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Numero do processo: 10950.003604/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando resta comprovado que o contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada pela Auditoria.
LEGISLAÇÃO PARA A APLICAÇÃO DA MULTA. VIGÊNCIA NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
A aplicação da multa decorrente do inadimplemento das contribuições previdenciárias rege-se pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, a menos que sobrevenha norma mais benéfica.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE
PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.961
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando resta comprovado que o contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada pela Auditoria. LEGISLAÇÃO PARA A APLICAÇÃO DA MULTA. VIGÊNCIA NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A aplicação da multa decorrente do inadimplemento das contribuições previdenciárias rege-se pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, a menos que sobrevenha norma mais benéfica. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado
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POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando resta comprovado que o contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada pela Auditoria. LEGISLAÇÃO PARA A APLICAÇÃO DA MULTA. VIGÊNCIA NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A aplicação da multa decorrente do inadimplemento das contribuições previdenciárias regese pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, a menos que sobrevenha norma mais benéfica. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003604/200979 Acórdão n.º 240101.961 S2C4T1 Fl. 178 3 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.194.8908 lavrado em nome do contribuinte acima identificado, cujo valor consolidado em 23/07/2009, assumiu o montante de R$ 11.099,11 (onze mil e noventa e nove reais e onze centavos). O crédito contempla a contribuição dos segurados devidas a Seguridade Social, as quais, segundo o Relatório Fiscal, fls. 85/97, incidiram sobre as remunerações pagas aos empregados que laboraram na edificação de obra de construção civil, tendo as mesmas sido obtidas por aferição indireta, pelo método do Custo Unitário Básico, que leva em consideração o padrão da obra e a área construída. De acordo com o relato do Fisco, durante a ação fiscal, pela análise das folhas de pagamento, recibos de pagamento de salário, rescisões contratuais e recibos de férias, apresentados pela Instituição, verificouse claramente que a empresa elaborava duas folhas de pagamento, a primeira chamada de Folha (1), tinha seus valores contabilizados, já a outra denominada de Folha (2), não vinha sendo contabilizada, inclusive recibos de pagamentos de salários (2), rescisões (2) e recibos de férias (2). Acrescentase que, apesar das solicitações contidas nos Termos de Intimação, emitidos conforme cópias juntadas, onde se destaca o Termo de Intimação fiscal de n° 05, recebido pela empresa em 10/06/2009, o sujeito passivo deixou de apresentar a à Auditoria as Folhas de Pagamento (2) correspondente a edificação de obra acima em destaque, bem como recibos de pagamentos de salários correspondentes às ditas folhas, esses de forma parcial. Informase, para complementar, que a empresa exibiu parcialmente recibos de salário relativos às folhas omitidas, do que se conclui que as mesmas existiam e que a autuada preferiu deixar de apresentálas. Esse fato, afirma o Fisco, deu ensejo à lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. Com esteio na documentação da obra (registro de empregados, alvará e habitese) inferiuse que a obra foi realizada no período de 01/03/2002 a 02/07/2008 e consiste em edificação comercial de um pavimento, contendo vinte salas, com área total de 2.04,61 m². A Auditoria informa ainda que foram consideradas as competências abrangidas pela decadência, tomandose como início da obra o registro do primeiro empregado e como termo final a data do Habitese. Acrescentase ainda que, no período compreendido entre os meses de 01/2004 a 12/2007, foi constatado que a Instituição registrou contabilmente remuneração inferior aquela efetivamente paga, tanto em relação à administração da empresa, quanto na edificação da obra em causa. Para corroborar a veracidade dos fatos, foram anexadas cópias dos resumos das folhas de pagamento (1) e (2), recibos de Pagamento de Salário (1) e (2). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Também no exercício de 2008, afirma o Fisco, verificouse recibos de pagamento de salários cujos valores, não se encontravam inseridos na Folha de Pagamento (1), bem como não houve arrecadação da contribuição para a Seguridade Social dos segurados empregados, conforme prevê a legislação, tudo conforme cópias anexas. Continuando, a Auditoria assevera que também percebeu claramente que o segurado inscrito para prestar serviço na obra, além do recibo de pagamento de salário (1), percebia remuneração através de um segundo recibo (2), cujos valores não estão contabilizados e tampouco declarados em GFIP. Podese verificar, afirma o Fisco, conforme cópias colacionadas, recibo de quitação proveniente de verbas rescisórias com a identificação de acerto de períodos que o segurado empregado prestou serviços sem registro. A impugnação Cientificada da NFLD em 27/07/2009, fl. 01, a empresa ofertou impugnação, fls. 106/123, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; b) embora o Fisco afirme que havia folhas de pagamento não contabilizadas, não trouxe ao processo prova contundente dessa alegação, sendo descabido o arbitramento do tributo; c) disponibilizou à Auditoria toda a contabilidade, causandolhe estranheza a acusação de que remunerações haviam sido omitidas da GFIP; d) também efetuou a declaração e o recolhimento de todas as contribuições decorrentes de pagamentos efetuados a contribuintes individuais, não havendo multa a ser cobrada, em face da inexistência de qualquer irregularidade; e) a multa aplicada, no patamar de quarenta por cento ou setenta e cinco por cento, é confiscatória; f) também assumem caráter de confisco os juros aplicados ao crédito lançado; g) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; h) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; i) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003604/200979 Acórdão n.º 240101.961 S2C4T1 Fl. 179 5 A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento DRJ em Curitiba (PR) declarou, fls. 145/153, procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 AIOP 37.194.8908 DECADÊNCIA. Observado já no na fase de lançamento que parte do período da obra já havia sido atingido pela decadência e tendo esse período nem sido considerado na apuração do débito, resta impertinente a impugnação que peticiona pelo reconhecimento de vedação à constituição do crédito que a Fiscalização já afastou na apuração do mesmo. ARBITRAMENTO. PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS EM FOLHA DE PAGAMENTOS, NA CONTABILIDADE OU NA GFIP Constatado pela Fiscalização que a contabilidade, as Folhas de Pagamentos e as Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP apresentadas pela empresa não refletem o movimento real das remunerações pagas a segurados a serviço da empresa, é cabível a apuração da base de cálculo das contribuições devidas por meio de aferição indireta. MULTA. INAPLICABILIDADE ANTE A AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO A constatação da existência de crédito tributário devido e não recolhido pelo sujeito passivo configura ilícito tributário que sujeita o infrator à aplicação de multa pecuniária nos termos da legislação de regência. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO PAGAMENTO A apuração da aplicabilidade da regra do artigo 106, II, c do CTN às multas de que trata a lei 8.212/91 só pode ser feita no momento do efetivo pagamento dos tributos exigidos. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE É legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MEIOS DE PROVA. Todos os meios de prova admitidos em direito são cabíveis e aceitáveis no Processo Administrativo Fiscal, havendo apenas que se observar as regras do Decreto n° 70.235, de 1972 quanto ao momento de sua apresentação ou formalidade para sua produção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 158/175, no qual repetiu os mesmos argumentos apresentados na defesa, a exceção da alegação relativa à decadência. Requerendo ao final, que: a) seja decretada a nulidade do feito, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, devendo ser oportunizada nova fase contenciosa, para que possa comprovar a sua idoneidade financeira e fiscal; b) caso não se entenda pela nulidade, que os autos retornem à primeira instância para realização de prova pericial; c) cancelese o Auto de Infração, posto que nenhuma irregularidade existiu; d) cancelese a multa aplicada posto que a mesma, da forma como foi fixada, fere princípios do Direito Tributário; e) cancelese a multa, pelo fato de não ter havido inadimplência; f) caso não se entenda dessa forma, que a multa no patamar de 75% seja minorada. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003604/200979 Acórdão n.º 240101.961 S2C4T1 Fl. 180 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Arbitramento Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal, por arbítrio e abuso de discricionariedade. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que Fisco solicitou a documentação relativa às folhas de pagamento não contabilizadas da obra de construção civil especificada no Relatório Fiscal, não tendo a empresa as disponibilizado. Vêse que para as competências lançadas havia folhas não contabilizadas, chamadas pela Auditoria de “Folhas (2)”, o que pode ser comprovado pela existência de recibos parciais, assim, ao deixar de exibilas o sujeito passivo abriu ao Fisco a possibilidade de aferir indiretamente as remunerações dos empregados, conforme possibilita a legislação acima citada. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que havia remunerações lançadas em folhas não contabilizadas que a empresa deixou de apresentar, impossibilitando o Fisco de verificar diretamente o montante desses pagamentos. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração contidas nas folhas de pagamento não contabilizadas, acertando o Fisco quando fixou a base de cálculo pelo método do Custo Unitário Básico – CUB. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório da NFLD, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. A não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria mencionou farta documentação, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, rescisões, demonstrativos contábeis e outros, os quais comprovam a existência das irregularidades apontadas. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de trazer ao processo todos os elementos e circunstâncias que serviram de base para sua apuração. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. Quando os contribuintes deixam de atender as solicitações documentais da Fiscalização, duas são as sanções aplicáveis: a) a aplicação de multa por descumprimento do dever instrumental de apresentar a documentação e b) a apuração do tributo por arbitramento, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário. Nesse sentido, a inversão do onus probandi foi consequência da falta de exibição dos elementos solicitados pela Auditoria. Cerceamento ao direito de defesa Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003604/200979 Acórdão n.º 240101.961 S2C4T1 Fl. 181 9 Do item precedente já se tem uma idéia da improcedência do argumento de que o lançamento deveria ser declarado nulo em razão do prejuízo ao direito de defesa da recorrente. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam, como já afirmei alhures os fatos geradores estão claramente exposto no relato do Fisco. Vejo que a lavratura fiscal e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Vejase que o fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Da multa e dos juros aplicados Para análise do argumento relativo à incorreta aplicação da penalidade é de se fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19963 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Ocorre que nos casos de regularização de obra de construção civil, considera se ocorrido o fato gerador para efeito de cálculo das contribuições o mês de emissão do Aviso de Regularização de Obra – ARO, no caso 06/2009. É essa a inteligência do art. 431, § 2.º, da IN SRP n.º 03/2005, verbis: 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003604/200979 Acórdão n.º 240101.961 S2C4T1 Fl. 182 11 Art. 431. Para as pessoas jurídicas sem contabilidade regular e para as pessoas físicas, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a partir das informações prestadas na DISO e após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, expedirá em 2 (duas) via,0 ARO, destinado a informar ao responsável pela obra a situação quanto à regularidade das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração aferida, sendo que: (...) 2° No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia dois do mês subseqüente ao da sua emissão, prorrogandose o prazo de recolhimento para o primeiro dia útil seguinte, se no dia dois não houver expediente bancário. Nesse sentido, foi aplicada a penalidade de 75% da contribuição a recolher, posto que na competência 0602009 já estava em vigor o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991 e a empresa não houvera declarado a remuneração em GFIP, nesse sentido, não há o que se falar em irregularidade nesse procedimento, posto que foi aplicada a legislação vigente na data de ocorrência do fato gerador. Quanto ao caráter confiscatório da multa e da inconstitucionalidade da taxa SELIC, para enfrentar essas questões é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. Dito isso, sintome à vontade para concluir que não devem ser acatados os pedidos de redução da multa aplicada, bem como exclusão da taxa SELIC do lançamento. Da compensação dos créditos do contribuinte Embora alegue o Fisco deixou de compensar na apuração do crédito recolhimentos que houvera efetuado, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação do fato. Digo mais, a Auditoria foi enfática em seu pronunciamento ao afirmar que a empresa não houvera no transcurso da ação fiscal apresentado quaisquer guias de pagamento relativas às contribuições lançadas. Diante disso, não vejo como acatar o pedido de compensação formulado no recurso. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003604/200979 Acórdão n.º 240101.961 S2C4T1 Fl. 183 13 Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na apuração fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4. do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 14 Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade, por indeferir os pedidos para realização perícia técnica e análise contábil e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 19515.003231/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. 30 DIAS A PARTIR DA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
“É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário” (Súmula CARF n. 9).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.120
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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IMPUGNAÇÃO. PRAZO. 30 DIAS A PARTIR DA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário” (Súmula CARF n. 9). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.003231/200516 Acórdão n.º 210101.120 S2C1T1 Fl. 386 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 362/383) interposto em 30 de junho de 2009 contra o acórdão de fls. 353/357, do qual a Recorrente teve ciência em 08 de junho de 2009 (fl. 361), proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação ao auto de infração de fls. 283/286, lavrado em 06 de dezembro de 2005 (ciência em 07 de dezembro de 2005, conforme AR de fl. 288), em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada nos anoscalendário de 2000 e 2001. Na impugnação apresentada em 10 de janeiro de 2006 (fls. 290 e ss.), a Recorrente alegou que, muito embora constasse no Aviso de Recebimento de fl. 288 a data de 07/12/2005, só teria tomado ciência do auto de infração em 03/01/2006, em virtude dos festejos de fim de ano. A Recorrida não conheceu da impugnação, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. TERMO DE INÍCIO. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação intempestiva somente instaura a fase litigiosa se a preliminar de tempestividade for suscitada, devendo ser apreciada a preliminar e se for rejeitada, deixase de apreciar as argüições distintas da tempestividade. Impugnação não Conhecida” (fl. 353). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário, sustentando que a intempestividade da impugnação deveria ser afastada, pois não teria sido comprovada a data da intimação com a indispensável assinatura do sujeito passivo, uma vez que o Aviso de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.003231/200516 Acórdão n.º 210101.120 S2C1T1 Fl. 387 3 Recebimento foi assinado por outra pessoa, em ofensa ao art. 23, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão cingese à intempestividade da impugnação, sustentando a Recorrente que não teria sido comprovada a data da intimação com a indispensável assinatura do sujeito passivo, uma vez que o Aviso de Recebimento foi assinado por outra pessoa, em ofensa ao art. 23, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72, que tem a seguinte redação: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos 1 e II. ... § 4º Para fins de intimação, considerase domicilio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...)” Ocorre todavia que a insurgência da Recorrente não merece acolhida, pois a intimação por via postal também é admitida pelo próprio artigo 23 do Decreto 70.235/72, desde que tenha sido recebida no “domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, como ocorreu no presente caso. Aliás, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é mansa e pacífica no sentido de reconhecer a validade da intimação entregue no domicílio fiscal do contribuinte, ainda que não tenha sido recebida pessoalmente pelo contribuinte. É o que se extrai da Súmula CARF n. 9, in verbis: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.003231/200516 Acórdão n.º 210101.120 S2C1T1 Fl. 388 4 “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Assim, como não foram demonstrados vícios a invalidar a intimação do auto de infração por via postal, o prazo de 30 dias previsto no art. 15 do Decreto n.º 70.235/72 para apresentação da impugnação iniciouse na data em que o AR foi recebido, ou seja, 07/12/2005, vencendose portanto em 06 de janeiro de 2006. Não obstante, a impugnação foi apresentada apenas em 10 de janeiro, sendo, pois, intempestiva. Eis o motivo pelo qual voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10680.013336/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
DECISÕES DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTE E DO CARF. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA NORMATIVA VINCULANTE EM FACE DOS DEMAIS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. É de conhecimento geral que as decisões dos CARF (e dos antigos Conselhos de Contribuintes) não têm eficácia normativa, não sendo norma complementar da legislação tributária, de aplicação cogente no contencioso administrativo,
por falta de lei que atribua tal efeito. Atualmente, apenas os verbetes sumulares do CARF, desde que aprovados pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, vinculam todos os Órgãos da Administração Tributária. Assim, como regra, não há qualquer reparo na decisão que se negou a aplicar qualquer entendimento de julgados do CARF, exceto se houver súmula vinculante no âmbito deste Ministério.
PROVA EXTEMPORÂNEA. ÓBICE DO ART. 16, § 4º E ALÍNEAS DO
DECRETO Nº 70.235/72. HIGIDEZ. Nada impede que a autoridade
julgadora de primeira instância se ancore na estrita dicção do art. 16, § 4º e alíneas, do Decreto nº 70.235/72, rejeitando a juntada de prova extemporânea à impugnação. Caso o recorrente resolva se insurgir sobre tal procedimento, deve minudentemente debater novamente a questão, apontando a prova que deveria ser apreciada, quando a instância julgadora de segunda instância, à
luz do princípio da verdade material, poderá apreciar a prova, como seguidamente se vê nesta Turma de Julgamento, ou devolver os autos para a instância a quo, cassando a decisão recorrida. No caso aqui em discussão, não ficou claro qual prova não foi apreciada pela instância a quo, mais ainda, onde isso teria vulnerado o direito do contribuinte, razão que leva a rejeição
da presente defesa.
MEROS EQUÍVOCOS EM REGISTRO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DE AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No corpo do auto de infração se discriminou detalhadamente a base legal das infrações, apontando-se especificamente a legislação violada, o que afasta a nulidade vindicada. Ademais, um mero
equívoco (art. 21 da Lei nº 9.887/99) e a citação global da Lei de regência da tributação da atividade rural em um longo Termo de Encerramento de ação fiscal, que descreveu minuciosamente todo o procedimento fiscal e as infrações, não têm qualquer relevância para uma perfeita compreensão da infração imputada ao fiscalizado, devendo ser rejeitada a tese de cerceamento
do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA, DECORRENTES DE ALUGUÉIS DE PASTOS, MÁQUINAS E INSTRUMENTOS AGRÍCOLAS. IMPOSSIBILIDADE DE AUFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA ATIVIDADE RURAL. RENDIMENTOS TRIBUTADOS COMO ALUGUÉIS EM GERAL. O aluguel de pastos, máquinas e instrumentos agrícolas, quando ausente o fator "Risco", não é alcançado pela legislação pertinente à Atividade Rural, eis que desnaturado o conceito de parceria, devendo ser oferecido à tributação como rendimento normal na declaração de ajuste anual.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS (ALUGUÉIS) RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. VALORES QUE NÃO CONSTARAM DO ROL DE DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Os aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e considerados omitidos não constaram do rol de depósitos
bancários de origem não comprovada, sendo descabido falar em tributação em duplicidade de tais rendimentos.
ATIVIDADE RURAL. RECONSTITUIÇÃO DE LIVRO CAIXA DO CONTRIBUINTE. IMPUTAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES CONFESSADOS PELO CONTRIBUINTE EM SUA DIRPF.
IMPOSSIBILIDADE. A Autoridade Fiscal considerou como base da omissão de receitas da atividade rural a escrituração do Livro Caixa apresentado pelo fiscalizado e não o efetivo valor que este havia confessado em sua declaração de imposto de renda, incorrendo em um equívoco insanável. Vê-se que o foco da Autoridade foi a reconstituição do Livro Caixa, apontando os valores glosados, a partir da escrita imprestável apresentada pelo fiscalizado, desconsiderando por completo os valores por ele informado na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário
2003, esta que é o elemento fundamental para se apontar as omissões de receitas ou glosas de despesas da atividade
rural. Com essa confusão conceitual, sendo apontada omissão de receitas da atividade rural inexistente, quando na verdade havia glosa de despesas da atividade rural, não pode subsistir no ponto o lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE CONFUSÃO COM OS RENDIMENTOS ORIUNDOS DA ATIVIDADE RURAL. Em termos da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário de origem não comprovada, aqui somente remanesceram apenas os depósitos efetivamente não identificados, na atividade rural ou urbana, sofrendo assim o ônus da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não houve
qualquer confusão entre os depósitos de origem não comprovada com os rendimentos da atividade rural, ao revés, quando o depósito foi identificado como da atividade rural, sofreu a competente exclusão do rol de depósitos de origem não comprovada.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO.
CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430,
de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos da atividade rural e a multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão. Vencida a Conselheira Nubia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Nada impede que a autoridade julgadora de primeira instância se ancore na estrita dicção do art. 16, § 4º e alíneas, do Decreto nº 70.235/72, rejeitando a juntada de prova extemporânea à impugnação. Caso o recorrente resolva se insurgir sobre tal procedimento, deve minudentemente debater novamente a questão, apontando a prova que deveria ser apreciada, quando a instância julgadora de segunda instância, à luz do princípio da verdade material, poderá apreciar a prova, como seguidamente se vê nesta Turma de Julgamento, ou devolver os autos para a instância a quo, cassando a decisão recorrida. No caso aqui em discussão, não ficou claro qual prova não foi apreciada pela instância a quo, mais ainda, onde isso teria vulnerado o direito do contribuinte, razão que leva a rejeição da presente defesa. MEROS EQUÍVOCOS EM REGISTRO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DE AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No corpo do auto de infração se discriminou detalhadamente a base legal das infrações, apontando-se especificamente a legislação violada, o que afasta a nulidade vindicada. Ademais, um mero equívoco (art. 21 da Lei nº 9.887/99) e a citação global da Lei de regência da tributação da atividade rural em um longo Termo de Encerramento de ação fiscal, que descreveu minuciosamente todo o procedimento fiscal e as infrações, não têm qualquer relevância para uma perfeita compreensão da infração imputada ao fiscalizado, devendo ser rejeitada a tese de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA, DECORRENTES DE ALUGUÉIS DE PASTOS, MÁQUINAS E INSTRUMENTOS AGRÍCOLAS. IMPOSSIBILIDADE DE AUFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA ATIVIDADE RURAL. RENDIMENTOS TRIBUTADOS COMO ALUGUÉIS EM GERAL. O aluguel de pastos, máquinas e instrumentos agrícolas, quando ausente o fator "Risco", não é alcançado pela legislação pertinente à Atividade Rural, eis que desnaturado o conceito de parceria, devendo ser oferecido à tributação como rendimento normal na declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS (ALUGUÉIS) RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. VALORES QUE NÃO CONSTARAM DO ROL DE DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Os aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e considerados omitidos não constaram do rol de depósitos bancários de origem não comprovada, sendo descabido falar em tributação em duplicidade de tais rendimentos. ATIVIDADE RURAL. RECONSTITUIÇÃO DE LIVRO CAIXA DO CONTRIBUINTE. IMPUTAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES CONFESSADOS PELO CONTRIBUINTE EM SUA DIRPF. IMPOSSIBILIDADE. A Autoridade Fiscal considerou como base da omissão de receitas da atividade rural a escrituração do Livro Caixa apresentado pelo fiscalizado e não o efetivo valor que este havia confessado em sua declaração de imposto de renda, incorrendo em um equívoco insanável. Vê-se que o foco da Autoridade foi a reconstituição do Livro Caixa, apontando os valores glosados, a partir da escrita imprestável apresentada pelo fiscalizado, desconsiderando por completo os valores por ele informado na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2003, esta que é o elemento fundamental para se apontar as omissões de receitas ou glosas de despesas da atividade rural. Com essa confusão conceitual, sendo apontada omissão de receitas da atividade rural inexistente, quando na verdade havia glosa de despesas da atividade rural, não pode subsistir no ponto o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE CONFUSÃO COM OS RENDIMENTOS ORIUNDOS DA ATIVIDADE RURAL. Em termos da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário de origem não comprovada, aqui somente remanesceram apenas os depósitos efetivamente não identificados, na atividade rural ou urbana, sofrendo assim o ônus da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não houve qualquer confusão entre os depósitos de origem não comprovada com os rendimentos da atividade rural, ao revés, quando o depósito foi identificado como da atividade rural, sofreu a competente exclusão do rol de depósitos de origem não comprovada. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso provido em parte.
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AUSÊNCIA DE EFICÁCIA NORMATIVA VINCULANTE EM FACE DOS DEMAIS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. É de conhecimento geral que as decisões dos CARF (e dos antigos Conselhos de Contribuintes) não têm eficácia normativa, não sendo norma complementar da legislação tributária, de aplicação cogente no contencioso administrativo, por falta de lei que atribua tal efeito. Atualmente, apenas os verbetes sumulares do CARF, desde que aprovados pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, vinculam todos os Órgãos da Administração Tributária. Assim, como regra, não há qualquer reparo na decisão que se negou a aplicar qualquer entendimento de julgados do CARF, exceto se houver súmula vinculante no âmbito deste Ministério. PROVA EXTEMPORÂNEA. ÓBICE DO ART. 16, § 4º E ALÍNEAS DO DECRETO Nº 70.235/72. HIGIDEZ. Nada impede que a autoridade julgadora de primeira instância se ancore na estrita dicção do art. 16, § 4º e alíneas, do Decreto nº 70.235/72, rejeitando a juntada de prova extemporânea à impugnação. Caso o recorrente resolva se insurgir sobre tal procedimento, deve minudentemente debater novamente a questão, apontando a prova que deveria ser apreciada, quando a instância julgadora de segunda instância, à luz do princípio da verdade material, poderá apreciar a prova, como seguidamente se vê nesta Turma de Julgamento, ou devolver os autos para a instância a quo, cassando a decisão recorrida. No caso aqui em discussão, não ficou claro qual prova não foi apreciada pela instância a quo, mais ainda, onde isso teria vulnerado o direito do contribuinte, razão que leva a rejeição da presente defesa. MEROS EQUÍVOCOS EM REGISTRO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DE AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No corpo do auto de infração se discriminou Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 detalhadamente a base legal das infrações, apontandose especificamente a legislação violada, o que afasta a nulidade vindicada. Ademais, um mero equívoco (art. 21 da Lei nº 9.887/99) e a citação global da Lei de regência da tributação da atividade rural em um longo Termo de Encerramento de ação fiscal, que descreveu minuciosamente todo o procedimento fiscal e as infrações, não têm qualquer relevância para uma perfeita compreensão da infração imputada ao fiscalizado, devendo ser rejeitada a tese de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA, DECORRENTES DE ALUGUÉIS DE PASTOS, MÁQUINAS E INSTRUMENTOS AGRÍCOLAS. IMPOSSIBILIDADE DE AUFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO DIFERENCIADA DA ATIVIDADE RURAL. RENDIMENTOS TRIBUTADOS COMO ALUGUÉIS EM GERAL. O aluguel de pastos, máquinas e instrumentos agrícolas, quando ausente o fator "Risco", não é alcançado pela legislação pertinente à Atividade Rural, eis que desnaturado o conceito de parceria, devendo ser oferecido à tributação como rendimento normal na declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS (ALUGUÉIS) RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. VALORES QUE NÃO CONSTARAM DO ROL DE DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Os aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e considerados omitidos não constaram do rol de depósitos bancários de origem não comprovada, sendo descabido falar em tributação em duplicidade de tais rendimentos. ATIVIDADE RURAL. RECONSTITUIÇÃO DE LIVRO CAIXA DO CONTRIBUINTE. IMPUTAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. DESCONSIDERAÇÃO DOS VALORES CONFESSADOS PELO CONTRIBUINTE EM SUA DIRPF. IMPOSSIBILIDADE. A Autoridade Fiscal considerou como base da omissão de receitas da atividade rural a escrituração do Livro Caixa apresentado pelo fiscalizado e não o efetivo valor que este havia confessado em sua declaração de imposto de renda, incorrendo em um equívoco insanável. Vêse que o foco da Autoridade foi a reconstituição do Livro Caixa, apontando os valores glosados, a partir da escrita imprestável apresentada pelo fiscalizado, desconsiderando por completo os valores por ele informado na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2003, esta que é o elemento fundamental para se apontar as omissões de receitas ou glosas de despesas da atividade rural. Com essa confusão conceitual, sendo apontada omissão de receitas da atividade rural inexistente, quando na verdade havia glosa de despesas da atividade rural, não pode subsistir no ponto o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE CONFUSÃO COM OS RENDIMENTOS ORIUNDOS DA ATIVIDADE RURAL. Em termos da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário de origem não comprovada, aqui somente remanesceram apenas os depósitos efetivamente não identificados, na atividade rural ou urbana, sofrendo assim o ônus da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não houve qualquer confusão entre os depósitos de origem não comprovada com os rendimentos da atividade rural, ao revés, quando o depósito foi identificado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.013336/200769 Acórdão n.º 210201.043 S2C1T2 Fl. 2 3 como da atividade rural, sofreu a competente exclusão do rol de depósitos de origem não comprovada. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos da atividade rural e a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Vencida a Conselheira Nubia Matos Moura que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 11/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte ROMEU FERREIRA DE QUEIROZ, CPF/MF nº 081.608.99653, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 04/09/2007, auto de infração (fls. 05 a 21), com ciência pessoal em 17/09/2007. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 363.290,16 MULTA DE OFÍCIO R$ 321.756,80 MULTA ISOLADA R$ 6.258,31 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 1. omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, das fontes pagadoras Atlântica Hotel e Hotelaria Accor Brasil S/A (conforme documentos de fls. 68 e 69), conduta apenada com multa de 75%, nos anoscalendário 2003 (R$ 2.449,00) e 2004 (R$ 15.962,67); 2. omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, decorrentes de aluguéis de pastos, máquinas e instrumentos agrícolas, conforme recibos apresentados pelo contribuinte, conduta apenada com multa de 75% (R$ 37.522,51 e R$ 22.225,00, nos anos calendário 2003 e 2004, respectivamente); 3. omissão de rendimento da atividade rural, no anocalendário 2003 (R$ 238.977,93), conduta apenada com multa de 150%; 4. omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conduta apenada com multa de ofício 75% (R$ 482.308,39 e R$ 521.609,61, nos anoscalendário 2003 e 2004, respectivamente); 5. não recolhimento do carnêleão nos anoscalendário 2003 e 2004, conduta apenada com multa isolada de 50%. Abaixo segue a motivação da autoridade autuante para qualificar a multa de ofício na infração 3, acima (fls. 66 e 67): (...) 122. Convém notar, que em razão configuração, em tese, de crime definido no art. 1° e 2°, da Lei n° 8 137/90, o evidente intuito de fraude está presente, conforme definição nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, conseqüentemente, ao lançamento de oficio por omissão de rendimentos da atividade rural foi imputada a multa de oficio duplicada para o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), em conformidade com o art. 44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; (...) 124. Ademais, é de se registrar que tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e físicas, omissão de rendimentos da atividade rural, bem assim às circunstancias de tal omissão e a prestação de informações inexatas à fiscalização, ocorreu, em tese, crime contra ordem tributária, como também, em tese, crime de sonegação fiscal, consoante definição do art. 71, inciso I e art. 73 da Lei n°4.502/64; art. 1°, inciso I e II, da Lei n°4.729/65 e art. 1° e 2°, da Lei n° 8.137/90. Em decorrência será, por dever de oficio, efetuada representação fiscal para fins penais a ser encaminhada ao Ministério Público Federal, em cumprimento ao disposto no artigo 1° do Decreto n° 2.730, de 10 de agosto de 1998 e Portaria SRF n°326, de 15 de março de 2005; Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.013336/200769 Acórdão n.º 210201.043 S2C1T2 Fl. 3 5 A 5ª Turma da DRJBelo Horizonte (MG), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0218.225, de 26 de junho de 2008 (fls. 589 a 600). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 13/08/2008 (fl. 603). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 10/09/2008 (fl. 615). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. diferentemente do asseverado pela decisão recorrida, as decisões dos Conselhos de Contribuintes são normas complementares da legislação tributária, na forma do art. 100, § único, do CTN, com caráter normativo e efetividade; II. a autoridade julgadora não poderia rejeitar de plano a juntada posterior de provas, pois estas poderiam se enquadrar dentro do permissivo do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, o que implicou em claro cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ademais, o não acatamento dos anexos juntados no prazo da impugnação é uma verdadeira afronta ao direito da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal preconizado pela nossa Carta Magna; III. houve cerceamento do direito de defesa na fundamentação legal do auto de infração, quando a autoridade fiscal citou o inexistente art. 21 da Lei nº 9.887/99, no parágrafo inicial do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, e a inteireza da Lei nº 8.023/90, no item 123 deste Termo, sem discriminar especificamente qual o artigo violado; IV. “Quanto aos Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídicas, Omissão de Rendimentos de Alugueis e Royalties Recebidos de Pessoa Jurídicas. Como pode a Douta Autoridade Julgadora da Delegacia de Julgamento, não acatar a duplicidade de lançamentos, uma vez que ficou claramente demonstrado que os alugueis recebidos, foram tributados neste item, sendo que os mesmos valores também compõem o relatório de depósitos sem comprovantes, isto é um absurdo, querer tributar em duplicidade o mesmo fato gerador. Já se encontram demonstrados nos anexos quando da elaboração da defesa, os valores lançados em duplicidade. Cabe ressaltar ainda o cerceamento da defesa, quando a Douta Autoridade Fiscal ao querer demonstrar a omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas jurídicas, Atlântica Hotel e Hotelaria Accor Brasil S/A., conforme planilha de fls.( ) , DIRF/2004 de fls ( ) e circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal. Ora, ate a presente data estamos tentando localizar em que folha da planilha e da DIRF/2004 está demonstrada a omissão dos alugueis recebidos das pessoas jurídicas. A Douta Autoridade Fiscal, ao lavrar o auto de infração deve discriminar com clareza os fatos ocorridos durante a fiscalização, o que não ocorreu cerceando o direito da defesa do contribuinte ao não informar onde estão os valores omitidos ou tenho bola de cristal para adivinhar onde se encontram tais valores” (fl. 640 – transcrição do recurso voluntário); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 V. renega a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, decorrente de pastos, máquinas e equipamentos agrícolas, que são rendimentos da atividade rural e não rendimentos de pessoa física. Aqui, para ancorar esse entendimento, a autoridade fiscal se valeu da IN SRF nº 257/2002, que regulamenta a tributação da atividade rural da pessoa jurídica, não podendo assim ser aplicada às pessoas físicas. “... Entendemos que o aluguel de pastos e de máquinas agrícolas há de ser considerado, sim, receita da atividade rural para as pessoas físicas, uma vez que tais bens estão relacionados como bens próprios da atividade rural no Anexo próprio que acompanha a declaração de rendimentos pessoa física e a receita deles decorrentes foi auferida por agricultor no exercido de sua atividade fim. Afinal, a distinção entre a exploração rural feita pelas pessoas físicas e pelas pessoas jurídicas é claramente visível, uma vez que as últimas possuem, via de regra, recursos em maior monta além de melhores equipamentos para realizarem a exploração agrícola. Ao contrário, a exploração rural feita pelas pessoas físicas sempre se caracterizou, como atividade de subsistência, pela existência de inúmeras dificuldades e desestímulos, advindo daí o interesse do Legislador em pelo menos reduzir o ônus tributário sobre seus ganhos. Nada mais natural, portanto, que haja uma distinção clara quanto à tributação dos aluguéis de pasto e equipamentos auferidos pelas pessoas físicas que se dedicam a essa tão nobre quanto difícil atividade” (fls. 657 e 658 – transcrição do recurso voluntário); VI. na descrição da infração da omissão de rendimentos oriundos da atividade rural no corpo auto de infração, houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois a autoridade não discriminou em quais folhas se encontraria tal omissão, bem como exigiu a apresentação de livro caixa, quando o contribuinte tinha escrituração completa, como faculta a legislação do imposto de renda e o próprio Perguntas/Respostas do IRPF no site da RFB. Ademais, não houve o intuito de sonegação, razão suficiente para afastar a multa qualificada de 150%, esta que sequer teve sua fundamentação legal discriminada, devendo ser aplicada para o caso em debate, se cabível, a multa de ofício de 50%. Por fim, diferentemente do apontado pela autoridade autuante, não houve uma omissão de rendimentos da atividade rural de R$ 753.602,20, no anocalendário 2003, mas apenas de R$ 31.779,00, referente a apenas uma nota fiscal de produtor rural de dezembro de 2003. Ocorre que a inclusão dessa receita somente irá reduzir o prejuízo da atividade rural desse ano, não gerando qualquer omissão de rendimentos; VII. na descrição da infração da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no corpo auto de infração, houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois a autoridade não discriminou em quais folhas se encontraria tal omissão. Ainda, múltiplos depósitos em conta corrente foram glosados do livro caixa, pois declarados como saídas (despesas), levando a uma dupla tributação, sendo uma pela glosa da despesa na atividade rural e outro como depósito de origem não comprovada. Assim, aqui se pede uma diligência para afastar essa duplicidade; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.013336/200769 Acórdão n.º 210201.043 S2C1T2 Fl. 4 7 VIII. conforme jurisprudência administrativa, é incabível a aplicação em duplicidade da multa de ofício vinculada ao imposto e a multa isolada do carnêleão. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 13/08/2008 (fl. 603), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 10/09/2008 (fl. 615), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 12/09/2008, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Apesar de ser seguidamente invocada pelos recorrentes a defesa do item I do relatório, é de conhecimento geral que as decisões dos CARF (e dos antigos Conselhos de Contribuintes) não têm eficácia normativa, não sendo norma complementar da legislação tributária, de aplicação cogente no contencioso administrativo, por falta de lei que atribua tal efeito. Atualmente, apenas os verbetes sumulares do CARF, desde que aprovados pelo Sr. Ministro da Fazenda, vinculam todos os Órgãos da Administração Tributária. Assim, como regra, não há qualquer reparo na decisão que se negou a aplicar qualquer entendimento de julgados do CARF, exceto se houvesse súmula vinculante no âmbito deste Ministério, o que não ocorreu no caso ora em discussão. Já no tocante à defesa do item II do relatório, nada impede que a autoridade julgadora de primeira instância se ancore na estrita dicção do art. 16, § 4º e alíneas, do Decreto nº 70.235/72, rejeitando a juntada de prova extemporânea à impugnação. Caso o recorrente resolva se insurgir sobre o procedimento acima, deve minudentemente debater novamente a questão em grau recursal, apontando a prova que deveria ser apreciada, quando esta instância julgadora, à luz do princípio da verdade material, poderá apreciar a prova, como seguidamente se vê nesta Turma de Julgamento, ou devolver os autos para a instância a quo, cassando a decisão recorrida. No caso aqui em discussão, não ficou claro qual prova não foi apreciada pela instância a quo, mais ainda, onde isso teria vulnerado o direito do contribuinte, razão que nos leva a rejeitar a presente defesa. Já a defesa do item III do relatório (houve cerceamento do direito de defesa na fundamentação legal do auto de infração, quando a autoridade fiscal citou o inexistente art. 21 da Lei nº 9.887/99, no parágrafo inicial do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, e a inteireza da Lei nº 8.023/90, no item 123 deste Termo, sem discriminar especificamente qual o artigo violado) é absolutamente improcedente. A uma, porque no corpo do Auto de Infração (fls. 04 a 21) se discriminou detalhadamente a base legal das infrações, apontandose especificamente a legislação violada; a duas, porque um mero equívoco (art. 21 da Lei nº 9.887/99) e a citação global da Lei de regência da tributação da atividade rural em um Termo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 de Encerramento de 115 folhas (fls. 22 a 136), que descreveu minuciosamente todo o procedimento fiscal e as infrações, não tem qualquer relevância para um perfeita compreensão da infração imputada ao fiscalizado. Aqui não houve qualquer cerceamento do direito de defesa, pois todas as infrações foram explicitadas com um rigor raro de se ver. Agora se passa à defesa do item IV do relatório. Em relação à segunda parte da defesa deste item, rejeitase qualquer cerceamento do direito de defesa, pela indicação da infração no corpo do Auto sem a discriminação das folhas dos autos, pois a infração está detalhadamente descrita no item 113 do Termo de encerramento fiscal (fl. 64), agregada dos valores e da DIRF das fontes pagadoras (fls. 68 e 69). Já a primeira parte da defesa, que invoca uma pretensa tributação em duplicidade, aqui trago como razão de decidir as mesmas considerações feitas pela decisão recorrida, que bem aclaram a improcedência do pedido recursal (fl. 593), verbis: Quanto ao exercício 2004, os valores informados pela fonte pagadora à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB mediante Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf (11. 587), incluídos na Declaração de Ajuste Anual do interessado (fls. 372 e 373), foram objeto de depósito na conta corrente n° 2691450, mantida no Banco do Brasil, Agência 35963 (fis. 105 a 137, anexo I). Por sua vez, os valores objeto de lançamento neste exercício são aqueles depositados na conta corrente n° 017767, mantida no Banco baú, Agência 3167 (fls. 01 a 16, anexo II). Relativamente ao anocalendário 2004, observese que os valores constantes da DIRF de fl. 69 não foram incluídos na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005 (fls. 381 c 382). Também não foram declarados os valores depositados na conta corrente n° 017767, mantida no Banco baú, Agência 3167 (fls. 33 a 49, anexo II). Em ambos os exercícios, os valores lançados no item 001 do Auto de Infração (fls. 07 e 08) não constam das planilhas consolidadas de depósitos bancários de origem não comprovada (fls 71 a 79 e 80 a 88), corretamente confeccionadas a partir dos extratos que constam dos anexos I e Portanto, não há nenhum reparo a ser feito no que concerne à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de Atlântica Hotel e Hotelaria Accor Brasil S/A. Sem razão, no ponto, o recorrente. Agora se passa à defesa do item V (omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, decorrente de pastos, máquinas e equipamentos agrícolas). Antes de tudo, devese anotar que autoridade fiscal não fez qualquer menção à IN SRF nº 257/2002, que dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural na apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, no longo relatório de encerramento fiscal (fls. 22 a 67), notadamente nos itens 52, 53 e 114 desse relatório, bem como não discriminou essa Instrução Normativa na base legal da infração do auto (fl. 9), o que enfraquece qualquer irresignação no tocante à utilização de uma normativa própria para a tributação da pessoa jurídica em um auto de infração de pessoa física. A base legal da infração (Arts. 1°, 2°, 3° e §§, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.013336/200769 Acórdão n.º 210201.043 S2C1T2 Fl. 5 9 e 8º, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 4°, da Lei n°8.134/90; arts. 49 a 53, 106, inciso IV, 109 e 111 do RIR/99; Art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002) é referente a omissão da tributação de aluguéis e se encontra na fl. 9 destes autos. Porém, nada haveria de estranho em justificar a reclassificação de um rendimento da atividade rural para a atividade urbana de uma pessoa física, com base na IN SRF nº 257/2002, no ponto em que essa assevera que as receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos agrícolas e pastagens, e da prestação de serviços em geral, inclusive a de transporte de produtos de terceiros, não são consideradas da atividade rural. Ora, se tais receitas não são da atividade rural em uma pessoa jurídica, também não o são em uma pessoa física, pois a lei de regência da tributação da atividade rural é única, a Lei nº 8.023/90, ou seja, no ponto, o que vale para uma pessoa jurídica vale para a pessoa física. Ademais, não parece razoável deferir a tributação diferenciada da atividade rural para a locação de pastos, máquinas e equipamentos agrícolas, típicas formas de intermediação de negócio, diferente daquele que efetivamente explora diretamente a atividade rural, com todos os riscos do segmento primário. Assim, a obtenção de frutos civis a partir da locação de bens, mesmos que rurais, deve ser tributada na forma ordinária das demais locações, não havendo sentido em deferir qualquer benesse tributária àquele que não corre os riscos da atividade rural. A jurisprudência administrativa não discrepa do entendimento acima, como se pode ver no Acórdão nº 10420.711, sessão de 19/05/2005, relator o Conselheiro Remis Almeida Estol, que restou assim ementado: IRPF DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º. do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ALUGUÉIS O aluguel de pastagens quando ausente o fator "Risco" não é alcançado pela legislação pertinente à Atividade Rural eis que desnaturado o conceito de parceria, devendo ser oferecido à tributação como rendimento normal na declaração de ajuste anual. ATIVIDADE RURAL GLOSA DE DESPESAS Não podem ser considerados como custo da atividade rural os dispêndios dissociados da atividade nem despesas inexistentes e/ou cujos comprovantes não atendam às exigências legais. (...) (grifouse). No ponto, sem razão o recorrente. Agora se passa à defesa do item VI (omissão de rendimentos da atividade rural). Inicialmente, o contribuinte alega que houve cerceamento do direito defesa pela descrição da infração no corpo do Auto, pela ausência da indicação das folhas nas quais se encontraria a infração, como se vê na transcrição da infração, abaixo: Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural (fls. ), consoante cópias de notas fiscais de entradas, emitidas pela Nestlé Brasil Ltda e cópias da notas fiscais avulsas de produtor Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 apresentadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. Nessas circunstâncias, o resultado da atividade rural apurado de oficio, com base na documentação apresentada, ao contrário do apurado pelo contribuinte e declarado no Anexo da Atividade Rural integrante da DIRPF/2004, foi positivo no anocalendário de 2003, conforme Demonstrativo de fls. Os fatos caracterizadores da omissão de rendimentos estão circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal (fls. ), que faz parte integrante deste auto de infração. (grifouse) De plano, aqui se rechaça a alegação de nulidade acima, pois a infração está descrita no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 22 a 136), não se podendo aqui acatar o equívoco formal acima destituído de qualquer efeito prático, pois não impediu a defesa do contribuinte, não lhe trazendo qualquer prejuízo. Na verdade, a Autoridade Fiscal recompôs toda a escrita fiscal do contribuinte, refazendo seu Livro Caixa (fls. 89 a 136), apontando claramente a infração, pois, registrese, a escrita do Livro Caixa do contribuinte se mostrava imprestável. Como exemplos dos equívocos no Livro Caixa, a Autoridade Fiscal identificou a escrituração como "Entradas" (receitas), de cheques de emissão do próprio contribuinte, cheques estes, debitados por compensação em sua conta corrente n°6.8535, do Banco do Brasil; escrituração corno saídas (despesas), de receitas de venda de leite à Nestlé Brasil ltda. Aqui não se desconhece que o contribuinte poderia apresentar uma escrituração comercial, completa, como tentou fazer nestes autos, onde inclusive constava o equivocado Livro Caixa acima. Porém, considerando os equívocos apontados pela Autoridade Fiscal, somente restou a esta refazer a escrituração, e, como se tratava de atividade rural de pessoa física, bastou a reconstituição do Livro Caixa para apurar as receitas e despesas da atividade rural das diversas propriedades rurais do fiscalizado. O trabalho do AuditorFiscal foi cuidadoso e de fato reconstituiu todo o Livro Caixa do contribuinte, apontando, em relação ao Livro Caixa outrora apresentado pelo fiscalizado, as omissões de receitas e as glosas de despesas. Nessa linha, no anocalendário 2003, apontouse uma omissão de receitas da atividade rural de R$ 753.602,20, implicando em um resultado positivo da atividade rural de R$ 238.977,93 (fls. 09, 10, 89 e 90). Na fl. 90 estão discriminadas as receitas consideradas omitidas, no montante de R$ 753.602,20 (no ano calendário 2004, apesar de haver omissão de receitas, esta não foi suficiente para vencer as despesas da atividade rural). Entretanto, a Autoridade Fiscal incorreu em um grave equívoco, ao apontar uma omissão de receitas da atividade rural inexistente, no montante de R$ 753.602,20, no ano calendário 2003, pois, como deduzido no recurso, o contribuinte confessou uma receita da atividade rural de R$ 1.437.273,98 (fl. 377) e a autoridade apurou uma receita de 1.469.052,98 (fl. 89), havendo uma discrepância de R$ 31.779,00, referente a apenas uma nota fiscal de produtor rural de dezembro de 2003 (fl. 90). Na verdade, o que ocorreu no anocalendário 2003 foi uma pequena omissão de rendimentos, acima, agregada de uma glosa robusta das despesas da atividade rural (de R$ 2.151.218,89 para R$ 1.212.996,12 – fls. 89 e 377), o que terminou gerando um resultado tributável de R$ 238.977,93. Entretanto, a Autoridade Fiscal deveria ter registrado como infração a omissão de receitas de R$ 31.779,00 e a glosa de despesa de R$ 938.222,77 (2.151.218,89 menos 1.212.996,12), implicando que o foco da infração seria a glosa de despesa e não a omissão de receita da atividade rural. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.013336/200769 Acórdão n.º 210201.043 S2C1T2 Fl. 6 11 A Autoridade Fiscal considerou como base da omissão de receitas da atividade rural a escrituração do Livro Caixa apresentado pelo fiscalizado e não o efetivo valor que este havia confessado em sua declaração de imposto de renda, incorrendo em um equívoco insanável. Vêse que o foco da Autoridade foi a reconstituição do Livro Caixa, apontando os valores glosados (fls. 107 a 136), a partir da escrita apresentada pelo fiscalizado, desconsiderando por completo os valores por ele informado na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2003, esta que é o elemento fundamental para se apontar as omissões de receitas ou glosas de despesas da atividade rural. Com a confusão conceitual acima, sendo apontada omissão de receitas da atividade rural inexistente, entendo que não pode subsistir a presente infração, a qual deveria ter registrado no corpo do Auto de Infração uma omissão de receitas da atividade rural de R$ 31.779,00 e a glosa de despesa da atividade rural de R$ 938.222,77 (2.151.218,89 menos 1.212.996,12), o que inocorreu no caso presente. Soçobrando a omissão de rendimentos da atividade rural, por óbvio fica sem qualquer sentido a discussão sobre a multa de ofício qualificada aplicada ao imposto dessa infração, pois a sorte do secundário (multa de ofício qualificada) segue o principal (imposto sobre a omissão de rendimentos da atividade rural). Agora se passa à defesa do item VII (na descrição da infração da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no corpo auto de infração, houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois a autoridade não discriminou em quais folhas se encontraria tal omissão. Ainda, múltiplos depósitos em conta corrente foram glosados do livro caixa, pois declarados como saídas (despesas), levando a uma dupla tributação, sendo uma pela glosa da despesa na atividade rural e outro como depósito de origem não comprovada. Assim, aqui se pede uma diligência para afastar essa duplicidade). A nulidade por cerceamento do direito de defesa acima já foi rechaçada em itens precedentes e aqui se adota as razões anteriores, igualmente rejeitando essa nulidade. O contribuinte defende que a glosa dos depósitos no Livro Caixa (registrados como despesas) e sua tributação como depósitos bancários de origem não comprovada implicou em uma dupla tributação sobre o mesmo fato. Inicialmente, vêse que houve uma completa reconstituição das receitas e despesas da atividade rural, e quando lá se identificou que determinado depósito tinha origem e que deveria ser tributado, tal crédito foi considerado como omissão de rendimentos, sendo efetuado a reclassificação devida, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Neste voto não se manteve a omissão de rendimentos da atividade rural simplesmente porque a Autoridade desviou o foco da infração, desconsiderando as receitas da atividade rural já confessadas na Declaração de Ajuste Anual, esquecendose de sobrelevar a glosa das despesas. Porém, com a reconstituição completa do Livro Caixa da atividade rural, somente lá ficou as receitas e despesas da atividade rural, ocorrendo a glosa dos depósitos na reconstituição para demonstrar o equívoco da escrituração (a escrituração dos depósitos como despesas foi um artifício para aumentar estas últimas). Em termos de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário de origem não comprovada, aqui somente remanesceram apenas os depósitos efetivamente não identificados, na atividade rural ou urbana, sofrendo assim o ônus da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A argumentação do contribuinte somente teria sentido se não tivesse havido Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 uma completa reconstituição da escrituração, sendo apenas glosados os depósitos escriturados como despesas e ainda eles adicionados as receitas da atividade rural, tudo com manutenção da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso não aconteceu. A autoridade fiscal reconstituiu toda a escrita, identificou os equívocos da escrituração e apontou cada receita (com as notas fiscais de produtor rural) e despesa (com as notas/recibos) no Livro reconstituído, apurando o resultado da atividade rural, por óbvio não submetendo os depósitos identificados na atividade rural à nova tributação na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Com as razões acima, vêse que o pedido de diligência não tem qualquer sentido, pois não há qualquer tributação em duplicidade dos depósitos bancários. No ponto, sem razão o recorrente. Por fim, passase à defesa do item VIII (conforme jurisprudência administrativa, é incabível a aplicação em duplicidade da multa de ofício vinculada ao imposto e a multa isolada do carnêleão). A infração do não recolhimento do carnêleão sobre os rendimentos percebidos de pessoa física, apenada com a multa isolada de 75%, foi absorvida pela conduta de não ofertar esses rendimentos à tributação no ajuste anual, pois esse última conduta também é apenada com multa de ofício de 75%. Há, na espécie, um bis in idem. Nesta matéria, mansa a jurisprudência administrativa. Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.013336/200769 Acórdão n.º 210201.043 S2C1T2 Fl. 7 13 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada de 75% que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade de lançamento e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos da atividade rural e a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 18347.000002/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 31/07/2002 a 30/04/2002
RESTITUIÇÃO. MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
LANÇAMENTO ANTERIOR EM DCTF. INAPLICABILIDADE DO
ART. 138 DO CTN.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte,
após efetuar a declaração parcial do débito tributário sujeito a lançamento por
homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa,
antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a
existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. A
declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do
crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose
exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de
notificação ao contribuinte
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.988
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO ANTERIOR EM DCTF. INAPLICABILIDADE DO ART. 138 DO CTN. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. A declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Gileno Gurjão Barreto Relator Fl. 85DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18347.000002/200817 Acórdão n.º 330200.988 S3C3T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 07/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Adotase o relatório do acórdão da 1ª Turma da DRJ BHE/MG n° 0220.180, 1 de dezembro de 2008: A contribuinte acima qualificada apresentou, em 19/03/2008 (fl. 01), pedido de restituição de valores recolhidos indevidamente a título de multa moratória incidente sobre o PIS e a Cofins no período e julho de 2002 a abril de 2007. Às fls. 04/05 foi juntado demonstrativo dos créditos pleiteados. Com fundamento no direito creditório alegado no presente processo, a contribuinte apresentou, em 28/03/2008 e 16/05/2008, declarações de compensação, autuadas às fls. 12/19. Em despacho decisório de fls. 20/24, a autoridade jurisdicionante indeferiu o pleito da contribuinte, sob o fundamento que as multas de mora eram devidas em razão de terem sido intempestivos os recolhimentos efetuados, e não homologou as compensações declaradas. Cientificada da decisão em 12/06/2008 (fl. 28), a contribuinte manifestou, em 30/06/2008 (fl. 29), sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 30/43): . toda documentação original comprobatória encontrase a disposição na contabilidade da empresa; . o artigo 138 do CTN exclui a responsabilidade por qualquer infração, quando da denúncia espontânea, . na seara tributária as infrações se subdividem em dois grandes grupos:infrações à obrigação de dar (obrigação principal — recolhimento do tributo); e infrações à obrigação de fazer (obrigação acessória, como a escrituração, por exemplo); . a multa só se justifica, e existe, como sanção de ato ilícito; . não há que se cogitar em atribuir à multa natureza indenizatória, função atribuída legalmente aos juros; . não é lícito ao agente fazendário exigir o pagamento de quaisquer espécie de multa (de mora, revalidação ou isolada) do contribuinte, quando este se autodenuncia; . segundo a doutrina, o artigo 138 do CTN aplicase indistintamente às infrações substanciais e formais; . pacificado no STJ o entendimento de que, na hipótese de denúncia espontânea,realizada formalmente, com o devido recolhimento do tributo, antes de qualquer procedimento administrativo, é inexigível a multa de mora ; . as instâncias administrativas compartilham o entendimento de descabimento da cobrança de multa quando da infração denunciada espontaneamente; Fl. 86DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18347.000002/200817 Acórdão n.º 330200.988 S3C3T2 Fl. 3 3 . a multa moratória é cabível apenas e tãosometie nas hipóteses em que a própria autoridade arrecadadora inicia a atividade de fiscalização e autuação; . o direito à atualização dos valores a serem restituídos deve retroagir à data de apuração dos valores; • os débitos compensados devem permanecer com sua exigibilidade suspensa, na forma do artigo 151 do CTN e nos termos do artigo 29 c/c artigo 48; § 3°, da IN SRF n° 600, de 2005. Através do acórdão supracitado, os membros da 1ª Turma da DRJ BHE/MG, por unanimidade de votos, indeferiram o pleito por entender que: Em sede de preliminar, o direito de restituição/compensação dos recolhimentos efetuados anteriormente a 19/03/2003 encontrase decaído, por força do artigos 168 do CTN e artigos 30 e 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005; A denúncia espontânea deve estar relacionada com fato desconhecido da administração tributária, ou seja, para ser eficaz, a notícia da infração deve permitir o conhecimento integral da ocorrência motivadora da incidência tributária, e não simplesmente referirse ao fato de o tributo estar vencido, mormente tratandose de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, eis que o vencimento não constitui elemento integrante do fato gerador, conforme Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça; Irresignada, a Contribuinte recurso voluntário. Em suas razões recursais aduz que não se pode atribuir às multas o caráter indenizatório, pois esta função já é legalmente atribuída aos juros, ou seja, a multa é pena e não complemento indenizatório; A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração, não podendo o Agente Fiscal exigir o pagamento quaisquer espécie de multa; É o Relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele o conheço. Conforme já relatado, tratamse os autos de pedido de restituição de valores recolhidos indevidamente a título de multa moratória incidente sobre o PIS e a COFINS no período e julho de 2002 a abril de 2007, no qual fora indeferido pela autoridade fiscal. O ponto central da controvérsia cingese se a denúncia espontânea resta caracterizada e, consequentemente, afastada a multa de mora, quando o contribuinte quando declara e paga o tributo fora do prazo do vencimento, ainda que anterior a qualquer procedimento do Fisco. A questão já está pacificada no E. Superior Tribunal de Justiça por meio do procedimento do recurso especial repetitivo, por meio do qual chegouse a seguinte conclusão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A Fl. 87DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18347.000002/200817 Acórdão n.º 330200.988 S3C3T2 Fl. 4 4 MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18347.000002/200817 Acórdão n.º 330200.988 S3C3T2 Fl. 5 5 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 1.149.022/SP Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, DJe 24/06/2010) Ainda neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SUPOSTA OFENSA AO ART. 535 DO CPC. QUESTÃO NÃO SUSCITADA NO MOMENTO OPORTUNO. RECURSO ESPECIAL. DISCUSSÃO ACERCA DOS REQUISITOS DA CDA. QUESTÃO ATRELADA AO REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. ALEGADA EXISTÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. TRIBUTÁRIO. ICMS. 1. No que se refere à alegada afronta ao art. 535 do CPC, verificase que tal questão não foi suscitada em sede de recurso especial, razão pela qual é inviável o seu conhecimento. Ressaltese que é vedado, em sede de agravo regimental, ampliarse o objeto do recurso especial, aduzindose questões novas, as quais não foram suscitadas no momento oportuno. 2. O reexame de matéria de prova é inviável em sede de recurso especial (Súmula 7/STJ). 3. "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" (Súmula 360/STJ), ou seja, "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco" (REsp 1.149.022/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 24.6.2010 — recurso submetido à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ). 4. É legítima aplicação da Taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora sobre os débitos do contribuinte para com a Fazenda Estadual, desde que haja lei local autorizando sua incidência (REsp 879.844/MG, 1ª Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 25.11.2009 recurso submetido à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ). 5. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.160.469/SP – Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, DJe 28/09/2010) (Grifos nossos) Ante o exposto, não demonstrado nos autos que não houvera a consignação em DCTF, situação em que poderia ocorrer a denúncia espontânea, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto, Fl. 89DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18347.000002/200817 Acórdão n.º 330200.988 S3C3T2 Fl. 6 6 GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 90DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10835.002094/2004-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: PAF. PRECLUSÃO. A impugnação da exigência instaura a fase
litigiosa do procedimento, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO. Constatada, mediante procedimento de ofício, a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, a
diferença de imposto deve ser exigida mediante lavratura de auto de infração, como acréscimo de multa de ofício e de juros de mora.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.155
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: PAF. PRECLUSÃO. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO. Constatada, mediante procedimento de ofício, a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, a diferença de imposto deve ser exigida mediante lavratura de auto de infração, como acréscimo de multa de ofício e de juros de mora. Recurso negado.
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PRECLUSÃO. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO. Constatada, mediante procedimento de ofício, a omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, a diferença de imposto deve ser exigida mediante lavratura de auto de infração, como acréscimo de multa de ofício e de juros de mora. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório OMAR ABOU MURAD interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SÃO PAULO/SP II (fls. 65) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 32/38, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 9.240,00, acrescido de multa de ofício de R$ 6.930,00 e de juros de mora, calculados até 04/2004, de R$ 3.503,80. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos de alugueis e royalties recebidos de pessoa jurídica: CNPJ 03.596.340/000115 (R$ 24.000,00) e CNPJ 56.252.083/000160 (R$ 9.600,00). O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os rendimentos recebidos de Clínica da Criança S/C Ltda. CNPJ 03.596.340/000115, no valor de R$ 24.000,00, foram por ele declarados, mas como rendimentos recebidos de pessoa física. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a manifestação do Contribuinte significa alteração da declaração de rendimentos e esta não poderia ser feita após o início do procedimento fiscal; que antes da autuação o Contribuinte poderia ter retificado os dados da declaração mediante apresentação de nova declaração, que substituiria automaticamente a declaração anterior, mas não o fez; que, portanto, não há como acatar a alegação de mero erro no preenchimento da declaração. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/12/2007 (fls. 70) e, em 27/12/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 71/86, que ora se examina, e no qual reafirma a alegação de que os rendimentos considerados omitidos foram indevidamente declarados como rendimentos recebidos de pessoa física e que a autuação considerou tais rendimentos como recebidos de pessoa jurídica sem, contudo, excluir da base de cálculo o valor declarado como recebido de pessoa física. Argumenta que o ônus de comprovar a omissão de rendimentos é do Fisco, o que não teria ocorrido no caso. O Recorrente insurgese contra a multa de 75%. Argumenta que a legislação somente autoriza a aplicação da penalidade nos casos de vidente intuito de fraude, que não teria ocorrido no caso, portanto, a aplicação da penalidade estaria a ferir o princípio da legalidade. Sustenta também que a penalidade aplicada tem natureza confiscatória. Também se insurge o Recorrente contra os juros aplicados, calculados com base na taxa Selic, que, segundo interpreta, não seria aplicável à cobrança de tributos. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 101DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10835.002094/200424 Acórdão n.º 220101.155 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Inicialmente, quanto à alegada natureza confiscatória da multa de ofício e a possibilidade de incidência dos juros calculados com base na taxa Selic, essas questões não foram argüidas na impugnação. Portanto, em relação a elas não se instaurou o litígio. É o que rezam os artigos 14 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 17. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Tratase, portanto, de matérias preclusas e, em relação a elas, não conheço do recurso. Quanto à matéria em discussão, a omissão de rendimentos, a alegação do Contribuinte é de que os rendimentos foram declarados como recebidos de pessoas físicas e que, portanto, não teria ocorrido a omissão apontada na autuação. O Contribuinte, contudo, não consegue comprovar o fato alegado. O que se tem nos autos é que o Contribuinte declarou haver recebido rendimentos tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas, porém a Fiscalização constatou que o Contribuinte deixou de declarar rendimentos recebidos de duas fontes pagadoras pessoas jurídicas e, corretamente, procedeu ao lançamento. A simples alegação de que tais rendimentos foram declarados erroneamente como rendimentos recebidos de pessoas físicas não é suficiente para afastar a exigência. O fato teria que ser comprovado, o que não se tem neste caso. Por outro lado, se é certo que o Contribuinte teria dificuldades em produzir a prova negativa de que não recebeu os rendimentos recebidos de pessoa física, por outro lado, a declaração de que recebeu tais rendimentos é suficiente para comprovar o recebimento. Assim, entre o que foi declarado e a mera afirmação de que não recebeu rendimentos, deve prevalecer a primeira opção. Ademais, não há nos autos qualquer evidência que corrobore a alegação de erro material: não há nenhuma relação de proximidade entre os valores considerados omitidos e os declarados como rendimentos recebidos de pessoas físicas que possam indicar a ocorrência do alegado erro. Tratase, portanto, de mera alegação, sem prova, que não deve ser acolhida. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 102DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Fl. 103DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 36750.006939/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando
como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. MATÉRIA
NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO.
PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2401-001.682
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 10/2001; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/2006 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 10/2001; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Fl. 916DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 917DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36750.006939/200646 Acórdão n.º 2401001.682 S2C4T1 Fl. 907 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra a empresa acima identificada, referente as contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e a terceiros, no período de janeiro de 1996 à agosto de 2006 com cientificação do contribuinte em 17 de novembro de 2006. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 450 a 458, as contribuições lançadas referemse à: Contribuição da empresa sobre o pagamento a contribuintes individuais destinada à Previdência Social; Contribuição da empresa sobre o pagamento aos segurados empregados destinada às entidades e fundos (Terceiros): Salário Educação e Incra; Contribuição da empresa sobre a comercialização de produtos rurais destinada à Previdência Social; Contribuição da empresa sobre a comercialização de produtos rurais destinada ao Seguro Acidente de Trabalho – SAT; Contribuição da empresa sobre a comercialização de produtos rurais destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR.. Ainda segundo o RF, os lançamentos foram efetuados da seguinte forma: 7.1.1GFPDADOS DA GFIP; 7.1.2FP1DADOS DAS FOLHAS DE PAGAMENTOS 1; 7.1.3FP2DADOS DAS FOLHAS DE PAGAMENTO 2; 7.1.4CI1CONTRIBUINTE INDIVIDUAL 1; 7.1.5SICSALÁRIOS INDIRETOS EM CONTABILIDADE; 7.1.6PR1 PRODUÇÃO RURAL 1; 7.1.7RTRECLAMATÓRIA TRABALHISTA; 7.1.8DAL DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Inconformada com a Decisão de fls. 762 a 773, a empresa apresentou recurso à este conselho alegando em síntese: Inicialmente afirma se tratar de recurso parcial, pois não objetivava recorrer da decisão de primeira instância que rejeitou a preliminar de decadência e decidiu sobre a procedência das multas e juros. Porém, às fls.847 a 851, a recorrente requer junto à Presidência do CARF, a distribuição prioritária do recurso e pleiteou a aplicação da decadência para os créditos em questão; No mérito, insurgese contra o lançamento alegando existir inúmeras nulidades, que deverão ser apreciadas por este colegiado, independente da matéria ter sido abordada na impugnação da NFLD, passando a descrever os vícios e contradições que teriam sido cometidas pela Auditoria Fiscal, descrevendo os itens e subitens onde se encontram. Requer ao final: 1 Seja julgado improcedente o crédito previdenciário lançado nesta NFLD para o período de 01/2001 a 08/2006, cujo fato gerador decorreu de imputação pela Auditoria, através de aferição indireta, de receita auferida pela suposta comercialização de gado; 2 Para os demais créditos previdenciários lançados nesta NFLD, como aquele que decorreu de fatos geradores oriundo de receita bruta auferida pela comercialização de gado no período de 01/1999 a 12/2000 e os demais citados no Relatório Fiscal, seja Fl. 918DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 decretada a nulidade da presente Notificação, face conter vícios formais insanáveis, como também, contradições que cercearam o direito de defesa e do contraditório. Não houve a apresentação de contrarazões É o relatório. Fl. 919DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36750.006939/200646 Acórdão n.º 2401001.682 S2C4T1 Fl. 908 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A preliminar de decadência merece acolhimento por parte deste colegiado. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em novembro de 2006, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições exigidas referemse às competências de janeiro de 1996 a agosto de 2006, o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento, utilizandose, na opinião deste conselheiro, o entendimento adotado para o início da contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN, em face de constatar ter havido recolhimentos no período fiscalizado, conforme se depreende no DAD. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores ocorridos até outubro de 2001, inclusive. Fl. 920DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 DO MÉRITO A alegação da recorrente de que a notificação estaria eivada de vícios não merece prosperar. Do que se depreende do Relatório Fiscal, todos os fatos geradores foram devidamente discriminados, constam das planilhas elaboradas pela fiscalização e foram constatados através da análise da documentação apresentada pela recorrente, tais como: Relatórios Anuais de Informações Sociais — RAIS; Análise das contas correntes da notificada, confrontandoas com a planilha elaborada pelo AF; Análise da contabilidade, notas fiscais e outros documentos, todos devidamente relatados e com planilhas demonstrativas. Ao contrário do que entende a recorrente a matéria não discutida em sede de impugnação será analisada em sede de recurso, sobretudo quanto a pretensa nulidade do procedimento fiscal, uma vez já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. Portanto, entendo estar a presente notificação, devidamente dentro dos padrões legais vigentes à época do levantamento. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher a preliminar de decadência para lhe DAR PROVIMENTO PARCIAL, excluindose do débito todos os lançamentos até outubro de 2001, inclusive, adotando o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN, e no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 921DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.011129/2007-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2002
Ementa:
O Ato Declaratório Normativo nº 4/2000, COSIT, não tem o condão de alterar Resolução do próprio Conselho Federal de Engenharia ao equiparar serviços de operação e manutenção de equipamento e instalação aos serviços de engenheiro, razão pela qual deve ser afastado para fundamentar a exclusão do SIMPLES de empresas que prestam unicamente serviços desta modalidade. Aplica-se ao caso o disposto na Súmula CARF nº 57, aprovada pela Portaria CARF 52/10, D.O.U. 23.12.2010
Numero da decisão: 1202-000.534
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento
ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2002 Ementa: O Ato Declaratório Normativo nº 4/2000, COSIT, não tem o condão de alterar Resolução do próprio Conselho Federal de Engenharia ao equiparar serviços de operação e manutenção de equipamento e instalação aos serviços de engenheiro, razão pela qual deve ser afastado para fundamentar a exclusão do SIMPLES de empresas que prestam unicamente serviços desta modalidade. Aplicase ao caso o disposto na Súmula CARF nº 57, aprovada pela Portaria CARF 52/10, D.O.U. 23.12.2010 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva e Orlando José Gonçalves Bueno: Relatório Fl. 41DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10680.011129/200770 Acórdão n.º 120200.534 S1C2T2 Fl. 2 2 Tratase processo administrativo fiscal relativo a exclusão de ofício da Recorrente, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – Simples, conforme publicação abaixo transcrita: Situação excludente: (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 29696/02 — Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico Data da ocorrência: 04/01/2002 • Fundamentação legal: Lei n°9.317, de 05/12/1996: art. 9°, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, H. Medida Provisória n° 2.158 34, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n°355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. A manifestação de inconformidade pugnou pelo restabelecimento da Recorrente, sob a alegação de que se dedica às atividades de prestação de serviços de manutenção e reparos mecânicos em aparelhos e máquinas de embalagens, marcação e esteiras, não se enquadrando em nenhuma das atividades específicas vedadas à opção pelo Simples. O Acórdão proferido pela 4a Turma da DRJ/BHE indeferiu o inconformismo consoante a ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Exercício: 2003. Atividade Econômica Vedada A manutenção de equipamentos industriais caracteriza prestação de serviço profissional de engenheiro. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Sustentou a decisão a quo, preliminarmente, que a exclusão foi motivada pelas atividades discriminadas em seu CnaeFiscal, classificadas como prestação de serviços de instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico, atividades vedadas à opção pelo sistema de tributação em comento. Ressalta que o motivo apontados no ato declaratório de fls. 03 é a atividade de instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico, ao passo que o Ato Declaratório Normativo da Cosit n° 04, de 22 de fevereiro de 2000 declara que tais operações caracterizamse como serviços profissionais de engenharia. O recurso voluntário reiterou as alegações invocadas em primeira instância, acrescentando jurisprudência STJ e TRF da 1ª Região, no intuito de demonstrar a suposta analogia “in malan partem” realizada pelo Fisco, requerendo por derradeiro, seu restabelecimento, com a data efetiva de 04/01/2002 no sistema de tributação SIMPLES. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10680.011129/200770 Acórdão n.º 120200.534 S1C2T2 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. O relatório demonstra a exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – Simples, uma vez que o CnaeFiscal discrimina a “prestação de serviços de manutenção e reparação de outras máquinas e equipamentos para uso industriais não especificados anteriormente”. A decisão a quo fundamentase no Ato Declaratório Normativo nº 4, Cosit, transcrito abaixo: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e da alínea “f” do art. 27 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966 e a Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia. No intuito de conferir maior clareza e segurança jurídica à decisão, convém analisar os fundamentos legais que ensejaram a publicação do ato declaratório supra. Da leitura acima, percebese que tal ato administrativo fundamentase no artigo 27 da Lei 5.194, de 24 de dezembro de 1966 dentre outros, o qual determina as atribuições do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. A saber: Art. 27. São atribuições do Conselho Federal: a) organizar o seu regimento interno e estabelecer normas gerais para os regimentos dos Conselhos Regionais; b) homologar os regimentos internos organizados pelos Conselhos Regionais; c) examinar e decidir em última instância os assuntos relativos no exercício das profissões de engenharia, arquitetura e agronomia, podendo anular qualquer ato que não estiver de acordo com a presente lei; Fl. 43DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10680.011129/200770 Acórdão n.º 120200.534 S1C2T2 Fl. 4 4 d) tomar conhecimento e dirimir quaisquer dúvidas suscitadas nos Conselhos Regionais; e) julgar em última instância os recursos sobre registros, decisões e penalidades impostas pelos Conselhos Regionais; f) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente lei, e, ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos; g) relacionar os cargos e funções dos serviços estatais, paraestatais, autárquicos e de economia mista, para cujo exercício seja necessário o título de engenheiro, arquiteto ou engenheiroagrônomo; h) incorporar ao seu balancete de receita e despesa os dos Conselhos Regionais; i) enviar aos Conselhos Regionais cópia do expediente encaminhado ao Tribunal de Contas, até 30 (trinta) dias após a remessa; j) publicar anualmente a relação de títulos, cursos e escolas de ensino superior, assim como, periòdicamente, relação de profissionais habilitados; k) fixar, ouvido o respectivo Conselho Regional, as condições para que as entidades de classe da região tenham nêle direito a representação; l) promover, pelo menos uma vez por ano, as reuniões de representantes dos Conselhos Federal e Regionais previstas no Ed. extra 53 desta lei; m) examinar e aprovar a proporção das representações dos grupos profissionais nos Conselhos Regionais; n) julgar, em grau de recurso, as infrações do Código de Ética Profissional do engenheiro, arquiteto e engenheiroagrônomo, elaborado pelas entidades de classe; o) aprovar ou não as propostas de criação de novos Conselhos Regionai p) fixar e alterar as anuidades, emolumentos e taxas a pagar pelos profissionais e pessoas jurídicas referidos no Ed. extra 63. Assim, o CONFEA, no pleno exercício de suas atribuições, editou a Resolução 218, em 29 de Junho de 1973, que também fundamenta o Ato Declaratório COSIT. Neste sentido, o artigo 1º da aludida resolução determina as atividades dos profissionais do exercício profissional da profissão às diferentes modalidades da engenharia: Art, 1' Para efeito de ,fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, .ficam designadas as seguintes atividades: Fl. 44DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10680.011129/200770 Acórdão n.º 120200.534 S1C2T2 Fl. 5 5 Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e lição técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada, Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação, Atividade 18 Execução de desenho técnico. Destarte, verificase que os serviços discriminados no CnaeFiscal da Recorrente encontrase no item 17 supra. O artigo 24 da mencionada resolução, por sua vez, determina quais serviços da listagem acima podem ser executados por técnico de grau médio, ou seja, quais os serviços que não precisam ser executados por engenheiro. A saber: Art 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO; I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1 0 desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais A decisão a quo manteve a exclusão da Recorrente sob o entendimento de que ela exercia serviço profissional de engenheiro, utilizando como fundamento o Ato Declaratório COSIT, já transcrito. Todavia, restou evidenciado, pelos dispositivos acima transcritos, que os serviços classificados como exclusivos de engenheiro pelo Fisco, podem ser realizados por técnicos de grau médio por determinação do CONFEA. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10680.011129/200770 Acórdão n.º 120200.534 S1C2T2 Fl. 6 6 Desta sorte, é clara a distinção entre a delimitação de competência, concernente à prestação dos serviços em foco, feita pelo Fisco e a realizada pela entidade de classe profissional acima mencionada. Portanto, diante do conflito aparente entre as aludidas regras complementares, resta definir qual se aplica no presente caso. Com efeito, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, representante da classe profissional dos engenheiros, possui atirbuição legal para definir o âmbito das atividades técnicas do engenheiro e do técnico, discriminando quais serviços serão realizados pelos engenheiros propriamente ditos, ou por técnicos de grau médio, os quais não precisam necessariamente serem prestados por engenheiros. A Coordenadoria Geral do Sistema de Tributação – COSIT – ao declarar por meio do ADN nº 4, de 22 de fevereiro de 2000, que os serviços de manutenção e montagem de equipamentos industriais caracterizamse em serviços profissional de engenharia contrariou frontalmente a resolução própria do Conselho Federal de Engenharia, razão pela qual não deve ser aplicado no presente caso, eis que meramente interpretativo, podendo somente vincular dos quadro funcional da SRFB, sendo apenas uma diretriz orientativa no âmbito deste processo administrativo, a qual, a meu ver, pode ser afastada por disposição específica do órgão de classe profissional competente, o CONFEA. Não seria razoável se todas as empresas que se dedicam a manutenção e montagem de equipamentos industriais tivessem necessariamente de contar com um profissional de engenharia na sua equipe. A própria resolução CONFEA admite que tais serviços possam ser realizados por técnicos de grau médio. Noutro lado, o técnico de grau médio não precisa ser engenheiro profissional para prestar serviços de instalação, manutenção ou operação de equipamentos, situação estabelecida por resolução levada a efeito pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. O artigo 9º, XIII, utilizado pelo Fisco para excluir a Recorrente do SIMPLES, assim dispõe sobre a vedação para a inclusão/ permanência neste sistema de tributação: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...) A Recorrente foi excluída do Simples por exercer atividades caracterizadas como próprias de engenheiro, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT. Todavia o mencionado ato administrativo traz disposição conflitante com a resolução emitida pelo órgão Fl. 46DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10680.011129/200770 Acórdão n.º 120200.534 S1C2T2 Fl. 7 7 de classe profissional, o qual, tem específica competência legal para se manifestar com mais propriedade do que o órgão da administração tributária.. Não há motivo para excluir a Recorrente do sistema simplificado de tributação, eis que a sua atividade social não é exclusiva de profissional da engenharia, conforme autorização constante em diploma normativo emitido pelo próprio órgão de classe da categoria. É neste sentido que já se posicionou a 2ª Turma Especial desta Seção de Julgamento: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA A VEDAÇÃO DO ART. 90, XIII, DA LEI 9.317/1996. No contexto da Lei 5.194/1966, o exercício da profissão de engenheiro configurase como atividade intelectual, de natureza científica, A "execução de serviço técnico" típico de engenheiro deve ser compreendida a partir desse referencial, porque "serviços técnicos", em uma acepção ampla, podem ser prestados tanto por profissionais com nível superior ou com nível médio, quanto por aqueles com cursos profissiorializantes de curta duração, não regulamentados, e até mesmo por profissionais que aprenderam com a vivência prática do trabalho. As expressões "instalação", "reparo", "montagem" e "manutenção" também abarcam urna enorme variedade de práticas que podem ou não ser qualificadas como típicas de engenheiro. Além disso, no caso concreto, os objetos submetidos às operações de instalação, reparo, etc., qual seja, "equipamentos industriais", não evidenciam, por si só, a execução de atividade que demande a qualificação técnica de engenheiro. Não havendo nos autos elementos que justifiquem a vedação ao Simples, prevista no art. 9º, XIII, da Lei 9,317/1996, há que se admitir a opção pelo regime de tributação simplificada. A 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais também já se manifestou sobre o assunto. A saber: Decisão: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa,ESTABELECIMENTO PRESTADOR DE SERVIÇOS DE MONTAGENS ELÉTRICAS INDUSTRIAIS OPÇÃO PELO SIMPLES A proibição para o SIMPLES de sociedades profissionais liberais ou assemelhados é relativa às sociedades cuja constituição, no que tange aos sócios, não prescinda da existência de um profissional habilitado, A pessoa jurídica prevista no artigo 9", X111, da Lei n" 9,317/96 deve necessariamente ser integrada por sócios em condiçães legais de exercer a profissão regulamentada, ter por objeto a prestação de serviço especializado e legalmente descrito, com responsabilidade pessoal e sem caráter empresarial, O estabelecimento prestado,' . de serviços de montagens elétricas Fl. 47DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10680.011129/200770 Acórdão n.º 120200.534 S1C2T2 Fl. 8 8 industriais' não pode ser equiparado a uma sociedade civil de prestação de serviços relativos ao exercício da profissão legalmente regulamentada (engenheiro), porquanto realiza seus fins sociais sem qualquer característica pessoal do trabalho profissional Recurso especial negado Acórdão n° CSRF/0305,164 SIMPLES — Exclusão exercício de atividade assemelhada à de engenheiro deve ser comprovada à luz de documentos que mostrem, inequivocamente, tratarse de ocupação com o mesmo grau de complexidade e exigência curricular. Recurso especial negado. Ademais, o CARF já consolidou o entendimento sobre o quanto aplicável na situação fática descrita nestes autos, com a edição da Súmula CARF nº 57, aprovada pela Portaria CARF nº 52/10, de 23.12.2010, que assim dispõe: “Súmula CARF n° 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Diante do exposto, sou pelo provimento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 48DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003249/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2008
Ementa.
É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a
consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da
União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja
exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1302-000.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, considerando nulo o ato declaratório de exclusão do simples.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2008 Ementa. É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 Ementa. É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, considerando nulo o ato declaratório de exclusão do simples (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi (vicepresidente) e Marcos Rodrigues de Mello Relatório Fl. 77DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.003249/200869 Acórdão n.º 130200.536 S1C3T2 Fl. 76 2 A empresa identificada nos autos, teve o seu pedido de opção para o Simples Nacional indeferido, conforme Termo de Indeferimento (fls. 6), enviado por meio eletrônico, com data de registro em 31/01/2008. Motivado por encontrarse em débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, oriundo da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamento legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. 2. Inconformada com o Termo de Indeferimento (fls. 6), a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls.1/3), em que pede a aceitação na sistemática de pagamentos de tributos disposta na Lei Complementar nº 123/2006, haja vista que os débitos pendentes de pagamento junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil, oriundo da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, foram pagos em 22/02/2008. Nesse sentido, requer o cancelamento do termo de indeferimento e que seja reconhecido o direito de optar pelo Simples Nacional no anocalendário de 2008, exceto para o ISS. 2.1. A contribuinte anexou aos autos, a título de provas, os documentos de fls. 4 a 27. A DRJ decidiu: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2008 Opção Simples Nacional Comprovado nos autos que a empresa em 31 de janeiro de 2008, se encontrava em débito com a SRFB, oriundo da extinta Secretaria da Receita Previdenciária cuja exigibilidade não estava suspensa, dá ensejo ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. A recorrente foi cientificada do acórdão DRJ em 09/10/2008 e apresentou recurso 10/11/2008, onde reitera os argumentos de defesa apresentados na impugnação. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Entendo importante reproduzir trecho do termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional de fls. 52: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) CNPJ: 06.631.006/000143 Fl. 78DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.003249/200869 Acórdão n.º 130200.536 S1C3T2 Fl. 77 3 NOME EMPRESARIAL: TRANSAGUA TRANSPORTES DE ÁGUA LTDA EPP A pessoa jurídica acima identificada incorre, neste momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) que impede(m) a opção pelo Simples Nacional: Estabelecimento CNPJ: 06.631.0061000143 • Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil oriundo da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de . 14/12/2006, art. 17, Inciso V. Já a súmula 22 do CARF prescreve: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Entendo que o caso dos autos se adéqua perfeitamente ao previsto na súmula acima transcrita. Já o regimento interno do CARF prescreve: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Portanto, sendo a matéria sumulada e as súmulas de observância obrigatória por este colegiado, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, considerando nulo o ato declaratório de exclusão do Simples. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 79DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001251/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES DO ACÓRDÃO EMBARGADO. No caso de omissão do acórdão embargado, que deixou de enfrentar matéria relevante para o processo, a dos embargos declaratórios é a adequada para a solução da falta.
JUROS ISOLADOS. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DE IMPOSTO. No caso de falta de pagamento antecipado de imposto, sobre base de cálculo sujeita a tributação definitiva quando do ajuste anual, é devida a incidência de juros, isoladamente, sobre o valor que deixou de ser antecipado, por expressa disposição legal.
Embargos acolhidos
Acórdão rerratificado
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.068
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade acolher os embargos para rerratificar o acórdão nº 104-23.639, sanando a omissão e mantendo a conclusão do acórdão embargado.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES DO ACÓRDÃO EMBARGADO. No caso de omissão do acórdão embargado, que deixou de enfrentar matéria relevante para o processo, a dos embargos declaratórios é a adequada para a solução da falta. JUROS ISOLADOS. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DE IMPOSTO. No caso de falta de pagamento antecipado de imposto, sobre base de cálculo sujeita a tributação definitiva quando do ajuste anual, é devida a incidência de juros, isoladamente, sobre o valor que deixou de ser antecipado, por expressa disposição legal. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Recurso parcialmente provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES DO ACÓRDÃO EMBARGADO. No caso de omissão do acórdão embargado, que deixou de enfrentar matéria relevante para o processo, a dos embargos declaratórios é a adequada para a solução da falta. JUROS ISOLADOS. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DE IMPOSTO. No caso de falta de pagamento antecipado de imposto, sobre base de cálculo sujeita a tributação definitiva quando do ajuste anual, é devida a incidência de juros, isoladamente, sobre o valor que deixou de ser antecipado, por expressa disposição legal. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade acolher os embargos para rerratificar o acórdão nº 10423.639, sanando a omissão e mantendo a conclusão do acórdão embargado. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos pela Contribuinte, acima identificada, em face do acórdão nº 10423639. Sustenta a Embargante, em síntese, que o acórdão embargado deixou de se manifestar sobre a incidência de juros isolados. Também se insurge contra a própria incidência tributária, conforme resumido na parte final da peça recursal, a seguir reproduzida: Feitas as considerações acima e, mais, pelos amplos conhecimentos que o Douto Conselheiro há de, com certeza, aduzir, Requer a Embargante sejam os presentes embargos acolhidos, por tempestivo, bem como provido para: a) Corrigir as omissões, manifestando expressamente sobre: i. O lançamento dos juros de mora isolados; ii. a aplicação ou não do art. 622, do RIR, sobre rendimentos indiretos decorrentes de aluguel de imóveis e veículos de propriedade de funcionários não gerentes; iii. O Acolhimento ou não dos documentos juntados com o Recurso Voluntário, que provam a existência dos dependentes glosados e que o prêmio pago à funcionária Lorena foi em março de 2006 e não em dezembro de 2005, como lançado; iv. Os recolhimentos de IRRF feitos pelos Diretores e Gerentes, em suas Declarações de Rendimentos, referentes aos mesmos fatos geradores que motivaram o lançamento do IRRF exclusivo na fonte a 35% b) Casso assim entenda, sejam atribuídos efeitos infringentes aos presentes embargos, para alterar o decidido no acórdão embargado, dando ciência ao Senhor Procurador da Fazenda Nacional competente, para que este, caso queira, possa exercer seu direito recursal. Em exame preliminar de admissibilidade, o senhor presidente da Câmara acolheu os embargos apenas quanto aos juros isolados, reconhecendo a omissão, e determinou a inclusão do processo em pauta para seu exame pelo Colegiado. É o relatório. Voto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.001251/200783 Acórdão n.º 220101.068 S2C2T1 Fl. 2 3 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Os embargos foram interpostos tempestivamente. Fundamentação Como se colhe do relatório, este Colegiado deve se pronunciar sobre a alegada omissão do acórdão embargado quanto à incidência dos juros isolados. De fato, a matéria foi argüida no recurso e não foi enfrentada pelo acórdão embargado. Resta caracterizada, pois, a omissão. Acolho, pois, os presentes embargos para o exame da matéria negligenciada. Quanto ao mérito da questão, a incidência dos juros isolados, observese que o fundamento do acórdão embargado para afastar o multa isolada, foi o de que sua incidência, concomitante com a multa de ofício seria indevida; que a legislação não previa essa possibilidade; que, enfim, não haveria a dupla hipótese de incidência das multas, pelo não pagamento antecipado e pelo não pagamento do imposto quando do ajuste anual. Ora, tal fundamento não se aplica aos juros. Em relação aos juros não se trata de exigência cumulativa. Os juros são devidos tendo em vista a falta de antecipação do pagamento, e, para isto, há expressa previsão legal. Tratase do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Neste caso, se não houve o pagamento antecipado do imposto, é devida a incidência dos juros sobre o valor que deixou e ser recolhido antecipadamente. Correto, pois, o lançamento, quanto a este ponto. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para rerratificar o acórdão nº 10423.639, sanando a omissão e mantendo a conclusão do acórdão embargado. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 18471.001231/2006-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos
Ano-calendário: 2003 e 2004
Ementa: IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE
ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não cabe a presunção de omissão de
receitas, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, inferida a partir de
depósitos bancários efetuadas em espécie, que têm como origem, conforme
lançamentos na contabilidade, a conta Caixa. Na espécie, caso se
comprovasse que os saldos de Caixa são insuficientes para suportar as
transferências para Bancos, hipótese não caracterizada nestes autos, caberia
uma das presunções de que trata o art. 281, do RIR/99, isto 6, a presunção de
omissão de receitas por saldo credor de caixa.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE
ORIGEM NÃO COMPROVADA. Quando a escrita contábil, mantida pelo
contribuinte, impossibilita a identificação das operações que justificariam
depósitos bancários, presume-se caracterizada a omissão de receitas, no valor
destes depósitos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, desde que o
contribuinte, regularmente intimado pelo Fisco a comprovar, de forma
individualizada, a origem dos recursos depositados, não logre demonstrá-la
mediante a apresentação de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1103-000.428
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a parcela do crédito tributário correspondente a omissão de receitas apurada com base nos depósitos bancários relacionados como "depósito em
dinheiro" no demonstrativo de fls. 94 e 95, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recketenvald
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ementa_s : Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos Ano-calendário: 2003 e 2004 Ementa: IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não cabe a presunção de omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, inferida a partir de depósitos bancários efetuadas em espécie, que têm como origem, conforme lançamentos na contabilidade, a conta Caixa. Na espécie, caso se comprovasse que os saldos de Caixa são insuficientes para suportar as transferências para Bancos, hipótese não caracterizada nestes autos, caberia uma das presunções de que trata o art. 281, do RIR/99, isto 6, a presunção de omissão de receitas por saldo credor de caixa. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Quando a escrita contábil, mantida pelo contribuinte, impossibilita a identificação das operações que justificariam depósitos bancários, presume-se caracterizada a omissão de receitas, no valor destes depósitos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, desde que o contribuinte, regularmente intimado pelo Fisco a comprovar, de forma individualizada, a origem dos recursos depositados, não logre demonstrá-la mediante a apresentação de documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a parcela do crédito tributário correspondente a omissão de receitas apurada com base nos depósitos bancários relacionados como "depósito em dinheiro" no demonstrativo de fls. 94 e 95, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-04-06T14:39:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-04-06T14:39:53Z; Last-Modified: 2011-04-06T14:39:53Z; dcterms:modified: 2011-04-06T14:39:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c162f525-42b7-4cbe-ac0c-17fd5f75d815; Last-Save-Date: 2011-04-06T14:39:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-04-06T14:39:53Z; meta:save-date: 2011-04-06T14:39:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-04-06T14:39:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-04-06T14:39:53Z; created: 2011-04-06T14:39:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-04-06T14:39:53Z; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-04-06T14:39:53Z | Conteúdo => SI-CIT3 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.001231/2006 -53 Recurso n° 174189 Voluntário Acórdão IV 1103-00.428 — la Camara / 3' Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2011 Matéria Auto de Infração - IRPJ Recorrente CASA BEHAR PASSAGENS TURISMO E CAMBIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos Ano-calendário: 2003 e 2004 Ementa: IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não cabe a presunção de omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, inferida a partir de depósitos bancários efetuadas em espécie, que têm como origem, conforme lançamentos na contabilidade, a conta Caixa. Na espécie, caso se comprovasse que os saldos de Caixa são insuficientes para suportar as transferências para Bancos, hipótese não caracterizada nestes autos, caberia uma das presunções de que trata o art. 281, do RIR/99, isto 6, a presunção de omissão de receitas por saldo credor de caixa. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Quando a escrita contábil, mantida pelo contribuinte, impossibilita a identificação das operações que justificariam depósitos bancários, presume-se caracterizada a omissão de receitas, no valor destes depósitos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, desde que o contribuinte, regularmente intimado pelo Fisco a comprovar, de forma individualizada, a origem dos recursos depositados, não logre demonstrá-la mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a parcela do crédito tributário correspondente A. omissão de receitas apurada com base nos depósitos bancários relacionados como "depósito em dinheiro" no demonstrativo de fls. 94 e 95, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A\LOYSIO J 0. É CINI• DA SILVA - Presidente GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD - Relator EDITADO EM: /. Cil`)(111 1! L. Lw P-articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, (Presidente), Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correa Sotero, Mario Sérgio Fernandes Barroso e Gervasio Nicolau Recktenvald. r 2 Processo n° 18471.001231/2006-53 • Sl-C1T3 Actirdao 6.° 1103-00.428 Fl. 2 Relatório A empresa CASA BEHAR PASSAGENS TURISMO E CAMBIO LTDA., CNPJ 33.007.394/0001-69, veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela 5a Turma da DRJ do Rio de Janeiro, que negou provimento à impugnação, conforme registra o Acórdão n° 12-21.117, de 22 de setembro de 2008. 0 referido julgamento, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com os correspondentes acréscimos legais, marcados com a aplicação de multa de oficio de 75% (fl. 97), originados de presumida omissão de receita por depósitos bancários de origem incomprovada. Compulsando os autos, vê-se que matéria discutida cinge-se A. tributação, desenvolvida pela DIFIS do Rio de Janeiro, de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, presumida nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, relativamente ao ano calendário de 2003 e 2004, anos ern que a empresa adotou a tributação pelo lucro presumido, apoiada em escrituração contábil (fl. 42 e 79), cuja sistemática foi mantida no lançamento pelo Fisco. 0 procedimento foi iniciado em 01/02/2006 (fl. 01), intimando-se a fiscalizada a apresentar o contrato social e alterações, os livros contábeis e fiscais e os extratos bancários concernentes aos anos de 2003 e 2004. Apresentada a documentação, o fisco intimou a recorrente a justificar a origem de uma relação individualizada de depósitos bancários, efetuados no Banco do Brasil, na conta corrente número 407.266-9. Em resposta, aparentemente, a recorrente justificou parcialmente os depósitos constantes nessa relação. Diz -se "aparentemente", pois o fisco, sem maiores considerações, na sequência, emitiu uma reintimação (fl. 89/90), onde foram relacionados diversos valores constantes da intimação anterior, quase todos relacionados a depósitos em dinheiro, os quais deveriam ter sua origem justificada. Em resposta (fl. 93), a empresa alegou que os depósitos em dinheiro, constantes da relação, eram concernentes a recursos do caixa, transferidos para a conta bancária. Ainda, a recorrente ateve-se, especialmente, a um depósito, de R$ 52.000,00, o qual justificou dizendo tratar-se de uma operação de compra de moeda estrangeira a Dillon S/A, cuja operação comprovou coin documentos. Sem maiores considerações, o fisco lavrou termo de verificação fiscal (fl. 94), em que diz considerar os valores reintimados como representativos de receita omitida, pois a empresa não teria logrado justificar a origem desses depósitos. Em decorrência, lavrou quatro autos de infração - IRPJ, CSLL, PIS e COFINS - no valor total de R$ 45.488,29. Tal autuação foi quantificada com base no lucro presumido, opção já adotada pela empresa nos dois anos autuados, aplicando-se o percentual de presunção do lucro, para o Imposto de Renda, de 32%, uma vez que a empresa opera com prestação de serviços na area de agenciamento de turismo. A autuação foi notificada à recorrente em 31/10/2006 (fl. 96), que a impugnou, r-npestivaniente, em 27/11/2006 (fl. 151). Em sua defesa, a recorrente alegou que os depósitos bancários têm origem na onta caixa, suprida pelas operações de turismo desenvolvidas. Quanto ao depósito de R$ 2.000,00, diz tratar-se de urna operação de câmbio feita com a empresa Dillon, cujos documentos nexa. Para cimentar o que afirma, a recorrente juntou demonstrativo em que mostra as operações ue supriram a conta Caixa, origem dos depósitos bancários. Ainda, alega que os dois depósitos bjeto de intimação, de 02/05/2003, ambos de R$ 9.000,00, de fato seriam apenas urn, pois o egundo teria sido estornado em vista de erro do Banco depositário. Por fim, requer a procedência a Impugnação. Encaminhada a impugnação para a decisão administrativa, a DRJ do Rio de aneiro, em 22 de setembro de 2008, através da 5" Turma, efetuou o julgamento em Primeiro Grau, egistrado no acórdão IV 12-21.117 (fl. 467), com as seguintes ementas: OMISSÃO DE RECEITA: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de deposito ou investimento mantida junto a instituição .financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO, PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação , de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da intima relação de causa e efeito. Conforme se observa, a DRJ manteve integralmente o lançamento, com base na Itndamentação de que a empresa não logrou comprovar através do fluxo financeiro do 'Demonstrativo" construido na impugnação, de que teria saldo na conta caixa, suficiente para ustificar os depósitos bancários que a fiscalização indicou corno omissão de receitas no ano calendário de 2003 e 2004. Conclui que "desta forma, não conseguiu a impugnante comprovar 7tte os depósitos bancários em discussão tem origem em recursos de operações de venda a f..lientes de seus produtos" (fl. 472). Inconformada corn a decisão, da qual foi notificada em 27/10/2008 (fl. 476, v.), tempestivamente, em 14/11/2008, a interessada interpôs recurso voluntário, repisando, basicamente, as arguições da impugnação (fl. 477). Primeiramente, alega que os recebimentos de passagens não são receitas da suplicante, mas são valores recebidos e repassados. Acentua que apenas as comissões recebidas representam receita da recorrente. Em segundo plano, alega que os documentos juntados na impugnação comprovam a origem dos recursos autuados, o que estaria novamente comprovando através do anexo I do recurso voluntário. Mais adiante, alega o indevido cômputo, na autuação, do valor de R$ 9.000,00, registrado em duplicidade no extrato em 25.05.2003, que teria sido estornado quando do segundo cômputo, conforme estariam comprovando os documentos do anexo H do Recurso Voluntário. 4 Processo n" 18471.001231/2006-53 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.428 Fl. 3 A seguir, contesta a conclusão do Acórdão recorrido, de que o valor depositado, de R$ 52.000,00, no estaria justificado através da operação de câmbio que menciona. Por fim, pede o deferimento do recurso voluntário, com o consequente cancelamento das exigências formuladas nos autos de infração de IRPJ e reflexos. É o Relatório. 5 Voto Conselheiro GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD, 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, é conhecido. Conforme relatado, a exigência fiscal constituída neste processo envolve omissão de receita presumida corn base no art. 42 da Lei n° 9.430/96 (depósitos bancários de origem não comprovada), relativamente aos anos calendário de 2003 e 2004 (fl. 97). Sobre a receita assim determinada, o lucro tributável foi presumido pelo fisco, mantendo, portanto, a opção da recorrente, que já havia adotado, nos dois anos fiscalizados, essa sistemática. Cabe frisar, ainda, que segundo os autos, a empresa mantinha escrituração contábil (fl. 42 e 79) nos dois anos fiscalizados, a qual não foi desclassificada pelo fisco, o que se infere da manutenção do lucro presumido. Quanto a base tributada nestes autos, verifica-se que a quase integralidade desses depósitos, caraeterizadores da presumida omissão de receita, foi efetuada em espécie (dinheiro), o que é confirmado pela contabilidade, pelo relatório fiscal (fl. 94/95) e pelos extratos bancários. E segundo a defesa, o que não é desmentido pelo Fisco em seu termo de verificação (fl. 94), esse dinheiro, depositado em espécie, teve como origem a conta Caixa. Nesse panorama, existindo contabilidade, tida como boa pelo Fisco, e demonstrado que os valores levados a Bancos tinham sua origem em créditos contabilizados na conta Caixa, não há que se falar em presunção de omissão de receita, pois a própria contabilidade informa a origem dos depósitos bancários. Diante disso, corn a devida vênia aos que pensam diferente, no meu modo de ver não cabe a aplicação da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 por não ajustada à situação em tela. Caberia, no máximo, a presunção do art. 281 do RIR199 — saldo credor de Caixa — isto se tivesse sido comprovado que o Caixa, após auditado, não contivesse recursos suficientes para suportar os depósitos bancários contabilizados a débito de Bancos, com contrapartida em crédito de Caixa. Alias, essa é a fundamentação da DRJ, que embasou sua decisão na arguição de que a recorrente não logrou comprovar, através do fluxo financeiro do "Demonstrativo" construido na impugnação, de que teria saldo suficiente, na conta Caixa, para suportar os depósitos bancários em dinheiro que a fiscalização indicou como presumida omissão de receitas. Todavia, não foi essa a fundamentação da autuação, pois o Fisco se limitou a aplicar a presunção do art. 42, sem auditar a conta Caixa para mostrar eventual saldo credor desta conta. Ademais, caso comprovasse saldo credor, este deveria ter sido utilizado como base tributada, e não os depósitos bancários tidos como incomprovados por suposta insuficiência de caixa. Assim, não podeprosperar a decisão referida, pois é inquestionável que os depósitos em tela tiveram origem na conta Caixa, e o Fisco não desclassificou a escrita por imprestável e também não comprovou saldo credor de Caixa. 6 '1'11 ■ 111.•••■- Of T9 RECKTENVALD Processo n° 18471.001231/2006-53 SI-C1T3 Ac6rd5o n.° 1103-00.428 Fl. 4 A parte isso, convém ressaltar que a hipótese de saldo credor de Caixa, embora não trabalhada pelo Fisco, não deve se configurar no caso, pois os dados que refletem a situação financeira da empresa, informados nas DIPJs, mostram significativos saldos de Caixa/Bancos, além de uma receita declarada bem superior à pretensa omissão de receita, o que afasta as suspeitas de insuficiência de Caixa. Diante disso, afasto a omissão de receita presumida a partir dos depósitos bancários efetuados em dinheiro, listados na planilha de fls. 94 e 95, em cujo histórico é mencionada tal situação ("Depósito em dinheiro"). Quanto aos demais valores, de R$ 14.400,00 em 19/03/2003, de R$ 9.900,00 em 03/04/2003, de R$ 5.000,00 em 30/03/2004 e de R$ 9.000,00 em 21/07/2004, mantenho a tributação sobre a omissão presumida, por incomprovadas as origens desses depósitos bancários, nos termos do previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário. r\utx"-±o GERV'ApIO NICOL 7
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