA APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA – SELOS DE CONTROLE INCLUÍDOS NA NOTA FISCAL – INEXISTÊNCIA DE LEGISLAÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DO LOCAL CORRETO PARA IDENTIFICAÇÃO DO VALOR DOS SELOS DE CONTROLE – REGISTRO DO CONTROLE DOS SELOS EM LIVROS PRÓPRIOS – AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO E DE DANO AO ERÁRIO Neste sub item, cingese a controvérsia em examinar o cabimento, ou não, da aplicação da multa isolada, nos termos do art. 488, §1°, inciso IV, do RIPI/2002, abaixo transcrito, em face ter a contribuinte inserido em suas notas fiscais de saída, no período de janeiro de 2005 a outubro de 2007, o valor referente ao selo de controle relativo aos produtos saídos de seu estabelecimento, que, segundo alegam as autoridades lançadoras, tal cobrança repassada ao adquirente foi destacada indevidamente a título de IPI. “Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 45): Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.464 17 I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 45); ou (...) § 1° Incorrerão ainda nas penas previstas nos incisos I ou II do caput, conforme o caso (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, § 1°): (...) IV os que destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal, ou o destacarem com excesso sobre o valor resultante do seu cálculo (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, § 1°, inciso V).” (destaquei) Conforme relatado acima, a contribuinte defende a impossibilidade de imputação de multa isolada com relação ao valor dos selos de controle, posto que não se trata de IPI destacado, mas, sim, de repasse do custo dos selos aos adquirentes e que, em vista de que inexistiria na legislação qualquer previsão a respeito do local em que deveria ser feito o destaque de tal valor na nota fiscal, incluiu esse valor juntamente com o IPI, até porque aquele é obrigação acessória deste, devendo, então, seguir o mesmo tratamento da obrigação principal, pelo menos para fins de preenchimento das respectivas notas fiscais. Afirma que as autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância não indicaram qual seria o campo ideal para inserir na nota fiscal o valor referente ao selo de controle. Aponta a legalidade do repasse do custo dos selos de controle para os adquirentes e que, em sendo assim, tal valor deve constar da nota fiscal, Além disso, ainda alega que o procedimento não teria ocasionado nenhum dano ao erário, uma vez que o valor dos selos de controle não gera crédito de IPI aos adquirentes dos produtos da empresa, e que estes são estabelecimentos atacadistas e/ou varejistas que vendem diretamente ao consumidor final. Que não agiu de má fé e que a aplicação de multa isolada só deve ocorrer se houver prática de ato ilícito. A Lei n.º 4.502/64, que instituiu o denominado Imposto de Consumo, atual Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ao dispor sobre as obrigações acessórias a cargo do contribuinte (Título III do referido diploma legal), criou, em seu art. 46, os selos especiais visando ao controle quantitativo dos produtos sujeitos ao referido tributo, nos seguintes termos: “Art. 46 O regulamento poderá determinar, ou autorizar que o Ministério da Fazenda, pelo seu órgão competente, determine a rotulagem, marcação ou numeração, pelos importadores, arrematantes, comerciantes ou repartições fazendárias, de produtos estrangeiros cujo controle entenda necessário, bem como prescrever, para estabelecimentos produtores e comerciantes de determinados produtos nacionais, sistema diferente de rotulagem, etiquetagem, obrigatoriedade de numeração ou aplicação de selo especial que possibilite o seu controle quantitativo. § 1° O selo especial de que trata este artigo será de emissão oficial e sua distribuição aos contribuintes será feita gratuitamente, mediante as cautelas e formalidades que o regulamento estabelecer. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 18 (...)” Com o advento do Decretolei n.º 1.437/75, criouse a possibilidade de que o fornecimento dos referidos selos se operasse mediante o ressarcimento de seus custos, inclusive delegando expressamente tal decisão ao Ministro da Fazenda. Inferese da legislação citada a natureza jurídica do dever de aplicação do selo especial de controle do IPI, qual seja, obrigação tributária acessória, e nessa condição, foi instituída com o objetivo de propiciar mecanismos úteis à fiscalização tributária, provendoa de informações sobre a ocorrência de fatos jurídicos que ensejam o nascimento de obrigações tributárias. Os valores despendidos pela recorrente com a aquisição de selos de controle de IPI constituem custo inerente à atividade produtiva da recorrente e integram o preço final da mercadoria comercializada, podendo ser destacados nas Notas Fiscais de saída, para afetação do contribuinte de fato (o consumidor). Contudo, é certo que o lançamento do IPI, de iniciativa do sujeito passivo, deve ser feito sob a sua exclusiva responsabilidade no momento da saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, mediante emissão da Nota Fiscal, assumindo as consequências de suas incorreções. Assim, incluir nas notas fiscais os valores atinentes aos selos de controle, a título de IPI, por sua livre e espontânea vontade, constitui, sim, mesmo que não tenha havido má fé, infração ao art. 488, §1°, inciso IV, do RIPI/2002. Dessa forma, corroboro com o entendimento proferido no acórdão recorrido de que resta procedente a multa em apreço exigida da recorrente. DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A recorrente, depois de discorrer sobre a diferença de tributo e de multa , de alegar a falta de lei que ampare a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício e de fazer referência à jurisprudência administrativa, requer que, caso mantido o crédito tributário objeto dos presentes autos, seja determinado expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada no presente auto de infração. Da análise dos autos, mais precisamente, do Auto de infração (fl. 3) e de seus demonstrativos (fls. 2, 62 a 73), verificase que nesta questão houve um equívoco da recorrente, haja vista que os juros de mora, com base na taxa SELIC, lançados no Auto de Infração contestado foram calculados unicamente sobre o valor de IPI apurado pela fiscalização. Sendo assim, encontrase sem fundamento a solicitação da recorrente. CONCLUSÃO Em face do disposto acima, na análise de cada um dos itens e sub itens do recurso voluntário, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade arguida e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a integralidade do crédito tributário lançado. É como voto. Maria da Conceição Arnaldo Jacó – Relatora. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.465 19 . Declaração de Voto CONSELHEIRO ALEXANDRE GOMES De acordo com tudo o que consta no presente processo, entendo que são quatro os itens a serem analisados: (i) da nulidade do ato de enquadramento produzido por autoridade incompetente; (ii) o enquadramento fiscal das bebidas comercializadas pela Recorrente. (iii) o reenquadramento de produtos em razão de alteração de preços; (iv) a aplicação da multa isolada. Destaque de IPI relativos aos selos de controle. (i) da nulidade do ato de enquadramento produzido por autoridade incompetente. Alega a Recorrente que há nulidade do auto de infração, uma vez que a autoridade fiscal, nos termos do artigo 2º, caput, da Lei n.º 7.798/89, não tem competência para realizar enquadramento e reenquadramento de classe de produtos de IPI, já que esta é privativa do Ministro da Fazenda. Neste tópico, entendo que assiste razão à Recorrente. O artigo 2º, caput, da Lei nº 7.798/89 assim prescreve: “Art. 2º. O enquadramento do produto na classe será feito pelo Ministro da Fazenda, com base no que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, sobre o valor tributável.” No mesmo sentido o artigo 150, do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), vigente à época dos fatos: “Art. 150. O enquadramento dos produtos nacionais nas classes de valores de imposto será feito por ato do Ministro da Fazenda (...)”Da análise dos dispositivos supracitados, concluo que, somente o Ministro da Fazenda, representante do Poder Executivo, tem competência, atribuída por Lei, para a prática do referido ato administrativo, ou seja, reenquadrar de ofício a classe de produtos de IPI. Não existe na legislação previsão para a delegação de competência, no presente caso, isto porque, todo ato administrativo deve atender o que determina a Lei e os princípios constitucionais que regem o nosso ordenamento jurídico. Neste contexto, transcrevo o artigo 37, da Constituição Federal que expõe: Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 20 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também ao seguinte:” Também o artigo 2º da Lei nº 9.784/99, prescreve que: “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência” Assim, todo ato administrativo deve ser baseado em dispositivo legal, bem como nos princípios que regem a administração pública, em especial aos princípios da legalidade e tipicidade, os quais, como bem exposto pela Recorrente “...representam garantia aos administrado de que a Administração Pública não praticará atos dotados de imperatividade e discricionariedade (excetuando as permitidas), bem como desvinculados de determinação legal.” A Lei nº 9.784/99 assim orienta: “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. Ainda, determina: “Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.” Nestes termos, uma vez que a competência para enquadramento e/ou reenquadramento de produtos, para fins de IPI, foi dada, por Lei ao Ministro da Fazenda, somente ele pode praticar de tais atos, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e tipicidade, bem como ao artigo 37 da Constituição Federal e ao artigo 2º da Lei nº 9.784/99. Portanto, não poderia o Delegado da Receita Federal do Brasil de Recife, de ofício enquadrar o produto fabricado pela Recorrente, uma vez que àquele não tem competência legal para a prática desse ato, pois essa competência foi outorgada, por Lei ao Ministro da Fazenda. Ademais, conforme exposto, a competência outorgada ao Ministro da Fazenda é exclusiva, e indelegável, nos termos disposto no artigo 13, inciso III da Lei nº 9.784/99, que diz: “Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: (...) III. as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.” Por todo exposto, resta claro que o Ato Declaratório Executivo – ADE nº 113/2009, foi expedido por Autoridade Pública incompetente, o qual enquadrou de ofício os produtos objetos dos presentes autos, maculando o presente auto de infração. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.466 21 Caso seja vencido, passo a análise do mérito. (ii) o enquadramento fiscal das bebidas comercializadas pela Recorrente Aduz a Recorrente que produz e comercializa: “...o produto Conhaque “Domus”, com capacidade de 1000 ml, classificado na TIPI/2002 na posição 2208.90.00 (“1 Aguardente composta e bebida alcoólica, de gengibre”), foi inicialmente enquadrado pela Recorrente na classe “J”, com base no Ato Declaratório nº 127/98, emitido pelo Secretário da Receita Federal, contemplando especificamente o CNPJ da empresa controladora da Recorrente à época, qual seja, a “Indústria Muller de Bebidas” (CNPJ nº 54.844.568/000118)”. Expõe que, ao enquadrar a bebida por ela comercializada, o Ato Declaratório nº 127/98, levou em consideração a marca do produto, sendo o enquadramento realizado especificamente para a comercialização do produto, fato este, perfeitamente identificável, através do Ato Declaratório nº 127/98, emitido pelo Secretário da Receita Federal, conforme transcrição abaixo: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da competência prevista no art. 127 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto N° 2.637, de 25 de junho de 1998, declara: 1. As bebidas classificadas no código TIPI/NCM 2208.90.00 Ex 03, 04 e 08 (Aguardente Composta de Alcatrão, de Gengibre e Outras), para efeito de cálculo e pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, de que tratam os artigos 1º da Lei No 7.798, de 10 de julho de 1989, e 2o da Lei N° 8.133, de 27 de dezembro de 1990, passam a ser classificados conforme o enquadramento ora estabelecido, observado, no que for aplicável, o disposto na Portaria MF No 139, de 19 de junho de 1989: a) de acordo com a capacidade dos recipientes em que são comercializados, ressalvado o disposto na alínea subseqüente: Capacidade do Recipiente Letra I até 180 ml B II de 181 ml a 375 ml D III de 376 ml a 670 ml F IV de 671 ml a 1000 ml I b) de acordo com a marca comercial do produto: CGC Marca Capacidade Letra Comercialdo Recipiente* 54.844.568/000118 Domus IV 87.547.428/0001 37PresidenteIVJ 62.261.391/000155DreherIV Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 22 33.856.394/000133Macieira 3IVK 62.261.391/0001 55Branfort BlackIV M No que tange ao enquadramento de determinado produto, a Lei nº 7.798/89, bem como o RIPI/2002 assim dispõem: “Lei nº 7.798/89 Art. 3º. O Poder Executivo poderá, em relação a outros produtos dos capítulos 21 e 22 da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988, estabelecer classes de valores correspondentes ao IPI a ser pago. (...) § 2º. As classes serão estabelecidas tendo em vista a espécie do produto, capacidade e natureza do recipiente. § 3º. Para efeitos de classificação dos produtos nos termos de que trata este artigo, NÃO HAVERÁ DISTINÇÃO entre os da mesma espécie, com a mesma capacidade e natureza do recipiente. (...) Regulamento do IPI/2002 Art. 142. O enquadramento dos produtos em classes de valores de imposto ou a fixação dos valores do imposto por unidade de medida a que estão sujeitos os produtos referidos no art. 139, será feito até o limite estabelecido no art. 141. (Lei nº 7.798/89, art. 2º e Lei nº 8.218/91, art. 1º, § 1º). § 1º. As classes serão estabelecidas tendo em vista a espécie do produto, a capacidade e a natureza do recipiente (Lei nº 7.798/89, art. 3º, § 2º). § 2º. Para efeitos de classificação dos produtos nos termos de que trata este artigo, NÃO HAVERÁ DISTINÇÃO entre os da mesma espécie, com mesma capacidade e natureza do recipiente (Lei nº 7.798/89, art. 3º, § 2º)”.(destacamos) Portanto, é certo que quando da classificação de determinado produto, não pode haver distinção entre produtos da mesma espécie, capacidade ou natureza do recipiente. A Recorrente, classificou o seu produto, qual seja, Conhaque Domus, nos termos do Ato Declaratório nº 127/98, que já havia classificado o mesmo produto para sua Controladora, a empresa Companhia Muller de Bebidas. Entendo estar correto o procedimento adotado pela Recorrente, uma vez que, independentemente da expedição de novo Ato Declaratório Executivo, especificamente para a Recorrente, o enaqudramento não poderia ser diverso do Ato Declaratório nº 127/98, pois há vedação, expressa de classificação diversa para produtos da mesma espécie, natureza e capacidade do recipiente, conforme artigo 3º, § 3º da Lei nº 7.798/89. Portanto, não poderia a autoridade fiscal reclassificar o produto comercializado pela Recorrente, uma vez que este já fora devidamente classificado através do Ato Declaratório Executivo nº 127/98, o qual enquadrou o referido produto na classe “J” com base na sua marca de produto. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.467 23 Assim, a despeito do que dispõe o artigo 518, inciso IV, do RIPI/2002, não poderia a i. autoridade administrativa, alterar de ofício por meio do Ato Declaratório Executivo nº 113/09, a classe de valor de IPI por expressa disposição legal, uma vez que é vedada outra classificação que implique na distinção de produtos de mesma espécie, capacidade, ou natureza de recipiente, bem como por se tratar de produto idêntico ao classificado no Ato Declaratório Executivo nº 127/98, qual seja, aquele enquadrado na classe “J”, por se tratar de mesmo produto já posto no mercado cuja classificação já havia sido atribuída pelo Ministro da Fazenda, em razão da marca do produto. Não restam dúvidas que o produto comercializado pela Recorrente é o mesmo produto, comercializado pela sua Controladora. Tanto é que a Recorrente possui contrato de concessão de licença de uso de marcas com sua Controladora para fabricar, distribuir e comercializar o produto “Conhaque Domus”. Em face de tal contrato, resta claro que por se tratar de produtos idênticos, fabricados por ambas as empresas, o mesmo deve ser produzido com a mesma qualidade, quantidade e mesma natureza do recipiente, isto tudo, conforme classificado pelo Ato Declaratório Executivo nº 127/98. Portanto, não tratase de produto novo, a ter um enquadramento provisório para, somente depois receber enquadramento definitivo, nos termos da Instrução Normativa nº 451/2004. Este produto já estava classificado em razão de sua marca. Face disso, não poderia o novo Ato declaratório Executivo nº 113/09, reclassificar este produto para classe “L”, sob pena de afrontar a Lei nº 7.798/89 e o RIPI/02, em face da impossibilidade de classificações diversas para produtos da mesma espécie, capacidade e natureza do recipiente. Assim, dou provimento ao recurso voluntário, com o conseqüente cancelamento do auto de infração, neste tópico específico. (iii) o reenquadramento de produtos em razão de alteração de preços A Recorrente alega que não havia legislação, anteriormente à edição do Decreto nº 6.501/2008, estabelecendo a obrigatoriedade de reenquadramento, em função da modificação do preço dos produtos, mas somente em relação às condições de comercialização, condições estas, que não teria sido alteradas no período objeto de autuação (2005 a 2008). Aduz também que no presente caso “...não houve qualquer alteração nas condições de comercialização, em especial aquelas previstas nas orientações da Instrução Normativa nº 451/04 uma vez que, frisese, o referido produto não deixou de ser comercializado por nenhum estabelecimento para passar a ser comercializado por outro. O que houve, foi uma concessão do uso da marca através de um contrato firmado entre a Recorrente e sua controladora (Docs. 08 / 10 e 11 anexos à Impugnação), para que esta última também pudesse comercializar o referido produto, situação esta não contemplada pela referida instrução normativa.” O artigo 5º da Instrução Normativa nº 796/07 prevê: “Art. 5º Deverá ser utilizada a solicitação de reenquadramento de bebidas para marcas de produtos já comercializadas que tenham as condições de comercialização modificadas, de forma Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 24 que resulte em alteração na classe de valores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em que se enquadra o produto”. A referida Instrução Normativa foi editada com base na Lei nº 7.798/89, nos seguintes termos: “Instrução Normativa RFB n° 796, de 20 de dezembro de 2007 Dispõe sobre a solicitação de enquadramento e reenquadramento de bebidas classificadas nos códigos 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, nos termos da Lei n° 7.798, de 10 de julho de 1989, e dá outras providências. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto na Lei n° 7.798, de 10 de julho de 1989, e nos arts. 149 e 150 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), alterados pelo Decreto n° 4.859, de 14 de outubro de 2003 e pelo Decreto n° 6.158, de 16 de julho de 2007,” Posteriormente foi editado o ADE DRF/REC nº 168/2008, o qual estabeleceu que as modificações supracitadas, somente teriam validade a partir de janeiro de 2009, conforme exposto no próprio relatório fiscal: “O reenquadramento anual obrigatório foi publicado no ADE DRF/REC n° 168/2008, com vigência a partir de 1° de janeiro de 2009. Entretanto, como os produtos estavam sujeitos ao reenquadramento desde o dia 24/12/2007, fezse necessário reenquadrálos de ofício para o período de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2008.” Assim, sendo a Instrução Normativa da RFB nº 796/07 editada com supedâneo na Lei nº 7.798/89, a determinação de reenquadramento de determinado produto, para alteração de condições de comercialização, com a conseqüente alteração de classe de valores de IPI, deve estar atrelada aos limites impostos pela Lei nº 7.798/89, sob pena de ofensa ao referido diploma legal. Ademais, o artigo 3º, § 2º da Lei nº 7.798/89, estabelece que a definição de classe de valores deve ser feita em função da espécie do produto, capacidade e natureza do recipiente, nos seguintes termos: “Art. 3º O Poder Executivo poderá, em relação a outros produtos dos capítulos 21 e 22 da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988, estabelecer classes de valores correspondentes ao IPI a ser pago. (...) § 2º. As classes serão estabelecidas tendo em vista a espécie do produto, capacidade e natureza do recipiente.” Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.468 25 É de se notar que do dispositivo supracitado não estabelece reenquadramento de produtos em função das modificações de seu preço, mas, somente quanto à espécie do produto, capacidade e natureza do recipiente. Portanto, não havendo alterações quanto à espécie do produto, capacidade e natureza do recipiente, não há razão para justificar qualquer reenquadramento, nem mesmo, em face das modificações de preço, pois não existia à época dos fatos tal previsão na legislação. A alteração na legislação somente ocorreu em 2008 com a edição do Decreto nº 6.501, de 2 de julho de 2008, que determinou a obrigatoriedade do reenquadramento em decorrência da modificação do preço do produto, o qual, posteriormente foi regulamentado através da Instrução Normativa nº 866/2008: Decreto 6.501/2008 “Art.2º. O artigo 150 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 150. (...) § 9º. Deverá ser solicitado, até o dia 1º de julho de cada ano, o reenquadramento das marcas de produtos já comercializadas que tenham seus preços alterados, de forma que esta alteração resulte em modificação na classe de valores do IPI em que se enquadra o produto. § 10. O reenquadramento de que trata o §9º será efetuado com base na média ponderada dos preços praticados nos doze últimos meses pelas suas respectivas quantidades, excluindose o mês de junho do ano da solicitação e incluindose o mês de junho do ano anterior” (destacamos) Instrução Normativa nº 866/2008 “Art. 7º. Deverá ser solicitado durante o mês de junho de cada ano o reenquadramento dos produtos já comercializados que tenham seus preços alterados, desde que esta alteração resulte em modificação na classe de valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em que se enquadra o produto. (...)”. Assim, antes da edição dos supracitados dispositivos legais o reenquadramento para o ano de 2008 com base em alteração de preço, com fundamento no anexo único da IN nº 796/2007, não encontrava amparo legal. Conforme exposto pela Recorrente: “...se fosse obrigatório o reenquadramento antes da edição do referido decreto, não haveria razão para a inclusão dos parágrafos 9º e 10 no artigo 150, do RIPI/2002, vigente à época dos fatos, bem como não seria necessária a edição da Instrução Normativa nº 866/2008 fixando um mês no ano para a realização do reenquadramento obrigatório, uma vez que o Direito não impõe e não pode impor condutas inúteis.” Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 26 Pelo exposto, em relação a este tópico dou provimento ao recurso. (iv) a aplicação da multa isolada. Destaque de IPI relativos aos selos de controle O Fundamento do lançamento fiscal neste tópico assim foi fundamentado: “Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45): I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45); (...) § 1º Incorrerão ainda nas penas previstas nos incisos I ou II do caput, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º): (...) IV os que destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal, ou o destacarem com excesso sobre o valor resultante do seu cálculo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso V). (...) § 3º No caso do inciso IV do mesmo § 1º, a multa terá por base de cálculo o valor do imposto indevidamente destacado, e não será aplicada se o responsável, já tendo recolhido, antes de procedimento fiscal, a importância irregularmente destacada, provar que a infração decorreu de erro escusável, a juízo da autoridade julgadora (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 165).” Afirmou a uatoridade fiscal que “a cobrança de IPI sobre os selos de controle é irregular, punível com multa, porque os que destacar, indevidamente o imposto na nota fiscal, ou o destacarem com excesso sobre ovalor resultante do seu cáulculo estão sujeitos à penalidade. Em relação ao destaque indevido de IPI na nota fiscal, relacionado à cobrança de IPI sobre selos de controle, no período de janeiro de 2005 a outubro de 2007, entendo que também assiste razão à Recorrente, pois se verifica dos documentos acostados ao processo que não houve qualquer cobrança de IPI sobre os selos de controle, bem como por inexistir qualquer previsão legal para a incidência do referido imposto sobre os referidos selos de controle. Ocorre no caso que, por não haver na nota fiscal campo específico para a identificação dessa cobrança, a Recorrente fez constar em sua nota fiscal, em campo diverso, o valor de selo de controle de IPI. O selo de controle de IPI é obrigação acessória nos termos do RIPI/02, vigente à época dos fatos, os quais são adquiridos da Delegacia da Receita Federal do Brasil pelo fabricante ou industrial, e posteriormente os valores por eles pagos são cobrados do Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.722430/200921 Acórdão n.º 3302001.881 S3C3T2 Fl. 1.469 27 adquirente do produto, sendo tal valor informado nas notas fiscais. Assim, os valores repassados aos adquirentes dos produtos da Recorrente são os valores referentes aos selos de IPI e não ao valor do IPI, propriamente dito. Não havendo na nota fiscal qualquer campo específico para constar os referidos valores, mesmo porque, não há no regulamento do IPI, bem como em nenhuma outra norma legal tal exigência, correto o procedimento adotado pela Recorrente ao destacar os valores referentes aos selos de controle de IPI nos campos “descrição do produto” e “valor total”. Não fosse este o campo correto deveria a autoridade fiscal fazer indicação de qual campo poderia ter sido feito os destaque dos valores referentes aos selos de controle de IPI, todavia não o fez. Portanto, não há qualquer irregularidade com o procedimento adotado pela Recorrente, razão pela qual não se justifica a aplicação da multa isolada de 75%. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos da declaração de voto acima transcrita. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10865.903816/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 38 16 /2 00 9- 17 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10865.903816/200917 Acórdão n.º 3803004.012 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000303/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2009
Ementa: APD
Bem móvel se transmite por simples tradição Posse que faz presumir a propriedade Razões recursais que não demonstram a incorreção dos fundamentos da decisão recorrida.
MULTA QUALIFICADA Súmula CARF nº 14: A simples apuração de
omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-001.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Ementa: APD Bem móvel se transmite por simples tradição Posse que faz presumir a propriedade Razões recursais que não demonstram a incorreção dos fundamentos da decisão recorrida. MULTA QUALIFICADA Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
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MULTA QUALIFICADA Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. EDITADO EM: 11/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, EDUARDO TADEU FARAH, EIVANICE CANARIO DA SILVA (Suplente convocada), GUSTAVO Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 LIAN HADDAD, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, a Conselheira RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 0342.252 6ª Turma da DRJ/BSB que julgou procedente o lançamento fiscal lavrado contra o recorrente acima identificado, por auditor fiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, auto de infração (fls. 286/292) referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, ano calendário 2008, no valor de R$ 197.882,71, incluindo multado de 150% e juros. A ação fiscal foi levada a efeito em decorrência de autorização do Superior Tribunal de Justiça para encaminhamento à Receita Federal da cópia do Inquérito nº 589/DF, denominado “Operação Naufrágio” que buscava demonstrar que o recorrente “vendia decisões judiciais”. Desta forma o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores em moeda nacional e estrangeira apreendidos durante as ações policiais referentes ao Inquérito acima mencionado, no total de R$ 466.150,00 e U$ 20.064,00 O contribuinte alega resumidamente que os valores apreendidos pela Polícia Federal são de propriedade do filho do recorrente Fábio Guerra Duque, residente nos Estados Unidos da América, onde trabalho como oficial Eletricista, juntando cópias autenticadas pelo Consulado Brasileiro e traduzidas das declarações de rendimentos, cópias de dois contratos de câmbio em que figuram como remetentes o Sr Fábio Guerra Duque em um e sua esposa em outro totalizando mais de U$ 14.000,00 ou R$ 50.000,00, cópias de passaportes de familiares com vistos e registro de entrada nos EUA. Insurgese ainda contra a multa qualificada sustentando tratarse na pior das hipóteses de inexatidão e não de sonegação. A DRJ houve por bem entender que: “Os valores em dólares declarados – US$ 236.834,00 se aproximam dos valores em reais apreendidos R$ 450.000,00, sobrando pouco para a manutenção de Fábio Duque e de sua família. Se Fábio Duque recebeu valores além dos declarado à Receita Federal americana, isto não foi juntado ao processo e cabe ao contribuinte fazer prova daquilo que alega”. Em recurso o recorrente sustenta que a fiscalização não considerou os rendimentos auferidos por Fabio Guerra Duque no ano de 2008 e que superam os U$ 100,000.00. Desta forma, a lide em questão resumese em saber se o dinheiro apreendido é ou não de Fabio Guerra Duque, que inclusive, conforme narra o recorrente teria requerido a liberação dos valores. É o relatório. Voto Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15586.000303/201046 Acórdão n.º 2201001.637 S2C2T1 Fl. 2 3 Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe No mérito devese considerar que o ônus da prova recai, no caso concreto, sobre o contribuinte, uma vez que a posse de bem móveis faz presumir a propriedade, entendimento esse secular, como se vê em diversos julgados como o abaixo transcrito do TJ/SP: Processo: APL 1273015720058260000 SP 0127301 57.2005.8.26.0000 Relator(a): Eduardo Sá Pinto Sandeville Julgamento: 01/03/2011 Órgão Julgador: 28ª Câmara de Direito Privado Publicação: 15/03/2011 Ementa Compra e venda de veículo Bem móvel se transmite por simples tradição Posse que faz presumir a propriedade Razões recursais que não demonstram a incorreção dos fundamentos da decisão recorrida Decisão mantida Ratificação dos fundamentos Aplicação do art. 252 do RlTJSP/2009 Recurso improvido. O contribuinte não demonstrou de forma convincente a entrada dos recursos em território brasileiro como alegado. Em que pese ser de conhecimento público as práticas de internalização de divisas, o uso de tais métodos esbarra na impossibilidade de prova. Ônus e risco assumido pelo contribuinte ao não declarar em momento oportuno que no caso seria na alfândega, ainda que dispensado. Vale lembrar que muito embora estivem dispensados de efetuar a declaração de entrada de divisas, isso não significa que estivessem impedidos de fazêlo. No que tange a multa qualificada, não vejo estar demonstrado o dolo. Acolher a multa qualificada seria condenar previamente o contribuinte sendo que há apenas a presunção de que o valor apreendido lhe pertence, sendo que no sistema jurídico pátrio prevalece o princípio da inocência. Ademais, nos termos da súmula CARF nº14 o dolo deve ser provado. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ante o exposto dou parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício e reduzila para 75%. É como voto. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 15586.000303/201046 Acórdão n.º 2201001.637 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 15586.000303/201046 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.637. Brasília/DF, 22 de junho de 2012 ______________________________________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001684/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-000.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento e reconhecer o direito creditório conforme a declaração retificadora apresentada
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento e reconhecer o direito creditório conforme a declaração retificadora apresentada. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 10/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho e Acácia Wakasugi. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 23 a 27da instância a quo, in verbis: A contribuinte em epígrafe insurge-se contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração (fls. 03/07), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2003, ano-calendário 2002, que lhe exige crédito tributário no montante de R$3.828,08, sendo R$1.618,37 referente ao imposto suplementar, R$1.213,77 de multa de ofício e R$995,94 de juros de mora calculados até jan/2007. Em procedimento de revisão de ofício da Declaração de Ajuste Anual retificadora apresentada em 19/12/2006, correspondente ao ano-calendário 2002 (DIRPF/2003), constatou-se omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$16.660,74, conforme DIRF apresentada pelo INSS – CNPJ 29.979.036/0001-40. Enquadramento legal: Arts. 1º a 3º e art. 6º da Lei nº 7.713/1988; arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/1990; arts. 1º, 3º, 5º, 6º, 11 e 32 da Lei nº 9.250/1995; art. 21 da Lei nº 9.532/1997; Lei nº 9.887/1999; arts. 1º, 2º e 15 da Lei nº 10.451/2002; arts. 43 e 44 do Decreto nº 3.000/1999 - RIR/1999. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 16/05/2007, a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls. 03/16, aduzindo que: A impugnante, no ano de 1995, sofreu um enfarto do miocárdio, sendo submetida a revascularização do mesmo. Em vista da gravidade do problema, fez-se necessário, no ano de 2003, que a impugnante fosse submetida a uma angioplastia, com implante de “stent”. Diante do exposto, resta cristalino que a impugnante apresenta doença coronária grave, conforme laudo médico que anexa. A impugnante aposentou-se em 2001, por tempo de serviço, ficando ciente por meio da RFB, que tinha direito a isenção do imposto de renda retido na fonte, por ser portadora de cardiopatia grave e incurável, com fundamento nas leis 7.713/1988, 8.541/1992, 9.250/1995 e Decreto 3.000/1999. Foi apresentado perante o INSS laudo pericial comprovando o alegado, e foi requerida a suspensão da retenção do imposto de renda da pessoa física. Em vista disso, desde o ano de 2006, foi concedida a referida isenção, deixando de ser descontado de sua aposentadoria o imposto ora discutido. Foram apresentadas declarações retificadoras desde o ano de 2002, ano- calendário 2001, para reaver os impostos retidos na fonte, desde a descoberta da patologia, fatos estes que comprovam a legalidade das declarações apresentadas pela impugnante. Ante o exposto, requer seja acolhida a presente impugnação, declarando-se a total improcedência do presente auto de infração, para o fim de ser decidido o cancelamento do débito fiscal reclamado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13811.001684/2007-49 Acórdão n.º 2102-00.989 S2-C1T2 Fl. 42 3 unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que documentos (fls. 08/10) não são hábeis para a comprovação da moléstia grave, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADORA DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave especificada em lei, está condicionada ao reconhecimento da doença por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 32, informando que está anexando os Darfs pagos e o laudo médico oficial atestando que é portadora de cardiopatia grave. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser aposentado e portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). No mesmo sentido, a Instrução Normativa/SRF/nº 25, de 29/04/1996, que já dispunha sobre a matéria anteriormente ao Decreto n. 3.000/99, determina, em seu art. 5º, parágrafos 1º e 2º, o seguinte: Art. 5º (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só poderá Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir: ... b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma.” Ao cuidar deste tema, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16/05/96, fixou as seguintes regras: I - a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; Como se vê, a solução da lide cinge-se à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria e o cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é se os documentos apresentado se prestam como documento hábeis e idôneos a comprovar a moléstia. Nessa linha para provar que é portadora de moléstia grave foi apresentado o Laudo da Secretaria Municipal de Saúde do Município de São Paulo, fl. 36, onde está claro que a recorrente é portadora de moléstia grave, qual seja cardiopatia grave desde 1995. Ainda, o extrato de fl. 10 do MPAS/INSS atesta que os rendimentos objeto da autuação são provenientes de aposentadoria desde 09/02/2001. De outro lado, observo que a contribuinte juntamente com o seu recurso apresentou os Darfs de fls. 33 a 35 atestando que o imposto cobrado na presente autuação conforme o extrato de fl. 30 já foi pago. Importante ressaltar que conforme o despacho da Derat/SP de fl. 40, estes pagamentos ocorreram antes da autuação e o Memorando da Derat/SP, fls. 39, informa que a recorrente entrou com um pedido de restituição PER/DCOMP, nº 20096.59721.1912062.204- 0951 sobre tais pagamentos. Do exposto, estou convencido que as formalidades legais, laudo pericial emitido por serviço médico oficial e rendimento de aposentadoria estão presentes e assim a contribuinte faz jus ao benefício da isenção pleiteada e é devida a restituição pleiteada na declaração retificadora. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelada a autuação e reconhecido o direito à repetição do IRRF pago indevidamente. Rubens Maurício Carvalho - Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13811.001684/2007-49 Acórdão n.º 2102-00.989 S2-C1T2 Fl. 43 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2010 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/12/2010 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001018/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
ISENÇÃO. APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE.
Para que seja reconhecida a isenção de imposto sobre os valores recebidos de aposentadoria, deve o contribuinte comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, que é portador de uma das moléstias definidas em lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. Para que seja reconhecida a isenção de imposto sobre os valores recebidos de aposentadoria, deve o contribuinte comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, que é portador de uma das moléstias definidas em lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 10 18 /2 00 8- 18 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13984.001018/200818 Acórdão n.º 2801002.931 S2TE01 Fl. 56 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/FNS/SC. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação de Lançamento (NL), na qual se exige do contribuinte restituição indevida de imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 1.562,07, acrescida de juros de mora, referente ao anocalendário 2004, conforme fls. 02 a 04. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte tempestivamente apresentou impugnação de fl. 01. Aduz que sua declaração retificadora foi preenchida de forma errada. Diz que, devido à constatação da moléstia Adenocarcinoma de próstata (CID 10), pela perícia médica, conforme ofício n° 053 SSI SIP/5 do Exército Brasileiro, apresentou declarações retificadoras dos cinco anos anteriores. Que nestas declarações o campo dos Rendimentos Tributáveis foi preenchido de forma errada, uma vez que deveria ser zero de rendimentos e no imposto retido na fonte R$ 5.007,02, fato que resultaria em imposto a restituir. DOS FATOS OCORRIDOS NO PROCESSO Por força do art. 6oA, da Instrução Normativa RFB n° 958, de 15 de julho de 2009, inserido pela Instrução Normativa RFB n° 1.061, de 4 de agosto de 2010, que estabelece procedimentos para revisão das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). de procedimentos de revisão das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda, os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para observância destes dispositivos. Nestes termos, foi proferido o Termo Circunstanciado de fl. 10, no qual se consignou que após análise da documentação apresentada, constatou que o contribuinte não anexou aos autos o Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial especificando a doença grave e quando a mesma se manifestou. Assim, concluiu pela impossibilidade da revisão para concessão da isenção e pela manutenção do lançamento fiscal. Foi emitido o Despacho Decisório n° 13, de 14/01/2011, pela manutenção total do lançamento fiscal e cientificado o contribuinte para manifestação (fls. 11 e 14). O prazo transcorreu sem manifestação, com retorno dos autos para julgamento (fl. 15).” Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13984.001018/200818 Acórdão n.º 2801002.931 S2TE01 Fl. 57 3 A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 18/26. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 20/05/2011 (AR fl. 23), o interessado interpôs o recurso de fl. 36, em 17/06/2011. Em sua defesa, pretende seja reconhecida a isenção de Imposto de Renda, no anocalendário 2004, conforme documentação ora apresentada. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente sustenta que os rendimentos recebidos no anocalendário de 2004 estariam abrangidos pela isenção prevista no inciso XIV, artigo 6º, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações. Por oportuno, confirase o disposto na Lei nº 7.713, de 1988: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004). (...) XXI – os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão de pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992)” (grifos acrescidos) Cumpre destacar que a partir de 1º de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 1988 e Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13984.001018/200818 Acórdão n.º 2801002.931 S2TE01 Fl. 58 4 alterações deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A decisão recorrida concluiu que o contribuinte não faz jus à isenção postulada, considerando que ele não apresentou qualquer prova da doença, como o Laudo Médico Oficial, apto a possibilitar o reconhecimento da isenção. Examinando os documentos juntados pelo recorrente, às fls. 37/52, verifico que o pleito pela isenção embasase em documentos de lavra de médicos que não preenchem os requisitos da legislação, especialmente no tocante à emissão por médicoperito do serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, não cuidando o recorrente de aditar aos autos laudo médico hábil, com a indicação do cargo ou do ato que confere ao médico emitente competência para representar o órgão na emissão de laudos periciais, não há como reconhecer a isenção pleiteada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002960/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. Correta a decisão que cancela a exigência por entender insuficiente o procedimento fiscal para caracterização da infração, bem como sob o fundamento de que o lançamento feito em desconformidade com o regime de tributação do lucro real anual adotado pela contribuinte só subsiste se em favor do arbitramento, o que não foi observado no presente caso, a despeito de reunidos nos autos elementos suficientes para a imposição da referida forma de tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE DECLARAÇÃO DA RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONTABILIZADA. Deve ser retificada a decisão que, embora mantendo a infração imputada, exclui integralmente o crédito tributário exigido e deixa de promover, no âmbito da exigência reflexa de CSLL, a retificação correspondente na base de cálculo negativa declarada, ainda que não computada na apuração original do crédito tributário lançado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. Correta a decisão que exonera os créditos tributários exigidos por inobservância da periodicidade mensal da apuração destas contribuições e das especificidades da apuração não-cumulativa.
Numero da decisão: 1101-000.733
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. Correta a decisão que cancela a exigência por entender insuficiente o procedimento fiscal para caracterização da infração, bem como sob o fundamento de que o lançamento feito em desconformidade com o regime de tributação do lucro real anual adotado pela contribuinte só subsiste se em favor do arbitramento, o que não foi observado no presente caso, a despeito de reunidos nos autos elementos suficientes para a imposição da referida forma de tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE DECLARAÇÃO DA RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONTABILIZADA. Deve ser retificada a decisão que, embora mantendo a infração imputada, exclui integralmente o crédito tributário exigido e deixa de promover, no âmbito da exigência reflexa de CSLL, a retificação correspondente na base de cálculo negativa declarada, ainda que não computada na apuração original do crédito tributário lançado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. Correta a decisão que exonera os créditos tributários exigidos por inobservância da periodicidade mensal da apuração destas contribuições e das especificidades da apuração não-cumulativa.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. Correta a decisão que cancela a exigência por entender insuficiente o procedimento fiscal para caracterização da infração, bem como sob o fundamento de que o lançamento feito em desconformidade com o regime de tributação do lucro real anual adotado pela contribuinte só subsiste se em favor do arbitramento, o que não foi observado no presente caso, a despeito de reunidos nos autos elementos suficientes para a imposição da referida forma de tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE DECLARAÇÃO DA RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONTABILIZADA. Deve ser retificada a decisão que, embora mantendo a infração imputada, exclui integralmente o crédito tributário exigido e deixa de promover, no âmbito da exigência reflexa de CSLL, a retificação correspondente na base de cálculo negativa declarada, ainda que não computada na apuração original do crédito tributário lançado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. Correta a decisão que exonera os créditos tributários exigidos por inobservância da periodicidade mensal da apuração destas contribuições e das especificidades da apuração nãocumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 4740DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.741 2 (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 4741DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.742 3 Relatório A 2a Turma da DRJ/Campinas submete a reexame necessário decisão que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE lançamento formalizado em 17/12/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 574.732.846,82. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis, lavrados em 17/12/2010, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 574.732.846,82, incluindo multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora calculados até 30/11/2010, em razão da constatação de omissão de receita operacional, bem como de omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário 2006, tendo sido exigidos os tributos e contribuições mediante a sistemática do Lucro Real Trimestral. As infrações foram discriminadas no Termo de Verificação e Constatação de fls. 2681/2684: “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e no curso da ação fiscal por mim iniciada em 17/11/2009, e de acordo com o disposto nos arts. 904, 910, 911 e 927 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), e em cumprimento ao MPF acima, pude constatar o que se segue: 1. O contribuinte foi inicialmente intimado a apresentar cópia dos extratos bancários e dos demonstrativos explicitando os valores movimentados em suas contas correntes. Foilhe dada a opção de apresentar em conjunto com os extratos os demonstrativos em Excel com a movimentação financeira realizada em suas contas correntes, e/ou autorizar a Receita Federal a solicitar essas informações às instituições financeiras. Ele optou por conceder essa autorização. 2. Foram então solicitadas essas informações junto às instituições bancárias em que o contribuinte operou nesse ano calendário. 3. Após ter recebido os extratos bancários com a movimentação financeira, procedi à análise dessas operações e intimei o contribuinte a justificar, comprovando com documentação hábil e idônea, os valores creditados em suas contas correntes. 4. O contribuinte respondeu ao Termo de intimação, justificando o grande volume das operações pelo fato dele ser correspondente bancário e realizar os recebimentos e pagamentos através de suas contas correntes em nome dos clientes. 5. Apresentou diversos contratos para embasar suas alegações, bem como relatórios discriminando que a maior parte das operações eram créditos de agentes. Entretanto, não apresentou a documentação comprobatória dessas operações, peça fundamental para se firmar a convicção de que os valores movimentados efetivamente correspondiam ao alegado. 6. Foi novamente intimado a comprovar com documentos hábeis, coincidentes em datas e valores as suas alegações. Notese que nesta intimação selecionei os valores mais expressivos a fim de possibilitar uma nova oportunidade do contribuinte Fl. 4742DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.743 4 apresentar os documentos comprobatórios. Mais uma vez, ele procurou esclarecer o fulcro de suas operações, mas não apresentou os documentos que embasariam suas alegações. Juntou tão somente uma listagem com a movimentação da tesouraria, sem a individualização dos valores a serem comprovados, o que pela legislação não é prova suficiente. O que a relação mostra é que houve créditos na conta do epigrafado. É de se destacar, que não basta haver a contabilização das operações. Elas precisam estar respaldadas com documentos de suporte, coincidente em datas e valores. 7. Além do mais, nesse ano calendário (2006), deixou de registrar na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica a receita auferida no ano. Assim, o valor de R$14.535.179,21 referente ao valor da receita com a venda de serviços no ano deverá ser considerada na apuração do valor tributável. 8. Face às constatações acima, fica o contribuinte sujeito à tributação dos valores discriminados nos anexos que integram este termo, que foram considerados como não comprovados de acordo com o que estabelece o Regulamento do Imposto de Renda. 9. Em relação aos valores transferidos de uma conta corrente para outra, bem como, aos demais créditos de características meramente permutativas, não compuseram a base tributável mencionada no item anterior. 10. Fazem parte também deste procedimento fiscal que ora se encerra, os Autos de Infração de IRPJ e tributos reflexos, nos quais estão especificados os valores e o enquadramento legal das irregularidades cometidas. E, para constar e surtir os efeitos legais lavro o presente termo em duas vias, de igual teor, por mim e pelo contribuinte assinadas, sendo que uma delas entregolhe neste ato.” A interessada foi cientificada dos autos de infração em 17/12/2010 (sextafeira). Inconformada, apresentou, em 18/01/2011, por intermédio de seu representante legal, impugnação de fls. 3639/3667, acompanhada de documentos de fls. 3668/4448. Inicialmente, salienta a tempestividade da defesa apresentada. Na sequência, faz um breve resumo dos fatos, consignando, quanto ao item 01 dos autos de infração, ter sido cientificada do lançamento decorrente de “milhões de lançamentos a crédito” em seus extratos bancários, os quais supostamente não teriam a origem comprovada. Acusa ser injustificável a motivação para o lançamento, pois resulta de trabalho incompleto e sem consistência, porque não se levou em conta as particularidades da atividade dedicada pela contribuinte, a qual “exigia posse de vultosíssimos recursos de terceiros”, tendo sido, ainda, desconsiderada ilegitimamente toda a documentação idônea apresentada e a contabilidade, para ao final formalizar a exigência “exclusivamente” em depósitos bancários. Quanto ao item 02 do lançamento, pretende demonstrar que não omitiu a receita auferida no anocalendário 2006, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DIPJ “sem qualquer prejuízo à arrecadação”. Aponta que a receita estava contabilizada, tendo sido objeto de declarações entregues às autoridades fiscais, inexistindo insuficiência de recolhimento de tributos. Acrescenta que, mesmo não sendo considerados tais argumentos, possuía prejuízos fiscais os quais deveriam ter sido compensados com o valor da autuação. Passa a esclarecer a atividade desenvolvida, dizendo ter por objeto social “a prestação de serviços de arrecadação e recebimento de importâncias pagas por pessoas naturais e jurídicas através de contas, boletos bancários e títulos em geral, Fl. 4743DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.744 5 emitidos por empresas concessionárias de serviços públicos, órgãos da administração pública e empresas privadas”, com atuação em boa parte do território nacional. Esclarece que tal atividade está regulamentada como correspondente bancário pelo Banco Central do Brasil – Bacen, conforme Resolução nº 3.110, de 31 de julho de 2003. E que, em suas funções, atuava como contratada direta de concessionária de serviços públicos (doc. 04 – alguns contratos celebrados com concessionárias, vigentes durante o ano de 2006 e relação de todos os clientes da Impugnante) e como correspondente bancário do Lemon Bank Banco Múltiplo SA (doc. 05 – contrato com o Lemon Bank), estando, portanto, encarregada de receber os valores das contas, devendo repassálos aos seus clientes. Afirma ter montado uma rede de recebimento de contas (“Rede Fácil”) pulverizada e próxima aos consumidores, formada por postos de serviços e estabelecimentos comerciais credenciados (“Agentes Recebedores”: farmácias, supermercados, etc) presentes em várias regiões do país (doc. 06 – modelo de contrato celebrado com os Agentes Recebedores). E que, depois do recebimento das contas, o Agente Arrecadador transmitia à Impugnante, diariamente, por via eletrônica, os dados referentes ao desempenho destas atividades e, na sequência, efetuava o depósito das importâncias recebidas (i) diretamente na conta de reserva bancária do Lemon Bank; ou (ii) nas contas bancárias da Impugnante, que repassava aos seus clientes os valores devidos. Por tal razão, justifica a manutenção temporária em suas contas bancárias de recursos de terceiros. Acrescenta que, “dado o enorme número de transações e partes envolvidas, isto era feito através de poderosos sistemas de processamento de dados, que cruzavam os recebimentos e os depósitos e identificavam os depositantes, as importâncias depositadas e os respectivos beneficiários”. Destaca que a complexidade da atividade da Impugnante exigia, também, um adequado aparelhamento por parte da fiscalização para cumprir seu mister com eficácia, sem ilegalmente pretender transferir para a contribuinte tarefas de sua alçada. “Todavia, não foi o que se viu nessa longa porém superficial fiscalização, não tendo a autoridade autuante percepção de que a simplicidade que buscava era incompatível com o ramo de negócio a que se dedicava a Impugnante”. Acusa, assim, que a falta de consciência fiscal foi decisiva para o “estabanado epílogo da fiscalização”, sendo os lançamentos, “mais do que estapafúrdios”, nulos, como adiante pretende demonstrar. Nesse sentido, ressalta que a exação pressupõe uma receita tributável omitida no ano 2006 de R$ 614.314.687,67, a qual equivaleria ao seu lucro tributável no período, fato o qual, se verdadeiro, levaria a Impugnante ao ranking das grandes empresas operantes no país, à frente, inclusive, de gigantes como a Danone Ltda; Grupo Seb do Brasil Produtos Domésticos Ltda; Panasonic do Brasil Ltda; Central Nacional Unimed; Merck Sa; Estaleiro Mauá SA e Repsol Brasil SA. Isso, à vista de um capital social de apenas R$ 5.745.045,00 (doc. 08 – Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado), implicando, portanto, um retorno espetacular sobre o capital, ao ano, de 1.000%. Diz que, no entanto, a realidade é outra, pois a Impugnante acumulou elevados prejuízos, acusando um patrimônio líquido negativo de R$ 31.889.396,03, acumulando prejuízos “fiscais” no valor de R$ 21.937.640,01. Fl. 4744DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.745 6 Acusa que os dados contábeis da Impugnante, contrastados com o valor dos autos de infração, demonstram, por si sós, a autuação grotesca, decorrente do total despreparo da fiscalização. Demais disso, alega que a fiscalização desconsiderou toda a documentação apresentada pela empresa ao longo da auditoria, em afronta ao disposto no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda, o qual reconhece o afastamento da presunção de omissão de receita com base em extratos bancários, mediante apresentação de documentação hábil e idônea a demonstrar a origem dos recursos. Contrapõese, dizendo que a atividade da Impugnante, comprovada documentalmente perante a fiscalização, por si só, demonstra a realização de operações por conta alheia (recursos de terceiros), evidência ignorada pela auditoria, que considerou a empresa como mera prestadora de serviços. Também, os contratos celebrados com seus clientes, igualmente apresentados à análise fiscal, evidenciam, ainda mais, a atividade da Impugnante, sendo desconhecido pela impugnante o motivo pelo qual tais documentos foram desconsiderados pelo Fisco. A contabilidade mantida (Livro Diário – “Recursos de Terceiros”), de outro lado, a qual foi, da mesma forma, oferecida à fiscalização, registra todos os depósitos considerados como receita omitida, prova desconsiderada sob o argumento de que “não basta haver a contabilização das operações”, em evidente afronta ao disposto nos arts. 923 e 924 do RIR/99 e à jurisprudência trazida à colação. Por fim, as planilhas descritivas dos recebimentos efetuados por cada Agente Arrecadador, oferecidas à análise fiscal, via CD, embora hábil a comprovar aos clientes o pagamento da conta emitida, foi desconsiderada pela fiscalização, razão porque a contribuinte questiona: qual documento, então, seria hábil a comprovar o alegado? Diz que as planilhas se justificam como documento auxiliar comprobatório, dada a forma como eram feitos os depósitos (a maioria em moeda corrente e em valores englobados para as diferentes concessionárias). E acrescenta: “57. É certo que os meros comprovantes de depósito bancário, em dinheiro, não identificados – únicos documentos de que a Impugnante não dispõe, pois pertencentes a terceiros, os depositantes – não é o tal documento hábil e idôneo, já que o extrato bancário é suficiente para provar (i) o depósito; (ii) a modalidade (em dinheiro, em cheque etc) e (iii) o depositante (quando identificado). Através de detalhadas e extensas planilhas que acompanharam a documentação disponibilizada, a Impugnante informou à fiscalização a origem e a natureza dos depósitos, mas o Sr. Auditor Fiscal, singelamente, (des)qualificou essas informações como mera “listagem com a movimentação de tesouraria” (repitase: relatórios gerados eletronicamente pelos Agentes Arrecadadores que serviam perante os clientes da Impugnante como prova idônea do recebimento de valores).” (negritos do original) Alega que, conquanto a regra do art. 287 do RIR/99 crie uma presunção relativa a favor da tributação dos depósitos bancários, não pode servir de “imobilismo fiscal” e justificar uma descabida transferência à contribuinte de deveres de averiguação próprios dos auditores tributários. E que, se a autoridade fiscal tivesse se desincumbido desse elementar dever, comparando nos extratos as entradas com as saídas, teria apurado que as transferências bancárias para seus clientes foram muito próximas dos valores depositados sem identificação. Apresenta jurisprudência administrativa no sentido de que, para caracterização de omissão de receita, é imprescindível seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida (1º CC, Recurso nº 120.490, sessão de 24/01/2001). Fl. 4745DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.746 7 Conclui, assim, ser nula a exigência, porque incompleta a ação fiscal, diante da falta de determinação da matéria tributável (receita supostamente omitida), como exige o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN. No mérito, propriamente dito, pretende provar, novamente, a origem dos depósitos considerados como receita omitida. Antes, porém, destaca que caberia à fiscalização, no forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, analisar individualmente os créditos, confrontandoos, por conseguinte, com os livros fiscais da Impugnante, a teor da jurisprudência desta casa (Acórdão DRJ/CPS nº 0710.450, de 17/08/2007, 3ª Turma). Para fins ilustrativo, reportase aos créditos bancários do dia 03/10/2006, do Banco Bradesco (ag. 33804, c/c 5940), os quais somam a quantia de R$ 1.860.434,66, que diz ter sido contabilizada “de forma aglutinada” no Livro Razão à fl. 195, como “Créditos Agentes – 1.860.434,66” (doc. 11). Também, reportase aos repasses feitos a seus clientes, todos identificados e contabilizados, igualmente desconsiderados pela fiscalização (doc. 12). Observa, da análise dos extratos e da contabilidade, que o total dos depósitos e dos repasses não coincidem exatamente, por ser dinâmica a atividade da contribuinte, havendo um fluxo de recursos descasado, devido a diferentes prazos contratuais de repasse. Ressalta que um levantamento de todo o ano de 2006, entre entradas/depósitos (recursos de terceiros) e saídas/TED (transferências aos clientes), demonstra “a quase absoluta coincidência entre os valores recebidos e transferidos no período” (doc. 13). Além disso, destaca, por amostragem, outros créditos bancários que não podem ser considerados como ingressos de numerário (doc. 14), tais como transferências entre contas da impugnante, mútuos e outros, conforme denotam os próprios históricos da operação bancária. Nesse contexto, acusa não terem sido os depósitos analisados individualmente, sendo inverídica a afirmação fiscal de que teria efetuado as deduções devidas. Entende que as evidências apontadas concorrem para a nulidade dos autos de infração. Do contrário, caso não seja acolhida a nulidade procedimental, requer a produção de prova pericial da contabilidade. Em outra frente de defesa, diz terem sido desconsiderados os prejuízos fiscais acumulados. Em suas palavras: “80. Dentre as indevidas cobranças constantes da presente autuação estão valores assim descritos pelo Il. Fiscal: “nesse ano calendário (2006), deixou de registrar na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica a receita auferida no ano. Assim, o valor de R$ 14.535.179,21 (...), referente ao valor da receita com a venda de serviços no ano deverá ser considerada na apuração do valor tributável” (Item 002 do Auto de Infração). 81. Tal questão já havia sido levantada pela fiscalização, tendo sido objeto de esclarecimentos prestados pela Impugnante em 29.10.2010 (v. Doc 3 – Resposta à Intimação de 29.10.2010). Vejase a seguir o que ocorreu. 82. Em 2006, a Impugnante recebeu e contabilizou os valores referentes aos serviços prestados e que eram sujeitos à retenção de IR pelos clientes/tomadores. Tais valores, conforme reconhecido pela própria fiscalização, já haviam sofrido as devidas retenções dos clientes/tomadores, e foram contabilizados pela Impugnante como Receitas Operacionais nos livros próprios. Fl. 4746DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.747 8 83. Ocorre que, em 2007, ao preencher a DIPJ (Doc. 15 – DIPJ/2007) referente ao ano de 2006, a Impugnante, por um lapso, não declarou tais valores. Tratavase, claramente, de um mero erro de preenchimento, que de maneira nenhuma caracteriza omissão de receita, pois: (i) confrontandose o Livro Diário da Impugnante (que foi analisado pelo Fiscal) com os valores retidos na fonte pelos tomadores, era possível verificar que não havia qualquer outro valor a recolher e; (ii) tendo havido a correta declaração do PIS e da COFINS na DCTF/2006 (Doc. 16 – DCTFs/2006), e considerando que essas exações também incidem sobre a receita, era perfeitamente possível apurar o valor da receita da Impugnante no ano de 2006. 84. Frisese que o Fiscal possuía as seguintes informações: (i) Livro Diário da Impugnante, registrando as Receitas Operacionais decorrentes da prestação de serviços; (ii) DIRF’s informando os valores das retenções de Imposto de Renda; (iii) DCTF’s informando os valores de PIS e de COFINS, que também incidem sobre a receita. 85. Dessa forma, resta demonstrado que não havia qualquer valor a ser recolhido pela Impugnante e que o erro de preenchimento da DIPJ de nenhuma forma pode ser considerado “omissão de receita de prestação de serviço”, dado que o quantum de receita poderia ser perfeitamente apurado pelo Fiscal por outros meios. 86. De todo modo, ainda que assim não se entenda, há que se levar em consideração o fato de que a Impugnante, no exercício alcançado pela autuação, acusou prejuízo muito superior aos supostos valores de “omissão de receita de prestação de serviço”. 87. De fato, conforme consta da Ficha 06A, página 5, da DIPJ anexa, a empresa teve prejuízos fiscais no período que alcançaram o valor de R$ 21.937.640,01 (...), os quais eram suficientes para absorver a suposta receita tributável omitida, objeto desse item do Auto de Infração. 88. Assim, quando da lavratura do Auto de Infração, tais valores deveriam ter sido considerados e abatidos, de ofício, do – absurdo – valor que se entendeu devido. 89. Todavia, o il. Fiscal Autuante, novamente optando pelo caminho mais simples, desconsiderou erroneamente a existência de prejuízos fiscais do período e procedeu à lavratura do Auto de Infração ora Impugnado, nesse item. 90. É de se dizer que, além disso, a empresa possuía prejuízos fiscais acumulados, também ignorados pela fiscalização e que somente podem ser mensurados através de perícia contábil a ser realizada no curso do presente processo.” (grifos do original) Por tais razões, conclui que o procedimento merece ser revisto, anulandose os autos de infração, ao menos nessa parte. Cita jurisprudência formada nas Delegacias de Julgamento – DRJ, acerca da recomposição do lucro real (Acórdão DRJ/BH nº 0226.421, de 15/04/2001; Acórdão DRJ/CTA nº 069.806, de 09/12/2005; Acórdão DRJ/RJ nº 128.321, de 30/08/2005 e Acórdão DRJ/RJ nº 12 12.398, de 23/11/2006). Encerra requerendo a desconstituição dos autos de infração, em razão da sua nulidade e completa improcedência, protestando pela produção de prova pericial da contabilidade, mediante os quesitos em anexo (fls. 3668). Aponta a qualificação, nome e endereço do seu profissional habilitado à perícia requerida. A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos, afastando a imputação de omissão de receitas da ordem de R$ 614.341.687,67, não só porque a autoridade fiscal promoveu a tributação na sistemática do lucro real trimestral, ao passo que a contribuinte optara pela apuração anual dos lucros, mas também porque o expressivo montante omitido exigiria o arbitramento dos lucros. Observou, ainda, que cumpria à fiscalização estipular critério razoável de depuração dos depósitos bancários analisados, para fins de Fl. 4747DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.748 9 questionamento à fiscalizada, da mesma forma como procedido ao se considerar relevante de confrontação pela contribuinte apenas os créditos bancários em valores mais elevados. De outro lado, a autoridade julgadora manteve a infração relativa à omissão de receitas de prestação de serviços de R$ 14.535.179,21, reduzindo prejuízo fiscal de R$ 21.937.640,01 para R$ 7.402.460,80, e cancelando integralmente a exigência de CSLL. Quanto aos lançamentos de Contribuição ao PIS e COFINS sobre aquelas receitas, excluiu a parcela relativa a outros meses de 2006, indevidamente computada na apuração de dezembro/2006, e constatou que a contribuinte havia declarado em DACON e DCTF apuração não cumulativa que não foi questionada pela Fiscalização, impedindo seu ajustamento em julgamento, e impondo o cancelamento, também, da exigência pertinente a dezembro de 2006. A decisão está assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 Pedido de Perícia. Indeferese o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção da autoridade julgadora. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. O lançamento feito em desconformidade com o regime de tributação do lucro real anual adotado pela contribuinte só subsiste se em favor do arbitramento, o que não foi observado no presente caso, a despeito de reunidos nos autos elementos suficientes para a imposição da referida forma de tributação, fato o qual enseja o cancelamento da exigência correspondente. Omissão de Receita. Falta de Declaração da Receita da Prestação de Serviço Contabilizada. Consiste em omissão de receita a subtração na declaração das receitas contabilizadas pela pessoa jurídica. Mantémse o lançamento quando as receitas omitidas são levadas à tributação no último trimestre do anocalendário (4º trimestre), construindo igual resultado do regime de tributação do lucro real anual, adotado pela pessoa jurídica, especialmente porque reconhecido, pela pessoa jurídica autuada, o erro na declaração. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei nº 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Omissão de Receita. Falta de Declaração da Receita da Prestação de Serviço Contabilizada. Pis. Cofins. NãoCumulatividade. As contribuições para o Pis e a Cofins, no regime da nãocumulatividade, têm fatos geradores mensais, comportando a utilização de créditos, regularmente contabilizados, bem como a dedução das contribuições retidas pela respectiva fonte pagadora. Fl. 4748DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.749 10 Cancelase a exigência fiscal sobre a receita contabilizada, quando não observado o princípio da tipicidade impositiva. Ainda, por ter constatado que as receitas contabilizadas pela contribuinte (R$ 14.535.179,21) eram inferiores às informadas em DIRF por suas fontes pagadoras (R$ 22.354.812,62), a Turma Julgadora fez constar da ordem de intimação do acórdão sob reexame o que segue: Por meio deste ato, representase à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para a adoção dos procedimentos tendentes à reabertura da fiscalização, relativamente ao período aqui tratado (anocalendário 2006), para fins de formalizar a exigência correspondente à receita informada nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras da contribuinte, relativas aos códigos de retenção 5952 e 8045 (fls. 4470), porque a falta de contabilização e declaração das referidas receitas não foi objeto do lançamento aqui apreciado, sequer tendo sido expressamente questionada pela fiscalização no presente procedimento fiscal. Ressaltase que, do novo lançamento efetuado, deve resultar a recomposição do resultado da pessoa jurídica, especialmente no que concerne à retificação do prejuízo fiscal. Ressaltase, ainda, a urgência que a medida requer, dada a premência do prazo decadencial, à vista da entrega da DIPJ correspondente ao referido anocalendário (2006) segundo a sistemática do lucro real anual (fls. 4459). Depois de transitar pelo SAPAC da DRF/Barueri, e de ser informado o resultado de julgamento, a decisão foi cientificada à contribuinte em 10/06/2011 (fls. 4729/4730), facultandolhe o direito de interpor recurso voluntário. Ausente manifestação da autuada, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação do recurso de ofício em 29/09/2011. Fl. 4749DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.750 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os quadros abaixo resumem as informações dos lançamentos em confronto com a exoneração procedida pela autoridade julgadora de 1a instância: IRPJ/AC 2006 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre Om.Rec.Dep.Banc. 157.948.802,14 205.587.112,65 161.431.269,56 74.839.324,11 Rec.Oper.não decl. 14.535.179,21 Prejuízo declarado (21.937.640,01) Lucro tributável 157.948.802,14 205.587.112,65 161.431.269,56 67.436.863,31 IRPJ (15%) 23.692.320,32 30.838.066,90 24.214.690,43 10.115.529,49 Adicional (10%) 15.788.880,21 20.552.711,26 16.137.126,95 6.743.686,33 IRPJ Lançado 39.481.200,53 51.390.778,15 40.351.817,38 16.859.215,82 IRPJ Exonerado 39.481.200,53 51.390.778,15 40.351.817,38 16.859.215,82 BC Reajustada (7.402.460,80) CSLL/AC 2006 1º trimestre 2º trimestre 3º trimestre 4º trimestre Om.Rec.Dep.Banc. 157.948.802,14 205.587.112,65 161.431.269,56 74.839.324,11 Rec.Oper.não decl. 14.535.179,21 BCN declarada Lucro Tributável 157.948.802,14 205.587.112,65 161.431.269,56 89.374.503,32 CSLL (9%) 14.215.392,19 18.502.840,14 14.528.814,26 8.043.705,30 CSLL Exonerada 14.215.392,19 18.502.840,14 14.528.814,26 8.043.705,30 BC Reajustada Omissão Receitas PIS (1,65%) COFINS (7,6%) Janeiro/2006 47.319.292,06 780.768,31 3.596.266,19 Fevereiro/2006 48.188.676,71 795.113,16 3.662.339,42 Março/2006 62.440.833,37 1.030.273,75 4.745.503,33 Abril/2006 62.262.936,86 1.027.338,45 4.731.983,20 Maio/2006 76.752.723,94 1.266.419,94 5.833.207,01 Junho/2006 66.571.451,85 1.098.428,95 5.059.430,34 Julho/2006 67.565.408,44 1.114.829,23 5.134.971,04 Agosto/2006 51.621.024,03 851.746,89 3.923.197,82 Setembro/2006 42.244.837,09 697.039,81 3.210.607,61 Outubro/2006 21.799.452,97 359.690,97 1.656.758,42 Novembro/2006 24.197.770,99 399.263,22 1.839.030,59 Dezembro/2006 28.842.100,15 475.894,65 2.191.999,62 Dezembro/2006 14.535.179,21 239.830,46 1.104.673,63 Total 10.136.637,78 46.689.968,20 Contribuições exoneradas 10.136.637,78 46.689.968,20 Fl. 4750DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.751 12 Consoante relatado, a decisão sob reexame exonerou a totalidade do crédito tributário lançado por entender que: • A imputação de omissão de receitas presumida a partir da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada exigia maior aprofundamento das análises da autoridade lançadora, além da observância da forma de apuração anual do lucro adotada pela contribuinte, ou, então, o arbitramento dos lucros em razão do volume de receita presumidamente omitida; • A tributação das receitas de prestação de serviços não ensejou crédito tributário exigível em razão do prejuízo fiscal originalmente apurado pela contribuinte, que restou, apenas, reduzido ao montante de R$ 7.402.460,80; • A tributação a título de Contribuição ao PIS e de COFINS, incidente sobre as receitas de prestação de serviços somente poderiam subsistir em relação ao montante pertinente a dezembro/2006, período de apuração ao qual elas foram vinculadas para fins de determinação dos valores exigíveis; • As exigências reflexas de Contribuição ao PIS e de COFINS sobre a parcela de receitas de prestação de serviços pertinente a dezembro/2006 não poderiam ser mantidas por não ter a Fiscalização se manifestado quanto à apuração na sistemática nãocumulativa informada originalmente pela contribuinte em DACON e DCTF. No que tange à exoneração do crédito tributário decorrente da imputação de omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, não há qualquer reparo às conclusões da autoridade julgadora. O voto condutor analisa com clareza o procedimento fiscal e os argumentos de defesa, e conclui validamente pela impossibilidade de se prosseguir na exigência do crédito tributário lançado: [...] Como relatado, a interessada foi autuada por omissão de receita operacional, diante da falta de declaração da receita contabilizada, decorrente da atividade da empresa, bem como por presunção de omissão de receita, decorrente de depósitos bancários cuja origem não logrou ser comprovada. Em sua defesa, alega a impugnante, basicamente, quanto à presunção de omissão de receitas, não ter sido observada a natureza peculiar da atividade desenvolvida, assim como não terem sido devidamente analisados os extratos bancários e a contabilidade da empresa auditada, a qual foi ofertada ao Fisco juntamente com os documentos que a corroboram. E, quanto à receita operacional omitida, alega ter apenas incorrido em erro no preenchimento da DIPJ, sem qualquer dano ao erário, diante da declaração e do recolhimento dos tributos/contribuições correspondentes. Demais disso, acusa não ter sido recomposto o lucro real do período, diante da falta de consideração, pela fiscalização, dos prejuízos “fiscais”, inclusive aqueles acumulados. Verificase, das 6ª e 10ª Alterações do Contrato Social da contribuinte, constantes de fls. 50/57 e 74/78, que o objeto social da pessoa jurídica consistia, no período aqui em discussão (2006), em: “(i) a prestação de serviços de arrecadação e Fl. 4751DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.752 13 recebimento de quaisquer importâncias pagas, a qualquer título, por pessoas, naturais ou jurídicas, inclusive em pagamento de serviços públicos, tributos e outras contribuições (ii) a prestação de serviços de promoção de vendas e suporte à comercialização de serviços comercializados por empresas em geral, inclusive os distribuídos por instituições financeiras e assemelhadas; (iii) a prestação de serviços de atendimento a consumidores de serviços prestados por empresas em geral, especialmente concessionárias de serviços públicos; (iv) a prestação de serviços de correspondente bancário, nos termos do que prevê a legislação aplicável, sendo os serviços aqui previstos prestados através de estabelecimentos próprios ou credenciados junto a terceiros, em qualquer parte do território nacional ou no exterior”. Como visto, a prestação de serviços de correspondente bancário era apenas uma das atividades exercidas pela impugnante, dentre outras. Demais disso, a Resolução CMN nº 3.110, de 31 de julho de 2003, com a redação dada pela Resolução CMN nº 3.156, de 17 de dezembro de 2003, divulgada pelo Banco Central, ao consolidar as normas que dispõem sobre a contratação de correspondentes no País, proibiu, expressamente, para o desempenho das atividades de recepção e encaminhamento de propostas de abertura de contas de depósitos à vista, a prazo e de poupança; de recebimentos e pagamentos relativos a contas de depósitos à vista, a prazo e de poupança, bem como a aplicações e resgates em fundos de investimento, a contratação de empresas cuja atividade principal ou única seja a prestação de serviços de correspondente. Confirase: “O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do art. 9º da Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, em sessão realizada em 31 de julho de 2003, com base nos arts. 3º, inciso V, 4º, incisos VI e VIII, 17 e 18, § 1º, da referida Lei e 14 da Lei 4.728, de 14 de julho de 1965, RESOLVEU: Art. 1º Alterar e consolidar, nos termos desta resolução, as normas que dispõem sobre a contratação, por parte de instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, de empresas, integrantes ou não do Sistema Financeiro Nacional, para o desempenho das funções de correspondente no País, com vistas à prestação dos seguintes serviços: I recepção e encaminhamento de propostas de abertura de contas de depósitos à vista, a prazo e de poupança; II recebimentos e pagamentos relativos a contas de depósitos à vista, a prazo e de poupança, bem como a aplicações e resgates em fundos de investimento; III recebimentos, pagamentos e outras atividades decorrentes de convênios de prestação de serviços mantidos pelo contratante na forma da regulamentação em vigor; IV execução ativa ou passiva de ordens de pagamento em nome do contratante; V recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos e de financiamentos; VI análise de crédito e cadastro; VII execução de serviços de cobrança; VIII recepção e encaminhamento de propostas de emissão de cartões de crédito; IX outros serviços de controle, inclusive processamento de dados, das operações pactuadas; X outras atividades, a critério do Banco Central do Brasil. Fl. 4752DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.753 14 § 1º A faculdade de que trata este artigo somente pode ser exercida no que se refere a serviços relacionados às atividades desenvolvidas pelas instituições referidas no caput, permitidas nos termos da legislação e regulamentação em vigor. § 2º A contratação de empresa para a prestação dos serviços referidos no caput, incisos I e II, depende de prévia autorização do Banco Central do Brasil, devendo, nos demais casos, ser objeto de comunicação àquela Autarquia. § 3º As funções de correspondente podem ser desempenhadas por serviços notariais e de registro, de que trata a Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994. Art. 2º É vedada às instituições referidas no art. 1º a contratação, para a prestação dos serviços mencionados nos incisos I e II daquele artigo, de empresas cuja atividade principal ou única seja a prestação de serviços de correspondente. Parágrafo único. A vedação de que trata este artigo aplicase à hipótese de substabelecimento do contrato a terceiros, total ou parcialmente. (...).” (negrejouse e grifouse) A teor da defesa ofertada pela impugnante, vêse que a interessada confunde o exercício de outros serviços com aquele de correspondente bancário, nele englobando as demais atividades exercidas pela pessoa jurídica fiscalizada. Notese que o correspondente bancário, basicamente, presta serviços de recebimentos, pagamentos, saques, depósitos, aplicações e resgates em contas de depósito e de poupança e fundos de investimento. Tudo isso, mediante a operação, por seus empregados, de terminais instalados no estabelecimento do correspondente ou credenciado junto a terceiros. Nesses casos, o correspondente bancário atua como verdadeira longa manus do estabelecimento bancário, pois executa diretamente as operações bancárias, qual um posto avançado da própria instituição financeira. Ou seja, nessas atividades, atua como mero executor material das operações mencionadas. Além disso, o correspondente bancário pode executar ordens de pagamento em nome do contratante, bem como pode executar serviços de cobrança. Compulsandose os autos, observase que a interessada mantinha contrato de prestação de serviço de correspondente bancário perante o HSBC (fls. 2464/2468), visando, exclusivamente, à recepção e encaminhamento de empréstimos e financiamentos a aposentados e pensionistas, bem como a formalização dos respectivos instrumentos, de tais serviços sendo remunerada por meio de comissão baseada nas operações efetivamente realizadas, a ser depositada em conta bancária indicada pela empresa, contra a apresentação de nota fiscal fatura. Observase, também, do convênio de arrecadação firmado com o Banco Fibra (fls. 2469/2470), que, de fato, a prestação de contas referente aos recebimentos deveria ser realizada por meio de transmissão de arquivos magnéticos, teletransmissão ou internet, cumprindo à contratada, contudo, enviar um extrato/fatura com a soma de todos os boletos recebidos no mês imediatamente anterior, para fins de recebimento da remuneração devida pelo serviço prestado. Assim, não se olvida que também as receitas oriundas das atividades operacionais da contribuinte circulam pelas contas mantidas pela pessoa jurídica junto às instituições financeiras. Não se olvida, ademais, que a interessada teria, não só planilhas e arquivos magnéticos, mas, especialmente, notas fiscais e faturas, em comprovação dos serviços prestados e da remuneração recebida como contrapartida. Fl. 4753DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.754 15 Desse modo, não só as receitas de terceiros, mas também as da própria interessada, deveriam encontrar correspondência nos depósitos bancários questionados, sendo hábeis a comprovar tais operações os documentos fiscais de emissão da pessoa jurídica, a dar suporte à contabilidade mantida, documentos estes os quais deixaram de ser apresentados à análise do Fisco. Como bem aponta a própria impugnante, a escrituração mantida com a observância legal faz prova dos fatos nela registrados, porém, desde que esteja acobertada pela documentação pertinente às operações praticadas. Nesse sentido, dispõe o art. 923, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), citado pela autuada: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).” (negrejouse e grifouse) E quanto à conservação de comprovantes e documentos, é obrigação prescrita, expressamente, no RIR/99: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37).” Por outro lado, a escrituração deve abranger todas as operações da contribuinte, admitindose a escrituração resumida do Livro Diário, desde que mantidos registros auxiliares nos quais restem individualizadas as operações e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação, sendo o Livro Razão utilizado para resumir ou totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, de forma individualizada, a teor dos seguintes artigos do RIR/99: “Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25).” “Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que Fl. 4754DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.755 16 modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente.” “Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). § 3º Estão dispensados de registro ou autenticação o Livro Razão ou fichas de que trata este artigo.” Assim, havendo registro “englobado” das operações praticadas, impõese à pessoa jurídica oferecer à análise do Fisco, não só os Livros Diário e Razão, porque mantidos com escrituração resumida, mas também o livro auxiliar utilizado para individualizar as operações, tudo corroborado pela documentação a qual acoberta os registros neles efetuados. De outro giro, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado válidos são somente aqueles transcritos no Livro Diário, a teor dos arts. 274 e 814 do RIR/99: “Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período Fl. 4755DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.756 17 de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). § 1º O lucro líquido do período deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 5º). § 2º O balanço ou balancete deverá ser transcrito no Diário ou no LALUR (Lei nº 8.383, de 1991, art. 51, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º, § 3º).” “Art. 814. As pessoas jurídicas indicarão, nos documentos que instruírem suas declarações de rendimentos, o número e a data do registro do livro ou fichas do Diário no Registro do Comércio competente, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). Parágrafo único. As sociedades civis estão, igualmente, obrigadas a indicar, nos documentos que instruírem as suas declarações de rendimentos, o número e a data de registro do Livro Diário no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, assim como o número da página do mesmo livro onde se acharem transcritos o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do período de apuração (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71).” Assim, não se pode acolher como prova válida Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado que não tenham sido extraídos de tal livro obrigatório (Diário), mormente quando desprovidos da assinatura do profissional habilitado e do sócio responsável, como aqueles acostados às fls. 3933/3934 (doc. 08). Também, não se pode olvidar que a presunção de omissão de receita estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, inverte o ônus probatório, conferindoo à contribuinte, a quem cumpre fazer o liame dos valores bancários questionados com aqueles presentes em sua escrituração, tudo mediante a apresentação da documentação comprobatória pertinente. No presente caso, ao ser intimada a comprovar a totalidade dos depósitos bancários (intimação de fls. 2139/2417), a interessada apresentou a resposta de fls. 2419/2420, segundo a qual esclareceu exercer a atividade de correspondente bancário, entre outras atividades de cobrança, anexando contratos às fls. 2464/2576, como já mencionado anteriormente neste voto. Diante da confirmação da atividade exercida, a fiscalização ainda questionou a contribuinte a esclarecer as operações de crédito em conta bancária feitas pelo Lemon Bank Banco Múltiplo SA (intimação de fls. 2579), obtendo como resposta da fiscalizada que o citado banco, de quem era correspondente bancário, era também o agente de liquidação das importâncias arrecadadas pelos diversos pontos, com o recebimento de contas emitidas pelas concessionárias de serviços públicos, sendo que os agentes de liquidação depositavam na conta de reserva bancária do Lemon Bank, diariamente, os valores arrecadados no dia, cumprindo ao referido banco o repasse das importâncias recebidas aos respectivos beneficiários (fls. 2580). À vista da resposta ofertada, o Fisco novamente intimou a interessada a comprovar a origem dos depósitos bancários, porém, relacionando apenas aqueles em valores mais elevados, oferecendo à interessada o prazo de cinco dias para atendimento (intimação de fls. 2581/2590). Na oportunidade, a interessada respondeu, em síntese, após pedido de prorrogação de prazo, que a maioria dos valores apontados nas contas bancárias da empresa se origina de depósitos efetuados por agentes de arrecadação credenciados, com referência às importâncias por eles recebidas em favor das concessionárias Fl. 4756DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.757 18 emissoras das contas e que, por razões diversas, não puderam ser depositadas diretamente na conta de reserva bancária do Lemon Bank. E que tais depósitos derivavam de recebimentos de títulos de mútuo, transferências entre contas da própria empresa, dentre outras, sendo exigência contratual das emissoras das contas que o recebimento somente poderia ser realizado em moeda corrente, razão porque os depósitos eram não identificados. Acrescenta, ainda, que os depósitos eram feitos de forma englobada, sendo a identificação individual das diferentes concessionárias efetuada mediante os sistemas, conforme planilha já oferecida anteriormente (fls. 2592/2593). Passo seguinte, a fiscalização questionou a contribuinte a esclarecer a razão de não terem sido declaradas na DIPJ as receitas de prestação de serviços informadas nas DIRF entregues pelas respectivas fontes pagadoras, conforme planilha anexa (fls. 2604/2644), respondendo a interessada ter contabilizado tais receitas, incorrendo apenas em erro no preenchimento da declaração (fls. 2645/2646). Na sequência, a fiscalização reiterou a intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários questionados, por considerar insuficiente os esclarecimentos/documentos até então apresentados (fls. 2647). Cumpre transcrever alguns excertos da resposta apresentada pela a empresa auditada, constante de fls. 2648/2650: “(...) Como em resposta às intimações anteriores a RTR já esclareceu, os documentos de suporte dos lançamentos já foram apresentados, notadamente os contratos de prestação de serviço que deram origem, remotamente, aos depósitos em questão. Não custa repetir que a atividade da RTR, no período objeto do procedimento de fiscalização, consoante consta de seu objeto social, é o recebimento de contas de terceiros. Portanto, pela própria natureza da atividade que desenvolvia, a maior parte dos fluxos financeiros com o qual lidava a RTR constituía “recursos de terceiros”, sem qualquer impacto em sua receita. Com efeito, o ato de recebimento de recursos de terceiros, em si, não consistia em uma “operação de contra própria”, hábil a conferir aos valores recebidos a natureza de receita do contribuinte. Esta limitavase ao resultado auferido nessas operações de conta alheia (RIR, art. 297). Como também já esclarecido, a regra era a de que os valores arrecadados não transitassem por contas da RTR, visto que tal implicava na incidência da CPMF sobre os valores depositados, fato que, na maior parte das vezes, acarretava custos superiores aos da própria remuneração recebida pela RTR pela prestação dos serviços, que era um valor fixo por conta, que oscilava entre cerca de R$ 0,25 a pouco mais de R$ 0,50. Os valores deveriam ser depositados diretamente pelas centenas de agentes arrecadadores ou por empresas de recolhimento de valores, na conta de reserva bancária do Lemon Bank, isenta de CPMF, cabendo àquele banco efetuar o repasse aos respectivos beneficiários. Ocorria, por vezes e depois mais freqüentemente, que os bancos, de forma abusiva, passaram a recusarse a receberem depósitos de elevada monta, em moeda corrente, o que obrigava aos depositantes a efetuarem os depósitos diretamente nas contas da RTR, desta maneira, sem qualquer identificação que não fosse o próprio registro nos lançamentos bancários, os quais eram conciliados com os registros eletrônicos dos recebimentos feitos por cada agente credenciado e o batimento, também feito diariamente, com as concessionárias e demais órgãos públicos cujas contas eram recebidas pelos agentes da RTR. Em manifestação anterior, a RTR apresentou a V.Sas. planilha descritiva dos recebimentos efetuados por cada um dos seus agentes, com indicação detalhada Fl. 4757DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.758 19 de sua identidade, empresas emissoras das contas, valores, datas etc. Da mesma maneira, estão à disposição de V.Sas. os extratos que registram os repasses das importâncias recebidas, evidenciando a transitoriedade da posse dos recursos pela RTR. A prova da atividade própria de conta alheia, portanto, se fez oportunamente seja pela comprovação do objeto social da contribuinte, seja pelos contratos firmados com inúmeras concessionárias de serviço público. (...). Adicionalmente, a RTR vem apresentar, como evidência suplementar, borderôs das transportadoras de valores que se incumbiam de recolher, junto aos estabelecimentos da rede recebedora que geravam maiores volumes arrecadados, os recursos financeiros e de depositálos, seja na conta de reserva no Lemon Bank, seja na conta bancária da RTR. Também tais documentos permitem comprovar a origem dos montantes depositados em dinheiro nas contas bancárias da contribuinte. (...).” (negrejouse) Não satisfeita com a documentação apresentada, a fiscalização lavrou os respectivos autos de infração. Como visto, restou evidenciado que, de fato, circula pelas contas bancárias da pessoa jurídica rendimentos de terceiros, de modo que cumpria à fiscalização estipular critério razoável de depuração dos depósitos bancários analisados, para fins de questionamento à fiscalizada, da mesma forma como procedido ao se considerar relevante de confrontação pela contribuinte apenas os créditos bancários em valores mais elevados (intimação de fls. 2581/2590). Com efeito, à vista do montante caracterizável como receita de terceiros nos extratos bancários, deveria o Fisco, ao menos, confrontálo com os percentuais de comissões aplicáveis aos contratos dessa natureza celebrados, bem como com as informações presentes nas DIRF apresentadas pelas respectivas fontes pagadoras, de modo a confirmar/infirmar as receitas oriundas dessa espécie de serviço prestado pela fiscalizada, sob pena de, em assim não fazendo, restar bastante provável a tributação da receita de terceiros ao se considerar como receita omitida toda aquela evidenciada nos aludidos depósitos, e não apenas a receita decorrente da atividade exercida pela contribuinte. Notase que as informações das DIRF não passaram despercebidas pela fiscalização, dada a intimação expedida às fls. 2604 com a finalidade de a interessada “esclarecer a razão pela qual não foram declaradas na DIPJ do ano calendário de 2006 os valores de RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS auferidos nesse ano, uma vez que foram pagos ao epigrafado os valores informados nas DIRFS, cuja planilha anexa explicita esses valores informados pelas fontes pagadoras”. A planilha referida na intimação, acostada às fls. 2605, consiste no resumo das informações constantes das DIRF apresentadas, porém, apenas aquelas relativas ao código de retenção 1708, as quais indicam rendimentos no total de R$ 14.746.026,48 (R$ 14.517.890,85 líquido do IRRF). Ocorre que, segundo as mesmas DIRF (fls. 4470), já era possível concluir pela omissão de rendimentos decorrentes da efetiva atividade da impugnante (prestação de serviços), dada a informação nos referidos documentos de a interessada ter auferido, no ano 2006, rendimentos no total de R$ 22.354.812,62 (códigos de retenção 1708, 5952 e 8045), dos quais apenas R$ 14.535.179,21 foram questionados pelo Fisco porque contabilizados pela pessoa jurídica em sua escrituração contábil (código de retenção 1708), valor este que, juntamente com a diferença não contabilizada, de R$ 7.819.633,41 (R$ 22.354.812,62 – R$ Fl. 4758DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.759 20 14.535.179,21), deixou de ser oferecido à tributação na DIPJ transmitida à RFB, fato o qual contribuiu para transformar os custos/despesas informados na citada DIPJ, no total de R$ 21.937.640,01, em indevido prejuízo fiscal, de igual valor, dado que nenhum ajuste foi procedido na determinação do lucro real. E a contribuinte reconheceu, expressamente, que, além de correspondente bancário, presta serviço a concessionárias e demais órgãos públicos, justificando a retenção dos tributos/contribuições incidentes sobre os rendimentos auferidos, também sob os códigos 5952 (Retenção CSLL, Cofins e Pis/Pasep sobre Pagamentos de PJ a PJ de Direito Privado) e 8045 (Demais Rendimentos). Não se encontra nos autos motivação para a fiscalização ter deixado de intimar a pessoa jurídica a esclarecer, inclusive, a razão da falta de contabilização/declaração dos rendimentos constantes das DIRF, informados sob os demais códigos de retenção (cód. 5952 e 8045), no total correspondente à diferença acima citada, de R$ 7.819.633,41. É provável ter assim procedido a fiscalização por considerar que a referida omissão da receita apreendida do confronto da DIRF com a escrituração, no valor de R$ 7.819.633,41, já se encontrava embutida nos depósitos bancários questionados, fato o qual traz como conseqüência a imputação a tal parcela de rendimentos da presunção de omissão de receita, quando às informações presentes nas DIRF se pode atribuir o mesmo peso de prova direta da infração. Quanto à alegação da contribuinte, de que a fiscalização tinha como apurar a receita auferida com base nos valores declarados a título de Pis e Cofins, equivocada é a tese da impugnante, pois as contribuições em comento, a despeito de incidirem sobre o faturamento da pessoa jurídica, sofrem ajustes específicos, inclusive aqueles decorrentes do aproveitamento de créditos regularmente contabilizados, quando no regime da nãocumulatividade, como é o caso aqui tratado. Deste modo, o cálculo inverso pretendido, com base nas informações dos débitos em DCTF, não se mostra tão simplificado, como faz crer a defendente, revelandose impreciso, à falta da análise dos demais registros da pessoa jurídica (Dacon, inclusive). Ademais, como salientado antes, a interessada somente contabilizou parte das receitas de sua atividade, correspondente àquela informada em DIRF sob o código de retenção 1708, deixando de registrar e declarar as demais receitas auferidas, também informadas em DIRF pelas respectivas fontes pagadoras, sob os códigos de retenção 5952 e 8045. Contudo, ainda que se entendesse simplista o procedimento de fiscalização, tal fato não concorre para a nulidade do lançamento, quando dele não se vislumbre cerceamento do direito de defesa da contribuinte, mas apenas maior encargo por parte da pessoa jurídica fiscalizada, como é o caso aqui tratado. Desta feita, não há de se falar da nulidade do lançamento, mesmo porque não se mostraram atendidos os requisitos constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina a matéria: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 4759DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.760 21 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)” Sendo, os atos e termos, lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, ante a perfeita descrição dos fatos e enquadramento legal específico e a abertura de prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. No presente caso, a interessada demonstrou, mediante as razões de impugnação ofertadas, ter compreendido claramente os motivos da autuação, rebatendo, ponto a ponto, as infrações apontadas, não havendo de se cogitar do cerceamento do direito de defesa. Não obstante tais observações, de fato, no presente caso, não merece prosperar a exigência relativa à omissão de receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não se logrou comprovar. Isso, porque referida exigência foi efetuada segundo a sistemática do Lucro Real Trimestral, em desconformidade com a opção de tributação pelo Lucro Real Anual formalizada pela pessoa jurídica, no período, consoante DIPJ/2007 regularmente processada (fls. 4459/4469). A obrigatoriedade de observação do regime de tributação adotado pela pessoa jurídica, quando da apuração de omissão de receita, é prescrita no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, base legal do art. 288 do RIR/99: “Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24).” O lançamento feito em desconformidade com o regime de tributação adotado pela contribuinte só subsiste se em favor do arbitramento, o que não foi observado no presente caso, a despeito de evidenciados elementos para tanto. Com efeito, a julgar pelo expressivo montante considerado pela fiscalização como assim omitido (num total de R$ 614.341.687,67 no ano), imporseia o arbitramento do lucro, inclusive a fim de conferir à autuada, ao menos, os custos/despesas presumidos da atividade exercida, de acordo com os percentuais previstos na legislação pertinente. Ademais, a fiscalização destacou no Termo de Reintimação Fiscal de fls. 2647, que “não basta que os valores questionados estejam contabilizados, que existam contratos de prestação de serviços e nem tampouco que sejam apresentados demonstrativos dos valores recebidos. É fundamental que corroborando os valores lançados na contabilidade sejam apresentados os documentos de suporte, hábeis, coincidentes em datas e valores, conforme estabelece a legislação do Imposto de Renda”. E formalizou o lançamento com base na mesma argumentação, qual seja, de a contabilidade restar desacobertada de documentação hábil e idônea a corroborar os lançamentos ali evidenciados, sinalizando pela imprestabilidade da escrita, conclusão a qual implicaria o arbitramento do lucro. Por tais razões, afastase da exigência a omissão decorrente de depósitos bancários. Em verdade, conforme a interpretação que se faça do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, seria possível, até, declarar a nulidade do lançamento no que se refere à constituição Fl. 4760DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.761 22 do crédito tributário decorrente destas infrações, ante a precariedade do procedimento fiscal e, conseqüentemente, da motivação da exigência. Vejase que na intimação de fls. 2581/2590 a autoridade lançadora já havia direcionado seus questionamentos para os depósitos bancários de valores mais elevados, e ainda assim, presumiu que receitas foram omitidas em razão de todos os depósitos bancários verificados nas contas correntes da contribuinte, basicamente em função da resposta insatisfatória ao Termo de Reintimação de fls. 2647, por meio do qual exigiu: [...] intimamos o contribuinte, acima identificado, a apresentar, no prazo de (cinco) dias, todos os documentos e comprovantes solicitados através dos Termos de Intimação anteriores de junho e de outubro de 2010 e que até o momento não foram apresentados. É de se destacar que não basta que os valores questionados estejam contabilizados, que existam contratos de prestação de serviços e nem tampouco que sejam apresentados demonstrativos dos valores recebidos. É fundamental que corroborando os valores lançados na (contabilidade sejam apresentados os documentos de suporte,hábeis, coincidentes em datas e valores, conforme estabelece a legislação do Imposto de Renda. Em outras palavras, a prova documental da origem dos valores creditados nas contas correntes do epigrafado, é condição essencial para que se comprove a efetividade da operação. Se os depósitos bancários estão contabilizados, é essencial que a autoridade lançadora avalie a contrapartida de cada lançamento para confirmar se, de fato, não houve reconhecimento de receita, ou se eventual operação de mera permuta patrimonial não encontra lastro documental para ser contabilizada como tal. Demais disto, como bem afirmou a autoridade julgadora de 1a instância, ante todas as evidências de que valores de terceiros transitavam pelas contas mantidas pela contribuinte, deveria a Fiscalização adotar critério razoável de depuração dos depósitos bancários analisados, e não apenas valerse da inversão do ônus da prova que a lei permite para erigir o fato tributável. A presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 prestase a permitir o lançamento quando o Fisco está impedido de alcançar o fato tributável em sua real natureza, e não a constituir fatos tributáveis a partir de significativo volume de operações permutativas, e não modificativas do patrimônio da contribuinte, mormente quando tem razão a contribuinte ao responder ao Termo de Reintimação antes mencionado, registrando, para afastar qualquer dúvida no particular, que todas as intimações recebidas pela RTR foram atendidas no prazo. Não há que se falar assim que, apesar das anteriores intimações, os documentos solicitados "até o momento não foram apresentados". Se a fiscalizada responde às intimações, apresentando relatórios e expondo as dificuldades de demonstrar individualmente as operações questionadas, a autoridade lançadora passa a ter o dever de contraditar estas afirmações, e demonstrar a possibilidade desta prova individualizada, ou mesmo a imprecisão dos relatórios. Não é possível, sem maior aprofundamento das análises da escrituração contábil do sujeito passivo, simplesmente negar valor aos elementos apresentados pela contribuinte, e fazer uso da presunção legal para caracterizar o fato tributável, invertendo o ônus da prova e impondo à contribuinte, novamente, a demonstração individualizada da origem das operações questionadas, sem a prévia desconstituição daqueles elementos apresentados no curso do procedimento fiscal. Apenas sob esta ótica, já seria possível declarar a nulidade do lançamento, por vício material, ante a insuficiente motivação para caracterização do fato tributável, e conseqüente inobservância do Decreto nº 70.235/72 que exige, em seu art. 10, inciso II, para Fl. 4761DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.762 23 fins de lavratura do auto de infração, a descrição dos fatos. Esta descrição, no presente caso, deveria conduzir, necessariamente, à afirmação de que depósitos bancários deixaram de ter sua origem comprovada e, como evidenciado, a Fiscalização não logrou desconstituir os elementos apresentados pela contribuinte durante o procedimento investigatório. De toda sorte, também tem razão a autoridade julgadora de 1a instância ao constatar a necessidade de arbitramento dos lucros por imprestabilidade da escrituração contábil, já que desacobertada de documentação hábil e idônea a corroborar os lançamentos ali evidenciados, ou mesmo em razão do volume de receitas consideradas omitidas. O art. 47 da Lei nº 8.981/95 determina o arbitramento dos lucros quando a escrituração contábil inexistir ou não permitir a apuração do lucro real: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real (...), não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. [. . .] Isto porque o arbitramento está posto à disposição do Fisco sempre que não for possível, a partir dos elementos detidos pelo sujeito passivo, apurar a base tributável. É o que se infere desde a referência inicial a este procedimento, contida no art. 148 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (negrejouse). Conforme bem elucidado por Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 137/152, a palavra arbitramento foi utilizada neste contexto na acepção de base de cálculo substitutiva, ou seja, de substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação – correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência tributária construído a partir do texto constitucional – por uma outra, subsidiária, em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade destes fornecerem critérios seguros para a mensuração do fato. Nestes casos, a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. Decorre daí que caracterizada a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal válida, determina a Lei que a base de cálculo originalmente prevista na legislação (lucro real) seja substituída por uma outra legalmente prevista (lucro arbitrado) e, nas palavras da autora (p. 138/139): Fl. 4762DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.763 24 Parecenos inequívoca a existência de vinculação na função administrativa de constatar de forma direta ou indireta a ocorrência do fato jurídico tributário. Vinculado, também, é o dever de arbitrar, ao passo que discricionário é o procedimento administrativo que, com base em juízo próprio, elege como base de cálculo uma das grandezas possíveis previstas na Lei. ................................................................................................................. A questão da discricionariedade tornase relevante quando nos deparamos com a ocorrência de fato jurídico descritor de evento típico provado de forma direta ou indireta, mas que não permite a identificação da grandeza daquilo que a Lei dispõe como sendo a base de cálculo, ensejando assim a aplicação do atonorma de arbitramento. (negrejouse). A afirmada falta de suporte documental aos lançamentos contábeis que representam movimentação financeira R$ 614.341.687,67 em um ano de atividade não poderia conduzir a outra conclusão que não a imprestabilidade da escrituração comercial para fins de apuração do lucro real. Correta, portanto, a exoneração do crédito tributário correspondente à omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, até porque nem mesmo a opção pela apuração anual do lucro real foi observada pela autoridade lançadora, que apurou o IRPJ e CSLL, nestas infrações, com base no lucro real trimestral. Já com referência às receitas de prestação de serviços apuradas em DIRF e na contabilidade da contribuinte, a autoridade lançadora concentrou todo o valor tributável em dezembro de 2006, e inclusive considerou, na apuração do IRPJ, o prejuízo fiscal originalmente declarado pela contribuinte, de modo que, excluída as omissões de receitas antes tratadas, a autoridade julgadora de 1a instância manteve a redução de prejuízo fiscal do ano calendário 2006. A contribuinte não questionou estas conclusões, na medida em que não apresentou recurso voluntário. No que tange ao lançamento de CSLL, a autoridade julgadora de 1a instância apenas consignou que, sendo os lançamentos reflexos mera decorrência do principal, deverse ia excluir a receita omitida decorrente de depósitos bancários não identificados. Mas, ao assim proceder, a autoridade julgadora também exonerou os créditos tributários calculados sobre as receitas de prestação de serviços computadas em dezembro de 2006, cancelando integralmente as exigências formalizadas. Em verdade, a autoridade lançadora havia deixado de considerar em sua apuração a base de cálculo negativa declarada pela contribuinte, no mesmo valor do prejuízo fiscal apurado no âmbito do IRPJ, assim aplicando a alíquota de CSLL sobre a integralidade das receitas apuradas. Possivelmente a autoridade julgadora de 1a instância entendeu que agregar este elemento ao cálculo da exigência representaria inovação inadmissível na apreciação da impugnação. Porém, ao deixar de considerar a base de cálculo negativa originalmente apurada pela contribuinte, a autoridade lançadora aplicou a alíquota de 9% diretamente sobre a receita omitida, e a manutenção desta infração no julgamento de 1a instância poderia, em verdade, resultar na manutenção integral do crédito tributário assim apurado. Assim, para adequar o resultado do julgamento aos fundamentos da decisão, este reexame poderia resultar no restabelecimento da exigência de CSLL, correspondente a 9% das receitas de prestação de serviços omitidas em 2006. Fl. 4763DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.764 25 Mas na seqüência deste raciocínio, a constatação de que a contribuinte havia originalmente apurado base de cálculo negativa de R$ 21.937.640,01 impõe o reconhecimento, de ofício, deste elemento no cálculo do valor tributável, que por ser superior à infração apurada de R$ 14.535.179,21, enseja apenas a redução da base de cálculo negativa a R$ 7.402.460,80. Por estas razões, a decisão sob reexame deve ser reformada, para não apenas exonerar os créditos tributários de CSLL exigidos, mas também determinar a retificação da base de cálculo negativa declarada pela contribuinte, nos valores acima demonstrados. Por fim, no que tange aos reflexos de COFINS e Contribuição ao PIS, ao afastar a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, a autoridade julgadora de 1a instância corretamente excluiu aquelas exigências. De forma semelhante, validamente procedeu ao desconstituir as exigências que restaram concentradas em dezembro/2006, muito embora estivesse ao alcance da autoridade lançadora distinguir mensalmente os valores omitidos a título de receitas de prestação de serviços, não só a partir da contabilidade, como também mediante exame das informações prestadas pelas fontes pagadoras em DIRF. Ainda, também corretamente afastou a exigência daquelas contribuições sobre as receitas de prestação de serviços pertinentes a dezembro/2006, porque exigidas na sistemática nãocumulativa, sem qualquer consideração acerca da apuração antes demonstrada pela contribuinte em DACON e DCTF, que revelava receitas declaradas de R$ 1.603.144,27, em valor superior ao apurado pela autoridade lançadora (R$ 1.016.943,31), muito embora o desconto de créditos e retenções tenha resultado em valores a pagar de R$ 14.692,90 (Contribuição ao PIS) e R$ 67.935,10 (COFINS), inferiores aos exigidos no lançamento (R$ 16.779,59 a título de Contribuição ao PIS e R$ 77.287,69 a título de COFINS). Neste ponto, também nenhum reparo há à decisão sob reexame. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para determinar a retificação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela contribuinte no anocalendário 2006, reduzindoa de R$ 21.937.640,01 para R$ 7.402.460,80. A autoridade administrativa competente deve promover os registros necessários nos sistemas de controle de bases de cálculo negativas a compensar, mantidos pela Receita Federal. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4764DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13896.002960/201007 Acórdão n.º 110100.733 S1C1T1 Fl. 4.765 26 Fl. 4765DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10675.720065/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo que negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo que negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 00 65 /2 00 7- 71 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Granja Planalto Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 01/06, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2005, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Preservação Permanente e de Área de Reserva Legal/Utilização Limitada. A 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”), ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 280100.743, que se encontra às fls. 182/188 e cuja ementa é a seguinte: “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente e utilização limitada, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇAO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. Recurso negado.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10675.720065/200771 Acórdão n.º 9202002.479 CSRFT2 Fl. 9 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário para manter a exigência do ITR. Intimada do acórdão em 13/01/2011 (fls. 189) a contribuinte interpôs recurso especial às fls. 192/212 em que pleiteia a reforma do v. acórdão recorrido alegando divergência jurisprudencial no tocante à exigência de ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, bem como à necessidade de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel (Acórdãos nºs 30334.106 e 920200.365). Ao Recurso Especial da contribuinte foi dado parcial seguimento, tendo sido admitido somente em relação à necessidade de averbação da área de reserva legal antes de ocorrido o fato gerador, nos termos do Despacho nº 210000241/2011, de 20/05/2011 (fls. 242/245), confirmado pelo reexame de admissibilidade de fls 246/247. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial apresentado pela contribuinte preenche os requisitos de admissibilidade. Para demonstrar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial a Recorrente trouxe aos autos como paradigma acórdãos tais como os de nºs 303 34.106 e 920200.365, assim ementados: Acórdão nº 30334.106 "ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de utilização limitada para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente da sua prévia averbação no cartório competente, bem como é inadmissível a autuação fiscal baseada tão somente na não comprovação da área de preservação permanente através da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas inclusive a sua averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, procedida em data posterior à ocorrência fato gerador." Acórdão nº 920200.365 "IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU UTILIZAÇÃO LIMITADA – EXIGÊNCIA, POR INSTRUÇÃO NORMATIVA, DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS ÁREAS DE DE PRESERVAÇÃO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 PERMANENTE OU DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — INEFICÁCIA. O Poder Executivo, ao baixar provisões regulamentares, de caráter secundário, deve conterse nos limites traçados pela lei, não podendo exorbitar em seus ternos, sob pena de ineficácia. Só a lei pode ditar regras de ação positive (fazer) ou negativa (deixar de fazer ou absterse) em obediência ao princípio da legalidade. Assim, instrução normativa não pode impor obrigação estabelecendo exigência, não prevista em lei, para que o sujeito passive faça jus à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada. Recurso especial negado." Com efeito, pelo exame da ementa do paradigma correspondente ao Acórdão n. 30334.106, resta claro o entendimento diverso daquele consignado no acórdão recorrido no tocante à desnecessidade de averbação da área de reserva legal em momento anterior ao fato gerador para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Entendo, assim, que estão presentes os requisitos para o conhecimento do recurso especial. No mérito, em relação ao exercício de 2005 (objeto do presente lançamento) o ITR era regido pela Lei nº 9.393/1996 (ainda em vigor), que prevê a exclusão das áreas de utilização limitada no artigo 10, parágrafo 1º, II, alínea `a`: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10675.720065/200771 Acórdão n.º 9202002.479 CSRFT2 Fl. 10 5 de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal De acordo com tal dispositivo, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10675.720065/200771 Acórdão n.º 9202002.479 CSRFT2 Fl. 11 7 § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigêncai do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. No presente caso, o acórdão recorrido, ao examinar a documentação comprobatória das informações declaradas na DITR, constatou a existência da averbação da área de reserva legal no montante de 113,9ha (fls. 185), mas não a considerou como apta a permitir a exclusão da base de cálculo do ITR por ter a averbação ocorrido em data posterior à data de ocorrência do fato gerador. Verifico que a averbação pelo contribuinte se deu em 29/03/2006 (fls. 10/13), anteriormente à intimação fiscal de 09/07/2007 (fls. 06/07), porém posteriormente à ocorrência do fato gerador. Tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. Destaco, no entanto, que muito embora a matrícula do imóvel (fls. 10/13) e o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta (fls. 08/09) indiquem que a área de reserva legal é de 113,8ha, como a contribuinte declarou em sua DITR uma área de reserva legal de 76,8ha, somente esse valor pode ser admitido nesta instância especial. Em face de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial interposto pela contribuinte para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a exclusão da área de reserva legal de 76,8ha. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 11080.722514/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE.
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PARCELA DOS SEGURADOS Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 14 /2 01 0- 73 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722514/201073 Acórdão n.º 2402003.256 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 11/1997 a 12/1998. O Relatório Fiscal (fls. 15/27) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, INSTELMA CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA, CNPJ 78.782.042/000119, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 86/100) – acompanhada dos anexos de fls. 101/125 –, alegando, em síntese, que: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722514/201073 Acórdão n.º 2402003.256 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. Posteriormente, a empresa prestadora de serviços, INSTELMA CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA, apresentou impugnação (fls. 152/159) na qual alega, em síntese, que: 1. ao menos em relação a prestadora de serviços, operou a decadência de forma indefectível, eis que ela jamais foi notificada do lançamento anulado, tendo tomado conhecimento dos débitos somente agora; 2. a regra contida no artigo 173, II do CTN não pode alcançar sujeito passivo que não figurou, ou sequer foi notificado, do primeiro Auto de Infração anulado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0344.818 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 173/188) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 236DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722514/201073 Acórdão n.º 2402003.256 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (INSTELMA CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 16) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722514/201073 Acórdão n.º 2402003.256 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 15/27) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes exclusivamente do levantamento original: SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.6682), remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722514/201073 Acórdão n.º 2402003.256 S2C4T2 Fl. 7 11 norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Por sua vez, entendese que não há espaço jurídico para aplicação do enunciado no Parecer AGU nº AC055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer AGU nº AC055/2006 não prever a sua aplicação para a sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, pois não poderá haver concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio da conformidade funcional – segundo o qual a interpretação não deve subverter o mandamento funcional criado pela Constituição – e com o princípio da interpretação conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindose a pertinência dos demais sentidos que colidirem com a constituição. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722514/201073 Acórdão n.º 2402003.256 S2C4T2 Fl. 8 13 extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722514/201073 Acórdão n.º 2402003.256 S2C4T2 Fl. 9 15 devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.720447/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
Ementa:
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
TERCEIROS
As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência.
CERCEAMENTO DE DEFESA
O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada.
MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, de ofício e de juros na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Adminsitrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Ementa: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, de ofício e de juros na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, de ofício e de juros na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 47 /2 01 2- 84 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Adminsitrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720447/201284 Acórdão n.º 2302002.383 S2C3T2 Fl. 227 3 . Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, em 10/05/2012, com ciência 11/05/2012, referese às contribuições destinadas às Teceiras Entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, nas competências 01/2008 a 12/2008, apuradas com base no batimento das informações prestadas pelo contribuinte em GFIP, nas folhas de pagamento e nas RAIS. O relatório fiscal de fls. 15/21, traz que a autuada informou nas GFIP’s ser optante do SIMPLES, quando não é optante do Sistema, o que ocasionou a diminuição da base tributável, inserindo informações falsas na GFIP, sujeitandose à multa de ofício de 150%, na competência 12/2008. Aduz o relatório que não foram apresentados os Livros Diário eRazão e que restou evidenciada, de fato, a existência de grupo econômico, composto pela autuada e as seguintes empresas, que foram cientificadas de todo o procedimento fiscal: Laboratório Fleming Análises Clínicas e Anatomia Patologica S/S Ltda. Laboratório Fleming Master Analises Clínicas Ecitopatologia Ltda – Me. Laboratório Landsteiner S/S Ltda. Somente a autuada impugnou a autuação e Acórdão de fls. 171/179, julgou o lançamento procedente. Cientificados do Acórdão todos os integrantes do grupo econômico, apenas se mostrou inconformado o autuado, que apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) o cerceamento de defesa porque faltou prova da acusação, o fisco não juntou documentos comprobatórios; b) que não foi dito pelo fisco quais empregados estavam na folha, mas fora das GFIP’s; c) que a autuação se deu por presunção; d) que não houve infração; e) a inaplicabilidade da multa de ofício porque existe sanção própria para o caso de não apresentação de GFIP; f) que a multa de ofício é confiscatória e inconstitucional; e g) que a taxa SELIC não pode ser cumulada com outro índice de correção monetária. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Requer o acolhimento do recurso para cancelar o débito fiscal. É orelatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720447/201284 Acórdão n.º 2302002.383 S2C3T2 Fl. 228 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O presente lançamento referese às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades e incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o artigo 94 da Lei n.º 8.212/91, o INSS tinha a competência de arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas por lei a terceiros. Com a edição da Lei n.º 11.098/2005, passou ao Ministério da Previdência Social a competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento e foi autorizada a criação da Secretaria da Receita Previdenciária. Posteriormente, com a Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, ocorreu a fusão entre a Secretaria da Receita Federal (SRF) e a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), sendo criada a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, a Lei n.º 11.457/2007, em seu artigo 3º, atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil para planejar , executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros, mediante retribuição do percentual de 3,5% do montante arrecadado: Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. Portanto, o crédito referente às contribuições arrecadadas para os Terceiros está bem suportado na legislação vigente à época do fato gerador, não incorrendo em qualquer ilegalidade. A autuação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das suas folhas de pagamento, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados e totalmente inócua a alegação de cerceamento de defesa, frente à falta de comprovação dos valores devidos. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que o Auto de Infração, seus anexos e o relatório fiscal explicitam claramente a origem e o valor do débito, tanto que foi possível à autuada contestar totalmente o débito, o que demonstra perfeita compreensão do mesmo. O relatório fiscal de fls.15/21, expressa claramente que a base imponível para a cobrança das contribuições previdenciárias, consubstanciadas nesta autuação, foi retirada das folhas de pagamento da recorrente, documentos elaborados pela mesma, de sua posse e guarda, que nem sequer trouxe provas nas fases de defesa e recurso, para apontar onde os valores lançados estariam incorretos. Quanto ao dever legal de provar a existência do fato gerador, o lançamento fiscal goza de presunção de legitimidade, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Todavia, o Fisco não atua discricionariamente, haja vista que o lançamento é precedido de regular procedimento de fiscalização, com a análise minuciosa de documentação, que tem por finalidade a busca da verdade material, que é um dos pilares e uma decorrência do princípio da legalidade. Assim, o Fisco não possui o dever de acostar aos autos toda a documentação analisada, até porque esta, pertence à empresa, limitandose a autoridade fiscal circunstanciar a ação, indicando os documentos analisados, sem necessidade de sua anexação, identificando perfeitamente os elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores, ao que, sem sombra de dúvida, atende o relatório fiscal e anexos da notificação em apreço. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da autuada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defender se sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720447/201284 Acórdão n.º 2302002.383 S2C3T2 Fl. 229 7 Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à autuação lavrada. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, é de se ver que todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Quanto à multa aplicada, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores até a competência 11/2008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Ainda, é de se notar que o lançamento contempla a multa de ofício para a competência 12/2008, em virtude da aplicação do artigo 35A da citada Lei n.º 8.212/91, introduzido pela MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009, com agravamento da multa por conta da declaração falsa em GFIP, quanto à opção pelo SIMPLES, conforme relatado pelo Fisco às fls. 15/21. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente autuação, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720447/201284 Acórdão n.º 2302002.383 S2C3T2 Fl. 230 9 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, as multas foram aplicadas conforme prevê a legislação por período de regência. Com relação à multa aplicada nos autos de infração de obrigação acessória relativos à GFIP, deixo de me manifestar por não ser matéria deste processo. Ainda quanto à inconstitucionalidade da multa, ressalto que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das Fl. 234DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” Fl. 235DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720447/201284 Acórdão n.º 2302002.383 S2C3T2 Fl. 231 11 O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, já se manifestou na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O presente lançamento não contempla outro índice de correção monetária, como diz a recorrente, além da taxa SELIC. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 236DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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